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Numero do processo: 13896.001442/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2006
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Não configurada a primeira divergência, seja porque o acórdão recorrido não tratou da questão da existência de prejuízo para a declaração de nulidade, seja porque o acórdão recorrido e o acórdão paradigma originam-se contextos absolutamente distintos, uma vez que no acórdão paradigma a nulidade foi rechaçada justamente porque a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria e no acórdão recorrido o contribuinte alega e a decisão constata que autoridade fiscal não se desincubiu de comprovar a ocorrência da cesssão de mão de obra e que a simples enunciação da legislação aplicável, sem a apresentação de fatos e documentos que caracterizem a cessão de mão de obra caracteriza cerceamento do direito de defesa, em virtude do prejuízo em sua defesa.
Quanto a segunda divergência, consubstanciada no acórdão no CSRF/02-02.301, apontado como paradigma, trata de questão em que se afasta a nulidade que decorra de erro na capitulação legal. Ademais, naquele caso o recurso especial da Fazenda foi provido porque a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado.
Ocorre que, o acórdão recorrido não faz menção a questão de haver nulidade decorrente de erro na capitulação legal. Trata sim é de ausência de caracterização da cessão de mão de obra, o que caracteriza vício na descrição do fato gerador.
Paradigmas que não apresentam similitude fática com o acórdão recorrido não se prestam à demonstração da divergência.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 09/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2006 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Não configurada a primeira divergência, seja porque o acórdão recorrido não tratou da questão da existência de prejuízo para a declaração de nulidade, seja porque o acórdão recorrido e o acórdão paradigma originamse contextos absolutamente distintos, uma vez que no acórdão paradigma a nulidade foi rechaçada justamente porque a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria e no acórdão recorrido o contribuinte alega e a decisão constata que autoridade fiscal não se desincubiu de comprovar a ocorrência da cesssão de mão de obra e que a simples enunciação da legislação aplicável, sem a apresentação de fatos e documentos que caracterizem a cessão de mão de obra caracteriza cerceamento do direito de defesa, em virtude do prejuízo em sua defesa. Quanto a segunda divergência, consubstanciada no acórdão no CSRF/02 02.301, apontado como paradigma, trata de questão em que se afasta a nulidade que decorra de erro na capitulação legal. Ademais, naquele caso o recurso especial da Fazenda foi provido porque “a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado”. Ocorre que, o acórdão recorrido não faz menção a questão de haver nulidade decorrente de erro na capitulação legal. Trata sim é de ausência de caracterização da cessão de mão de obra, o que caracteriza vício na descrição do fato gerador. Paradigmas que não apresentam similitude fática com o acórdão recorrido não se prestam à demonstração da divergência. Recurso especial não conhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 42 /2 00 7- 62 Fl. 861DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 09/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2302 00.909, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 16 de março de 2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso de ofício. Segue abaixo a sua ementa: “RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos Auditores Fiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações Fl. 862DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.001442/200762 Acórdão n.º 9202003.074 CSRFT2 Fl. 8 3 do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n º 70.235. Recurso de Ofício Negado.” Afirma a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido destoa da jurisprudência consolidada de outras câmaras no ponto em que declarou a nulidade do lançamento por vicio formal, sob o argumento de que não houve descrição clara dos fatos geradores, bem como ausência de indicação do fundamento. Diz que, da leitura detida da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito, bem como do Relatório Fiscal de Notificação e dos demais termos que acompanham o procedimento, é possível concluir, indubitavelmente, que tudo esta em plena conformidade com o que estabelece o Decreto n". 70.235/72 e a Lei nº. 8.212/91. Observa que o acórdão ora guerreado mostrase também dissonante da jurisprudência na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. Considera patente o fato de que o contribuinte exerceu plenamente a sua defesa, inclusive não tendo se insurgido contra essa questão. Apresenta paradigma que refuta por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo (pas de nullite sans griel). Segue abaixo sua ementa: Acórdão 10808499: "IRPJ CSLL — RECURSO DE OFÍCIO — PREJUÍZO FISCAL — BASE DE CALCULO NEGATIVA — COMPENSAÇÃO LIMITADA A 30% É legítimo o aproveitamento do saldo do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados até a ocorrência do fato gerador, no limite de 30% do prejuízo fiscal e da base de calculo positiva apurada, o que se coaduna com o decidido em primeiro grau. 1RPJ — PRELIMINAR DE NULIDADE — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — Incabível a preliminar de nulidade de cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. IRPJ PRELIMINAR DE NULIDADE FALTA DE DESCRIÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido. IRPJ CSLL NOTAS FISCAIS INID0NEAS ILEGALIDADE Incabível a utilização dc notas fiscais inidôneas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Correia a decisão de Fl. 863DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 primeira instância que glosou a titulo de custo o valor total das notas fiscais ilegítimas, uma vez que não constituem elementos hábeis e idôneos a suportar a dedubitilidade dos valores despendidos na aquisição de insumos na determinação da base imponível. Recurso de oficio negado. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado". (GRIFOS DO RECORRENTE) Ademais, considera que, em sentido diverso àquele propugnado pelo acórdão atacado, a Segunda Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu paradigma no qual se verifica que a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, bem como a ausência de enquadramento legal, não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60 do Decreto n" 70.235/72. Segue a ementa do paradigma: Acórdão: CSRF/0202.301: "NORMAS PROCESSUAIS CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente As infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO d0 IMPOSTO, COM COBERTURA DE CREDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa dc lançamento dc oficio, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Recurso especial provido.” Argumenta que não houve prejuízo para a defesa, pois o contribuinte indubitavelmente entendeu os fatos que lhe foi imputado e apresentou longo e detalhado arrazoado. Assim, conclui que seguindo o entendimento dos acórdãos paradigmas, não caberia a anulação do lançamento. Frisa que somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 da Lei do Processo Administrativo Fiscal, e que no presente caso a decisão vergastada reconheceu como nulidade fato que não se enquadra no citado dispositivo legal. Aponta que o CARF tem firmado o entendimento de que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300211/2012, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.001442/200762 Acórdão n.º 9202003.074 CSRFT2 Fl. 9 5 Afirma que o requisito referente à comprovação da divergência jurisprudencial não foi preenchido. Entende que os acórdãos citados não são contrários ao acórdão recorrido, pois asseveram a inexistência de nulidade do lançamento fiscal se o mesmo preencher todos os pressupostos legais em sua elaboração e a autuada tem pleno conhecimento da matéria autuada. Diz que, no presente caso, é inequívoca a nulidade da autuação, já que a Recorrente não demonstrou, de forma eficaz, a existência do fato gerador. No mérito, argumenta que a Fiscalização não efetuou o cotejamento dos requisitos necessários á tipificação tributária, sendo que simplesmente determinou a retenção da contribuição previdenciária à alíquota de 11% (onze por cento) sem, contudo, verificar a real existência do fato gerador. Sustenta que, sem a devida caracterização da cessão de mãodeobra, haverá o cerceamento de defesa do contribuinte, que deverá realizar um verdadeiro jogo de adivinhações para apresentar a sua defesa. Observa que o relatório fiscal indica serviços cujas notas fiscais descrevem valores totalmente distinto do relatório fiscal, ora para mais, ora para menos, impossibilitando aferir o montante e a razão da imposição fiscal. Salienta que a fiscalização limitouse efetuar a apuração da contribuição previdenciária supostamente devida pela Recorrida, sem, ao menos, analisar os serviços que foram contratados. Considera que, para existir a obrigação referente a retenção de 11% (onze por cento), o serviço contratado deverá preencher todos os requisitos dispostos legalmente para caracterizar a cessão de mãodeobra e deverá estar elencado taxativamente nos artigos 31, § 4°, da Lei no 8.212/1991, c/c artigo 219, § 2°, do Decreto n° 3.048/1999 e 117 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009 (a qual revogou a Instrução Normativa INSS n° 100). Ao final, requer o não conhecimento ou o não provimento do recurso em comento. Eis o breve relatório. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator A Fazenda Nacional apresenta, em seu arrazoado, duas divergências. A primeira divergência, consubstanciada no acórdão paradigma no 108 08499, não se sustenta, uma vez que a questão levantada pela PGFN, acerca da impossibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo, não foi sequer discutida pelo aresto atacado. Ademais, o acórdão recorrido e o acórdão paradigma originamse contextos absolutamente distintos, a saber: Quanto ao acórdão paradigma cabe ressaltar que a preliminar de nulidade foi rechaçada justamente porque a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria e em sua defesa e, ainda, que não haveria cerceamento do direito de defesa por não se vislumbrar qualquer prejuízo aparente. Por outro lado, no presente caso, o contribuinte alega desde a impugnação (fls. 623): "que a fiscalização não provou a existência dos requisitos de continuidade dos serviços e subordinação dos trabalhadores às ordens de comando da contratante, o que descaracteriza a cessão de mãodeobra." Por outro lado, a decisão de primeira instância (fls. 752), que foi mantida pelo acórdão recorrido, concluiu que a autoridade fiscal não se desincubiu de comprovar a ocorrência da cesssão de mão de obra e que a simples enunciação da legislação aplicável, sem a apresentação de fatos e documentos que caracterizem a cessão de mão de obra caracteriza cerceamento do direito de defesa, em virtude do prejuízo em sua defesa: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. RETENÇÃO DE 11%. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃO DEOBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Nulidade. Levantamento fiscal fundado na cobrança I de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Cerceamento de defesa. A simples enunciação da legislação aplicável, sem apresentação de documentos e fatos que caracterizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de discutir, caso a caso, a efetiva ocorrência das circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra. Lançamento Nulo." Portanto, entendo não configurada a primeira divergência, seja porque o acórdão recorrido não tratou da questão da existência de prejuízo para a declaração de nulidade, seja porque o acórdão recorrido e o acórdão paradigma originamse contextos Fl. 866DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.001442/200762 Acórdão n.º 9202003.074 CSRFT2 Fl. 10 7 absolutamente distintos, uma vez que no acórdão paradigma a nulidade foi rechaçada justamente porque a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria e no acórdão recorrido o contribuinte alega e a decisão constata que autoridade fiscal não se desincubiu de comprovar a ocorrência da cesssão de mão de obra e que a simples enunciação da legislação aplicável, sem a apresentação de fatos e documentos que caracterizem a cessão de mão de obra caracteriza cerceamento do direito de defesa, em virtude do prejuízo em sua defesa. Quanto a segunda divergência, consubstanciada no acórdão no CSRF/02 02.301, apontado como paradigma, trata de questão em que se afasta a nulidade que decorra de erro na capitulação legal. Ademais, naquele caso o recurso especial da Fazenda foi provido porque “a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado”. Ocorre que, o acórdão recorrido não faz menção a questão de haver nulidade decorrente de erro na capitulação legal. Trata sim é de ausência de caracterização da cessão de mão de obra, o que caracteriza vício na descrição do fato gerador. Portanto, não vislumbro também a segunda divergência. Destarte, quanto à alegação do recorrido de que não haveria divergência entre os paradigmas colacionados pela Fazenda Nacional e a decisão recorrida, entendo que tem razão o contribuinte, posto que paradigmas que não apresentam similitude fática com o acórdão recorrido não se prestam à demonstração da divergência. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 867DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720259/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento do presente processo à unidade de origem (DRF-Nova Iguaçu/RJ) para que seja apensado e julgado em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo nº 15563.000871/2008-91.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrentes SENDAS DISTRIBUIDORA S/A FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento do presente processo à unidade de origem (DRFNova Iguaçu/RJ) para que seja apensado e julgado em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo nº 15563.000871/200891. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 25 9/ 20 11 -3 3 Fl. 7192DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15563.720259/201133 Resolução nº 1102000.271 S1C1T2 Fl. 7.193 2 Tratase de recurso voluntário interposto por SENDAS DISTRIBUIDORA S/A contra acórdão proferido pela 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício por ter exonerado crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Nova IguaçuRJ, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2006 a 2008, totalizaram o valor de R$ 988.614.227,11. Tal autuação foi fundamentada na omissão de receita decorrente de saldo credor de caixa e na glosa de amortização de ágio gerado no anocalendário de 2004. No que se refere à amortização do ágio, a presente autuação trata dos mesmos elementos fáticos contidos no processo nº 15563.000871/200891, no qual foram exigidos os créditos tributários devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2004 como decorrência da glosa das amortizações do mesmo ágio. Por tratar de idêntica situação fática, a DRJ repetiu, neste processo, o conteúdo decisório que havia sido pronunciado naquele outro processo no sentido de concluir pela existência de simulação na reestruturação societária que originou o ágio. Ainda assim, no texto do acórdão (fls. 6.884), constatase que a turma julgadora sugeriu a apensação deste processo ao de nº 15563.000871/200891. Nada obstante, a sugestão não foi observada pela unidade de origem e o presente processo, depois da interposição do recurso voluntário, foi diretamente encaminhado para o CARF. Em seu recurso voluntário, para evitar decisões contraditórias, a empresa requer o julgamento conjunto de ambos os processos (fls. 6.979). Cumpre também relatar que, em 07 de agosto de 2013, o mencionado processo foi objeto de apreciação pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, desta 1ª Seção de Julgamento, quando resolveuse (Cf. Resolução 1401000.258) acatar a proposta do Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto no sentido de converter o julgamento em diligência para o esclarecimento de algumas questões fáticas. Até esta data, aquele processo continua na unidade do origem (a DRF/Nova IguaçuRJ) aguardando o cumprimento da diligência. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 7193DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15563.720259/201133 Resolução nº 1102000.271 S1C1T2 Fl. 7.194 3 Considerando sua pertinência para a análise do caso, transcrevo o conteúdo do que dispõe o artigo 49, § 7º, do Anexo II do RICARF: Art. 49 (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc..(grifei) Como se vê, o artigo 49, § 7º, dispõe que os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. Diante do exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à unidade de origem (DRFNova Iguaçu/RJ) para que seja apensado e julgado em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo nº 15563.000871/200891. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 7194DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001938/2010-45
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001.
OMISSÃO DE RECEITAS RECEBIDAS EM CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS.
Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, caracterizada está a omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA POR ADMINISTRADORES OU SÓCIOS.
No caso de suprimentos de caixa realizados por administradores ou sócios, cabe ao contribuinte apresentar prova não apenas da origem, mas também da efetiva entrega dos recursos à empresa. Do contrário, fica configurada a prática de omissão de receitas, por presunção legal.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
São objeto de lançamento de ofício as diferenças originárias de pagamento a menor de impostos e contribuições federais.
MULTAS DE OFÍCIO DE 75% E 150% - PERCENTUAIS EXCESSIVOS - EFEITO CONFISCATÓRIO.
O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional.
MULTA QUALIFICADA.
A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo (Súmula CARF nº 75).
Numero da decisão: 1802-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS RECEBIDAS EM CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, caracterizada está a omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA POR ADMINISTRADORES OU SÓCIOS. No caso de suprimentos de caixa realizados por administradores ou sócios, cabe ao contribuinte apresentar prova não apenas da origem, mas também da efetiva entrega dos recursos à empresa. Do contrário, fica configurada a prática de omissão de receitas, por presunção legal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. São objeto de lançamento de ofício as diferenças originárias de pagamento a menor de impostos e contribuições federais. MULTAS DE OFÍCIO DE 75% E 150% - PERCENTUAIS EXCESSIVOS - EFEITO CONFISCATÓRIO. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo (Súmula CARF nº 75).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS RECEBIDAS EM CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, caracterizada está a omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA POR ADMINISTRADORES OU SÓCIOS. No caso de suprimentos de caixa realizados por administradores ou sócios, cabe ao contribuinte apresentar prova não apenas da origem, mas também da efetiva entrega dos recursos à empresa. Do contrário, fica configurada a prática de omissão de receitas, por presunção legal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. São objeto de lançamento de ofício as diferenças originárias de pagamento a menor de impostos e contribuições federais. MULTAS DE OFÍCIO DE 75% E 150% PERCENTUAIS EXCESSIVOS EFEITO CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 19 38 /2 01 0- 45 Fl. 21156DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 3 2 O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo (Súmula CARF nº 75). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 21157DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que manteve o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e à Contribuição para Seguridade Social – INSS, conforme os autos de infração de fls. 2 a 87, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 38.728,59; R$ 38.728,59, R$ 62.725,04, R$ 125.450,17, R$ 31.362,42 e R$ 256.590,41 respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e as multas de ofício de 75% e 150%, conforme as infrações apuradas. O lançamento abrangeu os meses do anocalendário de 2005. Foram imputadas à Contribuinte três infrações: omissão de receitas movimentadas em contas bancárias em nomes de terceiros; omissão de receitas por suprimento de caixa não devidamente comprovado; e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre a primeira infração. Para as outras duas infrações, a multa foi de 75%. Os fatos que motivaram a autuação fiscal estão detalhadamente descritos no Relatório Fiscal de fls. 88 a 110, nos seguintes termos: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610400 2009 00803 0, instauramos ação fiscal junto ao sujeito passivo em epígrafe, onde foram constatadas nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, infringências à legislação do Imposto de Renda, cujos detalhamentos vão a seguir: O procedimento fiscal instaurado na empresa acima qualificada foi decorrente da fiscalização das seguintes pessoas físicas: ELCIMAR DE ARAÚJO EGYDIO, CPF n°. 998.070.84687 e ÁUREA LUIZA LOPES DE FREITAS JORGE, CPF n°. 038.143.98602. As mencionadas pessoas físicas foram selecionadas para fiscalização em virtude de movimentação financeira incompatível e omissão na entrega de declaração de imposto de renda pessoa física. Inicialmente, no caso de Elcimar de Araújo Egydio, o MPF de n°. 0610400 2008 002349 determinou a fiscalização de sua pessoa física no anocalendário de 2005, período em que se constatou uma movimentação financeira da ordem de R$ Fl. 21158DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 5 4 2.173.794,00, estando omissa na entrega da DIRPF referente a este período {doc. fls.02 do ANEXO I). Da mesma forma, o MPF de n°. 0610400 2008 00233 0 determinou a fiscalização da pessoa física de Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge no anocalendário de 2005, período em que se constatou uma movimentação financeira da ordem de R$ 2.424.794,00, estando também omissa na entrega da DIRPF referente ao período citado (doc. fls.84 do ANEXO I). Através de consulta ao CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais da DATAPREV {doc. fls.03 do ANEXO I), verificouse que a Elcimar teve vínculo empregatício com as empresas INDÚSTRIA DE MÓVEIS RUFATO LTDA, CNPJ n°. 70.991.039/000101 e PREMILAR CL MÓVEIS LTDA, CNPJ n° 06.893.015/000102. Já em relação à Áurea, foi constado vínculo empregatício com a empresa LELIA COMERCIAL LTDA ME, CNPJ n° 02.005.902/000146 (doc. fls.85 do ANEXO I). Foi iniciado, então, o procedimento fiscal nas duas pessoas físicas citadas, com a lavratura dos Termos de Início de Ação Fiscal, cientificados por via postal com Aviso de Recebimento em 24/03/2008 (doc. fls.04/05 e 86/87 do ANEXO I). Nestes Termos de Início, solicitouse, no prazo de 20 (vinte) dias, dentre outros documentos, cópias autenticadas da carteira de identidade e da certidão de nascimento, valores mensais recebidos de pessoa jurídica e de pessoa física no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, relação dos bens e direitos existentes em 31/12/2005, bem como extratos bancários do período em questão. Não tendo os contribuintes (Elcimar e Áurea) se manifestado no prazo, em 28/04/2008, foi lavrado um outro Termo de Intimação Fiscal (doc, fls.06/07 e 88/89 ao ANEXO I) reiterando o Termo de Início de Ação Fiscal. Porém, a EBCT devolveu a correspondência indicando “endereço insuficiente” no caso da Elcimar e “ausente” no caso da Áurea. Em 15/04/2008, solicitouse ao Banco do Brasil, através de requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), os extratos bancários de movimentação de conta corrente e de aplicações financeiras, em papel e meio magnético, em nome de Elcimar de Araújo Egydio e de Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, do anocalendário de 2005. Também se requereu cópias dos 20(vinte) cheques de maior valor nominal sacados/debitados em cada contacorrente, cópia dos cartões de assinatura das pessoas autorizadas a movimentar a conta corrente e instrumentos de procuração outorgando poderes para terceiros também movimentarem as referidas contas (doc. fls.191/193 e 210/212 do ANEXO I). O Banco do Brasil, após requerer um prazo adicional de 25 (vinte e cinco) dias para cumprimento da solicitação (doc. fls. 194 e 213 do ANEXO I), apresentou os extratos bancários, bem como os seguintes documentos: Fl. 21159DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 6 5 · Cópia dos instrumentos públicos em que Elcimar e Áurea constituem como sua procuradora a LÉLIA APARECIDA FERREIRA RUFATO, CPF n°. 381.966.11668, Conferindo a ela poderes especiais e amplos para movimentar suas contas bancárias (doc. fls.195 e 214 do ANEXO I); · Cartão de autógrafos em que aparece como outorgante Elcimar de Araújo Egydio e como outorgado Lélia Aparecida Ferreira Rufato para a conta de n° 6.5358, e Fernanda Rufato Pereira para a conta n° 6.3029, ambas da agencia n° 3.8288 do Banco do Brasil (doc. fis.196/197 do ANEXO I); · Cartão de autógrafos em que aparece como outorgante Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge e como outorgado Lélia Aparecida Ferreira Rufato para a conta de n° 65366, da agencia n° 38288 do Banco do Brasil (doc. fls.215/216 do ANEXO I); · Ficha cadastral de Elcimar de Araújo Egydio (doc. fls.198/201 do ANEXO I): ocupação principal: “industriária”; natureza da ocupação: “empregado em empresa do setor privado”; cargo: “marceneiro”; renda: R$ 600,00; empregador: Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge; referências: Célio Rufato, Supermercado Paro Ltda e INSS; e outorgados: Fernanda Rufato Pereira Chumbinho e Lélia Aparecida Ferreira Rufato; · Ficha cadastral de Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge (doc. fls.217/219 do ANEXO I): ocupação principal: “industriária”; natureza da ocupação: “empregado em empresa do setor privado”; cargo: “serviços gerais”; renda: R$ 1.200,00; empregador: Lélia Aparecida Ferreira Rufato; referencias: Supermercado Paro Ltda e Leley Móveis Ind. e Com. Ltda; e outorgados: Lélia Aparecida Ferreira Rufato. Foram, então, identificadas as seguintes contas bancárias, cujos extratos encontramse anexados ao presente processo: > Elcimar de Araújo Egydio Conta n°. 6.3029, Agência 3.8388 do Banco do Brasil, e Conta n°. 6.5358, Agência 3.8288 do Banco do Brasil. > Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge Conta n°. 6.3010, Agência 3.8288 do Banco do Brasil, e Conta n°. 6.5366, Agência 3.8288 do Banco do Brasil.