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Numero do processo: 10936.721592/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.521
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 15 92 /2 01 2- 41 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10936.721592/201241 Acórdão n.º 3402005.521 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.694, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10936.721592/201241 Acórdão n.º 3402005.521 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908080/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 08 0/ 20 12 -5 0 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 28165.08569.240912.1.3.048037 a compensação débito de PIS/PASEP (cód.6912) do período de apuração 08/2012 no valor de R$ 14.635,40 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 392.312,84 do período de apuração 05/2010, arrecadado na data de 25/06/2010. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 11.888,07. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042017470 (efls.14), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/05/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) a compensação é resultante do não aproveitamento na apuração do PIS e COFINS no regime não cumulativo no ano calendário de 2010, do crédito dos impostos retidos na fonte (PIS 0,65% e COFINS 3%) sobre as notas fiscais de serviços prestados de Assessoria Administrativa, emitidas pela própria empresa; b) foi apurado, declarado e recolhido o valor de R$ 392.312,84 de COFINS para o mês 05/2010, quando o correto seria de R$ 376.492,15 cuja diferença corresponde o valor nominal de R$ 15.820,69 equivalente aos 3% retidos na fonte sobre as NFPS relacionadas às fls. 54: c) em se tratando de erro meramente material no cumprimento de obrigações acessórias da contribuinte, a alternativa existente para corrigilo é através de declaração retificadora, o que foi feito com a transmissão de nova DCTF na data de 15/01/2013; d) foi anexado aos autos para provar suas alegações, além da DCTF Retificadora (efls.29 a 33), DACON (efls.35/36) e informes de rendimento (efls.55 a 57). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 6ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 25/06/2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.82) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que desde as alterações introduzidas pela MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art.18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original; (b) que os sistemas da Receita Federal que cruzam os dados constantes em documentos eletrônicos (DCTF, DACON, PER/DCOMP, etc.), não são suficientes para dizer da liquidez ou não do crédito e em determinados casos, expõe a necessidade de intimação prévia do contribuinte para esclarecimentos, o que não ocorreu no presente caso; (c) ratificando os demais argumentos e provas trazidos com sua inicial manifestação, apresenta o SPED CONTÀBIL, evidenciando o preenchimento de todos os requisitos previstos na Lei 9.430/96 e IN nº 1300/2012, para obter o reconhecimento de seu crédito tributário; (d) a única declaração que inicialmente não expressava o valor correto do débito era a DCTF, a qual foi sanada através de retificadora transmitida na data de 15/01/2013. Todos os documentos fiscais e contábeis apresentados são idôneos e hábeis a comprovar a realização da compensação efetivada pela contribuinte, nos limites da legislação vigente. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 5 4 vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou e comprovou através de documentos e declarações que o crédito apresentado, diferença entre o valor efetivamente devido de COFINS no mês de maio/2010 e o valor recolhido via DARF, corresponde ao valor da COFINS retida na fonte sobre NFPS de sua emissão. A controversa fisco/contribuinte se instaurou quando da análise pela unidade de origem, da PER/DCOMP apresentada, que o valor do débito declarado em DCTF era o mesmo contido no DARF discriminado para o mês 05/2010. Constatado o erro, a interessada tratou, imediatamente, de corrigilo com a transmissão de DCTF Retificadora. O fisco, por sua vez, expressou entendimento de que a DCTF Retificadora não seria o suficiente para assegurar o crédito pleiteado, quando desprovida de elementos de provas irrefutáveis para garantirlhe a alteração pretendida, de redução do débito incialmente declarado. A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais e contábeis que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 6 5 certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10875.908080/201250 Resolução nº 3401001.471 S3C4T1 Fl. 7 6 (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.721895/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Não restando devidamente demonstrado que a documentação juntada aos autos seria suficiente para a alteração das base da autuação deve ser indeferida a prova pericial requerida.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
SOLIDARIEDADE DOS ANTIGOS SÓCIOS
Mesmo não fazendo mais parte dos quadros societários da contribuinte, respondem solidariamente os sócios a época da infração, pois devidamente demonstrada a fraude na tentativa de retirada dos antigos sócios qualificados como solidários.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. (Súmula CARF nº 96)
MULTA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1401-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para tão-somente afastar o agravamento da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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(antiga Comercial de Alimentos Beserra e Morais Ltda.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não restando devidamente demonstrado que a documentação juntada aos autos seria suficiente para a alteração das base da autuação deve ser indeferida a prova pericial requerida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 SOLIDARIEDADE DOS ANTIGOS SÓCIOS Mesmo não fazendo mais parte dos quadros societários da contribuinte, respondem solidariamente os sócios a época da infração, pois devidamente demonstrada a fraude na tentativa de retirada dos antigos sócios qualificados como solidários. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. (Súmula CARF nº 96) MULTA CONFISCATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 95 /2 01 4- 78 Fl. 777DF CARF MF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para tãosomente afastar o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrados em 02/10/2014, exigindo crédito tributário no total de R$ 10.582.652,94, aí incluídos o principal acrescido de multa de ofício agravada (112,50%) e juros de mora calculados até 10/2014, em razão da apuração de omissão de receita da atividade mediante entrega da declaração DIPJ zerada e da falta de apresentação da DACON/DCTF (esta última entregue apenas no mês de dez/10 com valores zerados), bem como do arbitramento do lucro, diante da escrituração considerada imprestável e/ou falta de apresentação da escrituração regular para determinação do Lucro Presumido e Real, respectivamente, nos anoscalendário 2010 e 2011, conforme enquadramento legal descrito nos autos de infração. Foram arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário constituído as pessoas de Cleomar Barcelos Pinto (CPF: 245.993.10182) e Sulamita Oliveira Sodré Barcelos (CPF: 791.817.16168). As infrações foram discriminadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. 73/90). Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 778 3 A fiscalização relata que os arquivos existentes no ambiente Sped foram analisados, quais sejam, ECD dos anos de 2010 e 2011; EFD de 09/11 a 12/11, não tendo sido encontrados arquivos de Notas Fiscais Eletrônicas no ano de 2010, sendo que as Notas Fiscais Eletrônicas (Sped NFe) de 2011 totalizaram o montante de R$ 3.691.440,65 (CFOP 5102, 5403, 5405 e 6102), aí não estando incluídas as vendas amparadas por Cupom Fiscal, deixando as NFe, portanto, de representar a receita bruta, além de se mostrarem incompatíveis com as demais fontes encontradas (Escrituração Contábil, Declaração Periódica de Informações e Movimentação Bancária). Informa, também, que a movimentação bancária da contribuinte totalizou R$ 11.059.903,87, em 2010, e R$ 21.911.055,64, em 2011, conforme obtido da DIMOF. Ainda, a autoridade fiscal descreve as alterações do contrato social, relativamente à participação societária: “9. Conforme Certidão Simplificada da empresa, datado de 17/10/2012, e alterações contratuais datadas de 09/01/2012 e de 15/12/2009, fornecidas pela Junta Comercial do Estado de Goiás– JUCEG (fls. 99 a 151) e pelo contribuinte (fls. 358 a 363), a pessoa jurídica possuía um capital social de R$ 370.000,00, e tinha em seu quadro societário a Sra. Sulamita Oliveira Sodré Barcelos, CPF 791.817.16168 com participação no capital equivalente a R$ 340.000,00 e o Sr. Cleomar Barcelos Pinto, CPF 245.993.10182, com participação no capital equivalente a R$ 30.000,00. 10. Conforme Certidão Simplificada da empresa, datado de 12/03/2014, e alteração contratual datada de 05/11/2013, fornecidos pela Junta Comercial do Estado de Goiás – JUCEG (fls. 102 a 108), o quadro societário foi alterado. O sócio Cleomar Barcelos retirouse da sociedade. Houve transferência da maior parte das cotas da empresa pertencentes à Sra. Sulamita e de todas as cotas da empresa pertencentes ao Sr. Cleomar para a nova sócia Daniele Beserra da Silva, CPF 700.420.70139. A composição societária ficou da seguinte forma: Sulamita Oliveira Sodré Barcelos ficou com o equivalente a R$ 74.000,00 do capital social e Daniele Beserra da Silva, ficou com o equivalente a R$ 296.000,00. A alteração se deu com a Quarta Alteração Contratual, datado de 05/11/2013. 11. Segundo a Cláusula 7ª da Quarta Alteração Contratual, a administração da sociedade cabia a ambos os sócios.”(destaques do original) A fiscalização descreve que o Termo de Início de Fiscalização, datado de 31/01/14, foi encaminhado por via postal, tendo sido devolvido em razão da mudança de endereço, motivando diligência fiscal no domicílio informado no cadastro do CNPJ, na data de 11/03/14, ocasião na qual foi constatada, no mesmo endereço, outra empresa do ramo de supermercados, denominada SUPERMAX SUPERMERCADOS (nome de fantasia), PR COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA (razão social), CNPJ 14.574.786/000670. Fl. 779DF CARF MF 4 Em mesma data, a fiscalização compareceu no escritório do Sr. Cleomar (sala anexa ao antigo supermercado SULAMAR, hoje SUPERMAX), ali ele não tendo sido encontrado. A autoridade fiscal informa que tentou localizar a sócia Sulamita Oliveira, bem como o antigo sócio Cleomar, nos endereços cadastrados no sistema CPF, não logrando êxito. Nas palavras do Auditor Fiscal: “16. Tentamos localizar a sócia Sulamita Oliveira bem como o antigo sócio Cleomar nos endereços cadastrados no sistema CPF. Os mesmos não foram localizados. No suposto endereço da Sra. Sulamita funciona um estabelecimento comercial e segundo informação de um dos funcionários que trabalha no local (Sra. Claudivania Sampaio Lopes) a Sra Sulamita não trabalha e não reside naquele endereço. No suposto endereço do Sr. Cleomar existe uma academia de ginástica. Segundo informação do Sr. Luiz Henrique Lima Dessinomi (vizinho ao endereço), o Sr. Cleomar não reside nem trabalha naquele endereço. 17. Dirigimonos ao endereço da empresa BARCELOS SODRE COMERCIAL DE ALIMENTOS, cujos sócios são Cleomar Barcelos Pinto e Sulamita Oliveira Sodré Barcelos. No local não foi encontrada a empresa muito menos os seus sócios. 18. Entramos em contato com o Sr. Cleomar pelo telefone (61) 93182601 e o informamos sobre a ação aberta na empresa SULAMAR. Não conseguimos entrar em contato com a Sra. Sulamita. 19. Na mesma data, 11/03/2014, damos ciência do Termo de Início de Diligência ao responsável pela empresa PR COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA (SUPERMAX SUPERMECADOS), na cidade de Valparaíso de Goiás, (fls. 240 a 241). No referido Termo foi solicitado à empresa diligenciada que apresentasse informações e documentos sobre sua relação e negócios efetuados com a empresa fiscalizada. 20. Em 12/03/2014, a empresa SUPERMAX apresentou alguns esclarecimentos e documentos solicitados (fls. 242 a 280). Informou e apresentou o seguinte: a. Que o imóvel onde se encontra o supermercado SUPERMAX é locado (conforme contrato o locador é o Sr. Cleomar Barcelos Pinto); b. Que o supermercado SULAMAR encerrou suas atividades em 27/10/2013; c. Que o supermercado SUPERMAX iniciou suas atividades em 02/11/2013 no endereço do antigo SULAMAR; d. Que não adquiriu o fundo de comércio do antigo SULAMAR, apenas locou o ponto comercial; e. Que as poucas mercadorias que sobraram do antigo SULAMAR foram devolvidas aos fornecedores e alguns foram arrestados por fornecedores; Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 779 5 f. Apresentou cópia do contrato de locação do imóvel.” A ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal foi dada mediante Edital nº 0002/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado em 13/03/2014 e desafixado em 28/03/2014, tendo sido encaminhada cópia do Edital ao endereço cadastrado na base CPF da atual sócia Daniele Beserra da Silva, retornando a correspondência com o motivo de que não existe o número indicado e desconhecido. Foi efetuada nova tentativa de envio de cópia do Edital à atual sócia Daniele, agora no endereço constante do contrato social da empresa fiscalizada, retornando a correspondência com o mesmo motivo de que não existe o número indicado. A cópia do Edital foi encaminhada ao endereço do Sr. Cleomar, que consta no contrato de locação de ponto comercial apresentado pela SUPERMAX SUPERMERCADOS, tendo sido recebida a correspondência em 02/04/2014. No referido Termo de Início foram solicitados os livros contábeis e fiscais (Caixa, Diário, Razão, Lalur, Registro de Entradas/Saídas e de Apuração do ICMS), além da apresentação das declarações Dacon e DCTF com as informações dos tributos e contribuições recolhidos espontaneamente antes do início do procedimento fiscal, bem como os arquivos SINTEGRA, conforme definido no convênio ICMS 57/95, devendo a empresa responder questões relativas à administração, data de encerramento das atividades ou mudança de endereço, forma de negociação do fundo de comércio, etc. Mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 01, de 25/04/2014, as solicitações do Termo de Início foram reiteradas, acrescidas da apresentação dos Arquivos digitais previstos no art. 11 da Lei 8.218/1991, no formato especificado pela Instrução Normativa SRF nº 86/2001, ADE COFIS 15/2001 e ADE COFIS 25/2010 (arquivos especificados no item 11 do Termo de Intimação Fiscal nº 01); esclarecendose à contribuinte que o não atendimento ensejaria o lançamento com as informações disponíveis, mediante arbitramento do lucro. Novas diligências foram efetuadas na tentativa de cientificar os sócios e ex sócios do Termo de Intimação Fiscal nº 01, conforme abaixo descrito: “27. No dia 29/04/2014, comparecemos no endereço à Avenida Joaquim Gilberto, Qd B, Lt C, S/N, Apto 404, Residencial Piemont, Setor Norte Maravilha, na cidade de LuziâniaGO, com o fim de dar ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal nº 01 para o Sr. CLEOMAR BARCELOS PINTO e para a Sra. SULAMITA OLIVEIRA SODRÉ BARCELOS (antigo sócio e atual sócio da empresa SULAMAR), fomos informados pelo porteiro do prédio (Sr.Paulo Vitor Alves Meireles) que nenhuma das pessoas se encontrava no local. 28. Segundo informações colhidas no local, o Sr. CLEOMAR é esposo da Sra. SULAMITA e residem no endereço citado no item anterior; 29. O Termo de Constatação nº 2 e o Termo de Depoimento do porteiro do prédio (Sr. Paulo Vitor Alves Meireles) estão às folhas 301 a 303; Fl. 781DF CARF MF 6 30. Comparecemos, na mesma data (29/04/2014), no escritório que o Sr.Cleomar (sala anexa ao do antigo supermercado SULAMAR, hoje SUPERMAX, na Alfredo Nasser, Qd 22, Lts. 03 a 06, Setor Parque Estrela Dalva, em Luziania GO (o escritório é uma pequena sala que fica no andar superior, na lateral do Supermercado Supermax, entrada pelo estacionamento)). O Sr. Cleomar não foi encontrado no local. 31. O Termo de Intimação Fiscal nº 01, datado de 25/04/2014, foi encaminhado para o endereço da sócia, Sra. Sulamita e para o antigo sócio Cleomar, todos no endereço à Avenida Joaquim Gilberto, S/N, Qd. B, Lt. C, Residencial Piemont, Apto 404, Setor Norte Maravilha, CEP 75115100, LuziâniaGO. Os Termos foram recebidos no dia 09/05/2014 (Cleomar) e no dia 13/05/2014 (Sulamita), (fls. 304 a 307). 32. Foi elaborado o EDITAL nº 0007/2014Safis/DRF Anápolis/GO, (fl. 308), afixado em 05/05/2014 e desafixado em 20/05/2014, tendo em vista o endereço desconhecido da sócia Daniele Beserra da Silva, para fins de ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 01.” Uma vez que o fiscalizado não atendeu às intimações anteriores, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 02, datado de 30/05/2014, encaminhado por via postal, cuja ciência ocorreu no dia 09/06/2014 para a sócia Sulamita e no dia 11/06/2014 para o exsócio Cleomar, conforme Avisos de Recebimento e extrato do rastreamento extraído do sítio de internet dos correios. No referido Termo foram solicitados elementos do Termo de Início de Fiscalização e do Termo de Intimação Fiscal nº 01, dentre os quais se destacam os seguintes: “a. DACON; b. LALUR; c. Arquivos digitais de notas fiscais; d. Apresentar todos os comprovantes, hábeis e idôneos, dos custos dos produtos vendidos e das despesas do período de 2010 e 2011 juntamente com planilha eletrônica contendo informações relevantes sobre os custos conforme o item 12 do referido Termo de Intimação Fiscal nº 2; e. Foi ressaltado que a falta de informações relativas aos produtos/mercadorias vendidos (número da nota fiscal, valor dos produtos/mercadorias, descrição dos produtos/mercadorias etc), suficientes para identificar a alíquota específica da COFINS e da contribuição para o PIS aplicável a cada caso, resultará na apuração das mencionadas contribuições com a aplicação da maior alíquota entre aquelas legalmente previstas para os produtos/mercadorias vendidos pela Contribuinte, consoante previsão do contrato social; f. Foi ressaltado também que o não atendimento à intimação ensejará: i. a aplicação da multa agravada conforme artigo 959 do RIR/99 (Decreto nº 3000/99) sem prejuízo de outras sanções legais que couberem; Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 780 7 ii. o lançamento com as informações de que se dispuser (art. 845 do RIR/99); iii. arbitramento do lucro nos termos do art. 530 do RIR/99.” A fiscalização relata que “no dia 02/06/2014, pela primeira vez, depois de tantas intimações efetuadas, e depois de tanto prazo para atendimento, o contribuinte, por meio da sócia Sulamita Oliveira Sodré Barcelos, apresentou requerimento solicitando prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias para apresentar os documentos exigidos, com a alegação de que o sócio administrador da época, Sr. Cleomar Barcelos Pinto, estará ausente do país até o dia 26/06/2014. Apresentou comprovante de passagem aérea em nome do Sr. Cleomar, com data de saída no dia 19/05/2014 e retorno no dia 26/06/2014 (fls. 320 a 321)”. Em 11/06/2014, em resposta à solicitação da contribuinte, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls. 322 a 328), onde foi exposto um histórico da fiscalização até aquele momento, relatando as diligências efetuadas na tentativa de dar ciência aos sócios da empresa, as diversas intimações realizadas, e mesmo tendo os sócios conhecimento, desde os primeiros momentos, de que havia um procedimento fiscal em andamento, não houve interesse em procurar a fiscalização para atendimento ou para busca de esclarecimentos, demonstrando não haver nenhum interesse por parte do fiscalizado de colaborar com a fiscalização. Foi exposto que não havia justificativa para tamanha dilação de prazo (60 dias), não havendo razoabilidade para concessão de prazo tão extenso. Mesmo assim foi concedido o prazo de 20 (vinte) dias contados a partir da ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 04 para apresentação dos elementos solicitados. A ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 04 ocorreu via postal e se deu no dia 17/06/2014 (para Sra. Sulamita e Sr. Cleomar). Foi elaborado o EDITAL nº 0014/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado em 11/06/2014 e desafixado em 27/06/2014, tendo em vista o endereço desconhecido da sócia Daniele Beserra da Silva, para fins de ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 04. Passado o prazo concedido, a contribuinte nada apresentou e não se manifestou. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 05, datado de 15/07/2014, foi dada mais uma chance para a contribuinte atender à solicitação. Neste Termo foi solicitado, além do que tinha sido pedido nos Termos anteriores, o Livro de Registro de Inventário do ano calendário anterior ao ano fiscalizado (ano 2009) e dos anoscalendário dos períodos objeto de fiscalização (2010 e 2011) da matriz e filiais – o livro de inventário é um dos livros obrigatórios exigidos pela legislação, portanto a contribuinte já deveria dispor e ter em seu poder este livro. O Termo de Intimação Fiscal nº 05 foi encaminhado via postal e a ciência ocorreu no dia 22/07/2014, tanto para a sócia Sulamita como para o exsócio Cleomar, conforme Avisos de Recebimento e extrato do rastreamento extraído do sítio de internet dos correios. Foi elaborado o EDITAL nº 0017/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado em 15/07/2014 e desafixado em 30/07/2014, tendo em vista o endereço desconhecido da sócia Daniele Beserra da Silva, para fins de ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 05. Fl. 783DF CARF MF 8 Em 25/07/2014, a contribuinte, por meio de advogado constituído, apresenta pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos, com a alegação de que, devido à paralisação das atividades da empresa, o prazo concedido pela fiscalização não foi suficiente para providenciar os documentos e que a empresa teve sérios problemas em se adaptar ao método de Escrituração Fiscal Digital. Ao final solicita a concessão do prazo de mais 30 (trinta) dias para apresentar os documentos. A fiscalização ressalta que, passados cerca de 5 (cinco) meses, a contribuinte não atendeu a nenhuma das solicitações, nem mesmo os pedidos mais simples, o que levou a crer estar apenas protelando, mesmo assim concedeu tacitamente o prazo solicitado, sendo que, passados os 30 (trinta) dias concedidos e não tendo a contribuinte mais uma vez atendido e sequer justificado o motivo da não apresentação dos documentos, foi elaborado e encaminhado o Termo de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal nº 01, datado de 28/08/2014, cuja ciência se deu em 08/09/2014, nada tendo sido apresentado e/ou justificado até “a presente data (02/10/2014)”. Por tais razões, foi efetuado o arbitramento do lucro, ressaltandose que o único livro disponível era o da contabilidade digital, existente no ambiente SPED, sendo que na Escrituração Fiscal Digital constava apenas dados de alguns meses do ano de 2011 (07/2011 a 12/2011); e que, com relação às vendas, constava na EFD apenas dados do período de 09/2011 a 12/2012, não havendo EFD do ano de 2010, nem arquivos de Notas Fiscais Eletrônicas no ano de 2010. A fiscalização efetuou comparação dos dados do 4º trim/2010 e 4º trim/2011, concluindo que a DPI e a EFD estão com valores compatíveis entre eles; verificou que, na contabilidade, constam lançamentos de forma consolidada das vendas à vista, inexistindo contas auxiliares que detalhem os lançamentos, os quais são efetuados tendo como contrapartida a conta Caixa (lançamento a Débito), com apenas um lançamento mensal, em valores elevados. Acrescentou que o razão da conta 3.1.100.000001 – CUSTO DE AQUISIÇÃO DE MERCADORIA, nos anos de 2010 e 2011, está de forma resumida, não havendo detalhamento dos valores que compõem o custo das mercadorias vendidas, tornando se imprestável para calcular o lucro real. E que, analisando os balancetes, dos anos 2010 e 2011, verificou que todas as contas contábeis estão com saldo inicial igual a zero, o que é inconcebível. Destacou que “mesmo as contas em que ao final de 2010 terminam com saldo final diferente de zero (Devedor ou Credor), em 2011 estas contas iniciam com saldo inicial igual a zero”. A contribuinte teve seu lucro arbitrado com base nas informações por ela própria prestadas na Declaração Periódica de Informações (DPI) apresentada à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás (SEFAZGO), para o ano de 2010; e com base na Escrituração Contábil Digital (ECD), para o ano 2011 (usadas bases de informações mais completas para cada ano), sendo extraídos os rendimentos da conta de receita de vendas baixada do ambiente SPED, cujos dados estão compatíveis com os valores registrados na DPI (os valores registrados na contabilidade estão um pouco maiores que os registrados na DPI). Nesse sentido, registra a fiscalização: “64. Por meio de Convênio de Cooperação Técnica celebrado entre a União e o Estado de Goiás foi previsto cooperação técnicofiscal dirigido ao aperfeiçoamento do planejamento e execução da fiscalização e cobrança dos tributos federais e Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 781 9 estaduais com o intercâmbio de informações cadastrais e econômicofiscais entre os convenentes. 