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Numero do processo: 10768.033530/94-51
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/05/1993 a 31/05/1994
NORMAS PROCESSUAIS. CONHECIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
Para que seja admitido o recurso extraordinário da Fazenda Nacional é necessário que seja demonstrado o dissídio jurisprudencial entre as turmas de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em situações fáticas semelhantes.
Recurso Extraordinário Não Conhecido
Numero da decisão: 9900-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso extraordinário. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Redator ad hoc
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/05/1993 a 31/05/1994 NORMAS PROCESSUAIS. CONHECIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Para que seja admitido o recurso extraordinário da Fazenda Nacional é necessário que seja demonstrado o dissídio jurisprudencial entre as turmas de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em situações fáticas semelhantes. Recurso Extraordinário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso extraordinário. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Redator ad hoc Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/05/1993 a 31/05/1994 NORMAS PROCESSUAIS. CONHECIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Para que seja admitido o recurso extraordinário da Fazenda Nacional é necessário que seja demonstrado o dissídio jurisprudencial entre as turmas de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em situações fáticas semelhantes. Recurso Extraordinário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso extraordinário. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Redator ad hoc Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 03 35 30 /9 4- 51 Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.033530/9451 Acórdão n.º 9900000.961 CSRFPL Fl. 1.367 2 Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Considerando que o relator originário, Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, não mais integra o Colegiado, designeime, na condição de Presidente do Pleno da CSRF, para formalizar o relatório e o voto vencido relativos a este processo. Assim, reproduzo na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, conforme a seguir: Insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão que não reconheceu a concomitância entre uma ação judicial e este processo administrativo com base no entendimento de que a ação judicial foi arquivada sem julgamento do mérito. Contrária a esse entendimento, insiste a Recorrente no fato de que o mandado de segurança foi distribuído anteriormente ao lançamento fiscal, e, portanto, impedindo a discussão administrativa do feito. Registra que a Primeira Turma da CSRF deste Conselho, no Acórdão nº 01 04.060, adotou entendimento diverso quando reconheceu que uma ação declaratória ou um mandado de segurança preventivo impedem o prosseguimento de processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado em razão da relação jurídico tributária questionada na ação judicial. Dito dispositivo referese à semelhança da causa de pedir com fundamento na exigência consubstanciada em lançamento. Informa que o DecretoLei nº 1.737/79, art. 1º, § 2º, bem como a Lei nº 6.830/80, art. 38, parágrafo único, estabelecem que a propositura, pela contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso acaso interposto. Destaca que, in casu, a contribuinte propôs, judicialmente, demanda com o mesmo objeto versado no feito administrativo fiscal, incorrendo na alínea “a” do Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3/96, editado pela Coordenação Geral Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal COSIT. Transcreve várias decisões deste Conselho e, por fim, argumenta no sentido de que a extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não impede a concomitância. Transcreve também a Súmula CARF nº 1, que reconhece a concomitância em face da propositura de ação judicial, antes ou depois do lançamento de ofício, desde que havendo o mesmo objeto do processo administrativo. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu a inexistência de concomitância (fl. 1.160) fundamentada no fato da extinção do processo judicial sem julgamento do mérito a evitar decisões conflitantes. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.033530/9451 Acórdão n.º 9900000.961 CSRFPL Fl. 1.368 3 Em sede de voto vencido, o Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (fl. 1.170) registra que “Denegada a segurança, os estabelecimentos da Michelin que se beneficiaram com a transferência desse CréditosPrêmio, não procederam ao estorno dos mesmo em seus registros contábeis/fiscais, até a presente data, o que motivou a lavratura dos autos de infração em cada estabelecimento envolvido, para cobrar de ofício o IPI que deixou de ser recolhido, conforme apuração em quadro anexo.” Com essas considerações o ilustre Conselheiro suscitou de ofício a ocorrência de concomitância. Em contrarrazões a ora Recorrida afirma que antes da lavratura do auto de infração o Mandado de Segurança interposto foi extinto sem julgamento do mérito e cassação da liminar. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto vencido disponibilizado pelo Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que assim dispõe: O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O deslinde da questão repousa na identificação de ocorrência ou não de concomitância do Mandado de Segurança interposto em 21/06/1993 com o processo administrativo inaugurado pelo Auto de Infração lavrado em 21/12/94. Este processo tornou indiscutível que o Mandado de Segurança foi julgado extinto (fl. 1.178), sem julgamento de mérito, por força da desistência da ora Recorrida e ainda, o fato de que o Auto de Infração foi lavrado após dita extinção judicial. Posicionome igualmente ao que foi decidido pela Câmara Superior quanto à matéria, posto que os fatos estão a comprovar a inexistência de cumulação dos meios administrativos e judiciais, sem ocorrência de simultaneidade, posto que a ação judicial se esvaiu antes dos procedimentos administrativos evitando por conseguinte o surgimento de conflito. Em razão do exposto, voto pelo improvimento do Recurso Extraordinário interposto. Assim, com base no acima exposto, o Conselheiro votou no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.033530/9451 Acórdão n.º 9900000.961 CSRFPL Fl. 1.369 4 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Ainda que o despacho de Exame de Admissibilidade do Recurso Extraordinário (fls. 1217 e 1218) tenha dado seguimento à peça recursal ora em apreciação, entendo que o conhecimento da matéria está prejudicado pela inexistência de dissídio jurisprudencial. De acordo com os arts. 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, cabia ao Procurador da Fazenda Nacional interpor recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O processamento do recurso especial se deu em observância ao art. 4º da Portaria MF n° 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vigente à época do julgamento, visto que o acórdão recorrido referiase a sessão de julgamento que ocorreu em data anterior à vigência do anexo II da referida Portaria. No acórdão recorrido, a então Segunda Turma entendeu não haver concomitância. Eis a ementa do acórdão na parte que é pertinente: RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE – O exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário impede que uma mesma questão seja discutida simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. O ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazêlo pela via administrativa. O fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre decisões, o que não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciação do mérito, por não possibilitar decisões conflitantes. A Fazenda Nacional apresentou, como paradigma, o Acórdão n° 0104.060 da Primeira Turma deste CSRF, que teria adotado entendimento diverso ao acórdão recorrido. Reproduzo trecho do acórdão, na parte que interessa ao presente julgamento: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO IMPOSSIBILIDADE A semelhança da causa de pedir, expressada no fundamento jurídico da ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mandado de segurança, com fundamento da exigência consubstanciada em lançamento de oficio, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos fundamentos idênticos, prevalecendo a solução do litígio através da via judicial provocada. Qualquer matéria distinta, entretanto, deve ser conhecida e apreciada. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.033530/9451 Acórdão n.º 9900000.961 CSRFPL Fl. 1.370 5 Entretanto, o entendimento adotado no voto vencedor do Acórdão CSRF/01 04.060, apontado pela Fazenda Nacional como paradigma, não diverge daquele adotado na decisão recorrida. Tanto a decisão recorrida como o Acórdão apontado como paradigma adotam a mesma linha de entendimento no que se refere aos pressupostos para a caracterização da concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo, ou seja, que seriam a semelhança entre a causa de pedir daquela com o fundamento da exigência neste consubstanciada e a existência simultânea de ambos. Constatase que a situação fática analisada no presente processo se diferencia daquela apreciada no acórdão apontado como paradigma, por não existir, no presente caso, a simultaneidade entre ação judicial e processo administrativo, uma vez que o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrida foi extinto sem julgamento de mérito e antes da lavratura do auto de infração. Sendo assim, a conclusão da decisão recorrida foi diversa daquela apontada como paradigma, no sentido de não haver concomitância a impedir o prosseguimento do processo administrativo. Ressaltase que a ausência de similitude fática entre a decisão recorrida e o acórdão apontado como suposto paradigma impede que o recurso extraordinário seja conhecido. Assim, tendo sido demonstrado que o acórdão apontado pela Fazenda Nacional como suposto paradigma não é contrário à decisão recorrida, além de versar sobre situação fática divergente, inexiste fundamento para conhecimento da peça recursal. Ante o exposto, não conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722323/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE.
Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 787 1 786 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.722323/201394 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.531 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2016 Matéria IRPJ. Dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Recorrente CATERPILLAR BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A regra que calcula os juros sobre o capital próprio que poderão ser deduzidos, para efeitos de apuração do lucro real, deve ser restritivamente interpretada no sentido de se considerar a variação da TJLP sobre o mesmo período de apuração para o qual se calcula o limite de dedutibilidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 23 23 /2 01 3- 94 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 788 2 Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CATERPILLAR BRASIL LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/PiracicabaSP, referentes ao IRPJ e CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2010, totalizaram o valor de R$ 27.753.486,71. A autuação promoveu a glosa de juros sobre o capital próprio (JCP) concernentes a variações do patrimônio líquido observada nos anos calendários de 2006, 2007 e 2009. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: DA AUTUAÇÃO De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 74/85, foi apurado que a contribuinte acima identificada efetuou distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) em desacordo com a legislação vigente durante o ano de 2010, conforme a seguir sintetizado. DO INICIO DO PROCEDIMENTO Inicialmente, a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes elementos: • LALUR em meio digital; • Atas de assembléias ou atos constitutivos que previam o pagamento de JCP durante o ano calendário 2010; e • Memória de cálculo e relação de beneficiários de JCP durante o ano calendário 2010. Posteriormente, intimada a esclarecer se houve adições ao lucro real no LALUR a título de excesso de JCP, a contribuinte afirmou que não efetuou tais acréscimos. DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS E DA LEGISLAÇÃO APLICADA AOS JCP Fl. 788DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 789 3 A Ata de Reunião de Quotistas datada de 18/11/2010 autorizou o pagamento de JCP aos seus quotistas, relativamente aos períodos de janeiro a dezembro de 2006, janeiro a dezembro de 2007 e janeiro a dezembro de 2009 (parcial), nos montantes de R$ 75.151.240,81 à sócia Caterpillar Brazil LLC (que detém 99,99% do capital social da empresa) e R$ 7,99 à sócia quotista Caterpillar Overseal SARL (que detém o restante, 0,01%), totalizando R$ 75.151.248,80. Há que se observar, quanto aos JCP, o disposto nos artigos 347 e 668 do RIR/99 e o artigo 9º da Lei nº 9.249/95. Pela legislação supracitada, há primeiramente um limite que define o valor que poderá ser deduzido do lucro a título de JCP: o Patrimônio Líquido (desconsiderando o valor da Reserva de Reavaliação de bens e direitos da pessoa jurídica), multiplicado pela TJLP acumulada no período. A legislação impõe, ainda, outros dois limites (devendo ser considerado o maior deles) a serem considerados para o efetivo pagamento ou crédito dos JCP: 1) 50% do lucro líquido do período de apuração a que corresponder o pagamento ou crédito dos JCP, após dedução da CSLL e antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou 2) 50% dos saldos de lucros acumulados e reservas de lucros de períodos anteriores. Conforme demonstrado pela fiscalização à fl. 78, a contribuinte deveria obedecer os seguintes limites (o menor deles) para o cálculo dos JCP referente ao ano de 2010: • Limite 1: R$ 33.885.437,12: Patrimônio Líquido em 31/12/2009 (R$ 677.708.742,39) multiplicado pela TJLP ponderada referente ao período (5%); e • Limite 2: R$ 149.832.072,02: 50% dos saldos de lucros acumulados (R$ 299.664.144,04), superior ao montante de R$ 20.052.073,50, relativo a 50% do lucro líquido do período de apuração (R$ 40.104.147,01). Há que se considerar, portanto, o limite de R$ 33.885.437,12. No entanto, a totalidade do valor de JCP distribuído pela contribuinte, de R$ 75.151.248,80, foi deduzida na apuração do lucro real. A contribuinte esclareceu que o valor total distribuído referese a valores posteriormente apurados, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2009. Os valores, não foram distribuídos à época, foram calculados em 2010 conforme planilha apresentada durante a ação fiscal. Além disso, esclareceu que não houve arquivamento de atos societários relativos ao pagamento de JCP nos anos de 2006, 2007 e 2009. Relativamente ao argumentado pela contribuinte, a fiscalização faz as seguintes observações. No sistema de apuração pelo lucro real prevalece o regime da competência dos lançamentos; vale dizer, as receitas e despesas devem ser reconhecidas quando da ocorrência dos fatos jurídicos e econômicos, independentemente da ocorrência de pagamento e/ou recebimento de numerário. A esse respeito, observemse a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750/93 e o artigo 29 da IN SRF nº 11/96. A IN SRF n° 41/98 elucida a aplicabilidade do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, supracitado, ao considerarse creditado individualizadamente o valor dos JCP quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica em Fl. 789DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 790 4 contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio. Não há determinação legal para que os JCP sejam pagos durante o mesmo ano social, nem se fixa em que período se deve efetuar o pagamento, a fim de que se possa deduzir tais juros como despesa. Contudo, evidenciase que a contabilização como despesa e a possibilidade de dedução estão condicionadas a que sejam realizadas no exercício da sua competência, em contrapartida ao pagamento, ou ao lançamento a crédito do sócio como um passivo da empresa e um direito de crédito do sócio, até que o pagamento seja efetivado. O pagamento pode ocorrer em qualquer data, mas a despesa deve ser lançada e deduzida no exercício dentro do qual foi incorrida, sob pena de distorcer o Patrimônio Líquido da empresa nos períodos anteriores, em que não houve a devida contabilização dos JCP que poderiam ter sido distribuídos. A fiscalização cita os Acórdãos nºs 0539464/2012 e 1636302/2012, proferidos pelas DRJs relativos ao assunto (ementas à fl. 81). No mesmo sentido, foram proferidas as Soluções de Consulta nºs 116/2012 e 18/2013 (ementas às fls. 81/82), com o mesmo entendimento quanto ao respeito ao regime de competência na distribuição de JCP. Como se vê, a opção de se lançar a despesa deve ser exercida no período de apuração correto, em atenção ao princípio da competência dos lançamentos. A dedutibilidade dos JCP fica condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios. No presente caso, apenas no anocalendário de 2010 materializouse o pagamento ou creditamento em favor dos sócios de JCP, não se podendo reconhecer como dedutíveis valores que não foram pagos ou creditados em períodos anteriores, mas apenas a despesa paga ou incorrida no próprio ano de 2010 e nos limites legalmente estabelecidos para esse período. Portanto, não regularmente materializada a opção do interessado nos anos calendário de 2006, 2007 e 2009 por esse regime especial de tributação, mediante a contabilização do pagamento ou do crédito aos sócios dos juros em questão, não é possível validar a opção extemporânea pelo pagamento de JCP, sob pena de deturpação da sistemática de tributação em vigor. O pagamento ou crédito de JCP a acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei para ser exercida no anocalendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Obstase, assim, a dedução na apuração do lucro real do ano, de juros incidentes sobre Patrimônio Líquido de anos anteriores. De outro modo, o não exercício da mencionada faculdade configura renúncia ao benefício concedido na lei e enseja a preclusão temporal que impede seu aproveitamento em períodos de apuração de lucro real posteriores. (...) DA IMPUGNAÇÃO Fl. 790DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 791 5 Cientificada dos lançamentos em 01/08/2013, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 30/08/2013, a impugnação de fls. 576/609, alegando, em síntese, o seguinte: DO OBJETO DA AUTUAÇÃO Segundo a fiscalização, o valor pago a título de JCP pela impugnante supera o limite estabelecido pelo artigo 9º da Lei nº 9.249/95, por ter levado em consideração as variações do patrimônio líquido em períodos anteriores (2006, 2007 e 2009), em suposta inobservância ao regime de competência. Isso porque, de acordo com a fiscalização, o valor dos JCP deve ser calculado mediante a aplicação da variação da taxa de juros de longo prazo (TJLP), "pro rata die", sobre o patrimônio líquido apurado em 31 de dezembro do anocalendário competente, não sendo admitido o cômputo dos resultados relativos aos períodos anteriores. DO DIREITO De acordo com o artigo 9º da Lei nº 9.249/95, a pessoa jurídica poderá deduzir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os valores pagos aos sócios ou acionistas a título de JCP. A controvérsia relativa ao pagamento ou crédito de JCP calculado sobre o patrimônio líquido de períodosbase anteriores tem origem em equivocada interpretação do artigo 29 da IN SRF nº 11/96 pela Administração Fazendária, que não merece acolhida, por contrariar a exegese que emana do artigo 9º da Lei nº 9.249/95. A correta interpretação do artigo 9° da Lei nº 9.249/95 O legislador, não por acaso, conferiu aos JCP um tratamento tributário similar àquele aplicável aos juros provenientes de empréstimos, como forma de remunerar o custo de oportunidade do sócio ou acionista. Essa constatação é de fundamental importância para a análise da questão, pois evidencia que a finalidade dos JCP é remunerar o sócio ou acionista pelo capital investido na sociedade durante todo o lapso temporal em que manteve recursos financeiros empenhados, conforme refletido no seu patrimônio líquido. Para manter coerência com a finalidade pretendida com a instituição dos JCP, o legislador tributário, de forma lúcida e perspicaz, deixou de estabelecer prazo para o seu pagamento ou crédito, assim como não estipulou lapso temporal certo de maturação. Por certo, tratase de decisão consciente do legislador tributário, pois o custo de oportunidade do capital e os efeitos da inflação perduram no tempo, de modo que não faria sentido restringir a dedução da despesa ao pagamento dos JCP no mesmo anocalendário em que calculado. A interpretação teleológica e finalística do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 é confirmada pela base de cálculo dos JCP, que consiste no patrimônio líquido da sociedade, o qual representa os valores que os sócios ou acionistas mantêm investidos na sociedade. Por isso, é inegável que a determinação do valor dos JCP deve considerar não apenas o tempo de permanência dos recursos em poder da sociedade, mas também a expressão econômica dos respectivos valores. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 792 6 É exatamente isso o que o critério de cálculo estabelecido no artigo 9º da Lei nº 9.249/95 visa a refletir. A aplicação da TJLP sobre o valor do patrimônio líquido remunera o capital (recursos financeiros) mantido na sociedade, assim como os juros relativos ao contrato de mútuo remuneram o mutuante (terceiro) pelo capital emprestado. A natureza jurídica dos JCP e o momento de constituição da obrigação de pagamento ou crédito ao sócio ou acionista No âmbito do direito privado, a atribuição de remuneração aos sócios ou acionistas a título de JCP é uma faculdade conferida à pessoa jurídica, por meio de um feixe de normas jurídicas que garantem a autonomia da vontade. Assim, a obrigação de pagar JCP não nasce diretamente da lei, independentemente da vontade humana. Ao contrário, a lei que autoriza o pagamento dos JCP funciona como sua fonte remota, na medida em que atribui aos particulares a possibilidade de, por meio do exercício de suas vontades, constituírem a obrigação relativa ao recebimento de remuneração sob a forma de JCP. Disso resulta que, antes da deliberação para seu pagamento, o direito não está completamente adquirido, dada sua aquisição depender do fato falível de haver (ou não) a deliberação societária de distribuílos. Logo, não há direito adquirido antes da realização da deliberação societária que autoriza o pagamento dos JCP. É inegável, portanto, que o período competente para o registro da despesa relativa aos JCP é aquele em que ocorre a deliberação societária de seu pagamento ou crédito, em caráter definitivo e incondicional. Antes do ato societário competente, a sociedade não se obriga (não assume obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir, por absoluta falta de título jurídico para legitimar a sua pretensão. Não se deve confundir o momento em que os JCP tornamse devidos com a forma como eles são calculados. Ainda que se delibere em 2010 o seu pagamento, nada impede que eles sejam calculados com base no valor do patrimônio líquido de períodos anteriores, até mesmo porque, como visto, tratase de instrumento que remunera o capital do sócio investido na empresa em um determinado período de tempo. Se o capital esteve investido, então, pode ser remunerado via JCP. Entretanto, para efeito de dedução da despesa para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não basta a indispensável aprovação dos JCP em deliberação societária, tendo em vista que o § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 somente permite a dedução fiscal da respectiva despesa no momento do pagamento ou crédito dos JCP em conta individualizada do sócio ou acionista. Assim, podese assentar que a dedutibilidade dos JCP depende de dois requisitos cumulativos, a saber: (1) existência de deliberação societária aprovando o pagamento, a qual institui a obrigação e torna a despesa incorrida (regra geral para determinação da despesa incorrida); e (2) o efetivo pagamento ou crédito individualizado dos JCP (regra específica aplicável aos JCP). O fato de a sociedade efetuar o cômputo dos JCP de forma acumulada não interfere no momento em que surge a obrigação de pagar e o direito de receber os JCP, assim como não interfere no período competente para o seu reconhecimento. O § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, ao condicionar a dedução da despesa de JCP ao seu pagamento ou crédito ao beneficiário, acaba também por determinar o períodobase competente para fins fiscais. O períodobase competente para o pagamento dos JCP Fl. 792DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 793 7 Em linhas gerais, o regime de competência implica o reconhecimento das receitas quando elas são auferidas e das despesas quando elas são incorridas, sendo irrelevante o efetivo recebimento ou pagamento. A despesa relativa aos JCP deve ser considerada incorrida pela pessoa jurídica desde a data da deliberação, momento de constituição da respectiva obrigação, em caráter definitivo e incondicional, de acordo com o regime jurídico aplicável. Entretanto, viuse que o § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 impõe uma condição adicional para a sua dedução do lucro real e da base de cálculo da CSLL, que consiste justamente no seu pagamento ou crédito individualizado ao sócio ou acionista. Em síntese, a despesa relativa aos JCP pode ser considerada incorrida pela pessoa jurídica desde a data da deliberação societária, mas, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, somente é permitida a dedução da despesa a partir do momento do pagamento ou crédito dos JCP em conta individualizada do sócio ou acionista. Então, é forçoso concluir que o períodobase competente para a dedução da despesa relativa aos JCP será aquele em que o contribuinte atender aos dois requisitos acima. Logo, o períodobase competente para a dedução da despesa de JCP será aquele em que, após a ocorrência da deliberação societária que autoriza o seu pagamento, a pessoa jurídica efetivamente procedeu ao pagamento ou crédito individual da obrigação em nome dos sócios ou acionistas. Destaquese que a lei não contém qualquer determinação de prazo para pagamento ou crédito dos JCP, assim como não estabelece que a respectiva despesa deve ser deduzida pelo contribuinte no mesmo anocalendário do balanço societário cujo valor do patrimônio líquido foi utilizado para fins de aplicação da TJLP. Em conseqüência, é equivocada a interpretação preconizada pela fiscalização, segundo a qual a despesa de JCP compete ao anocalendário utilizado como referência para a aplicação da TJLP sobre o respectivo patrimônio líquido. Do mesmo modo, é equivocada a interpretação fiscal que afirma ser obrigatório o pagamento dessa despesa em cada ano, ou que a dedução fiscal estaria condicionada ao pagamento no próprio ano a que os juros se refiram quanto ao seu cálculo. A impossibilidade de inclusão de restrições no texto legal O intérprete não pode incluir outras condições na hipótese normativa, com o objetivo de restringir a dedução da despesa para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os JCP calculado sobre determinado patrimônio líquido, e pela TJLP de um determinado período de tempo, não precisa ser obrigatoriamente pago ou creditado ao final desse período, o que permite a "transferência" do pagamento ou crédito para momento futuro, com a respectiva dedução fiscal no momento oportuno. Pela mesma razão, a lei não impede que se "acumulem" pagamentos ou créditos que poderiam ter sido feitos num período com os pagamentos ou créditos que podem ser feitos em outros períodos, de modo a que sejam feitos numa única data, ou num único período. Daí, a despesa será dedutível mesmo que o pagamento ou crédito do valor dos juros seja feito após o encerramento do anocalendário em que se situa o início da Fl. 793DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 794 8 contagem da TJLP, ou abranger período correspondente a dois ou mais períodos base de apuração fiscal do IRPJ e da CSLL. A própria lei prescreveu quais são os limites de dedutibilidade e nada dispôs em relação ao pagamento baseado em patrimônio líquido de períodos anteriores. Portanto, uma vez atendidos os limites legais, é indiscutível a dedutibilidade dos JCP. Querer acrescentar qualquer outra restrição à dedução da despesa importaria na ilegal atitude de extravasar o comando da lei, incluindo no texto legal condição nele não escrita, o que não é tolerado por pacífica doutrina e consolidada jurisprudência dos nossos tribunais. A equivocada interpretação da IN SRF nº 11/96 A controvérsia relativa ao pagamento ou crédito de JCP calculado sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores tem origem em equivocada interpretação do artigo 29 da IN SRF nº 11/96. Com base na redação do dispositivo acima, o Fisco sustenta que somente o valor dos JCP calculado sobre o períodobase de pagamento ou crédito seria considerado dedutível do lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL O artigo 29 da IN SRF nº 11/96 faz o mesmo que o artigo 6º do Decretolei nº 1.598/77, o qual simplesmente determina o cumprimento do regime de competência, mas não estabelece o períodobase em que determinada receita ou despesa deva integrar o lucro real, na medida em que essa imputação temporal dependerá do regime jurídico aplicável a cada espécie de receita e de despesa. Dessa forma, ao tratar do período de competência, o artigo 29 da IN SRF nº 11/96 apenas pretendeu esclarecer que a despesa correspondente ao pagamento ou crédito de JCP será considerada dedutível no momento em que efetivamente incorrida. Por esse motivo, não merece acolhida a interpretação preconizada pela Administração Tributária no caso em tela, no sentido de que o artigo 29 da IN SRF nº 11/96 impede o pagamento ou crédito dos JCP em determinado anocalendário, baseado em contas do patrimônio líquido de anoscalendário anteriores. Por óbvio, tratase de interpretação nitidamente contrária à lei, que somente levaria ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 29 da IN SRF nº 11/96. A referência ao regime de competência, constante da instrução normativa, pode ser entendida como um indicador de que os limites devem ser calculados com base nos resultados do período da deliberação, justamente por ser este o período competente para a dedução dos JCP. Ademais, ainda que a despesa de JCP pertencesse a períodobase anterior, como pretende a fiscalização, o lançamento de ofício deveria observar as regras de inobservância do regime de competência, previstas no artigo 6º do Decretolei nº 1.598/77. Isso porque, desde o Decretolei nº 1.598/77, a legislação tributária determina que a dedução antecipada ou atrasada de despesa deve ter o seu efeito fiscal neutralizado, a fim de que não haja prejuízo ao Fisco. Por isso, caso a despesa de JCP pertencesse a períodobase anterior, caberia ao Fisco observar o disposto no Fl. 794DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 795 9 Parecer Normativo COSIT nº 2/96, ao invés de simplesmente ser glosada inteiramente a dedução. Não tendo agido segundo as regras do referido parecer normativo, é nulo o trabalho fiscal ora impugnado, conforme reconhece jurisprudência tão farta que dispensa citações e transcrições. O momento de verificação dos limites A rigor, se a obrigação jurídica referente aos JCP apenas surge com a sua aprovação em deliberação societária, seguida do respectivo pagamento ou crédito em favor dos sócios ou acionistas, não há dúvida de que o limite de 50% do lucro líquido do exercício ou de 50% dos lucros acumulados também deve ser verificado no períodobase em que ocorrer o respectivo pagamento ou crédito dos JCP. Nesse sentido, observese o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 13/96. O cálculo dos JCP pago pela impugnante No caso em tela, a impugnante optou pela adoção de uma postura mais conservadora. Assim, ao efetuar o cálculo do valor dedutível a título de JCP, a impugnante optou por observar os limites máximos de 50% do lucro líquido, ou de 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros, tanto em relação ao períodobase referente ao pagamento ou crédito dos JCP (2010), quanto em relação aos períodos base anteriores, que originaram o pagamento acumulado (2006, 2007 e 2009). É importante mencionar, ainda, que ao efetuar o cálculo dos JCP em relação aos exercícios anteriores, a impugnante teve o cuidado de subtrair de suas contas de patrimônio líquido dos anos subseqüentes os valores de JCP que poderiam ter sido pagos nos anos anteriores. As tabelas de fls. 599/601 demonstram o procedimento adotado, ou seja, que o valor final das despesas de JCP calculadas sobre os patrimônios líquidos de 2006 (R$ 37.888.270,95), 2007 (R$ 33.502.255,21) e 2009 (R$ 23.262.471,93) observam os limites quantitativos objetivos de cada um desses períodos. Assim como nos anos anteriores, ao efetuar o pagamento acumulado de JCP no anocalendário de 2010, no valor total de R$ 75.151.248,80, a impugnante observou o limite de 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros daquele períodobase (R$ 149.932.072,02), conforme reconhecido pela própria fiscalização no Termo de Constatação Fiscal. Anotese que o procedimento conservador adotado pela impugnante tem o condão de reduzir o âmbito da discussão, pois restringe o seu objeto à questão acerca da possibilidade, ou não, de pagamento acumulado de JCP. Para comprovar as informações acima, a impugnante anexa a este processo dossiê (doc. 03) com os seguintes documentos: demonstrativos de cálculo dos JCP, balanços patrimoniais e demonstrações de resultado dos períodosbase envolvidos, comprovante de efetivo pagamento de JCP; comprovante de retenção do IRRF; ata de reunião de quotistas que aprovou o pagamento; e cópia do seu contrato social. A jurisprudência judicial e administrativa Fl. 795DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 796 10 Em 17/12/2009, a primeira turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752/PR, proferiu decisão reconhecendo o direito do contribuinte de deduzir as despesas relativas ao pagamento ou crédito de JCP relativo a períodos anteriores (vide ementa à fl. 602). Na esfera administrativa, por sua vez, há inúmeros precedentes que asseguram o direito de calcular JCP sobre períodos passados, desde o antigo Conselho de Contribuintes até o atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dentre os quais a impugnante destaca os relacionados às fls. 603/605. A partir da análise dos acórdãos citados acima, é possível firmar as seguintes conclusões, que sufragam integralmente o procedimento adotado pela impugnante: • o períodobase para a dedução da despesa de JCP é aquele em que, após a aprovação da deliberação societária em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ocorre o pagamento ou crédito individual ao sócio ou acionista; • é possível pagar JCP desde o ano em que tenham sido instituídos, observandose as variações no patrimônio líquido ao longo de todo o tempo, desde a data inicial até a data do efetivo pagamento ou crédito; • os limites de 50% dos lucros ou prejuízos acumulados e 50% do lucro líquido são apurados com base nos respectivos valores no ano em que houver o pagamento ou crédito dos JCP, independentemente do período de maturação. DA INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Subsidiariamente, caso sejam mantidos, total ou parcialmente, os Autos de Infração ora combatidos, a impugnante ressalta que deve ser prontamente afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, diante da ausência de previsão legal expressa. DO PEDIDO Por todo o exposto, a impugnante requer que o cancelamento das exigências fiscais de IRPJ e CSLL ora questionados e, subsidiariamente, que seja afastada a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos, e informa que não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. Requer, por fim, que as futuras intimações sejam feitas em nome de seus advogados, devidamente constituídos através da anexa procuração. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 5ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1656.875, de 8 de abril de 2014, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: Fl. 796DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 797 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros sobre o capital próprio é faculdade concedida pela lei, cujo exercício se sujeita a limite absoluto, correspondente ao produto da variação da TJLP sobre o patrimônio líquido do anocalendário correspondente ao seu pagamento/crédito. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual repete os argumentos deduzidos anteriormente. Acrescenta, no entanto, que: (i) a decisão da DRJ foi contraditória quando, num momento, concorda com a impugnação no sentido de que a despesa de JCP deve ser deduzida no períodobase em que houve o seu pagamento ou crédito e, noutra passagem, afirma que o pagamento pode ocorrer em qualquer data, mas a despesa deve ser lançada e deduzida no exercício dentro do qual foi incorrida; (ii) a decisão da DRJ foi imprecisa ao sustentar que somente podem ser reconhecidos como dedutíveis os valores de JCP efetivamente contabilizados como pagos ou creditados no período em que calculados os respectivos limites de dedução, mas não observar que a empresa observou os limites de 50% do lucro líquido ou 50% dos lucros acumulados ou reservas de lucro no próprio anocalendário (2010) em que houve o pagamento ou crédito do JCP; e (iii) inexiste preclusão ou renúncia tácita da dedução em um tempo futuro, ideias que poderiam estar por trás da premissa utilizada pela DRJ no sentido de que não houve dedução no próprio ano a que se refere a remuneração. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 798 12 A discussão circunscrevese à dedutibilidade dos JCP, no anocalendário de 2010, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2009. Isso porque é incontroversa, nem foi objeto da autuação, a dedutibilidade da parcela que se referiu ao próprio ano de 2010. A fiscalização entende que não é possível a dedução porque a faculdade do pagamento ou crédito desses juros não foi exercida no momento apropriado, qual seja, no decorrer dos respectivos anoscalendário. A recorrente, no entanto, defende que o legislador não fixou um momento para a remuneração do capital mantido na sociedade. Além disso, há que se reconhecer que o custo de oportunidade e os efeitos da inflação incidem sobre a expressão econômica e o tempo de maturação desse capital. Como o período competente para o registro da despesa é aquele em que ocorre a deliberação societária do pagamento ou crédito, inexistiria vedação ao cômputo dos JCP de forma acumulada. Para enfrentar a questão, vale a pena reproduzir o seguinte trecho do dispositivo legal que regula a matéria, isto é, o artigo 9º da Lei nº 9.249/95: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (...) § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Como se vê, para fins tributários, a sistemática dos JCP sujeitase às seguintes regras: 1º) os juros são calculados mediante aplicação da variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre as contas do patrimônio líquido (excluída eventual reserva de reavaliação); e 2º) a dedutibilidade é limitada à metade dos lucros (computados antes da dedução dos juros) ou a metade dos lucros acumulados mais reservas de lucros. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 799 13 Portanto, como primeira providência, calculase o valor dos juros com base numa variação pro rata dia. Aqui, numa primeira aproximação, inexiste qualquer referência ao anocalendário envolvido ou mesmo a um determinado período de apuração. Tratase de aplicar a variação da TJLP, acumulada de acordo com o número de dias considerados, sobre o valor das contas do patrimônio líquido. Depois, como segunda providência, devese verificar o limite de dedutibilidade dos juros anteriormente calculados. O montante dedutível não poderá exceder o maior dos seguintes valores: (i) a metade dos lucros (computados antes da dedução dos juros) ou (ii) a metade dos lucros acumulados mais reservas de lucros. Assim, na primeira hipótese, quando qualifica os lucros como aqueles "computados antes da dedução dos juros", a lei só pode estar se referindo à conta de resultado correspondente ao períodobase em que se está investigando a dedutibilidade (o do pagamento ou crédito dos juros). Já na segunda hipótese, quando faz referência a contas patrimoniais (lucros acumulados e reservas de lucros), a lei só pode estar se referindo ao saldo que essas contas acumularam em períodos anteriores. É nesse sentido, inclusive, o entendimento contido no § 3º, do artigo 29, da IN/SRF nº 11/96, verbis: § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores1. Portanto, a lei utilizou parâmetros contábeis arbitrariamente escolhidos para definir o limite de dedutibilidade, ou seja, o valor do lucro e o valor de saldos observados no períodobase em que se está investigando essa dedutibilidade (o do pagamento ou crédito dos juros). Ora, se é assim, há que se indagar se seria possível o contribuinte voluntariamente escolher o montante dos JCP que será comparado com esse limite (para fins de se aferir o valor dedutível). Isso porque, ao aplicar a TJLP numa dimensão temporal superior ao períodobase, ele estará aumentando o montante dos JCP na mesma proporção. A minha resposta para essa indagação é negativa. Independentemente dos fatos do caso concreto, há que se manter a coerência das regras tributárias. Não faz sentido estabelecer um limite de dedutibilidade a partir de parâmetros contábeis vinculados a um determinado períodobase se o contribuinte pode escolher, a seu bel prazer, em qual período vai alocar sua despesa. Tornarseia um campo propício para o planejamento tributário na medida em que se pode adiar o pagamento ou crédito dos JCP para quando o limite de dedutibilidade permite o aproveitamento da despesa. 1 Observese que esta Instrução Normativa não trata da conta de reservas de lucros porque esta só foi incluída na lei em alteração posterior promovida pela Lei nº 9.430/96. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 800 14 Ou, mesmo sendo possível esse aproveitamento, para quando se apurar lucro tributável capaz de ser absorvido pela despesa. É por isso que deve ser dada uma interpretação restrita à regra que trata da aplicação da TJLP. Apesar de inexistir uma referência explícita, a variação pro rata dia deve ser considerada sobre o mesmo período de apuração para o qual se calcula o limite de dedutibilidade. Nesse sentido, é isso que se extrai do seguinte texto do caput do artigo 9º da Lei 9.249/05: "poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real". Portanto, tem razão a fiscalização quando identifica nessa regra um autêntico limite de dedutibilidade. Tratase do valor máximo que poderá ser pago ou creditado, relativamente a um determinado períodobase, mas, também, de um dos limites de dedutibilidade a ser aplicado nesse mesmo período. Ademais, há que se lembrar que, antes da introdução do instituto no âmbito tributário pela Lei nº 9.249/95, os JCP apareciam em nosso Ordenamento só na forma de despesas préoperacionais. Vejase, nesse sentido, o que dispunha, antes da sua revogação pela Lei nº 11.941/09, o inciso V do artigo 179 da Lei nº 6.404/76 (Lei da S/A): Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. (grifei) Portanto, a Lei nº 9.249/95 criou verdadeiro benefício fiscal. Diferentemente do que ocorre em alguns países onde a renda segue a teoria da fonte definida em espectros cedulares, o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo patrimonial segundo o modelo desenvolvido pelos financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons definido numa amplitude global2. Isso significa que considera se renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. Consequentemente, no caso do imposto de renda, a lei tributária incide de forma global sobre todo acréscimo patrimonial. Depois, sobre algumas situações específicas, afasta o campo de incidência. Tratandose de benefício fiscal, diria que sua natureza é de uma isenção. Como explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção atua no próprio campo normativo. A regra 2 Cf. Reuven S. AviYonah, Nicola Sartori e Omri Marian, Global Perspectives on Income Taxation Law. New York: Oxford, 2011, pp. 17 a 23. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 801 15 de isenção subtrai parte do campo de abrangência do antecedente ou do consequente da regra matriz de incidência, mutilando, parcialmente, um ou mais dos seus critérios3. Nessa trilha, quando a lei permite a dedução dos JCP, que no regramento anterior sequer figurava como um instituto capaz de ser tratado como despesa operacional pela contabilidade, nada mais faz do que mutilar, parcialmente, o critério da base de cálculo da regramatriz de incidência. Por tratarse de isenção, há que se lembrar o que determina o artigo 111 do CTN, verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; A regramatriz de incidência é o resultado do trabalho interpretativo de um conjunto de enunciados veiculados nos textos legais. Há diversas técnicas legislativas para conformar o campo de incidência. A isenção nada mais é do que uma dessas técnicas, por meio da qual, algum aspecto de uma predefinição genérica daquele campo é mutilado. Entretanto, se o legislador opta por essa técnica, o CTN exige uma interpretação literal dos seus enunciados para a produção da regramatriz. E não é de se estranhar que seja assim. Afinal, a regra geral é a incidência sobre a renda global. A mutilação é uma exceção. Por isso, não se pode dar uma amplitude extensiva à regra de isenção. E não se está pretendendo aqui incluir restrições no texto legal ou promover uma equivocada interpretação da IN/SRF nº 11/96, como sugere a recorrente, mas, sim, obedecendo à norma segundo a qual uma regra de isenção deve ser interpretada da maneira mais restrita possível. É verdade que o pagamento ou crédito dos JCP é optativo e que ele só passa a ser considerado como despesa incorrida no momento da deliberação societária neste sentido. Mas, isso não afasta a necessidade de observância dos limites estipulados na lei. A recorrente, no entanto, pretende se valer dos limites observados nos anos calendário anteriores para justificar sua dedução no ano de 2010. Assim, defende que os JCP calculados dentro dos limites (variação da TJLP no respectivo ano e cinquenta por cento dos parâmetros contábeis) observados nos anos de 2006, 2007 e 2009 podem ser deduzidos no ano de 2010. Acrescenta que, mesmo assim, não superou o limite de cinquenta por cento dos parâmetros contábeis observado no ano de 2010. Não importa. A variação da TJLP do ano de 2010 aplicada ao patrimônio líquido, qual seja, R$ 33.885.437,11, não poderia também ter sido superada para fins de dedutibilidade. Nesse sentido, correta a glosa do excesso perpetrada pela fiscalização. 3 Cf. Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 17a. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 490. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 802 16 Quanto ao fato de existir jurisprudência favorável ao entendimento da contribuinte, basta dizer que, há também julgados no sentido contrário. Citese, por exemplo, os seguintes: REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. (Acórdão n° 120100.348, de 11/11/2010) DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo lhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. (Acórdão n° 1301001.118, de 05/12/2012) JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) é optativo, e, nos termos da lei, eles só passam a existir no mundo jurídico com o pagamento ou o crédito individualizado ao titular, sócios ou acionistas. Somente nesse momento podem ser considerados como despesa incorrida, devendose realizar seu cálculo em função do patrimônio e lucros do exercício em que surgiram. Não é possível se apurar o montante de despesa incorrida com base em períodos anteriores a sua existência. (Acórdão n° 1102000.934, de 08/10/2013) As demais questões levantadas pela recorrente contra a glosa promovida pela fiscalização estão todas implicitamente superadas pelo contexto argumentativo acima produzido. Por fim, no tocante aos juros aplicados sobre a multa de ofício, a recorrente alega que há ausência de previsão legal para a sua incidência. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 803 17 Essa argumentação costuma ser motivada pela ressalva contida no artigo 161 do CTN. Confirase: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) Ou seja, apenas o valor do principal poderia ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito de o Fisco exigir a multa correspondente, sem que esta pudesse ser atualizada. Outras vezes fazse semelhante argumentação com base no que dispõem o artigo 61, c/c o seu § 3º, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) Desta feita, somente sobre os débitos de tributos e contribuições poderiam incidir os juros. Sem embargo, sobre o assunto, o entendimento do CARF pode ser extraído das seguintes súmulas: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (grifei) Fl. 803DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 804 18 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (grifei) Portanto, os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Esta última expressão é definida pelo CTN nos seguintes termos: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Como é cediço, a matéria sumulada é de observância obrigatória por disposição expressa do que consta no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A despeito das decisões colacionadas pela recorrente, há outras que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 805 19 (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada: Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011, Redator Designado: Claudemir Rodrigues Malaquias) Ademais, o STJ também já se pronunciou neste sentido. Vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 805DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.722323/201394 Acórdão n.º 1401001.531 S1C4T1 Fl. 806 20 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11516.003295/2006-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005
LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, tomar parcial conhecimento do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente da 1ª Câmara.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator ad hoc.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andrea Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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SOCIEDADE COOPERATIVA. FATOS GERADORES A PARTIR 1º DE OUTUBRO DE 1999. VALORES DEDUTÍVEIS NÃO COMPROVADOS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à cobrança da Cofins calculada com base no faturamento, que compreende a receita bruta mensal, independente desta ser proveniente de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Somente os valores dedutíveis devidamente comprovados podem ser excluídos da receita bruta mensal, para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, tomar parcial conhecimento do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 95 /2 00 6- 86 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente da 1ª Câmara. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator ad hoc. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andrea Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário oposto com o objetivo de reformar o acórdão nº. 1623.204 da 8ª Turma da DRJ/SPO1, que não acatou a manifestação de inconformidade contra decisão que não convalidou suas compensações. Por bem expor os fatos, reproduzse a seguir o relatório encartado na decisão recorrida: Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 26/10/2006, contra a contribuinte acima identificada o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.237.213,34, incluindo os juros de mora calculados até 29/09/2006, referente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/02/2001 a 31/12/2005 (fls. 56/60). A ciência da autuação deuse na mesma data da lavratura, conforme consignado à fl. 56. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.57/60), o crédito tributário referese à COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO e o lançamento está fundamentado no art. 1° da Lei Complementar n° 70/1991; arts. 2°, 3°, 8° 69 da Lei n° 9.718/1998; com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/1999; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002; art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; Lei n° 10.676, de 2003; art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003; e arts. 23 e 33 da IN SRF n°247, de 2002, alterada pela IN SRF n° 358, de 2003 2.1. No Termo de Encerramento e Verificação Fiscal (TEVF) de fls. 62 a 68, o auditor fiscal autuante descreve os procedimentos fiscais, e aponta o objetivo da contribuinte, consoante seu estatuto social, como sendo principalmente a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica para uso domiciliar ou industrial, de modo a atender exclusivamente seus associados, podendo, porém ter objetivo a transmissão e a distribuição, ou somente a distribuição, conforme determinarem as suas conveniências. Também relata a respeito das intimações fiscais e Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.003295/200686 Acórdão n.º 3102002.032 S3C1T2 Fl. 381 3 das respostas e documentação apresentadas pela empresa, evidenciandose os seguintes esclarecimentos: os repasses dos gastos de distribuição da Cooperativa aos associados é realizado através da tarifa de energia elétrica; em relação à conta 3.1.01.04.01 "Receita p/Uso Mútuo de Postes ' C", afirma a contribuinte que se trata de locação de postes a empresa Brasil Telecon para passagem da rede de telefonia, cobrando a locação; a respeito da conta 3.1.01.03.02.01 — Recuperação de Crédito E.C.E., alega que a Recuperação de Crédito de E.C.E se refere a encargo instituído pelo governo federal na época do "apagão" para garantir o fornecimento de energia, sendo pago pela cooperativa na compra de energia e recuperado no pagamento da fatura pelo associado; Com referência as diferenças apresentadas entre os valores de IRRFON na DCTF's e D1RF's, apresentou as justificativas e correções. 2.2. O auditor fiscal autuante também explana sobre as exclusões da base de cálculo da contribuição permitidas ao tipo de atividade da Cooperativa, registrando que, além das exclusões previstas no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2° da MP n° 2.15835, de 2001, as sociedades cooperativas de eletrificação rural podem ainda excluir da receita bruta os valores correspondentes: Às sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para constituição do Fundo Reservado e do Fundo de Assistência técnica, Educacional e Social, previstos no art, 28 da Lei n° 5.764, de 1971, efetivamente distribuídas; Aos valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação a seus associados. Transcreve ainda a legislação pertinente à matéria, qual seja: o art. 17 da Lei n° 10.684/2003, o art. 33, inciso VI, §§ 4 0, 50, 8°, I e II, 10 e 12 da IN SRF n° 247, de 21/11/2002. 2.3. Quanto às irregularidades apuradas, o auditor fiscal autuante apontou a "Falta de Recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e para a contribuição pra Financiamento da Seguridade Social COFINS", vez que a cooperativa não recolheu o Pis/Cofins sobre a receita bruta, e não declarou à Receita Federal esses valores em DCTF. Explicou que a partir da edição da Lei n° 9.718/98 e da MP n° 1.858 6/99, as Cooperativas de maneira geral passaram a contribuir para as contribuições PIS e COFINS com base na receita bruta e que a isenção relativa aos atos cooperativos fora expressamente revogado pelo artigo 23 da já referida MP 1.8586/1999. 2.3.1. Também expôs a respeito das exclusões então previstas na nova regra, consignando que as sociedades cooperativas de eletrificação rural deverão calcular o P1S/COFINS mensal sobre a totalidade das receitas auferidas, sendo admitidas somente as exclusões previstas na IN SRF n° 145/1999 e as Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 deduções especificas introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 10.684/2003 e IN n°247/2002, alterada pela IN n° 358/2003. Com base na legislação de regência, e em especial ao artigo 17 da Lei n° 10.684/2003, concluiu pela exclusão na base de cálculo das contribuições dos custos de Distribuição, Compra de Energia e Manutenção em razão da Cooperativa não ter Custo de Geração de Energia. Reportandose aos Demonstrativos de fls. 40/44(Receita tributável) e fls. 45/50 (Apuração da Contribuição). 2.4. O autuante fez constar ainda a relação de processos resultantes do mesmo procedimento fiscal, quais sejam: Processo n° 11516.003297/200675 — IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA R$ 182.177,05 Processo n° 11516.003297/200675 —CONTR. SOCIAL S/ O LUCRO LIQUIDO R$ 109.306,21 P •ceso n° 11516.003296/200621 — PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL R$ 267.995,22 Proc; so 11516.003295/200686 — CONTR. P/FINANCIAMENTO S. SOCIAL.R$ 1.237.213,34 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (doc. de fls. 96), apresentou, em 24/11/2006, a impugnação de fls. 72 a 95. 3.1. Na peça de defesa, a impugnante alega a inconstitucionalidade da revogação de regra de isenção prevista em Lei Complementar por Medida Provisória e/ou Lei Ordinária Ressalta que o legislador constitucional, no artigo 146, III, "c" da Constituição Federal (CF), determinou a obrigatoriedade de lei complementar a disciplinar o adequado tratamento tributário a ser dirigido às cooperativas. 3.2. Entende que, pelo fato de a Lei Complementar n° 70/91 ter previsto, em seu artigo 6°, inciso I, a isenção da COFINS para os atos cooperativos das sociedades cooperativas, não poderia a MP n° 1.8586, de 29/06/1999, alterar a garantia legal de isenção assegurada através da lei complementar, ofendendo frontalmente ao princípio de hierarquia das leis assegurado em nosso ordenamento jurídico. 3.3. Com base no artigo 146, III, "a", da CF, a interessada pondera que se a Lei Complementar isentou determinada espécie de contribuintes, excluindoos da faixa da • incidência dos tributos, é evidente que os qualificou diferenciadamente, razão pela qual estabeleceu norma geral para esta espécie tributária, não havendo como ser modificado por legislação ordinária. Reportase a jurisprudência do STJ, para concluir que a revogação de isenção concedida por Lei Complementar por Medida Provisória no sistema cooperativo é absolutamente inconstitucional. 3.4. Reportandose ao artigo 15, incisos II, III, §§ 1° e 2°, inciso II, da MP n° 1.858 6/1999, defende que, por ser uma sociedade cooperativa, sem objetivo de lucro e por praticar os chamados atos cooperativos (prestação direta de serviços aos cooperados sem objetivo de lucro), o procedimento do fisco em realizar o Auto de Infração são atos equivocados eis que os atos praticados pela Cooperativa, de forma exclusiva aos seus cooperados, Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.003295/200686 Acórdão n.º 3102002.032 S3C1T2 Fl. 382 5 excluemse da base de cálculo do COFINS, conforme art. 15 retrotrasncrito, razão pela qual o Fisco deixa de revelar quais os atos praticados pela Defendente e que teriam sido realizados com terceiros (não associados) os quais estariam, nesta hipótese, sujeitos à incidência de COFINS. 3.5. Adverte ainda que nem se alegue que a locação dos postes não tenha sido ato cooperativo porquanto o bem utilizado e os recursos dele provenientes são revertidos á cooperativa. 3.6. Defende pois a impossibilidade jurídica da pretensão do Fisco em exigir a COFINS sobre o "alegado" Faturamento/Receita Bruta em face à ausência de fundamento legal, impondose, "devidavênia" a anulação do Auto de Infração eis que, também, sob este aspecto, inexiste o fato gerador sujeito à incidência tributária. 3.7. Reflete que, se a Defendente é sociedade cooperativa, sem o fito de alcançar receita bruta de atos não cooperativos, mas com o objetivo de atender tão somente os seus cooperados, não há que se falar em existência de PIS sobre algo que não existe, eis que ausente o fato gerador a proporcionarlhe a incidência, ou seja, inexistindo receita bruta sobre atos não cooperativos, inexiste a COFINS. Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a Turma de Julgamento de primeiro grau, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 COFINS. ISENÇÃO PREVISTA EM LEI COMPLEMENTAR. REVOGAÇÃO POR MEDIDA PROVISÓRIA/LEI. INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não pode afastar a incidência da contribuição prevista em medida provisória ou lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A obrigatoriedade de lei complementar a disciplinar o adequado tratamento tributário a ser dirigido às cooperativas, estabelecida pela Constituição Federal, é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação contida na legislação tributária. COFINS. BASE DE CÁLCULO. A partir de lº de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à COFINS sobre o seu faturamento, independente deste resultar de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Apenas as exclusões autorizadas pela legislação Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 tributária e devidamente comprovadas devem ser consideradas para fins de apuração da base de cálculo da COFINS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão acima, o contribuinte apresenta recurso voluntário, argüindo, inicialmente, a nulidade do acórdão, por vício formal, sob o fundamento que as regras relativas à isenção das sociedades cooperativas, alteradas por Medida Provisória, não tinha eficácia para alterar matéria de Lei Complementar e, portanto, a MP 1.8586/1999, não teria força para revogar o inciso I do artigo 6º da Lei Complementar 70/91. Afirma ainda que o artigo 62, § 1º, III, da CF veda à edição de Medida Provisória que verse sobre matéria disciplinada por lei complementar, enquanto que o artigo 146, III, “c”, da CF, declara que cabe a lei complementar estabelecer normas gerais de direito tributário, o que abarcaria o tema relativo ao tratamento tributário adotado perante as sociedades cooperativas. Caso fosse admitida a eficácia de medida provisória para alterar o texto de lei complementar, sob a ressalva, defendeu que, no caso em tela, a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep não incidiriam sobre os atos cooperativos, uma vez que apenas os atos praticados por não associados é que formariam o objeto da base de cálculo das referidas contribuições. Em 23/3/2015, por meio do despacho de fl. 379, com respaldo no art. 17, III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, este Conselheiro foi designado para formalizar o Acórdão nº 3102002.032, proferido na Sessão de 26 de setembro de 2013, pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, haja vista que o Relator, o ExConselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, não o apresentou à Secretaria da Câmara e não mais integra nenhum dos Colegiados deste Conselho. É o relatório Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator ad hoc. O voto proferido e lido na Sessão de julgamento pelo ConselheiroRelator Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, que serviu de fundamento para decisão do Colegiado, encontrase integralmente reproduzido a seguir: Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator. Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Nulidade do Lançamento. Impossibilidade de apreciação de material por arguição de inconstitucionalidade. O recorrente apesar de arguir textualmente a nulidade do lançamento, apresenta como fundamento a discussão sobre a constitucionalidade da norma ao afirmar que a Medida Provisória nº 1.8586/1999 não tem o condão de revogar o inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/1991. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.003295/200686 Acórdão n.º 3102002.032 S3C1T2 Fl. 383 7 Assim, sobre o tema basta frisar que este Conselho está impedido de apreciar a constitucionalidade de lei, em atenção à súmula nº. 21 do CARF. Superada a presente questão, voltase a atenção para apreciação do mérito. Mérito A Recorrente defende que não há tributação de PIS e COFINS sobre o atos cooperados, em atenção ao art. 79 da Lei nº 5.764/71 e o inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/90, por o ato cooperado não corresponder operação de mercado, nem haver contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. O art. 79 da lei nº 5.764/71, assim disciplina: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Já os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, ao dispor sobre a incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, relativamente à pessoas jurídicas de direito privado, prescrevem: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Acontece que a isenção da Cofins sobre atos cooperados, prevista no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/19912, foi revogada pelo art. 23, II, “a”, Medida Provisíra nº 2.15835, in verbis: Art. 23. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 Art. 6° Selo isentas da contribuição: I — as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação especifica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Entretanto a mesma legislação estabeleceu em seu art. 15 diversas hipóteses de exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, vejamos: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Observando a norma acima e as deduções prevista pela legislação complementar, a autoridade autuante constatou que a cooperativa de eletrificação rural deve calcular o PIS/COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas, podendo entretanto realizar as exclusões previstas. [...] (grifos do original) No âmbito infralegal, as referidas deduções foram regulamentadas no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 47, de 21 de novembro de 2002, com as alterações posteriores, cujos trechos relevantes para o deslinde da controvérsia seguem transcritos: Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: I – repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregue à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II – das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III – das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.003295/200686 Acórdão n.º 3102002.032 S3C1T2 Fl. 384 9 IV – das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V – das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI – das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...] § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] Acontece que a recorrente, apenas requer a exclusão de todos os ingressos de valores da base de cálculo de forma genérica, sem demonstrar nem provar quais seriam os custos com serviços prestados, limitandose a afirmar que todas as receitas se revertem em prol dos cooperados. Assim, observando a impossibilidade de se comprovar o crédito pretendido, apesar de oportunizada ao contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário. Este foi o voto proferido e lido na Sessão pelo Relator, que, com base nos fundamentos explicitados, negou provimento ao recurso voluntário e manteve, na íntegra, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10111.001006/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010
AZITROMICINA DIIDRATADA, CEFACLOR MONOIDRATADO, PANTOPRAZOL SÓDICO SESQUIIDRATADO, CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOIDRATADA, CLORIDRATO DE ZIPRASIDONA MONOIDRATADA E LISINOPRIL DIIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO.