(ano calendário 2005 doc. fls. 02 a 40 do ANEXO II) Com base nos extratos bancários fornecidos pelo Banco do Brasil, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal, com ciência pessoal em 20/05/2008, tanto em nome de Elcimar quanto em nome de Áurea, para, no prazo de 10(dez) dias, comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, relacionadas no anexo ao citado termo (vide doc. fls. 08/16 e 90/102 do ANEXO I). Nesta oportunidade, foi entregue às fiscalizadas, cópias dos extratos bancários de suas contas relativos ao anocalendário de 2005. Fl. 21160DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 7 6 Em correspondência datada de 30/05/2008, Elcimar e Áurea, através de seus procuradores, com escritório à rua Treze de Maio, 95, salas 808/809, centro, em UbáMG, solicitam uma dilação do prazo original, pelo período de 10 (dez) dias (doc. fls.17/18 e 103/104 do ANEXO I). Em 09/06/2008, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal, recebido por via postal em 16/06 pela Elcimar e em 19/06 pela Áurea, reiterandose a Intimação Fiscal de 20/05/2008 (doc. fls. 19/20 e 105/106 do ANEXO I). Para a fiscalizada Elcimar de Araújo Egydio foram feitas novas tentativas de reintimação em 18/07, 04/08 e 24/09/2008, sendo que todas as intimações foram devolvidas pelo Correio (doc. fls. 21/26 do ANEXO I) com a indicação de “endereço insuficiente”. Neste meio tempo, ainda foram feitos três Editais de Intimação n°s. 20, 27 e 34, conforme comprovam documentos anexados às fls. 27/29 do ANEXO I. Já para a fiscalizada Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, foram lavrados os Termos de Reintimição Fiscal em 18/07 e 05/09, por ela mesma recebidos em 25/07 e 11/09, de 2008, respectivamente (doc. fls.107/110 do ANEXO I). Em correspondência datada de 20/10/2008, as fiscalizadas Elcimar e Áurea, informam que em virtude da complexidade da movimentação realizada em suas contas correntes, não conseguiram reunir ainda toda a documentação necessária, sendo que o prazo ficou estendido para 20/12, conforme ficou definido com o Auditor Fiscal responsável. Apresentam também instrumento de procuração nomeando a Sra. Adriana de Fátima Moreira como outorgada para representálas junto à Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (doc. fls.30/31 e 111/112 do ANEXO I). O fiscal atuante, ao verificar a ocorrência de incompatibilidade financeira com os rendimentos declarados nos anoscalendário seguintes, de 2006 e 2007, no caso das duas fiscalizadas Elcimar e Áurea, submeteu à apreciação superior, uma representação fiscal visando a ampliação do período a ser examinado. Assim, em 1º de dezembro de 2008, foi lavrado um Termo de Intimação Fiscal, solicitandose a comprovação da origem dos valores depositados/creditados em suas contascorrentes, no período de 01/01/2005 a 31/12/2007, conforme relação apresentada no anexo ao termo, que foi entregue às fiscalizadas na mesma oportunidade, juntamente com cópia dos extratos bancários do período. O referido termo foi pessoalmente recebido por Elcimar e Áurea na mesma data de sua lavratura, ou seja, em 01/12/2008. (doc. fls.32/67 e 115/172 do ANEXO I). Este Termo de Intimação foi reiterado em 29/12 (para a Áurea) e em 20/01/2009 (para ambas), sendo que neste último, a ciência foi pessoal à procuradora Adriana de Fátima Moreira, sendo lhe entregue, novamente, além da relação dos Depósitos/Créditos, Fl. 21161DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 8 7 os extratos bancários relativos ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007 (doc. fls.68 e 173/175 do ANEXO I). Durante este grande intervalo de tentativas de reintimações (de maio a dezembro de 2008), foram feitas outras solicitações ao Banco do Brasil, através de RMF, tendo se obtido, dentre outras, as seguintes informações (doc. fls.202/204 a 220/222): Referentes à titular ELCIMAR DE ARAUJO EGYDIO: “Conforme informado pela agência de relacionamento do cliente, as contas correntes eram freqüentemente movimentadas por sua procuradora, Sra. Lélia Aparecida Ferreira Rufato.” (doc. fls. 205 do ANEXO I) “Conforme solicitado, informamos que os boletos bancários são expurgados pelas agências após 90 dias de sua liquidação, porém em consulta ao sistema, a agência da cliente informou que, nos boletos gerados, constava no campo INSTRUÇÕES o nome RODMIX COBRANÇAS e FREDLAR COBRANÇAS, referentes respectivamente às contas 6.3029 e 6.5358 da agência 38288. Em consulta ao nosso cadastro, constatamos que os nomes referemse às empresas RODMIX MÓVEIS LTDA ME e FREDLAR INDUSTRIAL DE MOVEIS LTDA ME.” (doc. fls.206 do ANEXO I) Já em relação à titular ÁUREA LUIZA LOPES DE FREITAS JORGE: “Conforme informado pela agência de relacionamento da cliente, as contas correntes eram freqüentemente movimentadas por sua procuradora, Sra. Lélia Aparecida Ferreira Rufato” (doc. fls. 223 do ANEXO I) "Conforme solicitado, informamos que os boletos bancários são expurgados pelas agências após 90 dias de sua liquidação, porém em consulta ao sistema, a agência de relacionamento da cliente informou que, nos boletos gerados, constava no campo INSTRUÇÕES o nome RUFATO COBRANÇAS e MOVELARIA COBRANÇAS, referentes respectivamente às contas 6.3010 e 6.6366 da agência 3.8288. Em consulta ao nosso cadastro, constatamos que ambos os nomes referemse à empresa MOVELARIA RUFATO LTDA ME.” (doc. fls. 224 do ANEXO I) Também com os dados e documentos fornecidos pelo Banco do Brasil (cópias de cheques) em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira citadas, realizou se algumas diligências das quais vale destacar, em resumo: 1. O Sr. Antonio Carpovicz Filho declarou que, apesar de desconhecer os cheques emitidos por Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge e Elcimar de Araújo Egydio, nos valores R$ 7.684,00 e R$ 14.120,00, possui dois caminhões e prestou Fl. 21162DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 9 8 diversos serviços de transportes na região de Rodeiro/MG, nos meses de julho e agosto/2005, mais precisamente para a empresa INDUSTRIA DE MÓVEIS RUFATO LTDA. (doc. fls.229/233 do ANEXO I); 2. A Distribuidora de Vidros Muriaé Ltda. informou que manteve relação comercial com a empresa PREMILAR C L MÓVEIS LTDA, localizada em Rodeiro/MG, tendo recebido o cheque emitido por Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge no valor de R$ 6.027,00 como parte do pagamento de duplicatas por sua empresa emitidas (doc, fls.234/240 do ANEXO I); 3. A empresa Reinaldo de Mello & Cia Ltda também confirmou que o cheque no valor de R$ 7.500,00 em nome Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge entrou como parte do pagamento da venda de um equipamento à empresa INDUSTRIA DE MÓVEIS RUFATO LTDA (doc. fls.241/243 do ANEXO I); 4. A Lambertex Indústria e Comércio Ltda. declarou que o cheque no valor de R$ 16.640,91 foi utilizado para pagamento da venda efetuada para a empresa INDUSTRIA DE MÓVEIS RUFATO LTDA. (doc. fls.249/254 do ANEXO I); 5. A Madsul Atacadão de Madeiras Ltda esclareceu que efetuou uma venda para o GRUPO RUFFATO, e o cheque mencionado no valor de R$ 18.790,00 fora depositado como sinal do negócio (doc. fls.255/258 do ANEXO I). As investigações e verificações efetuadas pela fiscalização até então, já demonstravam que as contas bancárias de Áurea e Elcimar eram, de fato, utilizadas para movimentar recursos de várias empresas, ou seja, uma mesma conta bancária movimentava recursos de diferentes empresas. A Sra. Lélia Aparecida Ferreira Rufato, através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência, foi intimada em 26/05/2008, a prestar esclarecimentos e apresentar documentos sobre os vínculos profissionais que manteve com a Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge. (doc. fls. 259/260 do ANEXO I). A contribuinte solicitou uma prorrogação de prazo por mais 5 (cinco) dias e a Intimação Fiscal de 23/05 foi reiterada em 16/06/2008 (doc. fls.261/263 do ANEXO I). Em correspondência datada de 20/10/2008, através de sua contadora Sra. Adriana de Fátima Moreira, também nomeada sua procuradora, informa que está localizando os documentos solicitados, e que, conforme ficou definido com o Auditor Fiscal responsável, o prazo para cumprimento da intimação estendeuse para o dia 20 de dezembro de 2008. (doc. fls.284/285 do ANEXO I) Os Termos de Intimação de 1º de dezembro de 2008, nos quais se solicitou a comprovação da origem dos valores depositados/ creditados nas contas correntes de Elcimar e Áurea referente ao período de 01/01/2005 a 31/12/2007 foram reiterados em 12/03 Fl. 21163DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 10 9 e 30/04/2009, data de lavratura dos termos, (doc. fls. 69/71 e 176/178 do ANEXO I}. Em 29/05/2009, Elcimar de Araújo Egydio assim apresenta sua resposta (doc. f!s.72/73 do ANEXO I): “A contribuinte em questão, em virtude da complexidade da movimentação realizada na sua conta corrente, não conseguiu ainda reunir as informações necessárias para atender esta fiscalização, anexando, no ato deste termo de resposta toda a movimentação financeira solicitada de 01.01.2005 31.12.2005, salientando que as informações pertinentes a 2006 e 2007 estão em adiantado processo, termos em que solicita uma dilação no prazo para entrega das mesmas, que deverá acontecer, na pior das hipóteses, até 30 de junho dê 2009. Esclarecendo que todos os recursos movimentados em sua conta são pertencentes a terceiros, sendo este o motivo da mesma não ter feito DIRPF informando tal movimentação. Salienta que não teve a intenção de ocasionar quaisquer prejuízos ao fisco, tendo cedido sua conta para que empresas de conhecidos movimentassem valores, devidamente documentados, esclarecendo ainda que jamais teve acesso a tais valores, sequer sabendo o montante que era movimentado. Anexa a este termo planilha demonstrando de onde vieram os recursos movimentados em sua conta corrente, bem como a documentação comprobatória da origem da origem dos respectivos recursos. Sublinha que jamais auferiu quaisquer vantagens, pessoais ou financeiras com a referida situação, tendo cedido sua conta em confiança e respeito a pessoas as quais conhecia há bastante tempo, vez que as mesmas nunca lhe trouxeram nenhum prejuízo ou problema. Outrossim, as referidas pessoas tem excelente fama na cidade, de forma que ficou tranqüila e feliz em poder ajudar as mesmas, confiante de que nada seria feito em seu nome. Informa ainda que lhe foi demonstrado a referida movimentação somente agora quando da solicitação desta repartição fiscal. No entanto, ao que lhe parece, tudo está devidamente documentado, com notas fiscais pertinentes, de forma que acredita estar demonstrando que nada dos recursos ora movimentados fizeram parte da sua vida ou do seu patrimônio. Anexa a este Termo de Resposta: Planilhas demonstrando a origem dos valores movimentados em sua conta corrente; Fl. 21164DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 11 10 Notas fiscais pertinentes às referidas movimentações; Disquete contendo cópia da planilha anexada.” A resposta apresentada por Áurea Luíza Lopes de Freitas Jorge (doc. fls. 179/180 do ANEXO I), na mesma data de 29/05/2009 é exatamente igual à de Elcimar citada anteriormente, e quem as assina é sua procuradora Adriana de Fátima Moreira. Lélia Aparecida Ferreira Rufato, também em 29 de maio, apresenta os seguintes esclarecimentos, dos quais destacamos (vide doc. fls.266/270 do ANEXO I): "A contribuinte em questão atendendo às solicitações do MPF em tela, informa neste ato que a Srta. Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, CPF 038.143.98602, foi sua funcionária, tendo exercido a função de auxiliar de serviços gerais na sua empresa, razão social Lélia Comercial Ltda., no período de 01.07.98 a 01.03.2006. Declara ainda que esta foi admitida novamente, na mesma empresa, em 01.03.2007, conforme documentos em anexo. Em relação a Srta. Elcimar de Araújo Egydio, CPF 998.070.84687, esclarece que também esta pessoa teve relação de trabalho com a mesma, tendo sido admitida em sua empresa, quer seja, Lélia Comercial Ltda., endereço já informado acima, em 05 de maio de 2008, conforme documentos anexos, exercendo a função de auxiliar de limpeza.” Novas intimações foram feitas, em 01/06 e 24/07, reiterandose o Termo de Intimação Fiscal de 1º de dezembro de 2008, relativamente à comprovação da origem dos valores depositados/creditados em suas contas correntes no período de 01/01/2006 a 31/12/2007 (doc. fls.74/75 e 181/182 do ANEXO I). Elcimar e Áurea, em sua resposta datada de 04 de setembro de 2009, assim esclarecem (doc. fls.76/77 e 183/184 do ANEXO I): “A contribuinte esclarece que está em fase final da organização das informações do ano de 2007 solicitados por esta fiscalização, de forma que solicita novamente um prazo para atender adequadamente a esta fiscalização. Salienta que entrega neste momento toda a movimentação pertinente ao ano de 2006 e parte do ano de 2007. Anexa a este termo planilha demonstrando de onde vieram os recursos movimentados em sua conta corrente, bem como a documentação comprobatória da origem dos respectivos recursos, relativos ao ano de 2006,e parte do ano de 2007. Ratifica novamente a informação de que tais recursos movimentados em sua conta são de terceiros, na sua totalidade, conforme documentação anexa. Salienta ainda Fl. 21165DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 12 11 que não auferiu nenhuma vantagem com a referida situação.” Finalmente, em 17 de setembro de 2009, as fiscalizadas Elcimar e Áurea apresentam o restante da documentação, bem como as planilhas, demonstrando a origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes referente ao ano de 2007 (doc. fls.78/79 e 185/186 do ANEXO I). As planilhas apresentadas indicam a origem dos valores depositados/creditados nas respectivas contas (de Elcimar e Áurea), como sendo proveniente de cinco empresas, a saber: 1) FREDLAR INDUSTRIAL DE MÓVEIS LTDA ME, CNPJ n° 03.940.753/000175; 2) INDUSTRIA DE MÓVEIS RUFATO LTDA., CNPJ n° 70.991.039/0000101; 3) PREMILAR CL MÓVEIS LTDA, CNPJ n° 06.893.015/000102; 4) RODMIX MÓVEIS LTDA ME, CNPJ n° 02.108.097/000186 e 5) MOVELARIA RUFATO LTDA ME, CNPJ n° 05.675.309/0001 03. Essas cinco empresas possuem o seguinte quadro societário, de acordo com a última alteração contratual realizada: 1. RODMIX MÓVEIS LTDAME: Mauro Lúcio Pereira e Fernanda Rufato Pereira Chumbinho 2. MOVELARIA RUFATO LTDA ME: Célio Rufato e Lélia Aparecida Ferreira Rufato 3. FREDLAR INDUSTRIAL DE MÓVEIS LTDA – ME: Hélio Rufato e Emiliane Rufato Oliveira 4. PREMILAR CL MÓVEIS LTDA: Sebastião Venâncio de Oliveira e Cleber Teixeira 5. INDUSTRIA DE MÓVEIS RUFATO LTDA: Célio Rufato e Lélia Aparecida Ferreira Rufato Com exceção da PREMILAR CL MÓVEIS LTDA, que na 2ª alteração contratual realizada em 31 de outubro de 2007, o sócio Frederico Rubinich Ferreira Rufato retirouse da sociedade, todas as demais empresas pertencem à família “RUFATO”, localizamse no município de Rodeiro em MG e tem como objetivo social principal a indústria e o comércio de móveis de madeira. As planilhas apresentadas estão anexadas às fls.41 a 165 do ANEXO II ao presente processo, referente a todo o ano calendário de 2005. Verificase que para cada depósito/crédito, está associado uma ou mais notas fiscais, documentos ou depósitos e está indicado o nome ou o CNPJ da empresa a qual pertence. Porém, em muitos casos, há a indicação de empréstimo de outra empresa que não a que predomina para esta conta bancária. Em razão do exposto, foi elaborado um demonstrativo que tem por base a planilha anexa ao Termo de Intimação no qual se Fl. 21166DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 13 12 solicitou a comprovação da origem dos valores depositados/ creditados em cada conta das pessoas físicas de Elcimar e Áurea. Este Demonstrativo denominado “ORIGEM DOS CRÉDITOS” (doc. fls. 111/140 do presente processo) foi confeccionado utilizandose as informações constantes das planilhas apresentadas pelas fiscalizadas. Conforme relatado, para cada uma das contas das pessoas físicas de Elcimar e Áurea há uma prevalência da origem como proveniente de determinada empresa. Entretanto, na discriminação de cada depósito/crédito, alguns foram indicados como sendo empréstimos das outras, conforme a seguir discriminado (vide Demonstrativo da Participação das PJs nas C/Cs das PFs às fls.109 do presente processo): 1. Elcimar Conta n° 6.302: A grande maioria dos depósitos/créditos pertence a Rodmix e Movelaria Rufato. Uma pequena parte é dividida entre Ind. de Móveis Rufato e Fredlar. 2. Elcimar Conta n° 6.535: A grande maioria dos depósitos/créditos pertence a Fredlar. Uma pequena parte encontrase dividida entre as outras quatro empresas. 3. Áurea Conta n° 6.301: A grande maioria dos depósitos/créditos está dividida entre Ind. Móveis Rufato, Movelaria Rufato e Premilar. Apenas uma pequena parte é que pertence à Fredlar. 4. Áurea Conta n° 6.536: A totalidade dos depósitos/créditos pertence a Movelaria Rufato. Desta forma, no Demonstrativo ORIGEM DOS CRÉDITOS, distribuiuse os valores dos depósitos/créditos para cada empresa, conforme indicado nas planilhas, considerandose ainda que, quando se referia a empréstimo, esta quantia foi computada para a empresa que concedeu o empréstimo, que é a titular do recurso. Tendo ficado indubitavelmente comprovado que os depósitos/créditos nas contas das pessoas físicas de Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge tiveram origem nas cinco empresas já mencionadas, partiuse para a fiscalização dessas pessoas jurídicas. I OMISSÃO DE RECEITAS: MANUTENÇÃO E MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA Assim, iniciouse o procedimento fiscal em 29/10/2009, com a lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal, através do qual, intimouse o contribuinte a apresentar toda a documentação contábil e fiscal da empresa, incluindo Livros Diário e Razão, Fl. 21167DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 14 13 Inventário, Registro de Entradas e Saídas, notas fiscais de entradas e saídas, contrato social e alterações, extratos das contas correntes bancárias, dentre outros, referentes ao período de 01/01/2005 a 31/12/2007 (fls. 141/143 do presente processo). Cumpre esclarecer, por oportuno, que no anocalendário de 2005, a empresa optou pela forma de tributação simplificada, apresentando declaração simplificada de pessoa jurídica SIMPLES, cuja situação de enquadramento é empresa de pequeno porte. Já para os anoscalendário seguintes, 2006 e 2007, a opção foi pela tributação pelo lucro presumido, (vide cópia da declaração do anocalendário de 2005 às fls. 209/222 do presente processo). Em razão da forma de tributação diferenciada nos anos calendário fiscalizados (SIMPLES para 2005 e LUCRO PRESUMIDO para 2006 e 2007), neste processo serão anexados os documentos (extratos bancários, planilhas e declarações IRPJ) referentes ao anocalendário de 2005. Já os documentos referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 comporão o outro processo administrativo fiscal. Em correspondência datada de 03/11/2009, a fiscalizada informa estar preparando toda a documentação solicitada e apresenta procuração do sócio da empresa outorgando poderes para Adriana de Fátima Moreira representálo junto à DRF/JFA (doc. fls. 144/146 do presente processo). O Termo de Início de Ação Fiscal foi reiterado através do Termo de Intimação Fiscal I, lavrado em 14/12/2009 (doc.fls. 148/150 do presente processo), prorrogandose o prazo para 18/12. Nesta data, o contribuinte solicita um prazo maior para atendimento, concedendose a prorrogação requerida por mais 30 (trinta) dias desta data, ou seja, até 18/01/2010. Nesta mesma oportunidade, a fiscalizada informou que não possui o livro Razão, uma vez que no período fiscalizado, apurou seus impostos na forma do SIMPLES, estando obrigada à escrituração do Livro Caixa. (doc. fls. 151/152 do presente processo). Através de requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), solicitouse ao Banco do Brasil, os extratos bancários de movimentação de contacorrente e de aplicações financeiras, em papel e meio magnético, em nome da empresa fiscalizada, dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. Com base nos extratos bancários fornecidos pelo Banco do Brasil, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal II, com ciência por via postal em 04/01/2010, para, no prazo de 20 (vinte) dias, comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua contacorrente, relacionados no anexo ao citado termo (vide doc. fls. 153/171 do presente processo). Através do Termo de Intimação Fiscal III, recebido por via postal em 22/01, reiterouse o Termo de Intimação Fiscal II, prorrogandose o prazo para o dia 22/02/2010 (doc. fls. 172/173 Fl. 21168DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 15 14 do presente processo). Nesta oportunidade, foi entregue à fiscalizada, cópias dos extratos bancários de sua conta relativa ao período fiscalizado. Em 1º de março de 2010, o contribuinte solicitou uma prorrogação por período não inferior a 30 (trinta) dias, a qual foi concedida até o dia 15/03/2010. (doc. fls. 174 do presente processo) Este novo prazo foi mais uma vez comunicado à fiscalizada através do Termo de Intimação Fiscal IV. (doc. fls. 175/176 do presente processo). Em 19/03/2010, o contribuinte apresentou a documentação referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, a saber, notas fiscais de saída, planilhas e Livros Diários n°s 06 e 07, e solicitou a prorrogação do prazo para prestar as informações referentes ao anocalendário de 2007 (doc. fls. 177/179 do presente processo). Em 25/03/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal V, reiterando o Termo de Intimação Fiscal II, no que diz respeito à comprovação da origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente no período de 01/01 a 31/12/2007, prorrogandose o prazo para atendimento até o dia 05/04. (doc. fls. 180/181 do presente processo). Dentro deste mesmo prazo, o contribuinte foi intimado a apresentar os registros contábeis (Livro Razão) referentes aos lançamentos efetuados na conta 2.2.02.02.0004 EMPRÉSTIMOS SÓCIOS, bem como a comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e efetiva entrega do numerário pelo sócio à empresa, nos seguintes valores totais: · AnoCalendário 2005: R$ 86.500,00 · AnoCalendário 2006: R$ 333.000,00 Em correspondência datada de 25/03, o contribuinte vem solicitar nova dilação de prazo para entrega das planilhas de movimentação financeira referente ao período de janeiro a junho de 2007. Esclarece, ainda, que, nas planilhas já entregues (anos calendário de 2005 e 2006), sempre que os recursos não eram da própria empresa, discriminou na coluna denominada “origem”, o CNPJ e o nome da empresa a quem o recurso pertencia, (doc. fls. 182 do presente processo). Somente em 15 de abril é que o contribuinte apresentou o restante da documentação referente ao anocalendário de 2007, bem como a resposta no que diz respeito ao Empréstimo de Sócio (doc. fls. 183/184 do presente processo). As planilhas foram apresentadas no mesmo formato que a das pessoas físicas (Elcimar e Áurea), isto é, para cada depósito/crédito, está associado uma ou mais notas fiscais, documentos ou depósitos e está indicado o nome ou o CNPJ da empresa a qual pertence. Também em alguns casos, há a Fl. 21169DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 16 15 indicação de empréstimo de outra empresa que não a titular da conta bancária. Os valores creditados/depositados na conta da pessoa jurídica encontramse devidamente registrados na contabilidade, inclusive os lançamentos de empréstimos foram registrados na contabilidade das duas empresas (devedora e credora), conforme se verificou nos livros Diário. Entretanto, concluise de forma inequívoca que parte da movimentação bancária nas contascorrentes de Elcimar e Áurea, pertence, na realidade, à empresa Movelaria Rufato Ltda. ME. Este fato, inclusive, foi confirmado pelo próprio contribuinte, ao escriturar na contabilidade da pessoa jurídica, a movimentação financeira das pessoas físicas envolvidas após o início do procedimento fiscal. Portanto os depósitos efetuados nas contas correntes das pessoas físicas de Elcimar e Áurea, serão tributados como receitas omitidas da empresa ora fiscalizada. Aqui, há que se fazer uma ressalva importante. O início do procedimento fiscal nas pessoas físicas de Áurea e Elcimar ocorreu em 24/03/2008. Já a ação fiscal na pessoa jurídica teve início em 29/10/2009. O contribuinte procedeu à retificação das declarações da pessoa jurídica nas seguintes datas, conforme se verifica da tela do CNPJ CONSULTA (fls. 208 do presente processo): · Anocalendário de 2005: em 03/06/2009 (original entregue em 30/05/2006); · Anocalendário de 2006: em 05/09/2009 (original entregue em 22/06/2007); · Anocalendário de 2007: em 08/09/2009 (original entregue em 30/06/2008). É evidente a retificação das declarações após o início da ação fiscal (vide cópia das declarações retificadoras às fls. 223/237 do presente processo). A escrituração do Livro Diário apresentado foi efetuada posteriormente ao início do procedimento fiscal. Prova disso se faz através dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros (doc. fls. 190/195 do presente processo), nos quais o responsável técnico é a Sra. Adriana de Fátima Moreira, contabilista, nomeada procuradora de Elcimar e Áurea em 16 de outubro de 2008 e de todas as empresas do grupo Rufato em 05 de novembro de 2009. Também se verifica nas declarações da pessoa jurídica apresentadas originalmente que o responsável pelo preenchimento é outro contabilista Sr. Luiz Fernando Medina do Vale, enquanto que nas declarações retificadoras apresentadas após o início da ação fiscal, com exceção apenas para o ano calendário de 2005, é o próprio sócio, a Sra. Lélia Aparecida Ferreira Rufato, a nova responsável pelo preenchimento da declaração. Fl. 21170DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 17 16 Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n° 70.235/72. Estes atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providencia do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta a retificação da declaração de rendimentos, por iniciativa do contribuinte, conforme determina o artigo 833 do RIR/99: [...] Podemos citar, inclusive, alguns Acórdãos do Conselho de Contribuintes neste sentido: [...] Ora, mais do que claro está a intenção do contribuinte em retificar suas declarações para incluir, nada mais, nada menos que os seguintes valores de receita: · AnoCalendário de 2005: R$ 251.021,68 · AnoCalendário de 2006: R$ 2.785.511,90 · AnoCalendário de 2007: R$ 4.334.627,67 Não se trata de erro cometido em seu preenchimento, como também não foi uma retificação visando usufruir algum benefício fiscal. As retificações procedidas só vêm confirmar a intenção fraudulenta que o contribuinte teve de omitir receitas, ao movimentar recursos em contas bancárias de terceiros. Assim, as retificações efetuadas pela fiscalizada só vêm ratificar o fato de que os recursos movimentados nas contas bancárias de Elcimar e Áurea, na realidade, são receitas operacionais da Movelaria Rufato Ltda. e das outras empresas do mesmo ramo e família. É interessante notar, também, que as retificações das declarações realizadas após o início do procedimento fiscal aumentaram a receita bruta, porém em valor inferior ao apurado pela fiscalização, conforme se verifica do quadro abaixo: MÊS D.ORIGINAL D. RETIFICADORA RECEITA INCLUÍDA OMISSÃO APURADA jan/05 65.114,98 66.520,64 1.405,66 53.559,94 fev/05 80.691,63 80.691,63 0,00 34.814,59 mar/05 183.595,44 259.053,69 75.458,25 37.606,55 abr/05 186.272,97 186.272,97 0,00 53.222,08 mai/05 249.047,48 256.381,58 7.334,10 74.748,26 jun/05 242.847,18 326.842,58 83.995,40 125.524,69 jul/05 247.213,79 280.195,89 32.982,10 186.951,59 Fl. 21171DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 18 17 ago/05 229.702,23 236.385,86 6.683,63 190.166,25 set/05 260.193,72 273.956,26 13.762,54 195.481,06 out/05 371.073,80 371.073,80 0.00 187.187,29 nov/05 564.955,84 594.355,84 29.400,00 229.241,40 dez/05 355.454.00 355.454,00 0.00 283.876,04 total 3.036.163,06 3.287.184,74 251.021,68 1.652.379,74 [...] Tratamse, portanto, de vendas efetuadas através de notas fiscais e de cobranças bancárias creditadas nas contas de Elcimar e Áurea e que compõem a receita operacional da empresa. Assim, os valores a serem tributados como omissão de receita, obtidos diretamente das planilhas fornecidas pelas fiscalizadas (Áurea e Elcimar), são os seguintes (vide planilha “ORIGEM DOS CRÉDITOS” às fls. 111/140 e sua consolidação no DEMONSTRATIVO DAS CONTASCORRENTES MOVIMENTADAS PELA EMPRESA às fls. 110 do presente processo): MÊS D.ORIGINAL OMISSÃO DE RECEITA TOTAL RECEITA jan/05 65.114,98 53.559,94 118.674,92 fev/05 80.691,63 34.814,59 115.506,22 mar/05 183.595,44 37.606,55 221.201,99 abr/05 186.272,97 53.222,08 239.495,05 mai/05 249.047,48 74.748,26 323.795,74 jun/05 242.847,18 125.524,69 368.371,87 juI/05 247.213,79 186.951,59 434.165,38 ago/05 229.702,23 190.166,25 419.868,48 set/05 260.193,72 195.481,06 455.674,78 out/05 371.073,80 187.187,29 558.261,09 nov/05 564.955,84 229.241,40 794.197,24 dez/05 355.454.00 283.876,04 639.330,04 Total 3.036.163,06 1.652.379,74 4.688.542,80 [...] II MULTA QUALIFICADA DE 150% O procedimento adotado pelo contribuinte, relatado anteriormente, utilizandose de contas correntes abertas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) para movimentar seus recursos e, conseqüentemente não oferecêlos à tributação, caracterizam intenção fraudulenta de omitir receitas e diminuir o resultado tributável e, portanto, ensejam a aplicação de multa qualificada de 150%, conforme dispõe o artigo 44, II da Lei 9.430 de 27.12.1996, sem prejuízo da aplicação de outras sanções, conforme dispõe a Lei 8.137/90, artigos 1º e 2º. Em virtude dos fatos mencionados, a Fiscalização entendeu por agravar a multa de ofício nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, combinado com o artigo 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que define sonegação fiscal. Com efeitos dispõe o art. 44 da Lei n° 9.430/96: [...] Fl. 21172DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 19 18 Diferentes da inadimplência, do erro e da omissão simples, sonegação, fraude e conluio são as figuras típicas que descrevem os delitos tributários, em que sempre estará presente o dolo. Ao Contrário do Direito Penal em que há crime na culpa, no Direito Tributário o dolo constitui o elemento formal indispensável para a configuração de crime contra a ordem tributária. Manter e movimentar conta bancária em nome de interposta pessoa é conduta que se subsume perfeitamente à figura típica da sonegação. Além do crédito tributário apurado, lavrouse, também, representação fiscal para fins penais, por força do disposto no artigo 83 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e nas normas complementares estabelecidas no artigo 1º do Decreto n.