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Numero do processo: 14485.001652/2007-55
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/11/2006
RESPOSTA À DILIGÊNCIA. AGREGAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS PELA AUTORIDADE LANÇADORA. POSSIBILIDADE. OPORTUNIZADO O CONTRADITÓRIO. NULIDADE DEVE SER AFASTADA, QUANDO POSSÍVEL O CONHECIMENTO DO MÉRITO A FAVOR DE QUEM A NULIDADE APROVEITARIA.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Oliveira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieria dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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AGREGAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS PELA AUTORIDADE LANÇADORA. POSSIBILIDADE. OPORTUNIZADO O CONTRADITÓRIO. NULIDADE DEVE SER AFASTADA, QUANDO POSSÍVEL O CONHECIMENTO DO MÉRITO A FAVOR DE QUEM A NULIDADE APROVEITARIA. Recurso Voluntário Provido Crédito Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieria dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 16 52 /2 00 7- 55 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 369 2 Relatório Tratase Recurso Voluntário que busca modificar a decisão da DRJ que manteve o crédito lançado contra o contribuinte identificado em epígrafe, referese às contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social, a saber: contribuição dos segurados empregados (diferenças); contribuição da empresa devida ao FPAS e a contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições devidas a outras entidades (“Terceiros”). Referidas contribuições são incidentes sobre a remuneração paga aos empregados a título de “participação nos lucros ou resultados” em desacordo com a Lei 10.101/2000, relativas às competências 09/2005, 04/2006 e 08/2006 do estabelecimento matriz (CNPJ final 000102) e competências 08/2005 a 12/2006 para o estabelecimento filial (CNPJ final 001176). Devese atentar que o julgamento de primeira instância se deu após diligência ordenada pela DRJ, para esclarecimento e informação sobre os documentos juntados pela contribuinte. Contudo após a resposta diligência que foi de grande extensão e renovação de fundamentos, apenas foi ao contribuinte 10(dias) de prazo para manifestarse. Em recurso voluntário, alegou há repetição dos argumentos da impugnação, acrescidos da alegação de cerceamento de defesa, por descumprimento ao §3º, do art. 18, do Decreto 7235. Assim, vieram os autos à presente Turma Especial, para apreciação. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 370 3 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Vettorato Preliminarmente, o Recurso Voluntário é tempestivo, logo atendendo o requisito de admissibilidade, merecendo ser conhecido Como já relatado, devese atentar que o julgamento de primeira instância se deu após diligência ordenada pela DRJ, para esclarecimento e informação sobre os documentos juntados pela contribuinte. Contudo após a resposta diligência que foi de grande extensão e renovação de fundamentos, apenas foi ao contribuinte 10(dias) de prazo para manifestarse. A regra do art. 18, §3º, do Dec. 70.235, é clara em devolver o prazo integral de impugnação, 30(trinta) dias, ao contribuinte quando o resultado das diligências solicitadas agregarem fundamentos fáticos ou jurídicos ao lançamento. E, como se observa nos autos, o relatório fiscal complementar (fls. 268271 dos autos digitais), agregou novos fundamentos e conclusões, além de ter recebido mais explanações no despacho que lhe prosseguiu (fls. 272 274 dos autos digitais), contudo a parte somente 10(dez) dias para se manifestar. O ocorrido acima, mesmo que a DRJ entenda que não há prejuízo a defesa, ele efetivamente o é, considerando ainda o vulto dos valores e elementos probatórios envolvidos, os quais muitos dependem de outros órgãos públicos, ou seja, isso representa um prejuízo a defesa e contraditório ao contribuinte. Situações como essa tornam nulos todos os atos posteriores (art. 59, I, do Dec. 70235), inclusive a o acórdão da DRJ que improveu a impugnação, devendo serem os atos repetidos. Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, no sentido de anular a decisão recorrida, devendo a contribuinte intimada da resposta da diligência de fls. 268271 dos autos digitais e da presente decisão, devolvendolhe o prazo de 30(trinta) para manifestação sobre aqueles documentos, para após se novamente apreciado pela DRJ competente. É o voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 371 4 Voto Vencedor VOTO VISTA. Conselheiro Eduardo de Oliveira. O presente crédito cuida de exigência de contribuição social previdenciária, estando o levantamento escriturado sob a chancela de PLR – REMUNERAÇÃO EMPREGADOS PLR, conforme Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 08, incidente sobre a verba denominada de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, Relatório de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito REFISC, de fls. 31 a 33, a notificação fundamentase no itens abaixo transcritos do REFISC. 5.3 A empresa não apresentou ACORDO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS celebrado entre ela empresa e seus empregados, não atendendo os pressupostos previstos no artigo 2o , da Lei 10.101/2000. 5.4 As contribuições lançadas incidem sobre as remunerações pagas aos segurados, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, em desacordo com a legislação vigente. Estes valores encontramse registrados na folha de pagamentos no código 28700 no estabelecimento 001176 e no código 0122 no estabelecimento 000102. Para melhor compreensão, os fatos geradores foram discriminados nos demonstrativos dos Anexos I a III, que são parte integrante deste relatório. A empresa notificada apresentou defesa, as fls. 151 a 157, junto a qual apresentou as Convenções Coletivas, de fls. 182 a 199; 202 a 213; 216 a 239, ano 2006 e 2005, com os sindicatos SENDEMON; SINICON; SINCOCIMO E SITICOMMM, exclusivo, para a área da REDUC e Terceiro Termo Aditivo, fls. 240 a 241, relativo ao período de 01/02/2005 a 21/01/2006. O órgão julgador de primeiro grau baixou os autos em diligência onde solicitou os esclarecimentos que transcrevo. 5.2. Considerando que a Auditora apenas mencionou a inexistência de acordo e a impugnante juntou convenções coletivas nas quais constam cláusulas expressas sobre o PLR (12° de ambos e Termo Aditivo à CCT de 2005), fazse necessária a diligência fiscal para que verifique: 5.2.1. se a impugnante e os empregados identificados às fls. 35/98 estão enquadrados como empresa e trabalhador, respectivamente, envolvidos nas obras da Petrobrás ("área da Reduc"), objeto das Convenções; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 372 5 5.2.2. se a impugnante era filiada em 2005/2006 a um dos empregadores que subscrevem as CCT (SINDEMON, SINICON ou SINCOCIMO) e sindicados dos identificar qual sindicato de filiação bem como, se possível, juntar cópia de documento comprobatório; 5.2.3. se todos os empregados da impugnante que receberam PLR e que estão relacionados nos anexos II e III do relatório fiscal, fls. 35/98 são abrangidos pela competência territorial e são da categoria do sindicato de trabalhadores que firmou as CCT (SITICOMMM). 6. Por outro lado, cumpre mencionar que, evidentemente, não basta a existência de Acordo ou Convenção Coletiva disciplinando a participação nos lucros ou resultados. O Acordo ou a Convenção Coletiva são instrumentos de negociação e previsão de direitos, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação nos lucros e resultados da empresa, não tributável, devem estipular condições que se afinem aos postulados da lei, no caso, a Lei 10.101/00, devendo, a fiscalização verificar se o pagamento observou o cumprimento de metas e resultados estabelecidos nas CCT. 7. Ademais, deve ser explicitado que a participação nos lucros e nos resultados "é o pagamento feito pelo empregador ao empregado, em decorrência do contrato de trabalho, referente à distribuição do resultado positivo obtido pela empresa, o qual o obreiro ajudou a conseguir" (MARTINS, Sérgio Pinto, Direito do Trabalho, 11a Ed. São Paulo: Atlas,2000, pg236). 7.1. Assim, a participação no lucro da empresa está condicionada à existência de lucro líquido, ou seja, aquele existente depois de deduzidas todas as despesas da receitas obtidas pela empresa, também a ser analisado pela fiscalização. 8. Pelo exposto, a fim de evitar futura alegação de cerceamento de defesa é essencial que o Auditor Fiscal após diligenciar junto à empresa elabore relatório fiscal complementar contendo todas as explicações e soluções de pendências mencionadas nos itens anteriores, a saber, em suma: 8.1. pertinência das Convenções Coletivas de Trabalho (obras da Petrobrás em "área da Reduc"); 8.2. abrangência das partes (filiação da empresaimpugnante e dos empregados identificados às fls. 35/98 aos sindicatos envolvidos nas CCT); 8.3. observância da existência do lucro líquido; se as cláusulas estão em consonância com a lei e se foram cumpridas as Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 373 6 condições e metas estabelecidas na 12a cláusula da CCT de 2006 e do Termo Aditivo à CCT de 2005. A empresa notificada apresentou nova petição, onde pugna pela aplicação da lei 11.941/2009, fls. 251 a 254. A fiscalização por intermédio dos elementos, de fls. 255 a 264, respondeu a diligência, concluida, conforme abaixo transcrita e que foi cientificada pessoalmente a recorrente, porém sem data de recebimento. 7. Conclusão • A Notificada demonstrou que atendeu os pressupostos do artigo 2°, II, da Lei 10.101/2000 referente ao pagamento de PLR aos trabalhadores registrados no estabelecimento de CNPJ 001176 e aos trabalhadores registrados no estabelecimento de CNPJ 000102 que temporariamente foram transferidos para a obra de REDUC, no Rio de Janeiro. • Na opinião desta fiscalização, o pagamento de PLR apenas a alguns empregados da empresa não está de acordo com o espírito da Lei 10.101/2000, que visa a contemplar todos os empregados e não apenas alguns, como efetuado neste caso. Por este motivo, o PLR foi considerado como mais um item da remuneração, equivalente a um prêmio concedido a alguns empregados, portanto, saláriodecontribuição. Também, foi elaborado um outro documento denominado EFI Nº 8, fls. 265 e 269, recebimento pessoal pelo representante da empresa, em 05/08/2011. Os dois documentos mencionados e recebidos pela empresa lhe concedem dez (10) de prazo para manifestação. A impugnante pela petição, de fls. 299 a 311, manifestouse sobre a diligência realizada e demais aspectos do lançamento. O órgão julgador a quo emitiu o Acórdão 1638.051 13ª, em 25/04/2012, fls. 316 a 335, do qual extraímos os argumentos transcritos abaixo. 7.9. A Autoridade Fiscal autuante destaca em seu relatório complementar (fls. 268/271) que as Convenções Coletivas de Trabalho apresentadas pelo contribuinte demonstram que o pagamento a título de PLR objeto do lançamento ora em apreço contempla parte dos empregados da empresa e não sua totalidade, concluindo que tal verba, nestas condições, está em desacordo com o espírito da Lei 10.101/2000, razão pela qual equivale a um prêmio concedido a alguns empregados, portanto, salário de contribuição. 7.10. De fato, a previsão contida na Lei nº 10.101/00 é no sentido de que a participação deve ser um instrumento de integração entre capital e trabalho. Portanto, todos os empregados de um mesmo empregador devem ter a mesma oportunidade de participação e recebimento. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 374 7 7.13. Em atendimento à lei nº 10.101/00 e pretendendo que o PLR pago de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho estivesse abrangido pela isenção prevista na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o contribuinte deveria ter se preocupado em garantir aos demais empregados a mesma possibilidade de participação com as mesmas bases, em decorrência de um instrumento de negociação coletiva, ainda que efetivado entre a empresa e seus empregados, ou seja, não – necessariamente – entre sindicatos. Assim não agindo, o pagamento, para fins de incidência de contribuições, tem apenas o nome de PLR e não está escudado pelo benefício legal de isenção. 8. Num outro giro, cumpre analisar os demais aspectos dos documentos apresentados pela impugnante, a saber: convenção coletiva de trabalho 2006/2007 (fls. 187/219); circular comunicando os empresários sobre o ajuste entre sindicatos, (fls. 220/221); convenção coletiva de trabalho 2005/2006 (fls. 245) e terceiro termo aditivo à CCT (fls. 222/247). 8.1. Lembrese que o pagamento das verbas denominadas PLR ocorreram nas competências 09/2005, 04/2006 e 08/2006 do estabelecimento matriz (CNPJ final 000102) e competências 08/2005 a 12/2006 para o estabelecimento filial (CNPJ final 001176). 8.2. As negociações coletivas apresentadas pela impugnante revelam vícios formais gravíssimos, vez que não foram previamente ajustadas aos anos que tratam, senão vejamos: 8.2.1. A convenção coletiva de trabalho 2005/2006 foi assinada em 27/04/2005 (fls. 245) e o seu terceiro termo aditivo à CCT sequer contém data de assinatura (fls. 222/247). 8.2.2. Na convenção coletiva de trabalho 2006/2007, não consta data de assinatura (fls. 187/219), a ata da mesa redonda para tratar da inclusão de determinadas funções CCT é datada de 16/08/2006; o tema e a circular comunicando os empresários sobre o ajuste entre sindicatos é datado de 27/03/2006 (fls. 220/221). 8.3. Quanto às regras, a Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 prevê na cláusula 12ª , item II – Metas Coletivas para o pagamento de PLR nos seguintes termos: “2.1 PRODUÇÃO/ PRODUTIVIDADE: são as metas estabelecidas e discutidas entre os trabalhadores e empregadores no planejamento da obra, aprovadas pelo cliente. Serão definidas pela razão entre a meta estabelecida e o apurado no final do período em análise. 2.2 As Empresas afixarão com demonstrativos mensais para conhecimento de todos os trabalhadores”. (grifamos) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 375 8 8.3.1. Observa seque o trecho da cláusula acima transcrita tem o mesmoteor da cláusula 6ª, item 6.4 e 6.4.1. da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006 (fls. 247). 8.3.2. A referida regra faz remissão a uma definição futura e uma previsão de demonstrativos mensais, o que revela que a impugnante não demonstrou que a definição e os respectivos demonstrativos mensais foram prévios ao pagamento. 8.4. Destacase que a lei 10.101/00 é bastante clara em seu art. 2º, § 1º, quando determina a concomitância dos critérios e condições a serem atendidos, dispondo, ademais, que devem constar dos instrumentos de negociação da PLR (comissão, convenção ou acordo coletivo), “regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Desta forma, não há espaço para dubiedade na interpretação: o acordo que prevê programa de metas a serem atendidas por seus empregados deve ser firmado em data anterior ao início do período a que se referem os Lucros ou Resultados e precisam, necessariamente, conter regras que permitam aos participantes ter ciência dos requisitos a serem adimplidos para fazerem jus ao pagamento a título de participação nos lucros e, então, poderem direcionar seus esforços em tal sentido. 8.5. A análise dos documentos acostados pela impugnante conduzem a constatação de que os mesmos foram realizados no decorrer do anocalendário a que se referem e, assim, deixaram de ser prévias, impossibilitando o conhecimento dos empregados de seu teor anteriormente ao exercício corrente, desvirtuando o mandamento legal específico sobre a necessidade de pactuação prévia de quaisquer alterações nos programas de metas, resultados e prazos. Isso contraria o artigo 2º, “caput” e parágrafo 1º, inciso II da Lei n.º 10.101/00, que estabelecem a necessidade de negociação prévia entre empresa e empregados. 8.6. Cabe, aqui, destacar que nada impede que a empresa outorgue a seus empregados verbas a título de participação nos resultados sem observar os pressupostos estabelecidos na legislação específica (Lei n.º 10.101/00), contudo, neste caso, nos termos do art. 28, § 9º, “j” da Lei n.º 8.212/91, estes pagamentos não estão escudados pela isenção. 8.7. Nesse sentido, já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se pode verificar no acórdão a seguir parcialmente transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 376 9 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. (RESP Recurso Especial – 856.160/PR; Processo 2006/01182238; Superior Tribunal de Justiça; Relatora Ministra Eliana Calmon; DJe de 23/06/2009) (grifamos). 8.8. Em resumo, inexistente uma negociação pautada na Lei, os referidos pagamentos têm verdadeira natureza de comissões ou prêmio de produtividade, com cunho salarial. 8.9. De fato, a empresa é livre para determinar sua política de pagamentos, ficando obrigada, no entanto, a submeter se às consequências legais que tal política possa vir a ter. Com isso, a não observância dos critérios estabelecidos na Lei acarretou, como consequência, a descaracterização dos pagamentos efetuados a título de Plano de Participação nos Resultados como tais e, consequentemente, não mais cabe subsumir este pagamento dentre as exceções previstas no § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, especialmente em sua alínea “j”. 8.10. A estipulação de um valor a ser pago a um grupo de funcionários, embora possa ser convencionado, por liberalidade, pela empresa a seus empregados, não reveste as características de Participação nos Lucros ou Resultados e não poderá ser considerada verba isenta das contribuições sociais. 8.11. Reforçase que não se trata de alteração da natureza dos benefícios concedidos por meio de uma interpretação econômica de livre negociação entre as partes, como afirma a Impugnante, mas sim de apuração da verdadeira natureza das verbas pagas aos empregados: ao deixarem de preencher os requisitos legais específicos para a sua configuração como Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 377 10 Participação nos Lucros ou Resultados (alínea “j”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91), tais verbas devem ser tratadas como integrantes do salário de contribuição, conforme regra geral disposta no art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. Não há discricionariedade nesta decisão, mas estrita obediência aos preceitos legais vigentes, aos quais a Autoridade Fiscal autuante, assim como esta Autoridade Julgadora, estão adstritas. 8.12. De todo o exposto, verificase correta a caracterização das verbas pagas a título de PPR (Plano de Participação nos Resultados) como parcela integrante do Salário de Contribuição, comprovandose a procedência do lançamento das contribuições incidentes sobre esses pagamentos. (grifos do original). O julgamento conclui pela improcedência da impugnação da empresa. No recurso aviado pela empresa, as fls. 341 a 363, ela sustenta: · nulidade absoluta do auto de infração ausência de fundamento legal – FLD; · cerceamento de defesa e irregularidade formal, inovação de argumentos sem reabertura do prazo de impugnação; · do PLR; · do valor do débito – obrigações principais; · da exclusão dos representantes legais da empresa; · Pedido: a) acolhimento do recurso, com a anulação do auto; b) notificação concomitante ao patrono da recorrente. Entendo, que duas são as questões básicas apresentadas, inicialmente, a divergência quanto a aplicação do prazo de dez dias da Lei 9.784/99, que, aliás, a recorrente alega como forma de cerceamento de defesa e nulidade da autuação. No que tange a esse argumento em que pese as opiniões dos Ilustres Conselheiros que me precederam e com argumentos igualmente válidos a justificar as suas posições, neste caso perfilhome a tese do N. Relator e explico. Não que a tese contrária não tenha o seu valor, mas o lançamento se deu, em 29/10/2007, e nesta ocasião a Lei 11.457/2007 já estava em vigor, bem como o Decreto 6.103/2007, que determinava a antecipação da aplicação do Decreto 70.235/72, veja a redação da norma. Art. 1o Fica antecipada para 2 de maio de 2007 a aplicação do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, aos processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários relativos às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, no que diz respeito aos prazos processuais e à competência para julgamento em primeira instância, pelos órgãos de deliberação interna e Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 378 11 natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (o realce é meu). Além disso o Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, em seu artigo 35, parágrafo único, a seguir transcrito, diz que o prazo deve ser de trinta dias. Seção IV Das Diligências e das Perícias Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). (o destaque é meu). A diligência realizada além de introduzir um novo argumento jurídico quanto ao PLR, trouxe novos documentos aos autos, inclusive, planilhas de cálculo, fls. 255 a 269. É verdade que o decreto acima citado só entrou em vigor, em 30/09/2011, data de publicação no DOU, e a diligência foi comunicada à recorrente, em 05/08/2011, portanto antes da entrada em vigor do decreto. Todavia, tal fato é irrelevante, haja vista que o aludido decreto apenas faz consolidar e sistematizar as normas do PAF federal, sem nada acrescentar, bem como a Lei 11.457/2007 e o Decreto 6.103/2007 estavam em vigor. Logo, o prazo de manifestação deveria ser de trinta dias e não dez como concedido. No entanto, não há motivos para declarar a nulidade da notificação por esta razão e os motivos são dois, primeiro a recorrente foi capaz de apresentar sua manifestação em face da diligência fiscal realizada, petição de fls. 299 a 311. Segundo, cabe aqui a aplicação do artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72. Passo, então, ao segundo argumento inovação da tese jurídica da notificação. Delineei linha atrás com a citação do REFISC primitivo a justificativa do lançamento da notificação, o que aqui repetirei. 5.3 A empresa não apresentou ACORDO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS celebrado entre ela empresa e seus empregados, não atendendo os pressupostos previstos no artigo 2o , da Lei 10.101/2000. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 379 12 5.4 As contribuições lançadas incidem sobre as remunerações pagas aos segurados, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, em desacordo com a legislação vigente. Estes valores encontramse registrados na folha de pagamentos no código 28700 no estabelecimento 001176 e no código 0122 no estabelecimento 000102. Empreendida a diligência fiscal e apresentados as convenções pela recorrente apenas nessa fase, o agente lançador deu novos contornos ao lançamento, apresentando os fundamentos que transcrevo. 