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Numero do processo: 10660.900362/2006-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 62 /2 00 6- 86 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005085/2002-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Não constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, devem ser rejeitados os embargos de declaração, pois não há incorreções a serem sanadas.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar aos embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos deste voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Não constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, devem ser rejeitados os embargos de declaração, pois não há incorreções a serem sanadas. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar aos embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos deste voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 50 85 /2 00 2- 15 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração contra acórdão da 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento que teria sido omisso com relação a exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI das receitas decorrentes de vendas para o exterior de produto não industrializado. Cumpre memorar que a impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), não reconhecendo crédito presumido de exportação de produto não tributável, não reconhecendo o crédito de aquisição de insumos de pessoas físicas, não reconhecendo a atualização monetária dos créditos pela Selic, conforme ementa colacionada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 RECEITA OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. No período em questão, a receita operacional bruta a ser considerada no cálculo do crédito presumido deve incluir as receitas, inclusive os comerciais. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O recurso voluntário foi apresentado, às fls.656 a 682, tempestivamente, no qual a empresa trazia, em síntese: 1 – O conceito de receita operacional bruta, afirmando que,no seu caso, os insumos não foram industrializados, não incidindo, dessa forma, tributo; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 4 3 2 Afirma ser incabível a exclusão dos produtos não tributáveis da base de cálculo do crédito presumido de IPI; 3 Afirma que não há restrição legal para o creditamento de produto industrializado não tributado e produto industrializado tributado; 4 Afirma que o ressarcimento de IPI sobre produtos não tributados. 5 Requer que seja utilizado os valore dos insumos adquiridos de pessoas físicas como base de cálculo para crédito presumido de IPI e a atualização de correção monetária pela Selic. O julgamento da 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento foi no sentido de lhe dando provimento por meio da seguinte ementa (fls. 700 a 709): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO O cálculo da receita operacional bruta, para fins de determinação do crédito presumido deve incluir as receitas, inclusive os comerciais. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Devese permitir o cômputo dos custos com estes insumos, tendo em vista que a Lei no 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas por meio de cooperativas ou de pessoas físicas. O direito ao crédito regese pelo princípio da legalidade de tal modo que as Instruções Normativas no 23/97 e 103/97 restringiram indevidamente o direito a tomada de tais créditos, quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. É pacífica a utilização da Taxa Selic para a atualização monetária. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional, irresignada com a decisão, opôs embargos de declaração (fls. 713 a 718), alegando a ocorrência de omissão do acórdão quanto a análise da exclusão das receitas de produtos não tributados da base de cálculo do crédito presumido de IPI, informando que, por vezes o acórdão cita exclusão dos produtos não tributados sem contudo adentrar do mérito. É o relatório Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. A apresentação dos Embargos de Declaração é tempestiva e atende aos demais pressupostos, portanto dele tomase conhecimento. Cumpre salientar que a competência do CARF para a apreciação de Embargos de Declaração decorre dos art. 64 e art. 65 de seu Regimento Interno, os quais colaciono: PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. A embargante alega que a decisão foi omissa por não ter se pronunciado quanto à análise da exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI na aquisição de produto não tributado. Entendo que carece de razão a embargante, quanto à alegação de omissão, visto que o acórdão menciona expressamente quanto à exclusão das receitas de produtos não tributados da base de cálculo do crédito presumido de IPI ao se referir aos produtos destinados à exportação. Deste modo, parece ser a real intenção da embargante a revisão do julgado e não sua complementação. Colaciono trechos do acórdão atacado para fins de evidenciar o apontado: “Admitindose a restrição do direito de crédito em um caso, devese igualmente entenderse sobre a impossibilidade do surgimento de incidência sobre mesma situação. Entendo, assim, por manter a neutralidade fiscal de modo que ao se retirar de seu valor total a quantia relativa às exportações não industrializados, mas adquiridos apenas para revenda, é de se determinar, por conseqüência, a exclusão de tais vendas também do cômputo da “Receita Operacional Bruta” (...) “Entendo, pelo PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão da DRJ, especialmente para (i) determinar que assim como foram excluídos da “Receita de Exportação” os valores oriundos da revenda de produtos agrícolas (não Fl. 726DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 6 5 industrializados), os mesmos valores também sejam excluídos da “Receita Operacional Bruta”, para fins de apuração do percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido objeto dos autos; (ii) permitir que insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integrem o cômputo do crédito presumido de IPI, ora em análise, assim como (iii) para permitir que seja atualizado o valor do crédito cujo ressarcimento foi requerido e deferido, por meio da aplicação da Taxa SELIC, desde a data da apresentação do Pedido de Ressarcimento, nos termos acima expostos.” Os embargos de declaração não são a via adequada para a revisão de acórdãos, tendo em vista a existência de instrumento recursal correto para este requerimento, no caso o Recurso Especial. Em face do exposto, encaminho meu voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração apresentados. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904104/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 04 /2 00 8- 46 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904104/200846 Acórdão n.º 3803006.705 S3TE03 Fl. 66 2 O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, do período de apuração identificado na ementa supra, no valor atualizado até então de R$ 4.862,18. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora após a ciência da decisão de origem, declaração essa que, segundo ele, comprovaria o valor correto da contribuição devida no período. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 02/12/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904104/200846 Acórdão n.º 3803006.705 S3TE03 Fl. 67 3 Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de declaração de compensação não homologada por falta de comprovação do crédito pleiteado. Para justificar o direito alegado, o Recorrente se vale apenas da DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo que o seu não acatamento configura ofensa ao princípio da verdade material, nada trazendo aos autos que pudesse demonstrar a origem e comprovar, com documentação hábil e idônea, o crédito argüido. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter alertado o Recorrente da necessidade de comprovação do crédito pleiteado, com base em documentos hábeis e idôneos, ele se predispôs a instruir os autos com qualquer elemento de sua escrita fiscal, não tendo nem mesmo demonstrado a origem do pagamento efetuado a maior. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904104/200846 Acórdão n.º 3803006.705 S3TE03 Fl. 68 4 Apenas a apresentação da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do despacho decisório, desacompanhada de qualquer outro elemento de prova, inclusive sem menção à justificativa do pagamento realizado a maior, não é apta a demonstrar e comprovar o direito creditório pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode ir além das provas carreadas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Nesse contexto, por ausência de prova do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10314.007194/2011-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/08/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/08/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/08/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 71 94 /2 01 1- 55 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 299 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/08/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 300 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 301 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 302 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000624/92-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1991, 1992
FINSOCIAL. JULGAMENTO ANTERIOR ACERCA DO IRPJ SOBRE MESMO FATO GERADOR. DECORRÊNCIA PROCESSUAL.
Aplicável o fenômeno da decorrência processual, quando a decisão prolatada no processo principal (IRPJ) é do mesmo fato gerador e período relacionado ao FINSOCIAL em discussão.
Se no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação decorrente de suposta distribuição disfarçada de lucros, não faz sentido julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador.
Numero da decisão: 1201-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL ARAÚJO Presidente
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator
EDITADO EM: 11/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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JULGAMENTO ANTERIOR ACERCA DO IRPJ SOBRE MESMO FATO GERADOR. DECORRÊNCIA PROCESSUAL. Aplicável o fenômeno da decorrência processual, quando a decisão prolatada no processo principal (IRPJ) é do mesmo fato gerador e período relacionado ao FINSOCIAL em discussão. Se no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação decorrente de suposta distribuição disfarçada de lucros, não faz sentido julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL ARAÚJO – Presidente (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator EDITADO EM: 11/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 24 /9 2- 13 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de processo que discute a exigência de FINSOCIAL relativo ao exercício de 1991 e 1992, decorrente de suposta prática de distribuição disfarçada de lucro pela Contribuinte. Após a apresentação da impugnação, foi emitida “informação fiscal” para propor a revisão no lançamento. Em seguida, foi lavrado Auto de Infração Retificador para incluir período de apuração de 12/1990. A contribuinte apresentou impugnação e a DRJ de Curitiba julgou em 28/04/95, o lançamento procedente. Apresentado recurso voluntário, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, deu parcial provimento ao recurso, através do acórdão nº 10318.563, para excluir da exigência a importância que exceder a aplicação da alíquota de 0,5% nos moldes do DecreLei n. 1.940/82. A contribuinte interpôs, então, Recurso Especial de Divergência á Câmara Superior de Recurso Fiscais, que seu seguimento ao recurso apenas para reconhecer a preliminar de nulidade ao auto de infração de reratificação, deixando, entretanto, de analisar oo argumento da contribuinte de que esta não era empresa exclusivamente prestadora de serviços, por considerar que houve preclusão quanto a este último argumento. Ciente desta decisão, a contribuinte apresentou Agravo de despacho para que fosse integralmente admitido o recurso de divergência. No reexame de admissibilidade a Presidente do CSRF manteve a decisão que deu seguimento ao recurso apenas no que se refere à preliminar de nulidade do segundo auto de infração lavrado e, ato seguinte, a 1ª Turma da Câmara Superior de recursos fiscais, reformou o acórdão Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e declarou a nulidade de todos os atos processuais a partir da reratificação. Retornando os autos para novo julgamento, a DRJ de Curitiba deu parcial procedência ao recurso para manter a tributação em razão da omissão de receita decorrente de suprimento de caixa e reduziu a multa de oficio para 75%, conforme previsto na Lei nº 9.430/96. O contribuinte apresentou recurso voluntário para em síntese, apresentar o argumento de que o processo decorre do auto de infração nº 10907.000621/9295 que trata de IRPJ, CSLL e IRFonte e 10907.000623/9251 de PIS, ambos já encerrados e, trazer jurisprudência sobre suprimento de caixa relativa a fatos ocorridos antes da vigência da Lei nº 9430/96 É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO Processo nº 10907.000624/9213 Acórdão n.º 1201001.090 S1C2T1 Fl. 311 3 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. De fato, o que se discute no presente processo é a distribuição disfarçada de lucro em razão da conta corrente de titularidade do Sr. Mario Pinto do Nascimento relativa à soma das parcelas contabilizadas no mês de janeiro de 1990. Durante o período de fiscalização, foi verificado que ocorria retiradas e depósitos na conta do titular e estes valores foram considerados pela fiscalização como sendo retiradas de lucro. A totalidade das retiradas ou débitos em valores era destinada na conta do Sr. Mario e a fiscalização entendeu que estes valores corresponderiam à empréstimos. Entretanto, é certo que, a contribuinte não foi, à época dos fatos (1991 e 1992), intimado a apresentar prova direta da omissão destas receitas antes destas serem glosadas pelo Fisco. Sendo assim, a não comprovação e a intimação para se demonstrar a origem e a destinação dos valores não foi configurada no presente caso. Cabe neste ponto uma ressalva, a contribuinte alega que este processo está vinculado ao processo administrativo nº 10907.000621/9225 que trata de IRPJ, CSLL e IRFonte relativo ao mesmo período – exercício de 1991 e 1992. Na verdade, não foi reconhecido o pedido de julgamento conjunto deste processo e cada um seguiu de forma independente. O citado processo administrativo já encerrou e naquela ocasião, dentre outros fundamentos lá existentes, ficou afastado o entendimento de ocorrência de suprimento de caixa. Confirase: “Ementa: RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIMENTO Negase provimento ao recurso, quando a decisão recorrida de oficio dá correta interpretação à lei aplicável aos fatos., DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS EMPRÉSTIMO A SÓCIOS Insubsiste o lançamento quando o Fisco tributa integralmente os valores lançados a débito de sócio, desconsiderando os valores lançados a crédito. PATRIMÔNIO LÍQUIDO MAJORAÇÃO INDEVIDA GLOSA DA CORREÇÃO MONETÁRIA A indevida majoração do patrimônio líquido gerada por provisão não constituída ou constituída a menor gera indevida contrapartida devedora na correção monetária da cobrança subseqüente. IR FONTE FALTA DE PROVISÃO Cancelada a exigência do IR Fonte, não pode subsistir a exigência relativa ao seu não provisionamento. Recurso de oficio improvido. Recurso voluntário provido em parte.” Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO 4 Entendo que aqui se aplica o fenômeno da decorrência processual, largamente aceito neste Conselho, pelo qual devese aplicar no processo reflexo, a decisão prolatada no processo principal (IRPJ), se efetivamente decorrentes e relacionados aos mesmo fatos geradores e períodos, como é o presente caso. Assim, no que aqui importa, que é a discussão acerca da distribuição disfarçada de lucros, tendo em vista que no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação em relação a este assunto, não faz sentido algum julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador. Com estes fundamentos, voto por CONHECER do Recurso e no mérito DAR PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO
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Numero do processo: 16327.001716/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO. REFAZIMENTO POSTERIOR DA CONTABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DOS CRITÉRIOS DA AUTUAÇÃO
O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares.
RECOLHIMENTOS EFETIVADOS APÓS A AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. PROVIDÊNCIA DA LIQUIDAÇÃO
Apesar de não acarretar a mudança do lançamento, os recolhimentos efetivados pela contribuinte após a efetivação da autuação (decorrente do apontado refazimento de sua contabilidade) devem ser considerados quando da liquidação do montante do crédito tributário devido.
MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14, 25 e 96. APLICAÇÃO
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
Numero da decisão: 1301-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participaram do julgamento os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Roseli Moraes Coelho OAB/SP nº 173931.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO. REFAZIMENTO POSTERIOR DA CONTABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DOS CRITÉRIOS DA AUTUAÇÃO O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. RECOLHIMENTOS EFETIVADOS APÓS A AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. PROVIDÊNCIA DA LIQUIDAÇÃO Apesar de não acarretar a mudança do lançamento, os recolhimentos efetivados pela contribuinte após a efetivação da autuação (decorrente do apontado refazimento de sua contabilidade) devem ser considerados quando da liquidação do montante do crédito tributário devido. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14, 25 e 96. APLICAÇÃO A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participaram do julgamento os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Roseli Moraes Coelho OAB/SP nº 173931. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro (Suplente Convocado).
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Factoring Recorrente KAPITAL FACTORING SOC DE FOM COML LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO. REFAZIMENTO POSTERIOR DA CONTABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DOS CRITÉRIOS DA AUTUAÇÃO O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. RECOLHIMENTOS EFETIVADOS APÓS A AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. PROVIDÊNCIA DA LIQUIDAÇÃO Apesar de não acarretar a mudança do lançamento, os recolhimentos efetivados pela contribuinte após a efetivação da autuação (decorrente do apontado refazimento de sua contabilidade) devem ser considerados quando da liquidação do montante do crédito tributário devido. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14, 25 e 96. APLICAÇÃO A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 16 /2 00 7- 66 Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participaram do julgamento os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Roseli Moraes Coelho OAB/SP nº 173931. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro (Suplente Convocado). Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias contidas nos autos, adoto o relatório apresentado pela decisão de primeira instância: Tratase de impugnação (fls. 1825 a 1839) a Auto de Infração de IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ, por RECEITA OPERACIONAL OMITIDA — OMISSÃO DE RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL, por FALTA DE RECOLHIMENTO, de CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS, por OMISSÃO DE RECEITA, e de CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS (fls. 1766 a 1798), relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, lavrado pela DEINF/SPO, em 25/09/2007. 2. O crédito tributário assim constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados 3. Como enquadramento legal do lançamento do IRPJ, o autuante assinala os artigos 530, inciso II, 532 e 537, do RIR/99 (fls. 1767 e 1768). Para a CSLL, o artigo 22, da Le. 10.684/2003, e o artigo 37, da Lei 10.637/2002 (fl. 1776). Para o PIS, os artigos 1° e 3°, w a Lei Complementar 07/70, o artigo 24, parágrafo 2°, da Lei 9.249/95, os artigos 2°, inciso I, alínea a, e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91, do Decreto 4.527/2002 (fls. 1792 e 1793). Para a COFINS, os artigos 2°, inciso II, e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91, do Decreto 4.527/2002 (fl. 1784). 4. Como fundamento legal para a exigência de juros de mora, consigna o artigo 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96 (fls. 1772, 1779, 1789 e 1797), e, para a multa de oficio de 150%, o artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, o artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91, o artigo 86, parágrafo 1°, da lei 7.450/85, e o artigo 2°, da Lei 7.683/88. (fls. 1772, 1779, 1789 e 1797). 5. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 1802 a 1814), o autuante noticia que: Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 i) não teriam sido contabilizadas, no anocalendário de 2004, as operações decorrentes de movimentações financeiras relativas às contas correntes do BANCO ITAU S/A e do BANCO BRADESCO S/A, conforme Termo de Constatação Fiscal n° 0001, de 29/05/2007(vol. IX fl. 1631), operações essas que foram discriminadas em planilhas pelo autuado (vol. I fls. 171 a 199; vol. II, vol. III, vol. IV e vol. V fls. 802 a 897), com base nos extratos bancários das contas mencionadas, em resposta à intimação da autoridade fiscal para o fornecimento da documentação hábil e idônea que desse suporte às citadas operações (vol. I fl. 165); ii) intimado (vol. IX fl. 1630), em 29/05/2007, a regularizar a escrituração contábil do ano, o autuado declarou estar impossibilitado de fazêlo, por diversos motivos (vol V fl. 1633), o que veio a ensejar a desclassificação de sua escrita contábil e o arbitramento do lucro para o anocalendário de 2004, por parte da autoridade fiscal; a disparidade constatada entre as movimentações financeiras e os registros contábeis do Razão e as declarações, DIPJ, à Receita Federal, bem como os demonstrativos feitos de operações de factoring contabilizadas e nãocontabilizadas demonstram que a escrituração contábil e a fiscal mantidas pelo autuado seriam imprestáveis para fins de determinação do lucro real; obrigado ao regime de tributação pelo lucro real, o autuado deveria manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas as operações, a teor do artigo 251, do RIR/99; iii) para fins de arbitramento do lucro, foram reconhecidos como receita bruta conhecida, os valores declarados nos demonstrativos de operações de factoring elaborados pelo próprio contribuinte em atendimento a intimações (vol. 10 fl. 1816, vol. I — fls. 171 a 199, vol. II, vol. III, vol. IV e vol. V — fls. 802 a 897); essa receita omitida serviu de base, também, para a tributação reflexa de CSLL, COFINS e PIS; foram considerados, em beneficio do autuado, os pagamentos com DARF declarados em DCTF, com base nos registros dos sistemas de controle da RFB; iv) a conduta do autuado de omitir receitas de factoring e ad valorem, mantendo à margem da escrituração contábil movimentações financeiras junto ao BANCO ITAÚ e BANCO BRADESCO evidencia, ainda, artificio doloso que caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II, do artigo 957, do RIR199, tornando exigível a multa de 150%, nos termos do parágrafo 1°, do artigo 44, da Lei 9.430/96; com base nas tabelas por ele apresentadas, constatouse a existência de contratos de cessão de crédito, envolvendo duplicatas mercantis de clientes costumeiros, e sua posterior liquidação financeira, mediante recursos das contas bancárias do autuado; a conduta de declarar e recolher valores menores que o devido, de forma a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária corresponde à conduta descrita como crime contra a ordem tributária, definido no artigo 1°, da lei 8.137/91. 6. Cientificado do lançamento em 25/09/2007 (vol IX fls. 1766, 1773, 1782 e 1791), o autuado impugnou o Auto de Infração em 24/10/2007 (vol X fl. 1825), alegando que : i) inexistiu artifício doloso pois que todas as solicitações foram atendidas desde o início do procedimento fiscal, bem como apresentados os documentos no prazo devido; ii) reconhecendo o equívoco, promoveu a regularização da escrita fiscal, apurou os tributos devidos, que se resumiriam ao PIS e COFINS, não havendo débito de IRPJ e CSLL, e junta a documentação necessária à verificação das informações prestadas, para o anocalendário de 2004: Diário Geral (vol X fls. 1849 a 2000, vol XI — fls. 2003 a 2093), Razão Analítico (vol. XI — fls. 2094 a 2199, vol. XII, fls. 2202 a 2281), Balancete de Verificação (vol. XII — fls. 2282 a 2333), Recibo de Entrega da DIPJ (vol. XII — fl. 2334), cópia da DIPJ 2005/2004 (vol. XII — fls. 2335 a 2394) e cópias dos DARF's comprobatórios do recolhimento das citadas contribuições (vol. X fls. 1840 a 1846); iii) o equívoco ocorreu na discriminação contábil interna da empresa, pelo que foram efetuados lançamentos em contas que não representavam a realidade da transação comercial, situação ora regularizada na retificação da contabilidade; Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 4 5 iv) a impossibilidade de retificação informada em resposta à intimação se deveu principalmente por não se vislumbrar ausência de lançamentos contábeis; não houve impossibilidade de regularização de contabilidade, que justificasse o arbitramento, já que o autuado entendia que a escrituração fiscal estava correta; v) a regularização da escrita foi tempestiva porque efetuada na fase de impugnação, demonstrando a correta apuração dos tributos pelo lucro real, consoante o estipulado no artigo 148, do CTN, no artigo 21, do Decretolei 1.967/82 e nos artigos 269, parágrafo 2°, e 832, do Decreto 300/99; após a regularização da escrituração não pode ser desconsiderado pela autoridade fiscal o regime de apuração obrigatoriamente adotado pelo autuado, o de lucro real, em lugar do arbitrado ou do lucro presumido; vi) não há demonstração nos autos relativa à identificação de operações de factoring nos extratos bancários; vii) assim, deverá ser desconsiderada a presunção trazida pelo lucro arbitrado, tomandose por base de cálculo dos tributos, o lucro real; viii) os princípios que regem o direito tributário devem ser observados antes de qualquer presunção de omissão de receita, devendo a autoridade fiscal atender ao da interpretação mais benéfica, contido no artigo 112, inciso II, do CTN; ix) a omissão de receita não constitui elemento suficiente para justificar o arbitramento de lucro, visto depender de aprofundamento do procedimento fiscal, e não apenas de amostragem de alguns documentos; haver omissão de receita é necessária a intenção de sonegar pagamento de imposto devido, o que não se verificou nos autos, pois, constatado o equívoco na contabilidade procedeuse à sua regularização no prazo legal; x) a teor do artigo 24, da Lei 9.249/95, no caso de omissão de receita deve ser observado o regime de tributação a que o contribuinte está vinculado; xi) do mesmo modo, deveria ser apurada a base de cálculo para fins de tributação reflexa, da CSLL, COFINS e PIS, nos termos do artigo 24, parágrafo 2°, da Lei 9.249/95, uma vez que é conhecida a atividade do autuado e seu regime de tributação; xii) o arbitramento do lucro é passível de contestação administrativa e judicial nos termos do artigo 148, do CTN, e, portanto, a decisão da autoridade fiscal deve ser revista; também não constitui modalidade de lançamento, consoante a doutrina e a jurisprudência, sendo passível de revisão em razão de apresentação de fatos concretos que elidam os fundamentos que levaram a sua aplicação; xiii) deveria o valor tributável ser trazido para patamar mais próximo da realidade econômica de lucro, levando em conta os valores apresentados pelo autuado relativos a despesas correntes, prejuízo e outros tributos; foram erroneamente considerados como receitas todos os valores relativos à diferença entre o valor pago e o valor de face dos títulos, sem considerar as substituições de título realizadas, "Operação Zero" e "Operação Desconto" e as despesas extra título, bancárias, cartoriais e outras; xiv) inexistindo a alegada omissão de receitas, estaria descaracterizado o intuito de fraude, tornando inaplicável a penalidade prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei 9.430/96; a multa seria aplicável apenas em casos comprovadamente irregulares e contrários ao direito, com prejuízo ao erário, evadindose do pagamento de tributos, o que não ocorreu nos autos; não houve qualquer intenção de omitir, sonegar ou disfarçar rendimentos passíveis de tributação; xv) além disso, a multa é excessivamente onerosa, caracterizandose como verdadeiro confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da CF; o princípio da capacidade contributiva deve ser observado, não podendo o contribuinte ser penalizado de tal forma que inviabilize a continuidade de suas atividades; não pode, ainda, a multa ser Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 utilizada como técnica de arrecadação, como tributo disfarçado de penalidade; no caso de ser cabível, o percentual deveria se limitar ao contido no artigo 59, da Lei 8.383/91, devendo, ainda, ser considerado o princípio da aplicação de lei mais benéfica, a teor do artigo 112, do CTN; xvi) o autuado foi injustificadamente enquadrado no artigo 1°, da Lei 8.137/90, alegandose a prática de crime contra a ordem tributária, o que não ocorreu; xvii) com base no exposto, requer o acolhimento da escrituração contábil regularizada tempestivamente, do regime de lucro real para tributação, e dos valores apurados e recolhidos, consoante os documentos anexados; seja reconhecida a inexistência de omissão de receita, com a exclusão do lucro arbitrado; subsidiariamente, seja acolhida a manutenção do regime de tributação de lucro real para a omissão de receita, com dedução das despesas mencionadas para se alcançar a verdade material; requer, também, a exclusão da multa de 150%, ou, subsidiariamente, a redução para o percentual de 20%, nos termos do artigo 59, da Lei 8.383/91; requer sejam restituídos os valores pagos equivocadamente de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2004, em razão da regularização levada a efeito da contabilidade, para fins da compensação prevista no artigo 74, da Lei 9.430/96 e 891, do Decreto 3000/99; pleiteia, por fim, a realização de perícia contábil se necessária for, designando perito e, posteriormente, quesitos. 7. Em razão dos fatos que ensejaram o presente lançamento, a autoridade fiscal também formulou Representação Fiscal para Fins Penais, cujo processo, de n° 163 .101717/200719, foi anexado ao presente processo. A partir da análise dessas considerações de defesa, entendeu a douta 8a Turma da DRJ de São Paulo I pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, destacando de seu acórdão os seguintes fundamentos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PERÍCIA CONTÁBIL. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia quando o contribuinte não apresenta os motivos que o justifiquem, sendo, ainda, tal providência desnecessária na situação em que o processo está suficientemente instruído para a formação da convicção do julgador. REGULARIZAÇÃO DE ESCRITA FISCAL NA FASE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO LANÇAMENTO, POR ARBITRAMENTO, PARA LUCRO REAL. Nos casos em que a escrita fiscal é insuficiente para a identificação da movimentação financeira e para a determinação do lucro real, tornase obrigatório o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, por força de expresso comando legal, e, assim, levado a efeito, tal regime opera de forma definitiva. A entrega de nova escrituração pelo contribuinte na fase de impugnação não lhe confere direito a obter na instância de julgamento a alteração daquele regime. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DISSEMELHANÇA COM A VALORAÇÃO DE BEM OU SERVIÇO. O arbitramento do lucro da pessoa jurídica produz estimativa do resultado de todas as transações do exercício, distinguindose tal procedimento do mero arbitramento do valor de umbem ou serviço específico, este, sim, comportando a avaliação contraditória, administrativa e judicial, prevista no artigo 148, do CTN, e regulado, entre outros, pelo artigo 124, do RIR/99. Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 5 7 SONEGAÇÃO. ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. NÃO ELISÃO DA ILICITUDE. O fato de o contribuinte atender a intimações da autoridade fiscal na fase de fiscalização não elide a ilicitude da conduta praticada em momento anterior, quando, de forma intencional, deixou de declarar, no transcorrer de todo o anocalendário, receitas de factoring geradoras de movimentações financeiras em valores elevados, impedindo o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. AGRAVADA. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A contestação direcionada a pretenso defeito de comando legal que fixa penalidade em percentual agravado, compõe matéria cuja apreciação foge à competência das autoridades julgadoras administrativas, às quais cabe aplicar a lei aos casos concretos, sem deterem poderes para afastála, o que é prerrogativa do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicamse aos lançamentos dos tributos reflexos as normas fiscais de regência do lançamento do IRPJ, no que cabíveis. Lançamento Procedente Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, pretendendo a reforma integral da decisão de origem, e, por conseqüência, a completa desconstituição do lançamento, aduzindo, para tanto, o seguinte: Preliminarmente, destaca a inexigibilidade do arrolamento de bens para fins de processamento de seu Recurso Voluntário, nos termos definidos no julgamento da ADIN 19767 pelo Colendo STF. Além disso, aponta também a necessidade de suspensão dos procedimentos de cobrança e da Representação Fiscal para fins Penais, tendo em vista que, a teor do que aponta o Art. 33 do Decreto 70.235/72, a interposição do Recurso Voluntário importa em concessão de seu efeito suspensivo. Da nulidade do Acórdão exarado pela DRJ, tendo em vista o “pungente cerceamento do direito de defesa”, tendo em vista que, segundo aponta, não teriam sido analisados pela Delegacia de Julgamento, todos os argumentos apresentados pela defesa. O acórdão de julgamento de primeira instância teria ferido a Lei e a Constituição – segundo a recorrente – por ter “deixado de apreciar os tópicos da impugnação”, especificamente no que aponta: a) Ausência de manifestação no julgado sobre o pagamento dos tributos apurados e apresentação de nova escrituração fiscal A recorrente afirma que, após ser “surpreendida” com as autuações fiscais do IRPJ, CSLL, PIS/COFINS, refez toda a sua contabilidade, apurando e recolhendo todos os montantes de tributos devidos, o que não foi considerado pela decisão, sequer, para promover o eventual abatimento do total contido na autuação fiscal. b) Ausência de manifestação no julgado sobre a DIPJ retificadora Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Ao revisar a sua contabilidade, foi então apresentada a respectiva DIPJ retificadora, (em 23/10/2007), o que não foi apreciado pela decisão de primeira instância, simplesmente por apontar a inexistência de previsão legal para esse procedimento. Que inexistindo impedimento legal que impeça à contribuinte o refazimento de seus cálculos, não pode a ela ser negada a possibilidade, inclusive após a instauração do procedimento fiscal, nos termos, inclusive, expressamente admitidos pelo Art. 833 do RIR/99 e do Art. 148 do CTN. Cita precedente do CARF (Processo 10425.00781/200356, Acórdão 10322.047, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 10/08/2005). Que, a par dessas considerações, fazse necessária a realização de perícia contábil, tendo em vista que, promovendose a contribuinte a retificação de seus registros, somente com uma nova e profunda análise de sua contabilidade é que se poderia apontar eventuais erros ou equívocos que pudessem, assim, sustentar a autuação pretendida. Que o indeferimento, pela Corte de origem, da realização dessa prova, afronta os princípios da legalidade, contraditório e ampla defesa. No mérito, sustenta a recorrente a validade de sua nova escrita contábil, sendo nula a decisão de primeira instância que, sobre ela, não teria tecido uma única consideração sequer.. A modificação por ela perpetrada não teria “modificado” o seu regime de tributação, mas sim apenas teria corrigido os equívocos até então existentes. Sustenta que, ao contrário do considerado pela decisão recorrida, a contribuinte em momento algum teria “confessado” ou “reconhecido” a regularidade da autuação, tendo, ao revés, insistentemente pretendido a análise de sua nova contabilidade para a comprovação de total invalidade do lançamento efetivado. Em face dessas considerações, a contribuinte se vê, ainda, prejudicada em seu direito de contraporse ao julgado apontado, reiterando, então, todas as considerações antes apresentadas em sua impugnação (antes aqui, inclusive, especificamente apontadas), e requerendo, assim, a revisão da decisão recorrida, e, conseqüentemente, a completa desconstituição do lançamento efetivado. Destaca, em tópicos, a reiteração dos seguintes apontamentos: a) Da desconsideração do Lucro arbitrado Que a contribuinte seria tributada com base no lucro real, sendo indevida a manutenção, pela decisão recorrida, da apuração dos tributos devidos com base no lucro arbitrado. Que – in verbis , “após a regularização da escrita fiscal, deixou de existir o fundamento para o arbitramento do lucro, composto nas autuações fiscais, visto que a nova contabilidade se mostra apta a verificação correta de todas as movimentações fianceiras”. Além disso, O montante apurado como receita bruta conhecida, deve ser rigorosa o suficiente para, no mínimo, aproximarse da realidade da hipótese de incidência tributária, para isto, deve ser identificada por amostragem sobre a receita declarada, mesmo em caso de desconstituição da escrita fiscal, e não simplesmente fazerse uma conta de mais e menos, consoante se verifica no anexo I do Termo de Verificação de Infração Fiscal. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 6 9 Assim, errado o entendimento do julgador, ao considerar correto o arbitramento do lucro com base em receitas fictícias, caracterizando efetiva penalidade, e exorbitando a capacidade contributiva do recorrente, tornando ilegal a exigência tributária. b) Da aplicabilidade do regime de tributação da recorrente: Lucro Real Considerando que a contribuinte teria apresentado a nova escrituração, deveria, então, ser aqui considerada a sua forma regular de tributação, que é a de tributação pelo Lucro Real. c) Equivocada manutenção do entendimento de omissão de receita Que, no presente feito, inexiste qualquer comprovação de que a atuação da contribuinte teria sido realizada com qualquer pretensão de fraude. A recorrente apresentou escrituração fiscal correta, retificando os equívocos identificados, mesmo que após a instauração do procedimento fiscal, situação que não é vedada no ordenamento jurídico. d) Impropriedade da multa agravada Que os argumentos contidos no acórdão combatido não trazem motivação suficiente para manutenção da multa na forma qualificada, aplicada percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), pois, simplesmente fundamentou que tal percentual se encontra descrito na lei. Não existe nos autos do procedimento fiscal, qualquer atitude ou intenção de omitir receita, ou eximirse de qualquer obrigação tributária, tendo apresentado toda a documentação solicitada pelo agente fiscalizador, fato este que, diferente do entendimento do julgador, caracteriza sim, a boafé da recorrente, e desautoriza a aplicação da multa em seu percentual máximo. Por essas razões, requer a desqualificação da penalidade aplicada. e) Do princípio da capacidade contributiva Que o total dos tributos constantes das autuações fiscais impugnadas ultrapassa, em muito, a capacidade contributiva da empresa recorrente, absorvendo a totalidade de seu patrimônio líquido, caracterizando verdadeiro confisco, nos termos do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Por todas essas razões, requer então que seja dado provimento ao recurso interposto, por ser justo e devido. Vindo o feito à apreciação na sessão do dia 25 de maio de 2011, na 2a Turma Ordinária desta 3a Câmara, sob a relatoria da ilustre Conselheira Dra. LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, concluiuse, naquela oportunidade, pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, tendo em vista a necessidade de análise e manifestação, pelos agentes da fiscalização, a respeito dos documentos juntados aos Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 autos pela contribuinte e, segundo ela, até então não analisados, o que então, por meio da Resolução 1302000.081, foi assim especificamente determinado: “Voto portanto por converter o julgamento em diligência e solicito à autoridade preparadora por favor que tome as seguintes providências. 1 – Relacione, em planilha, os valores totais declarados pela contribuinte em sua DIPJ ou contabilidade original a título de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. 2 – Relacione, em planilha, os valores totais declarados pela contribuinte em sua nova contabilidade e DIPJ retificadora a título de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. 3 – Relacione ainda em planilha os valores totais de receita objeto de tributação pelo lucro arbitrado, por período de apuração, referenciando ao lado as folhas deste processo onde as informações que formam base para o cômputo dessa receita ficam evidentes. 4 – Acuse em planilha a diferença entre os valores totais de receita apurados conforme 3 e conforme 2. 5 – Relacione em planilha o valor dos tributos efetivamente pagos relacionados ao anocalendário de 2004 após o lançamento fiscal, descrevendo data do pagamento, código de pagamento, tributo, valor principal, juros e multa, computando o valor residual do lançamento fiscal após a imputação desses pagamentos. 6 – Intime a contribuinte para que tome ciência dos documentos acostados ao processo conforme providências 1 a 5. 7 – Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte apresentar por escrito suas considerações sobre os documentos 1 a 5 e suas explicações, com base nas informações presentes neste processo, acerca das diferenças 4. A contribuinte deve explicar de forma específica e analítica por período de apuração porque entende que a receita considerada pela autoridade fiscal não é efetivamente receita tributável, com base nos documentos constantes deste processo. 8 – Após esse prazo, acoste eventual manifestação expressa da contribuinte a este processo para que posteriormente o processo seja encaminhado a este Conselho visando prosseguir o julgamento.” Baixados os autos ao órgão preparador, foi então promovida a diligência determinada, promovendose a análise dos documentos e apresentando as seguintes respostas aos quesitos apresentados: 1) "Relacione, em planilha, os valores totais declarados pelo contribuinte em sua DIPJ ou contabilidade original a titulo de receitas passíveis de tributação por período base, referenciando ao lado as folhas .deste processo onde essas informações ficam evidentes. Resp: Os valores totais declarados pelo contribuinte, em sua contabilidade original, a titulo de receitas passíveis de tributação, por período base, estão descritos na tabela constante do ANEXO I. Estas informações constam do RAZÃO (FLS.60 e 61); e DIPJ (FLS.1685). Os valores totalizados mensalmente correspondem às compras dos títulos descritos às pág. 76 a 151: Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 7 11 2) Relacione, em planilha, os valores totais declarados pelo contribuinte em sua nova contabilidade e DIPJ retificadora a titulo de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. Resp: Os valores totais declarados pelo contribuinte, em sua contabilidade após a retificação da DIP], a titulo de receitas passíveis de tributação, por período base, estão descritas na tabela constante do ANEXO II. Estas informações constam do RAZÃO (FLS.2276 a 2278); BALANCETE DE VERIFICAÇÃO (FLS.2333) e DIP.] (FLS.2339). 3) Relacione ainda em planilha os valores totais de receita objeto de tributação pelo lucro arbitrado, por período de apuração, referenciando ao lado as folhas deste processo onde as informações que formam base para o cômputo dessa receita ficam evidentes. Resp: Ver ANEXO III 4) Acuse em planilha a diferença entre os valores totais de receita apurados, conforme 3 e conforme 2. Resp: Ver ANEXO IV 5) Relacione em planilha o valor dos tributos efetivamente pagos relacionados ao anocalendário de 2004 após o lançamento fiscal, descrevendo data do pagamento, código de pagamento, tributo, valor principal, juros e multa, computando o valor residual do lançamento fiscal após a imputação desses pagamentos. Resp: Ver ANEXO V 6) Intime o contribuinte para que tome ciência dos documentos acostados ao processo, conforme providências 1 a 5. 7) Conceda prazo de trinta dias para o contribuinte apresentar por escrito suas considerações sobre os documentos 1 a 5 e suas explicações, com base nas informações presentes neste processo, acerca das diferenças. A contribuinte deve explicar de forma especifica e analítica por período de apuração, porque entende que a receita considerada pela autoridade fiscal não é efetivamente receita tributável, com base nos documentos constantes deste processo. Intimada a contribuinte dos atos apontados, por ela então foi apresentada petição (fls. 2504 e seguintes), destacando o seguinte: Que os valores descritos no ANEXO II estão equivocados, pois não apresentam a realidade da receita declarada, conforme descrita no Diário Geral de fls. 1849 a 2088 (lançamento de encerramento fl. 2088); Razão Analítico de fls. 2094 a 2281 (lançamento de encerramento fls. 2276 a 2278); Balancetes de Verificação de fls. 2282 a 2333 (conta 4.1.1.001, fl. 2333); e DIPJ retificadora de fls. 2334 a 2394 (demonstração do resultado fl. 2339). Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 A partir daí, passa a analisar operações específicas, apontando que os valores apontados não representavam receitas, pois corresponderiam a substituições e negociações de títulos, cujos registros já constavam antes da contabilidade e, por isso, já teriam sido regularmente tributados. Diante dos esclarecimentos e demonstrações que apresenta, considera que o montante apurado pela autoridade não constitui receita tributável, pois partiu de valores de face em duplicidade. O valor correto dos títulos negociados, substituídos e renegociados, estão devidamente descritos no Diário Geral de fls. 1849 a 2088; Razão Analítico de fls. 2094 a 2281; Balancetes de Verificação de fls. 2282 a 2333. Que em face de toda a documentação anexada ao procedimento fiscal a autoridade tinha todos os elementos para ao menos aproximar o lucro arbitrado da realidade, desconsiderando o valor de face das operações onde o valor pago é igual a R$ 0,00 ou negativo (fls. 171 a 897), tendo por elementos os documento s . relativos as amostragens solicitadas. Este é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 8 13 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Tratase, no presente feito, de oposição apresentada pela contribuinte contra o agir dos agentes da fiscalização fazendária que, analisando os seus registros contábeis, constataram a nãocontabilização das movimentações financeiras nas contas mantidas nos bancos ITAÚ e BRADESCO, o que teria então importado na apuração dos montantes devidos a partir da sistemática do Arbitramento da Receita, e, com isso, lavrado o auto de infração respectivo. A contribuinte, conforme apontado, em sua impugnação, apresenta então o “refazimento” de sua contabilidade – promovida após o recebimento do auto de infração , sustentando então, a partir daí, a invalidade da aplicação do arbitramento, tendo em vista que já teria então regularmente “sanado” todos os vícios e equívocos anteriormente cometidos, requerendo, assim, a desconstituição do lançamento. Em inicial análise das circunstâncias de fato constantes no presente processo, a ilustre Sra. Relatora originária do feito, Dra. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, entendeu por bem a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização então promovesse a análise dos documentos apresentados após a impugnação – inicialmente não promovido pela DRJ , evitando, assim, eventual cerceamento ao direito de defesa. Pois bem. Inicialmente, conforme se verifica nos autos, apresentase efetivamente inconteste que, quando da efetivação da fiscalização originária, os livros contábeis da contribuinte não continham os regulares e necessários registros em relação às movimentações financeiras, nem tampouco por ela havia sido então, até aquele momento, promovido a apuração de qualquer tributo incidente sobre as operações ali então expressadas, o que, de fato, somente fora efetivamente realizado após a lavratura do auto de infração. Em primeiro lugar, relevante destacar que, conforme apontado nos autos, a contribuinte, ao pretender, após a lavratura do Auto de Infração, a “retificação” de seus registros contábeis, na verdade, confirma e reconhece o apontamento inicialmente realizado pelos agentes fiscais a respeito da imprestabilidade da contabilidade quando da análise realizada, o que, por si só, já se mostra – ao meu ver – completamente regular para a verificação da regularidade do lançamento promovido por meio da sistemática do Arbitramento dos Lucros. A respeito deste ponto, relevante as considerações trazidas pela r. decisão de primeira instância que, analisando a pretensão de retificação dos procedimentos pela contribuinte após a lavratura do auto de infração, assim, inclusive, especificamente destacou: Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 12. Ora, exsurge, de plano, das explicações apresentadas com respeito à questão de regularização de sua escrita fiscal na fase de impugnação, que o autuado incorre em manifesta contradição ao dizer que a escrituração estava correta, ao mesmo tempo em que reconhecia a necessidade de regularização. Se correta estivesse, não mereceria correção. A regularização mostrouse tão impositiva, em razão da intimação da autoridade fiscal e dos fatos apurados pelo próprio autuado, que o levou a apresentar nova versão do Diário Geral (vol 10 fls. 1849 a 2000, vol 11 — fls. 2003 a 2093), do Razão Analítico (vol. 11 — fls. 2094 a 2199, vol. 12, fls. 2202 a 2281), dos Balancetes de Verificação (vol. 12 — fls. 2282 a 23333), e da DIPJ 2005/2004 retificadora (vol. 12 — fls. 2335 a 2394). Ele próprio confessa na peça irresignatória que "constatada a incorreção, após análise minuciosa dos livros contábeis, a impugnante reconheceu o equívoco e promoveu a regularização de sua escrita contábil..." (fl. 1827) e que "por equívoco na discriminação contábil interna da empresa, eram efetuados lançamentos em contas que não representavam a realidade da transação comercial, situação regularizada na retificação da contabilidade..." (fl. 1828). 13. Se esse é o fato, e incontroverso, pois pelo próprio autuado reconhecido, não paira dúvida quanto à legitimidade do arbitramento do lucro, tendo em conta que o recurso ao arbitramento impõese à autoridade fiscal por força do disposto no artigo 47, da Lei 8.981/95, a seguir reproduzido, repetido no artigo 530, do RIR/99, quando a escrituração do contribuinte contém deficiências que a tomam imprestável para se identificar a movimentação financeira e se determinar o lucro real da pessoa jurídica. (Destaques nossos) Essa é, objetivamente, a questão tratada nestes autos. Toda a discussão empreendida pela contribuinte, conforme se verifica, assentase no fato de que, com o refazimento de sua contabilidade, não poderia ser mantido o lançamento por arbitramento, da forma como promovido pela decisão de primeira instância, devendo, assim, ser reconhecida a “nulidade” do lançamento. A respeito da pretensa “nulidade”, não há o que se admitir nos presentes autos, sobretudo porque, tratandose de correções promovidas pela contribuinte a posteriori, sua eventual admissão não afetaria, absolutamente, a validade da autuação promovida. Aliás, pelo contrário. A necessidade da “retificação” ou “refazimento” da contabilidade da contribuinte, na verdade, apenas confirma a correção da análise dos agentes fiscais que apontavam que a contribuinte, apesar de regularmente intimada para tanto, não teria promovido a identificação, ao tempo e modo devido, da origem e natureza dos recursos mantidos nas contas bancárias mencionadas. Penso que essa consideração, por si só, já se mostra suficiente para a manutenção do lançamento. A questão, então, a ser aqui considerada, penso, diz respeito à possibilidade de sua modificação, sobretudo, em face dos “ajustes” promovidos pela contribuinte após a formalização do ato. Em que pese todo o esforço da contribuinte, ora recorrente, entendo que o dever de manutenção da regular contabilidade é procedimento que se impõe a todos os contribuintes, não sendo lícita a sua efetivação somente após a realização de fiscalização que assim o descortine. Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 9 15 O arbitramento dos lucros, e, no caso, a consideração da omissão de receitas, são conseqüências da aplicação direta das disposições dos artigos 530 do RIR/99 e também do Art. 42 da Lei 9.430/96, sendo, a esse respeito, aqui então relevante o seu destaque. Vejamos: Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Lei 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, considerando que, comparecendo os agentes fiscais no estabelecimento da contribuinte, promovendo a regular intimação para que ela então apresentasse explicações e os regulares registros relativos aos movimentos mantidos nas contas bancárias por ela mantidas (especificamente Bancos Itaú e Bradesco), não tendo sido por ela atendido, regular se mostra a efetivação do lançamento por arbitramento. A oposição, pela via da impugnação, somente seria admissível para a comprovação de inobservância, pelos agentes da fiscalização, dos critérios então legalmente estabelecidos para a aplicação do Lançamento por Arbitramento, o que, nos presentes autos, efetivamente não se verifica. A oposição da contribuinterecorrente, insistase nesse ponto, limitase a indicar o refazimento de sua contabilidade após a efetivação do lançamento, o que, penso, não pode ser admitido para a configuração de erro ou falha no auto de infração lavrado. Aliás, nesse sentido, assim se orienta a jurisprudência desta Corte Administrativa, conforme, inclusive, podese aqui destacar a partir do seguinte excerto: Número do Processo 10140.002546/200143 Contribuinte BUSATTO & BASTOS LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 10/09/2003 Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 10 17 Relator(a) Kazuki Shiobara Nº Acórdão 10194346 Tributo / Matéria IRPJ auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI) Decisão Por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os ConselheirosValmir Sandri e Edison Pereira Rodrigues que votavam por converter o julgamento em diligência. Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inocorre o alegado cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização, na fase de auditoria demonstra de forma cabal a imprestabilidade da escrituração contábil, e intima reiteradamente (seis vezes) o sujeito passivo para prestar esclarecimentos sobre as irregularidades apuradas, mas o sujeito passivo não apresentou qualquer esclarecimento. Os livros retificados e documentos apresentados após seis meses depois de expirado o prazo de impugnação não altera o lançamento original porque a declaração apresentada não foi e nem será alterada porque o sujeito passivo não tem direito à espontaneidade assegurada pela legislação vigente. IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A escrituração contábil, por partidas mensais, sem registro de livros auxiliares, não pode ser aceita como prova idônea para apuração dos resultados no exercício e impõe desclassificação da escrituração contábil. A comprovação de que as receitas declaradas perante o Fisco Estadual é maior do que as constantes da escrituração contábil e que os valores correspondentes aos lucros acumulados e correção monetária de capital escriturado no livro Diário são diferentes dos utilizados para aumento de Capital Social, devidamente registrado na Junta Comercial, servem como provas subsidiárias para firmar convicção sobre a imprestabilidade da escrituração contábil. IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCRO. LANÇAMENTO CONDICIONAL. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. LANÇAMENTO REFLEXIVO. O decidido no lançamento principal estendese aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Negado provimento ao recurso voluntário. (Grifo e destaque nosso) A determinação da diligência, por força da Resolução no 1302000.081, não possui o condão de admitir as razões da contribuinte. Para que pudessem ser consideradas, deveriam as “retificações” ter sido apresentadas ainda na fase fiscalizatória, ou ainda, aqui deveriam se relacionar a falhas nos procedimentos adotados pelos agentes fiscais, o que, por sua vez, efetivamente não se verifica. Em face dessas considerações, entendo como impossibilitada a pretensão expressa pela contribuinte no sentido de admitir a sua “nova contabilidade”, apresentada nos autos apenas quando da apresentação de sua impugnação, para, de qualquer forma, considerar como inválidos os procedimentos dos agentes da fiscalização, sobretudo porque, conforme se verifica, não existe nos autos qualquer apontamento a respeito da invalidade dos procedimentos adotados pelos respectivos agentes lançadores. Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 18 Com essas considerações, entendo que não assiste razão à recorrente, não se podendo aqui desconsiderar a completa imprestabilidade da contabilidade da contribuinte – especificamente em relação à inexistência de registros relativos às contas bancárias apontadas , não se admitindo, assim, a desconstituição do lançamento da forma como pretendida. Os novos registros apresentados, e, sobretudo, os recolhimentos ulteriormente efetivados pela contribuinte a título de tributos incidentes sobre a dita operação, entretanto, deverão ser considerados quando da eventual cobrança de valores devidos, após o encerramento do presente feito, promovendose, especificamente, as respectivas deduções aplicáveis na espécie. Da qualificação da multa de ofício A par das considerações apresentadas, a respeito da impossibilidade de admissão dos argumentos da contribuinte para a desconstituição do lançamento efetivado, relevante aqui ainda destacar a específica abordagem por ela apresentada em relação à invalidade da aplicação da multa qualificada. Isso porque, conforme se verifica, tratase de lançamento efetivado com base no arbitramento dos lucros, especificamente relacionados à ausência de contabilização, pela contribuinte, das movimentações bancárias contidas nas Contas dos bancos Itaú e Bradesco. Em que pese considerarmos inadmissível a desconstituição do lançamento após a lavratura do auto de infração, importante destacar que, no caso, estáse no campo exclusivo e específico da aplicação da “presunção de receita”, conforme, inclusive, especificamente apontado pelas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, sendo certo que, em relação à aplicação da qualificadora da multa nestas hipóteses, este Conselho já pacificou o seu entendimento, vazado, atualmente, nas disposições da Súmula CARF no 14, que, a esse respeito, inclusive, assim especificamente pontifica: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Na mesma linha, aponta s Súmula CARF no 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Também nesse sentido, destacamse as disposições da Súmula CARF nº 96, vejamos: Súmula CARF nº 96: Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 11 19 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. No caso dos autos, a aplicação do arbitramento decorre, especificamente, da ausência de contabilização, pela contribuinte, dos valores movimentados nas contas bancárias apontadas, o que, ao nosso ver, não caracteriza a materialização de nenhuma das hipóteses contidas nos Art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, o que impõe, portanto, o necessário reconhecimento da invalidade da aplicação da multa qualificada, determinando então a sua redução ao patamar regular de 75% (setenta e cinco por cento). Conclusão Em face de todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte, reconhecendo, especificamente, a ausência de fundamento para a aplicação da multa qualificada, determinando, então, a sua redução de 150% para 75%, mantendo a autuação em todas as suas demais disposições, nos termos aqui então apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722535/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
