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Numero do processo: 10166.914107/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012
COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (art. 170-A do CTN).
Numero da decisão: 1302-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente Centrais Elétricas Brasileiras S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (art. 170A do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0127.685 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 41 07 /2 01 2- 40 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. A sentença judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário e seus efeitos, não extingue o crédito tributário, e, portanto, não assegura a liquidez e certeza necessária para a utilização do respectivo crédito do tributo, na compensação. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÕES. É vedada a utilização de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, na compensação de débitos tributários, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão recorrido assim se manifestou sobre o mérito da questão sub examine: “O cerne do litígio gira em torno da existência de parcela do direito creditório, em especial a estimativa mensal de CSLL, mês de nov/2008, no valor de R$ 22.153.629,01, compensada no PER/DCOMP nº 34733.50849.221208.1.3.025619. A unidade de origem não reconheceu esta parcela do direito creditório, pelo fato da compensação ter sido considerada não declarada nos autos do processo 14033.000024/200932. Em sua impugnação, a recorrente alega que, por meio de ação judicial ainda em curso, obteve tutela antecipada que lhe garantiu a compensação da estimativa mensal. E mais, que a decisão determinou que a RFB se abstivesse de inscrever qualquer débito decorrente em Divida Ativa, e garantiulhe a expedição de certidão positiva com efeito de negativa. A respeito da extinção dos créditos tributários por meio de compensação, assim reza o CTN: Art. 170... Art. 179A.... A teor da decisão exarada, diversos são os motivos para não se reconhecer o crédito de estimativa da recorrente. Primeiro, não é verdade que a recorrente tenha conseguido a compensação da estimativa mensal por meio da antecipação de tutela. Muito pelo contrário, o item 3 da decisão judicial revela, expressamente, a negação ao pedido de compensação. Segundo, mesmo que houvesse a compensação judicial, o crédito dela decorrente não gozaria da liquidez e certeza necessária à compensação, nos termos do art. 170 do CTN, enquanto não transitado e julgado a decisão. Terceiro, o art. 170A do CTN veda a utilização de crédito de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Notese ainda que tutela judicial obtida pelo sujeito passivo diz respeito exclusivamente à suspensão e aos efeitos da exigibilidade do crédito tributário de estimativa mensal. De forma alguma, assegurou qualquer liquidez e certeza a compensação pleiteada, nem regulou possíveis efeitos da extinção do crédito tributário por meio da compensação. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.914107/201240 Acórdão n.º 1302001.617 S1C3T2 Fl. 167 3 Da conclusão Ante tudo exposto, voto no sentido de não reconhecer o direito creditório e julgar a Manifestação de Inconformidade improcedente. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0127.685 em 20/01/2014 (AR a fls. 138), interpôs, em 13/02/2014, recurso voluntário (doc. a fls. 139 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que em 18/01/2013, a recorrente “tomou ciência do despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas com base no crédito informado no processo administrativo nº 10166.914.107/201240 e informado nas PER/DCOMP nº 37128.62062.090812.1.36026 referente àss compensações do Pasep do mês de junho/12 no valor de R$ 527.686,48 e PER/DCOMP nº 26376.01094.040512.1.7.036393 e da COFINS do mês de Dezembro/11 no valor de R$ 13.852.201,57, com fundamento no art. 168 do CTN, Inciso II, § 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, art. 4º da IN SRF 900/2008 e art. 74 da Lei 9.430, de 1996” [sic]; b) que a decisão recorrida não considerou o valor de R$ 22.153.629,01 relativo à CSLL estimativa de novembro/2008 e, com isso, o SNCSLL AC 2008, no valor de R$ 13.446.091,21, formado por estimativas quitadas no ano referido ficou prejudicado conforme análise complementar do direito creditório que estão arquivadas no processo nº 10166.729089/201201 – fls 04 à 24 – vide fichas 16 e 17; c) que os R$ 22.153.629,01 relativo à CSLL estimativa de novembro/2008 não poderiam ser desconsiderados, “tendo em vista a decisão judicial que garantiu à Recorrente o direito de compensar este crédito que não foi homologada a compensação objeto do PER/DCOMP nº 34733.50849.221208.1.3.025619”[sic], relativa ao Processo administrativo nº 14033.000.024/200932, e que não foi homologada devido as alterações introduzidas pela MP 449, de 03 de dezembro de 2008, que inadimitiu a compensação dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e CSLL; d) que as restrições impostas pela MP 449 foram suprimidas por ocasião da sua conversão da Lei 11.941/09; e) que a recorrente obteve nos Autos do Processo 2009.34.00.0379062, em curso na 14º Vara Federal – Seção Judiciária do Distrito Federal, antecipação de tutela garantindolhe a compensação do valor de R$ 22.153.629,01 (vinte e dois milhões, cento e cinquenta e três mil, seiscentos e vinte e nove reais reais e um centavo) relativo à estimativa mensal de novembro de 2008, considerado como não declarado pela Receita; f) que a decisão judicial, além de deferir a antecipação de tutela, determinou à Receita Federal que se abstenha de inscrever qualquer débito decorrente em Dívida Ativa e garantiu a expedição de certidões de débitos com efeito de negativa, nos termos do art. 206 do CTN; g) que a antecipação de tutela, inicialmente indeferida, foi posteriormente concedida, depois que a recorrente ofertou como garantia do juízo 701.986 ações da CTEEP; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 h) que, recentemente, no dia 22/01/2014, o Juiz da 14ª Vara Federal julgou procedente o pedido para determinar que a Fazenda admita a compensação dos créditos pretendidos tal como pleiteado. i) que requer seja reformado o acórdão recorrido, com a homologação das compensações efetuadas nos PER/DCOMPs nºs 26376.01094.040512.1.7.036393 e 37128.62062.090812.1.36026. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 148, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, alerto que está em julgamento, nestes autos, apenas a PER/Dcomp 26376.01094.040512.1.7.036393, a qual está a fls. 115 e segs. Por ela, a recorrente solicitou a compensação de débitos de Cofins, do PA 12/2011, valor principal R$ 13.852.201,57, com crédito de SNCSLL AC 2008, no valor original de R$ 13.446.091,21. O Despacho Decisório, a fls. 11 e segs., não homologou, pois não apurou a existência de SNCSLL no AC2008, se não vejamos os seguintes dados informados: Estimativas pagas e compensadas Per/Dcomp R$ 343.290.298,83 Estimativas pagas e compensadas confirmadas R$ 321.136.669,82 CSLL devida R$ 329.845.192,62 Ou seja, a conclusão, no despacho Decisório, foi que, além de não existir SNCSLL no AC 2008, ainda existia uma valor devido, já que a CSLL devida era superior aos pagamentos e compensações de CSLLestimativas no período. A diferença entre o valor das estimativas pagas e compensadas informadas na PerDcomp e o valor confirmado no referido despacho, monta R$ 22.153.629,01. Esse valor é justamente o que a recorrente informou na PerDcomp a fls. 122, como CSLLestimativa compensada do mês de nov/2008. Afirma a recorrente que o seu direito à compensação da CSLLestimativa do PA 11/08 foi assegurado por decisão judicial e, por isso, reclama o direito ao SNCSLL AC 2008 que resultaria de tal compensação. A recorrente não tem razão, pois não houve ainda o trânsito em julgado da decisão da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília, já que pendente de julgamento a remessa obrigatória, logo, seria uma afronta ao art. 170A do CTN conceder qualquer direito creditório decorrente de decisão judicial antes de seu trânsito em julgado. Segundo, a tutela antecipada que lhe foi concedida foi apenas para suspender a exigência do crédito fiscal, determinar a expedição de certidão e a nãoinscrição ou suspensão da inscrição em Dívida Ativa, não tendo o condão de lhe garantir, desde já, o eventual SNCSLL AC 2008 que será gerado em caso de se tornar definitiva a decisão de autorizar a compensação da CSLLestimativa do PA 11/2008. Aliás, esta mesma discussão se Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.914107/201240 Acórdão n.º 1302001.617 S1C3T2 Fl. 168 5 estabeleceu no processo judicial em tela, sendo que a decisão do Juiz Jamil Oliveira foi bastante clara neste sentido, razão pela qual a seguir a transcrevo: “Vistos, em decisão Pela decisão de fls. 13640, a antecipação de tutela foi concedida, para, à vista de caução, suspender a exigência do crédito fiscal, determinar a expedição de certidão (art. 206 do CTN), e a nãoinscrição ou suspensão da inscrição em Dívida Ativa. Pela decisão de fls. 193, o TRF, ao fundamento de que não se admite a compensação de tributo por antecipação de tutela, deu provimento ao agravo. A questão não era essa, por isso que a juíza processante entendeu que a decisão de antecipação de tutela ainda prevalecia, cf. decisão de fls. 217. ..........................................................................” A mesma orientação está contida no parágrafo 18 da Sentença do Juiz Jamil Oliveira, se não vejamos o seu teor: “18 A compensação farseá, mediante ato do próprio contribuinte na sua escrita fiscal, com tributos de qualquer natureza, desde que administrados pela Receita e somente poderá ser efetiva após o trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, com a introdução levada a efeito pela Lei Complementar nº 104, de 2001.” Observo que as decisões acima referidas foram obtidas na página do Tribunal Regional Federal da 1ª Região na “Internet” (www.processual.trf1.jus.br). Por último, ressalto que não é caso de concomitância entre este processo e o judicial, pois, neste, discutese a compensação de SNIRPJ com o débito da CSLLestimativa do PA 11/2008; já, naquele, discutese a compensação do SNCSLL AC 2008 com débito de Cofins. Ademais, ainda que venha a ser confirmada a compensação no processo judicial, em nada mudaria a situação destes autos, pois, à época em que formulado o PerDcomp não existia direito líquido e certo ao direito creditório que se pleiteia. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000027/2005-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento.
ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-000.043
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de
Voto.
