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Numero do processo: 10380.900772/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 72 /2 00 9- 16 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 538 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado. Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 539 3 seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão do julgamento em diligência, para trazer aos autos complemento do laudo pericial, com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o complemento do Laudo Pericial Técnico elaborado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação, contendo a composição final do preço de venda de energia para a COELCE, com o detalhamento da ponderação dos insumos na composição do preço final de energia. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 540 4 A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivoca a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. A incidência nãocumulativa das contribuições de que tratam a Lei n° 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...] Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 541 5 §2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: (i) a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). O ponto principal para a sujeição ao regime cumulativo é a comprovação de que o reajuste praticado não foi superior à variação dos custos de produção. A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 542 6 A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. A Cláusula 6.3 do Contrato de Fornecimento estabelece que a fórmula de reajuste dos preços seria determinada com base na Resolução ANEEL 22/2001, que previa, para aplicação do limite de repasse dos preços contratuais, o Valor Normativo estabelecido para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo com a seguinte fórmula: Onde: VNi Valor Normativo reajustado no mês do reajuste das tarifas de fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição; VNoi Valor Normativo vigente no mês de registro do contrato de compra de energia referido ao mês de publicação da resolução; K1 = fator de ponderação do índice IGPM; K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 543 7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior a data de atualização do VN; IGPMOi valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; COMBli valor do índice do combustível, no mês anterior a data de atualização do VN; COMBOi valor do índice do combustível, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; IVCli média da cotação de venda do dólar norteamericano, divulgada pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do VN; IVC0i = R$ 1,9633/US$. Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de atualização dos Valores Normativos, considera 80% da parcela do preço com reajuste estipulado pelas variações da taxa cambial e do índice de preços ao atacado no mercado dos Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM. Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseiase em índices que captam a variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse, por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas vezes na composição da fórmula de reajuste de preços. Estes índices, apesar de contratualmente estipulados e aprovados pela agência reguladora, não representam necessariamente a variação dos custos da produção ou dos insumos utilizados, mas sim a recomposição de preços de mercado. Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da fórmula de reajuste de preços e a variação dos custos de produção. A utilização dos fatores, mesmo ponderados, e dos índices geral, setorial e especialmente o cambial, tendem a restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos. Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, restanos analisála em função da variação do custo de produção. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 544 8 Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. A recorrente apresentou, em atendimento à Resolução desta turma de julgamento, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos: Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900772/200916 Acórdão n.º 3101001.728 S3C1T1 Fl. 545 9 Constatase, que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Diante dos fatos apurados, dou provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002352/2010-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada.
A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Arbitramento dos Lucros.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
Lançamento de Ofício. Penalidade.
A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata.
In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.075
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Arbitramento dos Lucros. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). Lançamento de Ofício. Penalidade. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor. Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 52 /2 01 0- 72 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, manteve em parte as exigências consubstanciadas nos autos. Trata o presente processo de autos de infração de imposição de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS que exigem da contribuinte acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 368.930,18, incluídos a multa e os juros. Consta do relatório da fiscalização que foi instaurado procedimento fiscal em face da pessoa física de Josefina Cesca Fredigo pela incompatibilidade apurada entre sua renda declarada e a movimentação financeira operada no ano de 2005. Após sucessivas intimações a contribuinte entregou cópia dos extratos bancários no Banco do Brasil do ano de 2005 e extratos do Sicredi relativos a dezembro/2005. Foi intimada a comprovar a origem dos Fl. 857DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.002352/201072 Acórdão n.º 1801002.075 S1TE01 Fl. 3 3 depósitos, apresentando as planilhas de fls. 54/61, indicando que os recursos teriam origem na empresa individual Josefina Cesca Fredigo, CNPJ 05.028.720/000189. Apresentou notas fiscais (fls. 65/152) e Livro Registro de Saídas (fls. 394/404). Houve a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 157/159, para identificação do destino dos recursos, constatandose que grande parte dos cheques emitidos teve por beneficiários familiares da Sra. Josefina. Houve abertura de fiscalização contra a pessoa jurídica e esta foi intimada a apresentar o Livro Caixa, já que optou pela tributação pelo lucro presumido. O livro foi entregue sem identificação do responsável técnico e sem assinatura da titular da empresa. Intimada a sanar as irregularidades, informou ao fisco que a coleta da assinatura da titular demoraria, pois estaria em viagem a outro estado. Houve reintimação para apresentação do livro caixa, sob pena de arbitramento. Após a concessão de várias prorrogações de prazo, a última solicitação foi indeferida pela auditoria, conforme termo de fls. 405. O agente do fisco apurou que a movimentação financeira decorreria das atividades empresariais, confrontando os valores dos depósitos bancários com aqueles registrados na DIPJ da empresa e no Livro de Saídas. A fiscalização constatou que a empresa recebeu créditos bancários da ordem de R$ 1.883.220,57, no ano de 2005, enquanto que na DIPJ e no Livro de Saídas registrou receitas no total de R$ 665.544,80 no mesmo período. Foi efetuado o arbitramento do lucro, dada a falta de apresentação do Livro Caixa, único obrigatório exigido para a forma de tributação adotada pela empresa, o lucro presumido. Os valores dos depósitos bancários não comprovados, diminuídos das receitas declaradas, foram considerados omissão de receitas. Sobre os tributos resultantes da omissão incidiu multa qualificada de 150%, por entender o agente do fisco ter ocorrido sonegação. Houve também apuração de tributo em razão da diferença de alíquotas entre o lucro presumido e o lucro arbitrado e de divergência entre a receita constante da DIPJ e do livro de registro de saídas. Nesses casos com aplicação de multa de 75%. Em impugnação tempestivamente apresentada a contribuinte, em preliminares, invocou a nulidade do procedimento por erro de eleição do sujeito passivo, afirmando que as contas bancárias seriam da pessoa física e que a movimentação financeira não seria toda decorrente da atividade empresarial, razão pela qual o lançamento não poderia ser efetuado na pessoa jurídica. A conta seria compartilhada com outras pessoas físicas. Relaciona depósitos referentes a contrato de compra e venda celebrado entre Nilo Fedrigo e Andreola e Morello Ltda. e depósitos referentes a contrato de compra e venda celebrado entre Nilo Fedrigo e Leda Maria Bernardi Menegat. Refere também haver receita de venda de veículo pertencente à pessoa física e receitas de fretes em razão da propriedade de veículos de pessoa física. Haveria nulidade também por erro na descrição dos fatos e no enquadramento legal. A desclassificação da escrita teria ocorrido pela não apresentação do livro caixa, mas no auto de infração a razão do arbitramento seria outra, no caso, o art. 530,I, aplicável ao lucro real. Isso acarretaria prejuízo ao direito de defesa. Ilustrou com jurisprudência. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 No mérito afirmou que o arbitramento é medida extrema, só sendo aplicável quando não há outra forma de apurar o lucro. Não seria verdadeira a razão do arbitramento, eis que a empresa teria apresentado o livro caixa. Disse que o fato do livro não estar com a assinatura do titular não é causa de descumprimento da intimação de não entrega do livro. Reclamou que o prazo de cinco dias para cumprimento da obrigação foi insuficiente. O fisco teria iniciado a auditoria em 2008 e paralisado os trabalhos, só os retomando em 2010. Em face da iminente decadência não teria possibilitado o amplo direito de defesa. Reafirmou que o livro caixa e livro registro de saídas foram entregues. Trouxe tabela arrolando estorno de depósitos que foram tributados como omissão de receitas e assinalou que as notas fiscais apresentadas seriam coincidentes em valores com os depósitos, mas em razão do pagamento a prazo são logicamente posteriores a data de emissão dos documentos. Às fls. 466 trouxe exemplos de alguns depósitos referenciando a nota fiscal correspondente. Também arrolou depósitos em que os valores não correspondem exatamente às notas fiscais em razão de algum desconto de peso ou na qualidade do produto, cujos pagamentos foram efetuados a prazo. Não estaria prevista na legislação a forma de apuração e tributação da receita, tal qual efetuada, e que a omissão de receita teria de ser apurada mês a mês. O agente do fisco teria desconsiderado receitas originadas no ano de 2004 e recebidas por de depósito bancário em 2005. Apresentou a relação dos depósitos às fls. 468. Também não teriam sido consideradas as vendas a prazo do ativo imobilizado ocorridas em 2004, anexando relação às fls. 469. Aduziu que foram incluídos como omissão de receitas, depósitos referentes a três contratos de promessa de compra e venda celebrados com Agropecuária Faxinai. Da mesma forma teriam sido tributados valores recebidos de contratos de promessa de compra e venda com Ademir Menegat. Às fls. 470 relacionou depósitos que seriam referentes a contrato de compra e venda celebrado entre Nilo Fedrigo e Andreola e Morello Ltda. Também referiuse a depósitos oriundos do cumprimento de contrato de compra e venda celebrado entre Nilo Fedrigo e Leda Maria Bernardi Menegat. Salientou que (fls. 471) no terceiro trimestre foram registradas receitas no valor de R$ 357.860,00, entretanto, o auditor fiscal somente considerou o valor de R$ 135.825,00. Assim a diferença a lançar seria negativa, o que afetaria também os demais trimestres. Considerou que a nota fiscal n° 139, no valor de R$ 7.375,00 não foi escriturada no livro registro de saídas, mas constitui receita, a qual deve ser considerada para fins de apuração. Reclamou da multa de 150%, pois não haveria fraude ou dolo, tratandose de recursos comprovados, ou receitas da pessoa física e ainda valores em razão de compartilhamento de conta bancária com terceiros. E aduziu, em suas palavras: "a compensação deveria ter se dado no valor do imposto apurado das revendas de mercadorias, o que não foi, sendo compensado erroneamente, no valor do imposto apurado referente a omissão de receitas. O que tem implicação direta no valor do auto de infração, pois as multas aplicadas em cada caso, possuem percentual diverso ". Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.002352/201072 Acórdão n.º 1801002.075 S1TE01 Fl. 4 5 Reclama de valores que teriam sido incluídos no arbitramento, mas que somente foram recebidos no ano de 2006 e somente aí poderiam ser tributados, no caso, o depósito de R$ 54.833,33, ocorrido em 02/01/2006. Afirmou que não seria aplicável também a multa de 75%, pois as receitas foram declaradas e tributadas. No tocante aos autos de PIS e Cofins, asseverou que a empresa exerce a atividade de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, tais como milho e soja. E, conforme previsto na Lei n° 10.925/2004 e Instrução Normativa n° 660/2006 a empresa que exercer tal atividade tem suspensa a incidência da contribuição para o PIS e Cofins. Transcreveu o art. 9 º , inciso I e art. 8 º , § 1 º , inciso I, da referida lei. A 5a. Turma da DRJ em Porto Alegre apreciou a impugnação e rejeitou a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Observou que teria sido a própria declarante a trazer ao processo as notas fiscais da pessoa jurídica para tentar justificar os depósitos bancários, insistindo, às fls. 466/467, que o ingresso de recursos em conta bancária estaria comprovada pelas notas fiscais que arrolou. Consignou: Não pode o contribuinte se valer da própria torpeza para evadirse da tributação: quando fiscalizado na pessoa física, alega que os depósitos são de pessoa jurídica; quando fiscalizado na pessoa jurídica, muda a versão, ou, pior, alega que os depósitos são pertencentes à pessoa física, mas têm origem comprovada e, no caso, a origem são as transações comerciais representadas pelas notas fiscais que apresenta. Qualificou de fantasiosa a alegação dos recursos pertencerem à pessoa física, vez que os rendimentos da Sra. Josefina corresponderiam a menos de 1% do total movimentado em contacorrente. O cerceamento do direito de defesa restou afastado eis que no caso concreto, os fatos que deram origem à tributação estariam perfeitamente descritos no trabalho fiscal, tendose defendido plenamente o contribuinte demonstrando conhecer exatamente as razões de autuação. No mérito o arbitramento foi validado diante da inexistência de livro caixa escriturado, nem da própria escrituração mínima, já que nem dispunha dos documentos bancários .Observou que o prazo total concedido pela auditoria não foi cinco dias, mas 79 dias, considerandose a primeira intimação (31/08) e a data de lavratura dos autos de infração (19/11), não restando outra alternativa à fiscalização senão a tributação pelo lucro arbitrado. Quanto aos depósitos bancários consignou que a omissão de receitas presumida por depósitos bancários deve ser integralmente tributada (como omissão de receitas), não havendo que se tributar somente o valor dos depósitos não comprovados que suplantarem as receitas declaradas, como feito no presente processo. Visto assim, no acumulado do ano a omissão teria sido de R$ 2.866.795,09. Pelo entendimento do autuante, excluídas as receitas declaradas, a base do lançamento foi de R$ 1.610.421,98, ficando o quantum lançado aquém do valor devido, o que não causou prejuízo à parte e não importa em nulidade do lançamento. Não caberiam assim, quaisquer outras exclusão, nem da receita Fl. 860DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 constante da DIPJ, nem da receita apontada no livro registro de saídas, afastando as razões de defesa nesse tocante. Excluiu da exigência depósitos tributados, mas que teriam sido estornados, como comprovou a defesa às fls. 465. Também foram exonerados os valores correspondentes às notas fiscais relacionadas às fls. 466, emitidas menos de 30 dias antes da data dos depósitos, o que evidenciaria um pagamento a prazo, justificando que os valores quebrados permitiriam concluir que os depósitos advêm das notas fiscais relacionadas pelo autuado. Analisou as demais alegações de defesa e documentos juntados relativamente aos contratos de venda de veículos e a valores que pertenceriam a terceiros e não aceitou a prova, pois os valores não coincidiram nem em montante nem em datas. As incidências de PIS e COFINS foram mantidas A penalidade qualificada foi exonerada e reduzida para a multa de ofício de 75% A empresa foi cientificada da decisão pelo Edital de fl. 826 e o recurso voluntário apresentado em 5/12/2011 foi considerado tempestivo pela informação de fl. 854. Na peça de defesa repete as razões preliminares de erro na identificação do sujeito passivo por pertencerem, as contas bancárias, à pessoa física, e de nulidade das exigências por erro na descrição dos fatos e no enquadramento legal. No mérito reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação atinentes a (i) forma arbitrária de apuração de receitas (sem previsão legal); (ii) auto de infração que não identifica os depósitos que considerou não justificados; (iii) arbitramento do lucro – medida extrema; (iv) depósitos comprovados; (v) notas fiscais emitidas em 2004, mas pagas em 2005; (vi) não consideração de vendas a prazo do imobilizado; (vii) valores apurados incorretamente; (viii) nota fiscal não escriturada; (ix) valor compensado erroneamente; (x) valores efetivamente recebidos em 2006; (xi) não incidência da multa de 75% sobre receitas declaradas; (xii) Pis e Cofins reduzidas a zero ou suspensas. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminares. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.002352/201072 Acórdão n.º 1801002.075 S1TE01 Fl. 5 7 1.1 ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A recorrente defende que os depósitos bancários tidos por receita omitida da pessoa jurídica na verdade pertenceriam a pessoas físicas. Lembro que o procedimento fiscal teve início na pessoa física titular da empresa, Sra. Josefina Cesca Fredigo, dada a incompatibilidade apurada entre sua renda declarada e a movimentação financeira operada no ano de 2005. Na tentativa de justificar a movimentação financeira pessoal a Sra. Josefina apresentou as notas fiscais da pessoa jurídica afirmando que os valores depositados nas contascorrentes teriam por origem o movimento operacional da empresa. Identificouse, assim, que o real titular dos montantes movimentados era a pessoa jurídica – empresa individual Josefina Cesca Fredigo, CNPJ 05.028.720/000189. Há nos extratos bancários juntados ao processo vários créditos nas contas correntes, em forma de transferências eletrônicas, tendo como descrição o pagamento de fornecedores "TED PAGAMENTO DE FORNECEDORES”. O art. 42 da lei n º 9.430, de 1996, determina que a tributação se dê em relação ao efetivo titular dos montantes depositados: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ... § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Tendo provado a recorrente que a movimentação financeira pertencia à pessoa jurídica, correta a exigência contra esta. 1.2 ERRO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS E NO ENQUADRAMENTO LEGAL Mais uma vez aduz a defesa a nulidade do auto de infração pelo enquadramento legal impreciso, pois o agente fiscal teria fundamentado a exigência do arbitramento no art. 530, I, do RIR/99, que trata de arbitramento nos casos de optantes pelo lucro real, quando o correto, no seu caso, seria o arbitramento para os optantes pelo lucro presumido. O fato de o auditor ter equivocadamente citado o inciso I do art. 530, no lugar do inciso III, em nada prejudica o lançamento ou cerceia o direito de defesa da parte. As razões que levaram ao arbitramento foram expostas, no relatório fiscal, à exaustão, tendo sido motivada pela inexistência de Livro Caixa devidamente escriturado, minimamente necessário para as empresas optantes pelo lucro presumido. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 1.3 FORMA ARBITRÁRIA DE APURAÇÃO DAS RECEITAS Deve ser sumariamente afastada a alegação. A forma de apuração da omissão de receitas, pela presunção com base em depósitos bancários de origem não comprovada, encontrase devidamente determinada pelo art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996, anteriormente transcrito, assim como as razões que levaram ao arbitramento, veiculadas no art. 530 do RIR/99. 1.4 AUTO DE INFRAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA OS DEPÓSITOS Mais uma vez afastase a alegação, meramente protelatória. A recorrente foi cientificada do demonstrativo à fl. 50 que contém todos os depósitos bancários que deveriam ser comprovados. Consta dos autos, também, as cópias dos extratos bancários relacionando os valores creditados. 2 Mérito 2.1 ARBITRAMENTO DO LUCRO – MEDIDA EXTREMA O arbitramento dos lucros se justifica. A empresa, optante pela apuração de seus resultados com base nas regras do lucro presumido, fica obrigada a escriturar, ao menos, o Livro Caixa englobando toda a sua movimentação financeira. A respeito, transcrevo os respectivos comandos do Decreto no. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que tem por base os artigos 47 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e 1o. da Lei no. 9.430, de 1996: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei no. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 1o.): Fl. 863DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.002352/201072 Acórdão n.º 1801002.075 S1TE01 Fl. 6 9 ... III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... (*) destaques acrescidos Dessa forma, a pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido estará obrigada a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, e a escriturar os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária. A escrituração do Livro Caixa nessas condições está dispensada apenas se a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial. No presente caso a empresa recorrente não apresentou à auditoria o Livro Caixa, ainda que reiteradamente intimada a fazêlo. Foramlhe concedidas inúmeras prorrogações de prazo solicitadas pela empresa para que efetuasse a escrituração do livro, que não se encontrava escriturado. 79 dias depois de iniciado o procedimento fiscal a recorrente ainda solicitava dilações de prazo para escriturar o livro, denotandose que o procedimento se perpetuaria no tempo sem prazo para findar. Dessa forma, os fatos apurados pelo agente fiscal determinavam a aplicação dos artigos 527, 529 e 530 do RIR/99, acima citados, pois a contribuinte se enquadrava em situação ali descrita. A auditoria fiscal cumpriu, assim, as determinações da lei. Agiu com plena legalidade e em cumprimento, também, ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabil idade funcional . (destaques acrescidos). 2.2 DEPÓSITOS COMPROVADOS. Todos os depósitos bancários foram analisados e confrontados com os elementos apresentados pela defesa, considerandose como receitas omitidas somente aqueles para os quais não foram apresentadas justificativas ou para os quais, apesar da apresentação de elementos, esses não coincidiram com os valores depositados em montantes e em datas. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 O fato de a Turma Julgadora de 1a. Instância ter admitido a comprovação de mais alguns depósitos bancários, por valores aproximados e datas próximas, ou por ter considerado o estorno de alguns créditos, não leva a concluir pela comprovação da origem da totalidade dos depósitos. Quanto às notas fiscais e valores referidos pela defesa no recurso voluntário, Notas Fiscais 116, 117, 114, 119, 135, nas as admito por comprovação, haja vista que os valores nelas consignados não coincidem com aqueles constantes dos extratos bancários, nem em datas, nem em valores. 2.3 NOTAS FISCAIS EMITIDAS EM 2004, MAS PAGAS EM 2005; NÃO CONSIDERAÇÃO DE VENDAS A PRAZO DO IMOBILIZADO A impugnante reclama também de notas fiscais emitidas em 2004 para comprovar depósitos ocorridos em 2005: Apesar da alegação não identifica quais depósitos diz serem comprovados por tais notas fiscais, de forma que a alegação não pode ser aceita. Também com relação às notas fiscais n° 105, 109,110 e 111 que a empresa diz trataremse de vendas a prazo de imobilizado, ocorridas em 2004 , não há demonstração de quais depósitos bancários poderiam comprovar, nem qualquer demonstração de que as vendas teriam sido a prazo. 2.4 VALORES APURADOS INCORRETAMENTE Está correto o procedimento adotado. A planilha de fls. 411 detalha a omissão mês a mês. A tributação do IRPJ por períodos de apuração trimestrais é decorrente de Lei e não de escolha do agente do fisco. 2.5 NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA A empresa diz que a nota fiscal n° 139, no valor de R$ 7.375,00 não foiescriturada no livro de saída, mas que ela se constitui em receita e deve ser considerada para fins de apuração. Referido valor não foi considerado na apuração dos tributos, razão pela qual a alegação se torna despicienda . 2.6 VALORES EFETIVAMENTE RECEBIDOS EM 2006 A defesa diz que duas notas fiscais emitidas em 2005 teriam sido efetivamente recebidas em 2006. Com a adoção do lucro presumido, a tributação deverseia dar pelo regime de caixa. A tributação foi formalizada na sistemática do lucro arbitrado, portanto, não há a possibilidade de a empresa se beneficiar de previsão que é específica para a apuração pelo lucro presumido. Mesmo que houvesse sido mantido o lucro presumido, a empresa haveria de manter controles no livro caixa ou na escrituração, individualizando o recebimento de cada nota fiscal, o que não se verificou, in casu. 2.7 VALOR COMPENSADO ERRONEAMENTE Como não foi possível entender a inconformidade da defesa, transcrevo o trecho que consignou a manifestação: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.002352/201072 Acórdão n.º 1801002.075 S1TE01 Fl. 7 11 Conforme consta do próprio auto de infração (fl. 423) o “valor da diferença referente a receita da revenda de mercadorias declarada pelo contribuinte no Livro de Registro de Saídas e na DIPJLucro Presumido.' Assim, a compensação deveria ter se dado no valor do imposto apurado das revendas de mercadorias, o que não foi, sendo compensado erroneamente, no valor do imposto apurado referente a omissão de receitas. O que tem implicação direta no valor do auto de infração, pois as multas aplicadas em cada caso, possuem percentual diverso. Adoto, neste ponto, o quanto decidido pela Turma Julgadora de 1a. Instância: A redação não está clara. Aparentemente a reclamação é de que os valores de tributo declarados em DCTF foram compensados contra a infração com multa de 150%, mas eles seriam referentes à revenda de mercadorias, portanto acredita a contribuinte – eles deveriam ser compensados com a exigência da diferença de alíquota entre lucro presumido e arbitrado (multa de 75%). Parece ser essa a reclamação. Primeiro: a sistemática adotada pelo autuante foi mais benéfica para empresa, pois os pagamentos compensaram a exigência com a maior multa. Em outros termos, incidiu uma multa agravada menor, gerando economia para o autuado. Isso é visível nos "Demonstrativos de Apuração" que compõem o auto de infração. Aparentemente o autuado não entendeu a sistemática e pensou que lhe fosse desfavorável. Segundo: como a multa de 150% foi reduzida para 75%, a reclamação perde o objeto, visto que a compensação efetuada contra qualquer das exigências, vai ter a mesma repercussão financeira. 2.8 NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA DE 75% Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. 2.9 PIS E COFINS REDUZIDAS A ZERO OU SUSPENSAS. Adoto, da mesma forma, o bem fundamentado voto proferido pela Turma Julgadora de 1a. Instância. Os autos de infração de PIS e Cofins somente tributaram os valores de omissão de receitas presumidos através de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Portanto, por não se saber a origem dos depósitos, não há como considerar que eles são fruto da comercialização daqueles produtos para os quais Fl. 866DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 está prevista a suspensão da incidência dos tributos. Também não se pode observar se a venda foi efetuada para empresa tributada pelo lucro real (inciso I, do § Io , do art. 9o acima). Além disso, a declaração de firma individual (fls. 11), descreve como objeto da empresa apenas o comércio atacadista de produtos e não há alusão a que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal listados na lei. Enfim, dada a situação concreta, não pode a empresa gozar do benefício da suspensão de tributo. Tratandose de tributação reflexa, aplicase o quanto decidido acerca da exigência matriz. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 867DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 23034.021551/2001-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO - NRD. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
Em seu recurso o contribuinte aduz que parte do lançamento encontra-se decaído, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF.