° 2.730, de 10/08/1998 e no art 1° da Portaria SRF n° 2.752, de 11/10/2001, com as alterações da Portaria SRF n° 1.279, de 13/11/2002, uma vez que os fatos apurados no decorrer da ação fiscal evidenciaram situações que, em tese, constituem crime contra a ordem tributária tipificado no artigo 1º, incisos I e V, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990. O Conselho de Contribuintes já assentou o entendimento de que caracteriza evidente intuito de fraude a utilização de conta corrente de interposta pessoa para movimentação financeira do contribuinte, mormente quando não há qualquer referência dessa mesma conta bancária em seus registros contábeis. [...] Ill SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Conforme relatado anteriormente, o contribuinte foi intimado (Termos de Intimação V às fls. 180 do presente processo) a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e efetiva entrega do numerário pelo sócio à empresa, nos seguintes valores totais: · Anocalendário 2005: R$ 86.500,00 · Anocalendário 2006: R$ 333.000,00 Estes valores foram obtidos dos balancetes constantes ao final do Livro Diário, cujas cópias estão anexadas às fls. 196/198 do presente processo. Em sua resposta apresentada em 15/04/2010, o contribuinte assim se manifesta (fls. 183/184 do presente processo): “5º Que embora, mais uma vez esta fiscalização solicite os registros contábeis através do livro razão, referente lançamentos efetuados na conta 2.2.02.02.0004 Empréstimos de Sócios, a empresa volta a esclarecer que é desobrigada de escriturar tal livro, motivo pelo qual não o possui, mas ressalta que todos os lançamentos relativos a esta conta estão devidamente contabilizados no livro diário, cujos anos de 2005 e 2006 já estão em poder desta Fl. 21173DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 20 19 fiscalização, e o ano de 2007 encontrase anexo a este termo de resposta. 6º Que anexa a este termo os recibos pertinentes aos empréstimos efetuados pelos sócios à empresa, salientando que tais empréstimos foram feitos em dinheiro, para cobrir eventuais despesas, sendo que na grande maioria dos valores, os sócios já receberam os numerários de volta, conforme pagamento das empresas também contabilizados no livro diário, (grifo nosso) 7° Que anexa a este termo, também, os recibos pertinentes à distribuição de lucros efetuadas aos sócios no período ora fiscalizado, haja vista que, por óbvio, a origem dos valores emprestados à empresa pelos sócios decorrem de seus rendimentos auferidos pela própria empresa a título de retirada pro labore e distribuição de lucros, de forma que apresenta também cópia dos recibos de lucros que os sócios auferiram da empresa no mesmo período.” Conforme relatado, o contribuinte não apresenta a devida comprovação da efetividade da entrega do numerário pelo sócio à empresa. A argumentação é que os empréstimos foram feitos “em dinheiro”, apresentando simples recibos assinados pelos sócios, os quais encontramse anexados às fís. 201/207 do presente processo (referentes ao anocalendário de 2005 período analisado no presente processo). Observese ainda que foram apresentados recibos, inclusive, referentes ao ano calendário de 2007, totalizando por ano os seguintes valores: · Anocalendário 2005: R$ 81.500,00 · Anocalendário 2006: R$ 288.000,00 · Anocalendário 2007: R$ 120.165,00 Em razão de o contribuinte não ter apresentado a totalidade dos recibos referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, e, inclusive, de não ter sido intimado em relação ao anocalendário de 2007, lavrouse o Termo de Intimação Fiscal VI, solicitando se novamente a comprovação da origem e efetividade da entrega do numerário pelo sócio à empresa nos valores totais consolidados nos balancetes nos três anoscalendário mencionados (doc. fls. 185/187 do presente processo) A fiscalizada, em sua resposta datada de 03 de maio de 2010, reafirma que os recibos pertinentes aos empréstimos efetuados pelos sócios à empresa foram feitos em dinheiro, para cobrir eventuais despesas, e anexa, cópias de todos os recibos, complementando, assim, os valores totais consolidados nos balancetes. Para comprovar a origem, apresenta recibos de distribuição de lucros aos sócios e acrescenta que os sócios já receberam os numerários de volta, conforme pagamentos contabilizados no livro Diário. Fl. 21174DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 21 20 Porém, tornase necessário, neste caso, a comprovação tanto da efetividade da entrega do numerário à empresa pelos sócios, quanto da origem do suprimento. Caso contrário, temse o seguinte: Os suprimentos de caixa cuja origem dos recursos e efetividade da entrega não for devidamente comprovada são tributados como receitas omitidas da própria empresa, de acordo com o que prevê o art. 282 do vigente RIR/99: [...] Desta forma, qualquer que seja a contrapartida dos lançamentos, os suprimentos de caixa devem ser comprovados com documentação hábil e idônea e coincidente em datas e valores. Neste sentido, inclusive, podese citar, como ilustração, diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes: [...] Pelo que se conclui, no presente caso, que a simples apresentação de recibos não serve para descaracterizar a presunção de omissão de receita, pelo contrário, serve para comprovar que houve um suprimento sem a devida comprovação. Assim, nos termos do art. 282 do RIR/99 citado e visto que o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade de sua entrega, fica caracterizada a omissão de receita, nos seguintes valores discriminados mensalmente para os anoscalendário de 2005, 2006 e 2007: Data Sócio Supridor Valor do Recibo (R$) 05.07.2005 Lélia Aparecida F. Rufato 3.000,00 15.07.2005 Total Jul Lélia Aparecida F. Rufato 15.000,00 18.000,00 22.08.2005 Lélia Aparecida F. Rufato 1.000,00 Total Ago 1.000,00 11.10.2005 Lélia Aparecida F, Rufato 10.500.00 07.10.2005 Lélia Aparecida F. Rufato 14,000,00 Total Out 24.500,00 08.11.2005 Lélia Aparecida F. Rufato 5.000,00 Total Nov 5.000,00 02.12.2005 Lélia Aparecida F. Rufato 4.000,00 Total Dez 4.000,00 Total de Empréstimos Concedidos em 2005 52.500,00 [...] Fl. 21175DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 22 21 Fazem parte do presente processo, os ANEXOS I e II, cujos documentos corroboram este relatório, atentandose para o fato de que estão anexados os extratos, planilhas e declarações IRPJ correspondente ao anocalendário de 2005. Para constar e produzir os efeitos legais previstos, lavramos o presente Relatório Fiscal em três vias de igual teor e forma, que vai assinado por nós, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal da empresa com quem fica uma das vias. (grifos acrescidos) A fase litigiosa foi instaurada com a impugnação de fls. 297 a 313. Conforme descrito na decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 0935.899 (fls. 21.073 a 21.080), a Contribuinte contestou as exigências fiscais com os seguintes argumentos: 1) “preliminarmente pleiteamos a nulidade do presente auto de infração”, tendo em vista que “a empresa impugnante, antes de ser intimada, auditou sua escrita contábil e ,encontrando algumas diferenças, tratou de fazer uso do que disposto no artigo 138 do CTN, retificando suas declarações de rendimento e efetuando os pagamentos complementares de imediato. Desta forma, o presente auto de infração resta esvaído de nulidades, haja vista que mencionado dispositivo beneficia o contribuinte no sentido de evitar que o mesmo seja sancionado ,haja vista que o mesmo, espontaneamente, denunciou erros e omissões encontrados, tratando de regularizar a situação”; 2) “em relação à omissão de receitas decorrentes do empréstimo de sócios, mais uma vez o fisco errou terrivelmente. Isto porque, além de entregarmos as planilhas demonstrativas inclusive com o n° dos lançamentos efetuados no diário relativo aos valores movimentados na referida conta, também tivemos o cuidado de demonstrar a origem dos recursos dos sócios .devidamente contabilizados no livro diário. Deste feito, considerando que demonstramos os recibos de empréstimo, bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa, efetivamente lançados no livro diário, nas datas específicas dos respectivos lançamentos, não cabe ao fisco utilizar da hipótese de presunção prevista no RIR, haja vista que esta somente permite ao fisco considerar como receita omitida os valores emprestados pelos sócios cuja origem não possa ser comprovada. Ora, a contabilidade demonstra claramente que os sócios haviam recebido distribuição de lucros e que tinham disponibilidade financeira quando dos respectivos empréstimos. A contabilidade demonstra também que os referidos empréstimos foram pagos em quase sua totalidade, tudo efetivamente lançado de acordo com a legislação pertinente e com os princípios contábeis geralmente aceitos”; 3) “o fisco , ao determinar o referido valor considerado omisso não efetuou os seguintes procedimentos: Fl. 21176DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 23 22 a não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e, inclusive, na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente. b Embora devidamente informado na planilha, não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes. Cumpre salientar que a empresa recebia de seus clientes com cheques, na maioria das vezes, de terceiros. Então, dava baixa nos clientes, conforme escrituração contábil quando do recebimento destes cheques e efetuava o depósito no banco. Quando estes cheques eram devolvidos, ao invés da empresa voltar novamente com o cheque devolvido para o cliente inadimplente, foi criado pela contabilidade uma conta em que todos estes cheques eram lançados. Tais cheques referiamse a clientes que pagaram e tiveram o cheque devolvido por duas vezes. Após o recebimento destes clientes, quando isto acontecia, a empresa dava baixa nos referidos cheques, devolvidos a tais clientes, e depositava os valores recebidos ora em dinheiro, ora em cheque na conta corrente. Desta forma, ao tributar estes valores mais uma vez a fiscalização fere o principio do “no bis in idem”. “Isto porque os cheques recebidos, conforme pode ser observado nos lançamentos contábeis decorrem de notas fiscais devidamente lançadas cujo imposto foi previamente pago”; 4) “vários valores depositados nas contas, conforme o próprio fisco pode averiguar, tratamse de receitas decorrentes das outras empresas da família. Desta forma também as receitas das outras empresas deveriam ser excluídas do levantamento fiscal, haja vista que tais receitas já estão sendo tributadas na empresa cedente”; 5) “expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciála ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3°, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Tratase de uma ilegalidade que merece ser reparada”; 6) “desta forma são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: a) A empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que não houve excesso de receita sendo portanto descabido o que alegado nos atos declaratórios ora combatidos; Fl. 21177DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 24 23 b) A Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c) A impugnante solicita que sejam anulados e /ou retificados os ADE's ora combatidos, considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) A impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais, testemunhais ou periciais solicitando, portanto, neste ato, estas possibilidades. e) a impugnante solicita a inteira desconsideração do auto de infração em epigrafe sendo anulados, portanto, quaisquer sanções civis, criminais ou pecuniárias, moratórias, juros, correções, complemento de impostos, dentre outros. f) A impugnante requer que seja desconsiderado o arbitramento do lucro, haja vista que possuía o livro diário devidamente escriturado com todas as informações necessária à apuração do lucro, caso, de fato, houvesse omitido quaisquer valores. Ademais quem escolhe a tributação que melhor lhe cabe é o próprio contribuinte não cabendo ao fisco tal escolha, haja vista que a empresa tinha os documentos necessários para que sua receita fosse apurada. Ademais era impossível ter efetuado o pagamento da primeira quota do imposto como lucro presumido, por exemplo, haja vista que a empresa era optante pelo simples e somente ficou sabendo do valor da suposta receita omitida quando do recebimento pela procuradora do auto de infração ora combatido, tendo completamente ferido seus direitos de ampla defesa e contraditório. g) Requer ainda a juntada de documentos e complementos desta petição, vez que , em virtude de motivos de força maior, não teve prazo razoável para juntar os documentos pertinentes que justificassem todo o explanado neste documento. h) solicita que seja realizada perícia contábil a fim de verificar que não houve omissão de receitas no que diz respeito á conta das pessoas físicas supracitadas, constatando através da referida perícia que toda a movimentação financeira foi efetivamente lançada, além de averiguar a questão dos depósitos dos cheques devolvidos, notas fiscais de exercícios anteriores, bem como todos os outros itens passíveis de fazer com que tal imputação completamente injusta seja desconsiderada. i) Nomeia, desde já, como assistente técnico do perito, a Sra Adriana de Fátima Moreira, bacharel em ciências contábeis, CRCMG 56.680”; 7) “que seja desconsiderada quaisquer majorações de multa vez que não configurada pela fiscalização o intuito de dolo ou fraude praticado pela empresa”; Fl. 21178DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 25 24 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG manteve integralmente as exigências fiscais, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas, para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, esses valores serão considerados como omissão de receita. O suprimento de numerário efetuado por sócio, caracteriza omissão de receita por presunção legal do tipo juris tantum. Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar a prova da origem e da efetiva entrega dos valores. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 12/12/2011, a Contribuinte apresentou em 28/12/2011 o recurso voluntário de fls. 21.116 a 21.132, onde desenvolve os argumentos descritos a seguir: PRELIMINAR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL quando o Fisco viola o sigilo bancário do Contribuinte sem uma ordem judicial, mostra um patente vício de procedimento que macula o crédito tributário dele decorrente; ao examinar dados bancários e extrair copias de extratos de correntistas sem autorização judicial, o Fisco fere o direito fundamental do cidadão assegurado pelos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal; no caso em tela, houve a quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, e isso torna o presente processo totalmente nulo, uma vez que toda a base para a tentativa de Fl. 21179DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 26 25 constituição do crédito tributário são os extratos bancários e informações sigilosas obtidas de forma ilícita pelo agente fiscalizador; DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES o Contribuinte foi objeto de fiscalização referente a exclusão do Simples, que culminou na lavratura de auto de infração, o qual sofreu a devida impugnação; foi demonstrado pelo Recorrente que foram prestados à Fiscalização todos os esclarecimentos devidos e solicitados, sendo provado pelo Contribuinte através dos documentos juntados aos autos que foi indevida a sua exclusão. Pode se verificar por tudo que foi apresentado, que não houve excesso de receita, errando a Receita Federal no momento que excluiu a empresa do Simples; não pode a Receita Federal simplesmente excluir uma empresa do Simples, sem analisar devidamente os documentos apresentados, sem impugnar documento por documento se for o caso, sob pena de estar cometendo um erro para com o Contribuinte, ferindo assim Princípios Constitucionais, pois não pode apenas presumir um excesso de receita; cabe ainda ressaltar que é totalmente inconstitucional fazer a exclusão de uma empresa do Simples sem conceder a oportunidade a mesma de se defender, sem conceder a ampla defesa e o contraditório; vêse que o Recorrente não teve a oportunidade de contestar a sua exclusão do Simples antes que a mesma efetivamente ocorresse, o que demonstra de forma clara e límpida o desrespeito aos princípios constitucionais, devendo ser desconsiderada a citada exclusão; a análise de toda a documentação juntada aos autos demonstra que a empresa se manteve na modalidade do Simples, devendo ser tributada nesta forma, sendo a lavratura do auto de infração totalmente nula; DENÚNCIA ESPONTÂNEA cabe ressaltar, conforme demonstrado na impugnação, que o Contribuinte antes de receber qualquer comunicação dos Fiscais, fez uma conferência em sua contabilidade através da contratação de uma empresa de Auditoria e percebeu que possuía alguns valores que precisariam ser contabilizados, e assim fez uma denúncia espontânea destes valores; no intuito de descaracterizar esta denúncia espontânea, a r. decisão hostilizada afirma que já existia um procedimento fiscal, contudo não é esta a realidade, o procedimento fiscal se iniciou pelas pessoas físicas de Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge e Eucimar de Araújo Egídio, não tendo nada com a Recorrente, contudo após feita a denúncia espontânea, declarou ao Fisco que parte dos valores que passaram pelas contas seriam seus. Podemos verificar que o procedimento fiscal não é o mesmo, tendo início a fiscalização em períodos distintos, os agentes fiscais não são os mesmos, os número não são os mesmos, enfim, são procedimentos fiscais totalmente independentes; Fl. 21180DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 27 26 o inicio do procedimento fiscal em face das pessoas físicas se deu no dia 24/03/2008, sendo encerrada em setembro de 2009, tendo sido citado a pessoa jurídica da recorrente em novembro de 2009, em um novo procedimento aberto; importantíssimo salientar, portanto, que a empresa impugnante somente foi citada em novembro de 2009, de forma que quaisquer atos praticados pela mesma neste intervalo de tempo, quer seja, março de 2008 a outubro de 2009, de acordo com o CTN no seu artigo 138, deve ser considerado espontâneos, gozando, portanto, dos benefícios do referido artigo; cabe ainda ressaltar que em momento algum o Fisco informou que a contabilidade feita e apresentada ao menos é indevida ou possui algum problema. O Fisco apenas afirmou que não foram espontâneos os atos praticados pelo Recorrente, assim, sendo considerado espontâneo os atos do Contribuinte, todo o auto de infração se tornará nulo de pleno direito, uma vez que o Fisco se quer teve o trabalho de analisar a contabilização feita e apresentada ao mesmo, apenas sempre afirmando que a denúncia não foi espontânea, o que foi provado ser por todos os meios de direito e fatos apresentados e relatados nos autos, inclusive pelo próprio Fisco; INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA na exclusão do Contribuinte por excesso de receita, o auditor fiscal tomou como base os extratos bancários, desmembrandoa em bases de cálculo. Sendo que os valores constantes nas contas correntes já estavam todos lançados na contabilidade, bem como foi anexado planilha e notas fiscais onde comprovam todo o alegado, provando por todos os meios que a empresa nunca deveria ter sido excluída do Simples. Ou seja, com os documentos apresentados pelo Contribuinte, o Auditor Fiscal desconsiderou o lançamento contábil do Recorrente; com as informações fornecidas pelo Contribuinte, o Auditor passa a ter uma presunção relativa obrigando o Contribuinte a comprovar toda a origem das movimentações. Assim, ao demonstrar que tudo está em sua escrita fiscal, bem como juntar documentos que a comprovem, o Fisco ao contestar tais alegações e entender que o contribuinte excedeu os valores permitidos no Simples, assume para si a responsabilidade de comprovar o que entende ser o correto, havendo assim, a inversão do ônus da prova. Cabendo ao Fisco a comprovação de que o Contribuinte no caso em tela não teve incluído em sua contabilidade os valores discutidos, o que não ocorreu, como pode ser visto no auto de infração, e posteriormente no r. Acórdão objeto do presente Recurso, uma vez que não tiveram embasamento nenhum para ir contra a verdade trazida aos autos pelo Recorrente, pelo contrário, ocorreu um ato arbitrário e muito repudiado pelo Conselho de Contribuintes; os elementos trazidos aos autos (notas fiscais de entrada e saída bem como planilha) guardam entre si coerência suficiente para indicarlhes veracidade. Outrossim, sem sombra de dúvidas, o Contribuinte apresentou documentos suficientes para demonstrar todos os valores discutidos, para responsabilizar o Fisco a apresentar contra provas e fundamentação para lavratura e mantença do presente auto, o que não ocorreu; espera o Recorrente que o presente lançamento seja cancelado, eis que o presente auto de infração foi lavrado através de presunções não comprovadas pelo Fisco, que inverteu para si o ônus da prova. O lançamento foi feito sobre a mesma base de cálculo, tendo havido bitributação e por fim, não houve demonstração de enriquecimento do Contribuinte Fl. 21181DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 28 27 com os valores circulantes em sua conta, o que demonstra não ter ocorrido omissão de uma renda que sequer existiu no valor que o Fisco entende devido e sim bem abaixo do lançado; MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO se a multa é fixada em valor excessivo, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida, tal penalidade toma caráter de ato confiscatório e se desvia da sua finalidade, o que claramente esta acontecendo no caso em tela, uma vez que a multa é uma porcentagem muito alta. Para ter uma comparação, podemos citar a posição do STJ, que adotou um parâmetro de 20% para considerar como não confiscatória a multa por infração fiscal; quando nossa Constituição Federal foi promulgada, os constituintes, em nome do povo brasileiro, diziam instituir um Estado Democrático destinado a assegurar, dentre outros, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade, e trouxeram expressamente em seu art. 150, IV, a limitação de utilizar tributos com efeito de confisco; a lei vigente, ao viabilizar uma multa com efeito claramente confiscatório, nega vigência aos artigos da CF e não pode ser usada como tal; o Supremo Tribunal Federal tem entendido que, sequer nos casos de fraude inequívoca, em que as medidas punitivas são mais severas em face do dolo comprovado, não poderão manterse penalidades de natureza confiscatória. (ADIN 551RJ); REAFIRMAÇÃO DE TODO O ALEGADO NA IMPUGNAÇÃO a Recorrente vem por final reafirmar tudo o que foi a apresentado e requerido na impugnação. Em 22/06/2012, a teor do § 1º do artigo 62A do RICARF o presente processo restou sobrestado. Todavia, o mencionado dispositivo normativo foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, não havendo mais determinação para o sobrestamento, passase ao julgamento do presente processo. Este é o Relatório. Fl. 21182DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 29 28 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2005. A autuação foi motivada pela apuração de três infrações: omissão de receitas movimentadas em contas bancárias no nome de terceiros; omissão de receitas por suprimento de caixa não devidamente comprovado; e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre a primeira infração. Para as outras duas infrações, a multa foi de 75%. Para iniciar o exame do recurso voluntário, é importante destacar alguns aspectos do detalhado relato sobre o trabalho de auditoria: a fiscalização alcançou várias empresas ligadas a membros de uma mesma família, todas elas relacionadas à atividade de indústria e comércio de móveis de madeira; a movimentação financeira dessas empresas era realizada conjuntamente em contas bancárias de terceiros; com as informações prestadas pela própria contribuinte autuada e demais pessoas interessadas, foi possível apartar a movimentação financeira da cada uma das empresas fiscalizadas; o presente processo trata especificamente de crédito tributário referente à Movelaria Rufato Ltda., abrangendo apenas o anocalendário de 2005; a Movelaria Rufato Ltda. havia