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Numero do processo: 11065.725052/2014-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO E DESCAMINHO.
Os fatos valorados e a norma impositiva na esfera penal não são os mesmos considerados na imputação da infração administrativa da pena de perdimento. Eventual sentença absolutória na esfera penal não invalida a pena de perdimento e não anula exclusão do Simples Nacional que lhe foi conseqüente.
Numero da decisão: 1001-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Redator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Os fatos valorados e a norma impositiva na esfera penal não são os mesmos considerados na imputação da infração administrativa da pena de perdimento. Eventual sentença absolutória na esfera penal não invalida a pena de perdimento e não anula exclusão do Simples Nacional que lhe foi conseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Redator. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 52 /2 01 4- 68 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 121 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 57 a 108) interposto contra o Acórdão nº 1675.380, proferido pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 48 a 54), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do Fato Gerador: 01/06/2012 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. DESCONHECIMENTO DA LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ESCUSA. Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 3° da Lei de Introdução às normas de Direito Brasileiro (DecretoLei n° 4.657/42). PENA DE PERDIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL. IMPUGNAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. O processo fiscal relativo a infrações cuja pena aplicada seja a de perdimento de mercadoria estrangeira deve ser submetido, em instância única, à decisão dos Delegados, Inspetores e Chefes de Inspetoria da Receita Federal do Brasil. PENA DE PERDIMENTO. DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO E APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "1. Tratase de Manifestação de Inconformidade protocolizada pelo contribuinte em 23/01/2015 contra sua exclusão do Simples Nacional efetivada por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/NHO nº 80, de 18 de dezembro de 2014, em virtude da lavratura, contra o contribuinte, de Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 1015400/263/2013 (processo administrativo nº 10521.720872/201395), datado de 26/11/2013. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 122 3 1.1. Consta do citado Auto de Infração e Termo de Apreensão que foram encontrados no interior do estabelecimento da autuada maços de cigarro de origem ilícita. Foi lavrado Termo de Revelia em 19/11/2013 (fls. 05). 1.2. Foi a Contribuinte excluída do regime diferenciado por meio do supracitado ADE em razão do descumprimento do disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Sabendose que a infração ocorreu em 19/06/2012, conforme consta do Termo de Início e Apreensão – Contrab./Descaminho lavrado pela Autoridade Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina, a exclusão do Simples Nacional teve efeito a partir de 01/06/2012, nos termos do art. 76, inciso IV, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 94 de 29/11/2011. 2. Cientificado do ADE em 29/12/2014 (ciência pessoal – fls. 08), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra sua exclusão do regime diferenciado na qual apresentou os seguintes argumentos: 2.1. Aduz que no processo administrativo nº 10521.720872/201395 foi enquadrada apenas e tão somente à pena de perdimento dos bens pagamento de multa de R$ 11,00 (onze reais), com redução de 50% de seu valor, se paga em trinta dias. Afirma que efetuou o pagamento no referido prazo e que não houve qualquer referência ou menção, nem tampouco enquadramento da possibilidade de exclusão do regime do Simples Nacional, o que implica cerceamento de defesa. 2.2. Assevera que adquiriu os produtos com as devidas notas fiscais, as quais foram exibidas aos agentes policiais. Pondera que, se alguém deve ser punido, é quem vendeu os produtos. 3. Em 09 de maio de 2016, a Contribuinte apresenta sentença absolutória da acusação de crimes praticados por particular contra a Administração." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando a inocorrência de prática de Contrabando ou Descaminho, logo, inexistente o motivo que deu azo a sua exclusão do Simples. Ainda, reitera também que tais circunstancias foram comprovadas pelas documentação fiscal e sentença penal absolutória constantes dos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 123 4 Conforme relatado a Recorrente foi excluída do regime simplificado por descumprimento do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06, conforme segue: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Foi lavrado contra a Contribuinte o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 1015400/263/2013, sob a acusação de as mercadorias apreendidas terem sido fruto de contrabando ou descaminho. Os conceitos de Contrabando e Descaminho são próprios da legislação penal, motivo pelo qual reporto aos artigos 334 e 334A do Código Penal: Descaminho Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria. (...) Contrabando Art. 334A. Importar ou exportar mercadoria proibida. (...) Estabelecidas estas premissas, volto à análise ao caso concreto. De plano há que se descartar a hipótese de contrabando. Conforme pacificado nos autos as mercadorias objetos que originaram o litígio se tratam de cigarros, produto que não tem sua importação e comercialização proibida no território nacional. Outrossim, na própria fundamentação do Auto de Infração (fls. 2 e 3) a acusação alega que as mercadorias são "constituídas por cigarros estrangeiros sem a documentação fiscal", não fazendo qualquer alegação quanto eventual proibição dos mesmos. Assim, resta analisar a eventual ocorrência de descaminho. A Recorrente nega a pratica de descaminho e alega que adquiriu as mercadorias em questão já no mercado interno, diretamente da empresa WESCHENFELDER & FERNANDES LTDA, em operação regular e com a devida documentação fiscal. De fato, analisando as DANFE's de fls. 76 a 79, temse que a origem das mercadorias apreendidas foi a citada operação comercial, acobertada pelo respectivo documento fiscal idôneo. Ademais, analisando os documentos e alegações constantes nos autos, não há qualquer elemento que indique a existência dependência entre as partes ou relação além da usual entre cliente e fornecedor. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 124 5 Desta forma, restando comprovado que a Recorrente adquiriu regularmente as mercadorias comercializadas, em ambiente comercial normal, preenchendo todas as obrigações fiscais devidas nesta etapa, não há que a mesma ser apenada com a Exclusão do Simples. Ainda que se viesse a dizer que o descaminho possa ter ocorrido em etapa comercial anterior o que, ressaltese, não foi dito pelo poder público em momento algum não seria cabível exigir tal controle por parte da Contribuinte, vez que esse dever e competência é função do poder público fiscalizador, sendo razoável exigir do particular apenas o zelo quanto a regularidade da etapa comercial em que este participa. Outrossim, corroborando o entendimento aqui externado, cabe notar que o respeitável Ministério Público ao tomar ciência dos fatos que desaguaram do Termo de Apreensão citado optou por apresentar Denúncia Penal (fls. 80 a 82) contra a responsável legal da Recorrente apenas com relação aos tipos penais prescritos no inciso V do art. 1º e incisos II e IX do art. 7º da Lei nº 8.137/90, a saber: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) I fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 7° Constitui crime contra as relações de consumo: (...) II vender ou expor à venda mercadoria cuja embalagem, tipo, especificação, peso ou composição esteja em desacordo com as prescrições legais, ou que não corresponda à respectiva classificação oficial; (...) IX vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matériaprima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo;" Observese que em momento algum o representante do Parquet entendeu que houve a ocorrência de Descaminho (ou Contrabando), mas apenas eventual fraude a fiscalização tributária na operação de aquisição ou crimes contra a relação de consumo, qual seja, a exposição mercadorias em condições impróprias para o consumo ou cuja embalagem esteja em desacordo com as prescrições regulares. Ainda, mesmo essas infrações objetos da denúncia, que nada se relacionam com a que supostamente embasou a presente exclusão do Simples, foram consideradas inexistentes pelo próprio Ministério Público. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 125 6 Conforme consta da decisão judicial de fls. 39 a 45, a representante da Recorrente foi absolvida a pedido do próprio Ministério Público das acusações, tendo as suas conclusões sido adotadas como razões de decidir pela sentença final, as quais colaciono o quanto segue: "A denúncia atribui às rés a pratica dos delitos acima mencionados contra relação de consumo, porque, no dia 19 de junho de 2012 na Rua Adolfo Schenkel nº 2170 nesta cidade, as acusadas expuseram à venda setenta e sete maços de cigarros de origem desconhecida e sem a devida documentação fiscal (Primeiro Fato); bem como expuseram à venda estes cigarros que estavam em desacordo com os direitos básicos dos consumidores, por não constar em suas embalagens informações necessárias e por não constarem registrados junto à ANVISA (Segundo Fato). (...) O Primeiro Fato descrito na denúncia não corresponde à realidade dos autos, porquanto as acusadas lograram acostar ao feito , juntamente com sua defesa preliminar, as Notas Fiscais correspondentes à aquisição de tais mercadorias (fl. 70). (...) Quanto ao Segundo Fato descrito na denúncia, igualmente, a conduta não se encontra devidamente tipificada nos delitos invocados na inicial acusatória (...). Com efeito, o fato de as mesmas se inserirem dentro de uma cadeia de consumo (aquisição e venda de mercadoria) faz com que não lhe seja exigível maior rigor na fiscalização dos produtos que adquirem para comercialização, sendo razoável que confiem na veracidade e legalidade das notas fiscais correspondentes. Até, porque conforme a Ré Cristiane Calsing em seu interrogatório judicial, referidos cigarros apreendidos "constavam na tabela de preços", do que se presume que estão em condições de serem consumidos e que já passaram pela devida fiscalização." (Grifouse) Assim, temse que o próprio representante do Ministério Público responsável pela denúncia, com a concordância do magistrado responsável, entendeu não apenas que não houve descaminho por parte da empresa Recorrente, mas que não houve qualquer irregularidade com a operação. Notese que este dispõe expressamente que "as acusadas lograram acostar ao feito (...) as Notas Fiscais correspondentes à aquisição de tais mercadorias". Igualmente, no mesmo sentido que já entendeu este julgador, o Parquet dispõe sobre a razoabilidade de se confiar na veracidade e legalidade das notas fiscais emitidas por ocasião da aquisição das mercadorias apreendidas. É claro que, embora seja sempre desejável a harmonia e coerência de todas as decisões, este juízo não é diretamente vinculado às conclusões adotadas pelo Ministério Público ou pelo juiz responsável pelo referido processo penal. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 126 7 Contudo, considerando que se tratam de autoridades públicas tão qualificadas quanto às autoridades fiscais e policiais responsáveis pelos termos de apreensão e exclusão lavrados, suas constatações certamente tem grande valor na formação do convencimento, especialmente quando vêm a reforçar as convicções já obtidas por esta análise. Desta forma, resta claro que a ora Recorrente demonstrou a regularidade das operações por ela praticadas e a inexistência das condutas que serviram como base para a sua exclusão do regime simplificado. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente reforma da decisão de origem para determinar o enquadramento do contribuinte no Simples Nacional desde a data de sua exclusão pelo termo ora atacado. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do Voto Vencedor Não houve cerceamento do direito de defesa, pois as fases deste contencioso administrativo foram todas cumpridas, na forma do Decreto 70235/72. As alegações a respeito da procedência das mercadorias objeto de contrabando ou descaminho deveriam ser feitas no processo próprio, e não neste. A LC 123/2006, em seu art. 29, VII prescreve a exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional se provado que comercializavam mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. As provas são o Auto de Infração e Termo de Apreensão (efls. 02/03) e Relação da Mercadorias Apreendidas (efl. 04). A comprovação da procedência deveria darse em autos próprios (10521.720872/201395), o que não aconteceu. A exclusão depende portanto das provas coletadas e da prescrição legal específica para a exclusão: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Os fatos valorados e a norma impositiva da sentença judicial (penal) não são os mesmos considerados na imputação da infração administrativa. Tanto que a juíza ressalva a possibilidade de existência de infração administrativa: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11065.725052/201468 Acórdão n.º 1001000.808 S1C0T1 Fl. 127 8 E quanto à infração administrativa o contribuinte não obteve sucesso no processo próprio (pena de perdimento). Ademais não há a prova de que a ação penal transitou em julgado, isto se considerássemos que os atos avaliados e as consequências legais nas duas instâncias (esferas) são os mesmos. Desta forma, a sentença anexada não invalida a exclusão do Simples Nacional. Por fim, para praticar a "comercialização das mercadorias", prevista para a exclusão do Simples Nacional, de acordo com o que prevê o art. 29, inciso VII, da LC 123/2006, basta a exposição à venda e a conseqüente pena de perdimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900163/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-005.