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Numero do processo: 13603.722905/2010-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INCORREÇÃO OU OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. AUTUAÇÃO. REGULARIDADE. RELEVAÇÃO E/OU ATENUAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á ao pagamento de multas.
No que diz respeito à relevação e/ou atenuação da multa, como já abordado no acórdão recorrido, reitero que não há mais autorização normativa para contemplar o pleito do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.441
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INCORREÇÃO OU OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. AUTUAÇÃO. REGULARIDADE. RELEVAÇÃO E/OU ATENUAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á ao pagamento de multas. No que diz respeito à relevação e/ou atenuação da multa, como já abordado no acórdão recorrido, reitero que não há mais autorização normativa para contemplar o pleito do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INCORREÇÃO OU OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. AUTUAÇÃO. REGULARIDADE. RELEVAÇÃO E/OU ATENUAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá ao pagamento de multas. 2. No que diz respeito à relevação e/ou atenuação da multa, como já abordado no acórdão recorrido, reitero que não há mais autorização normativa para contemplar o pleito do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 29 05 /2 01 0- 77 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.722905/201077 Acórdão n.º 2803002.441 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.722905/201077 Acórdão n.º 2803002.441 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por infringência às disposições contidas no inciso IV do art. 32 da lei nº 8.212/91. Segundo consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 35), a empresa que não é optante do SIMPLES, entregou GFIP`s como se fosse. Agindo dessa forma, ela não declarou valores devidos à Previdência Social relativamente à parte patronal. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 28 de fevereiro de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES OU CONTRIBUIÇÕES EM GFIP. Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.722905/201077 Acórdão n.º 2803002.441 S2TE03 Fl. 5 4 Foi feita a defesa com pedido de relevação, que foi negada pela Turma de Julgamento, e não se conformando com o resultado do julgamento e exercendo o direito que lhe assiste do duplo grau de jurisdição apresenta o presente recurso para que seja acolhido com os mesmos fundamentos da defesa. Pelo exposto requer: a) seja relevada a multa por estarem atendidos todos os requisitos desse benefício; b) ultrapassado o pedido anterior que seja atenuada a multa reduzindoa para 50% de seu valor, tendo em vista que a obrigação foi cumprida. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.722905/201077 Acórdão n.º 2803002.441 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Segundo consta nos autos, durante a ação fiscal realizada, o contribuinte apresentou GFIP com incorreções e omissões no período compreendido entre a competência 01/2006 até a competência 12/2007. É sabido, pois, que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. De acordo com o acórdão recorrido, no quesito multa já se observou a redação do novel art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/2009), observandose, portanto, as disposições contidas no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional – CTN. No que diz respeito à aplicação da multa, a regra utilizada pela autoridade administrativa está prevista no ordenamento jurídico pátrio, conforme se pode observar da capitulação descrita no acórdão recorrido. Ademais, não se pode perder de vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do CTN). Resta, pois, amplamente evidenciado o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com incorreções ou omissões (CFL 78), situação que configura efetivamente a infração aos dispositivos legais referidos pela fiscalização. Nada obstante à discussão sobre a inexistência de dispositivo legal que ampare o lançamento, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32A da Lei nº 8.212/91, está correta. A situação vertente se enquadra perfeitamente na moldura do art. 32A da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.722905/201077 Acórdão n.º 2803002.441 S2TE03 Fl. 7 6 Vêse, portanto, que na questão ora guerreada, a autoridade administrativa observou claramente a regra do art. 142 do CTN, bem como a do art. 32A da Lei nº 8.212/91, de modo a embasar o lançamento. No que diz respeito à relevação e/ou atenuação da multa, como já abordado no acórdão recorrido, reitero que não há mais autorização normativa para contemplar o pleito do contribuinte. Assim sendo, está correto o trabalhado da fiscalização, como também o da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, motivo pelo qual mantenho o lançamento integralmente. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003803/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009
SALÁRIO INDIRETO AJUDA
ALIMENTAÇÃO – IN NATURA – NÃO
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de
alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato
Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral
da Fazenda Nacional – PGFN
COOPERATIVA – CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA
Segundo a legislação de regência, a empresa é obrigada a recolher a
contribuição sob sua responsabilidade incidentes sobre os valores das notas
fiscais/faturas relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados
por intermédio de cooperativas de trabalho
MATÉRIA – REPERCUSSÃO GERAL – SOBRESTAMENTO –
INDEVIDO
Não é devido o sobrestamento do processo, cuja matéria foi objeto de
declaração como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, se
aquela corte, expressamente, não determinar o sobrestamento dos
julgamentos dos processos que versam sobre a mesma matéria
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da
constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da
Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo
afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico
pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à cesta básica, mantidos os
demais valores.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO – IN NATURA – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN COOPERATIVA – CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA Segundo a legislação de regência, a empresa é obrigada a recolher a contribuição sob sua responsabilidade incidentes sobre os valores das notas fiscais/faturas relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho MATÉRIA – REPERCUSSÃO GERAL – SOBRESTAMENTO – INDEVIDO Não é devido o sobrestamento do processo, cuja matéria foi objeto de declaração como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, se aquela corte, expressamente, não determinar o sobrestamento dos julgamentos dos processos que versam sobre a mesma matéria INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2168; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.003803/201014 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 2402002.579 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO ALIMENTAÇÃO COOPERATIVA Recorrente LATICÍNIOS NOSSO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO – IN NATURA – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN COOPERATIVA – CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA Segundo a legislação de regência, a empresa é obrigada a recolher a contribuição sob sua responsabilidade incidentes sobre os valores das notas fiscais/faturas relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho MATÉRIA – REPERCUSSÃO GERAL – SOBRESTAMENTO – INDEVIDO Não é devido o sobrestamento do processo, cuja matéria foi objeto de declaração como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, se aquela corte, expressamente, não determinar o sobrestamento dos julgamentos dos processos que versam sobre a mesma matéria INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à cesta básica, mantidos os demais valores. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10640.003803/201014 Acórdão n.º 2402002.579 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, bem como a contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a cooperativas. O lançamento é objeto do Auto de Infração nº 37.288.4270 e segundo o Relatório Fiscal (fls. 63/72), constituem fatos geradores das contribuições lançadas os seguintes valores: Pagamentos a Segurados Empregados • Ajuda de Custo pagas pela empresa às promotoras de venda, no período de 12/2005 a 11/2008 e a todos os empregados da empresa no período de 12/2008 a 12/2009. Tais valores foram apurados na folha de pagamento e na contabilidade. • Cestas básicas fornecidas aos empregados sem a devida inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. • Complemento de Horas Extras apuradas nas folhas de pagamento. • Participação nos Lucros e Resultados sem comprovação da existência de qualquer plano de distribuição de lucros ou resultados. • Abono pago a segurados empregados Pagamentos a Contribuintes Individuais • Pagamentos a segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa verificados na contabilidade. Pagamentos a Cooperativas • Pagamento efetuado a cooperativas de transporte. A auditoria fiscal informa que em razão da legislação superveniente que alterou a forma de cálculo das multas, no caso a Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente, convertida na Lei nº 11.941/2009, foi efetuado o cálculo comparativo entre a multa prevista na legislação anterior e na atual para fins de aplicação da situação mais benéfica ao sujeito passivo. Para o cálculo da multa, a auditoria fiscal efetuou a soma da multa de mora prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 8.212/1991 (24%) e da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de não informação dos fatos geradores em GFIP Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Esse total foi então confrontado com a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Da comparação (fls. 93/94) restou mais benéfica ao contribuinte, a multa calculada de acordo com a legislação atual, qual seja, 75% conforme previsto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. A autuada teve ciência do lançamento em 16/12/2010 e apresentou defesa (fls. 113/120), onde alega que atua no ramo de indústria e comércio de queijos e outros derivados do leite e para transportar seus produtos até os clientes, utilizase de transporte terceirizado e uma de suas contratadas é uma cooperativa de transporte de carga. Entende que toda a movimentação da cooperativa gira em torno do ato cooperado definido pelo art. 79 da Lei nº 5.764/71, além disso, esta se enquadraria no ramo de transporte e não de trabalho, entendimento em conformidade com a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB também reconhecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT por meio de resoluções que cita. Pelas razões apresentadas entende que não é devida a contribuição sobre os valores pagos a tais cooperativas, a qual considera inconstitucional. Além disso, entende que o Fisco deveria excluir os valores gastos com equipamentos veiculares. Considera a multa aplicada de 75% confiscatória, ilegal e inconstitucional e cita decisão do Supremo Tribunal Federal no mesmo sentido. De igual forma, questiona a aplicação da taxa de juros SELIC como juros moratórios. Solicita a redução da multa para o patamar de 20% e a aplicação dos juros compensatórios baseados no índice do INPC e/ou IGPM, qual for mais benéfico para a empresa. Pelo Acórdão nº 09.34155 (fls. 141/145), a 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde repete as alegações de defesa e manifesta seu inconformismo pelo fato da decisão recorrida não haver argüido a respeito das inconstitucionalidades apresentadas. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10640.003803/201014 Acórdão n.º 2402002.579 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. É de se ressaltar que, no mérito, o contribuinte impugnou tão somente a parte do lançamento relativa à contribuição incidente sobre valores pagos a cooperativas de trabalho. Quanto aos demais fatos geradores, quais sejam pagamentos a segurados empregados a título de ajuda de custo, abono, cestas básicas sem inscrição no PAT, complemento de horas extras e participação nos lucros e resultados, bem como pagamentos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, a recorrente nada alega, sendo, portanto, matéria não impugnada. No entanto, em respeito ao princípio da auto tutela, há que se observar que não deve prevalecer no lançamento os valores pagos aos segurados empregados na forma de cestas básicas, os quais foram tributados em razão da empresa não ter efetuado a adesão ao PAT. Vale observar o Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado ato, o fornecimento de cestas básicas, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador Assim, relativamente às contribuições incidentes sobre os valores fornecidos a título de cestas básicas, o lançamento deve ser desconstituído. O argumento central apresentado pela recorrente referese ao seu inconformismo pelo lançamento da contribuição sobre as notas fiscais emitidas por cooperativas que lhe prestaram serviços. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Segundo a recorrente, tratase de cooperativa de transporte, a qual é contratada para o transporte das mercadorias produzidas até os clientes da empresa. Entende que cooperativa de transporte não pode ser considera cooperativa de trabalho para fins da incidência da contribuição previdenciária. Além disso, a recorrente questiona a constitucionalidade do dispositivo que estabeleceu tal contribuição, no caso, o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 que dispõe o seguinte: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A recorrente tenta descaracterizar a cooperativa que lhe presta serviços no sentido de que sendo uma cooperativa de transporte não poderia ser enquadrada como cooperativa de trabalho. No entanto, pelo próprio conceito de cooperativa estabelecido no art. 3º da Lei nº 5.764/1971, percebese o equívoco da recorrente, senão vejamos: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. No caso da cooperativa que prestou serviços à recorrente, os cooperados são transportadores autônomos que contribuem com o veículo e o serviços prestado como motorista. A meu ver, a chamada cooperativa de transporte nada mais é do que um tipo de cooperativa de trabalho. Não há uma definição clara do que seja cooperativa de trabalho na lei, no entanto, esta já foi conceituada pela doutrina, conforme se verifica nas palavras de Eduardo Gabriel Saad: São cooperativas de trabalho aquelas que constituídas entre operários de uma determinada profissão ou ofício, ou de ofícios vários de uma mesma classe, têm como finalidade primordial melhorar os salários e as condições de trabalho pessoal de seus associados e, dispensando a intervenção de um patrão ou empresário, se propõe a contratar e executar obras, tarefas, trabalhos ou serviços públicos ou particulares , coletivamente por todos (os cooperados) ou por grupos de alguns1 Entendo que pelo conceito acima, podem de associar como cooperados de uma cooperativa de trabalho os mais diversos profissionais, tais como, médicos, dentistas, motoristas de táxi e de caminhão, artesãos, carregadores, professores, etc. 1 Suplemento Trabalhista da LTr 93/96 p. 552 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10640.003803/201014 Acórdão n.º 2402002.579 S2C4T2 Fl. 4 7 Assim, resta claro que a cooperativa de transportadores autônomos contratada pela recorrente é um tipo de cooperativa de trabalho e como tal deveria a recorrente ter feito o recolhimento da contribuição prevista no inciso IV, art. 22 da Lei nº 8.212/1991. A fim de evitar qualquer questionamento ou futuros embargos, cumpre dizer que embora a matéria em questão tenha sido declarada de “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal, não é o caso para sobrestamento dos presentes autos, de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012 que assim dispõe: O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF), no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto nos arts 20, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações posteriores, e a necessidade de uniformização do procedimento de sobrestamento de julgamentos de recursos, previsto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, ...., RESOLVE: Art. 1º Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria par realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. (g.n.) A portaria em questão veio esclarecer a aplicação do sobrestamento prevista no Regimento Interno do CARF, especificamente no art. 62A §§ 1º e 2º: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (g.n.) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Como não houve para a matéria em questão a determinação de sobrestamento por parte do Supremo Tribunal Federal, não há que se sobrestar o julgamento do presente recurso. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de a decisão de primeira instância não haver apreciado as alegações de inconstitucionalidades apresentadas, no caso, a contribuição sobre os valores pagos a cooperativas, a aplicação da taxa de juros SELIC e a multa de ofício. Não assiste razão à recorrente, de fato não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico pátrio. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10640.003803/201014 Acórdão n.º 2402002.579 S2C4T2 Fl. 5 9 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que sejam excluídas as contribuições sobre os valores de cesta básicas fornecidas. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001961/2007-34
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física
Exercícios 2003,2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. PROVA OU JUSTIFICAÇÃO
Todas as despesas dedutíveis estão sujeitas a prova ou justificação a juízo da
autoridade administrativa, devendo referida comprovação obedecer ao que
prevê a legislação tributária a fim de ser apurada a dedutibilidade do
dispêndio.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. REQUISITOS.
Não comprovado o direito à dedução com despesas com instrução, devida a
glosa fiscal.
ÔNUS DA PROVA. AUTORIDADE FISCAL. DESCABIMENTO
Cabe a contribuinte a prova documental e constitutiva de seu direito, não
sendo cabível tal verificação pela Autoridade Fiscal.
DEMAIS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. PRECLUSÃO.
EXIGIBILIDADE.
