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Numero do processo: 16327.720674/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DO BANCO CENTRAL. AFASTAMENTO DA PRELIMINAR.
As empresas que exercem atividades financeiras devem submeter a alteração de seus atos societários ao crivo da Banco Central do Brasil. Somente após autorização para redução de capital e consequente devolução desse capital aos sócios da empresa é que o sujeito passivo de eventual relação obrigacional passam a ser os sócios.
Se no ato da incorporação de ações, a empresa é quem tinha a propriedade de tais ações e se a fiscalização autuou a empresa pela receita auferida, não há que se falar em ilegitimidade passiva, cabendo afastar o pedido de nulidade do lançamento fiscal .
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EFETUADA ANTES DE PERMISSÃO DE ÓRGÃO REGULADOR. MOMENTO DO FATO GERADOR.
Se a atividade de corretagem de câmbio, títulos e valores mobiliários segue regramento específico e este estabelece algumas condições para que as alterações societárias efetivamente se concretizem, forçoso concluir que os efeitos dos atos praticados por particulares, sem que tais condições estejam preenchidas, devem ser afastados, dando lugar ao que formalmente aconteceria, caso seguissem a ordem de praticar tais atos após aprovação do órgão regulador.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS.
A incorporação de ações corresponde a uma alienação de ações da empresa incorporada. Sendo assim, correta a autuação do Pis e da Cofins
REGIME CUMULATIVO. RECEITA OPERACIONAL.
Se a compra e venda de ações estão consignadas como objeto social da empresa, correta a tributação do Pis e da Cofins, pelo regime cumulativo, na alienação das ações, pois representam ingresso de receita operacional.
VENDA DE ATIVO. NATUREZA DAS AÇÕES. CLASSIFICAÇÃO NO ATIVO: CIRCULANTE OU PERMANENTE. ATIVIDADE DA EMPRESA.
Se uma das atividade da empresa é a compra e venda de ações e se resta caracterizada a intenção de venda das ações a curto prazo - ou seja, dentro do curso do exercício social subsequente (no caso, no período de 1 ano após o processo de desmutualização da bolsa de valores) -, tais ações devem ser contabilizadas no ativo circulante, e sua venda enseja tributação do Pis e da Cofins.
RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O sucessor responde pelo crédito tributário lançado pela Fazenda Nacional, cujos fatos remetem a período anterior ao evento de sucessão. O crédito tributário contempla, além do tributo, os juros de mora e a multa de ofício, razão pela qual a sucessora passa a responder integralmente pelo lançamento tributário.
Numero da decisão: 1401-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva da Contribuinte autuada. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa de ofício na Contribuinte sucessora. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DO BANCO CENTRAL. AFASTAMENTO DA PRELIMINAR. As empresas que exercem atividades financeiras devem submeter a alteração de seus atos societários ao crivo da Banco Central do Brasil. Somente após autorização para redução de capital e consequente devolução desse capital aos sócios da empresa é que o sujeito passivo de eventual relação obrigacional passam a ser os sócios. Se no ato da incorporação de ações, a empresa é quem tinha a propriedade de tais ações e se a fiscalização autuou a empresa pela receita auferida, não há que se falar em ilegitimidade passiva, cabendo afastar o pedido de nulidade do lançamento fiscal . INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EFETUADA ANTES DE PERMISSÃO DE ÓRGÃO REGULADOR. MOMENTO DO FATO GERADOR. Se a atividade de corretagem de câmbio, títulos e valores mobiliários segue regramento específico e este estabelece algumas condições para que as alterações societárias efetivamente se concretizem, forçoso concluir que os efeitos dos atos praticados por particulares, sem que tais condições estejam preenchidas, devem ser afastados, dando lugar ao que formalmente aconteceria, caso seguissem a ordem de praticar tais atos após aprovação do órgão regulador. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS. A incorporação de ações corresponde a uma alienação de ações da empresa incorporada. Sendo assim, correta a autuação do Pis e da Cofins REGIME CUMULATIVO. RECEITA OPERACIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 74 /2 01 2- 23 Fl. 1735DF CARF MF 2 Se a compra e venda de ações estão consignadas como objeto social da empresa, correta a tributação do Pis e da Cofins, pelo regime cumulativo, na alienação das ações, pois representam ingresso de receita operacional. VENDA DE ATIVO. NATUREZA DAS AÇÕES. CLASSIFICAÇÃO NO ATIVO: CIRCULANTE OU PERMANENTE. ATIVIDADE DA EMPRESA. Se uma das atividade da empresa é a compra e venda de ações e se resta caracterizada a intenção de venda das ações a curto prazo ou seja, dentro do curso do exercício social subsequente (no caso, no período de 1 ano após o processo de desmutualização da bolsa de valores) , tais ações devem ser contabilizadas no ativo circulante, e sua venda enseja tributação do Pis e da Cofins. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO. POSSIBILIDADE. O sucessor responde pelo crédito tributário lançado pela Fazenda Nacional, cujos fatos remetem a período anterior ao evento de sucessão. O crédito tributário contempla, além do tributo, os juros de mora e a multa de ofício, razão pela qual a sucessora passa a responder integralmente pelo lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva da Contribuinte autuada. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa de ofício na Contribuinte sucessora. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Designado o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.736 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pela contribuinte em face do Acórdão n. 1644.957 da 10ª Turma da DRJ/SP1 que, por unanimidade, manteve o lançamento de IRPJ R$ 55.798.486,28, CSLL R$ 33.479.091,76, PIS R$ 1.503.482,60 e COFINS R$ 9.252.200,68, representados em quatro Autos de Infração lavrados contra ela, pertinentes a cada tributo. De início, anoto que em petição protocolizada em 13 de março de 2015 (fl. ) a Recorrente informa que quitou os débitos referentes ao IRPJ e à CSLL, mediante pagamento à vista, na forma da anistia consignada no art. 42 da Lei 13.043/14, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 13.097/15 c/c. Portaria PGFN/RFB 148/15, anexa DARF de pagamento e requer a desistência parcial dos Recursos Voluntários em relação aos débitos pagos, para os quais informa a existência de formalização de processo próprio para tratar do ato de adesão da anistia. Desta forma, considerado o pedido de desistência provido pela Recorrente, a lide em questão limitase a discussão acerca da exigibilidade tão somente dos créditos de PIS e COFINS representados pelas autuações de fls. Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do Acórdão da DRJ na parte que interessa a contextualização da lide: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 850861, em ação fiscal empreendida junto à contribuinte supramencionada, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: 1) Dos fatos A Intra S/A Corretora de Câmbio e Valores (Intra), CNPJ 61.870.200/0001 90, foi incorporada pela Citigroup Global Markets Brasil Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S/A (Citi) em 05/12/2009, conforme Protocolo de Justificação e Incorporação e Ata da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de fls. 3643. A Intra tinha como objeto social, nos anoscalendário de 2008 e 2009, operar em bolsa de valores; subscrever emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado. Por sua vez, a Citi tem como objeto social a prática de operações relativas às sociedades corretoras. Em 07/05/2008 a Intra possuía 4.704.316 ações da Bovespa Holding (Bovespa Holding), no valor de R$9.881.798,81, e 6.432.662 ações da BM&F S/A (BMF), no valor de R$6.432.662,00. Em 17/04/2008 a Bovespa Holding e a BMF comunicaram ao mercado o objetivo de integrar suas atividades com a incorporação de ambas pela empresa Nova Bolsa S/A (Nova Bolsa), CNPJ 09.346.601/000125 (fls.751761), por meio Fl. 1737DF CARF MF 4 de reorganização societária que compreendeu as seguintes etapas relacionadas à Bovespa Holding: a) Em 08/05/2008, incorporação das ações da Bovespa Holding, a qual passaria a ser subsidiária integral da Nova Bolsa, com a emissão, pela Nova Bolsa, de ações ordinárias e ações preferenciais resgatáveis em favor dos acionistas da Bovespa Holding, em substituição às suas ações detidas na Bovespa Holding; b) Na mesma data, resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding, pelo valor de R$17,15340847 por ação. Como resultado da incorporação das ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, os acionistas da Bovespa Holding passariam a ter o mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BMF; c) As ações da Bovespa Holding seriam incorporadas pela Nova Bolsa pelo valor de R$17.942.090.162,46, correspondente a R$24,82 por ação. d) Os acionistas da Bovespa Holding receberiam 1,42485643 ações ordinárias da Nova Bolsa para cada ação ordinária da Bovespa Holding e 1 ação preferencial resgatável da Nova Bolsa para cada 10 ações ordinárias da Bovespa Holding de sua propriedade, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis; e) Imediatamente após a emissão das novas ações pela Nova Bolsa, a totalidade das ações preferenciais serão resgatadas, resultando no pagamento de R$17,15340847 por ação preferencial de Nova Bolsa aos acionistas, cancelandose as referidas ações preferenciais, a débito de reserva de capital, sem redução do capital social da Nova Bolsa. f) Do valor de mercado das ações da Bovespa Holding a serem contribuídas ao capital da Nova Bolsa, R$16.415.853.198,58 seriam destinados à constituição de reserva de capital e R$1.526.236.963,88 ao capital, com a emissão de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis, a serem subscritas pelos administradores da Bovespa Holding, e integralizadas mediante a versão das ações de emissão da Bovespa Holding ao patrimônio da Nova Bolsa. Os objetivos publicados no fato relevante foram confirmados na AGE de 08/05/2008 da Nova Bolsa, quando foi decidido registrar que o valor de mercado atribuído às ações da Bovespa Holding foi de R$17.942.090.162,46, correspondente a R$24,82 por ação; e também aprovado o resgate, naquele ato, da totalidade das 72.288.840 ações preferenciais pelo valor de R$17,15 por ação. 1.1) Movimentação das ações da Bovespa Holding Em 07/05/2008 a Intra contabilizava 4.704.316 ações da Bovespa Holding pelo valor de R$9.881.798,81. Anteriormente, em 11/09/2007, havia sido aprovada a redução do capital social da Intra no montante de R$20.362.470,00, transferindose ao sócios, como restituição do valor da redução do capital, as ações da Bovespa Holding e da BMF. Assim, em 23/07/2008 e 23/10/2008, a Intra transferiu todas suas ações ordinárias da Nova Bolsa para seus sócios, em virtude da redução de capital aprovada. Na incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa em 08/05/2008, a Intra avaliou as ações da Bovespa Holding pelo seu valor patrimonial contábil de R$2,10 por ação, totalizando o montante de R$9.598.966,00, sendo este o mesmo valor atribuído às ações da Nova Bolsa recebidas. Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.737 5 Todavia, há uma divergência em relação ao valor por ação da Bovespa Holding considerado pela Intra (R$ 2,10) e pela Nova Bolsa (R$24,82). No processo de incorporação divulgado no fato relevante, confirmado na AGE da Nova Bolsa de 08/05/2008, e de conhecimento do mercado e das corretoras de valores, as ações da Bovespa Holding foram avaliadas a valor de mercado, pelo preço de R$24,82 por ação. Em ambos documentos constatase que a Nova Bolsa contabilizou a incorporação do total de 722.888.403 ações ordinárias da Bovespa Holding a valor de mercado, atribuindo o valor de R$24,82 por ação, totalizando R$17.942.090.162,46, contra emissão de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa. Verificase ainda que os acionistas da Bovespa Holding receberam 1,42485643 ações ordinárias para cada ação ordinária, mais 0,1 ação preferencial resgatável da Nova Bolsa para cada ação ordinária da Bovespa Holding de sua propriedade. Dessa forma, em 08/05/2008 a Nova Bolsa incorporou da Intra suas 4.704.316 ações da Bovespa Holding pelo montante total de R$116.761.123,12. Por sua vez, a Intra recebeu 6.702.975 ações ordinárias de emissão da Nova Bolsa, com custo de R$109.101.593,44 e 470.432 ações preferenciais de emissão da Nova Bolsa, com custo de R$7.659.529,68. Porém, a Intra não apurou a receita obtida na operação de incorporação/alienação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa. 1.2) Resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa Imediatamente após a incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa, em 08/05/2008, e emissão de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa, ocorreu o resgate do total das ações preferenciais emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding, pelo valor de R$17,15340847 por ação. Considerando que foram atribuídas, para cada ação da Bovespa Holding, 1,42485643 ações ordinárias e 0,1 ação preferencial, ambas de emissão da Nova Bolsa, o custo de aquisição das ações preferenciais corresponde a 6,56% do valor de custo na aquisição de ações de Bovespa Holding, conforme aviso aos acionistas de 03/06/2008 sobre o pagamento do valor de resgate de ações preferenciais (fls.831 832). Portanto, no resgate das 470.432 ações preferenciais da Nova Bolsa (custo unitário R$17,15340847) o valor total recebido pela Intra foi R$8.069.512,25, o custo de aquisição foi de R$7.659.529,68 (6,56% de R$116.761.123,12) e o resultado operacional foi de R$409.982,58. 2) Da análise dos fatos e do direito O processo de incorporação de ações aqui descrito é uma alienação em sentido amplo: os acionistas determinam os valores das operações, havendo ganho de capital tributável se a subscrição realizarse por valor superior ao contábil. Na incorporação das 4.704.316 ações ordinárias da Bovespa Holding pela Nova Bolsa, em 08/05/2008, ocorreu uma alienação dessas ações pelo valor de R$ 24,82 por ação, convertendose a Bovespa Holding em subsidiária integral da Nova Bolsa. Fl. 1739DF CARF MF 6 A alienação de ações é uma das atividades que constituem o objeto da corretora, conforme o inciso "b" do art. 3º do contrato social da Intra: Artigo 3° O objeto social consiste na prática das seguintes atividades: (...) (b) comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; Assim, a alienação das ações da Bovespa Holding e o resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa devem ser contabilizados como resultado operacional da sociedade corretora, pois são resultados econômicos de atividade vinculada a seu objeto social, na forma do anexo à Res. nº 1655/89 do Conselho Monetário Nacional CMN, que disciplina a constituição, organização e o funcionamento das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários. Portanto, a Intra deveria ter contabilizado a alienação de suas 4.704.316 ações da Bovespa Holding por R$116.761.123.12 (R$ 24,82 por ação), apurando um resultado operacional de R$106.879.324,31 (R$116.761.123,12 R$9.881.798,81, custo de aquisição), em maio de 2008. E no resgate do total das ações preferenciais da Nova Bolsa, em 08/05/2008, a Intra deveria ter contabilizado a alienação das 470.432 ações preferenciais da Nova Bolsa por R$8.069.512,25 (470.432 ações a um custo unitário de R$17,15340847), e considerado o custo de R$7.659.529,68 (6,56% de R$ 116.761.123,12), apurando o resultado operacional de R$409.982,58. Além dessa operação representar uma das atividades fins da contribuinte, restou caracterizada a intenção de negociação destas ações. Convém ressaltar que a classificação de bens no ativo permanente dependerá da intenção do titular, manifestada na aquisição, de permanecer ou negociar esses ativos (Circular Bacen n° 1.273/87). O artigo 179 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S/A) classifica no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no exercício social subsequente. Nesse passo, as ações que foram alienadas em maio de 2008 não são classificadas no ativo permanente, pois foram alienadas menos de um ano após sua aquisição na desmutualização das bolsas. Diante do exposto, as receitas obtidas na alienação das ações da Bovespa Holding e no resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa constituem receita operacional, e configuram fato gerador de IRPJ e de CSLL, sendo a base de cálculo o lucro bruto (diferença entre a receita líquida das vendas e o custo das ações) conforme o parágrafo único do art. 278 do RIR/99. As alienações das ações configuraram ainda a ocorrência do fato gerador do PIS e da Cofins, sendo a base de cálculo o valor da receita operacional, de acordo com os art.2º e 3º da Lei n° 9.718/98, e Parecer nº 2.773/2007 da PGFN. Portanto, as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devem incluir as receitas obtidas com a incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa e com o resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa (valores tributáveis apurados para o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins constam do quadro de fls.860). Apreciada a Impuganção, os lançamentos de PIS e COFINS foram mantidos sob fundamento de que a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.738 7 constituídas após a etapa de desmutualização das bolsas de valores, integra a receita oriunda do exercício da atividade empresarial típica da instituição financeira, compondo o faturamento da contribuinte, fato gerador do Pis e da Cofins, pois devem ser classificados, no Ativo Circulante, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente ao recebimento das ações. Ademais o conceito de receita bruta sujeita ao PIS e à Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários, de forma que a incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Nova Bolsa equivale a uma alienação de ações, atividade típica do objeto social da contribuinte, sendo, portanto, uma receita tributada pelo PIS e Cofins. Inconformada, a Recorrente persiste na lide, após informar desistência parcial do Recurso Voluntário no que se refere ao IRPJ e a CSLL com o escopo de exonerarse dos lançamentos pertinentes ao PIS e a COFINS com base nos seguintes argumentos extraídos de seu Recurso Voluntário: i) nulidade dos autos de infração por preterição do direito de defesa; ii) ilegitimidade passiva da Recorrente; iii) não incidência de PIS e COFINS sob pretenso ganho auferido na incorporação de ações da Bovespa Holding; iv) descabimento da multa de ofício à Recorrente, haja vista que o lançamento foi efetuado posteriormente à incorporação da Intra Corretora; v) descabimento da incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 1741DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Juízo de Admissibilidade. Conforme demonstrado no relatório, em petição protocolizada em 13 de março de 2015 (fl. ) a Recorrente informa que quitou os débitos referentes à IRPJ e CSLL, mediante pagamento à vista, na forma da anistia consignada no art. 42 da Lei 13.043/14, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 13.097/15 c/c. Portaria PGFN/RFB 148/15, anexa DARF de pagamento e requer a desistência parcial dos Recursos Voluntários em relação aos débitos pagos, para os quais informa a existência de formalização de processo próprio para tratar do ato de adesão da anistia. Portanto, face à desistência, deixo de conhecer em parte o Recurso Voluntário no que se refere aos argumentos jazidos com o escopo de elidir o crédito tributário relativo a IRPJ e CSLL, já quitados nos moldes do informado pela Recorrente. Competência. Tendo em vista questionamento formulado pela Recorrente em sede de sustentação oral, a respeito da competência desta Seção de Julgamento para análise das questões atinentes a PIS e COFINS remanescentes para julgamento, anoto que de acordo com o RI/CARF em seu art. 2o., inciso IV do Anexo II, lançamentos atinentes a PIS e COFINS formalizados com base nos mesmos elementos de prova do IRPJ, serão julgados pela 1a. Seção. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Razão pela qual, o processo deve ser mantido para julgamento nesta Seção. Preliminares: Inicia a Recorrente reclamando nulidade da autuação por estar fundada em presunção genérica acerca da ocorrência da alienação de ações, bem como pela ilegal inversão do ônus da prova imposta a ela na realização da prova negativa sobre a não ocorrência da aludida alienação, implicando em ilegítima descaracterização da figura jurídica da Incorporação de Ações, sem a necessária presença de fundamento legal para tanto. Em relação a essa primeira alegação, temse que a Recorrente tenta alçar para discussão em sede de preliminar, questões relativas ao próprio mérito no que tange a Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.739 9 procedência ou não do lançamento em decorrência da comprovação ou não da alienação de ações, portanto, tal questão será tratada mais adiante em momento oportuno se não acolhida a preliminar de ilegitimidade. Em sequência, aduz nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, demonstrando que as ações da Bovespa Holding foram transferidas aos sócios em 11/09/2007, razão pela qual a Intra não era titular dessas ações quando houve a incorporação de ações da Bovespa Holding, datada de 08/05/2008. Isto porque, defende que a data da realização da AGE – 11/09/2007 gera efeitos tributários independentemente de seu registro em órgão competente. Do mesmo modo que a transferência de imóveis só se efetiva com o registro imobiliário, também a efetivação da transferência de participação societária prescinde de atos formais tendentes ao seu registro. Assim segue demonstrando que conforme a IN DNRC nº 114/11, a Intra submeteu a redução de capital definida nessa AGE ao Banco Central do Brasil (Bacen) no prazo de 30 dias de sua realização. O Bacen aprovou a redução de capital da Intra em 02/07/2008, e após isso, a ata dessa AGE foi enviada à Jucesp em 04/08/2008, que a arquivou em 08/08/2008 (fls.633 636). Segundo o art.33 do Decreto nº 1.800/96, os efeitos do arquivamento retroagem à data da realização do evento societário, quando os respectivos documentos forem apresentados à Junta Comercial no prazo de 30 dias de sua assinatura. Contudo, no caso de aprovação prévia por órgão governamental, como o Bacen, esse prazo de 30 dias serve para apresentar o ato societário aos órgãos governamentais. Uma vez aprovado o ato, este será arquivado na Junta Comercial. Além disso, o art.174 da Lei 6.404/76 estabelece que a redução do capital com restituição aos acionistas de parte do valor das ações produz efeitos em 60 dias da publicação da AGE. Assim, a ata da AGE em tela tornouse efetiva em 11/11/2007, antes da incorporação das ações ocorrida em 08/05/2008. E conclui a Recorrente que em 11/09/2007 a Intra deixou de ser proprietária das ações da Bovespa Holding e da BMF, e eventual ganho auferido na alienação dessas ações não aproveitou à Intra. A decisão de piso refuta estes argumentos e esclarece que a Intra era uma sociedade corretora de câmbio e valores, e portanto sujeitavase à autorização do Bacen para redução de capital (Lei nº 4.728/65). Tal autorização foi aprovada pelo despacho aprobatório Deorf/GTSP12008/07090, de 02/07/2008, conforme o expediente Deorf/GTSP12008/08018, de 30/07/2008 (fls.636). Portanto, até a data de 02/07/2008, a Intra não possuía nenhuma autorização do Bacen para reduzir seu capital. Conforme explica a própria Recorrente, a ata da AGE que deliberou a redução de capital somente foi arquivada na Jucesp em 04/08/2008, razão pela qual é aplicável ao caso em questão o parágrafo único do art.33 do Decreto nº 1.800/96, exposto a seguir: Art. 33. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na Junta Comercial, mediante Fl. 1743DF CARF MF 10 requerimento dirigido ao seu Presidente, dentro de trinta dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento. Parágrafo único. Protocolados fora desse prazo, os efeitos a que se refere este artigo só se produzirão a partir da data do despacho que deferir o arquivamento. O prazo dado pelo art.174 da Lei nº 6.404/76 estabelece um período mínimo para o arquivamento da ata de AGE de redução de capital, segundo a redação do § 2º do mesmo dispositivo, a seguir: Art. 174. Ressalvado o disposto nos artigos 45 e 107, a redução do capital social com restituição aos acionistas de parte do valor das ações, ou pela diminuição do valor destas, quando não integralizadas, à importância das entradas, só se tornará efetiva 60 (sessenta) dias após a publicação da ata da assembléiageral que a tiver deliberado. (...) § 2º Findo o prazo, a ata da assembléiageral que houver deliberado à redução poderá ser arquivada se não tiver havido oposição ou, se tiver havido oposição de algum credor, desde que feita a prova do pagamento do seu crédito ou do depósito judicial da importância respectiva. No presente caso, o arquivamento da AGE que deliberou a redução de capital só ocorreu em 08/08/2008, conforme protocolo às fls. 633635. Consequentemente, somente poderiam ser entregues ações aos sócios da Intra, em virtude da redução de capital deliberada, a partir dessa data. Ocorre que, anteriormente à aprovação da redução de capital, havia sido deliberada, na AGE de 08/05/2008, a incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa (fls.10511119). Portanto, no entendimento da decisão recorrida, por ocasião da operação de incorporação de ações pela Nova Bolsa, as ações da Bovespa Holding eram efetivamente detidas pela Intra. Em sede de voluntário, justifica a Recorrente que o registro da Ata da AGE de 11/09/2007, somente restou arquivada na Jucesp em 08/08/2008, em razão da morosidade do BACEN na sua aprovação, mas que tal demora não retiraria os efeitos do decidido em 11/09/2007. Para tanto, relata a Recorrente que o artigo 53, IX, do Decreto 1.800/96, que regulamento a Lei 8.934/94 que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, proíbe o arquivamento de atos sem a prévia aprovação de órgãos governamentais quando assim definir o Departamento Nacional de Registros e Comércio DNRC. Cita que a IN/DNRC 114/11, condiciona a aprovação de AGE de redução de capital realizada por instituições financeiras à prévia aprovação do BACEN e diante dessa imposição de ordem regulatória é que a Intra Corretora submeteu à redução de capital definida na AGE de 11/09/07 ao BACEN para, após arquivála perante a Jucesp em 08/08/2008. Diante deste contexto, o BACEN aprovou a redução de capital da Intra Corretora em 02/07/08, por meio do Despacho DEORF/GTSP1 2008/07090 (doc. 07 da Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.740 11 Impugnação) quase 10 meses após sua entrada, sendo que em ato contínuo a Intra Corretora apresentou a Ata perante a Jucesp em 04/08/2008, que procedeu seu arquivamento em 08/08/08. Ainda como respaldo aos efeitos incidentes sobre a Ata da AGE de 11/09/2007, aponta a Recorrente que em cumprimento ao art. 174 da LSA, referida ata foi publicada em 12/09/2007, dentro do prazo legal de 60 dias, portando não havendo como negar lhe os efeitos a respeito da transferência da titularidade das ações da Bovespa Holding por Intra Corretora aos seus sócios pessoas físicas. Em outras palavras, resta demonstrado, ao meu ver que desde 11/09/2007, os sócios pessoas físicas da Intra Corretora já detinham a titularidade das ações da Bovespa Holding e da BM&F, cuja incorporação nelas ocorreu em 08/05/2008. Feitos esses esclarecimentos, acolho a preliminar de nulidade decorrente de erro na identificação do sujeito passivo, pois demonstrado que quando da incorporação das ações ocorrida em 08/05/2008, a Recorrente já não era mais titular delas, conforme descrito na Ata da AGE de 11/09/2007, portanto, não podendo ocupar o posto de sujeito passivo de eventual fato gerador decorrente de sua alienação. Neste sentido: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recuso Voluntário, na parte conhecida, para anular o lançamento face a existência de erro em relação à sujeição passiva tributária. Mérito. Caso vencida em relação à preliminar, quanto ao mérito, discordo do entendimento da DRJ no sentido de que conceito de receita bruta sujeita ao PIS e à COFINS compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários, de forma que a incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Fl. 1745DF CARF MF 12 Nova Bolsa equivale a uma alienação de ações, atividade típica do objeto social da contribuinte, sendo, portanto, uma receita tributada pelo PIS e Cofins. Quanto ao PIS e à COFINS, em resumo, a incorporação de ações não configura operação com finalidade lucrativa realizada com terceiros, atividade típica da sociedade corretora de valores mobiliários, pois tratase de simples etapa da operação de incorporação de ações. Neste contexto, afirmou que a incorporação de ações não se enquadra no conceito constitucional de faturamento desenvolvido pelo Supremo Tribunal Federal, segundo o qual “faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica” (RE 346084/PR, rel. Min. Ilmar Galvão, 18.5.2005) A incorporação de ações não se enquadra como atividade desempenhada para cumprimento do objeto social. Assim, sem entrar no mérito de se tratar ou não de alienação, a operação de incorporação de ações não pode ser equiparada a uma alienação de um título ou valor mobiliário detido pela sociedade corretora, pois não se trata de ato de mercancia de ações, com intuito de lucro, realizada com terceiros, em cumprimento do seu objeto social. Neste sentido, voto do Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira no Acórdão 1401 001.416, publicado em 04/09/2015. Além dos motivos de improcedência já aduzidos, como aponta a Recorrente, neste caso específico não era possível sequer se falar em alienação na incorporação de ações da Bovespa Holding, uma vez que a Intra Corretora sequer podia fazêlo, haja vista a existência de acordos de restrição à negociação de Ações da Bovespa Holding e da Nova Bolsa. Isto porque, o Prospecto Preliminar de Oferta Pública Inicial, datado de 25/10/2007, estabeleceu restrição à negociação das Ações da Bovespa Holding e da Nova Bolsa por parte dos acionistas, em dois períodos: i o primeiro atingindo 100% das ações, que possuía o prazo de 180 dias contados da data da publicação do anúncio de início da oferta, que ocorreu em 25/10/2007, com termo final em 22/04/2008; e início da oferta que ocorreu em 25/10/2007, com termo final em 22/04/2008; e ii) o segundo, atingindo 60% das ações, que também possuía o prazo de 180 dias contados a partir do término do primeiro período, com termo final em 20/10/2008 (lockup). Assim, temse que durante o período de Lock Up, a Recorrente estava impedida de ofertar ou vender ações (25/10/2007 a 20/10/2008), fato que aponta para a indisponibilidade jurídica e econômica das ações para eventual alienação. Multa na Sucessão Em relação a pena de multa, anoto que caso vencida nos tópicos anteriores, somente a lei de forma inequívoca pode transferir responsabilidades tributárias da sucedida para a sucessora, dada a incontestável autonomia das pessoas jurídicas, conforme art. 132, CTN. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.741 13 sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Não se discute nos autos a ocorrência de incorporação realizada com observância da legislação pertinente, contudo, a partir do art. 3o. do CTN, segundo o qual: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". verificase que o tributo é incompatível com a multa. A multa somente se transfere ao sucessor quando já tiver sido lançada porque, aí, integrava o passivo da empresa, na data da incorporação, e, assim, já configurava a existência de um crédito tributário. O art. 129 trata a matéria de forma geral e o art. 132 é específico para os casos de fusão, transformação ou incorporação, e ao fazêlo limita expressamente a responsabilidade aos tributos até a data desses atos. Afastando qualquer dúvida a respeito, a lei ordinária expressamente determina que a transferência de responsabilidade restringese a tributos. A pena tem que ser aplicada a quem praticou a infração que lhe deu causa, ou seja, à pessoa jurídica sucedida e não à pessoa jurídica sucessora. Daí, entenderse que sua aplicação deve preceder ao ato sucessório para que a pessoa jurídica sucessora seja alcançada. Não se pode punir os sócios ou acionistas que têm personalidade jurídica distinta da pessoa jurídica pelas infrações por elas cometidas, ainda que estejam à frente dela, a não ser que tenham agido com dolo (CTN, art.137). Não há como sancionar um (sócio ou acionista) por outra (sociedade sucedida) como se pretende nos autos por não encontrar supedâneo nos arts. 132 e 133 do CTN, ou fora dele, como se vê do art. 5° do Decretolei n° 1.598/77. Descabe estender a lei tributária para punir situação nela não prevista, a pretexto de suprir lacuna da lei. O CTN, em seu art. 112 , concede ao contribuinte o benefício da dúvida na interpretação da lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1747DF CARF MF 14 Voto Vencedor Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o voto da I. Relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, peço permissão para dela divergir em relação à sua proposta de nulidade do lançamento fiscal, por falta de legitimidade do sujeito passivo, e também quanto à sua proposta de dar provimento ao mérito, incluindo a incidência de multa de ofício em desfavor de empresa sucessora. Como visto, este acórdão está restrito à análise da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas obtidas com a incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa e com o resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa. O fato gerador do PIS e da COFINS ocorrera (em 08/05/2008) na empresa Intra S/A Corretora de Câmbio e Valores (INTRA), que posteriormente (em 05/12/2009) foi incorporada pela ora recorrente (Citigroup Global Markets Brasil Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S/A). PRELIMINARES DE NULIDADE A recorrente alega nulidade do lançamento fiscal por erro na identificação do sujeito passivo. Segundo seu argumento, na data da ocorrência do fato gerador (08/05/2008), a empresa INTRA já havia deliberado, na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 11/09/2007, sobre a redução de capital e devolução deste capital aos seus acionistas pessoas físicas. Assim, eventual lançamento fiscal deveria ter sido efetuado em desfavor de seus acionistas, e não em desfavor da empresa INTRA, o que teria gerado a alegada nulidade por ilegitimidade passiva. Suporta seus argumentos no seguinte (efls. 1206): 89. Ora, o referido art. 33, "caput", do Decreto nº 1.800/96, é expresso ao prever a retroação dos efeitos do arquivamento à data da realização do evento societário, quando os respectivos documentos forem apresentados, à Junta Comercial, no prazo de 30 (trinta) dias contados da assinatura. 90. Contudo, em caso de vedação de arquivamento em função da necessidade de prévia aprovação do ato societário por órgãos governamentais competentes (i.e., BACEN), esses 30 (trinta) dias funcionam como prazo para apresentação do ato societário aos órgãos governamentais competentes, para que, somente após a sua aprovação, sejam arquivados pela Junta Comercial. Pois bem. Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.742 15 De acordo com a Lei nº 4.728/1965, o Banco Central do Brasil é o órgão regulador que tem competência para autorizar constituição e fiscalizar as instituições financeiras (em sentido amplo). Dentre suas atribuições, ressaltese o que está disposto no artigo 10, inciso X, alínea “f”, da Lei nº 4.595/64: “Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil: (...) X Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: (...) f) alterar seus estatutos.” No caso específico das sociedades corretoras de valores mobiliários, que é o caso da empresa incorporada INTRA, prevê o artigo 17 da Resolução nº 1.655/89 do Conselho Monetário Nacional o seguinte: “Art. 17. Subordinarseão à prévia aprovação do Banco Central, além da autorização de que trata o "caput" do artigo 3º, os seguintes atos relativos à sociedade corretora: (...) III alteração do valor do capital social;” (destaquei) Desta forma, resta muito claro que a alteração societária de redução de capital da empresa INTRA deveria ser submetida ao crivo do BACEN. Quanto ao prazo para registro e a retroação de seus efeitos, o dispositivo legal invocado pela recorrente art. 33, caput, do Decreto nº 1.800/96 é muito claro, vejase: Art. 33. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na Junta Comercial, mediante requerimento dirigido ao seu Presidente, dentro de trinta dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento. Parágrafo único. Protocolados fora desse prazo, os efeitos a que se refere este artigo só se produzirão a partir da data do despacho que deferir o arquivamento. Vejase trechos da redação do inciso II do art. 32 da mesmo Decreto: Art. 32. O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins compreende: Fl. 1749DF CARF MF 16 (...) II o arquivamento: (...) c) dos atos constitutivos e das atas das sociedades anônimas, bem como os de sua dissolução e extinção; d) dos atos constitutivos e respectivas alterações das demais pessoas jurídicas organizadas sob a forma empresarial mercantil, bem como de sua dissolução e extinção; (...) g) dos atos relativos à incorporação, cisão, fusão e transformação de sociedades mercantis; (...) m) dos demais documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário ou à empresa mercantil; (...) Como se vê, o dispositivo legal trata do prazo existente a deliberação dos acionistas sobre a alteração estatutária e seu registro na Junta Comercial. E assim conclui: se feito dentro do prazo de 30 (trinta) dias, os efeitos retroagirão à data da deliberação dos acionistas; caso não seja, os efeitos contarão da data do despacho que deferi o arquivamento. Outrossim, o inciso VIII do art. 35 da Lei nº 8.934/1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, estabelece que não se pode registrar atos, de empresa que necessitam submeter alterações a empresas governamentais, antes da aprovação pelo Governo, no caso concreto, o Governo é representado pela Banco Central do Brasil, veja: Art. 35. Não podem ser arquivados: (...): VIII os contratos ou estatutos de sociedades mercantis, ainda não aprovados pelo Governo, nos casos em que for necessária essa aprovação, bem como as posteriores alterações, antes de igualmente aprovadas. Assim, não há brecha para interpretações diversas, da redação legal, como quer fazer a recorrente. O Banco Central aprovou a alteração de redução de capital e devolução dos ativos aos acionistas da empresa incorporada INTRA na data de 02/07/2008, por meio do Despacho Deorf/GTSP12008/07090, conforme o expediente Deorf/GTSP12008/08018, de 30/07/2008. Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.743 17 Uma vez que a incorporação das ações se deu na data de 08/05/2008, ou seja, antes da deliberação do BACEN e, por conseguinte, antes do registro da alteração na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), correto o entendimento de que o fato gerador ocorrera em desfavor da empresa INTRA, razão pela qual devese afastar a preliminar por ilegitimidade passiva. MÉRITO A recorrente afirma que, na incorporação de ações, não há fato gerador do Pis e da Cofins, por entender não haver receita a ser tributada. Além disso, entende que as ações faziam parte de seu ativo permanente, razão pela qual estaria amparada por permissão legal para não sofrer a exação do Pis e da Cofins cumulativos. Como discutido na sessão que julgou este processo, a maioria da turma não entendeu assistir razão à recorrente. Na incorporação de ações, o detentor das ações da empresa a ser incorporada entrega suas ações à incorporadora, que subscreverá o capital. Em troca, recebe as ações da empresa incorporadora. Esta operação representa uma alienação em sentido amplo. Para chegar a tal conclusão (de ocorrência de alienação), a fiscalização adotou os ensinamentos de Edmar de Oliveira Andrade Filho. No acórdão nº 1301001.787, de 03 de março de 2015, o relator também adotou a doutrina do jurista Edmar de Oliveira Andrade Filho, os quais reproduzo abaixo, por bem esclarecedora: Peço licença Edmar de Oliveira Andrade Filho1 "A incorporação de ações é operação regida pelo artigo 252 da Lei nº 6.404/76 e que tem por objetivo a criação de uma subsidiária integral (sociedade unipessoal referida no art. 251 da referida Lei) a partir de sociedade já existente; envolve, pois a conversão de uma sociedade com dois ou mais sócios ou acionistas para tornála unipessoal de modo que todas as ações sejam de titularidade de uma sociedade brasileira. Pode ou não haver transformação em sentido próprio (artigo 220 da Lei nº 6.404/76), que designa a mudança de tipo de sociedade; só haverá transformação de sociedade que vier a se tornar subsidiária integral se for uma sociedade por ações. A transformação é exigida porque o caput do artigo 251 da Lei nº 6.404/76 determina que a “subsidiária integral” seja uma sociedade por ações. O artigo 252 da Lei nº 6.404/76 estabelece um procedimento especial para essa conversão e dá nome de incorporação de ações. A palavra incorporação, neste contexto, não tem a mesma significação que a incorporação de sociedade, pois não há a extinção de sociedade, mas sim, mera conversão de sociedade anônima. A operação de incorporação de ações requer a existência de pelo menos três partes distintas. A sociedade investida, que se tornará uma subsidiária integral e, portanto, passará a ter um único acionista; a sociedade incorporadora das ações ou quotas, que terá o seu capital aumentado em decorrência de subscrição feita pela 1 Disponível em www.abdir.com.br/doutrina/ver Fl. 1751DF CARF MF 18 terceira parte, representada pelos demais sócios ou acionistas da sociedade investida e que “trocarão” as ações ou quotas do capital daquela que se tornará subsidiária integral por ações ou quotas da sociedade incorporadora que, como visto, terá o seu capital aumentado mediante a emissão de novas ações ou quotas. Em termos práticos, a sociedade que vier a ser a incorporadora das ações adquire todas as ações (ou o restante para completar a totalidade, se ela já for acionista) da sociedade que vier a ser sua subsidiária integral; essa aquisição é feita mediante o recebimento por conferência das ações ou quotas em subscrição de aumento de seu próprio capital. Assim, a recebedora das ações ou quotas da sociedade que vier a se tornar a subsidiária integral extingue a obrigação pela subscrição das ações mediante a entrega de ações de seu próprio capital. A operação será submetida à assembléia geral (de sócios ou acionistas) das sociedades envolvidas, exceto aquela que se tornará a subsidiária integral. Em princípio, não será necessária a realização de assembléia na sociedade que se tornará a subsidiária integral porquanto nela não ocorrerá acréscimo patrimonial de qualquer natureza; uma única mudança ocorre no quadro de sócios ou acionistas, que é reduzido a um. No entanto, haverá necessidade de realização de assembléia em razão da transformação do tipo societário ou para mudança nos direitos atribuídos pelas ações ou quotas, de acordo com a sua espécie, ou, ainda, para modificação do quadro dirigente, se for o caso. Na sociedade que se tornará a única acionista da subsidiária integral (incorporadora das ações ou quotas), a realização de uma assembléia geral é necessária porque haverá aumento de seu capital social e porque certos acionistas ou sócios poderão dissentir da decisão e requerer o reembolso do valor das suas ações ou quotas. Ademais, a lei impõe formalização de um protocolo e justificação com os termos do negócio jurídico a ser realizado e a apresentação de um laudo de avaliação do valor econômico das ações ou quotas que estarão sendo objeto da “troca” e que, em última análise, diz respeito ao valor do aumento do capital social, que pode ser realizado com ou sem prêmio (ágio na emissão de ações). Na sociedade (ou nas sociedades) que vier a subscrever ações ou quotas do capital da sociedade incorporadora das ações, a assembléia geral deve ser convocada em razão do disposto em Lei (§ 2º do artigo 252), que exige que uma operação desta natureza deva contar com a deliberação prévia dos sócios ou acionistas que podem dela dissentir. Neste caso, a Lei retira dos administradores os poderes para realizar uma operação que envolve ativos da sociedade. Algumas controvérsias existem acerca do caráter jurídico da “troca” de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei nº 6.404/76 (vide, no meu livro “Imposto de renda das empresas”, no Capítulo 31, o item 31.3). Sob a perspectiva daquele que realiza da “troca” das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferência de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.744 19 termos do artigo 227 da Lei nº 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei nº 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável e, se for o caso, haverá a realização do ágio ou deságio já amortizado e objeto de controle na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real. Por fim, cabe aduzir que ainda que a operação venha a ser qualificada como “liquidação de investimento”, não é permitido o adiamento da tributação incidente sobre o eventual ganho de capital, nos termos do item II do artigo 430 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 que trata, unicamente, das operações de incorporação, fusão ou cisão em razão da menção, no citado preceito, da figura do “acervo líquido”, assim considerado a diferença entre ativos e passivos recebidos em razão de qualquer uma das citadas operações." (GRIFEI) Quanto a tal aspecto, qual seja, pronunciamentos doutrinários acerca da natureza da incorporação de ações, se representativa ou não de alienação capaz de fazer emergir ganho tributável, merece transcrição também, na linha do adotado pela decisão de primeira instância, fragmento de artigo da autoria de Jéferson Roberto Nonato2 acerca da matéria em referência. "Ganhos de capital nas alienações de participações societárias. Disciplina tributária. De plano devemos focar a hipótese em que a titularidade das ações alienadas, em situação de Incorporação de Ações, fosse detida por uma Pessoa Jurídica. Para esta hipótese, já vigorou, entre nós, o disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2.002. Tal regra permitia que a Pessoa Jurídica alienante, em caso de Incorporação de Ações, deslocasse a tributação sobre os Ganhos de Capital para o momento da alienação, baixa ou liquidação das ações que foram adquiridas no processo de Incorporação de Ações. Os termos de tal dispositivo eram os seguintes: ... Esta permissão legal foi amplamente utilizada em Planejamentos Tributários e Societários, terminando revogada pelo art. 15 da Medida Provisória nº 232 de 30 de Dezembro de 2.004. Desta citação legal, se pode extrair que o legislador ordinário sempre reconheceu a ocorrência de Ganhos ou Perdas de Capital em situação de Incorporação de Ações, não importando para tal configuração, a inexistência de fluxo financeiro ou de manifestação de vontade do titular das ações alienadas. Não se tem na espécie mera substituição de ativos, como advogado 2 Disponível em Www.fiscosoft.com.br/a/53lj/ganhosdecapitalrealizadosnaincorporacaodeacoessubsidiaria integraljefersonrobertononato. Fl. 1753DF CARF MF 20 por alguns. Efetivamente o ato jurídico encerra uma das espécies do gênero alienação que pode gerar ganho ou perda de capital para o alienante porque se materializa a transmissão onerosa da propriedade de ativos, sempre passível de avaliação em termos de moeda corrente." (...) Como se depreende, correta a interpretação da fiscalização quanto à natureza de alienação ocorrida na incorporação de ações. Desta forma, imperioso reconhecer que o fato gerador do Pis e da Cofins apuração de receita se concretizou na incorporação de ações, restando verificar se há alguma hipótese de exclusão da tributação: in casu, devese verificar em qual conta do ativo deveria ser classificado o direito sobre as ações; e se a receita decorreu do desenvolvimento da atividade da empresa, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, para que a tributação tenha sido legítima.. Segundo a recorrente (efl. 1248), embora a venda de ações seja atividade constante do objeto social da Intra Corretora, há uma clara distinção entre a aquisição, administração e alienação de ações de titularidade de seus clientes (de fato, seu objeto social) e a manutenção e operação com ativos de carteira própria. Ainda, alega que as ações não deveriam ser tributadas por estarem contabilizadas no ativo permanente, uma vez que, em razão do disposto no art. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98, a receita decorrente da venda de ativo permanente está excluída da base de cálculo do Pis e da Cofins do regime cumulativo. Entretanto, não foi esse o entendimento da maioria desta turma do CARF, que seguiu os fundamentos trazidos pela instância de piso, os quais, por economia processual e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, reproduzo e adoto como razões de decidir: Em relação à autuação de PIS e Cofins, cabe inicialmente frisar que consta da fundamentação legal da autuação em tela, entre outros normativos, a Lei nº 9.718/98, cujos art. 2º e 3º estabelecem que: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. No art. 2º do capítulo I do Regulamento anexo à Resolução nº 1.655/90, do Conselho Monetário Nacional, estão relacionadas as atividades que constituem o objeto social das sociedades corretoras, entre as quais, no inciso IV, a compra e venda de títulos e valores mobiliários por conta própria: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, (...); No art. 4º, IV, do estatuto social da Intra (fls.601) consta seu objeto social, no qual se inclui a venda de ações: Art.4º A sociedade tem por objeto: Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.745 21 (...) b) comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros (...); Portanto, a venda de ações constitui uma das receitas obtidas com operações usuais típicas de uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, como era o caso da Intra. Tais receitas constituem o próprio faturamento dessas instituições, sendo reconhecidas como operacionais pelo próprio Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif (conta 7.1.5.20.003 Rendas de Títulos de Renda Variável, do grupo 7.1 – Receitas Operacionais) e, portanto, tributadas pelo PIS e pela Cofins. O Cosif também estabelece em seu capítulo 1 – Normas Básicas, Seção 17 – Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas, como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais, conforme trecho a seguir: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais.(destacouse) Observese que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não altera essas conclusões, eis que o referido parágrafo trata de outros tipos de receitas. Ademais, tal dispositivo não foi utilizado na fundamentação legal dos autos de infração em tela, motivo pelo qual não produz efeitos a alegação da impugnante a respeito do referido dispositivo. Acerca da questão da base de cálculo do PIS e da Cofins, na linha da constitucionalidade do caput do art. 3º da Lei 9.718/98, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91, a seguir transcrito, consistindo das receitas operacionais da pessoa jurídica: Lei Complementar 70/91 Art. 1º (...) fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, (...). Art. 2º A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.(destacouse) (...) Portanto, no âmbito tributário, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. As receitas operacionais são aquelas desenvolvidas em conformidade como objeto social da pessoa jurídica. No caso das sociedades Fl. 1755DF CARF MF 22 corretoras de títulos e valores mobiliários, a venda de ações constitui uma das receitas decorrentes das operações típicas e usuais da empresa. Concluise que as receitas geradas pelas atividades típicas das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, caso da Intra, constituem receita operacional, e, portanto, incluemse na receita bruta ou faturamento definido como base de cálculo da Cofins e do PIS pela Lei nº 9.718/98. Assim, ao vender ações da Bovespa Holding, a Intra efetivamente exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação e prevista em seu objeto social, obtendo receitas operacionais tributadas pelo PIS e Cofins. (...) Quanto à contabilização do direito sobre as ações alienadas como já disse, alienação em sentido amplo , entendo que tais ações deveriam ser contabilizadas no ativo circulante, pois restou claro que a empresa tinha interesse em alienálas, conforme se verá adiante no voto da DRJ, adotado por este redator designado: Segundo a impugnante, a Intra classificou as ações subscritas no curso do processo de desmutualização em seu ativo permanente, alegando que os títulos patrimoniais também eram contabilizados no ativo permanente. Pretendeu, com isso, excluir a receita obtida com a venda das ações em tela da tributação do PIS e da Cofins, com base no art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98, transcrito a seguir: Art. 3º (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Nesse ponto, é preciso deixar claro que o fato gerador de PIS e Cofins autuado corresponde à venda de ações das bolsas de valores. Tais títulos foram devolvidos aos associados das bolsas no processo de desmutualização, conforme explicado anteriormente neste voto. Posto isso, a classificação das contas deve observar o art. 179 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas): Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.746 23 IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V – [revogado pela Lei nº 11.941/2009] VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007) Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo. Frisese que, embora a intenção da Intra, ao adquirir os títulos patrimoniais da Bovespa, fosse permanecer com tais ativos, a fim de poder exercer suas atividades nessa Bolsa de Valores, o mesmo não se pode dizer das ações da Bovespa Holding, recebidas como devolução do patrimônio aplicado na Bovespa, que foram vendidas pela Intra no exercício de atividade típica de corretora de valores, constituindo parte de seu faturamento. As ações da Bovespa Holding foram registradas pela Intra em 2007, sendo o saldo em questão alienado para a Nova Bolsa em 05/2008, enquanto que as ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa, adquiridas pela Intra em 05/2008, foram alienadas nesse mesmo ano. Ou seja, a impugnante efetivamente promoveu a venda dessas ações no curso do mesmo exercício social em que recebeu as ações ou até o exercício social subsequente. Como a intenção da contribuinte, ao receber as ações das novas bolsas, era efetuar a venda dessas ações, até porque não precisava manter essas ações para operar na Bovespa Holding ou na Nova Bolsa, tais ações não podem ser classificadas no ativo permanente da empresa, eis que não há nenhuma intenção de permanecer com tais ativos. Portanto, ao serem subscritas ações das novas sociedades em devolução aos títulos patrimoniais, a sociedade corretora deixa de se qualificar como associada à Bovespa, passando a ser detentora de ações da Bovespa Holding e, posteriormente, da Nova Bolsa, empresas com finalidade lucrativa. Tal investimento em ações não possui caráter de permanência, pertencendo ao ativo circulante da empresa, e ocorrendo a venda dessas ações até o final do exercício subsequente. Assim, a receita obtida com a venda dessas ações não pode ser excluída da base de cálculo do PIS e da Cofins, restando corretos os lançamentos. Nesse sentido, correto o lançamento do Pis e da Cofins. Quanto ao pedido de sobrestamento do feito, impõese afastar tal pedido, uma vez que não há mais previsão, no Regimento Interno do CARF, de sobrestamento de processo em razão de pendência de julgamento de ação que discute constitucionalidade de lei pelo STF. Fl. 1757DF CARF MF 24 Por fim, a recorrente pugna pelo afastamento da aplicação da multa de ofício, uma vez que ela responde, por sucessão, a fatos apurados em empresa incorporada por ela. A maioria desta turma do CARF entendeu não ter razão a recorrente. Mais uma vez, adoto o voto da instância de piso: A impugnante alega que, pelo art.132 do CTN, a sucessão abrangeria apenas os tributos devidos pela empresa extinta, não as multas respectivas, sobretudo quando imputadas após o evento sucessório, devendo por isso ser canceladas as multas. Para melhor entender o caso, transcrevese o artigo 132 do CTN: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. O dispositivo transcrito estabelece que a sucessora se torna responsável pelos tributos devidos pela sucedida, mas não dispõe expressamente sobre a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Para decidir essa questão, é importante observar que o art. 132 do CTN está inserido na Seção II – Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V – Responsabilidade Tributária, do Título II – Obrigação Tributária, do Livro Segundo – Normas Gerais de Direito Tributário, do Código Tributário Nacional. A referida Seção se inicia com o artigo 129, que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas à “Responsabilidade dos Sucessores” (art. 130 a 133) e assim prescreve: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.