65. Prevista na Instrução Normativa nº 599/2003 GSF e arts. 359 a 364 do Decreto nº 4.852/1997 (Legislação do Estado de Goiás), a DPI é o instrumento por meio do qual o contribuinte obrigado à escrituração de livros fiscais, deve entregar ao Fisco Estadual determinadas informações econômicofiscais, conforme o regime de apuração do imposto a que estiver submetido ou conforme as operações ou prestações realizadas no período. Transcrevemos abaixo um trecho da citada norma: “A pessoa natural ou jurídica inscrita no Cadastro de Contribuintes do Estado de Goiás CCE – que estiver obrigada à escrituração fiscal, ou apresentação do Demonstrativo de Apuração do ICMS DAICMS , deve apresentar a DPI, individualizada por estabelecimento e por período de escrituração, nos prazos estabelecidos” no art. 5º da I.N. 599/03GSF.” 66. O art. 2º da Instrução Normativa nº 599/03GSF, de 9 de junho de 1994, através da IN 895/2008GSF, passou a vigorar a partir de 1º de abril de 2008, com as seguintes alterações: “Art. 2º O comerciante, o industrial, o prestador de serviço de transporte interestadual e intermunicipal, o prestador de serviço de comunicação, o produtor agropecuário e extrator de substância mineral ou fóssil que emita sua própria nota fiscal e o gerador, distribuidor e transmissor de energia elétrica devem apresentar a DPI, individualizada por estabelecimento e por período de escrituração, nos prazos estabelecidos nesta instrução.” Acerca do agravamento da multa, fundamenta a fiscalização: “71. O agravamento da multa, com base no artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, se dá pelo fato do contribuinte não ter atendido às intimações efetuadas pela fiscalização durante o procedimento fiscal. 72. Conforme relatado anteriormente na seção IV – Dos Demais Procedimentos, o contribuinte foi intimado por diversas vezes durante o procedimento fiscal. O contribuinte se limitou apenas a solicitar algumas prorrogações de prazo e mesmo com a fiscalização tendo concedido as prorrogações de prazo solicitadas, o contribuinte não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. Portanto será aplicada o agravamento da multa com base no dispositivo retrocitado.” As pessoas dos sócios administradores foram arroladas como responsáveis solidárias com base nas seguintes acusações fiscais: Fl. 785DF CARF MF 10 73. As infrações tributárias cometidas decorreram de ações e omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. 74. Conforme descrito acima, a Fiscalizada não ofereceu à tributação do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS os valores das receitas auferidas nos anos fiscalizados. 75. Cabe precisamente aos administradores a regular condução dos negócios da Pessoa Jurídica, prevalecendose dos seus poderes de gerência, vigilância e fiscalização. 76. Conforme visto, houve no caso infração à lei, por cuja observância deveria o administrador zelar. Em conseqüência disso, ele deve ser alçado à condição de responsável solidário com a Fiscalizada em relação ao crédito tributário cadastrado no processo administrativo a que se refere o presente Termo de Verificação Fiscal. 77. O art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, prescreve que são pessoalmente responsáveis por infração à lei, os representantes de pessoas jurídicas de direito privado: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 78. Houve uma alteração do contrato social em 05/11/2013 (Quarta Alteração Contratual) com a retirada do sócio Cleomar Barcelos Pinto e a entrada da sócia DANIELE BESERRA DA SILVA. De acordo com alteração contratual, a nova sócia adquiriu trinta mil quotas da empresa no valor de R$ 30.000,00 que pertenciam ao Sr. Cleomar e 266.000 quotas no valor de R$ 266.000,00 que pertenciam à sócia Sulamita, ficando ao final com 296.000 quotas (o que representa 80% das cotas da empresa). 79. Segundo informações colhidas, a empresa fiscalizada encerrou suas atividades de fato em outubro de 2013, o que torna esta operação de troca de sócios e de transferência de propriedade, em novembro de 2013, muito estranha e atípica. 80. Verificamos nos sistemas da Receita Federal que a Sra. DANIELE BESERRA DA SILVA está omissa quanto à entrega da DIRPF desde o ano calendário de 2010. De acordo com a última DIRPF (ano calendário 2009) da Sra. Daniele a mesma não possui nenhum bem declarado e não possui rendimentos que lhe dê suporte à compra de quotas da empresa. No ano de 2009 teve Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 782 11 um rendimento anual declarado de apenas R$ 13.200,00 (treze mil e duzentos reais). 81. A Sra. Daniele não foi localizada no seu endereço cadastrado no sistema CPF e também não foi localizada no seu endereço que consta no Contrato Social. 82. Há fortes indícios de que a entrada da sócia Daniele (pessoa desprovida de patrimônio e em endereço desconhecido), no período de encerramento de fato da empresa, foi para afastar da responsabilidade o patrimônio dos verdadeiros gestores da pessoa jurídica fiscalizada. 83. Concluímos que os sóciosadministradores da empresa no período fiscalizado e abaixo qualificados (de acordo com o Contrato Social e Alterações posteriores às fls. 99 a 151 e 358 a 363) deverão ser responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 135 do CTN, inciso III. QUALIFICAÇÃO DOS SÓCIOSADMINISTRADORES (Responsáveis Solidários): a) CLEOMAR BARCELOS PINTO, brasileiro, casado, empresário, portador da carteira de identidade nº 1.341.969 SSP/GO, CPF nº 245.993.10182, data nascimento 08/11/1961, domiciliado à Avenida Joaquim Gilberto, Qd. B, Lt C, Apto 404, Residencial Piemont, Setor Norte, CEP 72812505 – Luziânia GO. Exerceu poderes de administração da empresa durante o período fiscalizado (retirouse da sociedade em 05/11/2013), conforme Contrato Social e suas alterações (fls. 99 a 151 e 358 a 363); b) SULAMITA OLIVEIRA SODRÉ BARCELOS, brasileira, casada, empresária, portadora da carteira de identidade nº 34267526098215, SSP/GO, CPF nº 791.817.16168, data nascimento 22/02/1977, com domicílio à Avenida Joaquim Gilberto, Qd. B, Lt C, Apto 404, Residencial Piemont, Setor Norte, CEP 72812505 – LuziâniaGO. Exerceu poderes de administração da empresa no período fiscalizado (continua como sócia administradora da empresa), conforme Contrato Social e suas alterações (fls. fls. 99 a 151 e 358 a 363);” Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, apenso a este. Os responsáveis solidários foram cientificados dos autos de infração e demais termos, por via postal, ambos em 06/10/2014. Já, a contribuinte foi cientificada por meio de Edital nº 0024/2014Safis/DRFAnápolis/GO, afixado na repartição em 03/10/2014 e desafixado em 20/10/2014, em virtude de restar improfícua a ciência por via postal. Inconformados, a contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnação conjunta, em 03/11/2014, acompanhada de documentos. Fl. 787DF CARF MF 12 Ao fazer um breve resumo dos fatos, informam que a empresa atuava desde 1997 no ramo de comércio da cidade, constituindo filial no auge de sua atividade, sendo composta a sociedade por Sulamita Oliveira Sodré Barcelos e Cleomar Barcelos Pinto, com 91,89% e 8,10% do capital social, respectivamente. E que, por problemas de ordem administrativa e financeira, os sócios resolveram vender a empresa, não respondendo mais pela mesma, nos termos das alterações do contrato social em anexo, razão porque tiveram extrema dificuldade em obter os documentos solicitados durante a auditoria. Acrescentam, porém, que “hoje têm plenas condições de prestarem as informações solicitadas, pois conseguiram acesso aos documentos em questão, estando, inclusive, todos os documentos à disposição do Órgão autuador. Por isso, não há razão para que se desconsidere a escrita fiscal da empresa”. Na sequência, acusam o erro na identificação dos sujeitos passivos responsáveis tributários, dizendo que os antigos sócios foram intimados durante o procedimento fiscal, sendo que ambos não compõem mais o quadro societário e, exatamente por tal fato, foi impossível providenciarem a documentação solicitada a tempo de cumprir o prazo estabelecido. Afirmam ser inconteste que os atuais sócios deveriam ter sido intimados, pois a estes caberia o dever de apresentar a documentação requerida, sendo que os antigos sócios “tiveram que obter autorização dos atuais para retirar cópia da documentação solicitada e apresentála na defesa em atento”. Alegam ser pacífico o entendimento junto aos Tribunais Superiores de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN, sendo indispensável que tenha agido com excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. Ressaltam que o próprio STJ já assentou, há muito, que o sócio que se retira licitamente da sociedade limitada (caso dos autos), mediante transferência de suas cotas, continuando o empreendimento com suas atividades habituais, não responde por eventuais débitos fiscais contemporâneos ao seu período de permanência na sociedade. Cita jurisprudência. Observam que, no caso em tela, os sócios remanescentes continuam a explorar a atividade empreendida, sendo latente, na mesma linha, o entendimento acima exposto. Retomam as disposições do art. 135 do Código Tributário Nacional para concluir que o dispositivo não se enquadra no caso em tela, “pois não houve comprovação pelo órgão autuador da real prática de atos com excesso de poderes ou infração da lei. Já que o simples fato de não ter sido apresentada a documentação não pode, por si só, ensejar a conclusão da existência de atos abusivos”. E continuam, em suas palavras: “Há de se considerar ainda, conforme já fora exposto, que os sócios não intimados para responder este auto já não compõem os quadros societários, fato que inviabiliza que estes apresentem os documentos solicitados. Ainda sob essa égide, temos que os mesmos sócios retirantes não podem responder por possível Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 783 13 encerramento irregular das atividades, já que no momento não fazem parte desta. Além do mais, a transferência e venda das quotas da empresa foi efetuada em obediência aos preceitos legais, sem qualquer fato que desabone tal conduta, o que não coaduna com as supostas irregularidades suscitadas pela autoridade fiscalizadora. Nesse esteio, requer a retirada dos antigos sócios da empresa da condição de Responsáveis Tributários nos presentes autos e a inclusão dos atuais sócios por razões de fato e direito, visto que esta é a previsão legal e o posicionamento pacífico da jurisprudência e também pelo fato de que a estes sócios será substancialmente mais fácil apresentar as provas necessárias para solução desta demanda.” Na seqüência, dizem apresentar na impugnação os documentos solicitados na auditoria, por amostragem, “devido ao volume de arquivos existentes e a inviabilidade de juntar tudo neste processo”. Protestam pela realização de diligência “a fim de examinar a documentação para que a mesma possa ser considerada em termos fiscais e contábeis”, certos de que não restarão evidências de irregularidades, “pois todos os apontamentos foram feitos no sentido de obedecer à legislação vigente e de pagar os débitos fiscais na medida em que eram devidos”. Acerca do lançamento de ofício, tomando as disposições do art. 149 do Código Tributário Nacional, concluem que a autoridade fiscal não se pautou em nenhuma das hipóteses ali contidas, “tendo em vista não se enquadrarem no caso em tela, pois a empresa possui toda a documentação pertinente à sua escrita fiscal e contábil, razão pela qual não há que se concordar com o lançamento de ofício”. Requerem, mais uma vez, a realização de diligência, no sentido de serem analisados e considerados todos os documentos referentes à escrita fiscal e contábil da empresa, à disposição para a fiscalização, em virtude da impossibilidade da entrega de aproximadamente 20 livros fiscais e mais de 30 caixas de notas e documentos fiscais diversos, sendo estes: Fl. 789DF CARF MF 14 Entendem arbitrária e ilegal a desconsideração da escrita, diante da existência dos documentos reais e da sua disponibilização por parte do sujeito passivo, sendo que a inobservância do pedido acima, de juntada de documentos e realização de diligência, acarreta a nulidade do processo administrativo, por cerceamento do direito de defesa. Em outra frente de defesa, acusam erro na autuação e adoção de critérios ilegais, pois o simples fato da não apresentação dos documentos requeridos não faz presumir a existência de ilegalidade ou exercício de atividades com excessos por parte dos antigos sócios. Por tal razão, julgam claro o erro no lançamento, porque a fiscalização não considerou os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo, tão pouco a escrituração fiscal “que já havia sido apresentada em parte, ou enviada através de arquivos eletrônicos aos órgãos competentes”. Apontam que nem mesmo os créditos que a empresa possui ou as contribuições retidas na fonte foram considerados, havendo simplesmente o lançamento de débito e multa sem qualquer critério eqüitativo. Encerram o tópico nos seguintes termos: “Sendo assim, não há o que se falar em lançamento tributário até que toda a escrituração da empresa seja analisada e considerada para efeitos fiscais. Onde, só então teremos expressado a realidade da apuração contábil e fiscal da mesma. Antes disso, toda e qualquer tentativa de imputação de débitos ao sujeito passivo se constitui com ilegal e arbitrária.” Por fim, acusam a penalidade aplicada de confiscatória, dizendo que a diminuição da multa tem respaldo na Suprema Corte, sendo antiga a jurisprudência acerca da inconstitucionalidade das multas fixadas em índices de 100% ou mais. Acrescentam que o Supremo Tribunal Federal admite que o Poder Judiciário diminua multas, por entender excessivas e desproporcionais. Citam jurisprudência. Apontam que, à evidência, ao invés de servir como instrumento dissuasivo, intimidador e sancionador, a multa fixada em patamar de mais de 100% transformase em clara e notória fonte de arrecadação indireta, medida odiosa e ilegal. Discorrem acerca do princípio da proporcionalidade, que entendem importante mecanismo de controle de arbitrariedade, concluindo que a multa no patamar superior a 100% representa sacrifício da propriedade particular, estendendose o princípio do nãoconfisco às multas, razões pelas quais protestam pela desconsideração da penalidade aplicada. Encerram com os seguintes pedidos: “Ante todo o exposto, requer a exclusão dos sujeitos passivos identificados como responsáveis tributários pela empresa em tela, já que os mesmo não mais compõem seus quadros societários, havendo novos sócios que responderão pela empresa. Requer ainda, que seja realizada diligência a fim de analisar todos os documentos referem à escrituração contábil e fiscal da empresa autuada. No intento de apurar se há e qual a quantia de valores devidos, por o lançamento de ofício desconsiderou toda e Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 784 15 qualquer documentação, pagamento e crédito que a empresa pudesse possuir. Ademais, pleiteiase a desconsideração do lançamento feito de ofício, bem como a desconsideração da multa aplicada em percentual superior a 100%, valor este que já foi considerado inconstitucional por parte dos Tribunais Superior, por caracterizar Confisco, prática vedada pela Constituição Federal. Requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial perícia contábil e apresentação de documentação referente à escrituração contábil e fiscal da empresa que não pode ser anexada a presente defesa devido ao volume exorbitante de documento, mas que se encontra à disposição deste órgão fiscalizador para que realize as análises que julgar necessária ao fiel cumprimento legal.” A decisão de primeira instância restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 Provas. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligência e Perícia. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 Declaração Apresentada Perante o Fisco Estadual. Prova Obtida por meio de Convênio entre as Fazendas Públicas. A confissão das vendas prestada em GIA/SINTEGRA caracteriza prova direta das receitas auferidas, mormente quando os valores se mostram compatíveis com as receitas escrituradas. Fl. 791DF CARF MF 16 Receita de Vendas. Falta de Declaração. Constatada, nos anoscalendário, a obtenção de receitas de vendas e a apresentação da DIPJ com valores zerados, bem como a falta de apresentação de DCTF e Dacon (à exceção da DCTF de dez/2010, a qual foi entregue, também, com valores zerados), configurada está a subtração de rendimentos à tributação, caracterizando a omissão de receita. Arbitramento do Lucro. Escrituração Imprestável. Correto o arbitramento do lucro quando a escrituração da pessoa jurídica se mostra imprestável para determinação do lucro real e presumido, mormente quando, regularmente intimada, nada providencia a contribuinte para a devida reconstituição da escrita. Arbitramento. Escrituração Apresentada Posteriormente. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração, cuja recusa ou inexistência foi a causa do arbitramento. Arbitramento. Retenções. Imposto e Contribuição Pagos Espontaneamente. À falta de comprovação da existência de eventuais retenções na fonte correspondentes às receitas computadas no lucro arbitrado, mediante apresentação dos respectivos Comprovantes de Rendimentos Pagos, inclusive, não se cogita da sua dedutibilidade. Retificase a exigência para computar no lançamento os recolhimentos espontâneos efetuados a título de IRPJ e CSLL. Multa Agravada. É cabível o agravamento da multa de ofício em 50%, motivada pela falta de atendimento às intimações, quando a negativa da contribuinte traz claro prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscalizatória. Equidade. O emprego dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em matéria de penalidade tributária, encaixase, unicamente, em proposta de aplicação de equidade formulada pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), cuja apreciação é feita em instância especial de julgamento pelo Subsecretário de Tributação e Contencioso, provadas as circunstâncias pessoais ou materiais da espécie julgada, limitado aos casos em que a infração não se reporte: à falta ou insuficiência no recolhimento do imposto; à reincidência; à sonegação, à fraude ou ao conluio. Ato Normativo. Inconstitucionalidade. Ilegalidade. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 785 17 Decisões Judiciais e Administrativas. Efeitos. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária Solidária. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Arbitramento do Lucro. Exigência Reflexa. Pis. Cofins. Créditos. Não Cabimento. Incabível a pretensão de aproveitamento de eventuais créditos de contribuições pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado, porque sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração do Pis e da Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário alegando em síntese: 01) preliminarmente que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que foi indeferida a perícia requerida e ignorada a prova documental acostada aos autos; 02) erro na identificação dos sujeitos passivos, responsáveis solidários. 03) no mérito. inexistência das omissões alegadas. Apresentação da documentação solicitada; 04) da contradição da multa agravada; 05) da natureza confiscatória da multa agravada Este é o relatório do essencial. Voto Fl. 793DF CARF MF 18 Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Pois bem, cuidam os autos de IRPJ e seus respectivos reflexos, no período compreendido entre 2010 e 2011. Para que possa ser bem analisado o conteúdo desses autos, essencial retornar ao TVF para se verificar a dificuldade de a fiscalização encontrar os responsáveis pela contribuinte autuada, bem como verificar todo o empenho da fiscalização em busca da verdade real. Isso porque, conforme se verifica, o MPF foi aberto em virtude de a contribuinte entregar nos anos de 2010 e 2011 sua DIPJ zerada, sem qualquer movimentação. A DIPJ de 2010 tinha como opção o lucro presumido e a DIPJ do ano de 2011, tinha como opção o lucro real, mas ambas encontravamse zeradas e sem quaisquer informações. Por outro lado, a movimentação bancária da contribuinte foi de R$11MM e R$22MM, nos anos de 2010 e 2011, respectivamente. A fiscalização foi iniciada em março de 2014 e somente concluída em outubro de 2014. Durante todo esse tempo, tentou a fiscalização como visitas in loco, por intimações, e, ainda por edital, requerer toda a documentação necessária para a verificação dos valores devidos pelo contribuinte nos anos fiscalizados. O que foi constatado é que a contribuinte teve as suas atividades interrompidas em 2013 e que posteriormente os antigos sócios, atuais responsáveis solidários se retiraram da sociedade. Porém, os atuais sócios são desconhecidos, não apresentam patrimônio compatível com a sociedade e não foram encontrados. Assim, nas palavras do próprio fiscal, "Há fortes indícios de que a entrada da sócia Daniele (pessoa desprovida de patrimônio e em endereço desconhecido), no período de encerramento de fato da empresa, foi para afastar da responsabilidade o patrimônio dos verdadeiros gestores da pessoa jurídica fiscalizada." Por outro lado, não trouxeram os antigos sócios e responsáveis solidários, qualquer documentação que possa comprovar o contrário. Apenas argumentam que os indícios não seriam suficientes para lhe atribuir responsabilidade pessoal ou solidária. Limitouse a defesa a expor seu entendimento sobre teses doutrinárias e aspectos relacionados aos princípios constitucionais tributários voltados ao legislador, entretanto, atuando na esfera administrativa, a fiscalização deve restringirse à norma positivada, em confronto à verdade dos fatos desvelados no curso da investigação fiscal, que uma vez revelados implicam nas hipóteses legais de incidência tributária. Por esse motivo, ouso divergir da argumentação apresentada no recurso da recorrente e seus responsáveis tendo em vista que a fraude é sempre de difícil constatação. O que se apresenta nos autos é uma empresa que, apesar de ter tido seu regular funcionamento nos anos de 2010 e 2011, se esquivou de pagar qualquer tributo federal. Assim o fez, e quando a situação já se encontrava consolidada retiraramse os sócios que eram também os gestores a época da autuação para se esquivarem do pagamento dos tributos. