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Numero do processo: 23034.000400/95-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
NULIDADE. CERCEAMENTO DO AMPLO DIREITO À DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.
O julgador não está obrigado a abordar individualmente a cada um dos diplomas normativos atinentes à matéria, entretanto, não pode julgar de forma arbitrária, ignorando a defesa apresentada pelo contribuinte.
Nos termos do art. 59, do Dec. nº 70.235/72, constatada a ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados em primeira instância pelo sujeito passivo fica caracterizado o cerceamento do amplo direito à defesa e ao contraditório, constituindo-se em motivo de nulidade do ato decisório.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 NULIDADE. CERCEAMENTO DO AMPLO DIREITO À DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. O julgador não está obrigado a abordar individualmente a cada um dos diplomas normativos atinentes à matéria, entretanto, não pode julgar de forma arbitrária, ignorando a defesa apresentada pelo contribuinte. Nos termos do art. 59, do Dec. nº 70.235/72, constatada a ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados em primeira instância pelo sujeito passivo fica caracterizado o cerceamento do amplo direito à defesa e ao contraditório, constituindo-se em motivo de nulidade do ato decisório. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 NULIDADE. CERCEAMENTO DO AMPLO DIREITO À DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. O julgador não está obrigado a abordar individualmente a cada um dos diplomas normativos atinentes à matéria, entretanto, não pode julgar de forma arbitrária, ignorando a defesa apresentada pelo contribuinte. Nos termos do art. 59, do Dec. nº 70.235/72, constatada a ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados em primeira instância pelo sujeito passivo fica caracterizado o cerceamento do amplo direito à defesa e ao contraditório, constituindose em motivo de nulidade do ato decisório. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 04 00 /9 5- 86 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 913 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 914 3 Relatório 1. Tratase de crédito lançado contra a empresa CIA. VALE DO RIO DOCE SUPERINTENDÊNCIA DA ESTRADA, referente à contribuição devida ao FNDE — Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (SalárioEducação), incidente sobre a remuneração de segurados empregados, nas competências 08/1992 a 09/1994, relativamente às verbas apontadas às fls.03/04 e descritas no relatório fiscal como segue: DEBCAD's VERBAS 32.054.8694 Part. Resultados 32.054.8708 1/3 Férias 32.054.3716 Reembolso Seg. Vida em Grupo 32.054.8724 Bolsa Estudo 32.054.8732 Verba Mat. Escolar 32.054.8740 Verba Repres. 2. Os valores lançados foram constituídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por intermédio da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n° 041/95, de 23/02/1995 (fl. 07), cuja exação exigese com base no Decreto Lei nº. 1.422/75, regulamentado pelo Decreto nº. 87.043/82, alterado pelo Decreto nº. 88.374/83. 3. O montante, na época, lançado corresponde a 204.165.8619 UFIR’s, a ser quitado mediante guia de recolhimento específica. 4. A contribuinte foi regularmente cientificada da notificação em 07/03/1995, tendo a interessada apresentado sua defesa às folhas 08/45. 5. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa – Diretoria Financeira do FNDE – Ministério da Educação e Desporto – decidiu por considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme comunicado a recorrente (fl. 51), nos seguintes termos: “ASSUNTO: Recolhimento do SalárioEducação Senhor Dirigentes Em atenção sua defesa impetrada contra a “Notificação de Débito" nº 041/95, esclarecemos que, com base no Parecer nº 22/94, cópia em anexo, estamos indeferindo tal defesa.(Grifei). Fl. 914DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 915 4 Assim, sendo, informamos que o débito deverá ser recolhido em guia própria do FNDE, anexa, no prazo máximo de 15 (quinze) dias contados do recebimento deste. Atenciosamente.“ 6. O parecer a que faz referência à comunicação supra, é de lavra da ProcuradoriaGeral do FNDE, emitido em 24/05/1994, que se posiciona pela cobrança do salário educação, e, cuja ementa a seguir transcrevo: “EMENTA: CONTROVÉRSIAS QUANTO À COBRANÇA DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. LEGALIDADE DA FISCALIZAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, EFETUADA PELO INSS. O DECRETOLEI N° 1.422/75, FOI RECEPCIONADO PELA NOVA CARTA POLÍTICA. AS HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA SOBRE O SALÁRIODE CONTRIBUIÇÁO PARA EFEITO DE COBRANÇA DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SÃO AS CONSTANTES DA LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991 E DO DECRETO N° 87.043, DE 22 DE MARÇO DE 1982. OS PAGAMENTOS DECORRENTES DE ACORDOS E SENTENÇAS TRABALHISTA DEVERÃO SER REALIZADOS DE FORMA DISCRIMINADA. (ART. 43, DA LEI N° 8.212/91). REF. LEGISLATIVA: CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. DECRETOLEI N° 1.422. DE 23 DE OUTUBRO DE 1975. LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. LEI N" 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991. PARECER N° 059/93 PG/SE/FNDE.” 7. Não se conformando com a decisão supra, trazendo basicamente os argumentos utilizados na impugnação, a contribuinte apresentou recurso (fls. 69/113), no qual aduz em síntese que: a) preliminarmente defende a nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação, uma vez que afrontaria o princípio do devido processo legal; b) pelo fato de estar questionando a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas apontadas pela fiscalização implica na suspensão da exigibilidade do crédito relativo ao FNDE, haja vista que o “acessório sempre acompanha o principal e dele é dependente”. c) inexiste legislação determinando o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as rubricas apontadas pela fiscalização, assim a manutenção dessas exigibilidades afronta o princípio da legalidade; d) por derradeiro, tendose em vista que recolheu corretamente ao FNDE a parcela mensal devida, pugna para que seja conhecido e provido o presente Fl. 915DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 916 5 recurso, a fim de tornar insubsistente o débito apontado na Notificação nº 041/95 8. Após a apresentação do recurso pela recorrente, sobreveio o despacho às fls 117/119, onde a autoridade administrativa do FNDE propõe o sobrestamento dos presentes autos até o pronunciamento do INSS a respeito dos recursos impetrados junto aquele órgão, onde a recorrente discute a não incidência de contribuição sobre as verbas com base nas quais resultou o lançamento em análise. 9. De acordo com o Ofício nº 02.201.4/2004, da Procuradoria Federal Especializada – INSS (fl. 228), em 22/01/2004, com relação às cobranças referenciadas no item 1 deste relatório, naquela data, assim se apresentavam: DEBCAD's VERBAS SITUAÇÃO 32.054.8694 Part. Resultados Suspensão de exigibilidade com depósito. 32.054.8708 1/3 Férias Suspensão de exigibilidade com depósito. 32.054.3716 Reembolso Seg. V. Grupo Extinção da Ação 32.054.8724 Bolsa Estudo Suspensão de exigibilidade com depósito. 32.054.8732 Verba Mat. Escolar Suspensão de exigibilidade com depósito. 32.054.8740 Verba Repres. Suspensão de exigibilidade com depósito. 10. Os autos que até então encontravamse com a Coordenação – Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, e, Procuradoria Federal – FNDE, foram encaminhados para a Receita Federal do Brasil – DRF – RJ I (RJ) em virtude das disposições contidas nos arts. 3º e 4º da Lei nº 11.457/2007 (fl. 251). 11. Quando da transferência dos autos para a Receita Federal do Brasil – DRF – RJ I (RJ) as exigibilidades das Debcad’s remanescentes, cujas verbas foram motivos para o lançamento do FNDE em questão, essa era a situação: JULGAMENTO PELO CRPS DEBCAD's VERBAS Nº ACÓRDÃO/RESULTADO Fls. 32.054.8694 Part. Resultados 8373/95 Recurso Improvido. 462 e 502 32.054.8708 1/3 Férias 3870/95 Improvido. 651 32.054.8724 Bolsa Estudo 3858/95 Improvido. 752 32.054.8732 Verba Mat. Escolar 4408/95 NFLD Cancelada. 844 e 872 32.054.8740 Verba Repres. 3866/95 – Improvido. 365 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 917 6 12. Com relação à NFLD 32.054.8732, em despacho de 10/11/2009 (fl. 876) a PGFN, solicita a autoridade preparadora (DAS) para que providencie o cancelamento da referida Notificação, haja vista o transito em julgado de decisão, em favor da contribuinte, nos autos do processo 11557.002108/200822: “Processo Administrativo n.º 11557.002108/200822 Interessado: CIA. VALE DO RIO DOCE A DAS, para: a) cancelar a NFLD n.° 32.054.8732, em cumprimento à coisa julgada que se formou nos autos do processo n.° 96.00004080 (cópia das principais peças às fls. 68/86); b) após, caso haja execução fiscal ajuizada, remeter estes autos ao Procurador da Fazenda Nacional competente para a adoção das medidas cabíveis; c) dar ciência à interessada.” 13. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 918 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. 2. Ao compulsar os autos, observo que não consta decisão ou acórdão referente à Defesa de fls. 08/45. Nas fls de nº 52/68 há apenas um Parecer da Procuradoria Geral do FNDE, assinado por um Assistente Jurídico da PG/SE/FNDE, que foi aprovado pela autoridade superior com um simples “concordo”. 3. O Parecer apresentado, que posteriormente foi aprovado, não logrou bom êxito em apreciar todas as matérias arguidas na defesa da recorrente, restando inconteste a lesão ao seu direito de defesa. 4. Certamente, o julgador não está obrigado a abordar individualmente a cada um dos diplomas normativos atinentes à matéria, entretanto, não pode julgar de forma arbitrária, ignorando a defesa apresentada, como aconteceu no caso em comento. 5. O Art. 59 do Decreto nº 70.235/72 taxou de nulas as situações em que há preterição de direito de defesa, como pode ser extraído do dispositivo abaixo transcrito: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 919 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” 6. Vejase que, do dispositivo acima colacionado, constatada a ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracterizada estará a supressão de instância, fato este que implica no cerceamento do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade do pertinente ato expedido pela a autoridade administrativa. 7. De outro giro significa dizer que se o julgador não analisa adequadamente a impugnação apresentada ele prejudica o direito à ampla defesa do contribuinte, restando axiomática a sua nulidade. 8. Dessa forma, tendo em vista que não cabe a este Conselho o primeiro conhecimento da matéria, sem que ela tenha sido objeto de análise por instância a quo, entendo que o Parecer aprovado é nulo. Consequentemente, os autos devem retornar a origem para a prolação de acórdão que aborde adequadamente a fundamentação da impugnação, para que, se assim desejar a contribuinte apresente seu recurso voluntário para apreciação por esta Corte Administrativa (CARF). 9. Em observância ao disposto no §2º do art. 59 do Dec. nº 70.235/1972, deverá o Fisco cientificar a contribuinte dessa decisão, emitindo em primeira instância nova decisão, reabrindo, inclusive, o prazo legal de 30 dias e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. 10. Em vista de tudo isto, é imperioso que se realize o saneamento dos autos como acima delineado, para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. CONCLUSÃO 11. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito, darlhe provimento parcial, para: a) declarar nula a decisão recorrida; b) determinar o retorno dos autos a origem, para que seja prolatado acórdão que observe o devido processo legal; Fl. 919DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 23034.000400/9586 Acórdão n.º 2301004.244 S2C3T1 Fl. 920 9 c) que seja oportunizado ao sujeito passivo um novo prazo para manifestação, e, caso deseje impetre o competente recurso voluntário, retornando os autos para apreciação deste Conselho. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720040/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ressarcimento. Produtos N/T
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Aplicação da Súmula CARF nº 20.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Produtos N/T Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Aplicação da Súmula CARF nº 20. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratam os autos do presente processo, formalizado em 07/11/2007, de pedido de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), onde a interessada aponta como período de apuração o 4º trimestre de 2004 (fls. 01 a 76), a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 00 40 /2 00 7- 16 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 ser compensado com débitos referentes a IRPJ e CSLL (ambos relativos ao anocalendário 2004), COFINS (períodos de apuração fevereiro, março, abril e maio de 2005) e PIS (períodos de apuração fevereiro, março e abril de 2005), relacionados em PER/COMP fls. 77/81, 82/86, 87/91, 92/96 e 97/100. Com vistas à aferição do direito creditório pleiteado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Mossoró RN, elaborou Parecer NURAC nº 216/2007 (fls. 106/108), trazendo em síntese as seguintes considerações: I) Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, transmitido em 11/02/2005, incidente sobre material de embalagem (ME), utilizado na fabricação de sal de mesa, produto classificado na TIPI com NCM 2501.00.20, não tributado (NT), fl. 107. II) A interessada fabrica sal de mesa (CNAE 08.924/03), produto classificado na TIPI com NCM 2501.0020, como não tributado (NT). III) A legislação vigente (artigo 193 do Decreto nº 4544/2002 – RIPI/02 – e IN/SRF nº 33/1999) determina que os créditos originários de aquisição de MP (matériaprima), PI (produtos intermediários) e ME (material de embalagem), quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT) devem ser estornados. IV) Os créditos sobre aquisição de material de embalagem (créditos extemporâneos) da L. Praxedes Gomes, não apenas deixaram de ser estornados, como se pretendeu seu ressarcimento e compensação, ao arrepio do que determina a legislação. V) Os créditos de IPI informados dentro do pedido de ressarcimento e das declarações de compensação (4º trimestre de 2004), constantes do presente processo, não são passíveis de ressarcimento ou compensação. Em 18/12/2007, o Titular da DRF/Mossoró, acatando os termos do supracitado Parecer, proferiu o Despacho Decisório de fl. 109, indeferindo o pleito, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela interessada e não homologando as declarações de compensação constantes deste processo. Tempestivamente, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 115 a 119 (juntamente com documentação de fls. 120/121), alegando, em síntese, que: I) Preliminarmente, com fulcro nos parágrafos 9º e 11, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, solicita que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário que não foi alcançado pela compensação, e conseqüentemente, que não fique impossibilitada de obter Certidões Negativas de Débitos. §9.º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no §7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13433.720040/200716 Acórdão n.º 3102001.835 S3C1T2 Fl. 152 3 ... §11. A Manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 11 obedecerão ao rito processual do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, enquadramse no disposto no inciso III do art.151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. II) o impedimento dos produtos NT, que advém da Instrução Normativa (IN) SRF nº 33, de 04 de março de 1999 não se aplicaria ao SAL, uma vez que, apesar de tal produto ser classificado como não tributado (NT) na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, o intérprete deveria valerse de uma interpretação teleológica, classificandoo como IMUNE, e então encontraria resguardo no § 3º do art. 155 da Carta Magna. III) a tese ora defendida encontrase corroborada em posicionamentos administrativos conforme os excertos citados nas fls. 118 a 119. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja reconhecido seu direito ao ressarcimento de IPI, devidamente atualizado pela taxa SELIC e, por conseguinte, homologadas as compensações declaradas. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. PRODUTO “NT”. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados aplicados na industrialização de produto classificado na TIPI como “NT” (nãotributado) não participam da apuração do saldo credor trimestral para efeito do ressarcimento/compensação de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99. IPI RESSARCIMENTO JUROS COMPENSATÓRIOS VEDAÇÃO. Sobre os créditos decorrentes de ressarcimento de IPI não incidem juros compensatórios. Solicitação Indeferida. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não vejo reparos na decisão recorrida. A matéria, como é cediço, encontrase pacificada no âmbito da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo, inclusive, alvo da súmula CARF nº 20, que sucedeu a Súmula 2º CC nº 13, assim redigida: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Por outro lado, resta prejudicada a discussão acerca da aplicação da taxa Selic. Se não o principal não foi reconhecido, não há porque discutir, em tese, se o crédito seria ou não reconhecido. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720044/2007-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. APURAÇÃO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para alterar a variação patrimonial a descoberto constatada no Auto de Infração em julho/2003 para R$ 3.973,10 e cancelar as infrações apuradas nos meses de junho, setembro e outubro do mesmo ano, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. APURAÇÃO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para alterar a variação patrimonial a descoberto constatada no Auto de Infração em julho/2003 para R$ 3.973,10 e cancelar as infrações apuradas nos meses de junho, setembro e outubro do mesmo ano, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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TRIBUTAÇÃO. APURAÇÃO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para alterar a variação patrimonial a descoberto constatada no Auto de Infração em julho/2003 para R$ 3.973,10 e cancelar as infrações apuradas nos meses de junho, setembro e outubro do mesmo ano, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 00 44 /2 00 7- 33 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 515 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratase aqui de retorno destes autos, após Diligência determinada pela Resolução 2801000.268, tomada na Sessão de 15 de outubro de 2013 (fl. 43), cujo relatório copio, para descrever a situação: Contra o contribuinte identificado foi lavrado, em 04/07/2007, Auto de Infração, relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, ano calendário de 2003, exercício de 2004, onde se exigiu o valor de R$ 13.382,67, acrescido de multa proporcional, no percentual de 75%, importando em R$ 10.037,00, mais juros de mora calculados pela taxa Selic. (fl. 146) Na descrição dos fatos, que compõe o corpo do Auto de Infração, narra a Autoridade Fiscal que da análise do demonstrativo mensal de evolução patrimonial, verificase a existência de variações patrimoniais a descoberto ... decorrentes de dispêndios e aplicações sem que houvesse a comprovação dos recursos e origens'". Na fl 151, informa que "fazem parte integrante do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados". O enquadramento legal para as infrações apuradas foi buscado nos arts. 1º , 2° e 3º da Lei n° 7.713/88, art. 1ºo e 2º da Lei 8.134/90, art. 55, XIII e 806 e 807 do RIR/1999 e art. 1° da Medida Provisória 22/2002 convertida na Lei 10.451 /2002. Cientificado pessoalmente em 05/07/2007, o contribuinte apresentou impugnação em 03/08/2007 que, conhecida pela DRJ/CAMPO GRANDE, foi assim tratada, em resumo: não procede a alegação de nulidade do lançamento porque não seria baseado em demonstrativo da variação patrimonial a descoberto. Ressalta que a ciência do Auto de Infração foi dada pessoalmente, ocasião em que foram entregues os demonstrativos de apuração; o contribuinte pleiteou a apresentação de provas mas não anexou documentos. Descabe no processo administrativo a produção de prova testemunhai e a realização de perícia foi considerada prescindível; no mérito, entende que o demonstrativo anual elaborado pelo contribuinte, no intuito de demonstrar que possuía rendimentos capazes de suportar seus dispêndios, inexistindo variação "a descoberto'1 não pode ser considerado. Reputa que os dados apresentados são inconsistentes. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 516 3 Assim, na esteira do Voto do Relator, decidiuse por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendose o crédito tributário constituído. Cientificado dessa decisão de 1ª instância em 24/07/2009, conforme AR na fl.183, o contribuinte, através de procurador constituído, apresentou recurso voluntário em 21/08/2009 (fl. 188) Em sede de recurso voluntário, sustentase nas seguintes razões: 1 a decisão recorrida não aponta especificamente quais seriam as "falhas" encontradas no demonstrativo de apuração elaborado pelo contribuinte, para contestar a apuração de variação patrimonial a descoberto; 2 aponta que "segundo entendimento do Conselho de Contribuintes", o contribuinte deve utilizar a apuração que mais lhe beneficiar, seja mensal ou anual, para fins de imposto de renda; dessa forma, o demonstrativo apresentado é válido e deveria ser levado em consideração; 3 o valor de R$ 85.000.00 recebido como distribuição de lucros da Empresa de Radiodifusão Dinâmica FM Ltda foi distribuído em três parcelas a saber: 30/06/2003 R$ 20.000,00; 30/09/2003 RS 30.000,00 e 31/12/2003 R$ 35.000,00. 4 questiona longamente o procedimento fiscal, no que diz respeito ao prazo para conclusão e não ciência de prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Cita Portarias da RFB, a Constituição Federal (art. 145), o CTN (art. 196) e a Lei 9.784/1999, para concluir que os prazos estabelecidos para a conclusão do procedimento fiscal não foram cumpridos, pois não teve ciência de prorrogações do MPF. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 5 repete o que já dissera em sede de impugnação, para concluir que o procedimento fiscal foi feito "às pressas", de forma precária e sem a devida descrição e comprovação dos levantamentos efetuados. Isso prejudicou sua ampla defesa e direito ao contraditório; 6 observa que a simples elaboração de um demonstrativo, feito unilateralmente pelo Fisco, sem um relatório anexo ao Auto de Infração, descrevendo detalhadamente os fatos apurados não é instrumento hábil para a constituição de crédito tributário relativo ao imposto de renda; 7 elabora duas planilhas com dados retirados de sua Declaração de Imposto de Renda/2003, em base anual, para demonstrar que não houve variação patrimonial a descoberto; Reportase ainda aos argumentos apontados na peça impugnatória e, assim, requer que a decisão prolatada expresse todos os pontos levantados pelo Recorrente; que seja observado seu amplo direito de defesa; que seja reformada a decisão de 1ªa Fl. 517DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 517 4 instância para anular o Auto de Infração ou, no mérito, julgálo insubsistente, pelos argumentos trazidos. Anexa novos documentos, que analisaremos no Voto. No Voto pela Diligência foram tratadas todas as questões levantadas pelo contribuinte em seu recurso, conforme acima relatado, e que novamente repetirei neste Voto, restando dúvida apenas em relação às datas do efetivo recebimento da quantia de R$ 85.000,00, a título de lucros e dividendos, uma vez que a auditoria fiscal a considerara toda recebida em 31/12 e o Recorrente afirmara que teriam sido três parcelas, em 30/06, 30/09 e 31/12. Cumprida a Diligência, a Unidade preparadora elaborou nova planilha de variação patrimonial, diferente da original (fl. 270), e deu ciência ao Contribuinte que se manifestou com as razões de folhas 276/278, discordando dessa apuração da Fiscalização. PEDE, então, que seja cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na Resolução relatada, de cujo teor o contribuinte já foi cientificado, assim dispusemos sobre os pontos levantados em seu recurso, sobre os quais mantenho integralmente o entendimento proferido: A luz da melhor doutrina pátria, o processo civil, na linha do qual se encontra o processo administrativo fiscal, é um método de composição dos litígios, usado pelo Estado para cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto e mediato de pacificação e paz social. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. No dizer de Humberto Theodoro Júnior, "enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser." Ensina o renomado autor que "procedimento é, destarte, sinônimo de 'rito' do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo" (Theodoro Júnior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. 1, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 518 5 Pois bem, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento, (grifei) Observo que no Auto de Infração o Auditor Fiscal fez longa explicação sobre a consideração de variação patrimonial a descoberto como presunção de omissão de rendimentos alcançáveis pelo imposto sobre a Renda e sobre as presunções legais, neste aspecto. Além disso, compõem o Auto de Infração diversas planilhas auxiliares em que a Fiscalização demonstra de onde obteve cada valor lançado na planilha de apuração mensal que concluiu pela variação patrimonial a descoberto. Os valores foram retirados de documentação apresentada pelo próprio Recorrente e estão indicados em cada planilha, como "fonte". O procedimento é plenamente inteligível e, querendo, o contribuinte poderia ter e. Murado sua defesa, considerando que não só recebeu o Auto de Infração pessoalmente, com indicação de que se encontravam anexos todos os documentos que o subsidiavam, mas também teve acesso a todas elas como demonstra o pedido de cópia do processo, feito pelo Procurador constituído (fl. 170) Assim, reputo que não houve cerceamento do direito de defesa. Quanto à possibilidade de serem anexados e conhecidos documentos apresentados pelo contribuinte após a lavratura do Auto de Infração, óbice não há. Além da busca pela verdade material, que deve nortear este julgamento, o princípio da ampla defesa, nos processos administrativos e judiciais, nos impelem a considerálos. A norma do PAF, Decreto n° 70.235/1972, art. 16, § 4o , estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos Fl. 519DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 519 6 administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei n° 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto n° 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHíNÍ, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos "notórios ou incontroversos", no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) Como já esclareceu o Julgamento de 1ªa instância, descabe a produção de prova testemunhal, não prevista no Decreto n° 70.235/1972 e que de plano refutamos. Quanto ao longo questionamento sobre o instrumento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), sua prorrogação com ciência ao interessado e seu prazo para conclusão, previstos em Portarias da RFB, penso que o entendimento de que a inobservância tornaria nulo o procedimento fiscal, elaborado por Auditor Fiscal cuja competência decorre direetamente de Lei, está superado neste CARF, inclusive com decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Vejamos : VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso voluntário negado. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 520 7 (processo 10280.001818/200355, Acórdão n° 9202001,757 2a Turma, Sessão de 27de dezembro de 2011) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. Jurisprudência do CARF. O fato de, após sucessivas prorrogações, terse indicado o mesmo AFRF que constava de MPF extinto por decurso de prazo constituise em mero erro administrativo, que não tem o condão de macular o lançamento em si, que foi lavrado por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito. Recurso especial provido. (processo: 19515.004923/200310, Acórdão 9202002.519 2" Turma Sessão de 31 de janeiro de 2013) Assim, considerase o MPF, regulado por atos internos da RFB, instrumento de controle interno das ações fiscais e de procedimentos funcionais, não servindo de base para que se declare nulidade de procedimento fiscal. Estranho ainda o fato do Recorrente longamente alegar que o procedimento fiscal estendeuse por mais que o devido para depois afirmar que o mesmo foi conduzido "às pressas e de forma precária." Quanto a advertência ao enfrentamento de todos os pontos levantados pelo Recorrente, sob pena de nulidade da decisão ou como preceito constitucional, a jurisprudência administrativa deste Conselho, seguindo as decisões do STJ, já se firmou no seguinte sentido, conforme Acórdão abaixo transcrito, a título de exemplo: (...) NULIDADE DÁ DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (processo: 14098.000423/200868, Acórdão 2401003.167 4aCâmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 14 de agosto de 2013) Voto Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 521 8 (...) É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: "O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no Resp n° 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: O magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados." (REsp 684.311/RS, Rei. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). MÉRITO São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Ademais, a determinação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve considerar as mutações patrimoniais, levantadas mensalmente (art. 2 o da Lei n° 7.713/1988). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 522 9 A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto pautouse pelos arts. 1°, 2° e 3º da Lei n°7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 1 ° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1ºo Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4° A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Também pelo previsto no art. 55, inciso XIII, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, que assim dispõe: "Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV; e 70, § 3º inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; " Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que se deve confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para apurar a evolução patrimonial do contribuinte, considerandose tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos que especifica o dispositivo legal. Contudo, como se verifica na apuração efetuada pelo Recorrente, que pretende ilidir o levantamento feito pela Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento, os valores foram considerados em bases anuais, e não em bases mensais, como determina a lei. A jurisprudência deste Conselho Administrativo é pacifica no sentido de não admitir a variação patrimonial, considerando o conjunto anual de operações. Vejamos: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 523 10 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS. NULIDADE. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. E nulo o lançamento que considera, para fins de apurar a variação patrimonial, as receitas e despesas do contribuinte de forma anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que o acréscimo a descoberto tenha ocorrido. (Acórdão n° 2102 00.616 Sessão de 13 de maio de 2010). Entendimento reproduzido no Acórdão 2201002.119 de 14 de maio de 2013. Portanto, a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita a partir de fluxo financeiro que considere, mês a mês, as receitas e despesas para, a partir de tal critério, verificar em que mês ocorreu o acréscimo patrimonial a descoberto, conforme determina o art. 2o da Lei no 7.713, de 1988. As planilhas que consideram apenas os valores colocados na Declaração de Ajuste Anual não têm qualquer valor para fins de apuração da variação patrimonial, sob a legislação do imposto de renda, a despeito de suposta "jurisprudência do Conselho de Contribuintes", não colacionada pelo Recorrente, que admitiria apuração pela forma que lhe fosse mais conveniente. Não neste caso! Além disso, ele apenas repete aquilo que foi declarado uni lateralmente, a livre juízo do contribuinte declarante, sem fazer relação com documentação comprobatória. É repetir o que já foi declarado e não aceito pelo procedimento fiscal. Correto, portanto, o procedimento da fiscalização. A partir daí, então, foi especificada a questão envolvendo as datas do efetivo recebimento dos dividendos/lucros no ano de 2003, pagos pela Empresa de Radiodifusão Dinâmica FM, da qual o Recorrente na época era sócio. A Fiscalização considerara todo o valor de R$ 85.000,00, como recebido em 31/12, como se pode observar no demonstrativo de folhas 181/182. Entretanto, o Recorrente afirmara que teriam sido três parcelas, em 30/06 (20.000,00), 30/09 (R$ 30.000,00) e 31/12 (R$ 35.000,00), o que alteraria o fluxo mensal de receitas/despesas. Feita a Diligência e intimados tanto o recebedor quanto a fonte pagadora dos dividendos, vieram aos autos cópias dos Livros Diário e Razão da Empresa, com os devidos termos de abertura e encerramento, nas folhas 261 a 269, conferidas pela Unidade preparadora, que ensejaram a elaboração, por Auditor Fiscal, de novo demonstrativo, que se encontra na folha 270, dando razão a tais alegações do Recorrente e considerando o recebimento dos rendimentos em três parcelas, conforme especificado acima. Houve, assim, alteração do lançamento. O contribuinte foi cientificado de tais alterações, abrindoselhe prazo para manifestação em 30 dias, a partir de 24/07/2014 (AR na folha 272). Após o decurso do prazo estipulado, em 05/09/2014, o contribuinte manifestouse, encaminhando demonstrativo elaborado por seu Contador, conforme folhas 276/278. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 524 11 Mesmo constatando que a manifestação foi feita após o prazo estabelecido, mas aplicando o raciocínio que expus na Resolução correlata e transcrevi no início deste Voto, entendi que devesse ser analisada tal manifestação, em homenagem à verdade material, para conferir se de fato havia algum equívoco na nova apuração realizada pelo Auditor Fiscal. Mas não assiste nenhuma razão ao Recorrente. Ele alega que haveria a quantia de R$ 10.000,00 declarada como "disponibilidade financeira" no final de 2002, que deveria ser computada então a partir de maio de 2003, dizendo que o Auditor "esquecerase" dela. Observo que tal quantia não foi esquecida e foi devidamente computada no mês de janeiro, como pode observar na planilha original, de folha 181, tendo sido consumida no fluxo financeiro e portanto não "chegou" a maio. Diz ainda que teria como fonte de renda a Câmara dos Deputados, que lhe conferiu uma renda anual de R$ 115.920,00, que "dividida por 12 meses", importaria em R$ 9.660,00/Mês. Pede que tais valores sejam incluídos como fonte de recursos no demonstrativo. Contudo, na DIRPF/2003, cuja cópia encontrase na folha 72/73, o contribuinte declarou como "rendimentos tributáveis recebidos de PJ" a única fonte "Câmara dos Deputados" pelo valor de R$ 8.280,00, com imposto retido na fonte de R$ 1.664,37. Ainda, na folha 81 consta cópia do "comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto na fonte", emitido pela Câmara dos Deputados, onde consta o mesmo valor, R$ 8.280,00, como rendimento total do ano de 2003. Tal valor foi considerado pelo Auditor Fiscal, conforme dados extraídos da DIRF e especificados nos demonstrativos de folhas 181/183, nos meses de janeiro e fevereiro. Assim, não apresentando nenhum documento para comprovar que sua DIRPF, a DIRF e o comprovante emitido pela fonte estariam errados, não há como se admitir que recebeu naquele ano R$ 115.920,00. Até mesmo porque, se assim fosse, haveria um expressivo valor recebido e não declarado ao Fisco. Portanto, equivocada está a apuração pretendida pelo Recorrente, na folha 278. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento parcial ao recurso, conforme nova apuração elaborada por Auditor Fiscal, na folha 270, para alterar a variação patrimonial a descoberto constatada no Auto de Infração em julho/2003 para R$ 3.973,10, manter em agosto/2003 R$ 28.533,01 e cancelar as infrações apuradas nos meses de junho, setembro e outubro do mesmo ano. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13161.720044/200733 Acórdão n.º 2801003.917 S2TE01 Fl. 525 12 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10280.723756/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 10/03/2010 a 31/12/2010
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DO FRETE. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA.
O valor efetivo do frete internacional deve compor a base de determinação do imposto. Constatada a declaração inexata do valor do frete, deve se recompor a base de cálculo do imposto e determinar a diferença não recolhida do imposto.
APURAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA SOBRE IPI, PIS E COFINS.
Constatada a declaração inexata do frete e a diferença do Imposto de Importação não recolhido, deve se recompor as bases de cálculos dos tributos incidentes na importação e se determinar as diferenças não recolhidas.
Numero da decisão: 3401-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel (suplente), Efigenia Maria Nolasco Duarte (suplente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrente DISTRIBUIDORA CARAJÁS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/03/2010 a 31/12/2010 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DO FRETE. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. O valor efetivo do frete internacional deve compor a base de determinação do imposto. Constatada a declaração inexata do valor do frete, deve se recompor a base de cálculo do imposto e determinar a diferença não recolhida do imposto. APURAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA SOBRE IPI, PIS E COFINS. Constatada a declaração inexata do frete e a diferença do Imposto de Importação não recolhido, deve se recompor as bases de cálculos dos tributos incidentes na importação e se determinar as diferenças não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel (suplente), Efigenia Maria Nolasco Duarte (suplente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 37 56 /2 01 2- 27 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Este processo trata dos autos de infração que constituem e exigem Imposto de importação, IPI, PIS e COFINS, com multa de ofício e acréscimos legais, referentes às declarações de importação registradas pela autuada no período entre março de 2010 e dezembro de 2011. Esse crédito tributário corresponde à diferença, constatada por ação fiscal, não recolhida considerando a correção dos valores aduaneiros pelo acréscimo de diferenças de frete internacional e despesas aduaneiras que não haviam sido incluídas inicialmente. A autoridade lançadora realizava fiscalização que pretendia verificar as operações de importação da contribuinte e acabou por encontrar também declaração inexata do frete e de despesas aduaneiras. Por essa razão que o Relatório Fiscal traz informações que abrange outros fatos além da infração objeto deste processo administrativo. O Relatório Fiscal, com relação ao objeto deste processo, qual seja, a declaração inexata do frete e de despesas de carga, descarga e manuseio, explica que analisou as declarações de importação, os documentos que a instruíram, os conhecimentos de transporte de carga e as ordens de pagamento envolvendo a contribuinte e as empresas prestadoras de serviço (as transportadoras, a de consolidação de carga e a de desconsolidação de carga). Todas as importações analisadas tinham se apoiado em contratação dos serviços de agente consolidador no exterior e agente desconsolidador no Brasil. Esses serviços são consubstanciados no contrato denominado 'conhecimento de transporte aéreo filhote' (HAWB House Air Waybill). Nessa situação, esse agente de carga é quem contrata os serviços de um transportador no caso aéreo. O transportador assim contratado, quando recebe a carga a ser transportada, emite um conhecimento de transporte aéreo, que, por estar tutelando os conhecimentos filhotes, é denominado conhecimento master ou conhecimento mãe (master air waybill MAWB). A autoridade fiscal elabora detalhados quadros e tabelas para demonstrar os dados encontrados e suas corelações. Ela assim expõe sua análise: Por essa tabela podemos notar que os documentos relativos ao transporte das mercadorias importadas por meio das DI's sob análise são todos dó tipo HAWB' (House Air Waybill Conhecimento de Transporte Aéreo filhote), o que indica que os fretes não foram .contratados ; diretamente junto ao transportador, mas sim junto a um ou mais agente de cargas. O papel de um agente de cargas é consolidar em único embarque os diversos fretes, que tenham a mesma origem e o mesmo destino, contratados ,por diversos importadores e/ou exportadores. Dessa forma, o importador contrata o frete junto ao agente consolidador, ou um de .seus parceiros, que por sua vez, após consolidar os diversos embarques, contrata o frete junto ao transportador. Desse' processo resulta um conhecimento de transporte emitido pelo transportador, chamado de conhecimento master, e um conhecimento de transporte emitido pelo agente consolidador de cargas para cada um dos contratantes, chamado de conhecimento "house" ou "filhote". Na prática, o agente de cargas contrata o frete junto ao transportador e o revende para os importadores e/ou exportadores. Esse processo pressupõe'duas regras básicas: 1 A soma dos pesos constantes nos conhecimentos "filhotes" deve, obrigatoriamente, ser igual^ao peso declarado no conhecimento master; ' 2 O valor do frete contratado pelo agente de cargas junto, ao transportador é, a princípio, inferior ao valor do frete vendido para os importadores e/ou exportadores, sob pena de o agente de cargas acumular prejuízos na operação Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10280.723756/201227 Acórdão n.º 3401002.728 S3C4T1 Fl. 3 3 No caso concreto, a Distribuidora Carajás como importadora , a CTI Ceará Transportes Internacionais Ltda. como agente desconsolidador e a Transmatic Express Limited como agente consolidador de cargas e a TAM Transportes Aéreos, relativamente aos documentos de transportes a Transmatic Express Ltda. e a Tam foram responsáveis pela emissão do Master MAWB em nome da CTI.Ceará Transportes Internacionais Ltda. que por sua vez foi responsável pela emissão do house AWB. Já no que diz respeito ao pagamento do frete, a Distribuidora pagou a CTI Transportes Internacionais pelos serviços ver ordem de pagamento apreendida pela equipe de repressão e a CTI foi responsável pelo pagamento a Transmatic Express Limited, os quais foram feito mediante fechamento de câmbio amparado por fatura emitidas pelo agente estrangeiro em seu nome. Ao analisar o conhecimento de carga (máster e house) e confrontar com cada despacho aduaneiro de mercadoria trazida ao amparo de conhecimento de carga house, constatouse que o master e filhote apresentavam o mesmo peso e quantidade que pressupõe que a carga do conhecimento master era composto pelo único filhote contrariando o que pressupõe o item 1 relativo as regras'básica expostas acima de que a soma dos pesos constantes nos filhotes deve ser obrigatoriamente igual ao peso declarado no conhecimento master, existe exceção para 02 master que são composto por 02 house da própria empresa, porem os valores frete lançados nos documentos (master e house) são divergentes Entre os documentos apreendidos na diligência estão documentos de aviso de cobrança emitidos pela empresa desconsolidadora CTI Ceará Transportes Internacionais Ltda. alguns vieram com o extrato de transferência de valor do, banco (TED) anexo ao processo feita pela Distribuidora Carajás para o agente desconsolidador (CTI Ceará Transportes Internacionais), documentos anexo ao processo, onde fica claro que além do subfaturamento do frete da empresa ao registrar as declarações de importação, não foram computados os acréscimos referente aos gastos associados ao transportes das mercadorias importadas até o porto ou local de importação que constam dos avisos de cobrança conforme tabela abaixo e documentos anexo ao processo: • ' Ressaltase que foi apreendido conhecimento de'carga em branco anexo ao processo pelo grupo de repressão, que pressupõe que os valores informados do frete (house) manipulados pela empresa. Com relação as duas declarações de importação que não tem aviso de cobrança, os valores foram retirados dos conhecimentos de carga. Convém esclarecer, inicialmente, que as informações tabuladas na planilha acima foram' obtidas dos documentos apreendidos. Como já citado anteriormente, a empresa mantinha organizado em pastas, os documentos (Master e House) referentes a cada transação. O Relatório Fiscal, ao final, identifica a diferença de frete e as despesas aduaneiras pertinente a cada uma das declarações de importação analisadas. A contribuinte impugnou a autuação, por meio da qual argüiu, consoante resumo feito pelo Julgadores de 1ª Instância que reproduzo: Preliminar de Nulidade. O Relatório Fiscal (RF) apresenta falhas insanáveis, expõe de maneira confusa os fatos e fundamentos, com erros de ortografia, pontuação e digitação, que por vezes dificultam e em outras impossibilitam o seu perfeito entendimento. Há falhas como pesquisas equivocadas na internet, suposições sem fundamento, apresentação de dados inconsistentes e não oficiais. (....) A acusação não é clara em vários trechos, além da exação exigida, acusase o cometimento de crime contra a ordem tributária. Mas, os fatos não são narrados com precisão o que dificulta sobremaneira o perfeito entendimento da peça acusatória. Nos termos da Lei 9.784/99, art. 50, II e §2º, a motivação para os lançamentos deve ser explícita, clara e congruente, o que não se apresenta ao caso sub oculi. O Decreto nº 70.235/72, art.59, II, é claro quando diz que são nulos os atos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. Apresenta em seu apoio a ementa exarada pelo CARF, cuja cópia se encontra às fls.613, segundo a qual o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se verifica quando esteja a matéria tributária devidamente descrita, com o conseqüente enquadramento legal das Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 infrações apuradas. Por tais motivos, pede que seja reconhecida a nulidade do(s) Auto(s) de infração. 2. Quanto à valoração aduaneira das mercadorias importadas, apresenta as contestações de fls. 613/622 (rectius: a VA das mercadorias importadas não é objeto deste processo). 3. Dos acréscimos do valor aduaneiro decorrentes do frete. O Conhecimento de frete original (Conhecimento de carga) é o instrumento de contrato de transporte firmado entre embarcador e transportador, valendo como um título de crédito em relação a terceiros, e regulando em última análise a relação entre o transportador e o seu portador. O Conhecimento feito em forma regular tem força e é acionável como escritura pública (art. 587 do Código Comercial Brasileiro) (...) 4. Ressaltase que não é a ora impugnante a emissora dos conhecimentos de carga de suas importações, visto que essa é tarefa que cabe ao transportador ou de quem fizer suas vezes. Então, como pode o importador subfaturar o valor de frete, se este vem impresso em um documento que equivale a uma escritura pública e cuja emissão não é de sua responsabilidade? 5. Todos os valores dos fretes declarados, pela ora impugnante, nas DI’s em 2010 e 2011, constam dos conhecimentos originais emitidos por quem de direito e foram efetivamente pagos nos exatos valores declarados. 6. Os avisos de cobrança emitidos pela CTI – Ceará Transportes Internacionais, que serviram de base para a fiscalização majorar os valores dos fretes, foram emitidos erroneamente, e por solicitação da ora impugnante foram posteriormente retificados (tendo sido pagos pelos valores constantes do conhecimento de carga). Os avisos de cobrança não obedeciam ao que fora previamente contratado entre a CTI e a ora impugnante, e ao seu tempo foram retificados e pagos. 7. Assim, à ora impugnante não pode ser imputado o ônus pela emissão de um documento que não é de sua responsabilidade, mas de terceiros com os quais não possui nenhum vínculo que não o comercial, lícito e legal. Os valores constantes dos conhecimentos originais de carga aéreos, com força de escritura pública, foram os efetivamente declarados nas DI’s especificadas e não podem ser desconsiderados em prejuízo da defendente sem provas que lhe imputem a autoria ou a coautoria do subfaturamento do frete. 8. Os documentos bancários trazidos aos autos, conhecidos como TED, não fazem nenhuma prova contra a ora impugnante, que não têm qualquer vinculação com as importações realizadas, tanto que os valores dos avisos de cobrança emitidos pela CTI são completamente diversos dos constantes das DI’s. As transferências são frutos de transações comerciais outras que nada tem nada haver (sic) com as importações fiscalizadas. 9. A presente impugnação já comprovou exaustivamente que não houve subfaturamento dos valores dos fretes internacionais e, portanto, não existiu alteração real do valor aduaneiro declarado, sendo incabíveis as repercussões e conseqüências pretendidas nos autos de infração. Não são aceitáveis, pois, os lançamentos para cobrança complementar dos impostos (II e IPI) ou contribuições (PIS e COFINS), nem juros de mora ou multa. A Respeitável 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife apreciou os autos de infração e seu relatório fiscal e cada uma e todas as alegações da impugnante, e concluiu pela improcedência da contestação da autuada, mantendo o crédito tributário. O Acórdão n. 1141.767, de 19/07/2013, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/03/2010 a 30/12/2011 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DO FRETE. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. Constatada declaração inexata do valor do frete nas importações especificadas. Recomposta a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, exigemse as diferenças de imposto de importação (II) que deixaram de ser recolhidas. Neste processo, sobre as referidas diferenças apuradas em face das declarações inexatas, com dolo apurado, devese aplicar a multa de ofício de 150% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I e §1º. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 26/03/2010 a 02/01/2012 IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. Constatada declaração inexata do valor do frete nas importações especificadas. Recomposta a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, exigemse as diferenças de IPI vinculado às importações que deixaram de ser recolhidas. Neste processo, sobre as referidas diferenças Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10280.723756/201227 Acórdão n.º 3401002.728 S3C4T1 Fl. 4 5 apuradas em face das declarações inexatas, com dolo apurado, devese aplicar a multa de ofício de 150% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I e §1º. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 10/03/2010 a 30/12/2011 IMPORTAÇÃO. COFINS. PIS/PASEP. DIFERENÇAS NÃO RECOLHIDAS. Constatada declaração inexata do valor do frete nas importações especificadas. Recomposta a base de cálculo dos tributos incidentes na importação, exigemse as diferenças de COFINS e PIS/PASEP que deixaram de ser recolhidas. Neste processo, sobre as referidas diferenças apuradas em face das declarações inexatas, com dolo apurado, devese aplicar a multa de ofício de 150% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I e §1º. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte ingressou com Recurso Voluntário contra essa decisão, e nela expõe suas razões: 1. preliminar de nulidade pela confusão à circunscrição da lide, pois apesar dos Julgadores focarem no frete, o auto de infração e o relatório fiscal fazem referencia a valoração aduaneira. a contribuinte entra nessa matéria em sua impugnação, o que comprova que a matéria não está corretamente descrita e impossibilita a ampla defesa. 2. E também porque o relatório fiscal com falhas, exposição confusa, erros ortográficos, dados inconsistentes, tabelas confusas que prejudicam a defesa. 3. com relação à valoração aduaneira o relatório fiscal apresenta dados imprecisos ou não aplicáveis aos bens importados; e usa fontes de informações não confiáveis para examinar a valoração aduaneira. falta motivação aos atos fiscais. não respeitou as regras de valoração aduaneira (progressão dos métodos). não prova as alegações e suposições. 