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Numero do processo: 10980.013701/2005-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos e entre estes e a parte dispositiva do acórdão, embora sem alteração no resultado do julgamento, bem como para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2801-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00, e para re-ratificar a parte dispositiva do voto do Relator do Acórdão 2801-00.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: "Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00".
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos e entre estes e a parte dispositiva do acórdão, embora sem alteração no resultado do julgamento, bem como para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00, e para re-ratificar a parte dispositiva do voto do Relator do Acórdão 2801-00.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: "Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00". Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
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CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos e entre estes e a parte dispositiva do acórdão, embora sem alteração no resultado do julgamento, bem como para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00, e para reratificar a parte dispositiva do voto do Relator do Acórdão 280100.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: "Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00". Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 37 01 /2 00 5- 99 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.013701/200599 Acórdão n.º 2801003.039 S2TE01 Fl. 124 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 280100.712 (fls. 111/114 deste processo digital), por meio do qual este Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso interposto pelo Interessado. Em suas razões, a Embargante aponta, no acórdão hostilizado, a ocorrência de contradição entre a fundamentação do voto proferido pelo Relator e a parte dispositiva do acórdão. Os embargos foram admitidos por intermédio do despacho de fls. 121/122. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator O representante da Fazenda Nacional foi cientificado em 13/01/2011 (fl. 115 deste processo digital) e os presentes embargos foram opostos na mesma data. Tempestivo, portanto, o recurso apresentado. A Recorrente aponta as seguintes contradições entre a fundamentação e a parte dispositiva do acórdão: os conselheiros deram provimento ao recurso do contribuinte para manter a multa por atraso na entrega do DIAC/DIAT, exercício 1998, no valor de R$ 50,00, quando o auto de infração foi lavrado por atraso na entrega da DITR relativa ao exercício 2000. O erro na indicação do exercício configura, a meu ver, não uma contradição, mas sim um erro material, assim entendido aquele erro evidente, claro, reconhecido primu ictu oculi (à primeira vista), também corrigido pela via dos aclaratórios (Regimento Interno do CARF, art. 66, caput). No caso concreto, devese considerar, em todas as passagens do acórdão, que o débito é relativo ao exercício de 2000. No que se refere à nomenclatura utilizada, cabe apenas esclarecer que a Declaração do ITR é composta de dois documentos: o Documento de Informação e Atualização Cadastral – DIAC e o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT. Quanto à suposta “manutenção” da multa, cabe a retificação da parte dispositiva do acórdão, uma vez que a decisão de piso havia reduzido o valor da multa de R$ 85.441,30 para R$ 17.345,66 (fl. 80), ao passo que a decisão embargada deu provimento ao recurso do contribuinte para estipular a multa no valor de R$ 50,00, ou seja, a decisão foi para reduzir, e não para manter a multa. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.013701/200599 Acórdão n.º 2801003.039 S2TE01 Fl. 125 3 Verificase, ainda, no corpo da fundamentação do acórdão embargado, uma contradição em relação à metodologia da multa aplicada. Em determinada passagem, o ilustre Relator assim se manifestou: Para efeitos de imposto devido não podemos levar em consideração somente o valor que o contribuinte declarou em sua DITR/2000, mas também qualquer diferença que porventura venha a ser verificada pela Receita Federal, e tempestivamente lançada. Mais a frente, porém, averbou: A cobrança de multa por atraso sobre valores lançados de oficio, no que excederem aos informados na declaração espontaneamente entregue fora do prazo, implica interpretação extensiva dos art. 7° da Lei n° 9.393, de 1996, o que é vedado pelos arts. 97, inciso V, e 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Como se percebe, o acórdão embargado carece de esclarecimento acerca da metodologia da multa aplicada, de forma a eliminar a contradição entre os dois parágrafos acima descritos. Nessa linha de raciocínio, deve prevalecer o entendimento exposto na ementa do acórdão, de que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00. Assim, voto no sentido de conhecer dos embargos para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00, e para reratificar a parte dispositiva do voto do Relator do Acórdão 280100.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: “Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00”. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720793/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.521
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (suplente).
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:
Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 34097.74570.301105.1.7.01-5647 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 20352.84360.301105.1.1.01-6904 (fls. 012), protocolado em 30/11/2005, n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646 (fls. 017/018), protocolado em 14/11/2006, e n. 01673.40448.141106.1.3.01-1109 (fls. 013/016), protocolado em 13/12/2006, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R $ 32.516,54, em débitos do estabelecimento.
Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 3º trimestre de 2003.
A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau - SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 071/072), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R $ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado.
Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 075), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 076/082 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir.
1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente.
Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito.
A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-34282, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos:
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO.
O crédito presumido extemporaneamente escriturado vincula-se ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimeste-calendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI.
RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO.
Identificado erro de fato na análise do direito creditório que fundamenta o despacho decisório, cabe à autoridade julgadora da manifestação de inconformidade a sua correção e o eventual reconhecimento da diferença correspondente.
Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que:
A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar;
A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente;
Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32;
Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade.
Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.01- 6904 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº 01673.40448.141106.1.3.01-1109 e n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 34097.74570.301105.1.7.01-5647 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 20352.84360.301105.1.1.01-6904 (fls. 012), protocolado em 30/11/2005, n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646 (fls. 017/018), protocolado em 14/11/2006, e n. 01673.40448.141106.1.3.01-1109 (fls. 013/016), protocolado em 13/12/2006, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R $ 32.516,54, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 3º trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau - SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 071/072), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R $ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 075), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 076/082 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito. A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-34282, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vincula-se ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimeste-calendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Identificado erro de fato na análise do direito creditório que fundamenta o despacho decisório, cabe à autoridade julgadora da manifestação de inconformidade a sua correção e o eventual reconhecimento da diferença correspondente. Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.01- 6904 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº 01673.40448.141106.1.3.01-1109 e n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646. É o Relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 79 3/ 20 09 -9 8 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/200998 Resolução nº 3402000.521 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 34097.74570.301105.1.7.015647 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 20352.84360.301105.1.1.016904 (fls. 012), protocolado em 30/11/2005, n° 11008.31705.131206.1.3.013646 (fls. 017/018), protocolado em 14/11/2006, e n. 01673.40448.141106.1.3.011109 (fls. 013/016), protocolado em 13/12/2006, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R $ 32.516,54, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 3º trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 071/072), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R $ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 075), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 076/082 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/200998 Resolução nº 3402000.521 S3C4T2 Fl. 102 3 A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1434282, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE – CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vinculase ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimestecalendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Identificado erro de fato na análise do direito creditório que fundamenta o despacho decisório, cabe à autoridade julgadora da manifestação de inconformidade a sua correção e o eventual reconhecimento da diferença correspondente. Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: 1) A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; 2) A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplicase aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/200998 Resolução nº 3402000.521 S3C4T2 Fl. 103 4 3) Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; 4) Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.01 6904 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº 01673.40448.141106.1.3.011109 e n° 11008.31705.131206.1.3.013646. É o Relatório. VOTO O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A questão central da presente lide está restrita a definir o momento em que o sujeito passivo adquire o direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 10.276/2001. Ao analisar o Recurso Especial nº 2203234196 da Fazenda Nacional, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, definiu que o direito ao crédito presumido do IPI nasce no momento da exportação ou da venda dos bens à comercial exportadora. Contudo, o sujeito passivo só poderá requisitar o ressarcimento no trimestrecalendário seguinte ao da aquisição do direito. Partindo dessa premissa é de fundamental importância o conhecimento das datas de exportação dos bens cujos custos dos insumos estão servindo de base para cálculo do crédito presumido do IPI. Compulsando exaustivamente os autos, não identifiquei documentos hábeis que possam oferecer as informações acima mencionadas. Diante de falta de provas suficientes e ao perceber verossimilhança do direito pleiteado, a autoridade julgadora poderá determinar as diligências que entender necessárias para a formação de seu convencimento, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/200998 Resolução nº 3402000.521 S3C4T2 Fl. 104 5 Por esse motivo, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem identifique as datas das efetivas exportações ou vendas à comercial exportadora dos bens cujos custos dos insumos estão sendo incluídos na base de cálculo do incentivo fiscal previsto na Lei nº 10.276/2001. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 23/04/2013 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.901092/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA
FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS EM DEZEMBRO DE 2000.
Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.037-25 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, o que, no entanto, não se aplica aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2000.
