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Numero do processo: 10930.003210/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/09/2000 a 31/05/2001
CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES.
A aquisição de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES não gera crédito do IPI.
CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATÉRIA DE EMBALAGEM PARA PRODUÇÃO DE BEM CUJA ALÍQUOTA DO IPI É ZERO.
A aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material para embalagem geram crédito de IPI, mesmo quando o produto final tenha alíquota zero, desde que os insumos adquiridos sejam tributados pelo IPI a uma alíquota acima de zero e não sejam adquiridas de empresas optantes pelo SIMPLES.
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI. CRÉDITO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE DE PERÍODOS POSTERIORES AOS PERÍODOS LANÇADOS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO ABATIMENTO.
O contribuinte não tem direito de abater do auto de infração valores lançados de ofício com créditos surgidos em períodos posteriores aos períodos constantes no auto de infração.
Numero da decisão: 3401-002.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/09/2000 a 31/05/2001 CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. A aquisição de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES não gera crédito do IPI. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATÉRIA DE EMBALAGEM PARA PRODUÇÃO DE BEM CUJA ALÍQUOTA DO IPI É ZERO. A aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material para embalagem geram crédito de IPI, mesmo quando o produto final tenha alíquota zero, desde que os insumos adquiridos sejam tributados pelo IPI a uma alíquota acima de zero e não sejam adquiridas de empresas optantes pelo SIMPLES. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI. CRÉDITO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE DE PERÍODOS POSTERIORES AOS PERÍODOS LANÇADOS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO ABATIMENTO. O contribuinte não tem direito de abater do auto de infração valores lançados de ofício com créditos surgidos em períodos posteriores aos períodos constantes no auto de infração.
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DE MOVEIS BANRON Recorrida DRJ BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/09/2000 a 31/05/2001 CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. A aquisição de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES não gera crédito do IPI. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATÉRIA DE EMBALAGEM PARA PRODUÇÃO DE BEM CUJA ALÍQUOTA DO IPI É ZERO. A aquisição de matériaprima, produto intermediário e material para embalagem geram crédito de IPI, mesmo quando o produto final tenha alíquota zero, desde que os insumos adquiridos sejam tributados pelo IPI a uma alíquota acima de zero e não sejam adquiridas de empresas optantes pelo SIMPLES. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI. CRÉDITO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE DE PERÍODOS POSTERIORES AOS PERÍODOS LANÇADOS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO ABATIMENTO. O contribuinte não tem direito de abater do auto de infração valores lançados de ofício com créditos surgidos em períodos posteriores aos períodos constantes no auto de infração. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 32 10 /2 00 5- 25 Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Emanuel Carlos Dantas de Assis e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 09/09/2005 (fls.1.887/1.391), pelo qual foi lançada a diferença do IPI supostamente recolhido a menor nos períodos entre setembro de 2000 e maio 2001, acrescido de juros e multa, o que totalizou o lançamento no valor R$ 454.147,78. Conta no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento Parcial de Ação Fiscal do IPI (fls. 1.377/1.380) o seguinte: “Através do processo judicial, o contribuinte obteve o direito de creditarse de IPI de insumos não tributados, isentos ou tributados à alíquota zero (0%) aplicados na industrialização de produtos tributados, à alíquota incidente sobre estes produtos. Foram anexadas cópias de partes do processo judicial n° 97.201.49370, às fls. 1283 a 1306”. E continua: “2 Da análise dos demonstrativos foi constatada a utilização de alguns crédito indevidos, estranhos ao processo judicial, conforme detalhado a seguir: 2.1 A empresa creditouse indevidamente do IPI de insumos fornecidos por empresa optante pelo sistema SIMPLES. A legislação do SIMPLES, abaixo transcrita, não admite a utilização ou transferência de créditos relativos ao IPI. (...) 2.2 Utilizou créditos de insumos aplicados em colchões calculados à alíquota de10%, enquanto a alíquota do produto é 0%. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10930.003210/200525 Acórdão n.º 3401002.205 S3C4T1 Fl. 1.543 3 2.3 Utilizou o total de créditos de insumos aplicados na fabricação de espumas, porém, parte da produção de espumas é aplicada em colchões, cuja alíquota é 0%. No período de 09/2000 a 108/2001, o crédito foi calculado a 10%, a partir de 208/2001 até 310/2002 a 15% e a partir de 111/2002 a 5%. 2.4 Computou, em duplicidade, os valores referentes às notas fiscais 182024 de 10/11/2004 no valor de 20.072,00 e 182761 de 25/11/2004 no valor de 19.708,00, ambas da Agro Química Maringá, CNPJ 61.980.181/000405. Os insumos foram aplicados na industrialização de espumas, calculados alíquota de 5% e a glosa do valor indevidamente creditado é de 1.003,60 e 985,40 respectivamente. Cópia do demonstrativo do contribuinte às fls. 790. 2.5 No demonstrativo de créditos, no período 101/2004 constou o valor de 151.242,03 da empresa Stolthaven Santos Ltda, CNPJ 51.979.359/000193. Esta nota fiscal de n° 46726 é de simples remessa sendo que o valor foi faturado pela empresa ISOPOL Produtos Químicos S/A, CNPJ 15.255.680/000757, (nova razão social DOW Brasil Nordeste Ltda), também constante do demonstrativo às fls. 706. A glosa do crédito, calculado à alíquota de 5% é de 7.562,10. (Cópias das notas fiscais às fls. 1276 e 1277). 2.6 Creditouse também, indevidamente, do IPI relativo a insumos constantes da nota fiscal 457, datada de 23/12/2002, no valor de 10.170,00, emitida por Darom Móveis Ltda CNPJ 76.298.785/000192, aplicados na industrialização de estofados, calculado à alíquota de 10% totalizando 1.107,00. Este crédito é indevido pois a citada empresa não é industrial e tampouco comercial atacadista. Cópia da nota fiscal às fls. 1275. 2.7 Foram anexadas cópias dos demonstrativos de crédito elaborados pela empresa as fls. 320 a 794. Até 108/2001 a empresa creditavase de 10% sobre o total dos insumos, a partir de 208/2001 passou a separar a aplicação dos insumos, por aplicação na industrialização, à efetiva alíquota incidente sobre o produto”. A Autuada apresentou Impugnação (fls.1.399/1.412), mas a DRJ em Belém/PA manteve indeferiu a impugnação e manteve integralmente o lançamento ao prolatar acórdão (fls.1.490/1.495) com a seguinte ementa: “AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas do Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto, ainda que esse tenha sido indevidamente destacado na nota fiscal. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos da sentença. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 28/11/2011 (fl.1.498) e interpôs Recurso Voluntário em 13/12/2011 (fls. 1.499/1.511), com as alegações resumidas abaixo: 1As empresas optantes pelo simples recolhem IPI a 0,5% sobre sua receita bruta, conforme o §2o, do art. 5o, da Lei nº 9.317/96. Porém, quando esse produto é vendido por um contribuinte não enquadrado no SIMPLES, tem uma alíquota maior. Dessa forma, existe uma isenção parcial entre a alíquota de 0,5% e a alíquota efetiva do produto. Assim, a Autuada tem direito ao aproveitamento do crédito dos insumos adquiridos das empresas optantes pelo SIMPLES, seja por serem tributados, em razão do Princípio da não cumulatividade, seja por terem isenção parcial e se enquadrarem na decisão judicial; 2É irregular o lançamento em razão de aproveitamento de crédito de insumos tributados, mas utilizados na fabricação de bens com saída à alíquota zero, pois a jurisprudência é pacífica é reconhecer o direito ao crédito nessas situações; 3 Na época das glosas efetuadas pelo fisco, a Contribuinte tinha escriturado créditos em seu favor, no Livro nº 13, de Apuração do IPI, os quais, muito embora tenham sido reconhecidos pelo auditor fiscal no Demonstrativo de Recomposição do IPI, não foram aproveitados no cálculo do lançamento; 4 O próprio auditorfiscal, no item 2.10 do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, reconheceu que o saldo credor da autuada é maior que as glosas, de modo que “sejam quais forem os valores glosados de crédito de IPI, os mesmos não podem ser objetos de autuação, tendo em vista que os valores apurados no período de setembro de 2000 a dezembro de 2004 são inferiores aos créditos existentes desde setembro de 2000”. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma integral do acórdão da DRJ e a anulação do auto de infração. É o Relatório. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10930.003210/200525 Acórdão n.º 3401002.205 S3C4T1 Fl. 1.544 5 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente foi autuada em razão de suposto aproveitamento indevido de crédito inexistente. Após refazer os cálculos e as glosas dos supostos créditos indevidos, a autoridade fiscal chegou ao montante de IPI supostamente devido. Refutando o lançamento, a Recorrente devolve as seguintes matérias em seu Recurso Voluntário: Possibilidade de aproveitamento de crédito de insumos adquiridos de empresas optante pelo SIMPLES; Possibilidade de aproveitamento de crédito de insumos tributados utilizados na fabricação de bens tributados a alíquota zero; possibilidade de aproveitamento de créditos já escriturados para abater do montante lançado. 1 Da aquisição de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES em razão da isenção parcial. Como já relatado, a Recorrente obteve decisão judicial, pela qual ficou autorizada a aproveitar o crédito do IPI na aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. Abaixo transcrevese parte do acórdão do TRF 4a Região, que reconhece o direito da Recorrente: “Dessa forma, as impetrantes têm direito de creditar quantia referente ao IPI de matériasprimas isentas, não tributadas ou tributadas alíquota zero, relativamente ao tributo devido por ocasião da saída do produto final, com relação a operações futuras e aquelas ocorridas nos últimos cinco anos, contados do ajuizamento da ação”. (fl.1.304 dos autos digitais deste processo administrativo). A data de trânsito em julgado não foi localizada nos autos deste processo administrativo, mas, em consulta realizada por este Relator ao site do TRF da 4a Região, constatouse que a Apelação do Mandado de Segurança no qual foi concedido o direito aos créditos (nº 1999.04.01.0076112) teve sua baixa definitiva em 24/08/2001. Com base nessa decisão, a Recorrente alega que tem direito à aproveitamento do IPI na aquisição de insumo de empresas optantes pelo SIMPLES, pois, apesar de essas empresas recolherem IPI à alíquota de 0,5% sobre seu faturamento, conforme dispunha o §2o, do art. 5o, da Lei nº 9.317/96, vigente na época, quando elas vendem seus produtos como Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 insumo, deixam de recolher o IPI sobre o que seria a alíquota normal se o insumo fosse adquirido de empresas não optantes pelo SIMPLES. Assim, segundo a Recorrente, ocorre uma isenção parcial. Desse modo, essas aquisições se enquadram nos limites da decisão judicial e autorizam o aproveitamento do IPI. A intenção da Recorrente é equiparar a diferença de alíquota do IPI existente entre as aquisições de pessoas optantes pelos simples e não optantes à isenção parcial. Ocorre que a outorga de isenção está reservada à lei, consoante disposição do art. 97, inciso VI, do CTN. Como não existe lei que determine a isenção parcial ou total na venda de produtos de empresas optante pelo simples, não se pode considerar a diferença de alíquotas incidentes sobre empresa optante e não optante pelo SIMPLES como isenção parcial. 2. Do aproveitamento de crédito de IPI na aquisição de insumos de pessoas optantes pelo simples em razão do princípio da nãocumulatividade. A Recorrente alega que, mesmo que se considere que não há isenção parcial, as empresas optantes pelo simples recolhem IPI à alíquota de 0,5% sobre seu faturamento, de modo que toda mercadoria por elas vendida sofre incidência do IPI e, desse modo, gerase crédito do IPI em razão do Princípio do Nãoconfisco. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, vigente na época dos fatos geradores lançados, vedava, expressamente, a transferência de crédito do IPI, na venda de produtos por empresa optante pelo simples. Essa vedação estava presente no §5o, do art. 5o, da citada lei, o qual é transcrito abaixo: “§ 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. Por esse motivo já está pacificado no CARF que a aquisição de insumo de empresas optantes pelo SIMPLES não gera crédito de IPI, conforme é possível constatar na jurisprudência abaixo: “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Considera se não efetuado os atos de iniciativa do sujeito passivo, para o lançamento, quando ele escritura e utiliza Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10930.003210/200525 Acórdão n.º 3401002.205 S3C4T1 Fl. 1.545 7 indevidamente créditos do IPI. Neste caso, o lançamento é sempre de ofício e a decadência regese pelos ditames do art. 173 do CTN. CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. Recurso Voluntário Negado”. (CARF. 3a SJ. 3a Cam. 1o TO. Acórdão 3302001.979, de 27/02/2013. Rel. Walber José da Silva) (Grifo nosso) “GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização”. (CARF. 3a SJ.2a Cam. 1o TO. Acórdão 3302 01.592, de 26/04/2012. Rel. José Antônio Francisco) “IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. Recurso Voluntário Negado.” (CARF. 3a SJ.3a Cam. 2o TO. Acórdão 3302000.955, de 21/03/2012. Rel. Márcia Helena Trajano D’Amorim) Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Portanto, a Recorrente não tem razão em querer aproveitar crédito do IPI oriundo de aquisição de insumos de empresa optante pelo SIMPLES. No tocante à alegação de que esse crédito deve ser aproveitado em razão do princípio do nãoconfisco, abstenhome de analisar a matéria sob esse prisma, pois, para analisar dessa forma será necessário adentrar na esfera constitucional, o que é vedado pela Súmula nº 02, do CARF, em razão da falta de competência desse órgão julgado, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 3. Crédito IPI na utilização de insumos utilizados em produtos com alíquota zero. A fiscalização glosou os créditos utilizados pela Recorrente na aquisição de insumos tributados à alíquota de 5%, 10% e 15%, mas utilizados para produção de bens tributados à alíquota zero. Conforme consta nas tabelas das fls. 1.371/1.373, as aquisições ocorreram entre os anos de 2000 e 2003. Por esse motivo, essa matéria já está pacificada pela Súmula nº 16 do CARF, cuja redação é a seguinte: “ O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999”. Portanto, estava correto o proveito do IPI da Recorrente na aquisição de insumos tributados para produção de bens tributados à alíquota zero. Como foram aplicadas as alíquotas corretas, não há crédito à Recorrente. Portanto, as glosas foram efetuadas corretamente. 4. Do Aproveitamento do Crédito Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10930.003210/200525 Acórdão n.º 3401002.205 S3C4T1 Fl. 1.546 9 A Recorrente alega que, no momento do lançamento, havia créditos em seu favor que deveriam ter sido utilizados para o abatimento do lançamento. Alega ainda que esses créditos foram reconhecidos pela autoridade fiscal, mas não foram aplicados no cálculo. Por fim, alega que como o montante do crédito é superior ao montante da glosa, não deveria ter sido lavrado auto de infração. Compulsando os autos, encontrase nas fls. 1.374/1.376 a recomposição do Livro do IPI feita pela autoridade fiscal. Nessa recomposição, notase que a autoridade fiscal reconheceu os créditos a que a Recorrente realmente fazia jus. Tanto é assim, que não foram lançados os decênios nos quais foram constatados os saldos em favor da Recorrente. Isso é possível verificar fazendo um cotejo entre a Recomposição do Livro do IPI e os demonstrativos do auto de infração. Nos decêndios em que o valor do débito era maior que o valor dos créditos, os créditos foram abatidos e foi lançada somente a diferença. Ocorre que os demais créditos, que seriam suficientes para cancelar o auto de infração, são de períodos posteriores aos períodos lançados de ofício, de modo que não podem ser aproveitados para abatimento do valor do auto de infração. Esse créditos podem ser aproveitados pela Recorrente em outros créditos, vincendos ou vencidos, desde que ainda não tenha sido lançados, e por meio adequado. Portanto, deve ser mantida a cobrança. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto para manter a decisão da DRJ. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 19515.002386/2004-54
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES.