apresentado declaração simplificada para o anocalendário de 2005, e DIPJ com base no Lucro Presumido para os anoscalendário de 2006 e 2007; o lançamento referente à Movelaria Rufato Ltda. para os anoscalendário de 2006 e 2007 são objeto de outro processo, de nº 10640.001937/201009. Diante desses esclarecimentos, já se pode observar que algumas matérias abordadas no recurso são estranhas aos presentes autos, pelo que não serão analisadas. No caso da Movelaria Rufato Ltda., não houve ato de exclusão do Simples, até porque ela mesma já havia optado pelo regime do Lucro Presumido nos anoscalendário de 2006 e 2007 (regime de apuração que orientou os lançamentos para esses períodos). Fl. 21183DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 30 29 E o lançamento objeto destes autos, que abrange apenas o anocalendário de 2005, foi realizado mediante as regras do próprio regime simplificado – Simples. Restam, portanto, prejudicados os argumentos que tratam da validade do rito procedimental para a exclusão do Simples; dos efeitos temporais do ato de exclusão; dos aspectos materiais que teriam justificado a exclusão; do arbitramento dos lucros; etc. PRELIMINAR DE NULIDADE EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS SEM ORDEM JUDICIAL A Recorrente alega que o exame de dados de correntistas e de extratos bancários sem ordem judicial afronta a Constituição Federal e torna o presente processo administrativo totalmente nulo. Contudo, a obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal com amparo legal. O lançamento sob exame tem lastro na Lei Complementar nº 105/2001, que permite expressamente a obtenção e utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A conclusão que se impõe é que é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Nesse tópico, a Recorrente ataca o mérito da autuação, alegando que os valores constantes das contas correntes já estavam todos lançados na contabilidade; que os elementos trazidos aos autos (notas fiscais de entrada e saída, e planilhas) guardam entre si coerência suficiente para indicarlhes veracidade; que foram apresentados documentos suficientes para demonstrar todos os valores discutidos; que caberia ao Fisco a comprovação de que a Contribuinte não incluiu em sua contabilidade os valores discutidos; que o auto de infração foi lavrado através de presunções não comprovadas pelo Fisco, e que houve inversão indevida do ônus da prova; que o lançamento foi feito sobre a mesma base de cálculo, tendo havido bitributação; que não houve demonstração de enriquecimento do Contribuinte com os valores circulantes em sua conta, o que demonstra não ter ocorrido omissão de uma renda que sequer existiu no valor que o Fisco entende devido. Tais argumentos não tem o condão de refutar os fundamentos da decisão recorrida, pelo que os adoto neste voto, conforme transcrito a seguir: [...] Fl. 21184DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 31 30 Os autos de infração foram lavrados em função de receitas operacionais movimentadas em contas bancárias em nome de interpostas pessoas e suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada. Quando da fiscalização efetuada nas pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, ficou comprovado que parte das receitas movimentadas em suas contas correntes pertenciam na verdade a um grupo de empresas, entre elas a autuada Movelaria Rufato Ltda. Essa constatação é confirmada pela própria autuada, que discorda somente dos valores lançados em função da apuração dessas receitas. A partir do momento em que ficou comprovado que as contas bancárias das pessoas físicas acima eram usadas pela empresa, a autoridade fiscal elaborou relação na qual discrimina os depósitos e os créditos efetuados em cada conta corrente e intimou o respectivo titular a comprovar a origem de cada um deles (fls. 377/448 e 521/635). Como resposta às intimações foram apresentadas planilhas nas quais constam a qual empresa pertence o valor depositado/ creditado e indica a(s) notas(s) fiscal(ais) do qual ele se origina. Em alguns casos, informa que o valor se refere a empréstimo recebido de outra empresa (fls. 849/971). Com base nessas planilhas as AuditorasFiscais elaboraram um demonstrativo, que denominaram de “ORIGEM DOS CRÉDITOS” (fls. 114/170), no qual, depois das depurações necessárias, relacionam os valores que pertencem à autuada no período em questão. Como esses valores, recebidos pela empresa usando conta bancárias de interpostas pessoas, não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidos à tributação, eles foram corretamente tributados como receitas omitidas pela autuada. Em relação ao citado demonstrativo “ORIGEM DOS CRÉDITOS”, a impugnante alega que “embora devidamente informado na planilha, não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes” e que valores relativos a empréstimos oriundos de outras empresas da família foram incluídos como receitas omitidas. Tal alegação não procede, visto que, analisando tanto a relação constante das intimações feitas às pessoas físicas quanto o demonstrativo “ORIGEM DOS CRÉDITOS”, verificase que a autoridade fiscal só relacionou os depósitos de cheques liberados, ou seja, aqueles já compensados pelas instituições financeiras em questão. Quanto aos valores relativos a empréstimos, o Relatório Fiscal esclarece que “esta quantia foi computada para a empresa que concedeu o empréstimo, que é a titular do recurso” (fl. 97), portanto, fica claro que os empréstimos recebidos pela autuada não foram computados no total da receita omitida. Fl. 21185DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 32 31 Ressaltese que a contribuinte se limita a fazer alegações genéricas sem identificar quais cheques teriam sido computados em duplicidade ou quais empréstimos teriam sido considerados como receitas omitidas. A impugnante alega ainda que o fisco “não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e, inclusive, na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente”. Porém, cumpre reiterar que as receitas que entraram na base de cálculo dos tributos lançados são aquelas recebidas pela empresa por meio de conta corrente de terceiros, que ficaram a margem da contabilidade e da declaração original do Simples apresentada por ela. Ou seja, foram consideradas como receitas omitidas apenas aquelas que a empresa comprovadamente não ofereceu à tributação quando da apuração dos tributos devidos à Fazenda Nacional no ano de 2005. Quanto ao suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada, a empresa mais uma vez alega que “os lançamentos foram efetuados no diário e que apresentou os recibos de empréstimo, bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa”. A omissão de receitas decorrente de suprimento de numerário constitui presunção legal, validamente inserida no ordenamento jurídico e consolidada no artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), abaixo transcrito: “Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 3°, e DecretoLei n° 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1°, inciso II).”(grifei) A presunção legal utilizada na determinação da presente exigência fiscal, caracterizada por suprimento de numerário, é do tipo juris tantum (relativa). Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar prova da origem e da efetiva entrega, no caso dos suprimentos de caixa. Corroborando com tal entendimento, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas”, JUSTEC RJ 1979 pág. 806: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a Fl. 21186DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 33 32 presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Temos então que, para comprovar a origem e a efetiva entrega de numerário suprido, é imprescindível a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, que comprove de forma inequívoca que, à época do fato, o sócio que efetuou o suprimento era detentor do numerário, e que ele, de fato, foi agregado às disponibilidades da empresa. Ressaltese que a mera demonstração da capacidade econômica ou financeira do sócio de arcar com o suprimento é insuficiente para suprir a necessidade da comprovação da origem e efetiva entrega dos valores, não afastando, pois, a presunção de omissão de receita. Da mesma forma, simples lançamentos contábeis não tem o condão de fazer prova, como deseja a impugnante, visto que o registro na contabilidade ou as fichas de caixa não comprovam a efetiva entrega e a origem dos suprimentos. A Contribuinte admite com naturalidade o uso de contas bancárias em nome de terceiros para realizar parte de sua movimentação financeira, e também admite que essa movimentação decorria de receitas operacionais por ela auferidas. Sua linha de argumentação, para contestar as exigências fiscais, é no sentido de procurar demonstrar, por meio da documentação que anexou aos autos, que os ingressos bancários nas contas de terceiros correspondiam às mesmas receitas que já haviam sido oferecidas à tributação. No decorrer da auditoria, a Fiscalização constatou que os valores creditados/ depositados na conta da pessoa jurídica encontravamse devidamente registrados na contabilidade, e que após o início do procedimento fiscal a Contribuinte procurou incluir em sua contabilidade a movimentação financeira realizada nas contas bancárias das referidas pessoas físicas, o que evidenciava a omissão desses valores. A Contribuinte, então, buscou relacionar as notas fiscais emitidas com os ingressos bancários, numa conta de chegada. Mas não há uma coincidência mínima entre datas e valores que possa convalidar as planilhas apresentadas, e os argumentos de devolução de cheques também não são suficientes para indicar que os ingressos nas contas bancárias de terceiros eram decorrentes das mesmas receitas já contabilizadas pela empresa. A própria discrepância de valores entre as receitas originais declaradas e as receitas incluídas nas DIPJ retificadoras nos três anoscalendário objeto de fiscalização evidencia que os valores auferidos via contas bancárias de terceiros correspondiam a receitas que não haviam sido inicialmente contabilizadas. Nesse contexto, devem ser mantidas as infrações de omissão de receita, e, conseqüentemente, a infração relativa à insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Fl. 21187DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 34 33 MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO No que toca às críticas sobre a exorbitância e o efeito de confisco das multas aplicadas, cujo acolhimento implicaria no afastamento de normas legais vigentes (art. 44, I e II, da Lei 9.430/96), cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, quando presente alguma das hipóteses previstas no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 – PAF (norma incluída pela Lei 11.941/2009), é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que as multas em questão não se subsumem a nenhuma das hipóteses acima transcritas. Fl. 21188DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 35 34 Cabe ainda esclarecer que a multa de 75% sempre acompanha o crédito tributário quando este é constituído de ofício, por meio de auto de infração. Ela é a multa prevista para os casos de simples falta de pagamento ou recolhimento de tributo, conforme determina o art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Do mesmo modo, a multa de 150% também está expressamente prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/1996, conforme texto vigente à época dos fatos geradores (atualmente no § 1º do mesmo artigo), devendo ser aplicada sempre que constatado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Nesse caso, cabe apenas à Administração Tributária, em seu conjunto, que inclui o CARF, aplicar a lei tributária nos exatos termos de seu conteúdo. Não há qualquer base legal para que este órgão reduza as multas em questão, com base na alegação de confisco. Em relação à situação que ensejou a qualificadora, reproduzo os fundamentos da decisão recorrida, que também adoto como razão de decidir: [...] O conceito de dolo, para os fins de tipificação do delito em apreço, encontrase no inciso I, do artigo 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isso significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Em outras palavras, podemos dizer que os elementos componentes do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). A demonstração da consciência do agente de que a conduta levaria ao resultado ilícito não requer o conhecimento da definição dos tipos penais da lei. Se fosse assim, somente poucos especialistas em direito penal poderiam ser acusados da prática de crime doloso. Portanto, ter conhecimento da ilicitude ou da antijuridicidade de um fato significa saber que tal fato implica uma ação ou omissão oposta ao dever éticojurídico, passível de recriminação social. Ora, ao usar de contas de terceiros para recebimento de grande parte de suas receitas, não contabilizando tais receitas e não as oferecendo à tributação, é obvio que a autuada visava reduzir em muito os valores de tributos a pagar, portanto, ao crédito tributário lançado nos presentes autos de infração, deve ser aplicada a multa de 150%. O CARF, inclusive, já editou súmula para os casos em se constatada movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de Fl. 21189DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 36 35 ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Apenas quanto à denúncia espontânea, penso que deve haver reparo na decisão recorrida para a situação específica deste processo. Primeiramente, registro que a declaração retificadora entregue após o início da ação fiscal, em regra, realmente não deve produzir qualquer efeito. Contudo, não compartilho do entendimento de que os pagamentos porventura efetuados em função da retificadora “são considerados como pagamentos indevidos podendo, a critério da empresa, ser objeto de pedido de restituição e/ou declaração de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, observado o prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional.” Apesar de afastada a espontaneidade, os eventuais pagamentos não são indevidos, até porque os débitos existem, e, nesse contexto, eles devem ser aproveitados para a quitação desses débitos que foram objeto de lançamento de ofício. O afastamento da espontaneidade apenas implica no fato de que os pagamentos devem ser utilizados também para a quitação das multas lançadas de ofício, mediante imputação proporcional, e os saldos dos tributos ainda em aberto continuam sendo exigidos pelo auto de infração, com as devidas multas. Esse é um primeiro aspecto, mas há outro mais relevante que também deve ser abordado. Não há dúvidas de que o início da ação fiscal exclui a espontaneidade tanto para o sujeito passivo que está sob fiscalização, quanto para os demais envolvidos nas infrações verificadas (independentemente de intimação para esses), conforme o § 1° do art. 7° do Decreto 70.235/72 (PAF). Mas também é importante lembrar que a espontaneidade pode ser readquirida no decorrer no procedimento, conforme o § 2º do mesmo artigo: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 21190DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001938/201045 Acórdão n.º 1802002.227 S1TE02 Fl. 37 36 § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. No caso sob exame, observo que entre o Termo de Intimação Fiscal nº VI, cientificado à Contribuinte em 27/04/2010 (fls. 234), e a ciência dos autos de infração, ocorrida em 05/07/2010, houve reaquisição da espontaneidade. E o fato de a declaração retificadora ter sido apresentada antes desse momento, em 03/06/2009, não prejudica a Contribuinte. A matéria também já está sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Já mencionamos que para o anocalendário de 2005 a apuração dos tributos foi realizada pelo regime de tributação simplificada – Simples. Sabese também que a Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas – Simples configura confissão de dívida e instrumento hábil à execução dos débitos nela declarados. Desse modo, os valores confessados na declaração DSPJ/retificadora, que passou a gozar de espontaneidade pelas razões acima expostas, devem ser deduzidos do auto de infração. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que os valores dos débitos confessados (e/ou pagos) e abarcados pela reaquisição da espontaneidade sejam deduzidos do auto de infração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 21191DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13502.000867/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/05/2002 a 30/12/2006
REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. PENALIDADES.
A revogação da isenção, salvo demonstrado dolo ou simulação, por si só, não é fundamento para a imposição de multa de ofício.
DRAWBACK ISENÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÕES PRÉVIAS SUJEITAS A TRIBUTAÇÃO NORMAL.
O drawback isenção é um incentivo à exportação mediante a desoneração tributária das importações destinadas à reposição dos estoques dos insumos previamente utilizados em mercadorias comprovadamente exportadas. Por força do art. 354 do Regulamento Aduaneiro de 2002, reproduzido no art. 402 do Regulamento Aduaneiro de 2009, fica evidente que o recolhimento de tributos aduaneiros na importação original de insumos não é condição sine quad non para que o drawback isenção seja concedido.
Numero da decisão: 3201-001.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki. Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim apresentou declaração de voto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 21/05/2002 a 03/01/2006 DRAWBACK ISENÇÃO. COMPETÊNCIA. CACEX/SECEX. ADITIVO. INTEMPESTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A emissão de Ato Concessório do Regime Aduaneiro de Drawback, bem como dos respectivos Aditivos, é de competência da CACEX. A competência da Receita Federal é para avaliar o adimplemento do compromisso por parte do contribuinte, não se estendendo para a legalidade dos atos administrativos expedidos por outros órgãos da Administração Federal. DRAWBACK ISENÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÕES PRÉVIAS SUJEITAS A TRIBUTAÇÃO NORMAL. O drawback isenção é um incentivo à exportação mediante a desoneração tributária das importações destinadas à reposição dos estoques dos insumos previamente utilizados em mercadorias comprovadamente exportadas. Por força do art. 354 do Regulamento Aduaneiro de 2002, reproduzido no art. 402 do Regulamento Aduaneiro de 2009, fica evidente que o recolhimento de tributos aduaneiros na importação original de insumos não é condição sine quad non para que o drawback isenção seja concedido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/05/2002 a 30/12/2006 REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. PENALIDADES. A revogação da isenção, salvo demonstrado dolo ou simulação, por si só, não é fundamento para a imposição de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 08 67 /2 00 7- 31 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki. Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim apresentou declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 27/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da decisão recorrida, segue abaixo a transcrição do relatório da instância a quo e da sua ementa, bem como as razões recursais: Do lançamento O presente processo se refere a lançamentos inerentes ao Imposto sobre as Importações – II, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e à Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, acrescidos da multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, assim como dos juros de mora tipificados no art. 61, § 3° da mesma lei, perfazendo, na data da autuação (11/09/2007), crédito tributário no valor total de R$ 274.966.018,53, objeto dos autos de infração fls. 02/86. Nos termos do Relatório de Fiscalização de fls. 87/107, a ação fiscal teve como objeto a fiscalização dos atos concessórios de drawback isenção nos 297802/0000060, 297802/0000094, 297802/0000124, 200300/07240, 297804/0000189, 2978 04/0000286, 297804/0000294, 297804/0000359, 2978 04/0000383, 200400/97404, 297805/0000106, 2978 05/0000246, 297805/0000262, e 297805/0000289. No relatório citado, depois de tratar de questões gerais atinentes ao incentivo à exportação em apreço, a autoridade fiscal verificou que as importações que serviram de base para a concessão do direito à importação com isenção “[...] foram realizadas sem o recolhimento de tributos”, o que, no seu entender, inviabilizaria o gozo ao incentivo à exportação objeto do litígio. Esse problema foi observado em relação a todos os 14 atos concessórios de drawback isenção fiscalizados, tendo ressaltado a autoridade lançadora a inexistência de recolhimento do II e do IPI em todas as importações informadas pela autuada nos Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 325 3 respectivos pedidos concessão de drawback isenção dirigidos à SECEX. De acordo com o Relatório de Fiscalização de fls. 87/107, o não recolhimento do II nas importações informadas à SECEX decorreu de redução tributária objeto de Acordos de Complementação Econômica – ACE firmados entre o Brasil e entidades de Direito Internacional Público, notadamente a Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, o Mercado Comum do Sul – MERCOSUL, e a Comunidade Andina, nos termos dos acordos discriminados pela autoridade lançadora no citado relatório, conforme informações extraídas da ficha dados complementares das respectivas Declarações de Importação – DI. Quanto ao IPI, o não pagamento, em todos os casos, decorreu do fato de a alíquota aplicável aos produtos ser zero. Particularmente no tocante ao ato concessório nº 2978 04/0000294, embora em algumas das DI a ele vinculadas constasse solicitação de redução de 100% da alíquota do II em função do ACE35, firmado no âmbito do MERCOSUL, em outras estava consignado pedido de desembaraço com suspensão ou com isenção de tributos por conta de outros atos concessórios de drawback (suspensão ou isenção). Contudo, em quaisquer dos casos, não houve recolhimento do II ou do IPI, “[...] pois, além da redução de 100% da isenção ou da suspensão do II, o IPI, para esse produto, possui alíquota zero” (vide fls. 99/100 dos autos). Segundo observação do auditor fiscal autuante relativamente a cada ato concessório objeto da autuação, a ausência de pagamento dos tributos incidentes na importação “inviabiliza a utilização destas DI’s para o Pedido de Drawback Isenção [...]”, uma vez que a empresa já fora favorecida com outro benefício fiscal na ocasião das importações. Em seu relatório fiscal, na parte em que trata do ato concessório nº 297802/0000060 (fls. 90/93), faz ainda as seguintes considerações: [...] Se a empresa já teve a alíquota do Imposto de Importação reduzida em 100%, e a alíquota do IPI é zero, sua exportação já foi desonerada. O objetivo do Drawback Isenção, que é desonerar as exportações, tornouse sem substância, pois a correspondente importação de matériaprima não foi onerada com tributos federais. A empresa realizou as exportações sem pagar tributos na importação dos insumos correspondentes, portanto não houve prejuízo a ser alegado pela mesma para se valer da compensação do Drawback Isenção. Além disso, esta prática provocaria uma concorrência desleal dentro do País, motivo pelo qual as operações de Drawback são tão fiscalizadas pela RFB. [...] Ressalta que a Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes já teria adotado entendimento semelhante, elencando como fundamentação o Parecer Normativo CST nº 126/72. Transcreve parte do voto proferido no Acórdão nº 30333497, de 19/09/2006 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 (vide fls. 92), bem como do Parecer Normativo reportado (fls. 92/93). Com respeito a cada ato concessório fiscalizado, conclui que todas as importações realizadas sob amparo dos respectivos atos concessórios não tinham direito à isenção dos tributos, tendo, em conseqüência, formalizado as exigências do II, da COFINS e do PIS, nos termos dos autos de infração de fls. 02/86. Os atos concessórios de drawback isenção, os correspondentes Relatórios Unificados de Drawback – RUD, as respectivas DI utilizadas como fundamento para a solicitação do drawback isenção, e as DI cuja isenção fora glosada (utilizadas no lançamento) integram o anexo I ao processo, constituído por 5 volumes. Da impugnação Cientificada dos lançamentos em 11/09/2007 (vide fls. 01, 37, 61 e 85), a recorrente insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 10/10/2007, a impugnação de fls. 115/140, onde, depois de descrever os fatos, apresenta os argumentos na seqüência relatados. Aduz que não teria fundamento a premissa oficial que considera a obrigatoriedade de pagamento do imposto como condição para gozo do benefício, o que violaria o sagrado direito à ampla defesa, preconizado pelo Pacto Fundamental do País. Faz considerações acerca da finalidade do regime drawback, destacando o seu papel no incentivo à exportação e no desenvolvimento econômico do país, ressaltando, ainda, as diferentes modalidades do incentivo em tela (suspensão, isenção e restituição). Assevera que a SECEX teria autorizado “[...] o gozo do benefício através da emissão dos atos concessórios supra citados, que estabelecem as condições a serem cumpridas pelo contribuinte”. Em tópico específico, apresenta, com mais detalhes, os objetivos do regime drawback, ressaltando seu papel no incentivo à exportação com vistas a desenvolver o parque industrial do País, a reverter o déficit crônico da balança comercial, a melhorar a eficiência e o êxito econômico, a geração de empregos, a qualidade dos bens produzidos no país, a reduzir as desigualdades sociais, dentre outros, mediante a desoneração do processo de produção de bens destinados ao exterior. O destaque às questões finalísticas atinentes ao regime de drawback, abalizado por respeitável doutrina, é reiterado em várias partes da impugnação do sujeito passivo. Assevera que a interpretação da legislação procedida pelo Ilmo. AuditorFiscal tem escopo meramente financeiro da tributação, em contraposição às próprias diretrizes traçadas no Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), firmado em 1947 por 23 países, entre os quais o Brasil, e hoje integrado por 151 países de todo o mundo. Frisa a autoridade aduaneira em seu relatório que o fundamento da autuação a que procedeu reside na compensação do tributo. Se nada foi pago na primeira importação, nada há que compensar na seguinte. Vale assinalar, Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 326 5 todavia, que o instituto do drawback deve ser encarado sob ótica mais ampla, em que não cabe a interpretação puramente literal do regime. Reitera questões atinentes ao escopo do regime de drawback, destacando que o [...] drawback não pode ser visto sob ótica estreita, sob pena de anular todo o esforço competitivo da política industrial do país”. Aduz que “[...] as razões expostas no Relatório de Fiscalização estremamse do próprio conceito do instituto, tendo em vista o ônus que impõem (sic) aos produtos industrializados pela impugnante. Como preceituam o Decreto lei nº 37/66 e o Regulamento Aduaneiro, o drawback não tem por finalidade a compensação tributária. Ao contrário do que afirma o AuditorFiscal na equivocada autuação, o regime consiste na desoneração dos tributos que normalmente incidem na importação baseada no drawback. A atitude da fiscalização representaria distorção aos “[...] fins desejados pela lei ao desonerar os impostos no regime especial de incentivo à exportação, que acaba constituindo, ao lado de tantos outros tributos, mais uma contribuição à excessiva carga tributária já suportada pelos tão sacrificados contribuintes do país”. Faz comentários acerca da “saudável política de incremento das exportações” implementada pelo governo, destacando que deveriam ser refutadas quaisquer medidas em sentido inverso. Aduz que a autuação “[...] é medida incabível no quadro dos incentivos fiscais dirigidos à iniciativa privada para fins de empreendimentos considerados prioritários em áreas ou setores em que o investimento seria menos atraente e sem estímulo estatal”. Ressalta que o inciso I do art. 151 da Constituição Federal admitiria interpretação extensiva, “[...] em face da importância que representa para o desenvolvimento econômico”. Referido dispositivo seria reforçado pelo art. 150, inciso II, da mesma lei maior, “[...] que cuida de assegurar tratamento isonômico a contribuintes que se encontrem na mesma situação fiscal. Por via de conseqüência, a contribuintes que se encontrem em situação diversa, caso dos exportadores brasileiros, é válido conceder incentivo ao desenvolvimento de sua atividade exportadora”. Conclui o tópico asseverando que “a manutenção da presente autuação significaria, tão só, desvirtuar o objetivo e o interesse público no incremento das exportações brasileiras e contribuir com a diminuição da nossa participação no comércio mundial”. Em item intitulado “das modalidades de drawback”, a impugnante apresenta as principais particularidades de cada uma das espécies deste tipo de incentivo à exportação, passando, na seqüência, a tópico específico sobre o drawback isenção, onde, com respaldo em doutrina especializada, destaca seu objetivo principal de repor os estoques dos insumos utilizados em produtos já exportados, em quantidade e qualidade Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 equivalentes, ficando o valor total da importação limitado ao valor da mercadoria substituída. Assevera que “o direito à isenção, assim, assegura ao produtor o benefício do drawback isenção, qual seja, a importação isenta de tributos, o que não lhe pode ser negado, em hipótese alguma, sob pena de frustrar o próprio objetivo desenvolvimentista que caracteriza o regime especial do drawback”. Aduz ainda o seguinte, verbis: 54. No caso concreto, a impugnante realizou suas importações, com base nos atos concessórios, com a finalidade única e exclusiva de repor o seu estoque de mercadoria, cumprindo fielmente o disposto no art. 345, do Regulamento Aduaneiro. 