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Numero do processo: 11030.002511/2008-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de Apuração: 01.04.2006 a 31.05.2006 Ementa: CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO SIMULTÂNEA COM DÉBITO. LANÇAMENTO. PROVENIENTE. Justifica o lançamento do crédito tributário cujo ressarcimento tenha sido solicitado e simultaneamente o contribuinte utiliza o mesmo crédito para compensar débitos, configura duplicidade de crédito. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.476
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Período de Apuração: 01.04.2006 a 31.05.2006 Ementa: CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO SIMULTÂNEA COM DÉBITO. LANÇAMENTO. PROVENIENTE. Justifica o lançamento do crédito tributário cujo ressarcimento tenha sido solicitado e simultaneamente o contribuinte utiliza o mesmo crédito para compensar débitos, configura duplicidade de crédito. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de recurso contra a decisão que manteve o crédito tributário constituído relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS referente ao período de apuração de 01.04.2006 a31. 05.2006. O crédito segundo consta da decisão recorrida é proveniente de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Descreve, ainda, que a fiscalização em procedimento de verificação de legitimidade de crédito concluiu pela veracidade da totalidade do pleito no valor de R$ 137.104,24, opinou favorável a compensação de R$ 91.000,00 (noventa e um mil reais) requerida por meio de PER/DCOMP, restando saldo passível de restituição, em espécie, da ordem de R$ 46.104,24 (quarenta e seis mil, cento e quatro reais e vinte e quatro centavos). Descreve que o motivo do lançamento de ofício decorre da utilização do saldo de R$ 46.104,24 (quarenta e seis mil, cento e quatro reais e vinte e quatro centavos) indevidamente na compensação de débito apurado no trimestre seguinte, isso é, na extinção do débito relativo aos meses de abril e maio de 2006, segundo as palavras da Autoridade Fiscal, consignadas da decisão nos seguintes termos: “Entretanto, como a contribuinte, inadvertidamente, utilizou após o encerramento do trimestre em questão (1º/2004), o referido valor de R$ 46.104,24) para deduzir crédito da COFINS apurado nos meses subseqüentes, ou seja, nos meses de abril/2006 (R$ 45.288,16) e maio de 2006 (R$ 816,08) estamos efetuando o lançamento de ofício dos valores deduzidos indevidamente (...). A empresa sustenta que cumpriu à risca às instruções contidas no manual de utilização da PER/COMP, preenchendo os campos necessários. E, contabilmente efetuou os lançamentos corretos, isto é, dando baixa nos créditos até então existente. Sustenta, também, que o auto de infração não pode prevalecer sem que formalmente a Administração indefira a compensação realizada, oportunidade que apresentaria a manifestação de inconformidade. Inexistindo o indeferimento, entende que houve homologação tácita. Acresce aos argumentos que os valores foram declarados em DCTF, tanto o débito quanto o crédito extinguindo a obrigação, sendo assim, não pode o Fisco recusar a compensação sem notificar o contribuinte essa decisão e constituir o crédito por meio de auto de infração. Concluiu, que o crédito existia, portanto, o fato de ter sido utilizado no trimestre seguinte não invalida a compensação realizada. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11030.002511/200891 Acórdão n.º 3403001.476 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. A razão de decidir encontra fulcrada em utilização de duplicidade do direito creditório da empresa recorrente. Afirma a Autoridade julgadora que o fato da contribuinte ter solicitado o ressarcimento de crédito mediante procedimento regulamentar, e, ao mesmo tempo ter deduzido contabilmente parte desses créditos por meio de compensação de débitos, implica em utilização em duplicidade. Não assiste razão a Recorrente. Extraíse, dos autos o envio do pedido de ressarcimento em 15 de maio de 2006, crédito que restou confirmado pela diligência fiscal, informando o saldo remanescente de R$ 46.104,24 (quarenta e seis mil, cento e quatro reais e vinte e quatro centavos). Portanto, não há dúvida quanto à certeza e a liquidez do crédito. O que encontra em debate é o fato da contribuinte ter promovido em sua contabilidade a abaixa do crédito com encontro de débito apurado ao tempo que já tinha solicitado o ressarcimento. Compensada parte do crédito, o saldo remanescente apontado pela fiscalização seria objeto de ressarcimento em espécie, presumindo que seria devolvido no lapso temporal de 30 (trinta) dias. No caso em tela só posso vislumbrar essa razão a justificar o lançamento. O pedido de ressarcimento não se revela obstáculo ao direito de compensar débito apurado em trimestre distinto àquele em que se fez a solicitação. O contribuinte ao informar a sua intenção por meio da DCTF de compensar crédito com débitos demanda junto à administração à necessidade de certificar a existência do referido crédito, logo verificaria que no caso dos autos a pretendida extinção da obrigação darseia com o saldo remanescente da PER/DCOMP informada. No entanto, simultaneamente a contribuinte utilizou o saldo credor para extinguir outros débitos de modo que, inviabilizou a devolução em espécie por parte da Administração. Assim, entendo e concordo com a cautela do Fisco em lançar em razão da duplicidade de aproveitamento do mesmo crédito, uma via contabilidade e outra pelo pedido de ressarcimento, concretizado a situação que justificava o lançamento. É direito do contribuinte utilizarse de crédito perante a Fazenda Pública, independentemente de autorização, para extinguir débito, no entanto, não pode solicitar e ao mesmo tempo proceder à compensação via contabilidade de débitos existentes, razões que Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 vislumbro no procedimento fiscal capaz de justificar a constituição do crédito tributário e a exigências dos consectários legais e penalidades de ofício. Firme nestas razões deixo de acolher argumentos da Recorrente para manter o lançamento. Ante o exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.008446/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, no caso de omissão de rendimentos, tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser afastada com base em mero juízo subjetivo da autoridade julgadora.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, no caso de omissão de rendimentos, tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser afastada com base em mero juízo subjetivo da autoridade julgadora. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, no caso de omissão de rendimentos, tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96), não podendo ser afastada com base em mero juízo subjetivo da autoridade julgadora. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 84 46 /2 00 8- 54 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 39/48) relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2008, para exigir crédito tributário no montante total de R$123.979,24, incluído os acréscimos legais, originado da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos da Fundação CEEE de Seguridade Social – Eletroceee. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls.41, o lançamento restou assim justificado: Omissão de rendimentos recebidos da Fundação CEEE de Seguridade Social Eletroceee (CNPJ 90.884.412/000124) nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (código de arrecadação 0561), conforme se verifica contrastando as Declarações de Ajuste Anual (DIRPF) apresentadas pelo contribuinte com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pela fonte pagadora, considerando o desfecho da ação ordinária n° 2004.71.00.0099683 impetrada na Justiça Federal/RS (transitada em julgado). Na ação ordinária n° 2004.71.00.0099683/RS ocorreu o deferimento de antecipação de tutela, determinando à União que se abstivesse de recolher o Imposto de Renda sobre os valores pagos aos autores a título de "Complementação Temporária de Proventos". Posteriormente restou reconhecida a natureza remuneratória da verba em comento, sobre a qual, então, deveria incidir o Imposto de Renda. Cabe observar que a decisão liminar apenas afastou a incidência da verba, sem determinar o depósito judicial da mesma. Situação esta confirmada pelas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pela fonte pagadora. É de se ressaltar ainda que não foram apresentadas Declarações de Ajuste Anual (DIRPF) retificadoras pelo contribuinte, como consequência, necessária, da situação jurídica final. Conforme informação contida no extrato do processo acostado às fls.24/25, o processo foi baixado definitivamente em 02/10/2007. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva de fls.52/56, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto nesta parte: No tocante aos fatos, alega que declarou como não tributáveis os valores percebidos da Companhia Estadual de Energia Elétrica CEEE, a título de complementação temporária de proventos, pagos em razão da sua adesão ao Programa de Desligamento Incentivado Plano de Aposentadoria Incentivada, implementado por aquela Companhia, com amparo na decisão liminar proferida no processo n° 2004.71.00.0099683 Ia Vara Federal de Porto Alegre (posteriormente transferido para a 2a Vara Tributária de Porto Alegre). Por tal motivo, entende que jamais omitiu os rendimentos que embasaram a autuação. Adentrando nas questões de direito, requer, preliminarmente, que seja suspensa a aplicação dos juros e da multa, haja vista que jamais omitiu rendimentos e declarou os rendimentos tributáveis de acordo com a decisão judicial exarada no processo citado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.008446/200854 Acórdão n.º 2201001.865 S2C2T1 Fl. 184 3 No mérito, alude que, não havendo omissão, não há crédito a ser recolhido, bem como não há que se falar na exigência da multa, pois inexistente o principal, inexistem os acessórios; que a liminar gerou efeitos jurídicos nos anos em que teve incidência; que elaborou suas DIRPF de acordo com os comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora. Na conclusão, reforça os argumentos em síntese já expostos, e requer o cancelamento do débito fiscal. Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0724.784, de 03/06/2011, fls. 63/65, em decisão assim ementada: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. De acordo com a legislação aplicável, os rendimentos comprovadamente omitidos na declaração de ajuste anual, detectados em procedimentos de ofício, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de cálculo do imposto devido, aplicandose multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada, não podendo, a autoridade lançadora, deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 27/07/2011, (fl. 68) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 25/08/2011, o Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 69/77, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.177 (última) e digitalizado em 181 páginas. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria posta à apreciação desse colegiado referese à aplicação de multa de oficio sobre imposto de renda incidente na verba de Complementação Temporária de Proventos decorrentes de adesão ao programa de incentivo à aposentadoria, cuja exigibilidade restou liminarmente suspensa em processo judicial. Quando do julgamento do mérito do processo, restou indeferido o pleito do contribuinte por ter a justiça reconhecido a natureza remuneratória da referida verba, sobre a qual, portanto, deveria incidir imposto de renda. Conforme informação acostada às fls. 30, a decisão judicial que deferiu a antecipação de tutela, “se limitou a afastar a incidência da verba”. Assim, restou comprovado que não houve qualquer recolhimento do imposto. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 Ocorre que, quando a decisão judicial transitou em julgado, a liminar anteriormente concedida perdeu seu efeito, pois, no mérito, o processo foi julgado improcedente. Efetivamente, o contribuinte não omitiu o rendimento, apenas o declarou isento e não tributável com base numa decisão liminar, a qual tem o condão apenas de antecipação dos efeitos da sentença, quando restar comprovado o fumus bônus iuris e periculum in mora, porém, válida somente até a edição desta. Com o intuito de respaldar seu direito, assim se manifestou o contribuinte no seu recurso voluntário, às fls.71/72: “A decisão liminar emanada pelo poder judicial gerou os seus legais e jurídicos efeitos, tendo atingido a sua eficácia temporal, não tendo o contribuinte intimado omitido rendimentos ou sonegado informações a Receita Federal relativamente aos valores recebidos de Pessoa Jurídica devidamente intimada pela Justiça para que informasse que considerasse como Isentos e Não Tributáveis os rendimentos revertidos em favor do Contribuinte autuado. Não se pode imaginar em retroagir no tempo para eliminar os efeitos que foram gerados pela decisão judicial, eis que, nos períodos onde o Fisco aponta omissão de rendimentos não podia o Contribuinte contrariar a decisão judicial e também o DIRF que recebia da empresa sem determinar o depósito judicial da mesma” Ocorre que a jurisprudência pátria é pacífica no sentido de que quando processo é julgado improcente a liminar perde seus efeitos. Nesse sentido se manifestou o Eminente Superior Tribunal de Justiça ao proferir o Acórdão abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. FINSOCIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. SEGURANÇA DENEGADA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO DO ART. 63, § 2º, DA LEI N. 9.430/96. AFASTAMENTO DOS JUROS E MULTA DE MORA EM RELAÇÃO AO PERÍODO EM QUE A LIMINAR VIGEU. 1. A Corte de origem entendeu que não incidem multa nem juros moratórios em relação ao período em que o crédito tributário esteve com sua exigibilidade suspensa, por força de liminar concedida em mandado de segurança, posteriormente cassada por ocasião da sentença. 2. O julgado está amparado no art. 63, § 2º, da Lei n. 9.430/96, que dispõe: "a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição". 3. É de rigor a incidência da regra, para afastar a cobrança dos juros e da multa de mora em desfavor do contribuinte, nestes casos. Precedente da Turma no AgRg no REsp 1005599/MG, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/06/2008. 4. Agravo regimental provido para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Possível a apreensão, portanto, de que, em conformidade com o egrégio Tribunal pátrio mencionado, se, após serem exauridas todas as etapas do processo judicial em questão, o órgão judicante entender pela improcedência do pedido, em contraposição com o que estabeleceu anteriormente em medida liminar, os efeitos desta são suspensos para a plena validade e eficácia da Sentença posteriormente proferida. Nesse mesmo entendimento, segue a Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon ao declarar em analogia à Súmula 405 do STF: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.008446/200854 Acórdão n.º 2201001.865 S2C2T1 Fl. 185 5 “Como a outorga da tutela antecipada é provisória, incorporase a mesma à sentença, quando é a ação julgada procedente. E quando estamos diante de uma sentença terminativa ou de improcedência? No meu entender, se após cognição plena e exauriente o juiz conclui que não tem o autor razão, ou que o processo foi inútil, porque defeituoso ou carente, naturalmente que não pode prevalecer a eficácia da tutela antecipatória. Aliás, o Supremo Tribunal Federal, em relação ao mandado de segurança, fez editar a Súmula 405, que me parece perfeitamente adequável à espécie, ao enunciar: "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária." Mutatis mutandis, é o que ocorre em relação à tutela objeto de apreciação, quando há sentença terminativa ou improcedente.” A lei tributária é clara, após ser declarado devido o tributo, o contribuinte tem 30 dias para efetuar o recolhimento sem incidência inclusive de multa de mora, nos termos do artigo art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996 que dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O auto de infração é datado de 19/12/2008, muito após o processo ter sido inclusive baixado, fato ocorrido em 02/10/2007, no entanto, em todo esse período, o contribuinte não efetuou o recolhimento do valor devido. Assim, a autoridade fiscalizadora teve formalizar lançamento de ofício para cobrar o tributo devido e, nesse momento, a lei tributária vigente é clara ao determinar a aplicação da multa de oficio, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)” Se o contribuinte tivesse recolhido o imposto após o prazo de 30 dias, mas antes do procedimento fiscal, teria sido aplicada multa de mora, cujo percentual máximo é de 20%, mas não o fez. Portanto, sobre o valor não recolhido, foi aplicada multa de oficio no percentual de 75% Sobre essa multa de ofício o contribuinte se insurge argumentando ser a mesma confiscatória. No entanto, é importante ressaltar que a multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito por ocasião de infrações ás disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí, portanto, o entendimento de que, o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Assim, a multa de 75% é devida, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal a qual não foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim penalidade pecuniária prevista em lei, sendo, portanto, inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF, não conflitando com o estatuído no art. 5º, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, por não se aplicar, às penalidades pecuniárias de caráter punitivo, o princípio de vedação ao confisco. Neste tocante, mister se faz esclarecer que não cabe ao julgador administrativo questionar se a aplicação da legislação tributária ao caso concreto ofende ou não os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, uma vez que, verificado o fato gerador, o lançamento deve ser realizado e o julgamento se dá para a verificação da correção do lançamento em relação à norma como está posta. Tais argumentos só podem ser validamente aduzidos no Poder Judiciário, a quem cabe a aplicação das normas tributárias de forma mais ampla e finalística, nos termos da posição sumulada desse Conselho: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.008446/200854 Acórdão n.º 2201001.865 S2C2T1 Fl. 186 7 Súmula CARF nº 2 – O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em síntese, o contribuinte tinha 30 dias após declarado devido o tributo, para efetuar o recolhimento do mesmo sem multa de mora. Após esse prazo e antes do lançamento de oficio, o imposto seria cobrado com a multa de mora. Ocorre que como não houve pagamento, a autoridade autuante, teve que cobrar o imposto através de lançamento de oficio, ou seja Auto de Infração, através do qual o imposto devido passa ser cobrado com multa de ofício de 75%, salvo comprovado caso de dolo, fraude e simulação, quando o imposto é cobrado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, nos termos, respectivamente, do artigo 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.905028/2008-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 05 02 8/ 20 08 -7 4 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.905028/200874 Resolução nº 3801000.491 S3TE01 Fl. 149 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A interessada contesta a decisão administrativa alegando que no Despacho Decisório os valores pagos pelo DARF foram alocados para os valores informados em DCTF como devidos do tributo, não havendo valores para serem utilizado para a compensação pleiteada, mas que estes valores informados em DCTF estariam errados e foram retificados após a ciência do ato decisório, estando mencionado também na DIPJ, devendo a retificação da DCTF ser aceita e homologada a compensação pleiteada. A DRJ em Porto Alegre (RS), às fls. 38/40, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 52/54, no qual alega , na essência, que o valor declarado como crédito no PERDCOMP, no montante de R$ 17.672,41, não seria um pagamento indevido ou a maior mas sim, o total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2003. Alega ainda ter declarado em sua DIPJ 2004, original, a compensação deste valor em dezembro/2003, que apresenta o valor de R$ 37.702,89 como líquido de COFINS devido para esta competência, cujo pagamento efetuado em 15/01/2004 foi de R$ 55.375,30. Tal fato restaria configurado a partir dos respectivos lançamentos contábeis e da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.905028/200874 Resolução nº 3801000.491 S3TE01 Fl. 150 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2003 e deduzidas do valor apurado da COFINS, referente ao mês de dezembro/2003. Tal crédito teria sido mencionado na DIPJ 2004, entregue em 08/06/2004.Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre/03. Compulsando os autos, para embasar seu direito, verificamos que a recorrente anexou ao Recurso Voluntário cópia dos lançamentos contábeis no Livro Razão e cópia da DIPJ 2004 anocalendário 2003 com recibo de entrega de n° 06.01.44.24.95 datado de 08/06/2004. Segundo consta, houve um pagamento a maior de COFINS, período de apuração de dezembro/2003, recolhido em 15/01/2004, no montante de R$ 55.375,30, quando o valor devido seria de R$ 37.702,89, gerando um crédito de R$ 17.672,41. Este valor teria sido declarado na DCTF do 4° trimestre de 2003, retificada posteriormente à ciência do Despacho Decisório, gerando o recibo de entrega n° 39.83.34.70.08., conforme informação da recorrente à fl. 03. Esta diferença seria equivalente ao total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2003 e que foram deduzidas do valor apurado da COFINS, referente ao mês de dezembro/2003. Tal informação é ainda corroborada pela DIPJ 2004, transmitida em 08/06/2004, conforme consta na Ficha 26A, com cópia à fl. 122 e pelos lançamentos contábeis na Ficha Razão da conta contábil código reduzido 906 classificação 01.1.3.7.08COFINS A RECUPERARLEI 9430/96 às fls.719 do Livro Razão Ativo Janeiro a Junho de 2004, com cópia à fl. 69. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.905028/200874 Resolução nº 3801000.491 S3TE01 Fl. 151 4 Apesar das alegações da recorrente terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, prevista no § 4º do art. 16 do PAF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Verifico ainda que não consta nos autos alguns dos documentos citados pela recorrente para embasar seu direito, tais como DCTF retificadora e o comprovante de pagamento da COFINS referentes ao período de apuração em discussão, mas que, por se tratarem de documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo e não se vislumbrando prejuízo para o curso normal do mesmo, podem ser providos de ofício, conforme determina o art. 37 da Lei 9.784/99. Desse modo, deve ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para a COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Anexe cópia da DCTF retificadora/ativa referente ao 4º trimestre de 2003 e do comprovante de pagamento da COFINS cód 2172 PA 31/12/2003; b) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de Dez/2003, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/05/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13982.001408/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008
PIS/COFINS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO ADMITIDA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Havendo decisão judicial transitada em julgado que, no caso específico do contribuinte, entende pela legalidade e constitucionalidade da revogação, pela Lei nº 9.718/98, da isenção concedida aos atos cooperativos pela Lei Complementar nº 70/91, resta admitida a tributação do ato cooperativo para o caso concreto.
Ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere às entradas de recursos. Apenas se o ato cooperativo se configurasse em relação a um ingresso de recursos na cooperativa é que se poderia cogitar de implicação em relação à incidência de Cofins, sendo, ao contrário, indiferente para tal incidência, o fato de o ato cooperativo se configurar em relação a uma saída de recurso da cooperativa.
PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS.
Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.