As matérias que não foram impugnadas pelo recorrente restam incontroversas
e perfectibilizadas, passíveis de exigência pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2003,2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. PROVA OU JUSTIFICAÇÃO Todas as despesas dedutíveis estão sujeitas a prova ou justificação a juízo da autoridade administrativa, devendo referida comprovação obedecer ao que prevê a legislação tributária a fim de ser apurada a dedutibilidade do dispêndio. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. REQUISITOS. Não comprovado o direito à dedução com despesas com instrução, devida a glosa fiscal. ÔNUS DA PROVA. AUTORIDADE FISCAL. DESCABIMENTO Cabe a contribuinte a prova documental e constitutiva de seu direito, não sendo cabível tal verificação pela Autoridade Fiscal. DEMAIS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. PRECLUSÃO. EXIGIBILIDADE. As matérias que não foram impugnadas pelo recorrente restam incontroversas e perfectibilizadas, passíveis de exigência pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 1 1 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001961/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.281 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ ANTÔNIO MILAGRES Recorrida FAZENDA NACIONAL IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2003,2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. PROVA OU JUSTIFICAÇÃO Todas as despesas dedutíveis estão sujeitas a prova ou justificação a juízo da autoridade administrativa, devendo referida comprovação obedecer ao que prevê a legislação tributária a fim de ser apurada a dedutibilidade do dispêndio. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. REQUISITOS. Não comprovado o direito à dedução com despesas com instrução, devida a glosa fiscal. ÔNUS DA PROVA. AUTORIDADE FISCAL. DESCABIMENTO Cabe a contribuinte a prova documental e constitutiva de seu direito, não sendo cabível tal verificação pela Autoridade Fiscal. DEMAIS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. PRECLUSÃO. EXIGIBILIDADE. As matérias que não foram impugnadas pelo recorrente restam incontroversas e perfectibilizadas, passíveis de exigência pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Fl. 279DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 2 2 Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Wálter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Para JOSÉ ANTÔNIO MILAGRES, já qualificado nos autos, foi lavrado em 29/06/2007 o Auto de Infração, fls. 02 a 09, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no valor de R$42.533,78, sendo R$15.892,26 de IRPF, R$8.657,54 de juros de mora, calculado até maio/2007, e R$17.983,98 de multa proporcional, passível de redução. Decorreu o citado lançamento de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte, quando foram apuradas as deduções indevidas de despesas médicas e de despesas com instrução, conforme Descrição dos Fatos Enquadramento Legal, fls. 04/05 e Relatório Fiscal, fls. 10 a 20, a seguir parcialmente transcrito: 2.2.a) ANALISANDO 0 ANOCALENDÁRIO 2002 No item 1.1 do Termo, foram solicitados documentos do ANO CALENDÁRIO 2002; veremos a seguir. Pedimos o livrocaixa e respectivos documentos (item 1. 1.a). Analisamos os referidos e chegamos a conclusão, s.m.j., que estão em conformidade com o declarado. Enviou também documentação probante dos depósitos de pensão judicial declarados, em atendimento ao item 1.I.d No Termo, item 1.1.b, pedimos que informasse o motivo por que apresentou despesas de MARIANA MARTINS MILAGRES, uma vez que não constava ela como sua dependente. Ele apresentou certidão de nascimento, provando que ela é sua filha, fl. 132. Ocorre que também apresentou a sentença judicial (solicitada no item 1.1.d) que o obrigava ao pagamento de pensão para ela, fl. 166, que se encontrava sob a guarda do avô materno; enviou também os comprovantes dos valores pagos em 2002 e 2003 a titulo de pensão para o Sr. JOSÉ MOREIRA MARTINS (declarado no campo 7, fl. 174». A referida sentença o obrigava ao pagamento da pensão em dinheiro e também o custeio de um plano de saúde. Como a menor passou a ser dependente do avô, quaisquer outras despesas além daquelas previstas na sentença passaram a ser indedutiveis da base de cálculo do Imposto de Renda do Sr. JOSÉ; a exceção é o aludido plano de saúde. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 3 3 No item 1.1.c do Termo, solicitamos os originais de diversos recibos; a apresentação de documentação bancária que comprovasse os efetivos desembolsos; a discriminação dos beneficiários pelos desembolsos. Tais solicitações foram para comprovar cabalmente os desembolsos em valores relevantes declarados e verificar caso realmente tenham ocorrido se foram em proveito dele próprio, já que não declarou dependentes. Ele enviou os recibos e informou em sua resposta que os usuários estavam discriminados em tais documentos; quanto ao pagamento, informou "que todos os pagamentos foram efetuados em moeda corrente do Pais". Na vida hodierna, a utilização de cheques costuma ser uma regra; seja por questões de praticidade, seja por segurança. Pagar todos esses valores em dinheiro não é muito provável. Mas nós não solicitamos apenas cópias de cheques; solicitamos que fossem enviados documentos bancários (ai se incluem extratos bancários e cópias de depósitos, p. ex.) que comprovassem os valores (através de saques em datas coincidentes ou próximas, depósitos na contacorrente dos profissionais etc.); absolutamente nada foi enviado. No item 1.1.e, solicitamos que apresentasse documento do UNIMED onde constassem os valores pagos, detalhados por beneficiário. Ele nos enviou o documento onde constam o nome do próprio Sr. JOSÉ, de sua filha e de mais duas pessoas: AVY MILAGRES, seu pai; e SILVIA RODRIGUES, sua mãe. A despesa da filha é legitima para diminuir sua base de cálculo já que, como vimos, existe determinação judicial em sentença. Mas a despesa dos pais não; eles não são dependentes e despesas em seu nome não podem figurar como redutoras da base de cálculo do fiscalizado. 2.2.b) ANALISANDO 0 ANOCALENDÁRIO 2003 No item 1.2, do Termo, foram solicitados documentos do ANOCALENDÁRIO 2003; veremos adiante. No item 1.2.a solicitamos o livrocaixa e seus documentos. Da mesma forma que no ano anterior, vimos que esteio, s.mj., em conformidade com o declarado. Enviou também documentação probante dos depósitos de pensão judicial declarados, em atendimento ao item L2.d. No item 1.2.b, solicitamos o mesmo que no item 1.1.b, citado acima (despesas de MARIANA MARTINS MILAGRES). A resposta oferecida anteriormente serve para o quesito que agora tratamos. Ou seja, no anocalendário de 2003 as despesas da filha do Sr. JOSÉ não são dedutiveis, exceto plano de saúde, do mesmo modo como vimos no ano anterior. 0 item 1.2.e trata do plano de saúde UNIMED. Os pagamento serviram para o fiscalizado, sua filha, seu pai e sua mãe; estes Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 4 4 dois últimos, não são dependentes nem podem por qualquer outro meio ter sua despesa deduzida. 2.2) ANOCALENDÁRIO 2002 2.2.a) DESPESAS MÉDICAS LUCIANO DILLY DE MEDEIROS 0 contribuinte entregara cópias autenticadas em cartório de recibos do dentista no valor de R$ 24.000,00, o mesmo valor declarado em sua DIRPF/03, fl 174; posteriormente, foramlhe solicitados os originais, cf. item 1.1.c. do TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO, fl. 38; em sua resposta enviou os documentos, fls. 54 a 63. Selo 10 recibos no montante de R$ 15.000,00 em nome do Sr. JOSÉ e 9 recibos no montante de R$ 9.000,00 em nome de sua filha MARIANA. No entanto, segundo a declaração do dentista LUCIANO, ele somente recebeu o montante de R$ 21.000,00 para os dois, pelo que podemos ver que, do total de R$ 24.000,00 declarados e apresentados, uma parte estava eivada de falsidade ideológica (R$ 3.000,00). Como verificamos no item 1 do presente Relatório, a declaração do dentista não é prova absoluta, embora tenha grande peso, a nosso ver. Caberia ao contribuinte provar cabalmente que utilizou os serviços além do valor de R$ 21.000,00 declarados pelo profissional. Não efetuada a contraprova,entendemos que o serviço foi prestado no valor declarado pelo odontólogo, sendo a diferença indevidamente declarada pelo contribuinte em tela, lançada no presente Auto de Infração. lançamento efetuado para este valor sofreu multa majorada de 75% para 150% devido ao emprego defraude, em tese. 0 valor fará parte da Representação Criminal. E tem mais, é possível o aproveitamento apenas dos recibos em nome do Sr. JOSÉ, que, como vimos, sua filha não é sua dependente e a sentença judicial apresentada o obriga apenas ao pagamento de plano de saúde (além da pensão). Desse modo, glosamos mais R.$ 6.000,00; que é a diferença restante entre o valor informado pelo dentista (R$ 21.000,00) e o valor da soma dos recibos em nome do Sr. JOSÉ (R$ 15.000,00). Não existindo, a nosso ver, indicio de fraude neste caso, o valor será lançado com multa ordinária de 75%. MAURO BORGO Também no item 1.1c do TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO solicitamos os originais dos recibos do médico bem como informação dos pacientes que se beneficiaram do desembolso. Em sua resposta, informou que os serviços foram utilizados pelo declarante e sua dependente; ocorre que ele não tem dependente. Em sua resposta, o fiscalizado enviounos um recibo no montante declarado de R$ 500,00, fl. 64. Nele, o nome do paciente atendido está em branco. Assim, não temos Fl. 282DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 5 5 como identificar quem desse valor se beneficiou, pelo que glosamos o valor, lançando de oficio a multa de 75%. MARCOS WAGNER DE SOUSA PORTO 0 Sr. JOSÉ declarou ter pagado ao médico R$ 4.475,00; intimado, apresentou 5 recibos que somam esse valor, fls. 65 a 67. Como já dissemos no item XX acima, o Sr. JOSE esclareceu em sua resposta ex nossa intimação que pagou TUDO em dinheiro e que utilizou médicos de fora do plano de saúde por OPÇAO. Os recibos são de 2 tipos diferentes: os de MAIO,MARÇO e ABRIL são de um modelo; os de AGOSTO e NOVEMBRO de outro. Os do primeiro tipo, foram preenchidos com duas letras. A assinatura do segundo tipo de recibo não é a mesma do primeiro. Temos uma outra versão para o caso; a nosso ver, mais lógica. O médico MARCOS completou, naquele ano, 29 anos de idade, sendo ,provavelmente, um médico residente; sua DIRPF (DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA) daquele período não consta qualquer recebimento de pessoa fisica. Vivia em Belo Horizonte, logo após, mudouse para Caruaru, no Estado de Pernambuco;provavelmente esteve aqui em Minas Gerais apenas para estudar.Ainda no campo das probabilidades, concedeu a um médico mais velho, mais experiente (e mais influente em seu meio) recibos "de favor", para que este pudesse diminuir seu Imposto de Renda a pagar. Cremos que nossa versão aqui gravada é muito mais verossímil do que a do Sr. JOSÉ, que afirma ter pagado uma grande quantia a um médico residente, quando possuía plano de saúde. Entendemos que os recibos foram emitidos fraudulentamente, tendo inclusive sido parcialmente preenchidos por terceiros, com finalidade espúria de diminuir a base de cálculo do Sr. JOSÉ. Assim, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese defraude. 0 presente valor fará parte da Representação Criminal. CARLOS ANDRÉ ROCHA CAMPOS Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$ 440,00 ao jovem médico, que, naquele ano, completou 28 anos de idade. 0 recibo foi lavrado em papel da própria FHEMIG, fl. 68, onde o Sr. JOSÉ também trabalhava; não se deram sequer ao trabalho de comprar recibos na papelaria. 0 Sr. CARLOS ANDRÉ, em sua DIRPF/03 não informa ter recebido qualquer valor de pessoa fisica. A nosso ver tratase, como no caso anterior, de um jovem profissiona fazendo "um favor" a um colega mais velho; arriscase, entregando ao outro recibos que não Fl. 283DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 6 6 espelham um real atendimento médico, muito menos um valor desembolsado, com a única finalidade daquele fraudar o Fisco. Dentro desse entendimento, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese defraude. 0 valor fará parte da Representação Criminal. ERIC GROSSI MORATO Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$185,00 ao jovem médico, que naquele ano completou 28 anos de idade. Tratase de um bisinidem do caso anterior, com recibo em papel da FHENHG, pelo que efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese defraude. 0 valor fará parte da Representação Criminal. GUILHERME DE MAGALHÃES VIEIRA MACHADO Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$ 2.200,00 ao jovem médico, que naquele ano completou 27 anos de idade. Tratase de mais uma repetição do caso anterior, com recibo em papel da FHEMIG. Muda apenas o fato de que são 4 recibos, sendo que em 2 deles sequer o emitente colocou seu carimbo. Diante desses fatos, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese de fraude. 0 valor fará parte da Representação Criminal. JOÃO EDUARDO LEITE Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$ 1.740,00 ao médico. Tratase de mais um colega dando recibo em papel da FHEMIG. Como nos demais casos, é genérico: "serviços médicos prestados" e não indica o nome do paciente. Diante desses fatos, efetuamos glosa da despesa lançando de oficio o tributo com multa agravada de 150% pela utilização em tese de fraude. 0 valor fará parte da Representação Criminal. GUSTAVO AGRA CARIRI Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$ 225,00 ao jovem médico, que naquele ano completou 27 anos de idade. Tratase de mais uma repetição dos casos anteriormente vistos; mudou apenas o papel: o RECEITUÁRIO CONTROLE ESPECIAL da PREFEITURA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE, fl. 74. Pelo estudo da DIRPF/03 do emitente, não recebeu valores de pessoas fisicas. Diante desses fatos, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravála para 150% pela utilização – em tese defraude. 0 valor fará parte da Representação Criminal UNIMED BARBACENA Declarou R$ 4.768,56; intimado, comprovou o valor, fls.78 a 80. Ocorre que no comprovante existem seus pais, que não eram seus dependentes, pelo que a despesa deles não pode reduzir a base de cálculo do IRPF do fiscalizado. Cabe informar que outros dois constavam dos pagamentos: ele e sua filha MARIANA; esta última,não era Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 7 7 também sua dependente, mas existe determinação em sentença judicial para que o contribuinte pague seu plano de saúde. Diante do exposto, glosamos o valor da diferença (R$ 2.783,04) lançando o imposto e a multa de 75%. 2.2.h) DESPESA COM INSTRUCÃ0 SOCIEDADE EDUCADORA LTDA. — Informou em sua DIRPF ter pagado o valor de R$1.998,00 líquidos (diferença entre 2.494,80 pagos, menos 496,80 de parcela não dedutivel). Apresentou à MALHA FISCAL 12 cópias de recibos que comprovam o pagamento, fls. 121 a 130. Ocorre, que eles foram efetuados em nome de sua filha MARIANA, que, como já foi exaustivamente explicado, não é sua dependente e não pode ter suas despesas deduzidas da base de cálculo do IR do Sr. JOSE (conforme decisão judicial). Dessa forma, efetuamos a glosa do valor, lançando de oficio o imposto e a multa de 75%. 