Tratando-se de crédito bancários cujo histórico (cobrança) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplica-se ao caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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CAMPOS ANACLETO COUROS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Tratandose de crédito bancários cujo histórico (“cobrança”) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplicase ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 25 35 /2 01 1- 11 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 678 2 caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 480488, com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.802,87, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a junho do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...]. Art. 5º da Lei n°9.317/96 c/c art. 3º da Lei n° 9.732/98.; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 186 e 188 do RIR/99. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 679 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 489492 com a exigência do crédito tributário no valor de R$12.849,52 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73 e arts. 2° , inciso I, 3° e 9º, da Medida Provisória n° l.249/95 e suas reedições; art. 5° da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 494500 com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.802,87a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Art. 1º da Lei n°7.689/88; art. 5º da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3º da Lei n° 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 501507 com a exigência do crédito tributário no valor de R$53.324,02 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Art. 1º da Lei Complementar n° 70/91; art. 5º da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3º da Lei n° 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 508514 com a exigência do crédito tributário no valor de R$152.669,21 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Fl. 679DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 680 4 Art. 5º da Lei n° 9.317/96; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 524530, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: 01. A Impugnante é contribuinte que prima pelo rigoroso cumprimento de todos os seus deveres legais, sobremodo aqueles relacionados às questões fiscais. 02. Devido ao estreito relacionamento pessoal que o titular da Impugnante mantinha com os titulares de outras empresas, estas, aproveitandose da reputação e do crédito que a Impugnante tinha junto a instituições financeiras, procediam o desconto de suas duplicatas por intermédio da Impugnante que, depois do desconto, realizava o repasse dos valores líquidos descontados àquelas empresas. 03. Embora a Impugnante tenha colaborado com a fiscalização da melhor forma possível, apresentando todos os esclarecimentos solicitados e cópias de contratos, extratos bancários, borderôs de desconto de duplicatas, e demais documentos que comprovavam a licitude de seus atos, a d. Fiscalização, precipitadamente, interpretou que os créditos em conta bancária da Impugnante, advindo dos referidos descontos de duplicatas, caracterizaria omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9430/1996. 04. Destarte, foram lavrados Autos de Infração exigindo o pagamento da importância de R$254.448,48 (duzentos e cinquenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e quarenta e oito centavos), a título de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, cujos Autos de Infração integram o presente Processo Administrativo Fiscal; e a importância de R$86.744,05 (oitenta e seis mil, setecentos e quarenta e quatro reais, e cinco centavos), a título de IRPJ, CSLL, COFINS, e PIS, cujos Autos de Infração constante do Processo Administrativo Fiscal n9 10950.722534/201176. 05. Assim, sem se despir da venia devida à atividade fiscal, a Impugnante ousa discordar das conclusões vazadas na presente medida, razão pela qual pretende demonstrar nas linhas seguintes, em homenagem ao princípio do contraditório e à máxima da justiça, que a referida exação fiscal, além de se revestir da incontornável arbitrariedade, distanciase da realidade fática e jurídica aplicável ao caso, o que lhe conferiu ensejo à interposição da presente impugnação, pautadas nas razões a seguir colacionadas. 06. Como já mencionado, a d. Fiscalização adotou como argumento basilar para a lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos, a presunção prescrita no art. 42 da Lei 9.430/96, [...]. 07. Conforme se denota, a presunção iuris tantum introduzida pelo permissivo citado aplicase tãosomente nos casos em que o Contribuinte, após regularmente intimado, deixar de esclarecer e comprovar a origem dos recursos financeiros mantidos em instituições financeiras. 08. Ocorre que, ao contrário do que pretende fazer parecer a d. Fiscalização, no caso em tela, a Impugnante não se absteve de esclarecer e comprovar as origens dos recursos financeiros em comento, tendo, para tanto, apresentado todos os documentos pertinentes, não sendo, portanto, aplicável a presunção legal supracitada. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 681 5 09. Como mencionado anteriormente, a Impugnante apresentou borderôs e cópias das duplicatas emitidas por outras empresas, cujos proprietários eram ou poderiam vir a ser parceiros comerciais. Tais documentos comprovam efetivamente as operações por ela realizadas, no entanto, a d. Fiscalização os desconsiderou, levantando hipóteses que não prosperam, conforme os esclarecimentos adiante descortinados. 10. Primeiramente, a d. Fiscalização aduz que os "borderôs de descontos" apresentados contêm apenas o nome dos sacados e não dos emitentes das duplicatas. No entanto, isto não ensejaria óbice para a comprovação da operação, pois o nome do emitente pode ser extraído das cópias das respectivas duplicatas apresentadas durante a fiscalização. 11. Da mesma maneira não deve prosperar a argumentação do Fisco a respeito da possível inidoneidade da documentação apresentada, lastreada na alegação de que não restou comprovado o efetivo fornecimento desses documentos pelo Banco do Brasil S/A. 12. É de bom alvitre lembrar que em momento algum a d. Fiscalização colocou em dúvida a autenticidade das duplicatas descontadas, bem como das respectivas notas fiscais, documentos estes entregues para análise, após a sua obtenção junto ao Banco do Brasil. 13. Cumpre salientar que a Impugnante apresentou, de boafé, toda a documentação solicitada (borderôs, cópia de duplicatas, cópia de notas fiscais), que foi obtida junto ao Banco do Brasil, em decorrência da relação comercial mantida com a citada instituição financeira. 14. O fato de os borderôs não conterem todas as informações, que a d. Fiscalização julgou necessárias, não pode ser utilizada para desconsiderar a efetividade das operações de descontos de duplicatas de terceiros. 15. Cabe ressaltar que em resposta à intimação da d. Fiscalização, a Impugnante, em homenagem ao princípio da transparência e lealdade perante o fisco, abriu mão do sigilo bancário, sugerindo que a própria fiscalização efetuasse os pedidos de esclarecimentos, em relação à documentação fornecida, diretamente ao Banco do Brasil. 16. Outro ponto que merece ser questionado, dentre as conclusões da d. Fiscalização, é a suposta inocorrência de repasse dos valores líquidos, objeto dos descontos de duplicatas, aos verdadeiros proprietários. 17. Tal prática era realizada pela Impugnante como espécie de "favor", a fim de fortalecer o seu ramo de atuação, promover o desenvolvimento de seus parceiros comerciais, bem como fomentar os negócios destes, que no final das contas, tudo isso acabava por refletir no sucesso dos negócios da própria/ impugnante. 18. Assim, como já demonstrado, o aludido bom relacionamento entre os titulares das empresas permite a dispensa de formalidades, de sorte que os valores advindos das duplicatas descontadas eram sempre restituídos integralmente às empresas a que eram devidos, de uma forma ou de outra, conforme conveniência da interessada, ora por pagamento em pecúnia, ora por quitação de obrigações destas para com a Impugnante. 19. Insta dizer, que a Impugnante não auferiu receitas financeiras com estas operações, pois em todos os casos a restituição se deu por meio de transferências Fl. 681DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 682 6 diretas ou por quitação de obrigações das empresas detentoras do direito, cujas quitações previamente autorizadas e indicadas por estas. A vantagem que a Impugnante pode considerar como conseguida seria a da manutenção do bom relacionamento, visando operações futuras envolvendo a própria Impugnante e as empresas para as quais prestou o favor. 20. Neste diapasão, os valores considerados como receitas omitidas neste processo, já sofreram o rigor da tributação na empresa emitente das respectivas duplicatas. Logo, tributar tais valores novamente configurase na situação de "bis in idem" vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. 21. Por outro lado, a d. Fiscalização tenta caracterizar a omissão de receitas, utilizandose para tanto a argumentação de que as cláusulas do contrato de descontos de duplicatas, firmado entre o Banco do Brasil e a Impugnante, não permitiria o desconto de títulos de terceiros, concluindo erroneamente que as operações seriam da própria Impugnante. 22. É verdade que consta do citado contrato estas vedações. Contudo, se houve quebra do acordado, tendo em vista que todos os títulos descontados não são de origem da Impugnante, este fato não é suficiente para se determinar a incidência de tributos sobre tais valores. 23. Poderia até alegar que houve transgressão a norma de caráter financeiro, cuja competência é do Banco Central do Brasil, mas jamais que houve infração a leis tributárias. 24. Por fim, cumpre salientar que as operações realizadas pela Impugnante, em favor de inumas empresas parceiras, como forma de desenvolver seu ramo de atuação comercial, não encontram quaisquer óbices, mormente quando respeitados todos os permissivos legais, em especial os tributários. 25. A Impugnante comprova por intermédio da documentação, ora acostada ao autos, a origem de cada crédito de cobrança, fazendo a correlação entre o borderô de desconto e a respectiva duplicata, permitindo, desta forma, a identificação segura da empresa emitente e do valor do respectivo crédito. 26. Assim, restando plenamente comprovada as origens de todos os recursos financeiros apontados pela d. Fiscalização, concluise que, além de afastar a presunção de omissão de receitas, os mesmos não se enquadram no rol de receitas tributáveis. III DO PEDIDO 27. Diante do exposto, REQUERSE de Vossa Senhoria seja reconhecida, pelos fatos e fundamentos trazidos à colação, a total IMPROCEDÊNCIA da medida fiscal impugnada, uma vez que foram cabalmente esclarecidas e comprovadas as origens dos recursos financeiros apontados pelo d. Fisco, afastando por completo a presunção de omissão de receitas prescrita pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 41.607, de 21.06.2013, fls. 635654: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 682DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 683 7 Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 SIMPLES FEDERAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. A falta de apresentação da declaração ou a apresentação (extemporânea) com valores zerados e a existência de movimentação bancária não devidamente justificada, autorizam a presunção de omissão de receitas e o respectivo lançamento para a exigência dos valores devidos a título de Simples. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de exigência fundamentada em irregularidade apurada em ação fiscal realizada na esfera do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 13.08.2013, fl. 661, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.09.2013, fls. 663669, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: I SÍNTESE DOS FATOS [...] 04. Contudo, a r. decisão ora recorrida amparase em fundamentos equivocados e dissociados da realidade fática, razão pela qual merece ser reformada, in totum, conforme restará cabalmente demonstrado adiante. II DO DIREITO A DA ORIGEM DOS CRÉDITOS 05. Como já mencionado, a d. Fiscalização adotou como argumento basilar para a lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos, a presunção prescrita no art. 42 da Lei 9.430/96, [...]. 06. Conforme se denota, a presunção iuris tantum introduzida pelo permissivo citado aplicase tãosomente nos casos em que o Contribuinte, após regularmente intimado, deixar de esclarecer e comprovar a origem dos recursos financeiros mantidos em instituições financeiras. 07. Contudo, ao contrário do que pretende fazer parecer a d. Fiscalização, no caso em tela, a Recorrente não se absteve de esclarecer e comprovar as origens dos recursos financeiros em comento, tendo, para tanto, apresentado todos os documentos pertinentes, não sendo, portanto, aplicável a presunção legal supracitada. 08. Ocorre que a Recorrente apresentou borderôs e cópias das duplicatas emitidas por outras empresas, cujos proprietários eram ou poderiam vir a ser parceiros comerciais. Tais documentos comprovam efetivamente as operações por ela realizadas, no entanto, a d. Fiscalização os desconsiderou, levantando hipóteses que não prosperam, conforme os esclarecimentos adiante descortinados. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 684 8 09. Primeiramente, a d. Fiscalização aduz que os "borderôs de descontos" apresentados contêm apenas o nome dos sacados e não dos emitentes das duplicatas. No entanto, isto não ensejaria óbice para a comprovação da operação, pois o nome do emitente pode ser extraído das cópias das respectivas duplicatas apresentadas durante a fiscalização. 10. Da mesma maneira não deve prosperar a argumentação do Fisco a respeito da possível inidoneidade da documentação apresentada, lastreada na alegação de que não restou comprovado o efetivo fornecimento desses documentos pelo Banco do Brasil S.A. 11. É de bom alvitre lembrar que em momento algum a d. Fiscalização colocou em dúvida a autenticidade das duplicatas descontadas, bem como das respectivas notas fiscais, documentos estes entregues para análise, após a sua obtenção junto ao Banco do Brasil. 12. Cumpre salientar que a Recorrente apresentou, de boafé, toda a documentação solicitada (borderôs, cópia de duplicatas, cópia de notas fiscais), que foi obtida junto ao Banco do Brasil, em decorrência da relação comercial mantida com a citada instituição financeira. 13. O fato de os borderôs não conterem todas as informações, que a d. Fiscalização julgou necessárias, não pode ser utilizada para desconsiderar a efetividade das operações de descontos de duplicatas de terceiros. 14. Cabe ressaltar que em resposta à intimação da d. Fiscalização, a Recorrente, em homenagem ao princípio da transparência e lealdade perante o fisco, abriu mão do sigilo bancário, sugerindo que a própria fiscalização efetuasse os pedidos de esclarecimentos, em relação à documentação fornecida, diretamente ao Banco do Brasil. 15. Outro ponto que merece ser questionado, dentre as conclusões da d. Fiscalização, é a suposta inocorrência de repasse dos valores líquidos, objeto dos descontos de duplicatas, aos verdadeiros proprietários. 16. Tal prática era realizada pela Recorrente como espécie de "favor", a fim de fortalecer o seu ramo de atuação, promover o desenvolvimento de seus parceiros comerciais, bem como fomentar os negócios destes, que no final das contas, tudo isso acabava por refletir no sucesso dos negócios da própria Recorrente. 17. Assim, como já demonstrado, o aludido bom relacionamento entre os titulares das empresas permite a dispensa de formalidades, de sorte que os valores advindos das duplicatas descontadas eram sempre restituídos integralmente às empresas a que eram devidos, de uma forma ou de outra, conforme conveniência da interessada, ora por pagamento em pecúnia, ora por quitação de obrigações destas para com a Recorrente. 18. Insta dizer, que a Recorrente não auferiu receitas financeiras com estas operações, pois em todos os casos a restituição se deu por meio de transferências diretas ou por quitação de obrigações das empresas detentoras do direito, cujas quitações previamente autorizadas e indicadas por estas. A vantagem que a Recorrente pôde considerar como conseguida seria única e exclusivamente a da manutenção do bom relacionamento, visando operações futuras envolvendo a própria Recorrente e as empresas para as quais prestou o favor. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 685 9 19. Neste diapasão, os valores considerados como receitas omitidas neste processo, já sofreram o rigor da tributação na empresa emitente das respectivas duplicatas. Logo, tributar tais valores novamente configurase na situação de "bis in idem" vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. 20. Por outro lado, a d. Fiscalização tenta caracterizar a omissão de receitas, utilizandose para tanto a argumentação de que as cláusulas do contrato de descontos de duplicatas, firmado entre o Banco do Brasil e a Recorrente, não permitiria o desconto de títulos de terceiros, concluindo erroneamente que as operações seriam da própria Recorrente. 21. É verdade que consta do citado contrato estas vedações. Contudo, se houve quebra do acordado, tendo em vista que todos os títulos descontados não são de origem da Recorrente, este fato não é suficiente para se determinar a incidência de tributos sobre tais valores. 22. Poderia até alegar que houve transgressão a norma de caráter financeiro, cuja competência é do Banco Central do Brasil, mas jamais que houve infração a leis tributárias. 23. Por fim, cumpre salientar que as operações realizadas pela Recorrente, em favor de algumas empresas parceiras, como forma de desenvolver seu ramo de atuação comercial, não encontram quaisquer óbices, mormente quando respeitados todos os permissivos legais, em especial os tributários. 24. A Recorrente comprova por intermédio da documentação, ora acostada aos autos, a origem de cada crédito de cobrança, fazendo a correlação entre o borderô de desconto e a respectiva duplicata, permitindo, desta forma, a identificação segura da empresa emitente e do valor do respectivo crédito. 25. Assim, restando plenamente comprovada as origens de todos os recursos financeiros apontados pela d. Fiscalização, concluise que, além de afastar a presunção de omissão de receitas, os mesmos não se enquadram no rol de receitas tributáveis. III DO PEDIDO 26. Em face de todo o exposto e do mais que consta dos autos em discussão, REQUERSE a Vossas Senhorias seja o presente Recurso Voluntário conhecido e integralmente provido, com a reforma a reforma in totum do v. acórdão n° 0641.607 da 2ª Turma da DRJ/CTA, uma vez que foram cabalmente esclarecidas e comprovadas as origens dos recursos financeiros apontados pelo d. Fisco, afastando por completo a presunção de omissão de receitas prescrita pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 685DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 686 10 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 687 11 exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 480514 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0641.607, de 21.06.2013, fls. 635654, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 688 12 desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração6. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 689 13 evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada7. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo8. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade9, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 10 e por essa razão não se pode aplicar o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal , fls. 449471, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 8 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 9 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 10 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 690 14 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.05.00 2010004087, e de acordo com o disposto nos artigos 841, 844, 845, 849, 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), procedeuse a fiscalização no contribuinte acima identificado, doravante denominado "Sujeito Passivo", iniciada a fim de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos impostos e contribuições inclusos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, referente aos fatos geradores ocorridos no primeiro semestre de 2007, e ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no que se refere ao 2o semestre de 2007. Durante o procedimento fiscal, foram constatadas infrações à legislação tributária que culminaram na lavratura de autos de infração para a constituição dos impostos e contribuições incluídos no sistema Simples, referentes aos meses do 1º semestre de 2007, bem como autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, e reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e na Contribuição para a Integração Social PIS/Pasep, no que se refere aos períodos de apuração compreendidos no 2º semestre de 2007. 1. DO SUJEITO PASSIVO Consoante Declaração de Firma Mercantil Individual [...], o Sujeito Passivo qualificado em epígrafe (com registro de constituição na Junta Comercial do Paraná em 23/04/2002, sob o n° NIRE 41105381938 Escritório Regional de Ivaiporã, como Empresa de Pequeno Porte), tem como (único) titular o Sr. ITAMAR CAMPOS ANACLETO (inscrito no CPF sob o n° 973.114.56991), tendo declarado como atividade principal o "Comércio Atacadista de Couros, Peles, Chifres, Ossos, Cascos, Crinas, Lã, Pelos e Cerdas em Bruto" (Código de Atividade Econômica n° "51.225/06"). Mediante Requerimento de Empresário (alteração registrada em 14/06/2005; [...], alterou determinados dados, entre os quais o acréscimo da expressão "EPP" ao nome empresarial, e a inclusão do comércio de penas e plumas entre suas atividades (objeto). De acordo com as informações contidas nas bases de dados informatizadas da Receita Federal do Brasil RFB, o Sujeito Passivo foi optante do Simples Federal (Lei n° 9.317/96) no período compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007 (1º Semestre de 2007). Apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (PJSI) n° 8048069 [...] como EPP, referente aos citados períodos (entre 01/01/2007 e 30/06/2007), porém de forma intempestiva, em 15/12/2010, e declarando (Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar) não ter auferido qualquer receita bruta ("0,00") e inexistir Simples devido/a pagar. Verificouse, entretanto, a existência de registro de dois recolhimentos sob o código (6106) do sistema Simples relativos aos períodos de apuração de março (R$780,00) e abril (R$978,75, de principal) de 2007 (efetuados em 20/04/2007 e 25/06/2007, respectivamente; fls.). No que concerne aos períodos de apuração compreendidos no 2° Semestre de 2007, consta que o Sujeito Passivo não optou pelo regime de tributação do Simples Nacional (LC n° 123/2006; fls.), não apresentou Declaração DIPJ (fls.), nem Demonstrativo Dacon (fls.), e tampouco Declaração DCTF (fls.). Também não efetuou qualquer recolhimento (fls.). Fl. 690DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 691 15 Cabe mencionar que o Sujeito Passivo foi representado durante o procedimento fiscal pelos seus procuradores, com poderes, entre outros, de representação perante a Receita Federal do Brasil, conforme instrumento de mandato incluso (fls.). A entrega das manifestações (e respectivos anexos) do Sujeito Passivo deuse, como regra, por encaminhamento por via postal. 2. DO PROCEDIMENTO FISCAL O presente procedimento fiscal teve início em 14/07/2010, com o recebimento (via postal, conforme "AR" , no endereço constante do cadastro CNPJ) do Termo de Início de Fiscalização, mediante o qual o Sujeito Passivo foi intimado a apresentar os documentos e esclarecimentos nele consignados, sobretudo no que se refere à movimentação financeira no anocalendário de 2007. No dia 04/08/2010, o procurador Dr. José Aderlei de Souza (OAB/PR n° 37.226) compareceu na Seção de Fiscalização desta Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR (DRF/MGA) apresentando manifestação (datada de 03/08/2010; fls.), requerendo prorrogação de prazo (30 dias) para apresentação dos elementos solicitados, e o instrumento de mandato mencionado. A fiscalização concedeu o prazo requerido, cientificando o procurador do despacho na própria petição. Por meio da manifestação datada de 31/08/2010 (recebida no dia 01/09/2010; por via postal; fls.), o Sujeito Passivo, por seus procuradores, apresentou os extratos referentes à contacorrente n° 12.1452, da agência n° 06335, do Banco do Brasil S.A, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2007 (fls.), além de cópia (simples) dos mencionados atos de constituição e de alteração da firma individual. No que se refere aos demais itens da intimação constantes do Termo de Início de Fiscalização (Livros Diário, Razão, Caixa, Registro de Inventário, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração de ICMS, e demais elementos), informou que "... não dispõe dos demais documentos, considerando que a empresa encontrase com inscrição baixada no CADICMS junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná" (g.n.). Conforme descrito no Termo de Intimação Fiscal (TIF) de 21/09/2010 (fls.), a fiscalização elaborou, a partir da análise dos citados extratos bancários da conta de depósito mantida no Banco do Brasil S.A, o "Demonstrativo dos Depósitos e Créditos a Comprovar" (Anexo I ao termo fiscal; fls.), intimando o Sujeito Passivo a (no prazo de 20 dias do recebimento): (1) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem individualizada dos recursos depositados na conta bancária, conforme créditos relacionados e individualizados no demonstrativo anexo (Anexo I); (2) indicar e comprovar, dentre os créditos listados no demonstrativos citado (Anexo I): a) possíveis transferências interbancárias (entre contas da mesma titularidade); e b) empréstimos contraídos no período; (3) apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos, ocorridos no período, em suas contascorrentes, além dos já considerados no Anexo I. Em resposta ao referido TIF (de 21/09/2010), o Sujeito Passivo apresentou manifestação (subscrita por seus procuradores, com data de 13/10/2010, recebida em 14/10/2010; por via postal; [...]) acompanhada de determinados extratos [...] reputados como "comprovantes" relativos a "desconto de duplicatas descontadas junto à instituição financeira". Alegou que os "créditos abaixo relacionados" (relacionados aos citados extratos) teriam "como origem o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os Fl. 691DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 692 16 referidos descontos e restituísse os valores líquidos, conforme consta dos respectivos extratos [...]". (destaques na transcrição). Ademais, requereu "dilação do prazo para a apresentação dos demais comprovante em decorrência da greve geral dos bancários, iniciada em 29/09/2010, que impossibilitou a obtenção dos demais comprovantes". Mediante o Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo, de 25/10/2010 [...], e considerando a alegação acima mencionada e os extratos apresentados, o Sujeito Passivo foi intimado a (no prazo de 20 (vinte) dias): a) apresentar cópia fornecida pela instituição financeira dos borderôs e das respectivas duplicatas referentes aos créditos relacionados em sua manifestação (histórico "Cobrança"); b) indicar, de forma precisa e completa, e demonstrar qual seria a "outra empresa " referida que teria sido beneficiária do "favor financeiro" prestado pela fiscalizada; c) esclarecer em que termos e condições as supostas operações de "favor financeiro" teriam ocorrido, e apresentar documentos comprobatórios dos créditos e de sua cessão; d) demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição, à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos" pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. Outrossim, o Sujeito Passivo foi intimado a (no prazo de 20 (vinte) dias): e) apresentar cópia da ficha cadastral, do cartão de autógrafos e de procuração (em havendo) referentes à(s) conta(s)corrente bancária(s) de sua titularidade. No que se refere ao pedido de dilação de prazo, "para apresentação dos demais comprovantes", embora não especificados os "demais comprovantes" que pretendia apresentar, sua finalidade, e tampouco o prazo pretendido, mas considerando que é cediço o fato da ocorrência de "greve geral dos bancários", concedeuse prazo adicional de 20 (vinte) dias (contados a partir da ciência do termo fiscal de 25/10/2010, de forma que este e os prazos acima referidos tivessem o mesmo termo final) para cumprimento integral da intimação para comprovar a origem dos recursos depositados em conta(s) bancária(s) de sua titularidade, bem como para as demais providências, objeto do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/09/2010. A título de atendimento dos esclarecimentos, demonstrações e documentos requeridos mediante o Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo lavrado em 25/10/2010, o Sujeito Passivo encaminhou manifestação (subscrita por seus procuradores; fls.) datada de 16/11/2010, recebida pela fiscalização em 22/11/2010, acompanhada de determinados elementos [...]. Apresentou cópia (simples) de: borderôs acompanhados das respectivas duplicatas descontadas no anocalendário de 2007, junto ao Banco do Brasil" (sem mencionar se foi fornecida pela instituição financeira); ficha cadastral, acompanhado do respectivo cartão de autógrafos, relativa a conta corrente da intimada junto ao Banco do Brasil S/A " (declarando não existir procuração "bancária"). Afirmou esclarecer que o motivo do 'favor financeiro' residiria no fato das empresas favorecidas não terem limite de crédito e, que "dado ao estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas e, é bom que se frise, com a aquiescência e instrução da própria, instituição financeira, houveram por bem efetuarem os referidos descontos dos títulos em nome da Intimada, que em face do seu retrospecto possuía os referidos limites creditícios. " [...]". (g.n.). Fl. 692DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 693 17 Afirmou, ainda, que as devoluções dos valores "às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação". Outrossim, asseverou que as empresas favorecidas pelo favor financeiro seriam "Master Comércio de Couros LTDA., e Memory Comércio de Couros LTDA ", conforme se depreenderia das "cópias " de duplicatas apresentadas. Constou, no Termo de Reintimação Fiscal (TRF) de 17/12/2010 (fls.), no que se refere à intimação descrita na alínea "d" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010 (para demonstrar, analiticamente, a restituição), que o Sujeito Passivo, em sua manifestação, limitouse a apresentar a alegação acima descrita, ou seja, que "... as devoluções dos valores às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação " (g.n.). Por conseguinte, como descrito no termo fiscal, considerando a vagueza dessa alegação, aliada à completa ausência de comprovação das "devoluções" relativas ao "favor financeiro" que teria sido prestado a determinadas empresas, o Sujeito Passivo foi reintimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, atender a citada intimação (alínea "d" do termo fiscal de 25/10/2010), ou seja: "I) demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição, à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos"pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. " (destaques no original). O Sujeito Passivo (por seus procuradores), em manifestação (sem data) recebida no dia 11/01/2011 [...], e fazendo menção a esclarecimentos prestados, asseverou que "a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada " (g.n.). Salientou que, devido ao "estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas", e à "informalidade" como teria se operado "as movimentações financeiras" "não permite neste momento a arrecadação de documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações". Disse, contudo, que "está diligenciando no sentido de reunir o maior número possível de documentos relativos às diversas operações". Constou, ainda, a "título de informação", que em contato "com as empresas emitentes das notas fiscais e respectivas duplicatas, objetos dos descontos bancários, houve a manifestação de que todos os valores realmente foram devolvidos e, se necessitarem de declaração neste sentido, estão dispostas a fornecerem tais documentos " (g.n.). Mediante o Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2011 (fls.), o Sujeito Passivo foi intimado a apresentar: I) cópia autenticada do Contrato para Desconto de Títulos (Clausulas Gerais, Cláusulas Especiais, Comunicação de Alterações e quaisquer outros documentos relativos ao Contrato n° 063.302.819), firmado entre o sujeito passivo e o Banco do Brasil S.A. (Agência de IvaiporãPR, n° 06335); II) extratos/relatórios fornecidos pelo Banco do Brasil S.A. especificando os títulos descontados (durante o ano de 2007) por borderô/remessa ("Consulta Títulos/Remessa"); III) cópia autenticada de todas as propostas de adesão ("Proposta de Contratação" ou documento equivalente) referentes aos débitos de "BrasilPrev" discriminados (efetivados na conta n° 12.1452 da Agência n° 06335 do Banco do Fl. 693DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 694 18 Brasil S.A.); IV) cópia autenticada de todas as propostas de adesão ("Proposta/Ficha de Cadastro de Título de Capitalização" ou documento equivalente) referentes aos débitos de "Ourocap" discriminados (efetivados na conta n° 12.1452 da Agência n° 06335 do Banco do Brasil S.A.). No dia 25/02/2011, foi recebida a resposta datada de 22/02/2011 [...], acompanhada, no que se refere ao Contrato para Desconto de Títulos, apenas de cópia (simples) das Cláusulas Especiais (fls.) parte do Contrato. Em razão do atendimento parcial do TIF de 04/02/2011, lavrouse o Termo de Reintimação Fiscal de 04/03/2011 [...], mediante o qual o Sujeito Passivo foi reintimado a cumprir integralmente os elementos requeridos no mencionado TIF, e intimado a comprovar que as cópias de borderôs e de duplicatas apresentadas como anexo da manifestação datada de 16 de novembro de 2010 (recebida no dia 22/11/2010) foram fornecidas pelo Banco do Brasil S.A. ou seja, demonstrar que atendeu, na forma como especificado, a intimação constante da alínea "a" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, ou esclarecer a origem das referidas cópias. Em resposta, datada de 31/03/2011 (recebida em 04/04/2011; [...]), o Sujeito Passivo, limitouse a apresentar cópias (simples; inclusive com cópias de verso e anverso em folhas distintas; fls.) de borderôs e duplicatas, e afirmar "esclarecer" que "todos os borderôs e duplicatas, apresentados anteriormente, foram igualmente fornecidos pelo Banco do Brasil provavelmente obtidos diretamente do sistema informatizado da citada instituição bancária". (gn.). Assim, conforme descrito no Termo de Reintimação Fiscal (TRF) de 02/05/2011 [...], não tendo apresentado qualquer comprovante que as cópias foram fornecidas pelo Banco do Brasil S.A., o Sujeito Passivo foi reintimado a demonstrar que atendeu, na forma como especificado, a intimação constante da alínea "a" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, abaixo reproduzida , ou esclarecer a origem das referidas cópias: Alínea "a" do termo fiscal de 25/10/2010: "[...] 1. apresentar cópia fornecida pela instituição financeira dos borderôs e das respectivas duplicatas referentes aos créditos relacionados em sua manifestação (histórico "Cobrança"); b) [...]"Foi, outrossim, reintimado, por meio do mesmo TRF, a cumprir integralmente os elementos requeridos nos itens I a IV do TIF de 04/02/2011. Em resposta, datada de 16/05/2011 (recebida em 17/05/2011; [...]), restringiu se a encaminhar cópia (simples) das Cláusulas Gerais do Contrato para Desconto de Títulos (fls.). Por fim, no Termo de Ciência e Intimação Fiscal de 08/06/2011 [...], foi descrito que o Sujeito Passivo, não optante por qualquer regime/sistema de tributação em relação aos períodos de apuração compreendidos no 2° Semestre de 2007, sujeitarseia ao recolhimento do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) pelo regime do Lucro Real. Contudo, constou, para a tributação da pessoa jurídica com base no Lucro Real, é obrigatória a escrituração do Livro Diário e do Livro Razão, conforme estabelecido nos artigos 258 e 259 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), livros que não foram apresentados, ainda que desde o início da ação fiscal tenha sido objeto de intimação nesse sentido. Em resposta à referida intimação (em manifestação datada de Fl. 694DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 695 19 31/08/2010; fls.), o sujeito passivo limitouse a informar que "...não dispõe dos demais documentos, considerando que a empresa encontrase com inscrição baixada no CADICMS junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná" (destacamos). Constou, no termo fiscal, que o efeito da ausência de apresentação dos Livros Diário e Razão, no que se refere ao interregno entre 01/07/2007 e 31/12/2007, seria a apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro arbitrado, conforme estabelecido no art. 530, inciso III, do RIR/99. Em decorrência, o Sujeito Passivo foi intimado a manifestar se iria apresentar ou recompor sua escrituração, de acordo com o estabelecido para o regime do Lucro Real, referente aos períodos de apuração compreendidos no 2º Semestre de 2007, bem como foi cientificado de que a ausência de manifestação, no prazo estabelecido, ou a apresentação da escrituração sem atendimento dos requisitos estabelecidos na legislação (de forma a permitir a correta determinação do lucro real ou a efetiva movimentação financeira, conforme o caso), implicaria a tributação, do IRPJ e da CSLL (referentes ao 2o Semestre de 2007), com base no lucro arbitrado (art. 530, inc. III, do RIR/99). O Sujeito Passivo, contudo, cientificado em 13/06/2011 (conforme "AR"), mantevese silente e inerte. Finalmente, por meio do Termo de Ciência Fiscal de 01/08/2011, o Sujeito Passivo foi cientificado de que a fiscalização considerou não comprovada a origem dos recursos utilizados nos créditos/depósitos efetuados em sua contacorrente bancária, "pelas razões que serão analiticamente expostas em termo fiscal próprio (do qual será cientificado oportunamente)" (referência efetuada ao presente Termo), e que, "por conseguinte, os respectivos saldos bancários (totais líquidos creditados) restaram caracterizados como receitas omitidas (art. 42 da Lei n° 9.430/96), consoante demonstrativo em anexo (Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados)". 