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Numero do processo: 15940.000293/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
GLOSA DE CUSTOS.
Não havendo o sujeito passivo logrado êxito em provar nem a entrega da mercadoria por ele supostamente adquirida, nem o pagamento do respectivo preço, correta a glosa de custos realizada pela fiscalização e a conseqüente lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos aos Cofres Públicos.
FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
A multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento daqueles tributos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1201-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada, por concomitância. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco estendiam o provimento às aquisições relativas aos fornecedores que não haviam cedido seus créditos às Srªs. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini e também quanto às aquisições acompanhadas de notas fiscais chanceladas pelo fisco do Estado de Minas Gerais.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE CUSTOS. Não havendo o sujeito passivo logrado êxito em provar nem a entrega da mercadoria por ele supostamente adquirida, nem o pagamento do respectivo preço, correta a glosa de custos realizada pela fiscalização e a conseqüente lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos aos Cofres Públicos. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. A multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento daqueles tributos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada, por concomitância. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco estendiam o provimento às aquisições relativas aos fornecedores que não haviam cedido seus créditos às Srªs. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini e também quanto às aquisições acompanhadas de notas fiscais chanceladas pelo fisco do Estado de Minas Gerais. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 02 93 /2 00 9- 29 Fl. 8447DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1436.037 exarado pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 8362 e ss.): Contra empresa acima identificada, tributada pela sistemática de apuração de lucro real por estimativa, foi lavrado auto de infração que lhe exigiu os tributos relacionados no quadro adiante. A base legal do lançamento dos tributos, dos acréscimos e da multa isolada encontrase descrita nos demonstrativos do auto de infração (fls. 5111/5124). (...) A constituição do crédito tributário decorreu de outro processo em que a interessada pleiteou ressarcimento de contribuições devidas ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Nesse processo foram detectadas irregularidades que suscitaram a ação fiscal. Efetuouse a glosa de créditos relacionados ao PIS e à Cofins, daí resultando reflexos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segundo o termo de verificação fiscal, das notas fiscais que a empresa apresentou, constatouse que parte delas referiase a fornecedores que apresentavam irregularidades como empresa inapta, inativa, inexistente de fato, não cadastrada na respectiva Secretaria de Fazenda do Estado de localização, além de grande parte do pagamento relativo às aquisições de matériaprima ter sido efetuado a terceiros, por cessão de crédito, desamparada de qualquer espécie de comprovação de vínculo de negócio ou jurídico com o fornecedor. Foram relacionadas as empresas fornecedoras cujos documentos fiscais foram objeto de glosa. Constam dos autos cópias dos processos de representação para inaptidão do CNPJ das empresas antes referidas. Elaborouse quadro demonstrativo da base de cálculo mensal para lançamento dos tributos, levando em conta as glosas efetuadas, cujo montante foi de R$ 32.389.504,76, além de demonstrativo de apuração da multa isolada, incidente sobre o nãorecolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada, obtida em decorrência dos valores glosados (fls. 5135/5137). Fl. 8448DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 4 3 Houve imposição de multa de ofício qualificada, por ter a autoridade tributária entendido que existiu intenção dolosa, materializada no evidente intuito de fraude. Consta ter sido lavrada representação fiscal para fins penais, processo autuado sob n. 15940.000295/200918, pelo fato de a autoridade entender que em tese existiu crime contra a ordem tributária. A contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 5146/5177 em que alegou preliminarmente cerceamento de defesa caracterizado pelo fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) inicialmente emitido referese à intimação para apresentar documentos relativos à fiscalização de CSLL do ano calendário de 2003. A posterior inclusão de outros tributos no escopo da verificação fiscal não fora acompanhada da respectiva notificação para prestar esclarecimentos antes do lançamento fiscal. Apresentou justificativas para cada uma das empresas fornecedoras relacionadas pela fiscalização. Em síntese, suas alegações são de que: a) descabe não ter sido considerada a documentação relativa a bilhetes de pesagem e Recibos de Pagamento a Autônomos (RPA), em vista de que agiu acobertada por boafé; a fiscalização não visitou as dependências da contribuinte para conhecer o processo produtivo tampouco realizou auditoria dos estoques para verificar o efetivo ingresso das mercadorias; b) é improcedente a glosa dos custos motivada por pagamentos a empresas declaradas inidôneas pois os processos de inaptidão são posteriores às compras efetuadas; assim, a declaração de inaptidão lavrada e publicada posteriormente às compras, não pode atingir fatos anteriores à sua edição; c) o recebimento e o pagamento das mercadorias foi comprovado, conforme descrição das planilhas e comprovantes de pagamento; não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, objeto das glosas, em ofensa ao princípio da verdade material; d) o fato de em suas diligencias a fiscalização não lograr êxito em localizar os fornecedores não lhe assegura o direito de glosar as operações que eles mantiveram com a contribuinte, porque as operações se referem ao ano de 2004 e a maioria das diligencias e manifestações de inaptidão se deu apenas a partir do mês de dezembro/2007; e) a legislação que prevê a inidoneidade de documentos emitidos por pessoa jurídica com inscrição no CNPJ inapta resguarda o contribuinte de boafé, adquirente de bens, direitos e mercadorias que comprove a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça; Fl. 8449DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 5 4 f) é improcedente a aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício, que incidem sobre o mesmo fato gerador e idêntica base de cálculo, pois com o levantamento do balanço anual que apurou o valor do tributo que não foi declarado e não pago, não há estimativa e, por decorrência aplicase apenas multa de ofício; g) a imposição da multa agravada ressentese da efetiva comprovação do evidente intuito de fraude. Ao final requereu realização de perícia contábil, ao mesmo tempo em que indicou o perito e relacionou quesitos a serem respondidos (fls. 5176/5177). Vindos os autos para apreciação prolatouse a Resolução n. 1275, de 9 de outubro de 2009 (fls. 7703/7706), que decidiu pelo retorno dos autos à unidade de origem para colher as providências a seguir: a) manifestação conclusiva da autoridade fiscal no sentido de a empresa ter ou não recebido os bens, além do registro contábil dos produtos a que se referem as quantias objeto de glosa, bem assim discriminação na planilha de fls. 5135/5137 de quais importâncias referemse a pagamento direto a fornecedor e quais referemse a pagamentos a terceiros beneficiários; b) com base no demonstrativo de fls. 5135/5137, intimar a contribuinte a relacionar, por documento fiscal, quais depósitos bancários são representativos de pagamentos dos referidos documentos, bem assim a justificar/comprovar eventuais insuficiências; c) intimar a contribuinte a apresentar documentação probatória de relação de negócio entre os fornecedores dos produtos adquiridos e o beneficiário dos créditos, nas situações em que os fornecedores indicam terceiros beneficiários; d) intimar a contribuinte a apresentar os contratos de cessão de crédito registrados relativamente às operações mantidas com empresas de fomento mercantil, em consonância com a legislação. Pela intimação lavrada em 4/4/2011 (fls. 7749/7750) a contribuinte foi notificada a apresentar documentos relacionados com os quesitos antes referidos. Em atendimento encaminhou cópia do livro Razão, Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado do Exercício. Justificou a apresentação de planilhas de controle de estoque em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, com base no art. 388 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Quanto à comprovação da relação de negócio entre o fornecedor/cedente e a empresa de factoring/cessionário, alegou que não se encontra dentre os obrigados a prestar informações, Fl. 8450DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 6 5 como prevê o art. 197 do CTN. Arguiu que é descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre os terceiros antes referidos pois eles não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais (fls. 7754/7756). A autoridade fiscal teceu esclarecimentos complementares para cada uma das fornecedoras cujas notas fiscais foram glosadas (fls. 8342/8351), confirmando as irregularidades antes referidas, a saber, empresa inapta, inativa, inexistente de fato, não cadastrada na respectiva Secretaria de Fazenda do Estado de localização, além do fato de que ditas empresas praticaram operações irregulares. No que se refere aos quesitos especificados ao final da resolução, a autoridade fiscal respondeu que: a) Manifestação conclusiva da autoridade fiscal no sentido de a empresa ter ou não recebido os bens, além do registro contábil dos produtos a que se referem as quantias objeto da glosa, bem assim discriminação na planilha de fls. 4829/4831 de quais importâncias referemse a pagamento direto a fornecedor e quais referemse a pagamentos a terceiros beneficiários. A intimada não apresentou o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema equivalente. Forneceu tão somente os demonstrativos contendo a movimentação mensal do couro (fls. 7908 a 7943), o que restou, neste particular, prejudicada uma análise conclusiva. Juntamos ao processo as contas do livro razão em que foram escrituradas as notas glosadas (custos, fornecedores, descontos obtidos, bancos e caixa), bem como a planilha elaborada pela fiscalização contendo os dados solicitados (fls. 7449 a 7599, 7602 a 7799 e 7802 a 7882 planilha vide observ., em especial o contido na letra "d"). Entendemos que a documentação carreada aos autos, adicionada pelos esclarecimentos complementares de fls. 8034 a 8043, permitem (sic) a tomada de decisão. b) com base no demonstrativo de fls. 5135/5137, intimar a contribuinte a relacionar, por documento fiscal, quais depósitos bancários são representativos de pagamentos dos referidos documentos, bem assim a justificar/comprovar eventuais insuficiências; A planilha citada anteriormente, elaborada em conformidade com os elementos existentes no processo, contém, s.m.j., as informações solicitadas. Intimada, a contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada. Consta da Ficha Cadastral Simplificada, emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, o registro de que fora determinado o processamento de recuperação judicial, com a Fl. 8451DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 7 6 nomeação de administrador judicial, acréscimo da expressão “em recuperação judicial” após o nome empresarial (fl. 8354). Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 EMPRESA INAPTA. CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por empresa declarada inapta se inexistir efetiva comprovação de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA. No caso de opção pela apuração anual do IRPJ, quando o sujeito passivo deixa de apurar e recolher as estimativas mensais, é cabível o lançamento da multa isolada. (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de diligência ou perícia deve ser denegado se estiverem presentes nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos. MULTA QUALIFICADA. DOLO. INTENÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. Demonstrada a intenção dolosa, aplicase a multa de ofício qualificada. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou contrato particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 8379 e ss.): Fl. 8452DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 8 7 a) é nulo o lançamento, por cerceamento do direito de defesa, tendo em conta que o auditor fiscal deixou de apreciar os elementos de prova ofertados pela fiscalizada; b) é nula a decisão de primeira instância, também por cerceamento do direito de defesa, haja vista o indeferimento de seu pedido para realização de perícia, a qual revelavase indispensável ao julgamento da impugnação; c) os atos declaratórios exarados pelo fisco, acerca da suposta inidoneidade dos documentos emitidos pelas empresas fornecedoras da contribuinte, não podem retroagir para alcançar operações realizadas antes da data de sua publicação. Ademais, em violação ao que determina o art. 80, § 4º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2010, as referidas declarações de inidoneidade não foram divulgadas no sítio da Secretaria da Receita Federal na internet; d) o lançamento foi efetuado pela simples presunção de que, tendo as empresas fornecedoras da contribuinte sido declaradas inaptas, as operações de aquisição de mercadorias não teriam efetivamente ocorrido. Tal presunção, todavia, não pode prevalecer uma vez que há nos autos farta comprovação da efetividade daquelas operações de compra, tais como comprovantes de recebimento dos produtos adquiridos e comprovantes dos respectivos pagamentos; e) é incabível a exigência de multa isolada, especialmente a qualificada, quando houver concomitantemente o lançamento da multa de ofício, como no caso presente; f) incabível, também, a exigência de multa de ofício qualificada, uma vez que não houve intuito de fraude por parte da contribuinte. Pede ainda a recorrente a realização de perícia a fim de que sejam respondidos os quesitos indicados à fl. 8440 e ss. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Registrese em primeiro lugar que as remissões às folhas do processo feitas neste voto referemse à numeração digital. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento Cerceamento do Direito de Defesa Pede a interessada seja declarado nulo o lançamento, por cerceamento de seu direito de defesa, sob o argumento de que a autoridade fiscal não teria examinado os documentos por ela apresentados ao longo da fase de fiscalização. Fl. 8453DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 9 8 Não assiste razão à recorrente. De fato, como é possível observar no abaixo transcrito trecho do termo de verificação fiscal, a autoridade examinou os documentos apresentados pela interessada (fl. 5126): Diante destas irregularidades a fiscalização efetuou diligências em parte das empresas fornecedoras, e o resultado da maioria delas foi: constatação de inexistência de fato com proposta de Inaptidão. As notas fiscais emitidas por tais empresas foram consideradas inidôneas. Houve emissão e utilização farta de notas fiscais inidôneas anexadas às folhas 333 a 3161, juntamente com pagamentos apresentados e cartas de cessão de crédito. Para melhor análise, e formação de convicção, foram anexados, também, cópias dos relatórios lavrados quando da realização das referidas diligências (folhas 3162 a 3479) . (Grifamos) O contribuinte apresentou cópias de bilhetes de pesagem e guias "RPA" Recibo de pagamentos a autônomos. Porém, tais documentos não são suficientes para comprovar a entrada da mercadoria. em seu estabelecimento. Neste sentido, há os acórdãos 1421.906, 1422.212, 1421.953, 1422.125 e 14 22.126 prolatados pela 4 a truma da DRJ/RPO, e o acórdão 14 22.117 prolatado pela 2 a turma da DRJ/RPO, os quais prescrevem o seguinte: (Grifamos) (...) Ademais, segundo jurisprudência pacífica deste Conselho, não há que se falar em cerceamento do direito defesa do sujeito passivo por atos praticados pela autoridade durante a ação fiscal. Como é cediço, o procedimento fiscal é regido pelo princípio inquisitório. Nesta fase deve ao auditor verificar se o sujeito passivo encontrase, ou não, adimplente com suas obrigações tributárias principal e acessórias. Ao sujeito passivo compete, apenas, atender às intimações fiscais que lhe forem dirigidas. O direito à ampla defesa e ao contraditório é garantido somente na fase litigiosa quando, não se conformando com a autuação, o sujeito passivo propõe impugnação ao feito fiscal. É o que se extrai do disposto no art. 14 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Em outras palavras, não há que se falar propriamente em existência de litígio durante a fase do procedimento fiscalizatório, daí porque nesta fase o sujeito passivo não pode ser qualificado como litigante. Não é outro também o entendimento que se dessume do art. 5º, LV, da Constituição da República, aludido pela defesa. De fato, como estampado naquela norma, o direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido aos “litigantes”, no âmbito de “processos” judiciais ou administrativos, e não em “procedimentos” administrativos. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros Fl. 8454DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 10 9 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (Grifamos) (...) Pelo acima exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pela defesa. 3) Da Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida Indeferimento do Pedido de Perícia Pede a interessada seja declarada a nulidade da decisão recorrida em razão de órgão de primeiro grau haver indeferido o pedido de perícia formulado na impugnação, cerceando, assim, o seu direito de defesa. Sobre o pedido de perícia o art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72, assim estabelece: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifamos) (...) Como se depreende da norma sob exame, o indeferimento do pedido de perícia não é causa, por si só, de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa. O vício em questão somente ocorreria acaso o órgão julgador deixasse de expor as razões pelas quais entendeu desnecessária ou impraticável a providência, algo que, no caso, não ocorreu, conforme se vislumbra no trecho da decisão de primeiro grau abaixo transcrito (fl. 8367): No que diz respeito ao pedido de perícia, entendo que é desnecessário seu acolhimento, em face de que as informações requisitadas pela Resolução n. 1.275, de 9/10/2009, objeto da intimação de 4/4/2011, têm a mesma natureza do que pleiteou a contribuinte (fls. 7703/7706, 7749/7750). (...) Isso posto, voto por indeferir a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau. 3) Do Pedido de Perícia Em seu recurso voluntário a interessada renova seu pedido de perícia, a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos (fl. 8397 e ss.): Fl. 8455DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 11 10 1) As mercadorias constantes nas notas fiscais cujos valores foram glosados, efetivamente deram entrada na empresa, como comprovam os conhecimentos, fretes, romaneios, registros fiscais e contábeis? 2) Existem pagamentos, devidamente comprovados das mercadorias objeto das notas fiscais glosadas? 3) Os estoques iniciais e finais no período objeto da ação fiscal, guardam proporção com as compras e saídas, levando em consideração as notas fiscais glosadas? 4) A empresa mantinha controle efetivo das entradas, saídas, produtos em elaboração e acabados? Se positivo, são compatíveis com as mercadorias compradas, cujas notas fiscais foram rejeitadas pelo fisco? 5) A fiscalização para formalizar o lançamento, realizou levantamento fiscal, objetivando a exatidão das compras, saídas e estoques no período fiscalizado? Os quesitos que a interessada deseja ver respondidos são, todos, relativos a matéria contábil. Ocorre que, sendo o CARF um órgão especializado no julgamento de litígios tributários, seus membros detêm competência para se pronunciarem sobre questões contábeis, sendo portanto incabível o deferimento de pedido de perícia quanto a essa matéria. Ademais, como se verá ao longo dos próximos itens deste voto, os elementos acostados aos autos durante a fase de fiscalização, acrescidos daqueles juntados quando da realização da diligência solicitada pelo órgão de primeiro grau, são suficientes à formação da convicção do julgador. Isso posto, voto por indeferir o pedido de perícia. 4) Dos Atos Declaratórios de Inaptidão dos Fornecedores Parte dos custos escriturados pela contribuinte no anocalendário de 2004, referentes à aquisição de couro bovino junto aos 16 fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. Referida glosa (fl. 5135 e fls. 8328/8341) corresponde a aproximadamente 10,8% do total dos custos informados pela autuada em sua DIPJ/2005 (fl. 8303). Em seu recurso voluntário a interessada alega que os atos declaratórios de inaptidão de seus fornecedores foram exarados a partir de 2008, daí porque não poderiam produzir efeitos retroativamente para alcançar operações efetuadas em 2004, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp 1.148.444–MG. Argumenta, ainda, que não há ato declaratório para alguns dos 16 fornecedores apontados pelo auditor, e que, para os demais, os atos padecem de vício formal pois não foram publicados no sítio da RFB na internet, conforme previsto no art. 80, § 4º, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 11.941/2009. Pois bem, sobre o assunto os arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, assim estabelecem: Fl. 8456DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 12 11 Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (Grifamos) Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. (Grifamos) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. O art. 81 acima transcrito trata das hipóteses de declaração de inaptidão da inscrição de uma pessoa jurídica junto ao Cadastro Geral de Contribuintes CGC (atualmente denominado de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ). Entre essas hipóteses, a que mais nos interessa no presente caso é a da pessoa jurídica inexistente de fato, ou seja, aquela pessoa que não possui existência real (estabelecimento, bens necessários à consecução de seus objetivos etc), mas apenas formal (registro dos atos constitutivos, inscrição estadual, inscrição no federal etc.). Já o art. 82 cuida de um dos efeitos da declaração de inaptidão, qual seja, a presunção de inidoneidade dos documentos emitidos pela pessoa jurídica declarada inapta, ressalvada ao sujeito passivo a produção de prova em contrário. Tratase aqui de presunção legal relativa cujo efeito, como é cediço, é a inversão do ônus da prova. Em assim sendo, declarada a inaptidão da pessoa jurídica, caberá ao interessado que com ela manteve negócios comprovar o recebimento dos bens e o respectivo pagamento, sem o que poderá o fisco presumir que aqueles negócios efetivamente não ocorreram. Embora tratando de questão relativa à legislação do ICMS, em especial do art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, a decisão do STJ apontada pela recorrente, exarada no âmbito do REsp 1.148.444–MG, vai ao encontro do estabelecido no art. 82 da Lei nº 9.430/96, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, Fl. 8457DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 13 12 porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) (Grifamos) (...) 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. (Grifamos) 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A fim de esclarecer a decisão acima referida, há que se dizer que o mencionado art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, abaixo transcrito, ao contrário do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, não ressalva a possibilidade de o interessado produzir prova em contrário à presunção de não ocorrência dos negócios registrados nas notas fiscais declaradas inidôneas. Art. 23. O direito de crédito, para efeito de compensação com débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que tenha recebido as mercadorias ou para o qual tenham sido prestados os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e condições estabelecidos na legislação. (Grifamos) Ao interpretar a referida norma o fisco estadual entendeu que ela estabelecia uma presunção legal absoluta, que, como tal, não admite prova em contrário por parte do interessado no crédito, não importando se a nota fiscal havia sido emitida antes ou após a publicação do ato que a declarou inidônea. Por meio da decisão acima mencionada o STJ flexibilizou a interpretação do fisco estadual, mas, s.m.j., somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização Fl. 8458DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 14 13 da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir prova em contrário, caso em que fará jus ao crédito. Tratase, assim, de presunção legal relativa. Já em relação às notas fiscais emitidas após à publicação do ato que as declarou inidôneas, pareceme, pela leitura do inteiro teor do REsp 1.148.444–MG, que a interpretação emprestada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996 é de que se trata de presunção legal absoluta, como defendido pelo fisco estadual, sendo por conseguinte incabível o creditamento do ICMS, ainda que o adquirente viesse a comprovar a efetividade da operação. Seja como for, no presente processo administrativo não há dúvida de que as notas fiscais objeto da glosa foram emitidas pelos fornecedores da contribuinte antes de publicados os atos declaratórios de sua inidoneidade. Em assim sendo, seja com base no art. 82, parágrafo único, da Lei n 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário. E foi exatamente isso que a ora recorrente procurou fazer desde a fase de fiscalização até a presente fase recursal. Tais provas, contudo, foram consideradas, tanto pela autoridade lançadora quanto pela autoridade julgadora de primeiro grau, como insuficientes à comprovação do recebimento das mercadorias e do pagamento do respectivo preço. Isso posto, no âmbito do presente recurso, em que a interessada reitera seus argumentos, caberá a esta Turma decidir, pelo exame dos elementos juntados aos autos pela contribuinte, se esta se desincumbiu do ônus de provar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço. Mas há mais. A rigor, uma vez que a autoridade fiscal também produziu provas que, sob sua ótica, são suficientes à comprovação de que as operações sob exame não ocorreram (em especial, diligências juntos aos fornecedores da contribuinte), sequer haveria necessidade, ao menos para os fins do presente processo, que propusesse às DRFs competentes a declaração de inaptidão das pessoas jurídicas fornecedoras (vide processos de representação à fl. 3461 e ss.). De fato, é preciso ter em conta que uma das principais funções do ato declaratório de inaptidão da pessoa jurídica “A” é dispensar o auditor, que esteja fiscalizando a pessoa jurídica “B”, de produzir prova da inidoneidade das notas fiscais emitidas por “A”. Assim, basta ao auditor acostar aos autos o ato declaratório de inaptidão de “A” para que o ônus da prova se inverta, cabendo então a “B” fazer prova do recebimento da mercadoria adquirida junto a “A” e do pagamento do preço. Mas, como já afirmado, no caso dos autos o auditor não lastreou sua autuação exclusivamente nos atos declaratórios de inaptidão dos fornecedores da contribuinte. Muito ao contrário, cuidou de colacionar elementos materiais que, em seu entender, provam a não ocorrência das operações descritas nas notas fiscais glosadas. Em assim sendo, a alegada inexistência de ato declaratório para alguns fornecedores, bem como a suposta ocorrência de vício formal nos atos declaratórios dos demais fornecedores (não publicação no sítio da RFB na internet), de modo algum seriam suficientes para afastarse, de pronto, o lançamento. Resumindo, a existência e validade dos atos declaratórios de inaptidão dos 16 fornecedores da contribuinte são questões cuja solução de modo algum porá fim ao litígio de Fl. 8459DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 15 14 que cuida o presente processo pois o lançamento, em tese, poderia se sustentar apenas nos elementos de prova trazidos aos autos pelo fisco. Nesse sentido, o litígio somente será solucionado por meio do exame e da valoração dos elementos de prova trazidos pela recorrente, pela fiscalização e pela diligência solicitada pela DRJ. É o que se passa a fazer. 