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Numero do processo: 10850.909112/2011-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 12 /2 01 1- 31 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 193 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 125,68. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/01/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 194 3 Data do Fato Gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 05/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722638/201371, contendo a Declaração de Compensação (DCOMP) do crédito controvertido nestes autos. Submetida a DCOMP à apreciação da autoridade administrativa de origem, emitiuse despacho decisório de não homologação da compensação declarada, considerando que o direito creditório já havia sido indeferido no presente processo. Cientificado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação, repisando os argumentos de defesa. Adicionalmente, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP mais uma vez não reconheceu o direito creditório, tendo sido o novo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2002 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 195 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado das decisões de primeira instância em 18/06/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/07/2014 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias de planilha de cálculo, do livro Razão e do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 196 5 configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e declaração de compensação relativos a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 197 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 198 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909112/201131 Acórdão n.º 3803006.733 S3TE03 Fl. 199 8 Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001732/2006-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DESPESAS COMPENSÁVEIS. FALTA DE PROVA DE QUE TERIAM SIDO EFETIVAMENTE PAGAS PELO CONTRIBUINTE E QUE NÃO TERIAM SIDO REPASSADAS AO LOCATÁRIO.
Não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manter-se o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
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DESPESAS COMPENSÁVEIS. FALTA DE PROVA DE QUE TERIAM SIDO EFETIVAMENTE PAGAS PELO CONTRIBUINTE E QUE NÃO TERIAM SIDO REPASSADAS AO LOCATÁRIO. Não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manterse o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 17 32 /2 00 6- 80 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10735.001732/200680 Acórdão n.º 2801002.137 S2TE01 Fl. 82 2 Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: 0 contribuinte supra identificado foi autuado por utilizar em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do exercício de 2003, anocalendário de 2002, deduções a titulo de Livro Caixa aplicadas a rendimentos de aluguel pago por pessoa jurídica. Informa o enquadramento legal na fl. 40 e que o valor do IRRF foi declarada a maior. Em decorrência disto, o contribuinte deixou de ter saldo de imposto a restituir e passou a ter Imposto Suplementar após a revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, no valor de R$3.521,47 (três mil, quinhentos e vinte e um reais e quarenta e sete centavos). 0 autuado recebeu a autuação em 25/10/2006 e apresentou defesa alegando em síntese que, apesar do abatimento ter sido feito no “Quadro das Deduções" na linha correspondente ao titulo "Livro Caixa", tratase de compensação de despesas efetuadas que visão manter a fonte pagadora como geradora de emprego e renda (f1.03). Aduz que a pessoa jurídica ao declarar na DIRF os pagamentos efetuados a pessoas físicas o faz pelo valor efetivo, destacando o Imposto de Renda Retido sem deduzir despesas como água, luz, impostos e condomínio. Alega que o abatimento prévio das despesas coloca o contribuinte na condição de sonegador e que os programas de computador não podem avaliar a pertinência do uso de Livro Caixa nos abatimentos, devendo a Receita Federal criar formulário com titilo “abatimento" no lugar de "Livro Caixa" para evitar interpretações equivocadas. Em decorrência da transferência da competência definida na Portaria RFB n° 222/2008, de 12 de fevereiro de 2008, veio o processo para julgamento nesta DRJ. A DRJ/Santa Maria julgou procedente o lançamento (fls. 55/58), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 GLOSA DE DEDUÇÃO A TÍTULO DE LIVRO CAIXA DEDUÇÕES DE ALUGUEIS Não é permitida a dedução a titulo de Livro Caixa de rendimentos de aluguéis ou qualquer outro que não decorra das despesas necessária à percepção dos rendimentos do trabalho nãoassalariado. São dedutíveis dos rendimentos de aluguéis os valores pagos de impostos, taxas, emolumentos e despesas de condomínio quando suportados exclusivamente pelo locador. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10735.001732/200680 Acórdão n.º 2801002.137 S2TE01 Fl. 83 3 Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado apresentou o Recurso de fls. 69/71, alegando que o uso do "Livro Caixa" é quase uma obrigação nas suas condições, pois os imóveis nem sempre estão 100% locados, gerando renda como pressupõe o regulamento do IR. e ainda exige despesas de manutenção para a sobrevivência do próprio bem gerador da renda, que também é acolhido pelo principio da preservação da fonte de renda. Diante do exposto acima requer a extinção definitiva do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como bem esclareceu a decisão recorrida, não é admitida a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa do rendimento de alugueis. Somente são admitidas as deduções do artigo 632 do RIR, efetivamente suportadas pelo locador, dispensada a escrituração do Livro Caixa mas necessária a comprovação através de documentos idôneos. Entretanto, no presente caso, não há como admitir dedução alguma de valores sobre aluguéis recebidos, uma vez que não foram carreados aos autos comprovantes de pagamentos de impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produziu o rendimento; despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e despesas de condomínio, cujos encargos teriam sido suportados pelo locador. tenha suportado estes encargos. Assim, não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manterse o lançamento. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10735.001732/200680 Acórdão n.º 2801002.137 S2TE01 Fl. 84 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000115/2006-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA COBRANÇA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O CARF não possui competência para determinar a suspensão da cobrança de crédito tributário com exigibilidade suspensa, pois a decisão de inscrever ou não os débitos em dívida ativa ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA COBRANÇA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não possui competência para determinar a suspensão da cobrança de crédito tributário com exigibilidade suspensa, pois a decisão de inscrever ou não os débitos em dívida ativa ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
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DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA COBRANÇA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não possui competência para determinar a suspensão da cobrança de crédito tributário com exigibilidade suspensa, pois a decisão de inscrever ou não os débitos em dívida ativa ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 15 /2 00 6- 55 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/01/2006, lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento nos períodos de apuração compreendidos entre abril de 2003 e setembro de 2003. Segundo a descrição dos fatos de fl. 08, foi relatado o seguinte: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. Em maio de 2003, foi lavrado auto de infração referente ao PIS protocolado sob nº 16327.001921/200306 que abrangeu o período compreendido entre 01/1996 a 03/2003. No presente auto, constituímos o crédito tributário referente ao período de abril/03 a outubro/03, pois estes períodos encontram se declarados na DCTF como suspensos. 0 contribuinte vem depositando judicialmente os valores no MS 94.00176392, com i pedido para depositar o PIS ate o termino da ação judicial. Foi concedida liminar em 10/08/1994, mas posteriormente sentença denegatória foi exarada em 17/06/1996, sendo o, recurso recebido apenas no efeito devolutivo em 05/08/1996. Os autos encontramse no Supremo Tribunal Federal desde 28/06/99 aguardando apreciação de Recurso, Extraordinário. No referido processo o contribuinte contesta o disposto na EC 01/94, no entanto, após isso houve a edição da EC 10/96, da EC 17/97 e a partir de fevereiro de 1998 houve mudança na base de cálculo através de lei ordinária. Assim, entendemos que os créditos tributários lançados no presente auto de infração não estão amparados pela medida judicial mencionada e lavramos o presente auto de infração exigível e com multa de oficio. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que existem períodos no auto de infração que já foram julgados no processo 16327.001921/200306. Disse que o crédito tributário está com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN, em razão dos depósitos judiciais efetuados no âmbito do MS 94.0017639. A concessão da liminar suspendendo a exigibilidade ocorreu em 10/08/94, antes do início do procedimento de fiscalização. Embora o Mandado de Segurança trate da EC 01/94, seus efeitos se prorrogam até os recolhimentos atuais, sendo que as normas supervenientes, EC 10/96, 17/97 e Lei 9.701/98, apenas prolongaram a exigência, sem alterar o arquétipo da exigência. Atacou o lançamento dos juros de mora e da multa de ofício. A fiscalização imputou o valor total do depósito efetuado a períodos de apuração já alcançados pela decadência. A fiscalização deveria ter desconsiderado o período decaído, o que faria o período de maio de 2001 a março de 2002 se deslocar para setembro de 2001 a março de 2002, conforme planilha anexa. Solicitou o julgamento em conjunto com o processo 16327.000114/200619. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000115/200655 Acórdão n.º 3403003.533 S3C4T3 Fl. 3 3 Por meio do Acórdão 19.735, de 03 de dezembro de 2008, a DRJ São Paulo afastou a preliminar de lançamento em duplicidade e, no mérito, considerou que os débitos encontravamse com a exigibilidade suspensa e excluiu do lançamento os juros de mora e a multa de ofício, em julgado que recebeu a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR. PERÍODO DE LANÇAMENTO JULGADO EM OUTRO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. Comprovado carecer de fundamento a alegação de o período lançado ter sido objeto de julgamento em outro processo, deve se prosseguir com o exame das questões de mérito arguidas. DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONSIGNAÇÃO DE JUROS DE MORA. DESNECESSIDADE. Por serem repassados para a Unido no vencimento do tributo, independentemente de qualquer formalidade, os depósitos judiciais fazem desnecessária a consignação de juros de mora no lançamento para prevenir a decadência. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Suspensa a exigibilidade do tributo, con figurase hipótese de lançamento para prevenir a decadência, em que não cabe lançamento da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte Conforme informação da autoridade administrativa (fl. 246), o contribuinte foi notificado do Acórdão de primeira instância em 05/02/2009, tendo apresentado o recurso voluntário em 06/03/2009. Alegou o contribuinte que o débito está com a sua exigibilidade suspensa, em razão dos depósitos judiciais e requereu a suspensão da cobrança, até que sobrevenha decisão definitiva no processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme se verifica nos autos, a DRJ São Paulo já excluiu a multa de ofício e os juros de mora, por entender que o débito encontrase com a exigibilidade suspensa no âmbito do processo judicial 94.00176392. Em sede de recurso voluntário, a defesa solicita a suspensão da cobrança até que sobrevenha o desfecho da referida ação judicial. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Quanto à suspensão da cobrança, a decisão de inscrever ou não os débitos ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. À luz desses dispositivos legais, não cabe a este colegiado decidir por aquela suspensão em sede de recurso voluntário. A uma por falta de competência legal. A duas porque a exigibilidade do crédito tributário já está suspensa em virtude do efeito suspensivo dos recursos administrativos no âmbito do PAF. A três, porque em face da presente decisão ainda existem recursos que podem ser manejados pelo contribuinte. E a quatro, porque este colegiado não pode se manifestar sobre hipótese futura que pode, inclusive, nem se concretizar, uma vez que o resultado do processo judicial 94.00176392 é prejudicial a este processo administrativo. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904690/2009-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/02/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 46 90 /2 00 9- 23 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904690/200923 Acórdão n.º 3801004.342 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10510.004017/2009-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2008
ALEGAÇÃO SEM PROVA
Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Numero da decisão: 2403-002.703
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão da multa do lançamento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2008 ALEGAÇÃO SEM PROVA Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão da multa do lançamento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão da multa do lançamento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 40 17 /2 00 9- 86 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004017/200986 Acórdão n.º 2403002.703 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1524.472 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, mantendo em parte o crédito tributário, conforme abaixo: Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo 10510004017/200986, do Auto de Infração (AI), cadastrado sob número 37.216.7144, acordam os membros da 7” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, retificando a multa de oficio aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) para 30% (trinta por cento), por ser mais benéfica, no estágio em que se encontra o processo, e nos termos do relatório e voto que passam a integrar O presente julgado. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: O presente Auto de Infração (AI), lavrado em desfavor do Estado de Sergipe Administração Direta, referese, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1617, às contribuições sociais previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). O presente crédito tributário perfaz um montante de R$ 13.824,73 (treze mil oitocentos e vinte e quatro reais e setenta e três centavos), referindose ao período de 01/2007 a 08/2008 (intercalado) e consolidado em 23 de novembro de 2009. A ação fiscal foi realizada junto ao Estado de Sergipe Fundo Estadual de Saúde, CNPJ 04.384.829/000196. Consta ainda do relato da Fiscalização que a remuneração paga aos trabalhadores do Fundo Estadual de Saúde que estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado não Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 foi objeto de análise na fiscalização, pois o procedimento fiscal foi restrito aos fatos geradores das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Constam do crédito os seguintes Levantamentos: ANG Contribuição descontada dos segurados empregados, sem a devida declaração em GFIP; e PAN Contribuição descontada dos segurados prestadores de serviço, sem da devida declaração em GFIP. A Fiscalização ainda juntou aos autos o Anexo l (fls. 1834), planilha que elenca, nominalmente, os segurados empregados constantes de folhas de pagamentos e os contribuintes individuais que constam de registros contábeis, mas não relacionados em GFIP. Por fim, no item 12 do Relatório Fiscal há a afirmação de que foi realizado o comparativo da multa aplicada, em função das modificações trazidas pela Lei 11.941/2009, reportandose aos Anexos II, III e IV do Auto de Infração. O sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, pessoalmente, em 24 de novembro de 2009, conforme assinatura aposta na folha do rosto do AI. Apresentou defesa em 17 de dezembro de 2009, aduzindo, em síntese, o que se relata a seguir. Insurgese contra a cobrança da contribuição de 15% sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, aduzindo que e' inconstitucional tal exação. Na hipótese de se considerar constitucional a exigência, deverão ser deduzidos os \valores contidos nas notas fiscais e que não se referem à remuneração dos cooperados (como por exemplo a taxa de administração). Requer perícia, indicando assistente técnico e formulando quesitos, como o fito de excluir.do lançamento os valores contidos nas notas fiscais de serviço e que não se referem à remuneração dos cooperados. Aduz que a autoridade fiscal não levou em consideração as retificações realizadas pelo Autuado, conforme documento em anexo. Com isso o lançamento não deve prosperar até que sejam levadas em consideração tais retificações, mediante laudo pericial. Requer perícia, indicando assistente técnico e formulando quesitos. Preliminarmente, requer a nulidade do crédito previdenciário. O lançamento deve ser declarado nulo porque dificulta a sua impugnação, uma vez que não foram registrados, de forma clara, os elementos que serviram de fundamento para informação da matéria tributável. Com isso, dificulta por demais a efetivação da garantia do contraditório e da ampla defesa assegurados na Carta Magna. Consta do Anexo 1 deste AI relação nominal com as mesmas pessoas indicadas em outro AI n° 37.216.7128, sem Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004017/200986 Acórdão n.º 2403002.703 S2C4T3 Fl. 4 5 ao menos explicitar o motivo pelo qual as informações não resultam em dupla tributação. Alega decadência do direito de lançar. Não há respaldo jurídico para o lançamento das contribuições previdenciárias relativas ao período anterior a cinco anos da lavratura do auto de infração, porque estão sob o efeito da decadência. Aduz que o lançamento não levou em consideração os casos em que, embora existente documento formalizando o vínculo com Estado de Sergipe, o pagamento da maioria se dá após três meses, momento em que o pagamento se dá de forma retroativa. Requer perícia, indicando Perito e formulando quesitos. O lançamento não faz distinção dos fatos geradores e das bases de cálculo decorrentes entre os segurados empregados (CLT), os ocupantes dos cargos comissionados e de todos os servidores estatutários. Requer perícia. Pontua que na eventualidade de não ocorrer a retenção de 11% pelo tomador de serviço, mas recolhida a contribuição previdenciária pela empresa prestadora de serviço, não há tributo remanescente a ser cobrado pelo responsável por substituição. Requer perícia para excluir do lançamento as hipótese em que houve recolhimento da contribuição pelos contribuintes de fato (prestadores). Aduz que os serviços de empreitada global não se sujeitam à retenção. Ressalta que as empresas optantes pelo SIMPLES não estão sujeitas à substituição tributária imposta pela Lei 8.212, de 1991, no seu artigo 31. Requer perícia. Posto isto, a Secretaria de Estado da Saúde requer a declaração da nulidade do lançamento. Requer a decadência. Requer perícia, indicando assistente técnico e formulando quesitos, em vários itens já explicitados no corpo da impugnação. Por fim, requer a declaração da improcedência total do lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · inclusão indevida de servidores vinculados a regime próprio de previdência social no órgão de origem; · levantamentos com base em valores declarados em geip. diferença em relação a base de cá1culo contida na folha de pagamento. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 impossibilidade de elaboração de GFIP retificadora. Necessidade de revisão dos lançamentos; · ausência de identificação no RADA da utilização de todo o montante de recolhimentos contidos nos documentos apresentados a fiscalização cerceamento de defesa. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004017/200986 Acórdão n.º 2403002.703 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. SERVIDORES VINCULADOS AO REGIME PRÓPRIO DO ESTADO A recorrente alega inclusão indevida de servidores vinculados a regime próprio de previdência social no órgão de origem (comissionados). Para essa questão, observo que consta do Relatório Fiscal registro que os trabalhadores vinculados ao regime próprio não foram objeto da fiscalização e apresenta um anexo, folhas 18 a 34, planilha onde elenca os segurados empregados constantes de folhas de pagamentos e os contribuintes individuais que constam de registros contábeis, mas não relacionados em GFIP, identificandoos pelo nome e pelo NIT, especificando se empregado ou contribuinte individual e a remuneração por competência. 2. A remuneração paga aos trabalhadores do Fundo Estadual de Saúde que estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado não foi objeto de análise na fiscalização, pois o procedimento fiscal foi restrito aos fatos geradores das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. Entendo bem detalhado o trabalho elaborado pelo fisco. Temos que a alegação da recorrente é genérica, aponta apenas uma hipótese, sem identificar nenhum fato concreto. Entendo que essa alegação, desprovida de provas, não pode ser aceita. BASES DE CÁLCULO Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente alega que as bases de cálculo foram identificadas na GFIP, que está providenciando GFIPs retificadoras e requer perícia. Entendo prescindível a perícia e indefiro o pedido. A oportunidade de apresentar provas expirou. Novo caso de apresentação de hipótese sem apontar nenhum caso concreto. Entendo a alegação como genérica, desprovida de provas e não a acato. RECOLHIMENTOS A recorrente aponta a ausência de identificação no RADA da utilização de todo o montante de recolhimentos contidos nos documentos apresentados a fiscalização cerceamento de defesa. Não concordo com a recorrente. O RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, demonstra com detalhes a apropriação dos recolhimentos da recorrente. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.004017/200986 Acórdão n.º 2403002.703 S2C4T3 Fl. 6 9 expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da multa de ofício do lançamento. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000398/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
É cabível a exigência de IPI com base em omissão de receitas apurada a partir de depósitos de origem não comprovada. No caso dos autos, todavia, o erro fiscal quanto ao cálculo do imposto devido invalida o lançamento desse tributo.