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 786 19 A fiscalização foi o mais diligente possível na busca da verdade real e não logrou êxito em obter qualquer documento da recorrente. Quando da impugnação, foi juntado aos autos vasta documentação que deveria ter sido apresentada a época da fiscalização. Contudo, essa documentação por si só não seria capaz de alterar o procedimento realizado pela fiscalização. Se houvesse documentação suficiente para a regular apuração dos tributos devidos deveria ter sido apresentado um quantitavo dos valores devidos devidamente comprovado pela documentação. Juntar aos autos vasta documentação para querer prorrogar o prazo da fiscalização seria no mínimo desrespeitoso. Nesse sentido a prova que se pretende fazer deveria ter sido demonstrada pelo Contribuinte. Deveria este ter juntado aos autos a comprovação de que sua documentação era suficiente para não se arbitrar o lucro. Mesmo que essa prova fosse juntada aos autos em algum momento extemporâneo, poderia até ser considerado, se o julgador ficasse convencido que o contribuinte não deu causa a extemporaneidade e de que a prova era relevante. Porém, requerer dilação probatória para demonstrar documentos que deveria ter sido mostrados quando da fiscalização e, ainda requerer perícia em tais documentos sem contudo demonstrar que tal documentação seria suficiente para a apuração de lucro, conforme opção feita pelo contribuinte é totalmente descabido. Por outro lado, o artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72 deixa á faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que as pode indeferir, quando considerálas prescindíveis, não configurando assim, com o seu indeferimento o cerceamento do direito de defesa. Pelo exposto, indefiro a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, tendo em vista que a contribuinte não juntou aos autos documentação comprobatória suficiente para despertar qualquer dúvida no julgador. Ademais, cumpre ressaltar que a falta de apresentação de livros contábeis e fiscais e da respectiva documentação que dá suporte à auditoria tributária autoriza o arbitramento dos lucros, que será determinado mediante a aplicação de um percentual previsto em lei, sobre a receita bruta. Foi o que de fato ocorreu no caso dos autos, não havendo documentação suficiente para a apuração do lucro, nos moldes da legislação, arbitrouse o lucro, conforme previsão da lei fiscal. Com relação ao alegado erro na identificação dos sujeitos passivos, maior sorte não assiste ao contribuinte. Afinal, conforme mencionado acima, o que se identificou foi um verdadeiro intuito de fraude. A contribuinte exerceu as suas atividades nos anos de 2010 e 2011 e não pagou qualquer tributo federal. Assim, Em 2013 encerrou as suas atividade e tentaram os sócios gestores de 2010/11 imputar a outrem sem qualquer capacidade a responsabilidade por atos praticados no passado. Fl. 795DF CARF MF 20 Não havendo qualquer prova em contrário nos autos, correta a autuação e a decisão da DRJ de se atribuir aos sócios que geriam a empresa a época dos fatos geradores a responsabilidade tributária, conforme preceito do art. 135 do CTN. Assim, mantenho a responsabilidade tributária dos antigos sócios Sulamita Oliveira Sodré Barcelos e Cleomar Barcelos Pinto. Com relação à não omissão das informações e da apresentação da documentação solicitada, conforme exposto na preliminar, não julgo que os documentos se mostraram suficientes, tampouco que são relevantes para alterar a decisão da DRJ. Já em respeito à multa agravada pelo não atendimento à fiscalização, entendo que a multa está equivocada pois, conforme arguido na peça recursal, a súmula do CARF realmente exonera de multa a atitude do sujeito passivo quando tal fato imputalhe consequência mais grave, como é o caso do arbitramento. Verificase pelo TVF que a multa agravada se deu pela não apresentação dos documentos, conforme exposto abaixo: 71. O agravamento da multa, com base no artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, se dá pelo fato do contribuinte não ter atendido às intimações efetuadas pela fiscalização durante o procedimento fiscal. 72. Conforme relatado anteriormente na seção IV – Dos Demais Procedimentos, o contribuinte foi intimado por diversas vezes durante o procedimento fiscal. O contribuinte se limitou apenas a solicitar algumas prorrogações de prazo e mesmo com a fiscalização tendo concedido as prorrogações de prazo solicitadas, o contribuinte não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. Portanto será aplicada o agravamento da multa com base no dispositivo retrocitado. Verificase pelo texto da súmula CARF que esse tipo de agravamento de multa é vedado, conforme exposto abaixo: Súmula CARF nº 96. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de exonerar a multa agravada e mantêla à razão de 70%. (multa de ofício) Em relação à confiscatoriedade da multa, certo é que esse Conselho não tem competência para verificar inconstitucionalidades da legislação tributária: A autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a legalidade ou inconstitucionalidade de normas legais, sendo o contencioso administrativo foro impróprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 102 da Carta Magna. Essa orientação tem sido igualmente seguida pelo Conselho de Contribuintes, conforme súmula 2: Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13116.721895/201478 Acórdão n.º 1401002.741 S1C4T1 Fl. 787 21 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação aos demais tributos, tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto para negar a preliminar arguida de cerceamento de defesa e dar provimento ao recurso tãosomente para reduzir a multa agravada pela não apresentação de documentos fiscais aplicandoa à razão de 70%. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 797DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.721666/2012-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.620
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 16 66 /2 01 2- 78 Fl. 206DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 7.720,02, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da inexistência de comprovação da decisão judicial que homologou o acordo referente à pensão alimentícia paga e a idade de um dos filhos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à idade de um dos filhos e à falta de comprovação da decisão judicial definidora da prestação alimentar ou homologatória de acordo, exigência da legislação vigorante, nos termos que segue: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 04 a 07, na qual é exigido imposto de renda pessoa físicasuplementar no valor de R$ 7.720,02 acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2010, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo a pensão judicial, nos seguintes termos: (...) São, portanto, requisitos para a dedutibilidade: 1. que o pagamento tenha a natureza de alimentos; 2. que sejam fixados em decorrências das normas do Direito de Família; 3. que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública (Código Civil, artigo 1.124A). Pensão Aleixo e Emerson Conforme inicial no processo de separação consensual de fls. 11 e 12 e revisão da prestação de alimentos de fl. 08, o contribuinte ficou obrigado ao pagamento de alimentos no valor de 4 salários mínimos mensais para os filhos Aleixo Brizolari (nascido em 14/05/1982) e Emerson Brizolari (nascido em 13/05/1985). Os filhos, no anocalendário 2010, já tinham mais de 21 anos. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.007 3 Ao atingir a maioridade, o filho perderia, a princípio, o direito à pensão alimentícia. No entanto, a doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. Por outro lado, para que eventuais repasses financeiros a filho maior de 24 anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia, necessário seria que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do art. 1.695 do Código Civil. A partir da maioridade dos filhos, qualquer repasse de numerário efetuado pelo pai em seu favor se equipara aos repasses efetuados pelos demais pais, que nunca estiveram obrigados a efetuar pagamentos a título de pensão alimentícia. Tratase de uma mera liberalidade. A possibilidade de deduzir pensão alimentícia deve ser analisada tendose como referência os mesmos requisitos necessários para a relação de dependência estabelecida na legislação do imposto de renda. A Lei nº 9.250/1995, assim dispõe em seu art. 35, base legal do art. 77, do RIR/1999, em relação à figura dos dependentes: (...) No caso, ficou comprovada a incapacidade do filho Aleixo Brizolari, tendo sido aceita pela fiscalização à dedução da pensão alimentícia no valor de R$12.240,00. Com relação ao filho Emerson Brizolari não foi apresentando nenhum documento comprovando sua incapacidade física ou mental para o trabalho ou que ele estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Mantida a glosa da dedução referente aos pagamentos efetuados ao Emerson. Pensão – Jéssica O impugnante apresentou às fls.13 e 14 cópia do Termo de Audiência na Ação Revisional de Alimentos realizado em maio de 2008. Por oportuno, transcrevese parte do termo: 1. Doravante, o alimentante pagará pensão alimentícia somente em benefício de sua filha JÉSSICA, em importância mensal de R$ 2.000,00 (dois mil reais), todo dia 05 de cada mês, a partir de 05/junho/2008, mediante depósito em conta bancária da representante da credora no Banco Nossa Caixa, agência 08338, conta n° 010028410. O valor dos alimentos será corrigido anualmente pelos índices de variação do IGPMFGV, incidindo o primeiro reajuste a partir da parcela com vencimento em 05/junho/2009 e assim sucessivamente. As Fl. 208DF CARF MF 4 parcelas com vencimentos em 05/novembro, 05/dezembro e 05/janeiro de todos os anos senão acrescidas de 1/3 (um terço) do valor dos alimentos mensais em vigor no mês do efetivo pagamento, a título de pensão alimentícia sobre o 13° salário 2) O alimentante fica exonerado da obrigação alimentar em relação a exesposa ADRIANA, a partir da parcela com vencimento em junho/2008, possuindo ela meios próprios de subsistência. 3) Com a intenção de novar, .estabelecem as partes o débito de alimentos até a presente data (credoras a ex esposa e a filha na proporção de metade para cada qual) em R$51.000,00 (cinquenta e um mil reais) que o devedor pagará em 34 parcelas fixas e irreajustáveis de R$ 1.500,00 cada com vencimentos todo dia 10 de cada mês, no período de 10/junho/2008 a 10/março/2011, mediante depósito na mesma conta bancária em nome da exesposa ADRIANA. Essas parcelas serão pagas sem prejuízo das pensões vincendas em benefício da filha JÉSSICA (item 1 acima) Comprovando o pagamento da pensão, consta nas fls 25 a 29 recibos de depósito para Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari. A dedução da pensão alimentícia judicial está condicionada à existência de uma decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de pagamento. No lançamento foi considerado o pagamento da pensão alimentícia no valor de R$25.481,29 (R$2.000,00 mais a correção do IGPMFGV por mês). No entanto, o contribuinte estava obrigado também ao pagamento de R$1.500,00 mensais referente a débito de alimentos. Assim, deve ser considerada também a dedução do valor de R$18.000,00 (R$12xR$1.500,00). A legislação transcrita é clara ao dispor que a dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia somente abrangerá os valores determinados ou homologados em juízo. Assim, valores que eventualmente tenham sido pagos sem a devida homologação judicial configuram mera liberalidade do contribuinte, não podendo ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda, por falta de previsão legal. Outrossim, deve ser observado que o valor da pensão alimentícia que, por determinação judicial, houver sido descontada do 13º salário, não pode ser considerado como dedução na Declaração de Ajuste Anual. Como o imposto devido em razão do pagamento do 13º salário (ou gratificação natalina) é exclusivo na fonte, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, prevê em seu art. 7º que qualquer dedução que tenha sido utilizada na sua apuração não poderá ser novamente considerada para a determinação da base de cálculo de quaisquer outros rendimentos, inclusive os tributados na declaração anual. A dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$18.000,00, resulta no imposto a ser cancelado de R$4.950,00 (R$18.000,00*27,5%). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.008 5 Diante do exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, cancelando o imposto no valor de R$4.950,00. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para reduzir a exigência do Lançamento em R$ 4.950,00, como imposto suplementar. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Restou demonstrado que o Recorrente, efetuou em 2008 o pagamento à título de Pensão Alimentícia Judicial, em nome de Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari – CPF: 167.064.57892, comprovados através de comprovantes de depósitos bancários, e em nome de Rita de Cássia Brizolari – CPF: 094.184.35802, comprovados através de declaração da mesma, visto que os comprovantes se apagaram com o tempo, apresentou junto aos comprovantes, todos os acordos solicitados em Intimação. É incontroverso nos autos do processo administrativo, a informação de que a pensão alimentícia devidamente paga à “Rita de Cassia” será parcialmente aceita, haja visto a maioridade dos filhos incapazes, então, reitera o fato de que ambos os filhos, (Aleixo e Emerson) são deficientes físicos e mentais, e que só apresentou documento comprovante a incapacidade de um dos filhos, cumprindo a Intimação da RFB. É controverso ainda, a informação da falta da apresentação de decisão judicial, que determina a pensão alimentícia para a “Adriana”, e a decisão de aceito parcial dos pagamentos efetuados, haja visto, que não houve homologação do acordo de redução da pensão a partir de Maio/2008 e os pagamentos de janeiro à abril/2008, não foram considerados na soma da pensão paga, observando que o Recorrente, respondeu à todos os Termos de Intimação encaminhados pela RFB, apresentando os acordos e os comprovantes de pagamentos feitos no decorrer do ano de 2008. Fato 1 o Recorrente foi casado com Rita de Cássia Brizolari, e que desta união tiveram 2 (dois) filhos, Aleixo Brizolari e Emerson Brizolari, e ambos apresentam deficiência por causa genética (consanguinidade dos pais), com reflexos mentais e físicos severos, conforme comprova o relatório psicológico da APAE e o Atestado emitido pelo DR. Lineu Hamilton Cunha, médico que atende ambos na Unidade Hospitalar Dr. José Nigro Neto, na cidade de Américo Brasiliense. (docs. Anexo). Acrescenta aos documentos, ainda como prova de deficiência dos 02 (dois) filhos, a Cédula de Identidade e a Certidão de Nascimento, onde consta a Interdição dos mesmos. (Emerson em 04/2004 e Aleixo em 02/2007). Após a separação, ficou determinado e homologado, que a partir do mês de julho de 1992, o recorrente passaria a prestar alimentos aos Fl. 210DF CARF MF 6 filhos Aleixo Brizolari e Emerson Brizolari, o valor mensal correspondente à 04 (quatro) salários mínimos. Fato 2 em período posterior, o Recorrente casouse com Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari, e desta união nasceu em 12.11.1992 a filha do casal Jessica Maria Brandão Brizolari. No ano 2000, iniciouse o processo de separação do casal, onde, a partir do mês de outubro de 2000, foi determinado que o Recorrente passasse a pagar a título de pensão alimentícia, o valor mensal de R$ 2.000,00 (Dois Mil Reais) – Processo 591/00, chegando o valor da pensão a valor equivalente a 22,22 salários mínimos. Não estando apto financeiramente para cumprir o pagamento da pensão determinada em 2002, o Recorrente partir para processo de apelação e acordo entre as partes, reduzindo a partir de 2006, o pagamento de 13,24 salários mínimos a título de pensão alimentícia, conforme Processo 819/06. Em 2007, o Recorrente teve problemas graves de saúde e não conseguiu cumprir com os valores exatamente determinados, chegando até a ser preso, mas somente em Maio de 2008, houve a audiência revisional de alimentos, reduzindo a pensão e acordando o pagamento a ser feito de pesões em atraso. Nos Termos de audiência de 19/05/2008, ficou definido que a partir de junho/2008, o Recorrente pagaria a pensão de R$ 2.000,00, acrescido da pensão em atraso, na totalidade de R$ 51.000,00, dividido em 34 parcelas de R$ 1.500,00. Julga importante ressaltar que, conforme descrito nesta Intimação, nº 255/2014, página 03, sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo judicial, nos seguintes termos: (...) O Recorrente, com o intuito de justificar e comprovar que todos os valores depositados a título de pensão alimentícia, se deram para o devido cumprimento da Lei, anexa cópia de todos os Processos e Decisões Judiciais para análise. Ante o exposto requer seja recebida, autuada e integralmente provido o presente Recurso Administrativo, para fins de reconhecer a nulidade dos débitos demonstrados, tudo como forma pura e verdadeira de justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.009 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Acórdão da DRJ dá provimento parcial para reconhecer a regularidade no pagamento da pensão alimentícia somente ao filho beneficiário Aleixo Brizolari, com pagamentos realizados através da progenitora Rita de Cássia Brizolari, o que fez reduzir o valor do crédito tributário originalmente lançado. A divergência fixa no que se refere à pensão alimentícia ao filho Emerson Brisolari por falta de comprovação de sua incapacidade física ou mental. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo Fl. 212DF CARF MF 8 homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Decreto nº 3.000/99. Art. 77. (...) § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. No que se refere aos filhos Aleixo Brisolari e Emerson Brisolari foi anexada aos autos comprovação da incapacidade física e mental e, por consequência, a dependência física e financeira de ambos em relação aos progenitores, mesmo após a maioridade que se estende ao anocalendário abrangido pelo Lançamento. Resta evidente a existência de decisão judicial definidora da pensão alimentícia, desde período anterior ao anocalendário correspondente ao lançamento tributário ora em contestação, cujo pagamento foi devidamente comprovado, razão pela qual deve ser aceito como dedutível do imposto sobre a renda por ocasião da Declaração de Ajuste Anual. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou elemento probante da existência material da pensão alimentícia homologada no judiciário, desde períodos muito anteriores ao Lançamento, embora pendente de tramitação somente o que se referia à revisão de valores pleiteada pelo alimentante, tendo, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13851.721666/201278 Acórdão n.º 2001000.620 S2C0T1 Fl. 2.010 9 portanto, satisfeito as condições para utilização daquele dispositivo legal permissivo da dedução pleiteada na DAA, por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, para exclusão do crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000801/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Ementa:
PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção.
SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Numero da decisão: 2301-005.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.094, de 18/07/2014, alterar a ementa e dispositivo do acórdão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
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INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 01 /2 01 0- 99 Fl. 516DF CARF MF 2 INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 004.094, de 18/07/2014, alterar a ementa e dispositivo do acórdão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratamse de embargos opostos pelo sujeito passivo em razão da ocorrência de erros materiais no Acórdão nº 2301004.094 (efls. 440 a 470). O Auto de Infração foi lavrado para a exigência das contribuições devidas a terceiros (salárioeducação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae). O embargante alega que não obteve logro na primeira instância administrativa e que teria tido, no recurso voluntário, parcial provimento para excluir do lançamento as contribuições referentes ao seguro de vida em grupo e a aplicação da Lei nº 11.941, de 2009, para reduzir o valor da multa. O conteúdo do acórdão embargado, porém, conteria matérias estranhas ao processo. Pugnou pela correção da ementa, do voto e do dispositivo. Diante da evidência de erros materiais, o presidente desta turma acolheu o apelo como embargos inominados, nos termos do art. 66 do Ricarf É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15586.000801/201099 Acórdão n.º 2301005.541 S2C3T1 Fl. 517 3 Embora recebidos no prazo regimental aplicável aos embargos de declaração, os embargos inominados não estão sujeitos à avaliação da tempestividade. O auto de infração contestado referese ao Debcad nº 37.264.2780 e foi constituído em 10/08/2010 (efl. 2). O lançamento referese às contribuições a terceiros incidentes sobre: a) o pagamento de despesas médicas a diretores, empregados e dependentes (levantamentos EM, SS e SS1), e b) pagamento de seguro de vida para a totalidade dos empregados (levantamentos SV e SV1). Impugnado o lançamento, as matérias foram devidamente enfrentadas na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1237.576 (efls. 286 a 297), que concluiu pela procedência total do lançamento. O acórdão embargado também abordou as matérias. Manteve o lançamento relativo às despesas com saúde constantes dos levantamentos EM, SS e SS1 (efl. 451) e desonerou os valores relativos ao seguro de vida em grupo constantes dos levantamentos SV e SV1 (efl. 462). Além disso, o colegiado entendeu que a retroação da Lei nº 11.941, de 2009, para aplicação da multa mais benéfica é matéria de ordem pública e sobre o assunto decidiu, a despeito da ausência de prequestionamento. Todos os pontos do recurso voluntário foram enfrentados no acórdão embargado. De fato, além das matérias pertinentes ao processo, também constou do voto, da ementa e do dispositivo assuntos estranhos aos autos. Portanto, devese acatar os embargos para corrigir os equívocos. A ementa deve passar a ter a seguinte redação: PLANO DE SAÚDE PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de planos de saúde quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela lei exige que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa e não se estende aos dependentes. O pagamento avulso de despesas hospitalares para a diretoria não está albergado pela isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da Fl. 518DF CARF MF 4 eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. O dispositivo da decisão deve passar a ser o seguinte: Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de planos de saúde a dependentes de segurados empregados, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da concessão de auxílios específicos de saúde a dirigentes, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento ao recurso nesta questão. II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida, nos termos do voto do Relator. III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a), vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Relator Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15586.000801/201099 Acórdão n.º 2301005.541 S2C3T1 Fl. 518 5 Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.003549/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA EM RELAÇÃO À DECADÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
As multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados, não subsistindo interesse recursal na tese segundo a qual a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS REMUNERADOS ATRAVÉS DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA. EVENTUALIDADE. TRAÇO CARACTERÍSTICO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
1. A eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocou-se quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais.
2. As pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à montadora de veículos.
3. Os empregados das concessionárias prestadores do trabalho determinado no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos.
Numero da decisão: 2402-006.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA EM RELAÇÃO À DECADÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. As multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados, não subsistindo interesse recursal na tese segundo a qual a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS REMUNERADOS ATRAVÉS DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA. EVENTUALIDADE. TRAÇO CARACTERÍSTICO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. 1. A eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocou-se quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais. 2. As pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à montadora de veículos. 3. Os empregados das concessionárias prestadores do trabalho determinado no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos.
