Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10830.721985/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2008
LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
No entanto, caso o contribuinte não realize comprovação em contrário, a presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96 consolida-se para o caso em discussão.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Tendo em vista a não apresentação de documentação contábil pelo contribuinte no momento oportuno, é procedente o arbitramento do lucro sobre os valores identificados como omissão de receitas.
Numero da decisão: 1302-001.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. No entanto, caso o contribuinte não realize comprovação em contrário, a presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96 consolida-se para o caso em discussão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Tendo em vista a não apresentação de documentação contábil pelo contribuinte no momento oportuno, é procedente o arbitramento do lucro sobre os valores identificados como omissão de receitas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.721985/2013-14
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414824
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.606
nome_arquivo_s : Decisao_10830721985201314.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 10830721985201314_5414824.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5779137
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475542032384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.699 1 1.698 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721985/201314 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.606 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes JANDER MASCARENHAS MARQUES FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Enseja a exclusão do SIMPLES Nacional a ausência da devida escrituração contábil, nos termos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DE FATO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. OCORRÊNCIA. Considerase responsável solidário pelo crédito tributário, compondo o polo passivo da obrigação tributária, o sujeito que, muito embora formalmente não componha o quadro societário da pessoa jurídica contribuinte, exerce de fato a gerência da sociedade, utilizandose de interpostas pessoas de maneira fraudulenta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO PRECISA DOS PROCEDIMENTOS A SEREM REALIZADOS. INEXISTÊNCIA. Em se tratando de mero instrumento de controle administrativo, não há que se exigir a especificação das diligências que poderão ser realizadas pela Autoridade Fiscal em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), ou sequer há que se falar em necessidade de emissão de novo MPF para a realização de cada procedimento investigatório, no âmbito da ação fiscal. SIGILO BANCÁRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 85 /2 01 3- 14 Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é de caráter relativa, ou seja, o contribuinte pode e deve realizar prova em contrário. No entanto, caso o contribuinte não realize comprovação em contrário, a presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96 consolidase para o caso em discussão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Tendo em vista a não apresentação de documentação contábil pelo contribuinte no momento oportuno, é procedente o arbitramento do lucro sobre os valores identificados como omissão de receitas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.700 3 Tratase de recursos de ofício e voluntário. A recorrente foi excluída do SIMPLES NACIONAL em 11/04/2013, por meio do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BEL nº 13, além de, na origem ter sido lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 9.697.192,84), CSLL (R$ 2.930.357,51), PIS (R$ 663.796,45) e COFINS (R$ 3.063.675,85) (fls. 11/54). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório de Ação Fiscal (fls. 55/85): (i) Que a fiscalização se iniciou para verificar a contabilização da movimentação financeira, a regularidade na tributação de receitas, a existência de infrações à Legislação Tributária Federal, assim como a regularidade na entrega da DASN (Declaração Anual do Simples Nacional), tudo referente à pessoa jurídica FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda; (ii) Que a empresa fiscalizada foi intimada a apresentar seus extratos bancários e, diante da falta de apresentação, foram apresentadas às instituições bancárias Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de n.º 08.1.04.002012000036 e n.º 08.1.04.002012000044; (iii) Que foram realizadas diversas intimações e dilatados diversos prazos para apresentação de documentação hábil a desconstituir qualquer infração que pudesse ser averiguada, não tendo a empresa se manifestado, seja por si ou por meio de procurador devidamente constituído; (iv) Que da análise da movimentação financeira da empresa FF Distribuição de Material Publicitário Ltda, combinada à falta de apresentação de documentação hábil e idônea e a entrega de DAS 2009/2008 como inativa (declarando que permaneceu sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial), considerouse o montante de R$ 34.582.190,92 (trinta e quatro milhões quinhentos e oitenta e dois mil cento e noventa reais e noventa e dois centavos) como valores de “ORIGEM NÃO COMPROVADA”, na forma do art. 42, da Lei n.º 9.430/96; (v) Que devidamente intimada diversas vezes para comprovar individualmente a origem dos recursos identificados em sua movimentação financeira, a empresa quedouse inerte; (vi) Que, verificando os extratos bancários, a Fiscalização logrou êxito em identificar a origem de alguns dos valores movimentados nas contas bancárias da empresa; (vii) Que foi elaborada nova planilha demonstrativa das movimentações bancárias, identificando os valores depositados e não identicados, às fls. 86/96 (Anexo ao Relatório de Ação Fiscal); Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (viii) Que as sócias da empresa FF Distribuição de Material Publicitário Ltda, Jarlyne da Silva Melo e Vanessa Rafaeli Pereira Fior, não possuíam, ao tempo das movimentações financeiras realizadas, capacidade econômica compatível com os montantes acima descritos, se tratando de pessoas jovens, que possuíam, de acordo com suas declarações de Imposto de Renda, as cotas da empresa acima identificada (no valor de R$ 10.000,00 – dez mil reais) como únicos bens componentes de seus patrimônios. (ix) Que as cotas da sociedade FF Distribuição de Material Publicitário Ltda foram adquiridas em 06/12/2007, tendo a Jarlyne apresentado como rendimentos no ano de 2007 o valor de R$ 10.462,22 (dez mil quatrocentos e sessenta e dois reais e vinte e dois centavos), enquanto Vanessa não apresentou quaisquer rendimentos, segundo informações constantes das declarações de Imposto de Renda de ambas; (x) Que através de informações obtidas no fluxo da investigação fiscal, constataramse elementos que revelavam que o sócio de fato, e administrador da empresa FF Distribuição de Material Publicitário Ltda, era Jander Mascarenhas Marques, juntamente com seus filhos, Fabrício Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata Marques, por serem, em verdade, os beneficiários das movimentações financeiras realizadas pela empresa autuada; (xi) Que Jarlyne e Vanessa eram, na verdade, “laranjas”, incluídas no quadro societário da empresa autuada por Jander Mascarenhas Marques, em substituição aos seus filhos Fabrício e Fernando, tendo ambas trabalhado na empresa ABV Comércio de Mediamentos Ltda, nos períodos de 02/10/2006 a 30/10/2007 (Jarlyne) e 02/07/2007 a 25/02/2008 (Vanessa), empresa esta que tinha como sócios Jander Mascarenhas Marques e Lívia Salles Annunziata Marques, pai e irmã de Fabrício e Fernando; (xii) Que na época dos fatos a empresa fiscalizada (FF Distribuição) e a ABV Comércio de Medicamentos, tinham o mesmo endereço cadastral; (xiii) Que de acordo com informações prestadas por terceiros e todo o cotejo probatório dos autos, a empresa fiscalizada realizava pagamentos referentes às prestações de serviços e compras de bens tomados/adquiridos pelas pessoas identificadas como seus sócios de fato, os indivíduos Jander, Fabrício e Fernando; (xiv) Que se concluiu pela existência de interposta pessoa de maneira fraudulenta, ou seja, pessoas físicas “emprestaram” seus nomes para a constituição da empresa, tendo colhido elementos suficientes para a formação de conjunto probatório sólido, capaz de formar convicção no sentido da inequívoca intenção do sujeito passivo de praticar o ato delituoso tributário; (xv) Que se considera irregular a dissolução da sociedade ocorrida no caso, vez que persisitiram sem pagamento os créditos tributários, ou seja, não houve o devido adimplemento das obrigações tributárias por parte do seu sujeito passivo, no caso, a FF Distribuição de Material Publicitário Ltda; Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.701 5 (xvi) Que devem ser responsabilizados pelo crédito tributário os sócios com capacidade de gerência, no caso, os sócios de fato, Jander, Fabricio e Fernando; (xvii) Que se procedeu ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica autuada, através de aplicação de alíquota legalmente determinada (art. 1º, Lei n.º 9.430/96, art. 47, III, a, da Lei n.º 8.981/95, arts. 15 e 16 da Lei n.º 9.249/95), com o lançamento feito de acordo com o art. 27 da Lei n.º 9.430/96; (xviii) Que tendo em vista que a empresa autuada se encontrava com a situação cadastral de “BAIXADA” nos sistemas da Receita Federal e na Junta Comercial os lançamentos de ofício foram feitos em nome dos sócios de fato da pessoa jurídica fiscalizada e autuada, tendo em vista a exposição antes realizada; (xix) Que se aplica ao caso a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), por estarem atendidos os requisitos legais ensejadores da aplicaçãod e tal multa. Encerrada a fiscalização, Fabrício Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata tiveram ciência do auto de infração em 20/04/2013 (fls. 100 e 102), e Jander Mascarenhas Marques teve ciência do auto de infração em 07/05/2013 (fls. 98). Na sequência, Fabrício Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata apresentaram suas impugnações em 20/05/2013 (fls. 617/647, 741/770), enquanto Jander Mascarenhas Marques apresentou sua impugnação em 04/06/2013 (fls. 1.195/1.231). A empresa inicialmente fiscalizada, mesmo não cientificada do lançamento, devido a responsabilização integral de seus sócios de fato pela ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, por a terem utilizado como interposta pessoa, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 775/781) apresentando os livros contábeis e se insurgindo contra sua exclusão do SIMPLES e contra o lançamento tributário. Houve o provimento parcial das defesas em primeira instância, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 1.331/1.355): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITA OMITIDA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário (depósito bancário); e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 NULIDADE DE LANÇAMENTO Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não há que se falar em nulidade. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo inicio foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam a nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não constitui causa de nulidade do lançamento a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, mero instrumento gerencial, prescindível à constituição de crédito tributário, restando válido o ato constitutivo do crédito tributário quando efetuado por autoridade legalmente investida de competência para exercêlo, observados os requisitos de validade assentados no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.702 7 DADOS BANCÁRIOS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. NULIDADE. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não é nulo o lançamento quando o responsável não foi intimado no curso da ação Fiscal, pois este tomou conhecimento dos fatos através do A.I. e do Termo que o acompanha. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO – PROVAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. ARBITRAMENTO – APRESENTAÇÃO DE LIVROS NA IMPUGNAÇÃO. Fundado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base na não entrega dos livros contábeis e fiscais obrigatórios, a sua apresentação, na fase litigiosa do processo administrativo, não supre essa deficiência. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 MULTA QUALIFICADA. A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendose como resultado, a efetiva supressão do tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. Artigo 44, inciso II, da Lei 9.430 de 1996. Assunto: Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro decorre da expressa previsão legal, consoante a qual a autoridade tributária, impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real declarado em virtude da não apresentação – total ou parcial – de livros e documentos pela pessoa jurídica regularmente intimada, está legitimada a adotá lo como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2008 Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento decorrente com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido. Intimada da decisão supratranscrita em 14/11/2013 (fls. 1.366 e 1.367), o recorrente Jander Mascarenhas Marques apresentou, então, recurso voluntário em 11/12/2013 (fls. 1.370/1.402), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Em sede de preliminar de nulidade, a invalidade do lançamento em seu desfavor posterior à exclusão da empresa do SIMPLES devido o efeito suspensivo do recebimento de defesa da empresa como manifestação de inconformidade (em face da Exclusão do SIMPLES Nacional), até que esta tome ciência da decisão da DRJ; (ii) A necessidade de análise de documentos apresentados pela empresa autuada nos autos, em especial documentos contábeis, em respeito ao principio da verdade material, assim como a necessidade de reconhecimento da ausência da devida comunicação a empresa autuada sobre a exclusão do SIMPLES, da ausência de mandado de procedimento fiscal tempestivo contra o Recorrente, entre outras nulidades que estariam estampadas nos autos; (iii) Quanto à movimentação financeira, ressalta ser necessária a análise de documentação trazida aos autos pela empresa fiscalizada, para comprovação da origem dos valores movimentados, vez que não se trataria de receita própria da pessoa jurídica fiscalizada, mas sim, recebimentos efetuados por conta e ordem de terceiros; (iv) Quanto à quebra do sigilo bancário, sustentou a inconstitucionalidade da sua realização pela autoridade fazendária; (v) A ausência de MPF específico para a realização de diligências por parte da AFRFB, o que caracterizaria a nulidade das diligências realizadas e que ensejaram os lançamentos efetuados; (vi) No mérito, alegou ausência de provas que qualifiquem o Recorrente como sócio de fato da empresa autuada, sendo tal entendimento emanado pela Fiscalização Tributária em face de elementos probatórios meramente indiciários, gerando um entendimento de presunção por parte do Fisco, além da ausência de requisitos legais autorizadores da responsabilização solidária, no caso concreto; (vii) Quanto à Omissão de Receitas, alegou serem os documentos apresentados hábeis à comprovação da origem dos valores depositados nas contas da empresa autuada, vez que seu faturamento, em verdade, consistiria em pequeno percentual dos depósitos, por se tratar de pessoa jurídica com atividade principal de cobrança de dívidas de terceiros; Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.703 9 (viii) Alegou violação ao princípio da verdade material, aplicável no âmbito do processo administrativo fiscal, vez que a DRJ teria deixado de analisar documentação juntada com a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa fiscalizada, documentação esta que seria, em tese, capaz de comprovar a origem dos depósitos bancários realizados, caracterizando, assim, supressão de instância e cerceamento de defesa; (ix) Quanto ao arbitramento realizado pela AFRFB, argumentou que não foi realizada a devida análise da documentação juntada aos autos, configurando, assim, violação ao principio da verdade material em sua aplicação no âmbito processual administrativo fiscal, e que tal análise teria reduzido qualquer percentual que pudesse ser considerado, eventualmente, como base para aplicação da alíquota de determinação do lucro arbitrado, no caso; (x) Ainda quanto ao arbitramento, alega não ter sido observada a atividade praticada pela empresa ao tempo dos eventos ensejadores da constituição do crédito tributário; (xi) Quanto à multa qualificada, aplicada ao caso, alega não poder ser tal penalidade cobrada de terceiros, no caso, do responsável tributário, além de ser indevido o agravamento do percentual definido, vez que não restariam provados, nos autos, os requisitos fáticos que ensejariam a majoração efetuada pela AFRFB. É o relatório. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. O Recurso de ofício atende o requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço. 1. DO RECURSO DE OFÍCIO 1.1 Da responsabilização solidária de Fabricio Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata Marques A decisão da DRJ deu parcial provimento às impugnações apresentadas apenas para afastar a responsabilidade solidária pela obrigação tributária de Fabricio Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata Marques, pelos seguintes fundamentos (fls. 1.353/1.354): F.2 – DA INDICAÇÃO DO SENHOR FABRÍCIO SALLES ANNUNZIATA MARQUES O Relatório Fiscal registra que a empresa foi alienada para as funcionárias Jarlyne da Silva Melo e Vanessa Rafaeli Pereira Fior, pelos seus sócios Fernando e abrício Salles Anunziatta Marques, em 06/12/2007. Indica o pagamento efetuado pela FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda, em benefício do referido senhor, pelos serviços de blindagem no automóvel Mercedes Benz, 2008/2009, pertencente a empresa Fabrimax Locadora de Veículo Ltda, que tem como sócio administrador o senhor Fabrício no valor total de R$55.000,00, sendoR$33.000,00 pagos pela FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda. Não entendo suficiente este pagamento isolado para caracterizar efetiva gerência e benefícios por parte do Senhor Fabrício Salles Annunziata Marques, durante o anocalendário de 2008. Por consequência, concluo pela procedência da impugnação apresentada, unicamente no que diz respeito a indicação de responsabilidade solidária. F.3 – DA INDICAÇÃO DO SENHOR FERNANDO SALLES ANNUNZIATA MARQUES Como já assinalado, o Relatório Fiscal registra que a empresa foi alienada para as funcionárias Jarlyne da Silva Melo e Vanessa Rafaeli Pereira Fior, pelos seus sócios Fernando e Fabrício Salles Anunziatta Marques, em 06/12/2007. Não existe nos autos qualquer outro registro de participação do referido Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.704 11 senhor na vida empresarial da FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda, no ano calendário de 2008. Por consequência, concluo pela procedência da impugnação apresentada, unicamente no que diz respeito a indicação de responsabilidade solidária. Como bem destacado pela DRJ, temse que a empresa FF Distribuição de Material Publicitário Ltda foi alienada por Fabricio e Fernando para Jarlyne da Silva Melo e Vanessa Rafaeli Pereira Fior, em 06/12/2007. Entretanto, diferentemente do que ocorreu com relação à Jander Mascarenhas Marques, como será melhor tratado no tópico seguinte, no tocante a Fabricio Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata Marques entendo que não restou comprovado que estes efetivamente tinham poderes de gestão sobre a empresa inicialmente fiscalizada e/ou que participavam de alguma forma de sua administração. Ou seja, o mesmo raciocínio aplicado para imputar à Jander Mascarenhas Marques a qualidade de sócio de fato da empresa fiscalizada e responsabilizalo solidariamente pela obrigação tributária ora combatida não pode ser aplicado aos sujeitos acima identificados. Verificase nos autos que, com relação à Jander Mascarenhas Marques, consoante bem destacou a DRJ e constou no TVF (fls. 66/71), a autoridade fiscal comprovou através de circularização em outros contribuintes, que declararam ter recebido valores da empresa fiscalizada, que aquele realizava diversos negócios de vultosas quantias em nome da empresa, caracterizando a gestão empresarial e administração dos recursos advindos da atividade empresarial. Neste sentido assim consignou a DRJ (fls. 1.353): As diligências fiscais demonstram vários pagamentos efetuados pela FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda, em benefício do referido senhor, a saber: aquisição de um helicóptero no valor de R$3.064.302,64, sendo R$628.605,00 pagos pela FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda; aquisição de uma obra de arte no valor de R$30.000,00; serviço de instalação de áudio e vídeo, em uma fazenda em Valinhos, de propriedade do senhor Jander, no valor de R$7.300,00; serviço de dedetização e recuperação de telhado do chalé em Angra, de propriedade do senhor Jander, no valor de R$95.500,00; confecção de uma cômoda para a Sra. Fábia Marques, esposa do senhor Jander, no valor de R$11.250,00; serviços prestados para tratamento e preparação de animais puro sangue inglês, em nome da empresa Agro Pastoril Tibagi Ltda, que tem como um dos sócios o senhor Jander, no valor de R$7.500,00; Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 O impugnante não nega tais operações. Alega que se devem a contraprestação de mútuo. As planilhas citadas nada mais são do que uma relação de valores, sem qualquer suporte documentário. Ou seja, simples alegações destituídas de provas. Quanto a Fabricio Salles Annunziata Marques, ainda que tenha restado demonstrado que foi efetuado pela empresa fiscalizada o pagamento da blindagem de veículo de propriedade de outra empresa da qual era sócio, também tenho para mim que tal elemento por si só não é suficiente, isoladamente, para comprovar a utilização da pessoa jurídica FF Distribuição em seu favor. Ou seja, este mero elemento não é capaz de caracterizar sua qualidade como sócio de fato. O mesmo raciocínio acima explanado pode, ainda, ser aplicado à Fernando Salles Annunziata Marques, como já bem indicou a DRJ de origem, afinal, o conjunto de provas é, quanto a este, inexistente, havendo como único registro de ligação de tal indivíduo com a empresa fiscalizada a sua participação no quadro societário daquela em momento anterior à ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária constituída. Dessa forma, entendo e voto pelo não provimento do recurso de ofício para manter incólume a decisão da DRJ quanto ao afastamento da responsabilidade tributária de Fabricio Salles Annunziata Marques e Fernando Salles Annunziata Marques. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1. Da Exclusão da Empresa Fiscalizada do SIMPLES Nacional Alega o recorrente Jander Mascarenhas Marques ainda estar pendente de julgamento questão relativa à Exclusão da empresa fiscalizada do SIMPLES Nacional, o que caracteriza questão prejudicial ao prosseguimento da análise das demais questões a ele relacionadas. Isto pois, a DRJ recebeu a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa fiscalizada, quanto à sua exclusão do SIMPLES, e tal fato supostamente teria suspenso os efeitos desta exclusão, prejudicando o lançamento realizado em desfavor do recorrente pelo lucro arbitrado. Observo que a empresa FF Distribuição de Material Publicitário Ltda foi excluída do SIMPLES Nacional por não ter apresentado a devida escrituração contábil referente ao período fiscalizado, mesmo reiteradamente intimada para tanto. Como destacado no TVF (fls. 55/85), a empresa fiscalizada foi cientificada em 16/09/2011 sobre o início da ação fiscal e intimada na mesma oportunidade para apresentar sua escrituração contábil e comprovar/justificar sua movimentação bancária. Posteriormente, a recorrente foi reintimada para aqueles mesmo fins em 02/12/2011, 02/02/2012, 29/03/2012, 28/05/2012, 21/06/2012, 04/07/2012, e 07/08/2012, mas permaneceu inerte até que em 06/11/2012 declarou não possuir sua escrituração contábil, como se destaca: (...) os livros fiscais em questão extraviaram se e, infelizmente, o sistema de lançamento fiscal utilizado não permite a sua reconstituição por estar em desuso. Assim sendo, estamos impossibilitados de entregar os livros fiscais, bem como a origem da movimentação bancária. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.705 13 Portanto, diante de tal manifestação da empresa, ensejouse a aplicação do art. 29, VIII, da Lei Complementar n.º 123/2006. Registro também que a empresa fiscalizada já se encontrava na época do procedimento fiscal baixada nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil e na Junta Comercial e, por este motivo, o lançamento de ofício foi corretamente efetuado em nome dos sócios de fato. Assim, cabe ao recorrente, comprovadamente sócio de fato da empresa fiscalizada, como melhor será tratado adiante, se insurgir contra o lançamento tributário, inclusive no tocante à exclusão da empresa do sistema simplificado. Desta maneira, incabível a arguição de prejudicialidade do lançamento realizado contra si, mormente porquanto a exclusão da empresa fiscalizada do SIMPLES está sendo analisada conjuntamente com as demais razões de direito do recorrente, como também foi realizado no julgamento de primeira instância. Em outras palavras, não assiste razão ao recorrente quanto à suposta prejudicialidade do lançamento tributário em seu desfavor, pois não pende de julgamento qualquer questão relativa à Exclusão da empresa fiscalizada do SIMPLES Nacional. Consequentemente, passo a analisar a fundamentação do recorrente quanto à suposta impossibilidade de exclusão da empresa fiscalizada do SIMPLES Nacional, vez que a escrituração contábil desta estaria em consonância com o legalmente necessário. O recorrente alega a princípio que, tendo em vista não ter tido acesso aos documentos contábeis apresentados em sede de impugnação, não lhe foi oportunizado se defender de maneira plena, consoante razões que se destacam abaixo (fls. 1.376): Pretendem ainda, condenar o Recorrente, sem que esse tivesse ao menos tomado conhecimento dos documentos trazidos pela empresa fiscalizada, oportunizandolhe o direito de defenderse plenamente, inclusive podendo manifestarse quanto à documentação apresentada pela empresa fiscalizada. É certo que o Recorrente não teve condições de manejar sua defesa com todos os argumentos necessários, pois os documentos apresentados pela empresa corroboram e complementam a prova pretendida pelo Recorrente e os mesmos não foram considerados e nem mesmo disponibilizados para o Recorrente manifestarse sobre eles. Mais adiante em seu recurso, o recorrente argui de forma generalizada que analisou a documentação apresentada pela empresa fiscalizada, na qual se demonstra que a movimentação financeira apontada pela fiscalização na verdade se trata de receitas de terceiros, nos termos seguintes (fls. 1.378): Da análise da contabilidade da empresa verificase que a movimentação apontada pela fiscalização não constitui receita própria, mas sim, recebimentos efetuados por conta e ordem de terceiros. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Não constituindo aquela movimentação receita própria, e, uma vez demonstrada a efetiva receita da empresa que consistia num percentual daquela movimentação (por se tratar de empresa de cobrança), não pode subsistir o arbitramento efetuado. Observo que, a princípio, ao menos em sede de recurso voluntário, ao contrário do que argui o recorrente, ele teve pleno acesso aos documentos contábeis apresentados pela empresa recorrente, pelo que poderia ter efetivamente demonstrado de maneira individualizada, coincidente em datas e valores, quais as receitas tidas como omitidas não pertenciam à empresa fiscalizada, contudo assim não o fez, preferindo tecer argumentações genéricas. Inobstante a tal observação, temse que durante o procedimento fiscal, conforme já destacado, a empresa fiscalizada foi reiteradamente intimada a apresentar sua escrituração contábil, mas nada apresentou, até que admitiu não possuila mais. Essa foi a razão que motivou sua exclusão do regime simplificado, ou seja, a falta de apresentação de seus livros contábeis que permitisse a identificação de sua movimentação financeira, não cabendo outra ação a ser tomada pela autoridade fazendária senão cumprir a legislação. Neste sentido assim assentou a decisão da DRJ (fls. 1.345/): Para deslinde da questão, há de se evidenciar a descrição constante do Ato Declaratório Executivo nº 13, de 11 de abril de 2013, de fls.08. “Descrição da situação excludente: A empresa declarou como inativa pelo Simples Nacional durante o ano de 2008, mas apresentou movimentação financeira. Não apresentou livro caixa ou escrituração que permita a identificação desta movimentação. Pela leitura do citado ato de exclusão, constatase que não há qualquer referência de que a exclusão teria sido levada a termo sob o fundamento de ter havido baixa irregular ou omissão de receitas por considerar a movimentação financeira como faturamento. Logo, não sendo estes os fundamentos da exclusão tais argumentos não devem ser analisados para deslinde dos motivos da exclusão. A exclusão se deu pelo não atendimento do determinado pelo Art. 29,inciso VIII, verbis: “Art.29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária;” Resta, pois, examinar as alegações de que apresentaram a escrita fiscal e que os efeitos da exclusão não podem retroagir. Quanto ao primeiro argumento, a análise das provas carreadas aos autos demonstram inexistir razão à impugnante. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.706 15 Tomou ciência de inúmeras intimações, solicitou e teve prorrogação de prazo concedido várias vezes, para ao final informar que “os livros fiscais em questão extraviaram se e, infelizmente, o sistema de lançamento fiscal utilizado não permite a sua reconstituição por estar em desuso. Assim sendo, estamos impossibilitados de entregar os livros fiscais, bem como a origem da movimentação bancária.” Ao apresentar sua defesa, no dia 05/06/2013, afirma que em 25/04/2013 o seu representante compareceu na unidade jurisdicionante para apresentação de documentos e consulta ao processo, tendo tomado conhecimento do encerramento da ação fiscal. Assim, nesta data, dia 05/06/2013, quando apresenta sua defesa, afirma apresentar o livro caixa, diário e balanço da sociedade “não apresentados anteriormente em razão de dificuldade de se realizar o levantamento de dados necessários.” Não se pode admitir que depois de regularmente intimada, ter prazo prorrogado, afirmar que é impossível reconstituir a escrituração, a impugnante venha, nesta oportunidade, pretender que se aceite e se examine, em fase litigiosa, os livros obrigatórios que insistentemente se negou a apresentar no curso da ação fiscal. No que diz respeito ao argumento de que os efeitos da exclusão não podem retroagir, há de se registrar que não se trata efetivamente de “retroagir”. Por óbvio, a autoridade administrativa somente pode adotar providências sobre fatos passados. Assim, constatado que houve falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária (art. 29, inciso VIII, da LC 123/2006), a autoridade administrativa deve obedecer a determinação do § 1º do mesmo artigo 29: “Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendários seguintes.” Pelo exposto, a exclusão levada a termo pelo do Ato Declaratório Executivo nº 13, de 11 de abril de 2013, deve ser mantida. Ora, ainda que tenha sido apresentada a suposta escrituração contábil da empresa FF Distribuição de Material Publicitário Ltda em sede de impugnação, entendo que pelas circunstâncias fáticas dos autos esta não se mostra capaz de anular a exclusão desta empresa do SIMPLES. Isto pois, reitero mais uma vez, a empresa teve inúmeras oportunidades para apresentala, tendo sido intimada reiteradamente e recebido prazo para a apresentação por mais de uma vez, e não o fez. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 A recorrente foi intimada para apresentação de sua escrituração contábil em 02/12/2011, 02/02/2012, 29/03/2012, 28/05/2012, 21/06/2012, 04/07/2012, e 07/08/2012, até que em 06/11/2012 declarou que não mais a possuía. Ou seja, teve a empresa fiscalizada exatos 340 dias entre os períodos citados para apresentar sua contabilidade, sem levar em contra o prazo temporal até o encerramento da fiscalização em meados de 2013, mas deixou de fazêlo, arguindo ao final que tinha extraviado sua documentação contábil e estava impossibilitada de reconstituílos. Não havia, portanto, como proceder o AFRFB de outra maneira, porquanto a única informação que possuía, ao tempo da lavratura do Auto de Infração, era que existia a omissão de receitas, e que a escrituração contábil não havia sido apresentada, ensejando, este segundo fato, a exclusão do SIMPLES Nacional, nos termos do art. 29, VIII, da Lei Complementar n.º 123/2006, in albis: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; (...) Verificandose a situação legal autorizadora, aliás, coercitiva, no sentido de que o AFRFB deve excluir o contribuinte do SIMPLES, não há como se utilizar de discricionariedade a autoridade fiscal, devendo seguir o estritamente definido em lei, sob pena de incidir em falta funcional. Não é crível que, após expressamente declarar ter extraviado toda sua escrituração contábil e a inexistência de meios de reconstituíla por não mais existir o sistema no qual lançava sua contabilidade e após a identificação dos lançamentos em suas contas bancárias considerados omissão de receita, apresente contabilidade hábil e idônea de sua atividade, mormente porquanto ausente de qualquer respaldo em documentação que lhe corrobore os lançamentos. Assim, em se encontrando preenchidos os requisitos legais que autorizam a referida exclusão, e não sendo possível, ao tempo da exclusão, exigir da Autoridade Fiscal comportamento diverso, voto no sentido de manter a exclusão da empresa FF Distribuidora de Material Publicitário Ltda do SIMPLES Nacional, com a validação dos atos daí decorrentes. 2.2. Da Inconstitucionalidade da Quebra de Sigilo Fiscal Alega a recorrente ser inconstitucional dispositivo legal que autorize a quebra de sigilo bancário pela autoridade fiscal. Contudo, em que pese todo o arrazoado pela recorrente, é certo que a autoridade fazendária está adstrita à aplicação do comando legal sob pena de responsabilidade funcional. Neste sentir, a Lei Complementar n.º 105/2001, em seu art. 6º, possui o seguinte texto: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.707 17 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A constitucionalidade do dispositivo legal é discutível, sendo inclusive objeto de análise em ADI no Supremo Tribunal Federal, entretanto, até que haja a manifestação definitiva daquele tribunal quanto à matéria, não compete a esse Conselho se manifestar sobre tal desiderato, em respeito ao entendimento já sumulado transcrito abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido, é incabível a análise de constitucionalidade de dispositivo legal, por previsão expressa do art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, senão vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A decisão proferida no RE n.º 389.808/PR, utilizada na argumentação da recorrente, ainda não preenche o requisito da definitividade exigido pelo art. 62A do RICARF (Portaria MF n.º 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre a constitucionalidade do tema, razão pela qual voto pelo desprovimento do recurso neste ponto. 2.3. Da Nulidade da Autuação por Suposta Ausência de MPF Específico Alega o Recorrente que diversas diligências realizadas pela AFRFB não poderiam ter sido feitas, porquanto não foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal (MPFs) específicos para tal, tendo inclusive estendido a fiscalização a terceiros não contemplados no MPF, como o próprio recorrente. Verificase que, em verdade, o AFRFB procedeu a diversos procedimentos no sentido de verificar a ocorrência dos fatos imponíveis que acarretaram na presente autuação, bem como a constatação dos sócios de fato da empresa fiscalizada, tais como a solicitação de extratos de movimentação bancária, o envio de correspondências à diversas outras empresas (circularizações pelas quais verificou que a empresa fiscalizada efetuava pagamentos de despesas pessoais de Jander e sua família), além de ter comparecido à residência das duas sócias formais da empresa fiscalizada e coletado depoimento de determinado contador, tudo consoante consta no TVF. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 A realização destas diligências demonstra, tão somente, o cuidado que teve a AFRFB em verificar com exatidão os fatos para que elaborasse sua convicção com base na maior quantidade de dados possível. Inexiste a necessidade de emissão de MPF específico para a realização de cada diligência que se verifica nos autos, sendo dever do Fisco apurar os fatos para aplicar a legislação tributária. Ademais, não se ignora a necessidade e importância da emissão do MPF para início do procedimento fiscal junto ao contribuinte. Contudo, os MPFs são instrumentos de controle da própria administração fazendária, sendo utilizado para que se determine, em especial, elementos relacionados à espontaneidade do contribuinte, mas não necessariamente vinculam a atividade dos agentes fiscais que, como já dito, devem se ater aos ditames legais no exercício de suas funções. Neste sentido é o recente entendimento deste Conselho: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FUNÇÃO E EFEITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O MPF é instrumento de controle da própria Receita Federal do Brasil em relação à atividade de fiscalização, proporcionando transparência e segurança ao contribuinte. A relevância do objeto e do momento do início da fiscalização, constantes no MPF, são importantes para determinar a espontaneidade do contribuinte, mas não apresentam qualquer implicação em relação à validade do auto de infração. É indiferente para a validade do lançamento o fato de o procedimento de fiscalização tratarse de um desdobramento de outra fiscalização, ou mesmo do primeiro MPF ter sido intitulado de Complementar ou da data em que houve sua ciência. (...) (CARF. Acórdão 3403 003.408. Rel. ALEXANDRE KERN. Sessão em 12/11/2014) (grifo não original). Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário também neste quesito, mantendose como válidos os procedimentos levados a cabo pela Autoridade Fiscal responsável. 2.4. Da Responsabilização do Sócio de Fato Sustenta o Recorrente que não pode ser responsabilizado pelo crédito tributário constituído nos autos, porquanto não restaria caracterizada a sua qualidade de sócio de fato da empresa fiscalizada, pois não estaria demonstrado qualquer “interesse comum” entre a sociedade empresária autuada/fiscalizada, e o sujeito responsabilizado nos autos. Contudo, a sujeição passiva do sócio de fato é legítima, porquanto o conjunto probatório constante dos autos demonstra inúmeras situações caracterizadoras de um exercício de gerência da sociedade, por parte do Recorrente, como a ocorrência de transferências de numerários para as contas correntes da empresa autuada, bem como o pagamento pela FF Distribuição de Material Publicitário Ltda de dívidas contraídas pela pessoa física. O que resta a ser discutido aqui é mais uma questão probatória que de direito, especificamente, ou seja, cabe aqui avaliar se as provas trazidas aos autos são capazes de desconstituir a cognição já formulada pela Autoridade Fiscal quando da lavratura do Auto de Infração, resultante, repisase, da realização de diversos procedimentos de cunho investigatório. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.708 19 Verificase às fls. 536/572; 575/581; 585/586; 589/590; 593/596 e 599, que a empresa autuada realizou o pagamento de diversas despesas pessoais de Jander Mascarenhas Marques e, ainda que sustente o recorrente que tais despesas decorreriam de contratos de mútuo celebrados entre ele e a empresa FF Distribuição, não há provas conclusivas nos autos de que tais negócios jurídicos tenham efetivamente ocorrido. Ademais, ressaltase ainda que a empresa fiscalizada já funcionou no endereço de pessoa jurídica que possui como sócio Jander Mascarenhas Marques, já teve em seu quadro societário dois de seus filhos, e posteriormente duas de suas funcionárias, ou ex funcionárias, situações que, caso por si só já não servissem para indicações da existência da sociedade de fato, em conjunto com as provas citadas acima, tornamse verdadeira a existência de tal condição. Outrossim, ao contrário do que se quer fazer crer o recorrente, sua responsabilização como sócio de fato da empresa fiscalizada se deu também com fulcro no art. 135, III, do CTN, como se verifica do TVF (fls. 78), o qual é plenamente aplicável ao presente caso ante a utilização de interpostas pessoas. Neste sentido é a jurisprudência deste Conselho, segundo se destaca da ementa: RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. (...) No caso apresentado, verificandose que o Sr. Alberto Muciolo teria agido de forma dolosa, fazendo incluir como sócios pessoas completamente alheias e desvinculadas da atuação empresarial, com o objetivo exclusivo de escudarse de eventuais responsabilidades, é reconhecida a sua pessoal responsabilidade pelos créditos tributários apontados (Art. 135, inciso III do CTN), afastandoa, entretanto, em relação a todos os demais. (CARF. Acórdão 1301001.375. Rel. CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Julgamento em 05/12/2013) (grifo não original). Ora, no caso em análise, tenho para mim que o Recorrente utilizouse de várias situações, tais como constante alteração societária da empresa ou de seu endereço, curta duração da empresa, parentesco ou relacionamento próximo dos sócios, tudo de modo a dificultar a identificação dos reais componentes da sociedade empresária fiscalizada. Contudo, o conjunto probatório formulado nos autos e a análise efetuada pela AFRFB levam, indubitavelmente, a se concluir que era Jander Mascarenhas Marques sócio de fato da sociedade empresária FF Distribuição de Material Publicitário Ltda. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a responsabilização tributária do sócio de fato. 2.5. Da Omissão de Receitas Alega o recorrente que não ocorreu omissão de receitas, sendo suficiente a documentação juntada aos autos para a comprovação da origem dos montantes financeiros que circularam pelas contas bancárias da empresa. Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 Contudo, não merece prosperar tal alegação, porquanto a omissão de receitas, neste caso, é decorrência de presunção legal, estampada no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, in albis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifo não original) Ora, a documentação apresentada (fls. 834/1.193) por si só não é hábil e idônea para justificar a origem dos depósitos bancários verificados em suas contas correntes, ainda mais por ter sido apresentada apenas após a identificação dos lançamentos em suas contas bancárias considerados omissão de receita e, principalmente, frisase, sem estar acompanhada de qualquer documentação probatória que comprove a veracidade dos lançamentos ali verificados. Lembro que a recorrente, durante o procedimento fiscalizatório, declarou expressamente que sua escrituração contábil tinha se perdido e o sistema que utilizava não mais existia para reconstituíla, pelo tempo em que foi apresentada. Destacase, ainda, que com relação à suposta transação de mútuo realizado entre Jander e a empresa FF Distribuição, muito embora possa se verificar que os valores coincidem em datas em valores, não há qualquer tipo de comprovação mais profunda e verossímil que possa corroborar suas alegações, como a apresentação de documentação específica, relativa à realização de tais transações, a declaração pelas pessoas física e jurídica dos empréstimos, ou qualquer outra que pudesse respaldalo, limitandose o recorrente a dizer que o fez, sem comprovar. Não é comum que uma pessoa física, supostamente sem qualquer interesse na empresa fiscalizada, a ela faça empréstimos sem qualquer documentação, ou seja, que simplesmente entregue dinheiro a empresa pertencente a terceiros, sem qualquer formalização que tornasse exigível o recebimento da quantia em momento posterior. Outrossim, a planilha elaborada pela AFRFB, anexa ao Relatório de Ação Fiscal (fls.86/96), demonstra com exatidão os valores dos depósitos de origem desconhecida, realizados nas contas bancárias da empresa FF Distribuição, ensejando, como não poderia deixar de ser, pela própria dicção legal, que se considerasse como perfeitamente existente a omissão de receitas, no caso. Ocorreram diversas intimações e concessões de prazo para a apresentação de documentos que comprovassem a inocorrência de omissão de receitas, mas em momento algum, durante as dilações de prazo concedidas, e em atendimento às intimações emitidas, veio a empresa autuada apresentar qualquer documentação capaz de desconstituir, senão integral, parcialmente, o Auto de Infração. Nem mesmo o recorrente, em sede de seu recurso voluntário, se incumbiu de comprovar/justificar a origem dos recursos que ingressaram nas contas correntes da empresa fiscalizada, referindose apenas ao livro contábil apresentado em sede de impugnação pela empresa, o qual, como já esclareceu, não encontra respaldo em qualquer documentação probatória da veracidade de seus lançamentos, bem como não se demonstra documento hábil e idôneo a representar a real contabilidade da empresa. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.709 21 Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto para manter incólume o lançamento tributário por presunção legal de omissão de receitas. 2.6. Da Regularidade no Arbitramento do Lucro Alega o Recorrente que o Acórdão não atendeu à primazia da verdade material no âmbito do processo administrativo fiscal, vez que não teria sido realizada a análise de documentação contábil acostada pela empresa fiscalizada (fls. 792/1.193) em sede de impugnação. Contudo, a apresentação da referida documentação se deu tardiamente, não havendo como se falar em possibilidade da sua análise. Cabe aqui reproduzir Súmula deste Conselho Administrativo, que aduz o seguinte: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Ora, resta claro que existe o momento oportuno para a apresentação da escrituração contábil, no âmbito do processo administrativo fiscal, e que é naquele momento exato que a Autoridade Fiscal irá realizar o exame de toda a documentação disponível para, ao fim, verificar a ocorrência de eventuais infrações à legislação tributária e lavrar Auto de Infração, se cabível. No caso, como já insistentemente demonstrado, ocorreram diversas intimações da empresa fiscalizada para que apresentasse sua escrituração contábil, bem como documentação hábil e idônea, capaz de desconstituir a presunção formulada em torno das omissões de receitas decorrentes da análise dos extratos bancários, o que não ocorreu em momento anterior à lavratura do Auto de Infração. Portanto, há de manter o arbitramento do lucro da empresa fiscalizada no presente caso. Outrossim, alega o recorrente que o arbitramento foi irregular porquanto não se levou em consideração a natureza das atividades realizadas pela empresa autuada (cobrança), assim como não teriam sido analisados os documentos componentes da sua contabilidade, o que teria aumentado em demasia o valor resultante do crédito tributário. Contudo, não merecem prosperar tais argumentações, porquanto a AFRFB agiu corretamente ao arbitrar o lucro da recorrente ante a declaração de inexistência de sua escrituração contábil no procedimento fiscalizatório. Vale aqui reproduzir, mais uma vez, que a empresa fiscalizada em 06/11/2012 declarou não possuir sua escrituração contábil, como se destaca: (...) os livros fiscais em questão extraviaram se e, infelizmente, o sistema de lançamento fiscal utilizado não permite a sua reconstituição por estar em desuso. Assim sendo, estamos impossibilitados de entregar os livros fiscais, bem como a origem da movimentação bancária. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Veja que a autoridade fiscal fundamentou o arbitramento do lucro da empresa fiscalizada, segundo narra no TVF (fls. 80), no art. 47, III, da Lei 8981/95, in verbis: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; Ora, ante a situação fática dos autos, não havia opção ao AFRFB senão proceder ao arbitramento do lucro da empresa fiscalizada com base nas informações que possuía no momento de sua atuação, ou seja, quando das investigações para formulação do Auto de Infração. Cumpre aqui observar o teor do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter o arbitramento do lucro realizado nos autos. 2.7. Da Multa Qualificada Alega o Recorrente que não se pode manter a multa aplicada sobre a infração tributária apurada, porquanto a penalidade não poderia ser aplicada a quem não lhe deu causa. Além disso, de forma subsidiária, argumenta que ser incabível a qualificação da multa aplicada ao caso, porquanto tratase de mera hipótese de omissão de receitas, inexistindo comprovação de dolo que assim justificasse. O AFRFB fundamentou a aplicação da multa qualificada nestes autos segundo a combinação do art. 44, caput, I, e seu §1º, da Lei n.º 9.430/96, in albis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Possuem as seguintes redações os artigos acima referidos: Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.721985/201314 Acórdão n.º 1302001.606 S1C3T2 Fl. 1.710 23 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entendo que se verifica nestes autos, diante do todo já exposto, a comprovação da utilização de interpostas pessoas a fim de ocultar ou retardar o conhecimento de fato gerador, ou seja, restou evidente o intuito fraudulento. Destaco que, além de a empresa deixar de realizar a apresentação de sua escrita contábil, ainda foram utilizados diversos artifícios buscando alterar, ou ao menos esconder, a verdadeira identidade do sujeito que exercia a efetiva gerência da sociedade empresária autuada, ou seja, a pessoa de Jander Mascarenhas Marques. Assim sendo, voto no sentido de manter a multa qualificada no montante de 150% (cento e cinquenta por cento). 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário interpostos para manter incólume a decisão da DRJ e, por consequência, manter os créditos tributários lançados em desfavor do contribuinte recorrente, bem como manter a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721232/2014-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2014
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE.
Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989/95 quando não comprovado o atendimento as hipóteses nas quais poderiam se enquadrar os destinatários do benefício fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2014 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE. Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989/95 quando não comprovado o atendimento as hipóteses nas quais poderiam se enquadrar os destinatários do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.721232/2014-71
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414183
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.746
nome_arquivo_s : Decisao_10840721232201471.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10840721232201471_5414183.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5778496
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475550420992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 60 1 59 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.721232/201471 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.746 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria ISENÇÃO IPI Recorrente MARIA MENDES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2014 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE. Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989/95 quando não comprovado o atendimento as hipóteses nas quais poderiam se enquadrar os destinatários do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 12 32 /2 01 4- 71 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.721232/201471 Acórdão n.º 3801004.746 S3TE01 Fl. 61 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A pessoa física em epígrafe, por seu representante, pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência mental, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 17/18 a Superintendência Regional da RFB 8ª Região Fiscal indeferiu o pedido diante da constatação de que, para ter beneficio de isenção de IPI, a deficiência mental severa/grave deve ter se manifestado antes dos 18 anos de idade. Regularmente cientificada da decisão (fl. 19), foi interposta manifestação de inconformidade (fls. 21/22), por meio da qual aduziu inconstitucionalidade do tratamento desigual da norma que confronta os direitos fundamentais expressos em vários incisos do art.5º da Constituição Federal. Acrescentou que a portaria que fundamenta a negativa do pedido foi alterada pela Instrução Normativa (IN) RFB nº 988, de 22 de dezembro de 2009, art. 2º. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE MENTAL. MANIFESTAÇÃO. O benefício da isenção do IPI na aquisição de veículo por portador de deficiência mental só alcança aquele que, segundo atestado em laudo médico que atende os requisitos normativos, apresente a deficiência nos níveis severo/grave ou profundo, manifestada antes dos 18 anos de idade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.721232/201471 Acórdão n.º 3801004.746 S3TE01 Fl. 62 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida às pessoas portadoras de deficiência para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003); (...) § 4o A Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor e o Ministério da Saúde definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação delas. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.721232/201471 Acórdão n.º 3801004.746 S3TE01 Fl. 63 4 A Portarial Inteministerial SEDH/MS nº 2, de 21 de novembro de 2003, por sua vez, definiu, no art. 4o, III, o conceito de deficiência mental: “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos 18 (dezoito) anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas” (grifei). No caso, o legislador cuidou de elencar, taxativamente, os destinatários do benefício fiscal, o que inviabiliza uma interpretação ampliativa ou mesmo analógica da norma com base em critério subjetivo de justiça do julgador, devendose fazer a interpretação literal da norma em comento, conforme determina o art. 111, II, CTN. Segundo critérios previstos no ato normativo, o início do transtorno definido como Deficiência Mental, seja nos níveis severo/grave ou profundo, deve ocorrer antes dos 18 anos para que possa haver o enquadramento nas hipóteses previstas para os destinatários do benefício fiscal. Pelo Laudo de Avaliação de Deficiência Mental (Severa ou Profunda), à fl. 03, que se trata do Anexo X da Instrução Normativa RFB nº 1.369/2013, assinado por dois médicos, assinalado “deficiência mental severa/grave”, descrição resumida da deficiência “Sequela de Quadro Demência/pós AVC” e demais documentos juntados aos autos, inferemse que a patologia que apresenta a requerente manifestouse na fase adulta, o que não foi contestado, não atendendo aos critérios previstos no ato normativo para balizar o transtorno definido como Deficiência Mental severa ou profunda, . A alegação de que a IN RFB nº 988, de 2009 teria alterado essa definição não procede pois a expressão “ainda que menores de 18 (dezoito) anos” que consta no seu art. 2º referese a idade da pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autista quando da aquisição, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, de automóvel de passageiros com isenção do IPI e não a idade máxima que o ato normativo prevê para o início da ocorrência do transtorno definido como Deficiência Mental. No mais, o § 2 º do art. 2º da retro citada norma prevê que a condição de pessoa portadora de deficiência mental severa ou profunda, ou a condição de autista, será atestada conforme critérios e requisitos definidos pela Portaria Interministerial SEDH/MS n º 2, de 2003. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.721232/201471 Acórdão n.º 3801004.746 S3TE01 Fl. 64 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018967/2009-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO.