3. DAS INFRAÇÕES; Da análise dos elementos colocados à disposição da fiscalização em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e demais intimações lavradas, e das demais informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, foram constatadas as seguintes irregularidades: 3.1 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Lei n° 9.430/96 determina, em seu artigo 42, a obrigatoriedade de comprovação da origem dos recursos transacionados em conta bancária, caracterizando como omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida em instituição financeira, nos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Neste diapasão, com fulcro no artigo 11, § 2°, da Lei n° 9.311/96, identificou se a existência de ativos financeiros em instituições bancárias nacionais de titularidade do Sujeito Passivo no anocalendário de 2007 não informados em declarações, nem tampouco levados à tributação. Com efeito, a fiscalização solicitou ao Sujeito Passivo que apresentasse os extratos bancários de todas as contas correntes de sua titularidade com o escopo de Fl. 695DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 696 20 se obter a comprovação da origem dos recursos transacionados no período, desde que embasadas por documentação hábil e idônea. Por configurarem contas de titularidade de uma empresa, os valores nelas depositados envolvem, ressalvada a produção de prova irrefutável que permita elidir a presunção legal, recursos provenientes de sua atividade, ou seja, receita oriunda da venda de mercadorias, produtos e serviços, passível, portanto, de tributação. Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência pelo Imposto de Renda, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Nesta linha, mediante o Termo de Intimação Fiscal de 21/09/2010, o Sujeito Passivo foi intimado a comprovar, com fulcro em documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contacorrente de sua titularidade, cujos créditos foram individualizados no "Demonstrativo de Depósitos e Créditos a Comprovar" Anexo I do citado Termo. Os valores identificados, a partir dos dados contidos no campo "Histórico" e/ou "Documento" dos extratos bancários, como estornos de créditos e devoluções de cheques depositados foram consignados na coluna "Débito" (servindo de dedução na apuração dos saldos mensais). Não foram identificados créditos decorrentes de empréstimos contraídos no período, bem como transferências entre contas de mesma titularidade (conta única). Ainda assim, o Sujeito Passivo foi intimado a apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos além dos considerados no Demonstrativo anexo, assim como indicar e comprovar, dentre os créditos listados no referido Demonstrativo, possíveis transferências interbancárias (entre contas de mesma titularidade) e empréstimos contraídos no período, porém não apontou qualquer operação adicional. Conforme será adiante declinado, a fiscalização considera que o Sujeito Passivo não comprovou a origem dos recursos relativos a qualquer dos créditos e depósitos relacionados no Demonstrativo dos Depósitos e Créditos a Comprovar, anexo do Termo de Intimação Fiscal de 21/09/2010. Os créditos e depósitos (cuja origem dos recursos são) considerados não comprovados, sintetizados a cada mês do ano de 2007, e os respectivos saldos mensais, são, portanto, os seguintes: Banco do Brasil S/A C/C 12.1452 2007 Valores Debitados Valores Creditados Saldos Mensais Janeiro 0,00 334.643,54 334.643,54 Fevereiro 0,00 386.259,79 386.259,79 Março 0,00 420.416,00 420.416,00 Abril 0,00 120.673,16 120.673,16 Maio 0,00 141.026,10 141.026,10 Junho 0,00 96.627,31 96.627,31 Julho 0,00 5.000,00 5.000,00 Agosto 0,00 100.000,00 100.000,00 Setembro 0,00 117.487,36 117.487,36 Outubro 0,00 216.725,19 216.725,19 Novembro 1.507,00 206.296,79 204.789,79 Dezembro 0,00 17.217,66 17.217,66 Total 1.507,00 2.162.372,90 2.160.865,90 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 697 21 3.1.1 DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS EM CRÉDITOS EM CONTA DE DEPÓSITO 3.1.1.1 INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA CRÉDITOS EM RELAÇÃO AOS QUAIS O SUJEITO PASSIVO NÃO TENTOU JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS Ressaltese que o Sujeito Passivo, intimado a comprovar a origem individualizada dos recursos creditados em sua contacorrente bancária, limitouse, durante todo o procedimento fiscal, a buscar justificar a origem dos recursos relativos a determinados créditos com o histórico "Cobrança" discriminados em sua manifestação datada de 13/10/2010 (recebida em 14/10/2010). Portanto, sequer foram objeto de tentativa de justificar a origem (dos recursos) os demais créditos/depósitos relacionados no Demonstrativo anexo ao TIF de 21/09/2010 (e não discriminados na citada manifestação do Sujeito Passivo, tais como: lançamentos com o histórico Transferência on line; Depósito Cheque BB Liquidado; Depósito em dinheiro; Desbloqueio de depósito; DOC Crédito em Conta Corrente; e o lançamento, com o histórico "Cobrança", efetuado em 14/12/2007, no valor de R$6.898,83), passível, destarte, de tributação como omissão de receitas, de acordo com o estabelecido no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 3.1.1.2 CRÉDITOS EM RELAÇÃO AOS QUAIS O SUJEITO PASSIVO BUSCOU (SEM ÊXITO) JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS SOB ALEGAÇÃO DE "FAVOR FINANCEIRO" O Sujeito Passivo, conforme relatado anteriormente (item 2. Do Procedimento Fiscal), fazendo menção aos "créditos abaixo relacionados", na manifestação de 13/10/2010 (recebida em 14/10/2010), sustenta que os referidos créditos, decorrentes de desconto de duplicatas junto ao Banco do Brasil S.A, teriam como origem (dos recursos) "o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os referidos descontos e restituísse os valores líquidos, conforme consta dos respectivos extratos: [...]". (destaques na transcrição)". Passase, pois, a analisar a procedência da alegação da origem dos recursos (relativos aos créditos bancários em que paira controvérsia determinados créditos sob o histórico "Cobrança") decorrentes de "favor financeiro" prestado a terceiro(s), em conjunto com os elementos que acompanharam as manifestações do Sujeito Passivo, a fim de verificar se tem o condão de afastar a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 3.1.1.2.1 Da Falta de Comprovação da Alegada Restituição/Devolução A primeira questão que deve ser apreciada, inclusive pela relevância, é a relativa à comprovação da restituição/devolução dos valores líquidos pertinentes aos referidos descontos de duplicatas. Por meio do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, o Sujeito Passivo foi intimado (alínea "d") a demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos" pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 698 22 Antes de prosseguir, uma breve observação: na primeira oportunidade em que foi apresentada a alegação de "favor financeiro" (manifestação de 13/10/2010, recebida em 14/10/2010), o Sujeito Passivo deu a entender que uma única empresa seria beneficiária do "favor", senão vejamos: "... tendo como origem o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os referidos descontos e restituísse os valores líquidos, ..." (destaques na transcrição). Contudo, em manifestações posteriores (p.ex., na manifestação de 16/11/2010, itens 4 e 5) passou a expressarse no plural "... o motivo do favor financeiro" reside no fato das empresas favorecidas "... as devoluções dos valores às favorecidas..." (destaques na transcrição). Pois bem, retomando a questão inicial (comprovação da restituição), na manifestação datada de 16/11/2010 (item 5), o Sujeito Passivo (por seus procuradores) afirmou que as "devoluções dos valores às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação ". (g.n.) Notase, pois, além da inusual alegação, que o Sujeito Passivo não apontou (muito menos demonstrou) sequer uma restituição/devolução que tivesse efetuado, seja de que modo fosse. Não obstante, a fiscalização proporcionou ao Sujeito Passivo nova oportunidade para a demonstração das alegadas restituições/devoluções, reintimandoo para esse fim, por meio do Termo de Reintimação Fiscal de 17/12/2010. Em resposta, o Sujeito Passivo (por seus procuradores), em manifestação (sem data) recebida no dia 11/01/2011, e fazendo menção a esclarecimentos prestados, asseverou que "a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada " (g.n.) Salientou que, "em decorrência do estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas" e a "informalidade" como teria se operado "as movimentações financeiras entre as empresas não permite neste momento a arrecadação de documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações" (destaques na transcrição). Aqui é imperioso notar que nem neste (naquele) momento e tampouco em momento algum durante o procedimento fiscal o Sujeito Passivo apresentou documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações" ainda que tenha dito que estava "diligenciando no sentido de reunir o maior número possível de documentos relativos às diversas operações ". Ressaltese, ainda, que aqui não se está tratando de documentação relativa aos créditos em sua contacorrente, mas de documentos relativos à alegação de restituição de valores aos supostos beneficiários de incomprovado "favor financeiro", decorrentes de mencionados descontos de títulos. Ressaltese, outrossim, e novamente (para fixação de questão) que sequer tentou indicar, apontar, mencionar uma restituição que pudesse ter havido, para corroborar sua alegação. Neste ponto, cabe mencionar que os Livros Caixa, Diário e Razão (requeridos) poderiam, em tese (e se fosse o caso), prestaremse ao Sujeito Passivo na tentativa de provar o que alega (escriturados, por óbvio, de forma regular e Fl. 698DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 699 23 respaldados em documentos hábeis, idôneos, e à disposição para apresentação e aferição pela autoridade fiscal). Contudo, como ele próprio asseverou, "a informalidade" teria sido a conduta adotada, e, por coincidência (?), referidos livros não foram apresentados sob a injustificável alegação de que "não dispõe dos demais documentos" em razão de a empresa encontrarse com a "inscrição baixada no CADICMS". O máximo esforço despendido no sentido de evidenciar as ditas restituições foi dizer que em contato "com as empresas emitentes das notas fiscais e respectivas duplicatas, objetos dos descontos bancários, houve a manifestação de que todos os valores realmente foram devolvidos e, se necessitarem de declaração neste sentido, estão dispostas a fornecerem tais documentos". Ora, perguntase, por qual motivo já não obteve e apresentou referidas declarações? E qual valor probante o Sujeito Passivo entende que teriam estas declarações, ainda mais com a sua assertiva do "estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas"? E, por sua vez, a sua afirmação de que havia "operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada" (g.n.), não reforçaria ainda mais a conclusão de que exerceu suas atividades habituais e obteve receitas não oferecidas à tributação? Tampouco é razoável supor que tivesse pretendido se desincumbir de seu ônus (decorrente da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96) de comprovar a origem dos recursos utilizados em seus créditos bancários, transferindoo para o fisco. Assim, o fato de o Sujeito Passivo não ter comprovado as ditas restituições à(s) suposta(s) beneficiária(s), de per si, já é mais do que suficiente para infirmar, de modo absoluto, a (exótica) alegação de "favor financeiro" que pressupõe, naturalmente (se passasse pelo crivo da razoabilidade de sua existência) a devolução, restituição, reembolso, ressarcimento etc, do exato valor correspondente ao entregue ao prestador da graça ou benesse. 3.1.1.2.2 Do Contrato para Desconto de Títulos Títulos Provenientes de Vendas ou Serviços Realizados pelo Financiado Decorrentes do Exercício de sua Atividade O Sujeito Passivo apresentou, como anexo à manifestação datada de 13/10/2010, determinados extratos referentes a operações de descontos de duplicatas, emitidos por sistema do Banco do Brasil S.A., cujas liberações corresponderiam aos créditos com histórico "Cobrança" relacionados em sua resposta. De início, há que se observar que em todos os extratos apresentados ("Detalhamento de titulo") consta o mesmo número de operação ("Operação: 063.302.819") e linha de crédito ("Linha de credito: 0065 DESCONTO DE TÍTULOS"). Assim, cediço que as operações de financiamento bancário são condicionadas a uma série de requisitos, especialmente em relação à destinação do crédito, a fiscalização, intimou (TIF de 04/02/2011) e reintimou (TRF de 04/03/2011 e de 02/05/2011) o Sujeito Passivo a apresentar o pertinente Contrato para Desconto de Títulos tanto as Cláusulas Especiais como as Cláusulas Gerais (partes integrantes e indissociáveis do Contrato), como eventuais outros documentos relativos ao Contrato n° 063.302.819, firmado entre o Sujeito Passivo e o Ba m do Brasil S.A (agência de IvaiporãPR, n° 06335). Importa transcrever excerto das Cláusulas Especiais do Contrato (de 04/10/2006, e em que constam os dados da operação de crédito, entre os quais o limite de R$700.000,00) relativo à declaração do Sujeito Passivo (denominado Fl. 699DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 700 24 Financiado) de possuir o pleno conhecimento e estar de acordo com o teor com as condições constantes das Cláusulas Gerais, integrantes do contrato: "O Banco do Brasil S.A., por sua agência supra, doravante denominado apenas FINANCIADOR, neste ato representado pelos Senhores abaixo assinados, concede ao FINANCIADO acima um crédito rotativo, até o valor supra indicado, sujeito ao vencimento acima estipulado e aos encargos pactuados em cada BORDERO emitido pelo FINANCIADO, na forma e condições estabelecidas nas CLAUSULAS GERAIS de que o FINANCIADO DECLARA. AO ASSINAR ESTE INSTRUMENTO, TER PLENO CONHECIMENTO, ESTAR DE ACORDO COM SEU TEOR, TER RECEBIDO COPIA DAS REFERIDAS CLAUSULAS GERAIS. QUE INTEGRAM O PRESENTE CONTRATO. FORMANDO COM ELE UM TODO ÚNICO E INDIVISÍVEL PARA TODOS OS FINS DE DIREITO REGISTRADAS NO CARTÓRIO (...) " (g.n.). Pois bem, estabelecida a relação de unicidade e indivisibilidade entre as Cláusulas Especiais e as Cláusulas Gerais (cujas cópias foram apresentadas pelo Sujeito Passivo; fls.), podese apresentar informação de grande relevo para a apreciação da alegação do "favor financeiro", senão vejamos, mediante transcrição da primeira das Cláusulas Gerais: "PRIMEIRA ABERTURA DE CRÉDITO O FINANCIADOR concede ao FINANCIADO, e este aceita, um crédito disponibilizado mediante solicitação, até o limite indicado nas Cláusulas Especiais do Contrato, exclusivamente destinado ao desconto de títulos registrados em cobrança junto ao FINANCIADOR, provenientes das vendas ou serviços realizados pelo FINANCIADO em decorrência do exercício de sua atividade comercial ou empresarial. [...]" (destacamos) O Contrato (pactuado entre o Sujeito Passivo e o Banco do Brasil S.A.) para Desconto de Títulos, pois, é taxativo e translúcido no sentido de condicionar a abertura de crédito tãosomente ao desconto de títulos provenientes de vendas ou serviços, e que estas vendas (ou serviços) sejam decorrentes do exercício de sua atividade comercial ou empresarial. Assim, o Contrato do qual decorre as mencionadas operações de desconto de duplicatas não permite operações da natureza da alegada pelo Sujeito Passivo — do incomum "favor financeiro", e não subsiste, também, a alegação de "...aquiescência e instrução da própria instituição financeira...". Ao contrário, inferese do Contrato que o Banco do Brasil S.A. pressupôs que as informações prestadas (por meio eletrônico), pelo Sujeito Passivo, eram relativas a duplicatas de vendas decorrentes da atividade empresarial de seu cliente (financiado). Ademais, é notório que as instituições financeiras têm como pressuposto da abertura de (qualquer) crédito a análise da capacidade de pagamento de seu cliente, que, no caso de uma empresa, passa pela análise de suas demonstrações contábeis, incluindo a verificação da natureza, espécie e volume de suas receitas, bem como da continuidade do exercício da atividade empresarial. No caso, o limite de crédito aprovado foi de valor bastante significativo, de R$700.000,00 (setecentos mil reais), pressupondo, pois, que o Banco do Brasil S.A., por seus dirigentes, tenha se subsidiado de elementos seguros acerca da atividade e das receitas operacionais de seu cliente. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 701 25 Como, pois, pretender justificar (e sem qualquer demonstração) que os créditos com histórico "Cobrança" não sejam decorrentes de sua atividade empresarial, mas sim de um excêntrico "favor financeiro " entre empresas? 3.1.1.2.3 Dos Extratos e Cópias de Duplicatas e Borderôs Retomando a análise dos extratos de processamento apresentados em 14/10/2010 (relativos aos descontos de duplicatas, tomados individualmente), deve ser observado, inicialmente, que o Sujeito Passivo, embora intimado e reintimado (TIF de 04/02/2011 e TRF de 04/03/2011 e de 02/05/2011), não apresentou extrato geral especificando os títulos descontados por borderô. Em decorrência, não se pode identificar, pelos extratos apresentados (analíticos; "Detalhamento de título"), o nome do emitente da respectiva duplicata, pois consta tãosomente o nome do sacado. Aliás, também cabe observar que os nomes dos sacados constantes do quadro inserto na manifestação de 13/10/2010 representam tãosomente o nome do sacado constante de um dos extratos referentes a cada liberação diária (na ordem em que apresentados pelos procuradores). Assim, os valores discriminados não representam que teria havido uma única operação de desconto e com um único sacado em cada dia de liberação. No que se refere às cópias (simples) de borderôs e duplicatas apresentadas como anexo das manifestações datadas de 16/11/2010 e 31/03/2011 (recebimento em 22/11/2010 e 04/04/2011, respectivamente), deve ser destacado que o Sujeito Passivo, embora intimado e reintimado (TIF de 04/03/2011 e TRF de 02/05/2011), não produziu qualquer prova no sentido de que as cópias (simples) teriam sido fornecidas pelo Banco do Brasil S.A. Restringiuse a afirmar "esclarecer que todos os borderôs e duplicatas, apresentados anteriormente, foram igualmente fornecidos pelo Banco do Brasil, [...] obtidos diretamente do sistema informatizado da citada instituição bancária" (destaque na transcrição). Interessante notar, a respeito, o teor do requerimento impresso nas cópias de todos os borderôs entregues: "Com base no contrato acima indicado, solicitamos proceder ao desconto dois) titulo(s) relacionados abaixo, encaminhados por meio eletrônico" (destaques na transcrição). Relevante, neste aspecto, verificar o que foi estabelecido na cláusula Terceira do Contrato para Desconto de Títulos (Cláusulas Gerais): que caberá ao Financiado, quando se utilizar de sistemática de envio dos dados dos títulos por meio eletrônico, a responsabilidade pela inclusão de todas as informações necessárias, bem como pela legitimidade e correção dos dados desses títulos. E, no parágrafo único, que o Financiado "ASSUME O ENCARGO DE FIEL DEPOSITÁRIO DOS TÍTULOS, DOS BORDERÔS" e demais documentos que deu causa à emissão dos títulos e do borderô, obrigandose a guardar esses documentos até a quitação do crédito disponibilizado e a entregálos ao Financiador, devidamente endossados (os títulos), "QUANDO" (se) solicitados. Ora, a disposição contratual acima, em conjunto com o requerimento de solicitação de desconto dos títulos encaminhados por meio eletrônico, a apresentação de cópias simples (e não de cópias de microfilmes etc), e falta de qualquer demonstração de que os elementos reprográfícos teriam sido fornecidos pelo Banco do Brasil S.A., convergem no sentido de que se tratam de cópias produzidas pelo (ou do arquivo do) próprio Sujeito Passivo. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 702 26 Também interessante notar nenhuma das duplicatas (cópias) contêm assinatura dos sacados (compradores) aposta no local apropriado do título de crédito {aceite ordinário), e tampouco foram apresentados elementos alternativos pertinentes às outras categorias de aceite —como comprovante do recebimento das mercadorias {aceite por presunção), ou comunicação do aceite, pelo comprador ao vendedor {aceite por comunicação). Aliás, há duplicatas (cópias) que sequer possuem assinatura dos emitentes (p.ex., emitente: Master Couros; sacado: BCB Ind Com de Couros Ltda.; emissão: 20/04/2007; vencimento: 15/05/2007 (n° 0654/01) e 20/05/2007 (n° 0654/02); valor: R$11.733,84), um dos requisitos da duplicata mercantil. Importa observar do que foi acima exposto, que não se está afirmando que não tenha havido descontos de duplicatas no Banco do Brasil S.A., e que não tenha havido créditos na contacorrente do Sujeito Passivo em decorrência de operações de desconto dessa espécie de título de crédito. O que se considera aqui demonstrado é que não há como se assegurar que os créditos com histórico "Cobrança", ainda que decorrentes de operações de desconto de duplicatas, sejam pertinentes às duplicatas (cópias simples) apresentadas pelo Sujeito Passivo. Contudo, e também deve ser destacado, ainda que as duplicatas descontadas correspondam às cópias apresentadas, e tenham como emitentes as empresas nelas consignadas, melhor sorte não restaria ao Sujeito Passivo na tentativa de comprovar a origem dos recursos, utilizados nos créditos objeto da intimação fiscal nesse sentido seja pelas razões já expostas ou pelas que se seguirão. 3.1.1.2.4 Da Alegação do "favor financeiro" e do Ônus de Comprovar a Origem dos Recursos Antes de prosseguir, é oportuna uma pequena digressão acerca da natureza jurídica das duplicatas mercantis. Estabelece o art. 1º da Lei n° 5.474, de 1968, que nas vendas mercantis (entre partes domiciliadas no território brasileiro), com prazo de pagamento não inferior a 30 dias, é obrigatória a emissão, pelo vendedor, de uma fatura para apresentação ao comprador (a partir de 1970, possibilitouse a adoção da "nota fiscalfatura"). Por sua vez, o art. 2ºdo mesmo diploma legal, faculta ao vendedor a extração (a partir da fatura/nota fiscalfatura) de um título de crédito denominado duplicata, "para circulação como efeito comercial". Como todo título de crédito, representa uma obrigação pecuniária, e obedece aos princípios gerais do direito cambiário: cartularidade, literalidade e autonomia. Pelo princípio da cartularidade, para que o credor de um título de crédito exerça os direitos por ele representados é indispensável que se encontre na posse do documento (cártula). E, constando do título de crédito, cláusula "à ordem", significa que o seu credor pode negociar o crédito por ele representado mediante um ato jurídico, trasladador da titularidade do crédito, de efeitos cambiais, denominado endosso. E o possuidor de título de crédito endossado ("em branco ", sem identificação do endossatário; ou "em preto ", com indicação de seu nome) é tido como detentor do crédito nele representado. Assim, com o endosso, o endossatário adquire o crédito expressado no título de crédito ("à ordem"), crédito que é transferido do endossante (alienante) que, naturalmente, deixa de ser credor do título. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 703 27 Portanto, diante da legislação, finalidade, e do que sói ocorrer (inclusive no ramo de comercialização de couros), a única conclusão razoável no caso (e considerando, para efeito de argumentação, que as cópias de duplicatas representem as que foram objeto das operações de desconto relativas aos extratos apresentados), é que clientes do Sujeito Passivo, como forma de pagamento de mercadorias adquiridas, tenham entregue duplicatas por eles emitidas em face de terceiros, as quais foram descontadas pelo Sujeito Passivo junto ao Banco do Brasil S A. Contudo, não se pode perder de vista que descabe ao fisco, ante a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, provar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários. O ônus de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, como estabelecido na legislação, é do Sujeito Passivo. E não se pode olvidar que não se trata (simplesmente) de provar a origem dos créditos, mas a origem dos recursos relativos a determinados créditos (com o histórico "Cobrança"). E a alegação do "favor financeiro", acompanhada dos elementos apresentados pelo Sujeito Passivo, a título de comprovar a origem dos recursos utilizados nos mencionados créditos bancários, por todas as razões acima externadas, não se sustenta, não tem como prosperar. Resultando, pois, não comprovada a origem dos recursos utilizados nos aludidos créditos, os valores creditados caracterizamse omissão de receitas, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 4. DA TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS 4.1 SIMPLES PERÍODOS: 01/2007 A 06/2007 Nos termos do artigo 18 da Lei n° 9.317, de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, aplicamse aos impostos e contribuições inclusos neste sistema de tributação favorecida as mesmas presunções de omissão de receitas previstas nas leis de regência destes tributos, conquanto apuráveis com base nos livros e documentos a que estejam obrigados a manter as ME e EPP. Considerando que o Sujeito Passivo foi optante do Simples Federal no período compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007 (1º semestre de 2007), porém apresentou a respectiva Declaração Simplificada (PJSI) somente após o início da ação fiscal, e ainda assim constando "0,00" nos campos relativos à receita bruta e Simples devido/a pagar (Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar), e que não tentou ou não logrou êxito (conforme exposto anteriormente) em comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos e créditos havidos em sua contacorrente bancária (no Banco do Brasil), então os saldos bancários mensais (totais líquidos mensais) referentes aos meses de janeiro a junho de 2007 (compendiados no Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados; item 2.1), caracterizamse, por presunção legal (art. 42 da Lei n° 9.430/96), receitas omitidas,passíveis de tributação pelo sistema Simples, e relacionadas abaixo: Banco do Brasil S/A C/C 12.1452 1º Semestre 2007 Valores Debitados Valores Creditados Saldos Mensais Receitas Omitidas Fl. 703DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 704 28 Janeiro 0,00 334.643,54 334.643,54 334.643,54 Fevereiro 0,00 386.259,79 386.259,79 386.259,79 Março 0,00 420.416,00 420.416,00 420.416,00 Abril 0,00 120.673,16 120.673,16 120.673,16 Maio 0,00 141.026,10 141.026,10 141.026,10 Junho 0,00 96.627,31 96.627,31 96.627,31 Total 0,00 1.499.645,90 1.499.645,90 1.499.645,90 Cabe registrar que os recolhimentos, de Simples (cód. 6106), identificados nos sistemas da RFB (relativos aos períodos de apuração de março (R$780,00) e abril (R$978,75, de principal) de 2007 (efetuados em 20/04/2007 e 25/06/2007, respectivamente), estão sendo considerados como dedução dos respectivos tributos e períodos de apuração objeto de lançamento de ofício relativo ao Simples motivo pelo qual a infração foi identificada, em cada Auto de Infração, como insuficiência/falta de recolhimento (com apuração a partir dos descritos valores de saldos de depósitos bancários de origem não comprovada). [...] 6. CONCLUSÃO E ENCERRAMENTO DO PROCEDIMENTO Diante da constatação das infrações acima descritas, e em observância à legislação tributária, formalizouse o correspondente crédito tributário (inclusive relativo à multa de ofício e aos juros de mora). No que se refere aos períodos de apuração do 1º Semestre de 2007, mediante autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, e da Contribuição para a Seguridade Nacional INSS, todos pertencentes à sistemática de tributação favorecida do SIMPLES, e exigidos no Processo Administrativo Fiscal (digital) n° 10950722.535/201111. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Recorrente foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização, fls. 0406 em 14.07.2010, fl. 07, e apresenta a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) em 15.12.2010, fl. 429. O enunciado as Súmula CARF nº 33 prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”, cujas decisões reiteradas e uniformes do CARF ali consubstanciadas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho e 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF. Portanto, a DSPJ entregue em 15.12.2010, fl. 429, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Além disso, a Recorrente, optante pelo Simples no período objeto do procedimento fiscal, apresentou a DSPJ com valores zerados nos campos relativos à receita bruta e aos tributos devidos na Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar), e que não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil S/A, e por essa razão caracterizamse, por presunção Fl. 704DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 705 29 legal, receita omitida passível de tributação pela sistemática do Simples (art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro 1996). O motivo destacado pela defendente, por conseqüência, não pode ser verificado. Sobre o “desconto de duplicatas” temse que a Recorrente não comprovou essas operações bancárias, limitandose a apresentar cópias de borderôs e duplicatas, e afirmar que “a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais”. Nesse sentido, não foram apresentados documentos que comprovassem de forma clara, precisa e congruente, coincidentes em datas e valores que de fato essas operações bancárias foram realizadas Ademais, os valores discriminados pela Recorrente não representam que teria havido uma única operação de desconto e com um único sacado em cada dia de liberação. Assim, não se produziu nos autos um conjunto probatório robusto de forma clara, explícita e congruente que afaste a caracterização de omissão de receitas no sentido em que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O arrazoado estabelecido pela defendente, contudo, não se prova como verídico. Desse modo, os elementos constantes nos autos evidenciam que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 11. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 11 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 706 30 Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado. Se se trata, no caso, de créditos bancários com histórico “cobrança”, não se trata, na realidade, de “depósito bancário de origem não comprovada”, eis que cabalmente identificada a origem dos recursos depositados (vendas a prazo). Irrelevante, por outro lado, serem da própria Recorrente ou de terceiros os correspondentes títulos objeto de cobrança. Aplicase, no caso, o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 42. [...]. [...]. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência fiscal os créditos bancários com o histórico “cobrança” (Anexo I, de fls. 60 e 61 – ND). Por decorrência, devem ser recalculados os percentuais do Simples aplicáveis sobre a receita bruta, em face da alteração acima procedida. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 706DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 707 31 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19740.000260/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL.
Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98.
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES.
São dedutíveis da base de cálculo da Cofins, no período objeto da autuação, o valor dos repasses ao FESR e as despesas de co-seguro e resseguro cedidos, contabilizadas pela Recorrente na conta "despesas com retenções diversas".