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INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA EM RELAÇÃO À DECADÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. As multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados, não subsistindo interesse recursal na tese segundo a qual a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS REMUNERADOS ATRAVÉS DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA. EVENTUALIDADE. TRAÇO CARACTERÍSTICO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. 1. A eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocouse quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais. 2. As pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à montadora de veículos. 3. Os empregados das concessionárias prestadores do trabalho determinado no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 35 49 /2 00 7- 29 Fl. 2222DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/RPO fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos demais incidentes ocorridos neste processo, o qual passa a integrar, em parte, o presente relatório: Lançamentos fiscais realizados, seus fundamentos e objetos. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 37.017.2019 relativa a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações de segurados contribuintes individuais, no contexto de campanhas de “marketing de incentivo”. A Fiscalização informa no Relatório Fiscal (fls. 43/65) que: 1. Os pagamentos, considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias e que ensejaram o lançamento fiscal, foram feitos a pessoas físicas, sem vínculo empregatício (considerados pela Fiscalização como “Contribuintes individuais”). 2. Foram examinados, dentre outros, os seguintes documentos: · Contrato de prestação de serviços, firmado entre o Contribuinte e Salles/DMB & B Publicidade S/A, tendo como interveniente a ABRAC – Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet, visando a execução de campanhas de incentivo de vendas. · Notas fiscais/faturas emitidas por Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda, Salles Darcy Publicidade Ltda, Salles Chemistri Publicidade Ltda, Sigth Momentum Ltda e Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 3 3 Maccann Erickson Publicidade Ltda, tendo sido juntadas, a título de exemplo, cópias de algumas notas fiscais. · Documentos denominados “AP – Aplicação de Verba Publicitária”, das quais algumas foram juntadas aos autos, a título de exemplo. · Regulamentos dos programas de incentivo, “sendo que em alguns casos só encontramos alguma informação nos documentos denominados “APs”. 3. Foram constatadas as realizações de diversas “campanhas de incentivo”, dentre as quais as denominadas “falou ganhou”, “cliente misterioso Vectra”, “Campanha vida”. 4. Informa que o lançamento se deu com base nos documentos fornecidos pelo Contribuinte, documentos estes indicados no anexo “Relação de Lançamentos para Apresentação da Documentação de Suporte”. 5. A contratação do programa de incentivo tinha como objetivo “o incremento de vendas de veículos e peças comercializadas pela GMB”. 6. Os pagamentos, na forma de “cartões de incentivo” (cartões de crédito com carga/valores préestabelecidos), eram feitos aos empregados das empresas concessionárias, por meio da prestadora de serviços de marketing. 7. Em face da não constatação de vínculos empregatícios com os beneficiários dos prêmios, a Fiscalização os considerou segurados obrigatórios da Previdência Social, na modalidade “Contribuintes individuais”, ou seja, “prestadores de serviços autônomos” de “divulgação e promoção”. 8. Em face da impossibilidade da análise dos dados constantes dos arquivos magnéticos, o lançamento deuse com base nos “valores de premiação a título de incentivo, constantes nas notas fiscais da empresa Salles Adan Assoc. Marketing de Incentivos e utilizada como data de pagamento/crédito a data de vencimento constante na nota fiscal da empresa Salles Darcy Publicidade Ltda, Sight Momentum Ltda e Salles Chemistri Publicidade Ltda conforme 1F – Relação de Notas Fiscais/faturas Apresentadas”. 9. Os valores não foram informados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pelo Contribuinte, pratica que constitui, em tese, o tipo penal previsto no art. 337A do Código Penal (crime de sonegação de contribuição previdenciária). 10. Na mesma auditoria fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infrações: · Auto de Infração DEBCAD 37.017.1985 – para imposição de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória, Fl. 2224DF CARF MF 4 qual seja: falta de preparo de folhas de pagamento de acordos com padrões e normas estabelecidas pela Previdência Social. · Auto de Infração DEBCAD 37.017.1993 – para imposição de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória, qual seja: falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (processo administrativo fiscal COMPROT 10805.003553/200797, que se encontra apensado ao presente processo). · Auto de Infração DEBCAD 37.017.2000 – para imposição de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória, qual seja: apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (processo administrativo fiscal COMPROT 10805.003554/200731, que se encontra apensado ao presente processo). [...] Impugnação – razões e fundamentos. O Contribuinte apresenta, então, sua impugnação (fls. 424/429 e 2.103/2.104), requerendo, de início que “A bem da celeridade e da economia processuais... que a presente NFLD seja reunida, para julgamento único, aos Autos de Infração nº 37.017.1993 e 37.017.2000...”. Em face do que dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN e considerando que o Contribuinte foi notificado do lançamento em 19/10/2007 e que “não houve qualquer dolo, fraude ou simulação – fato que pode ser comprovado pela total colaboração da Impugnante com a fiscalização”, defende que os “fatos geradores que abrangem o período compreendido entre janeiro e outubro de 2002 foram atingidos pela decadência”. Defende que os pagamentos realizados aos empregados das concessionárias não constituiriam fatos geradores de contribuições previdenciárias, pois, conforme ressalva: Como fica claro, embora não mais se exija a existência de vinculo empregatício entre a empresa que realiza o pagamento e a pessoa física que o recebe como se fazia até a publicação da EC n° 20/98, que atribuiu a atual redação ao dispositivo l continua a ser necessário, para que possa haver a cobrança de contribuição previdenciária, que a verba constitua contraprestação por serviço prestado pela última à primeira. (...). E, como se nota em todas as campanhas autuadas, as condições para a obtenção dos prêmios reconduzemse sempre ao bom desempenho das atividades para as quais tais empregados estão contratados e pelas quais são remunerados pelas mesmas concessionárias: atender bem os consumidores, prestarlhe informações adequadas, esforçarse para aumentar as vendas, etc. Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 4 5 É certo que a boa performance dos funcionários de suas concessionárias interessa à Impugnante, tanto assim que esta a premia. Isso não autoriza, todavia, a conclusão de que é ela a contratante, a destinatária, da atuação daqueles. Para proválo, basta lembrar que a Impugnante não pode demitir e sequer repreender os empregados pouco produtivos de suas concessionárias e que tampouco seleciona, com poderes para eleger e recusar, aqueles a quem fará os pagamentos, faculdades que seriam inafastáveis se de prestação de serviço se tratasse, ainda que de cunho eventual. Limitase a fixar condições gerais, obrigandose a aquinhoar todos aqueles que as cumpram. Condições que, convém insistir, não exigem qualquer serviço extra da parte dos empregados das concessionárias, o qual se pudesse identificar como prestado de forma especifica A Impugnante. Impossível, pois, cogitarse in casu da ocorrência do fato gerador da contribuição do art. 22, III, da Lei n° 8.212/91. Em razão destas ressalvas, conclui: Não havendo serviço (fato gerador) — a conclusão é automática não há cogitarse de remuneração (base de cálculo). Defende, também, que se trataria de “ganhos eventuais” e que também por esta razão não caracterizaria fato gerador: Da consociação dos comandos depreendese que estão excluídas da remuneração (base de cálculo das contribuições previdenciárias patronais) as mesmas parcelas afastadas do saláriodecontribuição (base de cálculo da contribuição do segurado), dentre as quais figuram as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais, categoria a que a duplo título pertencem os prêmios recebidos no âmbito dos programas de marketing de incentivo: primeiro porque tais prêmios são condicionados ao atingimento de determinadas metas, e segundo porque as próprias campanhas só são lançadas nos momentos e nos locais de interesse da Impugnante, sem qualquer garantia de periodicidade para os beneficiários. O caráter condicionado e, pois, eventual dos pagamentos, e a sua integração a programas de marketing de incentivo, não foram postos em dúvida pela fiscalização sequer quanto às campanhas cuja documentação completa a Impugnante não logrou reunir. Daí que a contribuição em exame seria indevida, por falta de base de cálculo, ainda que se admitisse que os empregados das concessionárias prestam serviços eventuais à Impugnante, recebendo contraprestação também eventual desta o que evidentemente não é exato. Fl. 2226DF CARF MF 6 Transcreve julgados que abonariam sua tese de pagamentos eventuais de prêmios não integrariam a remuneração dos beneficiados. [...] Acórdão 0521.460, de 13/03/2008 da 7ª Turma da DRJ/CPS. Submetido ao julgamento administrativo pela 7ª Turma da DRJ/CPS, foi proferido o Acórdão 0521.460, de 13/03/2008, pela 7ª Turma da DRJ/CPS (fls. 2.041/2.043), que decidiu pela nulidade do lançamento fiscal, nos seguintes termos: O lançamento fiscal compreende o levantamento denominado “MKT –MARKETING DE INCENTIVOS”, classificado como “declarado em GFIP (com redução da multa)”. Ora, ocorre que o próprio Relatório Fiscal (fls. 42/64), especificamente no seu item 12.1 (fl. 63) informa que os valores lançados não foram declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Assim, houve equívoco, no lançamento fiscal, quanto à classificação do levantamento, considerada a não declaração em GFIP. Tal equívoco, determinou a redução de 50% da multa devida, que passou de 30% (trinta por cento) para 15% (quinze por cento), pois fez incidir indevidamente a redução prevista no § 4º do art. 35 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991 e no § 11 do art. 239 do Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999. Conclusão Tal lapso não pode, por razões de limitação do sistema informatizado da Previdência Social, ser sanado por lançamento complementar, impondose, por isso, como forma de correção do lançamento, a lavratura de novo Auto de Infração. Assim sendo, em face das circunstâncias, dos fatos e razões de direito, ora aduzidas, e tudo o mais que dos autos consta VOTO pela NULIDADE do lançamento fiscal. Acórdão 2401003.844 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de 21/01/2015. Em face de recurso de ofício o processo foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que pela Segunda Seção de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferiu o Acórdão 2401003.844, de 21/01/2015 (fls. 2.064/2.067), que, pelas razões aduzidas e dando provimento ao recurso necessário, assim decidiu e determinou: Diante do exposto, por não vislumbrar no presente lançamento qualquer causa de nulidade, encaminho por dar provimento ao recurso necessário. Considerando que na decisão recorrida não houve o enfrentamento das teses recursais, devem os autos retornar à DRJ para que se emita nova decisão, desta feita com Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 5 7 apreciação de todas as questões veiculadas no recurso voluntário. Processos COMPROT 10805.00353/200797 e COMPROT 10805.00354/200731 (apensados aos presentes autos). Os demais processos, resultantes da mesma ação fiscal, foram também, julgados pela mesma 7ª Turma da DRJ/CPS, e sob a mesma relatoria, tendo sido as Impugnações, em ambos os casos, julgadas improcedentes, com a manutenção, por consequência, dos respectivos créditos tributários. Assim, os respectivos julgados foram objeto de recurso ao CARF, que expediu as correspondentes decisões (transcrições parciais): Processo 10805.003353/200797 – Acórdão 2301000.275 – 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento: No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF. Processo 10805.003354/200731 – Acórdão 2401000.436 – 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento: Conforme narrado, a NFLD n.º 37.017.2019 foi declarada nula pela DRJ. Esta notificação referese à exigência das contribuições incidentes sobre os mesmos fatos geradores, cuja omissão deu ensejo ao presente AI. Todavia, a nulidade da NFLD foi afastada por essa turma, tendo o processo retornado à DRJ para enfrentamento das teses recursais. Essa Turma tem entendido que a apreciação das lavraturas efetuadas para aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP, em razão da conexão, deve aguardar o julgamento dos processos de exigência de contribuições incidentes sobre as mesmas remunerações. Fl. 2228DF CARF MF 8 Assim, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, de modo que o processo em questão passe tramitar em conjunto com aquele relativo à NFLD que lhe é correlata. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Os processos COMPROT 10805.00353/200797 e COMPROT 10805.00354/200731 foram, então, apensados ao presente (fls. 2.098/2.099), que voltou para julgamento, sendo, desta vez, distribuído à 12ª Turma da DRJ/RPO, que, em razão de sucessivos atos de reorganização administrativa interna, sucedeu a 7ª Turma da DRJ/CPS, sendo, inclusive, mantida a relatoria original. A DRJ/RPO julgou a impugnação procedente em parte, para reconhecer os efeitos da decadência e consequentemente excluir os créditos tributários do período de janeiro a setembro de 2002, conforme decisão assim ementada: CAMPANHAS DE “MARKETING DE INCENTIVO” DISTRIBUIÇÃO DE “PRÊMIOS” ATRAVÉS DE CARTÕES MAGNÉTICOS. A distribuição de “prêmios” ou outros valores, através de cartões, caracteriza remuneração de segurados beneficiários, integrando, assim, o saláriodecontribuição, com incidência das respectivas contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em face da incidência da Súmula Vinculante 8/2008 do STF e demais legislação pertinente, o prazo decadencial, em matéria de contribuições previdenciárias, é de cinco anos, incidindo a regra de contagem do artigo 150, § 4º do CTN, na hipótese de terem ocorrido pagamentos parciais. DECADÊNCIA OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. Em face da incidência da Súmula Vinculante 8/2008 do STF e demais legislação pertinente, o prazo decadencial, em matéria de contribuições previdenciárias, é de cinco anos, sendo que, em relação às obrigações tributárias acessórias, a regra aplicável é a do inciso I do artigo 173 do CTN. Diante do montante exonerado, a DRJ não recorreu de ofício ao CARF. O contribuinte foi eletronicamente intimado da decisão em 30/08/2016, pela abertura dos arquivos digitais, e interpôs seu recurso voluntário em 29/09/2016, no qual afirmou que a contagem do prazo decadencial das multas também segue a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I; e, no mérito, reafirmou os mesmos fundamentos de sua defesa. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 6 9 Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Muito embora o recurso voluntário seja tempestivo e estejam presentes os demais pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, ele não deve ser conhecido quanto à decadência, por falta de interesse recursal. A recorrente afirma que a contagem do prazo decadencial das multas também seguiria a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e não a regra do art. 173, inc. I. Ocorre que as multas por descumprimento das obrigações acessórias correlatas à presente NFLD foram lançadas em Autos de Infração apartados (a exemplo do Auto de Infração DEBCAD 37.017.1993 e do Auto de Infração DEBCAD 37.017.2000), como se observa no relatório fiscal. Nesta NFLD, não houve o lançamento de sanção pecuniária pelo descumprimento de obrigação instrumental, mas apenas da multa estabelecida na redação anterior do art. 35 da Lei 8212/91, segundo a qual sobre as contribuições sociais em atraso incidia a multa de mora escalonada nos seus diversos incisos, multa esta exonerada pela DRJ, na proporção em que reconheceu a decadência das contribuições de janeiro a setembro de 2002. É bem verdade que o acórdão de impugnação tratou desta matéria às fls. 2120 e seguintes, mas o fez por equívoco, na medida em que ela deve ser dirimida nos PAFs relativos ao descumprimento das obrigações acessórias. 2 Da não incidência das contribuições No mérito, a recorrente defende a não incidência das contribuições lançadas na presente NFLD, sobretudo porque, no seu entender, os segurados empregados das concessionárias não lhe teriam prestado serviços. Ela também afirma, sucessivamente, que os ganhos seriam eventuais. Pois bem. Este lançamento decorre dos pagamentos realizados pela recorrente – montadora de veículos automotores –, através de operadora de marketing, a empregados de suas concessionárias, em razão do cumprimento de determinadas tarefas, relacionadas com a execução de certas atividades, dentro dos padrões, condições e requisitos estabelecidos pela própria recorrente. Em relação à recorrente, tais empregados foram caracterizados como segurados contribuintes individuais, tendo em vista a inexistência de vínculo empregatício, vínculo este havido com as concessionárias, e não com a autuada. Fl. 2230DF CARF MF 10 Analisandose o controvertido dos autos, é essencial definir se os empregados das concessionárias realmente prestaram serviços à recorrente – montadora de veículos automotores –, na medida em que eles foram caracterizados pela fiscalização como segurados contribuintes individuais, ou seja, como prestadores de serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas. Vejase, nesse sentido, o que dispõe o art. 12, inc. V, alínea "g", da Lei: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Como se vê na alínea "g" supra transcrita, a eventualidade é um traço característico da prestação do serviço feita por um contribuinte individual, de tal maneira que a recorrente equivocouse quando pretendeu desconstituir o lançamento sob o argumento de que os ganhos seriam eventuais. A eventualidade apenas reforçaria o fato de que se trataria de serviços prestados por contribuintes individuais, lembrandose que os empregados das concessionárias não foram caracterizados como empregados da recorrente. Se eles tivessem sido caracterizados como empregados da autuada, aí sim poderseia falar em pagamentos eventuais, excluídos do conceito de remuneração. É necessário definir, como já dito, se as pessoas físicas que mantinham vínculo de emprego com as concessionárias também prestaram serviços à recorrente. Pelo contrato de prestação de serviço, o prestador obrigase, por tempo certo, ou por determinado trabalho, a prestar serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, ao contratante, mediante retribuição, desde que tal prestação não esteja sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, como deixam claro os seguintes artigos do Código Civil brasileiro com destaques: Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, regerseá pelas disposições deste Capítulo. Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição. Art. 601. Não sendo o prestador de serviço contratado para certo e determinado trabalho, entenderseá que se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições. Art. 602. O prestador de serviço contratado por tempo certo, ou por obra determinada, não se pode ausentar, ou despedir, sem justa causa, antes de preenchido o tempo, ou concluída a obra. Neste caso concreto, os empregados das concessionárias que prestaram o trabalho determinado (lembrando que o serviço pode ser por tempo ou por trabalho determinado) no contrato recebiam suas retribuições na forma de cartões magnéticos custeados pela recorrente, embora fornecidos por empresa de marketing. Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2402006.521 S2C4T2 Fl. 7 11 Como sabido, ademais, a exclusividade não é necessariamente inerente ao contrato laboral, de tal maneira que os empregados das concessionárias não estavam proibidos de prestar serviços a terceiros, em especial porque a contratante (terceira ao contrato de trabalho) era a montadora (recorrente) que mantinha e mantém relação contratual de natureza complexa com a rede de concessionárias. O acórdão de impugnação bem definiu a existência do contrato de prestação de serviços nos seguintes termos: O contrato de prestação de serviços é óbvio: 1. O empregado da concessionária se obriga a realizar determinadas tarefas e cumprir determinadas formalidades, objetivando expor os produtos e serviços da GMB. 2. Assim procedendo, será remunerado pelos serviços prestados. 3. O cálculo da remuneração será feito pelos objetivos estabelecidos pelo contratante dos serviços, independentemente da remuneração que o “prestador de serviços” tenha, em relação ao seu empregador. 4. Por isso, o fato dos pagamentos aos prestadores de serviços serem denominados “prêmio” e estar condicionado a determinadas regras específicas ou de ser pago na forma de concessão de cartões magnéticos de crédito, expedidos no âmbito das chamadas estratégias de “marketing de incentivo”, em absolutamente nada descaracteriza a natureza da prestação dos serviços, na medida em que, ainda que estes sejam eventuais e dependentes exclusivamente de iniciativa da montadora, uma vez implementada a campanha, passa o prestador de serviços a ter o direito de, nos limites e condições estabelecidos, receber (ou cobrar) seus haveres, notadamente nas campanhas em que se estabelecem metas de vendas a serem realizadas, muito comuns, como se depreende da análise dos documentos acostados aos autos com a impugnação. A discussão acerca da existência de remuneração por serviços prestados por intermédio de cartões de tal natureza não é nova neste Conselho. É bem verdade que os casos até então analisados diziam respeito ao pagamento de salários, mas os precedentes abaixo colacionados deixam clara a existência de pagamento de retribuição por serviços, retribuição esta que não tem efeitos salariais se não efetuada no contexto do contrato laborativo, mas sim no contexto do contrato de prestação de serviços não sujeito à legislação trabalhista ou especial, como é o caso concreto. Vejase com supressão dos pontos que não interessam: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de Fl. 2232DF CARF MF 12 retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015) .................................................................................................................... [...] CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10970.000909/201024, Relator LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Acórdão 2301004.418, Sessão de 26/01/2016) Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2233DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.001025/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INCLUSÃO DE PARTES DE OUTRA DECISÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO.
Verificada que houve a inclusão de partes de outra decisão no momento de formalização, o acórdão embargado deve ser corrigido para afastar tais falhas e evitar interpretações equivocadas, mantendo-se a decisão anterior.
Numero da decisão: 2202-004.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para realizar as alterações propostas nos termos do voto da relatora .