Numero da decisão: 3401-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS EM DEZEMBRO DE 2000. Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.037-25 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, o que, no entanto, não se aplica aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2000.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
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Recorrente DUBUIT COLOR TINTAS E VERNIZES LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS EM DEZEMBRO DE 2000. Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03725 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, o que, no entanto, não se aplica aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 10 92 /2 00 8- 36 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Relatório O processo retorna de diligência determinada por este Colegiado, visando verificar a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente, com vistas à alegada isenção do PIS e Cofins nas vendas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus (ZFM), não reconhecida na unidade de origem nem na DRJ. No recurso voluntário a contribuinte contesta acórdão da DRJ que manteve a não homologação de compensação cujo crédito é oriundo de pagamento a maior da Contribuição, por não ter sido considerada a isenção alegada. No órgão de origem o pleito foi indeferido por meio de despacho eletrônico. Alega que o indébito é oriundo de pagamento indevido do PIS Faturamento, por não serem devidas nem essa Contribuição nem a Cofins sobre as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que tais vendas eram imunes às duas Contribuições, reportando se ao DecretoLei nº 288/67 – que segundo a contribuinte tem envergadura de lei complementar pela recepção que lhe deu a Constituição, no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e à ADI nº 2.3489 – na qual o STF suspendeu a eficácia da expressão “Zona Franca de Manaus”, contida no inc. I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724/2000, reeditada posteriormente sem menção à referida expressão. Trata também da taxa Selic empregada como juros de mora, matéria não mais repetida no recurso voluntário. A 3ª Turma da DRJ rejeitou as alegações, interpretando que a isenção alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/20011 e considerando que não houve comprovação por documentação contábilfiscal, da inclusão das receitas decorrentes de tais vendas. Na diligência a fiscalização demonstra as bases de cálculo de PIS e Cofins, com e sem a inclusão dos valores dos produtos vendidos a clientes sediados na ZFM, bem como o crédito das duas Contribuições, para a hipótese de reconhecimento da isenção em questão (ver fl. 166). 1 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (...) VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10860.901092/200836 Acórdão n.º 3401002.240 S3C4T1 Fl. 172 3 Pronunciandose sobre o resultado da diligência, a contribuinte concordou com os cálculos apresentados na diligência pela fiscalização. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Diante do resultado da diligência, cujos cálculos receberam anuência expressa da Recorrente, e levando em conta acórdãos anteriores deste Colegiado, cabe dar razão à Recorrente para reconhecer a isenção do PIS e Cofins nas vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, homologandose as compensações conforme o crédito apurado na diligência, se os fatos geradores forem posteriores a novembro de 2000 (ou a partir de dezembro de 2000). Diferentemente da interpretação da primeira instância, esta Primeira Turma da Quarta Câmara tem admitido a isenção das vendas de fora para dentro da Zona Franca de Manaus, levando em conta, primeiro, a Medida Cautelar deferida pelo Pleno do Supremo Tribunal na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 2.348, que suspendeu a eficácia, com efeitos ex nunc, da expressão "na Zona Franca de Manaus" constante do inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000 (decisão em 07/12/2000, publicada em 14/12/2000); segundo, o art. 11 da MP nºs 1.95231, de 14/12/2000, que modificou o citado dispositivo da MP nº 2.03724, de 2000, adequandoo à determinação cautelar do STF; e terceiro, a MP nº 2.03725, de 21/12/2000, que retirou a expressão “na Zona Franca de Manaus” constante na edição anterior (a MP nº 2.03724), mais uma vez em conformidade com a decisão cautelar do STF. A Cautelar na ADI nº 2.348 possui efeitos a partir de sua publicação, em 14/12/2000 (ou ex nunc); a alteração do art. 11 da MP nºs 1.95231, de 14/12/2000, a partir de 15/12/2000 (data da publicação desta MP); e a alteração no art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724, de 21/12/2000, a partir de 22/12/2000 (publicação). Assim, só foram afetados os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 (tanto no PIS quanto na Cofins só ocorre fato gerador no último dia de cada mês, fim do período de apuração, de modo que a tributação ou isenção sobre toda a receita auferida em determinado mês é determinada à luz da legislação com eficácia no seu último dia, não se admitindo o fracionamento da receita para fins da base de cálculo das duas Contribuições).2 2 Esta Turma já tratou do tema em processo da minha relatoria, quando analisou a modificação da alíquota no meio do mês. Refirome ao Acórdão nº 3401002.113, de 30/01/2013, unânime, processo nº 10283.720773/2011 11, com a emente seguinte, no que interessa nesta oportunidade: FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. FINAL DO MÊS. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA NO MEIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. APLICAÇÃO DURANTE TODO O MÊS. O período de apuração da Cofins é mensal, mas o fato gerador somente ocorre no último dia de cada mês, quando nasce a obrigação tributária e o valor da Contribuição é apurado levandose em conta a alíquota em vigor nesse dia, a ser aplicada sobre a soma da receita bruta mensal. Reduzida a alíquota em qualquer dia do mês, aplicase o percentual reduzido sobre a receita bruta mensal, descabendo fracionar o período de apuração em dias e utilizar, num único mês, a alíquota maior, antes da redução, e a menor, depois. Na hipótese do inc. VII do art. 28 da Lei nº 10.865, de 2004, introduzido pelo art. 44 da Lei nº 11.196 e que reduziu a zero as alíquotas do PIS e Cofins sobre a receita bruta mensal decorrente da venda das preparações compostas não alcoólicas nele referidas, a aliquota zero é aplicada sobre todo o faturamento mensal porque entrou em vigor a partir de 22 de novembro de 2005. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Reconhecendo a isenção em tela, menciono os acórdãos 340101.385, processo nº 13819.903336/200819 (indébito da Cofins) e 340101.394, proc. nº 13819.903367/200870 (indébito do PIS Faturamento), prolatados em 04/05/2011 à unanimidade, ambos da relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (aos dois recursos voluntários foi negado provimento, mas por ausência de prova). Antes, o Acórdão nº 3401 00.837, de 02/07/2010, maioria, proc. nº 10380.004234/200311, relator designado o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. E mais antigo, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, o Acórdão nº 20312.923, de 08/05/2008, maioria, proc. nº 13656.000362/200216, relator designado o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Na linha dos votos que prevaleceram nos julgados acima citados, reconheceria a isenção se os fatos geradores fossem posteriores a novembro de 2000. Adoto, como fundamentos, os do voto do Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça no Acórdão nº 3401 00.837, proc. nº 10380.004234/200311, que ora transcrevo: O DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, regula a ZFM Zona Franca de Manaus. Tornase interessante e necessário o conhecimento de dois artigos desse DecretoLei, essenciais a esse processo. Em primeiro lugar vejamos o art. 1º, que nos mostra a natureza e o objetivo da Zona Franca de Manaus, verbis: ‘Art 1º A Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos’. Em segundo lugar, podemos passar a ver o que diz o art. 4º, do DL nº 288/67 que nos abre a porta para o cerne da questão, verbis: ‘Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro’.(grifo nosso) Pelos dois dispositivos expostos acima, podemos concluir que a ZFM é tratada de forma especial pelo legislador, que deu incentivos para estimular o desenvolvimento da Região Amazônica e, conseqüentemente, a geração de emprego na região norte, tratando os produtos adquiridos por empresas nela sediada, como produtos exportados para fora do Brasil. Em 1988 a Zona Franca de Manaus ganhou status constitucional pelo disposto no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, verbis: ‘Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10860.901092/200836 Acórdão n.º 3401002.240 S3C4T1 Fl. 173 5 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus’.(grifo nosso) Assim, a ZFM teria sua existência garantida até outubro de 2013. Mais tarde, no entanto, a emenda nº 42 de 19 de dezembro de 2003, incluiu o art. 92 na Constituição Federal, prorrogando a vida da ZFM com a seguinte redação: ‘Art. 92. São acrescidos dez anos ao prazo fixado no art. 40 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias’.(grifo nosso) Dessa forma, a Zona Franca de Manaus ganhou sobrevida, passando a ter sua existência garantida até outubro de 2023. Sendo necessário destacar que hoje a ZFM está voltada exclusivamente para a industrialização de produtos de vários seguimentos, sendo atualmente denominada de PIM – Pólo Industrial de Manaus, que na opinião desse relator deveria ser perenizada. Ratificando o já afirmado acima, a ZFM tem tratamento especial, e os produtos adquiridos para consumo ou industrialização, devem receber o mesmo tratamento tributário dos produtos exportados. Dessa forma, fazse necessário analisarmos a legislação que instituiu a COFINS, Lei Complementar N º 70 de 31 de dezembro1991, que em seu art. 7º, inciso VI, dispões sobre a isenção para exportação, in verbis: ‘Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (...) VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo’. (grifo nosso) Dois anos mais tarde, o Decreto nº 1.030, publicado no DOU em 30 de dezembro de 1993, que veio regulamentar o art. 7º da Lei Complementar n º 70 de 1991, excluiu das operações de venda para empresas da ZFM, a isenção tratada acima, tirando os incentivos referentes à Cofins da ZFM , dispondo o seguinte: ‘Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio’. Quanto ao PIS/Pasep, a isenção para as exportações vem exposta no art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, in verbis: ‘Art 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta’.(grifo nosso) A Medida Provisória nº 1.8586 de 29 de junho de 1999, retirou a isenção das vendas efetuadas para as empresas da ZFM referente ao PIS/Pasep e corroborou a cobrança da COFINS originada da venda para as mesmas empresas, eliminando os incentivos da ZFM relativo a essas contribuições. Essa MP nº 1.8586 foi reeditada várias vezes, até chegar à MP nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, dispondo no caput do art. 14 e seus parágrafos o seguinte: ‘Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: II da exportação de mercadorias para o exterior; § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio’.(grifo nosso) Inconformado com a retirada dos incentivos da ZFM, o governador do Estado do Amazonas ajuizou, junto ao STF – Supremo Tribunal Federal Ação Direta de Inconstitucionalidade, ADIN nº 2.3489, que foi distribuída em 09/11/2000, alegando que a Medida Provisória nº 2.03724 de 2000, supracitada, afrontava o DecretoLei que regula a Zona Franca de Manaus, bem como as determinações constitucionais que garantem tratamento que beneficiam a ZFM. O STF deferiu medida cautelar, com efeito ex nunc, para que fosse suspendida a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do art. 14, parágrafo 2º , inciso I da Medida Provisória nº 2.03724 de 2000. A decisão liminar foi publicada no Diário Oficial da União no dia 14 dezembro 2000. Porém, a ADIN foi extinta sem julgamento do mérito por ter perdido o seu objeto, pois, antes do julgamento final, foi editada uma nova Medida Provisória, a MP Nº 2.03725 de 21 de dezembro de 2000, atual MP Nº 2.15835 de 2001, com o mesmo texto da MP nº 2.03724 (objeto da Adin), porém, sem o termo ‘na Zona Franca de Manaus’, verbis: ‘Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10860.901092/200836 Acórdão n.º 3401002.240 S3C4T1 Fl. 174 7 (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio’. Para que não houvesse dúvidas referentes ao restabelecimento do incentivo dado à ZFM sobre a Cofins, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, também revogou expressamente o art. 7º da Lei Complementar nº 70, que regula as isenções da Cofins, tirando, automaticamente, o objeto e eficácia do Decreto nº 1.030 de 1993, que, regulamentando o art. 7º da Lei Complementar nº 70, tirava os incentivos da ZFM referente à Cofins), verbis: ‘Art. 92. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: Art. 93. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: (...) b) o art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, e a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996’. Assim, nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03725 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, a partir dos fatos geradores ocorridos em dezembro de 2000. Todavia, a isenção não contempla os fatores geradores anteriores a dezembro de 2000, pelo que na situação destes autos o Recurso Voluntário deve ser negado. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso porque os fatos geradores deste processo são anteriores a dezembro de 2000. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901322/2006-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/10/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário
de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada
das turmas especiais.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.316
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jorge Victor Rodrigues
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Recorrente COELBA COMPANHIA ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 06/03/2012 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Alan Fialho Gandra, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida em 15/10/2003 (fls. 01/05) onde busca o contribuinte compensar débito relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) nela declarado, no valor de R$ 157.638,31, com crédito oriundo de pagamento a maior da própria CIDE, no valor de R$ 1.012.629,52, relativo ao período de apuração 31/12/2001. A DRF/Salvador emitiu Despacho Decisório eletrônico (fls. 06) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Cientificada do Despacho Decisório em 21/08/2008, conforme AR em fls. 10, o contribuinte apresenta em 18/09/2008 Manifestação de Inconformidade (fls. 11/18), na qual aduz que: a) Em dezembro de 2001, provisionou obrigação referente ao pagamento do contrato de assistência técnica celebrado com a empresa Iberdrola Energia S/A, no montante de R$ 8.654.891,59, relativo a materiais e serviços, e R$ 1.527.333,81 relativo à IRRF pessoa jurídica, totalizando assim o valor de R$ 10.182.225,40, sobre o qual foi calculada a CIDE à alíquota de 10%, no valor de R$ 1.018.222,54, informado em DCTF e integralmente pago mediante DARF de R$ 1.012.629,52 (fls. 23) e de R$ 5.593,02 (fls.24); b) Contudo, em virtude da legislação que rege a matéria, a impugnante verificou que, equivocadamente, calculou a CIDE sobre o montante total da operação; incluindo o IRRF, quando a base de cálculo correta seria apenas o real valor da remessa no período, qual seja, R$ 8.654.891,59, conforme Consulta de Operação de Câmbio que traduz a transferência para o exterior à folha 26; c) Assim, sendo devida a CIDE no valor de R$ 865.489,16, e considerando se o pagamento no valor total de R$ 1.018.222,54, remanesceu um crédito de R$ 152.733,38, objeto da PERDCOMP ora em litígio. Sobreveio decisão da DRJ/Salvador que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconheceu o direito creditório da Manifestante, nem homologou a compensação efetuada, em aresto que restou ementado conforme o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.901322/200641 Acórdão n.º 380302.316 S3TE03 Fl. 74 3 O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da CIDE, instituída pelo art. 2° da Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. Notificada em 08/03/2010, apresentou Recurso Voluntário em 31/03/2010 no qual, em apertada síntese, repisa os argumentos utilizados em sede de Manifestação, requerendo, ao final: a) seja acolhido o presente Recurso Voluntário com o fim de que seja reformado o Acórdão recorrido e reconhecido o direito da COELBA, ora Recorrente, à homologação da compensação do crédito tributário no valor de R$ 152.733,38 (cento e cinquenta e, dois mil, setecentos e trinta e três reais e trinta e oito centavos), oriundos do pagamento a maior de CIDE no período de apuração de dezembro de 2001, com aqueles apurados no período de abril de 2003; b) tendo em vista que o processo administrativo em questão estava em trãnsito, o que impediu a obtenção de cópia, a Recorrente de logo requer que lhe seja oportunizada posterior apresentação de provas documentais e razões, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa (art. 5º, LV, da Constituição da República). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00, e (iii) que o valor original do ressarcimento da Cofins nãocumulativa deste processo é de R$ 1.012.629,52, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinando se a competência para seu julgamento às turmas ordinárias desta 3ª Seção. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000169/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 02/02/2001 a 31/03/2006
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA.