2.3) ANOCALENDÁRIO 2003 2.3.a) DESPESAS MÉDICAS LUCIANO DILLY DE MEDEIROS Enviou recibos (originais), fls 100 a 104, emitidos pelo dentista, que perfazem os R$ 12.500,00 declarados em sua DIRPF/04, fls 180; 8 recibos perfazendo R$ 11.500,00 estão em seu nome e 1 recibo de R$ 1.000,00 está em nome de sua filha MARIANA; a menor não é sua dependente e, como já visto, essa despesa não tem previsão judicial de ser paga pelo pai. No item I.2.c do TERMO DE INICIO DE FISCALIZACAO, Fl. 39, foram pedidos documentos bancários probantes dos desembolsos, bem como a especificação do usuário dos serviços; nenhuma dessas duas intimações foi cumprida. Por outro lado, o dentista nos forneceu lista com seus clientes atendidos em 2003, fl. 209, onde o nome do Sr. JOSÉ consta como tendo pagado apenas R$ 11.500,00, portanto, uma diferença de R$ 1.000,00. Mais uma vez, afirmamos que a declaração do dentista não é prova absoluta, embora de grande peso, a nosso ver. Caberia ao contribuinte comprovar que realmente foi atendido naquele ano e que efetuou os pagamentos. Dessa forma, entendemos que não ocorreram os pagamentos no valor total declarado, estando os recibos parcialmente eivados de falsidade ideológica com o propósito de reduzir o tributo devido pelo Sr. JOSÉ. Diante de tais fatos, e de tudo o que foi apresentado, efetuamos a glosa do valor declarado e lançamos de oficio no presente Auto de Infração o imposto devido com multa majorada de 75% para 150%, já que houve emprego de fraude, em tese. 0 presente valor fará pane da Representação WILSON FAGLIONI JUNIOR — Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$ 600,00 ao jovem médico, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 8 8 que naquele ano completou 27 anos de idade. A tática não mudou; o recibo foi lavrado em fotocópia de um documento da SANTA CASA DE BELO HORIZONTE, fl. 195, onde o Sr. JOSÉ também trabalhava; como sempre, o recibo é genérico: "referentes a honorários médicos". De novo, não se deram sequer ao trabalho de comprar recibos na papelaria. 0 Sr. WILSON, em sua DIRPF/03 não informa ter recebido qualquer valor de pessoa fisica. Diante de tais fatos, e de tudo o que foi apresentado, efetuamos a glosa do valor declarado e lançamos de oficio no presente Auto de Infração o imposto devido com multa majorada de 75% para 150%, já que houve emprego defraude, em tese. 0 presente valor fará parte da Representação Criminal. GUILHERME DE MAGALHÃES VIEIRA MACHADO Declarou o fiscalizado ter pagado o valor de R$ 4.840,00 ao jovem médico, que, naquele ano, completou 28 anos de idade. 0 Sr. GUILHERME é reincidente, nosso conhecido do ano passado, como se pode ver no item 2.2a, acima. Tratase de mais uma repetição do caso anterior, com recibo em papel de RECEITUÁRIO da FHEMIG, fl. 106. Emitiu um único recibo, onde sequer o emitente colocou seu carimbo. Analisando sua DIRPF/03, vemos que não recolheu qualquer valor de carnê leão nem atendeu pessoa flsica naquele ano. Diante desses fatos, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese defraude. 0 valor fará pane da Representação Criminal. ANDERSON BELO REIS DE ARAÚJO — Declarou o contribuinte ter pagado ao jovem médico, que naquele ano completou 30 anos de vida, a quantia de R$ 5.000,00; enviou 5 recibos, fls. 107 a 109: 3 em seu nome; dois (R$ 1.995,00) em nome de sua filha MARIANA (como visto, despesa indedutivel). Fica a pergunta de sempre: como um médico experiente paga a outro mais novo uma quantia relevante, sendo que dispõe de plano de saúde? Por opção, disse o contribuinte. Data vênia somos partidários da versão muito mais lógica de que também aqui houve cessão espúria de recibos. Diante desses fatos, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese defraude. 0 valor fará pane da Representação Criminal. EUDES DE OLIVEIRA VELOSO — Declarou o fiscalizado ter pagado R$ 7.000,00 ao jovem dentista, que completou 30 anos em 2003; enviou 3 recibos, fls. 110 e 111. Não ficou esclarecido quem utilizou os serviços do profissional, que, segundo se lê no recibo, era ortodontista. Da mesma forma, também não comprovou de forma cabal os pagamentos efetuados. Dessa forma, e na melhor das hipóteses, não comprovou a este Fisco o efetivo pagamento e o beneficiário, pelo que glosamos o valor, lançando de oficio o imposto e a multa de 75%. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 9 9 CASSIUS V 1NiCIUS CORRÊA DOS REIS — Declarou o contribuinte ter pagado ao jovem médico, que naquele ano completou 27 anos de idade, a quantia de RS 5.700,00; enviou 6 recibos, fls. 117 a 119; os dois primeiros, de JULHO e AGOSTO de 2003 foram feitos em computador, com assinatura, mas sem carimbo do médico; os outros 4, estão no manjado talão de receituário da FHEMIG, tantas vezes utilizado pelo Sr. JOSÉ para conseguir recibos de seus pupilos. Diante desses graves fatos, efetuamos a glosa do valor e lançamos de oficio o imposto e a multa, agravada para 150% pela utilização em tese – de fraude. 0 valor fará parte da Representação Criminal. EVERALDO FERREIRA TONUSSI — 0 Sr. JOSÉ declarou terlhe pagado R$ 5.000,00; apresentou 12 recibos nesse montante, fls. 112 a 116. Nos recibos, vemos o carimbo de PRÓTESE DENTARIA e nos recibos consta "tratamento odontológico". Não ficou esclarecido quem utilizou os serviços do profissional; da mesma forma, também não comprovou de forma cabal os pagamentos efetuados. Dessa forma – e na melhor das hipóteses não comprovou a este Fisco o efetivo pagamento e o beneficiário, pelo que glosamos o valor, lançando de oficio o imposto e a multa de 75%. UNIMED BARBA CENA — Declarou R$ 4.678,97; intimado, comprovou o valor, fls. 95 a 98. Ocorre que no comprovante – nos mesmos moldes do que ocorreu no ano anterior existem seus pais, que não eram seus dependentes, pelo que a despesa deles não pode reduzir a base de cálculo do IRPF do fiscalizado. Diante do exposto, glosamos o valor da diferença (R$ 2.855,98) lançando o imposto e a multa de 75% 2.3.h) DESPESA COM INSTRUÇÃO SOCIEDADE EDUCADORA LTDA. — Informou em sua DIRPF ter pagado o valor de R$ 1.998,00 líquidos (diferença entre R$ 2.744,40 pagos, menos R$ 746,40 de parcela não dedutivel). Apresentou à MALHA FISCAL 12 cópias de recibos que comprovam o pagamento, fls. 121 a 130. Repete se a situação do ano anterior; os pagamentos foram efetuados em nome de sua filha MARIANA, que não é sua dependente e não pode ter suas despesas deduzidas da base de cálculo do IR do Sr. JOSE. Dessa forma, efetuamos a glosa do valor, lançando de oficio o imposto e a multa de 75%. . SOCIEDADE DE NEUROCIRURGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO Declarou um pagamento de RS 100,00. Ocorre que tal despesa não tem previsão legal para reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda devido. Dessa forma, glosamos o valor e cobramos de oficio o imposto e a multa de 75%. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 10 10 CENC HSPE CENTRO EST NEUROCIRURGL4 HOSP SERV PÚBL SÃO PAULO Declarou um pagamento de R$ 150,00. Ocorre que tal despesa não tem previsão legal para reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda devido. Dessa forma, glosamos o valor e cobramos de oficio o imposto e a multa de 75%. 0 contribuinte, por seu procurador (instrumento fls. 214) apresenta a impugnação, fls. 215 a 219, na qual afirma, entre outros aspectos que: "DOS FATOS 0 presente Auto de Infração, embora seja de autoria do honrado Auditor Fiscal Dr. Hélio Alves Ribeiro, merece reforma pelos fundamentos fciticos seguintes. (...) alega a autoridade notificante que: Sic. Paralelamente como resultado do trabalho... o valor declarado pelo impugnante diverge do valor informado pelo dentista Luciano Dilly em R$6. 000,00 (seis mil reais), isto porque o valor acima foi em nome de Mariana Martins Milagres, filha do impugnante, reconhecida pela autoridade notificante. Cuja alegação para a glosa foi a de que a pensão alimentícia paga pelo impugnante é para o avô materno de menor que detém a sua guarda. Máxima venha é de clareza solar, cujo entendimento é abundante em todos os Tribunais, que os benefícios pagos 'a titulo de Pensão Alimentícia são para os filhos; os Tutores e responsáveis, apenas administram os valores recebidos a este titulo Sendo, portanto, dedutivel na Declaração do IR" A seguir transcreve ementa de Acórdão Judicial em apelação da Fazenda Nacional. "Maxima vênia, deve prevalecer o total declarado no § 2.2 Ano Calendário 2002, no inciso 2.2., relacionado com despesas de sua filha "Mariana", nos termos do entendimento jurisprudencial acima. Foram glosados os recibos de custeio, isto é, de pagamentos aos seus colegas médicos, na prestação de serviços de "plantão" em substituição, dos seguintes: Marcos Wagner de Souza Porto Carlos André Rocha Campos Eric Grossi Morato Guilherme d Magalhães Vieira Machado – João Eduardo Leite Gustavo Agra Cariri 0 pagamento glosado em nome de Anderson Belo Reis de Araújo dentista de sua filha Mariana . 0 reconhecimento de tributos devidos, relativos a este Auto de Infração, sera() recolhidos cuja DARF se junta. Sendo a declaração de Imposto de Rendas passível de ratificação na forma do RIR, máxima vênia, para a Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 11 11 Impugnação o critério é o mesmo;é também, entendimento jurisprudencial do Egrégio Tribunal Regional". A seguir transcreve mais ementas de Acórdãos Judiciais Após análise dos autos, houve por bem, baixar o presente processo em diligência junto A ARF/Barbacena/MG, nos seguintes termos: "Para o EF2004/AC2003 foi exigido do contribuinte acima identificado o valor do IRPF de R$4. 703,60, sobre o qual incidiu a multa de 75%. Na peça impugnatória o autuado informa ter recolhido a importância de R$3. 375,84 e demais acréscimos legais, referente à parcela do citado valor com a qual concorda e faz anexar aos autos, fls. 220, cópia do respectivo DARF. A fls. 224, a ARF/Barbacena/MG informa ter transferido para o processo 13637.000440/200715 o IRPF de R$3.376,14, referente à parcela do lançamento a que anteriormente se referiu. Entretanto, a soma dos 02 (dois) valores, recolhido e transferido, ultrapassa a importância de R$4. 703,60. Proponho, dessa forma, o encaminhamento do presente processo à ARF/Barbacena/MG, a fim de que possa ser verificado o ocorrido e sejam tomadas as providências cabíveis. Aquela Agência deverá, ainda, intimar o contribuinte acima identificado a informar, no prazo de 20 (vinte) dias, a que despesas glosadas se refere o IRPF recolhido, tendo em vista ser impossível a devida identificação pelo texto da Impugnação em confronto com o Auto de Infração e o Relatório Fiscal." 0 contribuinte comparece aos autos, fls. 230, e afirma que as despesas glosadas e não impugnadas referemse aos pagamentos informados como pagos a: Eudes de Oliveira Veloso R$7.000,00 Everaldo Ferreira Tonussi R$5.000,00 Soc. Neurocirurgia do Estado de São Paulo R$100,00 CENC HSPE R$150,00. A ARF Barbacena informa, fls. 235 que conforme extrato e telas do sistema SIEF (fls 232a 234) o valor transferido pata o processo 13637.000440/200715 referese A parte não impugnada e que o pagamento de fls. 220 referes a estes valores e foi alocado ao processo de representação fiscal que Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 12 12 recepcionou a parte não impugnada e que o mesmo se encontra extinto e arquivado.” É o relatório.” Passo adiante, em 07 de agosto de 2008, através do Acórdão 0920.089 a 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (JFA) entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa das deduções de despesas médicas que o contribuinte não logrou comprovar de forma inconteste têlas suportado, bem como aquelas que ficaram caracterizadas como indedutíveis na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantémse a glosa das deduções de despesas com instrução, quando caracterizado nos autos não serem dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Lançamento Procedente Cientificado em 08/09/2008 (fl. 257), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 30/09/2008 (fls.260/265), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, argüindo em síntese de forma genérica, que as despesas médicas deveriam ser consideradas haja vista se tratarem de despesas referentes “ao pagamento de Plantão Médico em que os referidos profissionais substituíram o autuado ora recorrente (sic)” e quanto as deduções com instrução, devem ser acatadas suas razões por se tratar na realidade de filha e dependente do ora recorrente. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Em seu recurso o recorrente argumenta genericamente que efetivou todas as comprovações das despesas médicas exigidas pela fiscalização. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 13 13 Durante o curso do processo administrativo, depreendese que o contribuinte foi intimado pela Autoridade Fiscal para apresentar os devidos comprovantes dos efetivos desembolsos das despesas médicas relacionadas, devidamente acompanhadas de seus respectivos recibos ou notas fiscais. No caso presente temos que os documentos não preencheram os requisitos legais, sendo genéricos, e por esta razão não foram suficientes para comprovar referidas despesas junto a autoridade fiscal que detalhou quais seriam os elementos faltantes em diversos recibos apresentados (beneficiário dos tratamentos, prova do efetivo desembolso, endereço do prestador dos serviços), intimando o contribuinte a apresentálos, mister do qual o contribuinte não se desvencilhou. Por outro lado, os recibos apresentados pelos prestadores de serviços se referem genericamente aos serviços profissionais prestados sem especificar com detalhamento mínimo necessário, quais teriam sido os procedimentos médicos realizados. Existe ainda questionamento fiscal quanto as informações prestadas com base nos documentos carreados aos autos, que sequer informam quem seriam os beneficiários dos tratamentos, como condiciona a legislação de referência. Por outro viés, em alguns lançamentos, houve aplicação de multa qualificada de 150% contra o ora recorrente, com base no evidente intuito de fraude argüido pela autoridade lançadora, o que sequer foi combatido pelo recorrente em seu recurso, precluindo o direito do ora recorrente de fazêlo. Ora, não preencher os requisitos legais delineados no artigo 80 do RIR/99, automaticamente autoriza a glosa das referidas despesas médicas, eis que não foram devidamente comprovadas sua execução de fato, tornando passíveis de glosa pela fiscalização referidas deduções. Nesta esteira, correto o lançamento fiscal devendo ser mantida a glosa referente as despesas médicas nos precisos lindes do demonstrativos de fls.. DEDUÇÃO DAS DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE Não hão de ser consideradas as pretendidas deduções com instrução da filha do ora recorrente, haja vista que esta, apesar de ser sua filha, não é sua dependente para fins tributários. DEMAIS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS AUTO DE INFRAÇÃO Tendo em vista não haverem sido impugnadas as demais matérias constantes do Auto de Infração, restam incontroversas e perfectibilizadas, passíveis de exigência pelo Fisco. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10640.001961/200734 Acórdão n.º 2801002.281 S2TE01 Fl. 14 14 Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 9/04/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001623/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA
Período de apuração: 2004
Ementa: NOTAS FISCAIS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADAS.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL.
IRPJ E REFLEXOS.
A falta de escrituração de notas fiscais de aquisição de mercadorias autoriza,
por presunção, a conclusão de que os respectivos valores foram pagos com
recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação, mormente
quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal.
INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO.
Cabível, por intermédio de lançamento de oficio, a exigência das diferenças
apuradas referentes a recolhimentos ou pagamentos a menor em face de
utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS.
Aplicase
às exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à
exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1803-001.071
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO o recurso voluntário, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA Período de apuração: 2004 Ementa: NOTAS FISCAIS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL. IRPJ E REFLEXOS. A falta de escrituração de notas fiscais de aquisição de mercadorias autoriza, por presunção, a conclusão de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação, mormente quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. Cabível, por intermédio de lançamento de oficio, a exigência das diferenças apuradas referentes a recolhimentos ou pagamentos a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas.