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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LAPSO MANIFESTO. INCLUSÃO DE PARTES DE OUTRA DECISÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO. Verificada que houve a inclusão de partes de outra decisão no momento de formalização, o acórdão embargado deve ser corrigido para afastar tais falhas e evitar interpretações equivocadas, mantendose a decisão anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para realizar as alterações propostas nos termos do voto da relatora . (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 25 /2 00 9- 37 Fl. 369DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pela Unidade Preparadora (fls. 361), em face do acórdão nº 2302003.618 (fls. 349/354), que não conheceu do recurso voluntário em atenção à Súmula CARF nº 1. Para conhecimento dos autos, reproduzo o relatório do Acórdão de Impugnação nº 2403002.092, de 18/06/2010, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento: O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, no montante de R$ 19.587.206,39 (atualizados até a data do lançamento), foi lavrado em 09/12/2009 contra o sujeito passivo acima identificado, para constituição do crédito relativo a contribuições destinadas às entidades e fundos denominados "terceiros" (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), previstas na legislação que instituiu cada uma dessas entidades e incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período de apuração acima descrito. O relatório fiscal explicativo do lançamento oferece as seguintes informações acerca da constituição do crédito: 2. Tratase de crédito constituído contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas e destinadas a "OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS" (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos ou creditados a segurados empregados. ... 3. A empresa não comprovou, de forma suficiente, usufruir a isenção legal concedida às entidades beneficentes de assistência social nos ditames do art. 55, inciso II, da Lei n° 8.212/91. A empresa não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. ... 5.3 A empresa se enquadrou no FPAS— 639 — Entidade Filantrópica recolhendo somente contribuições descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhendo as contribuições previdenciárias patronais e destinadas a outras entidades (terceiros). 5.4. A empresa celebrou diversos contratos de prestação de serviços com entidades públicas para prestação de serviços. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 370 3 Nesta condição, contratou e remunerou empregados não recolhendo as contribuições patronais. Existem contratos de prestação de serviços celebrados para atividades fora da área de assistência social e outros termos de parcerias celebrados com entidades ou órgãos não filantrópicos. Mesmo os contratos celebrados com entidades filantrópicas, segundo orientação contida no item 26.4 da OS 210/99, estabelece que a isenção não se estende às remunerações dos empregados da entidade que prestem serviços para outras empresas. Todos os termos de parcerias ou contratos de prestação de serviços são onerosos e de valores expressivos. ... 16.2. Foi verificado no transcorrer da auditoria fiscal que o contribuinte mesmo não possuindo a documentação e as condições necessárias para se enquadrar como entidade filantrópica, como detalhado no presente relatório fiscal, entregou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações ã Previdência Social GFIP, com o código FPAS 639 (entidade filantrópica), suprimindo assim as contribuições previdenciárias patronais e as destinadas a outras entidades e fundos, durante todo o período fiscalizado, o que configura em tese, o ilícito tipificado no Art. 1o da Lei 8.317/90 — Crime contra Ordem Tributária, fato que será objeto de comunicação à autoridade pública competente Ministério Público Federal, para a proposição de eventual ação penal, em relatório á parte. No prazo regulamentar, o sujeito passivo impugna o lançamento para requerer o reconhecimento da inexistência da obrigação tributária, uma vez que usufruiria da imunidade constitucional em face do reconhecimento judicial havido no âmbito da Ação Ordinária nº 2003.70.01.0038362. Para fundamentar seus pleitos, alega que: De toda sorte, é fato incontroverso a existência de demanda judicial, promovida pelo impugnante, que busca o reconhecimento jurisdicional de que este goza da imunidade tributária invocada por configurarse, em razão das suas atividades desenvolvidas, instituição beneficente, ou de assistência social. Este fato consta expressamente no item 16.1 da autuação, onde se reconhece a tramitação da Ação Ordinária nº constando todavia, que o feito se encontra em andamento, "sem decisão transitada em julgado". ... Ainda que seja fato a não ocorrência do definitivo trânsito em julgado do referido feito judicial (embora já tenha havido o trânsito em julgado do Recurso Especial da autarquia previdenciária, estando pendente apenas a apreciação do Recurso Extraordinário), TAMBÉM É FATO INCONTROVERSO QUE Fl. 371DF CARF MF 4 AS MEDIDAS JUDICIAIS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO TEM EFEITO SUSPENSIVO. Deste modo, é patente a impropriedade da presente autuação, pois o impugnante teve JUDICIALMENTE reconhecido seu direito ao gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7° da CF/88, e a irresignação processual do INSS ainda pendente, não ê dotado de efeito suspensivo, restando portanto plenamente válido e vigente o direito ao gozo da imunidade constitucional. Ainda que se visualize a presente autuação, unicamente como subterfúgio para evitar a prescrição (ou decadência) do suposto crédito fiscal, tal condição não se sobrepõe ao Direito já reconhecido, e em plena vigência do impugnante. Por tal razão, resta cabalmente demonstrado o total descabimento da autuação aqui impugnada. Na seqüência, de fls. 117 a 137, a impugnação dedicase defender a inexigibilidade das contribuições via discussão acerca da condição de entidade beneficente de assistência social da empresa. A fls. 141/183, o sujeito passivo fez juntar cópia da petição inicial da ação judicial que pleiteia a isenção das contribuições previdenciárias. A impugnação (fls. 122/160) foi julgada improcedente, cuja decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 AIOP 37.223.0466 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO Ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por decisão judicial, não constando da sentença respectiva impedimento à sua constituição, há que ser mantido inalterado o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cuja decisão exarada pelo colegiado da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento foi assim resumida (fls. 349/354): ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 371 5 não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A Unidade Preparadora, quando da execução do acórdão nº 2302003.618, apresentou embargos (fls. 361) em 26/03/2015, em função de inexatidão material, uma vez que: No momento da execução do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2302003.618 (fls. 349 a 354), emitido pela 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da 2a Seção de Julgamento do Carf, constatamos que, embora o número do processo esteja correto, as demais informações não correspondem aos dados dos autos em questão. A recorrente que consta como parte no acórdão é diferente do sujeito passivo "Centro Integrado e Apoio Profissional" e o período de apuração também é divergente. O "Relatório", o "Voto" e a "Conclusão" deixam claro que o texto referese a outro processo de outro sujeito passivo. Por entendermos que houve inexatidão material no julgado e tendo em vista a possibilidade de retificação prevista no artigo 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/2009, propomos o encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Os Embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 367/368, para que fosse corrigido o erro manifesto. O processo foi sorteado para minha relatoria, por se tratar de Embargos Inominados de Turma extinta e o Conselheiro não mais integrar o Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Os Embargos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Analisando o acórdão Embargado (fls. 349/354), percebese que existe, efetivamente, a inexatidão material indicada pelo Embargante, nos termos do despacho às fls. 361: Fl. 373DF CARF MF 6 A recorrente que consta como parte no acórdão é diferente do sujeito passivo “Centro Integrado e Apoio Profissional” e o período de apuração também é divergente. O “Relatório”, o“Voto” e a “Conclusão” deixam claro que o texto referese a outro processo de outro sujeito passivo. (Grifei). Em consulta à ata de julgamento do dia 15/02/2015, que consta no site do CARF1, temse o seguinte: [...] Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo: 11080.724430/201155 Recorrente: ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DA CRT Acórdão 2302003.616 Decisão: por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO [...] Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo: 11634.001024/200992 Recorrente: CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL EM LIQUIDAÇÃO Acórdão 2302003.617 Decisão: por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Relator(a): LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo: 11634.001025/200937 Recorrente: CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL EM LIQUIDAÇÃO Acórdão 2302003.618 1 https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarSessoesJulgamento/Pautas/consultaPautas.jsf Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 372 7 Decisão: por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO (Grifei) O Acórdão nº 2302003.616, relativo ao processo nº 11080.724430/201155 (Recorrente: ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DA CRT), contém o mesmo relatório e voto do acórdão embargado. Isso demonstra que o relator, no momento da formalização do acórdão embargado, copiou indevidamente parte do acórdão 2302003.616. Diante dessas observações, considero não ser caso de novo julgamento da questão, mas de correção do lapso manifesto, representado por erro na formalização do acórdão embargado. Para correção das inexatidões materiais, oportuno transcrever trecho do Relatório Fiscal (fls. 107): 18. Em face do disposto no art. 2º, inciso III, da Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, este processo de nº 11634.001025/200937 fica apenso ao processo de nº 11634.001024/200992, ficando neste os elementos de prova descrita no presente relatório fiscal, folhas135 a folhas318. (Grifei) Consultando o acórdão 2302003.617, de 10/02/2015, da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, resultante do julgamento do processo nº 11634.001024/200992, consta em seu relatório o seguinte: Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 3722304598, referente aos respectivos deveres instrumentais, consolidados em 09/12/20009, em face da CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL, no valor total de RSRS 74.501.738,00 (setenta e quatro milhões quinhentos e hum mil setecentos e trinta e oito reais) referente às contribuições devidas para Seguridade Social, sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, individuais e cooperados, que prestaram serviços à entidade,incluído o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho,no período de 01/2004 a 12/2008. Segundo relatório fiscal, a empresa não comprovou, de forma suficiente, usufruir a isenção legal concedida às entidades beneficentes de assistência social nos ditames do art. 55,inciso II, da Lei nº 8.212/91, deixando de apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CERAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Fl. 375DF CARF MF 8 Além disso, a ementa e a decisão do acórdão embargado (fls. 349) refletem o decidido no acórdão nº 2302003.617: Acórdão embargado (2302003.618) Acórdão nº 2302003.617 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2007 a 31/12/2008 SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2004 a 31/12/2008 SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento dc ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ademais, os créditos tributários cadastrados nos Debcad's nº 372230458 (cota patronal) e 37.223.0466 (contribuição a outras entidades) foram constituídos na mesma ação fiscal com os mesmos elementos de prova, sendo um reflexo do outro, conforme abaixo, fls. 107: Consta ainda que os processos foram julgados na mesma sessão, os acórdãos foram numerados em sequência, o que corrobora meu entendimento que, a inexatidão material ocorreu no momento de formalização do acórdão: Acórdão embargado Acórdão nº 2302003.617 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 373 9 Por isso, entendo que as inexatidões do acórdão embargado, devem ser retificadas, tomando como paradigma o acórdão 2302003.617, relativo ao processo nº 11634.001024/200992; primeiro, por guardar relação com o presente processo; segundo, as provas e elementos acostados aos autos, não poderiam levar a outra decisão que não a disparada no acórdão nº 2302003.617. Com a integração das correções, o acórdão nº 2302003.618 fica assim redigido (grifos meus para ressaltar as modificações no texto do acórdão transcrito para adapta lo às informações do presente processo): Processo nº 11634.001025/200937 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.6183a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 SUMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, Fl. 377DF CARF MF 10 com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LiegeLacroixThomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.223.0466, referente aos respectivos deveres instrumentais, consolidados em 09/12/2009, em face do CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL, no valor total de RS 19.587.206,39 (dezenove milhões quinhentos e oitenta e sete mil duzentos e seis reais e trinta e nove centavos) referente às contribuições destinadas a "OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS" (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos ou creditados a segurados empregados, no período de 01/2004 a 12/2008. Segundo relatório fiscal, a empresa não comprovou, de forma suficiente, usufruir a isenção legal concedida às entidades beneficentes de assistência social nos ditames do art. 55,inciso II, da Lei nº 8.212/91, deixando de apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CERAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/CTA entendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 374 11 Ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por decisão judicial, não constando da sentença respectiva impedimento à sua constituição, há que ser mantido inalterado o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) preliminarmente, que a decisão de primeira instância é nula, por deixar de apreciar as matérias suscitadas na impugnação, especialmente em relação ao reconhecimento judicial da imunidade que goza; b) no mérito, pleiteia a reforma do decisum recorrido, também apelando para o reconhecimento, nos autos de processo judicial, de imunidade, e reafirma as razões, fáticas e jurídicas, que lhe garantem tal condição, por exercer atividade essencial de caráter público — instituição assistencial beneficente; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Consta nos autos a proposição pela recorrente de ação declaratória de inexistência de relação jurídica contra o INSS (n° 2003.70.01.0038362), perante a Justiça Federal da 4ª Região, requerendo o afastamento da exigência das contribuições previdenciárias, em virtude de ser, no seu sentir, imune a estas exações. Ato contínuo, ao compulsar as informações processuais no Supremo Tribunal Federal referentes ao AI/631093, interposto pelo INSS, nos autos da citada ação judicial, deparamonos com a decretação de sobrestamento do feito, até que o RE 566.622 RG/RS, em que fora reconhecida a repercussão geral da mesma matéria, seja julgada. Fl. 379DF CARF MF 12 O Plenário desta Corte, em 20/8/2008, ao apreciar Questão de Ordem suscitada no RE 540.410/RS, Rei. Min. Cezar Peluso, decidiu estender a aplicação do art. 543B do Código de Processo Civil aos recursos cujo tema constitucional apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário, ainda que interpostos contra acórdãos publicados antes de 3 de maio de 2007. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria imunidade tributária de entidades beneficentes de assistência social cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal(RE 566.622RG/RS, Rei. Min. Marco Aurélio). Isso posto, em juízo de reconsideração, anulo a decisão de fl. 150 e uma vez que preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com base no art. 328, parágrafo único do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado, quanto ao recurso extraordinário, o disposto no art. 543B do CPC, visto que nele discutese questão idêntica à apreciada no RE 566.622 RG/RS. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Em vista disso, a Turma de piso, reconhecendo que a ação judicial interposta pela Recorrente poderá refletir no presente lançamento, uma vez que o resultado definitivo com o seu julgamento no Poder Judiciário poderá substituir integralmente um suposto julgamento administrativo, julgou, a improcedência da impugnação interposta pela Recorrente. Pela clareza e alto grau elucidativo, transcrevese, nas próximas linhas, excerto do acórdão de Impugnação, onde se relata a concomitância das matérias: "Acerca da renúncia ao recurso nas instancias administrativas em face da interposição de ação judicial pelo contribuinte, a Coordenação Geral de Tributação COSIT da Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório Normativo n° 3, de 14/02/1996, nos seguintes termos: [...] Conforme se colhe da orientação transcrita, tratandose, no processo administrativo, de matéria idêntica àquela do processo judicial, não terá prosseguimento o primeiro em relação a essa matéria, caso em que a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte e declarará a definitividade da exigência discutida. Assim sendo, em face dessa orientação, não cabe conhecimento da impugnação na parte que pretende discutir a isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros pela via do reconhecimento da empresa como entidade beneficente de assistência social." Nada obstante, frisese que a decisão recorrida não merece reparo, à medida que foi prolatada de acordo com o disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 375 13 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3°A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n"9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei n" 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Principio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5o, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Pela descrição narrativa supra, verificase claramente a concomitância deste processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto, qual seja,a incidência, ou não, das contribuições previdenciárias à Recorrente. Ante o exposto, devese recordar o ordenado no Ato Declaratório de n° 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, segundo o qual "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". O referido Ato Declaratório foi formulado em observância ao art. 1o, § 2o, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e ao art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, que deixam claro que a Fl. 381DF CARF MF 14 propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Outrossim, é mister salientar que a concomitância de processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto já é matéria sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, o presente processo administrativo resta ineficaz em face da identidade de questionamentos com a ação judicial já proposta pela Recorrente e ainda em trâmite, haja vista que o setor competente deverá observar a decisão final a ser proferida na ação judicial em comento. Conclusão Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2015. 10 de fevereiro de 2015 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para, sanando a inexatidão material apontada: · retificar o cabeçalho do acórdão embargado, para que passe a constar como recorrente: "CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL; · retificar a ementa, a fim de que conste como período de apuração: "01/01/2004 a 31/12/2008"; · transcrever o relatório e o voto do acórdão nº 2302003.617, com as adaptações pertinentes às informações do presente processo. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11634.001025/200937 Acórdão n.º 2202004.544 S2C2T2 Fl. 376 15 Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.732386/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência.
MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO.
Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata.
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO
Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
I- CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo - independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação - e, resulta daí o não conhecimento da impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvando-se, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
II- AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. CREDITO TRIBUTARIO SUSPENSO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Incabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral.
SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA.
O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a exigência da multa de ofício, por concomitância de matéria na esfera judicial (IPI devido na revenda), e excluir do lançamento as importações da pessoa jurídica por conta e ordem de terceiro.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO. Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO Negase provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 23 86 /2 01 5- 13 Fl. 4328DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação e, resulta daí o não conhecimento da impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvandose, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. CREDITO TRIBUTARIO SUSPENSO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Incabível a imposição da multa de oficio quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA. O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a exigência da multa de ofício, por concomitância de matéria na esfera judicial (IPI devido na revenda), e excluir do lançamento as importações da pessoa jurídica por conta e ordem de terceiro. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.329 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 4266/4295, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0965.128 3ª Turma da DRJ/JFA, efls. 4213/4250, que julgou procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário relativo a Auto de Infração (AI) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Em exame neste processo o litígio decorrente do auto de infração de fls. 2/12, lavrado para exigência da pessoa jurídica retro identificada do crédito tributário no montante de R$42.533.746,18, atinente ao IPI no valor de R$ 19.331.298,97, Multa de Ofício de R$14.498.474,18 e Juros de Mora de R$8.703.973,09 [calculados até 12/2015]. O procedimento fiscal foi empreendido nos termos do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização – MPF nº 04.1.01.002014 016355, de 26/08/2014, da DRF/Recife/PE, disponibilizado no site da RFB para consulta pelo contribuinte, utilizandose do código de acesso consignado no quadro “Identificação do Procedimento” do Termo de Ciência do Lançamento e Encerramento Total do Procedimento de Fiscal, fls. 1735/1736. Referese a autuação ao período de janeiro/2010 a dezembro/2012 e decorre a mesma, segundo consta do TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 15/19, da constatação de tratarse de pessoa jurídica equiparada a industrial por força do disposto no inciso I do artigo 9º do Decreto nº 7.212/2010 [RIPI/2010], uma vez que deu saída a produtos de procedência estrangeira, sendo, portanto, contribuinte do IPI. Informa a Fiscalização que a escrituração do RAIPI, por não corresponder à real situação das operações de crédito e débito foi desprezada, tendo sido “utilizados os dados fornecidos em arquivos magnéticos pelo contribuinte, bem como as NF eletrônicas extraídas dos nossos sistemas para reconstituição dos valores creditados e debitados do IPI, respectivamente, por CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações)”. Constatou a falta de destaque do IPI na saída de produtos estrangeiros, destacando, ainda, que o contribuinte buscou amparo judicial mediante impetração do Mandado de Segurança nº 080036520.2013.4.05.8300 para afastar a incidência do IPI na saída das mercadorias importadas para o mercado interno, resultando daí a expedição de liminar favorável, posteriormente revogada pela Sentença proferida em 04/06/2014 pelo Juiz Federal Substituto da 9ª Vara Federal, que denegou a segurança. Fl. 4330DF CARF MF 4 Assim, a Autoridade Fiscal elaborou e anexou aos autos as planilhas denominadas DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS [fls. 21/670 e 671/1321], DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS [fls. 1322/1568], DEMONSTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES EFETUADAS [fls. 1569/1731]. À fl. 1732 encontrase anexado ao DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI, por período de apuração, consolidando a apuração do IPI devido após o confronto entre créditos e débitos escriturados e débitos apurados pela Fiscalização. A ciência do lançamento se deu de forma pessoal, em 21/12/2015, mediante assinatura consignada no Termo de Ciência do Lançamento e Encerramento Total do Procedimento de Fiscal de fls. 1735/1736, do procurador com outorga de poder estabelecida no instrumento de fl. 1734. Compareceu o sujeito passivo aos autos para contraditar o lançamento com a apresentação da IMPUGNAÇÃO de fls. 2135/2162, na qual, em apertada síntese: <> relata que exerce dentre outras atividades, importação direta bem como importação por conta e ordem de terceiros; <> alega, em preliminar: a) a decadência do crédito tributário exigido relativamente às operações ocorridas até 21/12/2010, sob o argumento de “existência de pagamento antecipado (no período de janeiro a março e maio a dezembro), bem como a apuração de saldo credor em abril (o que se considera pagamento por força do art. 124, parágrafo único, III, do Decreto nº 4.544/2002), sendo aplicável, em qualquer caso, a regra prevista no art. 150, §4º, do CTN: prazo decadencial de 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador”; b) erro de premissa na qual se suportou o lançamento, e, portanto, vício de fundamentação, haja vista que, diferentemente do quanto afirmado pela Fiscalização, a Impugnante dispõe de decisão de mérito favorável vigente, conforme se depreende do relato a seguir, relativo aos eventos relevantes do processo judicial, “que revelam que, embora num primeiro momento a segurança tenha sido denegada, o apelo da Impugnante foi provido pelo TRF5 e, atualmente, encontrase em vigor decisão de mérito (não mais liminar) que afasta a incidência do IPI na saída de produtos importados”: Temse, assim, que o auto de infração, por partir de premissa equivocada, acaba por descumprir ordem judicial e revelase improcedente por vício de fundamentação, devendo ser cancelado, uma vez que a fundamentação não pode ser alterada, nos termos da teoria dos motivos determinantes aplicável ao ato administrativo, que estabelece que uma vez declarado o motivo (de fato ou de direito) do ato, este deve ser respeitado; <> no mérito, alega: I As operações de revenda indicadas no Demonstrativo dos Débitos realizadas sob os CFOPs 5949 e 6949 tratamse de IMPORTAÇÕES POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS, Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.330 5 conforme atestam, a título de amostragem, os conjuntos de documentos agrupados no DOC 13 [fls. 1935/2132 e 1743/1881], contendo Contrato de Prestação de Serviço de Importação por Conta e Ordem, Declaração de Importação, Nota Fiscal de Entrada, Nota Fiscal de Saída e Nota Fiscal de Prestação de Serviços, operações em relação às quais a Impugnante é mera prestadora de serviços, não realizando o fato gerador do IPI, sendo do adquirente contratante a titularidade da propriedade das mercadorias importadas, cabendo a ele, adquirente, o destaque e recolhimento do IPI devido na saída do seu estabelecimento para o mercado interno; em resumo, em tais operações “há apenas dois fatos geradores do IPI: a importação e a saída do destinatário físico da mercadoria”; quanto às demais operações, registradas sobre os outros CFOPs, referem se às saídas atinentes a produtos de importações diretas revendidos no mercado interno pela Impugnante, cujo IPI, conforme se constata do demonstrativo de fls. 211321 [Demonstrativo de Saídas sem Destaque do IPI] foi devidamente destacado e recolhido; II Erro na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante do tributo devido, decorrentes de: II.1 Duplicidade de Exigência: originária da inclusão, no demonstrativo de débitos, de Notas Fiscais de Faturamento e de Notas Fiscais de Remessa a ela vinculadas, atinentes à mesma operação de saída, conforme atestam, a título de amostragem, as operações espelhadas nas notas fiscais anexadas ao DOC 14 [fls. 1882/1919]; II.2 Notas Fiscais Canceladas: incluídas no Demonstrativo de Saídas Sem Destaque do Imposto, conforme exemplificam, também por amostragem, os documentos anexos ao DOC 15 [fls. 1920/1932]; II.3 Inclusão do IPI Vinculado [devido no despacho aduaneiro] na Base de Cálculo do IPI na Saída do Importador por Conta e Ordem [no caso, a autuada], conforme atestam, a título de exemplo, a Nota Fiscal de Entrada nº 2865 [fls. 2004] e a correspondente Nota Fiscal de Saída nº 6595 [fl. 2009]: admitindose, por hipótese, que há fato gerador do IPI na saída da impugnante para o Adquirente Contratante, por se tratar o IPI de imposto calculado por fora, deverá ser excluído da sua base de cálculo. III A decisão de mérito proferida no MS nº 0800365 20.2013.4.05.8300 pelo TRF5 afasta qualquer ato tendente a exigir o imposto quando da saída dos produtos importados pela impugnante/impetrante, evidenciandose, assim, no lançamento, as seguintes irregularidades: III.1 Descumprimento de ordem judicial, não se aplicando ao caso o lançamento para prevenir a decadência de que cuida o art. 63 da Lei nº 9.430/96, haja vista que a situação presente envolve decisão de mérito e não, liminar, não se enquadrando Fl. 4332DF CARF MF 6 nas hipóteses ali mencionadas, elencadas nos incisos IV e V do art. 151, do CTN (concessão de liminar em mandado de segurança ou concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial); III.2 Admitindose, por hipótese, o lançamento impugnado, por coerência deve ser aplicado o §2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96, que afasta a mora e impede a imposição de multa em caso de lançamentos para prevenção da decadência, devendo, então, no mínimo ser afastada a multa aplicada; IV Incidência do disposto na Súmula CARF nº 01 [importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo] ao caso presente, haja vista que a premissa do lançamento impugnado é a discussão judicial acerca da cobrança do IPI na saída, em revenda, de produtos importados. Requer, ao final, a improcedência do lançamento. Ante o alegado e após análise detida dos documentos anteriormente mencionados, apresentados na impugnação, entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do processo à UL de origem, em diligência, por intermédio do Despacho 013/2016, de 17/08/2016 [fls. 2292/2300]. Do procedimento de diligência resultou o relatório intitulado TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA, fls. 4207/4210, que dá conta da realização dos ajustes para exclusão das seguintes notas fiscais de saída i) DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA decorrente da inclusão de notas fiscais de faturamento e de remessa [fls. 2545/2603]; ii) NOTAS FISCAIS CANCELADAS [fls. 2604/2608]; iii) EXCLUSÃO DO IPI VINCULADO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI DEVIDO relativo às operações de importação por conta e ordem [fls. 2609/2778]. Entendeu a Fiscalização pela inviabilidade de lançamento complementar para aplicação da orientação expendida na Solução de Consulta Cosit nº 30/2014. Os ajustes foram consolidados no DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI, fls. 2779/4151, e, por fim, no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI APÓS DILIGÊNCIA FISCAL [fl. 4152], que além de consignar os valores decorrentes dos ajustes retro mencionados, excluiu dos valores devidos os montantes declarados em DCTF. Todas as planilhas e demonstrativos, segundo consta do Termo de Diligência, foram disponibilizados ao contribuinte mediante entrega de um DVD, sendolhe facultado manifestarse sobre o resultado da diligência fiscal no prazo de trinta [30] dias da ciência, ocorrida em 27/07/2017 [cf. AR fl. 4211] Manifestouse a pessoa jurídica interessada mediante apresentação do arrazoado de fls. 2304/2310, em 28/08/2017 [cf. Termo de Solicitação de Juntada de fls. 2303] do qual se extrai, em síntese: Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.331 7 <> em preliminar, o cerceamento do direito de defesa tanto pelo formato em que foram disponibilizadas as planilhas que embasaram o resultado da diligência [pdf e não formato de planilha eletrônica – excell ou equivalente], dificultando a análise e o tratamento dos dados, quanto pela apresentação de erros nas planilhas (células destacadas como N/D – doc 02) que impossibilitaram a devida análise, requerendose, então, seja determinado à Autoridade Autuante juntar aos autos as planilhas em formato de planilha eletrônica e seja devolvido o prazo para que a Impugnante se manifeste acerca das mesmas; <> o lançamento está vinculado aos motivos indicados como seu fundamento, isto é, à suposta inexistência de decisão judicial [fato que a Impugnante comprovou ser inverídico por ocasião da impugnação do lançamento], aplicandose ao caso, como já se disse na impugnação, a teoria dos motivos determinantes, “não sendo possível que seja incluído na discussão em lide quaisquer outros motivos que mantenham a autuação, tais como incidência do IPI nas operações por conta e ordem bem como a rediscussão da autuação à luz da Solução de Consulta COSIT nº 30/2014, tendo em vista que a Autuação está viciada na origem e não pode ser saneada por argumentos alheios aos que deram origem do débito”; <> foram verificadas divergências em relação aos valores declarados em DCTF excluídos do lançamento e indicados no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI APÓS DILIGÊNCIA FISCAL, em razão de erros de digitação, que resultaram na exigência majorada em R$26.846,24, conforme a seguir se demonstra: <> na planilha denominada DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI [JÁ EXCLUÍDAS AS NOTAS FISCAIS DUPLICADAS, AS CANCELADAS E A EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO IPI] “foram lançados valores em operações que não incidem IPI, tais como as realizadas com CFOP 6.110 referentes à Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio, a qual totaliza o valor de R$ 19.689,32”, assim como “os CFOPs 6911 (Remessa de amostra grátis) e 5927 (Lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de perda, roubo ou deterioração) não devem ser considerados visto se tratar de amostra grátis (RIR, art. 54, III)”; Requer, ao final, sejam acolhidos os argumentos e julgado improcedente o lançamento ou, ainda, seja atribuída à legislação a interpretação que lhe for mais favorável, em obediência ao art. 112, do CTN. Nestes termos, vieram os autos a esta DRJ em 06/09/2017 [fls. 4212] para prosseguimento do julgamento. Fl. 4334DF CARF MF 8 A DRJ, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário. O Acórdão n.