Inexiste nulidade no auto de infração quando a fiscalização dá a qualificação jurídica que entende pertinente aos fatos.
DECADÊNCIA.
Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo para o lançamento substitutivo previsto no art. 149, V, do CTN deve ser contado pela regra do art. 173, I, do CTN.
CRÉDITO GLOSADO. COMPENSAÇÃO.
O sistema de débitos e créditos do IPI não pode ser usado como meio para efetuar a compensação de indébito relativo ao Fundo Nacional de Telecomunicações.
CRÉDITO GLOSADO. INSUMOS ISENTOS.
Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção não rendem ensejo ao crédito do imposto.
INSUMOS ISENTOS. CRÉDITO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DO RE nº 212.484/RS.
A interpretação vertida no RE nº 212.484/RS não pode ser estendida aos demais casos concretos: I) por não atender ao previsto no art. 1º do Decreto nº 2.346/97; II) por ser anterior ao advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99; e III) porque o STF mudou a interpretação ao julgar os RE nº 353.657 e 370.682.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-17934
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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I 44. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . eç u.V•:!› SEGUNDA CÂMARA Processo n° 19515.002386/2004-54 Recurso n° 137.582 Voluntário conflito!'" wasgundonoConniMo de das Matéria • Acórdão n° 202-17.934 RtÉg a 12 Sessão de 26 de abril de 2007 Recorrente HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL S/A Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IP' Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. inexiste nulidade nu auiu d inflação quando a fiscalização dá a qualificação jurídica que entende pertinente aos fatos. MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBU; , • DECADÊNCIA. CONFERE COM O OR/G1NAL Brasília, 04 06 zoo Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo para o lançamento substitutivo previsto no art. 149, V, do CTN deve ser contado pela regra do art. 173, I, ~reza N tas\tlitO SC‘mcikal do CTN. Mat. Siape 1377389 CRÉDITO GLOSADO. COMPENSAÇÃO. O sistema de débitos e créditos do IPI não pode ser usado como meio para efetuar a compensação de indébito relativo ao Fundo Nacional de Telecomunicações. CRÉDITO GLOSADO. INSUMOS ISENTOS. Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção não rendem ensejo ao crédito do imposto. INSUMOS ISENTOS. CRÉDITO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DO RE n2 212.484/RS. A interpretação vertida no RE n 2 .212.484/RS não pode ser estendida aos demais casos concretos: I) por não atender ao previsto no art. 1 2 do Decreto n2 2.346/97; II) por ser anterior ao advento do art. II da • ; • , Processo n.° 19515.002386/2004-54 CCO2/Co2 Acórdão o.° 202-17.934 Fls. 2 Lei n2 9.779/99; e III) porque o STF mudou a interpretação ao julgar os RE n 2 353.657 e 370.682. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López, que votaram no sentido de contar o prazo de decadência pela rega do art. 150, § 42, do CTN e de reconhecer o direito de crédito do IPI pela aquisição de insumos isentos, na forma do RE 2 I2.484/RS. Fez sustentação oral o Dr. José Rozinei Silva, OAB/SP n2 121.915, advpgado da recorrente. - MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fl ) A ' CONFERE COM O ORIGINAL &asma £00 7 ANTONIO CARLOS ATUEM Andrezzaento Schmcikal ries;tlentc, Ttclatc,r Siape 13771,14) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Claudia Alves Lopes Bernardino e Antonio Zomer. _ Processo n.° 19515.002386/2004-54 ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTE:112N itS CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.934 CONFEll E COMO ORIGINAL Fls. 3 wasna_OtLi 06 j W 04" Andrezza N utteachrncikalRelatório Mat. Siape 1377389 Trata-se de auto de infração lavrado em 28/10/2004 para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de oficio e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo detectada após a glosa de créditos indevidos. Segundo os Termos de Constatação de fls. 205/208, a contribuinte lançou a crédito da conta-corrente de IPI valores relativos aos recolhimentos efetuados a titulo de Fundo Nacional de Telecomunicações (FNT), cuja devolução obtivera em ação judicial de repetição de indébito. Os valores foram glosados em razão da falta de previsão legal para utilizar a escrita fiscal do IPI como meio para efetuar a repetição de indébito. Relativamente ao período compreendido entre janeiro de 2000 e dezembro de 2003, a contribuinte escriturou indevidamente créditos relativos à aquisição de insumos isentos do imposto, os quais também foram glosados pela fiscalização por falta de amparo legal A 22 Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP, por meio do Acórdão n2 6.997, de 27/01/2005, manteve o lançamento. Regularmente notificada daquele Acórdão em 21/08/2006, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 630/729, em 15/09/2006, instruido com os documentos de fls 730/751. Alegou, em preliminar, a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e a decadência em face do que dispõe o art. 150, § 42, do CTN. No mérito, alegou que obteve em julzo o cecoalieciii.ctitv e.a •tsussÕau...swsass..aa. der, reccIltimerstos i.,d Fur.dc Telecomunicações e que tem direito à compensação do indébito com base no art. 66 da Lei n2 8.383/91. Relativamente aos créditos fictos pela entrada de produtos isentos, alegou que o direito ao crédito do imposto decorre do principio da não-cumulatividade, o qual não pode ser restringido pela legislação infraconstitucional. Insurgiu-se contra os juros de mora e a multa de oficio na forma como foram postos no lançamento e requereu o acolhimento de seu recurso para o fim de que seja reformada a decisão de primeira instância e cancelado o auto de infração. É o Relatório. 1,‘ . • è 411 • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNTES Processo a.° 19515.002386/2004-54 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/CO2 Acórdão o.° 202-17.934 Brasilia 04 / 06 , 10 o t. Fls. 4 Andrezza Naus ento Sehmeikal Mal. Simpe 1377389 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou a recorrente a nulidade do auto de infração, sob o argumento de inexistência de descrição dos fatos praticados e das respectivas fundamentações legais. A matéria foi bem enfrentada pela decisão de primeira instância, que decidiu pela inocorréncia de cerceamento do direito de defesa. Realmente, não se vislumbra nos autos nenhum óbice ao exercício do direito de defesa por parte da recorrente, pois a fiscalização descreveu os fatos de forma pormenorizada nos Termos de Constatação n 2 01 (fls. 205/206) e n2 02 (fls. 207/208), dando-lhes a qualificação jurídica que entendeu pertinente e, ainda, juntou os demonstrativos de fls. 197/199 e 209/222 e as cópias do Livro de Apuração (lis. 52/196). A impugnação e o recurso apresentados possuem mais de 90 folhas de argumentação robusta com a qual a recorrente centrou fogo certeiro na motivação do auto de infração, que consistiu na falta de recolhimento do IPI em razão da inexistência de amparo bnyal tiara ne 1 anrom pnine g ri-4(111y, no ennta-rnrrente rin imnnetn fatn mie denalitnri7a Ra alegações da recorrente, como bem restou decidido pela a Y Turma da MU em Ribeirão Preto - SP. Relativamente à decadência, a recorrente contestou a razão de decidir da decisão de primeira instância, pois, segundo seu entendimento, a compensação que foi feita com os valores do Fundo Nacional de Telecomunicações equivaleria ao pagamento e, sendo assim, existindo o pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado pela regra do art. 150, § 42, do CTN, uma vez que o art. 156, II, do CTN colocou a compensação como causa extintiva do crédito tributário. - A recorrente basicamente sustentou que a escrituração de valores a crédito na conta corrente de IPI é uma forma de compensação dos valores que teria recolhido indevidamente a título de contribuição ao Fundo Nacional de Telecomunicações. Tratando-se de urna compensação de tributo que pagou indevidamente, o crédito na conta-corrente do IPI estaria amparado pelo art. 66 da Lei n28.383/91. Cabe esclarecer que o instituto da compensação não se confunde com o sistema de débitos e créditos de IPI. A compensação, mencionada nos arts. 207 e 208 do RIP1/2002, é forma de extinção do crédito tributário (art. 156, II, do CTN); exige a preexistência de um pagamento de tributo indevido ou maior do que o devido e tem como objetivo a implementação do princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa. Por seu turno, o confronto entre débitos e créditos na escrita fiscal do IPI não reclama a prévia existência de pagamento indevido ou maior que o devido e seu objetivo, nos termos do art. 163 do RIPI/2002, é implementar o principio constitucional da não-cumulatividade, mediante a utilização dos créditos admitidos pelo regulamento para abater o imposto devido pelas saídas de produtos industrializados. \N i'v _ • . • k_, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRMUINTES • Processo n.• 19515.002386/2004-54 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-17.934 Brasffia. _ÍZLJA6.»./ 100 Fls. 5 Andre.zenem Sehmcikal Portanto, quand o contribuntetedelpeal MS:édito de IPI n sua escrita fiscal não está compensando tributo pago indevi damente, mas sim abatendo do montante a recolher aos cofres públicos o imposto que licitamente pagou nas operações anteriores. Isto demonstra o equívoco da interpretação sustentada pela recorrente, ao entender que o lançamento a crédito do indébito relativo ao Fundo Nacional de Telecomunicações, configura a compensação de pagamento indevido a que se referem os arts. 207 e 208 do RIPU2002, que têm suas matrizes legais no art. 66 da Lei n2 8.383/91 e nos arts. 73 e 74 da Lei n2 9.430/96. Por outro lado, o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI12002 estabelece que se considera pagamento do imposto, e conseqüentemente aperfeiçoado o lançamento por homologação, nos casos em que ocorre o abatimento dos débitos com os créditos admitidos, sem restar saldo a recolher. Ora, neste caso especifico, os valores relativos ao Fundo Nacional de Telecomunicações foram lançados a crédito na escrita fiscal do IPI no terceiro decêndio de junho de 1999 e no segundo decêndio de agosto de 1999, época em que a compensação de tributos era regida pelos arts. 73 e 74 da Lei n2 9.430/96 e pela IN SRF n2 21/97 que exigiam a formalização de um procedimento específico para que se efetuasse a compensação de indébito tributário reconhecido por meio de sentença judicial, como se deu no caso concreto em relação ao Fundo Nacional de Telecomunicações. Portanto, os valores relativos ao Fundo Nacional de Telecomunicações não são créditos admitidos peia legislação e, assim sendo, não se aperfeiçoou o lançamento por homologação nos termos do art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo para o lançamento substitutivo previsto no art. 149, V, do CTN é o do art. 173, I, do CTN (art. 129, II, do RIPU2002). No caso dos autos, o período de apuração mais antigo remonta a junho de 1999. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2000 (art. 173, I, do CTN). O prazo de cinco anos encerrou-se, portanto, em 31/12/2004. Tendo em vista que o auto de infração foi notificado ao contribuinte em 28/10/2004, claro está que nenhum período de apuração foi alcançado pela decadência. Relativamente ao crédito pela entrada de produtos isentos do IPI, é sabido que as normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura e introduzem modificações na regra-matriz de incidência tributária, que é uma norma de comportamento. Segundo a lição de Paulo de Barros Carvalho, "(..) a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da norma-padrão de incidência, mutilando-os, parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regra-matriz inutilizando-a como regra válida no sistema. O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente. (.)" (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 9 ! ed. 1995 pp. 329/330). Portanto, no caso de desoneração tributária por isenção, tem-se o encontro de duas normas jurídicas no campo abstrato, sendo uma a regra-matriz de incidência tributária e r. MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONI; SUES • di . CONFERE COM O ORIGWAL Processo n.• 19515.002386/2004-54 CCOVCO2 AcOrdão n.