MULTA QUALIFICADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável à legislação. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador, nem de modificar as características do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as indenizações dos eventos ocorridos e efetivamente pagos, nos termos do voto do Relator, e para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao patamar de 75%.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO ADMITIDA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Havendo decisão judicial transitada em julgado que, no caso específico do contribuinte, entende pela legalidade e constitucionalidade da revogação, pela Lei nº 9.718/98, da isenção concedida aos atos cooperativos pela Lei Complementar nº 70/91, resta admitida a tributação do ato cooperativo para o caso concreto. Ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere às entradas de recursos. Apenas se o ato cooperativo se configurasse em relação a um ingresso de recursos na cooperativa é que se poderia cogitar de implicação em relação à incidência de Cofins, sendo, ao contrário, indiferente para tal incidência, o fato de o ato cooperativo se configurar em relação a uma saída de recurso da cooperativa. PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 14 08 /2 00 9- 81 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. MULTA QUALIFICADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável à legislação. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador, nem de modificar as características do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as indenizações dos eventos ocorridos e efetivamente pagos, nos termos do voto do Relator, e para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75%. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 03/39 eprocesso) lavrados para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2006 a 31/12/2008. A notificação do contribuinte aconteceu em 25/11/09 (fls. 5e e 24e). A motivação do lançamento é detalhada pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 274/281e), no qual se evidencia adoção do seguintes critérios: Fl. 857DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 857 3 5.1.1 RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO e DEMAIS RECEITAS. Na formação da base de cálculo considerada pela fiscalização consideramos o faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, conforme dispõe a Lei nr. 9.718/98, art. 2º e 3º, Decreto nº 4.524/02, IN SRF 247/02, art. 10, e IN SRF n 635/06, art. 6º, caput. Os valores discriminados nas planilhas de fls. 187/188, 215/216 e 241/242 a titulo de (+) TOTAL DA RECEITA e (+) TOTAL DE OUTRAS RECEITAS, foram compulsados nos demonstrativos contábeis adunados as Fls. 1189 A 214 (ano calendário de 2006), 217 a 240 (ano calendário de 2007), e 243 a 26Z (ano calendário de 2008). 5.1.2 TOTAL DE GLOSAS E CANCELAMENTOS. Os valores lançados nas planilhas de Fls. 187/188, 215/216 e 241/242 foram compulsados nos demonstrativos contábeis acima mencionados, sendo que tais valores guardam relação com aqueles informados pelo contribuinte na planilha de Fls. 69 a 71 (linha cancelamentos + linha glosas). 5.1.3. DAS DEDUÇÕES RELATIVAS AS SOCIEDADES COOPERATIVAS DE MÉDICOS QUE OPERAM PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Especificamente para a cooperativa em questão, também cabem as seguintes deduções: I exclusão dos valores glosados em faturas emitidas contra planos de saúde. (IN SRF n. 635/2006, art. 17, inciso I). O valor já consta do item 5.1.2 supra. II dedução dos valores das coresponsabilidades cedidas. (Medida Provisória n. 2.15835/2001, art. 20, ao incluir o § 9° ao art. 3º da Lei n. 9.718/1998; e IN SRF n. 635/2006, art. 17, II). De acordo com a planilha de Fls. 69 a 71, de lavra do próprio contribuinte, não há valores a deduzir a este titulo. III dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas. (Medida Provisória n 2.158 35/2001, art. 2n, ao incluir o § 9n ao art. 3n da Lei n 9.718/1998; e IN SRF no 635/2006, art. 17, II). Constam na planilha de Fls. 69 a 71, de lavra do próprio contribuinte, os valores a serem deduzidos a este titulo os quais foram aceitos por esta fiscalização. IV dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (Medida Provisória n. 2.15835/2001, art. 20, ao incluir o § 9º ao art. 3º da Lei n. 9.718/1998; e IN SRF n. 635/2006, art. 17, II) O contribuinte lançou em sua planilha de Fls. 69 a 71, quantias a serem deduzidas a este titulo (linha indenização eventos efetivamente pagos) as quais não foram aceitas por estas autoridades fiscais, visto que, a autuada informou valores relativos a eventos com seus próprios associados. Sobre esta dedução, em especial, existem várias manifestações das Divisões de Tributação de Superintendências Regionais da Receita Federal dando conta de que a dedução em comento não se refere às operações com associados da própria operadora. Neste sentido, transcrevese a ementa da Solução de Consulta SRRF/3a RF/DISIT nº 20, de 23 de outubro de 2003 (grifos acrescidos), o qual representa o entendimento utilizado por estas autoridades fiscais. Ementa: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE. Na apuração da base de cálculo da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor das coresponsabilidades cedidas, o da parcela das contraprestações em moeda destinadas à constituição de suas provisões técnicas e o da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a titulo de ressarcimento por aqueles desembolsos. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 286/313e) argumentando, em síntese, o seguinte: 1) que todos os atos que pratica são cooperativos, de modo que, em razão do art. 79, p.u., da Lei nº 5.764/71 não há incidência de PIS/Cofins sobre as entradas decorrentes da venda de planos de saúde (fl. 293 eprocesso); Entende que, embora tais ingressos refiramse a atos que pratica com terceiros não associados, configuram atos inerentes ao negócio fim, devendo, por isso, ser tratados como ato cooperativos. O contribuinte não qualifica como ato auxiliar, baseandose para tanto nos seguintes conceitos adotados em precedente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (2005.72.03.0004802, fl. 294): É preciso anotar as diversas espécies de negócios, ou atos negociais que podem ser praticados pelas cooperativas. Surge, em primeiro lugar, o chamado ato cooperativo, também chamado negóciofim ou negócio cooperativo, ou ainda, os negócios internos, isto é, as relações entre a cooperativa e os cooperados. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 858 5 Esse, é claro, normalmente ocorrendo, não poderá sujeitar a tributação do Imposto de Renda porque não há lucro para pessoa jurídica. As cooperativas, para chegar a esse negóciofim, precisam praticar alguns atos com terceiros, que são os pressupostos necessários para a realização dos atos cooperativos. Se a cooperativa recebeu a produção de um cooperado, precisa vender essa produção a terceiros. Esse tipo de negócio constitui os chamados negócios externos ou negócios de meio são os atos meios para que se realize o ato cooperativo ou ainda negócios de contrapartida: são as venda dos produtos recebidos, para terceiros. Ai também, é claro, se esta dentro da finalidade da cooperativa, pois estes atos são atos derivados do ato cooperativo, são decorrentes da função especifica das cooperativas, e por isso, normalmente, estão fora da incidência do Imposto de Renda. Em terceiro lugar, existem ainda outros negócios ou atos que são acessórios ou auxiliares para a boa administração da cooperativa: contratar em pregados, alugar salas, vender imóveis, vender máquinas velhas, vender resíduos de beneficiamento, ou produtos estragados, e outras alienações eventuais. Ai a cooperativa estará agindo, não como uma sociedade comercial, mas como qualquer pessoa em atividade não comercial, como um associado civil que é, procurando, não o lucro, mas simplesmente a maisvalia na forma de ganho. Estes negócios estão de fora da incidência do Imposto de Renda. A quarta modalidade de negócios que pode ser praticada pelas cooperativas são atos chamados vinculados à finalidade básica. Serão os negócios com não associados, são autorizados pela Lei das Cooperativas nos artigos 85, 86 e 88. São os negócios com não associados ou investimentos em sociedades não cooperativas. Esta é uma abertura que a lei deu, para que as cooperativas tenham condições de melhor funcionamento, porque poderão aproveitar uma capacidade ociosa na sua maquinaria, ou terão possibilidades de aplicar o dinheiro em investimentos, em vez de deixar o dinheiro parado. A lei autorizou as cooperativas efetuassem esse tipo de transações. São atividades não ligadas ao objetivo principal; mas, de algum modo, com ele relacionadas, pois visam a dar uma melhor capacidade, um aproveitamento maior às virtualidades, às potencialidades da cooperativa. Esses tipos de negócio, segundo a lei, estarão, evidentemente, sujeitos ao Imposto de Renda. 2) que deve ser excluída da base de cálculo de PIS/Cofins as receitas financeiras e não operacionais, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pela Lei nº 9.718/98; 3) que não poderia ter sido aplicada a multa agravada, tendo em vista que “Os auditores fiscais, embora a Impugnante tenha demonstrado todos os documentos e esclarecimentos que embasaram a sua interpretação sobre o cálculo dos tributos, aplicaram multa de oficio de 150% incidente sobre o crédito tributário constituído sob o argumento de Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 que a Impugnante impediu o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas!” (fl. 290e). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ), por meio do Acórdão nº 0726.533, de 28 de outubro de 2011 (fls. 772/790e), considerou a impugnação procedente em parte, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. Os artigos 10 e 11 do Decreto n°. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. A Pessoa Jurídica que se encontra amparada por decisão judicial transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, deve ter excluída da base de cálculo de suas contribuições, conforme sentença, os valores das receitas estranhas ao faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, permanecendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS A dedução da base de cálculo das contribuições, prevista no § 9°., III, do art. 3°. da Lei no. 9.718/98 (incluído pela Medida Provisória n°. 2.15835 de agosto de 2001), trata da diferença entre os valores efetivamente pagos, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente os eventos realizados com associados/usuários de outras operadoras (as cedentes) e a Fl. 861DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 859 7 quantia correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a titulo de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Ementa: BASE DE CALCULO. REGIME CUMULATIVO. AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. A Pessoa Jurídica que se encontra amparada por decisão judicial transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, deve ter excluída da base de calculo de suas contribuições, conforme sentença, os valores das receitas estranhas ao faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, permanecendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. A dedução da base de cálculo das contribuições, prevista no §9°., III, do art. 3°. da Lei n°. 9.718/98 (incluído pela Medida Provisória n°. 2.15835 de agosto de 2001), trata da diferença entre os valores efetivamente pagos, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente aos eventos realizados com associados/usuários de outras operadoras (as cedentes) e a quantia correspondente as importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a titulo de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 MULTA AGRAVADA. APLICABILIDADE. É cabível a multa de 150% no caso em que ficar evidente a ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto, devido. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial foi apenas para afastar da incidência de PIS/Cofins as receitas estranhas ao faturamento, as quais foram apuradas sob o título de “outras receitas” (fls. 188/189e, 217/218e, 243/244e). O voto proferido pelo Relator detalha o seguinte: “Conforme relatório fiscal, a contribuinte buscou provimento judicial que lhe assegurasse a não apurar a Cofins sobre os atos cooperativos próprios da sua finalidade social. Conforme declaração de sua lavra (fl. 72), em sede de ação fiscal, teria declarado não existir provimento judicial que desse guarita ao seu pleito Em sede de contencioso administrativo, entretanto, a contribuinte alega ter se equivocado ao prestar informações sobre a ação judicial em questão, mas que a sua declaração não pode afastar os efeitos da coisa julgada, prevista no art. 5°., XXXVI da Constituição, art. 6°. da Lei de Introdução ao Código Civil, e arts. 467 e 474, ambos do Código de Processo Civil. Remete ao mandado de segurança que impetrou na Vara Federal de Joaçaba/SC, sob o n°. 99.70016440, dizendo possuir decisão do Supremo Tribunal Federal concedendolhe o direito ao não recolhimento do PIS e da Cofins sobre as receitas estranhas ao faturamento da cooperativa, limitando a tributação à soma das receitas oriundas do exercício das atividades sociais. (...) Em razão da referida decisão, a contribuinte requer que sejam excluídos da base de cálculo os valores discriminados como "Demais Receitas", de todo o período lançado, apuradas no "Demonstrativo de apuração da Cofins e do PIS". Desta feita, a impugnante deve ser atendida em seu pleito, visto que se encontra amparada por decisão judicial transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, de forma que devem ser excluídos da base de cálculo, conforme sentença, os valores das receitas estranhas ao faturamento, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, permanecendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Em síntese, na análise do Parecer, extraise que o campo de nãoincidência corresponde As atividades inerentes A cooperativa, ou seja, àquelas que envolvem os serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional. No caso da cooperativa, a finalidade não pode se voltar diretamente para o atendimento pleno do cliente, pois os associados, limitados a uma categoria de atuação, é que formam Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 860 9 o parâmetro do seu objeto social. Portanto, na cooperativa, a finalidade está vinculada atividade própria do associado. (...) Ressaltese, ainda, que, quando a cooperativa contrata serviços de terceiros para atender os clientes, retira de suas receitas as origens de recursos para custeio do serviço, o que não se configura como ato cooperativo, mas sim ato de mercancia. A conclusão a que se chega é que as receitas auferidas com os pagamentos mensais não são dos médicos cooperados, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente, onde o médico associado fica de fora do ato praticado pela cooperativa. Na segunda, é pelo serviço prestado ao paciente, que a cooperativa paga ao médico: os honorários. IId, portanto, receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação especifica do serviço médico. Desta forma, o valor global dos pagamentos mensais efetuados pelos clientes/usuários, que é um pagamento relativo a plano de saúde, se caracteriza como receita própria da cooperativa. Os atos da venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na venda de planos de saúde, onde os valores das receitas referemse, indistintamente, aos serviços a eles prestados por associados ou por terceiros, contratados pela cooperativa. Repitase, não se tratam de atos cooperativos, mas de simples contratos mercantis, ou seja, os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise como "receita bruta" da cooperativa, sujeitandose à tributação. Portanto, enganase a contribuinte quando alega que os atos de venda da produção dos cooperados com terceiros são atos cooperados derivados, não sujeitos tributação do PIS e da Cofins. Quanto à multa de 150%, o voto condutor do acórdão na DRJ entendeu o seguinte: No caso em tela, não se tratou de um pequeno período ou de pequenos valores que pudessem evidenciar um erro inadvertido por parte da contribuinte. No caso em apreço, a contribuinte declarou reiteradamente em todo o período fiscalizado — 01/2006 a 12/2008 — em clara ação tendente a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Desta forma, fica caracterizada a intenção e o dolo do contribuinte, estando presentes os elementos necessários para justificar a aplicação do agravamento previsto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 816/842e) no qual reitera os fundamentos de sua impugnação, requerendo o cancelamento da autuação ou, quando menos, a redução da multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso foi protocolado em 02/04/2012 (fl. 816 eprocesso), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação, ocorrida em 02/03/2012 (fl. 814e). Por ser tempestivo, conheço do recurso. As alegações do recurso voluntário podem ser agrupadas em três temas: (1) que deveria ser afastada a tributação do ato cooperativo, (2) que a dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 referese às indenizações com eventos relacionados aos seus usuários e (3) que não poderia ser aplicada a multa de ofício no patamar de 150%, por não se caracterizarem os pressupostos que autorizariam sua aplicação. 1. A tributação do ato cooperativo. O Recorrente alega que seria equivocado o entendimento da DRJ de que “o objeto da cooperativa somente pode ser a prestação de serviços diretamente aos associados desta, nunca à prestação de serviços a terceiros”, pois, conforme explica, seria inerente a toda e qualquer cooperativa o exercício de uma atividade econômica, e que, no caso das cooperativas de médicos, os recursos provenientes dos usuários dos planos são destinados para o proveito comum dos cooperados, de maneira que deveria ser tratado como ato cooperativo. Como se percebe, este argumento teria como desdobramento natural a discussão a respeito do alcance do conceito de ato cooperativo e a definição do que seria ato cooperativo auxiliar e se este último deveria receber o mesmo tratamento. Ocorre que neste caso concreto tal discussão perde a importância diante da decisão transitada em julgado, em ação judicial proposta pelo contribuinte em questão, por meio da qual foi reconhecida a legalidade da tributação do ato cooperativo. O pedido da ação judicial proposta pelo contribuinte foi para impedir a exigência da Cofins sobre atos cooperativos (fl. 499e). Mas a decisão final do Judiciário (fls. 652/656) foi pela legalidade da revogação, promovida pela Lei nº 9.718/98, da isenção dos atos cooperativos concedida pela Lei Complementar nº 70/91, de modo que restou admitida a tributação do ato cooperativo para o seu caso concreto. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 861 11 Com efeito, decidiu categoricamente o E. Tribunal Regional Federal da 4ª Região que “revogada a isenção prevista no art. 6° da LC 70/91, é devido o recolhimento da COFINS pelas sociedades cooperativas” (fl. 655e). Mas ainda que assim não fosse, a discussão a respeito da configuração do ato cooperativo não socorreria o Recorrente. A Lei nº 5.764/71 (Lei das Cooperativas) assim dispõe a respeito dos atos cooperativos: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (grifo nosso) Talvez a única conclusão incontroversa que pode ser extraída destes dispositivos seja a de que se deve tratar com normalidade o fato de as cooperativas praticarem atos cooperativos e atos nãocooperativos, ou seja, que a prática de atos nãocooperativos não implica na perda da qualidade da entidade enquanto cooperativa. A discussão entre o contribuinte e o Fisco referese ao alcance do conceito de ato cooperativo. Para o contribuinte, todo ato que seja destinado, direta ou indiretamente, para a consecução dos objetivos da entidade, servindo de suporte para a atuação de seus cooperados, deveria ser qualificado como ato cooperativo. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Para o Fisco, apenas os atos praticados especificamente entre cooperativas ou entre a cooperativa e seus cooperados poderiam ser qualificados como ato cooperativo. A contribuinte argumenta que a sua atividade não configuraria atividade mercantil, de maneira que os ingressos na entidade não configurariam receita ou faturamento, não se submetendo à incidência de PIS/Cofins. O Fisco, de outro lado, entende que a atividade da entidade consiste na venda de planos de saúde, cuja receita configuraria ato típico de mercado, pois é realizada entre a cooperativa e o público em geral, atuando abertamente no mercado, como mais um agente econômico prestador de serviços de saúde, de maneira que estas receitas estaria regularmente sujeitas à incidência de PIS/Cofins. Vale lembrar que o Parecer Normativo CST nº 38, de 30 de outubro de 1980, manifesta o seguinte entendimento a respeito do regime tributário das cooperativas: 2.3.1 Atos Cooperativos. A primeira delas abrange os negócios jurídicos internos, negóciosfim, com caracteres próprios em relação aos atos civis, mercantis ou trabalhistas, que a lei denomina atos cooperativos e define como: "os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais" (art. 79) (...)2.3.2 Atos NãoCooperativos Legalmente Permitidos. A segunda categoria corresponde a alguns atos não cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por servirem ao propósito de pleno preenchimento dos objetivos sociais, mas sujeitaos, por isso mesmo, à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. São estas as operações admitidas: ............... II — fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim entendidos estes bens e serviços como sendo os mesmos que a cooperativa, em obediência ao seu objetivo social e estejam de conformidade com a lei, oferecer aos próprios associados. (art. 86) ............... 3 DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS 3.1 — Atos Cooperativos As cooperativas singulares de médicos, ao executarem as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços associados; a cobrança e o recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 862 13 honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, supletivamente, mediante rateio entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). 3.2 — Atos NãoCooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos. Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associado pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 — Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objetivo social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 — Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para esse tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve (1) atividade econômica (2) fins lucrativos (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados; percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade que tivesse como único objetivo a revenda de bens e serviços." O entendimento deste Parecer, adotado pela Fiscalização e pela DRJ, é de que apenas os atos praticados especificamente entre a cooperativa e o cooperado é que poderiam ser qualificados como atos cooperativos. De acordo com essa interpretação, portanto, a contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, não configura ato cooperativo. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Por isso, ainda que venham a ser conceituados como atos cooperativos auxiliares, não configurariam ato cooperativo em sentido estrito, por não se tratar de ato praticado entre a cooperativa e o médico cooperado. Percebese, ainda, que a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos é tarefa que apenas toma lugar em relação aos pagamentos realizados por uma cooperativa médica. Ocorre que a Cofins é uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, de maneira que apenas se o ato cooperativo se referisse a uma receita é que haveria implicação direta em relação à incidência da Cofins. As entradas de recursos nas cooperativas médicas correspondem, basicamente, aos pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam a cooperativa e em relação a este tipo de receita, considerada a interpretação restritiva acima explicada, não seria possível a configuração como ato cooperativo, visto tratarse de ato praticado entre a cooperativa médica e os usuários/contratantes da cobertura médica. Ou seja, os ingressos de valores nas cooperativas médicas referemse basicamente a receitas decorrentes da venda de planos de saúde ao público em geral, não havendo que se cogitar na configuração de em ato cooperado em relação a estas receitas. As receitas correspondem aos pagamentos realizados pelo usuários dos planos de saúde, portanto, devem ser submetidas à regular incidência da Cofins, por não se tratarem de atos cooperados, mas de atos de cunho mercantil. Este relator alterou seu entendimento pessoal anterior (Acórdão 340300.932, PA 10410.004376/200376, j. 05/05/2011), justamente pela peculiaridade de que, em relação às cooperativas médicas, a discussão a propósito da classificação com ato cooperativo gira em torno das despesas, dos pagamentos realizados pela cooperativas, e não sobre as receitas, pois são originadas de terceiros não associados, não configurando ato cooperativo, e por isso submetendose à incidência da Cofins. 2. O alcance da dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98. O Recorrente alega que não lhe foi corretamente aplicada a hipótese de dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Para a DRJ, as indenizações de eventos ocorridos apenas poderiam ser interpretadas como os pagamentos realizados pela operadora em favor de outra operadora. Para o contribuinte, as indenizações de eventos ocorridos referemse aos pagamentos que a operadora realiza aos médicos e prestadores de serviço em cumprimento à cobertura do amparo médico contratado, independente de se referir a usuários da própria ou de outra operadora. Entendo que assiste razão ao contribuinte, primeiro porque fica claro que o legislador transportou para as operadoras de planos de saúde o mesmo método e racionalidade da apuração da receita que é aplicada às seguradoras. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 863 15 Não há como ignorar a identidade entre a sistemática de apuração prevista em relação às sociedades seguradoras, prevista no § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e a sistemática introduzida em relação às operadoras de planos de saúde no § 9º do mesmo dispositivo de Lei. No caso das empresas de seguros privados, a Lei assegura a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos” (§ 6º, II). No caso das operadoras de plano de saúde, a Lei assegura a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Como visto, em ambos os casos permitese que, em relação ao total das receitas auferidas, sejam deduzidos os pagamentos realizados pelos contribuintes para suportar os sinistros, no caso das seguradoras, e os eventos, no caso das operadoras de planos de saúde. Podese criticar o legislador por ter adotado os termos “indenização” e “eventos” em relação às operadoras de planos de saúde, por não ser a terminologia mais adequada para esta atividade. Mas a falta de precisão terminológica, como se percebe, decorre justamente de se ter transportado para as operadoras de planos de saúde a mesma racionalidade da apuração aplicada às seguradoras, o que induziu à repetição de termos nativos da experiência com as seguradoras. Pareceu suficiente ao legislador manter o termo “indenização”, aplicandoo tanto para as seguradoras como para as operadoras de planos de saúde, e apenas adaptar o termo “sinistros” para “eventos”, da mesma forma como adaptou o termo “cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos” para “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. É certo, portanto, que o significado do termo “sinistros” para as seguradoras é o mesmo que o termo “eventos” quer significar para as operadoras de plano de saúde, e que ambos se referem aos pagamentos realizados por estas entidades para o amparo de seus contratantes, concretizando a cobertura de risco ou a cobertura de eventos de assistência médica. Isto porque, a grosso modo, em ambos os casos as entidades proporcionam uma proteção aos seus contratantes em relação a fatos que podem ou não ocorrer. É neste sentido a manifestação da Agência Nacional de Saúde, conforme consta de Ofício juntado aos autos, quando conceitua como “eventos ocorridos”, para o efeito do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, “os custos assistências decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência” (fl. 2192e; grifos editados). Fl. 870DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Ou seja, as indenizações por eventos ocorridos são os pagamentos realizados pela operadora de planos de saúde para dar amparo à cobertura médica contratada, em razão dos atendimentos incorridos em favor dos usuários de planos de saúde. Quis o legislador que tais pagamentos (que tratou de maneira uniforme sob o nome de “indenização”), os quais são destinados a suportar a cobertura de risco em razão de sinistros/eventos concretamente ocorridos, fossem excluídos da base de cálculo. Não se descuida de que os dispositivos em questão, na parte final de seu texto, ressalvam que, de tais valores de deduções (pagamentos para a indenização de sinistros e eventos), devem ser deduzidas as importâncias que o contribuinte receber de outro contribuinte “a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos’, no caso das seguradoras, e de “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, no caso das operadoras de planos de saúde. Embora esta parte final se refira a atos praticados com terceiros – ou seja, com outros contribuintes, que podem ser outras seguradoras, outras operadoras de planos de saúde, ou mesmo os usuários/contratantes –, isto não surte o efeito de restringir a interpretação da primeira parte do texto dos mesmos dispositivos, para que apenas alcancem pagamentos realizados para cobertura de sinistros/eventos suportados em favor de usuários de outras seguradoras ou operadoras de planos de saúde. Conforme conceitua a ANS, as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades “são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidade, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco”. Isto quer significar que, se de uma lado a dedução prevista no inciso III corresponde ao valor de todos os pagamentos realizados para suportar os eventos cobertos pelo plano de saúde em relação a usuários da própria operadora como em relação a outras operadoras, de outro lado, os valores recuperados (recebidos pela operadora A de uma operadora B, em decorrência da operadora A ter suportado o atendimento de usuário da operadora B) devem ser excluídos do valor da dedução legal. Isto impede que seja utilizado como dedução um valor que a operadora A suportou em favor de usuário da operadora B, mas que foi recuperado, em razão da operadora B ter transferido para a operadora A o valor desta indenização pelo evento ocorrido. Mas se não ocorre esta recuperação, a operadora deduz integralmente as indenizações que suportou, seja em relação a usuários próprios, seja em relação a usuários de outras operadoras. Não procede o raciocínio da Fiscalização de que a dedução prevista no inciso III se resumiria ao confronto entre (a) o valor que pago pela operadora para proporcionar o atendimento de usuários de outras operadoras e (b) o valor que foi recebido pela operadora, transferido por outras operadoras, em caráter de ressarcimento. Tal raciocínio faz confusão entre as deduções previstas nos incisos I e III, pretendendo que o primeiro surta um efeito de restrição em relação a este último. Ocorre que as duas deduções tratam de situações diferentes. A este propósito, confira mais uma vez a explicação da Conselheira Fabíola Keramidas, no julgamento já mencionado: Fl. 871DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 864 17 Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazeêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seu consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas despendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente, apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congeênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma seŕie de documentos/informações. A substituição de prestadores de serviços na rede credenciada – principalmente congêneres é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPS, justamente pela necessidade de manutenção da capacidade e da qualidade de atendimento aos usuários dos planos de saúde. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Em termos tećnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espećie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado §9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. No Plano de Contas adotado pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costuma gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e 3.1.1.8. São os CUSTOS COM CONGÊNERES e estão classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS. (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Assim, a dedução prevista no inciso I, de “coresponsabilidades cedidas”, referese a valores mensais transferidos entre entidades congêneres como forma de estruturação do sistema de atendimento e do compartilhamento de risco, ou responsabilidade. Já a dedução prevista no inciso III, referese a valores que são pagos pela operadora de saúde para seus credenciados, médicos cooperados ou estabelecimentos hospitalares, clínicas, laboratórios, para a indenização de eventos ocorridos, na eventualidade e na medida em que estes aconteçam. A dedução do inciso I, portanto, não influi nem restringe a interpretação da dedução do inciso III de nenhuma forma. O inciso III assegura que a dedução incluirá os pagamentos de eventos que envolvem usuários da própria operadora e também de outras operadoras, salvo, conforme prevê a parte final do mesmo inciso, em relação aos valores que a outra operadora tenha ressarcido à operadora que prestou o atendimento. Não impressiona o argumento da DRJ de que com esta interpretação se estaria fazendo as contribuições incidirem sobre o resultado, e não mais sobre a receita. É por força de Lei que se permite deduzir da receita tributável da entidade um valor que se refere a um pagamento realizado pela entidade, em caráter de indenização pelos eventos gerados pelos usuários dos planos de saúde que é obrigada a suportar. Tal sistemática legal significa que os recursos que apenas transitam na operadora – ingressos que são destinados à cobertura dos atendimentos previstos no plano de saúde (ou, nos termos da Lei, as indenizações por eventos ocorridos e as coresponsabilidades Fl. 873DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 865 19 cedidas) – não agregam o patrimônio da operadora, não configurando faturamento ou receita bruta. E assim o é, como visto, por expresso reconhecimento e qualificação legal. Entendo, pois, que a indenização de eventos ocorridos prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 corresponde a todos os pagamentos que a operadora realiza a terceiros, sejam cooperados ou não, para dar assistência aos usuários, sejam da própria operadora ou de outra operadora de saúde. Apenas não configuram indenizações aquelas despesas suportadas diretamente pela própria operadora de saúde, em razão de atendimentos realizados por seus funcionários ou hospitais próprios – os quais podem ser denominados de “rede própria”. Mas se os pagamentos são realizados pelas operadoras a terceiros – assim considerados os médicos, cooperados ou não, e os laboratórios, clínicas ou hospitais, credenciados ou não –, estes pagamentos devem ser considerados abrangidos pelo conceito de indenização. É neste mesmo sentido o seguinte julgado de relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: “(...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISOŔIA Nº 2.158/35 POSSIBILIDADES DE EXCLUSAÕ INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importa ncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Em seu voto, a Conselheira Fabíola explica inicialmente a distinção entre planos e seguros de saúde, detalhando em relação aos primeiros a diferença entre rede própria e credenciados: As operadoras de medicina de grupo oferecem basicamente dois tipos de coberturas assistenciais na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 Os planos de saúde oferecem aos seus usuários, o direito de usufruir da assistência médica em caso de necessidade, com serviços prestados nas instalações próprias da operadora, por profissionais por ela empregados (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede referenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde”. Não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não do reembolso das despesas médicas aos associados e da existência de rede própria da OPS. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de terceiros (credenciados), mas apenas algumas possuem o custo de uma rede própria. (Acórdão nº 3302001.765, fls. 15/16) Ao final, a Conselheira assim delimita o alcance da dedução prevista no inciso III: Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAC ÕES AVISADAS DE ASSISTE NCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 866 21 Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorro me dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que e ́ uma espećie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Ate ́ o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor Fl. 876DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espećie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramed́icos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, e ́ simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. (Acórdão nº 3302001.765, fls. 22/24) Fl. 877DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 867 23 Conforme bem destaca a Conselheira Fabíola, a dedução em questão se refere aos valores efetivamente pagos, não alcançando os valores a liquidar. Enfim: deve ser reconhecido que a dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98 referese aos pagamentos realizados pelas operadoras de planos de saúde aos terceiros credenciados – tais como médicos, laboratórios, clínicas e hospitais – em razão dos atendimentos realizados para a cobertura dos planos de saúde, limitandose aos valores efetivamente pagos, reduzidos, ainda, dos valores que sejam recuperados de outras operadoras de saúde. 3. A multa qualificada. A motivação do lançamento para a aplicação da multa qualificada foi a seguinte (fls. 277/278 eprocesso): “A juízo destas autoridades fiscais, a autuada adotou conduta que teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante o ano calendário de 2006 a 2008. As ações/omissões da autuada que levaram a fiscalização a fixar a multa de oficio em 150 % é o fato de a mesma nas DCTF's relativas ao anos calendários abrangidos por esta autuação, (Fls. 142 a 145), informar valores inferiores ao devido à administração tributária. É principalmente por meio das declarações acima mencionadas que a Administração Tributária se instrumentaliza a fim de cobrar coercitivamente (judicialmente) os tributos sujeitos a lançamento por homologação que lhes são devidos. A inércia do contribuinte fez com que o Estado tivesse de movimentar sua máquina de fiscalização a fim de detectar tais omissões sob pena de ver perecer o seu direito. É na omissão do contribuinte ou na prestação de informações falsas que reside a fraude que justifica o percentual da multa ora aplicada, visto que, por meio destas condutas, o contribuinte se esconde na esperança de que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela quantidade de lançamentos demonstra que não houve um mero erro de fato. (grifos editados) A DRJ manteve a multa qualificada por entender que “no caso em tela, não se tratou de um pequeno período ou de pequenos valores que pudessem evidenciar um erro inadvertido por parte do contribuinte. No caso em apreço, a contribuinte declarou reiteradamente em todo o período fiscalizado – 01/2006 a 12/2008 – em clara ação tendente a Fl. 878DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 24 modificar as características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante do imposto devido” (fl. 777 eprocesso). Entendo, contudo, que as circunstâncias apontadas pela fiscalização não configuram nenhuma das condutas previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, que daria causa à aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte apresentou as declarações fiscais, nelas informando os valores devidos conforme entendeu que deveria ser interpretada e aplicada a legislação, declarando os valores que apurou, apurando de maneira coerente com a interpretação que lhe pareceu aplicável. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Tal conduta não evidencia qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou de sua natureza, ou de suas circunstâncias materiais, não tipificando sonegação, conforme prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Também não configura ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou modificar as suas características para reduzir tributo devido, não tipificando fraude, conforme prevista no art. 72 da mesma Lei.. O fato de o contribuinte ter adotado uma interpretação que o fazia chegar a um valor de tributo menor do que a Fiscalização entende que seria devido, no entanto, não pode ser tomado como intenção de impedir o conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador. O que se verifica é que o contribuinte declarou o que entendeu devido, de acordo como entendeu que deveria ser apurado o tributo, enquanto a Fiscalização, por sua vez, verificou que a apuração deveria ser feita de maneira diferente, resultando em valores superiores.. A conduta do contribuinte, descrita pela Fiscalização, não configura nem sonegação, nem fraude – tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 –, não configurando hipótese de aplicação da multa qualificada. 4. Conclusão. Voto pelo provimento parcial do recurso, (a) para reconhecer ao recorrente o direito à dedução prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, para o efeito de permitir a dedução da base de cálculo de PIS/Cofins dos pagamentos realizados pela cooperativa para indenizar os eventos a que deram causa os usuários dos planos de saúde, tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, independente de serem realizados em favor de cooperados ou de nãocooperados, desde que tenha sido efetivamente pagos e (b) para reduzir a multa de ofício para o patamar de 75%. Ivan Allegretti Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13982.001408/200981 Acórdão n.º 3403001.989 S3C4T3 Fl. 868 25 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10840.907385/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 73 85 /2 00 9- 46 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 24602.71396.260406.1.3.040017em 26.04.2006, fls. 0105, referente ao Per/DComp Inicial nº 04448.67620.070404.1.2.041545, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$111,37 relativo ao recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 31.05.2001, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 06, e a Planilha de fls. 0708, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 62,95. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 17.06.2009, fl. 09, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 13.07.2009, fls. 1014, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Aduz que exerce a atividade econômica de prestação de serviços de construção civil com emprego de mão de obra e materiais próprios está sujeita ao lucro presumido Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907385/200946 Acórdão n.º 1801001.419 S1TE01 Fl. 3 3 calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, conforme legislação de regência. Suscita que equivocadamente calculou o lucro presumido adotando um coeficiente de 32% sobre a receita bruta. Defende que entregou a Per/DComp utilizando o crédito decorrente. Conclui Portanto, ficando claro que o contribuinte tem direito ao crédito pelos argumentos e documentos apresentados, deve, por questão de justiça, ser desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado devido a não homologação da compensação efetuada, visto tratarse da melhor interpretação da jurisprudência e doutrina hoje existente. Nestes Termos, com os inclusos documentos pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 30.742, de 27.08.2009, fls. 4248: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Notificada em 21.02.2011, fl. 52, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.03.2011, fls. 5364, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta Basicamente a decisão do julgador a quo tem como pilar de sustentação a diferença apresentada em relação a receita bruta calculada pelo DARF e a receita bruta constante das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. [...] Certo é que, com base na exegese da legislação vigente, o mesmo tem direito líquido e certo de compensar o valor que foi recolhido a maior, por causa da utilização da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) e não 8%(oito por cento), pois, conforme pode ser verificado, estas notas constam como serviço com utilização de material. Nem mesmo, a alegação do julgador de que "...as notas fiscais de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 aquisição junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada a sua correlação com a receita bruta....", merece prosperar, [...] porque a regra prevista no item I, alínea "a", do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, que normatiza o direito, a utilização da alíquota de 8%( oito por cento), não traz referida exigência. Segundo porque, ao anexar as notas fiscais dos fornecedores, o recorrente demonstrou que efetivamente tinha adquirido mercadoria para utilização nos seus serviços e, portanto, sobre as notas fiscais por ele emitidas e que constou a utilização de material ficou patente o seu direito de calcular o imposto de renda com alíquota de 8% (oito por cento). [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui ANTE TODO O EXPOSTO, pedese seja recebido o presente: RECURSO VOLUNTÁRIO, para requerer: a) Seja JULGADO PROCEDENTE O PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, para aceitar as argumentações expendidas pelo recorrente, culminando com a anulação da decisão de primeira instancia e a conseqüente manutenção do direito ao crédito referente ao imposto de renda recolhido a maior, visto a sua legitimidade. [...] Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente afirma que está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907385/200946 Acórdão n.º 1801001.419 S1TE01 Fl. 4 5 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais 1. O presente pleito de reconhecimento do direito creditório de IRPJ se fundamenta na aplicação incorreta do coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento), tendo em vista que no período exerceu a atividade de construção por empreitada e o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento), uma vez que houve emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. 1 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A autoridade julgadora de primeira instância assim decidiu Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática – se Recorrente fornece, efetivamente, material para a realização de obras juntamente com a prestação de serviços de mão de obra ou não, para estar sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente a apresentar, referente ao suposto pagamento a maior: a) demonstrativo analítico dos materiais adquiridos com seus recursos e a contratação da mão de obra para utilizados na implementação dos contratos de prestação de serviços de construção civil; b) cópias das folhas do Livro Diário e do Livro Razão da conta nas quais são escrituradas as referidas compras de materiais e o pagamento da respectiva mão de obra; c) cópia das folhas do Livro Diário e do Livro Razão das contas das receitas obtidas no curso do anocalendário em questão em relação aos contratos de prestação de serviços de construção civil; d) demonstrativo analítico que evidencie a determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido, bem como a existência de pagamento maior que o devido no período referente ao crédito pleiteado, acompanhado das cópias dos registros contábeis pertinentes. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, bem como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, em especial relativamente à existência do direito creditório relativo ao suposto recolhimento a maior de IRPJ determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 29.06.2001. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907385/200946 Acórdão n.º 1801001.419 S1TE01 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada Em que pese o entendimento da ConselheiraRelatora, divirjo da tese exposta. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19973, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: 3 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907385/200946 Acórdão n.º 1801001.419 S1TE01 Fl. 6 9 INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas4, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese5: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d 4 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora 5 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907385/200946 Acórdão n.º 1801001.419 S1TE01 Fl. 7 11 e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907385/200946 Acórdão n.º 1801001.419 S1TE01 Fl. 8 13 No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000154/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Ementa:
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR PESSOAS JURÍDICAS NO PAÍS. CONTROLADAS/COLIGADAS NO EXTERIOR. IRPJ E CSLL.
Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR PESSOAS JURÍDICAS NO PAÍS. VERDADE MATERIAL.
Caracterizado o pagamento de IR sobre os lucros auferidos no exterior com a comprovação de material probatório em consonância com os requisitos e formalidades exigidos pela legislação de regência, torna-se eficaz as compensações até o valor comprovado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A decisão proferida no lançamento principal aplica-se, no que couber, aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que os vincula.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE.
A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa imputá-la na forma da legislação de regência.
PRELIMINAR. NULIDADE. INCONSISTÊNCIAS VINCULADAS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO,
É incabível a argüição de nulidade dos autos de infração, no qual os atos encontram-se
revestidos de suas formalidades essenciais e desde que as
