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Numero do processo: 15504.020172/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.902 1 1.901 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.020172/201086 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.132 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de agosto de 2012 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGENCIA Recorrente LIDER TAXI AEREO S/A AIR BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 17 2/ 20 10 -8 6 Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.020172/201086 Resolução nº 1402000.132 S1C4T2 Fl. 1.903 2 Relatório LIDER TAXI AEREO S/A AIR BRASIL recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Os autos de infração a folhas 2 a 17 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 88.038.554,14. Descrição das infrações imputadas O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 18 a 31, atribui à autuada uma só infração: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – Falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por controladas, apurados conforme termo de verificação fiscal anexo. Datas do fato gerador: 31.12.2005, 31.12.2006 e 31.12.2007. Enquadramento legal: artigo 243, § 2º, da Lei nº 6.404, de 15.12.1976; artigo 6º, alínea “b”, do Decretolei nº 1.598, de 26.12.1977; artigo 25, §§ 2º e 4º, da Lei nº 9.249, de 26.12.1995; artigo 16 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001. Impugnação do lançamento A ciência dos lançamentos foi pessoal, visto que nos autos de infração consta a assinatura do Diretor Financeiro da autuada, com data de 03.12.2010, uma sextafeira. Em 03.01.2011 foi apresentada uma só impugnação, juntada a folhas 386 a 471. Ela se fez acompanhar dos documentos juntados a folhas 474 a 1.472, os quais a própria impugnante enfeixou em 10 grupos. A decisão recorrida está assim ementada: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR MEIO DE CONTROLADAS INDIRETAS. Serão considerados de forma individualizada os lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas e coligadas. É indiferente, para efeito de aplicação da legislação tributária e societária, que seja direto ou indireto o controle por parte da pessoa jurídica tributada no Brasil. Considerase ocorrido o fato gerador do tributo devido no Brasil na data do balanço em que tiverem sido apurados os lucros auferidos no exterior por controladas indiretas, independentemente de ter havido sua efetiva disponibilização ou distribuição. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO CONTROLADAS INDIRETAS SITUADAS EM TERCEIRO PAÍS. Os lucros auferidos por controlada indireta situada em país diferente daquele com o qual o Brasil firmou tratado internacional não se sujeitam às regras desse tratado que excluem a competência tributária do Brasil, ainda que a controladora direta da Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.020172/201086 Resolução nº 1402000.132 S1C4T2 Fl. 1.904 3 sociedade que gerou os lucros esteja sediada no país com o qual se firmou o tratado. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta contrarrazões às fls. 1867 a 1869. É o sucinto Relatório. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.020172/201086 Resolução nº 1402000.132 S1C4T2 Fl. 1.905 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Tratamse de tributação de receitas obtidas de subsidiária no exterior. Vejamos um trecho do relatório da autuação: O sujeito passivo é controlador da Leader Internationval Aviation S.L, sediada na Espanha, com 99,9% de participação societária. Na Espanha, os lucros das empresas são tributados à alíquota de 35% em 2005 e 2006 e de 32.5% em 2007, pelo imposto sobre sociedades. O objetivo do tratado é evitar a dupla tributação entre países com tributação similar sobre lucros, mas a Espanha tributa lucros do exterior apenas quando distribuídos, razão pela qual o sujeito passivo não pagou imposto no país no período. A Leader espanhola controla com 100% de participação societária a Lider International Aviation S/A, domiciliada no Uruguai, a qual, por sua vez, controla com 100% de participação Klescott Corporation S/A e Norbell S/A, também domiciliadas no Uruguai, onde não há tributação sobre lucros. É incontroverso que os lucros objeto da tributação não foram produzidos na Espanha. Em verdade são decorrentes de operações das subsidiárias domiciliadas no Uruguai (controladas indiretas do contribuinte), sendo que tais resultados não são tributados naquele pais. É relevante para formação da convicção deste julgador saber quais detalhes das atividades das empresas que efetivamente auferiram as receitas/lucros, bem como onde (Pais) em que essas receitas/lucros tiveram origem, ou seja, como as receitas foram produzidas. Há notícias nos autos que os recursos seriam oriundos de operações com a própria controladora Brasileira: ao fim e ao cabo, tem origem no Brasil (fl. 29), porem, sem maiores esclarecimentos. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização identifique a natureza e origem remota dessas Receitas/Lucros, se possível fazendo a juntada de documentos. Caso, necessário intime o contribuinte para esse fim. Fica a cargo e critério da Fiscalização efetuar outros procedimentos, concernentes ao escopo da diligência, que entender cabíveis. Ao final, a Fiscalização deverá elaborar relatório consubstanciado, e intimar a contribuinte para, caso deseje, se manifestar no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001164/2010-34
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
Fica descaracterizada a glosa das despesas médicas deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, quando constatado que os comprovantes de pagamentos apresentados pela impugnante evidenciam o equívoco contido nas informações de pagamentos prestadas à fiscalização pela administradora do plano de saúde.
Recuso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 DESPESAS MÉDICAS. PROVA. Fica descaracterizada a glosa das despesas médicas deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, quando constatado que os comprovantes de pagamentos apresentados pela impugnante evidenciam o equívoco contido nas informações de pagamentos prestadas à fiscalização pela administradora do plano de saúde. Recuso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros.
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PROVA. Fica descaracterizada a glosa das despesas médicas deduzidas da base de cálculo do imposto de renda, quando constatado que os comprovantes de pagamentos apresentados pela impugnante evidenciam o equívoco contido nas informações de pagamentos prestadas à fiscalização pela administradora do plano de saúde. Recuso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 64 /2 01 0- 34 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 22 a 29, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativamente aos exercícios de 2005, 2006, 2007 e 2008, anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, respectivamente, em virtude de glosa das seguintes deduções efetuadas a título de despesas médicas: Fato Gerador Valor Tributável em R$ Multa (%) 31/12/2004 3.818,04 150 31/12/2005 4.339,40 150 31/12/2006 6.730,15 150 31/12/2007 6.529,73 75 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 30 a 35, o lançamento foi formalizado em razão da divergência constatada do confronto entre os valores declarados pela contribuinte a título de pagamentos a planos de saúde e as informações prestadas por Sicard e Sicard Assistência Médica Ltda. – CNPJ 00.846.662/000187, fls. 19/21. Desse confronto, a autoridade fiscal apontou dedução de valores superiores àqueles informados pela citada empresa, concluindo que a contribuinte não efetuou a totalidade dos pagamentos declarados, fato que configuraria a declaração de despesas inexistentes, o que, segundo a fiscalização, caracterizaria intuito de reduzir indevidamente o imposto devido, relativo aos exercícios/anoscalendário 2005/2004, 2006/2005, 2007/2006 e 2008/2007. Transcreve o autor do procedimento fiscal ementa do Acórdão nº 10510.335, de 16/04/96, proferido pelo extinto Conselho de Contribuintes, no sentido de que “não é nulo o auto de infração lavrado na Sede da Delegacia da Receita Federal, se a repartição dispunha dos elementos necessário e suficiente para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário”. Com relação ao tributo apurado nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 957 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda e elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, de conformidade com a Portaria RFB nº 665/2008. Não se conformando com o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 40, mediante a qual apresenta documentos de fls. 42/114, com o intuito de demonstrar a veracidade das informações contidas em suas declarações de imposto de renda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SPOII, julgou a impugnação improcedente, fls. 117 a 121, ao argumento de que: Em sede de impugnação, a contribuinte trouxe aos autos documentos relativos a pagamentos efetuados a Sicard e Sicard, que consistem em boletos de cobrança bancária, com registro mecânico do pagamento efetuado, e referemse à própria contribuinte, à sra. Maria Pereira de Souza, e a Bewerlei Alves Pereira, ambos incluídos no rol de dependentes informados em suas DIRPF. Tais documentos comprovam pagamento de despesas dedutíveis nos totais assim considerados pela autoridade fiscal lançadora, conforme quadro acima. A impugnante não logrou comprovar o Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16004.001164/201034 Acórdão n.º 2802001.947 S2TE02 Fl. 136 3 pagamento de despesas nos totais informados em suas DIRPF, impondose a manutenção do lançamento. Cientificada em 09/06/2011, fls. 129, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/07/2011, fls. 130, na qual requer nova análise dos documentos apresentados na impugnação, uma vez que nestes constam os valores são referentes a pagamentos que fez com o plano de sua irmã doente, de 70 anos, que com ela reside. Alega ser também idosa e cuidava de sua mãe, que veio a falecer. Aduz que o valor do imposto estipulado mais multa e juros é muito alto e, por isso, pede nova análise para rever o lançamento, pois não quer estar irregular perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. No seu entender não agiu de máfé, tanto que apresentou todos os recibos dos planos de saúde. Acrescenta, textualmente, que : “o estatuto do idoso fala que temos o dever de cuidar dos nossos idosos e quando coloco em prática o meu dever sou considerada incorreta”. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Depreendese da peça recursal que a Recorrente contesta a afirmação fiscal de que teria deduzido despesas médicas em valores acima daqueles que foram consignados nas respectivas Declarações de Ajuste Anual. Assim, requer que seja feita “nova análise, no intuito de rever estes valores”. Do confronto entre os valores dos pagamentos relacionados nas informações prestadas pela instituição Sicard & Sicard Assistência Médica Ltda, fls. 19 a 21, com as cópias dos comprovantes de pagamentos (boletos bancários) a favor da referida instituição, juntados à impugnação apresentada pela contribuinte, fls. 42 a 101, constatase que: Com relação aos pagamentos relacionados à dependente da contribuinte, Sra. Maria Pereira de Souza, referida instituição informa às fls. 21 dos presentes autos que: “(...) de acordo com pesquisas em nossos sistemas de controle e cadastro, foi encontrado registro de pagamento em nome do(a) Sr(a) MARIA PEREIRA DE SOUZA (...) no(s) seguintes anos calendário: Usuários 2004 2005 2006 2007 2008 Maria Pereira de Souza (titular) 128,76 170,20 218,85 297,87 556,11 (...) (...)” Relativamente ao anocalendário de 2004, a contribuinte juntou às fls. 42 a 49, seis boletos bancários emitidos em nome da dependente, em referência, dos quais se constata que as autenticações bancárias correspondentes registram pagamentos, no mês de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 maio de 2004 e nos meses de agosto de 2004 a dezembro de 2004, totalizando R$ 1.762,80. Portanto, a informação prestada pela administradora do plano de saúde não condiz com os comprovantes apresentados pela contribuinte. O mesmo ocorre em relação ao anocalendário de 2005, cujos comprovantes de pagamento juntados pela contribuinte às fls. 50 a 64, demonstram que os valores desembolsados em nome da mesma dependente, totalizam R$ 4.509,60, enquanto administradora do plano de saúde informa o pagamento somente do valor de R$ 170,20. Também no anoscalendário de 2006 e 2007 a mesma situação persiste, eis que, enquanto os comprovantes juntados pela contribuinte às fls 65 a 101, totalizam pagamentos de R$ 6.432,40 e R$ 6.681,60, respectivamente, a informação prestada pelo empresa que administra o plano de saúde registra tão somente os pagamentos dos valores de R$ 218,85 e R$ 297,87, também respectivamente. Portanto, fica evidenciado que os documentos apresentados pela contribuinte à época da impugnação demonstram ser inverídica a informação prestada pela empresa que administra o plano de saúde à fls. 21, informação essa que, por ter servido de base para o lançamento tributário, torna infundado o crédito tributário constituído no Auto de Infração de fls. 22 a 29. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16004.001164/201034 Acórdão n.º 2802001.947 S2TE02 Fl. 137 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 26 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16327.003532/2002-26
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/01/1998 a 29/12/1998
Iof/crédito. Operações com notas de exportação (export notes) são diferentes de operações de factoring. Erro no enquadramento legal. Lançamento improcedente.
