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Numero do processo: 13982.001824/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
AUTO-DE-INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 18 24 /2 00 8- 06 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 15/12/2008, com ciência em 17/12/2008, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, no período de 01/2004 a 12/2007. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls. 62/67, a autuada, apresentou os Livros Diário e Razão com omissões de lançamentos acerca de acordos firmados na Justiça do Trabalho, de notas fiscais de prestação de serviço, além de lançar operações fictícias de crédito junto a bancos (Banrisul S/A e Caixa Econômica Federal) que nunca se realizaram e despesas fictícias como combustível e lubrificantes, sendo que não possui veículos. Ainda, no período de 2004 a 2006, omitiu na sua contabilidade a movimentação bancária mantida junto ao Banco o Estado de Santa Catarina S/A, conforme dados de CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, relativa a esses exercícios. Após a impugnação, Acórdão de fls. 89/91, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese: a) que está passando por sérias dificuldades financeiras, que comprou a empresa após a fiscalização ter se realizado, que a atual sócia foi ludibriada pelos antigos proprietários, que não sabia estar em débito com a receita, discorre sobre toda a situação que enfrentou até encerrar as atividades em 2009, para dizer da ilegitimidade da parte; b) que apresentou todos os documentos solicitados, sendo descabida a cobrança dos créditos tributários; c) que os erros e omissões foram realizados pelo profissional de contabilidade contratado pela recorrente; d) que as contribuições previdenciárias foram todas recolhidas. Requer o cancelamento do lançamento, ou a compensação dos créditos fiscais com valores retidos, ou a restituição dos valores existentes como sobra de retenções, a declaração de que nada deve à Receita; que o débito seja cobrado do proprietário da época dos fatos. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 293 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos não vislumbro a tese de ilegitimidade passiva, pois conforme atestam os contratos sociais colacionados, não houve qualquer solução de continuidade da empresa que permanece com a mesma razão social e atividade no período da autuação. Os representantes legais da autuada constam por período, no REPLEG – Relatório de Representantes Legais, às fls. 04 e no Relatório Vínculos Relação de Vínculos às fls. 05. Quanto a alegação de que as contribuições previdenciárias estão todas recolhidas, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No caso presente, foi descumprida a obrigação acessória, porque os livros contábeis apresentados pela recorrente continham omissões e irregularidades, afrontando a legislação vigente. A atividade fiscal possui caráter vinculatório não existindo a possibilidade da escolha entre o cumprimento de determinada lei ou não, e a Administração Pública, em decorrência do art. 37 da Constituição Federal, deve obediência ao princípio da legalidade. O professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais,1991, 16ª ed. atual. pela constituição de 1988, 2ª tiragem, p.78), nos diz: “A legalidade como princípio de administração (Const.Rep., art. 37,caput), significa que o administrador está, em toda sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. “A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.” “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer assim’, para o administrador público significa ‘deve fazer assim.” Portanto, ao se deparar com os Livros contábeis, Diário e Razão, com inúmeras irregularidades, descritas pormenorizadamente no relatório fiscal da autuação, às fls.62/67, não restou outra alternativa ao Fisco que não fosse a lavratura do pertinente Auto de Infração. A seguir transcrevo parte da decisão recorrida, onde constam as irregularidades encontradas: que não consta o registro contábil de valores pagos a segurados empregados que efetuaram acordos na Justiça do Trabalho, referentes as ações trabalhistas 012292005, 002462005, e 006052004, arquivadas na Vara da Justiça do Trabalho de Concórdia/SC. Que na competência 12/2004, não foram contabilizadas notas fiscais de prestação de serviço que totalizaram o valor de R$ 74.029,50 e apresenta documentos em anexo que comprovam este fato. Relata operação fictícia de crédito no valor de R$ 35.000,00, i registrada na contabilidade em 01/08/2005, de R$ 64.587,00 em 03/01/2006 , de 37.274,86 em 31/03/2006, de R$ 51.350,00 em 03/04/2006 e R$ 5.800,00 em 26/12/2006, sendo que os valores não ingressaram na conta corrente bancária relativas aos bancos envolvidos. Cita que as operações se configuram como empréstimo fictício para cobrir omissão de receitas e junta documentos para comprovação dos fatos apurados. Acusa o desaparecimento de saldo bancário da conta "13Banrisul S/A na abertura do exercício de 2006 e anexa comprovante. Consta registro contábil de pagamento de empréstimo junto a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 64.587,00 que não ocorreu, conforme exame no extrato de conta Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 294 5 corrente bancária. Que o exercício contábil de 2006 foi encerrado com empréstimo fictício no valor de R$ 28.815,58 junto a Caixa Econômica Federal e de R$ 73.297,43 relativo ao Banrisul S/A. Que em 2004 e 2006 foi lançado despesas fictícias na contabilidade da empresa sem a devida comprovação, tais como despesa com combustível e lubrificantes sendo que a empresa não possui nenhum veículo em seu imobilizado. Apresenta quadro com valores que foram registrados a este título. que os valores foram contabilizados no final do mês para evitar o aumento exagerado da conta Caixa. Relata diversas operações de empréstimos e pagamentos realizados junto a Caixa Econômica Federal e no Banrisul S/A, sendo que na realidade estas movimentações financeiras não foram realizadas, conforme exame nos extratos de conta corrente. Apresenta quadro demonstrativo dos valores fictícios, durante o exercício de 2007, sendo que os saldos finais dos exercícios registrados na contabilidade não são reais. Informa que nos exercícios sociais de 2004 a 2006 a empresa omitiu em sua contabilidade a movimentação bancária mantida junto ao Banco do Estado de Santa Catarina S/A — BESC, conforme dados de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira — CPMF relativas a estes exercícios. Ao apresentar os livros legais com irregularidades intrínsecas, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 233,parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, que conceitua documento deficiente: Lei n.º 8.212/91 Art.33 (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Portanto, aqui não se trata da falta de apresentação de documentos como diz a recorrente, mas sim da sua apresentação deficiente, eis que os livros contábeis apresentados continham omissões e informações diversas da realidade, conforme ampla e comprovadamente apontado pelo Fisco, e que não foram sequer contraditadas pela autuada. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da contabilidade possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, uma vez que a fiscalização atesta que houveram inúmeras irregularidades nos livros apresentados pela recorrente, que não se manifestou sobre o assunto, limitandose a discorrer sobre a situação de penúria da empresa. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 77 de 11/03/2008, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 295 7 As solicitações da recorrente quanto à compensação ou restituição de valores retidos que venham a ser apurados para quitar o presente débito, que a cobrança seja feita dos sócios anteriores e que lhe seja expedida certidão de regularidade pela Receita Federal, são improcedentes porque alheias ao presente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória fugindo da competência deste colegiado. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003803/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO.
Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 IMPOSTO DE RENDA. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO. Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO. Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 38 03 /2 00 5- 63 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fl. 22), notificado à parte recorrente em 9/8/2005 (fl. 29), indicando as infrações abaixo relacionadas: 001 Falta de recolhimento/declaração do imposto de renda insuficiência de recolhimento ou declaração Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2001 171.693,81 75% A infração imputada à recorrente encontrase assim descrita (fl. 23): Em procedimento de análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa , Jurídica DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF entregues pelo contribuinte, foi verificado que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1 informado na DIPJ estava superior ao declarado na DCTF, ensejando o lançamento da diferença apurada. Na ficha 12 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ/2002, ano calendário 2001, o contribuinte apurou um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 171.639,81, já deduzidos os valores relativos ao Programa de Alimentação dc Trabalhador (linha 5), isenção ou redução do imposto (linha 10), Imposto de Renda retido na fonte (linha 13) e Imposto de Renda mensal pago por estimativa (linha 16). 0 débito correspondente ao saldo do imposto apurado em 31 de dezembro do ano calendário 2001 (ajuste) deveria ter sido declarado em separado na DCTF do trimestre do anocalendário 2002 e pago em quota única, até o último dia útil do mês de março de 2002. Por meio de consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal SRF examinamos SRF, examinamos as DCTF apresentadas pelo contribuinte, relativas ao ano calendário 2001 e 1º o trimestre do anocalendário 2002, e verificamos que, em relação ao IRPJ, só haviam sido declarados os valores correspondentes ao imposto pago por estimativa (Cód. | Receita: 2362), no valor total de R$ 222.112,66. Este valor foi aproveitado como dedução na ficha 12 da DIPJ/2002. Também fizemos consultas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte e não localizamos nenhum pagamento com o código de receita 2430, a ser utilizado no recolhimento do IRPJ apurado na declaração de ajuste pelas empresas obrigadas a apurar o lucro real. Consultamos ainda outros códigos de receita, como 2456 e 2390, os quais J são destinados a outros tipos de empresas, mas também não encontramos pagamentos. Diante do exposto, com o intuito de regularizar o valor do IRPJ ainda não i declarado em DCTF, efetuamos o lançamento do saldo de imposto a pagar apurado na J linha 18 da ficha 12 da DIPJ/2002. Notificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 32 e seguintes, alegando: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 4 3 a) que ao preencher a linha 13 da FICHA 12A a contribuinte equivocouse. Lançou R$ 227.540,08, quando o valor correto era R$399.180,29, devidamente contabilizado na folha 839 do Livro Diário de nº 75, devidamente registrado na Junta Comercial em 2/4/2002, gerando uma diferença de R$ 171.639,81; b) como no caso se trata de lançamento feito a partir de cruzamento de dados, a contabilidade não foi intimada a prestar esclarecimentos, para apontar o citado equívoco. c) antes de compensar o imposto devido em 31/12/2001, na conta do razão contábil nº 32212 IRRF a recuperar o valor atualizado era de R$532.052,08 e após utilização para amortizar o saldo referente ao ano base de 2001, no valor de R$399.180,29, o saldo da conta acima ficou em R$132.871,79. d) em síntese, a empresa não deve imposto de renda referente ao ano base de 2001, pois utilizou créditos de imposto retido na fonte, para saldar tal débito. Neste sentido apresentou documentos e o demonstrativo de fl. 6, que transcrevo: A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento com acórdão alicerçado nos seguintes fundamentos: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 5 4 Intimada do acórdão em 15/5/2007 (fl. 80), a contribuinte, de forma tempestiva, ingressou com o recurso de fls. 109 e seguintes, alegando que a DRJ firmou entendimento de que houve retenção na fonte de 241.782,99 e não de R$ 399.180,29, como alegado pela recorrente. Contudo, para desfazer tal equívoco a recorrente faz a comprovação de que a diferença de R$ 157.397,30 é fruto de IRRF pelas instituições financeiras, conforme extratos anexos, comprovando o pagamento do imposto devido ao fisco federal. O recurso foi instruído com os seguintes documentos: a) demonstrativo de controle de IRRF utilizado na DIPJ do ano base de 2000 (fl. 123/124) b) estratos bancários do ano de 2000 relativo a aplicações financeiras (fl. 125/129) c) extratos bancários de 2001, relativos às aplicações financeiras e IRRF (132/133 d) DARFs comprobatórios do pagamento do imposto de renda (135); O processo esteve em pauta na sessão de 10/5/2010, sob a relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, ocasião em que a turma decidiu converter o julgamento em diligência para que fiscalização verificasse a veracidade das informações e elaborasse relatório conclusivo, com intimação do contribuinte e retorno dos autos a este Conselho. O relatório da autoridade fiscal consta das fls. 227/229 e pode ser sintetizado no quadro de fl. 229, elaborado pela autoridade fiscal: Intimado do conteúdo da diligência, o advogado da contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada e está devidamente fundamentado. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Em sua defesa a contribuinte alegou que ao preencher a linha 13 da FICHA 12A equivocouse. Lançou R$227.540,08, quando o valor correto era R$399.180,29, devidamente contabilizado na folha 839 do Livro Diário de nº 75, registrado na Junta Comercial em 2/4/2002, gerando uma diferença de R$ 171.639,81. No recurso, em face do entendimento da DRJ de que o SIEF da Receita Federal indicava retenções de R$ 241.782,99 e não no montante de R$ 399.180,29, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 113/135 com o objetivo de comprovar os efetivos valores retidos na fonte e os montantes utilizados, demonstrando, com base em tais documentos, que o imposto cobrado não era devido. Colocado o processo em pauta esta Turma decidiu por converter o julgamento em diligência para que fossem conferidas as efetivas retenções e demais alegações feitas pela recorrente. Na origem, por meio da petição de fls. 152, a recorrente apresentou o Livro Razão de fls. 155/166, referente ao anocalendário de 2000. Na diligência a autoridade fiscal intimou a recorrente para que comprovasse a origem do saldo a recuperar no valor de R$ 310.560,91, no anocalendário de 2001, constante da planilha de fl. 117. Em face da diligência foram carreado aos autos os documentos de fls. 169/225. De posse dos documentos acima mencionados, indicando as receitas tributáreis e os impostos retidos, a autoridade fiscal elaborou o parecer conclusivo de fls. 227/229, a seguir transcrito: "Com o fito de solucionar o litígio e responder os questionamentos do ilustre julgador, efetuouse consulta na base de dados desta RFB a todas as retenções de IRRF, a partir de 1996 e aos valores registrados nas declarações de imposto de renda da pessoa jurídica como retenção na fonte, telas em anexo. Ressaltase que foram consideradas todas as retenções relativas a aplicações financeiras e congêneres (mercado de renda variável, operações de day trade, aplicações financeiras de renda fixa e outras). Com base nessas informações, elaborouse o demonstrativo anexo a esse relatório, no qual consta o somatório das retenções dos anos 1996 a 2001, os valores compensados na DIPJ e o saldo restante para o ano seguinte: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 7 6 No tocante ao ano de 2001, objeto do auto de infração, considerouse como retenção na fonte o valor de R$ 241.739,34, retificado pelo julgador de 1 a instância. Além disso, levouse em conta a quantia de R$ 399.180,29, compensada no anocalendário 2001, apenas nos registros contábeis, restando, ainda, um saldo de IRRF no total de R$ 12.957,65. Em síntese, o quadro de fl. 229, que transcrevi no relatório, elaborado em parecer conclusivo da autoridade fiscal, demonstra que no momento em que se considera o saldo do ano anterior, no caso R$ 170.398,60, mais o valor do IRRF de 241.739,39 e se confronta com o valor do imposto devido em 2001, em vez de tributo a pagar resta saldo de R$ 12.957,65 para ser compensado no ano seguinte. ISSO POSTO, dou provimento ao recurso para cancelar o lançamento. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722119/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORREÊNCIA.
Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão.
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material.
