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Numero do processo: 11516.002635/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
IPI. VENDAS. ENTRADAS. DEVOLUÇÕES. INIDONEIDADE.
Apurada a condição de inidôneas das supostas entradas relativas à aquisição de insumos ou devolução de vendas operadas por meio da deliberada e sistemática emissão fraudulenta de notas fiscais de entrada, de se efetuar a glosa dos créditos indevidos e constituir o crédito tributário respectivo.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento a que se reporta o art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, imperiosa a qualificação da multa de ofício de que cuida o art. 569, §6o, II, do Decreto n. 7.212, de 2010.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. IPI. VENDAS. ENTRADAS. DEVOLUÇÕES. INIDONEIDADE. Apurada a condição de inidôneas das supostas entradas relativas à aquisição de insumos ou devolução de vendas operadas por meio da deliberada e sistemática emissão fraudulenta de notas fiscais de entrada, de se efetuar a glosa dos créditos indevidos e constituir o crédito tributário respectivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento a que se reporta o art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, imperiosa a qualificação da multa de ofício de que cuida o art. 569, §6o, II, do Decreto n. 7.212, de 2010. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. IPI. VENDAS. ENTRADAS. DEVOLUÇÕES. INIDONEIDADE. Apurada a condição de inidôneas das supostas entradas relativas à aquisição de insumos ou devolução de vendas operadas por meio da deliberada e sistemática emissão fraudulenta de notas fiscais de entrada, de se efetuar a glosa dos créditos indevidos e constituir o crédito tributário respectivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento a que se reporta o art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, imperiosa a qualificação da multa de ofício de que cuida o art. 569, §6o, II, do Decreto n. 7.212, de 2010. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 35 /2 01 0- 38 Fl. 329DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 192/196, lavrado em 23/07/2010, com ciência da contribuinte em 28/07/2010, totalizando o crédito tributário de R$ 3.620.174,83. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 194/196 e o termo de verificação fiscal de fls. 178/187, a contribuinte é fabricante de embarcações e houve falta de recolhimento do IPI, no mês de maio/2010, em virtude das seguintes irregularidades: 1. A autuada emitiu notas fiscais de entrada referentes ao retorno de mercadorias enviadas para demonstração ou teste, sem o efetivo retorno das mercadorias, mesmo que simbólico, gerando assim créditos fictícios em sua escrita fiscal que foram glosados; 2. A contribuinte emitiu notas de venda de embarcações em data posterior ao retorno simbólico das mesmas, quando o correto seria a emissão das notas na mesma data do retorno simbólico; quando a venda ocorre somente no mês seguinte ao registro da entrada simbólica, ocorre uma antecipação indevida do crédito pelo retorno simbólico que somente deveria ocorrer na data da venda; conseqüentemente foi glosado o crédito antecipado no mês e adicionado no mês da emissão das notas fiscais de saída. Efetuadas as glosas, foi apurado um imposto a lançar de R$ 694.111,95. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11516.002635/201038 Acórdão n.º 3201002.883 S3C2T1 Fl. 3 3 Sobre o imposto que deixou de ser recolhido foi aplicada a multa de ofício de 150% em virtude da contribuinte estar submetida a regime especial de fiscalização previsto no art. 33 da Lei n° 9.430/96 (art. 464 do RIPI/2002). Também foi aplicada a multa regulamentar, igual ao valor da mercadoria, prevista no art. 490 do RIPI/2002, pelo registro de entradas e conseqüente creditamento no mês de maio, de mercadorias que não saíram dos estabelecimentos emitentes das notas (revendedores), nem para eventuais adquirentes, nem para a própria contribuinte, a qual era a destinatária da nota fiscal. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 201/216, alegando, em síntese, que: 1. A fiscalização considerou notas fiscais fraudulentas o registro de notas fiscais de devolução de mercadorias, que ainda se encontravam nos estabelecimentos dos agentes; por conta da acusação de fraudulentas, as notas foram consideradas inidôneas, e foi aplicada a multa regulamentar de 100% do valor das mercadorias; 2. A multa aplicada é desprovida de razoabilidade e proporcionalidade, sendo 900% superior ao valor do IPI incidente na operação; 3. Nos casos relacionados pela fiscalização, embora as embarcações não tenham dado entrada física na sede da impugnante, isto, por si só, não torna as notas fiscais registradas fraudulentas ou inidôneas; 4. A comercialização de embarcações de grande porte envolve uma série de operações de logística que muitas vezes são inviabilizados por motivos de força maior; 5. Desde o início do Regime Especial de Fiscalização, todas as operações são acompanhadas pela fiscalização, não se caracterizando qualquer intenção da empresa em ocultar seus procedimentos; 6. Não havendo dolo, não é admissível a imposição de uma multa equivalente a 100% do valor da mercadoria; 7. As embarcações existem de fato, conforme se comprova através das declarações emitidas pelas agências onde se encontram fisicamente as mercadorias, foram remetidas pela impugnante com o destaque de IPI, que foi devidamente recolhido e se encontram registradas nos seus livros contábeis como mercadorias em estoque; 8. Tratandose de um regime especial, excepcional por natureza, a legislação criou uma multa específica, que é aplicável a todas as infrações por ela cometidas, devendo ser afastada qualquer outra multa prevista na legislação; 9. Em relação à indevida utilização de créditos destacados em notas fiscais de devolução simbólica de mercadorias que teriam sido vendidas apenas no mês de junho, ocorreram duas situações distintas; 10. As notas fiscais 11.451 e 11.452 foram emitidas pela própria impugnante e relacionamse ao retorno de test drive; nesse caso a impugnante remeteu para teste as embarcações, com destaque de IPI, e como as saídas para teste são efetuadas com suspensão de IPI, nos termos do art. 42, inciso IX, do RIPI/2002. então a emissão das notas foi realizada para anular o imposto Fl. 331DF CARF MF 4 indevidamente destacado, seguindo, inclusive, orientação dada pelos próprios auditoresfiscais; posteriormente, as embarcações foram vendidas, com destaque de IPI, nos dias 01/06/2010 e 04/06/2010; l ] . Nos demais casos a fiscalização reconhece os valores destacados como corretos, discordando apenas quanto ao momento do lançamento dos mesmos na escrituração fiscal, não havendo qualquer imputação de fraude ou inidoneidade; 12. Como o imposto foi recolhido quando da emissão das notas fiscais de saída para demonstração, não houve prejuízo para o Fisco; 13. Houve erro no subtotal apurado pela fiscalização, com diferença de R$ 3.000,00, conforme tabela à fl. 212; caso não venha a ser cancelado o auto de infração, o valor do imposto deverá ser corrigido; 14. Questiona os percentuais das multas aplicadas, em razão dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco; além da impossibilidade de aplicação concomitante de multas contra o mesmo fato. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, ou, ao menos, o ajuste do valor lançado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 NOTA FISCAL DE ENTRADA. CRÉDITO INDEVIDO. A emissão de nota fiscal de entrada sem o correspondente retorno da mercadoria, ainda que simbólico, justifica a glosa do crédito indevidamente escriturado, além da aplicação das penalidades previstas. REGIME ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA APLICADA. Duplicase o percentual da multa de ofício aplicada quando constatadas infrações cometidas pelo contribuinte durante o período em que estiver submetido a regime especial de fiscalização. NOTAS FISCAIS. EMISSÃO, RECEBIMENTO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, emitida pelo estabelecimento que supostamente dá saída aos bens ou recebida e utilizada pela pretextada adquirente dos bens para reduzir saldos devedores do imposto mediante a dedução de créditos. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11516.002635/201038 Acórdão n.º 3201002.883 S3C2T1 Fl. 4 5 Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecidas. A teor do relatado a Recorrente é fabricante de embarcações e foi submetida ao Regime Especial de Fiscalização prevista no art. 33 da Lei nº 9.430/96, em despacho exarado no Processo Administrativo nº 11516.000605/201097. Para efeito de escrituração do IPI, a Recorrente adota procedimentos que foram esclarecidos no Termo de Verificação Fiscal (fl. 178 e ss). Importante destacar a forma como o contribuinte comercializa seus produtos através de sua rede de revendas e, também, os procedimentos que antecedem a entrega das embarcações de grande porte (Phantom 385, Phantom 500 FLY e Phantom 500 HT). Com relação à sua rede de revenda, o contribuinte envia embarcações prontas para ficarem em demonstração (CFOP 5.912 e 6.912) com o destaque do IPI. Quando essas embarcações são vendidas, a revenda emite uma nota fiscal de devolução simbólica, com o destaque do IPI, e o contribuinte emite uma nota fiscal de vendas em nome do adquirente, também com destaque do IPI. Com relação às embarcações de grande porte, antes de entregalas aos adquirentes o contribuinte envia para testes no oceano, com uma nota fiscal CFOP 5.949, e com destaque do IPI. Encerrados os testes, o contribuinte emite uma nota fiscal de entrada (simbólica) de retorno da mercadoria com destaque do IPI e uma nota fiscal de vendas em nome do adquirente, também com destaque do IPI. Assim, em ambos os casos, as entradas são simbólicas (sem a entrada física da mercadoria no estabelecimento) e, necessariamente, devem estar vinculadas a uma nota fiscal de vendas. Durante os procedimentos de auditoria, a Recorrente foi intimada a apresentar as Notas Fiscais referentes a devolução de mercadorias que geraram créditos de IPI. A Fiscalização ao auditar os documentos fiscais identificou , que em parte das Notas Fiscais, as mercadorias não tiveram sua entrada no estabelecimento, sendo que, as embarcações haviam sido enviadas a revendedores que permaneciam na posse dos produtos. Foi verificado ainda, que parte das Notas Fiscais referiamse a produtos que somente adentraram ao estabelecimento em data posterior a sua emissão. Fl. 333DF CARF MF 6 Para a primeira situação identificada pela Fiscalização, os créditos foram glosados com exigência dos tributos e aplicação das penalidades. Para a segunda irregularidade, a escrituração do Livro de Apuração do IPI foi refeita de acordo com as datas corretas de entrada e devolução e na nova escrituração foram identificados diferenças tributárias a serem exigidas, que também foram objeto de lançamento com a consequente aplicação da multas cabíveis. A Recorrente, apesar de afirmar que contesta os fatos, não discorda que as Notas Fiscais foram emitidas sem a entrada das mercadorias no seu estabelecimento. A alegação que não existiu intenção dolosa por parte da Recorrente para a utilização dos créditos e a existência das embarcações nos revendedores, não afasta as exigências fiscais que são motivadas na impossibilidade de fruição dos créditos indevidamente escriturados. A emissão de Notas Fiscais de entrada de produtos que a Recorrente sabia que estavam na posse dos seus revendedores configura uma intenção clara de auferir créditos indevidos. A intenção de ocultar ou reduzir os tributos resta claramente comprovada. Quanto a segunda infração referente às Notas Fiscais escrituradas em datas anteriores a devolução efetiva ou ficta dos produtos. O procedimento adotado pela Fiscalização não merece reparo. Identificado que a Recorrente escriturou indevidamente créditos a que teria direito somente em período posterior de apuração, correta a glosa dos créditos e a recomposição da escrita fiscal. Comprovada a divergência nos recolhimentos dos tributos, devem ser objeto de lançamento com as devidos acréscimos e penalidades previstas na legislação. Por fim, alega a Recorrente quanto ao mérito, que duas embarcações saíram da empresa para testes, e as notas de saída por equivoco, foram emitidas com destaque de IPI. Para solucionar o problema, afirma o recurso, que questionada a Fiscalização da RFB sobre o procedimento a ser adotado, foi orientada para emitir as Notas Fiscais nº 11451 e 11452 para registrar a devolução das embarcações com destaque do IPI para fazer o ajuste contábil na apuração do Imposto. O procedimento adotado pela Recorrente carece de amparo legal. O cerne da questão está sob a aplicação do art. 42, inciso IX do RIPI/02. Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: IX o veículo, aeronave ou embarcação das posições 87.02, 87.03, 87.04, 87.05, 88.02, 89.01, 89.02, 89.03 e 89.06 da TIPI, que deixar o estabelecimento industrial exclusivamente para emprego em provas de engenharia pelo próprio fabricante, desde que a ele tenha de voltar, não excedido o prazo de permanência fora da fábrica, que será de trinta dias, salvo motivos de ordem técnica devidamente justificados, e constará da nota fiscal para esse fim expedida; A prevista do art. 42, IX permite a saída com a suspensão do IPI, entretanto não é clausula obrigatória.. Em que pese os argumentos da Recorrente, não existe nos autos comprovação que a autoridade fiscal tenha emitido a orientação de emitir as notas fiscais de devolução nº 11451 e 11452. Também pesa sobre a situação, o fato, que a Fiscalização não glosou os créditos, mas fez a alocação do IPI nas datas de venda efetiva da embarcação, em 01/06/2010 e 04/06/2010. Assim, as Notas Fiscais nº 11451 e 11452 foram emitidas em data anterior a efetiva operação de venda, ensejando um creditamento não previsto na legislação. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11516.002635/201038 Acórdão n.º 3201002.883 S3C2T1 Fl. 5 7 Portanto, entendo acertado o procedimento da fiscalização, em recalcular o IPI utilizando a data efetiva da venda das embarcações para considerar a devolução fictícia das embarcações e o corresponde destaque do IPI e considerar a entrada das Notas Fiscais nº 11451 e 11452 como produtos que não tiveram sua entrada no estabelecimento confirmada. A Recorrente se insurge quanto a exigência das multas aplicadas. O lançamento fiscal considerou a aplicação de duas multas distintas. Sobre os valores de tributos que deixaram de ser recolhidos foi aplicada a multa prevista no percentual de 75% , prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, duplicando o seu percentual, nos termos previstos no art. 33, § 5º da Lei nº 9.430/96 A duplicação do percentual da multa prevista para as infrações cometidas durante o período em que o contribuinte estiver submetido a regime especial de fiscalização está prevista na legislação, fato que resta configurado no presente processo. Assim, correta a exigência da multa de 75% duplicada, totalizando no percentual de 150%. A multa no valor de 100% da mercadoria descrita no art. 83, II da Lei nº 4.502/64, devendo ser aplicada nas situações de emissão de Notas Fiscais de Entrada de produtos que não corresponderam a saída efetiva de produtos. O mesmo inciso determina a aplicação da penalidade daquele que registrarem esta nota fiscal haja ou não destaque de imposto. O artigo em comento está assim redigido. Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) ... II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) No caso em tela, foi comprovado que a Recorrente registrou em sua escrituração e apropriou créditos referentes a Notas Fiscais de Entrada de produtos que encontravamse no estabelecimento de seus representantes e portanto, resta tipificada a penalidade prevista no art. 83, II da Lei nº 4.502/64. Portanto, correta a aplicação da penalidade no percentual de 100%. Ressaltese que as multas aqui em discussão somente foram aplicadas aos produtos em que existiu a emissão de Nota Fiscal de devolução sem a correspondente entrada no estabelecimento da Recorrente. A Fiscalização identificou que um número elevado de Notas Fiscais emitidas sem correspondente devolução de bens, demonstrando que tratase de prática reiterada da Recorrente, que utilizando destes meios reduziu o valor dos tributos devidos, procedimento previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 335DF CARF MF 8 gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O procedimento adotado configura a fraude e nestes casos existe a previsão legal de aplicação concomitante das penalidades no art. 83, § 1º. Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) § 1º No caso do inciso I, a pena não prejudica a que fôr aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e no caso do inciso II, é independente da que fôr cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do impôsto, em razão da utilização da nota, não podendo, em qualquer dos casos, o mínimo da multa aplicada ser inferior ao grau máximo da pena prevista no artigo seguinte para a classe de capital do infrator. Assim, existe previsão expressa da legislação que a penalidade aplicada de 100% do valor da mercadoria não interfere na aplicação da penalidade prevista para a multa de ofício. Alega a Recorrente, que estando submetida ao regime especial de Fiscalização diante de qualquer irregularidade as únicas multas que poderiam ser aplicadas, seriam aquelas previstas no art. 33 da Lei nº 9.430. Entendo, não assistir razão ao recurso. O regime especial é um procedimento adotado pela Receita Federal que determina um agravamento da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, não existindo restrição a aplicação de outras penalidades previstas na legislação tributária. Onde a Lei não trouxe nenhuma restrição, não pode o intérprete, no caso, a Autoridade Fiscal deixar de aplicar as multas previstas na legislação para as irregularidades identificadas no procedimento fiscal. Por fim, a Recorrente tece diversos argumentos alegando a irrazoabilidade da exigência, o caráter confiscatório que ofenderia a princípios constitucionais. Esta matéria não pode ser objeto de análise por este colegiado diante da edição da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre inconstitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Considerando, que as multas aplicadas à Recorrente estão previstas na legislação, correto o procedimento da Fiscalização, não existindo reparo a ser feito no Auto de Infração. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11516.002635/201038 Acórdão n.º 3201002.883 S3C2T1 Fl. 6 9 Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721488/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto apresentado pelo Redator Ad Hoc.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Redator Ad Hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto apresentado pelo Redator Ad Hoc. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Redator Ad Hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório TINTO HOLDING LTDA E OUTROS, recorre do Acórdão de Impugnação nº. 1668.008 proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), em sessão realizada em 28/04/2015, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente as impugnações interpostas, mantendo o crédito tributário, a multa de ofício agravada, os responsáveis tributários e os juros moratórios. A ementa restou assim redigida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 48 8/ 20 14 -4 4 Fl. 17507DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.508 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Permanece válida a presunção de omissão de receitas quando for constatada saldo credor de caixa DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, a partir de 1997, caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. A glosa de custos/despesas pela não comprovação só é elidida pela apresentação de prova documental. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS. COFINS. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores dos tributos e contribuições lançados de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Com a realização do julgamento pela 2a Turma da DRJ/SPO, os autos chegam a esta instância cameral para que sejam apreciadas, consoante descrição constante no Termo de Verificação Fiscal (TVF, fls. 12.024/12.054), as seguintes infrações: · Omissão de Receitas por Presunção Legal Saldo Credor de Caixa: Não comprovação do ingresso de recursos na conta CAIXA. Nenhuma documentação foi apresentada visando a comprovação da entrega de recursos nesta referida conta. · Omissão de Receitas por Presunção Legal Depósito Bancário de Origem não Comprovada: A contribuinte, apesar de intimada a apresentar a documentação comprobatória dos depósitos bancários (grupo 11102 Bancos Conta Movimento), nada apresentou a fim de elidir os fatos constatados no curso da fiscalização. · Glosa de Despesas não Necessárias: A contribuinte intimada a comprovar a necessidade da despesa com aluguel de aeronave (arrendamento mercantil) nada apresentou de documentação bem como de justificativas de tal dispêndio. · Glosa de Despesas não Comprovadas: A contribuinte, apesar de intimada a comprovar as despesas com conservação de prédio, arrendamento de complexo industrial e perdas com investimentos, nada apresentou à Fiscalização. Fl. 17508DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.509 3 · Glosa de Custos não Comprovados: A interessada não comprovou mediante a apresentação de documentação hábil e idônea a efetividade dos custo de vendas do ativo na conta 912010000020115 Custo da Venda do Ativo. · Provisões Indedutíveis: A contribuinte constituiu provisão para devedores duvidosos no montante de R$ 10.000.000,00 e apesar de intimada pela Fiscalização a comprovar tais alocações não as fez a contento. · Do Embaraço à Fiscalização: Apesar das sucessivas prorrogações de prazo para a apresentação da documentação requerida nos Termos de Intimações, a contribuinte nada apresentou de relevante num claro intuito de protelação da atividade fiscalizatória. Portanto, a multa foi agravada de acordo com o art.44, §2°, I. · Responsabilidade Solidária dos Sócios/Administradores: De acordo com a ficha cadastral da Junta Comercial, a Fiscalização arrolou os responsáveis tributários mediante Termo Específico, o qual faz parte deste Auto de Infração. O TVF imputou responsabilidade tributária às seguintes pessoas, físicas e jurídicas (fls. 12.024/12.054): RIOBER PARTICIPAÇÕES LTDA, HEBER PARTICIPAÇÕES S/A; JBS S/A, NATALINO BERTIN, SILMAR ROBERTO BERTIN, FERNANDO ANTÔNIO BERTIN, REINALDO BERTIN e JOÃO BERTIN FILHO. Quanto às razões de defesa, a contribuinte e os responsáveis alegam em peça impugnatória, cujos argumentos foram repetidos em Recurso Voluntário (fls. 16.865/16.947, 16.782/16.860, 16.897/16.779, 16.950/17.079, 17.032/17.109,17.112/17.189, 17.192/17.269, 17.272/17.349), a fundamentação que abaixo, colacionado do relatório produzido pela DRJ, segue: 1. Houve vício de procedimento na comprovação da omissão de receitas, pois a Fiscalização não logrou estabelecer uma correlação válida entre os lançamentos a débito e a pretensão de dissimular a situação credora da conta caixa; 2. A Fiscalização não verificou se as receitas omitidas foram ou não oferecidas à tributação; 3. Constatase a imprecisão na identificação da matéria tributável (erro na quantificação da matéria tributável), pois não foi deduzido o débito de PIS e de COFINS lançados de forma reflexa da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art.41 da Lei n° 8.981/95) bem como não foi considerado o saldo negativo do anocalendário anterior; 4. Na base de cálculo da CSLL não se exige que os custos, despesas, encargos ou perdas tenham sido pagos pela entidade, mas que tenham sido incorridos (art.187, §1°, b da Lei n° 6.404/76); 5. Tal dedutibilidade ocorre, pois no momento da lavratura dos Autos de Infração, dáse o surgimento de uma despesa, o qual deve ser Fl. 17509DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.510 4 considerado na apuração do IRPJ e da CSLL segundo o regime de competência; 6. No 4° trimestre do anocalendário de 2009, a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ de R$ 3.337.801,95, o qual deveria ter sido considerado pela Fiscalização; 7. Inexiste a omissão de receitas por saldo credor de caixa: A Fiscalização não constatou que os lançamentos a débito na conta caixa foram ingressos de receitas e se foram oferecidas à tributação; 8. Lançamento de março de 2010 no valor de R$ 6.834.369,14 (doc.06): tratase de operação de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, ou seja, a liquidação de duplicatas de clientes (docs. n° 14.167 e 13.886); 9. Lançamento de junho de 2010 de R$ 5.240.961,00 (doc.07): tratase de negócio de vendas, os quais foram lançados na conta "Contas a Receber" e a crédito em conta de resultado. À medida que os clientes pagavam as suas obrigações promoviase a respectiva baixa na "Contas a Receber", mediante lançamento a crédito a débito na Conta Caixa bem como parte na Conta Bancos. O montante de R$ 2.725.745,76 foi recebido mediante de depósito bancário registrado a débito na Conta Banco do Brasil (doc.08), o qual foi oferecido à tributação; 10. Lançamento de junho de 2010 de R$ 71.952.991,58: A soma dos lançamentos a débito na conta Caixa é de R$ 71.952.991,58 e não de R$ 77.952.991,58 relacionados às fls.180/182 ocasionando uma diferença de R$ 6.000.000,00 a maior (erro de digitação no TVF). Do montante total, R$ 7.943.000,00 referese às operações de vendas escrituradas como receitas baixadas do "Contas a Receber" mediante lançamentos a crédito nesta conta e a débito no "Caixa". Diversas notas fiscais, as quais totalizaram R$ 7.942.991,58, (doc.09) foram escrituradas na Conta "CEREAL COM. EXPORT levadas a crédito em conta de resultado; 11. Outros lançamentos no total de R$ 64.010.000,00 referemse a lançamentos contábeis da cessão de créditos que detinha das empresas "Heber Participações S/A e COMAPI AGROPECUÁRIA, conforme instrumento particular de cessão de créditos (doc.10); 12. Lançamentos de agosto de 2010 de R$ 2.588.997,06: Tratase de transferência de dívidas em que a empresa "Macleny" assumiu uma dívida de outra empresa frente à impugnante com mudança de devedor com lançamentos a débito e a crédito na conta caixa, portanto não há ingresso de receitas mas sim simples lançamentos contábeis para a extinção de obrigações; 13. Lançamento de setembro de 2010 de R$ 7.733.000,00: Tratase de operações de vendas nos valores de R$ 3.315.626,02 e R$ 4.460.461,20 (doc.13) lançados a débito em "Contas a Receber" e a crédito em conta Fl. 17510DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.511 5 de resultado devidamente oferecidos à tributação. Os lançamentos de R$ 3.272.538,80 e R$ 4.460.461,20 foram lançados a débito na Conta Caixa e o restante R$ 43.087,22 a crédito na conta de "Clientes"; 14. Lançamento de dezembro de 2010 de R$ 112.474.879,56: Tratasede contrato de cessão de créditos (doc.14), o qual a impugnante figura como credora de R$ 30.000.000,00 frente à empresa "COMAPI", o qual cedeu à empresa "HEBER" o seu direito creditório. Referido débito não ocorreu no Ativo em razão de a Heber ser a controladora da Impugnante e ter sido acordado entre ambas que haveria uma redução do saldo de lucros distribuíveis; 15. Quanto ao valor de R$ 82.474.879,56, a impugnante tornouse devedora de um Instrumento de Cessão de Direitos em que figuraram como cedentes a sua credora, a empresa "Contern e como cessionária a "Heber" e "Monte Verde" (doc.16). A dívida da impugnante passaria a ser titularizada por outros credores a Heber no montante de R$ 35.020.307,66 e Monte Verde de R$ 47.454.571,90. Para a demonstração dos fatos foram efetuados os devidos ajustes contábeis. Como os valores foram levados a conta de resultado houve a sua tributação; Da Inexistência de Omissão de Receitas por Depósitos Bancários não Comprovados: 1. Depósito de R$ 300.000.000,00 (em 06/01/2010): O referido montante resulta do pagamento em espécie pela JBS S/A pela venda de unidades empresariais pela Bertin S/A por meio do Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos (doc.18). Este valor representa parte da avença de um total negociado de R$ 1.016.780.979,26. O restante de R$ 760.508.152,90 originouse de transferência de créditos fiscais. Em 31/12/2009, lançouse a débito no