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Numero do processo: 13433.900738/2009-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 07 38 /2 00 9- 77 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório LATICÍNIOS SÃO PEDRO LTDA. transmitiu Declaração de Compensação nº 7581.19986.110406.1.3.044302), visando à compensação de crédito por suposto pagamento indevido da Cofins cumulativa (Código 2172), efetuado em 14/11/2005, referente ao PA de 10 2005, no valor de R$ 13.182,50, com débito da Cofins nãocumulativa, código 5856, relativo a setembro de 2004, com vencimento em 15/10/2004, no valor (principal) de R$ 14,71. O processamento eletrônico da declaração culminou com emissão de Despacho Decisório Eletrônico, que não homologou a compensação porque o DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Sobreveio reclamação, pela qual o interessado alega que se enquadra no disposto no Decreto nº 5.630, de 22 de dezembro de 2005, “tendo assim as alíquotas reduzidas a zero”. Aduz ainda já ter retificado as DCTF de 2005, para zerar os valores da COFINS e da Contribuição para o PIS, do que se depreende que os pagamentos realizados para extinguir os débitos confessados nas DCTF retificadas seriam indevidos e estariam sendo utilizados, segundo a interessada, “para quitar dívidas com a Receita referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica”. A autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência (Despacho nº 2.610, em 26/08/2011, fls. 027 a 030, a fim de que a interessada fosse intimada a comprovar se – e em que medida – as vendas realizadas nos períodos de interesse foram dos produtos enquadrados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Naquele Despacho de Diligência foi ainda indicado que: Recebidas as informações e provas solicitadas, o AFRFB responsável pelas verificações fiscais elaborasse parecer conclusivo a respeito da legitimidade do direito creditório; Este parecer, caso fosse total ou parcialmente denegatório, deveria ser enviado ao contribuinte, para que, em um novo prazo de 30 dias, caso desejasse, se pronunciasse a respeito, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa; Regularmente intimado, em 02/12/2011, por via postal, com Aviso de Recebimento – AR (fls. 031 a 033), a apresentar documentos comprobatórios de seu direito, o contribuinte nada respondeu, sendo que, em 18/01/2012 (mais de trinta dias da ciência), o processo foi encaminhado para julgamento (fls. 034). A DRJ/REC2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1136.513, de 30 de março de 2012, fls. 54 a 62, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13433.900738/200977 Acórdão n.º 3403002.131 S3C4T3 Fl. 92 3 do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. DILIGÊNCIA DETERMINADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DA INTERESSADA. INSTRUÇÃO PROCESSUAL APERFEIÇOADA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício, a realização de diligências ou perícias, quando entendê las necessárias (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72). Tendo sido o processo baixado em diligência e a interessada, regularmente intimada, não se manifestado a respeito, esgotadas estão todas as possibilidades de instrução processual. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito desde a vigência da Lei nº 10.833/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/REC. Transcrevo o arrazoado de fls. 68 a 70 integralmente para maior clareza: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 LATICÍNIO SÃO PEDRO LTDA., pessoa jurídica de Direito Privado, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 24.589.517/000126, estabelecida na Rua Raimundo Cavalcanti, s/nu, Centro, Pedro Avelino/RN, CEP: 59.530000, vem, muito respeitosamente, perante Vossa Senhoria, através de seus bastantes procuradores e advogados, estes habilitados conforme procuração e contrato social em anexo (Doe. 01 e 02), demonstrar sua irresignação diante do Acórdão n° 1136.513 proferido pela 2a Turma da DRJ/REC, mediante a propositura do RECURSO VOLUNTÁRIO, o que faz fundamentos à seguir delineados: DAS RAZÕES RECURSAIS. Conforme consta nos autos do processo administrativo em epígrafe, versa o presente caso de uma Declaração de Compensação (n° 07581.199b6.110406.1.3.04 4302) que tem por origem o pagamento indevido da COFINS cumulativa (Código 2172). Na DCOMP foi utilizado parte do pagamento, no valor de R$ 13,82, que com a atualização da SELIC acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito da COFINS nãocumulativa, Código 5856, relativo a setembro de 2004, com vencimento em 15/10/2004, no valor de R$ 14,71. Ocorre, que em que pese a empresa Recorrente se enquadrar no Decreto n° 5.630 de 22/12/2005, mais precisamente em seu artigo 1o inciso X, e em que pese restar comprovado nos autos do processo em epígrafe, através do apurado pela Relatora do processo originário, Dra. Virgínia Braga de Santana, que a empresa Recorrente se enquadraria no CNAE 1051100 Preparação do Leite, que remete as vistas da Recorrida para o referido artigo e inciso legal, a 2a Turma da DRJ/REC entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, em verdadeira infringência a norma legal supramencionada. DO REQUERIMENTO. Assim, diante do exposto, requerer a este Douto Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que CONHEÇA o presente recurso, e lhe dê PROVIMENTO no sentido de reanalisar toda a matéria apresentada na Manifestação de Inconformidade, para deferir a REPETIÇÃO DE INDÉBITO e a COMPENSAÇÃO dos Créditos Tributários ali requeridos.Termos em que, Pede deferimento. Natal/RN, 25 de junho de 2012 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 68 a 70 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC2ª Turma nº 1136.513, de 30 de março de 2012. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, em cujo enquadramento a pessoa jurídica espontaneamente informa no cadastro CNPJ, informa, de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13433.900738/200977 Acórdão n.º 3403002.131 S3C4T3 Fl. 93 5 forma genérica, qual a atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. Por essa limitação, é evidente que o referido Código não prova que a receita obtida pela recorrente seja proveniente, exclusivamente, da venda dos produtos especificados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Por outro lado, a comprovação do tipo de produto vendido, induvidosamente, passa pelo exame das notas fiscais de venda, acompanhadas dos livros fiscais e contábeis exigidos pela legislação. Sem a apresentação da referida documentação, resta inviabilizada a verificação do tipo de produto vendido pela recorrente, bem como a confirmação se a receita auferida pela recorrente enquadrase na hipótese de tributação favorecida, prevista no inciso X do art. 1º do Decreto nº Decreto nº 5.630, de 2005. Da mesma forma, sem a comprovação da modalidade de receita, também queda sem comprovação a origem do direito creditório alegado e resta impossibilitada a homologação da compensação declarada, haja vista que, em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 170 do CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a realização do procedimento de compensação, de iniciativa do sujeito passivo, depende da comprovação da existência de crédito certo e líquido, passível de restituição ou ressarcimento, na data da realização do procedimento, que se formaliza com a entrega da DComp. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13433.900738/200977 Acórdão n.º 3403002.131 S3C4T3 Fl. 94 7 No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 41029.51511.130804.1.3.046003 comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reporto me à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13433.900738/200977 Acórdão n.º 3403002.131 S3C4T3 Fl. 95 9 – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10480.014943/2002-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta e Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta e Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta e Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 14 94 3/ 20 02 -9 8 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 534 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 8 a 12, integrado pelos demonstrativos de fls. 13 a 15, pelo qual se exige a importância de R$397.179,13, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anoscalendário 1996 e 1997. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 9 a 12, no qual o autuante esclarece que: § a fiscalização decorre da Representação Fiscal contida no Processo Administrativo no 10280.006167/9815, na qual consta decisão do juiz federal da 3a Vara em Belém/PA, datada de 14/04/98 (fls. 28 a 33 do presente processo), autorizando o repasse das informações referentes à movimentação financeira de diversas pessoas físicas e jurídicas, dentre elas o Sr.Francisco Bradley Alves; § a ação fiscal teve início com a ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 35 e 36), em 21/06/2001, conforme AR de fl. 37; § no curso da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados na conta corrente mantida junto ao Citibank, referente aos anoscalendário 1995, 1996 e 1997, conforme Termos de Intimação (fls. 40, 41, 43, 45 e 46), solicitando diversas prorrogações do prazo as quais foram concedidas, sem que ele apresentação a documentação comprobatória requerida; § em 22/11/2001, o contribuinte apresentou a documentação de fls. 49 a 51, na qual informa que teria sido impetrado no TRF da 1ª Região um Habeas Corpus, que recebeu o no 8317PA (1998/00953604), reformando a decisão do Juiz da 3ª Vara Federal em BelémPA, que autorizou a quebra de sigilo bancário; § em resposta a intimação para apresentar a documentação comprobatória relativa à sua condição de parte na ação referente ao Habeas Corpus no 8.317PA, proposta junto ao Superior Tribunal de Justiça, o fiscalizado apresentou os documentos de fls. 54 a 70; § examinando os documentos apresentados, a fiscalização constatou que o Habeas Corpus no 8.317/PA tem como paciente Luiz Alberto de Goes Hinrichsen e não era extensivo ao contribuinte; § com base no art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no art. 3o, inciso V, do Decreto no 3.724, de 2001, foi encaminhada ao Citibank a Requisição de Informações sobre Movimentação (fl. 73); Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 535 3 § em resposta, a instituição financeira enviou os documentos de fls. 75 a 152, com base nos quais foram elaborados os demonstrativos de fls. 155 a 157, fls. 158 a 175 e fls. 176 e 177, os quais foram encaminhados ao contribuinte para manifestação, que solicitou prorrogação de prazo para atendimento à intimação fiscal; § em razão da documentação comprobatória da origem dos recursos creditados na conta bancária do contribuinte, a fiscalização apurou as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos apurada por acréscimo patrimonial a descoberto/sinais exteriores de riqueza, com fulcro no art.6o, §6o, da Lei no Lei 8.021, de 1990, pelo confronto do total dos valores creditados no anocalendário 1996 com o total das aplicações mesmo período (vide demonstrativos de fls. 155 a 175); 2. omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, no anocalendário 1997 (vide demonstrativo de fls. 176 e 177). DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 184 a 205, instruída com os documentos de fls. 206 a 297, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 305 a 308): 3. Impugnação apresentada em 05/12/2002 (folhas 184/205) e expressa nos seguintes termos, em síntese: 3.1. a autuação baseiase única e exclusivamente nos depósitos bancários realizados na contacorrente do contribuinte, o que é ilegal e acarreta a nulidade do lançamento, uma vez que a simples movimentação de recursos na conta bancária não constitui prova de renda ou receita, como reconhecido pelo DecretoLei n° 2.471, de 01/09/1988, cujo artigo 9o determina o cancelamento dos lançamentos baseados exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, cabendo citar o comentário de Hiromi Higuchi e Fábio Hiroshi Higushi (folha 185) e a jurisprudência administrativa e judicial (folhas 185/186); 3.1.1. muitas vezes, recursos de várias empresas, das quais o impugnante é diretor e sócio, transitavam por sua contacorrente para pagamento de despesas urgentes; 3.2. a autuação também é nula por se basear em prova obtida ilicitamente; 3.2.1. com efeito, as informações bancárias que fundamentaram a autuação, decorrem do Procedimento Administrativo PRDC/PR/PA/n° 008/98, da Procuradoria da República no Estado do Pará, com base no qual foi requerida a quebra do sigilo bancário do impugnante e de diversas outras pessoas físicas e jurídicas, pela Ação Criminal Diversa, Processo n° 1998.39.0034490; 3.2.2. o pedido de quebra do sigilo bancário foi baseado em ilações e pressuposições, gerando um tumulto tal a dar a entender a verossimilhança da absurda idéia préconcebida de que todas as pessoas físicas e jurídicas ali arroladas constituíam um único grupo econômico de fato; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 536 4 3.2.3. no referido processo, as partes tiveram afrontado o mais elementar direito de obter vistas dos autos, conforme noticia a petição anexa ao presente processo (folhas 233/269); 3.2.4. a 6a Turma do STJ, ao julgar o Habeas Corpus n° 8.317 Pará (1998/00953604), impetrado em favor do litisconsorte passivo naquela medida Luiz Alberto de Góes Hirinchisen, decidiu, por unanimidade, conceder a ordem por ausência de fundamentação do despacho impositivo da violação do sigilo bancário, declarando insubsistente a decisão autorizativa da referida quebra do sigilo bancário, consoante se comprova do respectivo acórdão (folhas 270/280), que tornou incontestavelmente ilícita a pretensa prova obtida por esse meio; 3.2.5. com a referida decisão, transitada em julgado, as pretensas provas que embasaram o procedimento administrativo e a autuação ora impugnada dele decorrente tornaramse ilícitas, acarretando a total e absoluta nulidade dos referidos procedimentos, como conseqüência da norma contida no artigo 5o, LVI, da Carta Constitucional; 3.2.6. tal decisão beneficia a todos pois o ato autorizativo da quebra de sigilo bancário foi único para todos os réus daquela medida, dentre os quais se encontra o impugnante, cabendo acrescentar que o mesmo ato não poderia ser legal e ilegal a um só tempo; 3.3. outra causa de nulidade consiste na utilização indevida de informações obtidas em quebra de sigilo bancário requerido por outra autoridade e para outros fins; 3.3.1. a quebra de sigilo bancário foi requerida pelo Ministério Público Federal, para instruir apuração de possíveis desvios de recursos de incentivos fiscais da SUDAM, conforme documento às folhas 217/232, e não para instruir ação fiscal, tendo o MM. Juiz que autorizou a referida quebra, autorizado apenas e tão somente que a Superintendência da Receita Federal – 2a Região Fiscal auxiliasse o Ministério Público Federal na comprovação de supostos desvios de recursos de incentivos fiscais, não sendo alegado ou requerido, em momento algum, que as informações poderiam ser utilizadas para instruir fiscalização da Secretaria da Receita Federal; 3.3.2. essa circunstância fica evidenciada em várias peças daquele processo e no processo relativo ao Mandado de Segurança impetrado por alguns réus daquela medida, conforme descrito às folhas 188/190; 3.3.3. de acordo com o §1o do artigo 38 da Lei n° 4.595/1964, as informações prestadas pelo Banco Central do Brasil ou pelas instituições financeiras, por ordem judicial, se revestirão de caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso as partes legítimas na causa, que delas não poderão servirse para fins estranhos, o que significa que a atuação da Secretaria da Receita Federal evidenciou o grave ilícito de utilização indevida das informações; 3.3.4. com esse mesmo fundamento legal o Supremo Tribunal Federal, em decisão unânime proferida em sessão plenária, negou solicitação da Secretaria da Receita Federal no sentido de obter cópia da documentação resultante da quebra de sigilo bancário concedida para fins penais (folhas 293/297); 3.3.5. no presente caso, não há qualquer autorização para que o Superintendente Regional da Receita Federal na 2a Região Fiscal repassasse as informações à Delegacia da Receita Federal em Recife, cabendo observar que, no despacho concessivo da quebra de sigilo bancário, o MM. Juiz que a autorizou, advertiu expressamente aquela Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 537 5 autoridade fiscal da responsabilidade legal de manutenção do sigilo das informações obtidas; 3.3.6. se a Secretaria da Receita Federal pretendia a quebra de sigilo bancário do impugnante para instruir procedimento fiscal, caberia a ela, comprovando a existência de graves indícios do não recolhimento de tributos devidos, requerer a autorização judicial da quebra de sigilo bancário, especificamente para esse fim; 3.4. o imposto de renda pessoa física é tributo cujo lançamento se enquadra na modalidade "por homologação" e o prazo decadencial para homologação do lançamento está previsto no artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional; 3.4.1. o prazo decadencial, nos casos de lançamento por homologação, é de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador, conforme jurisprudência e doutrina citadas às folhas 194/197; 3.4.2. assim, o prazo decadencial relativo ao direito da Fazenda Pública efetuar lançamento de ofício de eventuais diferenças apuradas quanto ao anocalendário 1996, iniciouse em 31/12/1996 e encerrouse em 31/12/2001, o que acarreta a extinção dos créditos tributários extemporaneamente lançados; 3.5. a autuação é improcedente em face da cobrança de tributos indevidos e encargos flagrantemente ilegais; 3.5.1. o autuante não levou em consideração que a maior parte daqueles recursos movimentados nas contas bancárias do contribuinte pertenciam a terceiros e que simplesmente transitaram pelas contas em questão, cabendo acrescentar que os demais recursos decorreram de receitas devidamente declaradas pelo impugnante; 3.6. a multa aplicada, no percentual de 75%, é confiscatória e contraria as disposições dos artigos 5o , XXII, 150, IV, e 170, II, da Constituição Federal, conforme linha argumentativa exposta no título 6 da impugnação (folhas 199/202), enriquecida por textos doutrinários e jurisprudenciais; 3.7. os juros moratórios não podem ser calculados com base na taxa Selic, pois ela tem natureza remuneratória, sendo calculada em função da variação do custo do dinheiro, sofrendo a influência das flutuações da economia de mercado; 3.7.1. além disso, a fixação dos juros moratórios com base na taxa Selic viola o limite de 12% ao ano, previsto no artigo 192, §3o da Constituição Federal, cabendo ressaltar que se trata de dispositivo autoaplicável, conforme Acórdão Unânime da 1a C. Civ. Do TJ RJ, n° 5.560/89, citado à folha 204; 3.7.2. viola também o disposto no §1o do artigo 161 do Código Tributário Nacional, cabendo ressalvar que o dispositivo legal permite que o legislador ordinário adote nova forma de cálculo para os juros moratórios, mas não o autoriza a vincular tais juros a uma remuneratória a ser paga pelo uso do capital. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 03.713 (fls. 302 a 332), de 21/02/2003, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996, 1997 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 538 6 DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. Não há que se falar em decadência do direito de lançar, quanto ao imposto de renda pessoa física do exercício 1997, quando a declaração de ajuste anual somente foi apresentada em 1998, o contribuinte não efetuou o recolhimento do imposto exigido no auto de infração, e a ciência do lançamento suplementar ocorreu antes do término do prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARBITRAMENTO DOS RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O contribuinte tem o dever de comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários ou aplicações financeiras, sob pena de que tais depósitos ou aplicações sirvam de base para o arbitramento dos seus rendimentos. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Não ocorre a violação do direito ao sigilo de operações bancárias, quando o exame dos extratos correspondentes pela Secretaria da Receita Federal se dá por solicitação do Ministério Público Federal, mediante expressa extensão judicial da sua quebra. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. CHEQUES EMITIDOS PELO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. É válido considerar como gastos do contribuinte, para fins de tributação com base em sinais exteriores de riqueza, os valores correspondentes aos cheques por ele emitidos. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não pode a autoridade administrativa negarse a aplicar multa de oficio prevista em lei vigente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa está obrigada a aplicar as taxas de juros previstas em lei vigente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 11/08/2003 (vide AR de fl. 335), o contribuinte interpôs, em 08/09/2003, o recurso de fls. 339 a 392, no qual reitera, basicamente, os termos de sua impugnação reforçando com os argumentos a seguir sintetizados: 1. O recorrente discorda do entendimento adotada na decisão recorrida, no sentido de que, havendo insuficiência de recolhimento, o prazo decadencial seria o previsto no art. 173, inciso II do Código Tributário Nacional – CTN, pois jamais “haveria que se falar em prazo de decadência contado da data da ocorrência do fato gerador ou mesmo da data Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 539 7 da entrega de declaração de rendimentos (como entendem alguns autores), pois que, sempre que a autoridade fiscal lavra um auto de infração consignando lançamento suplementar é porque, de uma forma ou de outra, entende ter havido insuficiência de pagamento por parte do contribuinte.” (fl. 352). 2. No que diz respeito à nulidade da autuação por se basear em prova obtida ilicitadamente, afirma que (fl. 354): 47. Sobre esse aspecto, aliás, cumpre esclarecer que o próprio Procurador da República, Sr. Ubiratan Cazctta, que coordenou e moveu contra o Recorrente e diversas outras pessoas físicas e jurídicas não apenas o próprio pedido de quebra de sigilo bancário, como ações civis públicas para apurar suposta malversação de recursos oriundos do FINAM, reconheceu, recentemente, nos autos da Ação Civil Pública processo n° 2000.39.00.0000761, que a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do hábeas corpus acima referido, tornou nula, para todos os efeitos, a decisão que determinou a quebra do sigilo bancário, que, nessa medida, não mais subsiste, como se pode comprovar da petição por ele acostada ao referido processo, datada de 6 de agosto de 2003 (doc. 02, anexo). 48. Com efeito, entendeu o douto Procurador da República que de fato, a quebra do sigilo bancário não mais subsiste, pelo que seria urgente a convalidação dessa prova, providência que, a seu ver, depende exclusivamente de nova decisão judicial autorizativa da quebra de sigilo bancário. 49. Ora, se o próprio Procurador da República que participou como sujeito ativo do pedido de quebra do sigilo bancário que fundamenta a presente ação fiscal, reconheceu expressamente que ela não mais subsiste, por ter o STJ entendido que a quebra é nula, por carecer de fundamentação, como podem os Agentes Fiscais e os próprios doutos julgadores de primeira pretender fazer valer uma autuação fiscal baseada exclusivamente em provas que reconhecidamente são nulas de pleno direito e, portanto, ilícitas para fundamentação do presente feito fiscal. 3. Para reforçar sua defesa, o contribuinte transcreve diversos precedentes administrativos e judiciais, pugnando pela aplicação do art. 9o, inciso VII, do DecretoLei no 2.471, de 1988, que determinou o cancelamento dos lançamento arbitrados com base exclusivamente em extratos bancários. Conforme despacho de fl. 466, uma vez que o contribuinte não atendeu à intimação para cumprir os requisitos previstos para seguimento do recurso voluntário, nos termos do art. 33, §§2o e 3o, do Decreto no 70.235, de 1972, foi negado seguido ao referido recurso e determinado o encaminhamentos dos autos para inscrição em Dívida Ativa da União. De acordo com o Memorando no 1434/2012 da PRFNS 5ª Região (fl. 491), o contribuinte apresentou embargos de execução nos autos do processo no 0017849 91.2007.4.05.8300, os quais foram acolhidos pelo juízo monocrático que declarou a nulidade da inscrição em dívida ativa por não esgotamento da via administrativa e impondo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art, 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Esclarece a Fazenda Nacional, que, na espécie, a União encontrase dispensada de Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 540 8 recorrer, for força do Ato Declaratório PGFN no 01/2008 (art. 19, inciso II, da Lei no 10.522, de 2002), determinando o retorno dos autos para prosseguimento do julgamento do recurso especial interposto pelo recorrente. DA DISTRIBUIÇÃO Processo distribuído para esta Conselheira na sessão da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 19/09/2012, veio digitalizado até à fl. 5321. Importa registrar que foram apensados ao presente processo, por anexação, quatro processos, conforme termos de fls. 527 a 531: § Processo no 10480.017234/200264: Impugnação (fls. 183 a 297); § Processo no 19647.001391/200363: Recurso Voluntário (fls. 338 a 429); § Processo no 19647.005371/200361: não localizado nos autos; § Processo no 19647.001167/200533: Pedido de exclusão do PAES (fls. 43 a 475). 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 500 (fl. 526 da digitalização). Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 541 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase de processo que teve origem na Representação Fiscal contida no Processo Administrativo no 10280.006167/9815, na qual consta decisão do juiz federal da 3a Vara em Belém/PA, datada de 14/04/98 (fls. 28 a 33 do presente processo), autorizando o repasse das informações referentes à movimentação financeira de diversas pessoas físicas e jurídicas, dentre elas o Sr.Francisco Bradley Alves. No curso da ação fiscal, o contribuinte apresentou a documentação de fls. 49 a 51, na qual informava que teria sido impetrado no TRF da 1ª Região um Habeas Corpus, que recebeu o no 8317PA (1998/00953604), reformando a decisão do Juiz da 3ª Vara Federal em BelémPA, que autorizou a quebra de sigilo bancário. Examinando os documentos de fls. 54 a 70, a fiscalização conclui que o referido Habeas Corpus tinha como paciente Luiz Alberto de Góes Hinrichsen e que não era extensivo ao contribuinte. Considerando que as informações sobre a movimentação bancária do contribuinte poderiam ser obtidas, com base no art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no art. 3o, inciso V, do Decreto no 3.724, de 2001, por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação – RMF encaminhadas diretamente às instituições financeiras, o autuante enviu ao Citibank a RMF de fl. 73. Com base nos extratos bancários fornecidos pelo Citibank, a fiscalização apurou acréscimo patrimonial a descoberto, com fulcro no art.6o, §6o, da Lei no Lei 8.021, de 1990, pelo confronto do total dos valores creditados no anocalendário 1996 com o total das aplicações mesmo período (vide demonstrativos de fls. 155 a 175) e omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, apurada no anocalendário 1997 (vide demonstrativo de fls. 176 e 177). Em sede de recurso, o contribuinte anexou cópia de petição do Ministério Público Federal, datata de 06/08/2003 (posterior a decisão de primeira instância), nos autos do processo 2000.39.00.0000764 (fls. 395 e 396), na qual, diante da decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça que decidindo pelo Habeas Corpus intentado por Luis Alberto de Góes Hinrichsen, considerou nula a decisão que autorizada a quebra do sigilo bancário por falta de fundamentação, o Procurador da República requer que seja convalidada a prova obtida com a inicial por meio de nova decisão judicial. Não consta dos autos qualquer notícia a respeito do andamento do processo judicial no 2000.39.00.0000764. Por todo o exposto, para que se possa formar uma convicção acerca da matéria, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10480.014943/200298 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.466 S2C2T2 Fl. 542 10 1. informe a situação atual do processo judicial no 2000.39.00.0000764 e de qualquer outro que possa influenciar no presente lançamento, elaborando um relatório no qual conste o trâmite processual e principais decisões; 2. anexe o processo no 19647.005371/200361, que teria sido apensado conforme Termo de Anexação de fl. 530, porém não foi localizado nos arquivos disponibilizados; 3. ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente deve ser cientificado do relatório elaborado pela fiscalização para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10120.009781/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/2005 a 12/2008
MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2301-002.791
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais
benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A
da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/2005 a 12/2008 MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 2301002.791 S2C3T1 Fl. 2 2 mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória de nº 37.277.4890, lavrado em face de CENTRO TECNOLÓGICO CAMBURY, do qual foi notificado em 30/11/2010, em virtude de ter deixado a Recorrente de incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, a totalidade dos segurados a seu serviço, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes e das contribuições retidas relativas a tais segurados. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 5 e seguintes) que a Recorrente, ao praticar a conduta acima, descumpriu obrigação tributária acessória, subsumindo a infração descrita no inciso IV e §§ 3° e 5° do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, regulamentados pelo inciso IV e § 40 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Da análise das folhas de pagamento resultaram os anexos II e IV, e dos lançamentos contábeis relativos a despesas com pessoas físicas a seu serviço e não oferecidas à tributação com a GFIP, os anexos III e V. Informa, também, o Relatório que os fatos contábeis analisados foram verificados na contabilidade apresentada por meio de arquivos digitais, tendo sido contabilizadas diversas contas, consoante anexos VI e VII, sendo algumas próprias, nos termos da lei, e outras não, pois nenhum foi oferecido à tributação. Assim, foi lançada contra o contribuinte a multa no valor de R$ 100.224,53 (cem mil, duzentos e vinte quatro reais e cinquenta e três centavos). Tal multa corresponde aos períodos em que a fiscalização verificou ser mais favorável a aplicação da penalidade anterior ao advento da MP 449/2008 e da Lei nº 11.941/2009, enquanto que as demais competências tiveram a penalidade aplicada Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 2301002.791 S2C3T1 Fl. 3 3 conjuntamente com o débito principal, nos moldes da legislação atual, no percentual de 75% sobre o valor do débito. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 254 e seguintes) no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: OMISSÃO/INCORREÇÃO DE DADOS EM GFIP. CFL 68 Determina a lavratura de auto de infração apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas nos dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA POR DESCUPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. REVISÃO DO LANÇAMENTO Prescreve a Súmula Vinculante nº8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam da prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, exigível mediante lançamento de ofício, é aplicável o art. 173, I, do CTN, para fins de revisão do lançamento. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, na ocorrência de pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquele vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário (fls. 279 e seguintes), alegando em suma: a) Que o Acórdão recorrido manteve equivocadamente a autuação, pois deveria ter excluído a anterior multa por descumprimento de obrigação acessória e aplicado a atual por ser mais benéfica. b) Que, em decorrência desse pressuposto, deve ser excluída a multa anterior por descumprimento de obrigação acessória e aplicada a atual relativa a esse tipo de infração, por ser mais benéfica ao contribuinte. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 2301002.791 S2C3T1 Fl. 4 4 Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da procedência do lançamento Pela legislação vigente à época do lançamento referente ao crédito tributário nestes autos discutido, artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, a empresa é obrigada a informar, a cada mês, à Receita Federal, por meio de GFIP, a totalidade de fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da Seguridade Social. Infringese essa conduta quando ocorre a apresentação do referido documento sem informações que, direta ou indiretamente, interfiram no fato gerador, resultando em erro de cálculo do valor referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, estando, assim, o responsável sujeito à penalidade administrativa de multa nos termos dos artigos 284, incisos I e II, do Regulamento da Previdência Social e 32, inciso IV, §5º, combinado com o artigo 92 da Lei 8.212/91. Destarte, ao não informar mensalmente à Receita Federal do Brasil a contribuição patronal, a Recorrente descumpriu determinações legais expressas, sujeitandose à sanção estabelecida nos dispositivos legais acima mencionados. Não procedem as alegações da Recorrente de que a multa sobre ela aplicada deixou de existir com o advento da Lei 11.941/09, a qual revogou o §5º do artigo 32 da Lei 8.212/91. Ora, a revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN Assim, com o advento da Lei 11.941/09, o artigo 32 §5º da Lei 8.212/91 fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 2301002.791 S2C3T1 Fl. 5 5 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10120.009781/201075 Acórdão n.º 2301002.791 S2C3T1 Fl. 6 6 Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica para todas as competências do presente lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2012. 15 de maio de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 294DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724565/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009, 2010
Ementa:
LUCRO REAL ANUAL. DECADÊNCIA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Nos exatos termos do disposto no parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo o caso de incorporação, fusão, cisão ou extinção, a pessoa jurídica que, por opção, apura o lucro real anual, deve considerar como ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro, momento em que deverá apurar a base de cálculo do Imposto de Renda. Por força do disposto no art. 28 do mesmo diploma legal, aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a mesma norma, isto é, considera-se ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano. No caso vertente, em que os lançamentos tributários foram cientificados à contribuinte em 19 de junho de 2012, descabe falar em caducidade relativamente ao ano-calendário de 2007, eis que o prazo limite para a constituição do crédito tributário relativo a tal período seria 31 de dezembro de 2012.
DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
A destinação de recursos a sócio, sem remuneração, em volume superior ao captado no mercado no mesmo período, revela liberalidade, tornando, assim, indedutíveis os juros incorridos na referida captação.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventual omissão relacionada a tributo ou contribuição submetido a averiguação e posterior lançamento, não pode dar causa a nulidade do feito fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADES.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2).
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: LUCRO REAL ANUAL. DECADÊNCIA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nos exatos termos do disposto no parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo o caso de incorporação, fusão, cisão ou extinção, a pessoa jurídica que, por opção, apura o lucro real anual, deve considerar como ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro, momento em que deverá apurar a base de cálculo do Imposto de Renda. Por força do disposto no art. 28 do mesmo diploma legal, aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a mesma norma, isto é, considera-se ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano. No caso vertente, em que os lançamentos tributários foram cientificados à contribuinte em 19 de junho de 2012, descabe falar em caducidade relativamente ao ano-calendário de 2007, eis que o prazo limite para a constituição do crédito tributário relativo a tal período seria 31 de dezembro de 2012. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A destinação de recursos a sócio, sem remuneração, em volume superior ao captado no mercado no mesmo período, revela liberalidade, tornando, assim, indedutíveis os juros incorridos na referida captação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventual omissão relacionada a tributo ou contribuição submetido a averiguação e posterior lançamento, não pode dar causa a nulidade do feito fiscal. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2390; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 426 1 425 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724565/201295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.208 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2013 Matéria IRPJ GLOSA DE DESPESAS Recorrente LOGIKA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: LUCRO REAL ANUAL. DECADÊNCIA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nos exatos termos do disposto no parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo o caso de incorporação, fusão, cisão ou extinção, a pessoa jurídica que, por opção, apura o lucro real anual, deve considerar como ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro, momento em que deverá apurar a base de cálculo do Imposto de Renda. Por força do disposto no art. 28 do mesmo diploma legal, aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a mesma norma, isto é, considerase ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano. No caso vertente, em que os lançamentos tributários foram cientificados à contribuinte em 19 de junho de 2012, descabe falar em caducidade relativamente ao anocalendário de 2007, eis que o prazo limite para a constituição do crédito tributário relativo a tal período seria 31 de dezembro de 2012. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A destinação de recursos a sócio, sem remuneração, em volume superior ao captado no mercado no mesmo período, revela liberalidade, tornando, assim, indedutíveis os juros incorridos na referida captação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventual omissão relacionada a tributo ou contribuição submetido a averiguação e posterior lançamento, não pode dar causa a nulidade do feito fiscal. INCONSTITUCIONALIDADES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 45 65 /2 01 2- 95 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 427 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 428 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, formalizadas em razão de glosa de despesas financeiras (juros decorrentes da contabilização de empréstimos e financiamentos). Para a Fiscalização, as despesas revelaramse desnecessárias em virtude de a contribuinte ter promovido captação recursos em razão de ter destinado quantias significativas ao sócio NEWTON BONIN. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 307/329), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que teria ocorrido decadência do direito de lançar, referente ao período anterior a 19/06/2007, já que a ciência do auto de infração se deu em 19/06/2012, tendo decorrido os cinco anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. que os valores captados no mercado financeiro foram utilizados integralmente na atividade da empresa e para a manutenção da respectiva fonte “pagadora”, o que legalizaria a dedutibilidade das despesas com juros decorrentes dos empréstimos financeiros, consoante dispõe o artigo 374 c/c artigo 299 do Decreto 3.000/99; que o Fisco estaria presumindo, sem qualquer comprovação, que os valores objeto de empréstimo teriam sido integralmente repassados ao sócio, por outorga de mútuos, sendo que estes não teriam sido vertidos à atividade da empresa. que, se a glosa fosse procedente, a autuação não poderia ter sido realizada diretamente sobre o valor das despesas financeiras, pois haveria necessidade da recomposição do lucro do período de apuração, para se verificar o montante tributável, razão pela qual a autuação não poderia prosperar; que os contratos de mútuo com o sócio previam juros recebíveis, porém, ao final da avença (o que ainda não havia se verificado), e tal fato não poderia ser motivo para glosa das despesas; que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não contemplaria a possibilidade de lançamento da CSLL, razão pela qual o seu lançamento seria inválido; que o prejuízo fiscal em 2009, que compensou, deveria ter sido considerado; que o percentual da multa de ofício ofenderia o princípio do nãoconfisco, previsto no artigo 150, IV, da C.F.; que a Taxa SELIC não poderia ser aplicada como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, haja vista a ausência de previsão legal. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 429 4 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 0638.215, de 19 de outubro de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO REAL ANUAL. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS, POR NÃO NECESSÁRIAS. São desnecessárias, portanto indedutíveis, despesas financeiras decorrentes de financiamentos e empréstimos colhidos em decorrência da necessidade de recursos financeiros, quando essa necessidade foi provocada pela voluntária descapitalização do contribuinte, mediante a destinação de vultuosas (sic) quantias ao seu sócio. DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR ANUAL. Os tributos e contribuições em que a apuração é anual, tem seu fato gerador ocorrido no átimo do último dia do período – 31 de dezembro – de onde se inicia a contagem do prazo decadencial para o Fisco promover lançamento de ofício, salvo se ocorrer dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO. Aplicase ao auto de infração reflexo, de CSLL, as mesmas razões de decidir, tendo em vista a íntima relação entre os fatos, as provas e os fundamentos legais. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 390/422, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 430 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL, a contribuinte fiscalizada realizou, nos anos de 2007, 2008 e 2009, operações de mútuo com o seu sócio majoritário. Em referidas operações, segundo a Fiscalização, não houve cobrança de juros ou atualização monetária de qualquer natureza. Nesse mesmo período, isto é, entre 2007 e 2009, a autuada captou recursos no mercado financeiro, incorrendo, em razão disso, em despesas financeiras. Para a autoridade fiscal, não haveria necessidade de captação de recursos no mercado caso a fiscalizada não efetuasse empréstimos ao seu sócio, visto que os saldos das contas de mútuo com o sócio eram sempre superiores ao correspondente à conta de empréstimos e financiamentos. A partir de tal constatação e concluindo que os valores obtidos no mercado foram repassados ao sócio NEWTON BONIN, a autoridade fiscal julgou como não necessárias as despesas financeiras incorridas com a captação dos referidos recursos. Destacou a Fiscalização que, apesar de o contrato de mútuo ter previsão de pagamento de juros de 1% ao mês ou fração, exame efetuado na escrituração da contribuinte não indicou registro de valores a esse título. Diante da constatação de que a fiscalizada promoveu, em 2009, compensações de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL relativos ao ano de 2008, e, considerando que referidos resultados negativos foram transformados em positivos em virtude do cômputo da infração, referidas compensações foram desconsideradas. Aprecio, pois, os argumentos trazidos pela contribuinte em sede de recurso voluntário. DECADÊNCIA Alega a Recorrente que o IRPJ e a CSLL, relativos à competência de 01/2007 a 06/2007, já foram atingidos pela decadência. Diz que o raciocínio esposado na decisão recorrida no sentido de que o prazo decadencial deve ser contado ao final do período de apuração anual (31 de dezembro) não pode ser recepcionado, haja vista que os lançamentos tributários relativos aos fatos ocorridos em 2007 já poderiam ser efetivados no mesmo ano. Absolutamente equivocada a alegação da Recorrente. Como é cediço, tratandose de tributação com base no lucro real ANUAL, o fato gerador é considerado realizado, nos exatos termos do disposto no parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, em 31 de dezembro, senão vejamos: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 431 6 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Assim, não sendo o caso de incorporação, fusão ou cisão (§ 1º do art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996), ou de extinção (§ 2º do art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996), a pessoa jurídica que, por opção, apura o lucro real anual, deve considerar como ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro, momento em que deverá apurar a base de cálculo do Imposto de Renda. Por força do disposto no art. 28 do mesmo diploma legal (Lei nº 9.430, de 1996), aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a mesma norma, isto é, considerase ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano. Como ressaltou a decisão recorrida, a contribuinte, por opção, apurou, nos três anos objeto de fiscalização, o lucro real (e a base de cálculo da CSLL) pelo regime anual, logo descabe falar em caducidade do direito de o Fisco efetuar o lançamento, vez que, relativamente ao anocalendário de 2007, a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetivada até 31 de dezembro de 2012 e, no presente caso, o foi em 19 de junho do referido ano. DESPESAS FINANCEIRAS Argumenta a Recorrente que o Fisco presume, sem qualquer comprovação, que os valores objeto de empréstimos teriam sido integralmente repassados ao sócio, por meio de mútuos, sendo que estes não seriam inerentes à sua atividade. Afirma que os valores captados no mercado financeiro foram utilizados na atividade da empresa e para a manutenção da respectiva fonte produtora. Diz que, pela análise das informações constantes dos autos, os valores destinados, por mútuo, ao sócio, na grande maioria dos meses objeto de autuação, são inferiores às sobras financeiras mensais da sua atividade usual. Sustenta que, ainda que se admitisse como válida a exigência de IRPJ, o lançamento de ofício não poderia ser formalizado com base em simples aplicação direta das alíquotas sobre o montante total da glosa. Diz que é obrigatória a recomposição do lucro do período, de modo que reste apurado e comprovado quais os empréstimos não foram destinados à atividade empresarial. Afirma que na decisão recorrida houve o reconhecimento de que parcela dos valores captados no mercado financeiro teria sido aplicada na sua atividade empresarial. Argumenta que restou expressamente reconhecida na decisão recorrida a inexistência de provas formais acerca dos fatos que ensejaram a glosa. Alega ser equivocada a conclusão do Fisco no sentido de que o recursos Fl. 438DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 432 7 destinados ao sócio não tiveram remuneração de juros ativos, uma vez que os prazos pactuados para pagamento desses valores ainda não venceram. Explicito, de início, o fundamento da glosa promovida pela autoridade fiscal. Tratase de glosa de DESPESAS FINANCEIRAS, relativa a juros incorridos em empréstimos tomados pela fiscalizada, considerados (os empréstimos) não necessários haja vista que, no mesmo período em que as operações foram realizadas, foram efetuados empréstimos vultosos para o seu sócio majoritário. A premissa da Fiscalização é a de que, caso a fiscalizada não tivesse efetuado, por livre deliberação, os empréstimos ao seu sócio majoritário, não teria tido a necessidade de ir ao mercado captar recursos. A meu ver, o que cabe verificar é se, de fato, tal premissa é verdadeira, pois, se assim for, penso restar incontestável a glosa procedida pela Fiscalização. No caso, não se estaria diante de uma intervenção (indevida) nos negócios privados da contribuinte, mas, sim, de não admitir que recursos que deveriam ingressar no erário público sejam destinados, pela empresa, para arcar com custos de financiamentos caracterizadamente desnecessários, eis que decorrentes de mera liberalidade (empréstimos ao sócio). O demonstrativo de fls. 188, representativo da comparação entre os saldos dos mútuos realizados com o sócio NEWTON BONIN e os correspondentes aos empréstimos e financiamentos captados no mercado, penso, tornam inquestionável a conclusão apresentada pela autoridade fiscal. Diante do seu elevado significado para a solução da lide, reproduzo, abaixo, o referido demonstrativo. DATA (1) (2) 31/01/2007 3.481.940,55 3.014.427,87 28/02/2007 3.885.154,28 2.342.204,32 31/03/2007 12.469.589,92 3.716.792,00 30/04/2007 15.377.293,81 4.026.739,17 31/05/2007 15.565.276,41 4.337.134,72 30/06/2007 15.697.184,86 4.348.466,97 31/07/2007 15.909.262,73 4.645.400,60 31/08/2007 16.195.792,17 5.151.205,72 30/09/2007 17.751.433,00 2.352.747,73 31/10/2007 23.601.443,67 3.809.521,80 30/11/2007 24.519.012,94 10.359.456,80 31/12/2007 29.259.490,31 17.552.673,21 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 433 8 31/01/2008 31.679.966,99 13.583.045,02 29/02/2008 34.485.622,92 12.280.566,59 31/03/2008 37.088.565,30 13.515.758,10 30/04/2008 41.672.020,07 12.556.161,89 31/05/2008 45.219.778,43 11.313.432,23 30/06/2008 45.715.378,56 9.943.366,73 31/07/2008 44.481.307,71 14.559.474,01 31/08/2008 44.606.312,08 12.887.669,75 30/09/2008 45.219.180,62 13.128.437,86 31/10/2008 17.026.598,93 11.353.579,10 30/11/2008 17.557.619,30 10.197.191,71 31/12/2008 18.695.208,99 10.271.222,12 31/01/2009 19.141.070,64 10.250.236,20 28/02/2009 20.081.595,62 10.318.182,04 31/03/2009 18.700.657,55 8.418.316,09 30/04/2009 15.121.288,90 9.710.243,00 31/05/2009 16.683.644,84 9.744.322,85 30/06/2009 11.626.914,66 9.910.666,11 31/07/2009 11.689.452,57 8.900.697,50 31/08/2009 11.964.470,49 9.451.280,11 30/09/2009 12.391.037,24 9.378.822,23 31/10/2009 14.448.299,01 10.237.484,37 30/11/2009 14.417.429,43 9.318.091,54 31/12/2009 10.091.228,12 9.956.335,11 (1) MÚTUO NEWTON BONIN (2) EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS Notase que, embora alguns pagamentos dos recursos captados no mercado e dos empréstimos tomados pelo sócio tenham sido efetuados, o demonstrativo em questão expõe de forma clara o seguinte: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 434 9 i) no ano de 2007, a fiscalizada efetuou empréstimos ao seu sócio no montante de R$ 25.777.549,76, tendo captado recursos no mercado no valor de R$ 18.008.926,88; ii) no ano de 2008, a fiscalizada efetuou empréstimos ao seu sócio no montante de R$ 18.862.371,22, tendo captado recursos no mercado no valor de R$ 6.166.097,21; iii) no ano de 2009, a fiscalizada efetuou empréstimos ao seu sócio no montante de R$ 5.770.126,92, tendo captado recursos no mercado no valor de R$ 3.607.793,18. A desnecessidade, pois, resta caracterizada, eis que, como afirma a autoridade fiscal, “os saldos das contas de mútuo com o sócio sempre eram superiores ao constante na conta Empréstimos e Financiamentos.” A suposição feita pela autoridade fiscal de que os recursos captados no mercado pela Recorrente foram integralmente repassado ao seu sócio, a meu ver, é irrelevante para caracterizar a desnecessidade das despesas de juros apropriadas no resultado. Como dito, tal caracterização é de clareza solar quando se verifica que a contribuinte emprestou ao sócio recursos, em montantes sempre superior ao que captou mercado, sem lhe cobrar juros, quando poderia ter evitado a sua descapitalização, limitandoa, ao menos, ao montante que, supõese, precisou buscar no mercado. Quanto à questão dos juros remuneratórios dos mútuos efetuados com o sócio, inclusive, a Recorrente incorre em contradição, pois, na tentativa de explicar que os valores destinados aos referidos mútuos eram inferiores às suas sobras financeiras mensais, afirma que montantes significativos foram devolvidos pelo sócio, mas, adiante, para justificar porque não apropriou juros ativos em decorrência dos citados empréstimos, diz que os prazos pactuados para pagamento dos valores não haviam vencidos. Ainda quanto aos juros pactuados nos mútuos efetuados com o sócio da autuada, releva reproduzir o seguinte excerto da decisão combatida: [...] 