infrações encontrem-se perfeitamente identificadas e evidenciadas no lançamento constituído em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 1302-000.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR PESSOAS JURÍDICAS NO PAÍS. CONTROLADAS/COLIGADAS NO EXTERIOR. IRPJ E CSLL. Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR PESSOAS JURÍDICAS NO PAÍS. VERDADE MATERIAL. Caracterizado o pagamento de IR sobre os lucros auferidos no exterior com a comprovação de material probatório em consonância com os requisitos e formalidades exigidos pela legislação de regência, torna-se eficaz as compensações até o valor comprovado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão proferida no lançamento principal aplica-se, no que couber, aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa imputá-la na forma da legislação de regência. PRELIMINAR. NULIDADE. INCONSISTÊNCIAS VINCULADAS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO, É incabível a argüição de nulidade dos autos de infração, no qual os atos encontram-se revestidos de suas formalidades essenciais e desde que as infrações encontrem-se perfeitamente identificadas e evidenciadas no lançamento constituído em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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Recorrida RECEITA FEDERAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR PESSOAS JURÍDICAS NO PAÍS. CONTROLADAS/COLIGADAS NO EXTERIOR. IRPJ E CSLL. Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR PESSOAS JURÍDICAS NO PAÍS. VERDADE MATERIAL. Caracterizado o pagamento de IR sobre os lucros auferidos no exterior com a comprovação de material probatório em consonância com os requisitos e formalidades exigidos pela legislação de regência, tornase eficaz as compensações até o valor comprovado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão proferida no lançamento principal aplicase, no que couber, aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao Fl. 774DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 2 princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa imputála na forma da legislação de regência. PRELIMINAR. NULIDADE. INCONSISTÊNCIAS VINCULADAS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO, É incabível a argüição de nulidade dos autos de infração, no qual os atos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e desde que as infrações encontremse perfeitamente identificadas e evidenciadas no lançamento constituído em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 775DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 2 3 Relatório O processo versa sobre autos de infração, de IRPJ (R$ 8.228.650,24) e tributação reflexa de CSLL (R$ 1.592.330,83), relativo a fatos geradores dos AC de 2003 à 2005, cujo crédito tributário total é de R$ 9.820.981,07, composto de principal, multa de ofício de 75% e de juros de mora, calculados até 31/10/2008. Os referidos autos de infração decorreram de ilícitos caracterizados por: IRPJ 001 Glosa de Prejuízos Fiscais compensados indevidamente no AC 2004, tendo em vista a insuficiência de saldo decorrente da reversão do prejuízo do AC 2003. Fato Gerador 31/12/2004, Valor Tributável R$ 2.855,76. 002 Adições não computadas de lucro líquido na apuração do Lucro Real de lucros auferidos no exterior por empresa controlada. Fato Gerador 31/12/2004, Valor Tributável R$ 3.307.469,37. 003 Ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, dos juros pagos ou creditados à título de remuneração do capital próprio, indedutíveis por superar o limite estabelecido na legislação. Fato Gerador 31/12/2005. Valor Tributável R$ 3.334.073,00. 004 Glosa de compensação indevida de IR incidente no exterior, por não apresentação de requisitos legais necessários. Fato Gerador 31/12/2005. Valor Tributável R$ 1.864.000,00. 005 Inobservância do Regime de Escrituração. Postergação de reconhecimento de lucros auferidos no exterior na apuração do Lucro Real do AC 2005, que deveriam ter sido efetuadas nos AC de 2003 e 2004. Fatos Geradores 31/12/2003 e 31/12/2004. Valores Tributáveis R$ 526.061,19 e R$ 3.837.722,91. CSLL 001 Ausência de Adições ao Lucro Líquido na determinação da base de cálculo da CSLL, dos juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio, indedutíveis, face a constatação de ter superado o limite estabelecido em lei. Fato Gerador 31/12/2005, Valor Tributável R$ 3.334.073,00. 002 Ausência de adição ao lucro líquido na determinação da base de cálculo da CSLL, de lucros auferidos no exterior, por empresa controlada. Fato Gerador 31/12/2004, Valor Tributável R$ 3.307.469,37. 003 Compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL no AC 2004, tendo em vista a insuficiência de saldo decorrente de revisão da base de cálculo negativa da CSLL após o lançamento da infração constatada no AC 2003. Fato Gerador 31/12/2004, Valor Tributável R$ 157.818,36. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 4 004 Postergação do pagamento da CSLL, tendo em vista e extemporaneidade da adição dos lucros auferidos no exterior na apuração do lucro real do AC 2005, que deveria ter sido efetuada nos AC 2003 e 2004. Fatos Geradores 31/12/2003 e 31/12/2004, Valores Tributáveis R$ 2.598,34 e R$ 112.464,30. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. se extrai as infrações apuradas pela fiscalização, quais sejam: 2. Das Infrações Apuadas 2.1 JSCP – Excesso de Dedução: Em resposta aos termos de intimação a fiscalizada apresentou cópia do Razão da conta 3401120001 – Juros Sobre Capital Próprio do AC 2005 – onde se comprova a contabilização de despesas de juros correspondentes à remuneração de capital próprio no montante de R$ 17.000.000,00 no período. Considerou a fiscalização que o valor contabilizado supera a remuneração do capital próprio, resultante da aplicação da TJLP, admitida pela Lei nº 9.249/95, que condiciona a dedutibilidade desta despesa para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tendo em vista imprecisões detectadas no demonstrativo apresentado pela fiscalizada, procedemos ao recálculo dos limites de dedutibilidade dessas despesas. A tabela a seguir apresenta o recálculo desses parâmetros, em observância às regras estabelecidas no parágrafo 1°, do dispositivo legal transcrito acima: A Lucro Liquido do período antes da provisão do IR 12.730.645,02 B JCP 17.000.000,00 CLucro Líquido antes da PIR e da dedução dos JCP 4.269.354,98 DLimite 1= 50% do lucro liquido antes do PIR e JCP 2.134.677,49 E Lucros acumulados de períodos anteriores e reservas de lucros 42.175.184,26 FLimite 2 = 50% dos Lucros acumulados e Reservas de Lucro 21.087.592,13 A partir dos cálculos efetuados acima, com base nos dados extraídos da DIPJ/2006, anocalendário de 2005 (fls. 239 a 254), verificase que o maior limite encontrado (R$ 21.087.592,13 Limite 2) comporta os juros sobre capital próprio contabilizados pela fiscalizada, no valor de R$ 17.000.000,00. Entretanto, o valor contabilizado supera a própria remuneração do capital próprio admitida pela Lei n° 9.249/95, resultante da aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre as contas do patrimônio líquido, com os ajustes exigidos no parágrafo 8°, do art. 9º, em R$ 3.334.073,00, conforme quadro abaixo: A Patrimônio Liquido 191.514.679,65 B Reserva de Reavalização 51.351.325,79 C Base de Cálculo dos JCP 140.163.353,86 D TJLP anual (9,75% a.a para 2005) 9,75% E JCP calculado 13.665.927,00 F JCP utilizado pela fiscalizada 17.000.000,00 G Excesso de dedução 3.334.073,00 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 3 5 Convém observar que o patrimônio líquido da fiscalizada sofreu mutações no decorrer do anocalendário de 2005 conforme se verifica das Demonstrações das Mutações do patrimônio líquido de fls. 155 e 156, não trouxeram reflexos na determinação da base de cálculo utilizada na apuração da remuneração do capital próprio admitida em lei, tendo em vista que as variações acarretadas pela apuração do lucro líquido do exercício e pela distribuição de dividendos foram contabilizadas em 31/12/2005. Apenas como observação, ainda, vale mencionar que os cálculos efetuados pela fiscalizada indicavam um limite de dedutibilidade menor do que aquele ora determinado no presente termo, de modo que, se prevalecesse o parâmetro apurado pela fiscalizada, o excesso de dedução seria ainda maior do que o ora apurado. Portanto, considerando os parâmetros ora apurados, o valor de remuneração do capital próprio deduzido como despesa de juros sobre capital próprio excede em R$ 3.334.073,00 o montante admitido como dedutível pela legislação vigente, calculado a partir da aplicação da TJLP sobre o patrimônio líquido ajustado, demonstrado acima 2.2 Lucros Auferidos no Exterior: Nas DIPJ dos AC 1996, 1997 e 1998 (fls. 157/159) e demonstrativos de resultados de equivalência patrimonial a fiscalizada informou possuir participação societária na empresa controlada Kaco GMBH & CO, com sede na Alemanha, de 77,78% (1996), 81,82% (1997) e 100% a partir de 1998. Analisando as DIPJ´s apresentadas, a fiscalização verificou a existência de um ajuste para a apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL do AC 2005, na forma de adição de R$ 10.633.000,00 a titulo de Lucros disponibilizados no Exterior, conforme ficha 09 – Demonstrativo do Lucro Real (fls.244) e focha 17 Cálculo da CSLL (fls.246) da DIPJ 2006 e LALUR (fls.222). A memória do cálculo do valor aludido ajuste efetuado em 2005 encontrase detalhada no Demonstrativo da Tributação dos Lucros Gerados no Exterior – KAKO (fls. 170/171 e do Cálculo da Provisão para IR sobre Lucros no Exterior (fls. 172/173). Entretanto examinando as demonstrações financeiras da Kaco (fls. 174/203) verificaramse algumas imprecisões, quais sejam: a) Exercício Social: Até o ano de 1999, a empresa controlada no exterior Kaco GMBH & CO possuía exercício social não coincidente com o ano civil, iniciandose em 01 de outubro de cada ano e encerrandose no dia 30 de setembro do ano seguinte. A partir do ano de 2000, o exercício social da empresa controlada passou a coincidir com o ano civil. Tendo em vista que as regras de tributação de lucros auferidos no exterior introduzidas pela Lei n° 9.249, de 26/12/1995, passaram a produzir efeito em 1° de janeiro de 1996, os resultados apurados por empresas controladas, coligadas, filiais e sucursais no exterior anteriormente a essa data não compõem o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Por esse motivo, a fiscalizada, por meio do Termo de Intimação n° 3, de 10/09/2007, foi intimada a desmembrar as demonstrações financeiras de sua empresa Fl. 778DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 6 controlada Kaco GMBH & CO, relativas aos anos de 1996 a 1999, em dois períodos, de 01/jan à 30/set e de 0l/out a 31/dez. Não tendo atendido a intimação dentro do prazo concedido, a solicitação foi sucessivamente reiterada, por meio dos Termos de Intimação n° 5, de 26/04/2008, n° 6, de 10/06/2008, e n° 7, de 25/07/2008, e, decorrido quase um ano da primeira solicitação, a fiscalizada não apresentou a documentação exigida. Considerando a ausência de previsão legal estabelecendo regras aplicáveis a resultados apurados em período não coincidente com o ano civil, com seu início anterior à vigência das regras de tributação de lucros do exterior e seu encerramento dentro de sua vigência, e face à incapacidade da fiscalizada de fornecer demonstrações financeiras que isolem o resultado posterior a 1° de janeiro de 1996, não resta alternativa diversa da de desconsiderar integralmente o resultado apurado no exercício social compreendido entre 01/10/95 e 30/09/96. Assim, efetuamos o recálculo do controle de compensações de prejuízos da Kaco GMBH & CO, com resultado zero no anocalendário de 1996. Vale observar que existe uma lacuna referente ao período compreendido entre 01/10/99 a 31/12/99, devido à ausência de registros dos resultados do mencionado período, cujas demonstrações financeiras não foram nem mesmo apresentados, para o qual também foi atribuído resultado zero. b) Resultado Tributável: Do cotejo das demonstrações de resultado da Kaco GMBH & CO com as memórias de cálculo da adição efetuada no anocalendário de 2005, verificase que fiscalizada adota como lucro tributável ou prejuízo compensável o resultado líquido do imposto de renda e dos demais impostos. Entretanto, a IN SRF n° 213, de 07/10/2002, estabelece em seu art. 1°, § 7°, que o resultado a ser considerado é aquele antes de descontado o imposto de renda pago no país de origem: "Art. 12 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação espec(fica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. (...) § 72 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem." Assim sendo, efetuamos o recálculo do controle de compensações de prejuízos da Kaco GMBH & CO, com os resultados antes do imposto de renda. c) Percentual de participação no capital social da controlada: Fl. 779DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 4 7 Conforme já relatado, a fiscalizada informa possuir participação no capital da social da Kaco GMBH & CO de 77,78% em 1996, de 81,82% em1997 e de 100% a partir de 1998. Examinandose as memórias de cálculo da adição efetuada no ano calendário de 2005, verificase que fiscalizada considera integralmente o prejuízo apurado pela sua controlada Kaco GMBH & CO em 1997, embora sua participação naquele ano tivesse sido de 81,82%. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99, RIR/99 estabelece em seu art. 394, § 5°, inciso II, que o resultado a ser considerado é aquele proporcional à participação da investidora no capital social da empresa controlada: "Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) § 5º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei n 2 9.249, de 1995, art. 25, § 22): 1 as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária para apuração do lucro real;" Assim, recalculamos o prejuízo apurado na controlada Kaco GMBH & CO em 1997, proporcionalmente ao percentual de participação em seu capital. Vale observar que o mesmo equívoco foi praticado pela fiscalizada em relação ao resultado de 1996, o qual foi integralmente desconsiderado conforme o item a), de modo que nenhum recálculo foi necessário. d) Taxa de Câmbio para conversão Examinandose as memórias de cálculo da adição efetuada no ano calendario de 2005, verificase que a fiscalizada se equivocou na conversão dos resultados em moeda local para Reais, com a utilização de taxas de câmbio divergentes daquelas previstas no art. 394, § 7º, do RIR/99: "Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). § 7º Os lucros a que se referem os §§ 5 2 e 62 serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada e coligada (Lei n 2 9.249, de 1995, art. 25, § 40)." Dessa maneira, efetuamos o recálculo do controle de compensações de prejuízos da Kaco GMBH & CO, com a utilização das taxas de câmbio corretas. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 8 Apresentamos a seguir, o demonstrativo por meio do qual recalculamos os ajustes necessários na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da fiscalizada, em conformidade com as regras estabelecidas na legislação pertinente, mencionadas nas observações que acabamos de enumerar: AC LUCRO/PREJ IR RESULTADO PART. ACIO. RESULTADO PART 1996 0,00 0,00 0,00 77,78% 0,00 1997 4.156.274,56 1.670,51 4.154.604,05 81,82% 3.399.297,03 1998 3.708.765,56 719,48 3.708.045,79 100,00% 3.708.045,79 1999 346.719,90 67.377,58 279.342,32 100,00% 279.342,32 2000 1.225.846,27 11,92 1.225.858,19 100,00% 1.225.858,19 2001 310.607,80 0,00 310.607,80 100,00% 310.607,80 2002 521.011,01 0,00 521.011,01 100,00% 521.011,01 2003 144.103,06 0,00 144.103,06 100,00% 144.103,06 2004 1.893.011,14 81.077,00 1.974.088,14 100,00% 1.974.088,14 2005 2.157.024,47 107.006,84 2.264.031,31 100,00% 2.264.031,31 AC RESULTADO EUR DATA BALANÇO TAXA CAMBIO RESULTADO R$ ACUMULADO R$ 1996 0,00 30/09/96 0,67039 0,00 0,00 1997 4.399.297,03 30/09/97 0,62274 2.116.861,24 2.116.861,24 1998 3.708.765,56 30/09/98 0,71119 2.637.117,67 4.753.978,91 1999 279.342,32 30/09/99 1,05179 293.809,46 4.460.169,45 2000 1.225.858,19 31/12/00 1,84173 2.257.699,80 2.202.469,45 2001 310.607,80 31/12/01 2,06363 640.979,57 1.561.490,07 2002 521.011,01 31/12/02 3,70120 1.928.365,95 366.875,88 2003 144.103,06 31/12/03 3,65059 526.061,19 2004 1.974.088,14 31/12/04 3,61949 7.145.192,28 2005 2.264.031,31 31/12/05 2,76905 6.269.215,90 Com base nos valores ora apurados, identificamos as adições ao lucro líquido que a fiscaliza deveria ter promovido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, face à existência de lucros auferidos pela sua empresa controlada na Alemanha nos aludidos períodos, após compensação com o saldo de prejuízos acumulados de exercícios anteriores, em observância ao que prescreve o art. 10, § 1°, alínea "a", da Lei n° 9.532/97, já anteriormente transcrito. Entretanto, considerando a adição efetuada no anocalendário de 2005, no valor de R$ 10.633.000,00, empregamos o montante de R$ 4.363.784,10 referente ao valor excedente à adição devida em 2005 no montante de R$ 6.269.215,90, apurada no nosso demonstrativo acima – para abater as adições devidas em 2003 e 2004 e não efetuadas pela fiscalizada, respectivamente nos valores de R$ 526.061,19 e de R$ 7.145.192,28. Tendo em vista que o montante de R$ 4.363.784,10 mostrase inferior às adições apuradas para 2003 e 2004, imputamos esse valor adicionado a maior no ano calendário de 2005 para considerar efetuados extemporaneamente as adições de R$ 526.061,19 (anocalendário de 2003) e de R$ 3.837.722,91 (anocalendário de 2004). Desse procedimento, resulta ainda o valor de R$ 3.307.469,37 referente à adição apurada para o anocalendário de 2004 não alcançada pela imputação. Resumidamente, temos: A/C ADIÇÕES APURADAS ADIÇÕES IMPUTADAS FALTA ADIÇÃO Fl. 781DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 5 9 2003 526.061,19 (*) 526.061,19 2004 7.145.192,28 (*) 3.837.722,91 (**) 3.307.469,37 2005 6.269.215,90 6.269.215,90 TOTAL 10.633.000,00 (*) consideradas adicionadas extemporaneamente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2005. (**) valor não alcançado pela imputação da adição a maior realizado em 31/12/2005. Dessa forma, verificase a ocorrência de duas infrações: 1 Postergação de pagamento de IRPJ e CSLL incidentes sobre as adições de R$ 526.061,19 (anocalendário de 2003) e de R$ 3.837.722,91 (anocalendário de 2004), resultante da adição extemporânea no anocalendário de 2005, no montante de R$ 4.363.784,10; e 2 Falta de adição na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2004, no valor de R$ 3.307.469,37. A seguir, passamos a descrever detalhadamente e quantificar, de forma segregada, as aludidas infrações. 2.2.1Postergação de pagamento Verificase das DIPJ dos anoscalendário de 2003 e 2004 (fls. 211 a 238) que a fiscalizada não efetuou nenhuma adição na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a título de lucros disponibilizados do exterior. O valor de R$ 4.363.784,10 referente ao excesso de adição efetuada no ano calendário de 2005, no valor de R$ 10.633.000,00, em relação à adição apurada para esse período, no valor de R$ 6.269.215,90, foi, assim, imputado aos anoscalendário de 2003 e 2004. A/C ADIÇÕES EFTUADAS ADIÇÕES IMPUTADAS FALTA (EXCESSO)ADIÇÃO 2003 0,00 526.061,19 526.061,19 2004 0,00 3.837.722,91 3.837.722,91 2005 10.633.000,00 6.269.215,90 (4.363.784,10) Dessa forma, as adições apuradas para os anoscalendário de 2003 e 2004, alcançadas pela imputação, se traduziriam em pagamentos postergados, já que representam o excesso de adição verificado no anocalendário de 2005. Resta, portanto, confirmar se o IRPJ e a CSLL que seriam apurados nos anoscalendário de 2003 e 2004 foram efetivamente pagos quando da apuração do tributo e contribuição relativos ao anocalendário de 2005. A tabela abaixo demonstra os valores do imposto de renda que seriam devidos pela fiscalizada, relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004, e que teriam sido postergados para o período de apuração posterior, ou seja, anocalendário de 2005. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 10 DEMONSTRATIVO DE POSTERGAÇÃO DESCRIÇÃO 2003 2004 2005 Lucro Real antes compensação 9.985.805,35 18.604.969,87 26.557.020,96 Compensação Prejuízo (2.121.064,00) (2.855,76) 0,00 Lucro Real após compensação 7.864.741,35 18.602.114,11 26.557.020,96 Lucro apurado no Exterior em 2003/2004 526.061,19 3.837.722,91 (4.363.784,10) Compensação de Prejuízo na Autuação (2.855,76) 0,00 Lucro Real Ajustado 8.387.946,78 22.439.837,02 22.193.236,86 Imposto Devido Sobre o Lucro Ajustado 1.258.192,02 3.365.975,55 3.328.985,53 Imposto Devido Declarado 1.179.711,20 2.790.317,12 3.983.553,14 Diferença de Imposto Apurado 78.480,81 575.658,44 (654.567,62) Adicional Devido sobre o lucro ajustado 814.794,68 2.219.983,70 2.195.323,69 Adicional devido Declarado 762.474,14 1.836.211,41 2.631.702,10 Diferença de Adicional Apurada 52.320,54 383.772,29 (436.378,41) Total Diferença 130.801,36 959.430,73 (1.090.946,03) No cálculo do lucro real reajustado (linha 6), é dada a compensação na autuação (linha 5) do anocalendário de 2003, no montante de R$ 2.855,76 o qual será objeto de glosa em item específico, relativo ao anocalendário de 2004 , em razão da compensação de prejuízos fiscais no anocalendário de 2003 ser inferior a 30% do lucro real declarado, acrescido da adição referente a lucros no exterior. Para o cálculo da imputação proporcional, ao final, consideraremos os valores devidos apurados na tabela acima, e os valores reputados pagos por conta da postergação de pagamentos, sem o ajuste da compensação na autuação, conforme resumo abaixo: DESCRIÇÃO 2003 2004 2005 Diferença de Imposto apurada 78.909,18 575.658,44 (654.567,62) Diferença de Adicional apurada 52.606,12 383.772,29 (436.378,41) Total Diferença 131.515,30 959.430,73 (1.090.946,03) Da mesma forma, a tabela a seguir demonstra os valores da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que seriam devidos pela fiscalizada, relativos aos anoscalendário de 2003/2004, e que foram postergados para o período de apuração posterior, ou seja, ano calendário de 2005. Na determinação da base de cálculo reajustada da CSLL (linha 6), é dada a compensação na autuação (linha 5) do anocalendário de 2003, no montante de R$ 157.818,36, o qual será objeto de glosa em item especifico, relativo ao anocalendário de 2004, em razão da infração acrescer à base de cálculo, aumentando proporcionalmente o limite de compensação (30%), no anocalendário de 2003. Para o cálculo da imputação proporcional, ao final, consideraremos os valores devidos apurados na tabela acima, e os valores reputados pagos por conta da postergação de pagamentos, sem o ajuste da compensação na autuação, conforme resumo abaixo: Descrição 2003 2004 2005 Diferença CSLL apurada 47.345,51 345.395,06 (392.740,57) Sobre o saldo de imposto de IRPJ e CSLL, a lei n° 9.430/96, em seu art 6° , §1°, inciso I e § 2°, prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa referencial Fl. 783DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 6 11 do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, a partir de 1° de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. E o § 3° do art 5° da lei 9.430/96 determina: “§ 3° As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Assim, aplicandose as regras contidas nos dispositivos legais acima transcritos, os juros devidos pela fiscalizada referente à postergação do IRPJ e da CSLL para o período de apuração encerrado em 31/12/2005, são de 35,01% para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2003, e de 19,76%, para aqueles ocorridos em 31/12/2004. Ademais, de acordo com o art. 61, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/96, sobre os tributos e contribuições em atraso incidem a multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso, limitada a vinte por cento. No caso dos fatos geradores ocorridos em 31/12/2003 e 31/12/2004, a multa de mora devida seria de 20%. Tratandose de pagamentos postergados, obviamente sem o acréscimo dos encargos moratórios detalhados acima, fica evidente a caracterização da insuficiência de pagamento do IRPJ e da CSLL. E, para que se apure o valor que deixou de ser recolhido, cumpre adotar a imputação proporcional metodologia que melhor cumpre os estritos termos da lei, seguindo o disposto no art. 163 do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei n° 5.172, de 25/10/66, a qual permite determinar a porcentagem do valor de principal que não restou extinta pelo recolhimento efetuado a menor, demonstrada nas tabelas a seguir: IRPJ + ADICIONAL Fato Gerador 31/12/2003 31/12/2004 Vencimento do Tributo 31/03/2004 31/03/2005 Valor pago em atraso 131.515,30 959.430,73 Valor devido 130.801,36 959.430,73 Percentual de juros de mora aplicável 35,01% 19,76% Juros de Mora 45.793,56 189.724,59 Multa de Mora 26.160,27 191.886,15 Valor total devido 202.755,19 1.340.900,39 % extinto por pagamento 64,86% 71,55% % não extinto por pagamento 35,14% 28,45% Valor de IRPJ e adicional que deixou de ser pago 45.958,25 272.946,24 CSLL Fl. 784DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 12 Fato Gerador 31/12/2003 31/12/2004 Vencimento do Tributo 31/03/2004 31/03/2005 Valor pago em atraso 47.345,51 345.395,06 Valor devido 33.141,85 345.395,06 Percentual de juros de mora aplicável 35,01% 19,76% Juros de Mora 11.602,96 68.250,06 Multa de Mora 6.628,37 69.079,01 Valor total devido 51.373,19 482.724,14 % extinto por pagamento 92,16% 71,55% % não extinto por pagamento 7,84% 28,45% Valor de IRPJ e adicional que deixou de ser pago 2.598,34 98.260,64 Portanto, cabe a exigência do IRPJ e adicional, bem como da CSLL, apurados conforme demonstrativos acima (valores em destaque na última linha de cada tabela "Valor de IRPJ e adicional que deixou de ser pago/Valor de CSLL que deixou de ser pago"), não extintos pelos pagamentos extemporâneos a menor, com a multa de oficio a que se refere o dispositivo legal transcrito, por meio do presente lançamento de oficio. 2.2.2 Falta de Adição de Lucros Disponibilizados no Exterior Conforme já relatado no item 2.2., o montante de R$ 4.363.784,10 resultante da diferença entre o valor da adição efetuada a maior no anocalendário de 2005, de R$ 10.633.000,00, e o valor da adição apurada para esse períodobase, de R$ 6.269.215,90, mostrase inferior às adições apuradas para 2003 e 2004, motivando a imputação detalhada no item 2.2.1. Assim, o valor de R$ 3.307.469,37 referente à adição apurada para o anocalendário de 2004, no valor de R$ 7.145.192,28, não alcançada pela imputação do mencionado montante de R$ 4.363.784,10 se traduz em falta de adição de lucro auferido no exterior, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2004, nos termos do art. 10 e § 1 0, da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, combinado com o art. 74 da MP 2.15835, de 24/08/2001, o qual está sendo objeto do presente lançamento de oficio. 