ativo o valor de R$ 300.000.000,00 na Conta "Cheques a Compensar JBS" em contrapartida na Conta referente a coligadas e controladas. Em 06/01/2010, quando do efetivo pagamento promoveuse o lançamento na Conta "Bancos" tendo como contrapartida a baixa à Conta "Cheques a Compensar JBS"; 2. Depósito de R$ 170.000.000,00 (em 01/02/2010, 09/04/2010 e 13/08/2010): Os lançamentos contábeis relacionamse a um negócio de incorporação envolvendo os Grupos Bertin e JBS em que, por Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos firmado entre a alienante COMAPI e adquirente Bertin, estabeleceram a compra de área destinada ao confinamento de bovinos numa transação de R$ 350.000.000,00 (doc.22). A JBS efetuou o pagamento em favor da impugnante, os quais foram lançados a crédito na Conta Passiva "Adiantamento Cliente Venda de Ativo" tendo como contrapartida a débito na Conta "Bancos"; 3. Do depósito de R$ 2.725.745,76 em 28/06/2010: referese a vendas efetuadas a clientes num total de R$ 5.240.961,00 em que R$ 2.725.745,76 foi liquidado em espécie (doc.07) via depósito bancário. Fl. 17511DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.512 6 Referido fato foi lançado a débito em contas a pagar e reconhecida como receita devidamente tributada; 4. Do depósito de R$ 1.000.000,00 de 0309/2010: originouse de operação de venda que foi oferecida à tributação (nota fiscal n° 351); 5. Do Depósito de R$ 2.319.737,44 de 28/06/2010: referese ao depósito de um "Contas a Receber" da Nota Fiscal n° 16.539 reconhecido como receita; 6. Dos Depósitos no Valor Total de R$ 747.308.810,82: Referemse a depósitos em conta corrente entre empresas do mesmo grupo econômico (doc.25), portanto, não se constituindo em receitas; 7. Do Depósito no Valor Total de R$ 14.918.807,76: Tratase de devolução de depósito recursal (doc.26) originário dos autos do processo MS n° 2009.61.07.0103384 (doc.27) relativo à NFLD n° 35.865.8551 (doc.28) não se constituindo de receita tributável; 8. Do Depósito no Valor Total de R$ 2.300.000,00: Referese a alienação de um imóvel para a empresa "Vopak Brasil S/A" conforme Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra (doc.29) num negócio total de R$ 28.000.000,00. O referido depósito de R$ 2.300.000,00 é parte do pagamento efetuado em 12/02/2010 levada a crédito em contas a receber e a débito na Conta "Bancos" (doc.30); 9. Do Depósito no Valor Total de R$ 3.798.965,24: a origem do depósito provém de uma alienação de um estabelecimento comercial para a "BASF S/A" (doc.31). O pagamento referese à parcela paga em 29/01/2010 de um correspondente de R$ 70.000.000,00. Como esta parcela venceu em 25/01/2010, o montante de R$ 3.798.965,04 é o resultado do principal de R$ 3.750.000,00 acrescido da correção por índice de correção monetária; 10. Dos demais Lançamentos na Conta "Bancos": os montantes depositados referemse a negócios diversos ou conta corrente entre empresas do grupo econômico; 11. Da Necessidade das Despesas Incorridas com Leasing de Aeronaves: houve alteração de critério desta fiscalização em relação à autuação sofrida no anocalendário anterior referente à mesma despesa, pois nesta ocasião a autoridade fiscal considerou o dispêndio como não comprovado sendo que neste Auto de Infração o considerou como não necessário. Junta a mesma documentação apresentada no curso da ação fiscal (doc.33) reforçando que referidos arrendamentos de aeronaves são imprescindíveis à atividade da empresa dada a imensidão do território brasileiro; 12. Das Despesas com Conservação e Reparos de Prédios, Arrendamentos de Complexo Industrial e Perdas com Investimento: As perdas de investimentos referemse aos títulos que detinha junto à Eletrobrás e Fl. 17512DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.513 7 Títulos de Dívida Agrária (doc.36). Referidos títulos em razão da iliquidez e baixa aceitação no mercado foram baixados como perdas. Com relação às despesas com conservação de prédios, a nota fiscal de obras e serviços (doc.38) comprova os dispêndios incorridos. As despesas com arrendamento de complexo industrial originaramse do contrato efetuado com a "Braswey S/A em ficou estipulado pagamento de aluguel de R$ 400.000,00 (docs.39/40). A interessada efetuou pagamentos de R$ 352.617,08 e R$ 88.154,27 em 31/05/2010 e 31/06/2010 e os lançou na contabilidade a débito na Conta de Despesas. No entanto, referido valor objeto de estorno no total de R$ 440.771,35 contabilizados no trimestre anterior; 13. Dos Custos Incorridos na Venda de Ativos: Alguns dos bens sofreram baixa em razão de obsolescência e outros por venda (docs.42 e 43) constituindose de despesas dedutíveis; 14. Inaplicabilidade das Regras de Dedutibilidade do IRPJ em Relação à CSLL: Deve ser cancelada a exigência de CSLL por falta de comprovação da necessidade das despesas com leasing de aeronaves por falta de previsão legal. A questão da necessidade previsto no art.299 do RIR/99 aplica tão somente ao IRPJ. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são distintas e, assim, no presente caso não se pode igualar os critérios de apuração decorrente de infração referente apenas a um dos tributos; 15. Da Dedução dos Valores de PIS e de COFINS Lançados Reflexamente da Base de Cálculo do IRPJ/CSLL: Devese reapurar os montantes de IRPJ e da CSLL levandose em consideração os montantes alusivos ao PIS e da COFINS; 16. Da Inexistência de Embaraço à Fiscalização: apenas a ausência de apresentação de documentação não obstaculiza a realização do procedimento fiscal. A demora na apresentação da documentação atribuise em parte por desentendimentos entre os Grupos Bertin a JBS; 17. Da Não Incidência do Juros de Mora sobre a Multa de Ofício: não há amparo legal para a incidência de juros de mora sobre multa de ofício; Responsabilidade Tributária: A responsabilidade por interesse comum exige a comprovação da existência de interesse jurídico, o que não ocorreu no presente caso; 1. Não ficou caracterizada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação inexistindo condição necessária para a configuração da responsabilidade solidária; 2. Deve ser afastada a multa agravada, pois a contribuinte não poderia figurar como responsável solidário. A infração não se relaciona à falta de recolhimento de tributo e o procedimento fiscal não pode ser de responsabilidade da empresa; Fl. 17513DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.514 8 3. Não foi comprovada a conduta dolosa nem o interesse comum, o qual ensejasse a aplicação da multa agravada à contribuinte; 4. Não houve a ocorrência de qualquer interesse comum com a contribuinte, ora autuada, não podendo prevalecer a autuação fiscal; 5. Beneficiarse economicamente não revela interesse jurídico comum, definido única e exclusivamente pela realização do fato gerador, o que não ocorreu no presente caso; 6. A Fiscalização não comprovou a existência de Grupo Econômico. Mesmo a constituição de grupo econômico é insuficiente para a responsabilização solidária da empresa, pois não há previsão legal para imposição da presente infração à contribuinte; 7. Interesse comum traduzse na realização do fato gerador e não mero interesse econômico, o qual não autoriza a responsabilização tributária; 8. A contribuinte não poderia ser enquadrada no art.135 do CTN, pois haveria a necessidade de prova da efetiva prática do ato infracionário e do dolo na conduta e não o simples inadimplemento da obrigação tributária; 9. Não há relação nenhuma entre a multa por embaraço à fiscalização com a imputação de responsabilidade tributária à impugnante; 10. A interessada não é responsável pela resposta à fiscalização das intimações recebidas pela sócia ora autuada; 11. Devese aplicar ao presente caso o princípio da personalização da pena, no sentido de que a penalidade não pode ultrapassar a pessoa do infrator; 12. Não houve prejuízo à fiscalização quanto a não apresentação de alguns documentos requeridos no curso da fiscalização, sendo, portanto, incabível a aplicação de multa agravada; 13. Caso não se atenda ao pedido, ora formulado, requer a redução da multa para 75%; 14. Requer a ciência do local e hora do julgamento para a possibilidade de a contribuinte exercer seu direito a defesa oral e apresentação de esclarecimentos; 15. A Riober Participações apenas figurou nos quadros societários da Tinto Holding em sessão realizada em 21/03/2012 (fls.12/52) não podendo, portanto, ser responsabilizada por eventos anteriores a sua entrada no grupo econômico. Fl. 17514DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.515 9 Por sua vez, incluíram o reconhecimento da nulidade deste processo, em virtude de a decisão recorrida não ter apreciado relevantes argumentos, cerceando seu direito de defesa. Em contrarrazões (fls. 17.360/17.420), a Fazenda Nacional defende a: (i) inexistência de ofensa ao art. 142 do CTN, não havendo assim, vício no procedimento de lançamento por omissão de receitas; (ii) preclusão da oportunidade de apresentação de documentos; (iii) não haver erro na base de cálculo; (iv) omissão de receitas existência de diversos lançamentos a débito na conta caixa; (v) omissão de receitas, pois haveria depósitos sem origem comprovada; (vi) dedução de despesas necessárias – quanto às aeronaves; (vii) dedução de despesas não comprovadas – ausência de prova quanto às despesas que deram ensejo à glosa; (viii) amortização de custos não comprovados referentes à venda de ativos; (ix) aplicabilidade das regras de dedutibilidade do IRPJ à CSLL; (x) o cabimento do agravamento da multa; (xi) a necessidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto PRELIMINARMENTE Da Tempestividade dos Recursos Voluntários Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos pressupostos legais e regimentais, motivo pelo qual devem ser conhecidos. Das Nulidades Oriundas Da Falta De Apreciação De Relevantes Questões Abordadas Nas Impugnações Fl. 17515DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.516 10 Quanto às nulidades porventura existentes no AIIM (Auto de Infração e Imposição de Multa), em âmbito administrativo fiscal, o Decreto n. 70.235/72, enuncia que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. As recorrentes, incluindo a responsável tributária, JBS SA, pleiteia o reconhecimento de algumas nulidades advindas da decisão proferida pela 2a Turma da DRJ/SPO, em razão da não apreciação de relevantes questões, em sede de preliminar e mérito, que teriam o condão de desconstituir a decisão recorrida. Sob a perspectiva da Recorrente (TINTO HOLDING LTDA), a decisão proferida pela DRJ/SPO, ao apreciar a preliminar de nulidade, a qual nominou de cerceamento ao direito de defesa, cometeu um equívoco ao tratar como preliminar, o que em sua percepção seria matéria atinente ao mérito. E de acordo com suas palavras (fls. 14.229), lêse que: (...) a Recorrente abordou argumentos de mérito (e não de nulidade dos autos de infração), demonstrando a existência de vícios insanáveis na motivação dos lançamentos tributários, comprometendo material e substancialmente a certeza, liquidez e a exigência dos créditos tributários constituídos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (...) 21. Assim, todos os argumentos de defesa da Recorrente dizem respeito ao mérito dos lançamentos tributários (ou seja, à materialidade das acusações fiscais), evidenciando a ausência de motivação adequada e específica, e, pois, a inviabilidade de manutenção dos autos de infração, por violação ao art. 142 do Fl. 17516DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.517 11 Código Tributário Nacional, a ensejar o necessário cancelamento integral das exigências fiscais. (...) 23. No entanto, na r. decisão recorrida a 2a Turma da DRJ/SPO, escapando do cerne do problema em relação à motivação dos lançamentos, acabou tratando os vícios de motivação nos lançamentos tributários (argumentos de mérito) como se fossem “preliminares de nulidade” (formal) dos autos de infração, concluindo, ao final, que não haveria violação ao artigo 59 do Decreto n. 70.235/72 e, ainda, que o direito de defesa da Recorrente não teria sido preterido ou obstaculizado pela autoridade administrativa. 24. Contudo, diferentemente do alegado na r. decisão recorrida, a Recorrente não sustentou a nulidade por inobservância do disposto no artigo 59 do Decreto n. 70.235 e por cerceamento ao direito de defesa; mas requereu sim o cancelamento dos autos de infração por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, notadamente em função da ausência de motivação adequada e específica, comprometendo materialmente os lançamentos tributários. 25. Com a conclusão na r. decisão recorrida de que não teriam havido violação ao artigo 59 do Decreto n. 70.235/72 e cerceamento do direito de defesa, a 2a Turma da DRJ/SPO simplesmente não examinou a procedência (ou não) da alegação da Recorrente de insubsistência dos autos de infração por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, notadamente por terem sido mal lavrados e sem a devida e necessário motivação adequada e específica. 26. A rigor, agora sim temse uma nulidade por cerceamento ao direito de defesa, eis que a 2a Turma da DRJ/SPO n r. decisão recorrida, na prática, recusouse a enfrentar argumentos substanciais da peça de defesa da Recorrente. Face o exposto, inferese que o a Recorrente (TINTO HOLDING LTDA) impõe à Instância Cameral a percepção de duas questões, a saber: primeiro, que os supostos vícios insanáveis, oriundos da lavratura dos Autos de Infração, foram enfrentados pela DRJ/SPO como se questões de preliminares de nulidade fossem, o que não seria correto, bem como, e, segundo, como consequência desse equívoco, o surgimento do cerceamento ao direito de defesa, uma vez que o acórdão não abordou corretamente as questões meritórias apresentadas pela parte. Ainda em enfrentamento preliminar, vale registrar que a responsável solidária JBS SA, aduz a existência de supressão de instância, requerendo, também, a declaração de nulidade do acórdão recorrida pela falta de análise de diversos argumentos impugnatórios, são eles – nos termos de seu memorial: (a.1) não foi analisada a legislação societária, que dispõe que a existência de Grupo Econômico depende da existência de empresas coligadas ou controladas ou, ainda, de haver direção de controle ou administração – vide páginas 02/12 da impugnação (fls. 13.28613.296); Fl. 17517DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.518 12 (a.2) não foi analisado o argumento de que a TINTO HOLDING é mera investidora indireta e minoritária de JBS (TINTO tem apenas 9,05% em JBS, cf quadro adiante). Responsabilizar sócios encontra fundamento no art. 135, CTN. Todavia, atribuir responsabilidade à empresa investida, além de não fazer sentido, não encontra repaldo no sistema, pois, ainda que se pudesse falar em interesse econômico (art. 124, I, CTN), a investida não tem interesse econômico sobre os resultados de sua investidora (TINTO). Vejase que a investidora tem interesse econômico na investida, mas não o contrário. Dito de outra forma, a responsabilidade pode ser atribuída “para cima” (sócios etc), mas não “para baixo” de forma a atingir a investida e, o que é mais grave, atingir indiretamente outros investidores no caso da Recorrente; (a.3) inexistência de análise de que o valor de R$ 300 MM – indicado pela Fiscalização como sendo proveniente de JBS para TINTO – teve causa comprovada. Esta comprovação, consequentemente, exclui este elemento como indicador da suposta responsabilidade da JBS no presente lançamento fiscal, ponto sobre o qual silenciou o acórdão recorrido. Isto porque, comprovada a causa do pagamento, se alguém não ofereceu o valor à tributação e deve arcar com o lançamento fiscal, é a TINTO e não a JBS. Aliás, como exposto, relação comercial ou transação de qualquer outra natureza (ex vi civel) não enseja responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN; (a.4) ainda no tocante ao montante de R$ 300 MM, a decisão consigna que os documentos trazidos são insuficientes para afastar a infração. Porém, além de não fazer qualquer análise sobre os documentos trazidos, também não informa quais seriam os documentos aptos para afastar a acusação fiscal. A Recorrente trouxe aos autos contrato de compra e venda e escrituração contábil demonstrando a regularidade do pagamento. A decisão, nesse sentido, deveria fundamentar a razão pela qual a referida documentação não seria capaz de elidir a infração e não simplesmente desconsiderála; (a.5) igualmente, o v. Acórdão não se manifestou quanto ao fato de que o montante de R$ 300 MM – apontado pelo Fisco como elo entre JBS e TINTO – somente poderia ser tributável pelo ganho de capital de TINTO, por se tratar de pagamento de JBS para TINTO decorrente de compra e venda de ativos (imóveis); (a.6) o v. Acórdão DRJ também não se manifestou sobre o argumento subsidiário atinente à multa agravada e por embaraço que deve ser excluída de JBS, pois esta não lhes deu causa; (a.7) há, ainda, outros argumentos também não analisados pela DRJ, conforme amplamente exposto no RV. Pois bem, depois de tais descrições e menções, segue o posicionamento da DRJ: DA PRELIMINAR DE NULIDADE Fl. 17518DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.519 13 A contribuinte alega nulidade do Auto de Infração. O Decreto n° 70.235/1972, através de seu artigo 59, estabelece todas (numerus clausus) as situações em que os atos/procedimentos venham a ser considerado como nulos. Diz, citado dispositivo, que: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Esses e somente eles os vícios que determinariam a nulidade do ato administrativo. Como nenhum deles veio, efetivamente, a ocorrer no presente processo daí o porque não terem sido objeto de qualquer menção, pela impugnação trazida é de se descartar a possibilidade de o referido procedimento vir a ser objeto da pretensa nulidade. DO CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente suscita como matéria prejudicial à análise do mérito da autuação, a nulidade do lançamento em razão de ter sido cerceado o seu direito de defesa, ao argumento de que a autoridade fiscal não teria comprovado o nexo causal entre o fato apurado e a infração prevista em lei. O lançamento, objeto deste processo administrativo fiscal, foi formalizado mediante auto de infração e lavrado por ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, autoridade administrativa a quem compete privativamente a constituição do crédito tributário, fato que afasta a hipótese de nulidade prevista no inciso I do art. 59 do Decreto 70.235/72. O Auto de Infração contém, por sua vez, os requisitos formais exigidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Somente a ausência total dessas formalidades é que poderia invalidar o lançamento, sobretudo, se desprovido da capitulação legal e da descrição dos fatos, uma vez que inviabilizariam o exercício da ampla defesa. Não é, todavia, a situação verificada nesses autos. Depreendese da leitura das razões de impugnação que a autuada revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa, uma a uma, e, portanto, não ocorrendo o alegado cerceamento de defesa. Ademais, há de se observar que a estrutura procedimental de determinação e exigência dos créditos tributários da União compreende duas fases. A primeira tem um viés eminentemente inquisitorial, eis que é caracterizada pela execução de atos de ofício cujo objetivo é a coleta de elementos os quais apontem para existência de um fato jurídico tributário a ensejar o lançamento, mediante auto de infração ou notificação de lançamento. Já a segunda, inaugurada pela impugnação tempestivamente apresentada pela autuada ou notificada, é informada pelos princípios do contraditório e pela ampla defesa, oportunidade Fl. 17519DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.520 14 em que a impugnante tem a oportunidade de deduzir suas razões defensórias, bem como requerer as diligências e perícias que entender necessárias. Percebese que a alegação de nulidade está focada em atos que teriam sido praticados pela autoridade autuante em momento anterior à formalização do ato de lançamento, ou seja, em conduta verificada no primeiro momento do procedimento fiscal. Conforme discorrido anteriormente, essa primeira fase do procedimento fiscal tem cunho eminentemente inquisitorial. São coletados dados relativos às operações desenvolvidas pelo fiscalizado e verificado seus reflexos tributários. Ocorrido o fato jurídico tributário e verificado que a contribuinte não efetuou o recolhimento dos tributos decorrentes, impõese o lançamento que vem a ocorrer, justamente, porque a autoridade fiscal não considerou plausível as explicações e documentos trazidos no curso do procedimento de fiscalização. O disposto em linhas pretéritas reflete, de forma completa, toda a manifestação da DRJ/SPO, no tocante às questões que abordou em sede de preliminar. Nestes termos, voto por acolher tais fundamentos, afastando a nulidade argüida em razão de ter a recorrente apresentado as defesas e recursos dentro dos prazos previstos na legislação, contestando todos os pontos levantados pela fiscalização, apresentando inclusive novos documentos posteriormente ao lançamento. Os questionamentos sobre a conduta do auditor fiscal no momento pré lançamento já estão sendo tratados em outro item da defesa, relacionados à multa agravada, que aliás alega a recorrente não terem sido abordado pela decisão de piso, mas que não seria objeto de cerceamento de defesa, mas uma prejudicial de mérito, que será tratada em tópico posterior do voto. Das Provas Anexadas no Instante da Interposição Do Recurso Voluntário e a Análise de sua Admissibilidade Em peça recursal a contribuinte anexa uma série de documentos, os quais alega comprovar (parte) do que fui suscitado pela DRJ, na conformidade dos termos abaixo aduzidos: 97. Tendo em vista os documentos (fiscais, contábeis e gerenciais) juntados aos autos, bem como as explicações dos critérios de contabilização adotados, entende a Recorrente que a 2a Turma da DRJ/SPO deveria ter, de plano, ao menos afastado todas as presunções aplicadas pela autoridade administrativa, ou, no mínimo, ter convertido o julgamento em diligência, para que a repartição de origem reavaliasse todo o acervo probatório, e não ter simplesmente julgado improcedente a impugnação, como se nada tivesse sido apresentado pelo contribuinte. 98.A propósito, quando se lê o teor da r. decisão recorrida, parece que a Recorrente não apresentou qualquer documento para subsidiar sua defesa. Ora, sabese muito bem que não foi isso o que ocorreu? Basta avaliar a quantidade Fl. 17520DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.521 15 de folhas que compõem os presentes autos e todos os demais cruzamentos com a contabilidade realizados pela Recorrente. Não é crível imaginar que toda a apuração da Recorrente estava errada, e nada foi provado na sua impugnação. 99. Diante desse cenário, informa a Recorrente que o recurso voluntário esta sendo instruído com documentos para corroborar o acervo probatório já constante dos autos, repisar os argumentos de defesa aduzidos na impugnação e, principalmente, contrapor especificamente a r. decisão recorrida, nos termos da alínea ‘c’ do parágrafo 4o do artigo 16 do Decreto n. 70.235/72, que manteve indistintamente todas as acusações fiscais. (...) 104. Assim, esta E. Turma de Julgamento deverá analisar – além daqueles desconsiderados pela r. decisão recorrida – todos os documentos apresentados no recurso voluntário para corroborar o argumento sustentado pela Recorrente, ao menos desde a impugnação, de que as exigências fiscais são improcedentes, ou, quando menos, converter o julgamento em diligência, caso não reconhecida a imediata insubsistência dos lançamentos tributários. (Sem grifo no original). Diante deste relato, notase que a Recorrente anexa provas, supostamente, extemporâneas, de modo a não se coadunar com o disposto no art. 16 do PAT (Decreto n. 70.235/1972), vide: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente apresentadas aos autos; § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 17521DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.522 16 Pois bem, neste momento, há que se adotar um posicionamento quanto ao recebimento, ou não, destas provas, anexadas em recurso voluntário. Antes de seguir, cabe sintetizar as perspectivas, respectivamente, passada (2010) e atual (2016) deste Conselho, cito estudo realizado por Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini1, reiterado por Maria Rita Ferragut2, donde revelam, nas palavras desta última, que: (...) encontramos três grandes correntes: (i) a que não aceita a apresentação de provas após a impugnação; (ii) a que aceita, desde que apresentadas até o julgamento em primeira instância (se as informações forem complementares); e, (iii) a que aceita a apresentação de documentos em qualquer fase do julgamento administrativo, inclusive em segunda instância. Com o intuito de representar o mais fielmente os pensamentos de Lopes e Bianchini, quanto à terceira corrente, registro que falam em apresentação de provas até a fase recursal. Diverso do apontado por Ferragut, que a retrata até a segunda instância. Ponto que não será enfrentado nestes autos. Dito isto, após registrar cada uma das três correntes, Ferragut conclui por entender de modo semelhante ao segundo posicionamento, ou seja, que as provas apresentadas depois da impugnação podem ser aceitas – com ressalvas. Já as primeiras autoras, Lópes e Bianchini, defendem a produção probatória em um modelo mais flexível de análise temporal. E para explicar tal elasticidade, irretocável são suas palavras, segue: Parecenos, portanto, que a tendência das decisões da Câmara de Recursos Fiscais está na aplicação de critérios de pertinência e utilidade na aceitação da documentação apresentada. (...) Acertadas estão as decisões que, a depender da documentação juntada pelo contribuinte, se posicionem alternativamente, ora no sentido de aplicarem a literalidade da restrição do artigo 16 do PAF, ora no sentido de caracterizarem a inocorrência da preclusão, adequando a situação como excepcionais e em conformidade com as exceções elencadas no dispositivo legal e, para tanto, deve existir uma prévia análise dos documentos juntados, mesmo que para se recusar a documentação, em respeito a livre convicção do julgador na apreciação das provas, conforme determina o artigo 29 do Decreto n. 70/235/72. Neste momento, tocam em ponto peculiar desta análise, referemse ao conhecimento/cabimento de tais provas. Em outras linhas, seria a ‘abertura do envelope’, para somente após, ser possível tomar conhecimento do que dentro consta. Com isto, temse que para as duas últimas correntes, nas palavras das duas juristas, “ainda que o contribuinte faça a juntada de documentos após o prazo legal, parece inconteste que deve existir uma prévia 1 Fls. 34/51. Todos os comentários dessas autoras estão compreendidos neste intervalo de páginas. 