No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORREÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material. No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NULIDADE. INOCORREÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material. No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 19 /2 00 9- 38 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 125 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00212/2009 de fls. 01/04, emitida em 13.07.2009, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$34.265,26, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2006, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Manacá II”, cadastrado na RFB sob o nº 6.412.8326, com área declarada de 8.712,0 ha, localizado no Município de Moju/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00026/2009 de fls. 05/07, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º documentos que comprovem as áreas ocupadas com benfeitorias declaradas, tal como Laudo elaborado por Engenheiro Agrônomo, acompanhado de ART registrada no Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 126 3 CREA, discriminando as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel em 01.01.2006, nos termos da alínea “a” do inciso IV, do §1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 e art. 17 do Decreto nº 4.382/02 (RITR); 5º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2006. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte protocolou correspondência de fls. 14, acompanhada dos documentos de fls. 15/31. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu glosar a área ocupada com benfeitorias de 2.100,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$50.000,00 (R$5,74/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$519.757,00 (R$59,66/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$16.519,75, conforme demonstrado às fls. 01 e 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 16.07.2009, às fls. 32 e 34, ingressou a contribuinte, em 10.08.2009, às fls. 35, com sua impugnação de fls. 35/46, instruída com os documentos de fls. 47/50, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: entende que houve erro na base de cálculo e na alíquota do ITR, posto que declarou a área total do imóvel de 8.712,0 ha e áreas de preservação permanente de 4.356,0 ha; afirma que foi apresentada uma cópia autêntica da certidão de averbação da área constituída exclusivamente como reserva legal, correspondente ao mínimo de 80% da superfície do imóvel, e essa averbação teria ocorrido em 04.05.2006, ocorre que a Lei nº 10.267/2001, regulamentada pelo Decreto nº Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 127 4 4.449/2002, alterado pelo Decreto nº 5.570/2006, criou o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais, tornando obrigatório o georreferenciamento do imóvel, condição essa necessária para que se realize qualquer alteração cartorial da propriedade, informando que não apresentou o georrefenciamento do imóvel, tornando a averbação insubsistente para fins de isenção da área de reserva legal; informa que declarou um VTN de R$25.000,00, e, que intimado a apresentar Laudo de Avaliação, para comprovação do VTN declarado, solicitou prazo, que foi concedido, e, em expediente de 28.11.2008, informa a impossibilidade de proceder à avaliação do imóvel e solicita que a avaliação seja feita pela fiscalização; preliminarmente, há que ser impugnado o lançamento, quando a própria fiscalização reconhece e declara no corpo da Notificação de Lançamento que a averbação a que se refere a área ocorrera em 04.05.2006, sendo certo que os documentos que instruíram o cadastramento em tela indicam uma Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 05.04.2006, ocasião em que a impugnante passou a fazer frente a propriedade do imóvel, sendo incontestável que anteriormente a essa nada tinha ela com mencionada área; entende que não há nenhum embasamento que pudesse dar azo a qualquer interpretação, simplesmente por não ter atendido a intimação da Receita, em decorrência de não apresentar Laudo Técnico, em virtude das terras estarem ocupadas por terceiros; ressalta que, as menções de lançamento efetivado pela fiscalização referente ao ano de 2006, não passam de mera elucubração do agente fiscal, sendo nulo de pleno direito; discorre sobre teorias gerais do Direito e considera que o Direito não pode ser aplicado sem a formação do contraditório; entende, quanto ao mérito, o inequívoco erro na capitulação das supostas infrações fiscais, que teriam sido perpetradas, em tese, pela contribuinte; entende, ainda, que não soube o Fisco, diante da inexatidão e da insuficiência do método presuntivo aplicado, conduzir sua crítica a essa operação a partir de pressupostos inválidos, questionando de onde teria sido buscado o lançamento do exercício de 2006, aduzindo que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário; considera, desde logo, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo em guarda das supremas normas do Estado de Direito; salienta que o art. 110 do CTN prescreve que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos e conceitos e formas do direito privado utilizado pela constituição Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 128 5 ou por leis superiores para definir ou limitar competências tributárias; ressalta que a presunção é um meio especial de prova, consistente em um raciocínio que, do exame de um fato conhecido, conclui pela existência de um fato ignorado, e, portanto, seriam consequências que o aplicador da lei extrai de um fato conhecido para determinar um fato ignorado; considera que o Fisco deve motivar analiticamente os lançamentos, isto é, deve provar a investigação procedida sob pena de nulidade, concluindo que é vedado o emprego das presunções em direito tributário, não tendo o Fisco qualquer poder discricionário nessa matéria, porquanto o objetivo do lançamento é exclusivamente declarar o resultado da rigorosa aplicação da lei a determinados fatos; observa que a obrigatoriedade da prova e contraprova, análise de dados e fatos, investigações e levantamentos, minuciosamente dispostos pela lei, tem em mira garantir não a prevalência da opinião dos agentes fiscais ou mesmo do interesse do estado (considerado como parte no processo), mas do interesse público consistente na rigorosa observância da lei; ressalta que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão e isto não ocorreu; considera que o CTN prevê a interpretação mais benéfica ao contribuinte, principalmente nos casos de aplicações de sanções, é o que desde logo se requer; considera, também, que foi intimada a apresentar laudo de avaliação que pudesse comprovar a área de reserva de 80% da área total do imóvel, contudo, conforme documentos comprobatórios de contratação da profissional Ana Raquel Lima de Araújo, com a incumbência de proceder ao levantamento geral da área em questão, se dirigiram ao local e não lograram êxito na empreitada, uma vez que foram impossibilitados de adentrar na área por fazendeiros que ali se instalaram, ocasião registraram Boletim de Ocorrência Policial, relatando os fatos, e requer a juntada de uma cópia de respectiva fatura de contratação dos engenheiros; entende que, se o local se refere as glebas com títulos distribuídos pelo Governo do Estado do Pará, por meio do Instituto de Terras do Pará, não seria possível a superposição de várias fazendas no mesmo espaço útil, sendo certo que não pode a impugnante arcar com ônus tributários e penalizadores de uma área que não detém nem a posse nem a tradição; considera que, como pode ser observado pelos documentos do processo movimentado junto à SECAT (2006/385505), o governo do Estado do Pará informa que a documentação da impugnante está lastreada em títulos outorgados pelo Governo do Estado, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 129 6 porém, na mesma área existem requerimento de outros títulos em favor de comunidade São Domingos Alto Tabocal 2006/133141, Alfredo Hélio Pereira TD.N.23, Edsom Muniz de Queiroz TD nº 21, Luiz Vicente Pereira dos Santos TD.N.20, Almey Lisboa Pereira dos Santos TD.n. 25 e fazenda Alto Cararí; ressalta que o mapa da situação elaborado pelo Estado do Pará demonstra a superposição de áreas, conforme cópia que se requer juntada; salienta que não pode prevalecer a imposição de multa e tampouco o lançamento tributário onde a área, que inicialmente fora considerada boa, pois titulada pelo próprio Governo do Estado do Pará, e agora se apresenta como inexistente, conforme superposições apresentadas pelo Governo do mesmo Estado; observa que, em decorrência das circunstâncias expostas, tem sido julgada pelos tribunais administrativos, insubsistente a penalidade quando o contribuinte, em caso de impossibilidade material e força maior, não fornecem os elementos solicitados na intimação, determinandose o cancelamento do auto de infração, os quais são importantes precedentes para o contribuinte que estiver em idêntica situação; ante a demonstração da insubsistência da autuação e em sendo injustificada e indevida a aplicação da sanção imposta, clama por justiça e sob o manto dos princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados pela Constituição da República, pleiteia que o ato impugnado seja julgado IMPROCEDENTE, com desconstituição tanto da multa aplicada do lançamento do imposto, com o cancelamento da exigência fiscal; por fim, em caso de ser julgado procedente o termo, o que se admite apenas como forma de raciocínio, requerse, igualmente, a aplicação por equidade, relevandose a aplicação de qualquer penalidade. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 60/77, que restou assim ementado: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 130 7 DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto a distribuição das áreas do imóvel, que não é objeto da lide. DAS ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS A aceitação para fins de cálculo do ITR de áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel somente é possível quando apresentada prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, caracterizada a subavaliação do VTN, com base no SIPT, posto que o Laudo de Avaliação apresentado possui um VTN maior que o arbitrado pela fiscalização, e o seu acatamento implicaria no agravamento da exigência. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA E DOS JUROS DE MORA Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com os juros e a multa aplicados aos demais tributos Regularmente cientificada daquele acórdão em 22/08/2011 (fl. 80), a interessada, representado por sua advogada (fls. 116/117), interpôs recurso voluntário de fls. 83/115, em 21/09/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que: · Teve ciência de fato novo, superveniente e incontroverso, devidamente comprovado neste recurso e que muda radicalmente a situação dos autos, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação o que leva à inexistência de fato gerador e nulidade do lançamento tributário; · A questão agrária no Estado do Pará é caótica em termos de registros e até mesmo de segurança, e chegase ao ponto de existirem registros que superam a área territorial do próprio estado o que levou a Corregedoria Nacional de Justiça a tomar decisão de extrema gravidade visando restabelecer a ordem; · O caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça a pedido do próprio Estado do Pará, da Procuradoria Geral do Estado, do Instituto de Terras do Pará ITERPA, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, do Ministério Público Federal, do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 131 8 Ministério Público Estadual, da Advocacia Geral da União, da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura FETAGRI, da Comissão Pastoral da Terra CPT, solicitando providências e determinando ao TJPA a baixa de atos normativos necessários ao cancelamento administrativo das matrículas irregulares, tidas como nulas de pleno direito nos cartórios de registro de imóveis nas comarcas do interior; · Alternativamente, caso não se entenda pela nulidade, requer seja suspenso o processo, em face do tumulto processual e da situação pendente de análise pelo STF que poderá repercutir sobre este caso; · Afastadas ambas as hipóteses acima, o que se admite apenas por amor à argumentação, devolve a Recorrente a matéria de fato e de direito apresentada na defesa requerendo sejam novamente analisados os argumentos para afastar o lançamento de ofício em razão de sua inadequação diante das áreas de preservação permanente e de reserva legal e valor da terra nua declarados sobretudo diante da situação de fato apresentada; · A multa de ofício deverá também ser afastada pelo seu caráter confiscatório posto que a contribuinte não cometeu infração ao fazer as declarações sobre a área já que, para tanto, levou em consideração a situação de conflito agrário específica daquela região que afeta consideravelmente o valor da terra e a declaração perante os órgãos da Receita. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente suscita a nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. Entretanto, não traz aos autos prova alguma deste fato, mas apenas notícias de decisão do Conselho Nacional de Justiça que determinou o cancelamento de títulos irregulares no Estado do Pará, possivelmente fruto de grilagem de terras públicas. Destarte, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Na espécie, também, não se trata de reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e da determinação do sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 132 9 No que tange à pretensa exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, verificase que consiste em matéria estranha à lide, não cabendo a esta instância se posicionar sobre tal questão, haja vista que a área de preservação permanente declarada não foi objeto de alteração pelo fisco, ou seja, foi aceita. Já a área de reserva legal sequer foi informada na DITR sob exame. Ademais, a recorrente não logrou demonstrar a existência da área de reserva legal mediante documentação comprobatória para que se reconheça o direito à isenção, qual seja: o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, conforme parágrafo 1º da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, nos termos do art. 44 da Lei nº 4.771, de 15/09/1965, com a redação dada pelo art. 1o da Medida Provisória nº 1.511, de 25/07/1996. Assim, no que diz respeito a área de reserva legal, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, e a recorrente não conseguiu trazer elementos suficientes para comprovar a reclamada área, razão pela qual não pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável. Registrese que a recorrente não contesta a glosa da área de benfeitorias. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, na época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 133 10 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. “ (grifos acrescidos) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629, passou a ser a seguinte: “Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 134 11 Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme atestado pela decisão de primeira instância, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitam se ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fl. 58. Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito a ementa correspondente ao seguinte precedente: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. (Ac. nº 280100.571, julgado em 17.06.2010, Rel. Cons. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) No que tange ao caráter confiscatório do crédito tributário exigido, destaque se a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 135 12 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11516.000931/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PIS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Insumo dedutível para efeito de PIS não-cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos.
Numero da decisão: 3803-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PIS NÃOCUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de PIS nãocumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 31 /2 00 9- 61 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas. Relatório Cuidase de PER/DCOMP com a finalidade de ressarcimento do PIS, correspondente ao primeiro trimestre de 2007 com fundamento em créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados “supostamente”no processo produtivo. Inicialmente cumpre esclarecer que se trata de empresa que possui como objeto social bastante extenso, sendo que cabe destacar: produção, a pesquisa, a lavra, a extração, a industrialização, a comercialização, a importação e a exportação de quaisquer substâncias minerais e vegetais, tais como antracito para tratamento de água, construção de Estações de Tratamento de Água; prestação de serviços na área laboratorial de análises químicas e físicas em geral. Em que pese o amplo objeto social da empresa, o cerne da lide repousa exclusivamente em relação ao conceito de insumo vinculado a aquisição de produtos e serviços adquiridos pela empresa em especial no tocante as atividades de extração, beneficiamento e comercialização de carvão mineral. Às fls. 160 e seguintes consta Informação Fiscal, por meio do qual o agente fazendário cita a legislação afeta a contribuição, bem como as Instruções Normativas da SRF n.º 404/2004 e 247/2002, com a intenção de demonstrar que o Recorrente creditouse indevidamente e ao arrepio do conceito de insumo contido na legislação federal e ressalta que os produtos sobre os quais recaiu a glosa estão arrolados na planilha anexa às fls. 146/149, por não estarem relacionados ao processo produtivo. Às fls. 179/197 sobreveio a Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que acolheu na íntegra as conclusões da repartição de origem e homologou apenas parcialmente o pedido do contribuinte, conforme se verifica às fls. 170/171. Já às fls. 223 e seguintes consta a Decisão 0725.807 – 4ª Turma da DRJ/FNS, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 231 3 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2007 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas a sua obrigatoriedade ou a caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente ha produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Com efeito, conforme se pode observar a DRJ manifestouse no sentido de que o contribuinte não provou o seu direito e se limitou a apenas alegar que os gastos são indispensáveis e obrigatórios para manter a mina de extração de carvão em funcionamento e reclama pela correta interpretação da legislação e pelo afastamento da IN da SRF n.º 247/2002. A decisão “a quo” comenta que o Recorrente relacionou os gastos glosados que compreende gerar créditos, todavia, não demonstrou, a partir da planilha elaborada pelo agente fazendário, quais daquelas notas fiscais, a DRJ deveria considerar para que o Despacho Decisório fosse reformado em seu favor. Importante fazer contar no relatório, que a decisão de primeira instância menciona que no PAF n.º 13963.000565/200573 a Recorrente juntou diversos documentos que possuem correlação com notas fiscais para as quais se pretendem os créditos, quais sejam: a) Termos emitidos pela Fundação do Meio Ambiente — FATMA; b) Acordos Coletivos de Trabalho e aditivos; c) Termo de Convênio com a Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina — UNESC; d) Oficios do Departamento Nacional de Produção Mineral; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 e) Contratos de prestação de serviços de limpeza e conservação e vigilância; contratos de prestação de serviços relacionados à manutenção do equilíbrio e controle do impacto ambiental. A DRJ afirma ainda que os serviços de consertos e manutenção de motores; consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais, rodantes, etc., apresentaram também correlação com notas fiscais relacionadas pelo agente fazendário na planilha que fundamentou a glosa. Os julgadores comentam também que há gastos para os quais o contribuinte pleiteia créditos que não constam relacionados na planilha elaborada pelo auditor fiscal e o Recorrente não apresentou na Manifestação de Inconformidade cópia de notas fiscais. Assim, no entender da decisão de primeiro grau, o Recorrente deixou de instruir adequadamente os autos com documentos que demonstre o seu direito e inclusive deixou de provar se realmente ocorreu a glosa sobre os seguintes gastos, sobre os quais a DRJ não se manifestou: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) mudas de roupa; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos. Insiste a DRJ no sentido de que se equivocou o contribuinte quando utiliza o critério da “essencialidade” ou “obrigatoriedade” da despesa para definir o conceito de insumo. No seu entender, o conceito de insumo, deve ser aquele previsto na IN da SRF n.º 247/2002, ou seja, somente as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e serviços aplicados na produção de produtos postos a venda. Já em relação aos contratos firmados com a empresa GR Terraplanagem Ltda., a DRJ destaca que a Recorrente deixou de apresentar notas fiscais de prestação de serviços. No seu entender, estas notas seriam úteis para demonstrar os valores glosados e a vinculação com o processo produtivo. De qualquer forma, os julgadores consideram que essas notas fiscais são aquelas anexas às fls. 475/479 do PAF n.º 13963.000565/200573. No tocante as despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, retífica de motores, consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais rodantes, etc., a DRJ pondera que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova de que estes serviços tenham sido utilizados em máquinas e equipamentos pertencentes da cadeia produtiva da empresa. No recurso voluntário, o contribuinte cita o Acórdão n.º 320200.226 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária julgado em 08 de dezembro de 2010, para fundamentar a tese de que deve ser considerado como insumo toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ e não da legislação aplicada ao IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diferente da materialidade da COFINS e PIS. Assim, em suas razoes recursais, a empresa insiste na tese de que o conceito de insumo trazido pela IN da SRF n.º 247/2002 não se aplica ao caso em exame, por restringir o direito subjetivo ao creditamento previsto no art. 195 do Texto Constitucional e na Lei. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 232 5 A empresa lembra que a exploração de uma mina de carvão, difere da atividade industrial habitual em que os maquinários ficam instalados num galpão industrial, pois a mina localizase no campo e ao redor de vegetação nativa e cursos de água e por esse motivo a rigidez da legislação ambiental. Protesta pelo reconhecimento de crédito em relação a todas as despesas indispensáveis e obrigatórias à exploração, ao beneficiamento e a produção do carvão mineral. Ressalta que o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Fundação do Meio Ambiente — FATMA, Departamento Nacional de Produção Mineral e o Ministério do Trabalho impõe exigências, que caso descumpridas, inviabilizam o funcionamento da mina. A empresa insiste em afirmar que a Fazenda Nacional não reconheceu créditos sobre as seguintes despesas: (i) turfas ambientais; (ii) terraplenagem; (iii) análise da água dos córregos arroios e rios; (iv) análise de solo; (v) recomposição da vegetação nativa; (vi) dragagem das bacias de decantação do carvão; (vii) tratamento de efluentes líquidos da mineração e respectivo beneficiamento e decantação do carvão; (viii) topografia; (ix) auditorias ambientais; (x) projetos de conservação e reparação de meioambiente; (xi) análises de lodo flotado; (xii) coleta de resíduos e serviços de elaboração de RIMA; Reclama ainda os crédito em relação as despesas com: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) uniforme; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos; (xvii) consertos de bombas hidráulicas, (xviii) empilhadeiras; (xix) reformas de materiais rodantes; (xx) consertos e manutenção de motores; (xxi) leite; (xxii) água; (xxiii) cálculos estruturais para muro e suporte de rampa; (xxiv) recarga de extintores; (xxiv) pilares de sustentação; (xxv) auditorias de certificação de qualidade e de procedimentos como as ISSO; (xxvi) serviços técnicos de geologia da mineração; (xxvii) pino e bucha do britador; (xxviii) soldas permanentes; (xxix) copos plásticos e serviços prestados pela empresa GR Terraplenagem Ltda. Ainda destaca que em relação aos bens que gerem créditos apurados sobre a depreciação ou amortização, fazse obrigatório o recalculo dos valores dos créditos devidos na proporção e equivalência destas depreciação/amortização. Por fim, requer a reforma do acórdão hostilizado e a homologação integral dos créditos pleiteados. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e por isso merece ser conhecido. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 A lide no presente processo administrativo gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção de carvão mineral. Conforme se extrai da decisão da DRJ, foram homologados parcialmente os créditos pleiteados, sob o argumento de que o contribuinte desrespeitou a redação da IN da SRF n.º 247/2002, razão pela qual as aquisições de vários produtos e serviços, relacionados na planilha anexa, já citada no relatório, foram glosadas pela fiscalização. Controversa em Relação à Extensão da Glosa O agente fazendário informou em seu relatório que a glosa recaiu apenas em relação aos produtos e serviços que “não” estavam vinculados diretamente ao processo produtivo e cita especificamente: aquisições de cartuchos para impressora, serviços de conservação e limpeza, sementes, serviços relacionados a preservação do meio ambiente, serviços de vigilância e consultoria, impressão gráfica, encadernações, transporte de trabalhadores, etc, conforme planilha já citada. Já o contribuinte insiste que a glosa teve por objeto não apenas os produtos e serviços descritos na planilha citada pelo agente fiscal, mas também a aquisição de outros serviços e produtos, conforme menciona no Recurso Voluntário, ou seja, despesas com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, exames médicos e laboratoriais, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, aquisição de caixas de papelão, embalagens BIG BAG, etiquetas e explosivos e cursos em relação aos explosivos, manutenção de motores, empilhadeira e bombas hidráulicas. Conforme dito em relatório, os julgadores de primeiro grau já haviam identificado que o contribuinte pleiteou créditos em relação aos produtos e serviços, citados no parágrafo anterior, que não estavam indicados na planilha apresentada pela fiscalização. Assim, no tocante a esses serviços e produtos, a DRJ conclui que o contribuinte não apresentou prova de que os mesmos estavam relacionados com o processo produtivo e por isso negou também o creditamento. Das Provas Produzidas pelo Contribuinte e da Análise do PAF 13963.000565/200573 No PAF n.º 13963.000565/200573, o contribuinte trouxe várias provas de seu direito e que merecem ser analisadas com atenção. Cumpre informar inclusive que a própria DRF à fl. 874 PAF 13963.000565/200573, comenta que as provas juntadas serão úteis para todos os processos administrativos do contribuinte em que se pleiteiam os créditos de PIS/PASEP e COFINS. Assim, deve ser afastado qualquer argumento no sentido de que o Recorrente deveria ter trazido as provas específicas para o presente processo. Em relação às provas de interesse do contribuinte, vale citar as seguintes: Número das fls. Descrição do contrato de prestação de serviços, notas fiscais e outras provas 140/149 Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Recorrente e a Procuradoria da República de Criciúma. Nesta ação judicial a interessada era Ré na Ação Civil Pública n.º 2000.72.040025.439 e tinha por objeto a Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 233 7 Recuperação de Áreas Degradadas. 150/161 Termo de Ajusta de Conduta firmado entre a Recorrente e o MPF/MP SC/FÁTMA/DNPM, com a finalidade de obrigar aquele a recuperar o meio ambiente. 162/172 Termo de Ajuste de Conduta celebrado entre a FÁTMA e o contribuinte, com o fito de obrigar este a realizar auditorias ambientais. 177/188 Acordo Coletivo de Trabalho que obriga o contribuinte a realizar o transporte gratuito dos trabalhadores; realizar o controle e prevenção de pneumoconiose; fornecer equipamento de proteção individual aos trabalhadores, bem como roupas, água potável e custear exames médicos e laboratoriais. 189 Termo Aditivo ao Acordo de Coletivo de Trabalho, por meio do qual a interessada foi obrigada a fornecer leite aos empregados. 216/238 Contrato de transporte de trabalhadores. 239/467 Contrato de prestação de serviços de vigilância, limpeza e conservação. 468 Contrato de venda a Recorrente pela CSN rejeitos de carbono fino. Vale citar esse contrato porque na seqüência o contribuinte irá pleitear os créditos em relação ao transporte e destinação final desses rejeitos. 470/479 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental e manuseio de carvão mineral e rejeitos celebrado com a empresa GR Terraplanagem. Neste contrato há a previsão para a prestação dos serviços de escavação, carga, transporte, etc. 475 550/555 746 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental. 483/489 Contrato firmado com a GR Terraplanagem com o objetivo de que fossem prestados serviços de terraplanagem e drenagem para a área de reposição de rejeitos. 490 783/796 Nota fiscal emitida pela GR Terraplanagem para a prestação de serviços de recuperação ambiental. 494 Nota fiscal emitida pela empresa PROFAMI em razão da aquisição de pallets. 497 Nota fiscal emitida em razão da prestação dos serviços de construção de muro de contenção, pintura de banheiro, emenda, manutenção de redutor de correias, manutenção elétrica e serviço de guincho. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 498/499 Nota fiscal referente a conserto de motor. 501/503 Relação de empresas fornecedoras de produtos e serviços. 504/508 542/545 586/591 601/605 724/727 Contrato de prestação de serviços com a finalidade de que esta realize a coleta de resíduos sólidos. 509/522 826/829 Contrato de prestação de serviços planialtimétricos e anteprojeto de recuperação de área ambiental. Contrato de prestação de serviços planialtimétricos, projeto de drenagem etc. 523/525 Contrato de prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas. 526/531 Contrato de prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina. 532/539 Contrato de prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas. 592/595 Contrato de prestação de serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA). 596/598 Contrato de Ensaio técnico. 606/744 Contrato de concessão de certificação e direito de uso de logomarca. 703/809 Contrato de locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental. 709/712 738/743 760/763 802/805 Contrato de prestação de serviços para a realização de Estudos de Ambientais. 713/723 Contrato de prestação de serviços de Estudos Hidrológicos. 764/766 Contrato de prestação de serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental. 771 Contrato de prestação de serviços de monitoramento do ar na área de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 234 9 influência das minas. 772/825 Contrato de prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia. 780/782 Contrato de prestação de serviços de terraplanagem com a finalidade de promover a recuperação ambiental. 835/841 Contrato de prestação de serviços de auditoria ambiental. 848/853 Ofício expedido pelo DNPM em relação ao Plano de Fechamento das Minas. 780/782 Contrato de prestação de serviços de análise de risco ambiental da atividade mineradora Das Aquisições de Bens e Serviços que Geram Créditos Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: Data da Emissão da NF Nome do Fornecedor CNPJ Descrição da aquisição do material ou serviço 05/10/2005 FUNDACAO EDUC. DE CRICIUMA FUCRI 83661074000104 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 04/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 10 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 35 MEIO AMBIENTE 18/11/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 5 MEIO AMBIENTE 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 02/12/2005 TISCOSKI & CIA. LTDA. . 82838434000634 SEMENTES 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 09/12/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 05/12/2005 AQUAFLOT INDUSTRIAL LTDA 04322694000134 MEIO AMBIENTE 08/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 LOUBER LTDA ME 02254873000156 MEIO AMBIENTE 20/12/2005 METRO EXTRACAO DE ARGILA LTDA 06167524000158 MEIO AMBIENTE Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 235 11 21/12/2005 ENGEMIL IND.COM .MAQUINAS EQUIP.SERVICOS 06947454000150 MEIO AMBIENTE 15/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA. 80982945000195 MEIO AMBIENTE Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo. Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 12 de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência nãocumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado. Das Aquisições de Bens e Serviços que Não Geram Créditos Por outro giro, observo que o contribuinte deseja ver aplicado ao conceito de insumo a legislação do IRPJ para efeito de credimento da COFINS e PIS/PASEP. Todavia, penso que não lhe assiste razão, pois caso o legislador desejasse, teria permitido aos contribuintes a dedução das despesas operacionais, em outras palavras, nem ao mar, mas também nem à terra. Assim, seguindo esse raciocínio, não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. Neste sentido, cito Apelação Cível n.º 00054351120104036102 – TRF 3ª Região, DJF de 03.08.2012, Desembargadora Cecília Marcondes: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. REFEIÇÕES, CONVÊNIO MÉDICO, VALETRANSPORTE, UNIFORME E SEGURO DE VIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. As Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS) disciplinam a nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS, dispondo sobre os limites objetivos e subjetivos para a implementação dessa técnica de tributação. (...) 7. Resta claro que as despesas com refeições, convênio médico, valetransporte, uniforme e seguro de vida não se qualificam como insumos, pois não são bens ou serviços utilizados diretamente no processo de fabricação/produção dos produtos comercializados pela impetrante.(...) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 236 13 Apelação Improvida. A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas. Da Elaboração do Conceito de Insumo É preciso ter em mente que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo não cumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. Outra constatação não menos importante é a de que a hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas. Deve ainda ser fixada a premissa de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 14 compõem o produto, conforme no IPI. Neste sentido são os ensinados de Marco Aurélio Grego em Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan.2003, Belo Horizonte. Com foco nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as IN da SRF ns. 247/02 e 404/04 não têm condições de trazer para a COFINS e PIS o conceito de insumo aplicado ao IPI, sob pena de ir de encontro com a vontade do legislador no que se refere ao princípio da nãocumulatividade. Disso tudo se conclui que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) exige que: a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo e por fim que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente, nos termos do voto e bens do ativo imobilizado em razão da depreciação. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16004.000299/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO MENSAL DAS ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES.
A insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devidos por estimativa por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado.
O valor da base de cálculo mensal das estimativas é a receita bruta, e somente se exclui de seu cálculo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. (parágrafo único do art. 31 Lei nº 8.981, de 1995). Não havendo cobrança do IPI não há que se falar em excluir qualquer valor a esse título da base de cálculo mensal das estimativas de IRPJ e CSLL.
Numero da decisão: 1402-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência em relação ao mês de outubro/2000. No mérito, negar provimento ao recurso: i) por voto de qualidade em relação à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que votaram pela não incidência da multa; e ii) por unanimidade em relação à base de cálculo da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência em relação ao mês de outubro/2000. No mérito, negar provimento ao recurso: i) por voto de qualidade em relação à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que votaram pela não incidência da multa; e ii) por unanimidade em relação à base de cálculo da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto - Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
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MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. Não se confunde a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa com a exigência de tributo não recolhido. A multa de oficio isolada submetese à regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pois não é tributo nem está sujeita ao lançamento por homologação, uma vez que somente pode ser constituída por meio de lançamento de ofício. O vencimento para recolhimento da estimativa mensal é o último dia útil do mês subsequente ao período de apuração. Portanto, a penalidade isolada somente pode ser exigida no primeiro dia do segundo mês após o respectivo período de apuração mensal da estimativa não recolhida. Desse modo, o dies a quo para contagem do prazo decadencial das multas isoladas (primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento) é o primeiro dia do ano seguinte ao respectivo período de apuração mensal em relação às estimativas dos meses janeiro a outubro de cada anocalendário (vencimento para recolhimento de estimativas até o último dia do mês de novembro do respectivo anocalendário, o que possibilita o lançamento ainda no próprio anocalendário). Em relação às multas isoladas pela falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas dos meses de novembro e dezembro (vencimento no último dia útil de dezembro e janeiro, respectivamente), o prazo inicial para contagem da decadência é o primeiro dia do segundo anocalendário após o respectivo período de apuração mensal. Portanto, a data limite para lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de outubro de 2000 foi 31 de dezembro de 2005, enquanto que em relação aos meses de novembro e dezembro de 2000 o prazo decadencial se estendeu até 31 de dezembro de 2006. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 02 99 /2 00 6- 04 Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.495 2 Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO MENSAL DAS ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. A insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devidos por estimativa por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado. O valor da base de cálculo mensal das estimativas é a receita bruta, e somente se exclui de seu cálculo “as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”. (parágrafo único do art. 31 Lei nº 8.981, de 1995). Não havendo cobrança do IPI não há que se falar em excluir qualquer valor a esse título da base de cálculo mensal das estimativas de IRPJ e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência em relação ao mês de outubro/2000. No mérito, negar provimento ao recurso: i) por voto de qualidade em relação à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que votaram pela não incidência da multa; e ii) por unanimidade em relação à base de cálculo da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.496 3 Relatório Por bem resumir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida: Lavrouse multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL, nos valores de R$558.928,39 e R$322.556,02, respectivamente. As diferenças apuradas estão listadas nas planilhas de fls. 611 e 613. A fundamentação legal achase descrita nos autos de infração correspondentes (fls. 616/633). Segundo consta do Termo de Constatação Fiscal n. 2 (fls. 607/615), na apuração da base de cálculo do valor devido por estimativa a contribuinte deduzia da receita bruta valores de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que não estavam sendo destacados nos documentos fiscais tampouco recolhidos aos cofres públicos em face de discussão judicial que em sede liminar permitiu tal circunstância (fls. 217/260), além de outros débitos daquele tributo confessados em Parcelamento Especial de Débitos referente ao período de outubro de 2000 a dezembro de 2002 No registro de apuração do IPI não há qualquer lançamento contábil que retrate a saída do produto do estabelecimento industrial. Entretanto, a partir de janeiro de 2003, a contribuinte emitiu documentos fiscais sem destacar o imposto; na contabilização reajustou o preço de venda para calcular o IPI, a partir do valor total das notas, registrando na escrita contábil a importância correspondente, a débito da conta de resultado "Imposto sobre VendasIPI" e a crédito da conta de passivo exigível a longo prazo "Tributo sub judice IPI". O substrato legal para considerar o recolhimento de estimativa de IPRJ insuficiente achase assentado no art. 31 e seu parágrafo, da Lei n. 8.981, de 1995, a seguir: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto de venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Regularmente intimada da imposição, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 635/645, em que alega: decadência do direito de o fisco lançar, relativamente às competências anteriores a junho de 2001; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.497 4 a natureza de nãocumulatividade do IPI tem assento constitucional que não se modifica pelo fato de que a contribuinte não destacar o tributo nos documentos fiscais; embora nos documentos fiscais não exista o destaque na apuração do resultado o IPI lançado em conta de passivo é adicionado ao lucro real; em face de já ter havido balanço para levantar o valor devido, a forma correta de apuração da multa deve levar em conta o total do imposto devido, apurado ao final do período e desse valor deve ser deduzida a quantia recolhida a título de estimativa. Ao final propugnou pelo acolhimento do pedido e que as intimações e notificações sejam remetidas no endereço dos mandatários. A impugnação foi julgada procedente em parte, tendo sua ementa a seguinte redação: ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. A multa de ofício isolada submetese à regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pois não é tributo nem está sujeita ao lançamento por homologação. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO. FALTA. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO LEGAL. A multa isolada incidente sobre a falta ou insuficiência de pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa foi reduzida para 50% (cinquenta por cento), nos termos da nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n° 11.488, de 2007. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No recurso voluntário apresentado, a recorrente repete seus argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.498 5 Voto O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/06/2010 (fl. 1435), apresentando recurso voluntário em 08/07/2010 (fls. 14371453). Considerandose que o recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 1 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA O lançamento diz respeito a multas isoladas aplicadas em razão do recolhimento a menor de estimativas de IRPJ e CSLL dos meses de outubro de 2000 a dezembro de 2003. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 31/05/2006. Considerou a decisão recorrida que se aplica aos lançamentos de multas isoladas a contagem de prazo decadencial nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que não se tratam de tributos e somente podem ser exigidas de ofício, não se aplicando, portanto, o art. 150 do CTN que diz respeito ao prazo de homologação do recolhimento de tributos. Entendeu ainda a turma julgadora que o lançamento relativo às multas isoladas relativas ao ano calendário de 2000 somente poderiam ser exigidas a partir de janeiro de 2001, e que, portanto, o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado (marco inicial da contagem do prazo decadencial) seria 1º de janeiro de 2002. Nessa linha de raciocínio, concluiu que o prazo fatal para ciência da exigência seria 31 de dezembro de 2006. Logo, não haveria que se falar em decadência. Concordo parcialmente com a conclusão da autoridade julgadora. Em relação à aplicação do art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, entendo perfeita a conclusão, uma vez que não há exigência de tributos, e sim de penalidade. Portanto, não há que se falar em aplicação da contagem do prazo decadencial com base no art. 150 do CTN, uma vez que esse se aplica aos recolhimentos de tributos por homologação. Ora, se não há lançamento em razão da ausência de recolhimento de estimativa, não há como se aplicar tal dispositivo legal, pois, repisese, a exigência diz respeito a penalidades isoladas, o que somente pode ser feito por meio de lançamento de ofício. Nesse sentido decidiu a extinta Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes: MULTA ISOLADA – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL DO VALOR DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL DE VENCIMENTO – Afastase a preliminar de decadência posto que se trata de,exclusivamente, exigência de multa isolada nos termos do art. 44, 1§ da Lei nº 9.430/96, não se cuidando de discussão sobre lançamento por homologação, eis que se aplicou corretamente o art. 173 do CTN, iniciandose a contagem do exercício seguinte a data que o lançamento poderia ter sido efetuado, razão porque, no caso vertente, não se considera caduco o lançamento. (Acórdão 10194.849, Relator Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28 de janeiro de 2005) Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.499 6 Por outro lado, para se aplicar multas isoladas não há necessidade de aguardar o término do respectivo anocalendário, podendo ser exigidas após a data de vencimento para o recolhimento das estimativas, que é o último dia útil do mês subsequente ao período de apuração (caput do art. 6º da Lei nº 9.430/96). Assim, o lançamento da penalidade relativa à insuficiência de recolhimento de estimativa referente ao mês de outubro de 2000 poderia ser ter sido realizado ainda no mesmo anocalendário, pois o vencimento das estimativas do mês de outubro se deu ao final do mês de novembro de 2000. Já a penalidade relativa ao mês de novembro somente poderia ter sido aplicada a partir de janeiro de 2001, uma vez o prazo de recolhimento da estimativa daquele mês se deu no último dia útil do mês de dezembro de 2000. Desse modo, devese dar provimento parcial ao recurso para exclusão da penalidade relativa às multas isoladas do mês de outubro de 2000, pois, a contagem do prazo decadencial teve início de 01 de janeiro de 2001, exaurindose o prazo disponível para lançamento em 31 de dezembro de 2005, seis meses antes da data em que o contribuinte foi cientificado do lançamento. Já em relação às exigências referentes aos meses de novembro de 2000 e competências seguintes, somente poderiam ser realizadas, no mínimo, a partir do início do ano calendário de 2001, acarretando a transferência do dies a quo para contagem do prazo decadencial para 01 de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado). Por consequência, o prazo fatal para lançamento era dia 31 de dezembro de 2006, seis meses após a ciência da exigência. Isso posto, voto por acolher parcialmente a arguição de decadência, exonerando o crédito tributário relativo às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL referentes ao mês de outubro de 2000. 2 MÉRITO No mérito, não merecem prosperar os argumentos da recorrente. Não havendo o destaque do IPI nas notas fiscais de vendas, não há que se falar em excluir o suposto valor devido deste tributo das bases de cálculo mensais de recolhimento de estimativas. Os argumentos tecidos pela recorrente a respeito da não cumulatividade do IPI não possuem qualquer relação com a exação, pois o valor da base de cálculo mensal das estimativas é a receita bruta, e somente se exclui de seu cálculo “as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”. (parágrafo único do art. 31 Lei nº 8.981, de 1995) Não havendo cobrança do IPI não há que se falar em excluir qualquer valor a esse título da base de cálculo mensal das estimativas de IRPJ e CSLL. A respeito do argumento do contribuinte de que obteve, posteriormente, antecipação de tutela para não recolhimento do IPI em nada altera o panorama. A uma, porque não foi cobrado o IPI nas vendas efetuadas, portanto, não há valor a se excluir do cálculo da receita bruta mensal. A duas porque os tributos com exigibilidade suspensa não podem se deduzidos das bases de cálculo dos tributos. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.500 7 A alegação de que o § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995 somente contempla os incisos I a IV do art. 151 do CTN, e a suspensão da exigibilidade em seu caso se deu com base no inciso V (antecipação de tutela) não se mostra razoável. De fato, tal dispositivo não contempla expressamente as hipóteses de suspensão da exigibilidade de tributos de que tratam os incisos V e VI do art. 151 do CTN. Porém, tal fato não implica que o legislador quisesse excluir os casos de antecipação de tutela e de parcelamento (respectivamente incisos V e VI do art. 151 do CTN) das hipóteses de indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa. Tratase, simplesmente, do aspecto temporal: tais incisos foram incluídos no CTN somente no ano de 2001 (Lei Complementar 104/2001), enquanto a Lei nº 8.981 é de 1995. De qualquer modo, a despeito da discussão de se haveria, ou não, necessidade de alteração do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95 para adequação à nova redação do art. 151 do CTN, não se pode olvidar que a contabilização de tributos que o contribuinte não reconhece como devido não poderia, em hipótese alguma, sequer alteração seu resultado contábil. Se ao menos o contribuinte tivesse declarado tais valores como devidos correta estaria a sua inclusão no resultado contábil. Contudo, ao não reconhecer tais tributos como devidos, ainda que haja contabilização dos valores que supostamente poderiam ser exigidos, tal reconhecimento contábil classificase como provisão, a qual, regra geral, é indedutível das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, com exceção às provisões para décimo terceiro salário, férias e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável (arts. 335 a 338 do RIR/99). A doutrina aborda o tema. A família Higuchi assim discorre sobre a matéria: Não se tratando de despesas incorridas, a reserva de valores lançados na escrituração contábil nada mais representa que mera provisão. A provisão não dedutível na determinação do lucro real terá que ser adicionada também na apuração da base de cálculo da CSLL porque assim determina o art. 2º da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. O imposto ou a contribuição como ICMS, PIS, COFINS, IOF etc. com exigibilidade suspensa por impugnação ou recurso administrativo ou medida judicial favorável não constitui despesa incorrida mas mera provisão. Despesa incorrida é a irreversível enquanto a provisão pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera administrativa ou judicial. (HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática. 35. ed. São Paulo: IR Publicações, 2010, p. 359360) O recorrente alega ainda que houve erro da autoridade fiscal na apuração da base de cálculo das estimativas. Além de não incluir IPI, alega ainda que deveria ter sido considerada somente a diferença entre os valores recolhidos ao final do ano e a estimativa supostamente minorada. Entendo incorreta novamente a conclusão do recorrente, pois os valores devidos a título de estimativa não se confundem com montante de IRPJ ou CSLL apurados ao Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.501 8 final do período de apuração (anual). O valor efetivamente devido de IRPJ/CSLL no respectivo anocalendário somente é apurado após o encerramento do anobase. Desse valor, descontam se os valores recolhidos por estimativas (entre outros) para se chegar ao saldo de IRPJ/CSLL a recolher. Portanto, não há qualquer lógica o mecanismo proposto pelo recorrente, até mesmo porque, inviabilizaria a aplicação da penalidade isolada antes do encerramento do ano calendário. Inviável, pois, fazer o lançamento das penalidades por insuficiência do recolhimento de estimativas com base na diferença entre as estimativas calculadas e o saldo de IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração. 3 CONCLUSÃO Desse, voto acolher parcialmente a arguição de decadência para excluir a exigência das penalidades relativas ao mês de outubro de 2000. No mérito, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 35601.001929/2007-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Conscrato dos Santos.
Relatório
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Conscrato dos Santos. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35601.001929/200746 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.154 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 15 de maio de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MABE CAMPINAS ELETRODOMÉSTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Conscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 56 01 .0 01 92 9/ 20 07 -4 6 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35601.001929/200746 Resolução nº 2403000.154 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Na forma do Relatório Fiscal de fls. 26, aduz que : “ O débito constante desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, abrangendo o período de 06/2002 a 07/2003, incluindo 13° salários de 2002, referese a contribuições devidas a Previdência Social, correspondentes ao acréscimo para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, de acordo com o previsto no § 6° do artigo 57, da Lei n.° 8.213, de 24/0711991, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 9.732, de 11/12/1998, e cobrança de acréscimos legais conforme legislação em vigor. 2. O adicional, introduzido com o advento da Lei n.° 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e correspondente às alíquotas estabelecidas conforme atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa e a espécie do beneficio concedido (aposentadoria especial após 25 anos de trabalho), foi exigido de forma progressiva, nos termos do art. 6° da citada Lei. 3. A presente NFLD é para os débitos da Matriz, não tendo sido identificado exposição a riscos ambientais nos demais estabelecimentos.” No Mandado de Procedimento Fiscal Complementar MPF n° 09341931C 01 de fls.19, consta que tratase de nova ação fiscal que teve por objeto a relavratura de NFLD entre as quais a de n° 35.639.6703 que deu origem ao presente tornada nula pelo então CRPS, verbis: “ MPF para realizar Auditoria Fiscal Coordenada Fase de Diagnóstico, com prevenção da decadência ref. 1996 e relavratura das NFLD . DEBCAD 35.639.6690 e 35.639.6703, tomadas nulas pelo CRPS. MPF Complementar para inclusão da NFLD 35.639.6711 para relavratura.” Consulta ao sítio Fazenda na tentativa de obter os dados do MPF inicial, a senha de acesso 21341204 disponibilizada no sobredito MPF Complementar n° 09341931C01 – único colacionado nos autos – não permite acesso. Aduz que o documento complementar colacionado não registra assinatura do preposto. O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF de fls.17, na parte final do documento, no campo Informações Complementares, registra que o presente foi constituído com o mesmo fato gerador, verbis: “ Emitido documentos de debito, NFLDS substitutas dos DEBCADS. nr. 35.639.6711, 35.636.6690 e 35.639.6703 tornadas nulas pelo CRPS, novas notificações foram emitidas com o mesmo fato gerador da época.” Muito embora às fls. 01 se afirme que o anexo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD estaria colacionado como parte integrante da notificação, compulsado os autos isto não se confirma. O Relatório Fiscal da NFLD anulada , também, não consta nos autos. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35601.001929/200746 Resolução nº 2403000.154 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Na forma do art. 9° do Decreto n° 70.235/72 e 25 do Decreto n° 7.574, de 29 setembro de 2011, “ os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. O art. 28 da Lei no 9.784, de 1999 aduz que o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo para manifestação , verbis: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Isto posto, não se tratando de documentos ou fatos novos insculpidos no comando do sobredito artigo, é despiciendo intimar o contribuinte com abertura de prazo para eventual manifestação. CONCLUSÃO Desse modo, no exercício da prerrogativa da formação da livre convicção, com fulcro no art. 29 do Decreto 70.235/72, determino diligência para que as Autoridades autuantes providenciem cópias datadas e assinadas do Mandado de Procedimento Fiscal MPF inicial; do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; do Relatório Fiscal da NFLD 35.639.6703 anulada ; e Informação das competências que integraram o período em que foram constituídos os créditos anulados. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.665242/2009-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
VENDAS A PRAZO
Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda.