7. Conclusão • A Notificada demonstrou que atendeu os pressupostos do artigo 2°, II, da Lei 10.101/2000 referente ao pagamento de PLR aos trabalhadores registrados no estabelecimento de CNPJ 001176 e aos trabalhadores registrados no estabelecimento de CNPJ 000102 que temporariamente foram transferidos para a obra de REDUC, no Rio de Janeiro. • Na opinião desta fiscalização, o pagamento de PLR apenas a alguns empregados da empresa não está de acordo com o espírito da Lei 10.101/2000, que visa a contemplar todos os empregados e não apenas alguns, como efetuado neste caso. Por este motivo, o PLR foi considerado como mais um item da remuneração, equivalente a um prêmio concedido a alguns empregados, portanto, saláriodecontribuição. Inicialmente, esclareço que não há irregularidade nesta conduta ou situação, pois os novos elementos e justificativas foram introduzidos pela autoridade competente a lançador, não foi a autoridade julgadora que introduziu os novos elementos. Ademais, os novos elementos foram cientificados ao contribuinte e este pode contestálos, embora com prazo reduzido. Porém, no r. acórdão de primeiro grau a autoridade julgadora introduziu novos argumentos não trazidos pelo lançador, relativamente as falhas da documentação que justificaram o pagamento do PLR e que no entendimento do julgador a quo fundamentariam a consideração do PLR como verba salarial e assim base de cálculo da contribuição social previdenciária, novamente transcrevo as palavras do julgador. 8. Num outro giro, cumpre analisar os demais aspectos dos documentos apresentados pela impugnante, a saber: convenção coletiva de trabalho 2006/2007 (fls. 187/219); circular comunicando os empresários sobre o ajuste entre sindicatos, (fls. 220/221); convenção coletiva de trabalho 2005/2006 (fls. 245) e terceiro termo aditivo à CCT (fls. 222/247). 8.1. Lembrese que o pagamento das verbas denominadas PLR ocorreram nas competências 09/2005, 04/2006 e 08/2006 do estabelecimento matriz (CNPJ final 000102) e competências 08/2005 a 12/2006 para o estabelecimento filial (CNPJ final 001176). Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 380 13 8.2. As negociações coletivas apresentadas pela impugnante revelam vícios formais gravíssimos, vez que não foram previamente ajustadas aos anos que tratam, senão vejamos: 8.2.1. A convenção coletiva de trabalho 2005/2006 foi assinada em 27/04/2005 (fls. 245) e o seu terceiro termo aditivo à CCT sequer contém data de assinatura (fls. 222/247). 8.2.2. Na convenção coletiva de trabalho 2006/2007, não consta data de assinatura (fls. 187/219), a ata da mesa redonda para tratar da inclusão de determinadas funções CCT é datada de 16/08/2006; o tema e a circular comunicando os empresários sobre o ajuste entre sindicatos é datado de 27/03/2006 (fls. 220/221). 8.3. Quanto às regras, a Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 prevê na cláusula 12ª , item II – Metas Coletivas para o pagamento de PLR nos seguintes termos: “2.1 PRODUÇÃO/ PRODUTIVIDADE: são as metas estabelecidas e discutidas entre os trabalhadores e empregadores no planejamento da obra, aprovadas pelo cliente. Serão definidas pela razão entre a meta estabelecida e o apurado no final do período em análise. 2.2 As Empresas afixarão com demonstrativos mensais para conhecimento de todos os trabalhadores”. (grifamos) 8.3.1. Observase que o trecho da cláusula acima transcrita tem o mesmo teor da cláusula 6ª, item 6.4 e 6.4.1. da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006 (fls. 247). 8.3.2. A referida regra faz remissão a uma definição futura e uma previsão de demonstrativos mensais, o que revela que a impugnante não demonstrou que a definição e os respectivos demonstrativos mensais foram prévios ao pagamento. 8.4. Destacase que a lei 10.101/00 é bastante clara em seu art. 2º, § 1º, quando determina a concomitância dos critérios e condições a serem atendidos, dispondo, ademais, que devem constar dos instrumentos de negociação da PLR (comissão, convenção ou acordo coletivo), “regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Desta forma, não há espaço para dubiedade na interpretação: o acordo que prevê programa de metas a serem atendidas por seus empregados deve ser firmado em data anterior ao início do período a que se referem os Lucros ou Resultados e precisam, necessariamente, conter regras que permitam aos participantes ter ciência dos requisitos a serem adimplidos para fazerem jus ao pagamento a título de participação nos lucros e, então, poderem direcionar seus esforços em tal sentido. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 381 14 8.5. A análise dos documentos acostados pela impugnante conduzem a constatação de que os mesmos foram realizados no decorrer do anocalendário a que se referem e, assim, deixaram de ser prévias, impossibilitando o conhecimento dos empregados de seu teor anteriormente ao exercício corrente, desvirtuando o mandamento legal específico sobre a necessidade de pactuação prévia de quaisquer alterações nos programas de metas, resultados e prazos. Isso contraria o artigo 2º, “caput” e parágrafo 1º, inciso II da Lei n.º 10.101/00, que estabelecem a necessidade de negociação prévia entre empresa e empregados. 8.6. Cabe, aqui, destacar que nada impede que a empresa outorgue a seus empregados verbas a título de participação nos resultados sem observar os pressupostos estabelecidos na legislação específica (Lei n.º 10.101/00), contudo, neste caso, nos termos do art. 28, § 9º, “j” da Lei n.º 8.212/91, estes pagamentos não estão escudados pela isenção. 8.7. Nesse sentido, já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se pode verificar no acórdão a seguir parcialmente transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. (RESP Recurso Especial – 856.160/PR; Processo 2006/01182238; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 382 15 Superior Tribunal de Justiça; Relatora Ministra Eliana Calmon; DJe de 23/06/2009) (grifamos). 8.8. Em resumo, inexistente uma negociação pautada na Lei, os referidos pagamentos têm verdadeira natureza de comissões ou prêmio de produtividade, com cunho salarial. O agente fiscal lançador na conclusão de seu REFISC – Complementar buscou responder a diligência e assim asseverou. • A Notificada demonstrou que atendeu os pressupostos do artigo 2°, II, da Lei 10.101/2000 referente ao pagamento de PLR aos trabalhadores registrados no estabelecimento de CNPJ 001176 e aos trabalhadores registrados no estabelecimento de CNPJ 000102 que temporariamente foram transferidos para a obra de REDUC, no Rio de Janeiro. A lei não faz a exigência de que o PLR seja extensivo a todos os empregados e esse conselho já reconheceu isso em diversos julgados, observese as ementas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/05/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES. Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 383 16 sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ÍNDICE UTILIZADO PARA APURAR OS RESULTADOS. DESNECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE LUCRO. A lei regulamentadora da imunidade concedida para os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados não enumera quaisquer índices obrigatórios, apenas sugere alguns, ao passo que a interpretação finalística da norma imunizante e de sua regulamentação não induz à conclusão de que deve haver estrita observância a índices prédeterminados. Não há exigência de que haja lucro líquido, pois não é apenas uma participação sobre lucros, mas uma participação sobre lucros ou resultados. Qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES. POSSIBILIDADE. A alternativa da negociação coletiva por meio dos sindicatos em si já define a possibilidade de uma determinada categoria não ser contemplada com a Participação nos Lucros ou Resultados, pois as negociações envolvendo aquela categoria podem não ter evoluído para um acordo. Logo, não há, em tese, o óbice ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados a determinadas categorias, desde que o caso concreto não revele discriminação odiosa. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Recurso Voluntário Negado 37216.000775/200744 14/04/2011 2301 001.976 DAMIAO CORDEIRO DE MORAES. (os realce são do voto vista). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a exclusivamente a contribuições incidentes sobre o salário utilidade representado pelo fornecimento de veículos blindados e veículos convencionais para funcionários da alta administração. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 384 17 Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório Fiscal (fls. 349), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 03/12/1999, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 11/1994 encontravamse fulminados pela decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. A extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DIFERENÇA DE SAT ATIVIDADE PREPONDERANTE A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido. 44000.000608/200441 22/03/2012 9202002.079 ELIAS SAMPAIO FREIRE Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. I A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; II Para a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; III Os instrumentos de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 385 18 negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; IV A legislação regulamentadora da PLR não exige que a distribuição de lucros deva, necessariamente, ser dirigida a totalidade dos empregados, exigência essa que não pode advir da interpretação subjetiva de quem aplica a legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 35366.001102/200410 03/03/2009 240100066 Ana Maria Bandeira. (os realce são do voto vista). Ficou demonstrado de forma clara e simples que não há necessidade de extensão do PLR a todos os empregados e nem que haja acordo ou convenção em todas as bases territoriais onde a empresa tem estabelecimento, bem como que o ajuste pode ser pactuado no ano a que se refere a distribuição do lucro. Expendidos os argumentos supramencionados e afastada a nulidade do acórdão a quo e demonstrado a insubsistência da nova fundamentação da fiscalização, quanto à não extensão do PLR a todos os trabalhadores e demonstrado não prevalecer os novos argumentos trazidos no acórdão pela instância julgadora a quo, pois não é função do órgão julgador sanear os lançamentos com agregação de novos fundamentos, mas apenas promover sua retificação nos termos do artigo 145 c/c o 149, da Lei 5.172/66, concluo ser o lançamento improcedente, pois o PLR como pactuado e demonstrado, neste autos, não é base de cálculo da contribuição social previdenciária. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira Conselheiro Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 386 19 Declaração de Voto Sr Presidente, O voto proferido pelo i. Relator aponta preliminar de nulidade em razão de que o prazo determinado pela administração para manifestação do contribuinte em resposta a diligência teria sido em prazo menor ao previsto no decreto 70.235/72, configurando assim cerceamento de defesa. Aponta ofensa ao art. 18, §3º, que transcrevo: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) É certo que a diligência requerida não resultou em agravamento da exigência, tampouco em inovação ou alteração de fundamentação legal, tratavase de esclarecimentos adicionais acerca do que lançado. Não existe, no citado decreto, um prazo determinado para manifestação em diligência, quando esta não se amolde no que previsto no citado art. 18, §3º. Dessa feita, tenho que o prazo oferecido se mostrou razoável e suficiente ao contribuinte, tanto que trouxe longo arrazoado de 13(treze) laudas onde demonstra sua irresignação. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 387 20 Acrescentese que o patrono, em sustentação oral, solicita o imediato julgamento, a corroborar com a inexistência de prejuízo a sua manifestação. Em que pese o entendimento deste Conselheiro, de que a ampla defesa é indisponível, não vejo configurada, in casu, qualquer ofensa a este direito. Doutro giro, o disposto na lei 9784/99 vai ao encontro do prazo determinado pela DRJ, senão vejamos. Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Ante o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade. É o voto. (Assinado Digitalmente) Oseas Coimbra Conselheiro Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA Processo nº 14485.001652/200755 Acórdão n.º 2803003.280 S2TE03 Fl. 388 21 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalme nte em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PR AIA DE LIMA
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Numero do processo: 18471.001055/2007-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006, 01/02/2007 a 31/03/2007
FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO.
A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria.
DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS.
O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33)
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que deram provimento ao recurso. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que fez declaração de voto..
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006, 01/02/2007 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33) Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006, 01/02/2007 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33) Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que deram provimento ao recurso. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 55 /2 00 7- 31 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que fez declaração de voto.. Relatório Intelig Telecomunicações Ltda. teve lavrado contra si o Auto de infração de fls. 205 e 206, para formalização da constituição e exigência de crédito tributário referente à Contribuição para o PIS nos períodos de 11/2006, 02/2007 e 03/2007, no valor total de R$1.400.198,20. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 197203), em procedimento de verificações preliminares obrigatórias, constatouse que o contribuinte deixou de recolher e de declarar em DCTF débitos no valor de R$ 130.351,45, R$ 299.434,33, R$ 343.393,45 e R$ 5.047,55, relativos, respectivamente, aos períodos de apuração de novembro de 2006 e fevereiro de 2007 (regime cumulativo), e março de 2007 (regimes cumulativo e não cumulativo), conforme consta no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada – PIS, anexo ao TCF. Em impugnação, fls. 258 a 272, o sujeito passivo alegou, em síntese, que a Contribuição foi extinta, nos termos do art. 156, inciso II, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, durante o procedimento fiscal, em 30 de abril de 2007, mas antes da lavratura do Auto de Infração, em 4 de setembro de 2007, por meio da apresentação de Declaração de Compensação DComp, geradas eletronicamente pelo "Programa PER/DCOMP. Alega que a exigência constante do AI representa bis in idem. Entendese ao abrigo de qualquer penalidade. Aduz que todos os débitos lançados estavam previamente informados no respectivo Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon, que pretende suprir os requisitos declaratórios exigidos pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que transcreve. A 4ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 1331.548, de 28 de setembro de 2010, fls. 409 a 419, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Periodo de apuração: 01/1 1/2006 a 31/03/2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Declarações de compensação apresentadas após 0 início do procedimento fiscal não têm o condão de invalidar o auto de infração, o qual deverá ser lavrado, sob pena de responsabilidade funcional. VEDAÇÃO AO BIS IN IDEM. Não se trata de bis in idem quando o auditorfiscal lavra auto de infração ante hipótese de incidência e o contribuinte, após a notificação do início do procedimento fiscal, adiantase em compensar débitos não declarados em DCTF. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 18471.001055/200731 Acórdão n.º 3403003.328 S3C4T3 Fl. 445 3 DACON E A ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO. O DACON constitui demonstrativo da composição da base de cálculo das contribuições sociais, cuja apresentação não exime 0 contribuinte da apresentação da DCTF, a qual fomece à RFB os fatos geradores e constitui declaração de confissão de débitos segundo a legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/RJ2. O arrazoado de fls. 424 a 437, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as mesmas alegações da impugnação: nulidade do auto de infração, que está a exigir crédito tributário já extinto por compensação, em bis in idem, e; espontaneidade do adimplemento dos créditos e consequente exclusão de penalidades. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 424 a 437 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ24ª Turma nº 1331.548, de 28 de setembro de 2010. Quanto ao valor probante do Dacon, devese considerar que não se trata de declaração, mas de demonstrativo de caráter meramente informativo, desvestido do atributo de confissão de dívida por não estar contemplado na Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000, não configurando portanto instrumento de constituição de crédito tributário, o que reclama a formalização de lançamento de ofício mediante a lavratura de auto de infração. Tout court: DACON não é declaração e não supre a declaração a que se refere o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Este é o entendimento da segunda instância administrativa federal. Confira se: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe a sua regular constituição por meio de lançamento de ofício com a aplicação de penalidade própria. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CARÁTER. INFORMAÇÕES. EFEITOS. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acórdão nº 3403002.902, de 24 de abril de 2014, Rel. Alexandre Kern, unânime. Quanto à espontaneidade do contribuinte para, no curso da ação fiscal, apresentar DComp, visando à extinção dos débitos que seriam posteriomente lançados, incide, no caso, a Súmula Súmula CARF nº 33, aprovada em 08/12/2009: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Se algum efeito produz, é o dereconhecer tacitamente a procedência da exigência. Não se preocupe o recorrente. Os débitos em questão não serão exigidos em duplicidade, já que as DComp em questão não terão qualquer efeito executivo. Registrese, incidentalmente, a inaplicabilidade do art. 47 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já que a faculdade de que ali se trata diz respeito a contribuições declaradas, situação de que não se cogita no presente caso concreto. Portanto, nada a reparar no procedimento fiscal, que cotejou a escrituração contábilfiscal do contribuinte com aquilo que ele havia confessado à Administração Tributária, plasmado em DCTF, esta, sim, a declaração provida dessa eficácia, para o fim de examinar a regularidade de suas obrigações, para lançar de ofício as diferenças apuradas, com os consectários de praxe. Nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 15 de outubro de 2014 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 18471.001055/200731 Acórdão n.º 3403003.328 S3C4T3 Fl. 446 5 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti Dispõe o art. 47 da Lei nº 9.430/96 que “A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo”. Entendo que este dispositivo não faz distinção entre declarações intituladas com este nome, ou que recebam o título de “demonstrativo”, com é o caso do DACON. Este dispositivo também não faz distinção entre declarações em relação às quais a lei atribua o efeito de confissão de dívida ou que não tenha efeito de confissão de dívida. Mesmo correndo o risco de ser repetitivo, deve ficar fora de dúvida que não é fato de haver efeito legal de confissão que qualificará uma declaração por este título – de “declaração”, ou que sirva de critério de diferenciação em relação a um “Demonstrativo”. O dispositivo de lei em questão não especifica uma determinada declaração. Nem exclui nenhum tipo de declaração. Entendo que a única interpretação razoável para o dispositivo, em relação ao termo “tributos e contribuições declarados”, é de que alcança todo tipo de declaração, ou seja, de informação do contribuinte ao Fisco por meio de algum tipo de declaração, no seu sentido geral. Isto porque a finalidade deste dispositivo é de dar um tratamento menos gravoso àqueles contribuinte que já tenham apresentado ao Fisco a informação a respeito do valor do tributo independente, repisese, de tal informação ser prestada em declaração com ou sem efeito de confissão de débito. Se tal tratamento pretendesse ser apenas em relação ao contribuinte que declarou o tributo em DCTF, que tem o efeito de confissão de dívida, que utilidade teria tal dispositivo, se em tal caso sequer deve haver o lançamento fiscal, pois o tributo já foi confessado. O dispositivo referese a todo tipo de declaração, dando tratamento mais benéfico àquele contribuinte que já tenha prestado – antes do início da Fiscalização – a informação do valor do tributo ou contribuição, permitindolhe que no exíguo prazo de 20 dias regularize a falta de recolhimento destes tributos devidos e já informados, o que terá de ser feito em valor atualizado, com juros e multa de mora. Cabe perguntar: que sentido teria autorizar o pagamento, após o início da Fiscalização, exclusivamente de débito que não será objeto de lançamento fiscal? Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 É justamente o inverso: a Lei concede a possibilidade de, mesmo depois de iniciada a Fiscalização, o contribuinte realizar o pagamento daqueles tributos que já informou ao Fisco, especialmente aqueles informados em declarações sem efeito de confissão, justamente para poupálo do efeito gravoso do lançamento automatizado que seria realizado em relação à diferença entre o tributo confessado e o declarado, ou seja, entre o informado com e sem efeito de confissão de dívida. O efeito prático, como visto, é impedir a aplicação da multa de ofício Quanto à Súmula 33 deste CARF, a qual consolida o entendimento de que “Não produz efeito a declaração apresentada depois do início da Fiscalização”, é inequívoco que não se aplica ao caso concreto, pois se refere à apresentação de declaração em momento posterior ao início da fiscalização, a qual pretenderia alterar os dados de declarações anteriores, mudando o valor dos tributos anteriormente informados – o que não é o caso. Por tais razões, voto pelo provimento do recurso. Sala de sessões, em 15 de outubro de 2014 (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 16832.000007/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A falta de apresentação dos extratos bancários e de todos os demais documentos da escrituração, do Livro de Registro de Inventário, e a falta de declaração e recolhimento dos tributos, constatadas ao longo de todos os meses do ano calendário, caracterizam a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão, do Simples, da pessoa jurídica optante deste regime.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. DECISÃO DEFINITIVA.
A exclusão do Simples, no caso de prática reiterada de infração à legislação tributária, surte efeitos a partir do primeiro mês em que constatada a situação excludente, não havendo exigência de prévia decisão condenatória definitiva relativa ao mesmo tipo de infrações, ou relativa a lançamento tributário decorrente dessas mesmas infrações.
