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Numero do processo: 10680.940486/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DA INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Não há ofensa ao princípio da não-cumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que este por si só não assegura o direito ao crédito de IPI.
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT
O direito ao crédito do IPI condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são não-tributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002).
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
A Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente é devida quando houver oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 29/12/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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RESSARCIMENTO Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A MBR Recorrida DRJJUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DA INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE Não há ofensa ao princípio da nãocumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que este por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhando jurisprudência do STJ, já decidiu que a atualização monetária somente é devida quando houver oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 04 86 /2 00 9- 17 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 29/12/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito, por bem resumir a contenda. Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP n° 11819.48441.131005.1.3.014933 transmitida para quitar débito da estimativa do IRPJ. relativa ao mês de setembro de 2005, no valor de R$219.708,12. O crédito oferecido para a compensação referese a crédito extemporâneo de IPI escriturado no 3o trimestre de 2005 pertencente à filial n° 33.417.445/003065 está amparado no art. 5o do Decretolei n° 491, de 05/03/1969, combinado com o art. I o da Lei n° 8.402, de 08/01/1992 no art. 11 da Lei n° 9.779 de 19/01/1999 na Instrução Normativa n° SRF n° 33, de 04/03/1999. Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte. M. por meio do Despacho Decisório de fls. 23/27 que teve por sustentáculo o Parecer Sefis 06/2010, às fis. 16/22, negou o crédito e, concomitantemente, a homologação da compensação declarada. A argumentação, preponderantemente utilizada foi a de que os produtos elaborados pela empresa, minério de ferro e seus concentrados, encontramse classificados na Tabela de Incidência do IPI – TIPI (Decreto n° 2.092/96) sob a classificação fiscal 26.01.11.00, que traz a notação NT (não tributado). Se os produtos a que o contribuinte dá saída são NT, não há o direito aos créditos decorrentes das entradas de insumos. Além da motivação descrita no parágrafo anterior, destacouse que a empresa indevidamente pleiteou créditos de IPI sobre aquisições que não se enquadravam como matériaprima (MP) produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) ou que não tiveram seu desgaste em uso proveniente de contato direto com o produto em fabricação como preconizado no Parecer Normativo CST n° 65, de 1969. A fundamentação legal para o feito está: no art. 193 do RIPI/2002; no art. 11 da Lei n° 9.779 de 1999: no art. 2o."§ 3o . da IN SRF n° 33. de 1999: na Súmula n° 13 do Segundo Conselho de Contribuintes; na Solução de Consulta Interna n° 03, de 15/02/2006. e no ADI SRF n° 5 de 17/04/2006. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte, por intermédio de seu procurador (fls. 58/61), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 33/55 na qual em síntese: 1) circunstancia os fatos, mencionando que solicitou o ressarcimento de saldo credor de IPI apurado no 3o trimestre do anocalendário de 2005 no estabelecimento filial (CNPJ: 33.417.445/000201): 2) aponta como razão para reforma do Despacho Decisório o fato de que o direito ao crédito do IPI tem seu fundamento no princípio da não cumulatividade, inserto na Constituição Federal de 1988: 3) alega que qualquer as mercadorias exportadas, apesar de classificadas na TIPI como não tributadas (NT), foram incontestavelmente submetidas a processo de industrialização . Portanto, a manutenção do crédito de IPI é direito inequívoco: 4) comenta que: a) o disposto nos arts. 3o e 8o do RIPI é inaplicável para obstar o direito de crédito de IP. porque a contribuinte na condição de industrial de produto mineral não poderia por presunção ou mesmo ficção ter seu estabelecimento classificado como não industrial; b) o conteúdo do art. 13 da Lei n° 9.493 de 1997, deve ser interpretado como mera exclusão do pagamento do imposto, pois a definição de contribuinte do imposto exige a edição de LEI Complementar (art. 146, II, a. da Constituição Federal); c) o fato da mercadoria exportada ser NT não impede o exercício do direito em questão, porque deve ser observado o disposto no art. 7o da Lei n° 4.502, de 1964. Dispõe que o produto mineral é isento, no cumprimento do art. 146, III a. da Constituição Federal, que a recepcionou como Lei Complementar; d) para a fruição do benefício do art. 5o do DL n° 491 de 1969. Renovado pela Lei n° 8.402. de 1992. eram necessários apenas os seguintes requisitos: haver fabricação (industrialização); haver exportação dos produtos fabricados; (iii) haver créditos de insumos aplicados na produção dos produtos exportados NENHUM REQUISITO MAIS OU VEDAÇÃO FORAM ESTABELECIDOS; 5) FINALMENTE REQUER: a) a correção monetária do incentivo; b) a homologação das compensações declaradas; c) a investigação fiscal quanto à afirmação de que houve apropriação de créditos em desacordo com os conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tendo em vista que a peça fiscal não contém elementos suficientes para que o contribuinte possa exercer o direito de ampla defesa e do contraditório, porque não houve a investigação de todas as circunstâncias que se Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 5 4 constituem na "condição determinante" à cobrança do tributo. Portanto, no mínimo, o trabalho merece revisão para elucidar quais os itens que reputa de uso/consumo ou integrante do ativo, para que a contribuinte possa exercer o direito amplo de defesa e contraditório. Os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, por unanimidade de votos, resolveram indeferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra em 23/11/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 19/12/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Do princípio da nãocumulatividade do IPI De início, salientase que não há ofensa princípio da nãocumulatividade do IPI insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que este por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. Neste caso a Lei Ordinária nº 9779/99 que dispôs sobre o tema, e a IN/SRF nº 33/99 apenas regulamentou a referida Lei não trazendo prejuízos ao contribuinte, trazendo apenas condições em que tais créditos poderão ser aproveitados, tudo em conformidade com a Lei nº 9779/99, que a partir de sua instituição possibilitou o ressarcimento de crédito básico do IPI. Não há como sustentar o procedimento da postulante com base no princípio da nãocumulatividade, pois, um princípio constitucional de índole programática não é apto a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tão somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, tem o condão de criar relações jurídicas de direito material. Veja que, a Lei 9.363/1996 concedeu à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 enumera os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 6 5 contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. De fato, o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras. O objetivo expresso do legislador foi o de estimular as exportações de empresas industriais (produtor exportador) e a atividade industrial interna, mediante o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo. Todavia, o regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, fundamento este do princípio da não cumulatividade, que não se aperfeiçoa quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. Assim, não há que se reformar a decisão ora recorrida, que deverá prevalecer pelos seus próprios fundamentos. Insumos tributados aplicados na industrialização de produtos não tributados – NT No que tange ao creditamento de IPI referente à MP, PI e ME utilizados no processo produtivo de produtos classificados como Não Tributados – NT, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário 475.551/PR, manifestou sobre a temática da aquisição de insumos tributados seguidos de saída desonerada, vejamos: “EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, §3°, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 7 6 na saída: o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a conseqüência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5.Com o advento do art. 11 da Lei n. 9779/99 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. Recurso extraordinário provido” (Data do Julgamento 06/05/2009 grifos nossos). No mesmo sentido, o recurso extraordinário 561.676/SC, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o qual faz uma breve síntese sobre a operacionalização do princípio da nãocumulatividade: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO. OPERAÇÕES COM ENERGIA ELÉTRICA. I – Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. (...) III – Agravo Regimental improvido.” (Data do Julgamento 01/06/2010 – grifos nossos) Por fim, o E. Superior Tribunal de Justiça, no recurso especial 1.015.855/SP, entendeu por dar especial destaque ao caráter restritivo do preceito legal: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 8 7 CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, não tributados ou imunes. 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou não tributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo não provimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 9 8 entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição qüinqüenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tão somente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero.” (Data do Julgamento 08/04/08 – Grifos nossos). Da Atualização Monetária A 3ª Turma da CSRF, em 18 de outubro de 2012, na apreciação do Processo nº 10935.002594/200276, da 9ª RF/DRF/Cascavel, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso especial do Fazenda Nacional, decisão nº 9303002.172, contra o Acórdão nº 20311.632 da 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. No referido processo discutiase a atualização pela Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) de valores a serem ressarcidos pela Fazenda Pública. Naquela oportunidade, a CSRF, acompanhando jurisprudência do STJ, decidiu que a atualização monetária somente seria devida quando houvesse oposição injustificada ao ressarcimento pela autoridade fiscal. Aduziu, outrossim, que só era cabível a correção pela taxa Selic quando a oposição do Fisco fosse em relação ao valor do crédito principal e não quando houvesse oposição ao valor referente à atualização monetária. Assim, o recurso especial da Fazenda Nacional foi provido, por maioria dos votos. Por todo exposto, conheço do recurso, e negolhe provimento, restando prejudicado os demais argumentos. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.940486/200917 Acórdão n.º 3302002.126 S3C3T2 Fl. 10 9 Sala das Sessões, em 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10675.901084/2010-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL.
Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência.
Numero da decisão: 3802-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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LIQUIDEZ E CERTEZA. INVIABILIDADE DA DEMONSTRAÇÃO, SE OS CRÉDITOS DECORREM DE REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO FINAL. Não há como se reconhecer liquidez e certeza, para os fins do art. 165 do CTN, a créditos oriundos de recomposição da base de cálculo que tenha sido objeto de auto de infração, ainda pendente de apreciação final quanto à sua procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 10 84 /2 01 0- 00 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTES S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.719, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo, contudo, o saldo credor de R$ 39.569,88, relativo ao 2º trimestre de 2006 e a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº17246.65964.250407.1.7.015100, respaldada no saldo credor de IPI do 2º trimestre de 2006, calculado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/199. A compensação declarada referiase a débitos no montante de R$ 39.569,88 com vencimento em 30/08/2006 e 28/10/2005 (vide PER/DECOMP DESPACHO DECISÓRIO – DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO. à fl. 108). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, com procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório fls. 07, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 39.569,88 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Diante do exposto, NÂO HOMOLOGO compensação declarada no PER/DECOMP acima identificado. [...] Para o procedimento fiscal instaurado de que dá conta o Despacho Decisório, relatou o auditor fiscal que das "verificações realizadas nas aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem), com direito a crédito, não foram identificadas divergências dignas de glosa”. No entanto, também fez constar: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901084/201000 Acórdão n.º 3802001.913 S3TE02 Fl. 112 3 1) [...] que ao preencher a presente PER/DCOMP, a interessada lançou como Valor Passível de Ressarcimento o total de IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição de insumos e de devoluções de mercadorias tributadas na saída, em vez do saldo credor. Isto é, o valor correto que deveria ser lançado no campo Valor Passível de Ressarcimento seria de R$ 39.569,88 (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$ 97.344,61. Portanto, glosar seá o valor de R$57.774,73, referente às diferenças destes valores, assim distribuídas: Ao ser indagada do embasamento que deu suporte a tal classificação fiscal a empresa respondeu: “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$ 24.327,65 que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: a) os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901084/201000 Acórdão n.º 3802001.913 S3TE02 Fl. 113 5 b) as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima; [...] Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestemse à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 [...] É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO FISCAL RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE A constatação da prática de infrações que levaram à reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, da qual emergiram saldos devedores do IPI ou redução dos saldos credores justifica o nãoreconhecimento do direito creditório, na integralidade, e a nãohomologação das compensações, nos termos da normatização dada pela RFB, que veda o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. No entanto, como bem indicado pela decisão recorrida, a restituição esbarra em um óbice inicial. Isso porque o pedido de restituição apresentado pelo sujeito passivo, decorre de recomposição da base de cálculo do IPI, em virtude de modificação na classificação fiscal de certos produtos objeto de suas atividades. No entanto, a decisão recorrida expõe uma situação peculiar ao caso: em virtude da classificação fiscal adotada pelo Recorrente, foi lavrado auto de infração que exige diferença do imposto. Aduz o voto vencedor do Acórdão: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.901084/201000 Acórdão n.º 3802001.913 S3TE02 Fl. 114 7 “Não obstante a conclusão, após os acertos procedidos pela Relatora — já considerado o resultado do julgamento do Auto de Infração [Ac. n° 0937.507, pela procedência do lançamento] — pela legitimidade de parte do saldo credor pleiteado, não há corno reconhecer o direito ao seu ressarcimento/compensação neste processo, conforme a seguir explicitado. É que a própria Receita Federal do Brasil já estabeleceu a impossibilidade de aproveitamento de créditos vinculados a processo judicial ou administrativo com exigência de crédito tributário do IPI, em discussão na esfera administrativa, e não definitivamente julgado, tendo explicitado tal vedação no art. 19 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, mantido integralmente pela Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 20, e pela IN SRF no 900/2008, art. 25. Vejamos: "Art. 19. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido." Ora, se presente a autuação não pode ser ressarcido crédito algum, ainda que da apuração escritural resulte saldo de crédito legítimo, não obstante o lançamento de ofício. É o que diz o mencionado artigo, que não faz restrição a qualquer parcela do saldo credor, que no seu todo é o objeto do ressarcimento. Não se pode ressarcir parte alguma desse saldo credor requerido pelo interessado.” Correto o raciocínio desenvolvido pelo voto vencedor. E a rigor, isso não foi combatido pelo Recorrente, o que confirma a correlação entre o lançamento e o crédito objeto do presente pedido de restituição. Diante disso, resta prejudicada a análise do argumento apresentado pelo sujeito passivo quanto à classificação fiscal, dado que esta é a matéria de fundo do lançamento tributário em que se discute o procedimento adotado. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10715.001369/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 15/01/1999 a 19/08/2003
RETORNO DE MERCADORIA EXPORTADA TEMPORARIAMENTE. APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Comprovado nos autos tratarem-se as importações de retorno de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, sua tributação segue regime próprio instituído pela Portaria MF n° 675, de 1994.
Indevida, na espécie, a exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais.
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO - LI INCIDÊNCIA.
As licenças de importação, ao não informarem corretamente no Destaque NCM da Anuência o código relativo ao tratamento administrativo previsto aos agrotóxicos (Capítulo 38), não acobertam as mercadorias efetivamente importadas e constadas na ocasião do despacho aduaneiro de importação.
A falta de Licença Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI) configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria.
Recurso de Ofício parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BASF S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/01/1999 a 19/08/2003 RETORNO DE MERCADORIA EXPORTADA TEMPORARIAMENTE. APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Comprovado nos autos trataremse as importações de retorno de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, sua tributação segue regime próprio instituído pela Portaria MF n° 675, de 1994. Indevida, na espécie, a exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais. CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO LI INCIDÊNCIA. As licenças de importação, ao não informarem corretamente no “Destaque NCM da Anuência” o código relativo ao tratamento administrativo previsto aos agrotóxicos (Capítulo 38), não acobertam as mercadorias efetivamente importadas e constadas na ocasião do despacho aduaneiro de importação. A falta de Licença Importação (LI) para produto incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI) configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Recurso de Ofício parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 69 /2 00 6- 31 Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.323 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de quatro autos de infração: (i) o primeiro, relacionado à DI nº02/07474987, foi lavrado para a cobrança (a) da multa do controle administrativo pela importação desamparada de Licença de Importação, no valor de R$ 2.577.347,61 (percentual de 30% sobre o valor da mercadoria art. 526, II, RA/85), em decorrência da empresa não ter informado no campo “Destaque NCM da Anuência” o código correto relativo ao tratamento administrativo previsto aos produtos do Capítulo 38 (agrotóxicos); (b) da multa administrativa pelo fato de ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço real da mercadoria, no valor de R$ 4.935.559,10 (100% da diferença de preço – art. 88, parágrafo único, da MP Nº 2.15835/01); (c) da multa pela inexistência de fatura comercial., no valor de R$ 39.484,47 (10% sobre o valor do imposto devido – Art. 521, III, “a”, RA/85). O valor total cobrado neste auto de infração é de R$ 7.552.391,18 (vide efls. 3/ss); (ii) o segundo, também relacionado à DI nº02/07474987, foi lavrado para a cobrança (a) do imposto de importação, em face da declaração inexata do valor da mercadoria importada, no valor de R$ 392.773,56; (b) dos juros de mora, no valor de R$ 246.426,13; (c) da multa de ofício de 75%, valor de R$ 294.580,17. O valor total cobrado neste auto de infração é de R$ 933.779,86 (vide efls. 411/ss); (iii) o terceiro, relacionado à DI nº02/09040976, foi lavrado para a cobrança da multa do controle administrativo pela importação desamparada de Licença de Importação, no valor de R$ 257.121,67 (percentual de 30% sobre o valor da mercadoria art. 526, II, RA/85), em decorrência da empresa não ter informado no campo “Destaque NCM da Anuência” o código correto relativo ao tratamento administrativo previsto aos produtos do Capítulo 38 agrotóxicos (vide efls. 805/ss); (iv) o quarto, relacionado à DI nº02/08433206, foi lavrado para a cobrança da multa do controle administrativo pela importação desamparada de Licença de Importação, no valor de R$ 2.822.988,51 (percentual de 30% sobre o valor da mercadoria art. 526, II, RA/85), em decorrência da empresa não ter informado no campo “Destaque NCM da Anuência” o código correto relativo ao tratamento administrativo previsto aos produtos do Capítulo 38 agrotóxicos (vide efls. 830/ss); Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.324 3 O litígio ora colocado à apreciação tem por objeto exações originadas de pedido de retificação da Declaração de Importação n° 02/07474987, interposto pela interessada em face das circunstâncias que a seguir serão relatadas. Documentação integrante do Processo n° 10715.001151/200503, juntada por cópia aos presentes autos, a partir da fl. 10, dá conta de que em 24 de março de 2005, a empresa Basf S.A., sob cujo nome foi registrada a Declaração de Importação acima referida, solicitou a retificação de que se trata, por meio da petição constante da fl. 12 deste processo, na qual foram ostentados os seguintes motivos: 1. A empresa obteve através do Processo n° 10711.010165/200516 autorização para exportar temporariamente para aperfeiçoamento passivo, com base na Portaria n° 675/94, 36000 kg do ingrediente ativo Imazethapyr, a ser formulado no exterior, mediante sua transformação no produto acabado comercialmente denominado Dinamaz, que retornaria ao Brasil em cumprimento do regime de exportação temporária autorizado. 2. Por meio do Registro de Exportação n° 02/0237433001 foram efetivamente exportados 31.110 kg da matériaprima. 3. Considerando a usagem média da ordem de 0,73 kg do Imazethapyr ingrediente ativo exportado, para cada kg do produto acabado, deveria retomar ao pais 42.616 kg do produto formulado. 4. Assim, foram desembaraçados por meio da Declaração de Importação 02/084332006, de 20/09/2002, como retomo de exportação temporária, 20.946 kg do produto acabado, correspondente a 14.984,63 kg da matériaprima exportada. Por meio da Declaração de Importação 02/090409076, de 10/10/2002, também como retomo de exportação temporária, foram desembaraçados 1.680 kg do produto acabado, correspondente a 1.223,376 kg da matériaprima exportada. 5. Dessa forma, dos 31,110 kg exportados, 16.208,006 kg, integrantes dos 22.626 kg do produto final, foram reimportados por meio das duas primeiras Declarações. Logo, restava ainda a reimportação de 14.902 kg do ingrediente ativo denominado Imazethapyr, exportado temporariamente para aperfeiçoamento passivo. 6. Em 21/08/2002, foi registrada a Declaração de Importação n° 02/07474987, objeto do pedido de retificação, para submeter a despacho 19.992 kg do produto final a ser exportado, correspondente a 14.630,146 kg da matériaprima exportada. 7. Tendo sido efetivamente exportados 31.110 kg do ingrediente ativo e tendo sido reimportados 30.838 kg, vêse que permaneceram no exterior apenas 272 kg, ou seja, 0,87% do total, o que não extrapola as perdas naturais do processo de produção. 8. Por erro, a mercadoria reportada nessa última Declaração de Importação foi submetida a despacho comum, com recolhimento integral dos tributos, sem que fosse circunstanciado que se tratava, como nas demais, de retomo de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. 9. Como resultado, além do indevido pagamento de tributos, o regime de exportação temporária quedou inadimplido. 10. Em face do exposto, requer a retificação da Declaração de Importação em referência, conforme detalhamento apresentado, cujos cálculos indicam alegado pagamento indevido do Imposto de Importação que evidencia sua boa fé. Dos autos do processo de retificação constaram, conforme cópia juntada ao presente: Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.325 4 1. As Declarações de Importação n° 02/07474987 (fls 07 a 20); n° 02/09040976, fls. 42 a 46, e 02/08433206, fls. 47 a 51. No campo destinado aos dados complementares das duas últimas Declarações de Importação acima mencionadas foi circunstanciado que o produto importado, Dinamaz, era resultante do aperfeiçoamento passivo do produto Imazethapyr Técnico, exportado temporariamente com amparo em regime próprio, previsto na Portaria MF n° 675, de 22/12/1994. Tratavase, portanto, de retomo de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. Da Declaração de Importação n 02/07474987, contudo, não foi mencionada essa circunstância, uma vez que na fatura comercial correspondente também não fora, por alegado equivoco, circunstanciado esse fato. Foram reportadas em todas as referidas Declarações Importações da mercadoria descrita como sendo Dinamaz WG, herbicida sistémico para o controle de plantas daninhas de folhas largas e estreitas, de absorção foliar e radicular, que atua de forma seletiva na cultura de soja, registrado no Ministério da Agricultura n° 003290, composto pelas substâncias denominadas: Imazethapyr; sal de amônio do ácido 2 [4,5 Dihidro4(1Metiletil)50xo1 Himidazol2Ilo]5etil3 Piridinacarboxilico. 2. O Registro de Exportação n° 02/0237433001, de 12/03/2002, emitido em nome da empresa Basf S.A., que informa a exportação temporária para aperfeiçoamento passivo de 31.110 kg do produto Imazethapyr, autorizada nos autos do processo n° 10711.010165/200116. 3. Intimação Fiscal n° 075/2005 em que, no curso de ato de revisão aduaneira, foi solicitado à peticionária da retificação de Declaração de Importação : cópia da documentação relativa à exportação para beneficiamento do produto; cópias das Declarações de Importação mencionadas na solicitação de fls. 02; comprovação pelo importador do beneficiamento processado, com datas de inicio e fim, bem como custos incidentes; inventário de depósitos da empresa que comprovem a movimentação dos produtos, e laudo técnico que comprove os percentuais dos ingredientes que compõem o produto final. 4. Resposta à intimação acima referida, fls. 35 e 36 destes autos e 25 e 26 dos autos do processo relativo ao pedido de retificação, em que a peticionária adita a inicial para fins dos seguintes esclarecimentos: Conforme consta do Registro de Exportação n° 02/0237433001, de 12/03/2002, e Declaração de Exportação n° 2020175168/02, a empresa embarcou 31.110 kg do produto Imazethapyr a ser beneficiado no exterior. 0 embarque foi amparado no conhecimento de carga n° ZIMURIO 08047, de 20/03/2002. A movimentação do estoque foi documentada nas Notas Fiscais de Saida n° 5272, 5274 e 5275, datadas de 12/03/2002, juntadas a estes autos As fls. 39 a 41 e aos autos do processo relativo A retificação solicitada As fls. 29, 30 e 31. As reimportações do produto já beneficiado foram processadas por meio das Declarações de Importação n° 02/07474987, objeto do pedido de retificação de que se trata, e no 02/ 08433206 e 02/09040976, juntadas às fls. 32 a 41 dos autos do processo relativo ao pedido de retificação e As fls. 42 a 51 dos autos deste processo. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.326 5 O estabelecimento fabril em Porto Rico processou o beneficiamento do material exportado, conforme laudo técnico que integra a documentação solicitada na intimação. Salienta que, erroneamente, o exportador do produto final para o Brasil, deixou de circunstanciar na fatura que instruiu o registro da Declaração de Importação n° 02/07474987 que se tratava de beneficiamento de matériaprima remetida para beneficiamento, induzindo o importador brasileiro ao cometimento do mesmo erro no registro dessa Declaração e, em conseqüência, ao pagamento indevido do imposto de importação no valor de R$ 294.519,12. A movimentação dos inventários da empresa se deu através das já mencionadas Notas Fiscais de Saída, em conjunto com as Notas Fiscais de Entrada juntadas às fls. 53 a 58 do presente processo e As fls. 43 a 48 do processo referente à retificação solicitada. Referidas Notas Fiscais de Entrada trazem circunstanciado o fato de tratarse de importação vinculada a exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. Para cada importação foi emitida uma Nota Fiscal de Entrada referente ao produto importado, resultante da elaboração da matériaprima exportada temporariamente, e a essa Nota Fiscal foi vinculada outra, denominada filhote, emitidas para descrever o retorno da matériaprima integrante do produto final antes exportado. Por fim, esclarece a intimada que o produto denominado Dinamaz WG era anteriormente comercializado sob a denominação de Pivot 70 WG, alterada depois que a empresa Cyanamid foi sucedida pela empresa Basf S.A. Laudo Técnico de fl. 52, apresentado pela empresa estrangeira responsável pelo aperfeiçoamento passivo a que foi submetido o produto exportado temporariamente pela interessada informa que no invoice n° 3090731647, que instruiu a Declaração de Importação n° 02/07474987, foram reportados 19.992 kg do produto denominado Dinamaz, embarcado para o Brasil em 19 de agosto de 2002, para cuja produção forma utilizados 14.630.146 kg do principio ativo denominado Imazethapyr, originário do Brasil. Informa também que o processamento industrial do produto final remetido para o Brasil ocorreu durante os meses de julho e agosto de 2002, tendo sido empregados para cada kg do Dinamaz 731,80 g de Imazethapyr, ou seja, 73,18% do produto final constituise desse principio ativo. Os lotes referentes a essa produção são 2210M01MU, 2211 MO1MU, 2220M01MU, 2221M01MU, 2222M01MU e 2224M01MU. O atendimento à intimação em trato foi acompanhado dos seguintes documentos: Conhecimento de embarque n° ZIMURIO 08047, de 20/03/2002, (fl. 37 destes autos e 27 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); Fatura n° 1678/01, (fls. 38 destes autos e 28 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); Notas Fiscais de Saída de matériaprima destinada A exportação temporária, (fls. 39 a 41 destes autos e 29 a 31 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); Declarações de Importação, (fls. 42 a 51 destes autos e 32 a 41 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); Laudo Técnico, (fl. 52 destes autos e 42 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); Notas Fiscais de Entrada comprovando o retorno da mercadoria temporariamente exportada, na forma de constituinte do produto final importado, (fls. 53 a 58 destes autos e 43 a 48 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.327 6 Rótulo do produto Dinamaz WG, (fl. 59 destes autos e 49 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); D.O.U. de 25/07/2000, comprovando a alteração da denominação comercial do produto Pivot 70 WG, registro n° 001898 para Dinamaz WG, (fls. 60 a 63 destes autos e 50 a 53 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); e Quadros demonstrativos do Controle dos envios e dos retornos dos materiais beneficiados, (fls. 64 a 67 destes autos e 54 a 57 dos autos do processo referente ao pedido de retificação); 5. Intimação Fiscal n° 099/2005, em que se solicitou à peticionária cópia de contrato entre as empresas Basf do Brasil e Basf Puerto Rico, de cuja resposta consta que esse tipo de operação não é realizada ao amparo de contrato, pois sendo empresas do mesmo grupo econômico suas operações se lastreiam nos documentos que já foram apresentados à fiscalização. 6. Intimação Fiscal n° 096/2005, em que se solicitou à peticionária a apresentação do documento "Customer Order PO (Purchase Order ou Ordem de Compra) 4580091938", que vinculava a três faturas. Em resposta a intimada informou tratar se de documento preliminar que não retrata com precisão a operação efetivamente realizada, mas tãosomente uma requisição de compra, um controle interno da empresa. O documento foi juntado aos presentes autos à fl. 93. Dessa Ordem de Compra consta a promessa de envio de 42.000 kg do produto final denominado Dinamaz WG. Com base nesses elementos foi realizado ato de revisão aduaneira do qual decorreu intimação para que o contribuinte apresentasse, no prazo de 20 dias, o comprovante de pagamento do crédito tributário apurado nesse ato. Contra essa imposição o contribuinte expendeu os argumentos constantes do documento de fls. 103 a 106, registrando, em síntese, que espontaneamente solicitou a retificação de Declaração em tela; que dos três lotes do produto Dinamaz importado, somente um deles teve a importação registrada erroneamente, sem indicação de que se tratava de retorno de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo; que identificada a incorreção a intimada requereu a retificação da Declaração de Importação correspondente para fins de extinção do regime especial de importação que lhe fora concedido; que não há que se falar em falta de licença de importação na situação em espécie ou no recolhimento de tributos, por sinal recolhidos a maior no registro da Declaração de Importação cuja retificação foi solicitada; que a importação em causa se deu anteriormente à publicação do Decreto n° 4.543, de 2002; que não existia o destaque NCM mencionado pela fiscalização à época dos fatos e, por fim, que a matériaprima exportada é parte integrante do produto final importado que, devidamente declarado, desautoriza a exigência de multa por falta de fatura comercial. As fls. 143 e 144 destes autos foi inserta cópia de expedientes extraídos das fls. 133 e 134 dos autos do processo n° 10711.010165/200116 que trata da concessão do regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. O expediente de fl. 143, datado de 27/08/2003, referese a comunicação interna A Alfândega do Porto do Rio de JaneiroRJ, que dá conta de que referido regime não havia sido extinto apesar de esgotado seu prazo de vigência, pois havia ainda um salde de 15.169,61 kg do produto a ser reimportado. 0 expediente de fl. 144, também datado de 27/08/2003, constituise de Intimação dirigida ao beneficiário do regime para que este informasse, no prazo de dez dias, sobre o retorno do produto temporariamente exportado, uma vez que as Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.328 7 importações registradas naquela unidade eram insuficientes para a extinção desse regime. Dos autos não consta ciência ao contribuinte dessa Intimação. As fls. 145 a 147 deste processo, encontrase cópia do expediente que denegou o pedido de retificação de que se trata, calcado, em síntese, nas seguintes razões: a Declaração de Importação foi desembaraçada no canal verde sem exame físico ou documental; o artigo 123 do Regulamento Aduaneiro de 1985, ao tratar da restituição de tributos, estabelece que protestos quanto a erro de quantidade ou qualidade da mercadoria devem ser apresentados antes da saída da mercadoria do recinto aduaneiro, salvo quando, a critério da autoridade aduanaria, houver inequívoca demonstração do alegado; sendo o conhecimento de carga e a fatura comercial documentos básicos do despacho aduaneiro, não procede a alegação de que a Declaração em causa tenha sido registrada erroneamente, reportandose a importação comum quando deveria ter se reportado ao retorno de exportação temporária, uma vez que tais documentos não refletem operação vinculada a esse tipo de exportação; que não houve espontaneidade da requerente quando essa, em 27/08/2003, fora intimada do fato de que o prazo do regime aduaneiro a ela concedido havia sido expirado e que havia ainda um saldo de mercadoria a ser reimportado; que a interessada, intimada a apresentar contrato referente ao beneficiamento da mercadoria no exterior declarou que toda a documentação probatória de suas alegações já se encontravam em poder da fiscalização; que intimada a apresentar o documento intitulado "customer order PO 4580091938", que vinculava a três faturas, a interessada informou tratarse de documento que não retratava a operação. sobre o conteúdo da Ordem de Compra foi dito: Este documento, datado de 19/12/2001, anexo as folhas 83, apresenta realmente um dado interessante. Ele especifica um total bruto de produto da ordem de 42.000 kg, o que contraria a solicitação efetuada ao Porto do Rio de Janeiro, anexa as folhas 74, e datado de 17/12/2001, de exportação de 36.000 kg do principio ativo (IMAZETHAPYR) e com o conseqüente retorno de 49.240 kg do produto acabado (DINAMAZ), considerando os percentuais alegados no beneficiamento do produto. A diferença apresentada esta fora dos limites legais estipulados no art. 526, & 70, inciso I, do Decreto n°91.030, de 1985 (SIC). Assim, tendo sido considerado não comprovado que as importações referidas na Declaração de Importação em causa referiamse ao aludido regime de exportação temporária, foi denegado o pedido de retificação interposto e promovidos os lançamentos inscritos nos autos de infração integrantes do presente processo, os quais alcançaram, inclusive, as importações submetidas a despacho por meio das outras duas Declarações, não obstante essas terem sido vinculadas à exportação temporária para aperfeiçoamento passivo e já terem sido aceitas para fins de extinção do regime. 0 crédito tributário exigido foi inscrito em autos de infração distintos. Assim, às fls. 01 a 09, encontrase a peça acusatória decorrente da revisão aduaneira a que foi submetida a Declaração de Importação n° 02/07474987, objeto do pedido de retificação. Por meio dessa peça impôsse ao contribuinte a multa administrativa ao controle das importações capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985, no valor de R$ 2.577.347,61; a multa por inexistência de fatura comercial capitulada no artigo 106, inciso IV, alínea "a", do Decretolei n° 37, de 1966, regulamentada pelo artigo 521, inciso III, Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.329 8 alínea "a", do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985, no valor de R$ 39.484,47, e a multa no valor de R$ 4.935.559,10, correspondente a 100% da diferença entre o valor declarado da mercadoria e o valor da transação deduzido pela fiscalização. A exação inscrita neste auto de infração soma a importância de R$ 7.552.906,71 e, muito embora se tratasse de infrações distintas, no Demonstrativo do Crédito Tributário as multas administrativas ao controle das importações foram inscritas de forma consolidada, perfazendo um total de R$ 7.512.906,71, composto de parcelas diferentes, decorrentes de tipificações distintas. A exigência em comento foi fundamentada em razões que não declinam o fato de ter sido ensejada por pedido de retificação da Declaração de Importação n° 02/07474987. Seus fundamentos estão estampados na descrição dos fatos que integra o auto de infração, nos seguintes termos: 001 — IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE Mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente, em desacordo com o Decreto n° 4.074, de 04 de janeiro de 2002, que dispõe sobre a importação, o controle, a inspeção e fiscalização de agrotóxicos. 0 importador ao confeccionar a DI 02/07474987, no campo "Destaque NCM de agrotóxico", ás folas 143 do processo 10715.001151/200503, informa o número 999, o que na linguagem do sistema Siscomex significa que o produto importado esta fora das condições de anuência, estabelecidas ns tratamentos administrativos, relativos ao Capitulo 38, ás folhas 60 do processo citado, o que não corresponde à realidade. Deste modo adentraram no país, sem NENHUM4 fiscalização ou controle de qualquer órgão responsável, 19.992,00 kg de agrotóxicos. (. ..) 002 — DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 PREÇO DECLARADO E 0 PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU 0 PREÇO DECLARADO E 0 PREÇO ARBITRADO Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço real da mercadoria, conforme espontaneamente declarado pelo importador em sua petição inicial(*), as folhas 01 a 04, do processo 10715.001151/200503, onde declara que o preço do produto importado é o somatório do preço da matéria prima do produto (.) A fatura que instrue a DI 02/07474987 apenas discrimina o valor dos produtos agregados, não tendo sido informado o valor da matéria prima, sobre os quais não foram pagos os impostos na importação. Ainda relativamente à Declaração de Importação n° 02/07474987, foram exigidos os tributos incidentes sobre a operação, calculados sobre a diferença entre o valor declarado e o valor atribuído à mercadoria pela fiscalização. Os autos de infração correspondentes encontramse às fls. 202 a 215 e se referem ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados. O Imposto de Importação exigido soma a quantia de R$ 392.773,56, que somada A multa de oficio aplicada e aos juros moratórios resultou em um crédito tributário no valor de R$ 933.779,86. Ao auto de infração referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados não correspondeu exigência alguma, uma vez que a mercadoria estava sujeita à alíquota zero para esse tributo. Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.330 9 A exigência do Imposto de Importação, calcada nas próprias razões que fundamentaram o pedido de restituição formulado pelo contribuinte, foi fundamentada no fato de a mercadoria importada referirse a produto cujo valor representa o somatório do valor do produto exportado temporariamente com o valor a este agregado em razão do beneficiamento a que foi submetido. As fls. 409 a 414 e 607 a 613, encontramse, respectivamente, os autos de infração lavrados em decorrência da revisão aduaneira a que foram submetidas as Declarações de Importação n° 02/09040976e 02/08433206, muito embora as mercadorias ali declaradas, contrariamente ao ocorrido relativamente A Declaração de Importação n° 02/7474987, tivessem sido despachadas como sendo retomo de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. A exação neles contidas reportase à aplicação da penalidade por falta de Importação, capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985, em face da mesma acusação, ou seja, de que ao declarar o código 999 para o destaque NCM de anuência, o importador burlou as regras de controle relativas às importações de agrotóxicos. Em tempestiva impugnação, depois de historiar os fatos já apresentados neste relatório, protesta contra a aplicação da penalidade prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, uma vez que entende ser esta incabível nos casos em que a mercadoria não estava sujeita à emissão de licença de importação; uma vez que a mercadoria foi descrita corretamente, de modo a atender o disposto no Ato Declaratório Normativo n° 12, de 1997. Contra à revaloração aduaneira procedida pela fiscalização, a impugnante protesta afirmando que o valor declarado era o correto, uma vez que esse era o valor de transação da mercadoria, o qual não poderia incluir o valor do insumo enviado para beneficiamento, porque esse, exportado temporariamente, sempre foi de sua propriedade. Além do mais, o enquadramento legal da multa indicou legislação editada posteriormente à ocorrência dos fatos. Relativamente à acusada falta de fatura, tratase de previsão que não se aplica à espécie, haja vista que, ao ter sido declarado na fatura a comercialização da mercadoria denominada Dinamaz Wg, implicitamente foram declarados todos os elementos constituintes dessa mercadoria, não existindo previsão para se faturar separadamente cada um desses elementos. Fala, ainda, a impugnante contra o caráter confiscatório das multas aplicadas. Grosso modo, esses mesmos argumentos foram reprisados contra cada um dos lançamentos inscritos nos vários autos de infração ora litigados, sendo relevante consignar os protestos manifestados pela autuada contra a extensão das conclusões extraídas da revisão aduaneira a que foi submetida a Declaração de Importação cuja retificação foi solicitada para as demais Declarações registradas para submeter ao despacho aduaneiro o retorno de mercadoria beneficiada no exterior. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0711.551 em 07/12/2007 (efolhas 2.151/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 21/08/2002 RETORNO DE MERCADORIA EXPORTADA TEMPORARIAMENTE. APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DENÚNCIA EXPONTÂNEA. Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.331 10 Os procedimentos fiscais excluem a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A espontaneidade do contribuinte afasta a cominação de penalidades. Não se discutindo nos autos a identidade da mercadoria importada, temse por premissa da autuação o fato de que a descrição da mercadoria apresentada pelo importador era correta e suficiente para seu enquadramento tarifário, o que satisfaz os requisitos estabelecidos no referido ato normativo para afastar a exigência da penalidade em comento. Inexigível autorizativo para importações a que o contribuinte estava obrigado, por força de condição estabelecida na concessão de regime aduaneiro especial de importação. Comprovado nos autos trataremse as importações de retorno de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, sua tributação segue regime próprio instituído pela Portaria MF n° 675, de 1994. Indevida, na espécie, a exigência do Imposto de Importação. Lançamento Improcedente. Assim, os membros da 1ª Turma de julgamentos da DRJ – Florianópolis, por maioria de votos, decidiu pela improcedência dos autos de infração lavrados, recorrendo dessa decisão de ofício, conforme determinava o art. 2º da Portaria MF nº 375, de 2001. Os autos foram remetidos ao então Conselho de Contribuintes (efls. 2189). A 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento do recurso em diligência (Resolução nº 3201000092, de 18/09/2009 / efls. 2191/ss), nos seguintes termos: Diante de todo o exposto, imperioso saber se o Siscomex, na data das operações objeto da autuação, já estava preparado para controlar esse tipo de situação, razão pela qual VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para que sejam outorgados esclarecimentos quanto à operacionalidade do Sistema na data das importações em epígrafe; em especial quanto á: (i) possibilidade de se informar o código exigido nas importações de agrotóxicos; e, (ii) clareza da legislação sobre o assunto. Em atendimento à Resolução solicitada, a autoridade fiscal da Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro prestou os esclarecimentos constantes de efls. 2211/2213 e juntou aos autos os documentos de efls. 2214/2285. O processo retornou ao CARF e foi redistribuído, por sorteio, a este Conselheiro, tendo em vista que a Conselheira relatora da Resolução nº 3201000092 Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro não mais integra este Conselho, nos termos do disposto no art. 49, §9º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256/2009). É o relatório. Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.332 11 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Concordamos parcialmente com a decisão a quo, nos termos do que passamos a expor. Como destacou a relatora da DRJFlorianópolis, as Declarações de Importação n° 02/08433206 e n° 02/09040976 (invoices n° 1390757012 e n° 1390781013, respectivamente – fls. 73 e 83), estão relacionadas ao retorno de mercadorias anteriormente enviadas ao exterior sob regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, concedido ao interessado nos autos do processo n° 10711.010165/200116. Tratase da importação do produto comercialmente denominado “Dinamaz”, que retornou ao Brasil após o processamento efetuado no exterior do produto “Imazethapyr”, exportado anteriormente pela Recorrente. Em relação à DI nº 02/07474987, a Recorrente solicitou a retificação da citada declaração com vistas a incluíla, também, no regime de exportação temporária, objeto de análise no processo nº 10711.010165/200116. A relatora da decisão a quo entendeu que o pedido de retificação constituiu uma denúncia espontânea. Desta feita, considerando que o pedido de retificação da DI nº 02/07474987, com vistas a incluíla como retorno do regime de exportação temporária, tratavase de uma denúncia espontânea, entendeu a Turma da DRJ – Florianópolis que “as penalidades contra cuja exigência insurgiuse a impugnante também não procedem em face da convicção de que a mercadoria submetida a despacho por meio da Declaração de Importação no 02/07474987 referese à elaboração de matériaprima exportada para beneficiamento”. Quanto à diferença do imposto de importação cobrada, em decorrência de suposta declaração inexata do valor da mercadoria importada, a decisão recorrida entendeua indevida, com base nos seguintes fundamentos: Há ainda que se observar que, para fins de apuração de novo valor aduaneiro para a mercadoria submetida a despacho por meio da Declaração de Importação de que se trata, a fiscalização valeuse das próprias informações prestadas pela requerente da retificação denegada, conforme se depreende dos dizeres a seguir transcritos, extraídos da peça acusatória: “002 — DIFERENÇA APURADA ENTRE 0 PREÇO DECLARADO E 0 PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU 0 PREÇO DECLARADO E 0 PREÇO ARBITRADO Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço real da mercadoria, conforme espontaneamente declarado pelo importador em sua petição inicial (sic), às folhas 01 a 04, do processo 10715.001151/200503, onde declara que o preço do produto importado é o somatório do preço da matéria prima do produto (...). A fatura que instrue a DI 02/07474987 apenas discrimina o valor dos produtos agregados, não tendo sido Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.333 12 informado o valor da matéria prima, sobre os quais não foram pagos os impostos na importação.” Releva observar que, para fins da retificação da Declaração de Importação, as informações prestadas pela requerente não foram acolhidas. No entanto, para fins da apuração de novo valor aduaneiro foi admitido que se tratava de mercadoria enviada ao exterior para beneficiamento, tanto que se fala no valor do produto exportado e no valor que lhe foi agregado. Não fosse aceitável tratarse de retorno e mercadoria exportada temporariamente para beneficiamento no exterior, não poderiam ter sido utilizados esses dados para nova valoração da mercadoria, a qual necessariamente deveria obedecer aos critérios estabelecidos no Acordo de Valoração Aduaneira. Assim, não só pela insofismável espontaneidade da requerente, não só pela inobservância dos princípios que regem a administração pública que contemplam também o direito A petição, as penalidades contra cuja exigência insurgiuse a impugnante também não procedem em face da convicção de que a mercadoria submetida a despacho por meio da Declaração de Importação no 02/07474987 referese à elaboração de matériaprima exportada para beneficiamento. (...) Emerge, também, do documentário fiscal emitido pela contribuinte, tais como suas notas fiscais de entrada e de saída da mercadoria, documentário esse que faz prova também em favor do contribuinte, ao menos enquanto nada for apurado que demonstre sua inidoneidade. Por fim, registrese que a mercadoria comercialmente denominada Dinamaz WG contém como principio ativo o produto denominado comercialmente Imazethapyr, portanto a fatura que essa mercadoria se refere, referese também ao seu principio ativo, razão pela qual, ainda que fosse acolhida a espontaneidade da autuada para fins de dispensa de penalidades, não há que se falar em falta de fatura comercial. Pois bem. Concordamos com a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, no sentido de aceitar a alegação da Recorrente de que a mercadoria importada através da DI nº 02/07474987 tratase retorno de produto anteriormente enviado ao exterior para submeterse a aperfeiçoamento passivo, sob a égide do regime de exportação temporária, notadamente pela falta de elementos probantes, que deveriam ter sido apresentados pela fiscalização, capazes de infirmar as alegações e documentos apresentados pela Recorrente. Por conseguinte, é indevida a cobrança da diferença do imposto de importação, os respectivos juros de mora e multa de ofício, bem como da multa administrativa pelo fato de ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço real da mercadoria, da multa pela inexistência de fatura comercial, como entendeu a Turma julgadora da DRJ – Florianópolis. Contudo, contrariamente do que decidiu a Turma de julgamento a quo, entendo que é devida a multa do controle administrativo pela importação desamparada de Licença de Importação, em relação às três declarações de importação objeto do presente litígio (30% sobre o valor da mercadoria art. 526, II, RA/85), pelo fato de a empresa não ter informado corretamente no campo “Destaque NCM da Anuência” o código relativo ao tratamento administrativo previsto aos agrotóxicos (Capítulo 38). Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.334 13 Ao descumprir com essa exigência, ao fim e ao cabo, a empresa burlou o controle que deve ser feito na entrada de produtos considerados agrotóxicos no país, a ser efetuado pelo IBAMA. Como muito bem informou a autoridade fiscal da ALF – Galeão/RJ (efls. 2211/ss), “o Comunicado DECEX nº 37/97, de 17/12/1997, em seu Anexo II, publicado no DOU de 18/12/97, cópia anexa às folhas 1.112 a 1.121, revogado somente pela Portaria MDIC no. 17, de 01/12/2003, cópia anexa As folhas 1.122 a 1.135, relaciona as operações sujeitas a licenciamento nãoautomático EM VIGOR A ÉPOCA DO REGISTRO DAS D.I.'s relacionadas anteriormente. Neste Comunicado, os produtos do Capitulo 38, e em especial da Posição 3808, estavam obrigados ao Tratamento Administrativo, nos termos do Destaque da NCM 3803 "destaque 003" (HERBICIDAS)”. A obrigação de o importador prestar as informações no preenchimento das Declarações de Importação está prevista na Portaria MF/MICT nº 291/96 – Anexo I, assim como a relação dos produtos objeto de Licenciamento NãoAutomático está no Anexo II do Comunicado DECEX nº 37/97 (Resolução CONAMA 23/96), ambos vigentes à época dos fatos (vide cópias das citadas legislações às efolhas 2215/2219, 2229, 2243, 2281/2285). Portanto, aqui não se está tratando de normas relativas ao descumprimento do regime de exportação temporária, mas sim do descumprimento de normas administrativas relativas ao controle do meio ambiente. O art. 437 c/c o art. 450, do Decreto nº 91.030/95, vigente à época, disponha que o importador deveria informar o destaque NCM correto de modo que o desembaraço aduaneiro da mercadoria fosse precedido na inspeção sanitária do IBAMA, verbis: Art. 437 Quando se tratar de mercadoria sujeita a controle especial, o curso do despacho de importação ou a sua conclusão dependerão do prévio cumprimento das formalidades legais ou regulamentares exigidas para a importação. (...) Art. 450 – Concluída a conferência sem exigência fiscal ou outra, darseá o desembaraço aduaneiro da mercadoria. (...) 2°. — Não será desembaraçada a mercadoria sujeita a controles especiais, antes de cumprida as exigências pertinentes. Assim, demonstrada a conduta ilícita praticada pela Recorrente, cabível a aplicação da multa pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente, prevista no artigo 169, inciso I, alínea "b" do DecretoLei n° 37/66 alterado pelo art. 2° da Lei n°6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, vigente à época dos fatos, no percentual de trinta por cento sobre o valor aduaneiro. Neste caso, o bem jurídico tutelado pela referida norma é a violação ao controle administrativo das importações, mais especificamente a violação a normas de controle do meio ambiente, um bem tão caro a toda sociedade. Importante destacar que a Receita Federal do Brasil tem a função de fiscalizar se foram corretamente atendidas as obrigações inerentes ao controle aduaneiro das importações, sejam eles relativos ao cumprimento das obrigações tributárias ou Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.335 14 administrativas, aplicando as multas previstas nos casos em que ocorram infrações às respectivas normas. Com o advento do Siscomex, que passou a concentrar todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras, a antiga Guia de Importação GI foi substituída pela Licença de Importação – LI. Nessa nova sistemática de controle administrativo das importações, a LI passou a ser o único documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no §1º do art. 6º do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, verbis: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...) Na data em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação, o controle administrativo das importações encontravase disciplinado nos arts. 7º a 19 da Portaria Secex nº 21, de 12 de dezembro de 1996, sendo que foram instituídas duas modalidades de licenciamento (arts. 7º a 9º), a saber: o licenciamento automático e o licenciamento não automático: Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. (grifei) Temse, assim, que o licenciamento automático era processado juntamente com o registro da DI e o licenciamento não automático era solicitado pelo importador previamente ao embarque da mercadoria, ou antes, no registro da DI e estava sujeito à anuência prévia ao embarque da mercadoria ou antes do despacho aduaneiro. Logo, na vigência do referido regime, em ambos os casos mantinhase a exigência do licenciamento das importações, em substituição à antiga Guia de Importação (que sempre exigia a anuência prévia!). Em outro giro, inaplicável a caso o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, porque a matéria em discussão não é classificação tarifária da mercadoria, mas sim o descumprimento de norma do controle administrativo das importações, verbis: Não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10715.001369/200631 Acórdão n.º 3202001.375 S3C2T2 Fl. 2.336 15 identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Em suma, temse que as licenças de importação, ao não informarem corretamente no “Destaque NCM da Anuência” o código relativo ao tratamento administrativo previsto aos agrotóxicos (Capítulo 38), não acobertam as mercadorias efetivamente importadas e constadas na ocasião do despacho aduaneiro de importação. Desta forma, restou configurada a infração tipificada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, ou seja, não existe licença de importação para o produto que foi efetivamente importado, razão pela qual se torna perfeitamente cabível a penalidade aplicada. Conclusão Diante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, nos seguintes termos: (a) reformar a decisão a quo, para reestabelecer a cobrança da multa do controle administrativo pela importação desamparada de Licença de Importação, no percentual de 30% sobre o valor da mercadoria (art. 526, II, RA/85), em relação à DI nº02/07474987, no valor de R$ 2.577.347,61, à DI nº02/09040976, no valor de R$ 257.121,67, à DI nº02/08433206, no valor de R$ 2.822.988,51; (b) manter a exclusão do crédito tributário em relação aos demais valores lançados. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 01/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900723/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA.
Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
Numero da decisão: 1802-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
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DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 23 /2 00 8- 50 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.139, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 07/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 4 3 correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a homologação apenas parcial em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 5 4 Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.287 (fls. 348 a 357), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 368 a 369. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.373 (fls. 371 a 382), solicitando novamente a realização de diligência à DRF Limeira/SP. O Processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 390 a 391, e também com nova manifestação da Contribuinte, às fls. 394 a 404. Este é o Relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.287 (fls. 348 a 357), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que homologou parcialmente declaração de compensação por ela apresentada em 27/04/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de julho/2003, no valor total de R$ 83.944,95. A Delegacia de origem homologou em parte a compensação porque o referido pagamento havia sido parcialmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Do recolhimento de R$ 83.944,95, que daria origem ao reivindicado direito creditório, já haviam sido utilizados R$ 83.941,71 (para a quitação da própria estimativa declarada), restando saldo disponível de apenas R$ 3,24, conforme o Despacho Decisório de fls. 7. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve o que restou decidido pela Delegacia de origem. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 7 6 Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.287, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 78, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 8 7 O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 9 8 o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 368/369, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 31639.38054.270404.1.3.04 9064 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de julho de 2003, no valor de R$ 82.843,14 para compensação de débitos próprios. A compensação foi homologada parcialmente, porque parte do pagamento encontrase vinculado ao débito e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocado e que seu crédito era saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros quinze processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco de se reconhecer indevidamente milhões de crédito para o contribuinte, ressaltando que há ainda Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 10 9 mais cinco processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31383.04781.230609.1.6.021937 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de julho de 2003, no valor de R$ 82.843,14 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de IRPJ desse mesmo período, o que indica que nem o valor que foi reconhecido neste processo seria indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Em síntese, a DRF/Limeira/SP registrou: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.02 1937, juntado aos autos); que a decisão do CARF implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo era temerária; e que o pagamento de estimativa não poderia ser convertido em saldo negativo. Com estas considerações, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifestasse sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF se manifestou sobre a necessidade da diligência que havia demandado, proferindo outra Resolução, de nº 1802000.373 (fls. 371 a 382), nos seguintes termos: A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.284, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 11 10 desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 04011.89490.221208.1.2.026498, retificado pelo PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 12 11 implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 13 12 dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.284, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de IRPJ em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de IRPJ em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 14 13 Dando encaminhamento a essa segunda resolução, a DRF/Limeira/SP levantou novas informações, às fls. 390/391, que subsidiaram o despacho de devolução do processo ao CARF: [...] Verificado que a Resolução n.° 1.802/000.284 requeria a apuração da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2003 bem como a deduções ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, Fundos dos Diretos da Criança e do Adolescente, o processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para cumprimento da diligência. Porém, tivemos conhecimento de que o SCC processou o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do contribuinte e depositou em sua conta corrente o valor de R$1.199.103,58, no dia 20/05/2014 (fl.391). Diante deste fato e verificado que a diligência ainda não havia sido iniciada por motivo de férias do auditor fiscal designado, foi solicitado o retorno deste processo ao Seort. Respondendo à parte dos quesitos, o crédito foi examinado e a restituição foi paga. O pedido de restituição n.° 31383.04781.230609.1.6.021937 bem como a declaração de compensação n.° 31639.38054.270404.1.3.049064 em que o contribuinte utilizou como crédito para compensação o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de julho de 2003, no valor de R$ 82.843,14, objeto deste processo, tiveram sua análise automática pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que não houve sobrestamento do pedido de restituição, pois a regra geral é que todos os documentos sejam processados automaticamente e não há funcionalidade no sistema que permita à DRF/Limeira interromper o ciclo automático para depois retomálo. Quanto aos itens requeridos pela Resolução n.° 1.802/000.284, o sistema que analisa automaticamente o saldo negativo de IRPJ não gera um relatório das verificações feitas por ele para que se possa atendêla, sendo necessária a repetição manual do quanto já realizado por ele, para atender completamente as resoluções do CARF. Considerando a relevância do fato de o contribuinte já ter recebido a restituição e o entendimento do CARF de que “ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF”, proponho o encaminhamento deste processo ao Gabinete da DRF/Limeira para que autorize o envio deste processo àquele órgão de julgamento para ciência dos fatos, retornando o processo, caso entendam imprescindível o cumprimento da Resolução n.° 1.802/000.284. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com a petição de fls. 394 a 404, informando: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 15 14 que enquanto aguardava a realização da diligência requerida, em 20/05/2014 teve creditado em sua conta corrente o valor de R$ 1.199.103,58; que dado o fato de que o aludido saldo negativo já fora utilizado em diversas compensações anteriormente ao pedido de restituição, conforme já constante em suas razões de defesa, a Recorrente no dia seguinte ao crédito realizado em sua conta corrente, diligenciou à Receita Federal para verificar o ocorrido, bem como o procedimento para devolução do valor, tendo sido orientada a requerer a expedição de guia para tal; que tal providência foi adotada já no dia seguinte (22/05/2014), conforme se comprova com a petição anexa; que desde o início pode ser constatada a boafé da empresa em adotar todas as providências que se encontravam ao seu alcance para devolver o dinheiro indevidamente creditado em sua conta; que em 17/06/2014, recebeu Despacho Decisório (doc. anexo) no sentido de que a guia para devolução do dinheiro não seria expedida, sendo o processo suspenso até a decisão final dos processos administrativos de compensação; que a presente petição serve para cientificar e esclarecer os fatos ocorridos neste e em todos os outros processos em que se discute o legítimo direito do contribuinte em ter seu crédito processado como “Saldo Negativo”, afastando qualquer dúvida acerca de sua boafé, consignando expressamente que em nenhum momento pretendeu se aproveitar do crédito em duplicidade, tendo os pedidos de restituição sido efetuados posteriormente às compensações e apenas para resguardar seu direito; que ratifica seu pedido de homologação das compensações efetuadas, e que o valor indevidamente creditado em sua conta corrente será devolvido imediatamente quando da expedição da guia competente por parte da DRF/Limeira. Ao proferir a segunda resolução que reiterou a diligência demandada à Delegacia de origem, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF não compartilhou do entendimento de que a apresentação do pedido de restituição do saldo negativo, posteriormente às declarações de compensação, poderia configurar máfé da Contribuinte, com tentativa de aproveitamento em duplicidade do mesmo crédito, ou algo semelhante. Mas também é importante registrar que o referido pedido de restituição, embora servindo para evitar uma eventual prescrição do crédito, não tinha seus efeitos limitados a essa finalidade. Desde a sua apresentação, o pedido de restituição poderia produzir seus normais efeitos, especialmente porque indicava corretamente a espécie do crédito reivindicado (saldo negativo), sem incorrer no mesmo erro de preenchimento das declarações de compensação. Nesse passo, cabe destacar que as informações prestadas tanto pela Delegacia de origem, quanto pela própria Contribuinte, noticiam que o pedido de restituição foi processado e que o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2003 já foi restituído/ depositado na conta corrente bancária da interessada. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900723/200850 Acórdão n.º 1802002.426 S1TE02 Fl. 16 15 Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 15374.963917/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 17 /2 00 9- 92 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 25 de junho 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 34636.68697.200508.1.3.048397 (fls. 183 a 187), transmitido em 20/05/2008 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 04/2008. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 03/2005, no valor total de R$ 143.816,07, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 39.755,49. À fl. 188 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 26/10/2009 (fl.279), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 02 a 16), alegando, em resumo, que: Foi intimada acerca da decisão atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebida em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 873DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 876DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 878DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 879DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 880DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963917/200992 Acórdão n.º 3801003.618 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10855.909688/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos como o arquivo não paginável e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto.
Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Proferiu sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Dr. Leonardo Romeiro, OAB/DF nº 28.944.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos como o “arquivo não paginável” e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Proferiu sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Dr. Leonardo Romeiro, OAB/DF nº 28.944. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 09 68 8/ 20 09 -3 4 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 211 2 Relatório Tratase o presente processo, que a Recorrente transmitiu em 27/04/2009, o PER/DCOMP de n° 09624.10760.250509.1.3.045298, através da qual compensou o crédito de COFINS, no valor original de R$ 307.570,02, proveniente do DARF no mesmo valor, com a COFINS (código 5856) no valor de R$ 254.624;43, referente ao período de abril/2009, considerando o crédito indicado acima em virtude do recolhimento indevido. A DRF de Sorocaba (SP), conforme o Despacho Decisório, com número de rastreamento 848720462 (fl. 5), emitido eletronicamente em 07/10/2009, concluiu que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformada, a Recorrente em 13/11/2009, protocolou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 8/9. A DRJ de Belo Horizonte (MG), conforme Acórdão de fls. 37/40, julgou IMPROCEDENTE, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 848720462, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 09624.10760.250509.1.3.045298. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$307.570,02, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 18/04/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que alegando que apurou saldo credor de COFINS, conforme DACON retificador apresentado em 10/11/2009. Argumenta, também, que a Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 212 3 DCTF retificadora apresentada em 10/11/2009 justifica o crédito utilizado. É o relatório. Em 10/04/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 45). Inconformada com a decisão da DRJ, em 09/05/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 47/61), no qual argumenta em suas razões, em resumo: a) que a Recorrente sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante a Fazenda Pública, notadamente no tocante ao adimplemento das obrigações tributárias às quais está sujeita no regular desenvolvimento de suas atividades; b) que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc) encontrase no arquivo anexo. Nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica; (iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e (v) bens do ativo imobilizado; portanto, dispêndios passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições conforme previsão expressa contida no artigo 3o das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02; c) ante a identificação dos referidos créditos, recompôs sua apuração de PIS e COFINS a partir de janeiro de 2008, de modo que, ao invés dos originais saldos devedores de PIS e COFINS calculados em janeiro de 2008, apurou saldo credor em janeiro de 2008, o qual repercutiu nos meses seguintes, até abril de 2008, conforme registros de apuração, resumidos no escopo deste recurso; d) que a nova apuração evidenciou os recolhimentos a maior, viabilizou a compensação e ensejou a retificação das obrigações acessórias Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais "DCTF" e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais "DACON", de modo a ratificar o recolhimento a maior passível de restituição e compensação; e) no que se refere ao presente PAF, a Recorrente, na competência de março de 2008, apurou originalmente a COFINS a recolher no montante de R$ 307.570,02. Tal valor foi recolhido por meio de DARF no mesmo valor, cuja arrecadação se deu em 18.04.2008. Esse mesmo valor foi informado no DACON e na DCTF originais, apresentado neste processo em momento anterior. Consequentemente, para o mês de março de 2008, ocorreu um pagamento indevido de COFINS no montante de R$ 307.570,02, gerando desta forma um crédito a ser utilizado. Por esta razão, transmitiu o PER/DCOMP em questão, o qual utilizou somente parte do crédito acima, no valor de R$ 254.624,43, apurado no mês de abril de 2009, conforme demonstrativos dos valores e dos PAF´s respectivos, representado no corpo do recurso voluntário (fl. 52); f) desta forma, a Recorrente verificou que, por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de março de 2008. Assim, em 10/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), o que confirmou o crédito Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 213 4 pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório; g) que, apesar da Recorrente ter apresentado o DACON e a DCTF retificadores do mês de março de 2008 posteriormente à prolação do Despacho Decisório, é evidente a existência de seu direito creditório, o qual restou devidamente comprovado quando da apresentação dos referidos DACON e DCTF retificadores e que os julgadores administrativos originários sequer analisaram a documentação apresentada, a qual comprovava de forma idônea a veracidade dos créditos alegados; h) Assim, argumenta que ao contrário do alegado no Acórdão recorrido, a autoridade administrativa possuía meios suficientes para confirmar a existência dos créditos por meio da DCTF e do DACON retificadores, mesmo que apresentado fora do prazo, alegando violação do Princípio da Verdade Material. Cita diversos julgados administrativos do CARF nesse sentido; i) solicita, ainda, a conversão do Julgamento em Diligência, caso se entenda que as obrigações acessórias retificadoras não sejam suficientes para evidenciar o equívoco das informações prestadas originalmente e que a apuração do crédito compensando se encontra lastreado em documento elaborado de maneira detalhada no estudo desenvolvido pela idônea empresa de auditoria PwC. Por fim, ante todo o exposto, e considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o Acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida no PER/DCOMP referenciado. Solicita ainda que o presente processo seja julgado em conjunto com outros 03 (três) PAF,s que relaciona, por possuírem PER/DECOMPs vinculados ao mesmo crédito apurado no mês de março de 2008. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, atinente à ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na PER/DCOMP colacionada aos autos. Observase ainda que, que na fase de instrução probatória, portanto, antes da prolação do Despacho Decisório, a Recorrente não trouxe aos autos a documentação – cópia da DCTF retificadora e também cópia do DACON retificado, uma vez que os mesmos foram entregue ao fisco, após a ciência do Despacho Decisório. Quanto a estes ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte maneira: (...) É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 214 5 seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, cabe à RFB não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Da mesma forma, a retificação da DCTF não produz efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 2010, art. 9º, § 2º, I, c). A DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório, em razão da não homologação da compensação ou do indeferimento da restituição, não tem nenhuma força de convencimento. Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. Repisese que a controvérsia trata de questão de fato, uma vez que, ficou consignado no Despacho Decisório que “a partir das características do DARF descrito no PER/DECOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP”. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado que: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue. Por outro lado a Recorrente, aduz em seu recurso que por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de março de 2008 no momento oportuno. Assim, em 10/11/2009, os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que as retificações tenham sido efetivada posteriormente ao despacho decisório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 215 6 Ademais, como justificativa, aduz em seu recurso, que no anocalendário 2009, contratou a empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso (fls. 83/88) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), que encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Alega que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 10/11/2009 (fl. 18), ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 19/10/2009 (fl. 7). Ressaltamos que à época dos fatos vigorava a IN SRF no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de: “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Ainda, a mesma Instrução Normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme art. 11, § 8º). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento fiscal ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. No entanto, sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 216 7 Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculada a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, é imprescindível analisar se a Recorrente recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art.219 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração anteriormente entregue (grifouse). Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo, vários documentos citados, quais sejam: cópia da DCTF e DACON originais e retificadores, trabalho de auditoria realizado pela empresa PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil), cujo resultado encontrase no relatório sintético (fls. 83/88) e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), encontrase no arquivo anexado aos autos (arquivo não paginável). Informa que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Alega que tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Ou seja, a recorrente apresentou uma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 217 8 O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente alega que acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarada na DCTF originária. Por consequência, aduz que restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que foi decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (arquivo não paginável e cópias de documentos), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário na origem, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para com base nos documentos de fls. 83 a 177 e das planilhas (formato Excel) e informações anexados aos autos como “arquivo não paginável”, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer, demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS e do PIS, levandose em conta o conteúdo das informações constantes do relatório da empresa PwC Brasil PriceWaterhouseCoopers (fls 83/88), fatos estes que se encontram resumidos em seu recurso voluntário às fl. 50, onde a Recorrente alega que tais dispêndios são oriundos de: i) bens utilizados como insumos; ii) serviços utilizados como insumo; iii) despesas de aluguéis de prédios alugados de pessoa jurídica; iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e v) bens do ativo imobilizado. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909688/200934 Resolução nº 3802000.363 S3TE02 Fl. 218 9 Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001236/2002-67
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS.
Referindo-se a lei a contribuições “incidentes” sobre as “respectivas” aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito.
ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS:
Para enquadramento no benefício, caracterizam-se como matéria-prima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o mesmo, no processo de fabricação; portanto, a energia elétrica utilizada como força motriz atua sim diretamente sobre o produto, enquadrando-se nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário; e
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC:
Por absoluta falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária ou de juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.071
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que davam provimento parcial para reconhecer o crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização pela Selic. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS. Referindo-se a lei a contribuições “incidentes” sobre as “respectivas” aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS: Para enquadramento no benefício, caracterizam-se como matéria-prima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o mesmo, no processo de fabricação; portanto, a energia elétrica utilizada como força motriz atua sim diretamente sobre o produto, enquadrando-se nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário; e RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC: Por absoluta falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária ou de juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-12-19T20:38:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2014-12-19T20:38:53Z; Last-Modified: 2014-12-19T20:38:53Z; dcterms:modified: 2014-12-19T20:38:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2014-12-19T20:38:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-12-19T20:38:53Z; meta:save-date: 2014-12-19T20:38:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-12-19T20:38:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2014-12-19T20:38:53Z; created: 2014-12-19T20:38:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2014-12-19T20:38:53Z; pdf:charsPerPage: 2428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-12-19T20:38:53Z | Conteúdo => CC02/C01 Fls. 2 _________ 1 nfls txtfls1 CC02/C01 OOlldd MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA SSEEGGUUNNDDOO CCOONNSSEELLHHOO DDEE CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEESS PPRRIIMMEEIIRRAA CCÂÂMMAARRAA PPrroocceessssoo nnºº 13886.001236/2002-67 RReeccuurrssoo nnºº 138.360 Voluntário MMaattéérriiaa IPI - Ressarcimento. AAccóórrddããoo nnºº 2102-00.071 SSeessssããoo ddee 05 de março de 2009 RReeccoorrrreennttee TOYOBO DO BRASIL INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA. RReeccoorrrriiddaa DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS. Referindo-se a lei a contribuições “incidentes” sobre as “respectivas” aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS: Para enquadramento no benefício, caracterizam-se como matéria-prima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o mesmo, no processo de fabricação; portanto, a energia elétrica utilizada como força motriz atua sim diretamente sobre o produto, enquadrando-se nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário; e RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC: Por absoluta falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária ou de juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 3 _________ 2 voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que davam provimento parcial para reconhecer o crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização pela Selic. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator ad hoc. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator EDITADO EM 19/12/2014. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente), Maurício Taveira e Silva e Ivan Allegretti (Suplente). Relatório Por retratar bem os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente de pedido de ressarcimento complementar do crédito presumido apurado no período em epígrafe, sendo que o valor solicitado decorre da inclusão, no cálculo do crédito das aquisições de energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e gases, bem como das mercadorias adquiridas de pessoas físicas (produtores rurais). O pleito foi indeferido pela autoridade competente, porque as aquisições de energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e gases não estão abrangidas no conceito de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme definido pela legislação do IPI, subsidiariamente aplicada nos termos do artigo 3° da Lei n° 9.363/96. Quanto ás mercadorias adquiridas de pessoas físicas, como não estão sujeitas ás contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, o § 2° do artigo 2° da IN SRF n° 23/97 vedaria sua inclusão no cálculo do beneficio. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que são ilegais as restrições feitas através de Instruções Normativas, relativas ás exclusões em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 4 _________ 3 Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados que cita. A 2 a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão n o 14-14.447, de 06/12/2006, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Dessa decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 09/01/2007, conforme AR, e, no dia 31/01/2007, ingressou com recurso voluntário, no qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi sorteado para relatar. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Dele se conhece. I – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 5 _________ 4 Dentre as matérias controversas trazidas à baila, a presente diz respeito a aquisições feitas pela empresa, ora recorrente, frente a pessoas físicas e cooperativas de produtores, cujo objetivo é o levantamento do crédito presumido de IPI e a apuração saldo suficiente de crédito presumido do referido imposto, visando o ressarcimento. Tal matéria encontra-se disciplinada nos arts. 1º e 2º da Lei n.º 9.363, de 13/12/96, transcritos a seguir: “Artigo 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n. os . 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Artigo 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (grifos nossos) Cabe, a esta altura, ter em mente que a apuração do crédito presumido de IPI está associada à quantificação dos créditos gerados pelas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse exame é possível asseverar que boa parte da aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem deve integrar a apuração do crédito presumido de IPI. Dessa forma, não é possível limitar ou selecionar as aquisições (valores) das demais matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens que seriam passíveis de integrar o levantamento do crédito presumido de IPI, porquanto tal posicionamento configuraria postura contrária à lei. Além disso, a questão sob exame conta com posicionamento sedimentado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo observa-se dos seguintes julgados: “IPI - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO - 1) AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei n.º 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 6 _________ 5 bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei n.º 9.363/96). A lei citada refere-se a ‘valor total’ e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas SRF n.ºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n.º 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS (IN SRF n.º 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n.º 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. 2) EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS - Estando em pleno vigor, no ano de 1996, os artigos 1º e 3º do Decreto-Lei n.º 1.248, de 29.11.72, são assegurados ao produtor-vendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação nas vendas a empresas comerciais exportadoras destinadas à exportação. 3) TAXA SELIC - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei n.º 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n.º 2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido.” (1ª Câmara, Recurso n.º 110.657, Processo n.º 10675.000979/97-61; julgado em 17/04/2001; rel. Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa, Acórdão n.º 201-74.438) “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECONHECIMENTO. A receita, inclusive de exportação, deve ser reconhecida quando da tradição do bem exportado, que se dá apenas quando da entrega do bem pelo vendedor exportador ao comprador estrangeiro, conforme a modalidade de exportação contratada, e não quando da celebração de dito contrato e da emissão da correspondente nota fiscal. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições feitas de não contribuintes das contribuições para o PIS e da COFINS. Recurso a que se nega provimento.” (Acórdão CSRF/02-01.250, 2ª Turma, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Recurso n.º 110.146, Processo n.º 10945.008246/97-56, sessão: 27/01/2003) Adoto a orientação como parâmetro decisório, salientando que também o STJ enfrentou a matéria, tendo optado por idêntico desfecho: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 7 _________ 6 “TRIBUTÁRIO - CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA - LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 - LEGALIDADE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 - Regulamento do IPI -, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Recurso especial improvido.” (REsp n.º 586.392/RN, rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19/10/2004, DJ de 06/12/2004, p. 259) Assim, o direito creditório de que a contribuinte se diz detentora e sobre o qual fundamenta, decorre do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, do qual, pelos fundamentos aqui expostos, os julgadores a quo tolheram-na quando correspondentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas que compõem a base de cálculo do crédito. II - ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Uma das questões suscitadas no mérito do presente questionamento, versa sobre a possibilidade dos valores gastos com energia elétrica comporem ou não o cálculo do crédito presumido do IPI. Neste sentido, vejamos o que dispõe o art. 1º, caput, e § 1º, da Lei 10.276/2001, in verbis: Art. 1º. Alternativamente ao disposto na Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 8 _________ 7 § 1º. A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo;” (destaques nossos) Desta forma, apesar do Pedido de Ressarcimento tratar de período anterior à edição da Lei n o 10.276/01, considero que a mesma veio fortalecer o entendimento que, data máxima vênia, considero correto, qual seja, o de que a Lei n o 9.363/96, em seus arts. 1º e 2º, ao versar sobre a possibilidade das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, comporem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, o que englobaria as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por serem produtos intermediários que, embora não integrando o produto final, são consumidos no processo industrial. Esse entendimento, inclusive, encontra respaldo nos arts. 147 e 488 do Decreto n o 2.637/98 (Regulamento do IPI), vigente à época do Pedido de Ressarcimento: “Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Art. 488. Consideram-se bens de produção (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decreto-lei n.º 34, de 1966, art. 2º , art. 1º): I - as matérias-primas; II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial;” (original sem destaque) Adicionalmente, não bastassem os argumentos trazidos à baila, vejo que as referidas disposições da Lei n o 10.276/01 podem ser consideradas aplicáveis no presente caso por força do art. 106, II, do CTN, ou seja, a interpretação da norma tributária mais benéfica ao contribuinte (lex mitior). Vejamos: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 9 _________ 8 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim também entende o ilustre Hugo de Brito Machado, em “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume II, Editora Atlas S.A., São Paulo, 2004, páginas 164 e 165, ao reforçar que: “Temos no art. 106 do Código Tributário Nacional, portanto, duas hipóteses de aplicação retroativa da lei tributária, a saber, a hipótese de lei expressamente interpretativa e a hipótese de lei punitiva mais favorável ao acusado, que denominamos retroatividade benigna. Quanto a esta última, não existem divergências dignas de nota.” Além disso, o Conselho de Contribuintes possui recentes decisões tratando a matéria. Destaco, os Recursos Voluntários 110.473, 110.474 e 110.475, de semelhante teor, oportunidade em que passo a transcrever o primeiro deles, conforme se observa a seguir: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. Estão abrangidos no conceito de produto intermediário os produtos que, embora não se integrem ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização. Integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica, nos termos do art. 2º da Lei n.º 9.363/96. Recurso Voluntário provido.” (Recurso 110.473, Acórdão 201-74.607, relator Cons. Serafim Fernandes Corrêa) (grifamos e destacamos) Este também foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme julgado a seguir colacionado: “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. ENERGIA ELÉTRICA. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, em especial quando utilizada diretamente no processo produtivo, fisicamente consumida em decorrência da ação exercida sobre o produto em fabricação (FeSi).” (Acórdão n.º CSRF/02- 01.662, 2ª Turma) (grifamos e destacamos) Comungo desta opinião, pois que a energia elétrica e os combustíveis, mesmo não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, tratando- se assim de um produto intermediário. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 10 _________ 9 Outrossim, a Súmula nº 12 do 2º CC veio a determinar o contrário, in verbis: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.” Quanto à energia elétrica e combustíveis, portanto, não resta a esse julgador outra alternativa senão negar provimento ao pedido da contribuinte III – SELIC Com relação a aplicação da taxa SELIC, adoto o entendimento de que deve ser a mesma deferida a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. A Lei n.º 9.250/95, estabeleceu a possibilidade de atualização monetária das compensações e/ou restituições pela taxa SELIC, conforme disposto em seu art.39, verbum ad verbum: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (original sem destaque) Adicionalmente, a Portaria n.º 38, de 27/02/97, que “dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996”, estabeleceu em seus arts. 5º e 8º, que: “Art. 5º - A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 ( cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigado ao pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor equivalente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora. (...) Art. 8º - Os valores a que se referem o caput e o parágrafo 1º do art. 5º, quando não forem pagos no prazo previsto no parágrafo Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 11 _________ 10 2º do mesmo artigo, serão acrescidos, com base no art. 61 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de multa de mora e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC -, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal de venda dos produtos, pela empresa produtora vendedora, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (original sem destaque) Uma vez que a legislação trata da possibilidade de atualização em casos de compensação ou restituição e o contribuinte deu entrada em pedido de ressarcimento, o meu entendimento, também adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais através do acórdão n.º CSRF/02-0.708, é o de que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição. Desta forma, não restam dúvidas quanto à possibilidade de utilização da taxa SELIC a partir da data em que é feito o pedido de ressarcimento. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, para acatar o pleito no tocante aos créditos obtidos das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e da atualização pela taxa selic a partir do protocolo do pedido, negando provimento quanto ao aproveitamento de crédito de energia elétrica e combustíveis. Sala das Sessões, em 05 de março de 2009 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator ad hoc. Acompanho o Ilustre Conselheiro Relator em relação à inclusão, na base de cálculo do benefício, do valor das aquisições de energia elétrica e combustíveis. No entanto, abro divergência em relação às aquisições de MP, PI e ME junto a pessoas físicas e a cooperativas e, também, com relação à incidência de correção monetária e/ou juros selic sobre o valor a ressarcir, pelas razões, de fato e de direito, abaixo aduzidas. Quanto ao mérito, especificamente, quanto às aquisições efetuadas a pessoas físicas e cooperativas, discordo da tese esposada pela recorrente e pelo Ilustre Relator e ratifico os argumentos da decisão recorrida, acrescentado os fundamentos complementares abaixo. A Lei nº 9.363/96, em seu art. 1º, é muito clara ao dispor que a empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7/70; 8/70; e 70/91, Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 12 _________ 11 “incidentes sobre as respectivas aquisições”, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ora, se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido deve-se observar que a lei fala em “incidentes sobre as respectivas aquisições”, de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores, se, nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora, estas não incidiram. A respeito deste assunto, destaco outros pontos do Parecer PGFN nº 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda e citado na decisão recorrida: “21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não ‘incidiram’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional”. E não é só a partir do art. 1º da Lei nº 9.363/96 que se pode vislumbrar este entendimento, porque nos demais artigos da lei também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: “24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5º da Lei nº 9.363, de 1996, in verbis: ‘Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente’. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 13 _________ 12 27. O art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5º, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei nº 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduz-se o art. 3º da multicitada Lei nº 9.363, de 1996: ‘Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador’ (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei nº 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei nº 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS.” Assim, é verdade que o objetivo da lei, como um todo, foi o de estimular a exportação, contudo, sem dúvidas, há limitações para o gozo deste benefício, sendo descabido falar na inclusão, para efeito de custo acumulado dos insumos, no cômputo do crédito presumido, dos valores relativos às aquisições de matérias-primas, quer adquiridas de pessoas físicas, quer adquiridas de sociedades cooperativas ou de qualquer outra pessoa jurídica que não seja contribuinte do PIS e da Cofins. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001236/2002-67 Acórdão n.º 2102-00.071 CC02/C01 Fls. 14 _________ 13 Relativamente aos juros selic e/ou correção monetária que a recorrente pede, entendo que, ante a ausência de previsão legal para atualização monetária, bem assim no tocante a pagamento de juros incidentes sobre valores a serem ressarcidos, os mesmos são indevidos. É que a Lei nº 9.250/95, em seu art. 39, § 4º, quando estabelece que a compensação ou restituição será acrescida dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, ela não incluiu os ressarcimentos. E não poderia ser diferente, vez que o ressarcimento tem lugar quando a lei institui um benefício fiscal, ao passo que a compensação ou restituição ocorrem na hipótese de pagamento indevido ou a maior que o devido, isto é, houve efetivamente um pagamento anterior, inexistente no caso do crédito presumido do IPI, porque, como o próprio nome sugere, o crédito é “presumido”, nada foi recolhido a título de IPI, e o que foi pago como contribuição ao PIS e Cofins, foi encargo legal do fornecedor daquele que pretende se aproveitar do benefício, e, além disso, corresponde a valores devidos e não a indébitos. Face ao exposto e por tudo o mais que do processo consta, meu voto é para negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 05 de março de 2009. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Redator ad hoc. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910875/2008-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 75 /2 00 8- 72 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910875/200872 Acórdão n.º 3803006.695 S3TE03 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 3.080,35, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910875/200872 Acórdão n.º 3803006.695 S3TE03 Fl. 62 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910875/200872 Acórdão n.º 3803006.695 S3TE03 Fl. 63 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910875/200872 Acórdão n.º 3803006.695 S3TE03 Fl. 64 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13807.009212/00-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se à CSLL, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS.
A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal, afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. Despesas não comprovadas, lançadas em duplicidade, ou relativas a bens que deveriam ter sido objeto de lançamento no ativo permanente para posterior depreciação, dentre outras, constituem exemplos de despesas que geram reflexo na apuração da CSLL devida. Não precisam ser adicionadas, para efeito da base de cálculo da contribuição, as despesas simplesmente indedutiveis para fins do imposto de renda, quando, de acordo com a legislação comercial, constituam efetivamente despesa para a empresa, a menos que haja previsão legal específica para a CSLL.
DESPESAS OPERACIONAIS COMPROVADAS DOCUMENTALMENTE APENAS NO CURSO DA FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. INDEDUTIBILIDADE.
Quando o sujeito passivo logra apresentar documentos, relativos a despesas que foram glosadas por falta de comprovação, somente na fase litigiosa do processo, é lícito ao fisco, quando instado a analisar tais documentos em sede de impugnação, eventualmente arguir a desnecessidade da despesa, ou a sua indedutibilidade por outras razões, pois a apresentação do documento constitui fato novo a respeito do qual o fisco não tinha conhecimento quando da autuação, e não permiti-lo consistiria em indevido benefício ao contribuinte infrator. Por outro lado, ao contribuinte deve ser resguardado o direito a se defender plenamente das novas acusações que venham a eventualmente ser feitas.
DESPESAS OPERACIONAIS. NECESSIDADE DAS DESPESAS.
Exclui-se do valor tributável as parcelas relativas às despesas cuja efetividade e necessidade foram comprovadas no curso do processo.
DESPESAS OPERACIONAIS. MULTAS ADMINISTRATIVAS.
Não são dedutíveis as multas por infrações a normas de natureza não tributária.
BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS. GLOSA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPRECIAÇÃO.
Os bens e direitos ativáveis devem ser considerados como se estivessem escriturados em conta do ativo permanente, sendo cabível, além da glosa da despesa, também o lançamento da correção monetária eventualmente incidente sobre estes mesmos bens, contudo, há que ser reconhecido, igualmente, o direito à dedução, nos valores lançados, da correspondente depreciação.
DESPESAS OPERACIONAIS. CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES.
As despesas com doações e contribuições que configurem mera liberalidade não atendem aos requisitos de necessidade e são indedutíveis do lucro real.
Numero da decisão: 1102-001.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso interposto e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para: (i) cancelar a exigência fiscal a título de omissão de receitas; (ii) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de despesas não comprovadas, no valor tributável de R$ 19.500,00; (iii) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de despesas não necessárias, no valor tributável de R$ 5.500,00; (iv) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de bens de natureza permanente deduzidos como despesas, na proporção do direito reconhecido à depreciação incidente sobre estes bens, conforme detalhado no voto; (v) cancelar parcialmente a exigência fiscal reflexa de CSLL, no valor tributável de R$ 993,12, correspondente à despesa considerada indedutível da base de cálculo do IRPJ, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e Ricardo Marozzi Gregório, que divergiram somente com relação ao item v, para manter a exigência reflexa de CSLL.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. Recorrente ARLIQUIDO COMERCIAL LTDA. (nova razão social de AIR LIQUID DO BRASIL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 DESISTÊNCIA PARCIAL EXPRESSA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece das alegações recursais no tocante à parte das exigências com relação às quais houve expressa manifestação de desistência do recurso interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 QUEBRAS E PERDAS RAZOÁVEIS DE ESTOQUES São admitidas como custo, as quebras e perdas ocorridas na produção, quando razoáveis, em face da natureza do bem e da atividade da empresa. DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS. DESPESAS DE PEQUENO VALOR. ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Ao fisco incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito. O fato de se tratar de despesas de pequeno valor e/ou de ter a recorrente comprovado a maior parte das despesas não elide a necessidade de sua comprovação com documentos hábeis e idôneos. Não comprovado o estorno contábil de despesas lançadas em duplicidade, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 92 12 /0 0- 10 Fl. 6479DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 3 2 mantémse a sua glosa como despesas não comprovadas. Excluise do valor tributável as parcelas comprovadas no curso do processo. DESPESAS OPERACIONAIS COMPROVADAS DOCUMENTALMENTE APENAS NO CURSO DA FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. INDEDUTIBILIDADE. Quando o sujeito passivo logra apresentar documentos, relativos a despesas que foram glosadas por falta de comprovação, somente na fase litigiosa do processo, é lícito ao fisco, quando instado a analisar tais documentos em sede de impugnação, eventualmente arguir a desnecessidade da despesa, ou a sua indedutibilidade por outras razões, pois a apresentação do documento constitui fato novo a respeito do qual o fisco não tinha conhecimento quando da autuação, e não permitilo consistiria em indevido benefício ao contribuinte infrator. Por outro lado, ao contribuinte deve ser resguardado o direito a se defender plenamente das novas acusações que venham a eventualmente ser feitas. DESPESAS OPERACIONAIS. NECESSIDADE DAS DESPESAS. Excluise do valor tributável as parcelas relativas às despesas cuja efetividade e necessidade foram comprovadas no curso do processo. DESPESAS OPERACIONAIS. MULTAS ADMINISTRATIVAS. Não são dedutíveis as multas por infrações a normas de natureza não tributária. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS. GLOSA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPRECIAÇÃO. Os bens e direitos ativáveis devem ser considerados como se estivessem escriturados em conta do ativo permanente, sendo cabível, além da glosa da despesa, também o lançamento da correção monetária eventualmente incidente sobre estes mesmos bens, contudo, há que ser reconhecido, igualmente, o direito à dedução, nos valores lançados, da correspondente depreciação. DESPESAS OPERACIONAIS. CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES. As despesas com doações e contribuições que configurem mera liberalidade não atendem aos requisitos de necessidade e são indedutíveis do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase à CSLL, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal, afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. Despesas não comprovadas, lançadas em duplicidade, ou relativas a bens que deveriam ter sido objeto de lançamento no ativo permanente para posterior depreciação, dentre outras, constituem exemplos Fl. 6480DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 4 3 de despesas que geram reflexo na apuração da CSLL devida. Não precisam ser adicionadas, para efeito da base de cálculo da contribuição, as despesas simplesmente indedutiveis para fins do imposto de renda, quando, de acordo com a legislação comercial, constituam efetivamente despesa para a empresa, a menos que haja previsão legal específica para a CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente do recurso interposto e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para: (i) cancelar a exigência fiscal a título de omissão de receitas; (ii) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de despesas não comprovadas, no valor tributável de R$ 19.500,00; (iii) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de despesas não necessárias, no valor tributável de R$ 5.500,00; (iv) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de bens de natureza permanente deduzidos como despesas, na proporção do direito reconhecido à depreciação incidente sobre estes bens, conforme detalhado no voto; (v) cancelar parcialmente a exigência fiscal reflexa de CSLL, no valor tributável de R$ 993,12, correspondente à despesa considerada indedutível da base de cálculo do IRPJ, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e Ricardo Marozzi Gregório, que divergiram somente com relação ao item ‘v’, para manter a exigência reflexa de CSLL. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Por se tratar de processo antigo — cujo controle é feito em papel, nada obstante tenha sido digitalizado — a numeração de folhas utilizada no presente relatório e voto corresponde à numeração física, e não à digital. Tratase de recurso voluntário interposto por ARLIQUIDO COMERCIAL LTDA. contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/São PauloI/SP, que julgou parcialmente procedente a impugnação contra o lançamento de ofício efetuado. Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, relativos ao ano calendário 1995. Fl. 6481DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 5 4 Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 877 a 882, foram constatadas pela fiscalização as seguintes irregularidades, as quais reproduzo conforme descritas no relatório da decisão recorrida: OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇA DE ESTOQUE AJUSTE DE INVENTÁRIO A contribuinte contabilizou como custo, a título de Acerto de Inventário (contas 8635.XXXXX, 8636.XXXXX e 8637.XXXXX) o valor de R$ 725.633,97 (fl. 76). Intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetividade, a necessidade e a vinculação de tais gastos, a demonstrar o cálculo do referido valor, e a justificar tal lançamento (fls. 82, 110 e 124), a contribuinte apresentou as respostas de fls. 83 a 109, 111 a 120, e 130, não logrando, entretanto, êxito em explicar tal lançamento, amparado em documentação hábil e idônea. Na resposta de fls. 111 a 120, somados os totais das supracitadas contas (fls. 117 e 118), obtémse o valor de R$ 725.633,97, mas a contribuinte não esclarece como os valores foram calculados. Na resposta de fl. 130 consta que as variações de estoque são ajustadas para mais (a débito da conta 8636), ou para menos (a crédito da conta 8635), sendo determinado o custo médio do estoque (a débito ou a crédito da conta 8637). Tal fato caracteriza omissão de receitas, no montante de R$ 725.633,97, uma vez que o valor apropriado como custo, referente à diferença de estoque não foi comprovado. GLOSA DE CUSTOS – DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS A contribuinte contabilizou algumas despesas, relativas às filiais Jaguaré (julho/95), Varginha (julho/95), Santos (julho/95), Taubaté (julho/95), Canoas (julho/95), e Curitiba (dezembro/95), mais de uma vez, conforme Demonstrativo Consolidado de Custos ou Despesas do Diário (fls. 883 a 891). A tabela a seguir sintetiza a infração. Filial Despesa (R$) Nº vezes Excesso (R$) Jaguaré 1.317,97 2 1.317,97 Varginha 1.095,75 2 1.095,75 Santos 4.068,49 2 4.068,49 Taubaté 556,29 2 556,29 Canoas 209.615,17 5 838.460,68 Curitiba 28.177,56 2 28.177,56 Total a ser glosado 873.676,74 CUSTOS E/OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS A contribuinte deixou de apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse alguns lançamentos de custos / despesas, conforme Demonstrativo Consolidado de Custos ou Despesas do Diário (fls. 892 a 926). A tabela a seguir sintetiza a infração. Conta Despesa (R$) Condução Local 61.722,03 Viagens e Estadias 167.680,11 Passagens Internas 84.054,91 Fl. 6482DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 6 5 Viagens ao Exterior 22.354,70 Ajuda de Custo 62.899,83 Transporte para Vendas 176.786,58 Transporte para Transferência 419.768,54 Outros Transportes 462.574,34 Donativos e Liberalidades 38.021,47 Conservação 339.790,23 Total de custos/despesas não comprovados 1.835.652,74 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS Foram glosados, por serem considerados desnecessários, custos e despesas lançados nas contas a seguir discriminadas: Conta Despesa (R$) Viagens e Estadias 6.562,31 Passagens Internas 19.792,53 Outros Transportes 1.136,30 Conservação 5.500,00 Total de custos/despesas não necessários 32.991,14 Os gastos acima foram considerados desnecessários pois tratavase de: a) Viagens e Estadias: gastos com passagens e/ou hospedagens de pessoa que não pertencia ao quadro de funcionários da empresa no momento do desembolso (fls. 45 a 60); gastos com passagens e/ou hospedagens de cônjuge e filhos de empregado da empresa; b) Passagens Internas: gastos com passagens de pessoa que não pertencia ao quadro de funcionários da empresa no momento do desembolso (fls. 45 a 60); gastos com passagens de cônjuge de empregado da empresa; c) Outros Transportes: gastos com mudança de funcionário, não sendo comprovado que houve a transferência para outra filial da empresa; d) Conservação: gastos com reforma de apartamento de pessoa que não pertencia ao quadro de funcionários da empresa no momento do desembolso (fls. 45 a 60). CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS – BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS Do total contabilizado como custo a título de Conservação, R$ 300.164,42, referente a máquinas, equipamentos e componentes e suas respectivas instalações, cessão de direito de uso de softwares, material e mãodeobra utilizados em reforma de tanque (fls. 323 a 442) foram deduzidas indevidamente como despesas, pois bens de vida útil superior a um ano ou custo unitário de aquisição superior a 394,13 UFIR (artigo 244 do RIR/94) devem ser contabilizados no Ativo para posterior correção monetária. CORREÇÃO MONETÁRIA BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS Fl. 6483DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 7 6 Por se tratar de bens que deveriam ter sido contabilizados no Ativo, os diversos itens supracitados, cujo valor total é de R$ 300.164,42, deveriam ter sido corrigidos monetariamente, sendo o saldo credor tributável. A fiscalização procedeu à correção monetária dos bens separadamente das demais contas escrituradas, conforme Demonstrativo de Correção Monetária de Bens de Natureza Permanente Deduzidos como Despesas (fls. 927 a 930), resultando saldo credor de R$ 22.751,80. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DONATIVOS E LIBERALIDADES Do total contabilizado como custo e/ou despesa a título de Donativos e Liberalidades, R$ 1.876,85 foram considerados não dedutíveis. A contribuinte alegou tratarse de contribuições e doações amparadas no artigo 306 do RIR/94. Tendo a contribuinte apurado Resultado Operacional negativo (fl. 29), tal valor deveria ter sido adicionado, na apuração do lucro real. Inconformado com os lançamentos, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 960 a 983) alegando, em síntese, o seguinte, ainda conforme o relatório da decisão recorrida: ESCLARECIMENTOS INICIAIS A totalidade do Auto de Infração referese a glosa de despesas, de naturezas diversas, incorridas no anocalendário de 1995, as quais não teriam sido comprovadas pela impugnante, quando da fiscalização realizada em suas dependências. É oportuno esclarecer que a impugnante, no anocalendário de 1995, procedeu à descentralização de sua contabilidade, sendo certo que, em decorrência desse fato, diversos documentos pertinentes às despesas glosadas estão em seus estabelecimentos espalhados por todo o país. Além disso, os lançamentos contábeis questionados pela fiscalização estão lastreados em milhares de documentos, não conseguindo a impugnante localizar a totalidade dos comprovantes. Isso demonstra a necessidade de que seja deferida a realização de perícia contábil, o que se requer desde já, bem como que à impugnante seja permitido trazer novos documentos aos autos, através do que a verdade material será atingida. OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇA DE ESTOQUE AJUSTE DE INVENTÁRIO Conforme consta nos esclarecimentos prestados à fiscalização em decorrência do Termo de Intimação Fiscal nº 12 (fls. 124 e 130), a impugnante, ao final do ano calendário de 1995, avaliou as mercadorias e matérias primas constantes em seus estoques com base em inventário físico, registrandoas em sua contabilidade pelo custo médio das aquisições. Os ajustes de inventário, decorrentes da adoção dessa sistemática, estão lastreados em controles físicos que foram efetuados mensalmente por filial, sendo Fl. 6484DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 8 7 que, no encerramento do anocalendário de 1995, tais ajustes foram registrados no inventário final. A título de exemplo, confirase as listagens (relatórios de contagem e variação do inventário) elaboradas no ano de 1995 em algumas de suas filiais (docs. 2 a 11, fls. 1005 a 1108). Devese ressaltar, no entanto, que a impugnante possui nos arquivos de suas filiais milhares de listagens e relatórios iguais aos que estão anexados à presente defesa, sendo que foi impossível localizar a diferença glosada pela fiscalização no prazo para a apresentação da defesa. Além, disso, conforme se observa pelo demonstrativo juntado à presente defesa (doc. 12, fl. 1109), o Auditor Fiscal, ao calcular o IRPJ, considerou a título de prejuízos a compensar apenas o valor de R$ 3.067.113,69. Assim, a fiscalização não deduziu do prejuízo fiscal da impugnante o valor de R$ 725.633,97, correspondente à exigência fiscal relativa aos ajustes de inventário. Ocorre que consta na Ficha 7 – Demonstrativo do Lucro Real PJ em Geral – de sua declaração de rendimentos (doc. 13, fls. 1110 a 1130) que a impugnante, no anocalendário de 1995, apurou prejuízo fiscal de R$ 3.971.945,66, suficiente para absorver a totalidade do valor (R$ 3.792.747,66) que foi objeto de lançamento de ofício, abrangendo, inclusive, os valores relativos ao inventário. Por esta razão também é indevida a exigência dos juros de mora e da multa de ofício, calculados sobre o crédito tributário lançado. GLOSA DE CUSTOS – DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS Em virtude da descentralização de sua contabilidade (os registros contábeis passaram a ser efetuados pelas filiais e consolidados na matriz, no encerramento do período), e de escusável lapso funcional, a impugnante efetuou, mais de uma vez, alguns lançamentos das despesas de suas filiais, na conta de resultado consolidado no Livro Diário Geral. No entanto, a exigência fiscal é indevida, uma vez que a fiscalização não atentou para o fato de que a impugnante procedeu aos estornos dos valores lançados em duplicidade, conforme podese observar pela confrontação entre os valores constantes no Termo de Fiscalização e o Anexo 2, referente à filial de Canoas, a seguir sintetizados: Ocorrência Estorno 4 lançamentos de R$ 74.394,93 doc.14 4 lançamentos de R$ 956,37 pelo valor total, de R$ 3.825,48 (doc.15) 4 lançamentos de R$ 6.849,25 pelo valor total, de R$ 27.397,00 (doc.15) 4 lançamentos de R$ 14.724,63 pelo valor total, de R$ 58.898,52 (doc.15) 4 lançamentos de R$ 12.276,67 pelo valor total, de R$ 49.106,68 (doc.15) 4 lançamentos de R$ 9.915,97 pelo valor total, de R$ 39.663,88 (doc.15) 4 lançamentos de R$ 8.790,97 pelo valor total, de R$ 35.163,88 (doc.15) outros lançamentos, totalizando R$ 362.825,52 estorno efetuado pelo seu valor líquido (doc. 16) Do mesmo modo que algumas despesas foram lançadas em duplicidade, a impugnante também efetuou o lançamento em duplicidade de algumas receitas de Fl. 6485DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 9 8 suas filiais, conforme se observa pelo quadro de “conciliação de fornecedores” (doc. 17). O estorno das despesas (R$ 326.825,52) e das receitas (R$ 288.936,23) foi realizado através de um único lançamento, no valor da diferença apurada (R$ 211.241,86). As despesas lançadas em duplicidade relativas às outras filiais mencionadas no Termo de Fiscalização também foram estornados. Porém tal fato deve ser provado através de perícia contábil, uma vez que, em virtude da ausência de tempo hábil e do imenso volume de documentos existentes, os respectivos lançamentos contábeis não foram localizados. Além disso, caso o raciocínio do Auditor Fiscal estivesse correto, a contabilidade da impugnante deveria apresentar saldo credor nas contas de seu passivo. Isso porque, se a impugnante tivesse efetuado indevidamente lançamentos a débito das contas de despesas de suas filiais, e não tivesse procedido ap estorno dos mesmos, teria registrado a contrapartida de tais lançamentos em contas de seu passivo, gerando um “passivo fictício”. Ressaltese que a fiscalização não constatou, em momento algum, a existência de obrigações no passivo da impugnante cuja exigibilidade não tenha sido comprovada. Assim, a exigência fiscal não deve prevalecer, uma vez que decorre da análise parcial de alguns lançamentos contábeis realizados pela impugnante em seu Livro Diário Geral. CUSTOS E/OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS A contribuinte esclarece, às fls. 966 a 973, a natureza das despesas e relaciona os documentos comprobatórios, conforme tabela a seguir. Conta Documentos Condução Local Anexos 3.1.A e 3.1.B, e docs. 18 a 36 Viagens e Estadias Anexos 3.2.A, 3.2.B, 3.2.C e 3.2.D, e docs.37 a 125 Passagens Internas Anexo 3.3, e docs. 126 a 130 Viagens ao Exterior Anexos 3.4.A e 3.4.B, e docs. 131 a 135 Ajuda de Custo Anexos 3.5.A, 3.5.B e 3.5.C, e docs. 136 a 203 Transporte para Vendas Anexo 3.6, e docs. 204 a 208 Transporte para Transferência Anexos 3.7.A e 3.7.B, e docs. 209 a 268 Outros Transportes Anexos 3.8.A e 3.8.B, e docs. 269 a 349 Donativos e Liberalidades Anexos 3.9.A e 3.9.B, e docs. 349.A a 349.S Conservação Em virtude da enorme quantidade de documentos existentes, a impugnante não localizou a correspondente documentação, e protesta pela posterior juntada de documentos e pela realização de perícia contábil CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS Fl. 6486DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 10 9 Viagens e Estadias Tratase de despesas com viagens e hospedagens de pessoas que integravam e integram o quadro de funcionários da impugnante, conforme podese observar através da comparação entre as faturas emitidas pela World Streem Turismo Ltda. (docs. 350 a 365) e a relação emitida pelo departamento de RH da filial de Curitiba (doc. 366). Passagens Internas Tratase de gastos com pessoas que integravam e integram o quadro de funcionários da impugnante. Em virtude da enorme quantidade de documentos existentes, a impugnante não localizou a correspondente documentação, e protesta pela posterior juntada de documentos e pela realização de perícia contábil. Outros Transportes Tratase de gastos com mudanças de funcionários da impugnante, em decorrência de transferência para outra filial. Em virtude da enorme quantidade de documentos existentes, a impugnante não localizou a correspondente documentação, e protesta pela posterior juntada de documentos e pela realização de perícia contábil. Conservação Em meados de 1983, a impugnante contratou o Sr. Yves Marcel Troadec, de nacionalidade francesa, para trabalhar no Brasil, tendo sido ajustado entre as partes que todas as despesas de moradia daquela pessoa seriam de responsabilidade de impugnante, inclusive aquelas decorrentes do término do contrato de locação do apartamento (docs. 367 a 370). Diante disso, cabia à impugnante realizar as reformas que se fizessem necessárias para que o imóvel, quando de sua devolução, estivesse nas mesmas condições do início da vigência do contrato de locação (doc. 367). O Sr. Troadec desligouse da empresa no final de 1994, porém permaneceu durante mais alguns meses no apartamento (doc. 368), desocupandoo apenas no final de 1995 (doc. 369). Por essa razão as despesas com a conservação do imóvel, assumidas pela impugnante quando da contratação do Sr. Troadec, somente vieram a ser por ela incorridas em 1995. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS – BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes tem entendido que cabe à fiscalização comprovar o efetivo acréscimo da vida útil do bem, sob pena de ser inconsistente o lançamento tributário. Assim, a exigência fiscal não pode prevalecer, uma vez que o Auditor Fiscal deixou de comprovar que as reformas dos tanques resultaram em aumento de vida útil dos bens do ativo da impugnante. CORREÇÃO MONETÁRIA BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS Fl. 6487DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 11 10 Se a glosa realizada estivesse correta, a fiscalização deveria ter, obrigatoriamente, deduzido daquele valor as parcelas correspondentes aos percentuais de depreciação, conforme pacífico entendimento jurisprudencial. Assim sendo, ainda que seja mantida a glosa dos valores que supostamente deveriam ter sido ativados, o cálculo do IRPJ deve ser refeito, levandose em consideração as taxas de depreciação aplicadas sobre os custos dos bens que foram glosados. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DONATIVOS E LIBERALIDADES Conforme item 7.1 do Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal entendeu que, devido à impugnante ter apurado resultado operacional negativo, não caberia qualquer dedução a título de doações. O disposto no artigo 306 do RIR/94, fundamento legal desse item da autuação, no entanto, é inaplicável ao presente caso. O gastos incorridos pela impugnante referemse a contribuições a entidades de classe e outras contribuições, que não se enquadram nas relacionadas nos artigos 304 e 305 do RIR/94. Nesse sentido, confirase as anexas ordens de pagamento (Anexo 7.1, docs. 371 a 375). Protesta, ainda, a impugnante pela posterior juntada de documentos, bem como pela realização de perícia contábil. O lançamento fiscal relativo ao IRPJ não reúne as mínimas condições de prosperar. Conseqüentemente, também devem ser cancelados os lançamentos tributários relativos aos tributos decorrentes (CSLL, IRRF, PIS e COFINS). A EXIGÊNCIA DO IRRF Ainda que fosse possível sustentar a procedência da exigência fiscal relativa ao IRPJ, nenhuma base legal existiria para a cobrança do IRRF. A base legal da exigência do IRRF é o artigo 739 do RIR/94, cujo fundamento é o artigo 44 da Lei nº 8.541/92. Ocorre que os artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 (e, conseqüentemente, o artigo 739 do RIR/94) foram expressamente revogados pelo artigo 36 da Lei nº 9.249/95. A Lei nº 9.249/95, deixando de considerar automaticamente distribuídas aos sócios das pessoas jurídicas a diferença verificada na determinação dos resultados da empresa que implique redução indevida do lucro líquido, deixou de definir esse fato como infração. Assim, há que se aplicar ao caso o artigo 106, inciso II, alínea “a”, do CTN. O Conselho de Contribuintes já se manifestou sobre essa questão, no mesmo sentido defendido pela impugnante. Mesmo se o artigo 44 da Lei nº 8.541/92 pudesse ser aplicável aos fatos ocorridos em 1995, não seria aplicável ao presente caso, pois a infração, por sua natureza, não autoriza a presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos sócios. Fl. 6488DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 12 11 Essa condição é reconhecida pela jurisprudência e pelo próprio Fisco, através do Parecer Normativo CST nº 20/84. No presente caso não se vislumbra qualquer indício, ou qualquer possibilidade lógica, de que tenham sido transferidos recursos da impugnante para seus sócios. A EXIGÊNCIA DA CSLL Ainda que ocorresse a alegada infração, nenhuma base legal existiria para a cobrança da CSLL. O enquadramento legal constante do Auto de Infração (artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, e artigo 57 da Lei nº 8.981/95) é irrelevante à hipótese fática dos autos, e não autorizam o lançamento reflexo da CSLL. Ademais, os fundamentos legais das infrações capituladas nos itens 5.1 e 7.1 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal – IRPJ aplicamse exclusivamente para fins de IRPJ. Por fim, como já mencionado no item anterior, o artigo 43 da Lei nº 8.541/92 foi revogado pela Lei nº 9.249/95, não se justificando a pretensão fiscal, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “a”, do CTN. A EXIGÊNCIA DO PIS Ainda que ocorresse a alegada infração, nenhuma base legal existiria para a cobrança do PIS. O enquadramento legal constante do Auto de Infração é inaplicável à hipótese fática dos autos, e não autoriza a presunção de omissão de receitas. Ademais, como já mencionado nos itens anteriores, o artigo 43 da Lei nº 8.541/92 foi revogado pela Lei nº 9.249/95, não se justificando a pretensão fiscal, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “a”, do CTN. A EXIGÊNCIA DA COFINS Ainda que ocorresse a alegada infração, nenhuma base legal existiria para a cobrança da COFINS. O enquadramento legal constante do Auto de Infração é inaplicável à hipótese fática dos autos, e não autoriza a presunção de omissão de receitas. Ademais, como já mencionado nos itens anteriores, o artigo 43 da Lei nº 8.541/92 foi revogado pela Lei nº 9.249/95, não se justificando a pretensão fiscal, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “a”, do CTN. CONCLUSÕES E PEDIDO Ante todo o exposto, requer a impugnante que se julgue improcedente os Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, IRRF, PIS e COFINS), cancelandose as respectivas exigências fiscais. Requer também que, caso mantidas as exigências, do cálculo dos juros seja excluída a taxa SELIC, declarada inconstitucional pela Segunda Turma do STJ. Protesta ainda a impugnante provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de documentos e pela realização de perícia técnica. A impugnante, às fls. 982 e 983, indica perito e formula quesitos. Fl. 6489DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 13 12 Por fim, requer que as futuras intimações sejam feitas em nome de seus advogados, constituídos através do anexo instrumento de mandato (fls. 984 e 985), no endereço indicado à fl. 983. Conforme o despacho de fls. 4.653 a 4.660, tendo em vista que a impugnante trouxe aos autos, junto com as suas alegações, diversos documentos que ainda não haviam sido apreciados pela fiscalização, o processo foi baixado em diligência para que a fiscalização os analisasse, emitindo, ao final, relatório conclusivo, bem como para que intimasse a contribuinte a esclarecer por qual razão surgiu a diferença entre o estoque físico e seus controles contábeis (esclarecer e comprovar se a perda ocorreu na fabricação, no transporte, no manuseio, por deterioração, por obsolescência, etc.), e, ainda, para que a fiscalização esclarecesse os motivos que a levaram a concluir que os bens relacionados com os documentos de fls. 323 a 442 teriam vida superior a um ano, e para que se manifestasse acerca da alegação da contribuinte de que deveriam ter sido deduzidas do valor a ser ativado as parcelas correspondentes aos percentuais de depreciação, efetuando, se fosse o caso, os cálculos correspondentes. As conclusões da fiscalização constam da Informação Fiscal de fls. 4662 a 4666, assim resumidas na decisão recorrida: 1 OMISSÃO DE RECEITAS – AJUSTE DE INVENTÁRIO A contribuinte alega que a diferença apurada decorre de avaliação de estoques, lastreados em controles físicos, anexando alguns relatórios de contagem e variação do inventário. O argumento é o mesmo já usado anteriormente para justificar a diferença, e também desta vez a contribuinte não demonstra o cálculo do valor, nem apresenta documentos que comprovem essas diferenças, chegando a admitir que “foi impossível localizar a diferença glosada pela fiscalização no prazo para a apresentação da defesa”. As listagens apresentadas a título exemplificativo demonstram a falta de controle dos inventários, sendo que vários itens apresentam variações grandes de quantidades, chegando a mais de 5.000 num só item (fl. 1063). Quanto à compensação de prejuízos, ocorre que a diferença apurada representa omissão de receita, tributada conforme artigo 43 da Lei nº 8.541/92, com redação dada pela Lei nº 9.064/95. 2 GLOSA DE CUSTOS – DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS A empresa apresenta cópia das páginas dos Livros Diários (fls. 1131 a 1133), onde constam os estornos dos valores lançados em duplicidade, referentes à filial Canoas. A fiscalização concorda com a contribuinte que a glosa no valor de R$ 838.460,68 não procede. Quanto às demais filiais, não foram apresentadas as comprovações dos lançamentos dos supostos estornos, pelo que a fiscalização entende que deve ser mantida a glosa. 3 CUSTOS E/OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS 3.1 Condução Local Do montante glosado (R$ 61.722,03), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 29.678,72 (R$ 23.728,75 + R$ 5.949,97), conforme quadros 3.1.A e 3.1.B (fls. 1143 e 1263). Fl. 6490DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 14 13 Do que foi apresentado, R$ 11.000,00 e R$ 8.500,00 referemse a prestação de serviços de “Operação Processual de Venda do Ativo Fixo”, sendo que não foi anexado nenhum contrato de prestação de serviços ou outro documento que demonstrasse qual o ativo vendido, se este fazia parte do imobilizado da empresa (quando foi adquirido), e qual o valor total do negócio. Uma das cópias das notas fiscais apresentadas está parcialmente ilegível, sendo que estes valores, que totalizam R$ 19.500,00, restam ainda incomprovados. E, ainda, o valor de R$ 993,12 apresentado referese a multa do INMETRO (de natureza não compensatória), portanto indedutível. 3.2 Viagens e Estadias Do montante glosado (R$ 167.680,11), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 125.496,53 (R$ 12.965,12 + R$ 44.216,30 + R$ 29.379,83 + R$ 38.935,28), conforme quadros 3.2.A, 3.2.B, 3.2.C e 3.2.D (fls. 1277, 1482, 1788 e 2060). Do que foi apresentado, R$ 1.864,58, R$ 1.207,37, R$ 1.780,24, R$ 454,84, R$ 454,84, referemse à hospedagem de pessoas que não faziam parte do quadro de funcionários da empresa em 1995 (fls. 45 a 60), nem ficou comprovada a vinculação com a contribuinte, de modo que esses valores, que totalizam R$ 3.897,29, são considerados não necessários. E ainda o valor de R$ 550,00, cujo comprovante é um papel manuscrito, não se presta a comprovar a despesa. Os valores de R$ 83,08, R$ 100,90, R$ 92,23, R$ 61,22, R$ 38,62, R$ 700,00, R$ 180,00, R$ 200,00, R$ 273,60, R$ 184,32, R$ 222,94, R$ 87,36, R$ 72,56, R$ 36,80, R$ 250,00, R$ 265,32, R$ 600,00, R$ 407,70, R$ 450,22, R$ 570,22, R$ 78,67, R$ 64,84, R$ 41,22, R$ 163,98, R$ 50,38, R$ 44,30, R$ 118,71, R$ 89,85, R$ 200,00, R$ 250,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 82,85, R$ 500,00, R$ 300,00, R$ 500,00, R$ 50,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 62,94, que totalizaram R$ 9.974,83, e são parte de relatórios de despesas que estão desacompanhados das respectivas notas fiscais e/ou comprovação das viagens para as quais foram feitos adiantamentos, restam ainda incomprovados. 3.3 Passagens Internas Do montante glosado (R$ 84.054,91), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 19.901,15, conforme quadro 3.3.A (fl. 2256). Com relação ao valor de R$ 52.063,55, referente à conta 8521.XXXXX, a contribuinte sequer elaborou o demonstrativo. 3.4 Viagens ao Exterior Do montante glosado (R$ 22.354,70), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 9.659,25 (R$ 3.832,62 + R$ 5.736,63), conforme quadros 3.4.A e 3.4.B (fls. 2272 e 2349). 3.5 Ajuda de Custo Do montante glosado (R$ 62.899,83), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 53.214,24 (R$ 25.000,00 + R$ 26.070,40 + R$ 2.143,84), conforme quadros 3.5.A, 3.5.B e 3.5.C (fls. 2355, 2363 e 2558). Fl. 6491DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 15 14 Dos valores de R$ 497,38, R$ 170,90, R$ 66,35, R$ 65,68, R$ 91,74, R$ 112,62, R$ 600,00, R$ 140,39, R$ 300,00, R$ 81,64, R$ 84,02, R$ 94,40, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 37,28, R$ 48,12, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 45,62, R$ 31,24, R$ 104,16, R$ 78,32, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 200,00, R$ 64,39, R$ 30,11, R$ 93,32, R$ 45,30, R$ 68,49, R$ 69,97, R$ 132,21, R$ 123,90, R$ 87,28, R$ 133,00 e R$ 35,53, que totalizaram R$ 5.933,36, e são parte de relatórios de despesas que estão desacompanhados das respectivas notas fiscais e/ou comprovação das viagens para as quais foram feitos adiantamentos, restam ainda incomprovados. 3.6 Transporte para Vendas Do montante glosado (R$ 176.786,58), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 139.812,24, conforme quadro 3.6 (fl. 2573 – quadro está errado). Do que foi apresentado, R$ 3.000,00 referese a adiantamento de frete, cuja nota fiscal do transporte não foi apresentada, e R$ 18.423,65 referese a conhecimento de transporte de carga desacompanhado da respectiva nota fiscal, restando ambos ainda não comprovados. 3.7 Transporte para Transferência Do montante glosado (R$ 419.768,54), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 232.870,04 (R$ 208.046,41 + R$ 24.823,63 – quadro está errado), conforme quadros 3.7.A e 3.7.B (fls. 2652 e 3802). Não foi anexada documentação referente ao valor de R$ 1.344,00, apesar de constar no quadro 3.7.A (fl. 2652). 3.8 Outros Transportes Do montante glosado (R$ 462.574,34), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 125.496,53 (R$ 293.858,26 + R$ 50.369,62 quadro está errado), conforme quadros 3.8.A e 3.8.B (fls. 3852 e 4343). Do que foi apresentado, R$ 11.937,45 referese à mudança de pessoa que não fazia parte do quadro de funcionários da empresa em 1995 (fls. 45 a 60), nem ficou comprovada a vinculação com a contribuinte, sendo considerados desnecessários. Não foi anexada documentação referente ao valor de R$ 1.277,40, apesar de constar no quadro 3.8.A (fl. 3851). 3.9 Donativos e Liberalidades Do montante glosado (R$ 38.021,47), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar R$ 3.436,59 (R$ 1.449,78 + R$ 1.986,81 quadro está errado), conforme quadros 3.9.A e 3.9.B (fls. 4401 e 4484). Do que foi apresentado, os valores de R$ 112,01, R$ 12,705,00, R$ 924,00, R$ 1.495,00, R$ 300,00 e R$ 200,00, referemse a despesas com brindes e “função social” (coroa de flores), totalizam R$ 15.736,01, e, por se tratar de mera liberalidade da empresa, são considerados não necessários. Fl. 6492DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 16 15 Os valores de R$ 400,00, R$ 83,33 e R$ 100,00, referemse a contribuições (corpo de bombeiros e fundação de Araçatuba), totalizam R$ 583,33, foram gastos por liberalidade da empresa, e, desse modo, também são considerados não necessários. 3.10 Conservação Do montante glosado (R$ 339.790,23), cujos documentos não haviam sido apresentados, a contribuinte continuou sem apresentar os mesmos R$ 339.790,23. 4 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS 4.1 Viagens e Estadias As cópias dos documentos apresentados pela contribuinte à época da fiscalização estão nas fls. 259 a 296. A empresa não esclareceu a necessidade dos gastos glosados, visto que as pessoas ou não faziam parte do quadro de funcionários, conforme lista apresentada às fls. 45 a 60, ou eram cônjuges e filhos. Limitouse a apresentar cópia de outros documentos, que não guardam relação com os valores glosados, e/ou novas cópias dos já apresentados. 4.2 Passagens Internas As cópias dos documentos apresentados pela contribuinte à época da fiscalização estão nas fls. 297 a 314. A empresa não esclareceu a necessidade dos gastos glosados, visto que as pessoas ou não faziam parte do quadro de funcionários, conforme lista apresentada às fls. 45 a 60, ou eram cônjuges e filhos. Informou que “não localizou a documentação que comprova a necessidade das despesas glosadas”. 4.3 Outros Transportes A cópia dos documentos apresentados pela contribuinte à época da fiscalização está na fls. 322. A empresa não esclareceu a necessidade dos gastos glosados, visto que a transferência de funcionário não foi comprovada. Informou que “não localizou a documentação que comprova a necessidade das despesas glosadas”. 