Para o produtor rural pessoa jurídica, aplica-se a substituição das contribuição previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Numero da decisão: 2403-002.646
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício do lançamento. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Daniele Souto Rodrigues na base de cálculo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO. Para o produtor rural pessoa jurídica, aplica-se a substituição das contribuição previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15504.018967/2009-91
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414998
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.646
nome_arquivo_s : Decisao_15504018967200991.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15504018967200991_5414998.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício do lançamento. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Daniele Souto Rodrigues na base de cálculo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5779311
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475591315456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018967/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.646 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente AVIÁRIO SANTO ANTONIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO. Para o produtor rural pessoa jurídica, aplicase a substituição das contribuição previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 89 67 /2 00 9- 91 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício do lançamento. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Daniele Souto Rodrigues na base de cálculo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018967/200991 Acórdão n.º 2403002.646 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0228.436 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. AGROINDÚSTRIA. CONCEITO. Conceituase agroindústria como o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. O contribuinte tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Desnecessária a perícia, devendo ser indeferida, quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador e não restar comprovada a necessidade de conhecimento técnico específico para os questionamentos apresentados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra AVIÁRIO SANTO ANTONIO LTDA, CNPJ 17.425.646/000113, no montante de R$809.648,27 (Oitocentos e nove mil, seiscentos e quarenta e oito reais e vinte e sete centavos), relativo às Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 competências compreendidas entre 01/2006 a 13/2006, com valor consolidado em 30 de novembro de 2009. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração AI (fls. 21/25), o lançamento referese aos valores descontados das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. Argumenta a autoridade fiscal que o crédito tributário foi constituído por meio do seguinte levantamento: a) Zl Transf do levantamento FP Folha de Pagamento, competências, 01/2006 a 13/2006, referente às remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Sinaliza que não houve caracterização de crime de apropriação indébita porque há recolhimentos e o motivo deste lançamento foi o recolhimento em FPAS diferente ao do enquadramento correto da empresa.. Registra que a apuração do crédito tributário foi realizada por meio das informações das folhas de pagamento e dos lançamentos contábeis do razão contidos nos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte. Aduz que o contribuinte se autoenquadrou como agroindústria, sob a alegação de que industrializava tanto os produtos rurais por ela produzidos quanto os adquiridos de terceiros. Informa que, ao analisar os lançamentos contábeis do contribuinte, constatou a presença de transações que não eram de venda de produto rural, mas simples envio para outras empresas. Assinala que os ovos produto rural eram industrializados em outras empresas e retornava ao contribuinte para a comercialização sob a fornia de pó. Argumenta que, para fins da legislação previdenciária, se considera agroindústria aquele que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural. Afirma que o contribuinte efetuou os seguintes recolhimentos previdenciários no ano de 2006: a) FPAS 787, com base na folha de pagamento de salários, para os segurados envolvidos na produção rural; b) FPAS 507, com base na folha de pagamento de salários, para os segurados que prestavam serviços nos escritórios. Pontua que o contribuinte não efetuava o recolhimento de contribuições sociais sobre os valores da comercialização da produção rural própria, conquanto, no que se refere às aquisições de produto rural de pessoa física, realizava corretamente os recolhimentos das contribuições no código 2607 da GPS. Atesta que o contribuinte não poderia se autoenquadrar como agroindústria em 2006 por não possuir setor industrial e, por corolário, não poderia recolher as contribuições sociais Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018967/200991 Acórdão n.º 2403002.646 S2C4T3 Fl. 4 5 previdenciárias e as devidas a outras entidades ou fundos com base nas folhas de pagamento dos segurados a seu serviço. Conclui que o correto enquadramento do sujeito passivo, por se tratar de produtor rural pessoa jurídica, deve observar o seguinte enunciado: a) FPAS 604 I) contribuição a cargo do contribuinte sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais (20%); II) contribuição devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, até o limite máximo do saláriodecontribuição, a ser descontada e recolhida pelo sujeito passivo; III) contribuição devida a outras entidades ou fundos Salário Educação (2,5%) e Incra (0,2%); b) FPAS 744 I) contribuição a cargo do contribuinte sobre a receita bruta da comercialização da produção rural (2,5% patronal; 0,1% Sat); II) contribuição devida a outras entidades ou fundos Senar (0,25%). Na planilha denominada "Safis Comparativo de Multas", fls. 58, encontrase demonstrado o emprego da multa mais benéfica. A fundamentação legal do débito está disposta no relatório FLD, fls. 13/14. A ação fiscal foi precedida do Mandado do Procedimento Fiscal MPF n° 0610100.2009.01290. A documentação para auditoria foi solicitada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 26/27. O sujeito passivo foi cientificado do presente Auto de Infração em 01 de dezembro de 2009, conforme assinatura aposta em fls. 01. Os representantes do contribuinte, conforme procuração em fls 75, apresentaram defesa em 29/12/2009, fls. 63/74, alegando, em síntese, que: PRELIMINAR DE CONEXÃO E DE REUNIÃO DOS PROCESSOS Existe conexão entre este processo e o processo principal, derivado do AI Debcad n° 37.217.4035, no qual já estão anexadas as cópias das alterações contratuais e no qual serão produzidas as provas; Para evitar decisões divergentes e para simplificar a instrução destes processos, evitandose o carreamento de inúmeros documentos e também para a produção de uma única perícia, a impugnante requer sejam reunidos os processos, para uma só instrução e uma só decisão administrativa. CLASSIFICAÇÃO EXCEPCIONAL DAS EMPRESAS DA AVICULTURA Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 há um equívoco na conclusão do relatório da fiscalização, que contraria norma expressa do § 4º do art. 22A da Lei n° 8.212/91, redação acrescentada pela Lei n° 10.256/01, bem como da IN MPS/SRP n° 03/05, a qual estabelece enquadramentos e FPAS específicos para a agroindústria da avicultura; o produtor rural que se dedica à atividade da avicultura é sempre classificado como agroindústria e deve recolher as suas contribuições sociais previdenciárias sobre a folha de pagamento dos seus empregados ou trabalhadores autônomos a seu serviço e não sobre a receita bruta oriunda da comercialização da sua produção rural; as pessoas jurídicas do ramo da avicultura possuem e desenvolvem várias fases de industrialização rudimentar; A INDUSTRIALIZAÇÃO DO OVO EM PÓ o auto de infração concluiu que a impugnante não poderia ser enquadrada como agroindústria pelo fato de ter remetido à industrialização, a ser feita por uma terceira empresa industrial, parte da sua produção para transformála em ovo em pó ou ovo desidratado. Este entendimento contém vários equívocos; não se trata de remessa de produto rural ovo "in natura". Tratase de remessa de um produto que já se submeteu a processos de industrialização rudimentar no estabelecimento da própria impugnante, qual seja: o ovo integral pasteurizado resfriado; ao pasteurizar e resfriar os ovos já se classifica como agroindústria; o ovo pasteurizado e resfriado já não é mais produto rural in natura, mas produto que sofreu processo de industrialização rudimentar; o produto continua na sua propriedade e não é transferido a terceiros, tanto que a operação não sofre incidência de ICMS ou qualquer outra tributação; A IMPUGNANTE AVICULTURA É UMA AGROINDÚSTRIA DO RAMO DA AVICULTURA a impugnante é indubitavelmente uma agroindústria, do ramo da avicultura, que cria e produz galinhas, codornas, ovos, ração e outros produtos, sendo, alguns deles, submetidos a diversas fases de industrialização, tais como: separar a clara e a gema do ovo, pasteurizar e resfriar o ovo, classificálo e promover sua embalagem; a empresa se utiliza de vários equipamentos e máquinas, inclusive para industrializar o milho para fabricar ração destinada à alimentação de suas galinhas ou codornas. A ração é produzida para o próprio consumo e não para comercialização terceiros; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018967/200991 Acórdão n.º 2403002.646 S2C4T3 Fl. 5 7 A IMPUGNANTE SE ENQUADROU E RECOLHEU CORRETAMENTE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS a impugnante estava enquadrada e efetuou os recolhimentos, tempestivamente, à previdência social de acordo com os FPAS 507 e 787, conforme documentos em anexo; além das cópias das GPS, junta também as cópias dos protocolos de envio de arquivos de conectividade social;. MULTA DE OFÍCIO E OS JUROS EXIGIDOS por ter recolhido, tempestivamente, as contribuições devidas à Previdência Social relativas ao exercício 2006, como agroindústria da avicultura, a impugnante nada deve à Previdência Social a este título e, conseqüentemente, improcedente é a exigência de juros e multa de ofício; RECOLHIMENTO A MAIOR E O DIREITO À COMPENSAÇÃO E À REPETIÇÃO DO INDÉBITO a prevalecer o entendimento acolhido e defendido pela Fiscalização, é de se ver e de se constatar que a impugnante efetuou recolhimentos a maior e todos dentro do prazo legal; haveria, pois, uma diferença a favor da impugnante no importe de R$289.477,97; tratarseia, pois, de recolhimento indevido e a maior, o qual a impugnante tem o direito de compensar com o que lhe está sendo exigido e de repetir o que exceder, mediante devolução em espécie ou crédito para compensação com parcelas futuras do mesmo tributo; este auto de infração, bem como os AI de nºs 37.217.404 e 37.217.405, deverão ser apensados e reunidos ao principal, por conexão e para uma única instrução das impugnações; DAS PROVAS a impugnante traz ao processo cópias de notícias e informações que confirmam que a empresa como agroindústria da avicultura; requer, outrossim, a produção de prova pericial para melhor detalhar os recolhimentos efetuados, indicando o assistente técnico e sua qualificação; QUESITOS apresenta dois quesitos e protesta pela apresentação de quesitos suplementares; CONCLUSÃO a impugnante espera e requer o acolhimento de sua defesa e o cancelamento do Auto de Infração. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decisão contrária à Lei 8.212/91 (artigos 22 e 22A), dispositivos legais do lançamento por homologação e direito à compensação. · Fisco não poderia ignorar os pagamentos feitos. · Quer seja enquadrada como agroindústria, quer como produtor rural pessoa jurídica, deveria recolher as contribuições sobre a remuneração dos segurados e não sobre a receita da comercialização da produção própria. · Direito à compensação e repetição do indébito. · Juros de mora e multa de ofício. · Perícia para apurar o saldo devedor e o saldo credor. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018967/200991 Acórdão n.º 2403002.646 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO Entendo que, para solucionar este litígio, o ponto central a ser esclarecido é se a recorrente deve ser tributada com base na remuneração dos segurados (folha) ou sobre a receita bruta da comercialização da produção própria (observo que em caso de tributação sobre a receita da comercialização, os contribuintes individuais são tributados com base nas suas remunerações). Entendo que ficou claro na decisão de primeira instância que e recorrente, por definição legal (artigo 22 – A , da Lei 8.212/91), é produtor rural pessoa jurídica e não agroindústria. Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). A Lei 8870/94, na redação dada pela Lei 10.256/2001 estabelece, para produtor rural pessoa jurídica, a substituição da contribuição incidente sobre a folha por contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,passa a ser a seguinte:(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Portanto, entendo correto o procedimento do fisco de efetuar o lançamento com base na receita bruta da comercialização da produção. Também observo correta a tributação dos contribuintes individuais. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO Acerca do possível direito á compensação ou restituição dos recolhimentos efetuados, entendo ser objeto estranho a este processo (a questão deve ser tratada noutro processo, que analisará a questão). Por essa razão, entendo não ser necessário, nem adequado, neste processo, efetuar perícia acerca de possível saldo credor ou devedor, decorrente do direito creditório do contribuinte. Simplesmente para registro, observo que a Lei 8.212/91 estabelece o direito de compensar ou restituir pagamentos indevidos. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. JUROS Para os juros, a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, estabelece que as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.018967/200991 Acórdão n.º 2403002.646 S2C4T3 Fl. 7 11 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da multa de ofício do lançamento. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004527/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. NULIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o Aviso de Recebimento (A.R.) seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício e Relator.
Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. NULIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o Aviso de Recebimento (A.R.) seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004527/2009-88
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403494
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.850
nome_arquivo_s : Decisao_19515004527200988.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515004527200988_5403494.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício e Relator. Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5743532
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475596558336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2031; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.595 1 1.594 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004527/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.850 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de novembro de 2014 Matéria IRPF Depósitos Bancários Recorrente AIRTON FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. NULIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário do contribuinte, não sendo necessário que o Aviso de Recebimento (A.R.) seja assinado pessoalmente pelo sujeito passivo. O domicílio tributário, para fins de intimação por via postal, é aquele fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 27 /2 00 9- 88 Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício e Relator. Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Relatório Foi lavrado Auto de Infração em face de AIRTON FONSECA (fls. 1220 a 1223), para formalização de exigência de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, totalizando R$ 10.611.786,75, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2009, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Por sintetizar bem os fatos até a decisão de primeira instância, adoto o relatório do acórdão da Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), conforme abaixo: Tratase de Auto de Infração (fls. 1.220/1.225) referente ao anocalendáriode 2006, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 10.611.786,75, sendoR$ 5.265.088,94 de imposto de renda; R$ 3.948.816,70 de multa proporcional; e R$ 1.397.881,11 de juros de mora (calculados até 30/09/2009). Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.216/1219, em Cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, procedeu a autoridade fiscal fiscalização do Imposto de Renda relativo ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. Todavia, a contribuinte invocou durante a ação fiscal e em sua defesa conflito com as decisões proferidas em Mandado de Segurança e nos seus respectivos incidentes. Consta que as informações do contribuinte constante dos sistemas informatizados da Receita Federal revelaram movimentação financeira, em tese, incompatível com os rendimentos declarados, pois foram movimentados R$ 11.731.782,50 (movimentação sujeita à incidência da CPMF) e declarados rendimentos totais de R$ 26.226,67. Diante de tais informações, o contribuinte foi interpelado a apresentar extratos das contas bancárias que deram origem à citada movimentação financeira e a documentar a origem dos recursos creditados nestas contas. A intimação foi encaminhado para o endereço da Rua Buarque de Carvalho, sendo recepcionada com Aviso de Recebimento. Posteriormente, a correspondência, já aberta, foi devolvida com declaração de Rodrigo Correa Nasario da Silva de que seria ele o morador do endereço para o qual a intimação foi encaminhada. Por tal razão, a ciência foi procedida por Edital. Diante do silencia do intimado, após o prazo fixado e considerandose oacesso às informações acerca da aludida movimentação financeira indispensável à continuidadedo procedimento fiscal, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.004527/200988 Acórdão n.º 2202002.850 S2C2T2 Fl. 1.596 3 n° 105/200, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, a Delegada, por solicitação da autoridade fiscal, emitiu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira aos bancos em que o contribuinte mantinha movimentação bancária. Tais Requisições foram atendidas, possibilitandose o prosseguimento da apuração. A fim de apurar eventual omissão de rendimentos com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e para subsidiar a resposta do contribuinte, a autoridade fiscal individualizou os valores creditados, expurgando créditos decorrentes de estornos de lançamentos, de transferências entre contas tituladas pelo fiscalizado e de resgates de aplicação financeira. Após tal procedimento, foi o contribuinte novamente intimado para que tomasse conhecimento dos créditos individualizados, que foram apresentados em planilha própria, conforme determina o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72. Novamente foi remetida correspondência em envelope lacrado ao endereço cadastral do contribuinte, posto que este não promoveu qualquer alteração perante o Cadastro de Pessoas Físicas. A recepção foi novamente confirmada. Posteriormente, da mesma forma, a correspondência foi aberta e devolvida pela mesma pessoa, que reiterou a informação anterior. Diante de tal fato, novamente procedeuse à intimação por edital. Em seqüência, a autoridade fiscal elaborou Notificação Extrajudicial para que referido morador fosse cientificado de que a inviolabilidade de correspondência está garantida no inciso XII do artigo 5 o da CF e que sua conduta configurou, em tese, violação de correspondência, tipificada no art. 151 do Código Penal Brasileiro. Ressaltou que a utilização e divulgação das informações contidas nas aludidas correspondências estão sujeitas a outras sanções penais e civis. Aduziu o suposto morador que, diante de sua condição de trabalho, saindo de madrugada e retornando à noite, sua auxiliar doméstica tem autorização para abrir as correspondências e comunicálo das que envolvem assuntos urgentes. No caso, afirma que quando tomou conhecimento das correspondências, devolveuas à repartição. A autoridade fiscal considerou que, embora regularmente e reiteradamente intimado, o contribuinte deixou de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem de cada um dos recursos creditados/depositados, no curso do ano calendário de 2006, nas contas de depósitos que manteve junto a instituições financeiras. Assim, com base no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a totalidade dos créditos discriminados em planilha própria foram tomados como rendimentos omitidos e tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época, sendo lavrado Auto de Infração para constituição do respectivo crédito tributário. A autoridade fiscal compareceu ao endereço cadastral do contribuinte, onde o funcionário da portaria Francisco Iran da Silva informoulhe que o contribuinte é sim morador do local e que não se encontrava no momento. O funcionário afirmou desconhecer Rodrigo Correa Nasário da Silva, suposto morador. Tais fatos estão documentados no Termo de Constatação Fiscal de fls. 1.227, assinado pela autoridade fiscal e pelo aludido funcionário da portaria. Houve ainda a intimação da síndica do condomínio para a prestação deesclarecimento, estando consignadas as respostas às indagações da autoridade fiscal no Termo de Comparecimento e de Declaração de fls. 1.236/1.237. A síndica Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 informou desconhecer o contribuinte ou Rodrigo Correa Nasário da Silva e que a taxa de condominial do apartamento do contribuinte é lançada em nome de João Ronaldo Rivas Giustino. Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 1.238, o zelador do prédio constante como endereço do contribuinte afirmou que o contribuinte é morador da unidade n° 91 há pelo menos dezoito meses e que Rodrigo Correa Nasário Silva é genro do contribuinte e também morador da mesma unidade. Conforme Termo de Constatação de fls. 1.239/1.240, consta dos registro eletrônicos da Receita Federal que o contribuinte é locatário da unidade informada em DIRPF como seu endereço residência. Tal informação foi confirmada pelo locador do imóvel, João Ronaldo Rivas Giustino, que afirmou ser o contribuinte seu locatário por contrato desde 18/08/2006, conforme declaração de fls. 1.244 (contrato às fls. 1.245/1.250). Intimado o contribuinte do Auto de Infração em 19/11/2009, apresentou a defesa fls. 1.2 e aditamento de fls. 275/285, alegando, em síntese: * residir, desde fevereiro de 2008 na Rua São Paulo, 526, sala 04, no Bairro da Liberdade, razão pela qual não teria sido regularmente intimado dos Termos de Verificação Fiscal. Afirma estar desgarrado da família, sendo separado de fato. As informações prestadas pelo porteiro do prédio não mereceriam crédito, o qual seria funcionário recentemente contratado. Aduz que somente em 23/11/2009 é que teria sido comunicado por um parente do Termo de Infração e Imposição de Multa; * Quanto aos valores depositados em suas contas correntes, afirma originaremse de cheques emitidos por clientes do contribuinte, cuja atividade destinavase à cobrança em face de terceiros. Aduz que embora aparentemente expressivo, muitos depósitos de cheques jamais teriam sido compensados por insuficiência de fundos. Afirma que a jurisprudência dominante é no sentido de que não se poderia presumir fraude ou lavrar Auto de Infração com base em mera presunção ou indício; * A multa seria confiscatória. É o relatório. A impugnação foi julgada improcedente pela Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2) cujo Acórdão nº 17 48.667 (fls. 1.291 a 1.304) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. De acordo com o § 4º do artigo 23 do Decreto n.° 70.235/72, para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal por ele fornecido para fins cadastrais à Administração Tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.004527/200988 Acórdão n.º 2202002.850 S2C2T2 Fl. 1.597 5 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa plenamente ajustada à infração cometida pelo contribuinte atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não havendo que se falar em confisco. Art. 150, IV, da CF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 25 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 1.308 verso, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 6 de maio de 2011 (fls. 1.585 a 1.592), no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação e pede o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. O recorrente alega preliminarmente que o lançamento é nulo pois não foi regularmente intimado dos Termos de Verificação Fiscal, uma vez que passava por problemas conjugais, estando separado de fato e residindo em endereço diverso daquele para o qual foram endereçadas as intimações. Não procede a alegação do contribuinte, porquanto as intimações foram devidamente encaminhadas ao seu domicílio fiscal constante nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Sobre o domicílio tributário, o artigo 127 do Código Tributário Nacional dispõe: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; O Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, dispõe, em seu artigo 23, § 4º: Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No caso de o contribuinte mudar o seu domicílio tributário, a ele cabe atualizálo perante a Administração Tributária. É ônus do contribuinte manter atualizado os seus dados cadastrais perante o Fisco. É o que dispõe o artigo 30 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Art. 30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decretolei n"5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas. Ademais, constam dos autos evidências de que o endereço constante do cadastro da Receita Federal do Brasil e para onde foram enviadas as intimações era de fato o domicílio do contribuinte. A autoridade fiscal compareceu ao endereço cadastral do contribuinte, onde foi informado pelo funcionário da portaria, Francisco Iran da Silva, que o contribuinte era morador do local e que não se encontrava no momento. O funcionário afirmou desconhecer Rodrigo Correa Nasário da Silva, suposto morador. Tais fatos constam do Termo de Constatação Fiscal de fl. 1.227, assinado pela autoridade fiscal e pelo referido funcionário da portaria. Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 1.238, o zelador do prédio afirmou que o contribuinte é morador da unidade n° 91 há pelo menos dezoito meses, assim como Rodrigo Correa Nasário Silva, que devolvera as correspondências abertas, é genro do contribuinte e também morador da mesma unidade. A autoridade fiscal apurou, ainda, que consta dos registros eletrônicos da Receita Federal do Brasil que o contribuinte é locatário da unidade informada em DIRPF como seu endereço residencial (Termo de Constatação de fls. 1.239 a 1.240). Esta informação foi confirmada pelo locador do imóvel, João Ronaldo Rivas Giustino, que afirmou ser o contribuinte seu locatário desde 18/08/2006, conforme declaração de fl. 1.244 e contrato às fls. 1.245 a 1.250). Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.004527/200988 Acórdão n.º 2202002.850 S2C2T2 Fl. 1.598 7 Portanto, não lhe assiste razão quanto à nulidade das intimações efetuadas durante a ação fiscal, visto que foram realizadas em obediência às normas legais. Em relação ao mérito do lançamento da infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, o recorrente alega que os valores depositados em suas contas correntes eram provenientes de cheques emitidos por clientes do contribuinte, cuja atividade era a cobrança em face de terceiros, e que não se poderia autuar com base em mera presunção ou indício. Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º oPara efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Cabe observar que o contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse as suas alegações sobre a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias de sua titularidade. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o recorrente não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. O recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação do recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.001020/00-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO.
Não devem ser conhecidos os embargos de declaração que visam unicamente rediscutir o mérito de questões já devidamente julgadas.
Numero da decisão: 1302-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Leonardo Marques.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os embargos de declaração que visam unicamente rediscutir o mérito de questões já devidamente julgadas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.001020/00-58
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5416964
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.579
nome_arquivo_s : Decisao_108800010200058.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 108800010200058_5416964.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Leonardo Marques.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5783769
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475600752640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1575; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 566 1 565 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.001020/0058 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.579 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria IRPJ e CSLL Embargante Fazenda Nacional Interessado FNC Comércio e Participações Ltda ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os embargos de declaração que visam unicamente rediscutir o mérito de questões já devidamente julgadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Leonardo Marques. Relatório Versa o presente relatório sobre embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1302001.381, com a seguinte fundamentação: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 10 20 /0 0- 58 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 “A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário para anular o acórdão proferido pela DRJ que reduziu o direito creditório reconhecido de R$ 35.249.256,79 para R$ 26.162.783,84. Segundo a e. Turma, a DRJ violou o Princípio da proibição do reformatio in pejus, ao rever atos para diminuir o valor do crédito anteriormente reconhecido. Contudo, a e. Turma não justificou o afastamento do art. 64 da Lei nº 9.784/99. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. (Destaque nosso) Acerca da autorização do citado gravame, cabe destacar a doutrina de Adilson Dallari, encontrada na obra “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, de autoria de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López. Confirase: ‘Na verdade, no dizer de Adilson Dallari, aqui não se pode falar de reformatio in pejus; 'o Estado julgado, divisando a possibilidade, em razão do princípio da legalidade e da busca da verdade material, de ser agravada a situação do recorrente, haverá de cientificálo, para que formule suas alegações. E isso será feito sob pena de nulidade, com a pertinente fundamentação. Quando isso se der, a toda evidência, na formulação da questão, a Administraçãojuiz se despe transitoriamente da condição de julgador e atua, supletivamente, por força do principio da oficialidade, como Administraçãoinstrutora processual.' A possibilidade da decisão ser agravada consta também no parágrafo único do art. 64 da lei n. 9.784/99’ (Destaque nosso) Nesse sentido, segue a jurisprudência do CARF: Acórdão 20312.659: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NORMAS PROCESSUAIS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REVISÃO. REFORMATIO IN PEJUS. POSSIBILIDADE. É possível que a decisão do julgamento da Manifestação de Inconformidade piore a situação do contribuinte (reformatio in pejus), nos termos do parágrafo único do art. 15 do PAF e do art. 64 da Lei do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/99) RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MERA REVENDA. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, a receita oriunda da exportação de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a processo de industrialização pela empresa produtora e exportadora deve ser Fl. 567DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 1302001.579 S1C3T2 Fl. 567 3 excluída do valor total da receita de exportação e também da receita operacional bruta. OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. EXCLUSÃO VENDAS AO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE. O cálculo do benefício deve ser realizado com base na receita bruta de exportação do estabelecimento produtor exportador, excluindose as vendas ao mercado interno. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. Recurso provido em parte. (Destaque nosso) Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar o vício acima apontado e prequestionar a matéria que não foi objeto de análise expressa no acórdão embargado.” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. Logo, os embargos de declaração não servem para se reabrir discussão sobre o mérito de decisão embargada. No presente caso, os fundamentos dos embargos de declaração, ora em julgamento, deixam claro que os embargantes tentam rediscutir agora o mérito da decisão a partir de novo fundamento só agora alegado, ou seja, a aplicação do art. 64 da Lei 9.784/99. Assim, não há que se conhecer de embargos de declaração que visa apenas rediscutir o mérito da decisão embargada. Como se vê, estamos diante de mais um entre tantos casos de manejo flagrantemente abusivo de embargos de declaração, conduta que muito tem contribuído para o desprestígio desse importante instrumento processual. Em face do exposto, voto por não conhecer dos embargos de declaração. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 568DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10235.001635/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/06/2010
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo tenha apresentado memória de cálculo dos valores compensados, limitando-se a autoridade lançadora a refutá-los.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DAS RAZÕES DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
As planilhas demonstrativas anexadas ao processo pelo fisco são suficientes para demonstrar a origem da apuração fiscal.
