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Numero do processo: 10480.908702/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 87 02 /2 00 9- 88 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908702/200988 Acórdão n.º 3801001.682 S3TE01 Fl. 114 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em01/07/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls.01/05 , a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página 4 com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 17.257,52, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de abril de 2000, efetuado aos 15/05/2000. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de abril de 2000 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 02/06/2009 (vide aviso de recebimento de fl.63), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5a Região (fls.25/40 ) e de certidão de trânsito em julgado (fl.41). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.64/75); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.76/79). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04 /2000 a 30/04/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 90 a 95, aduzindo, em síntese. A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908702/200988 Acórdão n.º 3801001.682 S3TE01 Fl. 115 5 A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de COFINS e, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908702/200988 Acórdão n.º 3801001.682 S3TE01 Fl. 116 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: 1. Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 2. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls.64 a 79, conforme informação de fls. 80, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.64/75 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.76/79). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908702/200988 Acórdão n.º 3801001.682 S3TE01 Fl. 117 9 processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. 64 a 79, juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10640.005361/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Marco André Ramos Vieira divergiu quanto à verba referente à participação nos lucros, pois entendeu que a ela integra o salário-de-contribuição. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Marco André Ramos Vieira divergiu quanto à verba referente à participação nos lucros, pois entendeu que a ela integra o saláriode contribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 53 61 /2 00 8- 26 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 995DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 890 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 08/12/2008, referindose às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, em desconformidade com a norma legal, no período compreendido entre 01/2003 a 12/2006. O relatório fiscal de fls. 22/28, traz que foram encontradas as seguintes irregularidades no pagamento da verba: os Termos de Acordo entre a autuada e a comissão de empregados, conta com a participação apenas do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, em detrimento da participação dos sindicatos dos demais estados onde os valores a título de PLR foram pagos; que a verba foi paga mais de duas vezes ao ano e os acordos não possuem regras claras e objetivas, sendo as metas de caráter individual. Após a impugnação, Acórdão de fls.831/836, julgou a autuação procedente Inconformado, o contribuinte apresentou recurso onde alega em síntese: a) a decadência qüinqüenal para as competências até 12/2003, em vista do artigo 150,§4º do CTN; b) que todos os acordos foram celebrados entre a recorrente e uma comissão de empregados, eleita pelos próprios empregados, com representatividade do Sindicato; c) que os pagamentos efetuados em 2003, 2004 e 2005, referemse aos acordos celebrados com o Sindicato do Paraná, aplicável aos empregados do Paraná (fábrica e centro de distribuição) e aos empregados das áreas administrativas e comerciais e com o Sindicato dos empregados de Minas Gerais, para os empregados de Juiz de Fora; d) que o pagamento relativo ao ano de 2006, teve como suporte três acordos, um para os empregados da fábrica do Paraná, outro para os empregados do Centro de Distribuição do Paraná e empregados de áreas administrativas e comerciais e para os empregados alocados na fábrica de Juiz de Fora/MG; e) que a comissão foi eleita por todos os empregados e assistida por um membro do sindicato; f) que somente a convenção coletiva ou acordo de trabalho devem obedecer à base territorial do sindicato; Fl. 996DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 g) que os estabelecimentos situados fora do Paraná e Juiz de Fora tem um reduzidíssimo número de empregados; h) que não houve violação da legislação previdenciária e que os pagamentos para os empregados do Paraná e Juiz de Fora não são irregulares; i) que não houve desrespeito quanto à periodicidade, pois jamais um empregado recebeu PLR mais de duas vezes ao ano, ocorrendo que em alguns estabelecimentos houveram mais de dois pagamentos, mas nunca por empregado, mas em função das diferentes metas existentes para cada grupo; j) que os acordos prevêem claramente a existência de metas; que as metas não são subjetivas, haja vista que para as áreas de vendas se baseia na quantidade de vendas; que a legislação não veda a estipulação de metas individuais; k) que foram apresentados e o faz novamente, todas as apurações de resultados que demonstram o percentual atingido por cada área da empresa; l) que apresenta documentos que comprovam o gerenciamento e a apuração dos planos de PLR; m) não foi constatado qualquer indício que os pagamentos referemse a prêmio ou salários; n) que a representação fiscal para fins penais só pode ser expedida após o término do processo administrativo. Requer o reconhecimento da decadência e no mérito, a insubsistência da autuação, protestando pelo direito da posterior juntada de documentos adicionais É o relatório. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 891 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à decadência qüinqüenal argüida pela recorrente é de se asseverar que de fato, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, cujos efeitos são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006 e obrigam todos os órgãos judiciais e administrativos: : Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Entretanto, o crédito lançado nesta notificação não se encontra abrangido pelo período decadencial, eis que compreende competências de 01/2003 a 12/2006 e foi lavrado em 08/12/2008, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data. Para elucidar, informo à recorrente que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional. Havendo, o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso de dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente processo, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado referente a pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados, assim, aplica se o artigo 173, I do CTN, não havendo que se falar em período decadente: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 998DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria RFB n.º10.875/2007, no art. 7º, inciso III e § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria RFB n.º 10.875/2007: Art. 7º A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nos incisos do § 1º. Decreto nº 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 999DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 892 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 7º da Portaria RFB acima transcritas. Ressaltese que, de acordo com o § 2º do mesmo art. 7º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrandose a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo.No caso em análise, o impugnante não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela qual indefiro o pedido de juntada de documentos. Do Mérito Quanto ao mérito, a motivação para o lançamento ocorreu, devido a fiscalização entender que as parcelas pagas a título de PLR devem integrar o salário de contribuição, pois não respeitaram a legislação quando: a) os termos de acordo para a PLR possuem a participação apenas de um sindicato da categoria, do estado do Paraná, enquanto pago também para empregados dos estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia; b) nos instrumentos decorrentes da negociação deixaram de constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; c) existem metas individuais a serem cumpridas o que faz com que o valor pago tenha natureza de prêmio; d) a PLR foi paga mais de duas vezes no ano civil; e) não apresentou documentação que comprovasse a aferição das metas alcançadas pelos empregados, setores e estabelecimentos. Primeiramente, no que se refere aos termos e condições para participação nos resultados, com efeito, é de se ver pelos documentos trazidos aos autos, que não houve a intermediação dos sindicatos das categorias envolvidas na negociação nos estados em que a recorrente possui estabelecimentos, à exceção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, única entidade que avalizou o documento negocial. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 A Lei 10.101/2000, que regula a matéria prevê no seu artigo 2º, inciso I, que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e empregados, através de uma comissão escolhida entre as partes, com a participação de um representante do sindicato da categoria dos trabalhadores: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Nos termos do tratado pela legislação é de se ver que a participação do sindicato deve ser daquele referente à categoria envolvida. Assim, não é possível abstrair a territorialidade do sindicato, se algum não participou da negociação, o acordo não vai atingir os seus filiados. Não é possível utilizar regras e parâmetros impostos a trabalhadores abrigados por uma entidade sindical para outros filiados a entidade diversa, uma vez que cada entidade possui autonomia, piso salarial próprio e regras trabalhistas com relação aos empregados que lhes são assistidos. Desta forma, os termos para pagamento de PLR existentes, no caso concreto, valem e produzem efeitos somente para aqueles trabalhadores cuja categoria pertence ao Sindicato envolvido. Os empregados dos demais estados não abrangidos pela base territorial do sindicato que integrou o acordo não podem se beneficiar das regras propostas. Todavia, quanto à fixação de metas é possível dizer que pela análise de todos os documentos acostados aos autos, podese constatar que os acordos firmados entre a empresa e comissão de empregados, fls. 195/205; 206/218; 219/231; 232/245; 246/249; 250/256 e 257/265, estabelecem a parcela equivalente à participação nos lucros de cada empregado, a forma como será calculada e o período do pagamento. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. A PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 893 9 Em 1991, a Lei n.º 8.212/91, institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/1994. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação passa a existir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 894 11 integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não há regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, da lei, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Afora os parâmetros estabelecidos pela lei, não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas da participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com os três artigos da Lei nº 10.101/2000, acima transcritos. Além das regras claras e objetivas do acordo, o legislador impediu a substituição da remuneração pela distribuição do lucro e o seu pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. A preocupação é justificável, as empresas poderiam reduzir os salários na proporção dos ganhos obtidos pelo trabalhador com sua participação nos lucros ou resultados. Com isto, além de obstar o benefício, as empresas se evadiriam das contribuições previdenciárias e ao FGTS, lesando outros direitos do trabalhador. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 O artigo 2º, §1º, I da lei possibilita que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas a lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que estão sendo distribuídos lucros aos trabalhadores, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. Quanto ao mecanismo adotado para a repartição individual da parcela do lucro líquido destinada aos trabalhadores, a lei não fixou regras. Cuidou a lei de estabelecer parâmetros para que a empresa, após se comprometer, não venha se esquivar de distribuir lucros aos seus trabalhadores. Apurandose o total a ser distribuído, ao final o montante é repartido de acordo com mecanismos eleitos pela empresa. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Porém, a regra é a presunção de boa fé dos atos jurídicos. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Analisando a lei de custeio da Previdência Social, deparase com o artigo 28, §9º, aliena “j”, verbis: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A participação nos lucros ou resultados paga em conformidade com a Lei nº 10.101/2000, diferente das demais parcelas previstas no artigo 28, §9º que têm natureza de isenção de contribuições previdenciárias, sequer se subsume à definição de salário de contribuição trazida pelo artigo 28, I da Lei nº 8.212, de 24/07/91 e mesmo ao artigo 457 do Decretolei nº 5.452, de 01/05/43 – Consolidação das Leis do Trabalho, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 895 13 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Consolidação das Leis do Trabalho Artigo 457. Compreendese na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. Isto porque falta para a participação nos lucros ou resultados um elemento essencial da definição retribuição pelo trabalho. É suficiente se recorrer às disposições constitucionais e legais para se constatar a sua natureza como remuneração do capital e não do trabalho, verbis: Constituição Federal Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Lei nº 10.101/2000 Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. O objetivo da participação nos lucros ou resultados é estimular o empenho dos trabalhadores para a geração de resultados previamente estabelecidos. Assim, deve haver um acordo entre as partes – empresa e trabalhadores , no qual cada um se propõe a cumprir uma obrigação. A empresa deve conceder o pagamento a título de participação nos lucros ou resultados se os trabalhadores atingirem uma meta preestabelecida. A autoridade fiscal se insurgiu quanto a existirem metas individuais a serem atingidas. Ocorre que a recorrente esclarece que na área comercial da empresa é inerente que o cumprimento de metas esteja diretamente ligado ao aumento de vendas, o que é atingido individualmente por cada empregado. Não há nenhuma restrição da lei nesse sentido.Estando as metas a serem atingidas fixadas, como no presente caso se demonstrou pelos documentos juntados, não há empecilho na Lei n.º 10.101/2000 para que sejam atingidas de forma individual, visando o coletivo. Ademais, da análise dos documentos juntados, Acordo de 2003, fls. 195/205 e Anexo fls.206/218; Acordo de 2004/2005, fls.219/231 e Anexo fls.232/245; Aditivos fls.246/249; Acordo de 2006, fls. 250/265, vêse que nos anexos constam expressamente as definições das metas, os critérios de cálculo para apuração do resultado e para pagamento a título de PLR, sendo que todos os documentos contam com a participação dos empregados e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Todavia, é de se observar que não foi obedecido pela recorrente a exigência legal de que os pagamentos não excedessem a dois pagamentos anuais, conforme disposto pelo parágrafo 2º, do artigo 3º da lei reguladora: §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. As razões expostas pela recorrente de que os pagamentos individuais não excederam a dois, não ilidem o descumprimento da estipulação legal, eis que a semestralidade ou, pelo menos, o pagamento limitado a duas parcelas por ano civil, deve ser levado em consideração pela empresa ou, como no caso em tela, por cada acordo firmado para pagamento de PLR. Portanto, no que se refere ao mérito do lançamento, entendo que podem ser considerados como pagamento de PLR somente os valores relativos aos empregados abrigados pela base territorial do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, que participou da negociação apresentada, bem como devem ser expurgados os pagamento que excederam o limite imposto pelo artigo 3º, §2º da Lei n.º 10.101/2000, e foram pagos mais de duas vezes no mesmo ano, considerando que nos Acordos apresentados ficou estipulado que os pagamentos ocorreriam em abril e outubro de cada ano. No que se refere às argüições da recorrente acerca dos trabalhadores do estabelecimento de Juiz de Fora, cujos acordos foram intermediados pelo Sindicato dos Trabalhadores de Indústrias Químicas, Farmacêuticas e Material Plástico de Barbacena e Região/MG, deixo de me manifestar porque não consta qualquer lançamento nos autos para este estabelecimento. Quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal, em virtude de exercer atividade vinculada, sem poder discricionário, deve formalizar tal documento, na mesma data da lavratura do auto de infração, quando no curso da ação fiscal apurar fatos que, em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337 A, incisos I,II e III do Código Penal aprovado pelo Decretolei n.º 2.848, de 07/12/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000. A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento os valores pagos nas competências de abril e outubro, durante o período lançado, para os estabelecimentos abrangidos pela base territorial do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10640.005361/200826 Acórdão n.º 2302002.022 S2C3T2 Fl. 896 15 Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná, por estarem de acordo com a legislação que trata da Participação nos Lucros e Resultados. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000083/2006-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. PRESCRIÇÃO. QUESTÃO PREJUDICIAL. ACOLHIMENTO. DISPENSA DO EXAME DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRELIMINAR AFASTADA.