Aplica-se aos recursos de ofício não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário.
Numero da decisão: 9202-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Aplicase aos recursos de ofício não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 01 69 /2 00 7- 94 Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 9202002.737 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 01767, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 01756, que não conheceu do recurso de ofício e negou provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006 Ementa RECURSO DE OFÍCIO VALOR CRÉDITO INFERIOR À ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece recurso de ofício. cujo crédito envolvido tenha valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda vigente à época do julgamento de segunda instância RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO – SÓCIOS COMUNS UNICIDADE DE COMANDO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei. A caracterização de grupo econômico de fato não se dá unicamente quando pessoas jurídicas são controladas por outra pessoa jurídica. Considerase que integram grupo econômico de fato as empresas submetidas à unicidade de comando que pode ocorrer quando possuem os mesmos sócios gerente INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO – NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 3 1/03/2006 Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 ALÍQUOTA SAT Não há que se questionar a alíquota aplicada para o cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho se a auditoria fiscal apenas aplicou a alíquota correspondente ao CNAE que a própria empresa utilizava em sua documentação CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento corno segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fálica verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso 1 do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos MULTA DE MORA LANÇAMENTO DE OFÍCIO – RETROATIVIDADE BENIGNA 1NOCORRÊNCIA Havendo lançamento de ofício, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2° do art. 61 da Lei n° 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo RO Não Conhecido e RV Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre o não conhecimento do recurso de ofício, devido à alteração do valor de alçada na data do julgamento. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Insurgese a PGFN contra o r. acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que NÃO CONHECEU de Recurso de Ofício, por entender que o crédito tributário exonerado não atingiu o limite Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 9202002.737 CSRFT2 Fl. 4 5 mínimo exigido para interposição do mesmo (novos requisitos previstos na Portaria MF nº 3/2008); 2. Ao contrário do acórdão recorrido, que privilegiou a norma processual vigente à época do julgamento pelo CARF, o acórdão paradigma assentou que o juízo de admissibilidade recursal deve levar em conta a norma vigente na data em que foi praticado o ato processual; 3. Dessa forma, adotado o entendimento dos acórdãos paradigmas, no sentido de que deve ser aplicado o limite de alçada vigente na data da decisão de primeira instância, temse que o recurso de ofício atingiu plenamente os requisitos de alçada, razão pela qual deve ser conhecido; 4. A norma posterior não pode impedir o conhecimento de recurso que, à época de seu protocolo, preenchia todos os requisitos legais, pois o ato processual praticado — a interposição do recurso — encontrase perfeito e acabado; 5. Restou patente no presente caso que, no momento da interposição do pertinente recurso de ofício, vigia a legislação antiga, não podendo, agora, com surgimento da nova disposição contida na Portaria MF n.° 03, de 03/01/2008, impedirse o processamento do ato processual (do referido recurso), pois isso configuraria nítida violação ao direito adquirido e à ampla defesa; 6. Tal orientação foi confirmada, recentemente, pela CORTE ESPECIAL do STJ, em sede de RECURSO REPETITIVO, devendo ser reproduzida pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. Confira se: RECURSO REPETITIVO. REMESSA NECESSÁRIA. LEI N. 10.35212001. A Corte Especial, ao julgar o recurso sob o regime do art. 543C do CPC c/c a Res. n. 812008STJ, afirmou que a incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é de rigor quando a data da sentença desfavorável à Fazenda Pública for anterior à reforma promovida pela Lei n. 10.35212001 (que alterou dispositivos do CPC referentes a recurso e a reexanre necessário). Ressaltouse que se adota o princípio tempus regit actum do ordenamento jurídico, o qual implica respeito aos atos praticados na vigência da lei revogada e aos desdobramentos imediatos desses atos, não sendo possível a retroação da lei nova. Assim, a lei em vigor no momento da data da sentença regela os recursos cabíveis contra ela, bera como a sua sujeição ao duplo grau obrigatório, repelindose a retroatividade da lei nova. Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Diante desse entendimento, o recurso da Fazenda Pública foi provido, determinandose o retorno dos autos ao tribunal a arfo para apreciar a remessa necessária (antigo recurso ex officio). Precedentes citados: EREsp 600.874SP, DJ 41912006; REsp 714.665CE, DJe 111512009; REsp 756.417SP, DJ 2211012007; REsp 1.092.058SP, Dje 1 11612009; AgRg iro REsp 930.248PR, 131 101912007, REsp 625.224SP, DJ 1711212007, e REsp 703.726MG, DJ 171912007. REsp 1.144.079SP, Rel. Milt. Luiz Fux, julgado em 21312011. 7. A jurisprudência pacífica do STJ conduz inexoravelmente à conclusão de que o recurso de ofício, no âmbito do processo administrativo fiscal, deve ser conhecido com base no limite de alçada vigente no momento em que foi proferida a decisão pela DRJ; 8. Em face do exposto, tendo em vista o dissídio jurisprudencial apontado, requer a PGFN seja admitido e provido o presente recurso. Por despacho, fls. 01777, deuse seguimento recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 01782, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 9202002.737 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito á defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou prejudicandoas, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Por fim, quanto à existência de recurso repetitivo do STJ sobre a questão, destacamos que o mesmo não deve ser aplicado ao caso, pela característica já exposta de que a parte (União), de forma unilateral, pelo Poder Executivo, foi quem elaborou e emitiu a Portaria para elevação do limite de alçada. Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 9202002.737 CSRFT2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10855.901133/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2001
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 11 33 /2 00 8- 63 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.102) que transcrevo a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/09, na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil,destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/200351, fls. 20/23 requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/200863 Acórdão n.º 1802001.777 S1TE02 Fl. 3 3 materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; 1) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1426.503, de 22 de outubro de 2009 (fls.101/106), cientificado ao interessado em 09/12/2009(Aviso de Recebimento, AR, fl.2672º volume). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.101): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 21/12/2009 (fls.109/119) narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. Afirma que embora o período de apuração do IRPJ seja trimestral (lucro presumido), a Recorrente sempre o apurou e o recolheu mensalmente, para evitar que suas disponibilidades financeiras fossem destinadas a outras despesas e não restassem recursos para o pagamento do imposto no final do trimestre. Essa medida sempre implicou em antecipação parcial do pagamento do IRPJ devido no trimestre. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, comprova que as suas receitas foram todas provenientes da prestação de serviços na construção civil, com emprego de materiais. Juntou as Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 notas fiscais que emitiu e os contratos que as originaram, bem como, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras Contudo, a decisão recorrida entendeu que o crédito não foi devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ. Aduz que, os documentos apresentados eram suficientes a comprovação do crédito, não tendo a Recorrente anexado cópia dos livros fiscais porque já havia apresentado os documentos que deram suporte à escrituração. Contudo, a Recorrente anexou ao presente recurso, todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos dos demais meses que compõem o 4º trimestre de 2000 e que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Diz que, referidos documentos estão sendo anexados ao recurso, para comprovar que sempre prestou serviços de construção civil com emprego de materiais, recolhendo indevidamente o IRPJ pelo quádruplo do valor devido. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso, para reformar a decisão recorrida e homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 379.080404.1.3.04 8142 (fls.01/02), transmitido em 08/04/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ: R$ 3.194,02, código 2089, relativo ao 1º trimestre de 2004, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 3.130,54, código – 2089; Período de Apuração: 30/12/2000; Data de Arrecadação: 31/01/2001. Consta da decisão recorrida (fl.95) que a contribuinte apresentou DCTF, em 08/02/2001, declarando, IRPJ (código de receita: 2089), relativo ao 4° trimestre de 2000, no valor de R$ 6.203,69, ou seja, no mesmo montante dos valores recolhidos, mediante DARF, quais sejam: R$ 432,63 (04/12/2001), R$ 2.640,52 (31/01/2001) e R$ 3.130,54 (31/01/2001). O despacho decisório de fl.03, emitido em 09/05/2008 é que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 06/06/2008 (fls.06/09), em síntese, foi no sentido de que a receita bruta da pessoa jurídica decorre da prestação de serviços na área da construção civil, com emprego de materiais, devendo ser aplicado o percentual de 8% para fins de apuração do lucro presumido. No entanto, sempre apurou o lucro presumido com o percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/200863 Acórdão n.º 1802001.777 S1TE02 Fl. 4 5 IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido. Portanto, conclui que o crédito decorre do valor relativo ao IRPJ pago a maior. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do credito tributário alegado. Vejamos tais fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), mediante a Solução de Consulta SRRF/8'RF/DISIT n° 52, de 07 de março de 2005, requerida pela contribuinte, manifestouse sobre a prestação de serviço em geral, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil com emprego de material, alegada pela recorrente em quatro contratos e três cartas contrato de execução de obras e/ou serviços de engenharia firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo — SABESP. Nesse sentido, referida Solução de Consulta, citando o Ato Declaratório Cosit n° 6, de 13/01/1997, que disciplinou o assunto, declarou, em seu inciso I, que os percentuais aplicáveis no caso de atividade de construção por empreitada são os seguintes: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. Com efeito, registre que a solução de consulta, em seu item 12, deixa claro que as empresas que exercem atividades diversificadas mereceram o tratamento disposto no artigo 223, § 3° do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, que estabelece que o percentual a ser aplicado é aquele correspondente a cada atividade. Neste contexto, analisando a documentação juntada aos autos pela contribuinte, mais especificamente o seu contrato social (fl. 15), constatase que a empresa exerce diversas modalidades de prestação de serviços, quais sejam: a) saneamento urbano e civil; b) pavimentação em todos os seus tipos e modalidades; c) terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento e sua reposição; f) construção civil e geral, por empreitadas ou administração por conta própria ou de terceiros; g) serviços técnicos de engenharia; h)serviços especializados de impermeabilização, vedação na construção civil; i) Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Administração de obras na construção civil; j) incorporação imobiliária em geral; k) compra e venda de imóveis e a promoção de venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; l) administração de bens imóveis próprios; m) qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social. Visto, pois, que a contribuinte exerce atividades diversas na área de construção civil, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mesmo mais de uma atividade, daí porque imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para apuração da base de cálculo do IRPJ, do 4° trimestre de 2000, de modo a demonstrar o montante do tributo devido. No caso em tela, a contribuinte apresentou, em sua peça impugnatória, as Notas Fiscais — Fatura de Serviços, tendo como destinatária a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo — SABESP (fls. 30 e 31), bem como demais documentos a elas atinentes. Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp de fls. 01/02, é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4° trimestre de 2000, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4° trimestre de 2000 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Remanesce, ainda, que há na DCTF declaração da existência de débito de IRPJ, código de receita: 2089, do 4º trimestre de 2000, no valor de R$ 6.203,69, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5% § 1°). Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/200863 Acórdão n.º 1802001.777 S1TE02 Fl. 5 7 A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova esse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC Rel. Min. Teori Albi o Zavascki, julgado em 151512007. (gn) Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. ... Com a manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou cópia dos contratos com a SABESP e as Notas Fiscais — Fatura de Serviços nº 104 e 105, emitidas em novembro de 2000 tendo como destinatária a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo — SABESP (fls. 30 e 31). Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário relativo ao 4º o trimestre do ano calendário de 2000, cópia das Notas Fiscais Fatura de Serviços nº 103 a 109 (fls.114/120) alegadamente emitidas no mencionado trimestre e das notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Observase que, a recorrente limitouse a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Das notas fiscais fatura de serviços emitidas pela Recorrente, não consta qualquer discriminação e valor referente ao material aplicado pela própria contribuinte/recorrente relativa às notas de compras. Com efeito, não juntou e não correlacionou os lançamento contábeis referentes a tais receitas com as contas do Razão que envolvam tais lançamentos contábeis, e tampouco elaborou planilha demonstrativa de tais receitas indicando a "fonte" contábil e demonstrativa das compras (custos) e indicação da "fonte contábil", com um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Portanto, a Recorrente não se desincumbiu em provar que da receita bruta total do mencionado trimestre declarada na DIPJ/2001(não juntada aos autos) forneceu aos seus clientes os materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e que, portanto, o coeficiente para a presunção da base de cálculo do IRPJ deveria ser de 8%. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis correlacionados com os demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/200863 Acórdão n.º 1802001.777 S1TE02 Fl. 6 9 Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 08/04/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade em 06/06/2008. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado conforme o artigo 170 do CTN. Concluindose pela falta de tal comprovação não se pode homologar a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.012101/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/08/2008.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECURSO
REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA
DE COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL E
DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO NO REFISC. DIVERGENTES. CRÉDITO
IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-001.300
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/08/2008. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECURSO REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO NO REFISC. DIVERGENTES. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
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Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/08/2008. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECURSO REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO NO REFISC. DIVERGENTES. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/200815 Acórdão n.º 2803001.300 S2TE03 Fl. 99 2 . Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.051.9396, CFL.59, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das renumerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I, alínea “a”, e alterações posteriores e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput, combinado com o art. 216, I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Acessória – REFISC do AIOA, de fls. 10, com período de apuração de 12/2004 a 12/2006, conforme Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, de fls. 06 e 07. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 22/08/2008, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatória total, acostada, as fls. 17 e 18, recebida, em 22/09/2008, estando acompanhada dos documentos, de fls. 19 a 74. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 76 e 77. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0817.293 5ª Turma da DRJ/FOR, em 07/04/2010, fls. 78 e 79, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 05/07/2010, AR, de fls. 84. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição e razões recursais, as fls. 86 a 88, recebida de 30/07/2010, acompanhada dos documentos, de fls. 89 a 93, onde alega em síntese. • Que vem fazer uso de sua ampla defesa, pois o reclamo anterior não foi atendido e não havendo fatos ou novos argumentos, vem redarguir os anteriores; • Que é empresa de pequeno porte, contestando o valor arbitrado, não podendo arcar com essa e outras situações; • Por fim a recorrente: a) requer encaminhamento do recurso ao órgão competente; b) arquivamento do auto, em razão de...; c) protesta por todos os meios de provas admitidos em direito; d) a improcedência do auto e o não registro de restrições de bloqueio em transações futuras com o governo; e) conversão do auto em advertência escrita nos termos da lei; f) parcelamento em 60 meses, por dispor de recursos. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/200815 Acórdão n.º 2803001.300 S2TE03 Fl. 100 3 A tempestividade do Recurso Voluntário foi reconhecida pelo órgão preparador, as fls. 97, terceiro parágrafo. Os autos subiram ao CARF/MF, fls. 97. É o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/200815 Acórdão n.º 2803001.300 S2TE03 Fl. 101 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme, AR, de fls. 84, recebido em 05/07/2010, e carimbo de recepção do Recurso, de fls. 86, datado de 30/07/2010. A tempestividade foi reconhecida pelo órgão preparador, fls. 97. Superado o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. O recurso do contribuinte e reiterativo e nada acrescenta ao que já fora analisado e decidido pela instância a quo. O agente fiscal lançador autuou a empresa por esta não ter promovido o desconto das contribuições dos trabalhadores contribuintes individuais – autônomos a seu serviço, a contar de 04/2003, nos termos do artigo 4º da Lei 10.666/2003. Todavia no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 10, assim justificou a aplicação da multa. 3. A empresa apresentou Recibos de Pagamentos a Autônomos RPA sem o desconto da contribuição para a Previdência Social, cópia em anexo. A infração capitulada em lei não é deixar de promover o destaque do desconto em Recibo de Pagamento de Autônomo – RPA. Mas, sim o de deixar de arrecadar, mediante o desconto da remuneração, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais. Tal situação deve ser comprovada pelo fisco com a folha de pagamento ou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP em confronto com as GPS’s ou por qualquer outro meio que leve a convicção da falta de arrecadação mediante desconto. A falta de destaque na RPA não tem esse condão de comprovar a ausência do desconto e não é essa a descrição legal da infração. Com os argumentos acima explicitados fica evidente que o crédito deve ser considerado improcedente, pois não há relação entre a infração atribuída à recorrente e a descrição dos fatos nos autos. Deixo de analisar as teses da recorrente por desnecessário. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/200815 Acórdão n.º 2803001.300 S2TE03 Fl. 102 5 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento, tendo em vista que a infração não ficou comprovada. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. . Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906226/2012-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/04/2006
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/04/2006 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 26 /2 01 2- 71 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/04/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906226/201271 Acórdão n.º 1802003.193 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13850.720100/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2012
Ementa:
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO .
Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas.