ACORDO PARA RETENÇÃO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CORRENTES DOS ENTES FEDERADOS. INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DO PODER EXECUTIVO E DO PODER LEGISLATIVO. POSSIBILIDADE.
Nos acordos de parcelamento em que os entes federados autorizam a retenção das obrigações previdenciárias correntes nas parcelas do Fundo de Participação, podem ser retidas as contribuições do Poder Executivo e do Poder Legislativo, mesmo que estes possuam CNPJ distintos.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) negar provimento ao recurso voluntário.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/06/2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo tenha apresentado memória de cálculo dos valores compensados, limitando-se a autoridade lançadora a refutá-los. FALTA DE APRESENTAÇÃO DAS RAZÕES DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. As planilhas demonstrativas anexadas ao processo pelo fisco são suficientes para demonstrar a origem da apuração fiscal. ACORDO PARA RETENÇÃO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CORRENTES DOS ENTES FEDERADOS. INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DO PODER EXECUTIVO E DO PODER LEGISLATIVO. POSSIBILIDADE. Nos acordos de parcelamento em que os entes federados autorizam a retenção das obrigações previdenciárias correntes nas parcelas do Fundo de Participação, podem ser retidas as contribuições do Poder Executivo e do Poder Legislativo, mesmo que estes possuam CNPJ distintos. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10235.001635/2010-12
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414480
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.800
nome_arquivo_s : Decisao_10235001635201012.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10235001635201012_5414480.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) negar provimento ao recurso voluntário. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5778793
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475601801216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 966 1 965 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10235.001635/201012 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401003.800 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/06/2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FALSIDADE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamenta a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo tenha apresentado memória de cálculo dos valores compensados, limitandose a autoridade lançadora a refutálos. FALTA DE APRESENTAÇÃO DAS RAZÕES DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. As planilhas demonstrativas anexadas ao processo pelo fisco são suficientes para demonstrar a origem da apuração fiscal. ACORDO PARA RETENÇÃO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CORRENTES DOS ENTES FEDERADOS. INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DO PODER EXECUTIVO E DO PODER LEGISLATIVO. POSSIBILIDADE. Nos acordos de parcelamento em que os entes federados autorizam a retenção das obrigações previdenciárias correntes nas parcelas do Fundo de Participação, podem ser retidas as contribuições do Poder Executivo e do Poder Legislativo, mesmo que estes possuam CNPJ distintos. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 16 35 /2 01 0- 12 Fl. 966DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) negar provimento ao recurso voluntário. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10235.001635/201012 Acórdão n.º 2401003.800 S2C4T1 Fl. 967 3 Relatório Tratase de recurso de ofício encaminhado pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belém (PA) contra o seu Acórdão n.º 01 27.935, o qual declarou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir as lavraturas abaixo: a) Auto de Infração AI n.º 37.319.3190: glosas de valores indevidamente compensados; e b) Auto de Infração AI n.º 37.319.3203: multa isolada no patamar de 150% sobre as quantias que teriam sido indevidamente compensadas. Da referida decisão também recorreu o sujeito passivo. Conforme o relatório fiscal, as compensações glosadas foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, cujos créditos teriam, segundo o ente autuado, sido originadas de retenções indevidas efetuadas pela Fazenda no Fundo de Participação dos Estados FPE no período de 03/2004 a 02/2009. Afirma o fisco que o Estado do Amapá apresentou planilhas demonstrando a origem dos créditos, todavia, a auditoria constatou que a compensação abrangeu créditos além dos que o sujeito passivo efetivamente detinha. Cientificado do lançamento em 24/12/2004, o Estado autuado ofertou impugnação, cujas razões foram parcialmente acatadas pela DRJ, que declarou improcedente a multa isolada constante do AI n.º 37.319.3203, por entender que o sujeito passivo não incorreu em falsidade no seu procedimento compensatório. No recurso voluntário, o Estado do Amapá alegou em síntese que: a) o fisco não deu conhecimento ao contribuinte dos motivos pelos quais não foram aceitos os cálculos apresentados durante o procedimento de auditoria; b) planilhas acostadas aos autos dão conta de que o Estado tem direito a se compensar de descontos indevidos efetuados diretamente à conta do FPE na rubrica "INSS empresa", comandados pela Fazenda a partir de 2007; c) os descontos no FPE podem ser visualizados mediante os extratos acostados; d) o recorrente jamais autorizou o INSS a efetuar descontos de valores superiores às contribuições declaradas na GFIP; e) conforme cálculos apresentados ao fisco, o Estado do Amapá detinha, em valores atualizados para 02/2009, créditos no montante de R$ 54.629.336,76, não devendo Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 prevalecer a conclusão do fisco de que o montante compensável seria apenas de R$ 5.732.360,68; f) mesmo após as compensações efetuadas, ainda remanescem créditos da ordem de vinte e dois milhões de reais; Ao final, requereu a declaração de improcedência das lavraturas. É o relatório. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10235.001635/201012 Acórdão n.º 2401003.800 S2C4T1 Fl. 968 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício merece conhecimento por atender aos pressupostos normativos de admissibilidade. O recurso voluntário também merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Recurso de ofício Vejamos quais as razões lançadas no acórdão da DRJ para afastar a imposição da multa isolada, no patamar de 150% dos valores indevidamente compensados. "Pelo que se verifica da redação do § 10º, há dois condicionamentos à aplicação da penalidade em questão, sendo o primeiro a própria compensação indevida e o segundo, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Ambos assumem cunho de aplicação cumulativa, de maneira que faltando um, não se rende ensejo à aplicação da penalidade isolada. Por todo o exposto no tópico anterior, já restou demonstrada a ocorrência de compensação indevida, faltando apenas a verificação da ocorrência ou não da falsidade da declaração. (...) Vejase, destarte, que a aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa de ofício, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, no tocante à sonegação, conluio ou fraude, situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta, com o fito de punir o infrator que assim age, extrapolando a conduta do mero inadimplemento e desestimular novas condutas deste jaez. Assim, pelo que se vê, resta induvidoso que o § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91 visou agir de forma mais severa em relação a uma situação peculiar, qual seja, a de se promover uma compensação indevida, fazendoa por meio de uma declaração falsa. Em verdade, o fato agravador nesta infração é a conduta de falsear o conteúdo da declaração de maneira que o Fisco reste iludido, em seu desfavor, quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Importa observar que, como elemento subjetivo do tipo, o dolo está presente em todas as três condutas acima definidas. Portanto, para que reste caracterizada a falsidade da declaração, fazse indispensável que a autoridade fiscal informe com clareza o que o levou à convicção de que o sujeito passivo inseriu na GFIP informação diversa da real visando a sonegação ou a fraude tributária, o que não ocorreu no presente caso. Não há nos autos qualquer informação acerca do(s) fato(s) que levou(aram) a autoridade fiscal a se convencer da ocorrência da falsidade da declaração. Verificase pelo disposto no Código de Processo Civil brasileiro (Lei nº 5.869/73) que é ônus da autoridade fiscal provar a falsidade da declaração: (...) O fato é que a falsidade da declaração não restou comprovada no presente caso, como exige a lei. A autoridade fiscal não logrou êxito em demonstrar que a impugnante inseriu sabida e dolosamente nas suas GFIP´s informação diversa da realidade fática, com o fito de reduzir, afastar ou retardar o recolhimento das contribuições previdenciárias. Em última instância, a falta de comprovação, quanto à falsidade da declaração, conduzirá o julgador no sentido de aplicar a norma do artigo 112 do CTN, que impõe a interpretação mais favorável ao acusado, o que se verifica neste caso. Sendo assim, urge declarar a improcedência da multa aplicada, anulando a autuação Auto de Infração DEBCAD nº 37.319.3203 (multa isolada)." De fato, em nenhum momento do seu relatório, o fisco cuidou de demonstrar que o órgão autuado tenha agido com falsidade na sua declaração em GFIP, inserido valores a compensar que sabia não possuir. Na espécie, a autoridade fiscal centrouse em demonstrar que os cálculos apresentados pelo sujeito passivo não coincidiam com aqueles elaborados pelo fisco. Tal narrativa em absoluto conduz à conclusão da existência de falsidade nas declarações de compensação. Essa certeza é condição essencial para que sejam aplicadas as disposições do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Assim, por não encontrar na narrativa do fisco nenhuma referência convincente à ocorrência do dolo do contribuinte em falsear os dados lançados na GFIP, encaminho pela negativa de provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário a) Falta de apresentação dos motivos do lançamento O Estado do Amapá acusa o fisco de não haver explicitado as razões pelas quais deixou de acatar os cálculos de compensação que apresentou durante o procedimento fiscal. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10235.001635/201012 Acórdão n.º 2401003.800 S2C4T1 Fl. 969 7 Essa afirmação carece de plausibilidade. No relatório fiscal, a autoridade lançadora deixa bem claro que a apuração das contribuições glosadas encontrase demonstrada em planilhas anexas ao AI. De fato, compulsando os autos, depareime, fls. 528/663, com os seguintes demonstrativos: a) Demonstrativo dos Valores Indevidamente Compensados; b) Demonstrativo dos Créditos Compensáveis; c) Demonstrativo dos Coeficientes de Correção Aplicados aos Créditos do Contribuinte; d) Demonstrativos de Retenções do FPE, por mês da retenção; e e) Demonstrativos de Retenções do FPE, por competência a que se referiu à retenção; e Assim, a origem da apuração fiscal, ao meu sentir, encontrase suficientemente explicada pelo fisco, descabendo o argumento de que o sujeito passivo não teve acesso aos motivos que justificaram o lançamento. b) das divergências entre os demonstrativos do fisco e do contribuinte Observase grande disparidade entre os valores apontados pelo fisco como créditos do contribuinte e aqueles apresentados nos demonstrativos preparados pelo Estado do Amapá. Enquanto o fisco mencionou a existência de 5.732.360,68 em créditos, a recorrente afirma que possuía em 02/2009 um montante de R$ 54.629.336,76. Restanos entender a origem de tamanha discrepância. Não custa lembrar que toda a celeuma acerca das glosas de compensação repousa nos valores que foram retidos pelo INSS a título de obrigações previdenciárias correntes do Estado autuado. Essa sistemática de retenção decorreu de acordo firmado entre o Estado e o INSS, ajuste respaldado no o art. 5º da Lei nº 9639, de 25/05/1998, que dispõe sobre amortização e parcelamento de dívidas oriundas de contribuições sociais e outras importâncias devidas ao INSS, nos seguintes termos: Art. 5.º O acordo celebrado com base nos arts. 1.º e 3.º conterá cláusula em que o Estado, o Distrito Federal ou o Município autorize a retenção do FPE e do FPM e o repasse à autarquia previdenciária do valor correspondente às obrigações previdenciárias correntes do mês anterior ao do recebimento do respectivo Fundo de Participação. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001) Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Pois bem, de acordo o mencionado contrato de repactuação de dívidas previdenciárias, o ente estatal autorizava o INSS a efetuar a retenção das contribuições previdenciárias correntes do mês anterior, mediante desconto nas cotas do FPE. As obrigações envolviam, no presente caso, as contribuições devidas pelo Poder Executivo e pela Assembleia Legislativa. Para calcular os créditos do contribuinte o fisco subtraiu dos valores de contribuições retidos do FPE aqueles declarados nas GFIP do Governo e da Assembleia, atualizando o saldo positivo encontrado para a competência 02/2009 (ver planilhas de fls. 531/535). O recorrente por sua vez apresenta seus cálculos na resposta à intimação fiscal, conforme planilha de fls. 17/18. Ao apreciar este documento verificase de pronto que o sujeito passivo no cálculo das obrigações correntes não considerou as contribuições decorrentes dos fatos geradores ocorridos no Poder Legislativo. Assim, pelo fato de considerar que as retenções das contribuições da Assembleia foram efetuadas indevidamente, o sujeito passivo chegou a um montante de créditos cerca de dez vezes superior aquele encontrado pelo fisco. Identificada a origem da mencionada divergência, devemos ponderar sobre qual das duas partes tem razão na questão da apuração dos créditos do contribuinte. Para mim, não merece acolhida a tese do órgão público. Embora o Poder Executivo e o Poder Legislativo tenham CNPJ distintos, este não possui personalidade jurídica própria. Assim, o acordo com o INSS para retenção das obrigações previdenciárias correntes envolvia tanto as contribuições do Governo do Estado quanto aquelas da Assembleia Legislativa. Essa conclusão ganha força quando nos deparamos com decisões do Judiciário que acolhem que a retenção das obrigações correntes é o somatório das contribuições devidas por cada órgão do ente federativo em questão. É o que se pode inferir de decisão do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, citada no acórdão recorrido, a qual chancela o procedimento de retenção das obrigações de Prefeitura e Câmara de um Município Pernambucano, como se pode ver: Tribunal Regional Federal da 5ª Região Processo: Apelação Cível AC 200983050010697 Publicação: 29/09/2011 TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS FPM. RETENÇÃO DE OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CORRENTES. APRESENTAÇÃO DA GFIP. EXIGÊNCIA DE REPASSE ANTECIPADO DE INFORMAÇÕES POR PARTE DA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. DISCRIMINAÇÃO DOS VALORES ORIUNDOS DE CADA UM DOS PODERES MUNICIPAIS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRECEDENTES. 1. Ação onde o Município de Águas Belas/PE insurgese contra a nova sistemática adotada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para prestação de informações referentes a fatos geradores das obrigações previdenciárias, consubstanciada no Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10235.001635/201012 Acórdão n.º 2401003.800 S2C4T1 Fl. 970 9 envio de Planilha contendo os valores das obrigações correntes a serem retidas do FPM repassado ao Município, antes mesmo da confecção da GFIP. 2. Este eg. Tribunal vem entendendo que a sistemática procedimental utilizada pela RFB, com a antecipação do repasse das informações que irão compor a GFIP, para fins de retenção das obrigações correntes no FPM, não constitui afronta a qualquer disposição legal, uma vez que a medida adotada pela Administração Fiscal visa apenas evitar o eventual bloqueio antecipado de valores do FPM reservados ao Município com base em valores diversos daqueles que deveriam ser efetivamente considerados. Precedentes deste TRF 5ª Região: AC506538 (Segunda Turma, Des. Fed. Francisco Barros Dias, DJ 05/11/2010) e AC504711 (Segunda Turma, Des. Fed. Francisco Barros Dias, DJE 07/01/2011). 3. Com relação ao pedido formulado pelo demandante no sentido de que a União forneça mensalmente informações pertinentes à composição do valor das obrigações correntes e das parcelas retidas no FPM, de forma separada, relativa à Câmara de Vereadores e à Prefeitura, igualmente não merece prosperar, haja vista que não existe nenhuma norma legal prevendo tal obrigação, considerandose, ainda, que a Prefeitura Municipal e a Câmara são órgãos do Município.(grifei) 4. Apelo do Autor desprovido. Recurso da Fazenda Nacional provido. Esse mesmo entendimento foi manifestado por essa Turma, quando do julgamento do processo n.º 11040.720215/201232, realizado em 19/06/2013, que resultou na seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005. PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA EFETUAR COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento não é causa extintiva do crédito tributário, assim não pode ser tomado como causa suspensiva da prescrição do direito de compensar tributo pago indevidamente. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 COMPENSAÇÃO PELA PREFEITURA DE CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS EM NOME DA CÂMARA MUNICIPAL. POSSIBILIDADE. As contribuições indevidas sobre a remuneração dos agentes políticos (vereadores) podem ser compensadas no CNPJ da Prefeitura. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS GFIP. IMPEDIMENTO PARA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A falta de retificação da GFIP representa descumprimento de dever instrumental a ser punido com aplicação de multa, não podendo ser utilizado como barreira para compensação de créditos pertencentes ao sujeito passivo. HORAS EXTRAORDINÁRIAS. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Incidem contribuições sobre os pagamentos efetuados a título de horas extraordinárias, posto que representam remuneração pelo trabalho. Não cabe, portanto, compensação de recolhimentos sobre essa parcela, posto que inexistiu pagamento indevido. FÉRIAS INDENIZADAS. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. O sujeito passivo não tem direito a efetuar compensação com recolhimentos sobre férias indenizadas, posto que não comprovou haver incluído tal parcela na base de cálculo das contribuições. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo, que é aquela que engloba o maior número de segurados empregados e avulsos, só se considerando nesse cômputo os trabalhadores que atuam nas atividades fim da empresa. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. (grifei) Como se pode ver a Turma admitiu que valores de contribuições recolhidos indevidamente no CNPJ da Câmara Municipal fossem aproveitados para quitar contribuições devidas pela Prefeitura. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10235.001635/201012 Acórdão n.º 2401003.800 S2C4T1 Fl. 971 11 Esta conclusão não deixa dúvidas que para o fisco, independentemente da existência de CNPJ distintos para um e outro órgão, as obrigações previdenciárias de ente federado envolve os fatos geradores ocorridos tanto no Poder Executivo, quanto no Legislativo. Assim, não observo qualquer anormalidade no fato de que as obrigações previdenciárias correntes tenham sido retidas com base nas GFIP apresentadas pelo Governo do Estado do Amapá e por sua Assembleia. Podemos então concluir que atuou corretamente o Fisco ao considerar no cálculo dos créditos do Estado recorrente as contribuições devidas pelos Poderes Executivo e Legislativo. Conclusão Voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001343/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA.
Uma vez comprovado que o contribuinte logrou comprovar documentalmente que já havia oferecido à tributação em períodos anteriores, exonera-se o crédito tributário correspondente, mantendo-se, contudo, a redução de prejuízos fiscais relativa à parcela remanescente de receita omitida.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL.
O direito à compensação de prejuízos não depende, exclusivamente de opção exercida na elaboração da declaração de rendimentos. Como efeito, uma vez apurada, em processo fiscal, matéria tributária superior à declarada, podem ser considerados prejuízos pendentes, desde que compensáveis na forma da lei.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Dada a íntima relação de causa e efeito, e não havendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, exonera-se o crédito tributário ante a inexistência de omissão de receitas, mantendo-se, contudo, a redução de bases negativas de CSLL relativa à parcela remanescente de receita omitida.
PIS. COFINS.
Dada a ausência de controvérsia em razão do recolhimento do crédito tributário referente ao PIS e a COFINS devidos sobre a parcela de receitas financeiras omitidas, exonera-se o montante da exigência ainda em litígio em relação à omissão de receita não confirmada.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário mantendo, contudo, a omissão de receitas financeiras auferidas junto ao BANEB no montante de R$ 148.997,43; devendo-se realizar os ajustes pertinentes nos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para fins de compensações futuras. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que não acatou os ajustes na compensação de prejuízos.