5) Do Exame dos Elementos de Prova Em seu termo de verificação fiscal (fl. 5125 e ss.) o auditor afirma serem inidôneas, para fins de comprovar as transações nelas registradas, as notas fiscais apresentadas pela contribuinte para amparar a dedução de custos relativos à aquisição de couro bovino junto a 16 fornecedores deste produto. Lastreia sua afirmação nos fatos por ele apurados quando da realização de diligências junto aos fornecedores (fls. 3462/3780), bem como em documentos apresentados pela contribuinte em resposta a intimações fiscais a ela dirigidas (fls. 334/3461 e fls. 3803/5044). A relação dos custos glosados encontrase às fls. 3781 a 3802. A contribuinte, por sua vez, contesta a mencionada glosa de custos mediante a apresentação de elementos que, a seu juízo, comprovam tanto a efetiva entrega da mercadoria quanto o respectivo pagamento. Em anexo a sua impugnação a interessada juntou os documentos já apresentados durante a fiscalização, mas de uma forma mais organizada (fls. 5232/7658). Argumenta ainda que adquiriu os produtos de boafé, e que não pode ser responsabilizada por eventuais irregularidades cometidas por seus fornecedores. O julgamento de primeiro grau foi convertido em diligência, havendo, então, a autoridade fiscal designada, juntado aos autos o relatório de diligência e os documentos que serviram de base à resposta aos quesitos formulados pela DRJ (fl. 7707/8360). Não foi apresentada pela interessada contrarrazões ao relatório de diligência. O órgão a quo julgou improcedente a impugnação. A recorrente não apresentou novos elementos de prova em anexo ao voluntário. Dito isso, passemos ao exame dos elementos de prova presentes nos autos, relativamente a cada um dos fornecedores investigados. No item 6 do voto trataremos de valorar as provas aqui examinadas. 5.1) Alexandra Nagle Gonçalves dos Reis Rodrigues Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3461 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) a atividade declarada é o comércio varejista de carnes (açougue), e não o comércio de couros; b) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Jacareí – SP; c) o proprietário do imóvel onde deveria funcionar a empresa declarou que o contrato de locação encerrouse em dezembro de 2003, não tendo sido renovado; d) consta como “não habilitado”, desde 31/12/2003, no cadastro do Fisco paulista; Fl. 8460DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 16 15 e) os pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foram feitos a terceiro, por meio de cessão de crédito; f) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 06/11/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 31/12/2003. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5232 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 07/10/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 54.600,00, emitidas pelo fornecedor no mês de março de 2004; c) comprovante bancário de pagamento feito à NEC Negócios Complementares Ltda., acompanhado de instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) a essa empresa (cessionário); d) ticket de pesagem de carga emitido pela própria recorrente, e recibo de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) o fornecedor, supostamente domiciliado em Jacareí – SP, cedeu seu crédito à NEC Negócios Complementares Ltda., que se encontra domiciliada em Belo Horizonte – MG; b) a NEC Negócios Complementares Ltda. também aparece como cessionária de outros fornecedores da recorrente que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda. e Karla Patrícia Lessa Paim. 5.2) Comercial St. Paul Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3522 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São Paulo – SP; b) seus sócios não possuem capacidade econômica para realização das atividades da empresa; c) os sócios outorgaram a terceiro amplos poderes de administração da pessoa jurídica, indicando interposição de pessoas; d) o Fisco paulista declarou como inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 09/12/2003; Fl. 8461DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 17 16 e) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; f) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 27/02/2009, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 25/09/2002. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5241 e ss.): a) extrato de consulta ao CNPJ realizada em 30/07/2008, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase em situação “ativo” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 4.951.599,21, emitidas pelo fornecedor entre os meses de abril e agosto de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; b) a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que também vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; c) a cessionária Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda. recebeu créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, M J Aragão Cruz, Montana Comércio de Óleos Ltda. e WG Couros Ltda. 5.3) Frigorífico Alta Noroeste Ltda. Frigoan Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3554 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Araçatuba SP; b) seus sócios não possuem capacidade econômica para realização das atividades da empresa; c) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; Fl. 8462DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 18 17 d) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 13/06/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 27/12/2002. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5842 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 19/10/2005, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 2.044.380,40, emitidas pelo fornecedor entre os meses de março e agosto de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; c) as cessionárias Ibituruna Couros Ltda. ME e Norte Sul Comércio de Couros Ltda. receberam créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Comércio de Couros Celeste Ltda. e Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda.; d) também figurou como cessionária de créditos a empresa Lacerda Couros Ltda., que aparece como fornecedor investigado nos autos deste processo. 5.4) Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. (Itacouros) Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3577 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) seu domicílio tributário, em Itabuna – BA, sequer existe fisicamente; b) os sócios da empresa não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; Fl. 8463DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 19 18 d) o Sr. Francisco Barros Montes e a empresa Curtume Souza Ltda., que figuram como cessionários de créditos do fornecedor, afirmaram que nunca mantiveram relações comerciais com este; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 23/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 27/12/1999. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 5982 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 21/07/2003, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 1.632.972,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e setembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; c) os cessionários Manoel Medici de Souza, Norte Sul Comércio de Couros Ltda. e Jadelson Sardinha Brandão receberam créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, M J Aragão Cruz ME, Marfabi Agro Comercial Ltda., Nelore Couros Ltda., Comércio de Couros Celeste Ltda. e Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda.; 5.5) M J Aragão Cruz ME (M A Comércio de Couros) Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3616 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Mata de São João – BA; b) o titular da firma individual informou que inicialmente o objeto da empresa era o comércio de carnes (açougue), mas que essa atividade encerrouse em 2002, e a partir de então passou a eventualmente representar a empresa Sergicouros na venda de couro, onde recebia apenas comissão; Fl. 8464DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 20 19 c) afirmou também desconhecer a emissão de aproximadamente R$ 15.000.000,00 em notas fiscais de sua empresa; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 27/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 24/04/2002; Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6080 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 27/09/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 10.989.000,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) diversas notas fiscais em seqüência numérica e valores idênticos; c) boa parte dos pagamentos realizados pela recorrente a este fornecedor se deu em valores muito inferiores àqueles constantes das notas fiscais; d) há notas fiscais com numeração repetida; e) diversos pagamentos feitos via conta Caixa; f) baixas contábeis efetuadas no ano de 2006; g) na condição de cessionária, a Sergicouros transferiu créditos para terceiros, sem encargos, após 17 meses da emissão da documentação fiscal pelo fornecedor. 5.6) Marfabi Agro Comercial Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São Paulo – SP; Fl. 8465DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 21 20 b) um dos sócios também não foi localizado em seu domicílio tributário. O outro afirmou jamais haver participado como sócio em nenhuma empresa; c) o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 11/07/2003; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 04/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 16/06/2003. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6786 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 03/11/2003, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 1.725.955,50, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e junho de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004; b) apesar de estar supostamente domiciliado em São Paulo – SP, cedeu crédito a pessoas supostamente domiciliadas em Aracaju – SE, Belo Horizonte MG, Bom Despacho MG, Feira de Santana – BA. 5.7) Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São José do Rio Preto – SP; b) os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 17/06/2004; Fl. 8466DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 22 21 d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 31/01/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 17/06/2004. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6900 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 03/03/2005, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 351.680,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de novembro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) a cessionária Norte Sul Comércio de Couros Ltda. recebeu crédito, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. e Comércio de Couros Celeste Ltda. 5.8) Montana Comércio de Óleos Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3759 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) o domicílio tributário informado à SRF, em São Paulo – SP, sequer existe fisicamente; b) um dos sócios não foi localizado em seu domicílio tributário. O outro afirmou jamais haver participado como sócio em nenhuma empresa; c) o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de 26/04/2004; d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 12/02/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 10/03/2004. Fl. 8467DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 23 22 Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6929e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 31/08/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 727.252,84, emitidas pelo fornecedor entre os meses de maio e agosto de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro; b) foram baixados diversos valores via conta Caixa. 5.9) Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3652 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) o estabelecimento matriz não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Belo Horizonte – MG. O mesmo se diga em relação à filial, que deveria estar domiciliada em Nova Serrana – MG; b) o único sócio identificado também não foi localizado em seu domicílio tributário; c) o Fisco mineiro “bloqueou” a empresa em 27/04/2004 em razão de seu desaparecimento; d) o Fisco estadual também informou que o Banco do Brasil não reconheceu a autenticação aposta nas guias de recolhimento antecipado do ICMS na saída interestadual de couro bovino dos meses de junho a agosto de 2004, bem como do ICMS sobre as respectivas operações de transporte, razão pela qual o imposto foi lançado de ofício; e) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; f) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 13/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 01/01/2003. Fl. 8468DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 24 23 Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 6986 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 15/10/2005, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “não habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 3.678.150,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de março e agosto de 2004; c) comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga; e) conhecimentos de transporte. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) ocorreram baixas contábeis nos anos de 2005 a 2007, tendo como origem notas fiscais emitidas em 2004. Diversos valores baixados tiveram como contrapartida a conta “Caixa”; b) a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro. Intimada, a cessionária declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor. 5.10) Trajano Comércio de Óleos Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3705 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Taboão da Serra – SP; b) os sócios, intimados, informaram jamais haverem participado da sociedade; c) o Fisco paulista considerou inidôneos os documentos emitidos pela pessoa jurídica a partir de 20/07/2004; d) o pagamento realizado em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feito a terceiro por meio de cessão de crédito; e) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 28/02/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 20/07/2004. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7216 e ss.): Fl. 8469DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 25 24 a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 14/04/2008, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “não habilitado” neste cadastro; b) indicação da única nota fiscal glosada, no valor de R$ 105.977,25, emitida pelo fornecedor no mês de setembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos ao terceiro, acompanhados do respectivo instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário); d) ticket de pesagem de carga emitido pela própria recorrente. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) a cessionária Indústria de Rações Bondespachense Ltda. recebeu créditos, na mesma condição, de outro fornecedor que também teve notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, qual seja, Marfabi Agro Comercial Ltda. 5.11) WG Couros Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para inaptidão da empresa (fl. 3727 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Esmeraldas – MG; b) os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários; c) o Fisco mineiro informou que a pessoa jurídica encontrase bloqueada desde 01/12/2006; d) em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em 24/03/2008, em razão de sua inexistência de fato, tendo os documentos por ele emitidos sido considerados inidôneos a partir de 22/05/2001. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7224 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 16/06/2006, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 4.927.500,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feito ao terceiro R.S.P. Fomento Mercantil Ltda., acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Fl. 8470DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 26 25 Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) ocorreram diversas baixas contabilizadas ao longo dos anos de 2005 e 2006, destacandose o lançamento efetuado em 19/07/2005; b) a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro. Intimada, a cessionária declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor; c) cessões de créditos contendo redação semelhante às emitidas por outras “noteiras”; d) pagamentos de duplicatas efetuados à Marfrig. 5.12) Lacerda Couros Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados (em especial fl. 3251 e ss.): a) supostamente domiciliada em Nova Era – MG; b) apenas R$ 50.000,00, referente a parte de uma nota fiscal de venda de couro à ora requerente, no valor de R$ 126.000,00, foi objeto de exame pela fiscalização; c) cedeu a parte do crédito acima referido à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente; d) intimada, a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu (cessionária) negou a existência de qualquer relação comercial com o fornecedor em questão (cedente), que justificasse a cessão do crédito. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7633 e ss.): a) relação de notas fiscais, no valor total de R$ 5.215.500,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de março e novembro de 2004; b) comprovante bancário de pagamento feitos ao terceiro, acompanhado do respectivo instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário); c) ticket de pesagem de carga emitido pela própria recorrente, e recibo de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) o suposto fornecedor cedeu o crédito à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente. Fl. 8471DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 27 26 5.13) Karla Patrícia Lessa Paim Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados (em especial fl. 3319 e ss. e fl. 3350 e ss.): a) supostamente domiciliado em Sabará – MG; b) apenas duas notas fiscais de venda de couro à ora requerente, no valor de R$ 138.000,00 e R$ 138.300,00, respectivamente, foram objeto de exame pela fiscalização; c) cedeu parte do crédito, no valor de R$ 253.103,00, à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente; d) intimada, a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu (cessionária) negou a existência de qualquer relação comercial com o fornecedor em questão (cedente), que justificasse a cessão do crédito. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7643 e ss.): a) relação de notas fiscais, no valor total de R$ 783.700,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de outubro e novembro de 2004; b) comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros, acompanhados do respectivo instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); c) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) o suposto fornecedor cedeu o crédito à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente. 5.14) Comércio de Couros Celeste Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no relatório da diligência realizada pelo Fisco estadual (fl. 3771 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) seu domicílio tributário, localizado em Pirangi – SP, não reúne condições de infraestrutura para o exercício do comércio de couro; b) sócio gerente, entrevistado pela fiscalização paulista, demonstrou não possuir conhecimento dos negócios da empresa; c) em agosto de 2004 adquiriu couro junto à empresa Comércio de Couros Marapoama Ltda., a qual encontrase na situação “não localizada” desde 05/09/2003; Fl. 8472DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 28 27 d) em setembro de 2004 adquiriu couro junto à empresa Minalva Comércio de Couros Ltda., sendo que nas respectivas notas fiscais constam como transportadores dessas mercadorias veículos sem capacidade de transporte, tais como motocicletas e automóveis de passeio, bem como veículos cujo registro não foi encontrado; e) documentação obtida junto à ora recorrente, relativa às notas fiscais nos 001 a 006, 030 e 031, aponta que os pagamentos por estas supostas aquisições foram efetuados diretamente, por transferências bancárias, à empresa Norte Sul Comércio de Couros Ltda., localizada no município de Campo Belo MG. Não existe documento que aponte a existência de qualquer relação comercial entre este fornecedor (cedente) e Noite Sul Com. de Couros Ltda. (cessionário) que pudesse justificar tais transferências de numerário; f) pelo acima exposto todos os documentos emitidos pelo fornecedor foram considerados inidôneos pelo Fisco estadual. Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7546 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 26/10/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 558.440,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de agosto e setembro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros, acompanhados dos respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários); d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há registro de empregados para este fornecedor no ano de 2004; b) a Norte Sul Comércio de Couros Ltda., principal cessionária, também recebeu valores provenientes das “noteiras” Frigoan Frigorífico Alta Noroeste Ltda. e Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. c) ademais, a Norte Sul Comércio de Couros Ltda. é domiciliada no município de Campo Belo MG, ao passo que a cedente tem como endereço propriedade rural localizada em Pirangi – SP. 5.15) Nelore Couros Ltda. Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados: a) supostamente domiciliado em Conselheiro Lafaiete, MG; Fl. 8473DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 29 28 b) foi considerado como “não habilitado” pelo Fisco estadual em 01/08/2003, em razão de seu “desaparecimento” (fl. 3777); c) foi considerado “inapto” pela SRF em razão de sua condição de omisso não localizado, conforme ato publicado em 20/07/2004, com efeitos a partir de 11/02/1999 (fl. 3778); d) boa parte dos pagamentos realizados em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito; Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7598 e ss.): a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 05/02/2004, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 540.000,00, emitidas pelo fornecedor no mês de janeiro de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros; d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionário registrados pelo fornecedor em 2004; b) os cessionários Jadelson Sardinha Brandão, Manoel Medici de Souza, Carlos Chaves Rego Jr. e Cláudio César Bueno Henrique receberam créditos, na mesma condição, de outros fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como, Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda., Marfabi Agro Comercial Ltda. e M J Aragão Cruz ME; c) foram ainda constatadas algumas anormalidades, como notas fiscais emitidas em seqüência numérica, a maioria com valores idênticos e descontos elevados. 5.16) Santos Soares Dias Sobre o fornecedor acima referido constam, entre outras, as seguintes informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.) e nos documentos a eles anexados: a) supostamente domiciliado em Montes Claros – MG; b) foi considerado pela SRF como “inapto” por motivo de inexistência de fato, conforme ato publicado em 23/11/2004, com efeitos a partir de 11/02/1999 (fl. 3779). Como forma de comprovar sua boafé, bem como o efetivo recebimento da mercadoria e seu respectivo pagamento, a recorrente juntou os seguintes documentos, entre outros (fl. 7625 e ss.): Fl. 8474DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 30 29 a) extrato de consulta ao Sintegra/ICMS realizada em 07/04/2008, onde consta que naquela data o fornecedor encontravase “não habilitado” neste cadastro; b) relação das notas fiscais glosadas, no valor total de R$ 135.000,00, emitidas pelo fornecedor entre os meses de fevereiro e maio de 2004; c) comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros; d) tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a autônomo pelo transporte da carga. Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.): a) não há informação sobre funcionário registrados pelo fornecedor em 2004; b) não foram exibidos sequer os documentos de cessão de crédito; c) é anormal o desconto concedido à nota fiscal nº 49286. 6) Da Valoração dos Elementos de Prova No item 5 deste voto e em seus subitens examinamos os elementos de prova trazidos aos autos pela fiscalização, pela contribuinte e pela autoridade que realizou a diligência solicitada pela DRJ. Passemos agora a sua valoração, primeiro no que toca ao recebimento da mercadoria e depois quanto ao pagamento do respectivo preço, conforme exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. 