TRANSFERÊNCIAS HAVIDAS ENTRE CONTAS-CORRENTES DE TITULARIDADE DO SUJEITO PASSIVO.
A presunção de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada não alcança os ingressos oriundos de conta-corrente também de titularidade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1201-001.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, e em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir dos depósitos de origem não comprovada as transferências havidas entre contas-correntes bancárias de titularidade da contribuinte, conforme item 2.2 do voto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. É cabível a exigência de IPI com base em omissão de receitas apurada a partir de depósitos de origem não comprovada. No caso dos autos, todavia, o erro fiscal quanto ao cálculo do imposto devido invalida o lançamento desse tributo. TRANSFERÊNCIAS HAVIDAS ENTRE CONTAS-CORRENTES DE TITULARIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A presunção de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada não alcança os ingressos oriundos de conta-corrente também de titularidade do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, e em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir dos depósitos de origem não comprovada as transferências havidas entre contas-correntes bancárias de titularidade da contribuinte, conforme item 2.2 do voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000398/200917 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.083 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes MINALICE MINERACAO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Presumemse ser oriundos de omissão de receitas os valores depositados em contacorrente bancária de titularidade do sujeito passivo quando este, regulamente intimado para tanto, deixa de comprovar a origem daqueles ingressos. TRANSFERÊNCIAS HAVIDAS ENTRE CONTASCORRENTES DE TITULARIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A presunção de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada não alcança os ingressos oriundos de contacorrente também de titularidade do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. É cabível a exigência de IPI com base em omissão de receitas apurada a partir de depósitos de origem não comprovada. No caso dos autos, todavia, o erro fiscal quanto ao cálculo do imposto devido invalida o lançamento desse tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, e em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir dos depósitos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 98 /2 00 9- 17 Fl. 5602DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 3 2 origem não comprovada as transferências havidas entre contascorrentes bancárias de titularidade da contribuinte, conforme item 2.2 do voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos do art. 33 e 34 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1431.099, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 5402 e ss.): Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, apurouse: 1) Omissão de receita, no anocalendário de 2005, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados em depósitos bancários; 2) Receita da atividade, escriturada e não declarada, apurada conforme Demonstrativo Mensal de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais) IRPJ e CSLL e Demonstrativo Trimestral/Mensal Consolidado de Omissão de Rendimentos (Notas Fiscais) IRPJ e CSLL. (...) Consta no processo que a contribuinte, sendo intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários efetuados em suas contas correntes. A fiscalização procedeu a circularização, por amostragem, junto aos bancos e clientes da empresa e concluiu que alguns depósitos eram provenientes de clientes da contribuinte ou de empresas de factoring (Opinião, Credfirme e GMG), que efetuavam desconto antecipado de suas duplicatas, o que deixou ainda mais evidente que os depósitos bancários são provenientes de receitas de sua atividade. A fiscalização solicitou, também, todas as notas fiscais de venda durante o anocalendário de 2005 e apurou, analisando tais documentos e os livros contábeis e fiscais da contribuinte, que foram oferecidos à tributação somente uma pequena parte do Fl. 5603DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 4 3 valor das vendas efetuadas. Foi declarada em DCTF/DIPJ a receita de R$ 718.789,01 e foi apurada omissão de receita com base em notas fiscais no valor de R$ 6.954.260,03 e com base nos depósitos bancários no valor de R$ 9.461.325,76. Efetuouse, então, o lançamento de ofício tributandose receitas da atividade, escriturada e não declarada, e omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Notificada do lançamento, a contribuinte, representada por Paulo César Di Madeo (fls. 5383, 5386 a 5391), ingressou, em 15/01/2010, com a impugnação de fls. 5355 a 5380, alegando: · Quando foi intimada da exação recebeu os autos de infração, o termo de encerramento da ação fiscal, além de algumas planilhas explicativas, os quais não representam a totalidade das peças que compõem os autos. Por essa razão, solicitou, em 22/12/2009, cópia de todos os documentos que integram o processo, o que ocorreu em 07/01/2010, concluindose que não teve o prazo de trinta dias para preparar a peça impugnatória; · Durante o procedimento fiscal, algumas vezes solicitou ao fiscal cópias dos documentos produzidos por ele, o que foi negado sob o argumento de que oportunamente teria cópia de todos eles. Disso resultou que não pôde analisar todos os documentos que instruem a peça impositiva, consubstanciados em 24 volumes, o que caracteriza ofensa ao seu direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa; · Nem se alegue que o descumprimento do trintídio legal não impediu que se formulassem alegações consistentes e densas, que demonstrariam conhecimento da matéria e afastaria o cerceamento da defesa. A notificação endereçada à impugnante é apenas um dos procedimentos, dentre outros, que integram o processo tributário. O lançamento respectivo e o crédito tributário correspondente apenas se aperfeiçoam quando o contribuinte tem condição material de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa, o que ocorre quando lhe é franqueado acesso a todas as peças componentes do processo, em consonância com a Constituição Federal (CF), art. 5°, LV; · Requer autorização para o ingresso extemporâneo no programa de recuperação instituído pela Lei n° 11.941, de 2009, pois, apesar de ter solicitado ao fiscal autuante que o auto de infração fosse lavrado antes de 30/11/2009, a intimação do lançamento somente foi feita em 16/12/2009, depois de esgotado o prazo fixado pela citada lei. Se, entretanto, não se situar na esfera de competência dessa Delegacia de Julgamento apreciar a questão, desde já requer seja protocolizado processo e remetido a quem de direito, com vistas ao pedido de parcelamento definido na lei acima referida; · Embora o agente fiscal tenha sido diligente ao incluir o IPI no campo de abrangência da atividade fiscalizadora, no momento Fl. 5604DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 5 4 em que procedeu à retificação do MPF (fls. 3871/2), há que se observar que a matéria tributável em questão referese a fatos geradores decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, além de receita da atividade não declarada, que caracterizamse como aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos, em conformidade com a legislação que rege o grupo de tributos que incidem sobre a renda (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). Entretanto, o fato gerador do IPI não reclama obtenção de faturamento, tampouco de lucro. Assim, os elementos de prova obtidos para instruir a constituição do crédito tributário que repousa em aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos, além de faturamento não são aptos a suportar lançamento decorrente de saída de produtos do estabelecimento; · A tributação dos depósitos bancários, com base na Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, conduz a nova forma de determinação da base de cálculo de tributos, matéria que, segundo a Constituição Federal (CF), art. 146, III, a, e o Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, II e IV, é reservada à lei complementar; · O lançamento tributário requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. O simples depósito em conta corrente não é pressuposto suficiente para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Por isso, à luz do art. 43 do CTN, é defeso ao Fisco exigir tributos sem a demonstração cabal de os depósitos apurados em sua movimentação bancária deram origem a uma disponibilidade econômica ou jurídica de renda a um enriquecimento traduzido em aumento de patrimônio, em