No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que o lançamento abrangeu as competências 01/1995 a 06/2001. A ciência do lançamento ocorreu somente em 19/05/2006, decaídas, portanto, a competência 04/2001 e anteriores. Ressalte-se que a Súmula Vinculante nº 8, do STF, declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, prevalecendo, in casu, para efeitos da decadência, as regras do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.758
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento será mantido somente em relação à competência 06/2001, devendo ser excluída as demais competências em virtude da ocorrência da decadência (súmula Vinculante nº 8 do STF), bem como pelo pagamento efetuado pela empresa relativamente à competência 05/2001.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento será mantido somente em relação à competência 06/2001, devendo ser excluída as demais competências em virtude da ocorrência da decadência (súmula Vinculante nº 8 do STF), bem como pelo pagamento efetuado pela empresa relativamente à competência 05/2001. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO NRD. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. 1. Em seu recurso o contribuinte aduz que parte do lançamento encontrase decaído, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF. 2. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que o lançamento abrangeu as competências 01/1995 a 06/2001. A ciência do lançamento ocorreu somente em 19/05/2006, decaídas, portanto, a competência 04/2001 e anteriores. Ressaltese que a Súmula Vinculante nº 8, do STF, declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, prevalecendo, in casu, para efeitos da decadência, as regras do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento será mantido somente em relação à competência 06/2001, devendo ser excluída as demais competências em virtude da ocorrência da decadência (súmula Vinculante nº 8 do STF), bem como pelo pagamento efetuado pela empresa relativamente à competência 05/2001. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 15 51 /2 00 1- 12 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.021551/200112 Acórdão n.º 2803003.758 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.021551/200112 Acórdão n.º 2803003.758 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação para Recolhimento de Débito NRD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições sociais do salário educação, das competências de 01/1995 a 06/2001, tendo em vista que os técnicos do FNDE constataram débitos concernentes a falhas de recolhimento e deduções indevidas 01/96 a 13º/96, 01/97 a 13º/97, 01/98 a 13º/98, 01/99 a 13º/99, 01/00 a 13º/00, conforme Quadro de Lançamento de Débitos, (fls. 157/170). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 26 de junho de 2006 e ementada nos seguintes termos: Decido pelo INDEFERIMENTO DA DEFESA, pelas razões expostas pela CoordenaçãoGeral de Execução e Operação Financeira. Retornem os autos à DIADE/CDEOF, para que seja providenciada a expedição de ofício à empresa em questão, dandolhe ciência do que foi decidido e informando quanto às alternativas de recolhimento do débito, da formalização de acordo para parcelamento da dívida, bem como do seu direito de interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência desta decisão, com as razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem, esclarecendo que a interposição de recurso deverá obedecer às disposições do § 2º, do artigo 15, do Decreto nº 3.142, de 16/08/1999. Ressaltamos que de acordo com o § 2º do citado artigo, com redação dada pelo § 1º do Decreto nº 4.943, de 30/12/2003, a interposição de recurso dependerá de depósito de garantia de instância, devendo o recorrente, obrigatoriamente, recolher à conta vinculada do FNDE 30% do valor principal do débito e dos respectivos acessórios. Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de NRD, tendo por objeto a cobrança de débitos de Salário Educação devidos ao FNDE, incidentes sobre os valores pagos pela Recorrente a seus Diretores Empregados, bem como em função de alegadas deduções indevidas relacionadas ao Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental – SME, relativamente ao período de janeiro de 1996 a janeiro e junho de 2001, no montante original de R$252.335,89. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.021551/200112 Acórdão n.º 2803003.758 S2TE03 Fl. 5 4 Não merece prosperar o entendimento da D. Autoridade Julgadora, devendo ser reformado o acórdão recorrido. O lançamento relativo ao período compreendido entre janeiro de 1996 a janeiro de 2001 encontrase decaído, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF. Não incide a contribuição do salárioeducação sobre valores pagos pela recorrente a seus diretores estatutários. A recorrente esclarece que, ainda que se pretenda fazer a cobrança da contribuição em comento, ao menos o período relativo a janeiro, fevereiro, março e abril de 1996 deve ser excluído. No que tange à alegação da D. autoridade Fiscal de que a recorrente teria efetuado deduções indevidas da base de cálculo relativas ao SME, tendo em vista não ter apresentado todas as declarações relacionadas ao período autuada, esta também não deve prevalecer. A recorrente acostou aos autos (Doc. 07 da Defesa) quase que a totalidade das declarações quanto ao envio dos arquivos contendo a Relação de Alunos Indenizados ao Programa RAI. A D. autoridade Julgadora simplesmente ignorou tais documentos, alegando que não teria sido juntada a totalidade das declarações. Todavia, devese, ao menos, levar em consideração as declarações que já foram acostadas aos autos, excluindose os valores referentes a esses documentos. Ex positis, requer seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o v. acórdão recorrido e cancelada a autuação ora combatida em sua totalidade, em função (i) da ocorrência da decadência dos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 1996 a janeiro de 2001, nos exatos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; (ii) da não incidência do salárioeducação sobre as verbas pagas aos diretores estatutários da recorrente; e (iii) do efetivo recolhimento do salárioeducação sobre as verbas pagas aos diretores empregados da recorrente. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.021551/200112 Acórdão n.º 2803003.758 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte aduz que parte do lançamento encontrase decaído, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que o lançamento abrangeu as competências 01/1995 a 06/2001. A ciência do lançamento ocorreu somente em 19/05/2006, decaídas, portanto, a competência 04/2001 e anteriores. Ressaltese que a Súmula Vinculante nº 8, do STF, declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, prevalecendo, in casu, para efeitos da decadência, as regras do CTN. No que diz respeito ao mérito, a alegação do contribuinte de que não incide contribuição do salárioeducação sobre valores pagos a seus diretores estatutários não coaduna com o histórico contido no Termo de Encerramento da Inspeção (fls. 13), onde está claro que os diretores eram empregados e não estatutários. No segundo parágrafo da correspondência que o contribuinte enviou ao FNDE (fls. 28), a própria empresa admite tratarse de diretores empregados. Como o lançamento abrangeu as competências de 01/1995 a 06/2001 e tendo sido reconhecida a decadência da competência 04/2001 e anteriores, restam, em tese, para cobrança, as competências 05 e 06/2001. Contudo, o item “2” da Informação nº 311/2006 SETAD/COARC/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC (fls. 119), informa que: 2. Embora não haja citação de tal fato na Informação nº 222/2006DINSP, fls. 165 e 166, as competências 02 a 05/2001 foram pagas pela empresa, conforme se depreende da Informação 465/2005, fls. 132 e 133, e dos Comprovantes de Arrecadação Direta SalárioEducação CAD, fls. 30 a 34. Considerando que o próprio sujeito ativo da obrigação tributária informa que a competência 05/2001 já foi paga pelo contribuinte, a única conclusão que se pode chegar é que somente a competência 06/2001 é devida. Diante do exposto, mantenho o lançamento somente em relação à competência 06/2001 e excluo as demais competências em virtude da ocorrência da decadência (súmula Vinculante nº 8 do STF), bem como pelo pagamento efetuado pela empresa relativamente à competência 05/2001. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.021551/200112 Acórdão n.º 2803003.758 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. O lançamento será mantido somente em relação à competência 06/2001, devendo ser excluída as demais competências em virtude da ocorrência da decadência (súmula Vinculante nº 8 do STF), bem como pelo pagamento efetuado pela empresa relativamente à competência 05/2001. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16191.000382/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1993 a 31/12/1998
PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de falta de repasse dos valores arrecadados pela empresa dos segurados a seu serviço, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE SOBRE A NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO.
A norma que determina a retenção de 11% sobre a nota fiscal de prestação de serviços mediante cessão de mão-de-obra tornou-se eficaz em fevereiro de 1999, depois, portanto, dos fatos abarcados na autuação. Ainda que haja outros fundamentos para as retenções alegadas, caberia ao sujeito passivo comprová-las.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS- REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA.
Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial.
REGULARIDADE DA COBRANÇA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial e Custódia- SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/1996, inclusive o 13º salário. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim (relatora), que declarava a decadência até a competência 12/1996. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira De Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1993 a 31/12/1998 PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de falta de repasse dos valores arrecadados pela empresa dos segurados a seu serviço, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE SOBRE A NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO. A norma que determina a retenção de 11% sobre a nota fiscal de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra tornouse eficaz em fevereiro de 1999, depois, portanto, dos fatos abarcados na autuação. Ainda que haja outros fundamentos para as retenções alegadas, caberia ao sujeito passivo comproválas. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 19 1. 00 03 82 /2 01 1- 72 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 REGULARIDADE DA COBRANÇA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/1996, inclusive o 13º salário. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim (relatora), que declarava a decadência até a competência 12/1996. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira De Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16191.000382/201172 Acórdão n.º 2401003.373 S2C4T1 Fl. 384 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, DEBCAD nº 35.454.4969, da qual o contribuinte foi cientificado em 02.09.2002, que objetiva a cobrança das contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados e não recolhidas ao erário, das competências de 04/1993 a 13/1998. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 52/53, os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas aos segurados empregados a título de salário; adicional noturno; descanso semanal remunerado; horas extras de 100%; horas extras de 50%; adicional de insalubridade; férias; adicional 1/3 sobre férias; saldo de salário; 13º salário proporcional (descontadas as faltas), deduzindo o salário família, correspondente ao período de 04/1993 a 13/1998. O Autuante afirma que os descontos sobre as remunerações constam folhas de pagamento devidamente rubricadas pela Fiscalização. A Autuada apresentou impugnação (Fls. 58 a 167), aduzindo em síntese: I. Afirma que a auditoriafiscal notificante não deduziu a retenção de 11% incidente sobre notas fiscais de prestação de serviço. II. Defende que a contribuição previdenciária tem natureza tributária, sendo aplicável à matéria o Código Tributário Nacional. Sustenta que o simples inadimplemento no pagamento de tributos não pode ser considerado como fraude à lei. Por conseguinte, nos termos do artigo 135 do Diploma Tributário, os diretores devem ser excluídos do polo passivo da relação tributária. III. Em seguida tece uma série de argumentos contrários à cobrança do SAT, do SalárioEducação e das contribuições destinadas ao INCRA, SEST, SENAT, SENAR, SEBRAE e Salário Educação. IV. Requer a compensação das contribuições destinadas ao SEST e SENAT, por julgá las inconstitucionais e faz considerações como devem ser calculados a correção monetária e os juros de mora. V. Alega que a multa imposta tem por finalidade confiscar o patrimônio do contribuinte. VI. Argui que a utilização da taxa SELIC a título de juros de mora é inconstitucional. VII. Invoca o artigo 192 da Constituição Federal que limita os juros anuais a 12%. VIII. Por fim, defende o decurso do prazo decadencial quinquenal, ou seja, não poderiam ser lançados os créditos relativos a fatos geradores anteriores a 01.09.1997. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Instada a manifestarse acerca da matéria, a Divisão de Arrecadação – DARREC – do Estado de São Paulo, entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo totalmente o crédito tributário, nos termos do acórdão abaixo ementado: CONTRIUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11%. CO REPONSÁVEIS. COMEPNSAÇÃO. MULTA. SELIC. DECADÊNCIA. PERÍCIA CONTÁBIL. A norma que determina a retenção de 11% tornouse eficaz em fevereiro de 1999. Os sócios de empresa por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos juntos à Seguridade Social. A compensação apenas pode ser realizada quando houver pagamento indevido, o que não é o caso. A multa de mora de 15% não tem efeito confiscatório, pois representa apenas 1,7% do valor contido na nota fiscal. Ademais, este percentual está em consonância com o sistema tributário nacional. A utilização da taxa SELIC a título de juros de mora não contraria princípios do Direito Tributário. O direito de o INSS exigir o pagamento de contribuições previdenciárias decai em dez anos. O pedido de perícia deverá ser justificado pelo contribuinte, informando os quesitos a serem respondidos. Lançamento procedente. Devidamente intimada em 20.03.2003 (fl. 194), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 02.04.2003 (fls. 198 a 307), rebatendo a decisão proferida pela DARREC com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16191.000382/201172 Acórdão n.º 2401003.373 S2C4T1 Fl. 385 5 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Conforme acima assinalado, tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas no período de 04/1993 a 13/1998 à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados e não recolhidas. Inicialmente, merece destaque a análise do prazo decadencial, vez que a cobrança do débito referese ao período de 04/1993 a 13/1998, tendo sido a Recorrente notificada da referida NFLD apenas em 02.09.2002. Isto porque, embora o órgão julgador de primeira instância não tenha reconhecido a decadência de parte do débito cobrado, já foi pacificada a questão do prazo para a Fazenda Pública efetuar o lançamento das Contribuições Previdenciárias em cinco anos, observando os dispositivos previstos no Código Tributário Nacional. Vale observar que o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União do dia 20.06.2008 o enunciado da Súmula vinculante nº 08, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Dessa forma, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, o qual determinava o prazo decenal para o lançamento das contribuições previdenciárias, reconhecendo com efeitos vinculantes que tais contribuições sujeitamse às regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Constatandose ainda dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, I do CTN. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Nesse sentido, a Il. Câmara Superior de Recursos Fiscais ao apreciar o Recurso Especial de nº 235.7351, também se manifestou nesse sentido: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS, NOS TERMOS DO CTN. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF nº 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. Complementou ainda ao proferir o seu voto, que: A adoção de súmula vinculante (art. 103ª da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a norma objeto da declaração de inconstitucionalidade. Conforme acima explanado, em virtude do efeito vinculante conferido a Súmula nº 8 proferida pelo STF, a Administração não poderá mais aplicar o prazo decenal previsto no art. 45 da Lei 8.212/91, tendo em vista ter sido declarado inconstitucional. 1 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, Processo nº 13808.001447/200141, Recurso nº 235.735 Especial do Contribuinte, Acórdão 9303001.927– 3ª Turma, Sessão de 10 de abril de 2012. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16191.000382/201172 Acórdão n.º 2401003.373 S2C4T1 Fl. 386 7 Diante do caso em tela, verificase que as contribuições previdenciárias foram recolhidas e não repassadas ao INSS, razão pela qual não se deve utilizar o prazo decadencial prescrito no art. 150, §4º do CTN em virtude da existência de dolo. Sendo assim, o prazo decadencial a aplicável deve ser o previsto no art. 173, I do CTN, extinguindose após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inclusive, esse Ilustríssimo Conselho aponta de forma inequívoca que a interpretação do art. 173 do CTN impõe o reconhecimento de que o primeiro dia do período em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Tal precedente do E. CARF adotou a decisão proferida pelo E. STJ sob o regime de recursos repetitivos previsto no 543C do Código de Processo Civil (CPC), em obediência ao art. 62A2 do RICARF. Observese: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4.º, do CTN. Nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial contase na forma do artigo 173, I, do CTN, situação em que o primeiro dia do exercício seguinte, na esteira do entendimento do STJ, em recurso repetitivo, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. No caso dos autos, não houve pagamento antecipado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no decorrer do ano calendário de 2003, o prazo decadencial iniciou em 01 de janeiro de 2004. Assim, quando do lançamento realizado em 07/11/2008, não havia créditos extintos pela decadência.3 Essa Corte Administrativa, ao decidir conforme exposto acima, analisou exaustivamente a forma de contagem do cálculo decadencial adotada pela Corte Judicial no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733 / SC, para concluir que a decisão tomada foi no sentido de que: Nos fatos geradores com aspecto temporal mensal, e nos fatos geradores instantâneos, o prazo decadencial, pela regra do artigo 173, I, do CTN, no entendimento do STJ, tem como marco 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3 CARF. Recurso Voluntário. Acórdão n.º 140200.442. 4.ª Câmara / 2.ª Turma Ordinária, Rel. Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva. DO 22/06/2011. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato imponível. O relator do caso concluiu que o entendimento do E. STJ a ser aplicado em âmbito administrativo por força do disposto no artigo 62A do RICARF, é no sentido de que, mesmo quando o fato gerador ocorre em 31 de dezembro, o prazo decadencial terá início no dia 01 de janeiro do ano seguinte, já que este representa o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato imponível. Na esteira do entendimento reiterado do E. Conselho de Contribuintes e da C. CSRF, bem ainda do recente entendimento do E. CARF apoiado na decisão proferida em sede de recurso repetitivo pelo E. STJ, mesmo que se admita a ocorrência de dolo em virtude do recorrente ter recolhido as contribuições e não repassado ao INSS e, por conseguinte, aplique se ao o art. 173, inciso I, do CTN, resta evidente a ocorrência da decadência e a consequente extinção do suposto crédito tributário referente às competências de 04/1993 a 12/1996. Em relação às competências 01/1997 a 13/1998, que não foram fulminadas pela decadência, fazse necessário à análise das demais alegações recursais. Inicialmente, aduziu o recorrente que o Auditor autuante não deduziu a retenção de 11% incidente sobre notas fiscais de prestação de serviços. Ocorre que, conforme já bem pontuado pela decisão de primeira instancia, a referida retenção de 11% somente foi instituída pela Lei 9.711 de 20/11/1998, tornandose obrigatória apenas a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vejamos: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Vale notar que como a referida NFLD é relativa ao período de 04/1993 a 13/1998, os fatos geradores ocorreram antes da existência da referida norma, razão pela qual não há que se falar em necessidade de dedução da retenção de 11%. Se, no entanto, o Recorrente sofreu outro tipo de retenção que não se enquadra na hipótese acima delineada, deveria o ter esclarecido a origem do alegado crédito e trazer aos autos provas da sua existência e liquidez, observandose, ainda, que para que fossem considerados no levantamento, tais recolhimentos deveriam ter a mesma natureza da contribuição previdenciária lançada. Em seguida, requereu o recorrente a exclusão dos sócios do polo passivo da obrigação tributária, sob o argumento que o simples inadimplemento no pagamento dos tributos não pode ser considerado como fraude à lei. Entretanto, ressalvado o entendimento pessoal, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu que é cabível a existência do Relatório de Representantes Legais nos Autos de Infração, razão pela qual tal alegação não merece prosperar. Isto porque, a existência do Relatório de Representantes Legais não estabelece a vinculação dos representantes na condição de devedores. A responsabilização é da Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16191.000382/201172 Acórdão n.º 2401003.373 S2C4T1 Fl. 387 9 pessoa jurídica em que foi lavrado o Auto de Infração e não dos seus sócios e gerentes, que, por serem representantes legais do sujeito passivo, constam no relatório apenas para o cumprimento das formalidades exigidas pela Administração. Inclusive, esse entendimento já foi pacificado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição da súmula nº 88. Vejamos: Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo assim, considerando que a existência do relatório tem caráter meramente informativo, entendo pela sua manutenção. Ademais, verificase, ainda, que a Recorrente teceu uma série de argumentos contrários à cobrança do SAT, do SalárioEducação e das contribuições destinadas ao INCRA, SEST, SENAT, SENAR e SEBRAE. Ocorre que tais rubricas não são objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, motivo pelo qual me abstenho de apreciálas. A Recorrente pleiteou, ainda, requereu a compensação das contribuições destinadas ao SEST e SENAT por julgálas inconstitucionais e a limitação da multa aplicada, por entender que teria efeitos confiscatórios. Também nesse particular, aplicase a disposição contida no art. 62 do Regimento, não cabendo a esse julgador apreciar a constitucionalidade ou não das referidas contribuições nem se a penalidade moratória tem efeito confiscatório. Ademais, o procedimento compensatório ou a restituição das contribuições previdenciárias possui rito próprio, sendo inadmissível o seu encontro de contas nos presentes autos, ainda que o SEST e SENAT fossem indevidas. Por fim, aduziu que a taxa SELIC e os juros de mora são inconstitucionais. Razão também não merece a recorrente, vez que a legitimidade da atualização mediante a aplicação da Taxa SELIC já se encontra sumulada neste Conselho. Vejamos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para: · Julgar improcedente o lançamento em relação às competências de 04/1993 a 12/1996, por estarem fulminadas pela decadência; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 · Manter a autuação em relação às competências de 01/1997 a 13/1998, vez que o recorrente não comprovou ter efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias cobradas na referida Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16191.000382/201172 Acórdão n.º 2401003.373 S2C4T1 Fl. 388 11 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado A minha divergência com a Ilustre Relatora referese à norma aplicável para a contagem do prazo decadencial. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado ou quando se verifica a existência de dolo, fraude ou simulação.. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 02/09/2002 e o período do crédito é de 04/1993 a 11/1996. Nessa situação, independentemente de ter havido pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial deve seguir a regra do art. 173, I, do CTN, posto que, quando se constata a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afastase aplicação do § 4. do art. 150 do CTN, deslocandose a contagem do prazo decadencial para a norma do inciso I do art. 173. No caso julgado, verificase, em tese, a ocorrência do crime de apropriação indébita previdenciária, pelo que se deve adotar a regra do art. 173, I, na delimitação da decadência. Assim já decidiu essa turma como se pode ver da ementa do Acórdão prolatado quando do julgamento do processo n. 16020.000507/200740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. STF SÚMULA VINCULANTE. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103ª da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 173, I do Código Tributário Nacional, face tratar de apropriação indébita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16191.000382/201172 Acórdão n.º 2401003.373 S2C4T1 Fl. 389 13 COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação.Recurso Voluntário Provido em Parte.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência das competências 08 e 09/1999; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.(grifei) Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência o período de 04/1993 a 11/1996 ( inclusive a competência relativa ao 13. salário deste ano). Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 11/09/2 014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 15563.000381/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/11/2003
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. BASE DE CÁLCULO.