6.1) Do Recebimento do Couro A fim de provar o efetivo recebimento da mercadoria a contribuinte juntou aos autos tickets de pesagem de carga e recibos de pagamento a autônomo (RPAs) pela suposta prestação do serviço de transporte da carga. Pois bem, a meu juízo, o valor probatório desses elementos é relativamente baixo, haja vista que tanto os tickets de pesagem de carga quanto os RPAs são documentos de emissão do próprio autuado. Maior força probante teriam os conhecimentos de transporte rodoviários de cargas (CTRC), pois são documentos emitidos por terceiros não interessados, quais sejam, os transportadores das mercadorias. No entanto, a ora recorrente, apesar de estar obrigada a exigir dos transportadores a 2ª via do CTRC, que inclusive serviria como comprovante de entrega das mercadorias (vide art. 19, II, do Convênio Sinief nº 06/1989, mais adiante transcrito), não exibiu esse importante documento à fiscalização, nem os juntou aos autos posteriormente. Por outro lado a fiscalização apresentou como prova de sua acusação as diligências realizadas nos domicílios tributários dos 16 fornecedores objeto da auditoria e, em alguns casos, as diligências também efetuadas pelo fisco estadual (fl. 3461 e ss.). Nessas diligências restou cabalmente comprovado que os 16 fornecedores, à época em que emitidas as notas fiscais aqui glosadas (ano de 2004), não existiam nos endereços constantes das notas fiscais objeto da presente glosa, ou seja, não existiam em seus domicílios tributários. Fl. 8475DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 31 30 Embora esteja provado que, em 2004, os citados 16 fornecedores não existiam nos endereços constantes das notas fiscais glosadas, esse fato, por si só, não pode ser tomado como prova inequívoca de que a contribuinte não recebeu a mercadoria, pois ainda haveria a possibilidade que esses fornecedores estivessem desenvolvendo clandestinamente suas atividades em outros locais, que não em seus domicílios tributários. Nessa hipótese, a contribuinte poderia alegar, como realmente o fez, que não estava obrigada a saber que os 16 fornecedores não funcionavam em seus domicílios tributários. Todavia essa afirmação contradiz um dos elementos juntados pela própria contribuinte em sua defesa, qual seja, os recibos de pagamento a autônomo por ela emitidos em razão da alegada contratação dos serviços de transporte de carga. De fato, se é verdade que ora recorrente contratou os serviços de transporte do couro bovino (daí a emissão dos RPAs), é de se perguntar: qual o endereço que a contribuinte informou aos transportadores como local para recebimento da carga? Ora, o endereço para o qual o transportador deve se dirigir para receber a carga é informado pela contratante do serviço de transporte, no caso, pela contribuinte. E se a contribuinte os mandou receber a carga nos domicílios tributários de seus 16 fornecedores, então os transportadores não os encontrariam ali, pois, como visto, à época eles não existiam naqueles endereços. Também aqui o conhecimento de transporte rodoviário de carga poderia fazer prova a favor da (ou contra a) contribuinte. Neste documento, de emissão obrigatória por todos os transportadores, inclusive os autônomos, deve estar indicado, entre outras coisas, o local do recebimento da carga. Sobre a emissão do CTRT, o Convênio Sinief nº 06/1989 assim estabelece: Art. 16. O Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8, será utilizado por quaisquer transportadores rodoviários de cargas que executarem serviço de transporte rodoviário Intermunicipal, interestadual e internacional, de cargas, em veículos próprios ou afretados. (Grifamos) Parágrafo único. Considerase veículo próprio, além do que se achar registrado em nome da pessoa, aquele por ela operado em regime de locação ou qualquer outra forma. Art. 17. O documento referido no artigo anterior conterá, no mínimo, as seguintes indicações: (...) VI a identificação do remetente e do destinatário: os nomes, os endereços e os números de inscrição, estadual e no CGC ou CPF; VII o percurso: o local de recebimento e o da entrega; (Grifamos) VIII a quantidade e espécie dos volumes ou das peças; IX o número da nota fiscal, o valor e a natureza da carga, bem como a quantidade em quilograma (Kg), metro cúbico (m³) ou litro (l); Fl. 8476DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 32 31 (...) Art. 19. Na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas para destinatário localizado no mesmo Estado, o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido, no mínimo, em 4 (quatro) vias, que terão a seguinte destinação: I a 1ª via será entregue ao tomador do serviço; (Grifamos) II a 2ª via acompanhará o transporte até o destino, podendo servir de comprovante de entrega; (Grifamos) (...) Art. 20. Na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas para destinatário localizado em outro Estado, o Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido com uma via adicional (5ª via), que acompanhará o transporte para fins de controle do fisco do destino. (...) Isso posto, sobre o efetivo recebimento da carga, há que pesarse, pela lado da contribuinte, a debilidade das provas por ela trazidas aos autos (documentos de sua própria emissão), bem como a falta de juntada dos CTRC. Pelo lado do fisco pesa o fato, provado, de que os 16 fornecedores não existiam nos endereços informados nas notas fiscais glosadas, na época em que foram emitidas. Por fim, há ainda a questão, aqui levantada, sobre o local para onde os transportadores deveriam se dirigir a fim de receber a carga dos 16 fornecedores, já que foi a contribuinte quem contratou os serviços de transporte (vide RPAs). A valoração dessas provas, a meu juízo, autorizam concluir que a ora recorrente não se desincumbiu do ônus de provar, conforme exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, o efetivo recebimento da mercadoria (sobre o ônus da prova vide item 4 deste voto). 6.2) Dos Pagamentos pela Aquisição das Mercadorias A fim de provar o efetivo pagamento do couro que alega ter adquirido junto aos citados 16 fornecedores, a contribuinte apresentou os comprovantes bancários dos pagamentos (TED, transferência bancária etc.), bem como a grande maioria dos instrumentos de cessão de crédito dos fornecedores em favor de terceiros. Devese reconhecer desde já que os comprovantes bancários constituemse em elementos de prova aos quais devese atribuir elevado peso, já que, além de serem emitidos por terceiros não interessados no presente litígio, não seria crível que instituições financeiras fornecessem comprovantes bancários ideologicamente falsos a seus clientes. De seu lado, não nega o fisco a existência dos aludidos comprovantes bancários. Afirma entretanto que os pagamentos não tiveram como beneficiários os 16 fornecedores, e sim terceiros, por meio de cessão de crédito. Ademais, constatou o autor da diligência fiscal que parte dos créditos foi cedida a pessoas ligadas ao sócio majoritário da ora recorrente. Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 33 32 Pois bem, quanto aos contratos de cessão de crédito é de se dizer que tratase de um negócio jurídico legítimo, por meio do qual o cedente (no caso dos autos, o fornecedor) transfere ao cessionário (no caso dos autos, o terceiro) a sua posição de credor de um direito perante o devedor (no caso dos autos, a contribuinte). Havendo a contribuinte sido notificada por escrito da cessão de crédito dos fornecedores aos terceiros, em princípio nada há de irregular nos pagamentos feitos diretamente a estes. A situação se inverte, todavia, quando a autoridade que realizou a diligência solicitada pela DRJ constatou que em diversas ocasiões os fornecedores do couro cederam seus créditos às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que vêm a ser parentes da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio que detém 95% do capital social da autuada. Intimadas, aquelas senhoras declararam ao fisco que não mantiveram negócios com os cedentes do crédito, o que nos autoriza concluir que cessão teria se dado a título gratuito. Ademais, intimada do relatório de diligência, a ora recorrente não se manifestou sobre o assunto, nem em contrarrazões àquele relatório, nem no voluntário. Assim sendo, devese perguntar: (i) seria razoável crer que os supostos fornecedores do couro à contribuinte tenham cedido seus créditos a terceiros a título gratuito? (ii) ainda que positiva a resposta, seria razoável crer que os beneficiários da cessão gratuita dos créditos sejam pessoas ligadas justamente ao devedor dos títulos, no caso, a contribuinte? As respostas a ambas as perguntas há que ser, definitivamente, negativa. É de conhecimento público que, via de regra, as pessoas não cedem seus créditos (dinheiro a receber) a terceiros a troco de nada. Exceções podem existir, como, por exemplo, o caso do pai que cede o crédito a seu filho, mas esse não é o caso dos autos. Aqui os supostos fornecedores do couro, em diversas ocasiões, cederam gratuitamente seus créditos a pessoas que não eram a eles ligadas, e sim ligadas à contribuinte, devedora dos títulos. O fato de a contribuinte haver feito pagamentos a pessoas a ela ligadas, sem que houvesse entre estas pessoas e os cedentes do crédito (os supostos fornecedores de couro) qualquer relação negocial (a não ser a própria cessão gratuita do crédito), autoriza concluir, sem espaço para dúvida, que os citados pagamentos, apesar de comprovados (vide comprovantes bancários), não tiveram como causa a aquisição de couro junto àqueles supostos fornecedores. 6.3) Conclusão sobre a Valoração dos Elementos de Prova Conforme visto no item 6.1, a meu juízo, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o efetivo recebimento do couro bovino a que aludem as notas fiscais objeto da glosa. Recordese uma vez mais que, conforme explicado no item 4 do voto, o ônus da prova, no caso, recai sobre a contribuinte, uma vez que as citadas notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato, à época de sua emissão. Assim sendo, haja vista que a recorrente não logrou êxito em provar o efetivo recebimento do couro bovino registrado nas notas fiscais, não haveria sequer necessidade de examinarse a questão da comprovação do pagamento do respectivo preço, uma vez que o art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96 exige que a contribuinte comprove tanto o recebimento da mercadoria quanto o seu pagamento. Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 34 33 Ainda assim, no item 6.2, examinamos a questão dos pagamentos relativos às aquisições de couro bovino junto aos 16 fornecedores. Aqui a recorrente juntou aos autos os respectivos comprovantes bancários de pagamento tendo como beneficiários, via de regra, terceiros, cessionários dos créditos dos fornecedores pela suposta venda a prazo do couro bovino à contribuinte. Todavia, restou cabalmente provado pela fiscalização, ao menos em relação às cessões de crédito feitas pelos fornecedores às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que os respectivos pagamentos realizados pela contribuinte não tiveram como causa a alegada aquisição de couro bovino. Quanto aos demais pagamentos, é certo que poderíamos pedir a realização de nova diligência, já que a solicitada pela DRJ não teve como objeto a verificação da ligação entre os cessionários dos créditos (terceiros) e a contribuinte, ou entre aqueles e os cedentes. A realização de nova diligência, contudo, revelase desnecessária pois a contribuinte, como dito acima, deixou de provar o efetivo recebimento do couro bovino, condição necessária ao aproveitamento do custo dessas supostas aquisições. 7) Da Multa Qualificada Pois bem, admitido que a contribuinte reduziu indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante o registro contábil de compras de couro que efetivamente não existiram, não há como afastarse a qualificação da multa de ofício. Isso porque não há como crer que essas compras, cujo valor total superou R$ 32.000.000,00 no ano de 2004, tenham sido registradas na contabilidade por mero “erro” (falsa percepção da realidade) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia) da ora recorrente. Ao contrário, os fatos objeto de análise nos itens precedentes deste voto revelam, com clareza solar, que a contribuinte agiu voluntariamente (dolo). 8) Da Multa Isolada A decisão recorrida manteve tanto a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados por estimativas mensais, como a incidência da multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e a CSLL devidos ao final do anocalendário de 2004. Em suas razões, a contribuinte argumenta, em síntese, que a cobrança é indevida em razão de ambas as penalidades incidirem sobre a mesma base, o que implica dupla penalização. Inobstante as razões adotadas pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que a exigência da multa isolada deve ser afastada, em observância ao princípio da consunção. Segundo Damásio de Jesus (in Direito Penal, vol. 1), incide o princípio da consunção ou absorção, entre outras hipóteses, quando a prática de um determinado ato infracional constituise em meio necessário ou normal à prática de um segundo ato infracional. Assim, na hipótese de cometimento das duas infrações, a aplicação da norma que tipifica o ilícito “meio” é excluída, subsistindo apenas a aplicação da norma que tipifica o ilícito “fim”. Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/200929 Acórdão n.º 1201000.798 S1C2T1 Fl. 35 34 Esse é exatamente o caso dos autos. A falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL constitui infração ao art. 2º da Lei nº 9.430/96, conduta essa punível com multa isolada estabelecida no art. 44, § 1º, IV, da mesma Lei nº 9.430/96 em sua redação original. Todavia, referida conduta constituise em meio normal à prática da infração relativa à falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário, conforme estabelecido no art. 6º, § 1º, I, da Lei nº 9.430/96, infração essa punível com a multa de ofício proporcional a que se refere o art. 44, caput, da Lei nº 9.430/96 em sua redação original. Tendo em vista que a contribuinte cometeu as duas infrações, e em atenção ao princípio da consunção, a aplicação da norma “meio” é afastada, subsistindo apenas aplicação da norma “fim”, razão pela qual devese afastar a multa isolada. 9) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento, a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de perícia, e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908382/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDA DE OBJETO.
O processo administrativo fiscal instaura-se com a apresentação de Manifestação por parte do sujeito passivo da demanda e tem um objeto específico a alteração do pedido altera o objeto da discussão implica em impossibilidade de conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 3801-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDA DE OBJETO. O processo administrativo fiscal instaurase com a apresentação de Manifestação por parte do sujeito passivo da demanda e tem um objeto específico a alteração do pedido altera o objeto da discussão implica em impossibilidade de conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 82 /2 00 9- 33 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento/Compensação transmitido em 02.03.2009 através do PER/DCOMP nº 37037.32709.02309.1.7040474 no qual se objetivava compensar créditos apurados da COFINS referentes ao período de apuração de maio de 2005 no valor total original de R$ 122.846,16 (cento e vinte e dois mil oitocentos e quarenta e seis reais e dezesseis centavos) com débitos de IRPJ referentes ao período de apuração de setembro de 2005 no valor total original de R$ 7.457,27 (sete mil quatrocentos e cinquenta e sete reais e vinte e sete centavos). Em 07.10.2009 foi proferido Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado sob alegação de que não foram encontrados créditos suficientes para satisfação dos débitos apontados. Irresignada, apresentou a Contribuinte em 18.11.2009 a competente Manifestação de Inconformidade alegado em síntese que incorrera em erro quando do preenchimento da DCTF original, a qual todavia havia sido retificada em 16.11.2009., requerendo fosse reconhecida formalmente a não procedência da cobrança contida no despacho decisório e a reconsideração da não homologação declarada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP proferiu acórdão em 17.02.2011 julgando improcedente a defesa apresentada sob alegação de que a Impugnante não lograra êxito na comprovação de seus créditos eis que a retificação da DCTF após o despacho decisório deve ser acompanhada de prova da existência do crédito. Cientificada do indeferimento de seu pleito apresentou em 29.03.2011 o presente Recurso Voluntário, objetivando seja cancelada a exigência fiscal e seja arquivado o processo administrativo instaurado sob o argumento que no mês de competência não consta qualquer débito em aberto, ou seja, não tinha valores a pagar de IRPJ (estimativa) no mês para o qual pediu a compensação. É o relatório, Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908382/200933 Acórdão n.º 3801001.866 S3TE01 Fl. 71 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator Conforme depreendese do relatório, trata o presente caso de pedido formulado pela Recorrente objetivando fossem compensado débitos de IRPJ com créditos apurados do PIS/PASEP. No seu recurso voluntário a Recorrente alega que não existe nada a compensar e pede que seja cancelada de ofício a cobrança decorrente da presente compensação. Tenho que o pedido não se coaduna com o pedido nesse processo, que é o de compensação. A cobrança decorre da sua nãohomologação e pelo que se pode depreender, o que a Recorrente pleiteia é o cancelamento da Per/Dcomp porque não havia, no período compensado valores a pagar. Esse pedido, entretanto é novação ao pedido inicial e torna impraticável à essa Turma apreciálo por absoluta falta de competência, vejamos como foi formulado: Em razão do exposto, a Recorrente requer, no mínimo, a realização de diligência em seu estabelecimento para análise da documentação hábil e idônea tendente à verificação e comprovação de que não houve base tributável para o IRPJ no mês de competência 09/05. (...) ...ser reformada totalmente a r. decisão proferida pela D. DRJ em Campinas, cancelando a exigência que foi objeto de manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos, em face da inexistência do débito compensado, determinandose, por conseguinte, o arquivamento do processo administrativo instaurado, ou, no mínimo, seja convertido o julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não houve base tributável para o mês competência 09/05. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações é defesa a essa turma por força dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Nesse sentido, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002058/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 20 58 /2 00 9- 03 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/200903 Acórdão n.º 2803002.226 S2TE03 Fl. 235 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.243.9756, objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias não declaradas em GFIP pelo empregador contribuinte – decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 62 a 64, com período de apuração de 03/1999 a 01/2000. Cumpre informar inicialmente que o presente Auto de Infração é substitutivo do Lançamento de Débito Confessado – LDC – DEBCAD 35.068.2216, o qual foi anulado pelo Despacho – Decisório DRF/MCR/SARAC/EAC1 Nº 246/2009, em razão de vício formal, inexistência dos Fundamentos Legais do Débito – FLD. O LDC anulado foi incluído de forma sucessiva em diversos parcelamentos especiais. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 05/11/2009, conforme AR, de fls. 66. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, via postal, envelope, as fls. 69, com postagem, em 02/12/2009, e petição com razões, acostada, as fls. 68 a 76, estando acompanhada dos documentos, de fls. 77 a 111. Não há manifestação quanto à tempestividade da impugnação. Os autos foram baixados em diligência pela DRJ/BHE, fls. 121 a 122. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT emitiu o despacho, de fls.125 a 126, em atendimento a diligência, acompanhado dos documentos, de fls. 127 a 201, tendo sido o contribuinte notificado deste, pelo AR, de fls. 203. O sujeito passivo não se manifestou sobre a diligência. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0235.787 8ª Turma da DRJ/BHE, em 03/11/2011, fls. 210 a 212, no qual a impugnação foi considerada procedente em parte, haja vista a competência 03/1999 ter sido lançada com valor superior no AI substitutivo ao que registrado originalmente na LDC substituída. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 04/10/2012, AR, de fls. 224. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 226 a 230, remetida por via postal, em 30/10/2012, envelope, as fls. 231, desacompanhado de qualquer documento, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/200903 Acórdão n.º 2803002.226 S2TE03 Fl. 236 3 · que em razão da SV STF Nº 08/2008 os artigos 45 e 46 da lei 8.212/91 são inconstitucionais, sendo os prazos prescricionais quinquenais, artigos 173 e 174 do CTN; · que o direito adquirido e o ato jurídico perfeito devem ser observados, aplicandose o limite temporal de decadência em 01/01/2004 e prescricional em 03/11/2004, homologação tácita do vencidos e antecedentes em 31/12/2003, com a garantia constitucional à coisa julgada; · que neste lançamento são indicados leis e decretos revogados pela SV Nº 8, sendo ineficaz e nulo; · que o período de 01/01/1998 a 30/04/2000 lançado em 05/11/2009 esta extinto pelo decadência, artigo 173 e 156, V, do CTN, sendo que vícios formais não suspendem a decadência; · A recorrente requer e pede: a) que o crédito residual não provido pela DRJ deve ser cancelado pelo CARF; b) feitas as devidas anotações nos registros eletrônicos da repartição, baixa no CADIN e fornecimento de CPDEM com respectivo arquivamento. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 233. Informo que a recorrente por intermédio de representante legal escritório de advocacia Moreth e Graco, usando da prerrogativa do pedido de urgência, pediu a retirada de pauta destes autos, no dia 16/04/2013, às 12h10min, conforme petição recebida, durante esta sessão de julgamento. É o Relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/200903 Acórdão n.º 2803002.226 S2TE03 Fl. 237 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Cumpri registrar, inicialmente, que neguei o pedido de retirada de pauta, pois entendo que da publicação da pauta até a data do julgamento decorreu prazo suficiente para que o novo representante legal tomasse conhecimento da matéria, além do que a empresa não informou em sua petição, quando houve a troca de patrono, o que possibilitaria averiguar com maior precisão a necessidade de adiamento, não havendo, assim justificativa para tal, observe se o excerto do aresto. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS PREVENTIVO. PEDIDO DE ADIAMENTO DA SESSÃO DE JULGAMENTO INDEFERIDO. CRITÉRIOS PARA O CUMPRIMENTO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITO ESTABELECIDOS NO PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO. 1. A jurisprudência do col STJ entende que "o adiamento da sessão de julgamento do recurso de apelação deve ser acompanhado de justificativa plausível, pois a sua realização não pode ficar ao alvedrio das partes". Precedente: (STJ, HC 200800378828, JORGE MUSSI, STJ QUINTA TURMA, DJE: 15/12/2009). No caso, o advogado impetrante, embora tenha requerido o adiamento do julgamento, não trouxe nenhuma justificativa para embasar o seu pleito, limitandose a afirmar que "não há tempo hábil" para comparecer ao julgamento, o que impõe o indeferimento do pedido de adiamento. 2. Resta sem objeto o habeas corpus que visava obstar a prática de qualquer ato que culminasse na substituição das penas restritivas de direitos por pena privativa de liberdade, uma vez que, em momento posterior à impetração, o juiz de primeiro grau proferiu decisão fixando os critérios para cumprimento das penas restritivas de direito impostas ao ora paciente. 3. Perda de interesse processual superveniente. Precedente: (TRF5, HC 00151040720104050000, Desembargador Federal Edílson Nobre, Quarta Turma, DJE: 07/10/2010). 4. Pedido de adiamento indeferido e Habeas corpus denegado. TRF5. Segunda Turma. HC 00041580520124050000 HC Habeas Corpus – 4693. Desembargador Federal Francisco Barros Dias. DJE Data::17/05/2012 Página::260. (grifo meu). Ressalto que como esclarecido anteriormente o presente lançamento é substitutivo do LDC DEBCAD 35.068.2216, fls.140 a 201, lançado em 30/06/2000, fls. 140, tendo sido fiscalizado o período de 01/1998 a 05/2000, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, de fls. 200. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/200903 Acórdão n.º 2803002.226 S2TE03 Fl. 238 5 Fica evidente, desta forma, que, ainda, que se aplicasse o prazo de decadência de cinco anos artigo 150, § 4º ou 173, I, ambos, do CTN em obediência à Súmula Vinculante Nº 08 do STF, à época do lançamento a decadência não havia se operado, pois entre a primeira contribuição lançada 03/1999 e a data do lançamento 30/06/2000, quando muito passará um ano e três meses. Logo, não há que se falar em decadência. Aliás, o julgador de primeiro grau sobre isso se pronunciou, conforme abaixo transcrito Contudo, apesar do exposto, considerandose que o LDC anulado DEBCAD nº 35.068.2216), foi lavrado na competência 06/2000, sendo que a competência mais antiga nela incluída era 03/1999, constatase que mesmo considerandose os efeitos da Súmula Vinculante do STF, n° 8, DOU de 20/6/2008, no LDC substituído não foram apuradas contribuições relativas a qualquer competência alcançada pela decadência.. A DRF informa que o LDC esteve incluso em vários parcelamentos especiais, conforme descrito a seguir. · REFIS – LEI 9.964/2000 FIM 01/05/2003, FLS. 137; · PAES – LEI 10.684/2003 FIM 29/08/2006, FLS. 137; · PAEX MP 303/2006 FIM 25/08/2008, FLS. 138. É cediço de todos que uma vez efetuado o lançamento o instituto da decadência deixa de operar para dar lugar ao da prescrição e esta, nos termos do artigo 174, caput, da Lei 5.172/66, também, têm prazo de cinco anos. No entanto, o parágrafo único, inciso IV, desta norma diz: “A prescrição se interrompe: por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.” Foi exatamente o que ocorreu no presente caso a prescrição se interrompeu quando do pedido de cada parcelamento, iniciandose nova contagem de cinco anos a cada interrupção do pagamento e como entre o fim de um parcelamento e o início do outro, não transcorreu o lustro, a prescrição não se operou. O Auditor Fiscal lançador e o julgador de primeiro grau informam que o LDC foi anulado por haver vício formal em sua constituição, ou seja, ausência do relatório de fundamento legal do débito com a aplicação do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, o qual segundo seus termos o crédito pode ser reconstituído. Desta forma, tendo a anulação do LDC ocorrido, em 18/05/2009, e novo lançamento ocorrido, em 05/11/2009, representando por este Auto de Infração não houve ocorrência de decadência. O instituto da decadência não pode operar no período em que este não existia, ou seja, entre 30/06/2000 e 25/08/2008, data do primeiro lançamento e da interrupção do parcelamento do PAEX, não pode ocorrer decadência simplesmente porque esta não operava estavase sob a égide da prescrição, pois o lançamento existia. O pedido de CPDEN – certidão de regularidade fiscal – está fora da competência deste órgão julgador, sendo atribuição exclusiva dos gestores de DRF; Inspetorias e Agências a quem deve ao contribuinte buscar para operacionalizar o pleito. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/200903 Acórdão n.º 2803002.226 S2TE03 Fl. 239 6 Posto isto, afasto as alegações da recorrente seja em preliminar ou em mérito por falta de lastro jurídico. A presente decisão não reconhece direito creditório de nenhuma, espécie, ordem, valor ou origem em razão do contribuinte recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001588/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMENTA OMISSA. NULIDADE. INOCORRENCIA.
Consubstancia-se a ementa em descrição discursiva que resume, com
palavras-chave,
o conteúdo conceitual e principiológico do tema discutido e
apresenta, de maneira genérica e abstrata, o dispositivo do julgado. Consoante jurisprudência do STF, de ordinário, sequer erro, defeito ou imprecisão da ementa ensejam embargos de declaração, precisamente, porque a ementa não integra o aresto.