2.3. Compensação Indevida do Imposto Incidente no Exterior Falta de Comprovação Em face da adição no valor de R$ 10.633.000,00, a título de "Lucros Disponibilizados do Exterior", na apuração do lucro real do anocalendário de 2005, a fiscalizada, na apuração do imposto de renda a pagar, efetuou uma dedução no valor de R$ 1.864.000,00, a título de "Imposto Pago no Exterior sobre Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital", conforme Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral, da DIPJ 2006 (fl. 245). Por meio do Termo de Intimação n° 3, de 10/09/07 (fls. 11 e 12), a fiscalizada foi intimada a demonstrar por empresa controlada/coligada e por períodos de competência o imposto pago no exterior utilizado para deduzir o valor dos tributos devidos no Brasil em vista do oferecimento à tributação do respectivo lucro, bem como Fl. 785DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 7 13 a apresentar cópia dos documentos comprobatórios dos pagamentos desse imposto no exterior. Em resposta, a fiscalizada apresentou os demonstrativos intitulados "Cálculo da Provisão para IR/CS sobre os Lucros do Exterior" (fls. 172 e 173) e "Demonstrativo da Tributação dos Lucros Gerados no Exterior — ICAKO GMBH" (fl. 204), os quais simplesmente apresentam composição do saldo de lucro acumulado e do correspondente imposto pago em cada ano pela sua controlada sediada na Alemanha Kaco GMBH & CO, cujos dados foram extraídos das demonstrações de resultado pertencentes a essa controlada no exterior. Na tabela abaixo, reproduzimos os dados demonstrados pela fiscalizada: Imposto Pago no Exterior (Kako GMBH $ CO) Anobase Moeda Original Em Reais 1998 118.000,00 86.000,00 1999 166.000,00 50.000,00 2000 61.000,00 112.000,00 2001 54.000,00 112.000,00 2002 65.000,00 241.000,00 2003 65.000,00 239.000,00 2004 148.000,00 536.000,00 2005 176.000,00 488.000,00 Em reiteração ao Termo de Intimação n° 3, a fiscalizada foi instada a apresentar cópia notarizada e consularizada, e respectiva tradução juramentada dos documentos comprobatórios dos pagamentos desse imposto no exterior, por meio do Termo de Intimação n° 5, de 26/04/08. Tendo em vista o não atendimento a essa solicitação, esta foi sucessivamente reiterada nas intimações subseqüentes: Termo de Intimação n° 6, de 10/06/08, Termo de Intimação n° 7, de 25/07/08 e Termo de Intimação n° 8, de 05/09/08. Finalmente, em 25/09/08, a fiscalizada apresentou cópias simples de alguns comprovantes de pagamento, grafados no idioma alemão (fls. 205 a 210). Cumpre observar que a fiscalizada não forneceu tradução juramentada desses documentos, apresentados em cópias simples, sem o devido reconhecimento consular e do órgão arrecadador local, bem como não forneceu nenhum demonstrativo ou outro documento que pudesse conciliar os valores consignados nos comprovantes de pagamentos com o montante demonstrado no citado "Cálculo da Provisão para IR/CS sobre os Lucros do Exterior" e deduzido na DIPJ 2006. Apresentados conforme descritos acima, tais documentos não só se afiguram ininteligíveis e inábeis a demonstrar ou comprovar o pagamento daquele imposto supostamente pago no exterior e utilizado para compensar o imposto devido no Brasil, como também não preenchem os requisitos estabelecidos no art. 26, § 2°, da Lei n° 9.249, de 26/12/95, para a sua aceitação: Fl. 786DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 14 "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros,rendimentos ou ganhos de capital. (..) § 2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto." Cabe observar que, mesmo que a fiscalizada tivesse demonstrado, ou vier a demonstrar durante a fase litigiosa, o pagamento do imposto no exterior com a apresentação de cópias dos documentos de arrecadação notarizadas, consularizadas e traduzidas para o nosso idioma, bem como da conciliação desses pagamentos com o valor compensado aqui no Brasil , ainda assim somente poderiam ser aceitos os pagamentos efetuados a partir do anocalendário de 2003, tendo em vista que os lucros auferidos no exterior foram computados no lucro real somente em 31/12/2005. O art. 1º, § 4°, da Lei n° 9.532/97 estabelece, pois, que o imposto pago no exterior somente poderá ser compensado com o imposto devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados no lucro real e base de cálculo da CSLL até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração: "Art. Iº Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais,controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (..) §4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n. 9.249, de 1995,relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros,rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração." Assim, considerando que a fiscalizada dispôs de quase um ano, a partir da primeira solicitação consignada no Termo de Intimação n° 3, de 10/09/07, e reiterada em sucessivos termos, sem que a mesma tenha apresentado documentação que atendesse às formalidades legais e hábil a comprovar e demonstrar o pagamento de impostos no exterior passíveis de compensação com o imposto devido no Brasil, procedemos à glosa integral do valor de R$ 1.864.000,00, deduzido na apuração do imposto de renda a pagar do anocalendário de 2005, o qual está sendo objeto do presente lançamento de ofício. 3) Falta de comprovação de imposto pago no exterior, no importe de R$ 1.864.000,00, compensado indevidamente para fins de dedução da apuração do imposto de renda a pagar do anocalendário de 2005 (Ficha 12A — Cálculo do o deduzidos para dedução Demonstração da ocorrência de compensação ido Imposto de Renda sobre o Lucro Real), circunstância que motivou a glosa integral face a improficuidade da documentação apresentada pelo contribuinte, em desarmonia com as formalidades legais e hábeis firmadas pelo art. 26, caput e §2°, da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, e art. 1°, caput e §4°, da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, não obstante as sucessivas intimações dirigidas ao contribuinte com a Fl. 787DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 8 15 finalidade de lhe facultar o direito de prestar esclarecimentos acerca dos indícios apurados no curso da ação fiscal; 2.4. Glosa de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL Compensados Indevidamente Em face da postergação de pagamento de IRPJ e adicional e da CSLL, resultante da adição extemporânea ao lucro líquido da fiscalizada de lucros auferidos no exterior em 2003 e 2004 pela sua controlada Kaco GMBH & CO, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2005, configurando a infração detalhada no item 2.2.1 acima, foi concedida a compensação de ofício do saldo de prejuízo fiscal, no montante adicional de R$ 2.855,76 em 2003, e do saldo de base de cálculo negativa da CSLL, no montante adicional de R$ 157.818,36 também em 2003. Adotase o aludido procedimento em decorrência da instituição do limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, previsto no art. 42 da Lei n° 8.981, de 20/01/95, e da base de cálculo negativa da CSLL, previsto no art. 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/95, de forma a maximizar o beneficio ao contribuinte. Ou seja, aumentandose a base de cálculo do IRPJ e da CSLL como resultado do lançamento de infrações, aumentase o limite de compensação em valores absolutos, na mesma proporção, de modo que é concedida a compensação no mesmo montante sempre que o contribuinte possuir saldo de prejuízo fiscal e/ou base de cálculo negativa da CSLL. Como conseqüência da concessão da compensação de ofício no ano calendário de 2003, devese glosar as compensações efetuadas pela fiscalizada no ano calendário de 2004 no mesmo montante em vista da insuficiência de saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, os quais já haviam sido integralmente utilizados nesse períodobase. Assim, procedemos à glosa da compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 2.855,76 e da compensação da base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 157.818,36, ambas realizadas no anocalendário de 2004. 3. Dos Processos Formalizados: Por terem sido gerados quatro autos de infração formalizados por meio de três processos administrativos (conforme demonstrativo abaixo), em caso de apresentação de impugnação contra os lançamentos, deverão ser apresentadas peças impugnatórias independentes para cada um dos processos, conforme a matéria contestada, dentre eles os presentes autos de IRPJ e CSLL. Tendo em vista as infrações tributárias aqui apontadas, fica o contribuinte intimado a empreender as devidas retificações em seu Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Fl. 788DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 16 Cientificado em 07/11/2008, o contribuinte apresentou impugnações tempestivas e separadas do IRPJ e da CSLL, em 05/12/2008, acompanhado da documentação de fls. 326/399, 402/461, 472/579 e 582/604, na qual requer a anulação dos autos de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações: em caráter preliminar, requer a improcedência dos autos de infração por não refletirem a realidade dos movimentos fiscais da empresa. No mérito questiona que a compensação de prejuízos fiscais é procedente, conforme evidenciam os quadrosdemonstrativos integrantes da impugnação, cuja recomposição (AC 2003 à 2005), indica a impropriedade dos cálculos da autoridade fiscal. no que tange às adições não computadas de lucros auferidos no exterior na apuração do Lucro Real, sustenta a improcedência dos autos, por conta de a controlada ter apurado prejuízo no anocalendário de 1996. no tocante à parcela de juros pagos à título de remuneração do capital próprio, alega a improcedência de autuação, pautandose em demonstrativos que visam revelar que a empresa tinha a opção de distribuição do juros sobre capital próprio desde 1996, porém, somente o fez a partir de 2004, tendo um lucro acumulado que permitia a distribuição efetuada, no ano de 2005. acrescenta, que, até aquele momento, a empresa estava aplicando as importâncias, que deveriam ser pagas aos sócios, em projetos de investimento, visto que havia aprovação definido em Atas de Reunião de Sócios e em consonância com a legislação. esclarece que não efetuou nenhum pagamento dos juros sobre o capital próprio do anocalendário de 2003 e um montante parcial e a menor àquele permitido para o ano de 2004 e que a disponibilidade das respectivas verbas estão dentro do Patrimônio Líquido para compor o pagamento. Conclui que os IRRF foram pagos dentro do prazo legal estipulado para os respectivos períodos de apuração. assegura que houve falta de contabilização do direito do pagamento dos juros sobre o capital próprio aos sócios, da utilização da despesa para fins de dedução para apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, bem como o cálculo do imposto e da contribuição dos respectivos anoscalendário, mês que não ocorreu qualquer prejuízo à RFB e que a falta de escrituração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio, na verdade, beneficiou o próprio Fisco, tendo em conta a ocorrência de pagamento do IRPJ e da CSLL em montantes superiores nos anos de 2003 e 2004. em relação à glosa da compensação do imposto de renda incidente no exterior, no valor de R$ 1.864.000,00, questiona a incongruência do procedimento, tendo em conta que os documentos de pagamento do IRPJ encontramse devidamente consularizados, conforme cópia anexa. Complementa, afirmando que apresenta comprovantes no montante de R$ 2.701.864,16, razão pela qual se evidencia a existência de crédito em favor do contribuinte, cuja importância será compensada futuramente. no tocante à postergação de pagamento do imposto de renda, em face da adição extemporânea dos lucros auferidos no exterior pertinentes ao ano de 2003 e 2004, contesta que o AFRFB não levou em consideração a ocorrência de prejuízos fiscais a serem Fl. 789DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 9 17 compensados, vinculados ao período de 1996. Depreende que o valor de R$ 3.837.722,91, deve ser computado no prejuízo das empresas estrangeiras, conforme demonstrado na impugnação; na qual restou comprovado que o IRPJ devido neste período foi recolhido ou compensado com o imposto de renda pago no exterior. no que concerne às conclusões inerentes à compensação indevida da CSLL no anocalendário de 2004, no montante de R$ 157.818,36, a caracterização da insuficiência de saldo defronte os efeitos da reversão da base de cálculo negativa CSLL, em decorrência de ajustes procedidos no ano de 2003, afirma que também são improcedentes devido ao fato da controlada deter prejuízo referente ao período de 1996, cuja importância não foi considerada para efeito de recomposição da base negativa da contribuição apurado pelo AFRB. reivindica que a multa deverá ser aplicada de acordo com a tributação instituída pela RFB, com base no art. 61, incisos 10 e 2° da Lei n°9.430, de 1996, ou seja, calculando a partir do primeiro dia subseqüente ao vencimento até o dia em que ocorrer o pagamento, limitado ao percentual de 20%. finalmente, conclui que se os documentos apresentados não foram suficientes para provar que o imposto e contribuição não são devidos, existem nos livros fiscais da empresa que devem ser compensados com impostos, caso sejam realmente devidos neste auto de infração, tais como: Prejuízos acumulados, no valor de R$ 5.235.303,92; Impostos pagos a maior ou indevidamente, no importe de R$ 874.408,30; e outros existentes e controlados no LALUR que são suficientes para cobrir quaisquer débitos que venham a ser atribuídos à empresa. todos os documentos que comprovam sua defesa estão demonstrados nos balanços da controlada no exterior Alemanha, conforme orienta a Instrução Normativa SRF n° 213, de 07/10/2002, razão pela qual insiste que os referidos balanços são peças hábeis para a análise das informações atinentes aos resultados dos lucros e/ou prejuízos dos períodos fiscalizados, conseqüentemente, devendo ser acatados pela RFB e cancelado o auto de infração. A 7ª Turma da DRJ/São Paulo recebe a impugnação como tempestiva, mas por unanimidade de votos nega provimento a mesma alegando em síntese o seguinte: Inicialmente, impende registrar que não procedem as argumentações preliminares de nulidade uma vez que os lançamentos de IRPJ e CSLL, decorreram de infrações caracterizadas em procedimento de verificação, cujos fatos imponíveis para cálculo e apuração das exigências fiscais em questão encontramse perfeitamente especificadas no referido auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. O enfrentamento das questões nas peças de defesa denotam perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, de supostas infrações e incorreções no procedimento, também não procedem. Os lançamentos foram levados a efeito por autoridade competente e plenamente vinculada, respeitado os procedimentos firmados para comprovação e apuração das ocorrências dos fatos geradores dos tributos e apropriada identificação do sujeito passivo da obrigação Fl. 790DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 18 tributária, razão pela qual a lavratura do auto de infração indica o cumprimento de todas as formalidades legais. Pelo exposto impõese rejeitar as preliminares concernentes à nulidade dos autos de infração em questão e impõese a manutenção dos efeitos dos lançamentos objetos da presente autuação. DO MERITO: Cumpre esclarecer que a sistemática de tributação universal dos lucros auferidos no exterior surgiu com o advento da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, mediante introdução dos seus arts. 25, 26 e 27, cuja temática foi sendo aperfeiçoada, com as mudanças justapostas pelos arts. 16 e 17, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 1° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, art. 3° da Lei n° 9.959, de 27/12/2000. Por seu turno, a Lei Complementar (LC) n° 104, de 10/01/2001, acrescentou o §2°, ao art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), autorizando a possibilidade da lei estabelecer as condições e o momento em que se daria a disponibilidade das receitas e dos rendimentos oriundos do exterior. Em conformidade com esse permissivo, o art. 74 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001, definiu a nova presunção legal relacionada à temática em destaque, segundo a qual, para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada domiciliadas no exterior serão considerados disponibilizados para a investidora no Brasil, na data do balanço no qual tiverem sido apurados no exterior, independentemente de distribuição efetiva. Sob essa orientação e em harmonia com o novo panorama conduzido a partir da publicação da MP n° 2.15802, a matéria passou a ser normatizada por intermédio da Instrução Normativa SRF n° 213, de 7 de outubro de 2002, que associou disposições sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País. Desse forma, o julgamento deve ser examinado à luz da documentação fiscal e contábil que dá suporte comprobatório aos argumentos, não bastando que o interessado se limite a promover as recomposições das bases tributáveis ou apresentar meras negativas de caráter genérico sem que estejam lastreadas em meio probatório conexo e correlato aos registros dos fatos contábeis vinculados. É importante destacar que em conformidade com apontamentos reportados no aludido Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal concedeu sucessivas e reiteradas oportunidades para o impugnante manifestarse e apresentar a documentação apta a esclarecer as inconsistências e incompatibilidades identificadas no curso do procedimento de fiscalização, cujos resultados demonstraramse improfícuos. Em caráter geral, o Regulamento de Imposto de Renda, determina exigências a serem obrigatoriamente cumpridas pelas pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real e a Instrução Normativa SRF n° 213, de 07/10/2002, estabeleceu critérios e formalidades para fins de traduzir o momento de disponibilização dos lucros auferidos do exterior e a estabelecer a aceitação da escrituração e documentação oriunda de coligadas ou controlada. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 10 19 Diante da legislação citada e reproduzida na decisão da DRJ, apesar da irresignação do interessado, fica patente, que a comprovação dos eventos apurados nas aludidas operações deve ser efetuada mediante a apresentação de documentação comprobatória hábil e idônea devidamente conjugada com as demonstrações financeiras, traduzidas para o idioma nacional e classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, os quais, por sua vez, também devem ser mantidos e conservados sob a responsabilidade do sujeito passivo a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal dentro do prazo legal fixado em lei, o que de fato não ocorreu. O fato de a autoridade fiscal ter fundado o procedimento na documentação exibida pelo contribuinte no curso da fiscalização não impediria a apresentação de novos documentos na fase impugnatória e a seqüência de demonstrativos e cópias de documentos reportados pelo interessado no curso da peça impugnatória, não possuem o condão substituir os critérios firmados pela legislação de regência, razão pela qual os tornam ineficazes para fins de constituição de prova que motive reparos na autuação executada pela autoridade fiscal competente. Mediante verificação do material probatório acostado na impugnação, fica manifesta a ausência de inovação das circunstâncias e informações analisadas pela autoridade fiscal no curso do procedimento de fiscalização, consoante se depreende do relato dos fatos. Destarte, não merecem acolhidas as alegações interpostas pelo contribuinte, impondose a manutenção integral do lançamento objeto da presente autuação. Quanto à tributação da CSLL, observase que esse lançamento decorre da autuação do IRPJ e, desse modo, deve seguir o decidido no lançamento principal (IRPJ). Assim como não procedem aos argumentos que tratam da pertinência da aplicação da multa de ofício que uma vez que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da intenção do agente de praticar a violação das normas legais. A Administração Tributária se submete ao princípio da legalidade, circunstância que impõe a obrigatoriedade de promover a restrita execução da legislação de regência, sendolhe vedado esquivarse, furtarse de sua aplicação ou negar sua vigência. A sanção imputada ao sujeito passivo fundamentouse no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece a aplicação de multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento fora do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração, e nos de declaração inexata, portanto, diversamente daquilo que aventa na peça impugnatória. Por todo o exposto, REJEITOUSE a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito julgouse PROCEDENTE o lançamento do crédito tributário, bem como inalterados ajustes repercutidos no Saldo de Prejuízos Fiscais e da Base Negativa de CSLL do sujeito passivo. Intimado da decisão da DRJ em 31/07/2009 a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, em 27/08/2009, alegando em síntese que: preliminarmente diz não concordar com o julgamento da DRJ uma vez que não foram observados os requisitos constantes do art. 9° da Lei nº 9.249/95 que autorizou a pessoa Fl. 792DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 20 jurídica à deduzir, para ,efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente à titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio; calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia da TJLP. a Primeira Turma do STJ garantiu que o juros sobre capital próprio – JCP, não precisam necessariamente ser lançados como despesa dedutível do mesmo exercício financeiro em que foi realizado o lucro pela empresa, mas sim quando de seu efetivo pagamento que poderá se concretizar eventualmente em data futura. o próprio CARF já havia da mesma forma, se manifestado favoravelmente ao aproveitamento de JCP retroativo na apuração do IRPJ e CSLL a pagar (Acórdãos nºs 101 96351, 10708,.941 e 10807.651). MÉRITO Do Excesso de juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio: com relação à ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, indedutíveis, face à constatação de que o valor deduzido ter superado o limite estabelecido na legislação em vigor no valor de R$ 3.334.073,00 é improcedente. De acordo com o demonstrativo abaixo, a empresa tinha a opção de ter distribuído juros sobre o capital próprio desde 1996 e só o fez a partir de 2004, tendo um lucro acumulado que permitia a distribuição efetuada. na verdade os Sócios deliberaram previamente em Reunião de Acionistas, através de Atas, que os JCP de anos anteriores que teriam direito em anos subseqüentes seriam aplicados em projetos de investimento com a retenção na fonte e por deliberação o pagamento aos acionistas só ocorreu em 2005, razão porque, havia à disponibilidade para compor esse pagamento. como já dito os impostos foram retidos na fonte e recolhidos dentro do prazo legal nos anos de 2003 e 2004. o que houve na realidade foi a falta de contabilização do direito ao pagamento dos JCP aos sócios e a utilização da despesa como dedução para apuração do Lucro Real na determinação da base da CSLL e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. portanto não houve prejuízo algum para a Receita Federal do Brasil, pois foi pago IRPJ e CSLL em valores superiores aos que pagariam caso fosse contabilizado o JCP como despesa financeira. Quadro 01 Cálculo dos juros sobre o capital próprio Descrição 2003 2004 2005 PL 156.497 167.577 172.964 () Reserva Reavaliação (53.473) (51.351) (45.935) () Reserva Capital (15.961) (15.961) (15.961) (=) PL Ajustado 87.064 100.265 111.068 JSCP 8.858 10.775 10.810 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 11 21 Lucro Liquido 9.220 23.938 (9.195) (+)IRPJ/CSLL 3.135 8.139 (3.126) (=)LAIR 12.354 32.077 (12.321) Limite 1 (50%) 6.177 16.038 (6.160) Lucros Acumulados 5.037 18.237 29.041 (+) Reserva Lucros (=) Total 5.037 18.237 29.041 Limite 2 (50%) 2.518 9.119 14.520 JSCP 8.858 10.775 10.810 Limite1 Lucro Liquido 6.177 16.038 (6.160) Limite2 Lucros Acumulado 2.518 9.119 14.520 Escolha Permitida 6.177 10.775 10.810 27.761 Pagamento 6.900 17.000 23.900 Sobra 3.861 o limite em 2004 e 2005 é o próprio. JSCP, já que a legislação permite que se escolha o maior dentre o limite 1 e o 2. Compensação indevida do imposto de renda incidente no exterior: para comprovar o pagamento do imposto anexa Cópias com Tradução Juramentada no Brasil das guias de recolhimento consularizada do Imposto de Renda sobre os Lucros recolhidos pela controlada Kaco, no exterior. é totalmente improcedente à glosa de R$ 1.864,000,00 referente à compensação do imposto de renda incidente no exterior em razão do não atendimento por parte da empresa dos requisitos legais necessários, tendo em vista, que os documentos de pagamento do IRPJ estão devidamente consularizados conforme cópia anexa e deve ser reconhecido. foram apresentados comprovantes no valor de R$ 2.701.864,16, existindo ainda um crédito que será compensado futuramente, conforme quadro. Quadro 02— Demonstração do Imposto de Renda pagos no Exterior: . SABO INDÚSTRIA E.COMÉCIO DE AUTOPEÇAS LTDA. DEMONSTRATIVO DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS GERADOS NO EXTERIOR KACO GMBH ( HEIBRONN ) Fechamento de 01/12 do mesmo ano utilizando percentual de 1996 EM REIAS (000) Ano lucro/prej base trib comp base trib IR/CSLL IR Euro Saldo pagar Controle Antes PF prej Dep PF Brasil Exterior Brasil Prej. Fiscal 1995 1996 (2.561) 0 0 0 0 0 0,6688 (2,561) 1997 (2.123) 0 0 0 0 0 0,6241 (4,684) 1998 (2.700) 0 0 0 0 (0) 0,7278 (7,384) 1999 (402) 0 0 0 0 0 0,9220 (7,786) 2000 2.258 2.258 (2.258) 0 0 0 1,8417 (5,528) Fl. 794DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 22 2001 641 641 (641) 0 0 0 2,0636 (4,888) 2002 1.928 1.928 (1.928) 0 0 0 3,7012 (2.959) 2003 526 526 (526) 0 0 1.468 3,6506 (2.433) 2004 7.145 7.145 (2.433) 4.712 1.602 404 3,6195 (269) 4.712 2005 6.269 6.269 0 6.269 2.131 831 2,7890 1.032 10.981 2.702 Inobservância do regime de escrituração postergação, de reconhecimento de lucros auferidos no exterior: com relação à postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, tendo em vista que efetuamos extemporaneamente a adição dos lucros auferidos no exterior na apuração do lucro real no anocalendário de 2005, a qual deveria ter sido efetuada nos anoscalendários de 2003 e 2004 é improcedente, pois o Sr.Auditor não leva em consideração que há prejuízos fiscais a serem compensados relativos ao período desconsiderado de 1996. o valor de R$ 3.837.722,91 deverá ser considerado prejuízo das empresas estabelecidas no exterior cujos resultados são apresentados na planilha anexa, onde está demonstrado que o IRPJ devido neste período foi recolhido ou compensado com o imposto de renda pago no exterior. obs: Houve recolhimento de imposto no exterior nos períodos de 1998 à 2005 e os mesmos também não foram considerados na apuração do Imposto de Renda no Brasil. Adições não computadas na apuração do Lucro Real Lucros auferidos no exterior: com relação à ausência de adição ao lucro líquido de lucros auferidos no exterior no valor de R$ 3.307.469,37 que o Sr Auditor relatou no Auto de Infração, o mesmo é improcedente por falta de explicação de onde foram extraídos nos documentos apresentados e porque o prejuízo da controlada no ano calendário de 1996 não foi considerado. Adições ao Lucro Líquido antes da CSLL— Lucros auferidos no exterior: com relação à ausência de adição ao lucro líquido de lucros auferidos no exterior no valor da base de cálculo da CSLL de R$ 3.307.469,37 que o Sr Auditor relatou no Auto de Infração, deve ser desconsiderado já que não há explicações contábeis no auto de infração para ser contestado e porque o prejuízo da controlada no AC de 1996 não foi considerado. Quadro 03 – com 100% do resultado da Kaco em 1996 e 1997 e o valor compensado no Brasil: SABO INDÚSTRIA E.COMÉCIO DE AUTOPEÇAS LTDA. DEMONSTRATIVO DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS GERADOS NO EXTERIOR KACO GMBH ( HEIBRONN ) Fechamento de 01/12 do mesmo ano utilizando percentual de 1996 EM REIAS (000) Ano lucro/prej base trib comp base trib IR/CSLL IR Euro Saldo pagar Controle Antes PF prej Dep PF Brasil Exterior Brasil Prej. Fiscal 1995 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 12 23 1996 (4.390) 0 0 0 0 0 0,6688 (4,390) 1997 (2.595) 0 0 0 0 0 0,6241 (6,985) 1998 (2.700) 0 0 0 0 86 0,7278 (9,685) 1999 (402) 0 0 0 0 50 0,9220 (10,087) 2000 2.258 2.258 (2.258) 0 0 112 1,8417 (7,829) 2001 641 641 (641) 0 0 112 2,0636 (7,188) 2002 1.928 1.928 (1.928) 0 0 241 3,7012 (5.260) 2003 526 526 (526) 0 0 239 3,6506 (4.734) 2004 7.145 7.145 (4.734) 2.411 820 536 3,6195 (556) 2.411 2005 6.269 6.269 0 6.269 2.131 488 2,7690 1.087 8.680 1.864 Quadro 04 – Com 77, 78% em 1996 e 81,82% em 1987, considerando os períodos de janeiro à setembro de 1996: SABO INDÚSTRIA E.COMÉCIO DE AUTOPEÇAS LTDA. DEMONSTRATIVO DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS GERADOS NO EXTERIOR KACO GMBH ( HEIBRONN ) Fechamento de 01/12 do mesmo ano utilizando percentual de 1996 EM REIAS (000) Ano lucro/prej base trib comp base trib IR/CSLL IR Euro Saldo pagar Controle Antes PF prej Dep PF Brasil Exterior Brasil Prej. Fiscal 1995 1996 (2.561) 0 0 0 0 0 0,6688 (2,561) 1997 (2.123) 0 0 0 0 0 0,6241 (4,684) 1998 (2.700) 0 0 0 0 0 0,7278 (7,384) 