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 27/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. São dedutíveis da base de cálculo da Cofins, no período objeto da autuação, o valor dos repasses ao FESR e as despesas de co-seguro e resseguro cedidos, contabilizadas pela Recorrente na conta "despesas com retenções diversas". Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. São dedutíveis da base de cálculo da Cofins, no período objeto da autuação, o valor dos repasses ao FESR e as despesas de coseguro e resseguro cedidos, contabilizadas pela Recorrente na conta "despesas com retenções diversas". Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 60 /2 00 7- 24 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem descrever os fatos aludidos no presente recurso voluntário transcrevi na íntegra o relatório da decisão recorrida. Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados os autos de infração de fls. 358/367 e 368/377 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, respectivamente, relativamente aos meses de 01/2005 a 12/2005. Em relação ao PIS foram constituídos créditos no valor total de R$ 2.100.269,91, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2007. Quanto à Cofins o auto lavrado perfaz R$ 12.924.738,95 também incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2007. O enquadramento legal foi consignado às folhas 361 e 371 e também no Termo de Verificação Fiscal de folhas 347 a 357, integrante do Auto de Infração. No referido Termo o fiscal autuante detalha as razões da autuação: ... procedemos à análise das planilhas mensais de apuração da base de cálculo da COFINS do anocalendário de 2005 (fls. 38 a 97), especificamente em relação às exclusões e deduções permitidas pela legislação tributária. Em decorrência dessa análise verificamos que durante o período em tela o contribuinte havia excluído da apuração da base de cálculo de PIS e COFINS algumas despesas que, em princípio, não estariam previstas na legislação. Desta forma, em 31/05/2007, intimamos o contribuinte (fls. 98 e 99), em relação aos grupos de contas 5.3.5.59 (Contribuição s/ Excesso do Lucro Máximo FESR), 5.5.6.61 (Despesas com Retenções Diversas) e 5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), a descrever as operações registradas nas contas, expondo o motivo, de acordo com a legislação vigente, de terem sido deduzidas na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS do anocalendário de 2005 e apresentar cópia das folhas do livro Razão das referidas contas de despesas. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 4 3 Em resposta de fis. 102 e 103, encaminhada a esta Fiscalização em 15/06/2007, o contribuinte descreve as operações registradas contabilmente nas contas de resultado: a)5.3.5.59 (Contribuiç. s/ Excesso do Lucro Máximo FESR) — Registra contribuições do IRB e/ou retrocessionárias do país, correspondentes ao excedente do lucro máximo admissível nas operações de seguro rural, creditadas no Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. b)5.5.6.61 (Despesas com Retenções Diversas) — Registra as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros e depósitos em moedas estrangeiras, bem como a despesa pela atribuição de rendimentos (juros e atualização monetária) ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo IRB a seguradoras nacionais, retidas em função de condições de financiamento de empréstimos concedidos, cujo contrato prevê a retenção desses créditos. c)5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais) — Registra mensalmente os ajustes monetários e cambiais oriundos das atualizações de saldos das contas patrimoniais ligadas à área operacional (resseguros indexados). No entender desta Fiscalização inexiste amparo legal que dê suporte ao procedimento adotado pelo IRB, em relação às operações registradas contabilmente nos grupos de contas 5.3.5.59 e 5.5.6.61, cujos valores foram excluídos da apuração da base de cálculo de PIS e COFINS e, de acordo com a descrição das operações registradas nas referidas contas, não existe qualquer semelhança com àquelas elencadas no anexo II da IN SRF 247/2002 que possam ser consideradas passíveis de exclusão. Em relação aos ajustes cambiais e monetários, contabilizados pelo IRB no grupo de contas 5.5.8.81, a legislação tributária é clara quando define que, a partir de 1º de fevereiro de 1999, na condição de receitas financeiras, as variações monetárias ativas, calculadas em função da taxa de câmbio, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, ocorrendo o respectivo fato gerador, mensalmente, segundo o regime de competência, sendo incabível a compensação das variações monetárias passivas. Entretanto, a partir de 1° de janeiro de 2000, de acordo com o disposto no artigo 30 da Medida Provisória n° 1.99114, de 11/02/2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, quando da liquidação da correspondente operação (regime de Caixa). Por opção do contribuinte, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo segundo o regime de competência. Desta forma, em 28/06/2007, fis. 230, intimamos o contribuinte a informar se as variações monetárias apuradas durante o ano calendário de 2005, em função da taxa de câmbio, foram Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 5 4 consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, quando da liquidação de cada operação ou segundo o regime de competência. Na mesma intimação solicitamos a apresentação de cópia das folhas do livro Razão das contas que integram o grupo 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), referentes ao anocalendário de 2005. Em resposta encaminhada em 03/07/2007 (fis. 231) o contribuinte informa que as variações monetárias, referentes ao anocalendário de 2005, foram consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS segundo o regime de competência. Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 102 a 344), observamos em seu razão contábil do grupo de contas 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais) lançamentos efetuados a débito nas contas de receita, relativamente à variação monetária passiva, oriundos de lançamentos automáticos realizados pelo IRB, em decorrência da desvalorização das taxas de câmbio ou de qualquer outro índice indexador. Já em relação ao razão contábil do grupo de contas 5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), o efeito da desvalorização das taxas de câmbio ou de qualquer outro índice indexador, em relação à variação monetária ativa é verificado nos lançamentos contábeis efetuados a crédito das contas de despesas do referido grupo. 4DO LANÇAMENTO Com base no razão contábil (fis. 104 a 229 e 232 a 344), encaminhado pelo contribuinte a esta Fiscalização, referente ao anocalendário de 2005, e considerando as observações descritas no parágrafo anterior, efetuamos o presente lançamento de ofício com a finalidade de glosar os valores relativos à variação monetária passiva, de acordo com o disposto no art. 13 da IN SRF 247/2002, excluídos indevidamente da apuração da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, os quais estão demonstrados em planilha de fis. 345 e 346, relativamente aos grupos de contas 5.5.8.81 e 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais). Na mesma planilha constam valores registrados nos grupos de contas 5.3.5.59 e 5.5.6.61, excluídos indevidamente pelo contribuinte da apuração da base de cálculo das contribuições, ressaltandose que, de acordo com o art. 28 e anexo II da mesma Instrução Normativa, não existe previsão legal para essas exclusões. Cientificada em 31/07/2007, a interessada apresentou em 30/08/2007 a impugnação de fls. 380/429, na qual alegou que as exigências fiscais ora contestadas são manifestamente descabidas e arbitrárias, na medida em que o Impugnante, em realidade, submeteu à tributação todas as receitas que integram as bases de cálculo das referidas contribuições, inclusive em montantes superiores aos efetivamente devidos, sendo, portanto, titular de créditos contra a União Federal e não devedor desta, na medida em que: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 6 5 (i) as variações cambiais passivas deduzidas das bases de cálculo mensais das contribuições em tela, em nenhuma das competências, superaram o montante das variações cambiais ativas oferecidas à tributação; (ii) as variações cambiais ativas não constituem fato gerador das contribuições ao PIS e da COFINS, na medida em que não representam receita auferida; mas, ao contrário, constituem, mera expectativa de ganhos futuros, que podem ou não ocorrer; (iii) o Supremo Tribunal Federal já reconheceu, de forma inequívoca, a inconstitucionalidade da exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, prevista no § 1°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98; (iv) as exclusões efetuadas pelo Impugnante a título de: (a) contribuições sobre o excesso do lucro máximo tecnicamente admitido, cedidas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR, no valor de R$ 16.468.953,25 (dezesseis milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, novecentos e cinqüenta e três reais e vinte e cinco centavos); e de (b) quantias contabilizadas na conta contábil 5.5.6.61 “despesas com retenções diversas”, no valor de R$ 3.425.086,09 (três milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, oitenta e seis reais e nove centavos), estão em perfeita consonância com a legislação que rege as contribuições objeto da presente autuação; (v) as quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural – FESR, nos termos do art. 17 do DecretoLei nº 73/66 e Resoluções CNSP nº 46 e 50/01, dos excedentes ao máximo admissível tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões foram excluídas da base de cálculo das contribuições ora questionadas com amparo no disposto no art. 1º, inciso IV, item “c”, da Lei nº 9.701/98 e IN SRF nº 247/02, em seu art. 28, inciso III. A legitimidade desta exclusão resta ainda mais evidente ao se analisar o anexo II da citada Instrução Normativa, invocado, de forma completamente inócua, pela própria fiscalização para alicerçar o lançamento efetuado; (vi) a conta contábil 5.5.6.61 “Despesas com retenções diversas” tem por função, na contabilidade do Impugnante, registrar as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros, depósitos em moeda estrangeira, e, ainda, ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo Impugnante a seguradoras nacionais indenizações por sinistros de que é responsável na qualidade de retrocessionária, por exemplo , retidas para fins, dentre outros, de constituir consórcios destinados à pulverização de riscos relevantes. (vii) ainda que se entenda como devidas as glosas dos valores excluídos pelo Impugnante a título de: (a) contribuições sobre o excesso do lucro máximo tecnicamente admitido, cedidas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR e de (b) quantias contabilizadas na conta contábil 5.5.6.61 – “despesas com retenções diversas”, acabouse por fazer incidir as referidas contribuições sobre receitas que na verdade não são próprias, mas de terceiros, por força, Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 7 6 inclusive, de disposição de lei, o que ilegalmente desvirtua as hipóteses de incidência das respectivas contribuições. Tais receitas pertencem ao fundo ou às seguradoras consorciadas e não ao Impugnante e da mesma forma que ingressam são integralmente repassadas. Como se vê, tais quantias não integram o patrimônio do Impugnante e em conseqüência, o Impugnante é credor e não devedor de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. (viii) considerandose que o Impugnante tributou indevidamente as receitas de terceiros ingressadas em seu patrimônio, no momento do respectivo ingresso, e só procedeu sua exclusão quando do seu repasse aos seus efetivos titulares, há que se reconhecer o seu direito de recuperar, via compensação ou restituição, o montante correspondente aos juros de mora devidos no período compreendido entre o pagamento (indevido) das contribuições calculadas sobre receitas de terceiros e a efetiva exclusão de tais quantias, quando de seu repasse aos seus efetivos titulares. O acórdão nº 13.18803 da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II de 23 de novembro de 2007 decidiu no sentido de negar provimento às pretensões da recorrente in totum, no qual consta a seguinte ementa.: VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE CAIXA. A partir de 01 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da Cofins segundo o regime de caixa ou, à opção do contribuinte, segundo o regime de competência. O regime de apuração da variação cambial (caixa ou competência) deve ser aplicado igualmente ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS em todo o anocalendário. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. BASE DE CÁLCULO COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES. Na apuração da base de cálculo da Cofins devem ser consideradas somente as exclusões e deduções permitidas na legislação tributária. COMPENSAÇÃO COMPETÊNCIA Não compete às DRJ manifestarse acerca de pedidos de compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. A contribuinte protocolou recurso voluntário, tempestivamente, o qual ao ser submetido à apreciação do colegiado, seus membros, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 8 7 Prestadas as informações requeridas, os autos tornaram a esse E. Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, por isso dele o conheço, e passo a apreciálo. Apreciáloei em ordem inversa daquela apontada no acórdão recorrido, para facilitar o raciocínio desse julgador, iniciando, entretanto, a partir dos resultados da diligência efetuada. A diligência requerida resumiuse a três aspectos em específicos, a saber: Primeiramente, intimar a Recorrente para comprovar o valor líquido mensal repassado ao FESR passível de exclusão/inclusão na base de cálculo das exações: Nesse sentido, a recorrente informa que jamais promoveu em 2005, a exclusão dos valores repassados ao fundo na apuração das bases tributáveis das referidas contribuições sociais (juntou planilha de apuração demonstrando que o repasse 16 milhões, aproximadamente, não reproduz impacto no cálculo do saldo da conta contábil). Alega que esse valor é meramente descritivo, não exercendo qualquer influência na operação da base tributável de PIS/COFINS. Concluiu que os valores repassados ao FESR sequer foram excluídos da base de cálculo do PIS/COFINS, portanto, que seria improcedente qualquer alegação nesse sentido. Em sequência, foi intimada a recorrente a comprovar a natureza econômica de cada lançamento efetuado no grupo de contas 5.5.6.61: Em sua resposta, alega que a conta 5.5.6.6 alberga os lançamentos relativos aos repasses dos rendimentos auferidos pela aplicação de duas espécies de recursos: (i) valores retidos dos prêmios devidos aos retrocessionários pelo requerente que são usados na constituição da Reserva de Sinistro a Liquidar (RSL) e; (ii) valores oriundos de provisões técnicas do Consórcio Brasileiro de Recursos Nucleares CBRN, o qual é gerido pelo Requerente, nos termos do art. 10 §2º da Resolução CNSP 32/00; Explicou o que são essas despesas referentes à RSL e as despesas referente ao CBRN. Finalmente, intimou a recorrente a identificar detalhadamente cada receita integrante da base de cálculo do PIS e da COFINS por ela apurada no ano de 2005, bem como Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 9 8 as exclusões efetuadas. Ainda, para informar também se incluiu na base de cálculo das receitas acrescidas pela Lei 9718/98 Apresentou documentos (doc.11) com a identificação das receitas que integraram a base de cálculo do PIS e da COFINS em 2005, bem como as deduções e exclusões realizadas na referida base. Alegou, também que houve inclusão indevida de receitas decorrentes de variação cambial ativa a teor da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9718/98 Concluído esse resumo, passo a decidir. 1. Exclusões e deduções da base cálculo 1.1. Das quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural No que se refere à exclusão das quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural, a impugnante fundamentaa invocando o art. 28, inciso III, da IN SRF nº 247/02, abaixo transcrito, e no seu anexo de nº II. Art. 28. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: I – do coseguro e resseguro cedidos; II – referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; III – da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV – referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de coseguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplicase somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. Restanos avaliar se as quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural enquadramse na qualificação de “parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas” . Argumenta a recorrente que o art. 17 do DecretoLei nº 73/66; art. 10 da Resolução CNSP nº 46/01 e art. 3º da Resolução CNSP nº 50/01, in verbis, fundamenta sua pretensão à exclusão: DecretoLei nº 73/66. Art 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 10 9 a) dos excedentes do máximo admissível tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no artigo 23, parágrafo 3º, dêste Decretolei; (Redação dada pelo Decretolei nº 296, de 1967) c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente Decretolei ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. (Redação dada pelo Decretolei nº 296, de 1967). RESOLUÇÃO CNSP Nº 46, DE 2001. Art. 10. As sociedades seguradoras efetuarão contribuições ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR em função do resultado positivo em cada exercício nas modalidades garantidas pelo Fundo, de acordo com os seguintes percentuais: I seguros agrícola, pecuário, aqüícola e de florestas 30% ( trinta por cento); e II seguro de penhor rural instituições financeiras públicas e instituições financeiras privadas 50% (cinqüenta por cento). Art. 11. As sociedades seguradoras poderão recuperar do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural FESR, a cada trimestre, a partir do início do exercício, a parcela de seus sinistros retidos, nos seguros agrícola, pecuário, aqüícola e de florestas, que exceder a (1CCDA) x prêmios ganhos, limitada a 50% (cinqüenta por cento) x (1CCDA) x prêmios ganhos, considerando sempre os últimos três meses de sinistros, prêmios e recuperações do exercício em curso. Parágrafo único. As siglas CC e DA designam, respectivamente, a parcela correspondente às comissões de corretagem, incluída a despesa de angariação, quando houver, e despesas administrativas, por unidade de prêmio emitido. RESOLUÇÃO CNSP Nº 50, de 2001. Art. 3º O IRBBrasil Resseguros efetuará contribuições e recuperações ao FESR em função de seu resultado, nas mesmas bases estabelecidas para as sociedades seguradoras na Seção II do Capítulo IV da Resolução CNSP nº 46, de 2001, exclusivamente, para o resseguro proporcional, quota parte e/ou excedente de responsabilidade, das operações de seguro habilitadas à garantia do FESR. A douta autoridade argumenta que “o repasse ao FESR é função do resultado obtido nas operações de seguro nas modalidades garantidas pelo fundo, quando este excede a um limite máximo que veio a ser definido pela Resolução CNSP Nº 46, de 2001”, e que portanto, não se trataria de repasse de parcela dos prêmios recebidos para fins de constituição de provisão ou reserva técnica, mas de repasse a fundo cuja contribuição ou recuperação fica na dependência de posterior apuração de resultados. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 11 10 A douta fiscalização, no entender desse julgador, não logrou comprovar o contrário, mas apenas concluiu que, em se tratando de resultado, não poderia ser deduzido da base de cálculo das contribuições em comento. Mais ainda, este julgador entende de forma distinta. Quanto há repasse de resultado, a legislação regulatória determina a que base de cálculo desse repasse é o resultado. Não impede que haja resultado, mas que esse será a base do repasse para o fundo, que aliás cumpre função econômica específica, qual seja a de garantir a segurança do seguro rural, e a entidade, como sociedade de economia mista, cujo principal acionista é a União, é utilizada como instrumento para a consecução de políticas econômicas. O legislador ao determinar modo específico de apuração das bases das contribuições para as instituições financeiras e seguradoras não poderia fazêlo restrita ao resultado apurado. Fosse assim, muito mais fácil seria tributar pelas contribuições o próprio lucro contábil ao final do ano. Esse sim, seria o resultado real. Não. Pretendeu tributar as receitas correntes mas, no caso dessas instituições, por não serem esses resultados realizáveis imediatamente, mereceram atenção especial para excluir da base de cálculo determinadas receitas não realizadas e despesas necessárias à consecução ou correlatas a outras receitas. Por isso, esse repasse de valores ao dito Fundo, muito embora não esteja prevista ipsi litteris na IN nº 247/2002, pode sim enquadrarse nas receitas ou rendas não realizadas, posto que obviamente repassadas, até o seu retorno ao Instituto, quando não ocorrer a materialização do risco do fundo. Nesse momento, tributada seria. Finalmente, não foi observado pelo douto auditor o Decretolei nº 73/66, que “dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as Operações de Seguros e Resseguros e dá outras providências.” Estabelece a lei em capítulo específico que: “Art. 16. É criado o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, com a finalidade de garantir a estabilidade dessas operações e atender à cobertura suplementar dos riscos de catástrofe. Parágrafo único. O Fundo será administrado pelo IRB e seus recursos aplicados segundo o estabelecido pelo CNSP. Art. 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: a) dos excedentes do máximo admissível tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no art. 123, § 3º, deste DecretoLei; c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente DecretoLei, ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. Art. 18 (Revogado pela Lei Complementar nº 126, de 15/01/2007). Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 12 11 Art. 19. As operações de Seguro Rural gozam de isenção tributária irrestrita de quaisquer impostos ou tributos federais.”(grifo nosso) Pelo exposto, incorreta a autuação no tocante à glosa das deduções relativas às quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural. 1.2. Das “despesas com retenções diversas” A impugnante fundamenta a possibilidade de dedução/exclusão das despesas contabilizadas na conta em referência nos mesmos dispositivos legais que fundamentaram sua pretensão em deduzir as contribuições ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural. Destaca ainda a impugnante que o anexo II da Instrução Normativa SRF nº 247/02 prevê a possibilidade de se deduzir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os “prêmios de coseguros cedidos a congêneres” e os “prêmios de resseguros cedidos”, hipótese em que se enquadram as exclusões indevidamente glosadas pela fiscalização. De fato, com bem entendeu a douta fiscalização, a legislação de regência prevê a possibilidade de dedução/exclusão dos “coseguros e resseguros cedidos”. Menciona contra a contribuinte sua própria explicação da conta contábil: “a conta contábil em referência tem por função, na contabilidade do Impugnante, registrar as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros, depósitos em moeda estrangeira, e, ainda, ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo Impugnante a seguradoras nacionais indenizações por sinistros de que é responsável na qualidade de retrocessionária, por exemplo , retidas para fins, dentre outros, de constituir consórcios destinados à pulverização de riscos relevantes.” Para ele, essa conta seria utilizada para o lançamento de “despesas de naturezas diversas”, aliás expressão que não a vi, “não sendo possível afirmar, a partir da descrição apresentada, que todas estas despesas pertencem à categoria “coseguro e resseguro cedidos”. Ora, se essa conta é utilizada para despesas de natureza variada dentro da contabilidade, e que não se poderia afirmar que todas elas pertencessem à categoria de co seguro e resseguro cedidos, o fiscalização não deveria simplesmente atribuir a todas as despesas a respectiva indedutibilidade. Como não pode haver tributação sem base de cálculo, e restando incerteza quanto a este caso, concluo que não poderia a fiscalização requerer crédito tributário sem a adequada segregação da natureza das despesas durante o curso do procedimento. 1.3. Das receitas de variação cambial No que se refere às receitas de variação cambial é necessário esclarecer, as variações monetárias passaram a ser tratadas, sendo o caso, como receitas financeiras e tributadas pelo PIS e pela Cofins, por força dos artigos 2o, 3o e 9o da Lei 9.718/98,: Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 13 12 “Art 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” (grifouse) Assim, nos termos do artigo 9º acima transcrito, a variação monetária dos direitos de crédito, seja em função da taxa de câmbio ou de outros índices ou coeficientes legais ou contratuais têm a natureza de receita financeira, devendo compor a base de cálculo dos impostos e contribuições. Entendo que três fatores devem ser aqui considerados antes de imputar a tributação sobre tais valores. Primeiro, que a IN nº 247/2002 é regime especial de apuração tributária, e considerou que as instituições financeiras e seguradoras naturalmente, pela sua atividade, teriam resultados financeiros não realizados, apenas isso acontecendo na liquidação das operações que se lhes deram causa. E mais, no Anexo II, sequer separa as variações cambiais, tratandoas todas como receitas financeiras. Ora, e as receitas financeiras são tratadas por regime de caixa pelo Anexo II da referida IN, independente da sua espécie, se em reais ou se decorrentes da variação de moeda estrangeira, aliás como claramente demonstrado pelo acórdão recorrido o foi pela Lei nº 9.718/98. Logo, tributálas da forma como pretende a douta fiscalização é impossível. O segundo fato é o de que pesquisando o Poder Judiciário, não pude perceber contestação da Lei nº 9.718/98 pelo Instituto. Em verdade, ironia que uma entidade pertencente à União tenha se abstido de contestar a Lei, e a mesma União agora exija tributo sob a égide dessa lei. Outrossim, claramente o dispositivo no qual inserirseia tais receitas, caso ainda se pretendesse tributálas fora declarado inconstitucional. Diante do disposto no art. 23 da MP nº 449/2009, que acresce o art. 26A ao DL nº 70.23572, convertida na Lei nº 11.941/2009, litteris: “art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § único. O dispositivo no caput não se aplica ao caso de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)” Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 14 13 O terceiro fato referese à inconstitucionalidade posterior do § 3º da Lei nº 9.718/98. Nesse sentido, conquanto ainda reste controvérsia acerca do tema acerca da tributação das receitas financeiras, reconheçoa no caso da contribuinte, como sendo de natureza diversa da sua finalidade, ou seja, de outra receita. E tendo o STF julgado tal dispositivo inconstitucional, estando essas rendas ai enquadradas, entendo que não deve ser exigido tal tributo. Finalmente, para afastar qualquer dúvida quanto os argumentos utilizados pela douta utilização quanto à necessidade de acompanhamento do regime de competência, assumido pela contribuinte, pelo PIS e COFINS, vejamos a IN nº 345, ainda em vigor: Art. 1º Para fins de apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou pela tributação na forma do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas à medida do recebimento e, por opção ou obrigatoriedade, passar a adotar o critério de reconhecimento de suas receitas segundo o regime de competência, deverá reconhecer no mês de dezembro do ano calendário anterior àquele em que ocorrer a mudança de regime, as receitas auferidas e ainda não recebidas. Omissis” Nesse dispositivo, menciona o caso de quem está no lucro presumido ou no Simples. Não é o caso de uma seguradora, ou resseguradora. Ai vem o artigo 2º: Art. 2º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o caput poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1º aplicarseá a todo o ano calendário. § 3º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias previsto no caput para o regime de competência, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações monetárias incorridas até essa data, inclusive as de períodos anteriores. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19740.000260/200724 Acórdão n.º 3302002.071 S3C3T2 Fl. 15 14 § 4º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias pelo regime de competência para o regime previsto no caput, no período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL as variações monetárias relativas ao período de 1º de janeiro do anocalendário da opção até a data da liquidação. § 5º As variações monetárias relativas a anoscalendário anteriores ainda não computadas em virtude de mudança de critério de reconhecimento em data anterior à da publicação desta Instrução Normativa deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL até 31 de dezembro de 2003. Como se vê, regulou a IN a mudança de opção para o IRPJ e a CSLL. Aliás para o que há campo específico na DIPJ. E não o fez para o PIS e a COFINS. Ainda que haja previsão legal para a opção conjunta, ela é aplicável para aquelas pessoas jurídicas que têm a tributação pela nãocumulatividade atrelada ao lucro real. Não é o caso das instituições financeiras ou seguradoras, pois são as únicas instituições que estão no lucro real e no regime cumulativo ao mesmo tempo. Nesse sentido, o lançamento invocou erroneamente tal dispositivo. 2. Do pedido de restituição / compensação Isso posto, voto no sentido de dar provimento parcial, no mérito, às pretensões da contribuinte, exceto quanto ao requerimento de restituição ou de compensação constante do seu pedido Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, o Conselheiro José Antonio Francisco não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10). Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 18329.000047/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2007
REMUNERAÇÕES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO RECOLHIDA.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado no prazo legal.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS.
A empresa deve escriturar em títulos próprios de sua escrituração contábil todos os fatos geradores de contribuições sociais.
A escrita contábil, quando comprovada irregularidade por falta de escrituração de documentos, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização.
AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos valores pagos a segurados pode ser obtido mediante aferição indireta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO RECOLHIDA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado no prazo legal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS. A empresa deve escriturar em títulos próprios de sua escrituração contábil todos os fatos geradores de contribuições sociais. A escrita contábil, quando comprovada irregularidade por falta de escrituração de documentos, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos valores pagos a segurados pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 00 00 47 /2 00 7- 11 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 470 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 471 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos sócios gerentes e dos sócios cotistas, referentes à cota patronal de 15% ou de 20% devida pela empresa nas competências 01/1997 a 03/2007, e à contribuição de 11% devida pelo segurado contribuinte individual nas competências 04/2003 a 03/2007, cuja obrigação de arrecadar e recolher é do sujeito passivo. A fiscalização relata que foram apreendidos documentos como recibos de depósitos bancários, recibos de pagamento de salários e horas extras, recibo de pagamento a autônomos, cópia de cheques emitidos e cópias de faturas de prestação de serviços, todos sem o correspondente lançamento contábil e, quando de empregados, sem o registro em Livros da empresa. A contabilidade foi desconsiderada, em razão de não registrar a total utilização da mãodeobra a seu serviço, sendo as contribuições apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, § 6º da Lei nº 8.212/1991. Os valores de prólabores dos sócios Ruth Lílian Dias de Ávila, no período de 01/1997 a 03/2007, de João José Adreuchetti de Freitas, no período de 01/1997 a 05/2000, e 11/2004 a 03/2007, e de Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter, no período de 11/2004 a 03/2007, foram aferidos, conforme esclarece a fiscalização no Relatório Fiscal de fls. 153 a 161. Em razão da determinação do artigo 67 da Instrução Normativa INSS/DC nº 70/2002, no período de 01/1997 até 09/2003 foi considerado o maior salário da empresa, o do médico Odilon Rosa Régio, para fins de aferição dos prólabores dos sócios Ruth Lílian Dias de Ávila e João José Adreuchetti de Freitas. No período de 10/2003 a 03/2007 a fiscalização tomou como base, em relação à sócia Ruth Lílian Dias de Ávila, as notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento. Para o sócio João José Adreuchetti de Freitas foram considerados como prólabore as retiradas que fez a título de adiantamento do capital investido, no período de 11/2004 a 03/2007. Para este sócio, no período de 06/2000 a 10/2004, não houve lançamento porque não houve retirada ou recebimento de valores. A fiscalização constatou a existência e considerou os recolhimentos efetuados ao INSS a título de prólabores dos sócios Ruth Lílian Dias de Ávila e João José Adreuchetti de Freitas. Os sócios cotistas Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter não foram considerados como segurados de qualquer espécie pela empresa, que não os incluiu em folha de pagamento nem os declarou em GFIP, e também não fez nenhum recolhimento relacionado à sua prestação de serviços no período de 03/1997 a 03/2007. Para estes sócios, foi estabelecido como prólabore os valores mais costumeiros que recebiam anteriormente como empregados da empresa. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 472 4 DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação, apresentando impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal (6a Turma da DRJ/POA) foi pela procedência parcial, reconhecendo a decadência até a competência 11/2001, inclusive. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: Em Preliminar: a nulidade por erro formal, sobretudo pelo cerceamento de defesa e contraditório. O lançamento fiscal deixou de fornecer: a) a descrição do fato gerador e b) a disposição legal infringida; No Mérito: a nulidade por inexistência de fato gerador do tributo lançado: I Do sócio João José Andreuchetti de Freitas: os valores a título de "retorno de capital investido" se refere a distribuição de lucros paga e contabilizada pela empresa no período e não há incidência de contribuição social conforme art. 28, § 9o, alínea “j” da Lei 8.212/91. A distribuição de lucros pode ocorrer a qualquer tempo em razão de expresso dispositivo contratual. Não há dispositivo legal que obrigue ao pagamento de prólabore, o que fica a critério do sócio; a NFLD afirma que os sócios Ruth e João realizaram retirada de capital em desacordo com as normas da RFB. Segundo o agente fiscal as retiradas se deram "sem observância das normas estabelecidas pela Receita Federal, que são emissão de relatórios e demonstrativos de valores e rendimentos do capital aplicado". As normas da RFB não estão indicadas, não podendo o contribuinte se defender; quanto aos relatórios e demonstrativos de valores de rendimentos do capital aplicado parece haver confusão na medida em que tais retiradas não refletem propriamente uma espécie de "juros sobre capital próprio" incidente sobre o capital social integralizado pelo sócio. Tratase da distribuição dos resultados contábeis produzidos pela empresa através do exercício de seu objeto social, o qual a rigor não guarda, necessariamente, proporcionalidade com o capital integralizado; ademais a comparação entre o valor da distribuição de lucros e o valor do capital social é descabida, mormente em se tratando de sociedade dedicada à prestação de serviços médicos. É perfeitamente normal que uma sociedade dedicada a prestação de serviços médicos distribua lucros superiores ao valor do capital social nela aportado. Não há nisso qualquer disfarce ou fraude como alega o fiscal. Ademais o debate quanto a matéria fica esvaziado pela absoluta ausência de menção aos dispositivos legais supostamente infringidos pelo contribuinte; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 473 5 tendo havido no período que embasa a NFLD a contabilização como distribuição de lucros quanto aos pagamentos realizados ao sócio João a titulo de prólabores, e havendo determinação legal excluindo da incidência do imposto estas verbas, somente poderia subsistir a NFLD pela alegada incompatibilidade entre o valor do prólabore pago e o padrão de vida social do sócio, o que é de difícil compreensão e mensuração pelo contribuinte; II Da sócia Ruth Lilian Dias de Freitas: a fiscalização informa que a sócia Ruth teria no período de 01/2003 a 04/2003, em que não houve distribuição de lucros, teria efetuado retirada de honorários no valor de R$ 9.000,00 mensais, sem emissão pela empresa de recibo de pagamento e sem contabilização em contas próprias. como a fiscalização chegou a conclusão de que a sócia percebeu tais valores? A fiscalização não demonstra o alegado; no período de 10/2003 a 01/2004 a fiscalização alega que a sócia Ruth teria recebido "honorários" mediante a emissão de notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda, da qual também é sócia. Alega que a sócia disfarçava através da emissão destas notas a remuneração devida em decorrência da administração da sociedade. O fisco não esclarece como chegou a tal conclusão. Nada de ilícito há na relação entre as duas empresas; nos demais períodos a fiscalização equiparou os supostos prólabores percebidos pela sócia Ruth aos valores pagos a outros médicos ou aos valores pagos a ela mesmo em outros períodos. Mas em tais hipóteses não há qualquer indício que autoriza a conclusão da ocorrência da materialidade do fato gerador; III Do sócio Odilon da Rosa Régio: alega a fiscalização que referido sócio, a partir de 11/2004, passou a prestar serviços remunerado: a recorrente. Aduz que ele participava ativamente da sociedade. A fiscalização arguiu ainda que pelo fato de o sócio ter realizado pagamentos de despesas da empresa com recursos próprios, nem todos os valores por ele retirados teriam a natureza de prólabore, arbitrando para todo o período da NFLD a ele relativa o valor de R$ 7.000,00 retirado em 10/2004. Entretanto, não há prova do alegado nos autos; IV Do sócio Sandro Ivan Ritter; segundo a fiscalização a situação do sócio Sandro é bastante similar a do sócio Odilon. Ele participaria ativamente da sociedade e executava pagamentos de despesas da empresa com recursos pessoais. Não há prova ou indicio de que ele de fato trabalhasse na empresa ou que lhe pagasse despesas com recursos pessoais; por fim, requer a insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 474 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. DO RELATÓRIO FISCAL Consta do relatório fiscal, fls. 153/161, que o lançamento fiscal se refere a contribuições previdenciárias devidas e não repassadas à Seguridade Social, constituída da contribuição cota patronal (alíquota 15% de 01/1997 a 02/2000 e 20% de 03/2000 a 03/2007), incidente sobre os prólabores (aferidos) dos sócios gerentes e sócios cotistas. Foram apreendidos documentos de recibos de depósitos bancários, recibos de pagamento de salários e horas extras, recibo de pagamento a autônomos, cópia de cheques emitidos, cópias de faturas de prestação de serviços, todos sem o correspondente lançamento contábil e quando de empregados, sem o registro em Livros da empresa. No exame da documentação apreendida e na contabilidade da empresa, dentre outros itens apontados (1 a 32), concluiuse que nos itens 33, 34 e 35 da relação de documentos apreendidos (fls. 149/151), período de 01/2003 a 04/2003, os sócios Ruth e João fizeram retiradas de honorários, não emitiram recibos, não contabilizaram em despesas e a empresa no período não distribuiu lucros. 33. Cópia de cheques 157591, 157592 de 01/2003 de Dr. Ruth e Dr. Freitas 34. Cópia de cheques 008410 e 850258 de 04/2003 da Dr. Ruth 35. Recibo de pagamentos e cópia de cheques 008411 de 04/2003 Dr. Freitas No item 39, de 06/2003 Dr. Odilon, retirou honorários, emitiu nota fiscal em nome da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda e recebeu seus honorários na conta particular n° 286028 da agência 1449. 39. Copia cheque 185758, recibo bancário Odilon, NF 090 Regio e Riter, 06/03. Nos itens 40 e 41, de 10/2003 a 01/2004, Dra. Ruth, sócia gerente da empresa, retirou honorários com emissão de notas fiscais 315, 316, 319, 320, 323, 324 e 329 da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda e recebeu na conta particular 0000140 da agencia Unicred, e estão contabilizados. 40. NF 328 Centro Cirurgico e depósito bcario para Dr Ruth, 01/2004 41. Cópia cheque 196721, 196764, NF 329 Centro Cirurg, com rec bco Ruth 01/0 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 475 7 Nos itens 42, 44, 48, 49 e 50 do período 09/2004, 01/2006 a 03/2007, a empresa pagou e contabilizou despesas de terceiros, tais como telefone celular da Irmandade Santa Casa Caridade de Alegrete, Guia de Arrecadação do Detran/RS, por exames prestados, no Órgão, por Laura Graciele Ortiz de Lima e faturas da empresa Cardio Nefroclinica Delta. 42. Fatura telefone Santa Casa Alegrete, paga pela Renal em 09/2004 44. Cópia cheque 0024 para pgto fatura Cardio Nefroclinica Delta em 11/2005 48. Cópia cheque 296, com recibo pagto Cardio N Delta, em 01/2006 49. Faturas da Cardio N Delta 01, 10,11,12/2006 e 01/2007 paga pela Renal 50. Guia Detran de Laura G 0 Lima paga pela Renal em 03/2007 No item 43 e 47, de 04/2005 a 06/2005 e 01/2006, a empresa pagou através dos cheques 206039, 206047, 219099 e 000098, despesas que não foram localizadas nas contas de despesas e também não foram localizados os recibos. 43. Cópia cheques 206039, 206047 e 219099, de 04, 05 e 06/2005 47. Cópia cheque 0098 de 01 12006 No item 45, de 03 a 06/2005, demonstra que os sócios Ruth e João retiravam honorários por serviços prestados em plantões médicos, por despesas particulares e a titulo de retorno de capital investido e está contabilizado. 45. Cópia cheque 219001, 219008, 219003, 219002, 206016 e dep bco Ruth No item 46, de 07/2005, demonstra que a empresa ao tratar Daniela Fertile, nutricionista como uma segurada autônoma, ao mesmo tempo, pagava despesas de curso de especialização. 46 Cópia cheques 0077 e 205835 de 11/2005 Também foi localizado pagamento de despesas da empresa, sem o correspondente recibo de pagamento e ou lançamento contábil nas contas de despesas, como: 12/2005 — R$ 750,00 — Fátima Melo, RPA 01; 11/2005 — R$ 520,00 — Nivea T. de Souza, plantões médicos; 10/2005 — R$ 520,00 — Nivea T. de Souza, plantões médicos; 09/2005 — R$ 520,00 — Nívea T. de Souza, plantões médicos; 12/2004 —R$ 133,46 — Carem C. A. Biscuby; 08/2004 — R$ 750,00 — Adriana Melogno, honorários; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 476 8 08/2004 — R$ 300,00 — Valdemir Giriboni, pedreiro; 10/2003 — R$ 1.260,34 — Liziane Dias Josende, horas extras; 09/2000 — R$ 3.500,00 — Delmar Girardi, pedreiro; 05/2000 — R$ 3.378,00 — Delmar Girardi, pedreiro. A fiscalização considerou o ato fraudulento e os documentos apreendidos integraram processo de fraude fiscal, por se tratar de pagamento "por fora", aos seus empregados, despesas que não foram registradas na contabilidade e nem em folhas de pagamento, o que caracteriza o não oferecimento à tributação como salário contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. A empresa foi autuada através do Auto de Infração n° 37.048.6960 por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço e AI n° 37.048.6978 por deixar de inscrever segurado empregado, AI n° 37.048.6951 por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço e AI n° 37.048.6994 por apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Desse modo, a empresa apresentou folhas de pagamentos e GFIP de forma deficiente, que de acordo com o art. 33, parágrafo 3°, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 233, parágrafo único do Decreto 3.048/99, considerase deficiente o documento ou a informação apresentada que não preencha as formalidades legais e que omita informação verdadeira. A contabilidade foi desconsiderada pela fiscalização porque não registrava a total utilização da mão de obra a seu serviço, passando a ser aferida conforme determina o art 33, parágrafo 6o da Lei 8.212/91 e art. 235 do Decreto 3.048/99 "Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas, por aferição indireta e lançadas de oficio as contribuições devidas, cabendo á empresa o ônus da prova em contrário". Foram aferidos os prólabores dos sócios Ruth Lilian Dias de Avila, no período de 01/1997 a 03/2007, de João José Andreuchetti de Freitas, no período de 01/1997 a 05/2000, 11/2004 a 03/2007, de Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter, no período de 11/2004 a 03/2007, porque os valores retirados como tal, não correspondem a realidade da vida social dos sócios. Primeiramente que um salário mínimo que foi retirado pelos sócios Ruth e João no período de 03/1997 a 05/2000 é inferior ao salário de contribuição dos sócios como contribuintes individuais e inferior a qualquer salário de empregado da própria empresa. Que no período de 06/2000 a 10/2004 o sócio João não teve aferição de prólabores, porque não retirou e não recebeu nenhum valor, subentendendo que no período não participou da administração da empresa. Que para Odilon e Sandro a empresa nunca considerou como segurados seja empregado, autônomos ou empregadores, sempre excluiu da relação de contribuintes obrigatórios, em não incluindo em folhas de pagamento e GFIP, conseqüentemente não fez nenhum recolhimento na prestação de serviço do período de 03/1997 a 03/2007. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 477 9 Na aferição dos prólabores dos sócios Ruth Lilian e João Jose Freitas, para o período de 01/1997 a 09/2003, tomouse como base o maior salário da empresa, do médico Odilon Rosa Régio, sendo o que determina a Instrução Normativa INSS/DC 70, de 10/05/2002 em seu Art. 67. Já no período de 10/2003 a 03/2007 para Ruth, tomouse como base as notas Fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento, que foram emitidas para comprovar a retirada de honorários da sócia e burlar a fiscalização. Para o sócio João no período de 11/2004 a 03/2007, foi estabelecido as retiradas que fez a titulo de adiantamento do capital investido. Para os sócios Odilon e Sandro, foi estabelecido como prólabores, os valores mais costumeiros que recebiam anteriormente como empregados da empresa, conforme Demonstrativo de Aferição de Pró Labores, anexo. Os sócios Ruth e João fizeram diversas retiradas, a titulo de retorno do capital investido, valores que superaram muitas vezes o próprio capital subscrito na constituição da empresa que é de R$ 10.000,00 para cada sócio. Os valores foram retirados da empresa, sem observância das normas estabelecidas pela Receita Federal, que são emissão de relatórios e demonstrativos de valores e rendimentos do capital aplicado. Foi constatado na ação fiscal que nas competências acima citadas, a empresa efetuou recolhimentos ao INSS, a titulo de prólabores dos sócios Ruth e João, o que foi visto e considerados por esta fiscalização, conforme demonstrativo, anexo. A presente notificação, está fundamentada na Lei 8.212/91 e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, cujo enquadramento encontrase anexo, no relatório de fundamentos legais do débito. Consta dos autos, fls. 125/127, relação de documentos apreendidos, não contabilizados e alguns contabilizados, e Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos – AGD (fls. 143/145). Demonstrativo de prólabores aferidos e pagos em guia GPS, fls. 129/141, por competência e beneficiário. DA INFORMAÇÃO FISCAL EMITIDA Após impugnação do contribuinte os autos foram convertidos em diligência para que a autoridade fiscal lançadora se pronunciasse. Em resposta foi emitida Informação Fiscal (fls. 387/395) onde consta, dentre outras informações, que a defesa, anexou cópia, as fls. 182 a 184 do Contrato Social (alteração), onde estabelece em sua Cláusula Quinta, que são Sócios Administradores da sociedade os Srs. João Jose Andreuchetti de Freitas e Ruth Lilian Dias de Avila e em sua Cláusula Primeira, são admitidos como novos Sócios Cotistas os Srs. Odilon da Rosa Régio e Sandro Ivan Ritter, situação esta já constante no, Relatório Fiscal da NFLD, em seus itens 10 e 11, anexo as fls. 79, não bem relatada, como agora pelo fiscal, porem com conhecimento indiscutível da empresa. Informo ainda que aos dois sócios João Jose e Ruth Lilian, foram nomeados administradores desde a constituição da empresa em 1995 e aos dois sócios Odilon e Sangro, nomeados sócios cotistas quando da integração a sociedade em 21/10/2004. A Lei 8.212/91 em seu art. 12, inciso V, alínea “f” e o Regulamento da Previdência Social em seu Decreto 3.048/99, art. 9, inciso V, alínea “h”, estabelecem que são Segurados Obrigatórios da Previdência Social, como Contribuinte Individual, os Sócios Gerentes e os Sócios Cotistas que recebam remuneração decorrentes de seu trabalho e o Fl. 477DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 478 10 administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural. A empresa contesta o débito, alegando em sua defesa no item 2 “O FEITO FISCAL”. Quanto ao FEITO FISCAL e o que foi relatado no Relatório Fiscal da NFLD, nos itens 4,5,6,7, a fiscalização informa que não fazem parte do fato gerador desta notificação, o ali relatado constou para demonstrar que a empresa usou de meios e práticas ilícitas quando da admissão e pagamento de um empregado, de um contribuinte individual ou até mesmo quando da contabilização de despesas efetuadas, o ali relatado, a fiscalização demonstra que a empresa pagava salário por fora a determinados empregados, fazia pagamentos a pessoas físicas, sem considerálas contribuintes obrigatórios da Previdência Social, usava formas de pagamento de despesas distorcendo a sua real natureza, com o objetivo único de evitar a incidência tributária. Este levantamento, que trata de contribuições previdenciárias sobre os pró labores dos sócios Ruth Lilian, João Jose, Odilon e Sandro, todos eles contribuintes obrigatórios na qualidade de contribuinte individual. A empresa sempre pagou honorários a estes profissionais, pelos serviços prestados que eram serviços médicos, prestados dentro da empresa em muitas vezes em forma de plantões, porem a empresa distorcia a forma de pagamento e de contabilização destas despesas para tentar dissimular a contribuição previdenciária incidente. No item 5 do Relatório Fiscal, anexo às fls. 76 e 77, procurou demonstrar estas situações: a) Para Ruth Lilian Dias de Freitas, demonstrou que a segurada no período de 01/2003 a 04/2003, fez retirada de honorários no valor de R$ 9.000,00 mensais, porem a empresa ao fazer tais pagamentos, não emitiu recibo de pagamento; não contabilizou em contas próprias estas despesas, portanto a fiscalização para se certificar de que também não se tratava de uma distribuição de lucros, verificou que a empresa não distribuiu lucros no período. No período de 10/2003 a 01/2004 a Sócia Gerente, fez retirada de honorários da empresa e para contabilização destes honorários, emitiu notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda, onde a Sra. Ruth também é sócia, porem a empresa fazia os pagamentos para a sócia em sua conta particular. Também demonstramos que a Sócia Ruth, fazia retiradas por serviços praticados na administração da sociedade e utilizava notas fiscais de prestação de serviços. da sua empresa (Centro Cirúrgico), para disfarçar a real retirada de prólabores da empresa Renal. As retiradas da empresa eram feitas como honorários médicos, assim demonstrado no Relatório de Retiradas dos Sócios, anexo. A Sra. Ruth, aparece como a principal sócia, seja na integralização do capital ou na administração da sociedade, composta de Matriz e duas filiais de Rosário e Alegrete, mais presente na administração da filial de Rosário. Ao estabelecer os seus prólabores, a fiscalização adotou dois parâmetros, conforme já citado no item 11 do Relatório Fiscal, por entender ser mais justo, mais parecido com o que se hora apresentava e menos prejudicial para a empresa quanto aos valores a serem tributáveis. Primeiro parâmetro estabelecido para o período de 01/1997 a 09/2003, foi estabelecer valores iguais de retiradas, para trabalhos semelhantes, visto que Odilon Rosa Régio, exerce as mesmas funções da sócia e no segundo parâmetro estabeleceuse as próprias retiradas da sócia, feitas até 09/2004 e partir de 10/2004 a 03/2007, mantevese o valor de R$ 9.000,00 retirado em 10/2004. Notase no Relatório de Retiradas dos Sócios, anexo, que se tivesse ,sido adotado o primeiro parâmetro para todo o período, teria sido mais prejudicial à empresa, visto as retiradas do sócio Odilon, Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 479 11 em média, a partir de 12/2004, .serem superiores às da sócia e as retiradas da sócia, a partir de 02/2005 também se mantiveram em média acima do estabelecido. b) Para João Jose Andreuchetti de Freitas, demonstrouse que o segurado a partir de 11/2004 passou a fazer retiradas a titulo de RETORNO DO CAPITAL INVESTIDO, situação criada para a contabilidade disfarçar a real retirada de prólabores da empresa, assim entendido pela fiscalização, já que o capital investido pelo sócio e contabilizado pela empresa é de R$ 10.000,00 e suas retiradas foram muito além do próprio capital, assim demonstrado no Relatório de Retirada dos Sócios. c) Para Odilon da Rosa Régio, a que se relata que começou em 03/1997 a prestar serviços na qualidade de medico aos pacientes da empresa, mais especificamente na filial de Alegrete, onde lá sempre residiu. A NFLD 37.048.7001 lavrada. Quando da mesma ação fiscal, relacionouo como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado até 08/2000. Em 09/2000 a 10/2004, o médico Odilon prestou serviços à empresa, nas mesmas condições que vinha prestando desde 03/1997, porém na forma de pessoa jurídica, quando da constituição em 08/2000 da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda. A NFLD 37.048.6935 também lavrada quando da mesma ação fiscal, relacionouo como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado, aferindo como salários o valor da nota fiscal emitida. A partir de 11/2004 a 03/2007, o médico Odilon continua a prestar serviços à empresa, nas mesmas condições anteriores, agora segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de sócio cotista que presta serviço remunerado à empresa. Esta NFLD foi lavrada para corrigir também este período, não fosse a ação fiscalizadora, o trabalhador não teria contemplado o seu tempo de serviço, já que a empresa em nenhum período o considerou como Segurado obrigatório da Previdência Social. O sócio cotista Odilon se difere dos demais sócios cotistas de outras empresas, que fazem retiradas uma ou duas vezes ao ano quando a empresa distribui dividendos a todos os sócios. O sócio Odilon participa ativamente da sociedade seja com suas retiradas mensais, seja com seu trabalho de administração da filial em Alegrete, ou seu trabalho médico aos pacientes da empresa. A fiscalização ao estabelecer os valores dos prólabores ao sócio Odilon, levou em consideração, que no exercício do cargo de responsável pela empresa, muitas vezes executou pagamentos de despesas próprias da empresa, com dinheiro próprio, que nem todo valor tido como retiradas mensais se referia a honorários médicos, segundo informações do próprio escritório de contabilidade, quando da fiscalização, motivo pelo qual, a fiscalização não estabeleceu como prólabores, as próprias retiradas mensais do sócio, vindo desta forma em favor da empresa, quando aferiu valores de prólabores para todo o período 11/2004 a 03/2007, no valor de R$ 7.000,00 valor recebido pelo sócio em 10/2004 e que em 12/2004 recebeu R$ 14.000,00 parecendo ser também uma retirada disfarçada e muito semelhante ao décimo terceiro salário. Veja que no decorrer do período de 11/2004 a 03/2007 o sócio fez retiradas, em média, bem mais expressivas que o valor estipulado como prólabores. d) Para Sandro Ivan Ritter, a que se relatar que começou em 11/1998, a prestar serviços na qualidade de médico, aos pacientes da empresa, mais especificamente na filial de Rosário do Sul, onde lá reside. A NFLD 37:048.7001 lavrada quando da mesma ação fiscal, o relacionou como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado até 08/2000. Em 09/2000, o médico Sandro prestou serviços à empresa, nas mesmas condições que vinha prestando desde 11/1998, porém na forma de pessoa jurídica, quando da constituição em 08/2000 da empresa Régio e Ritter Médicos Associados S/C Ltda. A NFLD 37.048.6935 também lavrada quando da mesma ação fiscal, o relacionou como segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de empregado, até 10/2004, aferindo Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 480 12 como salários o valor da nota fiscal emitida. A partir de 11/2004, o médico Sandro continua a prestar serviços à empresa, nas mesmas condições anteriores, agora segurado obrigatório da previdência social, na qualidade de sócio cotista que presta serviço remunerado à empresa, até 03/2007. Esta NFLD foi lavrada para corrigir também este período, não fosse a ação fiscalizadora, o trabalhador não teria contemplado o seu tempo de serviço, já que a empresa em nenhum período o considerou como segurado obrigatório da previdência social. O sócio cotista Sandro, se difere dos demais sócios cotistas de outras empresas, que fazem retiradas uma ou duas vezes ao ano quando a empresa distribui dividendos a todos os sócios. O sócio Sandro participa ativamente da sociedade, seja com suas retiradas mensais, seja com seu trabalho na filial em Rosário. A fiscalização ao estabelecer os valores dos prólabores ao sócio Sandro, levou em consideração, que no exercício do cargo, muitas vezes executou pagamentos de despesas próprias da empresa, com dinheiro próprio, que nem todo valor tido como retiradas mensais se referia a honorários médicos, segundo informações do próprio escritório de contabilidade, quando da fiscalização, motivo pelo qual, esta fiscalização não estabeleceu como prólabores, as próprias retiradas mensais do sócio, vindo desta forma em favor da empresa, quando aferiu valores de prólabores para todo o período 11/2004 a 03/2007, no valor de R$ 3.500,00, valor recebido pelo sócio em 10/2004 e que em 12/2004 recebeu R$ 7.000,00 parecendo ser também uma retirada disfarçada e muito semelhante ao décimo terceiro salário. Veja que no decorrer do período de 11/2004 a 03/2007 o sócio fez retiradas, em média, bem mais expressivas que o valor estipulado como prólabores. Diante do exposto, entendeu pela manutenção do lançamento fiscal. Consta dos autos relatório de retiradas de valores dos sócios, por competência, valor beneficiário e conta do livro razão (fls. 377/385). OBRIGAÇÃO LEGAL DE REGISTRAR TODOS OS DOCUMENTOS NOS LIVROS CONTÁBEIS O livro diário é obrigatório para a empresa e deve conter os registros individualizados, com clareza, dia a dia, de todas as operações relativas ao exercício da empresa, admitindose a escrituração resumida com totais das operações das contas desde que utilizados livros auxiliares (Razão e outros) regularmente autenticados, nos termos dos §§ 1o e 2o do art. 1.184 do Código Civil Brasileiro, instituído pela Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. A contabilidade da empresa deve demonstrar todos os seus movimentos de ativo (bens e direitos), obrigações (deveres) e seu patrimônio líquido. Assim, os documentos apresentados como base de cálculo das contribuições sócias previdenciárias (GFIP/SEFIP, folha de pagamento de empregados, de prólabore, serviços prestados, outros) devem ser conferidos por intermédio dos livros contábeis da empresa, de escrituração obrigatória como é o caso dos livros Diário e Razão, que devem estar de acordo com as formalidades legais. Mesmo entendimento se aplica ao “livro Caixa”, que deve permitir a conferência, pela autoridade fiscal, da base de cálculo e dos valores recolhidos dos tributos federais, em especial, as contribuições previdenciárias. A autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e das sociedades empresárias é disciplinada pela Instrução Normativa nº 102, de 25 de abril de 2006, do Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC, sem prejuízo da legislação específica aplicável à matéria. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 481 13 A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, e deve conter a escrituração retificada (artigo 5º, da Instrução Normativa DNRC nº 102/2006). Portanto, eventuais erros cometidos no livro diário já autenticado pelo Registro do Comércio podem ser corrigidos, bem como, a correção do livro Razão que é livro obrigatório fiscal (RIR/1999, art. 259, que incorporou as Leis nº 8.218, de 1991, art. 14, e nº 8.383, de 1991, art. 62). Ademais, o contribuinte não apresentou os livros contábeis (Livros Diário e Razão) de acordo com as exigências legais e com as correções da falta (registro dos documentos apreendidos pela fiscalização que não foram contabilizados) que resultou no lançamento fiscal por arbitramento de valores pagos a título de prólabores dos sócios da empresa autuada. Está desobrigada da apresentação de escrituração contábil a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que escriture Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. Entretanto, se o contribuinte apresentar contabilidade regular, mesmo estando dela desobrigada, e esta contabilidade apresentar incorreções, o Auto de Infração será lavrado por descumprimento das regras aplicáveis à contabilidade regular, não sendo válido ao contribuinte argüir que estava dela desobrigado. A empresa deve manter escrituração contábil regular, a qual deve sujeitarse às normas e princípios gerais da Contabilidade e ao previsto no inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Art.225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 482 14 A autoridade fiscal tem liberdade para querer documentos e examinar a escrituração no exercício da fiscalização do pagamento de tributos, nos termos estritos das respectivas leis especiais, consoante art. 1.193 da Lei 10.406/2002. O sócio e a empresa são obrigados a seguir sistema de contabilidade com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico, nos termos do art. 1.179 da Lei 10.406/2002. Comprovada a irregularidade da contabilidade apresentada pela empresa, não faz prova suficiente para desconstituição de lançamento fiscal amparado em documentos e fatos relatados pela fiscalização. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Como se pode notar do relatório fiscal, da diligência que analisou a impugnação do contribuinte e da decisão recorrida que se trata de lançamento fiscal por aferição de valores a título de prólabore dos sócios da empresa autuada. O arbitramento se deu em razão da fiscalização encontrar diversos documentos relativos a pagamento de segurados empregados e contribuintes individuais (sócios) não registrados na contabilidade e sem registro nos documentos legais, como Livro de Registro de Empregado, GFIP. Assim sendo, rejeitase a preliminar de nulidade por erro formal e de violação ao direito de defesa e contraditório, por todos os argumentos constantes do voto. Demonstrado que a empresa não registrou vários documentos de pagamento de valores a segurados empregados e contribuinte individuais na contabilidade, em GFIP e em Livro de Registro de Empregados, informadas as razões e fundamentação legal, não há que se falar em lançamento fiscal desprovido de fatos geradores e da disposição legal, como quer o contribuinte. No mérito, não há que se falar em nulidade por inexistência de fato gerador do tributo lançado. Informa a fiscalização que a empresa sempre pagou honorários aos sócios Ruth Lilian, João Jose, Odilon e Sandro pelos serviços prestados de médicos à empresa, muitas vezes em forma de plantões. Todavia, a empresa distorcia a forma de pagamento e de contabilização das despesas para reduzir o valor da contribuição previdenciária. Não havia registro na empresa dos segurados Odilon e Sandro como empregado, autônomos ou empregadores. Sempre foram excluídos da relação de contribuintes obrigatórios e não eram incluídos em folhas de pagamento. Consta relatado nos autos que alguns sócios (Odilon e Sandro) anteriormente prestavam serviços como empregado, passando a prestador de serviço pessoa jurídica e por fim se tornando sócio da empresa autuada, e com retirada mensal de prólabore de forma direta ou indireta como comprovado nos autos. O sócio João Jose Andreuchetti de Freitas passou a fazer retiradas a titulo de retorno do capital investido com frequência e superior ao capital investido, apresentando Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 483 15 situação criada para a contabilidade com intuito de disfarçar a real retirada de prólabores da empresa, segundo a fiscalização, e demonstrado no Relatório de Retirada dos Sócios. A inobservância das normas estabelecidas pela Receita Federal são as relativas a emissão de relatórios e demonstrativos de valores e rendimentos do capital aplicado, informadas nas declarações de imposto de renda, constante dos autos. O contribuinte deve demonstrar que os valores repassados ao sócio João José se referem a distribuição de lucros paga e contabilizada, na forma que requer a norma legal. A sócia Ruth Lilian Dias de Freitas fez retirada de honorários mensais e sem emissão de recibo de pagamento. Não contabilizou em contas próprias tais despesas. A fiscalização se certificou de que não se tratava de uma distribuição de lucros, pois a empresa não distribuiu lucros no período, demonstrando os fatos. O contribuinte deve demonstrar de forma inequívoca que a sócia Ruth não teria recebido "honorários" mediante a emissão de notas fiscais da empresa Centro Cirúrgico Livramento S/C Ltda, da qual é sócia. Deve demonstrar os serviços prestados pelo Centro Cirúrgico, como data, quantificação, valores. Todavia, a contabilidade da recorrente com falta de registro de vários documentos não é suficiente para a desconstituição dos fatos apresentados pela fiscalização. Ficou demonstrado pela fiscalização que a empresa usou de meios e práticas não convencionais e destoantes das normas legais quando da admissão e pagamento de empregados e contribuintes individuais (sócios), bem como, da falta de contabilização de vários documentos de despesas efetuadas pela empresa. Estão demonstrados nos autos todos os fatos geradores, por competência, valor e beneficiário, a forma de apuração por aferição indireta, as razões que levaram a fiscalização ao procedimento e a fundamentação legal. Todos os atos da fiscalização foram cientificados ao contribuinte que teve prazo legal para apresentação de contestação. Diante dos fatos constantes dos autos, rejeito a preliminar de nulidade por erro formal. Não houve cerceamento ao direito de defesa e contraditório. No mérito, o lançamento fiscal demonstrou a descrição do fatos geradores, os motivos e a fundamentação legal do lançamento fiscal. Se no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas por aferição indireta, as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33, § 3o da Lei 8.212/91. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, contendo a competência, a base de cálculo, a discriminação dos fatos, os valores das contribuições previdenciárias devidas e os valores dos créditos considerados em planilhas, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18329.000047/200711 Acórdão n.º 2803004.003 S2TE03 Fl. 484 16 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720554/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009
GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
Possível o lançamento de ofício de valores já declarados pelo contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVOS. COMPENSAÇÃO. SÚMULA 91 CARF. TEORIA DOS 5+5.