Os produtos azitromicina diidratada, cefaclor monoidratado, pantoprazol sódico sesquiidratado, cloridrato de sibutramina monoidratada, cloridrato de ziprasidona monoidratada e lisinopril diidratado, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, relacionados no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, são beneficiados com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição.
Numero da decisão: 3201-001.998
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Os produtos azitromicina diidratada, cefaclor monoidratado, pantoprazol sódico sesquiidratado, cloridrato de sibutramina monoidratada, cloridrato de ziprasidona monoidratada e lisinopril diidratado, em consonância com a orientação da Solução de Consulta COSIT n. 75/2015, relacionados no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, são beneficiados com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Renato Silveira, OAB/SP nº 222.047. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 10 06 /2 01 0- 81 Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 2 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/30, 53/81 e 104/111 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 3.654.245,80 (três milhões, seiscentos e cinquenta e quatro mil, duzentos e quarenta e cinco reais e oitenta centavos) e, ainda, da multa de que trata o art. 84, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835/01c/c art. 69 da Lei n° 10.833/03 no valor de R$ 52.282,60 (cinquenta e dois mil, duzentos e oitenta e dois reais e sessenta centavos) por descrição inexata da mercadoria. No Relatório de Auditoria, parte integrante dos autos de infração, a fiscalização consignou que o interessado no período de 14/03/06 a 10/03/10, submeteu a despacho de importação os produtos azitromicina diidratada, cefaclor monoidratado, pantoprazol sódico sesquiidratado, cloridrato de sibutramina monoidratada, cloridrato de ziprasidona monoidratada e lisinopril diidratado, requerendo a redução a zero das alíquotas de CofinsImportação e Pis/PasepImportação, conforme o inciso I do artigo 1° do Decreto nº 5.127, de 05/07/04 ou do Decreto nº 5.821 de 29/06/06 enquanto vigentes ou do Decreto nº 6.426, de 07/04/08, este atualmente em vigor. No entender dos autuantes, os produtos importados não se enquadram entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal, pois não são citados na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I dos citados decretos, que contempla os produtos na sua forma anidra (sem hidratação). Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Acórdão n.º 3201001.998 S3C2T1 Fl. 94 3 Os fiscais também registram que: [...]. 8. O Brasil possui uma Farmacopéia própria, que é o Código Oficial Farmacêutico do Pais, cuja 4ª Edição foi aprovada por meio do Decreto 96.607 de 30 (trinta) de agosto de 1988 (mil novecentos e oitenta e oito), sendo de competência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, autarquia sob regime especial, vinculada ao Ministério da Saúde, promover a sua revisão e atualização periódica, conforme disposto no art. 7º, inciso XIX da Lei n° 9.782/99. 9. Além de estabelecer os requisitos de qualidade que os medicamentos, fármacos, insumos e produtos para a saúde devem obrigatoriamente obedecer, ela é encarregada de aprovar e publicar as Denominações Comuns Brasileiras (DCB), que é a nomenclatura oficial de fármacos no Brasil, de propriedade pública e de caráter oficial. [...]. E, continuam os autuantes, segundo o que consta da lista DCB 2007, publicada na Resolução da Diretoria Colegiada RDC n° 211, de 2006, atualizada pelas resoluções RDC 33/2007, 61/2007, 64/2007, 15/2008, 22/2008, 53/2008, 57/2008, 89/2008, 10/2009 e 38/2009, os produtos na forma anidra estão associados a nº CAS próprios, diferentes daqueles relacionados aos produtos na forma hidratada, o que demonstra que tratamse de produtos distintos. O número CAS é um número de registro único no banco de dados doChemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, mundialmente utilizado por não depender da nomenclatura de nenhum país, servindo de referência internacional para identificação de substâncias químicas. Ainda segundo os fiscais, “a hidratação do produto é um detalhamento considerado pelo legislador (...), como se pode observar, por exemplo, no caso da AMOXICILINA, da AMPICILINA e da CEFALEXINA” e caso o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio aos produtos importados os teria relacionado no Anexo I do decreto como fez com aqueles. No caso de algumas Declarações de Importação (DI), o importador ainda foi acusado de descrever os produtos de forma inexata omitindo a especificidade quanto à hidratação. Cientificado dos autos de infração em 25/10/10, conforme fl. 1.385 vol X, o interessado apresentou em 24/11/101 a impugnação de fls. 1.398/1.420, onde solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, o nome, o endereço2 e a qualificação profissional do seu perito, passando em seguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o anexo I do decreto, sem quaisquer outras informações técnicas indicou os fármacos pelos seus termos mais genéricos, sem especificar suas Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 4 espécies conhecidas. Assim, afirma, ao contemplar os gêneros, o legislador reduziu a zero a alíquota das contribuições para todas as espécies e que “não é ado a autoridade fiscalizadora, o poder [de] alterar os conceitos de outros ramos da ciência – em especial, termos técnicos das Ciências Farmacêuticas”. A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a legalidade sempre esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa”, como demonstra “o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, considerar o termo CEFADROXILA para o CAS correspondente ao CEFADROXIL MONOIDRATADO” ou seja, continua a empresa, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 12/06/12, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls.1.427/1.431, por meio do qual o interessado notificou sobre a realização de perícia técnica,solicitada pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos no curso do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0817700 2009 001503,este tendo como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e também informou sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira daquela mesma unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (anexado nas fls. 1.432/1.441), que, em vista dos resultados obtidos indicou pelo encerramento do referido mandado, segundo a empresa pelo fato daquela equipe ter concluído que a análise técnica apontou como “correto o entendimento efetivado pela IMPUGNANTE” em relação aos três produtos. Por fim, o interessado solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente. Nesta DRJ/FOR foi extraída cópia da assistência técnica nº10831/011/2010 apresentada no processo de nº 10111.000457/200886 do mesmo interessado para aqui ser anexada nas fls. 1.442/1.477. A Delegacia de Julgamento improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Acórdão n.º 3201001.998 S3C2T1 Fl. 95 5 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010 AZITROMICINA DIIDRATADA, CEFACLOR MONOIDRATADO, PANTOPRAZOL SÓDICO SESQUIIDRATADO, CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MONOIDRATADA, CLORIDRATO DE ZIPRASIDONA MONOIDRATADA E LISINOPRIL DIIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Os produtos azitromicina diidratada, cefaclor monoidratado, pantoprazol sódico sesquiidratado, cloridrato de sibutramina monoidratada, cloridrato de ziprasidona monoidratada e lisinopril diidratado não foram elencados no Anexo I do Decreto nº 5.127, de 05 de julho de 2004 ou do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006 ou do Decreto nº 6.426, de 7 de abril de 2008, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/PasepImportação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/03/2006 a 10/03/2010 DESCRIÇÃO INEXATA DA MERCADORIA. NÃO CONFIGURAÇÃO EM ALGUMAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Configurado nos autos que o importador descreveu de forma completa e exata a mercadoria em algumas declarações de importação, não se sustenta, nesses casos, a fundamentação para a aplicação da multa, devendo a exação correspondente ser afastada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 6 Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]” No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Acórdão n.º 3201001.998 S3C2T1 Fl. 96 7 Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Na decisão recorrida, entendeuse que a sua solução da lide dependeria da determinação objetiva do alcance dos termos “azitromicina”, “cefaclor”, “pantoprazol sódico”, “cloridrato de sibutramina”, cloridrato de ziprasidona” e “lisinopril” constantes do Anexo I, do Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08) ou do Decreto nº 6.426/08 (fatos geradores a partir de 08/04/08). Em todos os casos, discutese se os respectivos decretos contemplariam as formas hidratadas das substâncias, ou , ainda , toda a família do fármaco ,e não apenas a sua forma anidra. E nesse contexto, negou o pedido de realização de diligência para a elaboração de laudo técnico. Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão que há impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente alguns termos na descrição dos produtos. A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 8 se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Finalmente, exonerou parte da multa de 1%, por entender que houve a correta descrição dos produtos químicos importados nas declarações de importação, mantendoa no caso de o nº CAS não ser o correspondente ao produto importado, como nas DI nº 06/05620304, 08/18831426, 08/19900634, 08/19975006, 09/16560699, onde o importador informou o nº CAS 138786671 referente ao pantoprazol sódico, mas que na fase inquisitória ficou comprovado que na verdade tratavase do produto pantoprazol sódico sesquiidratado, CAS nº 164579322, conforme Certificados de Análise apresentados pelo importador Em sede de recurso voluntário, a Recorrente, preliminarmente, formula diversos quesitos para formulação de perícia, no sentido de diferenciar as diversas formas de apresentação dos produtos importados. No mais, reiterou os argumentos da impugnação. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. Dessa forma, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência e oportunidade para que a Fazenda Nacional se pronunciasse. Foram juntadas aos autos a Informação Safia nº 12/2015, da Alfândega Receita Federal no Aeroporto Internacional de Brasília, na qual se transcrevem e reiteram os argumentos da decisão de impugnação. A Procuradoria da Fazenda Nacional, manifestouse pela preclusão do juntada de laudo técnico, bem como corrobora o entendimento esposado pela autoridade alfandegária, nos exatos termos da Informação Safia nº 12/2015, verbis: “Com efeito, a leitura das análises técnicas referentes aos produtos cefaclor, cefadroxila e azitromicina, realizadas por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, apresentadas pela impugnante em outros processos em que é interessada e anexadas a estes autos, permite que se conclua que a solução da lide não depende de nenhuma análise técnica ou química dos produtos importados, e, sim, tratase tão somente de uma questão de interpretação da norma, ou seja, consiste em determinar objetivamente qual o alcance que se deve dar aos termos “azitromicina”, “cefaclor”, “pantoprazol sódico”, “cloridrato de sibutramina”, cloridrato de ziprasidona” e “lisinopril” constantes do Anexo I, do Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08) ou do Decreto nº 6.426/08 (fatos geradores de 08/04/08 a 10/03/10), onde constam 2.032 produtos ordenados por ordem alfabética, sem vinculação a código NCM ou nº CAS. Ante o exposto e considerando a decisão da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da CARF, exarada por meio da Resolução nº 3201000.523 (fls.1628 a 1635), de encaminhar os autos do presente processo a esta Alfândega de Brasília, para ciência do alegado pelo contribuinte e eventual oferta de contrarazões por parte da autoridade fiscal lançadora, Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Acórdão n.º 3201001.998 S3C2T1 Fl. 97 9 informamos que esta fiscalização mantém o entendimento relatado nos Autos de Infração objeto deste processo, embasados, inclusive do Acórdão 0824.310, proferido pela 5ª Turma da DRJ/FOR, de 28 de novembro de 2012, constante deste processo, cujo teor transcrevemos abaixo.(...)” Ademais, foi juntada a Solução de Consulta n. 8052 SRRF 8/DISIT, proposta pela PróGenéricos, Associação da Indústrias de Medicamentos Genéricos, para balizar o entendimento do presente voto, e que possui a seguinte ementa: É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele não tomo conhecimento. Tal como relatado, a solução da lide dependeria da determinação objetiva do alcance dos termos “azitromicina”, “cefaclor”, “pantoprazol sódico”, “cloridrato de sibutramina”, cloridrato de ziprasidona” e “lisinopril” constantes do Anexo I, do Decreto nº 5.127/04 (fatos geradores entre 14/03/06 e 29/06/06), ou do Decreto nº 5.821/06 (fatos geradores entre 30/06/06 e 07/04/08) ou do Decreto nº 6.426/08 (fatos geradores a partir de 08/04/08). Em todos os casos, discutese se os respectivos decretos contemplariam as formas hidratadas das substâncias, ou , ainda , toda a família do fármaco ,e não apenas a sua forma anidra. Os referidos decretos reduzem a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, nos seguintes termos: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 10 I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero os produtos mencionados, sem que se faça referência à hidratação da substância. Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se as versões hidratadas dos produtos, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. A Recorrente, em sua defesa, alega que quando o decreto faz referência às substâncias, não o está fazendo em relação à sua forma anidra, porém, fazendo menção ao gênero, de sorte que o benefício contemplaria toda a família do fármaco. Conforme mencionado na decisão recorrida, na página na internet da ANVISA, pode ser encontradas diversas informações sobre a nomenclatura oficial de fármacos, no Brasil. Destarte, as bases da referida nomenclatura surgiram no início da década de 1970, no encontro da necessidade de harmonização. Em janeiro de 1981 o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), publicou no Diário Oficial da União a primeira lista oficial de nomes genéricos, que passaram a ser obrigatórios na solicitação de registro de novos medicamentos (Portaria SNVS 8/1981). A normativa propunha a padronização da nomenclatura e a adoção de códigos numéricos que permitissem rápida identificação das substâncias ou preparados em uso no Brasil e sua correlação com substâncias de estrutura semelhante. A partir de então, periodicamente são publicadas consolidações da nomenclatura, a tabela das Denominações Comuns Brasileiras, que devem ser observados pelo órgãos governamentais, bem como os operadores desse mercado. A última consolidação data de 2007 e está disponível na página da internet da ANVISA, com a denominação “Lista DCB 2007 – Consolidada”(http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/dcb/lista_dcb_2007.pdf). Depreendese dos autos que, de fato, encontramse códigos distintos para as formas anidras e hidratadas das respectivas substâncias. Ainda sobre as questões técnicas referentes ao produto químico, observase que as afirmações constantes do laudo técnico da lavra do Dr. Ricardo Isidoro, não seão aqui consideradas, pois discorrem acerca do tratamento dispensado na Nomenclatura Comum do Mercosul, bem como da Organização Mundial das Alfândegas, atribuem a produto químico em sua versão anidra ou hidratada, questão que, ao nosso ver, refoge ao escopo do art.30 do Decreto n. 70235/72, isto é, os laudos técnicos serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, o que não inclui a interpretação das normas sobre classificação fiscal de mercadorias. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Acórdão n.º 3201001.998 S3C2T1 Fl. 98 11 De acordo com relatório da fiscalização, às efls. 1528, realizado no âmbito do MPF 008177002009001503, para os produtos cefadroxil, cefaclor e azitromicina, tratamse de antibióticos que se apresentam na forma anidra e hidratada. Acrescese que, a forma hidratada é a mais estável, e, por essa razão, de maior comercialização. Nos autos consta, ademais, que há diversas formas de apresentação da substância química em questão, que recebem códigos CAS distintos, embora o princípio ativo envolvido seja o mesmo, fato este que não e contestado pela Recorrente. Disso, inferese que assiste razão à autoridade de autuação, quando afirma que a questão cingese à interpretação das normas incidentes, e não à composição dos produtos, sobre os quais não pairam dúvidas sobre a correta classificação. Portanto, é despiciendo o pedido de conversão do julgamento em diligência, pois as respostas aos quesitos formulados, não repercutem na decisão da controvérsia. Ao se analisar o Anexo I, do Decreto nº 5.821 de 29/06/06, assim como os decretos que vieram posteriormente, verificase que se fez a distinção entre as formas hidratadas e anidras de alguns dos produtos lá contemplados, como se verifica das seguintes substâncias: 340 CEFALEXINA 341 CEFALEXINA MONOIDRATADA 1225 IMIPENEM 1226 IMIPENEM MONOIDRATADO Aliase essa informação com o fato de que os produtos na forma anidra e hidratada são identificados na classificação farmacológica em códigos distintos para forma hidratada e anidra, poderseia inferir que o legislador não teria estendido o benefício fiscal para as formas hidratadas dos produtos. Postos os argumentos que respaldam ambos os posicionamentos,vêse que a questão é bastante controversa, havendo fundamento para decidir pela extensão ou não do benefício. Contudo, vêse que a própria Administração dá um norte para dirimir a lide, com a edição da Solução de Consulta COSIT n. 75, de 17 de março de 2015 , trata especificamente da redução à zero das alíquotas das contribuições sociais, possuindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Benefício fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição às espécies derivadas. Nesse sentido, o benefício fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO 12 caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto nº 5.821, de 2006, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto nº 6.426, de 2008, art. 1º, inciso I, Anexo I, item 339. Nos fundamentos da decisão, temse: [...] 12. As espécies apresentadas pela consulente como “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, conforme Laudo Técnico abaixo transcrito, são derivadas do gênero Cafadroxila, produto amparado com a redução de alíquota pelo Decreto nº 5.821, de 2006, bem como pelo Decreto nº 6.426, de 2008. O Laudo Técnico juntado ás fls. 126 à 162, diz, “A molécula da Cefadroxila é um dos fármacos com atividade antibiótica que apresenta pseudomorfismo, ou seja, pode apresentar várias formas de cristalização, anidra, monohidratada e também é citado a existência da forma hemihidratada”. Os citados Decretos não fazem restrição a qualquer espécie derivada da Cefadroxila na concessão da redução da alíquota. 13. O citado Laudo Técnico constante às fls. 156, da presente consulta responde a pergunta formulada, “in verbis”: “o) Podemos afirmar que CEFADROXIL é um gênero que comporta as espécies CEFADROXIL ANIDRO E CEFADROXIL MONOHIDRATADO ? Resp: SIM” 14. Importante observar que a concessão do benefício fiscal estabelecida pelos Decretos em tela indicou como objeto o produto “Cefadroxila” no item 339, do seu Anexo I, e não vinculou para aplicação da redução da alíquota um código, ou seja, não o restringiu à nomenclatura (NCM ou NVE). 15. Portanto, o benefício da redução prevista no Decreto nº 5.821, de 2006, e posteriormente no Decreto nº 6.426, de 2008, no item 339, do Anexo Único, abrange a Cefadroxila em suas várias formas de cristalização: anidra, monohidratada e hemihidratada. Conclusão 16. O produto químico classificado no Capítulo 29, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionado no item 339 do Anexo I do Decreto nº 5.821, de 2006, bem como do Decreto nº 6.426, de 2008, beneficiado com redução a zero das alíquotas incidentes, alcança suas formas derivadas, se não houver restrição. Observese que, embora o art.15 da INRFB 1464/2014 estabeleça que o efeito vinculante das soluções de consulta proferidas pela COSIT passam a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores à publicação da decisão, trata a Solução de Consulta n. 75 de importante orientação da Administração para uma questão tormentosa. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10111.001006/201081 Acórdão n.º 3201001.998 S3C2T1 Fl. 99 13 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 27/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 13855.722725/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE. DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS.