Nome do relator: Walber José da Silva
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
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Fl. 374 _'..,'••;7 • 14"4.7 MINISTÉRIO DA FAZENDA ".:1r:- .• ,:.-,'; " CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1F; Processo n° 10247.000027/2005-86 Recurso n° 142.986 Embargos Acórdão n° 3302.00.043 - 3' Câmara 12" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2009 Matéria Ressarcimento de PIS Não Cumulativo Embargante PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL (UNIÃO) Interessado JARI CELULOSE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3 a CÂMARA / 2 TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão if 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de Voto. 3302.00.045 " A-Ck/' Q/U0AtiU•OL 614-2 ' AOSEF MARIA COELHO MARQUES -k) Presidente C\j`k 1 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 375 ft 71 (11, WALBER JOSÉ DA ILVA Relator! Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjã.o Barreto Relatório No dia 02/02/2005 a empresa JARI CELULOSE S/A, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS não-cumulativo, previsto no § do art. 5 da Lei n' 10.637/2002, relativo ao 4' trimestre de 2004. A DRF em Monte Dourado — PA deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito do PIS só alcança os insumos "diretamente ligados à produção específica de celulose (produto final a ser vendido)" e também porque no crédito pleiteado foi incluído: 1- despesas bens do ativo imobilizado 2- despesas relativas à parte florestal 3- despesas relativas à manutenção de equipamentos 4- despesas relativas ao tratamento de água e a geração de energia elétrica comercializados na vila Monte Dourado; 5- notas fiscais de produtos e serviços pós-produção - Inconformadas com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2' Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão ri. 2 01-8.404, de 04/06/2007, ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos do PIS as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo. Ciente desta decisão em 05/07/2007, a interessada ingressou, no dia 03/08/2007, com o recurso voluntário de fls. 229/242, no qual alega que: 1- tem direito ao crédito do PIS sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; WVIL 2 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 376 2- tem direito ao crédito do PIS sobre os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; 3- tem direito ao crédito do PIS sobre os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; 4- tem direito ao crédito do PIS sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; 5- sobre o crédito deste processo deve ser aplicada a taxa Selic desde a data da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 17/10/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 265. Na sessão do dia 02/06/2008 a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuitnes julgou o recurso voluntário, dando-lhe provimento parcial, nos termos do Acórdão n2 201-81.148 (fls. 283/289). Ciente do julgado em 10/09/2008, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (União) apresentou os embargos de declaração de fls. 293/298, alegando a existência de contradições no acórdão. Submetido os embargos de declaração à apreciação deste Conselheiro, foi emitido o Parecer de fls. 302/303, propondo o seguimento dos embargos exclusivamente quanto à contradição afeta às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. O Senhor Presidente da Segunda Seção do CARF acolheu o parecer acima e determinou a inclusão em pauta destes embargos, conforme Despacho de fls. 304/308. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator Os embargos de declaração são tempestivos e, na forma regimental, foram admitidos pela Presidente da Segunda Seção do CARF. Como relatado, a PGFN (União) apresentou embargos de declaração alegando a existência de contradições no Acórdão n2 201-81.148. O Senhor Presidente deu seguimento aos embargos quanto à contradição relativa às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. JP-k 3 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 377 Para facilitar a execução do julgado e a eventual interposição de recurso especial por parte da União e da empresa interessada, refiz integralmente o voto condutor para retificar a contradição apontada pela embargante e para melhor detalhar os custos e despesas com direito ao crédito do PIS reconhecido no acórdão embargado. A recorrente requereu o ressarcimento de crédito de PIS/Pasep do 4° Trimestre de 2004, previsto no § 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e no art 62 da Lei n2 10.833/03, que abaixo transcrevo, este dispositivo aplica-se ao PIS/Pasep por força do disposto no art. 15, desta mesma Lei n2 10.833/03. Art. 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004). III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1' Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. . § 3C O disposto nos §§ e 2' aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8' e do art. 3'. (grifei). § O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1' não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3 2, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. É o caso das despesas com frete na venda, o 4 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 378 energia elétrica, depreciação de imóveis, etc., que não são insumos, mas dão direito a crédito passível de ressarcimento. Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação do produto exportado podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no art. 5 2 da Lei n2 10.637/02. Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo fabricação ou produção do bem exportado. A despega pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou a fabricação do bem exportado, a exemplo da despesa com frete de insumos e armazenagem de mercadorias acabas (inciso IX do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03). No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão, sim, vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria-prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. Portanto os respectivos créditos de Cofins são passíveis de ressarcimento. Claro que os insumos empregados na produção de madeira (defensivos agrícolas, fertilizantes, serviço de corte, etc.), os fretes dos insumos e os combustíveis vinculados à produção de madeira dão direito ao crédito do PIS (arts. 3 2, II, e 15 da Lei n2 10.833/03). Estando estes custos de produção de madeira vinculados à receita de exportação de pasta de celulose, os respectivos créditos são passíveis de ressarcimento, como acima se disse. Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril próprio entendo que não há previsão legal para o crédito com estes dispêndios. Obra de construção civil (prédios, estradas, etc) não é insumo. A previsão . é para as despesas com depreciação dás edificações e benfeitorias realizadas em prédio próprio Ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, conforme dispõe o inciso VII do art. 3 2 e seu § 1 2, inciso III, da Lei n2 10.833/03L Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de PIS dos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- Serviços Silviculturais; 2- Serviços Florestais Produção; 3- Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1- Manutenção de Vias Permanentes; 3.2- Terraplanagem e Manutenção de Estadas; • 5 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 379 3.3- Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4- Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados 'na produção de madeira usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 5- Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6- Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; Quanto aos créditos do PIS sobre insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado entendo que não há previsão legal para o seu ressarcimento, posto que o produto (energia elétrica e água potável) não foi exportado. A utilização desses créditos segue a regra do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03. Com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento de crédito do PIS não-cumulativo, ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para o pleito da recorrente. Ao contrário, há vedação expressa (§ 5 2 do art. 51 da IN SRF n2 460/04). No mais, com fulcro no art. 50, § 1 2, da Lei n9 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n2 201-81.148, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário - para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos do PIS relativo aos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- aquisição de insumos, combustíveis, lubrificantes e serviços (acima especificados) empregados na produção de madeira, esta usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 2- despesas com serviços empregados na produção de madeira, desde que não sejam obras de construção civil e serviços de pesquisa, desenvolvimento, planejamento e controle florestal; 3- despesas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais e agrícolas, desde que não incorporados ao ativo imobilizado; Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (- • .) § 1 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. • 6 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 380 4- frete relativo ao transporte de insumos usados na produção de madeira e frete da madeira produzida pela interessada. Sala das Sessões, em / 8 de julho de 2009 OWAL J SE DA LVA Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme se verifica do relatório e dos termos do voto do eminente relator, trata-se de Embargos de Declaração apresentado contra o acórdão n 2 201-81.144, proferido em pedido de ressarcimento de crédito de PIS, com base no artigo 52 da Lei n2 10.637/02. Para melhor esclarecer os termos do acórdão mencionado, o Ilustre Relator passeou novamente pelos argumentos trazidos a lume quando do julgamento do pedido de ressarcimento de PIS, pautado na sistemática não cumulativa, razão pela qual eço vênia para reproduzir todo meu entendimento acerca da questão. A contribuinte, ora Embargada, por possuir atividade eminentemente exportadora, praticamente não tem seus produtos sujeitos à incidência de PIS/Cofins (saída desonerada). Todavia, mantém o direito ao crédito dos tributos pagos quandO da compra de insumos, possibilidade decorrente da característica específica do regime não Cumulativo. Tal fato gera a cumulação de créditos de PIS e Cofins na contabilidade da Agravada que, impedida de compensar por ausência de débitos, pode, conforme autorização legal, solicitar o ressarcimento dos valores em espécie. Nestes termos determina o dispositivo legal: "Art. 5 A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § l' Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3" para fins de: 1\- 7 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 381 I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § F, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. "(Destaquei) Corretíssimo, portanto, o ínclito Julgador Relator, que da seguinte forma resume a questão "não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 32 da Lei n2 10.833/03 (10.637/02) passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não someiite os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. Pois bem. A decisão de primeira instância administrativa se manifestou no sentido de inexistência do direito ao crédito - Acórdão n 2 01-8.406/07 — "ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo." (termos do relatório) A Delegacia da Receita Federal e a Delegacia de Julgamento nitidamente entenderam o crédito de PIS/Cofins da mesma forma como costumeiramente interpretam os créditos de IPI, aplicando-lhes as mesmas restrições e considerando como idênticas suas características e particularidades. Em virtude deste fato e da constatação de que a Secretaria da Receita Federal tem reiteradamente cometido este equívoco — o que se percebe da análise das respostas à consulta proferida pela entidade — entendo por prudente realizar uma prévia analise acerca das evidentes diferenças entre os sistemas não cumulativos do IPI e PIS/Cofins, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários em cada regime. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o =i1 IS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias — ICMS — e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado — IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras - por aplicarem as normas - e as autoridades administrativas de julgamento - por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré-estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiu-se, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03,Iposteriormente k 8 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 382 convertidas nas Leis Ordinárias n° 10.637/02 — PIS — e n°10.833/03 — Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional n° 42 (EC n° 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ,55. 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos 1, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (-)" Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, - especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua "existência", pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPPICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença toma evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesmá riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estar-se-á diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no alimento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, refere-se à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB 'Thomsom, 2004: "Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto 'receita 'e não 'produto '." O critério "receita", ao contrário do critério "produto", não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, "um ciclo econômico a ser considerado, posto ser 9./)\tsÀç.„'-\r‘i Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 383 fenômeno ligado a uma única pessoa". Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e está particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de "imposto sobre imposto", importando-se com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infra-constitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Além deste critério diferenciador, adoto também, pelo brilhantismo da percepção e fundamento, as razões trazidas a este Colegiado pelo eminente Conselheiro Relator Walber José da Silva. Em seu voto, o relator esclarece que entende diferentes os regimes em virtude de os incisos II e III do parágrafo 3 0, referirem-se, especificamente, à aplicação do direito ao crédito em relação aos "custos e despesas incorridos" pelo contribuinte. "Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado (celulose), apurados na forma prevista no art. 32 da Lei n2 10.63 7/02, são passíveis de ressarcimento. Nesse passo, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos dos insumos (matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem e outros) empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todas as despesas necessárias ao aferimento da receita de exportação, desde que gere crédito na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.637/02, 10 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 384 pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágrafos 1 2 e 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN SRF n° 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original." Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pela decisão da DRJ, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Finalizada esta análise preliminar, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Embargada são desta forma considerados pela legislação do PIS/Cofins. Dos fatos relatados, constato que a Embargada requer créditos sobre: (i) os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; (ii) os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; (iii) os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; (iv) os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; Em principio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COF1NS difere daquele utilizado para ICMS/IPI. Nos termos do II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, para fim de se aferir a não cumulatividade destas contribuições, são entendidos como insumos: -"Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 2' a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° • 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3' do art. 1' desta Lei; b) no § .1" do art. 2' desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como instinto na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2' da Lei n" 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III- (VETADO) 11 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 385 /V — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII - edifkações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica." O primeiro insumo pretendido consiste naqueles empregados na produção da matéria-prima própria (floresta para extração de madeira) destinada à - produção de celulose. São adubos, terra, produtos, etc. Ao cotejar com os termos legais, entendo que o crédito pleiteado enquadra-se dentre os bens utilizados como insumo na produção da celulose e, conseqüentemente, do produto final exportado (inciso II acima citado). A redação do dispositivo legal é clara, e define como insumos os bens e serviços utilizados na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Tal definição observa que o crédito decorre da aplicação do insumo na produção e fabricação de produtos, ao que concluo que o legislador pretendeu estender o beneficio do crédito tributário a todos os insumos utilizados no processo de produção de mercadorias ou serviços. Neste ponto, a interpretação do conceito de insumo para fim das contribuições ao PIS e Cofins é diametralmente oposta àquela atualmente adotada pela Secretaria da Receita Federal nas hipóteses de não cumulatividade do IPI. É que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado, bem como não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. A questão é que, para a produção daquela mercadoria final, o componente utilizado era indispensável. Esta situação fica evidente ao se refletir acerca dos insumos envolvidos com a prestação de serviços, os quais, da mesma forma que no processo produtivo de mercadorias, geram créditos. Não há meios de se aferir a relação destes insumos — se direta ou indireta — com os serviços prestados, ao que concluo que estes requisitos são legalmente irrelevantes para a significação do conceito de insumo. ç %12 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 386 Mencionada conclusão merece guarida posto que realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise. O critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi necessário para se alcançar aquela determinada receita financeira naquele específico mês e, na seqüência, verificar se há vinculação à produção, ou seja o insumo foi utilizado na produção. O doutrinador Marco Aurélio2, analisa este critério de inerência: "Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na não-cumulatividade do PIS/COFINS apóia-se na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação — que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá — em princípio — direito à dedução." É exatamente em razão deste critério de inerência à formação da receita e utilização na produção do bem exportado, que entendo que todos os custos e despesas referentes aos insumos necessários à produção da celulose, constituem em créditos para a Embargante. O segundo crédito pleiteado refere-se aos valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata. Também entendo, neste caso, pela aplicação do inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Parece-me claro que, para viabilizar sua atividade, a qual é a fonte de sua receita, a Embas.gante necessita dos serviços de frete, responsável pelo trânsito dos produtos produzidos. Da mesma forma, por ser inerente ao frete e à atividade, a utilização de combustível, concluo pela possibilidade de crédito. O terceiro insumo pleiteado justifica-se pelos serviços de manutenção do parque fabril da Embargada. Não encontra direito esta solicitação da Embargante e foi exatamente este o ponto embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O voto recorrido encontrava-se contraditório em relação à esta possibilidade de crédito. 'iksk 2 in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), citado por Eduardo de Carvalho Borges (in "Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias", Tributação no Agronegócio, Quartier Latin) 13 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 387 É que o pleito está fundamentado no custo necessário à manutenção do estabelecimento fabril de propriedade da Embargada, enquanto o inciso VII da Lei n° 10.637/02 é claro ao permitir a concessão do crédito apenas se o gasto for reàlizado com bens de terceiros, "edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária." Todavia, importa registrar, para restar ainda mais esclarecido, que o custo despendido com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado, geram direito ao crédito, nos termos do inciso VI do já mencionado artigo 3°. Por último, em quarto lugar a Embargada pleiteia crédito sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica, os quais são comercializados para a Vila Monte Dourado. Conforme esclarecido, para o desenvolvimento de sua atividade, a Embargada necessita providenciar os requisitos básicos à existência da "cidade" Vila Monte Dourado. Trata-se de questão peculiar à Embargada que, por razões diversas, constituiu seu empreendimento no interior do Estado do Pará, longe dos centros urbanos o suficiente para que não exista acesso dos moradores da Vila à energia elétrica e água potável. Em virtude desta situação específica da Embargada, para que exista a mão de obra necessária ao exercício de sua atividade, é a própria empresa que provê as condições básicas para a manutenção do povoado. Logo, apesar de aparentemente não haver qualquer relação entre o objeto social da contribuinte e a venda de água e energia elétrica, particularmente, para o caso em específico, estas atividades tornaram-se inerentes ao processo de produção da Embargada. Atendida a exigência de inerência do processo produtivo, seria de se entender que a Embargada possui direito aos créditos pleiteados. Todavia esta interpretação não merece guarida. Sim, é fato que a Embargada tem direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo em virtude de sua situação específica, entretanto, não da forma pleiteada. Nos termos requeridos, a Embargada pleiteia o ressarcimento de créditos em razão do artigo 5°, inciso I, da Lei n° 10.637/02, a saber: "Art. 5' A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior;" Isto é, o crédito decorre da exportação de mercadorias para o exterior. Ocorre que estas mercadorias (energia elétrica e água), não são exportadas, ao contrário, são comercializadas no mercado interno, para os moradores da Vila Monte Dourado. Tal fato inviabiliza a concessão deste insumo. Conforme já registrado pelo Ilustre Relator, tais créditos poderão ser utilizados pela Embargada — desde que válidos, não prescritos — nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, inclusive na escrita contábil, desde que obedecidos os critérios definidos. Ante o exposto, concordo com o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Relator e voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração para RE- 1, 14 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 388 RATIFICAR o Acórdão n2 201-81.144, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito PARCIAL ao ressarcimento de créditos do PIS. É como voto. Sal. das Sessões, em 08 de julho de 2009 • I044W . A - FAB OLA CASSIA001 ERAMIDAS 15
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000941/00-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do Fato Gerador: 02/02/1994, 16/03/1994
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO
Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão a ser recorrida. Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto.