uma riqueza nova; · A tributação isolada dos depósitos bancários desvirtua o conceito de renda insculpido no art. 153, III, da CF e no art. 43 do CTN, e atropela o dispositivo inserto no art. 110 do citado código e nos arts. 145, § 1°, 150, IV, da CF; · Os valores de depósitos bancários que o Fisco considerou como omissão de receita apresentam distorções caracterizadas por aumentos bruscos. Tais depósitos advieram de outras fontes como empréstimos e transferências; · Ocorreram transferências entre contas da mesma titularidade. Emitiu cheques para depósito em outras contas bancárias de sua titularidade e não foram deduzidos da apuração, no montante de R$ 1.082.000,00, conforme demonstrativo de fls. 5369 e 5370. As cópias dos respectivos documentos não foram apresentados neste ato, tendo em vista que somente teve acesso à cópia dos autos no dia 07/01/2010 e o banco demanda certo tempo para fornecimento de cópias. Apesar disso, simples consulta aos extratos do Banco Safra (fls. 385 a 394) permite concluir pela correspondência entre os valores de cada um dos cheques sacados contra aquele banco e os respectivos depósitos, nas mesmas datas, efetuados no Bradesco; Fl. 5605DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 6 5 · Além dos cheques antes referidos, os estornos de lançamentos, no valor de R$ 146.105,20, não foram levados em conta pelo agente fiscal, conforme planilha anexa (fl.5371); · Tomou empréstimo com a quotista Arminda Vianna Proa, cuja negociação se materializou com a lavratura do Contrato de Fornecimento de Recursos Financeiros; · A empresa Bebida Gostosa Rio Indústria e Comércio Ltda. era sua coligada até fevereiro de 2003. Foram feitos contratos de empréstimos para aquela empresa e os reembolsos correspondentes iniciaramse a partir do momento em que a citada pessoa jurídica apresentou disponibilidade financeira. Dado o exíguo prazo para se defender não houve possibilidade material de listar todos os valores lançados a crédito da conta de depósitos mantida pela impugnante; · No decorrer de 2005, para fazer frente a necessidades de caixa, recorreu a financiamentos com empresas de factoring, tendo o Fisco presumido que tais operações teriam origem em vendas decorrentes de sua atividade. Ao proceder dessa forma, a fiscalização exorbitou de sua competência, pois a partir de coleta de informações por amostragem de parte dos créditos concluiu que todos decorreriam de vendas. O lançamento não deve prosperar, pois não foi intimada a manifestarse, o que caracteriza cerceamento de defesa, além de se tratar de uma dedução obtida por amostragem; · Industrializa as denominadas bebidas frias, que o Fisco enquadrou no código NCM 2202.10.00 e água mineral natural, que, de acordo com a NC 223, é produto não tributado. O Poder Executivo ao arrepio da prescrição constitucional que veda exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça (art. 150, I, da CF) instituiu nova modalidade de apuração da base imponível para o IPI utilizandose da indevida via do Decreto n° 4.859, de 2003, que incluiu o § 2° ao art. 448 do RIPI. Assim, ausente o substrato legal apto a justificar a imposição tributária, não há como prevalecer o lançamento do IPI sobre depósitos bancários de origem não comprovada; · Ainda que, em tese, entenda essa turma julgadora que a aplicação da figura típica não prevista em lei não se constitua mácula passível de anular o lançamento, há que se considerar que do total arrecadado com a venda dos produtos que industrializa, a maior parte advém da comercialização de água mineral natural que não está no campo de abrangência do IPI. Ainda que do total dos depósitos listados pelo agente fiscal decorresse da venda de produtos industrializados, a grande maioria não se encontraria no campo de incidência do IPI por se tratar de produto não tributável. Ao considerar, indistintamente, o montante dos depósitos como receita omitida passível de tributação, o Fisco lançou imposto sobre produto que não se encontra submetido à norma impositiva. A argumentação de que o lançamento decorre de omissão de receita não sobrevive à análise acurada em vista de que o substrato jurídico para Fl. 5606DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 7 6 existência do IPI é a saída do estabelecimento industrial. Considerandose que parte do faturamento não sofre incidência do IPI, presuntivamente, deve ser utilizado como dedução da base de cálculo desse imposto incidente sobre depósitos bancários, pois a presunção de omissão de receita, indevidamente instituída por decreto, não tem o condão de fazer incidir IPI sobre produtos que não se encontram no campo de abrangência. Não há impedimento legal para se afastar, presuntivamente, os valores apurados por cálculo proporcional, haja vista que a presunção estabelecida não representa a efetiva realidade; · O Decreto n° 4.488, de 2002, instituiu a NC 222 e sujeitou os produtos industrializados nela descritos à incidência do imposto devido por unidade. No presente lançamento, o fiscal, indevidamente, considerou como alíquota ad valorem a expressão monetária que deve ser multiplicada pela quantidade de unidades de produto objeto de lançamento. Tal forma de imposição tributária não encontra respaldo nas normas que regem a matéria; · O agente fiscal fez incidir a tributação sobre a totalidade dos depósitos sem levar em conta os débitos declarados, que constam do demonstrativo elaborado por ele mesmo, para efeitos de IRPJ e CSLL, que obteve omissão de depósitos bancários no valor de R$ 1.422.494,65 para o primeiro trimestre de 2005, enquanto que a base de cálculo utilizada foi de R$ 2.967.329,47 e não de R$ 2.824.391,03, em razão da receita declarada, de R$ 142.938,44 para o mesmo período; · O arrolamento de bens caracteriza inconstitucionalidade, pois fere o princípio do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e do direito de propriedade. É imprescindível o exaurimento da fase administrativa para que se tenha como certa a imposição de legalidade e veracidade do suposto crédito exigido. Impor arrolamento de bens antes de findar todas as possibilidades de defesa é desobediência aos incisos LIV e LV do art. 5° da CF. Ao fazer constar na declaração negativa de débitos (CND) menção relativa ao débito fiscal e ao respectivo arrolamento de bens, estaria o Fisco atribuindo ao contribuinte uma indevida roupagem de inadimplente, bem como inviabilizando qualquer tipo de operação comercial ou financeira por ele desejada que tivesse por garantia os bens arrolados pelos Fisco, o que configura restrição ao direito de propriedade. Não poderia o arrolamento de bens ser transportado do campo processual civil para o do direito tributário sob a roupagem de medida administrativa que, em síntese, tem natureza cautelar de medida cautelar fiscal; · Se, entretanto, não se situar na esfera de competência dessa Delegacia de Julgamento apreciar a questão, desde já requer seja protocolizado processo e remetido a quem de direito, com vistas a impugnação da matéria. Fl. 5607DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 8 7 Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação para deduzir dos depósitos de origem não comprovada os valores dos estornos de lançamentos contidos nos extratos bancários, bem como para afastar a exigência do IPI sobre os depósitos de origem não comprovada. Tendo em vista haver exonerado o sujeito passivo da exigência de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada, o órgão de primeiro grau submeteu seu julgado a reexame por este Conselho. Por sua vez, irresignada com a parcela mantida, a interessada interpôs recurso voluntário reproduzindo, em síntese, as razões aduzidas na impugnação ao lançamento, argumentando ainda que é nula a decisão de primeiro grau por não haver enfrentado a alegação da defesa segundo a qual inexiste pressuposto para fiscalização do IPI (fl. 5427 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em seu recurso voluntário a interessada aduz uma série de argumentos tendentes a afastar a exigência. Passemos a examinálos. 