2 As provas e o direito tributário: teoria e pratica como instrumentos para a construção da verdade jurídica Fl. 17522DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.523 17 análise destes, mesmo que para se recusar a documentação, já que determinados documentos comprobatórios podem ser aceitos a qualquer momento por se referirem a fatos que permite o fácil e rápido convencimento do julgador” (sem grifo no original). Não parece logicamente possível realizar a desconstrução deste raciocínio, para ambas as correntes. Conclusão contrária implicará no entendimento de ser possível aferir os documentos, sem deles se conhecer, ou, em outras palavras, conhecer o teor da carta, sem abrir o envelope. Uma consequência, nada irrelevante, diz respeito à influência da prova na formação de uma posição, independente do conhecimento formal de tal dado pelo corpo de julgadores. Não há como se negar tal fato. Claro que esta abordagem comporta restrições, em razão do teor do anexo juntado, o que não parece ser o caso dos autos, seja pela procedência ou improcedência deste crédito tributário. Ainda quanto à formação da convicção do julgador, temse que a lei prescreve (art. 29) a possibilidade de este solicitar a realização de diligências. Pois bem. Aqui falase em oportunidade de o julgador solicitar diligências com o fito de sanar eventuais dúvidas, sempre com fins a proceder a uma decisão juridicamente segura; e noutro giro temse a preclusão temporal (art. 16), que pode ser compreendida como uma norma de comportamento, que, voltada à regulação da conduta da contribuinte, estabelece prazos rígidos à apresentação de provas. Seria possível entender aqui, que há uma “preclusão” para a contribuinte, e outra para a “autoridade julgadora”? Retornando à necessidade de comunicação entre os artigos 16 e 29, temse que sua ausência poderia levar à situação em que a contribuinte apresenta uma prova que o julgador entende necessária à sua convicção, porém, ele não poderia fazêlo, já que fora do prazo legal, e esta é rejeitada; em contrapartida, tal prova poderia ser requerida pelo julgador, por este entendêla indispensável. Tal ocorrência é perfeitamente possível, como é o caso dos autos, inclusive. Adoto a forma de sistematização dos dispositivos legais defendida por Lópes e Bianchini, ou seja, que a análise da pertinência probatória deve ser realizada caso a caso. No caso em tela, não há como negar a possível influência exercida pela juntada das provas anexas, seja para confirmar, ou infirmar a imputação debatida. Nestes termos, se tal documento é hábil a permitir a formação da convicção, sabendose possível a extensão dessa discussão via Poder Judiciário, não parece – juridicamente – coerente não conhecer e acolhe las. Ainda, segundo López e Bianchini, “na prática, quer nos parece que, cada caso vai requerer uma análise mais apurada. Como dissemos, o direito à parte a produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. Parecenos ser esta a tendência a ser aplicada nas decisões da Câmara Administrativa de Recursos Fiscais atualmente”3 (s. g). Assim, entendo plenamente possível a apresentação de documentos, como no caso em tela, antes do julgamento em segunda instância, de acordo com o solicitado pela contribuinte. Nestes termos, voto por conhecêlos. Ademais, mesmo para aqueles que tenham 3 Ressalvo que, ainda que tenham publicado tal artigo em 2010, os critérios foram adotados nas duas pesquisas são atuais, apenas com a distinção de que para Ferragut a aceitação de provas poderia ocorrer até a impugnação, e para as outras duas, até a fase recursal. Ainda, com tal apontamento não nego a possibilidade de apresentação de provas/documentos até a fase recursal, o que se pretende aqui é apenas a descrição do que disseram as autoras. Fl. 17523DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.524 18 numa leitura mais restrita e entendam precluso o direito de juntar novos documentos, a missão do conselheiro transborda a de mero julgador para também exercer o devido controle de legalidade do lançamento. Desta forma, mesmo não conhecendo na acepção mais processual da palavra ainda assim entendo que devam ser analisados e considerados, caso revelem qualquer ilegalidade no procedimento fiscalizatório. DO MÉRITO O presente processo administrativo tributário referese à lavratura de autos de infração para constituição de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em razão de suposta ocorrência de omissão de receitas, glosa de despesas, glosa de custos, ausência de adição de provisões indedutíveis e por embaraço à fiscalização, com agravamento da multa de ofício. Os argumentos suscitados pela DRJ para a manutenção de cada uma das autuações, resumidamente, são os seguintes: DO SALDO CREDOR DE CAIXA Conforme alega a contribuinte, o lançamento de março de 2010 no valor de R$ 6.834.369,14 (doc.06) tratase de operação de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, ou seja, liquidação de duplicatas de clientes (docs. nº 14.167 e 13.886). Os documentos de fls.12.649/12.665 constituemse de cópias do razão analítico, os quais discriminam as operações do período de março de 2010. No entanto, somente a escrita fiscal não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como as notas fiscais correspondentes aos lançamentos contábeis bem como a prova do recebimento de referidos valores; Já o lançamento de junho de 2010 de R$ 5.240.961,00 (doc.07) tratase de negócio de vendas, o qual foi lançado na conta “Contas a Receber” e a crédito em conta de resultado. O montante de R$ 2.725.745,76 foi recebido mediante depósito bancário registrado a débito na Conta Banco do Brasil (doc.08), o qual foi oferecido à tributação. Os documentos de fls.12.666/12.680 constituem se de cópias do razão analítico, os quais discriminam as operações do período de junho de 2010. No entanto, somente a escrita fiscal não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como as notas fiscais correspondentes aos lançamentos contábeis bem como a prova do recebimento de referidos valores. Alega a interessada que o lançamento de julho de 2010 a débito na conta Caixa é de R$ 71.952.991,58 e não de R$ 77.952.991,58 relacionados às fls.180/182 ocasionando uma diferença de R$ 6.000.000,00 a maior (erro de digitação no TVF). O documento acostado à fl.12.689 demonstra que o valor da conta Caixa é de R$ 77.952.991,58, conforme apurado pela autoridade fiscal. Não se verifica, portanto, erro de digitação no Termo de Verificação Fiscal. O lançamento de R$ 7.943.000,00, segundo a interessada, referese às operações Fl. 17524DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.525 19 de venda escrituradas como receita baixadas do “Contas a Receber” mediante lançamentos a crédito nesta conta e a débito no “Caixa”. Diversas notas fiscais, as quais totalizaram R$ 7.942.991,58, (doc.09) foram escrituradas na Conta “CEREAL COM. EXPORT levadas a crédito em conta de resultado. Os documentos de fls.12.681/12.683 constituemse de cópias do razão analítico, os quais discriminam as operações do período de julho de 2010. No entanto, somente a escrita fiscal não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como as notas fiscais correspondentes aos lançamentos contábeis bem como a prova do recebimento de referidos valores. Quanto aos “outros lançamentos” no total de R$ 64.010.000,00 referemse a lançamentos contábeis da cessão de créditos que detinha das empresas HEBER PARTICIPAÇÕES S/A e COMAPI AGROPECUÁRIA, conforme instrumento particular de cessão de créditos (doc.10). O documento de fls.12.684/12.687 constituise de contrato de cessão de créditos. No entanto, somente a apresentação de contrato particular de cessão de créditos não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como as notas fiscais correspondentes aos lançamentos contábeis bem como a prova do recebimento de referidos valores. Os lançamentos de agosto de 2010 de R$ 2.588.997,06, consoante a impugnante, tratase de transferência de dívidas em que a empresa “Macleny” assumiu uma dívida de outra empresa frente à impugnante com mudança de devedor com lançamentos a débito e a crédito na conta caixa, portanto não há ingresso de receitas mas, sim, simples lançamentos contábeis para a extinção de obrigações (doc.12). Os documentos de fls.12.702/12.715 constituemse de cópias do razão analítico e ficha de controle de fluxo de caixa, os quais discriminam as operações do período de agosto de 2010. No entanto, somente a escrita fiscal não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como as notas fiscais correspondentes aos lançamentos contábeis bem como a prova do recebimento de referidos valores. O lançamento de setembro de 2010 de R$ 7.733.000,00 trata de operações de vendas nos valores de R$ 3.315.626,02 e R$ 4.460.461,20 (doc.13) lançados a débito em “Contas a Receber” e a crédito em conta de resultado devidamente oferecidos à tributação. Os lançamentos de R$ 3.272.538,80 e R$ 4.460.461,20 foram lançados a débito na Conta Caixa e o restante R$ 43.087,22 a crédito na conta de “Clientes”. Os documentos de fls.12.716/12.732 constituemse de cópias do razão analítico, os quais discriminam as operações do período de setembro de 2010. No entanto, somente a escrita fiscal não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como as notas fiscais correspondentes aos lançamentos contábeis bem como a prova do recebimento de referidos valores. O lançamento de dezembro de 2010 de R$ 112.474.879,56 trata de contrato de cessão de créditos (doc.14), na qual a impugnante figura como credora de R$ 30.000.000,00 frente à empresa “COMAPI”, o qual cedeu à empresa “HEBER” o seu direito creditório. Os documentos de fls.12.733/12.742 constituemse de cópias do razão analítico e contrato de cessão de créditos, os quais discriminam Fl. 17525DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.526 20 as operações do período de dezembro de 2010. No entanto, somente a escrita fiscal e o contrato de cessão não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como a prova do recebimento de referidos valores e de sua tributação. Quanto ao valor de R$ 82.474.879,56, a impugnante tornouse devedora de um Instrumento de Cessão de Direitos em que figuraram como cedentes o seu credor, a empresa “Contern e como cessionária a “Heber” e “Monte Verde” (doc.16). A dívida da impugnante passaria a ser titularizada por outros credores a Heber no montante de R$ 35.020.307,66 e Monte Verde de R$ 47.454.571,90. Para a demonstração dos fatos foram efetuados os devidos ajustes contábeis. Como os valores foram levados a conta de resultado houve a sua tributação. O documento de fls.12.744/12.746 constituise de contrato de cessão de créditos. No entanto, somente o contrato de cessão não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontra desprovida de outros elementos probatórios como a prova do recebimento de referidos valores e se os mesmos foram oferecidos à tributação. DA OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Depósito de R$ 300.000.000,00 (em 06/01/2010): O referido montante resultou do pagamento em espécie pela JBS S/A pela venda de unidades empresariais pela Bertin S/A por meio do Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos (doc.18). Os documentos de fls.12.765/12.779 e 12.824/12.828 constituemse de cópia do contrato ora mencionado e razões analíticos das contas dos lançamentos contábeis, os quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Depósito de R$ 170.000.000,00 (em 01/02/2010, 09/04/2010 e 13/08/2010): os lançamentos contábeis relacionaramse a um negócio de incorporação envolvendo os Grupos Bertin e JBS em que, por Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos firmado entre a alienante COMAPI e adquirente Bertin, estabeleceram a compra de área destinada ao confinamento de bovinos numa transação de R$ 350.000.000,00 (doc.22). Os documentos de fls.12.828/12.842 constituemse de cópia do contrato ora mencionado, os quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Do depósito de R$ 2.725.745,76 em 28/06/2010: referese a vendas efetuadas a clientes num total de R$ 5.240.961,00 em que R$ 2.725.745,76 foi liquidado em espécie (doc.07) via depósito bancário. Os documentos mencionados constituemse de cópias do razão analítico das contas dos lançamentos contábeis, as quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Fl. 17526DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.527 21 Do depósito de R$ 1.000.000,00 de 03/09/2010 (doc.23): originouse de operação de venda que foi oferecida à tributação (nota fiscal nº 351). O documento mencionado constituise de cópias do razão analítico das contas dos lançamentos contábeis (fls.12.843/12.849), o qual não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Do Depósito de R$ 2.319.737,44 de 28/06/2010: referese ao depósito de um “Contas a Receber” da Nota Fiscal nº 16539 reconhecido como receita. O documento mencionado constituise de cópias do razão analítico das contas dos lançamentos contábeis (fls.12.850/12.855), o qual não é prova suficiente para o afastamento da infração, pois se encontram desprovido de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Dos Depósitos no Valor Total de R$ 747.308.810,82: referemse a depósitos em conta corrente entre empresas do mesmo grupo econômico (doc.25), portanto, não se constituindo em receitas. O documento mencionado constituise de cópias do razão analítico das contas dos lançamentos contábeis (fls.12.856/12.941), as quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios correspondentes aos lançamentos contábeis. Do Depósito no Valor Total de R$ 14.918.807,76: tratase de devolução de depósito recursal (doc.26) originário dos autos do processo MS nº 2009.61.07.0103384 (doc.27) relativo à NFLD nº 35.865.8551 (doc.28) não se constituindo de receita tributável. Os documentos apresentados de fls. 12.942/12.946 constituemse de extratos bancários, os quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios como a cópia do referido processo judicial, ou outros elementos comprobatórios da origem do valor ora mencionado. Do Depósito no Valor Total de R$ 2.300.000,00: referese a alienação de um imóvel para a empresa “Vopak Brasil S/A” conforme Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra (doc.29) num negócio total de R$ 28.000.000,00. O referido depósito de R$ 2.300.000,00 é parte do pagamento efetuado em 12/02/2010 levada a crédito em contas a receber e a débito na Conta “Bancos” (doc.30). Os documentos apresentados de fls.12.948/12.959 constituemse de cópias do contrato de alienação de imóvel e do razão analítico das contas dos lançamentos contábeis, os quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidas de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Ademais, o contrato omite qual conta bancária receberia o alegado numerário, o que impede a conciliação de valores e data dos depósitos. Do Depósito no Valor Total de R$ 3.798.965,24: a origem do depósito provém de uma alienação de um estabelecimento comercial para a “BASF S/A” (doc.31). O pagamento referese à parcela paga em 29/01/2010 de um correspondente de R$ 70.000.000,00. Como esta parcela venceu em 25/01/2010, Fl. 17527DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.528 22 o montante de R$ 3.798.965,04 é o resultado do principal de R$ 3.750.000,00 acrescido da correção por índice de correção monetária. Os documentos apresentados de fls.12.960/12.973 constituemse de cópias do contrato de alienação de imóvel e do razão analítico das contas dos lançamentos contábeis, os quais não são provas suficientes para o afastamento da infração, pois se encontram desprovidos de outros elementos probatórios, os quais suportem os lançamentos contábeis bem como a prova de sua tributação. Ademais, o razão analítico apenas indica duas transferências entre contas correntes, as quais não permitem comprovar a sua conexão com a operação mencionada pela contribuinte. Dos demais Lançamentos na Conta “Bancos”: os montantes depositados referemse a negócios diversos ou conta corrente entre empresas do grupo econômico. Não houve apresentação de qualquer documentação comprobatória do fato alegado pela contribuinte razão pela qual considerase como não comprovado os depósitos ora questionados. DA GLOSA DE DESPESAS INCORRIDAS COM LEASING DE AERONAVES A contribuinte intimada a comprovar a necessidade da despesa com aluguel de aeronave (arrendamento mercantil) nada apresentou de documentação e de justificativas de tal dispêndio. A documentação apresentada constituída somente do contrato de arrendamento não comprova a necessidade ou essencialidade da despesa não atendendo ao disposto no art.299, I, do RIR/99. A jurisprudência é pacífica neste sentido DA GLOSA DE DESPESAS INCORRIDAS COM CONSERVAÇÃO E REPARO DE PRÉDIOS, ARRENDAMENTO DE COMPLEXO INDUSTRIAL E PERDAS COM INVESTIMENTOS A contribuinte, apesar de intimada a comprovar as despesas com conservação de prédio, arrendamento de complexo industrial e perdas com investimentos, nada apresentou à Fiscalização. Segundo a interessada, as perdas de investimentos referemse aos títulos que detinha junto à Eletrobrás e Títulos de Dívida Agrária (doc.36). Referidos títulos em razão da iliquidez e baixa aceitação no mercado foram baixados como perdas. A documentação acostada aos autos de fls.13.135/13.139 constituise de razão analítico, a qual nada comprova as operações alegadas na impugnação. Com relação às despesas com conservação de prédios, a nota fiscal de obras e serviços (doc.38), segundo a contribuinte, comprova os dispêndios incorridos. Os documentos apresentados na impugnação de fls. 13.135/13.165 constituem se de razão analítico e notas fiscais. As notas fiscais indicam apenas de forma genérica tratarse de compra de materiais e serviços para gerenciamento de obras não comprovando, portanto, tratarse de despesas com conservação. Ademais, não está demonstrado os pagamentos de tais despesas. Fl. 17528DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.529 23 Quanto às despesas com arrendamento de complexo industrial, a impugnação diz originaremse de contrato efetuado com a “Braswey S/A em ficou estipulado pagamento de aluguel de R$ 400.000,00 (docs.39/40). A interessada efetuou pagamentos de R$ 352.617,08 e R$ 88.154,27 em 31/05/2010 e 31/06/2010 e os lançou na contabilidade a débito na Conta de Despesas. No entanto, referido valor foi objeto de estorno no total de R$ 440.771,35 contabilizados no trimestre anterior. Os documentos apresentados pela contribuinte de fls. 13.169/13.237 constituemse de razão analítico, contrato de arrendamento e cópia da matrícula do imóvel arrendado. Apenas a apresentação dos contratos e matrícula do imóvel não comprova as despesas, pois, não está demonstrado os seus pagamentos. Cabe lembrar que existe a necessidade de prova da sua existência, ou seja, a efetividade do dispêndio. DA GLOSA DOS CUSTOS INCORRIDOS NA VENDA DE ATIVOS A interessada não comprovou mediante a apresentação de documentação hábil e idônea a efetividade dos custos de vendas do ativo na conta 912010000020115 – Custo da Venda do Ativo. Alega na impugnação que alguns dos bens sofreram baixa em razão de obsolescência e outros por venda (docs.42 e 43) constituindose de despesas dedutíveis. Os documentos de fls.13.238/13.281 não comprovam a efetividade dos custos de vendas do ativo. A apresentação apenas do razão analítico e do relatório do acervo patrimonial são insuficientes para provar o dispêndio dos referidos bens vendidos, pois não há documentação que suporte o real custo dos bens levando se em consideração as eventuais depreciações e amortizações bem como a obsolescência dos mesmos. Como se observa da leitura acima, a DRJ não aceitou os argumentos de defesa por ausência de documentação hábil e idônea que comprovassem as operações desconsideradas pela fiscalização. Contudo, da análise do Recurso Voluntário interposto pela empresa Tinto Holding e dos documentos por ela anexados em sede de Recurso Voluntário, verifico que restam dúvidas se as operações levadas a cabo pelo contribuinte não restam devidamente comprovadas, demandando, ao meu sentir, mais esclarecimentos sobre as operações realizadas e a comprovação de suas respectivas liquidações. Sabese que o lançamento tributário constituise em uma presunção relativa de certeza jurídica, que pode ser ilidida caso o interessado demonstre por meio de provas necessárias e suficientes a desconstituir tal presunção. Logo, após ocorrido todo o procedimento para constituição de relativa certeza quanto à existência do crédito tributário, nada mais justo que a detida análise quanto à veracidade dos documentos que geram considerável dúvida ao órgão julgador. A verificação da congruência entre os documentos reputados pela Recorrente como aptos a desconstituir a exigência do Fisco atende a princípios constitucionais como a indisponibilidade do interesse público e a capacidade contributiva que, juntos, orientam a atividade obrigatória e vinculada da autoridade fiscal. Por isso, não é admitido que a constituição do crédito tributário coexista com quaisquer incertezas. Fl. 17529DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.530 24 Assim, para dirimir o conflito mister é que a unidade preparadora esclareça o seguinte: 1) Quanto ao Saldo Credor de Caixa 1.a) Valor R$ 6.834.369,14 – verificar a autenticidade das notas fiscais n.º 13.886 e 14.167 (fls. 14.364 e 14.365); confirmar junto a empresa GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO (CNPJ n.º 50.290.329/006143) o pagamento de referidas notas fiscais e se eles foram efetivamente contabilizados; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.367 e segs); 1.b) Valor R$ 5.240.961,00 – verificar a autenticidade da nota fiscal n.º 307 (fls.14.382); confirmar junto a empresa CEREAL COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO (CNPJ n.º 00.012.377/000160) o pagamento de referida nota fiscal e se ele foi efetivamente contabilizado; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.383 e segs); 1.c) Valor R$ 77.952.991,58 – verificar a autenticidade das notas fiscais n.ºs 345, 346, 347 e 348 (fls.14.423/14.426); confirmar junto a empresa CEREAL COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO (CNPJ n.º 00.012.377/000160) o pagamento das referidas notas fiscais e se eles foram efetivamente contabilizados; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.427 e segs); 1.d) Valor R$ 2.588.997,06 – confirmar junto a empresa MACLENY DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE BELEZA LTDA. (CNPJ n.º 04.755.458/000101) a contabilização dos direitos creditórios recebidos em virtude do contrato de cessão firmado com a recorrente (vide fls.12.685 e segs.) no montante de 25.030,000,00, e se tal quantia foi efetivamente liquidada e oferecida a tributação; 1.e) Valor R$ 7.733.000,00 – verificar a autenticidade das notas fiscais n.ºs 635 e 637 (fls.14.509/14.510); confirmar junto a empresa CEREAL COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO (CNPJ n.º 00.012.377/000160) o pagamento das referidas notas fiscais e se eles foram efetivamente contabilizados; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.511 e segs); 1.f) Valor R$ 112.474.879,56 – confirmar junto a empresa “HEBER PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ n.º 01.523.814/000173) a contabilização dos direitos creditórios recebidos em virtude do contrato de cessão firmado com a recorrente (vide fls.14.519/14.520.) no montante de R$ 30.000.000,00, e se tal quantia foi efetivamente liquidada e oferecida a tributação; confirmar junto a empresa “HEBER PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ n.º 01.523.814/000173) e MONTE VERDE DE LINS CONSTRUÇÕES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. (CNPJ n.º 03.376.450/000171) a contabilização dos direitos creditórios recebidos em virtude do contrato de cessão firmado entre a Fl. 17530DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.531 25 recorrente e a empresa CONTERN – CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. (CNPJ n.º 56.443.583/000180) (vide fls.14.521/14.523) no montante de R$ 82.474.879,56, sendo R$35.020.307,66 destinado a empresa HEBER PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ n.º 01.523.814/000173) e R$ 47.454.571,90 a empresa MONTE VERDE DE LINS CONSTRUÇÕES E EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. (CNPJ n.º 03.376.450/0001 71), se tais quantias foram efetivamente liquidadas e oferecidas a tributação; 2) Quanto a Omissão de Receitas Lastreada em Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada 2.a) Valor R$ 300.000.000,00 – confirmar junto a empresa BERTIN S/A (CNPJ n.º 09.112.489/000168) a forma de liquidação do contrato firmado com a recorrente (fls. 12.765/12.779) no montante de R$ 1.016.780.979,26 e se tal liquidação foi devidamente contabilizada; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.616 e segs); 2.b) Valor R$ 170.000.000,00 – confirmar junto a empresa COMAPI AGROPECUÁRIA S.A (CNPJ n.º 53.907.341/000101) a forma de liquidação do contrato firmado com a empresa BERTIN S/A (CNPJ n.º 09.112.489/0001 68) (fls. 12.829/12.842) no montante de R$ 350.000.000,00 e se tal liquidação foi devidamente contabilizada; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.646 e segs); 2.c) Valor R$ 1.000.000,00 – verificar a autenticidade da nota fiscal n.º 351 (fls.14.687); confirmar junto a empresa CEREAL COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO (CNPJ n.º 00.012.377/000160) a forma de pagamento de referida nota fiscal e se ele foi efetivamente contabilizado; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.685 e segs); 2.d) Valor R$ 2.319.737,44 – verificar a autenticidade da nota fiscal n.º 16.539 (fls.14.722); confirmar junto a empresa PROD ALIM ORLANDIA S/A COM E IND (CNPJ n.º 53.309.845/000120) a forma pagamento de referida nota fiscal e se ele foi efetivamente contabilizado; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.723 e segs); 2.e) Valor R$ 747.308.810,82 – Intimar a recorrente a apresentar o controle do seu conta corrente entre empresas do mesmo grupo econômico e os documentos que comprovam as movimentações financeiras intragrupo; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente aludidas operações e se os valores que circularam na contas correntes de sua titularidade foram oferecidos a tributação (vide fls. 14.757 e segs); 2.f) Valor R$ 14.918.807,16 – Intimar a recorrente para que anexe aos autos, certidão de inteiro teor referente ao processo n.º 2009.61.07.0103384, bem como a guia do depósito recursal e documento que comprove o efetivo resgate do aludido depósito (vide fls. 16.578 e segs); Fl. 17531DF CARF MF Processo nº 19515.721488/201444 Resolução nº 1302000.478 S1C3T2 Fl. 17.532 26 2.g) Valor R$ 2.300.000,00 – confirmar junto a empresa VOPAK BRASIL S/A (CNPJ n.º 44.167.450/000149) a forma de liquidação do contrato firmado com a recorrente (fls. 12.948/12.959) no montante de R$ 28.000.000,00 e se tal liquidação foi devidamente contabilizada; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 16.609 e segs); 2.h) Valor R$ 3.798.965,24 – confirmar junto a empresa BASF S/A (CNPJ n.º 48.539.407/000118) a forma de liquidação do contrato firmado com a recorrente (fls. 12.961/12.973) no montante de R$ 279.418.614,01 e se tal liquidação foi devidamente contabilizada; verificar se os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente retratam devidamente a operação e se os valores recebidos foram oferecidos a tributação (vide fls. 16.628 e segs); 3) Quanto a Glosa De Despesas Incorridas Com Leasing De Aeronaves 3.a) Intimar o contribuinte a apresentar, os (i) planos de vôos relacionados aos deslocamentos realizados entre as unidades operacionais mencionadas; (ii) os cadernos de manutenção; e o (iii) e os diários da aeronave. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá elaborar relatório fiscal conclusivo acerca de todas as questões postas acima. A recorrente deverá dar ciência deste Relatório Fiscal, podendo se manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro, após expirarse o prazo. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 17532DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907928/2012-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.823
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.822, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 28 /2 01 2- 23 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10875.907928/201223 Acórdão n.º 9303004.823 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10875.907928/201223 Acórdão n.º 9303004.823 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10875.907928/201223 Acórdão n.º 9303004.823 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902904/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 04 /2 01 1- 64 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.902904/201164 Acórdão n.º 3301003.495 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.894. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.902904/201164 Acórdão n.º 3301003.495 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.902904/201164 Acórdão n.º 3301003.495 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720036/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ARTIGO 20-A DA LEI Nº 9.430/1996. O artigo 20-A, da Lei nº 9.430/1996, determina expressamente que sua aplicação deve ocorrer para fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2012. Afastar esta previsão sob o argumento de que tal lei teria violado o CTN implica análise de questão constitucional, análise esta cuja competência não detém este Conselho, conforme artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e Súmula CARF nº 2.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. COMPATIBILIDADE. A Lei nº 9.430/1996, que introduziu o controle de preços de transferência no Brasil, é compatível com os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados pelo País, em matéria relativa ao princípio arms length.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária.
