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Numero do processo: 10830.008151/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA. ART. 150, §4ª DO CTN. SÚMULA CARF 99.
"Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração."
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DEMAIS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR.
Somente será nulo por vício material o lançamento que não apresentar de forma satisfatória os elementos essenciais para caracterização do fato gerador imputado.
Numero da decisão: 9202-007.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para declarar a nulidade por vício formal relativamente aos levantamentos "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores", vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA. ART. 150, §4ª DO CTN. SÚMULA CARF 99. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DEMAIS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. Somente será nulo por vício material o lançamento que não apresentar de forma satisfatória os elementos essenciais para caracterização do fato gerador imputado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para declarar a nulidade por vício formal relativamente aos levantamentos "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores", vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 81 51 /2 00 7- 71 Fl. 603DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de autuação para cobrança de contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, decorrentes de pagamentos a segurados que prestaram serviços na condição de membros da Administração (Diretoria e Conselheiros não empregados). Nos termos do relatório fiscal: As bases de cálculo das contribuições patronais são as constantes do Relatório de Lançamentos RL e do Discriminativo Analítico do Débito DAD, entregues em meio digital à empresa devidamente autenticado pela Fiscalização, conforme comprovante anexo, sendo apuradas diferenças com base na escrituração contábil da empresa, decorrentes de remuneração direta e indireta (utilidades) dos diretores e conselheiros não empregados, mediante análise das seguintes contas contábeis e documentação correspondente: Código Nome da conta contábil 6151020101 HONORÁRIOS (remuneração direta) 6151020103 ADICIONAIS (remuneração direta) 6151020104 ABONO SALARIAL (remuneração direta) 6151020203 INSS ADMINISTRADORES (remuneração indireta) 6151020604 ASSIST MED HOSPITALAR (remuneração indireta) 6151020605 ASSIST ODONTOLóGICA (remuneração indireta) 6151020607 VALE REFEIÇÃO (remuneração indireta) 6151020612 AUX ODONT TAXA AD (remuneração indireta) O lançamento compreende o período de 01/08/1999 a 30/04/2006, tendo o contribuinte sido intimado em 21/12/2006. Após o trâmite processual, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para além de declarar, com base no art. 150, §4º do CTN, a Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10830.008151/200771 Acórdão n.º 9202007.347 CSRFT2 Fl. 604 3 decadência do lançamento até a competência de 11/2001, anular o lançamento por vício material. O Acórdão 2401002.386 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2006 RELATÓRIO FISCAL DO LANÇAMENTO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra/explicita de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE N. 08 STF SALÁRIO INDIRETO O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Lançamento Fiscal Anulado Intimada da decisão da Fazenda Nacional interpôs recurso especial o qual foi recebido em relação a duas matérias: 1) Decadência pela regra do art. 173, I do CTN. Citando como paradigmas os acórdãos nº 240200.362 e 20177572, defende a Recorrente que quando a empresa nem mesmo reconhece determinada rubrica como fato gerador da obrigação tributária (hipótese dos autos), aplicase a regra do art. 173, I do CTN, dado que, por óbvio, não houve qualquer recolhimento àquele título, e 2) Natureza do vício. Com base no acórdão paradigma nº 20309332 defende que a imprecisa descrição dos fatos pela autoridade fiscal acarreta a nulidade do lançamento por vício formal. Fl. 605DF CARF MF 4 O contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Vejamos cada uma das matérias devolvidas a esse Colegiado. Da decadência: No que tange ao reconhecimento da decadência, lembramos que o lançamento originalmente se referia a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes recolhida a menor por não ter o contribuinte incluído na respectiva base de cálculo verbas pagas aos segurados contribuintes individuais a título de "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores". O lançamento compreende o período de 01/12/1999 a 31/12/2002, tendo o contribuinte sido intimado em 21/12/2006. Discutese por meio do presente recurso se haveria nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, do tributo cobrado. Tal discussão é relevante na medida em que, após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de para aqueles tributos classificados no modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10830.008151/200771 Acórdão n.º 9202007.347 CSRFT2 Fl. 605 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Fl. 607DF CARF MF 6 Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar como termo inicial da decadência a data da ocorrência do fato gerador se faz necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10830.008151/200771 Acórdão n.º 9202007.347 CSRFT2 Fl. 606 7 Ora, tratandose de lançamento onde se exige apenas a diferença da valores em razão reclassificação da parcelas como remuneratórias, devese concluir que o Contribuinte efetuou pagamentos em razão do mesmo fato gerador discutido, qual seja, contribuição previdenciária incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditas à pessoa física que lhe tenha prestado serviços (art. 22 da Lei nº 8.212/91). Tais recolhimentos, por força da Súmula CARF nº 99 atraem a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Do Vício: A segunda matéria envolve a discussão acerca da natureza do vício declarado pelo acórdão recorrido. No entendimento da turma a quo a ausência da descrição precisa dos fatos cerceou o direito de defesa do Contribuinte, devendo o lançamento ser julgado improcedente por vício material. Vale transcrever parte das conclusões do Redator do voto vencedor: Apreciando com atenção os termos do relato do fisco, hei de concordar com a recorrente. Vejo que os valores de saláriode contribuição foram obtidos diretamente da contabilidade e o fisco incluiu na apuração valores que chamou de remuneração direta (honorários, adicionais e abono salarial) e de remuneração indireta (INSS Administradores, assistência médica e odontológica e vale refeição). Ocorre que não foram acrescentadas quaisquer informações adicionais, com um maior grau de detalhamento, que possibilitasse o entendimento da narrativa acerca dos fatos geradores tomados na apuração. Observese que a mera nomenclatura utilizada no plano de contas não é suficiente para que se conclua a acerca da incidência de contribuições sobre os valores contidos na contas analisadas pela Autoridade Notificante. A conta denominada “Adicionais”, verbi gratia, pode agrupar um sem número de registros que, somente pela sua denominação, não justifica a tributação sem maiores investigações. De outra banda, também a título exemplificativo, a verba denominada “Assistência Médico Hospitalar”, dependendo da forma como era paga, poderia ou não sofrer tributação. Explico. Nos termos da alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, tais dispêndios do empregador somente estariam sujeitos à tributação, caso ficasse demonstrado que os mesmos não eram extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa. Nesse último caso, há de se convir que a mera citação do título contábil, sem maiores esclarecimentos acerca das circunstâncias em que ocorreram os pagamentos, não satisfaz o critério de clareza exigidos para a caracterização dos fatos geradores de contribuições. Fl. 609DF CARF MF 8 ... Sem dúvida, a falta de detalhamento acima apontada, retirou do relatório fiscal da NFLD a clareza e precisão exigidos pela norma acima, se não impossibilitando, mas, certamente, prejudicando sobremaneira o direito de defesa do sujeito passivo. Outro fato que denuncia a precariedade dos argumentos do órgão acusador é a falta de demonstração de quais guias de recolhimento foram aproveitadas na apuração fiscal. Observese que o órgão de julgamento da SRP expressamente determinou a verificação de guias acostadas com a defesa, ver fl. 142, todavia, o fisco na sua resposta, fls. 277/280, apenas afirmou que os documentos já tinham sido examinadas na auditoria, sem contudo, apresentar demonstrativo de que os mesmos foram efetivamente apropriados. Cabe salientar ainda que não foi acostado o discriminativo das guias de recolhimento apresentadas na ação fiscal, o qual é comumente utilizado com o mister de apresentar todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte no período auditado. Entretanto, com a devida vênia, é importante destacar que em relação aos levantamentos "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores", temos no Item 06 do Relatório Fiscal Complementar de efls. 291 (do o qual o contribuinte foi devidamente intimado) mais explicações acerca da motivação da exigência. Temos, ainda que de forma sucinta, apontamentos acerca da fonte de onde se extraíram os dados que fundamentaram a exigência. Tais dados acabam por caracterizar os elementos essenciais à formação da regra matriz de incidência. Vejamos a passagem do relatório fiscal: 6. Com relação ao solicitado As fls. 142 em relação As rubricas "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores", cumpre esclarecer que são contas lançadas regularmente no Plano de Contas e em despesas gerais da contabilidade da Notificada, no grupo contábil relativo aos Administradores, com incidência de contribuições previdenciárias nos termos da legislação vigente, não podendo a empresa alegar ignorância da lei e dos seus próprios registros, controles e atos de gestão, ressaltandose ainda que os lançamentos nas referidas contas foram minuciosamente descritas no RL Relatório de Lançamentos e lançadas no DAD Discriminativo Analítico do Débito, bem como seus códigos contábeis devidamente registrados no Relatório Fiscal (item 7), ou seja, no presente caso a empresa não tem nenhuma razão em suas alegações, pois as guias de recolhimento apresentadas já haviam sido verificadas pela Fiscalização e os valores ora apurados não foram tributados e recolhidos pela empresa. Para definição da natureza do vício se formal ou material devese analisar a questão sob o foco da existência de erro na norma utilizada para construção do lançamento, melhor dizendo, se a ausência da descrição do fato maculou a norma introduzida desobedecendo os critérios da regra matriz prevista no dispositivo legal aplicável. Havendo essa hipótese, estaremos diante de vício material. Tal entendimento se baseia nas lições do Professor Paulo de Barros Carvalho o qual já foi utilizado nesta Câmara Superior no Acórdão 9202004.329 da lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior o qual peço vênia para transcrever: Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10830.008151/200771 Acórdão n.º 9202007.347 CSRFT2 Fl. 607 9 Quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Cãmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzi la. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regra matriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (... ) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, Fl. 611DF CARF MF 10 e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. (...)" No presente caso, como dito, para os levantamentos "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores", diante das informações constantes do Relatório Fiscal Complementar de efls. 291, entendo que ser quer haveria vício, uma vez ser possível a perfeita identificação dos elementos que compõem a regra matriz de incidência do tributo. Entretanto, considerado a limitação da matéria recursal, restrita à classificação do vício, devese definir como formal o vício apontado para esses levantamos. Quanto as demais verbas, "Assist Med Hospitalar", "Assist Odontológica", Vale Refeição", "Aux Odont Taxa Ad", devese manter a classificação adotada pelo acórdão recorrido vício material. Nesses levantamos o Relatório Fiscal da NFLD, original ou complementar, não apresentam de forma satisfatória os elementos caracterizadores do fato gerador. Ora, não há nos autos, qualquer indicativo sobre a motivação da classificação dessas últimas rubricas como valores que compõem o salário de contribuição. Aqui o vício vai muito além dos aspectos formais ou da mera ausência de motivação ou descrição incompleta dos fatos, o que temos é a total ausência no relatório fiscal da indicação dos elementos que levam a concretização da norma descrita na regra matriz de incidência. Assim, diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para declarar a nulidade por vício formal apenas dos levantamentos "Honorários", "Adicionais", "Abono Salarial" e "INSS Administradores", permanecendo como material o vício apontado para os demais levantamentos. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 612DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.004740/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE.