O reconhecimento da prescrição, por se tratar de questão prejudicial afasta a necessidade do exame da existência do direito creditório. Preliminar de nulidade afastada.
PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A.
O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. PRESCRIÇÃO. QUESTÃO PREJUDICIAL. ACOLHIMENTO. DISPENSA DO EXAME DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRELIMINAR AFASTADA. O reconhecimento da prescrição, por se tratar de questão prejudicial afasta a necessidade do exame da existência do direito creditório. Preliminar de nulidade afastada. PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1998 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. PRESCRIÇÃO. QUESTÃO PREJUDICIAL. ACOLHIMENTO. DISPENSA DO EXAME DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRELIMINAR AFASTADA. O reconhecimento da prescrição, por se tratar de questão prejudicial afasta a necessidade do exame da existência do direito creditório. Preliminar de nulidade afastada. PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 00 83 /2 00 6- 71 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 146): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. LEI 9.715. INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade da retroatividade prevista no art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, alcança apenas os efeitos da alteração legislativa referente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. MEDIDA PROVISÓRIA. EFICÁCIA. REEDIÇÕES. A media provisória é passível de reedição, mantida sua eficácia quando ela se dá dentro do prazo de validade da anterior. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212. EFEITOS. A Medida Provisória nº 1.212, de 1995, produziu efeitos a partir de 01/03/1996, sem solução de continuidade, por força de suas reedições, até sua conversão na Lei nº 9.715, de 1998. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10835.000083/200671 Acórdão n.º 3802001.325 S3TE02 Fl. 205 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 156203, sustenta que teria direito de repetir o indébito da contribuição ao PIS decorrente da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal na Adin nº 14170. Alega a nulidade da decisão recorrida, em virtude da não apreciação de todas as matérias suscitadas por ocasião da manifestação de inconformidade, notadamente sobre os efeitos da IN SRF nº 06/2000, do Decreto nº 2.346/1997 (art. 1º, § 2º, e art. 4º, parágrafo único), do Parecer Pgfn/Cat nº 437/1998, da Lei nº 9.436/1996 (art. 77) e da Resolução do Senado Federal nº 10/2005. Aduz que, em razão destes mesmos atos normativos e do art. 745 do Código de Processo Civil, a autoridade fazendária estaria impossibilitada de constituição de crédito tributário. Sustenta a inaplicabilidade da LC 118/2005 a fatos pretéritos e que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial do prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do Código Tributário Nacional, teria início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento. Pleiteia, por fim, a reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 04/10/2011 (fls. 155) e o protocolo do recurso, em 28/10/2011 (fls. 156). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, entendese que a preliminar de nulidade não deve ser acolhida. A decisão recorrida entendeu que o direito à repetição do indébito estaria prescrito. Portanto, em se tratando de questão prejudicial, não havia qualquer necessidade de apreciar as demais alegações do Recorrente. Ainda assim, as mesmas foram apreciadas pela Turma, inclusive no que se refere aos efeitos da Instrução Normativa SRF nº 06/2000 e do Decreto nº 2.346/1997. Nesse sentido, dispõe o art. 28 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por sua vez, o exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10835.000083/200671 Acórdão n.º 3802001.325 S3TE02 Fl. 206 5 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº 566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No caso em exame, considerando que os pagamentos ocorreram antes de 24/01/2001 (período de apuração de 01/03/1996 a 31/10/1998) e o pedido foi protocolizado em 24/01/2006, não há dúvidas da ocorrência da prescrição. Reconhecida a prescrição, fica prejudicado o exame do mérito da existência do direito creditório, o que dispensa a Turma da apreciação das demais alegações do Recorrente, nos termos do art. 59 do Regimento Interno: “Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas”. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11020.002640/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2007
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS.
No caso de arbitramento de lucro de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível identificar a atividade a que se refere à receita omitida, esta será adicionada àquela atividade que corresponder o percentual mais elevado.
Numero da decisão: 1401-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. No caso de arbitramento de lucro de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível identificar a atividade a que se refere à receita omitida, esta será adicionada àquela atividade que corresponder o percentual mais elevado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 26 40 /2 00 9- 89 Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Antonio Bezerra Neto. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11020.002640/200989 Acórdão n.º 1401000.874 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 10511052: Trata o presente processo de impugnação a Autos de Infração (AI) de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 04/10), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 23/29), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 39/43) e Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 54/59). Os valores dos tributos originários nos AI montam a R$ 1.024.983,29, que acrescidos de multas de ofício e juros moratórios (calculados até 31/07/2009) totalizam R$ 2.144.876,28. 2. As descrições dos fatos e da base legal da autuação estão postas nas folhas dos AI acima indicados, levando à apuração de infrações no período compreendido entre janeiro de 2002 e dezembro de 2002. A contribuinte teve ciência dos AI em 13/09/2006 e protocolou impugnação (fls. 288/295), por seu representante, em 11/10/2006. 3. No Relatório de Atividade Fiscal (fls. 71/78) encontramse as descrições dos fatos e as bases legais das infrações, que se desenrolaram no período compreendido entre outubro de 2004 e dezembro de 2007. A contribuinte teve ciência dos AI em 12/08/2009 e protocolou impugnação (fls. 1.026/1.029), em 08/09/2009. 4. Os fatos que deram origem aos AI levaram à exclusão da contribuinte da sistemática do Simples, através do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 46 de agosto de 2009 (fl. 79), cuja ciência lhe foi dada também em 12/08/2009. Dos Autos de Infração 5. A contribuinte, de acordo com seu Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, se dedica: à reforma de pneumáticos usados; ao comércio a varejo de pneumáticos e câmaras de ar, lubrificantes, peças e acessórios novos para veículos automotores; à prestação de serviços de manutenção e reparação mecânica, borracharia, alinhamento e balanceamento para veículos automotores. 6. Entre 2004 e 2006, esteve enquadrada na sistemática de tributação do Simples, como empresa de pequeno porte e, no anocalendário de 2007, adotou o regime de trbutação do Lucro Presumido. 7. O procedimento fiscal se deu através de diversas intimações (fls. 137/149 e 251/252) através das quais foram solicitados documentos e informações: livros contábeis e fiscais relativos aos anoscalendários de 2004 a 2007, relação de contas Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 bancárias utilizadas pela empresa e extratos bancários de todas as contas no mesmo período, justificativas das discrepâncias entre movimentações bancárias e receitas declaradas. 