4. com relação ao frete: afirma a recorrente que o conhecimento de transporte tem força de escritura publica, e o seu teor deve ser entendido como a verdade firmada entre as partes. a recorrente não é a emitente desse tipo de documento, então não é por ele responsável; os valores de frete informados nas declarações de importação foram os valores pagos; os avisos de cobrança usados pela fiscalização foram emitidos com erro e foram posteriormente retificados e pagos pelos valores constantes das declarações de importação; os documentos bancários não fazem prova porque não se demonstra sua vinculação com as importações. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Recurso voluntário tempestivo e atendidos demais requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade Entendo que não pode prosperar a argumentação de nulidade pela suposta confusão à circunscrição da lide. Os autos de infração e o relatório fiscal apontam que se referem apenas à declaração inexata do frete nas declarações de importação fiscalizadas. E explicam o contexto dessa autuação, que ela se situou a partir da fiscalização que abrangia outro foco. Os dados reunidos não deixam dúvida qual exatamente o objeto dos autos de infração. Auto de Infração: Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) ' a(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais.mencionados. 001 DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DO FRETE * ''A empresa importou nos exercícios de 2010 e 2011,35 declarações de importações de mercadorias bijuterias classificáveis na NCM 7117.19.00 , sendo que foi procedido diligência na empresa' Distribuidora, Carajás onde'foram apreendidos documentos instrutivos dos despachos de importação que' serviram de base para lavratura do presente auto de infração. Ao analisar o conhecimento de carga • (máster. e house) e confrontar com cada despacho aduaneiro de mercadoria trazida ao amparo de conhecimento de carga house, constatouse que o master e filhote apresentavam o mesmo peso e quantidade que pressupõe que a carga do conhecimento master era composto pelo único filhote contrariando o que pressupõe o item 1 relativo as regras^básica expostas acima de que a soma dos pesos constantes nos filhotes deve ser obrigatoriamente igual ao peso declarado no conhecimento master, existe exceção para 02 master que são composto por 02 house da própria empresa, porem os valores frete lançados nos documentos (master e house) são divergente.• Sendo que por meio de (apreensão do .master pela equipe de repressão em diligência na empresa possibilitouse , apurar o correto, valor do frete). • Sendo , assim, cobrase a diferença de imposto, " apurada em face de tal incorreção, somado aos'acréscimos legais devidos. • O presente auto de infração é composto do relatório de auditoria fiscal que é parte integrante do auto de infração. (grifos nossos) relatório fiscal: PRESENTE'AÇÃO FISCAL TEVE SUA ORIGEM NO DOSSIÊ DE PESQUISA FISCAL ADUANEIRO / N U P E L N° 28/2011 FRAUDE E SUBFATURAMENTO E RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL/DILIGÊNCIA QUE PROCEDEU A APREENSÃO DE DOCUMENTOS ( CONHECIMENTO DE CARGA, PACKING LIST, AVISO DE COBRANÇA DA TRANSPORTADORACEARÁ TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA) QUE FORAM REPASSADOS PARA A SEÇÃO DE FISCALIZAÇÃO PARA ANÁLISE DOS REFERIDOS DOCUMENTOS PELO O QUAL GEROU A PRESENTE FISCALIZAÇÃO, . QUANDO DA VERIFICAÇÃO DOS DOCUMENTOS APREENDIDOS CONSTATOUSE QUE AS D E C L A R A Ç Õ E S D E I M P O R T A Ç Õ E S FORAM REGISTRADA PELA EMPRESA NOS ANOS DE 2010 E 2011, ONDE PODEMOS NOTAR QUE OS DOCUMENTOS RELATIVOS AO TRANSPORTE DA MERCADORIA IMPORTADAS POR MEIO DA DI'S SOB ANÁLISE são todos do tipo HAWB House Air Waybill conhecimento de transporte aéreo filhote que indica que os fretes não foram contratados diretamente junto ao transportadores, mas junto a um ou mais agentes de carga importadores e/ou exportadores. Também não acolho a preliminar de nulidade pelo relatório fiscal conter supostas falhas, exposição confusa, erros ortográficos, dados inconsistentes, tabelas confusas, e que tudo isso prejudicou a defesa. Os argumentos e dados com relação à apuração da correção e regularidade dos fretes das importações fiscalizadas não me parecem conter inconsistências e gerar confusão. Ao contrário, esclarecem fatos até então desconhecidos e que se constituem infrações ao controle aduaneiro e à tributação das importações. A contribuinte, a meu ver, conseguiu bem argumentar suas razões em sua impugnação para se defender das acusações contidas na autuação. Para respeitar a objetividade e a pertinência de nossa analise, deixo de apreciar as alegações da recorrente com relação à valoração aduaneira por que ela não constitui objeto deste processo administrativo. Com referencia às alegações a respeito do frete, entendo que restou demonstrado que os fretes realizados tiveram dispêndios superiores aos informados nas declarações de importação para a apuração dos tributos incidentes. O valor do frete que deve integrar a base de calculo do imposto de importação, com seus reflexos sobre os outros tributos (IPI, PIS e COFINS Importação), é o valor real da operação. O levantamento realizados pela Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10280.723756/201227 Acórdão n.º 3401002.728 S3C4T1 Fl. 5 7 fiscalização demonstrou que não se tratava de um caso isolado de equivoco de informação, mas, sim, de uma serie sucessiva e continuada de declarações inexatas sempre adotando a mesma sistemática, ou seja, configura uma prática reiterada. E a constatação desse fato se sustenta em dados objetivos, inicialmente resultantes da simples comparação entre os conhecimentos filhotes e seu respectivos conhecimento master, e dos valores informados nas Declarações de Importação, e, em seguida, dos documentos bancários e os relacionados aos pagamentos ás empresas prestadoras de serviços de agenciamento e de transporte. Por isso concluo que não merece reparos a motivação e a justificativa da Autuação, nem a apreciação feita pelos julgadores a quo a esse respeito, que reproduzo para integrar nossa análise: "Assim, pouco importa à competente autoridade aduaneira fiscal quem emitiu o Conhecimento de Carga referido, se foi o transportador e não a importadora, mas importa sim que os documentos apreendidos na diligência fiscal realizada na sede da empresa importadora, ora impugnante, especialmente os avisos de cobrança e documentos de transferência de dinheiro (TED), revelaram que os valores do frete declarados nas DI’s especificadas estão aquém dos valores identificados nos documentos como sendo os efetivamente praticados, que decorrem das transações comerciais estabelecidas entre o transportador Ceará Transportes Internacionais CTI e a importadora Distribuidora Carajás (vide tabelas resumo às fls.108/109, e documentos de fls.173/475). Registrase, em adendo, que a d. defendente não trouxe aos autos nenhuma comprovação da sua mera alegação, de que os referidos avisos de cobrança que serviram de base à revisão dos valores dos fretes declarados nas DI’s, teriam sido emitidos erroneamente pela CTI, e que por solicitação da interessada, ora impugnante, teriam sido posteriormente retificados. Nada há nestes autos que demonstre tal retificação, nem tampouco há qualquer comprovação quanto ao tipo de erro que se teria praticado. Quanto à identificação dos valores dos fretes pagos pela importadora ao transportador a partir das transferências eletrônicas de dinheiro (via TED bancário), é insuficiente alegar simplesmente sem respaldo de prova documental, que decorrer iam de outras transações, supostamente sem qualquer vinculação com as importações focada s. Sopesadas as evidências descritas pela fiscalização, com apoio documental, e as meras alegações da d. impugnante, sem qualquer apoio documental, evidentemente devem prevalecer aquelas, as quais serão detalhadas em seguida. Os dados consolidados pela fiscalização, a partir dos documentos apreendidos, para demonstrar a apuração do novo valor aduaneiro, considerando os reais valores dos fretes praticados em substituição aos declarados de forma inexata nas DI’s especificadas, estão às fls.105/109 (no RF), cujas tabelas que resumem as informações e descortinam o descompasso entre os valores declarados nas DI’s e os efetivamente praticados nos fretes cobrados pela transportadora CTI estão mais acima, às fls.650/651 e fls.653/658, no relatório que precede este voto, e que ora aqui também se consideram transcritas, por economia processual. Ao contrário do que alega a r. impugnante, as referidas tabelas e as observações que a elas estão associadas (relativas às importações registradas em 2010 e 2011 focadas), produzidas pela d. fiscalização, estabelecem a vinculação com cada DI analisada, do nº do Conhecimento Master e valor correspondente, comparandoo com o valor referente ao Conhecimento House associado e seu respectivo valor; em seguida, fazse a ligação entre cada DI e o correspondente Nº do Aviso de Cobrança (da CTI à Distribuidora Carajás) identificado nos documentos apreendidos, revelando o real valor do frete praticado (fls.108/109 e fls.654/656). Na seqüência, vêm as tabelas (para 2010 e 2011) que põem lado a lado os valores declarados (CIF) dos fretes em cada DI e os valores dos fretes apurados no procedimento de fiscalização, para revelar o novo valor aduaneiro (valor ajustado pela consideração dos reais valores dos fretes – fls.110/111 do RF; fls.656/658 no relatório que precede este voto). Confirmase, pois, a pertinência das provas quanto aos reais preços dos fretes cobrados, caracterizadas pelos avisos de cobrança emitidos pela CTI contra a Distribuidora Carajás, bem como a apontada correlação daqueles fretes com as transferências bancárias constatadas com base no exame dos documentos apreendidos formalmente na diligência fiscal supramencionada. Da recomposição da base de cálculo dos tributos incidentes nas importações especificadas [ver tabelas às fls.656/658, coluna (IV)], especialmente para II, IPIv, PIS/PASEP e COFINS, Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 aplicandose sobre elas as respectivas alíquotas (as mesmas que foram utilizadas pela interessada sobre a base de cálculo anterior à revisão fiscal de ofício), resultam as cabíveis exigências de diferenças de tributo não recolhidas por decorrência das declarações inexatas dos valores dos fretes." Registrase, em adendo, que a d. defendente não trouxe aos autos nenhuma comprovação da sua mera alegação, de que os referidos avisos de cobrança que serviram de base à revisão dos valores dos fretes declarados nas DI’s, teriam sido emitidos erroneamente pela CTI, e que por solicitação da interessada, ora impugnante, teriam sido posteriormente retificados. Nada há nestes autos que demonstre tal retificação, nem tampouco há qualquer comprovação quanto ao tipo de erro que se teria praticado. Quanto à identificação dos valores dos fretes pagos pela importadora ao transportador a partir das transferências eletrônicas de dinheiro (via TED bancário), é insuficiente alegar simplesmente sem respaldo de prova documental, que decorreriam de outras transações, supostamente sem qualquer vinculação com as importações focadas. Sopesadas as evidências descritas pela fiscalização, com apoio documental, e as meras alegações da d. impugnante, sem qualquer apoio documental, evidentemente devem prevalecer aquelas, as quais serão detalhadas em seguida. Os dados consolidados pela fiscalização, a partir dos documentos apreendidos, para demonstrar a apuração do novo valor aduaneiro, considerando os reais valores dos fretes praticados em substituição aos declarados de forma inexata nas DI’s especificadas, estão às fls.105/109 (no RF), cujas tabelas que resumem as informações e descortinam o descompasso entre os valores declarados nas DI’s e os efetivamente praticados nos fretes cobrados pela transportadora CTI estão mais acima, às fls.650/651 e fls.653/658, no relatório que precede este voto, e que ora aqui também se consideram transcritas, por economia processual. Ao contrário do que alega a r. impugnante, as referidas tabelas e as observações que a elas estão associadas (relativas às importações registradas em 2010 e 2011 focadas), produzidas pela d. fiscalização, estabelecem a vinculação com cada DI analisada, do nº do Conhecimento Master e valor correspondente, comparandoo com o valor referente ao Conhecimento House associado e seu respectivo valor; em seguida, fazse a ligação entre cada DI e o correspondente Nº do Aviso de Cobrança (da CTI à Distribuidora Carajás) identificado nos documentos apreendidos, revelando o real valor do frete praticado (fls.108/109 e fls.654/656). Na seqüência, vêm as tabelas (para 2010 e 2011) que põem lado a lado os valores declarados (CIF) dos fretes em cada DI e os valores dos fretes apurados no procedimento de fiscalização, para revelar o novo valor aduaneiro (valor ajustado pela consideração dos reais valores dos fretes – fls.110/111 do RF; fls.656/658 no relatório que precede este voto). Confirmase, pois, a pertinência das provas quanto aos reais preços dos fretes cobrados, caracterizadas pelos avisos de cobrança emitidos pela CTI contra a Distribuidora Carajás, bem como a apontada correlação daqueles fretes com as transferências bancárias constatadas com base no exame dos documentos apreendidos formalmente na diligência fiscal supramencionada. Da recomposição da base de cálculo dos tributos incidentes nas importações especificadas [ver tabelas às fls.656/658, coluna (IV)], especialmente para II, IPIv, PIS/PASEP e COFINS, aplicandose sobre elas as respectivas alíquotas (as mesmas que foram utilizadas pela interessada sobre a base de cálculo anterior à revisão fiscal de ofício), resultam as cabíveis exigências de diferenças de tributo não recolhidas por decorrência das declarações inexatas dos valores dos fretes. Por todas essas considerações proponho a esta Alta Corte negar o Recurso Voluntário e a manter o crédito tributário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10855.721387/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2012
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário em atenção à Súmula n.º 1 do CARF, pois importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário em atenção à Súmula n.º 1 do CARF, pois importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 13 87 /2 01 3- 67 Fl. 5055DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 5056DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.721387/201367 Acórdão n.º 2302003.366 S2C3T2 Fl. 5.056 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotase, com destaques nossos, o relatório constante no acórdão do órgão a quo (fls. 4.535 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Processos e lançamentos fiscais. (...) 1. Processo (COMPROT) 10855.721385/201378: a) Lançamento fiscal DEBCAD 37.395.7971: período: 11/2008 a 12/2008; objeto: diferença de contribuições para seguro de acidente do trabalho (recolhidas a menor no período); montante: R$ 333.476,49. b) Lançamento fiscal DEBCAD 37.395.7980: período: 11/2008 e 13/2008; objeto: glosa de compensação relativa à diferença de alíquota de seguro de acidente do trabalho (o Contribuinte considerou que seria devida a contribuição sob a alíquota de 1% e não de 2%); montante: R$ 1.238.130,48. c) Lançamento fiscal DEBCAD 37.395.7998: período: 12/2008; objeto: multa isolada; montante: R$ 548.587,44. d) Lançamento fiscal DEBCAD 37.395.8005: período: 11/2008; objeto: descumprimento de obrigação tributária acessória (apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias); montante: R$ 46.569,01. 2. Processo (COMPROT) 10855.721386/201312: a) Lançamento fiscal DEBCAD 51.039.3047: período: 01/2009 a 12/2012 (inclusive sobre décimo terceiro salário); objeto: diferença de contribuições para seguro de acidente do trabalho (recolhidas a menor no período); montante: R$ 4.903.752,35 (lavrado em 13/05/2013). b) Lançamento fiscal DEBCAD 51.039.3055: período: 02/2009 a 12/2012; objeto: glosa de compensação relativa à diferença de alíquota de seguro de acidente do trabalho (o Contribuinte considerou que seria devida a contribuição sob a alíquota de 1% e não de 2%) e de outras contribuições previdenciárias; montante: 29.859.105,74. c) Lançamento fiscal DEBCAD 51.039.3063: período: 03/2009 a 01/2013; objeto: multa isolada; montante: R$ 33.530.116,49. Fl. 5057DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 3. Processo (COMPROT) 10855.721387/201367: a) Lançamento fiscal DEBCAD 51.039.3071: período: 05/2010 a 12/2012; objeto: glosa de compensação de contribuições sobre diversas rubricas; montante: R$ 3.906.697,27. Fundamentos dos lançamentos fiscais. O presente processo é composto pelo lançamento fiscal DEBCAD 51.039.3071 e compreende glosas de compensações de contribuições previdenciárias, formalizadas em GFIP e incidentes sobre pagamentos realizados pelo Contribuinte a seus empregados sob a rubrica “terço constitucional de férias”. A incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias constitui objeto de discussão judicial patrocinada pelo Contribuinte através do Mandado de Segurança 000561855.2010.4.03.6110 (Justiça Federal em Sorocaba/SP), em relação ao qual consta que: a) dentre as diversas rubricas, cujas incidências são questionadas, o juízo de primeira deferiu liminar apenas para o terço constitucional de férias, o que confirmou na correspondente sentença; b) também por decisão de primeira instância, foi autorizada a compensação segundo a regra dos “5 + 5”, limitada ao prazo de cinco anos, contados da edição da Lei Complementar 118/2005, de 09/06/2005; c) o processo, em grau de recurso, encontrase presentemente pendente de decisão no competente Tribunal Regional Federal. A Fiscalização, em face da constatação de existência de liminar (muito embora não signifique decisão definitiva favorável ao Contribuinte), considerou afastada a caracterização dos requisitos legais que autorizariam a incidência da multa prevista no parágrafo décimo do artigo 89 da Lei 8.212/1991 (com a redação dada pela 11.941/2009), denominada “multa isolada”, que, assim, neste caso, deixou de ser aplicada, incidindo apenas a multa de mora, que é limitada a 20% (parágrafo nono do artigo 89 da Lei 8.212/1991, com a redação da Lei 11.941/2009). O Relatório Fiscal (fls. 2.736/2.751) informa e detalha, por competência, os critérios parâmetros determinantes dos valores lançados: 1. Competência de maio de 2010 (fls. 2.742 e 2.743/2.744): 4.2.4.5. Assim, será levantado o valor de R$ 1.099.652,43, referente aos valores recolhidos sobre o terço constitucional de férias (vide Planilha 3), ao invés do valor calculado pelo sujeito passivo de R$ 1.285.004,88 (vide Memória de Cálculos 2), que ficará com a exigibilidade suspensa aguardando a decisão definitiva transitada em julgado, sem qualquer prejuízo à impetrante do processo MS Terço. As competências 04 e 05/2000 foram consideradas, pois os recolhimentos das mesmas se deram após 09/06/2000. (...). Fl. 5058DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.721387/201367 Acórdão n.º 2302003.366 S2C3T2 Fl. 5.057 5 4.2.4.10. Pelo exposto, a compensação desta competência foi efetuada parcialmente amparada por liminar conforme MS Terço e parcialmente em desacordo com a legislação vigente. Os lançamentos foram efetuados nos Autos de Infração AI nº 51.039.3071 (Processo 10855.721387/201367) para o total que ficará sobrestado ao MS Terço (R$ 1.099.652,43 conforme item 4.2.4.5.) e AI nº 51.039.3055 (Processo 10855.721386/201312) para o restante considerado indevido (R$ 1.900.00,00 R$ 1.099.652,43 = R$ 800.347,57). 2. Competências de junho de 2010 a março de 2012 (fl. 2.744): 4.2.5.2. . Também neste caso foram calculados os valores do terço constitucional de férias para levantamento à parte, em função da liminar concedida no processo MS Terço, conforme item 4.2.4.4.. A Planilha 4 do Anexo Único apresenta a base de cálculo utilizada pelo sujeito passivo e a base de cálculo correta, devidamente atualizada até a competência de 05/2010. O valor calculado é de R$ 1.507.240,64, ao invés de R$ 1.615.981,62 declarado pelo sujeito passivo. Tal valor foi abatido em função das compensações efetuadas no período de 06/2010 a 10/2010, conforme tabela abaixo. (...). 4.2.5.3. Pelo exposto, a compensação deste período foi efetuada parcialmente amparada por liminar conforme MS Terço e parcialmente em desacordo com a legislação vigente. Os lançamentos foram efetuados nos Autos de Infração AI nº 51.039.3071 (Processo 10855.721387/201367) para o total que ficará sobrestado ao MS Terço (conforme tabela acima) e AI nº 51.039.3055 (Processo 10855.721386/201312) para o restante considerado indevido. 3. Competências de setembro a dezembro de 2012 (fls. 2.745/2.746): 4.2.7.2. A incongruência gritante na inclusão deste valor a compensar em 09/2012 está no fato de constarem verbas a serem declaradas e pagas em 10, 11 e 12/2012, ou seja, o sujeito passivo se compensou antes mesmo da ocorrência dos fatos geradores. A atualização pela taxa SELIC também foi efetuada até 12/2012 para todas as rubricas. Neste período não foram consideradas pelo sujeito passivo as rubricas 1/3 Férias Rescisão e 1/3 Férias Indenizadas (Resc.). 4.2.7.3. Com relação às rubricas, mantémse o mesmo critério adotado para as competências anteriores, calculandose os valores do terço constitucional de férias para levantamento à parte, em função da liminar concedida no processo MS Terço, conforme item 4.2.4.4. Porém, por não ser plausível uma compensação antecipada, o período de 03/2012 a 08/2012 foi atualizada e considerada compensada em 09/2012 e os demais períodos considerados na competência do efetivo pagamento, desconsiderandose o valor de 12/2012, que só poderia ser compensado em 01/2013, conforme tabela abaixo. (...). 4.2.7.4. Pelo exposto, as compensações destas competências foram efetuadas parcialmente amparadas por liminar conforme MS Fl. 5059DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Terço e parcialmente em desacordo com a legislação vigente. Os lançamentos foram efetuados nos Autos de Infração AI nº 51.039.3071 (Processo 10855.721387/201367) para o total que ficará sobrestado ao MS Terço, conforme tabela abaixo, e AI nº 51.039.305 5 (Processo 10855.721386/201312) para o restante considerado indevido. (...) A 17ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 4.533 e seguintes, como afirmado, julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. No decisório, afora a questão relativa à impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade no âmbito do processo administrativo, restou esclarecido que as questões postas em juízo não seriam apreciadas por aquela instância julgadora. No caso dos autos, legalidade da cobrança de contribuições previdenciárias sobre horas extras, terço constitucional de férias e “demais verbas de natureza indenizatória/compensatória” (menção de forma genérica MS 0005618 55.2010.4.03.6110). Assim, acabou apontando apenas os fundamentos do cabimento da glosa de compensação. A recorrente foi intimada do Acórdão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 4.812 e seguintes, alegando, em síntese, que: * o Supremo Tribunal Federal, a partir do Recurso Extraordinário 345.458/RS e iterativos julgamentos, teria decidido que não incide sobre horas extras, adicional de férias, adicionais eventuais, pois tratamse de verbas indenizatórias/compensatórias; * na apreciação do Recurso Extraordinário n° 593.068, foi reconhecida a repercussão geral relativamente à incidência de contribuição previdenciária sobre o terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade e demais adicionais. Sendo assim, requer que o Recurso Voluntário seja sobrestado, a teor do Regimento Interno do CARF; * o STJ, por incidente de uniformização jurisprudencial, teria decidido que não incide contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias e sobre horasextras; * as compensações podem ser efetuadas “administrativamente” sem anuência do “judiciário” ou da “RFB” a teor do art. 66 da Lei n° 8.383/91, art. 89 da Lei n° 8.212/91 e art. 44 da IN n° 900/08; * não houve fraude ou sonegação que justificasse a multa isolada. É o relatório. Fl. 5060DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10855.721387/201367 Acórdão n.º 2302003.366 S2C3T2 Fl. 5.058 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Matérias Conhecidas. Renúncia ao Contencioso Administrativo. Analisando os autos, verifico que se trata de matéria exclusivamente relacionada à glosa de compensação sobre diversas rubricas (DEBCAD 51.039.3071: período: 05/2010 a 12/2012). Conforme já relatado, os lançamentos efetuados no auto de infração de que tratam os autos referemse à parte das compensações consideradas em acordo com a liminar proferida no Mandado de Segurança 000561855.2010.4.03.6110 (Justiça Federal em Sorocaba/SP), que deferiu liminar apenas para o terço constitucional de férias. Tal decisão foi confirmada em sentença e, também por decisão de primeira instância, foi autorizada a compensação segundo a regra dos “5 + 5”, limitada ao prazo de cinco anos, contados da edição da Lei Complementar 118/2005, de 09/06/2005. Informa ainda a autoridade fiscal que o processo, em grau de recurso, encontrase presentemente pendente de decisão no competente Tribunal Regional Federal. Em razão do quanto exposto, foi lançada apenas a correspondente multa de mora. Em seu recurso, a recorrente invoca argumentos não relacionados aos presentes autos, relativamente à incidência de contribuições previdenciárias sobre diversas verbas (sat e outras verbas), os quais, obviamente, não serão conhecidos. O mesmo ocorre quanto aos argumentos relativos à multa isolada, que não foi aplicada nos presentes autos. No que se refere ao argumento relativo à verba glosada (terço constitucional de férias), também não será apreciado por se tratar de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. Isto porque ocorre renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por “o mesmo objeto” ou “pedido” do processo administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11. O mesmo se aplica quanto à regularidade das compensações efetuadas, posto que, ao deferir liminar, o próprio Poder Judiciário afastou, ainda que em caráter precário, a aplicação do art. 170A do CTN. Portanto, não resta nenhuma matéria a ser apreciada nos presentes autos. Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 5061DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Fl. 5062DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13888.904202/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-002.490
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Gomes
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator).