A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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TEMPESTIVIDADE. RETORNO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Uma vez reconhecida, em sede de recurso voluntário, a tempestividade da impugnação, o processo deve ser devolvido à primeira instância de julgamento para que esta proceda à análise do mérito com o fim de se evitar supressão de instância. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO ELEITO. CONTRIBUINTE. A intimação por via postal será considerada efetiva quando for comprovada a entrega da notificação encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 47 40 /2 00 6- 71 Fl. 300DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0416.122 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, a qual, por intempestividade, não tomou conhecimento da impugnação referente ao imóvel rural denominado Lote 03 Santa Clara, com NIRF n° 6.413.6159, localizado no Município de Vila Rica MT (fls. 268/271 e 279/292). Do Lançamento Tributário No que diz respeito ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 269) mencionou o seguinte: Foi lavrado contra o contribuinte acima identificado, auto de infração de imposto territorial rural do exercício de 2002, no valor total de R$ 433.764,02 (quatrocentos e trinta e três mil, setecentos e sessenta e quatro reais e dois centavos) relativo ao imóvel denominado Lote 3 Santa Clara localizado no Município de Vila Rica MT n° de inscrição na Receita Federal 6.413.6159, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 01 a 11. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, reduzindo a zero as áreas de utilização limitada que o contribuinte alega serem áreas de preservação permanente, por falta de especificação e localização dessas áreas de preservação permanente no laudo técnico apresentado, além da falta do requerimento do ADA ao IBAMA. A autoridade fiscal verificou também a inexistência de averbação das áreas de reserva legal, e, desconsiderou a avaliação da terra nua apresentada por lhe faltar as condições mínimas para que o laudo técnico pudesse ser aceito. Quanto à produção vegetal que o contribuinte alega serem áreas de pastagens, foram aceitos 4.000 hectares de pastagens em quantitativo de um efetivo pecuário de 2.000 cabeças de animais conforme extrato do INDEA/MT, reduzindo se a zero a área de produtos vegetais. Com as alterações efetuadas, houve redução do grau de utilização, aumento da alíquota do imposto, aumento do imposto territorial rural e VTNT. Da Ciência ao Contribuinte Para efeito de notificação do lançamento do ITR/2002, consignado no auto de infração que consta no presente processo, foram encaminhadas ao contribuinte quatro correspondências, sendo três para o endereço do contribuinte e uma para o endereço do procurador, conforme avisos de recebimentos AR (fls. 161/163 e 165). Com o mesmo objetivo, em 14 de dezembro de 2006, houve a publicação do edital intimado o contribuinte para tomar ciência do referido auto de infração (fl. 164). Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10183.004740/200671 Acórdão n.º 2202004.948 S2C2T2 Fl. 301 3 Das correspondências encaminhadas contendo o auto de infração, constam os registros do efetivo recebimento do documento em dois avisos de recebimento. No AR referente ao documento que foi encaminhado para o endereço do procurador, consta a assinatura, mas não consta a data do recebimento (fl. 162), em outro AR, consta a assinatura e a data de 02 de janeiro de 2007 confirmando o recebimento do auto de infração (fl. 165). Em outros dois AR, não constam a assinatura e nem a data de recebimento das correspondências (fls. 161/163). Da Impugnação O contribuinte apresentou sua impugnação em primeiro de fevereiro de 2007, conforme documento anexado às folhas 175/189 e 265. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cuiabá/MT, encaminhou o processo para julgamento na DRJ/CGE, atestando a tempestividade da impugnação reconhecendo a data de ciência ao contribuinte em 02/01/2017, nos termos: "O contribuinte foi cientificado do AI em 02/01/2007, AR de fls. 144, impugnando tempestivamente a exigência em data de 01/02/2007, fls. 154." conforme termo de encaminhamento (fl. 265). Da Análise da Tempestividade pela DRJ/CGE A DRJ/CGE, quando analisou a tempestividade da impugnação, considerou como ciência a data de entrega do auto de infração no endereço do procurador e desconsiderou a data da entrega do auto de infração no endereço do contribuinte, nos seguintes termos (fl. 270): A impugnação foi apresentada intempestivamente, pois, a ciência do contribuinte do lançamento ocorreu em 22.12.2006, conforme AR de fls. 141, juntado nessa data, feita ao procurador devidamente constituído, fls. 28, que recebera a intimação preliminar e apresentou as alegações iniciais, conforme fls. 31 e 32 em 08.11.2005 e a impugnação somente foi apresentada em 01.02.2007, fl.s 154 a 168, quarenta dias após a regular ciência ao procurador. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Ao apreciar o caso em questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), por intempestividade, não tomou conhecimento da impugnação, conforme transcrição da ementa a seguir (fl. 268): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. A impugnação apresentada após trinta dias da ciência do lançamento ao contribuinte não cumpre um dos requisitos Fl. 302DF CARF MF 4 essenciais para ser conhecida, de conformidade com as normas de regência. Impugnação não Conhecida Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ/CGE, em 24/12/2008, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 276), apresentou, em 23/01/2009, recurso voluntário (fls. 278/292 e 296). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE contestando o não conhecimento da impugnação por intempestividade, afirmando que apresentou tempestivamente a sua defesa dentro do prazo legal, requerendo a reforma da decisão proferida DRJ/CGE e que seja declarada a tempestividade da sua impugnação (fl. 282): A decisão da DRJ/CGE deve ser reformada e declarada a tempestividade da impugnação, retornando os autos àquela Corte Administrativa para julgamento, pois contrária ao direito, à Constituição Federal, à norma legal que disciplina O procedimento administrativo fiscal e à jurisprudência dos Conselhos e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso da ciência do auto de infração, o recorrente questionou que a notificação de lançamento foi encaminhada por via postal pela fiscalização para diversos endereços, apresentando as seguintes alegações (fls. 283/287): "Porém, contrariando a legislação fiscal, postou, ao mesmo tempo, ou seja, aos 07.12.2006, correspondências via AR para o antigo endereço da DITR/2002, duas vezes para o domicílio correto do sujeito passivo e para o endereço da procuração de fls. 28." Antes do retorno dos Avisos de Recebimentos AR referentes aos documentos postados nos Correios com destino a endereço localizados em outros Estados da Federação (Bahia, São Paulo e Goiás), a Fiscalização publicou edital de intimação. Que a intimação do contribuinte deve ser realizada nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72,vigente à época da ação fiscal. "De plano, verificase que a legislação não traz previsão legal de intimação postal no endereço do procurador do sujeito passivo, sendo que as únicas hipóteses de validade da intimação do procurador são no caso do inciso I do caput (intimação pessoal) ou no caso de recebimento via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (inciso II)." "Só por este fato já se vê que não é correta a alegação da decisão recorrida, de validade da intimação do procurador em seu escritório em GoiâniaGO. Por outro lado, há que se considerar que a referida procuração tinha, à época da intimação, mais de ano de vigência, já tendo perdido seus poderes." "D'outra feita, se a Autoridade Fiscal postou todos os AR na mesma data, é óbvio que deve ser dado maior valor ao que corresponde ao do sujeito passivo e de seu domicílio eleito, pois é o que garante maior eficácia ao comando constitucional que estabelece o princípio da ampla defesa e do contraditório (art. 5°, LV, da CF/88)." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10183.004740/200671 Acórdão n.º 2202004.948 S2C2T2 Fl. 302 5 "Do exposto, deve ser reconhecida a tempestividade da impugnação apresentada, uma vez que o processo administrativo deve, sempre que possível, atender aos fins de interesse público e interpretação dos fatos e da norma legal segundo padrões de boa fé visando atender aos direitos dos cidadãos, conforme disposto na Lei n° 9.784/ 99." "No caso em tela, evidente que a intimação mais correta é aquela feita no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e recebida formalmente por sua esposa, devendo ser afastadas as demais intimações feitas por atropelo da autoridade fiscal, assim como reconhecendo a tempestividade da impugnação apresentada." O Recorrente, com o objetivo de corroborar seus argumentos, ainda apresentou, ao longo das folhas 287/291, acórdãos de decisões proferido pelo CARF. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que (fl. 292): "Anulação da decisão recorrida, com o reconhecimento da tempestividade da impugnação apresentada, nos termos dos fundamentos acima; Acolhido o pedido, declaração de extinção do crédito tributário constituído pelo auto de infração em tela, em razão da constatação da ocorrência da decadência do direito de constituir o mesmo, por se tratar o ITR de tributo sujeito à homologação e, portanto, regido pelo art. 150, § 4°, do CTN; Alternativamente, caso assim não entenda a Câmara, remessa dos autos à DRJ/CGE para apreciação da impugnação apresentada tempestivamente pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com os autos, o ponto central da lide consiste em saber qual o momento que houve a ciência ao contribuinte em relação ao lançamento consignado no auto de infração. A DRJ/CGE considerou como ciência, 22/12/2006, data da entrega do auto de infração no endereço do procurador. Por outro lado, o recorrente contestou afirmando que a ciência ao auto de infração ocorreu em 02/01/2007, data em que ele recebeu os documentos em seu domicílio, que não existe previsão legal para encaminhar o auto de infração para o endereço do procurador, citando o artigo 23 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, e que o edital somente Fl. 304DF CARF MF 6 deveria ser publicado quando fosse constatado a impossibilidade de intimar o contribuinte pessoalmente ou por via postal. Assim, após analisar o que consta nos autos e observar as alegações apresentadas pelo recorrente, entendo que a data da intimação, para efeito de tomar ciência da notificação do lançamento, deve ser considerada 02/01/2007. Isto porque, essa é a data que consta no aviso de recebimento referente à correspondência com o auto de infração encaminhada para o endereço eleito como domicílio tributário do contribuinte, conforme disciplina o inciso II, do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Art. 23. Farseá a intimação: I (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III (...) (grifo não faz parte do original) No mesmo sentido, cabe registrar ainda que a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Cuiabá/MT, quando do encaminhamento dos autos para julgamento na DRJ/CGE, considerou 02/01/2007 como a data da ciência ao contribuinte, de forma a verificar e atestar a tempestividade da impugnação (fl. 265). Além do mais, entendo que no presente caso não caberia a publicação do edital intimando o contribuinte a tomar ciência do auto de infração do ITR, uma vez que a intimação por via postal foi realizada de maneira profícua, conforme consta nos autos (fl. 165). Isto posto, entendo que assiste razão ao recorrente no tocante à alegação de que apresentou tempestivamente a impugnação e por este motivo o presente processo deve retornar a DRJ/CGE para que seja apreciado o mérito da impugnação apresentada pelo contribuinte contestando o lançamento, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas para tal análise. Em relação as alegações de mérito apresentadas pelo recorrente, entendo que a análise neste Colegiado ficou prejudicada tendo em vista que tal análise acarretaria supressão de instância. À vista disso, de acordo com a apreciação realizada neste voto, rejeito o pedido de anulação da decisão e da extinção do crédito tributário, porém acato o pedido de reconhecimento da tempestividade da impugnação apresentada. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos à DRJ/CGE, para julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas para análise. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10183.004740/200671 Acórdão n.º 2202004.948 S2C2T2 Fl. 303 7 Fl. 306DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.901401/2009-46