Numero da decisão: 3803-004.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. VENDAS A PRAZO Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. VENDAS A PRAZO Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 52 42 /2 00 9- 85 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 84 2 Relatório Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de São Paulo, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida para compensar débitos de tributo administrado pela RFB, com crédito proveniente do recolhimento indevido de COFINS e PIS, no período de agosto/2004 a dezembro/2007, incidente sobre encargos financeiros cobrados sobre as vendas a prazo de seus produtos e mercadorias. À fl. 03 está anexo o despacho decisório, por meio do qual foi indeferida a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 07/20, argumentando não ocorre a incidência das contribuições sobre vendas a prazo, pois encargos financeiros se caracterizam por meras operações financeiras sujeitas ao IOF. Deste modo, fundamenta a compensação no art. 170 e 165 do CTN, bem como no art. 74 da Lei n. 9.430/96. À fl. 31 anexou planilha apontando os valores recolhidos indevidamente. Advoga que o art. 195 da CF definiu a hipótese de incidência das contribuições, devendo ser destacado que a base de cálculo é o faturamento, razão pela qual não há possibilidade de incluir nesta valores referentes a vendas a prazo. Cita acórdãos do STF para demonstrar que este tribunal já decidiu pela exclusão da base do cálculo do ICMS, dos encargos financeiros relativos ao financiamento do preço da mercadoria. Às fls. 35/42 sobreveio o acórdão n.º 1631.4789ª Tuma da DRJ de São Paulo, que por sua vez indeferiu o pedido por compreender que não houve cerceamento de defesa, já que restou demonstrado que o sujeito passivo foi cientificado do despacho decisório e a este foi oportunizada a defesa. Além do que, o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório e nas vendas a prazo, o custo do financiamento, inserido no valor dos bens, integra a receita bruta da venda, não constituindo receita financeira. Os julgadores de piso, fundamentaram ainda o indeferimento do pedido no entendimento de que as vendas para pagamento a prazo não representa operação financeira, pois tal acréscimo no valor da venda integra o valor da operação de venda. Neste sentido, cita o Parecer Normativo CST nº 21/79 e o Ato Declaratório Normativo – ADN nº 07/93. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário às fls. 45/68 repisando os mesmos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade, destacando que o despacho decisório constitui um lançamento por parte do Fisco e que ocorreu cerceamento de defesa em razão de que não lhe foi dada a possibilidade de justificar a origem do crédito. Tece ainda comentários, a respeito da obrigação de a Fazenda realizar a sua intimação para que fornecesse esclarecimentos a respeito do direito creditório. Destaca que os encargos financeiros exigidos dos seus clientes nas vendas a prazo, não configura hipótese de incidência do PIS e COFINS, por força do art. 195 da CF que determina que a base de cálculo destes tributos será somente as receitas provenientes do faturamento. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 85 3 Destaca que as planilhas apresentadas à fls. 81, foi anexada planilha para demonstrar o direito creditório em questão. Por fim, insiste na realização de diligência a fim de que seja verificado que lhe assiste razão ao direito creditório, com fundamento no art. 16 do Decreto n. 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Primeiramente porque não há necessidade da RFB o intime a justificar a origem do crédito, antes de emitir o despacho decisório, pois basta que na manifestação de inconformidade sejam apresentadas as provas que embasaram o creditamento realizado por meio das PER/DCOMPs para que o débito seja excluído. Além do que, não há fundamento jurídico para que prospere a alegação de que o despacho decisório possui natureza de lançamento, pois uma vez realizada a compensação, por iniciativa do contribuinte, cabe a Fazenda Nacional verificar a regularidade de tal ato, nos termo do art. 74 do § 11 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, a compensação sempre é realizada sob condição resolutória, por força da lei. Quanto a alegação de falta de motivação do despacho decisório, compreendo que este argumento também deve ser afastado, principalmente porque a justificativa do indeferimento da compensação foi a ausência de crédito disponível para fazer frente ao débito informado. Logo, aqui está a motivação, ou seja, carência de crédito. Por outro lado, se o contribuinte pretende demonstrar que o débito inexiste, então deveria ter apresentado prova do seu direito com a finalidade de reduzir ou extinguir o débito confessado por meio de PER/DCOMP, ou seja, lastro contábil, visto que sobre ele recai o ônus probatório, nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. O que é inadmissível é a alegação fazia de que a origem do crédito decorre de receitas tributadas indevidamente, sem demonstrar a sua origem. Já o argumento de que o despacho decisório constitui lançamento de ofício é descabido, tendo em vista que o débito em exame teve origem na confissão realizada pelo próprio contribuinte, logo desnecessário o ato de constituição do crédito por parte da Fazenda. Em relação a base de cálculo da COFINS e PIS, alega o contribuinte que não compõe a base imponível os valores referentes a juros cobrados sobre vendas a prazo de seus produtos e mercadorias. Todavia, não assiste razão ao contribuinte. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 86 4 O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou, por meio do Resp n. 674.445 – PR, no sentido de que os valores recebidos a título de correção monetária das vendas a prazo compõem a base de cálculo das contribuições, pois integram o preço da contraprestação ofertada pelo cliente e fazem parte do preço bruto da mercadoria. No mesmo sentido é o posicionamento do TRF 4ª Região: TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 3859 PR 2001.70.11.003859 4(TRF4) Data de publicação: 02/08/2006 TRIBUTÁRIO. PIS . COFINS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO. ACRÉSCIMOS FINANCEIROS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Aplicase à hipótese de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS o regime de competência, pelo que, interessa para fins de apuração da base de cálculo as receitas decorrentes das operações financeiras efetuadas no período, sendo irrelevante seu adimplemento ou se realizadas à vista ou a prazo. 2. Outrossim, a legislação regente não distingue a venda à vista ou a prazo, nem inclui dentre as hipóteses de exclusão os acréscimos financeiros, tais como juros e correção monetária, decorrentes da venda a prazo. Realizado o negócio entre as partes, extraise a respectiva receita do valor efetivamente cobrado com a venda da mercadoria ou serviços, independentemente se o montante cobrado tenha sido majorado em razão de eventual parcelamento ou prazo concedido para pagamento. 3. Apelação desprovida. (grifo) Quanto ao pedido de diligência formulado pelo contribuinte, compreendo que agiram bem os julgadores de piso em negar o pedido, pois analisando os autos, concluise que realmente não se mostra necessária a realização de diligência, principalmente porque o recorrente não trouxe aos autos nem mesmo indício do seu direito. Ante o exposto, nego provimento. É como voto. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 87 5 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002676/2008-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 01/04/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
OMISSÃO. EXISTÊNCIA DE CRIME, EM TESE. CONFIGURAÇÃO DE DOLO. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL, MAIS FAVORÁVEL AO FISCO. INAPLICABILIDADE DA TESE DEFENDIDA PELO FISCO. DOLO. CONFIGURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MERA ALEGAÇÃO DE POSSÍVEL INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE AÇÃO PENAL. DÚVIDA. QUANTO AOS REQUISITOS LEGAIS. MELHOR INTERPRETAÇÃO.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.286, integrado este àquela decisão.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 01/04/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA DE CRIME, EM TESE. CONFIGURAÇÃO DE DOLO. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL, MAIS FAVORÁVEL AO FISCO. INAPLICABILIDADE DA TESE DEFENDIDA PELO FISCO. DOLO. CONFIGURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MERA ALEGAÇÃO DE POSSÍVEL INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE AÇÃO PENAL. DÚVIDA. QUANTO AOS REQUISITOS LEGAIS. MELHOR INTERPRETAÇÃO. Embargos Acolhidos.
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Interessado PRÉMOLDADOS AGHA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 01/04/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA DE CRIME, EM TESE. CONFIGURAÇÃO DE DOLO. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL, MAIS FAVORÁVEL AO FISCO. INAPLICABILIDADE DA TESE DEFENDIDA PELO FISCO. DOLO. CONFIGURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. MERA ALEGAÇÃO DE POSSÍVEL INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE AÇÃO PENAL. DÚVIDA. QUANTO AOS REQUISITOS LEGAIS. MELHOR INTERPRETAÇÃO. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.286, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 26 76 /2 00 8- 75 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 230 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela PGFN – em face do Acórdão Nº 2803002.286, exarado pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, sob a alegação de haver omissão na decisão embargada. Aduz a embargante, em síntese. · que houve omissão no acórdão citado, uma vez que este aplicou o artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, e declarou a decadência até a competência 04/2001, deixando de observar situação relevante a questão, pois o Relatório Fiscal informa que houve o desconto das contribuições dos empregados, mas não seu recolhimento, o que configura o crime do artigo 168A, do Código Penal; · que desta forma a regra de decadência a se aplicar é a do artigo 173, I, do CTN, ante a existência de dolo, podendo ser o genérico e não o específico como decidiu o STJ; · que este conselho assim decidiu no Acórdão 240101.304 da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF; · requer ao final – que a omissão seja sanada para se retificar a declaração da decadência, corrigindose o período, para acrescentar na cobrança as contribuições de 12/2000 a 04/2001, atribuindo efeitos infringentes aos embargos, para reformar o acórdão original. É o Relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 231 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. Tratase de embargos de declaração em face de acórdão, amparado na existência de omissão na decisão embargada, quanto a aplicação da regra decadencial. De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição, se existentes possibilitam a oposição de embargos de declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida a omissão, mas apenas e tão somente, no diz respeito aos esclarecimentos e fixação da tese que deu suporte a decisão original. A qual, embora, para mim suficientemente clara no acórdão sobre vergasta, será aqui retomada para maior elucidação da tese. Em que pese, ter a D. PGFN entendido com base em uma passagem parcimoniosa do REFISC, de fls. 83, que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 173,I, da Lei 5.172/66, tendo em vista, o que a alega o agente lançador, conforme transcrição abaixo. 1. FATO GERADOR Os créditos previdenciários, ora notificados, tem como fato gerador a prestação de serviços remunerados por parte de pessoas físicas contratadas pela empresa, referemse aos descontos dos segurados que, tendo sido efetuados, deixaram de ser recolhidos ao INSS na época própria. Tal fato pode caracterizar o crime de apropriação indébita, motivo pelo qual será encaminhado relatório à autoridade competente. Todavia, apesar da expressão acima utilizada, ou seja, “Tal fato pode caracterizar o crime de apropriação indébita...”, esta deve ser interpretada e contextualizada, no ordenamento jurídico, pois ela está no campo das conjecturas. Isto é, o agente lançador no REFISC, apenas diz que tal fato pode ter ocorrido, mas não declara e nem comprova a ocorrência efetiva daquele evento e muito menos informa ou comprova que tal evento se deu por dolo, fraude ou simulação. Aliás, a doutrina pátria sobre esta assunto assim se posiciona: “O castigo penal cora relevância somente quando a apropriação se torna indevida (indébita), isto é, quando é acompanhada de alguma fraude ou engano ou máfé. Quando se trata, enfim, de Fl. 445DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 232 4 um não pagamento atribuível a um devedor fraudulento, contumaz, relapso. São todas essas circunstâncias que iluminam a apropriação indébita previdenciária, para transformála numa apropriação criminosa. Ao juiz, em cada caso concreto, cabe discernir (e bem) o inadimplente do delinquente.” 1 Assim o judiciário se posiciona sobre o assunto. 3. O dolo na espécie configurase na vontade livre e consciente de descontar e deixar de repassar/recolher a contribuição previdenciária devida ao INSS para financiamento da Seguridade Social. Assim, independe da intenção específica de auferir proveito, pois o que se tutela não é a apropriação das importâncias, mas o seu regular recolhimento." (ACR 10388, Proc. 200204010427943/RS, TRF da 4a Reg., 7a Turma, Rel. Des. Federal Fábio Rosa, DJ de 14.05.2003) Evidente das duas passagens acima que a função de definir a ocorrência de dolo no crime não é do fisco, mas sim do judiciário. Devese, lembrar, também, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, conforme, a seguir transcrita não admite o início da ação penal, ou seja, o recebimento da denúncia, antes da constituição definitiva do débito, na seara administrativa, por falta de justa causa. Desta forma, não há que se falar em configuração de dolo. Observese os arestos. EMEN: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DEFINITIVO DO DÉBITO. DELITO NÃO CONSUMADO. FALTA DE JUSTA CAUSA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. PRECEDENTES. ORDEM CONCEDIDA. 1. Não há justa causa para a instauração da ação penal para apurar o crime previsto no art. 168A, § 1.º, do Código Penal, quando o suposto crédito previdenciário ainda pende de lançamento definitivo, uma vez que a inexistência deste impede a configuração do delito e, por conseguinte, o início da contagem do prazo prescricional. Precedentes do Pretório Excelso e Superior Tribunal de Justiça. 2. No caso dos autos, constatase o constrangimento ilegal, tendo em vista que o processo administrativo, no qual se imputou a existência de débitos previdenciários, ainda não havia chegado ao seu termo quando do recebimento da denúncia. 3. Habeas corpus concedido para determinar o trancamento da ação penal n.º 5013327 75.2010.404.7000, em curso na 1.ª Vara Federal de Curitiba, ficando suspenso o prazo prescricional até o julgamento definitivo do processo administrativo. (HC 201101974673, LAURITA VAZ, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:19/10/2011 ..DTPB:.) 1 GOMES, Luiz Flavio. Crimes Previdenciários. Volume I. São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2001, páginas 55. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 233 5 EMEN: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. AÇÃO PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DEFINITIVO. DELITO NÃO CONSUMADO. FALTA DE JUSTA CAUSA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. PARECER ACOLHIDO. 1. Consoante entendimento jurisprudencial, o esgotamento da via administrativa em que se discute a exigibilidade da contribuição previdenciária é condição de procedibilidade para a ação penal em que se apura o delito tipificado no art. 168A, § 1°, I, do Código Penal. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. 2. No caso dos autos, constatase o constrangimento ilegal, tendo em vista que o processo administrativo em que se discutia o débito previdenciário ainda não havia chegado ao seu termo quando do recebimento da denúncia. 3. Recurso provido para determinar o trancamento da ação penal. (RHC 200902145709, SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, STJ SEXTA TURMA, DJE DATA:17/09/2012 ..DTPB:.) (destaques desse Conselheiro). Ademais, de tudo que já foi dito o artigo 112, I, II e III, da Lei 5.172/66, determina que havendo dúvida devese aplicar a interpretação que mais beneficie o acusado. Desta forma, no que tange a capitulação legal do fato, inciso I, não há como prever se realmente o judiciário irá reconhecer a existência da infração penal para daí reconhecer o dolo do agente. No que concerne ao inciso II, natureza ou circunstâncias materiais do fato a dúvida suscitada acima persiste. Por fim, quanto a autoria, imputabilidade ou punibilidade esta seria de uma pessoa natural, ou seja, pessoas física a CRFB/88 só admite a dupla imputação e matéria ambiental e deste forma teríamos violação ao artigo 5º, inciso XLV, isto é, aplicação de pena além do condenado, não implicando isso em reconhecimento de inconstitucionalidade de nenhum diploma legal. Estes foram os motivos pelo quais consideramos o reconhecimento da decadência da forma que o fizemos, pois não há como demonstrado a caracterização do dolo. Esclarecida a omissão, a qual entendeu existente a D. PGFN mantenho a minha decisão original, qual seja, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente, exonerandoa do crédito tributário, em razão da decadência para as contribuições previdenciárias, como citado abaixo. I pelo artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66 as competências até 04/2001; II – pelo artigo 173, I, da Lei 5.172/66 as competências até 11/2000 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.002676/200875 Acórdão n.º 2803002.562 S2TE03 Fl. 234 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para elucidar a omissão que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando ao seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.286, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720589/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO ALEGADO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Se a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização e exerceu na plenitude o seu direito de defesa, mormente não tendo argüido qualquer prejuízo em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe ao colegiado reconhecer de ofício a nulidade do lançamento.
DA GLOSA DAS DESPESAS ORIUNDAS DO ÁGIO PELA SUA INDEDUTIBILIDADE. ERRÔNEA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Há a necessidade de expressamente constar no auto de infração quais artigos específicos da lei tributária foram violados, sob pena de nulidade do mesmo, por violação do art. 10 da lei 70.235/72, bem como dos direitos fundamentais do Contraditório e da Ampla Defesa.
ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO.
Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Não há dispositivo legal que vede ou anule tal ato devendo os atos da administração pública seguir o princípio da legalidade. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997.
DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA.
A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal.
MULTA ISOLADA. DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Inaplicabilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por carência de previsão legal.
Numero da decisão: 1302-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado.
EDITADO EM: 09/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO ALEGADO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Se a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização e exerceu na plenitude o seu direito de defesa, mormente não tendo argüido qualquer prejuízo em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe ao colegiado reconhecer de ofício a nulidade do lançamento. DA GLOSA DAS DESPESAS ORIUNDAS DO ÁGIO PELA SUA INDEDUTIBILIDADE. ERRÔNEA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Há a necessidade de expressamente constar no auto de infração quais artigos específicos da lei tributária foram violados, sob pena de nulidade do mesmo, por violação do art. 10 da lei 70.235/72, bem como dos direitos fundamentais do Contraditório e da Ampla Defesa. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Não há dispositivo legal que vede ou anule tal ato devendo os atos da administração pública seguir o princípio da legalidade. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal. MULTA ISOLADA. DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Inaplicabilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por carência de previsão legal.