No caso de empresa de prestação de serviços, a base de cálculo da Contribuição para o PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços. Os pagamentos por ela efetuados a terceiras pessoas jurídicas, para as quais tenha sido transferida a realização dos serviços são custos operacionais incorridos pela empresa contratada, razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo da contribuição.
RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO IMPROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes José Henrique Mauri e Demes Brito.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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BASE DE CÁLCULO. No caso de empresa de prestação de serviços, a base de cálculo da COFINS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços. Os pagamentos por ela efetuados a terceiras pessoas jurídicas, para as quais tenha sido transferida a realização dos serviços são custos operacionais incorridos pela empresa contratada, razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/11/2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. BASE DE CÁLCULO. No caso de empresa de prestação de serviços, a base de cálculo da Contribuição para o PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços. Os pagamentos por ela efetuados a terceiras pessoas jurídicas, para as quais tenha sido transferida a realização dos serviços são custos operacionais incorridos pela empresa contratada, razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo da contribuição. RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO IMPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 81 /2 00 7- 11 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 32 2 HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes José Henrique Mauri e Demes Brito. Relatório Por bem relatar, adotase o relatório de fls. 686 versos a 688 emanados da decisão DRJ/RJ2, por meio do voto da relatora Maria Aparecida da Silva Correa, nos seguintes termos: “Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, pertinente à diferença entre o valor escriturado/pago da Contribuição para o PIS, de janeiro/2001 a janeiro/2003 e de março/2003 a novembro/2003, correspondente à incidência cumulativa, e de julho/2005 a setembro/2005, correspondente à incidência não cumulativa, conforme elementos acostados às fls. 377 a 391, no valor de R$ 526.819,93, incluindo principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2007. Às fls. 392 a 407, encontrase Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, pertinente à diferença entre o valor escriturado/pago da COFINS, de janeiro/2001 a dezembro/2003, correspondente à incidência cumulativa e de julho/2005 a setembro/2005, corresponde à incidência não cumulativa, no valor de R$ 3.712.208,27, incluindo principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2007. Na Descrição dos Fatos, fls. 386 a 387, fls. 389 a 390, fls. 402 a 403 e fls. 405 a 406, a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que: a). Na incidência cumulativa: . Durante o procedimento de verificações obrigatórias sob o comando do MPF n° 07103.002005008203 foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados. A fiscalizada foi regularmente intimada a apresentar planilhas contendo os elementos necessários a apuração da base de cálculo da contribuição ao Programa de Integração Social – PIS e COFINS, para o período de 01/01/ 2001 a 31/12/2005. Nas planilhas apresentadas (fls. 291/302), foram informados valores elevados, redutores da receita bruta do ano calendário de 2002, a título de "Outras Exclusões". . Intimada em 31/10/2006, a justificar e informar a base legal para tais exclusões, a fiscalizada apresentou, em 21/11/2006, às fls. 303/307, resposta na qual alega os seguintes motivos para a realização das exclusões: Fl. 789DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 33 3 “1) A fiscalizada celebrou no ano de 2002 diversos contratos para a prestação de serviços de informática em geral, nos quais está prevista a contratação de outras pessoas jurídicas para o desempenho de atividades específicas de acordo com as suas especificações técnicas. Tal atividade é denominada, no setor, como gestão de outsourcing, ou seja, uma gestão das empresas terceirizadas. 2) Nesse sentido, em vários de seus contratos a fiscalizada atuou tão somente por conta e ordem de seus clientes, isto é, como mera mandatária/comissária na contratação de terceiros e, por isso, encarregada tão somente de busca e do gerenciamento desses terceiros especializados. 3) Frisese que em muitos desses casos a fiscalizada não tinha qualquer ingerência sobre os projetos a serem desenvolvidos pelas contratantes, muitos dos quais em regime de segredo. 4) Dessa forma, nos contratos em que atuou por conta e ordem de contratante, a fiscalizada repassou diretamente às pessoas jurídicas os valores que lhes eram cabíveis e excluiu tais valores de sua base de cálculo de PIS e COFINS, tributando apenas a remuneração pela sua intermediação/comissão. 5) Ressaltese, contudo, que sempre que o projeto envolvia a utilização de profissionais da Fiscalizada, isto é, funcionários, não houve qualquer exclusão de base de cálculo, por se caracterizar, nesses casos, atividade fim. 6) Dessa forma, uma vez que as parcelas das receitas em questão não pertencem à fiscalizada, não se pode dizer que compõem a sua base de cálculo de PIS e COFINS." Nas planilhas de fls. 291/302, constatouse também valores elevados a título de Outras Exclusões, redutores das bases de cálculo do PIS e da COFINS, nos anos calendário de 2001 e 2003, sendo que nenhuma justificativa foi presentada pelo contribuinte, após ter sido intimado a esclarecer tal fato. As exclusões realizadas não encontram qualquer amparo na legislação de regência vigente à época, motivo pelo qual foram desconsideradas quando da apuração da base de cálculo. A partir das informações prestadas pelo contribuinte, às fls. 291/302, foram efetuadas, por amostragem, verificações nos livros comerciais e fiscais, obtendose, então, as Planilhas de Base de Cálculo (fls. 310/323, 326/339) e de Apuração de Débitos (fls. 312/320 e 328/336). Comparando essas Planilhas com os débitos declarados (DCTFs), com os pagamentos efetuados (DARFs), processos de impugnações e/ou parcelamentos, bem como, com todas as informações prestadas pela empresa, no curso da fiscalização, foram obtidas as Planilhas denominadas Demonstrativos da Situação Fiscal Apurada (fls. 313, 317, 321 e 329, 333, 337). Através destas planilhas, em face das exclusões realizadas indevidamente na apuração da base de cálculo da contribuição, foram constatadas insuficiências de recolhimento para o PIS e COFINS para todos os períodos de apuração dos anos calendário de 2001, 2002 e 2003. b) Na incidência não cumulativa: . Verificouse que, por ocasião do preenchimento do Demonstrativo de Fl. 790DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 34 4 Apuração de Contribuições Sociais DACON, o contribuinte lançou na linha 12, da ficha 08A, como "Receitas isentas, não alcançadas pela incidência da contribuição, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero", nos meses de julho, agosto e setembro de 2005 os respectivos valores: R$ 1.233,24, R$ 17.392,28 e R$ 9.252,94. No entanto, na Planilha Informações prestadas à SRF estes valores não constam do item 4 " Outras Exclusões". Esse fato configura erro de preenchimento do DACON, uma vez que, os valores excluídos daquele demonstrativo, naquela rubrica, não preenchem os requisitos legais previstos no artigo 46 da IN SRF nº 247 de 21/11/2002. . Segundo os valores informados pela empresa, foram elaboradas as planilhas de base de cálculo (fls. 322/323 e 338/339) e de apuração de débito (fls. 324 e 340) Cientificado do lançamento consubstanciado no Auto de Infração em comento, na data de 28.09.2007, o interessado apresentou as peças impugnatórias de fls. 474/487 e de fls. 555/568, em 30/10/2007 (fl. 556 e 636). Alegou, em síntese que: a) No que se refere ao débito relativo às competências 07/2005 a 09/2005, incorretamente tratou como isentas as receitas financeiras auferidas no período em questão, olvidandose que com a modificação promovida na Lei n° 10.833/2003 pela Lei n°11.051/2004, a impugnante voltara ao regime cumulativo, pelo que a isenção não mais subsistia. b) Efetuará o recolhimento dos débitos em questão dentro do prazo desta impugnação. c) A decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário quanto às competências anteriores a 08/2002, inclusive. d) Celebrou, no período objeto da fiscalização, diversos contratos para a prestação de serviços de informática em geral, nos quais estava prevista a contratação de outras pessoas jurídicas para o desempenho de atividades especificas de acordo com as qualificações técnicas exigidas pelo cliente. Tal atividade é denominada, no setor, como gestão de outsourcing, ou seja, uma gestão das empresas terceirizadas. e) Nesses contratos, teve como principal atividade buscar empresas e profissionais no mercado de informática, para que estes atuassem nos clientes, para fins de atender a um determinado projeto. f) Agia sempre por conta e ordem de seus clientes, na qualidade de mandatária/comissária na contratação de terceiros e, por isso, encarregada pela busca e gerenciamento desses terceiros especializados. g) Quanto às exclusões de receitas age, na maioria dos casos, como mera intermediária na contração de pessoas jurídicas, com a simples obrigação de buscar no mercado empresas capazes de desenvolverem certos projetos, mas sem responsabilidade técnica sobre tais contratados. h) Não tinha qualquer ingerência sobre os projetos a serem desenvolvidos pelos seus clientes, muitos dos quais em regime de sigilo. A mera emissão das Notas Fiscais contemplando o total dos serviços prestados era realizada por pura exigência contábil dos contratantes, que entendiam como atribuição da impugnante gerenciar os pagamentos. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 35 5 i) A maneira como os serviços foram faturados não muda o fato de que a impugnante agiu como mera arregimentadora de profissionais e de empresas terceirizadas. Em determinados casos também agiu como fornecedora de serviços, mas nestes, a sua atuação se deu unicamente através de profissionais contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). j) Dessa forma, nos contratos em que atuou por conta e ordem da contratante, repassou diretamente aos profissionais e empresas terceirizadas os valores que lhes eram cabíveis e excluiu tais valores da base de cálculo das contribuições, tributando apenas a remuneração que lhe cabia. k) As contribuições não incidem sobre receita e/ou faturamento que pertencem a outrem. Ao final requer seja anulado o presente Auto de Infração, bem como protesta pela juntada dos documentos que comprovam as suas alegações, especialmente os contratos celebrados com seus clientes, a atribuição de responsabilidade técnica ao próprio cliente e a relação das pessoas jurídicas alocadas em cada cliente/projeto.” Levado a julgamento o presente processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ2, através da 4º Turma proferiram o Acórdão 13 40.618 em sessão de 19 de março de 2012, cuja ementa é o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/12/2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. BASE DE CÁLCULO. No caso de empresa de prestação de serviços, a base de cálculo da COFINS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços. Os pagamentos por ela efetuados a terceiras pessoas jurídicas, para as quais tenha sido transferida a realização dos serviços são custos operacionais incorridos pela empresa contratada, razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/11/2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. BASE DE CÁLCULO. No caso de empresa de prestação de serviços, a base de cálculo da Contribuição para o PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços. Os pagamentos por ela efetuados a terceiras pessoas jurídicas, para as quais tenha sido transferida a realização dos serviços são custos operacionais incorridos pela empresa contratada, razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2002 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 36 6 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à COFINS é de 05 (cinco) anos, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, quando tiver ocorrido pagamento antecipado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AUSÊNCIA DE LITÍGIO Inexiste contencioso diante da concordância da autuada relativamente ao lançamento efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte julgada procedente pela impugnação, houve recurso necessário de ofício. O Contribuinte, apresentou seu Recurso Voluntário onde resumidamente alega: I – Da exclusão da base de cálculo – PIS COFINS – basicamente repete seus argumentos apresentados na sua impugnação, ou seja: “Tal atividade é denominada, no setor, como gestão de outsourcing, ou seja, uma gestão das empresas terceirizadas”. II – Da receita operacional da Recorrente – também, reitera os argumentos apresentados na sua impugnação – citando decisões administrativas e judiciais que entende lhe favorecer; Concluindo que: “resta claro que foram legítimas e corretas as exclusões das bases do PIS, pois os valores excluídos não constituíram receita da Recorrente. Quanto à documentação que dá suporte às suas alegações, a Recorrente informou que esperava a conversão do julgamento em diligência, para apresentação à autoridade administrativa. Todavia, em vista da decisão proferida pela DRJ, bem como do atual entendimento deste E.Conselho sobre as diligências, irá reunila e organizála para juntada no âmbito deste Recurso Voluntário. Cabe relatar, que até o momento não se encontra nos autos os tais documentos. III – Conclusão e Pedido – protesta pela juntada dos contratos que comprovam a sua atuação por conta e ordem dos clientes, razão por que requer a Recorrente seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para anular os lançamentos remanescentes de PIS e COFINS, com base nos fundamentos acima exarados ou em quaisquer outros pertinentes que porventura venham a ser suscitados de ofício por essa douta autoridade, no seu exercício de controle da legalidade do ato ora impugnado. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 37 7 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário e de Ofício são tempestivos e deles tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Restou a Recorrente, em seu Recurso Voluntário, recorrer da decisão recorrida quanto decidiram: a) Não haver litígio referente aos lançamentos de PIS e COFINS correspondentes ao período compreendido entre 07/2005 a 09/2005, diante da ausência de impugnação por parte da Recorrente; b) Manter os lançamentos referentes à contribuição ao PIS do período compreendido entre 09/2002 a 01/2003 e 03/2003 a 11/2003, sob o argumento de não haver previsão legal para que estes sejam excluídos da apuração de sua base de cálculo; e c) Manter os lançamentos referentes à COFINS do período compreendido entre 09/2002 a 12/2003, sob o argumento de não haver previsão legal para que estes sejam excluídos da apuração de suas bases de cálculo. Como se pode observar pelo relatado, o Recurso Voluntário não trouxe qualquer fato ou novo argumento por parte da Recorrente, inclusive não veio acompanhado de nenhum documento que sustentasse suas teses. É do meu entendimento que o contribuinte não deve pedir diligências contábeis ou documentais, mas apresentalas quando possível, muito menos posso admito que o mesmo espere por uma diligência para fazer provas das suas alegações. Como no caso corroboro na integra com a decisão recorrida, inclusive com seus fundamentos, vou apenas destacar os trechos do voto condutor da decisão recorrida, rendendo homenagens a julgadora/relatora, Maria Aparecida da Silva Correa, quando dispõe: “Insurgese a autuada relativamente às glosas efetuadas pela fiscalização. Afirma que tais valores referemse às receitas de terceiros, não compondo, portanto, o seu faturamento. De acordo com o contido nos autos, trata –se de uma sociedade que tem por objeto, dentre outros, elencados no art. 4º do seu Estatuto Social, fls. 602, a prestação de serviços na área de informática. Segundo a interessada, a mesma não oferece à tributação da Contribuição para o Pis e Cofins as receitas originadas da prestação de serviços, nos quais teria figurado como mera intermediária, visto que tais serviços teriam sido prestados por terceiras pessoas jurídicas. Entende a interessada que, quando utiliza terceira pessoa jurídica para a realização dos serviços por ela inicialmente contratados, a remuneração devida a estas, e por Fl. 794DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 38 8 ela denominada de “repasses”, poderia ser excluída da base de cálculo das contribuições em tela. A despeito de os contratos não se encontrarem anexados aos autos, e pelo contido na peça impugnatória, depreendese que é a interessada quem figura como contratada nos contratos por ela celebrados com os tomadores dos serviços. Sendo assim, estes “repasses”, em verdade, revestemse da condição de custos operacionais da autuada. Os pagamentos efetuados a terceiras pessoas jurídicas pela prestação de serviços firmados em contratos celebrados pela interessada junto a seus clientes, não têm o condão de alterar o regime de tributação vigente para as Contribuições para o Pis e Cofins. A remuneração pela prestação destes serviços junto aos contratantes, tomadores dos serviços, compõem o preço do serviço prestado, assim como o custo de uma mercadoria é parcela significativa do preço de venda da mesma. Em qualquer atividade econômica ocorre o fato de que parte da receita auferida dirige se a suportar os custos dos serviços prestados ou da mercadoria vendida. Portanto, o valor total contratado com a tomadora do serviço é o preço do serviço prestado e, como tal, integra o faturamento da interessada. Na verdade, pretende a autuada, com suas alegações, que o conceito de receita aproximese do de lucro, não merecendo prosperar tal entendimento. Induvidosamente, portanto, toda a receita de prestação de serviços auferida pelo contribuinte integra o faturamento definido como base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, à luz do preceito que, veiculado na forma da Lei n.º 9.718, de 1998, a seguir reproduzidos, verbis “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 795DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 39 9 III – os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) Observese que o inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, ao tratar das exclusões da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo, não inclui as parcelas que a autuada pretende ver excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Ressaltese que o inciso I do art. 111 do CTN preconiza que se interpreta literalmente a legislação que disponha sobre exclusão do crédito tributário. Assim sendo, por não se encontrarem expressamente listadas no dispositivo acima reproduzido, não se pode excluir tais parcelas da base de cálculo dessas contribuições. Como demonstrado, o valor pago pelo tomador do serviço representa tão somente o pagamento do preço que é cobrado pelo prestador dos serviços a serem realizados. Inegável, na mesma medida, que esse valor constitui uma receita auferida pelo prestador, nada importando, para os efeitos da incidência das contribuições em foco, se, do cotejo entre esta receita e os custos e despesas incorridos no período, o prestador – e a autuada, no caso concreto, conseguiu ou não obter algum acréscimo patrimonial. Ademais, é importante assinalar que a atividade desenvolvida pela autuada não traduz jurídica e economicamente mera intermediação entre a terceira empresa por ela contratada e a empresa tomadora do serviço. A rigor, é bem de ver que a função do intermediário é tão somente a de aproximar os interessados na realização de um negócio, atividade está, portanto, bem distinta daquela desenvolvida pela autuada, já que, repitase, as demais prestadoras dos serviços não são apresentadas ao tomador do serviço para que este, então, as contrate e remunere. Acerca da intermediação, aliás, assim se posicionou Bernardo Ribeiro de Moraes (in Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços, Editora Revista dos Tribunais, 1ª Edição, pp. 306 e 307): “Intermediação é palavra indicativa do modo de operar da pessoa. Intermediário é quem exerce a aproximação entre duas ou mais pessoas que desejam negociar. É também conhecida como corretagem, contrato pelo qual uma pessoa se obriga, mediante remuneração, aproximar as partes para a conclusão de um negócio. O intermediário ou corretor não aplica capital próprio para a realização do negócio. É simples intermediário entre as partes contratantes. Orlando Gomes salienta que a atividade do corretor consiste ‘em aproximar pessoas que desejam contratar”. (...) Fl. 796DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 40 10 Na mediação, o mediador não é parte no negócio. Não contrata e nada conclui. Simples intermediário, limitase ele a aproximar as partes e provocar o seu ajuste, conduzindo as ao fechamento do negócio. (...) O intermediário exerce sua função aconselhando a conclusão do negócio ou contrato, inclusive informando as suas condições, conciliando os interesses das partes aproximadas, oferecendo assistência até o momento em que o negócio se considera fechado. Desde o instante em que as partes se identificam e entram em entendimento, cessa a atividade do intermediário. Este não conclui nada em nome da empresa ou por conta da empresa." Não por acaso, o preço faturado pelo prestador do serviço é sempre o valor total cobrado na nota fiscal ou fatura que é apresentada ao cliente, conforme disciplina o § 2º do art. 20 da Lei n.º 5.474, de 18 de julho de 1968, in verbis: “Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.” (g.n.) Em face das razões acima, concluise que, na determinação das bases de cálculo da Contribuição para o PIS (09/2002 a 01/2003 e de 03/2003 a 11/2003) e da Cofins (09/2002 a 12/2003), os valores recebidos pela autuada pela prestação de serviços de informática encontramse dentro do campo de incidência destas contribuições, não havendo previsão legal para que sejam excluídos da apuração de suas bases de cálculo. Quanto aos períodos de 07/2005 a 09/2005, é de se considerar não impugnada a matéria, visto que não foi expressamente contestada pela impugnante. Diante do exposto, voto por considerar a impugnação procedente em parte, cancelando os créditos tributários das Contribuições para o Pis e Cofins dos períodos de apuração de 01/2001 a 08/2002, acrescidos das multas e juros correspondentes, considerando que os mesmos se encontram atingidos pela decadência. Os demais créditos tributários das Contribuições para o Pis e Cofins deverão ser mantidos.” Assim, quanto ao Recurso de Ofício da decisão que reconheceu a decadência dos períodos de apuração de 01/2001 a 08/2002, concordo com a decisão recorrida, conforme acima citado. Diante do todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO e portanto, manter a decisão recorrida. É como voto Fl. 797DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15563.000381/200711 Acórdão n.º 3101001.746 S3C1T1 Fl. 41 11 Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 798DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10950.904966/2012-84
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2006
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 66 /2 01 2- 84 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904966/201284 Acórdão n.º 3801004.512 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15540.720377/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PARA EXAME DA MATÉRIA QUE A CONSTITUIÇÃO RESERVOU AO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO INVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF.
O Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa, com exceção do disposto no artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se estende aos órgãos da Administração.
DEPÓSITO BANCÁRIO. VALOR DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
Para a presunção de omissão de receita de que trata o artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, basta que o depósito bancário seja proveniente de origem não comprovada, sendo desnecessário a prova de evolução patrimonial. Se o valor de origem não comprovada foi depositado na conta do contribuinte e não houve evolução patrimonial a conclusão que decorre é que se trata de recursos consumidos.
Recurso Negado
Numero da decisão: 1402-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da argüição de inconstitucionalidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
(assinado digitalmente)
LEONARDO ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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COMPETÊNCIA PARA EXAME DA MATÉRIA QUE A CONSTITUIÇÃO RESERVOU AO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO INVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 02 DO CARF. O Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa, com exceção do disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se estende aos órgãos da Administração. DEPÓSITO BANCÁRIO. VALOR DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para a presunção de omissão de receita de que trata o artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, basta que o depósito bancário seja proveniente de origem não comprovada, sendo desnecessário a prova de evolução patrimonial. Se o valor de origem não comprovada foi depositado na conta do contribuinte e não houve evolução patrimonial a conclusão que decorre é que se trata de recursos consumidos. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da argüição de inconstitucionalidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 77 /2 01 2- 91 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 17 2 (assinado digitalmente) LEONARDO ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, em sua íntegra, o que passo a transcrever: De acordo com descrição de fls. 7/8, tratase de Lançamento de Ofício, nos termos dos artigos 904 e 926 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, decorrente de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, referente ao anocalendário de 2008, apurado na sistemática de lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, III, do RIR/99, tendo em vista ter sido constatada omissão de receita por presunção legal, artigo 42 da Lei nº 9.430/96, razão pela qual foram apurados os seguintes tributos: TRIBUTO CÓDIGO PRINCIPAL JUROS DE MORA (*) MULTA 75% TOTAL Fls IRPJ 2917 144.354,50 59.412,25 108.265,88 312.032,63 6/8 PIS/PASEP 2986 45.596,00 19.220,24 34.197,03 99.013,27 44/50 CSLL 2973 75.759,53 31.173,23 56.819,65 163.752,41 26/37 COFINS 2960 210.443,14 88.708,77 157.832,37 456.984,28 38/43 TOTAL 1.031.782,59 (*) Juros de Mora calculados até 10/2012. 2. O Relatório Fiscal de fls. 9/10, em síntese, descreve: 2.1. A ação fiscal originouse de seleção interna da DRF/Niterói, ano calendário de 2008, em razão da expressiva movimentação financeira confrontada com a DIPJ apresentada na modalidade de lucro real, a qual constava com todos os campos de valores zerados, inclusive a receita declarada, configurando assim, um indício de omissão de receita. O contribuinte apresentou também as suas DCTF deste anocalendário sem informação de valores a pagar a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Não obstante isso, o contribuinte efetuou alguns recolhimentos a título de PIS e COFINS e, nas DACON apresentadas, constou apuração de saldo credor de PIS e COFINS não cumulativo. 2.2. O contribuinte foi intimado, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, recebido em 04/01/2011, a apresentar, além de seus livros comerciais e fiscais, os extratos bancários de suas contascorrentes e de aplicações financeiras. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 18 3 2.3. Em correspondência entregue à RFB em 21/02/2011, o contribuinte alega necessidade de providenciar junto aos estabelecimentos bancários os extratos de suas contas, referindose às fortes chuvas que atingiram a região da empresa, o que, segundo argumenta, dificultou bastante a sua gestão na obtenção dos documentos, reivindicando os benefícios da Portaria MF 23, de 18/01/2011, a qual suspendeu até 31 de julho de 2011 a prática de atos processuais no âmbito da RFB pelos sujeitos passivos domiciliados nos municípios de que trata o artigo 1°, que inclui o município de Nova Friburgo. 2.4. O contribuinte foi cientificado do Termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal em 02/05/2011, que foi respondido em 04/05/2011, com a alegação de que os danos ocorridos com as chuvas torrenciais que caíram no Município onde está localizada, castigaram sua empresa. Anexou fotografias dos estragos sofridos e informou que acreditava que promoveria o atendimento do que lhe foi solicitado em 45 dias, sendo lhe concedido prorrogação do prazo para atendimento. 2.5. O contribuinte, através de correspondência entregue à RFB em 07/11/2011, apresentou os extratos bancários das contascorrentes: 22.958X e 50.8527 da Agência 03352 no Banco do Brasil; 111.1108 da Agência 3375 no Bradesco; e 7.725.9697 da agência 0216 do Banco Real/Santander; e, informa estar encontrando dificuldades para amealhar os elementos solicitados no Termo de Início por depender de terceiros. 2.6. Decorridos aproximadamente dois meses, sem que o contribuinte tivesse apresentado qualquer novo elemento ou justificativa para a sua não apresentação, foi providenciada a solicitação de emissão de RMF para os Bancos Safra e Unibanco. 2.7. Após recebimento dos extratos bancários, objetos de RMF, foram efetuados os expurgos devidos e relacionado em oito planilhas, uma para cada conta, além de condensar os valores mensais, por banco e conta, em outra planilha, sendo o contribuinte intimado, através do termo de Intimação Fiscal, de 10/07/2012, para que comprovasse, no prazo de dez dias, com documentação hábil e idônea, relativa a origem dos recursos creditados em suas diversas contascorrentes. 2.8. Em 13/08/2012, sem que houvesse qualquer manifestação do contribuinte, foi efetuado um Termo de Constatação, no qual foi relatado que o contribuinte não atendeu, até aquele momento, as intimações e reintimações para apresentação dos livros e documentos solicitados, e que ficaria sujeito à tributação de seu lucro com base no arbitramento de suas receitas conhecidas através de sua movimentação bancária, caso não atendesse esta intimação para apresentar a sua escrituração comercial e fiscal ou, sendo o caso, reescriturar, no prazo de trinta dias, sob pena de arbitramento dos lucros com base em suas receitas obtidas através de sua movimentação financeira. 2.9. Decorrido o novo prazo concedido, sem que o contribuinte tivesse se manifestado, e sem que tivesse logrado justificar os créditos efetuados em suas diversas contas correntes nos bancos, foi efetivado o arbitramento de seu lucro com base nas receitas obtidas através dos créditos constantes nas diversas contas bancárias, conforme planilha consolidada dos valores mensalmente creditados. Da Impugnação Fl. 810DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 19 4 3. Inconformada, a Impugnante, que tomou ciência do lançamento em 11/10/2012, fls. 6, apresentou impugnação, fls. 708/712, em 05/11/2012, na qual, em síntese, argumenta: 3.1. O destino ofereceu ao Fiscal a oportunidade de optar pelo desfecho da ação fiscal iniciada apontando motivos alheios a vontade do contribuinte em atender com presteza os termos lançados. Entretanto, primeiro optou pela quebra de sigilo bancário para apurar a movimentação financeira do contribuinte mediante RMF enviada pelo Delegado da Jurisdição aos bancos Safra e Unibanco. 3.2. As receitas obtidas pelo contribuinte foram conhecidas pelo Fiscal, conforme planilha efetuada para apuração do PIS e da COFINS onde indica uma receita total de R$ 5.809.403,30. 3.3. A adoção da quebra do sigilo bancário para concluir a existência de indício de omissão de receitas, além de causar sérios prejuízos ao contribuinte, é questionada pela Constituição Federal e repelida pelo STF que afirma que esta só pode ser decretada por ordem judicial, para fins de investigação criminal de acordo com a Constituição Federal. Além disso, a medida adotada não se coaduna com o nexo do arbitramento, porque fere as regras do Regulamento do Imposto de Renda. 3.4. Conforme dispõe o art. 10 do DL 486/69 causa do arbitramento, “a ausência de documentação e livros por força de sinistro, não comprovada a existência de culpa da empresa no sinistro e, tampouco, inexatidões ou vícios nas declarações de rendimentos prestadas”. 3.5. As fotos anexadas na correspondência de 04/05/2011 são o fundamento da impossibilidade de atender, nos prazos concedidos, a intimação que exigia a entrega de documentos e livros. É inquestionável que em poder do contribuinte existiam outros meios fiscais de apuração, não só da produção industrial, como de todas as despesas, o cálculo do crédito do imposto alcançado (PIS/COFINS), as devoluções de vendas, a receita auferida, como também o valor de bens do Ativo Imobilizado (vide quadro 1 anexo). 3.6. Ocorreu a destruição total por inundação sem culpa do contribuinte, exigência esta cumprida de forma incontestável, demonstrada através de televisão, jornais e fotos anexadas ao processo, e inclusive com a Portaria MF 23 de 18/01/2011 que suspende a prática de atos processuais no âmbito da RFB. Se houvesse obediência ao mandamento legal o crédito tributário reclamado cairia em torno de 50%. 3.7. Existência de Livro Razão devidamente escriturado ou com qualquer outra documentação correspondente. 3.8. A tabela anexada constante do processo questionado demonstra de forma inequívoca as vendas realizadas no período, os gastos de industrialização e o lucro bruto neste período apurado, quanto as despesas concernentes, salários, impostos, honorários e etc., existem documentos que comprovam que foram realizadas. Com estes documentos poderia o Fiscal efetuar a fiscalização da apuração pelos meios optados pelo contribuinte Lucro Real. Por este caminho obedeceria aos acórdãos do Conselho de contribuintes que dispõem que com os livros auxiliares devidamente escriturados (razão, apuração do lucro real), com documentação, é propício de forma inequívoca o Fiscal proceder a fiscalização da apuração pelo Lucro Real. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 20 5 3.9. A forma de apuração do resultado utilizada pelo fiscal fere a Constituição Federal, pela quebra do sigilo bancário efetuada de forma irregular, pela admissão de depósitos bancários como omissão de receitas por mera presunção porquanto não considerou os créditos oriundos de empréstimos financeiros, transferência de contas, (vide quadro 2 anexo) assim como não provou de forma convincente a existência de omissão de receitas. A forma injusta da apuração da base do cálculo do arbitramento somando os depósitos que considerou como omissão de receitas e sobre o total calculou a base de cálculo, resultou, embora fora dos preceitos legais admitidos, num valor dobrado do imposto e seus acréscimos, 3.10. Apreciadas as preliminares argüidas, pedese a nulidade do ato impugnando por ferir a Lei e os julgados. 3.11. O procedimento que deu origem ao lançamento é nulo por ferir os preceitos constitucionais e, também, é irregular a forma adotada para o arbitramento do calculo da base do imposto quando se conhece a receita, quando existem documentos e livros auxiliares que propiciam a fiscalização pelo Lucro Real, não respeitando a destruição dos livros em face da catástrofe ocorrida na cidade de Nova Friburgo em janeiro de 2011, que resultou em medidas das autoridades fazendárias como forma de minimizar os prejuízos, razão pela qual pede a anulação da Ação Fiscal, determinando que o cálculo do imposto seja efetuado com base na opção do contribuinte Lucro Real. O acórdão da DRJ manteve a exigência sendo que a síntese dos fundamentos da decisão está contida na ementa que segue transcrita: LANÇAMENTO DEVIDAMENTE FORMALIZADO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não cabe declarar a nulidade de Auto de Infração lavrado com todos os requisitos exigidos pelo artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo tais alegações serem apreciadas pela autoridade julgadora administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco solicitar das instituições financeiras informações relativas ao contribuinte, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. As informações assim obtidas serão conservadas em sigilo pelo agente fiscal. Procedimento autorizado pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e regulamentado pelo Decreto nº 3.724/2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ALEGAÇÃO DE EXTRAVIO. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 21 6 O imposto de renda será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte optante pelo lucro real deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial, na qual esteja escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A alegação de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos de interesse da escrituração só será acatada pela autoridade fiscal, quando a pessoa jurídica fizer publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato, e der, no prazo de 48 horas, minuciosa informação do ocorrido ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. Além disso, deverá adotar as providências necessárias à reconstituição de sua escrita. Não logrando fazêlo, a pessoa jurídica ficará sujeita ao arbitramento do seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE A existência de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada mediante documentação hábil e idônea pelo titular da conta, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receitas. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte, em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. CO FINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Em 23 de março de 2013 a parte interessada foi intimada (fl. 790) do acórdão da DRJ e em 18/04/2013 apresentou o recurso de fls. 792 e seguintes repisando os fatos articulados quando da impugnação. Em 11 de setembro de 2013 o processo este em pauta, ocasião em que o Colegiado, por Resolução, resolveu sobrestálo, nos termos do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno, vigente à época. Com a alteração das disposições regimentais, o processo retornou à pauta. É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 22 7 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi interposto pela parte interessada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. Consta do item 0001 do auto de infração (fls. 07 e 729), que a exigência diz respeito à omissão de receita por presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário de 2008. Segundo está indicado no último parágrafo do TFV (fl. 10) a contribuinte que tinha apresentado DIPJ zerada e DCTF sem informações de valores a pagar a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Intimada, não comprovou a origem dos depósitos bancários e, tampouco, refez sua contabilidade no prazo que lhe foi concedido. Dados os termos da defesa e do recurso, o exame do mérito, no caso em tela, exige que se enfrente dois pontos, a saber: a) a exigência de crédito tributário nos casos de Requisição de Movimentação Financeira sem ordem judicial; b) a questão relacionada ao arbitramento nos casos em que verificada omissão de receita e o sujeito passivo não comprova a origem dos recursos e, tampouco, refaz sua contabilidade. Em relação a legitimidade de lançamento de crédito tributário com base em extrato bancário obtido sem ordem judicial, a Súmula 02 do CARF nº 2 estabelece que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões não conheço da matéria neste ponto. Contudo, para que não pareça que este colegiado tenha feito análise superficial em relação ao tema, deixando de se pronunciar quanto ao entendimento do STF, invocado pela recorrente, ao final do voto, em item específico, tratarei do assunto, como forma de responder as questões postas, evitando eventuais embargos de declaração. I Do lançamento com base em depósitos bancários Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Conforme lição de Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, “...A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 23 8 conhecido se infere outro desconhecido. (...). Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal”. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. Para Alfredo Augusto Becker, a observação do acontecer dos fatos segundo a ordem natural das coisas, permite que se estabeleça uma correlação natural entre a existência do fato conhecido e a probabilidade de existência do fato desconhecido. A correlação natural entre a existência de dois fatos é substituída pela correlação lógica. Basta o conhecimento da existência de um daqueles fatos para deduzirse a existência do outro fato cuja existência efetiva se desconhece, porém temse como provável em virtude daquela correlação natural. Presunção é o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido, cuja existência certa inferese o fato desconhecido cuja existência é provável.2 Moacir Amaral dos Santos3, citando Clóvis Beviláqua, define presunção como “a ilação que se tira de um fato conhecido para provar a existência de outro desconhecido” ou, na lição de RAMPONI, presunções são “hipóteses que correspondem, provavelmente, ou seja na maior parte dos casos, à verdade”. Assim, tem a presunção como uma atividade do pensamento em que graças a um fato certo, “raciocinandose com aquilo que freqüentemente acontece, chegase ao fato desconhecido, isto é, presumese o fato desconhecido.” Para Pontes de Miranda4, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Para este autor: “Na presunção legal, absoluta, temse A, que pode não ser, como se fosse, ou A, que pode ser, como se não fosse. Na presunção iuris tantum, e não de iure, temse A, que pode não ser, como se fosse, ou A, que pode ser, como se não fosse, admitindo se prova em contrário. A presunção mista é a presunção legal relativa, se contra ela se admite a prova em contrário a, ou a ou b.” ..... “A presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que se presume. Se ela apenas inverte o ônus da prova, a indução, que a lei contém, pode ser ilidida in concreto e in hypothesi” Ed. Lejus 2 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 508. Ed. Lejus 3 SANTOS, Moacir Amaral, Prova Judiciária no Cível e Comercial, 2ª. Ed. – Vol. V, São Paulo, 1955, pág. 348. 4 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 24 9 Em face dos conceitos acima, temse que o depósito bancário feito em conta corrente ou de investimento do contribuinte, dentro da correlação natural dos fatos, por disposição legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, pressupõe a existência de receita ou rendimento prévio, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário, usando de todos os meios em direito admitidos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver origem em uma simples transferência bancária entre contas do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador decorre da circunstância de tratarse de dinheiro novo no patrimônio do contribuinte sem que este, intimado para prestar esclarecimentos, não prove sua origem. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Poder seia, em tese, sustentar a inconstitucionalidade da presunção extraída a partir do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, situação que neste Conselho encontra óbice em razão do disposto na Súmula nº 2 de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em síntese, não tendo a autuada apresentado qualquer prova acerca da origem dos recursos, diante da presunção de que trata o artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, tenho que os valores creditados nas contas relacionadas à fl. 673 caracterizam omissão de receita. II Da questão relacionada ao arbitramento, no caso concreto. É fato incontroverso, quer pelas fotografias juntadas aos autos, quer pelos dados indicados na Portaria citada no processo, que na época da fiscalização a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, onde se encontrava estabelecida a empresa fiscalizada, foi atingida por catástrofe natural. Nestas circunstâncias é impossível definir o grau de destruição da documentação necessária à recomposição do lucro real. De início, menciono que o fato de a empresa ter apresentado suas DCTFs sem informações de valores a pagar a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, frente a existência de depósitos bancários, é fato mais do que suficiente para comprovar a omissão de receita. Constatada a omissão de receita e a notícia de inexistência de registros contábeis, a autoridade fiscal, de forma acertada, concedeu prazo para que fosse refeita a contabilidade. No entanto, de nada adiante atender a formalidade de conceder prazo quando sabidamente é impossível refazer a contabilidade em razão da destruição dos documentos. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 25 10 Nestas circunstâncias, o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, que trata do arbitramento, deve ser interpretado com harmonia com o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata da presunção de omissão de receita e com o artigo 15 da Lei nº 9.249, que estabelece os percentuais da receita para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não desconheço que nos casos de arbitramento, sobre o valor da receita apurada é adicionado o percentual de vinte por cento. Aqui não se está diante de penalidade imposta ao contribuinte, e sim de forma de apuração de lucro. Nestas circunstâncias, isto é, quando existe receita regularmente declarada e a fiscalização identifica omissão decorrente de presunção, este colegiado tem inúmeros precedentes destacando que não cabe o agravamento de que trata o artigo 16 da Lei nº 9.249, de 1995. No entanto, a situação dos autos é diferente. No caso concreto, em relação ao ano de 2008, objeto da fiscalização, a recorrente não tinha declarado qualquer receita e, nestes casos, tenho por correto o arbitramento e não apenas o acréscimo da receita omitida ao que já tinha sido declarado. III – Da questão relacionada ao acesso dos dados bancários sem ordem judicial Dentre os argumentos da recorrente, está o que aponta que o STF, quando do julgamento do RE. 601.314 SP, reconheceu que a Administração Tributária não pode, sem ordem judicial, requisitar a movimentação financeira do contribuinte, às instituições bancárias. Verifico que intimada a apresentar os extratos bancários a contribuinte, à fl. 4.872, invoca em seu favor as disposições contidas no artigo 5º, X e XII, da Constituição Federal. Posteriormente, frente à possibilidade de agravamento da multa, sob protesto, apresentou extratos bancários. Neste sentido, não é possível dizer que entregou ditos extratos de forma espontânea. Na verdade, entregou para evitar que fosse penalizada pela recusa. Assim, passo ao exame da questão aqui posta e suscitada no recurso. Conforme destacado pela recorrente, quanto aos direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Dentre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal e; b) mediante ordem judicial. Das condicionantes estabelecidas pelo legislador constituinte, vêse clara opção de valores que entendeu merecer maior proteção, ainda que em detrimento de terceiros e do próprio Estado. Por exemplo, se a questão disser respeito a litígio fora da esfera do campo penal, nem mesmo o juiz pode quebrar o sigilo assegurado pela Constituição. Em outras palavras, aqui, nem o legislador e tampouco o juiz pode extrapolar os limites impostos pela ordem constitucional. Disto depreendese a lição de que a justiça, seja na área cível, penal ou fiscal não se realiza a qualquer preço. Existem, na busca da verdade, limitações imposta por valores mais altos que não podem ser violados. Neste sentido, lembro lição de Júlio Fabbrine Fl. 817DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 26 11 Mirabete para quem “entre o perigo de se condenar um inocente e se absolver culpado, absolvase o culpado.” Em outras palavras e trazendo a matéria para campo do direito tributário, entre o perigo de permitir que os agentes da fiscalização, sem o crivo da análise prévia pelo Judiciário, possam requisitar provas protegidas pelo sigilo para embasar lançamentos fiscais e deixar, eventualmente, de se cobrar determinado tributo por falta de prova, o legislador constituinte optou em proteger a primeira situação em detrimento da segunda. Aqui, temse o Estado limitando seus próprios atos frente aos cidadãos. Conforme lição de Jorge Miranda5, as normas que definem direitos fundamentais são normas de caráter preceptivo, e não meramente programáticos. “Os direitos fundamentais têm seu fundamento de validade na Constituição e não na lei, com o que fica claro que é a lei que deve respeitar a Constituição, e não ao contrário. Os direitos fundamentais não são normas matrizes de outras normas, mas são sobretudo normas diretamente reguladoras de relações jurídicas.” Dados os fundamentos acima mencionados, questão que se coloca e que se constitui no ponto principal do recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. E mais: se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afeta à constitucionalidade das leis ou, em outras palavras, deixála de aplicálas pior entender inconstitucionais. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... 5 Jorge \|Miranda. Manual de Direito Constitucional, tomo IV. Coimbra: Coimbra Editora, 1993, p. 276. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 27 12 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Não desconheço que em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 1005 2011. EMENTA: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. A propósito, do voto do Ministro Celso de Melo transcrevo os seguintes pontos, desconsiderando os grifos existentes no original: (...) Impende, reconhecer, desde logo, que não são absolutos mesmo porque não o são os poderes de que se acham investidos os órgãos e agentes da administração tributária, cabendo assinalar, por relevante, Senhores Ministros, presentes o contexto ora em exame, que o Estado, em tema de tributação, está sujeito à observância de um complexo de direitos e prerrogativas que assistem, constitucionalmente, aos contribuintes e aos cidadãos em geral. Na realidade, os poderes do Estado encontram, nos direitos e garantias individuais limites intransponíveis, cujo desrespeito caracterizar ilícito constitucional. (...) 0 que me parece significativo, no contexto ora em exame,é que a administração tributária , embora podendo muito, não pode tudo, eis que lhe é somente lícito atuar, "respeitados os direitos individuais e nos termos da lei" (CF, art. 145, § 1º), consideradas, sob tal perspectiva, e para esse efeito, as limitações decorrentes do próprio sistema constitucional, cuja eficácia restringe, como natural conseqüência da supremacia de que se acham impregnadas as garantias instituídas pela Lei Fundamental, o alcance do poder estatal, especialmente quando exercido em face do contribuinte e dos cidadãos da República. (...) Na realidade, a circunstância de a administração estatal acharse investida de poderes excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exonera do dever Fl. 819DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 28 13 de observar,, para efeito do correto desempenho de tais prerrogativas, os limites impostos pela Constituição e pelas leis da Republica, sob pena de os órgãos governamentais incidirem am frontal desrespeito às garantias constitucionalmente asseguradas aos cidadãos em geral e aos contribuintes, em particular. (...) Nenhum homem pode ser considerado verdadeiramente livre, se não dispuser de garantia de inviolabilidade da esfera de privacidade que o cerca. (...) É certo que a garantia constitucional da intimidade (e da privacidade) não tem caráter absoluto. Na realidade, como já decidiu esta Suprema Corte, "Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter absoluto, 'mesmo pOrque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do principio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais, ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição” (MS 23.452/RJ, Rel. Min.CELSO DE MELLO). Isso não significa, contudo, que o estatuto constitucional das liberdades' públicas nele compreendida a garantia fundamental da intimidade e da privacidade posse ser arbitrariamente desrespeitado por qualquer órgão do Poder Publico. Nesse contexto, põese em evidência a questão pertinente ao sigilo bancário, que, ao dar expressão concreta a uma das dimensões em que se projeta, especificamente, a ,garantia constitucional da privacidade, protege 'a esfera de intimidade financeira das pessoas. (...) 0 magistério doutrinário, bem por isso, tem acentuado que o sigilo bancário – que possui extração constitucional reflete, na concreção do seu alcance, um direito fundamental da personalidade, expondose, em conseqüência, A proteção jurídica a ele dispensada pelo ordenamento positivo do Estado. (...) Se podia haver dúvidas no passado, quando as Constituições brasileiras não se referiam. especificamente A proteção da intimidade, da vida privada e do sigilo referente aos dados pessoais, é evidente que diante do texto constitucional de 1988, tais dúvidas não mais existem quanto à proteção do sigilo bancário como decorrência das normas da lei magna. (...) A relevância do direito ao sigilo bancário impõe, por isso mesmo, cautela e prudência ao Poder Judiciário na determinação da ruptura da esfera de privacidade individual que o ordenamento jurídico, em norma de salvaguarda, pretendeu submeter A cláusula tutelar de reserva constitucional (CF, art. 5°, X). (...) Mais do que isso, esta Suprema Corte salientou, ao julgar o Inq. 897AgR/DF, Rel..Min. FRANCISCO REZEK, DJU de 02/12/94, que, não sendo absoluta a garantia pertinente ao sigilo bancário, tornase lícito afastar, quando de investigação criminal se cuidar, p. ex., a cláusula de reserva que protege as contas bancarias nas instituições financeiras, revelandose ordinariamente inaplici4e1, para esse especifico efeito, a garantia constitucional do.contraditório. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 29 14 (...) Dentro dessa perspective, revelase de inteira pertinência a invocação doutrinária da clausula do "substantive due process of law" já consagrada e reconhecida, em diverges decisões proferidas por este Supremo Tribunal Federal, como instrumento de expressiva limitação constitucional ao próprio poder do Estado (ADI 1.063/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO ADI 1.158/AM, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.) pare efeito de submeter o processo de "disclosure" as exigências de seriedade e de razoabilidade. Daí o registro feito por ARNOLDO WALD ("op. cit.", p. 207, 1992, RT), no sentido de que "A mais recente doutrina norte americana fez do 'due process of law' uma forma de controle constitucional que examina a necessidade, razoabilidade e justificação 'das restrições A liberdade individual, não admitindo que a lei ordinária desrespeite a Constituição, considerando que as restrições ou exceções estabelecidas pelo legislador ordinário devem ter uma fundamentação razoável e aceitável conforme entendimento do Poder Judiciário. Coube ao Juiz Rutledge, no caso Thomas v. Collins, definir adequadamente a função do devido processo legal ao afirmar que: 'Mais uma vez temos de enfrentar o dever, imposto a esta Corte, pelo nosso sistema constitucional, de dizer onde termina a liberdade individual e onde começa o poder 'do Estado. A escolha do limite, sempre delicada, é o, ainda mais, quando a presunção usual em favor da lei é contrabalançada pela posição preferencial atribuída, em nosso esquema constitucional, às grandes e indispensáveis liberdades democráticas asseguradas pela Primeira Emenda (...). Esta prioridade confere a essas liberdades santidade e sanção que não permitem intromissões dúbias. E é o caráter do direito, não da limitação, determina o standard guiador da escolha. Por essas razões, qualquer tentativa de restringir estas liberdades deve ser justificada por evidente interesse público, ameaçado não por um perigo duvidoso e remoto, mas por um perigo evidente e atual'" A exigência de preservação do sigilo bancário enquanto meio expressivo de proteção ao valor constitucional da intimidade impõe ao Estado o dever de respeitar a esfera jurídica de cada pessoa. A ruptura desse circulo de imunidade 86 se justificará desde que ordenada por órgão estatal investido, nos termos de nosso estatuto constitucional, de competência jurídica para suspender, excepcional e motivadamente, a eficácia do principio da reserva das informações bancárias. Em tema de ruptura do sigilo bancário, somente os órgãos do Poder Judiciário dispõem do poder de decretar essa medida extraordinária, sob pena de a autoridade administrativa interferir, indevidamente, na esfera de privacidade constitucionalmente assegurada às pessoas. Apenas o Judiciário, ressalvada a competência das Comissões Parlamentares de Inquérito (CF, art. 58, § 3º), pode eximir as instituições financeiras do dever que lhes incumbe em tema. de sigilo bancário. (...) A efetividade da ordem jurídica, a eficácia da atuação do aparelho estatal e a reação social a comportamentos qualificados pela nota de seu desvalor éticojurídico não ficarão comprometidas nem afetadas, se se reconhecer aos órgãos do Poder Judiciário, com fundamento e apoio nos estritos limites de sua competência Institucional, a prerrogativa de ordenar a quebra do sigilo bancário. Na realidade, a intervenção jurisdicional constitui fator de preservação do regime das franquias individuais e impede, pela atuação moderadora do Poder Judiciário, que se rompa, injustamente, a esfera de privacidade das pessoas, pois a quebra do sigilo bancário não pode nem deve ser utilizada, ausente a concreta indicação de uma causa provável, como instrumento de devassa indiscriminada das contas mantidas em instituições financeiras. (...) Fl. 821DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 30 15 A equação direito ao sigilo dever de sigilo exige para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das. pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público, de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro – que a determinação de quebra do sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto , a supremacia do interesse público.” Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente, impondo que se aplique o disposto na Súmula 02 do CARF nº 2 que estabelece que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ISSO POSTO, não conheço das alegações relacionadas à inconstitucionalidade de lei, e no mérito, quanto à matéria conhecida, nego provimento ao recurso. É o voto. (Assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 822DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720377/201291 Acórdão n.º 1402001.814 S1C4T2 Fl. 31 16 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720803/2010-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL E AGRAVADA.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
Caracterizado o atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, tem cabimento afastar o agravamento da multa de ofício proporcional aplicada.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar o provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL E AGRAVADA. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. Caracterizado o atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, tem cabimento afastar o agravamento da multa de ofício proporcional aplicada. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 08 03 /2 01 0- 16 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 513 2 Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL E AGRAVADA. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. Caracterizado o atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, tem cabimento afastar o agravamento da multa de ofício proporcional aplicada. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar o provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0432, com a exigência do crédito tributário no valor de R$53.613,01, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional e agravada, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 514 3 período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006, em conformidade com o Relatório dr Ação Fiscal, fls. 295299. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 70300 da agência nº 2371X do Banco do Brasil S/A, fls. 230243. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados espontaneamente e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 7794 e no Livro de Registro e Apuração de ICMS, fls. 7794, do período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006, fls. 7794. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 3342 com a exigência do crédito tributário no valor de R$39.389,03 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. II – O Auto de Infração às fls. 4353 com a exigência do crédito tributário no valor de R$56.604,14 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 515 4 IV – O Auto de Infração às fls. 5464 com a exigência do crédito tributário no valor de R$167.408,69 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. V O Auto de Infração às fls. 6575 com a exigência do crédito tributário no valor de R$475.523,05 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 353355, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: II. QUESTÕES PRELIMINARES [...] 05. O Litigante apresentou os livros fiscais do ICMS à fiscalização, a partir dos quais, foram levantadas as receitas conhecidas, conforme aduz o Fiscal Autuante: "Pela análise dos livros fiscais apresentados, constatouse que o contribuinte, optante pelo Simples, na condição de microempresa ... auferiu... receita bruta em montante acumulado de ..." [...]. 06. Posteriormente, foi apresentada a escrituração do livro caixa, não recepcionada pelo Fiscal, tendo em vista, segundo alegou, já estar procedendo aos cálculos da autuação, chegando ao ponto de nem sequer reconhecer a satisfação dada pelo autuado sobre os valores analisados. 09. Reza o § 3º, do artigo 516, do RIR/99, Decreto n° 3.000, de 26/03/1999: "A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real, poderá optar pela tributação com base no lucro presumido." 7. O direito de opção pelo regime de tributação, mesmo após o início da fiscalização, está exarado nos itens 3.2, 3.3 e 3.4 do Parecer Normativo CST n° 40/81, DOU, I, de 30/11/81, assim redigidos: “O artigo 676 do RIR contempla entre as hipóteses que legitimam o procedimento de lançamento de oficio o fato de o contribuinte "não apresentar declaração de rendimentos", devendo ser o mesmo intimado para, no prazo de vinte dias, apresentar os esclarecimentos necessários. “ ... omissão de declarar, por si só, não é fato suficiente e necessário ao arbitramento, já que o contribuinte "omisso" pode possuir, antes de iniciado aquele procedimento ... escrituração e preencher as exigências fiscais relacionadas com a demonstração do lucro real ou do lucro presumido. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 516 5 Ao ser intimado a prestar a declaração, pode o contribuinte, manifestando sua vontade de optar, oferecer à tributação o lucro real ou presumido..." [...]. 8. Destacamos que o artigo 676 do RIR/80, corresponde ao artigo 841 do RIR/99. 9. A escrituração fiscal não constitui elemento suficiente para arrimar o arbitramento do lucro [...]. 10. Este fato, por si só, invalida o arbitramento do lucro, que constitui medida extrema, necessitando de aprofundamento da ação fiscal. [...] 11. Observe senhores julgadores, que quando da autuação pelo AFRFB, em nenhum momento foi explicado sobre a possibilidade da apresentação de documentos hábeis e a possível opção pela tributação de lucro real ou presumido [...]. 12. Em seguida, afirmando e confirmando sua determinação em proceder ao arbitramento do lucro, negativa forte e insistente à concessiva de opção ao contribuinte, pelo regime do lucro presumido, arremata o Agente Fiscal: "O não atendimento à esta intimação no prazo previsto ensejará a apuração do lucro por arbitramento, conforme artigo 530 do RIR/99." 13. Quer isto dizer, a não apresentação da contabilidade comercial, Livro de Apuração do Lucro Real —Lalur, Livro Razão, etc., elementos exigidos exclusivamente para a apuração do Lucro Real, ensejaria o arbitramento do lucro. Negativa peremptória, sem meias palavras, A. possível, legal e justa opção pelo regime do lucro presumido, em lançamento ex officio. 14. In casu, o Contribuinte, leigo na especialidade Direito Tributário, [...], desconhecendo poder optar por tributação mais benigna — lucro presumido, foi induzido responder, literalmente Aquela intimação. Quanto lembrouse de apresentar o livro Caixa, não solicitado na intimação, não teve recepção por parte da fiscalização, eis que o arbítrio do arbitramento já estava em andamento [art. 45 da Lei nº 8.891, de 20 de janeiro de 1995 e § 1º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977] [...]. 17. 0 procedimento fiscal em questão, atenta contra a norma benigna ampliando — art. 112 do CTN,. Lei n° 5.172/66, segundo a qual, interpretase de forma mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida, a legislação tributária. [...] 19. Por este ângulo, indução do contribuinte ao erro, também está fulminado o lançamento tributário em lide. [...] 20. A fiscalização fez incidir multa exacerbada de 102,50% sobre o Imposto de Renda que considerou devido. 21. Reza o artigo 150, IV, da Constituição da República: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV — utilizar tributo com efeito de confisco." [...] 22. Nesse diapasão, se é exato que somente uma situação que reflita alguma capacidade contributiva pode ser objeto de tributação, não é menos correto que a Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 517 6 pessoa que nela se encontre não pode, em razão disto, ser tributada num tal nível que a impeça de continuar a exercer atividade licita, ou que lhe retire o indispensável ou que reduza o padrão de contribuinte — capacidade contributiva como limite de tributação. [...] 26. A sanção tributária, como qualquer outra sanção, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim, tão somente estimular o pagamento correto e pontual dos tributos, sob risco de sua oneração, não podendo nunca ser utilizado como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. 27. À vista dessa realidade, não é qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou suposta alegação de débito deste, que deve legitimar a previsão de multa exacerbada, no patamar de 112,50% [...]. 28. Nem mesmo a sonegação de determinado tributo, enquadramento este tentado sem sucesso pela fiscalização, mas não subsumido A espécie, justificaria a apenação de uma multa que exproprie desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio desproporcional A. hipotética infração alegada. 29. Não é o principal que acompanha o acessório, senão o contrário... 30. Se assim não o for, seguirseá o caráter confiscatório da multa ou penalidade pecuniária. 31. Esta é, por sinal, a clássica posição doutrinária no Direito pátrio, na lição de Sampaio Dória, mestre do "Devido Processo Legal": "(...) não se admitirá que, a pretexto de castigar infrações, o legislador confisque a propriedade individual ..." 32. Como vemos, impõese afirmar a inconstitucionalidade da multa de 112,50%, aplicada no, auto de infração em lide, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior. [...] 33. Além da multa confiscatória já referida, temos, compondo o crédito tributário em lide, a aplicação da Taxa Selic — Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia, para cálculo dos juros moratórios devidos, quando não pagos tempestivamente, os tributos administrados pela Receita Federal, segundo o estabelecido no artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20/06/1995. [...] 37. Tratase, pois, não somente de inconstitucionalidade manifesta, como também de quebra de hierarquia das leis, vez que a Lei ordinária n° 9.065/1995 não poderia ter alterado o Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei n° 5.172/66, porém com status de lei complementar, A. teor da Emenda Constitucional n° 01. 38. Mostrase induvidosa a necessitada de excluir da verba juros de mora a incidência da Taxa SELIC, por afronta Constituição Federal e ao principio da hierarquia das normas legais, tudo por uma questão de economia processual. [...] Em março de 2005, a CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, órgão que tem por objeto homogeneizar a interpretação da legislação tributário no âmbito da SRF, expediu dois Pareceres (Soluções) de Divergência, para a DRJ/RJO II, relativamente à lavratura de lançamentos reflexos ou decorrentes, quando a autuação principal o foi por arbitramento do lucro na pessoa jurídica. [...] Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 518 7 41. Os pareceres se referem as improcedência dos reflexos de PIS e COFINS, quando o regime de tributação no IRPJ foi o lucro arbitrado. Por extensão, a CSLL —Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, também improcede, por analogia — artigo 108, I, CTN. [...] 42. Lembramos, a bem da verdade, que os pareceres da COSIT., em essência são congêneres As Soluções de Divergência, conforme demonstrado no item 43 supra, e como tal, devem ser observados pelas Autoridades Julgadoras, por constituírem "as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição a que a lei atribua eficácia normativa; práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas", conforme aduzem os incisos II e III, do artigo 100, do CTN. 43. Por outro lado, se o julgamento da presente lide for pela manutenção das tributações reflexas são decorrentes pelo fato de comporem um mesmo processo fiscal neste caso, o Sr. Julgador deverá proceder de acordo com o disposto no artigo 48, da Lei n° 9.430/96.[...] 44. In casu, mantidas as tributações reflexas —PIS, COFINS e CSLL, o Sr. Julgador deverá representar ao seu superior hierárquico, porque provocado um conflito de divergência. III. QUESTÃO DE MÉRITO [...] 45. Após induzir o Contribuinte sistematicamente ao erro, conforme exaustivamente demonstrado, provado e comprovado, a fiscalização olvidando o disposto no § único do artigo 142, CTN atividade plenamente vinculada, mostrado pelo lançamento de oficio, tenta aplicar a pecha de sonegação, a lançamentos financeiros de ordem pecuniária demonstrados em depósitos em espécie e cheques em conta corrente da empresa junto ao Banco do Brasil, sem prova convincente da existência de ação dolosa. [...] 48. Analisemos, pari passu, o lançamento tributário, A. luz da legislação pertinente. 49. Primeiramente, verificamos a existência de um erro crasso no libelo acusatório quando o Fiscal Autuante acusa o Peticionário de "conduta dolosa ... caracterizando assim a sonegação". [...] 51. Explicase: No RIR/80, a omissão no registro de receitas era tributada à razão de 50% da omissão. A alíquota do IRPJ incidia sobre a base de cálculo penal/presumida de 50% da receita subtraída à escrituração. Em caso de a receita estar escriturada mas não declarada, não tipificava omissão de receita, porém, inexatidão da Declaração de Rendimentos. [...] 58. A tentativa de tipificação dolosa, no presente caso, é plenamente respondível e contrastável, à começar pelo fato de não ter sido constatado, por parte do fisco, sequer, nenhuma omissão de receita. Isto, por si só, prova e comprova a fragilidade e inconsistência do dolo imputado A. Impugnante. [...] 59. O princípio da legalidade, um dos pilares do Estado de Direito, está positivado em nossa Constituição, garantindo que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sendo em virtude de lei — artigo 5°, II. 60. A lei, todavia, em seu aspecto meramente formal, tem se mostrado insuficiente como garantia dos direitos individuais. Isto porque, os governantes, através de poderosa influência política sobre os parlamentares, passaram a utilizar a Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 519 8 mesma norma que antes os limitava, para com ela obter a autorização que precisam para exercer o poder de forma desmesurada na medida de suas necessidades. 61. A compreensão do que seja o principio da proporcionalidade está na razão direta entre a finalidade da norma e utilizado para atingila. [...] 63. Mas se é verdade que houve "o intuito de dificultar a cobrança dos créditos tributários por parte da Fazenda Nacional," então a hipótese seria o agravamento da multa de 75%, prevista no § 2°, do artigo 44 [da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996]. 65. É importante ressaltar que o Fiscal Autuante sabia da aplicação restritiva do artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, prova disto é que no enquadramento legal da penalidade pecuniária, está citado o dispositivo em questão. 66. Não é por demais enfatizar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não podendo o aplicador da norma legal praticar erro grosseiro à teor do artigo 20, da Lei n° 8.137, de 27/12/90, DOU, I, de 28/12/90, que deu nova redação ao § 1 0, do artigo 316 do Decretolei n° 2.848, de 07/12/40 [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 68. Do quanto ficou aqui exposto, é de admitirse que a ação fiscal movida A EDILTON ANTERO DA SILVA ME., não tem como prosperar, malferido que foi, consoante demonstrado, o principio do DEVIDO PROCESSO LEGAL, a partir de‘ quando a Autoridade Lançadora incidiu pela discricionariedade, afastandose da plena vinculação, norma pungente da Lei de Regência, dirigida aos agentes públicos, nos respectivos exercícios funcionais, aqui não estamos para burlar a legislação tributária nem por menos querer eximirse do recolhimento do imposto devido mais sim, para que seja feita a cobrança com o devido processo legal aplicado. [...] 