1999 (402) 0 0 0 0 0 0,9220 (7.786) 2000 2.258 2.258 (2.258) 0 0 0 1,8417 (5.528) 2001 641 641 (641) 0 0 0 2,0636 (4.888) 2002 1.928 1.928 (1.928) 0 0 0 3,7012 (2.959) 2003 526 526 (526) 0 0 1.468 3,6506 (2.433) 2004 7.145 7.145 (2.433) 4.712 1.602 404 3,6195 (269) 2.712 2005 6.269 6.269 0 6.269 2.131 831 2,7690 1.032 10.981 2.702 II.2.6 Prejuízos compensados indevidamente: Com relação à compensação indevida de prejuízo fiscal, que o Sr Auditor relatou no Auto de Infração é improcedente, conforme demonstrado nos quadros abaixo: Constam os dados incorretamente no Auto de Infração Quadro 05 Demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais de 2003. Consta no Auto de Infração SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA Fl. 796DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 24 CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31112/2003 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2003 SALDO DE PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 1 SALDO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 2 SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS 2.123.919,76 LUCRO REAL OU PREJUIZO DO PERÍODO 3 LUCRO/PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 9.985.805,35 4 LUCRO/PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL (IN SRF N°11/96) PREJUÍZO COMPENSADO PELO SUJEITO PASSIVO 5 PREJUÍZO NÃO OPER. COMPENSADO (IN SRF N° 11/96) 6 PREJUÍZO OPERACIONAL COMPENSADO 2.121.064,00 INFRAÇÕES SUJEITAS A REDUÇÃO POR PREJUÍZO 7 INFRAÇÕES NÃO OPERACIONAIS 8 INFRAÇÕES OPERACIONAIS 526.061,90 9 RESULTADO AJUSTADO ANTES DA COMPENSAÇÃO 10.511.866,54 10 RESULTADO AJUSTADO NÃO OPERACIONAL 11 LIMITE DE 30% 3.153.559,96 12 TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO OPER. P/ OPER. PREJUÍZO COMPENSADO NA AUTUAÇÃO 13 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 14 PREJUÍZOS OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 2.855,76 GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS 15 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 16 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 17 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 18 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERV. DO LIMITE DE COMP. DO PREJ. NÃO OPERACIONAL 19 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL SALDO DE PREJUIZOS APÓS AJUSTE 20 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 21 PREJUÍZOS OPERACIONAIS Fl. 797DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 13 25 Quadro 06 Demonstrativo da Compensação de prejuízos fiscais de 2004 Consta no Auto de Infração SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2004 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2004 SALDO DE PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 1 SALDO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 2 SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS LUCRO REAL OU PREJUÍZO DO PERÍODO 3 LUCRO/PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 18.604.969,87 4 LUCRO/PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL (IN SRF N°11/96) PREJUÍZO COMPENSADO PELO SUJEITO PASSIVO 5 PREJUÍZO NÃO OPER. COMPENSADO (IN SRF N° 11/96) 6 PREJUÍZO OPERACIONAL COMPENSADO 2.855,76 INFRAÇÕES SUJEITAS A REDUÇÃO POR PREJUÍZO 7 INFRAÇÕES NÃO OPERACIONAIS 0,00 8 INFRAÇÕES OPERACIONAIS 7.145.192,28 9 RESULTADO AJUSTADO ANTES DA COMPENSAÇÃO 25.750.162,15 10 RESULTADO AJUSTADO NÃO OPERACIONAL 11 LIMITE DE 30% 7.725.048,65 12 TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO OPER. P/ OPER. PREJUÍZO COMPENSADO NA AUTUAÇÃO 13 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 14 REJUÍZOS OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS 15 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 16 PREJUÍZO OPERACIONAL 2.855,76 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 17 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL Fl. 798DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 26 18 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERV. DO LIMITE DE COMP. DO PREJ. NÃO OPERACIONAL 19 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL SALDO DE PREJUIZOS APÓS AJUSTE 20 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 21 PREJUÍZOS OPERACIONAIS Quadro 07 Demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais de 2005 SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2005 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2005 SALDO DE PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 1 SALDO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 2 SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS LUCRO REAL OU PREJUÍZO DO PE´RIODO 3 LUCRO/PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 26.557.020,96 4 LUCRO/PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL (IN SRF N°11/96) PREJUÍZO COMPENSADO PELO SUJEITO PASSIVO 5 PREJUÍZO NÃO OPER. COMPENSADO (IN SRF N° 11/96) 6 PREJUÍZO OPERACIONAL COMPENSADO INFRAÇÕES SUJEITAS A REDUÇÃO POR PREJUÍZO 7 INFRAÇÕES NÃO OPERACIONAIS 8 INFRAÇÕES OPERACIONAIS 3.334.073,00 9 RESULTADO AJUSTADO ANTES DA COMPENSAÇÃO 29.891.093,96 10 RESULTADO AJUSTADO NÃO OPERACIONAL 11 LIMITE DE 30% 8.967.328,19 12 TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO OPER. P/ OPER. PREJUÍZO COMPENSADO NA AUTUAÇÃO 13 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 14 REJUÍZOS OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS 15 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL Fl. 799DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 14 27 16 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 17 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 18 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERV. DO LIMITE DE COMP. DO PREJ. NÃO OPERACIONAL 19 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL SALDO DE PREJUIZOS APÓS AJUSTE 20 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 21 PREJUÍZOS OPERACIONAIS Dados corretos que devem ser considerados: Quadro 08 Demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais de 2003 Dados corretos. SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2003 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2003 SALDO DE PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 1 SALDO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 2 SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS 2.123.919,76 LUCRO REAL OU PREJUÍZO DO PERÍODO 3 LUCRO/PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 9.985.805,35 4 LUCRO/PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL (IN SRF N°11/96) PREJUÍZO COMPENSADO PELO SUJEITO PASSIVO 5 PREJUÍZO NÃO OPER. COMPENSADO (IN SRF N° 11/96) 6 PREJUÍZO OPERACIONAL COMPENSADO 2.121.064,00 INFRAÇÕES SUJEITAS A REDUÇÃO POR PREJUÍZO 7 INFRAÇÕES NÃO OPERACIONAIS 8 INFRAÇÕES OPERACIONAIS 9 RESULTADO AJUSTADO ANTES DA COMPENSAÇÃO 9.985.805,35 10 RESULTADO AJUSTADO NÃO OPERACIONAL 11 LIMITE DE 30% 2.995.741,61 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 28 12 TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO OPER. P/ OPER. PREJUÍZO COMPENSADO NA AUTUAÇÃO 13 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 14 REJUÍZOS OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS 15 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 16 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 17 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 18 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERV. DO LIMITE DE COMP. DO PREJ. NÃO OPERACIONAL 19 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL SALDO DE PREJUIZOS APÓS AJUSTE 20 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 21 PREJUÍZOS OPERACIONAIS Quadro 09 Demonstrativo da compensação de Prejuízos fiscais de 2004 Dados Corretos SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2004 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2004 SALDO DE PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 1 SALDO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 2 SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS LUCRO REAL OU PREJUÍZO DO PERÍODO 3 LUCRO/PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 18.604.969,87 4 LUCRO/PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL (IN SRF N°11/96) PREJUÍZO COMPENSADO PELO SUJEITO PASSIVO 5 PREJUÍZO NÃO OPER. COMPENSADO (IN SRF N° 11/96) 6 PREJUÍZO OPERACIONAL COMPENSADO 2.855,76 INFRAÇÕES SUJEITAS A REDUÇÃO POR PREJUÍZO 7 INFRAÇÕES NÃO OPERACIONAIS 8 INFRAÇÕES OPERACIONAIS Fl. 801DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 15 29 9 RESULTADO AJUSTADO ANTES DA COMPENSAÇÃO 18.602.114,14 10 RESULTADO AJUSTADO NÃO OPERACIONAL 11 LIMITE DE 30% 5.580.634,24 12 TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO OPER. P/ OPER. PREJUÍZO COMPENSADO NA AUTUAÇÃO 13 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 14 REJUÍZOS OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS 15 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 16 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 17 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 18 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERV. DO LIMITE DE COMP. DO PREJ. NÃO OPERACIONAL 19 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL SALDO DE PREJUIZOS APÓS AJUSTE 20 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 21 PREJUÍZOS OPERACIONAIS Quadro 10 Demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais de 2005 Dados Corretos. SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2005 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2005 SALDO DE PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 1 SALDO DE PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 2 SALDO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS LUCRO REAL OU PREJUÍZO DO PERÍODO 3 LUCRO/PREJUÍZO ANTES DA COMPENSAÇÃO 26.557.020,96 4 LUCRO/PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL (IN SRF N°11/96) Fl. 802DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 30 PREJUÍZO COMPENSADO PELO SUJEITO PASSIVO 5 PREJUÍZO NÃO OPER. COMPENSADO (IN SRF N° 11/96) 6 PREJUÍZO OPERACIONAL COMPENSADO INFRAÇÕES SUJEITAS A REDUÇÃO POR PREJUÍZO 7 INFRAÇÕES NÃO OPERACIONAIS 8 INFRAÇÕES OPERACIONAIS 9 RESULTADO AJUSTADO ANTES DA COMPENSAÇÃO 26.557.020,96 10 RESULTADO AJUSTADO NÃO OPERACIONAL 11 LIMITE DE 30% 7.967.106,29 12 TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO OPER. P/ OPER. PREJUÍZO COMPENSADO NA AUTUAÇÃO 13 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES 14 REJUÍZOS OPERACIONAIS A REDUZIR INFRAÇÕES GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZOS 15 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 16 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 17 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL 18 PREJUÍZO OPERACIONAL INOBSERV. DO LIMITE DE COMP. DO PREJ. NÃO OPERACIONAL 19 PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL SALDO DE PREJUIZOS APÓS AJUSTE 20 PREJUÍZOS NÃO OPERACIONAIS 21 PREJUÍZOS OPERACIONAIS Cobrança indevida de multa: A multa deverá ser aplicada de acordo com a tributação instituída pela Receita Federal do Brasil, com base no Art. 61 incisos 1° e 2°, Lei 9430/96, ou seja, a multa será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento até o dia em que ocorrer o pagamento, no limite de 20%. Quadro 11 Demonstração do Lucro Real Anual — ano calendário de 2005: Demonstração do Lucro Real Anual ano calendário/1e 2005 (em' Reais) Demonstração do Lucro Real Anual ano calendário de 2005 (em reais) Cálculo do IRPJ Mensal por Estimativa com base em Balanço de Suspensão/Redução Fl. 803DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 16 31 Descrição Conta Contábil Cálculo Anual Lucro Liquido do Exercício 9.194.707,74 Despesa c/CSLL 3117310001 1.254.825,97 Despesa c/IRPJ 3402060001 5.612.461,11 Receita c./IRPJ e CSL diferido 3605010001 9.148.938,39 Lucro Liquido do Exercício p/cálculo do IRPJ 11.475.819,05 Adições 64.174.018,80 Despesas Indedutiveis Brindes 3114010001 192.909,07 Donativos 3117150001 26.333,62 Equivalência patrimonial 3501010001 6.794.000,00 Realização da reserva de reavaliação por baixa do bem 3602010003 1.462.136,06 Realiz. da reserva de reaval. por. deprec. equip administr. 3107020002 278.315,03 Realiz. da reserva de reaval. por deprec. instal. administr: 3107100002 112.478,09 Realiz. da reserva de reaval. por deprec.equip de produção 4108010002 6.055.692,24 Realiz. da reserva de reaval. por deprec. instal. Industriais 4108100002 35.650,98 Realiz. Da reserva de reaval. por deprec. imoveis de uso 4108100002 262.921,10 Ganho Referente Lucros no Exterior 10.633.000,00 Provisões Indedutiveis Provisão p/devedores duvidosos 1102090001 963.017,77 Provisão p/deved duvidosos perda na Cadeia Estend NAO 1102090002 10.540.622,40 Provisão estoques giro lento 1102630001 1.614.971,00 Provisão estoques custo ao mercado 1102630002 625.262,70 Provisão estoques obsoletos 1102630003 657.910,96 Prov. p/perdas inveitim. Eletrobrás 1301090009 119.197,30 Prov. p/perdas aplicação incentivo EMBRAER 1301190002 67.116,36 Prov. p/participação nos resultados 2101010011 860.026,50 Prov. p/remunáração variável 2101010012 580.049,01 Prov. p/Royalfies 2101070009 59.330,74 Provisões diversas Hay 2101560001 500.000,00 Provisões diversas Top Performace 2101560003 355.000,00 Provisão COFINS a recolher 2201550003 13.994.263 Provisão PIS a recolher 2201550004 671.568,31 Provisão p/contingèncias juros ref. plano verão 2201550001 1.127.509,56 Prov. p/contingénciás trabalhistas 2201550002 5.634.736,85 Exclusões 26.141.178,79 Reversões de Provisões Indedutíveis Provisão p/devedores duvidosos 185.246,90 Provisão p/estoques obsoletos 735.571,35 Provisão p/ perdas em estoque 932.670,00 Provisão p/estoques custo ao mercado 521.000,00 Provisão p/estoques não realizados 214.213,78 Prov. p/perdas investim. Eletrobrás 123.176,31 Prov. p/perdas Investim. FINOR/FINAM 148.665,70 Prov, p/participação nos resultados 698.000,00 Prov. p/seguro e'transporte" 47.620,31 Fl. 804DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 32 Prov. p/PIS e COFINS adições em períodos anteriores 10.657.380,73 Juros selic ref. depósitos judiciais de PIS e COFINS 2.724.278,34 Prov. p/contingências trabalhistas adições em per. anter. 3.393.421,20 Prov. p/conting. trabalh. vis a pagar de reclam. trans. julg. 1.442.500,00 Outras Exclusões Valor residual de PID (residual de tecnologia) 380.171,74 Adição a maior em per anteriores ref. transfer price (SIC) 3.593.834,28 Adição a maior em per anteriores ref. Transfer price (SSA). 343.428,07 Lucro real antes da compensação de prejuízos 26.557.020,96 Compensação de prejuizos fiscais (30%) Lucro real após compensação 26.557.020,96 IRPJ a pagar em R$ (15%) 3.983.553,14 Adicional (10%) 2.631.702,10 Imposto de Renda 6.615.255,24 () Dedução dos Incentivos Fiscais 159.342,13 PAT Imposto de Renda Apurado após Incentivos 6.455.913,10 ( ) IRRF do exercício compensado ( ) IRPJ devido em meses anteriores 6.570.419,06 ( ) IRPJ mensal pago 13 por estimativa – DARFs ( ) IRPJ compensado conforme PE12/DCOMP5 ( ) IRPJ sobre Lucros no Exterior IRPJ pago por estimativa Saldo de lRRF a compensar Imposto de Renda Devido 1.978.505,96 Base de cálculo negativa de períodos anteriores Compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores: Com relação à compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário de 2004 no valor de R$ 157.818,36, tendo em visa a insuficiência de saldo decorrente da reversão da base de cálculo ,negativa da CSLL após o lançamento da infração constatada no período base de 2003 é improcedente pois o lançamento da infração constatada no ano base de 2003 não procede devido ao fato da controlada do exterior ter prejuízo no ano calendário de 1996 e este ter sido desconsiderado pelo Auditor fiscal. . Constam os dados incorretamente no Auto de Infração: Quadro 12 Demonstração da compensação de base negativa do ano de 2004: Consta do Auto de Infração: Fl. 805DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 17 33 SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2004 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2004 FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA 1.000,00 1 SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO 568.853,00 2 BASE CÁLC. DA CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO 16.856.294,64 3 BASE NEGATIVA COMPENSADA PELO SUJEITO PASSIVO 726.671,96 4 BASE DE CÁLCULO DO PERÍODO 16.129.622,68 5 INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODO 3.307.469,37 6 BASE DE CÁLCULO AJUSTADA 20.163.764,01 7 LIMITE DE 30% 6.049.129,20 GLOSA BASE NEGATIVA COMPENS. INDEVIDAMENTE 8 SALDO INSUFICIENTE DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA 157.818,36 9 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 10 BASE NEGATIVA DA CSLL A REDUZIR INFRAÇÕES 26.557.020,96 11 SALDO DE BASE NEGATIVA APÓS AJUSTE Quadro 13 Demonstração da compensação de base negativa do ano de 2005: Consta do Auto de Infração: SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2005 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2005 FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA 1.000,00 1 SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO 2 BASE CÁLC. DA CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO 24.575.510,05 3 BASE NEGATIVA COMPENSADA PELO SUJEITO PASSIVO 4 BASE DE CÁLCULO DO PERÍODO 24.575.510,05 5 INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODO 3.334.073,00 6 BASE DE CÁLCULO AJUSTADA 27.909.583,70 7 LIMITE DE 30% 8.372.875,13 GLOSA BASE NEGATIVA COMPENS. INDEVIDAMENTE Fl. 806DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 34 8 SALDO INSUFICIENTE DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA 9 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 10 BASE NEGATIVA DA CSLL A REDUZIR INFRAÇÕES 11 SALDO DE BASE NEGATIVA APÓS AJUSTE Quadro 14 Demonstração da compensação de base negativa do ano de 2004: Dados Corretos que devem ser considerados: SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2004 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2004 FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA 1.000,00 1 SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO 726.671,96 2 BASE CÁLC. DA CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO 16.856.294,64 3 BASE NEGATIVA COMPENSADA PELO SUJEITO PASSIVO 726.671,96 4 BASE DE CÁLCULO DO PERÍODO 16.129.622,68 5 INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODO 6 BASE DE CÁLCULO AJUSTADA 16.129.622,68 7 LIMITE DE 30% 4.838.886,80 GLOSA BASE NEGATIVA COMPENS. INDEVIDAMENTE 8 SALDO INSUFICIENTE DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA 9 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 10 BASE NEGATIVA DA CSLL A REDUZIR INFRAÇÕES 11 SALDO DE BASE NEGATIVA APÓS AJUSTE Quadro 15 Demonstração da compensação de base negativa do ano de 2005: SABÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS LTDA CNPJ 60.860.681/000190 Final periodo base 31/12/2005 Ano calendário ITEM DESCRIÇÃO 2005 FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA 1.000,00 1 SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO Fl. 807DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 18 35 2 BASE CÁLC. DA CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO 24.575.510,75 3 BASE NEGATIVA COMPENSADA PELO SUJEITO PASSIVO 4 BASE DE CÁLCULO DO PERÍODO 24.575.510,75 5 INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODO 6 BASE DE CÁLCULO AJUSTADA 24.575.510,75 7 LIMITE DE 30% 7.372.653,23 GLOSA BASE NEGATIVA COMPENS. INDEVIDAMENTE 8 SALDO INSUFICIENTE DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA 9 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% 10 BASE NEGATIVA DA CSLL A REDUZIR INFRAÇÕES 11 SALDO DE BASE NEGATIVA APÓS AJUSTE A vista de todo exposto, demonstrada à insubsistência e improcedência, da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para cancelar auto de infração. É o relatório. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 36 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do auto de infração, as autuações tiveram origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual foram apuradas as seguintes infrações em relação ao IRPJ e à CSLL por ser decorrente: 01 Glosa de Prejuizos Compensados indevidamente. Saldos de prejuízos insuficientes; 02 adições não computadas na apuração do lucro real. lucros auferidos no exterior; 03 adições não computadas na apuração do lucro real. excesso de juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio (a partir de 96); 04 compensação indevida do imposto de renda incidente no exterior; 05 inobservância do regime de escrituração. postergação de reconhecimento de lucros auferidos no exterior. No tocante aos argumentos que tratam da pertinência da aplicação da multa de ofício associada ao lançamento em litígio, impende registrar que a DRJ já exauriu toda e qualquer dúvida quanto a matéria, e corretamente manteve a mesma uma vez que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, ou seja, independe da intenção do contribuinte e é vinculante em relação a administração. Por estes motivos mantenho a multa de ofício nos moldes aplicados pela fiscalização e mantidos pela DRJ. Para melhor compreensão da decisão aqui exarada passo a analisar os itens lançados separadamente e informar que, por ser decorrente, o que for decidido para o IRPJ vale também para o lançamento da CSLL. 01 Quanto à glosa de prejuízos computados indevidamente no AC 2004, a fiscalização corretamente glosou o valor de R$ 2.855,76 uma vez que, apurou insuficiência de saldo decorrente da reversão do prejuízo após o lançamento da infração constatada no AC 2003. Em face da postergação de pagamento de IRPJ e adicional e da CSLL, resultante da adição extemporânea ao lucro líquido da fiscalizada de lucros auferidos no exterior em 2003 e 2004 pela sua controlada Kaco GMBH & CO, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2005, foi concedida a compensação de ofício do saldo de prejuízo fiscal, no montante adicional de R$ 2.855,76 em 2003, e do saldo de base de cálculo negativa da CSLL, no montante adicional de R$ 157.818,36 também em 2003. Adotouse o aludido procedimento em decorrência da instituição do limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, previsto no art. 42 da Lei n° 8.981, de 20/01/95, e da base de cálculo negativa da CSLL, previsto no art. 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/95, de Fl. 809DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 19 37 forma a maximizar o beneficio ao contribuinte. Ou seja, corretamente, aumentandose a base de cálculo do IRPJ e da CSLL como resultado do lançamento de infrações, aumentase o limite de compensação em valores absolutos, na mesma proporção, de modo que é concedida a compensação no mesmo montante sempre que o contribuinte possuir saldo de prejuízo fiscal e/ou base de cálculo negativa da CSLL. Como conseqüência da concessão da compensação de ofício no ano calendário de 2003, devese glosar as compensações efetuadas pela fiscalizada no ano calendário de 2004 no mesmo montante, em vista da insuficiência de saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, os quais já haviam sido integralmente utilizados nesse períodobase. Assim, procedeuse à glosa da compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 2.855,76 e da compensação da base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 157.818,36, ambas realizadas no anocalendário de 2004, razão porque deve ser mantida a autuação deste subítem. 02 – Em relação as adições não computadas de lucros líquidos no exterior, no valor de R$ 3.307.469,37, não computadas na apuração do lucro real também assiste razão à fiscalização e a DRJ uma vez que apesar da irresignação do interessado, fica patente, pela observância dos dispositivos legais firmados no RIR/99, combinados com os termos da norma específica, que a comprovação dos eventos apurados nas aludidas operações deve ser efetuada mediante a apresentação de documentação comprobatória hábil e idônea devidamente conjugada com as demonstrações financeiras, traduzidas para o idioma nacional e classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, os quais, devem ser mantidos e conservados sob a responsabilidade do sujeito passivo a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal dentro do prazo legal fixado em lei. O fato de a autoridade fiscal ter fundado o procedimento na documentação exibida pelo contribuinte no curso da fiscalização não impediria a apresentação de novos documentos na fase recursal, para inovar as inferências pormenorizadas no encerramento da ação fiscal que pudesse convergir para resultados distintos daqueles inicialmente configurados pelo AFRFB e mantidos pela DRJ, desde que expressamente submetidas em estrito atendimento dos requisitos e formalidades legais. Pela seqüência de demonstrativos e cópias de documentos reportados pelo interessado no curso do processo, por si só não preenchem os requisitos e formalidades previstos nos dispositivos acima reproduzidos, ou seja, não possuem o condão substituir os critérios firmados pela legislação de regência, razão pela qual os tornam ineficazes para fins de constituição de prova que motive reparos na autuação executada pela autoridade fiscal competente e mantidas pela DRJ unanimemente. Mediante a verificação do conteúdo do material probatório acostado fica manifesta a ausência de inovação das circunstâncias e informações analisadas pela DRJ e pela autoridade fiscal no curso da procedimento de fiscalização. Assim, não merecem acolhidas as alegações do contribuinte, impondose a manutenção integral do lançamento, também em relação a esta matéria. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 38 03 – Com relação à ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do Lucro Real, dos juros pagos ou creditados à título de remuneração do capital próprio, no valor de R$ 3.334.073,00, por superar o limite estabelecido na legislação, não vejo como reparar a autuação e a decisão da DRJ. Tendo em vista as imprecisões detectadas no demonstrativo apresentado pela fiscalizada, a fiscalização corretamente procedeu ao recálculo dos limites de dedutibilidade dessas despesas nas tabelas de fls. 93 do Termo de Verificação Fiscal. A partir dos cálculos efetuados naquele termo e com base nos dados extraídos da DIPJ/2006, anocalendário de 2005, verificouse que o valor contabilizado supera a própria remuneração do capital próprio admitida pela Lei n° 9.249/95, resultante da aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre as contas do patrimônio líquido, com os ajustes exigidos no parágrafo 8°, do art. 9º, da mencionada matriz legal. Como bem observado naquele termo o patrimônio líquido da fiscalizada sofreu mutações no decorrer do anocalendário de 2005, as quais não trouxeram reflexos na determinação da base de cálculo utilizada na apuração da remuneração do capital próprio admitida em lei, tendo em vista que as variações acarretadas pela apuração do lucro líquido do exercício e pela distribuição de dividendos foram contabilizadas em 31/12/2005. Os cálculos efetuados pela fiscalizada indicavam um limite de dedutibilidade menor do que aquele ora determinado termo, de modo que, se prevalecesse o parâmetro apurado pela fiscalizada, o excesso de dedução seria ainda maior do que o apurado. Portanto, considerando os parâmetros apurados pela fiscalização o valor de remuneração do capital próprio deduzido como despesa de juros sobre capital próprio realmente excede em R$ 3.334.073,00 o montante admitido como dedutível pela legislação vigente, calculado a partir da aplicação da TJLP sobre o patrimônio líquido ajustado e por isso deve ser mantido. 