8. De posse dos elementos solicitados, bem como de extratos bancários obtidos com amparo em Alvará Judicial, a fiscalização elaborou planilhas (542/560) nas quais estão listadas operações de depósito (de outubro/2004 a dezembro/2007) cuja origem intimou a contribuinte a comprovar com documentação hábil e idônea. Em resposta à intimação (fl. 563), a contribuinte informou não possuir documentos que pudessem comprovar a origem dos indigitados depósitos. 9. Em face da situação descrita, o agente fiscal concluiu pela existência de infração ao art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda ( Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999) — RIR: omissão de receitas. 10. Além disso, foi constatado que a contribuinte não efetuou a escrituração nos livros contábeis da sua movimentação bancária no período fiscalizado, tornando sua escrita imprestável pára fins fiscais, levando ao arbitramento de seu lucro, conforme disposto no art. 530, inciso II, alínea a do mesmo RIR. 11. Aos tributos apurados em razão das receitas omitidas foram aplicadas multas de ofício no percentual de 75%, conformes aos dispositivos legais aplicáveis em cada período de apuração. 12. Em vista das reiteradas omissões de receitas (período de outubro/2004 a dezembro/2006) pela contribuinte, ficaram caracterizadas as hipóteses de incidência dos arts. 14, inciso V, e 15, inciso V e § 3º, da Lei no 9.317 de 5 de dezembro de 2006, o que implicou na sua exclusão de ofício da sistemática do Simples desde outubro de 2004. Da impugnação 13. A impugnante protocolou uma impugnação que chamou de Impugnação Total. Manifestase, contudo, apenas contra a aplicação de multa supostamente lavrada contra as receitas omitidas e não sobre os tributos que deixaram de ser recolhidos e por isto solicita que o AI seja refeito. A 5ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, por meio do Acórdão nº 1024.425, que recebeu a seguinte ementa (fls. 1036): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2007 Ementa: PENALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Nada há a retificar no lançamento quando está demonstrado que a aplicação das alíquotas das penalidades se deu sobre o tributo que deixou de ser pago em razão da omissão de receitas, não sendo esta infirmada pela contribuinte. Impugnação Improcedente Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11020.002640/200989 Acórdão n.º 1401000.874 S1C4T1 Fl. 4 5 Cientificada do referido Acórdão em 10/04/2010 (fls. 1055), a contribuinte apresentou em 07/03/2010 o recurso voluntário de fls. 10561063, com base nos seguintes argumentos: a) a atividade principal da recorrente, na época dos fatos, era o comércio a varejo de pneumáticos e câmaras de ar (CNAE Fiscal 50.304/04); b) assim sendo, deveria ter sido utilizado o percentual de 9,6% para determinação do lucro arbitrado, e não o percentual de 38,40%, aplicável apenas às empresas prestadoras de serviços; c) era ínfimo o percentual das receitas de prestação de serviços da recorrente, ao longo dos anoscalendários de 2004 a 2007. É o relatório. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Delimitação da lide Na fase impugnatória, a contribuinte limitouse a questionar a aplicação da multa, que supostamente teria sido sido calculada sobre o montante das receitas omitidas e não sobre o montante dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Para maior clareza, transcrevo o inteiro teor do pedido constante da peça impugnatória, fls. 1043 (grifado): II DO PEDIDO Sendo a Empresária excluída a partir de Outubro de 2004, da condição de Simples, e, passando a tributar pelo Lucro Arbitrado, o valor da multa deverá ser aplicada sobre o valor do imposto que deixou de ser recolhido na devida época, e, não sobre o valor da omissão da receita como foi feito no Demonstrativo do Auto de Infração, por não ter embasamento legal para tal procedimento. O art. 14 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Consequentemente, é forçoso reconhecer que nos presentes autos somente se estabeleceu litígio em relação ao critérios de aplicação das multas de ofício, posto que nada foi alegado pela contribuinte em relação à apuração de omissão de receitas e ao procedimento de arbitramento dos seus lucros. Sobre o tema, transcrevo o seguinte excerto da decisão de piso, fls. 1052 (grifado): 14. A apuração de omissão de receitas no presente processo tem por base legal o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, que está inserido na Sessão IV daquele diploma. A descoberta de depósitos em conta bancária sem o correspondente registro na contabilidade permite a presunção simples de ocorrência de receitas omitidas. Para que essa presunção comum fosse alçada ao status de presunção legal, é que a norma citada passou a exigir prévia intimação à contribuinte, titular da conta bancária, para que comprove, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Neste sentido, a própria impugnante nada opôs ao lançamento do tributo. 15. Da mesma, forma, o arbitramento decorre da falta de escrituração dos depósitos que macularam a escrita para fins de apuração do lucro real ou presumido, restando o arbitramento, igualmente, não combatido pela reclamante. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11020.002640/200989 Acórdão n.º 1401000.874 S1C4T1 Fl. 5 7 Na fase recursal, a contribuinte inovou sua linha de defesa, ao questionar a utilização do percentual de presunção de lucros de 38,40%, aplicável às empresas prestadoras de serviços. No entender da recorrente, pelo fato de sua atividade principal ser o comércio de pneumáticos e câmaras de ar, considerou que deveria ter sido aplicado o percentual de 9,60%. A rigor, tal matéria não deveria ser conhecida por este colegiado, em face da preclusão. Não obstante este fato, considero prudente conhecer deste argumento da recorrente, visando evitar qualquer alegação posterior de cerceamento do seu direito de defesa. Mérito Adentrando no mérito dessa alegação, é fácil concluir que não assiste razão à recorrente. Para tanto, é suficiente considerar que a contribuinte, na época dos fatos, além de exercer a atividade comercial, também exercia a atividade de prestação de serviços. A Declaração de Firma Individual de fls. 1046, datada de 30/12/1999, indica claramente que a recorrente prestava serviços de geometria e alinhamento de automóveis, além de serviços de borracheiros e gomaria. Da mesma forma, o seu Livro Diário (fls. 634 a 1019), referente aos anos calendário objeto da presente autuação, registra a obtenção de receitas decorrentes da prestação de serviços. Por fim, as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica apreseentadas pela contribuinte, fls. 566633, também apontam a obtenção de receitas de prestação de serviços. Sobre o tema, dispõem os arts. 532 e 537 do RIR/99 (grifado): Art.532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). [...] Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso , no período de apuração , correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere à receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado ( Lei n° 9.249, de 1995, art. 245, § 1° ) No Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 75, a autoridade autuante descreveu com precisão o critério utilizado para arbitramento do lucro da recorrente: [...] para fins de apuração do Imposto de Renda devido pelo contribuinte, foi efetuado o arbitramento do seu lucro, mediante Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 a aplicação do percentual de 9,6% sobre a receita bruta declarada decorrente de vendas de mercadorias, e do percentual de 38,4% sobre a receita bruta declarada decorrente de prestação de serviços adicionada ao montante das receitas omitidas, em conformidade com o disposto nos artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda, [...] Concluise, portanto, que o procedimento fiscal foi inteiramente correto, posto que no caso concreto não foi possível identificar a atividade a que referia a receita omitida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725211/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. FRETES E CARRETOS. LUCROS E PERDAS.