Recurso voluntário não conhecido
Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3102-000.774
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 02/02/1994, 16/03/1994 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão a ser recorrida. Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto. Recurso voluntário não conhecido Crédito tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório O presente processo se refere a lançamentos inerentes ao Imposto sobre as Importações — II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI , acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c art. 106, e art. art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório proferido pela DRJ de origem (fls. 255258): A ação fiscal teve como objeto a verificação do cumprimento dos requisitos inerentes ao regime aduaneiro especial de drawback suspensão, relacionado aos atos concessórios te 1893/8963 e 1893/7959, emitidos, respectivamente, em 24/12/1993 e 10/11/1993, procedimento o qual consta do Relatório Fiscal de fls. 14/31, que é parte integrante dos Autos de Infração acima referenciados, conforme consignado às fls. 04 e 05 dos autos em questão. Concernente ao ato concessório n° 1893/7959, o auditor fiscal responsável pelo lançamento asseverou não haver encontrado nenhuma irregularidade praticada pelo sujeito passivo, conforme o seguinte trecho de seu Relatório Fiscal (fls. 15): Pela análise do RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO DE DRAWBACK em confronto com os Registros de Exportação RE (fls. 193/7), verificação esta efetuada por amostragem nos documentos de importação e exportação que, ampararam as referidas operações, nenhuma irregularidade foi constatada, tendo o contribuinte comprovado as exportações nas quantidades e prazos previstos. Desta forma tal Ato Concessório formará processo apartado com destino ao Arquivo. (grifo nosso) Ressaltou também a autoridade fiscal que algumas das Declarações de Importação — DI, citadas no termo de inicio de ação fiscal, foram objeto de outros I, atos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 3 3 concessórios, cujos procedimentos de fiscalização foram realizados pela DRF Ribeirão Preto. No tocante ao ato concessório n° 1893/8963, apresenta se, abaixo, um resumo das condições inerentes ao incentivo à exportação em tela: Ato concessório n° 1893/8963 (fls. 40/53 e 172/187) Condições quando da concessão Data emissão Prazo exportação (inicial) Comprimissos (condições fiscais) Importação Exportação 24/12/1993 24/12/1994 NCM 8309.90.0000– Fundos (easy open) p/latas troncos piramidais p/acondiciona mento de 12 oz (340importaçã ogr.) de carne bovina cozida corned beet Embalagem cada caixa contém 1296 findos Peso Liquido: 185.000 Kg – Quantidade: 8.500 caixas – Vr. FOB = US$ 711.620,00 NCM 1602.50.9902 – Carne bovina em conserva corned beef Caixas com 24 x 12 oz (340 gr.) cada— Peso líquido: 3569404 Kg – Quantidade: 437.427 caixas – Vr. FOB = US$ 8.311,113,00I mportação sem cobertura cambial = US$ 711.620,00. Aditivos Referente ao ato concessório acima, foram expedidos diversos aditivos, cujas modificações abrangeram, dentre outras, a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 4 4 prorrogação sucessiva do prazo de validade das exportações até 02/02/1996. Nas planilhas de fls. 30/31 estão discriminadas outras alterações de condições estipuladas no ato concessório em tela. Ainda no tocante ao ato concessório n° 1893/8963, a autoridade responsável pela ação fiscal motivou o lançamento frente a diferentes irregularidades cometidas pela empresa autuada, a seguir relatadas. Primeiramente, consta do relatório fiscal que o Banco do Brasil entendera pelo inadimplemento parcial do incentivo, tendo este também cancelado alguns relatórios decomprovação (n° 3002 e 3003) à revelia da beneficiária, "[..] em virtude da não apresentação da documentação comprobatória ais. 178)". Posteriormente, ressalta a autoridade administrativa que a SECEX, diante de esclarecimentos da empresa, reviu sua posição; motivo pelo qual “... efetuou a BAIXA do Ato Concessório sob condição resolutiva ou seja, sujeita a verificação do FISCO FEDERAL e do FISCO ESTADUAL, conforme estabelecido, no artigo 3°, da Portaria MEFP 594/92 (DOU de 26/08/1992)". No intuito de verificar se o regime fora, materialmente, adimplido, a autoridade fiscal intimou a beneficiaria do regime a apresentar diversos documentos, intimação esta que, no entanto, não foi atendida a contento, conforme relatado às fls. 18. Mesmo assim considerando as alterações implementadas pela empresa junto à SECEX nos quantitativos compromissados, o auditor fiscal responsável pelo exame do incentivo observou, que os quantitativos informados nos relatórios de comprovação de drawback de números 1894/4648 (fls. 179) e 1896/5210, anexos 3002 e 3003 (fls. 186/187), "[..] NÃO CORRESPONDEM aos valores efetivos", conforme quantitativos e percentuais discriminados para cada Registro de Exportação às fls. 19/23 (RE na' 94/0572738001, 94/0575197001, 94/0573943001, 94/0598124001, 94/0599440001, , 94/0626587001, 94/0627168001, 94/0654710001, 94/0659408001, 94/0665182001, 94/0671636001, 94/0674932001, 94/0699411001, 94/0699458001, 94/0739976001 e 94/0791880001). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 5 5 Com respeito ao RE n° 95/1044880001, ressaltou que “... este RE não tem vinculo com o Ato Concessório em questão, tratando de operação de EXPORTAÇÃO COMUM — código 80000 UI 87, campo 20, se prestando para comprovação de exportações, grau de inadimplemento neste caso foi TOTAL". Fundamenta seu entendimento no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto n° 91.030/85), e discrimina, às fls. 24, outros Registros de Exportação em situação idêntica a esta, ou seja, sem vinculação a qualquer ato concessório, motivo pelo qual o inadimplemento dos mesmos foi também considerado na sua totalidade. Relata, também, a ocorrência de vinculação de exportações a ato concessório diverso de drawback motivo pelo qual o inadimplemento fora igualmente considerado integral. Foram os seguintes os atos concessórios apontados como nessa condição: 95/0658251001, 95/0691635001, 95/0691539001 e 95/0701237001 (vide fls. 25/26). Posteriormente, a autoridade lançadora aborda questões atinentes à contagem do prazo decadencial no regime de drawback (baseado no artigo 173, inciso I, do CTN), tendo, apresentado, às fls. 28/29, o demonstrativo dos cálculos atinentes ao valor tributável dos produtos a nacionalizar separados por DI. Conforme se vê às fls. 28, o adimplemento regime foi de, apenas, 3,863% do total compromissado (1,263% para caixas contendo carne suína e 2,6% para bandejas contendo carne bovina). Finalmente, o auditor fiscal responsável pelo lançamento assevera que, “Como descrito no Termo de Verificação Fiscal de 17/08/2000 fl. 38/39), NÃO FOI APRESENTADA NENHUMA DOCUMENTAÇÃO ORIGINAL PELO CONTRIBUINTE” Da Impugnação Cientificada dos lançamentos em 20/09/2000 (conforme fls. 03. e 13), a autuada insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 20/10/2000, a impugnação de fls. 231/233, onde se fundamenta, exclusivamente, nas seguintes razões (ipsis litteris): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 6 6 Não procede o levantamento de débito efetuado pelo Sr. Fiscal, relativamente às comprovações referentes ao ato concessório DRAWBACK n° 1893/8963 emitido em 24/12/1993, no valor de R$ 122.988,16. A Autora realizou venda de exportação conforme comprova RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO DE DRAVVBACK" do Banco do Brasil S/A. As condições a serem consideradas como as no item 15 da Portaria n° 36 de 11.02.1982. Assim, a operação realizada pela Requerente estava indicada no relatório entregue ao Banco do Brasil S/A — Serviços de Comércio Exterior, o ,qual indicou neste próprio documento que, as mercadorias importadas ao amparo do Ato Concessório sob referência (proc. 896/3) estava "TOTALMENTE UTILIZADAS NOS PRODUTOS EXPORTADOS" Assim, não tem o mínimo cabimento o trabalho efetuado Sr. Fiscal, pois este informou em seu Relatório Fiscal, pela análise resultou a constatação de irregularidade, concluídas estritamente no que determina a legislação vigente, indicando que o Banco do Brasil S/A comunicou o “INADIMPLEMENTO PARCIAL” e "baixa à revelia", pois a empresa apresentou os relatórios de comprovação de n° 3002 e 3003, os quais foram conferidos e CANCELADOS. Ora é estranho, pois o RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO DE DRAWBACK n° 1896/5210 de 24/05/96, confirma total comprovação.Desta forma, o procedimento da Requerente foi absolutamente correto, não agindo com acerto o Sr. Fiscal, ao lavrar o auto de infração. Ante o aposto, é apresente para requerer a Vossa Senhoria se digne a julgar improcedente o auto de infração, reconhecendo a insubsistência da acusação fiscal integralmente, e determinando o arquivamento do respectivo processo administrativo fiscal. Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, inclusive documentais, caso outros, além daqueles que estão sendo juntados nesta data, venham a surgir. Nestes termos, Pede deferimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 7 7 Anexa à impugnação, exclusivamente, cópia da cédula de identidade e do CPF do signatário da impugnação (fls. 234), de página do relatório de comprovação de drawback onde está consignado que as mercadorias importadas ao amparo do ato concessório n° 18 93/8963 foram "TOTALMENTE UTILIZADAS NO(S) PRODUTOS(S) EXPORTADOS(S)" (fls. 235), cópias autenticadas de atas de assembléias de acionistas e do Conselho de Administração da empresa (fls. 236/248), cópia autenticada do cartão CNPJ do sujeito passivo (fls. 249), e procuração pública através da qual foram conferidos os poderes necessários a representar a empresa neste foro administrativo, dentre outros, a José Carlos Ferreira, indicado como signatário da peça impugnatória acima referenciada (fls. 250). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fls. 253254): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/02/1994, 16/03/1994 IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação devera ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do , art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/02/1994, 16/03/1994 DRAWBACK. EXPORTAÇÕES REALIZADAS EM QUANTITATIVOS INFERIORES AOS INFORMADOS À SECEX. DESATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS. NÃO COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO MATERIAL DO REGIME PELO SUJEITO PASSIVO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Demonstrado que o sujeito passivo realizou exportações em quantitativos inferiores aos informados no relatório de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 8 8 comprovação de drawback, bem como que descumpriu alguns dos requisitos formais de controle inerentes ao incentivo, e ainda, considerando que o sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum elemento de prova capaz de demonstrar inequivocamente que os compromissos firmados no ato concessório tivessem observados, cabível a exigência ex officio dos tributos incidentes na importação dos insumos beneficiados pelo regime, acrescidos dos encargos legais cabíveis. Lançamento Procedente Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário não merece conhecimento, por ter sido interposto fora do prazo legal. Com efeito, o Contribuinte foi notificado pessoalmente da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza no dia 11 de fevereiro de 2009 (quartafeira), conforme consta no verso da fl. 272. No entanto, protocolou o recurso voluntário apenas no dia 13 de março de 2009 (sextafeira), 31 (trinta e um) dias após sua intimação, conforme consta no carimbo de protocolo à fl. 274. Isso posto, o recurso voluntário não pode ser conhecido por ser perempto, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Há precedentes nesse sentido: PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA DATA DE RECEBIMENTO REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO TRINTÍDIO LEGAL RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIMENTO Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Essa dicção do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal, é idêntica à do Código de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 9 9 Processo Civil e à do Código Civil. O recurso interposto após o prazo legal não deve ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido. (Recurso 151165, Processo 18471.000439/200493, Conselho de Contribuintes, Sexta Câmara, rel. Cons. Giovanni Christian Nunes Campos, julg. 06/03/2008) Em face dos fundamentos acima expostos, não conheço do recurso voluntário, por perempto. Sala das Sessões, em 30 de setembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
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Numero do processo: 13883.000248/96-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1993
IPI. CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO.