(destacouse) Na leitura desse dispositivo, observase que a sucessora é responsável pelos créditos tributários constituídos em data anterior ou posterior à data do evento da sucessão, relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O conceito de crédito tributário é mais abrangente do que tributo, pois inclui também a penalidade pecuniária. Tal conclusão decorre do disposto nos artigos 113, §1º, e 139 do CTN. De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal, e, nos termos do art. 113, § 1º, do CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Observese que, quando o legislador teve a intenção de afastar a responsabilidade pela multa de ofício, empregou disposição expressa, a teor do art. 134, parágrafo único, do CTN. Entender que a sucessora não é responsável pelas multas relativas a infrações cometidas pela sucedida equivaleria a incentivar as empresas a promoverem alterações societárias para se eximirem do pagamento das penalidades pecuniárias. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.747 25 A respeito da questão, cabe citar o entendimento do jurista José Eduardo Soares de Melo (Curso de Direito Tributário, São Paulo, Dialética, 1997, p. 185186): Os negócios societários, implicadores de modificações básicas nas estruturas das pessoas jurídicas, também podem ocasionar a figura do responsável tributário pelos valores devidos pelos contribuintes originários, em face da impossibilidade físico/jurídica de seu cumprimento por parte destes. Esta situação encontrase prevista no CTN (art. 132): a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra, ou em outra, é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (…) Estas modalidades de negócios societários são plenamente legítimas; decorrem de decisões particulares das pessoas jurídicas em razão de suas exclusivas conveniências pessoais. Todavia, na medida em que sejam realizadas e registradas nos órgãos competentes, ocorre o fenômeno da responsabilidade tributária, por parte das novas pessoas jurídicas, ou das remanescentes, relativamente aos débitos das antigas pessoas (contribuintes). (…) Todos os débitos tributários existentes, bem como aqueles que possam vir a ser apurados pelas Fazendas, no prazo decadencial, poderão ser exigidos das empresas resultantes dos referidos atos societários. As dívidas compreendem todos e quaisquer acréscimos (juros, atualizações, multas), a fim de não se burlarem manifestos interesses fazendários (de superior interesse público), sob a falsa assertiva de que a pena não deveria passar da pessoa do infrator. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), pois seria muito simples efetuar tais negócios, com o objetivo de acarretar o desaparecimento dos devedores originários, de quem nada mais se poderia exigir. (destacouse) Logo, a análise conjunta dos artigos 132 e 129 da Seção II – Responsabilidade dos Sucessores do CTN evidencia a responsabilidade da incorporadora pela multa de ofício que compõe o crédito tributário devido pela incorporada. O artigo 227 da Lei nº 6.404/76 vem corroborar esse entendimento, ao estabelecer que “a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações”. A empresa sucessora, ao proceder à incorporação, fica responsável por todos os direitos e obrigações da incorporada. Constatando a existência de débitos tributários relativos à sucedida, a sucessora deve providenciar a sua quitação. Não o fazendo, tornase responsável, não só pelo tributo devido, mas também pelas consequências do seu inadimplemento (multas, de mora ou de ofício, além dos juros moratórios). Fl. 1759DF CARF MF 26 A propósito da matéria, cumpre salientar também que, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 83.613, o Supremo Tribunal Federal decidiu no sentido de que a sucessora responde não só pelos tributos devidos pela sucedida mas também pelas multas, tendo o ministro relator citado o seguinte ensinamento do ministro Aliomar Baleeiro: Se admitirmos a interpretação literal, o alienante de estabelecimento ou fundo onerado por multas, que podem exceder de 100% em caso de dolo, fugiria ao pagamento da dívida fiscal, transmitindo todo seu cabedal a terceiro, que suportaria apenas o peso dos tributos. O CTN garante os direitos do contribuinte, mas resguarda com o mesmo rigor os privilégios do Fisco, inclusive pela solidariedade e responsabilidade de sucessores, e terceiros, que adquirem o patrimônio do sujeito passivo (Direito Tributário Brasileiro, 4ª edição). (...) A esse voto dei minha anuência, repelindo a interpretação literal do art. 133 do CTN propugnada pelo recorrente, com base no art. 129 do mesmo código que estabelece a responsabilidade dos sucessores pelos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos fatos nela referidos. Na expressão créditos tributários a meu ver, se incluem as multas sob pena de fraudarse o direito do fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. Por esses motivos, conheço do recurso e lhe dou provimento. Acerca da questão, reproduzse as seguintes ementas do Superior Tribunal de Justiça, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Carf): Superior Tribunal de Justiça: RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. (...) (...) 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1º do art. 113 do CTN). (STJ, 2ª Turma, rel. Min. Castro Meira, REsp 1017186/SC, DJ 27/03/2008, p. 1) Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 16327.720674/201223 Acórdão n.º 1401002.003 S1C4T1 Fl. 1.748 27 TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. ART. 133 CTN. TRANSFERÊNCIA DE MULTA. 1. A responsabilidade tributária dos sucessores de pessoa natural ou jurídica (CTN, art. 133) estendese às multas devidas pelo sucedido, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Precedentes. (STJ, 1ª Turma, rel. Min. Teori Albino Zavascki, REsp 544265/CE, DJ 21/02/2005, p. 110) Câmara Superior de Recursos Fiscais MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. (CSRF, 2ª Turma, acórdão CSRF/0202630, sessão de 23/04/2007) Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: MULTA – SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO – É devida a multa de ofício ainda que se tenha a responsabilidade por sucessão mediante incorporação anterior ao auto de infração.(Acórdão 10806754, de 08/11/2001). COFINS. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. A exegese do art. 132 do CTN deve ser alcançada por meio da interpretação sistemática com o art. 129 deste diploma legal, de tal sorte que o disciplinamento constante na Seção II Responsabilidade dos Sucessores diz respeito a “créditos tributários”, incluindose as multas, sejam elas moratórias ou punitivas, e, ainda, aplicandose por igual aos créditos tributários já constituídos, bem assim àqueles constituídos após o evento da sucessão.(Acórdão 20177517, de 16/03/2004) MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA OU INCORPORADORA. A exegese do art. 132 do CTN deve ser alcançada pela combinação com o art. 129 do CTN, de forma que se aplica igual tratamento aos créditos tributários constituídos antes ou posterior ao evento sucessório. A multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, tem natureza objetiva, aplicandose inclusive nas hipóteses de sucessão tributária, cobrandose da sucessora, sobre a falta ou insuficiência de recolhimento de tributos ou contribuições relativos a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.(Acórdão 20177737, de 07/07/2004) Portanto, à luz da lei, da doutrina e da jurisprudência, não pode ser afastada a responsabilidade da sucessora em relação à multa de ofício lançada em razão de infração cometida pela sucedida. Por todo o exposto, concluise que é procedente a formalização do crédito tributário de responsabilidade da incorporadora em relação à multa de ofício, aplicada em decorrência de infração à legislação tributária pela incorporada. Fl. 1761DF CARF MF 28 (...) Conclusão Nesse sentido, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13434.000145/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 4. 00 01 45 /2 00 7- 37 Fl. 185DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13434.000145/200737 Acórdão n.º 2202004.242 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004324/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 21/06/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 43 24 /2 00 7- 99 Fl. 755DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10120.004324/200799 Acórdão n.º 2202004.160 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 757DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000941/00-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
RESSARCIMENTO DO IPI. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
O direito ao crédito do IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99 exige o fiel cumprimento dos ditames da legislação, principalmente no que concerne à correta escrituração e aos documentos comprobatórios, se o contribuinte escritura o imposto pago na aquisição de insumos como custos e utilizando-o para reduzir o IRPJ, não há que se falar em saldo credor a ser ressarcido.
Numero da decisão: 9303-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 RESSARCIMENTO DO IPI. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O direito ao crédito do IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99 exige o fiel cumprimento dos ditames da legislação, principalmente no que concerne à correta escrituração e aos documentos comprobatórios, se o contribuinte escritura o imposto pago na aquisição de insumos como custos e utilizando-o para reduzir o IRPJ, não há que se falar em saldo credor a ser ressarcido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CRÉDITO BÁSICO Recorrente PEPSICO DO BRASIL LTDA. (INCORPORADORA DA QUAKER BRASIL LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 RESSARCIMENTO DO IPI. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O direito ao crédito do IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99 exige o fiel cumprimento dos ditames da legislação, principalmente no que concerne à correta escrituração e aos documentos comprobatórios, se o contribuinte escritura o imposto pago na aquisição de insumos como custos e utilizandoo para reduzir o IRPJ, não há que se falar em saldo credor a ser ressarcido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 09 41 /0 0- 45 Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 708 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte (fls. xxxx) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 20216.903 (fls. 642 a 645) proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 20/02/2006, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: IPI. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO. LEI Nº 9.779/99. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. Se o montante pleiteado a titulo de ressarcimento de IPI não tiver sido estornado do custo, o aproveitamento em duplicidade daquela quantia estará configurado no exato momento em que a Administração homologar as declarações de compensação apresentadas com base no mesmo valor. SALDO CREDOR. APROVEITAMENTO. LEI Nº 9.779/99. O direito ao aproveitamento do saldo credor da escrita fiscal do IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, subordinase não só à exatidão dos valores mas também ao fiel cumprimento das obrigações acessórias, principalmente quanto à escrituração dos livros fiscais obrigatórios. Se o contribuinte deixa de escriturar os livros registro de entradas e de apuração do IPI, contabilizando o imposto pago na aquisição de insumos como custo, inexiste saldo credor de escrita a ser ressarcido. Recurso negado Para retratar o desenrolar dos fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 1999, que foi indeferido pela DRF em Guarulhos SP sob a justificativa de que o valor pleiteado já fora aproveitado pela empresa ao contabilizálo como custo no momento da entrada no estabelecimento das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 709 3 A DRJ em Ribeirão Preto — SP indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte por meio do Acórdão nº 7.495, de 09/03/2005, que recebeu a seguinte ementa: "RESSARCIMENTO DO IPI. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito do IPI subordinase ao fiel cumprimento dos ditames da legisla cão, principalmente no que concerne a correta escrituração e aos documentos comprobatórios, se o contribuinte escritura o imposto pago na aquisição de insumos como custos e utilizandoo para reduzir o IRPJ, não há que se falar em saldo a ser ressarcido. Solicitação indeferida". Regularmente notificada daquela decisão em 04/05/2005 (AR de fl. 305v), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 306/310 em 01/06/2005, instruído com o arrolamento de bens. Alegou que ao contrário do alegado pela fiscalização e pelos julgadores de primeira instância, a homologação da compensação/ressarcimento não implica a utilização dos créditos em duplicidade, pois, nos termos do art. 392, II, do RIR199, a recuperação dos créditos somente pode ocorrer após a homologação da compensação pela Secretaria da Receita Federal. Em outras palavras, a recorrente só poderia reverter os lançamentos efetuados como custo, lançandoos como "receitas diversas — recuperação de créditos" e, conseqüentemente, regularizar sua escrita fiscal, após a homologação de tais valores pela Receita Federal. Requereu a reforma da decisão de primeira instância para o fim de que seja reconhecido seu direito ao crédito do IPI. É o relatório. [...] (grifouse) O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 20216.903 (fls. 642 a 645), ora recorrido, foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, indeferindo o pedido de ressarcimento de crédito de IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99, sob o fundamento de que o aproveitamento do mesmo subordina se, além da exatidão dos valores, ao cumprimento das obrigações acessórias, em especial quanto à escrituração dos livros fiscais. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 654 a xx), alegando divergência jurisprudencial quanto "[...] ao entendimento do acórdão recorrido de que o direito ao aproveitamento do saldo credo da escrita fiscal do IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, subordinase não somente à exatidão de valores mas também ao fiel cumprimento das obrigações acessórias, especialmente quanto à escrituração dos livros fiscais obrigatórios, sendo que o contribuinte deixa de escriturar os livros registro de entradas e de apuração do IPI, contabilizando o imposto pago na aquisição de insumos como custo, inexiste saldo credor de escrita a ser ressarcido, pois do contrário haveria aproveitamento em duplicidade do crédito de IPI". Para embasar o dissenso interpretativo, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 20176.739 e 20170.903. Nas razões recursais, sustenta o Sujeito Passivo que: Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 710 4 (a) ao contrário do acórdão recorrido, as decisões paradigma consideram existente o crédito do IPI independentemente da forma de escrituração do IPI pela empresa, bastando para a sua apropriação, nos termos do que dispõe a própria Constituição Federal ao tratar do princípio da nãocumulatividade, que o tributo incida sobre duas operações, uma anterior a outra; (b) não encontra amparo no art. 392 do Decreto nº 3.000/99 o entendimento do acórdão recorrido de que deveriam ser estornados os valores referentes ao IPI lançados como custos na escrita fiscal, antes de efetivamente ressarcido o crédito. Na hipótese de indeferimento do pedido de ressarcimento, o montante do tributo incorrido não seria recuperado, permanecendo, de fato, como custo, não havendo justificativa para o seu estorno; (c) discorre sobre o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, asseverando que a Carta Magna não impôs qualquer condição ou limitação à compensação do tributo pago em operação anterior com a subsequente, tratandose a escrituração dos livros fiscais de mera obrigação acessória, não tendo o condão de impedir o aproveitamento do crédito sobre os insumos; (d) a opção feita pela Recorrente em escriturar o IPI como "custo", para, somente caso deferido seu ressarcimento, estornálo, lançandoo como "recuperação de custo", teria o mesmo efeito prático que o procedimento defendido pela autoridade fazendária; (e) até o advento da Lei n° 9.779/1998, os contribuintes não estavam autorizados a obter ressarcimento de crédito de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Por esta razão, a Recorrente, ao adquirir seus insumos, se apropriava dos créditos deles decorrentes como custos, na forma do artigo 289, § 1°4 , do RIR/99, para, caso recuperasse esses valores, lançálos como recuperação de custos, de acordo com a previsão do artigo 392 do mesmo diploma legal; (f) ao final, requer o provimento do recurso especial para ver deferido o pedido de ressarcimento do crédito de IPI. Foi admitido o recurso especial da Contribuinte, por meio do despacho s/nº, de 26/06/2015 (fls. 696 a 698), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 700 a 705), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte, sob o fundamento, em síntese, de que a decisão recorrida contrariou a jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 711 5 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial interposto Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua interposição, e reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com alterações posteriores, devendo, assim, ser conhecido. No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de deferimento do pedido de ressarcimento do crédito de IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99, independentemente de ter sido contabilizado como "custo" da mercadoria e não como "impostos a recuperar". Entendeu a Autoridade Fiscal que a contabilização do IPI incidente sobre a aquisição de insumos como custo, traz prejuízo à Fazenda Nacional em razão de suposto aproveitamento do valor em duplicidade, tanto para redução da base de cálculo quanto para creditamento do IPI. Dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A Contribuinte, quando da aquisição dos insumos, contabilizou o IPI como custo, entendendo, ainda, ser devida a correção da escrita fiscal com a inserção do referido valor como "impostos a recuperar", conta transitória e que não é de resultado, tão somente na hipótese de ser deferido o pedido de ressarcimento. Conforme item 11, do Pronunciamento Contábil 16, com nova redação dada pela Revisão CPC nº. 1, de 08/01/2010, passaram a ser excluídos dos custos de aquisições de estoques os tributos recuperáveis junto ao Fisco, como é o caso do crédito básico de IPI, reforçando a tese defendida no acórdão recorrido: Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 712 6 Custos do estoque 10. O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Nova Redação dada pela Revisão CPC nº. 1, de 8/01/2010) (grifouse) Quando da entrada das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem no estabelecimento da contribuinte, a mesma optou por escriturar o registro das entradas como custo em sua conta de resultado, à época ainda vigente a antiga redação do Pronunciamento Contábil 16. Por conseguinte, deixou de registrar os créditos no livro de apuração do IPI, debitando na conta transitória de "impostos a recuperar". Além disso, para fins tributários devese observar as disposições do CPC 16, tendo em vista ter sido editado anteriormente à Lei nº 12.973/xx, que em seu art. 58, §único estabelece a dispensa da observância tão somente para os atos proferidos posteriormente à sua publicação, in verbis: Art. 58. A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. (Vigência) Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no âmbito de suas atribuições, identificar os atos administrativos e dispor sobre os procedimentos para anular os efeitos desses atos sobre a apuração dos tributos federais. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 713 7 Impende destacar, ainda, que a ausência de escrituração do crédito de IPI no livro de registro de entradas e no registro de apuração do IPI, acarretou o indeferimento do pedido de ressarcimento face a ausência de saldo credor do imposto, pois apurado de forma extracontábil. Nesse sentido, os fundamentos do acórdão recorrido, de relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Atulim, deram a adequada interpretação à matéria, passando a integrar a presente decisão: [...] Pretende a recorrente ver reconhecido o direito ao ressarcimento do saldo credor da contacorrente de IPI, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e a conseqüente homologação das compensações efetuadas. A recorrente está equivocada porque tendo contabilizado como custo os valores pleiteados no pedido de ressarcimento, o aproveitamento em duplicidade do mesmo valor restaria configurado no exato momento do deferimento do ressarcimento e homologação das compensações, uma vez que o mesmo crédito teria sido utilizado duas vezes. A primeira para reduzir o resultado. A segunda para quitar os tributos compensados. A recorrente dispunha de duas opções para contabilizar os créditos de IPI no momento da entrada das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem em seu estabelecimento. A primeira seria escriturar o livro registro de entradas e registrar os créditos no livro de apuração do IPI, debitando uma conta transitória de "impostos a recuperar". A segunda, que foi a opção da empresa, seria escriturar o registro de entradas, não registrar os créditos no livro de apuração do IPI e escriturálos como custo em uma conta de resultado. Ao contrário do que alegou a recorrente, a reversão da opção que foi feita independe do deferimento do pedido de ressarcimento. O art. 392, II, RIR199 não impede que a empresa estorne os valores apropriados como custo e retifique suas declarações de rendimentos para, posteriormente, escriturar aqueles valores nos livros registro de entradas e no registro de apuração do IPI com vistas a apurar o saldo credor a ser ressarcido. Cabe observar que com seu procedimento a empresa está pleiteando o ressarcimento de todos os créditos de IPI, quando o art. 11 da Lei n2 9.779/91 só autoriza o ressarcimento ou a compensação do saldo credor da escrita. É certo que no caso dos autos a empresa não tem débitos de IPI e, portanto, o valor que está sendo pleiteado seria coincidente com o saldo credor do livro de IPI, caso a empresa tivesse feito a contabilização pela primeira opção acima mencionada. Contudo, o ressarcimento dos créditos está subordinado não só à exatidão dos valores, mas também ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no Regulamento do IPI, as quais não foram observadas pela recorrente, conforme atestou a fiscalização em seu termo de verificação à fl. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10875.000941/0045 Acórdão n.º 9303004.957 CSRFT3 Fl. 714 8 178. A empresa não escriturou o registro de entradas e nem o livro de apuração do IPI, livros fiscais obrigatórios, a teor do art. 345, I e VIII, do RIPI/98. Portanto, se o livro de apuração não foi escriturado, não existe saldo credor de escrita a ser ressarcido ou compensado nos termos do art. 11 da Lei n2 9.779/99 e da IN SRF n2 33/99, uma vez que o valor pretendido foi apurado de forma extracontábil. Tendo em vista a inexistência de saldo credor na escrita fiscal, por não terem sido cumpridos os requisitos da legislação do IPI, relativos à escrituração de livros, e que o deferimento do ressarcimento/compensação caracterizará aproveitamento em duplicidade do valor pleiteado que, até o momento, permanece contabilizado como custo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. [...] (grifouse) Além disso, a exigência do cumprimento das obrigações acessórias no caso dos autos não afronta o princípio da nãocumulatividade, tendo em vista que a legislação possibilita ao contribuinte a reversão da escrituração como CUSTO, com o consequente aproveitamento do crédito de IPI. Não tendo sido adotada referida providência, não há saldo credor a compensar. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.006840/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CONTRIBUIÇÕES. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
Numero da decisão: 3401-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 CONTRIBUIÇÕES. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 613 1 612 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.006840/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.786 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria PER/DCOMP COFINS Recorrente CHOCOLEITE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CONTRIBUIÇÕES. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 68 40 /2 00 8- 13 Fl. 613DF CARF MF 2 referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), de fls. 2 a 271, com protocolo de 04/11/2008, demandando créditos de COFINS não cumulativa referentes ao 4o trimestre de 2007, no valor de R$ 335.209,36, dos quais R$ 265.654,27 + R$ 12.359,89 + R$ 28.433,75 + R$ 24.778,37 + R$ 3.911,19 foram utilizados em compensações. Na Informação Fiscal de fls. 266 a 274, a fiscalização se manifesta pelo parcial deferimento do pedido (no valor de R$ 74.341,50), que se dá com fundamento no artigo 16 da Lei no 11.116/2005 e no artigo 17 da Lei no 11.033/2004, para aquisições à alíquota zero das contribuições (venda de lite e bebidas e compostos lácteos destinados ao consumo humano), pelos seguintes fundamentos: (a) não se incluem no custo dos insumos o IPI incidente na aquisição, quando recuperável pelo comprador, como nas remessas para industrialização por terceiros que retornam ao encomendante, não podendo a empresa tomar créditos na aquisição dos insumos e também no retorno deles do industrializador por encomenda (notas fiscais glosadas relacionadas às fls. 271/272); (b) não se enquadram no conceito de insumos as despesas com manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, ainda que sejam necessárias à atividade da empresa; e (c) na linha “outros créditos a descontar”, a empresa defendeu que havia valores de “recuperação PIS e COFINS referente venda de bebida láctea tributada indevidamente”, de junho a setembro de 2007, conforme artigo 32 da Lei no 11.488/2007, mas a forma de cômputo adotada foi equivocada, devendo a empresa promover as retificações de DCTF e DACON, reapurando as contribuições. O Despacho Decisório de fl. 277, emitido em 27/01/2009, acata integralmente a informação fiscal, homologando parcialmente a compensação. Ciente da decisão da unidade local da RFB, a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 04/03/2009 (fls. 279 a 298), na qual alega, em síntese, que: (a) os insumos glosados (referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10920.006840/200813 Acórdão n.