.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA. Uma vez comprovado que o contribuinte logrou comprovar documentalmente que já havia oferecido à tributação em períodos anteriores, exonera-se o crédito tributário correspondente, mantendo-se, contudo, a redução de prejuízos fiscais relativa à parcela remanescente de receita omitida. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. O direito à compensação de prejuízos não depende, exclusivamente de opção exercida na elaboração da declaração de rendimentos. Como efeito, uma vez apurada, em processo fiscal, matéria tributária superior à declarada, podem ser considerados prejuízos pendentes, desde que compensáveis na forma da lei. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Dada a íntima relação de causa e efeito, e não havendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, exonera-se o crédito tributário ante a inexistência de omissão de receitas, mantendo-se, contudo, a redução de bases negativas de CSLL relativa à parcela remanescente de receita omitida. PIS. COFINS. Dada a ausência de controvérsia em razão do recolhimento do crédito tributário referente ao PIS e a COFINS devidos sobre a parcela de receitas financeiras omitidas, exonera-se o montante da exigência ainda em litígio em relação à omissão de receita não confirmada. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18471.001343/2005-23
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5415029
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.775
nome_arquivo_s : Decisao_18471001343200523.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001343200523_5415029.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário mantendo, contudo, a omissão de receitas financeiras auferidas junto ao BANEB no montante de R$ 148.997,43; devendo-se realizar os ajustes pertinentes nos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para fins de compensações futuras. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que não acatou os ajustes na compensação de prejuízos. . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5779342
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475610189824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.601 1 1.600 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001343/200523 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.775 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Recorrente CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA. Uma vez comprovado que o contribuinte logrou comprovar documentalmente que já havia oferecido à tributação em períodos anteriores, exonerase o crédito tributário correspondente, mantendose, contudo, a redução de prejuízos fiscais relativa à parcela remanescente de receita omitida. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. O direito à compensação de prejuízos não depende, exclusivamente de opção exercida na elaboração da declaração de rendimentos. Como efeito, uma vez apurada, em processo fiscal, matéria tributária superior à declarada, podem ser considerados prejuízos pendentes, desde que compensáveis na forma da lei. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Dada a íntima relação de causa e efeito, e não havendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, exonerase o crédito tributário ante a inexistência de omissão de receitas, mantendose, contudo, a redução de bases negativas de CSLL relativa à parcela remanescente de receita omitida. PIS. COFINS. Dada a ausência de controvérsia em razão do recolhimento do crédito tributário referente ao PIS e a COFINS devidos sobre a parcela de receitas financeiras omitidas, exonerase o montante da exigência ainda em litígio em relação à omissão de receita não confirmada. Recurso voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 43 /2 00 5- 23 Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.602 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário mantendo, contudo, a omissão de receitas financeiras auferidas junto ao BANEB no montante de R$ 148.997,43; devendose realizar os ajustes pertinentes nos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para fins de compensações futuras. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá que não acatou os ajustes na compensação de prejuízos. . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.603 3 Relatório CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando reformar o acórdão 1217.082 da 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que julgou procedente em parte a sua impugnação apresentada. Por bem retratar o litígio até aquele momento, adoto o relatório da decisão recorrida, verbis: 1. No dia 15.09.2005, foram lavrados quatro autos de infração para exigir da interessada: a) imposto sobre a renda no valor de R$ 542.921,62 (IRPJ – fls. 383/389); b) contribuição para o Programa de Integração Social no valor de R$ 14.115,95 (PIS – fls. 390/395); c) contribuição para o financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 65.150,59 (COFINS – fls. 396/401); d) contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 199.581,39 (CSLL – fls. 402/408); e) multa proporcional (75%); e f) juros de mora. 2. As exigências são relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 e 2001. 3. O auto de infração que exige IRPJ decorreu exclusivamente da acusação de omissão de receitas financeiras decorrentes de aplicações de renda fixa e de receitas provenientes de serviços prestados (enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; e artigos 247, 248, 249, 251, 277, 278, 279, 280, 283, 288 e 373 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 RIR/1999). 4. Os autos de infração que exigem PIS, COFINS e CSLL foram lavrados em decorrência da acusação que deu azo ao lançamento do IRPJ. O enquadramento legal das infrações à legislação de cada um desses tributos se encontra no corpo dos respectivos autos de infração. 5. No termo de constatação fiscal TCF (fls. 374/380), o autuante relatou, em resumo: 5.1. que o presente procedimento fiscal decorreu de diligência solicitada pela DIORT/DERAT/RJO para comprovar a escrituração tanto do imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos de aplicações financeiras e de serviços prestados auferidos pela interessada nos anos calendário de 2000 e 2001 quanto dos próprios rendimentos; 5.2. que tal providência se fazia necessária pelo fato de ela ter computado o referido IRRF no cálculo do imposto de renda anual daqueles períodos e pretender a expressa homologação das compensações efetuadas com os créditos dimanados da sua retenção; Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.604 4 5.3. que, ao examinar, por amostragem, exclusivamente os lançamentos efetuados nas contas representativas das receitas e do IRRF, apurou diferenças entre as que foram escrituradas (financeiras e de serviços prestados) e os comprovantes acostados aos autos; 5.4. que, intimada, a interessada apresentou os registros contábeis que comprovam parte das diferenças e outros, do período de 1999, que justificariam as discrepâncias apuradas relativamente ao anocalendário de 2000; 5.5. que, por estarem desacompanhados de documentos comprobatórios, por não corresponderem às diferenças apuradas e por terem sido escriturados em contas diversas dos lançamentos originais, não aceitou os registros de 1999; e 5.6. que elaborou então as duas planilhas reproduzidas abaixo, as quais discriminam, no seu entender, as receitas omitidas. ANOCALENDÁRIO: 2000 RECEITAS FONTE PAGADORA INFORME DE RENDIMENTOS ESCRITURADA CONTA NÃO ESCRIT. B. BRASIL 9.790.796,97 7.932.157,11 34102.3095.002643 1.858.639,86 BANRISUL 120.089,36 69.763,14 31104.3087.216318 50.326,22 UNIBANCO 9,59 0,00 9,59 BANEB 501.517,77 252.977,01 34104.3087.216967 248.540,76 TELE CENTRO SUL 198,47 0,00 198,47 TELESP CEL. 46,83 0,00 46,83 TELE CENTRO OESTE 43,03 0,00 43,04 TELE CEL. SUL 18,31 0,00 18,31 TELENORTE CEL. 5,25 0,00 5,25 TELEMIG CEL. 14,14 0,00 14,14 TELENORDESTE 12,72 0,00 12,72 CONSTR. OAS 185.429,82 182.311,34 31106.3893.029459 3.118,49 TOTAL 2.160.973,68 ANOCALENDÁRIO: 2001 RECEITAS FONTE PAGADORA INFORME DE RENDIMENTOS ESCRITURADA CONTA NÃO ESCRIT. B. BRASIL 241.403,86 241.275,87 34104.3087.006685 127,99 REAL 12.359.815,09 12.359.515,79 34102.3095.256396 299,30 ITAÚ 220.885,49 217.536,95 34199.3117.006662 3.348,54 BB CONS. MOLHE SUL 6.926,61 0,00 6.926,61 UNIBANCO 10,38 0,00 10,38 TOTAL 10.712,82 6. Cientificada dos lançamentos em 15.09.2005, a interessada os impugnou parcialmente no dia quatorze seguinte (fls. 417/427). Depois de admitir que o montante dos rendimentos registrados nos seus livros Diário e Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.605 5 Razão não conferia com o total dos rendimentos declarados nos respectivos informes, disse: 6.1. que resolveu não contestar as exigências de PIS e COFINS sobre a diferença de R$ 248.540,75 relativa aos rendimentos recebidos do Baneb S/A, e já até providenciou o recolhimento das respectivas quantias; 6.2. que resolveu também não contestar as exigências sobre as diferenças relativas aos rendimentos recebidos em 2000 do Unibanco, da Tele Centro Sul, da Telesp Celular, da Tele Centro Oeste, da Tele Celular Sul, da Telenorte Celular, da Telemig Celular, da Telenordeste e da Construtora OAS, as quais serão recolhidas com as penalidades cabíveis; e 6.3. que decidiu igualmente não impugnar as exigências sobre as diferenças relativas aos rendimentos recebidos em 2001 do Banco do Brasil, do Banco Real, do Banco Itaú e do Unibanco, as quais também serão recolhidas. 7. Contra as demais exigências, porém, ela ponderou que as respectivas diferenças não implicaram omissão de receitas, e acrescentou, em suma, no que tange aos rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2000: 7.1. que eles decorreram da aplicação, em investimento de renda fixa, dos recursos destinados a um empreendimento imobiliário realizado no período de 1998 a 2001 na Costa do Sauípe (BA); 7.2. que, de acordo com o art. 373 do RIR/1999, as receitas oriundas de aplicações financeiras de renda fixa devem ser escrituradas e oferecidas à tributação do IRPJ e da CSLL pelo regime de competência dos exercícios, independentemente de qualquer resgate; 7.3. que, por outro lado, o imposto de renda na fonte das aplicações de renda fixa somente incide no momento do resgate sobre a totalidade dos rendimentos produzidos, que corresponde à diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do IOF, e o valor da aplicação financeira, de acordo com o art. 65, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995; 7.4. que, por conta disso, as instituições financeiras, ao preencherem os informes de rendimentos, somente indicam o valor do rendimento no momento do resgate das aplicações; 7.5. que, assim, a sistemática de oferecimento das receitas financeiras à tributação difere daquela aplicada às retenções do imposto incidente sobre elas, de tal sorte que, em determinadas situações, os períodos de reconhecimento das receitas pela beneficiária não coincidem com os de retenção do imposto; 7.6. que este é justamente o seu caso, pois, durante o ano de 2000, “os rendimentos decorrentes dos resgates efetuados” das suas aplicações de renda fixa foram de R$ 6.698.158,78, conforme comprova o informe juntado Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.606 6 à impugnação (fls. 475), mas parte desses rendimentos corresponde evidentemente à remuneração das aplicações realizadas em anos anteriores, quando do início do citado empreendimento imobiliário; 7.7. que, no entanto, as receitas correspondentes às aplicações de períodos anteriores já haviam sido escrituradas e oferecidas à tributação naqueles períodos; 7.8. que esse descompasso entre o reconhecimento das receitas e o seu recebimento não permite a conclusão de que houve omissão de receitas; 7.9. que, para que não reste dúvida a esse respeito, juntou à impugnação todos os registros contábeis das aplicações financeiras no Banco do Brasil realizadas no período em que durou o referido empreendimento (fls. 479/535) bem como os informes de rendimentos daquele período fornecidos pela citada instituição financeira (fls. 469/476); e 7.10. que, ao se analisar tais documentos sob a perspectiva do empreendimento como um todo, é possível verificar que as receitas reconhecidas nos quatro anoscalendário é até superior ao montante indicado nos informes de rendimentos, conforme comprova a planilha acostada à impugnação (fls. 440); 8. No que tange aos rendimentos recebidos do Banrisul, a interessada alegou, em resumo: 8.1. que a diferença de R$ 50.326,22 apurada pela fiscalização decorre do mesmo descompasso, explicado acima, entre o reconhecimento das receitas e o seu efetivo recebimento; 8.2. que, nesse caso, as aplicações financeiras também se iniciaram anteriormente a 2000; e 8.3. que a planilha e os documentos que a embasaram foram juntados aos autos (fls. 536/561) e demonstram que parte dos rendimentos pagos em 2000 já havia sido escriturada em 1999. 9. Relativamente aos rendimentos das aplicações financeiras do consórcio Molhe Sul no Banco do Brasil (R$ 6.926,61), ela disse simplesmente que eles foram devidamente escriturados, conforme atestam as cópias do Diário e a planilha juntadas à impugnação (fls. 562/567); 10. Argumentou também a interessada que a diferença de R$ 248.540,76, verificada entre os rendimentos do ano de 2000 informados pelo Baneb (R$ 501.517,77) e os escriturados (R$ 252.977,01) decorre do mesmo descompasso já comentado acima. Acrescentou, contudo: Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.607 7 10.1. que é importante destacar que dos R$ 501.517,77 apontados no informe de rendimentos fornecido por aquela instituição, R$ 97.944,67 correspondem a devoluções de CPMF, as quais não foram escrituradas como receitas, mas, sim, a crédito de despesas financeiras cujo código da conta é 4.4.1.17.7809.046219 (fls. 569/579); 10.2. que, além dessas devoluções, ela incorreu em despesas de R$ 148.997,43 devidas ao Baneb, razão pela qual escriturou as receitas financeiras pelo seu valor líquido; e 10.3. que tal procedimento não causou nenhum prejuízo ao Fisco, salvo no que se refere ao PIS e à COFINS cujas exigências, entretanto, não contestou. 11. Alegou, por fim, a interessada que, caso seja mantido o procedimento fiscal em questão, as matérias tributáveis apuradas deverão ser absorvidas pelos seus prejuízos acumulados, os quais se encontram escriturados no seu LALUR (fls. 585/673). 12. Ao final da impugnação, requereu perícia, para a qual indicou o seu perito, e formulou os quesitos que, esclarecidos, determinarão certamente o cancelamento das exigências. 13. Foi juntado aos autos (fls. 689/696) um laudo pericial elaborado pela Performance – Auditoria e Consultoria Empresarial Sociedade Simples – sob encomenda da interessada, no qual se encontram respondidos de forma positiva todos os quesitos por ela formulados. Não obstante, no tópico intitulado “Conclusão”, encontrase a informação de que deixaram de ser escriturados no anocalendário de 2000 rendimentos de R$ 1.598,66 pagos pelo Baneb e de R$ 1.620,68 pagos pelo Banrisul. A turma julgadora a quo manteve parcialmente a exigência, nos seguintes termos: os rendimentos pagos pelo Banco do Brasil S.A. no anocalendário de 2000 totalizaram R$ 9.790.796,97 e a receita financeira contabilizada pela Impugnante corresponderia a R$ 7.932.157,11, caracterizando omissão de receitas de R$ 1.858.639,56. A comprovação dos rendimentos e respectiva retenção de imposto na fonte se dariam única e exclusivamente com base no informe de rendimentos alcançado pelas instituições financeiras, e, em caso de divergências deveria a Recorrente ter solicitado à respectiva instituição que retificasse tais informações, fornecendo a documentação pertinente; omissão de receitas financeiras auferidas junto ao BANEB, não se acatando que a contabilização tivesse se dado com base no valor líquido, descontandose R$ 148.997,43 de despesas financeiras junto a mesma instituição. Tal valor foi considerado como omitido; a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores deveria se limitar às receitas tributadas de ofício, não se permitindo que se recompusesse o lucro real e base de cálculo de CSLL originalmente declaradas sem compensação de prejuízos fiscais/bases negativas anteriores no limite permitido pela legislação (em sua DIPJ o contribuinte, embora possuísse prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.608 8 períodos anteriores suficientes, compensou valores menores do que os 30% do resultado fiscal permitido pela legislação). O Recorrente foi intimado da decisão em 15 de abril de 2008 (fl. 1499), apresentando recurso voluntário em 15 de maio de 2008 (fls. 15011539). Em resumo, reafirma os fundamentos da impugnação apresentada, aduzindo que não houve omissão de receitas financeiras, sendo a diferença apontada pela decisão recorrida fruto do descompasso entre a contabilização das receitas com base no regime de competência e o informe de rendimentos e retenção de imposto de renda com base no regime de caixa. Critica a conclusão da turma julgadora a quo em relação à necessidade de retificação do informe de rendimentos fornecido pelas instituições financeiras. No que tange à diferença de R$ 148.997,43 devidas ao Baneb, teria havia a contabilização do valor das receitas já descontadas as despesas financeiras junto a tal instituição. Esse valor teria sido lançado a crédito na conta n. 1.1.1.02.0029.014402, referente a "Disponibilidade — Banco Conta Movimento", tendo como contrapartida o lançamento a débito na conta n. 1.1.7.03.0347.009841 ( "Despesas Antecipadas — Valores a Classificar"). Alega ainda que a decisão guerreada é nula por ausência de análise do laudo pericial acostado aos autos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.609 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Inicialmente, ressalto que o início da controvérsia instaurouse na análise de saldos negativos pleiteados nos autos números 10070.001674/200141 e 10070.000914/2002 71. Consultando o andamento dos autos (18/08/2014), constatei que o primeiro processo encontrase aguardando distribuição perante a 1ª Seção do CARF, enquanto o segundo fora distribuído para a 2ª Câmara da mesma seção, aguardando, contudo, distribuição para uma das turmas e respectivo relator. Considero que a análise de tais pedidos de restituição não prejudicam o julgamento deste processo. Pelo contrário, a despeito de outras controvérsias que venham a ser tratadas naqueles autos, tratandose de lançamento de omissão de receitas, sua ocorrência, ou não, deve ser tratada na presente lide. A controvérsia principal que resta em litígio diz respeito a suposta omissão de receitas financeiras auferidas junto ao Banco do Brasil no valor de R$ 1.858.639,86. Suscita a Recorrente nulidade da decisão recorrida por deixar de analisar laudo pericial contábil anexado aos autos junto com a impugnação, perícia essa que comprovaria que houve o oferecimento à tributação da totalidade dos rendimentos financeiros auferidos. Entendo não assistirlhe razão. Embora a turma julgadora não tenha se referido aos termos de tal laudo, tanto o voto vencedor, quanto o vencido, teceram seus argumentos a respeito de suas conclusões quanto às receitas financeiras auferidas pela Recorrente e sua (in)correção quanto ao oferecimento de tais valores à tributação. Isso posto, não caracterizadas quaisquer hipóteses elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeito a arguição de nulidade. No mérito, em relação às receitas financeiras auferidas junto ao Banco do Brasil, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, alinhandome às conclusões do voto vencido da decisão recorrida, que corroboram as apostas no laudo pericial anexado pela Recorrente, no sentido de que as receitas financeiras em questão foram integralmente oferecidas à tributação entre o período de 1998 a 2001, sendo que as diferenças apontadas pela Fiscalização no anocalendário de 2001 dizem respeito única e exclusivamente ao descompasso entre a contabilização corretamente realizada pela Recorrente (regime de competência) e as constantes nos informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras (baseadas na data da retenção do imposto de renda, qual seja, o resgate). Discordo, contudo, dos fundamentos da decisão recorrida – quer em relação ao voto vencido, quer no que tange ao voto vencedor – de que o informe de rendimentos elaborados pelas instituições financeiras referese às receitas auferidas no respectivo ano calendário. Tais informes traduzem tão somente as receitas financeiras objeto de resgate no respectivo período, bem como a consequente retenção de imposto de renda, sendo Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.610 10 extremamente comuns as divergências entre os valores contabilizados e os indicados em tais documentos, justamente em razão das premissas temporais distintas adotadas pelas normas contábeis e pelas normas que obrigam as instituições financeiras a proceder à retenção do imposto de renda na fonte sobre aplicações financeiras. Enquanto as receitas devem ser reconhecidas com base no regime de competência, a retenção de imposto de renda na fonte sobre tais rendimentos somente é efetuada no resgate das aplicações financeiras. Como o informe de rendimentos fornecido pelas instituições financeiras reportase à data da retenção do imposto de renda, normalmente há incompatibilidade entre os registros contábeis das pessoas jurídicas e os valores constantes nos informes de rendimentos, havendo necessidade de cotejarse todo o período a que se referem os rendimentos a fim de ser verificar se houve o oferecimento da totalidade das receitas financeiras auferidas. Nesse sentido, reputo perfeitas as conclusões do voto vencido da decisão recorrida, que assim resumiu a questão: Apesar de fazer menção às retenções do imposto na fonte, o auto de infração foca mesmo é a diferença verificada entre os rendimentos produzidos pelas aplicações financeiras e a sua escrituração. Nesse ponto, contudo, os fragmentos dos livros Diário e Razão da interessada, anexados por cópia aos autos (fls. 482/536), comprovam que foram escriturados os seus rendimentos de aplicações no Banco do Brasil. Com efeito, de acordo com os informes daquela instituição financeira (fls. 469/478), foram os seguintes os rendimentos das aplicações da interessada: R$ 5.929.280,23, em 1998; R$ 43.893.490,15, em 1999; R$ 9.790.796,90, em 2000; e R$ 178.812,85, em 2001. E nos seus livros, constam os seguintes registros de receitas: R$ 32.158.597,43, em 1998; R$ 20.657.292,30, em 1999; R$ 7.932.157,11, em 2000; e (R$ 660.611,43), em 2001. O demonstrativo das receitas financeiras do Projeto Sauípe acostado à impugnação (fls. 440) sintetiza perfeitamente o que foi dito acima. Desse modo, voto por dar provimento ao recurso em relação à omissão de receitas financeiras auferidas junto ao Banco do Brasil no montante de R$ 1.858.639,86 Contudo, no que tange à divergência de valores das receitas financeiras referentes ao BANEB, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida. A Recorrente alega que a diferença entre as receitas escrituradas e as constantes do informe de rendimentos, no total de R$ 148.997,43, ocorreu porque registrou a crédito da conta de receitas o valor líquido entre receitas financeiras auferidas e despesas incorridas junto a tal instituição financeira. Contudo, exceto em relação ao PIS e a Cofins – cujo crédito tributário correspondente já teria sido objeto de recolhimento , não teria acarretado qualquer prejuízo ao Fisco, ao passo em que embora tenha reduzido o valor de receitas, também não teria contabilizado, no mesmo montante, as despesas incorridas, tornandose o nulo o resultado nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Comprova tais alegações mediante a indicação e anexação dos registros contábeis pertinentes. De fato, quanto aos registros contábeis, não haveria reflexos em relação às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, haja vista que a receita contabilizada a menor seria compensada pela ausência de lançamento das despesas financeiras em conta de resultado. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.611 11 Contudo, compulsando os autos, não detectei os documentos que dariam suporte às supostas despesas financeiras. Desse modo, na ausência de documentação comprobatória das pretensas despesas financeiras incorridas, permanece válida a argumentação da autoridade fiscal – e da decisão recorrida – quanto à ausência de oferecimento à tributação de R$ 148.997,43 relativo a receitas financeiras auferidas junto ao BANEB, mantendose a omissão de receita correspondente. Por fim, no que atine à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas pleiteadas pela Recorrente, entendo assistirlhe razão. Como bem asseverou o relator do voto vencido no julgamento de primeira instância, a Recorrente, embora tenha se utilizado de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL na demonstração do lucro real do anocalendário de 2001, deixou de fazê lo no limite máximo permitido pela legislação, qual seja, 30% do resultado ajustado antes da própria compensação de saldos anteriores. Frisou ainda o ilustre relator que a Recorrente possuía saldos de prejuízos fiscais e bases negativas para tanto. Considerando que a então impugnante requereu em sua defesa original que lhe fosse concedido o direito de compensação da totalidade de prejuízos fiscais e bases negativas que fizesse jus, de acordo com os valores declarados originalmente e acrescidos de eventual omissão de receitas lançada de ofício e por ventura confirmada no julgamento de sua impugnação, o voto vencido assim consignou: Não obstante, dos valores exigidos no auto de infração a título de imposto de renda e de CSLL não remanesce diferença alguma a ser exigida, uma vez que a interessada apurou, no anocalendário de 2000, lucro real de R$ 15.068.435,73 e lucro líquido ajustado de R$ 8.342.271,10, mas possuía prejuízo fiscal acumulado de R$ 130.871.293,66 e base de cálculo negativa de CSLL de R$ 518.084.375,29, conforme demonstrativos que juntei aos autos (fls.699/702), com os quais postulou a compensação dos valores que eventualmente fossem mantidos neste julgamento. Assim, apesar de ela ter compensado, com o mencionado lucro real, prejuízos fiscais acumulados da ordem de R$ 2.245.128,39, ainda lhe é possível a compensação da parte da matéria tributável que não rechacei. O quadro abaixo resume bem a minha conclusão: LUCRO REAL DECLARADO 15.068.435,73 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA 3.466,84 MATÉRIA TRIBUTÁVEL MANTIDA 148.997,43 LUCRO REAL AJUSTADO 15.220.900,00 LIMITE DE COMPENSAÇÃO (30%) 4.566.270,00 COMPENSAÇÃO EFETUADA (14,75%) 2.245.128,39 COMPENSAÇÃO POSTULADA (0,09%) 148.997,43 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL 8.342.271,00 Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.612 12 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA 3.466,84 MATÉRIA TRIBUTÁVEL MANTIDA 148.997,43 B. CÁLCULO NEGATIVA AJUSTADA 8.494.735,27 LIMITE DE COMPENSAÇÃO (30%) 2.548.420,58 COMPENSAÇÃO EFETUADA 0,00 COMPENSAÇÃO POSTULADA (1,75%) 148.997,43 Entendo que o fato de o contribuinte não ter se utilizado da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite que a legislação permite, por si só, não tem o condão de afastar o seu direito em ver ajustados os períodos de apuração já encerrados até a data do término da ação fiscal. Efetivamente, os prejuízos fiscais e bases negativas, quando existentes, podem e devem ser compensados não somente por opção do contribuinte quando da entrega da declaração de rendimentos, mas sempre que for possível nos casos de lançamento de ofício. Com efeito, quando em procedimento de fiscalização, não obstante a matéria tributável porventura detectada pelo Auditorfiscal, é imprescindível que se promova de ofício a compensação dos resultados negativos passíveis de realização. A opção pela compensação de resultados negativos anteriores, até o limite que a legislação permite, se não realizada integralmente na entrega da declaração de renda correspondente, o foi em sede de impugnação. Não vejo o porquê de não acatar tal pleito. Neste sentido, vale transcrever as seguintes decisões: Acórdão nº 10304.616. IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O direito à compensação de prejuízos não depende, exclusivamente de opção exercida na elaboração da declaração de rendimentos. Como efeito, uma vez apurada, em processo fiscal, matéria tributária superior à declarada, podem ser considerados prejuízos pendentes, desde que compensáveis na forma da lei. Acórdão nº 10304.556. IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Segundo o artigo 226 do RIR/80, o prejuízo fiscal compensável poderá ser deduzido dos lucros tributáveis apurados dentro dos 3 (três) exercícios subseqüentes. As parcelas da matéria tributável, levantada em procedimento fiscal, também integram os lucros tributáveis e, por isso, devem ser absorvidas por prejuízos acumulados. Dado provimento parcial. Acórdão nº 10705.889. IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – Em procedimento de fiscalização autoridade administrativa deve proceder à compensação de prejuízos fiscais apurados pelo sujeito passivo independentemente da opção exercida na declaração de rendimentos. Erro no preenchimento da declaração não afasta o direito à compensação. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.001343/200523 Acórdão n.º 1402001.775 S1C4T2 Fl. 1.613 13 No mesmo sentido, no Acórdão nº 10196.059 (sessão de março de 2007), por unanimidade de votos, concluiu que “Dessa forma, concluise que os prejuízos fiscais devem ser compensados de ofício quando a fiscalização se deparar com casos semelhantes”. Assim sendo, devese recalcular o lucro real e base de cálculo de CSLL levandose em consideração os valores declarados pela Recorrente e os ajustes pertinentes à presente exigência, nos termos da tabela constante no voto vencido da decisão recorrida e reproduzido alhures, não restando qualquer saldo de IRPJ e CSLL a ser exigido. No que tange à exigência de PIS e Cofins, tratandose da íntima relação de causa e efeito, devese exonerar as parcelas de crédito tributário ainda remanescentes. Isso porque, conforme consta no próprio recurso voluntário (nota de rodapé à fl. 1525), em relação à omissão de receitas concernente ao BANEB, o contribuinte sequer apresentou impugnação em relação ao tema, recolhendo os valores devidos após ciência do lançamento. Considerandose a exoneração do crédito tributário exigido, resta prejudicada a análise quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Isso posto, voto por rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, mantendo, contudo, a omissão de receitas financeiras auferidas junto ao BANEB no montante de R$ 148.997,43, devendose realizar os ajustes pertinentes nos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para fins de compensações futuras. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 35011.003733/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. LIMITE. DECISÃO JUDICIAL.