Nos termos do art. 1º do Decreto-lei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO. Nos termos do art. 1º do Decretolei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 3. 00 02 48 /9 6- 40 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 576 2 (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo Relatório Tratase de auto de infração que exige o IPI decorrente de glosa de créditos relativos a créditoprêmio de IPI, de que trata o DL 491/69, recebidos pela autuada (Confab Tubos S/A) por transferência da pessoa jurídica Confab Trading S/A, CNPJ 54.177.191/0001 90. A alegação do Fisco é a de que a mencionada transferência não possuía respaldo legal, destacando o relatório fiscal que a contribuinte se lastreara no Parecer JCF 08/92, da Consultoria Geral da República, aprovado pelo Presidente da República e publicado no DOU em 12/11/1992, e, ainda, que não se discutia nestes autos a fruição ao direito creditório, mas a (im)possibilidade da transferência efetuada. Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 340300.736, de 09 de dezembro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1993 IPI. CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO. Nos termos do art. 1º do Decretolei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão vergastado, para legitimar o aproveitamento do crédito prêmio recebido em transferência. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 577 3 O recurso foi admitido, conforme Despacho 340000.190, de 2012 (efolhas 536/537). A Fazenda Nacional foi cientificada do despacho acima citado, apresentando as contrarrazões de efolhas 540 a 553. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à possibilidade de transferência do créditoprêmio de IPI e o conseguinte aproveitamento pelo estabelecimento que os recebeu. Essa matéria, inclusive envolvendo a mesma empresa que transferiu os créditos (Confab Trading S/A), foi enfrentada no julgamento consubstanciado no Acórdão 930300.872. de 27 de abril de 2010, no qual fui relator, do qual transcrevo os seguintes excertos, por aplicarse à solução da presente lide: “De um lado, a fiscalização afirma, para os períodos ora analisados, que o Decreto n°. 64.833/69, que regulamentou o DecretoLei n° 491/69 e autorizou as empresas comerciais exportadoras a transferirem o saldo acumulado do crédito prêmio do IPI para empresa interdependente, foi revogado pelo Decreto s/nº de 25/04/1991. De outra banda, a defendente alega, quanto a isso, que o seu direito foi garantido pelo Parecer JFC n° 08/1992, da ConsultoriaGeral da República, aprovado pelo Presidente da República, que teria assegurado, em data posterior àquela da publicação do Decreto s/nº, a transferência e utilização do créditoprêmio do IPI, sem fazer qualquer menção ao mencionado ato legal. Inicialmente, passo a examinar a legislação do IPI, vigente à época dos fatos, sobre aproveitamento de crédito. É de conhecimento de todos que na sistemática do IPI impera a autonomia dos estabelecimentos, por força da norma inserta no parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional, nos termos seguintes: Art. 51 omissis Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo, qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Da análise dessa norma, depreendese que as obrigações e os haveres de cada um dos estabelecimentos de uma pessoa Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 578 4 jurídica, no pertinente ao IPI, são personalíssimas, isto é, são intransferíveis para outro estabelecimento, ainda que da mesma firma, salvo expressa autorização legal em contrário. Não destoando do comando dessa norma do CTN, a lei básica do IPI veda a centralização da escrita destes estabelecimentos, isto é, cada um deles deve manter sua própria escrituração, como manda o artigo 217 do RIPI 1982, que reproduz o comando do artigo 57 da Lei 4.502/1964. Autonomia dos Estabelecimentos Art. 217 Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz. Dentre os efeitos práticos gerados pela autonomia acima aludida, temse que cada estabelecimento, seja matriz ou filial, responderá individualmente, no pertinente ao IPI, por todos os atos que praticar, além de serem capazes de contrair direitos e obrigações, como se fossem dissociados dos demais da mesma firma. Assim é que os créditos e os débitos do estabelecimento Alfa, não se confundem com os do Alfa 1. Daí, se em determinado período de apuração o estabelecimento matriz, por exemplo, registrar saldo credor e sua filial, saldo devedor, estes saldos não se comunicam, a matriz deve transferir o excesso de crédito para o período seguinte e a filial, recolher, no prazo legal, o valor correspondente ao débito apurado. Para melhor entendimento do que aqui se expõe, fazse necessário analisar o tratamento tributário dispensados pela legislação fiscal aos créditos de IPI. Em primeiro lugar, há a sistemática normal de utilização dos créditos, assim considerada por ser inerente ao próprio mecanismo de apuração do imposto. Tal sistemática está assentada nos ditames do artigo 103 do RIPI/1982 e consiste na determinação de que os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial sejam utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. Se do confronto de débitos e créditos, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. A transferência de saldo de imposto verificado na escrita fiscal de um estabelecimento, para outro, mesmo pertencente à mesma firma, não está prevista no RIPI como forma de utilização do crédito autorizado por lei e relativo aos produtos recebidos para industrialização ou revenda. Desta feita, tendo em vista a falta de previsão legal e em face do princípio da autonomia dos estabelecimentos, tornase evidente não ser permitida a transferência de créditos de um estabelecimento para outro, mesmo em se tratando de matriz e filial, menos ainda nos casos em que não há esse relação empresarial. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 579 5 Por outro lado, o artigo 2º do DecretoLei nº 1.426/1975, que embasou o artigo 104 do RIPI/1982, dispôs que: O Ministro da Fazenda poderá estabelecer outras modalidades de aproveitamento, inclusive através de compensação ou ressarcimento, dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados assegurados aos estabelecimentos industriais, quando for impossível sua recuperação normal pela sistemática de dedução do valor do imposto devido nas operações internas. Na regulamentação desse dispositivo legal foram baixadas diversas portarias ministeriais, bem como instruções normativas, que criaram para os créditos incentivados outras formas de utilização do saldo credor quando este não pudesse ser compensado nas operações de mercado interno, inclusive o ressarcimento em espécie. Por fim, resta a sistemática de utilização dos créditosprêmio e dos referentes aos insumos utilizados em produtos exportados. Para os primeiros, o Decreto nº 64.833/1969, previu a possibilidade de transferência dos créditos de um estabelecimento para outro, nos termos seguintes: Art 3º Os créditos tributários previstos no art. 1º deste Decreto somente poderão ser lançados na escrita fiscal à vista de documentação que comprove a exportação efetiva da mercadoria, atendidas as normas baixadas pelo Ministério da Fazenda. § 1º Os créditos tributários serão deduzidos do valor do imposto sobre produtos industrializados devido nas operações do mercado interno. § 2º Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento industrial exportador: a) manter o crédito excedente para compensações parciais e sucessivas, inclusive transferílo, total ou parcialmente, para os exercícios seguintes; b) transferílo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionado para a escrita fiscal: I de outro estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, da mesma empresa; II de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação do artigo 21, § 7º, do Decreto número 61.514, de 12 de outubro de 1967. Acontece, porém, que esse decreto foi expressamente revogado pelo Decreto S/Nº, de 25/04/1991. Por conseguinte, revogada a norma especial, volta a viger a norma geral, qual seja, a dada pelo regulamento do IPI. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 580 6 Resta examinar, a alegação da defesa de que o Parecer JCF nº 8, de 1992 teria asseguradolhe o direito aos créditos objeto destes autos. Neste particular, socorrome dos fundamentos expendidos pelo relator da decisão de primeira instância, que com as homenagens de praxe, peço licença para transcrever: ‘O parecer reconhece às suplicantes, na qualidade de titulares de Programa BEFIEX, o direito de haver o crédito prêmio em relação aos negócios de compra e venda mercantil, ajustado entre as suplicantes e compradores estabelecidos no exterior até 31 de dezembro de 1989, desde que as correspondentes exportações se tenham efetivamente realizado no prazo consignado nos respectivos instrumentos de ajuste, observado o limite temporal de execução dos pertinentes Programas Especiais de Exportação – BEFIEX. O parecer menciona ainda que uma das requerentes, a Confab Trading S/A, que realiza as exportações, também usufrui o benefício fiscal, de acordo com o artigo 3º do Decretolei nº 1.248/72. No tocante à transferência do benefício fiscal da Confab Trading S/A para a empresa interdependente Rio de Janeiro Refrescos S/A, essa matéria não é abordada explicitamente no Parecer JCF nº 08/93: essa possibilidade estava prevista no inciso II do § 2º do artigo 3º do Decreto nº 64.833 (regulamentador do DL nº 491/69), que foi revogado pelo Decreto s/nº de 25/04/1991 A alegação da defendente com relação à revogação do Decreto nº 64.833/69 é a de que o Parecer JCF nº 08/1992 reconheceu a ilegalidade das Portarias MF nº 89/81 e 292/81 e determinou que o aproveitamento do créditoprêmio se desse segundo os preceitos do DL nº 491/69 e do Decreto nº 64.833/69. Todavia, o parecerista da CGR estava se referindo especificamente ao teor dos §§ 1º e 2º do DL nº 491/69, que previam que o excedente do crédito poderia ser “aproveitado nas formas indicadas por regulamento”. Pois bem, ocorre que o Regulamento do IPI foi aprovado pelo Decreto nº 87.981/82 em 23 de dezembro de 1982 e trata em seu artigo 92, inciso I, de crédito incentivado de imposto estabelecendo as normas para seu aproveitamento nos artigos 103 e 104, os quais não contemplam a hipótese de transferência para outro estabelecimento da mesma empresa nem para empresa interdependente. Assim, as normas para ressarcimento do crédito financeiro às exportações devem ser aquelas previstas no citado Regulamento. Esse entendimento está consubstanciado no Parecer COSIT/DITIP nº 1.357, de 31 de outubro de 1995, o qual lembra que a Portaria MEFP nº 134, de 18/02/92, fundamentada no artigo 5º do Decretolei nº 491/69 e no artigo 2º do Decretolei nº 1.426/75, autorizou a transferência para outro estabelecimento industrial ou equiparado a industrial da mesma empresa apenas os créditos de IPI relativos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente empregados na industrialização dos produtos exportados, sendo essa a única possibilidade prevista na legislação.’ De outro lado, como bem observou o relator do voto vencido, o objetivo do Parecer foi determinar a interpretação da expressão “vendas para o exterior” para efeito da aplicação do DL no 491, Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 581 7 de 1969, e pronunciarse sobre direito adquirido ao crédito prêmio à exportação, no tocante a empresas detentoras de contratos celebrados no âmbito do Programa Befiex: ‘O créditoprêmio à exportação de manufaturados, pelos fabricantesexportadores, comprometidos com a execução de Programas Especiais de Exportação Befiex (PPEX), tem como fato gerador a compra e venda mercantil ajustada com o importador estrangeiro e se torna exigível, quando da efetiva exportação da mercadoria. Em face das disposições do Decreto lei no 491, de 1969, e do Decretolei no 1.219, de 1972, a garantia de manutenção do créditoprêmio alcança negócios de compra e venda mercantil ajustados até a data consignada no respectivo termo de garantia, desde que as correspondentes exportações ocorram efetivamente nos prazos avençados, contidos estes no período de execução do respectivo PPEX.’ O Indigitado parecer nada conclui a respeito da possibilidade de transferência de créditos entre estabelecimentos interdependentes. Se o fizesse, com certeza, o faria no sentido da impossibilidade de tal transferência, pois, mesmo no mais alto pedestal da consultoria da República, o renomado parecerista não poderia concluir pela possibilidade de transferência dos mencionados créditos, sob pena de violação explícita da legislação federal. Há que se destacar ainda que o direito à transferência de crédito entre os estabelecimentos para se materializar, a cedente e cessionária deveriam, necessariamente, participar do mesmo programa befiex, o que não é o caso dos autos. Neste sentido,assim manifestouse a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, no Acórdão CSRF/0201.670: ‘Já o art. 9º do DL no 1.219, de 1972, estabelecia que a transferência do créditoprêmio no âmbito do Programa Befiex só poderia ocorrer entre empresas que participassem do mesmo programa: Art 9º Os créditos tributários instituídos pelo Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, que não puderem ser utilizados pelo estabelecimento industrial executor do programa mencionado no artigo 1º, no pagamento dos impostos devidos nas operações do mercado interno, poderão, desde que já contabilizados como receita da empresa geradora de tais créditos, ser transferidos para as outras empresas participantes do mesmo programa, as quais, por sua vez, os utilizarão de acordo com a forma e a sistemática estabelecidas pela legislação em vigor. Não existe, portanto, nenhuma antinomia entre os dois dispositivos transcritos. O art. 9º supra acrescentou uma hipótese ao art. 3º , § 2º, ‘b’, II, do Decreto no 64.833, para os casos em que o créditoprêmio à exportação fosse usufruído no âmbito do programa Befiex. Em outras palavras, no caso de créditoprêmio gerado por exportações efetuadas no âmbito do Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 582 8 programa Befiex, além da relação de interdependência entre as empresas, ambas deveriam participar do mesmo programa. Tal interpretação é plenamente justificada pelo parágrafo 1º do art. 9º do DL no 1.219, de 1972, que exime de tributação a empresa recebedora dos créditos e também pela natureza contratual do direito ao créditoprêmio gerado em exportações efetuadas dentro do Programa Befiex, em que as empresas signatárias comprometerseiam a gerar determinado saldo positivo em dólares em troca dos incentivos fiscais especificados nas cláusulas contratuais. No caso dos autos, restou desatendida a condição estabelecida no art. 9º do DL no 1.219, de 1972, pois a recebedora dos créditos em transferência, ora autuada, era interdependente mas não integrava o mesmo programa Befiex do qual participava a Confab Trading, empresa que lhe transferiu os créditos.’” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendose a decisão a quo para considerar procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração sob exame. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10840.911275/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.402