Caracteriza-se cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas na impugnação, por meio da qual o contribuinte pretende comprovar a inexistência de pagamento sem causa. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008 NULIDADE. DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS. Caracteriza-se cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas na impugnação, por meio da qual o contribuinte pretende comprovar a inexistência de pagamento sem causa. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Provido em Parte
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DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS. Caracterizase cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas na impugnação, por meio da qual o contribuinte pretende comprovar a inexistência de pagamento sem causa. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 27 25 /2 01 1- 12 Fl. 927DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO, nº 1438.202, constante em fls. 877/894: Trata o presente processo de crédito tributário apurado em ação fiscal procedida junto à contribuinte acima identificada. Conforme o Termo de Verificação de Infração Fiscal – TVF (fls. 15/36), foi apurada a seguinte irregularidade: · Falta de recolhimento do IRRF incidente sobre pagamento sem causa ou operação não comprovada. Conforme referido TVF, a ação fiscal foi instaurada a partir da constatação da existência de inúmeras transferências de numerários, em 2007 e 2008, de contas da empresa para contas correntes de seu sócio, Marcelus dos Reis Agnesini, CPF nº 002.715.10854, mantidas em conjunto com sua cônjuge, Maria Eduarda Theodoro Lima Agnesini – CPF nº 019.821.91805. Instados a comprovar a origem e a natureza jurídica das operações de transferências, ambos limitaramse a informar trataremse de operações de mútuo financeiro, embora não tenham apresentado elementos sustentadores do alegado. Informou o autor da ação fiscal, que à época da fiscalização das pessoas físicas, foi efetuada diligência na empresa com a finalidade de coletar informações e esclarecimentos atinentes àquelas transferências que somaram: R$ 174.000,00 em 2007 e R$ 918.240,00 em 2008. A empresa foi intimada a justificar a natureza e apresentar correspondentes documentos hábeis e idôneos capazes de corroborar transferências de valores da pessoa jurídica fiscalizada para a conta de seu sócio (acima identificado). Em atendimento, foram apresentados documentos pela fiscalizada, que nada esclareceram acerca das transferências bancárias, somente reiteraram o fato de a empresa ter transferido valores para seu sócio, informações que já eram do conhecimento do Fisco. Ressaltou o autor da ação fiscal que não se limitou a descaracterizar os supostos mútuos tãosomente pela ausência de “contrato” entre as partes (pessoa jurídica e pessoa física), sendo dada a oportunidade de apresentação de elementos probantes da natureza jurídica argüida pelos auditados. Todavia, a efetiva existência de retorno de valores à origem, total ou parcial, para caracterizar que de fato as transferências se referiam a mútuo, não foi comprovada. Diante desses fatos, o Fisco concluiu ter a fiscalizada efetuado pagamentos sem causa, ou operações não comprovadas, fato gerador do IRRF previsto no Decreto nº 3000, de 1999, (RIR de 1999) art. 674, § 1º. Conseqüentemente, foi lavrado o Auto de Infração – AI (fls.8/12) que exigiu crédito tributário no valor de R$ 1.635.658,57, sendo R$ 588.129,22 a título de IRRF, R$ 165.335,52 a título de juros de mora (calculo válido até 30/09/2011 e multa de ofício no valor de R$ 882.193,83. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13855.722725/201112 Acórdão n.º 2301004.488 S2C3T1 Fl. 928 3 Os consectários do lançamento tiveram fulcro nas seguintes disposições legais: Multa de ofício: Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I e § 1º, com a redação dada pele art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 (150%); Juros de mora: Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. Com base no disposto pelo CTN, art. 137, I e II e da Lei n° 8.137, de 1990, art. 1º, 2º e 11, foi lavrado termo de responsabilização pessoal contra o sócio Marcelus dos Reis Agnesini (fl. 02), do qual tomou ciência em 18/10/2011. Ciente do lançamento a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 802/822 na qual refuta o lançamento, em suma, sob as seguintes alegações: · Os motivos que levaram à lavratura do auto de infração foram os mesmos das pessoas físicas – a falta de comprovação dos retornos de numerários relativos a empréstimos (trâmite financeiro) o que caracterizou, no entender do autuante, “pagamento sem causa”, capitulado no art. 674 do Decreto nº 3.000, de 1999. · O lançamento não pode prosperar, pois quando intimado a apresentar comprovação de retorno financeiro não o fez, tendo em vista a dificuldade de organizar toda a documentação que deu causa às varias movimentações financeiras entre a Impugnante e seu sócio. · A autuação se deu em função das citadas operações de “socorros financeiros” – remessas entre os autuados (física e jurídica) e a farta documentação financeira de PF e PJ utilizada indistintamente para pagamento de despesas em benefício da PJ, que ocorreram pelo fato de o sócio Marcelus se valer de conta da pessoa física para pagamento de despesas da PJ autuada. Tal fato será demonstrado e comprovado mediante a documentação anexa. · A prova foi obtida pelo Fisco por meio ilícito. Conforme relata o TVF o trabalho fiscal deuse a partir de fiscalização instaurada na pessoa física do sócio Marcelus dos Reis Agnesini e da sua esposa, Maria Eduarda Theodoro Lima Agnesini, conforme processos 13855.721337/201114 e 13855.721338/201151. Apesar do contribuinte Marcelus franquear os extratos solicitados à Fiscalização, exigida mediante RMF, manifestase contrário quanto à forma de uso e finalidade de que serviu a Administração para apuração do crédito tributário, apesar do lançamento se reportar ao IRRF sobre a rubrica “pagamento sem causa”. Vale ressaltar que os extratos foram considerados para efeito da comprovação do pagamento (remessas para o sócio). Assim, a prova, da forma como foi obtida, revestese de ilicitude e por isso não tem o condão de sustentar a peça acusatória. Não há dúvida que o sigilo bancário é um dos elementos da intimidade do cidadão, por ser Fl. 929DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 componente de dados na esfera privada das pessoas, protegido constitucionalmente, por isso, deflagrado só com autorização judicial. · Não incidem juros Selic sobre multa de ofício. · Uma vez comprovada a causa, os motivos das remessas, a autuação não deve subsistir, pois nesse caso, inexiste subsunção do fato “pagamento sem causa” à hipótese legal tida por infringida. · Inadmissível a acusação de “pagamento sem causa”. Os recursos entregues a pessoa física, mediante transferências ao sócio Marcelus nos anoscalendário de 2007 e 2008, foram para quitar obrigações da PJ, todas em benefício da impugnante Agnesini Agropecuária. · No histórico da justificativa constante do anexo está a causa do pagamento, comprovada pela documentação constante do Anexo I. · As contas correntes PJ e PF eram usadas indistintamente para o pagamento das obrigações sociais da PJ conforme demonstra e comprova a documentação anexa (Anexos AI, AII e AIII), relativas a TED(s) e DOC(s), retorno de remessas e pagamentos das despesas da PJ, como duplicatas, boletos, correspondentes notas fiscais e créditos originados da Agnesini Agropecuária Ltda com valores a justificar relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, de R$ 174.000,00 e R$ 918.240,00, respectivamente. · No anocalendário de 2007, conforme planilha elaborada, as despesas pagas e os retornos de numerários realizados a partir das contas correntes de Marcelus superam o valor glosado em todo o ano calendário. O mesmo se verifica em relação ao ano de 2008, encerrando o ano com saldo para a pessoa física, de R$ 208.193,59. · A documentação disponibilizada demonstra que inexiste pagamento sem causa. “Daí o fato de não haver um contrato formal, corroborado diante do grande movimento diário de documentos e vai e vem de valores”. Da mesma forma, se justifica o fato de não haver informação na DIPF do sócio, diante da inexistência de saldo devedor em 31 de dezembro dos anos de 2007 e 2008. A contratação de um empréstimo se dá pela manifestação de vontade das partes que, uma vez ocorrida, confere existência válida e eficaz do negócio jurídico. O contrato escrito consiste apenas na formalização dessa manifestação de vontade. O fato de inexistir contrato escrito ou falta de declaração na DIPF do sócio, em nada modifica ou descaracteriza o negócio jurídico realizado pela impugnante e seu sócio, como fez entender a fiscalização, “considerando ainda que os retornos de empréstimos foram praticamente diários, sequer caracterizando um verdadeiro empréstimo e sim a utilização indiscriminada da conta corrente que houvesse disponibilidade para o pagamento das despesas da PJ. ” · Não se aplica a conclusão de ofensa à independência entre o patrimônio da entidade e de seu sócio ou desequilíbrio na operação de empréstimo, em detrimento da pessoa jurídica e em benefício de forma ilegal do sócio e, finalmente, de prejuízo ao Fisco. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13855.722725/201112 Acórdão n.º 2301004.488 S2C3T1 Fl. 929 5 · Quanto à multa aplicada, diante da documentação apresentada não se revela a situação caracterizadora de agravamento da multa. A impugnante prova diante de suas alegações e documentos anexos, que a situação exposta, vista sob qualquer ângulo, não caracteriza evidente intuito de dolo, fraude, conluio ou simulação, previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, hábeis para ensejar o agravamento da multa. · Sobre a responsabilidade pessoal do sócio, pelo recolhimento dos tributos da pessoa jurídica, o Fisco citou várias normas legais, porém em razão de situações fáticas distintas umas das outras, há dificuldades na apresentação da defesa, nessa questão. · O sócio foi incluído no pólo passivo da presente lide tributária sob o argumento de que teria em conluio com a empresa desviado ilegalmente recursos em seu favor, a partir de uma sonegação fiscal com o intuito de fraudar o Fisco, justificando a responsabilização do sócio pelo crédito tributário no art. 135, III do CTN. Para fundamentar a responsabilização pessoal com base no art.137, inciso I e II do CTN, é preciso que a autoridade autuante comprove, cabalmente, que o administrador da pessoa jurídica praticou atos com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social. Todavia, a farta documentação anexada comprova a causa dos pagamentos, o que não foi explorado na fase de fiscalização, pelos motivos anteriormente mencionados. · A fiscalização partiu do pressuposto da inexistência de explicação para o grande fluxo de valores para a conta corrente do sócio, apesar do empréstimo estar devidamente contabilizado, destacando que essa mesma contabilização foi aceita para comprovar a ocorrência da entrega dos recursos. · Não há prova que houve intenção dolosa do sócio em tomar dinheiro emprestado da impugnante para fraudar o Fisco. Inexistindo dolo, incabível, da mesma forma, falar na aplicação da norma contida no art. 137 do CTN. · O 1º C.C, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu de forma reiterada, que compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional imputar responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, quando de cobrança executiva, nos casos da responsabilidade prevista nos arts. 128 e 137 do CTN. · Solicita que após analisadas as razões de defesa, que não foram oportunamente apresentadas na fase de fiscalização, seja cancelado o lançamento pela não subsunção dos fatos à hipótese do art. 674, § 1º, do RIR de 1999, diante da efetividade dos empréstimos como causa da entrega dos recursos ao sócio para cumprimento das obrigações sociais da empresa. · Caso seja entendido que não se deva proceder ao cancelamento total do lançamento, solicitase que seja determinada a realização de diligência fiscal, considerando que ao autor da fiscalização não foi disponibilizada a documentação anexa, a qual descaracteriza o pagamento sem causa. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 · Requer que a multa de ofício, caso não entenda pelo cancelamento do auto, seja reduzida ao percentual normal, de 75%, em razão da inexistência de comprovação do evidente intuito de fraude, ou qualquer outra causa que possa justificar a acusação. · Para instrução processual juntou às fls. 826/859, demonstrativo denominado “Controle de Empréstimos – Marcelus dos Reis Aganesini/Agnesini Agropecuária”. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1438.202 da 3ª Turma da DRJ/RPO em 02/08/2012 (fl. 897). Sobreveio Recurso Voluntário em 31/08/2012 (fls. 899/923), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação, alegando ainda, nulidade da decisão de primeira instância por falta de análise da documentação acostada na impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Sustenta o recorrente a nulidade da decisão de primeira instância argumentando que: "[...] a decisão de 1ª instância, surpreendentemente, entendeu que a Recorrente não comprovou, nos autos, a causa dos pagamentos, sem tampouco demonstrou que as despesas pagas estivessem '...registradas na escrituração da pessoa jurídica, nem justificativa para que tais pagamentos sejam efetuados pela pessoa física.' Atendose para o final da fl. 7 e início da fl. 8 do Acórdão, é possível sugerir que as Julgadoras não observaram que havia ANEXO no processo digital, documentos esses que sustentam as planilhas referidas pelas autoridades julgadoras, como se vê da leitura do voto: 'Com o intuito de comprovar o alegado, foram elaborados demonstrativos apresentados anexos à impugnação (fl.826/859). Discriminam pagamentos de despesas da PJ, mediante contas bancárias da pessoa física.' Ou seja, a menção às fl. 826/859 sugere que somente foi analisada a planilha discriminativa e, por descuido, deixouse de observar que os comprovantes (coletos, TEDs, etc.) da planilha estão no PROCESSO DIGITAL em forma de ANEXO.[...]" Efetivamente, na impugnação o contribuinte faz referência a juntada dos Anexos I, II e III, com os respectivos documentos, nos seguintes termos: Fl. 932DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13855.722725/201112 Acórdão n.º 2301004.488 S2C3T1 Fl. 930 7 "[...] É lamentável, mas as contas correntes da PJ e da PF eram usadas indistintamente para o pagamento das obrigações sociais da PJ. É o que se demonstra e se comprova através da documentação anexa, como as várias TEDs e DOCs como retornos de remessas, bem como através dos pagamentos de despesas da PJ, como duplicatas, boletos e correspondentes notas fiscais. Vale advertir que todas as remessas de retornos e os pagamentos de despesas se deram a partir das contas correntes da PF do sócio (trâmite financeiro), como se verifica dos comprovantes. No quadro constante do auto de infração, ANEXO A Créditos Originados da Agnesini Agropecuária Ltda. (página 1 /4), verificamse os valores a justificar, consolidados, do AC de 2007 e de 2008, respectivamente de R$174.000,00 e de R$918.240,00, totalizando o valor de R$1.092.240,00. Para justificar o valor de R$1.092.240,00 foi elaborada uma planilha onde constam os valores glosados à título de Créditos a justificar, ordenadas em ordem crescente de datas considerando o período fiscalizado de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Ao lado da coluna créditos a justificar há uma coluna denominada pela Impugnante de justificativas. No histórico da justificativa há a causa do pagamento comprovada pela documentação constante do ANEXO I, como os boletos e duplicatas recolhidos através de conta corrente de titularidade do sócio Marcelus constante do ANEXO II. Também acompanham as notas fiscais das principais despesas da empresa Impugnante, as quais não foram totalmente anexadas diante da enorme quantidade de documentos fiscais, mas que ficam à disposição para FINS DE DILIGÊNCIA FISCAL, caso necessário (ANEXO III). [...]" (grifei) Cabe registrar que, compulsando os autos, constatase que, tais documentos (Anexos I, II e III), não se encontram acostados. Consta nos autos apenas Telas do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (fls. 864/873), todavia, deixando de serem acostados os documentos constantes destes arquivos digitais, os quais são referidos na impugnação pelo contribuinte, bem como no presente recurso, e com os quais o mesmo pretende comprovar a inexistência do pagamento sem causa da pessoa jurídica à pessoa física (sócio Marcelus dos Reis Agnesini). Logo, por serem integrantes da defesa do contribuinte, tais documentos devem ser acostados aos autos, a fim de possibilitar sua análise. Com efeito, verificase que a decisão de primeira instância apenas analisou os demonstrativos elaborados pelo contribuinte e trazidos na impugnação (fls. 826/859), sem, contudo, analisar os documentos acostados (Anexos I, II e III). No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, a preterição do direito de defesa do recorrente restou configurada, vício insanável que, por força do disposto no art. 59, II, do PAF, impõe a Fl. 933DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para, declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil, para que sejam acostados os documentos referidos na Impugnação (Anexos I, II e III), e após, ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 934DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15586.000465/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1102-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Recorrente STEAK INDUSTRIA E COMERCIO DE CARNES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 46 5/ 20 07 -8 9 Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem sintetizar a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida: “O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRFVitóriaES em 20/08/2007: de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, de fls. 1322/1330, no valor de R$ 1.996.161,55; de Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de fls. 1331/1339, no valor de R$ 553.626,98; de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, de fls. 1349/1357, no valor de R$ 919.872,67; e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS de fl. 1340/1348, no valor de R$ 2.555.201,89, todos acrescidos da multa de ofício, no percentual de 150% e demais encargos moratórios. O procedimento é decorrente de ação fiscal relativa aos exercícios de 2003 e 2004, anoscalendário de 2002 e 2003, que resultou em apuração de omissão de receitas, em todos os trimestres dos exercícios autuados, tendo em vista a falta de comprovação da origem de depósitos bancários verificados nas contas correntes de titularidade da interessada, conforme extratos bancários anexados às fls. 155/588 e relacionados no Termo de Intimação nº 05247/2006 (fls. 592/651). Enquadramento Legal para o IRPJ: arts. 