MULTA. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o Relator pelas conclusões. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2012 Ementa: MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO . Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas. MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2012 Ementa: MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO . Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas. MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o Relator pelas conclusões. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 01 00 /2 01 2- 39 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 268 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório TECNOCUBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1533.234, de 30/08/2013, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário pela aplicação de multa regulamentar pela compensação indevida, efetivada em declaração apresentada com falsidade. A multa busca fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Os fatos apurados pelo Fisco foram minuciosamente descritos no relatório intitulado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 8/15), do qual peço vênia para transcrever os excertos mais relevantes para a perfeita compreensão da lide. 1 – DESCRIÇÃO GERAL Por meio do processo n° 10166.000429/201218, protocolado em 13/01/2012, o contribuinte acima identificado formulou pedido de restituição de supostos indébitos (créditos) no valor de R$ 14.000.000,00 contra a Fazenda Nacional (RFB). Poucos dias depois e utilizando aquele suposto crédito, o mesmo contribuinte transmitiu 03 declarações de compensação (DCOMP) de tributos federais: em 19/01/2012 as DCOMP n° 05099.22104.190112.1.3.029279 e 37421.34016.190112.1.3.029283, e em 23/01/12 a DCOMP 13034.96647.230112.1.3.034717. Os débitos compensados totalizaram R$ 1.383.483,49 – com base nas datas de transmissão. Conforme será fartamente elucidado nos itens posteriores, tais compensações acabaram por vestir a roupagem da falsidade, tendo o contribuinte o claro fito de se eximir do pagamento dos tributos devidos e confessados nas citadas DCOMP. 2 – DESCRIÇÃO DOS FATOS 2.1 DA PROTOCOLIZAÇÃO 2.1.1. Iniciando com as circunstâncias pouco usuais que culminaram na transmissão das Dcomp acima referidas, temse que o processo administrativo (em papel) n° 10166.000429/201218 foi protocolado no PROTOCOLO GERAL DO MINISTÉRIO DA FAZENDA (SAMFPROTORGRE), ou seja, em órgão distinto desta Receita Federal do Brasil (RFB). O assunto tratado no processo é de competência exclusiva desta RFB, nos termos de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 587/2010. Portanto, tal protocolo deveria darse apenas nos protocolos desta Secretaria, através dos Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 269 3 Centros de Atendimento ao Contribuinte (CAC) das unidades descentralizadas, conforme a jurisdição do domicílio tributário do contribuinte. 2.1.2. Como o contribuinte possui domicílio tributário em ArujáSP, o procedimento normal esperado seria efetuar o protocolo do processo de restituição no órgão da RFB que o jurisdiciona, no caso o CAC/Mogi das Cruzes ou mesmo esta DRF/S. José dos Campos. 2.1.3. Dessa forma seriam fornecidas todas as instruções necessárias e eventuais alertas quanto à correta protocolização do processo e sua adequação ao caso; havendo, ainda, plantão fiscal disponível para esclarecimentos sobre a legislação afeta à restituição de tributos e contribuições administrados por esta RFB. 2.1.4. Entretanto, o contribuinte preferiu se esquivar do local e meio corretos à protocolização do processo n° 10166.000429/201218, já que o local de protocolo “escolhido” não se submete às regras desta RFB, para efeitos de orientação e conferência de todos os documentos exigidos para que tal processo fosse corretamente instruído, nos termos da legislação de regência. No caso, a Portaria Conjunta PGFN/RFN n° 04/2010, a qual dispõe sobre o Sistema Integrado de Atendimento ao Contribuinte – Siscac, e mesmo a IN RFB n° 900/2008 (vigente por ocasião do protocolo), esta última predizendo em seu art. 57 que “a decisão sobre o pedido de restituição cabe ao titular da DRF que à data do reconhecimento do direito creditório tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo”. 2.1.5 Inferir que o contribuinte desconhecia tais procedimentos não serve de consolo ao esdrúxulo método adotado, ainda mais considerandose que poucos dias após o citado protocolo no Ministério da Fazenda o contribuinte utilizouse indevidamente do mesmo, como será detalhado nos itens seguintes, para transmitir a esta RFB, desta feita pelos trâmites corretos, 03 (três) declarações de compensação (Dcomp) de débitos federais. 2.1.6. Também é importante destacar que o crédito pleiteado no citado processo administrativo é no exato valor de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais). Como o contribuinte chegou a esse “quantum” exato não se sabe, já que não há nem demonstração nem elementos comprobatórios do direito creditório alegado. 2.2 DO PROCESSO DE RESTITUIÇÃO N° 13804.001546/201135 2.2.1. Apesar de aparentemente não haver relação direta com o pleito acima relatado, outro fato indica que o contribuinte sabia perfeitamente que deveria se utilizar, na via normal, dos protocolos da RFB para efetuar sua petição: Houve um pedido anterior de restituição, efetuado por meio do processo n° 13804.001546/201135, este protocolado no CAC/LAPA (São Paulo/SP), em 13/04/2011 (cópia em anexo a este AI). 2.2.2 De plano se verifica dos autos deste processo que o contribuinte também não o instruiu adequadamente, sequer informando os montantes dos supostos “créditos” requeridos. Além disso, a petição e o protocolo se deram por “absoluta insistência do interessado”, conforme consta do despacho acostado à petição. 2.2.3. Um dia após esta protocolização, em 14/04/2011 o interessado transmitiu a DCOMP n° 42429.06325.140411.1.3.040470, vinculando a mesma ao processo citado, indicando suposto crédito de R$ 1.625.520,25 e débitos compensados de R$ 1.476.755,07. Seis dias depois, porém, o interessado cancelou esta DCOMP por meio do documento de n° 29889.18600.200411.1.8.045755. Por Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 270 4 fim, em 26/04/2011 o interessado informou a desistência do processo n° 13804.001546/201135, tendo em vista a falta de documentação para complementação do pedido e o prazo indeterminado para providenciála. 2.2.4. Ou seja, poucos dias depois do protocolo, o próprio interessado reconheceu a insubsistência do pedido de restituição e das DCOMP transmitidas. 2.2.5. Porém, menos de um (1) ano após, o interessado ingressou com novo processo de restituição, de n° 10166.000429/201218, e transmitiu outras DCOMP, objeto deste AI, com falhas ainda maiores que as já relatadas. Desta feita, porém, as DCOMP transmitidas foram mantidas e, apesar de ter sido intimado a prestar esclarecimentos, como se verá adiante, o interessado se omitiu. A forma de atuação adotada pelo interessado nos dois pedidos de restituição e nas DCOMP vinculadas é muito semelhante: Inicialmente protocolase pedido de restituição sem o mínimo lastro documental e, depois, transmitemse DCOMP com valores vultosos de débitos federais. 2.3. DO CRÉDITO SOLICITADO E DOS PROCEDIMENTOS PARA AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS 2.3.1. No formulário do pedido de restituição constam três supostas origens para o crédito pleiteado: “Pagamento indevido ou a maior”, “Pagamento indevido ou a maior – Simples Nacional” e “Outros créditos”. Tal fato constitui nova inconsistência. 2.3.2. Mesmo desconsiderandose todos os fatos já mencionados, estranhos aos procedimentos rotineiros desta RFB, apenas com a simples verificação do processo n° 10166.000429/201218 já se constatam diversas deficiências de instrução: Não há identificação do direito pleiteado, assinatura no requerimento e identificação do peticionante, assim como Contrato Social, procuração e documentos de identificação. 2.3.3. No mínimo, o processo deveria pautarse pelo disposto no art. 6°, incisos IV e V, da Lei n° 9.784/99, conforme abaixo colocado: “Art. 5º O processo administrativo pode iniciarse de ofício ou a pedido de interessado. Art. 6º O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I – ............................................................ II .......................................................... III ………………………………………… IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; V data e assinatura do requerente ou de seu representante.” Destaques acrescentados 2.3.4 Com a constatação de referidas irregularidades, esta RFB encaminhou ao interessado duas intimações para a prestação de esclarecimentos: Termo de Intimação Seort n° 188, de 14/03/2012, recebido em 20/03/2012, e Termo de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 271 5 Reintimação Seort n° 266, de 09/04/2012, recebido em 12/04/2012. Ressaltese que nenhuma destas intimações foi atendida. 2.3.5 Deve ser mencionado, apenas para registro porque não houve produção de quaisquer efeitos práticos, que foi protocolado em 23/04/2012 um pedido de prorrogação do prazo para atendimento do Termo de Reintimação Seort n° 266/2012. Tal pedido, protocolado no COGRL/SPOA do Ministério da Fazenda, foi indeferido por meio do Despacho Decisório Seort n° 399, de 03/05/2012 (em anexo). O indeferimento se deu por três motivos: primeiro por já ter sido prolatado o respectivo Despacho Decisório nos autos do processo de restituição (e compensações), segundo pelo fato de o “pedido de prorrogação” se encontrar igualmente eivado com os mesmos vícios de instrução do pedido inicial, principalmente quanto à falta de identificação do requerente e, terceiro, pelo fato de o prazo solicitado (30 dias) ser incompatível com o pedido formulado, sendo considerado como meramente protelatório. 2.3.6 A profusão de tipos de crédito utilizados nas DCOMP transmitidas foi de tal monta que podem ser identificados, ao menos, 04 (quatro) tipos de créditos baseados no processo de restituição e informações nas próprias Dcomp, conforme consta do Despacho Decisório Seort/DRF/SJC n° 291/2012, de 25/04/2012, cópia em anexo, do qual se extraem os seguintes trechos elucidativos: “Trata o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), protocolado em 13/01/2012, na SAMFPROTORGRE, BrasíliaDF, através do qual, utilizandose do formulário aprovado pela IN RFB n° 900, de 2008, o “peticionante” solicita, em tese, o valor acima referente a créditos de : (a) pagamento indevido ou a maior; (b) pagamento indevido ou a maior – Simples Nacional e (c) outros créditos, sem mencionar os montantes devidos a cada um dos tipos de créditos mencionados nem justificálos por quaisquer meios de provas ou comprovações. ......................................................................................................... ............. Relativamente às DCOMP transmitidas com base no presente processo, estas contêm, em seu bojo, uma série de créditos – 04 (quatro) cada uma, a embasar suas compensações, ou seja, além dos supostos créditos apontados no presente processo (PGIM e “outros créditos”), indicam, conforme tabela acima, em duas delas, saldo negativo de IRPJ LP do 4° trimestre de 2008 e na última, saldo negativo da CSLLLP, também do 4° trimestre de 2008, sendo que o contribuinte sequer possui tais créditos, conforme demonstra sua DIPJ entregue do exercício de 2009, anocalendário de 2008, onde apurou saldos a pagar do IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 61.141,18 (IRPJ) e R$ 36.256,24, respectivamente.” 2.3.7. Relativamente ao processo de restituição n° 10166.000429/201218 e declarações de compensação – DCOMP – transmitidas com base no mesmo, outra não poderia ter sido a decisão prolatada no Despacho Decisório Seort/DRF/SJC n° 291/2012, ante a inexistência de comprovações e instrução processual deficiente, conforme trechos extraídos abaixo: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 272 6 “Inclusive, é importante frisar que as DCOMP transmitidas, por não possuírem créditos minimamente averiguáveis e confiáveis, e lastrearemse em processo administrativo eivado de diversos vícios de instrução, onde são citados diversos créditos a esmo, sem quantificações, comprovações e alto valor indicado como crédito total (“fechado” em exatamente R$ 14.000.000,00) incluindo a questão da localidade não usual de seu protocolo, e datas sequenciais de transmissões, 19/01/2012 e 23/01/2012, próximas à protocolização do processo (13/01/2012), levam à conclusão que essas DCOMP não se mostram com a confiabilidade necessária para que o contribuinte pudesse efetuar alguma compensação tributária. Com base no todo exposto, e em atenção ao disposto no artigo 295, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21/12/2010, e no artigo 7º, I, da Portaria DRF SJC n° 75, de 12/05/2011, INDEFIRO o pedido de restituição formulado através do presente processo, não reconhecendo o direito creditório solicitado e NÃO HOMOLOGO as declarações de compensação n° 05099.22104.190112.1.3.029279, 37421.34016.190112.1.3.02 9283 e 13034.96647.230112.1.3.034717.” 