2.1) Das Preliminares de Nulidade Alega a recorrente, em primeiro lugar, ser nulo lançamento por cerceamento de seu direito de defesa sob o argumento de que a autoridade fiscal deixou de lhe entregar, junto com os autos de infração, a totalidade dos documentos que compuseram os autos do processo, em violação ao disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Explica que solicitou cópia dos citados documentos perante a repartição fazendária, mas que tal cópia somente lhe foi disponibilizada quando faltavam apenas nove dias para esgotar o prazo para propositura da impugnação, o que prejudicou a sua defesa. Pois bem, o mencionado art. 9º do Decreto nº 70.235/72 assim estabelecia à época do lançamento de ofício: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 5608DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 9 8 § 1º Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Como se observa, ao contrário do afirmado pela defesa, o dispositivo acima não determina que seja fornecida ao sujeito passivo cópia da totalidade dos “termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. O que a norma determina é que os autos de infração deverão ser “instruídos” com aqueles elementos. Em outras palavras, os autos do processo em que for formalizada a exigência fiscal deverão ser instruídos com os citados elementos de prova. Ao sujeito passivo é fornecida cópia apenas dos termos lavrados durante o procedimento fiscal, o que inclui o auto de infração. É o que dispõe o art. 8º do mesmo Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 8º Os termos decorrentes de atividade fiscalizadora serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal, extraindose cópia para anexação ao processo; quando não lavrados em livro, entregarseá cópia autenticada à pessoa sob fiscalização. Ademais, a peça recursal demonstra que o sujeito passivo se defendeu a contento do lançamento tributário, o que por si só afasta a alegação de cerceamento do direito de defesa. Em segundo lugar, argumenta a recorrente ser nulo o lançamento em razão da inexistência de pressuposto para fiscalização do IPI. Quanto a isso devese ressaltar que no item III das preliminares, intitulado “Da Ausência de Pressuposto para Fiscalização do IPI” (fl. 5436 e ss.), a recorrente, contraditoriamente, não faz qualquer alegação acerca da suposta ausência de pressuposto para fiscalização do IPI, seja lá o que isso quer dizer. Limitase a discorrer sobre o MPF, reconhecendo a inclusão do IPI no MPF que lhe foi dirigido (fls. 3871/3872), e sobre a alegada impossibilidade de se exigir IPI decorrente de depósitos de origem não comprovada, matéria essa que será apreciada quando do exame do recurso de ofício, já que a exigência foi afastada pela DRJ. Fl. 5609DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 10 9 Por fim, pede seja declarada a nulidade do acórdão exarado pela DRJ sob o argumento de que o órgão de origem deixou de examinar sua alegação de que inexiste pressuposto para fiscalização do IPI. Também aqui não assiste razão à defesa. É que, tal como ocorreu no recurso voluntário, também na impugnação ao lançamento a recorrente nada fala em sua preliminar (fl. 5360 e ss.) sobre qual pressuposto estaria ausente para fiscalização do IPI. A matéria referente à exigência de IPI com base em depósitos de origem não comprovada foi tratada no mérito daquela decisão. Tendo em vista o exposto, voto por afastar todas as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. 2.2) Das Transferências entre Contas de Titularidade da Contribuinte Alega a defesa que a fiscalização deixou de excluir dos depósitos de origem não comprovada as transferências realizadas entre contascorrentes bancárias de titularidade da empresa. Afirma que diversos cheques sacados contra o Banco Safra, agência 149, conta 2178, foram depositados no banco Bradesco agência 24139, conta corrente 9725, conforme planilha de fl. 5445, no valor total de R$ 1.082.000,00. Alega ainda que houve transferência à título de empréstimo entre contas de mesma titularidade, ambas no Banco Safra (cotascorrentes 1002449 e 2178), conforme planilha de fls. 5445/5446, no valor total de R$ 520.016,21. Pois bem, examinando os autos do processo, em especial as folhas indicadas nas planilhas elaboradas pela recorrente, é possível verificar que, de fato, os cheques sacados na conta do Banco Safra foram depositados na conta do Bradesco, ambas de titularidade da empresa. Corroboram essa afirmação as cópias dos referidos cheques juntadas pela recorrente (fl. 5457 e ss.). O mesmo podese constatar quanto às transferências realizadas a título de empréstimo entre as duas contas mantidas no Banco Safra. Realmente, compulsandose as folhas indicadas naquela planilha, é possível verificar a alegada transferência entre contas da mesma titularidade. Isso posto, devese afastar da relação dos depósitos de origem não comprovada elaborada pela fiscalização (fls. 4392/4466), as transferências entre contas de mesma titularidade indicadas nas planilhas confeccionadas pelo sujeito passivo (fl. 5445 e fls. 5445/5446). 2.3) Das Operações de Financiamento Argumenta a interessada que os depósitos indicados na planilha de fls. 5447/5448, no valor total de R$ 379.995,00, tiveram origem em mútuo contraído junto à sua sócia, a Sra. Arminda Vianna Proa. Anexa à fl. 5504 e ss. cópia do contrato de mútuo. Examinando os documentos indicados na planilha da interessada é possível verificar que se tratam de depósitos realizados na contacorrente da empresa. Em nenhum desses documentos aparece o nome da Sra. Arminda Vianna Proa como depositante. Fl. 5610DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 11 10 Ademais, o documento intitulado contrato de mútuo, anexado pela recorrente, não possui força probante pois assinado entre pessoas que possuem interesse comum em afastar a exigência fiscal. Veja que naquele documento a Sra. Arminda Vianna Proa assina tanto como mutuária quanto mutuante. 2.4) Do Pagamento da Dívida da Empresa Bebida Gostosa Afirma a recorrente que os depósitos indicados na planilha de fls. 5449 referemse à quitação, por parte da empresa Bebida Gostosa Rio Indústria e Comércio Ltda., de um mútuo concedido pela interessada em 2003, no valor de R$ 1.500.000,00. Explica que o contrato de mútuo ora anexado (fl. 2542) e a declaração da empresa GMG Mercantil de Fomento Ltda. (fl. 2542), comprovam o alegado. Pois bem, conforme reconhece a própria recorrente (fl. 5448): Anteriormente a empresa Bebida Gostosa Rio Indústria e Comércio Ltda. detinha participação no quadro societário da impugnante. Sua condição de coligada caracterizavase não só pela participação no capital como também por laços de parentesco e amizade existentes entre os componentes das duas empresas. Tal vínculo continuou existindo depois que ela se retirou do corpo social da empresa, em fevereiro de 2003 (fls. 253/256). (...) Isso posto, havendo interesse comum, é de se dizer que o documento denominado contrato de mútuo, ora anexado, não possui valor probante. Por outro lado, a empresa GMG Mercantil de Fomento Ltda. afirma o seguinte (fl. 2542): Em resposta ao Termo n° 153 em seu item n° 4 temos a esclarecer o seguinte: Que os valores supracitados no item 4 e descritos abaixo foram oriundos de Operações de Fomento Mercantil realizadas com a Empresa BEBIDA GOSTOSA RIO IND. COM. E EXPORTAÇÃO LTDA. CNPJ 01.481.481/0001/67 qual solicitou que os valores de cada negociação fossem creditados na conta de seu fornecedor, a Empresa MINALICE MINERAÇÃO LTDA. CNPJ 61.169.793/000161: (...) Como visto acima, não há menção pela GMG de nenhum empréstimo envolvendo a autuada e a empresa Bebida Gostosa. O que foi declarado pela GMG é que os valores foram depositados na conta da recorrente, na condição de fornecedora da empresa Bebida Gostosa. Fl. 5611DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 12 11 2.5) Das Operações de Factoring Alega a defesa que a fiscalização exorbitou sua competência ao presumir, a partir de uma amostragem e sem amparo legal, que os depósitos efetuados em suas contas correntes por empresas de factoring seriam provenientes de vendas. Também aqui não assiste razão à recorrente. De fato, as presunções simples são admitidas pelo Direito, inclusive pelo Direito Tributário. Não é demais lembrar que o Código de Processo Civil assim estabelece: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. (...) Art. 335. Em falta de normas jurídicas particulares, o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda as regras da experiência técnica, ressalvado, quanto a esta, o exame pericial. Ora, experiência nos ensina que as empresas comerciais que fazem vendas a prazo, como é o casa da autuada, normalmente procuram meios para obter a antecipação de seus recebíveis. E um dos meios empregados é justamente a alienação de seus recebíveis à empresas de factoring. Em sendo assim, é lícito à fiscalização presumir que os depósitos efetuados por empresas de factoring nas contas da recorrente têm origem em vendas a prazo. 