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art.s 532 e 537 do Regulamento para o Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 29 de março de 1999. Arbitramento do lucro, na forma do disposto no inciso III do art. 530 do RIR/99, tendo em vista que mesmo após ter sido intimada, a interessada não apresentou os livros e documentos de sua escrituração relativamente ao período fiscalizado. O critério adotado foi o estabelecido no art. 532 do RIR/99, aplicandose o percentual de arbitramento de 9,6%, equivalentes a 8% (constante do art 519 do RIR/99), majorado em 20%. A base de cálculo foram as receitas omitidas, apuradas segundo descrito no item anterior, não tendo sido descontadas quaisquer receitas declaradas nas DIPJs, tendo em vista a falta de apresentação de DCTFs dos anoscalendário autuados, O Relatório de Encerramento de fls. 1280/1321 esmiúça toda a ação fiscal, atribuindo responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado ao procurador Cleverson Ferreira Lima, e aos Senhores Edílson de Siqueira Varejão, Edílson de Siqueira Varejão Junior, Edmilson Siqueira Varejão Sobrinho, e Fábio Nascimento Varejão, por concluir serem os mesmos sócios de fato da interessada. Foi lavrada representação fiscal para fins penais contra as pessoas físicas acima elencadas, consubstanciada pelo processo nº 15586.000468/200712, juntado ao presente, uma vez que os fatos apurados no decorrer da ação fiscal evidenciaram situação que, em tese, constituem crime conta a ordem tributária tipificado no art. 1º, incisos I e II, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 17/09/2007, as impugnações de fls. 1381/1397, 1398/1413, 1414/1428 e 1429/1445, respectivamente para os autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, onde argüi a tempestividade e alega, em síntese, que: Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 4 3 O lançamento seria nulo, foi realizado mediante utilização de prova ilícita, ou seja, os dados de movimentação bancária da impugnante que teve seu sigilo bancário violado sem autorização judicial. Transcrevendo parte do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, protesta que a Constituição Federal, em seu art. 5º, consagra, entre as garantias individuais, a do sigilo de dados e comunicações, que compreendem o direito ao segredo da movimentação bancária, que somente pode ser ultrapassado mediante ordem judicial. Protesta que a Lei Complementar 105/2001, além de estar submetida a controle de constitucionalidade do Supremo Tribunal Federal, não invalidou a orientação jurisprudencial, uma vez que o fundamento de tal jurisprudência é constitucional, não podendo ser arredado por norma de lei complementar. Prossegue protestando contra a falta de razoabilidade e proporcionalidade do arbitramento realizado, por ser inconcebível afirmar que a atividade de abate de gado bovino para revenda resulte em lucro líquido de 9,6% da receita bruta, afirmando que os balanços dos frigoríficos nacionais apontam lucratividade ao redor de 1% a 2% da receita bruta. Afirma ainda que não foi verificado se todos os depósitos informados mediante violação do sigilo bancário seriam tributáveis, transcrevendo a súmula 182 do Tribunal federal de Recursos e texto do Prof. Ives Gandra da Silva Martins para protestar que não houve por parte da fiscalização o cuidado em verificar, na movimentação bancária informada, os fatos que corresponderiam a transferências entre contas que não correspondem a aquisição de disponibilidade econômica de renda. Encerra rogando a revisão do lançamento para ficar restrito ao valor do tributo declarado. Foram apresentadas ainda, às fls. 1446/1470, 1477/1500, 1503/1527 e 1530/1554, petições onde, respectivamente dos Srs. Edílson de Siqueira Varejão, Edílson de Siqueira Varejão Junior, Edmilson Siqueira Varejão Sobrinho, e Fábio Nascimento Varejão, responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário objeto do presente processo, impugnam tal responsabilidade, todos transcrevendo o item “6.10 Conclusões” do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, e alegando, em síntese: Que a sujeição passiva depende de expressa reserva legal e que as normas legais apontadas pela autuação não fundamentam a sua responsabilidade, uma vez que: Os arts. 121, II e 128 do CTN não tem verdadeiro fundamento legal por serem normas gerais que guiam a edição de outras normas, ou seja, não definem o responsável ou atribuem responsabilidade, apenas autorizam que outra lei venha a estabelecer situações objetivas em que terceiro, não contribuinte natural, fique sujeito ao cumprimento da obrigação tributária como substituto ou responsável; O art. 129 não define responsabilidade de terceiro, referindose apenas a aspecto temporal; e, O fato imputado não preenche a hipótese ou pressuposto fático de incidência do art. 135 do CTN , pois os defendentes não são ou jamais foram diretores, gerentes ou representantes legais da autuada STEAK Indústria e Comércio de Carnes Ltda. Completa que o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 (acrescentado pela Lei nº 10.637/2002), permite expressamente, quando provada a confusão patrimonial ou interposição de pessoas, que o lançamento seja feito contra o verdadeiro detentor da Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 5 4 responsabilidade ou renda; e que o art. 124, I, do CTN quando demonstrado interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Supondo que os responsáveis solidários fossem até hoje sócios da Frimacal, esse fato não acarretaria sua responsabilidade pelas obrigações da autuada, Steak, uma vez que não há confusão patrimonial ou de interposição da pessoa do defendente ou da Frimacal com a Steak, não existindo qualquer vinculação com as receitas auferidas por esta. Afirmam que eram sócios da FRIMACAL, empresa industrial e familiar que paralisou suas atividades em fins de 1997, que Edílson de Siqueira Varejão, que era o principal sócio, recebeu a propriedade do imóvel industrial que pertencia à empresa, deixando a sua posse com ela. Sendo esse estabelecimento industrial sucessivamente alugado, ficando uma parte do imóvel, compreendendo escritório, sendo usado pelos sócios da anterior proprietária. A Frimacal alugou esse imóvel sucessivamente para os frigoríficos Morada do Sol, Margem e Steak, sendo este último representado por Cleverson Lima. Destaca que a circularização ou rastreamento da movimentação dos recursos encontrados em contas de depósito da Steak evidenciou que os responsáveis solidários não foram beneficiários das receitas auferidas pela mesma, conforme item 2.15 do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal que transcreve. Protesta que o fato de uma empresa emitir nota fiscal indicando como compradora de mercadoria destinada àquela a Frimacal, e não a Steak, está muito longe de provar confusão patrimonial das sociedades. Concluem que não existe fundamento legal para responsabilização dos defendentes, uma vez que os mesmos nunca foram administradores da Steak, nem foi demonstrado, ou sequer afirmado, que tenham sido beneficiários dos recursos que transitam pelas contas bancárias cujos depósitos foram considerados receita omitida. Encerra requerendo diligência, para verificação das datas de inscrições fiscais federais dos estabelecimentos ou filiais das empresas Frigorífico Morada do Sol Ltda. e Frigorífico Margem Ltda. Especificamente o Sr Edílson Siqueira Varejão ainda manifestou que o modesto valor do aluguel do imóvel se justificaria em razão do setor estar a tempo atravessando grave crise, com diversos frigoríficos – que elenca paralisando suas atividades, tornando inviável a sua venda naquela conjuntura. Afirma que em razão de inadimplemento, a Steak foi despejada do imóvel através da ação de despejo nº 012.05.0019756 (1936/05) proposta pela Frimacal. Quanto ao uso da logomarca da Frimacal, não existiu autorização para sua utilização, enfatizando que no comércio de carne verde ou resfriada, em atacado, a marca não possui relevância ou importância econômica. Confirma que realizou, como pecuarista, venda de gado para a Steak, não constituindo este fato pressuposto para sua responsabilização por obrigações tributárias da compradora. Protesta que inexiste lei, doutrina ou jurisprudência que considere o locador responsável solidário do locatário, ou o titular de logomarca responsável solidário de quem faz uso dela, ou ainda que vendedor de matéria prima seja responsável tributário do adquirente. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 6 5 Especificamente o Sr Edílson Siqueira Varejão Junior ainda manifestou que a ele se imputa o fato de ter outorgado procuração a advogados em 07 de abril de 2000 para representação judicial da Frimacal, na qualidade de sócio gerente da mesma (fl. 1220), admitindo que o fez não se dando conta de que a procuração pudesse conter erros, mas que, ainda que este fato pudesse demonstrar sua ligação com a Frimacal, seria esta irrelevante, pois a obrigação tributária lançada não cabe a essa empresa, vez que o locador não é responsável pelas obrigações da locatária. Especificamente o Sr Edmilson Siqueira Varejão Sobrinho ainda manifestou que contra ele se imputava o fato de ter seu nome figurado em uma ficha de cadastro bancário da Steak (fls. 156) e haver assinado diversos cheques como procurador de tal empresa, que ao final conclui não serem fatos suficientes, segundo a lei, a doutrina e a jurisprudência, para imputarlhe a condição de responsável pelas obrigações tributárias da Steak. Quanto à ficha cadastral do Banco Safra, alerta que o documento é datilografado e sem assinatura, podendo ter ocorrido abuso do uso de seu nome, com finalidade de valorização cadastral. Quanto à assinatura de alguns cheques, frisou que foram apenas trinta, justificando que, em razão da vizinhança de escritórios e da sua relação de conhecimento pessoal, o Sr Cleverson solicitoulhe que, em suas eventuais ausências, assinasse os cheques bancários, que seriam preparados pelo setor financeiro da empresa, para isso fazendolhe substabelecimento, com reservas, de seus poderes de procurador da Steak. Especificamente o Sr Fabio Nascimento Varejão ainda manifestou que a ele se imputa o fato de ter praticado um ato de representação da Frimacal: a assinatura de carta de preposição para representação em reclamação trabalhista, em 24 de janeiro de 2000 (fl. 1219). Justificou tratarse de reclamação trabalhista instaurada em 1999 e que o advogado que preparou o termo de preposição não se deu conta do fato de que a defendente não mais era representante legal da sociedade. Porém, tratandose de documento elaborado por advogado e como do ponto de vista da legislação trabalhista, poderia ser responsabilizado pela demanda, assinou o termo. Porém, ainda que este fato pudesse demonstrar sua ligação com a Frimacal, seria esta irrelevante, pois a obrigação tributária lançada não cabe a essa empresa, vez que o locador não é responsável pelas obrigações da locatária. Prossegue afirmando que o depoimento do Sr Carlos Favoretti (fl. 1016) é inconsistente, contendo vários equívocos, inclusive quanto às datas dos sucessivos arrendamentos da indústria para terceiros. Protesta que é falsa a afirmativa de ser ele sócio de fato da Steak, afirmativa esta gratuita e desprovida de provas. Não havendo previsão de produção de provas orais no processo administrativo tributário, o depoimento do Sr Carlos Favoretti não passa de uma “declaração” a qual não prova o fato declarado, conforme explicitado no art. 368 do Código de Processo Civil. Não houve manifestação do procurador da interessada, Sr Cleverson Ferreira Lima. É o relatório...” Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 7 6 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento noRio de Janeiro – DRJ/RJOI afastou a preliminar de nulidade do lançamento por suposta utilização de prova ilícita (movimentação bancária), indeferiu (considerou não formulado) o pedido de diligência, e, no mérito, manteve integralmente o lançamento efetuado, mantendo, ainda, por fim, a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas apontadas pela fiscalização. O Acórdão no 1219.890, fls. 1578 a 1589, possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 QUEBRA DO SIGILO TRIBUTÁRIO. A utilização de informações colhidas junto a instituições bancárias está respaldada na Lei Complementar n.º 105/2001, vigente à época do lançamento. Questões quanto à inconstitucionalidade do dispositivo legal citado não podem ser oponíveis nesta esfera administrativa, pois extrapolam a sua competência. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO. O Lucro Arbitrado das empresas dedicadas ao comércio atacadista de carnes e produtos de carne será calculado com base na alíquota de 9,6%, resultante da aplicação do percentual de 8%, constante do art. 15 da Lei nº 9.249/1995, acrescido de 20%, por força do art. 16 do mesmo diploma legal. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. É cabível a responsabilização solidária dos sócios de fato da empresa autuada quando constatado o expediente de ocultálas, por meio de interposição de pessoas. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos denominados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum.” Cientificados desta decisão, e com ela inconformados, a contribuinte e os Srs. Edílson de Siqueira Varejão, Edílson de Siqueira Varejão Junior, Edmilson Siqueira Varejão Sobrinho, e Fábio Nascimento Varejão, apontados como responsáveis pelo crédito tributário lançado, interpuseram recursos voluntários, nos quais reprisaram os argumentos expostos por ocasião das iniciais. Os quatro responsáveis acrescentaram ainda o pedido de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento da diligência solicitada, equivocadamente tratada como pedido de perícia desacompanhado de quesitação e indicação de assistente técnico. É o relatório. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé A autuada foi comunicada da decisão recorrida por edital, com ciência em 20.08.2008, e interpôs o recurso voluntário em 28.08.2008, sendo este, portanto, tempestivo. E, por preencher os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Dentre as alegações recursais, constatase a inconformidade da recorrente quanto à obtenção dos dados de sua movimentação bancária de forma, no seu entender, ilícita, porque feita sem autorização judicial. No caso concreto, os extratos bancários foram obtidos pela autoridade fiscal por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, as quais encontramse anexas aos autos. Sobre este tema — sigilo bancário — este Colegiado tem decidido pelo sobrestamento dos feitos, em obediência ao que determinam o Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012. Neste sentido, transcrevo trecho do julgamento realizado no PAF no 10630.720364/200721 (Resolução no 110200.088), verbis: “Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 9 8 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 10 9 § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 11 10 Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 12 11 jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15586.000465/200789 Resolução nº 1102000.122 S1C1T2 Fl. 13 12 recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Em razão dos fundamentos acima expostos, e na esteira do entendimento deste Colegiado acerca desta questão, voto pelo sobrestamento do julgamento do presente feito até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC, a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000009/2005-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
Devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, os embargos de declaração que demonstram, com precisão, que existe contradição entre o resultado do julgamento e o voto.
Embargos do Contribuinte Acolhidos.