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
RECOLHIMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. ARTIGO 62, §2º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea se aplica a pagamento extemporâneo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que o recolhimento seja anterior à declaração/constituição do respectivo crédito tributário. Inteligência da Súmula nº 360/STJ, do REsp nº. 962.379/RS e REsp 1.149.022/SP, decididos sob o regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543-C do antigo CPC.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
PIS/PASEP. RECOLHIMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO.
Comprovado o direito creditório, deve a compensação ser homologada nos limites do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3003-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 RECOLHIMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. ARTIGO 62, §2º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea se aplica a pagamento extemporâneo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que o recolhimento seja anterior à declaração/constituição do respectivo crédito tributário. Inteligência da Súmula nº 360/STJ, do REsp nº. 962.379/RS e REsp 1.149.022/SP, decididos sob o regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543-C do antigo CPC. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 PIS/PASEP. RECOLHIMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovado o direito creditório, deve a compensação ser homologada nos limites do crédito reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 RECOLHIMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. ARTIGO 62, §2º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea se aplica a pagamento extemporâneo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que o recolhimento seja anterior à declaração/constituição do respectivo crédito tributário. Inteligência da Súmula nº 360/STJ, do REsp nº. 962.379/RS e REsp 1.149.022/SP, decididos sob o regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do antigo CPC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 PIS/PASEP. RECOLHIMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovado o direito creditório, deve a compensação ser homologada nos limites do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 01 /2 00 9- 46 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade com Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 05957.44198.290405.1.3.047137, referente a crédito de alegado pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, PA 31/07/2001, e a débito de CSLL de março/2005. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado na DCOMP foi integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep, PA 31/07/2001, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos declarados. Em sua manifestação de inconformidade a interessada, após aduzir argumentos e jurisprudência sobre o assunto, pediu: a. O regular recebimento e processamento da presente Manifestação de Inconformidade; b. A suspensão da exigibilidade, nos moldes do artigo 151 inciso III do Código Tributário Nacional; c. A restituição/compensação dos valores pleiteados a título de multa moratória nos procedimentos espontâneos do contribuinte; d. O apensamento do processo de cobrança a este processo administrativo, vinculandose as compensações realizadas pelo contribuinte, com a suspensão da exigibilidade dos valores compensados em virtude da interposição tempestiva da Manifestação de Inconformidade, nos exatos termos da IN 900/08; e. A homologação das compensações realizadas, no seu próprio interesse, para a conseqüente extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156 inciso II do CTN. Diante de todo o exposto requer o recebimento da presente Manifestação de Inconformidade com o seu regular processamento para, reformar integralmente o r. despacho decisório e, reconhecer como válido o direito creditório do contribuinte conforme pleiteado, por ser medida de JUSTIÇA! A 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2001 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea não se aplica a pagamento realizado a destempo, de tributo sujeito a lançamento por homologação Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 4 3 regularmente declarado (Súmula STJ nº 3600), sendo devida nesse caso a exigência da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, que a multa de mora, mantida pela decisão recorrida, é indevida em face do instituto da denúncia espontânea, aplicável ao seu caso porque teria realizado o pagamento do tributo, fora do prazo, mas no mês de vencimento, com o acréscimo de multa, sem que tivesse início processo administrativo para a cobrança do referido tributo e sem que tivesse sido realizado "qualquer ato de autolançamento, como entrega de DCTF (Declaração de Tributos e Contribuições Federais), ou qualquer outra obrigação acessória de mesmo efeito". Pugna, pois, pela aplicação da denúncia espontânea ao seu caso, aduzindo que tal instituto prevê o afastamento da multa moratória, trazendo jurisprudência do STJ para embasar seus argumentos. Por fim, a recorrente esclarece: Insta frisar ainda que o Acórdão que ora se refuta apresenta vinculado ao processo de crédito, processo de cobrança formalizado através dos processo eletrônico n° 10675.901.902/200922. Ocorre que tal cobrança se mostra equivocada e indevida pelo fato do tributo CSLL, no valor de R$ 475,15, referente ao período de apuração de março de 2005, estar devidamente quitado, por meio de compensação. Neste contexto, qualquer valor objeto de cobrança cuja referência tenha por objeto o PER/DCOMP com demonstrativo de crédito n° 05957.44198490405.1.3.047137, é inconsistente e fere de forma literal os princípios normativos, uma vez que o pagamento foi formalizado corretamente. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O presente processo trata de Declaração de Compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, visando a compensação de débito de CSLL, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de PIS, referente ao período de apuração de 07/2001. De fato, analisando o PER/DCOMP transmitido em 29/04/2005, às fls. 29 a 33, verificase que a recorrente indicou, como origem do crédito, DARF atinente a recolhimento de PIS, período de apuração de 07/2011, no valor total de R$ 5.768,55, sendo que, desse montante, R$ 5.479,25 correspondem ao valor do tributo principal, e R$ 289,30, ao valor da multa de mora pelo pagamento extemporâneo do tributo data de vencimento: 14/08/2001; data do pagamento: 31/08/2001. Compulsando o Despacho Decisório (fl. 24), observase que o referido pagamento, no valor de R$ 5.768,55, foi integralmente utilizado para a extinção do débito de PIS do período de apuração de 07/2011, de maneira que o débito de CSLL, declarado na DCOMP, ficou em aberto, não tendo sido homologado. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 5 4 Sendo assim, o pressente litígio se resume à questão de saber se o valor de R$ 289,30, integrante do montante de R$ 5.768,55, é, de fato, pagamento indevido de multa de mora ou se referido valor é realmente devido, tendo em vista que não se aplicaria, no caso dos autos, o instituto da denúncia espontânea, como decidiu o acórdão recorrido. Salientese que é precisamente o valor pago a título de multa moratória que é indicado como origem de direito creditório para a compensação do débito de CSLL, do período de apuração 03/2005, no valor de R$ 475,15 vide, nesse sentido, as fls. 30 e 32 do PER/DCOMP transmitido. A questão posta nos autos diz respeito, portanto, à aplicação do instituto da denúncia espontânea, sobretudo quando o recolhimento extemporâneo é concernente a tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o caso do PIS objeto do presente litígio. Como visto, a decisão recorrida entende que, no caso dos autos, deve ser aplicada a Súmula nº. 360 do STJ, assim como o teor da decisão do REsp nº. 962.379/RS, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki. Por sua vez, a recorrente entende que vasta jurisprudência do STJ, incluindose a Súmula nº. 360, endossa e sustenta seu argumento de aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso dos autos. Diante da divergência quanto aos limites de aplicação da denúncia espontânea, sobretudo em face da jurisprudência do STJ, fazse necessária a análise da Súmula nº. 360 do STJ e da decisão do REsp nº. 962.379/RS, decidido sob o regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/08. Para tanto, transcrevemos, a seguir, a Súmula nº. 360 do STJ e a ementa do REsp nº. 962.379/RS: SÚMULA nº. 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. REsp nº. 962.379/RS TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS –GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 6 5 Da leitura da Súmula nº. 360/STJ, depreendese que a denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Numa primeira leitura, poderseia indagar se a denúncia espontânea estaria totalmente afastada no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. A resposta parece simples, uma vez que a própria súmula afirma que a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea alcança os tributos por homologação regularmente declarados, de onde se deduz, prima facie, que os tributos sujeitos a lançamento por homologação que não foram declarados não estariam abrangidos pela súmula. Todavia, a leitura da súmula não deixa claro se é relevante saber, para a aplicação da denúncia espontânea, se a declaração do tributo deve ser antes ou depois do pagamento: faria alguma diferença ser antes ou depois? Tal questão pode ser visualizada com mais clareza na leitura da ementa do REsp nº. 962.379/RS. Ali, a relação temporal entre a declaração do tributo por homologação e seu pagamento parece mostrarse fundamental na delimitação dos contornos de aplicação do instituto da denúncia espontânea. Ao final do item 1 da ementa, está consignado: "se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido". Depreendese, da leitura do excerto, que se o tributo foi declarado e constituído antes de seu recolhimento extemporâneo, não se aplica a denúncia espontânea. No entanto, ainda fica em aberto a questão de saber se, a contrario sensu, no caso de pagamento anterior à declaração e constituição do tributo sujeito a lançamento por homologação, poderia ser aplicada a denúncia espontânea. A questão é resolvida com absoluta clareza na leitura do voto condutor do REsp nº. 962.379/RS. Em seu voto, o Min. Teori Zavascki traça os seguintes delineamentos para a aplicação da denúncia espontânea: REsp nº. 962.379/RS EXCERTO DO VOTO DO RELATOR (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimemente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 7 6 homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Nesse sentido, o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 545 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO FORA DO PRAZO. IRRF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA NÃO CONSTANTE DA DCTF. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. 1. É cediço na Corte que 'Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento.' (REsp n.º 624.772/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 31/05/2004) 2. A inaplicabilidade do art. 138 do CTN aos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação fundase no fato de não ser juridicamente admissível que o contribuinte se socorra do benefício da denúncia espontânea para afastar a imposição de multa pelo atraso no pagamento de tributos por ele próprio declarados. Precedentes: REsp n.º 402.706/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 15/12/2003; AgRg no REsp n.º 463.050/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 04/03/2002; e EDcl no AgRg no REsp n.º 302.928/SP, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 04/03/2002. 3. Não obstante, configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de IRRF, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais. 4. In casu, o contribuinte reconhece a existência de erro em sua DCTF e recolhe a diferença devida antes de qualquer providência do Fisco que, em verdade, só toma ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 5. Ademais, a inteligência da norma inserta no art. 138 do CTN é justamente incentivar ações como a da empresa ora agravada que, verificando a existência de erro em sua DCTF e o conseqüente autolançamento de tributos aquém do realmente devido, antecipase a Fazenda, reconhece sua dívida, e procede o recolhimento do montante devido, corrigido e acrescido de juros moratórios." (AgRg no Ag 600.847/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 05/09/2005". (...)" Dos excertos acima reproduzidos, fica claro que a denúncia espontânea se aplica aos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento extemporâneo se deu antes da declaração e constituição do crédito tributário respectivo: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 8 7 O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. O raciocínio sedimentado no REsp nº. 962.379/RS está presente em outras importantes decisões do STJ, entre as quais, aquela consignada no REsp nº. 1.14902/SP, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, cuja ementa segue transcrita: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 9 8 Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Diante dessas considerações, fica evidente que perquirir se a denúncia espontânea se aplica ao caso concreto passa pela apuração de quando ocorreram os pagamentos extemporâneos de COFINS e quando ocorreu a declaração dos respectivos débitos: (i) se a declaração é ulterior ao recolhimento, aplicase a denúncia espontânea; (ii) se o recolhimento é posterior à declaração, está afastada a denúncia espontânea. A análise do REsp nº. 962.379/RS e do REsp nº. 1.14902/SP também esclarece outra questão: quais os efeitos da denúncia espontânea com relação à multa de mora? Da leitura do excerto do REsp nº. 962.379/RS, acima transcrito, concluise que uma das consequências da denúncia espontânea é precisamente a exclusão da multa de mora: Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Por sua vez, a ementa do REsp nº. 1.14902/SP deixa transparente a necessária exclusão da multa de mora quando presente a denúncia espontânea: 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Tais contornos de aplicação do instituto da denúncia espontânea também foram assimilados pela jurisprudência do CARF. Nesse sentido, vejase, por exemplo, o Acórdão nº. 9303002.626, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo excerto a seguir, extraído do voto do relator, resume a matéria tratada até aqui: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10675.901401/200946 Acórdão n.º 3003000.130 S3C0T3 Fl. 10 9 Por força do art. 62A do RICARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo. Se o contribuinte fizer a declaração e pagar o tributo com atraso, não há que se falar em denúncia espontânea. Porém se o contribuinte não tiver declarado o tributo, ou tiver declarado a menor e o fizer ou retificar a declaração posteriormente e, antes ou concomitantemente, proceder o pagamento, estará configurada a denúncia espontânea, não podendo haver a aplicação da multa de mora. Pois bem. Depois de tratar dos contornos da denúncia espontânea traçados nos últimos anos pela jurisprudência do STJ, passo à análise do caso concreto. Compulsando o despacho decisório à fl. 24, constatase que o pagamento da contribuição ao PIS, período de apuração de 07/2001, no valor de R$ 5.768,55 valor que corresponde, como visto, a R$ 5.479,25 de principal e R$ 289,30 de multa moratória , ocorreu em 31/08/2001. Por sua vez, analisando a DCTF transmitida, às fls. 80 a 95, verificase que a declaração foi recebida em 14/11/2001, tendo nela sido informado o débito de PIS (à fl. 90), no valor de R$ 5.479,25, atinente ao período de apuração de 07/2001. Concluise, portanto, que o pagamento (31/08/2001) em questão ocorreu antes da declaração do tributo (14/11/2001), devendose aplicar, ao caso concreto, a denúncia espontânea, exonerandose a multa moratória, em face dos delineamentos trazidos nas decisões exaradas no REsp nº. 962.379/RS e no REsp nº. 1.14902/SP, ambas proferidas na sistemática do art. 543C do antigo CPC, cuja aplicação é obrigatória por parte do CARF, à luz do que dispõe o art. 62, § 2º, do ANEXO II do RICARF. Assim, há que se reconhecer que a multa moratória de R$ 289,30, recolhida por ocasião do recolhimento extemporâneo do PIS de 07/2001, deve ser afastada, de maneira que tal recolhimento representa, como postulou a recorrente, pagamento indevido ou a maior, apto a ser utilizado na declaração de compensação sob análise. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911684/2009-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
Numero da decisão: 3002-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 16 84 /2 00 9- 19 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10120.911684/200919 Acórdão n.º 3002000.559 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 42/46 dos autos: "Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 28770.05243.201107.1.3 049482, transmitida eletronicamente em 20/11/2007, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 22), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 15.092,49. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 16/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que os sistemas da Receita Federal teriam considerado as informações constantes na DCTF original e que, teria sido transmitida uma DCTF retificadora, que já constava nos sistemas “na data da auditoria”. Argumenta que o Dspacho Decisório deveria ser cancelado, uma vez que nos próprios sistemas da RFB a DCTF original já teria sido substituída pela DCTF retificadora. Apresenta, em síntese, os seguintes pontos de discordância: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/8/2006 5856 36.562,11 15/9/2006 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10120.911684/200919 Acórdão n.º 3002000.559 S3C0T2 Fl. 4 3 a) não foi levado em consideração a análise da DCTF retificadora que permanecia como atual na data da análise; b) não foi observado que a DCTF original já se encontrava cancelada no sistema da Receita Federal; c) o processamento da auditoria foi feito somente por meio eletrônico, não sendo analisado o caso fisicamente através dos documentos. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade". Resumindo, o contribuinte em 20/11/2007 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (28770.05243.201107.1.3 049482) (fls. 30/34) no valor de R$ 36.562,11. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 22 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) requerendo em preliminar que "diante do fato exposto, solicitamos o cancelamento do despacho decisório nº 848534195, referente ao pedido de compensação através da PER/DCOMP supracitada, uma vez que com nova apreciação da auditoria fiscal, levando cm consideração os dados constantes na DCTF RETIFICADORA. demonstra claramente a existência do crédito compensado" e no mérito "de acordo com a os Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 4 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. os valores pagos indevidamente ou a maior, torna objeto de compensação por parte do contribuinte, uma vez demonstrado claramente, através dos demonstrativos (DCTF), respalda o direito do crédito". A DRJ/BSB proferiu o Acórdão nº 0349.265 (fls. 42/45) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar a compensação do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10120.911684/200919 Acórdão n.º 3002000.559 S3C0T2 Fl. 5 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 55/62) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a nulidade da decisão, concluindo que "não é lícito à autoridade fiscal desconsiderar o crédito fiscal que tem como origem apuração de pagamentos indevidos devidamente escriturados/fundamentados ao singelo argumento de falta de idônea comprovação". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10120.911684/200919 Acórdão n.º 3002000.559 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade alegando que a "decisão imotivada é decisão nula, viciada em sua forma, nulidade que consiste "na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato" (Art. 2°, parágrafo único, „b" da Lei no 4.717/65, que regula a Ação Popular)". Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados. Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10120.911684/200919 Acórdão n.º 3002000.559 S3C0T2 Fl. 7 6 Princípio da Razoabilidade Quanto ao afastamento da legislação aplicada por ferimento ao Princípio da Razoabilidade, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901630/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/07/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.618
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 31/07/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 30 /2 01 3- 81 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901630/201381 Acórdão n.º 3401005.618 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.275. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901630/201381 Acórdão n.º 3401005.618 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901630/201381 Acórdão n.º 3401005.618 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.901630/201381 Acórdão n.º 3401005.618 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.901630/201381 Acórdão n.º 3401005.618 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.901630/201381 Acórdão n.º 3401005.618 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000903/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LAPSO MATERIAL.