2.3.8. Apesar de o processo de restituição acima ter sido indeferido e não homologadas as compensações entregues, à parte da cobrança dos débitos indevidamente compensados, situação já ocorrida, há outras consequências das compensações nãohomologadas. Uma delas é a imposição legal de lançamento de multa isolada sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados, nos termos do art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, embasamento primário deste Auto de Infração. 3 – DA CARACTERIZAÇÃO DA FALSIDADE DAS DCOMP TRANSMITIDAS (nos termos do art. 18 da Lei n° 10.833/03) 3.1. O caso se enquadra, nitidamente, no art. 18 da Lei n° 10.833/03, em seu caput, e parágrafo 2°, o qual se repete abaixo, já como enquadramento legal ao presente auto de infração de multa isolada: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1°........................................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).” Destaques acrescentados 3.2. A falsidade das declarações de compensação transmitidas, de n° 05099.22104.190112.1.3.029279, 37421.34016.190112.1.3.029283 e Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 273 7 13034.96647.230112.1.3.034717, totalizando débitos de R$ 1.383.483,49, se mostra evidente pois não há crédito líquido e certo, nem ao menos indícios do mesmo, a favor do sujeito passivo, para contrapor as compensações efetuadas. 3.3. Aos fatos acima se soma a suposta “facilidade”, em tese, que o contribuinte teve ao transmitir as DCOMP alguns dias após o protocolo efetuado em órgão que não esta RFB, apenas inserindo o número do processo administrativo como fonte do crédito de restituição, produzindo, em princípio, os efeitos próprios das declarações de compensação válidas, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com sua redação atual, conforme abaixo resumido : [...] 3.4. Ou seja, a declaração de compensação, aceita como válida em princípio pela RFB, sob inteira responsabilidade do contribuinte que a entrega/transmite, possui diversos efeitos importantes na exigibilidade dos débitos compensados, sendo o mais importante a extinção dos créditos tributários sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do art. 170 c/c art. 156, II do CTN (Lei n° 5.172/66). 3.5. É obrigação do contribuinte, portanto, ao efetuar ou transmitir quaisquer declarações de compensação à RFB, atentar para a certeza e a liquidez do crédito solicitado/utilizado (a chamada fumaça do bom direito). Se não o fizer, pode ser penalizado futuramente, mormente após a edição e publicação da Lei n° 12.249/10, que em seu artigo 62, com vigência a partir de 14/06/2010, acrescentou os parágrafos 15 a 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, instituindo as multas isoladas de 50% ou 100%, conforme o caso, sobre os créditos indeferidos (ressarcimentos) e utilizados em Dcomp não homologadas. 3.6. Apenas para exemplificar, a preocupação do legislador, e em última instância desta RFB por meio de atos infralegais, é tamanha com a solidez mínima dos créditos a serem utilizados em compensações de tributos, que há a previsão, no caso de créditos oriundos de ações judiciais – repetição de indébitos – de se efetuar a habilitação prévia dos mesmos. Tal procedimento, anterior à transmissão de quaisquer declarações de compensação, permite que seja averiguada a correção do crédito oferecido. 3.7. A declaração de compensação (DCOMP) não se trata de mero pedido, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação com a consequente extinção do crédito tributário (art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96). 3.8. Em razão de tais efeitos, a DCOMP foi criada para viabilizar compensações nos estritos termos do disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02. 3.9. Vejase, inclusive, a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/02: “35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais.” 3.10. Justamente para coibir o uso indevido, abusivo ou com indícios de falsidade da compensação tributária, é que se prevê a aplicação de multa punitiva. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 274 8 Em consequência, para a aplicação da penalidade bastam as evidências da forma e do conteúdo da declaração assim apresentada. 3.11. Em resumo, resta claro no caso presente que o contribuinte intentou a extinção de débitos tributários de elevados valores, de sua responsabilidade, por meio de compensação. O crédito utilizado, totalmente desprovido de identificação e comprovação, foi objeto de pedido de restituição em processo protocolado em órgão externo a esta RFB, sem os controles a esta inerentes. 3.12. Por ordem cronológica, as etapas das compensações efetuadas pelo interessado foram as seguintes: 1) Protocolo do processo administrativo em que se pleiteia a restituição do alegado crédito; 2) Transmissão das declarações de compensação com a utilização do crédito citado no item 1, e 3) Transmissão de DCTF originais informando a extinção dos débitos compensados e citando os documentos eletrônicos citados no item 2. 3.13. A harmonia e a coerência entre os passos citados demonstram, de maneira nítida, a vinculação existente entre eles. De fato, a transmissão das DCOMP implicava o conhecimento do processo administrativo de crédito. Por sua vez, a transmissão das DCTF implicava o conhecimento das DCOMP citadas. 3.14. De todo o exposto, há de se concluir que o crédito alegado pelo interessado, e que foi objeto de utilização em compensações, é falso, fictício. Ou, em outras palavras, o interessado utilizouse de crédito falso, fictício, para extinguir, de maneira irregular, débitos de tributos federais de sua responsabilidade. 3.15. Pela presunção da falsidade das declarações de compensação transmitidas, aplicase a previsão da multa isolada, com base no art. 18 da Lei n° 10.833/03, em seu caput, e parágrafo 2°. 4 – DA QUANTIFICAÇÃO Caracterizada a falsidade nas compensações efetuadas, devese partir para a quantificação da multa isolada aplicável ao caso. Nos termos do art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, o valor da mesma seria, normalmente, de 150% sobre os débitos indevidamente compensados. No caso em análise, porém, a sanção deverá ser aumentada pela metade (225%), por conta do não atendimento às intimações efetuadas para prestação de esclarecimentos, conforme previsão no § 5° do mesmo dispositivo, abaixo reproduzido : “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1°........................................................................................... Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 275 9 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). .............................................................................................. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).” Destaques acrescentados Por sua vez, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, citado no parágrafo 5º acima, é parcialmente transcrito a seguir: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)” Destaques acrescentados Portanto, o presente Auto de Infração fica assim constituído: [Quadro à fl. 14] Total de Débitos (Base De Cálculo): R$ 1.383.483,49 Multa Isolada (225% BC): R$ 3.112.837,85 A interessada tomou conhecimento da exigência e, com ela irresignada, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 143/168). Suas razões de defesa foram sintetizadas pelo relator do processo em primeira instância, como segue: 1. Por meio do processo nº 10166.000429/201218, protocolado em l3/01/2012, formulou pedido de restituição/compensação de seus créditos no valor de R$ 14.000.000.000 (quatorze milhões de reais) que possui contra a Fazenda Nacional nos processos nº 10166.008551/201143 e 10166.008550/201107, créditos constituídos junto ao Ministério da Fazenda, Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração, Coordenação Geral de Recursos Logísticos; 2. A impugnante realizou o procedimento via processo administrativo junto ao Ministério da Fazenda e depois junto à Receita Federal do Brasil via PERDCOMP; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 276 10 3. Logo, informou a compensação dos referidos créditos a todos os Órgãos necessários, como determina a legislação, e em momento algum utilizou créditos falsos, como alega o agente fiscal, que também alega que não foram apresentados documentos requeridos por diversas vezes, o que o levou a entender que a impugnante deixou de apresentalos por máfé; 4. Ocorre, porém, que os documentos solicitados estão localizados em outro Estado, nos processos judiciais nº 10166.008551/201143 e 10166.008550/201107, tendo sido solicitado prazo ao agente fiscal para que pudesse solicitar cópia integral do processo mencionado para juntar no Procedimento Fiscal ora combatido; 5. Entretanto, o agente fiscal negouse a prorrogar o prazo para a devida apresentação dos documentos, e assim, com base nas Leis nº 12.249, de 2010, e nº 9.430, de 1996, aplicou multa confiscatória no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre o valor originário, ultrapassando mais que o dobro do valor compensado pela impugnante; 6. A impugnante não entregou os referidos documentos não por descaso ou má fé, mas por demora dos Tribunais Pátrios em realizar procedimentos administrativos, e não haveria tempo hábil para solicitar a cópia dos processos de capa a capa dentro do prazo estipulado pelo agente fiscal; 7. Por tais razões, devemos aplicar o principio da razoabilidade, tanto nos prazos quanto na aplicação da multa; 8. Observando o brocardo "acessorium sequitur principale", e em face da interposição da presente defesa, a exigibilidade das multas aplicadas restará suspensa, visto o disciplinado pelo inciso III do artigo 151 do CTN; 9. Como é sabido, o auto de infração é um ato jurídico que produz efeitos jurídicos e, como tal, exige todos os requisitos para tanto, ou seja, que o agente seja capaz, que o objeto seja lícito, possível, determinado ou determinável, e que obedeça à forma prescrita ou não defesa em lei (artigo 104 do CC); 10. E mais, é um ato administrativo, ou seja, é um ato jurídico praticado por autoridade pública, que tem por finalidade apurar infrações, mas sempre de maneira vinculada, ou seja, seguindo as exatas prescrições da lei; 11. Na modalidade de ato vinculado, o auto de infração deve conter os exatos e precisos ditames determinados na lei específica, já que vícios existem, dentre eles o direito de realizar a compensação dos débitos tributários via crédito advindo de precatórios, acarretando, por certo, a nulidade do ato em tela, citando doutrina que corroboraria seus argumentos; 12. O agente fiscal não observou os princípios Constitucionais, sendo um deles o direito de realizar a compensação dos débitos fiscais via crédito de precatório, como determina nossa Legislação; 13. Fica claro que a impugnante apenas tentou valerse de seu direito de credora junto a União, sem nenhuma máfé, tampouco nenhum intuito de fraudar o fisco federal, razão pela qual a manutenção dessa multa vexatória e exorbitante extrapola os limites do Princípio da Razoabilidade e do Princípio da Proporcionalidade; 14. A compensação dos débitos tributários com créditos advindos de precatórios é autorizada pela Emenda Constitucional nº 62, de 09/12/2009, e pelo artigo 100 da Constituição Federal do Brasil de 1988; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 277 11 15. O artigo 100, § 13, de nossa Carta Magna autoriza a cessão de crédito de precatórios, independentemente da qualidade, seja alimentar ou não, isto porque a ausência anterior de disposição expressa no corpo ordinário da Constituição Federal deu lugar à autorização legal por excelência, tornando concreta a possibilidade inserida no art. 170 do Código Tributário Nacional; 16. Quando a Carta da República declara no § 13 do artigo 100 que o credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros, não faz qualquer distinção sobre a qualidade deles (credor ou