Numero da decisão: 1102-001.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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EXCLUSÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS AZEVEDO COSTA OFICINA MULTIMARCAS LTDA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A falta de apresentação dos extratos bancários e de todos os demais documentos da escrituração, do Livro de Registro de Inventário, e a falta de declaração e recolhimento dos tributos, constatadas ao longo de todos os meses do ano calendário, caracterizam a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão, do Simples, da pessoa jurídica optante deste regime. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. DECISÃO DEFINITIVA. A exclusão do Simples, no caso de prática reiterada de infração à legislação tributária, surte efeitos a partir do primeiro mês em que constatada a situação excludente, não havendo exigência de prévia decisão condenatória definitiva relativa ao mesmo tipo de infrações, ou relativa a lançamento tributário decorrente dessas mesmas infrações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 07 /2 01 0- 59 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório De início, esclareçase que todas as indicações de folhas a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Trata o presente processo de exclusão do regime simplificado com efeitos a partir de 01/01/2006, efetuado por meio do Ato Declaratório Executivo – ADE Derat/RJO n° 000027, de 26 de fevereiro de 2010, por prática reiterada de infração à legislação tributária. Pelos elementos que constam dos autos, verificase que, em razão da exclusão efetuada, teria havido lançamento de ofício dos tributos devidos, relativos a este ano calendário, pela modalidade do lucro arbitrado. Dito lançamento encontrase formalizado no processo administrativo fiscal nº 16832.000236/201073. Em apertada síntese, contestou o contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade (fls. 19 a 26), a sua exclusão do Simples, alegando não ter a administração, em momento algum, demonstrado qual seria a reiterada infração à legislação tributária que teria sido por ela praticada, além de não ter sequer esclarecido a motivação de sua exclusão a partir de 01/01/2006, posto que, para serem reiteradas, tais supostas infrações haveriam de ter ocorrido em 2005. Por outro lado, apenas por amor ao debate, alegou que, acaso a suposta infração reiterada tenha alguma coisa a ver com o auto de infração lavrado referente ao ano calendário de 2006, ou seja, que a sua exclusão do Simples tenha sido devida a reiteradas infrações apuradas em auto de infração, no âmbito do processo nº 16832.000236/201073, então a sua exclusão somente poderia ter sido efetivada após o trânsito em julgado do processo relativo à mesma autuação. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 julgou procedente a manifestação de inconformidade interposta. Observou a DRJ que o fato de a motivação do contestado ADE apresentarse excessivamente genérica seria causa de nulidade do mesmo, contudo, deixou de pronunciála, ante o entendimento favorável, no mérito, ao contribuinte. Consignou aquela autoridade julgadora que a não apresentação de DSPJ – Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, o não pagamento de tributos, e a apresentação dos Livros Diários e Razão em backup, sob a alegação de extravio da documentação, fatos estes que estariam na origem/fundamentos do ato ora litigado, consoante se depreende da Representação Fiscal de fls. 01, da qual não fora cientificada não caracterizam, em momento algum, a reiteração da mesma infração, pelo que deve ser cancelado o ADE em questão. O Acórdão 1236.368, fls. 43 a 46, está assim ementado: “EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 4 3 Descumprimento de obrigações principal e acessória não implicam no conceito de prática reiterada de infração à legislação tributária, para efeitos de exclusão do SIMPLES, uma vez que o conceito implica na repetência de infração de mesma natureza.” Em que pese a inexistência de crédito tributário em litígio no presente processo, o Presidente da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 recorreu desta decisão, de ofício, ao CARF, em razão de sua correlação de causalidade com o processo nº 16832.000236/201073. Na sessão de 12 de abril de 2012, esta Turma de Julgamento do CARF, ao apreciar o recurso de ofício, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, ante a incerteza quanto ao exato conteúdo do processo nº 16832.000236/201073, de lançamento de crédito tributário. De fato, a não obediência às formalidades previstas na Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, cujo artigo 1º determina a reunião, em um mesmo processo administrativo, das eventuais exigências de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples que tenham dado origem à exclusão do sujeito passivo desse regime, da própria exclusão do Simples, e, ainda, do lançamento de ofício de crédito tributário decorrente da exclusão, impediu o pleno conhecimento pelo colegiado de todos os fatos e circunstâncias específicas que permearam o procedimento fiscal executado no contribuinte ao longo de 2009 e 2010, do qual resultaram tanto a expedição do contestado ADE, quanto o lançamento de ofício controlado no referido processo. Não se tinha conhecimento, naquele momento, nem do montante do crédito lançado, nem dos períodos abrangidos, pois o referido processo, até então, sequer dera entrada no CARF. A diligência solicitada pela Turma teve o seguinte escopo, conforme trecho final do voto da Resolução 110200.084: “Assim, como forma de evitar a adoção de decisões contraditórias acerca dos mesmos fatos, bem como de assegurar o pleno conhecimento dos fatos envolvidos, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora adote uma das seguintes providências: a) Acaso o processo nº 16832.000236/201073 tenha sido objeto de recurso de ofício e/ou voluntário, encaminhe o mesmo ao CARF, já com proposta de que seja ele distribuído a este mesmo relator, a fim de que seja julgado concomitantemente com o presente feito, dandose assim cumprimento, por outro meio, ao que expressamente prevê a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008; b) Acaso o referido processo não tenha sido objeto de recurso, dele extraia cópia integral e anexe ao presente feito. Com isto, retornem os autos para o competente julgamento.” Ocorre que, em resposta datada de 10/10/2012, a unidade de origem informou o seguinte, sic: “Em atendimento à Resolução nº 110200.084, fls. 51 a 54, informamos que o processo nº 16832.000236/201073, solicitado através da citada resolução, já Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 5 4 encontrase no CARF (1ªTO/3ªCamara/1ªSejul), conforme consta no sistema e processo. Tendo em vista o exposto, encaminhese ao CARF para prosseguimento.” Ou seja, nesse interregno, o citado processo chegou ao CARF, foi distribuído e sorteado para outro relator, na 1a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento. Nestas condições, apresentase o presente processo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Conforme já exposto por este relator quando da prolação do voto no âmbito da Resolução 1102000.084, de 12 de abril de 2012, o objetivo do artigo 1o da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, é evidente: havendo uma relação de conexão direta entre os referidos fatos, atende à boa técnica processual, bem como ao princípio da eficiência, mantê los reunidos sob um mesmo processo, para que sejam julgados conjuntamente, evitando, assim, a adoção de decisões contraditórias acerca dos mesmos fatos. Nada obstante, não foi o que ocorreu no presente caso, em que, afinal, restaram formalizados em processos distintos a exclusão da empresa do Simples (este processo) e o lançamento de crédito tributário decorrente (processo nº 16832.000236/201073). Ademais, em razão dos relatados percalços, não foi possível reunir os processos nesta instância. Apesar de — reitero — ser desejável que isto ocorresse, pelas razões já expostas, é preciso que fique claro que nem possui este relator ou esta Turma o poder de avocar o referido processo para julgamento com o presente, nem tampouco há motivos para encaminhar este processo àquela Turma para que lá seja julgado. Embora indesejável, a mera possibilidade de eventual decisão conflitante acerca dos mesmos fatos não é causa de qualquer nulidade. Aliás, nem é de se esperar que todos tenham a mesma visão, ou que extraiam a mesma conclusão, acerca dos mesmos fatos. Feito este preâmbulo, firmo a competência deste colegiado para a apreciação do presente processo, seja porque: a) distribuído anteriormente ao processo nº 16832.000236/201073; b) a exclusão do Simples, lógica e cronologicamente, antecede o lançamento de crédito tributário, no presente caso. Digo isto, porque, a despeito de não se encontrar nesta Turma, para julgamento, o referido processo, é possível, neste momento, consultar as suas peças, posto que disponíveis no sistema eprocesso. De fato, o lançamento tributário em questão abrange exclusivamente o ano calendário de 2006, levado a efeito pela autoridade fiscal pela modalidade do arbitramento do lucro, enquanto que a exclusão do Simples, de que trata o presente processo, foi aplicada com a determinação de surtir os seus efeitos justamente a partir de 1o de janeiro de 2006. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 6 5 Como o crédito tributário lá discutido é da ordem de R$ 3.555.207,92, o qual foi inteiramente exonerado pela decisão a quo — precisamente em razão do cancelamento do ato declaratório de exclusão do Simples, que é o objeto do presente processo — temse por demonstrado o requisito essencial (valor de exoneração de crédito relativo a tributos e encargos de multa superior ao limite de alçada de R$ 1.000.000,00, fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008) para que seja conhecido o presente recurso de ofício. Transcrevo abaixo a parte final do voto proferido pela instância a quo no âmbito do processo nº 16832.000236/201073, para conhecimento do colegiado: “6.1. Ocorre que aquele ato decisório foi cancelado, nos fundamentos do Acórdão n° 1236.368 desta 2a. Turma de Julgamento, processo n° 16832.000007/201059, acostado à fls. 222/225. 6.2. (...)Razão porque, cancelo os lançamentos objetos destes autos.” Conhecido o recurso, prossigo na análise do mérito. Conforme relatado, alegou o contribuinte, por ocasião de sua manifestação de inconformidade ao ato declaratório de exclusão do Simples, que desconhecia totalmente os motivos de sua exclusão a partir de 01/01/2006. Transcrevese um dos parágrafos de sua defesa neste sentido (fls. 22, grifos acrescidos): No entanto, é importante ressalvar que, da análise dos termos do ato administrativo que ora se contesta a Manifestante efetivamente não consegue ter a menor idéia de qual foi a infração que cometeu, e ainda mais de forma reiterada. A seguir, discorreu na exordial, em síntese, sobre duas linhas de defesa: a) só poderia haver prática reiterada de infração se as supostas infrações tivessem ocorrido em 2005; b) se a exclusão tivesse alguma vinculação com o processo nº 16832.000236/201073, só poderia ser levada a efeito após o trânsito em julgado do referido processo. Os seguintes parágrafos da impugnação expressam estas alegações: Conjecturando. Se a exclusão do SIMPLES se deu a partir de 01/01/2006 e foi motivada por prática reiterada de algum tipo de infração, então estas supostas infrações somente poderiam ter ocorrido no ano calendário 2005. (fls. 22) (...) Partindo do princípio de que a exclusão do SIMPLES deveuse a infrações reiteradas apuradas no auto de infração, (processo administrativo n° 16832.000035/201076), fato do qual discorda veementemente em todos os sentidos a Manifestante como já mencionado, deveria então, pelo menos, somente ser efetivada referida exclusão após o transito em julgado do processo relativo ao auto de infração, já mencionado. (fls. 24) A DRJ, conforme já referido, concordou com o contribuinte no sentido de que o ato de exclusão seria nulo, por preterição ao seu direito de defesa. Não obstante, superou a nulidade para decidir, no mérito, a favor do contribuinte. A seguir, a transcrição do voto da autoridade julgadora a quo a respeito da nulidade do ato (grifos acrescidos): Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 7 6 4. De fato, procede a arguição impugnatória. No único documento a que teve ciência o sujeito passivo, ADE/DERAT/RJ0 n° 27/2010, fls. 11, consta, como fundamento à exclusão di SIMPLES, fls. 12: "Descrição: prática reiterada de infração à legislação tributária ". 4.1. De fato, a motivação do ato litigado se apresenta genérica o suficiente para evidenciar de sua falência de qualquer objetividade factual. Daí sua nulidade, ante o disposto no artigo 59, II, do Decreto n° 70.235/72. Já no mérito, assim manifestouse aquela autoridade: 6.1. Ora, nos termos da Representação Fiscal de fls. 01, origem e fundamento do ato ora litigado, dela não ciente o sujeito passivo, consta, como prática reiterada de infração à legislação tributária: não apresentação de DSPJ, não pagamento de tributos, e apresentação dos Livros Diários e Razão em backup, sob a alegação de extravio da documentação. 6.2. Evidentemente, tratamse de infrações distintas: a primeira se refere a cumprimento de obrigação acessória; a segunda reportase a obrigação principal; a última, a dever de manter a documentação passível de fiscalização. Não, de mesma infração reiterada (repetida ou renovada). Em nenhum momento, pois, foi caracterizada a reiteração da mesma infração. Não posso concordar nem com as alegações da impugnante nem com as razões de decidir da autoridade julgadora a quo. Em primeiro lugar, quanto à nulidade. Não há dúvidas de que o ato declaratório de exclusão é bastante sucinto. Contudo, não é verdade que esta tenha sido a única peça da qual teria tido ciência o sujeito passivo, nem tampouco é verdade que não tivesse ele a mínima idéia de qual infração teria cometido. Esclarecendo os fatos: O procedimento fiscal teve início em 18/05/2009, por meio do termo de início, no qual foram solicitados, entre outros, os livros comerciais, fiscais e auxiliares do contribuinte, os seus extratos bancários e de aplicações, bem como todos os documentos que serviram de base para os lançamentos contábeis efetuados (fls. 4). Em resposta, apresentou o contribuinte cópias dos Livros Diário, Razão, Balancetes e Balanço Geral, referentes ao ano de 2006, alegando que os originais teriam sido extraviados (fls. 6). Reintimado a apresentar os documentos que serviram de base para os lançamentos contábeis efetuados (fls. 7), respondeu que os mesmos teriam sido extraviados (fls. 8). Reintimado a apresentar os extratos bancários solicitados no termo de início, respondeu que “até a presente data os Bancos não nos forneceram o Extratos solicitados, sempre alegando que são de anos anteriores e fica difícil eles fazerem copias” (fls. 29 e 30 do processo nº 16832.000236/201073). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 8 7 Em 14/10/2009, o contribuinte foi cientificado de que se encontrava omisso com relação à entrega da declaração simplificada relativa ao ano calendário de 2006 (fls. 32 do processo nº 16832.000236/201073). Todos esses fatos foram relatados no Termo de Constatação Fiscal lavrado pela autoridade fiscal, do qual foi dada ciência ao contribuinte em 19/04/2010, juntamente com a ciência do ato declaratório de exclusão do Simples (Termo de Constatação Fiscal às fls. 37 do processo nº 16832.000236/201073, e Termo de Ciência de Exclusão do Simples às fls. 29 deste processo). A propósito desta circunstância (ciência de ambos os termos na mesma ocasião), importante destacar o despacho de fls. 40 do presente processo, que espanca as dúvidas surgidas a partir de uma aparente rasura existente na data de ciência do ato de exclusão, que em uma via acusaria a data de 09 ou 19 de abril, e, na outra, a data de 19 de abril: “Em atendimento ao despacho de fls. 38, esclareço que a data de ciência a ser considerada no Termo de Ciência de Exclusão do Simples é a do dia 19/04/2010, mesma data de ciência do Auto de Infração.” Além de relatar os já mencionados fatos, consta ainda do referido Termo de Constatação Fiscal: “O contribuinte em 09/04/2010 [sic] tomou ciência do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DERAT/RJO N° 000027, de 26 de fevereiro de 2010, que o declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), a partir de 01/01/2006, por infringir os arts. 189, 190 e incisos II e III do parágrafo único do Decreto n° 3.000/99.” Transcrevese abaixo o teor dos referidos dispositivos, para verificar a sua congruência com o teor da acusação fiscal: “Art. 189. O pagamento unificado de impostos e contribuições, devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será feito de forma centralizada, até o décimo dia do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta (Lei nº 9.317, de 1996, art. 6º). § 1º Para fins do disposto neste artigo, a Secretaria da Receita Federal instituirá documento de arrecadação único e específico (DARFSIMPLES) (Lei nº 9.317, de 1996, art. 6º, § 1º). § 2º Os impostos e contribuições devidos pelas pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES não poderão ser objeto de parcelamento (Lei nº 9.317, de 1996, art. 6º, § 2º). Art. 190. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que trata o art. 187 (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º). Parágrafo único. A microempresa e a empresa de pequeno porte estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 9 8 prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores.” Neste contexto, alegar o contribuinte que desconhecia os motivos de sua exclusão do Simples não possui o menor fundamento, não se podendo ter por nulo, conforme decidiu a autoridade julgadora a quo, o Ato Declaratório de Exclusão emitido por autoridade competente e amparado em constatações expostas em representação da autoridade executora do procedimento fiscal, as quais se encontram também expostas em Termo de Constatação Fiscal do qual foi cientificado o contribuinte na mesma data de sua exclusão. Ao contrário, resta claro, para este relator, que o contribuinte tinha plena consciência das circunstâncias que levaram à sua exclusão do regime simplificado, não se vislumbrando qualquer cerceamento de defesa, nem tampouco a nulidade do ato expedido. Resta analisar o mérito, ou seja, a existência ou não de motivos suficientes à expedição do ato de exclusão, e se está correta a data a partir da qual se fizeram surtir os seus efeitos. Conforme dito, estes motivos estão expostos no Termo de Constatação Fiscal, e referidos no ato declaratório pela menção à “prática reiterada de infração à legislação tributária”. Sustenta o contribuinte que somente haveria prática reiterada de infração, no ano de 2006, se já tivessem sido constatadas as mesmas supostas infrações (que não sabe quais seriam) no ano de 2005, ou noutro giro, que a exclusão somente poderia ter sido levada a efeito após o trânsito em julgado do processo nº 16832.000236/201073. Já a decisão recorrida considerou que em nenhum momento teria restado caracterizada a reiteração da mesma infração, pois todas as infrações citadas pela autoridade fiscal seriam distintas entre si. Mais uma vez, não posso concordar nem com as alegações do sujeito passivo, nem com os fundamentos da decisão recorrida. Não há na lei nenhuma norma que impeça a atuação do Fisco nas circunstâncias constatadas no caso concreto, ou que determine que se deva aguardar o trânsito em julgado de processo para que se configure a prática reiterada de infração à legislação tributária. Ao contrário, nos termos da Lei n° 9.317/96, a partir do momento em que constatada esta situação, cabe à Administração Pública efetuar de ofício a exclusão, mediante Ato Declaratório, com efeitos a partir do próprio mês da ocorrência daquela infração. Confirase o dispositivo: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 10 9 (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo.” Reforça ainda esta percepção o art. 14 da mesma lei, ao estabelecer expressamente que a exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do Simples, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária (inciso VII do art. 14), mas não para o caso da prática reiterada de infração (inciso V do mesmo artigo). Confirase: “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; (...) VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva.” Os dicionários definem o termo reiterar como “repetir”, “renovar”, “refazer”. Sem cair na leviandade de afirmar que bastariam duas ocorrências de uma mesma infração para que se configurasse tal circunstância, devese entender que a reiteração ocorre quando a prática da infração em questão é habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume. E esta análise somente pode ser feita caso a caso. Ademais, convém observar que, no caso do Simples, os períodos a serem considerados para analisar a ocorrência ou não de reiteração devem ser mensais, seja porque o período de apuração neste regime é mensal, seja porque é a própria Lei que, neste caso, menciona que a exclusão deve retroagir ao mês de ocorrência do fato em questão. Neste sentido, a seguinte jurisprudência do CARF (grifei): SIMPLES – EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES. (Acórdão 10196.630, relator Caio Marcos Cândido, sessão de 7 de março de 2008) SIMPLES EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 11 10 optante do SIMPLES. (Acórdão 10809.746, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 16 de outubro de 2008) No caso concreto, temse que o contribuinte simplesmente não declarou qualquer valor devido a título de tributos federais ao longo de todo o ano de 2006, nem tampouco efetuou qualquer recolhimento, encontrandose ainda omisso na entrega da declaração simplificada. Ademais, reconhecidamente não possuía qualquer documento comprobatório de suas receitas ou despesas relativas a qualquer um dos meses deste mesmo ano, alegando seu extravio, nem tampouco apresentou extratos bancários que pudessem comprovar a correta escrituração de sua movimentação bancária, alegando que as instituições financeiras teriam oposto dificuldades em emitilos. Por fim, apresentou tão somente cópias de alguns livros da escrituração comercial e fiscal, e tampouco apresentou o Livro de Registro de Inventário. Todos os itens acima citados são obrigatórios para as empresas optantes pelo Simples, nos termos do art. 190 do RIR/99 — referido pelo Termo de Constatação Fiscal, e acima transcrito — cuja matriz legal é o art. 7º da Lei nº 9.317/96. Na ausência de tais elementos, a única forma de apuração do lucro passível de utilização pelo fisco é o lucro arbitrado, exatamente como foi feito no caso concreto. Contudo, mais não há que se dizer ou avançar neste sentido, uma vez que o lançamento do crédito tributário, conforme dito, é objeto de outro processo, onde os argumentos de mérito relativos ao lançamento em si serão apreciados. Entretanto, não há dúvidas de que a apuração pelo lucro arbitrado pressupõe a lógica e anterior exclusão da empresa do regime simplificado, o que foi feito por meio do contestado ato declaratório. E esta exclusão encontrase plenamente justificada pelas razões já expostas. Ao não apresentar os extratos bancários, os demais documentos de sua escrituração, o Livro de Registro de Inventário, e não declarar nem recolher nenhum tributo federal ao longo dos doze meses do ano de 2006, o contribuinte reiteradamente deixou de cumprir com as obrigações legais para a sua manutenção no regime simplificado, impondose a sua exclusão, com efeitos a partir do primeiro mês em que constatada a situação excludente, ou seja, janeiro de 2006, exatamente como foi feito no caso concreto. Pelo exposto, dou provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16832.000007/201059 Acórdão n.º 1102001.213 S1C1T2 Fl. 12 11 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10980.007544/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO
Após o início do procedimento fiscal, há a perda da espontaneidade do sujeito passivo, de modo que o crédito tributário apurado será acrescido da multa de ofício, de acordo com a legislação vigente.
MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02
Não cabe a este Conselho se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma tributária
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO Após o início do procedimento fiscal, há a perda da espontaneidade do sujeito passivo, de modo que o crédito tributário apurado será acrescido da multa de ofício, de acordo com a legislação vigente. MULTA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02 Não cabe a este Conselho se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma tributária Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 75 44 /2 00 9- 14 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.007544/200914 Acórdão n.º 2801002.824 S2TE01 Fl. 100 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 21/28, que exige o montante de R$ 29.930,06 de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, R$ 22.447,49 de multa de ofício prevista no art.44, I, da Lei n.° 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, além dos encargos legais. O lançamento decorreu do fato de a interessada não haver declarado em DCTF nem recolhido o IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado do período de apuração de janeiro a dezembro de 2007, enquadrandose nos arts. 620, 621, 624, 625, 626,636, 637, 638, 641 a 646 do RIR/1999 e 1° da Lei no 9.887/1999. Cientificada por via postal em 12/08/2008 (AR fl. 41), a interessada apresentou a tempestiva impugnação de fls. 43/44, instruída com os documentos de fls. 45/67, onde alega que não foram considerados na autuação os pagamentos efetuados antes da autuação, o que merece reparos para sua exclusão sob pena de estar sendo cobrado em duplicidade os valores já recolhidos. Que os valores efetivamente devidos, serão incluídos no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, cuja opção já foi requerida. É o relatório. Passo adiante, a 1a Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PAGAMENTO POSTERIOR AO INÍCIO DO "." PROCEDIMENTO FISCAL E ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. EFEITOS. O recolhimento efetuado após o início do procedimento fiscal, quando o contribuinte já se encontra com a espontaneidade excluída, não é hábil para descaracterizar a infração cometida, sendo cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser utilizados para a quitação parcial ou total do crédito tributário lançado. Impugnação Improcedente Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.007544/200914 Acórdão n.º 2801002.824 S2TE01 Fl. 101 3 Crédito Tributário Mantido Cientificado em 26/11/2009 (Fl.74), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/12/2009 (fls. 85/91), reiterando sua argumentação apresentada na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. À título de preliminar, o recorrente delimita a matéria objeto do seu recurso, qual seja, tão somente a multa de 75% sobre o valor dos débitos aplicada, culminando por reconhecer que os demais valores são reconhecidos e, ou já foram recolhidos, ou estão incluídos no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. Em sua linha de defesa, o recorrente argúi que teria readquirido a espontaneidade durante o curso do processo administrativo fiscal e que por tal razão deveria ser afastada a aplicação da multa, e, por outro lado e em sucessivo, argúi o caráter confiscatório da multa aplicada. Inicialmente de se analisar o questão referente a espontaneidade do recorrente. No presente caso, em breve sinopse, temse que o lançamento se deu em razão de divergências apuradas entre os valores informados na DIRF e aqueles recolhidos e/ou declarados em DCTF. Da impugnação apresentada, se verifica que a contribuinte não contesta o lançamento em si, apenas alega que efetuou pagamentos, em 14/05/2009, anterior a lavratura do auto de infração, porém em momento posterior ao início do procedimento fiscal, e que os valores devidos estão sendo incluídos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Ora, tendo o procedimento fiscal se iniciado em 20/04/2009, à toda evidência que os pagamentos efetuados em 20/05/2009, não configuram denúncia espontânea eis que efetuados posteriormente ao início do procedimento fiscal (apresentação pós procedimento fiscal e de forma extemporânea), não gerando nenhum efeito quanto ao lançamento efetuado. Ou seja, após iniciada a fiscalização o pagamento deixa de ser espontâneo e deve ser pago acompanhado da multa de ofício e juros de mora. Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, não é competente este Conselho para apreciar alegação de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula CARF nº2 que assim dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.007544/200914 Acórdão n.º 2801002.824 S2TE01 Fl. 102 4 Deste modo, correto está o entendimento da DRJ e hígido está o lançamento. Ante tudo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001915/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. CÔMPUTO EM PERÍODO EM QUE NÃO HOUVE RECOLHIMENTO DAS EXAÇÕES. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em postergação do pagamento do tributo na circunstância em que a receita que deixou de ser apropriada no período em que foi auferida, o foi em momento posterior, em que as bases de cálculos das exações afetadas revelam-se negativas. No caso, aplica-se o disposto no inciso II do art. 273 do RIR/99, eis que inexistente pagamento espontâneo do imposto ou contribuição, elemento essencial à caracterização do instituto reclamado.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
Numero da decisão: 1301-001.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator) em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Fez sustentação oral o advogado Leandro Cabral e Sousa OAB/SP nº 234.687.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães Relator
Paulo Jakson da Silva Lucas - Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004, 2005 Ementa: INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. CÔMPUTO EM PERÍODO EM QUE NÃO HOUVE RECOLHIMENTO DAS EXAÇÕES. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em postergação do pagamento do tributo na circunstância em que a receita que deixou de ser apropriada no período em que foi auferida, o foi em momento posterior, em que as bases de cálculos das exações afetadas revelam-se negativas. No caso, aplica-se o disposto no inciso II do art. 273 do RIR/99, eis que inexistente pagamento espontâneo do imposto ou contribuição, elemento essencial à caracterização do instituto reclamado. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
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CÔMPUTO EM PERÍODO EM QUE NÃO HOUVE RECOLHIMENTO DAS EXAÇÕES. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em postergação do pagamento do tributo na circunstância em que a receita que deixou de ser apropriada no período em que foi auferida, o foi em momento posterior, em que as bases de cálculos das exações afetadas revelamse negativas. No caso, aplicase o disposto no inciso II do art. 273 do RIR/99, eis que inexistente pagamento espontâneo do imposto ou contribuição, elemento essencial à caracterização do instituto reclamado. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Fez sustentação oral o advogado Leandro Cabral e Sousa OAB/SP nº 234.687. “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 15 /2 00 8- 55 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 595 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 596 3 Relatório Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade, reproduzo o relatório constante na decisão exarada em primeira instância. 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 18/12/2008, os lançamentos de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados nos autos de infração e demonstrativos de fls. 271 a 295, no valor total de R$ 3.106.284,06, a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decomposto da seguinte maneira: IRPJ.................................................................. ............ R$ 913.121,44 Juros de mora (calculados até 28/11/2008) ...................R$ 616.448,28 Multa proporcional (passível de redução)......................R$ 684.841,07 Valor do Crédito Tributário............................. ............ R$ 2.214.410,79 CSLL............................................................................. R$ 328.723,72 Juros de mora (calculados até 28/11/2008) ...................R$ 221.921,38 Multa proporcional (passível de redução)..................... R$ 246.542,79 Valor do Crédito Tributário.............................. ............ R$ 797.187,89 PIS................................................................................. R$ 5.560,98 Juros de mora (calculados até 28/11/2008) ..................R$ 3.503,85 Multa proporcional (passível de redução).................... R$ 4.170,73 Valor do Crédito Tributário.............................. ............ R$ 13.235,56 COFINS......................................................................... R$ 34.221,48 Juros de mora (calculados até 28/11/2008) ...................R$ 21.562,24 Multa proporcional (passível de redução)..................... R$ 25.666,10 Valor do Crédito Tributário.......................................... R$ 81.449,82 1.1 A lavratura se deu em função da apuração das infrações, com os respectivos enquadramentos legais, constantes das fls. 274 a 275; 281 a 282; 288 e 293. 2. O contribuinte foi notificado das autuações, no mesmo dia da lavratura dos autos de infração, ou seja, 18/12/2008, conforme ciências exaradas às fls. 273, 280 e 292. 3. O Termo de verificação fiscal, de fls. 259 a 270, traz, em síntese, o seguinte: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 597 4 3.1 O contribuinte realizou pagamentos a maior de PIS e COFINS relativos aos seguintes períodos: agosto, outubro, dezembro de 2002 e janeiro de 2003, nos seguintes valores: a.. PIS: R$ 226.564,82, R$ 186.098,96, R$ 201.807,50 e R$ 171.949,85; b. COFINS: R$ 1.045.683,77, R$ 858.918,27, 931.419,24 e R$ 793.614,70. 3.1.1 Houve compensações, com tal crédito, em 2003 e 2004 nos montantes totais de R$ 3.652.485,78 e R$ 1.483.135,82 respectivamente. Os valores compensados declarados em "Declaração de Compensação" não foram reconhecidos contabilmente pelo regime de competência. Somente em maio e junho de 2005 foram feitos os reconhecimentos de tais receitas, em contrapartida a conta de PIS e COFINS a recolher, sendo respectivamente R$ 2.644.180,00 e R$ 2.100.853,12 a título de COFINS e R$ 480.760,00 e R$ 404.697,74 a título de PIS. Em 2002 e 2003 os valores recolhidos a maior foram computados como despesas dedutíveis. 3.2 Configurouse assim a inobservância do regime de escrituração das receitas que foram objeto de compensação com os valores devidos de PIS e COFINS nos anos de 2003 e 2004 quando foram realizadas as compensações com as respectivas entregas das declarações de compensação. O indébito gerado em 2002 e 2003 ingressou em 2003 e 2004 como receita decorrente de recuperação destas despesas e deveria compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal prática acarretou a postergação do imposto/contribuição para o período de 2005, quando o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, o que, de acordo com o Parecer Normativo Cosit n° 02/1996, item 9, não seria permitido, visto que não se pode utilizar perdas posteriores para compensar ganhos anteriores. Assim, a postergação se transformou em redução indevida do lucro real e do lucro líquido em 2003 aumento do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL em 2004. 3.3 O contribuinte foi intimado, em 27/06/2008, para esclarecer os motivos que o levaram à inobservância do regime de escrituração acima identificada. Em 11/08/2008, o mesmo respondeu, em síntese, que: i) Durante o segundo semestre de 2002, adquiriu, via leilão, contratos de Swap cambial, denominados SC2, cujos ajustes ao valor de mercado (MTM), estabelecidos pela Carta Circular n° 3.082 de 2002, e respectivos impactos em contas de resultados foram considerados para fins de apuração da base de cálculo da COFINS; ii) Em 2003, com base no artigo 35 da Lei 10.637/2002, a empresa entendeu que o procedimento adotado, relativo ao tratamento fiscal dos MTMs, havia acarretado um recolhimento a maior a título de PIS e COFINS, provocando a entrega das DCOMPs. Porém não houve reconhecimento dos valores compensados deixandoos provisionados para eventual contingência decorrente de interpretação diferente; iii) entre 2003 e 2005 há uma diferença entre o valor provisionado e o efetivamente recolhido pelo fato do MTM estar sendo considerado na base de cálculo do provisionamento e consequentemente desconsiderado para fins de recolhimento, conforme documento 1 e iv) em 2005, conforme parecer de consultores externos, baseado no que viria a ser o artigo 110 da Lei 11.196/2005 e no Oficio Circular 119/2004, emitido pela BM&F, verificouse que o entendimento adotado estava correto, o que motivou a reversão da provisão constituída, permitindo o reconhecimento contábil da COFINS compensada e do valor provisionado a maior. 3.3.1 O documento 1 referido acima, é composto de uma planilha onde, no período de julho de 2002 a dezembro de 2004, o contribuinte demonstra que o valor do crédito considerado de pagamento a maior foi decorrente da exclusão da base de cálculo da COFINS da receita oriunda do ajuste a valor de mercado, chamada MTM, dos contratos de SC2. Demonstra, também, entre outras coisas as compensações Fl. 597DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 598 5 realizadas com o uso do referido crédito. Observase, também que o saldo da COFINS a recolher, conta: 4.9.4.20.90.255 do razão, acumulou um saldo entre 2003 e 2004 de R$ 4.805.835,19. 3.3.2 O Oficio Circular 119/2004 da BM&F dispõe sobre providências a serem tomadas frente à nova legislação e no item 2.b especifica o contrato de SC2 como um contrato de Swap, ou termo de cupom cambial, não tendo a figura do ajuste diário. 3.4 Em 04/09/2008, o contribuinte é cientificado do Termo de Constatação que constata a inobservância do regime de competência relativa aos valores compensados, bem como a postergação de pagamento de IRPJ e CSLL, ou redução indevida do lucro real e do lucro líquido nos anos de 2003 e 2004. 3.4.1 Em 16/09/2008, o contribuinte se manifesta dizendo que os contratos SC2 tiveram os MTMs considerados na apuração da base de cálculo dos tributos, ocasionando uma elevação do valor a ser recolhido de PIS e COFINS nos meses de agosto de 2002 a janeiro de 2003. Com a reavaliação feita em 2003, percebeu que havia feito o recolhimento a maior e optou por compensar tais valores. A antecipação do reconhecimento da aludida receita não se deu apenas para o PIS e para a COFINS, mas também para o IRPJ e a CSLL, de modo que mesmo que o requerente não tenha reconhecido a receita no momento da compensação realizada a título de PIS/COFINS, não haveria prejuízo, pois os valores indevidamente recolhidos a título de IRPJ/CSLL não foram compensados. 3.4.1.1 Com relação à manifestação acerca da não compensação dos créditos relativos ao IRPJ e CSLL, observase que desde a IN SRF 210/2002 somente a compensação efetuada por meio de Declaração de compensação extingue o crédito tributário. Com base nisto e no disposto no artigo 168 do CTN, não tendo o suposto direito creditório sido pleiteado no prazo de 5 anos, o mesmo restou caduco e não interfere no objeto do lançamento. 3.5 As receitas consideradas na apuração da infração podem ser decompostas em dois montantes, representados abaixo, sendo sobre aquele relativo aos juros, por ser receita nova, incide IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: i. A receita do indébito tributário: 1. 2003: R$ 3.049.518,09 2. 2004: R$ 1.230.565,81 ii. Receita dos juros incidentes sobre o indébito tributário: 1. 2003: R$ 602.967,69 2. 2004: R$ 252.569,71 3.5.1 Em 2004 e 2005 o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, como em 2004 a importância adicionada não excede o valor do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL e como, segundo a legislação de regência (Parecer Normativo Cosit 02/1996), as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores, o lançamento foi efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no período inicial (2003), com os respectivos encargos legais e registrar a redução de prejuízo e da base de cálculo negativa para o ano de 2004. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 599 6 3.6 O lançamento tem como enquadramento legal e base doutrinária o descrito nos itens 19 a 29 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 268 a 270). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 19/01/2008, a impugnação de fls. 302 a 321, informando e alegando, em síntese, o seguinte: 4.1 Sobre a nulidade do auto de infração em face da postergação: O auto de infração seria nulo, pois em tendo sido apurada a postergação no recolhimento do IRPJ e da CSLL, como reconheceu a própria autoridade fiscal, gerouse uma expectativa de tributo a recolher, mesmo que não se tenha efetivada no exercício imediatamente seguinte àquele em que se operou a dedução. 4.1.1 Ao contrário do aduzido pela autuante, o término do período de postergação somente teria ocorrido em 2008, em vista do auto de infração ter sido lavrado em 18 de dezembro do referido ano. Em outras palavras, tendo o impugnante apurado lucro nos anos de 2006 e 2007, o que de fato ocorreu, mister se faz o reconhecimento da postergação, independentemente do prejuízo apurado no ano de 2005. Conforme ementário de decisões administrativas colacionado, o fato de que o exercício em que a receita, antes não computada no lucro real, foi oferecida à tributação apresentar um resultado negativo (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa), não impede a aplicação da norma prescrita pelo artigo 273 do RIR/99, uma vez que para reconhecimento da postergação devese verificar a existência de lucro apurado nos períodos posteriores ao de competência até o período anterior à lavratura do auto de infração. Sendo assim, a autoridade fiscal deveria ter verificado a apuração de lucro nos anos de 2006 e 2007, e, ao verificar sua existência, reconhecido a postergação no pagamento do imposto e, por conseguinte, conforme Parecer Normativo COSIT nº 02/1996, exigido apenas a multa e os juros de mora devidos em vista da escrituração extemporânea das receitas. 4.1.2 Caso o impugnante não tivesse oferecido tais receitas à tributação no ano de 2005, poderia têlo feito em 2006 e 2007, recolhendo os tributos neste período. Portanto a autoridade fiscal deveria ter reconhecido a postergação para estes anos e só ter efetuado a cobrança de multa e dos juros correspondentes a esse atraso, conforme disposto na jurisprudência colacionada. Assim, na remota hipótese do lançamento não ser declarado nulo, devese, ao menos, proceder à correção do mesmo para transformar a exigência em mera postergação de imposto. 4.1.3 A antecipação do reconhecimento da aludida receita se deu tanto para o PIS e para COFINS como também para o IRPJ e a CSLL, entretanto o impugnante efetuou a compensação apenas para o PIS e a COFINS, de forma que houve um recolhimento antecipado no ano calendário 2002, a título de IRPJ e CSLL, na monta de R$ 6.420.032,26, quantia superior aos valores lançados, razão pela qual referidos tributos não poderiam ser exigidos. Ao contrário do entendimento da autoridade fiscal, não se trata de compensação entre créditos e débitos, mas sim de equivalência de resultados entre procedimentos adotados, ainda que formalmente tenham ocorrido em momentos equivocados. 4.2 Sobre a postergação e o prejuízo fiscal: A apuração de prejuízo fiscal não impede a aplicação da norma prescrita no artigo 273 do RIR/99, uma vez que se trata de postergação da receita e não do tributo, não podendo ser aplicável apenas no ano em que o sujeito passivo apresente imposto a pagar. A adição à base de cálculo do IRPJ das receitas antecipadamente deduzidas, diminui o valor do prejuízo fiscal apurado, influenciando na compensação do mesmo nos anos posteriores, conforme decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa se colaciona. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 600 7 4.2.1 Além disso, conforme entendimento da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, a reiteração do prejuízo fiscal acarreta impacto vinculado ao pagamento efetivo do tributo. Portanto, por qualquer ângulo que se analise a questão, resta comprovada a necessidade do reconhecimento e aplicação da postergação ao presente caso. 4.3 Sobre o regime de apuração do PIS e da COFINS: Não é possível adicionar a receita de juros, incidentes sobre o valor do crédito compensado, na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isto porque o impugnante, por ser instituição financeira, continua apurando as referidas contribuições em conformidade com a Lei nº 9.718/99 (sic) e, neste passo, tais receitas não integram o conceito de faturamento (venda de mercadorias e prestação de serviços) 4.3.1 O Plenário do STF, ao julgar o RE nº 375.950, declarou a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, determinando que somente as receitas oriundas da venda de mercadorias e serviços comporiam a base de cálculo da COFINS. As receitas objeto de lançamento no presente caso advém de receita de juros, consideradas financeiras, e, portanto, não insertas no faturamento como conceituado pelo STF, sendo obrigatória a observância deste entendimento na administração pública federal, conforme determina o artigo 1º e o artigo 4º, § único do Decreto 2.346/97. Neste mesmo diapasão encontrase o inciso I do § único do artigo 2º da Lei 9.784/99. Independentemente de eventual ação ajuizada pelo impugnante, o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 já foi declarado inconstitucional pelo STF, motivo pelo qual o crédito tributário ora combatido deve ser cancelado. Para corroborar com tal entendimento colacionase diversos acórdãos do 2º Conselho de Contribuintes onde se exclui as receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS. 5. Por fim requer seja julgada procedente a impugnação para que seja reconhecida a postergação no recolhimento dos tributos, bem como o recolhimento antecipado do IRPJ e da CSLL, anulandose o auto de infração combatido e também que sejam excluídas as receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS dada a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. (GRIFOS DO ORIGINAL) A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando os argumentos trazidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1649.691, de 21 de agosto de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. POSTECIPAÇÃO DE RECEITAS. PREJUÍZO FISCAL. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se considera ter havido a postergação do pagamento de IRPJ se no ano do reconhecimento das receitas, referentes a períodos de apuração anteriores, nos quais as mesmas deveriam ter sido reconhecidas pelo regime de competência, não houve o recolhimento do imposto por conta da apuração de prejuízo fiscal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO APÓS TÉRMINO DO EXERCÍCIO. FATO NOVO. RECONHECIMENTO DA RECEITA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Deve ser reconhecida como receita nos períodos das compensações efetuadas, a título de recuperação de despesas, os créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de exercícios já encerrados, quando o indébito tenha se dado Fl. 600DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 601 8 por conta de fato novo subsequente, como, por exemplo, o surgimento de nova legislação. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. POSTECIPAÇÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se considera ter havido a postergação do pagamento de CSLL se no ano do reconhecimento das receitas, referentes a períodos de apuração anteriores, nos quais as mesmas deveriam ter sido reconhecidas pelo regime de competência, não houve o recolhimento da contribuição por conta da apuração de base de cálculo negativa de CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO APÓS TÉRMINO DO EXERCÍCIO. FATO NOVO. RECONHECIMENTO DA RECEITA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Deve ser reconhecida como receita nos períodos das compensações efetuadas, a título de recuperação de despesas, os créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de exercícios já encerrados, quando o indébito tenha se dado por conta de fato novo subsequente, como, por exemplo, o surgimento de nova legislação. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RECEITA DE JUROS. NÃO FATURAMENTO. COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. A receita de juros referente à atualização do valor do crédito utilizado em compensação não decorre do exercício da atividade da empresa, mesmo que instituição financeira, devendo ser, portanto, excluída da base de cálculo da COFINS. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RECEITA DE JUROS. NÃO FATURAMENTO. PIS. NÃO INCIDÊNCIA. A receita de juros referente à atualização do valor do crédito utilizado em compensação não decorre do exercício da atividade da empresa, mesmo que instituição financeira, devendo ser, portanto, excluída da base de cálculo da PIS. Às fls. 505/523, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 02 de outubro de 2013, em que a contribuinte, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que não cabe aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 602 9 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 238/249, foi imputada à contribuinte a seguinte infração: inobservância do regime de escrituração de receitas, representadas por pagamentos a maior de contribuições. A referida infração derivou dos fatos a seguir relatados. A contribuinte efetuou pagamentos a maior de PIS e COFINS relativos a períodos de 2002 e 2003. Com base em referidos pagamentos a maior, promoveu compensações em 2004. Entretanto, os valores compensados não foram reconhecidos contabilmente pelo regime de competência, vez que somente em maio e junho de 2005 é que tal reconhecimento foi realizado. Nos anos de 2002 e de 2003, a contribuinte computou como despesa dedutível, tanto na determinação do lucro real, como na apuração da base de cálculo da CSLL, os valores pagos (a maior) de PIS e COFINS. Tendo a contribuinte apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no período em que as referidas receitas foram contabilizadas, a infração foi caracterizada como redução indevida do lucro, e não postergação do pagamento. A Turma Julgadora de primeira instância pronunciouse pela manutenção parcial dos créditos tributários constituídos. Para tanto, serviuse dos seguintes fundamentos: i) os lançamentos foram promovidos pela autoridade competente para tal e a contribuinte exerceu o seu direito de defesa, motivos pelos quais descabe falar em nulidade da autuação (os argumentos trazidos em sede de impugnação dizem respeito a questões de mérito e, uma vez considerados procedentes, podem, no máximo, ensejar o cancelamento total ou parcial das exigências formalizadas); ii) a alegação da contribuinte de que o término do período de postergação teria ocorrido em 2008, ano da autuação, e não em 2005, como afirma a autoridade autuante, é merecedora de reparo, haja vista que, no presente caso, toda a receita que supostamente deveria ter sido reconhecida em 2003 e 2004 foi oferecida à tributação em 2005, sendo, assim, correta a consideração do término do período de postergação nesse último ano (2005); iii) se parte da receita não reconhecida em 2003 e 2004 tivesse sido registrada em 2006 e 2007, anos em que a contribuinte apurou resultados fiscais positivos, poderseia admitir que parte do que foi pago nesses citados anos seria de fato referente ao que era devido em 2003 e 2004 mas foi postergada para 2006 e 2007; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 603 10 iv) a alegação da contribuinte de que, se não tivesse oferecido as receitas à tributação em 2005, poderia têlo feito em 2006 e 2007, representa mera hipótese, não correspondendo ao que de fato ocorreu; v) relativamente à alegação de que o mesmo fato que ensejou o recolhimento a maior do PIS e da COFINS, também implicou em pagamento a maior de IRPJ e CSLL, sendo os valores correspondentes superiores aos lançados, a contribuinte deveria ter formalizado pedido de compensação, eis que não é possível a realização de tal procedimento sem que seja por meio de PER/DCOMP, e, além disso, não há como neutralizar a falta de escrituração de receitas ocorrida em 2003 e 2004 (recuperação de despesas de PIS e COFINS) com uma suposta antecipação de outra receita (ajuste ao valor de mercado dos contratos de SWAP SC2), vez que a apuração a maior em um exercício não interfere na apuração referente aos exercícios posteriores; vi) além do disposto no item anterior, a contribuinte sequer demonstrou que, de fato, houve recolhimento antecipado de IRPJ e CSLL no montante alegado e não demonstrou, também, que as receitas envolvidas foram escrituradas e declaradas; vii) a autoridade fiscal embasou os lançamentos no artigo 273, de modo que resta inócua a alegação de que, no caso, deve ser aplicado o referido dispositivo; viii) a postergação do pagamento de tributos pressupõe o recolhimento, em momento posterior, do que deixou de ser pago na época oportuna, sendo que, no caso vertente, o não reconhecimento das receitas em 2003 e 2004 não acarretou o pagamento de tributos em 2005, ano em que as receitas foram reconhecidas, motivo pelo qual deve ser aplicado o disposto no inciso I1 do art. 273 do RIR/99, que dispõe sobre a redução indevida do lucro real em 2003 e redução do prejuízo fiscal em 2004, nos exatos termos do entendimento esposado no Parecer Normativo Cosit nº 02/1996 (itens 6.1 a 6.3); ix) assiste razão à contribuinte, relativamente ao fato de a adição das receitas causar a diminuição do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, interferindo em compensações futuras, pois a diminuição dos referidos saldos poderia ocasionar um recolhimento a maior desses tributos em anos posteriores, contudo, no presente caso, o efeito não se verifica, pois, ainda que não sejam excluídas as receitas reconhecidas indevidamente em 2005, constatase a existência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa em montante muito superior às compensações efetuadas em 2006 e 2007; x) inexiste dúvida de que a contribuinte deveria reconhecer as receitas dos créditos utilizados nas compensações como receitas decorrentes de recuperação de despesas; xi) em que pese o fato de a contribuinte ser instituição financeira e as receitas de juros sobre a atualização do crédito, submetidas à tributação do PIS e da COFINS, também serem financeiras, inexiste vinculação delas (das receitas) com a atividade exercida pela autuada, de modo que os valores correspondentes devem ser desconsiderados na apuração das bases de cálculo das referidas contribuições. Esses, enfim, os elementos que serviram de suporte para a decretação da procedência parcial dos lançamentos por parte da Turma Julgadora de primeiro grau. 1 Na verdade, inciso II, que é o que dispõe sobre a redução indevida do lucro. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 604 11 Decidi pela reprodução, em detalhes, dos fundamentos esposados no ato decisório recorrido, pois os tenho como irretocáveis, relativamente ao IRPJ e à CSLL. Cabe destacar que o pronunciamento feito em primeira instância amoldase por completo à rejeição das razões recursais, eis que essas, em sua quase totalidade, representam reiteração do que foi argüido em sede de impugnação. Improcedente, a meu ver, o argumento de que a redução do prejuízo fiscal e da base negativa equiparase a verdadeiro pagamento de imposto, sendo, assim, aplicáveis os efeitos da postergação. A pretensão da Recorrente significa, em última análise, admitir que seja possível deixar de registrar uma determinada receita no período de competência e, em momento posterior, quando as bases de cálculo do imposto e da contribuição se revelassem negativas, apropriálas, sem que nenhum montante pecuniário fosse carreado aos cofres públicos, o que, à evidência, não encontra respaldo na legislação de regência. Penso não merecer maior apreciação, na linha do sustentado no ato decisório recorrido, a hipótese de uma eventual consideração dos efeitos da postergação caso a receita tivesse sido adicionada nos anos de 2006 e 2007, vez que não é disso que o processo trata. A contribuinte, na presente situação, deixou de registrar a receita nos períodos competentes para apropriála em momento em que não houve imposto e contribuição a recolher, portanto, descabe falar em pagamento espontâneo daquilo que deixou de ser recolhido na época oportuna, circunstância que autorizaria reconhecer os efeitos da postergação. É fato que a decisão recorrida reconhece que a redução do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL produz efeitos em compensações futuras, mas, como já visto, ela também assinala que, no presente caso, a exclusão das receitas reconhecidas indevidamente em 2005 não provocaria nenhum efeito nos anos de 2006 e 2007, haja vista a existência de resultados fiscais negativos em montante muito superior ao que foi nos referidos anos compensado. No caso, não se trata de ter como condição o consumo integral do prejuízo fiscal e da base negativa, mas, tão somente, de demonstração que o efeito apontado não ocorreu. Não obstante, tendo como correta a alegação da Recorrente no sentido de que, embora os resultados negativos (prejuízo fiscal e base negativa) não tenham sido integralmente consumidos nos anos de 2006 e de 2007, eles são passíveis de aproveitamento em exercícios subseqüentes, penso que, caso a providência não tenha sido adotada, a unidade administrativa de origem deve retificar, no sistema de controle interno da Receita Federal (SAPLI), os saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL relativos ao ano de 2005, de modo a possibilitar a sua utilização em períodos futuros. Repiso, reafirmando o total acolhimento das razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de primeiro grau quanto a esta matéria (postergação – IRPJ e CSLL), que, no caso vertente, a Recorrente não procedeu, espontaneamente, em período posterior, ao pagamento dos valores do imposto e da contribuição social postergados, não sendo possível, assim, atrair a aplicação das disposições do subitem 6.2 do Parecer Cosit nº 02, de 1996 (“O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, ...). Fl. 604DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 605 12 Quanto ao fato de o tratamento tributário originalmente conferido aos ajustes ao valor de mercado dos contratos SC2 supostamente ter gerado excesso de recolhimento de IRPJ e da CSLL no ano de 2002, ratificando o esposado no ato recorrido, penso que, diante da impossibilidade de recepcionar a neutralidade requerida, eis que relacionada a períodos distintos, caberia à Recorrente, demonstrando o efetivo recolhimento a maior das exações, formalizar o pedido de restituição ou de compensação, observada a legislação de regência. Embora o cancelamento das exigências relativas ao PIS e à COFINS pudesse ser objeto de questionamento, na medida em que os valores envolvidos não ultrapassaram o limite previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, a decisão exarada tornouse irreformável administrativamente, de modo que revelase despiciendo avançar na apreciação da matéria. No que diz respeito aos juros sobre a multa de ofício, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário Fl. 605DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 606 13 ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por Fl. 606DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 607 14 cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício aplicada, e para que, caso a providência não tenha sido adotada, sejam retificados os saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL do ano calendário de 2005 em montante igual aos das receitas tributadas por meio do presente processo. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 607DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 608 15 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 609 16 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° Fl. 609DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001915/200855 Acórdão n.º 1301001.564 S1C3T1 Fl. 610 17 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 610DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10540.901363/2009-57
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA.
Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão.
Numero da decisão: 1801-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração original, sendolhe possível alterar os débitos declarados e os pagamentos vinculados, produzindo prova da existência do indébito, desde que apresentada antes da ciência do despacho decisório de não homologação da declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 13 63 /2 00 9- 57 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10540.901363/200957 Acórdão n.º 1801002.112 S1TE01 Fl. 181 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório LOJAS INSINUANTE LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 15032.205 (fl. 32), pela DRJ Salvador, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação de nº 02300.70513.280607.1.3.043840 (fl.15), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 14: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 1, em que alega, em síntese, que a DCTF correspondente foi preenchida com erro, o que foi sanado mediante apresentação de DCTF retificadora. A DRJ Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, considerase inexistente o direito creditório alegado pelo contribuinte, indeferindose o pedido de compensação a ele vinculado. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Considerando que o débito foi reduzido apenas em DCTF retificadora apresentada em momento posterior à ciência do Despacho Decisório, há que haver comprovação contábil do seu valor, sob pena de manutenção da cobrança. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10540.901363/200957 Acórdão n.º 1801002.112 S1TE01 Fl. 182 3 Cientificado dessa decisão em 08/05/2013, por meio de remessa postal (fl. 37), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 39), em 05/06/2013, em que alega: a) a DRJ não pode negar o efeito probante da DCTF retificadora enquanto a DRF intima o contribuinte a apresentar DCTF retificadora para sanear a situação da DCOMP; b) a DRJ desconsiderou a DIPJ apresentada antes do despacho decisório, que corrobora a existência do indébito; c) houve pagamento a maior do tributo e o seu não reconhecimento importa em enriquecimento ilícito por parte da Fazenda. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Conforme se apreende dos autos, o manifestante apresentou originalmente uma DCTF informando um débito de estimativa de IRPJ no valor de R$ 1.014.072,95 para o mês de setembro de 2006, bem como pagamento no mesmo valor (fl. 25). Contudo, em 04/12/2009, retificou essa DCTF reduzindo esse débito para R$ 699.037,83 (fl. 6), o que teria gerado o indébito em tela. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração original, sendolhe possível alterar os débitos declarados e os pagamentos vinculados, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, salvo as exceções apontadas por este dispositivo normativo: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Todavia, no âmbito do contencioso administrativo, toda prova está sujeita a uma valoração, realizada no mister da autoridade julgadora de construir a sua convicção. Nesse aspecto, a retificação da DCTF de forma espontânea tem um valor de prova maior do que a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, com a finalidade de retirar o fundamento da não homologação, uma vez que é documento produzido unilateralmente pelo litigante. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10540.901363/200957 Acórdão n.º 1801002.112 S1TE01 Fl. 183 4 A mitigação do valor probatório da DCTF retificadora foi o fundamento do acórdão recorrido, entendendo este que a retificação se deu após a ciência do despacho decisório. Entretanto, a retificação da DCTF ocorreu em 04/12/2009 e o único documento que comprova a ciência do despacho decisório é o edital de fls. 21/23, afixado em 11/02/2010, ou seja, posteriormente à referida retificação. Embora o despacho de fl. 24 informe que o contribuinte foi cientificado duas vezes do despacho decisório, não há nos autos a indicação da data da segunda intimação e, muito menos, comprovação da sua realização. Portanto, devese admitir como data de ciência aquela única comprovada nos autos, ou seja, 26/02/2010. Destarte, entendo que a DCTF retificadora supracitada foi realizada espontaneamente e constitui prova a favor do contribuinte, mormente quando apresenta coerência com o conteúdo da DIPJ apresentada, indubitavelmente, antes do despacho decisório. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório e homologando a compensação declarada. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.009857/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 09 85 7/ 20 07 -5 1 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009857/200751 Resolução nº 2402000.466 S2C4T2 Fl. 358 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal para constituição de crédito sobre a retenção de 11%. O lançamento foi realizado com ciência em 09/11/2007. Seguem trechos da acórdão recorrida: CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE cEssÃo DE MÃO DE OBRA OU EMPREITADA. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra ou empreitada é obrigada a reter 11% (onze por cento) do valor relativo aos serviços contido na nota fiscal ou fatura, e a recolher o valor retido à Previdência Social, conforme preconiza o artigo 31 da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.711/98, e o artigo 219 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. A retenção sempre se presume feita oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir da obrigação, sendo responsável pelo recolhimento das i importâncias que deixou de reter. Essa obrigação existe mesmo que a empresa prestadora de serviços seja optante pelo SIMPLES, com exceção apenas do período de 01/01/2000 a 31/08/2002. A obrigação da retenção de 11%, pela empresa tomadora, independe da empresa prestadora estar ou não adimplente com as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito1 previdenciário é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009857/200751 Resolução nº 2402000.466 S2C4T2 Fl. 359 3 O pedido de perícia deve ser motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. Lançamento Procedente... Foram apresentados cerca de 3.800 contratos, cuja análise, pelo tipo de serviço prestado, produziu uma relação aproximada de 1.380 contratos nos quais os serviços se enquadravam no artigo 31,_parágrafo 3° da Lei n.° 8.212/91. na redação dada pela Lei n.° 9.711/98. e no artigo 219, parágrafos 1° a 7° do Regulamento da Previdência Social. aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99; Foram verificadas três situações de crédito previdenciário, a saber: 1) retenção sobre notas fiscais apresentadas para as quais não havia destaque , objeto desta NFLD; 2) aferição dos valores constantes em contrato, quando não apresentadas as notas fiscais a ele relativas, objeto de notificação distinta; e, 3) retenção sobre notas fiscais apresentadas para as quais havia destaque e não houve recolhimento, caracterizando em tese apropriação indébita previdenciária, objeto de notificação distinta, sendo que neste item também foram incluídas notas fiscais relacionadas em subsídios decorrentes de ação fiscal nas empresas prestadoras; ... no caso de obras de construção civil, não se comprovando a caracterização de empreitada global à referida situação, as respectivas retenções integram o presente lançamento; outra situação também verificada foi a falta de retenção dos prestadores optantes pelo Sistema Simplificado de Tributação (Simples), a partir de 09/2002, quando voltou a ser exigida, de modo que a retenção, nesse caso, integra o crédito e integra também, em relação ao período de 01/2000 a 08/2002, quando não comprovada a opção pelo Simples; os valores que serviram de base de cálculo para a incidência dos 11% estão discriminados na planilha anexa denominada “Notas Fiscais Apresentadas” cujos totais, apurados por competência, integram o Relatório de Lançamentos, cabendo observar que eles foram obtidos considerando os valores brutos das notas ou. quando discriminados na nota e previstos em contrato. os valores relativos à mão de obra utilizada, sendo que. no caso da prestação de serviço de transportes. foi considerado 30% do valor bruto; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Da decadência: Alega a empresa que o débito em discussão se encontra parcialmente extinto pela decadência, entendendo que o prazo decadencial para que o INSS constituísse eventual débito seria de 5 (cinco) anos, consoante dispõe o artigo 173 do CTN. ... Fl. 368DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009857/200751 Resolução nº 2402000.466 S2C4T2 Fl. 360 4 Segundo a impugnante, a fiscalização não apurou a existência ou não de cessão de mãodeobra em cada um dos serviços listados na NFLD, atendose à mera análise de contratos e notas fiscais, afirmando que não basta que um serviço esteja arrolado no Decreto 3.048/99 ou na IN 03/2005, para que esteja sujeito à retenção de 11%, sendo imperioso, além do enquadramento do tipo de serviço, que a atividade seja desenvolvida com a colocação de segurados nas dependências da contratante ou em outro local (de terceiros) que não seja o ro rio estabelecimento da contratada. Para ela, da lista de contratos selecionados constante da NFLD, os seguintes “serviços” não estariam sujeitos à retenção de 11%: processamento de pagamentos; transporte terrestre e aéreo, inclusive porque não há equipe à disposição exclusiva da empresa; diagnóstico energético; aluguel de imóvel (não é serviço); locação de veículos (não é serviço); transporte de galhos (transporte de cargas não é sujeito à retenção); emissão de segunda via de contas (realizado no contratado); elaboração de projetos; materiais diversos; cobrança de fraudes (realizado no contratado); transporte de carga e malote (transporte de cargas não é sujeito à retenção); pode de árvores (não consta do rol da IN 03/2005); reflorestamento (não consta do rol da IN 03/2005); digitalização de documentos (realizado no contratado); serviços de bombeiro; descontaminação de solo; ressarcimento de despesas de deslocamento (não é serviço). ... Segundo a empresa, ainda, a fiscalização introduziu indevidamente, na NFLD em análise, supostos débitos relativos a prestadores de serviços de transporte, os quais não se enquadrariam no conceito legal de cessão de mãodeobra, e portanto, não gerariam o dever de retenção de 11% pela contratante. Informa que somente existe cessão de mãodeobra se os segurados do contratado prestarem serviços nas dependências da contratante, ou em outros estabelecimentos determinados pela contratante. E relata que, no presente caso, o transporte de documentos,cargas e/ou pessoas pelas empresas prestadoras de serviços não implica nem na colocação de empregados da contratada dentro de suas dependências, e nem mesmo em outros locais por ela predeterminados, destacando que os serviços são realizados exclusivamente nas rodovias e vias públicas, não havendo estabelecimento ou dependência específica na qual o segurado supostamente cedido pela contratada seja colocado à sua disposição. ... E alega, assim, a impugnante, ser totalmente nula a presente NFLD, tendo em vista que, no seu entendimento, não é exigível a retenção de 11% de empresas prestadoras de serviços optantes pelo SIMPLES. ... Fl. 369DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009857/200751 Resolução nº 2402000.466 S2C4T2 Fl. 361 5 Afirma a empresa que a NFLD em tela deve ser anulada em razão do pagamento integral do valor das contribuições previdenciárias devidas, diretamente pelas contratadas. Para ela, este débito não merece ser mantido, eis que devidamente recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, tendo em vista que os prestadores de serviços recolhem todos os seus tributos, inclusive previdenciários. Informa que a inexistência de débito dos prestadores de serviços poderia ser aferida consoante histórico das Certidões Negativa de Débito emitidas em seus nomes. ... Afirma que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou os valores lançados na notificação e a base para calcular os recolhimentos supostamente devidos. Alega que, conforme se verifica no relatório fiscal, a fiscalização procedeu ao arbitramento do débito, sob a presunção de que os serviços contabilizados envolviam “em tese” cessão de mãodeobra. ... Entende que, no caso em tela, foi aplicada exação, pela fiscalização, sem se atentar ao preenchimento do requisito previsto no art. 142 do CTN, que é a determinação da matéria tributável e a clara e precisa identificação do fato gerador e bases de cálculo, observado que o ato administrativo é vinculado, afirmando que deveriam ter sido mencionados precisamente a origem e os fundamentos legais para cada valor arbitrado, em atendimento ao princípio do contraditório. A empresa impugna as bases de cálculo utilizadas (100% do valor das NFs), pois, para ela, não foram atendidos os termos das Instruções Normativas do INSS, especialmente nos casos de serviços de construção civil, como se segue: I dez por cento para pavimentação asfáltica; II quinze por cento para terraplenagem, aterro sanitário e dragagem;III quarenta e cinco por cento para obras de arte (pontes ou viadutos); IV cinqüenta por cento para drenagem; V trinta e cinco por cento para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. É o Relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009857/200751 Resolução nº 2402000.466 S2C4T2 Fl. 362 6 Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma vez cumpridos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A recorrente alega que muitos dos serviços não constam do rol daqueles sujeitos à retenção previdenciária. Também que mesmo para os serviços de construção civil a fiscalização não observou os percentuais fixados pelo ato administrativo normativo para o arbitramento do valor dos serviços. Quanto ao serviço de transporte também sustenta que não se trata da hipótese legal prevista à época para a retenção. A partir das folhas 118 dos autos foram juntadas após a impugnação, fls. 34 e seguintes, duas planilhas preparadas pela fiscalização: contratos selecionados e notas fiscais apresentadas. Esses documentos trazem as seguintes informações: a) Contratos selecionados: Número do contrato, Conta F/C, Empresa contratada, Vigência do contrato, Valor e Uma breve descrição (projeto e montagem de obras, poda de árvores, serviços contratuais, leituras e entregas, limpeza de faixas, N/D etc); b) Notas fiscais apresentadas: Mês, Conta F/C, Empresa contratada, NF, Valor, Base de cálculo. Acontece que tanto no relatório fiscal como na decisão recorrida e ainda na impugnação são trazidas descrições mais detalhadas dos serviços não encontradas nas planilhas juntadas em meio impresso. E considerando o fato de que foram juntadas aos autos após a juntada da impugnação, surge a dúvida se haveria outro anexo ao relatório fiscal em meio magnético e que não fora impresso e juntado aos autos. Por tudo, voto por converter o julgamento para esse esclarecimento e que, após, seja oportunizada a manifestação da recorrente no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/10/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13116.001778/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR. SUJEITO PASSIVO. CANCELAMENTO DE MATRÍCULA JUNTO AO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. EFEITO.
Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título. O cancelamento da matrícula do imóvel, junto ao Cartório de Registro de Imóveis, somente tem efeito, para fins de exonerar o pagamento do ITR correspondente, a partir da data em que se deu o referido cancelamento.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável.
ITR. ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO.
Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.
ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. CONCEITO.
Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a existência de uma área de preservação permanente de 1.158,95 ha e restabelecer a área utilizada com pastagem de 1.188,0 ha.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ITR. SUJEITO PASSIVO. CANCELAMENTO DE MATRÍCULA JUNTO AO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. EFEITO. Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título. O cancelamento da matrícula do imóvel, junto ao Cartório de Registro de Imóveis, somente tem efeito, para fins de exonerar o pagamento do ITR correspondente, a partir da data em que se deu o referido cancelamento. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. ITR. ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. CONCEITO. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a existência de uma área de preservação permanente de 1.158,95 ha e restabelecer a área utilizada com pastagem de 1.188,0 ha. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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SUJEITO PASSIVO. CANCELAMENTO DE MATRÍCULA JUNTO AO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. EFEITO. Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título. O cancelamento da matrícula do imóvel, junto ao Cartório de Registro de Imóveis, somente tem efeito, para fins de exonerar o pagamento do ITR correspondente, a partir da data em que se deu o referido cancelamento. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. ITR. ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. CONCEITO. Área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 17 78 /2 00 3- 31 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 507 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a existência de uma área de preservação permanente de 1.158,95 ha e restabelecer a área utilizada com pastagem de 1.188,0 ha. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 508 3 Relatório Contra WILLIAN IENAGA foi lavrado auto de Infração, fls. 01/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Retentem, com área total de 3.310,3 ha (NIRF 3.135.5811), relativo ao exercício 1999, no valor de R$ 53.883,89, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2003. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do ITR, em razão da glosa da área de reserva legal e da área utilizada com pastagens e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), nos termos do quadro a seguir: ITR 1999 Declarado Apurado no Auto de Infração 03Área de Utilização Limitada 1.350,0 ha 0,0 ha 08Pastagens 1.188,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 128.000,00 R$ 297.927,00 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 34, que está assim resumida no Acórdão DRJ/BSA nº 13.611, de 20/04/2005, fls. 74/79: • tendo em vista a complexidade para a elaboração dos laudos supramencionados e os autos custos necessários para medição georreferenciada do imóvel, o requerente apresentou apenas parte da documentação, sendo penalizado com a lavratura do auto de infração em questão, exigindose um valor exorbitante de R$ 53.883,89, para um imóvel com grandes restrições quanto à sua exploração; • impugna o valor que lhe fora imputado, bem como a multa de 75% aplicada, não havendo máfé deste quanto aos dados declarados, haja vista o fato de que no imóvel há o quantitativo mínimo de 20% de área considerada como de reserva legal, existindo em grande parte deste, área de preservação permanente, lavoura, além de pastagens sendo utilizadas como pastoreio de bovinos pertencentes a arrendatários e eqüinos do requerente, podendo, caso necessário, serem constatadas in loco por esse Órgão; • necessita de aproximadamente quarenta dias para apresentação das comprovações devidas. (...) • através das Certidões de Registro de Imóveis anexa, relativamente à Averbação AV05 da Matrícula 985, Livro 2C e AV02 da Matrícula 1.279, Livro 2C, os registros do referido imóvel foram cancelados nos termos do Mandado de Cancelamento de Registro expedido pelo M.M. Juiz de Direito Substituto da Comarca de Alto Paraíso GO, haja vista que, através de sentença judicial, a área total fora considerada Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 509 4 devoluta, pertencente ao Estado de Goiás, em virtude da Ação Discriminatória Autuada sob o n° 030/98, fls.8.070/8.211; e, • por fim, solicita que seja cancelado o cadastro de n° 3135581 1, bem como os créditos tributários, relativamente ao ITR, relativamente ao exercício de 1999. A DRJ Brasília julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/07/2005, Aviso de Recebimento (AR), fls. 83, o contribuinte apresentou, em 18/08/2005, recurso voluntário, fls. 86/97, trazendo as seguintes alegações: Da glosa com relação à área de reserva legal – O reconhecimento da isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis, se ficar comprovada a existência dessa área por meio de laudo técnico ou outras provas documentais. Do anexo laudo técnico para comprovação de dados relativos ao ITR/1999 incidentes sobre o imóvel Retentem – O anexo Laudo Técnico, doc. nº 2, revela e demonstra as áreas de reserva legal (662,06 ha) e de preservação permanente (1.158,95 ha). Do equívoco do laudo anterior quanto à área total do imóvel a ser considerada – O engenheiro que elaborou o laudo anterior, consoante Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal, considerou a área da propriedade como se fosse de 3.772,25 ha. Assim, no referido termo, fezse constar 20% da área total como sendo de 754,56 ha. Ocorre que a área objeto do Auto de Infração é de 3.310,3 ha. Tal procedimento ocorreu em função de que, ao elaborar preliminarmente o mapa, o fez considerando a unificação de duas matrículas distintas, o que não era o caso, uma vez que o imóvel objeto da matrícula da área menor também se encontra sob processo de fiscalização. Valor da Terra Nua (VTN) No tocante ao VTN, o Laudo ora apresentado ratificou o mesmo valor atribuído pelo engenheiro, que elaborou o laudo anterior (R$ 297.927,00), submetendose o recorrente, assim, à substituição do valor declarado, conforme entendeu e adotou a fiscalização. Da comprovação da existência de animais no imóvel – A comprovação da existência de animais no imóvel tem sido dificultada em razão do falecimento do condômino Alfredo Obliziner, sócio do recorrente, ao qual cabia, à época, a administração do imóvel, onde era mantido um quantitativo de 298 reses. Não tendo sido localizada, até o momento, a documentação comprobatória correspondente, reservase o recorrente o direito de exibila e requerer a juntada da mesma aos autos no curso da análise a ser feita pelo órgão julgador. Da multa prevista Inexatidões eventualmente identificadas, absolutamente destituídas de máfé ou de intenção de fraudar, não justificam a aplicação da multa de ofício de 75%. Da ação discriminatória que envolve o imóvel – Todas as terras rurais do município de São João da Aliança/GO encontramse sob ação discriminatória promovida pelo então Instituto de Desenvolvimento Agrário do Estado de Goiás (IDAGO). Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 510 5 Questionase que foi equivocada e prematura a decisão de se cancelar a matrícula de vários imóveis, porque adotada no curso do processo, antes mesmo de concluída a fase demarcatória, aquela em que efetivamente se separa, com precisão, o que é público do que é particular. Encontrase ainda em curso essa fase demarcatória. Em decorrência desse equívoco e enquanto aguardam a definitiva decisão da justiça, os proprietários, inclusive o recorrente, se sentem desestimulados e sem possibilidade de recorrer a financiamentos para investir no imóvel, fatores que também se requer sejam levados em conta pelo Conselho de Contribuintes, ao julgar o presente recurso. Em sessão plenária, ocorrida em 24/05/2007, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 301 1.868, fls. 141/145, determinando que o contribuinte fosse intimado a apresentar Mapa de Movimentação de Estoque de Criações e cópia integral da Ação Discriminatória nº 003/1998. Antes de intimado da Resolução acima mencionada, o contribuinte juntou aos autos documentos, fls. 150/255 e, ato contínuo, o recorrente foi cientificado do teor da Resolução, juntandose aos autos, documentos, fls. 262/345. Seguiuse nova Resolução da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes nº 3012.096, de 11/12/2008, fls. 350/353, onde determinouse a intimação do recorrente, desta feita, para juntada de cópia das peças principais do agravo de instrumento nº 2005.01.00.0615494/DF e do processo originário nº 2005.34.0199236, notadamente a petição inicial e as decisões proferidas, bem como as respectivas certidões de objeto e pé. Justificouse a necessidade da diligência nos seguintes termos: Inicialmente, verificase que o Recorrente, almejando cumprir com a resolução desta Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, juntou cópia da decisão proferida nos autos do agravo de instrumento n° 2005.01.00.0615494/DF, processo originário n° 2005.34.00.0199236, que concedeu efeito suspensivo ao recurso e determinou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente ao ITR de 1999, 2000, 2001 e 2002 (fls. 250). (...) Em consulta aos sítios na Internet do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e da Justiça Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal, foi possível verificar que em primeiro grau os autos principais estão conclusos para sentença desde 09/07/2007, enquanto o agravo de instrumento aguarda julgamento. Por conseguinte, a principio, existiria in casu concomitância do presente processo administrativo com a discussão travada na esfera judicial, o que atrairia a incidência da Súmula n° 5 deste Terceiro Conselho de Contribuintes: Súmula 3°CC n° 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 511 6 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Todavia, pela cópia juntada da decisão juntada às fls. 250, bem como pelas informações obtidas na Internet, não é possível se inferir o exato objeto da ação judicial, o que se faz necessário para verificar a aludida concomitância. Em atendimento à Resolução nº 3012.096, o contribuinte juntou aos autos, documentos, fls. 380/475. É o Relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 512 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente lançamento de ITR, exercício 1999, do imóvel denominado Fazenda Retentem e quando de retorno de diligência, determinada pelo antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, verificouse a existência de possibilidade de renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da Ação Ordinária nº 2005.34.00.0199236, proposta pelo Espólio de Alfredo Obliziner, Ruy Lopes e o contribuinte. Todavia, da leitura da petição inicial, fls. 406/415, verificase que o objeto da Ação Ordinária nº 2005.34.00.0199236 diz respeito tãosomente aos débitos de ITR relativos ao imóvel denominado Fazenda São Miguel, não havendo nenhuma referência aos débitos relativos ao imóvel denominado Fazenda Retentem, de que cuida este processo. Assim, não há que se falar em renúncia às instâncias administrativas. Ainda, preliminarmente, deve ser apreciada a solicitação do recorrente de este Conselho levar em consideração os efeitos da ação discriminatória que envolve a Fazenda Retentem. Dos documentos que compõe o processo, constam certidões do imóvel, fls. 253/255, nas quais se verifica que as matrículas do imóvel e os seus respectivos registros foram cancelados, conforme Mandado de Intimação, assinado pelo Dr.Ricardo Luiz Nicoli, MM. Juiz Substituto da Comarca Paraíso/GO, em 11/03/2002, onde consta o Despacho que determina ao Cartório de Registro de Imóveis de São João da Aliança/GO que proceda ao cancelamento das matrículas e registros imobiliários efetuados nas terras discriminadas, conforme disposto na Sentença prolatada nos autos nº 30/98 – Ação Discriminatória do Município de São João da Aliança/GO. Como se vê, o cancelamento das matrículas do imóvel somente se deu em 2002. Logo, tal fato não tem o condão de eximir o contribuinte do pagamento do ITR relativo ao exercício 1999. Frisese que o próprio recorrente atesta no recurso que, em 1999, estava na posse do imóvel, posto que ratifica a manutenção de um quantitativo de 298 reses no imóvel. Nestes termos, resta cristalino que o recorrente é o sujeito passivo do ITR, referente ao exercício 1999, devido em relação ao imóvel Fazenda Retentem, nos termos do disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, arts. 1º e 4º, posto que em 01/01/1999, data da ocorrência do fato gerador do ITR, o contribuinte detinha o registro e a posse do imóvel. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 513 8 No mérito, temse que o lançamento, cuida de glosa total da área de reserva legal (1.350,0 ha) e da área utilizada com pastagens (1.188,0 ha) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) em R$ 297.927,00. A glosa da área de reserva legal foi justificada pela autoridade fiscal na falta de apresentação de certidão do Cartório de Registro de Imóveis, que comprovasse a averbação de tal área. No recurso, o contribuinte afirma que para o reconhecimento da isenção, quanto ao ITR, independe de averbação da área de reserva legal, desde que fique comprovada a existência dessa área por meio de laudo técnico ou outras provas documentais. Para o estudo da questão, transcrevese a seguir o art. 16 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art.16.As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Do caput do art. 16, acima transcrito, verificase que os proprietários de imóveis rurais estão autorizados a explorar e suprimir áreas de florestas e outras formas de Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 514 9 vegetação nativa (as quais não sejam consideradas áreas de preservação permanente ou de utilização limitada) desde que se comprometa a manter, a título de reserva legal, parte destas florestas ou vegetações nativas, nos percentuais definidos no mesmo artigo. E este compromisso deve ser firmado mediante averbação da área designada como reserva legal, junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Logo, somente há que se falar em área de reserva legal, depois de sua respectiva formalização, mediante averbação na matrícula do imóvel. No presente caso, o contribuinte não providenciou a averbação da referida área, logo deve ser mantida a glosa da área de reserva legal em sua integralidade. A defesa afirma, ainda, que conforme Laudo Técnico, fls. 190/198, estão comprovadas as áreas de reserva legal (662,06 ha) e de preservação permanente (1.158,95 ha). Nesse aspecto, cumpre dizer que a área de reserva legal declarada pelo contribuinte e integralmente glosada era de 1.350,00 ha e que a área de preservação permanente informada na DITR, fls. 09, era de 462,0 ha, a qual não foi motivo de glosa. No Laudo Técnico, fls. 190/198, o qual está devidamente acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica, fls. 235, o Engenheiro Florestal Tiago Hennemann Pinto, afirma que a área de preservação permanente existente no imóvel é de 1.158,95 ha, fazendo a descrição e a localização da referida área. Considerando, que o contribuinte trouxe aos autos Laudo Técnico, que confirma a existência de área de preservação permanente com dimensão de 1.158,95 ha, restou evidenciado que o recorrente incorreu em erro de fato no preenchimento de sua DITR e em assim sendo, devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de preservação permanente de 1.158,95 ha, posto que incabível lançamento motivado por erro no preenchimento da DITR. No que se refere à área utilizada com pastagens, o contribuinte juntou aos autos Declaração, fls. 267, firmada por Aloísio de Campos Guimarães, que afirma ter utilizado a Fazenda Retentem para manejo de 298 bovinos, durante o período de 1998 e 1999, com base em contrato de arrendamento verbal. Trouxe também, duas Notas Fiscais, fls. 268/269, de aquisição de vacinas de aftosa feitas por Aloísio de Campos Guimarães em 25/05/1998 e 13/11/1998. A área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados, e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona de pecuária, estabelecidos de acordo com o município de localização do imóvel. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural sujeito a índice de lotação, que é o caso do imóvel, dada a sua dimensão, considerase área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária. No caso, o imóvel está situado no município de São João da Aliança/GO, cujo índice de lotação é de 0,25. Logo, o quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho (298) e o índice de lotação alcança o valor de 1.192 ha. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13116.001778/200331 Acórdão n.º 2102003.022 S2C1T2 Fl. 515 10 Devese, portanto, restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área utilizada com pastagens de 1.188,0 ha, conforme declarado pelo contribuinte em sua DITR. No que se refere ao arbitramento do VTN, o contribuinte se manifesta no sentido concordar com o mesmo, sendo relevante destacar que o Laudo Técnico, fls. 190/198, ratifica o valor adotado pela autoridade fiscal. Por fim, devese examinar a alegação da defesa de que as inexatidões eventualmente identificadas, absolutamente destituídas de máfé ou de intenção de fraudar, não justificam a aplicação da multa de ofício de 75%. Nesse ponto, importa dizer que a multa de ofício foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; No caso, a autoridade fiscal verificou que o contribuinte deixou de recolher o ITR devido, sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer a existência de uma área de preservação permanente de 1.158,95 ha e restabelecer a área utilizada com pastagem de 1.188,0 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10166.728965/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26.
Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. RECEITA BRUTA CONHECIDA.
Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, com a utilização dos rendimentos omitidos como receita bruta conhecida.
aa--
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Caracteriza-se sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de omitir informações referentes à receita bruta e de não declarar rendimentos da empresa fiscalizada, não obstante a alta movimentação financeira, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%.
MULTA DE OFÍCIO. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PENALIDADES.
O arbitramento dos lucros não é uma penalidade, mas uma forma de tributação.
Assim, o acréscimo de 20% à base de cálculo do lucro presumido não constitui sanção imposta pelo cometimento de ato ilícito, mas o valor tributável eleito pelo legislador para determinação do lucro arbitrado, na forma do comando do art. 532 do RIR/99.
Desse modo, não há que se falar em cumulação de penalidades decorrente do arbitramento e da aplicação de multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN).
Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário.
A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco.
No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos.
Numero da decisão: 1102-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos argumentos relativos ao arrolamento de bens, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanhou o relator pelas conclusões com relação à matéria MPF, e divergiu com relação à imputação de responsabilidade tributária à pessoa física com base no art. 124, inciso I, do CTN.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE CIÊNCIA DE TODOS OS AUTUADOS. APROVEITAMENTO AOS DEMAIS COOBRIGADOS. Todos os sujeitos passivos devem ser cientificados do acórdão de primeira instância, e intimados a pagar ou a apresentar recurso. No caso, como os responsáveis solidários não foram cientificados da decisão, devese considerar sua ciência a partir da data da apresentação do recurso voluntário, que, para eles, é tempestivo. Como o recurso voluntário apresentado atacava toda a autuação, e não apenas o vínculo de responsabilidade, ele suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais autuados, inclusive ao contribuinte que apresentou seu recurso a destempo. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO PELO FISCO. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, está prevista no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, dispositivo em plena vigência, apto a embasar procedimento fiscal. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil CPC, pois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 89 65 /2 01 2- 73 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 763 2 somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62A do anexo II do RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 2. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. DESNECESSIDADE DE ORDEM JUDICIAL. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. O art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite o acesso à movimentação financeira dos contribuintes diretamente pelas autoridades fiscais da União, sem necessidade de ordem judicial. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. PRAZO EXÍGUO PARA DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O contribuinte teve mais de oito meses desde a primeira intimação relacionada com a matéria até a apresentação da impugnação, prazo mais que suficiente para o seu direito de defesa. Além disso, até esse momento processual, não trouxe novos documentos ou provas para justificar a origem de sua movimentação bancária, o que põe por terra o argumento de que não o fez por falta de tempo. ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre o arrolamento de bens, pois esse procedimento não se relaciona ao processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, e a ele não se aplicam as disposições do PAF. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. ALCANCE. Comprovado nos autos que o contribuinte e as pessoas jurídicas responsabilizadas pertenciam ao mesmo grupo econômico gerido pela pessoa física também responsabilizada, e que as empresas tinham apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação era comum e Fl. 763DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 764 3 conjunta, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco. No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF nº 26. Hipótese em que o Fisco cumpriu todos os requisitos legais e o recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Correto o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, com a utilização dos rendimentos omitidos como receita bruta conhecida. aa Fl. 764DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 765 4 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Caracterizase sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de omitir informações referentes à receita bruta e de não declarar rendimentos da empresa fiscalizada, não obstante a alta movimentação financeira, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE PENALIDADES. O arbitramento dos lucros não é uma penalidade, mas uma forma de tributação. Assim, o acréscimo de 20% à base de cálculo do lucro presumido não constitui sanção imposta pelo cometimento de ato ilícito, mas o valor tributável eleito pelo legislador para determinação do lucro arbitrado, na forma do comando do art. 532 do RIR/99. Desse modo, não há que se falar em cumulação de penalidades decorrente do arbitramento e da aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos argumentos relativos ao arrolamento de bens, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanhou o relator pelas conclusões com relação à matéria “MPF”, e divergiu com relação à imputação de responsabilidade tributária à pessoa física com base no art. 124, inciso I, do CTN. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente Fl. 765DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 766 5 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, bem como Autos de Infração reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que totalizaram R$ 12.136.713,08, incluindo principal, multa de 150% e juros de mora calculados até outubro de 2012 (fls. 2 e 485 a 578). Foi também atribuída responsabilidade solidária às empresas Mais Bairro Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, Mais Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, e Mais Comércio Varejista Atacadista Transportadora Importadora e Exportadora de Produtos Alimentícios Ltda ME, e ao Sr. Wilton Rodrigues do Carmo (fls. 579 a 586). Por bem narrar os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório do acórdão de 1a instância (fls. 647 a 648): De acordo com a descrição dos fatos, que remete ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) anexado às fls. 558/578, integrante dos autos de infração, nos anos calendário fiscalizados a contribuinte apresentou DIPJ com receita zerada em 2008 e não apresentou declaração em 2009, e, tendo em vista que, instada pela fiscalização a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, não o fez, teve o lucro arbitrado para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, na forma do art. 530, inciso III, do RIR/99. A intimação foi formalizada por edital, diante das infrutíferas tentativas de citação pessoal ou por via postal, em razão de a empresa não haver sido localizada no domicílio fiscal informado à RFF. No TVF anteriormente mencionado consta que, devido à impossibilidade de acesso aos documentos e livros contábeis, a fiscalização socorreuse de Requisição de Movimentação Financeira às instituições em que a contribuinte mantinha a titularidade de contascorrentes, e, de posse desses dados, formalizou nova citação por edital, intimando a contribuinte a comprovar a origem dos recursos, não obtendo resposta. Diante desses fatos, com esteio nos arts. 287 e 530, inciso III, do RIR/99, foi arbitrado o lucro da contribuinte, para fins de tributação do IRPJ, a partir da receita omitida representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, com aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos do art. 44, § 1º., da Lei nº. 9.430, de 1996, por entender a fiscalização estar diante de conduta praticada com o Fl. 766DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 767 6 escopo de sonegação. Por repercussão, foram formalizados sobre a mesma omissão de receita os lançamentos de ofício de CSLL, Pis e Cofins. Ao lado da contribuinte, o autor do feito informa no TVF que incluiu no pólo passivo da exigência tributária, como responsáveis solidários, as pessoas jurídicas MAIS BAIRRO COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDAME, MAIS COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDAME e MAIS COMÉRCIO VAREJISTA ATACADISTA TRANSPORTADORA IMPORTADORA E EXPORTADORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA ME, integrantes do grupo econômico da autuada, assim como a pessoa física do controlador do grupo, Sr. WILTON RODRIGUES DO CARMO, em nome dos quais foram formalizados os Termos de Sujeição Passiva Solidária entranhados às fls. 579/584. IMPUGNAÇÃO Cientificados do lançamento, o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram uma única impugnação (fls. 593 a 620), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desse recurso (fls. 648 a 651): a) DAS QUESTÕES PRELIMINARES a.1) DA PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE É preliminarmente destacado que a notificação da autuação ocorreu em 07/11/2012, de modo que o prazo legal de trinta dias para impugnar o feito se esgota em 07/12/2012, e, portanto, a defesa foi protocolizada tempestivamente. a.2) DAS PRELIMINARES DE NULIDADE A emissão da RMF não observou os procedimentos determinados pela legislação, por não existir o ato da Autoridade Fiscal que justifique os “motivos determinantes” da quebra do sigilo bancário, na forma determinada pelo Dec. nº. 3.724, de 2001, art. 4º., § 6º, uma vez que os esclarecimentos prestados no procedimento fiscal não atendem à norma posta. Além dessa deficiência apontada, a quebra do sigilo bancário afronta o princípio constitucional de que é o Poder Judiciário o detentor da competência para essa quebra, mediante solicitação justificada da Autoridade Fiscal. No caso, em vista do disposto no art. 5º, XII, da CF/88, a quebra de sigilo realizada no procedimento, por meio de RMF, sem a devida autorização judicial, padece de vício legal que nulifica integralmente o feito fiscal. Adicionalmente, os prazos concedidos nas notificações para esclarecer a movimentação bancária são insuficientes para a utilização do pleno exercício de defesa, dada a grande quantidade de operações. No que tange ao MPF, é argumentado que este não foi devidamente notificado à contribuinte em suas emissões e prorrogações. a.3) DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DAS PESSOAS JURÍDICAS SOLIDÁRIAS Fl. 767DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 768 7 É contestada a inserção das empresas controladas pelo Sr. WILTON RODRIGUES DO CARMO no pólo passivo da obrigação, como responsáveis solidárias, alegando não haver amparo legal para essa espécie de imputação, eis que o grupo econômico não está identificado em nenhuma lei, muito menos no art. 124 do CTN, como pessoa à qual se poderia atribuir responsabilidade solidária, além do que cabe apenas à lei definir quais as são as pessoas expressamente designadas como solidárias, conforme definição do art. 128 do mesmo CTN. Frisa a defesa que esta questão ficou clara quando foi objeto de julgamento pelo STF, no RE nº 562.276, que concluiu ser impossível a responsabilidade de outra pessoa jurídica pela dívida da devedora principal, sem expressa previsão legal. Acrescenta que para viabilizar essa medida, era necessário que a lei identificasse nominalmente quem seriam esses responsáveis, como faz nos arts. 134 e 135 do CTN. Portanto, a generalização do art. 124 não é destinada a alcançar grupo econômico, como pretendido no procedimento fiscal impugnado, que se apóia em ações judiciais de natureza comercial ou trabalhista, em que não houve a desconsideração da personalidade jurídica da autuada, e não podem ser aplicadas ao âmbito tributário, regido por normas que lhe são próprias e submetido à estrita legalidade. a.4) DO ARROLAMENTO DE BENS DE TERCEIROS À falta de amparo legal para responsabilização de terceiros como solidários, conforme anteriormente exposto, conseqüentemente também não há amparo para o arrolamento de bens das pessoas consideradas solidárias, além do que foram arrolados bens de família, que pela lei são impenhoráveis ou não podem sofrer quaisquer restrições patrimoniais, em razão de proteção legal. a.5) DAS CONSIDERAÇÕES DE WILTON RODRIGUES DO CARMO O relatório fiscal aponta que o Sr. WILTON RODRIGUES DO CARMO seria responsável pela dívida fiscal, em razão do disposto no art. 135, III, do CTN, cuja redação reproduz; entretanto não existe previsão legal para o enquadramento na norma posta de pessoas que não constam do contrato ou estatutos sociais, e, no caso, o referido senhor não faz parte do contrato social, daí porque não pode ser exigido por não fazer parte de tal documento. Em relação à acusação de que teria interesse comum em razão do grupo econômico, na forma do art. 124 do CTN, recorda os fundamentos do item anterior, que abordou a falta de previsão legal para responsabilidade desses grupos e respectivos sócios. a.6) DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS SÓCIOS Com a afirmação de que o procedimento fiscal aponta também os sócios como solidários passivamente pelas obrigações, é ressalvado que o Fisco não se desincumbiu da prova efetiva dessa responsabilidade, porque é necessário que fiquem bem descritas as condutas dos agentes, como aliás, ocorre no Direito Penal na imputação de responsabilidade, pois o art. 135 do CTN dispõe sobre infração à lei ou contrato. b) DAS QUESTÕES DE MÉRITO b.1) DO ARBITRAMENTO Fl. 768DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 769 8 É enfocado que não se vislumbra o cumprimento de todos os requisitos exigidos para o lançamento por arbitramento, razão porque o mesmo é integralmente impugnado, visto que a lei estipulou várias condições formais para a quebra do sigilo bancário por meio da RMF, condições essas necessárias para dar eficácia e validade ao ato da administração, em razão de seus termos de norma vinculante. Com este argumento, conclui o texto impugnativo que o ato de arbitramento está viciado pela RMF. b.2) DA TRIBUTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS Ainda que se diga que com o advento do art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, estaria revogada a legislação e a jurisprudência anterior, o conceito de renda do art. 43 do CTN continua o mesmo, bem como as regras tributárias da Constituição Federal em relação ao imposto de renda, de forma que depósito bancário continua não sendo renda e a presunção da não justificativa pelo contribuinte continua frágil, pois a verdade real, em Direito Tributário, sobrepõese às formas e às ficções jurídicas, pois estas podem ser destruídas a qualquer tempo, porque nunca são absolutas. Certamente a matéria da quebra do sigilo, assim como a transformação presuntiva de depósitos bancários em renda, chegará à Suprema Corte do País para a palavra final e, no caso, a matéria ficará melhor delineada. Diante da verdade real, essa forma de procedimento fiscal não encontra amparo em nossas leis e na jurisprudência administrativa e judicial, por contrariar o conceito de renda do art. 43 do CTN, além do que a ilegitimidade dessa espécie de autuação ficou consagrada na Súmula 182 do TFR e em julgados do Conselho de Contribuintes. Além de não poder derrogar dispositivo de Lei Complementar, como é o CTN, a Lei nº. 9.430, de 1996, transforma a arrecadação em punição, o que é vedado pelo art. 150, IV, da CF/88 e pelo art. 3º. do próprio CTN. Ressalta ainda que o Fisco, ao tipificar o fato gerador como “omissão de receita”, não pode valerse de mera presunção iuris, mas de “prova efetiva” e cabal dos elementos que configurariam referida omissão. b.3) DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO SER RECEITA Como argumento adicional, acrescenta que o lançamento baseado em depósito bancário é tão desprovido de sustentação que o Dec. nº. 2.471, de 1988, em seu art.9º. determinou o cancelamento de todos os créditos fiscais constituídos em base nesse fato. Além deste Decreto e da Súmula 182 do TFR, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, expressa em diversos acórdãos, também é peremptória em anular essa irregularidade fiscal. b.4) DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Para proceder ao lançamento, o Fisco se valeu do recurso da RMF, quebrando o sigilo da contribuinte, utilizando uma legislação que, por si, só, se encontra eivada de vícios de ilegalidade, por afrontar princípios de nossa ordem jurídica, a começar pelo art. 6º da LC nº. 105, de 2001, que padece do vício de inconstitucionalidade, por violar sigilo protegido pela fundamental, pois somente o Poder Judiciário está autorizado a assim proceder, conforme dispõe o art. 5º., XIII, da CF/88. Os dados obtidos com a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem amparo em ordem judicial, constituem prova ilícita, nula de pleno direito, conforme Fl. 769DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 770 9 entendimento jurisprudencial, e, dessa forma, não tem qualquer valor probante em nosso direito, não podendo servir de base para arrecadação fiscal, conforme rezam o art. 332 do CPC e o art. 5º., LVI, da CF/88. b.5) DA MULTA AGRAVADA DE 150% O arbitramento em si é um procedimento agravado em 20% sobre a base de cálculo normal, constituindose, pois, em uma penalidade justificada pela ausência de elementos para o lançamento fiscal. Assim, o agravamento da multa pelo mesmo motivo é um bis in idem punitivo penal que não pode prevalecer, pois o direito não ampara duas punições pelo mesmo fato. Ainda mais, no caso, a contribuinte não criou qualquer obstáculo ao trabalho fiscal, mas apenas necessitava de prazo para apresentar seus livros, que estavam em fase de regularização, além do que a multa no percentual aplicado, superior ao valor do tributo, é excessiva e tem efeitos confiscatórios, desrespeitando o art. 150, IV, da CF/88. A jurisprudência veda tal procedimento, em decisões judiciais expressas em diversos Acórdãos. b.6) DA IMPUGNAÇÃO DOS DADOS E ELEMENTOS AUTUADOS São contestados integralmente os valores utilizados no lançamento, assim como os demonstrativos e relatórios anexados a ele, sob a alegação de que não há demonstração das transferências entre pessoas jurídicas, de estorno ou de cheques devolvidos, apresentando várias inconsistências, e, também, por não atendimento da legislação fiscal. b.7) DO PEDIDO A petição encerra confirmando que estão sendo impugnados integralmente o procedimento fiscal e os levantamentos e dados nele consignados, bem como os documentos e relatórios a ele juntados, protestando pelo aditamento da impugnação e pela juntada de outros esclarecimentos ou documentos adicionais para o deslinde da questão. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 645 a 663): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEIS. IMPUGNAÇÃO CONJUNTA. TEMPESTIVIDADE. Apresentando conjuntamente o contribuinte e os responsáveis solidários uma impugnação contestando indistintamente todos os itens da autuação, os argumentos trazidos tempestivamente pelos responsáveis aproveitam ao contribuinte, ainda que, em relação a este, a impugnação se apresente intempestiva, dada a impossibilidade de segregar as matérias contestadas. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. EMISSÃO. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 771 10 Não tendo o sujeito passivo atendido à intimação para apresentar os extratos de sua movimentação financeira, é cabível à autoridade tributária providenciar a emissão de RMF, visando obter essas informações diretamente das instituições bancárias. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, aos órgãos judicantes administrativos é vedada a apreciação de argüições contra inconstitucionalidade de lei. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS. PRAZO. Ao rigor da lei, a intimação para prestação de informações e documentos sobre fatos que devam estar registrados na escrituração do contribuinte deve ser atendida no prazo de cinco dias úteis. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO E PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA. Nos termos do ato administrativo que rege a matéria, a notificação do MPF e suas alterações considerase feita ao serem esses instrumentos disponibilizados na internet, na página da RFB. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOAS JURÍDICAS SOLIDÁRIAS. A inserção de outras pessoas jurídicas no pólo passivo da obrigação, como responsáveis solidárias, com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN, independe de norma legal específica que autorize essa sujeição, por decorrer de mandamento emanado da própria legislação codificada. ARROLAMENTO DE BENS. Eventuais reclamos sobre o arrolamento de bens constituem alheia ao processo de constituição e exigência do crédito tributário, não competindo à DRJ emitir juízo a respeito. RESPONSABILIDADE PESSOAL. NÃO INTEGRANTE DO QUADRO SOCIETÁRIO. A responsabilidade pessoal de que trata o art. 135, III, do CTN, alcança os gerentes, diretores ou representantes legais das sociedades comerciais, independentemente de sua condição de integrante do quadro societário da empresa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. A partir do advento da Lei nº. 9.430, de 1996, art. 42, os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita, tornando obsoleta toda a jurisprudência administrativa ou judicial emitida anteriormente à vigência da precitada lei. ARBITRAMENTO DO LUCRO. BASE DE CÁLCULO. DESCARACTERIZAÇÃO DE PENALIDADE. A base de cálculo do lucro arbitrado, ainda que contenham o acréscimo de 20% definido legalmente sobre o valor tributável do lucro presumido, não Fl. 771DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 772 11 constitui penalidade, em razão de ser o arbitramento uma forma de tributação autorizada por lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AGRAVAMENTO. A qualificação da multa de ofício, diante de conduta que constitui sonegação, não se confunde com o agravamento da penalidade aplicável pelo não atendimento de intimação fiscal. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase o decidido em relação ao IRPJ em relação às contribuições sociais exigidas a partir da mesma matéria fática da exigência principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) apesar de se constatar que a impugnação do contribuinte foi intempestiva, como os responsáveis solidários recorreram dentro do prazo legal em documento assinado conjuntamente por todas as partes incluídas no pólo passivo, documento esse que questionava toda a autuação, acolheuse o recurso em todos os seus fundamentos, aproveitandose a tempestividade do petitório dos responsáveis ao contribuinte; b) rejeitouse a preliminar de nulidade por inexistência de relatório com a justificativa dos “motivos determinantes” da sua emissão, pois o Termo de Verificação Fiscal deixa claro que o motivo determinante para a emissão da RMF foi a impossibilidade de localizar o contribuinte e assim obter os extratos diretamente com ele; c) rejeitouse a preliminar de nulidade por impossibilidade da quebra do sigilo bancário pela Autoridade Fiscal, pois essa prerrogativa decorre de lei, e arguições de inconstitucionalidade constituem matéria cuja discussão não pode ser enfrentada pelos órgãos de jurisdição administrativa, como é também reconhecido pela Súmula CARF nº. 2; d) rejeitouse a preliminar de nulidade pelo tempo concedido para esclarecer a movimentação bancária ter sido insuficiente para o pleno exercício do direito de defesa, pois o prazo legal para o atendimento é de cinco dias úteis, e porque, na prática, a empresa teve mais de oito meses desde a primeira intimação relacionada com a matéria até a apresentação da impugnação; e) rejeitouse a preliminar de nulidade por falta de notificação da emissão e das prorrogações do MPF, pois, nos termos da Portaria RFB nº. 11.371, de 2007, art. 4º, parágrafo único, o MPF é emitido exclusivamente em forma eletrônica e a ciência do sujeito passivo, de sua emissão e prorrogações, darseá por intermédio da internet, no endereço eletrônico da RFB, com a utilização do código de acesso fornecido no termo que formalizar o início do procedimento; f) mantevese a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas consideradas como coobrigadas do crédito tributário lançado, por se entender que o art. 124, inciso I, do CTN, permite a atribuição da responsabilidade a pessoas com interesse comum na situação que Fl. 772DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 773 12 constituiu o fato gerador da obrigação principal, mesmo sem previsão expressa da lei, e por se considerar comprovado que as operações de todas as empresas estavam de tal forma entrelaçadas com o autuado, sendo todas controladas pelo Sr. Wilton Rodrigues do Carmo, que desse elo resulta uma situação de interesse comum; g) não se conheceu das alegações referentes ao arrolamento de bens de terceiros, por se entender que tal procedimento não está relacionado à constituição e exigência do crédito tributário, devendo ser questionado junto ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, em requerimento próprio, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº. 1171, de 2011, seguindo o rito processual instituído pela Lei nº. 9.784, de 1999; h) mantevese a responsabilidade do Sr. Wilton Rodrigues do Carmo, por ter se demonstrado ser ele o administrador de fato do contribuinte, com base nos arts. 124, I e 135, III, do CTN, afirmandose que o último dispositivo se aplica ao gestor de fato, independentemente de este integrar o contrato social da empresa; i) não se apreciou a contestação a respeito da ilegitimidade passiva dos sócios, pois não foram incluídos, no pólo passivo, outras pessoas que não a pessoa física do Sr. Wilton Rodrigues do Carmo e as pessoas jurídicas das empresas por ele geridas; j) não se admitiu o argumento de que o ato de arbitramento estaria viciado por não ter se respeitado os diversos requisitos para a emissão RMF, pois já se considerou que a RMF foi emitida nos estritos ditames da legislação de regência da matéria; k) considerouse correta a tributação de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada com base no art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996,, afastandose os argumentos de que movimentação bancária não é receita nos termos da Súmula 182 do TFR e de julgados do Conselho de Contribuintes, porque estes se referiam à legislação pretérita; l) não existe cumulação da penalidade de 20% do arbitramento com a multa de 150%, pois o arbitramento em si não configura penalidade, mas uma forma de tributação preconizada em lei; m) a multa foi qualificada não pela falta de atendimento a intimação para apresentar livros e documentos, como insinuam os impugnantes, mas por entender a Fiscalização estar diante de conduta praticada com o escopo de sonegação, o que não é expressamente contestado pelos requerentes, configurando, desse modo, matéria não impugnada; n) não se admitiu a contestação geral dos valores utilizados no lançamento, assim como dos demonstrativos e relatórios anexados a ele, sob o pretexto de que não haveria demonstração das transferências entre pessoas jurídicas, de estorno ou de cheques devolvidos, apresentando várias inconsistências, e, também, por não atendimento da legislação fiscal, pois caberia aos impugnantes identificar os valores contra os quais discordam e apresentar os documentos probatórios que embasassem essa eventual discordância. Isto porque o Dec. nº. 70.235, de 1972, em seu art. 16, inciso III, não admite a formulação de argumentações genéricas na impugnação, sob a forma de negação geral, exigindo pormenorização dos itens impugnados e exibição das provas em que se baseia a objeção, quando se tratar de matéria de fato; Fl. 773DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 774 13 o) indeferiuse o protesto pelo aditamento da impugnação e juntada de outros esclarecimentos ou documentos adicionais para o deslinde da questão, por falta de previsão legal. RECURSO VOLUNTÁRIO No processo, consta apenas a ciência do contribuinte por edital, em 2/7/2013 (fl. 683). Em 30/10/2013, o contribuinte e todos os responsáveis solidários apresentaram um único recurso voluntário (fls. 716 a 755). Os recorrentes iniciam defendendo a tempestividade do recurso, alegando terem tomado ciência do julgamento apenas em 21/10/2013. Acrescentam que a intimação do resultado do julgamento é nula porque: a) o AR retornou alegando que o contribuinte havia se mudado, e não foram feitas quaisquer outras diligências; b) os responsáveis solidários não foram intimados do recurso voluntário, não tendo, assim, ainda se iniciado o prazo para recurso nos termos do art. 241, inciso III, do CPC; c) o STJ exige a intimação pessoal, onde, mesmo nos casos de intimação via correio, devese pegar a assinatura pessoal do intimado, e o art. 23, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, também prevê a intimação pessoal. Em seguida, contestam as seguintes conclusões da decisão recorrida: a) apesar de a DRJ ter apreciado a impugnação, equivocadamente afirmou que a peça do contribuinte era intempestiva, pois a DRF certificou que o recurso foi protocolado tempestivamente na fl. 593; b) não foi correto o entendimento de não apreciar o sigilo bancário, pois a Lei Complementar nº 105, de 2001, está em discussão no STJ com o reconhecimento de repercussão geral, especialmente na pendência de recursos previstos na Lei n° 12.844, de 2013, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF, uma vez que o exame é uma decorrência natural e obrigação direta da referida previsão legal que manda a autoridade administrativa fiscal observar as decisões e os recursos interpostos nas condições determinadas, estando, portanto, a atividade administrativa fiscal a ela vinculada, na forma da lei; c) o arrolamento dos bens dos responsáveis tributáveis é consequência direta das ilegalidades do lançamento, e deve ser discutido no julgamento administrativo. Passam, então, a repetir os argumentos da impugnação, em especial: a) a inconstitucionalidade do art. 6o da a Lei Complementar nº 105, de 2001, face ao art. 5o, inciso XII, da Constituição Federal; Fl. 774DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 775 14 b) nulidade do lançamento porque (i) a RMF não observou os procedimentos determinados pela legislação, pois não existe o ato da Autoridade Fiscal em que justifique os “motivos determinantes” da solicitação das informações pela quebra do sigilo bancário, na forma determinada no Decreto n° 3.724, de 2001; (ii) as notificações e prazos para os esclarecimentos da movimentação bancária fornecidas no procedimento fiscal, decorrente de grande quantidade de operações bancárias, são insuficientes para a utilização do pleno exercício de defesa; (iii) o MPF não foi devidamente notificado ao contribuinte em suas emissões e prorrogações; c) A quebra do sigilo bancário nos termos da Lei Complementar nº 105, de 2001, sem autorização judicial, padece de vício legal, pois a lei se encontra em discussão no STF; d) ilegitimidade passiva das pessoas solidárias, responsabilizadas sob o pretexto de pertencerem ao mesmo grupo econômico, pois só a lei pode determinar quem tem interesse comum no fato gerador, nos termos do art. 124, I, do CTN, que deve ser interpetado em conjunto com o art. 128 do Código, e porque o Fisco não está autorizado a desconsiderar as pessoas jurídicas ou situações jurídicas constituídas, pois o art. 116 do CTN ainda não foi regulamentado; e) o arrolamento dos bens dos coobrigados é ilegal, por falta de amparo legal para a responsabilização de terceiros como solidários. Além disso, foram arrolados bens de família que, pela lei, são impenhoráveis ou que não podem sofrer quaisquer restrições patrimoniais, em razão de proteção legal; f) não é possível responsabilizar o Sr. Wilton Rodrigues do Carmo pela dívida fiscal nos termos do art. 135, III, do CTN, pois não existe previsão legal para o enquadramento no referido preceito de pessoas que não constam do contrato ou estatutos sociais; g) ilegitimidade passiva dos sócios, por falta de prova efetiva dessa responsabilidade; h) não cumprimento dos requisitos para o arbitramento, por vício na requisição do RMF; i) impossibilidade de tributação de extratos bancários, nos termos da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e de jurisprudência do Conselho de Contribuintes; j) movimentação bancária não é receita; k) impossibilidade de cumular a penalidade de 20% sobre a base de cálculo normal, decorrente do arbitramento, com a multa de ofício; l) impossibilidade de qualificação da multa porque o contribuinte não criou qualquer obstáculo ao trabalho fiscal, mas apenas necessitava de prazo para apresentar os seus livros que estavam em fase de regularização e não teve tempo adequado para apresentar à fiscalização; m) a multa é confiscatória, por ser superior ao valor do tributo (100%); Fl. 775DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 776 15 n) impugnação integral dos valores utilizados no lançamento fiscal, bem como dos demonstrativos e relatórios anexos a ele, em razão de que não há demonstração das transferências entre pessoas jurídicas, ou de estorno, ou de cheques devolvidos, ou seja, apresentando diversas inconsistências e, também pelo não atendimento da legislação fiscal. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em maio de 2014, numerado digitalmente até a fl. 761. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator 1 CONHECIMENTO DO RECURSO Tratase de lançamento contra o contribuinte Alimentos Marcidor Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, e três pessoas jurídicas e uma física responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário lançado por terem interesse comum na ocorrência do fato gerador e, para a pessoa física, também por ter sido considerada sócia de fato. Assim, todos os sujeitos passivos deveriam ter sido cientificados do acórdão de primeira instância e intimados a pagar ou a apresentar recurso. Contudo, apenas consta nos autos ciência da decisão a quo para o contribuinte (fl. 683). Observese que a Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, determina que todos os autuados devem ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação, entendimento que deve ser estendido para a ciência do resultado do julgamento. Contudo, o prazo para a apresentação de recurso voluntário corre independentemente para cada sujeito passivo, a partir da data de sua ciência. Desse modo, para o contribuinte, cientificado por edital em 2/7/2013, não há dúvidas de que o recurso voluntário apresentado em 30/10/2013 é intempestivo, não prevalecendo os argumentos de que seriam necessárias novas diligências após o retorno do Aviso de Recebimento – AR da correspondência, ou da necessidade de intimação pessoal, pois a Súmula CARF nº 9 determina que “é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Contudo, como os responsáveis tributários não foram intimados, devese considerar sua ciência a partir da data da apresentação do recurso voluntário, que, para eles, é tempestivo. Assim, ainda se utilizando do paralelismo como as determinações do art. 7o da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, o recurso voluntário tempestivo apresentado por um dos Fl. 776DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 777 16 autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais, em especial porque os responsáveis atacaram toda a autuação, e não apenas o vínculo de responsabilidade. Dessa forma, não se deve declarar a perempção com relação ao sujeito passivo que recorreu a destempo, considerandose o recurso como tempestivo para todos os autuados. Como o apelo também atende às demais condições de admissibilidade, merece ser conhecido. 2 – NULIDADES DO LANÇAMENTO 2.1 – Nulidade da Quebra do Sigilo Bancário pelo Fisco O recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, nos termos do art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, pois tal dispositivo seria inconstitucional. Afirma que tal procedimento também é ilegal, pois a lei se encontra em discussão no Supremo Tribunal Federal – STF. Inicio com a transcrição do dispositivo legal. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este CARF competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Tal conclusão não se altera pelo fato de a matéria estar em discussão no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil – CPC. Isso porque apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como determinado pelo art. 62 A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Acrescentese que a Portaria GMF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do anexo II do RICARF, acabando Fl. 777DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 778 17 assim com a possibilidade de sobrestamento de julgamentos no CARF até a decisão definitiva do STF. Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. 2.2 – Nulidades da RMF O recorrente defende a nulidade do lançamento por irregularidades das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMFs, que teriam sido expedidas em desacordo com as exigências da legislação de regência. O acesso a informações financeiras do contribuinte pelo Fisco está previsto no art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, já transcrito na seção anterior. Esse artigo foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que determinou que a requisição às instituições financeiras deveria ser formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos seguintes termos: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3º O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. § 4º As informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 1º, inclusive por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários, bem assim de cotejo com outras informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 779 18 § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. § 7º Na RMF deverão constar, no mínimo, o seguinte: I nome ou razão social do sujeito passivo, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ; II número de identificação do MPF a que se vincular; III as informações requisitadas e o período a que se refere a requisição; IV nome, matrícula e assinatura da autoridade que a expediu; V nome, matrícula e endereço funcional dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; VI forma de apresentação das informações (em papel ou em meio magnético); VII prazo para entrega das informações, na forma da legislação aplicável; VIII endereço para entrega das informações; IX código de acesso à Internet que permitirá à instituição requisitada identificar a RMF. § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. A irregularidade apontada pela defesa seria a falta de apresentação dos motivos determinantes para a emissão do documento, previsto no § 6º do artigo acima transcrito, que deveriam ser apresentados antes da emissão da RMF, e não no lançamento. Sem razão o recorrente. A legislação de regência de fato exige a emissão de relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato, onde deve constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista na legislação, observado o princípio da razoabilidade (§§5o e 6o acima transcritos). Fl. 779DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 780 19 Mas tratase de procedimento interno para a emissão da RMF, sem o qual não poderá a autoridade competente emitir o documento, sob pena de responsabilidade funcional. Emitida a RMF, presumese a indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos do §8o acima transcrito. A análise dos termos da Portaria SRF nº 180, de 1 de fevereiro de 2001, que regulamenta a expedição de RMF, confirma não ser necessária a inclusão do relatório circunstanciado no processo. Isso porque, apesar de, em seu art. 5o, constar a obrigatoriedade do relatório circunstanciado como requisito para a solicitação da expedição da RMF, o seu art. 10 obriga que façam parte do processo administrativo apenas as requisições, as intimações e os termos de restituição ou destruição de documentos não utilizados e dos arquivos magnéticos recebidos. Em outras palavras, o relatório circunstanciado deve existir como requisito para que se solicite a requisição às instituições financeiras, mas não precisa constar do processo administrativo do lançamento, sendo que a simples emissão da RMF pressupõe sua existência. Foi esse o entendimento dos acórdãos cujas ementas estão abaixo transcritas: REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. O relatório de que trata o Decreto n° 3.724, de 2001, destinase a convencer a autoridade administrativa competente da necessidade de emissão da RMF Requisição de Movimentação Financeira e não é a sua ausência que determina a ilegalidade da prova. As informações requeridas nas RMF devem integrar o processo administrativo fiscal instaurado, se for útil à prova do lançamento de ofício. (Acórdão nº 120200.434, 1a Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 11 de novembro de 2010, relatora Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta) REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA Constatado que o motivo esposado em Termo integrante da peça acusatória autoriza, nos termos da norma reguladora do procedimento, o acesso à movimentação financeira, descabe falar em nulidade do lançamento em razão de inobservância de requisito legal. (Acórdão nº 130100.126, 1a Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 17 de junho de 2009, relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ALCANCE. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n°3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela Fl. 780DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 781 20 expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. (Acórdão nº 220200.241, 2a Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 20 de agosto de 2009, relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga) A outra irregularidade apontada na RMF seria a sua emissão sem ordem judicial, o que não é correto, pois o art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite o acesso à movimentação financeira dos contribuintes diretamente pelas autoridades fiscais da União, e está em plena vigência, como já discutido na seção anterior. 2.3 – Nulidade do MPF O recorrente também defende a nulidade do lançamento devido à falta de notificação das emissões e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Contudo, nos termos do art. 4° da Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, o MPF é emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, e sua ciência se dá no sítio da RFB na Internet, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Já a prorrogação do prazo, segundo o art. 12 dessa mesma Portaria, poderá ser efetuada pela autoridade emitente tantas vezes quantas necessárias. Observese que o Termo de Início de Fiscalização cumpriu a determinação acima citada, pois informou o modo de consulta ao MPF e declinou o número do código de acesso (fl. 6), não havendo qualquer irregularidade no procedimento adotado. Ademais, devo registrar que é o entendimento majoritário desta Turma, apesar de não unânime, de que o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. Como exemplo, cito o Acórdão nº 1102000.911, julgado na sessão de 7 de agosto de 2013, de relatoria do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. No mesmo sentido, transcrevo ementa de decisão unânime da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101001.457, proferida na sessão de 15 de agosto de 2012, tendo por relator o Conselheiro Valmir Sandri: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 782 21 2.4 – Nulidade por Insuficiência de Prazo O recorrente também entende que os prazos concedidos para os esclarecimentos da movimentação bancária fornecidos no procedimento fiscal são insuficientes para a utilização do pleno exercício de defesa, devido à grande quantidade de operações, o que acarretaria a nulidade da autuação. Para esse tópico recursal, confirmase o entendimento da decisão recorrida de que a empresa teve mais de oito meses desde a primeira intimação relacionada com a matéria até a apresentação da impugnação, prazo mais que suficiente para o seu direito de defesa. Além disso, até esse momento processual, o contribuinte não trouxe novos documentos ou provas para justificar a origem de sua movimentação bancária, o que põe por terra o argumento de que não o fez por falta de tempo. Dessa forma, rejeito os argumentos de nulidade do lançamento. 3 – ARROLAMENTO DE BENS O contribuinte se insurge contra o arrolamento de bens dos responsáveis solidários e de bens de família. A decisão recorrida não conheceu dos argumentos, por entender que tal procedimento não está relacionado à constituição e exigência do crédito tributário, devendo ser questionado junto ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, em requerimento próprio, nos termos do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº. 1.171, de 7 de julho de 2011, seguindo o rito processual instituído pela Lei nº. 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No voluntário, o recorrente defende que o arrolamento dos bens dos responsáveis tributáveis é consequência direta das ilegalidades do lançamento, e deve ser discutido no julgamento administrativo. Contudo, correto o entendimento do julgado de 1a instância de que o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, não se aplica ao procedimento de arrolamento, pois este não se relaciona ao processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. Dessa forma, a matéria não está na competência do CARF, devendo sua contestação ser dirigida ao titular da unidade de origem. É esse o entendimento de diversos julgados do CARF, como demonstram as ementas abaixo transcritas. ARROLAMENTO DE BENS. Questões relativas a arrolamento de bens, de que trata o art. 64 da Lei n 9.532/97, não são da competência do CARF, e devem ser dirigidas ao Titular da Delegacia da Unidade de origem, razão pela qual essa matéria não deve ser conhecida. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 783 22 (Acórdão nº 1102000.804, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 2 de outubro de 2012, Conselheira Albertina Silva Santos de Lima) ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal. (Acórdão nº 1301001.229 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 12 de junho de 2013, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães) Dessa forma, não conheço da matéria. 