Numero da decisão: 1201-001.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano e Luiz Paulo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ARTIGO 20A DA LEI Nº 9.430/1996. O artigo 20A, da Lei nº 9.430/1996, determina expressamente que sua aplicação deve ocorrer para fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2012. Afastar esta previsão sob o argumento de que tal lei teria violado o CTN implica análise de questão constitucional, análise esta cuja competência não detém este Conselho, conforme artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 e Súmula CARF nº 2. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. COMPATIBILIDADE. A Lei nº 9.430/1996, que introduziu o controle de preços de transferência no Brasil, é compatível com os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados pelo País, em matéria relativa ao princípio arm’s length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 36 /2 01 3- 11 Fl. 3189DF CARF MF 2 senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano e Luiz Paulo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, que resultaram na glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa apurados pela contribuinte no ano calendário de 2008, em razão de ajuste dos “preços de transferência”. Segundo consta do TVF (fls. 2817 a 2859), a contribuinte utilizou, para fins de controlar suas operações aos preços de transferência de 2008, os métodos “PRL” (de “20” e “60”) e “PIC” de forma indevida, fato este que resultou nos recálculos dos preços praticados e parâmetros, de modo a verificar a necessidade de ajustes adicionais àqueles efetuados. A aplicação do método PIC foi desconsiderada pela fiscalização, sob a alegação de que as empresas exportadoras seriam vinculadas à Recorrente, o que violaria a prescrição do artigo 8º, da IN SRF nº 243/2002. No que concerne ao PRL20 e PRL60, o auditor fiscal responsável pelo lançamento, num primeiro momento, afirma que o cálculo “foi efetuado de forma incorreta pela empresa, tendo em vista que a IN 243/02 determina a utilização do custo CIF + II, e não do custo FOB, erroneamente adotado pelo contribuinte. (fls. 2827). Fl. 3190DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.190 3 A fiscalização, para o PRL 60, alega que a contribuinte não observou a fórmula de cálculo prevista no art. 12, § 11, da IN SRF 243/02, adotando um critério mais vantajoso que não pode prevalecer. Ademais, através de alguns exemplos pontuais, a fiscalização também busca evidenciar outros erros que teriam sido cometidos pela contribuinte. Especificamente quanto ao cálculo do PRL20, entendeu a fiscalização que alguns itens não poderiam ter sido assim calculados, uma vez que teriam “entrado na produção” (ou seja, teriam sido revendidos com agregação de valor no país). Foi detectado, ainda, que a empresa indevidamente não teria adotado nenhum método para determinados produtos importados de empresas vinculadas (item 2.2.1.3. do TVF). Nesse contexto, a fiscalização refez todo o controle de preços de transferência do ano base de 2008, adotandose como base o PRL 60 regulamentado pela IN SRF nº 243/2002. E como resultado desse trabalho, foi apurado o valor de ajuste de R$ 1.102.353,63 no que diz respeito ao PRL20 (vide fls. 649); e de R$ 95.838.515,28 para o PRL60 (fls. 663), totalizando R$ 96.940.868,91, ao invés de R$ 1.379.098,47 informados pela Recorrente na sua DIPJ. Tramitado o feito, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 2878 a 2933), arguindo, em síntese: (i) a nulidade da autuação fiscal por infração ao artigo 20A da Lei nº 9.430/1996; (ii) a ilegalidade e problemas práticos do cálculo do PLR60 previsto na Instrução Normativa nº 243/2002 que acarretam na sua inaplicabilidade; (iii) a incompatibilidade do ajuste fiscal promovido em face dos tratados internacionais; (iv) que o fisco deveria ter aplicado margem de 20%, e não 60%; (v) a indevida inclusão de valores relativos a frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado tomado como base pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/SP1, nos termos do Acórdão 1654.173 (fls. 3069 a 3081), cuja ementa foi assim redigida: “ATO NORMATIVO. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. VEDAÇÃO. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de entendimento da administração tributária expresso em ato normativo, com fundamento em sua suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. INSTRUÇÃO NORMATIVA. PRINCÍPIO ARM’S LENGTH. COMPATIBILIDADE. A verificação de ocorrência de condições favorecidas em operação realizada entre pessoa residente e vinculada não residente passa pela observância da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, ato normativo expedido com fundamento de validade na Lei nº 9.430/1996, que introduziu o controle de preços de transferência no Brasil, sendo compatível com os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados pelo País, em matéria relativa ao princípio arm’s length. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ESCOLHA DO MÉTODO. COMPROVAÇÃO. A adoção de método de apuração de preço de transferência está condicionada à comprovação dos elementos utilizados pelo contribuinte para o cálculo do preço parâmetro. Fl. 3191DF CARF MF 4 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. A possibilidade de o contribuinte ser intimado a apresentar novo cálculo de método de controle de preço de transferência, quando o originalmente adotado para o ano calendário for desqualificado pela autoridade fiscal, somente é aplicado a partir dos fatos geradores do anocalendário 2012. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DESPESAS COM FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. O valor de frete e seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação devem ser incluídos na apuração dos preços praticados, assim como dos preços parâmetros, segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro). CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.” Discordando do teor da decisão de primeiro grau, cuja ciência ocorreu em 29/01/2014 (fls. 3179), a contribuinte, em 22/02/2014, interpôs recurso voluntário (fls. 3085 a 3146), o qual, em resumo, reproduz os mesmos argumentos trazidos na impugnação, que foram classificados em oito itens distintos, a saber: item II.1 – argui a nulidade do Auto por infração ao artigo 20A, da Lei nº 9.430/96; item II.2 – pede o reconhecimento da invalidade do lançamento, tendo em vista que este diverge da fórmula para cálculo do preço parâmetro prevista na Lei nº 9.430; item II.3 – aduz que a sistemática de cálculo prevista na IN 243, utilizada pelo auditor fiscal responsável pelo lançamento, fere o princípio da estrita legalidade; item II. 4 – diz que a IN 243 criou uma presunção absoluta não prevista em lei; item II.5 – a IN 243 contém problemas no cálculo, indicados nos subitens II.5.1 a II.5.4, que inviabilizam sua aplicação prática; item II.6 – argumenta que a sistemática do PRL60 prevista na Lei nº 9.430 expressa o fim legítimo do legislador; item II.7 – afirma que a conduta da contribuinte no sentido de efetuar o controle de preço de transferência com base no critério do PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é legítimo e não merece reparos; item II.8 – argui que, ainda que se entendesse que a IN 243 pudesse majorar um tributo sem base em lei, teria de se admitir que a sua aplicação estaria vedada em razão dos tratados internacionais; item II.9 – pede que, na hipótese da sistemática da IN 243 ser considerada legítima, aplicase a margem única de 20%, ao invés de 60%; e item II.10 – argumenta que, ao apurar os ajustes decorrentes do PRL 60, a fiscalização incorreu em outro equívoco, qual seja, a inclusão de valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo “CIF”). É o relatório. Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.191 5 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos processuais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. De plano, convém frisar que a Recorrente não contestou o mérito da desconsideração do método PIC promovida pela fiscalização, bem como a inclusão de itens para as quais a empresa não havia adotado nenhum método de controle de preços de transferência. Sua insurgência, na verdade, recai em relação aos critérios para a definição dos preços parâmetros desses produtos, a partir do PRL 60 adotado pela fiscalização. Da preliminar de nulidade A Recorrente pede a nulidade do lançamento, sob o argumento de que não teria sido observada a “regra procedimental” prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 12.715/2012, que assim dispõe: “Artigo 20A A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. [...]” No entender da Recorrente, o procedimento previsto no artigo 20A acima deveria ter sido seguido, afinal a fiscalização ocorreu em 2013, data na qual a lei já estava vigente. E, não tendo sido seguido tal procedimento, o Auto de Infração deve ser declarado nulo. Ao enfrentar a questão, a decisão recorrida assim se manifestou (fls. 3077): “O direito de o contribuinte ser intimado a, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação, não alcança o período de apuração objeto desta autuação (anocalendário 2008), uma vez que a mencionada alteração legislativa somente é válida para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012. Com efeito, essa é a interpretação a ser dada ao comando do caput do art. 20A da Lei nº 9.430/1996, ao determinar que “A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o ano calendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal”. Fl. 3193DF CARF MF 6 A Lei fixou, como regra geral, que o contribuinte deve adotar somente um dos métodos de preços de transferência para todo o anocalendário, entendimento explicitado na IN RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, em seu art. 41: Art. 41. A utilização do método de cálculo de preço parâmetro deve ser consistente por bem, serviço ou direito, para todo o anocalendário. Por sua vez, se a regra que introduz um dever ao contribuinte somente pode ser aplicada a partir do período de apuração 2012, a mitigação dessa mesma regra, consistente na intimação do sujeito passivo a apresentar um novo método, caso o original seja desclassificado pela fiscalização, também somente será aplicável para os fatos geradores ocorridos a partir desse mesmo anocalendário. Portanto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada.” (grifei). A meu ver esse item da decisão não merece reparo. O artigo 20A, da Lei nº 9.430/1996, pois, determina expressamente que sua aplicação deve ocorrer para fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2012. Afastar tal previsão sob o argumento de que tal lei teria violado o CTN, como pretende a Recorrente, implicaria análise de questão constitucional (hierarquia de normas), análise esta cuja competência não detém este Conselho (cf. artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 e Súmula CARF nº 2). Dos tratados internacionais firmados entre o Brasil e os países de onde a Recorrente importou os itens que ensejaram o ajuste do lucro real e da base de cálculo da CSLL A Recorrente alega que a aplicação das regras de preço de transferência estaria vedada em razão dos tratados internacionais, já que os mesmos determinam a observância do princípio “arm’s lengh”. A decisão recorrida não acatou esse argumento, sob a seguinte justificativa (cf. fls. 3080/3081): Aduz também a impugnante que, mesmo se concluísse pela legalidade da IN SRF nº 243, ela somente poderia ser aplicada se a fiscalização tivesse comprovado que a contribuinte teria deixado de observar o princípio “arm’s length”, pois o art. 9º, b da Convenção Modelo da OCDE, também presente nos tratados firmados entre o Brasil e os outros países para evitar a bitributação, veda o ajuste nas contas de empresas associadas se as transações entre elas se efetuaram em condições de mercado aberto normal. O mencionado artigo 9º do Acordo Destinado a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Popular da China, celebrado em Pequim, em 5 de agosto de 1991, e promulgado pelo Decreto nº 762/1993, assim está redigido: ARTIGO 9º Empresas Associadas 1. Quando: a) uma empresa de um Estado Contratante participar direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de empresa do outro Estado Contratante, ou Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.192 7 b) as mesmas pessoas participarem direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de empresa do outro Estado Contratante, e, em ambos os casos, as duas empresas estiverem ligadas, em suas relações comerciais ou financeiras, por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, sem essas condições, teriam sido obtidos por uma dessas empresas mas não o foram por causa destas condições, podem ser incluídos no lucro dessa empresa e tributados como tal. A ocorrência da prática de preços favorecidos a pessoa vinculada encontrase definida nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996, que cuidam do preço de transferência, a partir de hipóteses fáticas, que presumem a evasão de divisas e/ou erosão da base tributária nacional, mediante determinadas circunstâncias e operações realizadas entre pessoas vinculadas, nos termos delimitados pelo legislador. Esse disciplinamento não colide com o artigo 9º desse Acordo, tampouco com os demais celebrados pelo Brasil que contêm disposição semelhante, tendo a Receita Federal já se manifestado nesse sentido, mediante a Solução de Consulta Cosit nº 6, de 23/11/2001, cuja ementa reproduzse abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei nº 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9º do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções , e os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei nº 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm’s length. Aplicase o método Preço de Revenda menos Lucro – PRL, com margem de lucro de sessenta por cento, ao processo de produção de outro bem, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2000. Conforme cediço, os mencionados dispositivos legais, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, valendo dizer que, nessa medida, era também o legítimo instrumento a explicitar os critérios legais para fins de verificação ou não da ocorrência da prática de condições favorecidas em transações realizadas entre residentes e pessoas vinculadas não residentes. E, diferentemente do que alegou a contribuinte, quem primeiro deve demonstrar que seus preços praticados seguem o princípio arm’s length é ele mesmo, uma vez que é o primeiro a aplicar os métodos de controle de preço de transferência regulamentados pela IN SRF nº 243/2002, devendo conservar suas memórias de cálculo e documentos para comprovar os valores registrados na contabilidade e livros fiscais. Portanto, não há que se falar em prévia comprovação de que a operação com a pessoa vinculada se deu em condições anormais de mercado como requisito para se aplicar a IN SRF nº 243/2002, uma vez que ela própria, autorizada por lei, é que prevê as hipóteses em que se presume ocorrida essa situação. Fl. 3195DF CARF MF 8 Não vejo necessidade de reparo desse tópico da decisão. A legislação dos preços de transferência, pois, é fruto da necessidade de controle das transações entre empresas vinculadas, de modo a evitar que a manipulação dos preços praticados possa afetar o mercado de livre concorrência, assim como a evasão de divisas. As operações entre partes vinculadas são diferentes das transações entre empresas independentes em face da ausência do princípio do livre comércio, havendo uma tendência de busca por maiores vantagens que pode favorecer o preço praticado. É neste contexto que surge a necessidade de criar um controle das transações realizadas entre empresas vinculadas, a fim de buscar um certo equilíbrio ao presumir preços mínimos e máximos como parâmetros. Tratase a legislação de preços de transferência, a meu ver, de legislação mais específica, devendo ser aplicada em conformidade com a lei. Não vejo nenhum conflito entre ela e os tratados internacionais, notadamente o artigo 9º. Da ilegalidade do critério de cálculo do PLR60 previsto na IN nº 243/2002 Como dito anteriormente, a autoridade fiscal desconsiderou as memórias de cálculo apresentadas pela Recorrente referentes à aplicação dos métodos de controle de preços de transferência no ano base de 2008 e elaborou um novo cálculo, partindose do PRL60 de acordo com a metodologia prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002 (“IN 243/02”). O método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 60% foi introduzido pela Lei nº 9.959/00, ao conferir a seguinte redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (...)” (grifei). Na fórmula construída a partir do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 – anteriormente admitida pela própria Receita federal na revogada IN SRF nº 32/2001 , a margem de lucro corresponde a 60% do preço líquido de venda subtraído o valor agregado no país. Apesar do legislador fixar um alto percentual de lucratividade (60%), permitiu a subtração do valor agregado no país para efeito de determinação da margem de lucro. Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.193 9 Em novembro de 2002, porém, sem que houvesse qualquer modificação legislativa atinente à matéria, a Receita Federal do Brasil revogou a IN SRF nº 32/01 e editou a IN 243, cujo art. 12, inciso IV, item ‘b’ e § 11, previam, à época dos fatos: “Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (...)” (grifei). Da leitura dos dispositivos acima transcritos, notase, de imediato, a diferença existente entre as formas de cálculo preconizadas pela Lei nº 9.430/96 e pela IN nº 243/02. Enquanto a lei, ao dispor sobre a fórmula de cálculo do preço parâmetro, prescreve que o percentual de 60%, incidente sobre o valor do preço líquido de venda do produto diminuído do Fl. 3197DF CARF MF 10 valor agregado no país, seja deduzido do valor líquido de venda integral, a IN 243 determina que o percentual de 60% seja excluído de uma base menor, qual seja, a parcela do preço líquido de venda do produto pela qual respondem os bens, serviços ou direitos importados, do que decorre um resultado invariavelmente menor. No método PRL60, tal como previsto na IN 243/02, a margem de lucro de 60% não mais deve ser apurada sobre a média aritmética dos preços de revenda dos bens, diminuídos dos descontos incondicionais, dos tributos sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País, mas sim sobre a participação do bem ou serviço importado no preço de venda do produto. Com a edição da IN 243/02, então, percebese claramente que, para fins de quantificação do preço parâmetro, foi introduzida um novo método de cálculo da margem de lucro, que passou a ser definida mediante aplicação de 60% sobre a participação do bem ou serviço importado no preço de venda do bem produzido. A aplicação do PRL 60 segundo a IN 243/02 leva a resultado diverso daquele que decorre da sistemática legal. Isso pode ser verificado com base no exemplo demonstrado abaixo, o qual, partindose de premissas iguais, calcula o ajuste de preços de transferência apenas na sistemática desenhada pela IN 243/02: Descrição Texto Legal (art. 18, da Lei 9.430) Valores Preço médio de venda Média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos a 138 Descontos, impostos e comissões/corretagens a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; b (18) Valor agregado no país c (35) Margem de 60% d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; d 60% de (a – b – c) (51) Preço parâmetro II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: ... d) da margem de lucro de sessenta por cento ... e a b d 69 PreçoPraticado 60 Ajuste o Descrição Texto da IN 243 (art. 12) Valores Preço médio de venda média aritmética ponderada dos preços de revenda diminuído a 138 Descontos, impostos e comissões/corretage ns I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; b (18) Custo do bem importado c 60 Custo agregado no d 35 Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.194 11 país I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas e (a – b) 120 Margem de 60% II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa f c / (c + d) 63,16% III – participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total sobre o preço líquido de venda g (f x e) 75,79 IV 60% sobre a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido h 60% de g 45,47 Preço parâmetro a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV i g – h 30,32 PreçoPraticado 60 Ajuste 29,68 Esse exemplo (somado a inúmeros outros, como o que foi trazido pela Recorrente às fls. 3101 e 3102), demonstra que a IN 243/02 acabou, na verdade, por instituir um critério jurídico de cálculo que proporciona tributação mais gravosa para os contribuintes. Ora, a divergência entre as sistemáticas da Lei nº 9.430/96 e da IN nº 243/02 geram resultados distintos para o mesmo cálculo de preço de transferência segundo o método PRL 60, afetando diretamente a composição do preço parâmetro. Como resultado, despesas que são dedutíveis segundo uma sistemática passam a ser indedutíveis segundo a outra. Aplicandose o PRL 60 pela sistemática prevista na Lei nº 9.430/96, o preço de mercado de um bem é apurado pela simples subtração, do preço líquido de revenda, de uma margem de lucro de 60%. A margem de lucro efetiva, por sua vez, varia conforme a agregação de valor no País. Bem diversa é a metodologia empregada na IN 243/02, que inegavelmente criou critério diferente da lei para apuração do PRL 60%, incluindo na sua fórmula o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Pelo critério da IN 243/02, partese do preço líquido de venda para identificar uma grandeza intermediária, não contemplada pelo texto legal, correspondente à participação do bem importado no produto revendido (proporcionalização do preço de revenda, portanto). Fl. 3199DF CARF MF 12 E nem se diga que essa proporcionalização seria uma exigência lógica, decorrente de necessidade de correção de um erro no PRL 60. Isso porque, em matéria tributária, vige o princípio da legalidade, de forma que não cabe à Instrução Normativa “corrigir” o legislador. A lei, somente a lei, é que pode instituir ou majorar tributos. Nesse sentido se manifestou Hiromi Higuchi (Imposto de Renda das Empresas. São Paulo: IR Publicações. 36ª ed. 2011. pp 158 e 162): “[...] A seguir, será provada a ilegalidade da metodologia adotada pelo art. 12 da IN nº 243/2002, não merecendo ser cumprida pelos contribuintes. [...] O art. 12 da IN nº 243/2002 não considerou nos cálculos a totalidade do preço líquido de venda e nem a totalidade do valor agregado no país como determina a lei. A Instrução, sem base legal, apurou o percentual de participação dos bens importados na formação do custo total do bem produzido e aplicou esse percentual no preço líquido de venda e no valor agregado no País. O critério adotado pela Instrução de não considerar a totalidade do custo agregado no País é absurdo porque toda indústria aplica o percentual de margem de lucro sobre o custo total do produto, sem indagar o percentual de participação de bens imprtados na formação do custo de produção. Se a metodologia da lei está incorreta, devese alterar a lei mas não é possível alterar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL através de ato administrativo, contrariando a lei”. Ao estabelecer, pois, uma fórmula de cálculo do PRL 60 que se distancia daquela prevista na Lei (e reproduzida na IN 32/01), e que tem por reflexo o aumento do ajuste a título de preço de transferência (majoração de tributo, portanto), a IN 243/02 violou a estrita legalidade. A Exposição de Motivos da MP 563/12, convertida na Lei nº 12.715/12 (a qual incorporou à Lei nº 9.430/96 a metodologia de cálculo do PRL 60 prevista na IN 243), é elucidativa nesse ponto. Vejase: “56. (...) Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. 57. Os artigos 38 a 42 deste projeto de Medida Provisória promovem alteração na legislação de preços de transferência [...] 60. Vale frisar que a crescente internacionalização da atuação de agentes econômicos brasileiros, bem como a maior abertura à atuação desses agentes multinacionais em nosso território, conduzem ao risco tributário de esvaziamento da base imponível brasileira, razão pela qual propõese o aperfeiçoamento dos controles concernentes à matéria, inicialmente instituídos em 1996. 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade Fisco Contribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. [...] Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.195 13 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto de Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” (grifos nossos) Os trechos acima não deixam dúvidas de que a MP 563/12 buscou instituir uma nova realidade e não convalidar uma préexistente. A MP, a propósito, deixa claro que a nova sistemática poderia ensejar aumento de tributo, razão pela qual fez questão de ressaltar a observância ao princípio da anterioridade. Ora, tal norma foi editada justamente porque a matéria demanda lei, não podendo ser disciplinada por ato infra legal, como uma instrução normativa. Isso significa dizer que a metodologia de cálculo prevista pela IN 243/02, quando muito, veio a possuir fundamento legal apenas com a MP 563/12 (convertida na Lei nº 12.715/2012). Entretanto, o mesmo não ocorre em relação ao período anterior à sua vigência, pois a MP nº 563/12 não poderia legalizar atos pretéritos, buscando, sobretudo, inovar a ordem jurídica, conforme descrito na exposição de seus motivos. Da análise da evolução legislativa da matéria, verificase que o critério de cálculo da IN 243/02 somente passou a ter base legal com a publicação da MP 563/12 (e sua posterior conversão na Lei nº 12.715/2012), o que ratifica a conclusão sobre sua inaplicabilidade até 2012. Do ponto de vista jurisprudencial, destacamse as seguintes decisões em prol da ilegalidade da metodologia de cálculo prevista na IN 243/02: “TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN Nº 243/2002. ILEGALIDADE. RECURSO PROVIDO. Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro" (art. 18 da Lei nº 9.430/1996). À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, incluindo a de nº 243/2002, que extrapolou o poder regulamentar que lhe é imanente, daí se avistando ofensa ao princípio da reserva da lei formal. Necessidade de se garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei nº 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN nº 243/2002. Fl. 3201DF CARF MF 14 Recurso provido”. (grifei). (TRF 3ª Região. AC 003404852.2007.4.03.6100/SP. Dj 14/09/2010). “PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – PRL – 60% IN SRF 243/02 – ILEGALIDADE – A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60%) do preço. As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. (...)” (Acórdão 1302000.915. Sessão de 10/04/2012). “CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo.” (Acórdão 1202000.835. Sessão de 07/08/2012). “PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados.” (Acórdão nº 1101 00.864. Sessão de 07/03/2013). “RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento.” (Acórdão nº 1301001.235. Sessão de 09/10/2014). Caminhando nessa mesma direção, considero que o ajuste levado a cabo pela fiscalização no preço parâmetro para efeitos de PRL60, por ter sido feito com base na fórmula estabelecida na IN 243/02, em arrepio à Lei nº 9.430/96, deve ser cancelado. Ao contrário do que quer fazer crer a decisão de piso, havendo incompatibilidade entre uma instrução normativa e uma lei – como é o caso concreto – deve a lei prevalecer. Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.196 15 Da ilegalidade quanto à inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado A Recorrente alega que a fiscalização incorreu em outro equívoco, qual seja, a inclusão de valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo “CIF”). Já a DRJ entende que tal inclusão é legítima, uma vez que a IN 243 (artigo 4º, 4º) assim determina: “para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os tributos não recuperáveis, devidos na importação”. Com efeito, o artigo 18 da Lei n° 9.430/96 assim determina: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos [...]” Do artigo acima transcrito depreendese que a limitação na redução dos custos, despesas e encargos constantes dos documentos de importação ou de aquisição de bens somente apenas se aplica nas operações efetuadas com pessoa vinculada. Seja por não corresponderem a “importações” ou por não terem sido pagos a pessoa vinculada, os custos com frete, seguros e tributos devidos na importação não se sujeitam aos limites de dedutibilidade previstos pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96. Logo, tais custos não poderiam ensejar ajuste por conta da aplicação desse dispositivo, devendo ser neutros para fins de aplicação do controle de preços de transferência. O legislador mostrouse atento ao estabelecer que as parcelas aqui comentadas devem ser dedutíveis, ainda que o custo da importação (o preço do produto propriamente dito) sofra limitações ante a aplicação dos métodos de preços de transferência. E isso nem poderia ser diferente: tais encargos não são abrangidos pelo escopo definido no caput do art. 18, notadamente porque não são pagos a partes vinculadas e, consequentemente, devem ser considerados dedutíveis. No julgamento do processo nº 16561.000042/200971, ocorrido em sessão do dia 25 de novembro de 2015, o relator do caso, Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, foi direto ao ponto ao afirmar que os valores pagos a título de frete e seguros, quando pagos a pessoas não vinculadas, e os tributos incidentes sobre a transação, não estão sujeitos ao controle dos preços de transferência. É o que se lê dessa passagem do acórdão nº 1102001.238 (Sessão de 25/11/2015): “Essa constatação fica mais clara quando se vê que o caput do mesmo artigo restringe o custo a que se refere às operações efetuados com pessoa vinculada, verbis: (...) Fl. 3203DF CARF MF 16 Destarte, como os valores de frete e seguro são normalmente pagos a pessoas não vinculadas, eles, em regra, não estão sujeitos ao controle dos preços de transferência. Igualmente, os tributos incidentes sobre a importação. Não se pode, portanto, entender que a lei manda adicionar esses valores no cálculo da média aritmética ponderada representativa do “preço praticado”. Nem se pode alegar que, na hipótese de o frete ou o seguro ser pago a pessoa vinculada, o § 6º faria sentido porquanto haveria que se efetuar o controle do respectivo preço. Primeiro, porque os tributos incidentes na importação não poderiam ser incluídos nesta ilação. Depois, porque este seria um outro preço e seu controle pode ser feito separadamente.” Destacase, também, julgado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que entendeu que os valores de frete, seguro e imposto de importação não integram o preço praticado. Confirase: “IRPJ – CSLL – PREÇO DE TRANSFERÊNCIAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) – FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO – Os valores de frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro.” (Acórdão nº 110200.302. Sessão de 16/05/2011). Ressaltese, ainda, que, ao analisar a noção de “comparabilidade” entre preço parâmetro e preço praticado, a Câmara Superior de Recursos Fiscais chegou a afirmar expressamente que a exclusão dos valores de frete, seguros e impostos na determinação do preço praticado independe da sua consideração no cálculo do preço parâmetro, que é, por definição, uma presunção legal. É o que se nota do voto condutor do trecho do Acórdão nº 910101.166, proferido pela 1ª Turma da CSRF em Sessão de 12 de setembro de 2011, in verbis: “Na jurisprudência desta Corte Julgadora é possível encontrar entendimentos nos dois sentidos. Ou seja, tanto no sentido de que os valores do frete, seguro e impostos deveriam integrar a apuração do ‘preço parâmetro’, independentemente de a importação ter sido efetuada conforme cláusula FOB — Free on Board (Acórdão n° 10323.199 e acórdão recorrido), quanto no sentido de que se deve incluir o valor do frete e do seguro, somente quando o ônus tenha sido do importador (Acórdão nº 10809.763, dentre outros). Peço vênia para reproduzir os argumentos exarados nos votos condutores dos referidos acórdãos: [...] A despeito dos posicionamentos acima referidos, pareceme que o cerne da questão gira em torno de erro semântico na adoção dos termos ‘preço praticado’ e ‘preço parâmetro’. Pareceme, ‘data maxima venia’, que há equívoco na transposição da disposição acerca do preço praticado para parâmetro e viceversa. Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preço parâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no prego parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente irreparável entendimento que Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.197 17 caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico.” (grifos nossos) Feitas essas considerações, entendo que, por falta de previsão legal, devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela fiscalização para aplicação do método PRL60. Ou seja, o preço praticado deve ser considerado levando em conta o custo FOB da operação, e não o custo CIF + II. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL decorrentes (i) da aplicação da fórmula do PRL 60 prevista na IN SRF nº 243/2002 e (ii) da inclusão dos valores de frete, seguro e impostos (custo CIF + II) nos preços considerados pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para dele divergir quanto à ilegalidade da IN/SRF nº 243/2002 para efeito de ajustes de preços de transferência pelo método PRL60 e da ilegalidade da inclusão de valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo “CIF”). Da Inclusão dos Valores de Frete, Seguro e Tributos sobre a Importação: Ao auditar os cálculos dos preços de transferência segundo o método PRL, a autoridade verificou que a contribuinte deixara de agregar ao preço de aquisição (FOB) de cada produto importado os valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Por entender que tal conduta violou o disposto no art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, promoveu a inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado. Em sua defesa, a recorrente alega que a melhor interpretação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 é aquela que entende que não foi a intenção do legislador incluir o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas tão somente integrálos ao custo para efeito de dedutibilidade para fins de cálculo do lucro real, como diz a própria lei. Daí o legislador ter incluído a expressão "para efeito de dedutibilidade" no §6º do art. 18 da Lei 9.430/96. Dessa forma, segundo a contribuinte, não resta dúvida de que a interpretação conferida pela Fiscalização ao art. 4º, §4º da IN 243 não é a mais adequada e merece ser de pronto afastada. Fl. 3205DF CARF MF 18 Pois bem, sobre o assunto o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 assim prescreve: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...) O art. 18, caput, estabelece que o custo sujeito a ajuste em razão da regra de preços de transferência é o preço de aquisição do produto importado junto à pessoa vinculada residente no exterior. Por sua vez, o parágrafo 6º da norma estabelece que o preço praticado é o preço de aquisição do produto acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente, o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Argumenta a recorrente, também, ser incorreta a interpretação de que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabeleça a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado. Afirma que, como as transações são realizadas entre partes independentes e, portanto, reguladas exclusivamente por condições de livre mercado estariam, por determinação legal do caput do art. 18 da Lei 9.430/96, fora do escopo das regras de preço de transferência. Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.198 19 Para explicar essa situação trago a colação o trecho do voto condutor proferido no Acórdão nº 1201001.161 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na sessão de 05 de março de 2015, do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, verbis: Quanto a essa alegação há que se dizer, em primeiro lugar, que a recorrente não logrou êxito em demonstrar adequadamente o papel que, em sua interpretação, desempenha o parágrafo 6º da norma o qual, como dito antes, expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Dito de outro modo, a “interpretação” do art. 18 defendida pela recorrente, a meu ver, não se sustenta como interpretação propriamente dita, nos exatos termos em que esse vocábulo é compreendido no âmbito da Ciência do Direito. Mas digamos que, de fato, também seja possível interpretarse o art. 18 da Lei nº 9.430/96 do modo sustentado pela recorrente, ou seja, no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não integram o preço praticado. Nesse hipótese teríamos, então, duas interpretações possíveis da mesma norma e, em sendo assim, haveríamos de verificar qual das duas é a interpretação “correta”. E será considerada “correta” aquela que melhor atender aos métodos de hermenêutica jurídica acolhidas pelo Direito. Passemos então a examinar as duas interpretações quanto à sua correção. No que concerne à interpretação proposta pela recorrente, percebese ser ela fruto de um componente finalístico, qual seja, que as normas de preço de transferência têm como finalidade regular operações realizadas entre pessoas residentes no país e pessoas a ela ligadas, residentes no exterior. Em assim sendo, não seria finalidade da norma regular operações de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação pois, via de regra, não são elas realizadas entre pessoas vinculadas. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela defesa, a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não significa que tais operações estejam sendo submetidas às regras de preços de transferência. Mais especificamente, apesar de tais valores integrarem o preço praticado, não são eles objeto de adição ao lucro real. Não é demais lembrar que tanto o preço de aquisição do produto importado, quanto valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, são custos integralmente dedutíveis na apuração do lucro líquido do período. A adição ao lucro real, a título de preços de transferência, limitarseá à diferença positiva verificada entre o preço praticado e o preço parâmetro. Como se verá adiante, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação entram no cálculo do preço praticado apenas para fins de possibilitar sua comparação com Fl. 3207DF CARF MF 20 o preço parâmetro calculado segundo o método PRL, pois neste também estão incluídos os mesmos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a interpretação proposta pela contribuinte não se sustenta pois a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado de modo algum significa que tais operações estejam sendo submetidas a controle por preços de transferência. Por outro lado, a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, albergada pelo art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, e empregada pela autoridade fiscal no caso sob exame, também é fundada em um componente finalístico, qual seja, possibilitar a comparação entre preço praticado e preço parâmetro, conforme já adiantado acima. A questão da comparabilidade entre o preço praticado na importação de produtos junto a pessoas vinculadas, e aquele que seria praticado em operações entre pessoas não vinculadas, está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação entre o valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas, e o valor da mesma transação realizada entre pessoas não vinculadas, é a identificação do quanto a vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade entre o preço praticado e o preçoparâmetro. No caso do método PRL o preçoparâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de produtos importados junto a pessoas vinculadas (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Pois bem, o pressuposto para o emprego do PRL20 é que o produto seja revendido a uma pessoa não vinculada, em condições de livre mercado. Em transações entre pessoas não vinculadas e em condições de livre mercado, é lícito pressupor que o revendedor (no caso, a contribuinte) procurará obter uma remuneração por sua atividade, ou seja, procurará obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro em tais condições é de 20% o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preçoparâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preço parâmetro PRL20) inclui não só o preço estimado de aquisição Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.199 21 do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação deste produto. Resumindo, preçoparâmetro PRL20 é um preço CIF + Trib. s/imp. Isso posto, a comparação direta entre o preço de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preçoparâmetro PRL20 (CIF + Trib. s/imp), como quer a recorrente, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se a contribuinte está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição com o preçoparâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, apenas para efeito dessa comparação, é necessário, adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso obteremos o preço praticado de que cuida o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. O importante é ter em conta que, como dito antes, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não foram glosados pela autoridade. O que o auditor fez foi adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, a parcela do preço de aquisição do produto excedente ao preço que o produto seria adquirido em condições de mercado. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integraram tanto o preço praticado como o preço parâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não compor nem o preço praticado nem o preçoparâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preçoparâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem são incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96), ou bem não são incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines). Da Alegada Ilegalidade da IN SRF 243/2002 ao Regulamentar o PRL60 Alega a contribuinte que a sistemática de cálculo pelo método PRL 60 prevista pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002 é flagrantemente ilegal e que tal ilegalidade já foi reconhecida pelo CARF e pela própria Receita Federal do Brasil. Aduz que o cálculo do PRL 60% segundo a IN 243 gera uma série de problemas e discrepâncias. Aduz, ainda, que na remota hipótese de que se reconheça que a sistemática do PRL nos termos da IN Fl. 3209DF CARF MF 22 243 é legal, o que se admite apenas a título argumentativo, temos que a margem a ser aplicada seria a 20% (vinte por cento). Quanto à ilegalidade do ato normativo que teria extrapolado o poder regulamentar face ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, faço minhas as razões expostas pelo relator no voto condutor proferido no Acórdão nº 1201001.161, citado anteriormente, verbis: (...) 2.2.2) O PRL60 e a Lei nº 9.430/96 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 frente à Lei nº 9.430/96, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430/96 acerca do PRL60. Isso porque é impossível identificarmos a existência, ou não, de violação de uma lei por um ato normativo se sequer sabemos exatamente o que a lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento Linguístico Para melhor compreendermos, sob o ponto de vista meramente linguístico, o art. 18 da Lei nº 9.430/96, é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preçoparâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.200 23 Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) O cálculo do preçoparâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. (...) Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro (...). Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 3211DF CARF MF 24 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País” contida no texto legal deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento LógicoEconômico Se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pela contribuinte só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preçoparâmetro, o qual é conceituado como o preço que seria praticado na importação de um determinado bem, acaso essa operação fosse realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preçoparâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado bem produzido no Brasil, bem esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado, adquirido de uma pessoa vinculada no exterior. Em outras palavras, no preço de venda do bem produzido no país logicamente está incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.201 25 Isso posto, é lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60, é necessário que, do preço de venda do bem produzido sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, (...) Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo preçoparâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é aquela aqui sustentada, (...). 2.2.3) Da Alegação de Ilegalidade da IN SRF 243/2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser afastada por este Conselho. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243/2002. Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: Fl. 3213DF CARF MF 26 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (..) Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o cálculo do preçoparâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96, (...) Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Ainda em relação ao cálculo do preçoparâmetro PRL60 previsto na da IN SRF 243/2002, traz a defesa um segundo argumento para afirmar sua ilegalidade. Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.202 27 Diz a recorrente que a Medida Provisória nº 478/2009 pretendeu incluir no corpo da Lei nº 9.430/96 a sistemática de cálculo do PRL60 prevista na IN SRF 243/2002. Explica que, como não se pode presumir que o legislador tenha criado norma jurídica desprovida de qualquer utilidade, está claro que seu intento foi o de criar uma disciplina jurídica nova para o PRL60, a qual por certo somente se aplicaria a fatos posteriores à sua publicação, observado ainda o princípio constitucional da anterioridade. Conclui, assim, que o cálculo do PRL60 previsto na IN 243 não encontrava amparo na Lei nº 9.430/96, e ademais continua sem amparo legal haja vista que a MP 478 não foi convertida em lei. A meu ver, também aqui não assiste razão à defesa. Conforme se observa em sua exposição de motivos, a MP 478 em momento algum considera ilegal o cálculo do preçoparâmetro PRL60 previsto na da IN SRF 243. O que está dito expressamente na exposição de motivos é que a razão de estabelecese, em lei, o cálculo até então previsto na IN SRF 243, é a redução da litigiosidade. Quanto a legítima aplicação do método PRL 20, inclusive para os casos de produção local, extraio o seguinte trecho do referido Acórdão, o qual acompanho pelos seus fundamentos: (...) Pois bem, voltemos ao exame do art. 18 da Lei nº 9.430/96, primeiramente em sua redação original, e após na redação dada pela Lei nº 9.959/2000, que introduziu o cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60%: Redação Original: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 3215DF CARF MF 28 d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL:definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) Redação dada pela Lei nº 9.959/2000 Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) Novamente, o que se extrai através de um singelo exame da norma em sua redação original é que caput faculta ao sujeito passivo escolher um entre os três métodos de cálculo do preços Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 16561.720036/201311 Acórdão n.º 1201001.614 S1C2T1 Fl. 3.203 29 parâmetro, quais sejam, o PIC (inciso I), o PRL (inciso II) e o CPL (inciso III). A redação dada pela Lei nº 9.959/2000 não alterou a estrutura da norma, ou seja, os métodos de cálculo do preçosparâmetro continuam a ser apenas três, quais sejam, o PIC (inciso I), o PRL (inciso II) e o CPL (inciso III). Tanto é assim que a lei não faculta ao sujeito passivo escolher entre o PRL20 e o PRL60. A escolha se dá entre PIC, PRL ou CPL. Acaso adotado o PRL, o sujeito passivo empregará: (i) a margem de 20% se os produtos forem destinados a revenda; (ii) a margem de 60% se os produtos forem empregados na industrialização de outros bens. (...) Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo o mencionado Acórdão 1201001.161, em julgamento recente, derruba os argumentos contrários. Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jurisprudencial determinada por tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Fl. 3217DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901080/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 80 /2 01 3- 14 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901080/201314 Acórdão n.º 1302002.234 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901080/201314 Acórdão n.º 1302002.234 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901080/201314 Acórdão n.º 1302002.234 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.726572/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12448.726572/201375, em face do acórdão nº 0251.303, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 26 57 2/ 20 13 -7 5 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 96 2 julgamento de 19 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2011/784607322173854, expedida em 27/05/2013, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2011, anocalendário 2010, código 2904, formalizando a exigência no valor total de R$10.304,27, com juros de mora calculados até 31/05/2013, fls. 7 a 12. O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações: a) Dedução indevida de previdência privada e fapi, no valor de R$2.314,47, pois, segundo a autoridade lançadora, foi corrigido de acordo com a documentação apresentada. b) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$17.000,00, pois, segundo a autoridade lançadora, os recibos estavam sem a identificação do paciente. Cientificado da notificação em 10/06/2013, fls. 39, o contribuinte apresentou impugnação em 04/07/2013, fls. 2 a 5, contestando o lançamento. Recapitula os fatos, defende a tempestividade da impugnação e critica o comportamento da SRFB na análise das DIRPF. Alega, no que diz respeito à glosa de previdência privada e fapi, que a SRFB não definiu claramente o motivo da cobrança. Pontua que apresentou o informe de rendimentos financeiros do HSBC, no qual se comprova os pagamentos em nome de Marília Pinto Moita Varges, dependente do contribuinte em sua DIRPF. Argumenta que é exigência absurda a comprovação de quem pagou a previdência privada, pois não se caracteriza como requisito legal para sua dedução. Quanto à glosa de despesas médicas, entende que a RFB poderia solicitar ao médico a identificação do paciente antes de proceder à cobrança. Sustenta que é prática corrente o fato de o médico somente indicar no recibo o nome do paciente quando o mesmo não foi o responsável pelo pagamento. Junta nos autos declaração identificando a Sra. Marília como a pessoa que se beneficiou do tratamento médico. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 13 a 21. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 97 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela procedência parcial da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Acatase a despesa médica como dedução para fins de se encontrar a base de cálculo do imposto de renda desde que sanada a falha apontada pela autoridade lançadora. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Somente são admitidas como deduções as contribuições à previdência privada pleiteadas com a observância da legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Portanto, se mantém a autuação somente em relação a contribuição à previdência privada, pois entendeu a DRJ de origem que o contribuinte não comprovou que os requisitos legais acima mencionados. Diante disso, foi mantido em parte o crédito tributário, no valor de R$636,48, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, nos termos da legislação tributária. Inconformado que sua impugnação foi improcedente em parte, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário quanto ao que foi vencido, às fls. 58/59, onde são reiterados os argumentos lançados na impugnação, bem como anexados novos documentos: · fl. 60 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/02/2010; · fl. 61 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/03/2010; · fl. 62 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/04/2010; · fl. 63 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/05/2010; · fl. 64 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/06/2010; · fl. 65 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/07/2010; Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 98 4 · fl. 66 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/11/2010, com autenticação bancária; · fl. 67 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/08/2010; · fl. 68 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/09/2010; · fl. 69 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/10/2010, com autenticação bancária; · fl. 70 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/12/2010; Com a chegada dos autos ao CARF, foram eles incluídos em pauta de julgamento, sendo na sessão de 12 de abril de 2016 proferida a Resolução nº 2202000.672, onde resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Segue abaixo o voto referido, o qual foi de minha relatoria: "O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica, quanto à dedução declarada a título de contribuição à previdência privada (Lei 9.250/95, artigo 8º, II, “e”), embora o valor pago esteja comprovado no Informe Consolidado de Rendimentos Financeiros – Pessoa Física, ano calendário 2010, emitido pelo Banco HSBC, fls. 14, em nome de Marilia Pinto Moita Varges, referente a previdência PGBL, entendeu a DRJ de origem que deve ser mantida a glosa. Ocorre que, nos termos do voto do AuditorFiscal relator do acórdão ora recorrido, "na hipótese de dependente com mais de 16 anos, como é o caso em análise, a dedução de contribuição à entidade de previdência privada fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Lei 9.532/97, artigo 11).". ASsim dispõe o art. 11 da referida legislação: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto Fl. 98DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 99 5 devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) Tal entendimento, inclusive, é corroborado pela jurisprudência deste Conselho, consoante se verifica pela ementa do julgado abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2005 [...]RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO OFICIAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que efetuou contribuições à previdência (oficial ou privada) declaradas em DIRPF. DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. De acordo com o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 588, de 21 de dezembro de 2005, “as deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tendo o contribuinte comprovado que contribuiu com a previdência oficial, apesar de não fazer constar tal informação na declaração de ajuste, deve ser considerada como atendida a condição estabelecida no art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 588/2005, para a finalidade de reconhecer o direito à dedução com valores recolhidos à previdência oficial. (Acórdão nº 2102003.073, Relator Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, julgado na sessão de 13/08/2014) No acórdão acima referido, prevaleceu o entendimento que tendo o contribuinte comprovado que contribuiu com a previdência oficial, apesar de não fazer constar tal informação na declaração de ajuste, deve ser considerada como atendida a condição estabelecida no art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 588/2005, para a finalidade de reconhecer o direito à dedução com valores recolhidos à previdência oficial. Todavia, quando do julgamento pela DRJ, não haviam nos autos elementos de prova de pudessem conduzir àqueles julgadores a concluir que teriam sido realizados os recolhimentos da contribuição previdenciária que está lhe sendo exigida. Porém, em anexo ao recurso voluntário, o contribuinte apresentou documentos de fls. 60/70 no intuito de fazer a prova do recolhimento da contribuição que lhe é exigida. Embora os documentos tenham sido juntados tão somente em fase recursal, cabe destacar que a notificação de lançamento de fl. 8 não deixa claro ao contribuinte o documento que lhe estava sendo exigido e somente com o resultado do julgamento da impugnação apresentada é que o contribuinte teve ciência de que necessária a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 100 6 apresentação dos comprovantes de recolhimento da contribuição previdenciária.. Desse modo, pelo princípio da verdade material, recebo os documentos juntados às fls. 60/70 como prova do alegado. No entanto, verificase que a prova apresentada pelo contribuinte é um tanto precária. Ocorre que são apresentadas 11 (onze) GPS's Guias da Previdência Social (de 02/2010 a 12/2010), estando faltando a referente ao mês de 01/2010. Além disso, somente duas GPS's possuem autenticação bancária (competências 10/2010 e 11/2010), que foram pagas à época (08/10/2010 e 11/11/2010, respectivamente). Assim, possuindose certeza da realização de pagamento em parte do período (10/2010 e 11/2010) e incerteza quanto as outras competências de 2010, entendo que a melhor solução a este caso será a conversão do feito em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe aos autos deste processo administrativo a existência ou não de recolhimentos à Previdência Oficial pela dependente do contribuinte (Marilia Pinto Moita Varges) no anocalendário de 2010, especificando quando tais pagamentos foram realizados e valores recolhidos, devendo ser anexado as informações que o sistema da RFB possui quanto a estes. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto o retorno da diligência. Ante o exposto, voto por CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe aos autos deste processo administrativo a existência ou não de recolhimentos à Previdência Oficial pela dependente do contribuinte (Marilia Pinto Moita Varges) no anocalendário de 2010, especificando quando tais pagamentos foram realizados e valores recolhidos, devendo ser anexado as informações que o sistema da RFB possui quanto a estes. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao retorno da diligência." (grifouse) Em fls. 81 dos autos há o seguinte despacho quanto ao resultado da diligência, in verbis: "Em atendimento a Resolução nº 2202000.672, às fls. 80 a 85, encaminho os documentos de fls. 87 a 90, informamos que não foram encontrados recolhimentos no CNIS para esta contribuinte e sendo o Sr.Ronaldo Cavalieri intimado, não obtivemos resposta." É o Relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica, quanto à dedução declarada a título de contribuição à previdência privada (Lei 9.250/95, artigo 8º, II, “e”), embora o valor pago esteja comprovado Fl. 100DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 101 7 no Informe Consolidado de Rendimentos Financeiros – Pessoa Física, anocalendário 2010, emitido pelo Banco HSBC, fls. 14, em nome de Marilia Pinto Moita Varges, referente a previdência PGBL, entendeu a DRJ de origem que deve ser mantida a glosa. Ocorre que, nos termos do voto do AuditorFiscal relator do acórdão ora recorrido, "na hipótese de dependente com mais de 16 anos, como é o caso em análise, a dedução de contribuição à entidade de previdência privada fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Lei 9.532/97, artigo 11).". ASsim dispõe o art. 11 da referida legislação: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) Tal entendimento, inclusive, é corroborado pela jurisprudência deste Conselho, consoante se verifica pela ementa do julgado abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 [...] RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO OFICIAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, que efetuou contribuições à previdência (oficial ou privada) declaradas em DIRPF. DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. De acordo com o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 588, de 21 de dezembro de 2005, “as deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 102 8 Tendo o contribuinte comprovado que contribuiu com a previdência oficial, apesar de não fazer constar tal informação na declaração de ajuste, deve ser considerada como atendida a condição estabelecida no art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 588/2005, para a finalidade de reconhecer o direito à dedução com valores recolhidos à previdência oficial. (Acórdão nº 2102003.073, Relator Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, julgado na sessão de 13/08/2014) No acórdão acima referido, prevaleceu o entendimento que tendo o contribuinte comprovado que contribuiu com a previdência oficial, apesar de não fazer constar tal informação na declaração de ajuste, deve ser considerada como atendida a condição estabelecida no art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 588/2005, para a finalidade de reconhecer o direito à dedução com valores recolhidos à previdência oficial. Todavia, quando do julgamento pela DRJ, não haviam nos autos elementos de prova de pudessem conduzir àqueles julgadores a concluir que teriam sido realizados os recolhimentos da contribuição previdenciária que está lhe sendo exigida. Porém, em anexo ao recurso voluntário, o contribuinte apresentou documentos de fls. 60/70 no intuito de fazer a prova do recolhimento da contribuição que lhe é exigida. Embora os documentos tenham sido juntados tão somente em fase recursal, cabe destacar que a notificação de lançamento de fl. 8 não deixa claro ao contribuinte o documento que lhe estava sendo exigido e somente com o resultado do julgamento da impugnação apresentada é que o contribuinte teve ciência de que necessária a apresentação dos comprovantes de recolhimento da contribuição previdenciária.. Desse modo, pelo princípio da verdade material, recebo os documentos juntados às fls. 60/70 como prova do alegado. No entanto, verificase que a prova apresentada pelo contribuinte é um tanto precária. Ocorre que são apresentadas 11 (onze) GPS's Guias da Previdência Social (de 02/2010 a 12/2010), estando faltando a referente ao mês de 01/2010. Além disso, somente duas GPS's possuem autenticação bancária (competências 10/2010 e 11/2010), que foram pagas à época (08/10/2010 e 11/11/2010, respectivamente). Em um primeiro momento assim se afirmou: Assim, possuindose certeza da realização de pagamento em parte do período (10/2010 e 11/2010) e incerteza quanto as outras competências de 2010, entendo que a melhor solução a este caso será a conversão do feito em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe aos autos deste processo administrativo a existência ou não de recolhimentos à Previdência Oficial pela dependente do contribuinte (Marilia Pinto Moita Varges) no anocalendário de 2010, especificando quando tais pagamentos foram realizados e valores recolhidos, devendo ser anexado as informações que o sistema da RFB possui quanto a estes. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto o retorno da diligência. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 103 9 Ao realizar a diligência, a unidade preparadora manifestouse dizendo que não foram encontrados recolhimentos no CNIS para esta contribuinte e sendo o Sr.Ronaldo Cavalieri intimado, não houve resposta. No entanto, foi requerido que fossem anexadas aos autos as informações que o sistema da RFB possui quanto aos recolhimentos. Ocorre que consta nos autos que duas GPS's possuem autenticação bancária (competências 10/2010 e 11/2010), que foram pagas à época (08/10/2010 e 11/11/2010, respectivamente). Os referidos documentos encontramse nas seguintes folhas destes autos: · fl. 66 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/11/2010, com autenticação bancária; · fl. 69 Guia da Previdência Social, no valor de R$ 102,00, com data de vencimento em 15/10/2010, com autenticação bancária; Vejase, abaixo, as GPS's que constam às fls. 66 e 69, onde ambas possuem carimbo, com assinatura, de que "confere com o original": Assim, estranhase que a unidade preparadora não tenha localizado tais recolhimentos, porém, não como foi juntado aos autos o documento solicitado, quais sejam, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 12448.726572/201375 Resolução nº 2202000.769 S2C2T2 Fl. 104 10 "informações que o sistema da RFB possui quanto aos recolhimentos", necessária a nova conversão em diligência. Ainda, verifico que o contribuinte foi intimado para apresentar DARF's de recolhimento à Previdência Oficial pela dependente do contribuinte (Marilia Pinto Moita Varges), conforme fl. 87 dos autos. No entanto, o recolhimento se dá por GPS e não por DARF. Logo, a intimação não foi adequada. Saliento também que foi determinado que "Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao retorno da diligência.", verifico que não foi intimado o contribuinte após a diligência ser realizada para no prazo de 30 (trinta) dias se manifestar, sendo somente intimado o contribuinte no decorrer da realização da diligência para apresentar documentos no prazo de 20 (vinte dias). Portanto, nova diligência se faz necessária, pois há informações contraditórias nos autos. Ante o exposto, voto por CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: 1. promova a intimação do contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias apresentar aos autos os comprovantes de recolhimento à Previdência Oficial pela dependente do contribuinte (Marilia Pinto Moita Varges) no anocalendário de 2010, por meio de GPS's Guias da Previdência Social originais com autenticação bancária. 2. após, informe aos autos deste processo administrativo a existência ou não de recolhimentos à Previdência Oficial pela dependente do contribuinte (Marilia Pinto Moita Varges) no anocalendário de 2010, especificando quando tais pagamentos foram realizados e valores recolhidos, devendo ser anexado as informações que o sistema da RFB possui quanto a estes, por meio de telas do sistema, devendo, também, manifestarse especificamente quanto aos recolhimentos realizados por GPS's Guias da Previdência Social apresentadas pelo contribuinte em fls. 66 e 69, que possuem autenticação bancária e que foram juntadas ao processo e que foram conferidos com o original, devendo dizer se os pagamentos constam no sistema da RFB; 3. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe prazo para manifestação quanto ao retorno da diligência. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720942/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002.
A normatização do denominado método PRL60, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000.
MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO.
A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL -60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV - 60%PLV - VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico, observado de forma isolada, diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além de também não macular sua essência, mantendo a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido.
OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento de omissão de receita, quando o sujeito passivo comprova a inexistência da diferença de estoque que motivou a exação.
Numero da decisão: 1401-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora), Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator Designado e Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. A normatização do denominado método PRL60, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL -60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV - 60%PLV - VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico, observado de forma isolada, diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além de também não macular sua essência, mantendo a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento de omissão de receita, quando o sujeito passivo comprova a inexistência da diferença de estoque que motivou a exação.