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 02 /2 00 9- 82 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 110 2 (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). Relatório A controvérsia envolvendo o presente processo foi assim resumida ela DRJ de Ribeirão Preto: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensações declaradas por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração de 28/06/2004, sobre vendas realizadas A Zona Franca de Manaus. A declaração de compensação apresentada baseiase no entendimento da requerente de que as vendas A Zona Franca de Manaus (ZFM) naquele período estavam isentas dessas contribuições e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. A DRF de Piracicaba, SP, por meio de despacho decisório de fl. 20, não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. 0 art. 40 do DecretoLei (DL) n" 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as exportações As vendas A ZFM e que, com o advento da Constituição de 1988, esse decretolei foi recepcionado e incorporado pelo ordenamento jurídico vigente pelo art. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). II. As normas editadas com o fim de restringir a isenção e, depois, a imunidade do PIS e da Cofins, relativamente As remessas para a Zona Franca de Manaus — qual seja, a Lei 9.004/95, que alterou o art. 5° da Lei n° 7.714/88, o Decreto n° 1030, de 1993, a MP n° 18586, de 1999, a MP n°2.03724, de 2000 e a Lei n° 10.996, de 2004 —também padecem de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 111 3 inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o art. 4° do DL 288/67 e os artigos 40 e 92 da ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação. Ill. 0 Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn n' 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n" 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, na reedição da MP n" 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 a exclusão de isenção foi retirada do texto legal, de modo que as vendas A ZFM tornaramse isentas dessas contribuições, sendo esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. IV. Ante o exposto, requer o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, isentas de tais exações. Requer também a homologação das compensações de todos os débitos declarados pela empresa, excluindose multa e juros indevidamente considerados no demonstrativo apresentado junto à decisão em análise e a conexão de processos similares da mesma empresa, para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria. A decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Data do fato gerador: 28/06/2004 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. Sao isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei n° 1.248, de 1972, destinadas ao fim especifico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas as demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 112 4 Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi interposto Recurso Voluntário que reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade já destacados acima. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito seria decorrente de operações de venda para a Zona Franca de Manaus. O Decreto 288/67 define a Zona Franca de Manaus como sendo “uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatôres locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos. Seguindo com o objeto principal da Lei de desenvolver aquela região da Amazônia, entendeuse por bem equiparar à exportação as operações realizadas com a ZFM, como se vê do art. 4º do Decreto Lei nº 288/67: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. O tratamento diferenciado permaneceu em vigor, mesmo com o advento da Constituição Federal de 1988, uma vez que Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, assim estabeleceu: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A Constituição Federal de 1988, por sua vez, determinou que as contribuições sociais não incidem sobre as receitas de exportação, nos seguintes termos: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 113 5 Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação Assim, as operações realizadas com empresas sediadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para todos os efeitos legais e, portanto fora da incidência do PIS e da COFINS. Contudo, a legislação infraconstitucional tratou de impor limitações ao disposto no Decreto Lei nº 288/67 e passou a impedir expressamente a exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. Em relação a COFINS, o Decreto 1.030/93 tratou da questão nos seguintes termos: "Art. 1°. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), instituída pelo art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as recitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas; I — vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Area de Livre Comércio" No âmbito do PIS, observo que a Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e suas reedições, resultaram na edição da Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que deu nova redação ao artigo 5º da Lei nº 7.714 de 1988, disciplinando que o direito à exclusão das receitas de exportações da base de cálculo da contribuição para o PIS não se aplicava às vendas efetuadas “a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus”. Referido tratamento restritivo foi mantido pela Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995 e reedições, que restou convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1988. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 114 6 Neste meio tempo houve a edição da Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a Lei Complementar nº 07, de 1970, assim como a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, mas essas não trataram especificamente da exclusão da base de cálculo ou da isenção do PIS nessas operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Foi então editada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que determinava em seu artigo 14, inciso II e § 1º, transcritos a seguir, que as receitas das vendas ao exterior estariam isentas das contribuições, mas que a referida isenção não alcançava as operações destinadas à Zona Franca de Manaus: Art. 14 – Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II – de exportação de mercadorias para o exterior; § 1º – São isentas das contribuições para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2 º – As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou área de livre comércio; A mesma redação foi repetida quando da reedição da mesma Medida Provisória nº 2.03723, que dispôs: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 115 7 VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) Com base nessas prescrições legislativas podiase chegar à conclusão inicial de que a legislação ordinária específica das contribuições não assegurou, como defende a Recorrente, o direito à exclusão da base de calculo ou à isenção da contribuição do PIS e da COFINS. Pelo contrário, a legislação rechaçou expressamente a pretensão ao considerar que as operações destinadas à Zona Franca de Manaus não seriam agraciadas pelos benefícios concedidos às demais espécies de exportações. Para chegar à conclusão diversa seria indispensável que este julgador administrativo analisasse a constitucionalidade da expressão “estabelecida na Zona Franca de Manaus” diante da regra do artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais e Transitórias e do artigo 4°, do Decreto Lei n° 288/67 e declarasse sua incompatibilidade com o texto maior. Entretanto, considerando as limitações previstas no art. 62 do Regimento Interno do CARF, é vedado ao julgador afastar dispositivo de lei ou decreto em vigor por inconstitucionalidade. Contudo, com o advento da Medida Provisória nº 2.158/01 a expressão “estabelecida na Zona Franca de Manaus” deixou de constar expressamente do art. 14, § 2º, inciso I, tendo recebido a redação que abaixo transcrevo: Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 116 8 dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: Ia empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Não havendo mais a restrição imposta anteriormente às operações realizadas com a ZFM, aplicável ao presente caso a isenção prevista no inciso II, do art. 14 da MP nº 2.15835 de 2001, posto que o pedido de restituição envolve pagamentos posteriores a janeiro de 2001. Também aplicável ao caso o que prescreve Lei nº 7.714/88 com a redação dada pela 9.004/95: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 117 9 Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei n.º 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Também a Lei n.º 10.637/2002, normatiza: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Já em relação à COFINS, a Lei Complementar n.º 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar n.º 85/96, determina que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Neste sentido também é a jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro segundo disposto no Decretolei 288/67. Tendo o artigo 40 do ADCT mantido as características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e, ainda, considerando que a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 149, § 2º, I, da Constituição Federal, enquanto não alterado ou revogado o artigo 4º do DL nº 288/67, sobre elas não incide o PIS e a COFINS. (Acórdão 3801002.026. Processo nº 11065.915446/200949. Sessão de 20 de agosto de 2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03725 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Fl. 11DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 118 10 Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de dezembro de 2000 em diante. (Acórdão nº 3401 002.242.Processo nº 10860.901135/200883.Sessão de 21/05/13) Também no judiciário a posição aqui externada tem prevalecido, como vemos da posição pacificado no âmbito do STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4o. DO DL 288/67). PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo exegese do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas. 2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. ( STJ. 1ª Turma. AgRg no Ag 1420880 / PE. Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. DJe 12/06/2013) E ainda: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após Fl. 12DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 119 11 expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007) 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (STJ. 2ª Turma. REsp 817847 / SC Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 25/10/10) Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a não incidência da COFINS nas operações efetuadas com destino à Zona Franca de Manaus, devendo a autoridade fiscal analisar o crédito alegado, se de fato é relativo a operações com a Zona Franca de Manaus e se são suficientes para a compensação pleiteada, para então homologala até o limite do credito reconhecido. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Voto Vencedor Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à não incidência de PIS/Pasep e de Cofins sobre as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Preliminarmente, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instancia, sob o fundamento de que o colegiado não teria enfrentado o principal argumento defendido pela recorrente (de que as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus possuem o mesmo tratamento conferido às exportações para o exterior) e que teria mantido a cobrança de supostos débitos de PIS e Cofins, sob o argumento de que no âmbito administrativo não Fl. 13DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 120 12 seria possível a autoridade fiscal analisar a alegação da recorrente acerca da inconstitucionalidade da norma. Entretanto, em sua impugnação, alegou, em diversos trechos, ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos legais que vedavam a aplicação da isenção às vendas efetuadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, inclusive da norma que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, como no excerto abaixo: “Também vale enfatizar, que as normas editadas com o fim de restringir a isenção aqui defendida e, depois, a imunidade do PIS e da COFINS, relativamente às remessas para a Zona Franca de Manaus, também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o artigo 4°, do DL 288/67 e os artigos 40 e agora 92 do ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação (envolvendo remessas para a ZFM), utilizado pela Constituição Federal (art. 40 do ADCT) para limitar a competência tributária da União, dos Estados e do Distrito Federal, isto em afronta ao comando do artigo 110 do Código Tributário Nacional. ... Esta última norma, inclusive, muito embora tenha fixado, a partir de 1°/08/2004, uma alíquota O (zero) da contribuição ao PIS e da COFINS, tem efeitos nefastos para todas as empresas que, como a Manifestante, praticam vendas para a Zona Franca de Manaus, e estão inseridas na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Em primeiro, porque frauda a garantia da imunidade constitucional inserida pela EC n° 33/2001 e possibilita a quem "tem a competência de tributar à alíquota zero" também possa, de uma hora para outra, sem o atendimento ao princípio da anterioridade, elevar a alíquota das contribuições ao PIS e COFINS. Estáse tributando (hoje com alíquota zero) aquilo que nunca poderia ser tributado. ... Destarte, a partir da promulgação da EC 33/2001, por força do artigo 149 da Constituição Federal, que veio determinar que as contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, não há mais que se falar em isenção, mas sim em imunidade tributária. Logo, qualquer Lei ou ato normativo inferior que venha a dispor sobre base de cálculo ou mesmo cuidar de isenção sobre as receitas oriundas de vendas para Zona Franca de Manaus, está incorrendo em inconstitucionalidade, pois tais receitas estão fora do campo de incidência tributária, nos termos da Constituição Federal de 1988” Não há reparos a fazer na decisão de primeira instância, pois ao julgador administrativo é vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de Fl. 14DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 121 13 inconstitucionalidade, exceto em relação a determinadas hipóteses, a teor do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido no art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011 e no próprio Regimento deste Conselho em seus artigos 62 e 62A1, tendo inclusive tal matéria sido objeto de publicação da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à segunda alegação, o voto condutor do acórdão da DRJ consignou expressamente que o argumento da equiparação promovida pelo art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, não deveria prosperar pela própria inteligência do dispositivo e utilizou os fundamentos e conclusão da Solução de Divergência Cosit nº 23, de 2002, para enfrentar tal argumentação. Portanto, afasto as preliminares argüidas. Quanto ao mérito, a recorrente alega, fundamentalmente, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, equiparou as vendas para a Zona Franca de Manaus a uma exportação para o exterior, se aplicando como isenção ao PIS/Pasep e Cofins e, a partir da Emenda Constitucional nº 33, de 2001, como imunidade. Decretolei nº 288, de 1967: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Vide Decretolei nº 340, de 1967) (Vide Lei Complementar nº 4, de 1969) A redação do artigo 4º, de fato, equipara as vendas para a Zona Franca de Manaus a uma exportação para o estrangeiro. Entretanto, o faz para os efeitos fiscais da legislação em vigor, ou seja, não alcançaria tributos instituídos posteriormente a esta lei, de forma automática. A interpretação da isenção segue os ditames dos artigos 111 e 177 do CTN, que assim dispõem: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 122 14 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ... Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. A exegese dos dois artigos impede a aplicação extensiva da equiparação trazida pelo Decretolei nº 288, de 1967, a tributos que sequer haviam sido instituídos quando de sua publicação. O objetivo é garantir a isonomia e legalidade tributárias, vez que a regra geral é a tributação de todos os fatos que se subsumem à hipótese de incidência, enquanto a regra de isenção tem sua aplicação restrita ao comando legal de modo a evitar a aplicação extensiva ou analógica a situações de desoneração não expressamente previstas, em razão do caráter de excepcionalidade da norma isentiva. Por sua vez, a Constituição Federal de 1988 determina que as isenções devem ser criadas por lei específica que as regule, ou seja, reafirmando o caráter de excepcionalidade da exclusão do crédito tributário: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias assegurada aos contribuintes, é vedado à União, aos Estado, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6o Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. (Grifouse) Fl. 16DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 123 15 Neste sentido, citase Regina Helena Costa2: “Ao determinar, nesse dispositivo, que a interpretação de normas relativas à suspensão ou exclusão do crédito tributário, à outorga de isenção e à dispensa do cumprimento de obrigações acessórias seja “literal”, o legislador provavelmente quis significar “não extensiva”, vale dizer, sem alargamento de seus comandos, uma vez que o padrão em nosso sistema é a generalidade da tributação e, também, das obrigações acessórias, sendo taxativas as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e de anistia. Em outras palavras, quis prestigiar os princípios da isonomia e da legalidade tributárias”. O STJ já se manifestou no mesmo sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO FISCAL. EXTENSÃO A CONTRIBUINTE NÃO ALCANÇADO PELA NORMA TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. "É vedado ao Judiciário estender benefício fiscal a terceiro não alcançado pela norma legal que o instituiu." (AgRg no RMS 37.216/RJ,Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, julgado em 19.2.2013, DJe 27.2.2013.) 2. "A concessão de tal vantagem é função atribuída pela Constituição Federal ao legislador, que deve editar lei específica, nos termos do art. 150, § 6. A mesma ratio permeia o art. 111 do CTN, o qual impede que se confira interpretação extensiva em matéria de exoneração fiscal." (AgRg no RMS 35513/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 7.2.2012, DJe 13.4.2012.) Agravo regimental improvido.(AgRg no RMS 37671 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2012/00744588). Destacase no acórdão acima, reprodução de excerto do voto proferido no AgRg no RMS 35513/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 7.2.2012, DJe 13.4.2012: “A concessão de benefício fiscal é função atribuída pela Constituição Federal ao legislador mediante lei específica, nos termos do art. 150, §6º, in verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a 2 COSTA, Regina Helena, Curso de Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 164, apud PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 14º ed. Livraria do Advogado;ESMAFE, 2012. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 124 16 impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) A norma revela a preocupação do Constituinte em evitar abusos na concessão de benefícios fiscais – afinal, a regra é o exercício positivo da competência tributária , o que poderia comprometer a arrecadação de recursos públicos, frustrando as promessas do próprio constituinte e a concretização de direitos fundamentais, sobretudo os de cunho social. Nessa linha, o art. 111 do CTN impede que se confira interpretação extensiva em matéria de exoneração fiscal. Eis o teor do dispositivo: .... Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A jurisprudência deste Tribunal é firme quanto à impossibilidade de se estender um benefício fiscal a terceiro não alcançado pela norma legal. Confiramse:” Mencionase, ainda, o REsp 1.116.620/BA, Recurso Especial 2009/0006826 7: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ART. 6º DA LEI 7.713/88 COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. ROL TAXATIVO. ART. 111 DO CTN. VEDAÇÃO À INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 1. A concessão de isenções reclama a edição de lei formal, no afã de verificarse o cumprimento de todos os requisitos estabelecidos para o gozo do favor fiscal. 2. O conteúdo normativo do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com as alterações promovidas pela Lei 11.052/2004, é explícito em conceder o benefício fiscal em favor dos aposentados portadores das seguintes moléstias graves: moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte Fl. 18DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 125 17 deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Por conseguinte, o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus clausus), vale dizer, restringe a concessão de isenção às situações nele enumeradas. 3. Consectariamente, revelase interditada a interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando consolidado entendimento no sentido de ser incabível interpretação extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN. (Precedente do STF: RE 233652 / DF Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, DJ 18102002. Precedentes do STJ: EDcl no AgRg no REsp 957.455/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 09/06/2010; REsp 1187832/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 17/05/2010; REsp 1035266/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 04/06/2009; AR 4.071/CE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009; REsp 1007031/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/02/2008, Dje 04/03/2009; REsp 819.747/CE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/06/2006, DJ 04/08/2006) 4. In casu, a recorrida é portadora de distonia cervical (patologia neurológica incurável, de causa desconhecida, que se caracteriza por dores e contrações musculares involuntárias fls. 178/179), sendo certo tratarse de moléstia não encartada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a não extensão da isenção a tributos instituídos posteriormente, mencionase o AgRg no REsp 1.434.314/PE, Agravo Regimental no Recurso Especial 2014/00320291: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. LEI Nº 9317/96. SIMPLES. ISENÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Consoante proclamou esta Segunda Turma do STJ, ao julgar o REsp 1.039.325/PR, sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin (Dje 13.3.2009), o fato de as empresas optantes pelo SIMPLES poderem pagar de forma simplificada os tributos listados no art. 3º, § 1º, da Lei 9.317/96 não induz à conclusão de que não se sujeitam a nenhum tributo posteriormente Fl. 19DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 126 18 instituído. As isenções só podem ser concedidas mediante lei específica, que regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo (art. 150, § 6º, da Constituição da República). A interpretação extensiva da lei de isenção, para atingir tributos futuramente criados, não se coaduna com o sistema tributário brasileiro. O art. 3º, § 4º, da Lei 9.317/96 deve ser interpretado de forma sistemática com o disposto no art. 150, § 6º, da Constituição e no art. 111 do CTN. As empresas optantes pelo SIMPLES são isentas apenas das contribuições que já haviam sido instituídas pela União na data da vigência da Lei 9.317/1996. Com efeito, firmouse nesta Corte o entendimento de que não há isenção do PISImportação e da COFINSImportação, na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, porque a Lei 9.317/96 não poderia isentar contribuições que foram criadas por lei posterior, nos termos do artigo 177, II, do CTN, que preceitua que a isenção não é extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Ademais, pela interpretação teleológica da Lei 9.317/96, verifica se que o legislador não demonstrou interesse em isentar tais pessoas jurídicas do pagamento das contribuições que custeiam a Seguridade Social, e, com o advento da Lei Complementar 123/2006, que revogou a Lei 9.317/96, ficou expressa a intenção legislativa de tributar as empresas de pequeno porte e microempresa, mesmo optantes pelo SIMPLES. (grifos não originais). 2. Agravo regimental não provido. Inferese, assim, que a equiparação promovida pelo Decreto nº 288, de 1967, não pode ser compreendida como irrestrita e automática, sob pena de afronta aos artigos 111 e 177 do CTN, pois que não se referiu ao PIS/Pasep e Cofins, dado que tais exações não existiam no ordenamento jurídico. Ressaltese, ainda, que o legislador ordinário não estendeu a equiparação de forma irrestrita a tributos já instituídos à época do decreto, como pode ser verificado no DecretoLei nº 1.435, de 1975, evitando a cumulação com outros incentivos relativos à exportação. Citemse: Decretolei nº 1.435, de 1975: Art 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretosleis nºs 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de " draw back ". Assim, verificase que a equiparação não alcançou outros incentivos à exportação, como os acima mencionados, evidenciando o caráter restritivo da expressão “constantes da legislação em vigor” contida no artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Pontuese que a partir de 22/12/2000, com a exclusão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do §2º do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, cujas reedições culminaram no texto final da MP nº 2.15835, de 2001, a isenção para o PIS/Pasep e Cofins restou assim delineada: Fl. 20DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 127 19 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Fl. 21DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 128 20 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. A norma isentiva não traz qualquer equiparação das vendas à Zona Franca de Manaus à isenção de exportação para o exterior prevista no inciso II do caput. A interpretação literal do artigo 14 da MP nº 2.15835, de 2001, não permite esta equiparação, vez que esta somente foi efetuada pelo Decretolei nº 288, de 1967, refletindo os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente. À vista do art. 177 do CTN, tal equiparação não pode ser estendida a tributos instituídos posteriormente, como foi o caso do PIS/Pasep e da Cofins. Por sua vez, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988 manteve a Zona Franca de Manaus e seus incentivos fiscais, nos termos abaixo: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. A redação não cria nova hipótese de isenção nem de imunidade, mas convalida e recepciona o status jurídico da Zona Franca de Manaus e impede que legislação infraconstitucional mitigue a vigência ou a fruição dos incentivos fiscais a ela inerentes. Entretanto, como a equiparação promovida pelo Decretolei não se estende ao PIS/Pasep e Cofins, posto que instituídos após referido decretolei, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal não altera esta condição. Corroborando o exposto, mencionamse acórdãos deste Conselho e do antigo Conselho de Contribuintes: Acórdão nº 20180.247 proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: ... RECEITAS DE VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZFM. ISENÇÃO. É cabível a exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas decorrentes da venda a empresa estabelecida na ZFM a partir de dezembro de 2000, nos termos da Medida Cautelar exarada na ADI nº 2.3489 e da nova redação dada ao art. 14 da Medida Provisória nº 2.03425, de 21 de dezembro de 2000, e suas reedições, nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido art. 14. Acórdão 380300.456 proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2003. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplicase tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904202/200982 Acórdão n.º 3303002.490 S3C3T3 Fl. 129 21 Acórdão nº 340200.637 proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/06/2004 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO, INCABÍVEL, As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/06/2004 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO, INCABÍVEL, As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidos na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a Cofins. Acórdão nº 20400.708 proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes ZONA FRANCA DE MANAUS. Por expressa determinação legal (art. 111 do CTN) as normas que excluem ou suspendem o crédito tributário, ou ainda outorgam isenção, hão de se interpretar literalmente, não podendo o caráter isencional sufragarse em normas genéricas meramente correlatas. Por fim, impõe ressaltar que a partir de 26/07/2004, com vigência da MP nº 202, de 2004, as receitas de vendas destinadas ao consumo e industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus ficaram sujeitas à alíquota zero relativamente à incidência para o PIS/Pasep e Cofins. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 23DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13827.000804/2005-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO.