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente COINBRAFRUTESP S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 12 75 /2 00 9- 89 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 2 de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito presumido de Imposto de Produtos Industrializados – IPI, com fundamento na Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n.º 10.276, de 10 de setembro de 2001, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório DRF/Ribeirão Preto de rastreamento nº913291902, de fl.477/482, que deferiu parcialmente o valor de R$346,15, do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9363, de 13 de dezembro de 1996, solicitado no PER/DCOMP nº38.498.06837.310305.1.1.014647 (4º trimestre de 2004), no valor de R$8.080.074,98 (somatório dos créditos presumidos do 1º trimestre/2000, 1º trimestre/2001, 1º trimestre/2003, 2º trimestre/2003, 3º trimestre/2003, 4º trimestre/2003 e 1º trimestre/2004), fls.02/431. Por conseguinte, homologou as compensações efetuadas nos PER/DCOMP indicados no despacho decisório até o limite do crédito reconhecido, determinando a cobrança dos débitos cujas compensações foram não homologadas porque não há valor a ser restituído/reconhecido em suficiência. A DRF/Ribeirão Preto proferiu o Despacho Decisório com base no Termo de Conclusão Fiscal de fls.606/626, no qual a fiscalização constatou que a interessada apesar de exportar os produtos, não os industrializava, pois não tem e nunca teve, estrutura física para industrializar os produtos, tudo o que foi produzido foi oriundo da industrialização por encomenda realizada por uma empresa do mesmo grupo, a COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 00.831.373/000104, fato ocorrido na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, que não previa a inclusão da prestação de serviços na industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, na convalidação dos atos praticados com embasamento na Medida Provisória nº 2.2021, de 26 de julho de 2001, no art. 1º, § 1º, inciso II, quando o encomendante fosse contribuinte de IPI. Em seu relato, a fiscalização informou que a interessada formalizou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI e PER/DCOMP vinculados ao referido crédito, relativo aos períodos de ressarcimento dos 1º trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001, 2003 e 2004; 2º trimestre/2003, 3º trimestre/2003; 4º trimestre/2003, e que tais créditos decorreram de ajustes realizados a partir de 01/01/2000, quando a interessada retificou a DCTF do 1º trimestre/2000, para incluir um valor de R$142.782.353,00 decorrente de estoques de produtos acabados e não exportados no período anterior, ano Fl. 829DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 828 3 calendário de 1999, que refletiu nos trimestres subseqüentes, conforme DCTF’s apresentadas até o 3º trim/2002 e DCP a partir do 4º trim/2002 até o 1º trim. 2004. Além disso, afirma que a partir das declarações e esclarecimentos prestados pela Sra Margarete Aparecida Ferraresi Alves, procuradora da fiscalizada, que trabalha na função de gerente fiscal da empresa Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial S/A, CNPJ 00.831.373/000104 e chefe do departamento fiscal da Coimbra Frutesp Industrial Ltda, constatou que os empregados não estavam registrados em uma ou outra empresa, e sim em regime de grupo econômico, ambas empresas funcionavam no mesmo parque industrial e endereço, tinham o mesmo sócio majoritário (Louis Dreyfus Citrus S/Aestrangeira) e funcionários comuns, mesmo representante perante o CNPJ, o Sr. Reinaldo Roberto Sesma e todas, o mesmo contador responsável o Sr. José Reinaldo Simon da Silva. Ao responder sobre como se dava a operacionalização das atividades da fiscalizada nos anos de 2000, 2001, 2003 e 2004, a referida procuradora respondeu que as compras de insumos, vendas, transporte, recebimentos, pagamentos, exportação, escrituração comercial e fiscal eram realizadas pelos mesmos funcionários em regime de grupo econômico, pois no prédio principal estava estabelecida a empresa CNPJ 00.831.373/0001 04 e em prédio separado da indústria, o centro administrativo de dimensões de 4m por 5m, onde funcionava a ora fiscalizada. Informou ainda, que a fiscalizada realizava a compra dos insumos, emitia nota fiscal de remessa para industrialização para a empresa de CNPJ 00.831.373/000104, que realizava a industrialização do produto e quando apto a comercialização, era emitida uma nota de retorno para a fiscalizada que emitia uma nota fiscal de venda destinada a exportação. A fiscalização, a partir da auditoria realizada nos livros de entrada e saída da fiscalizada e da empresa de CNPJ 00.831.373/000104, verificou o fluxo dos insumos assim descrito: aquisição de insumos em quase sua totalidade, pela empresa objeto de fiscalização, remessa fictícia de encomenda para industrialização para empresa de CNPJ 00.831.373/0001 04, CFOP 593, recebimento dos insumos por esta com emissão de nota fiscal de entrada para industrialização por encomenda, CFOP 193, retorno fictício dos produtos industrializados, CFOP 594, e entrada fictícia dos produtos industrializados para a ora fiscalizada, CFOP 194, que permitiu concluir que tanto a entrada quanto a saída eram fictícias, porque a ora manifestante funciona apenas como compradora de insumos e exportadora, mas na prática, a industrialização se dá pelo recebimento direto dos insumos na outra empresa do grupo, a Coimbra Frutesp Industrial Ltda, CNPJ 00.831.373/000104. Apesar de adquirir os insumos, não industrializava os produtos vendidos, pois tudo o que foi produzido e exportado foi oriundo da industrialização por encomenda realizada por uma empresa do mesmo grupo, ambas que funcionavam no mesmo parque Fl. 830DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 4 industrial e endereço, mesmo sócio majoritário, funcionários comuns. E assim, em razão de as regras que versam sobre o crédito presumido terem caráter excepcional, interpretamse de modo literal e restrito, principalmente no que tange o art. 1º da Lei nº9.363, de 1996. Cientificada do despacho decisório de fls.477/482, em 10/03/2011, fls.483/484, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, fls.485/497, alegando que: • O pedido original apresentado pela requerente era referente a créditos decorrentes de produtos exportados ao longo do 1º trimestre/00, 1º trimestre/01, 1º trimestre/03, 2º trimestre/03, 3º trimestre/03, 4º trimestre/03, 1º trimestre/04; As mercadorias vendidas nos trimestres mencionados foram fabricadas em 1999 pela própria requerente – Coinbra Frutesp S/ACNPJ 46.347.795/000100, por força do art.2º da Lei nº9.363 os créditos pleiteados tem como base de cálculo insumos igualmente adquiridos até 31/12/1999; • O despacho decisório nº913291902 concluiu pelo reconhecimento parcial das importâncias pleiteadas e compensadas bom base no Termo de Conclusão Fiscal elaborado pelo SEFIS da DRF/Ribeirão Preto; • O trabalho fiscal afirma que não há dúvida quanto à compra de insumos por parte da empresa Coinbra Frutesp S/A, CNPJ 46.347.795/000100, e quanto às vendas para exportação, e de que se trata de créditos decorrentes de produtos acabados em estoque e não exportados referentes ao ano de 1999, contudo considera que a requerente não poderia apropriar os créditos porque não houve por parte da fiscalizada industrialização de insumos adquiridos, e tudo que é produzido decorre de industrialização por encomenda, a Coinbra Frutesp Industrial Ltda CNPJ 00.831.373/000104, mas este entendimento não pode prosperar; • As mercadorias em questão, que se encontravam em estoque na data de 31/12/1999 foram fabricadas diretamente pela requerente e não pela Coinbra Frutesp Industrial Ltda, uma vez que esta passou a exercer atividade econômica apenas em julho de 2000, e exportadas nos anos seguintes; • Ainda que os produtos em exame tivessem sido fabricados sob encomenda da requerente, somente a título de argumentação, não haveria impedimento para que apropriasse os créditos em questão, na medida em que calculados a partir de insumos por ela adquiridos; • Até 31/12/1999 as unidades industriais do Grupo Louis Dreyfus, em que o suco de laranja era produzido, eram de sua titularidade, tais ativos só foram transmitidos para Coinbra – Frutesp Industrial Ltda em julho de 2000, conforme documentos que registram capitalização desta sociedade, sendo que até então ela não exercia atividades industriais; • Na "Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 1º de Julho de 2000", os acionistas da Requerente aprovaram a Fl. 831DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 829 5 proposta da diretoria da sociedade, consistente no aumento de capital da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA., mediante a conferência "dos ativos que compõem os estabelecimentos industriais de processamento de frutas cítricas localizados nos municípios de Bebedouro e Matão, Estado de São Paulo". A deliberação mencionada foi registrada perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 31.07.00 (doc. 02); • Nas mesmas datas mencionadas, houve a subscrição e o registro na JUCESP de "Ata de Reunião de Quotistas e 10" Alteração de Contrato Social" da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. Por meio dela, o capital social de referida sociedade passou de R$10,00 para R$91.150.000,00. Deste total, R$91.144.089,58 foi capitalizado pela Requerente, por meio da conferência dos complexos industriais de Bebedouro e Matão, acima mencionados (doc. 03); A partir da leitura dos documentos citados, verificase que, se as unidades industriais de fabricação de suco de laranja eram de propriedade da Requerente até 01.07.00, isso significa que até tal data a fabricação do produto citado era de sua responsabilidade. Daí porque não há razão para que seja negado o direito da própria Requerente de pleitear e aproveitar o crédito presumido garantido pela Lei n. 9.363/96; • A COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. não realizava a industrialização do produto exportado antes da conferência das unidades industriais feita pela Requerente, até porque sequer tinha ativos e capital para explorar referida atividade econômica. Como visto, anteriormente a tal oportunidade, o patrimônio da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. era composto por recursos em caixa no total de R$ 10,00, originários da capitalização inicial feita pelo seu sócio; • As assertivas expostas são confirmadas pelo protocolo que descreve as condições de capitalização da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. pela Requerente com as unidades industriais de Bebedouro e Matão, ao estabelecer que: "Em conseqüência da conferência dos estabelecimentos referidos na Cláusula 1", a atividade industrial de fabricação de produtos derivados do processamento de frutas cítricas passará a ser exercida, exclusivamente, pela INDUSTRIAL, remanescendo para a FRUTESP a atividade de produção e compra de frutas cítricas, a compra de material de embalagem, bem como a comercialização, tanto no mercado interno quanto no mercado externo dos produtos resultantes de sua industrialização" (doc. 04 – Cláusula Segunda ); • A fim de que não houvesse dúvidas acerca do início das atividades industriais da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. e do destino das mercadorias até tal data produzidas pela Requerente, o referido protocolo fixou que: (1) "A transmissão dos estabelecimentos industriais da FRUTESP para a INDUSTRIAL considerarseá concretizada no mesmo dia 1º de Fl. 832DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 6 julho de 2000, a partir de quando a INDUSTRIAL assumirá todas as atividades inerentes ao processo industrial" (Cláusula Quinta destacamos) e (2) "Os produtos acabados, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros insumos existentes em estoque nos estabelecimentos industriais de Bebedouro e Matão, em 30 de junho de 2000, continuarão sendo de propriedade da FRUTESP, até que sejam por ela vendidos ou transferidos para outro local" (Cláusula Sexta destacamos). A mercadoria industrializada em estoque até 31.12.1999 é identificável a partir das fichas de registro de inventário de tal período (doc. 05); • Diante o exposto, é indiscutível que até 01.07.00 a industrialização da mercadoria exportada pela Requerente foi executada diretamente por ela. Em decorrência, são descabidas as alegações da Fiscalização, no sentido de que a Requerente não tinha empregados e estabelecimentos para fabricar os produtos comercializados; • A improcedência de tais ilações é demonstrada não só pelo material antes mencionado, segundo o qual se vê que os complexos industriais de Bebedouro e Matão eram as instalações físicas em que a Requerente produzia a mercadoria exportada, mas ainda pelas fichas mensais do CAGED preenchidas por ela anteriormente à conferência das unidades industriais à COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. (docs. 06). Referida documentação indica que a atividade econômica da Requerente ("CNAE") compreendia a "produção de sucos de frutas e de legumes" e que para tanto ela detinha mais de duas centenas de trabalhadores empregados; • Como a própria Fiscalização reconheceu que a mercadoria exportada a partir da qual se requereu os créditos presumidos relacionados ao processo em referência era a existente em estoque em 31.12.1999, não há razão para se negar o aproveitamento dos valores sob o argumento de que teriam sido industrializados por terceiro; • Comprovado que o produto comercializado com adquirentes no exterior que deu origem ao pedido de crédito presumido em análise foi industrializado diretamente pela Requerente, deve ser reformado o despacho decisório e reconhecido o direito ao aproveitamento da importância pleiteada; • Na eventualidade de não ser acatado o quanto exposto no item anterior, o que se aceita unicamente a título de argumentação, ainda assim deve ser reconhecida a legitimidade do direito creditório formulado pela Requerente. Isso porque o crédito presumido em questão foi calculado, a partir de insumos de sua propriedade, que se alega (indevidamente) teriam sido remetidos a terceiro para que fossem aplicados na produção de mercadoria por ela encomendada com a finalidade de posterior exportação; • O crédito presumido do IPI instituído pela Lei n. 9.363/96 foi criado com a finalidade de ressarcir o exportador pela incidência cumulativa do PIS/COFINS sobre os insumos utilizados na fabricação das mercadorias comercializadas fora Fl. 833DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 830 7 do território nacional, tendo sido conferido ao exportador a fim de liberálos dos custos fiscais embutidos nos insumos consistentes nas contribuições PIS/COFINS agregadas ao preço de compra pago aos fornecedores para que não compusessem o valor de venda do produto exportado; • A leitura da lei nº9.363, de 1996, assegurou o aproveitamento do crédito presumido do IPI sobre a aquisição de itens que são integrados no processo produtivo da mercadoria final destinada à exportação, sendo indiferente que a industrialização seja executada diretamente pelo exportador ou contratada junto a terceiro sob sua encomenda; • Uma vez realizada a fabricação de produto com matéria prima, produto intermediário e material de embalagem de propriedade do encomendanteexportador, é garantido a este a apropriação do crédito presumido, sob pena de os insumos integrados à mercadoria por ele exportada permanecerem onerados pelo PIS/COFINS. A suposta industrialização encomendada pela exportadora e não executada diretamente por ela em nada desnaturaria o incentivo, porque a terceirização do processo industrial é prática amplamente adotada nos diversos segmentos econômicos, sendo de rigor destacar que o responsável pela sua execução não tem direito de apropriar o crédito presumido relacionado às mercadorias manufaturadas uma vez que não adquiriu os insumos utilizados e não comercializa o produto no exterior. Seguese daí que se fosse igualmente negado o crédito presumido ao exportador, nenhum dos participantes da cadeia produtiva o apropriariam, tornando "letra morta" a Lei nº 9.363/99; Segundo a legislação do próprio IPI, o responsável pela encomenda é necessariamente equiparado ao industrial, sujeitandose às mesmas obrigações que o executor da encomenda (art. 9º, IV, do Decreto n. 7.212/10 RIPI). Desse modo, se a própria regra fiscal atribui ao encomendante a condição de industrial, determinando que recolha o IPI nas operações que venha a efetuar com o material que solicitou a fabricação, não há sentido em se afirmar que não teria direito de apropriar o crédito presumido sob a alegação não participaria da cadeia produtiva do item exportado; • No caso em exame não se objetiva aproveitar crédito presumido sobre eventuais custos pagos ao fabricante para a execução da encomenda. A importância em discussão no presente processo está restrita aos insumos adquiridos pela Requerente e aplicados na fabricação da mercadoria exportada; • Não por outra razão, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente manifestado o entendimento de que a Lei n. 9.363/96 não impedia que o exportador calculasse o crédito presumido de IPI sobre a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem por ele adquirido e remetido a terceiro para a execução da Fl. 834DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 8 industrialização da mercadoria a seu pedido, conforme ementas que transcreve; • Requer o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade, que seja reconhecido direito creditório e as compensações realizadas na integralidade dos pedidos de compensação formulados pela Requerente. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013 e no art.2º da Portaria RFB nº1006, de 24 de julho de 2013, e conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o processo foi transferido em 01/08/2013, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.714. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1533.708, de 9/10/2010 (fls. 715 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ESTABELECIMENTOS. AUTONOMIA. A incidência do IPI baseiase no princípio da autonomia dos estabelecimentos, ainda que integrantes da mesma empresa. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, não há previsão para inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos valores correspondentes à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, hipótese que veio a ser admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 2001. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO No caso de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de crédito tributário, o contribuinte deve cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, demonstrar a existência do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 735/749, por meio do qual sustenta, depois de relatar os fatos, os mesmo argumentos já encartados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 831 9 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requer o crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a Cofins, com fundamento na Lei n.º 9.363, de 1996, e na Lei n.º 10.276, de 2001, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios. A decisão proferida pela unidade de origem deferiu parcialmente o direito vindicado, ao fundamento de que, apesar de exportar os produtos, a Recorrente não os industrializava, pois nunca tivera estrutura física para industrializar os produtos, os quais resultavam de industrialização por encomenda realizada por outra empresa do mesmo grupo, a COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA, CNPJ n.º 00.831.373/000104, fato ocorrido na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, que não previa a inclusão da prestação de serviços na industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 2001. Afirmase ainda que o crédito presumido decorre de ajustes realizados a partir de 01/01/2000, quando a Recorrente retificou a DCTF do 1º trimestre/2000, para incluir valor correspondente a estoques de produtos acabados e não exportados no período anterior, anocalendário de 1999, que, por isso, refletiu nos trimestres subsequentes. As matérias controvertidas são, portanto, duas: a primeira, se os produtos em estoque em 31/12/1999 foram ou não te industrializados pela própria Recorrente; a segunda, se, no caso de industrialização por encomenda realizada quando vigente apenas a Lei n.º 9.363, de 1996, permitisse ou não a inclusão dos serviços assim despendidos na base de cálculo do crédito presumido. A primeira questão foi muito bem enfrentada na decisão recorrida. Para ilustrar os motivos que, nesta parte, a fundamentaram, transcrevemse os seguintes parágrafos do voto condutor do acórdão: A interessada, em sua defesa, por outro lado, alegou que até 30/06/2000 operava diretamente os estabelecimentos de Bebedouro e Matão, no Estado de São Paulo, e que até 31/12/1999, as unidades industriais do Grupo Louis Dreyfus, em que o suco de laranja era produzido, eram de sua titularidade, tais ativos só foram transmitidos para COINBRA – FRUTESP INDUSTRIAL LTDA em julho de 2000, que até então não exercia atividades industriais, porque sequer tinha ativos e capital para explorar referida atividade econômica. A empresa anexou aos autos, cópia da Procuração (fls.500/502), cópia das atas de assembléia e documentos da procuradora(fls.503/512), cópia da "Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º de Julho de 2000", na qual constatase que foi firmado protocolo pela Diretoria da Companhia com a CoinbraFrutesp Industrial Ltda, em que Fl. 836DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 10 foram definidas condições da realização de aumento de capital naquela Sociedade e a forma de sua integralização, na qual os acionistas da requerente aprovaram a proposta da diretoria da sociedade, consistente no aumento de capital da COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA., mediante a conferência "dos ativos que compõem os estabelecimentos industriais de processamento de frutas cítricas localizados nos municípios de Bebedouro e Matão, Estado de São Paulo". A deliberação mencionada foi registrada perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 31/07/00, conforme cópias dos contratos de celebração de Protocolo (fls.513/515, 525/528 e 531/532). Nas mesmas datas mencionadas no parágrafo anterior, houve a subscrição e o registro na JUCESP de "Ata de Reunião de Quotistas e 10" Alteração de Contrato Social da COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA. Por meio dela, o capital social de referida sociedade passou de R$10,00 para R$91.150.000,00); cópia do Laudo de Avaliação. Deste total, R$91.144.089,58 foi capitalizado pela Requerente, por meio da conferência dos complexos industriais de Bebedouro e Matão, acima mencionados (fls.516/517, 519/523 e 528/530). Contudo, a interessada não trouxe comprovação de que era detentora da planta industrial, ou lançamento da depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos até 31/12/1999 utilizadas na produção de bens, uma vez que a cópia anexadas aos autos dos anexos ao Laudo de Avaliação dos valores residuais contábeis de Bens e Direitos das Unidades de Matão e BebedouroSP da Coinbra Frutesp S/A, contendo discriminação das imobilizações tanto de Matão quanto de Bebedouro, não são suficientes para comprovar a propriedade da planta industrial e consequente industrialização (fls.518 e 530). A cópia do Protocolo firmado entre a CoinbraFrutesp S/A e a CoinbraFrutesp Industrial Ltda, tratando da conferência dos estabelecimentos e transferência da atividade industrial da primeira para a segunda (fls.531/533), tampouco tem o condão de comprovar de fato qual estabelecimento industrializou o produto exportado até 31/12/1999. A empresa não logrou demonstrar, não provou durante a auditoria em seu estabelecimento, e tampouco na manifestação de inconformidade, momento por excelência de realizar o contraditório, dados consistentes e seguros da produção e nem comprovou que todo o estoque de suco de laranja exportado já estava formado desde 31/12/1999 com insumos por ela adquiridos anteriormente, e que veio a realizar a última venda/exportação deste mesmo suco de laranja em estoque finalmente no 1º trimestre de 2004, e que, mas absurdo ainda, se apercebeu que fazia jus a um crédito presumido, após fluidos exatos cinco anos do fato gerador, em 31/03/2005, com retificadora em 22/04/2009, conforme data de transmissão do PER/DCOMP, pois o primeiro ressarcimento referese ao 1º trimestre de 2000. A interessada alegou em sua manifestação de inconformidade que juntaria aos autos as cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 832 11 GFIP, fichas mensais do CAGED, mas o fez relativamente aos períodos de janeiro/2000 em diante, entregue em 07/02/2000, fls.636/713, na qual consta o quantitativo de 279 empregados e demais guias até a competência de julho/2004. Das guias anexadas verificase que de fato no ano de 2000, a empresa efetuou recolhimento relativamente a um quantitativo aproximado de 230 empregados, até diminuição gradativa durante o ano de 2001, chegando a competência de julho/2004, sem empregado algum. Anexou ainda a cópia de Procuração (fls.633/635). Porém, quanto ao período anterior a 31/12/1999 não constam dos autos guias de recolhimento FGTS de funcionários da interessada, este, exatamente o período que importava comprovar o funcionamento da indústria. Como já dito, apesar das alegações, juntou aos autos os documentos da CoinbraFrutesp relativos aos períodos posteriores a formação do alegado estoque de suco de laranja, ou seja, de fevereiro/2001 a novembro/2001; fevereiro/2003 a agosto/2003, fevereiro/2004 a junho/2004; janeiro/2000 a outubro/2000 e dezembro/2000; janeiro/2002 a junho/2002 e setembro/2002 a outubro/2002 e dezembro/2002; janeiro/2000 a julho/2000 (fls.550/559, 561/566, 568/572, 574/584, 586/594, 596/602), o que evidencia mas uma vez a não comprovação de que foi a própria empresa que até 31/12/1999 industrializou o produto que posteriormente viria a exportar. Tais documentos entregues a partir do ano de 2000 não tem o condão de demonstrar que a empresa ora requerente à época tinha quantidade suficiente de trabalhadores para provar que os produtos foram industrializados por ela própria. A interessada apresentou as cópias dos Termos de Abertura e de Encerramento do Livro Registro de Inventário nº04 do estabelecimento localizado em Bebedouro, onde estão registrados os estoque dos produtos, entre os quais o suco de laranja concentrado e congelado, existentes em 31/12/1999 e 30/06/2000 (fls.533/540). E ainda, as cópias: Termo de Abertura e de Encerramento do Livro Registro de Inventário nº 01 do estabelecimento localizado em Matão, onde estão registrados os estoques dos produtos, entre os quais o suco de laranja concentrado e congelado, existentes em 31/12/1999 e 30/06/2000 (fls. 541/549). Na prática, a empresa não trouxe aos autos nenhuma prova da industrialização direta do suco de laranja, movimentação dos estoques, armazenamento, até a efetiva saída do produto para exportação dando prova da industrialização própria até 31/12/1999, como alegou que o faria. A interessada não trouxe os lançamentos dos insumos nos Livros Registro de Entrada, tampouco apresentou o Registro de Controle da Produção e do Estoque, que deveria apresentar lançamento das mercadorias em relação a quantidade, peso, volume correspondente aos produtos elaborados. (g.n.) Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 12 A falta de provas, portanto, foi o motivo pelo qual a fiscalização não considerou, como industrialização própria, os estoques de suco de laranja existentes em 31/12/1999 (nos quais utilizados insumos por ela adquiridos anteriormente) e que veio a realizar a última venda/exportação deste mesmo produto finalmente no 1º trimestre de 2004, período a que se refere o crédito presumido pleiteado. E esta falta de provas, a nosso juízo, aqui permanece, pois, no recurso voluntário, a Recorrente apenas renovou os mesmos argumentos já encartados em sua manifestação de inconformidade, mas trouxe aos autos apenas cópia de um Balancete de Verificação e de um Livro de Inventário, que, como é evidente, não comprovam tenha ela mesma fabricado os produtos em estoque em 31/12/1999. Todavia, esta questão parecenos irrelevante para o deslinde da questão. Isso porque, como já consolidado nesta Turma, com relação à questão envolvendo a industrialização por encomenda realizada quando vigente apenas a Lei n.º 9.363, de 1996, temos entendido que não há óbice para considerar os gastos assim despendidos como aptos a gerar créditos. Por comungar com os fundamentos expostos no voto proferido pelo il. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 3202001.072, de 30/01/2014), passamos a adotálo como razão de decidir, motivo pelo qual se passa a transcrevêlo: A industrialização por encomenda pode ser brevemente definida como o procedimento no qual o encomendante remete ao industrializador MP e ME ou produto semielaborado, retornando ao seu estabelecimento produto acabado ou semielaborado. Tais operações podem ocorrer por razões diversas, mas ganham relevância especialmente quando determinada etapa do processo produtivo é terceirizada. Destarte, caso certa etapa do processo de fabricação fosse realizada no estabelecimento, os custos inerentes a MP, PI e ME, na forma da Lei nº 9.363/96, autorizaria o direito ao crédito. Doutro giro, o custo de aquisição de MP, PI e ME poderia ser apropriado para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Terceirizandose a etapa de produção mediante remessa de industrialização por encomenda, cujo custo é igualmente suportado pelo encomendante, ainda, os custos de MP, PI e ME, fornecidos ou não pelo encomendante, são adicionados ao produto e repassados pelo industrializador, de modo que, inexistindo vedação legal, não há razão que ampare a pretensão de se glosar o crédito presumido de IPI calculado sobre essas operações. Sensível aos objetivos da Lei nº 9.363/96 e às razões supracitadas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Colegiado, em mais de uma oportunidade, já sedimentou o entendimento de que as operações de industrialização por encomenda autorizam o desconto de créditos presumidos de IPI, verbis: Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 833 13 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Nanci Gama. Acórdão nº 9303001.721. Julgado em 7 de novembro de 2011) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Acórdão nº 930301.623. Julgado em 29 de setembro de 2011) A mesma solução foi dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao enfrentar o tema: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 14 do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 (grifamos) Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 834 15 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15374.901972/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 19 72 /2 00 9- 99 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de Declaração de Compensação n° 40038.43685.220205.1.3.040649 (fls. 02/06) apresentada em 22/02/2005, cujo crédito informado referese a pagamento a maior de IRPJ estimativa, no valor de R$ 559.551,92 relativo ao DARF arrecadado em 31/01/2005, código: 2362, período de apuração: 12/2004, no valor de R$ 979.796,22. A compensação foi considerada não homologada por meio do despacho decisório (fl. 08), tendo com o . fundamentação do ato a utilização total do crédito pleiteado na quitação do débito de valor, período de apuração e código de receita idênticos aos do recolhimento. A interessada foi cientificada em 04/03/2009 (f1.09) e apresentou manifestação de inconformidade em 03/04/2009 (fls. 10/16) alegando em síntese: que errou o preenchimento da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004; que inicialmente apurou débito de estimativa de dezembro de 2004, no valor de R$ 979.796,22; que reapurou as bases tributáveis, apurando débito no valor de R$ 420.244,30 que consta no razão e na DIPJ; que o erro no preenchimento na Declaração Fiscal não impede o reconhecimento do crédito, devendo prevalecer a boafé e o principio da verdade material; solicita prova pericial contábil; A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1239.228, de 05 de agosto de 2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.901972/200999 Acórdão n.