69. De todo o exposto, requer EDILTON ANTERO DA SILVA ME., que se digne Vossa Senhoria, recebendo e prolatando o teor da presente petição, decretar, ao final, a nulidade dos lançamentos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, PIS e COFINS, integrantes do Processo FiscalAdministrativo n° 10435 720.803/201016. 70. Por ato continuo, requer seja intimado com brevidade sobre qualquer movimentação deste processo administrativo fiscal a pessoa do Dr. Kennedy Vanderlei OAB PI 4794 para atuar no feito da defesa ora patrocinada, no endereço a seguir: Dr. Kennedy Vanderlei — Advogado Rua Siqueira Campos, 300 sala 06 Ed. Bernarda Spindola centro Campo Maior PI CEP. 64.280000 fone (86) 94654342 / 81149602. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 34.891, de 15.11.2011, fls. 464474: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 519DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 520 9 Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS, COFINS e INSS. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basearse nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança as tributações reflexas dele decorrentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüição de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.08.2013, fl. 482, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.09.2013, fls. 484494, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória e afirma que apresenta o recuso voluntário de tempestivamente. Acrescenta que: III DA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS 7. Na ocasião, da fiscalização, o fiscal, afirma que ocorrem incompatibilidades entre os valores movimentados em conta corrente bancária do Recorrente e os declarados na DIPJ do períodobase da autuação. Entretanto, para caracterizar que ocorreram discrepâncias e omissões de receitas, o agente fiscalizador deve agir com a máxima cautela, no escopo de evitar abusos na fiscalização, bem como que esta não extrapole os critérios previstos na legislação, em vigor, para proceder ao lançamento dos supostos tributos devidos. [...] 8. A presunção legal referente à omissão de receitas não é absoluta, pois o agente fiscalizador deve fiscalizar o contribuinte não de forma presumida, más sim, de forma concreta, se realmente ocorreram omissões de recolhimentos dos tributos devidos, ou seja, na ocasião, da fiscalização, o órgão autuante não se deve ater a presunções para afirmar que não houve recolhimento de tributos. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 521 10 9. No caso, da referida autuação, não é difícil ou impossível sua comprovação, pois, diante dos dados contábeis do contribuinte, poderia, o agente fiscalizador, verificar, se realmente, o Recorrente, teria cometido infrações a legislação tributária, o que não foi o caso. Por mera presunção, restou demonstrado, durante toda a fiscalização, sem um estudo contábil mais aprofundado, que o Recorrente teria infringido a legislação em vigor. 10. A presunção de ausência de recolhimento de tributos não deve ser relativa, más sim, absoluta, sob pena de incorrer ao contribuinte um encargo, por demais gravoso, na medida em que incumbe a este demonstrar que a infração tributária não ocorreu. 11. Não há, na presente autuação, uma presunção relativa da omissão de receitas, de que a simples existência de crédito, em conta depósito ou de investimento, sem a devida comprovação de origem, por si só, caracteriza que o recorrente omitiu receitas, pois, caberia ao agente fiscalizador demonstrar, de forma cabal, que ocorreram tais omissões, no presente caso. 12. Observase, que o contribuinte não tinha como única opção de defesa demonstrar a origem dos créditos, em sua conta bancária, pois cabe também ao agente fiscalizador, de forma criteriosa, através de análise minuciosa dos dados contábeis, aferir se houve ou não omissão de receitas no caso concreto, o que não foi o caso. IV DA MULTA CONFISCATÓRIA DE 112,50% 13. O agente fiscalizador aplicou, de oficio, uma multa, por demais onerosa, em relação ao recorrente, no montante de 112,50% sobre o Imposto de Renda, em tese, devido. 14. A antiga distinção entre multa fiscal administrativa e multa fiscal moratória, fundada na doutrina que entendia que o Poder Judiciário só poderia atenuar a multa punitiva foi definitivamente afastada pelo STF, quando assentou que "a partir do CTN, Lei n.° 5.172 de 25/10/1966, não há como distinguir entre multa moratória e administrativa". [...] 16. No caso em tela, o montante da multa, e computados os juros, absolutamente confiscatórios, é superior em 112,50% ao valor do tributo, o que fere os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. [...] 21. Diante do exposto acima, não deve a administração pública obstar a iniciativa privada, inclusive, não observando os princípios constitucionais. 22. Isto posto, a Recorrente, apenas se rebela contra atos de injustiça, motivo pelo qual confiante no sentido de justiça desenvolvido por Vossa Excelência em sua atividade de julgador, como também, na trilha da jurisprudência dos Eg. Tribunais Pátrios passa a formular os seus requerimentos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 522 11 23. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e Improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. 24. Subsidiariamente, acaso naufragado o pedido retro, requer a redução da multa, na melhor forma que lhe convier, sempre em atenção aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 523 12 indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais3. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos4. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 5 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional6. Assim, os Autos de Infração, fls. 0475 e o Acórdão da 4ª 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 5 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 6 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 524 13 TURMA/DRJ/REC/PE nº 1134.891, de 15.11.2011, fls. 464474, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração7. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 525 14 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada8. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo9. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade10, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 9 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 10 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 526 15 administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 70300 da agência nº 2371X do Banco do Brasil S/A, fls. 230243. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados espontaneamente e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 7794 e no Livro de Registro e Apuração de ICMS, fls. 7794, do período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006, fls. 7794. Está registrado no Relatório de Ação Fiscal, fls. 295299, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Após análise e procedimento de auditoria realizado por esta fiscalização, não resta outra alternativa a esta fiscalização, qual seja proceder a lavratura do competente Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, com Reflexos (Contribuição para o PIS/PASEP — Simples, Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — Simples, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples, Contribuição para a Seguridade Social — INSS Simples), com a finalidade de preservar os interesses da Fazenda Nacional. Ainda, conclui que há coincidência entre as titularidades de fato e de direito, posto que, em nenhum momento, foi alegado nem comprovado de forma diversa, pelo autuado. As comprovações acerca da origem dos valores depositados não foram apresentadas, portanto não havendo a devida comprovação do que fora solicitado, havendo conseqüentemente a possibilidade de autuação destes valores, pois que não Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 527 16 foi apresentada a necessária documentação hábil e idônea que viesse a justificar ou comprovar a origem dos referidos valores. Foram feitas 02 (duas) intimações, quais sejam Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal, datados de 06/05/2009 e 27/07/2009, dando oportunidade de se buscar a verdade material, estabelecendo o contraditório e a ampla defesa. Não apresentou nem a comprovação da origem dos depósitos efetuados, muito menos de forma individualizada de cada lançamento de crédito, como preceitua o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/96. Estas intimações estavam bastante claras e elucidativas em relação ao que poderia acontecer, caso as mesmas não fossem atendidas. Portanto, tais valores serão autuados na Pessoa Jurídica, como Omissão de Receitas. [...] Por fim, procedi a apuração dos valores creditados (e não comprovados) na contacorrente do autuado, que se encontram relacionados em 01 (uma) listagem, às fls. 24/i a)4 , após ajustes, com os devidos expurgos (Cheques Devolvidos/Estornos de Depósitos de Cheques), consolidandoos mês a mês, conforme 01 (um) Quadro Demonstrativo da Movimentação Bancária — Resumo da Movimentação Financeira —Banco do Brasil (docs. de fls. 24q), referente ao anocalendário de 2006. Por fim, o Quadro Demonstrativo da Omissão de Receitas (Valor a Tributar) — Depósitos Não Comprovados (doc. de fls. 2'14), onde foram excluídos dos Créditos Mensais Líquidos as Receitas Declaradas (mensais), constantes da DIPJ, resultando na coluna OMISSÃO DE RECEITAS (VALOR A TRIBUTAR) (Depósitos não comprovados), que foram repassados para o Auto de Infração no Sistema Sa fira, que corresponde a OMISSÃO DE RECEITAS (VALOR A TRIBUTAR), mensal, do IRPJ, referente a Depósitos Bancários Não Comprovados (Depósitos Bancários Não Escriturados), cujo enquadramento legal está previsto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (ngulamentado no artigo 849, do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99). [...] Observamos que a partir de janeiro de 1997 (abrange o caso presente, já que está sob análise o ano de 2006), a PRESUNÇÃO LEGAL, contida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, é que os valores depositados em instituições financeiras de origem não comprovada pelo contribuinte passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos, não havendo necessidade de utilização dos valores depositados como renda consumida, nem evidenciar sinais exteriores de riqueza. Como o procedimento fiscal está lastreado nas condições impostas pelo permissivo legal, é do autuado o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua contacorrente, ou seja, de provar que há depósitos devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira nã6 tributável, para que possa ser excluído da tributação. A presunção legal é "juris tantum", isto 6, admite prova em contrário, posto que presunção relativa. A oportunidade lhe foi oferecida nas Intimações, das quais tomou as devidas ciências. Ante o fato material constatado, qua l. seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores. Ora, as receitas obtidas de qualquer forma (depositadas nas suas contas correntes) e em qualquer condição jurídica, desde que beneficiem o contribuinte, deverão ser tributados. Ainda mais, a PRESUNÇÃO LEGAL descrita no diploma já referido, autorizador da constituição do crédito tributário, constitui a situação jurídica necessária a existência do fato gerador do imposto de renda pessoa jurídica, tendo seus efeitos considerados desde o momento que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável, ou seja, a partir da vigência da norma autorizadora (Lei n° 9.430/96 vigência a partir de 01/01/97). . Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 528 17 Sendo assim, procedemos ao lançamento de oficio das receitas auferidas e não tributadas, decorrente de depósitos bancários não comprovados, efetuados durante o período de 01/01/2006 a 31/12/2006, na contacorrente já referida. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão individualizados no Demonstrativo de Movimentação Bancária, fl. 247292, e no Quadro Demonstrativo da Omissão de Receitas , fl. 294, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2006 Mês (A) Valores Creditados na Instituição Financeira R$ (B) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D) AnoCalendário 2006 Janeiro 222.985,39 39.754,83 183.230,56 Fevereiro 215.882,51 3.681,00 212.201,51 Março 235.781,08 24.224,95 211.556,13 Abril 180.084,15 26.886,80 153.197,35 Maio 320.358,44 21.186,07 299.172,37 Junho 244.565,60 36.342,63 208.222,97 Julho 265.314,76 31.601,62 233.713,14 Agosto 278.776,13 30.074,15 248.701,98 Setembro 248.228,75 16.500,50 231.728,25 Outubro 304.927,17 26.251,90 278.675,27 Novembro 321.463,29 25.319,83 296.143,46 Dezembro 319.065,84 58.148,33 260.917,51 Total 3.157.433,11 339.972,61 2.817.460,50 A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês11. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da 11 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 529 18 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200912 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF13. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional e agravada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos14. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 13 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 14 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 530 19 – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância15. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A aplicação da multa de ofício proporcional agravada tem como requisito o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos16. A Recorrente foi intimada pessoalmente do Termo de Início do Procedimento Fiscal com a seguinte finalidade, fls. 9697: Ação FISCAL Período: janeiro a dezembro de 2006. PJ optante do SIMPLES. 1. Livros Fiscais (Livro de Saídas, Livros de Entradas e Livro de Apuração do ICMS); 2. Livros Contábeis (RAZÃO, DIÁRIO, ou CAIXA, e Registro do Inventário) e Livro de Registro de Ocorrências: 3. Termo constitutivo da pessoa jurídica (Contrato Social) e suas alterações, ate 31/12/2008; 4. Relação de bens e direitos pertencentes à pessoa jurídica, com a devida identificação do registro no órgão competente (DETRAN, Cartórios de Registro de Imóveis etc); 5. Notas Fincas de compras de mercadorias para revenda, verificadas no ano de 2006; 6. Apresentar os EXTRATOS da movimentação financeira bancária realizada no curso do ano de 2006; OBSERVAR: a) A empresa deverá indicar representante para acompanhar a ação fiscal; b) No caso da existência de decisão em ação judicial, suprimindo qualquer ação da SRF, fazer a imediata apresentação; 15 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 16 Fundamentação legal: § 2º do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 531 20 c) Existindo comprovada impossibilidade material para o atendimento da presente Intimação, informar, por escrito, as razões pelas quais deixa de fazêlo, porquanto, o não atendimento, no prazo estipulado, sujeitará o Contribuinte à aplicação de multa de oficio agravada, na forma do art. 959, do RIR/99; e d) Os elementos fiscais solicitados deverão ser entregues na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Petrolina, localizada na Av. Doutor Fernando Menezes Góes, n. 165 Centro, Petrolina/PE, CEP: 56304020, fone. 87.3866.5100. (Email: oscar.lima@receita.fazenda.gov.br); e Em resposta a Recorrente informa, fl. 98: Edilton A. da Silva, empresa privada, estabelecida na Tray. Tancredo Neves n° 192, bairro Rodoviária, na cidade de Ouricuri — PE; inscrita no CNPJ sob n° 04.808.489/000183, vem por seu titular abaixo assinado, DECLARAR para fins de prova junto a fiscalização da SRF, que deixa de anexar ao MPF de n° 0410200.2009.00121, os documentos discriminados a seguir, em virtude da empresa não manter a escrituração regular dos registros contábeis: 1. Livros: Diário, Razão e Caixa; 2. Relação de bens em nome da empresa, devido a mesma não possuir bens. Consta à fl. 99: Recebi da empresa EDILTON A. DA SILVA — ME, inscrita no CNPJ n° 04.808.489/000183, estabelecida na Rua Pres. Tancredo Neves n° 192A, Rodoviária, na cidade de OuricuriPE; a documentação discriminada abaixo, fls. 100244: 02 Talões série 1 Extrato Bancário 01 Livro Registro de Inventário 01 Livro de Termo de Ocorrências 01 Livro contendo Entradas, Saídas e Apuração do ICMS 01 Pasta com documentos de constituição da empresa 01 Pasta contendo notas fiscais do ano de 2006. Consta no Termo de Intimação Fiscal, fls. 244295: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal e dando continuidade a ação fiscal iniciada em 11/05/09, de acordo com o disposto nos arts. 904, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a, no prazo de 20 (vinte) dias, prestar os esclarecimentos relativos aos elementos especificados abaixo: 1 Informar/Comprovar a origem dos valores creditados/depositados, no período de 01/01/2006 a 31/12/2006, em sua contacorrente n° 7.0300 Agência 2371X Banco do Brasil SA, através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, conforme relação abaixo/em anexo. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 532 21 A não comprovação da origem das operações de crédito relacionadas neste Termo, na forma e prazos estabelecidos, ensejará lançamento de oficio, a titulo de omissão de rendimentos, nos termos do art. 849, do RIR/ 99 (art. 42 da Lei n° 9.430/96 c/c art. 4 da Lei n° 9.481/97). Informamos que os valores relativos a cheques devolvidos, lançados a débito na contacorrente em questão, deverão ser subtraídos dos respectivos créditos. A diferença entre créditos (depósitos) e débitos (cheques devolvidos) deverá ser comprovada. A falta de atendimento implicará o lançamento do imposto com os elementos que dispuser a Repartição, de acordo com os arts. 841 e 845, do RIR/ 99, bem como o agravamento da multa de oficio, nos termos dos art. 959 deste mesmo Regulamento. Os esclarecimentos deverão ser feitos por escrito (Cartaresposta), em duas vias e acompanhados da respectiva documentação relacionada (original e cópia), que deverá ser entregue pessoalmente ao Auditor Fiscal abaixo assinado, no horário das 09:00 h as 11:00 h, na Seção de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE, sito A Rua Frei Caneca, 152 N.S. das Dores Caruaru/PE CEP 55012330 Fone (081) 21033500. Em reposta a Recorrente informa, fl. 293: Pelo presente requer seja determinado a dilação do prazo em 10 (dez) dias, o que tomará possível a conclusão da juntada dos documentos hábeis para a formação da origem dos créditos lançados na conta investigada. Está registrado no Relatório de Ação Fiscal, fls. 295299: Foi enviado o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal (doc. anexo, de fls.95 e 96 ), datado de 06/05/2009, elaborado e entregue pelos AFRFB's Flávio Augusto Leite Galindo — Mat. 1.179 (Chefe de Fiscalização) e Oscar Lafaiete de Albuquerque Lima — Mat. 23.832 (Supervisor de Fiscalização), cuja ciência do sócio Edilton Antero da Silva —CPF n° 774.903.39472, ocorreu pessoalmente, em 11/05/2009. Tal Intimação tinha a finalidade do contribuinte apresentar os Livros Fiscais, Livros Contábeis, Contrato Social e Alterações, Relação de Bens e Direitos, Notas Fiscais de Compras Extratos da Movimentação Financeira Bancária, referente ao anocalendário de 2006. Apresentou resposta, qual seja o doc. de fls. 97 (Declaração), datada de 15/05/2009, na qual declara que deixa de entregar os documentos: Livros Diário, Razão, Caixa e Relação de bens em nome da empresa (devido a mesma não possuir bens), "em virtude da empresa não manter a escrituração regular dos registros contábeis". Ainda entregou, recebido em 25/05/2009, através do doc. de fls. 98 (Recibo), o restante da documentação solicitada. Foram anexadas a este Processo as seguintes cópias xerográficas (docs. de fls. 98240); Recibo (doc. de fls. 98); Declaração de Firma Individual (doc. de fls. 99); Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral (docs. de fls. 100 a101 ); dos Livros Registro de Entradas, Saídas e Apuração do ICMS (docs. de fls. 102 a 127.); dos Extratos Bancários do Banco do Brasil — C/C n° 7.0300 — Agência n° 2371X (docs. de fls. 128240), tendo , sido devolvida para o contribuinte toda a documentação entregue pelo mesmo. Digitei os dados externos (dia/mês/ano, histórico, depósitos, estornos de depósitos de cheques e créditos mensais líquidos), em 01 (uma) planilha, da C/C do Banco do Brasil (1 C/C), com as informações dos extratos de contacorrente, do Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 533 22 banco citado, no ano referido, enviados pelo contribuinte, que foram impressos em 01 (um) Demonstrativo da Movimentação Bancária (listagem), às fls.241 a 289 , no qual constam todos os depósitos e estornos de depósitos de cheques, realizados em sua contacorrente, pelo contribuinte ora fiscalizado, após os devidos expurgos, a serem devidamente comprovados em Termo de Intimação Fiscal. Dando prosseguimento, intimei o contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal já mencionado (doc. anexo, de fls. 241 e 242, datado de 27/07/2009, cuja ciência ocorreu através do AR n° 43365049 (doc. de fl. 243 ), datado de 04/08/2009. Nesta Intimação se pedia informar/comprovar a origem dos valores creditados/depositados, no período de 01/01/2006 a 31/12/2006, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, de 01 (uma) ContaCorrente já mencionada, no Banco citado, conforme relação anexa (01 (uma) planilha — Período de 01/01/2006 a 31/12/2006 docs. de fls.244 a 289 Demonstrativo da Movimentação Bancária). Este Termo teve a finalidade de esclarecer os valores creditados/depositados na contacorrente acima descrita, apresentando plenas condições para ser buscada a verdade material, objeto deste procedimento fiscal. Portanto, a documentação necessária à comprovação dos valores creditados deverá se dar de forma individualizada, ou seja, deverá apresentar a documentação comprobatória de cada lançamento de crédito, constante da relação em anexo, em atendimento ao artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/96. Foi também esclarecido ao autuado que "a não comprovação da origem das operações de crédito relacionadas neste Termo, na forma e prazos estabelecidos, ensejará lançamento de oficio, a titulo de omissão de rendimentos, nos termos do art. 849, do RIR199 (art. 42 da Lei n° 9.430/96 c/c art. 4º da Lei n° 9.481/97", conforme doc. de fls. 241 , e ainda, "que a falta de atendimento implicará o lançamento do imposto com os elementos que dispuser a repartição, de acordo com os arts. 841 e 845, do RIR/99", conforme doc. de fls. 241. A devida ciência ocorreu através do AR n° 43365049 0 (doc. de fl. 243), acima descrito. Solicitou prorrogação de prazo (doc. de fls. 290), por mais 10 (dez) dias, que foi prontamente concedido por esta fiscalização (doc. de fls. 241P ), conforme solicitado. Esta fiscalização busca, desde o início, a verdade material, tendo concedido todos os prazos legais, proporcionando o contraditório e a ampla defesa. Até o presente momento não apresentou resposta, não entregando documentação de nenhuma forma ou tipo que comprovasse o que lhe fora solicitado, nem negou serem seus os recursos movimentados nas contascorrentes. [...] Sobre tais omissões, será aplicada a multa de oficio agravada, de 112,50%, como preceitua a legislação ora vigente, pois que o contribuinte devidamente intimado não prestou informações, não respondendo à Intimação que solicitava comprovação de ditas receitas. Caracterizadas de forma inconteste a declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo pela comprovação, de plano, da conduta culposa. Por outro lado, houve o atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, nos termos Embora a Recorrente titular, regularmente intimada, não tenha comprovado a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 534 23 coincidente em datas e valores, essa circunstância é a conduta que se subsume ao art. 42 e não ao § 2º do art. 44, todos da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O percentual da multa de ofício proporcional somente deve ser aumentado pela metade no caso de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. No presente caso restou exaustivamente comprovado que a Recorrente atendeu às intimações, ainda que para informar que não matinha escrituração regular. Nesse sentido não cabem reparos à aplicação da multa de ofício proporcional, contudo, não deve prevalecer o seu agravamento por ausência da conduta ensejadora. A contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso17. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade18. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 19. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa de ofício proporcional aplicada. 17 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 18 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 19 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.720803/201016 Acórdão n.º 1803002.371 S1TE03 Fl. 535 24 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13884.003762/2005-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo recolhimento de imposto de renda até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco constitua o respectivo crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO.
Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. DESNECESSIDADE.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES POR MEIO DE DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes (Súmula CAF nº 30).
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 490.000,00, relativamente à competência dezembro do ano-calendário de 2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo recolhimento de imposto de renda até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco constitua o respectivo crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 37 62 /2 00 5- 24 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 248 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. DESNECESSIDADE. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE DEPÓSITOS DE MESES SUBSEQUENTES POR MEIO DE DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes (Súmula CAF nº 30). Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 490.000,00, relativamente à competência dezembro do anocalendário de 2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 714.261,03, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, nas Declarações de Ajuste Anual do contribuinte, exercícios 2001 e 2002, omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não Fl. 248DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 249 3 comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 152/163 deste processo digital, que: Foi enviado à contribuinte Termo de Intimação Fiscal – TIF solicitando esclarecimentos e comprovações referentes à movimentação financeira efetuada no Banco Boavista Interatlântico S/A e no Banco Sudameris do Brasil S/A, cujos valores resultaram da análise efetivada em extratos bancários do período de janeiro/2000 a dezembro/2001, apresentados pelo contribuinte Roberto Jyh Mien Tsau e pelas instituições financeiras, uma vez que as contas correntes eram conjuntas. O Sr. Roberto Jyh Mien Tsau compareceu à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e apresentou uma série de documentos e esclarecimentos, do que derivou a necessidade de esclarecimentos adicionais, mediante novas intimações aos titulares das contas corrente. Novamente o Sr. Roberto Jyh Mien Tsau compareceu à RFB, apresentando os esclarecimentos julgados necessários. Da análise do material apresentado resultou o seguinte: a) Quanto ao depósito de R$ 980.000,00, efetuado pela empresa Fresat Ind. E Comércio Ltda., o contribuinte não comprovou contabilmente a natureza tributável do depósito, resumindose a apresentar, novamente, o Documento de Ordem de Crédito e a carta que autorizou tal transação, pelo que tais rendimentos foram tratados como tributáveis. b) Quanto ao contrato de empréstimo rotativo, o contribuinte somente apresentou Escritura de Declaração efetuada por responsável administrativo da empresa Tecnopallet Embalagens Ltda., na qual atesta a veracidade do referido contrato, sem, no entanto, apresentar qualquer prova documental que pudesse vincular o empréstimo efetuado e a quitação do mesmo, sendo desconsiderados os valores constantes em relação apresentada pelo contribuinte que supostamente seriam referentes a esta operação. c) Quanto ao valor recebido em Distrato Social da empresa NanYa Plastic do Brasil Ltda., o contribuinte informou que R$ 135.000,00 foram recebidos em moeda corrente e depositados dentro de suas necessidades pessoais, sem, no entanto, identificar qualquer tipo de depósito vinculado a esta quantia. d) Quanto ao valor recebido em escritura de Desapropriação Amigável, o contribuinte informou que a quantia efetivamente paga pela Prefeitura Municipal de São José dos Campos foi de R$ 50.689,14, tendo em vista desconto de dívida referente ao IPTU. Entretanto, este valor não se encontra individualizado em planilhas de depósitos, não se podendo afirmar a efetividade da circulação bancária. e) O contribuinte comprovou efetivamente os depósitos efetuados a Sra. Shen Chuan Ju referentes a pagamentos de salários da empresa Top Brax Comercial Ltda. f) O contribuinte comprovou efetivamente o depósito efetuado no valor de R$ 100.000,00, referente à venda de terreno para a empresa Ômega Air Cargo, recolhendo o imposto devido sobre o ganho de capital. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 250 4 g) Quanto aos valores constantes da relação de depósitos entregue anteriormente, referentes às operações mercantis envolvendo a empresa Swallow Com. Imp. Exp. Ltda., o contribuinte informou que a apresentação de alteração contratual, com venda de quotas sociais da empresa envolvida, devidamente registrada na Junta Comercial, já revestir seia de documentação hábil e idônea. No entanto, em nenhum momento foi apresentada esta prova documental, somente sendo entregue uma relação de depósitos que supostamente seria referente a esta operação. Além disso, a grande maioria dos depósitos constantes na relação entregue não encontra correspondência na planilha de depósitos anexa ao TIF. h) Quanto à comprovação dos depósitos constantes da planilha de depósitos anexa ao TIF, o contribuinte não trouxe qualquer esclarecimento novo, restando não esclarecida a origem dos depósitos nela discriminados. i) Pelo fato de as contas correntes no Banco Boavista Interatlântico S/A e no Banco Sudameris do Brasil S/A terem titularidade conjunta com o Sr. Roberto Jyh Mien Tsau, os valores de depósitos não comprovados foram considerados pela metade. Os cheques depositados e devolvidos foram devidamente estornados. Chegouse, assim, aos valores de depósitos não comprovados discriminados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 152/163 deste processo digital. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 171/200 deste processo digital, que foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 205/213. Os julgadores da instância de piso entenderam que deveria ser mantida a infração de depósitos bancários com origem não comprovada. Contudo, procedeuse ao ajuste do desconto simplificado, uma vez que a Impugnante havia apresentado declarações de ajuste anual em modelo simplificado, nas quais as despesas dedutíveis são substituídas por um desconto presumido. Após o ajuste, o imposto de renda do anobase de 2000 foi reduzido para R$ 201.388,76 e do anobase de 2001 para R$ 85.280,12. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/09/2008 (fl. 219), a Interessada interpôs, em 03/10/2008, o recurso de fls. 220/236. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Entendese que o prazo decadencial tem como termo inicial o fato gerador, o que leva ao reconhecimento da decadência para o período de 01 a 10/1998. Ao contarse o prazo para lançamento mês a mês, verificase a existência da ocorrência de uma causa extintiva do crédito tributário, nos moldes do artigo 156, inciso V, do CTN, qual seja, a decadência, que deverá ser decretada para os meses de janeiro a outubro do anocalendário de 1998. MÉRITO Deseja manter na íntegra todos os argumentos e documentos apresentados na impugnação, os quais seguramente resultariam em alterações significativas na base de cálculo injustamente apresentada pelo Fisco. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 251 5 Ainda que se utilizasse do extrato bancário como instrumento para obtenção de possíveis acréscimos patrimoniais, a sistemática para apuração de tais valores deveria, obrigatoriamente, obedecer à tributação do chamado "dinheiro novo". Se não há dinheiro novo, nem acréscimo patrimonial, não há tributação. Se o numerário sacado já submetido à tributação não foi gasto para o consumo, e se não há sinais exteriores de riqueza (aquisição/investimentos), evidente que o mesmo numerário retornou ao banco, confundindose movimentação financeira com renda. O valor imaginário atribuído corno omissão em um determinado mês não seria origem para depósitos do mês seguinte? E sendo este valor maior que os meses subseqüentes não desapareceriam as omissões seguintes? Para demonstrar a incoerência da base de cálculo apurada, elabora quadro que entende guardar correspondência com a jurisprudência do CARF, no sentido de que “Estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive àqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valor”. Todos os cheques depositados que foram devolvidos por insuficiência de fundos, os quais foram depositados pela segunda vez, não foram sequer observados por parte da Fiscalização, o mesmo ocorrendo com possíveis empréstimos. A argumentação acima não foi objeto de comentário no julgamento primário, tampouco figurou no relatório do julgador, constituindo em falha inadmissível no campo regular do processo e do direito à impugnação. Outro aspecto contraditório surge quando o julgador primário afirma que "Quanto ao depósito de R$ 50.689,14 a alegação não tem pertinência, uma vez que o valor foi excluído da base de cálculo pelo próprio Fiscal autuante, mercê da comprovação de que ele teve origem em pagamento de indenização por desapropriação de imóvel pela Prefeitura Municipal de São José dos Campos." Esta informação está distorcida da descrição dos fatos da Autoridade lançadora. Quem está enganado, o julgador ou o auditor, pois, na mesma descrição dos fatos do auto de infração encontrase, para o mês de abril de 2001, a relação de depósitos não comprovados na conta corrente do Banco Boavista S/A, o valor de R$ 27.559,46 (metade do total dos depósitos não comprovados). Para solucionar esta incoerência apresenta o microfilme do cheque comprovando que ambos estão equivocados, devendo o valor de 50% do depósito ser excluído da tributação. Outro valor significativo referese ao depósito devidamente identificado no valor de R$ 980.000,00 em data de dezembro de 2000, sobre o qual o Julgador Primário afirma que não foi esclarecido a que título ele foi feito, qual operação ou a causa a que se deve a entrega de tão expressiva importância. Na impugnação foi apresentado DOC da empresa Fresat Ltda., bem como carta autorizando tal operação. E mais: esta operação foi declarada no campo dívida e ônus da pessoa física por seu exmarido, portanto atendidas as exigências da legislação, bem como a existência dos mesmos valores lançados em conta corrente no ativo da empresa. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 252 6 Sobre o valor do empréstimo, oportuno informar que o mesmo foi de única e exclusiva responsabilidade de seu exmarido, como comprova os documentos acostados aos autos, somente transitando pela conta corrente conjunta no Banco Boavista S/A, devendo o valor correspondente a 50% ser excluído da base de cálculo da Recorrente. Ficam caracterizadas, assim, duas situações: a primeira, que o Impugnante foi selecionado pelo caráter "da impessoalidade" por apresentar movimentação financeira (CPMF) incompatível com os valores declarados, ou seja, utilizouse a fiscalização de dados dos anos de 2000 e 2001, protegidos por Lei, a qual só foi alterada no ano de 2001, retroagindo o alcance da Lei; e a segunda foi a demonstração inequívoca que o sistema de somar, aleatoriamente, os depósitos bancários encontra barreiras matemáticas intransponíveis, que evidenciam a inexistência de base de cálculo a ser tributada. Ao fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida, cancelandose o lançamento, ou, se assim não entender, seja adotada a base de cálculo apurada na planilha constante do presente recurso, excluindose os valores comprovados. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. PRELIMINARES Inexistência de decadência do direito do Fisco em constituir o presente crédito tributário Observo, por primeiro, que a Súmula CARF nº 38 dispôs sobre o momento da ocorrência do fato gerador do imposto de renda nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por outro lado, já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Recurso Especial nº 973.733/SC), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 253 7 b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na espécie, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e decorre da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Não houve recolhimento durante os anoscalendário de 2000 e 2001, conforme comprovam as declarações de ajuste anual acostadas aos autos em fls. 8/11. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN, cujo termo a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento poderia ser efetuado a partir de abril de 2001, data limite para entrega da declaração relativa ao anocalendário de 2000, o que significa dizer que o primeiro dia do exercício seguinte corresponde ao dia 01/01/2002. A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 151, revela que o mesmo foi lavrado em 21/10/2005 e a intimação do lançamento se deu em 26/10/2005 (comprovante à fl. 169). Considerando que o termo final do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2006, descabe falar em decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo aos anoscalendário de 2000 e 2001. Possibilidade da utilização de dados bancários para constituição de crédito tributário cujo fato gerador ocorreu antes da vigência da Lei Complementar nº 105 Alega o Recorrente que a Fiscalização se utilizou de dados da CPMF relativos aos anos de 2000 e 2001, protegidos por Lei, para efetuar o lançamento, retroagindo o alcance do diploma legal que autorizou a utilização de dados bancários para constituição de créditos tributários. O artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN dispõe que se aplica ao lançamento, imediatamente, a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. De conseguinte, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei Complementar nº 105/2001, por envergar essa natureza, legitima a atuação da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. (Precedentes do STJ: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). Portanto, a matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que, inclusive, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a Autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de crédito tributário anterior à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 254 8 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 255 9 gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 256 10 com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 257 11 Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. MÉRITO Depósitos bancários com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Assim, o deslinde da controvérsia passa, necessariamente, pelo entendimento do que seja comprovar “a origem dos recursos utilizados nessas operações”, condição necessária para desfazer a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A Fiscalização, em regra, interpreta o vocábulo “origem” de maneira abrangente, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação, sendo irrelevante o aspecto temporal da comprovação. Assim, seja na fase anterior à autuação, seja na fase do contencioso administrativo, não bastaria comprovar a mera origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 258 12 necessário, ainda, comprovar, documentalmente, tanto quem fez o depósito bancário, quanto a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF vem entendendo, no entanto, que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, basta a comprovação da origem dos depósitos bancários, sem necessidade de comprovação da motivação da operação. Nessa linha de raciocínio, caberia à Autoridade fiscal, após a comprovação da origem dos depósitos bancários, submeter os valores depositados às normas de tributação específicas, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 (Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos). Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Acórdão nº 2202002.199 da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 21 de fevereiro de 2013). Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente seria elidida se ele comprovasse, também, que os valores não eram tributáveis. Em outras palavras: transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, os contribuintes deveriam sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se o contribuinte comprovasse, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 259 13 VALORES INEXISTÊNCIA – HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 10617.093, da extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 8 de outubro de 2008). A razão deste entendimento é óbvia: a possibilidade de comprovação exclusiva da origem na fase contenciosa tornaria inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. É que os contribuintes esperariam a autuação e, em sede de contencioso administrativo, afastariam a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de se comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação. Penso ser mais razoável o entendimento esposado pela jurisprudência administrativa, em detrimento do entendimento ainda prevalente na Fiscalização da RFB. Assim, comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas de tributação, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. Pois bem. Compulsando os autos verificase que, antes da lavratura do Auto de Infração, o Interessado já havia apresentado, à Autoridade lançadora, o “Documento de Ordem de Crédito” acostado aos autos em fl. 105, que evidencia o depósito de R$ 980.000,00 na conta da Recorrente e de seu exmarido, Roberto Jyh Mien Tsau, efetuado por Fresat Indústria e Comércio Ltda. Em consonância com o entendimento exposto acima, caberia à Autoridade fiscal, após a comprovação da origem do depósito bancário de R$ 980.000,00, submeter, se fosse o caso, o valor depositado às normas de tributação específicas, na forma do § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e não tributálo como depósito com origem não comprovada. Nesse contexto, penso que deve ser excluído da base de cálculo apurada, na competência de dezembro de 2000, o valor de R$ 490.000,00, que corresponde a 50% do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 260 14 depósito efetuado em uma das contas correntes de titularidade da ora Recorrente e de seu ex marido, no valor de R$ 980.000,00. A Interessada alega que a decisão de piso está divorciada da fundamentação da Autoridade lançadora, no que concerne ao depósito de R$ 50.689,14, referente à indenização por desapropriação de imóvel do seu exmarido, uma vez que na descrição dos fatos do Auto de Infração encontrase, para o mês de abril de 2001, o valor de R$ 27.559,46 (metade do total dos depósitos não comprovados) e os julgadores da instância de piso entenderam que o valor da indenização não constou da base de cálculo do imposto lançado. Para solucionar esta suposta incoerência, a Recorrente apresenta o microfilme do cheque (fls. 237/238) comprovando que ambos estão equivocados, devendo o referido valor ser excluído da tributação. Não assiste razão à Recorrente. É que o cheque da Prefeitura Municipal de São José dos Campos, emitido em favor do exmarido da Interessada, sequer foi computado na base de cálculo do imposto lançado. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 152/163, os valores depositados em conta corrente que não foram comprovados, referentes ao mês de abril de 2001, totalizaram R$ 27.559,46, que equivale a 50% dos depósitos efetuados no Banco Boavista Interatlântico S/A. O Anexo do Termo de Intimação, às fls. 13/17, evidencia que os depósitos efetuados na referida instituição financeira, no mês de abril de 2001, corresponde à soma dos seguintes depósitos (fls. 14/15): R$ 1.031,00, em 02/04/2001, R$ 20.265,33, em 09/04/2001, R$ 5.573,70, em 10/04/2001, R$ 27.389,66, em 11/04/2001 e R$ 859,24, em 12/04/2001, que totaliza R$ 55.118,93. Dividindose este valor por dois (50% para cada cotitular), chegase ao importe de R$ 27.559,46, que foi justamente o montante considerado pela Autoridade lançadora no mês de abril de 2001, no que pertine aos depósitos efetuados no Banco Boavista. Por outro lado, a cópia do cheque colacionada aos autos em fls. 237/238 revela que o valor pago pela Prefeitura de São José dos Campos ao exmarido da Recorrente, em decorrência da desapropriação, foi de R$ 50.689,14, o que significa dizer que a indenização paga pelo ente público municipal não foi computada na base de cálculo do lançamento. Observo, ainda, apenas para que não paire qualquer dúvida quanto ao não cômputo do valor da indenização na base de cálculo do lançamento, que o cheque emitido pela Prefeitura de São José dos Campos foi compensado em 05/04/2001 (fl. 238) e que, nesta data, nenhum depósito foi considerado pela Fiscalização. Outros pontos levantados pela Interessada dizem respeito aos cheques depositados que supostamente foram devolvidos por insuficiência de fundos e a supostos créditos decorrentes de empréstimos bancários. Segundo a Recorrente, estas questões não foram observadas pela Fiscalização, tampouco mencionadas na decisão recorrida. Sem razão a Recorrente. Consta do voto condutor do acórdão recorrido, no tocante a estes pontos, a seguinte observação: “Por outro lado, não pode ser acolhida alegação de que a Fiscalização se limitou a somar créditos, desconsiderando eventuais cheques devolvidos que foram reapresentados e possíveis empréstimos. É que tais alegações, além de genéricas, não se fazem acompanhar de qualquer elemento probatório que lhes dê sustentação”. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13884.003762/200524 Acórdão n.º 2801003.644 S2TE01 Fl. 261 15 Significa dizer que, em relação à presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, prevalece o ônus da impugnação especificada, não se admitindo a alegação genérica, desacompanhada de qualquer prova material, individualizada, que lhe dê sustentação. Em outras palavras: é ônus do contribuinte, em sua impugnação/recurso, apontar de forma específica e precisa, cada um dos supostos créditos decorrentes de cheques devolvidos e dos supostos empréstimos que lhe foram concedidos, relacionandoos aos respectivos depósitos indicados pela Autoridade Lançadora nos anexos dos Termos de Intimação Fiscal, pena de, em não o fazendo, inviabilizar a exclusão da base de cálculo tributável. Transcrevo, por fim, as Súmulas CARF nº 26 e nº 30, que evidenciam o entendimento consolidado no âmbito deste Conselho no que se refere à desnecessidade de o Fisco comprovar o consumo da renda representada por depósitos bancários sem origem comprovada e afastam a possibilidade de os depósitos de um determinado mês comprovar a origem de depósitos de meses subsequentes, a ver: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CAF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 490.000,00, relativamente à competência dezembro do anocalendário de 2000. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 19515.004152/2010-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA E GIA DO ICMS.