2.6) Da Alegação de Inconstitucionalidade de Lei Tributária Alega a defesa que o lançamento do IRPJ realizado com base em depósitos de origem não comprovada: (i) viola o art. 43 do CTN; (ii) está fundamentado em lei ordinária, quando a Constituição exige lei complementar e; (iii) macula os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da proporcionalidade. Tais argumentos, entretanto, não podem ser apreciados no âmbito administrativo pois importaria o exame da (in)constitucionalidade direta ou indireta do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula nº 2 do CARF. 3) DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJ de origem submeteu seu julgado à reapreciação por este Conselho, haja vista haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada. Fl. 5612DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 13 12 3.1) Dos Estornos nas ContasCorrentes Bancárias O órgão de origem afastou do demonstrativo de depósitos de origem não comprovada elaborado pelo auditor, os valores correspondentes aos estornos nas contas correntes bancárias, conforme planilha de fl. 5412. Correta a decisão da DRJ. De fato, os estornos realizados pelas instituições financeiras nas contascorrentes da interessada anulam o depósito efetuado. 3.2) Do IPI sobre Depósitos de Origem não Comprovada A DRJ de origem afastou a exigência do IPI incidente sobre a omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada com fundamento na seguinte argumentação: De acordo com o disposto na NC (222), o IPI é calculado por um valor em reais multiplicado pela quantidade de produtos saída do estabelecimento. Não foi o método utilizado pelo autuante relativamente à omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, como especificado abaixo. Verificase no demonstrativo de fls. 5232/5233 (Demonstrativo Decendial de Valores Devidos de Imposto sobre Produtos IndustrializadosDepósitos Bancários de Origem não Comprovada), que o autuante tomou o valor de R$ 0,0861 previsto na NC (222) como sendo alíquota ad valorem e aplicoua sobre o valor da omissão de receita relativa a depósitos bancários de origem não comprovada. Por exemplo, no 1° decêndio do mês de janeiro apurouse omissão de receitas de R$ 240.437,49 que, multiplicada por 0,0861, resultou R$ 20.701,67, que foi deduzido do valor do IPI devido apurado com base nas notas fiscais de venda. Diante do exposto, tendo sido constatado o erro acima descrito, devese excluir do lançamento os valores de IPI especificados no demonstrativo de fls. 5232/5233 como “Valor Devido com Base em Depósitos Bancários”, conforme abaixo relacionado: (...) Correta a decisão da DRJ. De fato, em se tratando de produtos sujeitos à alíquota específica, qual seja, R$ 0,0861 para cada unidade de produto vendida, o correto seria identificarse qual o número de unidades do produto foram vendidas. Para isso bastaria dividir o montante da omissão de receita advindo de depósitos de origem não comprovada, pelo preço unitário médio dos produtos vendidos. Identificada a quantidade de produtos vendidos, o IPI deveria ser calculado mediante sua multiplicação pela alíquota especifica. O auditor, entretanto, multiplicou a receita omitida por 0,0861, o que resulta em valor de IPI diverso daquele que seria devido segundo o cálculo acima descrito. Fl. 5613DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000398/200917 Acórdão n.º 1201001.083 S1C2T1 Fl. 14 13 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso de ofício e por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir dos depósitos de origem não comprovada (fl. 4391) as transferências havidas entre contascorrentes bancárias de titularidade da contribuinte, conforme item 2.2 do voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 5614DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 18471.001709/2005-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, há prova, nos autos, de pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário e o lançamento se refere ao ano-calendário de 1999, diante da antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 31/12/1999 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 29/11/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, há prova, nos autos, de pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário e o lançamento se refere ao ano calendário de 1999, diante da antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 31/12/1999 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 29/11/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 09 /2 00 5- 64 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18471.001709/200564 Acórdão n.º 9202003.519 CSRFT2 Fl. 707 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 220200.421, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 620 a 631), julgado na sessão plenária de 04 de fevereiro de 2010, por unanimidade de votos, ao acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo o imposto de renda das pessoas físicas sujeito a apuração e ajuste na declaração anual, independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n. 14 do CARF). Fl. 387DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18471.001709/200564 Acórdão n.º 9202003.519 CSRFT2 Fl. 708 3 Arguição de decadência acolhida.Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou, recurso especial de divergência (e fls. 635 a 651), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de efls. 654 a 656 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou paradigma (Acórdão CSRF 10246.355), alegando que o início da contagem do prazo decadencial deveria se dar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de lançamento por homologação com ausência de pagamento antecipado, na forma disposta no art. 173, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), verbis: IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). No âmbito do mesmo pleito recursal, alegou, ainda, que o acórdão ora recorrido divergiu também do entendimento adotado pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Acórdão 10195.282, acerca da possibilidade da conduta reiterada ser suficiente para evidenciar fraude, matéria esta que, todavia, não permanece sob litígio, uma vez ter se dado somente seguimento parcial ao mencionado recurso especial, ou seja, exclusivamente quanto à matéria de contagem do prazo decadencial, na forma de despacho de exame de admissibilidade de efls. 359 a 366. Quanto à matéria que permanece sob litígio, aduz, assim, o recorrente que não há que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 374 a 380 onde propugna: a) Pelo não conhecimento do recurso, pela ausência de similitude fática entre o paradigma e a situação dos autos e pela dissociação entre a tese adotada pelo recorrente e pela Procuradoria, bem como pela ausência de préquestionamento da matéria. b) No mérito, pela manutenção da decisão recorrida quanto à decadência, uma vez que houve antecipação de pagamento, consoante valores retidos constantes da DIRPF. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18471.001709/200564 Acórdão n.º 9202003.519 CSRFT2 Fl. 709 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço quanto à matéria admitida. A divergência que permanece sob litígio e que se relaciona à forma de contagem do prazo decadencial, se encontra devidamente caracterizada, não sendo requerido o prequestionamento no caso do recurso interposto pela Fazenda Nacional, tendo sido, ainda, a matéria claramente abordada pelo Colegiado a quo no âmbito do recorrido. Adentrando o mérito, sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18471.001709/200564 Acórdão n.º 9202003.519 CSRFT2 Fl. 710 5 CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18471.001709/200564 Acórdão n.º 9202003.519 CSRFT2 Fl. 711 6 Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18471.001709/200564 Acórdão n.º 9202003.519 CSRFT2 Fl. 712 7 julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, verifico que existiu antecipação de pagamento, pois há prova de imposto pago na forma de demonstrativo de efl. 187, assinado pela autoridade autuante, sendo obrigatória, assim, a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o., do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador. Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1999, diante da caracterização de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 31/12/1999 (data de ocorrência do fato gerador) e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 29/11/2005 (efl. 190), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 10730.903110/2010-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2005
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 31 10 /2 01 0- 14 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903110/201014 Acórdão n.º 3801004.330 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903110/201014 Acórdão n.º 3801004.330 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903110/201014 Acórdão n.º 3801004.330 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903110/201014 Acórdão n.º 3801004.330 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.902201/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA.
As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO.
Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não-atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23.878.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não-atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o nãoatendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23.878. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 22 01 /2 01 2- 17 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902201/201217 Acórdão n.º 3801004.067 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani –Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “O presente processo trata contencioso sobre o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, instruído através do PER/Dcomp 19158.73829.280408.1.1.112800, transmitido em 28/04/2008, relativo a suposto crédito de Cofins não cumulativa – mercado interno, do 1º trimestre de 2007. 2. Conforme informado no Despacho Decisório, “... não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF n. 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado”. Diante disto, foi indeferido o pedido de restituição/ressarcimento. 3. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que: 3.1. a fundamentação do Despacho Decisório é insubsistente, pois não estava obrigada a apresentar os tais arquivos digitais, uma vez que o art. 1º da IN 86/01 dispõe que apenas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, é que estão obrigadas a manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas, de sorte que as empresas que não utilizam sistema eletrônico não estão obrigadas; 3.3. seria absurdo exigir que empresas que não utilizam sistema eletrônico, assim que intimadas passem a adquirir software e lancem a contabilidade retroativamente para só aí poder gerar arquivos digitais, o que levaria anos para uma ME, além de ser caro; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902201/201217 Acórdão n.º 3801004.067 S3TE01 Fl. 4 3 3.4. nenhum direito pode ser negado por falta de arquivo digital, pois não se enquadra na IN 86/01, por não usar sistema eletrônico; 3.5. a ressalva da IN é repetida no art. 11 da lei 8.212/91, reforçada pelo seu §2°, que dispensa da obrigação as empresas optantes pelo Simples Federal (lei 9.317/96); 3.6. não tendo a empresa descumprido nenhuma norma e como o Despacho só negou por esse motivo, não há o óbice apresentado no Despacho Decisório, devendo ser deferido o direito pleiteado no PER/Dcomp.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2007 ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. FORNECIMENTO. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. Deve ser indeferido o crédito pleiteado por contribuinte que tenha optando pela escrituração em meio magnético (digital) e tenha se negado a apresentar os arquivos digitais correspondentes, quando para isso intimado. Ciente da decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte apresentou recurso voluntário no alega que: i) Não utiliza sistema de processamento eletrônico para escriturar sua contabilidade; ii) Registra sua movimentação em livros fiscais em papel; iii) O fato de utilizar certificação digital para transmitir DIPJ e retirar certidão negativa não significa que faça contabilidade digital ou utilize o SPED e não se pode confundir software para conciliar movimentação em computador com o efetivo registro contábil, que se faz nos livros contábeis. iv) É microempresa e, por isso, não está obrigada a apresentar arquivos digitais, tendo em vista o disposto na IN 86/01, no ADE 15/01 e no art. 11 da Lei nº 8.218/91 v) Inexiste o único óbice apontado no despacho decisório que implicou o indeferimento do pedido de ressarcimento, logo, deve ser deferido seu pleito amparado no PER/DCOMP. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902201/201217 Acórdão n.º 3801004.067 S3TE01 Fl. 5 4 vi) Se não for deferido, que se proceda à diligência para verificar o registro contábil da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. A ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 04/09/2013 e o recurso voluntário foi apresentado em 04/10/2013. Logo, é tempestivo. Também atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Mérito O Despacho Decisório contém no quadro 3, destinado à fundamentação, decisão e enquadramento legal, os seguintes dizeres: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado. Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Para informações complementares da análise de crédito, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 39 e 40 da Lei 9.784, de 1999, Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001, Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 2001, e Art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.” Transcrevo as normas que fundamentaram a decisão: Lei nº 9.784, de 29/1/1999: “Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902201/201217 Acórdão n.º 3801004.067 S3TE01 Fl. 6 5 Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.” IN SRF 86, de 22/10/2001: "Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3º Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações." (grifouse). A Lei nº 8.212., de 1991, ampara a instrução normativa citada acima. Lei 8.212, de 1991 "Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902201/201217 Acórdão n.º 3801004.067 S3TE01 Fl. 7 6 decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) )...) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados.(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" (grifou se) Da leitura destas normas verificamse dois requisitos não cumulativos para que a contribuinte não esteja obrigada a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os arquivos digitais e sistemas de processamento de dados: 1º) A nãoutilização dos sistemas e dos arquivos digitais; 2º) O nãoenquadramento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A opção pela utilização dos sistemas de processamento eletrônico de dados e arquivos digitais é da contribuinte. Porém, uma vez efetivada a opção, não pode ela deixar de cumprir a obrigação de manter à disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas, ressalvada a situação de se enquadrar, também por opção sua, no SIMPLES. No acórdão recorrido, foi copiada tela de consulta à DIPJ da contribuinte, em especial a Ficha 61A, na qual se verifica que ela fez opção pela escrituração em meio magnético para os exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008. Na mesma consulta se verifica a tributação pelo lucro real, o que também se vê no PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. A recorrente afirma que é microempresa e que não utiliza sistema de processamento eletrônico para escriturar sua contabilidade. Por isso, não está obrigada a apresentar arquivos digitais. O que se verifica nos autos é que, no período em discussão, ela havia feito opção pela escrituração em meio magnético e não havia feito opção pelo SIMPLES. E, após intimada, não apresentou os arquivos digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, na forma e prazo estabelecidos em conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração. O comando de arquivamento do processo, previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999, implica o indeferimento do pedido de ressarcimento, uma vez que a Administração Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902201/201217 Acórdão n.º 3801004.067 S3TE01 Fl. 8 7 tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência, nos termos do art. 48 dessa lei. Ressaltese que o ônus da prova do direito de crédito alegado é da contribuinte, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil, e que o pedido de ressarcimento só poderia ser deferido para crédito devidamente comprovado.. Logo, correto o despacho decisório em não deferir o pedido de ressarcimento Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que a contribuinte optou pela escrituração em meio magnético, não optou pelo SIMPLES e, após intimada, não apresentou os arquivos digitais que permitiriam confirmar a existência do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004067/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/06/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. RESPEITO A DECISÃO PROFERIDA EM SEDE DE MEDIDA CAUTELAR PREPARATÓRIA DE AÇÃO RESCISÓRIA.
Ao contrário do que foi apontado nos embargos de declaração opostos, não houve desrespeito, na presente hipótese, aos termos de decisão judicial. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3202-001.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda- Relator.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda- Relator. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. RESPEITO A DECISÃO PROFERIDA EM SEDE DE MEDIDA CAUTELAR PREPARATÓRIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. Ao contrário do que foi apontado nos embargos de declaração opostos, não houve desrespeito, na presente hipótese, aos termos de decisão judicial. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 40 67 /2 00 6- 29 Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela União (Fazenda Nacional) (fls. 2380 a 2382) contra o v. acórdão de fls. 2350 a 2376, proferido pela Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em que este Colegiado: a) pelo voto de qualidade, rejeitou a preliminar de nulidade por falta de emissão do mandado de procedimento fiscal (MPF); b) por maior de votos, rejeitou a preliminar de nulidade por falta de motivação calcada na sentença judicial; c) pelo voto de qualidade, rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva; e, no mérito, por unanimidade de votos, conheceu em parte do recurso, por concomitância na via judicial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para excluir a multa de ofício. A ementa do julgado ora embasado é a seguinte: ASSSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/2002 a 09/07/2002 PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A instituição do MPF visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil e foi dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida como instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CTN. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. Os autos de Infração lavrados para prevenir a decadência de créditos tributários, objetivando a exigência dos tributos devidos e não recolhidos na importação, e que contenham a correta descrição dos fatos e o devido enquadramento legal das infrações cometidas, estão revestidos da suficiente motivação para a sua eficácia. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. Nas hipóteses de alienação de coisa ou direito litigioso os efeitos da sentença são extensivos ao adquirente ou cessionário (art. 42, §39, CPC). Nos casos da espécie, em se tratando de impostos incidentes na importação de mercadorias cujo pagamento tenha sido promovido com Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 12466.004067/200629 Acórdão n.