As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 08 04 /2 00 5- 50 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 437 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 384/393 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente a Declaração de Compensação (Dcomp fls. 2/4), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de novembro de 2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), a fls.2 a 4, cujo crédito provém do saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao mês de novembro/2005, no valor de R$ 236.952,83. A DRF/Bauru, por meio do despacho decisório de fls. 90/92, homologou parcialmente compensação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 54.173,68. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 77 a 80, o crédito foi deferido parcialmente devido à glosa de parte da receita de exportação, por se tratar de venda de álcool carburante, que não gera direito ao crédito por estar no regime cumulativo, e à glosa dos seguintes itens relativos aos créditos apurados pela requerente: Insumos referentes à compra de graxa e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Serviços que não se enquadram na definição de insumo contida na Instrução Normativa (IN) SRF no 404, de 2004. Serviços que deveriam ser ativados, pois a interessada não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de ano. Serviços cuja descrição não permitia precisar se se trataria de custo ou despesa operacional. Aluguel de máquinas que a contribuinte não comprovou terem sido utilizadas na fabricação de produtos que dão direito ao crédito. Despesas financeiras e aquisições de bens incorporados ao imobilizado da empresa, que, a partir de 01/05/2004, deixaram de dar direito a crédito. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o indeferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 manifestação de inconformidade, às fls.108/142, alegando, preliminarmente, duplicidade de autuação, porquanto em data anterior foi lavrado auto de infração sob as mesmas alegações, cuja verificação fiscal abrangeu os anos de 2004 e 2005, conforme documentos que anexa. Assim, tratarseia da mesma exigência fiscal em razão de um mesmo fato. Ainda em preliminar, alega que a inclusão, no auto de infração, de valores não devidos, face a glosas indevidas retiraria a liquidez e certeza do lançamento, o que por si só o tornaria nulo. Prosseguindo, também em preliminar, argumenta que o despacho decisório e o termo de constatação seriam nulos porquanto não discriminam especificamente quais os produtos que não se enquadram como insumo, tampouco apresentam a motivação e a fundamentação legal das glosas, além de a fiscalização ter apontado no termo de constatação o descumprimento de vários artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que seriam totalmente inaplicáveis ao caso concreto. Desta forma, faltariam elementos essenciais ao ato administrativo, tais como, agente, objeto, forma, finalidade e o pressuposto fundamental do ato, qual seja, o motivo, resultando no cerceamento do direito de defesa e na nulidade do procedimento. Quanto ao mérito, alega que, em resumo, que o conceito de insumo para o PIS e Cofins não pode ser transposto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), pois a não cumulatividade das contribuições sociais não se restringe às empresas industriais. Assim, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matérias primas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Ainda quanto ao mérito, repete as alegações preliminares quanto à ausência de discriminação e fundamentação das glosas, discorrendo brevemente sobre seu processo produtivo e o aproveitamento dos insumos que, segundo a impugnante, gerariam direito ao crédito das contribuições. Quanto aos insumos, argumenta que a graxa foi indevidamente glosada, pois nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento das máquinas do processo produtivo, e, assim como este, deveria dar direito ao crédito, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Solução de Divergência que cita. Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins, pois, Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 438 5 segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. O mesmo se pode dizer em relação aos insumos utilizados para a produção de álcool carburante, ou seja, deveria haver o rateio entre os insumos utilizados na produção de álcool carburante, álcool para outros fins e açúcar. Reclama também a recorrente que teria havido glosa indevida de créditos relativos a embalagens, haja vista que o acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização. No que tange aos créditos relativos aos serviços prestados, argumenta, em resumo, que a legislação permite o desconto de tais créditos desde que utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, e não somente aqueles aplicados diretamente na produção dos produtos, e ainda que a fiscalização não teria sido clara no embasamento da glosa. Em relação à glosa dos créditos referentes aos serviços que, segundo a fiscalização, a contribuinte não teria comprovado que não houve aumento da vida útil do bem em mais de um ano, alega que não há como fazer prova negativa e que houve inversão do ônus da prova já que a fiscalização é que teria que provar o que alegou para embasar a glosa. Quanto aos créditos oriundos de aluguel de máquinas e equipamentos, argúi que tais bens são utilizados tanto na movimentação da matéria prima, que geraria crédito, quanto no transporte e empilhamento de mercadorias, que não geraria crédito, assim a fiscalização deveria ter segregado proporcionalmente os créditos relativos a esse item. No tocante aos créditos relativos a arrendamento mercantil, argumenta que a fiscalização, apesar de não constar no termo de constatação nem no despacho decisório, glosou esse crédito sem maiores explicações. Alega também que para os créditos relativos a insumos adquiridos de pessoa jurídica foram utilizados os percentuais relativos ao crédito presumido, reduzindo assim o seu valor sem base legal ou justificativa. Por fim, argumenta que houve aplicação indevida de rateio do crédito em casos em que o crédito deveria ser integral, como nos serviços de ensacamento, marcação e manuseio de sacaria e em relação à levedura. Diante de tais alegações, que incluem a imputação de falta de clareza e de cerceamento do direito de defesa à decisão da autoridade a quo, considerando ainda que a recorrente cita itens que, de acordo com os autos, os respectivos créditos não teriam sido objeto de glosa e também tendo em vista que o termo de constatação, de fls. 77/80, contém apenas uma descrição vaga das glosas, pois não detalha os itens glosados acompanhados Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 dos respectivos valores, o presente foi baixado em diligência à DRF para que os auditores fiscais responsáveis discriminassem, por item, os valores dos créditos glosados, bem assim esclarecessem o porquê de cada glosa. Em atendimento à diligência foi expedido o despacho de fls. 363/369, com os esclarecimentos solicitados. Ciente do despacho acima, a requerente apresentou a manifestação de fls.371/379, onde alega novamente que o conceito de insumos para as contribuições sociais não é o mesmo que o aplicado no âmbito do IPI, se assemelhando mais aos conceitos utilizados no imposto de renda, abrangendo todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Justiça, das quais transcreve partes. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não comprovação dos créditos, referentes à Cofins não cumulativa, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito ao crédito da Cofins, no regime de incidência não cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito da Cofins, no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 439 7 Cientificada da referida decisão em 17/02/2012 (fls. 402), a interessada, em 28/02/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 404/433, com as alegações resumidas abaixo: a) preliminarmente, argumenta que a questão não foi decidida com isenção, falta do princípio da motivação do Ato Administrativo, inconsistências dos dados, subjetivismo, demonstração da efetiva irregularidade, e ainda ausência, no Acórdão, de apreciação de todas as razões suscitadas, solicitando a nulidade da decisão DRJ, posto que cuidou ela de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade. Argumenta ofensa ao princípio da verdade material, ensejando que o lançamento de ofício, está irremediavelmente eivado de nulidade, portanto deve ser decretada a insubsistência do despacho decisório ora combatido. Cita jurisprudências administrativas e judiciais; b) quanto ao mérito, no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas dos créditos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte fiscalização algum tipo de restrição ao conceito de insumos: b.1 Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; b.2 Dos Insumos Consumidos Pela Recorrente; b.3 Dos Produtos Lubrificantes (graxas); b.4 Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo; b.5 A Falta Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo; b.6 O Valor do Estoque de Abertura; b.7 Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; b.8 Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; b.9 Do Leasing; b.10 Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas, e b.11 Da Aplicação Indevida do Rateio. Diante do exposto, requer que seja declarada a nulidade da decisão ora recorrida ou, se assim não entender, que seja dado provimento ao presente recurso em face da improcedência do feito fiscal e, como decorrência, ser com o reconhecido o direito creditório da Recorrente e a consequente homologação das compensações objeto do pleito. É o relatório. Voto Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. 2) Preliminar de Nulidade da decisão recorrida Alegou a recorrente a nulidade do Acórdão de primeira instancia, argumentando que teria havido a ausência de apreciação de todas as razões suscitadas e que a questão não foi decidida com isenção, havendo inconsistências dos dados, subjetivismo, não demonstração da efetiva irregularidade e porque o acórdão recorrido não se ateve aos aspectos fundamentais colocados à análise do julgador. Conclui alegando que a decisão em discussão cuidou de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade, proferindo, assim, decisão de natureza diversa da que foi demandada, sem a motivação do Ato administrativo e violando a garantia do recorrente e que o Termo de Diligência, em sua visão, nada acrescentou aos autos. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos e dos serviços só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto a graxa, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, verificase na decisão, que a DRJ detalhou todas as razões pelas quais resultou na improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo, como exposto, o direito creditório. Contudo, temos que observar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem detalhar ao máximo seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita no Acórdão, não se tem por omisso o julgado. Em suma, os motivos de não reconhecer o direito creditório postulado, residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte e que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da recorrente. Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. 3) Ofensa ao Princípio da verdade material A recorrente argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade, conforme consta do item 61 do recurso voluntário: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 440 9 (...) “61 Temos, por conseqüência, que o lançamento de ofício vestibular está irremediavelmente eivado de nulidade, aliás, insanável. Isto posto, deve ser provida a manifestação de inconformidade ora interposta para o fim de ser decretada, ab initio, a insubsistência do despacho decisório ora combatido, conforme as preliminares acima alinhadas” (g.n). Frisese que o presente processo não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação apresentada via Dcomp, ou seja, análise de compensação entre créditos e débitos tributários. Notese que no acórdão da DRJ restou demonstrado com clareza essa questão. Observese: (...) Primeiramente, quanto às alegações preliminares de que haveria duplicidade de autuação, pois o período em questão já havia sido objeto de auto de infração, e que faltaria liquidez e certeza ao lançamento, cumpre esclarecer que a impugnante enganase, porquanto o presente não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DComp. Assim, não há que se falar em duplicidade de lançamento, pois os procedimentos envolvidos são distintos, este processo, como acima explicado, tratase de análise de compensação entre créditos e débitos tributários e aquele, de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, tampouco a homologação parcial de Declaração de Compensação necessita de liquidez e certeza, requisitos estes exigidos para o lançamento do crédito tributário (...). Portanto, no que se refere às preliminares de insubsistência, também não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende o contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação parcial do crédito alegado, como também, não ficou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente foi regularmente intimada nos autos. Preliminar de insubsistência do despacho decisório rejeitada. 4) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de novembro de 2005. A recorrente, cujo nome de fantasia é Destilaria Tonon, tem por objeto a fabricação de álcool nas suas diversas especificações, e a sua comercialização nos mercados interno e externo (exportação), podendo, em nome dela, serem praticados todas as operações, principais e acessórias, relacionadas com tal atividade. Acrescentese que através do processamento da canadeaçúcar a destilaria produz álcool e açúcar. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Consta dos autos que no anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar, energia elétrica, levedura e da venda de créditos de carbono e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 441 11 Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4.1) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). A recorrente aduz em seu recurso que: (...) “ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, as leis que regulam o regime do PIS e da COFINS não cumulativos não delimitam o significado de insumo. No entanto, a Receita Federal, extrapolando sua competência, expediu as Instruções Normativas 247/02 e 404/04, que se amoldando a legislação do IPI, restringiu o significado de insumo para o PIS e a COFINS não cumulativos”. E segue defendendo que: (...) “Dessarte, devem ser considerados insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção”. Ou seja, pelo entendimento da contribuinte, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. No entanto, da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 442 13 Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4.2) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 209/214 (Análise dos dados elaboradas pela fiscalização durante a ação fiscal), parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. Ressalta que os produtos e serviços concorrem decisivamente para a obtenção do açúcar e do álcool, ou seja, inúmeros produtos e serviços que são adicionados ao caldo durante a decantação, fermentação, destilação (álcool) ou filtração, evaporação, cozimento centrifugação e secagem (açúcar) visando um só e único fim: o produto final industrializado. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados nas planilhas (fls. 209/214), se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente se verifica que não integram o custo de produção. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos, lubrificantes e combustíveis, se aplicados na produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Embora a Recorrente trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas fls. 161/176), por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas nas planilhas de fls. 209/214. Ressaltese que para todos os itens glosados nos autos, a fiscalização elaborou uma Planilha denominada “Análise de dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 209/214), que contém a discriminação e identificação das despesas apresentadas pela Recorrente, as linhas do DACON, data e número da Nota Fiscal, insumos, serviços, produtos, fornecedores, valores, receitas, e a informação da manutenção do item ou a glosa efetuada pela fiscalização e seu motivo. Para tanto foi tomado a devida ciência da empresa. 4.3) Os Produtos Lubrificantes Graxa Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso voluntário que, (...) “quanto aos insumos, nas alegações para justificar o feito fiscal, a fiscalização referese expressamente às aquisições de graxa feitas pela Recorrente e glosa os créditos a ela relativo invocando a Solução de Divergência nº 12/07”. Tal contraditório se apresenta enfrentado, uma vez que nas planilhas demonstrativas das glosas (fl. 209) e no Termo de Diligência (fl. 364) onde no item “Lubrificantes” a fiscalização descreve a motivação do ato: glosa – graxa não é lubrificante, por definição da (ANP). A recorrente visando elucidar a questão no intento de elidir a glosa perpetrada pelo Fisco, reproduz várias conceituação do vocábulo “graxa”, pesquisado em abalizadas publicações linguísticas e técnicas (dicionários, sites, Wikipédia, etc.), visando conceituar o termo graxa, concluindo que a graxa nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento de máquinas, equipamentos, motores, etc. Isto porque, conforme definido na legislação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II e § 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 40) os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a COFINS. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 443 15 No entanto, quando se examina as planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 209), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L02 Lubrificantes, quais notas fiscais os créditos foram glosados e não encontramos nenhuma referência a tais glosas. Desta forma, não assiste razão a Recorrente, pois não foi constatado glosa referente aquisições de lubrificantes, pois podemos verificar que tais créditos foram mantidos pelo Fisco (fl. 209). Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas dos Lubrificantes (graxa), por falta de interesse recursal. 4.4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo Nos termos relatados nos autos, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Neste tópico específico, argumenta a recorrente em seu recurso voluntário no que se refere ao entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo, e que: (...) “Segundo a disposição expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, 20 e segundo, ainda, a disciplina contida no art. 66, inciso I, alínea ”b”, da Instrução Normativa SRF 247/02, geram direito a créditos do PIS os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda”. E segue, (...) “Esclarecendo o alcance da norma em comento, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT, expediu a Solução de Divergência nº 37/08, firmando o entendimento abaixo transcrito:”(...). Por outro lado, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 78), o Fisco relata que: (...) “A empresa também apresentou todas as notas fiscais de insumos que, no seu entender, dariam direito ao crédito de COFINS não Cumulativo, além de notas fiscais de lubrificantes, comprovantes das despesas com energia elétrica, despesas de depreciação, despesas com armazenagem e frete nas vendas e despesas financeiras. Os demonstrativos elaborados pela empresa encontramse anexados às fls. 39 a 65. Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 67 a 70”. Observese que no Termo de Diligência, o Fisco descreve (fl. 364): (...) Lubrificantes foram glosadas as notas fiscais de compra de óleo utilizado em máquinas agrícolas e de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 No entanto, quando se analisa as planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 209), a fiscalização esclarece, na coluna especificada L02 Lubrificantes, que tais créditos foram mantidos. Restando claro, portanto, que somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Notese, que no caso, conforme apurado pela fiscalização em seu demonstrativo (fl. 209), tais créditos, referente aquisições de lubrificantes, foram mantidos. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas dos insumos Lubrificantes, por falta de interesse recursal. 4.5) Falta de Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Argumenta a recorrente que no que se refere à glosa relativa aos insumos empregados no fabrico do álcool carburante (cumulativo), tampouco assiste razão à fiscalização. 4.5.1) Produtos Químicos utilizados Em seu recurso aduz que: (...) “A fiscalização glosou o crédito de vários produtos químicos que possuem emprego geral no processo produtivo, ou seja: são aplicados tanto na industrialização do álcool como do açúcar, conforme se vê na planilha – utilização anexada aos autos, sem a mínima preocupação em estabelecer o necessário e indispensável rateio proporcional para distinguir a quantidade destinada à produção do álcool e daquela destinada à produção do açúcar. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos produtos químicos adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados no tratamento de água, na limpeza de caldeiras, nas torres de resfriamento e os utilizados exclusivamente na fabricação de álcool, na premissa que o termo “insumo” refere se aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. Tal fato, consta quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 363/364), que glosou as compras de determinados produtos químicos: (...) Visando a esclarecer a analise feita na ação fiscal, complementamos as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal de 30/06/2009 com as despesas glosadas pela fiscalização de acordo com as linhas da ficha 04 do DACON. Estão sendo anexadas fotocópias de notas fiscais de produtos químicos, lubrificantes, serviços, fretes, razões de contas contábeis, estoque de abertura, contratos de prestação de serviços, descritivos manutenção e demais elementos que serviram de base para as glosas. LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes, embalagens e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados sem aplicação do rateio. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 444 17 Produtos Químicos a fiscalização glosou as compras de produtos químicos que não são utilizados diretamente na produção do açúcar. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 209/214), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L02 Produtos Químicos, que para algumas notas fiscais os créditos foram mantidos e outros foram glosados, assim motivados: glosa álcool e glosa – caldeira, mantido com rateio e mantido sem rateio. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois como se verifica no referido Termo, o Fisco informou ainda que os produtos de utilização comum na produção do álcool dos outros produtos não cumulativos, como o açúcar e levedura, foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo dos produtos não cumulativos foram considerados sem aplicação do rateio. Em seu recurso voluntário, embora a recorrente tenha discorrido sobre os insumos consumidos por ela (produtos químicos), em momento algum demonstrou e provou que os bens cujos créditos foram glosados são consumidos no processo de fabricação de seus produtos. A configuração de insumo depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. Com já relatado, como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Por outro lado, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. Assim, não podem descontar da contribuição para o PIS/Pasep apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo, por absoluta falta de amparo legal uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos Produtos Químicos adquiridos pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 209. 4.5.2) Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Neste mesmo tópico a Recorrente prossegue alegado em seu recurso que: (...) “Ainda seguindo este confuso raciocínio, em momento algum a fiscalização preocupouse em verificar se todo o álcool produzido teria sido, de fato, comercializado como álcool Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 carburante (hidratado ou anidro) – CUMULATIVO ou se, como comprovadamente ocorreu, teria havido também a comercialização de álcool destinado a outros fins que não ao consumo como combustível e, portanto, NÃOCUMULATIVO. A par deste fato, a Recorrente apresentou cópias de inúmeras notas fiscais emitidas que comprovam cabalmente que a operação de venda por elas acobertadas referemse à venda de álcool etílico hidratado ou álcool etílico anidro destinados à utilização de diversos outros fins que não ao uso como combustível. As operações de vendas do álcool “Outros Fins“ foi igualmente comprovada através do registro contábil daquelas vendas no período de auditado, conforme espelhado nas folhas do Razão Analítico juntado aos autos. A título de exemplo, listamos abaixo algumas notas fiscais, dentre aquelas já anexadas, que evidenciam, apenas pela singela leitura da razão social do destinatário da mercadoria, não se tratar de operação relativa à venda de álcool anidro ou hidratado para fins carburantes, já que a comercialização de álcool combustível somente é permitida, pela Agência Nacional de Petróleo ANP, para as distribuidoras por ela credenciadas. NF. 089503 – 11/11/2005 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF. 089704 – 17/11/2005 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF. 089821 – 21/11/2005 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF. 089867 – 23/11/2005 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza da precariedade e subjetividade do trabalho realizado pela fiscalização que, por consequência atestam a incontestável nulidade da glosa efetuada”. Sobre esse fato, no Termo de Constatação, verificase consignado que: (...) No anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar e levedura e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. A DRJ ao abordar a questão, não se pronunciou, mesmo considerando que tais argumentos estava contido na manifestação de inconformidade, conforme trecho do Acórdão recorrido, abaixo destacado (fl. 386): (...) Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. Pois bem, como é sabido, em que pese o exposto, na fase impugnatória do processo administrativo fiscal ainda há a possibilidade de a requerente aduzir provas aos autos, conforme disposto no § 4º, do art. 16 do PAF. No caso vertente, a interessada apresentou cópia de notas fiscais de venda de álcool para “Outros fins” (fls. 179 a 186), além de outros documentos, como cópia do livro Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 445 19 Razão Analítico (fls. 177/178), o que comprovam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para “Outros fins”, efetivamente comprovadas pela Recorrente, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. Verificase que, pelo exposto acima, que a decisão a quo não analisou as vendas de álcool para “Outros fins” efetivamente comprovadas através de documentação hábil juntadas aos autos (cópia de Notas Fiscais). Na linha do acima verificado, os respectivos valores de créditos devem ser ajustados pela Delegacia da RFB de origem. Quanto aos demais argumentos da recorrente, não podem ser considerados, tendo em vista que não foram acostados aos autos, mais provas hábeis contrária em sede de manifestação de inconformidade e tampouco nesta fase, objetivando comprovar o alegado pela Recorrente. Assim, temse que devem ser reconhecidos o direito pleiteado da Recorrente, concernente apenas para as Notas Fiscais de venda álcool “Outros fins” nºs 089503, 089704, 089757, 089955, 089821, 089867, 089889 e 089923, emitidas no mês de novembro de 2005, cujas cópias foram juntadas aos autos às fls. 179 a 186. Ressaltese que as mesmas, foram devidamente contabilizadas no Livro Razão Analítico, conforme extrato de fls. 177/178. Concluindo, temos que as receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. 4.6) O Valor do Estoque de Abertura Descreve a recorrente em seu recurso, que: (...)A mesma indesculpável falha e condenável parcialidade está presente quando se verifica que foram glosados os valores de todo o estoque de abertura do álcool sem se proceder a necessária e inafastável proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza do precário trabalho realizado pela fiscalização e a conseqüente nulidade da glosa efetuada. Tais fatos revelam, além de ser de extrema fragilidade e arbitrariedade a verificação efetuada, que a fiscalização não tem observado in totum as regras da própria RFB, o que torna ainda mais marcante em todo o procedimento fiscal a opção pelo hipotético e pela presunção”. Verificase que o fisco, ao elaborar o Termo de Diligência, informa que (fls. 368/369): Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS – Conforme previsão contida na Lei 10.833/03 – artigos 6º (exportação) e 3º, § 8º, II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês." A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, resultando em 78,07%. As receitas financeiras não foram consideradas nos cálculos em razão da Solução de Consulta Interna Cosit n° 11 de 2008. O percentual referente às receitas de exportação apurado pela fiscalização foi de 78,07% e 54,22% para as receitas não cumulativas. Já os percentuais apurados pela Santa Cândida foram de 77,32 e 55,11% respectivamente. A empresa informou uma receita de exportação de R$ 8.700.060,00 que foi confirmada pela fiscalização. A diferença se deve ao fato da fiscalização não ter utilizado no cálculo as receitas financeiras. Neste momento, assiste certa razão a recorrente, pois ao se analisar a questão da venda de álcool para “Outros fins”, no caso vertente, a interessada apresentou aos autos cópias das referidas notas fiscais de venda de álcool para “outros fins” nºs 089503, 089704, 089757, 089955, 089821, 089867, 089889 e 089923, emitidas no mês de novembro de 2005, cujas cópias foram juntadas aos autos às fls. 179/186. As mesmas, foram devidamente contabilizadas no Livro Razão Analítico, conforme extrato de fls. 177/178, o que comprova as vendas e podem ser aceitas. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, as receitas relativas a vendas de álcool para outros fins são tributadas pela contribuição social (COFINS) no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção desse álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. Portanto, assiste razão a Recorrente, pois verificase que nem todo o álcool produzido teria sido comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro – regime cumulativo). Desta forma, deverá ser reavaliado o estoque de abertura do álcool e proceder a reavaliação da necessária proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante, conforme descrito no Termo de Diligência (fls. 363/369) e demonstrativos de fls. 209/214. 4.7) Serviços Tomados Pela Recorrente Nos termos relatados neste processo, o Fisco glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso que: (...) “concluise que insumo, no contexto das regras desta não cumulatividade da contribuição ao PIS, comporta a contratação de serviços destinados a execução de outros serviços. Mais ainda, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02 e o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, conjugados com as demais regras previstas nesta lei, autoriza nos a concluir que a expressão “serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” acolhe a possibilidade de Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 446 21 haver a contratação de serviços para a execução de outros serviços, quaisquer que sejam, desde utilizados com o escopo final que é a obtenção do produto final industrializado. (...) Resta, destarte evidenciado que não foi a preocupação da autoridade lançadora a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Por derradeiro, cumpre esclarecer que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do Imposto de Rendas Pessoas Jurídicas, eis que se tratam de serviços que em sua essência e própria finalidade devem e foram lançados diretamente como custo de produção” (...). Como já abordado neste relatório, os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 vedam o crédito da contribuição a COFINS e ao PIS se os bens e serviços forem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não estabelecida no País. Desta forma, as exceções às regras de apropriação de créditos já estão claramente dispostas em tais parágrafos, cumprindo, assim, a função que lhes foi atribuída pela alínea “c ” do inciso III, do art. 11, da Lei Complementar nº 95/09. Verificase que no Termo de Constatação Fiscal (fls. 78/79), consta que: (...) “As despesas com prestação de serviço com direito ao crédito do PIS não cumulativo estão disciplinadas pelo disposto na IN SRF 404/2004, art. 8º, inciso I, “'b". " b.1 " , § 4º , I. '"b". Foram objetos de glosa as despesas apresentadas pela empresa que não se enquadravam na definição supramencionada: "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto"; neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos ao regime não cumulativo do PIS. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 67 a 70”. Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação de açúcar e levedura, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional. Também não procede as alegações da recorrente no que concerne que não houve a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. No Termo de Diligência (fls. 364/366) a fiscalização elaborou relatório bem detalhado no tópico “LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COM INSUMO”, onde descreve que: LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO A fiscalização entendeu que a informação contida na linha 13Outros valores com direito à crédito deveria ser informada na linha 3 da ficha 4 do Dacon serviços utilizados como insumo, por se tratar de serviços prestados por pessoa jurídica. Portanto não houve glosa total do informado pela Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 Santa Cândida na Linha 13, mas simplesmente a análise como sendo linha 3 da mesma ficha: A IN SRF 404/2004 prevê:(...). Seguindo o tópico, a fiscalização explicita no documento toda fundamentação e as base legal sobre os conceitos de insumos para fins de creditamento sobre tais bens e serviços, especificando as glosas efetuadas: (...) Com a base legal acima foram efetuadas as seguintes glosas: "não corresponde ao conceito de insumo" notas fiscais de serviços não relacionados com o processo produtivo, citados no anexo, como por exemplo leitura mensal, controle de pragas, assessoria técnica, locação de toalhas, conserto de rádio, copias de chaves, locomoção de motoristas. "NF não identifica se é custo ou despesa" notas fiscais com descrição genérica não sendo possível identificar se é despesa ou custo. "valor que deveria ser incorporado ao ativo" notas fiscais de reformas de equipamentos que deveriam ser ativadas em razão do aumento da vida útil do bem reparado. As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto que está sendo produzido e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, se verifica que, concernente aos materiais acima especificados, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles enquadrados no conceito do termo “insumo”, este quando referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 209/214), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L03 – Serviços Utilizados como insumo, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: as que não corresponde ao conceito de insumo, valor que deveria ser incorporado ao ativo e nota fiscal não identificada se é custo ou despesas. Quanto a alegação de que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do IRPJ, verificamos que a fiscalização relata em seu Termo de Constatação Fiscal que: (...) “Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação dos produtos de incidência nãocumulativa, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional”. Se as partes e peças adquiridas no caso, forem para máquinas ou equipamentos que estiverem no ativo imobilizado, deixarão de ser consideradas como insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 447 23 10.637/2002, art. 3º, Inciso VI, combinado com o seu § 1º, Inciso III, (c/ artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Desta forma, esses produtos que atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizados, consoante estabelece o art. 346 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/1999) . Verificase no Termo de Diligência que: (...) A Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos. Apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Da descrição verificase que as mesas alimentadoras, as esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da Safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Os ternos são compostos por castelo, bagaceira, cabeçotes, rolos e pentes. Nas notas fiscais de serviços não se verifica a aquisição ou instalação desses elementos anualmente. As notas fiscais de serviços glosadas referemse a soldas, frisamentos, aplicações de chapas inox, válvulas, hidrojateamento, recuperação de cilindros, desfibrilador, usinagem, etc, portanto são substituições de partes e peças que resultam em aumento da vida útil em mais de um ano, devendo ser ativadas. Também consideramos que devem ser ativados as notas fiscais de fornecimento de mão de obra de pedreiros, pintores e serviços de engenharia. Como se vê, consta do Termo de Diligência que a empresa Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos e ainda apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Verificase que as mesas alimentadoras, esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Assim, não procede as alegações da recorrente no que concerne não haver a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. A fiscalização elaborou um demonstrativo, detalhando que como regra foram glosados os serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, ou seja, os serviços que não quedaramse demonstrados que estavam diretamente ligados à produção dos produtos não cumulativos. Por outro lado, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições de serviços foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. Portanto, correto as glosas de parte dos valores dos serviços tomados pela Recorrente, conforme disposto no demonstrativo de fls. 210/211. 4.8) Aluguel de Máquinas e Equipamentos Aduz a recorrente em seu recurso que: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 (...) “Segundo a dicção do Fisco, não geram direito a crédito o aluguel de máquinas, escavadeira ou guindaste, porque a Recorrente não demonstrou terem sido eles utilizados na fabricação do açúcar. A respeito há que se ter presente que a escavadeira é utilizada na tanto movimentação da matériaprima (canadeaçúcar), como no transporte e movimentação do açúcar em bruto. O mesmo se dá com o guindaste que faz a movimentação dos contêineres de açúcar, tanto no empilhamento e armazenagem quanto no carregamento nos veículos de transporte. É também utilizado na movimentação de peças e equipamentos pesados. Assim, ou se deveria reconhecer o direito ao crédito integral ou, ao menos, proporcional na hipótese de movimentação da matériaprima da qual deriva tanto o açúcar como o álcool. Tal questão foi dessa forma analisada pela fiscalização em seu Termo de Constatação Fiscal (fl. 79): (...) Também não geraram direito a crédito o aluguel de máquinas que não se enquadravam no disposto no art. 66, inciso II, i b" da IN 247/2002: "aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa". Assim, não foram consideradas as Notas Fiscais referentes a aluguel de escavadeira, andaimes ou guindastes, máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito da COFINS não cumulativa. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 67 a 70 (grifamos). O artigo 3º da Lei nº 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Porém, como se verifica no Termo de Diligência efetuado pela fiscalização (fls. 367), Linha 6 –Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, tais despesas que foram glosadas porque verificouse que tratam de locação de máquinas e equipamentos referente à atividade de construção civil da empresa: LINHA 6 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS – O artigo 3º da Lei 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Glosados locação de guindastes, atividade de construção civil.. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 211), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L06 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. No caso, não assiste razão a Recorrente, pois nenhuma glosa foi apontada pela fiscalização no demonstrativo, pois todas as notas fiscais relacionadas, constam como os créditos foram mantidos. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas das despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, por falta de interesse recursal. 4.9) Do Leasing A empresa em seu recurso argumenta que: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 448 25 (...) “A Fiscalização, é omissa ao fato tanto no Despacho Decisório como no Termo de Verificação Fiscal, porém elaborou os demonstrativos e fichas do DACON de acordo com seu critério e entendimento, desprezando as informações prestadas anteriormente pela Recorrente no mesmo DACON relativamente aos créditos, oriundos de operações de arrendamento mercantil (leasing), que foram sumariamente glosados. Assim, no DACON elaborado pelo Fisco não constou sequer uma das aquisições de bens na modalidade de leasing, sendo que, na realidade existem várias no período examinado que, inexplicavelmente, foram desprezadas. Nada há no bojo dos autos que indique, especifique, ou sequer sugira o porque da glosa ou da omissão naquele DACON dos valores relativos aos contratos de leasing ignorados pelo Fisco. Não procede a alegação de omissão colocada pela recorrente, senão vejamos o que foi relatado sobre este tema no Termo de Constatação Fiscal (fl. 79): (...) A partir de 01/05/2004 em virtude de alterações na Lei 10.833/2003, introduzidas pela Lei 10.865/2004, deixaram de dar direito a crédito: despesas financeiras, aquisições de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda anteriores a 01/05/2004. Portanto, os valores referentes a esses lançamentos foram glosados. E o Fisco segue informando no Relatório de Diligência (fl. 367): LINHA 8 – ARRENDAMENTO MERCANTIL – mantidas as despesas informadas de duas Saveiros e uma Kombi. Glosadas 4 notas fiscais da Laponia Sudeste Ltda referente a arrendamento mercantil feito em 18/02/2004 e 30/03/2004, pois o inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04 foi limitado pelo art. 31 da Lei 10.865/04 à aquisições feitas a partir de 01/05/2004. Também nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 209/214), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L08 – Arrendamento Mercantil, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: glosa adquirido antes de 01/05/2004. A Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, regula o tratamento tributário que deve ser dispensado ao contrato de arrendamento mercantil. O art. 3º, da mencionada lei, assim determina: “Art. 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil” Assim, não resta dúvida de que os bens destinados ao arrendamento mercantil compõem o ativo imobilizado das arrendadoras. No entanto, verificase que no Termo de Constatação Fiscal, bem como no demonstrativo de fl. 299, o Fisco promoveu a glosa do valor das despesas com Arrendamento Mercantil, realizadas antes de 30/04/2004, com fundamento no inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04, limitado pelo art. 31 da Lei nº 10.865/04 às aquisições a partir de 01/05/2004. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 O art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865/2004, define que: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica (g.n). Notese que a Lei não se refere a arrendamento mercantil no parágrafo primeiro do artigo 31. Isso é apenas tratado no parágrafo 3º, para vedar apenas o crédito relativo a arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado patrimônio da Pessoa Jurídica, o que não restou demonstrado nos autos pelo Fisco. Portanto, assiste razão a recorrente em reclamar de seu direito, uma vez que não consta dos autos, que as aquisições dos referidos veículos, já tinham em algum momento, integrado o patrimônio da empresa. Por este motivo legal, no presente caso, não deve ser mantida a glosa dos valores computados em desacordo com a legislação. 4.11) Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas De acordo com a Administração tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. No que se refere a esse tópico, a recorrente alega que: (...) “No indigitado DACON elaborado pela Fiscalização foi utilizado e aplicado, indevidamente, para fins de cálculo do valor a ser creditado nas aquisições de canadeaçúcar, efetuadas de Pessoa Jurídica, o mesmo critério e método de apuração adotado para se apurar o Crédito Presumido (para o PIS 70% e para a COFINS 80%), reduzindo, sem base legal, o montante do crédito a ser aproveitado pela Recorrente. Igualmente, ao item imediatamente anterior, nada há nos autos e nas notas feitas a ele que esclareça o motivo e justifique tamanha parcialidade”. Vejase o que informa a fiscalização no Termo de Diligência (fl. 364): LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes, embalagens e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo c om o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados s em aplicação do rateio. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 449 27 (...) Cana Adquirida de Pessoa Jurídica – A empresa informou o total de cana adquirida de pessoa jurídica – R$ 728.609,46. A fiscalização aplicou sobre este valor o percentual 54,22% referente à cana utilizada na produção do açúcar e acrescentou o frete proporcional à cana adquirida de pessoa jurídica utilizada na produção do açúcar, valor informado como sendo linha 3 e apurado na conta 30101003004020 – Despesas de Fabricação– Transporte de Cana de Açúcar, demonstrados no anexo do Termo de Constatação Fiscal. E segue informando o contido na LINHA 18: LINHA 18 – CRÉDITO PRESUMIDO NA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL– Apurado com base de cálculo o valor da aquisição de cana de açúcar de pessoas físicas aplicandose o percentual de cana utilizada na produção de açúcar e acrescendo o frete da cana adquirida de pessoa física utilizada na produção do açúcar (demonstrado no anexo do Termo de Constatação Fiscal). De acordo com o artigo 8º da Lei 10.925/2004 só é possível o aproveitamento deste crédito para abater das contribuições devidas. Observese que, quanto ao rateio cabe esclarecer que o percentual das receitas cumulativas e nãocumulativas foi informado pela própria requerente, conforme consta das planilha à fls. 45/71 (informações da própria fiscalizada) e aceita pela fiscalização (fls. 72/76 e 209/214), sendo nela apurado o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas e, por diferença, o percentual das nãocumulativas. Como se sabe, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência "não cumulativa" do PIS/PASEP em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Para tanto, a pessoa jurídica deverá alocar, a cada mês, separadamente para a modalidade de incidência as parcelas dos custos respectivos. No caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à "não cumulatividade" e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: a) apropriação direta, inclusive, em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Verificase que o método eleito pela Recorrente foi aceito pela Fisco e aplicado consistentemente por todo o período analisado. 4.12) Da Aplicação Indevida de Rateio Dispõe o § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que “Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa do PIS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas”. Como já abordado no tópico anterior, a regra acima implica em que, se o contribuinte auferir receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo, os insumos apenas gerarão crédito na proporção em que forem aplicados nestas últimas. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 A comercialização de álcool “para fins carburantes” submetese à incidência de PIS/Cofins pelo regime cumulativo, de modo que, por não se submeter ao regime não cumulativo das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os insumos aplicados na sua produção não geram direito de crédito. Nesse contexto a recorrente alega em seu recurso que: (...)“Houve, ainda, no DACON da fiscalização, aplicação indevida de rateio proporcional para fins de apurar o valor do crédito, em situações em que o crédito deve ser integral, a exemplo dos serviços de ensacamento, marcação e manuseio da sacaria, serviços estes utilizados especificamente na produção do açúcar. Da mesma forma, esse erro crasso foi cometido em relação à levedura, sendo que por serem ambos os produtos não cumulativos, o crédito corresponde a 100%”. Como se observa, a Recorrente sustenta que a fiscalização, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito em que nos casos citados os créditos deveriam ser integrais. Vejase que no Termo de Diligência elaborado pela fiscalização, esclarece que (fls. 368/369): PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS – Conforme previsão contida na Lei 10.833/03 – artigos 6º (exportação) e 3º, § 8º, II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês." A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, resultando em 78,07%. As receitas financeiras não foram consideradas nos cálculos em razão da Solução de Consulta Interna Cosit n° 11 de 2008. O percentual referente às receitas de exportação apurado pela fiscalização foi de 78,07% e 54,22% para as receitas não cumulativas. Já os percentuais apurados pela Santa Cândida foram de 77,32 e 55,11% respectivamente. A empresa informou uma receita de exportação de R$ 8.700.060,00 que foi confirmada pela fiscalização. A diferença se deve ao fato da fiscalização não ter utilizado no cálculo as receitas financeiras. Portanto, não conseguimos vislumbrar as inconsistências apresentadas pela recorrente, uma vez que não demonstra claramente, com base em documentos e números, onde se encontra as referidas distorções, pois examinando os autos e verificandose os rateio mencionados, concluise pela inclusão de tais serviços nas referidas composições dos rateios, exceto àqueles que foram objeto de glosa. Isto posto, não leva a outro caminho senão à manutenção da forma com procedeu a fiscalização nesse tópico, fazendose, obviamente, os ajustes necessários, decorrentes desta decisão. 5) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às vendas de álcool para outros fins efetivamente comprovadas pela Recorrente, não anexou aos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 450 29 comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 6) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 30 direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 7) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto da seguinte forma: a) não conhecer do recurso voluntário na parte concernente aos seguintes itens: da Graxa (item 4.3), dos Lubrificantes (item 4.4) e do aluguel de Máquinas e Equipamentos (item 4.8), por falta de interesse recursal. b) na parte conhecida, para: rejeitar as preliminares, e c) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito da COFINS nãocumulativa, respaldada pelas notas fiscais acostadas aos autos, inerente aos seguintes itens: referente aos insumos utilizados nas vendas de álcool para “outros fins”, referente às notas fiscais comprovadas (item 4.5.2), no ajuste no valor do Estoque de Abertura (item 4.6) e arrendamento mercantil Leasing (item 4.9), conforme o voto; d) negar provimento em relação aos seguintes itens: dos produtos químicos (item 4.5.1) e dos serviços utilizados como insumos (item 4.7), conforme voto, e e) manter o entendimento do Fisco em relação aos créditos decorrentes da aquisição de insumos de pessoas jurídicas, já que os cálculos foram baseados em dados do próprio sujeito passivo (itens 4.10 e 4.11), de acordo com o contido neste voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000804/200550 Acórdão n.º 3802003.904 S3TE02 Fl. 451 31 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10640.907795/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2008
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Na restituição/compensação cabe ao contribuinte o ônus de provar a certeza e liquidez de seu direito creditório. De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: Andrada Márcio Canuto Natal
