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Numero do processo: 19679.008938/2005-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Não devem ser conhecidos os embargos opostos em desacordo com os prazos determinados pelo art. 65, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009.
Numero da decisão: 1402-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, tornar sem efeito o despacho de admissibilidade dos embargos de declaração e não conhecer daquele recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não devem ser conhecidos os embargos opostos em desacordo com os prazos determinados pelo art. 65, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009.
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INTEMPESTIVIDADE. Não devem ser conhecidos os embargos opostos em desacordo com os prazos determinados pelo art. 65, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, tornar sem efeito o despacho de admissibilidade dos embargos de declaração e não conhecer daquele recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 89 38 /2 00 5- 46 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19679.008938/200546 Acórdão n.º 1402002.316 S1C4T2 Fl. 181 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte MERSEN DO BRASIL LTDA em face do Acórdão nº 140200.034, proferido em 27/08/2009. Inicialmente foram os autos distribuídos ao Conselheiro Carlos Pelá. Com o término de seu mandato foram a mim redistribuídos para análise. A ciência do referido acórdão deuse em 16/12/2010 (v. efls. 112). Já os embargos foram propostos em 23/12/2010 (v. efls. 115/120). No despacho de admissibilidade de embargos de efls. 178/179, restou acatada a proposta do Conselheiro Carlos Pelá, de acolhimento dos embargos apresentados pela contribuinte. Abaixo reproduzo alguns trechos do referido despacho para melhor situar as questões que envolvem o recurso. Em suas alegações a embargante aduz que (verbis): “(...) , o v. acórdão omitiuse sobre ponto que deveria a Turma Julgadora pronunciarse, porquanto foi expressamente objeto do Recurso Voluntário. Por essa razão, com fulcro no artigo 65, do Regimento Interno deste E. CARF interpõe o recorrente estes Embargos de Declaração, a fim de que seja sanada a omissão no julgamento, declarandose o v.acórdão para todos os fins e efeitos. Vejamos, então, a demonstração da omissão e os fundamentos para a integração do v. acórdão. Insurgiuse em face da decisão de 1a instância administrativa, pelos seguintes motivos: 1°) Abrangência da norma do artigo 138, do Código Tributário Nacional: aplicação da excludente da denúncia espontânea ao caso concreto; e 2°) Novo imposto travestido de penalidade: multa aplicada com a mesma formatação dos impostos, violando o dispostos nos artigos 153 e 146, da Constituição Federal. Ocorre que, o v. acórdão da 2a Turma Ordinária apreciou, apenas, o primeiro ponto objeto do Recurso Voluntário, omitindose completamente com relação ao segundo ponto da controvérsia. Com efeito, não há no v. acórdão qualquer análise ou palavra quanto ao fundamento de que a multa exigida possui todas as características de um verdadeiro tributo, sendo, por isso, insubsistente. Ora, nas razões de Recurso Voluntário (ver item III do mérito) o recorrente insurgiuse expressamente em face da multa constituída, haja vista que o artigo 7°, II, da Lei n° 10.426/2002 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19679.008938/200546 Acórdão n.º 1402002.316 S1C4T2 Fl. 182 3 estabelece a mesma forma dos impostos para a apuração de uma penalidade. (...) Essas questões, por sua vez, não foram objeto do v. acórdão da 2' Turma Ordinária, a qual se omitiu de julgar o ponto acima reproduzido. De se destacar que o ponto omitido no v. acórdão por este Conselho Administrativo é objeto de insurgencia pelo contribuinte desde a Impugnação, porém, os julgadores tributários, em duas oportunidades, simplesmente, deixaram de enfrentálo, fechando os olhos para a insubsistência da penalidade. Diante disso, é flagrante a omissão do v. acórdão sobre ponto acerca do qual competia à Turma Julgadora pronunciarse, o que justifica o cabimento destes Embargos Declaratórios. (...) Pois bem, realmente a questão objeto dos embargos consta ao final do relatório do acórdão (cópia fl 99, verbis) Por fim, argumenta que tratase não de uma penalidade, mas de um imposto novo, travestido de penalidade, uma vez que a norma que estabelece a penalidade tem a mesma formatação das normas que descrevem o fato gerador de uma obrigação tributária principal. Seria, na realidade, uma norma instituidora de um imposto dobre a renda, sem autorização constitucional e sem respeitar as regras para a criação de tributos. Todavia. não foi mesmo apreciada no voto condutor (fl. 100 e seguintes). Diante do exposto, propugno sejam os embargos acolhidos, com fulcro Art. 65, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, determinandose nova inclusão do processo em pauta para a devida apreciação da matéria. É o suficiente para o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19679.008938/200546 Acórdão n.º 1402002.316 S1C4T2 Fl. 183 4 Voto Conselheiro LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES, Relator. Ao iniciar a análise do processo verifiquei, primeiramente, que os embargos propostos estavam intempestivos, ao contrário do entendimento do Conselheiro Carlos Pelá. O AR de efls. 112 comprova que a contribuinte teve ciência do julgamento de seu recurso voluntário em 16/12/2010 (quintafeira), vindo a apresentar os embargos no dia 23/12/2010 (quintafeira). Portanto, os embargos são manifestamente intempestivos, haja vista o prazo insculpido no art. 65, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 Mesmo que não fosse o caso de intempestividade, avaliamos que os mesmos deveriam ter sido rejeitados de plano, haja vista a inexistência da omissão alegada pela requerente. A matéria dita como não apreciada pelo Acórdão de Recurso Voluntário de efls 104/109 sequer foi aventada na impugnação (v. efls. 02/11), estando, portanto, preclusa a sua apreciação pela Turma Recorrida. Talvez por ter percebido a tempo os vícios que inquinavam o seu recurso de embargos, a contribuinte protocolou, em 03/01/2011, o Recurso Especial de efls. 125/159, fato este que passou desapercebido pelo Conselheiro Carlos Pelá. Isso posto, voto por tornar sem efeito o despacho de admissibilidade do presente recurso, NÃO CONHECENDO do mesmo, por manifesta intempestividade, propondo sejam os autos encaminhados à Presidência da 4ª Câmara para a análise da admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela recorrente. Em 15 de setembro de 2016. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917869/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2005
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. EFEITO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. EFEITO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PER/DCOMP. DIREITO DEMONSTRADO. EFEITO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos, o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do CTN, enseja o reconhecimento do direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 69 /2 01 1- 37 Fl. 3021DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.731, da 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a Manifestação de Inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DECOMP nº 36224.71121.110506.1.2.046658, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância, não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa do Acórdão abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 10830.917869/201137 Acórdão n.º 3402003.501 S3C4T2 Fl. 3.022 3 A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 11/12/2013 (fl. 75). Inconformada, apresentou em 20/12/2013, Recurso Voluntário (fls. 77/97), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, argumentando, em síntese, que: a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado; sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito; informa que acosta aos autos os seguintes documentos (fls. 98/128): demonstrativo denominado “Planilha de Apuração da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para serem analisados. Como se sabe, o §1º do art. 3º da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que Fl. 3023DF CARF MF 4 ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel.Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/MG (questão constitucional versada nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG), decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min.CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. No entanto, o Colegiado entendeu que não seria possível, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros sobre aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata tenha sido efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e da COFINS. Neste contexto, os membros da extinta 2ª Turma Especial, (Terceira Seção de julgamento), resolveram converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 3802000.185, de 27/05/2014, concluindo nos seguintes termos (fls. 127/129): "(...) Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem". Com efeito, a Turma decidiu pela realização de diligência para verificar a legitimidade dos créditos de PIS e da COFINS, sobre as “outras receitas”, pleiteados pela Recorrente para o período abrangendo o período do crédito objeto do PER controlado neste processo. Em cumprimento a solicitação do CARF, o Fisco emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 1275/2014 e 60/2015, o qual requereu planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo das contribuições, acompanhadas da respectiva escrita contábil (Livro Razão, balanços/balancetes), e notas explicativas do conteúdo das rubricas utilizadas, assim como fundamentação acerca das receitas excluídas da base de cálculo das contribuições. Após a conclusão da Diligência a fiscalização formalizou suas conclusões constante na Informação Fiscal de fls. 2.929/2.930. Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 10830.917869/201137 Acórdão n.º 3402003.501 S3C4T2 Fl. 3.023 5 Cientificada do resultado da Diligência, a Recorrente manifestouse, conforme documentos de fls. 2.935//2.938 e 2.965/2.967. Após o cumprimento do disposto na Resolução, o processo retornou a este CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente. MÉRITO Tratase de recurso voluntário interposto, em face da não homologação de Compensação declarada em PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. Como já relatado, a origem do crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Os autos foram convertidos em diligência para retorno a Unidade origem a fim de se verificar, se as receitas financeiras e outras receitas não operacionais compuseram a base de cálculo das contribuições, e, caso positivo, seu montante, a fim de que se determine o valor do indébito correspondente a essas receitas. O Fisco, então, após concluir a Diligência solicitada, prolatou a Informação Fiscal, concluindo o seguinte (fl. 2.930) grifei: "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 36224.71121.110506.1.2.046658, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 2.978,36 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 01/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 5430834,31, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 4954976,68, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 99.623,99 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 99623,99. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 2.988,72. Após intimada desse relatório, a Recorrente, em sua manifestação de fl. 2.938, desta forma se pronunciou: Fl. 3025DF CARF MF 6 "(...) a Recorrente manifesta a sua concordância com o resultado da diligência e requer o reconhecimento de seu direito de crédito com base nas Informações Fiscais emitidas para os pedidos de restituição, bem como o posterior encaminhamento dos autos à DRF de origem para atualização e correção monetária dos valores que deverão restituídos a Recorrente, pois dados em valores históricos." Mais adiante, reitera o seu pedido, nos seguintes termos (fl. 2.967): "(...)Assim, vislumbrase que a própria Receita Federal do Brasil já reconheceu parcialmente os créditos ora discutidos, de forma que resta claro que a Recorrente possui o direito creditório da forma como apontado pelo órgão competente na diligência. Desse modo, considerando o resultado da diligência, requer o provimento do Recurso Voluntário para o devido reconhecimento do pleito restituitório, com base nas Informações Fiscais emitidas pela Receita Federal, para o pedido de restituição de COFINS relativo à competência de janeiro de 2003, no valor de R$ 2.988,72, (original), com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial Selic, consoante os documentos anexos. Desta forma, conforme o resultado da apuração em diligência, restou comprovado que para os créditos pleiteados neste processo, a Recorrente possui o direito ao credito no valor de R$ 2.988,72, relativos a recolhimento indevido a título de COFINS. Conclusão Assim, voto para dar provimento ao presente recurso, concernente à legitimidade da apuração do crédito em favor da recorrente, em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 e reconhecendose, neste PAF, o valor de R$ 2.988,72, referente ao recolhimento indevido de COFINS, com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, conforme legislação vigente. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 3026DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.722325/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.215
Decisão: RESOLUÇÃO
Arquivo de Recurso Voluntário subitamente interrompido em sua digitalização não pode ser objeto de julgamento de mérito, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Determinada remessa à Delegacia de origem para saneamento.
Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente)
Ronaldo Apelbaum Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa, Ronaldo Apelbaum (Vice-Presidente)
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Arquivo de Recurso Voluntário subitamente interrompido em sua digitalização não pode ser objeto de julgamento de mérito, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Determinada remessa à Delegacia de origem para saneamento. Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa, Ronaldo Apelbaum (Vice-Presidente)
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Determinada remessa à Delegacia de origem para saneamento. Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa, Ronaldo Apelbaum (VicePresidente) RELATÓRIO Adoto como Relatório em parte aquele elaborado pela D. Autoridade Julgadora de 1a Instância, com os devidos complementos ao final: Em 15/07/2011 foi lavrado o Termo de Início de Ação Fiscal postado para o endereço da empresa constante dos arquivos da SRF. A correspondência foi devolvida pelos Correios com a informação da não localização do destinatário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 22 32 5/ 20 13 -9 8 Fl. 10216DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.200 2 Tendo em vista os fatos acima foi providenciado a fixação de Edital de Intimação n° 052/2011/Safis/DRF/JFA, na Agência da RF em Ubá, em 17/08/2011, dando ciência do Termo de Início de Fiscalização. No referido termo, o contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros documentos, extratos bancários das contas correntes, das contas de poupança e das aplicações financeiras. A empresa foi aberta em novembro de 2005, identificando em seu contrato como "sócios" ANTONIO CARLOS DE SOUZA, CPF 336.536.58691 e FERNANDO DE ALMEIDA MENDES, CPF 084.284.59681. Em maio de 2007 (3a alteração) outra alteração no quadro societário FABIO BARROS DA SILVA, CPF 044.718.33626 "adquire" as cotas de Antonio Carlos de Souza, que retirasse da sociedade. Pelas informações prestadas pelas instituições financeiras grandes soma de recursos monetários foram movimentados, como se demonstra abaixo, entretanto, repisese, a empresa declarouse INATIVA. Em 01/09/2011, tendo decorrido o prazo fixado no edital de 15 (quinze) dias sem que tenha havido o comparecimento do fiscalizado considerouse feita a intimação. Em 29/09/2011, sem que a empresa tivesse apresentado os extratos bancários, foi solicitado ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora a emissão de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, para o Banco do Brasil S.A. e Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais, referentes ao anoscalendário de 2007 a 2009. Em 11/01/2012 o contribuinte foi intimado, por edital, através do Termo de Intimação n°01, a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas de sua titularidade mantidas no Banco do Brasil S.A. e Cooperativa de Crédito da Zona da Mata i M as Gerais SICCOB referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009. Em anexo ao Termo de Intimação enviamos ao contribuinte as relações aos depósitos/créditos, individualizados, efetuados nas contas acima mencionadas. Na documentação enviada pelas instituições financeiras constem procurações lavradas em cartório onde nomeiam e constituem como seu procurador o Sr, ELIÉZER MAGALHÃES FERREIRA a quem confere poderes especiais para representar a empresa junto a qualquer agência bancária podendo abrir e encerrar contes, movimentar contas correntes, dar recibo, receber quitação, fazer depósitos e retiradas, endossar cheques, etc (documento anexo). Na procuração enviada pelo Banco do Brasil S.A., datada de 20 de outubro de 2008, lavrada no Fl. 10217DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.201 3 Cartório de 1° Ofício cidade de Manhumirim, a outorgante Teixeiras Comércio de Café Ltda., foi representada pelo "sócio" Silverlei Rodrigues. Já na procuração enviada pela Cooperativa, datada de 04 de setembro de 2007, a empresa foi representada pelo "sócio" gerente Fábio Barros da Silva. Foi Constatado que a assinatura do "sócio" Fábio Barros da Silva na procuração enviada pela Cooperativa não se assemelha com a constante da Terceira Alteração Contratual. Em 17/10/2011, a fiscalização esteve na cidade de Teixeiras à rua Etelvina Rigueira n° 13 e constatou que a empresa não se encontrava naquele endereço. Segundo declaração do Sr. Álvaro Nogueira Floresta, coordenador do SIAT (Serviço Integrado de Assistência Tributária e Fiscal) da Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, da cidade de Teixeiras, MG, a empresa fiscalizada encerrou as atividades no final de 2009 e a contabilidade da empresa era executada na cidade de Manhuaçu, pelo contador João Carlos, conforme documento anexo). Na cidade de Manhuaçu, a fiscalização esteve no escritório de contabilidade do Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira onde lavrou Termo de Constatação Fiscal. Segundo o Sr. João Carlos ele não conhece os sócios da empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda apesar de possuir uma procuração particular do Sr. Ezequiel para representálo junto às repartições públicas. Questionado sobre a procuração informou que foi o Sr. Eliézer Magalhães, corretor de café, o portador da documentação para a constituição da referida empresa. Não obstante o Sr. João Carlos Kleimpaul negar conhecer o Sr Ezequiel a declaração de IRPF do "dito sócio" foi transmitida de seu escritório. Assim, como as DIPJs da fiscalizada também o foram. O Sr. João Carlos Kleimpaul assina como testemunha na segunda, terceira e quarta alteração contratual da fiscalizada. Em 24/10/2011 foi intimado, por via postal, o sócio Sr. Ezequiel Roberto de Almeida a informar a nova sede da empresa e a apresentar a documentação contábil e fiscal. Em 07/11/2011 a referida correspondência é devolvida constando do AR DESCONHECIDO. Em 11/01/2012 intimamos, por via postal, o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira, procurador da fiscalizada junto as instituições financeiras a comprovar a origem dos ' 'cursos creditados/depositados nas contas de sua titularidade mantidas no Banco do Brasil S.A. e Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais SICCOB, referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009. A correspondência dirigida ao Sr Eliézer Magalhães Ferreira foi devolvida constando a informação no AR "Não existe o número " Intimamos também, por via postal, os outros sócios: Sr Fábio Barros da Silva e Sr .Silverlei Roberto de Almeida, sendo que as Fl. 10218DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.202 4 correspondências também foram devolvidas. Com a informação de "Desconhecido." Analisando a documentação enviada pelo SICOOB constatamos que os créditos na conta da fiscalizada através de TE D foram emitidos por diversas pessoas jurídicas: NOBLE BRASIL LTD A, IND ALTM MARATA LTD A, STOCKLER COM E EXPORT, NICCHID SOBRINHO CAFÉ S.A, COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS VALE VERDE, RIO DOCE CAFÉ S. A. IMPORTADORA E EXPORTADORA, TANGARÁ IMPORTADORA E EXPORTADORA, TRISTÃO COMPANHIA DE COM. EXTERIOR, ETC. As empresas acima identificadas foram intimadas a apresentar relação das notas fiscais de aquisição realizadas com a fiscalizada, informando a data e forma de pagamento e a pessoa de contato. As empresas apresentaram documentação comprobatória das compras e silenciaram quanto à pessoa com a qual se relacionavam. Constatamos também que a fiscalizada declarou para a Receita Estadual as receitas anuais nos valores de R$164.987.612,51 em 2007, de R$ 116.983.657,11 em 2008 e de R$126.315.640,68, em 2009. Verificouse também que nas notas fiscais de entradas/saídas emitidas pela fiscalizada constam que todo café comercializado ficou estocado na empresa Armazéns Gerais São João Ltda, CNPJ 22.394.696/0003 82 na cidade de Matipó. Consta inclusive nas notas fiscais de produtor rural que o local de entrega é o da empresa depositária. Em 16/04/2012, na cidade de Manhuaçu, foi localizado o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira na empresa Percy Alves dos Santos, CNPJ 10.737.709/000128, cujo nome de fantasia é "Pastelaria do Kaleb", local onde foi lavrado Termo de Constatação, documento anexo. O Sr. Eliézer declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco, como conferente de café, da empresa Teixeira Comércio de Café Ltda, na cidade de Teixeiras, local onde trabalhava de terçafeira a quinta feira recebendo um salário e meio mais ajuda de custo. Ressaltou que na cidade de Teixeiras/MG não havia movimento de café, que era todo feito na cidade de Matipó/MG. Informou também, que assinou vários documentos bancários pois, segundo ele, na ausência do Sr.Heráclito Pacheco teria de assinar ordens bancárias e cheques. Disse não ter conhecimento de ser o procurador da empresa Teixeira Comércio de Café Ltda perante as instituições financeiras Banco do Brasil e Caixa Economia Federal. Era visível o medo do sr. Eliézer ao dar essas poucas e confusas declarações, só o fazendo após se afastar do local de trabalho. Na cidade de Matipó estivemos no Banco do Brasil para solicitar o cartão o de assinatura do responsável pela movimentação bancária da fiscalizada e constatamos ser a assinatura do Sr. Eliézer (doc. anexo). No cartão de assinatura da Cooperativa de Crédito da Zona da Mata de Minas Gerais SICCOB consta também a assinatura do Sr. Eliézer. Segundo o Sr. João Batista Gardingo (sócio da empresa Armazéns Gerais São João Ltda) a empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda utilizava o "Armazéns Gerais São João Ltda" para beneficiamento e Fl. 10219DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.203 5 armazenamento de seu café. Declarou também não se lembrar de nenhum nome de pessoas ligadas à empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda. Verificamos que em grande parte das notas fiscais emitidas pela fiscalizada consta como transportadora a empresa "TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA", também de propriedade do Sr.João Gardingo. Em 17/04/2012 intimamos a empresa "Armazéns Gerais São João Ltda, CNPJ 22.394.696/000382" a apresentar as notas fiscais das operações de armazenamento e beneficiamento referentes às operações com a empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda, os livros fiscais com os devidos lançamentos, a comprovação do recebimento dos serviços prestados e a forma de contato com o Sr. Heráclito Pacheco e com Sr. Eliézer Magalhães Ferreira. Na data 18/05/2012 o Sr. João Batista Gardingo altera a declaração anterior afirmando "que a forma usual utilizada para contato sempre foi através de LIGAÇÕES TELEFÔNICAS e FACSÍMILE, mas algumas vezes, o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira que se apresentou como "PROCURADOR" da empresa depositante compareceu pessoalmente às dependências dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA para retirar amostras de café, entregar ordens de serviço e comprovantes de pagamentos dos serviços faturados." Informa que "nunca manteve nenhuma tratativa com o Sr.Heráclito Pacheco. Apresentou apenas alguns comprovantes de recebimento das liquidações efetuadas pela empresa Teixeiras Comércio de Café Ltda. em razão de não possuir todos os comprovantes uma vez que os depósitos bancários eram efetuados diretamente pela fiscalizada na conta do Armazéns" Na documentação apresentada pela empresa Armazéns Gerais São João Ltda verificase que a fiscalizada era a principal cliente do depósito. Verificamos inclusive, nos registros de entrada de n°s 002 e 003 (sem registro no órgão competente) que excluindo as notas fiscais aparentemente de retomo de mercadorias as demais referemse a Teixeiras Comércio de Café Ltda. O Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira (contador da fiscalizada) apresentou apenas o livro registro de entrada e de saída do ano de 2009 da fiscalizada, apresentando uma declaração que não foi possível apresentar os livros fiscais dos anos de 2007 e 2008 porque "o computador onde ficava armazenado o conteúdo de toda escrituração fiscal foi perdido devido a danificação da placa do computador." Em 19/11/2012 no escritório de contabilidade à Rua Monsenhor Gonzalez tomamos a te' o novo depoimento do Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira que declarou que o Sr. Heráclito foi cliente do escritório, mas o mesmo não tratou de assuntos referentes à Teixeiras Comércio de Café Ltda. Nesta oportunidade retivemos "Recibos de Honorários", por serviços contábeis e fiscais prestados pelo Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira às empresas Teixeiras Comércio de Café Ltda e Gira Mundo Com. de Café. Fl. 10220DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.204 6 Tais recibos de prestação serviços contábeis e fiscais no momento da entrega aos Auditores Fiscais tiveram os números de telefones rasurados pelo Sr. João Carlos Kleinpaul Vieira. Em 28/11/2012 através do Oficio n° 388/2012/G A B/D R F/J FAMG foi solicitada a Polícia Federal perícia a fim de identificar os números de telefones rasurados. Nos referidos "Recibos de Honorários" consta a rubrica "PC em determinados valores e números de cheque. Analisando estes números de cheques constatamos que são de emissão da fiscalizada sacados em sua conta bancária no SICCOB. O Sr. Eliézer declarou que foi contratado pelo Sr. Heráclito Pacheco na função de conferente de café da empresa Teixeira Comércio de Café Ltda, em Teixeiras/MG, não obstante, toda a movimentação de café ser feita na cidade de Matipó. Essa situação fica evidenciada visto que todas as notas fiscais de entradas e saídas, emitidas pela empresa no período de 2007 a 2009, constam que o café dava entrada diretamente no Armazéns