º 3202001.305 S3C2T2 Fl. 2.399 3 créditos adquiridos de terceiros, ainda objeto de apreciação judicial, e que tenham como importador o cessionário desses direitos, é lícito que este figure como sujeito passiva da relação tributária. CONCOMITÂNCIA. Não deve ser conhecido o recurso na parte que trata de assunto idêntico ao tratado na esfera judicial nos termos da Súmula nº 05 do Terceiro Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. É incabível a aplicação da multa de ofício em lançamento tributário com o fim de prevenir a decadência, especialmente, quando o tributo foi extinto por compensação tributária fundada em decisão judicial transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (grifos nossos) A Procuradoria da Fazenda Nacional apontou em seus embargos a ocorrência de omissão no v. acórdão, fazendoo nos seguintes termos, verbis: O auto de infração em comento tem o intuito de realizar a cobrança de valores atinentes ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produto Industrializado, mais acréscimos legais, relativos ao período de janeiro a julho de 2002. A ciência do respectivo auto de infração deuse em novembro de 2006. Ocorre que, conforme relatório do r. acórdão, a empresa SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A obteve judicialmente o direito de utilizar os créditos prêmio de IPI para compensação de débitos de terceiros (Apelação em Mandado de Segurança 2001.02.01.0470300). Ato contínuo, a empresa SAB COMPANY COMERCIAL INTERNACIONAL S/A registrou diversas declarações de importação, efetuando as respectivas compensações. No entanto, consoante disposto na Nota 91, de 06/06/2005, a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 2ª Região emitiu parecer, em resposta à equipe de Auditoria da Corregedoria Geral da Receita Federal, informando a irregularidade das compensações perpetradas, na medida em que estas apenas poderiam se dar até o advento a da IN/SRF ng 41/00 e, ainda, que não poderia haver qualquer compensação antes do transito em julgado da ação vedação do art. 170a do CTN. Tendo em vista tais considerações, houve a lavratura de auto de infração visando à cobrança dos valores devidos em razão das compensações realizadas irregularmente, autuação que restou amparada por decisão proferida em Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 4 Medida Cautelar Inominada preparatória de Ação Rescisória que suspendeu os efeitos de todos os pedidos porventura levados a efeito com base no julgado acima mencionado. Não obstante as constatações em tela, o voto condutor concluiu adequada a exclusão da multa de ofício, uma vez que “A Ação Rescisória tem caráter excepcionalíssimo em nosso sistema jurídico, visto que o objeto desta ação é a rescisão de uma decisão judicial já transitada em julgado. Portanto, até o final da Ação Rescisório, o que vale é a decisão judicial anteriormente prolatada”. Procedeu, assim, o ilustre colegiado a evidente desconsideração da decisão judicial proferida pelo Desembargador Federal Luiz Antônio Soares (juntada nos autos às fls. 250/282) que determinou expressamente, repitase ipsis litteris “a suspensão dos efeitos e da consequente execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança ng 2001.02.01.0470300, pela Egrégia Segunda Turma (antiga) deste Tribunal Regional Federal da 7ª região, até decisão definitiva da lide na ação rescisória, a ser proposta no prazo do artigo 806 do Código de Processo Civil, como consta do pedido liminar formulado pela Fazenda Nacional”. Com efeito, não se contesta a excepcionalidade da medida, porém, cumpre destacar que tal aspecto foi devidamente abordado na decisão proferida nos autos da cautelar ora em exame, pela autoridade competente para tanto, quando da constatação da existência dos requisitos necessários ao deferimento do pedido. Considerando que a decisão do TRF da 2ª região deuse em dezembro de 2005 e a lavratura do auto de infração em novembro de 2006, inexiste qualquer respaldo para entender vigente a autorização para compensações no momento do lançamento e, assim, isentar a contribuinte da multa de ofício. Assim, os presentes Embargos de Declaração buscam instar a Egrégia Câmara a se manifestar sobre o eventual descumprimento de decisão judicial ao entender que deverá prevalecer o acórdão constante da Apelação em Mandado de Segurança que permitiu a compensação realizada pela contribuinte como fundamento para excluir a multa de ofício lançada pela fiscalização. Diante disso, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada. (grifos e destaques no original) Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 12466.004067/200629 Acórdão n.º 3202001.305 S3C2T2 Fl. 2.400 5 Como visto acima, a Fazenda Nacional, em síntese, apontou omissão do v. acórdão quanto ao conteúdo de decisão proferida em sede de medida cautelar preparatória de ação rescisória, asseverando que esta teria restado descumprida pela r. decisão embargada ao se excluir a multa de ofício ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Nos termos do relatório, a Fazenda Nacional aponta que o v. acórdão embargado conteria omissão, pois a Colenda Turma a quo não teria respeitado os termos do r. decisão proferida em sede de medida cautelar preparatória de ação rescisória. Nesse sentido, apesar de não ter mencionado a referida medida cautelar no voto condutor do v. acórdão embargado, tal decisão não implicou em omissão ao conteúdo dos autos e tampouco em desrespeito ao contido na determinação judicial. Com efeito, fazse mister destacar, inicialmente, o dispositivo da r. decisão proferida na medida cautelar preparatória da ação rescisória, colacionada aos presentes autos às fls. 252 a 284, verbis: DISPOSITIVO Posto isso, concedo a liminar “inaudita altera parte”, determinando a suspensão dos efeitos e da consequente execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0470300, pela Egrégia Segunda Turma (antiga) deste Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão definitiva da lide na ação rescisória, a ser proposta no prazo do artigo 806 do Código de Processo Civil, como consta do pedido liminar formulado pela Fazenda Nacional. (grifos e destaques nossos) Posteriormente, a propósito, foi proferida nova decisão para esclarecer o comando judicial acima transcrito, cujo teor, no que interessa ao deslinde da presente controvérsia, é o seguinte (fls. 297 a 299), verbis: (...) Segundo se constata na decisão que deferiu a liminar, em momento algum ficou consignado que o seu deferimento levaria as partes ao estado anterior ao provimento contido no v. acórdão. A decisão não deixa dúvida que o deferimento da liminar foi no sentido de suspender os efeitos e a consequente execução do v. Acórdão proferido Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 6 na Apelação em Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0470300, pela Egrégia Segunda Turma (antiga) deste Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão definitiva da lide na ação rescisória, a ser proposta no prazo do artigo 806 do Código de Processo Civil. Por outro lado, é sabido que, em atenção ao princípio da efetividade do processo, a decisão que defere a liminar não tem o condão de alterar ou mudar os efeitos decorrentes da sentença que se busca rescindir e que se encontra, até decisão final de eventual procedência da ação, acobertada pela autoridade da coisa julgada, ou seja, pela imutabilidade dos efeitos declaratórios decorrentes da sentença, que só poderão ser modificados em caso de provimento de procedência da rescisória. O artigo 489 do Código de Processo Civil dispõe que “ a ação rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda.” Corolário desse entendimento é o do resguardo da coisa julgada que só pode ser desconstituída após decisão final da ação rescisória. Com efeito, a ação rescisória, em regra, não suspende a execução da sentença rescindenda. Entretanto, como no caso destes autos, em que considerados presentes o ‘fumus boni iuris’ e o ‘periculum in mora’, a suspensão impõese como garantia de eficácia da decisão a ser proferida na rescisória. Nesse sentido, tem decidido o colendo Superior Tribunal de Justiça, por meio de suas 1ª e 2ª Secões, in verbis: (...) Desse modo, não há que se falar em desconstituição dos pedidos de ressarcimento a compensações tributárias realizadas pela agravante, em razão da decisão liminar deferida nestes autos, uma vez que essa desconstituição somente é possível com a decisão final da ação rescisória. Ademais, apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar. (...) Posto isso, na forma do artigo 242 do Regimento Interno deste Tribunal, reconsidero a decisão de fls. 2055/2058 determinando que seja oficiado à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, para que cumpram a decisão liminar nos termos em que deferida, isto é, sem que seja levado a efeito a desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante, uma vez que apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 12466.004067/200629 Acórdão n.º 3202001.305 S3C2T2 Fl. 2.401 7 sede de liminar, donde se conclui a possibilidade de realização dos atos tendentes a prevenir a eventualidade do direito ao aperfeiçoamento dos créditos tributários respectivos ou à sua subsistência, como no caso dos lançamentos. Intimemse (grifos e destaques nossos) Pois bem, depreendese de forma clara que o conteúdo da r. decisão judicial proferida na medida cautelar preparatória da ação rescisória foi no sentido de suspender a execução da r. decisão rescindenda, mas sem cancelar ou desconstituir os pedidos de ressarcimento e compensações já realizadas pela contribuinte. No presente caso, cuidase de pedidos de compensação (fls. 54 a 225) formulados todos em 2002, referentes a débitos também de 2002, sendo que a ciência do auto de infração se deu em 27/11/2006 (fls. 02 auto de II e 28 auto de IPI). Verificase, assim, que o lançamento realizado em 2006 diz respeito a pedidos de compensação formulados em 2002, tendo sido referido ato administrativo praticado exatamente em respeito ao comando judicial de 2005, ou seja, para prevenção da decadência. Patente, portanto, data maxima venia, que a Fazenda Nacional incorreu em equívoco ao aduzir que, verbis, considerando que a decisão do TRF da 2ª Região deuse em dezembro de 2005 e a lavratura do auto de infração em novembro de 2006, inexiste qualquer respaldo para entender vigente a autorização para compensações no momento do lançamento e, assim, isentar a contribuinte da multa de ofício. De fato, não havia autorização para apresentar compensações após ter sido proferida a r. decisão judicial em comento, mas ocorre que, na presente hipótese, as compensações foram apresentadas antes da referida decisão judicial ter sido prolatada. Além disso, conforme exposto acima, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região foi explícito ao apontar que a r. decisão liminar deveria ser cumprida nos termos em que deferida, isto é, sem que seja levado a efeito a desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante. Destarte, inexiste qualquer vício no v. acórdão ora embargado no tocante à exclusão da multa de ofício, considerando que o presente lançamento se deu para prevenção da decadência. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA 8 Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA
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