Os custos ou despesas operacionais serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivas e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.207
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 2ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. FRETES E CARRETOS. LUCROS E PERDAS. Os custos ou despesas operacionais serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivas e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 52 11 /2 01 0- 81 Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 3 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 3/24), apurados pela sistemática do Lucro Real, cumulados com juros e multa de ofício (75%), referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, em virtude (i) da glosa de custos e despesas relacionados à suposta aquisição de carvão, suportadas por notas fiscais inidôneas e cujo efetivo pagamento não foi devidamente comprovado, e (ii) da glosa de custos, despesas operacionais e encargos não necessários, relativos ao pagamento e/ou reembolso da taxa florestal de alguns fornecedores pessoas físicas. Conforme Termo de Verificação fiscal às fls. 25/34, no tópico que cuidou da glosa de custos não comprovados, relata a autoridade fiscal que em contato com o Instituto de Florestas do Estado de Minas Gerais – IEF/MG recebeu a informação de que aquele órgão ambiental havia detectado diversas notas fiscais inidôneas que acobertavam a compra de carvão e que as notas haviam sido entregues à SEFAZ/MG. Essa SEFAZ/MG forneceu cópia autentica das notas fiscais de compra, das notas fiscais de entrada emitidas pela fiscalizada acobertando o registro contábil da compra de carvão e dos Atos Declaratórios por ela expedidos atestando a inidoneidade das mesmas (fls. 539/743). A fiscalização relata, ainda, o resultado da apuração fiscal no MPF nº. 0610500.2008.00085, quando foram realizadas diligências junto ao produtor rural Lourivaldo da Rocha Fascari, cujo nome conta em uma das notas fiscais de compra expedidas pela autuada (fls. 1734/1776). Na ocasião, apurouse que o produtor rural nunca recebeu qualquer valor da autuada referente a venda de carvão e que nenhum dos cheques apresentados pela autuada como comprobatórios do pagamento ao produtor rural haviam sido depositados em sua conta corrente, sendo certo que a SEFAZ/MG considerou tal nota como falsa (fl. 1755). Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 4 3 Em relação a outros produtores rurais a SEFAZ/MG também publicou atos de inidoneidade de documentos fiscais, sendo alguns por falsidade de documentos e outros por se tratarem de documentos não autorizados ou paralelos. Instada a apresentar documentos que comprovassem a aquisição de carvão, a fiscalizada apresentou planilha contendo o número e valor das notas fiscais emitidas, nomes dos produtores rurais e cheques utilizados para liquidar tais aquisições (fls. 1955/2127). Diante dos fatos e documentos, a fiscalização conclui que a mera existência de um cheque em nome de produtor rural cuja nota fiscal foi declarada inidônea não é suficiente para comprovar que a operação existiu e foi efetivamente paga. Assim, considerando que a dedutibilidade de custos e despesas depende da comprovação com documentação hábil e idônea e/ou da efetiva comprovação do efetivo pagamento dos valores escriturados aos emissores das notas fiscais, o que não ocorreu no caso em comento, procedeu à glosa das aquisições de carvão cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas pela SEFAZ/MG. Além disso, relata a fiscalização acerca da glosa de despesas consideradas desnecessárias (fls. 51/130), já que referentes ao pagamento, por substituição tributária, da Taxa Florestal devida por alguns produtores rurais pessoas físicas dos quais adquire carvão (fl. 2128/2133 e Decreto nº. 36110/94 do Estado de Minas Gerais). A contribuinte apresentou impugnação às fls. 2256/2271, acompanhada dos documentos de fls. 2272/3042. Suas razões de defesa foram resumidas pela DRJ, conforme trechos a seguir transcritos: “2.1.1. Da ausência de motivação e prova sobre a inidoneidade das notas fiscais. A fiscalização não se desincumbiu de seu ônus de provar a irregularidade da operação de aquisição do carvão vegetal, como impõe o art. 142 do CTN. Além disso, o lançamento não traz a necessária motivação sobre o enquadramento das notas fiscais nos supostos Atos Declaratórios. Verificando os documentos juntados pela fiscalização aos autos, principalmente os de fls. 539 a 473 e 1777 a 1779, notase que não há cópia de nenhum Ato Declaratório referente aos seguintes fornecedores de carvão, cujas aquisições tiveram suas despesas glosadas: ANTONIO MOREIRA DIAS; DANIEL GOMES DOS SANTOS; MARCOS DE JESUS RODRIGUES; MARIA AUXILIADORA DE CARVALHO; OLAVO GUEDES DA SILVA; PADILHA SERVIÇOS FLORESTAIS; PEDRO FLÁVIO R. DA SILVA; VALDECI JOSE ALMEIDA DE SOUZA e VANDERSON RICARDO RODRIGUES SANTOS. Deveria ainda a fiscalização ter demonstrado de forma motivada o enquadramento das notas fiscais cuja despesa foi glosada a cada um dos atos declaratórios. No entanto, isso não foi feito, Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 5 4 pois a fiscalização se limitou a afirmar genericamente o enquadramento. Sem essa motivação, o impugnante sequer tem meios de combater os motivos pelos quais o Fisco entendeu que as notas se enquadram nos atos declaratórios, prejudicando assim o exercício amplo do seu direito de defesa contra o lançamento. Por isso é que a motivação do lançamento é obrigatória, devendo ser considerada ainda sua natureza de ato administrativo, que instaura a invasão à esfera patrimonial do contribuinte, e a determinação expressa da Lei nº 9.784/99. Portanto, inválido o lançamento por ausência de prova da infração e de motivação. 2.1.2. Da boafé do impugnante e a irretroatividade dos supostos atos declaratórios. Salientou o impugnante que os atos declaratórios não têm o condão de retroagir para penalizar o adquirente que, de boafé, aproveitou o crédito de ICMS destacado em notas fiscais com aparência de regularidade e sobre as quais não havia nenhum ato da Fazenda atestando qualquer irregularidade. Não há como as declarações posteriores de inidoneidade dos vendedores alcançarem o comprador de boafé. Portanto, se os atos declaratórios não têm eficácia retroativa, preservandose a boafé do adquirente, devem ser aceitas todas as deduções oriundas de aquisições de carvão. Até mesmo porque o impugnante efetivamente incorreu nos custos da aquisição, utilizando o carvão como insumo de sua atividade, conforme passa a demonstrar. 