Acolhem-se os embargos para corrigir inexatidão material devida a lapso manifesto quanto às contas correntes excluídas do lançamento fiscal por falta de intimação do cotitular para fins de justificação da origem dos depósitos bancários.
EMBARGOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ERRO DE FATO.
Acolhem-se os embargos para correção de erro de fato no acórdão embargado, considerando que havia sido efetivada a intimação do cotitular em processo distinto, relativa ao mesmo período e à mesma conta bancária em conjunto.
Numero da decisão: 2401-005.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, excluir do lançamento os valores referentes às contas nº 107.385-0 e 29.606-6.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 EMBARGOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LAPSO MATERIAL. Acolhem-se os embargos para corrigir inexatidão material devida a lapso manifesto quanto às contas correntes excluídas do lançamento fiscal por falta de intimação do cotitular para fins de justificação da origem dos depósitos bancários. EMBARGOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ERRO DE FATO. Acolhem-se os embargos para correção de erro de fato no acórdão embargado, considerando que havia sido efetivada a intimação do cotitular em processo distinto, relativa ao mesmo período e à mesma conta bancária em conjunto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, excluir do lançamento os valores referentes às contas nº 107.385-0 e 29.606-6. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LAPSO MATERIAL. Acolhemse os embargos para corrigir inexatidão material devida a lapso manifesto quanto às contas correntes excluídas do lançamento fiscal por falta de intimação do cotitular para fins de justificação da origem dos depósitos bancários. EMBARGOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ERRO DE FATO. Acolhemse os embargos para correção de erro de fato no acórdão embargado, considerando que havia sido efetivada a intimação do cotitular em processo distinto, relativa ao mesmo período e à mesma conta bancária em conjunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, excluir do lançamento os valores referentes às contas nº 107.3850 e 29.6066. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 09 03 /2 00 6- 15 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 2401005.926 S2C4T1 Fl. 406 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Conselheira da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Núbia Matos Moura, na condição de redatora do voto vencedor, às fls. 315, contra o Acórdão nº 102049.366, julgado na sessão de 05/11/2008, o qual está juntado às fls. 316/337. Para melhor compreensão dos motivos da interposição de embargos pela conselheira, copio "in verbis" as palavras da I. Redatora: (...) Na qualidade de redatoradesignada para redigir o voto vencedor constatei da leitura da Descrição dos Fatos, fls. 174/183, que no Auto de Infração foram levados à tributação depósitos bancários referentes a três contas mantidas junto ao Bradesco (contas n°s. 296066, 301904 e 1073850). Verifiquei, ainda de conformidade com a Descrição dos Fatos, que os créditos efetivados nas mencionadas contas foram levados à tributação na proporção de 50%, em razão de serem as contas bancárias conjuntas. A fundamentação que pautou a decisão da maioria dos Conselheiros foi a nãoexistência nos autos de intimação para os outros titulares das contascorrentes conjuntas, de tal sorte que tal fato também acarretaria a exclusão dos depósitos realizados na conta n” 29606 6,que também é conjunta. Por outro lado, muito embora não seja mencionado na Descrição dos Fatos, verificase que a outra titular da conta n° 301900 foi autuada (processo 13851.000904/200660), de modo que se vislumbra a existência da intimação para o outro titular, pelo menos no que diz respeito à mencionada conta. Nestes termos, procedo à devolução dos autos para as providências que se julgar necessárias. Núbia Matos Moura Conselheira Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como a redatora não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 2401005.926 S2C4T1 Fl. 407 3 Recebidos os aclaratórios, determinouse a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento do vício apontado (fls. 345/347). Por meio da Resolução nº 2401000.667, de 09/05/2018, o julgamento foi convertido em diligência para juntada de cópia do termo fiscal dirigido à Kelly Cristina Diniz Bicalho, com a respectiva ciência, que a intimou a comprovar a origem dos recursos na conta bancária nº 30.1094, mantida em conjunto, no Banco Bradesco S/A, com Caio Fernando Gandini Panegossi (fls. 349/351). A diligência foi cumprida, com a extração dos documentos do Processo nº 13851.000904/200660, relativo ao lançamento fiscal em nome de Kelly Cristina Diniz Bicalho (fls. 353/363). Na sequência, o Sr. Caio Fernando Gandini Panegossi foi intimado do resultado da diligência, apresentando manifestação (fls. 382/401). Alega em síntese, com relação à conta nº 29.6066 do Banco Bradesco S/A, que houve falta de intimação de todos os cotitulares, na medida em que era conjunta, movimentada a conta bancária por Caio Fernando Gandini Panegossi, Kelly Cristina Diniz Bicalho e Rui Camilo Pontes. Declara ainda que as intimações relativas à Kelly Cristina Diniz Bicalho foram realizadas em outro Mandado de Procedimento Fiscal, não havendo intimação do cotitular Caio Fernando Gandini Panegossi, no presente processo, para prestar esclarecimentos quanto aos depósitos bancários. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Preliminarmente, esclareço que o lançamento de ofício diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. O acórdão recorrido examinou todas as questões controvertidas, inclusive de mérito, contidas no recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Os embargos de declaração foram opostos por conselheiro, em que alegou a ocorrência de lapso manifesto (conta nº 29.6066) e de erro de fato (conta nº 30.1094) no acórdão proferido em sede de recurso voluntário. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 2401005.926 S2C4T1 Fl. 408 4 Lapso Material Quanto à existência de lapso manifesto, a embargante esclarece que a fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada referente à três contas bancárias conjuntas no Banco Bradesco S/A (contas nº 30.1094, 107.3850 e 29.6066). Todavia, o colegiado deu provimento para excluir do lançamento fiscal tão somente as duas primeiras contas bancárias, embora a falta de intimação de todos os cotitulares para comprovação da origem dos recursos também acarretaria a exclusão dos depósitos realizados na conta nº 29.6066. Realmente, o acórdão embargado contém inexatidão material devido a lapso manifesto, porque a autoridade fiscal expressamente qualifica como conjuntas as contas mantidas no Banco Bradesco, realizando o lançamento na proporção de 50% dos créditos apurados em nome de Caio Fernando Gandini Panegossi (fls. 163/167 e 177/186). Por sua vez, o fundamento para a exclusão das contas nº 30.1094 e 107.3850 foi a falta de notícia nos autos da intimação dos demais cotitulares das referidas contas bancárias para a justificação da origem dos depósitos bancários (fls. 330/331). As pessoas físicas cotitulares da conta corrente nº 29.6066, aberta em 12/08/1993, são Caio Fernando Gandini Panegossi, Kelly Cristina Diniz Bicalho e Rui Camilo Pontes, não havendo comprovação da intimação de todos para comprovar a origem dos depósitos (fls. 386/401). Por oportuno, acrescento que no Processo nº 13851.000904/200660, relativo ao lançamento fiscal em nome de Kelly Cristina Diniz Bicalho, decorrente de mesmo procedimento investigatório, houve a exclusão dos depósitos bancários da conta corrente conjunta nº 29.6066, em sede de julgamento em recurso voluntário, devido à confirmação da ausência de intimação direcionada a Rui Camilo Pontes (Acórdão nº 2202.003630, de 20/01/2017). Logo, para fins de correção do lapso manifesto, cabe afastar da exigência fiscal os depósitos bancários da conta conjunta nº 29.6066, mantida no Banco Bradesco S/A. Erro de Fato Quando ao erro de fato no julgamento do acórdão embargado, não havia nos autos, na época da sessão do colegiado, documentação comprobatória da intimação de Kelly Cristina Diniz Bicalho relativamente à conta bancária nº 30.1094, no Banco Bradesco S/A, mantida em conjunto com Caio Fernando Gandini Panegossi. Nada obstante, a fiscalização realizou ações contemporâneas nos dois contribuintes, existindo a intimação da referida cotitular nos autos do Processo nº 13851.000904/200660 (fls. 352/362). Tratase, portanto, de erro de fato, pois caso conhecida a existência da intimação para o outro cotitular, Kelly Cristina Diniz Bicalho, por ocasião do julgamento do recurso Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 2401005.926 S2C4T1 Fl. 409 5 voluntário, não teria ocorrido a exclusão da conta bancária do lançamento fiscal, sob o fundamento de ausência de intimação de todos os cotitulares para a justificação da origem dos depósitos. A existência de intimação em outro processo fiscal, que mantém correlação com o mesmo procedimento de investigação, supre a necessidade de intimação de todos os cotitulares da conta conjunta para fins de tributação por presunção de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários sem origem comprovada de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A decisão ora embargada afastou a tributação tão somente por não restar comprovada a intimação de um dos cotitulares da conta bancária nº 30.1094, o que não se ratifica no presente caso, na medida em que efetivada a intimação em processo distinto, relativa à mesma conta bancária e período fiscalizado. Uma vez que a decisão recorrida baseouse em premissa equivocada, com relação à conta bancária nº 30.1094, ou seja, da inexistência de intimação de todos os cotitulares para justificação da origem dos recursos creditados, é cabível o acolhimento do embargos de declaração, com efeitos modificativos, para correção do erro de fato, resultando na manutenção do lançamento fiscal relativamente os valores da conta nº 30.1094. Resultado do julgamento do recurso voluntário Sanadas as irregularidades no acórdão embargado, as conclusões do voto vencedor ficam alteradas, nos seguintes termos: (...) voto no sentido de excluir da base de cálculo do imposto devido os créditos efetivados nas contas bancárias nºs 107.3850 e 29.6066, mantidas junto ao Bradesco. Em consequência da correção do voto vencedor, o resultado do julgamento passa a ser: ACORDAM os membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de: I nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário e pela irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que as acolhe e apresenta declaração de voto. Por unanimidade de votos, AFASTAR as demais preliminares e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício e, por maioria de votos, excluir as contas conjuntas do Bradesco, n. 107.3850 e 29.6066, por falta de intimação do cotitular. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que provêem em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. (DESTAQUEI) Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13851.000903/200615 Acórdão n.º 2401005.926 S2C4T1 Fl. 410 6 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, com efeitos infringentes, para sanar os vícios apontados no Acórdão nº 102 049.366, de 05/11/2008, excluindo do lançamento fiscal os valores referentes às contas nº 107.3850 e 29.6066. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003261/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 61 /2 00 9- 56 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 19515.003261/200956 Acórdão n.º 1402003.553 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 19515.003261/200956 Acórdão n.º 1402003.553 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.729706/2011-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 97 06 /2 01 1- 47 Fl. 61DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$13.860,00. Excluídos os valores por falta de indicação dos beneficiários dos serviços prestados, bem como descrição dos serviços efetuados (Maria Luiza Lima e Sandra Regina S. Almeida). Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. A contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: O valor referese a despesas médicas com a própria requerente, tendo em vista não ter dependentes para usufruir dos serviços prestados. A fisioterapeuta Maria Luiza Lima realizou tratamento fisioterápico, assim como Sandra Regina S. Almeida, consultas fonoaudiológicas. Por estigma de idade, teve recomendações médicas para tais tratamentos, a fim de diminuir dores na coluna e por ter ficado afônica por período longo. Requer o cancelamento do débito fiscal. Dito isso, no caso em concreto, a impugnante sustenta que o valor de R$13.860,00 referese a despesas médicas com ela própria, acrescentando que não possui dependentes para usufruir dos serviços prestados. A fisioterapeuta Maria Luiza Lima realizou tratamento fisioterápico, assim como Sandra Regina S. Almeida, consultas fonoaudiológicas. Por estigma de idade, teve recomendações médicas para tais tratamentos, a fim de diminuir dores na coluna e por ter ficado afônica por período longo. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.729706/201147 Acórdão n.º 2001000.902 S2C0T1 Fl. 3 3 A glosa foi efetuada, pois os recibos não indicavam o beneficiário do tratamento, bem como a descrição do procedimento. Compulsando os autos, especialmente os recibos apresentados (fls. 1011), verificase que contêm informações de que a impugnante foi submetida a tratamento de Fisioterapia e de Fonoaudiologia. Não possuem, de fato, o nome do beneficiário do tratamento, conforme indicado pela Auditoria Fiscal. Acerca dessa essa questão, contudo, nos casos em que o comprovante de despesa médica contém a identificação apenas do pagador (o contribuinte) e este informa que a despesa médica é pessoal, é entendimento atual da Receita Federal do Brasil que se pode presumir que os serviços foram prestados ao próprio, desde que o comprovante contenha os requisitos formais estabelecidos no art. 8º da Lei nº 9.250/1995 (art. 80 do RIR/1999). Não é o que ocorre no caso concreto. Em nenhum dos recibos apresentados há indicação do endereço dos prestadores dos serviços de saúde, em flagrante descumprimento do mandamento legal (fls. 1011). O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Reproduzimos uma passagem do recurso: Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, por falta de indicação dos beneficiários dos serviços prestados, falta de endereço, bem como descrição dos serviços efetuados. Contribuinte trouxe nas fls. anexas ao recurso, fls. 53 e seguintes, documentos descrevendo os serviços médicos, e com endereço, suprindo a fundamentação da recusa. Fl. 63DF CARF MF 4 De toda maneira, a falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 18470.729706/201147 Acórdão n.º 2001000.902 S2C0T1 Fl. 4 5 No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, e com a apresentação de novos documentos, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000810/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-006.320
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendose assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 08 10 /2 00 9- 19 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11516.000810/200919 Acórdão n.º 3302006.320 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento de parcelas da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins). Segundo a autoridade administrativa de origem, embora reiteradamente intimado, o interessado não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001, não permitindo, por conseguinte, a verificação dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais Dacon e tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou o seguinte: a) conforme despacho decisório, somente alguns arquivos digitais foram apresentados com as supostas inconsistências; b) em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins n° 15/2001 e seus anexos; c) os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; d) os arquivos digitais foram abertos de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; e) apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados, e respeitando os parâmetros do ADE n° 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontravam atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; f) o ADE n° 15/01 e a Instrução Normativa n° 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; g) a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito estava constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11516.000810/200919 Acórdão n.º 3302006.320 S3C3T2 Fl. 4 3 h) por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos; i) todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador, sendo que eventuais problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, reafirmando a conclusão do despacho decisório e considerando a ausência de efetiva comprovação do direito creditório pleiteado, cujo ônus fora atribuído ao contribuinte pela legislação de regência. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e apontando contradição na decisão recorrida, dada a efetiva apresentação de inúmeros arquivos digitais em resposta às intimações da fiscalização, com observância dos requisitos exigidos pela legislação (art. 65 da IN SRF 900/08), com pequenas inconsistências em alguns dos dados fornecidos. Segundo o Recorrente, mostrouse desproporcional e desarrazoado o indeferimento da totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitara dúvidas à fiscalização, situação essa a exigir a realização de diligências para a verificação da existência dos créditos, encontrandose a sua escrita fiscal, com todas as informações necessárias à comprovação do crédito garantido pelo ordenamento jurídico, à disposição da fiscalização. Em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.436, a 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, com as seguintes determinações à unidade de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11516.000810/200919 Acórdão n.º 3302006.320 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.300, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11516.000785/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.300): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 fevereiro de 2012, às folhas 594. O recurso voluntário foi apresentado em 19 de março de 2012, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Foram apresentados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: O Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 4° trimestre do ano calendário de 2005; O fato de tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida ignorar a vasta documentação apresentada e a existência do crédito, e simplesmente negálo por completo, em virtude de algumas inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados. Passase à análise. Como relatado, em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.415, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para a Delegacia de origem. A resposta à Resolução foi apresentada às folhas 1.181 e 1.182, que reproduzimos: Verificação reiniciada em cumprimento da Sentença do Mandado de Segurança n° 500916742.2017.4.04.7200/SC, que concedeu a segurança para determinar ao impetrado Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, o cumprimento do disposto nas Resoluções da 1a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11516.000810/200919 Acórdão n.º 3302006.320 S3C3T2 Fl. 6 5 Os pedidos de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP e COFINS relacionados na inicial do impetrante Cooperativa Agroindustrial Cooperja, foram inicialmente indeferidos, entretanto, o julgamento foi convertido em diligência para permitir a realização de novas verificações com base nos arquivos apresentados no recurso voluntário. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e atendendo a solicitação de redistribuição dos processos, conforme demonstrado na Informação Fiscal de fls. 1156 a 1179, foi apreciado o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2005. Na tabela abaixo são demonstrados o PER, o valor de crédito solicitado, a data de transmissão, o respectivo processo administrativo, o tipo de crédito e o período de apuração. Da Requerente O contribuinte, com sede no município de Jacinto Machado SC, apresenta como atividade preponderante o beneficiamento de arroz. Do amparo legal do ressarcimento de créditos do PIS/PASEP. A nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) é regulamentada pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. A Secretaria da Receita Federal editou as Instruções Normativas SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002 e n° 404, de 12 de março de 2004, que descrevem quais os créditos que a pessoa jurídica pode descontar na apuração das referidas contribuições e estabelecem, ainda para aplicação das normas em apreço, o conceito de insumo. A Lei n°10.925/2004, e redações posteriores, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre venda no mercado interno de diversos produtos, entre eles os classificados nos códigos 1006.20 e 1006.30 . Já a manutenção do crédito da Contribuição para o PIS e da COFINS nas vendas efetuadas com alíquota zero está prevista no artigo 17 da Lei n°11.033, de 21 de dezembro de 2004. Do Direito Creditório Tendo em vista a quantidade de demandas judicias recebidas e o cumprimento do prazo exíguo assinalado pela Justiça Federal, realizamos verificação fiscal por amostragem, onde foram confrontados os valores constantes nos PER com as informações contidas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, nos arquivos entregues pelo contribuinte e nos demais dados disponíveis nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11516.000810/200919 Acórdão n.º 3302006.320 S3C3T2 Fl. 7 6 Dos gastos apresentados, constam embalagens, energia elétrica, bens para revenda, combustíveis, fretes, máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e demais insumos aplicados na produção. As verificações da documentação apresentada corroboram a procedência do pleito do contribuinte. Conclusão O Pedido de Ressarcimento é tempestivo (art. 1° do Decreto n.° 20.910, de 6 de janeiro de 1932) e está formalizado de conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. Os créditos da contribuição foram apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ante todo o exposto, concluímos pelo reconhecimento do direito ao ressarcimento no valor pedido de R$33.861,69. Desse modo, atendendo o pleito do Recorrente, procedeuse a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000215/99-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
COMPENSAÇÃO. VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN.