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OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL. IRPJ E REFLEXOS. A falta de escrituração de notas fiscais de aquisição de mercadorias autoriza, por presunção, a conclusão de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da tributação, mormente quando o sujeito passivo não infirma a pretensão fiscal. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. Cabível, por intermédio de lançamento de oficio, a exigência das diferenças apuradas referentes a recolhimentos ou pagamentos a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 2 Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.002007 031784 e prorrogações (fls.03), a Fiscalização apurou o crédito tributário de R$ 583.961,50, correspondentes aos Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, já incluídos os juros de mora e a multa de ofício, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fls.04). 2 Os fatos que levaram aos lançamentos foram os seguintes, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 285 a 292): Omissão de receitas compras não registradas. 3 A auditora fiscal selecionou oito dos maiores fornecedores da empresa fiscalizada e os intimou para que enviassem a relação das vendas, valores pagos e as respectivas datas de pagamento. As empresas fornecedoras intimadas foram as seguintes: 3.1 Beira Rio Indústria e Comercio de Bebidas Ltda, CNPJ 45.484.524/000133, cujos documentos apresentados se encontram às fls. 65 a 75;. 3.2 Companhia Lorenz , CNPJ 82.639.543/000118, relativa aos documentos de fls. 76 a 90; 3.3 Coopersucar Cooperativa de Produtos de CanadeAçucar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, CNP 61.149.589/000189, cujos documentos apresentados estão às fls. 091 a 109; 3.4 Líder Alimentos do Brasil Ltda, CNPJ 80.823.396/000106, que apresentou os documentos de fls. 144 a 168; 3.5 GDC Alimentos S/A, CNPJ 02.279.324/000136, com a documentação de fls. 110 a 143; 3.6 Nutrimental S/A Indústria e Comércio de Alimentos, CNPJ 76.633.890/000130, que enviou a documentação de fls. 169 a 192; 3.7 Sara Lee Cafés do Brasil Ltda, CNPJ 02.333.707/000145, cuja documentação apresentadas se encontra às fls. 193 a 231 e Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 488 3 3.8 Vinhos Randon Ltda, CNPJ 86.552.676/000103, com documentos às fls. 232 a 244. 4 Com base nas informações prestadas pelas empresa acima listadas, a auditora fiscal verificou a existência de compras não contabilizadas no livro Registro de Entradas e intimou, em 29/04/2008, à fiscalizada a comprovar a origem dos recursos utilizados nas aquisições de mercadorias, das empresas fornecedoras e que não haviam sido localizadas no citado livro de Registro de Entradas (fls. 255 a 282). 5 Em 08/05/2008, a contribuinte respondeu alegando "...que a origem dos recurso utilizados pra pagamento dessa notas fiscais não localizadas, no livro de Registros de Entradas, em 2004, foi com o numerário destas próprias aquisições”.(cic) 6 A auditora fiscal considerou a justificativa insuficiente e não embasada em qualquer comprovação, constituindo simples alegações sem provas e elaborou a planilha de fls. 284 que demonstra , mês a mês, os valores das compras, cuja origem dos pagamentos não foi comprovada pela empresa. 7 Desse modo, foi aplicada a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/1996, para o cálculo do IRPJ, CSLL , PIS e COFINS e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ, tomando como fato gerador dos tributos a data do pagamento das respectivas notas fiscais. 8 Desse modo, em 29/05/2008, foi lavrado o competente Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, a seguir discriminados: 8.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 296 a 299): Total do crédito tributário, R$ 152.082,42, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal: Arts. 15 e 24 da Lei n° 9.249/1995, c/c art. 25, inciso I e art. 40 da Lei n° 9.430/1996, e art. 258 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 aprovado pelo Decreto 3000/1999. 8.2 Programa de Integração Social PIS (fls. 304 a 307): Total do crédito tributário, R$ 59.421,56, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar n° 07/70, art.24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995, arts. 2º, inciso I; alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524/2002. 8.3 Contribuição para a Seguridade Social COFINS (fls. 312 a 315): Total do crédito tributário, R$ 4274.253,99, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: arts. 2º , inciso II; e parágrafo único, 3o , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002. 8.4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 319 a 322): Total do crédito tributário, R$ 98.203,53, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/1988; art. 24 da Lei n° 9.249/1995, art. 29 da Lei n° 9.430/1996, e art. 37 da Lei n° 10.637/2002. 9 Inconformada com o lançamento do qual foi notificada em 29/05/2008, conforme ciência no Auto de Infração e reflexos, a contribuinte protocolizou em 27/06/2008 impugnação (fls. 325 a 343), apresentando suas razoes, a seguir, em apertada síntese: 9.1 Faz primeiramente, relato dos fatos. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 4 9.2 Alega que o auto de infração encontrase eivado de irregularidades que levariam à sua nulidade. 9.3 Alega que não pode prosperar o intento da impugnada em perceber quantia sob a alegação de omissão de receitas, baseada em simples presunção e sem provas verossímeis, reclamando que "...não devendo prosperar que fora aberto à impugnante prazo para que tais atos fossem demonstrados, pois alegar que a presunção é pertinente somente à impugnada é afrontar sobremaneira o Direito. " (sic). 9.4 Alega que "... a impugnante não deve responder aos termos da presente, voz que deu azo a qualquer irregularidade, sendo esta, pessoa jurídica impossível instrumentalizar "omissão de receita" que enseje responder aos termos do presente" (sic) 9.5 Alega que uma vez que o auto de infração foi lavrado sem observação das regras legais, "a impugnante não pode responder por qualquer ônus , que tente a impugnada imputalhes sobre simples presunção" (sic) Preliminarmente 9.6 Alega ilegitimidade da parte, pois argumenta que ".. a impugnante é pessoa jurídica e por assim ser, é impossível que esta instrumentalize uma possível infringência à legislação tributaria e omitir receita, assim como ela não e responsável ao pagamento de possível valor cobrado pela impugnada, pois não e a impugnante que pratica o ato de declarar o imposto, bem como recolher qualquer tributo, não podendo recair tal ônus sobre sua figura." (sic). 9.7 Alega que a impugnante não pratica qualquer ato a ensejar sua legitimidade para figurar no polo passivo da presente demanda, argumentando que todos os atos que "pratica" são de inteira responsabilidade de seu responsável. 9.8 Alega que quem deveria figurar no polo passivo da demanda seria a pessoa física do sócio da impugnante, o senhor Silvio Roberto Pires Chagas. 9.9 Discorre longamente sobre o sujeito passivo da obrigação tributária citando normas legais, acórdãos do Conselho de Contribuintes e os autores tributaristas Hugo de Brito Machado e Marco Aurélio Grecco, para concluir que sobre o acerto, em sua opinião de incluir a figura do sócio no polo passivo da lide. 9.10 Alega nulidade do procedimento fiscal por inépcia do Auto de Infração, informando que a citada inépcia seria nítida em dois momentos que podem ser individualizados, "...vez que saltam aos olhos sua inconsistência na foram em que fora constituído, bem como a forma de como chegou a digna Auditora da Receita Federal em imputar o alegado encardo tributário à pessoa jurídica da impugnante. " (sic); 9.11 Alega que "... para o leigo que observa o presente Auto de Infração, este não se atentaria que não fora constituído de maneira indene de apontamentos que o enfraquecem, devendo de plano ser desconsiderado. " (sic). 9.12 Alega que da simples leitura dos autos "...extraise que não traduz o entendimento certo, detalhado e explicito da impugnada a demonstrar de onde provem seu intento, constando somente cálculos, impossíveis de levar a uma conclusão lógica..., enfim o mencionado Auto de Infração não demonstra sua origem, bem como qual os fatores utilizados para o seu desfecho "(sic). 9.13 Alega que não sabe como a "...impugnada poderia cobrar os valores constantes no mencionado Auto de Infração , vez que este se demonstra inepto, vez Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 489 5 que não originou de procedimento efetivado de maneira indene de dúvidas e contradições", (sic). 9.14 Alega que o Termo de Verificação Fiscal foi entregue somente quando o Auto de Infração fora lavrado e esse termo alegaria uma serie de conjecturas sem nenhuma face sua pessoa, não cabendo qualquer alegação que ateste ou suponha que tenha propósito a intimação recebido por este com referencia exclusiva ao Auto de infração como sócio da impugnante, "(sic). 9.27 Alega que desta feita "..demonstrase o prosseguimento do presente Auto de Infração imputado à impugnante instituído ao fracasso, vez que não preenche as condições de procedibilidade, sendo plenamente nulo."(sic). 9.28 Alega que se não for nulo pelos motivos acima, "... o Auto de Infração tornase nulo devido ao fato desta versar sobre sua totalidade. " (sic). 9.29 Alega que o auto de infração contradiz o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, "... o qual o rol e taxativo, o Autuante está obrigatoriamente vinculado ao local da verificação da falta... " (sic), citando o artigo. 9.30 Alega que da simples leitura do auto, se observa que o local da lavratura não se deu na sede da empresa e sim no endereço da Secretaria da Receita Federal à Avenida Pacaembu, 715,4° andar. 9.31 Alega que comprovada a "...ocorrência de alguma afronta à legislação tributária vigente, existe a obrigatoriedade de sua lavratura em loca do estabelecimento fiscalizado, sob pena de ser considerado ineficaz e inválido, quando lavrado na própria repartição fiscal, como ocorreu no presente caso. " (sic)., citando ainda parecer de professor Bernardo Ribeiro de Moraes. 9.32 Desse modo, alega a declaração de nulidade "In ratione loci", face a desobediência da norma legal, quando da constituição do auto de infração, requerendo a nulidade do auto por desobediência do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Mérito 9.33 Alega que o auditor fiscal não obedeceu ao principio da legalidade, afirmando que a "...a impugnada ultrapassou seu limite profissional, como agente fiscal, entrando em outra órbita, que não àquela para que fora contratado, efetuando levantamentos contábeis—fiscais, verificando e examinando livros mercantis, fiscais, adentrando e avaliando os lançamentos efetuados nestes livros fiscais e respectivos documentos que originaram esse registros e assentos. " (sic). 9.34 Alega que a impugnante pautase pelo art. 37 da Constituição Federal, que exige "...como pressuposto de eficácia e validade de todo e qualquer ato administrativo a moralidade, a impessoalidade e a LEGALIDADE, isto é, a prática do ato sempre de acordo com a previsão legal, legalidade esta que e inarredável no direito tributário em face da estrita vinculação de todos os atos à lei,... " (sic). 9.35 Alega que "... como devidamente explicitado acima, a impugnante em momento algum fora cientificada do teor ao qual se referia o mencionado Termo de Intimação , penso ser suficiente as informações prestadas, inclusive fornecendo seus livros Caixa sem nenhuma resistência. Observase daí, que a impugnada além de se ter equivocado quanto a legitimidade de quem deveria figurar no polo passivo da demanda, cometeu ledo engano ao fazer Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 6 com que a impugnante caísse em erro, para aproveitarse agora da presente para informar que esta não lhe apresentou fatos convincentes para foram sua convicção. 9.36 Discorre sobre a presunção legal, citando autores' tributaristas para alegar que "...a cobrança efetivada está supondo a distribuição automática de lucro da empresa, efetuando assim uma tributação reflexa, pois a impugnada não fez nenhuma referência quanto à efetividade da obtenção dos ganhos pela impugnante", (sic), alegando ainda que o auto de infração violaria o art. 43 do Código Tributário Nacional, pois não teria sido demonstrada pela impugnada, a disponibilidade econômica ou jurídica da impugnante. 9.37 Alega que "Em nenhum momento conseguiu a impugnada determinar fraude cometida pela impugnante, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela a omissão de receita, foi consubstanciada em importações prestadas por parte desconhecida na demanda, ou seja, são provas absolutamente frágeis. " (sic). 9.38 Alega que as planilhas apresentadas pela auditora fiscal "... foram produzidas por pessoas estranhas ao presente, sem qualquer comprovação de que o que estava atestando, efetivamente ocorreu, demonstrando de forma "incontesti" no transcorrer desse procedimento que somente a impugnante apresentou documentos que possuem valor comprobatório ou seja, Livros e documentos fiscais" (sic). 9.39 Alega que " ...aceitar planilhas em detrimento da escrituração fiscal contábil sólida propiciada pela impugnante para a lavratura do Auto de Infração pleiteando valor expressivo é condenar a morte o preceito constitucional da ampla defesa e do contraditório extrapolando inclusive os princípios que norteiam a Administração Pública na legitimidade de seus atos. " (sic). 9.40 Prossegue alegando que planilhas feitas unilateralmente são frágeis e não servem para comprovar omissão de receita, argumentando que o auto de infração não posse subsistir baseado nessas premissa. 9.41 Alega que mesmo estando os dispositivos legais invocados em vigor, "... a impugnante foi intimada (sic) corretamente dos termos do presente processo, não informando a impugnada os objetivos de sua intimação, fazendo com que a impugnante lhe respondesse sem a formalidade que exigia, fazendo somente agora transparecer a grandiosidade do fato, fato que por si só cai por terra no constante no dispositivo legal enfocado, vez que a impugnada a fez incidir em erro. " (sic). 9.42 Discorre sobre a revisão do processo para reclamar a nulidade do processo. 9.43 Por fim, requer a nulidade da intimação efetivada somente em nome da impugnante, uma vez que alega não ser parte legitima para figurar no polo passivo da demanda, e informando que quem deveria figurar no polo passivo seria o sócio da empresa, Sr. Silvio Roberto Pires Chagas. (...)”. A 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP, em sessão de 28/04/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1625.115 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 490 7 COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO FORNECEDOR. Presumese a ocorrência de omissão de receitas, quando não comprovada a contabilização da totalidade das COMPRAS efetuadas, baseada nas informações relativas às mesmas, em declarações prestadas à repartição fiscal, pelos fornecedores da fiscalizada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 LOCAL DA LAVRATURA O auto de infração pode ser lavrado no interior da própria REPARTIÇÃO FISCAL, quando estiverem disponíveis ao Auditor Fiscal as informações necessárias. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO OCORRÊNCIA. A empresa, com personalidade jurídica responde pelos tributos devidos em seu nome. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A decisão da 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP teve os seguintes argumentos: “(...) De fato, até mesmo ao citar os autores Hugo de Brito Machado e Marco Aurélio Grecco, os doutos representantes da empresa, demonstraram de forma cabal, não compreender sequer o texto que citam, 'pois neles consta a referencia explicita à pessoa jurídica, como sujeito passivo da obrigação tributária. 15 Para melhor clareza e aprendizado, reproduzse aqui novamente os referidos trechos, que foram alias, citados pelos doutos representantes da empresa, sem a referencia à obra de cada autor: (...) 16 Esses insignes autores, obviamente sabem perfeitamente o que seja uma pessoa jurídica sujeito passivo da obrigação tributária. 17 Como os doutos representantes da empresa não parecem conhecer o que seja uma pessoa jurídica, apresentase aqui sucinta explicação para o seu enriquecimento jurídico. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 8 18 Pessoa jurídica, segundo o dicionário Michaelis, é "a entidade abstrata com existência e responsabilidade jurídicas como, por exemplo, uma associação, empresa, companhia, legalmente autorizadas." 19 A pessoa jurídica é um sujeito de direito personalizado, assim como as pessoas físicas, em contraposição aos sujeitos de direito despersonalizados, como o nascituro, a massa falida, o condomínio horizontal, etc. Desse modo, a pessoa jurídica tem a autorização genérica para a prática de atos jurídicos bem como de qualquer ato, exceto o expressamente proibido. Feitas tais considerações, cabe conceituar pessoa jurídica comer o sujeito de direito inanimado personalizado. 20 São requisitos para a existência da pessoa jurídica a organização de pessoas ou bens, a licitude de propósitos e capacidade reconhecida por norma 21 Já a personalidade legal de uma pessoa jurídica, incluindo seus direitos, deveres, obrigações e ações, é separada de qualquer uma das outras pessoas físicas ou jurídicas que a compõem. Assim, a responsabilidade legal de uma pessoa jurídica não é necessariamente a responsabilidade legal de qualquer um de seus componentes. (...) 40 O que se tem de concreto no presente processo é que as alegações apresentadas sobre a nulidade e a inépcia do auto de infração, buscam esconder, de forma pífia, o fato que a fiscalizada não logrou apresentar qualquer justificativa para a não contabilização das notas fiscais de compra e muito menos explicar a falta de origem contábil dos recursos empregados para quitar as citadas compras. 41 Nem mesmo em sua impugnação, apresentou qualquer documentação que justificasse a origem dos recursos empregados nas compras, cabendo ainda ressaltar que a própria contribuinte afirma, à fls 283, que o numerário decorrente das vendas de mercadorias das compras cujas notas fiscais não foram contabilizadas (no dizer, da contribuinte,"...destas Notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas "), foram utilizados para quitar essas compras. Ou seja, a fiscalizada candidamente relata uma sequência de operações de compra e venda, totalmente à margem da sua contabilidade oficial, como se esse tipo de operação fosse aceito pelo Fisco Federal. 42 Dessa maneira, resta claro que a contribuinte manteve em 2004, operações mercantis que foram iniciadas com recursos estranhos à sua contabilidade e continuadas com o produto das vendas de mercadorias não registradas nos livros fiscais, , contrariando o que determina a legislação comercial e fiscal que determina que toda a entrada de recursos financeiros ou mercadorias deve ser contabilizada nos livros comerciais e fiscais, de uso obrigatório. A falta de contabilização presume omissão de receitas conforme art. 282 do RIR/99, cuja matriz legal são os DecretoLei n° 1598/1977, art.12, §2° e Lei n° 9.430/1996, art.40. 43 Consequentemente, como a impugnante limitase a espernear mas não apresenta provas consistentes do que alega, bem como não traz aos autos Fl. 494DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 491 9 qualquer evidência de sua escrituração fiscal e contábil, não se pode aceitar seus argumentos. 