º 3401003.786 S3C4T1 Fl. 614 3 de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização) são contabilizados como custo de produção, e são obrigatórios e essenciais para a fabricação dos produtos comercializados pela empresa, o que pode, inclusive, ser comprovado por perícia, em nome da verdade material; (b) no que se refere a industrialização por encomenda, o crédito declarado na “aquisição do serviço de industrialização”, ainda que incorretamente apurado, não foi, de fato, utilizado, e as notas relacionadas como glosadas não ensejaram efetiva apuração de crédito, o que também pode ser comprovado por perícia contábil, em nome da verdade material; (c) no que se refere ao erro formal apontado, este não ocorreu, pois foram transmitidos os pedidos de restituição em 22/01/2008, seguidos das DCOMP respectivas, em 23/01/2008, em consonância com a normativa vigente, e não se pode sacrificar a verdade material para atender a formalidade; e (d) a empresa não incidiu em qualquer irregularidade, sendo nula a cobrança de multa e juros sobre eventual crédito remanescente de compensação. A decisão de primeira instância, proferida em 15/04/2011 (fls. 508 a 518) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelos seguintes fundamentos: (a) a empresa não comprova suas alegações sobre as industrializações por encomenda, não se desincumbindo de seu ônus de afastar os resultados da fiscalização que foi feita a partir dos documentos apresentados pela própria empresa; (b) o pedido de perícia, sem indicação precisa dos requisitos demandados no Decreto no 70.235/1972 é considerado não formulado; (c) o conceito de insumo, na legislação que rege as contribuições, é extraído das Lei no 10.637/2002 e no 10833/2003, e das Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2004, não abrangendo “insumos indiretos”, como os glosados; (d) sobre os valores referentes a “recuperação PIS e COFINS”, a retificação de DCTF e DACON é imprescindível, e não mera formalidade, pois ela é que atesta a liquidez e a certeza do crédito; e (e) o despacho decisório, que é a decisão recorrida, não estabeleceu a incidência de multa e juros. Após ciência da decisão da DRJ, em 27/05/2011 (AR de fl. 520), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 521 a 556, em 27/06/2011, reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (de que os insumos glosados são obrigatórios e essenciais para a fabricação dos produtos comercializados pela empresa, colacionado jurisprudência em seu favor; de que o crédito declarado na “aquisição do serviço de industrialização”, ainda que incorretamente apurado, não foi, de fato, utilizado, anexando planilha derivada do arquivo magnético apresentando dando conta de que houve equívoco na apuração fiscal; e de que não houve erro na demanda de créditos referentes a pagamentos indevidos de meses anteriores, também anexando planilha a fim de comprovar suas afirmações). Por fim, reitera a alegação referente à incidência de multa e juros, tendo em vista o DARF que acompanhou o despacho decisório, e que, alternativamente, seja procedida igualmente a atualização do crédito, e a demanda por perícia em relação a insumos e a aproveitamento de crédito nas notas fiscais glosadas. No CARF, o julgamento foi convertido em diligência, de forma unânime, pela Resolução no 3401000.731 (fls. 576 a 580), para que a unidade local da RFB: (a) calculasse o crédito da recorrente, com base nas notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado; (b) após o cálculo, analisasse se o valor dos créditos encontrado no arquivo magnético é o mesmo valor declarado na DACON; (c) em caso de não mais possuir a unidade o arquivo magnético, intimasse a recorrente a reapresentálo; (d) elaborasse relatório com as conclusões da diligência, informando qual o valor do crédito encontrado com base na análise do arquivo magnético, se ele é o mesmo valor pleiteado pela recorrente, e mais alguma informação que a autoridade fiscal julgue pertinente; (e) caso seja o valor encontrado no cálculo das notas fiscais do arquivo magnético diferente do declarado na DACON, fosse Fl. 615DF CARF MF 4 informado qual a inconsistência encontrada e o que originou a divergência; e (f) após a conclusão do relatório, intimasse a recorrente a se manifestar acerca da conclusão no prazo de trinta dias. No Relatório referente à diligência (fls. 595/596), informa a fiscalização que os valores de créditos pleiteados no DACON não coincidem com os valores informados nos arquivos digitais, havendo pequenas diferenças em cada mês analisado, e que tais inconsistências decorrem dos valores informados pelo próprio contribuinte em seus arquivos digitais. A fiscalização esclarece que a análise foi efetuada em arquivos já corrigidos pela empresa, que zerou os valores de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre os quais não teria direito a crédito, ficando desta forma os valores de tais arquivos digitais equivalentes aos créditos apropriados pela empresa. Anexa ainda o fisco as planilhas (arquivos não pagináveis) sobre a análise efetuada. Ciente do resultado da diligência em 04/02/2015 (AR à fl. 599), a empresa apresentou manifestação (fls. 601 a 604) no sentido de que as bases de cálculo apresentadas pela autoridade fiscalizadora na planilha colacionada no Relatório de diligência não estão corretas, deixando de considerar “despesas de aluguéis”, “despesas de depreciação”, ficando a indicação de valores registrados na coluna DACON da referida tabela exatamente com a exclusão destas rubricas, e de que, além disso, foram desconsideradas na base de cálculo as “notas fiscais de serviços” (que estavam na planilha auxiliar apresentada). O processo retornou de diligência ao relator original em 09/03/2015, foi enviado a distribuição em 20/07/2016, e distribuído a mim, por sorteio, em setembro de 2016. Em março e abril de 2017, o processo foi indicado para a pauta, mas não incluído pelo presidente, em função do número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. São, basicamente, três os temas contenciosos: (a) o cômputo de créditos em relação a industrialização por encomenda; (b) as glosas referentes a insumos; e (c) o aproveitamento, em DCOMP, de créditos referentes a períodos anteriores, sem que tenha sido promovida sua verificação. Das glosas de notas fiscais referentes a industrializações por encomenda Em relação ao o cômputo de créditos nas industrializações por encomenda, ensejador da conversão em diligência, reconhece a empresa que errou em sua contabilização, mas que jamais tomou efetivamente tais créditos. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10920.006840/200813 Acórdão n.º 3401003.786 S3C4T1 Fl. 615 5 Quando instada a fiscalização a se manifestar sobre as perguntas efetuadas na diligência, mormente no sentido de que se calculasse o crédito da recorrente, com base nas notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado, comparando o resultado com o cálculo derivado do DACON, a resposta foi externada nas tabelas de fl. 596: Após a diligência, a empresa questiona, nas tabelas, apenas a ausência de cômputo, nas bases de cálculo, de “despesas de aluguéis” e “despesas de depreciação”, e ausência de cômputo de “notas fiscais de serviços”, que figuravam na planilha auxiliar. Não traz a recorrente demonstração pormenorizada de tais diferenças (apresentando apenas tabelas com valores diversos dos indicados pela fiscalização), mas afirma que, diferentemente da autoridade diligenciante, que apurou diferenças de R$ 1.248,30, verificou tãosomente diferença de R$ 26,42. Parecia antever a própria recorrente que a ausência de detalhamento mais aprofundado das discordâncias em relação à diligência operaria em seu desfavor, sopesando até a pequena monta dos valores envolvidos, ao final de sua manifestação sobre o relatório de diligência (fl. 604): Acato, assim, o resultado da diligência, não afastado a contento pela recorrente, no que se refere às notas fiscais glosadas, referentes a industrialização por encomenda. Fl. 617DF CARF MF 6 É sempre importante recordar que nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Em relação às negativas de créditos decorrentes das glosas de notas fiscais de fls. 271/272, então, temos que devem ser revistas, a partir dos valores apurados em diligência, afastandose as glosas de notas fiscais que sequer ensejaram utilização de créditos. Das glosas referentes a insumos O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10920.006840/200813 Acórdão n.º 3401003.786 S3C4T1 Fl. 616 7 insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) "NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...)." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI (como parece defender a fiscalização, com fundamento em instruções normativas) nem com a do IR (como parece sustentar a empresa, abarcando custos indiretos). No presente processo, as glosas resumemse a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização. E a própria fiscalização reconhece que tais despesas são necessárias à atividade da empresa (fls. 272/273): A DRJ também atribui a tais despesas a característica de “insumos”, ainda que seguida da palavra “indiretos”, reconhecendo a relação das despesas com a produção (fl. 516), mas a impossibilidade de crédito em face das referidas instruções normativas: Fl. 619DF CARF MF 8 Não temos dúvidas de que todas as despesas glosadas são necessárias ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. As justificativas são bem delineadas, nesse aspecto, pela defesa, que sustenta não só a necessidade, mas a obrigatoriedade, diante de normas sanitárias, entre outras, a incorrer em tais despesas. Em relação a algumas de tais despesas (serviços de limpeza e dedetização), já tive a oportunidade de me manifestar recentemente, com acolhida unânime da turma, com composição quase idêntica à atual: “Quanto ao mérito, deuse parcial provimento, da seguinte forma: ... por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de repaletização e serviço de carregamento de aves para venda, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações e serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; (...)” (grifo nosso) (Acórdão no 3401003.400, de 26 jan. 2017) Portanto, devem ser afastadas as glosas em relação a tal item. Das glosas referentes a aproveitamento de créditos de períodos anteriores, não verificados Afirma a fiscalização que, na linha “outros créditos a descontar”, a empresa defendeu que havia valores de “recuperação PIS e COFINS referente venda de bebida láctea tributado indevidamente”, de junho a setembro de 2007, conforme artigo 32 da Lei no 11.488/2007, mas a forma de cômputo adotada foi equivocada, devendo a empresa promover as retificações de DCTF e DACON, reapurando as contribuições. Em sua defesa, sustentou a empresa que não ocorreu erro formal, pois foram transmitidos os pedidos de restituição em 22/01/2008, seguidos das DCOMP respectivas, em Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10920.006840/200813 Acórdão n.º 3401003.786 S3C4T1 Fl. 617 9 23/01/2008, em consonância com a normativa vigente, e que não se poderia sacrificar a verdade material para atender a formalidade. Apesar de não concordarmos com a decisão de piso no sentido de que as retificações de declarações sejam óbice instransponível ao gozo do crédito, temos que é adequada e correta a observação do julgador da DRJ no sentido de que a recomposição poderia atestar a liquidez e a certeza do crédito. No entanto, tal certeza e liquidez poderiam ainda ser atestadas de outra forma, pela recorrente. Mas, nesse aspecto falha a defesa, que traz apenas planilhas que sequer são suficientes para que o CARF demande esclarecimentos adicionais por diligência, como havia feito em relação ao primeiro item. Não se pode aqui acolher créditos que sequer se referem ao trimestre em análise, mas foram nele simplesmente inseridos por não promover a recorrente as alterações que deveria ter efetuado em sua escrituração, com impactos incertos sobre a liquidez e a certeza do montante demandado em ressarcimento. Como já se destacou neste voto, nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. E, em relação ao presente item, tal ônus, a cargo do postulante, não foi cumprido a contento, pelo que devem ser mantidas as glosas fiscais. E não se pode (como parece desejar a empresa em sua peça recursal) suprir deficiência probatória a cargo do postulante com diligência. Nesse sentido vem decidindo unanimemente este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) Fl. 621DF CARF MF 10 "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Das considerações finais Questionou ainda a empresa, em sua manifestação de inconformidade, a incidência de juros e de multa sobre os débitos que teriam restado em aberto em virtude da insuficiência de créditos decorrente da homologação apenas parcial da compensação. A DRJ rebate a alegação informando que a decisão recorrida não estabeleceu a incidência de multa e juros, versando somente sobre indeferimento do direito de crédito e não homologação das compensações. No recurso voluntário, a empresa retoma o tema, tendo em vista o DARF que acompanhou a decisão, e demanda, alternativamente, seja procedida igualmente a atualização do crédito. Sobre o tema, é de se informar que a incidência de juros e de multa sobre quantias não pagas decorre de expressa determinação legal (Lei no 9.430/1996), que não pode ser afastada administrativamente, ainda que sob alegação de inconstitucionalidade, como consagra a Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. E o pleito alternativo não faz sentido, visto que o crédito nesta decisão reconhecido será abatido do montante principal do débito, sucumbindo os consectários a ele atrelados, e o débito que eventualmente remanescer sem compensação não encontrará crédito a ser atualizado para lhe fazer frente. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização. Rosaldo Trevisan Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10920.006840/200813 Acórdão n.º 3401003.786 S3C4T1 Fl. 618 11 Fl. 623DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720004/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE INEXISTÊNCIA.
Não configura indevida reformulação de fundamentação jurídica de lançamento a exposição de tese pela decisão administrativa que, rebatendo a argumentação do recorrente, corrobora a procedência da autuação, concluindo pela existência de infração tributária, não havendo que se falar em nulidade.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As cooperativas centralizadoras de vendas, por não realizarem qualquer processo industrial, não fazem jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, de que trata a Lei nº 9.363/96, tampouco podem apurar crédito por conta e ordem das pessoas jurídicas associadas ou mesmo equipará-las a filiais para a finalidade de atender às disposições do aludido diploma.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira De Ávila.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE INEXISTÊNCIA. Não configura indevida reformulação de fundamentação jurídica de lançamento a exposição de tese pela decisão administrativa que, rebatendo a argumentação do recorrente, corrobora a procedência da autuação, concluindo pela existência de infração tributária, não havendo que se falar em nulidade. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As cooperativas centralizadoras de vendas, por não realizarem qualquer processo industrial, não fazem jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, de que trata a Lei nº 9.363/96, tampouco podem apurar crédito por conta e ordem das pessoas jurídicas associadas ou mesmo equipará-las a filiais para a finalidade de atender às disposições do aludido diploma. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE INEXISTÊNCIA. Não configura indevida reformulação de fundamentação jurídica de lançamento a exposição de tese pela decisão administrativa que, rebatendo a argumentação do recorrente, corrobora a procedência da autuação, concluindo pela existência de infração tributária, não havendo que se falar em nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As cooperativas centralizadoras de vendas, por não realizarem qualquer processo industrial, não fazem jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, de que trata a Lei nº 9.363/96, tampouco podem apurar crédito “por conta e ordem” das pessoas jurídicas associadas ou mesmo equiparálas a filiais para a finalidade de atender às disposições do aludido diploma. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 04 /2 01 3- 18Fl. 238DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira De Ávila. Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração decorrente de glosas de créditos presumidos de IPI, Leis nº 9.363/96 e 10.276/01, em razão do contribuinte, na qualidade de cooperativa centralizadora de vendas, não fazer jus ao benefício fiscal em destaque. Aludidos créditos haviam sido transferidos, mediante emissão de nota fiscal, da matriz da pessoa jurídica (cooperativa) para a filial autuada (estabelecimento 61.149.589/010222). Em impugnação a contribuinte asseverou que é substituta tributária das cooperadas em relação ao IPI (art. 35 da Lei nº 4.502/64) e às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (art. 66 da Lei nº 9.430/96); esclareceu que recebe o produto acabado de suas cooperadas com suspensão do IPI, ficando responsável pelo recolhimento do imposto nas saídas tributadas; sustentou que apura o crédito presumido “em nome e para” suas associadas, ao passo que nada produz, mas apenas comercializa a produção destas; discorreu sobre o ato cooperativo e legislação correlata; reafirmou que atua como mandatária de suas associadas, às quais denomina “empresas filiadas”; aduziu que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exigia que as atividades de produção e exportação fossem realizadas diretamente; que, como mandatária, agiu por conta e ordem dos produtores (associadas), razão porque gozaria do direito ao crédito presumido questionado; argumentou que, sendo o responsável pelos tributos devidos pelas cooperadas, à luz do art. 121 do Código Tributário Nacional, as associadas, qualificadas como contribuintes, fariam uma exportação indireta e, dessa forma, garantiriam o direito de crédito, que seria apurado por seu intermédio. A DRJ Ribeirão Preto/SP, fundada na Nota Cosit 234/2003, negou provimento ao recurso em decisão assim ementada: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito à apuração, ao aproveitamento e à transferência do crédito presumido do IPI pertencem exclusivamente às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais e às trading companies. As Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13830.720004/201318 Acórdão n.º 3401003.796 S3C4T1 Fl. 11 3 cooperativas, por não se inserirem na conceituação legal dessas empresas ou de filial destas, não fazem jus ao benefício fiscal ou à sua transferência.” O recurso voluntário pugnou, preliminarmente, pela nulidade da decisão recorrida alegando modificação dos fundamentos do lançamento a fim de propiciar a sua manutenção, em clara violação ao art. 142 do CTN, e acusou a decisão de primeiro grau de agravarlhe as penalidades impostas, com inobservância ao disposto no art. 97, I e V do mesmo codex. No mérito, renovou os argumentos deduzidos em impugnação e acrescentou que as vendas realizadas pelas cooperativas eram vendas dos cooperados, o que teria sido reafirmado pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 190/2002 e art. 20 da MP 135/2003; que a Nota Cosit nº 234/2003 reconheceu que o cooperado produtor é também o exportador, quando o faz através de cooperativa centralizadora; reforçou que todos os atos administrativos e decisões citadas reconhecem ao cooperado o direito ao crédito presumido de IPI, quando exportam através de cooperativa centralizadora; e, em conclusão, defendeu que, reconhecido o direito ao crédito presumido às usinas associadas, a razão do lançamento mostrarseia insubsistente. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator A peça recursal preenche os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecida. A leitura do recurso voluntário revela confusão e dissonância entre a argumentação expendida e o fundamento para a glosa do crédito presumido e conseqüente lançamento. Em seu arrazoado o recorrente alega reiteradamente que as usinas cooperadas fazem jus ao crédito presumido das Leis nº 9.363/96 e 10.276/01, razão pela qual, segundo sua ótica, a glosa e a autuação seriam improcedentes. Ocorre que a glosa em debate não decorreu da inexistência do direito ao crédito em relação às usinas associadas, mas sim pela falta de previsão legal para que a cooperativa centralizadora das vendas, ora recorrente, apurasse e utilizasse em nome próprio referido benefício fiscal, como se produtoraexportadora fosse, haja vista que a autuação envolveu valores registrados na escrita fiscal da matriz da cooperativa e não de suas associadas – transferidos para sua filial objetivando abater débitos de IPI pelas saídas tributadas. Portanto, a controvérsia não gira em torno do direito das usinas filiadas ao crédito presumido de IPI, mas sim ante a possibilidade da cooperativa centralizadora de vendas apurar o crédito em questão, ela própria, ainda que “por conta e ordem” daqueloutras, registrar e aproveitar estes créditos em sua escrita fiscal. A bem da verdade, a pretensão do recorrente, em minha visão e pelo que extraí de seu arrazoado, é justificar o seu direito ao crédito a partir do raciocínio que, assistindo este direito às usinas associadas e sendo ela cooperativa centralizadora de vendas e substituta Fl. 240DF CARF MF 4 tributária do IPI respectivo, por força de opção do art. 35 da Lei nº 4.502/64, na redação dada pela Lei nº 9.430/96, por via oblíqua, como “representante” (mandatária ou qual título se queira atribuir) daquelas, faria jus a apurar e usufruir o crédito em destaque, ao passo que os débitos correspondentes às saídas sujeitas à incidência do tributo, não fosse sobredita substituição tributária, seriam de responsabilidade das associadas, efetivas contribuintes do imposto. Feitas as considerações iniciais, passo o exame recursal. Preambularmente, quanto à nulidade da decisão de primeira instância administrativa, não a verifico. Distintamente do que prega a autuada, não houve qualquer modificação ou inovação de fundamento jurídico do lançamento, por parte da decisão administrativa de piso, que continua o mesmo: impossibilidade jurídica de apurar crédito presumido de IPI, de que trata as Leis nºs 9.363/96 e 10.276/2001, seja em nome próprio ou de terceiros, por não ser considerada empresa produtora e exportadora. Essa a acusação fiscal. A decisão sob vergasta limitouse a rebater os argumentos deduzidos em impugnação, não representando, de forma alguma, complementação de fundamentação de lançamento, ou mesmo agravamento das penalidades, como afirmado em recurso. A menção à Nota Cosit nº 234/2003 ou afirmação que o direito ao crédito presumido, na situação dos autos, pertenceria às usinas cooperadas não significa discordância das razões do lançamento ou reforço de fundamentação, mas tãosomente a exposição de raciocínio que redundou na mesma conclusão lá estampada, como destaca a seguinte passagem do voto condutor. “Concluise, pelos motivos exposados, que é indevido o crédito presumido apurado pela Cooperativa em seu estabelecimento matriz, e como resultado, indevida a transferência desses créditos para as filiais, restando correta a glosa efetuada pelo autuante.” Em vista destas colocações, não vislumbro qualquer vício que conspurque o ato decisório. Respeitante ao mérito, como antecipado, o recurso voluntário discute matéria, a meu sentir, estranha aos autos ou, pelo menos, questão marginal, consistente no direito das usinas associadas, cooperadas suas, à fruição ao crédito presumido de IPI. Ora, o auto de infração, como dito, alberga glosa de valores apurados e utilizados, em seus livros fiscais, pela cooperativa e não pelas suas associadas, logo, despiciente o debate desse tema, ao passo que este conselho administrativo é órgão de julgamento, não de consulta à legislação tributária. Sob esta ótica, analisase na seqüência se as cooperativas dedicadas a vendas em comum fazem ou não jus ao crédito sub examine. Por pertinente, registrese que é fato reconhecido pela recorrente que sua função é centralizar as vendas de suas filiadas, não realizando qualquer tipo de operação industrial. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13830.720004/201318 Acórdão n.º 3401003.796 S3C4T1 Fl. 12 5 Nesse passo, temse que, na dicção do art. 1º da Lei nº 9.363/96, fazem jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Então, o primeiro obstáculo que exsurge à pretensão da recorrente é a ausência de processo industrial em suas instalações, eis que sua atividade se restringe à comercialização da produção de suas associadas. Como não bastasse, o titular do direito vindicado é a empresa produtora e exportadora. Ou seja, a condição imposta é o exercício cumulativo de produção e exportação na mesma pessoa jurídica. Com efeito, o art. 518 do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI) dispõe que, para finalidade do imposto, o termo “empresa” compreende as firmas em nome individual, e todos os tipos de sociedade, quer sob razão social, quer sob designação ou denominação particular. Desse modo, não é possível tomar a cooperativa de vendas e suas filiadas, pessoas jurídicas diversas, como uma “empresa” única, como averbou a decisão reclamada, para a finalidade de apurar o crédito presumido, ainda que por conta e ordem daquelas, como sustenta a recorrente. Repisando, a cooperativa não é empresa produtora, mas apenas centralizadora das vendas em comum, não adquirindo matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem para emprego em operação industrial, que, como enfadonhamente repetido, não realiza. Por conseguinte, não pode, como no caso dos autos, apurar o crédito presumido de IPI e transferilo às suas associadas, por falta de respaldo legal, muito menos escriturálos em seus livros fiscais e utilizálos para abatimento do imposto devido. A situação aqui versada foi captada com argúcia pelo Cons. Luís Eduardo Garrossino Barbieri, no Acórdão nº 3202001.469, em processo da mesma contribuinte: “A Recorrente alega, no mérito, que ‘é quem pode registrar e compensar o crédito presumido do IPI, por conta e ordem de cada cooperado, tendo em vista ser ela a MANDATÁRIA LEGAL das suas afiliadas, para todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta. Ou seja, a lei é que determina que ela aja em nome das filiadas nos atos negociais de comercialização dos produtos. De outra parte, a Copersucar, embora não abrique os produtos exportados, pode realizar todos os cálculos do ncentivo em discussão, em razão de deter todos esses dados, uma vez que é, também, responsável, na condição de substituto tributário do IPI devido pelas cooperadas, conforme disposto no artigo 35 da Lei n° 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo artigo 31 da Lei n° 9.430/96 e ainda a responsável pelo recolhimento da COFINS e do PIS das suas cooperadas, de acordo com o determinado no art. 66 da Lei nº 9.430/96’. No meu entender não assiste razão à Recorrente. Vejamos. Fl. 242DF CARF MF 6 Uma vez que o crédito presumido do IPI foi contabilizado pela interessada em sua escrituração, e que foi transferido de sua matriz, a questão resumese à legitimidade desses créditos. Devese perquirir se a escrituração dos créditos pela cooperativa é ou não regular. Afirma a Recorrente que nunca pretendeu que o direito fosse seu, que seria mera mandatária legal dos associados. Entretanto, a Fiscalização glosou o aproveitamento do crédito presumido efetuado pela cooperativa em sua própria contabilidade. Com esta conduta a cooperativa agiu como mandatária do cooperado na realização das vendas, mas agiu como ‘senhor a e dona’ do crédito presumido, quando dele se apropriou ao escriturálo nos seus livros e ao transferilo para suas filiais. Deste modo, não há como concordar com a argumentação da Recorrente, uma vez que estão frontalmente em desacordo com o disposto no artigo 1º da Lei n° 9.363/96, que estabelece que o direito ao crédito presumido é do produtorvendedor e não de terceiros, que apenas se limitaram a comercializar a produção, como se deu no caso da Copersucar.” (grifado) Outrossim, o fato de ostentar a recorrente a qualidade de substituta tributária do IPI ou responsável pelo recolhimento do PIS/Papsep e Cofins, em relação às mercadorias recebidas de suas cooperadas, não lhe garante o direito ao crédito presumido, mais uma vez, por falta de previsão legal. Mesmo porque a substituição tributária em comento não é impositiva, mas opcional, dependente de requerimento, ex vi do art. 35 da Lei nº 4.502/64, na redação dada pelo art. 31 da Lei nº 9.430/96, de maneira que cabe ao interessado avaliar os ônus e as vantagens decorrentes da opção. Em síntese, a questão não é nova neste sodalício que tem repetidamente decidido que não é possível aquiescer o modus operandi adotado pela recorrente, que, na condição de cooperativa central comercializadora, não tem legitimidade para apurar e utilizar o crédito presumido, seja em nome próprio, seja por conta e ordem de suas associadas, como atesta os seguintes julgados: “CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito à apuração e aproveitamento do crédito presumido do IPI pertence à empresa cooperada, sendo inadmissível a apuração centralizada por parte da cooperativa, porque os valores de receita bruta, aquisições de insumos (ou custo do produto) e o percentual de exportação precisam ser calculados individualmente por cooperada, impedindo que o crédito presumido de uma cooperada seja utilizado na compensação de tributos de o utro ente cooperado.” (Acórdão 3301001.718, de 26/02/2013) “CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ILEGITIMIDADE. Apenas as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais é que fazem jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13830.720004/201318 Acórdão n.º 3401003.796 S3C4T1 Fl. 13 7 vendas, é do cooperado e não da cooperativa.” (Acórdão 3202001.469, de 24/02/2015) “CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI NA EXPORTAÇÃO PARA RESSARCIMENTO PIS/COFINS. APURAÇÃO CENTRALIZADA PELA COOPERATIVA CENTRALIZADORA DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. A apuração do Crédito Presumido do IPI para ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS incidentes na cadeia produtiva dos produtos exportados, introduzida pela Lei nº 9.363/96 (seja ou não pelo regime alternativo de cálculo da Lei nº 10.276/2001), ainda que as exportações sejam feitas por cooperativa centralizadora de vendas, deve ser feita pelo estabelecimento matriz de cada um dos cooperados (inteligência da Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003, especificamente direcionada à autuada).” (Acórdão 3402003.212, de 24/08/2016). Desta turma, cito a recente decisão exarada no Acórdão nº 3401003.291, julgado em 24/01/2017: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/1996. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDA. No caso de cooperativas centralizadoras de vendas, o direito ao crédito presumido de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 pertence ao produtor/exportador cooperado, e não à cooperativa, não sendo possível a admissão de crédito presumido por parte de filial da cooperativa, mediante transferência de créditos apurados pela matriz da cooperativa.” Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Robson José Bayerl Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720129/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. FATO GERADOR. MOMENTO.
Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação em sentido amplo. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há efetiva realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora, tornando-se proprietário das ações.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. CLÁUSULA DE "LOCK UP".
A existência de cláusula contratual de restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, consistente na obrigação de não alienar os ativos por determinado lapso temporal, não tem a eficácia de desconstituir a transferência de domínio por ocasião da incorporação das ações. A situação jurídica que representa a disponibilidade econômica pela realização de renda passível de tributação foi definitivamente constituída no momento da transferência da propriedade das ações, quando restou configurado o acréscimo patrimonial da pessoa física.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
Numero da decisão: 2401-004.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação em sentido amplo. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há efetiva realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora, tornando-se proprietário das ações. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. CLÁUSULA DE "LOCK UP". A existência de cláusula contratual de restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, consistente na obrigação de não alienar os ativos por determinado lapso temporal, não tem a eficácia de desconstituir a transferência de domínio por ocasião da incorporação das ações. A situação jurídica que representa a disponibilidade econômica pela realização de renda passível de tributação foi definitivamente constituída no momento da transferência da propriedade das ações, quando restou configurado o acréscimo patrimonial da pessoa física. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 545 1 544 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720129/201515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.822 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2017 Matéria IRPF. GANHO DE CAPITAL. Recorrente VICTOR HUGO ALVARENGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação em sentido amplo. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há efetiva realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora, tornandose proprietário das ações. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. CLÁUSULA DE "LOCK UP". A existência de cláusula contratual de restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, consistente na obrigação de não alienar os ativos por determinado lapso temporal, não tem a eficácia de desconstituir a transferência de domínio por ocasião da incorporação das ações. A situação jurídica que representa a disponibilidade econômica pela realização de renda passível de tributação foi definitivamente constituída no momento da transferência da propriedade das ações, quando restou configurado o acréscimo patrimonial da pessoa física. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 29 /2 01 5- 15 Fl. 546DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 546 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 353/357, que exige do contribuinte R$ 10.154.269,27 de imposto, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de “GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS” com omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, conforme termo de verificação fiscal de fls. 339/351, fato gerador ocorrido em 09/10. Em 04/05/2010, a Hypermarcas celebrou Contrato de Venda e Compra de Ações, Incorporação de Ações e Outras Avenças com os quotistas da SAPEKA, Victor Hugo Alvarenga, Marco Antonio Raimundo, José Alvarenga dos Santos, Virginia Baryane Alvarenga Pires de Campos e Marilda Alves de Oliveira. O contrato estabelecia os termos e condições para a aquisição de ações representativas de 59,5% do capital social da Sapeka Indústria e Comércio de Fraldas Descartáveis Ltda. e a incorporação das ações representativas de 40,5% restantes, passando a Sapeka a ser subsidiária integral da Hypermarcas, operação esta que foi aprovada em 6/9/10, conforme Assembleia Geral Extraordinária da Hypermarcas, a qual autorizou a Diretoria da Companhia a implementar todos os atos necessários para a operação, com efeitos a partir de 7/9/10. Para efetivar essa operação de Incorporação de Ações, foram emitidas, pela Hypermarcas, 6.784.923 ações ordinárias, representativas de aproximadamente 1,25% do capital social total da Hypermarcas, ao preço por ação de R$ 22,55. Em contrapartida, as ações ordinárias nominativas e sem valor nominal de emissão de Sapeka detidas pelos seus acionistas pessoas físicas e representativas de 40,5% de seu capital social, as quais foram objeto da Incorporação de Ações, foram avaliadas a valor de mercado, conforme laudo de avaliação elaborado por empresa de avaliação especializada contratada pela Hypermarcas. De acordo com a relação de substituição constante do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações, cada ação da Sapeka foi avaliada economicamente ao preço unitário de R$ 5,11398743750657, ou seja, superior ao custo de aquisição (R$ 1,00) declarado pelo contribuinte em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF. Considerando que o contribuinte possuía 16.454.870 ações, o valor da alienação foi R$ 84.149.998,47. Com um custo de aquisição de R$ 16.454.870,00, o ganho de capital foi de R$ 67.695.128,47, e o Imposto de Renda não recolhido (alíquota de 15%) foi de R$ 10.154.269,27. Cientificado do Auto de Infração AI, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 548DF CARF MF 4 Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Na apuração do ganho de capital, o contribuinte somente pode considerar como valor de alienação aquele constante em sua declaração de bens quando for este efetivamente o valor pactuado entre as parte na realização do negócio jurídico; nos casos em que este é realizado pelo valor de mercado, não se pode admitir a utilização do valor constante na declaração de bens tão somente para fins de cálculo do ganho de capital, com o fim de evitar ou postergar o pagamento do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A aplicação da multa de ofício de 75% decorre de expressa disposição legal e não está condicionada à prova de dolo no cometimento da infração. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício integra o crédito tributário, sujeitandose, desta forma, à incidência de juros de mora, quando não paga integralmente no vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 18/5/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 490), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 3/6/16, fls. 491/513 (no qual repisa argumentos apresentados na impugnação), que contém, em síntese: INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Diz que inicialmente fazse necessário trazer à colação as cláusulas segundo as quais as ações recebidas pelo recorrente encontramse indisponíveis para delas dispor pelo prazo de cinco anos. As ações recebidas da HYPERMARCAS não estavam disponíveis para alienação no anocalendário de 2010, dado que, de acordo com as Cláusulas 6.1.2.1 e 6.1.2.3 do Contrato, elas encontravamse trancadas (lock up), pelo prazo de cinco anos a contar do ano de 2010. Afirma que o imposto de renda tem como fato gerador, segundo o CTN, art. 43, a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. Cita doutrina no sentido de que a disponibilidade econômica é entendida como a possibilidade de dispor da riqueza. Acrescenta que em se tratando de pessoa física, o fato gerador é somente a aquisição da disponibilidade econômica, conforme se extrai do art. 21 da Lei 7.713/88, para o qual a tributação do ganho de capital ocorre sobre as parcelas recebidas. Entende que ante a existência de condição impeditiva da livre disposição dos títulos, não há que se falar em incidência do imposto, por não ter ocorrido a disponibilidade econômica da renda. Além disso, os artigos 116 e 117 do CTN, que tratam do momento de ocorrência do fato gerador nos negócios condicionados, dispõem que, sendo suspensiva a condição, o fato gerador somente ocorre quando houver o implemento da condição. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 547 5 Assim, aduz que os fatos geradores somente passaram a ocorrer a partir do anocalendário de 2012, à razão de 20% ao ano, segundo previsão contida na Cláusula 6.1.2.2. Esclarece que inobstante a ausência de disponibilidade econômica dos títulos recebidos, bem como a existência de condição suspensiva, a DRJ não acolheu a impugnação. Diz que o entendimento do julgador está equivocado, pois a clúsula de lock up é uma condição que afeta o negócio que é a certeza quanto ao valor final da operação, pois visa resguardar o comprador quanto a eventos futuros e incertos sobre passivos ocultos que possam alterar o valor inicialmente estabelecido pela operação. Afirma que essa cláusula deve ser analisada em conjunto com a parte que trata da obrigação de indenizar, prevista nas cláusulas 14.1 a 14.6 do contrato de compra e venda, ainda mais evidente na cláusula 8.2 do aditamento ao contrato de venda e compra de ações, incorporações de ações e outras avenças, que impõe que o ativo recebido (ações da Hypermarcas) pela incorporação teve sua disponibilidade diferida à razão de 20% ao ano, de tal sorte que somente poderia ser alienado em garantia de fiança bancária a ser prestada pelos vendedores aos compradores, o que demonstra que o valor dessas ações recebidas passou a constituir um ativo incerto, a depender de evento futuro. Conclui que embora a venda seja um negócio jurídico sem condições, o valor da operação, assim como a disponibilização econômica e jurídica dos ativos estão atrelados a eventos futuros. Como proclama o CTN, art. 43, o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Portanto, embora tenha ocorrido a alienação das ações, o fato gerador da obrigação tributária somente ocorreu no momento em que houve a disponibilidade plena dos títulos recebidos, conforme procedeu o recorrente, pois quando alienou os títulos, calculou o tributo devido e promoveu o pagamento. NÃO OFENSA AO ART. 123 DO CTN Diz que o julgador de primeira instância entendeu que a cláusula de lock up decorre de uma restrição criada pelos próprios acionistas, o que seria uma mera convenção particular, que não pode ser oposta à Fazenda Pública, nos termos do CTN, art. 123. Entende que o art. 123 do CTN trata de situação totalmente distinta, ou seja, da transferência de responsabilidade pelo pagamento de tributos por meio de convenções particulares. UNICIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO Destaca que o relator da decisão recorrida afirma que as cláusulas dizem respeito à alienação das ações da Hypermarcas, ao passo que o presente processo trata da alienação das ações da Sapeka. Aduz que todas as condições fazem parte de um único negócio, incluindo alienação de ações, reestruturação societária, incorporação de empresas e recebimento de ações da Hypermarcas com restrição temporária da disponibilidade econômica e jurídica, frutos do mesmo acordo comercial, não podendo ser tratadas isoladamente, pois uma é consequência da outra. COBRANÇA INDEVIDA DE TRIBUTO Fl. 550DF CARF MF 6 Alega que promoveu, após a liberação e respectiva alienação, o pagamento integral do imposto de renda devido, cujo comprovante foi anexado aos autos por ocasião da impugnação. Se isso ocorreu, não poderia a fiscalização exigir novamente o cumprimento da obrigação principal, sob pena de incidência da norma do art. 316, § 1º, do código penal (crime de excesso de exação). Entende que como já havia, antes da autuação, alienado as ações e efetivado o pagamento do imposto incidente sobre o ganho de capital auferido, na pior das hipóteses a fiscalização deveria ter deduzido o valor do imposto pago em homenagem ao que dispõe o Parecer Normativo Cosit n° 2/96, segundo o qual os pagamentos postergados devem ser deduzidos do tributo devido, cabendo ao fisco cobrar apenas os encargos moratórios. Afirma que sobre postergação de imposto, a Secretaria da Receita Federal, por meio de programa de orientação ao contribuinte, “Perguntas e Respostas”, assim se pronunciou: 265. Qualquer inobservância do regime de competência na escrituração da pessoa jurídica constituirá fundamento para lançamento por parte da autoridade fiscal? Não. A inexatidão, no período de apuração, de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, se dela resultar (RIR/99, art. 273; PN CST n° 57/79 e PN COSIT n° 02/96): I a postergação do pagamento do imposto para período posterior ao em que seria devido: ou, II a redução Indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Contudo, o impugnante observou corretamente o momento de ocorrência do fato gerador, promoveu o pagamento do Imposto e prestou as informações à Receita Federal, o que demanda liminarmente o cancelamento do Auto de Infração objeto deste processo. Sobre esse ponto, afirma que o julgador de piso justificou que tal parecer alcança apenas as pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. Entende que embora o Parecer Normativo tenha analisado uma situação específica, suas premissas podem ser aplicadas ao caso vertente, pois o fundamento maior foi o enriquecimento sem causa do erário. OPÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE BENS POR VALOR CONTÁBIL OU DE MERCADO Diz que a Lei 9.249/95, art. 23, assegura às pessoas físicas o direito de transferir bens ou direitos, a título de integralização de capital, por valor contábil ou de mercado. No caso em tela a fiscalização procedeu ao lançamento, não por ter o impugnante incorporado as ações por valor superior ao declarado, mas por ter consignado em Laudo de Avaliação que o valor de mercado das ações recebidas era superior ao custo declarado das ações incorporadas. Entende que a hipótese de incidência é dirigida à incorporação realizada por valor superior ao custo informado na DIRPF, à livre escolha do contribuinte se deseja ou não Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 548 7 antecipar eventual ganho de capital. No caso vertente, ao que comprova a DIRPF do ano calendário correspondente, o impugnante optou por manter o custo histórico, oferecendo a tributação de eventual ganho apenas quando houvesse a efetiva venda, o que de fato ocorreu, pois as ações foram alienadas na medida de cada disponibilização. Aduz que a melhor exegese do art. 23 citado é no sentido de que, sempre que o contribuinte optar por incorporar bens (incluindose ações) ao capital de pessoa jurídica por valor histórico, receberá em contrapartida ações ou quotas de capital que, a preço de mercado, valerão mais. Mas se deixar de reconhecer esse ganho em sua DIRPF, não haverá tributação instantânea, sendo o imposto postergado para quando ocorrer a alienação do investimento, como ocorreu in casu. Explica que o Laudo de Avaliação, tanto das ações transferidas quando das recebidas, por si só, não se submete à tributação, mas apenas baliza os parâmetros para substituição justa. O Laudo de Avaliação é exigência da legislação societária, em especial da Lei 6.404/76, para precificar a valor de mercado os bens conferidos à sociedade em realização do capital, com o fim de preservar a fidedignidade das demonstrações financeiras. Afirma que para que houvesse o enquadramento do fato à hipótese de incidência flexionada no art. 23 da Lei 9.249/95, a fiscalização teria de trazer aos autos não somente o Laudo de Avaliação, mas a prova de que a incorporação se deu por valor superior, o que efetivamente não ocorreu. Nos últimos anos têm havido esforços no sentido de tornar as demonstrações contábeis/financeiras muito próximas da realidade, seja quanto ao valor patrimonial, seja quando ao grau de realização, gerando discrepância entre as informações de cunho fiscal e a societária. Conclui que por isso o legislador tratou de assegurar que tais divergências não têm efeitos tributários, conforme se extrai do art. 17 da Lei 12.973/14 e art. 17 da Lei 11.941/2009. A Lei 6.404/76, ao tratar da integralização de capital em bens (art. 7°), passou a exigir a avaliação feita por três peritos ou por empresas especializadas (art. 8°), assim como nas incorporações de ações, em que o § 3° do art. 252, exige aprovação de Laudo de Avaliação pela assembleia geral. Aduz que inobstante a possibilidade de divergência entre o valor contábil e o apurado via Laudo de Avaliação, a diferença entre um e outro não tem reflexo no âmbito tributário. Na hipótese de incorporação de bens ou direito na integralização de capital, o que o legislador almejou facultar ao contribuinte foi a opção de reconhecer eventual acréscimo de valor em sua Declaração de Imposto de Renda e, com isso, ter assegurado um custo maior a ser deduzido quando da alienação ou, manter o custo histórico adiando o pagamento do imposto para o momento em que ocorrer a alienação do bem. Afirma que o laudo a que se refere a fiscalização foi elaborado apenas para atender a legislação societária e contábil, que exige, no caso de incorporação de ações, que o patrimônio das empresas (investida e investidora) sejam avaliados pelo mesmo critério, sem, contudo, caracterizar a opção de que trata o art. 23 da Lei 9.249/95. A previsão legal encontra se nos artigos 8º, 252, § 3º da Lei 6.404/76. Entende que, por este prisma, se no momento da edição da Lei 9.249/95 já havia esse regramento, o opção de escolha entre valor contábil e o de mercado, prevista no art. 23 dessa lei, pode ser feita independentemente de haver ou não valor diferente em laudo de avaliação. Com base nesses fundamentos, tendo em vista que as ações recebidas não tinha Fl. 552DF CARF MF 8 valor nominal, o opção manifestada pelo recorrente em sua DIRPF, no quadro de "bens e direitos", foi por manter o valor contábil das ações incorporadas ao capital da Hypermarcas, acrescido das aquisições realizadas junto aos demais sócios. O que demonstram as provas foi que o recorrente entregou determinada quantidade de ações que detinha da empresa SAPEKA em integralização de capital da HYPERMARCAS e, em contrapartida, recebeu ações sem valor nominal. Ainda que se admitisse ter havido transferência por valor superior, também não haveria ganho a tributar, pois é corrente o entendimento que nas permutas sem torna não há se falar em ganho tributável. Cita decisões judiciais e do CARF de 2006 que decidiu pela exclusão do ganho de capital na realização de permuta de bens. Transcreve trecho do Parecer PGFN 970/91, no sentido de que não há ganho de capital quando ocorre mera troca de bens. Volta a dizer que no caso vertente, a disponibilidade da renda somente ocorreu com a retirada da cláusula de lock up, ocasião em que o recorrente promoveu a alienação e realizou o pagamento integral do imposto. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC SOBRE A MULTA DO OFÍCIO Questiona a incidência dos juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Entende que tal cobrança não pode prevalecer uma vez que o caput do art. 61 da Lei 9.430/96, quando se refere a “débito”, reportase somente ao valor dos tributos e das contribuições. Cita decisão do CARF. PEDIDO Requer o cancelamento dos créditos tributários e caso seja mantido ou parte dele, que seja afastada a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. CONTRARRAZÕES DA PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, documento juntado às fls. 518/538, que contém, em síntese: Explica que a incorporação de ações, regulada pelo art. 252 da Lei 6.404/76, ocorre quanto uma companhia (incorporadora) adquire todas as ações do capital social de outra (incorporada) com o fim de convertêla em subsidiária integral. Peculiar é o fato, contudo, de que a incorporadora aumenta seu próprio capital social e o integraliza com as ações adquiridas da incorporada. Os acionistas desta, caso aprovem a operação, receberão em troca ações da incorporadora decorrentes do aumento do capital social em questão. Os antigos acionistas da incorporada, então, passam a ser acionistas da incorporadora. No caso, a contribuinte possuía 16.454.870 ações da SAPEKA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FRALDAS DESCARTÁVEIS LTDA., cujo custo de aquisição foi valorado em R$ 1,00 a unidade, totalizando, portanto, R$ 16.454.870,00. Com a operação, a contribuinte cedeu as suas ações à HYPERMARCAS S/A, recebendo em contrapartida 3.731.708 ações desta companhia, avaliadas em R$ 84.149.998,47, a totalidade, resultando num ganho de capital de R$ 67.695.128,47, sobre o qual aplicouse a alíquota de 15% e apurouse o R$ 10.154.269,27, a título de imposto de renda. Resume os argumentos apresentados no recurso voluntário e afirma não haver qualquer ilegalidade no lançamento tributário em questão. Transcrevese a seguir os argumentos apresentados: Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 549 9 OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR (CLÁUSULA DE LOCK UP) O contribuinte alega a inocorrência do fato gerador, pois o Imposto de Renda teria como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. Porém, no caso dos autos, não teria havido a disponibilidade econômica, pois as ações recebidas da HYPERMARCAS S/A não estariam disponíveis para alienação antes de ultrapassado o período de restrição implementado pela cláusula lock up. A liberação da negociação teria ocorrido à razão de 20% ao ano, motivo por que os fatos geradores somente teriam passado a ocorrer a medida que as restrições iam sendo levantadas. Conforme se observa, o recorrente, no ponto, busca negar a ocorrência do fato gerador do tributo no momento da transferência de domínio, sob o entendimento de que a transferência da propriedade se deu apenas parcialmente. Pois bem. Conforme cediça lição, o direito de propriedade, cuja matriz é constitucional (art. 5º, XXII e 170, II), se compõe de três faculdades: uso, gozo e disposição, e mais o direito de reaver a coisa de terceiros (art. 1228 do CC). O uso – é o “jus utendi”, ou seja, o proprietário pode usar a coisa, pode ocupála para o fim a que se destina. A fruição (ou gozo) – “jus fruendi”; o proprietário pode também explorar a coisa economicamente, auferindo seus benefícios e vantagens. Por sua vez, a disposição – “jus abutendi”; é o poder de abusar da coisa, de modificála, reformála, vendêla, consumila, e até destruíla. No caso concreto, as partes acordaram uma restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista. Restrição essa que não afasta o uso e gozo do bem, no caso, ações. Mencionese, a título exemplificativo, que há direito à percepção de dividendos e juros sobre capital próprio, bem como o aluguel das ações. Restrição ao direito de propriedade não se confunde com condição à transferência de domínio. A transferência de domínio se perfectibilizou no momento da incorporação das ações e com ela o fato gerador do tributo, na forma do art. 3º da Lei n. 7.713/88. O bem ingressou no patrimônio dos acionistas e gerou acréscimo patrimonial, afastando a pretensão de ver caracterizada a situação do art. 116 do CTN. De outro lado, a restrição do direito de propriedade, como intuitivo, não descaracteriza o direito de propriedade. Inúmeras são as restrições ao direito de propriedade que decorrem tanto do adequado exercício de sua função social quando da necessidade de resguardar direitos dos particulares sem que maculem o direito. Fl. 554DF CARF MF 10 Com efeito, não se cogita considerar que um bem sujeito a tombamento não seja propriedade, ou as restrições a que se submetem os terrenos vizinhos às jazidas minerais, nos termos do Código de Mineração, ou que um bem gravado com penhora deixa de ser propriedade de seu titular. Uma restrição ao direito de propriedade somente teria eficácia para desconstituir a eficácia da alienação se a legislação expressamente lhe atribuísse esse efeito, alterando a hipótese de incidência. Dado que inexiste qualquer previsão nesse sentido, fica evidente que a existência de uma restrição à faculdade de disposição não descaracteriza a transferência do domínio que, em consonância com o art. 114 do CTN, constitui condição necessária e suficiente para incidência da exação. Conforme regirou o acórdão recorrido, “o período de ‘lock up’ decorre de uma restrição criada pelos próprios acionistas. Tratase, portanto, de uma mera convenção particular, que não pode ser oposta à Fazenda Pública, nos termos do art. 123 do Código Tributário Nacional.” Além do mais, “a cláusula de lock up de forma alguma transforma a alienação das ações da Sapeka em um negócio jurídico realizado sob condição suspensiva”. Tem razão a DRJ, pois a condição suspensiva é aquela que determina que o negócio jurídico somente terá eficácia a partir da realização de um acontecimento futuro e incerto. No caso dos autos, porém, a alienação das ações é negócio irretratável, perfeito e acabado. Conforme afirmou a DRJ, “a concretização do negócio jurídico se deu instantaneamente, no momento em que o contribuinte entregou as ações da Sapeka e recebeu em troca as ações da Hypermarcas. Não há nada que suspenda os efeitos dessa operação.” A base do critério material do Imposto de Renda pode ser extraída do art. 43 do Código Tributário Nacional, segundo o qual considerase acréscimo patrimonial a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ou de proventos de qualquer natureza, entendidos assim os não compreendidos no conceito de renda. Como se observa, a literalidade da lei tributária não exige que a tributação pelo imposto sobre a renda no ganho de capital dependa do pagamento em pecúnia. Nesse ponto, em momento algum a legislação ordinária se dissocia do conceito de renda do CTN. Com efeito, o art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713/88, exige apenas “benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título”. Por outro lado, o § 3º afirma o seguinte: “§ 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 550 11 ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.” É a própria legislação que afirma a possibilidade de ganho de capital nas alienações a qualquer título, inclusive naquelas em que não circula dinheiro em espécie, tais como permuta, adjudicação, dação em pagamento e doação, ou quando haja uma restrição privada ao direito de propriedade. Além do mais, o ganho de capital é verificado pela simples diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, verbis: “Art. 3º (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei.” Conforme se observa, em momento algum a legislação exige que a diferença positiva seja representada em espécie. Andrade Júnior e Schoueri (Ob. Cit., pp. 6364) asseveram que a disponibilidade da renda seria completa e definitiva quando de sua realização, destacando que tal ocorre de fato na incorporação de ações. Delimitam a questão os referidos autores da seguinte forma: “i) Conversão em direitos que acresçam ao patrimônio: como antevisto, as ações da companhia ‘incorporadora’ integram o patrimônio do acionista que as recebe. Eventual ganho embutido no valor destas seguiria a mesma sorte; ii) Processamento desta conversão mediante troca no mercado: considerandose uma incorporação de ações processada entre partes independentes, ou, ao menos, uma incorporação de ações em que a avaliação das ações reflita valores consistentes com a prática de mercado, creio que esse requisito deve ser reputado preenchido; iii) Cumprimento das obrigações que decorrem dessa troca: para os acionistas da sociedade ‘incorporada’, a obrigação que se contrapõe ao recebimento das ações da sociedade ‘incorporadora’ é a entrega das suas ações, i.e., a integralização do capital subscrito. Como isso é efetivado por força do artigo 252 da Lei nº 6.404/1976, pela diretoria da sociedade ‘incorporada’, que age como representante indireta autorizada a tanto, esse requisito também é atendido satisfatoriamente; e Fl. 556DF CARF MF 12 iv) Mensurabilidade e liquidez dos direitos recebidos na troca: por fim, um elemento delicado. A falta de mensurabilidade dos direitos recebidos na troca é o que justifica, por exemplo, o diferimento da tributação relativa aos ganhos de capital auferidos em razão da operação de permuta. Precisamente porque o ganho não pode ser aferido com certeza, permanece ilíquido, é que se tem reconhecido a inexistência de ganho tributável em operações dessa natureza. Mas isso não ocorre no caso da incorporação de ações, em que as ações trocadas são submetidas a prévia avaliação, por perito eleito pela assembleia geral da sociedade ‘incorporadora’. Na relação de troca estabelecida com o fito de identificar o número de ações que tocará a cada um dos acionistas da sociedade ‘incorporada’, é levado em conta o valor das ações originariamente dadas, bem como o valor das ações a serem recebidas, sendo tais valores aferidos por meio de avaliações específicas. A situação, assim, aproximase do recebimento de pagamentos com bens, ou, tecnicamente falando, da dação em pagamento, com relação à qual tanto a doutrina como a jurisprudência reconheceram realização de renda, uma vez que o bem entregue em pagamento o é tendose em vista um valor específico. Nesse contexto, na incorporação de ações está cumprido o requisito da mensurabilidade e liquidez dos direitos recebidos em troca. Não há incerteza acerca do valor pelo qual a troca é efetivada; este é conhecido e claramente definido.” Concluise, portanto, que a incorporação de ações pode ou não gerar alguma forma de acréscimo patrimonial, a depender da relação valorativa entre as ações incorporadas e as recebidas em pagamento. Assim, o fenômeno da incorporação de ações tem, sim, o condão de ensejar a incidência do imposto sobre a renda, pois a subscrição de capital que dela faz parte proporciona a realização das ações dadas pelos acionistas para esse fim, independentemente da existência de cláusula de restrição (lock up). PAGAMENTO INTEGRAL DO IMPOSTO Alega o recorrente que, após o período de lock up, promoveu a alienação das ações no mercado e realizou o pagamento integral do Imposto de Renda devido, motivo por que o Fisco não poderia exigir novamente o cumprimento da obrigação principal, sob pena de excesso de exação. Outrossim, a fiscalização deveria ter deduzido o valor do imposto pago, nos termos do Parecer Normativo Cosit n° 2/96. Alega ser o caso de denuncia espontânea, nos termos do art. 138 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Não assiste razão ao requerente. Com efeito, o que pretende o requerente é a realização de compensação diretamente nos autos desse processo, sem observar as formalidades prescritas em lei, que exigem a apuração da certeza e liquidez dos supostos créditos, nos termos do art. 170, do CTN, verbis: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 551 13 “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” O caso dos presentes autos envolve apenas o fato gerador indicado pela Fiscalização, e a ele deve limitar a análise, sob pena de ampliação indevida do objeto do processo administrativo fiscal. Conforme bem expôs o acordão recorrido, “não se pode invocar aqui, como fez o contribuinte, o Parecer Normativo Cosit n° 2, de 28/08/1996, tendo em vista que suas disposições alcançam apenas as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, consoante consta expressamente em seu primeiro parágrafo, que justifica a elaboração do próprio parecer: (...)”