º 1802002.380 S1TE02 Fl. 3 3 RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de divida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a menor de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 09/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 07/10/2011, no qual alega, em síntese, que: da análise da documentação contábil e das apurações realizadas pela Requerente, é possível identificar a existência de pagamento a maior de IRPJ em dezembro de 2004; ao rever a apuração da empresa, constatouse que o valor devido de IRPJ para o período era R$ 420.240,30 e não R$ 979.796,22, conforme indicado na DCTF; o resultado efetivo da Recorrente está devidamente registrado na DIPJ/2005, LALUR e balancete, motivo pelo qual deve ser reconhecido como verdadeiro; neste sentido, utilizouse a Recorrente do crédito de R$ 559.551,92 que é justamente a diferença entre a estimativa declarada na DCTF (R$ 979.796,22) e o valor declarado na DIPJ (R$ 420.244,30) para realizar a compensação tratada nos presentes autos. Portanto, o caso não é de compensação de valores recolhidos na sistemática de antecipações mensais, mas sim de pagamento indevido da estimativa apurada em dezembro de 2004; tendo apurado débito de IRPJ (dez/2004) em valor inferior ao DARF utilizado para o pagamento, o crédito gerado pela diferença entre o valor devido e aquele inicialmente apurado e pago através de DARF é passível de compensação, ainda que na vigência da IN 460/2004, motivo pelo qual o PER/DCOMP em análise deve ser homologado. Finalmente a Recorrente requer seja acolhido o presente recurso para fim de ser homologada a compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 40038.43685.220205.1.3.040649 (fls. 02/06), transmitido em 22/05/2005, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 de IRPJ, código 2362, no valor de R$ 559.551,92 (DARF: R$ 979.796,22, período de apuração: 31/12/2004, Arrecadação: 31/01/2005), com débito de IRPJestimativa, (PERÍODO DE APURAÇÃO: Jan/ 2005 e VENCIMENTO: 28/02/2005, valor: R$ 291.625,35 ). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.08, emitido em 18/02/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Não se conformando com o Despacho Decisório da Delegacia de Administração Tributária do Rio de Janeiro – DERAT/Rio de Janeiro, a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega que houve erro no preenchimento da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004, pois, informou o débito da estimativa do IRPJ de dezembro de 2004 no valor de R$ 979.796,22 quando o correto seria R$ 420.244,30, em consonância com o Razão, o LALUR e a DIPJ/2005. Na decisão de primeira instância consta que a interessada utilizou o crédito pleiteado, conforme abaixo: PER/DCOMP VALOR N° PROC 40038.43685.220205.1.3.040649 288.737,97 15374.901972/200999 (sob análise) 27916.12686.280305.1.3.046001 140.652,26 15374.901973/200933 40515.76045.200405.1.3.046044 135.819,54 15374.901975/200922 TOTAL 565.209,77 O fundamento expendido na decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1239.2228, de 05 de agosto de 2011, para o indeferimento do pleito, foi que a interessada não comprova o erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2004. Todavia, a decisão recorrida destacou que, mesmo que comprovado o erro, o crédito alegado é concernente a pagamento de estimativa mensal, que, na forma da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004), não comporta restituição, e só pode ser restituído/compensado ao final do período de apuração, porém, sob a forma de saldo negativo, vejamos: ... A interessada informou que errou o preenchimento da DCTF, e apresentou apenas o razão contábil da conta IRPJ a pagar que não é elemento suficiente, deveria ser apresentado o LALUR, a Demonstração do Resultado do Exercício e outros elementos que comprovassem a apuração do IRPJ, uma vez que foi recolhido e declarado em DCTF valor superior ao que consta na DIPJ. Verificase que tratase de pagamento de estimativa, portanto, mesmo que fosse comprovado o erro, não seria permitida a restituição de tal valor em virtude do disposto no art. 10 da IN SRF n° 460/2004, vigente à época em que a Dcomp foi apresentada, abaixo transcrito: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.901972/200999 Acórdão n.º 1802002.380 S1TE02 Fl. 4 5 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Portanto, de acordo com o dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. ... O fundamento para rejeitar a manifestação de inconformidade, no sentido de que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário, não pode prosperar, pois, de fato, como bem argumentado pela Recorrente, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De sorte que, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.901972/200999 Acórdão n.º 1802002.380 S1TE02 Fl. 5 7 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Como visto o principal fundamento para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Mediante o despacho de fls.08/09, emitido eletronicamente, a DERAT/Rio de Janeiro identificou o pagamento no valor de R$ 979.796,22 para quitação de débito do IRPJ, do período de apuração de 31/12/2004, em face do que não homologou a compensação declarada. A Recorrente desde a Manifestação de Inconformidade alega que o valor do débito do IRPJ de dezembro de 2004 declarado com erro na DCTF (R$ 979.796,22) é superior ao correto informado na DIPJ/2005 apresentada após a DCTF. A Recorrente não juntou aos autos DCTF retificadora mas o demonstrativo da DIPJ/2005, em que consta o valor de R$ 420.244,30 de IRPJ a pagar relativo ao mês de dezembro/2004. Confrontandose o valor apurado demonstrado na DIPJ/2005 com o valor recolhido por meio do DARF, temse aparentemente o direito da Recorrente ao suposto crédito do recolhimento a maior de IRPJ no valor de R$ 565.209,77. Do teor da IN SRF 45 de 1998, os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL seriam objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e Declaração de Rendimentos. Do despacho da autoridade administrativa da DERAT/Rio de Janeiro (fls.08/09) não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ relativa ao ano calendário de 2004 para que se verifique o real saldo a pagar do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2004. Nesse passo, cabe a autoridade administrativa diante do PERDCOMP e dos demais elementos que dispõe (DCTF e DIPJ x DARF) e outros que entender necessários verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de IRPJ no ano calendário de 2004. Objetivamente, a motivação para o indeferimento do pleito pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, e, para que não se alegue supressão de instância, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que o PERDCOMP nº 40038.43685.220205.1.3.040649 (fls. 02/06), seja reapreciado pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro (DERAT), em respeito à competência originária, conforme disposto no § 7o do art.74 da Lei nº 9430/96, e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se interessar. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11042.720300/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/11/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO
Não merece ser conhecido Recurso Voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
Numero da decisão: 3101-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 20/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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RECURSO INTEMPESTIVO Não merece ser conhecido Recurso Voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 20/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 72 03 00 /2 01 1- 08 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, nas operações de importação realizadas pela importadora CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, objeto das Declarações de Importação (DIs) nº 10/19990149 e nº 10/19990440, pela constatação da ocorrência de dano ao Erário fruto da ocultação do sujeito passivo ALEXANDRE MATTOS REICHERT como real adquirente, conforme disposto no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, tendo em vista a impossibilidade de sua apreensão, face à comercialização no varejo. A empresa importadora CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA compõe o pólo passivo dessa lide na condição de responsável solidária, consoante dispõe o Decretolei nº 37/1966, art. 95, incisos V, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, art. 78, dentre outros, não comportando benefício de ordem. Segundo relata a autoridade fiscal, em 10/11/2010 foram registradas as Declarações de Importação (DIs) nº 10/19990149 e nº 10/19990440, com fins de importação da mercadoria amparada pelos Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia – CRT 2010UY0095040670 e 2010UY0095040671, referentes a 857 caixas de papelão contendo a expressão “CARNE BOVINA CONGELADA SEM OSSO”, tendo em ambas sido informado como importador e adquirente da mercadoria a empresa CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. Entretanto, segundo a alegação fiscal, foi constatado que os volumes e peças importadas estavam individualmente identificados, respectivamente, com a indicação do destinatário final das mercadorias, ou seja, ALEXANDRE MATTOS REICHERT (AR CARNES NOBRES), a quem efetivamente foram as mesmas repassadas integralmente. Afirma ainda a fiscalização que os recursos empregados na operação de importação foram integralmente providos pelo destinatário final da mercadoria, ALEXANDRE MATTOS REICHERT. Regularmente cientificadas do Auto de Infração lavrado, as interessadas ALEXANDRE MATTOS REICHERT e CAURI COMÉRCIO EXTERIOR LTDA apresentaram impugnações nas quais alegam que as operações em questão tratavamse de compra e venda no mercado interno, que todos os tributos incidentes foram recolhidos, não configurando a ocultação e o dano ao Erário imputado. A interessada ALEXANDRE MATTOS REICHERT afirmou ainda que o fato de constarem nas embalagens plásticas da mercadoria o seu nome comercial em destaque, ou seja, sem qualquer tipo de ocultação, não seria motivo suficiente para que a fiscalização considere irregular a importação. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0829.125, referente a sessão de julgamento ocorrida em 27 de março de 2014, na qual julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/11/2010 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DO INDEFERIMENTO. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11042.720300/201108 Acórdão n.º 3101001.773 S3C1T1 Fl. 4 3 Denegase o pedido de realização de diligência, por não ter a Administração Tributária que envidar esforços desproporcionais para sanar possíveis deficiências de instrução causadas pelo próprio contribuinte, mormente quando se considerar o processo apto ao julgamento. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. DO INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas em lei, ex vi do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/1972, incluído pela Lei nº 9.532/1997. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. É consabido que a natureza do MPF é meramente gerencial, bem como subsidiária dos demais atos de fiscalização. Sendo assim, não há falar em nulidade da autuação por mácula no MPF, vez que em nada atinge a competência do lançamento tributário inerente ao cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), que tem sua origem, e não poderia deixar de ser, na lei. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive, por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida ou não for localizada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/2010 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem de forma conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora, não cabendo benefício de ordem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada REICHERT & STAMM ALIMENTOS LTDA foi cientificada do resultado do julgamento (Intimação às fls. 481), por via postal, em 16/04/2014 (AR às fls. 485 a 486), e apresentou seu Recurso Voluntário em 21/05/2014 (fls.490 a 496). A interessada CAURI COMERCIO EXTERIOR LTDA foi cientificada resultado do julgamento (Intimação às fls. 483), por Edital (fls. 502), por ter sido improfícua a Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 tentativa de intimação por outra via legal, nos termos do artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, e não interpôs Recurso Voluntário. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator A interessada REICHERT & STAMM ALIMENTOS LTDA foi cientificada do resultado do julgamento (Intimação às fls. 481), por via postal, em 16/04/2014 (AR às fls. 485 a 486), e apresentou seu Recurso Voluntário em 21/05/2014 (fls.490 a 496). Considerando o disposto no Decreto nº 70.235/72, o prazo para apresentação do Recurso Voluntário iniciouse no dia seguinte à data da ciência, ou seja, no dia 17/04/2014 (quintafeira) e venceu no dia 16/05/2014 (sextafeira), exceto se nas referidas datas não forem dias de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. De acordo com a lista dos feriados nacionais e pontos facultativos divulgados pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para cumprimento pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, publicado no Diário Oficial da União de 06/01/2014, os dias 18 de abril (Paixão de Cristo) e 21 de abril (Tiradentes) eram feriado nacional. Os dias 17 de abril de 2014 e 16 de maio de 2014 não constaram na relação como pontos facultativos e também não eram feriados nacionais. Também não identificamos as data (17/04/2014 e 16/05/2014) como feriado municipal em Canoas/RS. Considerando que o Recurso Voluntário foi protocolado intempestivamente pelo interessado, não o conhecemos. Sala das sessões, em 12 de novembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13401.000753/2005-67
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
GANHO DE CAPITAL.
Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE.