É aplicável o limite de trinta por cento aos valores compensados com débitos posteriores às Leis n°s 9.032/95 e 9.129/95 em cumprimento a decisão judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. LIMITE. DECISÃO JUDICIAL. É aplicável o limite de trinta por cento aos valores compensados com débitos posteriores às Leis n°s 9.032/95 e 9.129/95 em cumprimento a decisão judicial. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 35011.003733/2003-11
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423797
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.267
nome_arquivo_s : Decisao_35011003733200311.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 35011003733200311_5423797.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5801886
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475626967040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 252 1 251 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35011.003733/200311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.267 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente J CRUZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. LIMITE. DECISÃO JUDICIAL. É aplicável o limite de trinta por cento aos valores compensados com débitos posteriores às Leis n°s 9.032/95 e 9.129/95 em cumprimento a decisão judicial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 37 33 /2 00 3- 11 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 019.810 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ BelémPA, f. 210 219, com ciência ao sujeito passivo em 12/04/2008, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP lavrado sob o Debcad no 35.546.6295, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 30/06/2003, fl. 2. De acordo com o relatório fiscal de fl. 3840, e anexos, o AIOP trata de exigência de contribuições para a Seguridade Social a cargo das empresas, bem como a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), no período de 06/2000 a 02/2003, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, além da exigência de valores recolhidos após o vencimento com acréscimos legais a menor. A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que o recolhimento a menor se deve à compensação de seus créditos reconhecidos em decisão judicial. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado, excluindo parte das contribuições apuradas nas competências 11/2001, 12/2001, 01/2002, 02/2002, 03/2002, 04/2002, 05/2002, 06/2002 e 07/2002, em cumprimento a decisão judicial reconhecendo o direito creditório do contribuinte. O julgado restou assim ementado: COMPENSAÇÃO. LIMITE. NORMA APLICÁVEL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. A compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência, sendo o saldo remanescente em favor do contribuinte atualizado monetariamente. A norma aplicável é aquela vigente na data da realização da compensação. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 37, da Lei 8.212/91 e alterações posteriores c/c art. 142 do C.T.N. Em 21/05/2008, a interessada, por meio de representante legal qualificado nos autos, interpôs recurso, f. 226237, alegando, em síntese, que está amparada a realizar a compensação dos seus créditos com base em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança (MS) nº 2001.32.00.0062530/AM, a qual reconheceu a existência de crédito em favor da recorrente, a prescrição decenal e a possibilidade de se efetuar a compensação com as contribuições vincendas sem as limitações impostas pelas Leis n.° 9.032 e 9.129/95. Requer o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35011.003733/200311 Acórdão n.º 2402004.267 S2C4T2 Fl. 253 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Compensação. Limite. Cumprimento de decisão Judicial O acórdão recorrido, acatando alegação da interessada, promoveu a compensação de créditos do contribuinte com os créditos tributários constituídos neste lançamento (débitos do contribuinte), adotando os parâmetros do provimento judicial, f. 128 132, que consistem, em síntese, em prazo de prescrição seguindo entendimento do STJ da tese dos cinco anos de homologação mais cinco anos de decadência, atualizar os valores pelos índices INPC, UFIR e SELIC e, finalmente, apropriar a compensação com limite de 30% do valor devido à previdência, pois o encontro de contas, utilização da compensação, ocorreu a partir de novembro de 2001, sendo estes débitos posteriores às Leis n.° 9.032/95 e 9.129/95. A adoção do limite de trinta por cento está autorizada no voto proferido pelo Exmo. Sr. Desembargador Federal Antônio Ezequiel, ao apreciar a apelação em MS nº 2001.32.00.0062530/AM, no capítulo que trata dessa questão, fl. 133, abaixo transcrito: Da limitação da compensação No tocante à limitação da compensação a 30% (trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada período de competência, há que se observar o seguinte: a Lei n" 8.212, de 24.07.91, rigorosamente, não previa a compensação, que veio a ser prevista na Lei no 8.383/91, de 30.12.91, em seu art. 66, sem qualquer limitação. A limitação veio a ser instituída pela vez primeira pela Lei n° 9.032, de 28.04.95, no percentual de 25% do valor a ser recolhido em cada competência, percentual esse posteriormente alterado para 30% pela Lei n° 9.129, de 20.11.95. Contudo, as novas leis somente produzem efeitos para o futuro, de forma a preservar o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Assim, "reconhecido o direito à compensação, os valores compensáveis até a data das publicações (Leis 9.032/95 e 9.129/95) estão resguardados dos limites percentuais fixados (art. 89, § 30), enquanto que os créditos remanescentes, cujos débitos venceramse e posteriormente, sujeitamse àquelas limitações". No caso dos autos, quase a totalidade do recolhimento indevido (período de 08/02/91 a 02/05/96) se deu antes da vigência das referidas Leis, devendo ser afastadas tais limitações se os débitos a serem compensados também precederam aquelas Leis. Dado que os débitos sejam posteriores às Leis n°s 9.032 e 9.129/95, a lei a ser observada é aquela em vigor na data do Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 encontro de créditos e débitos que se pretende compensados, conforme jurisprudência pacífica do STJ. Em síntese, o acórdão recorrido cumpriu fielmente a decisão judicial. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720844/2010-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2005
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.720844/2010-71
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403475
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.944
nome_arquivo_s : Decisao_10675720844201071.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10675720844201071_5403475.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5743267
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475703513088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 265 1 264 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.720844/201071 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.944 – 3ª Turma Sessão de 3 de junho de 2014 Matéria PIS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 08 44 /2 01 0- 71 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 266 2 Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do acórdão prolatado pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara deste Conselho, que, por voto de qualidade, negou provimento ao seu recurso voluntário, cuja ementa é a seguinte: “PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição de PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.” Em face da decisão acima, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência no qual sustentou que a decisão recorrida não só interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, como contrariou a coisa julgada obtida pelo contribuinte que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como aquelas provenientes da “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Por meio de Resolução, com base no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o processo foi suspenso até que o STF no RE nº 609.096 se pronunciasse definitivamente sobre a matéria. Em face da revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retornou em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 267 3 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento, ressaltando a bem demonstrada divergência pelo Recorrente em seu recurso especial. Como mencionado no relatório, o pedido de reforma do acórdão recorrido está suportado na alegação do Recorrente de que a referida decisão viola a coisa julgada, em face da decisão por ele obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que não somente reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo), como limitou a incidência da contribuição ao PIS as receitas provenientes do faturamento, cujo significado restringese a “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”, como expressamente se constata de referida decisão, prolatada como base no artigo 557, § 1ºA, do CPC), bem assim, e especialmente, do conteúdo do acórdão prolatado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal por oportunidade do julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840/MG. O Recorrente sustenta ainda, caso não acatada a alegação de violação de coisa julgada, que seja firmado o entendimento, em consonância com a Lei Complementar 7/70, de que o conceito de faturamento empregado na referida norma somente compreende as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, e que, portanto, não alcança outras receitas recebidas pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrentes de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos de intermediação financeira ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, capitalização, leasing, etc. A meu ver, a alegação do contribuinte no sentido que o respeitável acórdão recorrido viola coisa julgada, como assim também entendo com apoio no voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Tereza Lopes Martinez em caso análogo ao ora em análise, não exclui, por outro lado, a necessidade de se interpretar o conceito de faturamento empregado no acórdão prolatado no Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, bem assim nas decisões judiciais citadas na referida decisão e que consubstancia a jurisprudência dos Tribunais Superiores vigente a época em que prolatada. Em primeiro lugar, se faz necessário buscar no ordenamento jurídico a definição e alcance do termo faturamento tomado como hipótese de incidência da contribuição ao PIS pela Lei Complementar 7/70 e pela Constituição Federal, artigo 195, não obstante o PIS ter sido instituído sob a égide da Constituição Federal de 1967 com as alterações da Emenda Constitucional nº 1 de 1969. Os artigos 2º e 3º de mencionada Lei Complementar previam que o PIS seria “executado” mediante um “Fundo de Participação”, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal, por meio de duas modalidades: a primeira mediante dedução do imposto de renda devido pelas empresas e a segunda com recursos próprios das empresas, calculada mediante a aplicação de percentuais sobre o faturamento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 268 4 O § 2º de mencionado artigo 3º dispunha que as instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas, que não realizassem operações de vendas de mercadorias, recolheriam ao Programa de Integração Social uma contribuição diferenciada (recursos próprios de valores idênticos aos apurados mediante a dedução do imposto de renda) das demais sociedades que realizassem operações de venda de mercadorias (percentual sobre o faturamento). Em 30 de outubro de 1998, foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998, que unificou o tratamento, dispondo sobre as contribuições do PIS e COFINS de forma conjunta. A Lei nº 9.718/1998 inovou a base de cálculo dessas contribuições, na medida em que equiparou faturamento à receita bruta e considerou esta como a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Vale a transcrição dos dispositivos para que a matéria seja bem compreendida: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei”. “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. “§ 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Diante da ausência de qualquer exceção feita no que se refere ao âmbito subjetivo de incidência, podese afirmar que com o advento da Lei nº 9.718, em 27 de novembro de 1998, as instituições financeiras passaram a recolher o PIS e a COFINS conforme os ditames normativos desta Lei1. É bem verdade que, em 30 de dezembro de 2002, foi publicada a Lei nº 10.637, que alterou radicalmente o mecanismo de tributação do PIS, adotando o princípio da nãocumulatividade. No entanto, as instituições financeiras foram expressamente excluídas do âmbito de aplicação do regime nãocumulativo (artigo 8º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e 1 No que respeita especificamente ao PIS devido pelas instituições financeiras, cumpre notar que da edição da Lei Complementar nº 7/70 até o advento da Lei nº 9.718/1998, referido tributo teve sua base de cálculo estabelecida pelos DecretosLei nºs 2.445/1988 e 2.449/1988 (receita operacional bruta), pela Lei nº 9.701/1988, que ressalvava o tratamento próprio das instituições financeiras consistente no artigo 72, inciso V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994 (receita bruta operacional como definida na legislação do imposto de renda, a saber, produto da venda de bens e serviços nas transações ou operações de conta própria). O artigo 72, inciso V, do ADCT foi previsto para vigorar temporariamente. A Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994 previu a incidência do PIS sobre a receita bruta operacional para os exercícios de 1994 e 1995. As Emendas Constitucionais nº 10/1996 e 17/1997 “estenderam” essa incidência até 31 de dezembro de 1999. Sendo assim, a partir de 1º de janeiro de 2000, o PIS instituições financeiras passou a ser regulado pela Lei nº 9.718/1998. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 269 5 artigo 10, inciso I, da Lei nº 10.833/2003), permanecendo, portanto, sujeitas às normas de legislação anterior, especificamente, a Lei nº 9.718/1998. Portanto, podese dizer que a base de cálculo das contribuições do PIS das instituições financeiras deveria observar o estabelecido no § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998, que definia o alcance da expressão receita bruta empregada no caput do artigo 3º, ou seja, a totalidade das receitas percebidas pela pessoa jurídica. Ocorre que o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1998, em sua redação original, vigente à época da publicação da Lei nº 9.718/1998, não permitia a incidência de referidas contribuições sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas. Com efeito, somente em dezembro de 1998, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 20, que alterou vários artigos do texto constitucional, inclusive o inciso I do artigo 195, o qual passou a prever, na alínea “b”, que as contribuições para a seguridade social poderão incidir sobre a receita ou o faturamento. Diante dessas considerações, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 09 de novembro de 2005, por oportunidade do julgamento do Recurso Extraordinário n.º 390.840/MG2, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/19983, tendo o acórdão, acolhido por maioria, merecido a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. (grifouse) 2 V. os RE nºs 346.084, 357.950, 358.273, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, cujas ementas são do mesmo teor. 3 O controle de constitucionalidade foi realizado em caráter concentrado, sendo que o dispositivo declarado inconstitucional somente foi extirpado do ordenamento jurídico com o advento, em 27 de maio de 2009, da Lei nº 11.941/2009, que, em seu artigo 79, inciso XII, o revogou expressamente. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 270 6 De acordo com essa decisão, proferida pelo órgão ao qual incumbe a palavra final em exame de constitucionalidade, devese entender que a hipótese de incidência do PIS é o faturamento, devendo ser incluída na base de cálculo dessas contribuições somente a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços. E referida tributação sobre o faturamento, assim entendido como a receita proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, é a que se coaduna com a natureza e a finalidade da contribuição ao PIS/COFINS. Assim, temse que, no caso das instituições financeiras, as contribuições ao PIS/COFINS devem recair tão somente sobre negócios jurídicos em que é possível estabelecer um preço como contraprestação à mercadoria ou serviço disponibilizado. Se não atingirem exclusivamente os preços do tráfico de mercadorias e serviços, as contribuições ao PIS/COFINS estarão recaindo sobre o patrimônio da empresa, o que não é o objetivo dessas contribuições, e representarão uma injustificável sobreposição em relação à contribuição social sobre o lucro, no campo do financiamento da seguridade social. E a não caracterização, por exemplo, dos valores percebidos pelos bancos pelas operações de crédito por eles realizadas como contraprestação de serviços, decorre inclusive da previsão contida Lei Complementar nº 116/2003 (cfr. artigo 2º, inciso III), que exclui da incidência do ISS “o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras”. No julgamento do já mencionado RE nº 390.840/MG, o Ministro Cezar Peluso, embora tenha acompanhado o relator no sentido de votar pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, votou pela obrigatoriedade de não só as seguradoras, mas também os bancos estarem sujeitos ao recolhimento do PIS/COFINS, rejeitando o conceito de faturamento tido por “tradicional”, que abrangeria somente o ganho de empresas produtoras de bens e prestadoras de serviços que emitem fatura. De acordo com o Ministro, o conceito “moderno” de faturamento deve abranger não só a venda de mercadorias e serviços, mas também todas as atividades que integram o objeto social da sociedade. Ocorre que esse entendimento do Exmo. Ministro Cezar Peluso, com a devida licença, parece estar em contradição com o que o próprio defende. No voto proferido no RE nº 390.940/MG, o Ministro Cezar Peluso pugnou pela necessidade de conferir interpretação conforme à Constituição Federal para que a receita bruta referida na Lei nº 9.718/1998 seja considerada como sinônimo de faturamento, a saber, o resultado da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O próprio Ministro também afirmou que quando não há conceito jurídico expresso na Constituição Federal, o intérprete deve socorrerse dos instrumentos disponíveis no sistema do direito positivo. Do sistema do direito positivo brasileiro é possível extrair os conceitos de mercadoria e de serviços. E as receitas financeiras não se adequam a esses conceitos. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 271 7 Sendo assim, se o Ministro concebe faturamento como as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços, não há, a nosso ver, como se pretender tributar receitas que não se adequem perfeitamente a esse conceito. Não se olvida que o conceito de serviços é plurissignificativo, isto é, admite várias acepções, dependendo do enfoque: social, econômico, político etc., podendo assumir contornos mais ou menos amplos a depender da abordagem conferida. No entanto, o artigo 110 do Código Tributário impõe que, em matéria tributária, a acepção tomada seja restrita, ou melhor, jurídica. Com efeito, o conceito tido por “moderno” pelo Ministro Cezar Peluso, com a devida licença, é, a meu ver, inaplicável em matéria tributária, face ao princípio da legalidade e o disposto no artigo 110 do CTN, também corolário do princípio da legalidade, que exige que se recorra aos conceitos de direito privado para que se defina a hipótese de incidência dos tributos, conforme disposta na Constituição Federal. As notas de Misabel Abreu Machado Derzi às lições do renomado Aliomar Baleeiro4 são muito elucidativas quanto à impossibilidade de se adotar a interpretação econômica – como parece pretender o Ministro Cezar Peluso para se definir os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição Federal na definição das incidências tributárias. Os trechos a seguir destacados são contundentes: “A chamada interpretação segundo o critério econômico, consiste em apreender o sentido das normas, institutos e conceitos jurídicos, de acordo com a realidade econômica subjacente por detrás das formas jurídicas. Desenvolveuse plenamente na Alemanha, em distintos períodos, mas serviu, em certa época, ao desenvolvimento do fiscalismo e da insegurança jurídica, ao direito do Reich fascista e totalitário. (...) Assim, a interpretação econômica, que serviu a um regime totalitário foi erradicada da própria Alemanha, onde prosperou em tempos sombrios. Hoje, o critério ‘econômico’, que se invoca eventualmente na interpretação por um tribunal tedesco, serve à apuração da capacidade econômica de contribuir e somente se justifica, na medida em que, dentro dos limites dos sentidos possíveis da palavra, colher aquele sentido que melhor se ajustar aos postulados da justiça tributária. Ora, o Código Tributário Nacional também não acolheu a tese da interpretação econômica. Ao contrário, como observa Aliomar Baleeiro, o art. 110 proclama, como um limite ao próprio legislador: ‘... o primado do Direito Privado quanto à definição, ao conteúdo e ao alcance dos institutos, conceitos e formas deste ramo jurídico quando utilizado (sic) pela Constituição Federal, pelas dos Estados ou pelas Leis Orgânicas do DF e dos 4 In BALEEIRO, Aliomar, Direito tributário brasileiro, 11ª ed. atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro, Forense, 1999, pp. 689690. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 272 8 Municípios. A contrario sensu, tal primado não existe se aquelas definições, conceitos e formas promanam de outras leis ordinárias’ (v. comentários supra, tópico 3). Mas, e isso é de suma relevância, somente o legislador poderá atribuir efeitos tributários distintos, alterando o alcance e o conteúdo dos institutos e conceitos do Direito Privado, se inexistir obstáculo na Constituição. Não o intérprete e aplicador da lei. A licença, como diz Baleeiro, contida no art. 109, a contrario sensu, dirigese ao legislador, mesmo assim, naqueles casos, que são restritíssimos, em que institutos, conceitos e formas do Direito Privado não foram utilizados pela Constituição para definir ou limitar competências”. (itálico no original) O autor Rodrigo Caramori Petry5 compartilha do entendimento de que, tendo em vista a disposição contida no artigo 110 do Código Tributário Nacional, o conceito de faturamento deve conceber a prestação de serviços em sentido estrito. É o que se infere do seguinte trecho: “Por fim, ainda cumpre ressaltar que o conceito de ‘faturamento’ toma a expressão ‘prestação de serviços’ em sentido estrito. Assim sendo, não podem ser objeto de incidência da COFINS enquanto incidente sobre o ‘faturamento’, v.g., as receitas derivadas de locação de bens móveis ou imóveis, tendo em vista que a ‘locação de bens” não se configura como ‘prestação de serviço’, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 116.11213/SP”. O entendimento que vem sendo manifestado pelo Ministro Cezar Peluso contraria, ainda, a própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, ao menos desde o julgamento do RE nº 116.121/SP passando pelo julgamento do RE 390.840/MG, vem concebendo serviço como uma obrigação de fazer, conforme a conceituação trazida pelo Código Civil Brasileiro. Com as devidas vênias, não há como entender que outras receitas, que não aquelas provenientes da venda de mercadorias ou serviços, que não decorram de uma obrigação de fazer, possam ser incluídas na base de cálculo do PIS/COFINS, como parece defender o Ministro Cezar Peluso. Defender tal entendimento implica, em última análise, uma “reconstitucionalização” do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, na medida em que se passará a admitir a inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS de outras receitas que não as provenientes da venda de mercadorias e serviços, alargandose sobremaneira o conceito de faturamento adotado pela Constituição Federal, ao arrepio do disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, ou se permitindo uma nova fonte de custeio da seguridade social (receita), que não estava prevista na redação original do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, vigente à época da edição da Lei nº 9.718/1998. 5 PETRY, Rodrigo Caramori. Contribuições Pis/Pasep e Cofins – Limites Constitucionais da Tributação sobre o “Faturamento”, a “Receita”, e a “Receita Operacional” das empresas e outras entidades no Brasil. São Paulo: Quartier Latin, 2009, pp. 148 e 149. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 273 9 Diante do acima exposto, tendo em vista que o recorrente é possuidor de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS, como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 274 10 Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil6. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os 6 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 275 11 demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 19707, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras8. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro9, sem nenhuma menção à receita. 7 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 8 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. 9 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 276 12 É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 277 13 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 278 14 Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 279 15 o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 280 16 Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento10. Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. 10 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 281 17 É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 282 18 A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 283 19 é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 284 20 operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 285 21 Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 286 22 O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 287 23 então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento11“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e 11 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 288 24 fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0112. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando 12 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720844/201071 Acórdão n.º 9303002.944 CSRFT3 Fl. 289 25 calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726316/2010-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA.
Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação em relação ao direito creditório postulado devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa.
MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N.2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E tal incompetência impede o julgador de afastar disposição legal expressa vigente em função de comando constitucional.
Numero da decisão: 3403-003.487
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que deu provimento para excluir das bases de cálculo as despesas com bonificações, descontos e propaganda. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que deu provimento para excluir das bases de cálculo os descontos, exceto as contas 32110210, 32110211, 32112012, 32112021, 32170018 e 32170020. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que deu provimento para excluir da base de cálculo os descontos e bonificações. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE no 25.263.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação em relação ao direito creditório postulado devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa. MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E tal incompetência impede o julgador de afastar disposição legal expressa vigente em função de comando constitucional.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.726316/2010-89
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5427157
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.487
nome_arquivo_s : Decisao_11080726316201089.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11080726316201089_5427157.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que deu provimento para excluir das bases de cálculo as despesas com bonificações, descontos e propaganda. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que deu provimento para excluir das bases de cálculo os descontos, exceto as contas 32110210, 32110211, 32112012, 32112021, 32170018 e 32170020. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que deu provimento para excluir da base de cálculo os descontos e bonificações. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE no 25.263. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5817859