. TRANSFERÊNCIA DE BENS A VALOR DE MERCADO Alega o recorrente, ainda, a inexistência de ganho de capital na forma do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995, pois a transferência das ações teria ocorrido pelo valor contábil, e não pelo valor de mercado. Dispõe o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995, verbis: “Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital.” Em relação à ocorrência de ganho de capital e ao fato gerador do imposto de renda, o § 2º do art. 23 é categórico: se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. No caso dos autos, porém, a transferência foi efetuada a valor de marcado, devidamente apurador por peritos especialmente designados para essa avaliação, conforme exige o § 1º do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, verbis: “Art. 252 (...) § 1º A assembleiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o Fl. 558DF CARF MF 14 aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Ora, é a próprio legislação societária que exige que a transferência de bens se faça a valor de mercado. Não tem sentido a argumentação do contribuinte de que a transferência foi feita pelo valor contábil. O contribuinte defende que a alienação foi efetuada pelo valor contábil simplesmente porque ele não atualizou o valor das ações na sua declaração de imposto de renda. O que ele pretende, na verdade, é pegar exatamente o fato imputado pelo Fisco como ilegítimo (não apuração do ganho de capital, motivo porque não houve atualização da declaração) e utilizálo como argumento para justificar a ausência de transferência a valor de mercado. É de se ressaltar, outrossim, que o Superior Tribunal de Justiça considera perfeitamente válida a apuração do ganho de capital na integralização de capital com bens, verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRANSFERÊNCIA DE BEM IMÓVEL PARA A INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL DE EMPRESA. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA QUE SEJAM ANALISADAS AS QUESTÕES TIDAS POR PREJUDICADAS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que é legítima a incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital decorrentes da diferença entre o valor de aquisição e o de incorporação de imóveis de pessoa física, para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é sócio.” (REsp 1214780, Segunda Turma, 22/02/2011) “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCORPORAÇÃO DE IMÓVEL PARA O CAPITAL SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA. VALOR MAIOR DO QUE O DE AQUISIÇÃO. GANHOS DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. 1. Hipótese em que a incorporação do imóvel ao capital societário se deu por valor maior do que o de aquisição do imóvel. 2. Aplicação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que é legítima a incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital decorrentes da diferença entre o valor de aquisição e o de incorporação de imóveis de pessoa física, para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é sócio. 3. Agravo Regimental não provido.” (AgRg no REsp 1016766, Segunda Turma, 02/09/2008) Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 552 15 “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. DAÇÃO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO. 1. É legítima a incidência de imposto de renda sobre ganhos de capital decorrente da diferença entre o valor de aquisição atualizado e de incorporação de imóveis de pessoa física para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é sócio. Precedentes da Primeira e Segunda Turmas. 2. Recurso especial provido.” (REsp 867276, Segunda Turma, 24/10/2006) Portanto, não assiste razão ao recorrente. NATUREZA JURÍDICA DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES E SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS Considerações iniciais A discussão nos presentes autos demanda, em grande parte, que se analise a natureza jurídica do instituto da incorporação de ações, bem como a aptidão dessa operação a gerar a ocorrência de ganho de capital e, por conseguinte, a incidência do IRRF. A incorporação de ações é operação societária prevista no art. 252 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações), verbis: “Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembleiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembleiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembleiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembleiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Fl. 560DF CARF MF 16 § 4º A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” Em síntese, a incorporação de ações ocorre quando uma companhia (incorporadora) adquire todas as ações do capital social de outra (incorporada) com o fim de converter esta em subsidiária integral. Peculiar é o fato, contudo, de que a incorporadora aumenta seu próprio capital social e o integraliza com as ações adquiridas da incorporada. Os acionistas desta, então, caso aprovem a operação, receberão em troca ações da incorporadora decorrentes do aumento do capital social em questão, passando a ser, a partir de então, acionistas da incorporadora. Incorporação de ações como subrogação Há várias correntes doutrinárias que buscam explicar a natureza jurídica da incorporação de ações. A vertente adotada pelo contribuinte é a de que ocorre um procedimento de mera substituição, configurando uma subrogação real, que, conforme definição doutrinária, seria a substituição jurídica de uma coisa por outra, mantida a relação jurídica base anterior. O art. 252 da Lei nº 6.404/76 seria, conforme essa corrente, a fonte normativa que determina a subrogação real. O cerne dessa abordagem é de que não haveria manifestação de vontade dos acionistas para a efetivação da operação, de modo que não se poderia equiparar a incorporação de ações à subscrição de aumento de capital com bens. Da mesma forma, não se poderia falar em equiparar a incorporação de ações à incorporação de sociedades, esta regulada pelo art. 223 da Lei nº 6.404/76, uma vez que não haveria desaparecimento da sociedade incorporada. Assim, a incorporação de ações seria um caso bastante particular de subrogação real determinada pela lei societária. Como na subrogação real se pressupõe a equivalência de valores entre os bens substituídos, conclui essa corrente doutrinária que a incorporação de ações não importaria em acréscimo patrimonial para o acionista, não sendo, portanto, justificável a incidência do imposto sobre a renda. Entretanto, deixase claro, desde já, que a corrente doutrinária que fundamenta o recurso do recorrente é francamente minoritária. Além disso, a abordagem teórica que prega que a incorporação de ações importa em subrogação real não se coaduna com os termos deste instituto. Conforme a doutrina, a subrogação pode ser pessoal, quando se dá a mudança no sujeito da obrigação, ou real, quando há mudança no objeto sem que se modifique o bem na sua totalidade. Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado. Tomo 2. São Paulo: BookSeller, 2010, p. 345) elenca dois pressupostos para a ocorrência da subrogação real: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 553 17 “Na subrogação, dáse a substituição jurídica de um bem a outro, de modo que o adveniente — seja de crédito, seja de indenização, seja imóvel ou móvel, que se substitui a bem da mesma ou de outra natureza — se submeta ao mesmo regime. Para que ela se dê, é preciso: a) que outro bem, — o novo ou adveniente, — entre no patrimônio, de onde um bem saiu; b) que exista patrimônio sujeito a regime próprio”. Ou seja: há necessidade de identidade de relações jurídicas entre o bem que sai do patrimônio do sujeito e o que passa a integrálo. No caso da incorporação de ações, não há tal identidade. O que há é a “substituição” de ações da “Companhia A” por ações da “Companhia B”. De plano, vêse que há alteração de relação jurídica, pois se trata de títulos mobiliários referentes a sociedades diferentes, com valores patrimoniais diferentes e submetidos a estatutos sociais diversos. Na incorporação de ações sequer os efeitos decorrentes dos bens supostamente substituídos são os mesmos. As ações originárias legitimavam o acionista a receber dividendos da “Sociedade A”. As ações supostamente substitutas legitimam o acionista a receber dividendos da “Sociedade B”. Nessa situação, sequer precisa necessariamente ser mantida a mesma classe entre as ações “A” e “B”, de modo que o acionista será colocado em situação jurídica completamente nova. Afirma a doutrina, outrossim, que há subrogação se o bem recebido em resposta tiver o objetivo de recompor o patrimônio anteriormente deslocado, devendo a recomposição levar em conta a identidade de “valores” do bem original e do sub rogado. Na incorporação de ações, por sua vez, há a prévia avaliação do valor patrimonial das ações a serem incorporadas, a qual, nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404/76, pautará o preço pelo qual as ações da companhia incorporadora serão emitidas e, assim, subscritas e integralizadas pelos antigos acionistas da incorporada. As ações da incorporadora, portanto, que são destinadas aos antigos acionistas, podem ter valor “menor, igual ou superior” àquele das ações incorporadas. Daí se nota, ao fim, que não há recomposição de patrimônio, mas sim verdadeira variação patrimonial dos antigos acionistas, pelo que é de se afastar a ocorrência de subrogação. Incorporação de ações como permuta Por outro lado, se a incorporação de ações não pode ser tratada como subrogação real, muito menos poderá ser tratada como permuta. E, mesmo que pudesse, isso não seria motivo para justificar a não incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital. Conforme a doutrina, o elemento distintivo entre a compra e venda e a permuta é o preço. Nesse sentido, segue o conceito jurídico de preço, conforme Geraldo Alves Magela (Novo Fl. 562DF CARF MF 18 Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Roma Victor, 2006, p. 376): “Preço. Do latim, pretium, designa um valor ou a avaliação pecuniária da coisa. Valor pago ou atribuído a alguma coisa comercializável. Obrigação pecuniária do comprador no contrato de compra e venda. Remuneração das atividades conectadas ao serviço postal ou serviço de telegrama. Preço será atribuído ainda à adjudicação, à aquisição, à arrematação, à avaliação e à remição, podendo ser real, unitário, global, ordinário, fixo ou variável, mínimo, médio ou máximo.” Observese que, a teor do disposto no art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, haverá a subscrição, pela companhia incorporada, representante de seus acionistas, de aumento de capital deliberado pela companhia incorporadora. A subscrição consiste no ato em que o acionista concorda com o preço de emissão e se compromete a dar valor em dinheiro para integralização do capital. Certo que, a teor do art. 7º da Lei nº 6.404, de 1976, a integralização das ações subscritas pode se dar com bens ou dinheiro, mas também é certo que o capital social é fixado “em moeda corrente nacional”, de acordo com o art. 5º. Tanto é assim que o acionista integraliza ações subscritas por um preço de emissão. A dívida decorrente da subscrição é dívida de dinheiro, embora possa ser adimplida com dação de bens. Tanto é assim que o art. 107 da Lei nº 6.404, de 1976, permite a execução para cobrança das importâncias devidas para a integralização de ações subscritas, verbis: “Art. 107. Verificada a mora do acionista, a companhia pode, à Sua escolha: I – promover contra o acionista, e os que com ele forem solidariamente responsáveis (artigo 108), processo de execução para cobrar as importâncias devidas, servindo o boletim de subscrição e o aviso de chamada como título extrajudicial nos termos do Código de Processo Civil; ou II – mandar vender as ações em bolsa de valores, por conta e risco do acionista.” Ao falar em “importâncias devidas”, o dispositivo deixa clara a existência de dívida refletida em dinheiro. Nesse sentido, observese o que asseveram Luiz Carlos de Andrade Júnior e Luiz Eduardo Schoueri (Incorporação de ações: natureza societária e efeitos tributários. In: Revista Dialética de Direito Tributário. n. 200, mai. 2012, p. 66): “É relevante notar que a companhia poderá cobrar do acionista as ‘importâncias devidas’, o que põe em destaque o caráter monetário da obrigação decorrente da subscrição. Apenas para se traçar um paralelo, fosse a obrigação decorrente de subscrição centrada numa coisa (como na permuta), a companhia teria o direito de exigir a entrega desta, ou, quando muito, pleitear judicialmente uma indenização pelas perdas e Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 554 19 danos sofridos. Jamais poderia a companhia (também a exemplo do que ocorre na permuta) exigir o pagamento do próprio preço (que somente é ‘importância devida’ na compra e venda).” Concluise, portanto, que o negócio de subscrição importa em obrigação pecuniária, não uma obrigação de troca. O negócio jurídico de subscrição cria uma obrigação de integralizar o capital social. O ato de integralização, por força de lei, pode se dar em bens. É a mesma lógica de se dizer que o tributo é uma prestação pecuniária que pode ser extinta por dação em pagamento. Ou seja, é inegável que a operação de incorporação de ações implica a circulação de riquezas entre as partes envolvidas, mormente os antigos acionistas da incorporada e a incorporada. Com efeito, a existência de preço emissão nas operações de incorporação de ações acarreta a inegável consequência de que, por um lado, uma das partes cobrou um preço, e, por outro, a outra realizou tal pagamento. Nesse sentido, vale destacar que, de acordo com o art. 106 da Lei nº 6.404, de 1976, a única obrigação do acionista perante a companhia é justamente a realização da “prestação correspondente às ações subscritas ou adquiridas”. Assim, se há a cobrança de um preço de emissão, o qual é pago mediante a entrega de outras ações, por óbvio que essas últimas ações (incorporadas) foram entregues pelo preço de emissão. Caso contrário teríamos que admitir que a Lei nº 6.404, de 1976, contém uma negação interna. na subscrição devida em sede de incorporação de ações, em momento algum se identifica qualquer espécie de permuta. Há a clara circulação de riquezas, a qual proporciona o aumento do patrimônio da companhia incorporadora na mesma medida em que há a realização das ações detidas pelos antigos acionistas da incorporada. Desse modo, afastadas as hipóteses apresentadas, demonstrase o entendimento da Fazenda Nacional pela ocorrência de verdadeiro ato de alienação na incorporação de ações. Incorporação de ações como modalidade de alienação Alega o recorrente: (a) que incorporação de ações não seria alienação; (b) teria havido apenas subrogação real ou substituição de ações, pois os acionistas não teriam externado nenhuma manifestação de vontade; e (c) a subrogação se assemelharia à permuta sem torna, operação que não geraria ganho de capital. As alegações do contribuinte não procedem. Primeiro, porque a incorporação de ações é, efetivamente, uma espécie de alienação. Segundo, porque mesmo que fosse uma mera sub rogação ou substituição de ações, ainda assim seria alienação. Terceiro, porque mesmo sobre o ganho de capital da operação de permuta sem torna (salvo de unidades imobiliárias) incide imposto de renda. Fl. 564DF CARF MF 20 Com efeito, dispõe o art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, verbis: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem ALIENAÇÃO, A QUALQUER TÍTULO, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, PERMUTA, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” O dispositivo legal é muito claro no sentido de que: (a) na apuração do ganho de capital, serão consideradas as alienações a qualquer título, inclusive permuta; e (b) a tributação independe da forma da percepção dos rendimentos ou proventos, bastando o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. A incorporação de ações, de fato, constitui uma forma específica de alienação, não constituindo uma mera subrogação, substituição ou permuta. E, ainda que se constituísse numa dessas modalidades (de alienação), ainda assim incidiria imposto de renda sobre o ganho de capital. Segundo De Plácido e Silva (Vocabulário Jurídico. v. 1. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1982, p. 132.), alienação “é o negócio jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designam todo e qualquer ato que tem o efeito de transferir o domínio de uma coisa para outra pessoa.” O mesmo autor afirma, ainda, que a alienação pode se dar a título gratuito ou oneroso, mas, em qualquer desses casos, a alienação mostrará a diminuição de determinado bem do Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 555 21 patrimônio de uma pessoa para ser incorporado e aumentar o patrimônio de outra. É justamente o que ocorre na incorporação de ações. Parcela do patrimônio dos acionistas da incorporada (ações) é removida e transferida ao patrimônio da sociedade incorporadora. Isso, por si só, configura alienação. O pagamento dessa alienação se dá na forma de bens, que podem ou não causar acréscimo patrimonial aos acionistas. Pelo art. 9º da Lei nº 6.404, de 1976, a transferência de bens à sociedade empresária por seus acionistas ocorre “a título de propriedade” em favor dela. Com efeito, se inexiste qualquer disposição em contrário no art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é de se concluir que a integralização de capital da incorporadora com ações da incorporada importa em transferência de propriedade, o que nada mais é do que alienação. Em conclusão, entende Edmar Oliveira Andrade Filho (Imposto de Renda das Empresas. 6ª ed. São Paulo: Atlas, p. 484.), cuja doutrina nesse ponto é adotada na jurisprudência do CARF, que a incorporação de ações tem natureza jurídica de alienação em sentido amplo, nos seguintes termos: “A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega como forma de conferência de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral.” Como se observa, portanto, a incorporação de ações tem inquestionável natureza jurídica de alienação, de modo que é possível a ocorrência de ganho de capital. Porém, mesmo que a natureza jurídica da incorporação de ações fosse de mera permuta, ainda assim incidiria imposto de renda caso houvesse ganho de capital. Quanto à alegação de que trata de uma permuta sem torna, esclarecese que o regramento normativo da permuta é efetuado pelo art. 121 do Decreto nº 3.000/99, verbis: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): I – as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima, observado o disposto no art. 119; II – a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. § 1º Equiparamse a permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura Fl. 566DF CARF MF 22 pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. § 2º No caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna.” Porém, é evidente que o dispositivo faz referência, apenas, às permutas de unidades imobiliárias. Ora, o próprio dispositivo afirma que, “Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (...) a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias.” O § 2º, por outro lado, apenas complementa o caput: “No caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna.” Essa interpretação é corroborada pela Instrução Normativa RFB nº 84, de 2001, verbis: “Art. 29. Na determinação do ganho de capital sujeito à incidência do imposto são excluídos os ganhos de capital decorrentes de: […] § 5º Na permuta de unidades imobiliárias com torna, o ganho de capital é apurado exclusivamente em relação a esta, observado o disposto no art. 23.” Porém, não é somente essa interpretação que impede o acolhimento da pretensão do recorrente. É que o próprio art. 121, no tocante à permuta de unidades imobiliárias, não possui base legal. A Constituição é clara ao afirmar que as isenções somente poderão ser concedidas por lei específica (art. 150, § 6º). O CTN dispõe no mesmo sentido (art. 97, VI). Porém, não se está defendendo a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade do art. 121 do Decreto nº 3.000, de 1999, mas apenas a sua inaplicabilidade à permuta com torna de bens móveis. Com efeito, o art. 111 do CTN afirma que deve ser interpretada “literalmente a legislação tributária que disponha sobre (...) outorga de isenção”. No caso dos autos, o que a recorrente pretende é a aplicação analógica de um dispositivo normativo que sequer tem base legal para isentar do imposto de renda o ganho de capital decorrente da permuta de unidades imobiliárias, quanto mais de unidades mobiliárias, às quais sequer faz referência. Portanto, mesmo que a operação de incorporação de ações fosse equiparada à permuta, isso não seria impedimento para a incidência de imposto de renda sobre a diferença entre os valores dos bens permutados. Por fim, no tocante ao Parecer PGFN nº 970, de 1991, ao art. 65 da Lei nº 8.383, de 1992, e ao art. 2º da Medida Provisória nº Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 556 23 2.15970, registrese que esses atos e dispositivos são restritos às permutas efetuadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, conforme bem esclareceu o Parecer PGFN/CAT nº 1722/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, por meio do Despacho s/n datado de 29/05/2015 (DOU de 1º/06/2015, Seção 1, p. 24) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A recorrente, com base no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, que supostamente afastaria o disposto o art. 161, § 1º, do CTN, defende a não incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, que, segundo alega, não previu a incidência de juros sobre multa, mas apenas sobre o principal do crédito tributário. Alega, ainda, que a multa não se confunde com o tributo, nos termos do art. 3º do CTN. Por fim, defende que, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, somente incidem juros de mora sobre a multa isolada. Dispõe o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º O art. 161 do CTN, por outro lado, afirma: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” O art. 139, do CTN, por sua vez, dispõe: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” O art. 113, caput e § 1º, do CTN, afirmam que o crédito tributário é composto do tributo em si e da penalidade pecuniária, verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Ora, o próprio art. 161 do CTN manda incidir juros de mora sobre o crédito tributário, ou seja, sobre o principal e a penalidade pecuniária, não havendo nenhuma disposição legal que diga o contrário. O § 1º do art. 161, por sua vez, dispõe o seguinte, verbis: Fl. 568DF CARF MF 24 “§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Conforme se observa pela simples leitura do dispositivo, o que o CTN permite excepcionar é qual taxa de juros incidirá sobre o crédito tributário não pago no vencimento, e não a incidência em si. Se não houver outra taxa estipulada, incidirá aquela prevista no § 1º, qual seja, um por cento ao mês. Se houver outra prevista na legislação, incidirá esta outra. Porém, sempre incidirá uma taxa, pois o CTN não permitiu excepcionar a sua incidência. A permissão é em relação a qual taxa incidirá. E, conforme se observa, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96 remete ao art. 5º, § 3º, da mesma lei, que, por sua vez, mandou incidir a Taxa Selic. Então, será ela que incidirá. Vejase o dispositivo, verbis: “Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Portanto, é