• 202-17.934 Bradá, A 06j 19* Fls. 6 Andrezze Ne in\s=noSehmeikal outra a regra de isenção, com seu • - • n•••4•ts n • • • 3 • •• de quaisquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da regra-matriz. Ora, se a norma de isenção mutila um dos critérios da regra-matriz de incidência, a conseqüência é que ela, a regra-matriz, não tem força para incidir sobre o evento para transforma-lo em fato jurídico tributário. Inexistindo o fato jurídico tributário, não se instaura o liame jurídico entre os sujeitos descritos no critério pessoal do conseqüente da norma-padrão de incidência. Em outras palavras, a isenção é uma hipótese de não incidência tributária. Se não existe incidência, não existe imposto "cobrado" e, conseqüentemente, a operação isenta não tem aptidão para gerar direito ao crédito de IPI, porque a não- cumulatividade do art. 153, § 3 2, II, da CF/88 opera apenas quando houver imposto "cobrado", ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. Portanto, claro está que não se pode conceder o direito de crédito ficto de IPI em relação a entradas de produtos isentos por meio da aplicação direta do art. 153, § 3 2, II, da CF, sob pena de o julgador investir-se na condição de legislador, ferindo de morte o art. 150, § 62, da Constituição, que estabelece a necessidade de edição de lei específica para a concessão de créditos presumidos. No que tange à jurisprudência do STF, citada pela recorrente, a questão a ser deslindado por este Colegiado reside em saber se a decisão proferida pelo STF na RE n2 212.484/RS enquadra-se ou não no art. 1 2 do Decreto n2 2.346/97, para se tomar vinculante para a Administração Pública. A vinculação instituída pelo referido decreto exige que a decisão proferida pelo STF fixe de forma inequívoca e definitiva a interpretação do texto constitucional. A decisão proferida no RE n9 212.4841RS é sem dúvida definitiva, na medida em que transitou em julgado, nos termos em que foi proferida. Entretanto, não se pode afirmar com a mesma certeza que seja inequívoca. Com efeito, no julgamento do RE n 2 212.4841RS, o relator Ministro limar Gaivão foi vencido, prevalecendo a tese do Ministro Nelson Jobim, de que "Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3°, II) quando o contribuinte do IN credita-se do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção." Naquele julgamento os Ministros Sydney Sanches e Néri da Silveira acompanharam o voto vencedor, mas demonstraram que não estavam plenamente convencidos daquela tese, uma vez que ressalvaram em seus votos que tinham dificuldade em se convencer de que alguém pudesse se creditar de um valor que não havia incidido na operação anterior. Vale transcrever os trechos mais significativos dos votos dos Ministros Sidney Sanches e Néri da Silveira no RE n 2 212.4841RS. Ministro Sydney Sanches: "Sr. Presidente, confesso uma grande dificuldade em admitir que se possa conferir crédito a alguém que, ao ensejo da aquisição, não sofreu qualquer tributação, pois o tributo incide em cada operação e não no final das operações. Aliás, o inciso II, § 3 0 do art. 153, diz: 'II — ç1/4$ _ • • • Processo n.° 19515.002386/2004-54 CCO21CO2 Acórdão o.' 202-17.934 fls. 7 será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; O que não é cobrado não pode ser descontado. Mas a jurisprudência do Supremo firmou-se no sentido do direito ao crédito. Em face dessa orientação, 7 sigo, agora, o voto do eminente Ministro Nelson Jobim. Não fora isso, a 1.te., acompanharia o do eminente Ministro-Relator." o irg" g c• 2 té Ministro Néri da Silva: o v2 o o \C) @z; "Sr. Presidente. Ao ingressar nesta Corte, em 1981, já encontrei3 mil o .= e. consolidada a jurisprudência em exame. Confesso que, como referiu o 2 c" 2-5 ilustre Ministro Sydney Sanches, sempre encontrei certa dificuldade na o ai o ui de :4 compreensão da matéria. De fato, o contribuinte é isento, na operação, .g c mas o valor que corresponderia ao tributo a ser cobrado é escriturado :e 23 como crédito em favor de quem nada pagou na operação, porqueo s g tf <c isento. De outra parte, o Tribunal nunca admitiu a correção monetária •t. ke dessa importância. Certo está que a matéria foi amplamente discutida pelo Supremo Tribunal Federal, especialmente, em um julgamento de que relator o saudoso Ministro Bilac Pinto. Restou, ai, demonstrado que não teria sentido nenhum a isenção se houvesse o correspondente crédito puis iribuituits a operação seguinte. Firmou -se, desde aquela época, a jurisprudência, e, em realidade, não se discutiu, de novo, a espécie. Todas as discussões ocorridas posteriormente foram sempre quanto à correção monetária do valor creditado; as empresas pretendem ver reconhecido esse direito, mas a Corte nega a correção monetária. No que concerne ao IP!, não houve modcação, à vista da Súmula 591. A modificação que se introduziu, de forma expressa e em contraposição à jurisprudência assim consolidada do Supremo Tribunal Federal, quanto ao ICM, ocorreu, por força da Emenda Constitucional n°23, à Lei Maior de 1969, repetida na Constituição de 1988, mas somente em relação ao 1CM, mantida a mesma redação do dispositivo do regime anterior, quanto ao IN. Desse modo, sem deixar de reconhecer a relevância dos fundamentos deduzidos no voto do eminente Ministro-Relator, nas linhas dessa antiga jurisprudência, - reiterada, portanto, no tempo, - não há senão acompanhar o voto do Sr. Ministro Nelson Jobim, não conhecendo do recurso extraordinário." Essas dúvidas parecem ter contaminado o julgamento dos RE n2 353.657 e 370.682, relativos ao crédito pela aquisição de insumos tributados com aliquota zero e não tributados, respectivamente. No informativo n2 456, do STF, consta que naqueles julgamentos o tribunal, por maioria de votos, deu provimento aos recursos da União, por entender que a admissão do crédito ficto pela entrada de produtos tributados com aliquota zero e não tributados implica ofensa ao inciso II do § 3 2 do art. 153 da CF. Asseverou-se que a não-cumulatividade do imposto pressupõe, salvo previsão contrária da própria Constituição Federal, tributo devido e recolhido anteriormente e que, na hipótese de não-tributação ou de aliquota zero, não existe parâmetro normativo para se definir a quantia a ser compensada. Ressaltou-se que tomar de empréstimo a aliquota final relativa a operação diversa resultaria em ato de criação normativa para o qual o Judiciário não tem competência. Aduziu-se que o reconhecimento desse crédito 1-; . . _ • et . i • Processo n.° 19515.002386/2004-54 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.934 Fls. 8 ficto ocasionaria inversão de valores com alteração das relações jurídicas tributárias, dada a natureza seletiva do tributo em questão, visto que o produto final mais supérfluo proporcionaria uma compensação maior, sendo este ónus indevidamente suportado pelo Estado. Além disso, importaria em extensão de beneficio a operação diversidaquela a que o mesmo está vinculado e, ainda, em sobreposição incompatível com a ordem natural das coisas. Por fim, esclareceu-se que a Lei n2 9.779/99 não confere direito ao crédito na hipótese de aquisições sujeitas a alíquota zero ou de não tributação e sim naquela em que as operações anteriores foram • tributadas, mas a final não o foi. Tendo em vista que esses argumentos utilizados pelo STF para os casos de insumos tributados com aliquota zero e não tributados infirmam de forma cabal a fundamentação do RE n2 212.484/RS e que a mesma argumentação serve como luva para os casos de insumos isentos, imunes e não tributados, não vejo a menor possibilidade jurídica de este Colegiado aplicar a interpretação contida no RE n 2 212.484/RS com base no Decreto n2 2.346/97, para reconhecer o crédito ficto ora pleiteado pela recorrente porque a interpretação que prevalece atualmente no STF é a dos RE n2 353.657 e 370.682. Além disso, após o advento do art. 11 da Lei n 2 4.779/99, desapareceu a possibilidade de postergação cio imposto para a operação seguinte àquela que foi beneficiada por isenção, fato que deu lastro à decisão do Ministro Nelson Jobim no RE n2 212.484/RS. Isto porque, a partir de janeiro de 1999, os fornecedores da recorrente ganharam o direito de escriturar os créditos do imposto pelas entradas de insumos aplicados na fabricação de produtos isentos e sujeitos à aliquota zero, podendo, inclusive, pedir o ressarcimento do eventual saldo credor existente ao final de cada trimestre calendário. Esta possibilidade real de recuperação do IPI, quando da fabricação de produtos isentos, não justifica mais a alegação de que ocorre a repercussão do imposto na operação seguinte à isenta. Portanto, os insumos isentos adquiridos pela recorrente já vieram desonerados do IPI porque seu fornecedor recuperou o imposto valendo-se da faculdade prevista no art. 11 da Lei n 2 9.779/99. Não se olvide que a decisão no RE n2 212.4841RS foi proferida em 05/03/1998, antes da publicação da Lei n2 9.779/99. Desse modo, inexistindo o direito material ao crédito ficto de IPI pelo fundamento constitucional, não existe a possibilidade de lançá-lo no livro de apuração do imposto, e, conseqüentemente, foi correta a glosa efetuada pela fiscalização e a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Relativamente aos consectários legais do lançamento de oficio, verifica-se que, diante da falta de lançamento do imposto, o art. 80, I, da Lei n 2 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei n2 9.430/96, estabeleceu a cominação da multa de 75%. Inexiste no caso concreto violação ao princípio do não-confisco. A uma porque a vedação do art. 150, inciso IV, da Constituição dirige-se ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos que ameacem o direito de propriedade. A duas porque a vedação constitucional se refere à utilização de tributos com efeito confiscatório, enquanto que a multa de oficio não se constitui em tributo, mas apenas e tão-somente em sanção de ato ilícito administrativo. No tocante aos juros de mora, não ocorreu o alegado anatocismo, pois a taxa Selic não foi capitalizada, conforme restará demonstrado a se . ir. P&F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasiiia, 0 4 O, 1 Mal-- - Andrezza sctmento Schuncikal Mal Siape 14773g4 • a . PI:Ocaso n.• 19515.002386/2004-54 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.934 Fls. 9 A tabela abaixo foi extraída da página da Receita Federal na internei e representa a taxa Selic mensal desde sua instituição em janeiro de 1995. MÊS/ANO ; 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fía-neiro 0,00% '2,58% 1,73% :2,67% 2,18% 1,46% 1,27% 1,53% 1,97% 1,27% 1,38% 1,43% 1,08% ---- • -- - - • - - ,Fevereiro 13,63 % 2,35% 1,67% % 2,38 % : 1,45% 1,02% 1,25% 1,83% 1,08% 1,22% 1,15% 0,87% Março 2,60% 2,22% 1,64 % 1 2,20 % 3,33% . 1,45% .1,26% 1,37% 1,78% 1,38% 1,53% 1,42% 1,05% Abril 4,26% 2,07% 1,66% :1,71 %2,35 % 1,30% 1,19% 1,48% 1,87% 1,18% 1,41% 1,08% - Maio 4,25% 2,01% 1,58 % 1 1,63 % 2,02% 1,49% '134% 1,41% 1,97% 1,23% 1,50% 1.28% - : Junho 4,04% :1,98% 1,61 % 1,60% 1,67% 1,39% 1,27% 1,33% 1,86% 1,23% 1,59% 1,18% - Julho 14,02% 1,93% 1560 %;1,70 % 1,66% 1,31% 1,50% I,54% 2,08% 1,29% 1,51% 1,17% Agosto ,3,84 7,2 1,97% 1,59 %11,48 % 1,57% '1,41% 1,60% 1,44% 1,77% 1,29% 1,55% 1,25% - i Setembro 3,32% 1,90 %;1,59 %12,49 % :1,49% :1,22% 1,32% 1,38% 1,68% 1,25% 1,50% 1,06% - I r- Outubro 13,09 %;1,86 % 1,67 % T.2,94 % 1,38 % '1,29% 1,53% 1,65%i,64% 1,21% 1,41% 1,09% - I Novembro 12,88 % ; 1,80 % 3,04% 2,63 % 1 1,39 % ; 1,22% 1,39% 1,54% 1,34% 1,25% 1,38% 1,02% - I " " Dezembro '2 78% 1,80% '2,97% 2,40% 1,60% :1,20% 1,39% 1,74% 1,37% 1,48% 1,47% 0,99%, „ - • • - Tomando-se como exemplo o cálculo da taxa Selic exigida no auto de infração correspondente ao último período de apuração lançado e aplicando-se a regra legal para a incidência dos juros Selic, que se encontra prevista no art. 61, 3 9, da Lei n9 9.430/96, tem-se o seguinte: a) último período de apuração lançado: 31/12/2003; b) vencimento legal da obrigação: 09/01/2004; • c) mês da lavratura do auto de infração: outubro de 2004; d) data base para cálculo dos juros de mora até 30/09/2004; e) Soma das taxas mensais entre fevereiro e agosto de 2004 adicionado de I% relativo ao mês de setembro = 9,68%. Conforme se pode verificar, aplicando-se sobre o débito relativo ao mês de dezembro de 2003 a taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dia de vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (no caso o mês da lavratura do auto de infração), chegou-se ao percentual de 9,68% que corresponde exatamente ao valor lançado no demonstrativo da multa e dos juros de mora • (fl. 222). MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Bradá (2 14 1 AIA O 6 ._ N Andrezza Nasàntrmcikal Mat. Siapc 13773814 4, a d. • ' • Processo n.