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO.
O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da Declaração de Compensação. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO DO INDÉBITO.
Aplicam-se, de ofício, os índices de atualização de indébito tributário previstos no REsp nº 1.112.524/DF, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, por aplicação vinculante regimental.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-004.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os índices de atualização previstos no Resp nº 1.112.524/DF. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento parcial em maior extensão, para determinar que o indébito do Finsocial seja apurado exclusivamente com base nas Declarações de Imposto de Renda e Darfs.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da Declaração de Compensação. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO DO INDÉBITO. Aplicam-se, de ofício, os índices de atualização de indébito tributário previstos no REsp nº 1.112.524/DF, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, por aplicação vinculante regimental. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A. DE AZEVEDO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da Declaração de Compensação. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO DO INDÉBITO. Aplicamse, de ofício, os índices de atualização de indébito tributário previstos no REsp nº 1.112.524/DF, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, por aplicação vinculante regimental. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 02 15 /9 9- 20 Fl. 421DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os índices de atualização previstos no Resp nº 1.112.524/DF. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento parcial em maior extensão, para determinar que o indébito do Finsocial seja apurado exclusivamente com base nas Declarações de Imposto de Renda e Darfs. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente, de Pedido de Restituição da Contribuição para o Fundo de Investimento Social – FINSOCIAL, no valor de R$ 6.152,79, protocolado em 23/12/1999, apresentado por meio de formulário, conforme demonstrativo de fls. 16 a 18, correspondente a pagamento indevido ou/a maior referente aos períodos de apuração de janeiro de 1990 a março de 1992. O crédito reclamado pelo interessado decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, do artigo 9º da Lei nº 7.689/88, do artigo 7º da Lei nº 7.787/89, do artigo 1º da Lei nº 7.894/89 e do artigo 1º da Lei nº 8.147/90, sendo considerados indevidos os recolhimentos a maior a título de FINSOCIAL, ou seja, o excedente a alíquota de 0,5% (meio por cento), exceto quanto aos fatos geradores ocorridos em 1988, ocasião em que a alíquota era de 0,6%, na forma do Decreto Lei nº 2.397/87, até que a Lei Complementar nº 70/91 se tornou aplicável. Na mesma data o interessado apresentou Pedido de Compensação, para ser compensado com contribuições vincendas devidas ao SIMPLES, sem especificar valores e períodos de apuração, ou seja, não identificou quais débitos a compensar. Anexou ao pedido: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 3 3 a) DARF relativos aos períodos de apuração de 01/1990 a 03/1992, com exceção do período de apuração 07/1991, doc. de fls. 6 a 15; b) Cópias das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativas aos anoscalendário de 1989 a 1992, doc. de fls. 62 a 80. Os recolhimentos de FINSOCIAL efetuados pelo interessado, objeto do pedido de restituição/compensação foram comprovados pela Agência da Receita Federal do Brasil, em Piraju/SP, fls. 90, com base na Papeleta de Comprovação de Pagamento, fls. 83 e nas telas dos sistemas informatizados da Receita Federal, fls. 84 a 89. A autoridade a quo, proferiu despacho decisório, datado de 20/10/2000, fls. 92 a 96, indeferindo o pleito do interessado, tendo em vista que os pagamentos mediante DARF objeto do pedido não podem ser restituídos/compensados, pois ultrapassaram o prazo decadência de 5 anos para se pleitear a repetição do indébito. Em face da apresentação de Manifestação de Inconformidade, fls. 101 a 110, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Ribeirão Preto, manteve o indeferimento, por meio do Acórdão DRJ/RPO nº 1.740, de 15/07/2002, fls. 115 a 122. Após os trâmites no Conselho de Contribuinte, o processo foi encaminhado à Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 21/08/2006 proferiu o Acórdão CSRF/0304.939, fls. 246 a 281, negando provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, nos seguintes termos: FINSOCIAL – Pedido de Restituição/Compensação – Possibilidade de Exame Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal –Prescrição do direito de Restituição/Compensação – Inadmissibilidade dies a quo – edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário – Duplo Grau de Jurisdição. Recurso Especial Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passar a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando que deu provimento ao recurso. A conclusão do Acórdão, fls. 281 ficou formatada nos seguintes termos: Fl. 423DF CARF MF 4 “Dessa forma, pelos argumentos exposto e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição e para que não haja supressão de instância, conheço do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e a ele nego provimento, para manter a decisão recorrida, no sentido de que seja afastada a prescrição (sic decadência) do direito do recorrente de pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, devendo seu pedido ser remetido à primeira instância administrativa par análise dos demais pressupostos formais que devem embasar tais requerimentos, tais como a subsunção das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no julgamento do RE nº 150.764PE, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre outros”. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, por sua vez, em cumprimento ao disposto no Acórdão CSRF/0304.939, emitiu Despacho nº 01, da 1ª Turma, em 07/01/2008, fls. 292, devolvendo os autos para a unidade de origem, para que: Certifique se as atividades econômicas desenvolvidas pela interessada a habilitam à restituição pleiteada, se enquadrando na declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 150.764 – PE, e ainda, caso ela esteja habilitada a tal restituição, se manifeste sobre a certeza e liquidez dos indébitos mensais pleiteados e sobre o montante apurado por ela, fls. 13 a 15. Caso discorde deles, elabore planilhas demonstrando os valores a que ela faz jus, indébitos mensais e o montante em reais, informando os critérios utilizados para a sua apuração, inclusive, reabrindolhe prazo para se manifestar sobre eles, se assim o desejar, intimandoa, também, a informar se os valores reclamados já foram utilizados por ela e/ou se foram objeto de anterior apreciação judicial, retornando, posteriormente, os autos a esta DRJ. A unidade de origem, em diligência realizada, emitiu Termo de Informação Fiscal, doc. de fls. 327 a 336, com as seguintes considerações: Que apesar do interessado não ter especificado os valores e períodos de apuração no Pedido de Compensação, fl. 5, informou os valores compensados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ, vinculando os valores compensados a processos administrativos, doc. de fls. 295 a 302, destacandose que à época não havia campo próprio na DSPJ para indicar o número do processo administrativo. Na referida DSPJ, foram informados valores compensados de débitos do SIMPLES, código da receita 6106, período de apuração de 12/1999 a 06/2002, perfazendo o montante de R$ 19.579,22. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 4 5 Que em razão do indeferimento do pedido de compensação pela SASIT da DRF Marília/SP, fls. 92 a 96, os valores compensados foram transferidos para o processo nº 13832.000204/200270, visando o seu lançamento de ofício, conforme Representação nº PJU/2002/030, fls. 126, sendo posteriormente encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, para inscrição em dívida ativa. Em 27/07/2007 o contribuinte aderiu ao parcelamento do Simples Nacional 2007, ficando com a exigibilidade suspensa em função do parcelamento. Foi lavrado Termo de Intimação nº 46/2013, em 06/03/2013, fls. 312 a 315, exigindo a apresentação de diversos documentos, entre eles: a) Cópia dos livros contábeis, fiscais, e/ou demonstrações dos resultados, relativos aos meses de 01/1990 a 03/1992; b) Esclarecer se as receitas auferidas no período de 01/1990 a 03/1992 referemse à revenda de mercadorias e/ou prestação de serviços, comprovando com documentação hábil e idônea; c) Confirmar os débitos que tenha solicitado compensação e se utilizou o valor do referido crédito para compensação de outros débitos; d) Relacionar todas as ações judiciais em que o contribuinte seja parte, que versem sobre os créditos do FINSOCIAL objeto do pedido de compensação; e) Demais documentos e/ou informações que julgar necessários. O interessado foi cientificado regularmente, entretanto não atendeu ao Termo de Intimação. Mesmo sem o atendimento ao Termo de Intimação, a unidade de origem procedeu à análise dos quesitos formulados no Despacho nº 01, da 1ª Turma, em 07/01/2008, fls. 292, conforme os tópicos abaixo descritos: Subsunção das atividades econômicas à Declaração de Inconstitucionalidade proferida pelo STF: Ficou apurado por meio de verificações nas informações constantes das Declarações de Imposto de Renda – DIRPJ, que a atividade exercida pelo interessado referese a “Comércio de Matérias de Construção” cuja origem do faturamento é oriundo de “revenda de mercadorias”, concluindo que o interessado se enquadra como empresa comercial, não tendo praticado a prestação de serviços nos anos de 1990, 1991 e 1992. Fl. 425DF CARF MF 6 Existência de ações judiciais que impeçam a devolução administrativa do indébito: Ficou apurado por meio de pesquisas nos sítios da internet da Justiça Federal de São Paulo, Fórum de Itapeva/SP, Justiça Estadual de São Paulo, Fórum de Taquarituba/SP, que não existem óbices judiciais que impeçam a devolução administrativa dos valores pleiteados. Certeza e liquidez dos indébitos pleiteados: Da Restituição: Pelas verificações realizadas nas informações constantes das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIRPJ, bem