2.1.3. Do efetivo gasto na aquisição de carvão. O anexo extrato bancário (doc. 03), relativo à conta bancária que versa exclusivamente sobre aquisições de carvão ("conta carvão"), comprova que todos os cheques mencionados na planilha de fls. 1955/2127 foram compensados na referida conta, ou seja, o impugnante suportou o custo pela aquisição. Além disso, o cenário apresentado no auto de infração não é factível. Isso porque, fosse verdade que o impugnante não teria adquirido o carvão cujos gastos foram glosados, seria inviável que tivesse alcançado a produção que teve no período autuado, conforme atestam os anexos relatórios de composição do custo da matériaprima utilizada no período (doc. 04 e 05). A fiscalização, contudo, tenta descaracterizar esses pagamentos, já que as notas fiscais foram pagas com mais de um cheque, sendo parte deles dirigidas ao transportador e outra parte dirigida ao produtor, como é de praxe do mercado de carvão. (...) Quanto ao pagamento ser realizado parte ao motorista e parte ao produtor, além de ser praxe de mercado, a situação não Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 6 5 representa nenhuma ilegalidade, tanto é assim que a fiscalização sequer apontou um dispositivo legal que proíba a prática. Pelo contrário, nosso ordenamento jurídico traz expressamente figuras que permitem a prática, a exemplo da cessão de crédito, prevista no art. 286 do Código Civil. Quanto ao produtor Lourivaldo Rocha Frascari, objeto da diligência, afirmou que, se o cheque foi emitido nominalmente ao referido produtor e foi compensado junto à conta corrente do impugnante, a única conclusão possível é que o Sr. Lourivaldo, assim como o impugnante, foram vítimas de fraude, e não seus autores. Até mesmo porque, conforme comprovado na diligência realizada, o Sr. Lourivaldo passou uma procuração para que o carvão vegetal fosse vendido em seu nome, conforme trecho do depoimento do Sr. Antonio Claiton Barcelos (fl. 1744). Sendo assim, o impugnante comprou o carvão de quem tinha poderes, outorgados para procuração, para realizar a venda, mediante nota fiscal emitida em nome do Sr. Lourivaldo, como ele mesmo autorizou. E o impugnante pagou o valor conforme a prática corrente, já elucidada acima. Agora, se o Sr. Lourivaldo não recebeu os cheques do seu mandatário, é questão a ser resolvida entre as partes no contrato de mandato. De resto, a suposta irregularidade do pagamento imputada ao impugnante, em verdade inexistente conforme demonstrado, não é hábil a sustentar a autuação, no que se refere aos custos glosados relativos à aquisição de carvão dos demais produtores. 2.2. Da dedutibilidade da taxa florestal. Esclareceu o impugnante que o lançamento se fundamentou na indedutibilidade da taxa florestal paga no regime de substituição tributária, mas a glosa recaiu sobre os valores de reembolso da taxa florestal aos produtores (bastando ver na planilha de fl. 50 a 131, as despesas glosadas referemse a REEMB. TX. FLORESTAL, seguida do nome do produtor), e o reembolso só tem lugar no regime normal de apuração, que não se confunde com a substituição tributária. Constatase de plano que a fundamentação do lançamento é estranha às despesas glosadas, pois estas não foram efetivamente realizadas no âmbito da substituição tributária da taxa florestal. O descompasso entre a fundamentação e motivação do lançamento e o substrato fático sobre o qual recai (natureza das despesas) é causa de sua nulidade. Em suma, o valor reembolsado, glosado pela fiscalização (embora com fundamentação inaplicável à espécie), representa despesa obrigatória do impugnante, pois ou ele paga ao Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 7 6 produtor mediante reembolso, recebendo o documento de arrecadação e aproveitandoo na dedução do que for por ele devido; ou ele não reembolsa o produtor e não obtém o documento de arrecadação, ficando assim impedido de fazer a dedução por falta de prova do recolhimento, pagando integralmente o valor por ele devido ao Fisco mineiro. O regime de substituição tributária por sua vez, não altera o ônus tributário, alterando apenas a sujeição passiva e o aspecto temporal da exigência. Pois bem, na substituição tributária da taxa florestal, conforme consta do Regime Especial de fls. 2.128 a 2.133, o produtor consegue a liberação junto aos órgãos ambientais demonstrando que aquele carvão é objeto de contrato firmado junto a contribuinte que é detentor de regime especial de substituição tributária. Sendo assim, o produtor contribuinte nada é obrigado a pagar, e o pagamento é realizado exclusivamente pelo adquirentesubstituto na medida em que recebe o carvão. Diferentemente do que ocorre na outra situação, se nada é pago pelo produtor quando da obtenção da licença para exploração da madeira e produção do carvão, nada será a ele reembolsado, o impugnante nada terá a deduzir da taxa por ele devida, pois realiza o pagamento a título de substituição. Notese que o ônus que sobre ela recai é exatamente o mesmo, ou seja, tratase sim de uma despesa obrigatória e necessária, por imposição da legislação estadual. Foram anexados, a título de exemplo, documentos pertinentes aos recolhimentos realizados nos meses de junho e julho de 2005 (doc. 06) e maio e junho de 2006 (doc. 07). Logo, patente a dedutibilidade da referida despesa. 3. DA PROVA PERICIAL. Requereu o impugnante a produção de prova pericial contábil e engenharia de produção, para demonstrar que houve a efetiva aquisição do carvão cujos custos foram glosados pela fiscalização, tendo enumerado os quesitos e indicado os assistentes técnicos às fls. 2269/2270 da impugnação.” A 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação (fls. 3059/3077), para (i) rejeitar a argüição de nulidade, (ii) rejeitar o pedido de perícia; e, no mérito, (ii) manter parcialmente o crédito tributário exigido, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 8 7 GLOSA DE CUSTOS FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação com documentação hábil e idônea de custos contabilizados pela aquisição de carvão vegetal e a falta de comprovação dos pagamentos pertinentes aos supostos fornecedores do insumo adquirido ensejam a glosa dos valores correspondentes na determinação do lucro real. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. CARACTERIZAÇÃO INDEVIDA. Reconhecida a despesa com o pagamento de Taxa Florestal pelo regime especial de substituição tributária e havendo previsão legal de sua ocorrência no ramo de atuação do contribuinte, não há como considerála indedutível sob alegação de que se trata de despesa não necessária e não usual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da Contribuição Social que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente intimada, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário às fls. 3085/3109, alegando que: O lançamento carece de certeza quanto às notas fiscais emitidas pela produtora rural Maria Auxiliadora de Carvalho, pois, como exposto pela decisão recorrida, não foi encontrado nos autos o ato declaratório de inidoneidade referente a tais notas fiscais; Não há motivação clara, expressa e precisa no que toca ao enquadramento das notas fiscais que acobertaram as aquisições de carvão aos Atos Declaratórios de Inidoneidade emitidos pelo Estado de Minas Gerais, devendo ser invalidado o lançamento; Os supostos atos declaratórios não têm eficácia retroativa para atingir operações acobertadas por notas fiscais realizadas antes de sua edição, prevalecendo a boafé da Recorrente que adquiriu o carvão e comprovadamente incorreu nos respectivos custos; O art. 136 CTN, invocado pelo acórdão recorrido, torna irrelevante o elemento subjetivo do dolo para caracterização da infração à legislação tributária, mas não da culpa; O extrato bancário (doc. 03 da impugnação), relativo à conta bancária que versa exclusivamente sobre aquisições de carvão ("conta carvão"), comprova que todos os cheques mencionados na planilha de fls. 1955/2127 foram compensados na referida conta, ou seja, o impugnante suportou o custo pela aquisição. Os cheques compensados foram destinados para pagar o carvão vegetal, pois os referidos valores constam exclusivamente da conta “carvão vegetal” referente a custos de aquisição; Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 9 8 Não há dispositivo legal impedindo que as notas fiscais sejam pagas com mais de um cheque, parte deles dirigidas ao transportador e outra parte dirigida ao produtor, como é de praxe do mercado de carvão; A partir das planilhas anexadas (doc. 4 e 5 da impugnação) é possível verificar que, desconsiderando o carvão equivalente às despesas glosadas, a Recorrente teria estoque negativo, incompatível com a produção obtida no período autuado; Se o Fisco pode utilizar a auditoria de estoques para lavrar autos de infração, aos contribuintes deve ser resguardado o direito de defesa com base no mesmo procedimento, devendo os autos serem remetidos para produção de prova pericial e auditoria de estoques; Quanto à diligência fiscal que colheu informações sobre o produtor Lourivaldo Rocha Frascari, objeto da diligência, reafirma a Recorrente que comprou o carvão de quem tinha poderes, outorgados por procuração, para realizar a venda, mediante nota fiscal emitida em nome do Sr. Lourivaldo, como ele mesmo autorizou; O mínimo ético decorrente da comprovada boafé da Recorrente é a exclusão da multa de ofício, conforme entendimento do STJ no REsp 7423.839/RS; Repisa a necessidade de produção de prova pericial contábil e engenharia de produção, para demonstrar que houve a efetiva aquisição do carvão cujos custos foram glosados pela fiscalização, tendo novamente enumerado quesitos e indicado assistentes técnicos (fls. 3107/3108). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Da atenta leitura do relatório fiscal verificase que a fiscalização procedeu a glosa dos custos e despesas relacionados à aquisição de carvão, em virtude de (i) estarem suportadas por notas fiscais declaradas inidôneas pela SEFAZ/MG e (ii) o efetivo pagamento não ter sido devidamente comprovado. As autoridades fiscais não apuraram os fatos pelos quais tais notas fiscais seriam inidôneas, valendose dos atos declaratórios e apurações efetuados pelo Fisco Estadual. Nesse sentido, sustenta que as declarações do Fisco estadual, por serem prestadas por agentes do poder público, fazem fé pública perante o Fisco federal, presumindo se verdadeiras as informações ali prestadas, se nada foi provado em sentido contrário. Assim, os valores apropriados como custo pela Recorrente, sustentados por notas fiscais de emissão atribuída a pessoa jurídica declarada pelo Fisco Estadual como Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 10 9 fornecedora de notas inidôneas e cujo pagamento não foi efetivamente comprovado, seriam passíveis de glosa. Inicialmente, tenhamos em mente que, consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório (RTJ 559/265). O próprio artigo 936 do RIR/99 atesta que todos os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhes forem solicitados (DecretoLei nº 5.844/43, art. 125, e DecretoLei nº 1.718/79, art. 2º). Contudo, na hipótese é perfeitamente aplicável, por analogia, o entendimento firmado pela Primeira Seção do STJ, por meio do REsp. 1.148.444/MG, Rel. Min. Luiz Fux (DJe 27/04/10), submetido à sistemática do art. 543C do CPC, de que o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação. Como bem exposado no julgado em exame, a responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Com efeito, é necessário que o contribuinte demonstre, por outros meios de prova, que a operação de compra e venda efetivamente se realizou, incumbindolhe, portanto, o ônus da prova. A decisão recorrida sustenta que (i) o simples fato de os cheques terem sido compensados na conta corrente do emitente (AVG Siderurgia Ltda.), como alegado, não comprova que tenham sido destinados ao pagamento de carvão vegetal para os produtores rurais indicados nas notas fiscais inidôneas; (ii) não ficou demonstrada a vinculação dos pagamentos com as notas fiscais de produtor consideradas inidôneas, já que apenas parte dos pagamentos foram realizados em nome dos produtores rurais e, como confessou a Recorrente, os demais teriam sido realizados aos motoristas, como praxe do mercado. Leiase trecho do acórdão recorrido: Primeiramente, cumpre esclarecer que o simples fato de os cheques terem sido compensados na conta corrente do emitente (AVG Siderurgia Ltda.), como alegado na impugnação, não comprova que tenham sido destinados ao pagamento de carvão vegetal para os produtores rurais indicados nas notas fiscais inidôneas. Conforme se viu, com base nas informações prestadas pelo próprio contribuinte (fls. 1955/2127), não ficou demonstrada a vinculação do pagamento com as notas fiscais de produtor consideradas inidôneas, uma vez que somente uma Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 11 10 pequena parcela, como foi evidenciado no TVF, foi indicada como destinada ao produtor rural. Em verdade, o contribuinte, ao relatar que a “praxe de mercado” era efetuar o pagamento em cheque nominal ao motorista, acabou por admitir que não tem condições de comprovar a efetividade do pagamento a quem de direito (produtor/fornecedor). (Grifouse). Do exposto verificase que existe uma pequena parte dos cheques que efetivamente foi emitida em nome dos produtores rurais. A fiscalização, contudo, mateve a glosa de tais valores, sob o entendimento de que “a mera existência de um cheque em nome de um produtor rural que teve suas notas fiscais declaradas inidôneas, principalmente quando é a menor parcela, não é suficiente para comprovar que a operação existiu e foi efetivamente paga”. Nesse ponto, entendo que o glosa não merece prosperar, já que os cheques foram emitidos e compensados pelos produtores rurais, demonstrando a vinculação do pagamento efetuado com as notas fiscais consideradas inidôneas. Com relação aos demais cheques não é possível concluir que a operação não existiu. O Recorrente não deve ser penalizada pela situação de inatividade de alguns fornecedores perante a RFB. Além disso, o segundo argumento só demonstra que não foi possível comprovar qualquer pagamento em nome das pessoas jurídicas fornecedoras, mas não afasta a comprovação de que a Recorrente efetivamente arcou com os custos da aquisição do insumo. Assim, os argumentos da fiscalização devem ser encarados apenas como indícios de uma operação irregular, mostrandose incapazes de justificar a glosa do custo registrado na nota fiscal emitida por tais pessoas jurídicas. Ademais, deve ser levado em conta que as provas nos autos demonstram que houve transporte da mercadoria e pagamentos pulverizados a diversas pessoas. Notese, aliás, que também existem indícios de que a mercadoria entrou no estabelecimento do Recorrente Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 10680.725211/201081 Acórdão n.