°19515.002386/2004-54 CCO2JCO2 Acórdão ft° 202-17.934 Fls. 10 Provada, portanto, a inexistência de anatocismo, pois as taxas mensais foram cumuladas mediante soma algébrica e não capitalização (juros sobre juros). Alegou a recorrente que a taxa Selic estaria sendo usada como meio de burlar a Lei n2 9.069/95, que instituiu o plano real e desindexou a economia. Relativamente a esta alegação, valho-me do seguinte excerto do voto vencedor proferido pelo saudoso Conselheiro Antonio Carlos Bueno Ribeiro no Recurso n 2 127.573, verbis: "(.) Em primeiro lugar, manifesto minha discordância com o entendimento manifestado, inclusive nos tribunais superiores, de que a Taxa SELIC possuiria a natureza mista de juros e correção monetária, • o que se depreenderia da definição a ela conferida pelo Banco Central e da aferição de sua metodologia, consoante afirmado no voto condutor do RESP n° 215.881 — PR, da lavra do ilustre Ministro Franciulli Netto, no qual é realizada uma extensa análise sobre vários aspectos dessa taxa, culminando justamente por suscitar o incidente de inconstitucionalidade do art. 39, g 4°, da Lei 9.250/95, que se pretende aqui adotar anaIngicamente para estender a aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento de créditos incentivados do IPL Da definição do que seja a Taxa SELIC só vislumbro taxa de juros, como se pode conferir, dentre outros normativos, nas Circulares BACEN n" 1.868 e 2.900/99, ambas no art. 1°, 1°, a saber: Define-se Taxa SELIC como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais. No que respeita à metodologia de cálculo da Taxa SELIC, segundo as informações colhidas em consulta junto ao Banco Central, citadas no indigitado RESP n° 215.881 — PR, só vejo reforçada a sua exclusiva natureza de juros, a saber: as taxas das operações overnight, realizadas no mercado aberto entre diferentes instituições financeiras, que envolvem títulos de emissão do Tesouro Nacional e do Banco Central, formam a base para o cálculo da Taxa SELIC. Portanto, a Taxa SELIC é um indicador diário da taxa de juros, podendo ser definida como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados com títulos públicos federais. Essa taxa média é calculada com precisão, tendo em vista que, por força da legislação, os títulos encontram-se registrados no Sistema SELIC e todas as operações são por ele processadas. A taxa média diária ajustada das mencionadas operações compromissadas overnight é calculada de acordo com a seguinte fórmula: MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORiGINAL Brasília 04 06 AndrezzaNIISCI ento chmcikal t Mal Siapc 1377389 • ia>. pia • Processo n.° 19515.002386/2004-54 CCO2/CO2 Acórdão e.° 202-17.934 Fls. 11 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRISiiiNTES \ 252 CONFERE COM O ORIGNAL E L .xV .1 I Brasília, W19- 1 x100 % a.a. E gc:ihmcikal frei Andrezzama/§ckhnogesi sia Onde: Lj = fator diário correspondente à taxa da j-ésima operaa lçj ;O) Vj = valor financeiro correspondente a j-ésima operação. Com a finalidade de dar maior representatividade à referida taxa, "são consideradas as taxas de juros de todas as operações overnight ponderadas pelos respectivos montantes em reais (negritei). Em resposta a essa mesma consulta é dito pelo Banco Central que "a Taxa SELIC reflete, basicamentd, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a Taxa SEL1C acumulada para determinado período de tempo correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação apurada"ex-post", embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de índices de preços" (negritei e subscritei). Aqui releva salientar que a ocorrência da aludida "correlação" nada afeta a natureza de juros da Taxa SELIC e nem a torna híbrida pela incorporação da taxa de inflação, mas simplesmente indica que, em termos estatísticos, tem-se verificado uma relaçãà positiva entre essas duas variáveis, ou seja, que as suas grandezas variaram no mesmo sentido no período considerado, sem que haja alteração na especificidade de cada uma dessas variáveis. A Taxa SEL1C em si não está investida de nenhum propósito, sendo, inclusive, impróprio acoimá-la de neutralizadora dos efeitos da inflação, já que, como visto, é uma variável de resultado que reflete a média das taxas de juros praticadas pelo mercado nas operações overnight com títulos públicos, que é reconhecida pela teoria econômica como um indicador das condições de liquidez do mercado monetário, constituindo também na denominada taxa básica da economia. • Por outro lado, é certo que o Banco Central na qualidade de autoridade monetária (CF, art. 169) dispõe de um amplo arsenal de instrumentos de política monetária com vistas a assegurar o nível de liquidez adequada para a economia, inclusive no sentido de prevenir a ocorrência de surtos inflacionários, que, em última análise, influencia as taxas praticadas no mercado de financiamentos por um dia lastreados com títulos públicos e, conseqüentemente, a Taxa SELIC, Mais recentemente foi estabelecido como instrumento de política monetária afixação de meta para a Taxa SELIC e seu eventual viés', Circulares Bacen n' 2.868 e 2.900 de 1999. \,; Is eu • • Processo n.• 19515.002386i2004-54 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.934 nt 12 visando o cumprimento da meta para a Inflação, estabelecida pelo Decreto n°3.088. de 21 de junho de 1999. É importante salientar que esse instrumento apenas fixa a meta para a Taxa SELIC e não essa taxa em si, valendo mais uma vez repisar que a taxa de financiamento, como qualquer outro preço, é determinada no mercado pelas forças de procura e oferta de financiamento, refletindo a situação das reservas do sistema bancário a cada momento. Com o estabelecimento da meta, obviamente que o Banco Central na condução da política monetária e da política de títulos públicos buscará induzir o mercado na direção da meta para a Taxa SELIC estabelecida, julgada, por sua vez, adequada para assegurar a meta de inflação perseguida. Portanto, na realidade, com essas políticas o Banco Central objetiva que a taxa de juros básica praticada na economia seja suficiente para prevenir a inflação ou mantê-la nos limites da meta fixada, atuando, assim, a autoridade monetária na esfera das expectativas inflacionárias dos agentes econômicos, aspecto esse que também realça a distinção entre taxa de juros e taxa de lajlaçt-70, já que esta última é voltada para mensuração da inflação pretérita. Aliás, considerando a similaridade entre a Taxa SELIC e a TR, é de se notar que a impropriedade e desvalia de se "pretender valer de taxa de juros dessa natureza, como instrumento de correção monetária, fbi maitc pcia STF A.41.,IN 4,3 — Dr, cobio ve,ifieu tio excerto do voto do ilustre Ministro Moreira Alves: a taxa referencial (TR) não é índice de correção monetária, pois, refletindo as variações do custo primário da captação dos depósitos a prazo fixo, não constitui índice que reflita variação do poder aquisitivo da moeda. Do exposto, tenho também como equivocado o entendimento de que a Fazenda Nacional estaria se valendo da Taxa SEL1C como uma forma velada de dar continuidade à correção monetária dos créditos tributários não integralmente pagos no vencimento em face do advento do Plano Real, a partir do qual paulatinamente foi extinta a utilização da correção monetária para fins tributários. Em verdade o emprego da Taxa SELIC como juros de mora, no • ambiente económico de uma economia desindexada, está em consonância com o imperativ. o econômico de inibir os contribuintes a adiarem o adimplemento de suas obrigações tributárias como forma alternativa de se financiarem junto ao sistema bancário. Com isso, mais uma vez impende gizar que a natureza da Taxa SEL1C é exclusivamente de juros e como tal é a lógica econômica de seu uso para fins tributários, o que tornam prejudicadas as ilações extraídas a partir do falso pressuposto de ela estar mesclada com um componente de correção monetária.(..)". Relativamente ao limite constitucional de 12% ao ano para os juros de mora, a recorrente esqueceu-se de que após o advento da EC n 2 40, de 29/05/2003, que revogou o § 32 do art. 193 da CF/88, a restrição não mais existe.' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRMINTES CONFERE COMO ORIG:NAL Brasília Olt 06 Andrezza Na i tento Sc nicikal Mal. Siale 13773Nu II b 4.44 • Processo n.• 19515.002386/2004-54 CCO2CO2 Acórdão n.• 202-17.934 Fls. 13 O recurso voluntário está datado de setembro de 2006. Portanto, a recorrente deve corrigir seus modelos do Word, pois a redação do art. 192 da CF que se encontra transcrita na fl. 85 do recurso (fl. 714 dos autos) não mais corresponde à Constituição vigente. A recorrente alegou violação do princípio da legalidade por entender que a a palavra "lei" insculpida nos arts. 52, I e 150, I, da CF/88 deve ser interpretada em sentido estrito. Entretanto, a limitação constitucional ao poder de tributar refere-se apenas à instituição ou ao aumento de tributo. A criação da taxa Selic não representou nem a instituição, nem o aumento de tributo, mas apenas a remuneração pelo uso do capital da União, que permaneceu na posse do contribuinte que não recolheu o que devia, no prazo e na forma devidos. Especificamente quanto ao art. 52, I, da CF/88, a recorrente não deu nenhuma fundamentação para a alegação de que a palavra "lei" nele consignada deve ser interpretada em sentido estrito. No argumento de autoridade utilizado, o Professor Roque António Carrazza somente interpretou o art. 150, I, da Constituição e não o art. 5 2, I, da CF/88. Ao contrário do alegado, a palavra "lei" consignada no art. 5 2, I, da CF/88 deve ser tomada em acepção ampla para englobar outros veículos introdutores de normas no sistema, cot, An i. , nnt-nr. t•oon An Aseintn_lag:o/à.:,,,, a An .artuçjto do senadc,.. Isto porque o art. 52 insere-se no rol das garantias fundamentais que não comportam interpretação restritiva, a teor do art. 52, § 22, da CF/88. Ainda quanto à taxa Selic, alegou a recorrente que houve violação do princípio da retroatividade, pois a taxa já entrou em vi gor durante o próprio exercício de 1995. Ao contrário do alegado, não ocorreu violação ao principio da anterioridade. A uma, porque este princípio só se aplica a leis que instituam ou majorem tributos e a taxa Selic não representa nenhuma destas circunstâncias. A duas, porque ainda que se admitisse a interpretação da recorrente, nada impediria que a taxa Selic fosse aplicada a partir de janeiro de 1996. Tendo em vista que os fatos geradores abarcados por este lançamento são todos posteriores a 1999, não há como sustentar que houve violação da anterioridade. Da mesma forma, não ocorreu violação da capacidade contributiva porque o princípio só se aplica a impostos e não aos encargos decorrentes da mora ou aos consectários do lançamento de oficio. Relativamente à inconstitucionalidade da taxa Selic que teria sido decretada pelo STJ, verifica-se, de inicio, que aquela decisão não tem as características previstas no Decreto n2 2.346/97 para tomar-se vinculante para a Administração Pública. No mais, pouco importa a forma como é fixada a taxa Selic, pois o caráter remuneratório ou moratório não depende da forma de cálculo ou da fixação da taxa, mas sim da natureza do fato jurídico que provoca sua incidência. Vale dizer que, se as partes estão diante de um negócio jurídico, uma operação de mútuo no mercado financeiro, por exemplo, o respectivo contrato provavelmente deverá prever uma remuneração do capital em função do prazo de duração do empréstimo, que pode ser com base na taxa Selic ou em qualquer outra taxa de juros especificada no momento da avença. Neste caso, seja qual for a taxa de juros combinada, ela terá caráter remuneratório em razão do uso do capital alheio por certo prazo, independentemente da forma como é calculada. W- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Orna 04 06 C001- Andreas Na ento Sehnieikal Mal. Siape I3773#9 • a Processo n.° 19515.002386/2004-54 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-17.934 Fls. 14 Entretanto, no caso de dividas tributárias não pagas no vencimento legal, o fato jurídico é a mora ex re, que decorre de disposição literal da lei tributária. Ou seja, nascida a obrigação tributária principal, com a concretização da hipótese ' de incidência no mundo fenomênico, a lei fixa um termo para o adimplemento da obrigação. A conjugação do advento do termo legal com a não efetivação do pagamento dá azo ao surgimento da mora ex re, condição sine gua non para a incidência do encargo, e o simples fato de a lei tributária ter escolhido uma taxa de juros que pode servir de base para remunerar negócios jurídicos privados não significa a desnaturação do caráter moratório advindo da lei. Não se olvide que, se a recorrente tivesse pago o imposto no vencimento legal, não existiria nem a mora nem os juros de mora dela decorrentes. Logo, resulta que as Leis n2s 9.065/95 e 9.430/96 em momento algum violaram o CTN. O art. 110 do CTN não foi violado porque em momento algum aquelas leis ordinárias alteraram a natureza jurídica de um instituto de direito privado, pois, conforme foi visto, não é forma de cálculo que vai definir a natureza da taxa de juros. Também permanece imaculado o art. 161 do CTN, porque o dispositivo complementar autoriza a lei ordinária a dispor de modo diverso em relação ao percentual dos juros e em momento algum obrigou que o percentual fosse fixado por lei em sentido estrito. Portanto, não existe nada de errado na Lei n2 9.065, de 21 de junho de 1995, quando elegeu a taxa Selic para ser aplicada no cálculo dos juros de mora em relação a dívidas tributárias não pagas no vencimento. Considerando que a recorrente não trouxe aos autos nenhum motivo de fato ou de direito relevante, capaz de suscitar alterações no acórdão recorrido, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2007. -"N\ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CON7a:::tiZ CONFERE COM O ORiG:NR.. 7-/(74a,lucj Brasília, o 06 .W0-1 E ANTOSII0 CARLOS ATULIM Andrezza Na emento Sehmeikal Mat. Marc 13773119 • Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1
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Numero do processo: 15374.902027/2008-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112.