O auto de infração, ao se embasar no artigo 58 da Lei 9.532/97, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade crédito para as operações de factoring, acabou por incorrer em vício quanto ao seu enquadramento legal, tendo em vista que as operações de factoring não se equiparam às operações relativas às aquisições, por meio de pagamento à prazo, de export notes de empresas não exportadoras. O correto enquadramento legal seria o artigo 63, IV do CTN, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade relativa a títulos e valores mobiliários.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/1998 a 29/12/1998 IOF/CRÉDITO. OPERAÇÕES COM NOTAS DE EXPORTAÇÃO (EXPORT NOTES) SÃO DIFERENTES DE OPERAÇÕES DE FACTORING. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O auto de infração, ao se embasar no artigo 58 da Lei 9.532/97, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade “crédito” para as operações de factoring, acabou por incorrer em vício quanto ao seu enquadramento legal, tendo em vista que as operações de factoring não se equiparam às operações relativas às aquisições, por meio de pagamento à prazo, de export notes de empresas não exportadoras. O correto enquadramento legal seria o artigo 63, IV do CTN, o qual prevê a incidência do IOF em sua modalidade relativa a “títulos e valores mobiliários”. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 35 32 /2 00 2- 26 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão nº 20402.463 que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade e cancelamento do lançamento por erro no enquadramento legal do fato gerador. O acórdão recorrido entendeu, com base no ADN SRF 04/99, que as operações relativas às aquisições de export notes de empresas não exportadoras, caso estivessem sujeitas à incidência do IOF, estariam submetidas à modalidade “títulos e valores mobiliários” e não à modalidade “crédito”, como considerou a fiscalização, eis que aludidas operações não se tratariam de operações de factoring aptas a ensejarem a exigência do “IOF/Crédito”, conforme ementa a seguir: “IOF. EMPRESA DE FACTORING. OPERAÇÕES COM NOTAS DE EXPORTAÇÃO (EXPORT NOTES). OPERAÇÃO DE CRÉDITO. ENQUADRAMENTO PARA FINS DE INCIDÊNCIA. ADN SRF Nº 04/99. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. As operações com export notes que não tenham sido adquiridas diretamente de empresas exportadoras como direitos de crédito decorrentes da compra de faturamento não caracterizam operações de factoring para fins de incidência do IOF/Crédito. Ainda que tais operações se sujeitassem à incidência do IOF, necessário para validar a ação fiscal o enquadramento da exigência no IOF/Títulos e Valores Mobiliários, por força do disposto no ADN SRF 04/99. Recurso provido.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à legislação tributária, arguindo, em síntese, que o acórdão recorrido teria violado os artigos 58 e 81, inciso II da Lei 9.532/97 e o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea “d” da Lei 9.249/95, os quais preveriam, segundo sua interpretação, que as operações realtivas às aquisições de notas de crédito à exportação – “export notes” – constituiriam atividade de factoring e, portanto, seriam objeto de incidência do IOF em sua modalidade “crédito”. Alegou, também, que o acórdão recorrido não poderia ter se embasado no ADN 04/99, eis que aludido ADN se referiria ao Decreto 2.219/97, o qual trataria do IOF sobre operações realizadas por instituições financeiras, o que não seria o caso dos presentes autos. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003532/200226 Acórdão n.º 9303001.998 CSRFT3 Fl. 413 3 Regularmente intimado o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 374/387, na qual requereu fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional ou que, na remota hipótese de assim não se entender, que o processo fosse baixado à Câmara a quo para que fossem apreciados os demais argumentos colacionados no recurso voluntário, tendo em vista que este foi julgado apenas com base na preliminar de erro e de enquadramento legal. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual dele conheço. A controvérsia cingese em determinar se a aquisição de export notes de empresas não exportadoras se tratam de operações de factoring aptas a ensejarem a exigência do IOF em sua modalidade “crédito”, como foi feito no lançamento, ou se as mesmas não se tratam de operações de factoring, mas sim de operações passíveis de incidência do IOF em sua modalidade “títulos e valores mobiliários”, conforme entendeu o acórdão recorrido ao declarar a nulidade do lançamento por erro no enquadramento do fato gerador. Primeiramente, entendo cabível realizar uma breve definição sobre o conceito de operações de factoring. O artigo 14, inciso VI da Lei 9.718/98, bem como o artigo 15, §1º, III da Lei 9.249/95 considera como operação de factoring as atividades afetas as “compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring)”. Em suma, o factoring se trata de uma operação em que há a aquisição, por meio de pagamento à vista, de direitos creditórios oriundos de vendas mercantis à prazo realizadas por outrem, cujos valores serão recebidos futuramente pelo adquirente do crédito, que, por sua vez, assume integralmente o risco pelo adimplemento futuro dessas vendas à prazo. Didaticamente o factoring ocorre, por exemplo, em situação que uma sociedade “X” compra à vista de uma sociedade “Y” o seu direito creditório oriundo de uma venda à prazo que realizou para uma pessoa “Z”. Assim, se a pessoa “Z” comprou da sociedade “Y” uma mercadoria em 20 vezes com juros, e a sociedade “Y” deseja receber, desde logo, os valores oriundos dessa venda, a mesma vende esse direito creditório para a sociedade “X”, que o comprará pagando à vista apenas aquelas 20 parcelas (sem juros) para “Y”, e passará a assumir o risco pelo adimplemento das 20 parcelas com juros a serem pagas por “Z”. Em suma, o objetivo do factoring para a sociedade alienante do direito creditório (sociedade “Y”) é que esta receba o valor da transação à vista, abrindo mão dos juros cobrados na operação, de forma que esta possa, desde logo, se capitalizar daqueles valores. Para a sociedade adquirente do crédito (sociedade “X”) o objetivo é de, a longo prazo, receber Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 os rendimentos oriundos dos juros que aquela operação proporcionará. Tratase, à grosso modo, de um investimento afeto à gestão de créditos. Feitas essas considerações acerca da definição da operação de factoring, passo a analisar as operações relativas aos presentes autos, em que, conforme previsto no próprio auto de infração, o contribuinte comprou “à prazo” export notes de sociedades que as adquiriram diretamente de sociedades exportadoras. Vejase que antes das operações realizadas pelo contribuinte, houve operações de factoring entre outras sociedades e sociedades exportadoras. O que ocorreu foi o seguinte: uma outra sociedade adquiriu à vista export notes diretamente de uma sociedade exportadora que realizou “exportações à prazo”, ou seja, vendas mercantis externas para terceiros que adquiriram mercadorias à prazo. A partir do momento que essa outra sociedade adquiriu as export notes, estas notas de exportação passaram a integrar seu ativo financeiro, o qual passou a ser negociável. Após essa integralização dos export notes ao ativo financeiro dessa outra sociedade, bem como de outras, é que a Recorrida adquiriu, por meio de pagamento à prazo, essas export notes. Notese que a Recorrida, ao adquirir as export notes, não estava adquirindo o faturamento daquelas outras sociedades nem tampouco realizando uma operação de factoring, mas tão somente estava negociando ativos financeiros. Inclusive porque a operação de factoring é caracterizada pela compra à vista de direitos creditórios oriundos de vendas à prazo e, nos presentes autos, a Recorrida realizou compra à prazo, o que, por si só, descaracteriza o regime, a lógica e os objetivos da operação de factoring. Assim, sendo certo que as operações com export notes realizadas nos presentes autos se trataram de meras aquisições de ativos financeiros, os quais não se confundem com operação de factoring, fato é que o enquadramento da autuação se deu de forma equivocada. Isso porque as aquisições de ativos financeiros estariam sujeitas à incidência do IOF previsto no artigo 63, IV do CTN (IOF/Títulos e valores mobiliários), e não à incidência do IOF previsto no artigo 63, I do CTN, o qual detém expressa previsão no artigo 58 da Lei 9.532/97 (IOF/Crédito), o qual foi utilizado no enquadramento legal do lançamento. O artigo 58 da Lei 9.532/97 prevê que “a pessoa física ou jurídica que alienar, à empresa que exercer as atividades relacionadas na alínea "d" do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 (factoring), direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, sujeitase à incidência do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos e valores mobiliários IOF às mesmas alíquotas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras”. Aludido dispositivo prevê a incidência do IOF sobre operações de factoring, as quais, conforme supramencionado, não ocorreram nos presentes autos. Conforme mencionado no acórdão recorrido, o IOF abriga quatro hipóteses distintas de fato gerador, arrolados nos incisos I, II, III e IV do artigo 63 do CTN, os quais preveem o seguinte: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003532/200226 Acórdão n.º 9303001.998 CSRFT3 Fl. 414 5 “Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito.” A hipótese figurada nos presentes autos seria aquela prevista no artigo 63, IV do CTN e não aquela prevista no seu inciso I combinado com o artigo 58 da Lei 9.532/97 supramencionado. Com efeito, para corroborar ainda mais o acima exposto, mister se faz considerar a previsão do ADN 04/99, o qual “dispõe acerca da incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF”, que, por sua vez, prevê que “as operações que tenham por objeto debênture, comercial paper ou export notes não se sujeitam à incidência do IOF sobre operações de crédito, sendo tributados de acordo com o previsto no art. 4º da Portaria MF nº 348, de 30 de dezembro de 1998”. Dessa forma, evidente e claro foi o erro no enquadramento legal do lançamento, que ao exigir o IOF em sua modalidade “crédito”, embasandose no artigo 58 da Lei 9.532/97, acabou por incorrer em vício insanável que acarreta na inafastável necessidade de cancelamento do auto de infração, que, por sua vez, deveria ter sido embasado no artigo 63, IV do CTN. Face ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe integral provimento para manter inalterada a decisão a quo. Nanci Gama Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10675.902544/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Resultando saldo credor, de período anterior, este poderá ser utilizado para fins de ressarcimento/compensação, desde que não seja objeto de outro pedido de ressarcimento/compensação e até a vigência da IN de n° 728/2007.