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2008 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Na restituição/compensação cabe ao contribuinte o ônus de provar a certeza e liquidez de seu direito creditório. De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Na restituição/compensação cabe ao contribuinte o ônus de provar a certeza e liquidez de seu direito creditório. De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 77 95 /2 00 9- 43 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 3301002.482 S3C3T1 Fl. 162 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito. Tratase de Dcomp 28963.48303.210109.1.3.041106 (fls. 100105), que visou à compensar crédito de Cofins de R$ 49.152,47. ali informado como decorrente de pagamento indevido/a maior. À fl. 04, Despacho Decisório eletrônico transmitido em 07/10/2009, pelo qual não foi homologada a referida compensação, vez que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, foi localizado o pagamento no valor de R$ 1.619.309,25, integralmente utilizado para quitação dos débitos vinculados. As fls. 0104, manifestação de inconformidade no sentido de que: o crédito originouse de correções efetuadas na apuração da Cofins e do envio do Dacon retificado em 12/02/2009; embora não procedida a retificação da DCTF correspondente, a fim de sanar tal inconsistência, transmitiua em 12/11/2009, fazendo constar na página 9 "débito apurado" o valor correto daquela contribuição. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG proferiu o Acórdão nº 0935.162, de 25/05/2011, com a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2008 COMPENSAÇÃO. Após a instituição da Declaração de Compensação (Dcomp). A compensação dáse na data de sua transmissão, com o encontro de contas dos débitos e dos créditos. Inexistente o pagamento indevido/a maior de crédito, assim vinculado a débito em Dcomp, não há que se homologar a respectiva compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual tece as seguintes considerações em síntese: que o indeferimento de seu crédito relativo à Cofins de MARÇO/2008 deu se em decorrência do preenchimento incorreto da DCTF, sendo que após o despacho decisório eletrônico providenciou a sua retificação. Que o mero erro de preenchimento da DCTF não pode significar a perda de seu direito de crédito. Informa que havia declarado a Cofins no valor de R$ 1.619.309,25 efetuando o pagamento integral. Posteriormente verificou que o valor correto seria de R$ 1.570.156,78, restandolhe um saldo de crédito de R$ 49.152,47; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 3301002.482 S3C3T1 Fl. 163 3 discorre sobre o instituto da compensação e afirma que cumpriu todos os requisitos legais para apresentação da Dcomp, não podendo ser penalizado pelo equívoco no cumprimento de uma obrigação acessória; apresenta uma série de documentos oriundos do seu departamento contábil, sem fazer qualquer referência a eles no âmbito do seu recurso e solicita a homologação total de sua compensação. O processo foi a julgamento, em sessão de 16/02/2012, quando a 3ª Turma Especial da 3ª Câmara/3ª Seção de Julgamento, proferiu o Acórdão nº 380302540 declinando da competência em função do valor do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 3301002.482 S3C3T1 Fl. 164 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O despacho decisório que indeferiu o pleito de compensação foi no formato eletrônico, à medida que o DARF informado para compensação havia sido integralmente utilizado para pagamento do crédito tributário relativo à Cofins do mês de março/2008. O contribuinte alega que após constatar o erro do preenchimento da DCTF efetuou a sua retificação e apresentou manifestação de inconformidade apresentando para análise da DRJ somente as declarações apresentadas para confirmar o erro de seu preenchimento original. A DRJ por sua vez indeferiu a sua manifestação de inconformidade argumentando que a data de encontro de contas se dá no dia da apresentação da Dcomp, sendo que nesta data o contribuinte não possuía crédito a ser compensado. Afirmou também que o contribuinte não trouxe elementos de prova que comprovassem o alegado erro ocorrido. Agora no recurso voluntário, o contribuinte apresenta uma demonstração da apuração da Cofins do mês de março/2008, acompanhada de uma série de folhas do razão contábil, na tentativa de demonstrar o erro ocorrido. Acontece que o contribuinte não faz qualquer explicação quanto a origem do erro de apuração. Fica claro que ele havia apurado um valor da Cofins superior ao que ele achava devido e posteriormente corrigiu a sua demonstração chegando em um valor menor. Pude observar que o contribuinte possui vários processos idênticos a este, alterando somente o mês do fato gerador. Inclusive o processo referente a janeiro/2009 está também em pauta nesta mesma sessão de julgamento. Outros processos do contribuinte, já foram julgados pelo CARF, conforme relação abaixo: Processo FG do Crédito Situação do julgamento 10640907795/200943 03/2008 Este processo em julgamento 10640.907789/200996 04/2008 Julgado Sessão de 29/05/2014 10640.907790/200911 05/2008 Julgado Sessão de 29/05/2014 10640.907791/200965 07/2008 Julgado Sessão de 29/05/2014 10640.907792/200918 08/2008 Julgado Sessão de 29/05/2014 10640.907793/200954 10/2008 Julgado Sessão de 29/05/2014 10640.907794/200907 11/2008 Julgado Sessão de 29/05/2014 10640.907796/200998 01/2009 Em julgamento nesta sessão Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 3301002.482 S3C3T1 Fl. 165 5 Denotase nitidamente que ao contrário do que o contribuinte alega, o crédito pleiteado não decorre de simples erro no preenchimento da DCTF. Mas sim de mudança de procedimento na apuração mensal da Cofins, a qual não está devidamente esclarecida, nem na manifestação de inconformidade e nem no recurso voluntário. Nos demais processos já julgados o conteúdo da retificação só veio à luz porquê a turma julgadora achou conveniente a realização de diligência. Só na diligência, o contribuinte veio esclarecer a razão do pretenso erro que o levou ao pedido de restituição/compensação. Veja como ficou a ementa dos acórdãos já julgados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. (Acórdão 3403003034, recurso improvido, votação unânime, relator Cons. Rosaldo Trevisan). Abaixo transcrevo partes do voto condutor do referido acórdão, no qual fica evidente que somente a partir da diligência é que se pode perceber o conteúdo do alegado erro: (...) “E é em sede de diligência que aparece pela primeira vez de forma explícita o que seria o erro cometido pela empresa, não detalhado nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário: o pagamento a maior de COFINS se devia a créditos não aproveitados nos meses de abril, maio, julho, agosto, setembro e novembro de 2008, referentes a “Encargos de Serviço no Sistema” (conta “Encargos de Uso da Rede Elétrica”, nº 615.05.1.5.4.2, cf. detalhado em planilha da contribuinte, anexa ao Relatório de Diligência). Daí para diante parece que existe, à margem de tudo o que já se havia discutido no processo, dois novos contenciosos: um suscitado pelo fisco, relativo à metodologia de rateio entre os regimes cumulativo/não cumulativo e outro levantado pela recorrente, sobre a possibilidade ou não de crédito em relação a “Encargos de Serviço no Sistema”. (...) Contudo, ao observar a manifestação da recorrente sobre o Relatório de Diligência, parece que o tema controverso é outro: sequer se discute o método de rateio, ou a utilização de custos, despesas e encargos totais ou comuns. (...) É de se recordar que o que se está analisando no presente processo é um pleito de crédito, incumbindo o ônus probatório à empresa postulante. A empresa não havia efetivamente comprovado seu direito creditório nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 3301002.482 S3C3T1 Fl. 166 6 Com a realização da diligência, na qual de fato foi feita a primeira análise detalhada do direito creditório (vejase que até então sequer se sabia qual era a causa específica das retificações efetuadas), constatouse erro no rateio proporcional. E tal erro não foi objeto de refutação na nova manifestação, concentrandose a recorrente em defender (no que nos convenceu) que os ESS geram créditos na não cumulatividade. Vejase que restou não confrontada a incorreta metodologia adotada para o rateio, o que torna ilíquido o crédito da recorrente. Não se desincumbe, assim, a recorrente, de seu dever probatório, inicialmente por sequer revelar qual seria a motivação das retificações efetuadas, e, posteriormente, ao não justificálas especificamente, no que se refere ao critério de cálculo/rateio. Persiste, assim, ilíquido o direito creditório, em franca revelação de deficiência probatória por parte da recorrente, que persegue toda a duração deste processo administrativo, impossibilitando a compensação, a teor do caput do art. 170 do CTN:” (...) Confesso que ao analisar os documentos apresentados no recurso voluntário, tive o mesmo ímpeto de solicitar a realização de diligência. Achei que os documentos indicavam de maneira consistente a possível existência do indébito e foi este mesmo o fundamento utilizado para que fosse editada a Resolução nº 3403000305 no processo cujos trechos do voto foram acima transcritos. Acontece que a diligência não pode ser realizada para produção de novas provas por parte do contribuinte e sim para que sejam colhidas novas informações para convicção do julgador. Isto é o que se depreende do disposto nos art. 16, § 4º e 29 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (destaquei) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diante do que se verificou nos demais processos com assunto idêntico, refuto desnecessária a realização de diligência. Seria mera perda de tempo pois somente nela é que o contribuinte iria apresentar as verdadeiras razões do alegado equívoco no preenchimento da DCTF. É patente que esta informação deveria ter sido fornecida desde a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 3301002.482 S3C3T1 Fl. 167 7 manifestação de inconformidade. Ao contrário, o contribuinte ficouse sustentando na alegação recorrente de que teria cometido um simples e banal erro de preenchimento da DCTF, o que de fato não ocorreu. Não foi um simples erro de preenchimento e sim uma mudança no critério de apuração que até então o contribuinte não se deu ao trabalho de revelar. Nos institutos da restituição, ressarcimento e compensação, embora sejam direitos garantidos ao contribuinte, cabe a ele demonstrar e fazer prova do direito creditório. Nos termos do inc. I do art. 333 do CPC, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto à existência de fato constitutivo do seu direito. Tanto a restituição quanto a compensação só podem ser autorizadas no âmbito do direito tributário, se provierem de créditos líquidos e certos do interessado, cabendo a este o ônus de provar este direito. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Destaquei) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Observase que para autorizar a compensação a lei estipula a existência de créditos líquidos e certos. No presente caso o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade do seu direito à restituição. Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 16561.000086/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.812 1 1.811 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000086/200659 Recurso nº Resolução nº 1402000.294 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de novembro de 2014 Assunto IRPJ Recorrente SUCOCITRICO CUTRALE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 08 6/ 20 06 -5 9 Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.813 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ e CSLL (somados a multa de ofício e juros de mora), do qual o contribuinte tomou ciência em 27/12/2006, decorrente das seguintes alegações das Autoridades Fiscais: a) não foi possível aceitar os documentos que comprovam os pagamentos de parte do imposto de renda devido pelas subsidiárias da Recorrente nos Estados Unidos, uma vez que não se pôde ter certeza sobre os exatos valores pagos ao Fisco norteamericano; b) as adições efetuadas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003, não refletem a totalidade dos lucros apurados pelas subsidiárias no exterior; c) não foi adicionado, às bases de cálculo do IRPJ e CSLL do período encerrado em 31/12/2002, a variação positiva no patrimônio líquido das subsidiárias no exterior. A fiscalização, em Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00200501131 0 e prorrogações (fls.1 e 650), constatou grande dificuldade em compatibilizar os demonstrativos apresentados pela empresa (fls. 193/201) com os comprovantes de tributos pagos no exterior. A ordenação desses documentos gerou a intimação de 05/10/2006, cuja resposta da contribuinte ocorreu através dos documentos apresentados às fls. 279, 341/349 e 342/510. Nada obstante, a fiscalização continuou afirmando a impossibilidade de se verificar, com exatidão, os valores efetivamente pagos pelas diversas coligadas da Recorrente no Exterior. Nessa esteira, nova intimação, em 16/11/2006, requereu que a contribuinte solicitasse, às autoridades tributárias dos países beneficiários, declaração arrolando os valores efetivamente recebidos a título de imposto de renda pessoa jurídica líquido, de incentivos fiscais e devoluções de pagamentos efetuados a maior nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, bem como eventuais recolhimentos de juros e multa, inclusive as datas em que ocorreram tais eventos. Conforme relatório da DRJ, a contribuinte respondeu em 18/12/2006, apresentando demonstrativos do New York State Department of Taxation and Finance (fls. 519/538) explicando que os impostos recolhidos se referem a "Franchise Tax", que a Fiscalização apurou tratarse de imposto exigido pelos estados americanos, diferente do "Income Tax" federal. Além disso, apresentou também extrato de contacorrente, em nome de coligadas da contribuinte, junto ao Internal Revenue Service (fls. 545/638) e relativo ao tributo incidente sobre as receitas respectivas. Esses valores não foram aceitos pela impossibilidade de certeza sobre os exatos valores pagos ao Fisco norteamericano, devido a grande quantidade de estornos e créditos em favor das coligadas norteamericanas, e também porque a legislação brasileira exige que os períodos de apuração, datas de pagamento/devoluções e valores respectivos estejam claramente indicados. No mais, a contribuinte apresentou declaração do Fisco holandês, acompanhada de demonstrativos (fls. 539/544), confirmando pagamentos do imposto de renda corporativo lançado sobre a Cutrale Europe holding BV, que foi considerada válida para reduzir o IRPJ a Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.814 3 pagar no Brasil sobre lucros corporativos, relativos aos períodos de apuração terminados em 2001, 2002, 2003, desde que pagos até 2003. Em vista do exposto, a Fiscalização reajustou o valor utilizado pela contribuinte para reduzir o IRPJ a pagar no Brasil nos anoscalendário de 2002 e 2003, considerando como válidos apenas os comprovantes que se enquadrassem nas exigências da legislação brasileira. No que diz respeito aos lucros auferidos no exterior, a Fiscalização verificou que a contribuinte nada adicionou, a esse título, aos períodos encerrados em 1999, 2000 e 2001 (fls. 006 a 008v). Já no que tange as adições às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em 2003, entendeu a fiscalização que as essas não refletiram a totalidade dos lucros apurados nas coligadas externas, conforme foi verificado, confrontando as demonstrações dos períodos encerrados entre 1999 e 2003 (fls. 240/256) com os valores oferecidos à tributação (fls. 6/14), apresentados no Anexo ao Termo de Constatação (fls. 660). Esse demonstrativo foi feito considerando, como data de conversão da moeda, o final do exercício no Brasil, quando os lucros foram disponibilizados; ou seja, 31/12/2001, 31/12/2002 e 31/12/2003. Por fim, consta do Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização (fl. 651 e seguintes) que a contribuinte também deixou de adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, do período encerrado em 31/12/2002, a variação positiva ocorrida no patrimônio líquido das coligadas externas, demonstrada também no Anexo (fls. 660). Com efeito, o termo informa que a tributação das diferenças apuradas provocou a reversão em 2003 do saldo de prejuízos fiscais, tornando indevida a compensação realizada que foi, em conseqüência, objeto de glosa. A contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: I. cerceamento do direito de defesa, já que o Agente Fiscal não define de forma clara e objetiva os motivos que o levaram a concluir que a contribuinte agiu de forma indevida com relação à tributação dos lucros do exterior, bem como não enquadrou devidamente os procedimentos supostamente indevidos adotados pela contribuinte; II. argumenta que o art. 14 da IN SRF n° 213/2002, descreve mecanismos para o cálculo da parcela do IR e que foram obedecidos pela empresa, não havendo razão de se afirmar que o IR compensado no Brasil excedeu o montante do imposto de renda e adicional devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros incluídos na apuração do lucro real, não cabendo a alegação do Auditor Fiscal que a impugnante compensou pagamentos do IR por estimativa e não definitivos da empresa americana. III. alega que é possível comprovar os valores pagos a título de imposto de renda federal, no período de 1997 a 2003, pelas subsidiárias americanas, através dos extratos disponibilizados pelo IRS (Internal Revenue Service), os quais demonstram os valores de imposto de renda pagos nos Estados Unidos e os respectivos períodos, além dos documentos já apresentados tanto a Fiscalização, como junto à impugnação. IV. alega que a tributação americana sobre os lucros não ocorre só a nível federal, acontecendo também nos estados, onde é exigido o imposto Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.815 4 estadual sobre a renda, conforme determina a legislação do estado da Florida. O mesmo procedimento é feito, com pequenas variações, nos outros estados e municípios onde as subsidiárias da impugnante apresentaram lucro tributável, ou seja, Nova York e Nova Jersey, se enquadrando, portanto, no que dispõe a citada IN SRF n° 213/2002. V. informa que, em virtude de a Fiscalização ter reclamado que alguns comprovantes estavam incompletos ou ilegíveis, está anexando novamente todos os comprovantes que embasaram o imposto pago no exterior, todos legalizados, consularizados e com tradução juramentada. VI. alega que compensou o IR pago no exterior relativos aos anos de 1997 e 1998, na apuração do imposto de 2002 pois, à época da apuração desse imposto, a empresa não auferiu lucro real positivo no Brasil. Desta forma, o IR pago no exterior até 30/06/98 foi escriturado no LALUR, na parte B, para ser compensado nos anoscalendário subseqüentes conforme autorizava o art.13, § 15° da IN n° 38/96, substituído pelo art. 14, §15° da IN SRF n° 213/2002, devendo, portanto ser considerados na apuração do lucro real de 2002. VII. alega que disponibilizou a totalidade dos lucros obtidos no exterior, conforme demonstrativos de fls 194 e 201, já apresentados à Fiscalização, argumentando que o Auditor Fiscal não considerou os prejuízos apurados pelas subsidiárias americanas, no período de 01/01/1998 a 30/09/1999, no montante de R$ 7.661.898,12, para compensar o lucro apurado por essas mesas empresas no período de 01/10/1999 a 30/09/2002, compensação essa respaldada pela legislação fiscal brasileira no art. 4º da já citada IN SRF n° 213/2002. VIII. reclama que a conversão dos lucros apurados pelas subsidiarias americanas foi feita pela taxa de câmbio para venda, em 31 de dezembro do ano em que os lucros foram apurados o que contraria o disposto no art. 25 , §4° da Lei n° 9.249/1995, que determina que seja feito pela taxa de câmbio para venda, do dia das demonstrações financeiras e que tenha sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. No caso das controladas americanas o exercício é encerrado em 30 de setembro de cada ano, como lhe é permitido pela legislação local. Assim, argumenta, que a taxa a ser utilizada deveria ser a de 30 de setembro de cada ano. IX. alega que não foi considerado pela Fiscalização, na composição dos lucros do exterior disponibilizados em 2002, para fins de tributação da CSLL, o valor de R$ 7.661.898,12, correspondente ao prejuízo apurado pelas subsidiárias americanas entre 01/07/1998 e 30/09/99. A adição desse valor, na apuração da CSLL foi efetuada na linha 18 outras adições, da ficha 17 da DIPJ 2003. O procedimento foi adotado em decorrência da legislação fiscal, através do art. 19 da MP 1.8586/99 (atual MP n° 2.15835/01) instituir a tributação dos lucros do exterior pela CSLL, a partir de 01/10/1999, não permitindo que os prejuízos, Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.816 5 apurados até 30/09/99, fossem compensados com os lucros gerados em períodos subseqüentes. X. Alega, ainda, que não há base legal para a exigência de tributação sobre a "variação positiva ocorrida no patrimônio líquido das coligadas externas" e cita jurisprudência. A decisão recorrida manteve o auto de infração, afastando as alegações de cerceamento do direito de defesa da contribuinte, já que o Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização (fls. 651/659), detalham, exaustivamente, os fatos ocorridos, as razões que motivaram o lançamento fiscal e as infrações cometidas, além de citar a legislação fiscal pertinente que embasa seus atos e apurações, havendo a contribuinte demonstrado entendimento perfeito sobre a matéria envolvida nos lançamentos realizados. Quanto à questão da data da taxa de câmbio de conversão em reais dos valores auferidos pelas coligadas em moeda estrangeira, argumenta o acórdão que, nos termos do art. 143 do CTN, a conversão para reais deve ser feita na data do fato gerador da obrigação tributária; ou seja, na data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Tal situação não teria se modificado com a edição da MP n° 2.158/01, que mantém a tributação dos lucros na data da disponibilização dos lucros, apenas dispondo que os lucros auferidos a partir de 2002 são considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada (caput do art. 74), e os lucros acumulados até 31/12/2001 em 31/12/2002, podendo haver antecipação se disponibilizados antes dessa data (§ único do art. 74). Dessa forma, entendeu correta a conversão dos lucros auferidos pelas coligadas em 31 de dezembro do ano em que foram disponibilizados. O julgador de 1ª instância afirma, ainda, que não se confundem os termos "rendimento líquido ou lucro líquido" (net income) e "lucro ou lucro real" (profit), razão pela qual somente são passíveis de compensação os impostos efetivamente recolhidos incidentes sobre os lucros auferidos no exterior. Assim, não poderiam ser compensados impostos, estaduais ou não, de base de cálculo diversa do lucro apurado como se apurou o "Franchise Tax". Também não poderiam ser aceitos os extratos parciais apresentados pela empresa, relativos aos recolhimentos ao IRS, pois os mesmos não informariam o quanto foi realmente recolhido durante os exercícios fiscais considerados, frisandose ainda, que os extratos trazem vários estornos de recolhimentos e restituições, não sendo possível aferir o valor exato efetivamente recolhido. Quanto ao suposto imposto recolhido durante os anoscalendário de 1997 e 1998 e que a empresa usou para diminuir o imposto a ser recolhido em 2002, invocando o §15 do art. 14 da já citada IN SRF n° 213/2002 e que a empresa reclama não ter sido aceito pela Fiscalização, não colhe razão a contribuinte porque, como já visto, a empresa mistura recolhimentos de impostos diversos dos incidentes sobre lucros auferidos e não comprova de maneira organizada e clara os realmente recolhidos a esse título, não se podendo (fls. 732/771), por esse motivo, aceitar a dedução desses valores. Relativamente ao alegado prejuízo sofrido pelas subsidiárias no período de 01/07/1998 (sic) e 30/09/1999 e que não foi considerado pela Fiscalização, entende a decisão recorrida que a contribuinte limitouse a relatar como foi feita a suposta compensação de Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.817 6 prejuízos que justificaria o oferecimento a menor dos lucros auferidos, durante nos anos calendário 2001/2002/2003, apresentando um valor de R$ 7.661.898,12 para os citados prejuízos, sem contudo, esclarecer a data em que o valor foi convertido para a moeda nacional. Destarte, não apresentou qualquer demonstrativo ou comprovação documental, que evidenciasse que valores foram compensados em cada anocalendário, com datas, valores, taxas de conversão de moeda etc, que permitisse aferir a correção dos procedimentos. Finalmente, o acórdão recorrido manteve a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial, em virtude do exposto nos arts. 7º e 20 da IN SRF n° 213/2002, afirmando que a autoridade administrativa deve limitarse a aplicar o texto da norma legal, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário repisando todas os argumentos de sua peça impugnatória e acrescentando que: 1) os julgadores de primeiro grau não souberam analisar as informações contidas nos extratos apresentados, já que ditos extratos informam com absoluta clareza o lucro apurado pelas empresas americanas, o imposto devido e a forma como este imposto foi liquidado. 2) os valores de IR federal compensados no Brasil não incluíram juros, multa e valores pagos a maior. 3) não foram aproveitados, no Brasil, pagamentos de imposto sobre consumo realizados nos estados americanos onde as subsidiárias estão localizadas. Os impostos aproveitados, correspondem ao "State Tax", imposto sobre a renda. A fiscalização e a decisão recorrida entenderam equivocadamente esse ponto, uma vez que o documento apresentado pela Recorrente denominase "Florida Corporate Income/ Franchise and Emergency Excise Tax Return" e "Declaration/Installment of Florida Estimated Income, Franchise and/or Emergency Excise Tax for Taxable Year... ", podendo conter valores referentes a imposto sobre a renda (corporate income tax), imposto sobre direito de uso do nome (franchise tax) ou imposto sobre o consumo (excise tax). 4) a empresa subsidiária da Recorrente localizada na Flórida está sujeita ao imposto estadual sobre a renda, cuja regulação pode ser apreciada no Capítulo 220 do Código de Imposto de Renda de 2001 (Income Tax Code), o qual é parte integrante do Estatuto da Flórida. De acordo com a Parte II deste documento oficial do Departamento do Tesouro da Flórida, o imposto estadual incide sobre o ganho líquido (net income) do contribuinte auferido no anocalendário. O mesmo procedimento de cálculo é apresentado, com pequenas variações, nos outros estados e municípios onde as subsidiárias da Recorrente apresentaram lucro tributável; ou seja, New York e New Jersey. 5) o art. 14, § 1° da IN 213/02 determina que considerase IR pago no país de domicílio da controlada o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do pais de origem, não há motivos Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.818 7 para as autoridades fiscais desconsiderarem a compensação dos valores pagos aos estados americanos a título de "State Tax". 6) a Relatora do acórdão recorrido afirma que o imposto recolhido nos Estados Unidos foi glosado pela Fiscalização por se tratar de Franchise Tax, o qual teria sido supostamente apurado com base em folha de pagamento, valor das ações da empresa ou sobre as vendas. Entretanto, tanto a Relatora com o agente Fiscal, não possuem base para tal afirmação, uma vez que os documentos apresentados pela Recorrente, durante a diligência fiscal, não suportam tal entendimento, conforme já exposto acima. 7) alega que, ao contrário do que diz a decisão a quo, também o "net income" deve ser entendido como lucro apurado nas demonstrações financeiras das subsidiárias, já que, além da legislação brasileira não dispor, não seria factível conhecer o lucro tributável da empresa no exterior correspondente ao nosso lucro real. 8) defende ser descabida a afirmação da Relatora de que não pôde aceitar a compensação do IR pago em 1997 e 1998 porque a empresa mistura recolhimentos de impostos diversos dos incidentes sobre os lucros auferidos e não comprova de maneira organizada e clara os realmente recolhidos a esse título. 9) entende como permitida a prova documental desde que o documento seja hábil e idôneo. 