(assinado digitalmente)
Belchio Melo de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112. (assinado digitalmente) Belchio Melo de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. De início, registrese que a numeração de folhas dos autos identificada neste relatório e no voto que o segue referese à numeração eletrônica e não àquela aposta aos autos em papel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 02 02 7/ 20 08 -2 3 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 114 2 O contribuinte havia transmitido o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 22336.18111.161106.1.7.046428, em 16 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração agosto de 2002, no valor de R$ 13.342,64, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. De acordo com o despacho decisório, o pagamento efetuado por meio de DARF no valor de R$ 85.745,66 já havia sido utilizado para compensação em outro PER/DCOMP, de nº 40022.66242.300903.1.3.041502, no montante de R$ 74.402,99, e na quitação do débito da contribuição devida em agosto de 2002 (R$ 11.342,67). Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o cancelamento do despacho decisório e, conseguintemente, a homologação da compensação, alegando que a autoridade administrativa, ao proferir a decisão, desconsiderara que o débito da Cofins compensado no PER/DCOMP nº 40022.66242.300903.1.3.041502 já havia sido pago anteriormente, conforme comprovaria o DARF então acostado aos autos, em razão do que a referida compensação teria perdido seu objeto, mantendose intacto o crédito correspondente. Segundo o então Manifestante, ao efetuar um levantamento em seus arquivos, verificara que, de fato, um mesmo crédito havia sido informado em duas PER/DCOMPs, sendo que, na primeira delas (a de nº 40022.66242.300903.1.3.041502, transmitida em 30/9/2003), não utilizara o crédito declarado por força do pagamento anterior do débito que se pretendia compensar. Dessa forma, ainda segundo o contribuinte, não havendo débito a ser compensado no PER/DCOMP n° 40022.66242.300903.1.3.041502, inevitável seria a conclusão de que o crédito ali apontado, uma vez não utilizado, continuaria sendo passível de apropriação para fins de compensação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, dos dois PER/DCOMPs, da DCTF retificadora transmitida em 20/4/2007 e do DARF relativo ao pagamento da Cofins de setembro de 2002, no valor de R$ 131.654,94 (fls. 16 a 58). A DRJ Rio de Janeiro II/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/09/2002 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 115 3 tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, compulsando os autos, verificouse que deles não constava pedido de cancelamento da primeira PER/DCOMP, qual seja, aquela em que se utilizara o saldo do DARF indicado como origem do crédito discutido neste processo, nos termos expressamente previstos no art. 62 da Instrução Normativa SRF n˚ 600/2005, vigente à época da compensação ora em análise. O excerto a seguir transcrito faz parte do voto condutor do acórdão da Delegacia de Jugamento: É dizer que, embora tenha compensado e pago o mesmo débito, a contribuinte não cancelou a compensação, deslocando o crédito aqui reclamado do DARF indicado na presente PER/DCOMP para outro DARF, este indicado pela contribuinte na manifestação de inconformidade. Ademais, não há previsão legal para perda de objeto de atos praticados pela contribuinte, seja pela falta de sua análise, seja pelos recolhilhimento e compensação de um mesmo valor ou débito. A Administração Pública não tem como prever qual pagamento ou compensação realmente deveria ter sido considerada nos atos praticados pela contribuinte, nem mesmo, de ofício, desconsiderar a extinção de débitos via compensação, quando a contribuinte assim não informou.(fl. 63) Ainda de acordo com a autoridade julgadora, referindose ao primeiro PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, se a compensação então declarada não foi analisada pela Fazenda Pública, no final do prazo de cinco anos contados da data de sua transmissão ou protocolo, ela se tornou homologada tacitamente, não havendo que se falar em falta de análise ou perda de objeto, pois a compensação é procedimento de caráter definitivo de extinção da obrigação tributária. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e requer a reforma da decisão de primeira instância, com a declaração de nulidade do despacho decisório por falta de motivação e a consequente homologação da compensação pleiteada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o despacho decisório está eivado de nulidade insanável, por violar os princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório, da verdade material, da vedação ao enriquecimento sem causa e da capacidade contributiva, em razão do fato de que os dispositivos legais ali apontados são genéricos, indicando que a decisão foi proferida com o único intuito de resguardar os interesses da Fazenda Nacional, ignorando a efetiva existência do direito creditório; b) a Fiscalização deveria ao menos ter buscado junto à pessoa jurídica os documentos e provas para certificar o crédito pleiteado; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 116 4 c) é impossível haver a extinção de um débito por homologação tácita quando ele já se encontra extinto anteriormente por pagamento; d) a Receita Federal se funda em presunções desconexas, com análise periférica do direito creditório, não tendo o ato administrativo exarado sido motivado nos termos exigidos pela Lei nº 9.784, de 1999; e) o Estado deve sempre buscar a verdade dos fatos, ainda que para isso tenha de se valer de outros elementos além dos apresentados pelos contribuintes; f) estando comprovada a existência do crédito e preenchidos todos os requisitos para a sua fruição, é forçoso concluir que o contribuinte não pode ser impedido de exercer o seu direito, legalmente previsto, de compensálo com débitos de sua titularidade; g) no mérito, argumenta que, em conformidade com a legislação de regência, em que a compensação tributária pressupõe a existência da relação de credor (Fisco) e devedor (contribuinte), não se pode pretender compensar um débito que já se encontra extinto por pagamento, situação essa incompatível com a figura da homologação tácita; h) o primeiro PER/DCOMP, em que se pretendeu compensar um débito já extinto por pagamento, apresentase eivado de vícios e carente de motivação e fundamentação, devendo, portanto, ser desconsiderado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O Recorrente alega que o despacho decisório seria nulo por ausência de motivação e por violar os princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório, da verdade material, da vedação ao enriquecimento sem causa e da capacidade contributiva, em razão do fato de que os dispositivos legais ali apontados seriam genéricos, indicando que a decisão fora proferida com o único intuito de resguardar os interesses da Fazenda Nacional, ignorando a efetiva existência do direito creditório. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois o despacho decisório foi exarado em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235, de 1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 117 5 pormenorizadamente, todas as informações relativas ao pagamento e à compensação efetuada em outro PER/DCOMP, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte, informações essas suficientes à apreciação do pleito. Não se pode ignorar que se erro houve ao longo dos procedimentos ora analisados ele decorreu da atuação do próprio Recorrente, pois foi ele que forneceu informações desencontradas à Administração tributária. Devese ressaltar que, em conformidade com o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), ao contribuinte é assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Para se analisar o mérito da matéria controvertida, necessário se torna relacionar, em ordem cronológica, os fatos devidamente comprovados nos autos, inobstante constarem do relatório supra. É o que se faz na sequência: 1º) em 13 de setembro de 2002, o contribuinte, por meio de DARF, recolheu aos cofres públicos o valor de R$ 85.745,66, referente à Cofins devida no mês de agosto de 2002, conforme se constata do despacho decisório de fl. 7; 2º) em 15 de outubro de 2002, o contribuinte, por meio de DARF, recolheu aos cofres públicos o valor de R$ 131.654,94, referente à Cofins devida no mês de setembro de 2002 (fl. 58); 3º) em 30 de setembro de 2003, transmitiuse o PER/DCOMP nº 40022.66242.300903.1.3.041502, em que se informou a existência de um crédito de R$ 74.417,54, decorrente do pagamento de R$ 85.745,66 (1º item supra), utilizado para quitar parte do débito da contribuição de setembro de 2002, este no valor de R$ 131.228,61 (fls. 39 a 44); 4º) em 16 de novembro de 2003, transmitiuse o PER/DCOMP sob análise neste processo, de nº 19611.96380.161106.1.7.049995, em que se informou a existência de um Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 118 6 crédito de R$ 74.402,99, decorrente do pagamento de R$ 85.745,66 (1º item supra), utilizado para quitar débito de IRRF devido em dezembro de 2003, no valor de R$ 13.342,64 (fls. 3 a 6); 5º) em 20 de abril de 2007, o contribuinte transmitiu à Receita Federal a DCTF retificadora, em que declarou que a Cofins de agosto de 2002, no montante de R$ 11.342,67, fora quitada com parte do pagamento de R$ 85.745,66 (1º item supra), do que restara saldo credor de R$ 74.402,99, e que a Cofins de setembro de 2002, no valor de R$ 131.233,15, fora paga por meio de parte do recolhimento de R$ 131.654,94 (fls. 54 a 56); 6º) em 6 de outubro de 2008, o contribuinte foi cientificado do despacho decisório de 25 de setembro de 2008, em que a compensação pleiteada restou não homologada pelo fato de que o pagamento efetuado por meio de DARF no valor de R$ 85.745,66 já havia sido utilizado para compensação em outro PER/DCOMP, de nº 40022.66242.300903.1.3.04 1502, no montante de R$ 74.402,99, e na quitação do débito da contribuição devida em agosto de 2002 (R$ 11.342,67). Não constam dos autos cópias da DCTF original e do DARF referente ao pagamento de R$ 85.745,66, mas as informações de interesse contidas nesses documentos podem ser extraídas do despacho decisório sob análise neste processo. De início, ressaltese mais uma vez que a decisão da repartição de origem denegatória da compensação pleiteada neste processo baseouse em informações presentes em seus sistemas internos, informações essas prestadas pelo próprio interessado, ainda que de forma desencontrada. O pleito do direito creditório em duplicidade resta inconteste nos autos, sendo que, considerando as informações prestadas pelo Recorrente, há fortes indícios de que tal procedimento decorrera de erro do próprio interessado no preenchimento dos PER/DCOMPs, pois, no primeiro deles, o de nº 40022.66242.300903.1.3.041502, pretendeu extinguir parte do débito da contribuição devida em setembro de 2002, no valor de R$ 131.228,61, com um crédito de R$ 74.417,74, este decorrente do DARF no valor de R$ 85.745,66, débito aquele que já se encontrava quitado por meio de DARF no montante de R$ 131.654,94. A meu ver, o provável erro cometido pelo sujeito passivo não pode servir de supedâneo à desconsideração da verdade dos fatos, ainda que ele não tenha requerido o cancelamento do PER/DCOMP transmitido por engano, nos termos exigidos pelo art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. A inobservância da legislação tributária pelo administrado no que tange às normas procedimentais não pode suplantar, por si só, os demais elementos normativos do sistema jurídico, como o princípio da vedação ao enriquecimento ilícito e o princípio da verdade material – em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das formalidades processuais e procedimentais –, assim como o princípio da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos. Encontrandose nos autos o elemento probatório apto a comprovar o direito alegado, ignorálo, em razão da inobservância de uma regra infralegal, ou seja, de uma norma complementar, equivale, a meu ver, a romper com os princípios do não confisco e da capacidade contributiva, pois que se estará tributando parcela do patrimônio cuja intributabilidade fora assegurada pela Constituição e pelas leis instituidoras dos tributos. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 119 7 Nos casos da espécie ao ora analisado, em que os pedidos de ressarcimento/restituição e as declarações de compensação são analisados por meio de simples processamento eletrônico, a partir do cruzamento dos dados existentes nas informações até então prestadas pelo interessado, a questão da prova documental se mostra relevante para se comprovar eventuais erros cometidos pelos sujeitos passivos no preenchimento das declarações que alimentam os sistemas internos da Administração tributária. Notese que, no presente caso, na data da emissão do despacho decisório (25/9/2008), o contribuinte já havia transmitido à Receita Federal, em 20 de abril de 2007, a DCTF retificadora em que declarou que a Cofins de agosto de 2002, no montante de R$ 11.342,67, havia sido quitada com parte do pagamento de R$ 85.745,66, do que restara saldo credor de R$ 74.402,99, e que a Cofins de setembro de 2002, no valor de R$ 131.233,15, havia sido paga por meio de parte do recolhimento de R$ 131.654,94. Essa informação antecedente ao despacho decisório, constante da DCTF retificadora, que vai ao encontro dos argumentos apresentados pelo contribuinte, tanto na primeira quanto na segunda instância do PAF, não foi levada em conta pela autoridade administrativa no momento da decisão então prolatada, cujo embasamento se restringiu ao teor do PER/DCOMP nº 40022.66242.300903.1.3.041502. Diante do desencontro de informações presentes nos sistemas informatizados, acredito que teria agido melhor a autoridade administrativa se tivesse requerido ao sujeito passivo esclarecimentos adicionais para sanar a contradição, ou, ao menos, considerado a informação mais recente constante da DCTF retificadora, tendo em vista que esta declaração constitui o crédito tributário. Nesse contexto, dada a verossimilhança dos fatos alegados pelo ora Recorrente, a presente análise não pode ignorálos, sob pena de afronta aos princípios acima referenciados, precipuamente o da vedação ao enriquecimento sem causa, assim como à norma impositiva da legislação tributária instituidora do tributo em questão. Contudo, para se decidir o litígio, mostrase necessária a obtenção de esclarecimentos adicionais, em razão do que voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à repartição de origem, com vistas a se comprovar o efetivo recolhimento do valor de R$ 131.654,94, constante da cópia do DARF de fl. 58, assim como a sua alocação para quitar o débito da Cofins devida em setembro de 2002. Confirmada essa vinculação entre os referidos crédito e débito e, por consequência lógica, desconsiderada a compensação pleiteada por meio do primeiro PER/DCOMP (nº 40022.66242.300903.1.3.041502), encontrarseia o crédito sobre o qual se controverte nestes autos disponível para quitar o débito informado no PER/DCOMP nº 22336.18111.161106.1.7.046428? Após a realização da diligência, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902027/200823 Resolução nº 3803000.273 S3TE03 Fl. 120 8 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10675.905077/2009-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/11/2002
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.064
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.905077/200935 Acórdão n.º 380101.064 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10814.008859/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 12/09/2005
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-000.914