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 63 /2 01 4- 39 Fl. 331DF CARF MF 2 SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 34367.98140.250214.1.3.040727 (fls. 1721) transmitida em 25/02/2014, informando um recolhimento a maior à título de COFINS na monta de R$ 199.790,84 (cento e noventa e nove mil, setecentos e noventa reais e oitenta e quatro centavos) por DARF em quitada em 23/04/2010 para o período de apuração 31/03/2010, no montante de R$ 294.417,80, sendo que o devido para o período de apuração seria de R$ 94.626,96 Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu a DCOMP acima mencionada, informando um crédito original na data da transmissão no montante de R$ 81.362,11 para compensar um débito de COFINS não cumulativo devido no período de apuração de janeiro/2014 no montante de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Declarou também, para fins de compensação, um montante de PIS não cumulativo, também devido no período de apuração de janeiro/2014, no montante de R$ 9.000,00 (nove mil reais) Em 04/06/2014 (fl. 22), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório para homologar parcialmente a compensação declarada, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos parcialmente utilizados para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, verbis: A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 81.362,11 Valor do crédito original reconhecido: 6.744,06 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (..)Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2014. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10320.900163/201439 Acórdão n.º 3301005.554 S3C3T1 Fl. 332 3 O que se percebe é que a Recorrente realizou outras três compensações em DCOMPs discriminadas acima, todas elas homologadas, restando apenas um crédito de R$ 6.744,06, daí porque a compensação foi parcialmente homologada. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3132) para instaurar o contencioso administrativo, afirmando que o PER/DCOMP ora em análise reflete o crédito demonstrado no DACON do mês de março de 2010, o que pode também ser verificado na retificadora da DCTF para o mês de março de 2010, todos juntados aos autos com a manifestação de inconformidade. Em 29/06/2016, a 1ª Turma da DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 0960.486 (fls. 5257), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/04/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A inexistência de direito creditório impede a homologação da compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/04/2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pela interessada à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a esta o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ afirmou que as informações constantes da DCTF existente no sistema até a data da entrega do PER/DCOMP não refletia o montante de tributo indevidamente recolhido para respaldar o crédito pleiteado pela contribuinte, que não aqueles reconhecidos pela Secretaria da Receita Federal nos outros PER/DCOMPs mencionados; Fl. 333DF CARF MF 4 Afirmou ainda que a DCTF retificadora apresentada com a impugnação foi retificada em data posterior à ciência do despacho decisório de fls. 22, portanto, já em sede de manifestação de inconformidade, caberia à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e em duas das retificadoras (datadas de 03/009/2010 e 02/10/2013) e que o valor efetivamente devido é menor e corresponde ao montante declarado nesta terceira DCTF retificadora apresentada em 16/07/2014. Como nada foi trazido aos autos para trazer liquidez e certeza ao crédito estampado nesta nova DCTF retificadora, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos para comprovar o real montante do tributo devido no período, não seria possível a procedência de seu pleito. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 6469), trazendo as seguintes argumentações: Há pagamento a maior e a Fazenda Pública não pode se enriquecer sem causa; Argumenta pela obrigação funcional da Administração em apurar a verdade material e o princípio da moralidade; Aduz que a DACON foi transmitida antes do despacho decisório e, por força do princípio da verdade material, deveria ter ser observado referido demonstrativo do crédito evidenciado na DACON; O dever de o Fisco confirmar as informações do contribuinte, bem como o dever de fazer cumprir a verdade material que norteia o processo administrativo; Procedeu a retificação da sua declaração e apresentou a respectiva PER/DCOMP, para que fosse efetivada a compensação dos créditos tributários. Juntou com o recurso o livro razão da conta contábil "3.3.1.09.0006 COFINS VDA.TRATORES INDUST.SDLG" do exercício de 2010 (fls. 7080), uma extensa listagem de compras de matériapríma, material de embalagem e produto intermediário supostamente utilizados em sua produção no período de março/2010, devolução de vendas, frete, serviços tomados e demais despesas incorridas para comprovar seus créditos da não cumulatividade das contribuições, bem como listagem de venda de produtos e serviços (fls. 81 327). Apresentou também uma planilha demonstrativa para pretender evidenciar seu crédito (fls. 328) É a síntese do necessário Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10320.900163/201439 Acórdão n.º 3301005.554 S3C3T1 Fl. 333 5 Para o deslinde da causa, é essencial a análise da motivação da decisão que homologou parcialmente a compensação. Fundamentase a r. decisão, na falta de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado pela Recorrente. Isso porque, conforme se percebe da r. decisão recorrida, no período de apuração de março/2010 a Recorrente realizou uma declaração em DCTF informando um montante de R$ 294.417,80 à título de débito de COFINS. Percebendo seu equívoco, realizou uma DCTF retificadora para informar um que recolheu a maior um montante de R$ 118.428,73. Elaborou três Dcomps que foram totalmente homologadas para compensar débitos, pleiteado das Dcomps nº 12615.75508.240910.1.7.040328., 30958.15434.290910.1.3.041280 e 27601.61502.240111.1.3.046765. No sistema da Receita Federal era esta a informação existente quando do despacho decisório proferido em 04/06/2014, daí porque não foi reconhecido este novo montante de crédito pleiteado pela Recorrente. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou nova retificadora da DCTF, transimitida em 16/07/2014 (fls. 3639) a fim de evidenciar que o montante de COFINS efetivamente devido em março/2010 era de R$ 94.626,96. Como recolheu por guia DARF o valor de R$ 294.417,80, e por já ter realizado a compensação de R$ 118.428,73, restava de crédito a monta de R$ 81.362,11, montante este pleiteado para compensação nesta DCOMP analisada neste processo. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova idôneas, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, como é o caso em análise, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e Fl. 335DF CARF MF 6 certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente trouxe aos autos, em seu recurso voluntário, livro razão que parece não ter a menor pertinência para o deslinde da causa. Apresentou também extensa listagem de compras, serviços e receita bruta. No entanto, caberia à Recorrente realizar uma conciliação com a escrita fiscal e contábil, que, aliás, foi apresentada de forma insuficiente, com vistas a esclarecer os fatos de seu interesse e respaldar o direito de seu pedido. Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar documentos aleatórios sem nenhum critério de conexão, como o livro razão de uma única conta contábil, que não se mostra suficiente para a causa, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DACON não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito.. É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10320.900163/201439 Acórdão n.º 3301005.554 S3C3T1 Fl. 334 7 Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado CONCLUSÃO Conheço do recurso voluntário, mas nego provimento. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722896/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 28 96 /2 01 3- 56 Fl. 123DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2009, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10680.722896/201356 Acórdão n.º 3401005.436 S3C4T1 Fl. 124 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 125DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 202.295,40; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Após o despacho decisório, a DCTF foi retificada e ambas as declarações passaram a espelhar um mesmo débito, de R$ 1.509,44, com pagamento, em DARF de R$ 203.804,84, resultando em crédito de R$ 202.295,40, insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 230.460,68. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o pagamento de R$ 203.804,84 (dos quais apenas R$ 202.295,40 estão disponíveis), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10680.722896/201356 Acórdão n.º 3401005.436 S3C4T1 Fl. 125 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000785/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Em nome do princípio da Verdade Material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento.
Numero da decisão: 3302-006.300
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JACINTO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da Verdade Material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendose assim a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 07 85 /2 00 9- 73 Fl. 1191DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento PER de créditos da Cofins de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no quarto trimestre do ano calendário 2005. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento FiscalDiligência n° 09.2.01.002009002196, foi feita apreciação do pedido de ressarcimento eletrônico PER n° 19684.12037.240708.1.1.10 2140 (fl. 02) de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no 2° trimestrecalendário de 2005 no valor de RS 33.861,69 (trinta e três mil, oitocentos e sessenta e um reais e sessenta e nove centavos). Constam do processo cópia das fichas Dados Iniciais das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativas a abril, maio e junho de 2005 (fls. 220/222), cópia dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON (fichas PIS/Pasep) do 2° trimestrecalendário de 2005 até junho de 2007 (fls. 03/88) e de julho de 2007 até agosto de 2008 (fls. 224/279) e, ainda, consultas às operações de sucessão no CNPJ (fl. 223 verso). Foi realizada diligência para verificação da documentação na sede administrativa da empresa, sita à Avenida Padre Herval Fontanella, n° 500, Centro, Jacinto Machado SC, CEP 88950000, no dia 17/11/2009, sendo a fiscalização atendida pelo Sr. Vanir Zanatta, CPF n°. 497.962.08920, presidente. Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. Também, foi constatado que o interessado não mantinha impresso o livro RAZÃO relativo aos anoscalendários 2005, 2006, 2007 e 2008 (fl. 307). Em atendimento à Intimação SEORT 2009050 (fls. 89/97) o interessado apresentou os documentos de fls. 98/199 e 202/216. Os arquivos digitais solicitados foram apresentados êm Compact Disc (CD) e Digital Video Disc (DVD), porém com incorreções. O interessado foi novamente intimado a fornecer a documentação e os esclarecimentos faltantes através das Intimações SEORT 2009508 (fls. 217/219), n° 2009 608 (fls. 298/302) e Termo de Intimação Fiscal n° 0001, de 01/12/2009 (fls. 308/309). Na tentativa de atender ao item 22 da Intimação SEORT n° 2009 050, reintimado pelo item 4 da Intimação SEORT n° 2009 508, item 8 da Intimação SEORT n° 2009 608 e item 2 do Termo de.Intimação,fiscal n° 0001, de 01/12/2009, o interessado forneceu conjuntos de arquivos digitais contendo informações do SINCO Notas Fiscais nas datas de 09/04/2009, 29/04/2009, 11/09/2009, 18/09/2009, 26/11/2009, 30/11/2009, Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11516.000785/200973 Acórdão n.º 3302006.300 S3C3T2 Fl. 3 3 01/12/2009, 09/12/2009, 1l/12/2009, 15/12/2009 e 04/03/2010 (11 conjuntos) todos còm informações inconsistentes e/ou incompatíveis com o formato descrito no ADE Cofis 15/2001, não sendo passíveis de aproveitamento. Ao todo foram recebidos 34 CDs e 3 DVDs. Em 26/11/2009 foi entregue CD contendo relações de notas fiscais de entrada e saída no formato “Microsoft .xis”, também não aproveitáveis: 1) Não foi possível acessar alguns arquivos com o programa “Microsoft Excell” (Ex.: “Entradas_03_102007_A_l22007” e “Saidas_03_012005_A_062005”); 2) Não foi informado código da mercadoria, nem classificação fiscal NCM em outros arquivos verificados (Ex.: “Saidas_07_2004_a_2008”, “Entradas_10_2004_a_2008”). Em 30/11/2009 o interessado apresentou em CD novas relações de notas fiscais de entrada/saída no formato “Microsoft .xis” que, mais uma vez, não informavam código da mercadoria nem classificação fiscal NCM (Ex.: arquivos “Entradas_01_2004”) ou não permitiam abertura pelo programa “Microsoft Excell (Ex.: “Saidas_03_012005_A_062005”), portanto, também não aproveitáveis. Em 26/03/2010 foi emitida a Intimação SEORT n° 2010265 (fls. 319/323) com nova solicitação de arquivos do SINCO Notas Fiscais. Em resposta, o interessado apresentou DVDs contendo o SINCO Notas Fiscais referente aos anos de 2005 até 2008 em 09/04/2010 (fls. 325/335), optando pelo formato anterior ao ADE Cofis n° 55. Da análise, constatouse que os arquivos, mais uma vez, apresentavam inconsistências e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001, não sendo passíveis de aproveitamento. Citamos alguns dos problemas encontrados até esta data: 1) Erro de formato não permitindo a leitura completa do arquivo [Ex.: arquivos 431 e 432 (85.667.947/000103 2005)]; 2) Relação de notas fiscais incompleta [Ex.: arquivo 4.3.2 (85.667.947/000375 2005)] e 3) Classificação Fiscal da Mercadoria, conforme Nomenclatura Comum do Mercosul, não informada [Ex.: arquivo 4.3.2 (85.667.947/000103 2005; 85.667.947/000103 2005) e arquivo 4.3.4 (85.667.947/000537 2006)]. Em 01/07/2010, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, da seguinte forma (folhas 498): 5. Conclusão Apesar de reiteradamente intimado, o interessado não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis aproveitamento. As inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitem a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tomando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Pelo exposto, propomos o indeferimento do PERn° 19684.12037.240708.1.1.102140. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 12/08/2010, de folhas 505 à 513, na qual alega que: Fl. 1193DF CARF MF 4 ü conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; ü em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins n° 15/2001 e seus anexos; ü os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; ü os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; ü apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE n° 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; ü o ADE n° 15/01 e a Instrução Normativa n° 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; ü a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; ü por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. Em 22 de dezembro de 2011, através do Acórdão de Impugnação n° 07 27.057, a 4a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 11516.000785/200973 Acórdão n.º 3302006.300 S3C3T2 Fl. 4 5 Entendeu a Turma que: ü A DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente; ü Primeiramente, devese ressaltar que, nos casos de reconhecimento de direito creditório, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do direito de créditos, por meio de documentos que atestem, de forma inequívoca, sua origem e natureza. Ressaltese que quem pleiteia o ressarcimento deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito; ü Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito, nos termos da Instrução Normativa SRF no 900, de 30 de dezembro de 2008; ü No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio; ü À contribuinte foram dadas várias oportunidades para que trouxesse à apreciação da autoridade fiscal os documentos e arquivos digitais solicitados que comprovassem seu direito de crédito. Ressaltese que, como dito, o ônus da prova nos pedidos de ressarcimento é da contribuinte, cabendo à ela os esforços para comprovar seu direito de crédito; Fl. 1195DF CARF MF 6 ü Tampouco há que se falar em não cumprimento do princípio da verdade material, pois, da análise dos autos, verificase a impossibilidade de se analisar o direito creditório em virtude da não apresentação, a contento, dos documentos e arquivos digitais solicitados pela autoridade fiscal. A COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JACINTO MACHADO foi intimada da Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 17 fevereiro de 2012, às folhas 594. A COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JACINTO MACHADO ingressou com Recurso Voluntário, em 19 de março de 2012, de folhas 602 à 614. Foi alegado resumidamente que: ü Segundo a decisão recorrida, o Pedido de Ressarcimento teria de ser indeferido devido ao fato de que, após inúmeras intimações realizadas pelo agente fiscalizador, a Recorrente não teria apresentado documentos magnéticos que comprovassem a existência dos créditos requeridos; ü Ainda segundo a decisão de primeiro grau, não bastaria a apresentação dos arquivos magnéticos, mas estes feriam de possuir formato específico e ser contextualizados para que a sua análise fosse realizada pelo agente fiscalizador; ü Não havendo tal contextualização, e existindo ainda inconsistências em alguns dos arquivos magnéticos apresentados pela Recorrente, não seria possível a verificação do crédito requerido; ü Já de início, é possível verificar que a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões, o que impõe a sua revisão; ü Isto porque, conforme se extrai dos autos, a Recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas pelo agente fiscalizador; ü E apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os for matos dos arquivos, conforme explicitado pelo trecho do despacho decisório citado pela decisão recorrida “Citamos alguns dos problemas encontrados até esta data: Erro de formato não permitindo a leitura completa do arquivo (...)”; ü Ora, se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; ü Quer dizer: a própria decisão recorrida acaba por reconhecer a possibilidade (no entendimento da Recorrente, necessidade) da realização de diligência no presente caso, pois apenas em questões pontuais houve dúvidas quanto à existência do crédito requerido; Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 11516.000785/200973 Acórdão n.º 3302006.300 S3C3T2 Fl. 5 7 ü E, neste sentido, indeferir totalmente o crédito requerido por inconsistências em apenas alguns dos arquivos, e sem a realização de quaisquer diligências, mostra a arbitrariedade da decisão recorrida; ü É desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização. E o que é pior, sem a realização de quaisquer diligências para a veri ficação da existência dos créditos; ü Importa ainda destacar que a escrita fiscal da Recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; ü Fica claro que no presente caso não houve falha da Recorrente em comprovar o seu crédito. Houve desídia da fiscalização na busca das confirmações que entendia necessárias, em questões pontuais; ü Ou seja, os documentos apresentados pela Recorrente cumpriram todos os requisitos exigidos pela legislação (art. 65 da IN SRF 900/08), o que, no seu entender, impõe à fiscalização a sua análise; ü Não poderia, como quer fazer entender a decisão recorrida, a autoridade administrativa se furtar à análise dos documentos, simplesmente porque determinados arquivos possuem uma extensão digital diversa daquela que seria a mais cômoda; ü O direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente (arts. 153, § 3°, II, 154, I, e 155, § 2°, I, da CF; art. 1° e 3°, da Lei 10.637/02; e art. 1° da Lei 10.833/03), e não pode ser preterido ou afastado por meras formalidades; ü Especialmente quando tais formalidades não são exigidas nem mesmo pela legislação responsável por normatizar os procedimentos para os pedidos de restituição. ü A Recorrente agiu proativamente em todos os sentidos, apresentando todos os documentos requisitados, e deixando à disposição todos os seus livros fiscais, inclusive para apresentação destes diretamente à fiscalização; ü Entretanto, tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida, ignorando a vasta documentação apresentada, preferiu ignorar a existência do crédito, e simplesmente negálo por completo, em virtude de algumas inconsistências nos arquivos magnéticos a presentados; ü Quanto ao fundamento da decisão recorrida de que, em função das inconsistências nos arquivos magnéticos, o Pedido de Ressarcimento deveria ser indeferido (art. 65, § 4°, da IN SRF 900/08), este não merece prosperar; Fl. 1197DF CARF MF 8 ü Em primeiro lugar, porque conforme exposto acima, a Recorrente cumpriu todos os requisitos exigidos pelo art. 65 da IN SRF 900/08, qual seja, validar os arquivos magnéticos através do SVA (art. 65, § 3°); ü E o art. 65, § 4°, da IN SRF 900/08, somente prevê o indeferimento do pedido de ressarcimento quando descumpridos os requisitos dos parágrafos 1° a 3°, o que não ocorreu no presente caso;; ü Essa é a disposição contida no art. 40 da Lei 9.784/99, e no art. 103 do Decreto 7.574/11, normas que regem o processo administrativo federal e tributário especificamente; ü A legislação em vigor demonstra sem qualquer dúvida que a decisão recorrida, ao manter o indeferimento do Pedido de Restituição pela suposta falta de apresentação de documentos requeridos pela fisca lização, é arbitrária e ilegal; ü Como se sabe, a Administração Pública está obrigada a agir dentro dos limites que a lei lhe impõe. Não existe discricionariedade para a Administração Pública optar pelo cumprimento de disposição de lei; ü Dessa forma, como o art. 40 da Lei 9.784/99 e o art. 103 do Decreto 7.574/11 prevêem expressamente que quando não apresentados documentos dentro do prazo estipulado pela fiscalização, o processo tem de ser arquivado até o cumprimento da exigência; ü Não há outra opção, a Administração tem o dever de arquivar o processo, e jamais indeferilo como fez a decisão recorrida. III DO REQUERIMENTO Em face do acima exposto, requer seja o presente Recurso conhecido e provido, para que, reformandose a decisão recorrida, seja (a) reconhecido o crédito pleiteado no presente Pedido de Ressarcimento; ou, caso assim não se entenda, (b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito objeto do presente Pedido de Ressarcimento. Em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.415, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 11516.000785/200973 Acórdão n.º 3302006.300 S3C3T2 Fl. 6 9 Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 fevereiro de 2012, às folhas 594. O recurso voluntário foi apresentado em 19 de março de 2012, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Foram apresentados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: ü O Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 4° trimestre do ano calendário de 2005; ü O fato de tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida ignorar a vasta documentação apresentada e a existência do crédito, e simplesmente negálo por completo, em virtude de algumas inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados. Passase à análise. Como relatado, em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801 000.415, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para a Delegacia de origem. A resposta à Resolução foi apresentada às folhas 1.181 e 1.182, que reproduzimos: Verificação reiniciada em cumprimento da Sentença do Mandado de Segurança n° 500916742.2017.4.04.7200/SC, que concedeu a segurança para determinar ao impetrado Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, o cumprimento do disposto nas Resoluções da 1a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 1199DF CARF MF 10 Os pedidos de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP e COFINS relacionados na inicial do impetrante Cooperativa Agroindustrial Cooperja, foram inicialmente indeferidos, entretanto, o julgamento foi convertido em diligência para permitir a realização de novas verificações com base nos arquivos apresentados no recurso voluntário. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e atendendo a solicitação de redistribuição dos processos, conforme demonstrado na Informação Fiscal de fls. 1156 a 1179, foi apreciado o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2005. Na tabela abaixo são demonstrados o PER, o valor de crédito solicitado, a data de transmissão, o respectivo processo administrativo, o tipo de crédito e o período de apuração. Da Requerente O contribuinte, com sede no município de Jacinto Machado SC, apresenta como atividade preponderante o beneficiamento de arroz. Do amparo legal do ressarcimento de créditos do PIS/PASEP. A nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) é regulamentada pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. A Secretaria da Receita Federal editou as Instruções Normativas SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002 e n° 404, de 12 de março de 2004, que descrevem quais os créditos que a pessoa jurídica pode descontar na apuração das referidas contribuições e estabelecem, ainda para aplicação das normas em apreço, o conceito de insumo. A Lei n°10.925/2004, e redações posteriores, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre venda no mercado interno de diversos produtos, entre eles os classificados nos códigos 1006.20 e 1006.30 . Já a manutenção do crédito da Contribuição para o PIS e da COFINS nas vendas efetuadas com alíquota zero está prevista no artigo 17 da Lei n°11.033, de 21 de dezembro de 2004. Do Direito Creditório Tendo em vista a quantidade de demandas judicias recebidas e o cumprimento do prazo exíguo assinalado pela Justiça Federal, Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 11516.000785/200973 Acórdão n.º 3302006.300 S3C3T2 Fl. 7 11 realizamos verificação fiscal por amostragem, onde foram confrontados os valores constantes nos PER com as informações contidas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, nos arquivos entregues pelo contribuinte e nos demais dados disponíveis nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Dos gastos apresentados, constam embalagens, energia elétrica, bens para revenda, combustíveis, fretes, máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e demais insumos aplicados na produção. As verificações da documentação apresentada corroboram a procedência do pleito do contribuinte. Conclusão O Pedido de Ressarcimento é tempestivo (art. 1° do Decreto n.° 20.910, de 6 de janeiro de 1932) e está formalizado de conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. Os créditos da contribuição foram apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ante todo o exposto, concluímos pelo reconhecimento do direito ao ressarcimento no valor pedido de R$33.861,69. Desse modo, atendendo o pleito do Recorrente, procedeuse a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. Jorge Lima Abud. Fl. 1201DF CARF MF 12 Fl. 1202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000101/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE DE JUROS.
Não logrando a recorrente comprovar erro na apuração efetuada pela fiscalização a título de ajuste de juros (preços de transferência), mantém se a exigência.
MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS.
Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
MÉTODO PRL. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO.
Na apuração do preço praticado segundo o método PRL, há que se considerar os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (estoque inicial).
MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 8, DE 03/09/2018.
A sistemática de cálculo do 'Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60) prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
MARGEM DE DIVERGÊNCIA. CÁLCULO DO AJUSTE.
Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço-parâmetro, divirja, em até 5% daquele constante dos documentos de importação. A margem de divergência se presta apenas para se aferir a necessidade de ajuste, mas não deve ser considerada na apuração desse ajuste, calculado como sendo a diferença entre o preço praticado e o preço-parâmetro.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1302-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso 1- quanto ao ajuste de preços de juros sobre empréstimos; 2 - quanto à necessidade de utilização, pela fiscalização, de método menos gravoso à autuada; 3- quanto ao ajuste apurado sobre os produtos 30024 e 32001; 4- quanto aos ajustes relativos à margem de divergência; e, por maioria de votos, em negar provimento 5- quanto a inclusão do custo de seguros, frete e impostos no preço praticado para a apuração do método PRL, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca da Fonseca votou pelas conclusões do relator quanto ao item 2. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Declarou-se impedido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído pelo conselheiro (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues..