despicienda a discussão, levantada pela contribuinte, de que a penalidade não se confunde com o tributo, bem como os juros somente incidiriam sobre a multa isolada. Demonstrouse, com base na própria Lei nº 9.430/96 e no CTN, que não é isso que ocorre. Por fim, mas não menos importante, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é contrária à pretensão do contribuinte, verbis: “1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido.” (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) “Tributário. Embargos à execução fiscal. Taxa Selic. Aplicação para tributos estaduais diante da existência de lei autorizadora. Matéria decidida pela 1ª Seção, no REsp 879844/mg, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543c do CPC. Especial eficácia vinculativa desse precedente (CPC, art. 543C, § 7º), que impõe a adoção em casos análogos. Multa pecuniária. Juros de mora. Incidência. Legitimidade. Precedente da 2ª Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 557 25 Turma do STJ. Recurso especial a que se nega provimento.” (REsp 834.681/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 02/06/2010) No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.” (Acórdão nº 3102002.386, de 18/03/2015) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão nº 2101002.667, de 20/01/2015) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Conforme o Código Tributário Nacional (art. 139) o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Estão compreendidos no conceito de crédito tributário o tributo e a penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Assim, é legítima a exigência pela Lei nº 9.430/96, que, fundamentada no Código Tributário Nacional, impõe a incidência de juros de mora à Taxa Selic, sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual a multa de ofício é espécie.” (Acórdão nº 1103001.044, de 06/05/2014) Logo, não restam dúvidas que os juros de mora efetivamente incidem sobre a multa de ofício, e devem ser calculados com base na Taxa Selic, conforme reiterada jurisprudência da judicial e administrativa, sendo de rigor a manutenção do acórdão recorrido, também nesse ponto. PEDIDO Ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a FAZENDA NACIONAL seja negado provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO do sujeito passivo, mantendose o acórdão atacado por seus próprios fundamentos, bem como pelas razões acima apresentadas. É o relatório. Fl. 570DF CARF MF 26 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. INTRODUÇÃO Inicialmente, ressaltese que o cerne da questão que ora se apresenta é a definição do momento da ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital na alienação de bens e direitos, que no caso ocorreu em virtude da incorporação de 16.454.870 ações que o contribuinte possuía da empresa SAPEKA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FRALDAS DESCARTÁVEIS LTDA., cujo custo de aquisição foi valorado em R$ 1,00 a unidade, totalizando, portanto, R$ 16.454.870,00. Com a operação, a contribuinte cedeu as suas ações à HYPERMARCAS S/A, recebendo em contrapartida 3.731.708 ações desta companhia, avaliadas em R$ 84.149.998,47, a totalidade, resultando num ganho de capital de R$ 67.695.128,47, sobre o qual aplicouse a alíquota de 15% e apurouse o R$ 10.154.269,27, a título de imposto de renda. MÉRITO Inicialmente, destacase que a atividade vinculada do agente administrativo não o permite interpretar a lei de forma diversa, devendo observar o disposto no CTN, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A operação de incorporação de ações está prevista na Lei 6.404/76: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembleiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. [...] § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembleiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 558 27 § 4º A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. Como se vê, a incorporação de ações significa que uma companhia incorpora a totalidade das ações de outra. A companhia incorporadora tem o seu capital social acrescido das ações cujo valor é apurado em avaliação realizada para esse fim. Também por efeito da incorporação, passam a figurar, em seu quadro de sócios acionistas, os acionistas originários dos títulos transferidos. Os acionistas da companhia cujas ações são incorporadas adquirem participação societária na incorporadora, entregando para isso as ações originárias. O valor da participação societária adquirida corresponde ao que for definido pela avaliação aprovada em assembleia. No patrimônio do acionista ocorre a saída das ações da companhia incorporada e o ingresso das novas ações, da companhia incorporadora. A transferência não se dá mediante a entrega em dinheiro, mas sim em bens (ações), sendo que a incorporadora também paga o respectivo preço em bens, na forma de ações novas. Assim, a transmissão da propriedade dos ativos é onerosa e mensurada em dinheiro, a partir de prévia avaliação de profissionais peritos. A hipótese de integralização de capital por pessoa física, mediante entrega de bens, foi estabelecida no art. 23 da Lei 9.249/95: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (grifo nosso) Sendo assim, a incorporação de ações é uma forma de alienação em sentido amplo, sendo que a diferença a maior a favor do valor econômico em contraposição ao custo de aquisição da participação na empresa cujas ações estão sendo incorporadas por outra, constitui se em ganho de capital. As operações que importem alienação de bens estão sujeitas à apuração de ganho de capital, de acordo com a Lei 7.713/88, art. 3º: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. Fl. 572DF CARF MF 28 [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (grifo nosso) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (grifo nosso) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. O imposto em questão incidirá sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, neste último incluído o ganho de capital aqui abordado, o qual é perfeitamente mensurável monetariamente. A lei ao definir o fato gerador do imposto não se reporta à disponibilidade financeira, mas à disponibilidade econômica ou jurídica, CTN, art. 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Para o CTN, o fato gerador do imposto se configura possível com o simples acréscimo patrimonial, não se exigindo a disponibilidade financeira ou circulação de numerário correspondente. Vêse, portanto, que a disponibilidade da nova riqueza em pecúnia não é requisito absoluto para a tributação da renda da pessoa física, especialmente diante da hipótese de patrimônio economicamente acrescido pela aquisição de um bem ou direito, como no caso da incorporação de ações. Neste caso, independentemente da conversão em pecúnia, estará configurada a realização de renda para a pessoa física a partir do instante em que o bem ou direito esteja incorporado ao seu patrimônio, ou seja, basta para a aquisição da disponibilidade da renda a possibilidade de mensuração econômica do bem ou direito e que, efetivamente, acresça riqueza ao patrimônio do contribuinte. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 559 29 Frisese que o artigo 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seus incisos IV e XIII, traz exemplificativamente hipóteses de incidência em que não há recebimento de valores em dinheiro. Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): [...] IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (grifo nosso) [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; A restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade (cláusula de lock up) acordada entre as partes não pode ser oposta à Fazenda Pública, como destacado no acórdão recorrido, além disso, como bem observado pela PGFN nas contrarrazões, tal restrição não afasta o uso e gozo do bem, no caso, ações, gerando, por exemplo, direito à percepção de dividendos e juros sobre capital próprio, bem como o aluguel de ações. Destaca ainda a PGFN que a restrição ao direito de propriedade não se confunde com condição à transferência de domínio. A transferência de domínio se perfectibilizou no momento da incorporação das ações e com ela o fato gerador do tributo, na forma do art. 3º da Lei 7.713/88. Na data em que se aprovou a operação de incorporação, o bem ingressou no patrimônio dos acionistas e gerou acréscimo patrimonial, não importando o que aconteceria a partir daí. Diante do conceito de aquisição de disponibilidade econômica, que decorre do recebimento de um valor que acresce efetivamente riqueza ao patrimônio do contribuinte, mesmo que não seja em dinheiro, a convenção particular entre as partes com o fim de limitação à faculdade de disposição do direito de propriedade do acionista, obrigando o contribuinte a não alienálas por um determinado período, não tem o condão de modificar a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, reputandose perfeito e acabado por ocasião da incorporação das ações. Ademais, uma vez efetivada a operação, o contribuinte aceitou o risco da variação do valor de mercado e eventual prejuízo foi por ele assumido quando optou por ceder as ações da SAPEKA, recebendo em troca as ações da HYPERMARCAS. Não cabe aqui invocar a Lei 12.973/14, art. 17, e a Lei 11.941/09, art. 17, que tratam de escrituração contábil, como bem destacou a DRJ. Assim, diante da legislação aplicável, especialmente a Lei 7.713/88, art. 3º, § 3º, a conclusão não pode ser outra: o fato gerador do IRPF ocorreu no momento da operação Fl. 574DF CARF MF 30 discriminada na introdução deste voto, e tendo sido apurado o ganho de capital, correto o lançamento fiscal que apurou o imposto devido. PAGAMENTO DO TRIBUTO NOS EXERCÍCIOS SEGUINTES No que se refere ao ganho de capital apurado pelo contribuinte nas alienações das ações da Hypermarcas, a partir do anocalendário 2012, este não é objeto do presente processo, que cuida somente da alienação ocorrida no anocalendário 2010. Se o contribuinte entende que houve apuração de imposto a maior nos exercícios seguintes, cabe somente a ele demonstrar o erro em procedimento próprio e pedir a restituição dos valores. Não se aplica ao caso o Parecer Normativo Cosit n° 2, de 28/08/1996, pois suas disposições alcançam apenas as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, como bem destacou a DRJ. JUROS SOBRE A MULTA DO OFÍCIO Ao contrário do que entende o recorrente, incide juros de mora sobre a multa de ofício. O CTN, no art. 161, dispõe que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei 9.430/96, art. 61, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício, portanto, não efetuado o pagamento no prazo legal, incide juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. No mesmo sentido, manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10980.723322/201582, Acórdão 9202004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 560 31 incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. CONCLUSÃO Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou o IRPF ora lançado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 576DF CARF MF 32 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Do ganho de capital na operação de incorporação de ações Divirjo da i. relatora quanto a existência do ganho de capital passível de tributação na operação de incorporação de ações detalhadamente descrita no voto acima. Tratase de discussão bastante conhecida neste Conselho e com jurisprudência e doutrina na defesa de ambas as teses. Como destacado nos debates deste julgamento, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 03/03/2015, julgou caso muito semelhante ao presente e entendeu pela não incidência do IRPF na operação, proferindo o Acórdão nº. 9202003.579, cuja ementa restou assim redigida: IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço.Recurso especial negado. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 561 33 Na ocasião, o i. relator designado para redigir o voto vencedor, Manoel Coelho Arruda Junior, de maneira brilhante e minuciosa abrangeu o tema por diversas perspectivas, todavia, uma delas em especial me chama a atenção, razão pela qual apresento esta declaração de voto, por entender que a matéria, quando discutida, está passando ao largo de crucial fundamento. Destaco alguns trechos do mencionado acórdão: Por outro lado, não obstante as delimitações negativas que buscamos realizar, é importante salientar que o Texto Constitucional consagra o direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). A tributação consiste em invasão no patrimônio do contribuinte, relativizando o seu direito de propriedade, que destaca parte de sua riqueza (a ser calculada de acordo com o referencial adotado – renda, patrimônio, faturamento, receita, dentre outros) e a entrega ao Estado, como forma de abastecimento dos cofres públicos e concretização dos valores constitucionais perseguidos pela sociedade. Esta invasão, no entanto, não pode aniquilar direitos fundamentais. A capacidade contributiva, a seu turno, impõe que o legislador capte as manifestações de riqueza, previamente estipuladas pelas regras de competência tributária. Com essas palavras, queremos pontuar que só há renda– acréscimo patrimonial – após o confronto entre as receitas e as despesas, de modo a se tributar, efetivamente, riqueza disponível, e não um ônus, uma perda ou, enfim, qualquer decréscimo patrimonial. Nesse diapasão, parecenos que o vocábulo renda só pode significar o acréscimo de riqueza definitivo ao patrimônio do contribuinte, obtido após a dedução das despesas indispensáveis à manutenção da fonte produtora, verificada em determinado período de tempo. O conceito em tela distinguese principalmente da noção de “patrimônio” (que é o conjunto estático de bens) e de “receita” (ingresso patrimonial), vez que sua configuração depende da dedução de determinadas saídas. Do contrário, terseia renda como sinônimo de receita. Posto isso, cabe analisar se a definição do conceito de “renda e proventos de qualquer natureza” realizada pelo legislador nacional complementar, é compatível com a regra de competência do artigo 153, III, da Carta Magna de 1988. [...] A tributação da renda só é possível quando configurada a disponibilidade –econômica ou jurídica – que denote manifestação de capacidade contributiva por parte do contribuinte. A disponibilidade econômica referese à efetiva disponibilidade dos recursos financeiros em caixa, enquanto a disponibilidade jurídica consiste em título jurídico, líquido e certo, que lhe permite obter, incontestavelmente, a realização em Fl. 578DF CARF MF 34 dinheiro. O importante, para que se viabilize a incidência do tributo, é que o contribuinte adquira esta disponibilidade e manifeste capacidade econômica para arcar com a carga tributária que lhe será imposta em razão deste acréscimo. Definir se a incorporação de ações enseja ganho de capital aos acionistas, pessoas físicas da empresa incorporada, exige domínio do conceito constitucional de renda, da sua definição à luz do Código Tributário Nacional e se há subsunção deste evento, ou não, ao critério material da hipótese de incidência da norma tributário. Ademais, é decisivo saber se esta operação societária equiparase à alienação de bens ou direitos por meio de subscrição de ações, conforme disposto no §3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. De nossa parte, afirmo sem qualquer receio que a incorporação de ações não se equipara à alienação de bens. Alienar tem como acepção de base a transferência de algo a outrem. O Código Civil de 2002, trata a alienação como forma de perda da propriedade, consoante o artigo 1.275, I, e se concretiza quando há um negócio jurídico bilateral, pelo qual o alienante transfere, a título gratuito ou oneroso, determinado bem ou direito ao alienatário. Na incorporação de ações ocorre troca, permuta ou, como enuncia a Lei das Sociedades Anônimas, substituição de ações. Esta transação, frisese, não se dá entre os acionistas da incorporada e a sociedade incorporadora, mas sim entre as duas companhias. Os acionistas da incorporada deliberam sobre a formalização da operação, mas não se exige votação unânime. O sócio que tenha recusado a incorporação, caso não exerça o seu direito de retirada, sofrerá os efeitos da operação societária, passando a ser considerado acionista da incorporadora, de quem receberá novas ações, em substituição àquelas que possuía, cabendolhe efetuar as alterações necessárias em sua declaração de bens. Como se vê, no trecho acima temos as razões do redator do voto vencedor sob o prisma constitucional, ou seja, a análise da incidência ou não do ganho de capital da pessoa física sob o prisma dos conceitos constitucionais de renda que autorizam a tributação. Não se trata de declarar inconstitucional os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, mas sim de analisar a operação concreta (incorporações de ações) e os seus resultados de acordo com a previsão constitucional e decidir pela incidência ou não da tributação. Neste ponto, fazendo jus ao brilhantismo das razões dispostas no Acórdão nº. 9202003.579 e sendo desnecessário ser repetitivo quanto àquelas, destaco a importância desta discussão tão corrente neste Conselho passar a considerar, mais concretamente, a redação do art. 153, III, da Constituição Federal, além dos mencionados direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). Analisando a questão também sob esse prisma constitucional, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento da Apelação/Remessa Necessária nº 505279342.2011.4.04.7000, em acórdão proferido em 01/09/2015, também entendeu pela não incidência do IRPF em operação idêntica a do presente caso, utilizandose, inclusive, do Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201515 Acórdão n.º 2401004.822 S2C4T1 Fl. 562 35 acórdão nº. 9202003.579 da 2ª Turma da CSRF acima mencionado. Na ocasião, o Des. Otávio Roberto Pamplona, que redigiu o voto vencedor, assim ponderou: Pondero, ademais, que, mesmo que se considerasse a incorporação de ações como ato de alienação, não estaria a situação dos autos enquadrada no âmbito da regra matriz de incidência do IRPF. Pela simples e óbvia razão de que nem toda alienação implica em ganho de capital. Em outras palavras, a realização de uma alienação, por si só, não gera ganho de capital, cujo exemplo típico é a permuta sem torna, ainda que não coincidentes os valores dos bens permutados. Não se aplica, portanto, na espécie, a regra constante no artigo 3º, § 3º, da Lei n. 7.713/88, nem tampouco a inserta no artigo 23 da Lei nº 9.249/95, esta última um dos fundamentos básicos do ato fiscal, assim expressa: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decreto Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Isso porque, como exaustivamente posto na fundamentação, a incorporação de ações para a criação da subsidiária integral não se confunde com a integralização de capital. Ademais, o artigo 23, acima transcrito, prevê uma faculdade à pessoa física para optar em fazer ou não a reavaliação mercadológica das ações e, caso queira, altere os valores na sua declaração enquanto pessoa física. Já, na hipótese de criação de subsidiária integral, o caso é de avaliação obrigatória, por força da Lei das Sociedades Anônimas, o que justifica o mesmo tratamento dado à permuta sem torna, visto que, conquanto diversos os valores de aquisição e os valores de mercado, não há, aqui também, recebimento de valores, isto é, de renda tributável. [...] Na verdade, admitirse a tributação como consta do ato fiscal implicaria em tributação sobre o patrimônio e não tributação sobre a renda. Mutatis mutandis, em um exemplo simples, seria o mesmo que o legislador determinasse que fossem lançadao, nas declarações de ajuste dos contribuintes pessoas físicas, os valores de seus Fl. 580DF CARF MF 36 bens imóveis de acordo com o valor do mercado no final do exercício declarado (desde 31 de dezembro 1995 congelados, portanto, sem correção dos valores; que a posterior legislação que introduziu tardiamente a redução do ganho de capital não solveu bem a distorção Lei nº 11.196/2005,), e, ao mesmo tempo, determinasse, em razão da mais valia, que fosse ela tributada como renda, a título de ganho de capital. Ou seja, tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda. [...] A tudo, ainda, podese acrescentar que a tributação ofenderia o princípio da capacidade contributiva, visto que, como bem posto por Ricardo Mariz de Oliveira, 'a intributabilidade nessas operações decorre do princípio constitucional da capacidade contributiva, o qual, em se tratando do imposto de renda (e também da CSL), está refletido na definição dos respectivo fato gerador, contido no art. 43 do CTN, no sentido de que ele corresponde à aquisição da disponibilização econômica ou jurídica de renda, ou seja, de renda realizada', sendo certo, ainda segundo o aludido autor, que 'qualquer eventual mais valia da ação ou bem recebido, em relação ao custo de aquisição, não passa de valor econômico que a ação ou bem dado já carregava antes do ato, mas que somente seria tributável quando alienado, e agora quando vier ser alienado o bem recebido na troca' (op. cit., p. 202 e 203, respectivamente, vide também, p. 106). Por fim, ofenderia a regra geral de tributação da pessoa física pelo regime de caixa, a qual, só como exceção, é afastada, como, por exemplo, na hipótese do art. 23 da Lei nº 9.249/95, a qual só pode incidir por opção do próprio contribuinte, conforme regra inserta no § 2º do referido artigo, e não por imposição legal ou por discrição da administração tributária. Assim, com base nas razões expostas, dando o devido destaque para os acórdãos proferidos pela 2ª Turma da CSRF deste Conselho (9202003.579) e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5052793 42.2011.4.04.7000/PR), que com brilhantismo tratam exaustivamente da questão de mérito aqui discutida e analisaram a incidência ou não do IRPF sob o prisma da autorização constitucional para sua exigência, entendo que não há que se admitir a existência de ganho de capital passível de tributação na operação de incorporação de ações levada a efeito pelo contribuinte em 05/01/2011. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725625/2014-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
Numero da decisão: 2202-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de deduções de despesas médicas no valor de R$ 1.053,71.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
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PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de deduções de despesas médicas no valor de R$ 1.053,71. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 56 25 /2 01 4- 65 Fl. 110DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 06/11), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas pagos a: · Previne Centro de Vacinação, no valor de R$ 120,00, por falta de previsão legal para sua dedução; · Clinica Dentária VM Ltda, no valor de R$ 715,00, por falta de endereço no recibo apresentado; · Associação dos Servidores da Justiça do RS, no valor de R$ 480,00 e Instituto de Previdência do Estado do RS, no valor de R$ 1.053,71, por se tratarem de planos de saúde sem identificação dos beneficiários; · Vanessa Radtke Moreira, no valor de R$ 790,00, por falta de identificação correta da profissional. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, (fls. 03), não impugnada a glosa da despesa com vacina. O interessado afirmou que as despesas são do próprio contribuinte ou de sua esposa (dependente para fins de imposto de renda). Anexou documentos às fls. 12/30. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), julgou a impugnação procedente em parte, conforme acórdão de fls. 76/78, mantendo as glosas das despesas pagas à Associação dos Servidores da Justiça do RS e ao IPERGS, por se referirem a plano de saúde sem a comprovação dos beneficiários do plano. As demais deduções foram restabelecidas. Cientificado dessa decisão por via postal em 02/10/2014 (A.R. de fls. 81), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 08/10/2014 (fls. 84/85), argumentando que as despesas do IPERGS e da Associação dos Servidores da Justiça estão plenamente comprovadas, uma vez que são descontadas mensalmente em seus contracheques. Que o PAMES Plano de Assistência Médica Suplementar destinase a fornecer aos usuários do IPE Saúde, internação hospitalar em classe privativa, cuja contribuição, na categoria familiar (titular e dependentes) passou a R$ 89,33 a partir de junho de 2012. Diz anexar documento fornecido pelo IPERGS, onde consta o nome da esposa como dependente beneficiária, requerendo o reconhecimento do valor total desta despesa (R$ 1.053,71), por beneficiar também sua esposa e dependente do IRPF. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.725625/201465 Acórdão n.º 2202003.867 S2C2T2 Fl. 111 3 O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos declarados como despesas com planos de saúde pelo declarante, sem a comprovação dos valores pagos por beneficiário. Conforme se depreende da DIRPF às fls. 36, este contribuinte declarou na relação de pagamentos efetuados, o pagamento de R$ 480,00 à Associação dos Servidores da Justiça do RS no código 26 (Planos de Saúde no Brasil). Não há prova nos autos deste pagamento se tratar de plano de saúde. Em pesquisa ao site desta associação na rede mundial de computadores, verificase que é uma entidade de classe, definida em seu estatuto como instituição de caráter beneficente, cultural, recreativa e de defesa dos interesses da classe, que congrega os servidores da justiça do Estado não havendo, dentre suas finalidades qualquer identificação com operadora de plano de saúde. O contribuinte não trouxe aos autos documentos que comprovem o objeto destes pagamentos declarados como plano de saúde. Tenho, assim, que foi equivocada a informação do contribuinte pois, por se tratarem de mensalidades em prol da associação, são indedutíveis na DIRPF. Em seu recurso o interessado juntou aos autos às fls. 91, tabela de reajuste dos valores das contribuições ao PAMES, vigente a partir de junho/2012 onde se depreende que existem duas modalidades: individual e familiar, subdivididas em duas faixas etárias, até 45 anos e mais de 45 anos. Na modalidade familiar a contribuição mensal passou a R$ 89,33, exatamente o valor descontado nos contracheques do declarante cuja soma no ano foi de R$ 1.053,71. Percebese, então, que este plano de assistência médica suplementar prevê valor único de contribuição mensal, englobando todo o grupo familiar, pois não há cobrança de mais de um valor básico, por beneficiário nem diferenciação quanto ao número de beneficiários na modalidade familiar. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, destinadas ao plano de saúde pago pelo declarante ao PAMES no valor de R$ 1.053,71, mantida a glosa de R$ 480,00. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de deduções de despesas médicas no valor de R$ 1.053,71. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 112DF CARF MF 4 Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002407/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2002, 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança com base em presunção legal de omissão de receita, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas, na impugnação, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide.