Gerais São João Ltda., na cidade de Matipó, fato confirmado pelo senhor João Batista Gardingo, sócio do Armazéns Gerais São João Ltda, ou seja, o café comercializado pela fiscalizada era depositado e beneficiado em seus Armazéns. A empresa Armazéns Gerais São João Ltda, conforme seus registros de entradas de n°s 001, 002, 003 e 04 dedicase exclusivamente a clientes constituídos por interpostas pessoas No Registro de Entradas de n° 001 todas as entradas de café eram da Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda CNPJ n° 04.995.748/000122 empresa INEXISTENTE DE FATO, tida como constituída por JOAQUIM MACHADO DE CARVALHO e ELAINE DA SILVA. Posteriormente, nos registro de n°s 002,003 e 04 o único cliente passou a ser a fiscalizada (no Livro 04 até agosto de 2009,a fiscalizada encerrou as atividades em novembro). Constatase que o sr. JOAQUIM MACHADO DE CARVALHO consta como "sócio" da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO outra empresa constituída por interposta pessoa e como dito neste relatório os senhores JOÃO GARDINGO e HERÁCLITO PACHECO são os verdadeiros proprietários da empresa. O transporte do café comercializado pela Teixeiras era, em sua grande maioria, feito pela TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA, também de propriedade do Sr.João Gardingo, conforme comprovam as notas fiscais emitidas. O Sr. João Batista Gardingo declarou inicialmente não se lembrar do nome de nenhuma pessoa ligada à Teixeiras Comércio de Café Ltda., conforme Termo de Constatação lavrado em 16/04/2012, muito embora tenha sido a principal cliente da empresa Armazéns Gerais São João Ltda (estocagem e beneficiamento) e o transporte realizado por outra empresa do mesmo grupo. Fl. 10221DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.205 7 A Receita Bruta declarada pela Teixeiras Comércio de Café Ltda. ao fisco estadual em 2007 foi de R$164.987.612,51, em 2008 de R$ 116.983.657,11 e 2009 de R$126.315640,68. A movimentação financeira em 2007 foi de R$145.541.804,20, em 2008 3 R$ 152.999.422,62 e em 2009 de R$ 104.213.336,00 Segundo o contador da empresa Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira quem o contratou foi o Sr. Eliézer Magalhães Ferreira. Disse não conhecer os sócios mas foi testemunha nas alterações contratuais da empresa e a declaração do dito "sócio" foi transmitida de seu escritório. Os "sócios" localizados pelo fisco, constantes do contrato social e alterações, não sabiam de sua participação societária e não exerceram nenhuma atividade na empresa, e principalmente, não possuíam condições econômicofinanceiras, como fica evidenciado pelas funções realmente exercidas por eles, bem como pela remuneração percebida. A fiscalização entendeu evidente a intenção do contador Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira de ocultar a ligação da fiscalizada com a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA ao rasurar no momento da entrega o número do telefone do ARMAZÉNS constante do recibo de honorários isso sem citar as declarações carentes de fidedignidade. Da documentação solicitada foi apresentada somente os livros Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e o de Controle de Estoque do ano calendário de 2009. . Para os anoscalendário de 2008 e 2009 o contribuinte apresentou Declaração Anual Simplificada, de INATIVIDADE na qual é afirmado que: "A pessoa jurídica que está preenchendo esta Declaração de inatividade permaneceu, durante todo o anocalendárío sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial." O contribuinte não efetuou nenhum recolhimento a título de tributo/contribuição nos últimos 05 anos. O contribuinte não apresentou nenhuma DCTF. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS Tendo em vista os fatos apurados e narrados neste Termo indicamos como sujeito passivo solidário a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ n° 22.394.696/000382, cujo responsável é o Sr. João Batista Gardingo. Todas as notas fiscais de entrada e vendas, emitidas pela empresa no período de 2007 a 2009, indica como local de entrada e saída das mercadorias o estabelecimento Armazéns Gerais São João Ltda., ou seja, o café comercializado pela fiscalizada era depositado e beneficiado em seus Armazéns. O transporte do café em sua maioria foi feito pela TRANSPORTADORA GAIVOTA LTDA" também de propriedade do Sr. João Gardingo. Constatamos também através do livro Registro de Entradas do Armazéns Gerais São João que a fiscalizada era a única cliente. Fl. 10222DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.206 8 Nos "Recibos de Honorários", serviços contábeis e fiscais emitidos pelo escritório do Sr. João Carlos Kleimpaul Vieira (contador) para fiscalizada consta o número de telefone do Armazéns Gerais São João Ltda de propriedade do Sr. João Batista Gardingo. Saliente que o número de telefone foi rasurado pelo contador na hora em que os mesmos foram entregues. Portanto, tendo restado caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), na autuação efetuada na empresa TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, constará ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 22.394.696/000382 como sujeito passivo solidário. DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS OMISSÃO DE RECEITA Analisando os documentos bancários encaminhados pelo SICCOB e Banco do Brasil S.A. em atendimento às RMF 06.1.04.00.2011001331 e 06.1.04.002011 001323 verificamos que as contascorrente mantidas pelo contribuinte recebeu créditos nos seguintes montantes: Banco Brasil Anocalendário de 2008 R$ 3.419.770,01 Anocalendário de 2009 R$ 30.171.174,41 SICOOB Anocalendário de 2008 R$149.040.914,62 Anocalendário de 2009 R$101.971.688,87 O contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados para os depósitos/créditos efetuados em 2007 a 2009 no Banco Brasil S.A. e SICOOB e não atendeu. A receita informada ao Fisco Estadual, em 2008 e 2009 totaliza R$243.299.315,75 e as informações prestadas pelas instituições financeiras no mesmo período totalizaram R$257.212.788,62. A omissão de receita foi quantificada pelos créditos bancários não comprovados e que representam efetivo ingresso de numerário, na empresa. DA MULTA QUALIFICADA A fiscalização qualificou a multa, pois, o contribuinte Teixeiras Comércio de Café Ltda obteve receitas nos anos calendário de 2008 e 2009 e de forma intencional, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores, apresentou para os anoscalendário de 2008 e 2009 Declaração Anual Simplificada INATIVA, Agindo desta forma o contribuinte se enquadrou no artigo 71 da Lei n° 4502/64. Em face de todo o exposto, a fiscalização procedeu à tributação com base no lucro arbitrado, relativamente aos anoscalendário de 2008 e 2009, tendo em vista a falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Armazéns Gerais São João Ltda, responsável solidário impugnou (resumo): A solidariedade passiva atribuída à impugnante, com supedâneo no artigo 124 do CTN, é deveras improcedente, visto que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar o interesse tributário comum entre ambas as empresas. O que se observa no "Relatório Fiscal", anexo ao "Termo de Sujeição Passiva Solidária", são afirmações abstrusas, Fl. 10223DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.207 9 donde o Fisco se valeu de meras presunções fáticas para imputar a solidariedade tributária à impugnante. Demais disso, a solidariedade fundada no artigo 124 do CTN somente poderá existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo da relação jurídica que constitua fato gerador do tributo, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum; Ao contrário do afirmado pelo Fisco, a ligação entre a empresa TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. e a empresa ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Resumese ao fato da primeira contratar serviços de armazenagem de café com esta última. Tal tipo de relação comercial é muito comum no comércio atacadista de café, porquanto muitas cafeeiras, não raro, operam apenas com uma pequena sede administrativa, utilizandose dos chamados "Armazéns Gerais de Café"; Sucessivamente, na absurda hipótese de permanecerse a exação contra a impugnante, decerto que a multa cominada pelo Fisco em forma qualificada não se justifica no presente caso, pois, em atenção ao princípio da pessoalidade, é impossível estenderse a sanção aplicada ao devedor principal, na medida em que deverá ser considerada a conduta pessoal de determinado agente para graduação da penalidade aplicável. Ademais a quantia de 150% sobre valor do principal lançado é nitidamente confiscatória, desproporcional e desarrazoada, merecendo sua pronta retificação. Destarte, sopesandose o real cenário fático em relato e. considerando se que não há procurações, assinaturas, nada que efetivamente comprove qualquer benefício ou envolvimento da impugnante na administração da empresa fiscalizada, os argumentos apresentados pela Fiscalização não são robustos o suficiente para caracterizar a sujeição passiva solidária da impugnante nos termos do artigo 124 do CTN, porquanto não ultrapassam de MERAS PRESUNÇÕES. A autuação e, sobretudo, a imputação de responsabilidade pelo pagamento de tributos e severas penalidades com base em meras presunções afrontam o ordenamento jurídico estabelecido, emergindo clara e cristalina a necessidade de a fiscalização comprovar suas suspeitas, abandonando a posição de tributar, ou melhor, imputar responsabilidade por indícios não suficientemente investigados. Diante desse cenário, perguntase: (i) se a empresa impugnante estava em "conluio" com a TEIXEIRA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA., por que a Fiscalização não procedeu à análise dos seus extratos bancários, com o fito de constatar o benefício econômico supostamente auferido? (ii) Ainda, porque a Fiscalização não efetuou o cotejo entre os documentos fiscais da impugnante com o valor tributável declarado pela impugnante perante os órgãos fazendários? Todas essas perguntas demonstram, a não mais poder, a insubsistência das alegações da Fiscalização. Conforme se vislumbra claramente nos autos, a autoridade fiscal procedeu à gravosa acusação de suposta interposição de pessoa e imputou à sujeição solidária passiva tributária sem elementos de prova ou, no mínimo, robustos indícios, de que a impugnante era a verdadeira dona ou beneficiária da suposta omissão de receita da Fl. 10224DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.208 10 empresa autuada. Assim, outra consequência não pode haver senão o cancelamento da presente exigência. DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DO ARTIGO 124 DO CTN Ab initio, esclareçase que a incerteza da fiscalização é tão flagrante que ela nem sequer foi capaz de mencionar em qual das hipóteses do artigo 124 do CTN supostamente estaria enquadrada a impugnante. Senão, vejase recortes extraídos do "Relatório Fiscal" e do "Termo de Sujeição Passiva Solidária". Conforme noticiado nas linhas pretéritas, a fiscalização declarou a solidariedade da impugnante partindo da premissa (frisese equivocada!) de ser ela a verdadeira dona (sócia) da TETXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. e, por isso, teria interesses econômicos comuns na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal vale dizer, o não pagamento do tributo dela decorrente , beneficiandose diretamente. A solidariedade tributária tratada no artigo 124 do CTN decorrerá somente diante da existência de um mesmo interesse jurídico, do responsabilizado, na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou por expressa designação em lei. In casu, ao que parece, a Fiscalização quis referirse à hipótese descrita no inciso I. Entretanto, não poderia fazêlo, na medida em que as partes envolvidas, frisese, tomadora de serviços (autuada originária) e prestadora de serviços (ora impugnante, indigitada como devedora solidária), tinham interesses antagônicos na relação jurídica que constitui fato gerador das obrigações tributárias. O único fato que se subsume à norma contida no aludido artigo é aquele em que os contribuintes figuram no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato jurídico imponível. Admitir a integração no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação, tal com in casu, feriria a lógica jurídicotributária. Repisese que a fiscalização não conseguiu produzir NENHUMA PROVA que aponte a impugnante como sócio de fato da empresa autuada, TAMPOUCO que a empresa (impugnante) tenha agido com "dolo, fraude ou simulação" artigo 135 CTN de modo a imputarlhe a responsabilidade solidária pelo crédito tributário. Salientese, ademais, que não se pode confundir a existência de interpostas pessoas na sociedade com responsabilidade tributária por interesse comum, na verdade, são situações distintas reguladas por normas diversas, não podendo a fiscalização tratar da matéria como se fossem conceitos e fatos idênticos. Nesse espeque, como bem tem decidido os doutos membros do E. CARF, para que haja a predita solidariedade, mister se faz a prova da ligação dos terceiros e de que estes são representados por "laranjas", consoante se pode ver: Acórdão n° 108 oq. 617 — Sessão 28/05/2008 Fl. 10225DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.209 11 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – Comprovado 7ios autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124,1, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constitina o fato gerador da obrigação principal. Acórdão n° 108 — OQ.632 — Sessão 25/06/2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – Comprovado nos autos a participação de terceiros no cometimento da infração resta perfeitamente caracterizada a