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CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL 60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV 60%PLV VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico, observado de forma isolada, diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além de também não macular sua essência, mantendo a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento de omissão de receita, quando o sujeito passivo comprova a inexistência da diferença de estoque que motivou a exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 42 /2 01 0- 12 Fl. 605DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora), Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator Designado e Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 606 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0132.128 1ª Turma da DRJ/BEL que julgou procedente em parte o lançamento mantendo os créditos descrito na Tabela 2: O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 0730, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s) calendário 2006, com crédito total apurado no valor de R$ 16.243.571,96, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 31/11/2010. Integram os Autos de Infração as planilhas de cálculo de folhas 31109. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas, caracterizada pela diferença de estoque – com reflexos no IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; Falta de adição ao lucro líquido da parcela de custos dos produtos importados que excede ao preço parâmetro de transferência – com reflexos no IRPJ e CSLL. O excesso ao preço parâmetro de transferência foi apurado com base no método do Preço de Revenda Menos Lucro – PRL 60, por sua vez calculado conforme as determinações da Instrução Normativa nº 243/2002. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 29/12/2010 (fls. 08, 16, 21 e 27) e apresentou sua impugnação em 28/01/2011 (fls. 128157), na qual alegou em síntese que: Da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 1. A Instrução Normativa nº 243/2002 criou nova metodologia de cálculo para o preço parâmetro PRL60 não prevista em lei; Fl. 607DF CARF MF 4 2. Dessa forma, o lançamento, relativo ao preço de transferência, está de eivado de nulidade ante a ilegalidade do procedimento administrativo; 3. O TRF da 3ª Região Fiscal na se manifestou no sentido de afastar as alterações promovidas pela IN SRF 243/2002; Da inexistência de diferença no estoque 4. Não há de se falar em omissão de receitas, pois há divergências entre as informações apresentadas pela fiscalização e aquelas constantes nos arquivos magnéticos; 5. As planilhas apresentadas demonstram os equívocos incorridos pela fiscalização; 6. Em razão da enorme quantidade de notas fiscais referentes aos códigos abordados pela fiscalização tornase impossível a juntada de todos os comprovantes, sendo fornecido em mídia todas as informações; 7. Em seu processo produtivo, um mesmo insumo, utilizado na produção de determinado produto, pode possuir mais de um código de identificação, de acordo com seu fabricante; 8. A título exemplo, a matéria prima código 100478 (Sintonizador Thomson CTF5831), utilizada na produção de televisores, possui similaridade em sua descrição com os códigos alternativos 117512 (Sintonizador TAEAH013F LG), 133031 (Sintonizador ELA51LXG Samsumg) e 631837 (Sintonizador TECC1040PG32T TAI), tratandose portanto da mesma matéria prima “sintonizador”; 9. A fiscalização também não observou: a. As devoluções de produtos acabados (televisores) efetuados à época (6.837 itens); b. A totalidade das saídas definitivas destes produtos (2.646.201 itens); c. E abaixa de produtos para a assistência técnica (7.314 itens); d. O estoque de 27.154 itens que integram a parte intermediária do processo produtivo; e. As outras saídas de estoque, como por exemplo, as perdas , os produtos para teste, etc.; 10. Tendo em vista os esclarecimentos efetuados sobre os estoques, apresenta os demonstrativos sintéticos comparativos entre as planilhas elaboradas pelo Sr. Fiscal e as planilhas pautadas em indicações dos registros/documentos fiscais da impugnante dos demais códigos questionados no presente auto que demonstram a inexistência de diferença no estoque final dos insumos (fls. 148151); 11. Em relação aos itens 128797 e 134955, em que a quantidade de utilização de insumos é maior, os Demonstrativos Analíticos dos códigos indicados na autuação também apontam para inexistência da diferença entre estoque; 12. Em relação ao código matéria prima “160554”, para a qual não há código alternativo, utilizado na produção do produtos “915950” e “915941”, a fiscalização: a. Deixou de considerar 3 devoluções de produtos acabados; Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 607 5 b. Considerou um número de saídas superior ao contabilizado (111.950 x 95.920); c. Equivocouse no consumo de matérias primas utilizadas na produção dos modelos, conforme consta do modelo de produção de venda (96.100 x 52.133); d. Inobservou as saídas de 529 produtos, relativas a outras baixas; 13. Caso seja necessária a comprovação das informações relativas ao arquivo magnético, mormente no que diz respeito à infração 2, que seja determinada a realização de diligência para averiguação dos fatos. Por meio do Despacho nº 128 1a Turma da DRJ/BEL, de 20 de julho de 2011, o processo retornou em diligência à unidade de origem para que esta se manifestasse a respeito da pertinência da movimentação de estoque suscitada pelo sujeito passivo, e, em caso de reconhecimento de eventuais erros no cálculo que embasou o lançamento, apresentasse nova apuração da receita omitida (fls. 210 211). Em resposta, a unidade de origem concluiu (fl. 560): [...] Analisando a documentação apresentada, conforme determina o item 1, constatamos que efetivamente a empresa comprova que algumas das matérias primas selecionadas pela fiscalização e que apresentaram faltas, em decorrência da produção e venda dos produtos no ano calendário de 2006, tinham matériasprimas alternativas e similares, logicamente com códigos e fornecedores diferentes. Constatamos ainda procedentes, as outras alegações do sujeito passivo relativas às diferenças de estoques contidas em sua impugnação, já que no curso da diligência foram apresentados documentos, procedimentos e informações que não foram trazidas ao conhecimento da fiscalização na ocasião da autuação. Concluímos, atendendo ao item 2, que não há receita omitida, considerando que os estoques das matériasprimas selecionadas estão corretos e devidamente contabilizados. [grifouse] Sobre a Impugnação sobreveio o Acórdão 0132.128 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1ª instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. Fl. 609DF CARF MF 6 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento de omissão de receita, quando o sujeito passivo comprova a inexistência da diferença de estoque que motivou a exação. Impugnação Procedente em Parte Assim, o crédito foi cancelado apenas parcialmente, remanescendo como devido o principal de R$ 4.343.053,82, a título de IRPJ e CSLL, a ser acrescido de multa de 75% e juros. Em relação a parte desonerada houve Recurso de Ofício. No Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta a ilegalidade da IN SRF 243/2002 e comprovação de seu descompasso em relação à Lei 9.430/96, razão pela qual requer o cancelamento integral do lançamento fiscal indevidamente realizado, tendo em vista a aplicação da Instrução Normativa n. 243/02 para a definição do preço parâmetro a ser utilizado no ajuste fiscal referente aos preços de transferência. Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Recurso Voluntário. O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito. Ilegalidade da Instrução Normativa (IN) nº 243/2002 Em suma a Recorrente foi autuada por não aplicar o critério de cálculo do preço parâmetro previsto na IN nº 243/2002 para operações de importação realizadas com empresas vinculadas. Ela sustenta, na Impugnação e no Recurso Voluntário, a ilegalidade da IN e a correta aplicação, por sua parte, do critério previsto na Lei nº 9.430/1996. Esta matéria já é bastante discutida no CARF, tendo sido recentemente julgada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sentido contrário ao pretendido pela Recorrente, porém com definição do resultado por maioria de votos Acórdão 9101002.514 – 1ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2016. Esta turma, também já discutiu a questão em outras também recentes oportunidades. Quando do mais recente julgamento em 06 de abril de 2016, Acórdão 1401001.594, acompanhei o voto vencido, de relatoria do então conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas, do qual reproduzo o seguinte trecho, especialmente em razão da digressão histórica a respeito do instituto e do raciocínio estabelecido até a conclusão da ilegalidade do critério de formação do preço parâmetro estabelecido na IN 243/2001: "Há que se aprofundar, no entanto, nas diferenças dos critérios da Lei nº 9.430/1996 (com sua redação alterada pela Medida Provisória nº 1.924/1999, convertida na Lei nº 9.959/2000), da IN nº 32/2001 e da IN nº 243/2001. Por fim, é Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 608 7 preciso aprofundar na discussão sobre a (i)legalidade do critério de formação do preço parâmetro estabelecido na IN nº 243/2001. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 18, inc. II, determina que o preço parâmetro, no caso do método chamado de PRL60, seja calculado a partir da média ponderada dos preços de venda no país, ou seja, dos Preços de Revenda (PR) dos bens ou direitos, devendo ser diminuída tal média dos descontos incondicionais, impostos e contribuições, e subtraídos da margem de lucro presumida de 60% do valor líquido da venda, ou seja, do Preço de Revenda (PR) menos o Valor Agregado (VA) aos produtos vendidos dentro do Brasil. A rigor, não deveria se falar em Preço de Revenda, pois não há tecnicamente uma revenda nos casos concretos sujeitos à aplicação do PRL60. Esse método era utilizado apenas "na hipótese de bens importados aplicados à produção", conforme redação do item 1, da alínea "d", do inciso II, do art. 18, da Lei nº 9.430/1996. Houve um problema na técnica legislativa, pois se entendeu possível criar um gênero, chamado de PRL, que teria duas espécies: item 1 o PRL60, aplicável à importação de bens para produção, e item 2 o PRL20, aplicável à importação de bens ou direitos para mera revenda. Esses detalhes históricos fazem muita diferença na compreensão da matéria, pois ajudam a perceber que o critério de cálculo previsto da IN 243/2002 não é uma interpretação da lei, mas um novo cálculo, diferente do que era aceito pela própria Receita Federal quando da vigência da IN 32/2001, de modo que apenas uma nova lei poderia realizar a alteração pretendida, como, afinal, foi feito por meio da Medida Provisória (MP) nº 563/2012, convertida depois na Lei nº 12.715/2012. Em notação matemática, segundo o entendimento deste Relator, o cálculo previsto na Lei nº 9.430/1996 não pode ser outro, senão o de Preço Parâmetro = PR 60% x (PRVA). O cálculo supostamente interpretável a partir da lei segundo alguns, que é, inclusive, mencionado pelo Recurso Voluntário, seria o de Preço Parâmetro = PR 60% x PR VA. Não entendo ser possível essa interpretação, pois, apesar do erro gramatical do legislador, a única interpretação que mantém coerência com o texto total e com os fins econômicofinanceiros da norma termina sendo aquela primeira. O erro está no momento em que há referência ao Valor Agregado. Dizse que a margem de lucro será de "sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados na produção". Não deveria haver essa preposição "de" (negritada acima) no texto, pois a única interpretação possível parece ser a de que o Valor Agregado (VA) é mais um valor a ser deduzido do Preço final de Revenda (PR). O PR é deduzido dos valores que estão nas alíneas anteriores e que o transformam em um Preço de Revenda líquido, quais seja, os descontos incondicionais (alínea "a"), impostos e contribuições incidentes sobre as vendas (alínea "b"), comissões e corretagens pagas (alínea "c"). Com a preposição "de", linguisticamente, gerase dúvida se o Preço de Revenda não seria subtraído do Valor Agregado (VA), e não o contrário. No entanto, essa interpretação não faz sentido do ponto de vista econômicofinanceiro, Fl. 611DF CARF MF 8 pois o VA será sempre menor do que o PR, então o resultado seria um valor negativo de margem de lucro. Outra interpretação possível, esta analisada pelo Acórdão da DRJ e pelo Recurso Voluntário, seria a de que "do valor agregado no País" não concorda com "deduzidos", de modo que não estaria dentro do cálculo do lucro, mas como uma variável a mais na equação, que concordaria com "diminuídos", expressão que sempre constou do inciso II e sequer se refere especificamente ao critério do PRL60. Essa interpretação não faz sentido pela distribuição textual, que coloca o Valor Agregado dentro do item 1, que trata do cálculo do lucro para efeitos de PRL60 sem qualquer sinal de pausa que pudesse indicar uma falta de relação direta da expressão Valor Agregado com o Preço de Revenda que aparece como partida para o cálculo da base à qual serão aplicados os 60% de percentual presumido de margem de lucro. Essa interpretação também não faz sentido pela lógica do cálculo, que é Preço de Revenda menos Lucro, não havendo menção expressa ao Valor Agregado como uma variável autônoma da equação, além de que o Valor Agregado funciona razoavelmente bem na lógica de se chegar ao Lucro da empresa por meio de subtração dele do Preço de Revenda líquido para obter um custo presumido e aplicar a margem presumida bastante questionável e, de fato, questionada por muitos de 60%. Por isso, entendo que nem caiba aprofundar na questão sobre o aumento do Valor Agregado levar a um aumento ou diminuição do preço parâmetro. O fato é que, como acontece com frequência no Brasil, se criou normas ruins, preços de transferência com critérios fracos, muito diferentes daqueles utilizados no exterior e, por isso, também como de costume no Brasil, gerouse muito mais confusão e, então, muito mais contencioso do que era necessário. Não se pode refazer o cálculo interpretativamente ou por meio de IN se ele está descrito em lei com certa clareza, ainda que houvesse nele o mencionado erro da preposição "de". Em caso de grande dúvida, até se poderia optar por uma das interpretações possíveis, mas nunca para prejudicar o contribuinte. É esse o sentido do princípio da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, que se manifesta por meio do óbice legal criado no inc. II, do art. 97, do CTN: o contribuinte apenas pode ter seus tributos majorados quando houver clareza, quando todos os elementos estiverem evidentes no texto de lei, permitindo, assim, que se retire parte da sua propriedade, direito considerado fundamental, previsto no rol dos direitos fundamentais do art. 5º da Constituição Federal, considerados, inclusive, cláusulas pétreas. Essa noção de que apenas é possível tributar quando houver certeza, quando os elementos para tanto estiverem muito claros na lei, já havia sido construída pelo gênio Adam Smith no século XVIII, no seu clássico A Riqueza das Nações, e depois foi lembrada por outros célebres pensadores, sejam economistas, sejam juristas. Essa construção teórica, de fato, se refletiu no ordenamento jurídico de múltiplos países, inclusive do Brasil. Voltando ao critério de cálculo em específico, é verdade que a agregação de valor é um fim a ser buscado cada vez mais no Brasil. Ele combate a desindustrialização do país, uma das principais causas do seu atraso socioeconômico, então não estaria em desacordo com os fins constitucionais brasileiros um cálculo que valorizasse o aumento da agregação de valor no Brasil. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 609 9 O fato é que, bom ou ruim, o cálculo do PRL60 estava previsto na Lei nº 9.430/1996 e foi confirmado pela IN nº 32/2001. Outras interpretações são alterações da lei. Deste modo, entendo que o cálculo não pode ser: Preço Parâmetro = PR 60% x PR VA. Ele deve ser: Preço Parâmetro = Preço de Revenda (PR) Lucro (L), este igual a 60% x (PR VA). A IN 32/2001, ato normativo publicado pela Receita Federal pouco tempo após a criação do PRL60 pela Lei nº 9.959/2000, manteve a redação da lei. A IN 113/2000 foi publicada antes, com redação semelhante à da lei, mas não especificava no detalhe como calcular a margem de lucro. Com a publicação da IN 32, em 03 de abril de 2001, não se tinha mais grandes dúvidas sobre o cálculo do PRL60, que era aplicado pelas empresas conforme a fórmula apresentada de Preço Parâmetro = PR 60% (PR VA), sendo que PR é o preço de venda, inadequadamente chamado de preço de revenda, líquido dos valores previstos na lei e na IN, dos produtos industrializados no Brasil com o uso de insumos importados. A IN nº 243/2002, por sua vez, traz um cálculo bastante diferente, ainda que se possa tecer considerações diversas sobre a sua maior adequação à finalidade do preço de transferência, aos aspectos econômicofinanceiros em jogo etc. Caso se tratasse realmente de mera opção interpretativa, estaria tudo bem e a IN nº 243/2002 sequer precisaria ter previsto expressamente a interpretação em questão. No entanto, tanto não é uma mera questão de interpretação, que veio uma IN para modificar o cálculo previsto na IN nº 32/2001, que, esse sim, refletia a Lei nº 9.430/1996. O indivíduo favorável à interpretação de que a IN nº 243/2002 pode, então, se questionar: "Ora, mas qual o problema de aceitála se ela faz mais sentido do ponto de vista econômicofinanceiro e está próxima do que impõe a Lei nº 9.430/1996?". O problema é exatamente que ela está apenas "próxima" da lei, mas não é uma mera concretização dela, uma regulamentação que não altera o resultado tributário. Provavelmente, percebeuse que o resultado do cálculo previsto na lei e na IN nº 32/2001 levava a um preço parâmetro que refletia o custo total da importação, e não o custo daquele bem específico importado. No caso de importação de diferentes insumos, por exemplo, o preço parâmetro terminaria refletindo o custo total desses insumos, e não de cada um deles, levando a um preço parâmetro maior do que o adequado para melhor servir de limite aos valores empregados em operações entre partes vinculadas. O cálculo da IN 243/2002 veio, então, para determinar que o Preço de Revenda (PR) fosse transformado, como bem explica a Recorrente, em PBI no PR, ou seja, em vez se utilizar o Preço de Revenda, passouse a empregar uma proporcionalização da participação do Preço do Bem Importado (PBI) no Preço de Revenda (PR). Deve ter ficado compreendido que, dessa forma, o preço parâmetro seria mais adequado a servir de limite de preço para cada bem importado, pois o novo cálculo estaria considerando uma espécie de preço de revenda do bem importado específico. Deixouse de lado o cálculo genérico de custo de importação para buscar chegar a um cálculo específico de cada bem importado. Muito dizem, então, que essa é uma mera interpretação da lei, que, ao mencionar Preço de Revenda, estaria mencionando o preço de revenda relativo a Fl. 613DF CARF MF 10 cada bem importado. Mas entendo que não é bem por aí. Primeiro, como dito, não se trata de revenda, pois revenda está sujeita ao PRL20. Tratase de venda de um novo produto industrializado, resultado de uma produção na qual os bens importados foram aplicados. Como dito, a mistura dos métodos PRL60 e PRL20 causou uma grande confusão e deu ensejo, apesar de não permitila juridicamente, a essa interpretação ilegal da IN nº 243/2002. Só há revenda de bens ou direitos no caso de efetiva compra e revenda e, portanto, é aplicável o PRL20. No caso do PRL60, há venda de produtos industrializados. Se há algo revendido, é o produto final, resultado do processo de produção no qual se utilizou os bens importados. O trecho que tem sido utilizado para justificar uma suposta interpretação conforme a lei da IN 243/2002 se refere ao PRL20, é trecho que já existia desde redação original da Lei nº 9.430/1996. Ele diz que "o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos". Não se pode interpretar "preço de revenda dos bens ou direitos" como a justificativa da proporcionalização criada pela IN 243/2002, pois sequer há revenda dos bens ou direitos importados no caso de aplicação do PRL60. Se interpretado dessa forma, afrontase a própria função do PRL60, que era regular o preço praticado em operações de importação de bens aplicados em produção, processo que iria resultar na venda de um produto industrializado. A linha de argumentação do Acórdão da DRJ para defender a IN nº 243/2002 também é falha. Observese que o problema não está na segunda variável da equação, mas na primeira. A DRJ tenta usar uma suposta confusão sobre como seria utilizado o Valor Agregado na equação para concluir que isso justificaria o esclarecimento pela IN. Esse argumento não parece ter sentido. O problema da IN nº 243/2002 para o contribuinte está na redução da primeira variável, aquela positiva, que leva diretamente à redução do preço parâmetro. No momento em que se substitui a variável Preço de Revenda por um valor que corresponda à Participação do Bem Importado no Preço de Revenda, alterase o cálculo previsto na lei, reduzse o preço parâmetro e aumentase os tributos. Como dito, o cálculo do PRL60 não pode ser outro, senão Preço de Revenda, leiase: Preço de Venda do Produto Final (PVPF) líquido 60% (PVPF VA). A IN 243/2002 modificou o critério chamado PRL60 para criar um diferente, um critério de preço de transferência até mais adequado do ponto de vista econômico financeiro, porém, ainda assim, diferente daquilo que estava previsto em lei e que majora a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para analisar essa questão, é imprescindível retomar o histórico legislativo, por meio do qual se nota claramente que a IN não surgiu apenas para interpretar a lei e lhe dar um maior detalhamento, pois havia um método em plena aplicação, reconhecido pela Receita Federal por meio da Instrução Normativa nº 32/2001, mas ela decidiu mudar o seu posicionamento quanto ao cálculo e estabelecer um novo critério por meio da IN nº 243/2002, publicada apenas em 13 de novembro de 2002. A IN nº 243/2002 surgiu, portanto, um ano e meio após a IN nº 32/2001! Com o advento da IN nº 243/2002, não se pode dizer simplesmente que ela veio regular a lei e que apenas trouxe maiores detalhes para o seu cálculo. O cálculo é outro. Não há mais PRL (PR L) propriamente na IN nº 243/2002, mas, como dito, (PBI no PR L), sendo que "L" também passou a ser calculado de outra forma, Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 610 11 porém o que prejudica mesmo o contribuinte, como dito, é a alteração da primeira variável da equação, a variável positiva, que faz o seu resultado final diminuir. Notese que o critério de cálculo, ainda que tenha uma lógica econômico financeira, é, como todo critério para se estabelecer um parâmetro, arbitrário em alguma medida. A própria eleição do percentual de 60% é questionada por muitos empresários, até porque a margem de lucro é algo que pode variar bastante de um negócio para o outro. Deste modo, o critério precisa estar claro na lei. Os atos normativos infralegais não têm competência, de acordo com o art. 97 do CTN, como se verá, para modificar o critério quando ele afetar o quantum de tributo a ser pago. Na época, a Receita Federal deveria ter, em diálogo dentro do Ministério da Fazenda, providenciado uma Medida Provisória que alterasse a Lei nº 9.430/1996, na sua redação criada pela Lei nº 9.959/2000, como, de fato, se fez mais tarde. Em vez disso, preferiuse o caminho mais fácil de publicar um ato normativo da própria Receita Federal para modificar um critério que estava previsto em lei. O que se viu, depois disso, e este processo administrativo é um exemplo, foi uma enxurrada de contencioso tributário, que prejudica tanto a Receita Federal, quanto os contribuintes, a menos que a primeira entenda ser lucrativo o contencioso, pois lhe dá mais receitas, mesmo apesar de todo o custo de tempo e dinheiro empregado nas centenas ou milhares de processos administrativos e judiciais gerados para discutir se a IN nº 243/2002 é legal ou ilegal. Ao fim e ao cabo, quando o STF vier a definir essa matéria, o que ainda deve levar alguns anos, o grave prejuízo ao país estará causado e, a depender da decisão final, apenas se estabelecerá o maior perdedor: a Receita Federal ou as empresas que importaram bens de vinculadas e aplicaram em suas produções. Esse Relator entende, portanto, que o critério prescrito pela IN era ilegal. Não adianta escapar do argumento da ilegalidade pela saída de que a IN apenas interpreta a lei ou de que apenas a concretiza, pois, havendo mais de uma interpretação supostamente possível, a Receita Federal não poderia ter publicado uma norma que optasse pela interpretação menos favorável ao cidadão, interpretação essa que majora triutos. Não se trata ainda de aplicação do in dubio pro contribuinte, pois essa virá mais à frente. Tratase aqui de respeito à legalidade. E nem se diga que ela não pode ser aplicado por conta da Súmula nº 2 do CARF, que veda a declaração de inconstitucionalidade em concreto pelo órgão. Tal súmula, segundo o entendimento deste Relator, é, com o devido respeito, um equívoco, tendo em vista que possibilita e até incentiva a aplicação de normas inconstitucionais como é essa da IN. Contudo, não se deixa de aplicar a Súmula nº 2 aqui, pois o princípio da legalidade tributária também está previsto no Código Tributário Nacional, que é o veículo introdutor de normas gerais do Direito Tributário no sistema brasileiro. Deste modo, a IN afronta o inc. II, do art. 97, do CTN, que confere apenas à lei a competência para majorar tributos. A IN termina majorando o IRPJ e a CSLL dos contribuintes quando reduz o preço parâmetro, de modo que age usurpando competência exclusiva da lei. Fl. 615DF CARF MF 12 Se interpretado o inc. II, do art. 97, do CTN, em comunhão com o art. 100 do próprio CTN, notase que as normas infralegais são complementares da lei, mas não podem lhe complementar para majorar tributos. Se não fosse assim, permitirseia que o próprio órgão fiscalizador emitisse normas para aumentar a sua arrecadação sob o argumento de estar meramente interpretando e concretizando leis. No momento em que se abra a oportunidade de um órgão arrecadador de tributos emitir normas para aumentar tributos que não estejam claras, expressas, delineadas na lei, o caminho para arbítrios estará muito bem traçado. Existem diferentes modelos de adoção do princípio da legalidade. Sabese que o sistema brasileiro optou, conforme lembra a Recorrente, pelo princípio da legalidade estrita, também conhecido como tipicidade cerrada, o que impede qualquer excesso do Executivo, mesmo quando ele pareça não afrontar diretamente a lei. É muito interessante trazer aqui à baila os acórdão do Supremo Tribunal Federal, órgão mais alto do Poder Judiciário brasileiro, que analisou se os Decretos nº 612/1992, 2.173/1997 e 3.048/1999 não estariam inovando o sistema jurídico e assumindo a competência da lei no momento em que definia a expressão "atividade preponderante" e o que seria graus de risco "leve", "médio" e "grave". Nos inúmeros julgamentos sobre o tema, o STF deixou clara a importância de se respeitar a legalidade estrita e a tipicidade cerrada, mas entendeu que, naquela discussão específica, a norma infralegal estaria apenas regulamentando expressões já previstas na lei e que não haviam sido definidas por ela. Entendeuse, então, que a própria lei estaria delegando sua competência para a regulamentação infralegal. O STF concluiu que não haveria, portanto, ofensa à estrita legalidade e à tipicidade cerrada, pois o caso seria de ilegalidade de normas infralegais supostamente ferindo a lei e, assim, não era de competência do tribunal constitucional: "Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional" (STF, RE 332.604AgR/PR, Rel. Min. Carlos Veloso). No caso da IN 243 especificamente, fica claro que ela veio para configurar um cálculo que restringe o preço parâmetro e aumentar os tributos, pois havia um cálculo previsto numa IN da própria Receita Federal e que deixou de ser aplicado um ano e meio depois. A Receita Federal notou que poderia melhorar o critério econômico financeiro do preço de transferência, comprimindo o preço parâmetro, o que daria menos margem ao contribuinte e, portanto, aumentaria o IRPJ e a CSLL. Era o cenário ideal para ela. Apenas se esqueceu que não poderia fazer isso sem lei nova que prescrevesse o novo critério". Nesse seguir, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a ilegalidade da Instrução Normativa (IN) nº 243/2002. Recurso de Ofício: A decisão de piso julgou procedente em parte o lançamento tendo reconhecido a existência de erro na apuração efetuada pela fiscalização, considerado o resultado de diligência realizada pela unidade de origem que analisou os documentos Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 611 13 apresentados pela recorrente em sede de impugnação e concluiu pela inexistência da receita omitida, vez que demonstrada a inexistência de diferença de estoque. Os valores mantidos, considerado o resultado da diligência, foram descritos na tabela 2: Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, em razão do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 617DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Redator Designado O ponto relevante da minha divergência com o voto do Relator referese ao questionamento relacionado à legalidade da IN SRF 243/2002, no recurso voluntário. Tratase de Instrução Normativa que veio regulamentar as determinações da Lei 9.430/96, alterada pelo artigo 2º da Lei 9.959/00, no que tange ao cálculo do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL (60%) para determinação do Preço Parâmetro. O preço parâmetro (PP) por sua vez é o preço limite apurado “de cima para baixo”, a partir do Preço de Revenda Líquido (PRL) visando estimar a dedutibilidade dos custos e margem de lucro relativos aos bens importado por pessoas vinculadas localizadas no exterior. O produto importado cujo preço ultrapassar esse preço parâmetro calculado, sofrerá ajustes tornando essa parcela excedente indedutível para efeito de tributação. Em primeiro há que se confirmar a existência de uma Instrução Normativa anterior, a IN 32/2001, que dava uma interpretação da Lei divergente da IN 243/2002. Ora, é sabido hodiernamente que não existe uma única interpretação correta para um texto de Lei. Isso porque toda lei é feita de texto, e texto tem suas idiossincrasias que independem da nossa vontade de perseguir o máximo de objetividade e univocidade. É uma pena que essa mesma cantilena é repetida infinitamente pelos doutrinadores e o que é pior, é absorvida sem resistência pela grande maioria dos operadores de direito. Pensar assim, data máxima venia, passa desapercebido de questões epistemológicas essenciais, tais como os limites da linguagem. Desconhece que os conceitos possuem uma textura aberta, como muito bem demonstrou Hart ainda no seu clássico. O conceito de Direito e Alf Ross em seu insuperável livro Justiça e Direito, através dos quais trouxeram, para arejar o Direito, as novidades da revolução linguísticopragmática instalada principalmente pelo “Segundo Wittgenstein” (Investigações Filosóficas). Nessa mesma linha, temos Ronald Dworkin. A doutrina e a jurisprudência têm se enredado nessa difícil missão de extrair “definibilidade” e “precisão” das regras e dos conceitos jurídicos, em “casos fronteiriços”, ou seja em casos tais em que ocorre uma indeterminação semântica no uso de termos gerais inerente a toda e qualquer linguagem, justamente em função do fenômeno da “textura aberta” da linguagem. Essas chamadas “lacunas de reconhecimento” podem representar tanto uma “vaguidade de grau” quanto uma “vaguidade combinatória”. A primeira se refere a dúvidas quanto à quantidade ou grau de presença de uma das propriedades constitutivas de um conceito que deve estar presente no caso particular para que a aplicação do conceito seja possível. A segunda lacuna, a de “vaguidade combinatória”, referirseia à imprecisão a respeito de quais são as propriedades constitutivas de um conceito e a maneira pela qual elas devem estar combinadas para que o uso do termo geral possa ser empregado de forma legítima. Afora isso, paira na interpretação de qualquer texto o “mal” da ambigüidade, dando margem mais de uma interpretação, como parece ser o caso concreto e que se demonstrará mais adiante com mais vagar. Em resumo, por trás de uma interpretação da norma não existe uma realidade objetiva com o qual pudesse ser confrontado diretamente a validez do seu resultado. Nesse Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 612 15 sentido, o princípio basilar da legalidade não pode ser usado como escudo para persuadir que a “ferro e fogo” existe uma única interpretação correta de uma texto de Lei. Nesse diapasão, soa peremptório a utilidade dos atos infralegais que visam aclarar a norma e lhes dar concretude. É preciso não cair na ilusão de achar que todo o sentido da norma deva estar registrado literalmente com todas as palavras, como se o legislador fosse um demiurgo todo poderoso que conseguisse prever todas as situações fáticas e complexas que envolvem a realidade a ser coberta por uma determinada norma jurídica. Outrossim, causa espécie quando no trato dessa matéria, não sei se por ingenuidade ou sagacidade, se compara a interpretação da Lei com a Interpretação da IN . Ou