º 0965.128 3ª Turma da DRJ/JFA, está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO. Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 IPI. CONSTITUIÇÃO MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco constituir o crédito tributário do IPI (tributo sujeito ao lançamento por homologação) por meio do lançamento de ofício decai após cinco anos do encerramento do período de apuração em que tenha havido, na forma do caput e dos incisos I e III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/02 (e seu correlato no RIPI/2010), pagamento ou compensação antecipados (ainda que parcial), nos termos do disposto nos arts. 150, § 4º, e 156, VII, ambos do CTN, c/c Parecer PGFN/CAT nº 1617, de 2008. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação e, resulta daí o não conhecimento da Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.332 9 impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvandose, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. ART. 63, CAPUT E §1º, DA LEI Nº 9.430/96. A constituição do crédito tributário sem a exigência da multa de ofício somente se aplica se antes do início do procedimento fiscal o tributo encontravase com a exigibilidade suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, nos termos do disposto no art. 63, caput e § 1º, da Lei nº 9.430/96. Na hipótese de lançamento efetuado após a cassação da liminar por sentença denegatória da segurança, nenhum óbice haverá para a incidência da multa de ofício. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese: a. Erro de premissa (também do acórdão recorrido): Vigência de decisão judicial de mérito afastando a cobrança de IPI na saída de produtos importados – Vício na premissa na qual se suportou o lançamento – Teoria dos Motivos Determinantes – Descumprimento de ordem judicial. A recorrente alega que a motivação constante do Termo de Informação Fiscal (efl. 15/20) para a lavratura do auto de infração foi a suposta revogação de liminar em Mandado Judicial. Cita trecho do MPF Fiscal nº. 04.1.01.002014016355. O contribuinte buscou ordem judicial que declare a inexistência de relação jurídicotributária entre a parte e a União, relativamente ao IPI cobrado na saída para o mercado interno das mercadorias antes importadas, quando tais produtos não tenham passado por qualquer processo de industrialização após o seu desembaraço aduaneiro, conforme consta no processo n. 080036520.2013.4.05.8300 – MANDADO DE SEGURANÇA. O Juiz Federal Substituto da 9ª Vara Federal proferiu Sentença no dia 04 de junho de 2014: (...) Ante o exposto foi revogada a liminar antes deferida, denegando a segurança com base no art. 269, I do CTC (sic) no dia 04 de junho de 2014. Em decorrência do acima exposto, o imposto sobre produtos industrializados – IPI, está sendo cobrado através do AUTO DE INFRAÇÃO anexo, ao qual esse Termo de Informação Fiscal faz parte integrante e vinculada. (efls. 4270/4271) Fl. 4336DF CARF MF 10 Alega que tal premissa seria falsa, pois possuía decisão de mérito para ver afastada a incidência do IPI na saída em revenda de produtos importados de seu estabelecimento. Tratase da ação judicial da 9ª Vara da Seção Judiciária de Pernambuco sob o nº. 080036520.2013.4.05.8300 (PJe) que, segundo a recorrente, no momento da ciência do auto de infração, dezembro de 2015, estava com decisão de mérito favorável para afastar o lançamento. A recorrente argumenta que a interpretação dada pelo juízo de primeira instância, levando em consideração a data de início do procedimento fiscal e não a data de ciência para validar o lançamento, consistiria em espécie de agravamento. Cita doutrina e jurisprudência onde reforça a tese de agravamento e de inovação por parte da DRJ. Defende que houve vício de fundamentação, insanável pela DRJ, e pede o cancelamento do auto de infração. Fala em teoria dos motivos determinantes e cita doutrina. Destarte, a acusação fiscal revelase improcedente por vício de fundamentação, insanável pela DRJ, e o Auto de Infração deve ser cancelado em respeito à decisão judicial vigente à época do lançamento. (...) Com efeito, o administrador está vinculado ao motivo declarado. Aliás, no caso concreto a própria i. Autoridade Lançadora, no relatório, assevera que o “Termo de Informação Fiscal faz parte integrante e vinculada” do Auto de Infração. E tem todo sentido na medida em que os atos administrativos pressupõem motivação para serem válidos (art. 50 da Lei nº. 9.784/99). Logo, de nada adiantaria essa exigência se a motivação não vinculasse o ato perpetrado. Temse, nessa linha, que a validade do Auto de Infração tem como pressuposto a existência dos motivos (de fato e de direito) expostos no TIF. (efls. 4274) Em suma, alega que o motivo de fato do auto de infração está viciado, pois quando da ciência do auto estava vigente medida jurídica que suspendia a cobrança do IPI. Cita jurisprudência do STJ acerca da teoria dos motivos determinantes. Em continuação, contesta o argumento da DRJ de que o lançamento seria válido para prevenir a decadência. Alega que possuía decisão de mérito quando do lançamento, ou seja, que não haveria fundamento para o lançamento de prevenção de decadência. Primeiramente, de se destacar que a decisão vigente no momento do lançamento não é liminar; é decisão de mérito. Com a decisão, foi acolhido o pedido da Recorrente (ali Impetrante) no sentido de: reconhecer o seu direito líquido e certo de só recolher o IPI, em relação aos produtos que importa, no desembaraço aduaneiro; e afastar qualquer ato tendente a exigir o imposto quando da saída em revenda dos produtos que importa. (efl. 4276) Pede a anulação do lançamento ou, caso mantido, que sejam afastadas a cobrança de mora e multa. b. Erro de premissa Distinção entre atividades desenvolvidas pela Recorrente – Importação direta e revenda de produtos importados – Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.333 11 Importação por conta e ordem de terceiros – Vício na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável. A recorrente alega que vem recolhendo a maior o IPI nas operações de revenda de produtos importados. Explica que a fiscalização cometeu um equívoco ao incluir no lançamento do IPI, além das operações de revenda, as operações realizadas por conta e ordem de terceiro. Segundo a recorrente, as operações de importação realizadas por conta e ordem estariam enquadradas como prestação de serviço e sujeitas ao ISS. Cita doutrina e entra em detalhes quanto ao procedimento operacional envolvendo a emissão de notas fiscais de entrada e saída. A simples emissão da nota fiscal de entrada e saída pela Recorrente, dada a natureza da operação (por conta e ordem de terceiros) e dada a sua condição (mera prestadora de serviços) não faz nascer o fato gerador do IPI, tampouco transfere à Recorrente a condição de sujeito passivo do imposto. Mesmo porque a Recorrente não revela capacidade contributiva (art. 145, § 1º, da Constituição Federal) a legitimar a incidência do IPI sobre o valor da saída já que, insistase, a importação ocorreu por conta e ordem de terceiro (sendo deste a capacidade contributiva) e o papel da Impugnante foi de prestação de serviços (sendo sua capacidade contributiva limitada ao valor desta prestação, sobre o qual incide ISS). (efl. 4280) A recorrente apresenta ainda trechos de explicações fornecidas no sitio da Receita Federal do Brasil sobre as operações de importação realizadas por conta e ordem. Já com relação a importação direta de produtos importados para revenda, a recorrente alega que destaca e recolhe o IPI. Diante de todo o exposto, a recorrente conclui que o auto de infração teria por objeto as importações por conta e ordem de terceiros. Sendo que, conforme detalhado, a recorrente atuaria apenas como prestadora de serviços no caso de operações por conta e ordem. Acontece que, consoante destacado, na importação por conta e ordem de terceiros há duas operações: importação propriamente dita e prestação de serviços. Sobre a importação há IPI devido no desembaraço e, a depender, na saída do adquirente (importador de fato). Em relação à prestação de serviços, o imposto incidente é o ISS; próprio desse tipo de operação. Tanto é assim, insistase, que o IPI creditado pelo adquirente (importador de fato) equivale ao IPI por ele suportado no desembaraço aduaneiro. (efl. 4286) Alega que a DRJ não analisou corretamente os dois tipos de operação: por conta própria e por conta e ordem, sendo que judicialmente a discussão está limitada as operações por conta própria onde a mesma está equiparada a estabelecimento industrial. Ora, uma simples análise dos fundamentos da ação judicial faz perceber que a discussão travada diz respeito à saída em Fl. 4338DF CARF MF 12 revenda dos produtos importados e não à saída dos produtos importados por conta e ordem de terceiros. (efl. 4287) Apresenta trechos da exordial da ação judicial, onde demonstra que a mesma está restrita a discussão da tributação do IPI quando da importação por conta própria para revenda no mercado interno. Ou seja, fica claro que o Mandado de Segurança em questão, utilizado como motivo determinante para lavratura do presente auto de infração, foi impetrado para contestar a cobrança indevida do IPI cobrado pela RFB nas operações de revenda de produtos importados e não nas saídas dos produtos importados por conta e ordem de terceiros, até porque, como visto, totalmente indevida seria a cobrança do IPI nestes casos. Tendo em vista que o valores lançados são exclusivamente referentes a segunda operação apontada (importação por conta e ordem de terceiros), bem como que o motivo para o lançamento foi a suposta falta de decisão judicial no mandado de segurança apontado que amparasse a inexigibilidade dos valores lançados, temse que o lançamento realizado é totalmente incoerente com sua fundamentação. (efl. 4288) Dessa forma, considerando que a Fiscalização partiu de premissa equivocada por não distinguir as atividades desenvolvidas pela Recorrente (i. importação por conta e ordem de terceiro e ii. revenda de produtos importados), e considerando que a Recorrente recolheu IPI em relação objeto de importação direta posteriormente revendidos (a maior, inclusive), revelase necessária a reforma do acórdão recorrido para julgar improcedente o lançamento fiscal que se suporta numa suposta insuficiência de IPI, já que o imposto devido foi recolhido; devendo ser cancelado o Auto de Infração. (efl. 4288/4289) Em resumo, alega que a fiscalização não fez distinção entre a importação por conta própria para revenda no mercado interno e a importação por conta e ordem. Pede a improcedência do lançamento fiscal tendo em vista que vem recolhendo o IPI quando da revenda de mercadorias importadas por conta própria, bem como pelo fato de não contribuinte do IPI quando da importação de mercadorias em operações por conta e ordem de terceiros. c. Das Operações Atinentes aos CFOPs 6.110 e 6.911 A recorrente alega que a fiscalização lançou valores de IPI em operações onde não incidiria o tributo. Menciona as operações no CFOP 6.110 destinadas a Zona Franca de Manaus. Foi apontado o lançamento referente a operações no CFOP 6.110, referentes à Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio, a qual totaliza o valor de R$ 19.689,32. Tal operação não deveria ser tributada conforme art. 3º do Decreto Lei nº 288/67 e Solução de Consulta Solução de Consulta nº 8.048 SRRF08/Disit. (efl. 4289) Menciona também o equívoco quando do lançamento de IPI em operações de saída de mercadorias no CFOP 6.911, remessa de amostra grátis. A DRJ negou o direito a Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.334 13 isenção dos CFOPs 6.110 e 6.911 por preclusão, bem como pela falta de demonstração das características e condições específicas a cada caso. A recorrente pugna pela busca da verdade material. Cita jurisprudência e alega que o ônus da prova para negar a isenção das operações dos CFOPs 6.110 e 6.911 caberia a fiscalização. Cita jurisprudência e doutrina acerca da obrigatoriedade do fisco de comprovar a ocorrência da infração. Do pedido A recorrente pede que seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido, julgando improcedente a ação fiscal e o respectivo lançamento. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise dos argumentos constantes do Recurso Voluntário. Inicialmente, descartase a alegação de cerceamento de direito de defesa, tendo em vista a constatação de que em todas as fases processuais houve o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa. Erro de premissa (também do acórdão recorrido): Vigência de decisão judicial de mérito afastando a cobrança de IPI na saída de produtos importados – Vício na premissa na qual se suportou o lançamento – Teoria dos Motivos Determinantes – Descumprimento de ordem judicial. A motivação do lançamento tributário é aquela constante do auto de infração. O auto de infração é quem formaliza a exigência. No caso sob análise, a motivação constante do auto de infração é de que se trata de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial dando saída a produtos sem o devido lançamento do IPI. PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL INFRAÇÃO: SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI (efl. 3) A mesma motivação se encontra disposta no Termo de Informação Fiscal (TIF). Efetuamos a fiscalização do estabelecimento em epígrafe referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012 de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.01.002014016355. O contribuinte é equiparado a industrial tendo em vista ter como atividade a importação de produtos estrangeiros de acordo com Fl. 4340DF CARF MF 14 o inciso I do Art. 9º do decreto nº 7.212 de 15 de junho de 2010. Por ser equiparado a industrial é contribuinte do IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. (efl. 15) Ou seja, tratase claramente de lançamento de IPI na revenda de mercadorias importadas de pessoa jurídica equiparada a industrial, período de janeiro/2010 a dezembro/2012. Citese jurisprudência tratando da motivação do ato de lançamento tributário. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3102 00.646 do Processo 12466.002698/200794 – Data: 28/04/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o ato de lançamento de oficio (ato de revisão) deverá conter, além da referida motivação (mediata), a descrição do evento do não pagamento do tributo, que é a sua motivação imediata. É válido ato de lançamento dos impostos devidos na importação, quantificados na Declaração de Importação (DI) e não recolhidos pelo importador, que apresenta como motivação a falta de pagamento. A alegação relativa a descrição da atividade constante do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é irrelevante. O MPF é instrumento administrativo de início e controle da atividade da fiscalização externa. Existe jurisprudência do CARF esclarecendo que eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 1101 001.114 do Processo 10865.721233/201275 – Data: 03/06/2014 NULIDADE. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADES NA PRORROGAÇÃO DO MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. (grifo nosso) Portanto, negase provimento aos argumentos de nulidade por suposto erro de premissa, tendo em vista a existência de motivação constante do auto de infração. Na sequência cabe analisar os argumentos relativos a vigência da decisão judicial, processo nº 080036520.2013.4.05.8300 – Mandado de Segurança. Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.335 15 Por outro lado, a alegação de vigência da medida judicial quando da data da ciência dos lançamento fiscal é procedente. Em outras, palavras, compulsandose os autos, chegase à conclusão de que a medida estava vigente quando a recorrente tomou ciência do lançamento. Conforme pesquisa no sitio da Justiça Federal em Pernambuco e relatos dos autos a liminar fora revogada em 4 de junho de 2014, sendo que houve o provimento do recurso de apelação em 13/10/2014. Assim, na data de ciência do auto de infração no dia 21/12/2015, constante do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, efls. 1735/1736 a recorrente possuía medida judicial e o credito tributário estava suspenso na forma do artigo 151 do CTN. Assim, de forma conclusiva, é descabida a aplicação da multa de ofício. Aplicase o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pois a exigibilidade estava suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 4342DF CARF MF 16 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifos nosso) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. Citese jurisprudência. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 203 09744 do Processo 13839.002002/200201 – Data: 14/09/2004 IPI. LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. É cabível o lançamento de juros de mora na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial, sem o depósito do montante integral. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, que se não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência. Recurso não conhecido, em parte, por opção pela via judicial e negado na parte conhecida. Tendo em vista que existe concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial em razão da identidade de objeto, prevalece o entendimento de que o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência. Sobre o assunto, cabe lembrar que o lançamento para prevenção da decadência é válido com ou sem medida suspensiva. Aplicase a Súmula CARF nº 48. Súmula CARF nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante de todo o exposto, dáse provimento ao Recurso Voluntário para excluir a exigência da multa de ofício no lançamento de prevenção da decadência, onde havia medida judiciária suspensiva. Ficam mantidos os juros de mora. Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.336 17 Erro de premissa Distinção entre atividades desenvolvidas pela Recorrente – Importação direta e revenda de produtos importados – Importação por conta e ordem de terceiros – Vício na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável. De fato, o lançamento para prevenção da decadência deveria estar restrito as mercadorias importadas por conta própria e que foram objeto de revenda no mercado interno. Exatamente o objeto que está sendo discutido em juízo. Da leitura dos autos, carece de detalhamento a distinção entre a importação por conta própria para revenda no mercado interno e a importação por conta e ordem de terceiros. Sendo que apenas no primeiro caso há a incidência de IPI para a recorrente. No segundo caso, incide IPI para o real adquirente das mercadorias quando da revenda das mercadorias importadas. Cabe razão a recorrente nesse ponto. O adquirente das mercadorias é o sujeito passivo do IPI na revenda na operação por conta e ordem de terceiro. A pessoa jurídica importadora presta apenas o serviço. Citese trecho do sítio da Receita Federal do Brasil detalhando a condição do adquirente como equiparado a industrial. Com relação ao IPI, conforme estabelece o artigo 9º, IX, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI), o adquirente é equiparado a estabelecimento industrial e, portanto, é contribuinte desse imposto. Consequentemente, o adquirente deverá, ainda, recolher o imposto incidente sobre a comercialização das mercadorias importadas e cumprir com as demais obrigações acessórias previstas na legislação desse tributo. Da mesma forma que ocorre com a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação, o adquirente poderá aproveitar, se houver, o crédito de IPI originário da operação de importação, que tenha sido informado na nota fiscal de saída emitida pelo importador, tendo o adquirente como destinatário, na forma estabelecida no artigo 87 da IN SRF nº 247/02. (Ver sitio da Receita Federal do Brasil: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/importac aoeexportacao/operacoesrealizadaporintermediode terceiros/importacaocomcontaeordem) Logo, entendese que as operações por conta e ordem de terceiros devem ser excluídas da presente autuação preventiva da decadência, tendo em vista que a pessoa jurídica importadora presta apenas um serviço ao real adquirente das mercadorias. Nesse sentido, compulsandose os autos existe documentação comprobatória de importações por conta e ordem (contratos, declarações de importação, notas fiscais de entrada/saída, notas fiscais de serviços e invoices) nas importações realizadas pela pessoa jurídica importadora em nome das seguintes empresas: · TECCEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ/MF 41.087.974/000131 (efls. 1743/1757) · INDÚSTRIAS REUNIDAS RENDA S/A, CNPJ/MF sob o n° 11.445.160/000160 (efls. 1758/1781) Fl. 4344DF CARF MF 18 · BUREAU DE IMAGENS LTDA, CNPJ/MF 03.654.469/00013 (efls. 1782/1809) · DAFONTE VEÍCULOS, TRATORES, PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 02.830.307/000145 (efls. 1810/1831) · COMERCIAL CASA DOS FRIOS LTDA, CNPJ/MF 05.359.030/0001 02 (efls. 1832/1850) · RDX GESTÃO E HIGIENIZAÇÃO TEXTIL LTDA, CNPJ 09.011.551/000125 (efls. 1851/1864) · CHEMONE INDUSTRIAL QUIMICA DO NORDESTE LTDA, CNPJ 03.251.289/000100 (efls. 1865/1881) · MICROLITE S/A, CNPJ/MF 49.032.964/006737 (efls. 1936/1997) · BJK BIJUTERIAS LTDA, CNPJ/MF 07.935.830/000150 (efls. 1998/2100) · KARNE KEIJO — LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA., CNPJ/MF 24.150.377/000195 (efls. 2101/2113) · SUPERMERCADO DA FAMÍLIA LTDA, CNPJ/MF 05.677.591/0001 50 (efls. 2114/2132) Sob todas as empresas listadas acima recai a obrigatoriedade do recolhimento do IPI quando da revenda das mercadorias importadas no mercado interno. Ou seja, todas estas empresas adquirentes de mercadorias importadas estão equiparadas a estabelecimento industrial, sendo contribuintes do IPI. Nesse ponto, cabe discordar do julgamento de primeira instância que decidiu por manter no auto de infração todas as saídas de mercadorias importadas. DRJ Acórdão Destaquese que se tratam de todas as operações de saída, incluindo, portanto, aquelas destinadas ao adquirente das mercadorias de procedência estrangeira importadas por sua conta e ordem, haja vista que, nos termos do art. 2º da Lei nº 4.502/64, o fato gerador do IPI é a saída a qualquer título, sendo irrelevante se tal fato se deu com o propósito de revenda ou não. (efls. 4240) Entendese que a matéria das importações por conta e ordem de terceiros não está inclusa na demanda judicial, pois estaria naturalmente fora da incidência do IPI. A pessoa jurídica importadora como prestadora de serviço nas importações por conta e ordem não está equiparada a estabelecimento industrial. Atua na qualidade de prestadora de serviços e não de contribuinte do IPI. Assim, a nosso ver equivocase o juízo de primeira instância quando pressupõe que tal situação está inclusa da demanda judicial. Dáse razão a recorrente quando alega que tais casos estão excluídos da demanda judicial. Súmula CARF nº 1 Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 10480.732386/201513 Acórdão n.º 3201004.184 S3C2T1 Fl. 4.337 19 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Futuramente, quando do desfecho da demanda judicial, independente desta ser favorável ou desfavorável a recorrente, o auto de infração deve cobrar apenas o IPI quando da revenda das mercadorias importadas por conta própria. Nos casos de mercadorias importadas por conta e ordem de terceiro, a interessada atuou apenas como pessoa jurídica prestadora de serviços. Ou seja, cabe corrigir o auto de infração para prevenção de decadência do IPI devido apenas nas importações por conta própria com a finalidade de aguardar a conclusão do julgamento no judiciário. Dessa forma, dáse provimento ao recurso para excluir da autuação as importações da pessoa jurídica por conta e ordem das empresas adquirentes. Das Operações Atinentes aos CFOPs 6.110 e 6.911 Quanto a alegação de que a fiscalização lançou valores de vendas de mercadorias importadas destinadas à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio, bem com a título de remessa de amostra grátis, corroborase a preclusão e a falta de provas conforme decidido pelo juízo de primeira instância. Além disso, ainda que não se considerasse precluso o direito de alegar tais questões, é de se esclarecer que: i) alegar não incidência nas saídas a que se refere o CFOP 6.110, de modo genérico, sem sequer indicar o dispositivo legal ou regulamentar sob a qual se funda a alegação e sem apresentação dos documentos fiscais comprobatórios do registro de tal situação é argumentar no vazio; ii) do mesmo modo em relação às saídas atinentes ao CFOP 6.911, cuja isenção atribuída às saídas de amostra grátis a que se refere o art. 54III, do RIPI/2010, somente se materializa sob determinadas características e condições, as quais, se não demonstradas, como no presente caso, impossibilitam o reconhecimento da isenção; iii) todas as operações a que se refere o CFOP 5.927 tiveram o IPI lançado pelo contribuinte nas notas fiscais de saída, conforme indicado na planilha DEMONSTRATIVO DE SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI (JÁ EXCLUÍDAS AS NOTAS FISCAIS DUPLICADAS, AS CANCELADAS E A EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO IPI), cujos valores indicados na coluna IPI Lançado(destacados pelo contribuinte nas NFS) são exatamente iguais aos valores atribuídos à coluna IPI Devido(apurados pela Fiscalização), resultando, daí, em inexistência de lançamento de ofício relativamente a tais operações. (efl. 4245) Além disso, mesmo que a preclusão fosse afastada, as vendas para a Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio precisam de comprovação quanto ao ingresso das mercadorias nas áreas isentas. O código da operação na nota fiscal do remetente não constitui prova suficiente. Fazse necessário comprovar a internação. Citese jurisprudência. Fl. 4346DF CARF MF 20 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3302 001.175 do Processo 15374.001765/200266 – Data: 10/08/2011 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/02/1998, 28/02/1998, 31/03/1998 SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA. O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal. Assim, negase provimento ao recurso voluntário por preclusão, bem como pela falta de demonstração das características e condições específicas a cada caso. Do Recurso de Ofício Finalmente, negase provimento ao recurso de ofício tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira instância apreciou o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. Conclusão Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir a exigência da multa de ofício, por concomitância de matéria na esfera judicial (IPI devido na revenda), e excluir do lançamento as importações da pessoa jurídica por conta e ordem de terceiro. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 4347DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.008952/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/07/2005
PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT-50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29.