44 Por fim, vale aqui a velha máxima "Allegatio sine probatione veluti campana sine pistillo est" Alegação sem prova é como sino sem badalo dado que alegações a impugnante entendeu apresentar, demonstraramse inconsistentes, devendose manter, portanto, todos os lançamentos efetuados. 45 Quanto aos lançamentos reflexos, vale o decidido no processo principal. Sendo este procedente, os autos reflexos também o são. (...)” Cientificado da decisão interpôs o contribuinte, em 14/02/2011, Recurso Voluntário a este Conselho, a Recorrente manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada, sem trazer nenhuma novidade e requerendo ao final o seguinte: É o relatório do essencial. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 10 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Sobre a questão da tempestividade, não se pode apurar em que data a Recorrente foi cientificada da decisão da 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP. Às fls. 421 dos autos encontramos cópia do Aviso de Recebimento – AR: No AR, não tenho certeza sobre a data do recebimento, se 12/01/2011 ou 17/01/2011. Porém, temos a data do carimbo de retorno, qual seja 17/01/2011. Assim, tomando como base a data do carimbo de retorno, utilizo o princípio “in dublo pro reo” para declarar o presente recurso é tempestivo, além de atender aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Como visto do relatório, o ponto levantado no recurso é a legitimidade passiva da Recorrente para responder sobre a autuação. Não sendo assim legitima, para ser imputada com o IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Isso tudo porque o procedimento fiscal encontrou, aos circularizar os fornecedores da Recorrente a Omissão de Receitas por Compras não Escrituradas. Porém, a recorrente, em suas razões, não apresenta qualquer fato ou comprovação, simplesmente alega que a imposição deveria cair sobre a pessoa física e não sobre a pessoa jurídica. Sobre esse tema, quero, com a devida vênia, fazer minhas as palavras da da 5ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP, “verbis”: “(...) 40 O que se tem de concreto no presente processo é que as alegações apresentadas sobre a nulidade e a inépcia do auto de infração, buscam esconder, de forma pífia, o fato que a fiscalizada não logrou apresentar qualquer justificativa para a não contabilização das notas fiscais de compra e muito menos explicar a falta de origem contábil dos recursos empregados para quitar as citadas compras. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 492 11 41 Nem mesmo em sua impugnação, apresentou qualquer documentação que justificasse a origem dos recursos empregados nas compras, cabendo ainda ressaltar que a própria contribuinte afirma, à fls 283, que o numerário decorrente das vendas de mercadorias das compras cujas notas fiscais não foram contabilizadas (no dizer, da contribuinte,"...destas Notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas"), foram utilizados para quitar essas compras. Ou seja, a fiscalizada candidamente relata uma sequência de operações de compra e venda, totalmente à margem da sua contabilidade oficial, como se esse tipo de operação fosse aceito pelo Fisco Federal. 42 Dessa maneira, resta claro que a contribuinte manteve em 2004, operações mercantis que foram iniciadas com recursos estranhos à sua contabilidade e continuadas com o produto das vendas de mercadorias não registradas nos livros fiscais, contrariando o que determina a legislação comercial e fiscal que determina que toda a entrada de recursos financeiros ou mercadorias deve ser contabilizada nos livros comerciais e fiscais, de uso obrigatório. A falta de contabilização presume omissão de receitas conforme art. 282 do RIR/99, cuja matriz legal são os DecretoLei n° 1598/1977, art.12, §2° e Lei n° 9.430/1996, art.40. 43 Consequentemente, como a impugnante limitase a espernear mas não apresenta provas consistentes do que alega, bem como não traz aos autos qualquer evidência de sua escrituração fiscal e contábil, não se pode aceitar seus argumentos. Na verdade, o que fica comprovado nos autos é que a Recorrente teria omitido dolosamente suas compras, bem como as receitas operacionais decorrentes da venda dos produtos constantes das “notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas”. Ora diante da confissão da Recorrente, não se pode negar que a exigência do tributo por meio de lançamento de ofício requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. O Código Tributário Nacional, em seus arts. 3º e 142, estabelece que esta atividade de lançamento é plenamente vinculada, assim, cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. art.3º), não pode ser usado como sanção. Para a exigência de crédito tributário sob a acusação de omissão de receitas, referida circunstância deve ser conhecida e devidamente comprovada, pois, caso contrário, estaria se lançando tributo de forma presuntiva e não prevista em lei. A legislação de regência autoriza a circularização; e, foi isso que a Autoridade Administrativa fez. Assim, não há como negar que a autuação por presunção somente nos casos especificamente previstos, tais como, saldo credor de caixa, passivo fictício, suprimentos não comprovados, etc., porém, é indispensável que a irregularidade fiscal fique devidamente caracterizada e demonstrada na acusação fiscal. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 12 O próprio diploma legal estabelece os limites da presunção. Fora disso, a autuação por omissão de receita deve ser assentada em dados concretos, objetivos e não em circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do julgador. Quando o auto de infração trata de omissão de receita, o ônus da prova é de inteira responsabilidade do Fisco que, para tanto, tem poderes de investigação não apenas sobre o contribuinte como também sobre terceiros, ligados ou não à operação, desde que sobre ela haja dúvida de sua regularidade. E desses poderes, na apuração da verdade material, não pode abdicar. É isso que vemos nos autos. Na verdade, a autoridade pública, no exercício da sua função, investigou a fundo a ocorrência da omissão dolosa de parte das compras da Recorrente, bem como as receitas operacionais decorrentes da venda dos produtos constantes das “notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas”. Além disso, o fato de não ter a Recorrente respondido a contento às alegações feitas pela fiscalização, nem tampouco trazido aos autos prova de que as notas estavam contabilizadas reforçam as eventuais irregularidades na contabilização das compras e reconhecimento das vendas. Além do mais, a Recorrente fica todo tempo “batendo na tecla” da ilegitimidade. Propositadamente deixei esse tema para o final, mesmo a Recorrente tendo alegado em preliminar a ilegitimidade passiva da TABOR DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, protestando pela nulidade do Ato Administrativo de Lançamento, ao fundamento de que deveria ser lançado contra a pessoa física do seu sócio. Não vejo argumento para sustentar essa tese, tendo em vista que a responsável pelo recolhimento é a TABOR DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., entidade que dolosamente omitiu de parte das compras e das receitas operacionais decorrentes da venda dos produtos constantes das “notas Fiscais não localizadas, no livro de Registro de Entradas”. Assim, não posso me filiar a tese de nulidade do Ato Administrativo de Lançamento, ao fundamento de que deveria ser lançado contra a pessoa física do seu sócio. Até porque, a autoridade fiscal aprofundou as investigações e a coleta de provas concretas e seguras capazes de autorizar a convicção de que a Recorrente agiu de forma a omitir compras e subtrair receitas da tributação, visando, salmo melhor juízo, reduzir a base de tributação. Essa é uma presunção extraída dos indícios apurados e que não se prestam a conclusões diversas. Tanto é que a Recorrente nada questionou. Além do mais, vejo que os indícios para efetivação do lançamento efetuado têm a necessária consistência para justificar, de forma inconteste, a acusação de omissão de compras e desvio de receitas da fiscalizada. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 19515.001623/200893 Acórdão n.º 1803001.071 S1TE03 Fl. 493 13 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10469.003110/97-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
1994
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO
DE RECEITAS.
A presunção legal prevista no art. 228 do RIR/94 não se restringe à
sistemática de apuração do Lucro Real, aplicando-se,
também, às empresas
tributadas pelo Lucro Presumido.
IRPJ E IR-FONTE.
BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS.
EFICÁCIA DOS ARTS. 43 e 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO
PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO.
A MP 492/94 (art. 3º) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8541/92,
para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido
e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a
nova tributação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicar-se-ia
“aos
fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1994”. Todavia, essa
determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não
constar das reedições subsequentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi
convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de
cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir
de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei
8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III,
“b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de
1994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta
por cento) da receita omitida, e cancelar o IR-FONTE
lançado contra a
pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias.
PIS-FATURAMENTO.
LEI COMPLEMENTAR 07/70. BASE DE
CÁLCULO DE 6 (SEIS) MESES ATRÁS.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de
1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
(Súmula CARF nº 15).
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas,
ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário:
1994
OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO.
A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá
ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo
o valor total da receita omitida.
Numero da decisão: 1402-000.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) cancelar o lançamento do IRRF, 2) reduzir a
base de cálculo do IRPJ para 50% da receita omitida, e 3) adaptar a exigência do PIS à súmula
nº. 15 do CARF.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção legal prevista no art. 228 do RIR/94 não se restringe à sistemática de apuração do Lucro Real, aplicandose, também, às empresas tributadas pelo Lucro Presumido. IRPJ E IRFONTE. BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS. EFICÁCIA DOS ARTS. 43 e 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO. A MP 492/94 (art. 3º) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8541/92, para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a nova tributação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicarseia “aos fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1994”. Todavia, essa determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não constar das reedições subsequentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III, “b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de 1994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida, e cancelar o IRFONTE lançado contra a pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias. PISFATURAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 07/70. BASE DE CÁLCULO DE 6 (SEIS) MESES ATRÁS. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 840 2 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (Súmula CARF nº 15). OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo o valor total da receita omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) cancelar o lançamento do IRRF, 2) reduzir a base de cálculo do IRPJ para 50% da receita omitida, e 3) adaptar a exigência do PIS à súmula nº. 15 do CARF. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 841 3 Relatório Comercial Eloi Chaves Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 270/276, através do qual é exigido o crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 195.576,64, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 237/238), o lançamento decorreu da omissão de receitas nos meses de janeiro a novembro de 1994, caracterizada pela ocorrência de saldo credor da conta caixa. 3. Em conseqüência da omissão de receitas, foram lavrados os autos de infração reflexos concernentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 247/252), no valor de R$ 56.562,15, ao Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 253/258), no valor de R$ 195.576,64, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 264/269), no valor de R$ 5.867,33, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 259/263), no valor de R$ 15.646,14. 4. O crédito tributário total importa em R$ 469.228,88, conforme demonstrativo consolidado de fls. 01/02. 5. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração, encontramse nos autos de infração e em seus anexos. 6. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 279/322), alegando, em síntese: 6.1 que não houve saldo credor de caixa em nenhum mês. A fiscalização não teria considerado a movimentação bancária, os rendimentos de aplicações financeiras, nem os saldos de caixa de períodos anteriores, conforme teria assinalado o autuante no termo de encerramento; 6.2 – que as despesas e a composição do Passivo foram incorretamente apuradas pela fiscalização; 6.3 – que seus registros contábeis estão assentados no Livro Diário, revestido das formalidades legais, os quais divergem expressivamente dos incluídos pela fiscalização, a quem caberia provar a desclassificação dos registros; 6.4 – que o art. 892 do RIR/94 diz respeito a declaração inexata, além de que e a empresa não teria omitido receitas, já que as vendas teriam sido contabilizadas; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 842 4 6.5 – que é insubsistente, inaplicável e ilegal a caracterização de omissão de receita a que se refere o art. 44 da Lei nº 8.541/92, razão por que é improcedente o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte; 6.6 – que a conversão da UFIR foi incorretamente efetuada; 6.7 – que nos meses de maio a novembro o cálculo da CSLL considerou o coeficiente de 10% sobre as receitas omitidas, quando deveria ser de 1%; 7. Ao final, requereu a realização de diligência, a retificação dos cálculos apontados na defesa e a descaracterização da omissão de receita. 8. Foi o processo baixado em diligência (fls. 324/325), visando a confirmar a veracidade das alegações de defesa. 9. Em despacho de fl. 330, a autoridade lançadora informa estranhar que as receitas contabilizadas no Livro Diário eram superiores à receita declarada e escriturada nos livros fiscais. Chamaramlhe a atenção aspectos extrínsecos do Livro Diário, motivo pelo qual foi ele submetido a exame pela Polícia Federal, que, por meio do laudo de fls. 332/334, concluiu pela invalidade da autenticação do livro, “tornandoo, assim, um documento inábil para qualquer tipo de exame e/ou análise contábil”. 10. A fiscalização emitiu relatório de fls. 336/337, considerando prejudicada a diligência, haja vista que as alegações de defesa estavam integralmente alicerçadas nos registros do Diário, tido por inválido. 11. A autuada, ouvida por solicitação desta delegacia, trouxe novas alegações, em resumo (fls. 347/402): 11.1 – que houve ofensa ao princípio constitucional da anualidade, equívocos quanto aos fatos geradores, incorreção quanto à nãoadoção da semestralidade do PIS, nãoobservância do princípio da retroatividade benigna; 11.2 – que a fiscalização, quando da intimação para realização da diligência, reteve indevidamente os livros e documentos da empresa. Teria sido impossível, assim, uma completa e minuciosa impugnação, por ausentes os extratos bancários e os Livros Razão, Diário e Registro de Saídas, restando caracterizado o cerceamento do direito de defesa, agravado pela falta de clareza nos demonstrativos elaborados pelo autuante; 11.3 – que o saldo de caixa do ano anterior, não considerado no lançamento, encontrase registrado no balanço patrimonial e no Livro Caixa do ano de 1993, não sendo alcançado, portanto, pelas equivocadas conclusões do laudo pericial. Também não teria sido considerado o saldo de numerário mantido no Banco Bamerindus em 31/12/93; 11.4 – que a fiscalização não incluiu rendimentos de aplicações financeiras e calculou incorretamente as obrigações da empresa; 11.5 – que o Livro Diário foi autenticado na Junta Comercial do Rio Grande do Norte, a quem foi requerida certidão comprobatória da autenticidade, não tendo ainda obtido o documento e 11.6 – que a recomposição do fluxo de caixa carece de retificações. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 843 5 12. Através da Resolução DRJ/RCE nº14, de 22 de fevereiro de 2002 (fls. 519/546), a 3ª Turma de Julgamento baixou novamente o processo em diligência, solicitando que, em relação aos documentos trazidos na segunda impugnação, fosse verificada sua autenticidade e confirmados os pagamentos alegados pelo sujeito passivo. Requereuse, ainda, a documentação comprobatória de outras alegações sustentadas pela defesa, bem assim a elucidação de outras questões argüidas pela empresa, restituindolhe os livros e reabrindolhe prazo para defesa. 13. Efetuada a diligência (fls. 626/645), concluiuse pela procedência parcial das alegações da contribuinte, tendo a fiscalização ajustado os demonstrativos de composição do Passivo e do fluxo de caixa à nova situação. 14. A autuada apresentou contestação à diligência (fls. 646/658), por meio da qual reafirma a inclusão de seis notas fiscais no rol de suas obrigações, reitera as aplicações financeiras não aceitas pela fiscalização e relaciona compras que teriam sido pagas em vencimento posterior ao admitido pela autoridade fiscal. Sobre a nãoconfirmação dos pagamentos, alega que as empresas fornecedoras não mais existem, em face do que requer seja considerado, para cada nota fiscal, que o pagamento se deu no mês do vencimento da respectiva duplicata. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 11 24.934 (fls. 737753) de 19/12/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. DEVER DE ESCRITURAR. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, sendo obrigatório o uso do livro Diário revestido das formalidades legais. BASE DE CÁLCULO. CONVERSÃO EM UFIR. A partir de 1º de setembro de 1994, a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas será convertida em quantidade de UFIR mediante a divisão do valor do lucro real, presumido ou arbitrado, pelo valor da UFIR vigente no mês subseqüente ao de encerramento do períodobase de sua apuração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS.IRRF.CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 844 6 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1994 OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. A partir de maio de 1994, nos casos de omissão de receitas, a CSLL deverá ser lançada de ofício, à alíquota de 10%, e considerado como base de cálculo o valor total da receita omitida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1994 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. NOVAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. PRECLUSÃO. Devem ser rejeitados argumentos suplementares alegados após a realização de diligência e que não guardem relação com os novos fatos ou documentos trazidos aos autos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/03/2009 (A.R. de fl. 758), a interessada interpôs recurso voluntário em 06/04/2009 (fls. 763809) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (fls. 232/236), a autoridade autuante identificou, através do demonstrativo de fluxo de caixa, que a contribuinte teve dispêndios de recursos superiores aos ingressos nos meses de janeiro a novembro de 1994, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 845 7 configurandose omissão de receitas em virtude do saldo credor de caixa, conforme art. 43 e 44 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Alega a recorrente, inicialmente, que a caracterização de omissão de receitas a que se referem os art. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 é ilegal, haja vista serem as disposições contidas naqueles artigos aplicáveis para empresas tributadas pelo lucro presumido apenas a partir de 1º/01/1995. Quanto a esse ponto, reproduzo a seguir excerto do Acórdão 10806125, de 06/06/2000, da Oitava Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo fundamento peço vênia ao autor para adotar como razão de decidir no presente caso: “... Com efeito, o art. 43 da Lei 8.541/92 dispunha originalmente: "Art. 43— Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de oficio, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. ... § 2° — O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Vêse que esse dispositivo não se destinava às empresas tributadas pelo lucro presumido, já que no §2° estabelece apenas para empresas tributadas pelo lucro real. A inclusão da sistemática para empresas tributadas pelo lucro presumido veio apenas com a Medida Provisória 492, de 5/5/94, cujo art. 3° deu a seguinte redação ao dispositivo: “§2° O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos.” (grifouse). Contudo, quando do julgamento do recurso 117.884, o relator Conselheiro José Antonio Minatel fez notar que, pelo princípio da anterioridade, o aumento introduzido pela MP 492/94 somente poderia surtir efeitos em 1995 (Constituição Federal. Art. 150, III, "b"). O Poder Executivo, tendo percebido o equívoco legal, a partir da reedição de julho da MP 492, a de n° 544, publicada no DOU de 04.07.94, e até a sua conversão na Lei 9.064/95, não fez constar o termo de início da aplicação da norma anteriormente previsto no art. 7º. Quanto ao IRRF, o mesmo raciocínio deve ser adotado, isto é, a alteração da apuração do tributo somente pode ter aplicação no exercício seguinte. Dessa forma, o lançamento do IRRF deveria seguir a legislação anterior com tributação diretamente da pessoa física (art. 40, § 11, da Lei 8.383191). Peço vênia para transcrever a ementa e a conclusão do eminente Conselheiro na apreciação do recurso acima referido (10805.552): Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 846 8 IRPJ E IRFONTE — BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS OMITIDAS — EFICÁCIA DOS ARTS. 43 E 44 DA LEI 8.541/92, NA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO E ARBITRADO: A MP 492/94 (art. 3°) estendeu as regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, para incidirem, também, sobre as empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, fixando no seu art. 7º e da que lhe sucedeu (MP 520/94), que a nova tribulação de 100% (cem por cento) da receita omitida aplicarseia "aos fatos geradores ocorridos a partir de 9 de maio de 1.994". Todavia, essa determinação expressa de efeitos imediatos perdeu sua eficácia por não constar das reedições subseqüentes, nem da Lei 9.064/95 em que foi convertida. Por traduzir majoração de imposto, pelo alargamento da base de cálculo das empresas tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, só a partir de 01.01.95 seria possível a aplicação das regras dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, em respeito ao princípio da anterioridade fixado no art. 150, III, “b”, da Constituição Federal. Prevalência das regras anteriores, no ano de 1.994, que autorizam reduzir a base tributável do IRPJ para 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida, e cancelar o IRFONTE lançado contra a pessoa jurídica, passível de ser exigido das pessoas físicas beneficiárias. (...) Diante dessa sucessão legislativa, que afastou o vício de inconstitucionalidade acenado com a eficácia imediata na primeira inserção proposta com a MP 492/94, não vejo óbice para sua interpretação no campo administrativo, de cuja tarefa é possível extrair duas conclusões que me parecem irrefutáveis: 1 — ao teor do parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, pela não conversão em lei no prazo de trinta dias e por não constar do texto das Medidas Provisórias que lhes sucederam, perdeu integralmente a eficácia, desde a primeira edição, o expresso mandamento "exceto o disposto nos art. 3º e 4º, que aplicarseão aos fatos geradores ocorridos partir de 9 de maio de 1.994" contido nas Medidas Provisórias n°s 492/94 e 520/94, traduzindo a supressão forma de revogação; 2 — por implicarem majoração de impostos para as empresa, tributadas pelo Lucro Presumido e Arbitrado, as alterações processadas pelo artigo 3º da Medida Provisória 492/94, só podem produzir efeitos a partir de 01.01.95, permanecendo em vigor, no ano de 1.994, a legislação anterior que mandava considerar 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida como base de cálculo do IRPJ (art. 6°, da Lei 6.468/77 — RIR/80, art. 396), assim como a regra do art. 40, § 11, da Lei 8.383/91, que mandava tributar na pessoa física valores presumidamente distribuídos. Dessa forma, há que se considerar que a base de cálculo do IRPJ deve corresponder a 50% da receita omitida, nos termos do art. 6°, de Lei 6.468/77 (RIR/80, art. 396). No que se refere ao IRFonte, como demonstrado acima, deve ser exigido da pessoa física conforme o art. 40, § 11, da Lei 8313. Quanto à alegação de que nos meses de maio a novembro o coeficiente aplicável ao cálculo da CSLL seria de 1%, e não de 10%, entendo descabido o argumento da recorrente. A partir de maio de 1994, com a edição da Medida Provisória nº 492, de 05 de maio de 1994, posteriormente convertida na Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995, a tributação da CSLL, nos casos de omissão de receitas, tem como base de cálculo o valor total da receita omitida, sobre a qual é aplicada a alíquota de 10%, procedimento corretamente observado no lançamento. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10469.003110/9768 Acórdão n.º 140200.662 S1C4T2 Fl. 847 9 Quanto à semestralidade do PIS, esclareço que tal matéria possui entendimento firmado nesta Corte, por meio da Súmula CARF nº 15, no sentido de que sua base de cálculo, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Quanto às falhas de filigranagens que levaram à conclusão de imprestabilidade da utilização do Livro Diário, há que se ponderar que o laudo embasador de tal conclusão (Laudo nº 051/01SR/RN, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, fls. 332/334) foi lavrado por instituição competente para tal mister, não cabendo a esta esfera de julgamento tecer juízo de valor a respeito das conclusões ali presentes, as quais transcrevo abaixo: “(...) as autenticações filigranadas (...) foram produzidas em momentos diferentes, acarretando com isso na invalidade de sua autenticação, tornandoo, assim, um documento inábil para qualquer tipo de exame e/ou análise contábil, conforme estabelecem as normas do Registro de Comércio e a legislação fiscal (...)”. Por todo o exposto, Voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para 1) cancelar o lançamento do IRRF, 2) reduzir a base de cálculo do IRPJ para 50% da receita omitida, e 3) considerar como base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária (súmula nº. 15 do CARF). Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 18/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000365/2008-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO.
Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se
que o momento
processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto
70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o
direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, com as
exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972.
Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos
previstos na legislação, considera-se
não formulado.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - PERÍODO
ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291,
DECRETO 3.048/1999.
A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa,
ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido
a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos-de-infração
lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o
termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira
instância.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ELABORAR E MANTER PERFIL PROFISSIOGRÁFICO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa deixar de elaborar e
manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades
desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do
contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.250
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - PERÍODO ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291, DECRETO 3.048/1999. A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos-de-infração lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira instância. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ELABORAR E MANTER PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa deixar de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verificase que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considerase não formulado. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA RELEVAÇÃO PERÍODO ANTERIOR AO DECRETO 6032/2007 QUE ALTEROU O ART. 291, DECRETO 3.048/1999. A multa somente será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para os autos deinfração lavrados até a vigência do Decreto nº 6.032, de 02/02/2007 o termo final foi a data em que proferida a decisão pela autoridade de primeira instância. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ELABORAR E MANTER PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa deixar de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 183 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – HOSPITALAV SERV PROCS DE ROUPAS E TEC contra Decisão Notificação – DN nº 17.401.4/0507/2005, fls. 75 a 81, da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro – RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.699.8657, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.035,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.699.865 7, Código de Fundamentação Legal – CFL 89, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica desse documento., nas competências 07/1998 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 12 a 14: 3. No caso que se apresenta, o sujeito passivo deixou de elaborar o citado documento (PPP) quando da rescisão do contrato de trabalho de inúmeros segurados. A titulo de materializar a referida infração citase o momento da rescisão do contrato de trabalho do segurado Edgard Xavier Filho, Número de Identificação 'do Trabalhador (NIT) 12.145.239.229, ocorrida na competência 01/2000. 4. Ressaltese que o sujeito passivo em referência deixou de entregar cópia autêntica do citado documento, haja vista que em nenhum daqueles documentos apresentados à fiscalização constava recebimento do mesmo pelo respectivo segurado. Apresentase em anexo o "PPP" dos segurados empregados abaixo relacionados, nos quais não são acusados o recebimento de suas respectivas cópias: • Adelma Tertuliano da Paixão — NIT: 10.708.801.746; e • Adilson Coelho de Carvalho — NIT: 10.607.037.579; Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.213, de 24/07/1991, art. 58, § 4°, na redação dada pela Medida Provisória n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528, de 10/12/1997, § 6°, acrescentado pela Lei n° 9.732, de 11/12/1998 e na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III, na redação dada pela Medida Provisória n° 449/08, combinados com art. 68, §§ 6°, 9° e 10° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "h", cujo valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS n° 479, de 07/05/2004. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09207724, com ciência da Recorrente. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 01.04.2005, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1998 a 12/2004. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos Decisão Notificação – DN nº 17.401.4/0507/2005, fls. 75 a 81, da Delegacia da Receita Previdenciária Rio de Janeiro Centro – RJ, conforme Ementa a seguir: AUTO DE INFRAÇÃO A empresa deverá elaborar e manter atualizado o perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador, e fornecer a este cópia autêntica deste documento, quando da rescisão do contrato de trabalho. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, às fls. 84 a 100, reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: (i) Da nulidade da autuação por falta de intimação de todos os supostos devedores. A autoridade fiscal alega que outras pessoas físicas (Sócios) são devedores solidários com a Recorrente pelos valores cobrados, conforme se verifica do próprio Auto de Infração que expõe, logo em sua primeira página, a lista de documentos que fazem parte da integrante da referida autuação. Contudo, não consta dos autos terem sido realizadas a intimação e a ciência dos demais supostos devedores relativamente à presente autuação. (ii) Da nulidade do auto de infração. Também é de se ressaltar que o Auto de Infração deixou de mencionar o fundamento legal dos artigos das normas legais Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 184 5 especificas dadas como infringidas, limitandose a relacionar a norma genérica conforme se verifica do seu relatório fiscal. A falta de fundamentação legal torna o lançamento nulo, pois não permite o exercício dos direitos A ampla defesa e ao contraditório, garantidos A ora Recorrente pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, segundo os quais ninguém será privado de seus direitos sem a garantia de defesa mediante processo legalmente instaurado. (iii) Não necessidade de elaboração imediata do PPP – exigência apenas a partir de 01/2004. Inicialmente, com relação à suposta infração cometida pela Recorrente, cumpre esclarecer que o § 4°, do art. 58 da Lei n.° 8.213/91, diferentemente do que alega a autoridade fiscal, não obriga as empresas contribuintes do INSS a elaborar imediatamente e incondicionalmente o referido Perfil Profissiográfico Previdenciário ("PPP"), quando relativo a concessões de benefícios por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 1° de janeiro de 2004 e somente quando solicitado pelo INSS, conforme será amplamente comprovado a seguir: 0 § 42, do artigo 58, da Lei 8.213/1991, não obriga as empresas a elaborar imediatamente e incondicionalmente o PPP, quando relativo a concessões de beneficio por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 01/01/2004, e somente quando solicitado pelo INSS A IN INSS 99/2003, no seu artigo 148, determina que a impugnante somente está obrigada à emissão do PPP a partir de 01/01/2004 e quando solicitado pelo INSS. Registrese que a própria autoridade fiscal autuante, em seu relatório fiscal da infração, reconhece que a Recorrente elaborou e apresentou it fiscalização o PPP de seus segurados empregados, sendo que a única falha imputada à Recorrente seria a falta de comprovação do recebimento das cópias autenticadas pelos respectivos empregados, ou seja, de mera formalidade. (iv) requer relevação da multa. (v) requer produção de provas documentais e periciais. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Posteriormente, após diversos trâmites administrativos e judiciais, inclusive referente à discussão acerca da inconstitucionalidade do depósito em recursos administrativos, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, às fls. 181. É o Relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 185 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada pela unidade da RFB de jurisdição da Recorrente. DEPÓSITO RECURSAL Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Possibilidade da autoridade julgadora afastar a norma inconstitucional. Analisemos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 186 9 (ii) Da nulidade do auto de infração. Também é de se ressaltar que o Auto de Infração deixou de mencionar o fundamento legal dos artigos das normas legais especificas dadas como infringidas, limitandose a relacionar a norma genérica conforme se verifica do seu relatório fiscal. A falta de fundamentação legal torna o lançamento nulo, pois não permite o exercício dos direitos A ampla defesa e ao contraditório, garantidos A ora Recorrente pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, segundo os quais ninguém será privado de seus direitos sem a garantia de defesa mediante processo legalmente instaurado. Analisemos. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. CORESP – Relatório de CoResponsáveis do Débito; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 f. TEPF –Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. g. Relatório Fiscal da Infração e de Aplicação da Multa. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Ademais, o auto de infração foi lavrado em obediência às determinações legais, com fundamento no art. 58, Lei 8.213/91, observandose que a infração foi identificada, explicitado o dispositivo legal infringido, a multa aplicada e esclarecidos os critérios de sua gradação. Portanto, analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 293, Decreto 3.048/1999. (i) Da nulidade da autuação por falta de intimação de todos os supostos devedores. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 187 11 A autoridade fiscal alega que outras pessoas físicas (Sócios) são devedores solidários com a Recorrente pelos valores cobrados, conforme se verifica do próprio Auto de Infração que expõe, logo em sua primeira página, a lista de documentos que fazem parte da integrante da referida autuação. Contudo, não consta dos autos terem sido realizadas a intimação e a ciência dos demais supostos devedores relativamente à presente autuação. Analisemos. Preliminarmente, quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de co responsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão no argumento. DO MÉRITO. (iii) Não necessidade de elaboração imediata do PPP – exigência apenas a partir de 01/2004. Inicialmente, com relação à suposta infração cometida pela Recorrente, cumpre esclarecer que o § 4°, do art. 58 da Lei n.