23. A propósito, no que diz respeito às condições pactuadas no contrato de mútuo constante de fls. 67, o Impugnante assevera que há juros previstos entre o mutuante e o mutuário, o que impossibilita a glosa das despesas financeiras dos empréstimos e financiamentos que tomou. Isso, por si só, não é motivo para a glosa, como de fato não o foi, mas ad argumentandum tantum, o deitar de olhos no contrato referido revela que não é exatamente como alega o interessado. A cláusula segunda (fls. 6), literalmente prevê que os juros serão aplicados “se for o caso, podendo ser minorados ou até mesmo dispensados, a critério exclusivo do MUTUANTE, em caso de pagamento antecipado”. Presente, pois, elasticidade incomum, se a contratação se desse entre partes independentes, tornando a previsão de juros, ao que parece, mera formalidade sem efeitos concretos de exigibilidade. Não obstante tudo o que foi dito até agora, entendo, com o devido respeito, que o quadro demonstrativo da denominada “sobra financeira mensal” apontado na decisão recorrida revelase absolutamente inconsistente, eis que fundado em meras suposições. Com efeito, não merece confiabilidade o valor de “sobra financeira” que toma por base montantes Fl. 441DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 435 10 relativos a vendas brutas, compras e despesas operacionais, com base no pressuposto de que referidas operações ocorreram à vista e, além disso, considera, a partir dos totais anuais apurados, que a dita “sobra” se distribuiu linearmente no transcorrer do ano, isto é, representou, em cada mês, 1/12 da sobra financeira anual apurada. Por tomar por base dados absolutamente inconsistentes, eis que para a sua determinação teria sido necessária a elaboração de fluxo financeiro fundado em saldos contábeis de contas representativas de pagamentos e recebimentos, deixo de levar em conta as conclusões esposadas na decisão recorrida que foram fundamentadas nas determinadas sobras financeiras mensais. Por igual razão, desconsidero, também, os argumentos da Recorrente relacionados às referidas sobras mensais. No que tange à alegada necessidade de recomposição do lucro, sem prejuízo da didática explicação apresentada na decisão de primeira instância no sentido de demonstrar que, em caso de lucro préexistente, a matéria tributável apurada de ofício submetese diretamente à alíquota do imposto (e do adicional, se for o caso), descabe discriminar, entre os recursos captados, os que supostamente se destinaram à atividade da empresa. Tal providência só teria sentido na situação em que os montantes captados no mercado superassem os que foram destinados aos mútuos realizados com o sócio. Em tal circunstância, seria razoável limitar a glosa ao montante de empréstimos tomados no mercado que correspondesse ao total dos mútuos realizados com o sócio. No caso vertente, contudo, não há de se falar em apuração e comprovação dos empréstimos que não foram destinados à atividade empresarial, pois, como já visto, o montante destinado ao sócio a título de mútuo superou significativamente o total captado no mercado, decorrendo de tal fato a mais absoluta desnecessidade da despesa de juros incorrida pela fiscalizada. INVALIDADE DO LANÇAMENTO DE CSLL Argumenta a Recorrente que há vício que fulmina especificamente o lançamento da CSLL, pois o Mandado de Procedimento Fiscal circunscreveu a atuação do agente fiscal ao IRPJ e ao IOF. Não obstante o fato de não ter sido carreado aos autos o documento referenciado pela Recorrente (Mandado de Procedimento Fiscal), concluise que a sua argumentação deriva do que foi assinalado no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03), em que, no campo destinado à indicação do tributo/contribuição, foi assinalado IRPJ e IOF. Na linha do decidido em primeira instância, resta pacificado em seara administrativa que o Mandado de Procedimento Fiscal representa instrumento de controle interno da Administração Tributária, de modo que a eventual realização de procedimento fiscal em desacordo com as proposições nele estabelecidas só gera efeitos em âmbito da mesma forma interno. Descabe, pois, falarse em nulidade do feito fiscal em virtude de uma suposta ausência de indicação, no documento em questão, do tributo lançado. Ademais, como bem destacou a decisão recorrida, a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido derivou dos mesmos fatos que serviram de suporte para o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, revelandose, assim, como mera tributação por via reflexa. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.724565/201295 Acórdão n.º 1301001.208 S1C3T1 Fl. 436 11 É certo que nos termos do Parecer CST nº 2.716, de 1984, “o ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte somente em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos”, o que significa dizer que, considerado o Termo de fls. 03, poderia a contribuinte servirse, para fins de exclusão da responsabilidade pela infração relativamente à CSLL, das disposições do art. 138 do Código Tributário Nacional. Porém, como resta evidente, não cuidou a autuada de espontaneamente declarar a infração, efetuando o pagamento da exação devida. MULTA APLICÁVEL E TAXA DE JUROS SELIC Diz a Recorrente que é inaceitável a aplicação da multa no percentual de 75% em virtude do princípio do nãoconfisco. Alega, ainda, que a taxa SELIC não se presta para utilização como equivalente aos juros moratórios, em virtude da ausência de lei instituidora. No que diz respeito à suposta violação ao princípio constitucional da vedação ao confisco por parte da norma que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, cabe observar que, nos termos da súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre tal matéria. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na mesma linha, a questão da aplicação dos juros selic já se encontra pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula CARF nº 4 abaixo transcrita. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, cabe salientar que, diante do não acolhimento das razões de defesa trazidas pela Recorrente, não há de se falar em restabelecimento do prejuízo fiscal de 2009. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 12466.002820/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado,
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 23/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.002820/200641 Resolução n.º 3201000.328 S3C2T1 Fl. 135 2 Trata o presente processo de lançamento da multa substitutiva à pena de perdimento prevista no art. 23, § 3.º do Decretolei n.º 1.455/76, com redação da Lei n.º 10.637/2002, no valor de R$1.426.331,00 lançada contra a empresa PROAD S/A e Megacom Memórias Ltda, como responsável solidária. Segundo o que consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 01/13, a autuada PROAD foi selecionada para os procedimentos de fiscalização de que trata a IN SRF n.º 228/2002, tendo em vista a constatação de que após a habilitação provisória concedida nos termos da IN SRF 286/2002, houve um aumento expressivo das importações, acima da previsão feita no ato da concessão, e um aumento das ocorrências cadastradas no sistema Radar referentes aos despachos de importação. Cientificada do procedimento especial de fiscalização, após intimação, apresentou documentos e esclarecimentos a respeito de suas atividades. Com base na análise desta documentação, a fiscalização apurou a ocorrência de irregularidades que consistiam na simulação de operações de comércio exterior por conta própria, quando na verdade tratavamse de importações por conta e ordem de terceiros, ocultando os reais adquirentes das mercadorias importadas. Às fls. 05/09 do Auto de Infração estão transcritos os dados constantes do Livro Razão dos anos 2004 e 2005 onde foram registrados lançamentos nas contas “Clientes Nacionais” do ativo e “Adiantamentos de Clientes” do passivo. Nestas contas aparecem valores que correspondem aos recursos monetários antecipados pelos clientes para as importações feitas pela PROAD, como se fossem por conta própria. A PROAD efetuou as importações, pagando todas as despesas de nacionalização e emitiu notas fiscais de compra e venda, remetendo as mercadorias aos adquirentes. Alega a fiscalização que a empresa teria obtido vantagem com o pagamento a menor dos impostos devidos além de evitar que os reais adquirentes das mercadorias importadas se apresentassem à fiscalização aduaneira, sem habilitaremse como operadores de comércio exterior. A Megacom Memórias Ltda, empresa atuada como solidária, foi a adquirente de mercadorias importadas pela importadora autuada nos anos de 2004 e 2005, conforme planilha feita pela fiscalização às fls. 65/68. Nas DI’s destas importações também foi verificado uma referência à empresa Megacom, no campo de informações complementares da seguinte forma: IN/REF:MEG, numa seqüência de 001/04 a 043/05 com uma nítida indicação a quem se dirigia a importação (fls. 23/64). Também alega a fiscalização que foi constatada a vinculação dos valores recebidos na subconta “Adiantamento de Clientes – Megacom” nos anos 2004 e 2005 com as operações de importação das mercadorias que foram vendidas à Megacom após sua nacionalização. Ressalva que pequena parte das mercadorias nacionalizadas foram vendidas a outra empresa que à época também era administrada pelo mesmo sócio administrador da Megacom. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.002820/200641 Resolução n.º 3201000.328 S3C2T1 Fl. 136 3 Tendo concluído pela ocultação do real adquirente, com simulação no registro das importações feitas por conta e ordem de terceiros, a fiscalização lançou a multa por conversão da pena de perdimento, nos termos do art. 23 da DecretoLei n.º 1.455/1976. Intimadas, apenas a empresa PROAD apresentou a impugnação de fls. 74/109 com as seguintes alegações: 1 Alega a impugnante que foi incluída no procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF n.º 228/2002 sem que tenha sido informada dos atos administrativos que balizaram tal procedimento. Que com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.º 0727600 200500274 6, a fiscalização reuniu atos e documentos que originaram o processo administrativo n.º 12466.000528/200694, que trata da representação para fins de inaptidão de CNPJ. No entanto este MPF foi emitido para verificação do recolhimento de II no período de 01/2003 a 07/2005, tendo sido prorrogado por duas vezes até o dia 04/03/2006. Portanto alega que o procedimento de que trata a IN SRF n.º 228/2002 foi nulo já que o MPF expedido foi para apuração de II. Além disto a fiscalização não demonstrou naquele processo administrativo a ocorrência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. Também foi excedido o prazo para sua conclusão em aproximadamente 8 meses, sem que houvesse justificativa devidamente documentada nos autos. Por todas estas razões, é nulo o procedimento instaurado contra a peticionária e nulo, por conseqüência, o auto de infração originado dele e instaurado através do presente processo. 2 Refuta a afirmação da fiscalização de que sua habilitação no siscomex era provisória, haja vista que não foi notificada sobre a vigência da habilitação e ainda que o processo foi encaminhado ao arquivo não havendo pendências, portanto, neste particular. Afirma também que o embasamento no art. 33 da IN SRF n.º 455/2004 (revisão das habilitações) para o procedimento especial de fiscalização é decadente haja visto que além de não ser provisória sua habilitação ainda não foi intimada da revisão de sua habilitação. 3 A finalidade da empresa sempre foi o lucro. Nos anos anteriores a sua habilitação o foco da empresa estava direcionado a atividades de venda no atacado e varejo de produtos adquiridos no mercado nacional, além da prestação de serviços de consultoria. De acordo com os próprios dados levantados pela fiscalização quanto a previsões e importações realizadas pela interessada, não há demonstração de que a mesma obteve habilitação no Radar iludindo a fiscalização. Quanto ao volume de ocorrências após a habilitação, isto se deve ao fato de que se aumentou o volume de operações, também aumentou o número de ocorrências. Mesmo assim estas ocorrências foram suportadas pela PROAD demonstrando a idoneidade da empresa. 4 A PROAD além das atividades de comércio exterior também atua na área de informática e tecnologia, fornecendo mercadorias para órgãos privados e públicos através da participação em licitações. O cliente procura o setor de venda da empresa e verifica se existe mercadoria disponível em estoque ou para fornecimento num prazo determinado, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.002820/200641 Resolução n.º 3201000.328 S3C2T1 Fl. 137 4 pouco interessando a este cliente a origem da mercadoria. Geralmente é feito uma antecipação parcial do pagamento para garantir o negócio, como é normal em qualquer empresa comercial. Caso não seja cumprido o acordado o cliente requererá a devolução do valor pago antecipadamente, o que será arcado e suportado pela PROAD. Por esta razão tratase de adquirente de boafé, que compra o bem importado no mercado interno, de estabelecimento idôneo, mediante entrega de nota fiscal. Junta acórdãos do STJ quanto à presunção de boafé do adquirente. 5 Para que seja aplicada a pena de perdimento, nos termos do DecretoLei n.º 1.455/1976 é necessário que seja provada a existência de fraude, simulação ou de interposição fraudulenta. Não houve a fraude nos termos da Lei n.º 4.502/64, art. 72, já que não houve interferência de um terceiro na cadeia de circulação de mercadoria, de forma intencional para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o recolhimento de tributos, objetivando a ocultação do real beneficiário da operação. A interposição fraudulenta que a lei coíbe não é qualquer interposição de terceiros que é um fenômeno natural no processo de produção e circulação de bens, que decorre da própria necessidade de especialização de atividades. A lei prescreve um indício que permite presumir a interposição fraudulenta nos casos em que não há comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Somente nesta hipótese há a presunção de interposição fraudulenta. E isto não se confunde com recebimento antecipado de clientes que é uma espécie de arras ou mesmo garantia da celebração do negócio jurídico. Haveria de se constatar que a empresa importadora só teve condições de efetuar a operação mediante o recebimento antecipado dos recursos, o que não se deu com a interessada que é empresa que possui recursos próprios para suportar todas as operações de comércio exterior por ela realizadas, conforme comprovam os extratos financeiros que sempre estiveram à disposição da fiscalização. Desta feita não foi comprovada a inexistência de capacidade financeira da PROAD para realizar as importações. Desse modo, o recebimento antecipado das operações não caracteriza de forma isolada a interposição fraudulenta de terceiros, devendo ser conjugada com outros elementos. Todos os pagamentos antecipados por clientes estavam devidamente escriturados, não havendo aí simulação de operação por conta própria. 6 A fiscalização se baseou na presunção de que todas as operações feitas com recebimento antecipado de clientes foram feitas mediante a utilização de recursos de terceiros, e por conseguinte, deveriam ser tratadas como por conta e ordem destes. O recebimento antecipado é apenas um indício de utilização de recursos de terceiros. Todavia se a empresa escritura em sua contabilidade esses adiantamentos, eles passam a ser recurso próprio da empresa, principalmente porque eles não são essenciais à concretização da operação, visto que a importadora possuía capacidade financeira para operar sem o recebimento deste recurso. Até porque dentre os vários autos de infração lavrados pela fiscalização, há alguns clientes indicados como adquirentes que ainda são devedores da PROAD mesmo tendo realizado algum adiantamento. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.002820/200641 Resolução n.º 3201000.328 S3C2T1 Fl. 138 5 A previsão de sinal é um negócio lícito nas operações de compra e venda, razão pela qual o simples adiantamento não pode descaracterizar a operação por conta própria da PROAD. Caso a empresa não possuísse fontes para financiamento próprio poderia a interpretação da fiscalização estar correta, mas isto não foi em nenhum momento questionado no Relatório Fiscal como razão para aplicação da penalidade. Então somente quando a capacidade financeira não for comprovada é que se pode ser evidenciada a interposição fraudulenta de terceiros. 7 Para aplicação da pena de perdimento é preciso que a conduta se enquadre em infrações como a fraude e simulação, de apuração subjetiva, sendo indispensável a prova concreta de sua ocorrência. A presunção do art. 27 da Lei n.º 10.637/2002 é inaplicável e como não foi comprovada a fraude ou simulação, é indevida a aplicação da pena em comento. 8 Quanto aos argumentos utilizados pela fiscalização como fatos causadores da infração, alega que não há elementos reais para balisar suas conclusões e que merecia uma maior investigação. Afirma que para o cliente da empresa pouco importa se as mercadorias foram adquiridas através de importação pela PROAD ou de terceiros no comércio interno. O cliente não tem conhecimento sobre este fato e sequer imagina como a empresa vai fazer para disponibilizar a mercadoria pela qual manifestou interesse em adquirir e para tanto antecipou parte de seu pagamento. Este cliente é um adquirente de boafé. 