O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT-50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar - RGC-1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
Numero da decisão: 3302-005.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que lhe dava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/07/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/07/2005 PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT-50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT-50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar - RGC-1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
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REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/07/2005 PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por tratase de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classificase no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que lhe dava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 89 52 /2 00 9- 06 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório O objeto do presente processo versa sobre a classificação equivocada de mercadoria em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 07 39.364, da 7ª Turma da DRJ/FNS, proferido na sessão de 09 de março de 2017: "Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 02/23) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 10.224,79, relativo ao Imposto de ImportaçãoII, COFINS Importação e contribuição ao PIS, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, bem como a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº .158 35, de 27 de agosto de 2001. Relata a auditoria que o importador, por meio da DI de n° 05/06888040, registrada em 01/07/2005, submeteu a despacho, pela adição 001, a mercadoria descrita como: ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO", classificandoa na tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99. Em face do pedido de exame laboratorial nº LAB 1835/05 EQCOF, foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo nº 931.01, que concluiu tratarse de "Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida) na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio116xido), (Zinco Omadine) e composto com Grupamento Sulfonato (dispersante)". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1a. e 6a., com a Regra Geral Complementar RGC1; texto da posição 3808 – “Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 4 3 fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas", a mercadoria submetida a despacho classificase no código NCM 3808.20.29 OUTROS FUNGICIDAS APRESENTADOS DE OUTRO MODO. Regularmente cientificada (fl. 48), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 49/57), na qual, em síntese: Alega que o produto analisado apenas se classificará no código tarifário adotado pela impugnante caso seja um composto orgânico de constituição química definida, mais especificamente um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto), cuja estrutura contenha um ciclo piridina hidrogenado ou não, não condensado. O produto se classificará no referido código tarifário, ainda, caso seja uma solução aquosa de tal composto orgânico. Já o produto analisado apenas se classificaria no código tarifário pretendido pela fiscalização caso se enquadre no conceito de fungicidas contido nas notas explicativas da Posição NCM 3808 e apresente características de preparações, tal como descritas nas notas explicativas da Posição NCM 3808. A despeito do afirmado no laudo técnico n° 1931.01, esclarece que, muito antes desta autuação, providenciou junto ao laboratório de análises químicas LAAP Engenharia, Peritagem, Consultoria e Análise Ltda. um estudo técnico do produto, para determinar com exatidão a sua classificação fiscal. Nesse sentido, foi emitido pelo referido laboratório, em 06 de setembro de 2006, a Informação Técnica n° 264/06 que concluiu que: a) o produto em estudo, "TOMICIDE ZPT 50", tratase de uma solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado tecnicamente como: Piritiona de Zinco; Em face da referida Informação Técnica, não resta dúvida que o produto analisado se enquadra perfeitamente no código tarifário NCM 2933.39.99, tendo em vista que a definição do produto trazida por ela corresponde exatamente aos textos da Posição NCM 2933 e da Subposição NCM 2933.3. No entanto, em face do conflito existente entre a Informação Técnica e o laudo técnico, caso seja considerado conveniente a realização de uma terceira perícia do produto analisado por laboratório diverso, a Impugnante se coloca à disposição para indicar seu assistente técnico para a perícia e para apresentar seus quesitos, mediante notificação específica. Requer o cancelamento do Auto de Infração. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 5 4 No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado. Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde alega suposta falta de fundamentação da decisão recorrida e que a classificação lançada na DI estaria correta, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Da suposta Falta de Fundamento da Decisão Segundo o entendimento da recorrente, o fato de as razões de decidir da DRJ terem, supostamente, baseadose somente no Laudo Técnico n. 1931.001 e não ter sido levado em conta as razões trazidas em laudo acostado pela contribuinte que serviria de contraprova e suficiente para comprovar suas alegações, não seriam fundamentos suficientes para a tomada da decisão. Entretanto entendo não haver falta de fundamentação. Em que pese não ter se sustentado do laudo trazido pela recorrente para a prolatar a decisão, houve o cotejo dos argumentos e documentos juntados aos autos, servindo todo esse conjunto como formadores da convicção dos julgadores e fundamentos para a tomada de decisão. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Posto isso, irretocável o v. Acórdão quanto ao seus fundamentos e clareza, não havendo em se falar de nulidade, prejuízo à defesa ou violações do direito ao contraditório. II Mérito Da classificação da mercadoria Por todo o até aqui exposto, podemos afirmar que a celeuma apresentada para resolução, cingese quanto a (in)adequada classificação da mercadoria importada pela contribuinte recorrente, lançadas na declaração de importação na posição NCM 2933.39.99, "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO", enquanto a fiscalização entendeu que a correta posição seria no código NCM 3808.20.29, observese os quadros abaixo: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 6 5 As notas NESH do capítulo 29, estabelecem, Capítulo 29 Produtos químicos orgânicos Notas. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas; b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c) Os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) As soluções aquosas dos produtos das alíneas a),b) ou c) acima; e) As outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 7 6 transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) Os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) Os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f)acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) Os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. Já para a fiscalização a posição correta seria aquela trazida na nota 38, transcrita abaixo: Notas. 1 O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (...) 2) Os inceticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento de plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.09; Segundo o entendimento da fiscalização, chancelado pela DRJ o produto importado pela recorrente seria caracterizado como fungicida classificado no capítulo 38, ainda que seja um produto de constituição química definida, apresentado isoladamente. Quanto a esse assunto entendo que devemos, ainda que de forma superficial, discorrer sobre o conceito de fungicida. Os fungicidas, herbicidas e inseticidas são todos pesticidas utilizados na proteção de plantas. Um fungicida é um tipo específico de pesticida que controla doenças fúngicas por inibir ou matar especificamente o fungo causador da doença. Tratase o fungicida de uma substância química usada para destruir organismos chamados fungos, nocivos aos seres humanos e aos vegetais. Os fungos podem atingir e danificar e até exterminar plantações. Os fungicidas são substâncias químicas extremamente nocivas aos seres humanos e à fauna em geral, causando danos irreversíveis à saúde, não sendo utilizados diretamente no trato de pessoas e animais, vale dizer, aqueles classificados no capitulo 38, são de uso exclusivo na agricultura. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 8 7 Por tais razões, entendo que a classificação utilizada pela fiscalização, confrontando aquela defendida pela recorrente, encontrase equivocada, ainda mais diante de algumas considerações feitas pelo próprio trabalho da autoridade fiscal, e conclusões trazidas pelo laudo solicitado pela fiscalização. Na fls. 06, parte do auto de infração, a clara menção de que o produto químico é utilizado na fabricação de shampoo, produto utilizado por humanos ou animais domésticos, portanto não se trata de um fungicida dentro do conceito utilizado pela fiscalização para a classificação, vejamos: No mesmo sentido podemos apontar a resposta aos quesitos dispostos no laudo solicitado na fiscalização, conforme podemos observar das fl. 37: Conforme demonstrado acima, considerando que os produtos importados destinamse como matéria prima à produção de outros produtos, como por exemplo shampoos, utilizados para higiene de seres humanos e animais domésticos, não devendo persistir a classificação adotada para a lavratura do auto de infração e lançamento do crédito tributário. Diante disso, a classificação utilizada pela contribuinte recorrente quando do preenchimento da declaração de importação é a mais correta. Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Ilmo. Conselheiro Relator, que concessa venia entendeu em sentido contrário, esclareço que o presente prestase para expor meu entendimento no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela fiscalização aduaneira, corroborada que foi pela decisão recorrida. Entende o nobre Conselheiro Relator, após analisar a questão, que "os produtos importados destinamse como matéria prima à produção de outros produtos, como por exemplo shampoos, utilizados para higiene de seres humanos e animais domésticos, não devendo persistir a classificação adotada para a lavratura do auto de infração e lançamento do crédito tributário". Razão pela qual conclui que "a classificação utilizada pela contribuinte recorrente quando do preenchimento da declaração de importação é a mais correta". Dos fatos Tratase de ação fiscal relativa ao despacho aduaneiro de mercadoria descrita como "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO". Da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração Da "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)", às fls. 04/05, colhese o que segue transcrito, verbis: 001 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL (...) O importador, por meio da DI de nº 05/06888040, registrada em 01/07/2005, submeteu a despacho pela adição 001, 9000 QUILOS da mercadoria descrita como: "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO"; classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99 "OUTS.COMP. C/ESTRUT. C/UM CICLO D/PIRID. Ñ COND."; tendo sido declarado e pago, quando devido; imposto de importação à alíquota de 2,00%, imposto sobre produtos industrializados à alíquota de 0,00%, PIS A alíquota de 1,65% e Cofins à alíquota de 7,60%. Em face do pedido de exame laboratorial no LAB 1835/05 EQCOF; foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo no Nº 1931.01, que concluiu tratarse de "Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida) na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio116xido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante)"; e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 10 9 "1. Não se trata somente de Zinco Omadine e nem de Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Piridina N substituído com radicais Alquita ou Arita. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida), na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio11óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante), uma Preparação Antimicrobiana, de uso exclusivo na indústria. 2. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bacteriana). 3. De acordo com Referências Bibliográficas e Literatura Técnica Especifica (ANEXO I), a mercadoria é utilizada, principalmente como Preparação Antimicrobiana na formulação de shampoo. 4. De acordo com Literatura Técnica Especifica (ANEXO I), TOMACIDE ZPT50 tratase de uma Suspensão Aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1; texto da posição "3808 Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas", a mercadoria submetida a despacho, descrita na adição 001; divergente da apurada no exame laboratorial classificase no código NCM 3808.20.29 OUTS. FUNGICIDAS APRESENTADOS D/OUTRO MODO; sujeita a incidência de alíquotas de 4,00% para o imposto de importação, 0,00% para o imposto sobre produtos industrializados, 1,65% para PIS e 7,60% para COFINS. Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somada aos acréscimos legais devidos. (...) Da síntese da impugnação Irresignado com a autuação, mais especificamente, com a reclassificação fiscal que lhe foi imposta, em face da autuação de que trata o MPF nº 0817800/33712/09, e consequente exigência tributária, o contribuinte apresentou em 15.01.2010, impugnação, para em síntese, alegar o que segue, conforme extraise do relatório do acórdão vergastado, verbis: Regularmente cientificada (fl. 48), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 49/57), na qual, em síntese: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 11 10 Alega que o produto analisado apenas se classificará no código tarifário adotado pela impugnante caso seja um composto orgânico de constituição química definida, mais especificamente um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto), cuja estrutura contenha um ciclo piridina hidrogenado ou não, não condensado. O produto se classificará no referido código tarifário, ainda, caso seja uma solução aquosa de tal composto orgânico. Já o produto analisado apenas se classificaria no código tarifário pretendido pela fiscalização caso se enquadre no conceito de fungicidas contido nas notas explicativas da Posição NCM 3808 e apresente características de preparações, tal como descritas nas notas explicativas da Posição NCM 3808. A despeito do afirmado no laudo técnico nº 1931.01, esclarece que, muito antes desta autuação, providenciou junto ao laboratório de análises químicas LAAP Engenharia, Peritagem, Consultoria e Análise Ltda. um estudo técnico do produto, para determinar com exatidão a sua classificação fiscal. Nesse sentido, foi emitido pelo referido laboratório, em 06 de setembro de 2006, a Informação Técnica nº 264/06 que concluiu que: a) o produto em estudo, "TOMICIDE ZPT 50", tratase de uma solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado tecnicamente como: Piritiona de Zinco; Em face da referida Informação Técnica, não resta dúvida que o produto analisado se enquadra perfeitamente no código tarifário NCM 2933.39.99, tendo em vista que a definição do produto trazida por ela corresponde exatamente aos textos da Posição NCM 2933 e da Subposição NCM 2933.3. No entanto, em face do conflito existente entre a Informação Técnica e o laudo técnico, caso seja considerado conveniente a realização de uma terceira perícia do produto analisado por laboratório diverso, a Impugnante se coloca à disposição para indicar seu assistente técnico para a perícia e para apresentar seus quesitos, mediante notificação específica. Requer o cancelamento do Auto de Infração. Da decisão recorrida Dos termos do Acórdão 0739.364, da 7ª Turma da DRJ/FNS, de 09.03.2017, temse que o Colegiado a quo, analisando os argumentos de defesa apresentados, concluiu, a unanimidade, pela improcedência da impugnação e, por conseguinte, pela manutenção do crédito tributário apurado, nos termos do relatório e voto da Relatora. Do recurso voluntário Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 12 11 Não se conformando com a decisão de primeira instância, o Recorrente comparece uma vez mais aos presentes autos para, de forma mais sintética ainda, reafirmar os argumentos elaborados em sede de impugnação, nada acrescentando, portanto. Mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (g.n.) (...) Constatado, como dito anteriormente, que o Recorrente furtouse em apresentar novas razões de defesa perante este Colegiado, e tendo em vista minha absoluta concordância com os fundamentos do Colegiado a quo, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão, relativamente a reclassificação fiscal da mercadoria realizada pela fiscalização aduaneira, que, por considerar indevida a classificação utilizada pelo contribuinte, no código NCM 2933.39.89, reposicionoua para o código NCM 3808.20.29, ao fundamento que o produto importado pela DI 05/06888040 tratase de composto químico que não se apresenta em solução aquosa, mas de uma suspensão aquosa do produto ativo piritionato de zinco, de propriedades fungicidas, na qual foi acrescentada um agente dispersante, o que, na acepção das Notas e NESH, e com base nas RGI 1ª e 6ª e também da RGC1, todas do SH Sistema Harmonizado, enquadrase como uma preparação fungicida intermediária na forma de suspensão do produto ativo; razão pela reproduzo o teor de seu voto, verbis: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 13 12 (...) Mérito: Tratase de litígio no qual se discute a classificação fiscal do produto descrito como: "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT 50) PIRITIONATO DE ZINCO", que o contribuinte classificou na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99, enquanto o fisco o reclassificou no código NCM 3808.20.29, por se tratar de outros fungicidas apresentados de outro modo que não os constantes nos itens anteriores: 29.33 COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS EXCLUSIVAMENTE DE HETEROÁTOMO(S) DE NITROGÊNIO (AZOTO) 2933.3 Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado 2933.39 Outros 2933.39.9 Outros 2933.39.99 Outros 38.08 INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS 3808.20 Fungicidas 3808.20.10 Apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto 3808.20.2 Apresentados de outro modo 3808.20.29 Outros A Nota 1 do Capítulo 29 estabelece: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; (...) d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas "a", "b" ou "c" acima; e) as outras soluções dos produtos das alíneas "a", "b" ou "c" acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) os produtos das alíneas "a", "b", "c", "d" ou "e" acima, adicionados de um estabilizante (incluído um Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 14 13 agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas "a", "b", "c", "d", "e" ou "f" acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais.” (grifouse) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), em suas Considerações Gerais a respeito do referido Capítulo, assim esclarecem: CONSIDERAÇÕES GERAIS O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. A) Compostos de constituição química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substâncias que foram acrescentadas deliberadamente durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo. Por conseqüência, um produto constituído, por exemplo, por sacarina misturada com lactose, a fim de que possa ser utilizado como edulcorante, está excluído do presente Capítulo (ver Nota Explicativa da posição 29.25). (...) Os compostos de constituição química definida, apresentados isoladamente, classificados no presente Capítulo, podem apresentarse em solução aquosa. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 15 14 Com as mesmas reservas que as indicadas nas Considerações Gerais do Capítulo 28, o presente Capítulo também compreende as soluções não aquosas e os compostos, ou respectivas soluções, adicionados de um estabilizante (por exemplo, butilcatecol terciário com estireno da posição 29.02), substâncias antipoeiras ou de corantes. As disposições relativas à adição de estabilizantes, substâncias antipoeiras ou de corantes, que constam das Considerações Gerais do Capítulo 28, aplicamse, mutatis mutandis, aos compostos químicos incluídos no presente Capítulo. Além disso, aos produtos deste Capítulo podem, nas mesmas condições e com as mesmas reservas previstas quanto aos corantes, adicionarse substâncias odoríferas (por exemplo, bromometano da posição 29.03 adicionado de pequena quantidade de cloropicrina). E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), em suas Considerações Gerais a respeito do Capítulo 28, melhor esclarecem os pontos citados: CONSIDERAÇÕES GERAIS (...) Excluemse, todavia, do Capítulo 28 as soluções não aquosas desses compostos, salvo quando tais soluções constituam modo usual e indispensável de acondicionamento, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e desde que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Assim, o oxicloreto de carbono dissolvido em benzeno, o amoníaco dissolvido em álcool e a alumina em dispersão coloidal excluemse do Capítulo 28 e classificamse na posição 38.24. As dispersões coloidais, de uma maneira geral, incluemse na posição 38.24 a não ser que se classifiquem em posição mais específica. Os elementos químicos isolados e os compostos que, consoante as regras precedentes, se considerem compostos de constituição química definida, podem conter um estabilizante, desde que este seja indispensável à sua conservação ou transporte (por exemplo, o peróxido de hidrogênio estabilizado com ácido bórico incluise na posição 28.47, mas o peróxido de sódio, associado a catalisadores e destinado à produção de peróxido de hidrogênio, excluise do Capítulo 28 e classificase na posição 38.24). Também se consideram como estabilizantes as substâncias que se adicionam a determinados produtos químicos no intuito de os manter no seu estado físico inicial, desde que a quantidade adicionada não ultrapasse a necessária para Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 16 15 obtenção do que se pretende e que essa adição não modifique as características do produto de base nem o torne particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Os produtos do presente Capítulo, de acordo com as disposições precedentes, podem, por exemplo, apresentarse adicionados de substâncias antiaglomerantes. Pelo contrário, excluemse os produtos a que tenham sido adicionadas substâncias hidrófugas, dado que essa adição modifica as características do produto inicial. Desde que essa adição não os torne particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, aos produtos deste capítulo podem também adicionarse: a) substâncias antipoeira (por exemplo: óleos minerais adicionados a alguns produtos químicos tóxicos para evitar o desprendimento de poeiras durante a sua manipulação); b) corantes, com a finalidade de facilitar a identificação dos produtos ou adicionados por razões de segurança, a produtos químicos perigosos ou tóxicos (por exemplo, arseniato de chumbo da posição 28.42), no intuito de alertarem quem os manipule. Excluemse, todavia, os produtos adicionados de substâncias corantes com finalidades diferentes das acima indicadas. É o caso, por exemplo, da sílicagel adicionada de sais de cobalto, própria para servir como indicador de umidade (posição 38.24). Por outro lado, conforme ressalvado nas Notas dos capítulos 28 e 29, as Notas do Capítulo 38 trazem disposição em contrário e esclarecem: Notas. 1. O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (...) 2) Os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; Portanto, se o produto for caracterizado como fungicida e atender aos requisitos que serão tratados a seguir, será classificado no capítulo 38, ainda que seja um produto de constituição química definida, apresentado isoladamente. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 17 16 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, ao tratarem da posição 3808, esclarecem que ali se incluem os produtos com características de fungicidas, dentre outros, somente nos seguintes casos: 1) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quanto ao seu destino para venda a retalho. (...) 