Numero da decisão: 3201-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em prover o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Fábia Regina Freitas e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em prover o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Fábia Regina Freitas e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
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SALDO CREDOR. Resultando saldo credor, de período anterior, este poderá ser utilizado para fins de ressarcimento/compensação, desde que não seja objeto de outro pedido de ressarcimento/compensação e até a vigência da IN de n° 728/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em prover o recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Fábia Regina Freitas e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 44 /2 00 8- 94 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo das DCOMPs relacionadas a seguir, que utilizaram como lastro das compensações declaradas saldo credor do IPI, informado como relativo ao 3º trimestre de 2005, apurado pelo estabelecimento 02.313.832/000193 (fl. 02). Às fls. 87 a 122 encontrase cópia da DCOMP nº 34205.60102.101005.1.3.018902 (declaração com o demonstrativo do crédito). Nº DCOMP Valor Solicitado/ Utilizado 34205.60102.101005.1.3.018902 286.685,70 05438.18813.271005.1.3.018709 79.877,02 18830.89343.101105.1.3.015304 286.436,24 20088.20056.091205.1.3.011390 253.877,73 Total: 906.876,69 A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada por processamento eletrônico, estando os resultados consolidados nos demonstrativos de fls. 05/06. Foi constatado que o saldo credor apurado pelo processamento, passível de ressarcimento, foi inferior ao valor pleiteado. Em decorrência da constatação acima foi reconhecido à empresa o direito creditório no montante de R$ 404.459,58. Este valor foi utilizado para homologar, integralmente, a compensação declarada nas DCOMPs de números 34205.60102 e 05438.18813 e para homologar parcialmente a compensação dos débitos informados na DCOMP nº 18830.89343 (fls. 07). Efetuados os procedimentos de compensação, restou a cobrança do débito discriminado no quadro 3 do Despacho Decisório (fl. 04), que consolida os débitos exigíveis detalhados às fls. 07. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 09/11, por intermédio da qual discorda do indeferimento parcial de seu pleito. Informou acreditar ter ocorrido um erro no preenchimento da DCOMP, que incluiu montantes de saldos credores acumulados em trimestres anteriores ao objeto da declaração, mas alegou que todos os créditos informados e utilizados nas compensações são legítimos. Para comprovar suas alegações elaborou o demonstrativo de utilização dos saldos credores, por trimestre de apuração (fl. 10), bem como apresentou a cópia do RAIPI de fls. 16 a 86. É o relatório, no essencial.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0936.298, de 12/08/2011, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em, Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.902544/200894 Acórdão n.º 3201001.114 S3C2T1 Fl. 170 3 Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. TRIMESTRE DE APURAÇÃO. Conforme disposições normativas da Receita Federal, somente é passível de ressarcimento/compensação o saldo credor apurado no próprio trimestre de apuração objeto do pedido. O saldo credor oriundo de períodos anteriores, ainda que legítimo, tem sua utilização limitada à amortização de débitos escriturais do imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de Ressarcimento/Compensação. A motivação pelo indeferimento parcial do pleito da recorrente deuse por conta do fato de o saldo credor utilizado nas compensações, informado como relativo ao 3º trimestre de 2005, englobar saldo credor acumulado em trimestres anteriores. O processamento eletrônico, todavia, só considerou como passível de ressarcimento/compensação o saldo credor acumulado no trimestre objeto do pedido (3º trimestre de 2005). Temse que o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI acumulado ao final do trimestre de apuração foi permitido através do art. 11, da Lei nº 9.779/99 (que foi a conversão da Medida Provisória nº 1.788/98), nos termos: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A IN SRF n° 33/99 regulamentou tal dispositivo, em seu art. 2º: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. (negritei) A IN nº 21/97 referida no texto da IN nº 33/99, não obstante as suas alterações, entendo que não trazia nenhuma disposição expressa sobre a questão de saldo credor ressarcível e saldo credor não ressarcível. No entanto, a IN mencionada foi substituída pela IN nº 210/2002 (e outras posteriores), que, foi quando surgiu o entendimento, uma corrente ao declarar que eram passíveis de ressarcimento apenas os créditos escriturados no trimestrecalendário. Comungo do voto da Declaração de Voto da decisão a quo, quando o ilustre julgador argumenta: No meu entendimento a expressão “escriturados no trimestrecalendário” não traz, isoladamente considerada, a informação de que o saldo credor de período anterior, ainda não solicitado em ressarcimento, não poderia compor o valor a ser ressarcido, já que ele também deve ser escriturado, assim como os demais créditos, no Livro de Apuração do IPI. Assim, todos eram créditos escriturados e, portanto, ressarcíveis, desde que relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Enfim, todos esses saldos devem ser créditos escriturados e passíveis de ressarcimento. Pois bem, de fato, houve mudança, porém, somente com o § 7º no artigo 16 da IN nº 600/2005. Tal inclusão foi trazida pela IN nº 728/2007, conforme: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.902544/200894 Acórdão n.º 3201001.114 S3C2T1 Fl. 171 5 § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: (Incluído pela IN SRF nº 728, de 20 de março de 2007) (Vide art. 2º da IN SRF nº 728, de 2007) I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. (grifei) Assim sendo, concluo que somente, a partir da IN SRF n° 728/2007, o pedido de ressarcimento deveria ficar restrito a um único trimestrecalendário e antes era possível que esse mesmo pedido se referisse a mais de um trimestrecalendário. Ou seja, havendo saldo credor, passível de ressarcimento, também fosse composto pelo saldo credor de período anterior, desde que este não fosse objeto de pedido de ressarcimento outro e que fosse composto de créditos que, por sua natureza, fossem ressarcíveis, sendo neste sentido possível o ressarcimento/compensação. Portanto, é possível a compensação, porém deixando bem claro, desde que havendo saldo credor ressarcível, de período anterior, bem como, não sendo objeto de outro pedido de ressarcimento e até a vigência da IN SRF n° 728/2007. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.912689/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É defeso ao contribuinte inovar no recurso voluntário sobre os fundamentos de seu direito creditório, sob pena de supressão de instância e por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF.
A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 07/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É defeso ao contribuinte inovar no recurso voluntário sobre os fundamentos de seu direito creditório, sob pena de supressão de instância e por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 36 1 35 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.912689/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.577 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria COFINS/PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente DATAREY SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NOVA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É defeso ao contribuinte inovar no recurso voluntário sobre os fundamentos de seu direito creditório, sob pena de supressão de instância e por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 26 89 /2 00 9- 51 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 38 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 11702.14584.250609.1.7.049949, transmitida eletronicamente em 25/6/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/11/2004 5856 12.520,51 15/12/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1737475271 12.520,51 DB: cód 5856 – PA 30/11/2004 12.520,51 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.161,63. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 71), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que o PER/DCOMP objeto dos autos foi transmitido com o intuito de retificar erros de preenchimentos Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 39 4 contidos na declaração original, mas que a retificação foi indevida, pela fato de não haver erros de preenchimento na declaração original. Solicita que seja cancelado o PER/DCOMP. A DRJ em Brasília (DF) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA DRJ NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Compete às DRJ conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais. Não há litígio quando não se discute a existência do crédito que fundamentou o ato de não homologação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, esclarece que na manifestação de inconformidade não houve pedido de cancelamento do PER/DCOMP, mas sim uma retificação sobre os valores anteriormente discriminados no DARF, não havendo que se falar em incompetência por falta de instauração de litígio. Aduz que se houve pagamento a maior e elaboração do pedido de compensação, bem como a não homologação do crédito, instaurado está diretamente o litígio, com a consequente competência da DRJ para conhecer e julgar em primeira instância a manifestação de inconformidade. Discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que na manifestação de inconformidade não houve pedido de cancelamento do PER/DCOMP retificador, mas sim uma retificação sobre os valores anteriormente discriminados no DARF, não havendo que se falar em incompetência por falta de instauração de litígio. Esta tese não procede, visto que expressamente em sua manifestação de inconformidade afirma que a PER/DCOMP nº 11702.14584.250609.1.7.049949 (despacho decisório n. 848534258) referese à retificação da PER/DCOMP original n° 00874.10458.15806.1.3.044700, e que diante deste fato solicita o cancelamento da PER/DCOMP retificadora. Como se nota a recorrente inovou em seu recurso, portanto a tese de retificação de valores não pode ser apreciada, sob pena de supressão de instância, por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio. Ademais, do exame da decisão recorrida, verificase que a citada matéria não foi enfrentada. Assim sendo, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento desta matéria por preclusa. Por outro lado, ainda que se admitisse a tese da recorrente, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, é importante ressaltar que o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu suposto crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 41 6 Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um direito creditório. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 42 7 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.912689/200951 Acórdão n.º 3801001.577 S3TE01 Fl. 43 8 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.910057/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 00 57 /2 00 9- 52 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 29036.35247.171006.1.3.042756, transmitida eletronicamente em 17/10/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/9/2004 6912 2.823,11 15/10/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1702005261 2.823,11 DB: cód 6912 – PA 30/9/2004 2.823,11 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 6), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 175,92. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 24), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.910057/200952 Acórdão n.º 3801001.573 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 17883.000100/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUTORIDADE COMPETENTE PARA DESIGNAR MPF. ART. 906 DO RIR/99. COMPETÊNCIA PARA REDESIGNAÇÃO.
O MPF pode ser assinado pelo delegado federal, autoridade competente conforme o art. 906 do RIR/99. A autoridade que designar o MPF tem competência para redesignar a fiscalização.