solidariedade passiva das pessoas físicas arroladas pelo Fisco com base nas disposições do art. 124, inciso I, do CTN. Preliminar Rejeitada. Recurso parcialmente provido. Conforma já elucidado alhures, a empresa devedora do débito tributário é sociedade completamente distinta da empresa impugnante, com quadro societário inteiramente diverso. Demais disso, a TEIXEIRAS COMERCIO DE CAFÉ LTDA. atua no Comércio atacadista de café em grão (CNAE 46.21400), enquanto a impugnante atua no ramo de Armazéns gerais emissão de warrant (CNAE 52.11701). A relação comercial firmada entre as empresas em lume é extremamente comum no comércio atacadista de café. A empresa que comercializa o café opera apenas com uma sede administrativa, própria para comportar toda a equipe envolvida nos assuntos meramente administrativos e comerciais. Devido ao volume de café comercializado pela empresa, é fisicamente impossível que ela mantenha em seu espaço físico todo o produto, e muito menos o beneficie. Sendo assim a TEIXEIRAS COMERCIO DE CAFÉ LTDA. contratou a impugnante para que esta receba o café comercializável e proceda ao armazenamento e às etapas inerentes ao beneficiamento do mesmo. Portanto, a ligação entre a autuada e a impugnante se resume ao fato da primeira contratar serviços de armazenagens desta última, nada mais. Com efeito, toda a relação comercial havida entre a Impugnante e a TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. é comprovada pelas notas fiscais emitidas cujas descrições corroboram o serviço prestado e os respectivos valores cobrados (doe. 03). Repisese que as notas fiscais emitidas pela Impugnante atestam os serviços prestados não só à TEIXEIRAS COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA., mas também a várias outras empresas. SUBSIDIARIAMENTE: DO NÃO CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA À IMPUGNANTE. Pois bem. Apesar da afirmação precisa acerca do dolo, o que fez a Fiscalização foi atribuir genericamente este elemento subjetivo do tipo à impugnante, sem qualquer indicação e menos ainda comprovação de quais afinal teriam sido os atos ou omissões dolosos por ela cometidos. Fl. 10226DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.210 12 Vale lembrar que a acusação de crime no âmbito tributário requer a existência do dolo, este configurado no seu aspecto subjetivo, isto é, é imprescindível apontarse a conduta dolosa de cada acusado. E mais, se a suposta omissão de receitas foi apurada e comprovada por meio de exame de depósitos bancários e, com base nos registros ali efetuados houve a insinuação de que se tratava o caso da figura de "interposta pessoa", era imprescindível que houvesse o lançamento diretamente nas pessoas dos supostos proprietários que fizeram uso dos "laranjas". O fato de a autoridade fiscal ter preferido fazer o lançamento em nome da empresa autuada, somente demonstra a INCERTEZA E INSEGURANÇA da própria fiscalização que, diante da falta de provas irrefutáveis, não desconsiderou a pessoa jurídica e optou, equivocadamente, por sujeitar a impugnante ao pagamento solidário do crédito tributário. Por fim, a impugnante argumenta que, diante da falta de prova de que é a verdadeira beneficiária ou dona da empresa autuada, ou que utilizou o mecanismo da interposição de pessoas, e se ainda existir qualquer dúvida de que não há vinculação entre a impugnante a e a autuada, salvo as relações normais de negócios entre elas, como aconteceu com tantos outros, requer que lhe seja aplicado o artigo 112 do CTN, como está pacificado neste Egrégio CARF. Por fim, verificase descabidamente abusiva a multa ora aplicada, no percentual de 150% sobre o valor do suposto débito. Resta também flagrante a natureza confiscatória da multa aplicada, conforme vem entendendo o Supremo Tribunal Federal há décadas. O Contribuinte, não satisfeito com o acórdão proferido pela DRJ, interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reiterou os mesmos fundamentos de defesa já apresentados na sua impugnação, alegando que foi mantida a solidariedade passiva baseando se apenas em presunções. Além disso, afirmou que não teve participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Relator O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, razão pela qual deve ser admitido. Contudo, sua análise encontrase prejudicada, pelas razões a seguir. Consultando o sistema EProcesso, constatase que o Recurso Voluntário foi devidamente juntado às fls. 3173 e seguintes. Foram juntados milhares de documentos. Ocorre Fl. 10227DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10640.722325/201398 Resolução nº 1101000.215 S1C1T1 Fl. 10.211 13 que a petição do Recurso, logo após suas fls. 19, é subitamente interrompido e o arquivo passa a demonstrar os documentos anexados. E esses documentos não se encontram em páginas numeradas pela Recorrente, o que impossibilita saber a ausência de parte do Recurso é decorrente de falha da Recorrente ou da digitalização dos processos. Contudo, não seria razoável concluir desde já que a Recorrente deixou de juntar partes de seu Recurso Voluntário. E também não é possível adentrar no mérito, já que toda a argumentação não se encontra acostada aos autos. Isso em homenagem aos princípios do contraditório e ampla defesa. É necessário, portanto, que os autos sejam baixados para a Delegacia de origem para que seja determinado se houve falha na digitalização, se o arquivo foi apresentado exatamente no mesmo formato que se encontra nos autos ou se será necessário intimar a Recorrente para reapresentação do Recurso Voluntário. Ressalto aqui que somente consta dos autos a devedora solidária Armazéns Gerais São João Ltda. como Recorrente. Tendo em vista a falha observada, é necessário verificar se houve apresentação de Recurso pela devedora Teixeiras Comércio de Café Ltda. Tal expediente não representa reabertura de prazo para apresentação de novo Recurso, mas apenas para juntada de arquivo anteriormente apresentada. Ante o exposto determino a remessa dos autos à Delegacia de origem para as providências determinadas nos parágrafos acima. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Relator Fl. 10228DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 21/09/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10580.726051/2009-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. NATUREZA SALARIAL.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE APURAÇÃO. COMPETÊNCIA
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE APURAÇÃO. COMPETÊNCIA Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 51 /2 00 9- 81 Fl. 403DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Contribuinte face ao acórdão 280102.264, proferido pela 1º Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 160.133,60, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 10 3 Na apuração do imposto devido não teriam sido consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Teria sido atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Fl. 405DF CARF MF 4 A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 232, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Houve a interposição de Embargos de Declaração pelo contribuinte, fl. 252, o qual restou negado, fls., tendo na seqüência sido protocolada o Recurso Especial pelo Contribuinte, visando rediscutir todos os pontos em que foi vencido. O Contribuinte interpôs Recurso Especial à fl. 288, alegando que o paradigma firma entendimento diverso do Acórdão recorrido, pois, enquanto a decisão recorrida entendeu que sobre o abono variável pago aos membros do Ministério Público baiano incide Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista não haver identidade entre as verbas que tratam os atos normativos federais e a verba da Lei estadual da Bahia, o Acórdão paradigma considerou que sobre o mesmo rendimento não incide o imposto federal, em razão de uma interpretação extensiva da decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da Magistratura Federal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 348, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso do Contribuinte, para que seja rediscutida a questão sobre a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. Entendeuse haver divergência jurisprudencial, pois, o cotejo realizado pela Contribuinte demonstrou que o alegado dissídio referese à interpretação dos efeitos da Lei Federal 10.477, de 2002, da Lei Complementar do Estado da Bahia, da Resolução do STF nº 245, de 2002, e do Parecer PGFN nº 933, de 2003, e a divergência suscitada restou demonstrada, já que, tratandose da mesma situação jurídica, no caso do acórdão recorrido os rendimentos em tela foram considerados tributáveis, enquanto que no paradigma entendeuse que sobre eles não incidiria o Imposto de Renda. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 352, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 160.133,60, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 11 5 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Já o Recurso Especial do Contribuinte, objetiva que seja rediscutida a questão sobre a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. No Acórdão paradigma entendeuse que sobre elas não incidiria o Imposto de Renda. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". Fl. 407DF CARF MF 6 A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 12 7 Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Fl. 409DF CARF MF 8 Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 13 9 No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Ainda, e não menos importante, uma segunda questão foi recepcionada no despacho de admissibilidade do Recurso Especial, qual seja a aplicação por analogia da resolução N. 245/2002 emitida pelo STF, assim considerando o aceite da matéria para discussão de divergência jurisprudencial, Fl. 411DF CARF MF 10 ressalto brevemente que entendo ser a solução juridicamente mais correta ao caso concreto, nos termos proferidos na decisão trazida como paradigma pelo contribuinte, acórdão nº 210201.687, conforme excerto que segue: RESOLUÇÃO STF N° 245/2002. DIFERENÇAS DE URV PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana n° 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis n° 10.477/2002 e n° 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF n° 245/2002, conforme Parecer PGFN n° 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF n° 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual n° 20/2003. A aplicação do paradigma ao caso concreto garante isonomia tributária aos servidores estatutários de um mesmo ente federativo. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, e ainda por aplicação analógica da Resolução 245/2000 do STF, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 14 11 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Peço licença a ilustre conselheira, para divergir do seu entendimento quanto ao mérito da incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente de diferenças de URV, objeto do recurso especial do contribuinte. Do recurso Especial do Contribuinte Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Competência para legislar sobre IR. Primeiramente, conforme descrito no lançamento, o argumento do recorrente é que a Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Fl. 413DF CARF MF 12 Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV. Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 15 13 estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão Fl. 415DF CARF MF 14 recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 16 15 os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Fl. 417DF CARF MF 16 No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. De pronto, afasto também qualquer argumentação quanto a necessidade de, antes de efetivar o lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual. Entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do MP da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionlidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Quanto a forma de cálculo do IR devido Regime Caixa X Competência Quanto a forma de cálculo a ser aplicada, fazse relevante, apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 17 17 competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. De acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Ressaltese que o CARF já se manifestou acerca dessa questão no processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Fl. 419DF CARF MF 18 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10580.726051/200981 Acórdão n.º 9202004.463 CSRFT2 Fl. 18 19 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base na decisão proferida pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, a qual uso como fundamentos de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente, no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) mas, sim, pelo regime de competência. Dessa forma, considerado os termos da decisão do STF e STJ, encaminho pelo provimento parcial do Resp do Contribuinte, para que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 421DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.004195/2009-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 95 /2 00 9- 10 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11516.004195/200910 Acórdão n.º 9202004.694 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720159/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
No caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admite-se o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da cana-de-açúcar que lhes serve de insumo.
CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ALUGUEIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. CREDITAMENTO.