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CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO ALEGADO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Se a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização e exerceu na plenitude o seu direito de defesa, mormente não tendo argüido qualquer prejuízo em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe ao colegiado reconhecer de ofício a nulidade do lançamento. DA GLOSA DAS DESPESAS ORIUNDAS DO ÁGIO PELA SUA INDEDUTIBILIDADE. ERRÔNEA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Há a necessidade de expressamente constar no auto de infração quais artigos específicos da lei tributária foram violados, sob pena de nulidade do mesmo, por violação do art. 10 da lei 70.235/72, bem como dos direitos fundamentais do Contraditório e da Ampla Defesa. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Não há dispositivo legal que vede ou anule tal ato devendo os atos da administração pública seguir o princípio da legalidade. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA. A forma da reestruturação empresarial é faculdade do contribuinte desde que observados os dispositivos legais, sendo incabível a multa qualificada, uma vez que a dedução dos valores de ágio amortizado não possui vedação legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 89 /2 01 1- 35 Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.295 2 MULTA ISOLADA. DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Inaplicabilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício por carência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir a preliminar de nulidade, vencido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Eduardo de Andrade. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Redator designado. EDITADO EM: 09/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva. Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.296 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS, em face do acórdão nº 1243.483 (fls. 3124/3143) da DRJ/ Rio de Janeiro I, proferido em processo administrativo que trata de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ano calendário: 2006 e 2007. As atuações foram, nos valores abaixo demonstrados, efetuadas por meio dos Autos de Infração constantes no processo administrativo (fls. 2907/2918 e 2919/2930): Tributo Principal Juros de Mora Multa Multa Isolada Total IRPJ R$ 6.177.791,01 R$ 3.042.562,07 R$ 9.266.686,51 R$ 5.818.610,09 R$ 24.305.649,68 CSLL R$ 3.908.916,94 R$ 1.708.196,69 R$ 5.863.375,40 R$ 2.792.083,53 R$ 14.272.572,56 Os Autos de Infração foram lavrados em face da constatação de: i) redução indevida na apuração do lucro real a título de amortização de ágio de empresa incorporada (IRPJ), e ii) exclusão indevida na apuração da base de cálculo da CSLL a título de amortização de ágio de empresa incorporada. i) Da glosa do ágio amortizado Segundo o relatório fiscal, a recorrente realizou a amortização de ágio no valor total de R$ 153.573.897,00 e, sendo excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (do ano calendário de 2003 a 2007), à razão de R$ 31.023.150,36 em cada anocalendário (fls. 2888/2889). O AFRFB glosou a amortização de ágio, pois entendeu que se trata de ágio interno, sendo inaplicável sob o enfoque contábil, societário e tributário (fl. 2894): Demonstrouse que a criação de ágio interno é uma afronta à lógica contábil, por se tratar de um intangível pelo qual não se pagou e originado de operação sem propósito negocial, por isso, não passível de mensuração, reconhecimento nem divulgação nos relatórios financeiros. Da mesma forma, também se demonstrou que a sua existência é inaceitável do ponto de vista societário, como atesta a determinação de baixalo em todos os casos enfrentados pela CVM. Admitir que a amortização do ágio interno pode reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL – a despeito de não ser aceita nem contábil nem societariamente – é aceitar um ônus pago por toda a sociedade brasileira em favor de sócios que se beneficiam tributariamente de uma transação sem propósito negocial. A Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.297 4 artificialidade do ágio interno revelase particularmente manifesta quando se verifica que, por meio de um “ativo” cujo custo foi nulo e originado de uma transação sem propósito negocial, é possível obterse um subsídio tributário advindo de sua “amortização”. A argumentação que se segue comprova que a amortização do ágio interno é inaplicável também tributariamente. Suscintamente, o AFRFB expõe as razões pela qual entende que o ágio amortizado pela recorrente é ágio interno (item 4 – qualificação da multa de ofício do relatório fiscal) (fl. 2887 e 2903): Não houve, portanto, qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio das operações transferidas da SATMA – Sul América Participações S/A. para STA PARTICIPAÇÕES S/A. O surgimento da maisvalia decorreu do aumento de capital pela transferência de ações avaliadas economicamente, em uma operação “não caixa” entre empresas do mesmo grupo: em vez de incorporálas pelo valor patrimonial, a STA PARTICIPAÇÕES S/A. recebeu da ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. as ações da SATMA – Sul América Participações S/A. avaliadas por um valor econômico pelo qual não houve qualquer desembolso – subjetivamente avaliadas segundo algum tipo de potencial de lucratividade futura. [...] A fiscalizada estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado internamente, registrado apesar da ausência de custo. [...] A artificialidade do ágio interno revelase particularmente manifesta quando se verifica que, por meio de um “ativo” cujo custo foi nulo e originado de uma transação sem propósito negocial, é possível obterse um subsídio tributário advindo de sua “amortização”. Admitir a amortização tributária do ágio interno seria acolher de uma forma de gerar riqueza por meio de um investimento nulo, um investimento, portanto, que propiciaria um retorno infinito; seria admitir, ainda, que – por meio de uma transação sem propósito negocial e realizada intragrupo – um subsídio tributário fosse pago por todos aos sócios da empresa. Destacase que a empresa STA PARTICIPAÇÔES S/A foi adquirida pelo grupo Sul América com o único propósito de servir de canal de passagem de um patrimônio, sem que tivesse efetivamente outra função dentro do contexto, com o intuito de economia tributária indevida reduzindo o pagamento de tributos, sem nenhuma fundamentação econômica. Dessa forma, os valores excluídos da base de cálculo do IRPJ/CSLL no ano calendário de 2006 e 2007 foram de: 1) Ano calendário de 2006: R$ 31.023.150,36. Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.298 5 2) no calendário de 2007: R$ 31.023.150,36 . O AFRFB glosou os valores excluídos a título de amortização de ágio. Ainda, aplicou multa qualificada de 150%, portanto, havendo a incidência do inciso II do art. 44 da lei 9430/96 (atual § 1º do mesmo dispositivo). A recorrente apresentou impugnação (fls. 2943/3011) alegando que: (i) O auditor fiscal ocultou fatos no termo de verificação fiscal, razão pela qual nenhuma das acusações nos subitens 2.3.1 e 2.3.2 da impugnação, que resumem as imposições fiscais contidas no termo de verificação fiscal, se faz presente; (ii) O ágio não decorre de operação do mesmo grupo econômico, foi pago e não foi criado artificialmente; (iii) Nulidade do lançamento que impugna laudo de avaliação, pois baseou os lançamentos tributários em repúdio a laudo de avaliação executados nos ditames da legislação (art. 8º da Lei n. 6.404/76), sem, todavia, assinalar objetivamente inexatidão ou falsidade material ou ideológica de que ele padece, maculando aqueles atos administrativos com o vício da nulidade; (iv) Houve propósito negocial na incorporação, no sentido de tornar a estrutura do Conglomerado Sul América mais simples e econômica; (v) O ágio apurado na incorporada deve ser amortizado nos termos do inciso III do art. 386 do Decreto n. 3.000/1999 c/c o inciso II do § 6º do mesmo artigo; (vi) Os artigos 7º e 8º da Lei n. 9.532/1997 albergam preceitos de natureza tributária especiais, que devem ser obedecidos, ainda que o resultado da aplicação desses preceitos acarrete consequências divergentes das previstas na legislação societária; (vii) A ilegalidade da qualificação da multa por ausência de fraude e dolo; (viii) A impossibilidade de concomitância da multa isolada e multa de ofício, pois implica dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato e uma mesma base de cálculo. A 3a Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, proferindo o Acórdão nº 1243.483 (fls. 3124/3143), com a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.299 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INEXISTENTE. INDEDUTIBILIDADE. Ausentes os pressupostos do ágio, são indedutíveis as despesas dele decorrentes. ÁGIO. EMPRESAVEÍCULO. SIMULAÇÃO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. REDUÇÃO/SUSPENSÃO INDEVIDA. Aplicase a multa isolada sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada sobre estimativa não paga e da multa de ofício sobre o tributo devido ao final do período de apuração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 02/08/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, tendo interposto recurso voluntário (fls. 3154/3243), basicamente, a recorrente repisou os argumentos expostos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.300 7 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA PRELIMINAR 1.1. Da nulidade do auto de infração em virtude da errônea indicação de dispositivo legal específico da legislação do IRPJ e CSLL, arguida de ofício. Não é demais lembrar que a administração pública tem o poder dever de rever seus próprios atos, quando maculados com vícios ou irregularidades. Assim, se faz necessário analisar a preliminar de nulidade, ex oficio, em vista da análise do processo por este relator. Inicialmente cabe observar que o auto de infração é espécie de ato administrativo e, deste modo, necessita observar todos os princípios e requisitos inerentes a tal espécie. O primeiro princípio administrativo que deve ser observado no procedimento de fiscalização tributária é o da legalidade, segundo o qual a administração fazendária deve observar os dispositivos legais existentes no ordenamento jurídico em sua atuação. Significa dizer que a fiscalização realizada que culminará no lançamento do crédito tributário deve respeitar aos dispositivos legais existentes sob pena de violação do Princípio da Legalidade. É pacífico no meio doutrinário administrativo a respeito da possibilidade de a autoridade competente anular um ato administrativo desde que eivado de nulidade absoluta. Segundo José dos Santos Carvalho Filho, “em face de ato [administrativo] contaminado por vício de legalidade, o administrador deve realmente anulálo”, em razão do disposto no art. 37 da Constituição Federal. “Não é possível, em princípio, conciliar a exigência da legalidade dos atos com a complacência do administrador público em deixálo no mundo jurídico produzindo normalmente seus efeitos; tal omissão ofende literalmente o princípio da legalidade”1. O referido autor prossegue em sua análise da teoria das nulidades dos atos administrativos se referindo a uma prerrogativa denominado de autotutela. Segundo Carvalho Filho: 1 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 153. Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.301 8 “a autotutela se caracteriza pela iniciativa de ação atribuída aos próprios órgãos administrativos. [...] se for necessário rever determinado ato ou conduta, a administração poderá fazêlo ex officio, usando sua autoexecutoriedade, sem que dependa necessariamente de que alguém o solicite”.2 Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal cristalizou o entendimento nas súmulas 346 e 473: Súmula n. 346, STF. A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula n. 473, STF. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Portanto, é inegável que as decisões deste órgão administrativo podem anular os lançamentos administrativos desde que presente nulidade no auto de infração produzido pela autoridade fiscal competente. 1.2. Da errônea fundamentação legal – Nulidade formal No tocante à amortização de ágio, conforme se verifica no presente processo administrativo fiscal, o fundamento legal utilizado no auto de infração foi somente o art. 250 do RIR/99 e os fundamentos legais utilizados no termo de verificação fiscal foram os arts. 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95 (fl. 2909), vejamos: Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º , § 3 º ): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei n º 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). 2 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 154. Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.302 9 Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: a) os rendimentos e ganhos de capital nas transferências de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, quando auferidos pelo desapropriado (CF, art. 184, § 5 º ); b) os dividendos anuais mínimos distribuídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei n º 2.288, de 1986, art. 5 º , e DecretoLei n º 2.383, de 1987, art. 1 º ); c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8 º do DecretoLei n º 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei n º 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei n º 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7 º e 8 º , e Medida Provisória n º 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4 º ); d) os juros reais produzidos por Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para troca compulsória no âmbito do Programa Nacional de Privatização PND, controlados na parte "B" do LALUR, os quais deverão ser computados na determinação do lucro real no período do seu recebimento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 100); e) a parcela das perdas adicionadas conforme o disposto no inciso X do parágrafo único do art. 249, a qual poderá, nos períodos de apuração subseqüentes, ser excluída do lucro real até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas nos mercados de renda variável e operações de swap (Lei n º 8.981, de 1995, art. 76, § 5 º ). Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º ). § 1 º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1 º ). § 2 º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º , § 4 º ). Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.303 10 § 3 º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei n º 9.249, de 1995, art. 6 º ). Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 15, § 1 º ). § 1 º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, § 2 º ). § 2 º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, § 5 º ). § 3 º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei n º 4.506, de 1964, art. 58, § 4 º ). § 4 º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei n º 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Art. 325. Poderão ser amortizados: [...] Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.304 11 I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.305 12 § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Destaco que toda a fundamentação legal utilizada pelo AFRFB, acima exposta, no auto de infração e no termo de verificação fiscal, no tocante à amortização do ágio, somente prevê a possibilidade jurídica no ordenamento pátrio de reconhecer a contrapartida de amortização do ágio como despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. Mais especificamente, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante, o AFRFB ter feito ampla análise quanto à reorganização societária realizada, o AFRFB fundamentou erroneamente o enquadramento legal do lançamento do crédito tributário que realizou, uma vez que não demonstrou qual o dispositivo Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.306 13 legal que veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno. Ou seja, o auto de infração, em relação à glosa das despesas tidas como indedutíveis pelo AFRFB, apresentou errôneo fundamento legal tributário específico autorizador do referido lançamento. Do auto de infração de IPRJ (fls. 2907/2918) percebese que no local apropriado para a menção expressa do enquadramento legal autorizador do lançamento, o AFRFB se remete somente ao art. 250 do RIR/99 (fl. 2909). Ocorre que o art. 250 do RIR/99 apenas prevê determinadas hipóteses passíveis de exclusão do lucro líquido do período de apuração para determinar o lucro real, ou seja, referido artigo não veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio, razão pela qual o AFRFB fundamentou de forma errônea o enquadramento legal tributário autorizador do referido lançamento. E, confirme visto acima, o AFRFB utilizou os seguintes dispositivos legais no termo de verificação fiscal: artigos 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95. Sendo assim, como visto acima, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, ou seja, referidos artigos não vedam a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno, razão pela qual inexiste fundamento legal tributário específico autorizar do referido lançamento. Ora, não há em nenhuma das folhas do auto de infração e do termo de verificação fiscal qualquer referência a dispositivo tributário específico que autorize o lançamento realizado, o que há é errôneo enquadramento legal no auto de infração. O AFRFB caracterizou e fundamentou de forma pormenorizada a situação de fraude na reorganização societária, demonstrando os dispositivos legais utilizados no raciocínio jurídico, mas se omitiu em relação à consequência tributária da referida fraude que ocasionou o lançamento, haja vista que errou no enquadramento legal no auto de infração. Ora se omitiu em relação ao mais importante: o fundamento tributário autorizador do lançamento! Desta forma, o AFRFB violou o art. 10 do Decreto 70.235/72, dispositivo o qual prevê os requisitos obrigatórios do auto de infração. Veja que sem qualquer dos referidos requisitos direitos fundamentais como o Contraditório e a Ampla Defesa são impossibilitados de serem exercidos. Vejamos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.307 14 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (grifo não original) O requisito que não preenchido no auto de infração foi justamente aquele que possibilitaria ao administrado se defender de forma adequada e plena. Como o contribuinte poderá exercer o seu direito de defesa sem saber exatamente em qual dispositivo sua conduta incidiu e qual a consequência tributária de seus atos? Seria o art. 299 do RIR/99 o fundamento tributário específico para o referido lançamento? Ou seria outro dispositivo legal de lei ordinária? Não há como saber, pois o AFRFB simplesmente fez referência a dispositivo legal que somente prevê que determinadas hipóteses serão passíveis de exclusão do lucro líquido do período de apuração para determinar o lucro real! E que não se diga que a referida nulidade poderia ser suprida pela apresentação da defesa e dos recursos subsequentes, uma vez que, não estando clara qual a disposição tributária infringida, o contribuinte não terá plenas condições de se defender adequadamente, fazendo alegações aleatórias baseadas em suas próprias suposições. Caberia ao AFRFB indicar dispositivos legais previstos na legislação do IRPJ e da CSLL que fundamentariam o lançamento realizado (vedação da dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio), mas em nenhuma parte do auto se encontra tais dispositivos, tendo em vista que errou no enquadramento legal no auto de infração. O insigne doutrinador e desembargador federal Leandro Paulsen faz importante menção à referida necessidade de expressa menção ao fundamento legal violado nas seguintes palavras: São comuns autos de infração em que são indicados inúmeros dispositivos legais, sem indicação precisa de quais especificamente foram infringidos e em que extensão. Esse procedimento, que aparentemente faz conter quase todos os dispositivos legais sobre o tributo em questão, na verdade cerceia o direito de defesa do contribuinte, pois não indica com a especificidade necessária o(s) dispositivos(s) infringido(s). Assim a tentativa de relacionar dispositivos impertinentes à infração específica pode macular de nulidade o auto de infração. Noutros, são indicados apenas dispositivos regulamentares (do Regulamento do IPI ou do Regulamento do Imposto de Renda, por exemplo), sem a indicação do fundamento legal da infração. E fundamento legal é fundamento de lei ordinária, lei complementar ou medida provisória; nunca, de normas complementares como é o caso de Decretos, Instruções Normativas, Portarias e outros afins, todos infralegais. Neste Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.308 15 caso, também, é nulo o auto de infração porque não há indicação do fundamento legal.3 (grifo não original) Não há que se falar no atual Estado Democrático de Direito, de situação na qual a defesa seja exercida baseada na ”sorte” ou na tentativa do contribuinte de acertar o dispositivo violado. É imperioso que o Auto de infração indique expressamente qual a conduta realizada pelo fiscalizado, bem como o dispositivo violado e sua consequência jurídica. Carecendo um desses itens o auto de infração deve ser considerado nulo de pleno direito. No mesmo sentido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou inúmeras vezes, conforme ementas abaixo: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável. Processo anulado. (2º CC – 5ª Câmara – rel. Damião cordeiro de Moraes – Ac. n° 20501.531j. 04/02/09) (grifo não original) CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ADICIONAL DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A ausência do fundamento de direito que autoriza o procedimento de arbitramento, determina a nulidade do lançamento em decorrência de vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212191, /c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. Processo Anulado. (2º CC – 6ª Câmara – Rel. Cleusa Vieira de Souza Ac. 20601.851, j. 05/02/2009) (grifo não original) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – AUTO DE INFRAÇÃO COM FUNDAMENTO INSUFICIENTE – TERMO COMPLEMENTAR COM CAPITULAÇÃO LEGAL DEFEITUOSA – Segundo o inciso IV do art. 10 do Dec. no 70.235/72, a disposição legal infringida é requisito formal indispensável ao auto de infração, para propiciar a ampla defesa constitucional. Processo que se anula ab initio. (2º CC – 3ª C – Ac. 20303.737 – rel. F – Maurício R. de Albuquerque Silva – DOU 14.07.1998 – p.13) (grifo não original) O dispositivo legal enquadrado no auto de infração (art. 250 do RIR/99) e os dispositivos legais encontradiços no termo de verificação fiscal (artigos 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95), como demonstrado acima, são inaplicáveis 3 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2012, p. 50 e 51. Fl. 3383DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.309 16 ao caso concreto, por não se referirem expressamente à glosa dos valores oriundos da amortização do ágio, em razão da sua indedutibilidade. Cabe ao AFRFB indicar os fundamentos específicos, por exemplo, indicando os dispositivos da lei específica do tributo objeto do lançamento, o que não foi feito no presente caso. O AFRFB se limitou a citar dispositivos legais que preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Resumidamente, todos os dispositivos legais apontados pelo AFRFB como fundamento para o lançamento tributário apenas se referem à dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL quanto à amortização do ágio, ou seja, não fundamentam a indedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL quanto à amortização do ágio. Inexiste um dispositivo legal sequer que possa ser utilizado como fundamento específico do lançamento do tributo objeto do auto de infração (IRPJ). Portanto, reconheço a nulidade, ex ofício, do presente lançamento tributário, para efeito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por erro no enquadramento legal no auto de infração. 2. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO 2.1. Da glosa dos valores lançados a título de ágio. O AFRFB entendeu no seu termo de constatação, o qual faz parte integrante do auto de infração, que o ágio amortizado pela recorrente se trata de ágio interno (ausência de realização de pagamento, originado de operação sem propósito negocial e intragrupo), razão pela qual não se pode ser amortizado sob o enfoque contábil, societário e tributário (fls. 2884/2900). Vejamos através do fluxograma abaixo um resumo das operações realizadas: a) Histórico sobre a constituição da empresa JACOTICATUBAS COMERCIAL LTDA e a consequente transformação em STA PARTICIPAÇÕES S/A: a.1.) 