55. A reposição tem como escopo principal o reforço direto do estoque de mercadorias das empresas favorecidas com o benefício, incentivando o seu ingresso no mercado nas mesmas condições que garantem o direito às demais empresas nacionais, bem como a todas as estrangeiras, visto que o incentivo à exportação não é exclusividade da lei brasileira, mas das leis de todo o mundo, cujo fundamento reproduz a velha máxima “exportar é o que importa”. Colaciona posicionamento doutrinário acerca dos benefícios que advém do incentivo às exportações. Em tópico relacionado às diferenças entre as modalidades de drawback, reitera as características das principais espécies do incentivo à exportação em evidência, destacando que, no drawback suspensão, a norma está direcionada ao tributo, sendo a mercadoria seu objeto mediato, aparecendo “[...] em segundo plano, no que tange ao alvo buscado pelo legislador”. Por sua vez, no drawback isenção, “[...] o destinatário imediato da norma deslocase para a mercadoria a ser reposta, conforme consta, expressamente, do art. 345, do Regulamento Aduaneiro [...], ao passo que o tributo, embora dispensado, deslocase em plano secundário no que tange ao alvo visado pelo legislador”. Procura reforçar seu argumento com doutrina reproduzida às fls. 129/130. Mais adiante, reitera “[...] o caráter tributário da modalidade suspensão e o caráter econômico da modalidade isenção”, destacando ainda, verbis: 67. Não quer isto dizer que o aspecto tributário não esteja implícito em ambas as formas, mas sim que a ênfase muda quando se muda de modalidade. Na primeira, a suspensão, a ênfase está no tributo. Na modalidade isenção, enfatizase a mercadoria. 68. Repitase, na modalidade suspensão o tributo é o objeto primário, direto e imediato do benefício, sendo a mercadoria o objeto secundário e mediato. Por outro lado, na modalidade isenção, a mercadoria passa a ser o objeto primário, direto e imediato do drawback, sendo o tributo objeto secundário e mediato. 69. A distinção acima, clara, entre as duas modalidades realça a falibilidade dos argumentos que sustentam a autuação ora impugnada. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 327 7 Depois de reproduzir doutrina de Ana Clarissa Araujo e Angela Sartori (fls. 131), defende que o lançamento não poderia prosperar pelo fato do autuante haver afrontado “[...] os objetivos do regime aduaneiro especial, fundamentando a autuação nos estoques e nas características do drawback da modalidade suspensão”. Em tópico relacionado à não exigência legal do tributo na importação, aduz que a autoridade lançadora não teria apresentado a fundamentação legal que justificasse a obrigatoriedade de comprovar o ônus fiscal como condição impeditiva ao gozo do drawback isenção. Tal omissão teria se dado pelo fato de não existir norma nesse sentido. Destaca que cumpriu rigorosamente os requisitos legais para gozo do drawback isenção, notadamente àqueles dispostos no art. 346 do Regulamento Aduaneiro, e que a SECEX não teria formulado nenhuma outra condição para emissão do ato concessório. Critica a referência, pela autoridade lançadora, ao artigo 602 do Regulamento Aduaneiro, ressaltando que “[...] jamais cometeu infração por ação ou por inobservância da norma estabelecida [...]”, posto que cumprira com “[...] todos os requisitos da norma que regulamenta a emissão dos atos concessórios”. Clama pela aplicação do princípio da legalidade, insculpido no art. 5º da Constituição Federal, assim como em seu art. 150, inciso I, ao qual a impugnante deu especial atenção para asseverar que a exigência ou o aumento de tributo só seria possível mediante lei ou medida provisória em espécie. “Assim, para o nascimento de obrigação tributária, objeto dos Autos de Infração em apreço, é necessário que lei específica o exija”. Em defesa da observação do princípio da legalidade, traz abalizada doutrina de Luciano Amaro (fls. 134). Assevera que não haveria como se cogitar de descumprimento de norma pelo fato da impugnante não haver recolhido os tributos na importação inicial, tendo em vista que os Acordos de Complementação Econômica (ACE) 35 e 39, em vigor na ocasião, dispensavam essa exigência. Argumenta que não haveria como fazer vinculação entre “[...] a obrigatoriedade do recolhimento dos tributos devidos na importação sob o regime especial de drawback na modalidade isenção [...]” e a “[...] importação primeira com recolhimento de tributos”. A alegação de duplo benefício, além de desvinculada de amparo legal, não procederia. Traz, novamente, doutrina de Luciano Amaro acerca da necessidade de reserva absoluta de lei como pressuposto a toda conduta da administração, notadamente, àquela inerente à atividade tributária. Embasado nesses ensinamentos, ressalta que a autoridade fiscal “[...] não tem competência para determinar o nascimento de uma obrigação tributária sem o respaldo legal do fato. Élhe vedado, terminantemente, usar de poder Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 discricionário para ditar o que deve ser tributado ou em que medida ou circunstâncias o tributo deve ser recolhido”. No caso em tela, o autuante teria exacerbado “[...] de seus poderes ao condicionar o gozo do direito ao drawback, assegurado por lei ao impugnante, ao prévio pagamento de tributos na importação original”. Transcreve doutrina de Sacha Calmon Navarro Coelho (fls. 135), segundo o qual “[...] se a lei for omissa, ou obscura, ou antiética em quaisquer desses pontos, descabe ao administrador (que aplica a lei de ofício) e ao juiz (que aplica a lei contenciosamente) integrarem a lei suprindo lacuna por analogia”. Destaca a proibição, insculpida no o art. 111 do CTN, à adoção de interpretação extensiva de dispositivos que se refiram à outorga de isenções, como teria feito a autoridade administrativa. Destaca ainda, literalmente: 87. A ilustre autoridade cita, em seu arrimo, Parecer Normativo que comete o mesmo equívoco e o mesmo desrespeito ao princípio da legalidade, omitindo a norma legal, inexistente, como requisito para a descabida exigência de recolhimento do tributo na importação dos bens utilizados na industrialização de produtos exportados. 88. A propósito, vale transcrever as palavras de Leone Soares de Resende (Exportação e drawback. São Paulo: Aduaneiras, 2. ed., 1984, p. 57), que, no capítulo relativo ao regime aduaneiro especial de drawback na modalidade isenção, assim se expressa: “Para fins de operação nessa modalidade, não se exige que a anterior importação tenha sido tributada ou não, nada impedindo proporse importação sob ""drawback" relativa a componentes anteriormente importados sob "drawback" modalidade isenção. “ (grifos nossos) 89. Dessa forma, não importa que os tributos incidentes sobre a entrada dos bens em referência tenham sido dispensados em razão dos ACEs 35 e 39. Não há vinculação legal de fruição do regime especial à existência do pagamento dos tributos como alegara em seu relatório a ilustre autoridade fiscal, pelo que se disse acima. 90. Lembrese, os ACEs em questão não mais têm com (sic) validade, face ao decurso do prazo de vigência previsto pelos países signatários. Na parte de sua impugnação em que trata do cumprimento dos requisitos do drawback isenção, ratifica que teria cumprido com todas as exigências inerentes ao incentivo em tela, contidas no art. 346 do Regulamento Aduaneiro, motivo pelo qual a SECEX expedira o ato concessório em favor do sujeito passivo. Reitera a desnecessidade de comprovação do ônus fiscal na importação para fins de direito ao gozo do drawback isenção. Aduz que o §2º do art. 179 do CTN, combinado com o art. 155 do mesmo diploma legal, determinam que, para gozo do direito o Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 328 9 interessado deverá realizar a prova dos requisitos referentes ao beneficio pretendido. A observação de todos os requisitos legais teria sido atestada pela SECEX ao reconhecer o direito pleiteado. Faz novo clamor em favor do princípio da legalidade contido no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal. Sobre a concorrência desleal, reportada pelo auditor fiscal autuante, afirma o seguinte: 100. A alegada concorrência desleal, sustentada no Relatório de Fiscalização, também é descabida e sem qualquer relação com o caso concreto, uma vez que os supostos concorrentes da impugnante igualmente se valeram da redução de 100% na alíquota do imposto de importação, prevista nos ACEs 35 e 39. Após a exportação do produto final, obtido a partir da industrialização dos bens objeto de importação com base na redução prevista nos ACEs aludidos, os "concorrentes" podem valerse, de forma idêntica, do benefício do drawback isenção para fins de reposição de seu estoque. 101. A impugnante, de fato, importou produtos sob a égide dos citados ACEs, tendo em vista que o acordo comercial assinado pelo Brasil lhe assegurara esse direito. A utilização desse benefício não inviabiliza o direito ao regime do drawback modalidade isenção. Um direito não invalida o outro. As operações ocorrem em momentos distintos e sem qualquer vinculação entre elas, a não ser o fato de fazerem parte de um mesmo regime aduaneiro especial. 102. Vale salientar, ainda, que nenhuma relação existe entre o regime especial de que se cogita e a redução de 100% do valor do imposto sobre as importações, concedida pelos ACEs 35 e 39. Em outras palavras, a eventual incidência do imposto na primeira importação não é elemento integrante do drawback isenção. Tratase de dois instrumentos distintos, embora por vezes o resultado venha a ser o mesmo, isto é, o não pagamento de tributo, como no caso em apreço. Concluindo, é válido afirmar que, com ou sem os ACEs, ou seja, pagando ou não pagando tributos, o gozo da isenção na importação posterior estaria assegurado pela legislação que rege o assunto. Diante do exposto, requer seja declarada a nulidade dos lançamentos formalizados contra si, e a “[...] realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementação de provas”. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, em 07/12/2007, ficando o Acórdão nº 0812.442 assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/05/2002 a 03/01/2006 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS FORMAIS. RECUSA. Será considerado não formulado o pedido de perícia que desatenda às normas do Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 21/05/2002 a 03/01/2006 DRAWBACK ISENÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÕES PRÉVIAS SUJEITAS A TRIBUTAÇÃO NORMAL. O drawback isenção é um incentivo à exportação de natureza compensatória, destinado à reposição dos estoques dos insumos previamente utilizados em mercadorias comprovadamente exportadas. Assim, referido incentivo só será admitido se for demonstrado que as importações dos insumos, já utilizados na industrialização das mercadorias exportadas, ocorreram com todos os ônus fiscais. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão desfavorável, a Recorrente interpôs o competente recurso voluntário de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos já suscitados em sua impugnação, inclusive o pedido de diligência. O processo foi distribuído para a relatoria Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, então, integrante da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, converteu o julgamento do recurso em diligência, nos termos da Resolução nº 30301.512, de 09/12/2008. Em suma, o então relator entendeu que: (i) a legislação de regência não exige que a importação anterior ao pedido do beneficio tenha sido comprovadamente tributada, o que seria o cerne da discussão em sua análise; (ii) não havia até o momento jurisprudência do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes qualquer precedente que tivesse enfrentado diretamente a questão envolvida nos autos; (iii) o Parecer Normativo CST nº 126/72 foi indevidamente invocado pela autoridade preparadora, eis que versa sobre situação diversa do caso concreto; (iv) embora tenham sido concedidos os atos concessórios, é certo que os pedidos dirigidos à SECEX são desacompanhados das declarações de importação, onde se poderia constatar o não recolhimento dos tributos. E conclui: Por tais razões, entendo ser imprescindível, para o correto julgamento da lide, o conhecimento das razões e critérios adotados pela SECEX quando da concessão dos Atos Concessórios de que tratam os autos, através dos quais a Recorrente promoveu à importação de produtos sob o Regime de Drawback — modalidade isenção. À vista da determinação da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o Oficio no 29/2010/GAB/DRFCCI/SRRF05/RFB/MFBA foi expedido para a Coordenadora Geral do Decex, Sra. Ieda Fernandes, que, por sua vez, emitiu o Ofício 248/DECEX, por meio do qual encaminha a Nota Técnica n° 13/2010/DENOC/SECEX, de 7 de abril de 2010, que versa sobre entendimento normativo do tema em questão, e Memorando n° 24/DENOC/SECEX, de 14 de abril de 2010, além da documentação específica relativa aos pedidos de drawback submetidos a exame na modalidade isenção e Instrução Normativa n° Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 329 11 2001/45, de 12 de novembro de 2001, utilizada à época como base para análise das operações em tela. Também por meio do Ofício 248/DECEX, a Coordenadora Geral do Decex esclareceu que os atos 20030007240 e 20040097404 foram concedidos na modalidade suspensão e baixados respectivamente em 24 de março de 2004 e 28 de maio de 2007. Por oportuno, convém transcrever trechos conclusivos da Nota Técnica n° 13/2010/DENOC/SECEX, a saber: 8. Da leitura dos mencionados textos normativos, fica claro que, interpretado literalmente, o critério para a concessão do drawback isenção tem por base a qualidade e a quantidade das mercadorias originalmente importadas, não o montante de tributos pagos na importação ou a eventual diferença entre os tributos exigidos na operação original e aqueles referentes à importação que se deseja contemplada com o drarwback. Inexiste, portanto, na legislação exigência, a ser aplicada pela SECEX, relativa ao valor ou ao recolhimento dos tributos relativos à primeira importação. 9. Se se deve considerar esse último — com base no valor — o que existe é a modalidade drawback restituição, previsto no DecretoLei n° 37, de 1966, art. 78, III. A sua administração é de atribuição exclusiva da RFB. 10. Assim que, buscando respeitar o princípio da legalidade na Administração Pública, o DECEX limita a sua análise aos critérios expressamente previstos na legislação. Ou seja, procede de modo a verificar se houve a "exportação de produto em cujo beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento tenham sido utilizadas mercadorias importadas equivalentes, em qualidade e quantidade, àquelas para as quais esteja sendo pleiteada a isenção", desconsiderando a diferença entre os tributos que seriam pagos na segunda importação e aqueles pagos na operação original. (Grifouse) Intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência, a DRF de CamaçariBA expediu o Termo de Diligência Fiscal, informando que o Decex teria reconhecido que, quando da emissão dos atos concessórios de drawback isenção, não realiza qualquer verificação quanto ao pagamento dos tributos referentes às importações iniciais. E mais, a DRF de CamaçariBA concluiu que o ofício do Decex teria confirmado que compete à RFB a realização de fiscalização junto aos beneficiários de drawback para verificar se todas as outras condições necessárias à concessão do regime foram atendidas, em atividade complementar à da Secex. Por outro lado, também intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente ressalta que o Decex confirmou o seu entendimento de que o pagamento de tributos na importação de insumos empregados na fabricação do produto exportado não configura requisito para a fruição do drawback isenção, inclusive reconhecendo Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 que a competência para o exame do direito ao drawback modalidade isenção é privativa e exclusiva da SECEX. Em seguida, a Recorrente contesta a manifestação da DRF de CamaçariBA, alegando que não é a fase processual para defender o lançamento. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. 1 Introdução Conforme já mencionado exaustivamente no relatório, o cerne do presente litígio consiste em saber: se a autoridade preparadora teria competência para impor outros requisitos à fruição do regime de drawback isenção, além daqueles já exigidos na fase de concessão do regime pelo DECEX; e se está em linha com a legislação de regência o requisito imposto pela fiscalização, qual seja, a incidência dos tributos na operação de importação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos a serem posteriormente exportados. Registrese, desde logo, que não há precedentes neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais especificamente sobre drawback isenção requerido em função de importação de insumos sujeitos à alíquota zero de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI por força de políticas de comércio exterior. 2 Da competência para concessão de Drawback Isenção Conforme já mencionado exaustivamente no relatório, o cerne do presente litígio consiste em saber se a autoridade preparadora teria competência para impor outros requisitos à fruição do regime de drawback isenção, além daqueles exigidos na fase de concessão do regime pelo DECEX/SECEX, bem como se está em linha com a legislação de regência o requisito imposto pela fiscalização, qual seja, a incidência dos tributos na operação de importação dos insumos utilizados na fabricação dos produtos a serem posteriormente exportados. De início, importante registrar que a autoridade fiscal preparadora consignou em seu relatório que o objeto central da fiscalização seria “verificar o cumprimento das obrigações fiscais decorrentes dos Atos Concessórios” analisados (fls. 160). A DRJ, por sua vez, ao julgar a impugnação interposta pela Recorrente, mostra claramente que o fundamento para a manutenção da autuação decorreria dos próprios atos concessórios e dos requisitos para suas concessões. Ou seja, analisa a validade e Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 330 13 legalidade dos atos exarados pela SECEX quando do estabelecimento das condições para a fruição dos incentivos decorrentes do regime de Drawback Isenção. Neste ponto, importante registrar que não obstante os órgãos da administração fazendária possam e devam realizar a fiscalização, de forma ampla, das condições estipuladas pelos atos concessórios, previstas em lei, tal prerrogativa não permite invadir a competência de emissão de atos concessórios, introduzindo entre os requisitos a necessidade de haver pagamento de tributos nas importações que deram suporte ao pedido de Drawback Isenção, condição não exigida pelo órgão competente. Ademais, segundo a legislação aduaneira vigente à época dos atos concessórios ora em análise, à SECEX caberia a concessão do regime de drawback nas modalidades suspensão e isenção – arts. 386 e 393 do Regulamento Aduaneiro –, enquanto que à Secretaria da Receita Federal do Brasil competiria a emissão de ato relativo ao drawback na modalidade restituição – art. 397 do mesmo regulamento. Neste sentido, com relação ao regime de Drawback na modalidade Isenção, a concessão é de competência exclusiva da SECEX, competindo à RFB fiscalizar o cumprimento dos termos estipulados nos atos concessórios. Sobre este tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recente Decisão tomada à unanimidade de votos, teve oportunidade de se manifestar, ocasião em que se pronunciou pelo reconhecimento de invasão de competência pela autoridade tributária. Eis o teor da ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. CACEX/SECEX. ADITIVO. INTEMPESTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A emissão de Ato Concessório do Regime Aduaneiro de Drawback, bem como dos respectivos Aditivos, é de competência da CACEX. A competência da Receita Federal é para avaliar o adimplemento do compromisso por parte do contribuinte, não se estendendo para a legalidade dos atos administrativos expedidos por outros órgãos da Administração Federal. (Grifo nosso) (Processo Administrativo 10074.000100/200204, 3ª Turma da Câmara Superior, Acórdão nº 9303001.932, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann, Sessão de 12/04/2012) Com efeito, a conselheira relatora, traduzindo consenso da Turma da Câmara Superior, aduz, de forma esclarecedora, sobre o desvio de finalidade perpetrado pela fiscalização tributária ao imiscuirse em seara a ela não competente. Vejamos: O que se depreende disso é que a norma prevê, desde a concessão do ato concessório até a eventual comunicação à Secretaria da Receita Federal sobre o inadimplemento do contribuinte, toda uma cadeia de atos administrativos. Dentro de tal cadeia, no que tange à concessão do benefício e dos respectivos termos aditivos e, enfim, a todo o procedimento que tem que ver com o regime do Drawback suspensão, a Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 competência é cometida à CACEX/SECEX. Somente se estes constatarem pela inadimplência das condições estabelecidas no Ato Concessório é que aqueles órgãos comunicam, formalmente, à Receita Federal para que esta adote as providências cabíveis. A competência, desta forma, para a análise das circunstâncias que envolvam o regime especial é da CACEX, e não da Receita Federal. Esta somente pode começar a agir ante a comunicação que lhe venha a dirigir aquele órgão, acerca do inadimplemento do contribuinte ou após o prazo final (decorridos os trinta dias) do término do regime. Diante disso, é de se tecer algumas considerações sobre o que vem a ser a competência administrativa, e o seu papel no ordenamento jurídico. A competência administrativa é, segundo Marçal Justen Filho, “a atribuição normativa da legitimação para a prática de um ato administrativo”. Celso Antonio Bandeira de Mello, em seu Curso de Direito Administrativo, designa competência administrativa, como o “círculo compreensivo de um plexo de deveres públicos a serem satisfeitos mediante o exercício de correlatos e demarcados poderes instrumentais, legalmente conferidos para a satisfação de interesses públicos”. A competência, como se sabe, é demarcada pelo ordenamento jurídico, e uma das suas características essenciais, segundo a doutrina, é a imodificabilidade “pela vontade do próprio titular, o qual, pois, não pode dilatálas ou restringilas, pois sua compostura é a que decorre da lei”. Qualquer exceção a tal regra deve ser estabelecida pelo próprio sistema legal; jamais pela Administração, sem qualquer base legal. Aplicandose estes conceitos ao presente caso, temos que o fato de a Receita Federal ter imiscuídose na competência da CACEX configura patente desvio de poder, gênero do qual constituise em espécie o desvio de finalidade. Este não resta afastado tão somente pelo fato de que o último Aditivo fora concedido extemporaneamente, isto é, após o transcurso do prazo de cumprimento estabelecido no penúltimo aditivo. A competência para o ato administrativo, com efeito, não se esvai pela ausência do seu exercício, ou por seu eventual exercício irregular. Se assim é, tampouco a competência, naquelas hipóteses, transferese para outro órgão. Eis a lição de Marçal Justen Filho: “A ausência de exercício de uma competência não importa sua transferência para outrem, a não ser quando a lei assim o determinar. A lei pode estabelecer regras específicas no tocante à competência, limitando o modo de atuação do agente ou condicionando sua atuação a certos eventos”. Assim, não competia à Receita Federal apurar, sem a comunicação perpetrada pela CACEX, o adimplemento ou não do compromisso firmado pelo contribuinte, quanto mais quando Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 331 15 a própria CACEX efetivamente concedeu o aditivo questionado. Tratase, obviamente, portanto, de indevida ingerência. Dessa forma, levandose em consideração que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais objetiva precipuamente iluminar o melhor caminho para interpretação buscando a segurança jurídica necessária à aplicação equânime do Direito Tributário, devese afastar a indevida ingerência da administração fazendária em temas que fogem à sua competência. Importante frisar que as conclusões do precedente acima pontuado, mesmo tratando de hipótese de drawback suspensão, devem ser aplicadas de forma integral ao presente caso. Isto porque, a concessão das duas modalidades de drawback (isenção e suspensão), como já externado anteriormente, é de competência exclusiva da SECEX, cabendo aos órgãos fiscais apenas a averiguação do cumprimento dos requisitos e condições estipulado nos atos concessórios. De mais a mais, as bases utilizadas para fundamentar a decisão devem balizar e guardar coerência com novas decisões. Segundo a doutrina administrativista, lastreada na teoria dos motivos determinantes, há que se guardar compatibilidade entre as premissas e as conclusões de todo ato administrativo, sob pena de maculálo por falta de congruência lógica entre o motivo e o resultado do ato. Neste sentido, outro resultado não poderá advir da apreciação do presente processo senão pela conclusão de que é indevida a forma de atuação da autoridade coatora em desfavor da Recorrente, pois que os argumentos que deram ensejo ao acórdão da Câmara Superior são idênticos aos dos presentes autos, qual seja, a impossibilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em exigir requisitos não previstos em lei para expedição de atos de competência de outro órgão da Administração Federal. Destaquese, ainda, que o Decex, quando instado a se manifestar no processo mediante explicitação dos critérios e condições para expedir atos concessórios respondeu ao Ofício no 29/2010/GAB/DRFCCI/SRRF05/RFB/MFBA no sentido de que inexiste na legislação exigência obrigatoriedade de recolher tributos relativos à primeira importação. Por tais razões, devem os autos de infração lavrados serem cancelados em sua integralidade. 