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido (dispersões de D.D.T. (1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil) etano) em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies. As soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. (...) Das Notas acima depreendese que para um fungicida se classificar na posição 3808 necessita: 1) ou estar acondicionado para venda a retalho, o que não é o caso do produto sob análise; 2) ou se apresentar como preparação, qualquer que seja a forma desta e ainda que esta seja intermediária ao produto final. Devese entender “preparação”, para os fins de enquadramento na posição 3808, as suspensões do produto ativo em água ou qualquer outro líquido ou as soluções do produto ativo em solvente que não seja água (soluções não aquosas). Portanto, somente escapa a este conceito de “preparação” as soluções aquosas do produto ativo que, em se tratando de compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, permaneceriam no Capítulo 29, nos termos das suas Notas, ainda que sejam fungicidas, exceto se estivessem acondicionados para venda a retalho. Este entendimento não se modifica com a adição de estabilizantes, de substâncias antiaglomerantes, substâncias Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 18 17 antipoeira e os corantes, com a finalidade de facilitar a identificação dos produtos ou adicionados por razões de segurança, conservação e transporte, nos moldes das NESH do Capítulo 29, caso estes sejam acrescentados somente ao composto químico apresentado isoladamente, ou à solução aquosa deste. Observese que existem três tipos básicos de dispersões, que são as soluções, a dispersão coloidal (solução coloidal) e as suspensões: Solução ou Solução Verdadeira: são misturas de duas ou mais substâncias de aspecto uniforme, sendo que suas partículas dispersas apresentam o tamanho menor que 1nm. portanto, são invisíveis a olho nu. As partículas dos solutos não sedimentam, não podem ser separadas do solvente por filtração e não podem ser vistas nem mesmo com o auxílio de instrumentos ópticos como ultramicroscópios. Exemplos: açúcar na água, oxigênio dissolvido na água, água oxigenada. Solução Coloidal, Dispersão coloidal ou coloide: suas partículas dispersas têm entre 1 nm e 100 nm de diâmetro. São misturas que, a olho nu, aparentam ser homogêneas, mas na realidade não o são. Realizando uma centrifugação, é possível separar o disperso do dispersante, sendo que o primeiro depositase no fundo do recipiente. As dispersões coloidais são classificadas de acordo com as fases dispersas e de dispersão, gerando cinco tipos básicos de coloides, que são: sol, gel, emulsão, espumas e aerossol. Exemplos: gelatina dissolvida, pasta de dente, tinta, geléias, queijos, pasta de dente, maionese, leite, manteiga, cremes, margarina, sangue humano, fumaça. Suspensão: quando as partículas dispersas têm mais de 100 nm de diâmetro, sendo possível vêlas a olho nu. Geralmente usase a decantação ou filtração para separar as substâncias. Exemplos: água e areia, água e argila, ar e poeira. É de conhecimento desta relatora, que já apreciou a mesma matéria relativo a operação de outro importador, que o zinco piritiona ou zinco piridinotione (fórmula C10H8N2O2S2Zn) é usado como matériaprima para confecção do produto final a ser aplicado em seres humanos como agente anticaspa. Na concentração de 0,5 a 2% nos xampus, evita o crescimento do fungo que causa a caspa. Esta concentração é autorizada pelo Ministério da Saúde (Portaria nº 71/96 DOU 30/05/96). E de acordo com o Laudo Técnico nº 1931.01 (fls. 35/37): 1.Não se trata somente de Zinco Omadine e nem de Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Piridina N substituído com radicais Alquita ou Arita. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida), na forma de Dispersão Aquosa contendo Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 19 18 Zincobis(2Piridinotio11óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante), uma Preparação Antimicrobiana, de uso exclusivo na indústria. 2.Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bacteriana). 3.De acordo com Referências Bibliográficas e Literatura Técnica Específica (ANEXO I), a mercadoria é utilizada, principalmente como Preparação Antimicrobiana na formulação de shampoo. 4.De acordo com Literatura Técnica Especifica (ANEXO I), TOMACIDE ZPT50 tratase de uma Suspensão Aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine). À fl. 38, consta o Anexo I referenciado no item 4 do laudo técnico, uma consulta em página técnica especializada em produtos químicos, sobre o “Tomicide ZPT50, Zinc Pyrithione (INCI) 48% aqueous suspension”, fórmula C10H8N2O2S2Zn, na qual consta que se trata de uma suspensão aquosa, para uso em xampus na concentração de 0,31%, e que 95% das partículas são menores que 1 micron (1 micron = 1000 nm). Desta forma, a classificação utilizada pela contribuinte no código NCM 2933.39.89 é indevida, conforme a Nota 1 do Capítulo 29, pois o composto químico não se apresenta em solução aquosa. Como visto, tratase de uma suspensão aquosa do produto ativo piritionato de zinco, de propriedades fungicidas, na qual foi acrescentada um agente dispersante. Portanto, o produto analisado deve ser enquadrado como uma preparação fungicida intermediária na forma de suspensão do produto ativo, a qual tanto pode ser em água como em qualquer outro líquido. Assim, o produto sob análise, na acepção das Notas e NESH acima transcritas, deve ser classificado, com base nas RGI 1ª e 6ª na posição 3808 e na subposição 3808.20, específica para os fungicidas, os quais, sendo apresentados de outro modo, que não em embalagem destinada a uso domissanitário direto, incluise no item 3808.20.2 (RGC1). Por fim classificase no código 3808.20.29, por exclusão dos subitens anteriores, conforme os textos da Resolução Camex nº 42/2001. Pelo exposto, concluo estar correta a reclassificação adotada pela fiscalização, no código 3808.20.29 da NCM, restando procedentes todos lançamentos. (...) É como penso. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 20 19 Da conclusão Dessa forma, ao que concerne à matéria sobre apreço classificação fiscal de mercadoria importada, evidenciada a classificação errônea por parte do importador, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário objurgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002721/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes.
As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária.
Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2202-004.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006 EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 21 /2 00 7- 20 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 780 2 O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 781 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.002721/200720, em face do acórdão nº 1428.745, julgado pela 7ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 04 de maio de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Acessórias — AI — CFL 68, Debcad n.° 37.105.2530, com ciência do contribuinte em 08/10/2007, lavrado por ter o sujeito passivo apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de cumprir a obrigação prevista no art. 32, IV e §§ 3.° e 5.° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com art. 225, IV e § 4.° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração RF (fls. 23/26), a autuada, no período de 01/2004 a 09/2006, deixou de informar em GFIP como salário de contribuição as bolsas de estudo e pesquisa pagas aos seus professores empregados e residentes, através da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular — FUNADESP e as bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos seus empregados. Foi aplicada multa no montante de R$ 786.022,39 (setecentos e oitenta e seis mil, vinte e dois reais e trinta e nove centavos), fundamentada no art. 32, § 5. 0 da Lei 8.212/91 combinado com os art. 284, II e 373 do RPS, com valor atualizado pela Portaria MPS n.° 142, de 11 de abril de 2007 (DOU 12/04/2007). Ainda conforme o RF, não constam autos de infração lavrados anteriormente em nome da antecessora e não ocorreram outras circunstancias agravantes. O sujeito passivo, dentro do prazo regulamentar, apresentou impugnação de fls. 371/406, na qual, apresentando jurisprudência, alega, em síntese: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 782 4 É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal MPF e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a pratica de tais atos. Menciona, neste particular, artigos de seu Estatuto Social e o art. 23 do Decreto 70.235/72, acrescentando que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão; Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (anexa cópia), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior; Não incidência de contribuição social sobre bolsas pagas a título de pesquisa. Tece longo arrazoado no sentido de demonstrar a não incidência sobre tal benefício e esclarece sobre a instituição e forma de atuar da FUNADESP; Não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos. No presente caso não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo "habitual"), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo; Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada; Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária; A multa aplicada é confiscatória, posto que superior a vinte por cento, devendo assim ser cancelada, pois infringe o disposto no art. 150, IV da Constituição Federal — CF; Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa; Ofensa ao princípio da legalidade, vez que existe óbice para o apontamento de corresponsável legal por mero agente fiscalizador, constituindose verdadeira aberração jurídica o constante no "Relatório de Coresponsáveis — CORESP", representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Finalmente, anexando documentos de fls. 409/570, requer: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 783 5 A nulidade do AI por serem nulos os mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a empresa até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade arguida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário ou porque não tem legitimidade passiva a impugnante em pagar tais contribuições, bem como porque a impugnante simplesmente cumpriu os acordos coletivos; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter do efeito confiscatório ou seja relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Quando do julgamento do presente processo, concluiuse pela necessidade de manifestação da autoridade autuante através de informação complementar quanto a todos os motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa na alínea "t" do § 9.° do art. 28 da Lei 8.212/91, em função do contido no RF quanto ao tema: "Após análise dos documentos apresentados ficou constatado tratarse de mecanismo triangular de pagamento de bolsas, efetuado da seguinte forma: A ACEF realizou mensalmente, a partir de 1112002, o repasse de valores para a FUNADESP, que englobava o valor das bolsas, acrescido de 8% a titulo de contribuição conforme demonstram os seguintes documentos, anexos ao presente por amostragem: requisição de compra/autorização de pagamento; transferência bancárias de créditos, e listas mensais de beneficiáriõs das bolsas A fundação ao receber referidas importâncias, na forma de doações, repassava aos destinatários finais, na forma de bolsas de estudos; Os beneficiários das bolsas eram informados pela ACEF, que enviava para a FUNADESP lista com os respectivos nomes, inclusive com as informações bancárias, para que em seguida as doações efetuadas por ela à fundação fossem repassadas diretamente nas contas dos bolsistas, menos do desconto da contribuição (8% sobre o total das bolsas). Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 784 6 Os valores desembolsados na forma do item anterior se destinavam ao pagamento de bolsas de estudo para remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN — Universidade de Franca, da qual a autuada é mantenedora e a remunerar os residentes do hospital veterinário e de fisioterapia, que são exalunos que cursam residência e recebem bolsas em decorrência da carga horária prestada a UNIFRAN. Remunerase pelo desempenho de atividades profissionais e prática prestadas pelos residentes. Desta forma os valores pagos a título de bolsas de estudo, na forma citada acima, são considerados "salário indireto" e constituem Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n° 8.212191, por não se enquadrar na hipótese de não incidência prevista no parágrafo 9º, alínea "i" deste mesmo artigo, e, portanto deveriam ter sido adicionados à remuneração mensal dos segurados e inseridos nas Folhas de Pagamentos mensais': Tal informação complementar deveria ser expressa através de Relatório Fiscal Complementar, com ciência à autuada e reabertura do prazo de defesa sobre os pontos ali contidos. A autoridade fiscal se manifestou através do Relatório Fiscal Complementar de fls. 579/580, no qual esclarece que a alínea "t" do § 9.° do art. 28 da Lei 8.212/91 dispõe que não integra o saláriodecontribuição: "o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo ". Em relação à primeira condição: valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, as bolsas em questão não se enquadram, uma vez que a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ou seja, não inclui a educação superior, conforme o art. 21, I da Lei 9.394196: `Art. 21. A educação escolar compõese de: I — educação básica", formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II— Educação superior. Não se enquadram também na segunda condição, cursos de capacitação e qualificação profissionais, por se tratar de bolsas de estudos destinadas a remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN e a remunerar os residentes do Hospital Veterinário e da Fisioterapia, e não a bolsas de estudos para cursos de capacitação ou qualificação. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 785 7 Não se enquadram ainda na terceira condição, que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, pois a autuada, a seu livre arbítrio, estabelece os requisitos e aprova os projetos cujos autoresempregados se tornam aptos a receberem as bolsas, disto resultando que a empresa escolhe e indica o beneficiário a quem a bolsa será dada, não a oferece a todos os empregados, deixando de cumprir este requisito de não incidência. " Cientificado, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, defesa administrativa de fls. 583/607, na qual repete os comentários e argumentações sobre a concessão de bolsas de estudo a título de pesquisa através da FUNADESP, sobre a não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos e sobre a impossibilidade de autuação pela inexistência de obrigação acessória de registro contábil por inexistência do fato gerador do tributo, nada acrescentando à discussão, vez que todos esses comentários, argumentações e pedidos já haviam sido apresentados em sua primeira impugnação. Tendo retornado o processo a esse órgão julgador, ante a superveniência de modificação introduzida no cálculo da penalidade aplicada, pela Medida Provisória n.° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009, que revogou o § 5. 0 do art. 32 e introduziu o art. 32A, ambos da Lei 8.212/91, bem como em razão do disposto no art. 106, II, "c" do CTN, que determina, ao ato não definitivamente julgado, a aplicação retroativa de lei posterior que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, fezse necessário o exame e nova manifestação da autoridade autuante quanto à penalidade mais benéfica ao autuado, motivo pelo qual foi proposto o retorno deste processo à DRF de origem para as providências necessárias. Tendo em vista o fato de que o processo referente ao descumprimento da obrigação principal, que necessariamente deve ser usado na referida comparação para a determinação da multa mais benéfica já ter sido anteriormente julgado, retornou o processo a esse órgão julgador face à impossibilidade de atendimento ao solicitado. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado na integralidade e multa aplicada. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 687/717, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 786 8 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais do auto de infração e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitamse, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 787 9 Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada no presente lançcamento. Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais: A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 788 10 alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 789 11 cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 790 12 PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 791 13 unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 68. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. No entanto, prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriode contribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre ela não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa, pois demonstrada a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 792 14 Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de declarar em GFIP os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes, assim como, a bolsas de pesquisa para os professores (empregados), e pagamento de bolsa de estudos a médicos residentes (contribuintes individuais). Considerando que prevaleceu o entendimento de que incide contribuição previdenciária sobre tais verbas, tanto no julgamento do processo nº 13855.002591/200725, quanto no julgamento do processo nº 13855.002666/200778, desta mesma sessão de 07/08/2018, de cujas matérias tratadas originaram a autuação aqui discutida, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões dos votos vencedores daqueles processos, nos Acórdãos nº 2202004.644 e nº 2202004.643, respectivamente, ambos de minha redatoria. Em relação às bolsas de estudo aos dependentes dos segurados (processo nº 13855.002591/200725), entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 793 15 Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratadas, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 794 16 [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária, não merecendo reparos o acórdão recorrido. Em relação ao pagamento de bolsa de pesquisa para os professores e pagamento de bolsa a médicos residentes (processo nº 13855.002666/200778), como Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 795 17 ressaltado pela auditoria, a natureza desses pagamentos não se enquadra como plano educacional que vise à educação básica, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, não estão amparados pela não incidência da letra “t” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Aliás, a norma exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária as seguintes bolsas: Art. 28 [...] § 9º [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; [...] t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Pelo que se verifica, as bolsas concedidas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das bolsas de que trata a norma de não incidência. Ademais, tendo em vista que a recorrente afirma a não incidência de tributação sobre as bolsas, vez que não existe contraprestação de serviço, nem benefício direto para o doador, há que se observar, em primeiro lugar, que a auditoria fiscal relata o pagamento de bolsas de estudo a médicos residentes. Nesse aspecto, ressalto que existem dispositivos normativos que demonstram o contrário do afirmado pela defesa, e, por isso colacionoos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Decreto nº 3048 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 796 18 Art.9ºSão segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Vcomo contribuinte individual: [...] j)quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Xo médico residente de que trata a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIquinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§7ºe 8ºdo art. 219;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºIntegra a remuneração para os fins do disposto nos incisos II e III do caput, a bolsa de estudos paga ou creditada ao médico residente participante do programa de residência médica de que trata o art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, na redação dada pelaLei nº 10.405, de 9 de janeiro de 2002.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifei). Assim, não há como negar a incidência de contribuição previdenciária, dada a natureza dessas bolsas apuradas pela fiscalização. Em segundo lugar, em relação à bolsa de pesquisa concedida aos empregados (professores), também não está inclusa nas hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária de que trata o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não se enquadra Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 797 19 como educação profissional e tecnológica ou educação básica, como corretamente exposto no relato fiscal. Ademais, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e o Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, ambos vigentes à época dos fatos geradores, estabeleciam o seguinte: Lei nº 8.958/94 Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004 Art.6oAs bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994,constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. [...] §2oA bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. [...] §4oSomente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art.7oAs bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifei) Assim, para saber se a bolsa de pesquisa fornecida a seus empregados (professores) não estava passível de contribuição previdenciária, restaria verificar se era concedida nos termos da Lei nº 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 798 20 Essa análise foi abordada pelo julgador a quo (processo nº 13855.002666/200778), de cujo voto extraio os seguintes trechos, que acolho como razões de decidir: Em razão da defesa fazer menção à Lei nº 9.250/95 art. 26 e também que a forma de atuar da FUNADESP é análoga a outras Entidades Públicas, vale dizer que encontramos no inc. XXVII do art. 72 da Instrução Normativa MPS SRP 3 de 14 de julho de 2005 (DOU de 15/07/2005), a previsão de não incidência de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, mas que diz respeito especificamente às bolsas concedidas em conformidade com a Lei nº 8.958, de 20/12/94, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, e o Decreto nº 5.205 de 14/09/04, que Regulamenta a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, o que não se aplica a este caso. A Lei nº 8.958/94, e o Decreto nº 5.205/04 regem, tão somente, as relações entre instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e as fundações de apoio, dispondo sobre a participação de servidores/professores das instituições federais contratantes nas atividades da contratada, não amparando a concessão de bolsa de ensino, pesquisa e extensão a alunos de qualquer outra instituição de ensino. (Grifei) Mais uma vez extraio trecho do acórdão recorrido (processo nº 13855.002666/200778) que acertadamente estabelece a natureza remuneratória das bolsas de pesquisa concedidas aos empregados: Não se pode esquecer ainda que mesmo tendo sido a Mantenedora à época dos fatos uma Associação sem fins lucrativos, beneficiavase com o trabalho dos bolsistas empregados e residentes, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados serviam para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos e por conseguinte, contribuíam para o seu resultado positivo e o incremento de seus objetivos institucionais.. Dessa forma, não é possível falar em simples doação ou em inexistência de prestação de serviços: A Notificada beneficiavase do trabalho dos bolsistas. Neste passo e, ante a descrição dos fatos feita pela fiscalização, restou evidenciado que os resultados das atividades desenvolvidas pelos segurados empregados e também dos residentes, representam uma vantagem para o "doador" e uma contraprestação de serviços por parte dos mesmos, não importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento, por força da legislação previdenciária, referida parcela tem natureza salarial e integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições sociais. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 799 21 Considerando que não há qualquer dispositivo que albergue a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas aqui debatidas, não merece reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 799DF CARF MF
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