créditos), de modo a atingir toda a generalidade de pessoas (jurídicas e físicas) que possuem ativos a receber do Poder Público; 17. Assim, sem sombra de dúvidas, os créditos de precatórios inseremse na possibilidade de compensação com débitos fiscais, tanto é verdade que a parte final do mesmo parágrafo faz remissão a outros dois (2º e 3º), os quais tratam tão somente da possibilidade de recebimento prioritário, porque estão representados por aqueles de natureza alimentícia, cujos titulares sejam idosos (o que, digase de passagem, representa a grande maioria deles); 18. Essa prioridade concedida pela Constituição, consoante se vê da parte final do § 13 do artigo 100, desaparece por completo com a transferência de propriedade do crédito, e não beneficia o cessionário, seja ele pessoa jurídica ou física, vale dizer, cedido o crédito, a prioridade no recebimento ou a forma diferenciada de pagamento não mais tem lugar, submetendose o cessionário à regra geral de pagamento (ordem cronológica); 19. Embora a modificação trazida pela EC nº 62, de 2009, produza efeitos apenas a partir de sua vigência, notadamente quanto à dispensabilidade da concordância do credor (Fazenda Pública), esse mesmo benefício foi estendido às demais cessões e compensações anteriores, por força do disposto nos artigos 5º e 6º da Emenda Constitucional supramencionada; 20. Assim, a única exigência feita ao cessionário é a comunicação da cessão ao Tribunal de origem e à entidade devedora, nos termos do § 14 do art. 100, o que a impugnante o fez, como menciona o próprio agente fiscal, ao relatar que o Ministério da Fazenda foi informado de que seria realizada a compensação dos créditos do precatório com os débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil; 21. Portanto, havendo crédito no precatório, a sua cessão a terceiro não encontra obstáculo algum no ordenamento vigente, muito menos a sua compensação, conforme doutrina transcrita; 22. Bem se percebe, destarte, que o artigo 78 do ADCT e seus parágrafos vigem apenas casuisticamente, não servindo para monitorar hipóteses de caráter geral, como é a possibilidade de cessão dos créditos, ainda que vincendos, sendo a única ressalva, portanto, é que a compensação darseá somente após o decurso do prazo concedido ao Poder Público para efetuar o pagamento de seu débito; 23. De qualquer modo, uma melhor interpretação do artigo 78 do ADCT revela que a exclusão, dentre outros, do crédito de natureza alimentícia serviu unicamente para impedir o seu parcelamento e não a sua cessão; 24. Daquele dispositivo, não há dúvida, possui valor jurídico o seu § 2º quando afirma que se o débito não for liquidado no prazo estipulado (até o final do exercício a que se refere), terá valor liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 278 12 25. Ora, caso não haja o pagamento do crédito alimentar, de modo que, feita a sua cessão como largamente permitido pela Constituição, deve a entidade devedora recebelo como liberação de débito fiscal, como inicialmente pretendido; 26. Impedir a cessão de crédito alimentar para efeito de compensação equivale a penalizar ainda mais o credor comum, poder fazêlo tranquilamente e auferir, na medida do negócio bilateral, o rendimento que lhe aprouver, não se podendo esquecer que a cessão de crédito não é negócio constitucional, mas que interessa ao direito civil, nos termos do que dispõem os artigos 286 a 298 do Código Civil de 2002; 27. A bem da verdade, se é livre a cessão de créditos, como transação comum admitida pela legislação vertical, foge da razoabilidade pensarse em venda de crédito alimentar a alguém que não possa dele utilizarse como moeda de pagamento efetivo, sob pena de admitirse que o negócio não passa de mero intuito de possuir verdadeira "moeda podre"; 28. Outrossim, a natureza bilateral da compensação, regulada no artigo 368 do Código Civil, impõe a compensação de precatório alimentar por iniciativa de seu titular, também ela vale tanto entre os particulares como entre estes e o poder público; 29. Atenta contra os princípios da isonomia e da moralidade pública consagrados na Constituição Federal a tese da insubmissão da Fazenda Pública ao instituto da compensação, principalmente se o próprio texto constitucional prescreveu a prévia compensação da dívida ativa do poder público antes da expedição do precatório judicial; 30. Neste particular, a regra do § 3° do art. 16 da Lei n° 6.830/80, que veda a compensação em execução fiscal, não foi recepcionada pela EC n° 62/2010, e por essas razões o E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em recente julgado, deu provimento ao apelo do contribuinte devedor de tributo e credor por precatório ao mesmo tempo a fim de conceder a segurança e determinar a compensação do débito tributário com o crédito consignado em precatório vencido e não pago; 31. Não temos dúvidas, pois, que o art. 6° da EC n° 62/2009 convalidou as compensações operadas anteriormente à data de sua promulgação, não distinguindo os precatórios comuns dos precatórios alimentares, com o fito de encerrar definitivamente as discussões como as travadas nos RREE ns. 55.400RS e 566.349MG; 32. Nesse sentido é o julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que deu provimento ao apelo do precatorista para reconhecerlhe o direito à compensação de precatório alimentar à luz da EC n° 62/2009; 33. Ilustrativo, também, o acórdão proferido no julgamento da Apelação n° 994.09.3862175 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, onde Excelentíssimo Desembargador Relator cita trecho da decisão monocrática proferida pelo Ministro Eros Grau no julgamento do RE n° 550400/RS, em que é reconhecido o direito à compensação de crédito tributário com débito de precatório, sem qualquer distinção entre precatório alimentar e não alimentar; 34. Contudo, nada impede ao precatorista credor e devedor da Fazenda ao mesmo tempo requerer essa compensação ao Presidente do Tribunal, se quiser, entretanto o sequestro da quantia em dinheiro para satisfação do crédito por precatório, surte o mesmo efeito que a compensação; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 279 13 35. A impugnante não agiu de má fé como menciona o agente fiscal, tampouco agiu com intuito de fraudar o Fisco Federal, ocorre que no máximo a impugnante possa ter realizado o procedimento administrativo de forma errada, mas não de forma fraudulenta, e assim esperase seja reconhecido o direito de compensação dos créditos advindos do precatório supra mencionado, tornandose nulo o Auto de Infração; 36. Não sendo esse o entendimento da Delegacia de Julgamento, dado o "curtíssimo" prazo para apresentação de documentação hábil em face da grande burocracia em envolve o tema, melhor sorte ainda não terá o agente fiscal, tendo em vista a exorbitância e o exagero na aplicação da multa, extrapolando os limites do princípio da razoabilidade e do princípio da proporcionalidade, sendo, portanto, ainda que admitida pela legislação, confiscatória a multa aplicada no percentual de 225% sobre valor do tributo que a impugnante não deixou de pagar ou sonegou, mas apenas realizou a compensação que lhe é de direito; 37. A multa ofende os dispositivos da Constituição Federal, sendo que seu artigo 150, inciso IV, repele o confisco tributário, não distinguindo se ele se aplica a tributos, juros, multa ou contribuições, a fim que o coroláriogarantia do direito de propriedade, bem como os outros direitosgarantias, se mantenham incólumes, mesmo porque a imposição fiscal deve aterse à capacidade contributiva, e a multa, como pena, deve sua gradação aos elementos de fato, subjetivos, e de forma que seja respeitado o principio da proporcionalidade e da discricionalidade; 38. No caso presente, o montante da multa exigido conduz ao confisco tributário, que o citado dispositivo da CF/88 veda, e tal vedação, sendo norma maior, não pode ser desconhecida pela Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal, nem ofendido pela legislação ordinária invocada pela Certidão de Dívida Ativa; 39. Por conseguinte, com o critério usado pelo Agente Fiscal em aplicar 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre o valor do crédito tributário, ele impõe abusivamente a cobrança de uma multa, sem qualquer discernimento jurídico, conforme doutrina e jurisprudência citadas, inclusive do STF; 40. Não existe nenhum motivo plausível para a aplicação de uma multa deste porte, não podendo o Agente Fiscal com alegações simplistas, como "deixou de entregar documentos", aplicar uma multa desta magnitude; 41. O agente fiscal deveria ter apurado os prejuízos que a impugnante supostamente causou ao “herbário público”, e aplicar os juros e correção monetária a fim de que a impugnante realizasse o devido pagamento; 42. Como já destacado, o princípio da proporcionalidade é sempre utilizado como instrumento de interpretação judicial no que se refere à análise e concretude do princípio da proibição do confisco da multa punitiva, que deve ser, pois, proporcional ao tributo cuja arrecadação e fiscalização deu azo à imposição da obrigação, uma vez inadimplida, originou, por sua vez, a multa punitiva; 43. O princípio da proporcionalidade, muito embora não esteja consagrado explicitamente na Lei Fundamental Brasileira, nela se mostra presente de forma implícita, e quanto a isso a doutrina se mostra majoritária; 44. Neste caso o Agente Fiscal deixou de aplicar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, uma vez que a multa advinda do inadimplemento de obrigação tributária, o mesmo aplicou multa no seu valor máximo sem se valer do princípio da Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 280 14 proibição do excesso, veja que o valor da multa supera o dobro do valor do tributo a ser recolhido pela impugnante; 45. E, portanto, um ato administrativo praticado em desconformidade com os princípios Constitucionais elencados nos artigos Artigos 5º, XX, XXII, 150, IV, 170II e III da CF/88, em seu procedimento formativo devendo ser decretado nulo, afastando seus efeitos principais e secundários; 46. Diante de todo o exposto, requer que seja decretada nula a aplicação da multa no importe de 225% por configurar confisco, e caso não seja esse o entendimento, requer que a mesma seja estabelecida no percentual máximo de 20% (vinte por cento) sobre o valor a ser compensado, dessa maneira respeitando os princípios constitucionais previstos em nossa Carta Magna. A 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1533.234, de 30/08/2013 (fls. 212/231), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2012 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA COM FALSIDADE. MULTA ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. Aplicase a multa isolada qualificada na compensação indevida em que ficar caracterizada a falsidade na declaração. Ciente da decisão de primeira instância em 17/09/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 235, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/10/2013 conforme carimbo de recepção à folha 237. No recurso interposto (fls. 238/263), a interessada repisa, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. Nenhum documento novo foi juntado aos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 281 15 O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o processo de multas exigidas isoladamente, com base no art. 18 e seus §§ 2º e 5º da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O pedido de restituição constante do processo administrativo n° 10166.000429/201218 foi indeferido, da mesma forma que não foram homologadas as compensações a ele associadas (DCOMPs nº 05099.22104.190112.1.3.029279, 37421.34016.190112.1.3.029283 e 13034.96647.230112.1.3.034717). Em consulta ao sistema eprocesso, constatei que o processo nº 10166.000429/201218 foi juntado por apensação ao processo nº 13884.720825/201230. Este último, por sua vez, consiste em representação para inscrição em Dívida Ativa dos débitos confessados nas DCOMPs. A inscrição foi feita e ajuizados os débitos. Assim, entendo que não está em discussão a não homologação, discussão que, se fosse o caso, deveria ter sido iniciada com a apresentação de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que negou a homologação, nos autos do processo nº 10166.000429/201218. No presente processo se discute tão somente a multa exigida isoladamente no percentual de 225%, se houve ou não falsidade na declaração e se cabe o agravamento por falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos. Diante dessa constatação, os argumentos de defesa da