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047475720290304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3.249 1 3.248 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.726316/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.487 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria AIPIS e COFINS Recorrente WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA (antiga denominação de SONAE DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL SA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 COFINS. RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 16 /2 01 0- 89 Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação em relação ao direito creditório postulado devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa. MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E tal incompetência impede o julgador de afastar disposição legal expressa vigente em função de comando constitucional. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que deu provimento para excluir das bases de cálculo as despesas com bonificações, descontos e propaganda. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que deu provimento para excluir das bases de cálculo os descontos, exceto as contas 32110210, 32110211, 32112012, 32112021, 32170018 e 32170020. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que deu provimento para excluir da base de cálculo os descontos e bonificações. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE no 25.263. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 27/01/2011 (fls. 2250 a 2262, e 2263 a 2275, com ciência na mesma data fls. 2251 e 2264)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP (de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.250 3 acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 42.184.287,75), e COFINS (do mesmo período, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 194.303.387,74). Ambas as contribuições são exigidas na sistemática da nãocumulatividade, disciplinada nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. No Relatório de Ação Fiscal (RAF) de fls. 2277 a 2309, narra a fiscalização que: (a) após intimações para justificar a natureza dos valores constantes em determinadas contas, e apresentar os instrumentos que regularam as prestações/contraprestações entre partes, constatouse a prática de “rappel/pedágio”; (b) a empresa já havia sido autuada em relação às contribuições (processos administrativos no 11080.013955/200271, no 11080.013954/200226 e no 11080.011290/200694) pelas mesmas práticas, que foram ensejadoras de CPI e investigações que envolveram grandes redes supermercadistas (descrevendo trechos de reportagens e depoimentos sobre o tema); (c) como a base de cálculo das contribuições é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, devem integrar tal base os valores considerados pela empresa como “recuperação de custos” (contas do grupo 32 “CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS”) e como “recuperação de despesas” (contas do grupo 42 “DESPESAS COM VENDAS”); (d) os contratos de “Acordo Promocional” (relação às fls. 1919 a 1926, incluindo, v.g., “recuperação quebra”, “mega ação hiper 2005” e “recuperação campanha promocional”) tem por objeto “a participação do fornecedor no evento descrito”, “promovido pela WMS através (sic) do pagamento dos valores e/ou mercadorias a fim de redução do preço de custo e/ou de recuperação de gastos cooperados”; (e) os “Acordos de Fornecimento” incluem, entre outros (fls. 2292 a 2295), previsão de que na concessão de bonificações (fornecimento gratuito de produtos, além da quantidade encomendada) deve ser emitida nota fiscal própria, de que o fornecedor fica obrigado a retirar mercadorias avariadas ou conceder “desconto avaria” (que independe da existência de fato de mercadorias avariadas, sendo expresso em percentual do valor das notas fiscais), e de que o fornecedor se utilize da estrutura de distribuição da WMS (antiga Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 4 SONAE), mediante o pagamento de “desconto de centralização”; (f) a empresa informa, no detalhamento da apuração do pagamento de notas fiscais de fornecedores (fl. 1863), que “as notas citadas nos print acima foram pagas para Fornecedor com a dedução das respectivas receitas contratuais também citadas nos print” (receitas essas que se subdividem nas espécies relacionadas à fl. 2295); (g) foram considerados pelo fisco como receitas de atividade empresarial as receitas contratuais das contas: 32.11.00.16. BONIFICAÇÃO P/ RECUPERAÇÃO DE QUEBRA (fls. 2296/2297), 32.11.00.46. “BONIFICAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO MERCADORIAS” (fls. 2296/2297), 32.11.00.21. “BONIFICAÇÃO PARA PROMOÇÕES” (fl. 2297), 32.14.00.11. “BONIFICAÇÕES CONTRATO DE MERCADORIAS” (fl. 2297), 32.11.02.22. “OUTROS DESCONTOS COML MCKINSEY” (fls. 2297/2298), 32.11.00.17. “BONIFICAÇÃO P/ PROMOÇÕES DE ABERTURA” (fls. 2298/2299), 32.11.02.10. “DESCONTO DE FIDELIDADE BASICO” (fls. 2299/2300), 32.11.02.11. “DESCTO FIDELIDADE ESCALAO” (fls. 2299/2300), 32.11.02.20. “DESCONTO DE FIDELIDADE ESCALOES” (fls. 2299/2300), 32.11.02.21. “DESCONTO DE COMPRAS ATENDIDAS” (fls. 2300/2301), 32.17.00.13. “DESCONTO DE NÃO DEVOLUÇÃO” (fl. 2301), 32.17.00.14. “DESCONTO SUBSÍDIO” (fls. 2301/2302), 32.17.00.18. “DESCONTO PROMOÇÃO ANIVERSÁRIO” (fl. 2302), 32.17.00.20. “DESCONTO DE CENTRALIZAÇÃO” (fl. 2303), 32.17.00.24. “DESCONTO DE CENTRALIZAÇÃO DE CONSUMÍVEIS” (fl. 2303), 32.11.00.99. “DESCARTE DE MERCADORIAS” (fls. 2303/2304), 42.00.00.50. “PROPAGANDA (RECUPERAÇÃO)” (fls. 2304/2305), 42.00.00.51. “PROPAGANDA RECUPERAÇÃO EXTRA” (fls. 2304/2305), 42.00.00.52. “RECUPERAÇÃO EXTRA COM EVENTOS MKT” (fls. 2304/2305), e 42.00.00.56 “PROPAGANDA INSTITUCIONAL” (fls. 2304/2305); (h) as contas são credoras e registram valores decorrentes de receitas contratuais, sendo que as relativas a propaganda não guardam correspondência direta com os custos, mas são estabelecidas em percentuais negociados e incidentes sobre o volume total das notas fiscais emitidas pelo fornecedor; (i) conclui a fiscalização que se fossem os “descontos” redução no custo das mercadorias compradas, as notas Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.251 5 fiscais retratariam tal situação, consignando ali os respectivos valores; contudo, no caso não se pactua redução “no preço das mercadorias”, mas sim “no valor a ser pago posteriormente”, pois a fiscalizada “após adquirir as mercadorias pelo valor total consignado nas notas, ao invés de liquidar a dívida por este valor total, paga um valor reduzido, extinguindo, assim, o passivo por um valor menor que o da dívida original sem a extinção concomitante do ativo, tendose assim uma receita realizada”; e (j) além de não guardarem correspondência com avarias, custos de propaganda ou de eventos, e outras situações análogas, todos os valores cobrados referidos na autuação “não são suportados por documentação fiscal alguma”, sendo recebidos em carteira, mediante cobrança bancária, desconto no pagamento ou ainda em mercadorias (bonificações). A empresa apresenta sua impugnação em 25/02/2011 (fls. 2406 a 2435), argumentando, em síntese, que: (a) as referidas contas tratam de valores que “não se caracterizam como receitas tampouco faturamento, posto que representam mera redução de custo de aquisição”, e que “ainda que tais parcelas fossem base imponível daquelas contribuições, tratarseia de receita financeira, sujeitas (sic) à alíquota zero”; (b) apenas são “receitas auferidas” aquelas que acrescem o patrimônio, representando disponibilidade para quem recebe; (c) a fiscalização utilizou um terço de seu relatório para descrever matérias jornalísticas e processos eminentemente políticos, fatos esses que não devem compor a presente lide, mesmo reconhecendo ao final que tais referências são irrelevantes para efeito de tributação pelas contribuições; (d) o art. 373 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), citado pelo fisco, corrobora o entendimento da empresa de que os “descontos” são receitas financeiras, tendo a fiscalização interpretado equivocadamente a resposta à pergunta no 139 do “Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica do anocalendário de 2006”; (e) o fato de a empresa manter CD (Centros de Distribuição) “recebendo os produtos para posterior entrega em suas lojas não concede à fiscalização o Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 6 direito de presumir que a impugnante presta serviço de transporte e distribuição aos seus fornecedores”; (f) as contas contábeis podem ser livremente nominadas, e sua denominação não pode desnaturar a essência da operação e constituir, por erro, base imponível de tributo (“o que vale, pois, para fins tributários, é a essência e não a denominação ou classificação contábil”); (g) a empresa “negocia previamente com seus fornecedores benefícios os quais serão praticados em todas as operações seguintes”, e tais benefícios independem de eventos futuros, sendo previamente conhecidos, não representando qualquer acréscimo patrimonial, ou “receita auferida” (cf. parecer que anexa), mas visando, ao final, reduzir o custo de aquisição dos produtos fornecidos / adquiridos (o que se demonstra a título exemplificativo, requerendose ao final diligência/perícia quesitos à fl. 2435 e juntada posterior de provas); (h) admitindose, ad argumentandum tantum, que as/os bonificações/descontos sejam efetivamente “receita auferida”, citadas receitas seriam “financeiras” (cf. entendimentos das DRJ de Salvador e Curitiba, e do CARF), e sujeitas à alíquota zero por força dos Decretos no 5.164/2002 e no 5.442/2005; (i) ainda ad argumentandum tantum, as bonificações em mercadorias, se objeto de tributação na aquisição, resultariam em bis in idem, visto haver tributação na venda; (j) parte dos valores que o fisco indica como não oferecidos a tributação nas contas relacionadas no RAF foi objeto de tributação; (k) houve erro na base de cálculo de janeiro de 2006 (conta 32.17.00.24, na qual se inclui receita em valor correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2006); e (l) houve erro na aplicação da multa de ofício de 75% (art. 44 da Lei no 9.430/1996), que deve ser compatibilizada com outros preceitos do ordenamento jurídico (arts. 108, V e 112 do CTN e art. 5o, XLVI da CF/1988), em função da isonomia e da proporcionalidade. Em 16/06/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 2941 a 2949), no qual se decide unanimemente pela parcial procedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) a empresa foi autuada em 2002 e 2006 basicamente pelas mesmas matérias, já tendo a primeira autuação sido mantida pelo CARF, que ainda deve julgar a Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.252 7 segunda, mantida na DRJ (transcrevendose parte das ementas), em que pese tais julgados não vincularem as decisões a serem proferidas; (b) as exclusões da base de cálculo das contribuições são restritas, e estabelecidas em lei, não se enquadrando o negócio jurídico efetuado no caso entre as hipóteses legais de exclusão; (c) o desconto, para ser incondicional, “deve estar consignado nota a nota, não se admitindo seu cálculo a partir de percentuais ou estimativas sobre um conjunto de compras ou de operações”, sendo irrelevante a denominação contábil adotada; (d) as aquisições efetuadas, pelo valor das notas fiscais (sem os descontos), servirão de base para a apuração de crédito remetendo aos DACON de fls. 6 a 704; (e) as receitas não são financeiras, em virtude da especificidade do texto do art. 9o da Lei no 9.718/1998, sendo habituais, e não esporádicas ou extraordinárias, não figurando os valores nas notas fiscais de aquisição; (f) os descontos sob a forma de bonificações em mercadorias podem ser considerados incondicionais desde que representem parcela redutora do valor da venda, constando na respectiva nota fiscal (o que não é o caso dos autos, nos quais as mercadorias são remetidas com notas fiscais próprias); (g) deve ser mantida a multa de ofício de 75%, justamente por ter havido falta de pagamento e declaração não dolosos (houvesse sido comprovado o dolo, a multa seria de 150%); (h) o lançamento foi efetuado com base na contabilidade da empresa, e o exame dos documentos constantes nos autos revelase suficiente para a apreciação da lide, sendo prescindível a realização de perícia; e (i) em relação aos erros especificamente impugnados (descartandose a parcela genericamente contestada), é procedente a alegação de que foi equivocada a base de cálculo de janeiro de 2006, devendo ser excluído o valor correspondente ao erro apontado da base de cálculo. Cientificada do acórdão da DRJ em 06/07/2011 (cf. AR à fl. 2956), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 04/08/2011 (fls. 2958 a 2991), reiterando as considerações expostas na impugnação (que ratifica expressamente às fls. 2990/2991, inclusive no que se refere à solicitação de diligência/perícia), e acrescentando que: (a) a DRJ tangenciou o debate, ao não discutir se os descontos constituem “receitas auferidas”; (b) a DRJ não apreciou os documentos e a demonstração efetuada pela recorrente, pois na página 2947 afirmou que “as notas fiscais não atestam se os valores foram efetivamente pagos, em quantas vezes, ou o lucro da operação” e que elas, “justamente, servem para documentar e atestar o valor das operações efetuadas”; e (c) a DRJ não apreciou os cinco exemplos de lançamentos em contas contábeis que buscavam demonstrar, por amostragem, que se trata de redutor de custo ou, no máximo, de desconto financeiro obtido. Acrescenta ainda: (d) em relação às bonificações em mercadorias, julgado em que também foi a empresa autuada, tendo a 3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes afastado o lançamento; e (e) em relação à afirmação de que havia valores já tributados, e não considerados pela fiscalização (efetuada genericamente na impugnação), documentos que buscam demonstrar o alegado. A Fazenda (por meio da PGFN) apresenta contrarrazões ao recurso voluntário em 23/11/2011 (fls. 3066 a 3083), também fazendo remissão aos processos da mesma empresa já julgados pelo CARF (e ao Acórdão no 20403.303), e sustentando que : (a) “o cerne da questão é verificar se os valores que a contribuinte cobra dos fornecedores e desconta no valor a pagar aos fornecedores integram ou não a base de cálculo da COFINS e do PIS”; (b) os valores constituem “receita auferida” por meio de “compensação”, e a base de cálculo no regime não cumulativo é a totalidade das receitas auferidas; (c) os descontos incondicionais motivam exclusões da base de cálculo para o vendedor/bonificador, e não para o recebedor; e (d) as receitas financeiras sujeitas a alíquota zero são as advindas de empréstimos e financiamentos, nos termos do caput do art. 27 da Lei no 10.865/2004 (que não é o caso dos autos). Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 8 O processo foi objeto de julgamento nesta Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, em 27/02/2013 (Resolução no 3403000.427, fls. 3143 a 3148), sob a relatoria do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz (que não mais faz parte deste colegiado), tendo sido acordado unanimemente (com quatro dos seis atuais componentes da turma) pela baixa em diligência, para que a unidade local informasse se a tomada de créditos era efetuada pelo valor das notas fiscais (sem desconto) ou pelo valor já reduzido. No Relatório de Diligência Fiscal (RDF) de fls. 3211 a 3235, emitido em 14/10/2013, a unidade local informa que a própria recorrente informou que “os descontos de créditos desse período (2006 a 2007) corresponderam aos valores das notas fiscais emitidas pelo fornecedor para documentar as compras”, o que restou também comprovado pelo fisco. Cientificada do teor do RDF em 22/10/2013 (fl. 3236), a empresa apresenta manifestação sobre o relatório em 22/11/2013 (fls. 3344 a 3350), alegando que: (a) um pretenso erro não justifica outro, não podendo o tratamento do crédito ser determinante para definir a natureza do desconto que é conseguido; (b) em processo semelhante, no qual também se apurou o erro em relação ao credito, esclareceuse que não pode haver agravamento do lançamento para glosa de créditos; (c) “a recorrente, desde a impugnação, defende que se trata de desconto incondicional”, mas “o fato é que desconto, seja de que espécie for, não é receita”, o que é endossado pelo Acórdão no 3402002.092 do CARF; e (d) admitindose que o desconto seja receita, e ainda condicional (por não constar da nota fiscal ou pelo fato de a empresa se creditar do valor integral da nota fiscal), apenas para argumentar, ainda assim a tributação seria à alíquota zero, por tratarse de receita financeira, citando o mesmo Acórdão no 3402002.092 do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As matérias que remanescem controversas após a decisão de piso são basicamente questões preliminares sobre o julgamento efetuado em primeira instância, a ocorrência de eventual erro na apuração de valores na autuação, a natureza dos montantes externados nas contas apontadas pelo fisco (mormente referentes a propagandas, descontos e bonificações), e a aplicação de multa de ofício de 75% pela falta de pagamento e declaração. Sobre o longo excerto do relatório fiscal com reportagens e depoimentos sobre a atuação as grandes redes de supermercado, além de a própria fiscalização afirmar que serve apenas para contextualizar a narrativa do caso concreto, sendo irrelevante para fins de tributação, o que é endossado pela DRJ e pela própria recorrente, cabe destacar que nenhuma das informações constantes de tal excerto teve qualquer influência perceptível no julgamento, assim como não terá no voto que aqui se inicia. Há que se tratar de cada matéria no foro adequado, e práticas concorrenciais (a menos que em suas manifestações tributárias) devem ser tratadas no CADE, e não no CARF. Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.253 9 Sobre os diversos acórdãos e pareceres apresentados, tanto pelo fisco/pela Fazenda, quanto pela recorrente cabe ainda informar que serão tomados em conta, mas não vinculam o entendimento deste colegiado (exceto nas disposições em que a lei ou o regimento interno expressamente o estabelecem). A partir dessas considerações iniciais, com as premissas nelas externadas, passase à análise da lide. Das preliminares julgamento de piso Afirma a recorrente que a DRJ tangenciou o debate de mérito, ao não discutir se os descontos constituem “receitas auferidas”, que não apreciou os documentos e a demonstração efetuada pela recorrente, pois na página 2947 afirmou que “as notas fiscais não atestam se os valores foram efetivamente pagos, em quantas vezes, ou o lucro da operação” e que elas, “justamente, servem para documentar e atestar o valor das operações efetuadas”, e que não apreciou os cinco exemplos de lançamentos em contas contábeis que buscavam demonstrar, por amostragem, que se trata de redutor de custo ou, no máximo, de desconto financeiro obtido. Não percebemos as omissões levantadas no julgamento de piso, na forma alegada pela recorrente. A DRJ efetivamente concluiu que as rubricas apontadas constituem receitas, explicando as alterações efetuadas com o advento da não cumulatividade, com base universal (fls. 2945/2946), mesmo em face dos exemplos apresentados na impugnação, secundários diante do comando do texto legal, para aquele julgador. A empresa apurou as contribuições (e inclusive os créditos, como se percebe pelo resultado da diligência demandada por esta Turma) pelo valor das notas fiscais. Assim, estes eram os valores das operações efetuadas oficialmente informados ao fisco. Daí a afirmação do julgador de piso (fl. 2947) de que: “Conforme a própria empresa, por questões de mercado, os ajustes com os fornecedores não são feitos através dos preços, não constando qualquer desconto das notas fiscais. Assim, esses são os valores de aquisição dos bens de revenda, que constam dos documentos fiscais e que, portanto, seriam passíveis de creditamento. Já os valores ajustados com os fornecedores devem ser considerados receitas para o cálculo das contribuições. Devese destacar que no caso ora em análise não está sendo tributado o lucro. Assim, se o custo é ajustado em contas contábeis separadas para refletir o lucro da operação de compra e venda, não haverá implicação sobre o IRPJ, por exemplo, o que não afeta a necessária inclusão na base de calculo do PIS e Cofins. Observese que já consta do Anexo 2 do Acordo Geral de Fornecimento de 2005 (fl. 1.949) a concordância dos fornecedores para o Sonae/WMS efetuar os pagamentos pelos valores líquidos dos descontos acordados, o que não afeta a questão tributária envolvida. As notas fiscais não atestam se os valores foram efetivamente pagos, em quantas vezes, ou o lucro Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 10 da operação. Elas, justamente, servem para documentar e atestar o valor das operações efetuadas.” (grifo nosso) Por ter participado do julgamento que motivou a conversão em diligência, em fevereiro de 2013, tenho a segurança de recordar que esta era realmente a dúvida principal surgida na apreciação da lide: se os valores corretos seriam os das notas fiscais ou aqueles já com os multicitados descontos. Por certo não estava o julgador sequer cogitando majorar a autuação, ou gerar glosas de créditos. Estava somente a verificar, em nome da tão vilipendiada verdade material, qual era a real situação em análise. Assim, a afirmação da DRJ não decorre da falta de análise dos documentos apresentados. Pelo contrário, ela é corroborada pelo aprofundamento da análise efetuada após a diligência determinada por esta Turma. Não se pode confundir omissão do julgador com discordância em relação às conclusões do julgador. A DRJ efetivamente analisa os argumentos relevantes de defesa, inclusive afastando o lançamento em relação a rubrica para a qual a empresa comprova ter existido erro. Pelo exposto, não se vê a presença da mácula da omissão no julgamento de piso. Do erro apontado na autuação Ainda em sede impugnação, afirmava a empresa, em sintético tópico (fl. 2432) que: Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.254 11 Absolutamente genérico e desacompanhado de elementos probatórios, o tópico limitavase a afirmar que “havia alguns lançamentos a crédito que não correspondiam aos eventos já discriminados”. A DRJ, sobre tal erro, manifesta (fl. 2948) que: “A alegação da existência, para o anocalendário 2007, nas contas contábeis objeto do lançamento, de valores que não se referem às operações em comento não é comprovada na impugnação, sendo que a discriminação dos valores que não se enquadrariam não é suficiente. Nos autos, não são oferecidos elementos capazes de elidir a tributação, realizada com base nos registros contábeis.” Em sede de recurso voluntário, a empresa repete literalmente tais textos (fls. 2987/2988), acrescentando argumentação a título exemplificativo, para junho de 2007, e documentos (fls. 3035 a 3057) que afirma comprovarem suas alegações. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 12 Há que se aclarar, aqui, que a apresentação de documentos após a impugnação fora das hipóteses do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, nas raras ocasiões em que aceita por este tribunal, o é em função da verdade material. E todos os documentos apresentados na peça recursal já estavam disponíveis quando da apresentação da impugnação. Ademais, mesmo após o recurso voluntário a argumentação é ainda exemplificativa, e com elementos que sequer suscitam a dúvida no julgador, o que poderia ensejar a conversão em diligência. Mas é de se recordar que, como já vem decidindo unanimemente esta turma (v.g., Acórdãos no 3403002.211, no 3403002.470 e no 3403002.681), a diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação em relação ao direito creditório postulado devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Não se vê, mesmo em outros tópicos a serem analisados, qualquer providência que demande a realização de diligências ou perícias, sendo os quesitos formulados ao final da peça impugnatória (fl. 2435) irrelevantes para a apreciação da lide, pois o processo já reúne, nas condições em que apresentado, após a realização da diligência solicitada por esta Turma, os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Não há, então, comprovação de erro no lançamento, sendo sequer semeada a dúvida em relação à matéria no julgador, pelo que se mantém a autuação em relação ao tópico. Da natureza dos montantes externados nas contas apontadas pelo fisco Antes de ingressar na parte contenciosa, há que se esclarecer no que estão em pleno acordo o fisco e a empresa. No plano fático, ambos reconhecem que o que acontece, em realidade, são aquisições de bens com pagamento de valor que é diferente (para menor) do constante nas notas fiscais relativas às operações, em virtude de abatimentos pactuados com fornecedores (apesar de se ter pleiteado créditos em relação ao valor total das notas fiscais). No plano jurídico, ambos reiteradamente afirmam que a denominação das contas contábeis é irrelevante para efeitos de tributação pelas contribuições. Não há, assim, muito o que discutir em relação a tais matérias. A irrelevância da denominação ou classificação contábil é expressa já no art. 1o das leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 e no 10.833/2003) e, de fato, restou inequívoco que os pagamentos efetuados são em valor menor do que o estabelecido para as operações nas notas fiscais e utilizado para a obtenção de créditos. Como destacado no Relatório de Ação Fiscal, são as seguintes as contas e justificativas para o lançamento (todas fundadas nos “Acordos de Fornecimento” anuais da recorrente e nos detalhamentos por ela informados): Conta (folhas do RAF) Justificativa 32.11.00.16. BONIFICAÇÃO P/ RECUPERAÇÃO DE QUEBRA e 32.11.00.46. Contas credoras, tendo a empresa detalhado que nelas registra “descontos financeiros concedidos Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.255 13 “BONIFICAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO MERCADORIAS” (fls. 2296/2297) pelos fornecedores, via Acordo Promocional, em razão das quebras de mercadorias”, não havendo qualquer relação dos valores com efetivas quebras. 32.11.00.21. “BONIFICAÇÃO PARA PROMOÇÕES” (fl. 2297) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “descontos financeiros concedidos pelos fornecedores, via Acordo Promocional, em razão de se fazer promoção de mercadorias para venda”. 32.14.00.11. “BONIFICAÇÕES CONTRATO DE MERCADORIAS” (fl. 2297) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “descontos financeiros concedidos pelos fornecedores, via Acordo Promocional, em razão de questões de mercado”. 32.11.02.22. “OUTROS DESCONTOS COML MCKINSEY” (fls. 2297/2298) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “descontos financeiros concedidos pelo fornecedor McKinsey, via Acordo Promocional”. 32.11.00.17. “BONIFICAÇÃO P/ PROMOÇÕES DE ABERTURA” (fls. 2298/2299) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “receita contratual em % ou em valor monetário fixo, acordado com o fornecedor”. Ou seja, o chamado “pedágio” para participar de eventos. 32.11.02.10. “DESCONTO DE FIDELIDADE BASICO”, 32.11.02.11. “DESCTO FIDELIDADE ESCALAO”, e 32.11.02.20. “DESCONTO DE FIDELIDADE ESCALOES” (fls. 2299/2300) Contas credoras, tendo a empresa detalhado que nelas registra “receita contratual % acordada com o fornecedor”, relativa, respectivamente, a “garantia de escoamento de parte da produção do fornecedor”, “provisão de escalão, estornado ao final do ano”, e “garantia de escoamento da produção do fornecedor, comparativo de crescimento das compras do exercício vigente em relação ao anterior”. As receitas não são, assim, redução de custos, mas remuneração cobrada dos fornecedores pela garantia do escoamento da produção do fornecedor, e pelo crescimento das vendas deste. 32.11.02.21. “DESCONTO DE COMPRAS ATENDIDAS” (fls. 2300/2301) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “receita contratual % acordado com o fornecedor”. Em verdade, tratase de multa contratual pelo descumprimento dos prazos de entrega. 32.17.00.13. “DESCONTO DE NÃO DEVOLUÇÃO” (fl. 2301) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “receita contratual % acordado com o fornecedor”. O valor é cobrado independentemente de haver ou não avarias, em virtude de opção do fornecedor de não efetuar as devoluções caso a caso. Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 14 32.17.00.14. “DESCONTO SUBSÍDIO” (fls. 2301/2302) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “quebra desconhecida (desconhecida a origem da quebra)”. O valor é cobrado independentemente de uma efetiva apuração das perdas mencionadas. 32.17.00.18. “DESCONTO PROMOÇÃO ANIVERSÁRIO” (fl. 2302) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “receita contratual em % ou em valor monetário fixo, acordado com o fornecedor”. O fornecedor pode participar do plano de desenvolvimento cooperado mediante o pagamento de algumas parcelas (aniversário, propaganda cooperativada, espaço cooperativado, propaganda institucional e espaço institucional). Tratase de “pedágio”/“taxa” com a finalidade de poder o fornecedor participar de evento. 32.17.00.20. “DESCONTO DE CENTRALIZAÇÃO” e 32.17.00.24. “DESCONTO DE CENTRALIZAÇÃO DE CONSUMÍVEIS” (fl. 2303) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “desconto financeiro concedido pelos fornecedores pela centralização das compras de material de uso e de consumo”. Em acordo de fornecimentos se estabelece que o fornecedor pode usar o Centro de Distribuição (CD) e a frota de caminhões da recorrente mediante o pagamento da contraprestação pela centralização de entregas, em percentual aplicado sobre todas as notas fiscais de mercadorias entregues no CD. Tratase de prestação de serviços. 32.11.00.99. “DESCARTE DE MERCADORIAS” (fls. 2303/2304) Conta credora, tendo a empresa detalhado que nela registra “desconto financeiro concedido pelos fornecedores em razão de mercadorias impróprias para revenda”. O fornecedor autoriza contratualmente a recorrente a descartar as mercadorias adquiridas para liberação dos pontos de armazenagem, sendo o valor ressarcido calculado pelo custo das mercadorias descartadas acrescido dos custos referentes ao manuseio, transporte e taxas de utilização de aterro sanitário (mediante emissão de nota de débito, sem fins fiscais). 