Recurso de Ofício provido
Numero da decisão: 1302-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ASSISTENCIAL BARRA MANSENSE DE ENSINO E CULTURA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AUTORIDADE COMPETENTE PARA DESIGNAR MPF. ART. 906 DO RIR/99. COMPETÊNCIA PARA REDESIGNAÇÃO. O MPF pode ser assinado pelo delegado federal, autoridade competente conforme o art. 906 do RIR/99. A autoridade que designar o MPF tem competência para redesignar a fiscalização. Recurso de Ofício provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de ofício para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 00 /2 00 9- 97 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela autoridade julgadora em face do acórdão nº 1235.862, proferido pela 2ª Turma de Julgamento daDRJ Rio de Janeiro I (fls. 224), que julgou totalmente procedente a Impugnação ao Auto de Infração, apresentado pela ora Recorrida. A exigência fiscal diz respeito à Auto de Infração lavrado em face da Recorrida no valor de R$ 4.872.949,50, sendo R$ 1.042.873,02 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ;R$ 72.236,14 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS;R$ 333.397,79 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS; R$ 234.569,97 por Contribuição Social sobre Lucro Liquido– CSLL; R$ 1.893.461,08 por multa de oficio de 112,5% e R$ 1.296.411,83 a título de juros de mora, atualizados até 29/05/2009. A fiscalização derase referente ao ano calendário de 2003. A autuação ocorreu haja vista que a Recorrida foi intimada 27/10/2008 (fls.05/07) para que apresentasse perante a autoridade fiscal, inúmeros documentos, dentre os quais os de Escrituração Contábil inerentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2003. Não atendida a solicitação por parte Recorrida, a autoridade fiscal reiterou tal intimação em 13/11/2008 (08/10 e 11/13), onde novamente restou infrutífera. Diante de tais circunstâncias, a autoridade fiscal requisitou junto às instituições financeiras, a saber: BANCO ITAÚ S/A;BANCO UNIBANCO S/A;BANCO ABN AMRO REAL S/A; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BANCO DO BRASIL S/A (fls. 60/75), extratos com as movimentações bancárias da Recorrida, inerente ao período fiscalizado, vale dizer, de 01/01/2002 a 31/12/2003. A citada requisição fora atendida em parte, sendo que na oportunidade as citadas instituições financeiras forneceram os extratos bancários da Recorrida tão somente do período de 01/01/2003 a 31/12/2003. A partir dos extratos obtidos, a autoridade fiscal então intimou a Recorrida em 09/04/2009 (fls. 76/96) para que comprovasse a origem e natureza de movimentações bancárias apuradas (fls. 74/95).Desatendida a intimação, a autoridade fiscal novamente em 20/04/2009 (fls. 98/118) reiterou a intimação onde novamente não surtira qualquer efeito. A autoridade fiscal então lavrouo presente auto de infração (fls. 122/158), apurandose como omissão de receita os depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas pela Recorrida, conforme dispõem os artigos 27, inciso I e 42 da Lei 9.430/96 combinados com os artigos 532 e 537 do RIR/99. Inconformada a Recorridaapresentou a impugnação (fls. 160/173) acompanhada de documentos (fls. 174/193), alegando, nos termos do relatório da autoridade julgadora de origem, em síntese: a suspensão do curso do presente processo, posto que o de n° 17883.000367/200801 encontrase em fase recursal; cancelamento da exigência uma vez que já teve contra si o mesmo lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, relativo a períodos de apuração coincidentes com a atual exigência, consubstanciado no processo n° 17883.000539/200839; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº17883.000100/200997 Acórdão n.º 1302000.965 S1C3T2 Fl. 3 3 a guarda de documentos fiscais requeridos pela autoridade fiscal devem se dar por apenas cinco anos, consoante o art. 264, caput e § 3° do RIR/99; os períodos cogitados já foram atingidos pela decadência, o que demonstra a inutilidade de tentativa de aplicar multa pela não apresentação de documentos fiscais sobre períodos que não poderiam ser objetos de autuação; nos termos do art. 150, §4° do CTN ocorreu a decadência de o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; existem decisões reiteradas do CARF no sentido de que descabe o agravamento da penalidade com base exclusivamente na falta de atendimento de intimação para prestar esclarecimentos sobre a origem de depósitos bancários; não há certeza nos autos de que os depósitos signifiquem rendimentos, o que enseja a nulidade de todo o procedimento; no caso de presunção de omissão de receitas, caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a base de cálculo do lucro arbitrado será obtida a partir da aplicação dos coeficientes de arbitramento do lucro sobre a receita conhecida; o fisco deixou de observar o balanço apresentado, procedendo ao arbitramento do lucro com base somente nos depósitos bancários, o que evidencia a fragilidade do lançamento; Objetivando a inclusão de seus débitos no programa REFIS, regulamentado pela Lei 11.941/09, acontribuinte, ora Recorrida requereu a desistência (fls. 200) da impugnação à autuação fiscal sob a condição de consolidação do parcelamento em questão. Posteriormente retratouse da desistência (fls. 213216), vindo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I a proferir o acórdão de nº 12 35.862 nos seguintes termos: Ementa: DECISÃO ADMINISTRATIVA PENDENTE DE APRECIAÇÃO RECURSAL EM OUTRO PROCESSO. INTERRUPÇÃO DO CURSO DO PRESENTE. MATÉRIAS DISTINTAS. Ante as falta de correlação de matérias tratadas em processos administrativos distintos, o fato de inexistir decisão administrativa definitiva em um processo não dá causa a interrupção do curso do outro. REEXAME DE PERIODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA. NECESSIDADE. É nulo o lançamento decorrente do segundo exame em relação a um mesmo exercício, se ausente a autorização prévia, por escrito, firmada por autoridade competente. Impugnação procedente. Credito tributário exonerado. No caso em apreço, a autoridade julgadora da DRJ – Rio de Janeiro I acolheu a alegação da Recorrida de que já teve contra si o mesmo lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, relativo a períodos de apuração coincidentes com a atual Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 exigência, consubstanciado nos autos deProcesso Administrativo Fiscal n° 17883.000539/200839. No citado processo(17883.000539/200839), conforme acórdão de nº 12 35.332emanado pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, acostado aos presentes autos (fls. 233/241), a Recorrida teve contra si auto de infração lavrado por decorrência da não comprovação da origem de valores creditados em suas contas correntes mantidas em instituições, conforme disposto no relatório, vejamos: Relatório, Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DRF/VOLTA REDONDA/RJ,relativos aos anos calendário de 2002 e 2003, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.022.326,70 (fls.438/448), a contribuição para o programa de integração social – PIS, no valor de R$ 72.259,99 (fls.449/455), a contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, no valor de R$ 333.508,03 (fls.456/470), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 131.892,23 (fls.471/482), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. [...] 2. Dos fatos. 5. O interessado foi então intimado em 27/10/2008 (fls.04/06) e reintimado em 13/11/2008 (fls.69/71) a apresentar diversos documentos, entre eles: livros Diário e Razão, DCTF e DIPJ do período de 01/01/2002 a 31/12/2003; comprovantes das receitas, custos e despesas do mesmo período. 6. Posteriormente, foi intimado em 05/11/2008 (fls.372/394) e reintimado em 18/11/2008 (fls.395/399 e 402/421) a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas correntes mantidas em diversas instituições financeiras. 7. Das infrações. 8. Ante a falta de resposta às intimações, foi efetuado o lançamento de oficio em que se apurou omissão de receita correspondente aos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Enquadramento legal: art. 27, inciso I e art. 42 da Lei nº 9430/1996; arts. 532 e 537 do RIR/1999 Destarte, tendo em vista que nos presentes autos (17883.000100/200997) houve a integral desoneração da exigência fiscal (R$ 4.872.949,50) em favor da contribuinte, ora Recorrida, com fulcro no artigo 34, inciso I do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora da DRJ – Rio de Janeiro I, interpôs Recurso de Oficio (fls. 244). Na sequência os presentes autos (17883.000100/200997) foram remetidos à Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº17883.000100/200997 Acórdão n.º 1302000.965 S1C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso de oficio prescinde de análise da tempestividade e dele conheço. 1. DA ANULAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA PELA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO A autoridade fiscal da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I consignou nos presentes autos (17883.000100/200997) que (fls. 247): “[...] a matéria aqui tratada já fora objeto de exame anterior por parte do fisco, gerando o processo n° 17883.000539/200839, o qual, inclusive, já foi julgado em primeiro grau por esta Turma de Julgamento, na sessão de 27 de janeiro de 2011, como bem se pode notar pelo acórdão n° 1235.332, extraído do sistema decisões e juntado às fls. 231/339.” Não obstante, juntou aos presentes autos (fls. 233/241), cópia do acórdão nº 1235.332, proferido nos autos de Processo Administrativo Fiscal n° 17883.000539/200839, conforme aludido. E em estudo ao citado acórdão (1235.332), prolatado nos autos de Processo administrativo fiscal nº 17883.000539/200839,constatase que, de fato,a fiscalização derase em relação aos períodos de 01.01.2002 a 31.12.2003, vejase: Acórdão: 1235.332 – 2ª Turma da DRJ/RJ1 Sessão de: 27 de Janeiro de 2011 Processo: 17883.000539/200839 Interessado: SABEC ASSOC. ASSISTENCIAL BARRAMANSENSE DE ENSINO E CULTURA. CNPJ/CPF: 28.686.921/000179 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003. Não obstante, no relatório do citado acórdão (nº 1235.332) abstraise novamente a informação de que a fiscalização nos autos em questão (17883.000539/200839) derase nos anos calendários 2002 e 2003. Vejamos: Relatório, Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DRF/VOLTA REDONDA/RJ, relativos aos anos calendário de 2002 e 2003, por meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.022.326,70 (fls.438/448), a contribuição para o programa de integração social – PIS, no valor de R$ 72.259,99 (fls.449/455), a contribuição para financiamento da seguridade social – Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 COFINS, no valor de R$ 333.508,03 (fls.456/470), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 131.892,23 (fls.471/482), acrescidos de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. (grifouse). [...] Ainda no relatório do acórdão em estudo (1235.332), prolatado nos autos nº 17883.000539/200839, constatase que a Recorrida fora autuada nos tributos IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, com fundamento no art. 42, combinado com o art. 27, inciso I, ambos da Lei nº 9430/96, ou seja, por omissão de receita, vejase: [...] 7. Das infrações. 