4.4 Conservação As cópias dos documentos apresentados pela contribuinte à época da fiscalização estão nas fls. 349 a 353. A empresa alegou que se tratava de exdiretor que “desligouse no final de 1994, porém permaneceu durante mais alguns meses no apartamento (doc. 368), desocupandoo apenas no final de 1995”. Fl. 6493DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 17 16 Desconsiderando o fato de a contribuinte anexar aos autos documento em língua estrangeira sem a respectiva tradução juramentada (fl. 4633), o ex funcionário saiu da empresa em dezembro/94, e a reforma foi em novembro/95, quase um ano após o desligamento. Embora alegue que a conservação do imóvel fazia parte de acordo com o exfuncionário, tratase de liberalidade da empresa, e não guarda relação com a manutenção da fonte produtora de receitas. 5 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS – BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS CONSERVAÇÃO Os bens de natureza permanente que foram deduzidos como despesas (conservação) totalizaram R$ 300.164,42, e estão discriminados às fls. 927 a 930. Tratase de máquinas, equipamentos e componentes novos e suas respectivas instalações, material e mãodeobra utilizados em reforma de tanque (de aço), que sabidamente têm vida útil superior a um ano ou custo unitário de aquisição superior a 394,13 UFIR (artigo 244 do RIR/94). Quanto à cessão de direito de uso de softwares, referese a programas novos, que são utilizados por vários anos (podem ser reinstalados no caso de algum problema), sendo, portanto, de natureza permanente. 6 CORREÇÃO MONETÁRIA BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS CONSERVAÇÃO Tratase de correção monetária dos bens do item anterior. A depreciação, por ser um direito, e não uma obrigação, da contribuinte, deve ser solicitada pela mesma, não cabendo à fiscalização fazêlo de ofício. 7 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DONATIVOS E LIBERALIDADES Do montante glosado, R$ 200,00 referemse a coroa de flores (fl. 315), sendo mera liberalidade. A empresa alega que os demais gastos (contribuições) não se enquadram dentre as mencionadas nos artigos 304 e 305 do RIR/94, e que, portanto, estariam incluídas no artigo 306 do RIR/94. Se esse for o caso, também não são dedutíveis, conforme PN CSL nº 272/71. O contribuinte manifestouse sobre o resultado da diligência, às fls. 4.668 a 4.676, aduzindo, em síntese, o seguinte, ainda conforme o relatório da decisão recorrida: Inicialmente, a impugnante esclarece que parte dos documentos que dão lastro aos custos / despesas não foi localizada quando da apresentação da impugnação, e somente neste momento está sendo juntada aos autos (docs. 1 a 15). Omissão de receita – ajuste de inventário No tocante ao item 1 da Informação Fiscal, a impugnante não logrou localizar documentação adicional, já que os documentos de que dispunha estavam, como de fato estão, espalhados em suas filiais, pelo que, reitera, seja, no mínimo, analisado o conjunto de documentos já juntados aos autos. Fl. 6494DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 18 17 Quanto ao pedido alternativo da impugnante, de absorção dessa exigência fiscal pelos prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1995, há que se observar o argumento da fiscalização de que não poderia haver a compensação, nos do artigo 43 da Lei nº 8.541/92, com a redação da Lei nº 9.064/95 não tem sido acolhido pela jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes, a qual tem afirmado que a receita, mesmo que omitida compõe o lucro real. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, igualmente, já firmou posicionamento no sentido de que a receita omitida integra o cálculo do lucro real, baseada no fundamento de que, tendo o artigo 43 da Lei nº 8.541/92 nítido caráter punitivo, devese aplicar, retroativamente (artigo 106, incido II, “c”, do CTN), a revogação desse artigo pelo artigo 36, inciso IV, da Lei nº 9.249/95. Condução local (item 3.1) Nesse item da Informação Fiscal, o agente fiscal alega que a multa do INMETRO, comprovadamente suportada pela contribuinte, não é dedutível, na medida em que sustenta natureza não compensatória (artigo 283, § 5º, do RIR/94). Contudo, essa multa é penalidade que decorre da legislação administrativa, e não tributária, não se lhe aplicando, portanto, a citada regra de indedutibilidade, possuindo, essa multa a natureza de despesa dedutível. No mais, a impugnante logrou encontrar novos documentos, que dão suporte às despesas por ela incorridas no tocante à condução local, os quais dão prova da improcedência do lançamento (doc. 1). Viagens e estadias (item 3.2); Passagens internas (item 3.3); Viagens ao exterior (item 3.4); Transportes para vendas (item 3.6); Transporte para transferência (item 3.7); Outros transportes (item 3.8) e Conservação (item 3.10) A impugnante traz aos autos novos documentos (docs. 2 a 15), que dão suporte às despesas incorridas a esses títulos. Donativos e liberalidades (itens 3.9 e 7.1) e Conservação (item 4.4) Nos itens 3.9 e 7.1 o agente fiscal defende que os custos e/ou despesas com brindes, coroas de flores, contribuições e a moradia de exfuncionário são indedutíveis, porquanto correspondem a mera liberalidade. Essa conclusão decorre de interpretação restritiva e da avaliação subjetiva do conceito de despesa necessária. Tais gastos têm natureza de despesas necessárias, e, como tal, são dedutíveis para fins de apuração do lucro real. Especificamente quanto aos donativos, a legislação tributária apenas consolidou vedação à sua dedução a partir de 01/01/96, quando entrou em vigor a Lei nº 9.249/95 (artigo 13, inciso VI), inaplicável no anocalendário de 1995. Por fim, quanto às despesas no valor de R$ 1.876,95, referentes a contribuições, o agente fiscal, embora tenha reconhecido a inaplicabilidade, “in casu”, do disposto no artigo 306 do RIR/94, invocou o disposto no Parecer Normativo CST nº 272/71, para dar embasamento à alegação de que as contribuições a entidades de classe não são dedutíveis. Ora, esse entendimento não encontra respaldo legal, porque o RIR/94 nada dispunha a esse respeito, prevalecendo, portanto, a regra geral da dedutibilidade da Fl. 6495DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 19 18 despesa usual e necessária. Não se pode perder de vista que a orientação do Parecer Normativo CST nº 272/71 foi consolidada sob a égide de legislação pretérita (RIR/66). Cita a contribuinte decisão do 1º Conselho de Contribuintes (fl. 4673). Conservação e Correção Monetária de bens permanentes deduzidos como despesas (itens 5 e 6.1) No item 5.1 da Informação Fiscal, o agente fiscal repisa a fundamentação do Auto de Infração, no sentido de que as despesas com conservação ou teriam acrescido a vida útil em mais de um ano, ou seriam superiores ao limite legal de 394,13 UFIR. Ocorre que a fiscalização não esclarece em que medida tais despesas teriam aumentado a vida útil dos bens, ou teriam custo unitário de aquisição superior a 394,13 UFIR. E a regra é no sentido de que, não comprovada pela autoridade administrativa a existência de tais requisitos, as despesas com conservação são dedutíveis. Esse também é o entendimento do 1º Conselho de Contribuintes (fl. 4674). Quanto à correção monetária dos bens do ativo permanente, a impugnante julga oportuno tecer algumas considerações sobre o item 6.1 da Informação Fiscal (embora acredite que não será mantida a glosa desses custos / despesas). Não se duvida que o artigo 248 do RIR/94, ao permitir a dedução de parcela da depreciação dos bens do ativo imobilizado, outorgou ao contribuinte um direito, mas isso não significa que a fiscalização não possa fazêlo de ofício. Tal direito decorre de lei e deve ser aplicado, obrigatoriamente, pela fiscalização, no momento do lançamento de ofício. Destaquese que a jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes permite a dedução da depreciação no curso do procedimento fiscal (fl. 4675). De mais a mais, ainda que assim não fosse, o fato é que a contribuinte exerceu o seu direito de ter deduzida a quota de depreciação, quando, em sede de impugnação, requereu que “o cálculo do IRPJ deve ser refeito, levandose em consideração as taxas de depreciação aplicadas sobre os custos dos bens que foram glosados”. Dos custos e/ou despesas irrisórias Quanto aos demais itens da Informação Fiscal, bem assim com relação aos itens cujos custos e/ou despesas não foram demonstrados até a presente data, a impugnante postula que as autoridades julgadoras se atenham não só à verdade material, como também ao princípio da razoabilidade, de modo que pequenos custos e/ou despesas suportados pela contribuinte, porém não comprovados, como os de R$ 1.136,30 (“outros transportes”, item 4.3), R$ 1.344,00 (“transporte para transferência”, item 3.7), dentre outros, tenham sua dedução admitida, como vem reconhecendo a jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes, em prol do princípio da razoabilidade. Pedido Face ao exposto, a impugnante requer que os novos documentos por ela providenciados (docs. 1 a 15) sejam considerados no julgamento, em atenção ao Fl. 6496DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 20 19 princípio da verdade material., e que seja julgado improcedente o presente Auto de Infração. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I decidiu a lide inicialmente por meio do Acórdão nº 1613.412 (fls. 4.720 a 4.751), considerando o lançamento fiscal procedente em parte, e recorreu de ofício de sua decisão. O contribuinte também recorreu, aduzindo, entre outras alegações, que a decisão recorrida não levara em consideração nenhum dos documentos juntados pela recorrente após a “Informação Fiscal” (por meio de petição datada de 5.1.2007, em resposta à Intimação n. 3193/2006), os quais revelariam que a recorrente teria comprovado, naquela segunda oportunidade, a efetividade de custos e despesas no valor total de R$ 445.992,74, e que não haveria nenhum motivo que justificasse a desconsideração desses documentos pela autoridade julgadora a quo. Na sessão de 16 de dezembro de 2010, esta Turma, por unanimidade de votos, anulou a decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Em verdade, evidenciou se que a decisão recorrida provavelmente incorrera em erro, pois fizera referência em seu voto apenas à petição e aos seus correspondentes demonstrativos explicativos de custos ou despesas, entendendo que esta não se teria feito acompanhar de novos documentos, conforme o seguinte excerto daquela decisão, verbis: “Após a diligência fiscal, a contribuinte traz aos autos novos demonstrativos (docs. 1 a 15, fls. 4680 a 4714), porém desacompanhados de novos documentos comprobatórios.” Entretanto, os documentos em questão encontravamse em oito volumes anexos ao processo. Em 05/08/2011 a 5ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I proferiu nova decisão (Acórdão nº 1633.075, fls. 4.838 a 4.872), cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 OMISSÃO DE RECEITAS. AJUSTE DE INVENTÁRIO. Não justificando ou comprovando a contribuinte a contabilização, como custo, de “Acerto de Inventário”, mantémse a exigência a título de omissão de receitas. GLOSA DE CUSTOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. Comprovando a contribuinte o estorno de parte de lançamentos em duplicidade, exonerase parcialmente a exigência. CUSTOS/DESPESAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Os custos e as despesas contabilizados pela empresa devem estar comprovados com documentos hábeis e idôneos. Exigência mantida em parte. CUSTOS/DESPESAS NÃO NECESSÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 6497DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 21 20 Não logrando a contribuinte comprovar a necessidade (condição de dedutibilidade) de dispêndios, lançados como custo/despesa, para as atividades da empresa, mantémse a sua glosa. GASTOS COM BENS DO ATIVO PERMANENTE E COM MANUTENÇÃO. Não comprovando a fiscalização que parte dos gastos objeto da autuação subsumemse às hipóteses de ativação, exonerase parcialmente a exigência. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMOBILIZAÇÕES. É tributável a importância correspondente à correção monetária de bens e melhorias classificáveis no ativo permanente que deixou de ser feita. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS, COFINS E IRRF). DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente.” Embora a ementa seja a mesma que a do anterior julgamento, o fato é que por meio desta nova decisão foram consideradas comprovadas por aquele colegiado diversas outras despesas que não haviam anteriormente sido. Cientificado desta decisão em 26/12/2011, conforme AR de fls. 4.876, e com ela inconformado, o contribuinte apresenta recurso a este Conselho, fls. 4.884 a 4.911, no qual alega, em síntese, o que segue. Reprisa esclarecimento de que, no anocalendário de 1995, procedeu à descentralização de sua contabilidade, e que, em decorrência desse fato, diversos documentos pertinentes às despesas glosadas encontramse em seus estabelecimentos espalhados por todo o país, de modo que, a despeito dos incessantes e incansáveis esforços de seus funcionários, não conseguiu localizar a totalidade dos comprovantes dos lançamentos contábeis efetuados. A seguir, discorre no recurso sobre cada um dos tópicos, na mesma sequência utilizada pela decisão recorrida. Para facilitar a visualização e correspondência, apenas alterei o título do tópico e a numeração utilizada no recurso, para que ficassem idênticos aos utilizados pela fiscalização e decisão recorrida. 1 OMISSÃO DE RECEITAS – AJUSTE DE INVENTÁRIO Sobre o tópico, aduz a recorrente que os ajustes relativos ao “Acerto de Inventário” decorrem das perdas verificadas nos estoques, as quais são normais e usuais na atividade da recorrente, qual seja, a fabricação, compra, importação, comercialização, exportação e distribuição de “todos os gases do ar, gases raros e outros, em seus estados líquidos e gasosos, misturas gasosas inclusive acetileno, protóxido de azoto (oxido nitroso), Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 22 21 hidrogênio, gás carbônico e suas misturas, para fins industriais, medicinais e científicos, e a purificação dos mesmos”, e que não é necessário conhecimento técnico para se verificar que a produção, o armazenamento e o transporte de gases, embora atenda a todas as especificações técnicas, implica em perdas. Conforme se verifica na ficha 04 da DIPJ/1996, o valor total registrado a título de compras de insumos no ano de 1995 é de R$ 34.101.322 71, enquanto que o valor glosado pela fiscalização soma R$ 725.633 97, ou seja, os ajustes efetuados pela recorrente representam aproximadamente 2,13% em comparação com o custo total de insumos do ano de 1995, sendo perfeitamente razoável admitilos. Ademais, acaso afinal se entenda devida a exigência fiscal relativa à omissão de receitas, o que se admite apenas para fins de argumentação, deve a mesma ser deduzida do prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 1995, na esteira da jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a receita omitida integra o cálculo do lucro real, baseada no fundamento de que, tendo o artigo 43 da Lei nº 8.541/92 nítido caráter punitivo, devese aplicar, retroativamente a revogação deste dispositivo pelo artigo 36, inciso IV, da Lei nº 9.249/95. 2 GLOSA DE CUSTOS – DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS Com relação à glosa de custos, por duplicidade de lançamentos, aduz a recorrente que comprovou o estorno da maior parte das despesas glosadas em duplicidade, mais precisamente, 95,97% das despesas glosadas pela fiscalização, uma vez que a totalidade da glosa corresponde a R$ 873.676,74, dos quais a recorrente logrou demonstrar o estorno de R$ 838.460,68, correspondentes à filial de Canoas, e que, em circunstâncias como esta, a jurisprudência sempre reconheceu como válida a prova que atinge a maior parte do seu objeto, conforme ementas de decisões do Conselho de Contribuintes que transcreve. 3 CUSTOS E/OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS 3.1 Condução Local Com relação às despesas lançadas a titulo de “Condução Local”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas lançadas a este titulo, no valor de R$ 326.144,32, somente uma pequena parcela, de R$ 61.722,03, não teria sido comprovada pela recorrente, segundo a fiscalização; (ii) a decisão recorrida, embora reconhecendo a existência de documentos que comprovam gastos no valor de R$ 32.043,31 (e posteriormente, de mais R$ 1.502,27), não aceitou, deste montante, a dedução de R$ 11.000,00 e de R$ 8.500,00, referentes a serviços por ela tomados no período, e de R$ 993,12 referentes a uma multa do INMETRO, sem contudo fundamentar a manutenção da glosa desses valores; (iii) assim, somente R$ 48.669,57, ou 14,92% restam sem comprovação, ou, se aceitos como hábeis os documentos nos valores de R$ 11.000,00, R$ 8.500,00 e R$ 993,12, somente 8,64% restariam sem comprovação, o que justifica a dedutibilidade integral dos valores lançados nesta conta; (iv) em qualquer circunstância, a multa do INMETRO não pode ser considerada indedutível, pois se trata de penalidade que decorre de infração da legislação administrativa, e não tributária, não se lhe aplicando, por conseguinte, a regra de indedutibilidade prevista no art. 283, § 5o do RIR/94, ou seja, tratase de multa dedutível posto que necessária à manutenção da fonte produtora, consoante jurisprudência do Conselho de Contribuintes que transcreve. 3.2 Viagens e Estadias Fl. 6499DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 23 22 Com relação à glosa de despesas com “Viagens e Estadias”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas lançadas a este titulo, no valor de R$ 671.838,87, somente R$ 167.680,11 não teria sido comprovada pela recorrente, segundo a fiscalização; (ii) a decisão recorrida, embora reconhecendo a existência de documentos que comprovam gastos no valor de R$ 41.472,58, somente aceitou R$ 30.947,75, sendo o restante, no valor de R$ 9.974,83, desconsiderado, sob a alegação de que seriam documentos sem valor probante; (iii) a decisão não levou em consideração, contudo, que se trata de despesas de pequeno valor, acerca das quais nem sempre é possível obter os respectivos comprovantes, e que, embora a soma dessas quantias represente R$ 9.974,83, tratase de várias despesas de montantes menores, como R$ 40, R$ 50, R$ 60, R$ 100,00, achegando a R$ 600,00, de tal forma que os relatórios de despesas juntados aos autos devem servir como prova para fins de dedução; (iv) a decisão recorrida, após a diligência, reconheceu as provas relativas ao montante de mais R$ 7.651,95, de modo que restam sem comprovação apenas R$ 119.105,58 [sic]; (v) tendo comprovado a maior parte das despesas, deve ser reformada a decisão recorrida, e consideradas dedutíveis as despesas lançadas nesta conta. 3.3 Passagens Internas Com relação à glosa de despesas com “Passagens Internas”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 84.054,91, a decisão recorrida reconheceu a existência de documentos que comprovam gastos no valor de R$ 5.512,32, e, após a diligência, de mais R$ 18.474,94; (ii) contudo, a glosa mantida, no valor de R$ 60.067,65, não procede, pois se trata de despesas de pequeno valor, acerca das quais nem sempre é possível obter os respectivos comprovantes; (iii) ademais, a glosa mantida corresponde a apenas 7% dos gastos lançados nesta conta, razão pela qual a dedutibilidade de todas as despesas é manifesta. 3.4 Viagens ao Exterior Com relação à glosa de despesas com “Viagens ao Exterior”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 22.354,70, a decisão recorrida reconheceu a existência de documentos que comprovam gastos no valor de R$ 12.785,45; (ii) contudo, a glosa mantida, no valor de R$ 9.569,25, não procede, pois se trata de despesas de pequeno valor, acerca das quais nem sempre é possível obter os respectivos comprovantes; (iii) ademais, a recorrente comprovou a maior parte dos gastos lançados nesta conta, razão pela qual é indubitável a dedutibilidade de todas as despesas. 3.5 Ajuda de Custo Com relação à glosa de despesas com “Ajuda de Custo”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 62.899,83, a decisão recorrida reconheceu a existência de documentos que comprovam gastos no valor de R$ 11.662,81, contudo, acatou somente R$ 5.933,36 [sic] como dedutíveis; (ii) contudo, a glosa mantida não procede, pois se trata de despesas de pequeno valor, acerca das quais nem sempre é possível obter os respectivos comprovantes, devendo os relatórios de despesas juntados aos autos servir como prova para fins de dedução. 3.6 Transporte para Vendas Com relação à glosa de despesas com “Transporte para Vendas”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas lançadas a este titulo, no valor de R$ 2.734.992,62, Fl. 6500DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 24 23 somente R$ 176.786,58 não teria sido comprovada pela recorrente, segundo a fiscalização; (ii) a decisão recorrida reconheceu a existência de documentos comprobatórios, dos quais considerou válidos R$ 15.550,69 (impugnação) e R$ 57.778,01 (petição posterior), restando não comprovados somente 3,78% dos valores lançados nesta conta, pelo que deve ser acolhida a dedutibilidade integral das despesas contabilizadas. 3.7 Transporte para Transferência Com relação à glosa de despesas com “Transporte para Transferência”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 419.768,54, a decisão recorrida acolheu a dedução de R$ 185.554,50 (impugnação), e de R$ 25.356,56 (petição posterior), (ii) contudo, com relação os demais documentos apresentados, deve ser desconsiderada a glosa mantida pela DRJ, haja vista tratarse de despesas de baixo valor, sendo que a quase totalidade restou devidamente comprovada. 3.8 Outros Transportes Com relação à glosa de despesas com “Outros Transportes”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 462.574,34, a decisão recorrida acolheu a dedução de R$ 117.068,96 (impugnação), e de R$ 158.878,92 (petição posterior), (ii) contudo, a glosa mantida não pode subsistir, seja porque se refere a despesas de baixo valor, seja porque a maior parte dessas despesas restou devidamente comprovada. 3.9 Donativos e Liberalidades Com relação à glosa de despesas com “Donativos e Liberalidades”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 38.021,47, a decisão recorrida acolheu a dedução de R$ 34.584,88; (ii) contudo, a glosa mantida, de R$ 3.436,59 não pode subsistir, pois representa apenas 9,04% do total glosado pela fiscalização. 3.10 Conservação Com relação à glosa de despesas com “Conservação”, aduz a recorrente que: (i) do total de despesas glosadas a este titulo, no valor de R$ 339.790,23, a decisão recorrida acolheu, após a diligência, a dedução de R$ 41.878,70 [sic]; (ii) tal fato ratifica o quanto pleiteado pela recorrente, uma vez que a parte comprovada por documentos restou integralmente acolhida pelo acórdão recorrido, o que reforça a dedutibilidade dos montantes indicados na planilha já anexada aos autos. 4 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS 4.1 Viagens e Estadias Com relação às despesas com “Viagens e Estadias” consideradas indedutíveis, no valor de R$ 6.562,31, por serem supostamente relativas a passagens e/ou hospedagens de pessoas que não pertenciam ao quadro de funcionários da empresa, ou com cônjuge e filhos de empregados, afirma a recorrente que a exigência está desprovida de qualquer fundamento, pois basta comparar as faturas emitidas pela empresa World Streem Turismo Ltda. (docs. 350 a 365 da impugnação) com a relação emitida pelo departamento de Fl. 6501DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 25 24 RH da filial de Curitiba (doc. 366 da impugnação) para verificar que as passagens e hospedagens correspondem a gastos de funcionários da recorrente. 4.3 Outros Transportes Com relação às despesas com “Outros Transportes” consideradas indedutíveis, no valor de R$ 1.136,30, por não ter sido comprovado que a despesa é relativa à mudança de funcionário, em decorrência da transferência para outra filial, afirma a recorrente que, muito embora não tenha de fato localizado a documentação que demonstra a necessidade das despesas glosadas, é preciso considerar que se trata de quantia praticamente irrisória em relação ao valor total comprovado nessa conta, uma vez que a própria fiscalização reconhece, no item 3.8 do TVCF, que foram comprovadas despesas referentes a “Outros Transportes” no valor de R$ 1.276.116,04. 4.4 Conservação Com relação às despesas com “Conservação” consideradas indedutíveis, no valor de R$ 5.500,00, ao fundamento de corresponderem a “gastos com reforma de apartamento de pessoa que não pertencia ao quadro de funcionários da empresa na ocasião de desembolso”, afirma a recorrente que se trata de despesa decorrente do término do contrato de locação de apartamento alugado para acomodar o diretor Yves Marcel Troadec, de nacionalidade francesa, contratado para trabalhar no Brasil, estando contratualmente ajustado entre as partes que todas as despesas de moradia daquela pessoa seriam de responsabilidade da recorrente, inclusive as decorrentes do término do contrato de locação do apartamento, de modo que se trata de despesa contratualmente assumida, necessária, e, portanto, dedutível. 5 e 6 BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS CONSERVAÇÃO E CORREÇÃO MONETÁRIA DESTES BENS Sobre o tópico, aduz a recorrente que: (i) do total de R$ 300.164,42 considerados indedutíveis pela fiscalização, a decisão recorrida cancelou R$ 171.000,00, correspondentes às reformas dos tanques da recorrente, e manteve a glosa de R$ 129.164,42, referente aos demais bens que realmente deveriam ter sido contabilizados no ativo, e que a correção monetária também foi parcialmente cancelada, nessa mesma proporção; (ii) a referida decisão, contudo, não reconheceu à recorrente o direito à depreciação pleiteada, ao fundamento de que esta seria uma faculdade do contribuinte, a qual somente poderia ser exercida a partir da época em que o bem fosse instalado, posto em serviço ou em condições de produzir, e que a recorrente não teria produzido qualquer prova nesse sentido; (iii) este entendimento, entretanto, contraria a sólida e pacífica jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que transcreve, no sentido de se admitir o desconto da depreciação na hipótese de exigência desta espécie. 