11/09/2001: Constituição da JACOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (STA PARTICIPAÇÕES S/A), sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada, com capital de R$ 100,00, dividos em 100 quotas (fls. 2534 a 2545): JABOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (posteriormente: STA PARTICIPAÇÕES S/A) (Capital Social: R$ 100,00 (100 quotas) Fl. 3384DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.310 17 a.2) 22/02/2002: A empresa GESELLSCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ: 04.645.506/000175) e a empresa SCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ: 03.347.239/000120) substituiram os antigos sócios da empresa JACOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (STA PARTICIPAÇÕES S/A), mantendo o capital social de R$ 100,00, dividos em 100 quotas, detendo a primeira (GESELLSCHAFT) 99 quotas e a segunda (SCHAFT) 01 quota (fls. 1350/1361): JABOTICATUBAS COMERCIAL LTDA (posteriormente: STA PARTICIPAÇÕES S/A) (Capital Social R$ 100,00 (100 quotas) ¯ ¯ GESELLSCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (99 quotas) SCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA (01 quota) a.3) 10/04/2012: A empresa GESELLSCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA alienou a totalidade de suas quotas para a ING INSURANCE INTERNACIONAL B.V. (doravante denominada “ING” – pessoa jurídica domiciliada na Holanda); a empresa SCHAFT PARTICIPAÇÕES LTDA alinou sua quota para a POTACHUELO COMERCIAL LTDA; os novos sócios (ING e POTACHUELO) aumentaram o capital da sociedade para R$ 2.301,00, criando 2.201 novas quotas no valor de R$ 1,00 cada uma; detendo a primeira (ING) 2.300 quotas e a segunda (POTACHUELO) 01 quota; transformaram a sociedade em sociedade por ações e alteraram a denominação da sociedade para STA PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 1350/1361): STA PARTICIPAÇÕES S/A (ex JABOTICATUBAS COMERCIAL LTDA) (Capital Social R$ 2.301,00 – 2.301 quotas) ¯ ¯ troca de sócios ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) (2.300 quotas) (GESELLSCHAFT) PATACHUELO COMERCIAL LTDA (01 quota) (SCHAFT) b) Histórico da constituição do ágio amortizado glosado: b.1) 10/05/2002: a “ING” subcreveu aumento do capital da SATMA – SUL AMÉRICA PARTICIPAÇÕES S.A (CNPJ: 33.429.226/000161) (doravante denominada: “SATMA”) (controladora da SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS). Esse aumento foi totalmente integralizado em moeda corrente, no valor de R$ 297.002.178,20, passando o capital social da “SATMA” de R$ 174.442.561,60 para R$ 471.444.739,80 (participando a “ING” em 49% das ações da “SATMA”) (as ações adquiridas pela “ING” representam 24,50% do capital social da “SATMA” ou 25,25% de seu capital em circulação) (fls. 210/223): ING INSURANCE SATMA – Sul América Participações S.A Fl. 3385DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.311 18 INTERNATIONAL B.V. (ING) (aumenta o capital social da “SATMA”) ® (controladora da Sul América Companhia Nacional de Seguros) ¯ SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGURO (recorrente controlada pela “SATMA”) b.2) 10/05/2002: ato contínuo, a “ING” transferiu seu investimento da “SATMA” para a “STA”, mediante integralização de aumento de capital, no valor de R$ 297.002.178,20 (nos termos do Laudo de Avaliação pela ACAL – fls. 210/218 – o qual tinha avaliado que a participação da “ING” na “SATMA” estaria compatível e adequado em relação ao valor de mercado dos títulos, com fundamento econômico de expectativa de lucratividade futura da investida “SATMA”, levando em consideração a partição desta na investida Sul América Companhia Nacional de Seguros). b.3) O lançamento contábil da operação relativa ao aumento de capital pela transferência de titularidade das ações (fls. 1375/1386) foi a débito de uma conta de investimentos, no valor de R$ 143.428.281,00, referente ao patrimônio líquido da “SATMA” em abril de 2002, a débito de uma conta de ágio, no valor de R$ 153.573.897,00, e a crédito de capital social no valor de R$ 297.002.178,00. Assim, o capital social da “STA” foi de R$ 2.301,00 para R$ 297.004.479,00: ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) SATMA – Sul América Participações S.A ® STA PARTICIPAÇÕES S/A Sul América Companhia Nacional de Seguros Capital Social (antes da transferência de ações): R$ 2.301,00. Transferência Capital: da SATMA para STA: R$ 297.002.178,00. Capital Social (após a transferência de ações): R$ 297.004.479,00. Demonstração da Apuração do Ágio na STA em 05/2002: Patrimônio Líquida da STA na data da operação............................. R$ 554.027.553,85 Total das ações emitidas pela SATMA........................................... 697.496.988 Ações detidas à época pela ING....................................................... 178.117.989 Percentual de participação da ING na SATMA................................. 25,25% Valor patrimonial das ações da SATMA detidas pela ING................. R$ 143.428.281,00 Valor de integralização de capital na STA pela ING com as ações da SATMA....................................................... ........... R$ 297.002.178,00 Ágio apurado pela STA no investimento na SATMA......................... R$ 153.573.897,00 c) Histórico da incorporação das empresas SATMA – Sul América Participações S/A e STA PARTICIPAÇÕES S/A pela recorrente (SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS): Fl. 3386DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.312 19 c.1) 10/05/2002: a totalidade das ações da empresa “STA” foi transferida para a empresa SUL AMÉRICA S/A (doravante denominada: “SASA”) (fls. 1362 e 2315/2323): STA PARTICIPAÇÕES S/A ® SUL AMÉRICA S/A Transferência de 297.004.479 ações da “STA” para “SASA” c.2) 31/12/2002: a recorrente (Sul América Companhia Nacional de Seguros) incorporou a “SATMA” e “STA”, registrando em conta de ativo diferido o valor de R$ 153.573.897,00 (equivalente ao ágio registrado pela “STA”): ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) SUL AMÉRICA S/A STA PARTICIPAÇÕES S/A Incorporação SATMA – Sul América Participações S.A - Sul América Companhia Nacional de Seguros Resultado da incorporação ING INSURANCE INTERNATIONAL B.V. (ING) SUL AMÉRICA S/A Sul América Companhia Nacional de Seguros Quanto à utilização do ágio, o AFRFB destacou (fls. 2888/2889): De janeiro a junho de 2003 o contribuinte amortizou, mensalmente, em conta de resultado, os valores do ágio e da provisão constituída. Os lançamentos contábeis efetuados no resultado foram os seguintes: débito da conta nº 37392018, no valor de R$ 15.511.575,12 (6 parcelas mensais de R$ 2.585.262,53), crédito da conta nº 39392026, no valor de R$ 10.237.639,56. Em 30/06/2003 houve a transferência do saldo do ágio da conta nº 15320030 – “Dif. Incorporação STA’ para as contas nº Fl. 3387DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.313 20 13411055 – “Créd. Trib. IR S/ Diferido STA” e 13411080 – “Cred. Trib. CS S/ Diferido STA”, na proporção de 73,53% e 26,47%, respectivamente. Na mesma data houve a transferência do saldo da provisão da conta nº 15320049 – “Provisão Dif. Incorporação STA” para as contas nº 13498053 – “Outras Prov. IR S/ Diferido STA” e 13498088 – “Outras Prov. CS S/ Diferido STA”, na mesma proporção das contas acima. A partir de julho de 2003, até o mês de dezembro de 2007, o contribuinte passou a amortizar mensalmente as parcelas do ágio e da provisão, contabilizadas em novas contas do ativo diferido, distintas para cada tipo de tributo (IR e CSLL), na proporção de 73,53% e 26,47%, diretamente contra as contas nº 37511343 – “Crédito Tributário IR S/ Diferido Cias” e 37523147 – “Crédito Tributário CS S/ Diferido Cias”, em valores correspondentes aos efeitos tributários da soma das alíquotas de IR e CSLL. Esses lançamentos não influenciaram a apuração do resultado e consequentemente não afetaram a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL daqueles anoscalendário. Entretanto, o contribuinte passou a excluir mensalmente as amortizações do ágio no livro LALUR, reduzindo com isso a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (R$ 31.023.150,36 em cada anocalendário, correspondente a 12 (doze) parcelas mensais no valor de R$ 2.585.262,53). Inicialmente, é característica da atividade comercial a liberdade para escolher a melhor forma para o desenvolvimento de seu negócio e, desde que observadas as exigências previstas em lei, o particular pode decidir como fazer sua reorganização empresarial. Neste sentido, ensina Hermes Marcelo Huck citado por Leandro Paulsen que “nada deve impedir o indivíduo de, dentro dos limites da lei, planejar adequadamente seus negócios, ordenandoos de forma a pagar menos impostos. Não lhe proíbe a lei, nem tampouco se lhe opõem razões de ordem social ou patriótica” 4. A própria Constituição Federal Brasileira dispõe que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer nada sem previsão legal, in verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 4 HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e Elisão: rotas nacionais e internacionais. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 326/327. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 949. Fl. 3388DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.314 21 No âmbito tributário a legalidade é ainda mais necessária, de forma que o princípio recebe o nome da doutrina de princípio da legalidade estrita, nos seguintes termos da Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Dentre inúmeras formas de conduta empresarial a recorrente optou pela que foi mais conveniente no seu entendimento, por motivos que só a ela competem, podendo inclusive ser sucessão empresarial, acomodo societário, diminuição de custos ou qualquer que lhe convir. A referida reorganização societária realizada pela recorrente tem base na lei 9.532/97, nos seus arts. 7º e 8º, reproduzidos no art. 386 do RIR/99. Preveem os referidos dispositivos que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. In verbis, os dois dispositivos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Art. 8º [...] b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (grifo não original) Significa dizer que a criação do ágio nas operações realizadas pela recorrente no presente caso foi um meio utilizado pela mesma para fazer sua reorganização societária, de forma que não entendo violado qualquer dispositivo legal. Recentemente, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou a possibilidade de criação e amortização do ágio interno, em situação similar ao presente processo. Fl. 3389DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.315 22 Vejamos a ementa do acórdão 110100.708 da 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 1ª Se/Jul, proferida pelo conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro em 11 de abril de 2012: ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. O fato de não ser considerada adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir Fl. 3390DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.316 23 intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas s6 pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA.A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. (grifo não original) Resumidamente, o fundamento de que o ágio seria artificial em decorrência da forma como foi criado e, em consequência, indedutível, não merece prosperar. Neste sentido, as fundamentações do voto no referido acórdão acima transcrito, demostram a possibilidade de o contribuinte buscar uma redução do ônus tributário da forma que melhor entende, desde que observada a legislação vigente. Vejamos: Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos. Inclusive, é de se esperar que as pessoas façam isso, sendo reprimível exatamente a conduta oposta. A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação), mas isso não ocorreu no caso concreto. Quando uma pessoa física escolhe declarar pelo modelo completo ou pelo simplificado, visando reduzir sua carga tributária, está agindo racional e licitamente. Sua conduta é artificial, mas é admitida. O mesmo ocorre com dois profissionais que se organizam como empresa para reduzir a carga tributária que teriam como pessoas físicas autônomas. Enfim, desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vício. Estranho seria supor que as pessoas só pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. No caso em concreto, o contribuinte argumenta que a operação que redundou no aproveitamento do ágio interno fazia parte de uma reorganização societária e, por isso, não seria artificial. Mas, mesmo que tivesse sido especificamente intencional, estaria no campo do planejamento tributário (elisão) e não da evasão ou erro. (grifo não original) Para efeitos de argumentação, entendo que o art. 116, parágrafo único, não pode ser utilizado como fundamento para a desconsideração do ágio interno amortizado. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:[...] Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.317 24 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Neste sentido o ilustre desembargador Leandro Paulsen esclarece que “a norma em questão não é autoaplicável, tanto que remete à observância dos procedimentos ‘a serem estabelecidos em lei ordinária’. Requer regulamentação própria e específica” 5. Reforçando referido entendimento o nobre desembargador federal cita ainda as palavras de Ivan Tanil Rodrigues, que afirma: o legislador do parágrafo único do artigo 116 constituiu uma dimensão éticojurídica para o acionamento da desconsideração de atos e negócios realizados com o fito de reduzir a oneração tributária dos fins econômicos pretendidos, não sendo esta prática em si, reprovável, ou passível de desconsideração, pelo simples fato de o negócio estar imbuído de propósito de reduzir a carga fiscal incidente sobre o fim almejado.6 (grifo não original) Maria Rita Ferragut desenvolveu importante estudo em relação à aplicabilidade do disposto no parágrafo único do art. 116, no qual diferencia a elisão fiscal, conduta lícita de diminuir a carga tributária e a evasão, quando o contribuinte se utiliza de meios ilícitos e fraudulentos. Assim discorre a autora: A elisão é permitida pela legislação, e a ela não se aplica o parágrafo único do art. 116. Se assim o fosse, essa norma estaria incorrendo em flagrante inconstitucionalidade, pois desrespeitaria os princípios constitucionais da segurança jurídica, certeza do direito e legalidade. O fato de as exposições de motivos constantes da Lei Complementar no 104/2001 considerar que os planejamentos fiscais implicam diminuição de arrecadação, e que por isso deveriam por meio da lei, ser combatidos, não significa ter sido essa a hipótese contemplada pela norma: se na elisão fiscal não há fato gerador ocultado – pois o fato típico foi licitamente evitado –, não há como haver desconsideração do mesmo, com o consequente estabelecimento da verdade jurídica. Já a evasão fiscal é proibida, é fraudulenta. Contra ela – e em prejuízo exclusivamente dela – o parágrafo único do art. 116 do CTN se volta. Evasão é o ato omissivo ou comissivo, de natureza ilícita, praticado com o fim único de diminuir ou eliminar a carga 5 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 948. 6 RODRIGUES, Ivan Tanil. O Princípio Jurídico da BoaFé e o Planejamento Tributário. O Pilar Hermenêutico para a Compreensão de Negócios Estruturados para obter Economia Tributária. RDDT 93, jun/2003. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 953. Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.318 25 tributária, ocultando o verdadeiro ato ou a real situação jurídica do contribuinte.7 (grifo não original) A referida autora cita três exemplos que demonstram a nítida ocorrência da evasão fiscal. São eles: “(i) consta do contrato social da empresa que seu estabelecimento é em determinado Município, em que a alíquota do ISS é baixa, mas no entanto esta pessoa jurídica não está estabelecida, de fato naquele local, exercendo todas as suas atividades, com a infraestrutura necessária, em outra cidade, em que não é contribuinte do imposto; (ii) pessoa jurídica celebra contrato de compra e venda de mercadorias com empresas e bens inexistentes, aproveitandose dos pretensos créditos de ICMS constantes de notas fiscais frias; e (iii) empresa contrata cooperativa de trabalho em que os cooperados prestam, mediante efetiva e comprovada subordinação – [...] –, serviços consistentes na atividadefim da empresa tomadora dos serviços” 8. No caso em específico do ágio, a própria administração tributária, por intermédio de suas autoridades fiscais, manifestouse no sentido de tentar alterar o entendimento sobre a possibilidade de amortização do ágio interno, que ora tem prevalecido, conforme matéria do periódico Valor Econômico, do dia 03/10/2012, assinado pelos jornalistas Bárbara Mengardo, Adriana Aguiar, Laura Ignacio e Fernando Torres. Vejamos o texto publicado no conceituado jornal sobre matéria tributária: [...] De acordo com o Subsecretário de Tributação e Contencioso da Receita, Sandro de Vargas Serpa, a proposta de MP seria encaminhada à presidente Dilma Rousseff até sexta feira. Serpa admite, entretanto, que o prazo poderá ser estendido, já que depende da agenda da Fazenda. Antes da publicação, detalhes finais ainda seriam debatidos. "Esse projeto foi feito no âmbito da Receita Federal, e logicamente colhemos impressões, tivemos contato com alguns tributaristas de forma informal. Agora que a minuta está pronta, o Ministério da Fazenda chamará alguns institutos e federações para conversar em cima de algo mais concreto", disse Serpa, em um evento na semana passada. [...] 7 FERRAGUT, Maria Rita. Evasão Fiscal: o parágrafo único do art. 116 do CTN e os limites de sua aplicação. Revista Dialética de Direito Tributário 67, abr/2001, p. 118/119. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 953. 8 FERRAGUT, Maria Rita. Evasão Fiscal: o parágrafo único do art. 116 do CTN e os limites de sua aplicação. Revista Dialética de Direito Tributário 67, abr/2001, p. 118/119. In: PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005, p. 953. Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.319 26 Conforme o texto, a dedutibilidade fiscal do ágio será proibida em operações dentro do mesmo grupo econômico. Outra mudança tem relação com o cálculo do ágio em si. Até 2007, ele era obtido pela diferença entre o preço pago e o patrimônio líquido contábil da empresa adquirida. Agora, fica claro que ele será composto pela diferença entre o preço de aquisição e o valor justo dos ativos líquidos comprados. "Com isso, o valor do ágio vai diminuir", afirma Sawaya. Quanto menor o ágio, menor o benefício fiscal. (grifo não original) A intenção da administração tributária federal, com essa proposta de Medida Provisória, de impedir as operações com ágio dentro do mesmo grupo econômico, se não esclarece que há a possibilidade de o fazer atualmente, ao menos demonstra que a legislação atual não é clara na sua vedação. Se fosse clara a proibição legal, não haveria necessidade de se propor uma Medida Provisória para ratificar algo que já existe. Por outro lado, em criteriosa análise do processo percebese que o AFRFB não provou cabalmente qualquer simulação, se limitando apenas em alegar que a reestruturação societária da recorrente não teve um fundamento econômico, o que descaracterizaria o ágio amortizado. No entanto, o AFRFB deveria ter trazido aos autos informações, documentos e fatos que comprovassem que realmente houve a famigerada simulação, fraude ou falsificação, é dele o ônus da prova para poder desconstituir um fato gerador e imputar outro. Inicialmente cabe relembrar que a simulação consiste na diferença entre a real intenção do agente e sua exteriorização. Ato simulado é aquele em que a exteriorização dos atos praticados difere daquilo que o agente realmente desejava fazer. Dessa forma, por meios ainda que legais, o agente busca um resultado que não se compatibiliza com os atos praticados. Sua intenção interior não possui correspondência com os atos praticados. O exemplo clássico da doutrina é o alienante que querendo vender seu imóvel, faz uma doação. Veja que neste caso, sua intenção é um negócio de compra e venda, mas o faz de forma distinta através de instituto jurídico que produz os mesmos efeitos, mas que difere em sua natureza. A intenção não é a doação em si, mas a alienação onerosa que é dissimulada por meio da doação. No presente caso, em nenhum momento ficou demonstrada que a intenção da recorrente não era a criação do ágio. Pelo contrário: toda a reorganização societária tinha como um dos objetivos a utilização do ágio. (Protocolo e Justificação de Incorporação – fls. 26/33). Ad argumentandum, os outros objetivos mostram que a reorganização societária também teve viés econômico: (i) integração de projeto de reestruturação societário do Grupo Sul América, do qual resultará maior eficiência operacional e administrativa; (ii) a otimização administrativa e operacional contempla a concentração de determinadas atividades Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.320 27 e ativos, evitando a multiplicação de estruturas voltadas para o mesmo fim; (iii) fortalecimento da estrutura financeira da recorrente, por intermédio do incremento da sua capacidade de geração de fluxo de caixa e de investimento. (Protocolo e Justificação de Incorporação – fls. 26/33). Vejamos o disposto no art. 385 do RIR/99: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (grifo não original) A simples alegação de que a recorrente não poderia criar ágio interno não torna tais despesas indedutíveis, mesmo por que não há distinção em relação a impossibilidade de dedução do ágio criado internamente, ou seja, na aquisição de empresas do mesmo grupo econômico na lei de regência do referido instituto, qual seja a lei 9.532/97. É imperioso destacar que no direito tributário existe a figura da estrita legalidade, princípio que norteia a relação administração pública e contribuinte, e que exige do Fisco uma atuação dentro dos limites legalmente previstos. Significa dizer que a autoridade competente, ao realizar o lançamento tributário, tem o dever legal de observar estritamente o disposto em lei, sendo uma das principais garantias do contribuinte contra a força estatal. Em suma: (i) A lei de regência do ágio (lei 9.532/97) não limita a possibilidade de amortização do chamado ágio interno, ou seja, não há qualquer vedação Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.321 28 para sua amortização, mesmo em operação de empresa de um mesmo grupo econômico; (ii) Não existe norma antielisão regulamentada, ou seja, o parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, não foi regulamentado. Assim, a autoridade administrativa, que deve ficar vinculada a lei ordinária (ainda inexistente), não pode desconsiderar um fato gerador e definir outro em seu lugar. (iii) Não restou comprovada a existência de simulação na reorganização societária realizada, o que o auditor se limitou a provar foi que a reorganização ocorreu entre partes relacionadas e empresas de um mesmo grupo, o que é fato incontroverso. Porém, não existe prova de que não era realmente este o resultado que a recorrente visava buscar, ou seja, a vontade interna e a externa da recorrente eram a mesma: a reestruturação societária e em consequência a criação e posterior amortização do ágio, dentro dos limites legais; Portanto, no mérito julgo procedente o recurso voluntário interposto pela recorrente no sentido de cancelar a glosa dos valores referentes ao ágio criado e amortizado no período fiscalizado e demonstrado no auto de infração por serem eles dedutíveis, uma vez que criados com observância das disposições legais. 2. Da Conclusão No mérito, julgo procedente o recurso voluntário para cancelar a glosa das despesas relacionadas com a amortização do ágio interno, uma vez que o recorrente agiu em conformidade com a lei e dispositivos específicos autorizadores. E, em decorrência da exoneração do crédito tributário relativo ao ágio amortizado, julgo pelo afastamento da integralidade do crédito tributário e seus reflexos e penalizações. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.322 29 Voto Vencedor Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa no tocante a nulidade levantada de ofício, embora tenha acompanhado o voto do D. Relator, pelas conclusões, quanto ao mérito da exigência, dando provimento ao recurso voluntário. Com efeito, o D. Relator reconheceu de ofício preliminar de nulidade do auto de infração, ao argumento de que o auto de infração não teria apontado o dispositivo específico da legislação do Imposto de Renda infringido pela autuada, o que violaria o disposto no inc. IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/729. Argumenta o Relator que: “No tocante à amortização de ágio, conforme se verifica no presente processo administrativo fiscal, o fundamento legal utilizado no auto de infração foi somente o art. 250 do RIR/99 e os fundamentos legais utilizados no termo de verificação fiscal foram os arts. 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95(fl. 2909),vejamos: [...] Destaco que toda a fundamentação legal utilizada pelo AFRFB, acima exposta, no auto de infração e no termo de verificação fiscal, no tocante à amortização do ágio, somente prevê a possibilidade jurídica no ordenamento pátrio de reconhecer a contrapartida de amortização do ágio como despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. Mais especificamente, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.323 30 contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante, o AFRFB ter feito ampla análise quanto à reorganização societária realizada, o AFRFB fundamentou erroneamente o enquadramento legal do lançamento do crédito tributário que realizou, uma vez que não demonstrou qual o dispositivo legal que veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno. Ou seja, o auto de infração, em relação à glosa das despesas tidas como indedutíveis pelo AFRFB, apresentou errôneo fundamento legal tributário específico autorizador do referido lançamento. Do auto de infração de IPRJ (fls. 2907/2918) percebese que no local apropriado para a menção expressa do enquadramento legal autorizador do lançamento, o AFRFB se remete somente ao art. 250 do RIR/99. Vejamos (fl. 2909): [...] Ocorre que o art. 250 do RIR/99 apenas prevê determinadas hipóteses passíveis de exclusão do lucro líquido do período de apuração para determinar o lucro real, ou seja, referido artigo não veda a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno, razão pela qual o AFRFB fundamentou de forma errônea o enquadramento legal tributário autorizador do referido lançamento. E, confirme visto acima, o AFRFB utilizou os seguintes dispositivos legais no termo de verificação fiscal: artigos 247, 324, 325, 385, 386, todos do RIR/99 e art. 57 da Lei n. 8.981/95. Sendo assim, como visto acima, os fundamentos legais utilizados pelo AFRFB preveem que a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, patrimônio de outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, poderá reconhecer as contrapartidas de amortização do ágio como despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, ou seja,referidos artigos não vedam a dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno, razão pela qual inexiste fundamento legal tributário específico autorizar do referido lançamento. Ora, não há em nenhuma das folhas do auto de infração e do termo de verificação fiscal qualquer referência a dispositivo tributário específico que autorize o lançamento realizado, o que há é errôneo enquadramento legal no auto de infração. O AFRFB caracterizou e fundamentou de forma pormenorizada a situação de fraude na reorganização societária, demonstrando os dispositivos legais utilizados no raciocínio jurídico, mas se omitiu em relação à consequência tributária da referida fraude que ocasionou o lançamento, haja vista que errou no Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.324 31 enquadramento legal no auto de infração. Ora se omitiu em relação ao mais importante: o fundamento tributário autorizador do lançamento! Desta forma, o AFRFB violou o art. 10 do Decreto 70.235/72, dispositivo o qual prevê os requisitos obrigatórios do auto de infração. Veja que sem qualquer dos referidos requisitos direitos fundamentais como o Contraditório e a Ampla Defesa são impossibilitados de serem exercidos. Vejamos: [...] O requisito que não preenchido no auto de infração foi justamente aquele que possibilitaria ao administrado se defender de forma adequada e plena. Como o contribuinte poderá exercer o seu direito de defesa sem saber exatamente em qual dispositivo sua conduta incidiu e qual a consequência tributária de seus atos? [...] Caberia ao AFRFB indicar dispositivos legais previstos na legislação do IRPJ e da CSLL que fundamentariam o lançamento realizado (vedação da dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio interno), mas em nenhuma parte do auto se encontra tais dispositivos, tendo em vista que errou no enquadramento legal no auto de infração.” Pelo que verifico pela próprio relato, a autuação traz a indicação de diversos dispositivo do Regulamento de Imposto de Renda que disciplinam o registro e a amortização do ágio, matéria objeto de discussão nos autos, além de a fiscalização ter descrito minuciosamente as operações por ela imputadas como fraudulentas. O D. Relator reclama a falta de indicação de dispositivo específico da legislação do Imposto de Renda e da CSLL que fundamentasse a infração imputada. Assim, impõese analisar se tal fato, se ocorrido, seria suficiente para acarretar a nulidade da autuação ou se os dispositivos legais indicados, juntamente com a descrição dos fatos foram capazes de suprir eventuais lacunas, sem prejuízo ao direito de defesa, nos termos aceitos pela jurisprudência administrativa10. Entendo que não é causa de nulidade. Ressalto primeiramente que a questão sequer foi arguida pela recorrente em sede de recurso. A única alegação de nulidade feita em sede de impugnação referese ao fato da fiscalização ter impugnado o laudo de avaliação, sem indicar objetivamente qualquer 10 AUTO DE INFRAÇÃO DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judíciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada ímpugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que ínocorreu preterição do direito de defesa. (Acórdão n.° 10313.567,3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuints, DOU de 28/05/1995) Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.325 32 inexatidão ou falsidade ideológica ou material, conforme se observa no relatório do Acórdão nº 1243.483, proferido pela DRJRio de Janeiro (I), in verbis: Nulidade do lançamento que impugna laudo de avaliação (item 2.8) 27 – a autoridade lançadora agrediu as garantias outorgadas ao interessado pelo artigo 845 do RIR/99 e pelos artigos 2o. e 50 da Lei n 9.784/99, ao negar a realidade, já que o valor foi pago pela ING, e ao basear os lançamentos de ofício em repúdio a laudo de avaliação executado segundo os critérios exigidos pelo artigo 8o. da Lei n° 6.404/76, sem, todavia, assinalar objetivamente inexatidão ou falsidade material ou ideológica de que ele padece, maculando aqueles atos administrativos com o vício da nulidade; Em sede de recurso voluntário a recorrente, conforme o relatório deste acórdão, se limitou a reiterar as alegações. Quanto ao mérito da exigência relativa à glosa de despesas com a amortização do ágio o relatório fiscal descreveu minuciosamente as operações societárias realizadas pela recorrente analisando as operações em face da legislação do Imposto de Renda (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 – Decreto 3.000/1999), e considerouas como ágio interno e, portanto, inoponíveis ao Fisco em face da caracterização de simulação, A recorrente, por sua vez, demonstrou em sua impugnação e recurso completo entendimento da acusação fiscal imputada, trazendo ampla argumentação contra as acusações fiscais, sobretudo quanto a efetividade do ágio, ao seu pagamento, a não se tratar de ágio interno, a validade do laudo de avaliação, etc, escudando o seu procedimento nos mesmo dispositivos tido como violados pelo Fisco. Desta feita, resta claro que a recorrente compreendeu a imputação feita pela fiscalização, que determinou a glosa da amortização do ágio e pode exercer sem restrição o seu direito de defesa. Entendo que, quando o Decreto nº 70.235/1972 determina em seu art. 10, inc. IV que o auto de infração deve conter a disposição legal infringida está a se referir à legislação tributária que disciplina a exigência do tributo tida como violada. E, nem sempre a legislação estabelece uma conduta que é vedada, mas sim um molde ao qual se subsumem (ou não) as situações de fato. Assim, um mesmo dispositivo tanto pode servir para validar um procedimento adotado pelo sujeito passivo, se a ele se subsumem os fatos, como para negar seus efeitos perante o Fisco. A aplicação da legislação nada mais é do que o enquadramento dos fatos à lei tributária. No aspecto puramente formal, com a devida vênia do entendimento doutrinário trazido pelo D. Relator, entendo que a citação de dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, como fundamento legal da autuação não viola o dispositivo processual administrativo, pois tratase da legislação do Imposto de Renda consolidada, cujos dispositivos são expressamente amparados por dispositivos da lei ordinária ou complementar. O que, dado a sua sistematização, longe de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, antes a facilita. Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.326 33 Ante ao exposto, entendo que se a própria autuada, ora recorrente, não se sentiu prejudicada no exercício de seus direito de defesa em nenhuma das etapas do litígio instaurado, não cabe a este colegiado reconhecer de ofício a argüição de nulidade da autuação, pelo que afasto a preliminar de nulidade suscitada de ofício pelo relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator Designado Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.327 34 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Divergi do voto do Conselheiro Relator, pois entendo que deva ser afastada a preliminar de nulidade suscitada de ofício, pelos fundamentos que externei no voto vencedor, e, ainda, que seriam devidos juros sobre a multa de ofício e a multa isolada por estimativas (caso fosse mantida a exigência). Todavia, na parte relativa ao cancelamento da glosa de despesa com amortização de ágio acompanho a conclusão do Relator, pelas razões que passo a expor. Antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, julgo oportuno tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. 1. Da liberdade de autoorganização do contribuinte A primeira questão a ser analisada referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal, Marco Aurélio Greco leciona que “não há dúvida de que o contribuinte tem o direito encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.328 35 direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, fraude à lei” 11. Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco, quando forem fruto de um uso abusivo do direito de auto organização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal” 12. A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, especialmente quando se trata do Imposto de Renda, revelase de todo pertinente, não podendo tais princípios serem subjugados ou simplesmente esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. “A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas pelo tributo” 13. E, “na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, um contribuinte puder se furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 14. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 15 Se o contribuinte que pratica atos, abusando do direito de autoorganização, não pode ter reconhecido os efeitos tributários os quais buscou beneficiarse, aquele que simula a prática de atos com vistas unicamente a redução de tributos menos ainda pode usufruir do benefício fiscal almejado. Primeira conclusão: a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. 2. Os fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa 11 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228 12 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211 13 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209. 14 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210. 15 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246 Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.329 36 Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º16. Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais 17 Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômico tributários que o justificassem” 18 16 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto lei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. 17 Acórdão 1301000.999 (relator Valmir Sandri); "[...] A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse a permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresas veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais diversos setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). Por seu turno, as investidoras também não têm interesse em serem extintas, e mais, podem ter limitações regulatórias específicas, que impeçam a junção patrimonial. Assim, a única forma de viabilizar a utilização do benefício é concentrar a participação societária adquirida (com ágio) no leilão numa empresa veículo (sociedade com propósito específico), a qual seria incorporada pela investida. Por isso, no contexto do PND, além de prever expressamente a possibilidade de operações invertidas (art. 8º da Lei nº 9.532/97), a Lei nº 9.491/97, que alterou os procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização PND, em seu art. 4º, permitiu a utilização de várias estruturas societárias possíveis para a implementação da política, inclusive por meio de empresas veículos, como as subsidiárias integrais. [...]" 18 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.330 37 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a cria um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real, caracterizandose a simulação em sua vertente absoluta, pois sequer existe um negócio (verdadeiro) dissimulado19. 19 A simulação, tal como disciplinada no art. 167 do Código Civil é causa de nulidade do negócio jurídico. Marco Aurélio GRECO (in Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228) destaca que a doutrina majoritária define dois conjuntos de situações que configuram simulação: a) simulações objetivas que levam em conta o negócio jurídico celebrado; b) simulações subjetivas que levam em conta as pessoas participantes de tais negócios. Na categoria das simulações objetivas, está abrangida a simulação relativa se houver um negócio real e outro negócio aparente, enquanto na simulação absoluta haverá um negócio aparente e nenhum negócio subjacente (o que alguns autores chamam de pura mentira). Grande parte da doutrina brasileira defendeu, na vigência do antigo Código Civil, que a simulação corresponderia a um vício da vontade. No entanto, esta não é a única maneira de conceber a figura da simulação no Código Civil, como observa Greco: “Assim, por exemplo, ORLANDO GOMES examina a fenomenologia da simulação a partir da idéia de causa do negócio jurídico. Desde (sic) ângulo assume relevância aquilo que se designa por ‘propósito negocial’ (negocial, aqui, no sentido de negócio jurídico e não de empreendimento ou ‘business’). Este autor esclarece que, “no esquema legal de cada tipo de negócio encontrase a causa que o legitima, inalterável ao arbítrio de quem o pratica”. Assim, haverá, em princípio, ato simulado quando “determinado tipo de negócio seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente à sua causa”. E mais, “declarando o que realmente não querem, visam as partes à obtenção de resultado diverso da causa típica, mas... não pretendem o negócio que praticam”. Ou seja, identificar a finalidade e a causa do negócio é o parâmetro para aferir ou não a ocorrência da simulação. Portanto, no exame de determinado caso concreto, para saber se estamos ou não diante da hipótese de simulação, importa não apenas perguntar se estamos ou não diante de uma dualidade de vontades, mas principalmente, detectar se há um motivo real que não corresponda ao motivo aparente. Ricardo Lobo TORRES (in Planejamento Tributário: elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 123 e 124), também cita a diferença existente entre a simulação relativa e a absoluta. Segundo ele “o que caracteriza a simulação, na sua vertente de simulação relativa é que implica a dissimulação, o fingimento ou a manipulação dos fatos praticados”. Segundo esse autor, a teoria do direito civil considera a dissimulação como forma de simulação relativa. Cita civilistas brasileiros que diferenciam a dissimulação (simulação relativa) da simulação (absoluta), in verbis: Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.331 38 As principais características desses arranjos societários simulados são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum ; a criação ou aquisição de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de qualquer outra finalidade nas operações, que não a geração do ágio; operações formais realizadas em curto espaço de tempo (geralmente menos de um ano); incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. Assim, no exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio há que se levar em consideração, principalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (mesmo que com bens ou direitos); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº 1302001.108, que é praticamente inviável o desafio do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pela empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único mecanismo de aferição do valor real do negócio em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio. “Cf. Tepedino, Gustavo; Barboza; Heloisa; Moraes, Maria Celina Bodin de. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Parte Geral e Obrigações. Rio de Janeiro: Renovar, 2004, v. 1 p. 313: “A simulação relativa, também chamada de dissimulação, é a que contém dois atos jurídicos, quais sejam: o negócio simulado que esconde e camufla outro negócio, que é o dissimulado, a verdadeira intenção das partes. É então da simulação relativa que fala o dispositivo em tela, referindose à preservação do negócios simulado, se válido na substância e forma”, Monteiro, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 1989, p. 209 e seguintes: ‘Cumpre não confundir simulação com dissimulação. Distinguiuas Ferrara, nos seguintes termos: na simulação, fazse aparecer o que não existe, na dissimulação ocultase o que é; a simulação provoca uma crença falsa num estado não real, a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma situação existente... Mas em ambas, o agente quer o engano: na simulação quer enganar sobre a existência de uma situação não verdadeira, na dissimulação, sobre a inexistência de situação real. Se a simulação é um fantasma, a dissimulação é uma máscara”; Moreira Alves, José Carlos. Conferência Inaugural do XXVIII Simpósito Nacional de Direito Tributário. In: Martins, Ives Gandra da Silva. O princípio da não cumulatividade. Pesquisas Tributárias – Nova Série – 10. São Paulo: Centro d Extensão Universitária/Revista dos Tribunais, 2004, p. 15: “É isso porque a simulação, como sempre se considerou, apresentava, e apresenta, duas modalidades: uma simulação absoluta, em que o que se quer é apenas criar a aparência, e a simulação relativa, em que, por meio de uma aparência, que é caracterizada pelo negócio simulado, se dissimula o negócio real.” Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.332 39 De se observar que na avaliação do investimento a valor de mercado pode estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o fundamento de rentabilidade futura ao total do ágio pago, necessitará de outros elementos concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos na operação apontando noutro sentido . Outro aspecto que costuma aparecer nas operações de reorganização societária, das quais derivam o ágio, é a transferência do ágio pago pela investidora para outra empresa sob seu controle direto, com posterior incorporação desta última pela investida, com vistas a viabilizar o aproveitamento do ágio. Este fato foi bastante comum no processo de privatização, que contou inúmeras vezes com a participação de empresas sediadas no exterior. Como havia interesse em manter o sigilo dos lances a serem dados nos leilões essas empresas sediadas no exterior, quando vencedoras na licitação, faziam o aporte de investimento diretamente na investida, surgindo o ágio neste primeiro momento. Em momento posterior, essas empresas sediadas no exterior segregavam o investimento mediante a sua transferência (incluindo o ágio) para uma empresa controlada no país, que mais tarde absorvia a investida visando ao aproveitamento (amortização) do ágio. A justificação econômica é de que essas empresas não tinham interesse em fundirse diretamente com a empresa investida, seja por motivos estratégicos, financeiros ou mesmo operacionais, como por exemplo a necessidade de separação por ramos de negócio ou manutenção da marca. Entendo que havendo justificação econômica para o ágio originalmente pago não exista óbice para tal operação, pois se não há vício na formação do ágio o seu aproveitamento posterior, nos termos da previsão legal, deve ser respeitado pelo Fisco. A condição é de que o ágio deve ter como referência a situação patrimonial do investimento na data em que foi efetivamente pago, ou seja, o laudo deve espelhar a situação patrimonial da investida no momento da aquisição original, não no momento da transferência do investimento para a controlada. Feitas estas breves considerações, passo a analisar o caso concreto. 3. Do exame das operações e da existência e aproveitamento do ágio Os fatos relevantes a serem analisados, conforme o relatório deste acórdão e o Termo de Verificação Fiscal são: a) Em 10/05/2002: a empresa ING INSURANCE INTERNACIONAL BV subcreveu aumento do capital da empresa SATMA – SUL AMÉRICA PARTICIPAÇÕES S.A (CNPJ: 33.429.226/000161) (controladora da SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS). Esse aumento foi totalmente integralizado em moeda corrente, no valor de R$ 297.002.178,20, passando o capital social da “SATMA” de R$ 174.442.561,60 para R$ 471.444.739,80. As ações adquiridas pela “ING” representavam 24,50% do capital social da “SATMA” ou 25,25% de seu capital em circulação, conforme laudo de avaliação firmado pela empresa ACAL – Consultoria e Auditoria S/C. (fls. 210/218). Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.333 40 b) Ainda em 10/05/2002: a empresa ING transferiu seu investimento da SATMA para a sua controlada STA PARTICIPAÇÕES SA, mediante integralização de aumento de capital, no valor de R$ 297.002.178,20 (nos termos do Laudo de Avaliação pela ACAL – fls. 210/218 – o qual tinha avaliado que a participação da ING na SATMA estaria compatível e adequado em relação ao valor de mercado dos títulos, com fundamento econômico de expectativa de lucratividade futura da investida SATMA, levando em consideração a partição desta na investida Sul América Companhia Nacional de Seguros. O lançamento contábil da operação relativa ao aumento de capital pela transferência de titularidade das ações (fls. 1375/1386) foi a débito de uma conta de investimentos, no valor de R$ 143.428.281,00, referente ao patrimônio líquido da SATMA em abril de 2002, a débito de uma conta de ágio, no valor de R$ 153.573.897,00, e a crédito de capital social no valor de R$ 297.002.178,00. Assim, o capital social da STA foi de R$ 2.301,00 para R$ 297.004.479,00. c) Na mesma data a empresa ING permutou suas ações na empresa STA com ações na empresa Sul América S/A – SASA (controladora da SATMA, que por sua vez controlava a empresa Sul América – Cia Nacional de Seguros – SALIC). d) Em 31/12/2012, a empresa operacional SALIC, ora recorrente, incorporou as empresas SATMA e STA, registrando em conta de ativo diferido o valor de R$ 153.573.897,00 (equivalente ao ágio registrado pela STA). e) A partir de janeiro de 2003 a recorrente passou a amortizar mensalmente os valores de ágio registrados. f) Com a reestruturação a empresa investidora (ING) passou a deter participação minoritária na holding SUL AMÉRICA S/A – SASA, detentora do controle acionário da SALIC. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento entendeu ter havido a criação de ágio interno, motivo pelo qual o mesmo não poderia ser reconhecido nem amortizado. Entendo que desta feita não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. No presente caso ocorreu a subscrição integralização do capital, com pagamento em moeda, remetido do exterior por uma empresa estrangeira (ING), com aquisição efetiva de participação na empresa investida (24,5% da empresa SATMA), por valor superior ao patrimônio escriturado, com base em laudo de avaliação de empresa de consultoria especializada. Neste momento verificouse o pagamento de ágio na subscrição e integralização do capital. Em momento seguinte a empresa estrangeira aumentou capital em empresa controlada no país (STA), mediante a transferência dessa participação adquirida da empresa SATMA, pelo mesmo valor pago, ou seja, o valor patrimonial das ações subscritas, mais a incorporação do ágio pago na integralização. Na sequência registrouse a permuta de ações da empresa STA com os controladores da empresa SASA (outra holding do grupo), por ações desta. E, por fim, a empresa operacional (investida indireta), absorveu por incorporação as empresas SATMA e STA, passando a reconhecer e amortizar o ágio anteriormente pago. Fl. 3408DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720589/201135 Acórdão n.º 1302001.145 S1C3T2 Fl. 3.334 41 O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração da participação societária, com expressiva redução da participação do grupo controlador. A circunstância do ágio, originalmente pago pela empresa investidora no exterior, ter sido transferido para outra empresa sob seu controle a meu ver não o desnatura. Observese que a empresa estrangeira já detinha a participação na empresa STA quando efetuou a aquisição das ações da empresa SATMA. Assim, se tivesse feito a capitalização da empresa STA com os recursos enviados em dinheiro do exterior e esta subscrito e integralizado as ações da empresa SATMA o resultado, quanto ao ágio, seria exatamente o mesmo. Não cabe aqui perquirir as razões econômicas, financeiras ou comerciais da empresa investidora ao optar pela formatação do negócio do modo como efetivou. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se vale licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses. No presente caso entendo que restaram caracterizadas: a existência de motivação econômica para a operação, a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação, a existência de efetivo pagamento do ágio (baseado em laudo de avaliação de empresa especializada) e, a modificação da participação no controle (indireto) da empresa operacional após a reorganização, com a redução da participação dos antigos controladores. Do ponto de vista estritamente fiscal entendo que a reorganização societária realizada vai ao encontro dos dispositivos legais, já analisados anteriormente, que permitiam ao contribuinte beneficiarse do ágio pago, mediante a sua amortização mensal na base de 1/60 avos. Ou seja, não existindo vícios na formação do ágio e verificandose a situação prevista no art. 386 do RIR/1999 é direito da recorrente promover a amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, apurado e registrado nas operações societárias. Ante ao exposto voto pelo provimento do recurso voluntário. Sala de Sessões, 06 de Agosto de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3409DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10540.000902/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