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimento) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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E COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE DE JUROS. Não logrando a recorrente comprovar erro na apuração efetuada pela fiscalização a título de ajuste de juros (preços de transferência), mantém se a exigência. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL, há que se considerar os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (estoque inicial). MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 8, DE 03/09/2018. A sistemática de cálculo do 'Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60) prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. MARGEM DE DIVERGÊNCIA. CÁLCULO DO AJUSTE. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preçoparâmetro, divirja, em até 5% daquele constante dos documentos de importação. A margem de divergência se presta apenas para se aferir a necessidade de ajuste, mas não deve ser considerada na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 01 /2 00 8- 21 Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 3 2 apuração desse ajuste, calculado como sendo a diferença entre o preço praticado e o preçoparâmetro. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso 1 quanto ao ajuste de preços de juros sobre empréstimos; 2 quanto à necessidade de utilização, pela fiscalização, de método menos gravoso à autuada; 3 quanto ao ajuste apurado sobre os produtos 30024 e 32001; 4 quanto aos ajustes relativos à margem de divergência; e, por maioria de votos, em negar provimento 5 quanto a inclusão do custo de seguros, frete e impostos no preço praticado para a apuração do método PRL, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca da Fonseca votou pelas conclusões do relator quanto ao item 2. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Declarouse impedido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído pelo conselheiro (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimento) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1626.022, de 14/07/2010, da 5ª Turma da DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, registrando a seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível cogitarse de nulidade do Auto de Infração. MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 4 3 Não contestada especificamente a aplicação de multa isolada pelo não cumprimento de prazos no fornecimento de informações solicitadas pela fiscalização, mantémse a exigência. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE DE JUROS. Não logrando a recorrente comprovar erro na apuração efetuada pela fiscalização a título de ajuste de juros (preços de transferência), mantém se a exigência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL A escolha do método mais favorável ao recorrente é uma prerrogativa do recorrente, mas não uma imposição à fiscalização. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL, há que se considerar os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (estoque inicial). PRODUTOS “80800451" E "80800351”. INEXISTÊNCIA DE AJUSTE. Tendo sido constatado, após a realização de diligência, que os preços praticados relativos aos produtos “80800451" e “80800351” eram inferiores aos respectivos preços parâmetro, concluise pela inexistência de ajustes de preços de transferência para esses produtos. PRODUTO “80800451” E “8080035’. INEXISTÊNCIA DE AJUSTE Com relação ao insumo “84258681”, não tendo a recorrente logrado comprovar, mesmo após a diligência, que havia efetuado ajuste na DIPJ reativo a esse produto, mantémse a exigência. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MARGEM DE DIVERGÊNCIA. CÁLCULO DO AJUSTE. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preçoparâmetro, divirja, em até 5% daquele constante dos documentos de importação. A margem de divergência se presta apenas para se aferir a necessidade de ajuste, mas não deve ser considerada na apuração desse ajuste, calculado como sendo a diferença entre o preço praticado e o preçoparâmetro. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Contextualização A recorrente foi autuada por irregularidades na apuração de ajustes de preços de transferência, relativos (i) a juros decorrentes de empréstimo concedido a coligada no exterior; (ii) importação de produtos (segundo os métodos PRL20, PRL60 e PIC); e (iii) não cumprimento de prazos no fornecimento de informações solicitadas pela fiscalização (multa isolada). Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal que acompanhou o Auto de Infração, a recorrente teria incorrido nas seguintes infrações: a) em relação aos juros, o valor adicionado pela recorrente teria sido menor do que o efetivamente devido (R$ 126.787,34); b) quanto às importações: i. o cálculo do preço praticado da recorrente considerou o valor FOB; a fiscalização entendeu que a recorrente deveria incluir o valor do frete, seguro e do imposto de importação; diferença de adição de R$ 766.897,31 (PRL20, fl. 1100); ii. ausência de declaração do ajuste para o insumo "80800451"; a fiscalização concluiu que haveria diferença a adicionar de R$1.537.900,23, em conformidade com o método PIC escolhido pela própria recorrente (fl. 1101); iii. aplicação do PRL60 para os insumos "80800351" e "84258681", os quais supostamente não teriam sido ajustados pela recorrente, resultando em adição de R$ 5.961.100,87 (fl. 1106). iv. Consolidação PT Importação (fl. 1099), 13 produtos, total de R$8.265.898,41). Em decorrência da apuração supra, a fiscalização apurou o montante passível de ajuste no valor de R$ 8.265.898,41, além da multa regulamentar de R$ 2.694,79 por suposto atraso no atendimento à fiscalização, tendo efetuado o lançamento fiscal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, nos seguintes valores: IRPJ CSLL Principal R$ 2.098.171,44 R$ 755.341,72 Juros SELIC R$ 1.325.834,52 R$ 477.300,42 Multa Punitiva R$ 1.573.628,58 R$ 566.506,29 Multa Regulamentar R$ 2.694,79 R$ 0,00 TOTAL R$ 5.000.329,33 R$ 1.799.148,43 Os argumentos de defesa da recorrente envolvem os seguintes pontos: a) irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal; b) o cálculo do ajuste relativo aos juros considerou o valor inicial do empréstimo e não o valor remanescente conforme cálculo apresentado pela Recorrente. Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 6 5 c) a fiscalização não comprovou que a definição dos métodos utilizados para as adições objeto do lançamento fiscal seguiu o critério legal da utilização do método menos gravoso ao contribuinte. d) erro na composição do volume de importação em relação ao insumo "80800451" e, consequentemente, na apuração do PIC pela fiscalização, bem como erro na composição do volume de importação em relação aos insumos "80800351" e "84258681", implicando erro na apuração do PRL60 pela fiscalização. e) regularidade do cálculo do PRL20 com base na utilização do preço FOB na importação, diverso da forma sustentada pela fiscalização que pretende a aplicação do preço CIF. f) o custo médio de importação (preço praticado) para os produtos " 30023 e 32001" adotado pela fiscalização não corresponde ao efetivo custo do produto, implicando em adição a maior. g) ausência de ajuste em relação aos insumos "80800351", "80800451", mediante a aplicação do método PIC; h) regularidade do ajuste em relação ao produto "84258681" (Etiquetas Gomadas), que não foi considerado pela fiscalização. i) também em relação aos insumos "80800351" e "84258681", não haveria se falar em exigência fiscal, pois o critério previsto na Instrução Normativa n° 243/2003 utilizado pela fiscalização para apuração do PRL60 não encontraria respaldo legal na Lei n° 9.430/96, j) na apuração do cálculo do PRL60 não teria sido aplicada a salvaguarda prevista no artigo 38 da Instrução Normativa n° 243/2002. A DRJ São Paulo determinou a realização de diligência para esclarecimentos relativos aos juros e sobre os ajustes dos produtos "80800451" "080800351" e "84258681". O Relatório de Diligência Fiscal registrou a manutenção da exigência fiscal dos ajustes dos juros e do produto 84258681. Em relação aos ajustes dos insumos "80800451" e "80800351" a fiscalização revisou o lançamento e excluiu os respectivos ajustes. A recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência. Os autos foram encaminhados à DRJ Campinas. À vista do resultado da diligência a DRJ excluiu a exigência fiscal em relação aos insumos "80800451" e "80800351". Mantevese o lançamento tributário em relação aos demais itens. Além da autuação, a fiscalização, ao constatar que no sistema SAPLI constava, indevidamente, para o anocalendário 2003, saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores igual a R$ 14.723,86 (quando deveria ser nulo, conforme se verifica no LALUR, fls. 223/269, e confirmação junto à recorrente), elaborou o FACS de fl. 1. Recurso de Ofício Em virtude da exoneração de crédito tributário, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97, e art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 7 6 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). Fundamentos da Autuação Destacamse os seguintes registros do Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 1528/1554: 2.1 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA JUROS A empresa apresentou cópia de contrato de empréstimo à empresa Lavallol Inversiones y Comercio S.R.L, de 17/01/95, no valor de US$ 7.000.000,00, e planilha dos valores realizados em 2003, sendo que o contrato em epígrafe não se encontrava registrado no Banco Central do Brasil (fls. 290 a 299). Em verificação fiscal, utilizandose as taxas Libor e de conversão do dólar do período considerado (fonte: BNDES, BACEN), a fiscalização calculou o valor mínimo a ser realizado, constatando que o valor apresentado pela recorrente estava abaixo deste mínimo. Destarte, apurouse diferença no montante de R$ 126.787,34, relativa a preços de transferência juros, a ser adicionada ao lucro real, conforme relatórios em anexo ao processo (fls. 1114 e 1115). 2.2 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA IMPORTAÇÕES 2.2.1 DOS VALORES UTILIZADOS PELA RECORRENTE PARA OS CÁLCULOS DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA IMPORTAÇÕES Da análise das informações prestadas, constatouse que a recorrente utilizou os métodos PRL20 e PIC, para os cálculos dos preçosparâmetro em suas operações de importações para o período fiscalizado: a) método do Preço de Revenda menos Margem de Lucro de 20% PRL20, conforme disposto no item "a" do inciso IV do artigo 12, da IN SRF nº 243/2002, para o caso de importações realizadas para revendas sem qualquer valor; b) método dos Preços Independentes Comparados PIC, conforme disposto no ar 8º da IN SRF n° 243/2002, para os casos em que dispunha de documentação comprobatória. No tocante à aplicação dos métodos PRL20, da análise das planilhas (fls. 1018/1023, 1030/1045 e 1047/1077) restou constatado que a recorrente calculou o preço praticado com base no R$/FOB (free on board) unitário médio para os itens importados. Durante o procedimento de fiscalização, o Auditor Fiscal concluiu que os preços praticados para tais métodos não foram calculados de acordo com as normas do preço de transferência, pois, não seguem a forma disposta pelo § 4º do art. 4º da Instrução Normativa n° 243/2002, que cita, para o cálculo do preço praticado do PRL20 ou PRL60, o custo CIF + II, e não custo FOB como calculou a recorrente. Outra irregularidade verificada foi no tocante à tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" (fls. 889/932), onde podese encontrar diversos registros com códigos de itens duplicados, como é o caso do "80800071" (fio de aço SCBW) e do "31509" (pneumáticos 235/60 R16 DUELER H/T), com preçosparâmetro e praticados distintos para o mesmo código. Questionada acerca do fato, a empresa esclareceu que teria calculado ajustes separados para o mesmo produto importado, porém, de países distintos, o que está em desacordo com o disposto no artigo 6º da IN SRF n° 243/2002. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 8 7 Estes pontos são cruciais e devem ser ressaltados, tendo em vista as diferenças apontadas entre os resultados obtidos pela fiscalização e aqueles demonstrados pela recorrente em suas memórias de cálculo. 2.2.2 DA CONSTATAÇÃO FISCAL (...) 2.2.2.3 Preços de transferência: (Apuração pela recorrente) Os valores declarados na DIPJ e adicionados no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR pela recorrente foram os seguintes: Importações de bens R$ 5.739.883,68 PRL20 R$ 3.802.912,60 PIC R$ 1.936.971,08 Juros R$ 766.973,86 Total R$ 6.506.857,54 2.2.2.4 Preços de Transferência: (Apuração pela fiscalização) 2.2.2.4.1 Método do Preço de Revenda menos Margem de Lucro de 20% (PRL20) Para os insumos que foram revendidos sem serem utilizados na produção, a fiscalização recalculou os preços praticados (R$/kg na forma CIF + II, determinada pelo § 4o do artigo 4o da IN SRF n° 243/2002). Os preçosparâmetro foram calculados de acordo com o item "a" do incisou do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. As quantidades de ajustes foram calculadas em função das quantidades vendidas, incluindose as quantidades de estoques iniciais, pois, determina a lei que, no cálculo do preço praticado do item importado, no anocalendário sob fiscalização, as quantidades importadas de insumos, de empresas vinculadas, devam ser ponderadas com as quantidades e valores dos respectivos estoques iniciais. Por esse método foi apurado o valor de ajuste de R$ 766.897,31 (fl. 1100), já deduzidos os valores declarados. Ressaltese que, apesar da irregularidade verificada com relação aos valores duplicados apresentados na tabela "Ajustes de Importação no Ano Fiscalizado", mencionada anteriormente no item 2.2.1, a fiscalização, para não prejudicar a recorrente, somou os valores de todos os seus ajustes para um determinado item e os deduziu do valor de ajuste da SRF, somente levando em conta a diferença apurada. O demonstrativo de apuração e respectiva memória de cálculo está à fl. 1100 (Relatório "Consolidação PRL20" Demonstrativos às fls. 1116 a 1187). 2.2.2.4.2 Método dos Preços Independentes Comparados (PIC) A fiscalização verificou, por amostragem, as documentações pertinentes de alguns insumos, para os quais a empresa aplicou o método PIC. Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 9 8 Tendo acolhido o método eleito pela recorrente, em seguida procedeu à verificação dos cálculos efetuados para os ajustes. A fiscalização constatou valor de ajuste para o insumo "80800451" (cabo de aço entrelaçado), que não foi declarado pela empresa. Mediante os cálculos da fiscalização, obtevese R$ 5,61 para o preço praticado e R$ 4,99 para o preçoparâmetro, ambos na forma FQB, que pode ser verificado pelos relatórios "Consolidação PIC" e respectivos demonstrativos de cálculo (fls. 1101 a 1105 e 1188 a 1217). O montante do ajuste total obtido para este insumo resultou em R$ 1.537.900,23, sendo também este o valor de ajuste encontrado pela fiscalização pelo método PIC. 2.2.2.4.3 Método do Preço de Revenda menos Margem de Lucro de 60% A fiscalização constatou que a recorrente não procedeu aos ajustes dos insumos "80800351" (cabo de aço entrelaçado) e "84258681" (etiquetas gomadas). Ambos os insumos foram importados de empresas vinculadas (Tabela "Importações" fls. 593 a 663), foram utilizados no processo produtivo (Tabela "Insumo Produto Anual" fls. 1336 a 1514; insumo 80800351: fls. 1346 e 1347; insumo 84258681: fl. 1476) e geraram produtos que foram vendidos no ano fiscalizado (Tabela "Vendas" fls. 718 a 843). Desta forma, por não ter sido adotado nenhum método pela empresa para efetivação dos ajustes necessários para estes insumos, a fiscalização pôde aplicar qualquer método de preço de transferência, nos conformes do parágrafo único do artigo 40 da IN SRF n° 243/02. O método eleito para estes casos foi o PRL60. Para os insumos que foram utilizados na produção (ou aqueles que entraram na produção e também foram revendidos), a fiscalização calculou os preços praticados (R$/kg) na forma CIF + ||, determinada pelo § 4o do artigo 4o da IN SRF n° 243/2002. Os preços parâmetros foram calculados de acordo com o item "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. Para os 2 insumos supracitados, a matériaprima importada de vinculadas foi utilizada na produção de mais de um produto para venda. Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um produto ou matériaprima tenha mais de um preçoparâmetro, a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média ponderada para chegar num preçoparâmetro único, para comparação com o preço praticado na importação. Destarte, pelo método do PRL60, para os dois insumos citados, a fiscalização apurou um valor total passível de ajuste no LALUR no montante de R$ 5.961.100,87 (Relatório "Consolidação PRL60" constante às fls. 1106 a 1113, e demonstrativos às fls. 1218 a 1251). Os valores são líquidos, já deduzidos os valores de ajustes declarados pela recorrente no LALUR. A memória de cálculo do preçoparâmetro, pelo método do PRL60, está demonstrada às fls. 1107 a 1113 (Relatório "Consolidação PRL60 Insumo Produto"). 2.2.2A4 Montante consolidado O montante consolidado passível de ajuste no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, atinente às operações de importação da empresa (Relatório "Consolidação PT", à fl. 1099), resultou em R$ 8.265.898,41, conforme a seguir sintetizado: Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 10 9 Método Ajuste (R$) PRL 20% 766.897,31 PIC 1.537.900,23 PRL 60% 5.961.100,87 TOTAL IMPORTAÇÕES 8.265.898,41 2.3 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA TOTAL Destarte, o valor total pela fiscalização, passível de ajuste no LALUR, é igual a R$ 8.392.685,75, conforme a seguir sintetizado: Método Ajuste (R$) PT IMPORTAÇÕES 8.265.898,41 PT JUROS 126.787,34 PT TOTAL 8.392.685,75 2.4 DA MULTA REGULAMENTAR Em verificação dos documentos entregues pela empresa, a fiscalização não pôde localizar as memórias de cálculos de preços de transferência solicitadas juntamente com outros papéis, mediante o Termo de Início de Fiscalização, de 04/10/2007. Tendo sido solicitados novamente, a empresa os entregou em 24/07/2008. No entanto, somente foram encaminhadas as memórias de cálculo referentes aos preçosparâmetro, não constando os demonstrativos dos preços praticados. Tendo em vista o nãocumprimento dos prazos originais para a entrega do material solicitado e que não foram suficientes as informações encaminhadas, a fiscalização instituiu a multa regulamentar no valor de R$ 2.694,79, de acordo com o artigo 968 do RIR/99 (fls. 1024 a 1026). A fiscalização apresenta, às fls. 1539 a 1546, descrição detalhada dos campos dos relatórios de consolidação dos preços de transferência, a seguir relacionados: 1) Relatório "Consolidação PT Importação" 2) Relatório "Consolidação PRL20" 3) Relatório "Consolidação PIC" 4) Relatório "Consolidação PIC Insumo Produto" 5) Relatório "Consolidação PRL60" 6) Relatório "Consolidação PRL60 Insumo Produto" 7) Relatório "Consolidação PT Juros" 8) Relatório "Consolidação Juros Ativos" Além dos relatórios de consolidação, a fiscalização apresenta os demonstrativos de cálculo de algumas variáveis, como os valores de preços parâmetro, praticado e líquido de venda unitário, obtidos a partir dos dados fornecidos pela recorrente (fls. 3947 a 4085), a seguir relacionados: Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 11 10 1) Demonstrativo do Preço Praticado PRL20 2) Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL20 3) Demonstrativo do Preço Praticado PIC 4) Demonstrativo de Quantidades PIC 5) Demonstrativo do Preço Praticado PRL60 6) Demonstrativo do Preço Líquido de Venda Unitário PRL60 Todos os relatórios de consolidação e demonstrativos foram gravados em arquivo magnético, disponibilizado à recorrente juntamente com este Termo, mantendose uma cópia do mesmo neste processo (fl. 1252), para futuras verificações. 4. DAS TABELAS DE DADOS IMPRESSAS A fiscalização solicitou à recorrente as principais tabelas, inicialmente entregues em meio magnético, contendo os dados utilizados nos cálculos de preço de transferência, devidamente impressas com as folhas rubricadas pelo representante da empresa, a seguir relacionadas: • Tabela "Ajustes de Importação no Ano Fiscalizado" no anocalendário 2003 (fls. 550 a 569); • Tabela "Importações": dados de importações da empresa no ano calendário 2003 (fls. 1253 a 1335); • Tabela "Insumo Produto Anual": dados de produção da empresa no anocalendário 2003 relaciona os insumos, com os itens (produtos), quantidade de insumo consumido e quantidade de item produzido (fls. 1336 a 1514);. • Tabela "Inventário": dados de estoque inicial e final (fls. 665 a 717); • Tabela " PRL60 Participação Insumo Produto": dados de coeficientes insumoproduto e percentuais de participação do custo do insumo nos respectivos produtos dados fornecidos pela recorrente (fls. 398 a 532); • Tabela "Vendas": dados de vendas da empresa no anocalendário 2003 (fls. 719 a 843). Considerando que a presente ação fiscal resultou em retificação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a recorrente foi intimada a retificar o relativo ao ano calendário de 2003. A fiscalização procedeu, outrossim, à verificação no sistema SAPLI, dos valores de bases de cálculo negativas, do IRPJ e da CSLL. A análise mostrou que, para o anocalendário 2003, o saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores era igual a R$ 14.723,86, mas, em verificação no LALUR (fls. 223 a 269) e confirmação junto à recorrente, deveria ser nulo. Tratase de erros de aproximação e conversão de valores acumulados desde 1992. A fiscalização relaciona às fls. 1552 e 1553 os saldos da base de cálculo negativa encontrados no SAPLI, no período 1993 a 2006. A recorrente foi intimada a fazer as retificações necessárias nos respectivos LALURs, de modo a sanar as inconsistências apontadas: Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 12 11 DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2003: Do Recurso Voluntário À vista da parcial procedência de sua impugnação, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 13/09/2010 (vol. 15, fls. 2.823). A intimação para ciência do acórdão da DRJ deuse, em 16/08/2010 (fls. 2.820), cujas razões serão analisadas no voto a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço o recurso voluntário, à vista de sua tempestiva interposição e da regular representação da recorrente. Da Alegação de Irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) A recorrente sustenta a nulidade do procedimento administrativo por entender que haveria irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A respeito, o Acórdão recorrido assim consignou: Acerca da emissão e validade dos MPFs, há que se observar, entre outros, os artigos 12 e 13 da Portaria RFB n° 4.066/2007 (transcreveu) À fl. 1 consta o MPF n° 08.1.71.002007000581, emitido em 10/05/2007, com validade até 07/09/2007 (120 dias). Nele consta o Código de Procedimento Fiscal (29267558), através do qual a recorrente pode, acessando o "site" da Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br), verificar a regularidade do referido MPF e suas prorrogações. Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 13 12 Fazendo essa pesquisa (juntada à fl. 2782), observase que o referido MPF foi sucessivamente prorrogado para 06/11/2007, 05/01/2008, 05/03/2008 e 04/05/2008, todas prorrogações obedecendo ao prazo máximo de 60 dias. Dentro da validade do MPF n° 08.1.71.002007000581 (até 04/05/2008), em 28/04/2008 foi emitido o MPF n° 08.1.71.002008001085 (fl. 2), válido até 26/08/2008 (120 dias). Esse no MPF foi alterado e prorrogado (fl. 3) até 25/10/2008 (60 dias). Considerando que a recorrente foi cientificada dos lançamentos em 01/09/2008 (fls. 1559 e 1565), não se vislumbra qualquer irregularidade quanto à emissão e validade dos MPFs que subsidiam a presente autuação. Nesse sentido, não há como acolher a alegação de nulidade do procedimento administrativo. Da Multa Isolada O Acórdão recorrido registra que não há impugnação específica quanto à aplicação da multa isolada (R$ 2.694,79). O recurso voluntário também não se opõe a respeito. Cabe, assim, manter o auto de infração. Da Instrução do Processo A recorrente solicitou, caso fosse necessário, a produção de prova pericial. O Acórdão recorrido assim ressaltou: Tratase, na realidade, de pedido de diligência, que foi aceito por esta Delegacia de Julgamento (fls. 2563/2567) e efetivado pela fiscalização (fls. 2761/2766), estando, portanto, satisfeita a solicitação da recorrente Verifico que não há indicação pela recorrente sobre questão específica, em relação à qual, fosse possível concluir pela necessidade de nova perícia para demonstração das alegações da recorrente. Nessas condições genéricas, não vejo como acolher o pedido. Da Apuração do Ajuste dos Juros Com relação ao ajuste de preços de transferência relativos a juros recebidos em decorrência de empréstimo a coligada no exterior, alega a recorrente que a fiscalização considerou em seus cálculos o valor inicial do empréstimo (US$ 7.000.000,00, em 1995, fls. 290/298), e não o valor remanescente (US$ 5.950.000,00, em 2003), conforme cálculo/por ela apresentado (fl. 299). Sobre esse ponto, o Acórdão recorrido assim concluiu: Ocorre que a recorrente não logrou comprovar, mesmo após a diligência efetuada pelo Auditor Fiscal autuante, que houve a amortização parcial do valor do empréstimo, eis que não foram apresentados os contratos de liquidação de câmbio. Quanto à alegação da recorrente de que há que se considerar, no cálculo dos juros o valor de US$ 6.271.073,71, pois esse valor estaria no livro razão na conta investimento, há que se observar que, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 14 13 recorrente dos fatos nela registrados, mas apenas se comprovados por documentos hábeis, o que não é o caso. Com relação ao artigo 924 do RIR/99, que dispõe que "Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior", este não se aplica ao caso, tendo em vista a inobservância do artigo 923 ("artigo anterior"). Dessa forma, há que se manter os cálculos dos ajustes de juros efetuados pela fiscalização (fl. 1115), que adotou como valor do empréstimo em 2003 o montante de US$ 7.000.000,00 e a metodologia prevista no artigo 27, § 8º, da IN SRF n° 243/2002, que dispõe que: "Art. 27. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. (...) § 8° Para efeito dos limites a que se referem o caput deste artigo e o § 1° deverá ser utilizada a taxa Libor vigente na data do termo inicial do contrato, devendo ser alterada a cada 183 dias, até a data do termo final do cálculo dos juros" (grifei) Diante dessa análise e fundamentos, cabe manter os cálculos dos ajustes de juros efetuados pela fiscalização (fl. 1115). Da Utilização do Método Menos Gravoso à Autuada Alega a recorrente que, com relação aos ajustes na importação, o Auditor Fiscal não demonstrou que a aplicação do método PRL20 para câmara de ar e pneumáticos, do método PIC para o insumo "80800451" e o método PRL60 para os insumos "80800351" e "84258681" atenderam ao critério da utilização do método menos gravoso ao recorrente. No que diz respeito às câmaras de ar e pneumáticos e o insumo "80800451", a fiscalização buscou respeitar as escolhas da empresa, no tocante ao método adotado para cada insumo (PRL20 e PIC, respectivamente), apenas revendo se os cálculos pertinentes estariam corretos. A respeito, a DRJ registrou que: Com relação aos insumos "80800351" e "84258681", como a recorrente não adotou nenhum método para cálculo dos ajustes, correta a opção da fiscalização em escolher um método (no caso, o PRL60, por se tratar de material usado na produção) e apurar os ajustes correspondentes, nos termos do artigo 40, § único, da IN SRF n° 243/2002, in verbis: Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 15 14 "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa" (grifei). Destaquese que a citada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método (e a escolha do mais favorável ao recorrente). Essa é uma prerrogativa do recorrente (artigo 4o, §2°, da IN SRF n° 243/2002), mas não uma imposição à fiscalização. Com base em tais fundamentos, concordo com a conclusão DRJ e mantenho o Acórdão recorrido, nesse ponto. Do Cálculo do PRL20 Utilizando o Preço FOB na Importação Alega a recorrente que, com relação ao método PRL20, não há que se incluir os valores de frete, seguro e do imposto de importação na apuração do preço praticado na importação, pois a única parcela do custo a se sujeitar às regras de preços de transferência seria aquela passível de manipulação do preço importado, ou seja, apenas a parcela relativa ao preço FOB, que corresponde ao preço praticado nas operações entre sujeitos vinculados. A respeito, o Acórdão recorrido assim consignou: Sobre a inclusão dos custos de frete, seguro e imposto de importação no cálculo dos preços praticados segundo o método PRL20, há que se considerar o disposto no artigo 18, § 6o, da Lei n° 9.430/96, e no artigo 4o, § 4o, da IN SRF n° 243/2002, in verbis: Lei n° 9.430/96 "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 16 15 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (...) § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...) IN SRF n° 243/2002 "Art. 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8° a 13, exceto na hipótese do § 1o, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. (...) § 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. O supra transcrito artigo 18, § 6o, da Lei n° 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é obvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo recorrente (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96, supra transcrita, e do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela recorrente como custo. Como, evidentemente, a recorrente considerou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 17 16 revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a recorrente. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela recorrente, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora. Nesse mesmo sentido, a IN SRF n° 243/2002, vigente à época dos fatos, ao dispor, em seu artigo 4º, § 4º, que "serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação", nada mais faz do que regulamentar os aspectos relativos a preço de transferência expostos na Lei n° 9.430/96, não dispondo, ao contrário do que entende a recorrente, de modo diverso. À vista desses fundamentos, não vejo como reformar o entendimento da DRJ que concluiu no sentido de que não há razão para a alegação da recorrente contrária à inclusão dos valores relativos ao frete, ao seguro e aos tributos no cálculo do preço praticado. Do Preço Praticado para os Produtos "30023" e "32001" Na apuração do preço praticado segundo o método PRL, há que se considerar os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (estoque inicial), nos termos do artigo 12, § 3o, da IN SRF n° 243/2002. Especificamente com relação aos produtos "32001" e "30023" (para os quais foram apurados ajustes pelo método PRL20), apesar de ter fornecido informações sobre o estoque inicial à fiscalização (arquivo magnético "inventário"), a recorrente discordou desses valores, e apresentou novos cálculos (doe. 72, fl. 2050), com base nas Dls relativas a 2002. A respeito, a DRJ concluiu que os cálculos relativos ao estoque inicial apresentados pela recorrente não devem invalidar os valores fornecidos à fiscalização, por meio do referido do arquivo magnético, pois levaram em consideração apenas as importações ocorridas em 2002. Salientou que, para fins de apuração dos ajustes relativos aos preços de transferência deveria ser utilizado, na avaliação do custo das mercadorias, o "custo médio", o valor do estoque se apresenta de forma dinâmica, estando o relativo ao início de 2003 influenciado não apenas pelas importações ocorridas em 2002, mas também pelas ocorridas em anos anteriores, assim como pelas saídas dessas mercadorias (pois usase o "custo médio, e não o método PEPS, que excluiria a influência de importações mais antigas). Improcede, assim, a alegação da recorrente contrária aos valores relativos ao estoque dos produtos "32001" e "30023". Do Ajuste do Produto 84258681 Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 18 17 Com relação ao produto "84258681", a recorrente alega que (i) as quantidades utilizadas pela fiscalização não correspondem às quantidades efetivamente importadas e (ii) a fiscalização não considerou ajuste declarado em sua DIPJ relativo ao referido produto. Sobre