A restrição para o direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas aplicáveis às máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado (inciso VI dos arts. 3os das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) não se estende aos alugueis e contraprestações de operações de arrendamento mercantil desses bens (incisos IV e V dessas Leis). A norma legal há de ser aplicada e interpretada sem se acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as seguintes glosas: a) sob as rubricas "L02-Bens Insumos", "L03-Serviços Insumo", "L10-Ativo Imobilizado 12 meses" relativas ao centro de custos, classes e subclasses direcionados à produção agrícola: somente os itens que comprovadamente fazem parte do processo produtivo da recorrente, nele incluso a atividade agrícola, em conformidade com o resultado obtido no Laudo Técnico e na percentagem nele apurada do volume de cada item que se destina ao processo produtivo; e b) sob as rubricas "L06-Aluguéis Maq. Equip. PJ" e "L08-Arrendamento": todos os itens. Vencido o Conselheiro Jorge Freire que negou provimento na íntegra. Sustentou pela recorrente o Dr. Fernando Crespo P. Viña, OAB/SP 287.486.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso das indústrias do setor sucroalcooleiro, admitese o creditamento não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo da canadeaçúcar que lhes serve de insumo. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ALUGUEIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. CREDITAMENTO. A restrição para o direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas aplicáveis às máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado (inciso VI dos arts. 3os das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) não se estende aos alugueis e contraprestações de operações de arrendamento mercantil desses bens (incisos IV e V dessas Leis). A norma legal há de ser aplicada e interpretada sem se acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 59 /2 01 3- 24 Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as seguintes glosas: a) sob as rubricas "L02Bens Insumos", "L03Serviços Insumo", "L10Ativo Imobilizado 12 meses" relativas ao centro de custos, classes e subclasses direcionados à produção agrícola: somente os itens que comprovadamente fazem parte do processo produtivo da recorrente, nele incluso a atividade agrícola, em conformidade com o resultado obtido no Laudo Técnico e na percentagem nele apurada do volume de cada item que se destina ao processo produtivo; e b) sob as rubricas "L06Aluguéis Maq. Equip. PJ" e "L08Arrendamento": todos os itens. Vencido o Conselheiro Jorge Freire que negou provimento na íntegra. Sustentou pela recorrente o Dr. Fernando Crespo P. Viña, OAB/SP 287.486. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de em São Paulo, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Tratase de Autos de Infração para a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, multa de ofício e juros de mora, decorrentes de glosas de créditos na apuração dessas contribuições no regime não cumulativo relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro/2010. Como consta no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento da Ação Fiscal, as glosas decorreram, em síntese, dos seguintes fatos e fundamentos: A contribuinte está habilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), previsto no art. 1º da Lei nº 11.488/2008 e, cumulativamente, fez opção pelo aproveitamento de créditos sobre edificações calculados sobre o custo de sua aquisição ou de sua construção. Quanto ao crédito calculado sobre máquinas e equipamentos , verificase o afastamento do cálculo do crédito sobre os encargos de depreciação, culminando na alternativa que lhe é residual: o cálculo dos créditos sobre o valor de aquisição desses bens. Atendendo à literalidade do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, exigese, no caso dos créditos calculados sobre insumos e sobre bens incorporados ao ativo imobilizado, a aplicação de tais elementos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15940.720159/201324 Acórdão n.º 3402003.216 S3C4T2 Fl. 690 3 Para o aproveitamento do crédito sobre o insumo é fundamental que ele seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Assim, créditos calculados sobre a produção agrícola da contribuinte devem ser desconsiderados, uma vez que seu objeto comercial são os derivados industriais da canade açúcar, especialmente o açúcar e o etanol. As glosas foram efetuadas a partir das colunas centro de custos, classes e subclasses que são direcionados à produção agrícola ou à manutenção de veículos em geral, portanto, divorciados do processo produtivo da contribuinte. O mesmo raciocínio foi aplicado em relação ao maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil. Com base nessa premissas foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens utilizados como insumo), 03 (Serviços utilizados como insumo), 06 (Despesas de Aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil) e 10 (Sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição ou de construção. No caso da linha 10, as citadas premissas foram aplicadas apenas quanto às glosas de créditos calculados sobre a aquisição de máquinas e equipamentos aproveitados nos termos do art. 1º da Lei nº 11.774/2008. Foi realizada a glosa integral de créditos calculados sobre dispêndios com edificações, em razão da inobservância do disposto no art. 6º, caput e §§ 5º e 6º da Lei nº 11.488/2007, ou seja, a contribuinte realizou o aproveitamento dos créditos no mês de aquisição dos bens ou da contratação dos serviços relativos à construção civil, quando a legislação literalmente determina que esse aproveitamento apenas é possível após a conclusão da obra. Cientificada dos autos de infração, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: i) direito ao creditamento das contribuições também na fase agrícola da produção da agroindústria; ii) direito ao crédito sobre a manutenção de equipamentos agrícolas, que é essencial ao desenvolvimento do seu processo produtivo; iii) ao contrário do afirmado pela fiscalização, somente gozou os créditos relativo aos dispêndios com edificações após a conclusão da obra; e iv) direito aos créditos sobre o aluguel e o arrendamento de máquinas e equipamentos ligados intimamente ao seu processo industrial, nos termos dos arts. 3º, IV e V das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002. Mediante o Acórdão nº 1657.117 6 ª Turma da DRJ/SPO, de 16 de abril de 2014, a impugnação da contribuinte foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 CRÉDITO. FABRICAÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. CULTIVO DE CANADEAÇÚCAR. As despesas com bens e serviços, assim como aquelas decorrentes da utilização de máquinas e equipamentos empregados no cultivo de canadeaçúcar não geram direito a créditos na apuração da Cofins não cumulativa devida pela pessoa jurídica que tem como atividade fabricação e comercialização de açúcar e álcool. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 (...) A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 09/05/2014, por via postal. Em 09/06/2014, a contribuinte postou pelos Correios o recurso voluntário, alegando, em síntese: 1. Do direito ao crédito dos insumos da atividade agrícola Tendose em conta que a recorrente efetua a atividade de plantio da cana deaçúcar (produção) e transformação desta em álcool ou açúcar (fabricação), é certo que a legislação pertinente assegurou o direito ao crédito para o insumo de ambas as atividades. 2. Do direito ao crédito relativo a alugueis e arrendamentos mercantis de máquinas e equipamentos industriais A fiscalização entendeu que o requisito de o maquinário estar atrelado à produção de bens destinados a venda seria aplicável também aos incisos IV e V dos arts. 3os das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, por mais que nesses incisos não seja prevista tal necessidade. Dessa forma, utilizouse da analogia em desfavor da recorrente, em contrariedade ao art. 108, §1º do CTN, apenas para limitar seu direito creditório de forma indevida, o que não pode prevalecer. Ainda que se entendesse dessa forma, tais máquinas são, essencialmente, necessárias à produção da canadeaçúcar, que, por sua vez, é o insumo do álcool e do açúcar, sendo, portanto, indispensáveis ao processo produtivo. 3. Do direito ao crédito quanto aos valores supostamente destinados à edificação A glosa integral desses créditos deuse sob fundamento de que a recorrente teria realizado o seu aproveitamento antes da conclusão da obra. A fiscalização desconsiderou o fato de que tais valores seriam, inevitavelmente, apropriados pela recorrente após a conclusão da obra, caracterizandose, assim, uma mera antecipação do creditamento. À época da lavratura, já tinham transcorrido os 24 meses necessários para que a recorrente se apropriasse integralmente do crédito em questão, o que foi desconsiderado pela fiscalização. Por outro lado, mesmo que assim não fosse, grande parte dos créditos glosados não se referia aos dispêndios com edificação da obra, e sim com maquinário destinado à produção da canadeaçúcar, que somente foram inseridos em conta contábil Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15940.720159/201324 Acórdão n.º 3402003.216 S3C4T2 Fl. 691 5 incorreta, como se infere da planilha anexa (doc. 02), que, portanto, não se sujeitavam à regra do §6º, mas sim ao §1º do art. 1º da Lei nº 11.774/2008, vigente à época. Outra parte dos valores glosados pela suposta não observância do referido §6º sequer eram destinados à edificação da obra, tratandose de meras melhorias, conforme demonstra planilha anexa, as quais não poderiam ser creditadas por 1/24 do preço de aquisição por mês, mas gerariam créditos da depreciação, que não foram considerados pela fiscalização, mas bastariam para não haver glosas em face do lapso temporal considerado. Mediante a Resolução nº 3202000.320– 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 29 de janeiro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) Diante disso, converto o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. (...) Em 18/02/2015, a fiscalização lavrou Termo de Intimação à recorrente para atendimento ao solicitado pelo CARF. Em 24/03/2015, a recorrente requereu a juntada de Laudo Técnico, contendo descritivo detalhado do seu processo produtivo. Em 13/05/2015, a recorrente apresentou manifestação, sustentando, em síntese: i) Embora o laudo identifique como direta ou indiretamente relacionados com o processo produtivo da canadeaçúcar 92,3% dos itens glosados pela autoridade fiscal, os demais itens, que não estariam vinculados com o processo produtivo, também gerariam o direito ao creditamento. ii) 4,37% desses itens, conforme planilha anexa (doc. 01), também são despesas cujo creditamento é autorizado pela legislação, a despeito da conclusão dos peritos técnicos. Nesse sentido, são as despesas com aluguel de maquinário e arrendamento mercantil, as quais estão intimamente ligadas às atividades gerais da empresa. O requisito de estar Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 atrelado à produção ou à fabricação de bens destinados a venda somente é exigido para insumos e bens incorporados ao ativo imobilizado. iii) Parte desses itens referemse a dispêndios realizados com edificações incorporadas ao ativo imobilizado (doc. 02), cabendo o correspondente creditamento. Tais despesas foram empregadas em projetos de construção de edificações relacionadas ao processo industrial da requerente, amoldandose aos requisitos presentes no art. 6º, caput da Lei nº 11.488/2007. Vale lembrar que a motivação das glosas correspondentes a tais itens consistiu unicamente na suposta intempestividade do aproveitamento dos créditos. A fiscalização, em 02/06/2015, esclareceu em despacho: (...) Proponho a devolução do presente ao Carf, entendendo concluída a diligência solicitada pelo douto colegiado. Quanto à apreciação in locu das conclusões do laudo apresentado pela Esalq/ USP Piracicaba, informo que já foi realizada visita à sede da empresa quando da realização do procedimento fiscal. Apesar da inequívoca utitilização de insumos agrícolas pela interessada, em conformidade referido laudo técnico, entendo inexistir previsão legal para a apuração de créditos de PIS e Cofins sobre insumos aplicados na área agrícola, por guardarem relação apenas indireta com a produção de açúcar e álcool, tal como descrito no Termo de Verificação e de Encerramento de Procedimento Fiscal. Destarte, que o presente processo seja devolvido à instância julgadora para que aprecie, ao seu alvedrio, as informações apresentadas pelo contribuinte em atendimento à solicitada diligência. (...) A recorrente foi cientificada da conclusão da diligência em 15/06/2015, sem, contudo, manifestarse no prazo concedido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Do Laudo Técnico: Conforme esclarecido no Laudo Técnico elaborado pela ESALQ Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da USP, o processo produtivo da recorrente abrange, em resumo, as seguintes etapas: i) plantio e cultivo de canadeaçúcar; ii) colheita, carregamento e transporte da cana colhida; e iii) extração, tratamento e processamento do caldo para a produção de diversos produtos, em especial, açúcar, álcool e eletricidade. O referido Laudo foi elaborado por solicitação deste CARF na diligência para que se intimasse a recorrente a "apresentar laudo de renomada instituição que descreva Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15940.720159/201324 Acórdão n.º 3402003.216 S3C4T2 Fl. 692 7 detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços". Ao final, concluiu o Laudo Técnico que: (...) Como se observa, o resultado do estudo acima foi bastante favorável à recorrente, com cerca de 92,3% dos itens utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo, nele incluso a fase agrícola. É de se ressalvar que, como não se adota aqui o conceito de insumo da legislação do IPI, não serão consideradas as considerações do Laudo Técnico acerca de desgaste ou contato do item glosado com o produto em fabricação. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente. Nessa linha, este Colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. As glosas da fiscalização foram efetuadas sob as seguintes rubricas e fundamentação: "L02Bens Insumos" Insumo não aplicado na produção industrial; "L03 Serviços Insumo" Insumo não aplicado na produção industrial; "L06Aluguéis Maq. Equip. PJ" Máquina/equipamento não utilizada (o) na produção industrial; "L08Arrendamento" Máquina/equipamento não utilizada (o) na produção industrial; "L10Ativo Imobilizado 12 meses" Ativo não aplicado na produção industrial; "L10Ativo Imobilizado 24 meses" Obras em andamento". No entanto, no referido Laudo Técnico não houve a segregação dos itens em conformidade com a classificação adotada pela fiscalização para as glosas. Dessa forma, como já alertado pela recorrente, na hipótese de ativo imobilizado com desconto do crédito em 24 meses, cuja motivação da glosa deuse em face de as obras não estarem ainda concluídas, não é relevante a conclusão do Laudo Técnico. 1. "Do direito ao crédito dos insumos da atividade agrícola" Conforme já decidido por este CARF, mediante o Acórdão nº 3403002.824, de 24 de fevereiro de 2014, a fase agrícola da agroindústria também integra o seu processo produtivo para fins de aproveitamento de crédito das contribuições sociais não cumulativas, como se vê no voto condutor do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, abaixo transcrito: (...) Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime não cumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação "de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar","dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota" transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15940.720159/201324 Acórdão n.º 3402003.216 S3C4T2 Fl. 693 9 partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art.1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária,"agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. (...) Também a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em julgamento de recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, no Acórdão nº 9303003.069, da 3ª Turma, sessão de julgamento de 13/08/2014, ratifica o entendimento acima, conforme conclusão do voto condutor do Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda abaixo: (...) Em suma, a legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios quanto à conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. (...) No caso das indústrias de celulose, isso implica admitir não só os gastos incorridos na produção direta da celulose, mas também na própria produção da madeira que lhe serve de insumo. Assim, todos os gastos incorridos como “insumos dos insumos”, que no caso são aqueles necessários para a produção da madeira, devem ser considerados para atendimento da sistemática não cumulativa. Não faz sentido permitir o creditamento quando se compra a madeira e impedilo quando se incorre em gastos, por exemplo, no planejamento de plantio e investimento em tecnologia de produção da madeira, sendo que todos eles têm como objetivo incrementar a produção de celulose. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim, no presente caso, devem ser revertidas as glosas, sob as rubricas "L02Bens Insumos", "L03Serviços Insumo", "L10Ativo Imobilizado 12 meses" relativas ao centro de custos, classes e subclasses direcionados à produção agrícola, que comprovadamente fazem parte do processo produtivo da recorrente, em conformidade com o resultado obtido no Laudo Técnico na coluna "Produção" da planilha das fls. 780/992, com "Sim" (faz parte do processo produtivo) e no exato percentual do volume total do item que é destinado ao processo produtivo, quando for o caso (vide exemplos abaixo em parte da planilha): 2. "Do direito ao crédito relativo a alugueis e arrendamentos mercantis de máquinas e equipamentos industriais" Em relação à máquinas e equipamentos industriais, assim dispõe a lei sobre o direito ao creditamento do PIS e da Cofins: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Lei nº 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15940.720159/201324 Acórdão n.º 3402003.216 S3C4T2 Fl. 694 11 Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) [grifos da Relatora] Conforme se vê acima, a exigência de que tenham utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços somente é aplicável aos bens incorporados ao ativo imobilizado que não sejam destinados a locação (inciso VI), não cabendo tal restrição para o direito ao creditamento sobre os aluguéis ou contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos (incisos IV e V). É princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no presente caso, cabem ser revertidas as glosas da fiscalização relativamente a todos os itens de aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, sob as rubricas "L06Aluguéis Maq. Equip. PJ" e "L08 Arrendamento", que se sustentaram na restrição inexistente na lei de que, para o correspondente creditamento, seria necessário a utilização desses bens na atividade industrial da recorrente. 3. "Do direito ao crédito quanto aos valores supostamente destinados à edificação" Conforme afirmado pela fiscalização, e não contestado pela recorrente, ela está habilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), previsto no art. 1º da Lei nº 11.488/2008 e, cumulativamente, fez opção pelo aproveitamento de créditos sobre edificações calculados sobre o custo de sua aquisição ou de sua construção, nos termos do art. 6º dessa Lei: Art. 1o Fica instituído o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI, nos termos desta Lei. (Regulamento) Parágrafo único. O Poder Executivo regulamentará a forma de habilitação e cohabilitação ao Reidi. Art. 2o É beneficiária do Reidi a pessoa jurídica que tenha projeto aprovado para implantação de obras de infraestrutura nos setores de transportes, portos, energia, saneamento básico e irrigação. (Regulamento) 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 (...) Art. 6o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o Os créditos de que trata o caput deste artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ou do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, conforme o caso, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição ou de construção da edificação. (...) § 5o O disposto neste artigo aplicase somente aos créditos decorrentes de gastos incorridos a partir de 1o de janeiro de 2007, efetuados na aquisição de edificações novas ou na construção de edificações. § 6o Observado o disposto no § 5o deste artigo, o direito ao desconto de crédito na forma do caput deste artigo aplicarseá a partir da data da conclusão da obra. Assim, conforme expressamente determinado na lei, o direito ao desconto de crédito pela recorrente, vigente a partir de 1º de janeiro de 2007, a cada mês na proporção de 1/24 do custo de aquisição ou de construção da edificação, somente nasce a partir da data da conclusão da obra. Razão pela qual foi correta a glosa da fiscalização do desconto da recorrente com inobservância do disposto no art. 6º, caput e §§ 5º e 6º da Lei nº 11.488/2007. Cabe a ressalva do julgador de primeira instância que se a contribuinte "de fato não aproveitou esses créditos antes da conclusão da obra, em nada será prejudicada quando do cumprimento da intimação dos autos de infração, ou seja, quando da retificação dos saldos de seus créditos levando em conta as glosas efetuadas, podendo, então, apropriálos, agora corretamente, nos termos do art. 6º, caput e §§ 5º e 6º, da Lei nº 11.488, de 2007". Quanto à alegação da recorrente de que parte dos créditos glosados sob essa rubrica não se referiria a dispêndios com edificação da obra, e sim com maquinário destinado à produção da canadeaçúcar, que foram inseridos por ela em conta contábil incorreta, não se pode considerar como comprovada a sua alegação somente com a descrição da planilha unilateral juntada ao recurso voluntário (doc. 02). À mingua de provas adicionais em sentido contrário, remanesce a classificação adotada inicialmente pela própria recorrente (imobilizado 1/24), com base na qual foram efetuadas as glosas da fiscalização. O mesmo entendimento aplicase aos itens alegados pela recorrente como "meras melhorias" que teriam, conforme alega, integrado essa rubrica. De forma, que não cabe reparo nas glosas efetuadas pela fiscalização sob a rubrica "L10Ativo Imobilizado 24 meses" em face de o desconto do crédito ter sido efetuado antes da conclusão da obra. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15940.720159/201324 Acórdão n.º 3402003.216 S3C4T2 Fl. 695 13 Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as seguintes glosas: a) sob as rubricas "L02Bens Insumos", "L03Serviços Insumo", "L10 Ativo Imobilizado 12 meses" relativas ao centro de custos, classes e subclasses direcionados à produção agrícola: somente os itens que comprovadamente fazem parte do processo produtivo da recorrente, nele incluso a atividade agrícola, em conformidade com o resultado obtido no Laudo Técnico e na percentagem nele apurada do volume de cada item que se destina ao processo produtivo; e b) sob as rubricas "L06Aluguéis Maq. Equip. PJ" e "L08 Arrendamento": todos os itens. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10882.724325/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Constatada a obscuridade, que pode alterar a compreensão do leitor sobre o alcance e entendimento exarado pelo julgador, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, a fim de seja aclaradas as alegadas obscuridades.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
SOLIDARIEDADE. OCORRÊNCIA. SUCESSÃO DE FATO. OCORRÊNCIA.
Diante da extinção de fato de uma empresa (provado cabalmente pela fiscalização no TVF), com a transferência da atividade, empregados, clientes, fornecedores de uma para a outra, tão somente com o intuito de dificultar a atividade fiscalizatória e arrecadatória dos tributos devidos, opera-se a sucessão de fato, ainda que não haja sucessão direito, possibilitando a aplicação da solidariedade entre sucessora e sucedida.
Numero da decisão: 1301-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos como obscuridades para saná-las, sem efeitos modificativos.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Constatada a obscuridade, que pode alterar a compreensão do leitor sobre o alcance e entendimento exarado pelo julgador, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, a fim de seja aclaradas as alegadas obscuridades. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 SOLIDARIEDADE. OCORRÊNCIA. SUCESSÃO DE FATO. OCORRÊNCIA. Diante da extinção de fato de uma empresa (provado cabalmente pela fiscalização no TVF), com a transferência da atividade, empregados, clientes, fornecedores de uma para a outra, tão somente com o intuito de dificultar a atividade fiscalizatória e arrecadatória dos tributos devidos, opera-se a sucessão de fato, ainda que não haja sucessão direito, possibilitando a aplicação da solidariedade entre sucessora e sucedida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos como obscuridades para saná-las, sem efeitos modificativos. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
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OBSCURIDADE. Constatada a obscuridade, que pode alterar a compreensão do leitor sobre o alcance e entendimento exarado pelo julgador, é de proverse os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, a fim de seja aclaradas as alegadas obscuridades. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 SOLIDARIEDADE. OCORRÊNCIA. SUCESSÃO DE FATO. OCORRÊNCIA. Diante da extinção de fato de uma empresa (provado cabalmente pela fiscalização no TVF), com a transferência da atividade, empregados, clientes, fornecedores de uma para a outra, tão somente com o intuito de dificultar a atividade fiscalizatória e arrecadatória dos tributos devidos, operase a sucessão de fato, ainda que não haja sucessão direito, possibilitando a aplicação da solidariedade entre sucessora e sucedida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos como obscuridades para sanálas, sem efeitos modificativos. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 43 25 /2 01 3- 80 Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10882.724325/201380 Acórdão n.º 1301002.107 S1C3T1 Fl. 2.145 3 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos por IMPAKTO SISTEMA DE LIMPEZA E DESCARTÁVEIS LTDA, na qualidade de sucessora e responsável solidária da empresa Impakto Transportes e Serviços Ltda, em face do acórdão nº 1301001.931, proferido por esta turma na sessão de 01/03/2016, no qual este colegiado decidiu, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. Alega a ora embargante que o acórdão combatido incorreu em omissão e contradição na apreciação das questões nas razões do Recurso Voluntário apresentado, mais precisamente omissão quanto à inexistência das seguintes hipóteses: a) de responsabilidade pessoal de que trata o artigo 124, I, do CTN; b) de responsabilidade de que trata o artigo 132 do CTN; c) da responsabilidade pessoal de que trata o artigo 133, I, também do CTN e contradição quanto à hipótese de responsabilidade por sucessão. Os embargos, tendo sido apresentados tempestivamente, foram objeto de despacho de admissibilidade da lavra deste Conselheiro, onde o mesmo entendeu que haviam sido preenchidos os requisitos estampados no art. 65 do Regimento Interno (ANEXO II), submetendo proposta ao Presidente desta 1ª Turma Ordinária, no sentido de que ele seja admitido e submetido à apreciação do Colegiado. Tal proposta foi aceita pelo Presidente, tendo sido incluído os autos em pauta para regular julgamento por este Colegiado. É o relatório. Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 4 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo Os embargos são tempestivos e, em face de despacho no sentido de sua admissibilidade, deles conheço. A embargante insurgese contra a decisão quanto: 1. à omissão no mesmo no que se refere a inexistência de hipótese de responsabilidade pessoal de que trata o art. 124, I do CTN, por inexistência de interesse comum na ocorrência do fato gerador. Nesse mesma diapasão, alega haver omissão quanto a alegada inexistência da hipótese de responsabilidade prevista no art. 132 do CTN. 2. à contradição no que concerne à imputação de responsabilidade à recorrente com base nos arts. 124, 131 e 133 do CTN, haja vista que a decisão reconhece que não se aplica ao caso as hipóteses de fusão, cisão e transformação, porém esta mesma decisão manteve a responsabilização solidária com base nestes mesmos artigos, restando caracterizado, pois, a alegada contradição. Quanto às omissões, alega a embargante que o agente fiscal a autuou por entendêla responsável solidária com base na inteligência dos artigos 124, 132 e 133 do Código Tributário Nacional ("CTN"), que trata de sucessão de direito. Em sua defesa, a recorrente, ora embargante, argumentou a impossibilidade de aplicação da responsabilidade tributária em razão da inexistência de hipótese legal, vez que não ocorreram as condutas típicas preconizadas nos citados artigos do CTN. Alega que o entendimento do STJ, trazido à colação, corrobora seu entendimento no sentido de que os referidos artigos não se aplicam ao caso concreto. Por fim, diz ter esclarecido, em sede de recurso, a questão fática de ter sido constituída apenas em 02/02/2010, ou seja, após a ocorrência dos fatos geradores objeto do auto de infração, razão pela qual não poderia ter sido autuada por débitos de 2009. Ainda que discorde da Embargante, pois entendo que se trata de obscuridade e não de omissão, uma vez que foi objeto de análise pelo acórdão a quo a questão da responsabilização por sucessão, entendo que há matéria a ser sanada pela vias dos embargos, pois, a meu ver, a decisão incorreu em falta de clareza, não possibilitando à interessada compreender com a precisão necessária as razões de decidir deste julgador. Assim, passo a esclarecer as omissões (obscuridades) alegadas em sede de embargos. A embargante alega que sua inclusão no pólo passivo desta contenda não poderia ter ocorrido, haja vista que não tem qualquer relação com o mesmo. Aduz ainda que não houve dissolução irregular da autuada, a qual continua aberta e funcionando normalmente. Por fim, diz não ter qualquer vínculo com a autuada, salvo o fato de um dos seus sócios Fernando Mantovani Júnior ter feito parte do quadro societário das duas empresas por um curto período de tempo. Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10882.724325/201380 Acórdão n.º 1301002.107 S1C3T1 Fl. 2.146 5 Aduz ainda que as empresas (autuada e responsável, ora embargante) têm atividades empresariais distintas, tendo sido constituídas como estratégia de negócio e não como forma de burlar o fisco. Por fim, alega que a jurisprudência do STJ consolidou o entendimento de que a imputação de responsabilidade tributária por sucessão de empresas depende da verificação concreta dos elementos constantes do artigo 133 do CTN, não bastando meros indícios da sua existência, de forma que, para caracterizar a existência de sucessão, na forma do CTN, é imprescindível a análise criteriosa dos aspectos fáticos e probatórios da demanda. Assim, penso que a questão crucial aqui é determinar se foram preenchidos os requisitos do artigo 133 do CTN, cuja dicção é a seguinte: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. § 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: I – em processo de falência; II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial. § 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo devedor falido ou em recuperação judicial; II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do devedor falido ou em recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou III – identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo de fraudar a sucessão tributária. § 3o Em processo da falência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de alienação, somente podendo ser Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 6 utilizado para o pagamento de créditos extraconcursais ou de créditos que preferem ao tributário. Nesse sentido, creio que uma boa interpretação do alcance deste dispositivo foi alcançada pelo Professor Ives Gandra da Silva Martins, proferido no bojo do Parecer intitulado "INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – ORIGEM DO DISPOSITIVO – EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL E DOUTRINÁRIA – INAPLICABILIDADE À HIPÓTESE CONSULTADA PARECER.", o qual peço vênia para transcrever: Hoje, após muito estudar, escrever e proferir palestras sobre o dispositivo, tenho clara noção do que foi pretendido pelo legislador complementar. De início, não é correta a interpretação pela qual quem adquire “fundo de comercio” ou “estabelecimento comercial, industrial ou profissional” passa a ser o único responsável pelo tributo, excetuandose a hipótese do inc. II, que faz menção a uma responsabilidade subsidiária. Passo a examinar a dicção legislativa. Principia o artigo por declarar que: “A pessoa natural ou jurídica de direito privado ....” o que vale dizer, apenas pessoas físicas ou jurídicas de direito privado podem estar incluídas na responsabilidade do artigo 133 por tributos1. Estão, pois, excluídas todas as empresas públicas ou outras que não sejam de direito privado. A seguir, faz menção, o legislador complementar, a que tais empresas são responsáveis tributárias se adquirirem “de outra, por qualquer título”, o que vale dizer, qualquer que seja a forma de aquisição gera esta responsabilidade tributária ao sucessor. A aquisição, todavia, está bem delimitada, no discurso de continuação, em que o legislador complementar explicita a exata dimensão e extensão da responsabilidade de que cuida o artigo. A aquisição referese a 1 Ylves José de Miranda Guimarães no seu artigo “Da responsabilidade tributária” acresce: “Assim, deflui de tais princípios, que o legislador ao instituir a figura do responsável tributário, não pode alterar a natureza e o regime jurídico do tributo, a sua tipicidade, que envolve a sua substância, a sua realidade jurídica, o seu arquétipo enunciado constitucionalmente, que, embora não geratriz do tributo, delineia os seus contornos, estabelecendo a matriz da hipótese de incidência, para o exercício positivo da competência legislativa, contida na chamada descriminação de rendas. Assim, o sujeito passivo, oculto ou declaradamente nomeado no tributo como tal, como o produtor do fato imponível, não fica, ou não pode ficar à discrição total do legislador tributário, ao ponto de, por via da eleição de outrem como responsável, não preso àquele fato como seu agente, mas a ele meramente vinculado ou ligado, transmudar a natureza do tributo criado pelo próprio fato imponível” (grifos meus) (Caderno de Pesquisas Tributárias n. 5, ob. cit. p. 83). Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10882.724325/201380 Acórdão n.º 1301002.107 S1C3T1 Fl. 2.147 7 fundo comercial ou estabelecimento comercial, estabelecimento industrial ou estabelecimento profissional, acrescentando o texto da norma , que “continuar a respectiva exploração” 2 A meu ver, na junção das duas expressões “adquirir fundo ou estabelecimento de qualquer natureza” e “continuar a respectiva exploração”, está a razão de ser do artigo. Portanto, no entendimento do Ilustre Professor, a questão da responsabilização nos termos do art. 133 do CTN cingese à dois pontos: aquisição de fundo ou estabelecimento comercial e continuação da respectiva exploração. Trasladando tais ensinamentos para o caso concreto destes autos, passo a analisar se houve "aquisição" ou transferência de fundo de comércio entre sucedida e sucessora e se esta última continuou a explorar as atividades que foram da sucedida, principalmente em razão da alegação veemente, da ora embargante, de que sucessora e sucedida são pessoas jurídicas distintas, com atividades empresarias complementares, não havendo que se falar em confusão de suas atividades a ensejar responsabilização solidária. Nos termos do TVF de fls 1.350 à 1.374, não vejo como dar guarida à pretensão da embargante! 2 Alfredo Buzaid entende por “fundo de comércio” uma universalidade de elementos, dos quais o ponto é um dos que o compõe, mas por si só não constitui “fundo de comércio”. Declara: “A generalidade dos autores costuma classificar os elementos que compõem o fundo de comércio em duas categorias fundamentais, que reúnem espécies variáveis e de natureza diversa, consoante a importância do ramo e da atividade mercantil: a) direitos ou coisas incorpóreas: I — o direito à renovação judicial do contrato de arrendamento; II — o nome comercial, compreendendo a firma e a denominação; o título e a insígnia do estabelecimento; a expressão ou sinal de propaganda; as marcas de indústria e de comércio; as recompensas industriais; as invenções e os privilégios; os modelos de utilidade, os desenhos e os modelos industriais; III — os direitos autorais e os de resguardo do nome ou pseudônimo contra os seus usurpadores; IV o aviamento; a freguesia e sua defesa contra a concorrência desleal; b) coisas corpóreas: I os imóveis, a saber, terrenos, construções, edifícios, fábricas, armazéns, depósitos, com tudo neles intencionalmente empregado em sua exploração industrial, aformoseamento ou comodidade, irretiráveis sem fratura ou dano; II — os móveis, i.e., as instalações, o mobiliário, os utensílios, veículos, máquinas, maquinismo, acessórios e pertences, a matériaprima, os produtos manufaturados ou semimanufaturados, as mercadorias, ou fazendas em geral, os títulos ou efeitos do comércio” (Da ação renovatória, Ed. Saraiva, p. 243/4). Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 8 O trabalho do Agente Fiscalizador é meticuloso, criterioso e não deixa qualquer margem para dúvidas quanto a confusão entre sucedida (autuada) e sucessora (ora embargante), se não vejamos: 39) Inicialmente, para contextualizar a responsabilidade por sucessão, relatamos que o Sujeito Passivo declarou em DIPJ os seguintes valores de Receita Bruta de Vendas ao longo do tempo: [...] 40) Da tabela acima, observamos que o Contribuinte declarou uma queda vertiginosa no 4º Trim./2010 e no 1º Trim./2011 na Receita Bruta. E a partir do 2º Trim./2011, não há mais Receita Bruta. 41) Entretanto, ao acessarmos o sítio eletrônico do Sujeito Passivo (Impakto Higiene, Limpeza e Descartáveis. História. Disponível em: https://www.impakto.com.br/index.php?p=empresa. Acesso em: 10/dez/2013. Anexado às fls. 1028 a 1031), constatamos as seguintes informações descritas pela empresas sobre a mesma: “A Impakto está no mercado há 23 anos como a maior referência nacional em serviços de limpeza. Oferece aos seus clientes o que existe de mais moderno em soluções nesta área.” 42) Ora, se a empresa permanece em atividade há 23 anos, inclusive contando, atualmente, com um sistema de vendas pela internet, não há como supor que a partir do 4º Trim./2010 a empresa começou a deixar de operar. 43) Por conseguinte, dando continuidade aos trabalhos de auditoria, passamos a analisar a estrutura societária do Sujeito Passivo. Desta forma, podemos estabelecer a seguinte linha do tempo para esquematizar a estrutura da empresa (informações extraídas da FICHA CADASTRAL COMPLETA, disponível em: < http://www.jucesp.fazenda.sp.gov.br/>. Anexado às fls 1032 a 1035) : IMPAKTO PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA LTDA: Início de atividade: 16/05/1989 CNPJ: 60.567.633/000108 44) Do diagrama acima, fica nítido que o principal sócio da empresa é o Sr. Fernando Mantovani Junior. Outrossim, na DIPJ ano calendário 2009, o sócio referido obteve na distribuição de Lucros e Dividendos a quantia de R$ 2.303.425,91 (dois milhões, trezentos e três mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e noventa e um centavos). Enquanto o Sr. Fernando Mantovani não retirou Lucros e Dividendos no mesmo ano calendário. 45) Em seguida, verificouse que o Sr. Fernando Mantovani Junior, no dia 02/02/2010, constituiu uma empresa chamada de IMPAKTO SISTEMAS DE LIMPEZA E DESCARTAVEIS LTDA., CNPJ: 11.588.752/000131. Estabelecendo um esquema cronológico com a estrutura societária da empresa, ficamos com o Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10882.724325/201380 Acórdão n.º 1301002.107 S1C3T1 Fl. 2.148 9 seguinte (informações extraídas da FICHA CADASTRAL COMPLETA, disponível em: < http://www.jucesp.fazenda.sp.gov.br/>. Anexado às fls 1036 a 1038): IMPAKTO SISTEMAS DE LIMPEZA E DESCARTAVEIS LTDA: Início de atividade: 04/01/2010 CNPJ: 11.588.752/000131 46) Para facilitar o entendimento, chamaremos a empresa Impakto Produtos de Higiene e Limpeza Ltda de “Impakto antiga” e a empresa Impakto Sistemas de Limpeza e Descartaveis Ltda de “Impakto Nova”. 47) A nova empresa criada declarou em DIPJ os seguintes valores de Receita Bruta de Vendas ao longo do tempo: [...] 48) Estabelecendo uma comparação entre as Tabelas 11 e 12, ficamos com: [...] 49) A região hachurada na Tabela 13 mostra a transição em que a Impakto Antiga começa a deixar de gerar Receita Bruta e a Impakto Nova inicia a sua operação. Para facilitar o entendimento, chamaremos o lapso temporal entre 3º trim/2010 e 1º trim./2011 de período de transição. 50) Das informações relatadas nos itens 39 a 43, podemos realçar as seguintes observações sobre a Impakto Antiga: · A Impakto antiga exercia, no ano calendário 2009, o seguinte objeto social: Comércio atacadista de produtos de higiene, limpeza e conservação domiciliar. · A ciência do início do atual procedimento fiscal ocorreu no dia 06/11/2012. Por razões desconhecidas, no dia 12/11/2012, próxima à data anteriormente citada, o Contribuinte alterou o objeto social da empresa. · Já no dia 15/07/2013, o Contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal Nº 01, em que foi intimado a comprovar as origens dos depósitos bancários em suas contas. No dia 01/08/2013 e no dia 30/08/2013, o Sujeito Passivo adotou posturas protelatórias, solicitando pedidos de prorrogação de prazo de 30 e de 60 dias, respectivamente, para atender ao Termo referido. Findo o prazo, não se manifestou. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 10 · Entretanto, no dia 05/08/2013, o Sócio majoritário do Sujeito Passivo, que possuía 95% do capital social, realizou medidas para assegurar sua retirada da sociedade, conforme a linha temporal esquematizada da Impakto Antiga. Ou seja, a empresa não atendia à intimação, mas, por razões desconhecidas, reorganizava sua estrutura societária para que seu principal sócio não figurasse como sócio. 51) Dos itens 44 a 45, podemos realçar as seguintes observações sobre a Impakto Nova: · No dia 04/01/2010, o principal sócio da Impakto Antiga, Sr. Fernando Mantovani Junior, constitui a Impakto Nova. Inclusive, o mesmo detém 99% da nova empresa que nasce com o mesmo Objeto Social da Impakto antiga. 