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APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 09 02 /2 01 0- 72 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Tratase ação fiscalizatória levada a eleito contra o sujeito passivo acima identificado em epígrafe, relativa à Operação Especial Órgãos Públicos, conforme se observa do Relatório Fiscal da Ação Fiscal [fls. 63/66]: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 18 3 [...]tem como propósito conduzir investigações atinentes a verificações da obrigatoriedade dc declarar e recolher as Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social, previstas no art. 11, parágrafo único, da Lei 8.212 de 27/07/1991, decorrentes da prestação dc serviços executados por segurados empregados pertencentes ao quadro de pessoal da Prefeitura Municipal sob fiscalização, não amparados por Regime Próprio de Previdência Social. O presente procedimento fiscal abrange os anoscalendários de 2006 a 2008, com execução de procedimentos de auditoria sobre dados disponíveis pela Fiscalização da Receita Federal doBrasil e sobre informações prestadas pelo fiscalizado no curso da ação fiscal. Em 19/03/2010 tiveram início as atividades fiscalizatórias com a lavratura do Termo de Iníciode Procedimento Fiscal com intimação para apresentação dos documentos lá discriminados,cuja ciência deuse por via postal, em 26/03/2010, mediante Aviso de Recebimento AR n° SS72122423 2 BR, Em resposta ao Termo de Intimação, o sujeito passivo entregou em12/04/2010 os documentos relacionados nos Termos de Recebimento. Dentre asdocumentações entregues constam as Listagens de Processos Pagos relativas aos anoscalendáriosem comento. Em 16/04/2010 foram entregues as fotocópias simples das Folhas dePagamentos Avulsas dos meses 01/2007, 04/2007, 07/2007 e 09/2007. A partir destas novas documentações, a Fiscalização elaborou em 10/05/2010 o Termo deConstatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, encaminhando ao sujeito passivojuntamente com fotocópias simples das Listagens de Processos Pagos, objetivando cientificar oautuado dos novos fatos levantados, bem como, intimálo a manifestar sobre as divergênciasapuradas, informar a base de cálculo e a quantidade de segurados empregados relativo ao 13°salário, a apresentar os Demonstrativos Contábeis Mensais cias Contas Específicas de Despesacom Pessoal, bem como a prestar outros esclarecimentos. A resposta ao presente Termo foi encaminhada via postal, mediante Aviso de Recebimento AR n° SO 38339710 4 BR, com entrega em 04/06/2010, conforme informação extraída do sítio dos Correios. O fiscalizado justifica a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela Fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. Comunica que o município não possui Regime Próprio de Previdência.Por fim, afirma que o quadro atual da Prefeitura é composto de 972 funcionários. De posse destes elementos, elaboramos o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e planilhas 1, I I , I I I e IV nas quais contemplam os valores de Remuneração/Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária declarados em GF1P, os valores de Base de Cálculo extraídos das Listagens de Processos Pagos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 entregues pelo fiscalizado, os valores de Base de Cálculo constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM c os valores de Base de Cálculo e de Contribuição Previdenciária indicados nas Folhas de Pagamento Avulsas. Considerando que o fiscalizado alegou dificuldade em encaminhar os dados referentes ao 13° salário, a Fiscalização calculou a media anual da base de cálculo informados nas Listagens de Processos Pagos, nas competências janeiro a dezembro, de 2006 a 2008 e definiu estes valores para a competência 13 de cada ano calendário. O mencionado Termo e planilhas foram enviados ao fiscalizado através de Aviso de Recebimento AR n° SK 11082935 5 BR, cuja ciência deuse em 06/07/2010. Salientese que o sujeito passivo até a presente data não se manifestou acerca das considerações contidas no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 02 e nas planilhas anexas. Com efeito, para fins de quantificar os valores que deixaram de ser declarados nas GFIPs correspondentes às contribuições previdenciárias devidas sobre pagamento efetuados a segurados empregados amparados pelo Regime Geral de Previdência nos meses sob fiscalização, utilizamos os dados constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas. Do mesmo modo, utilizouse, também, os dados constantes dos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM, informações estas prestadas pelo sujeito passivo as quais foram auditadas e publicadas pelo citado Órgão. Foram, então, elaboradas as planilhas I a VIII as quais contemplam os dados c informações verificados no transcorrer da ação fiscal em referência. Constam abaixo a denominação e descrição dos levantamentos e lançamentos constituídos no curso deste procedimento fiscal. Os fatos geradores das obrigações principais e acessórias das contribuições previdenciárias apuradas no curso desta fiscalização foram distribuídos em levantamentos próprios, assim identificados: 1. Obrigação principal: a) GF DECLARADO EM GFIP: Constam neste levantamento os valores das remunerações pagas a segurados, das contribuições retidas de segurados e das contribuições patronais, declarados nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da Receita Federal do Brasil, inclusive a contribuição GILRAT/SAT. Este levantamento não participa da apuração dos débitos, sendo criado somente para fins de apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. Registrese que tal levantamento retrata as GFIPs conforme declaradas pelo fiscalizado. b) LP LISTAGEM DE PAGAMENTO; Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos e valores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 19 5 Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente as contribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir da aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens de Processo Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; c) LP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos evalores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente ascontribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir daaplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens deProcesso Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP(código do lançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo damulta mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; d) LP2 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos de valores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as bases de cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Listagens de Processos Pagos evalores de base de cálculo de segurados empregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (código do lançamento BC), mais especificamente ascontribuições patronais, incluída a GILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados calculada a partir daaplicação da alíquota mínima de 8% sobre a base de cálculo extraída das Listagens deProcesso Pagos e valores de contribuições segurados empregados declarados em GFIP(código do lançamento CS). Contemplam as competências que não participaram docomparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; e) FP1 LISTAGEM DE PAGAMENTO: Constam neste levantamento os lançamentos devalores não declarados em GFIP, decorrentes das diferenças detectadas entre as basesde cálculo pagas a segurados empregados contidas nas Folhas de Pagamentos Avulsas,dos meses de abril e junho de 2007 e valores de base de cálculo de seguradosempregados declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB, (códigodo lançamento BC), mais especificamente as Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT. De igual forma, integra os lançamentos provenientes das diferenças decontribuições segurados empregados indicadas nas Folhas de Pagamentos Avulsas, dosmeses de abril e junho de 2007 e valores de contribuições segurados empregadosdeclarados em GFIP (código do lançamento CS). Contemplam as competências queentram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; f)TC REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multa anterior; g) TC1 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que entram no comparativo da multa maisbenéfica e está sendo cobrada a multa atual; h) TC2 REMUNERAÇÃO DEMONSTRATIVO TCM: Constam neste levantamento oslançamentos de valores não declarados em GFIP, apuradas pelo confronto entre as basesde cálculo declaradas nas GFIPs arquivadas nos Sistemas Eletrônicos da RFB e as basesde cálculo calculada pela Fiscalização mediante diferença entre base de cálculo informadano Demonstrativo do TCMBA e entre a base de cálculo constante nas Listagens deProcessos Pagos. Estão sendo cobradas as contribuições patronais, incluída aGILRAT/RAT (código do lançamento BC). De igual forma, integra os lançamentosprovenientes das diferenças de contribuições segurados empregados que deixaram de serdeclarados, calculadas pela aplicação da alíquota mínima Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 20 7 de 8% sobre as bases decálculos apuradas pela diferença entre base de cálculo informada nos Demonstrativos doTCMBA e a base de cálculo constante nas Listagens de Processos Pagos (código dolançamento CS). Contemplam as competências que não participaram do comparativo damulta mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; i) Gl GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT). Contempla as competências que entraram no comparativo e está sendo cobrada a multaanterior; j) GI1 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento oslançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT).Contemplam as competências que entram no comparativo da multa mais benéfica e está sendo cobrada a multa atual; I) GI2 GILRAT SOBRE REMUNERAÇÃO GFIP: Constam neste levantamento os lançamentos de valores de contribuição GILRAT/SAT que deixaram de ser informadas,calculados sobre remuneração declarada em GFIP (código do lançamento SAT).Contemplam as competências que não participaram do comparativo da multa mais benéfica, sendo cobrada a multa de ofício de 75%; m) DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS: No curso da fiscalização é feita aconferência dos acréscimos legais calculados pelo fiscalizado quando dopagamento/recolhimento efetuado após a data de vencimento, através das Guias da Previdência Social GPS. É, então, emitido um relatório denominado DAL Diferenças deAcréscimos Legais, que discrimina as diferenças decorrentes de recolhimento a menor dejuros e/ou multa mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos recolhidos.Constam neste levantamento os valores dos acréscimos legais cobrados Ouros e multa demora), em virtude de recolhimento a menor e após a data de vencimento. Para fins delançamento destes acréscimos legais, embora o pagamento/recolhimento seja decontribuição previdenciária pertinentes aos anoscalendários sob fiscalização, a data daocorrência do fato gerador é o mês em que o autuado procedeu aopagamento/recolhimento incorreto; 2. Obrigação Acessória: a) AIOA CFL 68 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em decorrência de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; b) AIOA CFL 78 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 8 virtude de o sujeito passivo não prestar as informações à Receita Federal do Brasil em conformidade com as disposições estabelecidas pela legislação regulamentadora da materia; c) AIOA CFL 77 Constam neste levantamento os lançamentos das multas pelo descumprimento da obrigação acessória em virtude de o sujeito passivo ter entregue as GFIPs após o prazo estabelecido pela legislação regulamentadora da matéria; ou seja, com atraso. O presente processo tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.297.1962, por descumprimento de obrigação principal, em nome do órgão público em epígrafe, referente às competências 02/06 a 03/07, 05/07 a 13/08 e 07/09, recebido por meio de carta com aviso de recebimento, fls. 394. Constam dos autos os seguintes levantamentos: DAL, GI, GI1, GI2, LP, LP1 e LP2, conforme se verifica as folhas 04/05: Com efeito, compete ao empregador entregar GFIP fazendo constar as informações relativas aos fatos geradores, base de cálculo e contribuição previdenciária devida, bem como recolher as contribuições a seu cargo. Dentre os documentos entregues pelo intimado estão as Listagens de Processos Pagos, exceto das competências 13/2006, 13/2007 e 13/2008. De posse destes documentos a Fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos Listagens de Processos Pagos e os valores de base de cálculo dos segurados empregados declarados na GFIP em análise. Assim sendo, procedeuse ao confronto entre os valores de base de cálculo dos segurados empregados declarados em GFIP apresentadas pelo fiscalizado e os valores de base de cálculo dos segurados empregados informados nas Listagens de Processos Pagos dos anos calendários de 2006, 2007 e 2008. Isto posto, ficou caracterizado que o autuado deixou de declarar na GFIP a totalidade das remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, fato este que resultou em declaração a menor da base de cálculo da contribuição previdenciária, e consequentemente, da contribuição patronal de responsabilidade da empresa, conforme planilhas 1 a V. Para o cálculo da contribuição patronal está sendo aplicada a alíquota de 20%. Para o cálculo da contribuição GILRAT/SAT está sendo aplicada a alíquota de 1 % ou 2% sobre as bases de cálculos apuradas a partir dos valores de base de cálculo constantes das Listagens de Processos Pagos. Desse modo, sobre as remunerações não declaradas está sendo exigida a contribuição GILRAT/SAT, prevista no art. 22, inciso I I , acima transcrito, aplicandose as alíquotas consoante previsão legal. [...] Desse modo, estão sendo exigidos os acréscimos legais sobre os valores pagos/recolhidos mediante Guias da Previdência Social GPS, código 2402, após data de vencimento c a menor. Para fins de lançamento, a data do fato gerador é o mês no qual o pagamento/recolhimento foi efetuado. No Relatório de Diferenças de Acréscimos Legais DAL encontram Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 21 9 se discriminados os valores recolhidos, os valores apurados e a diferença a ser cobrada. Estando, pois, constatado que o fiscalizado deixou declarar a totalidade das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, bem como deixou de declarar a contribuição GILRAT/SAT, foi lavrado o presente Auto de Infração para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições patronais, incluída a contribuição GILRAT/SAT, não declaradas e não pagas, apuradas sobre os fatos geradores informados e não informados na GFIP, relativos aos anoscalendarios de 2006, 2007 c 2008. Como também, estão sendo cobrados juros e multa de mora em decorrência de pagamento a menor e fora do prazo. Inconformado o Sujeito Passivo apresentou impugnação tempestiva que, por meio do Acórdão n. 1526.031 – 6ª Turma da DRJ/SDR, foi julgada improcedente: Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada do decisum, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário que alegou, em síntese: (i) Em 04/06/2010, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilha 01, o Município justificou a impossibilidade em prestar os esclarecimentos acerca das divergências constatadas pela fiscalização em virtude de não dispor de todos os documentos cuja guarda e arquivamento são de responsabilidade da gestão anterior. (ii) Informa ainda que não possui regime próprio de previdência. 4.3. Equivocouse o senhor AuditorFiscal, quando da tentativa de demonstração da ocorrência do Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 10 fato gerador, ao deixar de esmiuçar e individualizar as bases de cálculo utilizadas para encontrar o valor atualizado demonstrado na consolidação do débito; (iii) o auto de infração é nulo, pois sua narração é confusa e dificulta o direito de defesa; (iv) Cita os arts. 2 o e 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e afirma que os autos de infração aplicados ao Município não possuem motivação, apenas se limitam a dar o enquadramento da conduta. Não resta sombra de dúvida que o ato administrativo vinculado em apreço está eivado de vício pela falta de motivação, devendo o mesmo ser desconstituído através da sanção de nulidade; (v) A multa cominada no AI é inconstitucional, já que se caracteriza absolutamente como confiscatória. Cita o art. 5ºda Constituição Federal e diz que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que, depois, a multa seja mensurada e aplicada; (vi) Verificase do auto de infração em epígrafe e dos demais consequ ̈entes que o AuditorFiscal de pronto se enveredou a calcular montantes de contribuição e multas, e, ainda, notificou para pagamento em 30 dias. Diz que a multa só se torna exigível após todo o processo administrativo, onde é assegurado o contraditório e a ampla defesa, pois, caso contrário, estáse aplicando uma sanção sem o devido processo legal; (vii) Afirma que os valores de contribuições levantados e as multas aplicadas nos referidos autos de infração são nulas, por afronta aos princípios da legalidade, motivação, contraditório e ampla defesa; (viii) No mérito, afirma que o Município autuado, no decorrer da ação fiscal, procurou em todo momento cumprir as exigências demonstradas nas intimações emitidas pelo Sr. AuditorFiscal; (ix) Para apuração do crédito tributário devido, foram confrontados os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informados nas GFIP com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas folhas de pagamento avulsas e nos demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados, resultando ainda na aplicação de multas acessórias. Como é visto, trata se de um procedimento que deixa margens a dúvidas, pois não há exatidão nas fontes de informações.Cita o art. 12 do CTN; (x) Argumenta que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária. O exercício desse mecanismo encontrase ancorado nos princípios da razoabilidade, da finalidade da lei e proporcionalidade, podendo ser utilizado quando realmente mostrese impossível utilização da base de cálculo originária; e (xi) Requer que sejam acolhidas as preliminares arguidas e, em sendo estas ultrapassadas, seja julgado improcedente o lançamento realizado, em razão dos argumentos de fato e de direito preconizados, desconstituindose o crédito tributário lançado através do AI, por se tratar de medida de mais lídima Justiça e Direito. Pede o apensamento dos demais AI DEBCAD n°s 37.297.1954, 37.297.1920, 37.297.1911, 37.297.1946, 37.297.1938, 37.297.1881, 37.297.1890 e 37.297.1903, por tratarse de resultado da mesma ação fiscal e, em sendo assim, devem ser julgados no conjunto e não em separado. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 22 11 Voto Conselheira Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 583DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 12 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO 2.1Obrigatoriedade Do Recolhimento Fl. 584DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 23 13 O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Foram realizados os confrontos entre os valores declarados cm GFIP c os extraídos das Listagens de Processos Pagos, das Folhas de Pagamentos Avulsas e dos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA correspondentes ao Regime Geral dc Previdência, entregues pelo sujeito passivo supra qualificado, conforme planilhas 1 a V I I ! , constatouse o cometimento da infração à legislação tributária, razão por que lavramos os Autos de Infração específicos, identificados no presente Relatório Fiscal, para exigir do autuado o crédito tributário correspondente. Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial correspondentes a segurados empregados informadas nas GFIPs com os valores constantes nas Listagens de Processos Pagos, nas Folhas de Pagamentos Avulsas e nos Demonstrativos disponibilizados pelo TCMBA, sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ter o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir Fl. 585DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 14 seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referentes às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente, documentos de fls. 40 a 85 e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, fls. 87/98, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese,, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 24 15 QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 16 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.000902/201072 Acórdão n.º 2302001.941 S2C3T2 Fl. 25 17 3CONCLUSÃO Pelo exposto, Voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício As multas relativas às infrações de GFIP, devem ser calculadas considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 589DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
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