GLOSA DA EXCLUSÃO DECORRENTE DE BAIXA DE INVESTIMENTO ADQUIRIDO COM ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ADIÇÃO. É cabível a exclusão do valor correspondente à baixa de investimento adquirido com ágio, cuja adição ao lucro real não restou evidenciada. Não comprovadas as adições, incabível a exclusão.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ DECLARADO EM DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de comprovação do recolhimento do valor integral declarado em DIPJ, cuja existência de erro de preenchimento sequer foi arguida pelo contribuinte, enseja sua cobrança com os acréscimos legais devidos.
IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A compensação de crédito de imposto de renda retido na fonte somente é passível de comprovação mediante apresentação de informe de rendimento emitido pela fonte pagadora ou outra prova hábil acerca da retenção. A ausência de comprovação enseja o indeferimento do direito ao crédito pleiteado.
IRPJ. ESTIMATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. GLOSA. É legítima a glosa do valor de estimativa cujo pagamento não restou comprovado pelo contribuinte.
IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É inaplicável a cobrança de multa isolada quando há concomitância com a multa de oficio, em conformidade com a Súmula CARF nº 105.
Numero da decisão: 1201-001.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em a) afastar, do item 003 do Auto de Infração, a glosa correspondente a R$ 98.762,85, relativa ao IR-Fonte retido no ano base de 2002, mantendo as demais e, por unanimidade, cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Gustavo Guimarães, que votaram pela conversão do julgamento em diligência para verificação das DIRF das empresas incorporadas.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 03/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança com base em presunção legal de omissão de receita, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas, na impugnação, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide. GLOSA DA EXCLUSÃO DECORRENTE DE BAIXA DE INVESTIMENTO ADQUIRIDO COM ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ADIÇÃO. É cabível a exclusão do valor correspondente à baixa de investimento adquirido com ágio, cuja adição ao lucro real não restou evidenciada. Não comprovadas as adições, incabível a exclusão. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ DECLARADO EM DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de comprovação do recolhimento do valor integral declarado em DIPJ, cuja existência de erro de preenchimento sequer foi arguida pelo contribuinte, enseja sua cobrança com os acréscimos legais devidos. IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A compensação de crédito de imposto de renda retido na fonte somente é passível de comprovação mediante apresentação de informe de rendimento emitido pela fonte pagadora ou outra prova hábil acerca da retenção. A ausência de comprovação enseja o indeferimento do direito ao crédito pleiteado. IRPJ. ESTIMATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. GLOSA. É legítima a glosa do valor de estimativa cujo pagamento não restou comprovado pelo contribuinte. IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É inaplicável a cobrança de multa isolada quando há concomitância com a multa de oficio, em conformidade com a Súmula CARF nº 105.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em a) afastar, do item 003 do Auto de Infração, a glosa correspondente a R$ 98.762,85, relativa ao IR-Fonte retido no ano base de 2002, mantendo as demais e, por unanimidade, cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Gustavo Guimarães, que votaram pela conversão do julgamento em diligência para verificação das DIRF das empresas incorporadas. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 03/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.002407/200517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.662 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2017 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA DE CIMENTO PORTLAND POTY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança com base em presunção legal de omissão de receita, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas, na impugnação, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide. GLOSA DA EXCLUSÃO DECORRENTE DE BAIXA DE INVESTIMENTO ADQUIRIDO COM ÁGIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ADIÇÃO. É cabível a exclusão do valor correspondente à baixa de investimento adquirido com ágio, cuja adição ao lucro real não restou evidenciada. Não comprovadas as adições, incabível a exclusão. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ DECLARADO EM DIPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de comprovação do recolhimento do valor integral declarado em DIPJ, cuja existência de erro de preenchimento sequer foi arguida pelo contribuinte, enseja sua cobrança com os acréscimos legais devidos. IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A compensação de crédito de imposto de renda retido na fonte somente é passível de comprovação mediante apresentação de informe de rendimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 24 07 /2 00 5- 17 Fl. 424DF CARF MF 2 emitido pela fonte pagadora ou outra prova hábil acerca da retenção. A ausência de comprovação enseja o indeferimento do direito ao crédito pleiteado. IRPJ. ESTIMATIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. GLOSA. É legítima a glosa do valor de estimativa cujo pagamento não restou comprovado pelo contribuinte. IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É inaplicável a cobrança de multa isolada quando há concomitância com a multa de oficio, em conformidade com a Súmula CARF nº 105. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em a) afastar, do item 003 do Auto de Infração, a glosa correspondente a R$ 98.762,85, relativa ao IRFonte retido no ano base de 2002, mantendo as demais e, por unanimidade, cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Gustavo Guimarães, que votaram pela conversão do julgamento em diligência para verificação das DIRF das empresas incorporadas. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 03/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Cuida o presente processo de Auto de Infração (fls. 04/12), por meio do qual foi constituído crédito tributário referente ao IRPJ, acrescido de acréscimos legais e multa isolada. De acordo com o Termo de Encerramento da Ação fiscal (fls. 15/27), referida cobrança foi formalizada pela constatação das seguintes infrações: Fl. 425DF CARF MF Processo nº 19647.002407/200517 Acórdão n.º 1201001.662 S1C2T1 Fl. 3 3 (i) dedução indevida de valores de estimativas não pagas no ano base de 2000; (ii) exclusão indevida na apuração do lucro real, no ano base de 2000, de receita relativa à alienação de determinado investimento; (iii) diferença a menor do IRPJ recolhido no ano calendário de 2003, verificada a partir do cruzamento entre o valor declarado em DIPJ e o valor confessado; (iv) dedução a maior de IRFonte nos anos calendário de 2000 e 2002; e (v) multa isolada de 75% sobre a estimativa relativa à competência de março de 2000. Em face dessa autuação, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 267 e seguintes). Argumenta, em síntese, que: (i) a cobrança de multa isolada deve ser cancelada, uma vez que (i.i) se deu sem indicação de base legal, o que torna o Auto nulo conforme o Decreto n° 70.235/72; e (i.ii) a autoridade fiscal não teria observado o recolhimento da estimativa, bem como a incorporação, pela contribuinte, das empresas Indústria de Comércio de Cal e Mineradora Ponta da Serra; (ii) é indevida a glosa decorrente da dedução do IRFonte, conforme atestam os comprovantes anexados à defesa; (iii) a exclusão pela baixa do investimento é legítima, razão pela qual não poderia ter sido objeto de glosa; (iv) restando comprovada a inexistência dessas infrações, inexiste a insuficiência no recolhimento do IRPJ referente ao ano calendário de 2003; e (v) para a devida compreensão dos fatos, necessária a realização de perícia técnica, a fim de responder os quesitos que formulou. A 3ª Turma da DRJ/REC, após apreciar as razões de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n 1122.624 (fls. 371/381), pela procedência parcial do lançamento. Mais precisamente, a multa isolada foi reduzida em parte (de 75% para 50%), tendo em vista a retroatividade benigna desta última alíquota. Já os demais valores foram mantidos. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 388/402), reiterando os argumentos de nulidade do Auto de Infração e cerceamento do direito de defesa. Além disto, a Recorrente pede também o reconhecimento da nulidade da decisão de primeira instância, notadamente por ela ter indeferido a perícia requerida, bem como porque a multa jamais poderia ter sido mantida, ainda que parcialmente, sem que fosse analisado o mérito da cobrança principal. É o relatório. Voto Fl. 426DF CARF MF 4 Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, conheço do apelo da contribuinte. Nulidade Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10º e 59, in verbis: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos, ocasionada pela inobservância do disposto no artigo 10º. Também não se faz presente, a meu ver, as nulidades previstas no artigo 59 acima transcrito. O Auto de Infração ora em debate foi emitido com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tal como determinado em tal dispositivo, o lançamento de IRPJ tem como motivação o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 15/27), o qual, em conjunto com o próprio auto, contém a descrição dos fatos, a infração imputada, a base legal e demonstrativo dos valores utilizados como parâmetro. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 19647.002407/200517 Acórdão n.º 1201001.662 S1C2T1 Fl. 4 5 A autoridade fiscalizatória motivou os quatro itens que compõem o lançamento, não gerando quaisquer dúvidas acerca do conteúdo e forma da exigência formulada de cada um deles. Especificamente com relação à base legal da multa isolada, a contribuinte questiona a menção ao ano de 1997 à Lei n 9.430 no TEAF, quando o correto é 1996. Tratase, a meu ver, de mero erro de digitação, afinal o Auto de Infração (fl. 8) também menciona como base legal da multa isolada o artigo 957 do RIR/99, cuja matriz legal é justamente o artigo 44, da Lei n. 9.430/96. Ou seja, da análise sistemática dos elementos dos autos, o erro do ano da lei tornase evidente, jamais podendo acarretar a nulidade da cobrança. De fato, a constituição do crédito tributário em questão foi feita de maneira correta. Por ser atividade plenamente vinculada, a fiscalização cumpriu seu dever de fiscalizar a apuração do IRPJ dos anos de 2000 a 2003 e, após tal labor, chegou a conclusão de que a contribuinte teria efetuado exclusão a maior; insuficiência de recolhimento e deduções indevidas, as quais foram perfeitamente identificadas e justificadas. O conjunto probatório acostado aos autos, somado à descrição dos motivos de fato e de direito apresentada pelo auditor fiscal responsável pelo lançamento, são suficientes para permitir o conhecimento da lide e julgamento do voluntário. E, mais ainda, não se vislumbra nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta. Não há, nestes termos, que se falar em cerceamento do direito de defesa, notadamente quando o contribuinte demonstra pleno conhecimento da infração e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. Afasto, portanto, os vícios de nulidade apontados pela Recorrente, tendo em vista que foram observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Perícia No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada quando imprescindível à solução da lide. O artigo 18, do Decreto n. 70.235/1972, ao regulamentar o pedido de perícia, assim prescreve: "Artigo 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]". Como se nota, a perícia não é obrigatória, mas sim facultativa. Ela só se mostra cabível quando for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes estes requisitos, o pedido deve ser indeferido. Fl. 428DF CARF MF 6 Nesse contexto, cumpre frisar que os elementos dos autos são mais do que suficientes para a resolução da controvérsia, ou seja, não há dúvidas que demandam uma perícia para esclarecimento do Julgador. As respostas aos quesitos formulados na defesa e no recurso, na verdade, não demandam uma perícia em sentido técnico, mas dependem exclusivamente da produção e análise da prova propriamente dita, ou seja, da comprovação de que as infrações caracterizadas pelo fisco não ocorreram, comprovação esta cujo ônus passou a ser da Recorrente após a imputação que lhe foi feita. Ora, as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida, portanto, excepcional e permitida em face do princípio da verdade material nas situações contempladas nos dispositivos citados. Situação bem diferente é a tentativa do contribuinte, por meio de pedido de perícia, pretender se esquivar do seu ônus probatório e condicionar à prova a evento futuro e incerto. Nesse sentido, não merece reparo a decisão de primeira instância ao indeferir a perícia, que indiscutivelmente é prescindível para o presente julgamento. Da exclusão indevida na apuração do lucro real (ano calendário de 2000) Transcrevo, a seguir, fragmentos do relatório da decisão de primeira instância sobre os fatos apurados pela fiscalização, assim como das razões constantes da impugnação da Recorrente. "A contribuinte excluiu, na apuração do lucro real do ano calendário 2000, o valor de R$ 1.344.372,65 (fl. 218), correspondente à baixa por alienação de investimentos na Cia. Agro Industrial Igarassu (fl. 219). Como este valor efetivamente constava como saldo credor na Parte B do Lalur desde o ano de 1996, foi a empresa intimada pela fiscalização a demonstrar os lançamentos a crédito daquela conta, bem como a comprovar as adições das despesas de amortização que teriam originado os créditos. Não tendo ocorrido o atendimento satisfatório da intimação, a autoridade lançadora glosou a exclusão procedida pela empresa na apuração do lucro real do anocalendário de 2000. Em sua peça de defesa, sustenta a impugnante estar anexando as necessárias provas a justificar os lançamentos por ela efetuados. Entretanto, não é o que se constata no exame das peças carreadas aos autos. O Lalur trazido pela defesa (fls. 284/331) apenas confirma o que já havia sido identificado pela fiscalização, ou seja, que o valor de R$ 1.344.372,65 surgiu no anocalendário de 1996 como crédito na conta de “amortização de ágios Cia Agro Industrial Igarassu” (fl. 304). Remanesce sem comprovação, contudo, que tal montante haja sido efetivamente objeto de adição ao lucro líquido na apuração do lucro real em 1996 ou em períodos anteriores, condição Fl. 429DF CARF MF Processo nº 19647.002407/200517 Acórdão n.º 1201001.662 S1C2T1 Fl. 5 7 imprescindível a justificar a discutida exclusão no ano calendário de 2000". Como se vê, tratase eminentemente de matéria de prova, em que a DRJ considerou correta a glosa da exclusão do valor correspondente à baixa de investimento, registrado no Lalur desde o ano de 1996, por falta de comprovação de sua adição. De fato, restou evidenciado que, após diversas tentativas, o contribuinte não apresentou prova de que teria adicionado, na apuração do lucro real, as despesas com a amortização do ágio que gerou o valor da exclusão fiscal. O Recorrente, na verdade, se esquivou de cumprir o seu ônus de comprovar que o montante objeto da glosa teria sido efetivamente oferecido à tributação em 1996 (ou outro período), comprovação esta que realmente constitui condição imprescindível a conferir o direito à exclusão. Como se sabe, a despesa a título de amortização de ágio pago na aquisição de investimentos, que como regra não é dedutível para efeitos fiscais, deve ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, devendo ser controlado para determinação do ganho ou perda de capital quando da alienação ou liquidação do investimento. Forçoso concluir, contudo, que, uma vez não comprovadas as adições, como foi o caso, incabível a exclusão. Da Insuficiência de recolhimento do IRPJ (ano calendário de 2003) A decisão recorrida julgou a cobrança decorrente deste item procedente, sob o seguinte fundamento: "22. No anocalendário de 2003, a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ apurando imposto a pagar no valor de R$ 1.882.980,54 (fl. 119). A fiscalização constatou pagamento no valor de R$ 593.184,77 e compensações no valor de R$ 1.203.960,64, totalizando a extinção do crédito tributário em R$ 1.797.145,41. A diferença entre o valor declarado em DIPJ e o valor pago/compensado importou em R$85.835,13, exigido no auto de infração em litígio. 23. A única contraposição veiculada pela impugnante é no sentido de que, comprovada a inexistência das outras infrações, estaria demonstrada também a inexistência desta irregularidade. 24. O argumento é equivocado. As demais infrações, que se reportam aos anos calendário de 2000 e 2002, em nada influenciaram o ilícito que ora se examina. Este ilícito diz respeito ao anocalendário de 2003 e consistiu, como visto anteriormente, na insuficiência de recolhimento do imposto a pagar declarado em DIPJ, fato que não foi infirmado pela impugnante". Fl. 430DF CARF MF 8 Não vejo qualquer motivo para divergir da decisão de piso, ainda mais considerando que a interessada, no recurso voluntário, sequer ataca o acórdão recorrido, concentrandose apenas nos argumentos para o pedido de perícia. A falta de comprovação do recolhimento do valor integral declarado em DIPJ, cuja existência de erro de preenchimento sequer foi arguida pelo contribuinte, enseja sua cobrança com os acréscimos legais devidos. Da dedução a maior de IRFonte Nos anos base de 2000 e 2002, a contribuinte deduziu, a título de imposto de renda retido na fonte, respectivamente os valores de R$ 202.533,74 e R$ 168.897,85. A fiscalização, levando em conta as informações constantes das Declarações de Imposto Retido na Fonte DIRFs, entregues pelas fontes pagadoras, concluiu por não haver comprovantes de retenções nos valores de R$195.106,00 para o ano de 2000; e de R$105.954,67 para o ano de 2002 (cf. quadro demonstrativo às fls. 21/22). A glosa foi questionada, sob o argumento de que os comprovantes anexados na defesa, assim como uma perícia, comprovariam que a diferença apurada inexiste. A DRJ não acatou tal argumento, por entender que o único meio de prova hábil seria a apresentação dos informes de rendimento emitidos pelas fontes de pagamento em seu nome, informes estes que não foram apresentados. Não corroboro esse entendimento. A meu ver o contribuinte pode se valer de todos os meios de prova para comprovar o seu direito creditório. Na ausência de emissão de informes de rendimentos – documentos estes que devem ser emitidos por terceiro (fontes pagadoras) – ainda assim o crédito poderia ser comprovado por outros meios hábeis, como a escrituração contábil, notas fiscais e extratos financeiros. Pois bem. Da análise da referida documentação trazida aos autos pelo Recorrente, concluo, primeiramente, que a Recorrente não comprovou a retenção de R$ 195.106,00, proveniente do pagamento da empresa Trevo Indústria e Comércio Ltda. (cf. fls. 90), razão pela qual considero a glosa correta. Já para o ano de 2002 (fls. 289): (i) do total do IRFonte informado (R$ 77.157,35), relativo ao recebimento de Votorantim Corretora de Valores (fls. 110), o fisco reconheceu R$ 62.943,18 (valor este que, conforme fls. 216, diz respeito à retenção ocorrida no período de abril a dezembro de 2003). Quanto à diferença de R$ 14.214,27, a meu ver a glosa não procede diante do Informe de Rendimentos Financeiros juntados às fls. 290, que demonstra que também houve retenção de imposto nos meses de fevereiro e março. (ii) a glosa de R$ 2.956,00 é procedente, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum comprovante acerca dessa retenção; e (iii) os demais valores glosados em 2002, correspondentes aos itens 03, 04 e 05 da DIPJ de fls. 289, dizem respeito a pagamentos para empresas incorporadas pela Recorrente (fls. 277 e seguintes) no ano de 2000 e estão relacionados aos documentos de fls. 291/296. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 19647.002407/200517 Acórdão n.º 1201001.662 S1C2T1 Fl. 6 9 O documento de fls. 291 é cópia de nota de liquidação de ativo financeiro, que demonstra o destaque do valor da retenção de IR (R$ 4.235,89) do item 05 da DIPJ (fls. 289), razão pela qual afasto a glosa deste montante. Verificase, ademais, às fls. 292, 293 e 294 (extratos emitidos pela fonte pagadora Unibanco) que o IRFonte informado no item 03 da DIPJ (fls. 289 R$ 80.562,92), também foi retido por ocasião do pagamento oriundo de liquidação de produtos financeiros em nome das empresas incorporadas, o que torna a glosa indevida. Finalmente, entendo que não restou comprovado o direito ao crédito de IR Fonte reportado no item 04 da DIPJ (fls. 289), de R$ 3.985,76. O documento de fls. 295/296 (extrato Banco Santos), apesar de indicar o valor de IR neste mesmo montante, não especifica o beneficiário e encontrase rasurado. Do exposto, voto pela manutenção da glosa relativa ao ano calendário de 2000 (montante de R$ 195.106,00); e pelo afastamento parcial da glosa relativa ao ano calendário de 2002 (total R$ 105.954,67), mais precisamente para excluir o montante do IR Fonte comprovado, de R$ 98.762,85 (R$ 14.214,17 + R 80.562,92 + R 3.985,76). Da dedução indevida de estimativa não recolhida (ano calendário de 2000) Na apuração do lucro real do ano calendário de 2000, a Recorrente deduziu, a título de IRPJ pago por estimativa na competência de março, o valor de R$ 42.101,05. Entretanto, de acordo com a fiscalização, a contribuinte não teria pago nem declarado o respectivo débito, o que torna a estimativa exigível. Ora, é inconteste que a glosa da compensação do valor de estimativa cujo pagamento não restou comprovado pelo contribuinte é legítima. Nesse contexto, e considerando que a Recorrente não comprovou o alegado recolhimento da estimativa deduzida do valor do IRPJ apurado, a glosa deve ser mantida. Da multa isolada Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, a Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006, existindo divergência doutrinária e jurisprudencial para sua aplicação para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2007, em razão da nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O caso presente, porém, diz respeito a fatos geradores ocorridos anteriores a 2007, razão pela qual a cobrança de multa isolada, em concomitância com a multa de oficio, é indevida, conforme a Súmula CARF n 105. Fl. 432DF CARF MF 10 Dessa forma, voto por afastar a exigência a título de multa isolada. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de (i) afastar, do item 003 do Auto de Infração, a glosa correspondente a R$ 98.762,85, relativa ao IRFonte retido no ano base de 2002, mantendo as demais; e (ii) cancelar a exigência da multa isolada. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.720029/2007-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-005.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 237 1 236 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10746.720029/200726 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.332 – 2ª Turma Sessão de 30 de março de 2017 Matéria PAF RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WARRE ENGENHARIA E SANEAMENTO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 00 29 /2 00 7- 26 Fl. 237DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 15/05/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 280102.424 (fls. 168 a 176), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido.” O processo foi encaminhado à PGFN em 25/06/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 177) e, em 02/07/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 178 a 185 (Despacho de Encaminhamento de fls. 194), com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 14/03/2014 (fls. 195/196). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho acima em 30/10/2014 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 201/202), o Contribuinte ofereceu, em 06/11/2014 (fls. 231), as Contrarrazões de fls. 204 a 230, pedindo, em síntese, o não provimento do recurso, com a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10746.720029/200726 Acórdão n.º 9202005.332 CSRFT2 Fl. 238 3 Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase a respectiva ementa: “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente.’ (fl. 8)” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, o exame do paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Fl. 239DF CARF MF 4 Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT). Como se pode constatar, no caso do paradigma o Contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10746.720029/200726 Acórdão n.º 9202005.332 CSRFT2 Fl. 239 5 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da Fl. 241DF CARF MF 6 pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10746.720029/200726 Acórdão n.º 9202005.332 CSRFT2 Fl. 240 7 Fl. 243DF CARF MF
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