3 Do Parecer normativo CST nº 126/72 Como fundamento da autuação, a autoridade fiscalizadora citou o Parecer Normativo CST nº 126, de 1972, que trata de consulta formulada por empresa explorando o ramo de curtume que indaga se a venda no mercado interno, de produto importado com a isenção prevista no inciso III, do Decreto nº 68.904/71, acarreta algum ônus tributário à empresa vendedora. A motivação da consulta foi o fato de que produtos por ela importados ao abrigo do regime restaram desaproveitados em função da matriz tecnológica da empresa e precisavam encontrar destinação econômica fora do produto resultante do aperfeiçoamento. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Assim as condições de venda no mercado interno precisavam ser estabelecidas no âmbito do despacho para consumo, cuja base tributável precisava ser definida nos termos autorizados pela administração aduaneira. Ocorre que os fatos que ensejaram à elaboração do aludido Parecer Normativo destoam completamente da situação que cuidam os autos, fato este considerado pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho ao informar que “como se observa da própria introdução do referido Parecer, não se trata de questão idêntica ao dos presentes autos, já que o caso examinado por mencionada análise diz respeito à venda, no mercado interno, do produto importado sob o benefício em discussão”. Em verdade, o lançamento faz menção ao art. 602 do Regulamento Aduaneiro vigente à época da ocorrência do fato gerador dos tributos aduaneiros, qual seja, o Decreto nº 4.543, de 2002, que assim dispõe: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Já a Recorrente defendeu que o referido parecer não tem eficácia normativa, logo, como não há previsão legal que condicione a concessão da isenção ao prévio recolhimento dos tributos, a autuação teria violado o princípio da legalidade. A decisão recorrida, por sua vez, defende a eficácia normativa do parecer normativo, a saber: “Ressalte se que o Parecer Normativo CST nº 126/72 foi publicado no Diário Oficial da União de 05/05/1972, tendo preenchido, portanto, a requisito fundamental quanto à sua normatividade”. De fato, não há como negar a eficácia normativa deste tipo de parecer, de modo que o vício alegado pela Recorrente não prospera pelos fundamentos suscitados por ela. Contudo, há razões outras para não admitir a invocação do Parecer Normativo CST nº 126, de 1972. A primeira é que o referido parecer interpreta dispositivos legais do Decreto nº 68.907, de 1971, que há muito tempo já não está em vigor. Como pode, então, manterse eficaz uma norma que complementa um decreto não mais em vigor? Evidentemente não pode. A segunda razão para afastar a aplicação do parecer em tela é o próprio conteúdo, ou seja, ainda que pudesse ser admitida a sua eficácia, o seu conteúdo normativo em momento algum estabelece que a importação de insumos sujeitos à alíquota zero não gera direito à isenção nas importações subseqüente, tratando tãosomente das hipóteses convencionais em que o tributo é recolhido na primeira importação. Mais uma vez, insubsistentes os autos de infração lavrados em desfavor da Recorrente. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 332 17 4 Da legalidade dos atos concessórios Como visto, o deslinde da controvérsia existente nos autos consiste em saber se era condição para a fruição do drawback isenção o pagamento de tributos aduaneiros na operação anterior ao pedido relativo ao regime especial em tela. Nesse sentido, a DRJ, ao julgar procedentes os lançamentos objeto do litígio em evidência sob a pretensa alegação de que a Recorrente somente poderia se valer do regime especial de drawback isenção se houvesse arcado com o pagamento dos tributos nas importações que serviram de base para os seus pleitos, não só contraria o órgão competente pela concessão de drawback isenção, quanto que, de fato, questionou, por vias transversas, a própria legalidade dos referidos atos administrativos. A despeito do que foi exposto em tópico anterior, em que se constata que tal avaliação e fiscalização, na forma como foi feita, não representa prerrogativa da Receita Federal do Brasil, os fundamentos legais para autuação da Recorrente, de igual modo, não prosperam. Vejamos. Preliminarmente, há que se fazer um cotejo histórico sobre a forma e os motivos que ensejaram a criação do regime de drawback. É certo que a Constituição Federal de 1988 dispõe, em seu art. 237, que a fiscalização e o controle do comércio exterior compete ao Ministério da Fazenda (MF), assim como estabelece no seu art. 88 que a lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública. Nesse contexto, o Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC) foi criado pela Medida Provisória nº 1.9118, de 1999, tendo como área de competência os seguintes assuntos: · política de desenvolvimento da indústria, do comércio e dos serviços; · propriedade intelectual e transferência de tecnologia; · metrologia, normalização e qualidade industrial; · políticas de comércio exterior; · regulamentação e execução dos programas e atividades relativas ao comércio exterior; · aplicação dos mecanismos de defesa comercial participação em negociações internacionais relativas ao comércio exterior; · formulação da política de apoio à microempresa, empresa de pequeno porte e artesanato; · execução das atividades de registro do comércio É cediço que o Governo Federal, por meio de políticas de incentivo, cria regimes aduaneiros específicos com o nítido intuito de promover e estimular as exportações do Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 País. Mais que instituir benefícios tributários, tratamse de regimes econômicos que possibilitam o desenvolvimento da indústria nacional e a promoção desta no mercado internacional. No que tange ao regime de Drawback Isenção, em especial, percebese que seu objetivo precípuo é repor estoques de insumos utilizados em produtos já exportados, em quantidade e qualidade equivalentes, ficando o valor total da importação, isento de tributos, limitado ao valor da mercadoria substituída. Desta maneira, franqueiase ao beneficiário cenário com maior estabilidade financeira, permitindo àquele se precaver de oscilações de mercado que eventualmente possam surgir, mediante a recomposição de seus estoques, por meio de importações isentas de tributos. A lógica da concepção do regime de Drawback Isenção, portanto, está no estímulo à exportação, por meio de concessão de incentivos econômicos e comerciais. Assim, uma vez preenchidos os requisitos estabelecidos na legislação de regência e concedidos pelo órgão competente, será facultada ao produtor a fruição dos incentivos estipulados. Neste ponto, cabe esclarecer que nem a lei nem o RA/2002 vigente à época dos fatos impunham à pessoa jurídica solicitante qualquer comprovação de recolhimento dos tributos quando da aquisição dos estoques a serem repostos. Conforme a redação dada ao art. 345 do mesmo RA, exigiase tão somente que as importações fossem feitas em qualidade e quantidade dos insumos anteriormente importados, silenciandose quanto à suposta exigência do pagamento dos tributos na operação original. De se observar, ainda, que o enfrentamento da lide iniciouse com a apreciação da matéria pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a qual entendeu ser cabível diligenciar junto à CACEX/SECEX no sentido de obter informações sobre os critérios utilizados para emissão dos Atos Concessórios aqui discutidos, uma vez que, de plano, pareceu haver um descompasso entre a lógica da administração tributária e da administração das politicas de incentivo econômico no âmbito do MDIC, pela CACEX/SECEX, que emitiu Atos Concessórios para a empresa ora autuada, em conformidade com as normas legais de regência, e que foram desconstituídas no curso da fiscalização que deu azo aos autos de infração sob julgamento. O resultado da diligência decorrente da Resolução nº 30301.512 e materializado por meio do Ofício nº 248/DECEX não poderia ser outro e foi conclusivo no sentido de que “o critério para a concessão do drawback isenção tem por base a qualidade e a quantidade das mercadorias originalmente importadas, não o montante de tributos pagos na importação...”. Aqui é importante ressaltar que ao responder à diligência, oportunizouse à SECEX a revisão de seus atos e assim sendo, é válido inferir que ela os ratificou nos exatos termos em que foram emitidos. Conquanto a DECEX/SECEX tivesse posicionamento diverso, ainda assim estaria adstrita, como também está a própria administração fazendária, ao que determina o art. 176 do CTN, ou seja, “A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração”. Em suma, a essência do regime aduaneiro do Drawback Isenção, aliado aos ditames do CTN, sobretudo à luz do art. 111, II, o qual impõe que isenções devam ser Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 333 19 interpretadas de forma literal, conduz à uma única conclusão lógica possível, qual seja, o respeito pelas regras estipuladas à época dos fatos, que no caso concreto não impõe ao administrado qualquer recolhimento de tributos nas importações originárias. Ademais, no caso concreto, conforme já relatado, o não recolhimento do II nas importações informadas à SECEX decorreu de redução tributária objeto de Acordos de Complementação Econômica – ACE firmados entre o Brasil e entidades de Direito Internacional Público, notadamente a Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, o Mercado Comum do Sul – MERCOSUL, e a Comunidade Andina. Quanto ao IPI, o não pagamento, em todos os casos, decorreu do fato de a alíquota aplicável aos produtos ser zero, sendo esta também uma forma de estimular a importação de certos insumos essenciais para a produção nacional e o ilustre Auditor não se debruçou sobre a atualização dos ACEs que, a bem da verdade, eram vigentes à época dos fatos em análise. 5 Da nova legislação A rigor, somente com o advento da Lei nº 12.350/2010 (MP 497/2010) é que se passou a exigir o pagamento de tributos sobre a importação originária. É o que se depreende do art. 31 do referido diploma legal, in verbis: Art. 31. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado poderá ser realizada com isenção do Imposto de Importação e com redução a zero do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação. [...] § 3º O beneficiário poderá optar pela importação ou pela aquisição no mercado interno da mercadoria equivalente, de forma combinada ou não, considerada a quantidade total adquirida ou importada com pagamento de tributos. (Grifouse) O atual regime de Drawback Isenção, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010, mudou consideravelmente o então regime vigente no período de autuação. Em rápida análise, notase a alteração na própria essência do regime aduaneiro, por meio de inovações até então inexistentes. A título ilustrativo, a lei nova passou não só a exigir o recolhimento de tributos nas importações originárias como condição para concessão do regime de Drawback Isenção, como permitiu a aquisição de insumos no mercado interno ou mesmo combinar tais aquisições com importações, situação anteriormente vedada. Patente, por conseguinte, se tratar de regimes completamente distintos, cuja aplicação destes deve ser igualmente distinta. Convém registrar que esse dispositivo somente este ano foi incorporado ao atual RA (Decreto nº 4.543, de 2009) com a edição do Decreto nº 8.010, de 2013. Confirase: Art. 393A. O beneficiário do drawback, na modalidade de isenção, poderá optar pela importação ou pela aquisição no Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 mercado interno da mercadoria equivalente, de forma combinada ou não, considerada a quantidade total adquirida ou importada com pagamento de tributos (Lei nº 12.350, de 2010, art. 31, § 3º). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Por derradeiro, cabe frisar que não bastasse os argumentos acima despendidos, a Recorrente, que nada mais fez do aquilo que dela se exigiu, não pode ser penalizada por atos da Administração Pública que supostamente estariam em desacordo com a legislação de regência, ainda mais quando a diligência feita junto ao órgão competente para a emissão dos atos concessórios aponta no sentido oposto ao fundamento dos autos de infração. Pelo exposto, em obediência aos princípios constitucionais do ato jurídico perfeito, do direito adquirido e da segurança jurídica e tendo em vista que a fiscalização não constatou qualquer irregularidade no cumprimento das condições estabelecidas nos atos concessórios, conforme relatório detalhado da análise de cada um dos atos de fls. 90/107, resta indubitável que não há matéria de mérito que possa, por qualquer outra razão não mencionada, manter hígido os autos de infração. Devem, portanto, ser acolhidas as razões aqui expostas, dandose provimento ao recurso voluntário por ela interposto. 6 Dispositivo Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário da Recorrente, exonerando integralmente o crédito tributário em discussão. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Declaração de Voto CONSELHEIRA MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Com o devido respeito aos fundamentos do voto do relator; seguem abaixo os motivos mediante os quais exponho o acompanhamento do meu voto pelas conclusões, em relação ao regime de Drawback Isenção, para este caso. Ressalto, de pronto, que a matéria é demais controvérsia. Inicio com uma indagação, seria o regime de drawback isenção uma reposição de estoque ou um crédito fiscal? Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 334 21 Temse conhecimento que a legislação internacional, como a Convenção Internacional para a Simplificação e Harmonização dos Regimes Aduaneiros, firmado em Quioto revisada, bem como códigos aduaneiros regionais tratam, usando outras denominações, como reposição de estoque. O primeiro dispositivo legal que se refere ao drawback no Brasil é o Decreto lei n° 994, de 28/07/1934, revogado pelo art. 37 da Lei de n° 3.244/1957 que dava a este uma conotação de remissão, perdão, posteriormente, evoluindo para uma conceituação de estímulo à exportação. O Brasil é o único país em que incrementou o drawback, criando a modalidade de "restituição", além das duas outras modalidades tratadas internacionalmente como aperfeiçoamento ativo , que é a suspensão e reposição de estoque, que é a isenção. Nessa linha, seria irrelevante se houvesse mudança de alíquota entre a data da primeira importação (da matéria prima a ser industrializada para exportação) e a da segunda (da matéria prima a ser reposta). A modalidade de isenção baseiase numa sistemática pelo qual o importador utilizou produtos de importação na fabricação de produtos já exportados. Então, como a exportação já ocorreu, daí o benefício fiscal é dirigido no sentido de repor o estoque na medida do que foi exportado. O importador tendo solicitado e obtido devidamente o deferimento, através do Ato Concessório, para repor seu estoque (em idêntica quantidade/qualidade), não poderia o importador, smj, ser punido com nenhum tipo de circunstância, tais como majoração de alíquota, extinção de benefício fiscal de redução de alíquotas; alheia à relação estabelecida no respectivo ato concessório. No Brasil, no entanto, o tratamento da matéria não foi tão claro, desde então. A base legal, hoje, do drawback isenção (art. 78, III do DL 37/66) dispõe: "Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado." (grifo nosso) Primeiro ponto, observase que a incidência é um requisito da aplicação do regime. Até aí não se justificaria a conclusão de que o drawbackisenção é um crédito, pois incidência ( hipótese de incidência é a abstração legal de um fato, ou seja, é aquela situação descrita na lei cuja previsão é abstrata, tratandose, pois, de uma “hipótese” que poderá vir a ocorrer no mundo dos fatos, e que, uma vez realizada, se concretiza como fato gerador), e que não se confunde com pagamento. Pelo visto, disciplinado pelo art. 78 do DecretoLei de n° 37/66 e regulamentado pelos arts. 314 e ss do Regulamento Aduaneiro/85, aprovado pelo Decreto n° Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 91.030/1985. Bem como nos arts. 335 e ss do Regulamento Aduaneiro/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 O caso em litígio compreende o período de 21/05/2002 a 03/01/2006. Na redação original do art. 345 do Regulamento Aduaneiro RA/2002, dispunhase: Art. 345. A concessão do regime, na modalidade de isenção, é de competência da Secretaria de Comércio Exterior, devendo o interessado comprovar a exportação de produto em cujo beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento tenham sido utilizadas mercadorias importadas equivalentes, em qualidade e quantidade, àquelas para as quais esteja sendo pleiteada a isenção O art. 402 atual Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto de n° 6.759/2009 estabelece dispositivo que traz certa ambiguidade: há quem o leia dizendo que institui uma faculdade (utilização do drawback isenção para outros tributos, mesmo que o II seja zero/isento) e há quem o leia a contrario sensu (no sentido da proibição de utilização do drawback para o II quando a alíquota for zero ou houver isenção). Corresponde ao art. 345 do RA/2002. Art. 354. Na hipótese de mercadoria isenta do imposto de importação ou cuja alíquota seja zero, poderá ser concedido o regime relativamente aos demais tributos devidos na importação. Quem lê o texto a contrário sensu passa, assim, a seguir a linha de que o drawbackisenção é um crédito, e somente pode ser concedido se houve "pagamento". Tal linha é endossada pela redação atual do art. 393A do Regulamento Aduaneiro, que resulta de alteração promovida pelo art. 31 da Lei 12.350/2010. Art. 393A. O beneficiário do drawback, na modalidade de isenção, poderá optar pela importação ou pela aquisição no mercado interno da mercadoria equivalente, de forma combinada ou não, considerada a quantidade total adquirida ou importada com pagamento de tributos (Lei nº 12.350, de 2010, art. 31, § 3º). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) Analisemos sobre as consequências dos dois raciocínios, em um exemplo no qual há mudança de alíquotas em relação à primeira importação (matéria prima destinada à industrialização de bem exportado) e a segunda utilizandose do drawbackisenção. Exemplo: Importação 1 peças para industrialização de computadores a serem exportados (alíquotas na data de registro da DI 1: II= 0%, IPI=30%, ...); e importação 2 peças idênticas em quantidade/qualidade àquelas utilizadas na exportação de tais computadores (alíquotas na data de registro da DI 2: II= 10%, IPI=10%, ...). Para a corrente que defende ser o drawbackisenção uma reposição de estoque, a discussão sobre as alíquotas, como exposto, é irrelevante, visto que a importação 2 se destina a repor exatamente a mercadoria trazida na importação 1 e exportada. E esse raciocínio não é incompatível nem com o art. 402 (na sua leitura literal, tal qual o CTN recomenda), nem com o art. 393A, pois bastaria o pagamento de tributos (quaisquer). Contudo, para quem defende que o drawbackisenção é um crédito fiscal, teríamos como impossível a aplicação do drawback ao II na importação 1 (visto que não houve Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000867/200731 Acórdão n.º 3201001.424 S3C2T1 Fl. 335 23 pagamento). Caberia assim o pagamento de 10% a título de II mesmo havendo drawback para os demais tributos. Essa corrente provavelmente não cogitaria cobrar o IPI (que foi pago à alíquota de 30%, e agora é exigido com alíquota de 10%), nem restituir parcialmente o valor (o cálculo não seria tão elementar porque o II faz parte da base de cálculo do IPI, o que torna um pouco mais complexa a subtração entre o pago e o a pagar/restituir). Da mesma forma, que essa corrente (admitindose que o cálculo fosse simples) aplique o "drawbackisenção" aos 10% de IPI e o "drawbackrestituição" aos demais 20% de IPI. Receio de que a RFB restituiria os 20%. Assim, quando a situação piora o importador sofre as consequências negativas, mas quando melhora não acontece, não obstante a possibilidade de se discutir juridicamente. Um exemplo 2 ajuda a piorar ainda mais as coisas: Importação 1 peças para industrialização de computadores a serem exportados (alíquotas na data de registro da DI 1: II= 5%, IPI=20%, ...); e importação 2 peças idênticas em quantidade/qualidade àquelas utilizadas na exportação de tais computadores (alíquotas na data de registro da DI 2: II= 10%, IPI=10%,...). Para a corrente que defende ser o drawbackisenção uma reposição de estoque, a discussão sobre as alíquotas continua irrelevante. Para quem defende ser o drawbackisenção um crédito fiscal, teríamos a aplicação do drawback a ambos os tributos (II e IPI), pagos na importação 1. Em uma subcorrente moderada dos que veem o drawbackisenção como um crédito, a importação 2 seria sem pagamento algum, visto que houve pagamento (ainda que em montante diferente a mais para o II e a menos para o IPI) na primeira operação. Em uma subcorrente mais extremista, a importação 2 seria assim feita com um crédito de 5% de II (10% que seriam incidentes menos 5% que já foram pagos na importação 1) e com um crédito de 10% de IPI (dos 20% pagos na importação 1 ciente novamente de que há simplificação das contas, pois a base de cálculo do IPI, que inclui o II, foi diferente na primeira importação). Abomino essa subcorrente extremista da teoria do "drawbackisenção" como "crédito", com um terceiro exemplo: Importação 1 peças para industrialização de computadores a serem exportados (alíquotas na data de registro da DI 1: II= 10%, IPI=20%, ...); e importação 2 peças idênticas em quantidade/qualidade àquelas utilizadas na exportação de tais computadores (alíquotas na data de registro da DI 2: II= 10%, IPI=20%, ...). É isso mesmo: as alíquotas são exatamente as mesmas. No exemplo 3, o que mudou foi a base de cálculo, pois o preço do bem idêntico (em quantidade/qualidade) aumentou em 5% entre a primeira e a segunda importação. Tal subcorrente (que coteja o pago na primeira operação com o devido na segunda) entenderia absurdamente que a importação 2 deveria ser tributada. A subcorrente moderada, a meu ver, pecaria tãosomente pela equivocada compreensão do instituto (como crédito, e não como reposição de estoque), e pela leitura antiisonômica do art. 402 do RA. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 Concluise, pois que não se aplica o art. 402 do RA (em qualquer de suas leituras), visto que não houve isenção nem alíquota zero. A pergunta inicial permanece que isenção é essa na qual a legislação aplicável é a de dois momentos distintos, subtraindose os totais pagos e a pagar? Então é uma compensação, ou uma restituição, ou um crédito, ou uma mistura/junção? O drawback isenção, no Brasil, é tãosomente um crédito fiscal? Ou uma autorização para importar mercadoria idêntica em qualidade/quantidade para repor a usada na industrialização e exportada (não interessando se houve alteração no tratamento tributário entre as importações)? Por todo o exposto, em uma interpretação sistemática, as construções do drawback (seja o "suspensão, isenção ou restituição"), não me parecem que se refiram à aplicação de uma segunda legislação, que não a do registro da declaração de importação inicial da matériaprima. Se as alíquotas ou bases de cálculo mudam, o importador que está adimplindo o compromisso assumido não deveria ser onerado. E, neste foi concedido um Ato Concessório para reposição de estoque. (ASSINADO DIGITALMENTE) Mércia Helena Trajano D’Amorim Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalment e em 27/11/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11080.918363/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 63 /2 01 2- 19 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918363/201219 Acórdão n.º 3801003.510 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918363/201219 Acórdão n.º 3801003.510 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918363/201219 Acórdão n.º 3801003.510 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918363/201219 Acórdão n.º 3801003.510 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918363/201219 Acórdão n.º 3801003.510 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905871/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 71 /2 01 1- 62 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905871/201162 Acórdão n.º 3803006.033 S3TE03 Fl. 164 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 145.746,94. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905871/201162 Acórdão n.º 3803006.033 S3TE03 Fl. 165 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905871/201162 Acórdão n.º 3803006.033 S3TE03 Fl. 166 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905871/201162 Acórdão n.º 3803006.033 S3TE03 Fl. 167 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10380.900130/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. CORREÇÃO DO VALOR RECONHECIDO. TAXA SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Preclui o direito do contribuinte de discutir assunto não contestado desde a manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Na apuração do crédito presumido do IPI como ressarcimento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins instituído pela Lei 9.363/96 utilizar-se-á a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados na definição do conceito de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96 e 10.276/01. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO.
Deve ser incluído no valor da Receita de Exportação a variação cambial havida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e o embarque da mercadoria exportada.
PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NAVALHAS CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTO. CABIMENTO.
As navalhas utilizadas no processo produtivo da indústria calçadista, atendem adequadamente ao conceito de produto intermediário, em sentido lato, para fim de apropriação do crédito presumido do IPI, uma vez que são consumidas durante o processo de produção, em decorrência de ação direta sobre o produto em fabricação, ou deste sobre elas.