04 – A glosa de compensação de Imposto de Renda incidente no exterior no valor de R$ 1.864.000,00 a título de Imposto Pago no Exterior sobre Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital deve ser mantida parcialmente já que foram anexadas cópias traduzidas e juramentadas dos pagamentos não entregues em fase de impugnação. Acompanho o decidido pela DRJ no sentido de só poderem ser aceitos pagamentos efetuados a partir do anocalendário de 2003, tendo em vista que os lucros auferidos no exterior só foram computados no lucro real em 31/12/2005. O art. 1º § 4º da Lei nº 9.532/97, estabelece que o imposto pago no exterior só poderá ser compensado com o imposto devido no Brasil se os lucros auferidos forem computados no lucro real e base de cálculo da CSLL até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração. Diante disto aceito para compensação, que inclusive poderão ser aproveitados em exercícios posteriores o montante de R$ R$ 2.617.871,35 recolhidos no exterior e convertidos para moeda nacional, na data do efetivo recolhimento, cujo comprovantes foram anexados aos autos, conforme quadro abaixo: DATA IR RECOLHIDO EM EURO TAXA DE CONVERSÃO BC IR A COMPENSAR EM R$ 07/12/05 111.492,00 € 2,55271 R$ 284.606,74 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 20 39 08/12/05 111.492,40 € 2,61778 R$ 291.862,57 23/12/05 14.072,70 € 2,76645 R$ 38.931,42 27/12/05 64.436,70 € 2,78665 R$ 179.562,53 27/12/05 69.574,44 € 2,78665 R$ 193.879,61 13/02/06 8.696,00 € 2,57173 R$ 22.363,76 07/03/06 27.873,00 € 2,57465 R$ 71.763,22 13/03/06 8.054,00 € 2,55110 R$ 20.546,56 10/05/06 8.696,00 € 2,63481 R$ 22.912,31 10/05/06 8.054,00 € R$ 21.220,76 07/06/06 27.873,00 € 2,87808 R$ 80.220,72 09/08/06 3.518,00 € 2,78770 R$ 9.807,13 09/08/06 8.696,00 € R$ 24.241,84 07/09/06 27.873,00 € 2,74518 R$ 76.516,40 10/11/06 8.696,00 € 2,76224 R$ 24.020,44 10/11/06 8.054,00 € R$ 22.247,08 06/12/06 27.873,00 € 2,86108 R$ 79.746,88 06/02/07 40.615,79 € 2,70433 R$ 109.838,50 07/02/07 13.493,00 € 2,71326 R$ 36.610,02 07/02/07 8.054,00 € R$ 21.852,60 16/02/07 5.299,24 € 2,74566 R$ 14.549,91 16/02/07 38.369,98 € R$ 105.350,92 05/03/07 38.026,00 € 2,79928 R$ 106.445,42 06/03/07 40.615,00 € 2,78051 R$ 112.930,41 10/03/07 38.026,00 € 2,74982 R$ 104.564,66 15/05/07 26.692,00 € 2,70591 R$ 72.226,15 06/06/07 38.026,00 € 2,64800 R$ 100.692,85 13/08/07 13.492,00 € 2,64094 R$ 35.631,56 13/08/07 9.090,00 € R$ 24.006,14 05/09/07 38.026,00 € 2,68114 R$ 101.953,03 12/11/07 13.492,00 € 2,57947 R$ 34.802,21 12/11/07 9.090,00 € R$ 23.447,38 05/12/07 38.026,00 € 2,63225 R$ 100.093,94 21/01/08 8.974,86 € 2,64151 R$ 23.707,18 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO 40 14/02/08 8.975,00 € 2,75415 R$ 24.718,50 total 971.407,11 € R$ 2.617.871,35 Diante das incorreções apuradas a fiscalização corretamente, pelo demonstrativo de fls. 97 do Termo de Verificação Fiscal, recalculou os ajustes necessários na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em conformidade com as regras estabelecidas na legislação pertinente. Com base nos valores ali apurados, fez as adições ao lucro líquido que a fiscalizada deveria ter promovido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, face à existência de lucros auferidos pela sua empresa controlada na Alemanha nos aludidos períodos, após compensação com o saldo de prejuízos acumulados de exercícios anteriores, em observância ao que prescreve o art. 1 0, § 1°, alínea "a", da Lei n° 9.532/97. Considerando a adição efetuada no anocalendário de 2005, no valor de R$ 10.633.000,00, a fiscalização empregou o montante de R$ 4.363.784,10 referente ao valor excedente à adição devida em 2005 no montante de R$ 6.269.215,90, apurada no demonstrativo citado – para abater as adições devidas em 2003 e 2004 e não efetuadas pela fiscalizada, respectivamente nos valores de R$ 526.061,19 e de R$ 7.145.192,28. Tendo em vista que o montante de R$ 4.363.784,10 mostrouse inferior às adições apuradas para 2003 e 2004, imputou esse valor adicionado a maior no anocalendário de 2005, para considerar efetuados extemporaneamente as adições de R$ 526.061,19 (ano calendário de 2003) e de R$ 3.837.722,91 (anocalendário de 2004). Desse procedimento, resulta ainda o valor de R$ 3.307.469,37 referente à adição apurada para o anocalendário de 2004 não alcançada pela imputação. Dessa forma verificouse a ocorrência de duas infrações: Postergação de pagamento de IRPJ e CSLL incidentes sobre as adições de R$ 526.061,19 (anocalendário de 2003) e de R$ 3.837.722,91 (anocalendário de 2004), resultante da adição extemporânea no anocalendário de 2005, no montante de R$ 4.363.784,10; e Falta de adição na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2004, no valor de R$ 3.307.469,37. Com base na planilha acima elaborada, deve ser refeito o cálculo de compensações de prejuízos da Kako GMBH & CO com o aproveitamento dos impostos comprovadamente recolhidos através da documentação anexada aos autos em sede de recurso voluntário nos termos da planilha acima elaborada. 05 – Em relação à postergação de reconhecimento de lucros auferidos no exterior na apuração do lucro real do AC 2005, que deveriam ter sido efetuadas nos AC de 2003 e 2004, também tem razão a fiscalização e a DRJ, uma vez que as adições apuradas para os anoscalendário de 2003 e 2004, alcançadas pela imputação, se traduziriam em pagamentos postergados, já que representam o excesso de adição verificado no anocalendário de 2005. Aplicandose as regras contidas nos dispositivos legais, os juros devidos pela fiscalizada referente à postergação do IRPJ e da CSLL para o período de apuração encerrado em 31/12/2005, são de 35,01% para os fatos geradores ocorridos Fl. 813DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 16561.000154/200841 Acórdão n.º 1302000.815 S1C3T2 Fl. 21 41 em 31/12/2003, e de 19,76%, para aqueles ocorridos em 31/12/2004. Ademais, de acordo com o art. 61, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/96, sobre os tributos e contribuições em atraso incidem a multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso, limitada a vinte por cento. No caso dos fatos geradores ocorridos em 31/12/2003 e 31/12/2004, a multa de mora devida seria de 20%. Tratandose de pagamentos postergados, obviamente sem o acréscimo dos encargos moratórios, fica evidente a caracterização da insuficiência de pagamento do IRPJ e da CSLL. E, para que se apure o valor que deixou de ser recolhido, cumpre adotar a imputação proporcional que melhor cumpre os estritos termos da lei, seguindo o disposto no art. 163 do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei n° 5.172, de 25/10/66 , a qual permite determinar a porcentagem do valor de principal que não restou extinta pelo recolhimento efetuado a menor. O decidido para o IRPJ vale para a CSLL Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que sejam compensados os impostos reconhecidamente recolhidos no exterior conforme quadro e decisão constantes do subítem 04 do voto condutor. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Relator Fl. 814DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 18/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 16327.000590/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
Consoante o disposto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC).
De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.
Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória sobre o débito recolhido antes ou concomitante com a transmissão da DCTF retificadora.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Lilianne Patricia Lima, OAB/DF 31749.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória sobre o débito recolhido antes ou concomitante com a transmissão da DCTF retificadora. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Lilianne Patricia Lima, OAB/DF 31749. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 90 /2 00 7- 11 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de São Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência constante do Auto de Infração Eletrônico de fls. 01 e seguintes, relativamente aos valores recolhidos a título de COFINS do primeiro e segundo trimestre de 2004, em razão da Recorrente não ter incluído nos recolhimentos os valores relativos à multa de mora, em razão do pagamento a destempo, conforme sintetiza a ementa da decisão, in verbis (fls. 64): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento cm atraso dc débitos confessados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 22/03/2011 (AR – fl. 72), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 20/04/2011 (fls. 76/91), aduzindo, em síntese, a improcedência do Auto de Infração, em razão de ter efetuado os recolhimentos devidos em 24/08/2004, sendo transmitida a DCTF/retificadoras em 10/09/2004, estando configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN, confirmada por reiteradas decisões do colendo STJ. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.000590/200711 Acórdão n.º 3301001.809 S3C3T1 Fl. 143 3 O recurso é tempestivo e atendidas as demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com os dados constantes do Auto de Infração (fls. 1), as DCTF/retificadoras nºs 2004750204131 e 2041780202436, relativas aos 1º e 2º trimestre de 2004, foram entregues em 10/09/2004, sendo que os pagamentos ocorreram em 24/08/2004 (informado no próprio AI e também pelos cópias dos DARF´s acostados às fls. 46/57), sendo que o auto de infração só foi formalizado em 12/03/2007. Assim o que está sendo exigido é tão somente a multa de mora, em razão do pagamento a destempo, configurando a hipótese da denúncia espontânea tipificada no art. 138, do Código Tributário Nacional, visto que de acordo com a jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça reproduzida no Acórdão do REsp nº 1149022, ocorre a denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior. O colendo STJ reiteradamente tem assim decidido, in verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n. 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula n. 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel.Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 2. Recurso especial não provido. (grifado). (REsp 1210167/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 09/12/2011). Em face do exposto e considerando que as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas de acordo com a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543C do CPC, devem ser reproduzidas nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62A do RI CARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de março de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10680.722631/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2007
IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício,
valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário,
e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica-se o decidido em relação ao tributo
principal ao lançamento de CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.031
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Os Conselheiros Antonio José Praga de Sousa, que fará declaração de voto, e Frederico Augusto Gomes de Alencar votaram pelas conclusões.
Nome do relator: CARLOS PELA
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USIMINAS Recorrida 3ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 IRPJ. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Precedentes. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase o decidido em relação ao tributo principal ao lançamento de CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Os Conselheiros Antonio José Praga de Sousa, que fará declaração de voto, e Frederico Augusto Gomes de Alencar votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de autos de infração para formalizar exigências de multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução relativo aos mês de Dez/2007 (fls. 4/8). Regularmente intimada, a contribuinte apresentou duas impugnações. A primeira impugnação contra a exigência de multa isolada pela falta de pagamento de CSLL (fls. 122/139) e a segunda contra a exigência de multa isolada pela falta de pagamento de IRPJ (fls. 208/224), cujo conteúdo, resumido na decisão de primeira instância, passo a transcrever: Nulidade do Auto de Infração • o auto de infração é nulo porque o dispositivo legal nele citado foi expressamente revogado pela Lei n.º 11.488, de 2007; • da leitura da peça de acusação, concluise que o agente teria aplicado a multa do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, já revogada; • o fato colhido pelo agente fiscal não se subsume ao dispositivo legal por ele apontado,porque este não existe no ordenamento; • ao que tudo indica, a intenção do agente fiscal foi aplicar a multa prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996; • caso a preliminar não seja acolhida, a defesa parte do pressuposto de que a multa aplicada se fundamenta na alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 3 3 Apuração e Recolhimento da CSLL do Anocalendário de 2007 • a CSLL mensal de dezembro de 2007, assim como a CSLL mensal referente aos demais meses do ano de 2007, foi apurada com base na receita bruta; • o valor da CSLL mensal de dezembro de 2007 apurado com base na receita bruta é igual a R$ 7.212.640,96; • esse valor, na dicção do art. 6º, § 3º, da Lei n° 9.430, de 1996, deveria ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente (até 31/01/2008); • em 31/01/2008, a empresa recolheu por meio de DARF a cifra total de R$ 29.918.410,42 (doc. n.º 10), que equivale à soma da estimativa de dezembro de 2007 com o saldo de CSLL anual a pagar, nos valores de R$ 7.212.640,96 e de R$ 22.705.769,46,respectivamente; • inicialmente, no anocalendário de 2007, foi apurado lucro contábil no valor de R$ 1.600.391.134,83 e saldo de CSLL anual a pagar no valor de R$ 22.705.769,46, assim demonstrado: 1. Lucro contábil 1.600.391.134,83 2. Base de cálculo da CSLL (depois das adições e exclusões) 1.571.196.489,12 Alíquota de 9% 141.407.684,02 3. Deduções CSLL Retida na Fonte 957,00 CSLL mensal paga por estimativa* 118.700.957,55* 4. CSLL a pagar (saldo positivo) 22.705.769,46 *Esse valor equivale à soma das estimativas recolhidas entre janeiro e novembro de 2007 (R$111.488.316,59), acrescido da estimativa devida em dezembro de 2007 (R$7.212.640,96). • no último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente ao da apuração, a COSIPA quitou, em uma tacada só, tanto a estimativa devida em dezembro de 2007 (no prazo, portanto, previsto na legislação: art. 6º, § 3º, da Lei n° 9.430, de 1996), quanto o saldo positivo apurado em 31/12/2007 (antecipandose assim, ao prazo concedido pela lei para pagamento, que se estenderia até o último dia útil do mês de março de 2008); • o valor de R$ 29.918.410,42 está devidamente retratado na DCTF transmitida pela empresa, conforme reconhecido pelo próprio Agente Fiscal; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 4 4 • revendo o balanço do exercício de 2008, anocalendário 2007, a COSIPA constatou a necessidade de efetuar ajustes contábeis, por recomendação de seus auditores externos, referentes à constituição de duas provisões sobre contingências fiscais (a primeira no valor de R$ 6.467.000,00 e a outra no valor de R$ 4.012.000,00) e à reversão de uma provisão de ICMS (no valor de R$ 126.457.048,06); • os reflexos dos ajustes contábeis impactam única e exclusivamente a base de cálculo da CSLL anual, em nada repercutindo no valor da CSLL mensal devida por estimativa referente ao mês de dezembro de 2002, calculada sobre a receita bruta; • o lucro contábil, que antes dos ajustes era de R$ 1.600.391.134,83, passou a ser de R$ 1.716.369,182,89, após a constituição e a reversão de provisões; • com a alteração do lucro contábil, o saldo de CSLL anual a pagar passou a ser igual a R$ 34.086.903,79, assim demonstrado: 1. Lucro contábil 1.716.369.182,89 2. Base de cálculo da CSLL (depois das adições e exclusões) 1.697.653.537,18 Alíquota de 9% 152.788.818,34 3. Deduções CSLL Retida na Fonte 957,00 CSLL mensal paga por estimativa* 118.700.957,55* 4. CSLL a pagar (saldo positivo) 34.086.903,79 *Esse valor equivale à soma das estimativas recolhidas entre janeiro e novembro de 2007 (R$111.488.316,59), acrescido da estimativa devida em dezembro de 2007 (R$7.212.640,96). • houve um acréscimo de R$ 11.381.134,33 no valor da contribuição a ser recolhida a título de "ajuste" (saldo positivo), que antes era de R$ 22.705.769,46; • a legislação determina que o saldo positivo da contribuição apurado em 31 de dezembro deve ser pago em quota única até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, acrescido de SELIC a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de juros de 1% no mês do pagamento, conforme prescreve o art. 6º, § 1º, inciso I e § 2º, da Lei n° 9.430, de 1996; • a COSIPA quitou, no último dia útil do mês de março de 2008, tal e qual determina a legislação, a diferença entre o que se Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 5 5 pode chamar de "saldo positivo inicial" e "saldo positivo ajustado”; • como R$ 29.918.410,42 já haviam sido quitados em 31/01/2008, a empresa procedeu ao recolhimento dos restantes R$ 11.381.134,33 em 31/03/2009 (doc n° 12), com o acréscimo da SELIC relativa a fevereiro de 2008 (0,80%) e de juros de 1% (devidos no mês do pagamento); • o DARF por meio do qual se fez esse recolhimento foi preenchido com o código 6773, "Declaração de Ajuste"; • não há falar em falta de recolhimento de parte da estimativa devida em dezembro de 2007; • tanto a estimativa de dezembro de 2007 quanto o saldo de contribuição apurado em 31/12/2007 (já levando em consideração os ajustes contábeis) foram quitados tempestivamente pela empresa, em conformidade com os prazos previstos na legislação; • os R$ 11.381.134,33 que serviram de base de cálculo para a aplicação da multa isolada estatuída no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996, não correspondem ao "valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado" na competência dezembro de 2007, mas a um saldo de CSLL devido em virtude da apuração do lucro líquido em 31 de dezembro de 2007; Erro de Preenchimento da Ficha 16 da DIPJ • houve erro de preenchimento da ficha 16 da DIPJ, em que foi erroneamente informada apuração da CSLL mensal com base em “balanço ou balancete de suspensão ou redução”, quando na verdade a empresa calculou dita estimativa valendose da aplicação do respectivo percentual sobre a sua receita bruta (tal e qual realizado em todos os outros meses do anocalendário de 2007); • como não é mais possível retificar a DIPJ, em virtude do início da ação fiscal, a impugnante, com estribo no princípio da verdade material, pede que sejam apreciados os demonstrativos documentais relacionados à matéria em discussão, anexados, para que se corrija o apontado erro de preenchimento; • não deve prevalecer o cálculo da estimativa da competência dezembro de 2007 registrado em sua DIPJ do exercício de 2008; • nem sequer faz sentido a COSIPA apurar a CSLL de dezembro com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, porque não se poderia suspender ou reduzir seu pagamento, já que a soma dos pagamentos referentes aos meses anteriores não excede o valor da CSLL calculado com base no resultado do exercício; • a Fiscalização não se preocupou, nem sequer, em quantificar: Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 6 6 (a) o valor da receita bruta auferida pela COSIPA naquele período, a fim de verificar se o cálculo da estimativa registrada na DIPJ do exercício 2008 estava ou não estava correto; (b) o valor das estimativas recolhidas ao longo do exercício, com o objetivo de constatar se a COSIPA poderia ou não poderia ter se valido de balanços ou balancetes de suspensão ou redução para suspender ou reduzir a CSLL de dezembro de 2007; • tivesse feito essas verificações, não haveria Auto de Infração a ser lavrado; • o equívoco no preenchimento da ficha 16 da declaração, por certo, não poderá resultar na aplicação de uma multa aproximada de R$ 6.000.000,00; Ausência de Subsunção do Fato Apurado à Norma Punitiva • o Agente Fiscal não demonstrou a real existência do valor mensal que deixou de ser recolhido, nem o quantificou em conformidade com a legislação vigente; • o Agente Fiscal limitouse a fazer um cruzamento entre a DIPJ e a DCTF para arbitrar, a partir de divergências numéricas, o que seria a base de cálculo de uma multa isolada cujo fato gerador é "deixar de efetuar o pagamento mensal"; • a divergência numérica é representada pelos seguintes dados: CSLL DIPJ Estimativa DCTF Estimativa Recolhimento Cód. 2362 Dez. 2007 41.299.544,76 29.918.410,42 29.918.410,42 • como R$ 29.918.410,42 foram recolhidos por DARF, sob a ótica do Agente Fiscal,R$ 11.381.134,33 deixaram de ser quitados a título de estimativa mensal devida em dezembro de 2007; • o Agente Fiscal, ao aplicar a multa prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996, não se valeu de uma base de cálculo válida para a sua incidência (aliás, como não foi feito nenhum tipo de diligência solicitação de documentos, visitas in loco etc. o Agente Fiscal nem sequer sabia qual era a composição dos aludidos R$ 11.381.134,33); • os R$ 11.381.134,33 foram efetivamente recolhidos pela empresa, ainda que a destempo, mas com a incidência da SELIC (as estimativas de dezembro podem ser recolhidas até o último dia de janeiro do exercício seguinte, conforme art. 6º, § 3º, da Lei n° 9.430, de 1996); • a própria Fiscalização reconhece, no documento intitulado "Representação Fiscal", fl. 12, que os R$ 11.381.134,33 foram recolhidos pela COSIPA, em 31/03/2008; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 7 7 • o Agente Fiscal, mesmo reconhecendo que os R$ 11.381.134,33 foram recolhidos em 31/03/2008, resolveu, ainda assim, aplicar uma multa cujo fato gerador é "deixar de efetuar o pagamento mensal"; • o tipo punitivo é cerrado: o pagamento mensal (da estimativa) que deixar de ser efetuado redundará na aplicação da multa isolada de 50%; • se o pagamento mensal foi efetuado, o fato gerador da multa isolada não se aperfeiçoou; • se parte da quitação foi feita fora do prazo legal (após o último dia do mês de janeiro do exercício subseqüente), isso é conduta que, evidentemente, não se enquadra na norma do art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996; • carece de fundamentação legal a aplicação da multa isolada prevista nesse dispositivo quando há o recolhimento integral da estimativa mensal, ainda que a destempo; Denúncia Espontânea • está mais do que sedimentado neste Tribunal Administrativo a possibilidade de se afastar a aplicação da multa isolada quando o sujeito passivo, espontaneamente, denuncia sua infração da legislação tributária e promove o recolhimento daquilo que era devido, acrescido dos juros de mora. • a estimativa de dezembro de 2007 foi parcialmente quitada dentro do prazo legal e parcialmente quitada de forma extemporânea, mas antes do curso de qualquer tipo de ação fiscal; • os R$ 11.381.134,33 objeto da acusação fiscal foram recolhidos a destempo (em 31/03/2008), mas com o cômputo da SELIC incidente no período; • assim sendo, é perfeitamente aplicável o art. 138 do Código Tributário Nacional; • o benefício da denúncia espontânea também foi incorporado à Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 47, segundo o qual "a pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo"; • os valores devidos no anocalendário de 2007, entre os quais os R$ 41.299.544,76 devidos a título de estimativa em dezembro de 2007, estavam declarados na DIPJ da COSIPA; Fl. 390DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 8 8 • se a legislação concede o benefício da denúncia espontânea quando o pagamento dos tributos declarados se dá nos primeiros vinte dias do procedimento fiscal, o que dizer quando este mesmo pagamento foi realizado muito tempo antes do início da fiscalização? Decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF • recentíssima decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que interpretou o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em momento anterior às modificações implementadas pela Lei n° 11.488, de 2007, é perfeitamente aplicável ao novo regramento e se encaixa, com precisão à presente hipótese; • neste precedente, consolidouse, no voto vencedor proferido pelo Conselheiro VALMIR SANDRI, seguido pela maioria, o entendimento de que a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas de IR e CSLL somente poderá ser aplicada no curso do anocalendário a que se referirem; • ultrapassado o anocalendário, quando já conhecida a real base de cálculo dos tributos em questão, descabe a aplicação da multa isolada no particular; Pedido • pelas razões expostas, pedese que seja decretada a improcedência do auto de infração. Impugnação IRPJ Multa Isolada Na impugnação contra a exigência de multa isolada pela falta de pagamento de IRPJ mensal, juntada nas fls. 208 a 224, são repetidos, salvo exceções, os mesmos argumentos trazidos na impugnação de fls. 122 a 139, resumidos no tópico anterior deste relatório. São exceções os argumentos referentes à nulidade do auto de infração, não argüida na impugnação de fls. 208 a 224. São distintos, também, os valores e demonstrativos próprios do IRPJ, a seguir identificados: • o valor da IRPJ mensal de dezembro de 2007 apurado com base na receita bruta é igual a R$ 11.624.075,01; • em 31/01/2008, a empresa recolheu por meio de DARF a cifra total de R$ 146.814.351,73 (doc. n.