como nos DARFs pagos pelo interessado, e considerando que não foram apresentados os livros fiscais e/ou contábeis para fins de comprovação das bases de cálculo do FINSOCIAL, foi possível concluir sobre o valor da base de cálculo mensal do FINSOCIAL somente em relação aos períodos de apuração de janeiro a março de 1992, pois as informações de faturamento nos anos de 1990 a 1991 foram apresentadas na DIRPJ somente de forma anual e existe discrepância entre o faturamento anual informado pelo interessado na planilha de fls. 16 a 17 e o informado em DIRPJ, e sem análise dos demonstrativos contábeis e/ou fiscais não é possível concluir sobre as diferenças e/ou exclusões de base de cálculo. Quanto ao cálculo do direito creditório correspondente aos valores recolhidos indevidamente ou/a maior a título do FINSOCIAL, foram discriminadas as seguintes considerações: a A receita bruta da pessoa jurídica, base de cálculo do FINSOCIAL, foi apurada a partir das DIPJS, para os períodos de apuração passíveis de restituição, conforme demonstrado na planilha denominada “BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL”, fls. 319; b A alíquota do FINSOCIAL no período considerado é de 0,5%, conforme artigo 1º, § 1º, do DecretoLei nº 1.940, de 25.05.1982; c A apuração dos valores originários devidos a título de FINSOCIAL, nas competências passíveis de restituição, a partir das informações das alíneas “a” e “b” retro encontrase no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO FINSOCIAL PELA ALÍQUOTA DE 0,5%, fl. 320; d Os DARFs passíveis de restituição, relativos aos recolhimentos de FINSOCIAL, estão relacionados no Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 5 7 “DEMONSTRATIVO DOS PAGAMENTOS DE FINSOCIAL EFETUADOS”, fl. 321; e Os cálculos efetuados pelo aplicativo SICALC da Receita Federal do Brasil são necessários para adequaremse os créditos e os pagamentos ao indexador e vencimentos utilizados à época, bem com para vinculação dos pagamentos aos créditos tributários e para demonstrar eventuais créditos ao contribuinte. Os mesmos constam do DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTO CADASTRADOS, fls. 323, do DEMONSTRATIVO DE VINCULAÇÃO, fls. 324 a 325 e do DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CADASTRADOS, fl. 326; f A atualização dos valores recolhidos a maior seguiu a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 08, DE 27 DE JUNHO DE 1997. Diante das planilhas elaboradas, a unidade de origem apurou o valor de R$ 442,17 (quatrocentos e quarenta e dois reais e dezessete centavos), a título de crédito a favor do interessado, referente aos recolhimentos efetuados indevidamente ou a maior, do tributo FINSOCIAL, relativamente aos períodos de apuração de janeiro a março de 1992, conforme planilha denominada: DEMONSTRATIVO DOS VALORES DE FINSOCIAL PAGOS A MAIOR, fl. 322, abaixo transcrita: A partir de 01/01/1996, o valor do crédito apurado tem incidência de juros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, conforme o disposto no artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Da Compensação: Tendo em que vista que o interessado informou no Pedido de Compensação de fl. 05, que os débitos a compensar seriam contribuições vincendas ao SIMPLES, e pelas informações constante nas Declarações de Simplificada da Fl. 427DF CARF MF 8 Pessoa Jurídica – DSPJ, referidos débitos foram considerados com parte integrante do referido Pedido de Compensação, sabendo que referidos débitos foram transferidos para o Processo nº 13832.0002304/200270, e que em face da adesão ao parcelamento em 27/07/2007, os mesmos estão com a exigibilidade suspensa em função do parcelamento. Cientificado, o interessado apresentou nova manifestação de inconformidade, em 06/09/2013, doc. de fls. 340 a 343, que em síntese, alega: Que de acordo com o Comunicado nº AFRPJU/2013/044, de 01 de agosto de 2013, encaminhando a Informação Fiscal que fora reconhecido o direito à compensação dos créditos do Contribuinte advindos do pagamento indevido do FINSOCIAL, do período de 01/1990 a 03/1992, contudo foi intimado a apresentar e comprovar o faturamento individualizado dos meses de 01/1990 a 03/1992, sob pena de desconsiderar os valores recolhidos no período. Que pelo tempo decorrido, ou seja, mais de 20 (vinte) anos, isso por conseqüência desobriga o Contribuinte a manter tais documentos, pelo simples fato que já decaiu o direito da Fazenda alterar a base de cálculo. Que se tratando de contribuições sujeito ao lançamento por homologação, em não havendo qualquer pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Durante esse lapso de tempo, deverá a autoridade fiscal promover o lançamento de ofício em substituição ao lançamento por homologação, sob pena de decair de tal direito. No caso dos autos, protocolado em 1999, há muito tempo havia se passado o período para o Fisco alterar a base de cálculo do tributo (FINSOCIAL), e por conseqüência os valores recolhidos (DARFs). Que as compensações, no entanto, estão a ser parcialmente homologadas, haja vista que está a se exigir a comprovação do faturamento individualizado dos meses de 01/1990 a 03/1992, para que assim, não sejam considerados os valores recolhidos no período, por não poderem ser confrontadas as bases de cálculo. Que a compensação tributária extingue o crédito tributário até a sua ulterior homologação pela autoridade fiscal, equivalendo, portanto ao pagamento antecipado do tributo, que com isso o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento de ofício suplementar contase Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 6 9 da data do fato gerador, nos termos do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, resta decaído o direito do Fisco de confrontar tais bases de cálculo. Diante do exposto, requer sejam os créditos considerados em sua totalidade conforme o reconhecido pelo Conselho de Contribuintes, como sendo o período compreendido entre 01/1990 a 03/1992, e conseqüentemente anulado a decisão do Comunicado nº ARFPJU/2013/044, de 01 de agosto de 2013, que encaminhou a Informação Fiscal. A 11ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP,por meio do Acórdão 1448.369, de 27/01/2014, decidiu pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade.Transcrevo a ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. O provimento dado pela DRJ é para acatar o cálculo do Fisco, fl. 327 e seguintes, posto que não houve novo Despacho Decisório, mas diligência, solicitada pela DRJ, para cumprimento da decisão do Carf que afastou a prescrição. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos quanto à decadência do direito de o Fisco proceder à cobrança dos débitos, ou alterar as bases do Finsocial. Pede ainda a inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo das atualizações do indébito. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 – Delimitação do litígio Fl. 429DF CARF MF 10 Conforme relatado, o pedido é de restituição de indébito de Finsocial, com compensação. Todavia, não constam nos presentes autos quaisquer informações sobre os débitos. Relatouse que os débitos estavam informados, compensados, na DSPJ (Declação Simplificada da Pessoa Jurídica), e que foi criado novo processo para efetivação da cobrança dos valores remanescentes da compensação. Assim, não há homologação tácita, porque não há Declaração de Compensação, e não existe decadência para apreciação de restituição. Quanto aos valores declarados e compensados em DSPJ, é matéria de cobrança, alheia à competência do Carf. 2 Aferição das bases de cálculo Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito tributário (lançamento) ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 7 11 Exemplo de cálculo de compensação de Finsocial indevido (desconsiderando índices de atualização para facilitar) mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 Base de cálculo legal correta (controle da RF) 100.000,00 100.000,00 100.000,00 100.000,00 Finsocial devido 2% (inconst.) 2.000,00 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Finsocial devido 0,5% Dec. Jud. 500,00 500,00 500,00 500,00 Valor recolhido darf/confessado 2.000,00 1.000,00 0,00 300,00 Valor a restituir 1.500,00 500,00 0,00 0,00 Valor pago a menor que o devido jud. 0,00 0,00 500,00 200,00 Valor a lançar/cobrar decadência 0,00 0,00 0,00 0,00 * Não há restituição quando os valores recolhidos são menores que os valores devidos * Não há lançamento ou cobrança de nenhum mês, mesmo de valores recolhidos a menor que os valores devidos, por causa da decadência * insuficiências de recolhimento em determinado mês não podem ser compensadas com créditos de outro mês A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 431DF CARF MF 12 Desse modo, impedido o Fisco de aferir a exatidão das compensações, por omissão da recorrente em lhe fornecer os documentos necessário, correto o indeferimento parcial, em cumprimento ao artigo 170 do CTN. 3 – Atualização do indébito Os índices para atualização de indébitos tributários restaram decididos no âmbito do REsp nº 1.112.524/DF, com trâmite sob o rito dos recursos repetitivos, transitado em julgado em 03/11/2010: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 8 13 congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciar se de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4 ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês dejunho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro TeoriAlbino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). Fl. 433DF CARF MF 14 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. MinistroGarcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ressalto ainda a tese firmada neste Recurso Especial, no sentido de que o reconhecimento de tais índices é de ordem pública: A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial. Assim, nesta matéria, dou parcial provimento ao recurso, para aplicar os indíces previstos no Resp 1.112.524/DF acima transcrito, por aplicação vinculante do art. 62do regimento interno, §23. 4 Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os índices de atualização previstos no Resp 1.112.524/DF. 3 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13832.000215/9920 Acórdão n.º 3201004.658 S3C2T1 Fl. 9 15 (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 435DF CARF MF
score : 1.0