Numero da decisão: 3102-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de exclusão das receitas provenientes da revenda de insumos no cálculo da Receita Operacional Bruta no período de 26 a 31 de março do ano de 2003 e para reconhecer o direito à inclusão da receita decorrente do valor da variação cambial ocorrida até a data do embarque das mercadorias. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao direito de crédito em relação aos moldes e matrizes, vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Fábia Regina Freitas. Por maioria, reconhecer o direito de crédito em relação às navalhas utilizadas no processo produtivo, vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral o advogado Dílson Gerent, OAB/RS 22.484.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento Redator designado
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Andréa Medrado Darzé e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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LEI 9.363/96 e 10.276/01. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS. INCLUSÃO. LEGISLAÇÃO INFRALEGAL. APLICAÇÃO. Com a edição da Instrução Normativa 315/03, a partir de 26 março de 2003, o cálculo do Crédito Presumido do IPI pelo critério alternativo instituído pela Lei 10.276/01 deixou de considerar o valor correspondente à venda de produtos não industrializados no cômputo da Receita Operacional Bruta. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96 e 10.276/01. CONCEITO DE INSUMO. LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. APLICAÇÃO. Na apuração do crédito presumido do IPI como ressarcimento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins instituído pela Lei 9.363/96 utilizar seá a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados na definição do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96 e 10.276/01. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO. Deve ser incluído no valor da Receita de Exportação a variação cambial havida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e o embarque da mercadoria exportada. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NAVALHAS CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTO. CABIMENTO. As navalhas utilizadas no processo produtivo da indústria calçadista, atendem adequadamente ao conceito de produto intermediário, em sentido lato, para fim de apropriação do crédito presumido do IPI, uma vez que são consumidas durante o processo de produção, em decorrência de ação direta sobre o produto em fabricação, ou deste sobre elas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 01 30 /2 00 6- 74 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. CORREÇÃO DO VALOR RECONHECIDO. TAXA SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de discutir assunto não contestado desde a manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de exclusão das receitas provenientes da revenda de insumos no cálculo da Receita Operacional Bruta no período de 26 a 31 de março do ano de 2003 e para reconhecer o direito à inclusão da receita decorrente do valor da variação cambial ocorrida até a data do embarque das mercadorias. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao direito de crédito em relação aos moldes e matrizes, vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Fábia Regina Freitas. Por maioria, reconhecer o direito de crédito em relação às navalhas utilizadas no processo produtivo, vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fez sustentação oral o advogado Dílson Gerent, OAB/RS 22.484. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator designado Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Andréa Medrado Darzé e Fábia Regina Freitas. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do IPI (presumido, referente ao primeiro trimestre de 2003, no valor de R$ 1.085.614,19 e básico de R$ 9.951,73), tendo sido apresentados também os pedidos de compensação relacionados nas 212/213, vinculados ao crédito pleiteado. 2. A DRF Fortaleza, após diligência realizada pela Fiscalização, reconheceu o direito ao crédito básico e, no que diz respeito ao presumido, ao valor de R$ 985.870,88, tendo sido a parcela indeferida (R$ 89.791,58) decorrente de: a) Glosa sobre as aquisições de formas, navalhas e matrizes, consideradas pela empresa como produtos intermediários, mas assim não tratadas pela Fiscalização por não serem consumidos no processo industrial; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.900130/200674 Acórdão n.º 3102002.136 S3C1T2 Fl. 3 3 b) Glosa da variação cambial adicionada à receita de exportação pela empresa; c) A receita sobre a revenda de insumos foi acrescida à receita operacional bruta pela Fiscalização, para fins de cálculo de crédito presumido, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF n° 69, de 6 de agosto de 2001, vigente na época. 3. Foram homologadas as compensações relacionadas nas fls. 212/213 até o limite do crédito reconhecido. 4. Cientificada em 03.02.2009 (AR fl. 236) a interessada apresentou, tempestivamente, em 13.02.2009, manifestação de inconformidade na qual traz os seguintes argumentos: a) Cita decisão judicial e ementa de Acórdão da DRJ/Porto Alegre que entendem caracterizaremse as formas e matrizes como produtos intermediários; b) Os moldes e as matrizes são específicos para cada modelo, sendo constantemente substituídos, uma vez que não há a possibilidade de reaproveitamento para outros tipos de calçados; c) A empresa, quando contratada para fabricar o lote encomendado, fica impedida de utilizar ditas formas e moldes na fabricação de qualquer outra quantidade do mesmo modelo para terceiros, sendo o encomendante o dono do desenho, com proteção legal, nos termos da legislação sobre desenhos industriais; d) “O mesmo argumento deverá ser considerado para considerar o custo de seus insumos em relação ao insumo ‘navalhas’ utilizado para cortar os moldes na fabricação do calçado, pois, como vimos, utilização de insumos para consideração da base de cálculo do credito do ipi presumido interfere na compensação de forma favorável ao contribuinte”; e) “Não se pode de maneira alguma proceder o fisco com a desconsideração de tais argumentos, mesmo porque estará incorrendo em atitude que contraria os desejos do próprio legislador que estabeleceu a regra da não cumulatividade, forçando a empresa requerente nesta manifestação a acumular um prejuízo de grandes proporções em seu caixa”; f) “Tal ato contraria inclusive os preceitos estabelecidos na Lei federal 9.363/83, onde toda a matéria prima deverá ser considerada para fins de cáculo da presunção do tributo, não importando, fazemos questão de repetir, de maneira alguma se tais insumos e matérias primas farão parte do produto final acabado. Mesmo porque tal lei não faz tal exigência”; g) Quanto ao ajuste cambial argumenta que, conforme Portaria MF nº 356, de 1988, a qual define critérios de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais, a variação cambial ativa integra a receita bruta; h) No que diz respeito à receita referente à revenda de insumos, aduz que a Instrução Normativa SRF n° 420, de 2004, corrigiu equívocos normativos anteriores, ao descrever em seu art. 21 que se considera receita operacional bruta o produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo, cabendo a aplicação retroativa da norma interpretativa e a exclusão dessa receita do cálculo. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 5. Por fim, requer que seja reconhecida a procedência de seus argumentos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. FORMAS, NAVALHAS E MATRIZES. FABRICAÇÃO DE CALÇADOS. As formas, navalhas e matrizes utilizadas na fabricação de calçados, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, decorrendo sua obsolescência devido ao fato de não poderem ser reaproveitados quando da mudança dos modelos de calçados, motivo pelo qual não integram o cálculo do crédito presumido do IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. O conceito atualmente em vigor de “receita operacional bruta”, para o fim de cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não abrange o valor das vendas, nos mercados interno e externo, de produtos adquiridos de terceiros, que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica beneficiária do crédito presumido. Esse conceito foi introduzido pela Portaria MF nº 64, de 2003, e somente se aplica a partir de 26 de março de 2003, data de sua publicação no Diário Oficial da União. A definição anterior de “receita operacional bruta”, constante da Portaria MF nº 38, de 1997, explicitada pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 13, de 1998, incluía no valor da “receita operacional bruta” a receita de operações de mera revenda, nos mercados interno e externo, e vigorou até 26 de março de 2003, aplicandose a todos os fatos ocorridos até essa data. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, na forma do art. 100 do CTN. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No que se refere ao ajuste cambial, considera que o Acórdão recorrido deixou de fazer menção à Portaria nº MF 356/88, que, segundo entende, dá entendimento contrário ao que pautou a decisão de piso. Acrescenta, 07. O fundamento pelo qual o acórdão se baseia, é a redação de dúbia interpretação acerca da expressão "... tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda" (parte final do artigo 3º da Lei 9.363/96), o qual não permite Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.900130/200674 Acórdão n.º 3102002.136 S3C1T2 Fl. 4 5 uma conclusão de que esse valor da nota fiscal seria o único. Porque a expressão "tendo em vista" não permite tal entendimento. 08. E, o artigo 32 da Lei 9.363/96 descreve também que a apuração será efetuada nos termos do artigo 12 da mesma lei, o qual faz remissão às demais normas. 09. Por sua vez, a norma sobre PIS e COFINS, vigentes até 2003, previam que o cálculo da receita bruta compreende todas as receitas, senão vejamos: (...) Já no que se refere ao cômputo do valor decorrente da revenda de insumos no cálculo da Receita Bruta, defende viger à época dos fatos a Portaria nº 38/97 e IN SRF 69/01 e que a IN SRF 420/04, na qual baseouse a decisão de piso, foi editada após o período de apuração do crédito (1º trimestre de 2003). Assim, 15. Por sua vez só em 24/03/2009, a Portaria MF 64/2003 determinou que a receita operacional bruta consistiria em venda de produtos industrializados. 16. É de se lembrar que o crédito fiscal em questão aplicase quanto ao 1º trimestre de 2003. O argumento, entretanto, foi rechaçado pelo entendimento, no acórdão, de que a administração estaria obrigada ao cumprimento do ADN Cosit 13 de 2/09/1998). Adiante, que “questionar a integração de formas, matrizes e navalhas no processo industrial de calçados, é desarrazoado vez que pacificado pelas instâncias judiciais e administrativa [...]”. Transcreve jurisprudência. Ao final, acrescenta pedido de correção do crédito pela Taxa Selic. Uma vez que o Recurso tivesse sido apresentado por Paquetá Calçados, o Processo foi remetido em diligência para que o erro na autuação fosse sanado. Resolvido o problema, os autos voltam conclusos para encaminhamento da solução do litígio. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Esclareço, desde logo, que o vertente Voto, acima intitulado vencido, fundamenta boa parte da decisão proferida. Tratase de uma operacionalidade do Sistema, que exige a aposição da informação nestes termos, ainda que, na maior parte da matéria discutida nos autos, como se verá, tratase de Voto Vencedor. Cálculo da Receita Operacional Bruta Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Inicialmente, que se diga que assiste ligeira razão à Recorrente em relação ao cômputo do valor da revenda de insumos no cálculo da Receita Operacional Bruta. O período de apuração objeto da lide vai de 01/01/2003 a 31/03/2003. De primeiro de janeiro até o dia 26 de março de 2003 vigeu a Instrução Normativa SRF 69/01, que regulamentou a Portaria MF nº 38/97. É o que se depreende do teor do artigo 47 da IN SRF nº 315/03, que revogou a IN 69/01. Art. 47. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I – a partir de 1º de outubro de 2002, com relação aos arts. 22 e 40. II – a partir de 1º de dezembro de 2002, com relação aos arts. 36 a 39; III – a partir de 26 de março de 2003, com relação ao art. 21, inciso I1. (grifos meus) IV – a partir de sua publicação, quanto aos demais artigos. Por sua vez, o texto da Instrução Normativa nº 69/01, matriz legal válida à época, era o seguinte. Art. 21. Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; Ou seja, apenas para o breve período que vai de 26 a 31 de março de 2003 é que a Recorrente tem direito à exclusão das receitas decorrentes da venda de produtos não industrializados. Para todo o período restante, elas deverão integrar o cálculo da Receita Operacional Bruta. Insumos. Formas, matrizes e navalhas Diferentemente do que acontece nas lides que versam sobre o conceito de insumo no processo de apuração de créditos básicos das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins no sistema não cumulativo, quando a jurisprudência administrativa tem seguido firme orientação no sentido de rejeitar a delimitação conceitual determinada pela Secretaria da Receita Federal por meio da Instrução Normativa nº 247/02, com alteração introduzida pela IN 358/03 e 404/04, neste, tal como já amplamente divulgado no Processo, o conceito de insumo, por força das disposições legais pertinentes, e não de ato normativo editada pela Secretaria, deve obedecer aos critérios definidos na legislação do Impostos sobre Produtos Industrializados. Tratase de uma particularidade do crédito presumido criado pela Lei 9.363/96. Segue o texto legal. Lei 9.363/96 1 Art. 21. Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo; (...) § 1º Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica produtora. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.900130/200674 Acórdão n.º 3102002.136 S3C1T2 Fl. 5 7 Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifos meus) Assim, não é necessário adentrar às questões normalmente debatidas na definição de insumos no processo de apuração pelo Sistema NãoCumulativo básico, já que, aqui, o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem deve ser obtido, sem qualquer ressalva, da legislação própria do Imposto sobre Produtos Industrializados. A definição de insumo extraída da legislação do IPI é notadamente restritiva. Uma vez que o processo formador da base de cálculo do tributo devido é o preço do bem, admitese a dedução apenas do crédito vinculado aos insumos adquiridos para emprego direto na industrialização do produto acabado, sejam eles a ele integrados ou consumidos no processo de industrialização. Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Quanto a isso, me parece claro que admitir uma interpretação extensiva da expressão consumidas no processo de industrialização levaria, dependendo do quão permissiva ela fosse, a uma conceituação mais abrangente do que a que é aplicada no sistema de apuração de créditos básicos, em detrimento de toda a lógica até aqui expendida. Necessariamente, a interpretação do termo deve estar alinhada com o modelo aplicado à fiscalização do Imposto sobre Produtos Industrializados, segundo o qual, como se disse, apenas aquilo que esteja direta e fisicamente vinculado ao processo formador da base de cálculo do Tributo, o preço final do produto, pode ser considerado como redutor do quantum devido. Com efeito, é de se destacar, inclusive, que a legislação que disciplina o Crédito Presumido do IPI nem sequer faz menção à palavra insumo, e sim a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Isto posto, creio que seja de grande interesse reproduzir excertos dos Pareceres CST nºs 181/74 e 65/79 que contém estudo criterioso sobre o assunto. Parecer CST nº 65/79 “4. ... o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1. ... enquanto na primeira parte da norma "matériasprimas" e "produtos intermediários" são empregados stricto sensu, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2. ... somente geram o direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 6. Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude de contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exigese uma série de considerações. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos" ... há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito ... as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 11. Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1. Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do art. 66 do RIPI/79.” Parecer CST nº 181/74 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.900130/200674 Acórdão n.º 3102002.136 S3C1T2 Fl. 6 9 “8. Com efeito, as máquinas, equipamentos e instalações, bem como suas partes, peças e acessórios e ferramentas não se confundem com as matériasprimas e produtos intermediários: estes são submetidos ao processo de industrialização, sendo sua participação intrínseca, ao mesmo; ao passo que aqueles agem sobre o processo, de modo extrínseco. 10. ... o direito ao crédito do imposto, no que tange aos produtos consumidos no decorrer do processo de industrialização, se restringe àqueles que foram empregados diretamente (imediatamente) no processo, não se prestando mais à finalidade que lhes é própria ao término de cada etapa do processo (integralmente consumidos). 11. Para determinar se um produto consumido no processo de industrialização gera direito ao crédito do imposto, verificarseá, portanto, se atende cumulativamente aos seguintes requisitos (art. 32, inc. I, citado): a) que seja empregado na industrialização de produto tributado; b) que participe direta e intrinsecamente do processo de industrialização; c) que seja integralmente consumido no processo de industrialização, de tal forma que, após o término de cada etapa do processo em que é empregado, não mais se preste à finalidade que lhe é própria. 13. ... ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, às partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. A linha de argumentação da empresa apresentada em sede de Recurso Voluntário é bastante semelhante à utilizada desde as primeiras respostas aos esclarecimentos solicitados pela Fiscalização Federal. No seu entendimento, tratamse de materiais que devem ser considerados no cálculo do Crédito Presumido porque, em face das características próprias do mercado calçadista, as formas, moldes e navalhas não podem ser utilizadas em outros tipos de encomenda, mas apenas na fabricação daquele produto específico. Assim expõe, 28. Devese salientar a impossibilidade de reaproveitamento dos moldes e formas para outros tipos de calçados onde os materiais utilizados no calçado "A" não podem ser utilizados no calçado "B", podendo ser utilizados apenas para o lote da encomenda prevista. 29. Só podem ser usados, pois para o lote da encomenda. Não há serventia posterior. Isso é tão evidente que a empresa contratada para fabricar o lote encomendado, fica impedida de utilizar ditas fôrmas e moldes na fabricação de qualquer outra quantidade do mesmo modelo para terceiros. O encomendante, pois, é o dono do desenho, com proteção legal, nos termos da legislação sobre desenhos industriais. 30. Sendo então considerados os custos e sendo tais materiais como insumos consumidos no processo fabril, os custos dos mesmos são incorporados ao produto final, devendo então serem considerados para fins de compensação. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 Que se diga, desde logo, que não há previsão legal para classificação de materiais no conceito de produto intermediário pelas razões apresentadas pela Recorrente. O que importa é se esses materiais que, destaquese, não são partes e peças de máquinas e equipamentos e, por conseguinte, não devem ser sumariamente excluídos do conceito de produto intermediário, são ou não consumidos no processo produtivo dos sapatos, uma vez que não reste dúvida de que tenham contato com o produto final. Essa abordagem não é nova. Vem sendo objeto de exame desde a formalização da exigência. O que se confirma da leitura do texto que segue, extraído da Informação Fiscal na qual baseouse o Despacho Decisório. Diante do exposto, é inegável que não há o consumo dos referidos utilitários no processo de industrialização. As formas, navalhas e matrizes são consideradas moldes e ferramentas, não sofrendo desgaste, dano ou perda de suas propriedades físicas ou químicas em função de ação exercida diretamente sobre os produtos fabricados. Com efeito, pelos próprios argumentos expendidos pela Recorrente perante este Colegiado, acredito que, de fato, não tenha sido demonstrado o desgaste desses bens no processo de fabricação dos calçados, o que impede que lhes sejam atribuídas características de produto intermediário. Embora em sede de Recurso Voluntário a empresa faça menção exclusivamente a impossibilidade de reaproveitamento dos moldes e formas para outros tipos de calçados, o fato é que, desde a origem da controvérsia, a recusa fundamentouse, conforme acima transcrevi, no fato de não haver desgaste das formas, das navalhas e das matrizes, constatação que jamais foi contraditada pela Parte, não sendo que se esperar que este Relator presuma o desgaste de um ou de outro elemento. Variação Cambial A decisão de primeira instância deixa claro as razões porque recusou a inclusão do valor correspondente ao ajuste cambial no cômputo da Receita de Exportação. Com base no artigo 3º da Lei 9.363/96, entende que a apuração do montante da receita de exportação levará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal, sendo irrelevante outros eventos não nela retratados. Peço vênia para apresentar minha divergência. Conforme se depreende do caput do próprio artigo 3º a remissão é à nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador, não à nota fiscal emitida pelo último. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (grifos meus) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.900130/200674 Acórdão n.º 3102002.136 S3C1T2 Fl. 7 11 Outrossim, procede a reclamação da Recorrente quanto à inobservância do teor da Portaria MF 356/88, a seguir em parte transcrita. I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. (grifos meus) I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) Consta da Informação Fiscal, folha 204, que o ajuste cambial referese a variação ocorrida até o embarque da mercadoria. Correção do valor do crédito. Taxa Selic No que se refere ao pedido de correção do valor do crédito pela Taxa Selic, vêse tratarse matéria preclusa, já que em nenhum momento posterior foi requerida nos autos, razão pela qual é assunto que não deve ser apreciado. Conclusão VOTO pelo parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de exclusão das receitas provenientes da revenda de insumos no cálculo da Receita Operacional Bruta no período de 26 a 31 de março do ano de 2003 e para reconhecer o direito à inclusão da receita decorrente valor da variação cambial ocorrida até a data do embarque das mercadorias. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Em relação ao bem fundamentado voto do i. Relator, a divergência cingese apenas à glosa dos créditos calculados sobre os valores das navalhas utilizadas no corte do couro, considerada a principal matériaprima utilizada no processo de produtivo da recorrente. É evidente que referidas navalhas atendem plenamente o conceito de produto intermediário de que trata os Pareceres CST 181/74 e 65/79, pois tais bens, embora não se integrando ao produto fabricado, inequivocamente, eles foram consumidos na operação de Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 industrialização do produto final exportado, em decorrência do evidente contato físico que exerce diretamente sobre o produto fabricado, ou por este diretamente sofrido. Portanto, é evidente que as referidas navalhas sofrem desgaste, desbaste, o dano e perda de propriedades físicas em decorrência da sua ação direta sobre o produto fabricado, ou deste sobre elas. Portanto, tais bens atendem plenamente o conceito de produto intermediário lato sensu de que definido pelo Parecer CST 181/74, nos itens 10 e 11. Além disso, assiste razão ao nobre Relator, quando afirma que argumentação da empresa apresentada em sede de recurso voluntário era bastante semelhante à utilizada desde as primeiras respostas aos esclarecimentos solicitados pela fiscalização, no sentido de que, em face das características próprias do mercado calçadista, as formas, moldes e navalhas não podiam ser utilizados em outros tipos de encomenda, mas apenas na fabricação daquele produto específico. Com efeito, somente no recurso voluntário em apreço, especificamente, nos itens 28 a 30 da peça recursal, a recorrente apenas moldes e formas apresentam tais características. Senão, leiase os excertos a seguir transcritos: 28. Devese salientar a impossibilidade de reaproveitamento dos moldes e formas para outros tipos de calçados onde os materiais utilizados no calçado "A" não podem ser utilizados no calçado "B", podendo ser utilizados apenas para o lote da encomenda prevista. 29. Só podem ser usados, pois para o lote da encomenda. Não há serventia posterior. Isso é tão evidente que a empresa contratada para fabricar o lote encomendado, fica impedida de utilizar ditas fôrmas e moldes na fabricação de qualquer outra quantidade do mesmo modelo para terceiros. O encomendante, pois, é o dono do desenho, com proteção legal, nos termos da legislação sobre desenhos industriais. 30. Sendo então considerados os custos e sendo tais materiais como insumos consumidos no processo fabril, os custos dos mesmos são incorporados ao produto final, devendo então serem considerados para fins de compensação. (grifos não originais) Dessa forma, diferentemente das formas e moldes, entendese que as navalhas atendem adequadamente ao conceito de produto intermediário, em sentido lato, logo, a recorrente faz jus ao valor do crédito presumido do IPI, calculado sobre os valores de aquisição das navalhas utilizadas no seu processo produtivo. Com base nessas considerações, votase pelo restabelecimento do valor do crédito presumido do IPI calculado sobre o valor das referidas navalhas, que foram utilizadas no processo produtivo da recorrente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.900130/200674 Acórdão n.º 3102002.136 S3C1T2 Fl. 8 13 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 p or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13603.000627/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
Ementa:
DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO - O pedido de ressarcimento cujo objeto seja uma sentença judicial sem o trânsito em julgado, deverá ser indeferido, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. Por consequência, as compensações a ele vinculadas não poderão ser homologadas.