8. Ante a falta de resposta às intimações, foi efetuado o lançamento de oficio em que se apurou omissão de receita correspondente aos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Enquadramento legal: art. 27, inciso I e art. 42 da Lei nº 9430/1996; arts. 532 e 537 do RIR/1999. De outra banda, nos presentes autos (17883.000100/200997), a Recorrida foi intimada a apresentar a documentação contábil do mesmo período, ou seja, de 01.01.2002 a 31.12.2003(fls. 05/16). Ante a inércia da Recorrida a autoridade fiscal requisitou às instituições financeiras onde a mesma mantinha contratos, extratos bancários referentes ao mesmo período fiscalizado, vale dizer, nos anos calendários 2002 e 2003 (fls. 60/75). As instituições financeiras, por sua vez, cumpriram em parte as exigências do fisco, fornecendo os extratos bancários tão somente do período de 01.01.2003 a 31.12.2003. A autoridade fiscal então se limitou a fiscalizar as movimentações financeiras a partir dos dados obtidos, ou seja, do ano calendário de 2003. De toda maneira, o período efetivamente fiscalizado nos presentes autos (17883.000100/200997), ou seja, 01.01.2003 a 31.12.2003, é o mesmo objeto de fiscalização nos autos de n° 17883.000539/200839, pois neste, a fiscalização derase nos anos calendários de 2002 e 2003. Sendo assim, inegavelmente restou caracterizado o reexame de período já fiscalizado. Logo, oportuna é a leitura do art. 906 do RIR/99, que, em síntese, dispõe: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.” Portanto, poderia ter sido redesignada a fiscalização pela mesma autoridade competente que a designou a priori. Assim deve ser julgado procedente o recurso de ofício, pois o MPF assinado pelo Delegado Competente pode redesignar fiscalização sobre o mesmo exercício já fiscalizado. Deste modo, é necessário que seja anulado integralmente o acórdão nº 12 35.862, proferido pela DRJ/RJ1 nos presentes autos, uma vez que este julgou apenas as preliminares, sem adentrar no mérito do presente caso. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº17883.000100/200997 Acórdão n.º 1302000.965 S1C3T2 Fl. 5 7 Sendo assim, voto no sentido dar provimento ao Recurso de Ofício nº 941.742, anulando o acórdão de nº 1235.862, proferido pela DRJ Rio de Janeiro I nos autos nº 17883.000100/200997, de forma que o presente processo seja a ela remetido para apreciação do mérito, inclusive no caso verificandose e confrontando os fatos geradores, os depósitos bancários e os tributos lançados entre um auto e outro. Podendo inclusive solicitar diligências e reunião de processos que entender necessário. 2. CONCLUSÕES Ante ao exposto, dou provimento ao recurso de ofício no sentido de anular a decisão proferida pela DRJ/RJ1 uma vez que esta se manifestou apenas em relação às preliminares. Determino que seja reapreciado o caso, visando a análise do mérito da demanda administrativa, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/201 2 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10314.012365/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Reproduzo vez o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 14/11/2007, para a cobrança da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, art. 84, inciso I da MP nº 2.1583501. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 23 65 /2 00 7- 81 Fl. 5426DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 186 2 Destacou a fiscalização que a Lei 10.833/03 em seu art. 69 § 2º, inciso III determina a aplicação da multa supracitada nos casos de prestação de informação inexata necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro adequado: “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. § 3º (Vide Medida Provisória nº 320, de 2006)” Isso porque, em ato de revisão aduaneira da empresa em epígrafe, foram selecionados os 97 itens de maior relevância no comércio exterior da empresa conforme anexo I. Dentre os itens selecionados 73 foram considerados de descrição insuficientes conforme anexo II. A fiscalização fez uma amostragem da descrição das mercadorias nas DIs em questão, conforme podemos observar às fls. 04/11. Ciente do Auto de Infração em 07/12/2007, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2298/2308, onde em síntese alegou: as mercadorias importadas pela Impugnante não foram erroneamente ou insuficientemente descritas nas Declaração de Importação/Admissão no RECOF, afigurandose ilegal e verdadeiramente abusiva a aplicação da multa ora combatida; por ter grande parte de sua produção destinada ao mercado externo, a Impugnante é beneficiária do Regime Aduaneiro de Entreposto Comercial sob Controle Informatizado, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 417, de 20 de abril de 2004, que lhe permite que os insumos da produção sejam importados com suspensão do Imposto de Importação, IPI, e PIS/COFINS – Importação; Fl. 5427DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 187 3 a impugnante exporta grande parte de sua produção, é certo que a importação dessas autopeças sequer configura fato imponível dos tributos aduaneiros, ante a regra de suspensão na importação dessas mercadorias e conseqüente baixa no momento em que as máquinas com elas montadas são exportadas para o exterior; as próprias Declarações de Importação/Admissão no Regime, registradas durante todo o exercício de 2006 (doc. 04/342) atestam essa condição e demonstram que os produtos importados pela Impugnante gozam de suspensão de tributos aduaneiros; ainda que se admitissem quaisquer irregularidades na descrição das mercadorias, é certo que não houve qualquer perda de arrecadação ou máfé da Impugnante, o que justifica a relevação da penalidade aplicada, que desde já se requer, com fundamento no Art. 654 do Regulamento Aduaneiro; a mera leitura das Declarações de Importação/Admissão no Regime Especial é suficiente para concluir que as mercadorias importadas foram correta e suficientemente descritas pela Impugnante; tomemse, por exemplo, os itens constantes da Adição 007 da Declaração de nº 06/00268580 (doc. 04), classificados na posição NCM 9401.20.00 (Assentos para veículos automóveis) e descritos como 14X5721100/200 – CONJUNTO BANCO OPERADOR; apesar da clara descrição da mercadoria, o Auto de Infração aponta, às fls. 05, que teria havido insuficiência nessa descrição, pois “A descrição não aponta onde o item será utilizado, não cita que o item será utilizado em automóvel .” se a própria posição NCM 9401.20.00 se refere, justamente, a assentos para veículos automóveis, como supor que os referidos assentos seriam utilizados em algo que não automóveis?” não houve erro ou sequer divergência quanto à classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do MERCOSUL, seria mesmo incoerente exigir o recolhimento de qualquer multa no caso em tela por suposta insuficiência da descrição das mercadorias, já que a concordância do Fisco quanto a NCM adotada configura verdadeira confissão de que as descrições, tal como efetuadas, foram suficientes para enquadrar as mercadorias em questão nas respectivas posições; nesse sentido, assume natureza nitidamente confiscatória a multa ora combatida, esbarrando no comando inserto no art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, e criando embaraço ao próprio Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, cujo bom funcionamento imprescinde de segurança jurídica, que acaba de ser abalada ante a utilização de medida originalmente de propósito educativo com fins evidentemente arrecadatórios; incabível a autuação fiscal ora perpetrada também em razão do disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional; a norma contida no art. 146 doCTN está a dar guarida ao princípio da segurança jurídica, protegendo todos os atos de boafé do contribuinte e impedindo a Administração de se ocupar de novo critério ou propagr nova interpretação sob fatos ocorridos no passado, sobre os quais já tenha havido lançamento ou cobrança; durante todo o exercício de 2006, o Fisco aceitou a classificação das mercadorias nas posições adotadas e com as descrições informadas, não pode agora Fl. 5428DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 188 4 pretender rever os tais acontecimentos, com base em novo entendimento sobre o assunto, alterando critério jurídico em que se baseara anteriormente; requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006 Multa de 1% do Valor Aduaneiro A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado insuficiência na descrição detalhada da mercadoria para sua correta classificação, impõese a aplicação da multa. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006 PEREMPÇÃO. Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Comparece, agora, a então Recorrente para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Considera que houve obscuridade e “verdadeiro erro material”, ao considerar data incorreta como a de recebimento da decisão de primeira instância, acarretando decretação de perempção, que, na verdade, não teria acontecido. É o Relatório. Voto Consta no Embargo que a ciência da decisão de primeira instância teria ocorrido no dia 17/05/2010 e não em 13/05/2010 como entendeu a Unidade Preparadora e este Colegiado. Fl. 5429DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 189 5 Afirma que, “conforme denota a anexa cópia autenticada de envelope remetido através dos correios, pela Equipe de Controle de Crédito Tributário – EQCOT, da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, a Embargante somente tomou conhecimento do v. acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, nele contido, aos 17/05/2010, por ocasião do recebimento da referida correspondência (doc 01)”. Aduz que a suposta data de recebimento que consta do AR está visivelmente rasurada e adulterada. Liminarmente, de se dizer que não vejo omissão, contradição nem obscuridade no Acórdão embargado. Tampouco erro material. Com efeito, considerouse, para fins de contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário, a data que consta do Aviso de Recebimento, à folha 5.311 do processo. Assim constou do decisum. Vêse à folha 5.311 que o Aviso de Recebimento cientificando a recorrente da decisão de primeira instância foi recebido no dia 13 de maio de 2010, uma quinta feira, e o Recurso Voluntário foi apresentado no dia 14 de junho do mesmo ano. O Decreto 70.235/72 e alterações posteriores estabelece que os prazos se iniciam e encerram somente em dias de expediente normal, e que serão contínuos, excluindose de sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Constatase que o Recurso foi apresentado 32 dias depois da ciência do Acórdão recorrido. Sendo de 30 dias contados da data da ciência o prazo para apresentação do Recurso, está caracterizada a perempção, restando definitiva na esfera administrativa a decisão tomada em primeira instância. A Embargante assevera que a data que consta do Aviso de Recebimento foi rasurada e adulterada. Ainda que assim o fosse, não vejo como considerar o Acórdão omisso, contraditório ou obscuro. Em lugar disso, estarseia tratando de um equívoco deste Colegiado na consideração dos documentos de instrução do processo. Ademais, a Embargante inova em relação ao Recurso. O excerto do Acórdão embargado, abaixo transcrito, deixa claro que o assunto foi adequadamente apreciado, e que as razões ora apresentadas não o foram quando da interposição do Recurso. No corpo do Recurso, sob o título “DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO”, a recorrente afirma ter sido intimada do acórdão recorrido em 17 de maio de 2010, razão para que fosse considerado tempestivo o Recurso Voluntário carreado aos autos. Embora isso, as peças processuais acima identificadas dão conta de outra realidade, não havendo qualquer razão para que se acolha a data informada pela recorrente. O teor do Recurso Voluntário apresentado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na parte que se refere à tempestividade, era o seguinte. I PRELIMINARMENTE I.a. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO 1. Em 17 de maio de 2010, a Recorrente foi intimada acerca da decisão que manteve o Auto de Infração, consubstanciada no v. acórdão de fls. 5.298/5.305. Fl. 5430DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 190 6 2. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para apresentação do presente recurso, conforme disposto no Art. 33 do Decreto n ° . 