Não importa em nulidade as irregularidades, incorreções e omissões que não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF pelo decurso do prazo nele consignado, a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do
contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, provados
fartamente, que o controle e a direção são realizados pelo mesmo grupo de pessoas físicas o qual, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2302-001.672
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art.150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMENTA OMISSA. NULIDADE. INOCORRENCIA. Consubstanciase a ementa em descrição discursiva que resume, com palavraschave, o conteúdo conceitual e principiológico do tema discutido e apresenta, de maneira genérica e abstrata, o dispositivo do julgado. Consoante jurisprudência do STF, de ordinário, sequer erro, defeito ou imprecisão da ementa ensejam embargos de declaração, precisamente, porque a ementa não integra o aresto. Não importa em nulidade as irregularidades, incorreções e omissões que não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTINÇÃO. INOCORRENCIA. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF pelo decurso do prazo nele consignado, a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, provados fartamente, que o controle e a direção são realizados pelo mesmo grupo de pessoas físicas o qual, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.305 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004. Data da lavratura da NFLD: 30/11/2006. Data da Ciência do NFLD : 08/12/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e a outras entidades e fundos, a saber, SEST e SENAT, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, a segurados contribuintes individuais referentes a serviços de frete, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 45/57 e anexos. Informa a Autoridade Lançadora que o vertente lançamento é composto pelo levantamento C21 REM TRANSP AUT NÃO DL GFIP ARBIT, no qual foram lançados como base de cálculo os valores apurados nos Livros Diários relacionados na tabela 02 a fls. 58/195. Considerouse os valores pagos aos transportadores autônomos escriturados nas contas contábeis 2.113 FORNECEDORES DE TRANSPORTE DE GADO e 2.114 FORNECEDORES TRANSP. PROD. INDUS. A fiscalização caracterizou ainda a existência de grupo econômico formado pelas empresas: Frigorífico Margen Ltda, Eldorado Participações Ltda, MF Alimentos BR Ltda, SS Administradora de Frigorifico Ltda., Magna administração e Participações Ltda., Água Limpa Transportes Ltda, Ampla Empreendimentos e Participações Ltda, CIA União Empreendimentos e Participações e Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, pelas razões dispostas no relatório de grupo econômico a fls. 221/239. Dessarte, nos termos do art. 748 da IN MPS/SRP n° 03/2005, todas as empresas integrantes do grupo econômico acima referido figuram com responsáveis solidárias pelo crédito tributário, razão pela qual houveram sido devidamente cientificadas do presente lançamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, as notificadas apresentaram impugnação a fls. 1.046/1.063 e 1.064/1.086. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1.186/1.205, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo assim como os devedores solidários foram devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Avisos de Recebimentos costados a fls. 1.219/1.228. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1.229/1.253 e as solidária, a fls. 1.272/1.282 e 1.283/1.293, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que os procedimentos fiscais somente podem ser executados por Auditores Fiscais da Previdência Social devidamente autorizados por Mandado de Procedimento Fiscal e suas variantes, emitido por Autoridade Administrativa competente, com jurisdição sobre o território onde se localiza o domicilio do contribuinte, extensivo a todos os estabelecimentos, com prazo máximo de 120 dias, e as prorrogações devem ocorrer antes de vencidos os MPF e delas deverão ser cientificadas as partes. • Que a simplificação e generalidade das normas citadas nos relatórios abriram espaço para omissão de várias outras leis não citadas, gerando insegurança jurídica e, em consequência, cerceando o direito de defesa do Recorrente; • Decadência parcial; #173, I => dezembro/2000 em diante. • Que não há grupo econômico nem solidariedade entre as empresas Frigorífico Margen Ltda., Água Limpa Transportes Ltda e a Cia União Empreendimentos e Participações. • Que a responsabilidade integral pelos tributos atribuídos ao suposto GRUPO MARGEN, lançados anteriormente ou posteriormente ao desligamento de NEY AGILSON PADILHA de todas as sociedades, foi transferida legalmente para os adquirentes por sucessão; • Que o Acórdão recorrido é nulo em razão da incompleta ementa que não retrata, com fidelidade, todos os títulos e temas levados a julgamento; • Que não foi dada a regular ciência do contribuinte quanto às prorrogações do MPF originário; • Que nada há nos autos que permita a conclusão da existência de grupo econômico; • Que falta a adequada demonstração quanto à apropriação de recolhimentos feitos oportunamente pelo contribuinte aos cofres previdenciários. Aduz que o detalhe de não ter o contribuinte apresentado GPS com correspondentes chancelas bancarias de recolhimentos, não induz à conclusão de que são inexistentes recolhimentos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.306 5 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A ciência da decisão recorrida aos devedores solidários houvese por concretizada em 26/02/2008. Havendo sido os recursos voluntários protocolados nos dias 17/12/2007, 09/01/2008 e 12/02/2008, há que se reconhecer a tempestividade dos recursos interpostos. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. O Frigorifico Margen ltda foi cientificado do lançamento tributário que ora se opera no dia 11/12/2006, conforme assim revela o Aviso de Recebimento a fl. 1.043, deixando transcorrer in albis o prazo assinalado na lei para oferecimento de impugnação ao lançamento. O silêncio do coobrigado em tela atrai para si a aceitação formal dos termos do lançamento, havendo que se considerar como não impugnada as matérias não expressamente contestadas pela parte passiva, em respeito às disposições inscritas no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não tendo sido, tempestivamente, impugnada a exigência fiscal, não se houve por instaurado, em face do devedor solidário em realce, a fase litigiosa do procedimento, não lhe sendo lícito querer interferir no processo na fase em que se encontra oferecendo alegações em sede recursal não antes oferecidas ao órgão julgador de 1ª instância. Também não será levada ao conhecimento deste Colegiado a alegação atinente à suposta falta de adequada demonstração quanto à apropriação de recolhimentos feitos oportunamente pelo contribuinte aos cofres previdenciários. Aduz o Recorrente que o detalhe de não ter o contribuinte apresentado GPS com correspondentes chancelas bancarias de recolhimentos, não induz à conclusão de que são inexistentes recolhimentos. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.307 7 De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Cumpre frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão guerreada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que um dois devedores solidários, que se calou ante a exigência tributária, as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as alegações recursais oferecidas pelo devedor solidário Frigorifico Margen ltda, a fls. 1.272/1.272, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DO MPF Alega o Recorrente ser o auto de infração nulo porque os procedimentos fiscais somente podem ser executados por Auditores Fiscais da Previdência Social devidamente autorizados por Mandado de Procedimento Fiscal e suas variantes, emitido por Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Autoridade Administrativa competente, com jurisdição sobre o território onde se localiza o domicílio do contribuinte, extensivo a todos os estabelecimentos, com prazo máximo de 120 dias, e as prorrogações devem ocorrer antes de vencidos os MPF e delas deverão ser cientificadas as partes. Razão não lhe assiste. 2.1.1. DA COMPETÊNCIA A decisão recorrida não merece reparos. Transcrevemos e tornamos nossos os termos assentado no acórdão combatido: I.1.— Da Competência da DRP SP OESTE para efetuar o lançamento. 7.1. Confundiuse a Impugnante CIA União Empreendimentos e Participações, eis que o MPFF e os MPFCs foram emitidos pela Delegacia da Receita Previdenciária São PauloOeste, e não pela Delegacia de Campo GrandeMS. Os MPFs foram emitidos pela Delegacia responsável pela empresa centralizadora, na época da fiscalização e do lançamento. O que se faz necessário é que o estabelecimento centralizador da empresa (a matriz ou qualquer outro estabelecimento eleito pela empresa c aceito pelo Fisco) pertença à área de atuação da Delegacia, porque se assim não for, estará realmente havendo incompetência para o desenvolvimento da atividade fiscal. Porém, no caso presente, não há que se falar em incompetência da Delegacia da Receita Previdenciária São PauloOeste, uma vez que o centralizador da Notificada, na época da fiscalização e da notificação, estava localizada em Bairro pertencente a APS Pinheiros, que, por sua vez, pertence à mencionada Delegacia Previdenciária. 7.2. Devese advertir, ab initio, que a presente NFLD foi lavrada por uma Junta Fiscal designada para a realização da auditoria junto ao Grupo Frigorífico Margen, fiscais devidamente designados nos MPFs, sendo assim as autoridades fiscais competentes para os atos lançados. Não há que se falar em incompetência, alegação que se afasta. 2.1.2. DO MPF. Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários deverão ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o qual se extinguirá pela conclusão do procedimento fiscal correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo de validade, consideradas as prorrogações ocorridas. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.308 9 deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal.(Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001). (grifos nossos) Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.309 11 No Capítulo reservado à regulamentação dos prazos do MPF, o art. 13 do citado Dec. 3.969/2001 estatui que o MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, mediante a emissão do MPF Complementar. DECRETO nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPFC. Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nossos) Da análise da legislação mencionada, deflui que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal – deve ser emitido por ocasião do início do procedimento fiscal, e dele deve ser dada a devida ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo, de forma pessoal ou por via postal, conforme o regramento fixado no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, podendo ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias ao cumprimento da ação fiscal. O exame da legislação que instituiu e disciplina o mandado de procedimento fiscal revela que a sua finalidade essencial focase na segurança do contribuinte quanto à regularidade e oficialidade do procedimento de fiscalização, afastando pseudo ações fiscais. Salientese que a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não ao contribuinte, ao qual apenas deve ser dada a ciência de que a Administração Fazendária incumbiu o auditor ali consignado a comparecer ao seu estabelecimento para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela administração tributária emissora do documento em realce. Dessarte, a ciência do sujeito passivo representa, apenas, um feed back ao Órgão Fazendário de que o contribuinte encontrase conhecedor da oficialidade, do escopo e do alcance da ação fiscalizatória a ser desenvolvida na sua empresa. Em reforço a tal assertiva, notese que o art. 4º do mencionado Dec. 3.969/2001 apenas prevê a ciência do MPF pelo sujeito passivo “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”. Ademais, citese que, mesmo que o MPFC houvesse sido emitido após o decurso do prazo do MPF anterior, o que não é o caso presente, tal fato não implicaria nulidade do procedimento, eis que o art. 16 do já mencionado Dec. 3.969/2001 estabelece, de maneira expressa, que a autoridade responsável Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 pela emissão do MPF, mesmo extinto, pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. Compulsando os autos verificamos que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 09303971F00 foi emitido em 18 de maio de 2006, para ser cumprido, inicialmente, até 01 de setembro do mesmo ano. Ante a complexidade dos trabalhos, foi o citado MPF prorrogado, sucessivamente, por duas vezes, até 19 de dezembro de 2006. Nesse cenário, houvese o vertente lançamento por formalizado em 30 de novembro de 2006, ou seja, ainda no prazo consignado na 2ª prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal em foco. Também não procede a alegação de que não teria sido dada a regular ciência do contribuinte quanto às prorrogações do MPF originário. Conforme já salientado alhures, o art. 4º do mencionado Dec. 3.969/2001 apenas prevê a ciência do MPF pelo sujeito passivo “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”, não tecendo qualquer consideração a respeito da obrigatoriedade de ciência formal das prorrogações eventualmente realizadas. Repisese que a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não ao contribuinte. Ademais, porta o MPF, em seu campo de observações, Código de acesso ao Mandado de Procedimento Fiscal, mediante o qual, conforme ali expressamente consignado, pode ser verificado pelo sujeito passivo, mediante consulta, a autenticidade do Mandado originário bem como das suas prorrogações. Igualmente revelamse improcedentes as alegações de que o Mandado de Procedimento Fiscal não teria sido expedido pela autoridade administrativa competente. E diga o art. 6° da Portaria MPS/SRP n° 3.031/2005, in verbis: PORTARIA SRP Nº 3.031 , DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 Art. 6º O Mandado de Procedimento Fiscal será emitido pelas seguintes autoridades da Secretaria da Receita Previdenciária, permitida a delegação: I Secretário da Receita Previdenciária; II Diretor do Departamento de Fiscalização da Receita Previdenciária III CoordenadorGeral em Auditoria Especial; IV Delegado da Delegacia da Receita Previdenciária; e V Chefe do Serviço ou Seção de Fiscalização das Delegacias da Receita Previdenciária. Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: (...) §5º Os MPF poderão ser assinados eletronicamente. No caso vertente, o MPF em realce foi emitido, diretamente, pela própria chefe de equipe de fiscalização. Notese que o caput do art. 6º, in fine, da Portaria SRP nº 3.031/2005 autoriza a Delegação de competência para a emissão do MPF, como de fato ocorreu, estando o exercício de tal faculdade registrado no corpo do MPF a fl. 29, no quadro referente ao Encaminhamento, mediante o assentamento do Ato de Delegação: Portaria nº 046, de 02 de dezembro de 2005. O Parágrafo 5º do art. 7º da citada Portaria também prevê que o Mandado de Procedimento Fiscal pode ser assinado eletronicamente. E assim o foi, conforme consignado no item 4 do quadro de Observações integrantes do MPF em julgo. Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.310 13 2.2. DA EMENTA Defende o Recorrente a nulidade do acórdão recorrido em razão da incompleta ementa que não retrata, com fidelidade, todos os títulos e temas levados a julgamento. Sem razão. A se adotar a teoria das nulidades defendidas pelo Recorrente podese rasgar os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 que disciplina o Processo Administrativo Fiscal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. É de sabença geral dentre aqueles que militam com seriedade no ramo do Direito que a ementa consubstanciase numa descrição discursiva que resume, com palavras chave, o conteúdo conceitual e principiológico do tema discutido e apresenta, de maneira genérica e abstrata, o dispositivo do julgado. Revelase bastante virtuoso, neste comenos, trazermos a colação excerto do voto condutor do Min. Nery da Silveira no Mandado d Segurança MSQO 20941 DF, de sua relatoria, Órgão Julgador: Tribunal Pleno do STF, publicado no DJ de 31/08/1992, in verbis: “Todos sabemos que a ementa do Acórdão não é, em princípio, parte componente do julgado. Este se expressa pelo conteúdo dos votos dos membros da corte, que do julgamento participaram. De ordinário, sequer erro, defeito ou imprecisão da ementa ensejam embargos de declaração, precisamente, porque a ementa não integra o aresto. No RE nº 88.060, D.J. de Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 01.06.1979, esta Corte decidiu: ”Para simples correção de ementa, não cabem embargos de declaração. Prevalecem as notas taquigráficas” Ocorre, todavia, conforme já salientado anteriormente, que as ementas hão de constituir uma síntese do que se houve decidido no julgamento. Sendo as súmulas publicadas no Órgão Oficial e seus enunciados transcritos em repositórios de Jurisprudência, as ementas, nos tempos que se corre, constituem instrumento de valiosa utilidade de pesquisa e propagação de jurisprudência. Não por outro motivo os Tribunais passaram a admitir embargos de declaração em face de ementas omissas, com incorreções ou contradições, conforme se depreende dos julgados a seguir ementados: EDAMS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO MANDADO SEGURANÇA 9301329654 Relatora : JUÍZA ELIANA CALMON TRF1 Órgão julgador QUARTA TURMA DJ de 18/09/1995 P. 62005 Ementa PROCESSO CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EMENTA OMISSA. 1. Por equivoco na confecção, o item "1"da ementa deixou de ser escrita. 2. Correção que se faz para dizer ser o Delegado da Receita Federal a autoridade responsável, por atacar o "writ" arrecadação de tributo federal. 3. Embargos acolhidos. EDAMS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO MANDADO SEGURANÇA 9401061530 Relatora: JUIZA SELENE MARIA DE ALMEIDA TRF1 Órgão julgador QUARTA TURMA DJ de 17/03/2000 PAGINA:135 Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMENTA OMISSA QUANTO FUNDAMENTO EXPRESSO NO ACÓRDÃO. RESULTADO DA DECISÃO MANTIDO. 1. A diferença BTNF/IPC, a ser deduzida, referese ao artigo 4º, da Lei 8.200/91. 2. Embargos acolhidos. Embargos de Declaração Ap Cível nº 11970087265 CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM 5ª VARA CÍVEL EMGTE SILVERIO ALVES DE FREITAS Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.311 15 EMGDO VIAÇÃO ITAPEMIRIM S/A RELATOR SUBS. ELIANA JUNQUEIRA MUNHOS FERREIRA JULGADO EM 15/03/2011 E LIDO EM 15/03/2011 EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. ERRO MATERIAL, CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. EXISTÊNCIA. EMENTA INCOMPLETA E DISSONANTE DO restante do JULGADO. Recurso provido. 1) A ementa anterior, de fato, não se harmoniza com o restante do acórdão, estando incompleta o que acabou por ocasionar, inclusive, a publicação equivocada no diário oficial. No ensejo, foram julgados conjuntamente dois embargos de declaração, sendo que a ementa constante dos autos e publicada erroneamente diz respeito a apenas um deles. Ademais, a referida publicação ainda fez confusão quanto à condição das partes. 2) A redação e publicação errônea de ementa incompleta caracteriza erro material, omissão e contradição com o restante do acórdão (votos e conclusão), a justificar o provimento do presente recurso com a redação de nova ementa, dessa vez de forma escorreita. Efetuandose, portanto, a devida corrigenda, a ementa integrante do acórdão objurgado passa a ter a seguinte redação: “EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. RECURSO DA AUTORA: PRETENSA OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Recurso desprovido. 1) Porquanto inexistente a suposta omissão, não há o que se prover. O julgado, por óbvio, afastou a tese sustentada pela embargante vez que não se valeu apenas de prova testemunhal, mas de todo o conjunto probatório dos autos. 2) Além disso, não se torna enfadonho lembrar que o julgador não precisa se manifestar de forma expressa sobre todos os pontos suscitados, podendo apreciar e afastar, ainda que de forma lógica, apenas aqueles imprescindíveis ao julgamento da demanda. 3) Recurso desprovido. RECURSO DO RÉU: PRETENSA OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS PROTELATÓRIOS. MULTA. RECURSO DESPROVIDO. 1) Porquanto inexistente a suposta omissão, não há o que se prover. O julgado se manifestou de forma clara e expressa sobre o ponto embargado. 2) Destarte, resta gritante o caráter ardiloso e protelatório dos presentes embargos de declaração, impondose assim a fixação de multa, ex vi do art. 538, parágrafo único, do CPC. 3) Recurso desprovido.” Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Exsurge do exposto, de forma hialina, que pretensas omissões na ementa de um julgado não ensejam declaração de nulidade da decisão, a teor dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, podendo dar azo, quando muito, a embargos de declaração, espécie recursal desenhada adrede para tal sanatória. 2.3. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Pondera o sujeito passivo que a simplificação e generalidade das normas citadas nos relatórios abriram espaço para omissão de várias outras leis não citadas, gerando insegurança jurídica e, em consequência, cerceando o direito de defesa do Recorrente; Não procede. Avulta das alegações ora clamadas a necessidade de os relatórios fiscais serem emitidos também em Braille, para que todos, indistintamente, aproveitandose da sensibilidade epicrítica, possam ter acesso ilimitado aos seus fundamentos. Compulsando os autos do processo verificase que o Relatório Fiscal, a fl. 46/57, destacou com clareza em seu item 2.1. quais as rubricas remuneratórias integram o vertente lançamento, assim como a fonte documental de onde foram extraídos os fatos geradores em apreciação. Por outro viés, a planilha a fls. 58/195 apresenta discriminativo detalhado, pormenorizando cada fato gerador lançado, indicando em cada caso, dentre outras informações, o estabelecimento do Recorrente, a competência, o nome do transportador e o valor por ele auferido, assim como a fonte documental de onde se houve por extraído cada fato jurígeno tributário, favorecendo dessarte, o contraditório e a ampla defesa do Recorrente. O Relatório Fiscal suso referido informa de maneira clara e precisa, logo em sua introdução, a matéria tributável e as bases de calculo da exação em apreço, assim como os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora na condução da ação fiscal. Informa igualmente os documentos analisados e os fatos geradores apurados, as bases de cálculo e as alíquotas correspondentes a cada uma das contribuições sociais ora lançadas, destacando, ainda, os eventuais valores de dedução legal considerados, assim como os códigos de levantamento associados. Relata ainda a Autoridade Lançadora, no item 2.1.2. do Relatório Fiscal, que As bases de cálculo lançadas foram apuradas nos Livros Diários relacionados na Tabela 02. Considerouse os valores pagos aos transportadores autônomos escriturados nas contas contábeis 2.113 — FORNECEDORES DE TRANSPORTE DE GADO e 2.114 — FORNECEDORES TRANSP. PROD. INDUS.”. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 04/11, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que sua correcção e consistência pode ser sindicada a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.312 17 De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 21/23, elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às obrigações decorrentes da responsabilidade solidária do grupo econômico, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendo lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito revelouse, de fato, bastante amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. Malgrado as alegações apostas nesta preliminar de mérito, a empresa demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de primeira instância, ter compreendido como perfeição os motivos ensejadores da vertente notificação de lançamento. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre os quais se alicerça a exação ora atacada foram enfrentados pelo Recorrente com precisão cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição dos fatos jurígenos tributários apurados pelo fisco, não se vislumbrando nos instrumentos de bloqueio acima delineados qualquer argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que, concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que revela terem os relatórios fiscais integrantes deste Processo Administrativo Fiscal cumprido fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei. Não há, portanto, qualquer obscuridade, lacunosidade, dúvida, tampouco prolixidade nos relatórios integrantes da vertente notificação fiscal nem quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Ademais, o Recorrente não especifica qual a legislação estaria aposta no FLD em excesso e qual a que estaria omissa. Como visto, verificase que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo e os devedores solidários cientificados de todas as decisões de relevo Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa aos Notificados. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo sujeito passivo, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal de mérito tão veementemente sustentada pelo Recorrente. 2.4. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.313 19 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. O entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados somente poderiam ter sido apuradas mediante ação fiscal, aplicase o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Com fulcro nos fundamentos expostos nessas breves digressões, deflui da análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, opera se a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 08 dias do mês de dezembro de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançaria, tão somente, as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.314 21 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo à competência dezembro de 2000 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2002, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2006, inclusive. Pelo exposto, pelo entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2.5. DO GRUPO ECONÔMICO. Sustenta o Recorrente inexistir o grupo econômico apontado pela fiscalização. O apelo acima postado não reflete a realidade enclausurada nos autos. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é da empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou, diretamente, de disposição legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.315 23 §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. O grupo econômico de fato se caracteriza pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio formalmente distintos e próprios, que combinam efetivamente recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. No caso ora vertido, conforme detalhadamente reportado no relatório intitulado “GRUPO ECONÔMICO: GRUPO MARGEM” a fls. 221/246, a fiscalização apurou a existência de um grupo econômico de fato constituído pelas empresas relacionadas a fl. 221. Consoante reporte no Relatório Fiscal, a fl. 238, ad litteris et verbis: “o grupo está estrategicamente composto por empresas operacionais e de investimentos. As empresas de investimento Magna Administração e Participações Ltda., Cia. União Empreendimentos e Participações e Ampla Empreendimentos e Participações Ltda possuem em seus quadros societários os próprios srs. Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha ou pessoas dos clãs Suaiden, Prearo e Padilha. Por outro lado, dentre as empresas operacionais apenas uma — Água Limpa Transportes Ltda. — tem no seu quadro societário estas pessoas. As demais empresas— Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico. Centro Oeste SP Ltda., MF Alimentos BR Ltda. e SS Administradora de Frigorífico Ltda. — encontramse convenientemente em nome de terceiros interpostos. A razão para tanto se compreende prontamente, pois é nestas que se praticam os fatos geradores de tributos e das contribuições devidas à previdência social, mormente a contribuição incidente sobre a aquisição de bovinos para o abate. Assim, as empresas onde se concentram as atividades operacionais do Grupo Margen são empresas descapitalizadas, desguarnecidas de bens — suas instalações industriais são todas arrendadas — e com "sóciosgerentes" perceptivelmente desprovidos de capacidade financeira, patrimonial e gerencial para a monta daqueles empreendimentos industriais. Podese dizer que estas empresas representam a parte "podre" do Grupo Margen, sendo exploradas à exaustão, arrancandolhes faturamentos mirabolantes (R$ 1.176.556.922,84 em 2003 — Frig. Margen Ltda.) e estancando nelas dividas para com a Previdência Social igualmente assombrosas. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, com seu poderio financeiro, arregimentam terceiros incautos para emprestarem seus nomes — Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas — a figurarem como "sóciosgerentes" diante destas empresas. Desta forma, com tais ardis colocam seus patrimônios pessoais em salvaguarda, pois evidente está que sua intenção velada é a de que, com a fraude perpetrada, o fisco busque seus créditos no patrimônio nulo dos supostos "sóciosgerentes". Com Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 tais subterfúgios, os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, embora sendo os gestores de fato dos empreendimentos, ainda buscam se esquivar da imputação dos inúmeros crimes contra a Previdência Social e a Ordem Tributária cometidos em tese na condução dos negócios. Em suma, aos supostos "sóciosgerentes" cabem arcar com as gigantescas dívidas tributárias e as consequências penais dos ilícitos, enquanto àqueles os fáceis e gordos lucros obtidos”. As empresas Frigorífico Margen Ltda, Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, Eldorado Participações Ltda., MF Alimentos BR Ltda., SS Administradora de Frigorifico Ltda., Magna Administração e Participações Ltda., Água Limpa Transportes Lida, Ampla Empreendimentos e Participações Ltda e CIA União Empreendimentos e Participações formam um grupo econômico em razão da existência de poder de controle único, mesmo desenvolvendo atividades diversas, eis que promovem entre si uma incessante transferência de patrimônio e alteração da estrutura societária. O Grupo Margen atualmente é composto por nove empresas nos seguintes ramos de atividade: Frigoríficos — Frigorífico Margen Ltda, MF Alimentos BR Ltda e Frigorífico Centro Oeste SP Lida; Transportes Água Limpa Transportes Ltda; Holdings — Eldorado Participações Ltda., Magna Administração e Participações Ltda., Ampla Empreendimentos c Participações Ltda e CIA União Empreendimentos e Participações; Cessionária de Mãodeobra SS Administradora de Frigorifico Ltda. Estas empresas possuem nas suas diversas alterações societárias sempre as mesmas pessoas como sócios e responsáveis: Ney Agilson Padilha, Mauro Suaiden , Geraldo Prearo, suas esposas e familiares. No Relatório de Grupo Econômico às fls. 221/239 a fiscalização apresenta todo o histórico de formação e alterações contratuais das nove empresas do grupo, donde se extrai que os Srs. Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha são os personagens centrais na sustentação financeira, administrativa e gerencial destas empresas. Formalmente aparecem como sócios apenas no quadro societário da empresa Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. Nas demais empresas fizeram constar ora os cônjuges (Verena Maria Bannwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha), ora o irmão (Milton Prearo), ora o sogro (Alexandre Elias), ora outros (Jelicoe Pedro Ferreira, Aldomiro Lopes de Oliveira, Lourenço Augusto Brizoto, José Geraldo de Freitas, Cláudio Sobral Oliveira, Marcelo Ribeiro Rocha). Relata a fiscalização que a pessoa de Jelicoe Pedro Ferreira é utilizada de forma ostensiva e amiúde, na época da lavratura aparecia à frente das empresas: Frigorifico Margem Ltda, Eldorado Participações Ltda., MF Alimentos BR Ltda., e é o representante legal da "offshore" uruguaia Cyndell Company Sociedad anônima. Pelas alterações Jelicoe ficou como o único responsável pelo Frigorifico Margen, pois este é o sóciogerente da empresa Eldorado Participações e o representante legal da Cyndel no Brasil. Na cisão da empresa Frigorifico Margen Ltda, ocorrida em 10/11/1995, houve a transferência de 80,6% dos bens que compunham o seu ativo imobilizado para a empresa Água Limpa Transportes Ltda. A versão destes ativos implicou em uma redução de seu Patrimônio Líquido de 98,1%. Esta manobra teve como finalidade evidente descapitalizar a empresa Frigorífico Margen para posteriormente passar a operála com a interposição de pessoas travestidas de sóciosgerentes, o que de fato veio a ocorrer com a modificação do quadro societário em 11/11/1996, ocasião em que a esposa do Sr. Mauro Suaiden, Verena Maria Bannwart Suaiden, transferiu suas quotas para o Sr. Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.316 25 Augusto Brizoto. Posteriormente em 03/12/1996, os Srs. Ney Agilson Padilha e Milton Prearo também cederam suas participações a Jelicoe e Lourenço. Assim, completouse o ciclo de transformação do quadro societário, resultando em uma empresa exaurida de ativos e com sócios proprietários fictícios. Ocorre que os ativos transferidos para a empresa Água Limpa Transportes Ltda continuaram a ser utilizados pelo Frigorifico Margen Ltda. em suas atividades operacionais por meio de contratos de locação industrial e de veículos firmados entre as empresas do grupo. As cópias de diversos contratos de arrendamento juntados no anexo 05 comprovam tal sistemática. O esquema mostrado a fls. 226 V ilustra a sistemática adotada pelo grupo de empresas em relação ao ativo composto pelo conjunto industrial situado no município de Rio Verde/GO, à Rodovia BR 060, Km 17. O Ativo imobilizado migrou da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Da mesma forma, os sócios Ney Agilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden migraram do quadro societário da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Já o quadro societário do Frigorífico Margen passou a ser constituído pelos sócios Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto e as instalações industriais passaram a ser exploradas por meio de arrendamento. Tal estratégia teve como finalidade afastar o patrimônio de possíveis execuções fiscais, uma vez que a partir de então o Frigorifico Margen passou a acumular enorme passivo fiscal, máxime em relação às contribuições devidas a Previdência Social. A carência de patrimônio se manifesta de forma flagrante ante a constatação de que, dentre os documentos apreendidos, há copiosa quantidade de contratos de financiamento firmados com instituições financeiras do Brasil e exterior. Estes financiamentos levantavam recursos para operacionalizar as atividades do Grupo, beneficiando, entre outras, as empresas Frigorífico Margen Ltda., Frigorífico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos BR Ltda. Todavia, como estas empresas não apresentam ativos suficientes para garantir os volumosos empréstimos captados na rede bancária, da mesma forma que os seus sócios formais Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas pessoas de acanhadíssima posição patrimonial e, portanto, sem a mínima capacidade financeira para obter vultosos empréstimos e oferecer garantias aos financiadores, os verdadeiros proprietários destas empresas — Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha se viram compelidos a avocarem de forma ostensiva as responsabilidades pelos empréstimos bancários na condição de garantidores, fiadores, responsáveis solidários, etc.' Noticiese que a gestão administrativa, o comando gerencial das empresas do Grupo Margen não está nas mãos daqueles que cederam os nomes para figurarem nos contratos sociais como Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas. As diversas procurações constantes no anexo 10 demonstram que a gestão administrativa está em nome de outras pessoas, todas relacionadas de algum modo (na maioria deles são estreitos laços familiares) com os Srs. Geraldo Prearo, Mauro Suaiden e Ney Agilson Padilha. Na mesma esteira, contidos no anexo 11 estão vários contratos de locação que demonstram o comprometimento dos SUAIDEN com as empresas Frigorífico Margen Ltda e Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, que empenham sua solidez financeira e patrimonial para viabilizar contratos de aluguel. Os "Termos de Declarações" tomados pelos Delegados da Policia Federal Cristian Arley Silva Lages e Rubens Alexandre de França, anexo 08, mostram que os Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 empregados do Frigorifico Margen Ltda. e Água Limpa Transportes Ltda., desde o vigilante ao Gerente Financeiro, são unânimes em apontar os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha como os proprietários e gestores de fato do Frigorifico Margen Ltda. Ao se analisar o contrato social e alterações das empresas e os contratos de locação de imóveis residenciais do anexo 12, constatase que os "sóciosgerentes" do Frigorífico Centro Oeste SP residem ou residiram em imóveis modestíssimos, muito embora apareçam como proprietários de uma empresa frigorífica com faturamento de milhões. Dessai do exame perfunctório das declarações de ajuste anual de imposto de renda dos Srs. Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas, anexo 13, a total incompatibilidade dos seus patrimônios. Até o ano da fundação do Frigorífico Centro Oeste em 2002, o Sr. Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas nem IRPF declaravam, o seu patrimônio era zero, e em 2003, o seu patrimônio era constituído tão somente por quotas de capital de sociedades. Estes senhores não possuíam ocupação definida até o exercício de 2002, conforme se observa no campo "Ocupação principal" de suas declarações do IRPF consta ali como sendo "Outros" ou "Outras ocupações não especificadas anteriormente". Seus rendimentos eram da ordem de R$ 1.000,00 mensais, valores declarados como rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior. Prodigiosamente, a partir do exercício de 2002, estes pouco favorecidos senhores foram elevados à condição de "Dirigente, presidente e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços (ocupação principal declarada no IRPF 2003) do Frigorífico Centro Oeste SP Ltda., que já em 2002, ano de sua constituição, faturou a fábula de R$ 121.081.452,50, e no ano seguinte o expressivo montante de R$ 299.002.191,54. Registrese que o "Contrato Rotativo de Limite de Crédito Fixo" firmado entre o Banco Industrial e Comercial S/A e o Frigorífico Centro Oeste SP Ltda., anexo 14, corrobora a função meramente coadjuvante dos "sóciosgerentes" desta empresa. Neste contrato consta como fiadores, entre outros, a Magna Administração e Participações Ltda., Mauro Suaiden, Ney Agilson Padilha, Verena Maria Bannwart Suaiden. E no campo "VI — Autorização para Saque" consta o nome do Sr. Mauro Suaiden , o qual se encontra qualificado como sócio, no campo "CARGO”. Isto mostra a predominância do Sr. Mauro Suaiden sobre a empresa em questão, pois além de ser um dos fiadores do contrato, qualificase como sócio da empresa e é o único autorizado a realizar saques naquela conta bancária. A documentação acostada aos autos consubstanciandose em provas contundentes da caracterização e configuração de grupo econômico de fato. A caracterização do grupo econômico decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n ° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.317 27 Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) Tais elementos, ancorados por outros descritos em tópicos diversos neste voto, demonstram a existência, de fato, de grupo econômico para fins de imputação de responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91. As provas dos autos demonstram, de forma insofismável, que as pessoas jurídicas ali elencadas mantêm mais do que relações comerciais, eis que desenvolvem suas atividades como se uma única empresa fosse, estabelecendo relações que revelam a unicidade de interesses, atuando de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA SUCESSÃO Alega o Recorrente que a responsabilidade integral pelos tributos atribuídos ao suposto GRUPO MARGEN, lançados anteriormente ou posteriormente ao desligamento de NEY AGILSON PADILHA de todas as sociedades, foi transferida legalmente para os adquirentes por sucessão. A alegação oferecida pelo Recorrente revelase totalmente alheia à questão de mérito discutida nos autos. Cumpre refrescar a lembrança advertindo que o presente lançamento tem como devedor principal a empresa Água Limpa Transportes ltda, CNPJ 01.169.288/000195, e como responsáveis solidários, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91, as seguintes pessoas jurídicas: CNPJ 25.068.875/000156 — Frigorifico Margen Ltda.; CNPJ 05.281.319/000156 — SS Administradora de Frigorifico Ltda. Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/200737 Acórdão n.º 230201.672 S2C3T2 Fl. 1.318 29 CNPJ 02.682.269/000120 — Eldorado Participações Ltda.; CNPJ 02.135.319/000150 — Magna Administração e Participações Ltda.; CNPJ 05.300.347/000173 — Ampla Empreendimentos e Particip. Ltda.; CNPJ 05.166.382/000183 — Cia. União Empreendimentos e Participações; CNPJ 04.872.265/000130 — Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.; CNPJ 05.307.573/000186 — MF Alimentos BR Ltda. Não há nos autos qualquer lançamento ou atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. Ney Agilson Padilha, o qual figura, tão somente, como representante legal da empresa notificada, nos termos do CORESP, a fl. 24. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que, à exceção da declaração de decadência parcial, a decisão recorrida não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento, tão somente, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.003082/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE Afasta-se a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes.
DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. No caso de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, com exceção das parcelas decorrentes da prática de procedimentos dolosos, em que a contagem do prazo decadencial é iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele que cada lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei.
ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento.
Recursos de Oficio e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 1402-001.370
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrente MICRO SWITCH ELETRO ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. No caso de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, com exceção das parcelas decorrentes da prática de procedimentos dolosos, em que a contagem do prazo decadencial é iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele que cada lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento. Recursos de Oficio e Voluntário Negados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 82 /2 00 7- 57 Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório MICRO SWITCH ELETRO ELETRÔNICA LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Por sua vez, a DRJ Recorre de ofício em face da exoneração do ano calendário de 2002, por decadência. Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$918.332,80 (novecentos e dezoito mil, trezentos e trinta e dois reais e oitenta centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$390.798,62 (trezentos e noventa mil, setecentos e noventa e oito reais e sessenta e dois centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$1.407.132,50 (um milhão, quatrocentos e sete mil, cento e trinta e dois reais e cinquenta centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$304.878,55 (trezentos e quatro mil, oitocentos e setenta e oito reais e cinquenta e cinco centavos), acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$7.277.273,24 (sete milhões, duzentos e setenta e sete mil, duzentos e setenta e três reais e vinte e quatro centavos). Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 4 3 De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração do IRPJ (fls. 1.026 a 1.028), foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2002 a 2004, com base no artigo 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), tendo em vista que a Contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação em anexo, deixou de apresentálos, e nem tampouco reapresentou os novos livros escriturados, após seguidas intimações. O Lucro Arbitrado foi determinado com base na receita bruta conhecida, representada por depósitos e créditos efetuados em contascorrentes bancárias mantidas em nome da Fiscalizada, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, apurados conforme os extratos bancários apresentados pela empresa, e cuja origem não foi devidamente comprovada, nos termos da legislação de regência. Os valores apurados encontramse discriminados nos anexos das Intimações Fiscais VI e VIII, e consolidados no Anexo do Termo de Verificação, que fazem parte integrante do Auto de Infração. No enquadramento legal foram capitulados: art. 27, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 251, 257, 258, 259, 260, 264, 287 e seus parágrafos, 527, parágrafo único, 530, inciso II, 532 e 537, do RIR/1999. Os Autos de Infração relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS decorreram do Auto de Infração de IRPJ. O enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração aos arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 19 e 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 1999 e reedições; art. 37 da lei nº 10.637, de 2002. O enquadramento legal do Auto de PIS aponta infração aos art. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; e art. 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715, de 1998; art. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. No Auto da COFINS, o enquadramento legal aponta infração art. 1º da Lei Complementar nº 07, de 1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; art. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807, de 1999 e suas reedições, com alterações da medida Provisória nº 1.858, de 1999 e suas reedições; art. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.011 e 1.012, registrou que, em continuação à fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte, para os anos calendário de 2002, 2003 e 2004, foram verificados os fatos assim descritos: 1) por meio da Intimação Fiscal VI, lavrada em 26/06/2007, com ciência por via postal, em 04/07/2007, foi exigido do contribuinte a apresentação da documentação comprobatória dos depósitos e créditos efetuados nas contas correntes bancárias mantidas pela empresa junto aos bancos Santander Banespa, BCN, Bradesco, Bankboston, Sudameris (somente do anocalendário 2002), Itaú e Nossa Caixa, conforme planilhas anexas em papel e em meio magnético. Foi dada a oportunidade ao contribuinte de apontar, se fosse o caso, quando o depósito ou crédito foi decorrente de transferência de valores entre as contas bancárias de sua titularidade; 2) decorrido o prazo concedido, não houve qualquer manifestação da fiscalizada. Sendo assim, foi novamente demandada por meio da Intimação Fiscal VII para apresentar a documentação hábil e idônea da origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias de sua titularidade. A ciência, que foi através Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 5 4 da via postal, ocorreu em 08/08/2007. Da mesma forma, também não houve qualquer manifestação quanto ao atendimento do exigido nas Intimações Fiscais VI, VII; 3) em 08/08/2007 tomou ciência da Intimação Fiscal VIII, em que foi exigida a comprovação da origem dos depósitos e créditos efetuados especificamente na conta corrente bancária mantida junto ao Banco Sudameris, nos anoscalendário 2003 e 2004; 4) não havendo qualquer manifestação do contribuinte, foi lavrada ainda a Intimação Fiscal IX, em que se reiterou o inteiro teor do exigido anteriormente nas Intimações VI, VII, e VIII. Após decorrido o prazo concedido, não foi apresentada nenhuma documentação que objetivasse comprovar a origem regular dos depósitos e créditos efetuados nas contas correntes bancárias de sua titularidade, relativas aos anos calendários 2002, 2003 e 2004. Todas as intimações foram encaminhadas à sócia e responsável perante a RFB, Vera Lucia da Costa, CPF 086.828.73850, pois a empresa já encerrou as suas atividades; 5) no início da ação fiscalizadora o contribuinte comunicou a perda de todos os seus livros comerciais e fiscais, juntamente com toda documentação. Embora tenha sido concedido prazo legal para a reconstituição da sua escrita, os livros não foram apresentados. INFRAÇÕES APURADAS 1) falta da apresentação do Livro Diário e demais livros comerciais e fiscais, e da documentação correspondente que pudesse dar suporte à sua opção pela apuração do lucro real trimestral para o ano calendário 2003; 2) falta da apresentação do Livro Caixa e demais livros comerciais, e da documentação correspondente, que pudesse dar suporte à opção pela apuração do seu lucro pelo lucro presumido para os anos calendário 2002 e 2004; 3) falta de comprovação da origem regular dos depósitos e créditos efetuados em 2002, 2003 e 2004, nas contas correntes bancárias de sua titularidade, mantidas junto aos bancos Bradesco, Itaú, Sudameris, Bank Boston, BCN Banespa e Nossa Caixa. Os valores dos depósitos mensais não comprovados, que foram extraídos dos extratos bancários entregues pelo contribuinte (fls. 229 a 1020), estão discriminados nos anexos das Intimações Fiscais VI e VIII (fls. 06 a 77 e fls. 81 a 88), e consolidados no demonstrativo anexo ao Termo de Verificação, que fazem parte integrante do Auto de Infração lavrado pela ocorrência de omissão de receitas. Enquadramento legal Art. 251, 257, 258, 259, 260 e 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999); art. 287 e seus parágrafos do RIR/1999; art. 527, parágrafo único do RIR/1999; art. 530, inciso III do RIR/1999; art. 532 e 537 do RIR/1999. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos impugnandoos em 29/11/2007, por seus procuradores, devidamente constituídos (Instrumentos de Mandato à fl. 1.097), sob os argumentos expostos a seguir: – o Auto de Infração deve ser declarado nulo, tendo em vista os seguintes fundamentos: 1) decadência dos lançamentos referentes aos períodos de apuração ocorridos até setembro de 2002; 2) os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 6 5 não comprovam o nexo de casualidade entre o depósito e o fato que representa omissão de receita, pois depósitos bancários, por si sós, não satisfazem essa certeza; Da Decadência do Direito da Fazenda Pública de exigir os supostos Tributos relativos a 2002 – por se tratar de lançamentos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), a contagem do prazo decadencial se dá a partir da ocorrência do fato gerador. Assim, os fatos geradores ocorridos até setembro/2002 estão distantes em mais de 5 anos da data de lavratura dos Autos de Infração, ocorrida em 29/10/2007; – ainda que se admita que para efeitos de aplicação do art. 150, § 4º, o Código Tributário reclamaria prévio pagamento do tributo (regra contudo somente aplicável ao 4º trimestre), a verdade é que a Impugnante efetuou o devido pagamento dos referidos tributos, conforme a Fiscalização pode comprovar de seus sistemas de controle de pagamentos de tributos; – mesmo que se conclua que o prazo decadencial deva ser contado de acordo com a regra do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN, o que se admite apenas por hipótese, o lançamento persiste como decadente em relação aos meses de janeiro a setembro, quanto ao PIS e Cofins, com relação aos quais o lançamento poderia ser efetuado no próprio ano de 2002. Da Consideração equivocada dos Valores dos Depósitos como Renda ou Receita – a Fiscalização não poderia ter considerado a somatória de todos os valores que constam dos depósitos bancários como sendo renda ou receita a ser oferecida à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; – em seu ramo de atividade, a Contribuinte adquire bens para vendêlos e nessas transações comerciais são descontadas despesas, impostos e o preço de mercado do produto e, no final, a apuração do lucro real é em média muito inferior ao percentual arbitrado de 9,6%; – de outro lado, há que se considerar que existem vários lançamentos que não correspondem a entrada de depósitos que possam ser considerados rendimentos tributáveis. A título de exemplificação, basta verificar o anexo do termo de verificação do SUDAMERIS elaborado pelo Agente Fiscal, no qual todos os valores foram computados como receita a título de tributação, senão vejamos: os lançamentos “Operação de descontos” – valor R$35.337,21 referemse a empréstimos efetuados pela instituição que, após descontar os encargos credita o valor de R$173.190,35 na conta corrente da impugnante; – a maioria dos depósitos bancários tributados não pode ser considerada, pois não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda ou receita tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida. Assim, o lançamento constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de receita; – para que haja tributação pelo IRPJ e pela CSLL é necessário que exista renda (ou lucro) efetivamente auferida, nos termos do que dispõem os art. 135, III e 195, I, “c”, da Constituição Federal, o art. 43 do CTN e o art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988; Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 7 6 – no que se refere ao PIS e à Cofins tais tributos tinham por base de cálculo, na época da lavratura dos autos de infração, o faturamento, entendido como o total de receitas auferidas pela empresa no ano de 2002, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1988 (transcreve). Do § 2º do referido artigo, assim como o IRPJ e a CSLL, tanto o PIS como a Cofins pressupõem acréscimo patrimonial; Da Não Demonstração da Origem do Débito Tributário – parte da doutrina entende que no quadro constante da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados, nem pela lei tributária, a fortiori pelo agente fiscal, em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, sem que previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento (art. 142 do CTN) exige; – nesse sentido, o Auto de Infração aqui tratado deveria ter fundamentado e demonstrado toda a origem do débito tributário que foi lançado, pois assim determina o art. 142 do CTN. Ao não fazêlo, já que não demonstrada a origem das receitas que consubstanciaram o ato de lançamento, incorreu em vício não admitido pelo ordenamento jurídico brasileiro, razão pela qual deve ser considerado como nulo. Da Multa Confiscatória Aplicada de 75% – a incidência de multa não pode subsistir uma vez que o inciso IV, do art. 150, da Constituição Federal veda a exigência de tributo com efeito de confisco (transcreve); – assim, ainda que esteja prevista multa neste patamar de 75% para a suposta infração, esta é por completo descabida, tendo em vista o princípio do nãoconfisco (cita doutrina); Redução da Multa – a multa de ofício deve ser reduzida para 20% decorrente de falta de recolhimento de tributo devido no prazo legal, nos termos do art. 61, § 2º da lei nº 9.430, de 1996, e, não a multa com fulcro no art. 27, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, porque a Autuada não praticou qualquer ilícito ou fraude que justifique a incidência excessiva de multa de 75%; – a Impugnante não apresentou sua regular escrituração por motivo de força maior, tendo em vista que os livros e documentos solicitados foram extraviados devido furto do veículo que os transportavam, conforme Boletim de Ocorrência lavrado em 04/07/2006 anexo. Ilegalidade da Taxa Selic – por ter sido instituída e regulada mediante resoluções e circulares do Conselho Monetário Nacional (e não por lei), por ter fins remuneratórios, e por estar ajustada a particularidades próprias das operações bancárias – que são regidas por Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 8 7 mecanismos de oferta e procura, incompatíveis com a própria noção da obrigação tributária, essa taxa é flagrantemente incompatível com a cobrança de impostos; – a taxa Selic voltase contra os princípios da legalidade, anterioridade e indelegabilidade e provoca a insegurança jurídica e perplexidade, dada a flagrante impossibilidade de equiparar os contribuintes aos aplicadores; estes praticam ato de vontade; aqueles são submetidos a ato de império (cita jurisprudência de STJ) – a Lei Ordinária não criou a taxa Selic, mas tão somente estabeleceu o seu uso. Por conseguinte, a Lei Ordinária que estabeleceu o uso desta taxa está contra a Lei Complementar, pois esta só autorizou juros diversos a 1% se a lei estatuir em contrário, o que não acontece no caso da Taxa Selic, tendo em vista que tanto para medir a inflação ou adotada como juros, extrapola em todos os sentidos. Conclusão – requer seja declarado nulo o Auto de Infração, tendo em vista os argumentos acima explanados, que podem ser resumidos da seguinte forma: a) o Auto de Infração não pode subsistir tendo em vista ter ocorrido o fenômeno da decadência para o período de janeiro a setembro do anocalendário 2002, seja considerandose o art. 150, § 4º ou o art. 173, I, do CTN; b) os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal não comprovam o nexo de casualidade entre o depósito e o fato que representa omissão de receita, pois os depósitos bancários por si só, não satisfazem essa certeza, maculando dessa forma a hipótese de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; b.1) isso porque o valor apurado para o arbitramento da base de cálculo para exigência do tributo e para a consideração da base de cálculo para exigência do tributo e para a consideração da base de cálculo do PIS e da COFINS, não corresponde a valor de renda ou receita sujeita a tributação, pois os depósitos bancários não são renda ou receita; b.2) até porque muitos dos depósitos considerados pela fiscalização resultaram em cheques devolvidos, que em vez de renda gerou prejuízo, sendo que também há valores que deveriam ser excluídos por tratarem de mera transferência de conta da mesma titularidade, inclusive operação de desconto comercial juntamente com os empréstimos bancários; b.3) além disso, apesar de a Impugnante não ter condições de refazer sua escrita fiscal em face do furto dos livros e documentos, é possível elaborar levantamento sobre os lançamentos bancários excluindo o que não é crédito, e o crédito que é proveniente de empréstimo de transferência de valores de conta da mesma titularidade ou de utilização de limite de garantia de conta bancária. Com as exclusões destes valores, o valor da base de cálculo para arbitramento do tributo seria bem menor. Além do que, a alíquota aplicada de 9,6% no presente lançamento não corresponde à realidade de mercado para os produtos comercializados; c) finalmente, a aplicação de multa de 75% tem claro efeito de confisco, ad argumentandum tantun, a multa deve ser reduzida para 20%, que corresponde a tributo recolhido com atraso, uma vez que não houve prática de atos a justificar a multa punitiva. Por derradeiro, a exclusão da aplicação da taxa SELIC a título de juros moratórios por ser ilegal. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 9 8 A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. No caso de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, com exceção das parcelas decorrentes da prática de procedimentos dolosos, em que a contagem do prazo decadencial é iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele que cada lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/PASEP. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e Cofins, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias, deduzindose, porém parcelas dos tributos lançados confessadas espontaneamente. MULTA DE OFÍCIO. Verificada a ocorrência de ilícito tributário em procedimento regular de fiscalização, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Impugnação procedente em parte . Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Os recursos, voluntário e de oficio preenchem os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência com base em depósitos bancários não contabilizados, que a origem dos recursos não foi totalmente justificada, apesar de o contribuinte ter sido intimado durante a ação fiscal. Em face da grandeza das omissões, foi arbitrado o lucro do contribuinte. A DRJ cancelou a exigência do anocalendário de 2002 em face da decadência. No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações impugnativas. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Aplicação do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 11 10 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 10613188).” Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor”, consoante Sumula nº. 2 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrandose em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 12 11 princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Outrossim, na busca da verdade material e imprescindível a análise de documentos e alegações/justificativas quanto aos ingressos de numerários em conta bancária, para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com base na aludida presunção. Todavia, no presente caso a contribuinte nada apresentou para justificar a origem dos depósitos bancários considerados receitas omitidas. Em relação as demais alegações repisadas pela recorrente, peço vênia para adotar os fundamentos da decisão de primeira instancia a seguir transcritos: Vejamos agora os fundamentos da decisão de primeira instância, que deu já exonerou parte do crédito tributário em face da decadência. (...) Quanto ao requerimento de declaração de nulidade dos Autos de Infração, cabe inicialmente aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. As demais irregularidades, incorreções ou omissões porventura verificadas, e que não é o caso dos lançamentos em exame, são passíveis de saneamento, conforme prevê o artigo 60 do mencionado Decreto. Observase, ainda, que a hipótese do inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, relativa ao cerceamento do direito de defesa, não se aplicaria ao auto de infração, nem à notificação de lançamento. É que a ampla defesa e o contraditório somente têm lugar com a apresentação da impugnação. Isso porque o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitiva. A contribuinte teve acesso a todos os elementos constantes da peça de autuação, os quais permitiram identificar o fundamento da exigência fiscal de forma que a autuada apresentou sua impugnação no prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência da exigência tributária, conforme preceitua o artigo 15 do mencionado Decreto, demonstrando amplo conhecimento da matéria tratada e exercendo plenamente o seu direito de defesa. Desta forma, não há que se aventar a nulidade do auto de infração uma vez ausente qualquer indício que denote vício irremediável quer do lançamento quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, visto que nos autos não restou provada qualquer violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos arts. 10 e 59 do PAF. Com relação à preliminar de decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos até setembro de 2002, cumpre observar que, não obstante a existência de entendimentos diferenciados a respeito da contagem do prazo decadencial, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, visando à adequação e ao cumprimento da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, expediu, em 1º de agosto de 2008, o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, que assim dispôs, pontualmente, nas letras “d” e “e” de seu epílogo: Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 13 12 (...); d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...). (grifei) Por sua vez, o Senhor Ministro de Estado da Fazenda, por intermédio de Despacho exarado em 18/08/2008, aprovou o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, cujas orientações devem ser observadas pela RFB. (...) Logo, tendo decorrido mais de cinco anos entre os fatos geradores ocorridos até 30 de setembro de 2002 e a data da ciência do lançamento de ofício (30/10/2007), há de se reconhecer, de ofício, a decadência em relação aos referidos períodos de apuração. Dessa forma afastase a tributação referente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2002, em face da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o correspondente crédito tributário. Passo à analise da parte do lançamento do IRPJ não atingida pela decadência, cuja base de cálculo foi o lucro arbitrado, em virtude da não apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais solicitados durante a ação fiscal, sendo que, por sua vez, o lucro arbitrado foi determinado em função da receita bruta conhecida, representada pelas receitas omitidas caracterizadas por crédito/depósitos bancários efetuados em contascorrente bancárias mantidas pela Contribuinte, cuja origem dos recursos, a Contribuinte, apesar de regularmente intimada, não logrou comprovar. Não procede a inconformidade da impugnante com o fato de a autoridade fiscal ter caracterizado como omissão de receitas, os valores creditados em suas contascorrentes, cuja origem não foi comprovada. Há que se observar, primeiramente, que não estão sendo tributados depósitos bancários como tal considerados, mas sim a omissão de receitas representada pelos recursos, de origem não comprovada, que ingressaram nas contas bancárias da Contribuinte. Os depósitos bancários são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. (...). Como se verifica, a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito ou de investimento sem comprovação de origem, ou se comprovada não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos), presumese, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Tratase, pois, de uma presunção legal tributária, instituto cuja propriedade é a de inverter o ônus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei. Aqui, restou evidenciado que a Contribuinte não comprovou a origem de valores integrados à sua conta corrente bancária, bem como não demonstrou sua contabilização, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e sujeita à tributação. Por não ser admissível prejuízo à Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 14 13 incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a manutenção da exigência, até porque prevista e admitida legalmente. Portanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no ato administrativo adotado, conforme alegado, mas sim um procedimento legal que objetivou viabilizar a fiscalização, estando devidamente amparado pela legislação em vigor. Sobre os alegados lançamentos que seriam referentes a empréstimos, cumpre dizer que somente pela leitura dos históricos constantes dos extratos bancários não é possível se chegar a tal conclusão e a Contribuinte não apresentou nenhum documento hábil e idôneo para comprovar a sua alegação, razão pela qual não pode ser acolhida tal alegação. Em relação a possíveis transferências entre as contas da Autuada, tal fato não é observado da análise dos extratos bancários. As operações realizadas em determinada instituição financeira, registradas a crédito, denominadas, conforme o Histórico, como transferência, não guardam correspondência com movimentações a débito, de iguais valores, na mesma data, nos outros bancos em que a Interessada mantinha conta corrente. Argumenta ainda a Contribuinte, que em seu ramo de atividade a apuração do lucro real é em média muito inferior ao percentual arbitrado de 9,6%. Tal entendimento somente faz sentido relativamente à apuração dos resultados com base no lucro real, pressupondo a existência de escrituração regular dos livros contábeis e fiscais, o que não veio a ocorrer no presente caso. São três as formas de apurar o lucro da pessoa jurídica sujeita à tributação, nos termos do artigo 44 da Lei n.º 5.172 (CTN), de 25 de outubro de 1966, e artigo 219 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – real, presumido e arbitrado. Para a apuração do Lucro Real, é necessário que o contribuinte, pessoa jurídica, mantenha escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 251 do RIR/1999). Os livros comerciais obrigatórios para as pessoas jurídicas tributáveis pelo Lucro Real são o Livro Diário e o Livro Razão, mencionados nos art. 258 e 259 do RIR/1999. Já os livros fiscais cuja manutenção é obrigatória estão relacionados no art. 260 do RIR/1999. O arbitramento do lucro, por sua vez, é medida extrema, e só deve ser adotado como base de cálculo do imposto quando ocorrer uma das hipóteses previstas no artigo 47 da Lei n.º 8.981, consolidadas no art. 530 do RIR/1999, dentre as quais se destaca a elencada no inciso III, in verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e Fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...). Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 15 14 No presente caso, a Contribuinte, ao ser intimada a apresentar os seus livros contábeis e fiscais, comunicou que haviam sido perdidos, juntamente com toda a documentação, e embora tenha sido concedido prazo legal para a reconstituição da sua escrita, os livros não foram apresentados. A não apresentação dos livros contábeis Diário e Razão impossibilita a apuração do Lucro Líquido Contábil, a partir do qual se procede à apuração do Lucro Real, mediante a realização de ajustes e de eventuais compensações de prejuízos fiscais, que, por sua vez, devem estar escriturados no Lalur, livro fiscal também de manutenção obrigatória. Sem a apresentação dos livros e respectiva documentação, obrigatórios para a apuração do Lucro Real, especialmente os livros contábeis Diário e Razão, tornouse inviável a apuração do Lucro Real da Impugnante e imperativa a adoção do arbitramento do lucro como forma de apuração da base de cálculo do IRPJ, por determinação legal expressa no art. 530, inciso III, do RIR/1999, já transcrito. Diante da hipótese de arbitramento do lucro, emerge a necessidade de observar os critérios legais para a sua determinação. Segundo o art. 532 do RIR/1999, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No presente caso, os depósitos bancários de origem não comprovada constituíram a receita tributável para fins de apuração do imposto sobre o lucro arbitrado. A base de cálculo do imposto – o lucro arbitrado – foi obtida pela utilização do percentual de 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), que nada mais é do que um percentual 20% (vinte por cento) superior ao adotado para o lucro presumido para a atividade de comércio, que é de 8% (trinta e dois por cento), sobre a receita bruta conhecida – no caso, os valores omitidos. Portanto, não cabe, aqui, apreciar se é demasiado o percentual utilizado pelo Fisco, mas sim que guarda consonância com a legislação vigente. Diante do exposto, os lançamentos de IRPJ referentes aos fatos geradores não atingidos pela decadência devem ser mantidos integralmente. Quanto aos demais Autos de Infração, decorrentes da omissão de receitas detectada na apuração do IRPJ (Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL), em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. Todavia, verificase que a Contribuinte declarou, espontaneamente, em DCTF, débitos referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, em todos os períodos de apuração em exame, os quais não foram deduzidos dos montantes apurados como devidos nos Autos de Infração em comento. Logo, os aludidos débitos declarados devem ser exonerados neste voto. A Impugnante alega que, ainda que esteja prevista multa de 75% para a suposta infração, a citada multa seria descabida, pois estaria afrontando o princípio Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 16 15 do nãoconfisco, consignado no artigo 150, inciso IV, da CF/1988, e pede a sua redução para 20%. No resultado da fiscalização restou apurada a falta de pagamento de tributos devidos a partir da omissão de receitas que resultou em arbitramento do lucro, ou seja, a Impugnante incorreu no ilícito tributário de não pagar os tributos no prazo fixado pela legislação tributária. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% está prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, e, uma vez caracterizada a falta de pagamento do tributo devido, correta é a sua aplicação. No tocante aos aspectos de inconstitucionalidade levantados pela impugnante — a utilização da multa e do tributo com o efeito de confisco e a violação ao princípio da proporcionalidade —, tratamse de garantias constitucionais dirigidos ao legislador infraconstitucional e não ao executivo, mero aplicador da lei. Por oportuno, cabe esclarecer que, por força dos princípios da legalidade e da independência e harmonia dos poderes da República, foge à competência da autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário (artigos 97 e 102 da Constituição Federal). A norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento, até que seja excluída do mundo jurídico por uma outra norma superveniente ou por resolução do Senado Federal, a partir de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) declarando sua inconstitucionalidade. Dessa forma, demonstrada a existência dos ilícitos apontados nos autos de infração e estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que a insere no campo das infrações tributárias, mantenho a aplicação da multa de ofício, no valor de 75%, não se podendo acolher as alegações de confisco e de violação ao princípio da proporcionalidade, tampouco reduzila a percentual distinto daquele fixado na lei de regência. Insurgese, ainda, a Impugnante contra o fato de os juros de mora terem sido cobrados com base na taxa SELIC, o que teria ocorrido sem o devido amparo legal. Os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do Código Tributário Nacional (CTN). O § 1º do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que, valendose dessa faculdade, o legislador ordinário, por intermédio do artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para Títulos Federais – SELIC, como se observa de sua transcrição: (...) A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu artigo 61, § 3º, corrobora esse mandamento para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Convém frisar que o legislador, ao redigir o artigo 161 do CTN, não determinou outros requisitos para a fixação dos juros moratórios. Dessa forma, não cabe a discussão quanto à natureza da taxa SELIC, se remuneratória ou compensatória. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/200757 Acórdão n.º 1402001.370 S1C4T2 Fl. 17 16 (...) Portanto, é legitima a aplicação da taxa referencial do SELIC como fundamento para o cálculo de juros moratórios incidentes sobre débitos, já vencidos, para com a Fazenda Pública. (...)” Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que esgotam as questões em litígio, deixando patente a correta tributação das receitas omitidas mediante arbitramento dos lucros. Frisese que tais fundamentos não foram diretamente contraditados na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Em relação ao recurso de ofício reitero que o auto de infração foi lavrado e cientificado em 30/10/2007, sendo que o contribuinte havia realizado recolhimentos espontâneos na modalidade “lucro presumido”, portanto é mesmo correta a exoneração dos fatos geradores até 30/09/2002. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos de oficio e voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 37220.004196/2002-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.145
Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em
diligência. Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determinar o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determinar o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37220.004196/200205 Resolução nº 2403000.145 S2C4T3 Fl. 2 2 RELATÓRIO: Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias referente à retenção de 11 % sobre o valor bruto das Notas Fiscais de Serviço emitidas na competência 08/2002 referente à obra de matrícula CEI 35.390.00105/77. Às folhas 166 a 171 consta Despacho Decisório da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM VOLTA REDONDA SEÇÃO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA SAORT que indeferiu pedido de restituição e orientou o contribuinte a recorrer ao CARF. DECISÃO 20. Visto que o consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei n ° 6.404/1976, não é dotado de personalidade jurídica própria e, por não ter aptidão para ser titular de direitos ou contrair obrigações, não possui capacidade tributária passiva, não estando, portanto, legitimado a pleitear restituição dos valores retidos pela contratante durante a execução do empreendimento. Desse modo, são as empresas consorciadas aquelas que devem, de forma individualizada e dentro da jurisdição de seu domicílio tributário, pleitear a restituição do saldo remanescente da retenção havida, na proporção de sua participação do empreendimento, sujeitandose o pagamento do valor porventura deferido a cada uma delas, necessariamente, à inexistência das situações impeditivas, elencadas no art. 216 da Instrução Normativa SRP n ° 03, de 14/07/2005. 21. Ademais, há de registrar que questões ligadas à procedência do pedido de restituição, aos documentos necessários ao reconhecimento do crédito e à capacidade probante das faturas de prestação de serviço e dos demais documentos apresentadas em nome do consórcio, não foram, neste ato, analisadas e decididas, visto que a situação jurídica do requerente já impõe, por si só, o indeferimento do pedido. 22. Por tudo exposto, proponho, baseado no previsto no art. 53 da Lei n ° 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a revisão, de ofício, do Despacho de fis. 132, que deixou de observar que o postulante não possui legitimidade para pleitear direito creditório, e, de sobra, proponho o indeferira do pedido de restituição, em face das razões apontadas no presente despacho. ... Conforme proposto no presente despacho, resolvo: a) Rever, de oficio, a decisão proferida, na data de 23/08/2006 (fls. 132), pelo Chefe da Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária em Angra dos Reis, que deferiu o presente pedido de restituição e, em contrapartida, indeferir o mesmo pedido, de acordo Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37220.004196/200205 Resolução nº 2403000.145 S2C4T3 Fl. 3 3 com os fatos e fundamentos expostos, conforme delegação de competência efetivada pela Portaria DRFVRA n ° 75, de 29/06/2007; b) Determinar que seja dada ciência do presente despacho ao requerente, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para apresentação de recurso voluntário, a ser dirigido ao 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na forma do art. 305, § l o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto ri 3.048/1999, combinado com o art. 29 da Lei ri 11.457, de 16/03/2007, caso ele não concorde com a decisão; c) Encaminhar o processo à ARF em Angra dos Reis, para a finalidade exposta acima. O contribuinte recorreu ao CARF. VOTO: Após decisão da DRF o contribuinte recorreu ao CARF. O Decreto 70.235/72 prevê julgamento de primeira instância pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ). O julgamento pela DRJ não ocorreu. Esse vício deve ser sanado. CONCLUSÃO Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determino o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.003610/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES.