9 A fiscalização alega que houve recolhimento a menor de IPI devido, visto que foi calculado sem a majoração do preço da mercadoria pela margem de lucro do real comprador. Desta forma o prejuízo ao erário seria esta diferença ínfima de imposto, o qual não foi sequer mensurado pela fiscalização. Também é falaciosa a alegação de que deixou de ser tributada no IRPJ e CSLL sobre os ganhos obtidos com a prestação de serviços. Pressupõese que seja do conhecimento dos auditores da receita federal que o benefício do FUNDAP (incentivos financeiros) já promove o retorno financeiro para as empresas fundapianas, não havendo espaço para cobrança de operações realizadas por conta e ordem de terceiros, face à concorrência entre as beneficiárias. Portanto não existindo esta cobrança, não que se falar em ISS e quanto aos outros tributos, todos foram recolhidos sobre a margem de lucro embutida na revenda da mercadoria. Não existiu prejuízo algum ao fisco. 10 Requer ao final que seja julgado insubsistente o auto de infração, tendo em vista que as irregularidades apontadas não caracterizam interposição fraudulenta de terceiros ou qualquer outra que implique na aplicação de pena de perdimento de mercadoria. Requer também a produção de provas, em especial a documental, pericial e testemunhal, para análise de todas as questões envolvidas no caso vertente. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC deferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS nº 17.755, de 09/10/2009: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.002820/200641 Resolução n.º 3201000.328 S3C2T1 Fl. 139 6 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento. Impugnação Improcedente Intimado da decisão, a recorrente PROAD interpõe recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de lançamento da multa substitutiva à pena de perdimento prevista no art. 23, § 3.° do Decretolei n.° 1.455/76, com redação da Lei n.° 10.637/2002, no valor de R81.426.331,00 lançada contra a empresa PROAD S/A e Megacom Memórias Ltda, como responsável solidária. Da leitura do Auto de Infração, a fiscalização é clara: O procedimento especial de fiscalização foi concluído com a constatação da prática de irregularidades no comércio exterior pela Proad, inclusive a interposição fraudulenta, motivo pelo qual foram lavrados Representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa, processo no 12466.000528/200694 e vários Autos de Infração para aplicação de pena de perdimento de mercadorias nos termos do art. 23 da Lei n 2 1.455/76, redação dada pelo art. 59 da Lei n.º 10.637/2002. Vemos então que foi decorrente do processo de inaptidão de CNPJ que foram aplicadas as conversões das penas de perdimento em multa. Assim, entendo que para o correto julgamento do processo, se faz necessário ter vistas Daquele processo de inaptidão de CNPJ. Ainda, a recorrente aduz ilegalidades quanto às expedições dos MPF´s (mandados de procedimento fiscais). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 12466.002820/200641 Resolução n.º 3201000.328 S3C2T1 Fl. 140 7 Entretanto, da análise dos autos, não consegui verificar a juntada de tais documentos, motivo pelo qual também entendo devam os mesmos ser juntados, antes que se analise o mérito da demanda. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora junte cópia integral do processo n.º 12466.000528/200694, bem como cópia de todos os MPF´s relacionados a este lançamento. Deve ainda ser informado se existe algum auto de infração relacionado ao caso exigindo os tributos decorrentes das operações. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 25 de abril de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.903008/2011-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Em face da homologação tácita da compensação, reputa-se insubsistente o despacho decisório proferido após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Em face da homologação tácita da compensação, reputase insubsistente o despacho decisório proferido após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 30 08 /2 01 1- 52 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2002, no valor de R$ 1.161,30, com débitos da mesma Contribuição do mês de maio de 2005. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou, em preliminar, a ocorrência homologação tácita da compensação, porém, se superada a preliminar, o que admitia apenas a título de argumentação; no mérito, a legitimidade do crédito compensado, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em relação à homologação tácita da compensação, não qualquer manifestação. Em 16/12/2011, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 10/1/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 57/67 em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que a Turma de Julgamento a quo não se pronunciou sobre a homologação tácita da compensação, alegada na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Embora o órgão de julgamento de primeira instância não tenha se manifestado sobre ocorrência da homologação tácita alegada pela recorrente na Manifestação de Inconformidade colacionada aos autos, essa circunstância não impede o seu conhecimento nesta fase processual, pois se trata matéria de ordem pública, portanto, não sujeita ao requisito do préquestionamento. Além disso, na hipótese em que o mérito puder ser decidido em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria da declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.903008/201152 Acórdão n.º 3802001.702 S3TE02 Fl. 21 3 pronunciará nem mandará suprirlhe a falta, conforme explicitado no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). No presente caso, o questionado Despacho Decisório foi emitido em 1/4/2011, sendo dele cientificado a Recorrente no dia 13/4/2011, conforme documento de fl. 6, enquanto que a respectiva DComp foi transmitida no dia 15/6/2005. Dessa forma, tanto na data da emissão quanto na data da ciência do referido Despacho Decisório, a compensação informada na referida DComp já se encontrava homologada tacitamente, pois, nas referidas datas, já havia transcorrido o prazo de cinco anos, estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para fim de realização da homologação expressa pela a autoridade fiscal competente. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso, para declarar insubsistente o Despacho Decisório de fls. 02/04 e reconhecer a homologação tácita da compensação declarada na respectiva DComp. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012051/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SOBRESTAMENTO. Não há como examinar, em sede de recurso voluntário, pedido que envolve sobrestamento de outro processo administrativo. PRECLUSÃO. MULTAS DE VALOR FIXO -FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NEGADO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Evidenciado nos autos o não atendimento às condições estabelecidas nos arts. 14, 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, correta a decisão de primeira instância em negar pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte, não se caracterizando, destarte, qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Não há como transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do custo de mercadorias vendidas - CVM que se encontra registrado na contabilidade do sujeito passivo. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. VERDADE MATERIAL. Uma vez não revestidos das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material, estudos e parecer técnicos, desacompanhados da respectiva comprovação documental hábil e idônea, se tornam frágeis diante dos registros contábeis do próprio contribuinte que embasam o lançamento constituído pelos Autos de Infração.
Numero da decisão: 1301-000.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SOBRESTAMENTO. Não há como examinar, em sede de recurso voluntário, pedido que envolve sobrestamento de outro processo administrativo. PRECLUSÃO. MULTAS DE VALOR FIXO -FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NEGADO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Evidenciado nos autos o não atendimento às condições estabelecidas nos arts. 14, 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, correta a decisão de primeira instância em negar pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte, não se caracterizando, destarte, qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Não há como transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do custo de mercadorias vendidas - CVM que se encontra registrado na contabilidade do sujeito passivo. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. VERDADE MATERIAL. Uma vez não revestidos das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material, estudos e parecer técnicos, desacompanhados da respectiva comprovação documental hábil e idônea, se tornam frágeis diante dos registros contábeis do próprio contribuinte que embasam o lançamento constituído pelos Autos de Infração.
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SOBRESTAMENTO. Não há como examinar, em sede de recurso voluntário, pedido que envolve sobrestamento de outro processo administrativo. PRECLUSÃO. MULTAS DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NEGADO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Evidenciado nos autos o não atendimento às condições estabelecidas nos arts. 14, 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, correta a decisão de primeira instância em negar pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte, não se caracterizando, destarte, qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Não há como transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do custo de mercadorias vendidas CVM que se encontra registrado na contabilidade do sujeito passivo. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. VERDADE MATERIAL. Uma vez não revestidos das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material, estudos e parecer técnicos, desacompanhados da respectiva comprovação documental hábil e idônea, se tornam frágeis diante dos registros contábeis do próprio contribuinte que embasam o lançamento constituído pelos Autos de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (documento assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 19 de abril de 2011, em face da decisão proferida pelo Acórdão nº 0225.152, da 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte – DRJ/BHE, fls. 297 a 305, que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a impugnação, na parte objeto de litígio, mantendo o correspondente crédito tributário exigido. O acórdão combatido, do qual o Recorrente teve ciência em 23 de março de 2011, minuciosamente relata os procedimentos desenvolvidos nos seguintes termos: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/10 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa proporcional e juros de mora calculados até 29/08/2008, além de multas regulamentares, no montante total de R$2.636.803,85, relativos aos exercícios de 2005, 2006 e 2009. Na descrição dos fatos, em resumo, constam os seguintes registros: 001 — Resultados operacionais não declarados: valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. 002 — Multas de valor fixo: multa regulamentar equivalente a 0,02% calculada sobre a Receita Bruta da Pessoa Jurídica, por dia de atraso, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. 003 — Declaração de Rendimentos Pessoa Jurídica — Inexatidão na DIPJ: valor devido pela apresentação das DIPJ dos anoscalendário de 2004 e 2005 em branco, embora a Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 436 3 empresa tenha funcionado normalmente e tenha apresentado, em sua contabilidade, Receita Bruta significativa. A multa aplicada é decorrente de informações incorretas ou omitidas, tomando por base as DIPJ retificadoras apresentadas após o início da ação fiscal. Em decorrência da infração capitulada no item 001 do auto de infração do IRPJ, foi lavrado o auto de infração de fls. 15/21 para exigência de Contribuição Social s/ Lucro Liquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora calculados até 29/08/2008, no montante de R$916.116,64, relativos ao exercício de 2005. Os demonstrativos de compensação de bases negativas e de prejuízos fiscais foram juntados ás fls. 22/25. Por sua vez, no Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexado às fls. 26/29, a autoridade fiscal fez o registro acerca das intimações expedidas, das respostas apresentadas pelo fiscalizado e da análise dos livros contábeis e fiscais do contribuinte, tendo constituído o crédito tributário com base nas receitas não declaradas, considerando os valores declarados em DCTF e as compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Foi destacado ainda que não houve lançamento relativamente ao PIS e a Cofins, por ser o contribuinte beneficiário da alíquota zero, por substituição tributária. Os demais documentos que fundamentam a exigência fiscal constam das fls. 30/247, além dos Anexos I e II. Cientificado dos lançamentos em 17/09/2008, conforme consignado nos Autos de Infração, no TVF e no Termo de Encerramento, o contribuinte apresentou, em 17/10/2008, a impugnação de fls. 253/295, cujo conteúdo, em síntese, se passa a explicitar. I — Da tempestividade O impugnante sustentou a tempestividade do contraditório apresentado. II — Dos fatos O defendente fez uma síntese da autuação, tendo salientado que, de inicio, com a opção pelo lucro presumido, foi posteriormente, com referência ao exercício de 2004, retificada para o critério estabelecido no lucro real, havendo, consequentemente, a regularização e substituição das informações. Ressaltou ainda que não procede a afirmação da Fazenda da existência de receitas não declaradas, visto que pelos lançamentos e livros apresentados, na movimentação contábil não se vislumbra a omissão de receitas. III — Da dinâmica mercantil Segundo o impugnante, não há dúvida que a opção do contribuinte para apuração do IRPJ e CSLL tem como critério o Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 lucro real, independentemente de informações quanto a obrigações acessórias prestadas zeradas, uma vez que existe permissivo normativo de promover a substituição das informações, o que não implica descumprimento dessas obrigações, não dando azo para a imposição da penalidade acessória que deve ser afastada do quantum apurado. O autuado discorreu acerca da dinâmica da atividade mercantil, afirmando que, na técnica de obtenção do resultado tributário com suporte no lucro real, mesmo que não escriturado, a própria margem encontrada para tributação tornase utópica, uma vez que foge dos padrões da competitividade do mercado quanto a critério de preços estabelecidos como custo para agregarse o percentual de lucro sobre a operação mercantil, e o número explicitado não corresponde que esteja incluso e deduzido o custo das mercadorias utilizadas (compras não declaradas), que virá interferir no resultado, conforme manifestado em planilha entregue pelo representante legal da empresa, por solicitação dos agentes fiscais, na qual demonstrou que, para aquele giro mercantil, não estava incluso custo médio de mercadorias na ordem estimada de R$3.000.000,00. Prosseguiu o impugnante, ressaltando que tal fato é facilmente `comprovável' por exame direto dos documentos que acobertam a entrada de mercadorias, que foram relevados pela fiscalização sob alegação da inexistência da devida documentação, não se dignando a proceder a diligência ou intimação, entendendo mais cômodo arvorarse na autuação fiscal, com a imposição de crédito tributário incompatível com a movimentação financeira. IV — Do pedido Requereu o impugnante que seja provida a impugnação, para desconstituir em sua totalidade o auto de infração, determinandose que nova diligência elucidativa seja procedida, acompanhada por auditor a ser indicado como assistente do autuado, prestigiando o principio da isonomia, sobrestando o processo administrativo pelo tempo necessário à comprovação perante a Fazenda Federal. Sendo deferida a diligência, constatando a veracidade das ponderações do impugnante, requereu ainda que seja declarada de forma definitiva a improcedência do auto de infração com o consequente arquivamento. Protesta provar por todos os meios em direito admitidos, inclusive pela prova pericial, além da reprodução e juntada de novos documentos no que se refere comprovação do custo médio das mercadorias informado pelo impugnante e rejeitado pela autoridade fiscal. À impugnação foi anexada cópia das principais peças do processo, além de documentação pertinente ao instrumento de procuração (fls. 258/295). O acórdão ora recorrido, com base nas alegações expressamente apresentadas na impugnação, bem como nos elementos de prova juntados aos presentes autos, considerou Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 437 5 não contestada a matéria tratada no item 002 do Auto de Infração e, quanto aos demais itens, julgou procedentes os respectivos lançamentos, sob as seguintes ementas: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA MULTA POR FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 DIFERENÇA APURADA ENTRE O ESCRITURADO E DECLARADO Constatada divergência entre os valores escriturados e os declarados, tomando por base as Demonstrações de Resultado apresentadas pelo próprio contribuinte, é licito o lançamento do imposto devido em relação às diferenças apuradas, quando o impugnante no logra êxito em refutar as evidências coletadas no trabalho fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O lançamento reflexo pertinente à Contribuição Social deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005, 2006 MULTA REGULAMENTAR INEXATIDÃO NA DIPJ O sujeito passivo que apresentar a DIPJ com incorreções ou omissões fica sujeito à multa regulamentar de R$20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, observado o valor mínimo a ser aplicado de R$500,00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantida.” Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais argumentando, em síntese, que: De acordo com o auto de infração, a tributação se deu com base no "Lucro Real apuração trimestral". Levando em conta este regime de tributação, deve ser considerado que "Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária" (art. 6º, da DecretoLei 1.598/77). Como dentre as deduções que a lei autoriza está o custo das mercadorias vendidas – Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 CMV, entende que, para a real aferição do valor a ser tributado, deve ser apurado, dentre outras coisas, o CMV. Nesse sentido, aduz que, no presente caso, a correta apuração do CMV é de suma importância para o deslinde da causa. Segundo a recorrente, de acordo com o Temo de Verificação Fiscal, fls. 278, o valor do CMV apurado pela fiscalização foi impugnado pessoalmente pelo sócio da Recorrente. Apesar dessa impugnação do sócio, diz que a Auditora Fiscal não diligenciou no intuito de averiguar se tais informações estariam corretas ou não. Desta forma, entende que a atitude da fiscalização não se conforma aos preceitos legais, em especial o art. 276, do RIR/99. Recorda que, quando da impugnação administrativa interposta, houve requerimento para realização de prova pericial com o intuito de comprovar que o CMV estaria contabilizado de maneira incorreta. Contudo, como restou prejudicada a ampla defesa e o contraditório da Recorrente (art. 5º, LV, da Constituição Federal), entende caracterizado o cerceamento de defesa já que não pôde demonstrar que a apuração incorreta do CMV e, como conseqüência, a incorreção na apuração do IRPJ Lucro Real. Assevera ser impossível que uma empresa que atue no comércio atacadista e varejista de peças e acessórios novos para veículos automotores com receita bruta de R$ 8.701.124,49, no ano de 2004, possa incorrer em custos de mercadorias vendidas de somente R$ 2.857.341,00 (lucro de mais de 300% no ano de 2004). Informa que juntou um estudo do SEBRAE/ES realizado com a intenção de traçar um perfil do segmento de revenda de autopeças, intitulado "ANÁLISE DE NEGÓCIO COMERCIALIZAÇÃO DE AUTOPEÇAS ", onde se constatou que a margem de lucro das empresas de auto peças gira em torno de 9,94%, valor este que alega ser totalmente incompatível com o apurado para a Empresa Recorrente no ano de 2004. Aduz que, na apuração do imposto devido, o art. 276, do RIR/99, determina que a autoridade tributária, além de exame de livros e documentos de sua escrituração, deve verificar o lucro real com base em informação ou esclarecimentos do contribuinte, ou em qualquer outro elemento de prova. Nesse sentido, alega que foi informado à Auditora Fiscal que havia um equívoco quanto ao lançamento do CMV nos Livros Diários e Razão, bem como na Demonstração do Resultado, todos do ano de 2004. Diante dessa informação, entende que caberia à fiscalização apurar se realmente existia ou não falha de lançamento do CMV na contabilidade da Empresa. Diz que anexa à sua petição trabalho realizado, a seu pedido, por técnico especialista, o qual, após a análise minuciosa dos Livros Diário e Razão, bem como Demonstração do Resultado e Sistema Controle de Estoque Vendas – SCV do período de 01/01/2004 a 31/12/2004, constatou que "o custo, das mercadorias vendidas declarado foi inferior/abaixo da realidade fática, ocasionando de forma equivocada um tributo superior ao realmente devido ao órgão público". Após reproduzir trecho extraído do relatório produzido em razão do mencionado trabalho técnico, entende necessária a recomposição do CMV à tal realidade fática para se apurar, de maneira que alega correta, o lucro auferido pela empresa. Em relação ao lançamento da MULTA DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO, a Recorrente alega e destaca que“deve ser Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 438 7 observado que todos os arquivos solicitados e/ou necessários a instrução da verificação fiscal foram apresentados/disponibilizados à Auditora Fiscal em tempo hábil, o que torna o auto de infração e a multa aplicada insubsistente. A entrega dos documentos solicitados pela Auditora Fiscal restou demonstrado no termo por ela lavrado, nos seguintes termos: ‘A constituição do crédito tributário, que decorreram das receitas não declaradas, foi baseado nos documentos citados’. Portanto, se a Auditora Fiscal se baseou nos documentos apresentados pelo Contribuinte, resta impossível que se aplique uma multa por falta de entrega de documentos”. Diante disso, conclui que “restou demonstrado que a verificação fiscal foi realizada sem a devida diligência pela Auditora Fiscal, o que macula todo o trabalho realizado pela Auditora Fiscal e, por conseqüência, todo o Auto de Infração, que apurou as seguintes infrações: 001 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS; 002 MULTAS DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO; 003 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PESSOA JURÍDICA INEXATIDÃO NA DIPJ”. Requer, finalmente seja acolhido o presente recurso para o fim desconstituir o Auto de Infração em sua totalidade, determinando que nova diligência seja procedida, acompanhada por auditor a ser indicado, onde buscará a demonstrar a veracidade de suas alegações, cancelandose o débito fiscal reclamado. Para tanto, indica como assistente técnico a perita que realizou o trabalho técnico, juntando, em anexo, os quesitos a serem apurados em eventual perícia. Em petição datada de 21/09/2011, a Recorrente juntou aos presentes autos requerimento expresso, textualmente, nos seguintes termos: BHM DIESEL LTDA, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem informar a interposição de Ação Declaratória, em curso perante o Tribunal Regional Federal da ia Região — 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (Processo 2082038.2011.4.01.3800), com o objetivo de conferir efeito suspensivo ao processo Administrativo n° 10.680 721.811/2011, até decisão com trânsito em julgado, dos autos n° 10680012.051/200891, conforme cópias e informativos em anexo. Assim, tendo em vista a interposição do recurso administrativo que impugnou a totalidade do auto de infração (MPF n° 0610100/1261/08) e a decisão de primeira instância (Acórdão 0225.152 — 2 Turma da DRJ/BHE), requer seja atribuído efeito suspensivo ao presente recurso com o sobrestamento dos processos Administrativos n° 10.680721.811/201151 e n° 10.680012.051/200891. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 O recurso voluntário interposto em 19/04/2011 preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, convém observar que não há como examinar no presente processo questão que envolve eventual sobrestamento de outro processo administrativo (nº 10.680721.811/201151). Embora originário de determinação estabelecida em face da decisão administrativa proferida em primeira grau nos presentes autos, essa questão se relaciona única e exclusivamente com a tramitação processual daquele processo, razão pela qual somente nele cabe tal discussão. Ademais, conforme cópia da petição que inaugurou a ação declaratória interposta pela Recorrente junto à Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, juntada às mencionadas petições, pelo fato de tal matéria se encontrar sob a tutela do Poder Judiciário, o seu exame nessa esfera administrativa fica prejudicado, em face de prevalecer a decisão que vier a ser proferida na esfera judicial. A recorrente alega ter sido violado o princípio do contraditório e do direito de defesa, uma vez que a decisão de primeira instância não acatou o pedido de realização de diligência. Fundamentado no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, determinar a realização de diligências e o relator da decisão recorrida considerou prescindível a adoção desses procedimentos nos seguintes termos: “Esclareçase ainda que a regra do processo administrativo fiscal é de que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação formalizada por escrito tempestivamente. Notese também que é da essência da relação processual que as alegações de parte a parte estejam devidamente instruídas com as respectivas provas (arts. 14, 15 e 16, inciso III do Decreto n° 70.235, de 1972, com alterações posteriores). No caso vertente, o entendimento da fiscalização sobre o assunto foi consubstanciado nos autos de infração, no TVF, nos demonstrativos conexos e nas provas documentais juntadas nos autos, em especial as Demonstrações de Resultado apresentadas pelo próprio autuado. Agora na impugnação caberia ao contribuinte apontar objetivamente falhas no lançamento, mediante apresentação da documentação comprobatória pertinente, que pudessem justificar um novo exame por parte da autoridade fiscal. Efetivamente, porém, conforme visto no item 1.3 desse Voto, não ficou demonstrada nenhuma irregularidade no procedimento fiscal que dê causa à realização da diligência pretendida pelo impugnante. Sendo assim, não havendo motivação bastante para a realização de diligencia, o pedido do impugnante deve ser indeferido, na forma das disposições contidas nos arts. 18 e 28 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei n° 8.748, de 1993.” Com efeito, examinando os presentes autos, constatase que os elementos que instruíram a impugnação então apresentada se limitaram tão somente à juntada de cópia das principais peças do processo (Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal e Termo de Encerramento), além de documentação pertinente ao instrumento de procuração (fls. 258/295). Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 439 9 Portanto, não atendidas as condições estabelecidas no mencionado Decreto nº 70.235, de 1972, em especial os citados arts. 14, 15 e 16, § 4º, correta a decisão de primeira instância em não acatar o pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte e tampouco há que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Agora na fase recursal, a Recorrente anexa parecer técnico no qual teria sido constatado que "o custo, das mercadorias vendidas declarado foi inferior/abaixo da realidade fática, ocasionando de forma equivocada um tributo superior ao realmente devido". Embora precluso o direito de a impugnante fazer prova nesse momento processual (§ 4º do art. 16 do mencionado Decreto nº 70.235, de 1972), uma vez não demonstrada as condições necessárias para tanto (impossibilidade de apresentação oportuna, refirase a fato ou direito superveniente, ou destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos), em respeito ao princípio da verdade material, convém observar que o exame do referido parecer técnico revela, de plano, que não foi apontada objetivamente nenhuma falha no lançamento fiscal que pudesse justificar um novo exame em diligência e/ou perícia por parte da autoridade fiscal. Tampouco tal parecer consegue refutar os elementos probatórios pelos quais se apurou e se encontra fundamentada a exigência fiscal. Nesse sentido, observese que, extraídos da própria escrituração contábil da Recorrente, estes elementos probatórios foram devidamente juntados aos autos pela fiscalização em seus Anexos I e II. Além do mais, em que pese do trecho do referido parecer técnico, destacado pela Recorrente em sua peça recursal, haver afirmação no sentido de que a análise e a reconstituição das demonstrações trimestrais do anocalendário de 2004, ali empreendidas, foram elaboradas “de posse dos documentos contábeis relativos ao custo de mercadorias vendidas”, estes “documentos contábeis” não foram sequer relacionados naquele parecer técnico e, tampouco, juntados à impugnação e ao recurso voluntário interposto. Vale observar, ainda, que acompanha o parecer técnico em referência cópia das demonstrações contábeis e do resultado do anocalendário de 2004 (Anexo VI ao recurso voluntário), das quais se constata que em todas elas constam devidamente assinados pelo representante legal da pessoa jurídica e pelo seu contador, bem como expressamente firmado o reconhecimento da exatidão das informações registradas nas respectivas demonstrações contábeis. Destarte, destituído da documentação comprobatória pertinente, o parecer técnico apresentado pela Recorrente se torna frágil diante de tais demonstrações contábeis que serviram de prova para o lançamento constituído pelos Autos de Infração, deixandose, pois, de se revestir das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material. No que diz ao estudo elaborado pelo SEBRAE/ES, também ora juntado aos autos pela Recorrente, cumprese observar que o mesmo não serve para evidenciar suposta realidade fática da empresa, uma vez resultar de pesquisas extraídas a partir de dados globais do setor de autopeças, fato que não representa necessariamente a atividade específica, individual e concreta desenvolvida pelo contribuinte durante o anocalendário de 2004; acompanhadas, evidentemente, dos correspondentes comprovantes documentais do custo das mercadorias vendidas que a Recorrente alega não escriturado. A Recorrente se fundamenta na redação do art. 276 do RIR, de 1999, para alegar que – diante da informação prestada pelo sócio à época dos trabalhos fiscais no sentido Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 de que haveria um equívoco quanto ao registro contábil do CMV no Diário, Razão e na Demonstração do Resultado – caberia à fiscalização apurar se realmente existia ou não falha de lançamento do CMV na contabilidade da Empresa. Referido art. 276 assim dispõe: Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova,observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Ao contrário do que afirma a Recorrente, porém, a simples leitura do comando legal em referência não revela que as informações ou esclarecimentos do contribuinte devam prevalecer, por si sós, desacompanhada da documentação hábil pertinente. Além do mais, contraria a pretensão da Recorrente o fato de que, segundo disposto no art. 923 do mesmo RIR, de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza. Sendo assim, uma vez não comprovada com documentação hábil a informação prestada pelo sócio da contribuinte no sentido de que “o CVM não foi apurado de maneira correta”, há que se prevalecer a demonstração do resultado registrada no livro Diário da contribuinte, bem como o Lucro Real originalmente escriturado no LALUR, cujos valores serviram de base para as exigências dos tributos lançados no presente processo. Infundada, pois, a pretensão da Recorrente em transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do CVM por ela contabilizado. Quanto ao lançamento da multa de valor fixo aplicada em virtude da falta/atraso na entrega de arquivo magnético, a Recorrente observa que todos arquivos solicitados foram apresentados/disponibilizados à fiscalização em tempo hábil. Observese que a respeito dessa matéria a decisão recorrida assim se manifestou: “1.2. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA — MULTA POR FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Primeiramente, antes de apreciar as questões de mérito, é preciso delimitar a matéria não litigiosa, uma vez que a impugnação é parcial. Em relação ao assunto em pauta, vale transcrever os seguintes dispositivos do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em .que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 440 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997). [...] Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pelo art. 1." da Lei n." 8.748, de 1993) §1° No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. (Redação dada pelo art. l da Lei re 8.748, de 1993) De acordo com as normas transcritas, o contribuinte deve impugnar cada uma das imputações fiscais expressamente, apresentando fundamentos, razões e provas para a sua discordância. O silêncio a respeito de um ou outro item do lançamento será interpretado como concordância tácita e não instaurará o contencioso administrativo em relação às exigências fiscais a que corresponde. O lançamento cuidou da exigência de IRPJ, tendo o impugnante discordado expressamente das infrações capituladas nos itens 001 e 003 do auto de infração de fls. 02/14, pertinentes à apuração de resultados operacionais não declarados e à multa por inexatidão na DIPJ, respectivamente. Em consequência, considerase também impugnado o lançamento da CSLL, que decorreu exclusivamente dos resultados operacionais não declarados. Nesse sentido, o item 002 do auto de infração do IRPJ, correspondente multa por falta/atraso na entrega de arquivo magnético, no valor de R$132.472,75, em relação ao qual o contribuinte não se manifestou expressamente na impugnação apresentada, constitui a matéria não litigiosa do processo, a teor do disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972.” Tratandose, pois de matéria não litigiosa, por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresenta pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Com efeito, do exame da impugnação apresentada, o único trecho que expressamente versa sobre a exigência de penalidade foi redigido pela impugnante nos seguintes termos: Não há dúvida que a opção da Impugnante/Contribuinte para apuração do imposto de renda pessoa jurídica e contribuição social sobre lucro liquido tem como critério o lucro real, independente de informações quanto a obrigações acessórias Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 prestadas zeradas, uma vez que em favor do Contribuinte tem o permissivo normativo de promover a substituição das informações, fato que por si só não implica em descumprimento da mesma, pois a bem da verdade referidas obrigações foram cumpridas, se adequadas ou não quanto aos valores intrínsecos, não dá azo para a imposição da penalidade acessória que, s.m.j., devem ser afastadas do quantum apurado, supostamente devido. Ou seja, em sua impugnação, o contribuinte apresentou objeção somente com relação à imposição da multa regulamentar, exigida no item 003 do Auto de Infração, relativamente à multa aplicada em virtude da constatação de incorreções ou omissões das informações na DIPJ retificadoras apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, uma vez que em relação ao item 002 do auto de infração do IRPJ, correspondente à multa aplicada por falta/atraso na entrega de arquivo magnético, no valor de R$132.472,75, o contribuinte por não se manifestar expressamente na impugnação apresentada, constitui, de fato, matéria não litigiosa do processo, a teor do disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ressaltese, ainda, pelo fato de no recurso voluntário do contribuinte não haver contestação expressa relativamente à decisão proferida pela DRJ em Belo Horizonte quanto a este item 003 do Auto de Infração (correspondente à multa pela constatação de informações incorretas ou omitidas nas DIPJ retificadoras), também passa a constituir matéria não litigiosa dos presentes autos. Observese, finalmente, que, por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, o pedido formulado no sentido de que seja realizada a desconstituição, em sua totalidade, do lançamento fiscal, por representar expressão que traduz uma negativa geral, não é capaz de servir fundamento de contestação em relação às matérias tributadas nos referidos itens 002 e 003 do Auto de Infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na parte objeto de contestação. Sala das Sessões, em 10 de maio de 2012. (documento assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001387/2004-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 13 87 /2 00 4- 74 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 426 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 405 e 406): A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3º da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIV do art. 9º da referida lei (que participe do capital de outra pessoa jurídica). A manifestante contesta sua exclusão sob os argumentos seguintes: a) a outra empresa de que participa do capital social não existe de fato, pois se manteve inativa desde 1991, tratase de existência meramente formal. Além disso a pessoa jurídica de que era sócia foi devidamente encerrada, dandose baixa junto à Receita Federal, daí que nem mesmo formalmente existe a outra empresa; b) a exclusão poderseia efetivar com base em impedimentos posteriores ao ingresso no Simples, já que os existentes anteriormente foram aceitos ao mesmo tempo em que aceita foi a opção; c) por fim, vale dizer que está prescrito o direito da Fazenda excluir a solicitante em razão do fato narrado no ato declaratório, vez que existe há mais de cinco anos que ocorreu a exclusão (data da ocorrência do fato é desde 1985 e a exclusão foi prolatada em agosto de 2003). Por todo o exposto, requer seja julgada totalmente procedente a impugnação, analisandose todos os argumentos acima esposados, por ser de justiça. Em 24 de abril de 2007, foi proferido o Acórdão nº 0320.662, por esta Turma de Julgamento, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples. Posteriormente, em 19 de maio de 2010, a 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo Acórdão nº 180300.403, anulou aquela decisão de primeira instância, determinando que outra seja proferida na boa e devida forma. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 404 e 405): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 427 3 Anocalendário: 2002 Permanência no Simples – Impossibilidade – Condição Vedada. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Opção pelo Simples – Faculdade do Contribuinte – Exclusão de Ofício “A Posteriori” A opção pelo Simples é uma faculdade do contribuinte que, uma vez efetuada, sua permanência no sistema fica condicionada à nãoocorrência das vedações previstas em lei, sujeitandose à exclusão “a posteriori”, de ofício, por ato declaratório da autoridade administrativa. Prescrição do Direito de Excluir Inocorrência Não ocorre a prescrição do direito de a Fazenda excluir a empresa do Simples, quando não transcorre mais que cinco anos contados da data de inclusão (01/01/1997) e a data dos efeitos da exclusão (01/01/2002). Exclusão de Ofício – Efeitos da Exclusão A exclusão darseá de ofício, por ato da autoridade administrativa, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica, surtindo efeito, para as pessoas jurídicas que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Revisão de Acórdão. Esse acórdão revisa e substitui o de número 0320.662, de 27 de abril de 2007, proferido por esta turma de julgamento, tornado nulo pelo Acórdão nº 180300.403 – 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 13/06/2011 (A.R. de fls. 413 – numeração digital ND), em 14/07/2011, apresenta a interessada recurso de fls. 416 a 422 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais o seguinte: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 428 4 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 429 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Intempestividade do Recurso 5. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), aplicável na forma do § 3º do art. 15 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. 6. Assim, cientificada em 13/06/2011, uma segundafeira (fls. 413 ND), dispunha a Recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 13/07/2011, uma quarta feira. 7. Tendo apresentado o seu recurso apenas em 14/07/2011 (fls. 416 ND), está este perempto (art. 35 do PAF). 8. Esse mesmo entendimento consta do próprio recurso apresentado pela Recorrente (fls. 417 ND): 9. Por conseguinte, aplicase ao presente caso o disposto no art. 42, inciso I, do PAF: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 430 6 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; 10. Por fim, improcede a alegação de prescrição do direito de a Fazenda excluir a Recorrente do Simples, por se tratar, no caso, de procedimento de caráter meramente declaratório – e não desconstitutivo – conforme entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na Sistemática de Recursos Repetitivos, inexistindo, pois, qualquer prazo a ser considerado para esse efeito: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10 % de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo nº 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 431 7 de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720496/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA
A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL): Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte em razão do laudo apresentado. QUANTO A ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO VTN: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
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Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL): Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte em razão do laudo apresentado. QUANTO A ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO VTN: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. .
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 96 /2 00 7- 79 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL): Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte em razão do laudo apresentado. QUANTO A ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO VTN: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. . Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, SÉRGIO CASALI PRANDINI, foi lavrado auto de infração, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR — DITR/2003, no valor total de R$ 1.206.699,46, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Bom Futuro, com área total de 19.813,6 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 1.090.5839, localizado no município de Aripuanã — MT, conforme Notificação de Lançamento — NL de fls. 01 a 06, cuja descrição dos fatos e enquadramentos de fls. 02 a 04 e 06. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2003, 2004 e 2005, especialmente a Área de Preservação Permanente — APP, 467,Oha; Área de Utilização Limitada — AUL, 15.850,9ha; Área de Exploração Extrativa — AEE, 2.802,6ha (este dado só para 2003 e 2004); bem como o Valor da Terra Nua — VTN, o declarante foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fl. 07 e 08. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2, da lei no 4.771/1965 — Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3 °, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da Matrícula do Imóvel, caso exista averbação de Área de Reserva Legal — ARL, de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, ou outros tipos de Área de Utilização Limitada — AUL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta; Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado de interesse ecológico; Plano de Manejo Florestal Sustentado — PMFS, acompanhado do documento de aprovação ou autorização emitido pelo IBAMA, bem como de todas as autorizações para exploração (este dado só para 2003 e 2004) e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas — NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima, entre outros. Foi informado, inclusive, que a não apresentação do laudo propiciaria o lançamento de ofício do VTN, conforme a legislação, substituindose o valor informado na DITR pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT. Após pedir prorrogação de prazo, com a carta de fls. 11 a 17 foi encaminhada a documentação de fls. 18 a 72, composta por: cópia do ADA preenchido em 27/09/2004; da Matrícula do Imóvel; de documentos de identificação do interessado e de seu procurador; da procuração; da Autorização para exploração de PMFS na dimensão de 1.981,21ha; carta imagem de satélite do imóvel e; laudo técnico de distribuição das áreas e de avaliação; entre outros. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Na carta, após listar os documentos encaminhados, o interessado tratou do ADA, para dizer que foi apresentado mesmo sem necessidade legal e que comprova que, logicamente, se existiam APP e ARL em 2004 é porque estavam intactas em 2002 e 2003. Na seqüência, para embasar a alegada desnecessidade do ADA, reproduziu jurisprudência administrativa e judicial que tratam do assunto, relativamente a exercícios nos quais se discutia a base legal para tal exigência (Instrução Normativa — IN). Concluindo disse que, em vista do exposto, restou comprovado que tem direito de apurar o ITR deduzindo as APP e AUL da Area Total do Imóvel — ATI. Da análise da documentação e da carta apresentadas pelo interessado, o fiscal explanou longamente. Dos diversos esclarecimentos os principais são, em resumo, os seguintes: A alegação de que não estaria obrigado a apresentar ADA não possui base legal. Explanou sobre os dispositivos legais que tratam da necessidade desse Ato para obtenção da isenção de ITR das florestas preservadas. O ADA foi apresentado em 27/09/2004, alcançando, somente, os exercícios 2004 e 2005 para a isenção das áreas preservadas APP e AUL, observando que foi averbada na matrícula a dimensão de 15.742,4ha de ARL. ' Relativamente à Área de Exploração Extrativa disse, primeiramente, que não foi comprovada a implantação do PMFS ou o cumprimento do programa físicofinanceiro previsto no mesmo e, na parte final da Descrição dos Fatos, observou que foram apresentadas autorizações de PMFS na área de 2.280,Oha, sendo mantido esse valor. Com relação ao VTN, o laudo não atendeu o grau de fundamentação 2, pois, entre as imperfeições, a amostra de pesquisa está embasada, em sua maioria, em opiniões. Com base nessas constatações, a Autoridade Fiscal glosou as áreas isentas de APP e AUL e, parcialmente, a de Exploração Extrativa, modificou o VTN com base no SIPT, utilizando a média dos valores informados nas DITR do município de localização do imóvel, bem como alterou demais dados conseqüentes. Apurado o crédito tributário foi lavrada a NL, cuja ciência, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 75, foi dado ao contribuinte em 18/12/2007. Das fls. 77 a 95 foi juntada a impugnação apresentada em 16/01/2008, na qual após tratar I — Dos fatos até aqui conhecidos, 'dede a intimação, encaminhamento de documentos rejeitados pelo Fisco, comentários sobre dispositivo legal relativo à apuração do ITR, entre outros, o interessado apresentou sua discordância argumentando, em resumo, o seguinte: o Das Áreas de Preservação Permanente e Utilização Limitada. Neste item, em suma, discordou da glosa efetuada pelo só fato de que o ADA foi apresentado ao IBAMA fora do prazo. Observou, também, que da matrícula do imóvel consta averbada a Área Total — ATI na dimensão de 19.678,O ha e a correspondente ARL de 15.742,40 ha, fato que foi completamente desconsiderado pela fiscalização, reduzindo a zero as áreas isentas de ITR, somente, pelo fato da apresentação Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 4 5 do ADA ao IBAMA fora do prazo fixado pelas normas da Secretaria da Receita Federal, exigência essa que, frisou, não teria supedâneo legal. Disse que o enquadramento legal que fundamenta a autuação não faz qualquer referência quanto ao prazo em que o ADA deva ser apresentado e mencionou o dispositivo legal que, pelo contrário, dispensa a prévia comprovação por parte do declarante com relação às áreas em pauta. A exigência do ADA. está contida em Instrução Normativa, sem fundamento de validade legal algum viola o princípio da reserva legal. Explanando, longamente, sobre a matéria, disse haver sido desrespeitado o princípio da verdade material, afirmando que as áreas existem e estão intocadas conforme mostra o mosaico da Licença Ambiental Única — LAU. Após outros argumentos reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuintes e judicial, segundo as quais a ausência do ADA não seria obstáculo para o reconhecimento da isenção da APP e ARL, tampouco a sua apresentação fora do prazo, determinado exclusivamente por Instrução Normativa. Em resumo, tanto a APP como a AUL foram amplamente comprovadas, independentemente da intempestividade do ADA, exigência que afronta o principio da reserva legal e é rechaçada tanto pelo Conselho de Contribuinte quanto pelo Poder Judiciário. Na sequencia tratou da questão da ATI dizendo que, caso se entenda que deva ser usada a área averbada em cartório (possivelmente referindose à ARL), deveria, também, ser utilizada a área da propriedade averbada, por critério de isonomia. Da Área de Exploração Extrativa. Disse que a consideração parcial desta área, reduzindo o percentual do Grau de Utilização — GU do imóvel, foi feita sem o fiscal justificar o modo como chegou à medida apurada. Afirmou comprovar a utilização da área e listou os documentos oficiais do órgão ambiental, os quais são: Autorização n° 139601/99 do IBAMA com área de 790,41ha (anexo 5). Autorização para utilização de matéria prima florestal n° 038/2001 do IBAMA com área de 995,0204ha, acompanhada da respectiva Autorização para Desmatamento em mosaico de satélite e respectiva taxa de vistoria técnica do desmatamento (anexo 6), Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Autorização para desmatamento em mosaico n° 0679/2003, com área de 903,37ha e respectivo Relatório de Volumetria n° 2.499/CLF/DRF/2003 (anexo 7). Autorização n° 001/2002 e 001/2002 R, fornecendo a área do plano de manejo de 2.280,O ha (anexo 8). Afirmou estar comprovada a área declarada a título de exploração extrativa, devendo, pois, ser mantida, e disse não concordar, de forma alguma, com a área apurada pelo Fisco. Do Valor da Terra Nua tratou do laudo apresentado. Mencionou o dispositivo legal que trata da exigência quanto ao elaborador do laudo e de suas responsabilidades, para dizer não haver exigência quanto ao grau de fundamentação do laudo. Explanou sobre as normas da ABNT e reproduziu item que trata do grau de precisão. Ainda que a Receita Federal tenha exigido grau de fundamentação II, o mesmo não foi possível de ser atingido, em razão das características e localização do imóvel. Aprofundandose na questão tratou da avaliação feita pelo Fisco, de sua discordância por não retratar a realidade, fez quadro demonstrativo para demonstrar disparidade de valores, reproduziu partes de relatos constante do laudo, das características e dificuldade da localidade do imóvel, entre outros. Finalizando o item disse que, desse modo, pela completa ausência de fundamentação e correspondência com a realidade não deve prosperar o VTN atribuído pela fiscalização, devendo ser mantido o valor declarado e recolhido pelo contribuinte, não havendo imposto suplementar a recolher. Após a Conclusão de todo o exposto, finalizou sua impugnação apresentando o seguinte Pedido: Seja acolhida a impugnação pelo reconhecimento da insubsistência da NL, declarandose sua anulação, cancelando se o débito fiscal reclamado, sendo acolhidos os fatos demonstrados, com a conseqüente anulação do crédito tributário reativo ao ITR. Seja recebida a documentação em anexo, comprovadora do aqui alegado, como meio de prova, em total observância ao princípio da verdade material. Seja deferida produção de todos os meios de prova em direito admitidos que se fizerem necessários posteriormente à apresentação da presente defesa, na forma prevista no artigo 16, do Decreto 70.235/1972. Protestou, finalmente, pela realização de diligências e perícias necessárias à comprovação de todo o aqui alegado, nos termos do artigo 16, VI, do referido Decreto. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 5 7 Na fl. 96 relacionou os documentos que instruem sua impugnação, juntados das fls. 97 a 163, na sua maioria já apresentados ao Fisco, os quais são: cópia do ADA; do Parecer Técnico, emitido em 20/08/2001, referente ao processo da LAU n° 4542/2000 da Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA do Governo de Mato Grosso; cópia da matrícula do imóvel; Autorização para desmatamento e mosaico de satélite da propriedade, com destaque da área de exploração, vinculada à LAU; cópia de duas Autorizações para Utilização de Matérias Primas Florestal, em áreas que houve extração florestal, emitidas pelo IBAMA em 25/10/2002, relativamente de 490,41ha e 992,0204ha, com a respectiva Autorização para Desmatamento e Relatório de Volumetria emitidos pela FEMA, vinculadas à LAU com a observação que não se trata de área desmatada, mas, apenas de matéria prima remanescente de extração florestal;cópia de Autorização para Exploração em PMFS na área de 2.280,O ha; cópia do laudo técnico e seus anexos; da NL; entre outros. A DRJCampo Grande após análise dos fatos apontado, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Área Total do Imóvel Alteração Deve ser alterada a área do imóvel, e demais dados consequentes, se o impugnante apresentar documentação idônea que comprovam a correta dimensão no ano base do lançamento. Preservação Permanente Reserva Legal Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Arcas de Preservação Permanente APP e Áreas de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de suas existências, como laudo técnico específico para a APP e averbação na matrícula da AUL, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Interpretação legal A legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Área de Exploração Extrativa Plano de Manejo Florestal Sustentado PMFS Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Para que a área de exploração extrativa com PMFS possa ser considerada como utilizada no ano base do lançamento, deve ser apresentado documento emitido pelo órgão ambiental competente atestando que houve comprovação técnica de remedições periódicas de regeneração natural e/ou recomposição dos estoques iniciais, em volume, das espécies de vegetação nativa, nos prazos e demais condições regulamentares exigidos para possibilidade de autorização de futuras explorações, além do comprovante de reformulação do plano, se for o caso. Glosa mantida por falta de prova Deve ser mantido o lançamento, sem modificação, se o impugnante não comprovar a existência e/ou regularização tempestiva da área glosada pelo Fisco, parcial ou totalmente. Valor da Terra Nua VTN 0 lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. A autoridade recorrida entendeu por bem ajustar a área total do imóvel. Da análise dos documentos cartoriais, resolveu reduzir a ATI de 19.813,6 ha para 19.678,0 ha. Insatisfeito o contribuinte, interpõe recurso voluntário reiterando basicamente as mesmas questões da impugnação, que podem assim ser resumidos: Das áreas de preservação permanente e reserva legal, indicando que a apresentação do requerimento de Ato Declaratório Ambiental ("ADA ") ao IBAMA fora do prazo fixado pelas normas da Secretaria da Receita Federal. Exigência de tempestividade essa que não tem supedâneo legal no seu entender. Pleiteia que se aplique o princípio da verdade material; Da área de exploração extrativa de 2.802,6ha. sendo que o contribuinte não concorda com o critério de apuração pelo fisco, devendo ser essa a apurada para fins de cálculo do imposto. Do valor da terra nua, onde indica que o laudo apresentado atendeu todos os requisitos necessários previstos, entendendo que devido as características precárias do local em que o Laudo Técnico foi realizado, o mesmo deve ser considerado para fins de determinação do VTN utilizado pelo contribuinte. Em 15/05/2012, o processo foi convertido em diligência para que fosse anexado os extratos do SIPT. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e área de utilização limitada/reserva legal, e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Outro ponto é sobre a suposta nulidade do arbitramento com base no valor da VTN. Como o recorrente questiona primeiramente o critério usado, alegando cerceamento de direito de defesa, analisase primeiro a questão da VTN. Da ADA/Averbação como exigências para Isenção No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2003, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 7 11 Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei nº 4.771, de 1965), incluída pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 1989. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja “área de reserva legal” encontrase estabelecida no § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança nº 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Vejase o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (...) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2º do art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393, de 1996 e do § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei nº 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2º do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (…) 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 8 13 Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considerase constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista a inexistência de prova da averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, entendo que está correto o procedimento da autoridade lançadora. Caso se considerasse como área de interesse ecológico, crucial seria a identificação do ato especifico que definiu aquela área como preenchendo aqueles requisitos, não a apresentação de norma geral, tal como o Decreto. 1.356/92. Urge registrar que para a comprovação da área de relevante interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, fazse necessário que ela seja declarada em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, não podendo ser aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral – exatamente o pleito do contribuinte, ao mencionar as Lei n° 9.985/2060 —:SNUC, conforme art. 10, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 43/1997, com a redação dada pelo art. 1º, II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997: “Art. 10. (...) § 6º Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas,em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.”. Da Área de Exploração Extrativa No tocante a este ponto, a questão cingese à comprovação da área declarada como de 'exploração extrativa', glosada pela fiscalização. Importa esclarecer que, in casu, mais do que saber se existe no imóvel uma área destinada a tal fim — o de exploração extrativa — e, se na dimensão informada pelo contribuinte, importa saber se a área, efetivamente, é utilizada com tal finalidade. Com efeito, para fins de apuração do Imposto Territorial Rural — ITR, dispõe o artigo 10, da Lei n° 9.393/96, in verbis: "Art.10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. §1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V — área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) §5 0 Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do §1 0, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte." Vêse, pois, que duas são as exigências para que se considere área efetivamente utilizada aquela objeto de exploração extrativa: 1) que exista um plano de manejo sustentado, aprovado pelo órgão competente; e, 2) que seu cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Não há dúvida, no caso dos autos, da existência de um plano de manejo, tal como alegado pelo Recorrente. A discussão nos autos, porém, não se limita a existência da área alegado plano, pois a mera aprovação do plano de manejo pelo órgão ambiental competente não é requisito suficiente para a comprovação da exploração extrativa. A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui legalmente requisito para a utilização na dita de área com exploração extrativa. As evidências presentes no autos não asseguram a execução do plano. Não há garantias de que a área está sendo efetivamente utilizada, tal como prescreve a norma. Isto posto, não é possível acolher o argumento do recorrente. Nessa matéria assim se pronuncia a autoridade recorrida: Com relação à Área de Exploração Extrativa — AEE, inicialmente, o impugnante questionou a consideração parcial desta área pelo fiscal, sem que houvesse justificado o modo como chegou à medida apurada. 38. Neste item se constata que, embora o fiscal haver dito, primeiramente, que não foi comprovada a implantação do PMFS ou o cumprimento do programa físicofinanceiro previsto no mesmo, o que significaria a glosa total dessa área, e na parte final da Descrição dos Fatos haver observado que foram apresentadas autorizações de PMFS na área de 2.280,Oha, sendo mantido esse valor, no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, por sua vez, a dimensão considerada para a AEE foi de 2.587,6ha e não de 2.280,Oha constante do PMFS. Em suma no caso, o contribuinte não cumpriu a exigência legal de comprovar o cumprimento do cronograma de cumprimento do plano de manejo, dai porque assiste razão à DRJ neste particular. Do VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 9 15 Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 267, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 10 17 VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o valor da terra nua tal como declarado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10680.907502/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. O valor indicado na Declaração de Compensação compôs o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ pela recorrente, não podendo ser caracterizado como pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1801-000.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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O valor indicado na Declaração de Compensação compôs o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ pela recorrente, não podendo ser caracterizado como pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 52 2 A Recorrente transmitiu em 15/12/2004 o PER/DCOMP 11004.17228.151204.1.3.043808, objetivando compensar R$ 8.810,31 de IRPJ oriundo de pagamento Indevido ou a Maior, referente PA03/2001, código 5993, no valor de original de R$ 24.978,63. Com o Despacho Decisório de 18/07/2008 , a DRF em Belo HorizonteMG Não homologou a compensação pretendida sob a alegação de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que na DIPJ do anocalendário 2001 foi gerado IRPJ no valor de R$ 8.810,31, cujo pagamento foi compensado pelos pagamentos efetuados durante o ano em questão, que resultaram em pagamento maior de R$ 36.073,86, utilizado para pagamento de COFINS apurada em fevereiro de 2003. Em sessão de 20 de julho de 2010, com o Acórdão 0227.719, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou a Manifestação Improcedente e o Direito Creditório não Reconhecido declarado em PER/DCOMP, pois tudo indica que é o mesmo valor apurado na própria DIPJ/2001 (fls. 19), depois de deduzidas as estimativas mensais. Intimada do Acórdão em 18 de fevereiro de 2011, interpôs Recurso Voluntário em 22 de março de 2011: alegando: A – apresentou PER/DCOMP para ter reconhecido o direito creditório em razão de pagamento a maior de IRPJ no exercício de 2001; B A apuração do IRPJ do ano calendário de 2001 demonstrou um débito de R$8.810,31, para o qual foram feitos três pagamentos nos valores de R$4.443,99, R$24.978,63 e R$ 15.861,55 (fl. 20 e 21), totalizando o valor pago de R$44.884,17, gerando um crédito de pagamento a maior no importe de R$36.073,86; C Parte do crédito acima, R$ 31.178,30 foi utilizada para compensação de outro débito, conforme se verifica no PER/DCOMP de fls 22/24, o que deixou ainda um saldo remanescente de R$ 4.895,56; D Contudo, a análise da DRF considerou que todo o valor do crédito informado para a compensação no PER/DCOMP 00639.45474.081106.1.7.024633 (fls. 22/24) fora nela utilizado, apesar de o próprio documento informar em sua página 5 (fls. 24) o total do crédito original utilizado na DCOMP de R$ 31.178,30, gerando assim a impossibilidade de compensação do saldo remanescente solicitado no PER/DCOMP 11004.17228.151204.3.04 3804 (f1.04/09); E –que os débitos combatidos encontramse sub judice, conforme se verifica nos documentos de fls. 26 e 27 (R$ 10.366,51 e R$ 3.970,77), processo 2007.38.000086702, 19ª Vara da JF MG, valores suspensos por motivo de Depósito Judicial do Montante Integral; F – o presente Recurso depende desta decisão para constatação da necessidade de seu andamento e julgamento; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 53 3 G O IRPJ do período de apuração de março/2001, conforme se desprende do documento de fl. 27, possui um suposto saldo devedor de R$ 3.970,77 (sub judice), o que, por si só, vai de encontro ao valor cobrado de R$.8.810,31; H Não consta dos autos a ocorrência de fato gerador capaz de gerar um débito no importe de R$8.810,31 que já não tenha sido quitado; e o não aceite de um PER/DCOMP não pode gerar, automaticamente, um débito insubsistente sem sua devida apuração;. I O lançamento tributário, devidamente constituído, é dotado de liquidez e certeza, o que não se verifica no presente Despacho Decisório. J O próprio Relatório de fl. 28/30 confirma em seu voto: A DRF de origem deve atentar quanto ao débito declarado no PER/DCOMP, tudo indica que é o mesmo apurado na própria DIPJ/2001 (f1.19), sendo que deduzidas as estimativas mensais pagas apurou se saldo negativo de IRPJ; K Desta sorte, claro é que um pedido indevido de compensação deu ensejo a um rastreamento eletrônico de um débito inexistente; .e pede: I – preliminarmente, a suspensão do feito até o julgamento do processo judicial mencionado; II – transpassada a preliminar, havendo que se adentrar ao mérito, requer revisão do Acórdão que considerou a Manifestação de Inconformidade improcedente, para incluir em sua decisão a inexistência do débito acusado no Rastreamento nº 757486497, de 18/07/2008, pois não se verifica no lançamento efetuado eletronicamente qualquer harmonia com os valores devidos e valores pagos e o débito apurado no Despacho Decisório n° de Rastreamento 757486497 não corresponde a um débito regularmente lançado. Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Os valores em discussão judicial citados no Recurso não fazem parte deste processo. O que se verifica neste processo é que a Recorrente recolheu IRPJ a maior, resultando saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001 e, . ainda assim, em 2004, utilizando esta base negativa , procedeu à compensação de valor do IRPJ APURADO, durante aquele anocalendário. Considerando que também utilizou parte do saldo para compensar com outros tributos de sua responsabilidade, a compensação não foi homologada por falta de disponibilidade da recorrente e mais ainda, gerou um débito para a contribuinte do valor que buscou compensar, acrescido de multa e de juros. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 54 4 De acordo com o artigo 74 da Lei 9.430, de dezembro de 1996,o sujeito passivo, que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. As normas para compensação, vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP, estavam previstas na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. Para retificação ou desistência da declaração de compensação o interessado deveria ter observado os arts. 55 a 58 e 61da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, desde que fosse solicitada antes da decisão administrativa, conforme a seguir: Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Art. 61. A desistência do Pedido de Restituição ou do Pedido de Ressarcimento poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 55 5 utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. À vista dos dispositivos citados, a Recorrente poderia ter retificado ou desistido do seu pedido de compensação antes de cientificada do Despacho Decisório da DRF, mas não o fez, o que ensejou a não homologação do mesmo. A jurisprudência deste Conselho também não admite a retificação da declaração de compensação após a ciência da decisão administrativa, conforme os seguintes acórdãos: IRPJ COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Incabível a retificação da Declaração de Compensação, PER/DCOMP, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado (Acórdão 110300.495, de 30/06/2011 – 1ª Câmara – 3ª Turma Ordinária) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.ANOCALENDÁRIO: 2008.CSLL COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS.RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃ0. INCABÍVEL A RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇAÕ, PER/DCOMP, QUANDO JÁ EXISTIR DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ANALISOU PEDIDO ANTERIORMENTE FORMULADO (Acórdão nº 110300.489, de 29/06/2011 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária). Diante do exposto voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que cabe à autoridade preparadora avaliar eventual erro de fato cometido na Per/Dcomp objeto de análise no presente processo, nos termos 149 do Código Tributário Nacional. (documento assinado digitalmente) .Edgar Silva Vidal Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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