4 – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 4.1 – Responsabilidade por interesse comum – art. 124, I, do CTN A Fiscalização atribuiu responsabilidade solidária às empresas Mais Bairro Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, Mais Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, e Mais Comércio Varejista Atacadista Transportadora Importadora e Exportadora de Produtos Alimentícios Ltda ME, e à pessoa física do Sr. Wilton Rodrigues do Carmo, por considerar demonstrado o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. A autoridade fiscal buscou demonstrar, na seção 4 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 559 a 571), que o contribuinte e as pessoas jurídicas responsabilizadas pertenciam ao mesmo grupo econômico gerido pelo Sr. Wilton, e que as empresas tinham apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação era comum e conjunta. Tal conclusão se baseou nos seguintes fatos: a) apesar de o Sr. Wilton constar formalmente apenas como sócio das empresas coobrigadas, ele representou os sócios de direito da empresa fiscalizada em diversas alterações contratuais; b) o atual sócioadministrador do contribuinte, o Sr. Edson Felipe Ferreira, declarou em depoimento à Justiça que trabalhava na área administrativa da empresa; c) o Sr. Wilton tinha poderes para gerir as contascorrentes da empresa nos bancos do Brasil, Bradesco e Itaú; d) o nome original do recorrente era WRC Comércio de Produtos Alimentícios Ltda ME, sendo que WRC são as iniciais do Sr. Wilton Rodrigues do Carmo; Fl. 783DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 784 23 e) o contribuinte e uma das responsáveis solidárias tinham o mesmo nome de fantasia, Shopping do Panificador, e se situavam no mesmo endereço; f) filiais da empresa fiscalizada cederam o endereço para filiais de duas das responsáveis solidárias; g) em decisão judicial no Processo n° 2007.09.1.0181372, da 1a Vara Cível de Samambaia, o Sr. Wilton foi reconhecido como representante de fato do contribuinte, que faria parte do grupo Mais Atacadista; h) em sentença no Processo n° 010560008.2007.5.10.0019, da 19a Vara do Trabalho de Brasília, o contribuinte e as pessoas jurídicas coobrigadas reconhecem que integram o mesmo grupo econômico para todos os fins de Direito, sendo controlados pelo Sr. Wilton; i) nos extratos bancários do contribuinte, existem várias transferências entre as empresas do grupo econômico Mais Atacadista. O recorrente não contesta esses fatos que, no meu entender, comprovam, de forma inconteste, o intrínseco interesse comum no crédito tributário lançado, que em tudo recomenda a responsabilização solidária dos sujeitos passivos indicados. Recordese que o estabelecimento do contribuinte estava fechado desde o início da fiscalização, que endereços das filiais do sujeito passivo haviam sido transferidos para outras empresas do grupo, e que a pessoa jurídica fiscalizada estava formalizada em nome de interpostas pessoas, o que demonstra o intuito de se deixar a expressiva dívida tributária sem possibilidade de cobrança. Nessa situação, é evidente o interesse da Fazenda Nacional em trazer para a lide os beneficiários do esquema com patrimônio suficiente para satisfazer o crédito tributário lançado. O recorrente apenas se insurge com questões de direito, afirmando que o art. 124, inciso I, do CTN não possibilita a responsabilização de empresas por pertencerem ao mesmo grupo econômico; que só a lei pode determinar quem tem interesse comum no fato gerador, e assim o art. 124 deve ser interpretado em conjunto com o art. 128 do Código; e que o Fisco não está autorizado a desconsiderar as pessoas jurídicas ou situações jurídicas constituídas, pois o art. 116 do CTN ainda não foi regulamentado. Nada mais incorreto. O art. 124, inciso I, do CTN determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Demonstrado o interesse comum, surge de imediato a solidariedade. O art. 128 do CTN, por sua vez, permite que a lei atribua a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, desde que vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, independentemente do interesse comum. Na interpretação da defesa, o art. 124 não Fl. 784DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 785 24 teria qualquer utilidade, pois seu conteúdo deveria ser interpretado com o art. 128, o que entendo ser incorreto. Do mesmo modo, não houve aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, pois não se desconsiderou atos ou negócios jurídicos, mas apenas se responsabilizou terceiros pelo crédito tributário lançado. Pela excelência dos argumentos, transcrevo excerto do voto do Acórdão nº 1102001.120, desta Turma Julgadora, prolatado na sessão de 3/6/2014, da lavra do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé: Antes de entrar na análise dos fatos, devese, preliminarmente, destacar a competência dos Auditores Fiscais para identificar, já no curso do procedimento administrativo, os responsáveis pelo crédito tributário, tendo em vista o quanto disposto no art. 142 do CTN. Este dispositivo expressamente determina que, no lançamento, a autoridade fiscal deve identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. E o sujeito passivo, nos termos do art. 121 do mesmo diploma legal, engloba tanto o contribuinte quanto o responsável. Já os seus artigos 128 a 137 expressamente elencam diversas hipóteses de atribuição de responsabilidade tributária. A mais abalizada doutrina, com espeque nos ensinamentos de Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto do próprio CTN, tem entendido que a responsabilidade tratada nestes artigos se caracteriza como “sujeição passiva indireta derivada ou por transferência”, ao passo que a responsabilidade tratada no art. 121 seria a “sujeição passiva direta ou originária.” Temse, portanto, que as diversas formas de “responsabilidade tributária” estão sempre situadas dentro do polo passivo da obrigação. Por sua vez, o art. 124 do CTN dispõe que: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” O referido artigo declara peremptoriamente a possibilidade de multiplicidade de sujeitos passivos no lançamento tributário, sendo de se destacar que, nesta hipótese, alguns podem constar na condição de contribuintes, e outros na condição de responsáveis. Ademais, na análise da legislação, não há qualquer espaço para se entender que pessoas físicas não possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos pela pessoa jurídica, ou de que pessoas situadas em posições contrapostas no negócio jurídico (comprador e vendedor, por exemplo) não possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos apenas por uma delas. O dispositivo não contém esta restrição, e permite outras interpretações. Entendo que o fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. Em outras Fl. 785DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 786 25 palavras, o “interesse comum” a que alude o art. 124 do CTN pode ser entendido como sendo o interesse econômico, ou seja, o interesse em lograr proveito próprio daqueles atos. Entretanto, para que não se caia no absurdo de responsabilizar sempre, e indiscriminadamente, todos os sócios de uma pessoa jurídica, ante o fato de que, intuitivamente, os sócios sempre possuem interesse econômico nas operações realizadas pelas empresas que administram, há que se fazer certa construção jurisprudencial, da mesma forma como também tem sido feita quando da análise do art. 135 do CTN, que mais adiante será comentada. Neste sentido, devese afastar a responsabilização solidária de terceiros quando se tratar tão somente do interesse indireto e mediato que todos os sócios de direito por princípio têm nos resultados econômicos advindos de pessoa jurídica regularmente constituída. Por outro lado, em hipóteses em que demonstrado, por exemplo, o auferimento direto de proveito econômico oriundo de atos praticados com evidente intuito de fraude ou sonegação, a confusão patrimonial, a administração de fato de empreendimento mantido em nome de sócios de direito caracterizados como meros “laranjas”, devese imputar a tais pessoas, físicas ou jurídicas, a sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário. Alinhados com o quanto acima exposto, invoco os seguintes precedentes do CARF: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. — Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 10808.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. — As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 20312.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. — A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 120200.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) CONFUSÃO PATRIMONIAL. GRUPO ECONÔMICO. — Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, praticando conjuntamente fatos jurídicos tributários e compartilhando seus resultados econômicos. (Acórdão nº 1101000.927, relatora Edeli Pereira Bessa, sessão de 07 de agosto de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. — Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Fl. 786DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 787 26 Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. — Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. (Acórdão 1102 001.044, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 13 de março de 2014) 4.2 – Responsabilidade decorrente do art. 135, III, do CTN A Fiscalização também atribuiu a responsabilidade ao Sr. Wilton Rodrigues do Carmo nos termos do o art. 135, inciso III, do CTN, por ser ele o sócio de fato da empresa, sendo que as infrações à lei e ao contrato social decorreram da utilização de pessoas interpostas no quadro societário do contribuinte e de sonegação de tributos. Quanto aos fatos, novamente não há contestação do impugnante, sendo que, por tudo já narrado na seção anterior, entendo comprovado que o Sr. Wilton era o verdadeiro proprietário da pessoa jurídica fiscalizada, que era formalmente gerida por interpostas pessoas. A defesa alega que não é possível responsabilizar como diretor, gerente ou representante legal pessoa que não conste do contrato ou estatuto sociais. O argumento não merece guarida. Transcrevo o dispositivo em discussão: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT/nº 55, de 14 de janeiro de 2009, tratase de responsabilidade solidária dos sócios e da empresa. É evidente que o dispositivo permite a responsabilização de administradores ocultos da sociedade, pois senão bastaria gerenciar a empresa por interpostas pessoas e assim não restar responsabilizado pelos atos praticados com excesso de poder ou infração à lei. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a responsabilidade do “sóciogerente” decorre de sua condição de “gerente” e não de “sócio”. Assim, não basta ser sócio para que responda solidariamente pelo crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provada pelo Fisco. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 788 27 Contudo, no caso, restou demonstrada a intenção dolosa de supressão de tributos pela gestão da empresa por interpostas pessoas, bem como pela constatação de elevada omissão de receitas nos anos de 2008 e 2009, como se verá na próxima seção. Nesse sentido, mantenho a responsabilidade solidária de todos os coobrigados. 5 – MÉRITO O lançamento tributou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida, nos termos do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, porque o contribuinte não apresentou sua escrituração. Quanto à omissão de receitas, o recorrente defende a impossibilidade de tributação de extratos bancários, nos termos da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, e afirma que movimentação bancária não é receita. Transcrevo o dispositivo legal que embasou o lançamento: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 788DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 789 28 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o fiscalizado a apresentar seus extratos bancários (fls. 3 a 6 e 11 a 13); que, depois de totalizar os depósitos, intimou o sujeito passivo a justificar sua origem (fls. 179 a 180); e que só após foi lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem justificada. Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. O contribuinte impugna integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e relatórios anexos a ele, afirmando não haver demonstração das transferências entre pessoas jurídicas, ou de estorno, ou de cheques devolvidos. Contudo, tratase de defesa genérica, que não aponta quais seriam essas inconsistências, e que não serve para afastar o cuidadoso trabalho fiscal, que afirma ter providenciado “estornos de débitos, depósitos que caracterizaram empréstimos contratados e as transferências interbancárias entre contas correntes do próprio contribuinte” (fl. 572), apresentando todos os documentos para apreciação e contestação do contribuinte. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 790 29 Para afastar a presunção legal, não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. O recorrente defende a impossibilidade de tributação de extratos bancários, nos termos da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, e afirma que a movimentação bancária não é receita. Contudo, a jurisprudência e argumentos citados se referiam à legislação anterior ao art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, sendo que o novo regramento tem sua aplicação pacificamente aceita nos moldes acima exposto. De qualquer modo, a matéria não comporta mais discussão administrativa desde a publicação da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Já o arbitramento se deu com base no seguinte dispositivo: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Como visto, o contribuinte deixou de apresentar sua escrituração, o que justifica o arbitramento dos lucros. Adotouse como base de cálculo do arbitramento a receita bruta conhecida, no caso, as omissões de rendimentos apuradas, já que o contribuinte não informou receitas em suas declarações de rendimentos. Nesse sentido, foram utilizadas as regras dos arts. 16, 20 e 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 27 da Lei n° 9.430, de 1996. O único argumento da defesa contra o arbitramento foi o não cumprimento dos seus requisitos por vício na requisição da RMF. Entretanto, já se viu, em seção anterior, que a RMF foi emitida de acordo com as determinações da legislação de regência, não prevalecendo a alegação. Desse modo, mantenho tanto o arbitramento dos lucros quanto a tributação das receitas omitidas. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 791 30 6 – MULTA QUALIFICADA O recorrente alega que não é possível a qualificação da multa, porque não criou qualquer obstáculo ao trabalho fiscal, mas apenas necessitava de prazo para apresentar os seus livros que estavam em fase de regularização e não teve tempo adequado para apresentar à Fiscalização. Contudo, tal alegação carece de sentido, pois a empresa não foi localizada pela Fiscalização, com todas as intimações e o auto de infração sido cientificados por edital. De qualquer modo, a multa foi qualificada por ter sido constatada a prática de sonegação, caracterizada pela prática reiterada de omitir informações referentes à receita bruta e de não declarar rendimentos da empresa fiscalizada, não obstante a alta movimentação financeira, assim descrita pelo Termo de Verificação Fiscal (fl. 569): Em relação à sonegação tributária, constatouse que o Sr. Wilton Rodrigues do Carmo, sócioadministrador de fato, no período fiscalizado, omitiu informações referentes à receita bruta e não declarou rendimentos da empresa fiscalizada, não obstante a alta movimentação financeira. Tal procedimento caracteriza o intuito de fraude, pois declarando faturamento zerado e omitindo declaração sobre rendas, o contribuinte tentou impedir ou retardar, reiteradamente, o conhecimento por parte da fazenda pública federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que constitui conduta configuradora do ilícito fiscal de sonegação, conceituado pelo art. 71, inciso I, da Lei n°. 4.502, de 1964. Quanto à caracterização do dolo referente à sonegação tributária, há farta jurisprudência administrativa no sentido de que a falta de declaração de rendimentos, ou declarações em valores ínfimos comparados à alta movimentação financeira, de forma sistemática, caracterizam intenção de sonegação e conseqüente redução dos tributos devidos, situação que se aplica ao presente processo, diante dos seguintes fatos: falta de declaração de DCTF's e DIPJ2010, DCTFs sem débitos, DIPJ2009 entregue zerada, DACON’s sem informação sobre receita de venda de bens e serviços e nenhum recolhimento de PIS/PASEP, COFINS, CSLL e IRPJ para o Fisco Federal (fls. 390/484), no período fiscalizado. Nesse sentido, ficou demonstrada a ocorrência de omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que é considerado como prática de sonegação nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, e justifica a duplicação da penalidade, de acordo com o §1o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. O recorrente também afirma não ser possível cumular a penalidade de 20% sobre a base de cálculo normal, decorrente do arbitramento, com a multa de ofício. Esse argumento foi bem analisado pela decisão recorrida, que esclareceu que o arbitramento não é uma penalidade, mas uma forma de tributação, e que o acréscimo de 20% à base de cálculo do lucro presumido não constitui sanção imposta pelo cometimento de ato ilícito, mas o valor tributável eleito pelo legislador para determinação do lucro arbitrado, na forma do comando do art. 532 do RIR/99. Desse modo, não há que se falar em cumulação de multas. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10166.728965/201273 Acórdão n.º 1102001.178 S1C1T2 Fl. 792 31 Finalmente, não assiste razão ao recorrente quando defende que multa é confiscatória, por ser superior ao valor do tributo (100%); Essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Assim, mantenho a multa qualificada. 7 CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por não conhecer dos argumentos relativos ao arrolamento de bens, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 792DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 16004.001014/2007-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004
COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO.
Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas validamente exteriorizadas ao Fisco - seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) -, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas.
Numero da decisão: 1803-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às exigências do IRPJ e da CSLL, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à multa de ofício isolada. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário para exonerar a aplicação da multa de ofício isolada.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas validamente exteriorizadas ao Fisco - seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) -, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas.
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COM. PRODUTOS ALIMENTÍCIOS (DENOMINAÇÃO ATUAL: COMPANHIA DE ALIMENTOS GLÓRIA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas validamente exteriorizadas ao Fisco seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) , não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 14 /2 00 7- 25 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.001014/200725 Acórdão n.º 1803002.280 S1TE03 Fl. 264 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às exigências do IRPJ e da CSLL, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à multa de ofício isolada. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário para exonerar a aplicação da multa de ofício isolada. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.001014/200725 Acórdão n.º 1803002.280 S1TE03 Fl. 265 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 225 e 226): Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, decorrente da Malha PJ, foi apurada, nos anoscalendário de 2002 e 2003, falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL a pagar apontados na DIPJ, fichas 12 (fls. 12 e 27) e 17 (fls. 17 e 32), constatada pelo cotejo dos valores recolhidos (fls. 64/69 e 70/72), dos valores declarados em DCTF (fls. 73/92) e dos dados constantes em PER/DCOMP (fls. 93/100). Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – fls. 101 a 109: Imposto: R$ 58.870,79 Juros de mora: R$ 38.229,07 Multa Proporcional: R$ 44.153,08 Multa Isolada: R$ 108.502,57 Total: R$ 249.755,51 Enquadramento legal do imposto: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999), art. 841, I, III e IV. 2 – Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) – fls. 110 a 118: Contribuição: R$ 19.621,13 Juros de mora: R$ 13.745,54 Multa Proporcional: R$ 14.715,84 Multa Isolada: R$ 37.315,24 Total: R$ 85.397,75 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º, §§; Lei nº 9.249, de 1995, art. 19; Lei nº 9.430, de 1996, art. 28; Medida Provisória (MP) nº 1.858, de 1999, e reedições, art. 6º; Lei nº 10.637, de 2002, art. 37. Foi lançada, também, a multa isolada, por insuficiência de recolhimento do IRPJ (fevereiro, abril, maio, agosto, setembro e outubro de 2002 e maio e junho de 2003) e da CSLL (fevereiro, abril, maio, agosto, setembro e outubro de 2002 e agosto de 2003) sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, apurada pelo confronto dos valores declarados em DIPJ, DCTF, PER/DCOMP e aqueles pagos por meio de Darf. Referido lançamento teve como fundamento o RIR, de 1999, arts. 222 e 843, c/c Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.001014/200725 Acórdão n.º 1803002.280 S1TE03 Fl. 266 4 § 1º, IV, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória (MP) nº 351, de 2007, c/c art. 106, II, “c” da Lei nº 5.172, de 1966. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com as impugnações de fls. 122 a 125 e 158 a 161, subscritas pelo representante Luiz Antônio Gazotto, alegando: ∙ A cobrança dos débitos não procede, pois já foram pagos, conforme documentos anexos, “onde o ilustre auditorfiscal não levou em consideração os valores declarados na DIPJ dos anos de 2003 e 2004, apesar de ter sido informado que a empresa tinha o saldo favorável de R$ 141.971,78 em 31/12/2001 (fls. 17) e R$ 130.087,46 (fls. 23) em 31/12/2002, relativos a créditos a favor da ora impugnante, tendo em vista o recolhimento a maior de tributos (IRPJ e CSLL), e que foram devidamente compensados em contacorrente até 2003, e via PER/DCOMP quando da sua implantação”; ∙ Os débitos de CSLL já foram pagos, conforme documentos anexos (fls. 162 a 189), “onde o ilustre auditor fiscal não levou em consideração os valores declarados na DIPJ dos anos de 2003 e 2004, apesar de ter sido informado que a empresa tinha o saldo favorável de R$ 49.622,94 em 31/12/2001 (fls. 17) e R$ 35.310,02 (fls. 20) em 31/12/2002, relativos a créditos a favor da ora impugnante, tem em vista o recolhimento a maior de tributos (IRPJ e CSLL), e que foram devidamente compensados em contacorrente até 2003, e via PER/DCOMP quando da sua implantação”; ∙ Conforme atesta o próprio auditor no auto de infração (fls. 3, itens 4 e 5), o débito foi devido a um erro no preenchimento da DCTF, onde não constou o saldo que a empresa tinha seu favor e que, mediante compensações, devidamente demonstradas, comprovou nada dever ao Fisco Federal, pelo contrário, que havia recolhido imposto superior ao montante devido, estando na posição de credor, e não devedor do Fisco. Assim, um simples erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ não pode gerar uma dívida inexistente; ∙ Cumpriu suas obrigações tributárias de forma tempestiva, não havendo que se falar em falta de recolhimento e multa isolada; ∙ Solicita seja acolhida a impugnação, ou que se aplique apenas a multa administrativa por erro no preenchimento da DCTF. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 224): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANOS ANTERIORES. Incabível o aproveitamento de saldos negativos de IRPJ de anos anteriores para quitação do crédito tributário lançado de ofício, quando a contribuinte não comprova a sua apuração, a sua compensação nas DCTF apresentadas e na declaração de compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.001014/200725 Acórdão n.º 1803002.280 S1TE03 Fl. 267 5 SALDO NEGATIVO DE CSLL. ANOS ANTERIORES. Incabível o aproveitamento de saldos negativos de CSLL de anos anteriores para pagamento do crédito tributário lançado de ofício, mormente quando a contribuinte não comprova a sua apuração, a sua compensação nas DCTF apresentadas e na declaração de compensação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 06/04/2010 (fls. 237), a tempo, em 06/05/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 240 a 245, instruído com os documentos de fls. 246 a 258, nele argumentando, em síntese: a) que não pode ter impedida a sua compensação, em decorrência da suposta falta de comprovação da existência dos saldos negativos, já que a existência dos mesmos não pode mais ser contestada, em face da decadência do direito da fiscalização; e b) que, apesar da decadência do direito da fiscalização de desconstituir os saldos negativos de IRPJ e CSLL, demonstra a existência dos mesmos mediante cópia do Balanço Patrimonial Findo em 31 de dezembro de 2002. Em mesa para julgamento. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.001014/200725 Acórdão n.º 1803002.280 S1TE03 Fl. 268 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), dos anoscalendário de 2002 e 2003, e respectivas multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, apurados pelo confronto dos valores declarados em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e aqueles pagos por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). 5. Alega a Recorrente, basicamente, haver efetuado, tanto no anocalendário de 2002, quanto no anocalendário de 2003, compensações em contacorrente com supostos direitos creditórios oriundos dos anoscalendário de 2001 e 2002. 6. Porém, não tendo sido essas alegadas compensações validamente exteriorizadas ao Fisco – seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) –, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas, ainda que se admitisse a comprovação da existência desses direitos creditórios ou a impossibilidade de contestálos ou desconstituílos. 7. Nesse sentido, a descrição dos fatos contida nos respectivos autos de infração (fls. 103 e 112): Do exame das planilhas entregues, verificouse que, nos meses em que houve a apuração de estimativa a recolher, a empresa efetuou recolhimentos em alguns e fez compensações em outros com montantes constantes de uma espécie de contacorrente com valores acumulados anteriormente. Ocorre que algumas destas compensações não foram devidamente registradas nas DCTF entregues ou constaram de PER/DCOMP, gerando, desta forma, IRPJ [CSLL] em aberto, cujos valores encontramse abaixo alinhados, incidindo, em consequência, multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre as diferenças encontradas. 8. De se destacar, por oportuno, que aquelas compensações apontadas em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) e em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) já foram devidamente consideradas pela fiscalização (fls. 103, 104, 112 e 113). Fl. 546DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.001014/200725 Acórdão n.º 1803002.280 S1TE03 Fl. 269 7 9. Por fim, como bem destacado pela decisão recorrida, não foi nem ao menos comprovada, em nenhum momento, a efetivação da alegada compensação na escrituração contábil da Recorrente (fls. 227). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 547DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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