Justifica-se o lançamento dos tributos do Simples quando apurado com
base na divergência entre os valores constantes da declaração simplificada
e os declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS, ainda mais quando o
Contribuinte, intimado, deixa de apresentar livros e documentos contábeis.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser
determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida
a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
SIMPLES. EXCLUSÃO.
A pessoa jurídica será excluída do SIMPLES se, na condição de empresa
de pequeno porte, tiver auferido receita bruta superior àquela estabelecida
na legislação de regência. A exclusão surtirá efeito a partir do ano-calendário
subsequente àquele em que for ultrapassado o referido limite
Numero da decisão: 1802-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA E GIA DO ICMS. Justifica-se o lançamento dos tributos do Simples quando apurado com base na divergência entre os valores constantes da declaração simplificada e os declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS, ainda mais quando o Contribuinte, intimado, deixa de apresentar livros e documentos contábeis. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. SIMPLES. EXCLUSÃO. A pessoa jurídica será excluída do SIMPLES se, na condição de empresa de pequeno porte, tiver auferido receita bruta superior àquela estabelecida na legislação de regência. A exclusão surtirá efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o referido limite
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INAPLICABILIDADE. Não se cogita acerca de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA E GIA DO ICMS. Justificase o lançamento dos tributos do Simples quando apurado com base na divergência entre os valores constantes da declaração simplificada e os declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS, ainda mais quando o Contribuinte, intimado, deixa de apresentar livros e documentos contábeis. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 52 /2 01 0- 90 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 3 2 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. SIMPLES. EXCLUSÃO. A pessoa jurídica será excluída do SIMPLES se, na condição de empresa de pequeno porte, tiver auferido receita bruta superior àquela estabelecida na legislação de regência. A exclusão surtirá efeito a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o referido limite Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão nº 1641.263, da 13ª Turma da DRJ/SP1, prolatado em sessão de 25 de setembro de 2012, que julgou improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos e julgando também improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 01/2012 (que formalizou a exclusão do Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES). Da Notificação de Lançamento O crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o Recorrente (optante pelo SIMPLES), em relação ao ano calendário de 2006, referese a omissão de receitas verificada em procedimento fiscal, o que resultou na lavratura de Autos de Infração. O Termo de Início de Fiscalização foi emitido em 19/05/2010. A autoridade fiscal relata os atos praticados durante o procedimento fiscal, informando as intimações e reintimações solicitandose livros e documentos e informa que referidas intimações foram atendidas parcialmente, com o fornecimento do livro de entradas e do livro de saídas, e de GIAs retificadoras (outubro a dezembro de 2006) entregues em 17/08/2010, após, portanto, o início do Termo de Fiscalização. Considerando que as GIAs retificadoras foram entregues após o início da ação fiscal e que não foram apresentados os livros caixa e registro de inventário, referidas GIAs foram desconsideradas pela fiscalização na constituição do crédito tributário. A Autoridade Fiscal, com base nos elementos e documentos disponíveis elaborou uma tabela contendo o resumo de saídas – janeiro a dezembro de 2006, na qual são confrontados os valores informados em GIA (saídas, CFOP 5.102) com a receita bruta declarada na PJSI e apontada a diferença encontrada, a tributar com base em receita omitida, no montante de R$ 2.109.644,46. Reiterese que foram utilizadas as GIAs originais declaradas ao Fisco Estadual relativas a janeirodezembro de 2006, antes, portanto, das retificações alegadas acima pelo Recorrente. O crédito tributário foi lançado com a lavratura dos Autos de Infração para a exigência dos tributos não declarados e não recolhidos, conforme fls. 81/85, 91/95, 102/106, 113/117 e 124/128. Entendeu a fiscalização que houve ocorrência de infrações (sonegação e fraude) previstas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64, tendo aplicado multa qualificada (150%) prevista no art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. O valor total do crédito apurado no processo foi de R$ 620.296,59, incluídos o principal, multa e juros. A Autoridade Fiscal apresentou também Representação Fiscal para exclusão do Simples, às fls. 131. Alegou a constatação de que o Recorrente auferiu, no decorrer do ano calendário 2006, receita bruta excedente ao limite para o Simples e que, apesar de regularmente intimado, injustificadamente deixou de apresentar o livro Caixa e livro de Registro de Inventário, em afronta ao art. 190, parágrafo único do RIR/99, infringido, ainda, o art. 9º da Lei 9.317/96 com a redação dada pela Lei nº 11.307/06, sujeitandose à exclusão do Simples, conforme disposto Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 5 4 no art. 14 I e II da Lei nº 9.317/96, propondo referida medida com efeitos a partir de 01/01/2007, de acordo com o inciso IV do art. 15 da mencionada Lei. Da Impugnação O Recorrente apresentou impugnação (fls. 133/135), acompanhada de documentos, informando, desde logo, que sua impugnação é parcial (apenas contesta os valores dos meses de outubro, novembro e dezembro/2006); sintetiza os fatos com o enfoque dado pela Autoridade Fiscal quanto à omissão de receitas e insuficiência de recolhimento, reproduz o quadro demonstrativo do faturamento pelas GIAs retificadoras e conclui que foi totalizado um débito equivocado. Alega, ainda, que no ano de 2006 sua contabilidade “era feita por outra empresa de contabilidade, conforme consta os documentos anexos” e que em decorrência da troca de serviços contábeis houve desencontro de informações e equívocos em sua escrituração e informações contábeis, os quais já foram sanados por meio de retificação, anexando cópia das GIA e do livro fiscal de saídas nº 11. Destaca que a autuação foi baseada nos documentos originais e que estes “não haviam sido retificados” antes de serem colhidos durante a fiscalização. Acrescenta que “A empresa Autuada reconhece os equívocos encontrados”, razão pela qual procedeu imediatamente à retificação dos valores em desacordo, alegando que em decorrência do prazo exíguo apenas procedeu às alterações junto ao Fisco Estadual, pretendendo a reconsideração, pela Auditora Fiscal, conforme quadro demonstrativo que apresentou. Em relação ao Ato Declaratório que exclui do Simples o Recorrente, o mesmo apresentou manifestação de inconformidade com os seguintes argumentos, em suma : Afirma que não ultrapassou o limite legal de faturamento previsto para o ano calendário de 2006; Informa que o limite da receita bruta para opção pelo Simples para as empresas de pequeno porte, nos termos do art. 9º, inciso II da Lei nº 9.317/96 era de R$ 2.400.000,00; Alega que foi considerada como empresa de pequeno porte, a qual teria um limite de receita bruta anual correspondente a R$ 240.000,00, conforme fundamentação legal do Ato Declaratório Executivo, art. 13, II, “a”, § 2º da Lei nº 9.317/96 que transcreve. Acrescenta que no referido Ato foram mencionados os dois incisos do art. 9º como fundamento legal, sendo que cada um trata de regime jurídico diverso, qual seja, microempresa e empresa de pequeno porte, cada qual com limite diverso de receita bruta. Alega prejudicado o direito à ampla defesa e contraditório, tendo em vista que o Ato Declaratório declarou o Contribuinte excluído do SIMPLES com fundamento legal em regime diverso, razão pela qual deveria ser declarado nulo ou insubsistente. Ressalta que devem ser seguidas as regras do procedimento fiscal estabelecidas no art. 10, IV e art. 11, III, ambos do Decreto nº 70.235/72, em especial, no Auto de Infração, deve constar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Alega que na impugnação parcial demonstrou que os valores de sua receita bruta anual permaneceram, no ano calendário 2006, dentro do limite previsto no art. 9º, II da Lei nº 9.317/96, qual seja, abaixo de R$ 2.400.000,00. Afirma que declarou como receita bruta o valor de R$ 2.517.121,49, mas que tempestivamente procedeu a retificação para apurar corretamente o valor de R$ 2.373.724,73, apresentando quadro demonstrativo, de acordo com a retificação nas GIA e livro de saída nº 11. Requer seja declarado nulo o Ato Declaratório que excluiu o Contribuinte do Simples, e subsidiariamente que seja revisto para sanar suas irregularidades, considerandose como receita Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 6 5 bruta anual aquela constante das GIA e livros oportunamente apresentados, cancelandose o Ato Declaratório Executivo. Do Acórdão da DRJ Em sessão de 25 de setembro de 2012, a 13ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1641.263, julgando improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos e julgando também improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 01/2012. O Acórdão baseouse fundamentalmente nas seguintes alegações: A Recorrente apresentou impugnação parcial, somente quanto ao período/valores das competências outubro, novembro e dezembro do ano calendário 2006 e reconheceu a ocorrência de erro nas informações prestadas alega que decorreram da alteração dos responsáveis pela sua escrituração contábil (sem juntar documento comprobatório do fato), e afirma que procedeu às retificações necessárias e pretende o reconhecimento dos valores informados a posteriori (GIAs retificadoras durante o procedimento fiscal que ensejou à autuação em apreço, ou seja, quatro anos após os fatos geradores). Quanto à falta de comprovação dos fundamentos para as retificações, entendeu a DRJ que permanecia inalterada naquela fase do processo administrativo a situação encontrada pela Autoridade Fiscal quando da autuação do Contribuinte. A “prova” consubstanciada na apresentação de GIA retificadas que, inclusive, foram entregues depois do início do procedimento fiscal, não são suficientes para demonstrar e comprovar, de fato, os “erros” existentes. Da mesma forma, a cópia do livro auxiliar juntado – saídas de 2006 – não é elemento seguro para alicerçar a pretensão do Impugnante. As empresas optantes do Simples Microempresas e as Empresas de Pequeno Porte são dispensadas de escrituração comercial para fins fiscais, desde que mantenham, em boa ordem e guarda, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os seguintes livros obrigatórios, a saber: Livro Caixa, o qual deverá conter a escrituração de toda movimentação financeira, inclusive bancária; Livro Registro de Inventário, no qual deverá constar registro dos estoques existentes no término de cada ano calendário, e ainda, além dos livros, a empresa deverá manter todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos respectivos livros. A dispensa de escrituração não impede que as pessoas jurídicas, mesmo enquanto submetidas ao Simples, mantenham escrituração adequada às suas circunstâncias, pois, no caso de eventual desenquadramento ou obrigatória exclusão do sistema, tais pessoas jurídicas deverão sujeitar se às regras previstas para o lucro real, ou, quando seja permitido, opcionalmente, pelo lucro presumido, ou ainda, excepcionalmente, nas hipóteses previstas na lei fiscal, poderá ser adotado o arbitramento dos seus resultados. Aplicam–se à Microempresa e à Empresa de Pequeno Porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a Lei no 9.317/1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, ainda que fundamentadas em elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros, incluindo a base legal. Apesar de intimado a apresentar o livro caixa e o livro de registro de inventário para que fossem consideradas as GIAs retificadoras, o Impugnante não apresentou livros, documentos, ou elementos naquela ocasião, nem anexo à impugnação, para que pudesse ser comprovada a Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 7 6 origem dos lançamentos retificados, reapresentando apenas o que já havia fornecido quando do procedimento fiscal. as declarações retificadas ao Fisco Estadual (GIA) e o livro de saídas (os únicos elementos juntados pelo Contribuinte) não são provas hábeis, idôneas e suficientes para afastar as declarações anteriores do próprio Contribuinte. É legal a utilização pelo Fisco Federal de informações extraídas das declarações originais (GIA/ICMS) apresentadas pela própria Autuada à SEFAZ/SP, como ocorreu no presente caso. As divergências entre os valores declarados aos fiscos federal e estadual constituem prova de omissão de receitas, conforme vasta jurisprudência a respeito. Há vinculação e obrigatoriedade do lançamento tributário (parágrafo único do artigo 142 do CTN) e a fiscalização não teve alternativa legal diferente da aplicação ao caso das normas contidas no § 1º do artigo 7º e no artigo 18 da Lei nº 9.317/1996, que fazem parte do enquadramento legal da autuação e dispõem sobre o regime tributário dos Contribuintes optantes pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), já que no momento dos fatos geradores neste processo discutidos (ano calendário 2006) o Contribuinte era optante pelo regime simplificado, conforme Declarações Simplificadas às fls. 14/31. O Contribuinte não apresentou os livros contábeis (diário, razão ou caixa; livro de registro de inventário) nem notas fiscais, seja durante a ação fiscal, seja em acompanhamento à sua impugnação, tendo sido corretamente utilizadas as informações apresentadas pelo próprio fiscalizado, nas GIA/ICMS. Do cruzamento entre o que o Contribuinte declarou na sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples, ano calendário de 2006, com os valores de vendas realizadas e informadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, nas GIA/ ICMS, foram encontradas diferenças apuradas mensalmente e resumidas nas planilhas anteriormente mencionadas, corretamente consideradas como bases de cálculo da apuração dos tributos federais não declarados e não recolhidos. Considerando que o processo administrativo fiscal orienta se pela busca da verdade real ou material, o Contribuinte deveria, no mínimo, apresentar os livros e documentos que comprovassem suas alegações. A conduta do Contribuinte deu origem à utilização das GIAs originais e da omissão de receita apurada e lançada e, nestas condições, sua pretensão não é razoável nem tem amparo legal. Sendo o Contribuinte optante pelo SIMPLES, estava obrigada a manter em boa ordem e guarda todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração, assim como os livros obrigatórios e, não tendo o Interessado qualquer cautela em documentar adequadamente todos os atos alegados ou atacados, as consequências de tal negligência são por sua conta e risco, tendo sido, inclusive, previamente alertado da necessidade de apresentação e consequência da negativa. Diante da omissão de receitas, devidamente quantificada, foi levada à tributação pelo regime adotado no lançamento, qual seja, o SIMPLES, uma vez que nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/95, verificada a omissão de receita, a Autoridade Fiscal determinará o valor do imposto a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. Em relação à exclusão do Contribuinte do Simples, a partir de 01/janeiro/2007, o Acórdão fundamentouse nos seguintes argumentos: O Contribuinte alega cerceamento de defesa e pretende a nulidade ou cancelamento do Ato. A DRJ afastou a alegação com base nos princípios constitucionais, na Lei 9.784/99 e, especificamente, no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF – informando só haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 8 7 (inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas em Auto de Infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do mencionado decreto. Entendeu ainda que não se evidencia nos autos a ocorrência de quaisquer das hipóteses mencionadas, tendo em vista que a descrição dos fatos no Ato Declaratório de Exclusão é clara e precisa, não comportando qualquer dúvida quanto aos fatos imputados. A própria defesa do Manifestante demonstra total conhecimento dos fundamentos fáticos e legais da exclusão, inclusive quanto ao seu enquadramento (empresa de pequeno porte), ao limite ultrapassado (R$ 2.400.000,00) e à fundamentação legal pertinente (art. 9º, II da Lei 9.317/96). Não há equívoco no Ato, pois não consta que o limite ultrapassado seria de R$ 240.000,00 e a fundamentação legal informada (Lei 9.317/96) contém a condição específica da empresa de pequeno porte, a saber, art. 9º, II; art. 12; art. 13, II, “a”; art. 14,I e art. 15, IV e § 3º. O direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório tem por escopo oferecer aos litigantes o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio, e isto foi garantido ao Contribuinte. As alegações efetuadas pelo Manifestante não merecem amparo, ressaltando que o Ato foi lavrado por pessoa competente e está perfeito do ponto de vista formal, consoante as disposições legais do artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972 e, ainda, em conformidade com o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN). O argumento de que o processo nº 19515.004152/201090 ainda carece de apreciação apenas confirma que o Contribuinte conhecia os motivos da exclusão do Simples, e a impugnação apresentada em face da Autuação foi simultaneamente apreciada, observandose que os autos de infração e o ato declaratório de exclusão compõe o mesmo processo. Quanto ao mérito que fundamenta a exclusão, a matéria já foi devidamente esclarecida, especialmente nos Termos de Constatação Fiscal e de Verificação Fiscal, e nesse voto. Assiste razão a Autoridade Fiscal na conclusão quanto à receita bruta do Contribuinte, no ano de 2006, ter alcançado o montante de R$ 2.517.121,49. O Contribuinte apenas teceu considerações alegando que sua receita fora dentro do legalmente permitido para o Simples, segundo GIAs retificadas durante a fiscalização, mas não fez a prova que lhe competia em momento algum, pois não foram apresentados os livros obrigatórios, nem os documentos de suporte para os registros contábeis. Embora o Contribuinte tenha alegado que apresentou o livro de apuração de ICMS quando de sua defesa, isso não ocorreu. O Ato que formaliza a exclusão do contribuinte do Simples está em perfeita consonância com a legislação de regência da matéria, sendo improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Inconformado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual alega, em suma: Que embora o Contribuinte tenha confessado que sua receita bruta foi superior ao declarado na PJSI, e assumido que existiam valores a serem tributados, a autoridade julgadora entendeu pela improcedência da impugnação e manteve o crédito tributário. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 9 8 Que os valores informados nas GIAs e que serviram de base para a elaboração do relatório fiscal às fls. 46 referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2006 correspondem, respectivamente, a R$ 193.187,14; R$ 182.251,84; e R$ 181.051,08 (GIAs retificadas) Que a autoridade fiscal fundamentou o lançamento do crédito fiscal na apuração das GIAs originais, de valores R$ 241.428,96; R$ 237.742,12; e R$ 220.465,75, mas que não consta nos autos do processo administrativo as mencionadas GIAs. Que o relatório fiscal de fls. 53, embora se refira aos valores constantes nas GIAs originais, não demonstra o documento da declaração acessória estadual que menciona. Que a notificação do lançamento deve conter em si a prova efetiva do fato gerador, e que se a omissão de receitas baseiase na declaração original da GIA, esta deveria constar do procedimento fiscal. Que o ônus da prova da ocorrência do fato gerador é do fisco, e que a autoridade fiscal apenas mencionou os valores da GIA original, mas não a colacionou nos autos. Que estando ausente a prova do fato gerador nos autos, ficou prejudicado o direito ao contraditório e ampla defesa, devendo ser conhecido e provido o recurso interposto. É o relatório. Passo ao Voto. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. A intimação do Acórdão deuse em 21/08/2013. O Recurso Voluntário foi apresentado em 20/09/2013, ou seja, com observância do prazo previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/1972, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento. Verificase nos autos que o Recorrente foi autuado por omissão de receitas no ano calendário de 2006. Intimado a apresentar livros e documentos, quedouse inerte. A Autoridade Fiscal, então, com base nos elementos que dispunha, elaborou a tabela contendo o resumo de saídas – janeiro a dezembro de 2006, onde foram apuradas diferenças de valores, a tributar. Inconformado, o recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente. Interpôs recurso voluntário, entretanto, não reiterou o quanto aduzido na impugnação, tendo se limitado a alegar que as GIAs utilizadas no procedimento fiscal foram as retificadas, e não as originais. Informou ainda que não constam nos autos do processo administrativo as GIAs ensejadoras do fato gerador, sequer para confrontar se os valores mencionados foram extraídos daquela declaração, restando prejudicado seu direito ao contraditório e ampla defesa. O Princípio do Contraditório e Ampla Defesa prevê aos litigantes o direito à reação contra atos que lhes forem desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. O direito à ampla defesa é exercido quando é facultada ao interessado a oportunidade em ser ouvido e a produzir provas, e isto foi dado ao Contribuinte, ora Recorrente. Compulsando os autos, constatase às fls. 40, 41 e 42 a existência das GIAs originais, nos valores de R$ 241.428,96, R$ 237.742,12 e R$ 220.465,75, respectivamente. Às fls. 43, 44 e Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.004152/201090 Acórdão n.º 1802002.283 S1TE02 Fl. 10 9 45 estão acostadas as GIAs retificadas, respectivamente nos valores de R$ 193.187,14; R$ 182.251,84; e R$ 181.051,08. Verificase ainda às fls. 47 o Termo de Constatação Fiscal, datado de 09/11/2010, solicitando esclarecimento quanto às diferenças apuradas. Em resposta, o Recorrente informa que mencionadas diferenças ocorreram por erro de digitação da declaração, e que o valor correto é o informado no livro de registro de saídas. Assim, a prova efetiva do fato gerador encontrase acostada aos autos, não merecendo amparo as razões do Recorrente. Assim sendo, voto para afastar a preliminar suscitada e, no mérito, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter a decisão de primeira instância em sua integralidade. Esse o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
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