10) anexa os seguintes documentos: Doc. 01 Contrato Social, Doc. 02 Demonstrativo do Imposto de Renda pago nos EUA no período de 1999 a 2003, Doc. 03 Demonstrativo do Imposto de Renda pago nos EUA nos anos de 1997 e 1998, Doc. 04 Demonstrativo do lucro disponibilizado em 2002 e 2003 e Doc. 05 CD com cópia do recurso. Ato contínuo, em virtude da grande quantidade de documentos anexados aos autos pela contribuinte em sede de impugnação e recurso voluntário, o Relator José Clovis Alves do então 1º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara, converteu o julgamento em diligência. O Relatório Conclusivo da diligência (fls. 1309 e seguintes) expõe que: (...) (C) Elaboração de relatório conclusivo, sobre cada item da autuação, fazendo correlação com a documentação apresentada. IRPJ: C1) Rendimento de Participações Societárias — Equivalência Incidente sobre a Variação Positiva do PL de Coligadas Sediadas no Exterior. Análise: A IN SRF 213/2002 dispõe, em seu artigo 7° que a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial de investimento no exterior deve ser realizada independentemente de ser resultante de lucros apurados na investida ou decorrente de variação cambial (valor tributável = R$ 72.493.917,17, conforme demonstrado à fl. 656 do processo). Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.819 8 C2) Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Saldos de Prejuízos Insuficientes. Valor tributável = R$ 2.971.085,11. Como visto anteriormente , trata se a item resultante da tributação dos valores referentes aos ACs anteriores a 2003, que teria provocado a reversão neste AC do saldo de prejuízos fiscais, tornando indevida a compensação realizada, a qual foi, em conseqüência, objeto de glosa, sendo esta última resultante dos outros itens analisados. C3) Adições não computadas no lucro real — Até 2001. Valor tributável = R$ 43.671.838,86. Não houve, em essência, elementos novos trazidos à luz do processo, pela recorrente, quanto a este item. C4) Adições não computadas no lucro .real — ACs 2002 e 2003. Valores tributáveis, respectivos aos ACs 2002 e 2003: R$ 331219,51 e R$ 9.284.902,90. Análise já realizada no item anterior. Não houve, em essência, elementos novos trazidos à luz do processo, pela recorrente, quanto a este item. C5) Deduções Indevidas de Retenções/Antecipações de Imposto não Comprovadas — Falta de Comprovação de Pagamento do Imposto no Exterior. Valores tributáveis respectivos aos ACs 2002 e 2003: R$ 12.567.924,92 e 9.460.433,56. Em virtude de todo o exposto, não houve, em essência, novos elementos trazidos à luz do processo, pela recorrente, quanto a este item. As conclusões apresentadas foram as mesmas para a CSLL. Em manifestação à respeito das conclusões expostas pela diligência, aduz a Recorrente, em suma, que: 1. a fiscalização optou novamente por não se debruçar sobre a documentação apresentada, limitandose a repetir a tese da DRF na autuação. 2. carece de base legal a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial. 3. a compensação dos prejuízos de 1998 e 1999 das subsidiárias do exterior com os lucros destas mesmas subsidiárias apurados em 2000/2001/2002 encontrase respaldada pelo art. 4° da IN nº. 213/03. 4. as adições computadas no lucro real referentes aos anoscalendário de 1997 e 1998 foram disponibilizadas e tributadas no Brasil em 31/12/98. A composição de referidos pagamentos está demonstrada no doc. 03, anexo ao recurso voluntário. A tributação de referidos lucros decorreu da constituição da Cutrale North America mediante a conferência, em 30/06/98, dos patrimônios líquidos da Cutrale Citrus e da Citrus Products, o que constituía hipótese de disponibilização na época, nos termos do art. 2° da IN nº. 38/96 e do art. 1° da Lei nº. 9.532/97. Tendo em vista que, à época da disponibilização dos lucros do exterior auferidos até 30/06/98, a manifestante não possuía lucro real positivo no Brasil, o IR pago no exterior não pôde ser compensado com o IR devido no Brasil. Desta forma, o IR pago no exterior até 30/06/98 foi escriturado na Parte B do LALUR, para ser compensado em anoscalendários subseqüentes. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.820 9 5. em relação à conversão do lucro apurado em moeda estrangeira para Reais, sustenta o Sr. AuditorFiscal que a conversão, para reais, dos lucros apurados no exterior deve ser feita na data da disponibilização e tributação destes lucros no Brasil, nos termos da IN SRF nº. 38/96 e da Lei nº. 9.532/97, pois entende que com a edição de ambas, o §4° do art. 25 da Lei nº. 9.249/95 que dispõe que "serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada" fora revogado. Contudo, o §4° do art. 25 da Lei nº. 9.249/95 não foi expressamente revogado ou mesmo modificado após a edição da IN SRF nº. 38/96 e da Lei nº. 9.532/97. O entendimento da Receita Federal corrobora essa conclusão, haja vista que a própria IN SRF nº. 213/02, que foi publicada em 08/10/2002, manteve, em seu art. 6°, §3°, a mesma determinação do § 4° do art. 25 da Lei nº. 9.249/95. 6. quanto à afirmação de que não há comprovação dos valores utilizados nos cálculos da planilha de composição dos lucros disponibilizados em 2002 e 2003 (fl. 1291) pela contribuinte, esclarece que os lucros líquidos da subsidiária holandesa foram obtidos de suas demonstrações financeiras de 31 de dezembro de cada período (fls. 252/256) e, por sua vez, os lucros líquidos da subsidiária americana foram obtidos de suas demonstrações financeiras de 30 de setembro de cada período, as quais se encontram anexas às folhas 236, 241, 243, 245, 247 e 249 do processo. 7. independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem, não há motivos para as autoridades fiscais desconsiderarem a compensação dos valores pagos aos estados americanos a título de "State Tax". Por fim, por entender que a matéria necessitava de maiores esclarecimentos quanto às provas a serem apreciadas, este Relator propôs a conversão do julgamento em nova diligência nos termos a seguir transcritos. “[...]Entendo, tal qual a fiscalização, que não se pode confundir os termos "rendimento líquido ou lucro líquido" (net income) com "lucro ou lucro real" (profit). Somente são passíveis de compensação os impostos efetivamente recolhidos incidentes sobre os lucros auferidos no exterior. Dessa forma, há que se esclarecer, primeiramente, a natureza da base de cálculo dos tributos apurados e efetivamente pagos aos fiscos estaduais. Noutro ponto levantase a impossibilidade de reconhecer os supostos créditos, em favor da Recorrente, gerados com base em extratos parciais apresentados pela empresa, relativos aos recolhimentos ao fisco federal norte americano (IRS). Argumentase que tais extratos não informariam o real valor recolhido durante os exercícios fiscais considerados, trazendo, inclusive, vários estornos de recolhimentos e restituições que, ao fim, impossibilitariam aferir o exato valor efetivamente recolhido. Assim, tendo em vista que a documentação acostada (referenciada nas planilhas de fls. 1.322 a 1.338 – numeração eletrônica) não permite uma resposta conclusiva quanto a esses dois pontos, e em homenagem ao princípio da verdade material, converto o julgamento em diligência para que a fiscalização adote as providências a seguir elencadas, elaborando, ao final, relatório conclusivo sobre cada item. Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.821 10 i) proceda a análise dos comprovantes referenciados nas aludidas planilhas, indicando a natureza da base de cálculo dos tributos apurados e efetivamente pagos aos fiscos estaduais em cada um desses comprovantes; ii) intime a recorrente a apresentar as declarações de rendimento (e não os extratos parciais) de suas coligadas junto ao IRS que permitam constatar a definitividade do crédito tributário efetivamente recolhido por elas ao tesouro dos Estados Unidos da América. Cientifique o contribuinte acerca da diligência e de seus resultados, facultando lhe se manifestar em trinta dias.” Aceita a proposta de conversão do julgamento em diligência, retornaram os autos à unidade de origem que, ao final elaborou relatório conclusivo da diligência (fls. 1.748 e seguintes) nos termos a seguir. Quanto ao item (i), conclui, que, na maioria dos pagamentos constantes das planilhas indicadas, não é possível avaliar a natureza da base de cálculo dos tributos apurados. Apresenta detalhamento nas planilhas transcritas a seguir. Planilhas de fls. 1322 a 1324 Relativas ao período encerrado em 30/09/1999: Data do Pagamento Contri buinte Valor em us$ Fls. (manual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 18/06/1999 CNA 157,00 810 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 18/06/1999 CNA 26,00 812 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 02/07/1999 CNA 225,00 824 NYC Não consta do comprovante; Tradução ilegível fls. 825; Data divergente no comprovante 15/06/99 Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 21/09/1999 CNA 8,96 832 NYC Não consta do comprovante; Data divergente no comprovante 31/07/99 Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 13/07/1999 CCJ 3.000,00 826 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 22/03/1999 CP 27.000,00 796 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/06/1999 CP 2.546,00 814 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/06/1999 CP 10.500,00 816 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/09/1999 CP 8.000,00 834 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/09/1999 CP 438,11 834 NYS Não consta o comprovante; Comprovante desse valor à fl. 836 para pagamento à Receita Federal 31/03/1999 CP 47.000,00 806 NJ Imposto de Renda Líquido Estimado Não foram apresentados documentos. 29/06/1999 CP 13.000,00 822 NJ Imposto de Renda Líquido Estimado Não foram apresentados documentos. 29/09/1999 CP 11.000,00 842 NJ Imposto de Renda Líquido Estimado Não foram apresentados documentos. 02/04/1999 CP 18.000,00 804 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.822 11 24/06/1999 CP 1.100,00 820 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 11/08/1999 CP 5.435,43 828 FL Não consta do comprovante; Data divergente no comprovante 14/07/99. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 29/09/1999 CP 3.000,00 844 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 06/10/1999 CP 5.000,00 878/879 FL Imposto estimado para o período de 30/09/2000 Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 28/10/1999 CP 14.762,25 846 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/03/1999 CP 30.000,00 802 NYC Imposto estimado. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 23/06/1999 CP 10.000,00 818 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 11/08/1999 CP 91,29 830 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 24/09/1999 CP 10.000,00 838 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 24/09/1999 CP 91,29 840 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 24/03/1999 CCJ 8.402,00 798 FL Não consta do comprovante; Imposto total devido na declaração US$ 7.656,00. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/04/1999 CCJ 18.000,00 808 FL Não consta do comprovante; Imposto total devido na declaração US$ 7.656,00. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. Planilhas de fls. 1.325 Relativas ao período encerrado em 30/09/2000: Data do Pagamento Contri buinte Valor em "us$ Fls. (manual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 06/04/2000 CNA 19.000,00 866 NYC Imposto de Funcionamento Empresas Não foram apresentados documentos. 22/05/2000 CCJ 1.173,02 872 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 22/09/2000 CP 10.000,00 874/875 NJ Imposto Estimado Não foram apresentados documentos. Planilhas de fls. 1326 Relativas ao período encerrado em 30/09/2001 : Data do Pagamento Contri buinte Valor em us$ Fls. (manual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 10/01/2001 CCJ 75.000,00 918 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.823 12 19/04/2001 CCJ 25.000,00 920 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 31/08/2001 CCJ 355.857,56 922 FL Não consta do comprovante; Imposto total devido na declaração US$ 163.519,0. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 15/06/2001 CP 2.709,00 924 NYC Imposto para Exercício de Atividade Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 04/01/2002 CP 25.000,00 939/941 NJ Imposto para Empresas, inclui taxa de balanço anual. Não foram apresentados documentos. 09/01/2002 CP 3.000,00 943/945 FL Imposto da Flórida — provisório. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. Planilhas de fls. 1.328 a 1.329 Relativas ao período encerrado em 30/09/2002: Data do Pagamento Contri buinte alor em us$ Fls. (man ual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 17/12/2002 CCJ 7.656,00 1011/ 1013 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/99; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 67.742,00 1015/ 1017 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/97; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida. 17/12/2002 CCJ 97.168,00 1019/ 1021 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/98; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida. 15/01/2002 CCJ 20.000,00 947 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 08/02/2002 CCJ 277.673,00 949 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 07/05/2002 CCJ 46.700,00 967 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 145.875,00 1025/ 1027 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/2000; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 163.519,00 1029/ 1031 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/2001 ; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/07/2002 CCJ 115.000,00 969 FL Imposto de Empresas. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/10/2002 CCJ 186.424,00 997/ 999 FL Imposto de Empresas; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 26/07/2002 CP 12.042,00 981 NYS Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 19/12/2002 CP 1.170,00 1037 NYS Imposto de Empresas. Não foram apresentados documentos. 20/02/2002 CP , 25.000,00 951/ FL Imposto de Renda / Funcionamento e Não foram apresentados Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.824 13 953 Emergencial Combinado Estimado documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 03/04/200° CP 3.000,00 961 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 27/08/2002 CP 118,33 991 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 04/12/2002 CP 120,54 1005 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 19/12/2002 CP 1.750,00 1033 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. Planilhas de fls. 1330 a 1331 Relativas ao período encerrado em 30/09/2003: Data do Pagamento Contri buinte Valor em uss Fls. (man ual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 30/06/2003 CNA 250,00 1045 NJ Não há comprovante na fl. 1045. 03/02/2003 CCJ 60.000,00 1075 FL Não consta do comprovante; Não consta o nome da empresa no comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 01/07/2003 CCJ 17.853,00 1099 FL Imposto de Empresas. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 02/10/2003 CCJ 675.000,00 1005 FL Não há o comprovante. Na fl. 1005, o comprovante é de US$ 120,54 da CP em NYC. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 16/01/2003 CP 117.974,00 1069/ 1071 NJ Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 25/03/2003 CP 17.000,00 955 NJ Não consta do comprovante; O pagamento é de 25/03/2002. Não foram apresentados documentos. 14/01/2003 CP 12.000,00 1065 FL Imposto Funcionamento Sobretaxa. Não foram apresentados documentos. 11/02/2003 CP 10.000,00 1081/ 1083 FL Imposto de Renda / Funcionamento e Emergencial Combinado Estimado Não foram apresentados documentos. 24/06/2003 CP 150.000,00 1087 NJ Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 06/01/2003 CP 121,09 1059 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. Planilhas de fls. 1333 Relativas ao período encerrado em 30/09/1997: Data do Pagamento Contri buinte Valor em uss Fls. (man uai) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 13/06/1997 CP 5.000,00 1131/ 1133 NJ Imposto estimado Não foram apresentados documentos. 15/09/1997 CP 39.000,00 1137 NJ Imposto estimado Não foram apresentados documentos. 08/12/1997 CP 10.000,00 1145 NJ Imposto estimado Não foram apresentados documentos. 15/09/1997 CP 12.000,00 1136 NYC Imposto Empresas Estimado; O comprovante é de pagamento ao ente NYS; O pagamento inclui sobretaxa MTA. — 15/09/1997 CP 15.000,00 1139 NYC Imposto Estimado. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.825 14 e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 08/12/1997 CP 5.500,00 1143 NYC Imposto Estimado. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. Planilhas de fls. 1335 a 1337 Relativas ao período encenado em 30/09/1998: Data do Pagamento Contri buinte Valor em USS Fls. (man ual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 13/03/1998 CP 15.162,00 1175 NYS Imposto Empresas Não foram apresentados documentos. 17/03/1998 CP 301.044,00 1173 NYS Não consta do comprovante; O comprovante é de pagamento à Receita Federal (IRS). 22/06/1998 CP 18.700,00 1185 NYS Imposto Empresas Estimado. Não foram apresentados documentos. 03/02/1998 CP 92,47 1171 NYS Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 21/12/1998 CP 11.291,00 767 NYS Imposto Empresas Não foram apresentados documentos. 30/06/1998 CP 4 37.000,00 1193 NJ Imposto estimado. Não foram apresentados documentos. 08/10/1998 CP 30.000,00 761 NJ Imposto de Renda. Não foram apresentados documentos. 28/12/1998 DP 21.297,00 775 NJ Impostos Empresas. Não foram apresentados documentos. 27/03/1 yy 8 CP 7.500,00 1177 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 25/06/1998 CP 2.900,00 1189 FL Imposto estimado. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 03/07/1998 CP 5.078,00 749 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/07/1998 CP 550,00 751 FL Consta como pagamento à "Seção de Relatórios Anuais". Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/09/1998 CP 10.799,00 755 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 28/09/1998 CP 15.000,00 757 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 28/12/1998 CP 5.000,00 773 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 30/03/1998 CP 9.358,00 1179 NYC Não consta do comprovante. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 24/06/1998 CP 22.000,00 1187 NYC Imposto estimado. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 21/09/1998 CP 14.000,00 753 NYC Não consta do comprovante. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 02/11/1998 CP 346,86 763 NYC Imposto de Renda Empresas. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.826 15 Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 24/12/1998 CP J 12.996,00 769 NYC Imposto de Renda Empresas. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 04/02/1998 CCJ 105.000,00 1169 FL Imposto Funcionamento / Sobretaxa; Imposto total devido na declaração US$ 97.168,00. Renda Líquida da Flórida. 18/071998 CCJ 6.850,00 1181 FL Esse valor consta no extrato como "cheque compensado". • 29/06/1998 CCJ 8.266,00 1191 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida. 01/10/1998 CCJ 7.000,00 759 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida. 09/11/1998 CCJ 2.238,47 765 FL No comprovante consta como "Depósito Imposto Federal". 28/12/1998 CCJ 5.500,00 771 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida. Legenda: Contribuintes: CNA Cutrale North América; CCJ Cutrale Citrus Juices; CP Citrus Products. Ente tributante: NYS Estado de Nova Iorque; NYC – Cidade de Nova Iorque; FL Estado da Flórida; NJ Estado de Nova Jersey Quanto ao item (ii), aduz que a contribuinte apresentou as "Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica dos Estados Unidos" (U.S. Corporation Income Tax Returri), no período de 01/10/1996 a 30/09/2003 (resumidas no quadro abaixo), todas sem tradução e sem consularização, sendo que as de 01/10/1996 a 30/09/1998 (fls. 1.663 a 1.694 e 1.710 a 1.713) correspondem à empresa Cutrale Citrus Juice Inc. e a partir de 01/10/1998 (fls. 1.722 a 1.741) correspondem à empresa Cutrale North América Inc. consolidada com as subsidiárias. Período Empresa Fls. (eprocesso) Rendimento Tributável (US$) Imposto total (US$) Pgtos Estimados e créditos (US$) 19961997 CCJ 1689 1694 507.476,00 1.075.366,00 664.808,00 1997 1998 CCJ 17101713 5.356.727,00 587.343,00 75.778,00 1998 1999 CNA 1722 1730 4.265.162,00 228.296,00 468.863,00 19992000 CNA 1731 1738 0,00 1.160.987,00 2.590.567,00 20002001 CNA 1739 0,00 1.058.146,00 2.217.870,00 2001 2002 CNA 1740 15.844.668,00 3.408.250,00 3.275.928,00 2002 2003 CNA 1741 9.771.658,00 2.121.259,00 2.185.000,00 Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.827 16 A Recorrente, por sua vez, manifestouse acerca da diligência (fls. 1.768 e seguintes) nos termos a seguir resumidos. Quanto ao imposto pago aos estados, aduz que, efetivamente, o imposto pago teve como base de cálculo o "rendimento líquido" e que tal materialidade parte da base federal do imposto de renda da pessoa jurídica. Quanto aos impostos federais recolhidos nos EUA, entende que o único problema apontado seria a ausência de versão para o português e consularização das declarações apresentadas na diligência. Argumenta que toda a documentação comprobatória dos recolhimentos, já juntada aos autos, veio acompanhada de tais formalidades e que, apenas no intuito de atender ao prazo concedido pela autoridade fiscal é que foram entregues as declarações adicionais em cópias dos originais. Conclui, quanto às declarações entregues ao fisco federal dos EUA, não haver dúvidas por parte dos diligenciantes de que os dados ali ilustrados foram compreendidos à plenitude, tanto que levaram à consignação, na página 14 do "Termo"', dos valores comprovadamente recolhidos ao IRS, "já considerando as alterações efetuadas em decorrência de auditorias da Receita Federal dos EUA”. Roga, acaso entendase imprescindível a juntada de tais versões, pela concessão de prazo para tanto, evitandose que aspecto formal adjacente possa prejudicar o ponto central em foco. Em 10/04/2014, fls. 1.809 e seguintes, solicita a digitalização e juntada da documentação pendente (traduções e consularizações das declarações de IR dos EUA). É o Relatório. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.828 17 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar – Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. De plano, há que se atentar para uma questão preliminar quanto ao resultado da última diligência e posterior pedido de juntada de documento pela Recorrente. Conclui o Fisco em 07/01/2014 (relatório conclusivo da diligência, fls. 1.748 e seguintes), quanto ao imposto pago diretamente ao fisco federal norteamericano, que a Recorrente apresentara as "Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica dos Estados Unidos" (U.S. Corporation Income Tax Return), no período de 01/10/1996 a 30/09/2003, mas todas sem tradução e sem consularização. Mesmo assim, com base nas declarações em idioma original, processou as informações e concluiu conforme quadroresumo abaixo. Período Empresa Fls. (eprocesso) Rendimento Tributável (USS) Imposto total (USS) Pagamentos Estimados e créditos (USS) 19961997 CCJ 1689 1694 507.476,00 1.075.366,00 664.808,00 1997 1998 CCJ 17101713 5.356.727,00 587.343,00 75.778,00 1998 1999 CNA 1722 1730 4.265.162,00 228.296,00 468.863,00 19992000 CNA 1731 1738 0,00 1.160.987,00 2.590.567,00 20002001 CNA 1739 0,00 1.058.146,00 2.217.870,00 2001 2002 CNA 1740 15.844.668,00 3.408.250,00 3.275.928,00 2002 2003 CNA 1741 9.771.658,00 2.121.259,00 2.185.000,00 A Recorrente, por seu turno, solicitou, acaso se entenda imprescindível a juntada de tais versões, pela concessão de mais prazo para tanto, evitandose, no seu entender, que aspecto formal adjacente possa prejudicar o ponto central em foco. Nessa esteira, em 10/04/2014, fls. 1.809 e seguintes, solicita a digitalização e juntada da documentação pendente. Entendo que a documentação faltante, elencada pela Recorrente em sua solicitação de fls. 1.809 e seguintes, é imprescindível para um julgamento seguro da lide, haja vista as conclusões apresentadas no quadroresumo acima serem todas baseadas em cópias das declarações de imposto de renda dos EUA, sem a garantia de sua autenticidade e a precisa versão para a língua pátria, elementos legalmente exigidos para o caso. Dito isso, vislumbro dois caminhos possíveis para a solução da lide quanto a esse ponto. O primeiro seria acatar a solicitação da Recorrente e remeter os autos para a unidade de origem para que se digitalize, valide, autentique e anexe a documentação faltante, relacionada na solicitação de validação e autenticação de arquivos digitais (SVA) de fl. 1.810, com posterior retorno a esta Turma para julgamento. O segundo seria negar provimento à solicitação da Recorrente e prosseguir com o julgamento, tendo em vista as diversas oportunidade já franqueadas à Empresa para que apresentasse a documentação comprobatória completa (aí incluída a transcrição e consularização das declarações de IR nos EUA). Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Resolução nº 1402000.294 S1C4T2 Fl. 1.829 18 Com efeito, penso que a segunda solução não é a mais justa para o caso. A documentação apresentada na língua original (declarações de fls. citadas no quadroresumo acima) aponta, conforme conclusão do relatório de diligência, para a existência, de fato, dos pagamentos a título de imposto de renda nos EUA. Nesse sentido, encaminho meu voto por converter o julgamento em nova diligência com o fito único de que a unidade de origem digitalize, valide, autentique e anexe a documentação relacionada na solicitação de validação e autenticação de arquivos digitais (SVA) de fl. 1.810, com posterior retorno a esta Turma para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.903897/2012-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 89 7/ 20 12 -5 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “O interessado transmitiu a Dcomp nº 36520.52623.290307.1.2.046201, visando compensar os débitos nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou a maior do IRPJ; A DRF/Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO; b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA; c) SERVIÇOS HOSPITALARES – POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 8% NA APURAÇÃO DE IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, § 1º, III, “a”; d) DO PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ E A POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 4 3 A expressão “serviços hospitalares” somente abrange aqueles prestados por estabelecimentos qualificados como “hospital”, portanto, somente esses podem apurar o lucro presumido no percentual de 8% da receita bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 28/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 19/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 8%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, deve ser aplicada a alíquota de 32% para a apuração do IRPJ para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha entendido que cabia a alíquota de 8%. Vejamos o diploma legal em questionamento, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços de oncologia. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 6 5 (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 7 6 É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 8 7 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 9 8 atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 10 9 “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 11 10 ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 12 11 (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 13 12 Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.903897/201258 Resolução nº 1802000.589 S1TE02 Fl. 14 13 Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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