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Vencido o Conselheiro Relator Marcelo Ribeiro Nogueira. Relator Designado Mércia Helena Trajano DAmorim.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/09/2005 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
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A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Relator Marcelo Ribeiro Nogueira. Relator Designado Mércia Helena Trajano DAmorim. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Marcelo Ribeiro Nogueira Relator. Mércia Helena Trajano DAmorimRelator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão,Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Conforme relatado no auto de infração, a fiscalização lavrou auto de infração, para exigência da multas capitulada na aliena "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/03, com os seguintes fundamentos: NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea SOCIETE AIR FRANCE, conforme extrato retirado do SISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes A DDE 2060169918/0, desrespeitou o preconizado no artigo 37 da IN SRF n° 28/1994. Conforme consta nos autos, interessada registrou os dados do embarque, ocorrido em 09/09/2005 somente em 09/04/2007, superando o prazo de dois dias, estabelecido na legislação. Regularmente cientificada da exigência em comento em 26/04/2007 (fls. 12) a interessada apresentou a impugnação de fls. 15, aduzindo que efetuou corretamente o lançamento dos dados no sistema, nos moldes do artigo 37 da IN 28/94, descabendo a aplicação da multa. Ao final requer o cancelamento do débito fiscal reclamando. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/09/2005 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Cabível a aplicação da multa quando caracterizado o descumprimento do prazo de dois dias para registro no SISCOMEX dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.008859/200721 Acórdão n.º 3201000.914 S3C2T1 Fl. 81 3 O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. O presente recurso cuida de aplicação da multa prevista no ordenamento jurídico pela Lei nº 10.833/2003, definida em seu art. 77, que alterou o art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Assim, a fiscalização aplicou a multa em comento por entender que a recorrente, descumpriu suas obrigações acessórias, prejudicando o controle aduaneiro. Não se cogitou a apuração de eventual dolo ou culpa da recorrente, pois a aplicação do dispositivo acima, no entender fiscal, independe de tal elemento. Contudo, a autoridade fiscal não trouxe aos autos a prova da observância do disposto nos artigos 63 e 65 da Lei nº 5.025, de 10 de junho de 1966, cujo texto é o seguinte: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 CAPÍTULO VI Das Penalidades Art. 63. Ficam os órgãos responsáveis pela fiscalização de embarque obrigados a prestar os mais amplos esclarecimentos sobre os direitos e deveres dos exportadores, bem como dar a necessária assistência à realização normal das operações de exportação, tendo em vista os objetivos da presente lei. Art. 65. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões caracterìsticamente sem a intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade responsável pela fiscalização alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Tal comando foi incorporado tanto no antigo Regulamento Aduaneiro, quanto no atual, respectivamente, em seus artigos 644 e 723, que têm o seguinte teor: Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002. Art. 644. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade aduaneira alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder (Lei no 5.025, de 1966, art. 65). Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Art. 723. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade aduaneira alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder (Lei no 5.025, de 1966, art. 65). Portanto, resta evidente que antes de aplicar a penalidade por embaraço à fiscalização, cabia ao fiscal autuante, alertar ao exportador (no caso, ao transportador) e orientálo sobre a maneira correta de proceder, e somente no caso de não observância desta orientação, aplicar a penalidade. Assim, VOTO por conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator VOTO VENCEDORMércia Helena Trajano DAmorim Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.008859/200721 Acórdão n.º 3201000.914 S3C2T1 Fl. 82 5 Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.008859/200721 Acórdão n.º 3201000.914 S3C2T1 Fl. 83 7 salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim como, quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, fazse necessário assinalar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar argumentos dessa natureza. Ressalto que em sede de julgamento, fazse necessário mencionar, tendo em vista a retroatividade benigna, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010 passando a ser de sete dias, a prestação de informações sobre as cargas pelo transportador, ao invés de dois dias, quando à época do lançamento. No entanto, para o caso em concreto, a DDE 2060169918/0, cujo embarque, ocorreu em 09/09/2005 somente em 09/04/2007, superando, em muito, o prazo de sete dias, estabelecido na legislação. Portanto sem aplicação a retroatividade, só citação. Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.008859/200721 Acórdão n.º 3201000.914 S3C2T1 Fl. 84 9 IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder. Portanto, é intempestivo o registro efetuado pela transportadora em 09.04.2007. Fica mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'amorim – Relator Designado Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10840.902784/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admite-se a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo Decreto-Lei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATERIAIS DESTINADO A FUNCIONAMENTO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados no funcionamento de máquinas e equipamentos (combustíveis, lubrificantes e graxa). Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo DecretoLei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATERIAIS DESTINADO A FUNCIONAMENTO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados no funcionamento de máquinas e equipamentos (combustíveis, lubrificantes e graxa). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), relativo ao terceiro trimestre de 2002. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Ribeirão Preto SP reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 290/291 (eletrônica). A autoridade competente glosou as seguintes parcelas incluídas pela recorrente no cálculo do benefício pleiteado: a) valor correspondente ao IPI lançado nas notas fiscais de compras de insumos; b) valor relativo a encargos financeiros, incluídos como insumo; c) valor relativo a aquisições que não se enquadram no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. Foram eles: graxa, lenha, óleos diversos e outros; d) valor referente ao custo de canadeaçúcar adquirida de produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins; e) incluído o valor do estoque em 31/12/2001 de MP, PI e ME aplicados na produção de produtos não acabados e de produtos acabados e não vendidos, excluído no 4º trimestre de 2001 f) valor referente a remessa com o fim específico de exportação para as empresas Cristalsev Comércio e Representações Ltda e Companhia Açucareira Vale do Rosário. Intimadas, apresentaram documentos informando que não são firmas comercial exportadora (DecretoLei nº 1.248/72); Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade contestando as glosas das aquisições de pessoas físicas, das aquisições de outros insumos (graxa, lenha e óleos diversos) e as vendas para exportação feitas para as empresas Cristalsev Comércio e Representações Ltda e Companhia Açucareira Vale do Rosário. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.902784/200830 Acórdão n.º 330201.590 S3C3T2 Fl. 566 3 A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1433.777, de 19/05/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2 , e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 09/06/2011 e, no dia 11/07/2011, ingressou com recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese que: 1 a legislação do incentivo prevê que o incentivo incide sobre o valor total das aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, sem excluir as aquisições de pessoas não contribuintes do PIS e da Cofins; 2 a glosa relativa a venda para empresa comercial exportadora foi mantida pela decisão recorrida com argumento diferente da decisão da DRF. Um novo argumento representa uma nova glosa (“novo lançamento tributário”), quando que ultrapassou os cinco anos da transmissão das DCOMP. A DRF glosou a receita porque a empresa adquirente não estava constituída na forma do DL 1.248/72 e a decisão recorrida manteve a glosa sob o argumentando a falta de comprovação de que a adquirente efetivamente exportou os produtos adquiridos com o fim específico de exportação; 3 a responsabilidade pela falta de exportação é da empresa comercial exportadora e não da empresa vendedora, sendo abusiva e ilegal a decisão recorrida que introduziu requisito diferente da exigência do destinatário da mercadoria seja empresa comercial exportadora; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 4 devese afastar o argumento de que a empresa produtora vendedora é a mesma que recebeu a mercadoria para exportar (No dia 02/01/2008 a JARDEST foi incorporada pela Companhia Açucareira Vale do Rosário, que hoje é a LDCSEV Bioenergia S/A). 5 a Lei nº 9.363/96 não menciona que o produto intermediário é aquele que entra em contato direto com o produto industrializado e sua interpretação deve ser literal. Os produtos glosados foram consumidos ao longo do processo de industrialização. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, por isto mesmo, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando ressarcimento de crédito presumido de IPI e a RFB, ao efetuar a verificação do valor do crédito, constatou a inclusão de valores que entende indevidos, quais sejam: canadeaçúcar adquiridas de pessoas físicas; insumos (graxa, lenha e óleos diversos) que não se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI; e o valor das vendas para exportação efetuada para empresa que não é comercial exportadora na forma do DL nº 1.248/72. Também efetuou outras glosas que não fazem parte do litígio. A questão relativa à inclusão, no cálculo do benefício, das aquisições do insumo canadeaçúcar, feitas junto à pessoas físicas, já foi pacificada pelo STJ ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidindo que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei nº 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. A contribuinte se insurge também contra o fato de a fiscalização ter desconsiderado as exportações efetuadas por intermédio de empresas comerciais exportadoras que não aquelas constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72. Contudo, entendo equivocada a glosa pela desnecessidade de exportação tão somente pelas empresas comerciais exportadoras constituídas ao amparo do DecretoLei nº Fl. 568DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.902784/200830 Acórdão n.º 330201.590 S3C3T2 Fl. 567 5 1.248/72, conhecidas como “trading companies”, uma vez que estas são espécie do gênero “empresa comercial exportadora”. A venda de produtos à empresa comercial exportadora constituída com base no indigitado DecretoLei, com o fim específico de exportação, acarreta, de imediato, benefícios fiscais para o produtorvendedor, tornando a operação interna equiparada a uma exportação para todos os efeitos, sendo transferido o ônus tributário para a empresa comercial exportadora, em caso de inocorrência da exportação. De outra banda, a venda à empresa comercial exportadora não regulada pelo precitado DecretoLei, com o fim específico de exportação, se traduz numa operação interna beneficiada pela suspensão do IPI, sendo sua atuação de mera intermediária e os estímulos fiscais gerados pela exportação, desde que cumpridos os requisitos necessários, destinamse ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. Esta, em síntese, é a conclusão do acórdão recorrido quanto, em tese, ao direito ao crédito presumido nas operações de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. No entanto, não há como prosperar a conclusão do acórdão recorrido de que o pedido de ressarcimento deveria ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o crédito pleiteado, posto que ao PER/DCOMP não se anexa nada por determinação da própria RFB. Neste caso, é a própria RFB que faz a solicitação ao pleiteante dos elementos que ela RFB julga necessário à apuração do crédito pleiteado. No caso dos autos, a glosa foi efetuada porque a venda com o fim específico de exportação foi realizada para uma empresa que não atendia ao disposto no art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72. Só isto. Não houve alegação de que as exportações não foram realizadas ou de que a empresa adquirente ou a remessa da mercadoria não atendiam ao disposto no art. 39 da Lei n° 9.532/97, ou que a mercadoria remetida não se destinava especificamente à exportação por descumprir o disposto no Parágrafo Único do art. 1º do Decreto nº 1.248/72, etc., etc. Os requisitos necessários à determinação da liquidez e certeza do crédito pleiteado serão apurados pela RFB quando da execução deste julgado. Discordando a recorrente das conclusões da RFB, cabe apresentação de manifestação de inconformidade sobre este ponto específico. Para não se alegar omissão no julgado, ao contrário do afirmado pela recorrente, a conclusão da decisão recorrida de que não ficou provado a exportação não representa uma nova glosa e muito menos um “novo lançamento tributário” e nem tem como conseqüência a homologação das DCOMP, por absoluta falta de amparo legal. Ademais, esta conclusão está sendo reformada no presente julgado. Isto posto, devese afastar o óbice criado pela RFB que excluiu as receita de exportação indireta do cálculo do crédito presumido em razão da empresa comercial exportadora não atender aos requisitos do DecretoLei nº 1.248/72, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional conferir liquidez e certeza ao crédito pleiteado. Relativamente aos dispêndios com combustível (lenha e óleo combustível), este Colegiado tem reiteradamente decidido no sentido de que os combustíveis não podem compor o cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, porque, legalmente, tais dispêndios não se classificam como matériasprimas ou produtos intermediários. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Por esta razão, este CARF firmou jurisprudência no sentido de que a energia elétrica e os combustíveis não se enquadram no conceito de matériaprima ou produtos intermediários, nos termos da Súmula CARF nº 19, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Devo, ainda, consignar que as súmulas deste Colegiado são de aplicação obrigatória e não cabe recurso especial para a CSRF de decisão que as aplique, nos termos do § 2º do art. 67 e do art. 72, todos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, abaixo reproduzido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (grifei). [...] Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelas mesmas razões pretéritas, entendo que o óleo lubrificante e os demais produtos citados na informação fiscal também não se enquadram no conceito de MP. PI ou ME, a que se refere a legislação do IPI. Consequentemente, sobre estas aquisições não há direito ao crédito presumido do IPI. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e para declarar que deve ser incluído no cálculo do crédito a receita da venda realizada para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.902784/200830 Acórdão n.º 330201.590 S3C3T2 Fl. 568 7 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13204.000144/2005-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO.