Em casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o pedido de restituição foi pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de 05 anos, tendo em vista a súmula nº 91 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto á questão da nulidade. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. Possível o lançamento de ofício de valores já declarados pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVOS. COMPENSAÇÃO. SÚMULA 91 CARF. TEORIA DOS 5+5. Em casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o pedido de restituição foi pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de 05 anos, tendo em vista a súmula nº 91 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 05 54 /2 01 0- 51 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto á questão da nulidade. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator), Ivacir Julio de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. No Mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão Nº 1131.616 proferido pela DRJ/REC, que manteve crédito tributário realizado por meio do Auto de Infração 37.249.6032, no valor de R$ 666.747,82 (seiscentos e sessenta e seis mil, setecentos e quarenta e sete reais e oitenta e dois centavos). A autuação se deu por ter a prefeitura, segundo a fiscalização, fls. 21/24 (Relatório Fiscal), realizado compensações indevidas na GFIP, decorrentes da contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios recebidos pelos agentes políticos, titulares de mandatos eletivos do período de 02/98 a 09/04 e compensados no período de 06/08 a 12/09. Uma vez que o período de 02/98 até 05/03 está prescrito, o agente procedeu devidamente, e quanto ao período remanescente, o recorrente apenas comprovou pagamento de subsídio do prefeito no valor de R$ 23,020,51, os quais foram devidamente apropriados entre as competências 06/08 a 09/08, esta última, apenas parcialmente em razão do valor. Os fatos e fundamentos para apuração do crédito previdenciário foram especificados pelo auditor autuante que os descreveu da seguinte maneira, fls. 21: (...) 3. Foi verificado que está extinto o direito a compensação dos valores lançados nas GFIP’S de 06/08 a 13/09, vinculados aos pagamentos indevidos do período de 02/98 a 05/2003, de acordo com o art. 168, I da Lei 5.172 de 25.10.66 (CTN) c/ art. 3 da Lei Complementar 118 de 09.02.05. 4. Foram somente comprovados, os pagamentos indevidos da parte patronal (21%), incidentes sobre os subsídios do Prefeito: José Lopes da Silva Sobrinho e do Vice Prefeito: Antonio Herculano de Siqueira, nas competências 06/03 a 12/03, 01/04 a 04/04 e 06/04 a 09/04 (período não decadencial), sendo atualizados seus valores com data de cálculo de 10.07.08 (data de entrega da GFIP 06/08 – anterior a vigência da MP 449/08), com juros calculados sobre o valor originário, mediante a aplicação dos seguintes percentuais: a) 1% (um por cento) no mês subseqüente ao da competência; b) taxa média mensal de captação do tesouro nacional relativa a dívida mobiliária federal / taxa referencial do sistema especial de liquidação e de custódia – SELIC, nos respectivos períodos; c) 1% (um por cento) no mês de pagamento. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 86/102 DA DECISÃO DA DRJ Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) – 7ª Turma DRJ/REC, prolatou Acórdão Nº 1131.616 de fls. 118/121, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES DE ELETIVO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. É de 5 anos o prazo para compensação de contribuição de natureza previdenciária recolhidas indevidamente, contados a partir do âmbito do recolhimento. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento de Inconstitucionalidade de Lei nas decisões administrativas só pode ser feito após manifestação, nesse sentido, do STF, do Senado Federal, ou da Justiça Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 127/145, requerendo a reforma do Acórdão, com argumento sobre o prazo para a realização de compensação em relação a pagamentos indevidos realizados em tributos sujeitos a lançamento por homologação e inconstitucionalidade da constituição do crédito tributário em questão. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 189, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA COMPENSAÇÃO EM GFIP Conforme já abordado no Relatório Fiscal, trata o presente caso de glosa compensações declaradas em GFIP, que gerou a lavratura de auto de infração para cobrança do valor principal mais juros e multa. Compulsados os autos, verificase que os débitos objeto de lançamento de ofício haviam sido confessados pelo contribuinte em suas GFIP atinentes aos períodos de apuração em tela. Em vista disso, cabe perquirir se é dado ao Fisco promover lançamento de ofício em se tratando de débitos já informados nas GFIP.t A GFIP é obrigação acessória cujo lastro legal encontrase no artigo 32, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, in verbis: “Art. 32.A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS;” Tratase de redação atribuída a tal inciso, inicialmente, pela Medida Provisória n. 449, publicada em 03.12.2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/09. Pela leitura do texto legal, notase que, por meio da GFIP, o contribuinte declara ao Fisco a ocorrência dos fatos geradores atinentes às contribuições previdenciárias. Deveras, em citado documento, constam informações que permitem identificar perfeitamente todos os elementos essenciais da obrigação tributária, quais sejam, sujeitos ativo e passivo, base de cálculo e o quantum debeatur. Vale observar que a redação original de aludido inciso, atribuída pelo artigo 1º da Lei n. 9.528/97, não difere em essência do quanto acima transcrito, confirase: “IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS”. Isto é, desde os idos de 11.12.1997, dia seguinte à publicação da Lei n. 9.528/97, que a GFIP consiste em obrigação acessória pela qual os contribuintes declaram ao Fisco os fatos geradores em que incorreram quanto às contribuições previdenciárias. Nesse ponto, cabe breve digressão acerca das modalidades de lançamento tributário previstas no CTN. O Código Tributário Nacional prevê três modalidades distintas para a constituição do crédito tributário: o lançamento de ofício, por declaração e o “autolançamento”. No lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do CTN1, a autoridade lançadora verifica a ocorrência do fato gerador, estabelece a base de cálculo, identifica o sujeito passivo, calcula o tributo devido e propõe as penalidades aplicáveis à espécie. Nas palavras de Rubens Gomes de Souza2, “é o lançamento feito unilateralmente pela autoridade fiscal, sem intervenção do contribuinte”. O lançamento por declaração, previsto no artigo 147 do CTN, pode ser considerado espécie do gênero lançamento de ofício. Sua diferença reside no fato de que o contribuinte participa do procedimento constitutivo do crédito mediante o cumprimento de deveres instrumentais consistentes na apresentação de informações ao Fisco acerca dos elementos da obrigação tributária. A constituição do crédito tributário, todavia, é realizada, ao final, pela Administração Pública. Por sua vez, o “autolançamento”, disciplinado pelo artigo 150 do CTN3, é aquele que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de constituir o crédito tributário e realizar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, como se dá hoje com a maioria dos tributos. Cabe à autoridade fiscal, dentro deste contexto, verificar a correção da atividade realizada pelo sujeito passivo, homologandoa. Este ato confirmatório levado a efeito pela Administração Pública é denominado, pelo CTN, de lançamento por homologação. 1 “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” 2 Compêndio de Legislação Tributária. São Paulo, Resenha Tributária, 1981, p. 110. 3 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 5 7 Nesse sentido, a lição de Paulo de Barros Carvalho: “A conhecida figura do lançamento por homologação é um ato administrativo de natureza confirmatória, em que o agente público, verificado o exato implemento das prestações tributárias de determinado contribuinte, declara, de modo expresso, que obrigações houve, mas que se encontram devidamente quitadas até aquela data, na estrita consonância dos termos da lei. Não é preciso despender muita energia mental para notar que a natureza do ato homologatório difere da do lançamento tributário. Enquanto aquele primeiro anuncia a extinção da obrigação, liberando o sujeito passivo, estoutro declara o nascimento do vínculo, em virtude da ocorrência do fato jurídico. Um certifica a quitação, outro certifica a dívida. Transportando a dualidade para outro setor, no bojo de uma analogia, poderíamos dizer que o lançamento é a certidão de nascimento da obrigação tributária, ao passo que a homologação é a certidão de óbito.”4 Tendo em vista que o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, como prevê o artigo 142 do CTN5, o denominado “autolançamento”, por configurar atividade específica do contribuinte, não se confunde com o ato administrativo de lançamento. Para Gilberto de Ulhôa Canto6, o lançamento por homologação deve ser compreendido como exceção à regra do artigo 142 do CTN, já que a atividade de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo fica a cargo do próprio sujeito passivo, quando a lei o obriga a efetuar o pagamento por iniciativa própria e sem qualquer interferência da Fazenda Pública. Prescinde da prévia atuação do Fisco, podendo ela até mesmo inexistir no caso da homologação tácita (art. 150, § 4º, do CTN). Assim, nessa modalidade, o que ocorre não é a homologação do “lançamento” efetuado pelo contribuinte, mas a confirmação da atividade por ele efetuada e tendente à satisfação do crédito tributário. No “autolançamento”, é o próprio contribuinte quem realiza a atividade consistente em subsumir o evento tributário à regramatriz de incidência, instalando, por conseguinte, a relação jurídicotributária, contexto dentro do qual o Fisco tem o direito subjetivo de exigir a prestação (crédito tributário) e o contribuinte, o dever de cumprila. Tal tarefa, no entanto, para que cumpra a finalidade específica de constituição do crédito tributário, deve revestirse da linguagem jurídica adequada, o que, no caso de grande maioria dos tributos federais, é cumprido pela DCTF, ao passo que, quanto às contribuições previdenciárias, isso se dá pelo preenchimento da GFIP. 4 Curso de Direito Tributário. 6ª Ed., São Paulo, Saraiva, p. 282. 5 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” 6 A Função do Lançamento Tributário. Do Lançamento. São Paulo, Resenha Tributária, Caderno de Pesquisa Tributárias v. 12. (Coord.) Ives Gandra da Silva Martins, 1987, p. 382383. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 O artigo 225, §1º, do Decreto n. 3.048/99 (“Regulamento da Previdência”), é categórico ao confirmar a natureza constitutiva do crédito tributário que caracteriza a GFIP, confirase: §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento.” (grifo nosso) A leitura desse dispositivo do Regulamento da Previdência, revela que a GFIP é dever instrumental que tem o condão de constituir o crédito tributário, já que representa “termo de confissão de dívida”. Posteriormente, a introdução do §2º ao artigo 32 da Lei n. 8.212/91, por meio da Medida Provisória n. 449/08 (convertida na Lei n. 11.941/09), veio a confirmar o ditame retrotranscrito, ipsis litteris: “§ 2º A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários.” No mesmo diapasão é o quanto disposto no §7º do artigo 33 da Lei n. 8.212/91, que assim dita: “§7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte.” Em outras palavras, comanda o legislador que a confissão de valores devidos e não recolhidos constitui o crédito da seguridade social, da mesma forma como o fazem a notificação de lançamento e o auto de infração, modalidades distintas de constituição do crédito tributário. A própria RFB atribui tal efeito à GFIP, conforme se pode aferir pela leitura dos seguintes artigos da Instrução Normativa RFB n. 971/09, vigentes quando da lavratura dos autos de infração em análise, in verbis: “Art. 456.O crédito tributário relativo às contribuições de que tratam os arts. 2ºe3º da Lei nº 11.457, de 2007, será constituído nas seguintes formas: (...) II por meio de confissão de dívida tributária, quando o sujeito passivo: a) apresentar a GFIP e não efetuar o pagamento integral do valor confessado;” “Art. 460.São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 6 9 instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário;” Estando claro que a GFIP tem o condão de constituir o crédito tributário, forçoso verificar que, à época da lavratura dos autos de infração, a Lei n. 8.212/91, em seu artigo 37, estipulava que a lavratura de auto de infração deveria ocorrer apenas se o crédito tributário ainda não tivesse sido confessado pelo contribuinte. Vejase: “Art. 37.Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.” Depreendese desse comando legal que, na hipótese de não recolhimento, apenas aquelas contribuições previdenciárias que não foram objeto de declaração em GFIP é que serão lançadas de ofício em auto de infração. Nada mais lógico, pois, como visto, ao consignar os valores em GFIP, o contribuinte informa ao Fisco que já adotou os procedimentos tendentes ao lançamento por homologação e que este já pode exigir o crédito tributário, inscrevendoo em dívida ativa da União e demais providências cabíveis, como, aliás, determina o artigo 39, parágrafo 3º, da mesma lei: “§ 3º Serão inscritas como dívida ativa da União as contribuições que não tenham sido recolhidas ou parceladas resultantes das informações prestadas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32 desta Lei.” Isto é, a leitura conjunta dos diversos dispositivos sobre o tema constantes na Lei n. 8.212/91 não permite outra conclusão: a informação dos débitos em GFIP constitui o crédito tributário, permite sua imediata cobrança no caso de nãorecolhimento e afasta a possibilidade de lavratura de auto de infração. De forma sistemática, e para que fique mais claro, é possível extrair as seguintes normas jurídicas, pertinentes à GFIP, do texto da Lei n. 8.212/91: Art. 32, inciso IV: é obrigatória a transmissão da GFIP, a qual contém todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias; Art. 32, §2º: a GFIP é instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos; Art. 33, §7º: a confissão de valores devidos constitui o crédito da previdência social, da mesma forma que o auto de infração e a notificação de lançamento; Art. 37: deve ser lavrado auto de infração apenas se os débitos não recolhidos não tiverem sido objeto de declaração em GFIP; e Art. 39, §3º: os débitos informados na GFIP e não recolhidos devem ser encaminhados para inscrição na dívida ativa da União. O regime jurídico da GFIP emanado por estas normas legais é inequívoco no sentido de que esta obrigação acessória constitui o crédito tributário e obriga sua imediata cobrança sendo devida a lavratura de auto de infração apenas se e tão somente se não houver a declaração dos débitos em GFIP. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Forçoso ainda asseverar que as normas jurídicas acima listadas já eram vigentes na data da lavratura dos autos de infração, sendo de observância obrigatória pelas Autoridades Fiscais. Com efeito, todas estas normas, com exceção daquela constante do item “e” acima, que entrou em vigor em 01.05.2007, entraram em vigor em 04.12.2008, dia seguinte à publicação da Medida Provisória n.º 449/2008. Ora, as normas em questão, ao estipularem regras aplicáveis à GFIP, documento no qual, como foi visto, se apuram as contribuições previdenciárias e que permite à RFB fiscalizar os procedimentos adotados pelos contribuintes, trouxeram novos critérios de apuração e fiscalização dos débitos, gozando, portanto, de aplicação retroativa. O STJ, analisando o artigo 144, §1º, do CTN, manifestou firme posição de que as leis tributárias formais ou procedimentais devem ser aplicadas de imediato e atingir os fatos geradores anteriores, ainda não decaídos. Confirase a ementa do julgado: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 7 11 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021∕90 e a Lei Complementar 105∕2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória∕investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753∕RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778∕PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053∕RS, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos∕mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105∕2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702∕RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650∕SP, Rel. Ministro Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 8 13 Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194∕SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223∕RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637∕MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580∕RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009, grifos nossos) Esse decisum do STJ é claro: as leis tributárias formais ou procedimentais, que conduzem ao lançamento tributário, são imediatamente aplicáveis, inclusive quanto a fatos geradores passados, ainda não decaídos. E, tratandose de acórdão proferido pelo rito do artigo 543C do Código de Processo Civil (“CPC”), deve ser obrigatoriamente observado nos julgados do CARF, conforme determina o artigo 62A de seu regimento interno, o qual será mais adiante novamente citado e transcrito. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já manifestou posicionamento nesse mesmo sentido: “IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS FORMALIZADA A PARTIR DA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS À ARRECADAÇÃO DA CPMF LEIS N° 9.311, DE 1996 E 10.174, DE 2001. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ARTIGO 144, § 1°, DO CTN. A teor do que dispõe o artigo 144, §1°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, alcançando fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, enquanto não alcançados pela decadência.” (Acórdão nº 910100.198, de 27.07.2009) É insofismável, assim, que normas tributárias formais ou procedimentais, tais como aquelas introduzidas pela Medida Provisória n. 449/2008 quanto à GFIP, são plenamente aplicáveis aos fatos geradores ocorridos e deveriam ter sido observadas pelos Agentes Fiscais quando lavraram os autos de infração em tela, sob pena de inquestionável vício material do lançamento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 De qualquer modo, além da eficácia retroativa de ditas regras, deve ser notado que a regra insculpida no artigo 39, §3º, da Lei n. 8.212/91 já estava posta no sistema jurídico desde 2007 e reconhecia que os débitos confessados em GFIP deviam ser encaminhados para a dívida ativa da União. E mais: a redação anterior do artigo 33, §7º, da mesma lei, introduzida pela Lei n. 9.528/97, vigia desde 11.12.1997, dia seguinte à sua publicação. Esta redação anterior era praticamente idêntica à atual e, igualmente, reconhecia que o documento declaratório de valores devidos constituía o crédito da seguridade social. Confirase, in verbis: “§ 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte.” Em outras palavras, o sistema jurídico, antes mesmo da introdução das regras trazidas pela Medida Provisória n.º 449/2008 já determinava que a GFIP era instrumento hábil para a constituição dos débitos e que estes, no caso de nãorecolhimento, deviam ser enviados para inscrição em dívida ativa da União. Essa conclusão é confirmada e reforçada pelo disposto no artigo 242, §1º, do Regulamento da Previdência, vigente desde 07.05.1999, confirase: §1º Os valores das contribuições incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa.” (grifo nosso) E vale mencionar que este dispositivo é meramente regulamentar e presta apenas para trazer concretude aos dispositivos legais, não podendo inovar no ordenamento jurídico. Isto significa que, à época, como já demonstrado, havia arcabouço legal que reconhecia o caráter constitutivo da GFIP e a desnecessidade de lançamento de ofício. Dessa feita, independentemente da retroação das regras introduzidas pela Medida Provisória n.º 449/2008 nos termos do artigo 144, §1º, do CTN, fato é que, ao menos desde 1997, o ordenamento jurídico pátrio atribui à GFIP a natureza de confissão de dívida, afastando qualquer providência do Fisco para o lançamento dos débitos. Não por outro motivo que a própria RFB, por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n. 3, publicada em 25 de fevereiro de 2013, decidiu que, em se verificando compensações indevidas em GFIP, o débito decorrente já é exigível e não se deve lavrar auto de infração. Confirase abaixo sua ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Constitui a GFIP, a exemplo da DCTF, instrumento de confissão de dívida, podendose proceder à imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação. Nos casos em que não houve informação de dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária em GFIP, ou seja, quando não se formalizou a constituição do crédito tributário por meio desta Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 9 15 declaração, mostrase necessária a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento, ressalvada a confissão do débito mediante Lançamento do Débito Confessado (LDC) ou parcelamento. A determinação de inscrição do débito confessado em GFIP em Dívida Ativa da União é mera conseqüência de reputarse o crédito constituído sem pendências de discussão. No caso de ser a compensação considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosálos total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. Aplicase à compensação de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP o rito previsto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com esteio nas disposições do § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que confere tal rito aos processos de restituição dessas contribuições. A aplicação do rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, ao contencioso decorrente de compensação indevida de contribuições previdenciárias em GFIP tem como marco temporal a data da publicação da MP nº 449 (3 de dezembro de 2008), posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Dispositivos Legais: Art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; arts. 32, 33, 37, 39, 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 225 e 242 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999; art. 26 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; arts. 56 a 59 e arts. 77 a 80 IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; arts. 47, 456, 460 e 467 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009; art. 8º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; arts. 241 e 243 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012.” Ao se examinar o inteiro teor da Solução de Consulta Interna Cosit em questão, constatase que o caso apreciado é análogo ao presente, isto é, o contribuinte declarou seus débitos de contribuições previdenciárias em GFIP e, nesta mesma obrigação acessória, promoveu compensações tidas por indevidas. A Autoridade Fiscal que formulou a Consulta Interna à Cosit entendeu necessário esclarecer se, em referida situação, deve ou não ser aplicado o mesmo procedimento que é feito nos casos de compensação indevida informada em DCTF, qual seja, encaminhar o débito declarado para imediata cobrança e inscrição na dívida ativa da União. A Cosit, examinando o caso e a legislação aplicável, exarou o entendimento de que, ao se verificar compensações indevidas em GFIP, os débitos nela confessados podem ser cobrados de imediato não se devendo proceder ao seu lançamento de ofício. Trazemse à baila os trechos pertinentes: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 10.1. Resta cristalino que a entrega da GFIP tanto formaliza o cumprimento de obrigação acessória, quanto comunica a existência de crédito tributário, enquadrandose perfeitamente nas prescrições dos §§ 1º e 2º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984 (transcritos acima). O descumprimento da obrigação de apresentála no prazo fixado ou sua apresentação com incorreções ou omissões enseja a aplicação de multa isolada: (...) 10.2. Desta feita, tratase de documento que registra a concordância ou qualquer outra manifestação do contribuinte quanto aos elementos necessários à constituição do crédito tributário, quais sejam, os fatos geradores de contribuição previdenciária, sua base de cálculo, alíquota, competência, identificação do sujeito passivo e outras ocorrências que podem afastar seu pagamento ou diminuirlhe o valor devido, dispensando o lançamento de ofício. 11. Reforçando esse entendimento, a Lei nº 8.212, de 1991, e a IN RFB nº 971, de 2009, determinam que, nos casos em que não houve informação de dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária em GFIP, ou seja, quando não se formalizou a constituição do crédito tributário por meio desta declaração, mostrase necessária a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento, ressalvada a confissão do débito mediante Lançamento do Débito Confessado (LDC) ou parcelamento: (...) 12. Em suma, quando a lei ordinária reconhece como constituído o crédito tributário pela informação, declaração ou confissão do montante devido, fruto de apuração pelo próprio sujeito passivo, nada mais faz que confirmar uma situação de fato, concedendo ao crédito o status de liquidez e certeza, sem prejuízo de eventual discordância por parte do Fisco. 12.1. Por este motivo, fica a Administração Tributária dispensada dos esforços administrativos de lançar o crédito, notificar o sujeito passivo e garantirlhe o contraditório, como determinam os arts. 142 e 149 do da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional –CTN), e o Decreto nº 70.235,de 1972. Caso não discorde do montante do débito confessado, cabe ao Fisco proceder à cobrança administrativa do crédito tributário até o montante do valor declarado e, se não liquidado, enviálo para inscrição em DAU.“ A posição da RFB, externada nos trechos acima transcritos, é bastante clara: não deve ser promovido lançamento de ofício pelos Agentes Fiscais da RFB quando se tratar de débitos já confessados em GFIP, a exemplo do que ocorre com a DCTF. Visto isso, cabe recordar que as Soluções de Consulta proferidas pela Cosit são vinculantes para toda a administração tributária federal, inclusive os agentes fiscais, e resguardam os contribuintes que as seguirem, independentemente de terem sido formuladas por terceiros. É o que dispõe o artigo 9º da Instrução Normativa RFB n. 1.396/2013, ipsis litteris: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 10 17 “Art. 9ºA Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento.” E nem poderia ser diferente, já que a função da Cosit (Coordenação Geral do Sistema de Tributação), como se verifica de seu próprio nome, é orientar todos os Agentes Fiscais da RFB acerca da correta aplicação da legislação tributária, bem como os contribuintes que a consultarem. Deveras, de acordo com Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n. 203/2012, cabe à Cosit estudar e analisar a legislação tributária, bem como propor as regulamentações necessárias. Confirase, in verbis: “Art. 82. À CoordenaçãoGeral de Tributação Cosit compete: (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) I gerenciar a elaboração, o aperfeiçoamento, a regulamentação, a consolidação, a simplificação e a disseminação da legislação tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) II gerenciar, em colaboração com a Suari, a elaboração, o aperfeiçoamento, a regulamentação, a consolidação, a simplificação e a disseminação da legislação aduaneira e correlata; (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) III analisar projetos de emenda à Constituição, projetos de lei e medidas provisórias, em todas as fases do processo legislativo, bem como minutas de decretos e outros atos complementares de iniciativa de órgãos do Poder Executivo, sem prejuízo da realização de idênticas atividades pelas demais Subsecretarias no que diz respeito às matérias de suas competências; (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) IV analisar as proposições e estudos de natureza tributária, aduaneira e correlata apresentados por entidades governamentais, sociais e empresariais, sem prejuízo da realização de idênticas atividades pelas demais Subsecretarias no que diz respeito às matérias de suas competências; e (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013)” Mais especificamente, compete ao CoordenadorGeral da Cosit, exatamente o servidor que assinou a Solução de Consulta Interna acima analisada, esclarecer as dúvidas quanto à legislação tributária. Vejase o quanto disposto no citado Regimento Interno da RFB, ipsis litteris: “Art. 293. Ao CoordenadorGeral da Cosit incumbe: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 I propor medidas para a adequação e aperfeiçoamento do Sistema Tributário Nacional; II dirimir dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária; III aprovar regimes especiais de tributação; e (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013) IV divulgar taxas de câmbio para fins tributários. (Redação dada pela Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013)” Resta claro, portanto, que a Cosit e seu CoordenadorGeral, ao exercerem as tarefas que lhes são atribuídas pelo Regimento Interno da RFB, estabelecem qual a correta e adequada interpretação da legislação tributária, a ser seguida por todas as Autoridades Fiscais da RFB e os contribuintes. Não por outra razão que referido artigo 9º da Instrução Normativa RFB n. 1.396/2013 estabelece o efeito vinculante das Soluções de Consulta proferidas pela Cosit. Em outras palavras, ao formularem as Soluções de Consulta, a Cosit e seu CoordenadorGeral não levam em conta apenas a situação concreta exposta pelos Consulentes, mas sim o efeito que o entendimento exarado terá sobre toda a atuação da RFB e o comportamento dos contribuintes. Inclusive, importa dizer que a Cosit é órgão composto por diversos servidores, os quais estão acostumados a lidar diariamente com a legislação tributária, sua interpretação, aplicação e os seus reflexos na arrecadação. Nesse órgão são decididas questões estratégicas do Fisco, com a participação da alta cúpula da RFB, inclusive seu Secretário. De fato, compulsandose o inteiro teor da Solução de Consulta Interna n.º 3/2013, de plano já se vê que são 4 os servidores envolvidos em sua formulação. É dizer, trata se de ato administrativo muito bem refletido e ponderado, no qual são levados em conta todos os aspectos envolvidos na questão posta à consulta. Assim, repitase, diferentemente da atividade jurisdicional administrativa exercida no âmbito do CARF e demais órgãos julgadores administrativos, na qual os julgadores avaliam um único caso concreto colocado nos autos, os servidores da Cosit emitem as Soluções de Consulta com vistas a toda uma gama de contribuintes que potencialmente serão afetados pelo seu teor. Realmente, a atividade do julgador, que grande parte das vezes redige sozinho o teor dos acórdãos (exceção nos casos de voto vencido e declarações de voto), é muito mais solitária do que aquela dos servidores da Cosit, que redigem as Soluções de Consulta a quatro ou mais mãos e ainda submetem seu teor à total revisão dos superiores hierárquicos, sem pressa quanto a prazos para conclusão de seus trabalhos. Tudo isso para dizer que, indubitavelmente, o teor do quanto decidido nas Soluções de Consulta Interna reflete o fiel e acabado entendimento da RFB sobre o tema, no qual foram avaliadas todas as repercussões e reflexos possíveis, sendo válido e vinculante para todos os seus servidores e para os contribuintes. Logo, ao examinar a legislação tributária e decidir que, uma vez confessados em GFIP, os débitos não podem ser objeto de lançamento de ofício, a Cosit e seu Coordenador Geral estão reconhecendo a ilegalidade de tal procedimento e determinando a todos os Agentes Fiscais que não mais o realizem. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 11 19 Aliás, não se trata de entendimento inovador, uma vez que, no que tange à DCTF, obrigação acessória de mesma natureza que a GFIP, isto é, que consiste em confissão de dívida e constitui o crédito tributário, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já firmou a seguinte posição: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/03/1999, 01/11/1999 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E, POR CONSEQUÊNCIA, DA MULTA DE OFÍCIO. Após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF e, da mesma forma, para exigência de multa de ofício. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso especial e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valmar Fonseca de Menezes votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Edson Ferreira Rosa, OAB/GO nº 16.778, advogado do sujeito passivo. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).” (Acórdão 9303 002.215, sessão de 13.03.2013) A ementa do julgado é de nitidez cristalina e prescinde de maiores explicações: não se admite lançamento de ofício de débitos já confessados em DCTF. A 2ª Turma do mesmo órgão também já se pronunciou nesse mesmo sentido, confirase: “NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROCEDÊNCIA RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO Confirmada a contradição existente entre a ementa e os textos da fundamentação da conclusão do acórdão embargado, deve o Colegiado acolher os embargos, para retificar esse decisum, no sentido de adequálo à realidade dos autos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 NORMAS PROCESSUAIS DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, CONFESSADOS E PARCELADOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FISCAL. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União e posterior cobrança executiva. A constituição desses créditos por meio de lançamento fiscal representa ônus desnecessário para o sujeito passivo e para a administração, sendo completamente injustificável. Embargos acolhidos Recurso especial improvido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais Segunda Turma Processo 10845.004844/9847, Recurso n. 201112827 Embargos de Declaração, sessão de 04 de julho de 2005, Acórdão CSRF/0201.967)” Já há, inclusive, Súmula do CARF nesse exato sentido, vejase, in verbis: “Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.” (Súmula CARF n. 52) Resulta disso que, em verdade, a Cosit, homenageando a coerência que se espera do sistema jurídico, bem como aplicando a literalidade da lei que regula a matéria (lei esta que provavelmente deve ter sido elaborada por sugestão da própria Cosit), apenas reconheceu que à GFIP deve ser dado o mesmo tratamento jurídicotributário que é atribuído à DCTF, não cabendo realizar lançamento de ofício para débitos já constituídos e confessados nessas obrigações acessórias. De fato, essa coerência sistêmica é reforçada pela constatação de que o Poder Judiciário também já decidiu que, na hipótese de os débitos estarem confessados em DCTF e em GFIP, não cabe o lançamento de ofício. De fato, vale conferir a seguinte decisão da 1ª Seção do STJ, em recurso julgado sob a sistemática prevista no artigo 543C do CPC: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES DECLARADOS NA GFIP E VALORES RECOLHIDOS (PAGAMENTO A MENOR). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA). DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLETIVO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (DECLARAÇÃO). RECUSA AO FORNECIMENTO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND) OU DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA (CPEN). POSSIBILIDADE. 1.A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 12 21 Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 2. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) foi definida pelo Decreto 2.803∕98 (revogado pelo Decreto 3.048∕99), consistindo em declaração que compreende os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido a título de FGTS. As informações prestadas na GFIP servem como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS. 3. Portanto, a GFIP é um dos modos de constituição do créditos devidos à Seguridade Social, consoante se dessume da leitura do artigo 33, § 7º, da Lei 8.212∕91 (com a redação dada pela Lei 9.528∕97), segundo o qual "o crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte". 4. Deveras, a relação jurídica tributária inaugurase com a ocorrência do fato jurídico tributário, sendo certo que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exigibilidade do crédito tributário se perfectibiliza com a mera declaração efetuada pelo contribuinte, não se condicionando a ato prévio de lançamento administrativo, razão pela qual, em caso de não pagamento ou pagamento parcial do tributo declarado, afigura se legítima a recusa de expedição da Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.123.557∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 5. Doutrina abalizada preleciona que: " GFIP. Apresentada declaração sobre as contribuições previdenciárias devidas, resta formalizada a existência do crédito tributário, não tendo mais, o contribuinte inadimplente, direito à certidão negativa. Divergências de GFIP. Ocorre a chamada 'divergência de GFIP∕GPS' quando o montante pago através de GPS não corresponde ao montante declarado na GFIP. Valores declarados como devidos nas GFIPs e impagos ou pagos apenas parcialmente, ensejam a certificação da existência do débito quanto ao saldo. Há o que certificar. Efetivamente, remanescendo saldo devedor, consideraseo em aberto, impedindo a obtenção de certidão negativa de débito. Em tendo ocorrido compensação de valores retidos em notas fiscais, impende que o contribuinte faça constar tal informação da GFIP, que tem campo próprio para retenção sobre nota fiscal∕fatura. Não informando, o débito estará declarado e em Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 aberto, não ensejando a obtenção de certidão negativa." (Leandro Paulsen, in"Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, 10ª ed., 2008, Porto Alegre, pág. 1.264). 6. In casu, restou assente, no Tribunal de origem, que: No caso dos autos, a negativa da autoridade coatora decorreu da existência de divergência de GFIP’s, o que, ao contrário do afirmado pela impetrante, caracteriza a existência de crédito tributário da Fazenda Pública, fator impeditivo à expedição da Certidão Negativa de Débitos. (...) Nessa esteira, depreendese que o crédito tributário derivado de documento declaratório prescinde de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte para que se considere constituído, uma vez que a declaração do sujeito passivo equivale ao lançamento, tornando o crédito tributário formalizado e imediatamente exigível. A Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP é documento fiscal declaratório, do qual devem constar todos os dados essenciais à identificação do valor do tributo relativo ao exercício competente. Assim, a GFIP é suficiente à constituição do crédito tributário e, na hipótese de ausência de pagamento do tributo declarado ou pagamento a menor, enseja a inscrição em dívida ativa, independentemente de prévia notificação ou instauração de procedimento administrativo fiscal. (...) Também não faz jus o apelado à Certidão Positiva de Débito com efeitos de Negativa prevista no artigo 206 do CTN, considerando que embora cabível nos casos em que há crédito tributário constituído e exigível, este deverá estar com a exigibilidade suspensa de acordo com qualquer das hipóteses elencadas nos artigos 151 e 155 do CTN, ou em cobrança executiva, devidamente garantido por penhora, o que não restou demonstrado no presente caso." 7.Conseqüentemente, revelase legítima a recusa da autoridade impetrada em expedir certidão negativa de débito (CND) ou de certidão positiva com efeitos de negativa (CPEN) quando a autoridade tributária verifica a ocorrência de pagamento a menor, em virtude da existência de divergências entre os valores declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e os valores efetivamente recolhidos mediante guia de pagamento (GP) (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 1.179.233∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 03.11.2009, DJe 13.11.2009; AgRg no REsp 1.070.969∕SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 12.05.2009, DJe 25.05.2009; REsp 842.444∕PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.09.2008, DJe 07.10.2008; AgRg no Ag Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 13 23 937.706∕MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 06.03.2008, DJe 04.03.2009; e AgRg nos EAg 670.326∕PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,Primeira Seção, julgado em 14.06.2006, DJ 01.08.2006). 8. Hipótese que não se identifica com a alegação de mero descumprimento da obrigação acessória de informar, mensalmente, ao INSS, dados relacionados aos fatos geradores da contribuição previdenciária (artigo 32, IV e § 10, da Lei 8.212∕91). 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” (REsp n. 1.143.094, 1ª Seção, julgado em 09/12/2009 – grifos nossos) A leitura da ementa acima transcrita revela a posição pacífica do STJ no sentido de que, estando os débitos constituídos em GFIP, não cabe à Fazenda Nacional nenhuma outra providência para cobrálo, devendo de imediato inscrever o débito em dívida ativa da União e propor a respectiva execução fiscal. Digase de passagem que, como se nota, o fundamento legal utilizado pelo STJ na decisão acima é o artigo 33, §7º, da Lei n. 8.212/91, vigente desde 11.12.1997, como já observado anteriormente. Deveras, tal Corte Judicial sumulou referido entendimento, conforme plasmado em sua Súmula n. 436, confirase: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.” Observese que, ao ser julgado em conformidade com o artigo 543C do CPC, o seu resultado deve ser observado de forma obrigatória pelo CARF, nos termos do artigo 62A de seu Regimento Interno, a saber: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” É dizer, devem os Conselheiros deste CARF curvarse ao julgado do STJ e reconhecer a eficácia constitutiva da GFIP, com o que reputase indevido o lançamento de ofício de débitos já confessados pelo contribuinte. Com efeito, ao proferir a Solução de Consulta Interna n. 3/2013, a Cosit nada mais fez do que repisar o posicionamento do STJ, deixando claro a todas as Autoridades Fiscais da RFB que a GFIP constitui o crédito tributário, sendo descabido promover o lançamento de ofício. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 Nada mais prudente por parte da Cosit, já que a atividade de lançamento é vinculada (art. 142 do CTN), devendo ser exercida nos estritos limites da lei. E o STJ, guardião máximo da legislação infraconstitucional e uniformizador da jurisprudência a ela relativa, determinou, como visto, que a lei atribui à GFIP caráter de confissão de dívida e que não cabe outra providência ao Fisco. Nesse ponto, impende analisar, ainda que brevemente, o termo “dispensa”, que é utilizado tanto na decisão do STJ supratranscrita (“dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado”), na súmula acima (“dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”), quanto na Solução de Consulta Interna n. 3/2013 (“Por este motivo, fica a Administração Tributária dispensada dos esforços administrativos de lançar o crédito, notificar o sujeito passivo e garantirlhe o contraditório”). De acordo com o Vocabulário Jurídico do Prof. De Plácido e Silva (27ª Ed., Forense, Rio de Janeiro, 2007, p. 480), o termo “dispensa” tem o seguinte significado: “Derivado de dispensar, do latim dispensare (distribuir), é tomado, modernamente, na acepção de isenção de encargo ou da prática de ato a que se estava obrigado (...)”. Extraise desta definição que, ao se dizer que alguém está “dispensado” de realizar algo, significa afirmar que esta pessoa estava obrigada a ter certa conduta e agora já não está mais. Ou seja, a pessoa desincumbiuse de uma obrigação. Ora, como se sabe, as Autoridades Fiscais estão obrigadas a realizar o lançamento tributário ao se depararem com a ocorrência de fatos geradores. O parágrafo único do artigo 142 do CTN, já transcrito alhures, é expresso nesse sentido. Isto é, a atividade de lançamento é vinculada (deve ser feita nos termos da lei) e obrigatória (não há opção por parte das Autoridades Fiscais), sob pena de responsabilidade funcional. E mais: é princípio básico de Direito Público, seara na qual se insere o Direito Tributário, que à Administração Pública apenas é dado fazer aquilo que a lei determina seja feito. Vale conferir os ensinamentos do mestre Celso Antônio Bandeira de Mello (Cf. Curso de Direito Administrativo, 17ª Ed., Malheiros, São Paulo, 2004, p. 95), in verbis: “O princípio da legalidade, no Brasil, significa que a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina”. Em outras palavras, as Autoridades Fiscais devem realizar o lançamento quando a lei assim o determinar. Havendo comando legal determinando que haja a prática do lançamento, é obrigatório que as Autoridades Fiscais o façam. De outro lado, se não houver lei que determine a realização do lançamento, este NÃO pode ser feito. Em suma, não existe discricionariedade na atividade de lançamento; não podem as Autoridades Fiscais “optar ou não por lançar”. Ou bem há obrigação de lançar por parte do Fisco, ou esta conduta está proibida, sob pena de violação do princípio da legalidade, que pauta toda a atividade administrativa. Transplantando todas estas considerações ao presente caso, ao se verificar que, pelo atual arcabouço normativo tributário, tanto o STJ quanto a Cosit ao afirmarem que as Autoridades Fiscais estão “dispensadas” de realizar o lançamento de ofício quando há declaração dos débitos em GFIP, chegase à conclusão de que inexiste comando legal para que o lançamento de ofício seja feito em tal hipótese. Caso o seja, temse clara hipótese de nulidade do lançamento, uma vez que ausente o suporte legal. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 14 25 Dito de outra forma, só existem duas possibilidades: ou o lançamento de ofício é obrigatório, mesmo já existindo a declaração em GFIP; ou o lançamento de ofício é proibido ao já haver declaração em GFIP. Parece claro que esta última alternativa é aquela eleita pelo legislador tributário. Em que pese este julgador já ter claro para si que os autos de infração em análise não merecem prosperar, já que feitos na contramão da legislação tributária e sem qualquer comando legal que determinasse sua realização, cabe ponderar mais uma razão pela qual não devem prevalecer. Tratase do princípio da eficiência da Administração Pública, estampado no artigo 37 da CF, ipsis litteris: “Art. 37.A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...)” Ensina o Prof. Hely Lopes acerca do princípio da eficiência da administração o seguinte, in verbis: “O princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. (...) A eficiência funcional é, pois, considerada em sentido amplo, abrangendo não só a produtividade do exequente do cargo ou da função como a perfeição do trabalho e sua adequação técnica aos fins visados pela Administração, para o quê se avaliam os resultados, confrontamse os desempenhos e se aperfeiçoa o pessoal através de seleção e treinamento. Assim, a verificação da eficiência atinge os aspectos quantitativo e qualitativo do serviço, para aquilatar do seu rendimento efetivo, do seu custo operacional e da sua real utilidade para os administrados e para a Administração. Tal controle desenvolvese, portanto, na triplica linha administrativa, econômica e técnica.”7 Depreendese desta lição que a atividade administrativa deve ser exercida da forma mais ágil e menos custosa possível, visando o bem da sociedade. Oportuno, outrossim, trazer a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López sobre o assunto, nos seguintes termos, ipsis litteris: Diante de tais observações, é possível se inferir a ligação entre o princípio da eficiência e o princípio da economia processual, eis que este último ‘preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais’. (...) Portanto, se a exigência puder ser efetuada por 7 Direito Administrativo Brasileiro. 25ª ed. atual., São Paulo: Malheiros, 2000, p. 99. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 26 mais de um meio processual, a Administração deve optar pelo menos oneroso. A eficiência surge como parâmetro objetivo de medição da finalidade pública no exercício da atividade administrativa”. Inferese desse excerto doutrinário que o princípio da eficiência da Administração Pública ligase ao princípio da economia processual, pelo qual a administração deve pautar sua atuação em processos administrativos e judiciais pela forma que for mais rápida e simples. Ou seja, na exigência de créditos tributários, o Fisco deve atuar da forma mais ágil, simples e barata possível. Decorre daí que a Solução de Consulta Interna n. 3/2013, ao esclarecer que os débitos já confessados em GFIP não devem ser lançados de ofício, presta clara homenagem ao princípio da eficiência da Administração Pública, uma vez que poupa o Fisco de dispender importantes recursos financeiros e humanos na realização de lançamentos de ofício, permitindo que os débitos sejam encaminhados direto da GFIP para cobrança. Inclusive, a aplicação do entendimento exarado na Solução de Consulta Interna n. 3/2013 traz ainda maior eficiência da Administração Pública quando se tem em mente o já aludido posicionamento do STJ sobre o assunto. Ora, a manutenção de lançamentos de ofício de débitos já declarados em GFIP, ou mesmo a lavratura de novos lançamentos dessa estirpe, implicará o ajuizamento de execuções fiscais, as quais têm longo curso no Poder Judiciário e demandam recursos públicos para o seu patrocínio (inclusive a própria movimentação dos órgãos judiciários), sendo que, em virtude do referido entendimento do STJ, estarão fadadas ao insucesso, gerando a obrigação de o Erário ainda pagar a sucumbência ao sujeito passivo. É dizer, a manutenção de autos de infração como os que são objeto do presente caso atenta contra o princípio da eficiência e, por que não, o próprio interesse público, já que apenas trará custos desnecessários ao Tesouro. O cancelamento do lançamento, portanto, além de medida de direito, é benéfico ao Erário e traz eficiência à Administração Pública. E mais: a manutenção de autos de infração cuja lavratura não é mais permitida aos Agentes Fiscais e que estão fadados ao cancelamento no Poder Judiciário afronta o princípio da Moralidade, também orientador da Administração Pública, conforme o já citado artigo 37 da CF. De acordo com este princípio, novamente nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello, “a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade de princípios éticos. Violálos implicará violar o próprio Direito, configurando ilicitude que assujeita a conduta viciada a invalidação, porquanto tal princípio assumiu foros de pauta jurídica, na conformidade do art. 37 da Constituição. Compreendemse em seu âmbito, como é evidente, os chamados princípios da lealdade e boafé, tão oportunamente encarecidos pelo mestre espanhol Jesús Gonzáles Peres em monografia preciosa. Segundo os cânones da lealdade e da boafé, a Administração haverá de proceder em relação aos administrados com sinceridade e lhaneza, sendolhe interdito qualquer comportamento astucioso, eivado de malícia, produzido de maneira a confundir, dificultar ou minimizar o exercício de direitos por parte dos cidadãos.”. (MELLO, Celso Antônio Bandeira de, Curso de direito administrativo. 17ª. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2004, pág. 109) Temse assim que a Administração Pública deve agir com lealdade, transparência e boafé com os administrados, evitando quaisquer sinais de conduta maliciosa ou Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 15 27 malandra. Ou seja, deve a Administração Pública absterse de práticas que afrontem o senso moral comum do cidadão. Ora, se o próprio Fisco já reconheceu que não cabe a lavratura de auto de infração quando os débitos já estão confessados em GFIP, de tal modo que os Agentes Fiscais não mais devem lavrálos; e se o Poder Judiciário já formou jurisprudência pacífica, de observância obrigatória pelo CARF, no sentido que estes lançamentos de ofício são inócuos; então é atentatório à moral e à boafé que os autos de infração sejam mantidos hígidos. Há de se questionar: é correto, justo e sensato que autos de infração que já não podem mais ser lavrados e que estão destinados ao cancelamento pelo Poder Judiciário sejam mantidos no âmbito do CARF? A resposta moral é que não. E a resposta jurídica já foi amplamente demonstrada nas linhas anteriores. Em sendo assim, afigurase de direito o cancelamento dos autos de infração, não apenas pela ausência de supedâneo legal, mas também pela afronta aos princípios da Eficiência da Administração Pública e da Moralidade. Nesse particular, e por fim, cumpre deixar claro que a Fazenda Nacional poderá, por óbvio, se valer da GFIP e realizar a cobrança dos débitos cujo lançamento de ofício ora se propõe cancelar. Isto porque, como dito à exaustão, a GFIP é instrumento de confissão de dívida e suficiente à cobrança dos débitos nela informados. De fato, examinandose o documento em que se consubstancia a GFIP, constatase que tanto o valor do débito apurado, como as compensações realizadas e o valor devido ao final, estão perfeitamente identificados. Para que fique claro, trazse abaixo uma imagem exemplificativa de GFIP: Mirandose essa tela da GFIP, queda claro que é informado ao Fisco o montante do débito apurado antes e após as eventuais compensações. Destarte, em caso de glosa de compensações, basta enviar para cobrança os valores consignados na coluna “total” antes da linha de “recolhimento comp ant – valor inss”. Isto é, na GFIP consta o valor do débito de contribuições previdenciárias antes e após as compensações, de modo que, da mesma forma que é indevido o lançamento de ofício para exigir a diferença atinente às compensações glosadas (o débito sem as compensações já está informado), pode o Fisco proceder à sua imediata cobrança após constatada a improcedência das compensações. Importante deixar claro que o fato do Fisco poder proceder à imediata cobrança dos débitos declarados em GFIP na hipótese de compensação indevida, sendo vedado Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 28 o lançamento de ofício, não significa dizer que não se deve dar oportunidade ao contribuinte de insurgirse contra a exigência, com a instauração do devido processo administrativo fiscal. Muito ao contrário, é de rigor que se permita ao contribuinte apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho que realizar a cobrança dos débitos declarados em GFIP e indevidamente compensados, no rito previsto no Decreto n.º 70.235/72. Deveras, determina o §11 do art. 89 da Lei n.º 8.212/91 que à restituição e compensação de contribuições previdenciárias aplicase o rito do Decreto n.º 70.235/72, confirase: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972.” E a retrocitada Solução de Consulta Interna Cosit n. 3 deixa isto bem claro, in verbis: “17.No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, seguese o rito processual previsto no Decreto n 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei n 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. 17.1. Ora, não faria sentido dispensar tratamento diverso ao contencioso decorrente de compensação em GFIP considerada indevida, tendo em vista que esta modalidade de extinção do crédito tributário está condicionada à existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública que seja passível de restituição ou de reembolso, nos termos do caput do art.56 da IN RFB nº 1.300, de 2012 (cuja transcrição abaixo se repete), devendo ser submetida a rito específico. Tal inferência poderia ser extraída mesmo de uma interpretação lógica do caput do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.” Em outras palavras, se o contribuinte declara compensação em GFIP tida por indevida pelo Fisco, descabido é o lançamento de ofício, devendo o contribuinte ser intimado da exigência dos débitos incorretamente compensados. Se desejar, poderá o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, instaurando o litígio administrativo no rito do Decreto n. 70.235/72, consoante o art. 89, §11, da Lei n.º 8.212/91, e de acordo com a orientação vinculante da Cosit, acima transcrita. À guisa de conclusão, e resumindo o quanto já exposto, entendese pela improcedência do lançamento em tela pelos seguintes motivos: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 16 29 a) As normas jurídicas legais e infralegais, já vigentes à época da lavratura dos autos de infração, são claras ao determinar que a GFIP representa confissão de dívida e instrumento suficiente à exigência do crédito tributário; b) As normas jurídicas trazidas pela Medida Provisória n. 449/2008, as quais reforçaram ainda mais o caráter constitutivo da GFIP e a impossibilidade de se realizar o lançamento de ofício quanto aos débitos lá informados; c) Citadas normas veiculadas pela Medida Provisória n. 449/2008 são procedimentais e, portanto, aplicamse de imediato, inclusive quanto a fatos geradores passados, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN, conforme reconhecido pelo STJ e pela CSRF; d) Independentemente da retroação das normas da Medida Provisória n. 449/2008, desde 1997 havia regras jurídicas que davam à GFIP o condão de constituir o crédito tributário e de ser instrumento bastante para sua exigência, afastando o lançamento de ofício; e) A Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária no âmbito da RFB, proferiu a Solução de Consulta Interna n. 3/2013, na qual se manifesta no sentido de que, no caso de glosa de compensações relativas a débitos confessados em GFIP, as Autoridades Fiscais estão proibidas de lavrar auto de infração e os valores devem ser enviados de imediato para cobrança mediante a inscrição em dívida ativa da União dos montantes não recolhidos; f) As Soluções de Consulta proferidas pela Cosit são vinculantes para toda a administração tributária e representam o entendimento da RFB sobre o assunto, já tendo sido ponderados todos os aspectos jurídicos e práticos do assunto. Inclusive, este órgão é formado por diversos servidores e é responsável por questões estratégicas da RFB, contando com membros da alta cúpula do Fisco; g) O STJ, por meio de sua primeira Seção e em caso julgado pelo rito do artigo 543C do CPC, já pacificou o entendimento de que a GFIP constitui o crédito tributário, ficando proibidas as Autoridades Fiscais de procederem ao lançamento de ofício dos débitos declarados em mencionada obrigação acessória; h) Os casos julgados no STJ pelo rito do artigo 543C do CPC são de observância obrigatória no âmbito do CARF; i) O cancelamento do lançamento de ofício lavrado sem lei que o sustente atende ao princípio da eficiência da Administração Pública, pois evita gastos desnecessários do Poder Público com a realização e manutenção de lançamentos fadados ao insucesso no Poder Judiciário, bem como ao princípio da Moralidade da Administração Pública, já que seria destituída de lealdade e boafé a conduta de manter autuações que os Agentes Fiscais já não podem mais lavrar e que serão anuladas no Poder Judiciário; e j) A GFIP informa ao Fisco o montante do débito apurado originalmente, o valor das compensações e o valor final do débito a pagar. Com isso, assim como é indevido o lançamento de ofício em virtude da glosa de compensações, o Fisco pode proceder à imediata cobrança dos débitos confessados em GFIP e cujo lançamento de ofício se cancela. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 30 l) No caso de compensação indevida em GFIP, deverá o contribuinte ser intimado da exigência dos débitos declarados e incorretamente compensados, podendo apresentar manifestação de inconformidade, de acordo com o rito do Decreto n. 70.235/72. Diante disso, dou integral provimento ao recurso voluntário, para cancelar os autos de infração. DO PRAZO PRESCRICIONAL Acaso ultrapassada a preliminar acima, adentro ao mérito da questão. Tendo em vista o que foi levantado no Relatório Fiscal, os pagamentos indevidos realizados durante o período de 02/98 a 05/03 encontramse extintos, tendo em vista o prazo prescricional. No que tange ao período restante, transcrevo os artigos do Código Tributário que regem o assunto: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar de recorrente discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados, julgou o Supremo Tribunal Federal – STF, no dia 11 de outubro de 2011, o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, que trata da inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei complementar nº 118, de 2005, mas instituiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações aplicadas para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 17 31 Quanto ao advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos art. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 12 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomasse ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, §3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 32 Regimento Interno do CARF. Outrossim, além de o provimento judicial determinar a manutenção da “teoria do 5+5” para ações ajuizadas antes de 9 de junho de 2005, que não é o caso destes autos, a súmula nº 91 deste conselho diz que: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Logo, uma vez que os pagamentos indevidos se deram em 02/98 a 05/03 e o pedido se deu entre 06/08 e 12/09, posterior a 09/06/05, temse por prescrito o direito de o recorrente pleitear a compensação destes valores, já que resta provada apenas parte dos valores , e não há contraprova do contrário, há de ser mantida a autuação pelos seus fundamentos. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para declarar a nulidade do auto de infração, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10435.720554/201051 Acórdão n.º 2403002.784 S2C4T3 Fl. 18 33 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Redator Designado A tese apresentada pelo relator, à qual me oponho, é a da nulidade do lançamento em decorrência da impossibilidade/proibição de se proceder ao lançamento de ofício acerca de valores declarados em GFIP. Inicio minha divergência apoiado em jurisprudência que estabelece que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não foi verificado. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃO CUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 34 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. Outro ponto de divergência é quanto à tese da impossibilidade/proibição de se proceder ao lançamento de ofício acerca de valores declarados em GFIP. Entendo aqui presente, por parte do relator, uma inversão de valores. Entendo que cabe ao fisco cobrar os valores devidos pelos contribuintes e responsáveis. Proibir o fisco de cumprir tal missão é a inversão de valores à qual me referi acima. Concordo com o entendimento esposado pelo relator de que a GFIP representa confissão de dívida e instrumento suficiente à exigência do crédito tributário. Ocorre que existe a possibilidade material de, por algum evento, o fisco não dispor das declarações entregues ou dispor das declarações com alguma incorreção (exemplos: incêndio nos computadores que acabaram de receber as declarações; algum problema relacionado ao processamento das declarações). Entendo em harmonia com o acima apresentado as decisões e a súmula do STJ. Súmula 436: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providencia por parte do Fisco". Os termos utilizados na súmula e nas decisões são “dispensada qualquer providência”, “desnecessidade de lançamento de ofício”, isto é, a proibição ao lançamento de ofício não está presente. Entendo que no caso presente o que se está cobrando é o devido tributo, em benefício da sociedade e sem prejuízo a qualquer parte. Concluo divergindo, pelas razões acima expostas, tanto da nulidade quanto da proibição ao lançamento de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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