esse insumo o Acórdão recorrido ressalta que a recorrente não teria comprovado, mesmo no curso da referida diligência, que havia efetuado ajuste relativo a esse produto. Concluiuse que, o ajuste de R$ 91.119,72 informado como sendo relativo a apenas o produto "84258821", corresponde à soma dos ajustes dos produtos "84258681" (R$ 86.530,49) e "84258821" (R$ 4.589,23). A recorrente discorda, em especial quanto à "ausência de confiabilidade nas informações apresentadas pela empresa", mas não apresenta contraprova. Quanto às alegações de ilegalidade, relativas ao Método PRL60 da IN SRF n° 243/2002, cumpre salientar as disposições da Súmula CARF nº 115, abaixo transcrita, aprovada em sessão extraordinária, no dia 3/9/2018 reunião do Pleno e das Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF:115 115 A sistemática de cálculo do 'Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)' prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Dessa forma, não há como acolher tais alegações, considerandose correta a aplicação Método PRL60 a IN SRF n° 243/2002, já vigente à época dos fatos. Por todo o exposto, entendo que é devido o ajuste calculado pela fiscalização para o insumo "84258681" e a exigência correspondente. Quanto à alegação de que teria havido pela recorrente ajuste maior que o devido em relação ao produto "84258821" e que essa adição a maior deveria ser abatida do valor apurado pela fiscalização, cumpre ratificar as conclusões da DRJ no sentido de que, caso tenha a recorrente apurado ajustes maiores que os devidos, relativos a determinados itens, esse eventual excesso não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros itens, visto que os ajustes devem ser apurados produto a produto. Da Margem de Divergência Quanto à apuração dos ajustes e à margem de divergência, há que se observar o disposto nos artigos 5º e 38 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: "Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. § 1° Se o preço praticado na aquisição, pela empresa vinculada domiciliada no Brasil, for superior àquele utilizado como parâmetro, decorrente da diferença entre os preços comparados, Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 19 18 o valor resultante do excesso de custo, despesas ou encargos, considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, será ajustado contabilmente por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados do patrimônio líquido e a crédito de: I conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou II conta própria de custo ou de despesa do período de apuragalb,\ registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de já terem sido bè\ da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição. (...) § 5° Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado". "Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Parágrafo único. Nessa hipótese, nenhum ajuste será exigido da empresa na apuração do imposto de renda, e na base de cálculo da CSLL". Os ajustes devem ser calculados como sendo a diferença entre o preço praticado e o preçoparâmetro, e não como parece entender a recorrente (diferença entre o preço praticado diminuído de 5% e o preçoparâmetro). A margem de divergência se presta apenas para se aferir a necessidade de ajuste, mas não deve ser considerada na apuração desse ajuste, que deve ser efetuado nos termos do artigo 5o da IN SRF n° 243/2002. Improcede, assim, a alegação da recorrente quanto à margem de divergência prevista no artigo 38 da IN SRF n° 243/2002. Conclusão do Recurso Voluntário Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Recurso de Ofício Em virtude da exoneração de crédito tributário, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97, e art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), conforme quadro a seguir reproduzido: Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 20 19 Matéria Tributável Exonerada Dos Ajustes dos Produtos 80800351 e 80800451. Exoneração após Diligência Com relação aos produtos 80800351 e 80800451, a recorrente (impugnação): (i) alegou que as quantidades utilizadas pela fiscalização não correspondem às quantidades efetivamente importadas e (ii) apresenta novos cálculos com base no método PIC. À vista de tais alegações, a DRJ São Paulo determinou a realização de diligência para esclarecimentos relativos aos juros e sobre os ajustes dos produtos "80800451" "080800351" e "84258681". Em relação aos ajustes dos insumos "80800451" e "80800351" a fiscalização revisou o lançamento e recalculou os preços praticados (obtendo, respectivamente, R$ 3,73 e R$ 5,51) e os preços parâmetro (obtendo, respectivamente, R$ 4,99 e R$ 7,17). Concluiu, assim, que não havia ajuste de preço de transferência para tais produtos. Dessa forma, exonerou a exigência correspondente (mantevese a exigência fiscal dos ajustes dos juros e do produto 84258681). Diante do resultado da diligência a DRJ excluiu a exigência fiscal em relação aos insumos "80800451" e "80800351". Mantevese o lançamento tributário em relação aos demais itens. Assim, considerandose que a recorrente demonstrou que estavam corretas as suas informações e valores apurados; que a fiscalização atestou essa correção no relatório de diligência fiscal, cabe manter a exoneração consignada no Acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado) Rogério Aparecido Gil Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 16561.000101/200821 Acórdão n.º 1302003.084 S1C3T2 Fl. 21 20 Fl. 3271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13874.720025/2017-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos médicos, considera-se comprovada a moléstia grave (cardiopatia grave), restando atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente.
Numero da decisão: 2401-005.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que negava provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que votou por converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos médicos, considera-se comprovada a moléstia grave (cardiopatia grave), restando atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que negava provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que votou por converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos médicos, considerase comprovada a moléstia grave (cardiopatia grave), restando atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 4. 72 00 25 /2 01 7- 42 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 73 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que negava provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que votou por converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), por meio do Acórdão nº 0963.737, de 29/06/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 35/39): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 74 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção está condicionada ao reconhecimento da doença através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e se aplica aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Impugnação Improcedente Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2015/927554810158498, relativa ao anocalendário de 2014, exercício de 2015, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 18/25): (i) omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos por moléstia grave, no importe de R$ 296.356,74; e (ii) dedução indevida de previdência oficial, de pensão alimentícia e de despesas médicas, respectivamente, nos valores de R$ 661,75, R$ 17.088,00 e R$ 28.035,60. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa. A contribuinte foi cientificada da autuação e impugnou a exigência fiscal em 30/01/2017 (fls. 04/06 e 27/28). Intimada por via postal em 19/07/2017 da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/08/2017 (fls. 45/48). Em síntese, a contribuinte alega que o laudo médico carreado aos autos, emitido pelo setor de perícias do órgão público responsável pelo pagamento dos proventos de aposentadoria, confirma que é portadora de cardiopatia grave, desde o mês de janeiro de 2010 (fls. 17). Ressalta, ainda, que houve a restituição do imposto de renda retido indevidamente com respeito à declaração de rendimentos do anocalendário de 2015, exercício de 2016, sendo que a comprovação da moléstia grave foi instruída da mesma forma documental, causando espécie que os demais exercícios não recebam o mesmo tratamento por parte da Administração Tributária. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 75 4 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito A matéria controvertida em sede recursal diz respeito exclusivamente à isenção dos rendimentos omitidos na declaração, no valor de R$ 269.766,12, em particular quanto à comprovação da moléstia grave mediante laudo pericial, nos termos da legislação tributária. O laudo juntado pela contribuinte está assinado por três médicos, vinculados ao serviço médico da São Paulo Previdência, autarquia responsável pela gestão do sistema previdenciário no Estado de São Paulo. Confirase o que está registrado no documento (fls. 17 e 58): LAUDO MÉDICO — ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA E ISENÇÃO PARCIAL DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Protocolo SPPREV: 0060451268 Laudo nº: 002226/BRU Declaramos, para fins de isenção de imposto de renda e isenção parcial de contribuição previdenciária que RACHEL DE MARIA M P DE BARROS, RG: 95148863, CPF: 674.586.888 15, é portador (a) da patologia CID10: 150, diagnosticada em Janeiro de 2010. Doença que está prevista na legislação pertinente: Lei 7713/1988, artigo 6°, inciso XIV e XXI e as alterações das Leis 6541/1992, com redação dada pela Lei Federal 11.052/2004 e art.40,§ 21 da Constituição Federal e art.151 da Lei Federal 8.213/1991, modificada pela portaria interministerial MPAS 2998/2001 e amparada pelo parecer PGE/PA 144/2006. O presente laudo tem validade de 02(Dois) anos, a partir da presente data. Bauru, 28 de Março de 2016 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 76 5 Ao analisar a impugnação, o colegiado de primeira instância, por maioria de votos, não aceitou o documento apresentado, sob a justificativa de que o laudo médico deixou de especificar a patologia denominada de "cardiopatia grave", a qual consta do rol da lei como doença que dá direito à isenção tributária, tendo mencionado apenas a CID 10 I50, que corresponde a "insuficiência cardíaca congestiva". Além disso, o laudo não contém o número de registro no órgão público dos médicos que firmaram o documento (fls. 39). Pois bem. De fato, segundo se observa do texto do documento acima copiado, o laudo médico não faz referência explícita a nenhuma das patologias enumeradas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Aparentemente, o laudo médico quis se referir à existência de cardiopatia grave, tendo em vista a associação com a classificação internacional de doenças, indicada como insuficiência cardíaca congestiva (CID I50). A insuficiência cardíaca congestiva não é uma doença relacionada no rol da lei. De qualquer modo, a leitura não é direta e a conclusão exige um exercício de inferência com base na interpretação dos dados disponíveis, o que não é recomendável nesse tipo de questão. A lei estabelece que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial (art. 30, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Compete ao profissional de saúde, por meio da emissão de laudo médico revestido de formalidades, a descrição e caracterização da moléstia que a pessoa física é portadora, em linguagem unívoca e inquestionável, possibilitando a avaliação da autoridade tributária sobre o atendimento pelo contribuinte dos requisitos previstos na legislação. No caso da cardiopatia grave, a clareza no laudo médico é medida imprescindível, haja vista que não é uma doença específica, podendo resultar de uma ou mais patologias relacionadas à capacidade funcional do coração, em determinado grau de severidade. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 77 6 O diagnóstico legal da cardiopatia grave exige do médico especialista uma avaliação conjunta do quadro clínico do paciente e de exames para a identificação dos sinais e sintomas, o que deve ficar explícito no laudo. À vista das razões expostas, considero que o laudo médico apresentado é deficiente para o fim de comprovação da moléstia grave, tendo em conta o rol taxativo de patologias estipulado na lei. A anuência da autarquia estadual com o laudo médico, fonte pagadora dos proventos, não altera o meu entendimento, na medida em que a isenção sobre os rendimentos da pessoa física, independentemente do destino da arrecadação do imposto de renda, está submetida à legislação federal. Também não é relevante o deferimento da restituição do imposto de renda para a contribuinte relativamente a outro exercício, porquanto a questão sobre o cumprimento dos requisitos para a fruição da isenção está submetida à avaliação do julgador administrativo, incumbindolhe proferir decisão motivada, segundo a sua convicção, a respeito da matéria controvertida. Nada obstante, privilegiando a verdade material, acredito inadequado, ao menos nesse momento, negar o direito pleiteado à contribuinte, visto que existe plausibilidade na alegação de que é portadora de doença grave prevista no rol no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. É aconselhável, portanto, a conversão do julgamento em diligência a fim de permitir a juntada aos autos de laudo médico complementar, o qual esclareça de forma inequívoca se a contribuinte é portadora de cardiopatia grave, com informação da data em que caracterizada a moléstia. Dessa feita, a unidade preparadora da RFB deverá proceder à intimação da recorrente, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a fim de apresentar laudo médico complementar, expedido por serviço médico oficial, que contenha a descrição e classificação da patologia, explicitando o diagnóstico de cardiopatia grave, se for o caso, com base nos elementos que fundamentam a conclusão, assim como a indicação da data a partir da qual a contribuinte é considerada portadora da moléstia grave. Todavia, proposta a realização de diligência, os demais membros do Colegiado entenderam dispensável tal providência, posicionandose pelo imediato julgamento de mérito do apelo recursal. Nessas condições de instrução processual, conforme alhures justificado, o laudo médico apresentado é deficiente para o fim de comprovação da moléstia grave, tendo em vista o rol taxativo de patologias estipulado na lei, cabendo negar provimento ao recurso voluntário interposto pela pessoa física. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 78 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Peço vênia ao Ilustre Relator para divergir do seu ponto de vista por vislumbrar conclusão diversa quanto ao posicionamento no presente caso. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada na Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo transcritos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13874.720025/201742 Acórdão n.º 2401005.815 S2C4T1 Fl. 79 8 Depreendese da legislação referida que para a obtenção da isenção do imposto sobre a renda há necessidade de comprovação do cumprimento de requisitos legais para a sua fruição, quais sejam: (i) serem os rendimentos percebidos por portador de moléstia grave provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão; (ii) ser a moléstia grave devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. A análise deve ser aferida com base em todo o conjunto probatório adunado aos autos, os quais conferem a condição da contribuinte de portadora de moléstia grave. Dos documentos acostados aos autos, resta claro que a Recorrente é portadora de moléstia grave (cardiopatia grave), diagnosticada desde 2010, conforme se pode verificar dos laudos médicos acostados às fls. 16 e 58 do processo administrativo, o que lhe garante as condições necessárias à isenção pleiteada. Assim sendo, levando em consideração todo o lastro documental hábil adunado aos presentes autos, considero comprovada a moléstia grave e, por conseguinte, atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente (art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/988). Conclusão Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902960/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS.
Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT.
Numero da decisão: 3401-005.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 60 /2 01 0- 77 Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10830.902960/201077 Acórdão n.º 3401005.747 S3C4T1 Fl. 628 2 Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual do pedido eletrônico de ressarcimento de IPI, PERDCOMP n° 25534.35028.150506.1.3.013976, e das DCOMP associadas referentes ao 1º Trimestre de 2006. O processo foi encaminhado ao Setor de Fiscalização para prosseguimento, sendo o contribuinte cientificado de Termo de Início de Ação Fiscal em 31/05/2010. 2. Em 20/10/2010 foi lavrada a Informação Fiscal anexada às fls. 251 e 252. A Autoridade Tributária constatou a falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando os respectivos produtos/modelos. Por meio de Auto de Infração, objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 10830.014190/201011, foi realizado o lançamento de ofício dos débitos de IPI apurados. 3. Em relação ao 1º trimestre de 2006, foi constatada uma redução no valor passível de ressarcimento para R$ 9.662.717,44. O AuditorFiscal realizou uma glosa no valor de R$ 5.054.428,60; assim, do valor pleiteado no montante de R$ 14.717.146,04, foi reconhecido R$ 9.662.717,44. 4. Em 11/11/2010 o contribuinte tomou ciência, por via postal, do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS nº 2338/2010, às fls. 258 e 259, cuja decisão possui o seguinte teor: Assim, pela competência a nós delegada, reconhecemos à interessada o crédito no valor de RS 9.662.717,44 relativo ao saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados apurado no 1º trimestre de 2006 e homologamos, até esse limite, as compensações declaradas para os débitos controlados nos processos de cobrança (eletrônicos) n°s 10830.903020/201003 (que foi encerrado) e 10830.720420/201077 (no qual remanesceu saldo devedor), de acordo com os demonstrativos de compensação à fls. 135/136 e os extratos SIEF à fls. 137 e 138/139. 5. Em 13/12/2010 o contribuinte, irresignado com esta decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: O que, em uma primeira leitura, pode parecer violação à Lei n.° 8.248/91 e de sua regulamentação, na verdade representa, com a devida vênia, o resultado de trabalho de fiscalização mal conduzido pelo d. agente autuante, na medida em que, como se comprovará na presente impugnação, todos os produtos e seus respectivos modelos comercializados pela Impugnante durante o período autuado estão listados na Portaria Interministerial n° 838/01, não havendo, portanto, crédito de IPI pendente de lançamento a justificar a existência e validade da autuação ora atacada. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10830.902960/201077 Acórdão n.º 3401005.747 S3C4T1 Fl. 629 3 É o que a Impugnante passa a demonstrar. III.PRELIMINARMENTE: Da nulidade da autuação por patente falha na busca da verdade dos fatos (...) IV. DO DIREITO a. Do histórico legislativo relativo ao beneficio fiscal aplicável aos produtos manufaturados pela Impugnante (...) b. Da habilitação da Impugnante ao benefício fiscal em tela (...) c. Dos modelos de produtos questionados pela d. fiscalização (...) cl. Divergência de descrição contida nas notas fiscais e na Portaria Interministerial de modelos sem versões internas (...) c.2 Divergência de descrição contida nas notas fiscais e na Portaria Interministerial de modelos com versões internas (...) d. Conclusão sobre os modelos relacionados à autuação e sobre o benefício fiscal em pauta (...) III DO PEDIDO Diante do exposto, a Manifestante pede e espera, inicialmente, que o presente PAF seja unificado no PAF 10830.014190/2010 11 ou, alternativa e sucessivamente, na remota hipótese desse pedido não ser deferido, seja o processamento do presente caso imediatamente sobrestado, até que haja decisão final prolatada nos autos do PAF 10830.014190/201011. Na eventualidade de os Ilustres Julgadores assim não entenderem, a Manifestante pede e espera que o direito creditório pleiteado seja integralmente reconhecido com o deferimento da presente manifestação de inconformidade, em virtude dos elementos de fato e de direito apresentados no item III.1 da presente manifestação de inconformidade. 6. Em 29/03/2011 sobreveio decisão da DRJ/RPO, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10830.902960/201077 Acórdão n.º 3401005.747 S3C4T1 Fl. 630 4 Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. Há que se observar que o julgamento do presente não foi prejudicado, pois o processo administrativo n° 10830.014190/201011, foi julgado por esta turma, em 22 de março de 2011 (Acórdão 14032.958), sendo ratificado o procedimento fiscal por unanimidade de votos e o lançamento considerado procedente, conforme ementa transcrita abaixo: (...) Sendo assim, dada a inexistência de crédito no montante solicitado pela contribuinte, impossível a homologação da compensação pleiteada. 7. Em 27/05/2011 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ, repisando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. 8. Em 26/06/2012, esta Turma exarou a Resolução nº 3401000.502, na qual, por unanimidade de votos, decidiuse por converter o julgamento do Recurso em diligência, nos seguintes termos: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. (...) Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10830.902960/201077 Acórdão n.º 3401005.747 S3C4T1 Fl. 631 5 Assim, se, de um lado, não se faz necessária a juntada dos dois processos, conforme aliás, preconiza a instância ora recorrida, porquanto, acresço eu, nada de irregular existe na forma com que autuados os processos, de outro, é imperioso que o julgamento deste processo seja sobrestado até que haja o deslinde da discussão travada no processo que trata do lançamento de débitos de IPI. Por óbvio que, caso se julgue indevida a reconstituição do saldo credor efetuada pelo Fisco no outro processo, também restarão indevidas as glosas dos créditos aqui efetuadas. 9. Em 31/01/2018 sobreveio a decisão final no processo nº 10830.014190/201011, nos seguintes termos: A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. As conclusões do Parecer Técnico foram resumidas nos itens 43 a 46 do Relatório Técnico, transcritos abaixo. (...) O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator 11. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 12. Conforme Despacho de Encaminhamento à fl. 618, a diligência solicitada pelo CARF através da Resolução nº 3401000.502 foi realizada, tendo a decisão final Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10830.902960/201077 Acórdão n.º 3401005.747 S3C4T1 Fl. 632 6 (Acórdão do CARF) no processo nº 10830.014190/201011 sido, inclusive, anexada pelo contribuinte aos autos (fls. 601 a 607). 13. A decisão naquele processo deu provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos. Foi julgada correta a fruição do benefício fiscal pelo Recorrente e, consequentemente, equivocada a reconstituição de ofício dos saldos credores de IPI. 14. Nesse contexto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 632DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.720775/2014-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
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RESSARCIMENTO Recorrente LÍDER ALIMENTOS DO BRASIL S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 07 75 /2 01 4- 40 Fl. 1750DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, com origem no 3º trimestre de 2010. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER), cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo ao mercado interno, apurado no regime de incidência não cumulativa, referente ao 3º Trimestre/2010. A DRF/Presidente PrudenteSP, por meio do despacho decisório de fl. 1145/1163, reconheceu parte do direito creditório. De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.751 3 Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes: materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda. a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) Fl. 1752DF CARF MF 4 As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.752 5 do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 0005388 02.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP) abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 1546/1569, alegando, primeiramente, quanto à reclassificação dos créditos ressarcíveis relativos à aquisição de leite com suspensão – de básicos para créditos presumidos da agroindústria, que teve reconhecido seu direito à utilização do saldo credor das contribuições, decorrente de crédito presumido, para pagamento de débitos próprios administrados pela Receita Federal. A seguir tece comentários acerca do princípio da não cumulatividade, concluindo, em resumo, que esse princípio tem por finalidade a redução da carga tributária, seja pela Fl. 1754DF CARF MF 6 manutenção do crédito acumulado, seja pela concessão de crédito presumido. E prossegue: Com base na aludida legislação é que a Manifestante aproveitouse dos créditos a título de PIS/COFINS consubstanciados no Pedido de Ressarcimento em epígrafe, os quais, frisase, existem e são legítimos em sua integralidade, revelandose indevidas as glosas levada a cabo pela fiscalização, conforme se verá a seguir Ainda quanto ao mérito, discorre acerca dos diversos itens glosados, a seguir listados. Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos Ocorre que, como seu processo produtivo compreende a elaboração de uma série de produtos derivados do leite, a Manifestante transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. (...) Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, visto que, são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo. (grifos originais) Ademais, em consonância com o recente entendimento do CARF o conceito de insumos para o PIS e COFINS, verificase que as despesas de frete de produtos Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 0005388 02.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP) abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...) . No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls. 1546/1569, alegando, primeiramente, quanto à reclassificação dos créditos ressarcíveis relativos à aquisição de leite com suspensão – de básicos para créditos presumidos da agroindústria, que teve reconhecido seu direito à utilização do saldo credor das contribuições, decorrente de crédito presumido, para pagamento de débitos próprios administrados pela Receita Federal. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.753 7 A seguir tece comentários acerca do princípio da não cumulatividade, concluindo, em resumo, que esse princípio tem por finalidade a redução da carga tributária, seja pela manutenção do crédito acumulado, seja pela concessão de crédito presumido. E prossegue: Com base na aludida legislação é que a Manifestante aproveitou se dos créditos a título de PIS/COFINS consubstanciados no Pedido de Ressarcimento em epígrafe, os quais, frisase, existem e são legítimos em sua integralidade, revelandose indevidas as glosas levada a cabo pela fiscalização, conforme se verá a seguir Ainda quanto ao mérito, discorre acerca dos diversos itens glosados, a seguir listados. Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos Ocorre que, como seu processo produtivo compreende a elaboração de uma série de produtos derivados do leite, a Manifestante transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. (...) Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, visto que, são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo. (grifos originais) Ademais, em consonância com o recente entendimento do CARF o conceito de insumos para o PIS e COFINS, verificase que as despesas de frete de produtos em elaboração são verdadeiros custos de produção e, como tais, se subsumem ao conceito de insumo para o PIS e COFINS, haja vista o caráter de essencialidade desta despesa ao processo produtivo. (...) Destarte, como a prestação de serviço de frete em elaboração é tributada pelas contribuições ao PIS e COFINS e a mesma se revela como um custo necessário à sua atividade produtiva, não há razão para persistir na referida glosa, devendo ser reconhecida a legitimidade do seu creditamento com base no art. 3º, inciso II, § 3º, inciso II, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 e no art. 290 do RIR/99 Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Como se pode observar, o CARF reconhece que os materiais de limpeza e desinfecção, combustíveis (gasolina/álcool), lubrificantes e graxas (conceitos a partir dos quais se incluso óleo de motor e óleo diesel) são passíveis de creditamento, pela sistemática não cumulativa. (...) Fl. 1756DF CARF MF 8 Com efeito, a produção da Manifestante é destinada a consumo humano de modo que tal somente poderá ser viabilizado se respeitadas as rígidas regras de higiene e limpeza impostas pelos órgãos de vigilâncias sanitária, ou seja, a utilização dos produtos de higienização e limpeza, bem como uniformes para utilizados pelos funcionários obrigatoriamente na execução das atividades, como modo de afastar qualquer risco de contaminação. (...) Da mesma forma, os combustíveis (álcool e gasolina), lubrificantes, dentro os quais se incluem os óleos de motor e diesel utilizados na frota de transporte e no próprio maquinário utilizado no processamento da matéria prima utilizada pela Manifestante para transformação em produto acabado, logo, igualmente devem ser considerados os créditos descontados a este título, tal como já também reconhecido pelo CARF (...) Os serviços de manutenção da frota, empilhadeiras, carga e descarga bem como serviços de consultoria relacionados às melhorias no processo de produção, ainda que não intrinsecamente agregados ao bem produzido pela Manifestante, compõem seu processo de produção (...) Existe uma série de processos atrelados à viabilização da atividade exercida pela Manifestante, de modo que a falta de funcionamento da sua frota, por exemplo, inviabiliza o transporte dos produtos sejam eles acabados ou em fase de industrialização. Da mesma forma, não há como se visualizar o pleno exercício de sua atividade sem a utilização de serviços de carga e descarga, análise de qualidade (sobretudo em se tratando de produtos para consumo humano) e das próprias consultorias relacionadas à melhoria do processo e produção e qualidade dos bens produzidos. Materiais de Embalagem Ocorre que, pela natureza das operações praticadas, para que os produtos acabados comercializados pela Manifestante sejam transportados, é fundamental que sejam acondicionados em embalagem, pois, restaria inviável o transporte de outra maneira sem que sejam prejudicadas a qualidade e preservação do produto e a própria segurança no transporte. (...) O que se tem que ter em mente é que a aquisição de embalagens constitui etapa fundamental e necessária à consecução da atividade principal da Manifestante, sem a qual o transporte dos produtos acabados, em perfeito estado de preservação, fica inviabilizado. (destaques originais) (..) Observase que o CARF já tem se manifestado favoravelmente em relação ao direito a crédito sobre a aquisição de embalagens com fim de preservar o bem produzido pelo contribuinte, notadamente em se tratando da indústria de laticínios que, por imposição legal, deve embalar seus produtos adequadamente Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.754 9 tanto para transporte quanto para armazenagem em estabelecimento industrial (...) A própria receita federal tem reconhecido o direito a crédito em casos análogos por meio de Soluções de Consulta Locação de bens e serviços Conforme se observa dos autos, as glosas predominantemente se referem à locação de empilhadeiras utilizadas no pátio fabril para acomodar os bens produzidos pela Manifestante nos locais específicos de acordo com a etapa do processo de produção, o que por si só demonstram que ela compõe parte essencial do seu processo de produção. (...) Frisese que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 são claras ao permitir o desconto de créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades desempenhadas pela empresa, não havendo qualquer restrição com relação à etapa do processo produtivo na qual as máquinas e equipamentos devem ser utilizados. Arrendamento mercantil A exemplo do item anterior, a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. (...) In casu, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Manifestante, integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. Assim, onde a lei não restringe, não cabe ao interprete restringir, de modo que, sendo a única ressalva para aproveitamento do crédito sobre arrendamento mercantil a hipótese das empresas optante pelo SIMPLES, e não sendo este o enquadramento da Manifestante, devem tais créditos ser reconhecidos. Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Como salientado pela própria fiscalização, a lenha é utilizada como combustível no processo de produção da Manifestante, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo de produção e autorizado expressamente seu creditamento pela legislação. Por esta razão, em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Manifestante, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e 660/06 é legitimo o direito creditório em tela, devendo o despacho decisório ser reformado neste ponto. Fl. 1758DF CARF MF 10 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1463.417, de 16/12/2016 (fls. 1598 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor referente a crédito presumido da agroindústria, instituído pela Lei nº 10.925/2004, somente pode ser descontado da própria contribuição, mas não compensado com outros tributos ou ressarcido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.755 11 Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1676 e ss., por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matériaprima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornao apto ao consumo e o acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Cuidase de pedido eletrônico de ressarcimento da Cofins não cumulativa, com origem no 3º trimestre de 2010. Fl. 1760DF CARF MF 12 Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art. 269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.756 13 sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015.1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimentos para outro matériaprima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1762DF CARF MF 14 machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.757 15 Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: Fl. 1764DF CARF MF 16 REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.758 17 PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluem se os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confira se: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; Fl. 1766DF CARF MF 18 a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regramatriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10835.720775/201440 Acórdão n.º 3201004.306 S3C2T1 Fl. 1.759 19 produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1768DF CARF MF 20 Fl. 1769DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720171/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/08/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/08/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 71 /2 00 9- 86 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10830.720171/200986 Acórdão n.º 3402005.846 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.363. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10830.720171/200986 Acórdão n.º 3402005.846 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10830.720171/200986 Acórdão n.º 3402005.846 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10830.720171/200986 Acórdão n.º 3402005.846 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002423/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. HIPÓTESE DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL MAJORADO.