7 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DONATIVOS E LIBERALIDADES Com relação às despesas com “Donativos e Liberalidades” consideradas indedutíveis, no valor de R$ 1.876,85, aduz a recorrente que: (i) o fundamento legal utilizado pelo fisco foi o art. 306 do RIR/94, que dispõe que o total das contribuições ou doações não pode exceder, em cada períodobase, a cinco por cento do lucro operacional da empresa, antes de computada essa dedução, sendo que, no caso, como o contribuinte apurou resultado operacional negativo, não teria direito a qualquer dedução; (ii) tal fundamento é inaplicável ao caso, pois o citado artigo se refere apenas às doações e contribuições de que tratam os arts. 304 Fl. 6502DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 26 25 e 305 e, no caso concreto, tratase de contribuições a entidades de classe e outras contribuições que não se enquadram dentre as ali mencionadas; (iii) a r. decisão recorrida, embora tenha reconhecido que a fundamentação legal utilizada pela fiscalização não seria aplicável ao caso dos autos, manteve mesmo assim o trabalho fiscal, alegando que a recorrente teria praticado ato de liberalidade; (iv) tal decisão, portanto, não pode prosperar, pois configura inovação do feito; (v) ademais, a jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes, que reproduz, admite como dedutiveis os gastos com contribuições a associações de classe e clubes de empresas, uma vez que nesses locais são tratados assuntos de interesse empresarial e que denotam, portanto, estreita relação com a atividade da pessoa jurídica. DAS EXIGÊNCIAS DE CSLL, IRRF, PIS E COFINS Com relação ao assunto, alega a recorrente que: (i) as exigências reflexas de CSLL, IRRF, PIS e COFINS devem seguir a mesma sorte do principal; (ii) com relação ao IRRF, ainda que fosse possível sustentar a procedência da exigência fiscal relativa ao IRPJ, nenhuma base legal existiria para a cobrança do IRRF, posto que o fundamento utilizado (art. 44 da Lei n° 8541/92) foi expressamente revogado pelo art. 36 da Lei n° 9249/95, e o CTN dispõe que a lei aplicase a fatos pretéritos quando deixe de definilo como infração, sendo que o Conselho de Contribuintes já reconheceu o caráter punitivo daquele dispositivo revogado; (iii) ainda com relação ao IRRF, que, ainda que o art. 44 da Lei n. 8541/92 pudesse ser aplicado aos fatos ocorridos no anocalendário de 1995, não seria aplicável ao caso em análise, pois a infração autuada, por sua própria natureza, não autoriza a presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios, e a maior prova disso é que a empresa apurou prejuízo naquele período; (iv) com relação à CSLL, PIS e COFINS, ainda que fosse possível sustentar a procedência da exigência fiscal relativa ao IRPJ, nenhuma base legal existiria para a sua cobrança, tanto em razão dos enquadramentos legais apontados, absolutamente irrelevantes à hipótese fática dos autos, e que não autorizam o lançamento reflexo das referidas contribuições, quanto em razão da revogação também do art. 43 da Lei n° 8541/92, pelo já citado art. 36 da Lei n° 9249/95. Conclui a sua peça de defesa requerendo a integral reforma da decisão recorrida, e o conseqüente cancelamento da exigência fiscal “sub judice”. E, ainda, que, acaso seja mantida alguma exigência, seja afastada a aplicação de juros sobre a multa de ofício. Em 07/01/2014, o contribuinte protocolou pedido de desistência parcial (fls. 4918) do recurso interposto, declarando renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida discussão. Confrontandose os valores (e códigos de receita) ali referidos, com os valores constantes dos demonstrativos de débito (fls.48774878), verifica se ter havido a desistência com relação à totalidade do IRRF, do PIS e da COFINS. Remanescem em litígio, portanto, somente as exigências relativas ao IRPJ e à CSLL. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. Fl. 6503DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 27 26 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, houve a desistência parcial do contribuinte com relação a alguns dos reflexos. Paradoxalmente, entretanto, não houve a desistência com relação ao montante do principal (nem tampouco do reflexo de CSLL) relativo às mesmas infrações que deram ensejo aos lançamentos reflexos dos quais o contribuinte desistiu do litígio, de sorte que, alfim, todas as infrações referidas no relatório acima, e que tenham sido objeto de recurso, encontramse em litígio. Para melhor demonstrar este fato, bem como delimitar com maior clareza o litígio, elaborei a tabela abaixo, na qual fiz constar o valor tributável, ou seja, o montante em reais das infrações constatadas, que deram ensejo aos lançamentos constantes do presente processo: INFRAÇÕES IRPJ CSLL PIS COFINS IRRF Omissão de receitas (inventário) 725.633,97 725.633,97 725.633,97 725.633,97 725.633,97 Glosa de custos por duplicidade 873.676,74 873.676,74 Despesas não comprovadas 1.835.652,74 1.835.652,74 1.835.652,74 Despesas não necessárias 32.991,14 Bens permanentes deduzidos 300.164,42 300.164,42 CM credora a menor destes bens 22.751,80 22.751,80 Adições (donativos/liberalidades) 1.876,85 Outro esclarecimento a ser feito é que, muito embora a DRJ houvesse recorrido de ofício de sua primeira decisão, não há recurso de ofício a ser apreciado neste momento. E, de fato, não há mesmo razão para que tal recurso tivesse sido interposto, em face dos montantes exonerados. Dito isto, passo à análise dos tópicos recorridos seguindo a mesma ordem, sucessivamente utilizada até o momento, pela fiscalização, pela decisão recorrida, e pelo recurso voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇA DE ESTOQUE AJUSTE DE INVENTÁRIO Quanto à imputação de omissão de receitas, concluiu a fiscalização, após sucessivas intimações a respeito, que a contribuinte não esclareceu como foram calculados os valores lançados como custo, a título de Acerto de Inventário, ao final do ano. Por ter dado a esta diferença o tratamento de omissão de receita, não utilizou os prejuízos fiscais da contribuinte para compensar com a infração. Já a recorrente alega que desde antes da lavratura dos autos de infração já havia esclarecido o motivo dos referidos ajustes, e que os mesmos decorrem das perdas verificadas nos estoques, perdas que são normais e usuais na atividade da recorrente, e que estão em patamares razoáveis. Tenho que assiste razão à recorrente. A fiscalização não esclareceu por que motivo deu a um custo, que reputou não comprovado, o tratamento de omissão de receita, em valor exatamente equivalente ao que a recorrente contabilizou como custo. E como custo que é, Fl. 6504DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 28 27 acaso indedutível, haveria de, em primeiro lugar, ser compensado com os prejuízos da recorrente. Porém, tratase no caso de custo relativo a quebras e perdas nos estoques, conforme consta nos esclarecimentos prestados pela recorrente desde a fase de fiscalização, em atendimento a intimação específica para este fim, verbis: “Ao fim de cada período , comparamos a contagem física dos estoques com os registros contábeis, ..., obtendo o valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados.” Com relação a estes custos, dispunha o art. 233 do RIR/94: “Art. 233. Integrará também o custo o valor (Lei n° 4.506/64, art. 46, V e VI): I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração , obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovada: (...)” Da leitura deste artigo, verificase que a legislação, no caso de que trata o inciso I, impõe tão somente a verificação da razoabilidade das quebras e perdas, conforme a natureza do bem e da atividade. Ora, sabendose que uma das atividades da recorrente é a fabricação, compra, importação, comercialização, exportação e distribuição de diversos tipos de gases e misturas gasosas, em seus estados líquidos e gasosos, é evidente que haverá perdas nos estoques durante a fabricação, o transporte e o manuseio destes. E estas haverão de ser quantificadas justamente por ocasião do levantamento físico do inventário ao final do período de apuração. Se entendidas que não fossem razoáveis estas perdas, tal circunstância haveria de ter sido arguida pela fiscalização. Esta, contudo, conforme visto, conferiu outro tratamento às diferenças encontradas, de modo que sequer cogitou de sua eventual irrazoabilidade. De qualquer maneira, considerandose a atividade da recorrente antes referida, e o fato de que as perdas a este título representaram apenas 2,13% em comparação com o custo total de insumos do ano de 1995, afiguramse estas perdas como perfeitamente razoáveis, pelo que devem ser admitidas. Assim, deve ser cancelado o lançamento relativo ao item “omissão de receitas – diferença de estoque – ajuste de inventário”, no valor de R$ 725.633,97. Neste aspecto, bem como quanto à alegação fiscal de não estarem documentalmente comprovadas as perdas em questão, cito os seguintes precedentes: IRPJ – Exercício: 1988, 1990 – O ônus probante do Inciso I do art. 184 do RIR/80, só recai sobre a contribuinte quando suas quebras ou perdas não parecerem razoáveis, ou, quando a autoridade fiscal contesta os valores apresentados pelo contribuinte. (Acórdão CSRF 0105.797, sessão de 14 de abril de 2008, relator Mário Sérgio Fernandes Barroso) IRPJ/CSLL – PERDAS DE MERCADORIAS – São admitidas como custo, independentemente de laudo, as quebras e perdas ocorridas na produção, de acordo Fl. 6505DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 29 28 com a natureza do bem e da atividade da empresa, se a fiscalização não logra mostrar que não são razoáveis ou que estão cobertas por seguro. (Acórdão 107 08.306, sessão de 20 de outubro de 2005, relator Luiz Martins Valero) GLOSA DE CUSTOS – DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS A contribuinte contabilizou algumas despesas em duplicidade, no caso de cinco de suas filiais, e em quintuplicidade, no caso da filial de Canoas. Já na fase de impugnação, a recorrente logrou comprovar os lançamentos de estorno destes custos, com relação à filial de Canoas, tendo esta parte do lançamento sido exonerada. Pleiteia a recorrente que, em razão de ter comprovado o estorno da maior parte das despesas glosadas pela fiscalização em razão de duplicidade (R$ 838.460,68 de R$ 873.676,74, ou 95,97%), o restante da glosa também deve ser cancelado. Neste caso, o seu pleito não pode ser acolhido. Não obstante as alegações de que justamente no anocalendário objeto de fiscalização a sua contabilidade havia sido descentralizada nas diversas filiais do país, o que tornou a prova do estorno, no seu entender, difícil de ser produzida, o fato é que não há como aceitar que valores comprovadamente registrados em duplicidade possam ser aceitos como despesas legítimas. É cediço que à Fazenda cabe o ônus da prova da ocorrência dos pressupostos do fato gerador da obrigação tributária, e que, uma vez constituído o crédito pelo lançamento, ao sujeito passivo cabe a prova da existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda de exigir o tributo lançado. Assim, somente a prova do estorno de tais despesas teria o condão de tornar insubsistente o lançamento, contudo, a própria recorrente reconhece que não tem condições de fazer prova deste estorno, portanto a glosa de despesas registradas em duplicidade deve ser mantida. CUSTOS E/OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS A recorrente foi autuada por ter deixado de apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse alguns lançamentos relativos a diversos custos e despesas registrados em sua contabilidade. Passamos a análise de cada item. Despesas com Condução Local A recorrente insurgese contra a não aceitação pela autoridade julgadora a quo das deduções de R$ 11.000,00 e R$ 8.500,00, referentes a serviços por ela tomados no período, e da dedução de R$ 993,12 referente à multa do INMETRO, sem que tenha sido fundamentada pela referida autoridade a manutenção da glosa desses valores. O julgador a quo assim manifestouse a respeito: Fl. 6506DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 30 29 “Do total glosado (R$ 61.722,03), a contribuinte apresentou documentos no total de apenas R$ 32.043,31, conforme quadros 3.1.A e 3.1.B (fls. 1143 e 1263). Desse valor, desconsiderase os montantes de R$ 11.000,00 e R$ 8.500,00 (referentes a prestação de serviços de ‘Operação Processual de Venda do Ativo Fixo’), e de R$ 993,12 (referente a multa do INMETRO), os quais não guardam relação com as despesas glosadas.” Na verdade, tais valores já haviam sido submetidos também à análise da fiscalização, por força da diligência solicitada pela DRJ para verificação dos documentos apresentados somente em sede de impugnação. A manifestação da fiscalização a respeito dessas despesas é mais específica, verbis: “Do que foi apresentado, R$ 11.000,00 e R$ 8.500 referemse a prestação de serviços de “Operação Processual de Venda do Ativo Fixo”, sendo que não foi anexado nenhum contrato de prestação de serviços ou outro documento que demonstrasse qual o ativo vendido, se este fazia parte do imobilizado da empresa (quando foi adquirido) e qual o valor total do negócio. Uma das cópias das notas fiscais apresentadas está parcialmente ilegível, sendo que estes valores que totalizam R$ 19.500,00 restam ainda incomprovados. E ainda, o valor de R$ 993,12 apresentado referese a multa do INMETRO (de natureza não compensatória), indedutível, portanto.” Não se pode perder de vista que a glosa efetuada foi por falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, das despesas em questão. Uma vez apresentados documentos somente na fase de impugnação, indagase qual o efeito da apresentação de um documento formalmente hígido, contudo referente a despesa de natureza diversa daquela originalmente contabilizada, ou então indedutível. Não há dúvidas que o fato de as despesas de R$ 19.500,00 não guardarem relação com a natureza das despesas que ordinariamente deveriam estar registradas em uma conta contábil denominada de “condução local” não é suficiente para fundamentar a sua glosa, evidenciando, no máximo, uma impropriedade contábil. Por outro lado, se apesar de legítima, determinada despesa é indedutível da base de cálculo do tributo, seria possível inquinar o lançamento fiscal originalmente efetuado de vício por inovação na fundamentação? Penso que não, pois tampouco se pode perder de vista que não teria a fiscalização como pronunciarse a priori sobre eventual indedutibilidade da despesa, se o documento que lhe daria suporte não foi apresentado durante a fase investigativa. Tal postura, neste caso, poderia, no limite, servir como incentivo a contribuintes mal intencionados (ainda que não se esteja aqui afirmando e nem insinuando ser este o caso concreto) a assumirem comportamento contrário à sua obrigação legal de colaborar com o fisco durante a fase investigativa. Isto porque bastaria, por exemplo, que o sujeito passivo, sabedor de que determinada despesa, que ele deduziu do lucro real, e que é considerada indedutível pela legislação, não apresentasse o respectivo documento à fiscalização, fazendo com que o fisco, sem outra alternativa, glosasse a despesa por incomprovada, para então, na impugnação, ao apresentar o documento em questão, tornar insubsistente o lançamento. Por este motivo, tenho que o correto tratamento, nestas circunstâncias, é o de oportunizar ao fisco a manifestação sobre o documento apresentado, inclusive para aferir o requisito de dedutibilidade ou não da despesa, bem como oportunizar ao contribuinte que se oponha às eventuais considerações que venha a fazer o fisco neste sentido. Desta forma, Fl. 6507DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 31 30 equilibramse os dois lados da balança: nem se pode acusar o fisco de ter indevidamente alterado a fundamentação do lançamento, nem se pode negar ao contribuinte o amplo direito à defesa em face das novas alegações. Conforme visto, a fiscalização entendeu que os documentos apresentados de R$ 11.000,00 e R$ 8.500,00, referentes à prestação de serviços de “Operação Processual de Venda do Ativo Fixo”, por estarem desacompanhados de qualquer elemento que permitisse identificar qual o ativo vendido, e se este fazia parte do imobilizado da empresa, não eram aptos a comprovar a despesa lançada. Os documentos apresentados, que encontramse anexos às fls. 1.190 a 1.199, compreendem pedidos, ordens de pagamento, cópias de depósitos bancários, e notas fiscais relativas à prestação de serviços. Ainda que a cópia de uma das notas fiscais apresentadas se apresente parcialmente ilegível, o valor que nela está aparentemente expresso (de R$ 11.000,00) é corroborado por outros documentos, relativos ao seu pagamento. Ora, tratandose de prestação de serviços, é comum o fisco aprofundar a investigação, para verificar a efetividade da sua ocorrência. Contudo, embora tenha o processo baixado em diligência para análise dos referidos documentos, não houve qualquer aprofundamento da fiscalização no sentido de verificar eventual inidoneidade ou inaptidão dos documentos apresentados, nem sequer foi a contribuinte intimada por qualquer forma a respeito destas operações, de sorte que se afigura exageradamente rigorosa a exigência, por parte do fisco, de que tivesse havido espontaneamente a apresentação do contrato de prestação de serviços ou de provas adicionais acerca de qual teria sido o ativo vendido. Assim, milita em favor da recorrente a presunção de higidez dos documentos apresentados, bem como dos correspondentes lançamentos efetuados em sua contabilidade, a teor do disposto no art. 923 do RIR/99, que tem seu fundamento legal no art. 9º do DecretoLei nº 1.598/77: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.” Portanto, deve ser reconhecida a dedutibilidade de R$ 19.500,00. Por outro lado, com relação à multa do INMETRO, no valor de R$ 993,12, inegável que se trata de despesa indedutível. Por se tratar de multa de natureza administrativa, que não atende aos requisitos de necessidade, normalidade, e usualidade, não pode a mesma ser aceita como dedutível, na esteira da consolidada jurisprudência neste sentido, da qual, a título de ilustração, reproduzo os seguintes acórdãos: MULTAS ADMINISTRATIVAS (EX. 83) – Inadmissível a dedutibilidade de multas administrativas (por infrações à CLT e ao Código de Trânsito) como despesas operacionais (Acórdão 1037.309/86, Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 04/88, pág. 116) MULTAS ADMINISTRATIVAS – Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas administrativas (SUNAB, DETRAN, CLT) por não se revestirem das características de natureza compensatória e nem preencherem os Fl. 6508DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 32 31 requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. (Acórdão 10226.138, DOU 31/12/91) MULTA DO CNP – A multa aplicada pelo Conselho Nacional do Petróleo é uma despesa indedutível por ser desnecessária à atividade produtora (Acórdão 102 24.319, DOU 25/06/90) DESPESAS OPERACIONAIS – DEDUTIBILIDADE – MULTAS — Não são dedutíveis as multas por infrações fiscais, tampouco aquelas impostas por infrações a normas de natureza não tributária. (Acórdão 10707.311, sessão de 9 de setembro de 2003, relator Natanael Martins) A recorrente contesta ainda a referida multa alegando que a ela não se aplica a regra de indedutibilidade prevista no art. 283, § 5o do RIR/94, que possui a seguinte redação: “Art. 283. (...) § 5° Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei n° 8.541/92, art. 7°, § 5°).” Isto porque o referido dispositivo diz respeito apenas às multas decorrentes de infrações à legislação tributária, e não às multas relativas a infrações a outras legislações. Embora concorde com o argumento de que, a rigor, a leitura do citado dispositivo não permita concluir com segurança que as multas decorrentes de infrações a normas de natureza não tributária estariam nele contidas, ressalto que a confusão é bastante antiga, não ficando apenas ao fisco restrito o entendimento de que essas multas estariam melhor enquadradas neste dispositivo (específico) e não no dispositivo geral de necessidade das despesas (art. 242 do RIR/94, atual art. 299 do RIR/99). Neste sentido, basta conferir a ementa das decisões acima transcritas, em que as multas de natureza não tributária são mencionadas conjuntamente com as multas fiscais, ou, ainda, são também definidas como de natureza “não compensatória”, a par de não preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Confirase, ainda, neste sentido, a seguinte manifestação no voto do relator do Acórdão 10707.311, cuja ementa foi acima transcrita, o ilustre conselheiro Natanael Martins: “A legislação é rigorosa nesse sentido, ao estabelecer no parágrafo 5° do art. 283 do RIR/94, que não são dedutiveis as multas impostas por infrações fiscais, bem como aquelas decorrentes de infração a normas de natureza não tributárias, tais como as aplicadas por infrações trabalhistas, de trânsito etc.” Ou então a manifestação no voto do relator do Acórdão 10705.531, a i. conselheira Maria do Carmo S.R. de Carvalho: “Nos termos do § 4° do artigo 225 do RIR/80, ‘não são dedutiveis, como custo ou despesa operacional, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo.’ Fl. 6509DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 33 32 O Fisco tomou o cuidado de apensar aos autos o documento de fls. 94/95, no qual relacionou as multas consideradas indedutiveis, identificandoas e demonstrando seus respectivos valores. Analisandose esta relação, verificase que somente as multas classificadas como não identificadas; a multa do IBAMA; e a multa referente ao FGTS — Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, devem ser consideradas indedutiveis.” Vêse, portanto, que, sob esta ótica, não se afigura despropositado o enquadramento, pelo fisco, da multa em questão no citado dispositivo, em vez de no dispositivo geral de indedutibilidade por desnecessidade. Tampouco posso considerar que teria havido prejuízo à defesa caso se entendesse que as razões de defesa poderiam ter sido outras caso o fisco tivesse feito menção à regra geral de necessidade das despesas operacionais (art. 242 do RIR/94, atual art. 299 do RIR/99). Mesmo porque verificase que, desde a interposição da primeira manifestação da contribuinte, em resposta à “Informação Fiscal” que enquadrou a referida despesa, originalmente não comprovada, como não dedutível, já apresentou a recorrente alegações no sentido de que a despesa em questão seria dedutível porque “necessária à manutenção da fonte produtora e, portanto, necessária ao negócio, nos termos do art. 47 da Lei n. 4.506/64” (artigo o qual é a base legal do anteriormente citado art. 242 do RIR/94), além de citar acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam esta sua tese. Portanto, na esteira da jurisprudência anteriormente transcrita, deve a multa do INMETRO ser considerada indedutível. Ainda com relação às despesas de “Condução Local”, a recorrente alega que, em razão de ter comprovado a maior parte dessas despesas glosadas pela fiscalização, o restante da glosa também deveria ser cancelado. Contudo, tal pleito não pode ser acolhido, pois não há como se admitir por legítimas despesas com relação às quais a própria recorrente reconhece não possuir comprovação de sua efetividade, independentemente de qual seja o montante destas despesas. Viagens e Estadias A recorrente insurgese contra a não aceitação pela autoridade julgadora a quo das deduções no valor total de R$ 9.974,83, sob a alegação de que seriam documentos sem valor probante, sem levar em consideração que se trata de despesas de pequeno valor, de tal forma que os relatórios de despesas juntados aos autos devem servir como prova para fins de dedução. Não há como acolher o pleito da recorrente. É verdade que se trata de despesas de pequeno valor (desde R$ 41,22 até R$ 700,00, no caso) e que constituem partes de relatórios de viagens. Contudo, ainda assim são despesas que estão desacompanhados de documentos hábeis e idôneos comprobatórios de sua realização. Verificandose os autos relativamente a esses valores glosados, encontramse apenas comprovantes internos da própria empresa, e.g. comprovante de caixa, comprovante de depósito, autorização de pagamento, etc, mas nenhuma nota fiscal, nem mesmo de modelo simplificada, ou documento equivalente. Fl. 6510DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 34 33 E tampouco existe previsão legal para conferir ao relatório de despesas, que também é documento de controle interno da própria empresa, o caráter de documento comprobatório da realização de despesa contabilizada. Portanto, dos R$ 167.680,11 glosados pela fiscalização, confirmase apenas a exclusão dos R$ 38.599,70 já afastados pela decisão recorrida (R$ 30.947,75 após a impugnação, e mais R$ 7.651,95 após a diligência). Pelos motivos já expostos, não pode ser acolhido o argumento de que, por ter comprovado a maior parte das despesas, deveriam ser consideradas integralmente dedutíveis as despesas lançadas nesta conta. Passagens Internas As alegações recursais, no tocante a estas despesas, limitamse aos argumentos de se tratar de despesas de pequeno valor, e de ter a recorrente comprovado a maior parte das despesas. Contudo, pelos motivos já expostos, tais argumentos não afastam a necessidade de comprovação das despesas em questão, o qual não foi atendido, de sorte que não há motivos para reformar a decisão recorrida, que já reconheceu parcialmente a improcedência da exigência, na parte em que apresentados os respectivos documentos comprobatórios (foram considerados comprovados R$ 23.987,26, de um total originalmente glosado de R$ 84.054,91). Viagens ao Exterior As alegações recursais, no tocante a estas despesas, limitamse aos argumentos de se tratar de despesas de pequeno valor, e de ter a recorrente comprovado a maior parte das despesas. Contudo, pelos motivos já expostos, tais argumentos não afastam a necessidade de comprovação das despesas em questão, o qual não foi atendido, de sorte que não há motivos para reformar a decisão recorrida, que já reconheceu parcialmente a improcedência da exigência, na parte em que apresentados os respectivos documentos comprobatórios (foram considerados comprovados R$ 12.785,45, de um total originalmente glosado de R$ 22.354,70). Ajuda de Custo Com relação a estas despesas, aduz a recorrente que a maior parte se refere a reembolsos de gastos com o transporte de seus funcionários, em decorrência da utilização de veículos próprios, e que a decisão recorrida não poderia ter acatado apenas parcialmente os documentos apresentados, no montante de R$ 11.662,81, pois se trata de despesas de pequeno valor, devendo os relatórios de despesas juntados aos autos servir como prova para fins de dedução. Ademais, tendo a recorrente comprovado a maior parte das despesas, deveriam ser consideradas integralmente dedutíveis as despesas que foram glosadas pelo fisco, no valor de R$ 62.899,83. Fl. 6511DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 35 34 Contudo, tais argumentos já foram ao norte refutados, com relação a outras despesas. Conforme acima afirmado, a apresentação tão somente de relatórios de despesas, documentos de controle interno da própria empresa, desacompanhados dos respectivos documentos comprobatórios, não dá amparo à dedução daquelas despesas das bases de cálculo dos tributos sobre o lucro. Transporte para Vendas As alegações recursais, no tocante a estas despesas, limitamse ao argumentos de ter a recorrente comprovado a maior parte das despesas, tendo restado incomprovados tão somente 3,78% do total dos valores contabilizados nesta conta. Contudo, pelos motivos já expostos, tal argumento não pode ser acatado como fundamento para a exoneração de glosas por falta de comprovação de despesas (a decisão recorrida já considerou comprovados R$ 73.328,70, de um total originalmente glosado de R$ 176.786,58). Transporte para Transferência As alegações recursais, no tocante a estas despesas, limitamse aos argumentos de se tratar de despesas de pequeno valor, e de ter a recorrente comprovado a maior parte das despesas. Contudo, pelos motivos já expostos, tais argumentos não afastam a necessidade de comprovação das despesas em questão, o qual não foi atendido, de sorte que não há motivos para reformar a decisão recorrida, que já reconheceu parcialmente a improcedência da exigência, na parte em que apresentados os respectivos documentos comprobatórios (foram considerados comprovados R$ 210.911,06, de um total originalmente glosado de R$ 419.768,54). Outros Transportes As alegações recursais, no tocante a estas despesas, limitamse aos argumentos de se tratar de despesas de pequeno valor, e de ter a recorrente comprovado a maior parte das despesas. Contudo, pelos motivos já expostos, tais argumentos não afastam a necessidade de comprovação das despesas em questão, o qual não foi atendido, de sorte que não há motivos para reformar a decisão recorrida, que já reconheceu parcialmente a improcedência da exigência, na parte em que apresentados os respectivos documentos comprobatórios (foram considerados comprovados R$ 275.947,88, de um total originalmente glosado de R$ 462.574,34). Donativos e Liberalidades Com relação a estas despesas, a recorrente alega apenas que, em razão de ter comprovado a maior parte dessas despesas glosadas pela fiscalização, restando sem comprovação somente R$ 3.436,59, ou 9,04% dos valores glosados pelo fisco, esta parcela Fl. 6512DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 36 35 restante da glosa também deveria ser cancelada. Contudo, pelos motivos já expostos, não há como ser acolhido tal pleito. Conservação Com relação a estas despesas, a recorrente alega apenas que o fato de a decisão recorrida ter acolhido integralmente o montante relativo aos comprovantes juntados posteriormente, restabelecendo as despesas de R$ 41.878,70 [sic], reforça a dedutibilidade dos montantes indicados na planilha já anexada aos autos. Esclareçase que foi de R$ 42.859,51 o montante das despesas acatadas pela decisão recorrida, e justamente porque comprovadas por documentos, requisito que faltou para o restante dos valores originalmente glosados pelo fisco (o total da glosa fiscal é de R$ 339.790,23), os quais continuam sem comprovação. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS Viagens e Estadias A recorrente alega que a exigência em questão está desprovida de qualquer fundamento, pois basta comparar as faturas emitidas pela empresa World Streem Turismo Ltda. (docs. 350 a 365 da impugnação) com a relação emitida pelo departamento de RH da filial de Curitiba (doc. 366 da impugnação) para verificar que as passagens e hospedagens correspondem a gastos de funcionários da recorrente. Às fls. 45 a 60 dos autos consta a relação completa dos empregados da recorrente. Ali é possível verificar que nela efetivamente trabalhavam todas as pessoas em nome das quais foram emitidas as faturas pela empresa World Streem Turismo Ltda. (docs. 350 a 365 da impugnação, em nome de Jeronimo Almeida Burg, Sergio Luiz Arozi, Neusa Aparecida de Moura, José Burges Olmos, e Isabel Freiberger). Entretanto, as despesas que foram consideradas indedutíveis pela fiscalização, no total de R$ 6.562,31, foram incorridas pelas seguintes pessoas, conforme o que consta às fls. nas fls. 259 a 295 dos autos: Ray Brian, Jean Verdon, Daniel Thouin, Leda Longhi, Débora Piccolo, Patrícia Piccolo, Jamil Piccolo, e membros da família de Sergio Luiz Arozi (este sim funcionário da empresa). Com relação a nenhuma dessas pessoas houve qualquer demonstração de sua relação para com a atividade da empresa, de forma que correta a indedutibilidade das respectivas despesas, por desnecessárias. Outros Transportes A recorrente, com relação a este item, alega que, em razão de ser o valor de R$ 1.136,30, considerado indedutível, praticamente irrisório frente ao total comprovado nesta Fl. 6513DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 37 36 conta – para um total contabilizado de R$ 1.738.690,38, a recorrente apresentou documentação totalizando R$ 1.276.116,04 – o lançamento relativo a ele deveria ser cancelado. Contudo, na mesma linha de raciocínio antes exposta, não há como acolher tal pleito. A despesa, alegadamente relativa à mudança de funcionário por transferência para outra filial da recorrente, foi considerada indedutível porque a transferência do funcionário para outra filial não restou comprovada. A recorrente, por sua vez, expressamente reconhece que não localizou a documentação que demonstraria a necessidade das despesas glosadas, razão pela qual o lançamento fiscal deve ser mantido nesta parte. Conservação A fiscalização reputou como indedutível o valor de R$ 5.500,00 por se tratar de gastos com reforma de apartamento de pessoa que não pertencia ao quadro de funcionários da empresa na ocasião do desembolso, enfim, mera liberalidade de sua parte. A recorrente, contudo, esclarece que em meados de 1983, contratou o Sr. Yves Marcel Troadec, de nacionalidade francesa, para trabalhar no Brasil, tendo sido ajustado entre as partes que todas as despesas de moradia daquela pessoa seriam de responsabilidade da recorrente, inclusive aquelas decorrentes do término do contrato de locação do apartamento (docs. 367 a 370 da impugnação), de modo que cabia à recorrente realizar as reformas que se fizessem necessárias para que o imóvel, quando de sua devolução, estivesse nas mesmas condições do inicio da vigência do contrato de locação. A recorrente segue esclarecendo que o Sr. Troadec desligouse da empresa no final do ano de 1994, porém, permaneceu durante mais alguns meses no apartamento (doc. 368), desocupandoo apenas no final de 1995 (doc. 369 da defesa). Os referidos documentos, acostados aos autos, permitem confirmar a tese da defesa. Ainda que o documento nº 368, assinado pelo Sr. Troadec e pelo Diretor de Recursos Humanos da recorrente, esteja em língua estrangeira, é possível constatar que, pelo acordo firmado, a partir de 01/08/1994 os encargos de locação do apartamento ficariam a cargo do Sr. Troadec, contudo, as despesas decorrentes do término do contrato de locação do apartamento recairiam sobre a recorrente. E o Termo de Recepção de Imóvel (doc. 369 da defesa), datado de 30 de novembro de 1995, confirma que foi somente neste momento que se deu por encerrada a locação do referido apartamento. Ora, se as respectivas despesas de locação deste imóvel sempre foram consideradas dedutíveis, enquanto durou o contrato de trabalho do Sr. Troadec, demonstrada está a sua necessidade para a manutenção da fonte produtora. Já as despesas em questão, relativas à entrega do imóvel, são mera decorrência do término deste mesmo contrato de locação cujos encargos competiam à recorrente. Assim, tenho para mim que não seria pelo fato de ter o Sr. Troadec permanecido no imóvel por cerca de um ano além de seu afastamento dos quadros da recorrente, após ter a ela prestado serviços por mais de dez anos, que se deveria tomar por indedutível tal despesa, contratualmente prevista, e comprovadamente paga pela recorrente, de modo que entendo deva ser cancelada a exigência fiscal no tocante a este item. Fl. 6514DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 38 37 BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESAS – GLOSA E CORREÇÃO MONETÁRIA A glosa fiscal, neste caso, foi de R$ 300.164,42, tendo ainda a fiscalização apurado e lançado o valor da correção monetária que deveria ter sido calculada sobre estes bens, no montante de R$ 22.751,80. A DRJ, contudo, deu provimento parcial à impugnação, para cancelar o valor de R$ 171.000,00, correspondente aos gastos que entendeu tratarse efetivamente de despesas com simples manutenção de equipamentos (tanques), e para também cancelar, na parte relativa a estas glosas exoneradas, o item relativo à correção monetária dos respectivos bens. A recorrente, com relação a este item, protesta apenas pelo reconhecimento do seu direito à depreciação incidente sobre os bens com relação aos quais a autoridade julgadora a quo ratificou o entendimento do fisco, de que deveriam ter sido contabilizados no ativo, em lugar de terem sido contabilizados como despesas. É o que se infere a partir do seguinte excerto do recurso: “Ocorre que, a par de qualquer discussão a respeito da incidência ou não da correção monetária, a recorrente vem sustentando nestes autos que houve erro de cálculo neste item da autuação, haja vista que a fiscalização deveria ter, obrigatoriamente, deduzido daquele valor as parcelas correspondentes aos percentuais de depreciação, conforme pacífico entendimento jurisprudencial.” A DRJ não acolheu a pretensão da recorrente, ao argumento de se tratar, no caso, de uma faculdade do sujeito passivo, que somente pode exercêla (ou, no caso, pleiteála) a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir, nos termos do que dispõe o §2º do artigo 248 do RIR/94, sendo que o contribuinte não comprovou a data em que os referidos bens entraram em operação. Não posso concordar com tal entendimento. Presumese, até mesmo porque a recorrente sequer ativou os referidos bens, mas os computou diretamente como despesas, que estes entraram imediatamente em operação. Por outro lado, nenhum indício em contrário foi sequer levantado pela autoridade fiscal, e, de resto, a própria natureza destes bens (central telefônica, impressora, compressor, extintor, cessão de uso de software, etc) aponta no mesmo sentido. É sólida também a jurisprudência administrativa neste sentido, consoante os diversos precedentes trazidos pela própria recorrente, dos quais basta reproduzir os seguintes: Acórdão nº 10192634, de 13.4.1999: “IRPJ DIREITO À DEPRECIAÇÃO Deve ser concedida à pessoa jurídica a depreciação dos valores classificados no Ativo Diferido pela ação fiscal, eis que a depreciação só não foi efetuada porque tais valores não estavam registrados no Ativo Permanente.” Acórdão nº 101 95035, de 16.6.2005: “BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESA. GLOSA – Os valores despendidos com serviços ou aquisição de equipamentos, cuja Fl. 6515DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 39 38 vida útil é superior a um exercício, não podem ser apropriados como custo ou despesa, devendo ser ativados. CORREÇÃO MONETÁRIA DO BALANÇO Os bens e direitos ativáveis devem ser considerados como se estivessem escriturados em conta do Ativo Permanente. Procede a correção monetária extracontábil no primeiro exercício. Contudo, cabe, igualmente, a dedução da depreciação.” Pelo exposto, com relação a este item, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer à recorrente o direito ao desconto da depreciação incidente sobre os bens, cujo valor de aquisição monta a R$ 129.164,42, que deveriam ter sido contabilizados no ativo, em lugar de terem sido contabilizados como despesas. Para o cálculo do valor a ser abatido, deve ser considerado como data de entrada em operação a data constante no próprio documento fiscal de aquisição, e as taxas de depreciação comumente aplicadas, conforme a natureza do bem. Às fls. 927930 há um demonstrativo elaborado pela fiscalização no qual constam os dados necessários para tal cálculo: data de aquisição, descrição do bem, e valor do bem, e às fls. 323442 encontramse os respectivos documentos. A partir destes dados, e, considerandose as taxas de depreciação fixadas pela Instrução Normativa SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, temse que, para os bens ali identificados como: “central telefônica” (incluindo sua instalação, ampliação, etc), “licença e/ou cessão de direito de uso de sistemas” (Novell, Viruscan, Office, etc), bem como outros itens identificados como sendo de informática (tais como “upgrade de computador”, “desenvolvimento de sistemas”, “CPU de computador”, etc), deve ser aplicada a taxa de depreciação de 20% ao ano. A tabela abaixo resume os bens identificados por este relator com relação aos quais deve ser aplicada a taxa de depreciação de 20% ao ano: Fl. 6516DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 40 39 Para os demais bens constantes da tabela de fls. 927930, considerandose a ausência de quaisquer argumentos por parte da recorrente com relação à taxa de depreciação que lhes seria aplicável, e a natureza destes bens, inferível a partir dos documentos apresentados e antes referidos, como sendo atinentes a máquinas e/ou ferramentas e/ou equipamentos em geral, devese aplicar a taxa de depreciação de 10% ao ano. No tocante à correção monetária sobre os bens que deveriam ter sido ativados, não apontou a recorrente qualquer incorreção ou impropriedade do lançamento, uma vez que o “erro” que apontou, conforme exposto, dizia respeito tão somente à falta de reconhecimento, pelo fisco, do seu direito à depreciação sobre aqueles bens, ora reconhecido. Portanto, nada há a reparar com relação à decisão recorrida no tocante à correção monetária lançada, uma vez que aquela autoridade já promoveu o devido ajuste, cancelando parcialmente a exigência no tocante aos bens com relação aos quais entendeu improcedente a exigência principal (tanques). ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DONATIVOS E LIBERALIDADES Fl. 6517DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 41 40 A recorrente, com relação com relação às despesas com donativos e liberalidades, no valor de R$ 1.876,85, protesta que o fundamento legal utilizado pelo fisco — art. 306 do RIR/94, que sustenta que o total das contribuições ou doações não pode exceder, em cada períodobase, a cinco por cento do lucro operacional da empresa, antes de computada essa dedução — é inaplicável ao caso, pois, embora a recorrente tenha apurado resultado operacional negativo, o citado artigo se refere apenas às doações e contribuições de que tratam os arts. 304 e 305 e, no caso concreto, se trata de contribuições a entidades de classe e outras contribuições que não se enquadram dentre as ali mencionadas. Na verdade, consultando os autos, verificase que a fiscalização intimou a ora recorrente com relação ao motivo de tais valores não terem sido adicionados ao LALUR, fls. 124, tendo ela respondido, fls. 127128, que se tratava de pequenas despesas, que representam baixo valor percentual relativamente à receita líquida, e de contribuições com caráter social e ético e a instituições que tratam assuntos de interesse empresarial, ao amparo do art. 306 RIR/94. Tendo em vista esta manifestação da própria contribuinte durante o processo investigativo, de que tais contribuições estariam enquadradas no contexto do artigo 306, e o fato de que a contribuinte havia apurado resultado operacional negativo naquele ano, concluiu a fiscalização que o valor de R$ 1.876,85 deveria ser adicionado ao lucro real. Contudo, em sede de impugnação e recurso, alega a recorrente que as referidas despesas referemse a contribuições a entidades de classe e outras contribuições, que não se enquadram naquelas tratadas pelo art. 306. Assim, não há que se acusar a decisão recorrida de ter alterado a fundamentação legal utilizada pela fiscalização para a manutenção do lançamento, quando o eventual equívoco na fundamentação teve origem em manifestações da própria recorrente, que para a fiscalização alegou uma coisa, e para a autoridade julgadora alegou outra, em sentido contrário à primeira. Mais importante, afinal, é verificar a efetiva dedutibilidade ou não das referidas despesas. Afinal, todas as despesas, inclusive as com doações e contribuições, estão sujeitas à regra geral de verificação da necessidade, normalidade e usualidade, para aferição de sua dedutibilidade. E, apenas no caso de certas doações e contribuições específicas, como as referidas nos artigos 304 e 305 do RIR/94, é que há ainda um requisito adicional, qual seja, o de não exceder a certo percentual do lucro operacional da empresa. Assim, se não se enquadram as despesas em litígio nestes artigos, cumprelhes observar tão somente a regra geral antes referida. Neste sentido, cito o seguinte precedente da 1ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes: “IRPJ CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES A dedutibilidade das despesas com doações a entidades de classe está sujeita ao preenchimento de dois requisitos: prova da necessidade frente aos objetivos da pessoa jurídica e que tais gastos não ultrapassem ao limite de 5% do lucro operacional, na forma prevista no art. 243 do RIR/80. Negado provimento ao recurso.” (Acórdão 816410, em 11.06.1991, DOU: 20/05/92 pág. 6219) Fl. 6518DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 42 41 No caso concreto, as despesas consideradas indedutíveis pela fiscalização, e que somam R$ 1.876,85, são as seguintes: a) uma coroa de flores para velório de funcionário, no valor de R$ 200,00; b) contribuição à ASBIA – Associação Brasileira de Inseminação Artificial, no valor de R$ 36,31; c) contribuição à ASBIA – Associação Brasileira de Inseminação Artificial, no valor de R$ 70,27; d) contribuição beneficente, no valor de R$ 1.000,00; e) donativo para Sr. Guy Weber – Câmara de Comércio Francesa, no valor de R$ 500,00; f) contribuição à ASBIA – Associação Brasileira de Inseminação Artificial, no valor de R$ 70,27. Não demonstrada em nenhum momento qual a relação de tais despesas com a atividade da recorrente, concluo tratarse de mera liberalidade de sua parte, portanto correta a sua indedutibilidade por desnecessárias, assim como também já decidira a decisão recorrida. EXIGÊNCIAS REFLEXAS – CSLL, IRRF, PIS E COFINS Conforme relatado, o contribuinte desistiu de litigar com relação aos reflexos de IRRF, PIS e COFINS, motivo pelo qual não se conhece dos argumentos manejados no recurso contra estas exigências. Resta, portanto, analisar apenas o reflexo de CSLL, tendo por norte, a priori, o fato de que as exigências reflexas devem seguir a mesma sorte do principal, posto que amparadas nos mesmos fatos. Sustenta a recorrente que não há base legal para a cobrança da CSLL, uma vez que os enquadramentos legais apontados na autuação são absolutamente irrelevantes à hipótese fática dos autos, além do fato de o art. 43 da Lei n° 8541/92 ter sido revogado pelo art. 36 da Lei n° 9249/95. A revogação do art. 43 da Lei n° 8541/92 não é mais relevante para o caso concreto, uma vez que a única exigência de IRPJ (e reflexa de CSLL) que nele estava lastreada foi cancelada pelo presente voto (omissão de receita por diferença de inventário). De resto, das demais despesas que foram glosadas pelo fisco, somente com relação às despesas consideradas desnecessárias à atividade (item 4 da autuação) e às decorrentes de donativos e liberalidades que constituem adições ao lucro líquido (item 7 da autuação) é possível concordar com a argumentação de que essas infrações não se aplicariam à CSLL. Contudo, conforme se pode verificar na tabela inserida ao norte, bem no início do presente voto, a tais infrações a fiscalização não aplicou a exigência reflexa de CSLL. O argumento, portanto, tem procedência exclusivamente com relação à despesa com a multa do INMETRO, no valor de R$ 993,12, e isto ocorre porque esta despesa constava originalmente como não comprovada (tendo sido computada, portanto, no cálculo da CSLL lançada), contudo, foi posteriormente comprovada, não tendo deixado de ser, porém, indedutível da apuração da base de cálculo, mas, neste caso, tão somente para fins de IRPJ. Fl. 6519DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 43 42 Cumpre afastar, portanto, a exigência reflexa de CSLL no valor de R$ 993,12 (montante da infração, e não do tributo). Isto porque a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido parte do resultado do exercício apurado de acordo com os princípios da legislação comercial, sofrendo os ajustes previstos em lei, no caso, a Lei n° 7.689, de 1988, e alterações posteriores. Assim, receitas omitidas na escrituração, bem como saídas de recursos que não correspondam a efetivas despesas do exercício e que tenham sido escrituradas como tal, como é o caso das despesas não comprovadas, devem ser acrescidas à sua base de cálculo, posto que impactam diretamente na apuração do resultado contábil, ponto de partida para a apuração da CSLL devida. O mesmo se aplica para o caso de despesas lançadas em duplicidade, que também se enquadram na categoria de despesas não comprovadas. Da mesma forma, também as despesas que não atendem aos preceitos contábeis que determinam a correta forma de apuração do resultado, como no caso das despesas que foram indevidamente deduzidas do lucro quando, em verdade, correspondem a bens que deveriam ter sido registrados no ativo permanente, devem igualmente ser acrescidas à sua base de cálculo. Entretanto, a mera indedutibilidade de uma despesa para fins de apuração do lucro real não a torna necessária e automaticamente indedutível para o cálculo da Contribuição Social. Ao contrário, para que uma despesa seja considerada indedutível para a CSLL, tem de haver previsão legal específica para este fim, o que não ocorre no caso da despesa antes referida (multa do INMETRO). Este entendimento também se encontra expresso na jurisprudência do CARF a seguir mencionada: Acórdão 10197.057, sessão de 16 de dezembro de 2008, relatora Sandra Faroni: CSLL Não precisam ser adicionadas, para efeito da base de cálculo da contribuição, as despesas não dedutiveis para fins do imposto de renda, desde que , de acordo com a legislação comercial, constituam, efetivamente, despesa para a empresa. Acórdão 10709.523, sessão de 15 de outubro de 2008, redator designado Luiz Martins Valero: DESPESAS INDEDÚTÍVEIS Os ajustes por adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, são aqueles previstos em Lei. Despesas representadas por dispêndios efetivos, consideradas indedutíveis pela legislação do IRPJ não são, automaticamente, adicionadas à base de cálculo da CSLL, salvo quando se tratar de dispêndios não ocorridos efetivamente. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Insurgese a recorrente contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, alegando que a lei prevê a incidência de juros de mora sobre multa somente Fl. 6520DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 44 43 quando se trata de multa isolada, o que não é o caso, e que tampouco o art. 161 do CTN alberga esta exigência, nos termos de jurisprudência que transcreve. A matéria não é nova, e esta Turma temse manifestado consistentemente de modo contrário à alegação recursal. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Historicamente, o DecretoLei nº 1.736/1979 já previa a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos seguintes termos: Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Fl. 6521DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 45 44 Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) O parágrafo único do art. 2º acima transcrito expressamente ressalvava a não incidência de juros apenas sobre a multa de mora, mas não sobre a multa de oficio, prescrevendo o seu caput a incidência de juros sobre o “valor originário” dos “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”. O art. 3o, por sua vez, referia todas as parcelas do débito que não se consideram incluídas no “valor originário” do débito, não se encontrando ali também a previsão para a exclusão, deste valor, da multa de ofício. Houve, contudo, de fato, períodos em que, apesar da previsão geral de incidência de juros de mora contida no CTN, a lei expressamente restringiu os juros de mora apenas aos tributos e contribuições atualizados monetariamente, o que implicou, portanto, na sua não incidência, naqueles períodos, sobre a multa de ofício. Por exemplo, houve a Lei nº 7.738/89, cujo art. 23 possuía a seguinte redação: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Contudo, já com a Lei nº 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre “os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, juros estes que eram então calculados com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e Sem estender a análise histórica de modo a contemplar todos os diplomas legais que trataram do assunto, o que se verifica é que, sempre que o legislador visou a restringir o alcance dos juros a apenas parte (ou partes) do crédito tributário, o fez de modo expresso, ou usando a expressão “tributos e contribuições” para referir que somente estes se sujeitariam aos juros de mora, ou então mencionando expressamente todas as parcelas do Fl. 6522DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 46 45 crédito tributário (débito para com a Fazenda Nacional) que não deveriam sofrer a incidência daqueles juros. No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Rogando vênia à corrente desta Corte que se tem manifestado em sentido oposto, consoante julgados colacionados pela Recorrente, entendo que a expressão “decorrentes de tributos e contribuições” deva ser interpretada de modo a incluir a multa de ofício, e não a excluíla. Os débitos para com a Fazenda Nacional podem ser de diversas naturezas, não apenas tributária. Assim, tenho que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” visa a apenas ressaltar a natureza tributária dos débitos a que se refere o dispositivo em questão, em contraste com a mais abrangente expressão “débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, anteriormente empregada pela legislação de regência. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Fl. 6523DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.009212/0010 Acórdão n.º 1102001.254 S1C1T2 Fl. 47 46 CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço parcialmente do recurso interposto e, na parte conhecida, dou parcial provimento ao recurso, para: (i) cancelar a exigência fiscal a título de omissão de receitas; (ii) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de despesas não comprovadas, no valor tributável de R$ 19.500,00; (iii) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de despesas não necessárias, no valor tributável de R$ 5.500,00; (iv) cancelar parcialmente a exigência fiscal a título de bens de natureza permanente deduzidos como despesas, na proporção do direito reconhecido à depreciação incidente sobre estes bens, conforme detalhado no voto; (v) cancelar parcialmente a exigência fiscal reflexa de CSLL, no valor tributável de R$ 993,12, correspondente à despesa considerada indedutível da base de cálculo do IRPJ. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 6524DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/ 12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15504.010664/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/10/1997
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para acatar a decadência exposta no Código Tributário Nacional, tanto pela regra imposta no artigo 173, I, quanto pela homologação tácita do crédito, na forma do artigo 150 §4º, do mesmo diploma legal.
.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/10/1997 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para acatar a decadência exposta no Código Tributário Nacional, tanto pela regra imposta no artigo 173, I, quanto pela homologação tácita do crédito, na forma do artigo 150 §4º, do mesmo diploma legal. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 06 64 /2 00 9- 20 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.010664/200920 Acórdão n.º 2302003.452 S2C3T2 Fl. 278 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, a fim de excluir do lançamento as contribuições lançadas para outras entidades e fundos (terceiros), por não existir responsabilidade solidária sobre as mesmas, nos termos do art. 187, §2°, I da Instrução Normativa INSS/DC n ° 100 de 18/12/2003. Adotase trecho do relatório da decisão de origem (fls. 196), que bem resume o quanto consta dos autos: DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, e a empresa prestadora de serviços Telepaz Telecomunicações Ltda., no montante de R$ 8.520,81 (oito mil, quinhentos e vinte reais e oitenta e um centavos), nas competências 09/97 e 10/97, consolidado em 06/08/04, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição dos segurados e a parte patronal, inclusive a reservada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga à mãodeobra de serviços de construção civil, executados sob regime de subempreitada. DA IMPUGNAÇÃO Da empresa responsável solidária 2. A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar, às fls. 25/49, alegando, em síntese, o que segue: (...) Da empresa prestadora de serviços 3. A terceira via desta NFLD foi remetida 6 empresa Telepaz Telecomunicações Ltda., prestadora de serviços, porém houve devolução pela ECT, conforme informação de fls. 78. Assim, a ciência do prestador de serviço se deu por meio de edital anexado às fls. 80/81. 3.1. Conforme despacho de fls. 90, a ciência da prestadora se deu em 16/08/2005 e o prazo para apresentação da defesa findouse em 31/08/2005, sem que a empresa tenha se manifestado. (...) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Como afirmado, o órgão de origem julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, a fim de excluir do lançamento as contribuições lançadas para outras entidades e fundos (terceiros), por não existir responsabilidade solidária sobre as mesmas, nos termos do art. 187, §2°, I da Instrução Normativa INSS/DC n ° 100 de 18/12/2003. Cientificadas da decisão, apenas a Garra Telecomunicações e Eletricidade Ltda. interpôs o recurso de fls. 232 e seguintes. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.010664/200920 Acórdão n.º 2302003.452 S2C3T2 Fl. 279 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Recurso Voluntário. Decadência. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 17/08/2006, e compreende as competências de 09/1997 e 10/1997. O lançamento foi efetuado pela autoridade fiscal e mantido instância de origem com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias. Ocorre que este artigo foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.010664/200920 Acórdão n.º 2302003.452 S2C3T2 Fl. 280 7 No presente caso, por quaisquer das regras há que se reconhecer a decadência, visto que ultrapassado o lustro normativo, independentemente do dies a quo considerado. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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