interessada no sentido da correção de seu procedimento perdem sentido. Não obstante o extenso discurso, o que dele se depreende é que a recorrente tenta fazer crer que os créditos da pretendida compensação teriam origem em precatórios. Ora, não cabe aqui tal análise, que deveria ter sido feita, se tempestivamente suscitado o contraditório, no processo que não homologou as compensações. No entanto, cumpre ressaltar que não há nem naquele processo nem neste, uma única prova da existência dos alegados precatórios. A autoridade julgadora em primeira instância assim se manifestou (fls. 227/228): Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 282 16 Mais uma vez, somente em 15/02/2013, ou seja, mais de 1 (um) ano depois do protocolo em 13/01/2012 do Pedido de Restituição, foi solicitada (fl. 138) a juntada de “Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios”, tendo Arnaldo Córdova Duarte como cedente e a autuada como outorgada cessionária (fls. 139/140), por meio da qual foram cedidos e transferidos direitos de crédito em face do Instituto de Colonização e Reforma Agrária –INCRA, oriundos do Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas – 54715SR28/ DFEF4, processo nº 54700.000763/200696, processo de Restituição de Assuntos Previdenciários nº 10166.008551/201143 e Processo Restituição nº 10166.008550/201107. Ressaltese que os citados processos nº 10166.008551/201143 e 10166.008550/201107 não são processos judiciais, como alegou a impugnante, mas são processos administrativos que têm Arnaldo Córdova Duarte como interessado, conforme serviço de consulta “Comprot” na internet (http://comprot.fazenda.gov.br/egov/ default.asp). Embora a contribuinte alegue que pretendeu compensar débitos tributários com créditos advindos de precatórios, o único documento por ela apresentado foi a referida escritura de cessão e transferência do direito ao crédito. Sabese, agora, que o suposto crédito se referiria a valores em face do INCRA, mas desconhecese por completo qualquer outra informação. E por mais que a impugnante alegue “demora dos Tribunais Pátrios em realizar procedimentos administrativos”, a referida escritura de transferência foi o único documento por ela apresentado. Não foi informado o número do processo judicial, em que Vara Federal e em qual Seção Judiciária transitaram os autos, nem em que data a decisão teria transitado em julgado. Nenhuma comprovação da existência do crédito foi trazida aos autos. Não foram anexadas cópias do inteiro teor da decisão judicial em que o direito creditório foi reconhecido, da homologação, pelo Poder Judiciário, da cessão de direitos de crédito e cópia da homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução. O acima transcrito é relevante para, em conjunto com os demais fatos, permitir a correta avaliação acerca da conduta dolosa da interessada. E os fatos descritos no relatório e comprovados nos autos não podem conduzir a conclusão diversa. Confirase a seqüência dos procedimentos adotados pela interessada: · Protocolizou pedido de restituição no valor de R$ 14 milhões, em unidade do Ministério da Fazenda, fora da Receita Federal, em desacordo com os procedimentos administrativos, informando três diferentes origens para o crédito, sem qualquer detalhamento ou documento comprobatório. · Apresentou PER/DCOMPs indicando tratarse de créditos de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, muito embora em sua DIPJ do período em questão constasse saldo a pagar. Além disso, indicou que os créditos teriam origem no processo administrativo de pedido de restituição, mencionado no item anterior. · Intimada e reintimada a informar a origem do crédito, a apresentar documentos comprobatórios e a sanear seu pedido, não atendeu às intimações. · Somente após ter sido cientificada do presente Auto de Infração fez anexar ao processo Escritura Pública por meio da qual teriam sido cedidos e transferidos por Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 283 17 terceiros à autuada direitos de crédito em face do INCRA. Não há quaisquer outras informações nem documentos comprobatórios da existência desse alegado crédito, seja no âmbito judicial, seja no administrativo. A conclusão é inescapável. A conduta da interessada teve claramente o intuito de mascarar os fatos, trazendo créditos sabidamente inexistentes à compensação, de maneira deliberadamente confusa, de tal forma a dificultar ou impedir a apuração por parte da autoridade administrativa a quem incumbia a análise das compensações. Com isso, pretendia obter a homologação tácita das compensações e consequentemente a extinção dos débitos tributários. Os fatos se amoldam à perfeição ao descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/19641, de ação tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador tributário (em particular sua extinção), de modo a evitar ou diferir seu pagamento. Também não se pode aceitar a alegação de ocorrência de mero erro no procedimento adotado, ausente a máfé. A descrição do Fisco acerca de conduta praticamente idêntica adotada um ano antes (processo nº 13804.001546/201135) e cancelada pelo próprio contribuinte, antes de qualquer providência por parte da Autoridade Fazendária, bem revela que se tratou de “ensaio” do que viria a ser feito, agora de forma definitiva, um ano depois. Caracterizada a falsidade das declarações, tenho por correta a decisão de primeira instância, que manteve o lançamento, e nego provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. Esclareço que não houve recurso (nem impugnação) específica quanto ao agravamento da multa pelo não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, pelo que não me manifesto sobre a matéria. Finalmente, sobre os reclamos da recorrente acerca do caráter confiscatório da multa aplicada, vedado pelo art. 150, IV, da Constituição Federal, bem como os pedidos de aplicação dos princípios da capacidade contributiva, razoabilidade e proporcionalidade, trago à colação o teor da Súmula CARF nº 2, o que dispensa maiores considerações. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 1 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 284 18 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13609.903796/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO..
A homologação de compensação de credito tributário, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, só é possível quando comprovada a certeza e liquidez dos
indébitos fiscais utilizados por ele.Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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HOMOLOGAÇÃO.. A homologação de compensação de credito tributário, efetuada pelo próprio sujeito passivo, só é possível quando comprovada a certeza e liquidez dos indébitos fiscais utilizados por ele.Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 37 96 /2 00 9- 01 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O interessado transmitiu em 11/05/2005 Per/DComp de fls. 66/70, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao período de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 03) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/06/2009 (fl. 60), o contribuinte apresentou, em 15/07/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, com os argumentos a seguir sintetizados, fazendo anexar os documentos de fls. 03/58. Aduz que não há que se falar em “pagamento de débitos indevidamente compensados”, uma vez que a DCTF foi retificada, demonstrando créditos suficientes para a quitação dos débitos cobrados (documentos em anexo). Por fim, requer sejam os débitos revisados e cancelados. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE/MG no 02.29.891, de 06/12/2010, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2004 DCTF retificadora apresentada fora do prazo legal. Compensação indeferida. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de INDEFERIR a solicitação contida na manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório no montante e não homologando a compensação dos débitos declaradas pela empresa. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903796/200901 Acórdão n.º 3802003.334 S3TE02 Fl. 92 3 É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de compensação de débito, nela declarado, com crédito apontado de pagamento a maior de PIS, relativo ao período de 30/06/2004. O despacho decisório aborda sobre o pagamento mencionado no Per/Dcomp (transmitida em 11/05/2005) ter sido já utilizado na quitação de débito de PIS relativo a 30/06/2004. A recorrente argumenta que com a entrega de DCTF retificadora, a mesma traduz o real valor devido de PIS para o período em litígio, proporcionando, dessa maneira, o crédito a ser compensado. Enfim, o despacho decisório não homologou a compensação, tendo em vista que a empresa não dispunha dos indébitos utilizados. Ressaltese que o litígio versa sobre a certeza e liquidez dos indébitos fiscais referentes ao PIS que foram utilizados pela empresa na compensação e não homologada pela Delegacia. A DCTF, na qual, foi retificado o débito de PIS referente ao período de apuração de 30/06/2004 (2º Trimestre de 2004) foi enviada pelo contribuinte apenas em 13/07/2009 e a DCTF ativa (última declaração enviada e processada) foi transmitida em 14/07/2009. Os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Pode ocorrer erro de fato, quando do cálculo na extinção do crédito tributário declarado em DCTF (art. 156 do CTN) que sempre autorizam o acesso à via da repetição do indébito (arts. 165 a 168 do CTN) ou da compensação (art. 170 e 170A do CTN; art. 66 da Lei nº 8383/91; art.74 da Lei 9430/96), no entanto, além da liquidez e certeza do crédito, devem ser observados o rito e o prazo legalmente estabelecidos, pois, não se pode ignorar a preclusão processual, para alteração de DCTF, no caso. No caso sob litígio, verificase que o motivo determinante do indeferimento da compensação ora pleiteada, invocado tanto no Despacho Decisório, como pela decisão de primeira instância, foi a inexistência do suposto crédito contra a Fazenda Pública, bem como a impossibilidade de revisão do suposto erro cometido pela Recorrente na DCTF,; pelo transcurso do prazo decadencial, tal como ressaltado na decisão recorrida, in verbis: Como o PIS se amolda ao chamado lançamento por homologação, aplicase ao presente caso a regra do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), que Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 estabelece o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador para a homologação do lançamento, salvo a comprovação de dolo, fraude ou simulação. O Parecer COSIT nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) Portanto, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer outra prova que demonstre a existência do direito creditório, não pode ser considerada a DCTF retificadora enviada à RFB após cinco anos contados do fato gerador correspondente ao crédito de PIS indicado na declaração de compensação. Destarte, a compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156 do CTN, só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Ilustro, através do acórdão de n° 3402001.611, de 25/01/2012, processo n° 13609.903792/200915, de relatoria de Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça , da mesma empresa, que trata, também, da matéria: PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO DE DCTF ERRO DE FATO PRAZO DECADENCIAL IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. A revisão de lançamento efetuado em DCTF por erro de fato (art. 149 do CTN) deve ser iniciada dentro do prazo decadencial ininterrupto de cinco anos previsto para a homologação do lançamento original (§ 4º do art. 150 do CTN), a partir do qual, o lançamento se torna imutável (arts. 145 e 149 do CTN). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e MP nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação de pedidos que tenham por objeto créditos relativos a lançamentos ainda não e definitivamente homologados, cujo direito à revisão, ainda não se ache extinto pela decadência (§ único do art. 149 do Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903796/200901 Acórdão n.º 3802003.334 S3TE02 Fl. 93 5 CTN), como ocorreu no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira,Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Helder Massaaki Kanamuru (Suplente) e Nayra Bastos Manatta. A Conselheira Silvia de Brito Oliveira apresentará declaração de voto. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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