E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE.
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic,sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 GANHO DE CAPITAL. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic,sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic,sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 07 53 /2 00 5- 67 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 196 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 09, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (TRPF), relativamente ao ano calendário de 2002, no valor total de R$ 10.465,27 (dez mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e vinte e sete centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/09/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 24.763,96 (vinte e quatro mil, setecentos e sessenta e três reais e noventa e seis centavos). 2. Foi expedido o Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 48 e 49, pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar documentação referente is deduções efetuadas, aos rendimentos auferidos e aos bens declarados no anocalendário de 2002, além de comprovação da alienação de imóvel e do respectivo pagamento de ganhos de capital, no mesmo período. 0 contribuinte, em atendimento, apresentou os documentos relacionados às. fls. 54 a 58 e 143, anexados is fls. 59 a 141 e is fls. 144, entre os quais a certidão imobiliária referente à aquisição da Fazenda Poço Comprido, em 11/09/1989 (fls. 144) e a escritura pública de retificação e ratificação, relativa à alienação do mesmo imóvel (fls. 125 a 128). 3. Consta, ainda, do processo, o oficio de fls. 139 e a escritura pública de compra e venda de fls. 140 e 141, obtida pela autoridade fiscal em procedimento de diligência junto ao Cartório e Notas e Registros de Porto Calvo, Alagoas. 4. A fiscalização, de posse dos elementos coletados no curso da ação fiscal, procedeu à lavratura do Auto de Infração, em virtude de ter sido apurada a seguinte infração, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 05 e 06: 4.1 omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos (omissão no valor de R$ 69.768,53, fato gerador em 31/03/2002). Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 197 3 5. Ciência do lançamento em 25/10/2005, conforme aviso de recebimento de fls. 146. 6. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 22/11/2005, a impugnação de fls. 148 a 156, juntamente com a documentação de fls. 157 a 160, alegando, em síntese: 6.1 — que o bem objeto da apuração dos ganhos de capital Fazenda Poço Comprido, com área de 80 hectares, foi adquirido em 17/10/1989, por NCZ$ 20.000,00, conforme certidão do Cartório de Notas e Registros de Porto Calvo, AL; 6.2 — que, em 1992, este bem foi alienado ao Sr. Domingos Barreto da Silva, CPF 019.546.60472, e à Sra. Maria de Lourdes Mendes Silva; 6.3 — que, em 07/03/2002, o Sr. Domingos Barreto da Silva vendeu a mesma propriedade à Sra. Dulce da Rocha Barros Palmeira, CPF 925.493.65453, por R$ 200.000,00; 6.4 que seu nome constou, equivocadamente, como alienante, na declaração de operações imobiliárias, DOI, do Cartório, conforme se pode verificar da escritura pública de retificação e ratificação, lavrada em 09/08/2005; 6.5 que lançamento encontrase decadente, nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, CTN, visto que a alienação do imóvel ocorreu em 1992. Logo, o tributo poderia ter sido lançado em 1992 e, no entanto, a notificação ao sujeito passivo se deu apenas em 25/10/2005. Que, segundo a regra prevista no CTN, o prazo decadencial teve inicio em 1992 e término em 1996; 6.6 que a cobrança da taxa de juros Selic é inconstitucional, visto que sequer foi instituída por meio de ato legal, em desconformidade com o art. 150, I, da ConstituiçãoFederal; 6.7 que a multa de oficio, aplicada no percentual de 75% é inconstitucional posto que confiscatória, em afronta ao previsto no inciso IV do art. 150 da constituição Federal; 6.8 por fim, pede seja declarado nulo o auto de infração e seja acolhida a impugnação, protestando pela produção de novas provas que se façam necessárias. É o Relatório.” Passo adiante, em 07 de Agosto de 2008, através do Acórdão 1123.327 a 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 198 4 GANHO DE CAPITAL. PROPRIETÁRIO. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa fisica que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos de que seja proprietário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. A contagem do prazo decadencial, não havendo qualquer pagamento antecipado a homologar, regerseá pelo art. 173, 1, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. E cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INSTRUÇÃO DA PECA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS. PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os princípios constitucionais tributários, a exemplo ,do Principio da Proibição do Confisco, são limitações impostas pelo legislador constituinte ao legislador ordinário. Não se Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 199 5 encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da observância desses princípios, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia. Lançamento Procedente Cientificado em 02/09/2008 (fl. 178), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/10/2008 (fls.179 à 186), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares a serem analisadas. No mérito passamos a analisar de per si cada um dos tópicos trazidos pelo recorrente: a) DO GANHO DE CAPITAL No presente tópico, como bem pontuou em esmiuçada análise a DRJ/Recife, o recorrente elege como pedra de toque de seu direito, uma escritura pública de transferência imobiliária de retificação e ratificação, que não foi por si (Domingos Barreto da Silva) nem por sua esposa assinada na qualidade de alienantes, nem pela suposta adquirente (Dulce da Rocha Barros Palmeira) e em conseqüência, não foi registrada pelo Registro de Imóveis, único documento apto a comprovar a ratificação e retificação da transação anteriormente efetuada de alienação da propriedade imobiliária pretendida pelo recorrente. Há declaração do próprio Tabelião de Porto Calvo/AL, informando que não foi registrada referida Escritura (fl. 128) Referido documento, apócrifo, não pode ser considerado juridicamente válido, nem irradiar quaisquer direitos no mundo jurídico, não sendo possível afastar, com meros argumentos, fatos jurídicos anteriormente comprovados através de documentos regular e formalmente emitidos, que foram levados em consideração pela fiscalização. Existe ainda do conjunto probatório do processo, DOI – Declaração de Operações Imobiliárias emitida e recolhida em nome do ora recorrente, tendo este como alienante dos bens. (tópico 20.1 do Voto da DRJ) Desta forma, havendo sido comprovada através dos documentos constantes do presente processo, a alienação, pelo recorrente, em 07/03/2002, da Fazenda Poço Comprido, conforme escritura pública de fls. 63 a 64 e 140 a 141, deve ser mantido hígido o lançamento, Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 200 6 ex vi, do artigo 117 do Decreto 3.000/1999, referente à tributação dos ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos: b) DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADES. Tendo sido apurado pela fiscalização imposto a recolher pelo recorrente decorrente do não oferecimento (omissão) de ganho de capital apurado, devida é a aplicação da multa de ofício ex vi do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que deve ser observada por este Colegiado, não havendo que se falar em em caráter confiscatório da aplicação da penalidade, eis que aplicada referida penalidade como sanção por ato ilícito, não havendo aplicabilidade do principio de não confisco in casu, estando referida multa de acordo com a gradação legal, de 75%. Quanto a correção monetária pela taxa SELIC, destaquese que foi instituída pelos regramentos contidos na Lei n° 9.065, de 20/06/1995, e hoje tem fundamento na Lei n° 9.430/1996 e a argüição de sua constitucionalidade somente pode ser objeto de análise e controle pelo Poder Judiciário, sendo por outro lado, como antedito, legal sua aplicação. Quanto as demais argüições, refoge a este Colegiado competência para análise e manifestação quanto a constitucionalidade ou não de norma tributária (competência esta restrita ao Poder Judiciário), mas tão somente a sua aplicação. Neste sentido Súmulas 2 e 4 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13401.000753/200567 Acórdão n.º 2801002.369 S2TE01 Fl. 201 7 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13857.001110/2008-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.871
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
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O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 11 10 /2 00 8- 25 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13857.001110/200825 Acórdão n.º 2403002.871 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1233.007 da 11ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, através da auto de infração, DEBCAD 37.192.3301, no montante de R$65.881,38 (sessenta e cinco mil, oitocentos e oitenta e um reais e trinta e oito centavos), que acrescido de multa e juros perfez o valor consolidado em 13/10/2008 de R$124.938,08 (cento e vinte e quatro mil, novecentos e trinta e oito reais e oito centavos), referente a contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratuais prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho médico e odontológico, no período de 01/2004 a 12/2004, não recolhidas e não declaradas em GFIP. 2. De acordo com o Relatório Fiscal: 2.1. Os serviços foram prestados por cooperados intermediados pela Unimed São Carlos Cooperativa de Trabalho Médico e Uniodonto de São Carlos Cooperativa de Trabalho Odontológico. 2.2. "Os elementos que serviram de base para este levantamento foram as faturas de serviços emitidas pelas cooperativas de trabalho, (...) cujas cópias encontramse anexas a este relatório, exceto a de n° 113688/04, sendo o valor da mesma apurado pela contabilidade ". 2.3. 0 lançamento é composto dos seguintes fatos geradores devidamente separados por levantamentos, conforme segue: L1 Valores pagos A Unimed São Carlos Cooperativa de Trabalho Médico. L2 Valores pagos A Uniodonto de São Carlos Cooperativa de Trabalho Odontológico. 2.4. Considerouse como base de cálculo "os valores destacados nas faturas como serviços pessoais em relação ás faturas emitidas pela Unimed São Carlos. Para os serviços prestados pela cooperativa odontológica, a base de cálculo foi apurada pelo percentual de 60% do valor da fatura". Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 2.5. "A situação descrita, em tese, configura o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, portanto, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação a autoridade competente para providencias cabiveis". Da Impugnação 3. Inconformada com auto de infração que tomou ciência pessoal em 13/11/2008 (fls. 01), a empresa contestou o lançamento em 13/11/2008, através do instrumento de fls. 136/212, argumentando em síntese: Da inaplicabilidade do artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91 3.1. "A UNIMED, pessoa jurídica, se constitui como sendo uma empresa de Medicina de Grupo... Não pode, em hipótese alguma, ser considerada uma Cooperativa de Trabalho, afastando, indubitavelmente, a incidência do disposto no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8212/91". Da improcedência da autuação 3.2. Alega que o inciso IV, do artigo 22, da Lei 8212/91, "ao estabelecer a contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de Serviços ofende o dispositivo constitucional contido no artigo 195, da Constituição Federal". 3.3. 0 presente auto de infração não se ateve ao mencionado dispositivo constitucional amparandose em uma Lei Ordinária (Lei 8212/91). 3.4. "A guisa de esclarecimento e dar transparência ao "modus operandi" do SINDSPAM, da UNIMED e do SERVIDOR PÚBLICO, o Impugnante explicita que apenas intermedia o relacionamento entre as partes, recebendo da Prefeitura o numerário que já tiver sido descontado em holerite do funcionário público municipal e, ato continuo, repassandoo Cooperativa de Serviço Médico". Do pedido 3.5. Requer a improcedência do lançamento contido no presente auto de infração. 4. Cumpre esclarecer que este processo foi encaminhado à DRJ/RJ I para julgamento, tendo em vista o disposto no art. 10 e anexo único da Portaria RFB n° 1.036, de 05/05/2010. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13857.001110/200825 Acórdão n.º 2403002.871 S2C4T3 Fl. 4 5 · Da inaplicabilidade da norma contida no artigo 22, inciso iv, da lei n° 8.212/91. · a UNIMED e a UNIODONTO não podem, em hipótese alguma, ser consideradas Cooperativas de Trabalho · Mesmo que fossem consideradas "Cooperativas de Trabalho", o que se cita apenas "ad argumentandum", ainda, assim, o RECORRENTE não seria o responsável pelo recolhimento do tributo, haja vista o seu relacionamento jurídico com ambas e, principalmente, porque somente intermedia o repasse do numerário à UNIMED e à UNIODONTO, debitado nos holerites dos SERVIDORES pela PREFEITURA DE SÃO CARLOS. · Há a impossibilidade de incidência de Contribuição Social sobre Serviços prestados por Pessoas Jurídicas, sob pena de ocorrer violação literal do disposto no artigo 195, 1, letra "a" da Carta Magna · A recorrente agindo, apenas e tão somente, como intermediário entre os SERVIDORES MUNICIPAIS e as Cooperativas UNIMED e UNIODONTO, jamais poderá ser compelido a arcar com qualquer anus financeiro por tal serviço, que visa, sobretudo, facilitar o relacionamento entre as partes, sendo injusta, inadmissível, alem de não incidente por falta de amparo legal, a imposição de tal obrigação. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme Relatório Fiscal, o Auto de Infração foi lavrado pela falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho para a recorrente. 1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração de obrigações Principais de contribuições devidas a Seguridade Social, correspondentes a parte devida da empresa, por contratação de cooperativa de trabalho. 2. Os valores consolidados neste Auto de Infração encontramse relacionados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, em anexo, e referemse ao seguinte levantamento: 3. Levantamento L1 — valores pagos a Unimed Sao Carlos Cooperativa de Trabalho Médico. Levantamento L2 — Valores pagos a Uniodonto de São Carlos — Cooperativa de Trabalho Odontológico. Para as cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13857.001110/200825 Acórdão n.º 2403002.871 S2C4T3 Fl. 5 7 Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma empresa de consultoria questiona a tributação. A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados. No entendimento do Tribunal, ao transferir o recolhimento da cooperativa para o prestador de serviço, a União extrapolou as regras constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social. Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16624.001158/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, devolver os autos à unidade de jurisdição para cumprimento cabal da Resolução nº 1801-000.331, deliberada em 03 de junho de 2014, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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