70.235/72, temse que o "dies ad quem" para a interposição do presente recurso é 16 de junho de 2010, restando, portanto, inequívoca sua tempestividade, o que permite o seu conhecimento. Nada mais. Acrescentese a isso tudo que a data que consta do Aviso de Recebimento à folha 5.311 não me parece ter sido rasurada ou adulterada por outra pessoa, no intento de modificar a informação. A data manuscrita contém de fato uma rasura. Contudo, ao que tudo indica, tratouse de um erro cometido pela própria pessoa no momento da assinatura do AR. Observase que, antes de escrever o número três, o recebedor parece ter escrito o número dois. Nada que indique o número sete, único algarismo que poderia confirmar a data na qual a Embargante diz ter tomado ciência da decisão de primeira instância. Inobstante, o carimbo aposto pelos Correios não contém qualquer rasura, anotando, sem margem de dúvidas, o dia de 13/05/2010 como sendo a de recebimento da decisão de piso. As supostas datas que constam no envelope não tem o condão de desconstituir a data informada no Aviso de Recebimento. VOTO POR NÃO CONHECER dos embargos. Sala das Sessões, 21 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 5431DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16004.000758/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 58 /2 00 9- 94 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.189 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.180.5635, lavrado contra o sujeito passivo acima, para exigência das contribuições previdenciárias a outras entidades e fundos Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, SENAI, SESI, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. O relato do fisco dá conta de operação deflagrada pela Polícia Federal, que identificou suposta organização criminosa, cujo objetivo maior era fraudar à administração tributária. Afirmase que as práticas criminosas eram efetuadas por grupo econômico de fato, denominado Grupo Itarumã, do qual fazia parte a autuada. Foram arrolados como devedores solidários, em razão da existência de grupo econômico, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: a) Ari Félix Altomari; b) João do Carmo Lisboa Filho; c) João Carlos Altomari; d) Itarumã S/A; e) Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda; f) Unidos Agroindustrial Ltda; g) J & T Administração e Participação Ltda; h) JL Administração e Participação Ltda; i) AFA Administração e Participação Ltda; j) Mafrico Matadouro e Frigorífico Ltda; k) Transportadora Agro Ltda; l) Atual Carnes Ltda. Apresentouse discriminação das contribuições não recolhidas, as quais não foram, segundo a auditoria, declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A Autoridade Fiscal afirmou que os líderes do referido grupo econômico criaram empresas em nome de “laranjas”, a exemplo da autuada, para desviar faturamento das empresas legalmente constituídas. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foram apresentados pelo fisco argumentos e provas quanto à existência do Grupo Itarumã, em razão da interdependência existente entre as empresas componentes e do comando destas centralizado nas mão dos senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. São apresentadas como evidências da existência de grupo econômico de fato o custeio de plano de saúde pelo Grupo Itarumã de segurados pertencentes às diversas empresas que o compunham, além da rotatividade de empregados entre estas. Acrescenta o fisco que a multa foi calculada levando em conta as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posto que as disposições revogadas eram mais gravosas ao sujeito passivo. Foi apresentada impugnação pela autuada, a qual não foi acatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que a declarou improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário. Desta decisão, interpuseram recursos voluntários as empresas Itarumã S.A.; AFA Administração e Participação Ltda; J & T Administração e Participação Ltda; JL Administração e Participação Ltda; Unidos Agroindustrial S.A. e Atual Carnes Ltda, além das pessoas físicas Ari Félix Altomari; João Carlos Altomari e João do Carmo Lisboa Filho. Nas peças de igual teor, as recorrentes alegaram: a) malgrado o extenso relatório fiscal, a auditoria não conseguiu demonstrar a relação existente entre o(a) recorrente e a empresa Agro Carnes Alimentos; b) não faz parte do Grupo Itarumã, não possui relação com a autuada, nem tem sócio comum com esta; c) não se pode inferir que o simples fato de uma empresa firmar contrato com outra seria suficiente para tornála parte de esquema supostamente fraudulento; d) o fisco se baseou apenas em ilações, não conseguido demonstrar a relação entre as empresas e pessoas arroladas como devedoras juntamente com a autuada; e) não restou demonstrado o interesse comum entre a autuada e o(a) recorrente, não podendo prevalecer a solidariedade pela satisfação do crédito tributário; f) a doutrina entende que somente se caracteriza o interesse comum quando se demonstra que o contribuinte autuado e o solidário deram causa em conjunto para ocorrência do fato gerador; g) da forma como se apresenta o relato do fisco, não há como se delimitar com precisão qual a fraude acarretou a solidariedade entre as partes envolvidas; h) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a mera existência de grupo econômico é insuficiente para justificar a solidariedade tributária; i) a melhor doutrina tem ensinado que o encargo de provar a ocorrência do fatos gerador e as circunstâncias em que se deu é do fisco, além de que, não existe na espécie justificativa legal para inversão do ônus da prova; j) é nulo o AI, por falta de motivação quanto à imputação da responsabilidade solidária à(o) recorrente; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.190 5 k) o erro na identificação do sujeito passivo acarreta em ofensa ao art. 142 do CTN, devendo ser declarada a nulidade da lavratura; l) ocorreu decadência parcial do crédito; Ao final, requereram a declaração de nulidade do AI ou, alternativamente, a exclusão do polo passivo e ainda o reconhecimento parcial da decadência. É o relatório. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. A responsabilidade solidária De acordo com o fisco, foi constatada a existência de grupo econômico de fato, o qual era formado por empresas, cuja titularidade pertencia aos reais proprietários Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari; e por outras registradas em nomes de “laranjas”. A autuada fazia parte do segundo grupo. As afirmações da Autoridade Fiscal foram lançadas em relatório de 188 páginas, onde se tenta demonstrar, com esteio em farta documentação, coletada principalmente em documentos apreendidos pela Policia Federal, a existência de organização empresarial que sistematicamente fraudava administração tributária. Para tomarmos partido acerca da contenda, iniciemos fazendo um breve resumo dos fatos relatados pela fiscalização para justificar a inclusão no polo passivo de diversos responsáveis na condição de solidários. Afirma o relato do fisco que, provocada por denúncias da Receita Federal e do INSS, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Grandes Lagos”, no intuito de desbaratar organização que há cerca de quinze anos vinha praticando sonegação fiscal, com envolvimento de frigoríficos localizados principalmente nos municípios paulistas de Jales e Fernandópolis. Indicase que foram criadas diversas empresas “de fachada” para acobertar desvios de faturamento das empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, de modo a fraudar a Fazenda Pública. As empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e a Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda, segundo a auditoria, teriam sido criadas em nome de interpostas pessoas, para receber grande volume de faturamento do grupo empresarial, sem, no entanto, recolher os tributos devidos. São apresentados documentos, principalmente contratos, os quais comprovariam a estreita relação entre as empresas do grupo e entre estas e os sócios de fato do grupo, Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Ressaltase a existência de notas fiscais de saída de carne emitidas pelas empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda (a autuada) com propaganda e garantia do Frigorífico Itarumã. Havia, conforme relato do fisco, procurações da autuada outorgando poderes para pessoas que trabalhavam para o “Grupo Itarumã”. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.191 7 A Autoridade Fiscal indica a existência de notas fiscais de aquisição de animais pela autuada, todavia, com pagamentos aos produtores efetuados pela empresa Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda. Essa fato levou à conclusão da existência de interdependência entre as empresas envolvidas. Foram apresentados diversos exemplos de trabalhadores que atuavam em determinada empresa, todavia, o custeio do plano de saúde era suportado por outra, o que levou o fisco a reforçar sua conclusão pela existência de grupo econômico de fato. Também foram assinaladas as frequentes transferências de trabalhadores entre as diversas empresas do grupo, em que a última empregadora assumia integralmente os encargos trabalhistas e previdenciários. Foi detalhada pelo fisco a situação de todas as empresas envolvidas – regulares e irregulares, dos sócios de direito (laranjas) e dos sócios de fato acima mencionados. São apontadas ainda coincidência de endereços entre os estabelecimentos da empresa autuada e outras empresas do grupo. Afirmase que os recursos para integralização do capital da empresa autuada foram repassados aos sócios “de fachada” por empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, conforme demonstrado mediante cruzamento de extratos bancários. Essas pessoas, que foram presas no decorrer da operação policial, afirmaram em seus depoimentos que outorgaram poderes a procuradores para gerir a empresa. Ressaltase também a incompatibilidade entre o faturamento da autuada e a situação financeira de seus sócios. Dáse conta que uma das formas de reverter para o “Grupo Itarumã” os resultados financeiros da autuada era a realização de benfeitorias de grade vulto em instalações industriais arrendadas a esta pelo Frigorífico Itarumã, que eram, por força de contrato, incorporadas ao imóvel arrendado. Consta do relato fiscal que a empresa Unidas Agroindustrial S/A tinha uma filial instalada no mesmo endereço da Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos e que neste local centralizavase todo o controle financeiro e operacional das empresas do grupo. Citase que o imóvel foi adquirido pelos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, todavia, com recursos oriundos da empresa Grandes Lagos. A seguir, o fisco relata a relação existente entre o “Grupo Itarumã” e as empresas J & T Administração e Participação Ltda, JL Administração e Participação Ltda e AFA Administração e Participação Ltda, buscando demonstrar que as mesmas teriam sido criadas apenas para transferir patrimônio dos sócios do grupo para seus filhos. Um dos sócios da empresa Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos, Senhor Cláudio Freitas, confessou, conforme o fisco, que os verdadeiros donos desta empresa eram os Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, proprietários do “Grupo Itarumã”, e que aquele era apenas pessoa interposta para esconder a real titularidade da empresa. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Informase que a empresa Transportadora Agro Ltda é uma extensão da autuada e que foi criada para simular o arrendamento de veículos da empresa Itarumã S/A. O Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda, segundo a auditoria, foi constituído com recurso oriundos da distribuição de lucros efetuada pela autuada. Afirmase que a empresa Atual Carnes, que absorveu todos os empregados demitidos pela Wood Comercial Ltda, rescindiu os contratos com estes, os quais foram imediatamente absorvidos pela autuada. Ressaltase também que a folha de pagamento da Atual Carnes era paga com recursos da Comercial Grandes Lagos, da Agro Carnes Alimentos e da Coferfrigo AT. C Ltda. A seguir, os Auditores fizeram inúmeras considerações sobre os titulares de fato e os titulares de direito (laranjas) das empresas em questão para demonstrar que faziam parte do conglomerado “Grupo Itarumã”. São também lançadas observações sobre pessoas, cujos serviços prestados ao grupo indicam a interligação entre as empresas. Depois são tecidas considerações sobre as evidências reveladas pelos documentos apreendidos na “Operação Grandes Lagos”, quando à ocorrência dos crimes tributários. O fisco também fundamentou suas conclusões mediante análises da movimentação financeira entre as empresas e pessoas envolvidas, bem como do cruzamento de dados bancários obtidos por ordem judicial. Ressaltese que os dados constantes nos cadastros das instituições financeiras demonstram que os sócios da autuada não passavam de prepostos dos verdadeiros proprietários do “Grupo Itarumã”. Também está evidenciado no relato a ocorrência de pagamentos de despesas pessoais dos sócios verdadeiros pelas empresas “de fachada”, demonstrandose que estas eram de fato pertencentes aos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Mesmo diante desses argumentos, todos lastreados em farto conjunto probatório, as recorrentes se limitaram a negar a existência do grupo econômico de fato, sem, no entanto, apresentar qualquer argumento específico ou elemento de prova que pudesse infirmar as conclusões da auditoria. Não há dúvida de que o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a responsabilização na condição de devedores solidários dos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, posto que estes se beneficiaram da falta de pagamento dos tributos exigidos no presente AI. Eis o dispositivo invocado: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) É para esse lado que tem se inclinado a jurisprudência do CARF, como se pode ver dos julgados abaixo reproduzidos: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.192 9 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. O interesse comum na constituição do fato gerador da obrigação principal fica bem caracterizado quando o sócio majoritário deixa a sociedade colocando em seu lugar interposta pessoa, tornandose a partir daí um sócio oculto. (1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1401000.878, de 06/11/2012, Rel. Conselheiro Antônio Bezerra Neto) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA A prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, pelo que se impõe a multa de 150% sobre a totalidade do tributo lançado de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS MATÉRIA SUMULADA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (2.