52) Dos itens 47 a 49, realçamse as seguintes observações: · Tanto a Impakto antiga quanto a Impakto nova, no 3º trimestre de 2010, possuíam o mesmo objeto social e o mesmo sócio majoritário. O sócio e administrador de ambas, Sr. Fernando Mantovani Junior, detinha 95% da primeira e 99% da segunda. · A Impakto Antiga terminou o 3º trim./2010 com Receita Bruta de R$ 5.511.993,83 (cinco milhões, quinhentos e onze mil, novecentos e noventa e três reais e oitenta e três centavos). A Impakto Nova terminou o 4º Trim./2010 com Receita Bruta de R$ 22.673.559,46 (vinte e dois milhões, seiscentos e setenta e três mil, quinhentos e cinqüenta e nove reais e quarenta e seis centavos). Ou seja, a empresa anterior, que tinha o mesmo objeto social, já estava em operação há mais tempo e possuía o mesmo sócio e administrador majoritário da empresa nova, vendeu no 3º trim de 2010 aproximadamente ¼ do que vendeu a nova empresa no Trimestre seguinte. Adicionalmente, salientase que a nova empresa, em seu 2º trim. em operação, vendeu, aproximadamente, 900x o valor de venda do Trimestre anterior (vide tabela 13). 53) Paralelamente à análise citada nos itens 39 a 49, procedemos à verificação das informações presentes nas Declarações de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, de ambas as empresas (anexadas às fls. 1039). 54) Neste contexto, observouse que a Impakto antiga possuía 4 (quatro) contratos de locação de imóveis que trazem algumas informações importantes, conforme tabela a seguir: [...] 55) Neste momento, cabe relembrar que o endereço cadastrado na JUCESP da Impakto Antiga é a Rua Euriclides Formiga, 240. Já o endereço cadastrado na JUCESP da Impakto Nova é a Rua Euriclides Formiga, 130. 56) Dos itens 53 a 55, concluise que os contratos de locação, em que a Impakto Antiga figurava como locatária dos imóveis onde realiza suas operações, no período de transição, sofreram alteração. Nesta mudança, a Impakto Nova passou a ser a Locatária nos endereços em que anteriormente a antiga se encontrava. 57) Com vistas a buscar elementos de prova adicionais que pudessem fundamentar nossa convicção, procedemos à análise da Guia de Recolhimento do Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10882.724325/201380 Acórdão n.º 1301002.107 S1C3T1 Fl. 2.149 11 FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) da Impakto Antiga e da Impakto Nova para avaliar as informações presentes nas Guias. 58) Na GFIP de Setembro de 2010, a Impakto antiga possuía 135 trabalhadores declarados (vide tabela anexada à fl. 1040). Os trabalhadores possuíam as seguintes características, com relação à Classificação Brasileira de Ocupações (CBO): [...] 60) Comparando as Tabelas 15 e 16 surge uma questão bem simples: como seria possível uma empresa com a estrutura de funcionários da Tabela 15, que possui, por exemplo, 75 operadores do comércio em lojas e mercados, obter uma Receita Bruta equivalente a ¼ da Receita de uma empresa que possui a estrutura da Tabela 16, que, por exemplo, não possui nenhum operador do comércio, tudo isso num curto período de tempo!? Devese ter em mente que o principal administrador em ambas as empresas é a mesma pessoa, a endereço operacional é basicamente o mesmo, e, principalmente, a maioria dos funcionários da Impakto Nova proveio da Impakto antiga, conforme veremos adiante. Obs.: Na descrição sumária da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações. Disponível em: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorCodigo.jsf. Acesso em: 09/12/2013) cujo código é 5211 (operadores do comércio em lojas e mercados) constatase o seguinte texto: “Vendem mercadorias em estabelecimentos do comércio varejista ou atacadista, auxiliando os clientes na escolha. Registram entrada e saída de mercadorias. Promovem a venda de mercadorias, demonstrando seu funcionamento, oferecendo as para degustação ou distribuindo amostras das mesmas. Informam sobre suas qualidades e vantagens de aquisição. Expõem mercadorias de forma atrativa, em pontos estratégicos de vendas, com etiquetas de preço. Prestam serviços aos clientes, tais como: troca de mercadorias; abastecimento de veículos; aplicação de injeção e outros serviços correlatos. Fazem inventário de mercadorias para reposição. Elaboram relatórios de vendas, de promoções, de demonstrações e de pesquisa de preços.” Ou seja, a principal classe de trabalhadores associada à área de vendas praticamente inexiste na Impakto Nova. 61) Enfatizase, ainda, que verificamos nos sistemas da RFB que após o período de transição a relação de trabalhadores na Impakto antiga foi gradualmente sendo reduzida, conforme consta nas GFIP entregues pelo Contribuinte. Ao passo que, a relação de trabalhadores da Impakto nova foi aumentando, conforme suas GFIP. Assim sendo, na GFIP da competência dez/2011, a Impakto Antiga só possuía 2 (dois) trabalhadores. Entretanto, a Impakto nova detinha uma relação bem extensa de trabalhadores (vide tabela anexada à fl. 1042). Nesta relação, a maioria dos trabalhadores proveio da empresa Impakto antiga, conforme tabela abaixo: [...] Esclarecendo a informação da tabela, podemos observar o seguinte: Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 12 · A empresa possuía 124 funcionários, sendo que desta lista, 2 (dois) são os sóciosadministradores. Então, consideraremos que ela possuía 122 funcionários; · Dos 122 funcionários, 78 pertenceram à Impakto Antiga. Dos 78, 41 trabalharam na Impakto Antiga no período imediatamente anterior a sua admissão na Impakto Nova; 19 rescindiram da Antiga entre 2 e 180 dias antes de sua admissão na nova; e 18 rescindiram entre 181 e 360 dias antes de sua admissão na nova; · Dos 4 funcionários que possuíam um cargo de Supervisão, 3 provieram diretamente da Impakto Antiga; dos 15 Escriturários em Geral, 10 provieram diretamente; e dos 22 almoxarifes e armazenistas, 19 provieram direta ou indiretamente da Impakto Antiga, sendo que 10 diretamente; · Os 41 funcionários que migraram diretamente da Impakto antiga para a Impakto nova constam, na GFIP de Dez/2011, como se tivessem sido admitidos na mesma data de admissão que foram na Impakto antiga. Este fato ocorre quando, na transferência dos trabalhadores, a nova empresa assume os encargos trabalhistas da anterior desde a admissão nesta, fato que ratifica a sucessão da Impakto Nova sobre a Antiga. 62) Destarte, sintetizando tudo que foi descrito na presente seção, podemos resumir da seguinte forma: · As empresas Impakto antiga e Impakto nova possuíam o mesmo sócio e administrador majoritário, o Sr. Fernando Mantovani Junior; · As empresas estão localizadas em endereços contíguos. E nos contratos de locação dos imóveis em que as empresas operacionalizavam, a figura do locatário foi alterada da primeira para a segunda; · A maioria dos trabalhadores da Impakto Nova proveio da antiga. Ou seja, o Capital Humano, que na Era da Informação é o principal ativo de uma empresa, foi herdado, em sua grande maioria, da empresa Antiga; · No período de transição, o volume financeiro operado pela Impakto Nova é significativamente maior do que o operado pela Impakto antiga, sendo que a estrutura organizacional da Nova, baseandose em sua lista de funcionários declarados em GFIP, é muito menor do que na Antiga. [...] 64) Resta claro que: · Os contratos de locação foram alterados para que a Impakto Nova passasse a figurar como locatária dos imóveis cujos endereços são os mesmos encontrados na Junta Comercial como endereço desta e da Antiga. A função de locatário cabia anteriormente à Impakto Antiga. · Houve a extinção de fato da empresa Impakto Produtos de Higiene e Limpeza Ltda; Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 10882.724325/201380 Acórdão n.º 1301002.107 S1C3T1 Fl. 2.150 13 · O sócio majoritário da empresa acima abriu a empresa Impakto Sistemas de Limpeza e Descartaveis Ltda, que possuía o mesmo objeto social daquela, e se manteve como administrador de ambas; · Houve migração gradual dos funcionários da Nova empresa para a Antiga; · No período de transição, o volume de receitas declarado pela Impakto Nova é extremamente superior ao declarado pela Impakto Antiga, sendo que a estrutura organizacional da Nova é bem inferior ao da Antiga. Vêse da leitura detida dos termos do TVF, acima transcritos, que a tese defendida pela embargante não se sustenta. Há aqui clara hipótese de transferência/aquisição de fundo de comércio, ainda que tal aquisição não tenha se dado formalmente. O que houve foi o esvaziamento de uma empresa, com a transferência de suas atividades para uma nova empresa. Tanto não há que se falar em empresas distintas, sem continuidade de atividades que o próprio site da empresa fala que a mesma encontrase em atividade há 23 anos. O mesmo argumento acima (23 anos de atividade), serve também para afastar a alegação da embargante de que ela (sucessora) e a sucedida/autuada tinham atividades empresariais distintas. Ademais, notese que até a data da intimação da autuada, (final de 2012) autuada e sucessora possuíam a mesma atividade empresarial, qual seja, "comércio atacadista de produtos de higiene, limpeza e conservação domiciliar". Pelos argumentos acima, resta claro e evidente que se está diante de extinção de fato de uma empresa (provado cabalmente pela fiscalização através do cotejo das receitas brutas das duas empresas), com a transferência da atividade, empregados, clientes, fornecedores de uma para a outra, tão somente com o intuito de dificultar a atividade fiscalizatória e arrecadatória dos tributos devidos. Com base nos mesmos argumentos acima esposados, principalmente na tese bem descrita no TVF de sucessão de fato entre as empresas, em que pese a ausência de sucessão de direito, ataco a alegada contradição existente no acórdão embargado. Entendo que pelos termos do TVF, a fiscalização deixou claramente caracterizada a hipótese de sucessão prevista no artigo 133 do CTN. A alegação da embargante de que não se está diante de fusão, transformação e cisão, ainda que formalmente verdadeira, não é suficiente para afastar a responsabilização solidária contida no já citado artigo 133, haja vista a sucessão de fato ocorrida entre embargante e autuada. Assim, por todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER dos embargos, ACOLHENDOOS, para corrigir obscuridade existente, sem contudo conferirlhes efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 14 Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA
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Numero do processo: 10580.722535/2010-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 35 /2 01 0- 95 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722535/201095 Acórdão n.º 9202004.177 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA. Relatório AI Trata o presente processo de notificações de lançamento – NL (efls. 04 a 09), referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2008, em procedimento de revisão da declaração de ajuste anual (Dirpf) por meio do qual se apurou saldo de imposto a restituir ajustado no valor de R$ 12.741,11. Impugnação O auto de infrações foi objeto de impugnação, em 18/03/2010, à efl. 02 dos autos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, em 22/09/2011, no acórdão 1528.381, às efls. 132 a 134, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Inconformado, o contribuinte, em 22/12/2011, apresentou recurso voluntário, à efl. 136, no qual solicita revisão do processo a partir da análise dos documentos juntados às fls. 142 a 162 (recibos do advogado, sem discriminação da natureza dos valores objeto da ação judicial). Acórdão CARF A 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 21/01/2015, resultando no acórdão n° 2801003.942, às efls. 167 a 173, assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722535/201095 Acórdão n.º 9202004.177 CSRFT2 Fl. 4 3 Não comprovado o recolhimento do imposto de renda retido na fonte compensado na declaração de ajuste anual do contribuinte, mediante a juntada da guia DARF respectiva, devem prevalecer os valores apurados pela Autoridade fiscal com base nos cálculos constantes do processo trabalhista. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. RE Fazenda Em 29/01/2015, foi apresentado Recurso Especial de Divergência – RE da Procuradoria da Fazenda, às efls. 175 a 183, a Procuradora da Fazenda entendeu no sentido da manutenção do lançamento, determinando a mera retificação do percentual incidente sobre a base de cálculo apurada, e não pelo seu cancelamento conforme disposto no acórdão recorrido. Como paradigma da divergência, indica o acórdão nº 2201002.386 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de 15/04/2014. Admissibilidade do RE da Fazenda Este relator, no exercício da Presidência da 1ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 12/05/2015, através do despacho de efls. 185 a 187, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Anexo II Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que seja reapreciada a questão da manutenção do lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que foram devidos os rendimentos. O contribuinte recebeu a INTIMAÇÃO DRF/SDR/SECAT nº 1377/2015 (efl. 190) para ciência do acórdão do recurso voluntário, do RE da Fazenda e do despacho que lhe deu seguimento em 27/07/2015 (efl. 191), não tendo apresentado contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O RE da Procuradora da Fazenda nos leva a apreciação idêntica àquela ocorrida no processo nº 11040.001165/200561, apreciado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, da Lavra Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722535/201095 Acórdão n.º 9202004.177 CSRFT2 Fl. 5 4 do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior em tudo se adéqua ao presente caso e por isso o adoto, pedindo vênia para transcrevêlo: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722535/201095 Acórdão n.º 9202004.177 CSRFT2 Fl. 6 5 exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Conclusão Pelas razões expostas, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e darlhe provimento, para determinar a manutenção do auto de infração, com a retificação do montante do crédito tributário pela consideração do regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722535/201095 Acórdão n.º 9202004.177 CSRFT2 Fl. 7 6 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722535/201095 Acórdão n.º 9202004.177 CSRFT2 Fl. 8 7 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10865.904923/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.340
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 23 /2 01 2- 68 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.251. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.904923/201268 Acórdão n.º 3201002.340 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13974.000372/2007-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/07/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Recurso Especial não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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