Numero da decisão: 9101-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para determinar a devolução dos autos para julgamento na Câmara a quo, após a ciência das partes desta decisão e abertura de prazo para a PGFN se manifestar, antes da decisão da Turma a quo, vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araujo, Maria Teresa Martinez Lopez, Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto. O Conselheiro Luís Flávio Neto divergiu no sentido de acolher os embargos e devolve-los para sanear a análise de admissibilidade, acompanhado pelos Conselheiros Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araujo, Maria Teresa Martinez Lopez e Cristiane Silva Costa. O Conselheiro André Mendes Moura divergiu no sentido de acolher os embargos para anular a decisão da CSRF e da Turma a quo para, após a ciência da PGFN, proferir novo julgamento. Considerado-se que não se formou maioria na primeira votação, em segunda votação, nos termos do o art. 60 do RICARF-Anexo II o C. o Conselheiro André Moura aderiu ao voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CONTRADIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, os embargos de declaração que demonstram, com precisão, que existe contradição entre o resultado do julgamento e o voto. Embargos do Contribuinte Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para determinar a devolução dos autos para julgamento na Câmara a quo, após a ciência das partes desta decisão e abertura de prazo para a PGFN se manifestar, antes da decisão da Turma a quo, vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araujo, Maria Teresa Martinez Lopez, Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto. O Conselheiro Luís Flávio Neto divergiu no sentido de acolher os embargos e devolvelos para sanear a análise de admissibilidade, acompanhado pelos Conselheiros Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araujo, Maria Teresa Martinez Lopez e Cristiane Silva Costa. O Conselheiro André Mendes Moura divergiu no sentido de acolher os embargos para anular a decisão da CSRF e da Turma a quo para, após a ciência da PGFN, proferir novo julgamento. Consideradose que não se formou maioria na primeira votação, em segunda votação, nos termos do o art. 60 do RICARFAnexo II o C. o Conselheiro André Moura aderiu ao voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 09 /2 00 5- 91 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte em face da Resolução nº 910100.001 (fls. 458 e seguintes do volume 3 do processo digitalizado), proferida por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional em sessão realizada em 15/6/2009. O presente processo diz respeito a Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário 1999, como resultado de glosa de despesas com pessoal, caracterizada pela falta de apresentação de planilhas que demonstrassem os métodos estatísticos e matemáticos que teriam sido empregados para a apuração de valores rateados, estipulados em Convenio de Rateio de Custos Comuns (Termo de Constatação Fiscal fls. 138 e ss do volume 1 digitalizado). As exigências foram mantidas pela Turma Julgadora de 1ª Instância, o que levou a contribuinte a apresentar Recurso Voluntário, ocasião em que apresentou pareceres técnicos que relatam a revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio utilizado. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 18/10/2006, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cuja decisão restou formalizada por meio do Acórdão nº 10195.791 (fls. 363 e ss dos volumes 1 e 2 digitalizados), admitindo a regularidade do procedimento adotado pela contribuinte, entendendo estar devidamente comprovado pelos relatórios de auditoria apresentados, demonstrando que o rateio foi realizado em função da efetiva utilização dos serviços e da necessidade das empresas. A Fazenda Nacional manejou Recurso Especial afirmando que a decisão recorrida, ao admitir como prova pareceres técnicos apresentados pela contribuinte em memoriais de julgamento, oferecidos diretamente à Câmara, foi contrária ao entendimento manifestado por outras turmas, que defenderam a impossibilidade de apresentação de documentos posteriormente a impugnação, salvo se comprovada a impossibilidade de sua apresentação em momento oportuno. Em julgamento realizado em 15/6/2006 a 1ª Turma da CSRF proferiu a Resolução nº 910100.001 (fls. 458 e seguintes do volume 3 do processo digitalizado), determinando, na parte da decisão constante da capa da Resolução: “a devolução dos autos para sanear a admissibilidade”. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000009/200591 Acórdão n.º 9101002.201 CSRFT1 Fl. 625 3 Cientificada da Resolução que determinava que a PFN se manifestasse sobre os autos, esta apresentou a peça de fls. 464 e ss do volume 2 do processo digitalizado, pugnando, após extenso arrazoado: "1. Seja o processo convertido em diligência, para que a autoridade autuante analise os laudos técnicos, juntados em memoriais de julgamento, e possa verificar se as conclusões ali adotadas se coadunam com o procedimento efetivamente adotado pela contribuinte, quando do rateio das despesas, e; 2. Caso ultrapassado o pleito anterior, que seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose o Auto de Infração, tendo em vista que, ainda que, em tese, o procedimento para o rateio das despesas esteja correto, não há comprovação de que o mesmo vem sendo adotado na pratica, não há provas que permitam auditar os fatores que compõem a formula e os valores praticados pela contribuinte, assim como não ha provas da necessidade, da normalidade e da usualidade da despesa incorrida, o que afasta a possibilidade de sua dedução na apuração do lucro real." A contribuinte também foi cientificada da Resolução nº 910100.001, da CSRF, e, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração (fls. 473 e ss do volume 3 digitalizado), afirmando haver contradição entre o teor da decisão diligência para sanear a admissibilidade do recurso especial e a parte final do voto do relator, que prevê novo julgamento pela Câmara recorrida, o que pressuporia anular o acórdão recorrido. Apontou, ainda, erro formal da decisão que assentou que o acórdão foi tomado por unanimidade de votos, quando consta que houve votos vencidos. Pelo Despacho de efls. 600, o Presidente da 1ª Turma da CSRF acolheu os embargos. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rego, Relatora Inicio por analisar os Embargos da Contribuinte. Alega, a embargante, que a Resolução nº 910100.001, da 1ª Turma da CSRF, padece do vício de contradição, verificada no confronto entre o teor do resultado da Resolução e as conclusões do voto e, ainda, erro formal no quorum da votação. Este é o dispositivo que constou da Resolução nº 910100.001: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, devolver o processo para sanear admissibilidade, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jose Clóvis Alves, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que superavam a prejudicial e enfrentavam o mérito. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Passuello. E as conclusões do voto: Fl. 626DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligencia, para que seja cientificada a Fazenda Nacional dos laudos anexados pela Contribuinte com seu Recurso Voluntário, para tenha a oportunidade de sobre eles se manifestar, devendo, após novo julgamento ser proferido pela Câmara recorrida. De fato, verifico haver erro formal na Resolução, passível de retificação, no que toca ao quórum da votação. Se a Turma decidiu de forma unânime, não poderia haver votos vencidos, como constou da parte dispositiva. Desta forma, depreendese que a Turma não votou de forma unânime e que o correto seria: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, devolver o processo para sanear admissibilidade, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jose Clóvis Alves, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que superavam a prejudicial e enfrentavam o mérito. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Passuello. Da mesma forma, encontrase caracterizada a contradição entre o dispositivo da resolução e as conclusões do voto, o que se justifica pelo equívoco cometido pelo relator, conforme esclareço. No relatório/voto proferido na Resolução nº 910100.001, em sessão de julgamento do Recurso Especial manejado pela PFN, constou o seguinte: A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, sob o fundamento de (i) impossibilidade de apresentação de documentos posteriormente à impugnação, salvo se comprovada a impossibilidade de sua apresentação em momento oportuno; e (ii) inexistência de prova de que as despesas foram deduzidas com base no critério indicado nos pareceres apresentados, que sequer foram aferidos pela fiscalização. Com relação ao item (i) acima, a contribuinte indicou como paradigma os Acórdãos 105.16003 e 20215439. Da análise dos Acórdãos indicados, observase que, de fato, houve a divergência alegada pela recorrente, qual seja, a possibilidade ou não de apresentação de documentos após a impugnação do sujeito passivo. Desse modo, o recurso preenche os requisitos de admissibilidade em relação a esta matéria. Com relação ao item (ii), relativo à ausência de comprovação do critério utilizado pela contribuinte, com base em laudos periciais, contundo, entendo que não houve a divergência suscitada pela recorrente. Até este ponto da Resolução, notase que o relator admitiu a caracterização da divergência suscitada no item "1" do Recurso Especial da PFN impossibilidade de apresentação de documentos posteriormente à impugnação mas consignou que a divergência aventada no item "2", que diz respeito à ausência de comprovação do critério do rateio de custos utilizado pela contribuinte, com base em laudos periciais, não restou caracterizada. No parágrafo seguinte o relator afirmou: A contribuinte indicou como paradigma o Acórdão 10516.141. Primeiramente, destaco que a divergência em relação a este paradigma não foi objeto do despacho de fls. 439/441. (Sublinhei) Fl. 627DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000009/200591 Acórdão n.º 9101002.201 CSRFT1 Fl. 626 5 Em seguida, passou a analisar a divergência suscitada pela PFN, no item "2" de seu Recurso Especial, concluindo que a comparação entre o acórdão nº 10516.141, indicado como paradigma e o acórdão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho não permitiu identificar uma divergência: Observase, dessa maneira, que a questão debatida no acórdão paradigma não corresponde àquela constante no acórdão recorrido. No primeiro, o laudo não foi aceito em razão da impossibilidade de "arbitramento condicional" e da possibilidade de apresentação do laudo (elaborado anteriormente ao lançamento) pelo sujeito passivo à fiscalização, anteriormente ao lançamento; no presente caso, todavia, a motivação adotada foram os princípios da verdade material e formalismo moderado, bem como a impossibilidade de apresentação de tais documentos anteriormente, já que os laudos somente foram elaborados após a impugnação. Desse modo, entendo que, nesse ponto, o recurso não atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. Verificase, portanto, a desnecessidade de retornar os autos, em diligência, para sanear a admissibilidade do Recurso Especial da PFN, no que toca ao item "2" das razões recursais ausência de comprovação do critério do rateio de custos utilizado pela contribuinte, com base em laudos periciais quando o próprio relator já fez esse juízo de admissibilidade, concluindo, pela comparação entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, que a divergência não se caracterizou. Nesse passo, notase que o relator da Resolução nº 910100.001, delimitou a análise das razões recursais da PFN apenas à divergência em relação ao item "1": Por todo o exposto, a questão sob exame cingese à possibilidade de a contribuinte apresentar documentos após a fase impugnatória. Em seguida, passou a analisar a divergência: No presente caso, a contribuinte, a fim de comprovar a regularidade de dedução pretendida, relativa a despesas operacionais (mediante rateio de custos), apresentou pareceres de três empresas de auditoria por ocasião do julgamento de seu recurso voluntário. Conforme entendimento manifestado pela decisão recorrida, os documentos apresentados comprovam a regularidade do procedimento de rateio de despesas adotado pela contribuinte. Desse modo, presentes nos autos os elementos comprobatórios necessários confirmação da regularidade fiscal do contribuinte e inexistindo, portanto, a infração apurada pela fiscalização, deve ser acolhido o novo documento apresentado com o recurso, em respeito ao principio da verdade material. Desse modo, não deve prosperar o lançamento quando constem nos autos documentos que comprovem a regularidade fiscal do contribuinte, ainda que apresentados após o prazo para a impugnação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Ademais, o art. 29 do Decreto n° 70.235/72 determina que, na apreciação da prova, a Fl. 628DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo inclusive determinar as diligências que entender necessárias, razão pela qual entendo cabível a análise dos documentos apresentados após a impugnação do sujeito passivo. E concluiu: Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligencia, para que seja cientificada a Fazenda Nacional dos laudos anexados pela Contribuinte com seu Recurso Voluntário, para tenha a oportunidade de sobre eles se manifestar, devendo, após novo julgamento ser proferido pela Câmara recorrida. (*) destaquei Observese que no julgamento do Recurso Especial da PFN, em relação à divergência caracterizada em relação ao item "1" das razões recursais possibilidade de apresentação de documentos posteriormente à impugnação foi proferido juízo de valor a respeito da admissibilidade da prova naquele momento processual, ou seja, admitiuse que o contribuinte poderia apresentar, em memoriais, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário, os pareceres que indicavam o método do rateio de custos adotados. Mas a decisão da 1ª Turma da CSRF julgou necessário, a fim de evitar o cerceamento do direito de defesa da Fazenda, que a PFN fosse cientificada para se manifestar a respeito do conteúdo dos pareceres, razão pela qual determinouse a realização de um novo julgamento pela Câmara a quo. Na sequencia, a PFN se manifestou e o fez solicitando que o processo fosse convertido em diligência para que a Fiscalização, e não ela, se manifestasse sobre os laudos. Como estamos diante de um embargo da contribuinte que nos devolve os autos para sanear uma contradição em uma decisão que determinou que, após a manifestação da PFN, os autos deveriam ser objeto de novo julgamento pela Câmara Ordinária, uma vez saneada essa contradição, devese dar continuidade ao que fora decidido em 2009. Assim, respeitando o que fora na Resolução nº 910100.001, cabe à Câmara a quo avaliar a manifestação da PFN que pede que o processo seja convertido em diligência para que a Fiscalização aprecie os laudos trazidos por ocasião do recurso voluntário. Feitos os necessários esclarecimentos e sanadas as contradições, voto no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para determinar a devolução dos autos para julgamento da Câmara a quo, porém, esse julgamento só deve ocorrer após a ciência das partes desta decisão, e reabertura de novo prazo para a PGFN se manifestar. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 629DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10950.002295/2005-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/02/2005
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÕRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET.
Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada ha que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.283
Decisão: ACORDAM os membros da terceira Câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada ha que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via interne. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira Camara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Processo n° 10950.002295/2005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 31 ANELISE AU D PRIETO Presidente )2TON LIZ:j7BARTO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tat-Lio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. 2 Processo n° 10950.002295/2005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 32 Relatório Trata-se de Auto de Infração constante As fls. 02, referente A multa por entrega fora do prazo de Declarações de Débitos e Créditos Federais — DCTF's, referente ao 40 trimestre de 2004, fundamentada no art. 113, § 3 0 e 160, Lei 5172/66 do CTN, art. 40 e 2° da IN SRF 126/98, combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art. 5° do DL no 2124/84 e art. 70 da MP 16/2001 convertida na Lei 10.426/02. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação As fls. 01, na qual alega, que as DCTF(s) foram apresentadas a destempo por motivos de congestionamento ou de manutenção da rede da internet, impossibilitando a entrega da declaração a partir das 16h. Diante do exposto, requer o acolhimento de suas alegações e cancelamento do lançamento em foco. Instruem a impugnação os documentos de fls. 02 e 04/08. Encaminhados os autos A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR), esta indeferiu a solicitação as fls. 014/017, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2005 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTA'RIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada a entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se a multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente." Ciente da decisão proferida à fl. 20, o contribuinte apresentou tempestivamente o Recurso Voluntário As fls. 21/24, no qual reitera os argumentos já apresentados em sede de impugnação e acrescenta, em suma, que: nos dias seguintes ao prazo final para entrega da DCTF, além de ter entrado em contato via telefone, se dirigiu a Delegacia da Receita Federal para verificação se o problema com a internet tinha sido solucionado e quais procedimentos deveriam ser tomados com relação a este atraso na entrega da DCTF. A resposta era de que continuasse aguardando, que o problema estava sendo solucionado e que ainda não devia transmitir via internet; em 24/02/2005 foi orientado via telefone pela funcionária Alacir Braz, a entregar a Declaração que faltava via internet e que mesmo fora do prazo, não seria passível de multa; Processo n° 10950.002295/2005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 33 foi surpreendido pelo Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005, onde são consideradas entregues dentro do prazo as declarações transmitidas nos dias 16, 17 e 18. E o próprio Delegado da Receita Federal e os funcionários não tinham conhecimento desta prorrogação e tampouco deste Ato Declaratório. Diante do exposto, espera que seja acolhido o presente recurso e canceladoo débito fiscal aclamado. Não efetuado arrolamento de Bens e Direitos, para seguimento do Recurso Voluntário, devido ao valor ser inferior a R$ 2.500,00, aplicando-se assim o disposto no parágrafo 7° do art.2° da IN SRF 264/02. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 27/02/2008, em um único volume, constando numeração até as fls. 025, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. A Processo n° 10950.002295/2005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 34 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Quanto ao arrolamento de bens e direitos, consigne-se que este não é mais exigido como condição para seguimento do recurso voluntário, haja vista o que dispõe o Ato Declaratório n° 9, de 05/06/07, com fulcro na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1976 do STF. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa minima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o sistema. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.84. 0 Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação às matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere à delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. 5 Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos A lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma i editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). Processo n° 10950.00229512005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 35 Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente A lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando A rega as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vicio. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para normatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação As condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. E nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto licito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os designios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, com o fim de informar A Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade licita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porem, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da indelegabilidade da competência tributária (art. 7° do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto A forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada A Lei. Somente a Lei pode criar urn vinculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcra! desse vinculo. E tal poder é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. Processo n° 10950.002295/2005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 36 Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei no 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I — ação normativa; II — alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa no 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa no 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto 6, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, dai também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 não constitui o veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 7° 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Di09, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á its seguintes multas: Processo no 10950.002295/2005-96 Acórdão n.° 303-35.283 CC03/CO3 Rs. 37 — de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°. Com efeito, a adoção da Medida Provisória no 16, posteriormente convertida na Lei no 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória no 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, consequentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação à Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF no 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto à multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- apresenta cão, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-á its seguintes multas: I — de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §30; §30 A multa minima a ser aplicada será de: I— R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; — R$500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como a ... ...... vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que fora 8 Processo n° 10950.002295/2005-96 Acórdâo n.° 303-35.283 CC03/CO3 Fls. 38 estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória no 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Ocorre que, in casu, tem-se situação em que o contribuinte fora impossibilitado de entregar a DCTF do 4° trimestre de 2004 dentro do prazo, em razão de congestionamento de dados no site da Receita Federal. Tanto é que a própria Receita Federal acabou por reconhecer que houve problemas técnicos nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serpro para a recepção e transmissão de declarações, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005. Em observância a referido ato, a Receita Federal considerou como entregues em 15/02/2005, as declarações apresentadas até 18/02/2005. A controvérsia, no entanto, se estabeleceu pelo fato do contribuinte ter apresentado a DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2004, somente em 24/02/2005, ou seja, após 18/02/2005. Note-se, primeiramente, que a própria Receita Federal reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações. Outrossim, embora tenha ampliado a data limítrofe de entrega para 18/02/2005, como se tivessem sido entregues em 15/02/2005, não há nada que comprove que, naquela data (18/02/2005), haviam cessado tais problemas. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, visto que comprovada a impossibilidade de transmissão da DCTF, referente ao 4° trimestre de 2004, no pram. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2008 NIkTON L ARTOL - Relator 41• 9
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902969/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2202-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 29 69 /2 00 8- 10 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 O presente processo é relativo a pedido de compensação substanciado na Per/DComp de fls. 02 a 06, pela qual a contribuinte FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL pretende utilizar parte do alegado crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 1.702.793,73, para compensar débito posterior do mesmo tributo no valor de R$ 476.123,88, ambos referentes ao anocalendário 2003. Conforme Despacho Decisório (fl. 07), a compensação declarada não foi homologada, uma vez que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível para a compensação realizada. Cientificada da decisão em 05/05/2008 (fl. 09), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 04/06/2008 (fls. 10 e 11), alegando, em síntese, que a compensação fora efetuada sem que tivesse realizada a devida retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 4° (quarto) trimestre de 2003, relativamente ao crédito original da PERDCOMP, mas a retificação foi feita para regularização da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi cientificado da decisão em 01/06/2010, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 81, tendo interposto recurso voluntário em 08/07/2010 (fls. 94 a 105), no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que declarou inexistente o direito creditório, não homologando a compensação pretendida. Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15374.902969/200810 Acórdão n.º 2202003.201 S2C2T2 Fl. 200 3 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 1º/06/2010 (terça feira), por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 81. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 94 a 105) somente no dia 08/07/2010, estava exaurido o prazo legal de trinta dias, que se venceu em 1º/07/2010 (quintafeira). Portanto, o recurso foi interposto após o prazo legal, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido. Em face ao exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001222/2001-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF.
OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS.
COMPROVAÇÃO.
Devidamente comprovadas as retenções de imposto de renda, bem como o
oferecimento a. tributação dos respectivos rendimentos, reconhece-se, para
fins de restituição/compensação, o direito creditório relativo ao saldo
negativo de IRPJ decorrente.
Numero da decisão: 1401-00.637
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional no montante de R$183.285,97, em valor originário, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF. OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. Devidamente comprovadas as retenções de imposto de renda, bem como o oferecimento a. tributação dos respectivos rendimentos, reconhece-se, para fins de restituição/compensação, o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ decorrente.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-16T12:52:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-16T12:52:12Z; Last-Modified: 2011-09-16T12:52:12Z; dcterms:modified: 2011-09-16T12:52:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:14d218a6-2e9d-4c31-a511-029abf92f240; Last-Save-Date: 2011-09-16T12:52:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-16T12:52:12Z; meta:save-date: 2011-09-16T12:52:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-16T12:52:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-16T12:52:12Z; created: 2011-09-16T12:52:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-16T12:52:12Z; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-16T12:52:12Z | Conteúdo => s DF CA RF F FL I SI-C4T1 Fl. 255 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13811.001222/2001-36 1ccur.4.) n° Voluntário Acórdão n° 1401-00.637 — 4' Camara / la Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente DUKE ENERGIA DO SUDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF. OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. Devidamente comprovadas as retenções de imposto de renda, bem como o oferecimento a. tributação dos respectivos rendimentos, reconhece-se, para fins de restituição/compensação, o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional no montante de R$183.285,97, em valor originário, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner — Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Autemkado di nerde em LIAR TINz) \/E: IVALi3N E icAssI,KK:o ;J:to cm 23/08/2011 por EDUARDO MARTINS NONA 1,1 DV 2IR2 , ASSinado dOAI m2s e(o 29 08/2011 por VIVIANE VIflAL WAGNER 1 Impesso orn 02/09/2011 por NANA CLALJUIA SILVA CAL 102) DF CA RF NI F Fl. Processo n° 13811.001222/2001-36 Acórd5o n.° 1401 -00.637 Fl. 256 Relatório Trata-se inicialmente de Pedidos de Restituição e Compensação protocolizados em 03/07/2001 (fls.01/02). 0 crédito apontado refere-se a saldo negativo de IRPJ (3no-calendário 2000). No decorrer do ano de 2001 novos pedidos de compensação (11s.53, 55, 66 e 78) foram apresentados. No Despacho Decisório (fis.991103), cientificado ao contribuinte em 21/12/05 (f1.104), deferiu-se parcialmente o direito creditório, tendo sido homologadas as compensações até o valor reconhecido. De acordo com a DERAT-SP, in verbis: "Verificando-se a ficha 12A da Declaração de Informações Econômico-Fiscais— DIPJ/2001 da contribuinte (1ls.97), observa-se que na linha 18 da ficha I2A foi apurado de IRPJ a pagar, o valor de R$872.439,60 (linha 18 da ficha 12A). Esse valor é resultado da subtração, em relação a soma de imposto sobre o Lucro Real (linha 1 da ficha 12A = R3124.374,98) e adicional (linha 3 da ficha I2A = R$58.916. 66), do IRRF (linha 13 da ficha 12A = RS872.439,60), e do parcelamento efetivamente pago de IR sobre a base de cálculo estimada (linha 17 da ficha 12A = R 5 183.291,64). Quanta a este ultimo valor, verifica-se que nas Instruções de Preenchimento da DIPJ2001 publicado pela Secretaria da Receita Federal está informado, com relação à linha 17 da ficha 12A que deve-se: "informar, nesta linha, o valor original correspondente a pagamento de parcelamento de IRPJ apurado, no transcorrer do ano- calendário, sobre a base de cálculo estimada, pago até 31/01/2001). Portanto, o que a contribuinte informou nessa linha não é passível de restituição, devido ao fato de que não ocorreram pagamentos referentes a esse parcelamento de IRPJ no decorrer do ano-calendário de 2000 conforme pode-se observar no sistema da SRF SINAL08 àsfls. 98 (..)". Na oportunidade, o saldo negativo foi explicitado nos moldes abaixo: Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — D1PJ 2001 Ficha 12 A — Cálculo do Imposto de Renda — PJ em geral (valores em R$) Linha 01 Imposto sobre o Lucro Real A aliquota de 15% 124.374,98 Linha 02 A aliquota de 6% 0,00 Linha 03 Adicional 58.916,66 Linha 13 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 872.439.60 Linha 17 (-) Parcel. Efetiv. Pg. De IR sobre Base Cal. Estimada 0,00 Linha 19 Imposto de Renda a pagar -689.147,96 Autenlicac'o dirjitamenZe. 25/0 512011 por EDUARD NOIVA MON EPRD . AsDoda dpito ntt.;:n 25/08/2011 por EDUARDO MA, ,i'f ;NF, NEIVA Asslarto dj5almcnlo om 2-f.08,'201 I por VIDAL. WAGNER. impress° cr' 0210D/201'1 por IVAN3A SOVA CASTRO, F CARE' Mi FL 3 Processo n° 13811.001222/2001-36 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.637 Fl. 257 Em primeira instância foi indeferida a manifestação de inconformidade, tendo o acórdão n° 16-13.912 da DIU — Sao Paulo I (SP) recebido a seguinte ementa (fls.181/187): SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Não comprovadas as deduções efetuadas pela contribuinte, cabe a autoridade fiscal glosar os valores utilizados indevidamente. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vincztlação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele da o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. A alegação de defesa, no sentido de que houve equivoco no preenchimento da DIPJ quanto à declaração a menor do IRRF, foi afastada sob o fundamento de que os comprovantes de retenção não foram acostados ao processo, bem como pela não comprovação do oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. No Recurso Voluntário (fls.191/204) alega-se em síntese: - erro no preenchimento da DIPJ, mais precisamente na Ficha 12A, vez que o valor de R$183.291,64 não se referiria a "parcelantento efetivamente pago de IR sobre a base de cálculo estimada". Tal valor deveria ter sido declarado na linha 16 ("imposto de renda pago por estimativa"), "...na medida em que esse valor de IRRF foi compensado com o quantum apurado de IRPJ a ser pago no ano-calendário 2000"; - no ano-calendário 2000 teria havido a retenção no montante de R$1.055.731,24, relacionada a rendimentos decorrentes de aplicações financeiras e de juros sobre capital próprio, devidamente comprovada pela autoridade fiscal, consoante cópias das consultas realizadas no sistema DIRF; - informes de rendimentos também atestariam tais retenções. E o que importa relatar. Autentkmdo eroOe cm 25/06/2011 per EDUARDO iRiO6 ovt TROD. Assin:4cio digI,r3Imem..e em 25/08/2011 por EDUARDO MAR TINS NOVA MONTE 1:20, 22i0:7).011 VIDA!. WAGNER Impressa em 52/00/2011 per 0./,-,N ,\ 'Ulf% 25 VA R(-; DF CARL MP FL 4 Processo n° 13811.001222/2001-36 Acórdão n.° 1401-00.637 Fl. 258 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. 0 recurso é tempestivo e dele se toma conhecimento. A controvérsia submetida a este colegiado limita-se, conforme decisão a quo, Is seguintes questões: comprovação das retenções no ano-calendário 2000 e oferecimento tributação dos respectivos rendimentos. De acordo com o recorrente, teria havido equivoco no preenchimento da DIPJ, especificamente com relação aos valores a titulo de IRRF. Em vez de R$872.439,60 declarados, totalizaria na verdade R$1.055.731,24. Vejamos: Quadro 1 — Apuração Declarada Ficha 12 A — Cálculo do Imposto de Renda — PJ em geral (valores em R$) Linha 01 Imposto sobre o Lucro Real A aliquota de 15% 124.374,98 Linha 02 A aliquota de 6% 0,00 Linha 03 Adicional 58.916,66 Linha 13 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 872.439,60 Linha 17 (-) Parcel. Efetiv. Pg. De IR sobre Base Cal. Estimada 183.291,64 Linha 19 Imposto de Renda a pagar -872.439,60 Quadro 2 — Apuração da Fiscalização Ficha 12 A — Cálculo do Imposto de Renda — PJ em geral (valores em R$) Linha 01 Imposto sobre o Lucro Real A aliquota de 15% 124.374,98 Linha 02 A aliquota de 6% 0,00 Linha 03 Adicional 58.916,66 Linha 13 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 872.439,60 Linha 17 (-) Parcel. Efetiv. Pg. De IR sobre Base Cal. Estimada 0,00 Linha 19 Imposto de Renda a pagar -689.147,96 Quadro 3 — Apuração conforme a defesa Ficha 12 A — Cálculo do Imposto de Renda— PJ em geral (valores em R$) Linha 01 Imposto sobre o Lucro Real A. aliquota de 15% 124.374,98 Linha 02 A aliquota de 6% 0,00 Linha 03 Adicional 58.916,66 Linha 13 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 1.055.731,24 Linha 17 (-) Parcel. Efetiv. Pg. De IR sobre Base Cal. Estimada 0,00 Linha 19 Imposto de Renda a pagar -872.439,60 Cópias extraídas do sistema DIRF, anexadas ao processo anteriormente A decisão de primeira instância (fls.82/84), indicam que no ano-calendário 2000 o recorrente auferiu rendimentos que sofreram as seguintes retenções na fonte: Autenticado digita:muiRe :m 25/08/2011 por EDUARDO R INS N':1\'.1‘, MO O ./2lmsme em 25/0812011 por EDUARDO MA:),TINS NFIVA MONTF:RO, Assinado dtDmcn m 28/6,1'.. ViDAL. WAGNER 4 Iniprosso em 02159/2011 por VANA Ci.AL IA ODVA CAD] DO DF CARFMF Fl. 5 Processo n° 13811.001222/2001-36 sit-c4T1 Acórdão n.° 1401 -00.637 Fl. 259 Fonte pagadora Código da Receita Rendimentos IRRF (R$) (R$) BankBoston Banco Múltiplo S.A 6800 — Aplicações financeiras em fundos de investimento de renda fixa 319.940,37 63.988,07 Duke Energy International, 5706 —Juros sobre o capital próprio 6.571.109,58 985.666,43 Geração Paranapnema S/A Dresdner Bank Brasil S.A Banco Múltiplo 6800 — Aplicações financeiras em fundos de investimento de renda fixa. 30.383,72 6.076,74 Total 6.921.433,67 1.055.731,24 Como dito antes, de acordo com a decisão a quo a integralidade das retenções eixaram de ser consideradas em razão da não apresentação dos informes de rendimentos. Ainda que o recorrente tenha deixado de anexá-los, as informações foram repassadas à Receita Federal do Brasil por meio da DIRF, de apresentação obrigatória pelas fontes pagadoras, de foram que, com a devida vênia, restou suprida a falta destacada pela DRJ. No próprio despacho decisório, observou-se que "...quanto it linha 13 da ficha 12 A (imposto de Renda Retido na Fonte), verifica-se que o valor de R$872.439,60 apurado pela contribuinte (fls.97) está amparado pelos valores consultados às fls.82 a 84". Complemente-se que ao recurso voluntário foram anexados os informes de rendimentos (fls.245/247) reclamados. Quanto ao oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos, cabe reconhecer que o recorrente não teceu qualquer alegação, tampouco anexou provas a respeito. As cópias do livro Razão Geral, que também acompanham o recurso voluntário, relativas às contas "1124121 — IR a Recuperar", "2113121 — IRPJ a Pagar" e "1124125— IRPJ Estimado a Compensar", em nada o auxiliam. Em que pese a defesa não ter demonstrado o oferecimento à tributação dos rendimentos relacionados As retenções identificadas, verifica-se que na Ficha 06 A ("Demonstração do Resultado") foram declaradas como "Receitas de Juros sobre o Capital Próprio" (linha 23) o valor de R$6.571.135,42 e a titulo de "Ganhos Aufer. Mercado Renda Variável, exceto Day Trade" (linha 21), R$350.295,71, ou seja, valores bastante próximos ao montante dos rendimentos relativos As retenções sob análise. Considerando que nada foi declarado a titulo de -Outras Receitas Financeiras" (linha 24 da Ficha 06A — Demonstração do Resultado - f1.18) e que os valores a titulo de "Ganhos Aufer. Mercado Renda Variável, exceto Day Trade", no montante de R$350.295,71, coincidem com aqueles declarados na Ficha 43 da DIPJ (fl.47), reservada ao "Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte", é possível concluir por erro de preenchimento da DIPJ, consubstanciado na informação indevida de rendimentos decorrentes de aplicações em renda fixa no campo reservado a ganhos auferidos no mercado de renda variável. Sendo, vejamos: Fonte pagadora Código da Receita Rendimentos (R$) BankBoston Banco Múltiplo S.A 6800 — Aplicações financeiras em fundos de investimento de renda fixa 319.940,36 Dresdner Bank Brasil S.A Banco Múltiplo 6800 — Aplicações financeiras em fundos de investimento de renda fixa. 30.355,35 Total 350.295,71 Autenticrid igitarnerite kim 25;38/2011 por - UAL, 0 L. AkT A MON'i 25/03/2011 por Ef)LJARDO MA81 :NS NFIVA M011 ci :::::,;08:-.;01 1 por VP/lANE. VU8A ! WAGNER 5 Impress° em 021CD12011 por R./X.:A CAL/IA SILVA E7,81:;0 .DF CARF MF FL 6 Processo n° 13811.001222/2001-36 Sl-C4T1 Acórcido n.° 1401-00.637 Fl. 260 Há ma minima diferença quanto aos rendimentos pagos por Dresdner Bank Brasil S.A Banco Múltiplo, devendo a retenção ser considerada apenas proporcionalmente ao que foi oferecido à tributação, no caso R$30.355,35 em vez dos R$30.383,72 declarados em DIRF. Assim, na apuração final, com relação a tais rendimentos, deve ser aproveitado corno IRRF o valor d $ 6.071,07 em vez de R$ 6.076,74. Na mesma Ficha 43 da DIPJ 2001 consta corno rendimentos a titulo de Juros sobre Capital Próprio, recebidos de Duke Energy International, Geração Paranapanema S/A, a importiliwia de R$6.571.135,42, o que confirma que tal valor declarado em DIPJ na linha 23 da Ficha 6A refere-se exatamente àquela fonte pagadora. Constatado o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos, devem ser aceitas as retenções na fonte no total de R$1.055.725,57, devidamente comprovadas corn documentação hábil. Assim, a apuração ao final do ano-calendário 2000 e o valor remanescente a ser objeto de restituição/compensação são os seguintes: Ficha 12 A — Cálculo do Imposto de Renda— PJ em geral (valores em R$) Linha 01 Imposto sobre o Lucro Real A aliquota de 15% 124.374,98 Linha 02 A aliquota de 6% 0,00 Linha 03 Adicional 58.916,66 Linha 13 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 1.055.725,57 Linha 17 (-) Parcel. Efetiv. Pg. De IR sobre Base Cal. Estimada 0,00 Linha 19 Imposto de Renda a pagar -872.433,93 Saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2000 R$ 872.433,93 Valor já deferido no despacho decisório R$ 689.147,96 Diferença a ser reconhecida R$ 183.285,97 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional no montante de R$183.285,97 (cento e oitenta e três mil, duzentos e oitenta e cinco reais e noventa e sete centavos), em valor originário, bem como homologar as compensações dele decorrentes. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Autenticado ditnene tm 25!Of2l I per u; ,00 M,A:0. ;Ns NENA roNrriR d::;ainx-rit,rr cm 25/08/2011 por EDUARDO MARUNS NE1VA 0U HEO, A3sinario rivjAnirpcnte co 210‘.> 1" por VIVIANE VIDAL. WAGNER impres ,.zo co 02.V9 ,1 CI Atj"'" ;IL VA CAS.TTO 6
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