ª Turma Especial da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012, Rel. Conselheira Ester Marques Lima de Souza) Portanto, uma vez comprovado que as pessoas físicas citadas, que eram os controladores do “Grupo Itarumã”, constituíram empresas com a interposição de sócios fictícios, tirando proveito da fraude perpetrada, devem os mesmos ser chamados ao polo Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 passivo do presente crédito na condição de devedores solidários, em face do claro interesse comum na ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto às pessoas jurídicas arroladas como solidárias, o fisco fundamentou o seu proceder no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Conforme o relato do fisco acima reproduzido em breve síntese, as diversas empresas compunham o grupo econômico de fato denominado “Grupo Itarumã”, conclusão esta que se baseou na confusão financeira, operacional e patrimonial que se dava entre as empresas, além de comando único representado pelas pessoas físicas acima mencionadas. É assim que tem entendido a jurisprudência pátria, como se pode ver do julgado do Superior Tribunal de Justiça, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.193 11 satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes". 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.(grifei) (2.ª Turma, Resp. 200901142420, DJE 03/02/2011, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques) Assim, cabível a colocação de todos os responsáveis tributários arrolados pelo fisco na condição devedores solidários. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verificase que, tendo ocorrido a simulação acima destacada, deslocase a contagem do prazo de decadência para a norma do art. 173, I, do CTN. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que não se configurou o transcurso do prazo decadencial, haja vista que o período do lançamento foi de 12/2003 a 12/2006 e a cientificação ao último dos coobrigados (intimado por edital) deuse em 29/12/2009. Procedência do lançamento Não tendo as recorrentes apresentado qualquer argumento quanto à apuração do crédito, seja quanto à inocorrência do fato gerador ou à delimitação da base de cálculo, devese tomar como procedentes as contribuições apuradas. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.194 13 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 17515.001099/2008-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/04/2006
PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 1.
A Súmula CARF nº 1 cristalizou o entendimento de que a opção do contribuinte pela discussão judicial impede a análise da mesma questão jurídica no âmbito administrativo. Tal vedação não significa apenas a inviabilidade da discussão simultânea nas duas vias, mas se deve ao fato de que a solução decretada pelo Poder Judiciário prevalece sempre. A discussão judicial, por isso, prejudica a discussão administrativa a respeito do mesmo tema.
SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62-A DO RICARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCRETA. SÚMULA CARF Nº 1. PREVALÊNCIA.
Se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário é tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplica-se o sobrestamento previsto no art. 62-A do Regimento Interno. Contudo, se o mesmo tema encontra-se em discussão pelo mesmo contribuinte em ação judicial concreta, prevalece a impossibilidade de conhecimento, posto que mesmo após o julgamento de mérito pelo STF o Tribunal Administrativo não poderia conhecer da matéria, em razão de encontrar-se submetida ao Poder Judiciário. A inteligência da Súmula CARF nº 1 prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62-A do Regimento.
LANÇAMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Porquanto a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, o suporte do lançamento fiscal é a sua fundamentação legal, de maneira que a motivação fática será suficiente na medida em que circunstancie os elementos necessários para amparar a aplicação dos dispositivos legais envolvidos.
Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado.
Numero da decisão: 3403-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/04/2006 PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 1. A Súmula CARF nº 1 cristalizou o entendimento de que a opção do contribuinte pela discussão judicial impede a análise da mesma questão jurídica no âmbito administrativo. Tal vedação não significa apenas a inviabilidade da discussão simultânea nas duas vias, mas se deve ao fato de que a solução decretada pelo Poder Judiciário prevalece sempre. A discussão judicial, por isso, prejudica a discussão administrativa a respeito do mesmo tema. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62-A DO RICARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCRETA. SÚMULA CARF Nº 1. PREVALÊNCIA. Se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário é tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplica-se o sobrestamento previsto no art. 62-A do Regimento Interno. Contudo, se o mesmo tema encontra-se em discussão pelo mesmo contribuinte em ação judicial concreta, prevalece a impossibilidade de conhecimento, posto que mesmo após o julgamento de mérito pelo STF o Tribunal Administrativo não poderia conhecer da matéria, em razão de encontrar-se submetida ao Poder Judiciário. A inteligência da Súmula CARF nº 1 prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62-A do Regimento. LANÇAMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Porquanto a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, o suporte do lançamento fiscal é a sua fundamentação legal, de maneira que a motivação fática será suficiente na medida em que circunstancie os elementos necessários para amparar a aplicação dos dispositivos legais envolvidos. Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado.
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CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 1. A Súmula CARF nº 1 cristalizou o entendimento de que a opção do contribuinte pela discussão judicial impede a análise da mesma questão jurídica no âmbito administrativo. Tal vedação não significa apenas a inviabilidade da discussão simultânea nas duas vias, mas se deve ao fato de que a solução decretada pelo Poder Judiciário prevalece sempre. A discussão judicial, por isso, prejudica a discussão administrativa a respeito do mesmo tema. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62A DO RICARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCRETA. SÚMULA CARF Nº 1. PREVALÊNCIA. Se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário é tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplicase o sobrestamento previsto no art. 62A do Regimento Interno. Contudo, se o mesmo tema encontrase em discussão pelo mesmo contribuinte em ação judicial concreta, prevalece a impossibilidade de conhecimento, posto que mesmo após o julgamento de mérito pelo STF o Tribunal Administrativo não poderia conhecer da matéria, em razão de encontrarse submetida ao Poder Judiciário. A inteligência da Súmula CARF nº 1 prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62A do Regimento. LANÇAMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Porquanto a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, o suporte do lançamento fiscal é a sua fundamentação legal, de maneira que a motivação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 10 99 /2 00 8- 25 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 fática será suficiente na medida em que circunstancie os elementos necessários para amparar a aplicação dos dispositivos legais envolvidos. Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório do Acórdão nº 0726.913, de 5 de dezembro de 2011 (fls. 125/131 eprocesso): Segundo relato da fiscalização, a interessada registrou a DI n.° 06/04593184 em 24/04/2006, sem o recolhimento de PIS e Cofins tendo em vista a obtenção de liminar nos autos do mandado de segurança n.° 2006.70.00.0069211 que suspendia a exigibilidade dos tributos. Posteriormente, em reexame necessário, o Juízo Federal da 1ª Vara Federal de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto à base de cálculo dos tributos questionados, determinando que fossem calculados tendo como base de calculo somente o valor aduaneiro como definido pelo Acordo GATT, Regulamento Aduaneiro e CTN. Desta forma a fiscalização lançou no presente auto de infração os valores correspondentes à diferença entre os valores devidos conforme a determinação judicial e aqueles devidos conforme a Lei n.° 10.865/2004, com exigibilidade suspensa, sendo que os valores devidos conforme a determinação judicial, sem exigibilidade suspensa, foram lançados em outro auto de infração, protocolado sob n.° 17515.000837/200817. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 50/82, alegando o que segue: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17515.001099/200825 Acórdão n.º 3403001.888 S3C4T3 Fl. 185 3 1 A autoridade não poderia instaurar qualquer procedimento fiscal dada a suspensão da exigibilidade dos tributos por força de decisão judicial, nos termos do art.62, do Decreto n.° 70.235/72. Também não podem ser cobradas multa ou penalidade administrativa. 2 Não há descrição dos fatos e fundamentos, nem indicação especifica do dispositivo infringido que levaram a autoridade a realizar o lançamento e por isso é nulo o auto de infração. 3 A exigibilidade das contribuições só poderia se iniciar após a decisão judicial definitiva favorável ao fisco. Não se trata de renúncia à via administrativa. A fiscalização lavrou o auto de infração, obrigando a interessada a promover a impugnação, sob pena de prescrever o direito de defesa administrativa. 4 E necessário o sobrestamento do. presente processo administrativo, até que haja uma decisão judicial transitada em julgado. 5 Não havendo renúncia à via administrativa, há que ser apreciada a presente impugnação, sob pena de ocorrência de cerceamento de defesa. 6 No mérito traz argumentos quanto a) à inconstitucionalidade e ilegalidade da incidência do PisImportação e CofinsImportação, notadamente na importação de equipamentos destinados à manutenção e recuperação da saúde do cidadão brasileiro; b) ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e a vedação da cobrança de tributos com efeitos confiscatórios; c) A inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865/2004, havendo necessidade de regulamentação das novas contribuições por lei complementar e ofensa ao principio constitucional da isonomia em matéria tributável; d) à inconstitucionalidade da correção da base de calculo das contribuições para incluir o ICMS e a própria contribuição. 