Numero da decisão: 3402-002.402
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente). Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo(Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente). Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo(Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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Por consequência, as compensações a ele vinculadas não poderão ser homologadas. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente). Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo(Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 06 27 /2 00 1- 11 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 1º/2001, no valor de R$ 135.066,44, formalizado em 07/05/2001, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 3/4. Vinculada ao pedido de ressarcimento formalizado por intermédio do presente processo administrativo foi(ram) transmitida(s), em 31/08/2004, a(s) DCOMP(s) nº 8355.51240.310804.1.3.015077 [fls. 72/75]. A solicitação foi inicialmente deferida [Despacho Decisório de fls. 76/78, de 05/12/2005, tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 71] que propôs o deferimento integral do valor solicitado e a homologação da(s) DCOMP(s) 8355.51240.310804.1.3.015077. Realizada a compensação e extinto o débito compensado foi o presente processo arquivado, conforme Extrato de Encerramento/Termo de Arquivamento de fls. 84, tendo sido depois desarquivado [fl. 85]. Posteriormente, em 22/09/2010, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG [fls. 147/148], inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi o presente processo [juntamente com diversos outros que tratam da mesma matéria] encaminhados por meio do despacho de fls. 86 à Seção de Fiscalização para análise. Resultou daí o Despacho de Instrução de fls. 87/93, que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125, em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 206 3 matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, um vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foram juntados, conforme Termo de fl. 146, os elementos de fls. 94/145 relativas a cópias do processo 13603.002736/200750, a seguir discriminados: • Fl. 94– Capa do processo 13603.002736/200750, gerado para tratamento manual do PER Residual n 19302.14429.080607.1.1.019503, transmitido para utilizar o saldo de R$ 64.236,72; • Fls. 95/96 – PER Residual nº 19302.14429.080607.1.1.019503; • Fls. 97/116 DCOMPs nº 32452.75544.080607.1.3.014110, 16536.94095.150607.1.3.010582, 16536.94095.150607.1.3.010582, 42290.91300.200607.1.3.014758, 37538.05347.290607.1.3.013620 e 19014.19187.100707.1.3.019850, vinculadas ao PER Residual; • Fls. 118/120 – Despacho Decisório DRF/CON nº 1.054 de 31/08/2007, que homologou as DCOMPs acima, vinculadas ao PER Residual; • Fls. 126/128 – Extrato de Encerramento/Arquivamento do Processo; • Fl. 129 – Desarquivamento do Processo; • Fl. 130 – Encaminhamento do processo à Seção de Fiscalização para análise, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG, inserido no processo nº 13603.000572/200815; • Fls. 131/137 – Despacho de Instrução Safis; • Fls. 138/139 – Despacho Decisório DRF/CON nº 1.509, de 26/11/2010, que anulou o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.054; Na seqüência foi juntada cópia do Despacho nº 009, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora [fls. 147/148]. Em seguida foi juntado ao presente processo o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, de 26/11/2010, fls. 149/158 proferido nos autos do processo nº 13603.000572/200815 [processo tomado como paradigma para análise da situação da pessoa jurídica], que conclui, dentre outros pontos, pela ANULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON de Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 207 4 05/12/2005 [fls. 76/78] que havia reconhecido o direito creditório e homologado as DCOMPs 8355.51240.310804.1.3.015077; pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento residual– PER 19302.14429.080607.1.1.019503 e pela não homologação das declarações de compensação – 32452.75544.080607.1.3.014110, 16536.94095.150607.1.3.010582, 16536.94095.150607.1.3.010582, 42290.91300.200607.1.3.014758, 37538.05347.290607.1.3.013620 e 19014.19187.100707.1.3.019850, sob os seguintes fundamentos, em síntese: • tendo demonstrado os efeitos da decisão judicial transitada em julgado dentro da esfera administrativa, notadamente em relação aos processos n.° 13603.001578/200125 e n.° 13603.000708/9837, a Seção de Fiscalização se manifesta novamente pela impossibilidade da pessoa jurídica aproveitar créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois, inexistindo a relação jurídicotributária entre a União e o sujeito passivo por força da decisão judicial, este não pode se beneficiar apenas dos benefícios desta relação; • a constatação da existência da decisão judicial transitada em julgado declarando que a atividade exercida pela sociedade empresarial não se sujeita ao IPI, implica na Revisão de Oficio dos Despachos Decisórios que reconheceram créditos de ressarcimento de IPI em favor da Editora Alterosa Ltda; • o fato de o sujeito passivo possuir decisão judicial declarando a inexistência da relação jurídico tributária entre as atividades desenvolvidas pelo mesmo e o campo de incidência do IPI o desqualifica da condição de contribuinte deste tributo. Portanto, o interessado não se sujeita a nenhuma norma atinente ao IPI; • o sistema de crédito consiste em atribuir ao contribuinte do IPI o imposto relativo aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Portanto, não sendo o interessado contribuinte do IPI por força de decisão judicial e inexistindo a relação jurídico tributária entre ele e a Unido Federal, não há, nestas circunstâncias, previsão legal para utilização de créditos de IPI pelo sujeito passivo; • a opção pela compensação de débitos se restringe àqueles contribuintes que apurem crédito do imposto passível de restituição ou de ressarcimento. No presente caso, não foi apurado crédito passível de restituição, tampouco de ressarcimento; sequer existe a possibilidade da apuração de qualquer tipo de crédito, haja vista que o interessado é possuidor de decisão judicial transitada em julgado que o desqualifica da condição de contribuinte do IPI; • quanto à Solução de Consulta 288, citada pelo interessado em sua manifestação de inconformidade, temse que a mesma foi Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 208 5 obtida pelo fato de o consulente de ter omitido a informação sobre a existência de decisão judicial anterior declarando a inexistência de relação jurídico tributária relativa ao IPI entre a União Federal e a Editora Alterosa Ltda; • reafirmando este entendimento, fazse necessário citar o Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, contido no processo 13603.721576/201047, motivado por Representação formalizada pela DRF/CONTAGEM dirigida ao chefe da DISIT/SRRF 06 para que fosse analisada a anulação da citada Solução de Consulta. Após análise, a DISIT/SRRF 06 assim concluiu: A vista do exposto, entendese que a consulta formulada (fls. 10/13) deve ser declarada ineficaz, considerando que o fato nela exposto foi objeto de decisão judicial anterior proferida em litígio em que foi parte a consulente, conforme art. 52, inc. IV, do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF) e art. 15, inc. VI, da IN RFB n.°230/2002". "Em consequência e com base nos fundamentos acima, entende se que deve ser declarada nula a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004 (fls. 14/16), com efeitos retroativos (ex tunc), tendo em vista ferir frontalmente a legislação da espécie, uma vez que prolatada em resposta a consulta ineficaz, em que a consulente, proferindo declaração inverídica, omitiu o fato de que possuía decisão judicial transitada em julgado em seu favor cujo objeto tem relação direta com o fato exposto na consulta, na data de sua apresentação". • no intuito de atender ao principio da economia processual e dar celeridade às demais decisões relacionadas a processos distintos do mesmo interessado que, pela matéria, vinculamse à presente análise, o cancelamento dos atos administrativos que reconheceram créditos de IPI relativos a outros períodos de apuração em favor da Editora Alterosa Ltda será efetivado pelo presente Despacho Decisório, juntamente com o indeferimento dos mesmos, bem como as decisões referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensação ainda pendentes de decisão administrativa. • por todo o exposto, e com base nas informações trazidas pelo Termo de Informação Fiscal da SAFIS da DRF/CONTAGEM, proponho: • que sejam anulados os Despachos Decisórios que enumera • que sejam indeferidos os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER)que enumera • que sejam consideradas não homologadas as compensações apresentadas pelas seguintes Declarações de Compensação (DCOMPs)que enumera. Cientificado do referido despacho decisório [nº 1.376/DRF/CON] em 29/11/2010 [fl. 158] manifestou a interessada a sua inconformidade em 20/12/2010 por intermédio do arrazoado de fls. 159/169, no qual: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 209 6 . inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS. . alega que a mudança de entendimento manifestada no despacho decisório que anulou o despacho anterior só ocorreu depois que ela obteve êxito nos processos 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, denotando retaliação pela vitória; questiona o por quê da exigência do IPI da empresa em 1998 e 2001 e do deferimento dos ressarcimentos se a decisão judicial transitada em julgado existe desde 1984 e conclui que o Fisco alterou sua visão somente quando se viu impedido de cobrar o IPI da defendente; . argumenta, mencionando o art. 146 do CTN [a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução] e o art. 2ºXIII da Lei nº 9.784/99 [que veda a aplicação retroativa de nova interpretação], que a nova opinião só pode valer para o futuro; . reproduz excertos de doutrina, jurisprudência do Conselho de Contribuintes e dos Tribunais que entende favoráveis à sua tese; . pondera que “como a mudança de entendimento da DRF/Contagem acerca da caracterização da contribuinte como mera prestadora de serviços só foi externada em 29/11/2010, todos os pedidos de ressarcimento e de compensação formalizados até essa data estão albergadas pelo entendimento anterior, razão pela qual ela faz jus ao aproveitamento dos créditos de IPI previstos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 pelo menos até 29/11/2010”; . acrescenta, ainda, que “por ter classificado a contribuinte como indústria e ter conferido a ela os ônus e os bônus dessa categorização (autuações por suposta fabricação de cartões de crédito com tarja magnética e, na outra ponta, deferimento do aproveitamento dos créditos de IPI descritos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99), a revisão desse enquadramento e o deslocamento da contribuinte para um status diferente caracteriza um erro de direito (erro na caracterização jurídica dos fatos), o qual, como demonstrado, não enseja o revolvimento de situações passadas e já definitivamente constituídas, motivo pelo qual todos os ressarcimentos, compensações e atos praticados pela empresa Fl. 391DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 210 7 até 29/11/2010 permanecem regidos pelo entendimento (critério jurídico) anterior”; . requer, ao final, que esta DRJ cancele o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.376/2010 e, com isso, (i) restabeleça os despachos decisórios que reconheceram créditos de IPI, (ii) valide todos os ressarcimentos de IPI pedidos (inclusive os eletrônicos) e (iii) homologue as compensações feitas. Nestes termos vieram os autos, em 29/11/2011, a esta Terceira urma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento. Em vista da informação recebida da Saort/DRF/CON/MG, por telefone, acerca da obtenção, pela pessoa jurídica, de sentença favorável em mandado de segurança [processo nº 89641.31.2010.4.01.3800] impetrado em 15/12/2010, anexada às fls. 264/270 do processo nº 13603.721576/201047 [no qual foi formalizada a Representação para Cancelamento da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 288/2004] esta Relatora entendeu por bem anexar dito documento ao presente processo [fls. 183/189]. Este, em apertada síntese, o relato dos fatos que antecederam o presente julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 39.681, de 30 de março de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 RESSARCIMENTO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, cabendo, nessa situação, ser indeferido o pleito. COMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação (DCOMP) a que se refere. Se transcorridos cinco anos da entrega da DCOMP sem que o Fisco manifeste seu juízo homologatório, ou se tal manifestação tiver sido posteriormente anulada por decisão proferida depois Fl. 392DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 211 8 de transcorrido o referido prazo quinquenal, a homologação tácita, por decurso de prazo, operase sobre a compensação declarada. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Termina sua petição recursal pedindo a reforma da decisão combatida para fins de desconsiderar o disposto no Despacho Decisório nº 199, da DISIT/DRRF06, por força de decisão judicial de efeitos imediatos e reconhecer o direito de crédito da recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que fico autorizado a enfrentar o mérito da lide. Conforme já relatado, a questão posta nos autos diz respeito exclusivamente a nulidade do despacho decisório que cancelou a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288, de 17 de agosto de 2004. O recorrente alega que possui o direito ao ressarcimento pleiteado por força da sentença em sede de Mandado de Segurança que restabeleceu a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288/2004 e, por consequência, assegurou o direito ao ressarcimento dos créditos do IPI destacados nas notas fiscais de compra de insumos utilizados na prestação de serviços gráficos. A Turma da DRJ Juiz de Fora entendeu que sem o trânsito em julgado da sentença não há direito líquido e certo, inviabilizando o deferimento do ressarcimento requerido. Delimitado o litígio, passo à análise. O ponto fulcral a ser enfrentado é a possibilidade de uma decisão sem trânsito em julgado ser objeto de um pedido administrativo de ressarcimento. O recorrente possui uma sentença apelada com efeito apenas devolutivo e busca executar administrativamente a decisão. Assim sendo, estamos diante de uma pretensa execução provisória contra a Fazenda Pública. Entendo não ser possível execução provisória contra Fazenda Pública, em vista de que a fórmula da execução contra a Fazenda Pública não se coaduna com os princípios norteadores da execução provisória. Outro fato importante é que diante do caráter definitivo da expedição do precatóriorequisitório, verdadeiro pagamento da obrigação executada, não há de se falar em provisoriedade da execução. E, por derradeiro, não se pode sobrepujar o interesse público em face de um pretenso direito do particular, ainda sujeito a alterações. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 212 9 Noutro giro, importante ressaltar que a Lei nº 9.430/96 coíbe o ressarcimento de valores reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da ação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Essa regra se baseia na necessidade de liquidez e certeza do crédito para que possa ser ressarcido valores do cofre do Estado. A liquidez caracterizada pela quantificação em moeda corrente do País e a certeza identificada pela incontestável existência e natureza tributária deste mesmo crédito. A sentença sem o trânsito em julgado, ou seja, enquanto sujeita a recurso, não passa de uma situação jurídica. Os efeitos próprios da sentença só ocorrerão no momento em que não mais será mais suscetível de reforma por meio de recursos. Neste instante, fará coisa julgada material, tornandoa imutável e indiscutível. Quanto a compensação de créditos tributários com créditos oriundos de decisão judicial sem trânsito em julgado, entendo necessárias breves linhas acerca da compensação tributária. No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 394DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 213 10 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” Com essas considerações, é lícito concluir que uma sentença sem o trânsito em julgado não poderia ser objeto de um eventual processo de compensação por vedação expressa do art. 170 do CTN, por lhe faltar a condição de liquidez e certeza. Desta forma, o contribuinte não poderá utilizar o crédito de tributo judicialmente contestado antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, uma vez em trâmite a ação que lhe garantiria o crédito pleiteado, segundo a imperatividade das regras calcadas nos art. 170 do CTN, não se torna possível o incidental aproveitamento do crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado. Diante desses fundamentos jurídicos e legais, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, 22/07/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Declaração de Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA A par das judiciosas razões expendidas pelo ínclito relator, impetro vênia para expor as razões que sustentam minhas conclusões pelo improvimento do recurso, face à pela inocorrência dos pressupostos legais ao direito de crédito pleiteado. Tratandose de questão afeta a direito de crédito, inicialmente impõese delimitar o campo de incidência do IPI e do conseqüente campo de aplicação do princípio da não cumulatividade (art.153, Inc.IV e § 3º, alínea "b"; art. 49 do CTN), que obviamente não se aplica quando as operações são praticadas no âmbito do campo de incidência de outros impostos não sujeitos ao referido princípio. Como é elementarmente sabido, coerente com os princípios que informam a estrutura do Estado Federal, a Constituição brasileira estabeleceu um sistema de discriminação de competências tributárias, presidido pelos princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências, através do qual se enumeram taxativamente quais os tributos cuja instituição é Fl. 395DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 214 11 autorizada a cada ente federado, definindoos em função de campos de imposição delimitados pela referência aos fatos econômicos que os caracterizam, de tal forma que a competência tributária dos entes federados só pode ser exercida em relação aos tributos autorizados, nos estritos limites (materiais e territoriais) dos respectivos campos de imposição, na forma e nas condições autorizadas pela Constituição, vigorando a parêmia de que é proibido o que não é expressamente autorizado (“prohibita intelliguntur quo non permissum”). Como também é curial e esclarece Amílcar de Araújo Falcão, da atribuição da competência tributária privativa, necessariamente provém uma “dúplice decorrência”. “Em primeiro lugar, a atribuição de competência privativa tem um sentido positivo ou afirmativo: importa em reconhecer a uma determinada unidade federada a competência para decretar certo e determinado imposto. Em segundo lugar, da atribuição de competência privativa decorre um efeito negativo ou inibitório, pois importa em recusar competência idêntica às unidades outras não indicadas no dispositivo constitucional de habilitação: tanto equivale a dizer, se pudermos usar tais expressões, que a competência privativa é oponível erga omnes, no sentido de que o é por seu titular ou por terceiros contra quaisquer outras unidades federadas não contempladas na outorga.” (cf. Amílcar de Araújo FALCÃO, in “Sistema Tributário Brasileiro Discriminação de Rendas”, Edições Financeiras S/A, 1ª Ed., 1965, pág. 38). Fixadas estas elementares premissas decorrentes do sistema tributário adotado, já de início verificase que ao interpretar a discriminação constitucional de competências tributárias, tanto a Suprema Corte como o Superior Tribunal de Justiça, há muito já assentaram unissonamente que a atividade de composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia se insere na competência tributária privativa dos Municípios (CF/88, art. 156, inc. III) para tributar os serviços composição gráfica, expressamente previstos na lista de serviços definidos em Lei Complementar (cf. item 77 da lista anexa ao DL nº 406/68; item 77 da lista anexa à LC nº 56/87; item 13.05 da lista anexa à LC nº 116/03), que “é taxativa, ou limitativa, e não simplesmente exemplificativa, (...), embora comportem interpretação ampla os seus tópicos”. (cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 361.829RJ, em sessão de 13/12/05, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 24/02/06, pág. 51, EMENT VOL0222203 PP00593 e in LEXSTF v. 28, n. 327, 2006, p. 240257). Na mesma ordem de idéias, já na vigência da Constituição de 1988, a Súmula 156 do STJ sedimentou o entendimento no sentido de que “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” (cf. Súmula 156 da 1ª SEÇÃO do STJ, em sessão de 22/03/96, DJU de 15/04/96 p. 11631, in RSTJ vol. 86/135 e in RT vol. 726/168). Corroborando esse entendimento, verificase que ao definir o campo de incidência do IPI, o próprio RIPI/02, no § único do art. 2º (art. 2º, § único do RIPI/98) explicita que: “Art. 2º(..) Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributado) (Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, art. 6º).” Fl. 396DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 215 12 Por seu turno, verificase que na aplicação destes preceitos de inegável juridicidade e sob invocação do mesmo fundamento (competência privativa Municipal para tributar os serviços composição gráfica), é torrencial e indiscrepante a Jurisprudência Judicial da Suprema Corte e do STJ, proclamando a não incidência ou exclusão da tributação do ICMS e do IPI sobre a referida atividade, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. Utilização em produtos vendidos a terceiros. a feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, e atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (cf. AC da 1ª Turma do STF no RE 111566SP, em sessão de 25/11/86, Rel. Min. RAFAEL MAYER Publicação, publ. in DJU de 12/12/86, pág. 24667 EMENT VOL0144503, pág. 383) “TRABALHOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS E REALIZADOS MEDIANTE ENCOMENDA. A circunstancia de serem utilizados, pelo cliente, na embalagem de produtos de sua fabricação, vendidos a terceiros, não desfigura a sujeição da atividade da empresa gráfica ao imposto sobre serviços. precedente do Supremo Tribunal: RE106.069, (RTJ115/1.419). Recurso Extraordinário provido para restaurar a sentença que acolheu os embargos a execução fiscal.” (cf. AC. da 1ª Turma do STF no RE nº 110.944SP, em sessão de 30/09/86, REl. Min. Octavio Gallotti, publ. in DJU de 24/10/86, pág 20326, EMENT VOL0143805, pág. 1001) RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. (...) A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Fl. 397DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 216 13 Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Tanto isso é exato que, se forem embaralhadas as entregas, com a troca de destinatários, um estabelecimento não poderá servir se da encomenda de outro, que veio ter a suas mãos por mero acaso ou acidente de percurso. Dissídio jurisprudencial configurado quanto ao mérito. Recurso especial provido. (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 437.324RS, REg. nº 2002/00548208, em sessão de 19/08/03, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 22/09/03 p. 295RT vol. 821 p. 191) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. 1. O ICMS não incide sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Outrossim, é cediço no STJ que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomendas (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 1.092.206/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que não incide ICMS sobre os serviços de composição gráfica. Isto porque: "As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Conseqüentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção." Fl. 398DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 217 14 4. Agravo regimental desprovido. (cf.Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag nº 1071523SP Reg. nº 2008/01441541, em sessão de 18/08/09, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 14/09/09) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg nº REsp 966184RJ, Reg. nº 2007/01571231, em sessão de 03/04/08, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, publ. in DJU de 19/12/08 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO INCIDÊNCIA EXCLUSIVA DO ISS. NÃOINCIDÊNCIA DO IPI. CONCEITO DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. MATÉRIA DE ÍNDOLE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL VIOLAÇÃO DOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O conceito de produto industrializado é pressuposto pela Constituição Federal que, como de sabença, utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, pelo que implícita a norma do art. 110 do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 2. Consectariamente, qualificar como produto industrializado aquele que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional. 3. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I Importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; (...)." 4. Deveras, a conceituação de produto industrializado encarta se na mesma competência que restou exercida pela Corte Suprema na análise prejudicial dos conceitos de faturamento e administradores e autônomos para os fins de aferir hipóteses de incidência, mercê de a discussão travarse em torno da Fl. 399DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 218 15 legislação infraconstitucional que contemplava essas categorizações, reproduzindo as que constavam do texto maior. 5. Sobressai, desta sorte, imprescindível a manifestação da Corte Suprema sobre o thema iudicandum, suscitado de forma explícita ou implícita em todas as causas que versam sobre a competência tributária da União, essência manifesta das decisões que tem acudido ao E. STJ. 6. Ademais, a circunstância de o fato gerador vir estabelecido em legislação tributária que não Lei Formal e concluirse pela inaplicabilidade da mesma, não significa violar os arts. 96 e 110 do CTN, tanto mais que aos mesmos não se referiu o aresto recorrido e por isso ausente o prequestionamento. 7. Recurso especial não conhecido. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 817182RJ, Reg. nº 2006/00252577, em sessão de 28/11/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 08/03/07 p. 170) Dos preceitos expostos resulta claro que por força de expressas disposições da discriminação de competências constitucionais (art. 156, inc. III, § 3º; art. 155, inc. II, § 2º, incs.VII, X, alínea “d” e XI; e art. 153, inc. IV, § 2º) e dos princípios dela decorrentes (princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências), estes últimos regularmente estabelecidos pela Lei Complementar (LC 116/03, item 13.05) nos expressos termos do art. 146 da CF/88, o produto industrializado pela da Recorrente ("Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem") está fora do campo de incidência do IPI e do ICMS, posto que expressa e privativamente inserido no campo de incidência do ISS, tal como já proclamado pela Jurisprudência cristalizada nas Súmulas nº143 do extinto TFR e nº 156 do E. STJ, esta última editada já na vigência da atual Constituição e portanto aplicável também ao IPI, conforme proclamado nos arestos retro citados. Encontrandose a saída do produto confeccionado pela Recorrente fora do campo de incidência do IPI, já de início não há como se cogitar da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador, vez que o RIPI/02 expressamente veda a escrituração de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, dispondo em seu art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” (arts. 171 e 174 do RIPI/98) que: “Art. 190. Os créditos serão escriturados, pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. (...) Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 219 16 “Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I – relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não tributados”. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 33/99, de 4/03/99, expressamente dispôs que : “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...). § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...).” Assim, achandose expressamente excluída do campo de incidência do IPI, data vênia, verificase que ao realizar as operações com produto NT a Recorrente não só não detém qualquer direito a créditos de IPI relativos às aquisições de insumos (MP, PI e ME ainda que isentas ou tributadas à alíquota zero), nem só se acha legalmente impedida de escrituralos, como está legalmente obrigada a estornalos (art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do atual RIPI/02 arts. 171 e 174 do RIPI/98). Pelas mesmas razões e, diante da impossibilidade legal e fática sequer de efetuar o suposto “crédito”, quanto mais de acumular “saldos credores” de IPI sobre o produto excogitado, verificase que os hipotéticos “saldos credores” vislumbrados pela ora Recorrente, não poderiam ser passíveis de restituição ou ressarcimento por absoluta ausência dos pressupostos legais à sua concessão (Lei n. 9.779/99, art. 11; Lei 9.430/96, art. 74, § 3º na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do RIPI/02 e art. 2º § 3º da IN/SRF nº 33/99) e, muito menos poderseia cogitar de sua “utilização” para a compensação ou quitação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela SRF, tal como açodadamente supôs a ora Recorrente. Nesse sentido a Jurisprudência do antigo 2ª CC, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante apenas o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. SAÍDA DO PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. ESTORNO DO IMPOSTO.Mesmo com o advento da Lei nº 9.779/99, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na Fl. 401DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000627/200111 Acórdão n.º 3402002.402 S3C4T2 Fl. 220 17 industrialização de produtos que não sejam tributados, deve ser anulado mediante estorno (IN SRF nº 33/99, art. 2º, § 3º). (...) .Recurso negado. (cf. ACÓRDÃO 20178890 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 129471, Proc. nº 13682.000026/0088, em sessão de 07/12/2005, Rel.Cons. Maurício Taveira e Silva, publ. in D.O.U. de 15/02/2007, Seção 1, pág. 54.) Releva, finalmente, notar que a atividade tratada nestes autos (serviços de confecção de “Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem” sob encomenda e para uso exclusivo do encomendante), não se confunde com a atividade gráfica em escala industrial de artefatos não personalizados (tais como blocos, cadernos, formulários, livros fiscais, baralhos etc.), cujas saídas do estabelecimento industrializador estão inseridas no campo de incidência do IPI. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao do presente Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida, que se conforma com a lei e com a jurisprudência judicial e desde E. Conselho. É o meu voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918319/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 19 /2 01 2- 17 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918319/201217 Acórdão n.º 3801003.466 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918319/201217 Acórdão n.º 3801003.466 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918319/201217 Acórdão n.º 3801003.466 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918319/201217 Acórdão n.º 3801003.466 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918319/201217 Acórdão n.º 3801003.466 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910087/2011-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/2003
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/09/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 108 1 107 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.910087/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.450 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Receitas Financeiras Recorrente MAKITA DO BRASIL FERRAMENTAS ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 87 /2 01 1- 13 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910087/201113 Acórdão n.º 3801003.450 S3TE01 Fl. 109 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910087/201113 Acórdão n.º 3801003.450 S3TE01 Fl. 110 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910087/201113 Acórdão n.º 3801003.450 S3TE01 Fl. 111 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910087/201113 Acórdão n.º 3801003.450 S3TE01 Fl. 112 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910087/201113 Acórdão n.º 3801003.450 S3TE01 Fl. 113 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910087/201113 Acórdão n.º 3801003.450 S3TE01 Fl. 114 7 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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