O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 44 /2 00 5- 34 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS no regime não cumulativo, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 01/10/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. Conforme se depreende do Parecer SAORT e do Relatório de Diligência acostado ao processo nº 13204.000015/200546, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes nos créditos apurados pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 264/2003 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); c) Ajustes nos valores dos créditos a descontar referente ao ativo imobilizado (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03), em razão de o contribuinte ter feito a opção em setembro de 2005 e ter retroagido os cálculos ao mês de maio de 2004; (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal); d) No mês de janeiro de 2005 foi retificado o saldo de crédito presumido disponível para desconto relativo ao estoque de abertura; (item 5 do Relatório de diligência Fiscal); Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000144/200534 Acórdão n.º 3403002.036 S3C4T3 Fl. 13 3 e) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo do contribuinte, sendo os valores da memória de cálculo ajustados pela fiscalização de acordo com o percentual de rateio relativo aos mercados interno e externo (40% e 60%, respectivamente); (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); f) Em março de 2005 houve retificação das bases de cálculo informadas no DACON em decorrência de lançamentos constantes da conta 420200, retificados pela fiscalização conforme balancetes disponibilizados pelo contribuinte; (item 7 do Relatório de Diligência Fiscal) g) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de variações monetárias ativas (receitas financeiras) não oferecidas à tributação. Não há direito ao crédito quanto às perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras que não são decorrentes de empréstimos ou financiamentos obtidos de pessoas jurídicas e nem se enquadrarem nas hipóteses legais de dedução da base de cálculo (art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03); (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); i) Foi corrigido erro nos DACON transmitidos, pois o contribuinte não informou ou informou incorretamente valores objeto de compensação em Decomp, referente a alguns meses do ano de 2005, gerando saldos de créditos indevidos de um mês para o mês seguinte. Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é ilegal incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois além das receitas financeiras não comporem o faturamento, a previsão legal contida no art. 3º, V, da Lei nº 10.637/02 é no sentido da sua dedução; b) a pretensão fiscal tem lastro no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que foi declarado inconstitucional pelo STF; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) quanto aos créditos tomados sobre as aquisições para o ativo imobilizado, alegou que com o advento do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, passou a existir o direito de apurar o crédito relativo à aquisição de máquinas, equipamentos e bens afins de acordo com o valor de aquisição dos mesmos, no prazo máximo de quatro anos; f) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Finalmente, quanto à apropriação de créditos sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, ficou decidido que o contribuinte, tendo exercido a opção por tomar o crédito sobre o custo de Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 aquisição em setembro de 2005, não poderia ter adotado base de cálculo com efeito retroativo ao mês de maio de 2004. O pedido de perícia foi rejeitado em face da DRJ ter considerado a providência desnecessária. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 04/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012. Em relação à matéria argüida na impugnação e enfrentada pela DRJ, alegou em síntese o seguinte: a) ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição e a ilegalidade da glosa efetuada quanto aos serviço de remoção de rejeitos industriais e do material refratário, em face do conceito de insumo que deve nortear a aplicação da legislação das contribuições nãocumulativas; b) em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2004 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; c) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; d) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. As demais alegações contidas no recurso voluntário não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou não foram objeto de impugnação por parte da recorrente. Requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000144/200534 Acórdão n.º 3403002.036 S3C4T3 Fl. 14 5 Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições (inclusão das receitas financeiras provenientes de variações cambiais), quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários e quanto à glosa do crédito tomado sobre a aquisição de bens para o ativo imobilizado. As questões levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou que não foram objeto da manifestação de inconformidade não serão tratadas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, a fiscalização consignou no item 8 do relatório de diligência o seguinte: “(...) 8 No que concerne aos lançamentos a débito das contas de receita 410102 (Alumínio Brasileiro S/A.ALBRAS) e 410107 (Cia. Vale do Rio Doce CVRD), meses de janeiro à março, bem como, na conta 421111001, meses de abril à dezembro, em atendimento ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), o contribuinte informou que referese a ajustes de preços decorrentes da venda de produtos no mercado interno, em face de sua fixação em moeda estrangeira e/ou desvios de características físico/químicas. Verificado pela fiscalização os termos do contrato de fornecimento de Alumina, celebrado com a empresa ALBRAS (em anexo), observase que tais ajustes tem a natureza de descontos condicionais (despesas financeiras), em função da variação (decréscimo) da taxa do dólar ocorrida entre a data da emissão da Nota Fiscal de Venda e o recebimento do preço pactuado (cláusulas 12.3 e 12.4). Ainda que acordado entre as partes a emissão de documento complementar posterior à entrega dos bens, tal convenção não descaracteriza a natureza de variação monetária. Nestas situações, impõese a tributação do ganho (receita financeira), não dando direito a créditos as perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas, tão pouco se enquadram como parcelas não integrantes da base de cálculo do PIS/COFINS, de que tratam o art. 1º , § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verbis: (...) omissis... Desta forma, os lançamentos identificados no Livro Razão (cópias em anexo) sob os históricos ajuste de preço/alumina/venda e acerto faturamento, bem como, os correspondentes tributos/contribuições ICMS/PIS/COFINS (ajuste/acerto), utilizados pelo contribuinte como parcelas redutoras das vendas no mercado interno, foram adicionados à BC por ele informada nos DACON's transmitidos à RFB (planilha em anexo). (...)” Em relação a este item da recomposição das bases de cálculo da contribuição devida, o contribuinte se limitou a invocar no recurso voluntário a ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. O contribuinte se limitou a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000144/200534 Acórdão n.º 3403002.036 S3C4T3 Fl. 15 7 basicamente receitas financeiras decorrentes de contratos cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Entretanto, no caso concreto, tanto a discussão sobre a constitucionalidade da tributação das receitas financeiras, quanto a questão do momento do reconhecimento contábil dessas receitas são irrelevantes, uma vez que para o ano calendário de 2005 a alíquota do PIS e da Cofins sobre as receitas em questão foi reduzida a zero pelos Decretos nº 5.164, de 30 de junho de 2004 e pelo Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005. Portanto, a adoção do entendimento contido no Acórdão 340301.503 quanto ao momento do reconhecimento contábil da receita financeira proveniente da flutuação do preço da moeda estrangeira não resultará em nenhum efeito prático sobre este processo. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000144/200534 Acórdão n.º 3403002.036 S3C4T3 Fl. 16 9 alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto que não integre o custo de produção. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito junto com a lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas apenas sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Quanto ao ajuste nos créditos tomados sobre a despesa de depreciação com base na opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, o único óbice oposto pela fiscalização foi o exercício da opção por parte do contribuinte no mês de setembro de 2005 com efeito retroativo a abril de 2004. No item 4 do Termo de Diligência, anexo ao processo 13204.000015/2005 46, a fiscalização consignou o seguinte: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000144/200534 Acórdão n.º 3403002.036 S3C4T3 Fl. 17 11 “(...) 4 No mês de setembro de 2005, a base de cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado [PIS (FICHA 06 / LINHA 10); COFINS(FICHA 12 / LINHA 10)] foi informada pelo contribuinte nos valores de R$ 24.862.400,49 (mercado interno) e R$ 38.887.344,36 (mercado externo), perfazendo um total de R$ 63.749.744,85. A memória de cálculo disponibilizada pelo sujeito passivo (em anexo) revela interpretação incorreta das disposições legais que permitem, à opção da pessoa jurídica, descontar créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 anos, adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. Tendo exercido a opção no mês de setembro de 2005, a base de cálculo (R$ 63.749.744,85) utilizada pelo contribuinte (planilha em anexo) reflete efeitos retroativos ao mês de maio/2004, resultado do somatório de 1/48 das aquisições efetivadas entre os meses de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 66.778.984,50), diminuídos os valores dos créditos informados nos DACON's referentes aos meses de agosto à dezembro/2004 (R$ 359.286,67), janeiro à março/2005 (R$ 1.001.232,73), abril/2005 (R$ 333.744,24), maio/2005 (R$ 333.744,24), junho/2005 (R$ 333.744,24), julho/2005 (R$ 333.744,24) e agosto/2005 (R$ 333.743,24). Tal procedimento vai de encontro ao previsto nas normas legais que regem a matéria, senão vejase: "Lei nº 10.833/03 Art. 3 Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VImáquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (...) § 14 Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular crédito de que trata o inciso III do § 1 a deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2 desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com a regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n s 10.865, de 2004)" (grifos nossos) "Instrução Normativa SRF ns 457/04 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nQ 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei na 4.506. de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º. para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado: Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º9 devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: II de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; (...) § 2° Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens nele referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. (...) Art. 7º Considerase efetuada a opção de que tratam os §§ 2º dos arts. 1º e 3º, de forma irretratável, com o recolhimento das contribuições apuradas na forma neles previstas" (grifos nossos) Com efeito, a melhor exegese que se extrai dos textos legais retrocitados é a de que a opção exercida tem caráter irretratável, com efeitos ex nunc. Tratandose de bens parcialmente depreciados, a regulamentação dispõe que as alíquotas a serem aplicadas (1,65% e 7,6%) deverão recair sobre 1/48 do valor residual. Aplicarseá idêntica interpretação ante à inexistência de depreciação, quando da opção, qual seja, cálculo dos créditos com base em 1/48 do valor de aquisição do bem. Ressalta se que, em qualquer caso, o aspecto temporal deverá ser observado, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 4.506/64, o qual condiciona o reconhecimento da depreciação a partir da época em que o bem é posto em serviço ou em condições de operar. Deste modo, considerandose que o contribuinte, na apuração das contribuições PIS/COFINS referente ao mês de setembro/2005, adotou por opção a sistemática prevista no art. 1º , § 2º , inciso I da IN SRF nº 457/04, refezse a base de cálculo (BC) dos créditos atinentes aos meses de setembro à dezembro de 2005, com base na memória de cálculo por ele disponibilizada, a saber: possibilidade de desconto dos créditos em 4 anos, a partir do mês de setembro (opção), tomandose o custo de aquisição acumulado de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 516.382.102,56), diminuído dos valores já descontados pelo sujeito passivo ( R$ 3.029.239,60 ) e rateandose o saldo em 48 meses (R$ 10.694.851,31). Adicionandose 1/48 da aquisição de setembro/2005 (R$ 457.004,90), resulta em uma BC mensal de R$ 11.151.856.21 (planilha em anexo). (...)” Verificase, assim, que a fiscalização não questionou nem o direito à opção e tampouco o direito à depreciação em quatro anos. Apenas questionou o critério retroativo que o contribuinte imprimiu quando da opção pela forma de cálculo do crédito com base no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/2003. Contra o critério adotado pela fiscalização, o contribuinte argumento com a Lei nº 11.196/2005 que previu que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras. A alegação é improcedente, pois se o contribuinte entende que tinha direito à depreciação acelerada de um ano deveria ter optado por esse regime e não pela depreciação em quatro anos. A fiscalização apenas corrigiu o cálculo da opção efetuada pelo próprio contribuinte em depreciar os bens em quatro anos (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000144/200534 Acórdão n.º 3403002.036 S3C4T3 Fl. 18 13 Ademais, a alegação do contribuinte veio desacompanhada de provas no sentido de que os bens em relação aos quais a fiscalização fez a correção da apropriação da despesa de depreciação, se enquadravam nos Decretos nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10880.675112/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 11 2/ 20 09 -5 1 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675112/200951 Resolução nº 1802000.222 S1TE02 Fl. 57 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 32/47 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 24/28) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 21994.98463.291206.1.3.047809 (fls.01/02), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA dezembro/2005, data de vencimento 31/01/2006, assim especificado: principal: R$ 1.732,16; multa moratória: R$ 346,43; juros de mora: R$ 220,15; Total: R$ 2.298,74. b) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA janeiro/2006, data de vencimento 24/02/2006, assim especificado: principal: R$ 4.844,00; multa moratória: R$ 968,80; juros de mora: R$ 559,96; Total: R$ 6.372,76. c) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 5.672,47 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/07/2003, valor de R$ 5.672,92 (valor original), data do recolhimento 27/08/2003. Entretanto, na DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 31/07/2003, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 5.672,92. Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 5.672,92 (fl. 23). Por isso, o despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fls. 03/04), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675112/200951 Resolução nº 1802000.222 S1TE02 Fl. 58 3 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 5.672,92. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência (fl.05), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009 (fls. 06/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) direito creditório utilizado, pleiteado na DCOMP: que o recolhimento da CSLL estimativa mensal do PA julho/2003 foi indevido ou maior, em face do resultado apurado no encerramento do anocalendário 2003; que, consoante previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional, tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior em face da legislação tributária aplicável; b) do débito informado na DCOMP: que houve equívoco na apresentação da DCOMP, pois no anocalendário 2005 teria apurado prejuízo fiscal e que, então, não haveria débitos a compensar relativo ao IRPJ estimativa mensal dos PA dezembro/2005 e janeiro/2006; que a DCOMP não expressa confissão de dívida; que, ainda, esses débitos dos PA dezembro/2005 e janeiro/2006 não teriam sido confessados em DCTF; que a Administração Pública não deve utilizarse de um equívoco da contribuinte (a qual solicitou uma compensação quando o correto seria um pedido de restituição do crédito) para constituir débitos e exigilos; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o cancelamento dos débitos informados na DCOMP e que seja restituído o crédito pleiteado com aplicação dos juros SELIC. A DRJ/São Paulo I, apreciando a lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 27/10/2010 (fls. 24/28), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675112/200951 Resolução nº 1802000.222 S1TE02 Fl. 59 4 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 27/08/2003 ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 15/12/2010 (fl. 29verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2011 (fls. 30/48), reiterando as razões já aduzidas na instância a quo, acrescentando ainda: que não pode acatar o argumento, fundamento da decisão recorrida, de que valor pago a maior de CSLL (PA julho/2003) só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior, ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Por fim, sob alegação de que a DCOMP foi transmitida indevidamente (débitos do IRPJ informados seriam indevidos, quanto aos PA dezembro/2005 e janeiro/2005 por apuração de prejuízos nesses anos), pediu a restituição do direito creditório (valor da CSLL pago indevidamente ou a maior do PA março/2003). É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675112/200951 Resolução nº 1802000.222 S1TE02 Fl. 60 5 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 21994.98463.291206.1.3.047809 (fls.02/04), informando que compensara débitos do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, dos PA dezembro/2005 e janeiro/2006, data de vencimento 31/01/2006 e 24/02/2006 respectivamente, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA julho/2003, data do recolhimento 27/08/2003. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 27/08/2003 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA julho/2003, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA julho/2003, pois teria recolhido CSLL estimativa mensal indevidamente ou superior ao valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual, nesse ano calendário; b) ou que teria apurada os resultados com base em balancetes de suspensão/redução; c) que, além disso, os débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA dezemro/2005 e janeiro/2006, informados na DCOMP, seriam incabíveis, indevidos ou não exigíveis, pois nesses anoscalendário teria apurado prejuízo fiscal nas respectivas declarações de ajuste anual; d) que, em suma, teria laborado em equívoco quando da apresentação da DCOMP, pois seria caso de pedido de restituição de direito creditório e não de compensação tributária. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003, 2005 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675112/200951 Resolução nº 1802000.222 S1TE02 Fl. 61 6 No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento apenas do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA julho/2003: a) não há sequer cópia completa da DIPJ 2004, anocalendário 2003, para apurar, verificar, cotejar, se o valor pleiteado constou ou não de eventual saldo negativo na declaração de ajuste desse anocalendário; b) não se sabe se o valor do crédito pleiteado já foi aproveitado, ou não, em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur). 2) Quanto aos débitos confessados na DCOMP, PA dezembro/2005 e PA janeiro/2006: a) não há nos autos sequer cópia completa da DIPJ 2006 (anocalendário 2005) e da DIPJ 2007 (anocalendário 2006), para apurar, verificar, cotejar, se os valores dos débitos foram declarados nas respectivas DIPJ e se foram confessados nas DCTF respectivas; b) não há nos autos cópia de balancetes de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675112/200951 Resolução nº 1802000.222 S1TE02 Fl. 62 7 c) não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur). Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno, por conseguinte, pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DERAT/São Paulo para: a) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo; b) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco na apuração e confissão do débito na DCOMP (apurar se o débito foi regularmente apurado pela própria contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão ou redução, ou se o débito, em parte, não tem relação com a respectiva base de cálculo do período de apuração mensal. Considerase indevido apenas a parte do débito que extrapolou, ou seja, que não tem relação com a respectiva base de cálculo mensal (receita bruta ou com o balancete de redução/suspensão do referido período de apuração mensal); c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado e quanto à existência/regularidade, ou não, dos débitos informados na DCOMP; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10380.909437/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação que indica como crédito o recolhimento em valor maior que o devido de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador de maio de 2004, e como débito valores deste mesmo tributo em relação ao fato gerador de julho de 2004 (DCOMP 21551.47418.050607.1.7.041206, fls. 2/5 eprocesso). A Delegacia da Receita Federal de Fortaleza/CE (fls. 47/48e) não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação sob o argumento de que o valor do crédito já foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 09 43 7/ 20 08 -0 1 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.909437/200801 Resolução nº 3403000.438 S3C4T3 Fl. 122 2 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 6/15e) alegando o seguinte: Diante da existência de cred́ito a ser favor, a empresa pugnou, consoante PER/DCOMP n°. 00767.001749.150704.1.3.04 5095, pela compensação do seu crédito, correspondente ao valor de R$ 141.913,90 do saldo original acrescido do valor R$ 1.419,14 referente 6 correção da Taxa Selic, com o débito de COFINS do período de apuração de junho de 2004 no montante de R$ 143.333,04 (cento e quarenta e três mil trezentos e trinta e três reais e quatro centavos). Contudo, constatando que o deb́ito de COFINS do período de junho do ano de 2004 a ser compensado era, tão somente, de R$ 109.041,53 (cento e nove mil quarenta e um reais e cinquenta e três centavos), a Peticionante retificou, em 20/07/04, através do PER/DCOMP n°. 39536.53331.200704.1.7.040020, a compensação outrora informada. Na PER/DCOMP retificadora a Peticionante utilizou o valor de R$ 107.961,91 (cento e sete mil novecentos e sessenta e um reais e noventa e um centavos), do saldo originário, acrescido de R$ 1.079,62 (mil setenta e nove reais e sessenta e dois centavos), referente a correção da Taxa Selic, conforme consta na planilha em anexo. Dessa forma, e ante a compensação de parte do crédito de COFINS apurado no mês de maio de 2004, haja vista utilização de R$ 109.041,53 dos R$ 143.333,04 do qual tinha5 direito, o contribuinte ficou com um saldo de R$ 35.371,13 (trinta e cinco mil trezentos e setenta e um reais e treze centavos), conforme consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários — DCTF e na planilha de atualização de valores, em anexo. O saldo remanescente no montante de R$ 35.371,13, por seu turno, fora utilizado para quitar débito de COFINS do mês de julho de 2004, consoante DCOMP n°. 21551.47418.050607.1.7.041206. Portanto, a empresa utilizou o crédito existente em seu favor de R$ 143.333,04 (valor originário) e efetuou a compensação com débitos de COFINS de períodos posteriores no valor de R$ 109.041,53 (DCOMP n°. 39536.53331.200704.1.7.040020) e R$ 35.371,13 (DCOMP n°. 21551.47418.050607.1.7.041206). O contribuinte apresentou, com a impugnação, cópia das DCTFs, dos DACONs e das demais DCOMPs envolvidas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0816.820 de 17 de dezembro de 2009 (fls. 55/60 eprocesso), considerou improcedente a manifestação de conformidade, de acordo com o entendimento assim resumido em sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.909437/200801 Resolução nº 3403000.438 S3C4T3 Fl. 123 3 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legitima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Quanto ao mérito, o voto do Relator do acórdão da DRJ detalha o seguinte em relação às datas de entrega e o conteúdo das declarações envolvidas: Consta dos autos, as fls. 36/40, que o requerente retificou a DCTF e o Dacon relativos ao 2.° trimestre de 2004, prestando, assim, as informações que entendia corretas. A DCTF foi retificada em 17.06.2008 (fl. 36); enquanto o Dacon, em 31.05.2005 (fl. 41). Com essas retificações, exsurgiria em prol do contribuinte o crédito de R$ 143.333,04 (352.498,70 209.165,66). Dessa forma, o impugnante presume que o decisório tenha levado em conta os dados constantes das declarações retificadas. É oportuno observar que o crédito solicitado já foi objeto de análise e decisão em outro processo (10380.902540/200811), ao ensejo do PER/DCOMP n.° 39536.53331.200704.1.7.040020. O requerente apresentou o Dacon retificador antes de cientificado, em 23.05.2008, da decisão denegatória desse pedido, que, cabe vincar, tem por objeto o mesmo pagamento a maior alegado no presente processo. Entretanto, entregou a DCTF retificadora depois desta data. Não se mostra relevante o fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada antes do decisório ora em exame, para dai concluir pela oportunidade da retificação, uma vez que a análise do crédito pleiteado está vinculada aquele processo. A esse respeito, a turma julgadora indeferiu a manifestação de inconformidade então apresentada, não lhe Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.909437/200801 Resolução nº 3403000.438 S3C4T3 Fl. 124 4 reconhecendo o pretenso crédito (Acórdão DRJ n.° 0816.633, sessão de 25.11.2009). O requerente pretende comprovar que o pagamento foi realizado em montante superior ao débito, assim considerado no valor informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5.° do Decretolei n.° 2.124/84, c/c o §1.° do art. 9. 0 da Instrução Normativa SRF n.° 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com o Dacon, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo das contribuições, sem, portanto, força de confissão. Tanto assim que o §4.° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n.° 543, de 20 maio de 2005, dispõe que: "A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora". Diante disso, a DRJ entendeu que, por ser o despacho decisório o próprio lançamento por nãohomologação, a apresentação de declaração retificadora apresentada depois dele não teria o poder alterálo. A declaração retificadora teria de ser apresentada antes da decisão para que pudesse ser atribuída eficácia às informações nela contidas, pois a comprovação da disponibilidade de crédito dever ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida, pois,“Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação.” (fl. 60 eprocesso) A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 63/82e) alegando ofensa ao princípio da verdade material e do contraditório. Afirma ter tido o seu direito de defesa cerceado diante do comportamento formalista da autoridade julgadora de indeferir o pedido de juntada de documentos que visavam demonstrar a existência de seu crédito. Entende que a produção de prova pericial também seria perfeitamente cabível, visto que os fatos alegados podem ser comprovados no livros e documentos contábeis da empresa. Além disso, reitera os argumentos da manifestação de inconformidade para demonstrar a existência do crédito. Ao final pede a homologação da compensação requestada e protesta por produção de provas. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado no dia 22/02/2010 (fl. 63e). A notificação ocorreu em 21/01/2010 (fl. 62e), de modo que o prazo de 30 dias terminou em 20/02/2010, um sábado, deslocando o dies ad quem para a segundafeira, dia 22/02/2010. Por ser tempestivo, conheço do recurso. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.909437/200801 Resolução nº 3403000.438 S3C4T3 Fl. 125 5 A presente Declaração de Compensação – DCOMP 21551.47418.050607.1.7.041206 – utiliza como crédito o valor remanescente de outra Declaração de Compensação – DCOMP 00767.001749.150704.1.3.045095, que teria sido retificada pela DCOMP 9536.53331.200704.1.7.040020 –, a qual encontrase em discussão no Processo Administrativo nº 10380.902540/200811. O julgamento do recurso voluntário interposto neste outro Processo Administrativo foi convertido em julgamento por esta mesma Turma, em 27/10/2010, por meio da Resolução nº 340300.098, sob a relatoria do Conselheiro Robson José Bayerl. Entendo que as mesmas razões que o Conselheiro Robson José Bayerl aplicou para determinar a diligência naquele caso se aplicam, igualmente, para o presente processo, motivo pelo qual transcrevo o seu voto: Examinando a situação em debate observei que o fundamento inicial para o indeferimento da compensação, melhor dizendo, sua não homologação, decorreu de uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de tal forma que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Noto que a Administração Tributária não contestou diretamente a existência do crédito. A meu sentir, não havia outra alternativa ao recorrente senão contestar o fundamento apresentado, qual seja, a utilização diversa do crédito indicado. Vejase que o indeferimento não se verificou pela inexistência do crédito, portanto, não faria sentido algum fazer prova do crédito vindicado. Sob esta ótica, não vislumbro ocorrida a preclusão consumativa do direito de produção de prova documental, como dessumido pela decisão recorrida. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, a verdade material exigem muito mais do processo administrativo fiscal que o mero exame fundado em verificações automáticas de sistema, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinaram o despacho decisório, validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, lastreandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material. Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.909437/200801 Resolução nº 3403000.438 S3C4T3 Fl. 126 6 Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos procedimentos realizados. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. A estes motivos e conclusões somase um outro: a existência do crédito utilizado no presente processo decorre de que, no referido Processo nº 10380.902540/200811 seja reconhecido o valor pleiteado e sobre o saldo remanescente que se pretende utilizar neste caso. Voto, pois, no sentido de que o julgamento do presente caso seja convertido em diligência, remetendose os autos para a Delegacia de origem para que, depois de finalizada a diligência do Processo nº 10380.902540/200811, junte aos presentes autos os documentos e o resultado daquela diligência e lavre relatório conclusivo a respeito das repercussões daquela diligência em relação ao presente caso. O contribuinte deve ser intimado da diligência lavrada para o presente caso, para que se manifeste em 15 (quinze) dias. Transcorrido o prazo, devem os autos ser devolvidos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 18050.008468/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.336
Decisão:
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 08 46 8/ 20 08 -8 8 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008468/200888 Resolução nº 2402000.336 S2C4T2 Fl. 147 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PSH PRODUTOS E SERVIÇOS HOSPITALARES LTDA, em face de acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.169.6240, lavrado para cobrança de multa por ter deixado a recorrente de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. Consta do relatório fiscal que não foram informados os seguintes fatos geradores: Folha de Pagamento da filial 0002, sem declaração em GFIP; • Pagamentos de lanches e refeições sem convênio com o Programa de Alimentação do Trabalhador conta 42104021 LANCHES E REFEIÇÕES; • Pagamentos a cooperativa de trabalho conta 42104007 SERV. TERCEIROS COOPERATIVA; • Pagamentos a SERVIÇOS TERCEIROS PF contabilizado indevidamente na conta 42104007 , COOPERATIVA. O período apurado compreende a competência 01/2004 a 12/2004, tendo o contribuinte sido cientificado em 23/10/2008. Julgada procedente em parte a impugnação, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual, sustenta a recorrente: 1. que o lançamento merece ser anulado em virtude da inexistência de MPF apto a justificar o procedimento fiscal; 2. a impossibilidade de julgamento do presente processo antes de que sejam julgados todos os lançamentos principais correlatos; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008468/200888 Resolução nº 2402000.336 S2C4T2 Fl. 148 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização, conforme resta indicado no TEPF de fls. 24 De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de apenas dois deles, no qual foram lançadas as contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, que também originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em momento posterior ao do julgamento de todos os lançamentos das obrigações principais correlatas. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, com o envio dos autos a autoridade de origem, para que seja informado nos autos do presente processo a situação, objeto e localização do processo administrativo referente aos AI´s 37.169.6208 e 37.169.6186, de modo que após deverão os autos retornar a este Conselho para julgamento. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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