A multa isolada aplicável aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal efetiva-se pelo percentual de 150% na hipótese de conduta fraudulenta caracterizada pelo conjunto de elementos que demonstram a intenção de obter o reconhecimento de compensação irregular.
Numero da decisão: 1202-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto Baptista.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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Recorrente FEMEPE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PESCADOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. HIPÓTESE DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL MAJORADO. A multa isolada aplicável aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal efetivase pelo percentual de 150% na hipótese de conduta fraudulenta caracterizada pelo conjunto de elementos que demonstram a intenção de obter o reconhecimento de compensação irregular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto Baptista. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Gilberto Baptista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 24 23 /2 00 6- 98 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002423/200698 Acórdão n.º 1202000.991 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação contra autos de infração de Multas Isoladas aplicadas em face de compensação indevida de créditos tributários, no montante total de R$ 10.248.389,91, em percentual de 150%. Consoante a “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” (fls. 68 a 87), o fundamento da autuação foi a decisão da Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC que considerou como nãodeclaradas as compensações formalizadas pela contribuinte no âmbito dos processos n.o 10909.000701/200672 e n.o 10909. 002226/200679, em face da utilização de créditos expressamente vedados pelo art.74, §12, inciso II, alíneas "c" e "e", da Lei n.o 9.430/1996, visto que tais créditos referemse a obrigações emitidas pela Eletrobrás, considerados não relacionados a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, e já haviam sido objeto de pedido de restituição anterior, constante do processo n.o 10909.000701/200672. Como enquadramento legal foram referidos os seguintes dispositivos: • Art. 90 da MP 2.15835, de 24 de agosto de 2001. • Art. 18, caput, §§ 2° e 4°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, alterado pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004 e pela Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005; • Art. 44, §1°, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pela MP 303, de 29 de junho de 2003; • Art. 74, especialmente § 12, II, "e", da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; • Art. 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; • Art. 31, § 5°, inciso II, da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Na impugnação, em suma, após fazer uma sumária descrição dos fatos que nortearam a autuação e de afirmar que as compensações tida por nãodeclaradas compõem processo no âmbito do qual há recurso pendente de decisão administrativa (o processo n.o 10909.002226/200679), a contribuinte insurgiuse contra a caracterização de sua compensação como "não declarada", discorrendo longamente sobre a ilegalidade do ato administrativo que não homologou suas compensações, sobre a solidariedade passiva da União para com as obrigações contraídas pela Eletrobrás, sobre a pretensa natureza tributária do empréstimo compulsório da Eletrobrás (que deu origem às obrigações utilizadas na compensação), sobre a falta de disposição legal expressa proibindo a compensação destes créditos, sobre competência da Secretaria da Receita Federal para restituir os valores relativos às obrigações da Eletrobrás, sobre seu direito de compensar, etc. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002423/200698 Acórdão n.º 1202000.991 S1C2T2 Fl. 4 3 Em seguida, contestou a aplicação da multa isolada, por entendêla baseada em ato administrativo nulo, qual seja o constante do processo n.o 10909.000701/200672, que não acatou a restituição pleiteada, alegando, ainda, que a aplicação da penalidade no percentual de 150% não se justifica, dado que não estariam presentes quaisquer das condutas típicas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502/1964. Requereu, por fim, (a) consulta técnica à Procuradoria da Fazenda Nacional destinada à verificação da responsabilidade da Secretaria da Receita Federal quanto à restituição/compensação dos títulos públicos objeto do presente processo; (b) outra consulta técnica à Procuradoria da Fazenda Nacional, esta agora destinada à aferição da autenticidade e exigibilidade dos títulos públicos apresentados; e (c) realização de perícia técnica, também com o fim de aferição da autenticidade e exigibilidade dos títulos públicos. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO "NÃODECLARADA". MULTA ISOLADA QUALIFICADA. APLICABILIDADE Nos casos de compensação tida como nãodeclarada, aplicase a multa isolada de 150% nos casos de comprovação material do evidente intuito de fraude do contribuinte. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 23/11/2006 (fl.305), apresentou, em 15/12/2006, recurso voluntário ao CARF (fls.306 e ss.), em que, basicamente, repisou as razões e repetiu os pedidos da impugnação. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002423/200698 Acórdão n.º 1202000.991 S1C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser conhecido. Cumpre esclarecer, desde o início, quanto aos pedidos de produção de consultas técnicas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que o recurso voluntário destinado ao CARF não é a via adequada, por falta de previsão legal. Importante definir o limite da lide, visto que a recorrente traz argumentos contra a decisão que considerou “não declarada” a compensação pretendida. A compensação considerada como "não declarada" sequer permite a instauração de litígio tributário, já que apenas a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento, conforme o disposto no art. 74, §13, da Lei nº 9.430/96. Em razão disso, o argumento da recorrente de que a multa isolada seria indevida por estar baseada em ato administrativo nulo, constante do processo n.o 10909.000701/200672, que não acatou a restituição pleiteada não pode ser conhecido. Assim, em que pese aquela decisão ter fundamentado o lançamento da multa isolada no presente processo, a questão em litígio restringese ao cabimento da imposição dessa penalidade. A recorrente contesta a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, sustentando que não estariam presentes quaisquer das condutas típicas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502/64. Analisandose o caso concreto, contudo, verificase a presença de circunstâncias ensejadoras da aplicação da penalidade em seu percentual majorado, ao contrário do que entende a recorrente. Como relatado, o lançamento se deu em face da utilização de créditos expressamente vedados pelo art. 74, §12, inciso II, alíneas "c" e "e", da Lei n.o 9.430/1996, visto que tais créditos referemse a obrigações emitidas pela Eletrobrás, considerados não relacionados a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, e já haviam sido objeto de pedido de restituição anterior, constante do processo n.o 10909.000701/200672. Esclareceu a autoridade fiscal que, nas DCOMP constantes daquele processo, foram utilizados créditos que, além de expressamente vedados à compensação pela legislação tributária, já haviam sido reconhecidos como tal em Despacho Decisório, anteriormente lavrado e cientificado à contribuinte, relativo à DCOMP constante do mencionado processo. Essa ciência é fato incontroverso. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002423/200698 Acórdão n.º 1202000.991 S1C2T2 Fl. 6 5 A legislação é expressa ao vedar essa prática, como se vê do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, abaixo transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Transcrevese, a seguir, os dispositivos da Lei nº 10.833, de 2003, pertinentes à matéria em julgamento, considerandose a redação vigente à época do lançamento: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) [...] Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002423/200698 Acórdão n.º 1202000.991 S1C2T2 Fl. 7 6 § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) [...] II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (destacouse) Vejase que à época do lançamento, a redação legal previa a possibilidade de se considerar fraudulenta uma compensação “não declarada”, impondo a aplicação de multa isolada de 150%, nas hipóteses em que ficasse caracterizada sonegação, fraude ou conluio (art. 18, §4º, da Lei nº 10.833, de 2003). A interpretação sistemática do procedimento de compensação indica que a leitura da norma deve se pautar pela sua finalidade de coibir compensações indevidas, assim como se infere do art.90 da MP 2158/2001, referido pelo caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003: Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Como se vê, a legislação prevê a aplicação de multa isolada, nos casos de compensação não declarada, em distintos percentuais, a depender das circunstâncias do caso concreto. Caso se verifique uma conduta fraudulenta, aplicase a multa em percentual dobrado, sendo ônus da fiscalização a demonstração dessa conduta. Assim o fez a autoridade fiscal no caso concreto. A conduta delituosa no caso concreto foi extensamente relatada no auto de infração (fls.102109), cabendo destacar os seguintes trechos: 38. A conduta do contribuinte seria fraudulenta, ainda que ele não tivesse sido cientificado, em 21 de março de 2006, da decisão administrativa de considerar não formulado seu pedido de restituição. 39. Não foi o caso. Em 29 de março de 2006, oito dias após a ciência da decisão referida, o contribuinte recomeçou suas compensações, numa afronta explicita à legislação. 40. Inconformado com o entendimento do Fisco (de não aceitar determinado tipo de crédito para o encontro de contas — compensação), o contribuinte, sem qualquer decisão judicial que Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002423/200698 Acórdão n.º 1202000.991 S1C2T2 Fl. 8 7 o amparasse, preferiu agir unilateralmente, mesmo após a manifestação da Fazenda Pública. Após destacar a previsão legal de homologação tácita pelo decurso do prazo sem análise da DCOMP, continuou o autuante: 51. Importa observar que o contribuinte declarou, à página 1 da sua Dcomp, no campo "Tipo de crédito": "Pagamento indevido ou a maior". Ora, não houve, no caso, qualquer pagamento indevido ou a maior. 52. A indicação de tal circunstância dificulta a detecção, pelo Fisco, de declarações cujos créditos estejam baseados nos títulos emitidos pela Eletrobrás. 53. Com essa conduta, o contribuinte aumenta suas chances de ludibriar a fiscalização. A utilização do sistema informatizado PER/Dcomp, por meio de prestação de uma informação falsa, coloca a Dcomp fraudulenta em meio a milhares de Dcomp regulares, numa autentica operação de camuflagem. Diante da conduta consciente de declarar uma compensação não permitida pela legislação, mesmo após cientificado da negativa da Administração Tributária em aceitála, verificase a intenção fraudulenta da ora recorrente, em total afronta às normas que regem o procedimento de compensação. Mas, além de ter se utilizado de créditos expressamente vedados à compensação e passar a compensálos mesmo após ter sido cientificada de decisão administrativa irrecorrível que não lhe reconhecia o direito creditório pleiteado, a recorrente ainda indicou incorretamente o tipo de crédito contra a Fazenda Nacional, a título de "pagamento indevido ou a maior", conforme extrato de fls. 39, 43, 47, 51, 55, 59 e 63, prejudicando o conhecimento da compensação irregular e aumentando a chance de obter uma homologação tácita de forma indevida. Do conjunto probatório, assim, resta evidenciado o intuito de fraude na declaração de compensação, o que justifica a imposição de multa isolada no patamar de 150%. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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