por outras palavras, quando se compara a interpretação da Lei n. 9.959/2000 com a interpretação trazida pela IN SRF nº 243/2002. Ora, mas não se pode fazer tal comparação uma vez que a interpretação mais adequada da Lei é o que se está em jogo, é o que se pretende provar. Nesse passo, quem usa desse artifício comete a chamada petição de princípio, que é a falácia utilizada por aqueles que dão por provado aquilo que pretendem ou deveriam pretender provar. Quando se usa açodadamente o princípio da legalidade para dizer que uma determinada interpretação da Lei é a mais adequada, nada mais faz o postulante do que reconhecer que não está fazendo o seu serviço direito, indo para o caminho mais fácil de dar por provado aquilo que deveria tentar provar. O presente voto vai se valer então de todos os tipos de interpretação tradicionais para tentar provar se a IN 243/2002 é legal ou não, justamente por submetêla à toda prova. O que garante que uma interpretação é mais adequada do que outra é verificar como essa interpretação se sai ao se submeter aos mais variados testes de resistência. Antes de fazer isso, nenhuma valia tem se agarrar em uma determinada interpretação e dizêla que tal ou qual seria a interpretação legal. O art. 146 do CTN, embora trata de questão mais específica envolvendo um mesmo sujeito passivo que foi submetido temporalmente pela Administração Pública a dois critérios jurídicos distintos, na verdade vem amparar a Administração Pública da possibilidade de se fazer uma mudança de critério jurídico, seja porque a interpretação anterior estava visivelmente equivocada, seja porque a Lei sendo interpretada, comportava claramente mais de uma interpretação jurídica. Nesse passo, não há dúvidas que a IN 243/2002, se comparada com a IN 32/2001 implementou mudanças de critério jurídico que passam a valer apenas a partir de 2003. A IN 32/2001 foi, sim, uma interpretação abraçada pela SRF até 2001 e como tal deve ser aplicada até esse limite de tempo. Embora as mudanças de critérios jurídicos não sejam salutares para a segurança jurídica, a Administração Pública não pode ficar “engessada” indefinidamente a uma interpretação equivocada feita por ela mesma. LEGALIDADE DA IN 243/2002 Posta essas questões preambulares passemos ao enfrentamento direto da questão da legalidade da IN 243/2002, começando obviamente por uma interpretação gramatical que é o ponto de partida de qualquer interpretação. Depois, exploraremos aspectos matemáticos Fl. 619DF CARF MF 16 relacionados à simplicidade de cada uma das fórmulas em questionamento. A seguir faremos uma interpretação sistemática e finalística buscando pela racionalidade das fórmulas. Demonstraremos matematicamente alguns “mitos” que giram em torno da proporcionalização efetivada pela IN 243/2002. Por fim, submeteremos a um “teste de resistência” os mais fortes argumentos utilizados pelos doutrinadores no que tange a colocar à prova a legalidade da IN 243/2002. A grosso modo a Recorrente se insurge contra a metodologia de cálculo aplicada pela fiscalização com lastro na IN SRF nº 243/2002. Segundo ela, a metodologia de cálculo da Lei nº 9.430/96 não deixaria margens para qualquer mudança por meio de ato infralegal, onde modifica completamente o texto da norma com a inserção inclusive de conceitos de participação de bens importados no preço de revenda final, majorando assim a sua carga tributária em relação a IN anterior. A princípio esclareçase, por importante, que a Lei nº 9.430/96 em sua redação original somente previa para o cálculo da margem de lucro um percentual de 20% a ser aplicado sobre o preço de revenda dos bens ou direitos. Uma interpretação apenas gramatical da referida norma apontava então para a impossibilidade de aplicação do referido método a situações que não fossem simples revenda de produtos importados sem a agregação de custos por meio de produção local. Nesse sentido, a Lei foi disciplinada pela IN SRF nº 38/97, que claramente vedava a utilização do PRL nessa situação específica, restando apenas como opção os métodos PIC (Preços Independentes Comparados) do CPL (Custo de Produção mais Lucro). Tal fato foi questionado pelos Contribuintes e o então “Conselho de Contribuintes”, atual CARF, produziu jurisprudência contra essa interpretação meramente gramatical. No caso a jurisprudência passou a afirmar a possibilidade aplicação do método PRL aos casos em que se agrega valor no país e não somente para os casos de simples revenda. É nesse contexto e vindo dar guarida às pretensões dos contribuintes é que foi editada a Lei nº 9.959/00, que alterou o art.18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, cuja interpretação passou também a ser a base da presente controvérsia. No caso, criouse também a margem de lucro de sessenta por cento, dessa feita para os casos em que sobre a importação se agrega valor no país para subseqüente revenda. Mas, a lide circunscrevese não sobre esse percentual, mas sobre a base de cálculo sobre a qual ela incide. Eis os seus exatos termos do referido preceptivo legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 613 17 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (destaquei) A interpretação gramatical é a primeira interpretação que se faz e é muito importante, pois apesar de não conseguir no mais das vezes definir univocamente uma determinada interpretação, ela serve sobretudo para eliminar inúmeras outras interpretações. Esse é o ponto! Dessa forma, essa etapa sempre será seguida por outros métodos de interpretação que possuem o fim de submeter à teste de adequação as hipóteses concorrentes elencadas na etapa anterior. Somente a partir do resultado final desse processo é que poderemos nos referir a uma interpretação adequada para determinada norma. Antes disso, como já se colocou, se referir a uma interpretação legal a partir da semântica apenas do texto da norma ou afirmar que a carga tributária seria maior ou menor é cair na falácia da petição de princípio, dando por provado aquilo que se quer provar. Outrossim, o efeito tributário também é uma consequência da interpretação mais adequada que se dê ao texto da norma, nunca podendo ser a causa ou justificativa para uma interpretação. Interpretação Gramatical Fórmula adotada pela IN 32/2001 e pela Recorrente A Recorrente faz a seguinte leitura gramatical do texto acima da Lei: “60% sobre o valor integral do preço líquido de revenda do produto menos o valor agregado no País”, representando a seguinte fórmula: PP1= PLV – 60%(PLV – VA) ou PP1= 40% PLV + 60% VA PP1=Preço parãmetro PLV=Preço líquido de Revenda VA =Valor agregado Fórmula adotada pela IN 243/2002 Fórmula geral analítica: Fl. 621DF CARF MF 18 PP2= PLV – 60%PLV – VA1 Fórmula sintética: PP2=40%PLV VA A diferença entre elas, matematicamente falando é apenas os parêntesis, denotando de plano um problema comum na linguagem, que é o da ambigüidade no plano semântico. Uma outro aspecto que transparece da fórmula é da IN 32/2001 em contraponto com a da IN 243/2002 é da feiúra da primeira e falta de simplicidade. O famoso físico Richard Feynman expressou essa verdade intuitiva quando disse: “Você pode reconhecer a verdade por sua beleza e simplicidade. Quando você a apreende corretamente, é óbvio que ela é correta – pelo menos se você tem alguma experiência... Os inexperientes, os birutas e pessoas assim, fazem suposições simples, mas você pode perceber imediatamente que eles estão errados, de modo que isso não conta. Outros, os estudantes inexperientes, fazem suposições que são muito complicadas, e de certo modo parece que está tudo certo, mas sei que não é verdade porque a verdade sempre se revela mais simples do que pensava.” 2 Apenas olhando para as duas fórmulas meu senso matemático indica que a fórmula da IN 243/2002 é mais simples e bonita. Mas, vamos avante. No plano gramatical e semântico, a favor da interpretação da IN 243/2002 temos que a expressão “diminuídos” concorda gramaticalmente em um primeiro momento com “sessenta por cento sobre o valor líquido de revenda” e a seguir com a expressão “... do valor agregado no país”. Outro ponto a favor dessa interpretação gramatical, está no fato de que teria optado em manter a expressão “e do valor agregado” junto no mesmo item porque caso se criasse um terceiro item isso ficaria incompatível com a existência de apenas duas metodologias de cálculo e não três, afinal o item estava sendo utilizado para representar de forma autônoma cada uma das metodologias: PRL 60 e PRL 20. De outra banda, em favor da interpretação conduzida pela Recorrente teríamos a ausência de uma vírgula antes da expressão “e do valor agregado” para ficar bem caracterizado ai a ausência dos parêntesis. Ora, mas se o objetivo do legislador fosse este mesmo de diminuir o valor agregado da margem de lucro por meio de parêntesis: PP= PLV – 60%(PLV – VA), por óbvio que o seu esforço de bem representar essa situação mais específica deveria ser seguida de uma redação mais robusta que contemplasse essa peculiaridade. Não se desincumbido bem dessa carga de prova, seja através da explicitação da fórmula matemática propriamente dita, como fazemos neste voto, seja através de uma formulação lingüística que ficasse mais claro isso, só 1 A fórmulação exata constante na IN 243/2002 (PPn=%nPL –60%(%nPL) ), onde se incorpora efetivamente o fator ponderação de custos para fazer face à produto final revendido que incorpora mais de um insumo importado, será analisada em tópico à parte mais adiante no voto. 2 Richard Feynman, citado em Hiperespaço, Rocco, página 149. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 614 19 se pode interpretar a formulação sem a existência dos parêntesis, ou seja, o valor agregado diminuindo diretamente o PLV para se chegar ao isolamento do preço parâmetro do produto importado (PP). Como se vê, ambas as interpretações poderiam ser possíveis a nível gramatical ou semântico, muito embora num cotejo raso entre as duas, existam mais pontos a favor da interpretação da IN 243/2002. Outrossim, se sopesarmos o valor de um erro de concordância nominal contra um erro de vírgula, pareceme cristalino que pressupor um erro de concordância nominal seria mais grave do que um mero erro de vírgula. Nesse sentido, no nível sintático/gramatical, parece mais razoável que a norma esteja a prescrever no cálculo da margem bruta de lucro, que seja considerado 60% sobre o valor líquido de revenda, portanto, daquela parcela que foi importada e, posteriormente, revendida diminuídos depois do valor agregado no país. Mas, por amor ao debate avancemos nos próximos métodos de interpretação. Interpretação lógica e matemática Uma outro aspecto que transparece da fórmula é da IN 32/2001 em contraponto com a da IN 243/2002 é da “feiúra” da primeira e falta de simplicidade. Como já se colocou retro, mas não custa repetir, o famoso físico Richard Feynman expressou essa verdade intuitiva quando disse: “Você pode reconhecer a verdade por sua beleza e simplicidade. Quando você a apreende corretamente, é óbvio que ela é correta – pelo menos se você tem alguma experiência... Os inexperientes, os birutas e pessoas assim, fazem suposições simples, mas você pode perceber imediatamente que eles estão errados, de modo que isso não conta. Outros, os estudantes inexperientes, fazem suposições que são muito complicadas, e de certo modo parece que está tudo certo, mas sei que não é verdade porque a verdade sempre se revela mais simples do que pensava.” 3 Essa mesma intuição não passou despercebida de Polizelli4: A aceitação da fórmula 60% sobre ( o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País) implicaria em se vencer um verdadeiro desafio interpretativo, pois cria um novo método de determinação de preço parâmetro distinto do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, cuja previsão legal determina que as margens de lucro sejam sempre sobre o produto ou parcela importada ou revendida. 3 Op. Cit. 4 “Parâmetros para a definição de valor agregado e interpretações possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao método PRL de preços de transferência”. Revista de Direito Tributário Internacional. Ano 1, nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006. Fl. 623DF CARF MF 20 Por outras palavras, com essa interpretação perdese uma característica básica do método que é o “isolamento”. O método de cálculo é feito de “frente para trás”. Intuitivamente partimos do Preço de Revenda e vamos retirando tudo aquilo que seja possível até chegarmos, até isolarmos o preço parâmetro de importação para subseqüente comparação com o preço real importado. Uma vez isolado o preço de importação é que sobre ele deve incidir a margem bruta de lucro de 60%. Somente a fórmula da IN 243/2002 persegue esse desiderato e faz o isolamento de forma perfeita, pois ela retira todo o valor agregado, que é uma variável complicadora e muito peculiar do caso concreto e como tal deve ser expurgada, mesmo porque a margem bruta de 60% vem justamente substituíla. A fórmula da IN 32/2001 ela não expurga o valor agregado, ela faz algo diferente, ela adiciona 60% do valor agregado! PP1= PLV – 60%(PLV – VA) ou PP1= 40% PLV + 60% VA Como se vê ela falha em simplicidade, na medida em que a referida fórmula contempla a subtração do Valor Agregado que por sua vez diminui o Preço de Revenda isso tudo no contexto de uma outra diminuição realizada sobre o Preço de Revenda, o que redunda em uma adição “disfarçada” do Valor Agregado para a formação do Preço Parâmetro. Ora, afora a questão de falta de simplicidade da fórmula, por que motivo adicionar e não subtrair, e apenas parte do valor agregado e por que nesse percentual de sessenta por cento? Afinal o percentual de 60% seria apenas para cobrir a margem de lucro bruta? Todos os termos de uma fórmula matemática tem que ter uma razão de ser bem objetiva e explicável. Não há razão lógica alguma para esse fato, a não ser admitirmos que essa interpretação é produto de um erro dando origem a essa fórmula por acaso. Interpretação finalística A fórmula da IN 32/2001 ao deixar de subtrair o valor agregado como era de se esperar para atingir o isolamento do valor importado a ser comparado, e ir pelo caminho ilógico de adicionar 60% do valor agregado para apurar o preço parâmetro, faz com que a fórmula deixe de funcionar adequadamente, deixando de fazer os ajustes necessários nos casos de manipulação de preços importados entre partes relacionadas, objetivo maior do Preço de Transferência. E essa distorção acontece, justamente porque a variável independente Preço Parâmetro (PP) a ser calculada aumenta diretamente proporcional a 60% do Valor agregado (VA). Ou seja, quanto maior o valor agregado no país maior se torna o PP e consequentemente menores vão ficando os ajustes até o ponto de não ter mais ajuste nenhum, independente de se fazer manipulação no Preço de importação. Um comportamento absurdo. Nunca esperado para essa fórmula. Outrossim, os Preços Parâmetros calculados com base nessa metodologia distorcida não guarda a mínima correspondência com o valor do bem importado, o que é outro absurdo e precisaria ser explicado. Apesar de taxar de ilegal a IN SRF nº 243/02 o tributarista Schoueri, termina por concordar com a distorção acima apresentada: Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 615 21 “7.6.1.3.1 Segundo tais autores, a fórmula acima seria criticável, já que, ao incluir o valor agregado na parcela da margem, surge um encontro de subtrações, o que implica uma adição. Em outras palavras, quanto maior o valor agregado, maior seria o preço parâmetro e, portanto, menor a necessidade de ajuste fiscal. 7.6.1.3.2 Essa observação leva a uma aparente incongruência na aplicação do método. Afinal, se a margem de lucro deve ser suficiente para cobrir todos os custos locais, então lógico seria que quanto maior fosse o volume dos custos locais, tanto maior fosse a margem; aplicandose a fórmula acima, chegase ao contrário: a margem de lucro diminui conforme se agrega valor no País. No limite, caso se agregasse enorme valor no País (e, portanto, caso se necessitasse de uma margem de lucro suficiente para remunerar tal agregação de valor), a margem resultante da aplicação da fórmula acima seria negativa. 7.6.1.3.3 O argumento é forte e coerente e, de fato, não parece passível de contestação a partir da lógica dos preços de transferência. Seria de se esperar que tivesse o legislador cuidado de ampliar a margem de lucro conforme houvesse maior agregação de valor, nunca o contrário.5 Porém, o mesmo renomado autor objeta que isso seria um efeito indutor positivo previsto pelo legislador para favorecer a agregação de valor no país e que não poderia ser desprezado. Ora, mas o objetivo do mecanismo de preço de transferência é outro completamente diferente não podendo se amoldar a tal desiderato. Na verdade o que se tenta justificar é um efeito errático da fórmula, se seguida uma interpretação errônea, que coincidentemente dá ensejo a um efeito indutor, mas que por óbvio não pode ser considerado um objetivo maior do Preço de Transferência, mormente quando esse efeito indutor torna a fórmula inútil para evitarse manipulação de preços importados advindos de aquisições entre partes relacionadas, finalidade maior desse instituto. Outro aspecto da fórmula não explicado pelos defensores da lógica da IN 32 2001 seria o porquê do legislador se utilizar da expressão matemática (PLVA) na fórmula PP=PLV 60%(PL – VA). Ora, (PL – VA) nada mais é do que Preço do Produto Importado (PPI) +Lucro. Então a margem bruta é uma expressão que faz incidir o percentual de 60% não sobre o valor agregado, mas sobre o próprio preço do produto importado mais o lucro. Ora, por que então não se fez referência direta a essas variáveis. E outra coisa, como explicar que a Margem Bruta seja uma grandeza que dependa do “Preço do bem importado”, se o Preço Parâmetro, que tem paralelismo com o Preço do bem importado, é justamente o que se pretende encontrar? Questão prenhe de questões, todas elas não elucidadas. Por que? Porque é produto da escolha por acaso da interpretação literal equivocada que só pode redundar em irracionalidade na fórmula produzida. Interpretação Sistemática Uma interpretação sistemática da referida fórmula envolve a análise dela a partir dos parâmetros da OCDE. 5 Preços de transferência no direito tributário brasileiro, 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2006, pp.159160. Fl. 625DF CARF MF 22 Nesse passo, Victor Borges Polizelli em excelente artigo aponta que a fórmula da IN 243/2002 com a estrutura explícita de “Preço menos Margem de Lucro menos Valor Agregado” apesar de aparentar mudar a estrutura convencional dessa metodologia (“Preço menos Margem de Lucro” apenas) indica que as diretrizes da OCDE longe de vedar essa estrutura até a recomenda quando se é possível adotála. E não poderia ser diferente uma vez que essa nova estrutura é a que melhor se amolda ao conceito de isolamento dos produtos importados, conforme já tratado em outro tópico. Eis a doutrina de Polizelli: Em socorro dessa proposta de interpretação, convém indicar que as diretrizes da OCDE, enquanto orientações gerais, não vedam expressamente a exclusão do valor agregado paralelamente à exclusão da margem de lucro. Pelo contrário, como já adiantado, a OCDE reconhece que é mais difícil determinar uma margem de lucro adequada para as situações em que há grande agregação de valor ao produto (item 2.22). Mais ainda, as diretrizes da OCDE (item 2.19) sugerem que seja conferido maior peso a outros atributos de comparabilidade (funções realizadas, circunstâncias econômicas etc.) quando a margem de lucro disser mais respeito a esses atributos do que ao próprio componente importado. Colocamse assim algumas questões: será que a legislação brasileira não veio a atender exatamente a essas recomendações da OCDE, quando previu a exclusão individualizada do “valor agregado no País”? Seria essa uma forma adequada de se atribuir maior peso à função de produção e à circunstância econômica de alta agregação de valor? 6 E na seqüência o autor indiretamente toca no ponto da falta de simplicidade que por sua vez se liga na falta do “isolamento”, questões já sublinhadas alhures: Fato é que, com a formulação proposta PP=PL –60%x PL – VA é muito mais fácil encontraremse definições apropriadas para os elementos “Valor agregado” e “margem de lucro” de modo a resultar em um preço parâmetro plenamente comparável com o preço praticado na importação. 7 Argumento equivocado de que a mudança de redação para fazer face apenas à ponderação aumentaria os ajustes tributários Não se venha alegar que a redação da IN 2322002 diverge muito da Lei no que tange a incorporação da ponderação e que isso aumentaria a carga tributária da Recorrente através de atos infralegais. Conforme tabelas abaixo, fica bem claro que a ponderação não é o fator que faz aumentar os ajustes, ao contrário, é sempre mais favorável ao contribuinte (vide Tabela III). Outrossim, essa sistemática apenas incorpora uma “lei lógica” adequando melhor a fórmula para situações em que o que está sendo revendido é um produto em que se encontram 6 "Parâmetros para a definição de valor agregado e interpretações possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao método PRL de preços de transferência". Revista de Direito Tributário Internacional. Ano 1, nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006. 7 Ibdem Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 616 23 incorporados vários insumos, no preço de revenda do produto estão compreendidos os preços de venda dos vários insumos que o integram. A ponderação é apenas uma “lei lógica” para fazer essa segregação dos diversos preços de revendas individuais a partir do peso valorativo do produto importado no custo total do produto. Nesse ponto, cabe um parêntese. É que a roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 se modifica ao incorporar a técnica da ponderação, mas sem macular a" sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento. Não se pode olvidar da ideia de que de certa forma o insumo foi também foi revendido. Nesse caso, apurase por proporcionalidade a parcela do preço líquido de venda (PLn) do bem produzido que diz respeito ao insumo importado (PPn). Fórmula adotada pela IN 243/2002 em sua essência Fórmula analítica: PP= PLV – 60%PLV – VA Fórmula EXPRESSAMENTE adotada pela IN 243/2002 PPn=%nPL –60%(%nPL) Os mais desavisados observam logo que a fórmula é completamente diferente uma da outra, pois a variável VA (Valor agregado) existente na primeira formulação desaparece na segunda. Ora, mas %n=VI8/(VI+VA), ou seja, o percentual de participação do valor do bem importado sobre os custos totais é uma forma lógica de isolar o valor agregado do bem importado, afinal a variável “Total dos custos” é a soma do Valor Importado mais todo o Valor Agregado a esse insumo. No caso da participação de um único insumo importado, significa apenas a diminuição(subtração) por si só do valor agregado, não necessitando do artifício do rateio proporcional, repartindo o “bolo” em seus pedaços supostamente revendidos (PLVn, PPn). Por outras palavras, a participação do componente importado no preço de revenda líquido (%n x PL) é igual ao preço de revenda líquido do produto final (PLV) subtraído do valor agregado: (%n x PL) = PLVA Nesse passo, Victor Borges Polizelli no seu excelente artigo muito bem divisou essa identidade entre a fórmula genérica da IN 243/2002 (PP= PLV – 60%PLV – VA) e a fórmula derivada, verdadeiramente expressa na IN 243/2002 que contém a técnica da ponderação de custos (PPn=%nPL –60%(%nPL)). 8 Valor declarado do bem importado Fl. 627DF CARF MF 24 Eis abaixo a prova matemática estabelecida pelo referido autor entre a variável Valor Agregado e tudo aquilo que não representa a participação do componente importado “n” no preço de revenda líquido: Neste sentido, o valor agregado poderia então ser identificado como tudo o que não representar a participação do componente importado "n" no preço de revenda líquido ([1 %n] x PL). Aplicando esta identidade à proposição supra: (%n x PL) + ([1 %n] x PL) = PL %n x PL + PL %n x PL = PL PL = PL * Proposição Verdadeira O sentido aqui identificado para o valor agregado é perfeitamente admissível na medida em que reflete a evolução histórica do método PRL (grifei). 9 Segue a seguir um exemplo bem simples de como esse mecanismo de substituição da operação de subtração pelo rateio funciona: Ex.: Dados hipotéticos: PLV=250, VA=40, 40%PLV=100, VI=60, LUCRO=150 PP=PLV –60%PLVVA (fórmula analítica) = 40%PLV – VA (fórmula reduzida) PP=10040=60 Aplicandose agora a fórmula EXPRESSA da IN 243: PPn=%nPL –60%(%nPL) %n=VI/(VI+VA)=60/(60+40)=0,6=60% PPn=60%x250 60%(60%x250)=15090=60 É claro que as fórmulas não são idênticas, pois variandose as variáveis (lucratividade, VA etc), como se verá mais adiante nas simulações, a fórmula expressa da IN 243 que contém a ponderação (PPn=%nPL –60%(%nPL)) tende a ter PP diferentes , mas observem, sempre mais favoráveis ao Contribuinte do que a formulação abstrata e que serve apenas para um produto revendido que contenha apenas um único insumo importado (PP=PLV –60%PLVVA). Vide comparação, então, da Tabela 3 com a Tabela 2, respectivamente. Essa lógica foi inclusive construída a partir da jurisprudência do CARF, mais precisamente a partir do brilhante voto proferido pela exConselheira Sandra Maria Faroni, relatora do Acórdão nº 10194.888, de 17 de março de 2005. No caso ela passa em revista as alterações produzidas no art.18 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 9.959/2000. É o famoso caso de Revenda de Párabrisa com preço parâmetro de R$ 32.000,00 para um produto que valeria R$ 10,00. Essa é a distorção causada pela fórmula da IN 32/2001 sem a utilização da ponderação. 9 Op.cit. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 617 25 Outrossim, vêse, ainda, que a questão não é somente de lógica jurídica, mas também de bom senso e de razoabilidade. De importante que se deve ter em mente, para a análise da interpretação de uma norma e seu correspondente ato regulamentar infralegal, é que “Nem sempre lei lógica precisa norma para estar no interior do sistema”, é o que nos ensina o saudoso Jusfilósofo Lourival Vilanova em sua obra “As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo”, São Paulo, Editora Max Limonad, 1997, pg.26. Portanto, apesar de tal previsão não estar literalmente explícita na Lei, vêse que sua sustentação encontra guarida quando posta em confronto com questões de fronteira, como fez a ilustre Conselheira Sandra Faroni no referido Acórdão. Além do que, como se demonstra a seguir, essa ponderação tem apenas o efeito benéfico de reduzir os ajustes se comparado a interpretação da IN 243/2002 sem a referida ponderação. É de se ver. TABELA 1 – “TESE DO CONTRIBUINTE” IN 32/2001 INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO DENTRO DA MARGEM DE LUCRO – S E M PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PP= PLV – 60%(PLV – VA) Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 155,4 150 138 124 102 96,6 PL 240 240 240 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 MARGEM de PL sobre (VI + VA) por fora 140,00% 140,00% 140,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES 0 0 0 0 0 2,4 OBSERVAÇÕES Aqui só há ajustes quando o Valor agregado é ínfimo, fazendo com que a fórmula não funcione para os demais casos! Fl. 629DF CARF MF 26 TABELA 2 – “TESE DO FISCO – PRIMEIRO PASSO INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO, MAS FORA DA MARGEM DE LUCRO – SEM PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PP= PLV – 60%PLV – VA Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 3 6 26 60 86 95 PL 240 240 240 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 MARGEM de PL sobre (VI + VA) por fora 140,00% 140,00% 140,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES – IN 243 – SEM proporcionalização 4,00 4,00 4,00 0,00 4,00 4,00 OBSERVAÇÕES *Margem bruta maior de 60%(por dentro) ou 150% por fora não tem ajustes! Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 618 27 TABELA 3 – “TESE DO FISCO – ÚLTIMO PASSO INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO, MAS FORA DA MARGEM DE LUCRO – C O M PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PPn=%nPL –60%(%nPL) Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 0,96 9,60 13,20 60,00 86,40 95,04 PL 240 240 110 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 Proporção do VI sobre Custo total (VI+VA) %=> 1,00% 10,00% 30,00% 60,00% 90,00% 99,00% MARGEM de PL sobre (PBI + VA) Por fora 140,00% 140,00% 10,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES – IN 243 – COM proporcionalização 0,04 0,40 16,80 0,00 3,60 3,96 OBSERVAÇÕES Valor agregado não afeta ajustes, a não ser que a margem bruta ultrapasse 60% (por dentro) ou 150% (por fora). Observar que não há ajustes aqui no ponto em que a proporcionalização do VI (Valor Importado) sobre os custos totais iguala a 60% (por dentro) e em que a Margem Bruta também alcança 150% (por fora) e 60% (por dentro), demonstrando a coerência da formulação. A partir das simulações acima, fica patente a conclusão peremptória de que a ponderação, quando isolada (eu disse quando isolada!) não produz ajustes desfavoráveis ao contribuinte, recaindo em falácia todos os argumentos em contrário. O que gera ajustes mais desfavoráveis ao contribuinte se comparado com a IN 32/2001 é apenas a questão de o Valor Agregado compor ou não a margem bruta, questão essa que não está clara na literalidade da Lei e que só pode ser deslindada a partir da utilização de um vasto conjunto de métodos interpretativos. Fl. 631DF CARF MF 28 Observar como esse erro é reiteradamente difundido inclusive por doutrinadores de renome. Higuchi, citado no Recurso, assim critica a IN 243/2002: O art. 12 da IN 243/2002 não consignou nos cálculos a totalidade do preço líquido de venda e nem a totalidade do valor agregado no País como determina a lei. A instrução, sem base legal, apurou o percentual de participação dos bens importados na formação do custo total do bem produzido e aplicou esse percentual no preço líquido de venda e no valor agregado no País. 10 Em primeiro lugar, como já se disse a Lei não precisa consignar lei lógica básica para trazer razoabilidade e evitar absurdos, como seria o caso de não se aplicar a ponderação e, por último, como já demonstrado, a ponderação não aumenta os ajustes, pelo contrário, diminui. A questão é outra, o que causa o efeito de aumento dos ajustes é a consideração do Valor Agregado no seio da margem bruta de lucro ou fora dela. E isso, como já se viu, não está literalmente claro na Lei. Nesse passo, cai por terra também o argumento muito utilizado de que a tentativa do executivo de emplacar, mas sem sucesso, a Medida Provisória nº 478, de 29 de dezembro de 2009, restou configurada que a IN 2432001 que teria a mesma redação dessa Medida Provisória, tenha extrapolado a Lei nº 9.430/96. Isso porque em sua redação saltaria aos olhos que a referida Lei teria abarcado em seus dispositivos a variável “participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido”, ou seja, a ponderação. Mas, ora, essa variável quando isolada (eu disse quando isolada) não implica em fazer com que os ajustes aumentem desfavoravelmente aos contribuintes, pelo contrário, os ajustes diminuem, conforme já foi sobejamente demonstrado nas tabelas acima. Outro autor de renome, O Dr. Eurico M D. Di Santi escreveu um artigo muito erudito a respeito da questão, disponível na internet: “Preços de transferência: Fraude à lei e abuso de poder na pretensa regulamentação das Leis 9.430 e 9.959 pela IN 243” 11. O seu mérito é que não ataca em hipótese alguma a ponderação. Vai direto ao ponto nevrálgico da discussão: o papel desempenhado pelo Valor Agregado dentro da fórmula do preço de transferência. Nesse ponto, ele ataca ferrenhamente a desconsideração do Valor Agregado tal qual posta na IN 2432002.Utilizase de argumento já tratado alhures, qual seja, do efeito indutor provocado pela sistemática da legalidade anterior (IN 322001). Ou seja, o efeito extrafiscal da IN 32 foi “incrementar o valor agregado dos produtos finais sujeitos vendidos no País. (...) Ou seja, o método PRL 60 estimulava os contribuintes a agregar tangíveis e intangíveis ao bem importado, atendendo à lógica da Lei 9.959 e da IN 32.” O mérito do seu argumento é indicar um efeito indutor que embora se argumente, como o fiz alhures, que não tenha sido previsto pelo Legislador, é bem provável que de fato tenha acontecido no mundo empírico. O problema é minimizado na medida em que a eficácia e legalidade da IN 32 é garantida pelo Fisco no período em que norteou esse comportamento. Entretanto, tal argumento extrajurídico não é suficiente para se permanecer com uma interpretação que sustenta a referida fórmula, como já demonstrado, que chega a resultados absurdos e, em determinado ponto, deixa inclusive de funcionar e produzir o seu 10 Imposto de renda das empresas. Interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo:IR Publicações, 2011, p.158. 11 Disponível em http://www.fiscosoft.com.br/a/5jrd/precosdetransferenciafraudealeieabusodepoderna pretensaregulamentacaodasleis9430e9959pelain243euricomarcosdinizdesanti. Acessado em 04 de junho de 2012. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 619 29 efeito e finalidade maior, qual seja, evitar a manipulação de preços entre empresas interrelacionadas e evitar a transferência de lucros entre os respectivos países. Outro ponto atacado pelo Dr. Eurico de Santi diz respeito à tentativa de destrinchar a fórmula da IN 243/2002 provocando o que ele chama de “Adultério” na medida em que “distorce o sentido e a intenção originária da Lei 9.959 e da IN 32”: A IN 243 muda completamente a orientação que havia sido dada pela IN 32, mediante a alteração do cálculo do PRL60: (i) a Lei 9.959 e a IN 32 consideravam o valor agregado como pressuposto para aplicação do PRL 60 e, obviamente, o incluíam como variável na forma de cálculo desse método; (ii) a IN 243 inovou ao desconsiderar o valor agregado como variável no cálculo do PRL60, neutralizando o, e dando outra interpretação à palavra "bem". A IN 243, embora assuma o pressuposto da agregação de valor como diferencial para aplicação do PRL60 (hipótese), desconsiderao na solução normativa (consequência), pretendendo considerar a palavra "bem" não na acepção de produto final (após a agregação de valor no País, sentido prescrito pela Lei 9.959 pela IN 32), mas como o próprio insumo importado. Ou seja, a IN 243 passou a entender a palavra "bem" na acepção de insumo, completamente dissociada do "valor agregado no País".12 O argumento é inteligente, bem elaborado e merece ser respondido. Em primeiro lugar, notase uma certa precipitação em afirmar de plano que a intenção da Lei 9.9959 é tal e qual, colocando isso já como uma premissa verdadeira, quando na verdade é isso que se tenta provar. É a chamada petição de princípio. Em segundo lugar, observase em uma leitura atenta de todo o artigo que o autor intencionalmente não enfrenta a questão em seu ponto de partida inicial: a interpretação gramática e semântica. E por que penso que não o faz? Porque ficaria cristalino que a atribuição de estratagemas ardilosos ao conteúdo da IN 243, segundo ele, intencionalmente perpetrados pelo Fisco, não vingaria tão facilmente. O artigo tenta passar a ideia da existência de um plano conspiratório, ardiloso e maquiavélico plantado no seio da IN 243/2002 quando manipula a variável valor agregado. Ora, a variável “Valor agregado” está na literalidade da Lei 9.959, isso não se discute. O que se discute é sua posição matemática dentro da fórmula. A literalidade da Lei dá margem as duas interpretações, logo onde está o ardil da Receita Federal, que apenas se utiliza da opção mais racional e também prevista na literalidade da Lei? O que se tem que provar e o debate deve se instalar é em torno de qual das duas é a mais racional matematicamente! E isso o renomado autor não o fez. Ele em momento algum defende ou tenta explicar a racionalidade da sua hipótese, centrando forças apenas na tentativa de mostrar que a IN 2432002 “muda completamente a orientação que havia sido dada pela IN 32”, mas isso não se discute. O que se discute é qual a “legalidade” correta, afinal se é dado à Administração revogar ou anular os seus próprios atos, impingida que está do Interesse Público, por que não poderia mudar sua interpretação da Lei, resguardando os atos colhidos pelo entendimento anterior, quando ela afere cristalinamente que cometera um erro na interpretação anterior? O renomado autor ainda sob esse mesmo aspecto tenta demonstrar a obscuridade da fórmula, na forma de “artimanha”, qual seja, “manter o Valor Agregado como critério normativo relevante da hipótese (critério normativo), mas desconsiderálo como critério quantitativo relevante na solução normativa (consequência)”: A artimanha da "Legalidade" 5 está em manter o valor agregado como critério normativo relevante da hipótese (critério normativo), mas 12 Ibdem Fl. 633DF CARF MF 30 desconsiderálo como critério quantitativo relevante na solução normativa (consequência): com isso, aparentemente, a IN 243 alinhase à Lei 9.430 com a redação dada pela Lei 9.959, pois mantém o valor agregado como critério relevante da hipótese normativa, contudo, o exclui como critério quantitativo relevante na solução normativa. Em cotejo com o ADULTÉRIO PARTE I, perpetrado pela IN 38, a diferença específica entre a IN 38 (julgada ilegal pelo CARF) e a IN 243 (ainda sob julgamento no CARF) é que no ADULTÉRIO PARTE I, a autoridade administrativa criou expressamente nova hipótese normativa introduzindo uma distinção legal (Caso 1 x Caso 2) que não havia na Lei 9.430; agora, no ADULTÉRIO PARTE II, de modo mais dissimulado, a IN 243 mantém a mesma hipótese normativa da Lei 9.430 (após a alteração pela Lei 9.959), confirma a distinção entre Caso 1 e Caso 2, mas elimina os efeitos jurídicos da dessa distinção legal quando não considera o valor agregado na solução normativa. E o faz mediante a obscura alteração da forma de cálculo do preço parâmetro. Ou seja, em termos bem objetivos: a IN 38 foi considerada ilegal porque criou nova hipótese normativa; a IN 243 é ilegal porque parte de uma distinção legal imposta pela Lei 9.959 (mantendo o valor agregado como hipótese para aplicação do PRL60), mas elimina os efeitos dessa distinção, mediante alteração da solução normativa específica para o Caso 1 (desconsiderando o valor agregado na fórmula). Tratase de exemplo clássico de fraude à lei: a única justificativa para o regime do PRL 60 instaurado pela Lei 9.959 é a existência de valor agregado tanto no critério normativo como no critério quantitativo da solução normativa que define o cálculo do preço parâmetro. A IN 243 manteve o critério normativo do valor agregado (na hipótese) sem considerálo na consequência normativa, justamente e não por acaso, na parte mais obscura e nãotransparente desse dispositivo normativo: a fórmula! 13 Esse ponto de sua inteligente argumentação também merece ser respondido. Aqui a inteligência do raciocínio do ilustre doutrinador reside em primeiro lugar reconhecer que a IN 2432002 não inova em relação à Lei 9.959 no que tange a utilização da variável Valor Agregado. Afinal isso foi a inovação justamente prevista na Lei 9.959 quando criou o PRL 60 e como já visto no tópico ligado à interpretação sistemática, uma possibilidade aventada pela OCDE. O autor chama essa previsão de “critério normativo” ou “critério relevante da hipótese normativa”. Porém, aponta um suposto ardil: concomitantemente o desconsidera da consequência normativo em seu chamado “critério quantitativo”. O que de importante tem se a dizer é que de fato a variável “Valor Agregado” constante na Lei como “critério normativo” RELEVANTE foi preservada. E foi preservada da forma mais racional possível, que é expurgando essa variável do Preço Líquido de Revenda para daí encontrar uma base pura sobre a qual aplicar a margem bruta e fixa de 60%, isto é fazer jus a característica mais essencial do cálculo do preço de transferência, o chamado “isolamento”.O que o douto doutrinador chama de desconsiderar o seu efeito da consequência normativo, podemos simplificar tudo com um “sinal negativo” aposto à variável “Valor Agregado” (PP= PLV – 60% PLV VA). É a própria semântica da fórmula que está justamente em discussão em função da interpretação gramatical e de todas as outras formas de interpretações que possam indicar qual a semântica matemática mais adequada que irá dar racionalidade na fórmula. Não há ardil algum aqui, há apenas interpretações mais ou menos razoáveis. E como já se demonstrou sobejamente nesse voto, a desconsideração do VA em sua totalidade seria a fórmula mais racional, pois só ela produz o isolamento necessário para se chegar em uma adequado Preço Parâmetro. Por fim, o ilustre autor traz novamente um outro substancial argumento que merece ser enfrentado: Ocorre que o sistema normativo inaugurado pela Lei 9.959 já ofereceu uma solução normativa LEGAL para os casos em que não se considera o valor 13 Ibdem Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 620 31 agregado: o método PRL20. Excluir o valor agregado para calcular o preço parâmetro é LEGALMENTE possível, mas desde que seja aplicada a margem de lucro de 20%: ignorar o valor agregado ao bem importado e, ainda, aplicar a margem de lucro de 60% implica abuso de direito da autoridade que manipula o sentido das Leis 9.430 / 9.959 por meio de uma nova fórmula, ao mesmo tempo em que trai a intenção patente do legislador, que só justificou a margem diferenciada do PRL60 em razão de considerar o valor agregado. 14 Notase, mais uma vez, que nesse ponto o autor contentase em atacar a fórmula da IN 2432002, mas nunca defende a outra opção matemática. Aliás, defende apenas em um único ponto e já muito aqui discutido, a questão extrafiscal do efeito indutor provocado pela fórmula da IN 322001. Novamente se diga, que uma fórmula de preço de transferência não pode se escorar apenas em efeitos extrafiscais, deve ter um mínimo de racionalidade interna para ser adotada e que racionalidade é essa para se evitar a manipulação dos produtos importados não se esclarece. Outrossim, o que se verifica é que a Recorrente nesse ponto ataca na verdade o percentual previsto de 60% previsto, esse sim, indubitavelmente, sem sombra de dúvidas, presente na Lei 9.959 e como tal qualquer falha do legislador em superdimensionálo refoge dessa instância julgadora e muito menos da IN 2432002. Esse ponto abre inclusive brecha para criticar a lógica da IN 32 e elogiar a lógica simples e direta da IN 2432002. É que esta última foi a única que preservou para todos os efeitos a Margem Bruta de Lucro prevista em Lei de 60%, trazendo mais previsibilidade e simplicidade para o importador, pois qualquer que seja o caso concreto essa é a margem bruta e fixa a ser aplicada sobre o valor importado mais o valor agregado para que não seja necessário se fazer ajustes. Explicando matematicamente, se fizermos um gráfico onde no eixo do “X” colocarmos a variável “Valor Agregado” – VA, variandoa paulatinamente e no eixo vertical do “Y” confrontála com a variável “Margem de Lucro” obteremos uma simples linha reta paralela ao eixo do “X” na altura de 60% por dentro ou 150% calculado por fora, indicando o limite a partir do qual não se terá nunca ajustes. Abaixo dessa reta (abaixo de 60% ou 150%) estariam todas as hipóteses onde os ajustes ocorreriam. Vêse aqui novamente o aspecto “beleza” e simplicidade presentes nessa fórmula. Se traçarmos o mesmo esquema gráfico para a fórmula da IN 322001, não obteremos essa mesma simplicidade, muito menos se preservaria o limite de 60% da margem de lucro como parâmetro de ajuste. Ela variaria de 60% até 0% de margem quando atingir um Valor de agregação de 60%. E a partir desse nível de agregação a fórmula provoca Margens negativas, ou seja, a fórmula para de funcionar. Então agora fica fácil de entender porque não se aprofunda nessa discussão, pois a fórmula produz resultados absurdos. Em primeiro lugar, não mantém a Margem de Lucro de 60% prevista em Lei e, por último, deixa de funcionar para nível de agregação maior de 60%, permitindo a partir desse nível a total manipulação de preços, diferente do objetivo maior do instituto do Preço de Transferência. Reitero o que o foi colocado pelo especialista em Direito Econômico Victor Polizelli: : A aceitação da fórmula 60% sobre ( o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País) implicaria em se vencer um verdadeiro desafio interpretativo, pois cria um novo método de determinação de preço parâmetro distinto do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, cuja 14 Ibdem Fl. 635DF CARF MF 32 previsão legal determina que as margens de lucro sejam sempre sobre o produto ou parcela importada ou revendida. Mas, ainda uma última questão colocado pelo Doutor Eurico de Santi que merece nossa atenção. Segundo o renomado doutrinador: Excluir o valor agregado para calcular o preço parâmetro é LEGALMENTE possível, mas desde que seja aplicada a margem de lucro de 20%: ignorar o valor agregado ao bem importado e, ainda, aplicar a margem de lucro de 60% implica abuso de direito da autoridade que manipula o sentido das Leis 9.430 / 9.959 por meio de uma nova fórmula. 15 Conquanto já esclarecido que o referido percentual de 60%, adequado ou não, foi estabelecido explicitamente pelo legislador, cabe justificar o por quê de um aumento do seu patamar de 20% quando já se desconsidera o Valor Agregado. É como se houvesse uma anulação total do mesmo e como tal a fórmula deveria se comportar como se PRL 20 o fosse. Porém, esquecem os defensores dessa tese aquilo que foi muito bem sublinhado pelo Doutorando pela USP, Ricardo Marozzi Gregório, ao analisar o PRL 60 pela ótica da IN 2432002.: Portanto, a margem de lucro – ML – não precisará mais suportar o custo do valor agregado no País. Entretanto, continuará suportando os custos, despesas e remuneração da atividade comercial, bem como a remuneração da própria atividade de agregação de valor no País. E esta seria uma possível razão de a margem percentual de 60% sobre o preço de revenda líquido ser superior aos 20% sobre o preço de revenda menos os descontos incondicionais concedidos previstos para a hipótese em que não há produção local. (destaquei). 16 É que esquecem que com a agregação de valor há justificativa lógica para uma margem diferenciada porque existem outros componentes envolvidos que não se restringem apenas ao próprio valor agregado. Se retiramos determinados custos na forma de valor agregado não estou necessariamente anulando a lucratividade sobre essa agregação. É claro que o ideal seria o estabelecimento de mais de uma margem de lucro para se evitar os extremos, mas tal expediente não foi previsto por Lei. Nesse ponto, entre os próprios doutrinadores há uma certa discrepância na linha de raciocínio. No caso o Dr. Marcelo Natale, economista e advogado, que participou de um debate com o Dr. Natanael Martins (exConselheiro do CARF), com o Dr. Shoueri, entre outros, se vê uma suposta inadequação entre o PRL 60 e a ponderação. Dr. Marcelo Natale (economista e advogado): Ora, no PRL 20, eu compro e revendo sem fazer uma alteração física naquele produto. No PRL 60 eu teria uma justificativa lógica para uma margem diferenciada porque eu tenho outros componentes, i.e. o valor agregado que foi o tópico anterior. E ele é o cerne dessa discussão. Não é possível discutir o PRL 60 sem discutir o valor agregado. Aí nós vamos para a IN 243 e procuramos com microscópio onde está o valor agregado e simplesmente não o encontramos, ele é ignorado solenemente no texto da IN 243, porque foi feito uma proporcionalização linear do cálculo. Reconheço que ele guarda certa lógica, porém ele nada mais é do que o método PRL 20 proporcionalizado. Ora, ele ratifica que deve ser feito uma proporcionalização, portanto, 20% me parece totalmente cabível também nesses casos. E com isso, se por um lado, na introdução do PRL 60, uma margem maior seria justificável, entre aspas, porque eu introduzi o valor agregado, se eu tiro o valor 15 Ibdem 16 Preços de transferência:uma avaliação da sistemática do método PRL. Tributos e preços de transferência. 3º vol. Coordenador Luís Eduardo Schoueri. São Paulo: Dialética, 2009, p.189) Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 621 33 agregado eu tiro a base também que sustenta os 60% ou qualquer uma margem diferenciada daquela dos 20%. Dr. Natanael Martins: Quer dizer, como um bom advogado você estaria a dizer que o PRL a 60 estaria a justificar a aplicabilidade do PRL a 20 com proporção, mas o PRL 60 se desmonta porque a IN tirou da base dele o valor agregado. Dr. Marcelo Natale: Brilhante conclusão. Nesse ponto, ouso discordar dos nobres doutrinadores. A proporcionalização em princípio não deve afetar a margem bruta de lucro a ser aplicado sobre os bens importados, uma vez que ela nada mais faz do que melhor distribuir o valor agregado total para cada um dos seus respectivos componentes importados, quando esse for o caso, isto é, quando o importador não opera com um único bem, produto ou serviço importado.Por outras palavras, a proporcionalização é um método de procura da verdade real, no caso de haver produção local com importação de mais de um bem, no que tange a fazer o isolamento do componente importado de tudo quanto mais aparece no produto final. É, portanto, uma metodologia neutra não afetando o quantum de percentual de margem bruta a ser aplicado. Alegado problema do “efeito circular”na formulação expressa da IN 243/2002 Alegase como falha da IN 243/2002 o fato de que cada vez que o contribuinte busca se aproximar do “preço parâmetro” obtido pela fórmula, ou seja, passando a adquirir o bem pelo valor equivalente ao “preço parâmetro”PP, poderá ficar sujeito a novo ajuste a título de Preço de Transferência. É o seu efeito circular. Tentase provar isso através de tabelas contendo exemplos hipotéticos. O que se observa é que de fato a fórmula se comporta não de forma errática, mas de forma previsível. Só haverá ajustes no momento em que o PL dividido pelo somatório do Valor Importado mais o Valor Agregado (PL/(VI+VA)), for inferior a 60%, se calculado por dentro ou a 150%, se calculado por fora. Exatamente o que a fórmula se propõe a fazer, manter uma margem bruta de 60%, como está previsto na Lei. É claro que o exemplo dado pelo contribuinte não é só hipotético, mas irreal, pois as variáveis são interligadas, não se podendo conceber que a variação aleatória do VI não reflita também em um aumento correlacionado do Valor Agregado. No caso as simulações sempre mantém constante o Valor Agregado. Outrossim, ninguém disse que a referida fórmula da IN 243/2002 é a fórmula perfeita, mas é a mais adequada se comparada com a formulação da IN 32/2011. Decisões Judiciais Na seara judicial observase que o caminho trilhado foi o mesmo do assumido neste voto. Temse notícias que em 10/02/2011 (DJF3 CJ1 de 18/02/2011, p.596), a justiça passou a ter um entendimento convergente ao do Fisco, quando do julgamento da AMS Fl. 637DF CARF MF 34 200361000173814. Por unanimidade, trilhouse caminho oposto, pela legalidade da IN 243/2002, tendo assim sido ementado: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO – PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro – PRL, estabelecido na Lei nº 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF nº 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa nº 243/02 para a aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art.18 da Lei nº 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (destaquei) No mesmo sentido, pode ser mencionada a recente decisão proferida no mês de março pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho (processo nº 10283.721285/200814), Considerações finais Como se percebe, apesar de ser controverso a conclusão aqui chegada de que mesmo a partir de uma análise gramatical/semântica a interpretação da Lei feita pela IN 243 20002 seja a mais favorável, por todos os outros ângulos que se analisa a questão (interpretação lógica, finalística e sistemática) de fato chegase à conclusão peremptória de que a IN 243/2002 é legal. Outrossim, a roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL – 60%x(%nPL)) se modifica, sim, em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV – 60%PLV – VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV – 60%(PLV – VA ) nem na formulação genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV – 60%PLV – VA)). Encerrado o processo interpretativo feito de forma exaustiva, não mais se pode alegar que a IN 243/2002 é ilegal pelo simples fato de divergir da IN 32/2001. A IN 32/2001 é apenas uma versão mal sucedida da interpretação da Lei e como foi consolidada em um determinado lapso de tempo, será acatada para os fatos geradores abarcados pelo referido período em que ela estava em vigor. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10283.720942/201012 Acórdão n.º 1401001.769 S1C4T1 Fl. 622 35 CSLL. – LANÇAMENTO DECORRENTE Por fim, tendo se em vista que, quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL, fato motivador foi o mesmo relativo ao IRPJ, aplicase a esse assunto as razões esposadas no voto relativas ao IRPJ. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário e acompanho a relatora, negando também provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005544/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004
IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE IRPJ. CONEXÃO. COMPETÊNCIA.
Conforme disposto no regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso voluntário declinando competência de julgamento para a 1ª Seção.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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MARINE INDÚSTRIA E COMÉCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2004 IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE IRPJ. CONEXÃO. COMPETÊNCIA. Conforme disposto no regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso voluntário declinando competência de julgamento para a 1ª Seção. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 55 44 /2 00 7- 72 Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 3301003.672 S3C3T1 Fl. 1.915 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1865 a 1901) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1444.191 (fls. 1833 a 1853), de 27 de agosto de 2013, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receita, caracterizada por depósitos bancários junto a instituições financeiras, cuja origem o contribuinte não comprovou. O crédito tributário lançado totalizou R$ 4.749.715,50, inclusos juros de mora e multa de ofício (qualificada). Foram apuradas as seguintes irregularidades: · omissão de receitas, nos anos de 2005 e 2006, caracterizada por depósitos bancários junto a instituições financeiras, não contabilizados e de origem não comprovada, conforme descrito no termo de verificação fiscal (Arts. 23, inciso II, 32, inciso II, 109, 110, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 114, 117, 118, inciso II, 172, 182, 183, inciso IV, 185, inciso III e 423, caput e § 2° do Decreto n° 2.637/98 (RIPI198). Arts. 24, inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131, inciso II, 191, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n° 4.544/02, e · erro na classificação fiscal e alíquota do produto industrializado pela empresa. O termo de constatação fiscal esclareceu que o contribuinte adotou a classificação fiscal 8906.90.00 a alíquota de 5%, sendo a classificação correta 8903.99.00 a alíquota de10%, pelo fato de a empresa fabricar casco para embarcações de lazer ou esporte (Arts. 2°, 3°, 4°, inciso I, 8°, 23, inciso II, 32, inciso II, 109, 110, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 114 e parágrafo único, 117, 118, inciso II, 172, 182, 183, inciso IV, 185, inciso III do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98). Arts. 2°, 3°, 4°, inciso I, 8°, 24, inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131, inciso II, 191, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n° 4.544/02. O termo de verificação e encerramento fiscal de fls. 1373/1388 descreve a ação fiscal, ressaltando que foi aplicada a multa qualificada de 150%, em função de se considerar que o contribuinte teve a intenção de suprimir ou reduzir tributo ou contribuição, na medida em que não declarou IPI devido nos anos em questão. Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 3301003.672 S3C3T1 Fl. 1.916 3 Regularmente cientificada do lançamento, conforme o auto de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, com impugnação, alegando, em suma: · Não há razoabilidade entre o conteúdo das provas colhidas e a conclusão obtida a partir delas; · Atrita com o axioma da Justiça Fiscal, alicerçado nos princípios da estrita legalidade (CRFB/88, art. 150, 1), tipicidade cerrada (CTN, art. 97), segurança jurídica, capacidade contributiva (CRFB/88, art. 145, § 1°) e não confisco (CRFB/88, art. 150, IV), a pretensão do Fisco de presumir que as receitas financeiras de origem não comprovadas, "indistintamente", configuram operações tributáveis pelo IPI; as receitas financeiras de origem não comprovadas, presumidamente, quando muito, apenas podem ser tomadas como base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cujo núcleo material das respectivas hipóteses de incidências deitase na renda, lucro ou faturamento auferidos, independentemente do tipo/origem de operação mercantil, mas não para fins da aferição da base imponível do IPI que, ao contrário, até mesmo do ICMS, ocorre em ciclo único, no momento da saída da mercadoria do estabelecimento do fabricante, onde ela sofre o processo de industrialização. O lançamento não merece guarida, vez que baseado em riqueza unilateralmente presumida e base de cálculo estranha ao imposto em questão; · A recorrente não incorreu na prática tipificada como “omissão de receita”, mas em simples declaração inexata de rendimentos, já que procedeu a escrituração de sua receita tributável no livro de registros de saídas; · O IPI tem como fato gerador a saída das mercadorias do estabelecimento. A base de cálculo, portanto, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria e não a receita. · O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador, não podendo encontrar esteio exclusivamente em prova indiciária (presumida); · A presunção legal relativa à omissão de receita prestase à tributação pelo IRPJ e reflexos, mas não para fins de base imponível de IPI; · O arbitramento do valor tributável, nos moldes efetuados pela autoridade fiscal, desafia a regra específica plasmada no artigo 138 do Decreto nº 4.544/02. · Impossível a classificação fiscal do produto industrializado pela contribuinteautuada, requerida pelo Fisco, na posição 8903, como equivocadamente procedeu o AuditorFiscal. A uma, porque um casco de fibra de vidro para motor foradeborda, juridicamente, não é considerado uma embarcação, configurando apenas uma membro navis. A duas, porque segundo se denota através de fotos anexas e do lídimo teor do Ofício n° 57/04 (do. 05), expedido pela Gerência Regional da Fazenda do Estado de Santa Catarina, os cascos fabricados pela autuada se prestam tanto a fins utilitários (policiamento costeiro, busca e salvamento, ambulancha, pesquisas e etc.), quanto para esporte e lazer, a depender da efetiva utilização dado pelos adquirentes. A três, porque a efetiva utilização dada ao casco pelo adquirenteconsumidor que, em regra, os adquire de uma terceira Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 3301003.672 S3C3T1 Fl. 1.917 4 pessoa, que se dedica à exploração do comércio varejista de produtos náuticos, foge ao controle da atividade mercantil da RECORRENTE, inviabilizando, por conseguinte, a generalizada classificação fiscal de tal produto na posição 8903 da TIPI (sub posição 8903.99.00). E, a quatro, porque existindo norma específica que leva em consideração a singularidade do(s) produto(s) industrializado(s) pela empresarecorrente (cascos de embarcações), a posição 89.06, a que se reporta a Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, é a classificação fiscal que haverá de prevalecer, segundo a diretriz disposta no item 3, letra "a", das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado. · O Fisco não fez prova concreta, real, inabalável, capaz de afastar a dúvida acerca da natureza dos cascos fabricados pela empresaautuada, ao ponto de justificar a subsunção do produto fabricado à pretensa classificação fiscal na posição 8903.99.00; em relação ao caso em apreço, · Não há se falar em manifesto intuito de fraude, porquanto, a controvérsia jurídica que resultou na constituição do crédito tributário de IPI reside, fundamentalmente, na interpretação e classificação fiscal do produto industrializado pela empresaautuada na TIPI. Portanto, residindo a controvérsia jurídica que resultou na constituição do crédito tributário de IPI, fundamentalmente, na interpretação e classificação fiscal do produto industrializado pela empresaautuada na TIPI, impertinente se revela o enquadramento de tal fato como uma "infração qualificada", impregnando de ilegalidade, por conseguinte, a aplicação da multa no oneroso patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento). Tendo em vista a negativa do Acórdão da 8ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. Houve, ainda, por parte do CARF, a apresentação de Resolução nº 3301 000.211 (fls. 1904 a 1909), de 25 de fevereiro de 2015, que decidiu, por unanimidade de votos declinar a competência de julgamento para a primeira seção de julgamento do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 1865 a 1901), de 17 de outubro de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1444.191 (fls. 1833 a 1853), de 27 de agosto de 2013, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 3301003.672 S3C3T1 Fl. 1.918 5 Anocalendário: 2005, 2006 INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de cascos e/ou embarcações caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código da natureza das embarcações de destino. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas/saídas não registradas e sobre elas será exigido o IPI. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 25 de fevereiro de 2015, por intermédio da Resolução nº 3301000.211 (fls. 1904 a 1909), a 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinou competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. Assim cito trecho do voto para elucidar (fls. 1908 e 1909): O recurso voluntário é tempestivo, mas não preenche os requisitos de validade, não devendo ser conhecido. Cuidase de retorno de novo Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente em face de decisão que, analisando as questões atinentes à classificação fiscal e multa qualificada, manteve a autuação por entender que: 1 No caso concreto, os produtos comercializados sem as respectivas notas fiscais pela recorrente estão sujeitos ao IPI por se tratarem de produtos industrializados classificados em código próprio na TIPI. 2 Houve omissão de receitas apuradas em fiscalização cujo objetivo era fiscalização para fins de IRPJ (PA nº. 10909.003790/200558) e reflexos e que em razão da dita omissão a base de cálculo utilizada pela fiscalização, quais sejam, o total das receitas não comprovadas, foi corretamente considerada pelo Fisco. De se destacar, em primeiro lugar, que a presente autuação, tal como reconhecido pela própria Recorrente é reflexa da fiscalização de IRPJ e que resultou no processo nº 10909.003790/200558, julgado definitivamente pela Delegacia de Florianópolis, uma vez que houve desistência do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte naqueles autos. Por ser decorrente do auto de infração relativo ao IRPJ e contribuições, só se pode concluir, na esteira do que também já decidiu esse Colegiado nos autos do outro Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 3301003.672 S3C3T1 Fl. 1.919 6 processo similar da mesma empresa (PA 10909.003793/200561, Relator Conselheiro Antônio Lisboa, Ac. 330100154 – alterase apenas o período de apuração), fazse mister declinar a competência para análise da questão posta, por força do que determina o art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF. De fato, tal dispositivo regimental dispõe que é da Primeira Seção a competência para o julgamento de recursos que versem sobre demais tributos e o IRRF, “...quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”, como ocorreu no caso. (...) Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, para declinar da competência para a 1ª Seção deste colendo CARF, em razão de tratarse de processo de auto de infração de IPI, cuja base de cálculo foi apurada através dos valores arbitrados no auto de infração de IRPJ, nos autos do processo nº 10909.003790/200528, nos termos do art. 2º, IV, do Anexo II, do RICARF. Já por intermédio do Despacho (fls. 1912) da Chefe do Serviço de Seção, Cleuza Takafuji, de 11 de março de 2016, foi redistribuído o presente processo para a Terceira Seção, pela alteração da legislação. Cito trecho para melhor ilustrar: O caput e inciso IV do art. 2º do Anexo II à Portaria MF nº 256/2009 assim dispunham: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...) Já o caput e inciso IV do art. 2º do Anexo II à Portaria MF nº 343/2009, que aprovou o novo Regimento Interno do CARF estabelecem: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; (...) Ante os dispositivos acima reproduzidos do novo Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015), combinado com o inciso III do art. 3º do mesmo Regimento Interno, resta claro que a competência de julgamento é da 3ª Seção. Assim, devolvamse os presentes autos à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, para redistribuição, vez que a relatora originária não mais integra aquele colegiado. Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 10909.005544/200772 Acórdão n.º 3301003.672 S3C3T1 Fl. 1.920 7 Ocorre que o Anexo II do Regimento Interno do CARF, que trata da competência, estrutura e funcionamento dos colegiados, e, em específico da competência para o julgamento de recursos, sofreu alterações introduzidas pela Portaria MF n° 152/2016, de 3 de maio de 2016. Assim ficou disposto na legislação: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). (Grifou se). Do exposto e de acordo com a legislação aplicável ao presente caso, voto por não conhecer do recurso e declinar a competência para que o julgamento do Recurso Voluntário do Contribuinte ocorra na 1ª Seção de Julgamento do CARF pelo fato de tratarse de IPI reflexo do IRPJ formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Valcir Gassen Relator Fl. 1920DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900284/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/06/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 84 /2 01 4- 53 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900284/201453 Acórdão n.º 3401003.679 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900284/201453 Acórdão n.º 3401003.679 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900284/201453 Acórdão n.º 3401003.679 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
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