º 10), que equivale à soma da estimativa de dezembro de 2007 com o saldo de IRPJ anual a pagar, nos valores de R$ 11.624.075,01 e de R$ 135.190.276,72, respectivamente; • inicialmente, foi apurado lucro contábil no valor de R$ 1.600.391.134,83 e saldo de IRPJ anual a pagar no valor de R$ 135.190.276,72, assim demonstrado: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 9 9 1. Lucro contábil 1.600.391.134,83 2. Base de cálculo do Imposto de Renda (lucro real) 1.570.996.489,12 Alíquota de 15% 235.649.473,37 Adicional 157.075.648,91 3. Deduções Deduções de incentivos fiscais 13.758.735,55 Imposto de Renda Retido na Fonte 17.519.870,93 Imposto de Renda mensal pago por estimativa* 226.256.239,09* 4. Imposto de Renda a pagar (saldo positivo) 135.190.276,72 * Esse valor equivale à soma das estimativas recolhidas entre janeiro e novembro de 2007 (R$ 214.632.164,08), acrescido da estimativa devida em dezembro de 2007 (R$ 11.624.075,01). • com a alteração do lucro contábil, o saldo de IRPJ anual a pagar passou a ser igual a R$ 166.804.538,73, assim demonstrado: 1. Lucro contábil 1.716.369.182.89 2. Base de cálculo do Imposto de Renda (lucro real) 1.697.453.537,18 Alíquota de 15% 254.618.030,58 Adicional 169.721.353,72 3. Deduções Deduções de incentivos fiscais 13.758.735,55 Imposto de Renda Retido na Fonte 17.519.870,93 Imposto de Renda mensal pago por estimativa* 226.256.239,09* 4. Imposto de Renda a pagar (saldo positivo) 166.804.538,73 * Esse valor equivale à soma das estimativas recolhidas entre janeiro e novembro de 2007 (R$ 214.632.164,08), acrescido da estimativa devida em dezembro de 2007 (R$ 11.624.075,01). • houve um acréscimo de R$ 31.614.262,02 no valor do imposto a ser recolhido a título de "ajuste" (saldo positivo), que antes era de R$ 135.190.276,72; Fl. 392DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 10 10 • como R$ 135.190.276,72 já haviam sido quitados em 31/01/2008, a empresa procedeu ao recolhimento dos restantes R$ 31.614.262,02 em 31/03/2009 (doc n° 12), com o acréscimo da SELIC relativa a fevereiro de 2008 (0,80%) e de juros de 1% (devidos no mês do pagamento); • os R$ 31.614.262,02 objeto da acusação fiscal foram recolhidos a destempo (em 31/03/2008), mas com o cômputo da SELIC incidente no período. Considerandose esses valores de IRPJ no lugar dos valores equivalentes de CSLL, todos os demais argumentos expostos no tópico contra o auto de infração de CSLL se repetem contra o de IRPJ.(Grifouse). A 3ª Turma da DRJ/BHE manteve integralmente os lançamentos, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 MULTA ISOLADA IRPJ. MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA FALTA DE PAGAMENTO. Nos casos de lançamento de ofício, aplicase a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007 DECORRÊNCIA. O decidido para o lançamento de IRPJ se estende aos demais lançamentos com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, não havendo outras razões de ordem jurídica lhes determinem tratamento diverso. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos de sua peça impugnatória (fls. 334/360). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 11 11 Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Comungo do entendimento exposto pela Recorrente no sentido de que a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL estimativa somente poderá ser aplicada no curso do anocalendário a que se referirem, já que ultrapassado esse marco, quando já conhecida a base de cálculo definitiva de IRPJ e CSLL, descabe aplicação de multa isolada ao contribuinte. A impossibilidade de cobrança de multa isolada sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL decorre do fato de que estes débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte. As antecipações realizadas durante o anocalendário são apenas valores estimados, provisórios, sem caráter definitivo, cuja notória precariedade perdura até o final do correspondente período de apuração. Em se tratando de apuração anual, é somente em 31 de dezembro que efetivamente ocorre o fato gerador do IRPJ e da CSLL, tornando a dívida destes tributos líquida e certa somente a partir deste lapso temporal. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3° do CTN), pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Noutras palavras, o valor pago a título de estimativa não tem natureza de tributo, mas sim de prestações antecipadas. Diante disso, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, não haverá base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Citese a esse respeito entendimento firmado no âmbito administrativo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, Acórdão CSRF/01 05.875, proferido em 23/06/2008, da Relatoria do exConselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas Fl. 394DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.722631/201196 Acórdão n.º 1402001.031 S1C4T2 Fl. 12 12 superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Finalmente, aplicase o decidido em relação ao IRPJ aos lançamentos de CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e cancelar os lançamentos. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 395DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10640.900017/2006-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente)
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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(documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .9 00 01 7/ 20 06 -8 1 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 96 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG (“DRJ/JFA”), que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “A interessada transmitiu a DCOMP nº 29578.02598.300703.1.7.024209, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ – ano calendário 2002; A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência de saldo negativo disponível e também não homologa todos os outros PER/DCOMP vinculados ao referido crédito; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: Os pagamentos de estimativas IRPJ – ano calendário 2002, totalizaram R$4.275,52 e não R$5.698,36; Essa diferença de R$1.422,84 é referente às estimativas de outubro e novembro de 2002 compensadas com saldo negativo do ano calendário 2001, conforme informado na DCTF do 4º trimestre/2002 em anexo; Os valores referentes ao IRRF que totalizaram R$18.107,06 estão todos comprovados conforme demonstrado na planilha e nos extratos anexos; Demonstra assim a existência e a liquidez do direito creditório.” Em sua decisão, a DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a defesa apresentada, reconhecendo os valores do IRRF, no montante de R$18.107,06, mas, por outro lado, não reconheceu o crédito de R$1.422,84 e, com isso, manteve a não homologação de todas as compensações vinculadas ao saldo negativo da IRPJ, do ano calendário de 2002 Isto porque, a empresa apurou em sua DIPJ, anocalendário 2002, saldo negativo de IRPJ, no importe de R$10.631,06, em função da informação de estimativas pagas no total de R$5.698,36, sendo que a informação na DIPJ de estimativas pagas, como parcela redutora do IRPJ devido, engloba aquelas recolhidas através de DARF e também àquelas extintas por compensação. Entretanto, foi confirmado como pagamentos apenas o valor de R$4.275,52, quando a contribuinte informou na DIPJ, R$5.698,36, restando claro que as estimativas compensadas, no valor de R$1.422,84, não foram reconhecidas. Em sua impugnação, a contribuinte afirma que informou na DCTF do 4º trimestre de 2002, as compensações dos meses de outubro e novembro de 2002, com crédito proveniente de saldo negativo do anocalendário 2001, demonstrando, com isso, a existência e liquidez do seu direito creditório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900017/200681 Resolução nº 1802000.179 S1TE02 Fl. 97 3 Negando procedência a esse argumento, assentou a decisão recorrida que não resta dúvida de que a compensação, a partir de 1º de outubro de 2002, de estimativa de IRPJ com saldo negativo de igual tributo, já tinha que ser efetuada com a entrega de declaração específica (DCOMP), por não se enquadrar nas exceções da lei em vigor, nos termos da Lei 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei 9.430/1996. Assim, as estimativas de outubro e novembro de 2002, tiveram seus vencimentos respectivamente em 30/11/2002 e 31/12/2002 e, portanto, para compensação desses débitos já era imprescindível apresentação de DCOMP. A informação em DCTF, a partir da vigência do dispositivo legal citado, não formalizava e nem validava qualquer compensação. Somente com a entrega da DCOMP, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tal decisão está assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/07/2003 COMPENSAÇÃO A partir de 01/10/2002, a compensação de tributos, inclusive de mesma espécie, no âmbito da RFB, regra geral, será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. SALDO NEGATIVO – IRPJ O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, em apertada síntese: 1) reafirma ter apurado saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$10.631,06; 2) o saldo apurado foi composto pelos pagamentos das estimativas que totalizaram R$4.275,52, compensações de estimativas com saldo negativo de 2001 que totalizaram R$1.422,87 e IRRF sobre aplicações financeiras que totalizaram R$18.107,06. O valor devido de IRPJ, foi de R$13.174,39, apurando assim um saldo negativo de IRPJ, no valor de R$10.631,06; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900017/200681 Resolução nº 1802000.179 S1TE02 Fl. 98 4 3) a demonstração do crédito na Per/Dcomp no. 29578.02598.300703.1.7.024209, foi feita de forma equivocada, sendo que os pagamentos de IRPJ do anocalendário de 2002, foi no valor de R$4.275,52 e não R$5.698,36. A diferença de R$1.422,84, é referente às estimativas de outubro e novembro de 2002, que foram compensadas com saldo negativo do ano calendário de 2001, através das Dcomps no. 33796.70923.251104.1.3.029877 e 13501.42697.251104.1.3.02 0095, enviadas em 25/11/2004, as quais foram homologadas, vez que passaramse mais do que 5 anos sem qualquer manifestação da Fazenda Pública; 4) demonstrada a certeza e liquidez do crédito tributário impõese o cancelamento da notificação no. 340/2011 e do Despacho Decisório no. 916003772, com a homologação da Per/Dcomp n.º 29578.02598.300703.1.7.024209. É o relatório, passo a decidir. Voto A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 11/10/2011, conforme aviso de recebimento às fls. 57 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 04/11/2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme relatado, a recorrente apurou em sua DIPJ, anocalendário 2002, saldo negativo de IRPJ, no importe de R$10.631,06, em função da informação de estimativas pagas no total de R$5.698,36. Entretanto, foi confirmado pagamento através de DARF, apenas de R$4.275,52, sendo que a diferença R$1.422,87, referente compensação das estimativas de outubro e novembro de 2002, não foram reconhecidas por não terem sido efetuadas através de DCOMP, conforme exigência do artigo 74 da Lei 9.430/96, na redação dada pela Lei 10.637/2002. A Recorrente entregou as sobreditas declarações em 25/11/2004, sob os números 33796.70923.251104.1.3.029877 e 13501.42697.251104.1.3.020095, as quais constam, inclusive, em sua DCTF. Em consulta ao sistema da Receita Federal, verifiquei que a declaração de compensação no. 13501.42697.251104.1.3.020095, encontrase homologada, consoante pesquisa abaixo: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.900017/200681 Resolução nº 1802000.179 S1TE02 Fl. 99 5 Por outro lado, em relação à declaração no. 33796.70923.251104.1.3.029877, (referente à quitação da estimativa de IRPJ de outubro de 2002), constatei que posteriormente à transmissão, a Recorrente transmitiu uma PER/DCOMP retificadora, a qual ainda encontrase pendente de homologação. O prazo de cinco anos para a homologação expressa de declaração de compensação por parte da Receita Federal é reiniciado a partir da transmissão de nova declaração retificadora e, portanto, não houve homologação tácita pelo decurso do prazo. Assim, sobre a parcela pendente, é necessário que haja uma manifestação por parte da Delegacia da Receita Federal, se haverá ou não homologação da compensação, para exaurir todas as matérias discutidas no presente processo e permitir proferir decisão por este Colegiado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Juiz de Fora (DRF/JFA) para que haja manifestação quanto a homologação ou não do Perd/Comp no. 33796.70923.251104.1.3.029877 (referente à quitação da estimativa de IRPJ de outubro de 2002), que é prejudicial ao presente processo. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 13204.000033/2005-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO.
O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 33 /2 00 5- 28 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS no regime não cumulativo, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 01/10/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. Conforme se depreende do Parecer SAORT e do Relatório de Diligência acostado ao processo nº 13204.000015/200546, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes nos créditos apurados pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 264/2003 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); c) Ajustes nos valores dos créditos a descontar referente ao ativo imobilizado (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03), em razão de o contribuinte ter feito a opção em setembro de 2005 e ter retroagido os cálculos ao mês de maio de 2004; (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal); d) No mês de janeiro de 2005 foi retificado o saldo de crédito presumido disponível para desconto relativo ao estoque de abertura; (item 5 do Relatório de diligência Fiscal); Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000033/200528 Acórdão n.º 3403002.029 S3C4T3 Fl. 13 3 e) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo do contribuinte, sendo os valores da memória de cálculo ajustados pela fiscalização de acordo com o percentual de rateio relativo aos mercados interno e externo (40% e 60%, respectivamente); (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); f) Em março de 2005 houve retificação das bases de cálculo informadas no DACON em decorrência de lançamentos constantes da conta 420200, retificados pela fiscalização conforme balancetes disponibilizados pelo contribuinte; (item 7 do Relatório de Diligência Fiscal) g) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de variações monetárias ativas (receitas financeiras) não oferecidas à tributação. Não há direito ao crédito quanto às perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras que não são decorrentes de empréstimos ou financiamentos obtidos de pessoas jurídicas e nem se enquadrarem nas hipóteses legais de dedução da base de cálculo (art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03); (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); i) Foi corrigido erro nos DACON transmitidos, pois o contribuinte não informou ou informou incorretamente valores objeto de compensação em Decomp, referente a alguns meses do ano de 2005, gerando saldos de créditos indevidos de um mês para o mês seguinte. Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é ilegal incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois além das receitas financeiras não comporem o faturamento, a previsão legal contida no art. 3º, V, da Lei nº 10.637/02 é no sentido da sua dedução; b) a pretensão fiscal tem lastro no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que foi declarado inconstitucional pelo STF; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) quanto aos créditos tomados sobre as aquisições para o ativo imobilizado, alegou que com o advento do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, passou a existir o direito de apurar o crédito relativo à aquisição de máquinas, equipamentos e bens afins de acordo com o valor de aquisição dos mesmos, no prazo máximo de quatro anos; f) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Finalmente, quanto à apropriação de créditos sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, ficou decidido que o contribuinte, tendo exercido a opção por tomar o crédito sobre o custo de Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 aquisição em setembro de 2005, não poderia ter adotado base de cálculo com efeito retroativo ao mês de maio de 2004. O pedido de perícia foi rejeitado em face da DRJ ter considerado a providência desnecessária. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 04/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012. Em relação à matéria argüida na impugnação e enfrentada pela DRJ, alegou em síntese o seguinte: a) ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição e a ilegalidade da glosa efetuada quanto aos serviço de remoção de rejeitos industriais e do material refratário, em face do conceito de insumo que deve nortear a aplicação da legislação das contribuições nãocumulativas; b) em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2004 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; c) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; d) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. As demais alegações contidas no recurso voluntário não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou não foram objeto de impugnação por parte da recorrente. Requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000033/200528 Acórdão n.º 3403002.029 S3C4T3 Fl. 14 5 Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições (inclusão das receitas financeiras provenientes de variações cambiais), quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários e quanto à glosa do crédito tomado sobre a aquisição de bens para o ativo imobilizado. As questões levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou que não foram objeto da manifestação de inconformidade não serão tratadas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, a fiscalização consignou no item 8 do relatório de diligência o seguinte: “(...) 8 No que concerne aos lançamentos a débito das contas de receita 410102 (Alumínio Brasileiro S/A.ALBRAS) e 410107 (Cia. Vale do Rio Doce CVRD), meses de janeiro à março, bem como, na conta 421111001, meses de abril à dezembro, em atendimento ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), o contribuinte informou que referese a ajustes de preços decorrentes da venda de produtos no mercado interno, em face de sua fixação em moeda estrangeira e/ou desvios de características físico/químicas. Verificado pela fiscalização os termos do contrato de fornecimento de Alumina, celebrado com a empresa ALBRAS (em anexo), observase que tais ajustes tem a natureza de descontos condicionais (despesas financeiras), em função da variação (decréscimo) da taxa do dólar ocorrida entre a data da emissão da Nota Fiscal de Venda e o recebimento do preço pactuado (cláusulas 12.3 e 12.4). Ainda que acordado entre as partes a emissão de documento complementar posterior à entrega dos bens, tal convenção não descaracteriza a natureza de variação monetária. Nestas situações, impõese a tributação do ganho (receita financeira), não dando direito a créditos as perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas, tão pouco se enquadram como parcelas não integrantes da base de cálculo do PIS/COFINS, de que tratam o art. 1º , § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verbis: (...) omissis... Desta forma, os lançamentos identificados no Livro Razão (cópias em anexo) sob os históricos ajuste de preço/alumina/venda e acerto faturamento, bem como, os correspondentes tributos/contribuições ICMS/PIS/COFINS (ajuste/acerto), utilizados pelo contribuinte como parcelas redutoras das vendas no mercado interno, foram adicionados à BC por ele informada nos DACON's transmitidos à RFB (planilha em anexo). (...)” Em relação a este item da recomposição das bases de cálculo da contribuição devida, o contribuinte se limitou a invocar no recurso voluntário a ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. O contribuinte se limitou a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000033/200528 Acórdão n.º 3403002.029 S3C4T3 Fl. 15 7 basicamente receitas financeiras decorrentes de contratos cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Entretanto, no caso concreto, tanto a discussão sobre a constitucionalidade da tributação das receitas financeiras, quanto a questão do momento do reconhecimento contábil dessas receitas são irrelevantes, uma vez que para o ano calendário de 2005 a alíquota do PIS e da Cofins sobre as receitas em questão foi reduzida a zero pelos Decretos nº 5.164, de 30 de junho de 2004 e pelo Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005. Portanto, a adoção do entendimento contido no Acórdão 340301.503 quanto ao momento do reconhecimento contábil da receita financeira proveniente da flutuação do preço da moeda estrangeira não resultará em nenhum efeito prático sobre este processo. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000033/200528 Acórdão n.º 3403002.029 S3C4T3 Fl. 16 9 alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto que não integre o custo de produção. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito junto com a lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas apenas sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Quanto ao ajuste nos créditos tomados sobre a despesa de depreciação com base na opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, o único óbice oposto pela fiscalização foi o exercício da opção por parte do contribuinte no mês de setembro de 2005 com efeito retroativo a abril de 2004. No item 4 do Termo de Diligência, anexo ao processo 13204.000015/2005 46, a fiscalização consignou o seguinte: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000033/200528 Acórdão n.º 3403002.029 S3C4T3 Fl. 17 11 “(...) 4 No mês de setembro de 2005, a base de cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado [PIS (FICHA 06 / LINHA 10); COFINS(FICHA 12 / LINHA 10)] foi informada pelo contribuinte nos valores de R$ 24.862.400,49 (mercado interno) e R$ 38.887.344,36 (mercado externo), perfazendo um total de R$ 63.749.744,85. A memória de cálculo disponibilizada pelo sujeito passivo (em anexo) revela interpretação incorreta das disposições legais que permitem, à opção da pessoa jurídica, descontar créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 anos, adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. Tendo exercido a opção no mês de setembro de 2005, a base de cálculo (R$ 63.749.744,85) utilizada pelo contribuinte (planilha em anexo) reflete efeitos retroativos ao mês de maio/2004, resultado do somatório de 1/48 das aquisições efetivadas entre os meses de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 66.778.984,50), diminuídos os valores dos créditos informados nos DACON's referentes aos meses de agosto à dezembro/2004 (R$ 359.286,67), janeiro à março/2005 (R$ 1.001.232,73), abril/2005 (R$ 333.744,24), maio/2005 (R$ 333.744,24), junho/2005 (R$ 333.744,24), julho/2005 (R$ 333.744,24) e agosto/2005 (R$ 333.743,24). Tal procedimento vai de encontro ao previsto nas normas legais que regem a matéria, senão vejase: "Lei nº 10.833/03 Art. 3 Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VImáquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (...) § 14 Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular crédito de que trata o inciso III do § 1 a deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2 desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com a regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n s 10.865, de 2004)" (grifos nossos) "Instrução Normativa SRF ns 457/04 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nQ 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei na 4.506. de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º. para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado: Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º9 devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: II de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; (...) § 2° Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens nele referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. (...) Art. 7º Considerase efetuada a opção de que tratam os §§ 2º dos arts. 1º e 3º, de forma irretratável, com o recolhimento das contribuições apuradas na forma neles previstas" (grifos nossos) Com efeito, a melhor exegese que se extrai dos textos legais retrocitados é a de que a opção exercida tem caráter irretratável, com efeitos ex nunc. Tratandose de bens parcialmente depreciados, a regulamentação dispõe que as alíquotas a serem aplicadas (1,65% e 7,6%) deverão recair sobre 1/48 do valor residual. Aplicarseá idêntica interpretação ante à inexistência de depreciação, quando da opção, qual seja, cálculo dos créditos com base em 1/48 do valor de aquisição do bem. Ressalta se que, em qualquer caso, o aspecto temporal deverá ser observado, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 4.506/64, o qual condiciona o reconhecimento da depreciação a partir da época em que o bem é posto em serviço ou em condições de operar. Deste modo, considerandose que o contribuinte, na apuração das contribuições PIS/COFINS referente ao mês de setembro/2005, adotou por opção a sistemática prevista no art. 1º , § 2º , inciso I da IN SRF nº 457/04, refezse a base de cálculo (BC) dos créditos atinentes aos meses de setembro à dezembro de 2005, com base na memória de cálculo por ele disponibilizada, a saber: possibilidade de desconto dos créditos em 4 anos, a partir do mês de setembro (opção), tomandose o custo de aquisição acumulado de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 516.382.102,56), diminuído dos valores já descontados pelo sujeito passivo ( R$ 3.029.239,60 ) e rateandose o saldo em 48 meses (R$ 10.694.851,31). Adicionandose 1/48 da aquisição de setembro/2005 (R$ 457.004,90), resulta em uma BC mensal de R$ 11.151.856.21 (planilha em anexo). (...)” Verificase, assim, que a fiscalização não questionou nem o direito à opção e tampouco o direito à depreciação em quatro anos. Apenas questionou o critério retroativo que o contribuinte imprimiu quando da opção pela forma de cálculo do crédito com base no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/2003. Contra o critério adotado pela fiscalização, o contribuinte argumento com a Lei nº 11.196/2005 que previu que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras. A alegação é improcedente, pois se o contribuinte entende que tinha direito à depreciação acelerada de um ano deveria ter optado por esse regime e não pela depreciação em quatro anos. A fiscalização apenas corrigiu o cálculo da opção efetuada pelo próprio contribuinte em depreciar os bens em quatro anos (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03). Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000033/200528 Acórdão n.º 3403002.029 S3C4T3 Fl. 18 13 Ademais, a alegação do contribuinte veio desacompanhada de provas no sentido de que os bens em relação aos quais a fiscalização fez a correção da apropriação da despesa de depreciação, se enquadravam nos Decretos nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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