° 8.213/91, diferentemente do que alega a autoridade fiscal, não obriga as empresas contribuintes do INSS a elaborar imediatamente e incondicionalmente o referido Perfil Profissiográfico Previdenciário ("PPP"), quando relativo a concessões de benefícios por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 1° de janeiro de 2004 e somente quando solicitado pelo INSS, conforme será amplamente comprovado a seguir: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 0 § 42, do artigo 58, da Lei 8.213/1991, não obriga as empresas a elaborar imediatamente e incondicionalmente o PPP, quando relativo a concessões de beneficio por incapacidade, só podendo ser exigido, por este motivo, a partir de 01/01/2004, e somente quando solicitado pelo INSS A IN INSS 99/2003, no seu artigo 148, determina que a impugnante somente está obrigada à emissão do PPP a partir de 01/01/2004 e quando solicitado pelo INSS. Registrese que a própria autoridade fiscal autuante, em seu relatório fiscal da infração, reconhece que a Recorrente elaborou e apresentou it fiscalização o PPP de seus segurados empregados, sendo que a única falha imputada à Recorrente seria a falta de comprovação do recebimento das cópias autenticadas pelos respectivos empregados, ou seja, de mera formalidade. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.699.865 7, Código de Fundamentação Legal – CFL 89, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica desse documento., nas competências 07/1998 a 12/2004. A legislação previdenciária, insculpida no art. 58, Lei 8.213/1991, assim trata do Perfil Profissiográfico: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1° A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 2° Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 188 13 médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) (gn) Desta forma, o art. 58, § 4º, Lei 8.213/1991 determina que a empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. No entanto, o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 12 a 14, aponta que em nenhuma das cópias dos documentos apresentados pela interessada à fiscalização constava recebimento pelos seus empregados, concluindo então o AFPS autuante que os mesmos não foram entregues aos segurados empregados: 3. No caso que se apresenta, o sujeito passivo deixou de elaborar o citado documento (PPP) quando da rescisão do contrato de trabalho de inúmeros segurados. A titulo de materializar a referida infração citase o momento da rescisão do contrato de trabalho do segurado Edgard Xavier Filho, Número de Identificação 'do Trabalhador (NIT) 12.145.239.229, ocorrida na competência 01/2000. 4. Ressaltese que o sujeito passivo em referência deixou de entregar cópia autêntica do citado documento, haja vista que em nenhum daqueles documentos apresentados à fiscalização constava recebimento do mesmo pelo respectivo segurado. Apresentase em anexo o "PPP" dos segurados empregados abaixo relacionados, nos quais não são acusados o recebimento de suas respectivas cópias: • Adelma Tertuliano da Paixão — NIT: 10.708.801.746; e • Adilson Coelho de Carvalho — NIT: 10.607.037.579; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Ademais, compulsando a decisão de primeira instância, às fls. 75 a 81, temse que foi plenamente debatido acerca dos documentos relacionados ao Perfil Profissiográfico, portanto adoto integralmente o posicionamento da primeira instância neste ponto. Ou seja, considerandose o art. 58, Lei 8.213/1991 e IN nº 95/2003, na redação dada pela IN nº 99/2003, no seu art. 148: durante o período de 01/07/1999 a 31/12/2003, a empresa era obrigada a elaborar, manter atualizado e entregar ao segurado quando do desligamento do trabalho, o Perfil Profissiográfico ou DIRBEN 8030/DSS 8030/SB 40 (para os empregados com rescisão até 31/12/2003); a partir de 01/01/2004 tais documentos foram substituídos pelo Perfil Profissiográfico Previdenciário (para os empregados com rescisão a partir de 01/01/2004). foi solicitado no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, às fls. 07, o FORMULÁRIO DIRBEN 8030 / PERFIL PROFISSIOGRÁFICO / PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP), e considerando que o conteúdo de qualquer destes formulários é praticamente idêntico, constatamos que a apresentação de qualquer destes documentos poderia sanar a exigência do Perfil Profissiográfico Previdenciário exigido legalmente no período em que esta substituição é permitida. Portanto, diante do exposto não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) requer relevação da multa. Analisemos. Anotase que, à época da lavratura do auto de infração, as multas por descumprimento de obrigação acessória podiam ser relevadas desde que o infrator formulasse pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, fosse primário, tivesse corrigido a falta e não tivesse ocorrido nenhuma circunstância agravante., conforme o art. 291, § 1º, RPS antes da redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 02.02.2007 e posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009. Decreto 3.048/1999 Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12267.000365/200858 Acórdão n.º 240301.250 S2C4T3 Fl. 189 15 §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Observase que tanto a relevação quanto a atenuação das multas por descumprimento de obrigação acessória não mais existem no ordenamento pois o Decreto nº 6.727, de 2009 revogou o art. 291, RPS bem como o art. 292, V, RPS, que delimitava a atenuação em 50%. Ademais, o art. 93, parágrafo único, Lei 8.212/1991 foi revogado pela Lei 11.941/2009, na qual se previa que a autoridade que reduzisse ou relevasse multa recorreria de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento: Art. 93 O recurso contra a decisão do INSS que aplicar multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária só terá seguimento se o interessado o instruir com a prova do depósito da multa atualizada monetariamente, a partir da data da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.870, de 1994). (Revogado o caput pela Lei nº 9.639, de 25.5.98.) Parágrafo único. A autoridade que reduzir ou relevar multa recorrerá de ofício para autoridade hierarquicamente superior, na forma estabelecida em regulamento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Portanto, compulsando os autos, não foram atendidas todas as prescrições legais para relevação da multa, pois embora a autuada tenha formulado o seu pedido tempestivamente e seja primaria (não tenha incorrido em reincidência), a Recorrente não corrigiu a falta cometida, nos termos do art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. (v) requer produção de provas documentais e periciais. Analisemos. Quanto à solicitação de prova documental e pericial, verificamos que a mesma encontrase em desacordo com o previsto na legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Como o pedido de perícia não possui os requisitos previstos na legislação, consideroo não formulado. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003861/2002-79
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. DECADÊNCIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DA CONFISSÃO.
O crédito tributário decaído não pode ser exigido pela Administração Tributária, nem pode ser constituído por confissão feita em parcelamento especial, uma vez considerado extinto por disposição expressa do Código Tributário Nacional. O valor probatório da confissão, como espécie de prova, deve ser mitigado diante da verdade material dos fatos.
DESISTÊNCIA DE RECURSO. FATO DESCONHECIDO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A decadência é a perda do direito de constituir-se crédito tributário. Inexistente o crédito, por inércia da Administração Tributária ou por falta de declaração em DCTF do contribuinte em tempo hábil, deve ser reconhecida ex officio, por força do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A desistência do Recurso Voluntário, fato que não constou nos autos antes de proferido o Acórdão, não tem o condão de constituir crédito tributário decaído, considerado por disposição legal extinto.
PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. HIPÓTESES.
As hipóteses de nulidade de decisão proferida em processo administrativo fiscal estão expressas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS, para, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-01.148, em sessão realizada em 12 de setembro de 2012, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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DECADÊNCIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DA CONFISSÃO. O crédito tributário decaído não pode ser exigido pela Administração Tributária, nem pode ser constituído por confissão feita em parcelamento especial, uma vez considerado extinto por disposição expressa do Código Tributário Nacional. O valor probatório da confissão, como espécie de prova, deve ser mitigado diante da verdade material dos fatos. DESISTÊNCIA DE RECURSO. FATO DESCONHECIDO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A decadência é a perda do direito de constituirse crédito tributário. Inexistente o crédito, por inércia da Administração Tributária ou por falta de declaração em DCTF do contribuinte em tempo hábil, deve ser reconhecida ex officio, por força do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A desistência do Recurso Voluntário, fato que não constou nos autos antes de proferido o Acórdão, não tem o condão de constituir crédito tributário decaído, considerado por disposição legal extinto. PEDIDO DE NULIDADE DE ACÓRDÃO. HIPÓTESES. As hipóteses de nulidade de decisão proferida em processo administrativo fiscal estão expressas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 38 61 /2 00 2- 79 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS, para, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 180101.148, em sessão realizada em 12 de setembro de 2012, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS emitiu o despacho de fls. 341, esclarecendo que os débitos discutidos neste processo foram incluídos em parcelamento, observadas as disposições da Lei nº 11.941/2009, consolidado em 29 de junho de 2011, e, por conseguinte, houve a desistência do Recurso Voluntário nesta data. Pleiteia que seja declarada nula a decisão desta Turma Colegiada, formalizada no Acórdão nº 180101.148, proferido em 12 de setembro de 2012, a qual deu provimento ao Recurso Voluntário, nos termos da ementa e texto dispositivo que se transcrevem: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:1997 DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso de contribuinte que informou o(s) débito(s) em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1997 DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, acolher a arguição de decadência do lançamento tributário e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.003861/200279 Acórdão n.º 1801001.519 S1TE01 Fl. 3 3 A autuação fiscal, que ensejou o presente litígio administrativo, apurou infração tributária (não realização de lucro inflacionário no anocalendário de 1997), culminando na lavratura de Auto de Infração para exigência de IRPJ, e acréscimos legais, no valor integral de R$ 4.746,30 – fls. 46 a 49. No entanto, em se tratando de fato gerador ocorrido em 31/12/1997, a ciência do referido Auto de Infração deuse em 31 de março de 2003, por via postal – fls. 64. Daí constatarse que o lançamento tributário foi fulminado pelo instituto da decadência, discorridos mais de cinco anos entre o lançamento e a ocorrência do respectivo fato gerador, com fulcro no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, uma vez tratarse de tributo da modalidade de lançamento por homologação e a recorrente haver declarado parte de IRPJ em DCTF no ano objeto da ação fiscal. Esta informação, da declaração em DCTF de parte do IRPJ devido pela recorrente, foi obtida em resultado à realização de diligências formalizada pela Resolução nº 180100.014, deliberada em 08 de dezembro de 2009 – fls. 157 a 163 e 172. O Relatório Fiscal foi lavrado em 08 de maio de 2012 (fls. 324) e o processo foi reencaminhado a esta Turma Especial em 24 de maio de 2012 (fls. 326), salientandose que não foi informado nos autos que o débito objeto deste litígio fora incluído em parcelamento especial e que a recorrente havia desistido do Recurso Voluntário (consolidação do parcelamento deuse em 29/06/11). Restou esclarecido no Acórdão nº 1801001.148/12 que o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou a respeito da matéria em recurso representativo de controvérsia (REsp nº 973.733/SC – 2007/017699400), estando este órgão colegiado vinculado às decisões proferidas pelo STJ/STF processadas sobre o rito do art. 543B e C do Código de Processo Civil, consoante artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09). A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão em 19 de janeiro de 2012 e não ofereceu Embargos de Declaração ou Recurso Especial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS analisou o processo em 01/10/2012 (conforme autenticação de tela de pesquisa – fls. 336) e interpôs o despacho de fls. 341 requerendo a nulidade do acórdão em questão em 30/04/2013. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Em preliminar, cabe salientar que o Ricarf admite somente duas espécies de recursos contra as decisões proferidas pelas turmas julgadoras do Carf, conforme disposto no seu artigo 64, Anexo II: DOS RECURSOS Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; e II Recurso Especial. Parágrafo único. Das decisões dos colegiados não cabe pedido de reconsideração. Recebo o despacho de fls. 341 como Embargos de Declaração interpostos, observado os princípios do informalismo do processo administrativo fiscal e da fungibilidade, consagrado nos processos cíveis. A respeito desta espécie de recurso dispõe o Ricarf, no artigo 65, Anexo II: Seção I Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} [...] V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. {2} (grifos não pertencem ao original) Pela leitura do dispositivo regimental supra, constatase que os Embargos de Declaração interpostos pela unidade de jurisdição da embargada está intempestivo – processo analisado em 01/10/2012 e embargos interpostos em 30/04/2013 –, não podendo ser apreciado por esta Primeira Turma Especial. Todavia, por amor ao embate jurídico, esclareço à embargante que o Acórdão embargado não pode ser declarado nulo, por força do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece apenas duas hipóteses para a declaração de nulidade dos atos administrativos:: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O caso em concreto não se enquadra em nenhuma das duas hipóteses. Ademais, no mérito, a fundamentação da insubsistência da autuação formalizada contra a embargada foi a inquestionável ocorrência da decadência. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.003861/200279 Acórdão n.º 1801001.519 S1TE01 Fl. 4 5 A decadência1 é a perda do direito da Administração Tributária constituir o crédito tributário. Tratase de instituto de direito público e sendo indisponível o crédito tributário deve ser declarada de ofício, independentemente do requerimento do sujeito passivo da ação fiscal. Desta forma, não obstante a embargada haja desistido do Recurso Voluntário interposto, por força de sua adesão a parcelamento especial, primeiramente, esta informação não foi trazida aos autos, antes de proferido o acórdão. E o que não existe nos autos, não existe no mundo jurídico. Em segundo, porque a desistência do Recurso Voluntário não tem o condão de validar exação fiscal fulminada pela decadência. Neste sentido dispôs o artigo do Código Tributário Nacional (CTN): Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] V a prescrição e a decadência; [...] Destarte, a constituição de crédito tributário já extinto (grifei) pela ocorrência da decadência é impossível juridicamente. O Auto de Infração lavrado contra a embargada exigindo este crédito é insubsistente, por determinação de Lei Complementar que deve ser aplicada independente do requerimento do administrado, ou seja, ex officio. 1 CONCEITO DE DECADÊNCIA Decadência, no nosso conceito, é o fenômeno que acarreta a perda do direito subjetivo do Fisco constituir o crédito tributário pelo ato jurídico chamado lançamento, em decorrência da inércia, ultrapassando o prazo legal para tanto. A decadência faz morrer, decair, perecer o próprio direito material, impedindo que a Fazenda Pública proceda ao lançamento, e constitua, conseqüentemente, o crédito tributário. Melhor explicando, devemos esclarecer que, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária, ainda ilíquida. A legislação tributária exige a formalização de um ato oficial do Fisco para conferir liquidez à obrigação tributária surgida após a ocorrência do fato gerador, e tal formalização se dá com o ato denominado lançamento. O lançamento, uma vez formalizado, tem o condão de constituir o crédito tributário, ou seja, oficializa e documenta um crédito tributário da Fazenda Pública, surgido com a ocorrência daquele fato gerador, do qual nasceu uma obrigação tributária. O lançamento, como veremos mais adiante, torna líquida a obrigação tributária surgida. Conforme o Ministro do STF Moreira Alves [02], "o direito de lançar é um direito potestativo modificativo", pois o Fisco transforma a obrigação tributária ilíquida em obrigação tributária líquida, isto é, no próprio crédito tributário. Relembrando, então, a decadência atinge o direito subjetivo do sujeito ativo da relação jurídica tributária, que é uma relação jurídica de direito material. A decadência decorre sempre de lei, mais especificamente de Lei Complementar, pois o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Carta Magna assim exige. E o Código Tributário Nacional é uma Lei Complementar, embora seja materialmente complementar e formalmente ordinária. E à decadência se aplicam os princípios da legalidade e da segurança jurídica.[...] http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/decad%C3%AAncianodireitotribut%C3%A1riobrasileiro Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A inclusão deste crédito tributário, exigido a destempo e portanto extinto, em parcelamento é indevida. A confissão professa pela contribuinte por ocasião do pedido de parcelamento de algo que não existe não se sustenta. A confissão2 é espécie de prova, relativa, que deve ceder diante da prova da verdade material, consignada nos fatos em concreto e na legalidade imposta pelo artigo 156, inciso V, do CTN. No que respeita aos atos administrativos infralegais citados pela embargante sobre a adesão ao parcelamento importar em renúncia à instância administrativa – Orientação Disit e Portaria Conjunta –, não podem ser opostos às disposições de Lei Complementar, no caso, o Código Tributário Nacional. Como já explicado, antes do ato de julgamento esta informação não constava dos autos, pelo que não pode, agora, atingir a sua eficácia, bem como por se tratar de crédito tributário, cuja constituição não era mais possível, é regido pelo princípio da indisponibilidade. Depreendese de todo o exposto que a lavratura de Auto de Infração que constitui crédito tributário decaído é inócua, devendo ser declarado insubsistente, conforme reconhecido no Acórdão nº 180101.148/12 proferido por esta Turma Julgadora. A inclusão deste valor em parcelamento, se não pleiteada a repetição do indébito, consiste em ato de mera liberalidade da contribuinte. Voto por rejeitar os Embargos de Declaração, por intempestivo, e ratificar o decidido no Acórdão nº 180101.148/12. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes 2 A admissibilidade da confissão está restrita ao direito disponível, vinculase ao princípio dispositivo, restrição também incidente nos atos processuais negociais. Impossível a confissão em direito indisponível (art. 351), com as exceções expressamente reguladas pelo direito material, v. g., escritura pública de reconhecimento de paternidade. A confissão é ato de manifestação unilateral da parte; independe da aceitação do adversário. Não há, por óbvio, necessidade de que o confitente prove os fatos confessados. A confissão economiza a produção de prova. O juiz não aceitará, todavia, confissão que esteja desconforme à prova dos autos, e nem a confissão verdadeira levará o juiz a determinada decisão. A confissão não constrange o julgamento. http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/18245182461PB.pdf Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.003861/200279 Acórdão n.º 1801001.519 S1TE01 Fl. 5 7 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13807.006964/2004-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite
de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas
Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser
interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas
Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
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VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 902DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1421.126, de 22 de outubro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 715 a 723, que indeferiu a solicitação. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao terceiro trimestre de 2003. Por meio do despacho decisório proferido pela autoridade competente foi glosada a parcela do benefício fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes de PIS e COFINS; excluída da receita de exportação os valores referentes à exportação de produtos NT; e não acolhido o pedido de atualização monetária pela taxa SELIC. Em sua manifestação de manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em resumo, o que segue: a) conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n° 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presumese a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; b) pela Lei n° 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão parcela referente aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas,, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; c) defendeu a inclusão no cálculo do benefício, dos valores relativos à energia elétrica e combustíveis; d) as exportações de produtos NT devem compor a Receita de Exportação, pois o art. 2° da lei n° 9.363/96 não restringiu as receitas a serem consideradas como de exportação; e) o ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto restou ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os Valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13807.006964/200460 Acórdão n.º 3803002.840 S3TE03 Fl. 784 3 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão em 01 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 725 a 766, em 22 de dezembro de 2008, argüindo, essencialmente, as mesmas razões trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada que limita a competência para julgamento desta Turma Especial. Tal competência relativo a processo administrativo de ressarcimento é definida pelo crédito alegado/solicitado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. Conforme relatado, o crédito no presente processo é de R$ 8.089.525,01. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos, limite este de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 904DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13807.006964/200460 Interessada: GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 905DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000014/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2003
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 445 1 444 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10700.000014/200774 Recurso nº 150.278 Voluntário Acórdão nº 2301002.577 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente GOVERNADORIA DO ESTADO DO RJ Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Retornam os autos após terem sido cumpridas, em parte, as providências solicitadas pelo relator, conforme Resolução nº 20500.216, que converteu o julgamento em diligência nos termos do voto acostado às ff. 423 a 426, in verbis “8. (...) analisando os autos, vejo a necessidade da realização de diligência para esclarecimentos de questões atinentes ao procedimento de constituição do crédito previdenciário. O MPF inicial foi emitido em 26 de novembro de 2003; sendo cientificado o representante do contribuinte em 08 de dezembro de 2003. O TIAF foi cientificado ao contribuinte também em 8 de dezembro de 2003, e o TIAD também foi emitido em 8 de dezembro de 2003. Contudo, em outras notificações fiscais, que envolvem a mesma ação fiscal, há um outro TAD emitido em 6 de outubro de 2003; portanto em data anterior ao MPF, bem como ao TIAF. 9. Desse modo, em virtude da decisão proferida nas outras notificações fiscais, entendo ser mais prudente a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade da Receita Federal do Brasil informe o motivo de emissão do TIAD em 6 de outubro de 2003, e se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando cópia aos autos.” (ff. 425 a 426) 2. Em atendimento à diligência requerida a então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro juntou a documentação de ff. 429 a 438, bem como os seguintes esclarecimentos “1. O MPF – Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 foi emitido em 26 de novembro de 2003, conforme cópia em anexo. Em 18 de março de 2004 foi emitido um MPF Complementar de número 01, em 9 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 01, em 09 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 02 e em 28 de outubro de 2004 foi emitido o MPF Complementar número 03. (cópias em anexo) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 446 3 II. O Termo de Início da Ação fiscal foi emitido em 03/12/2003 e entregue ao fiscalizado em 08/12/2003 (copia em anexo), portanto em data posterior ao Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 (que se deu em 26 de novembro de 2003). O primeiro Termo de Intimação para apresentação de documentos foi dado ao contribuinte em 08/12/2003 (cópia às fls. 233), portanto em data posterior ao da emissão do MPF. III. Cumpre esclarecer que as datas dos MPF complementares em nada interferem no caso, porque o início da ação se dá com a data do MPF ORIGINÁRIO, no caso sua emissão foi em 26 de novembro de 2003, os demais MFP são complementares. IV – Cumpre esclarecer ainda que os TIADs – Termo de Intimação para apresentação de documentos entregues no curso da ação fiscal referida no parágrafo I foram datados de 08/12/2003, 29/12/2003, 06/02/2004, 30/03/2004, e 13/10/2004, isto é, posteriores à emissão do MPF, conforme cópias em anexo”. (f. 439) 3. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado por ocasião da decisão anterior, cito seu inteiro teor: “1. Tratam os autos de pedido de revisão interposto pelo fisco para combater o acórdão de ff. 326/328, proferido pela então 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos por vício formal 2. Na oportunidade, aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa nº 100. 3. O fisco em suas razões entende que, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não é apta para gerar vício insanável. A fim de corroborar seu entendimento, cita acórdãos divergentes da própria 4ª Câmara de Julgamentos do CRPS. 4. Cientificado do pedido de revisão, o Estado recorrido manifestouse, aduzindo, em síntese, que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de mera rediscussão de matéria, bem como que inexiste violação a preceito legal. É o relatório.” (f. 424) 4. Dada ciência ao contribuinte que não se manifestou sobre o resultado da diligência. Os autos foram devolvidos à análise deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 1. Tendo em vista que os pressupostos de admissibilidade já foram analisados em assentada anterior, passo ao julgamento das questões de mérito. DO MPF 2. Com a realização da diligência foram devidamente esclarecidas as dúvidas originalmente formalizadas em assentada anterior, apontando, também, a regularidade dos Mandados de Procedimentos Fiscais, de forma que o processo está apto a julgamento. DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, de ofício, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional CTN. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 447 5 reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, constatase do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (ff. 230 a 235) que o auditor fiscal examinou as folhas de pagamento comprovantes de recolhimento, e GFIPs apresentadas pela recorrente, além disso, depreendese do Relatório de Documentos Apresentados – RDA (ff. 08 a 115) que foram analisadas GRPS da empresa, sendo assim, considerando a totalidade da folha de salário da empresa, podese afirmar que houve o recolhimento de parte das contribuições sociais previdenciárias. Posto isso, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. 10. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 16/12/2004, referente às contribuições do período de 02/1999 a 11/2003, ficam alcançadas pela decadência quinquenal o período de 02/1999 a 11/1999, restando mantidas as competências 12/1999 a 11/2003. 11. Dito isso, acato a preliminar de decadência sustentada pelo contribuinte e, tendo em vista a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 DO LANÇAMENTO 12. A controvérsia central dos autos envolve a incidência de contribuição previdenciária no percentual de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestado mediante “cessão de mãodeobra ou por empreitada contidos em Nota Fiscal, Fatura ou Contrato, não retida e não recolhida pela empresa contratante, contidas nas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela empresa prestadora de serviços” no período de 02/1999 a 11/2003. 13. Nesse momento, fazse necessário um breve comentário sobre o instituto da cessão de mão de obra. Conforme entendimento doutrinário, a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). O objeto do contrato é o fornecimento de mãodeobra, dessa forma, a força de trabalho do trabalhador é a principal prestação da empresa cedente. 14. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: “Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” “Art. 31. (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 15. Quando da leitura do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 16. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço, em si, deve ser contínuo, independentemente da rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 17. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 448 7 18. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo, se o serviço realmente envolvia mão de obra ou se tratava de empreitada. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e jurídico para a constituição do lançamento, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura da notificação. 19. É importante esclarecer que o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos – TIAD, quais sejam: “folha de pagamento de empregados/avulsos/contribuintes individuais; GFIP; GRFP; GRFC e eventuais retificações; cópias reprográficas dos documentos acima; contrato de empreitada e subempreitada; contratos de serv. de cessão de mão de obra e temporários; notas fiscais de serviços e faturas emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; GRPS/GPS e declaração de contabilidade emitidas pelas empresas prestadoras de serviço; faturas e recibos de mão de obra; comprovantes de recolhimento; laudo técnico, perfil profissional; PPRA e PCMSO; proc. trabalhista; livro diário/livro razão/plano de contas; contratos de prestação de serviços por cessão de mão de obra/empreitada”, entre outros (ff. 218 a 222) 20. E de acordo com o termo de encerramento da ação fiscal – TEAF constatase que foram analisados: folha de pagamento; guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); comprovantes de recolhimento; outros elementos”. (f. 230) 21. Desta forma, descabe o argumento de que o fisco poderia deixar de caracterizar a cessão de mão de obra em face da não apresentação de documentação pela empresa, pois foi constatado no TEAF que o fisco examinou diversos documentos entregues pela empresa recorrente. 22. Além disso, da leitura do relatório fiscal depreendese que não foi apontado pelo fisco quais os serviços prestados mediante cessão de mão de obra. 23. Cumpre ressaltar que os contratos de prestação de serviço firmados entre o Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Educação, e a Associação Carioca de Ensino Superior (ff. 186 a 211) têm como objeto referências genéricas inclusive à remissão a outros documentos (Plano de Trabalho e a Proposta especial): Contrato de ff. 186 a 191 “a atualização de 72 (setenta e duas) turmas de professores dos quadros do ESTADO (SEE) das disciplinas de português e matemática, pertencentes às Coordenadorias Regionais Serrana II e III, Metropolitana III, IV e X, e Baixada Litorânea II, para implantação do Projeto ‘Contextualizado as Grandes Áreas do Conhecimento’, conforme o Plano de Trabalho e a Proposta especial” Contrato de ff. 202 a 211 “Prestação dos Serviços, de pesquisa e desenvolvimento de sistema integrado de gestão escolar, abrangendo uma rede de 1200 escolas, com implantação experimental na Rede Pública do Estado dos sistemas pesquisados incluindo infra estrutura tecnológica, conforme Proposta Especial n.º60/2001 e Plano de Trabalho” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 24. Dessa forma, verificase que não há qualquer menção, nos contratos juntados ao processo, sobre a cessão de mão de obra ou empreitada. 25. E por esse motivo entendo que o lançamento é insubsistente e não comprova o surgimento do fato gerador da obrigação tributária, uma vez que até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. 26. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 27. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 28. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 29. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 30. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 31. No mesmo sentido é o Código de Processo Civil ao asseverar em seu artigo 333, inciso I, que o “ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. 32. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 33. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 449 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11030.901708/2009-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 17 08 /2 00 9- 95 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1528.408, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fatos ocorridos nos presentes autos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, tomase de empréstimo o relatório formulado pelo julgador a quo: “A interessada transmitiu em 15/06/2005 PER/DCOMP eletrônico (fls. 01/05) visando utilizar crédito no valor original de R$6.682,83 que teria sido informado inicialmente no PER/DCOMP nº 19423.41078.150605.1.7.042465. A DRF/Passo Fundo emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação sob o argumento de que o pagamento efetuado em 15/10/2004, no valor de R$38.768,33, estava alocado ao débito da Cofins do PA 30/09/2004. Irresignada, a contribuinte apresenta em 08/04/2009 Manifestação de Inconformidade informando a retificação da DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004, em 03/04/2009, por ter sido preenchida incorretamente.” Ante as alegações do sujeito passivo e da documentação carreada aos autos, a autoridade julgadora de 1ª instância achou por bem negar provimento à pretensão da contribuinte, sintetizando suas razões na forma da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Não se conformando, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual alega que “constatado que foi informado incorretamente na DCTF do período onde não demonstrava realmente o débito devido e esta foi retificada com o débito realmente ocorrido (em anexo 01), onde esta demonstrado também na ficha 27F e ficha 26A da DIPJ 2005 ano calendário 2004 (anexo n. 02), e os DARFS (anexo n. 03) e PERDCOMP n. 04035.23174.280105.1.3.572420 (anexo 04), onde comprova o valor pago a maior. Acrescenta ainda que “considerando que houve apenas equívoco no preenchimento da DCTF e que as demais declarações anexadas comprovam que o débito é de Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11030.901708/200995 Acórdão n.º 3802001.705 S3TE02 Fl. 112 3 R$70.176,53 e não R$78.311,35 e que existe um saldo a compensar informado conforme comprovado pelos anexos n. 01, 02, 03 e 04, pedimos desconsiderar a cobrança constante no processo nº 11030.900446/200995 – intimação 154/2012.” É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. O caso envolve discussão sobre simples matéria de prova, embora seja peculiar pelos motivos expostos a seguir. Tratase de processo de compensação em que, nada obstante não constarem cópias documentais aos autos, a DRJ trouxe a informação de que o contribuinte apresentou DCTF’s retificadoras em série: diversas entre a apresentação do PER/DCOMP e o despacho decisório, e mais outras após a prolação do referido despacho. Como o processo é carente desses documentos, trago a manifestação da autoridade julgadora originária sobre o assunto: Na DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004 transmitida em 22/03/2005, que se encontrava ativa em 15/06/2005 quando da transmissão do PER/DCOMP objeto deste processo, a contribuinte informou débito da Cofins relativo a setembro de 2004 no valor de R$59.330,83, extinto por pagamento no valor de R$38.768,33 e por compensação no valor de R$20.562,50. Posteriormente outras DCTF retificadoras foram transmitidas, em 08/11/2005, 10/07/2006, 23/03/2007, 20/11/2007 e duas em 22/08/2008, antes da emissão do Despacho Decisório eletrônico ora em litígio, em 25/03/2009; e mais três DCTF retificadoras foram transmitidas após o referido despacho, em 02/04/2009, 03/04/2009 e 01/07/2009. Por mais que seja a DCTF retificadora, nos termos das regras vigentes, substituta em todos os termos da anterior, certo é que uma sucessão de retificações desse documento deve ser acompanhada de uma sucessão de retificações de todo o corpo dos demais documentos de cunho declaratório a que o contribuinte tem obrigação de apresentar. Nos autos não consta nada disso. Sem embargo, no processo de compensação é crucial a análise da materialidade do crédito do sujeito passivo, que, no caso, perpassa ainda pelo confronto com a realocação de um crédito que, além de tudo, constava de outro PER/DCOMP. E não verifico nos autos qualquer explicação para tal fato, nem mesmo indicação de retificação do PER/DCOMP original. Ao contrário, a única informação relativa a esse PER/DCOMP consta do voto do relator da manifestação de inconformidade, o qual indica que, mesmo naqueles autos, consta a informação de crédito inexistente. Neste espeque, repisese que em seu sucinto Recurso Voluntário a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para ilidir tal circunstância. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Isso para dizer o mínimo, limitado às peculiaridades do caso. Afinal, uma vez retificada a DCTF, para fins de corrigir débitos, o contribuinte deve minimamente comprovar as razões pelas quais o fez, não bastando apenas a juntada dos documentos retificadores, tal como procedeu o Recorrente. Por consequência, não restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo. Assim sendo, por não haver fundamentos para a homologação da compensação promovida pela Recorrente, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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