42.00.00.50. “PROPAGANDA (RECUPERAÇÃO)”, 42.00.00.51. “PROPAGANDA RECUPERAÇÃO EXTRA”, 42.00.00.52. “RECUPERAÇÃO EXTRA COM EVENTOS MKT”, e 42.00.00.56 “PROPAGANDA INSTITUCIONAL” (fls. 2304/2305) Contas credoras, tendo a empresa detalhado que nelas registra “descontos financeiros recebidos dos fornecedores”, “sobre os valores das notas fiscais, mediante percentuais/valores estabelecidos previamente”. As cobranças não guardam relação direta com os custos de propaganda. A empresa sustenta basicamente que as contas são redutoras de custos, e por isso não são “receita auferida” nem faturamento, por não representarem acréscimo patrimonial. E adiciona que ainda que fossem receitas, seriam receitas financeiras, tributadas à alíquota zero para as contribuições, por força do art. 373 do RIR/1999. Na manifestação em relação ao resultado da diligência (fl. 3348), a recorrente afirma ainda textualmente que “desde a Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.256 15 impugnação, defende que se trata de desconto incondicional”, mas “o fato é que desconto, seja de que espécie for, não é receita”. A discussão não é nova neste colegiado. Em julho de 2013 a Turma inaugurou o tratamento do tema no Acórdão no 3403002.367, sob minha relatoria, em caso que guarda nítida identidade com o aqui apresentado2. Na ocasião, decidiuse, por qualidade, que os “descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP” e da COFINS. Naquela ocasião ainda o Conselheiro Ivan Allegretti (capitaneando a divergência) apresentou declaração de voto, explicitando a motivação de sua discordância em relação ao resultado do julgamento: “Pareceme, com efeito, que são dois os panoramas possíveis: ou a mercadoria entra na contabilidade do mercado pelo valor cheio (sem desconto) ou pelo valor do pagamento (com desconto). Se a contabilidade do contribuinte apropria como custo de aquisição da mercadoria o valor do pagamento (com desconto), isto significa que as rubricas que controlam as duas hipóteses recuperação de custos e a receita financeira – na verdade são apenas mecanismos de controle da aplicação do ganho econômico que o contribuinte teve por ter adquirido uma mercadoria que, tendo um determinado preço de mercado para o consumidor final, foi adquirida por um preço inferior ao preço de mercado normalmente praticado pelo produtor. Ou seja, neste caso, a contabilidade faria o controle da mais valia que o produto porta consigo, que deixou de ser ganho pelo fornecedor, e que o mercado (neste caso o contribuinte) resolveu, ao invés de simplesmente apropriar como um ganho, separar para utilizar para determinados tipos de aplicações, que geram proveito de mercado não apenas para si, mas também para os seus fornecedores. Neste caso, entendo que não se configura o citado “atalho” (ao invés de pagar e depois receber de volta, o valor fica desde logo com o contribuinte, com pagamento de serviços), não se podendo cogitar de tributar o desconto como se fosse uma receita. De outro lado, se a contabilidade toma como custo de aquisição da mercadoria o valor sem desconto (valor cheio) e, assim, apropriouse como despesa dedutível para a dedução do IR também este valor, bem como gerouse crédito de PIS/Cofins nãocumulativo em relação a este valor de aquisição, então de fato o contribuinte estaria fazendo o referindo “atalho”, pois na verdade apenas deixou de desembolsar um valor que na verdade iria receber de volta. 2 As rubricas analisadas eram, entre outras: receitas de promoções, receita de promoção e publicidade, receita de enxoval de lojas, receita de acordos de não devolução, receitas de eventos promocionais, recuperação ordenado repositores, recuperação despesas com nutrição, recuperação de despesas de aniversário, recuperação de custos logísticos, recuperação de despesas Bloco de Parceria, Year Beginning Meeting Recuperation, recuperação de custos Back Haul, descontos obtidos Programa de Pagamento, e recuperação de despesas encontro de clientes. E as teses sustentadas eram basicamente as mesmas externadas no presente processo. Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 16 Notese que em tal hipótese, como é evidente, o valor da operação para o fornecedor seria a mesma – o valor cheio, sem desconto – de maneira que a sua receita e seu lucro, partindo deste valor cheio, seriam regularmente submetidos a PIS/Cofins e IRPJ e CSLL. Portanto, a descrição do fluxo contábil ajudaria a resolver isso, mas, tendo em vista que os colegas do colegiado entenderam de antemão que não seria o caso de converter o julgamento de diligência, buscase, então, outra forma de obter critério para tal decisão. Verifiquei que o Termo de Verificação Fiscal não detalha, nem de nenhuma forma explica, como funcionam as rubricas em questão, se são contrapartidas de ingressos, ou de que outra forma são tratados na contabilidade. Diante disso, entendo que não foi demonstrada a efetiva natureza de receita, o que seria indispensável para legitimar o lançamento e, por isso, entendo que deve ser provido o recurso.” (grifo nosso) Notese que o Conselheiro Ivan Allegretti, que comandou a divergência naquela votação, manifestou preocupação em baixar o processo em diligência para que se verificasse como ocorreu o cômputo dos créditos. Tal desejo, não atendido naquele processo, o foi no presente, apurandose exatamente a situação que descrita na declaração de voto como um “atalho”, sujeitando os valores à tributação pelas contribuições. A Turma ainda apreciou, em outubro de 2013, processo referente ao mesmo tema sob relatoria do Conselheiro Domingos de Sá Filho (Acórdão no 3403002.520). Na ocasião, concluiuse, por qualidade, que: “Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto.” No mesmo julgamento, concluiuse por maioria (vencido apenas o Conselheiro Domingos de Sá Filho) que: “Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos.” Cabe transcrever excerto do voto vencedor, de minha lavra, naquele julgado, também de substancial similitude com o presente, para esclarecer o posicionamento que ainda mantenho em relação à matéria: “(...) a legislação de regência das contribuições, exposta ao início, não trata de conceito restrito, mas alargado de “receitas”, o que deriva de sua simples leitura (“receita bruta de venda de bens e serviços” e “todas as demais receitas auferidas”) há que se aclarar que, para efeito de tributação, mesmo os descontos incondicionais constituem “receitas”. Tanto que são expressamente excluídos da tributação, mas não do conceito de “receitas”. Assim, se as contas se referem a Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.257 17 descontos incondicionais, elas constituem receita (porque a lei expressamente o estabelece). Vejase o § 3o do art. 1o de qualquer das leis de regência transcritas, que explicitamente afirma que não integram a base de cálculo as receitas referentes a descontos incondicionais concedidos. A lei inegavelmente estabeleceu que a base de cálculo das contribuições abarca todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e que poderiam ser excluídas de tal base as receitas referentes a descontos incondicionais. Tanto as bonificações quanto os descontos obtidos são enquadrados pela recorrente em tal incondicionalidade, em que pese não atenderem aos pressupostos estabelecidos pelo fisco (como a informação específica em nota fiscal, que se soma à independência de evento posterior). O fisco logra atestar que os ingressos constituem receitas (dentro do conceito acima exposto), inclusive afastando da autuação os descontos para os quais se comprova a origem financeira. (...) Sendo inequívoco que constituem receitas as rubricas em discussão, e não restando caracterizada a contento a situação de receitas provenientes de descontos incondicionais, voto pelo não provimento do recurso nesses tópicos (descontos obtidos e mercadorias bonificadas). No que se refere ao recebimento de reembolso dos fornecedores por despesas com propaganda, igualmente voto pelo não provimento, por entender que não restou minimamente comprovada pela recorrente sua alegação de que tais despesas possuíam caráter indenizatório, seja mediante planilha na qual minuciasse as despesas e a fórmula de rateio, seja rebatendo a planilha apresentada pelo fisco que demonstra não haver correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. (...)” (grifos no original) Em novembro de 2013 esta turma apreciou ainda dois processos sobre o tema, ambos sob a relatoria do Conselheiro Alexandre Kern (Acórdãos no 3403002.585 e Acórdãos no 3403002.586). Em tais julgados, mantevese, por qualidade, na base de cálculo das contribuições a parcela referente a descontos de caráter contraprestacional e bonificações, e, por maioria (vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti), a referente a despesas com propaganda. Tendo em vista os posicionamentos externados em tais julgados, principalmente no que se refere à abrangência da expressão “receitas” para efeito de tributação pelas contribuições, percebese gradativo amadurecimento do tratamento da matéria. No que se refere às “despesas com propaganda”, presentes no RAF sob as contas 42.00.00.50. “PROPAGANDA (RECUPERAÇÃO)”, 42.00.00.51. “PROPAGANDA RECUPERAÇÃO EXTRA”, 42.00.00.52. “RECUPERAÇÃO EXTRA COM EVENTOS MKT”, e 42.00.00.56 “PROPAGANDA INSTITUCIONAL”, já se aclarou que em verdade Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 18 não guardam relação direta com os custos de propaganda. Impróprio, assim, chamálas de despesas (ou até de recuperação de custos). Contudo, como acordam ambas as partes do litígio, a denominação das contas é absolutamente irrelevante. O que deve ser investigado é sua natureza. E o caráter credor das contas, ligado a pagamentos efetuados pelos fornecedores à recorrente (ou melhor, pagamentos que deveriam ser efetuados, mas foram abatidos de dívidas da recorrente com estes, naquilo que o Conselheiro Ivan Allegretti descreveu como “atalho”) não deixa dúvida de que se tratam de receitas auferidas. E tais receitas não tem nenhuma relação com as receitas financeiras relacionadas na legislação do Imposto de Renda (art. 373 do RIR), porque de fato não são derivadas de juros ou “descontos” na acepção ali empregada. Deve assim ser mantido o lançamento em relação a tais rubricas. Em relação aos chamados “descontos” e “bonificações” (demais contas relacionadas no RAF), fica nítido, a partir da leitura das justificativas na tabela que figura ao início deste tópico, que nenhuma das contas trata efetivamente de “redução de custos”, “nem de receitas financeiras”, mas novamente do chamado “atalho”, havendo pelos fornecedores pagamentos à recorrente (novamente, pagamentos que deveriam ser efetuados, mas foram abatidos de dívidas da recorrente com estes), em função de disposições contratuais previamente pactuadas, muitas delas expressamente utilizando a expressão “pagamento”3. As notas fiscais refletem as operações efetuadas, como já acentuava a DRJ. E refletem também a base para as tomadas de créditos (como se apurou em diligência, e reconheceu a própria recorrente). Contudo, os pagamentos de tais notas (ou pagamentos mensais, dependendo da conta), que deveriam ser efetuados pela recorrente, são reduzidos em função de outros pagamentos (pagamentos esses em virtude de contrato, e que deveriam ser efetuados pelo fornecedor à recorrente). É o que a PGFN denomina de “compensação” e o Conselheiro Ivan Allegretti de “atalho”. Temse, assim, de fato, duas operações: um pagamento efetuado pelo fornecedor à recorrente, em função de disposição contratual/contraprestacional (que é receita para a recorrente, receita essa que também não guarda relação nenhuma com o conceito de “receita financeira” da legislação do IR), e que deve ser objeto de tributação pelas contribuições; e um pagamento efetuado pela recorrente ao fornecedor (no valor da nota fiscal), ensejando a tomada de crédito integral (como de fato aconteceu). Procedentes, então, os lançamentos também em relação às contas relativas a “descontos” e “bonificações”. No que se refere às “bonificações em mercadorias”, também estavam contratualmente previstas, como alternativa aos pagamentos “em carteira”, da seguinte forma (esse texto aparece, v.g., em todos dos Acordos Promocionais de fls. 1911 a 1918): “1. Do objeto O objeto do presente acordo é a participação do fornecedor no evento descrito neste instrumento promovido pelo WMS através (sic) do pagamento dos valores e/ou mercadorias acertados 3 Vejase por exemplo a previsão para "pagamento" pelo fornecedor, e até de "cobrança bancária contra o fornecedor" (v.g., Acordos Promociaonais de fls. 1911, 1912, 1913, 1914, 1915, 1916, 1917 e 1918). Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.258 19 entre as partes a fim de redução do preço de custo e/ou recuperação de gastos cooperados. 2. Forma de pagamento a) A forma de pagamento será aquela ajustada entre as partes neste instrumento, o fornecedor autoriza o WMS a efetuar o desconto de valor inadimplido do próximo pagamento que deva efetuar ao fornecedor ou emitir bloqueto de cobrança bancária contra o fornecedor. Na hipótese de emissão de bloqueto de cobrança bancária contra o fornecedor, o prazo para pagamento será de 15 dias. b) Na hipótese de ser ajustado pelas partes que a forma de pagamento deste instrumento pelo fornecedor seja “em carteira”, o fornecedor deverá informar previamente e por escrito ao WMS o número do documento, o valor do documento e a data do referido pagamento. Na hipótese de emissão de bloqueto de cobrança bancária contra o fornecedor, o prazo para pagamento será de 15 dias. c) Na hipótese de ser ajustado pelas partes que a forma de pagamento deste instrumento pelo fornecedor seja “mercadoria” e o fornecedor não quitar o termo deste instrumento, o fornecedor autoriza o WMS a efetuar o desconto de valor inadimplido do próximo pagamento que deva efetuar ao fornecedor ou emitir bloqueto de cobrança bancária contra o fornecedor. (...)” (grifo nosso) Também os Acordos anuais apresentavam cláusulas sobre as “bonificações em mercadorias”. Vejase o Acordo Geral de Fornecimento 2005, em sua cláusula sexta (fl. 1945): “f) O fornecedor somente poderá enviar à Sonae mercadorias bonificadas, operações livres de débitos, mediante o recebimento prévio de pedido identificado como bonificação, devendo atender rigorosamente os pedidos bonificados, especialmente no que se refere à data de entrega, qualidade e quantidade das mercadoria. Os pedidos de mercadorias bonificadas deverão ser atendidos mediante a emissão de Nota Fiscal própria respeitando o acordado na alínea “b” desta cláusula.” (a alínea “b” condiciona o recebimento das mercadorias ao cumprimento dos termos e condições ajustados) Como acordam fisco e recorrente, as mercadorias eram entregues em “bonificação” mediante a emissão de nota fiscal própria, sem vínculo direto à nota de venda. O caso guarda semelhança com o analisado por esta turma, por exemplo, no já citado Acórdão no 3403002.586: “A Autoridade Diligenciante informou que essas bonificações foram operacionalizadas por meio de nota fiscal diversa daquela onde se registrou as compras; relativa somente às mercadorias Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 20 enviadas em bonificação, sem qualquer vinculação com operação de compra anterior. Nessas condições, não há bonificação, mas entrega graciosa de mercadorias. Doações de mercadorias dessa espécie diferem do desconto incondicional, inclusive, na sua escrituração contábil e na sua tributação. A aquisição das mercadorias em bonificação não representa receita, mas redução de custo. Todavia, no momento da venda, há aumento da receita bruta, que constitui a base de cálculo das contribuições. As mercadorias recebidas em bonificação/desconto incondicional portanto são tributadas, exclusivamente, na revenda. Já as mercadorias que, como no caso concreto, são recebidas em doação representam auferimento de receita. No momento da venda, também há aumento da receita bruta da empresa comercial, que constitui a base de cálculo das contribuições. Sendo assim, a aquisição das mercadorias em doação motiva a incidência dos tributos em função da entrada e da revenda. Esse entendimento está em linha com a jurisprudência administrativa, da qual é exemplo o Acórdão no 20403.304 (...)” (Acórdão no 3403002.586, Rel. Cons. Alexandre Kern,qualidade em relação à matéria, sessão de 26.nov.2013) Assim, o entendimento que vem sendo externado pela turma é sensivelmente diferente daquele a que remete a recorrente, obtido em julgamento, por maioria de votos, na Segunda Turma desta Quarta Câmara (Acórdão no 3402002.092), vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira. Esclareçase, de início, que o acervo probatório dos autos é distinto, e as conclusões externadas no Acórdão no 3402002.092 não se amoldariam ao caso em análise, no qual não existe uma “redução de custos”, mas pagamentos cruzados em decorrência de contratos. Vejase, contudo, que nem em uma nem em outra Turma a matéria se encontra pacificada. E, como dito ao início deste voto, os julgamentos de uma Turma não exercem vínculo necessário sobre o de outras. É nesse contexto que são expostos os julgamentos dos demais processos do mesmo sujeito passivo referidos nos autos pela fiscalização. O processo administrativo no 11080.013955/200271, referente à Contribuição para o PIS/PASEP, basicamente em relação às mesmas rubricas aqui tratadas (descontos de propaganda, “pedágios”, receitas decorrentes de distribuição de mercadorias e de promoção, entre outros), mas no período de 1995 a 1999 na sistemática da cumulatividade, foi apreciado em 15/06/2004 pelo então Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão no 202 15.617), acordandose, em relação aos temas aqui tratados, unanimemente, pela negativa de provimento ao recurso voluntário. A matéria chegou à Câmara Superior de Recursos Fiscais em 25/07/2006 (Acórdão no 202123403), mas apenas discutindo tema diverso (decadência), sem alteração de resultado. O processo administrativo no 11080.013954/200226, referente à COFINS, no período de 1995 a 1999 na sistemática da cumulatividade, foi apreciado em 18/05/2005 pelo então Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão no 20310.152), acordandose, em relação aos temas aqui tratados: em negar provimento ao Recurso Voluntário (RV), por Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.259 21 maioria, em relação a desconto centralização/distribuição, aluguel de espaços e aniversário/abertura de lojas; negar provimento ao RV, por unanimidade, em relação aos valores recebidos em decorrência de atividade de propaganda e de reposição/promoção nas lojas; negar provimento ao RV, por qualidade, em relação a “rappel” / desconto fidelidade e desconto não devolução; e dar provimento ao RV, por maioria, no que se refere a bonificações de mercadorias. Por fim, o processo administrativo no 11080.011290/200694, referente a ambas as contribuições, já sob a sistemática da não cumulatividade (período de março de 2004 a dezembro de 2005), também basicamente em relação às mesmas rubricas aqui tratadas (bonificações para promoções, desconto de fidelidade básico, desconto fidelidade escalão, desconto de compras atendidas, bonificações contratos de mercadorias, desconto não devolução, desconto subsídio, desconto promocional aniversário, desconto de centralização, propaganda/recuperação, propaganda recuperação extra e desconto recuperação extra com eventos, entre outros), foi apreciado em 26/09 2013 pela Segunda Turma desta Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (Acórdão no 3402002.210), acordandose, em relação aos temas aqui tratados, por maioria (vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira) pelo provimento ao recurso voluntário. A argumentação externada no voto condutor é basicamente a mesma que constou do já citado Acórdão no 3402 002.092, acrescentandose que “não se pode tributar como receita uma grandeza que segundo a Lei Comercial receita não o é” (entendida como Lei Comercial a Lei no 6.404/1976, com remissão a seu art. 177). Mas tais argumentações em sentido diverso, seja pelo fato de tratarem de situações hipotéticas, parecendo não perquirir nos autos o que de fato ocorre na realidade (em relação aos contratos presentes nos autos e as emissões de notas fiscais, sem falar nos créditos descontados em relação à integralidade do valor de tais notas), seja pelo fato de carecerem (a nosso ver) de robustez e consistência jurídica, não nos demovem das convicções já externadas neste voto. Assim, revelase procedente a autuação, no mérito, sendo devido o crédito tributário lançado. Da multa de ofício Afirma a recorrente que houve erro na aplicação da multa de ofício de 75% (art. 44 da Lei no 9.430/1996), que deve ser compatibilizada com outros preceitos do ordenamento jurídico (arts. 108, V e 112 do CTN e art. 5o, XLVI da CF/1988), em função da isonomia e da proporcionalidade. Ressalta ainda que não está a discutir a constitucionalidade da multa, mas tão somente sua adequação aos demais dispositivos. O argumento de que a recorrente não está a discutir a constitucionalidade é meramente retórico. Se está a discutir a adequação do comando legal que expressamente estabelece que a multa por falta de pagamento é de 75% do valor lançado (art. 44 da Lei no 9.430/1996) ao art. 5o, XLVI da Constituição Federal, está a verificar se o comando legal em análise atende ao dispositivo constitucional, nomeadamente em relação à individualização da pena, em face da isonomia e da proporcionalidade. Entretanto, verificar se uma lei é conforme a constituição, digase, é analisar sua constitucionalidade. E isto é sabidamente vedado a este Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 22 tribunal administrativo, estando a matéria pacificada na Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por outro lado, se o que busca a recorrente é verificar a compatibilidade entre o art. 44 da Lei no 9.430/1996 e os arts. 108, IV e 112 do Código Tributário Nacional (CTN), pode este tribunal manifestarse em relação à matéria. E tal compatibilidade é notória. Salta aos olhos que a equidade, arrolada no art. 108, IV do CTN não tem nenhuma relação com a matéria tratada no presente processo. Isso porque aquele comando do CTN inicia com “na ausência de disposição expressa”, e há “disposição expressa” no art. 44 da Lei no 9.430/1996 no sentido de aplicação da multa de 75% (caso não se verifique fraude, sonegação ou conluio, hipóteses em que a multa seria de 150%). E o art. 112 do CTN versa sobre aplicação da lei de forma mais favorável ao acusado “em caso de dúvida”. Repitase, não há dúvidas diante do comando legal do art. 44 da Lei no 9.430/1996, que expressamente afirma ser aplicável a multa pela falta de pagamento. Como reconhece a própria recorrente (fl. 2990), o que está a buscar é uma “espécie de anistia”, excluindo sua responsabilidade com fundamento em equidade. E isso não encontra guarida no ordenamento, ao menos para o caso narrado nestes autos. Por fim, destaquese que o autuante não imputa à recorrente qualquer conduta dolosa, e é justamente por isso que a multa foi aplicada no percentual de 75%, pelo simples fato de não haver a recorrente pago as contribuições devidas. A alegação de que a matéria é discutível, e de que não houve intuito de sonegação, buscando afastar, ou estabelecer dosimetria em relação à multa, implicaria a própria inexistência (ou relativização) do comando legal expresso que estabelece a penalidade. Assim, deve ser também mantida a multa aplicada pelo fisco. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.260 23 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Entendo que no presente caso concreto não se pode falar em receita de prestação de serviços, pois o contribuinte em questão não presta serviço para os seus fornecedores. Nem os contratos tipificam, nem a fiscalização especifica nenhuma atividade que possa ser qualificada como uma prestação de serviços. A dificuldade de enfrentar a nova realidade tratada nestes autos levou a Fiscalização, de maneira imprecisa e incorreta, a enxergar um tipo de prestação de serviço genérica, que seria remunerada por meio de descontos e bonificações. Contudo, como se poderia falar, por exemplo, que o desconto aplicado em razão de “quebras” ou pela “nãodevolução" implicaria uma prestação de serviço? A Fiscalização, com efeito, não poderia tratar os valores de descontos e bonificações como remuneração de uma prestação de serviços indefinida, ou seja, sem identificar umaauma as hipóteses de descontos e bonificações. Também não me parece que se esteja diante de um desconto, pelo menos não na sua forma tradicional, tal como é ordinariamente conhecido. Os termos “desconto” e “bonificações” são palavras recorrentes no presente caso. Mas, entendo eu, que não se trata de um desconto propriamente dito. A bonificação e o desconto são ajustes, reduções dos preços das operações praticadas. Assim, se uma mesma venda pactuada a R$ 100,00 é depois paga por R$ 80,00 e considerada quitada, então o valor da operação é R$ 80,00. Por certo, de outro lado, que a mercadoria adquirida é contabilizada no ativo pelo mesmo valor. O desconto, como visto, reduz o valor da operação, revelando a realidade do conteúdo econômico da operação. De modo parecido, se a venda de 10 produtos por R$ 100,00 é depois acrescida da bonificação correspondente à entrega de mais 2 produtos, sem acréscimo de valor, o que se tem é a redução proporcional do valor unitário, de maneira que a venda de 12 produtos ocorreu por R$ 100,00. A bonificação reduz o valor unitário, igualmente ajustando e revelando o valor real do conjunto das operações. A propósito da bonificação, não precisa estar vinculada a nenhuma nota fiscal anterior, pois terá impacto no estoque que foi adquirido em relação ao mesmo fornecedor. E, quando ao desconto, não precisa estar destacado na nota fiscal. O que caracteriza ambas as operações é a forma como são contabilizadas, pois lhes revelam a verdadeira natureza. O que lhes caracteriza em conjunto, como visto, é como instrumento de ajuste do valor das operações ao seu valor real e efetivo. Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 24 Não parece que neste caso concreto se esteja diante de um desconto propriamente dito. A este respeito, reitero abaixo a reflexão que fiz no Acórdão no 3403 002.367, de 24 de julho de 2013: O contribuinte afirma que não há ingresso de valores, ou seja, que não são realizados pagamentos pelos seus fornecedores para nenhuma prestação de serviço. A Fiscalização e a DRJ não negam isto, mas acusam que o valor do desconto é usado como pagamento de serviços, mas de que forma? Se o supermercado deixa de pagar uma parte do preço (desconto), apenas como um atalho ou seja, ao invés de o supermercado pagar o fornecedor para depois o fornecedor devolver o mesmo valor para o supermercado, então, o supermercado já́ ficaria desde logo com o valor –, então se poderia dizer, de fato, que haveria uma receita, pois na verdade não existe o desconto. Apenas se usou esta parte do preço, retendoa, como forma de pagamento pela prestação de serviço. Mas pode ser que seja diferente. Pareceme, com efeito, que são dois os panoramas possíveis: ou a mercadoria entra na contabilidade do mercado pelo valor cheio (sem desconto) ou pelo valor do pagamento (com desconto). Se a contabilidade do contribuinte apropria como custo de aquisição da mercadoria o valor do pagamento (com desconto), isto significa que as rubricas que controlam as duas hipóteses de recuperação de custos e a receita financeira – na verdade são apenas mecanismos de controle da aplicação do ganho econômico que o contribuinte teve por ter adquirido uma mercadoria que, tendo um determinado preço de mercado para o consumidor final, foi adquirida por um preço inferior ao preço de mercado normalmente praticado pelo produtor. Ou seja, neste caso, a contabilidade faria o controle da mais valia que o produto porta consigo, que deixou de ser ganho pelo fornecedor, e que o mercado (neste caso o contribuinte) resolveu, ao invés de simplesmente apropriar como um ganho, separar para utilizar para determinados tipos de aplicações, que geram proveito de mercado não apenas para si, mas também para os seus fornecedores. Neste caso, entendo que não se configura o citado “atalho” (ao invés de pagar e depois receber de volta, o valor fica desde logo com o contribuinte, com pagamento de serviços), não se podendo cogitar de tributar o desconto como se fosse uma receita. De outro lado, se a contabilidade toma como custo de aquisição da mercadoria o valor sem desconto (valor cheio) e, assim, apropriouse como despesa dedutível para a dedução do IR também este valor, bem como gerouse crédito de PIS/Cofins nãocumulativo em relação a este valor de aquisição, então de fato o contribuinte estaria fazendo o referindo “atalho”, pois na Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 11080.726316/201089 Acórdão n.º 3403003.487 S3C4T3 Fl. 3.261 25 verdade apenas deixou de desembolsar um valor que na verdade iria receber de volta. Notese que em tal hipótese, como e ́ evidente, o valor da operação para o fornecedor seria a mesma – o valor cheio, sem desconto – de maneira que a sua receita e seu lucro, partindo deste valor cheio, seriam regularmente submetidos a PIS/Cofins e IRPJ e CSLL. Diferente da situação concreta tratada no julgamento acima transcrito, neste caso concreto a diligência fiscal demonstrou que o contribuinte apropriou as mercadorias adquiridas pelo valor total da nota fiscal, sem qualquer desconto. Por isso, entendo eu, desconto não há. Estáse diante de uma nova realidade, relacionada ao exercício do poder econômico, em que se estabelece um complexo feixe de obrigações, exigindo o comprador que seu fornecedor que lhe proporcione reduções de preços ou aceite receber menos em compras futuras ou mesmo lhe forneça mercadorias como forma de reduzir o preço global dos produtos. É o que, na língua inglesa, chamase de buyers power, e que se traduz para o português como “poder do comprador”. Tratase de situação em que o comprador possui alguma forma de expressão de poder econômico, por exemplo, sendo capaz de adquirir e escoar grandes volumes, possuir uma vasta rede de distribuição, com a capacidade de permitir o ingresso de produtos novos no mercado, etc. Em razão deste poder de compra, o comprador consegue barganhar contratualmente a concessão de descontos pelos mais variados motivos por volume, ou como forma de conseguir uma margem maior para aplicála na promoção de vendas, ou para compensar perdas, etc. Todos estes motivos são um motivo para conseguir desembolsar menos pela mercadoria. Tratase, pois, de uma fórmula negocial destinada a balizar um relacionamento comercial de longo prazo, ajustando o preço mesmo depois de já ter sido adquirida, paga e até mesmo revendida a mercadoria. Ou seja, não é um desconto típico que se consuma no momento da aquisição da mercadoria para revenda , mas um tipo de fórmula de equalização de preço contínua, que acontece no andamento das relações comerciais e que pode ser ajustada por diversos mecanismos, tal como se faz, a titulo de descontos ou bonificações. Mas, no caso dos descontos, como deve ser tratado este “deixar de pagar, como forma de receber”? Em princípio, acredito que a única possibilidade é tratála como uma receita financeira que, portanto, está sujeita a alíquota zero, conforme previsto no Decreto no 5.442/2005. Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI 26 Voto, pois, pelo provimento do recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes a descontos e bonificações, por entender que se trata de receita financeira sujeita a alíquota zero, por força do Decreto no 5.442/2005. Ivan Allegretti Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI
score : 1.0