7 A impugnante agiu dentro da estrita legalidade e por isso não pode ser punida com o auto de infração. Requer, então, sejam acatadas as preliminares argüidas para anular o auto de infração; 6 Por estas razões deve ser julgado improcedente o auto de infração. É o relatório”. (fls. 126/127 eprocesso) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, por meio do referido Acórdão, manteve integralmente o auto de infração, por entender o seguinte: As exigências de que tratam o presente processo referemse As Contribuições PIS/PASEP e Cofins devidas por ocasião da importação de mercadoria através da DI n.° 06/04593184 e que não foram recolhidas por entender a importadora que estava amparada por medida liminar suspensiva da exigibilidade de tais tributos, deferida no Mandado de segurança n.° 2006.70.00.0069211. Posteriormente, no exame da apelação, o TRF da j4.a Região decidiu pela inconstitucionalidade apenas da alteração da base de Cálculo das Contribuições, determinando que as mesmas fossem calculadas nos 'termos da definição de valor aduaneiro constantes no Acordo GATT. Por esta razão foram lançados nos presente auto os valores correspondentes A diferença entre os valores devidos conforme a determinação judicial e aqueles devidos conforme a Lei n.° 10.865/2004, com exigibilidade suspensa. A impugnante contesta a constituição do crédito tributário através do auto de infração por entender que a propositura de ação judicial e a suspensão a exigibilidade do crédito deferida liminarmente, obstam qualquer procedimento fiscal em relação ao crédito discutido. Quanto à constituição do crédito em que a impugnante contesta sua validade é de se esclarecer que a autoridade fiscal deve obrigatoriamente proceder ao lançamento devido ao fato de a constituição do crédito tributário ser de sua competência privativa, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN que dispõe, in verbis: (…) Conclusivamente, então, de acordo com o CTN o crédito tributário deve ser constituído, mesmo que esteja sendo discutido judicialmente, sendo que sua exigibilidade é que pode ficar suspensa caso ocorra alguma das condições previstas no art. 151. Preliminarmente também requer a nulidade do auto de infração por não constar a descrição dos fatos e fundamentos e não indicar especificamente o dispositivo infringido. Tal argumento não se mantém pelo simples fato de que no auto está claramente relatado a origem da exigência feita, citando a legislação de regência das contribuições em tela. Também defende a requerente o direito de ver analisada sua peça impugnatória, não ocorrendo renúncia à via administrativa. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17515.001099/200825 Acórdão n.º 3403001.888 S3C4T3 Fl. 186 5 Todavia, no que tange ao exame de matéria concomitante nas esferas administrativas e judicial, cumprenos, nessa instância administrativa, observar o disposto no Ato Declaratório Administrativo COSIT no 3, de 14/02/1996, (…) Portanto, em cumprimento A. norma legal, se houver concomitância entre as matérias discutidas administrativa e judicialmente há que ser reconhecer a desistência de sua discussão na via administrativa por aplicação do ADN COSIT n.° 03/96. E é o que ocorre no presente auto de infração, em que se constata através dos argumentos de mérito trazidos pela interessada na impugnação, que a matéria concernente A. legalidade da exigência e ao cálculo das contribuições foi levada para , discussão na esfera judicial e, conseqüentemente, em relação a ela, deve se reconhecer a desistência de sua discussão na via administrativa. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 138/176), por meio do qual insiste nos mesmos fundamentos de sua impugnação, acrescentando apenas a alegação de que deveria haver os sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, conforme previsto art. 62A do Regimento do CARF, em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nºs 559.607 (Tema 001 – “Base de cálculo do PIS e da COFINS sobre a importação”) e no Recurso Extraordinário nº 565.886 (Tema 079 – “a) Reserva de lei complementar para instituir PIS e COFINS sobre a importação. b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.865/2004”). Argumenta que “não há renúncia à instância administrativa, pois o Fisco que lavrou o auto de infração e intimou a ora RECORRENTE para apresentação de defesa, sendo assim, é indispensável a apreciação da peça impugnatória em todos os seus termos” (fl. 147 eprocesso). Também alega a nulidade do auto de infração (fl. 156 eprocesso) por ausência de indicação específica dos dispositivos infringidos – argumentando que o auto de infração teria se limitado a listar inúmeros dispositivos legais, mas sem indicar quais teriam sido especificamente infringidos –, e por falta de precisão na descrição dos fatos, que residiria no fato de a autoridade fiscal ter descrito que “o Juízo Federal da 1ª VF de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto à base de cálculo” enquanto, na verdade, já teria havido sentença julgando totalmente procedente o writ, “para reconhecer a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS sobre a importação (…) desobrigando a impetrante ao pagamento dos tributos” (fl. 157 eprocesso), É o relatório. Voto Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário é tempestivo (fls. 137 e 138 eprocesso). Entendo que o recurso não pode ser conhecido, em razão desta mesma questão encontrarse em discussão no Poder Judiciário, conforme faz prova a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0069211 (fls. 5/8 eprocesso). Fica clara a identidade da questão jurídica debatida nas duas vias, sendo fora de dúvida que o objetivo da ação judicial é afastar a exigência do crédito tributário que foi constituído por meio do lançamento fiscal discutido neste processo administrativo. Ou seja, a questão jurídica apresentada pelo contribuinte ao judiciário é a mesma que pretende ver discutida neste processo administrativo. Ocorre que é entendimento consolidado deste Conselho que a discussão pela via judicial prejudica de maneira irremediável o debate administrativo a respeito dos mesmos fundamentos, conforme categoricamente previsto na Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ou seja, é inviável a concomitância da discussão pelas duas vias, de sorte que a existência de uma ação judicial torna prejudicada a discussão do mesmo tema pela via administrativa. Isto se deve, também, ao aspecto prático de que a solução decretada pelo Poder Judiciário deverá sempre prevalecer. Diante, pois, da evidência de que a questão jurídica – da legalidade da exigência de PIS/Cofins sobre a importação e de qual deve ser sua base de cálculo – foi levada à discussão judicial, inviabilizase a discussão administrativa a este mesmo respeito. Justamente porque não se pode apreciar a questão jurídica que foi submetida concretamente ao Poder Judiciário, não se pode cogitar do sobrestamento do julgamento do recurso voluntário para aguardar o julgamento de mérito, pelo Supremo Tribunal Federal, de tema submetido à sistemática da repercussão geral. Como se sabe, se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário veicular um tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplicase o sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno, aguardandose o desfecho da apreciação do mérito pelo STF para, apenas depois disso, haver o julgamento de mérito do recurso voluntário por este Conselho, a quem incumbirá a aplicação do mesmos entendimento no julgamento do caso concreto, conforme o caput do mesmo art. 62 A. Contudo, se o tema em repercussão geral corresponde à mesma questão jurídica que se encontra em discussão em uma ação judicial concreta, proposta pelo mesmo Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17515.001099/200825 Acórdão n.º 3403001.888 S3C4T3 Fl. 187 7 contribuinte, então prevalece a impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário, para que assim prevaleça a discussão na via judicial. A análise quanto à aplicação da Súmula CARF nº 1 precede e prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62A do Regimento. Ou, em outras palavras, a vedação da concomitância prevalece e supera a hipótese de sobrestamento. Não haveria, com efeito, nenhuma utilidade no sobrestamento, pois mesmo depois do julgamento da repercussão geral pelo STF, este Tribunal Administrativo não poderia conhecer da questão, em razão de encontrarse submetida ao Poder Judiciário em ação judicial específica, proposta pelo contribuinte. Neste caso, como visto, o recurso voluntário trata de tema cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nºs 559.607 (Tema 001 – “Base de cálculo do PIS e da COFINS sobre a importação”) e no Recurso Extraordinário nº 565.886 (Tema 079 – “a) Reserva de lei complementar para instituir PIS e COFINS sobre a importação. b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.865/2004”). Ocorre que os mesmos temas foram veiculados em ação judicial proposta pelo mesmo contribuinte, de maneira que prevalecerá, em qualquer hipótese, a sorte do que for decidido nesta ação judicial concreta, exigindo, pois, a aplicação da inteligência da Súmula CARF nº 1. A única matéria de que se pode tomar conhecimento, portanto, referese à alegação do contribuinte de nulidade do auto de infração por vício de fundamentação e motivação. A respeito destas alegações, das quais se toma conhecimento, não assiste razão ao contribuinte. Primeiro, em relação à fundamentação legal, porque não é verdade que a autoridade lançadora tenha simplesmente listado os dispositivos legais, sem demonstrar a sua aplicação. O corpo da descrição dos fatos ilustra de maneira suficiente tudo quanto é necessário saber para a aplicação dos dispositivos legais envolvidos, que estão devidamente contextualizados (fl. 33 eprocesso): 0 importador, por meio da DI de n°06/04593184, registrada em 24/04/2006 , submeteu a despacho de importação um aparelho de raios X para tomografia computadorizada, com classificação na Tarifa Externa Comum sob o código 9022.12.00. A alíquota ad valorem da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre a importação, vigente para esta mercadoria na data do registro da DI (momento de ocorrência do fato gerador, para efeito de cálculo, segundo o art. 4°, inciso I, da Lei n° 10.865/2004) era de 7,6 %, e a alíquota do PIS era de 1,65 %. Ocorre que o importador havia recorrido, anteriormente Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 ao registro da DI citada, ao Poder Judiciário através do Mandado de Segurança n° 2006.70.00.0069211, obtendo liminar suspendendo a exigibilidade dos tributos acima citados. Posteriormente, em reexame necessário, o Juízo Federal da 1ª VF de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto A base de cálculo dos tributos questionados, determinando assim que fossem calculados tendo como base de cálculo somente o valor aduaneiro como definido pelo acordo GATT, pelo Regulamento Aduaneiro (artigo 77) e CTN (artigo 110), bem como o art. 149, parágrafo 2°, III, da Constituição Federal. Quanto à alegação de falta de precisão na motivação dos fatos, percebese que o contribuinte pretende acusar como um erro o que evidencia apenas a superveniência de novas decisões no processo judicial referido pela Fiscalização. Enquanto a Fiscalização se refere à liminar judicial, que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado, o contribuinte se refere à sentença, que concedeu integralmente o mandado de segurança. Ainda que houvesse alguma imprecisão a respeito de uma ou outra situação, isto não acarretaria qualquer nulidade, tendo em vista que não altera a necessidade de promoverse o lançamento para constituir o crédito tributário. A constituição do crédito tributário é dever de ofício da Administração Tributária e o ato de lançamento, em si mesmo, não significa a exigência propriamente dita do crédito tributário, que permanecerá suspensa enquanto permanecer vigente as hipóteses previstas no art. 151 do CTN. Por tais razões, voto por conhecer do recurso voluntário em parte e, nesta parte, negarlhe provimento. Ivan Allegretti Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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