No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009)
Numero da decisão: 2202-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pelo contribuinte para, rerratificando o acórdão no 2202-01489, de 29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 649 1 648 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003610/200778 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202002.300 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria Depósito Bancário Conta Conjunta Embargante WAGNER PEDROSO RIBEIRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão vergastado houve omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado, procedendose o devido saneamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES. No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pelo contribuinte para, rerratificando o acórdão no 220201489, de 29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 10 /2 00 7- 78 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 650 2 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 651 3 Relatório Em sessão plenária de 29/11/2011, o processo em epígrafe foi julgado por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão no 220201.489 (fls. 564 a 582), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009). Fl. 651DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 652 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. A omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do imposto de renda apurado no ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em dia 31 de dezembro do anocalendário. Entendimento pacificado pela Súmula CARF no 38 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em vigor desde 22/12/2009. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS O contencioso administrativo destinase, tão somente, a apreciar o litígio conformado pela discordância do contribuinte quanto a lançamento contra ele formalizado, não tendo competência para se manifestar sobre questões externas ao crédito constituído, tal como questões que versem sobre a representação fiscal para fins penais. Questão consolidada no âmbito deste Tribunal Administrativo por meio da Súmula CARF no 28, em vigor desde 22/12/2009. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. DOS EMBARGOS Intimado do referido Acórdão, em 30/07/2012 (vide AR de fl. 587), o contribuinte, com fundamento no art. 65, §1o, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), opôs, em 02/08/2012, os Embargos de Declaração de fls. 588 a 600. Em síntese, o embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso no que tange à necessidade de intimação de todos os cotitulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, nos exatos termos da Súmula CARF no 29. Requer, assim, que seja suprida a deficiência apontada com novo julgamento e prolatação de novo acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Consoante disposto no §7o do art. 49 do RICARF, os presentes autos foram distribuídos para esta Conselheira para manifestação, vindo digitalizados até à fl. 6441. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 644 (fl. 644 da digitalização). Fl. 652DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 653 5 Por meio da Informação em Embargos, anexada às fls. 645 a 647, foi proposto o acolhimento dos embargos para que o processo fosse novamente submetido à apreciação dos membros desta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, o que foi acatado por seu presidente, que determinou sua inclusão em pauta para julgamento (fl. 648). Fl. 653DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 654 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Primeiramente, constatase a tempestividade do apelo, eis que apresentado dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de segunda instância, em 30/07/2012 (vide AR de fl. 587), apresentando os embargos em 02/08/2012. 1 Apreciação dos embargos De acordo com os embargos opostos, teria havido omissão, pois o conselheiro relator não teria se pronunciado quanto à necessidade de intimação de todos os co titulares da conta bancária a comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, nos exatos termos da Súmula CARF no 29. Compulsandose os elementos que compõem os autos, verificase que no Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 365 a 417) não há qualquer referência a existência de contas conjuntas, razão pela qual na decisão embargada (fls. 564 a 582) não foi mencionado no relatório e, muito menos, apreciado no voto condutor a questão relacionada à necessidade de intimação de todos os cotitulares das contas objeto da autuação fiscal. Observase, contudo, que tal questionamento somente foi levantado pelo recorrente na petição de fls. 496 a 521, acompanhada do documento de fl. 522, que, embora tenha sido entregue no Protocolo Geral do CARF em 02/06/2011, antes do julgamento de segunda instância (29/11/2011), só foi incluída no eprocesso em 03/09/2012 (vide data da autenticação dos documentos), ou seja, depois de prolatada a decisão ora embargada. Importa salientar que consta expressamente consignado no relatório do acórdão vergastado que o processo distribuído a relatora veio numerado até a fl. 495 (fl. 570) e que “Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital.” (vide nota de rodapé à fl. 570). Evidenciada assim a omissão em relação à necessidade de intimação de todos os cotitulares das contas objeto da autuação fiscal (vide fls. 496 a 521) e ao documento anexado à fl. 522, acolhemse os presentes embargos, para sanar o vício apontado pelo embargante, com fulcro no art. 65 do RICARF. 2 Contas conjuntas Tratase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em que o contribuinte argúi a nulidade do lançamento, alegando que sua esposa, cotitular das contas fiscalizadas, não foi intimada a se manifestar em relação à movimentação financeira das mesmas, assim se manifestando à fl. 499: Fl. 654DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 655 7 Tratase de Auto de Infração lavrado contra o recorrente, datado de 26/11/2007 para exigir crédito tributário de IRPF, no valor de R$ 2.672.574,54, tendo como suporte legal, dentre outras imputações, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, apurados de conformidade com os créditos lançados em contas correntes bancárias junto ao Banco Itaú S/A, HSBC Bank Brasil S/A e Banco Citibank S/A, dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Em que pese o recorrente ter fornecido inúmeras cópias de cheques e extratos bancários para atender aos termos das intimações, que continham indicação expressa quanto a titularidade conjunta da conta corrente 456704 , do Banco hail S/A, que foi objeto de investigação fiscal, a agente fiscal, quando da autuação, imputou exclusivamente ao recorrente, a totalidade dos valores dos rendimentos e das receitas, deixando de observar que a referida conta corrente de n° 456704 , do Banco Itaú S/A, era de titularidade conjunta entre o recorrente e sua esposa (há época dos fatos) Patrícia de Toledo Ribeiro, inscrita no CPF/MF n° 287.691.29886 (doc. 01), cujas declarações de rendimentos ou de informação dos titulares eram apresentadas em separado, nos exatos termos do artigo 42, § 6°, da Lei 9430/96, conforme comprovado através das declarações de ajuste anual dos anoscalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005 do recorrente e de sua esposa Patrícia de Toledo Ribeiro, que são de fácil verificação, junto ao sistema da Receita Federal do Brasil. De se analisar a questão. No caso, importa observar o disposto no caput do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, combinado com o §6o do mesmo artigo, que assim dispõem: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (grifos nosso) De acordo com o dispositivo acima transcrito, para que a presunção de omissão de rendimentos se aperfeiçoe é necessário que o titular seja previamente intimado a Fl. 655DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 656 8 comprovar a origem dos depósitos. Ou seja, cabe ao fisco identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar com o fim de cumprir o encargo que a presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996 lhe transfere. Assim, diferentemente de outras infrações, a presunção de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada tem como requisito fundamental a intimação prévia do titular da conta, sem a qual ela não se conforma. No caso de contas conjuntas, em que os titulares apresentem declaração em separado, não basta intimar apenas um deles; todos os cotitulares devem ser intimados a comprovar a origem dos créditos que ingressaram na conta bancária, sob pena de nulidade do lançamento, visto que a omissão apurada será partilhada entre eles. Ao se intimar apenas um dos titulares e efetuar o lançamento sobre todos os cotitulares está se presumindo que os demais não comprovariam nenhum depósito, para o que não se tem amparo legal. Cabe lembrar que a eventual comprovação por um dos titulares reflete diretamente no valor a ser imputado aos outros e, portanto, sem a prévia e regular intimação a todos os titulares da conta bancária, não se pode quantificar, com certeza, a parcela devida a cada um. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito deste Tribunal pela Súmula CAR no 29, de aplicação obrigatória desde 22/12/2009: Súmula CARF no 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Não obstante a redação da súmula acima transcrita tenha sido omissa quanto ao contexto de sua aplicação, pelas ementas dos acórdãos2 paradigmas que lhe deram origem, a seguir reproduzidas (grifos nossos), inferese claramente que a intimação dos cotitulares é necessária apenas no caso de apresentação de declaração em separado. Acórdão nº 10617009, de 06/08/2008: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta toma insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela. 2 Informação extraída no sitio do CARF em 30/04/2013. (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/Sumulas/listarSumulas.jsf) Fl. 656DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 657 9 Acórdão nº 10248460, de 26/04/2007: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6°, do artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Acórdão nº 10248163, de 26/01/2007: CONTA CONJUNTA Em se tratando de conta conjunta, é necessário intimar todos os cotitulares da conta para que informem sobre a origem dos recursos. A divisão do total de rendimentos ou receitas pela quantidade de cotitulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titularidade dos recursos. Não pode a fiscalização, sem a intimação do cotitular da conta, cuja declaração de rendimentos tenha sido apresentada em separado, presumir que a metade das receitas pertence a um dos correntistas e o saldo remanescente ao outro contribuinte. (inteligência art. 42, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996). Acórdão nº 10422117, de 07/12/2006: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Acórdão nº 10422049, de 09/11/2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória n°. 66, de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários (jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 657DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 658 10 Voltando ao caso em concreto, verificase que foram tributadas, nos anos calendário 2002 a 2005, três contas em nome do contribuinte: conta no 456704 do Banco Itaú S/A, conta no 0443707 do HSBC Bank Brasil S/A e conta no 32080280 do Citibank S/A (vide planilhas de fls. 216 a 243). Em sede de recurso, o contribuinte juntou declaração fornecida pelo Banco Itaú, segundo a qual a conta no 456704, junto a agência Vila Maria/São Paulo é conjunta com a Sra. Patrícia de Toledo Ribeiro, desde 1989 (fl. 522). Examinandose os extratos por ele fornecidos (fls. 30 a 60), não havia nada que indicasse que a conta era conjunta. Contudo, não obstante o recorrente alegue que ele e sua esposa, Sra. Patrícia de Toledo Ribeiro, teriam apresentado declaração em separado, verdade é que pelas cópias das declarações anexadas pela fiscalização às fls. 6 a 22, a referida senhora consta como sua dependente nos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (vide relação de dependentes às fls. 8, 12, 15 e 20). Assim, apesar de ter sido tributada uma conta conjunta, uma vez que os co titulares apresentaram declaração em conjunto, não se aplica a Súmula no 29 do CARF. Destarte, não há reparos a fazer no lançamento efetuado. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos opostos pelo contribuinte para reratificar o Acórdão no 220201.489, de 29/11/2009, sanando a omissão apontada, manter a decisão original proferida. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 658DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 13896.004120/2002-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164)
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO.
O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício.
CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente(s), temporariamente, o(s) conselheiro(s) Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62A do RI CARF REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir o valor das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 41 20 /2 00 2- 61 Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente(s), temporariamente, o(s) conselheiro(s) Domingos de Sá Filho. Relatório O estabelecimento matriz de Quatro Marcos Ltda. requereu o ressarcimento do saldo credor do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e regulamentado pela Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, relativo ao 1o trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 583.333,52 a ser aproveitado em compensações declaradas. A DRF/OSASP emitiu, em 25/10/2007, o despacho decisório de fls. 1.518, que, apoiado no Parecer SEORT/DRF/OSA nº 997/2007, fls. 1.516 e 1.517, indeferiu totalmente o pedido. A Fiscalização procedeu aos seguintes ajustes: a) glosa de R$ 266.476,20 do valor do pedido, por serem decorrentes de entradas de produtos adquiridos a pessoas físicas (produtores rurais), não contribuintes do PIS e da Cofins, nos termos da legislação; de gastos relativos à energia elétrica e combustíveis e de custos relacionados a compras junto a pessoas jurídicas para os quais não houve a efetiva comprovação documental dos pagamentos, e; b) glosa de R$ 316.857,32 referente à não aceitação de comprovantes de pagamentos em face de existência de fornecedores que não comprovaram as operações realizadas, por serem inaptas e/ou não localizadas em seus endereços cadastrais. Sobreveio reclamação, fls. 1.483 a 1.500, por meio da qual o requerente, em preliminar, requer o sobrestamento do feito até que seja julgado o auto de infração objeto do processo 19515.001985/200612, referente à glosa de custos. Nada obstante, adentra o mérito da glosa efetivada pelo Fisco, reproduzindo as razões de defesas opostas ao lançamento. Aduz que apresentou, nos autos do processo fiscal de lançamento, cópias dos demais documentos comprobatórios de pagamentos que a Fiscalização disse não terem sido entregues. Rechaça a glosa das aquisições de insumos a pessoas físicas, argumentando que as restrições impostas pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, já se encontram superadas pela jurisprudência do STJ e da CSRF. Quanto aos gastos com energia elétrica e combustíveis, entende inexistir fundamento jurídico para a glosa. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.568 3 Solicitou perícia a fim de certificar (a) a correta contabilização dos documentos apresentados ao Fisco; (b) que todos os insumos adquiridos eram necessários à realização da receita auferida pela empresa; (c) que os insumos foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos vendidos e (d) que as aquisições foram efetivamente pagas diretamente aos credores ou a terceiros por eles autorizados. A 8ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1434.214, de 14 de junho de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido do IPI. CUSTOS. PAGAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Devem ser glosados os custos cujos pagamentos não são comprovados com documentos hábeis e idôneos por contribuinte optante pelo lucro real regularmente intimado. Consideramse comprovados como custos dedutíveis na apuração do lucro real aqueles cujos pagamentos foram feitos aos fornecedores das mercadorias constantes nas notas fiscais de entrada e em data e valor coincidentes. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. DESCABIMENTO. Perícia e diligência prescindíveis na apreciação da lide devem ser indeferidas pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 1.556 a 1.558, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, argúi a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de defesa, consistente no indeferimento da realização da competente prova pericial, julgada prescindível. No mérito, entende ter demonstrado que todas as aquisições de insumos relativas às notas fiscais glosadas foram efetivamente contabilizadas e regularmente registradas nos livros próprios, sem qualquer mácula. Em síntese, estando todas as operações materializadas na escrita fiscocontábil da recorrente, não poderia o órgão julgador, Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 simplesmente, afastálas, sem ao menos apontar eventual mácula. Lembra que a contabilização sem vício faz prova a favor do contribuinte. Repete que a informação do Fisco não contrariou a veracidade das aquisições, nem das notas fiscais. Considerando que toda a documentação fiscal se apresentou regular, deve ela fazer prova em favor (e não contra) o contribuinte. Tratandose de atividade frigorífica, argumenta que não se poderia, de plano, aceitar a glosa relativa à aquisição de gado, carnes, couros e respectivos insumos, todos envolvidos no processo produtivo e contabilmente demonstrados, e, estando comprovadas a efetividade e regularidade das respectivas operações, a glosa só se sustenta com base em meras e desautorizadas presunções. Não demonstrando que os custos não ocorreram; que as matérias primas não se incorporaram no processo produtivo, temse, então, que a glosa é manifestamente indevida. No que diz respeito à prova do pagamento das respectivas aquisições, é de concluirse que a recorrente agiu nos estritos limites da lei civil em vigor, como, aliás, ficou exaustivamente provado ao tempo da manifestação de inconformidade, inclusive através de documentos públicos, cuja recusa da fé é constitucionalmente vedada. Retoma as alegações referentes às glosas das aquisições de insumos a pessoas físicas e dos gastos com energia elétrica e combustíveis. Conclui, requerendo a reforma da decisão recorrida, para o fim de afastar o indeferimento tanto no que se refere à glosa das aquisições efetuadas a pessoas físicas e jurídicas, bem assim com relação aos custos de energia e combustíveis O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.556 a 1.558 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO8ª Turma nº 1434.214, de 14 de junho de 2011. Esta Turma Recursal já teve oportunidade de apreciar feito idêntico ao presente, referente ao 2º trimestre de 2001, em que se discutiam os mesmos ajustes, decidindo negar provimento ao recurso, nos termos do Acórdão nº 340300.600, de 27 de outubro de 2010. A propósito, por compartilhar integralmente do seu entendimento, transcrevo na íntegra o voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira, que cumprimento pela clareza e concisão. Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A análise das glosas por falta de comprovação dos pagamentos das aquisições de pessoas jurídicas, merece uma abordagem objetiva em relação às provas constantes dos autos. O trabalho da fiscalização foi exaustivo e trouxe provas claras Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.569 5 que demonstram a falta de comprovação de diversas aquisições de insumos, constantes da base de cálculo do crédito presumido. A Recorrente argumenta em seu socorro a possibilidade da quitação das aquisições de seus fornecedores de diversas formas, previstas no código civil. A legislação não determina a forma do pagamento dos insumos para fruição dos créditos, tampouco veda qualquer tipo de operação de pagamento. Neste aspecto, apesar da operação normal ser o pagamento direto ao fornecedor, nada obsta a existência de modalidade diversa de quitação das obrigações com as empresas fornecedoras. Entretanto, não é este o ponto aqui a ser analisado. O fundamento para a glosa das aquisições das pessoas jurídicas, constantes do despacho decisório de não homologação é a ausência total de qualquer prova, por qualquer meio, do pagamento das aquisições de insumos objeto de glosa. É condição sine qua non para cálculo do crédito presumido, a comprovação dos pagamentos dos insumos adquiridos, com o respectivo desembolso financeiro. Não existindo a comprovação do desembolso financeiro, não pode ser aceita as aquisições apresentadas para fruição do crédito. Neste diapasão caminhou a fiscalização, antes de concluir pela efetiva glosa das aquisições de pessoas jurídicas, intimando e reintimando a Recorrente a comprovar os pagamentos realizados aos seus maiores fornecedores. Entretanto, não foi apresentado documento contábil ou fiscal que comprovasse a quitação das aquisições destes fornecedores. Não logrando êxito nas intimações feitas a Recorrente, a fiscalização, de forma diligente, intimou os maiores fornecedores de insumos, a apresentar a comprovação das vendas realizadas a Recorrente, que justificariam os créditos objeto do pedido de ressarcimento. Após a análise dos relatórios dos fornecedores, apresentados em resposta as intimações, concluiu a fiscalização, estarem comprovadas parcialmente as aquisições realizadas pela Recorrente. A planilha apresentada às fls. 824 demonstra o trabalho realizado na auditoria e as operações não confirmadas pelos fornecedores. Considerando a comprovação parcial das aquisições, a unidade preparadora refez os cálculos do pedido de ressarcimento, chegando à conclusão da improcedência total dos créditos alegados. A empresa em sede de impugnação não questionou em nenhum momento os valores levantados pela fiscalização junto aos fornecedores, limitouse a argumentar que o direito civil lhe permite diversas modalidades de quitação de dívidas. Realmente, não há que se discutir que diversas possibilidades existem para comprovação de pagamentos. Entretanto, no caso em tela, não foi apresentado nenhuma prova da quitação das aquisições junto aos fornecedores. Portanto, inexistindo a comprovação do pagamento, entendo estar correta a posição adotada no despacho decisório combatido. Quanto ao questionamento em relação às glosas das aquisições de pessoas físicas. Também nesta matéria não assiste razão a Recorrente. A premissa utilizada no despacho decisório considerou que as aquisições de matériasprimas Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 adquiridas de não contribuintes, não podem ser utilizadas para cálculo dos créditos presumidos do IPI. Para analisar melhor a questão transcrevo o artigo 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” O artigo 1º da Lei 9.363/96 determina que o crédito presumido do IPI tem o condão de ressarcir as empresas produtoras e exportadoras, do PIS e da Cofins incidente sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. Apesar de tratarmos de ressarcimento do IPI, a norma visa restituir os valores pagos de PIS e Cofins, nos insumos utilizados pelas empresas exportadoras. Para que tenha plena eficácia é necessário entender o objetivo finalístico da norma. No caso em tela, seria restituir os valores de PIS e Cofins. Para atingir tal fim, o legislador entre diversos caminhos, escolheu aplicar um percentual sobre as aquisições dos insumos a serem utilizadas na produção. No corpo da própria lei do crédito presumido, consta a obrigatoriedade de se aplicar as normas de regência do PIS e da Cofins para a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme pode ser visto no art 3º, da Lei nº 9.363/95, transcrito abaixo. “Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador” Portanto, ao tratarmos dos procedimentos para apuração do crédito presumido é necessário que se obedeça as normas de regência do PIS e da Cofins. No caso em tela que paira dúvida sobre a possibilidade ou não da utilização destas aquisições de pessoas físicas, basta, para o deslinde da questão, buscar a posição da norma relativa ao PIS e a Cofins. Neste caso, a determinação legal é que o PIS e a Cofins são devidos pelas pessoas jurídicas não atingindo as pessoas físicas, portanto, não sendo contribuinte do PIS e da Cofins, tal tributo não e recolhido pelas pessoas físicas. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.570 7 Seguindo o raciocínio, a idéia finalistica da norma é restituir o PIS e a Cofins sobre as aquisições de insumo. Se não existe o PIS e a Cofins nos insumos adquiridos, não se pode restituir o que não existe. Aquelas aquisições onde o PIS e a Cofins não se faz presente, não podem ser objeto de pedido de ressarcimento. Se assim fosse, o estado estaria devolvendo valores que não foram recolhidos aos cofres públicos e, portanto não estaríamos diante de uma restituição e sim de um repasse de valores, afrontando sobremaneira a Lei nº 9.363/96 onde o crédito presumido do IPI, tratase de uma restituição, ou seja, devolução do PIS e da COFINS. As aquisições de pessoas físicas, objeto da lide deste processo, não figuram no pólo passivo da obrigação tributária de pagamento do PIS e da COFINS. Portanto, as aquisições feitas destas pessoas não podem ser utilizadas para cálculo do crédito presumido do IPI. Finalmente, quanto a alegação que as aquisições de energia elétrica e combustíveis estariam incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI é necessário analisar as exigências legais para utilização de insumos no crédito presumido. Inicialmente, procederemos a verificação das determinações do parágrafo único, do artigo 3º, da Lei nº 9.363/96. “Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” O texto legal determina que o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem a ser utilizado na sistemática do crédito presumido do IPI, deverá seguir a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. A legislação do IPI trata diretamente do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem no seu Regulamento, matéria já consolidada e de conhecimento geral, portanto, para a análise que se faz presente, utilizaremos os conceitos previstos na legislação do IPI, conforme definido no Regulamento, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. O artigo 164, do citado regulamento, apresenta as situações que possibilitam a utilização de crédito para cálculo do imposto. “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante.” Observandose o inciso I, do artigo 164, concluímos que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem serão considerados para cálculo de crédito quando forem incorporados ao novo produto. A exceção é feita, no próprio inciso, para aqueles produtos que apesar de não se incorporarem ao novo produto, são consumidos na sua industrialização. Portanto, para que as aquisições de energia elétrica e combustíveis sejam considerados como produtos intermediários seria necessário que corresse o contato físico direto com o produto final o que não ocorre, sendo, portanto estes produtos não estão incluídos na base de cálculo utilizada para aferição do crédito presumido do IPI. Este entendimento já foi explicitado por meio da emissão da Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Com a edição da Súmula nº 19, não resta dúvida. As aquisições de energia elétrica e combustíveis não são considerados no cálculo do crédito presumido. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.571 9 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Como isto, o voto do Conselheiro Winderley foi proferido em 27 de outubro de 2010, antes da introdução do art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. A partir de então, ressalvando meu entendimento pessoal, o julgamento da matéria referente o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas deve reproduzir a decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, em julgamento conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, transitada em julgado em 06/08/2012 e à qual me curvo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 10 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.572 11 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 12 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Forte no art. 62A do RICARF, dou provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito do recorrente de utilizar o valor das aquisições de insumos aos produtores rurais pessoas físicas listados às fls. 214 a 236, desde que devidamente comprovadas nos autos, na composição da base de cálculo do credito presumido do IPI, reformandose a decisão recorrida que vetou essa utilização. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 12897.000002/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa.
MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA.
Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas.
Numero da decisão: 1202-000.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Sunstituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 02 /2 01 0- 11 Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.454 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Sunstituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase do exame do recurso de ofício do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, que julgou procedente a impugnação do contribuinte contra os Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e na Cofins, além da aplicação de multa isolada pela prestação incorreta de informações em arquivos digitais. Os autos de infração referemse ao anocalendário de 2004 e encontramse nas fls. 242 a 268 do processo. De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, são as seguintes as infrações apuradas, fls. 226 a 241: i) glosa de provisões não autorizadas ao ser verificada a existência de conta denominada “provisão gastos futuros” lançada contra custos de vendas de produtos; ii) omissão de receitas decorrente de devolução não comprovada de mercadorias vendidas. As notas fiscais de entrada não teriam a força probante do efetivo retorno ao estoque das mercadorias vendidas; iii) não adição ao lucro liquido da parcela do custo de aquisição de mercadoria do exterior que excedeu o limite calculado na sistemática do preço de transferência; iv) multa isolada pela prestação de informações incorretas nos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização. Contra as autuações, a empresa interessada apresentou sua impugnação, que se encontra assim resumida no relatório do Acórdão nº 1230.876 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1387 a 1414, o qual passo a transcrever e adotar: “a) preliminarmente: que "o auto de infração em questão é nulo, pois, como ato administrativo, deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu “in casu"; que "a presente acusação revela vício que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da impugnante, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5°, da CF/88, além de ofender a segurança jurídica (artigo 5°, XXXVI, CF/88), pois o Fisco não colheu Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.455 3 provas necessárias à elucidação dos fatos, além de não ter considerado argumentos decisivos para a aplicação da legislação tributária ao caso concreto"; b) no mérito: b.1) quanto às provisões não autorizadas: que "o termo 'provisão' constante da planilha mencionada no Auto de Infração não guarda qualquer correlação com o conceito técnico contábil/fiscal. Com efeito, a administração da Impugnante utilizou a expressão 'provisão' na referida planilha em sentido vulgar, ou seja, no sentido de fornecimento de materiais, partes e peças"; que "os valores tratados pelos D. Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil como provisões representam, na verdade, custos efetivamente incorridos pela impugnante, razão pela qual devem ser computados na conta 0030201001 (Custo de Vendas dos Produtos). Com efeito, não se tratam de meras estimativas de desembolsos da Impugnante, mas sim de gastos despendidos na produção de máquinas e equipamentos"; que "os D. Agentes Fiscais formularam a exigência constante do Auto de Infração partindo da equivocada premissa de que a Impugnante teria artificialmente aumentado os seus custos, por meio do reconhecimento, a titulo de provisão, da quantia de R$ 76.784.316,89, quando da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL"; que, para demonstrar a correção fiscal de seu procedimento, "decompôs o valor de R$ 76.784.316,89 (...) em função de sua natureza, a saber (i) custos incorridos, no montante de R$ 76.328.326,88; e (ii) provisões de custos, no montante de R$ 455.990,01"; que "a comprovação de que a impugnante efetivamente incorreu em custos nos seus projetos pode ser obtida da análise (i) do resumo dos lançamentos dos custos incorridos (doc. 7), e (ii) da lista dos lançamentos individualizados por projeto extraídos do sistema de contabilidade SAP (docs. 7.1 a 7.111), que totalizam R$ 76.328.326,88"; que "por outro lado, a impugnante traz à colação o resumo dos lançamentos das provisões de custos (doc. 8) e a lista dos lançamentos individualizados por projeto extraídos do sistema de contabilidade SAP (doc 8.1), que totalizam R$ 455.990,01. Ressaltese, na oportunidade, que essas provisões de custos foram efetivamente adicionadas ao Lucro Liquido para fins de apuração do Lucro Real do anocalendário de 2004. Essa conclusão pode ser inferida da análise da movimentação do LALUR no referido anocalendário, razão pela qual tampouco se pode falar de qualquer adição como pretende o D. Fisco Federal"; b.2) quanto à omissão de receitas decorrente de devolução não comprovada de mercadorias vendidas: que "o software ContAgil utilizado pelos D. AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil na pesquisa realizada na conta 010105Estoques não identificou os lançamentos de entrada por devolução de vendas, em virtude de utilizar uma metodologia de análise incompatível com o sistema de contabilidade SAP que desdobra o mesmo lançamento contábil em diversos campos. Por esse motivo, a pesquisa realizada pelo D. Fisco Federal se mostrou infrutífera"; Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.456 4 que, "com vistas a evidenciar o retorno das mercadorias devolvidas ao seu estoque, bem como o cancelamento de determinadas Notas Fiscais, a impugnante pede vênia para trazer à colação: (i) o razão da conta 0041220001, denominada de vendas canceladas e devoluções CBV (doc. 10); e (ii) a lista dos lançamentos individualizados e das respectivas notas fiscais canceladas ou relacionadas ás devoluções (docs. 10.1 a 10.12)"; b.3) quanto à aplicação das normas de preços de transferência: que "os cálculos efetuados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil não se encontram alinhados com a metodologia fixada pela legislação dos preços que "o primeiro equivoco dos cálculos é a não utilização do prego FOB ou do preço CIF acrescido do Imposto de Importação para fins de determinação do preço praticado pela Impugnante"; que "o segundo equivoco dos cálculos é a inclusão indevida da Contribuição ao PISImportação e da COFINSImportação na determinação do preço praticado na importação do equipamento. Nos termos do artigo 12, §4°, da IN SRF 243/2002 [sic], por se tratarem de tributos recuperáveis, tais contribuições não deveriam ser integradas ao preço praticado na importação"; que "o terceiro equivoco dos cálculos é a aplicação da margem de lucro de 20% sobre o preço praticado na importação do bem, ao invés da sua aplicação sobre o preço bruto de revenda do equipamento descontados apenas os descontos incondicionais"; que "o quarto equivoco dos cálculos é a dedução do IPI em duplicidade do valor de venda do equipamento. Além disso, os D. AgentesFiscais não consideraram para o cálculo os valores da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as vendas. Isso significa dizer que o próprio D. Fisco ignorou o disposto no artigo 12, §7°, da IN SRF 243/02"; que "o quinto equivoco dos cálculos é a ausência do cômputo dos ajustes financeiros em virtude de se tratar de uma venda realizada a prazo. Mediante tal procedimento, as D. Autoridades Tributárias descumpriram o comando trazido pelo artigo 12, §5°, da IN SRF 243/02"; b.4) quanto à multa isolada: que "a diferença identificada pelos D. Agentes Fazendários entre o saldo do ativo circulante informado na Ficha 45A da DIPJ 2005 (anocalendário 2004) (doc. 11) e o saldo registrado nos arquivos magnéticos (doc. 12) se justifica em função de o Manual de Preenchimento da DIPJ trazer regras para a alocação de valores que diferem do critério de alocação de contas contábeis da estrutura do balanço da impugnante" (sic); que, "em estrita observância às normas tributárias atualmente em vigor, os contribuintes são livres para adotar os critérios contábeis que mais se adéqüem [sic] ao seu modelo de negócio, de modo a viabilizar a demonstração de sua situação patrimonial da forma mais real"; que, "neste sentido, a impugnante optou por alocar determinados ativos (depósitos judiciais, créditos com pessoas vinculadas etc) no subgrupo Circulante, enquanto o manual de preenchimento da DIPJ determina que tais ativos sejam informados no subgrupo Realizável a Longo Prazo"; Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.457 5 que, "em virtude de se tratar de mera alocação de valores entre contas patrimoniais ativas, se forem somados os subgrupos Circulante e Realizável a Longo Prazo, não será identificada qualquer divergências [sic] entre os montantes informados nos arquivos digitais e na DIPJ 2005, anocalendário 2004, conforme demonstramos na planilha abaixo": [...] que, "em relação ao suposto erro na prestação das informações relativas ao montante de receita operacional bruta, destacamos que o saldo registrado na contabilidade da contribuinte (vide doc. 9), bem como o valor informado às D. Autoridades Fazendárias por meio dos arquivos digitais exigidos pela IN SRF 86/01, são idênticos, totalizando R$ 263.461.181,52"; [...] Por fim, a interessada protesta pela realização de perícia contábil a fim de demonstrar que não houve provisões indedutíveis, omissão de receitas, violação às regras de pregos de transferência ou erros materiais no preenchimento dos arquivos digitais. Para tanto, nomeia perito contábil e formula os quesitos que entende necessários (fls. 492/493).” Na sequência, foi proferido o Acórdão nº 1230.876 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1387 a 1414, julgando procedente a impugnação do contribuinte, contendo o seguinte ementário: ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE ANEXAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A falta de anexação aos autos dos elementos de prova dos fatos constitutivos das obrigações tributárias que se pretendeu constituir acarreta a nulidade dos lançamentos efetuados, por vicio material, em decorrência do cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os autos de infração decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem, em função da relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ARQUIVOS DIGITAIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.458 6 Comprovado que os dados constantes dos arquivos digitais apresentados fiscalização da RFB estão de acordo com a contabilidade da pessoa jurídica, não há que se falar na aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei n° 8.218/91. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a presente acusação revela vício que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da impugnante, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5°, da CF/88, além de ofender a segurança jurídica (artigo 5°, XXXVI, CF/88), pois o Fisco não colheu provas necessárias à elucidação dos fatos, além de não ter considerado argumentos decisivos para a aplicação da legislação tributária ao caso concreto; contatase que, à exceção dos documentos apresentados pela interessada no anexo VIII de sua resposta ao termo de intimação n° 02943/5/2009 (fls. 410/433) — todos eles relacionados à questão do preço de transferência —, não se juntou aos autos nenhum comprovante dos fatos de que decorreram os lançamentos efetuados; acusase a interessada de escriturar provisões indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL sem ajuste no LALUR, mas não se anexam aos autos documentos indicativos dos lançamentos contábeis das referidas provisões, nem cópia do LALUR; imputase à interessada a infração de omissão de receita por conta da falta de contabilização do retorno ao estoque das mercadorias que foram objeto de vendas canceladas, mas não se traz à colação cópia dos razonetes das contas representativas do estoque dessas mercadorias; alegase que a interessada não calculou corretamente o preço de transferência referente a mercadoria por ela importada de pessoa jurídica vinculada, mas não se juntam documentos que embasem o cálculo supostamente correto; o procedimento adotado parece indicar que se teve em elevada conta a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a ponto de utilizála como fundamento de validade para a dispensa da juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que subsidiaram a constituição do crédito tributário. No entanto, não se pode presumir a legitimidade dos atos administrativos em situações jurídicas das quais possam advir restrições a direitos fundamentais das pessoas, sob pena de restarem fulminados princípios constitucionais, tais como o do devido processo legal (art. 5°, inciso UV, da CF188) e o do contraditório e ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF/88); reconhecese a nulidade, por vício material, com base nos arts. 9° e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa da interessada, consubstanciado na falta de anexação aos autos dos elementos de prova dos supostos ilícitos tributários; Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.459 7 o lançamento da multa isolada é improcedente porque a acusação que se formula contra a interessada é a de consignar informações incorretas nos arquivos digitais disponibilizados à fiscalização,conforme previsto nos arts. 11, caput, e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Ocorre que, no caso, os dados constantes nos arquivos digitais apresentados à fiscalização estão de acordo com a contabilidade da interessada, conforme se percebe na comparação entre os valores apostos no termo de constatação e verificação fiscal de fls. 226/241 e os documentos juntados às fls. 1206/1224 (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Se houve incorreção, isso se deu na declaração DIPJ/2005. E tal fato não se subsume ao estabelecido nos dispositivos legais acima transcritos. Dessa decisão, a DRJ/Rio de Janeiro I recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 03 de janeiro de 2008. O contribuinte não se manifestou a respeito. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele tomo conhecimento. A autuação decorreu da adição ao lucro líquido dos valores registrados a título de: i) provisão gastos futuros; ii) devolução de mercadorias; iii) valor excedente ao preço parâmetro calculado na sistemática dos preços de transferência. Além disso, foi aplicada a multa isolada pela prestação de informações incorretas nos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização. O acórdão recorrido cancelou as exigências relacionadas às três primeiras infrações porque a fiscalização teria deixado de juntar aos autos as provas das infrações imputadas ao contribuinte, o que desatendeu o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e, por conseqüência, violação ao princípio constitucional da ampla defesa. O cancelamento da multa isolada ocorreu em virtude da não subsunção dos fatos à tipificação legal da multa. As questões foram bem decididas pelo órgão julgador de primeira instância. Pelo que se depreende dos autos, a fiscalização descreveu os fatos e as infrações apuradas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, de fls. 226 a 241, mas deixou de juntar os documentos necessários à comprovação dos ilícitos fiscais apurados, fato Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.460 8 que desatende disposição expressa contida no art. 9º do Decreto nº 70235, de 1972 e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) No presente caso, o agente fiscal não tomou o cuidado de fazer a juntada dos elementos de prova indispensáveis para a comprovação do ilícito fiscal. Os fatos relatados revelam apenas indícios da ocorrência de infrações fiscais, mas não foram trazidas provas que demonstrassem convicção e certeza dessas infrações, condição indispensável à constituição do crédito tributário. Como conseqüência, há um nítido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que não pode avaliar e se defender plenamente das infrações imputadas por absoluta falta dos elementos probatórios que embasam as exigências fiscais. O dispositivo legal é suficientemente claro em estabelecer que as infrações apuradas devem vir acompanhadas com os elementos de prova da ocorrência dos ilícitos fiscais e devem ser trazidas juntamente com o término dos trabalhos de fiscalização, por ocasião da lavratura do auto de infração. A esse respeito, vejase a opinião de Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martínez López na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 126, que assim se manifestaram sobre o mencionado art. 9º: “O artigo 9º do PAF, ao estabelecer que o auto de infração e a notificação de lançamento devem estar instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, explicita a necessidade de demonstração dos pressupostos com base nos quais o ato foi emanado. Deste modo, a lei define o momento processual adequado para a apresentação das provas coletadas no curso da ação fiscal.” Com efeito, a falta de juntada dos elementos de prova trouxe evidente prejuízo para a defesa, que não pode se defender adequadamente, bem como dificulta a tarefa do próprio órgão julgador na solução do litígio, que não pode confrontar os fatos e as provas, porque inexistentes, o que impossibilita a formação da sua livre convicção. Vejase a fundamentação utilizado no voto condutor do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, fls.1403/1404: “Com efeito, contatase que, à exceção dos documentos apresentados pela interessada no anexo VIII de sua resposta ao termo de intimação n° 02943/5/2009 (fls. 410/433) — todos eles relacionados questão do preço de transferência —, não se juntou aos autos nenhum comprovante dos fatos de que decorreram os lançamentos efetuados, conforme se demonstra a seguir: fls. 01 a 225: DIPJ/2005 da interessada; fls. 226 a 241: termo de constatação e verificação fiscal; fls. 242 a 269: autos de infração; Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.461 9 fls. 270 a 305: termos de intimação emitidos ao longo do procedimento fiscal; fls. 306 a 433: respostas da interessada aos termos de intimação emitidos; fls. 433 a 452: cópia de documentos constitutivos da interessada; fls. 453 em diante: impugnação e seus anexos. [...] 0 procedimento adotado parece indicar que se teve em elevada conta a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a ponto de utilizála, ao que tudo indica, como fundamento de validade para a dispensa da juntada aos autos do processo administrativofiscal dos elementos de prova dos fatos que subsidiaram a constituição do crédito tributário. No entanto, ao meu ver, não se pode presumir a legitimidade dos atos administrativos em situações jurídicas das quais possam advir restrições a direitos fundamentais das pessoas, sob pena de restarem fulminados princípios de assento constitucional, tais como o do devido processo legal (art. 5°, inciso UV, da CF188) e o do contraditório e ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF/88).” Na atividade do lançamento, a caracterização plena do fato gerador e da matéria tributável há de restar perfeitamente configurada (art. 142 do CTN), sob pena de não se poder sequer ter certeza do crédito tributário exigido, o que contamina o lançamento fiscal pela via da insegurança da relação jurídica entre os sujeitos ativo e passivo. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destaques meus) Nesse mesmo sentido, vejase a jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE COMPRAS A simples constatação de omissão de compras na escrituração do contribuinte, a despeito de constituirse em irregularidade, não autoriza a tributação de receitas omitidas pelo somatório dos valores não escriturados, quando não comprovado o seu efetivo pagamento à conta de recursos mantidos à margem da contabilidade. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza, indispensáveis à constituição do crédito Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.462 10 tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. Art. 3º), não pode ser usado como sanção. DECORRÊNCIA IRRF, PIS, COFINS E CSLL O entendimento emanado em decisão relativa ao auto de infração do imposto de renda pessoa jurídica é aplicável às demais contribuições dele decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Acórdão 40105572, sessão de 04/12/2006) (destaques meus) No caso em análise, a fiscalização apenas trabalhou com base nas verificações efetuadas nos arquivos magnéticos do contribuinte. Chegou a conclusão de que determinado registro contábil denominado “provisão gastos futuros” era indedutível para fins de apuração do lucro tributável. O fato dessa conta ter o nome de “provisão” chamou a atenção da fiscalização que, baseado em uma presunção, concluiu tratarse de conta com características típicas daquelas que se referem à reduções de valores ativos ou à constituição de obrigações. As despesas incorridas que determinam a constituição das provisões, por serem valores estimativos e de difícil precisão do momento em que se consideram gerados, seus registros se realizam, geralmente, por ocasião da elaboração das demonstrações financeiras, sob a forma de ajustes de balanço. A fiscalização deixou, entretanto, de juntar a prova desse registro contábil/fiscal necessária para caracterizar o lançamento como “provisão”, bem como deixou de esclarecer a sua verdadeira natureza, fatos que evidenciam a falta de aprofundamento das investigações e, por conseqüência, na incerteza quanto à matéria tributável. Quanto à glosa dos valores das devoluções de vendas de mercadorias, o agente fiscal considerou que o registro das notas fiscais de devolução de vendas eram insuficientes para a comprovação do cancelamento dessas vendas (fls. 231). Mais uma vez, faltou à fiscalização um aprofundamento das investigações. Caberia ao agente fiscal desqualificar as notas fiscais de emissão dos compradores mediante circularização nos clientes (fls. 1273) da autuada as quais, até sólida justificativa em contrário, fazem prova a favor do contribuinte. No que se refere à adição ao lucro relativo ao preço de transferência, a fiscalização não juntou documentos que embasam o cálculo efetuado. Ademais, como mencionado na impugnação, o agente fiscal laborou em erro no cálculo do preço parâmetro. Dentre outros, computou indevidamente as contribuições recuperáveis do PISimportação e da Cofinsimportação no preço de aquisição do equipamento (IN 243/2002, art. 4º, § 4°) e aplicou a margem de lucro de 20% sobre o preço praticado na importação do bem, ao invés da sua aplicação sobre o preço bruto de revenda do equipamento no mercado nacional (IN 243/2002, art. 12, § 8°), o que evidentemente, distorceu completamente o valor preço parâmetro calculado. Por fim, quanto ao lançamento da multa isolada, transcrevo os fundamentos do acórdão recorrido, cujas razões de decidir também passo a adotar: “No entanto, se não cabe o reconhecimento de nulidade, é forçoso concluir que o lançamento da multa isolada é improcedente. Isso porque a acusação que se formula contra a interessada é a de consignar informações incorretas nos arquivos digitais disponibilizados fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.463 11 (RFB), conforme estatuído nos arts. 11, caput, e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Ocorre que, no caso, os dados constantes nos arquivos digitais apresentados 6 fiscalização da RFB estão de acordo com a contabilidade da interessada, conforme se percebe na comparação entre os valores apostos no termo de constatação e verificação fiscal de fls. 226/241 e os documentos juntados às fls. 1206/1224 (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Se houve incorreção, isso se deu na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2005. E tal fato não se subsume ao estabelecido nos dispositivos legais acima transcritos.” Pelo exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10480.720370/2011-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador.
JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso provido
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DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 70 /2 01 1- 26 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2008, exercício 2009 (fls. 3/9), lavrado pela omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 15.134,23 e dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 21.500,00, que resultou no imposto suplementar de R$ 10.047,71, acrescido de multa de oficio, juros de mora e demais encargos legais. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado parcialmente procedente, para reconhecer a inexistência de omissão de receitas e manter a glosa das despesas médicas declaradas, apontando como devido o imposto suplementar no valor de R$ 5.912,59 considerando que: “Os recibos emitidos pela Dra. Danielle Lima Nascimento não especifica o serviço prestado e não informa o endereço do profissional, as datas em que em que tal serviço teria sido prestado, o nome do paciente e a forma de pagamento. Os recibos emitidos pelo Dr. Francisco Bezerra Coutinho não especifica o serviço prestado e não informa as datas em que em que tal serviço teria sido prestado e a forma de pagamento”. Nas razões de Voluntário (fls. 77/88), junta declaração do profissional Francisco Bezerra Coutinho, com a descrição dos serviços realizados (fl. 81). Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A insurgência do contribuinte se restringe à glosa das despesas médico odontológicas com o profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00. Não há qualquer prova ou menção quanto à glosa com a profissional Danielle Lima. A DRJ manteve a glosa das despesas odontológicas referente aos serviços prestados pelo profissional Francisco Bezerra Coutinho, sob o fundamento da ausência de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.720370/201126 Acórdão n.º 2802002.255 S2TE02 Fl. 88 3 indicação do serviço prestado, falta de informação quanto às datas em que tal serviço teria sido prestado, além da omissão, nos respectivos recibos, sobre qual a forma de pagamento utilizada. Em sede recursal o Recorrente junta declaração à fl. 81, na qual o odontólogo Francisco Bezerra Coutinho especifica o serviço prestado ao Recorrente e à sua esposa dependente (Tereza Maria Jacques Coutinho Lapa) e indica a sua realização durante o ano calendário 2008; não há referência quanto à forma de pagamento. Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe os documentos comprobatórios das despesas médicas que, em meu entendimento, são suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Isso porque, nos recibos e nas declarações apresentadas, lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e descrição do tratamento e do beneficiário (o próprio Recorrente e sua cônjuge); ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante. Nesse sentido já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Suprida em parte a exigência feita pelo AFRFB e pela DRJ, é de se excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho. Pela falta de previsão legal quanto à exigência de comprovação do efetivo pagamento, admito os recibos, acompanhados da declaração de fl. 81, como suficientes para a comprovação dos dispêndios. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento, para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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