º 1402001.207 S1C4T2 Fl. 12 11 Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 13864.000198/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
ALEGAÇÕES NÃO RELACIONADA À LAVRATURA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não merecem apreciação as alegações que não guardem relação com a lavratura sob enfoque.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E/OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis relacionadas à auditoria fiscal, bem como se recusar a fornecer os esclarecimentos necessários ao bom desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. ALEGAÇÕES NÃO RELACIONADA À LAVRATURA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não merecem apreciação as alegações que não guardem relação com a lavratura sob enfoque. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 98 /2 00 9- 50 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000198/200950 Acórdão n.º 2401002.765 S2C4T1 Fl. 103 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.226.2058, lavrado contra o sujeito passivo acima para exigência de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar documentos solicitados pela Auditoria Fiscal. De acordo com o relatório fiscal da infração, malgrado tenha sido regularmente intimada em 02/03/2009 e 01/04/2009, a fls. 26/31, a empresa deixou de apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes na conta contábil “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES”. Afirmase que a empresa foi intimada a esclarecer a origem dos registros contábeis, tendo informado que se tratavam de pagamentos de despesas de viagens de sócios e diretores da empresa, bem como reembolso de despesas de caráter comercial, todavia, não apresentou os comprovantes dos referidos desembolsos. Cientificada do lançamento em 24/04/2009, a empresa ofertou impugnação, na qual, alegou que sempre agiu de boafé, colaborando com os trabalhos de fiscalização, conforme documentos acostados às fls. 95/97. Asseverou que o Fisco, ao utilizarse de presunção para fazer incidir contribuições sobre parcelas insuscetíveis de tributação, feriu o princípio da legalidade. Afirma que a existência de despesas não comprovadas pode dar origem à glosa das mesmas, com lançamento de IRPJ e CSLL, jamais a incidência de contribuições previdenciárias. Sustenta que se a Autoridade Fiscal não conseguiu nominar os segurados que receberam a suposta remuneração, é porque não houve tais pagamentos. A autuada assevera que o fisco não conseguiu demonstrar a ocorrência do fato gerador e estabeleceu uma inadmissível inversão do ônus da prova. A resposta à intimação, remetida em 24/03/2009, afirma, expressamente consigna que as despesas em tela foram para fazer face a viagens de sócios da empresa, o que foi ignorado. Mesmo que se admita a presunção ilegalmente construída pelo Fisco, sustenta que não haverá de incidir contribuições sobre as supostas diárias de viagem, uma vez que não restou comprovado que as mesmas ultrapassaram o patamar de 50% da remuneração dos segurados. Advoga não ser possível tomar as despesas como base de cálculo de contribuições, uma vez que não se tem como individualizar os segurados e, por conseguinte, prestar as informações na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não prosperando os lançamentos da obrigação principal, devem também ser canceladas as multas por descumprimento de obrigação acessória, posto que todos os AI lavrados na ação fiscal guardam conexão. Afirma ainda que agiu com boafé tendo atendido a todas as solicitações do fisco. Posteriormente, a empresa atravessou petição requerendo, em complemento à sua impugnação, que a multa decorrente da falta de informação de fatos geradores em GFIP seja calculada conforme o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário (ver fls. 153/155 do processo n.º 13864.000195/200916). Entendeu o órgão de primeira instância que a empresa em nenhum momento apresentou qualquer documento, cuja omissão resultou na presente lavratura. Por esse motivo, concluiu ser procedente a autuação. Inconformada a empresa interpôs recurso voluntário, no qual repete as alegações da defesa e pede: a) julgamento conjunto de todos os AI lavrados na mesma ação fiscal; b) declaração de improcedência dos lançamentos; c) o recalculo da multa para o AI relacionado à omissão de fatos geradores na GFIP para que seja aplicado o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000198/200950 Acórdão n.º 2401002.765 S2C4T1 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião de processos para julgamento conjunto Estão sendo julgados nessa sessão de julgamento todos os outros processos lavrados na ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, quais sejam: a) AI n.º 13864.000195/200916 – exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social; b) AI n.º 13864.000196/200961– exigência de contribuições dos segurados; c) AI n.º 13864.000197/200913 – exigência de contribuições destinados a outras entidades e fundos; d) AI n.º 13864.000199/200902 – aplicação de multa por descumprimento da obrigação de declarar todos os fatos geradores em GFIP. Da ocorrência da infração A empresa, na defesa e no recurso, trata com mais ênfase de pontos que não interessam ao deslinde da questão. Presunção de fatos geradores, não incidência de contribuições sobre diárias, incoerência com legislação do IRPJ, falta de individualização dos segurados, etc. são argumentos que não se relacionam com a presente autuação. Na verdade, o que interessa para solucionar o mérito da contenda é saber se o Fisco intimou a empresa a apresentar os comprovantes dos lançamentos contábeis agrupados na conta “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES” e se os mesmos foram ou não exibidos. Uma leitura dos autos é suficiente para revelar que houve a intimação pessoal para a exibição dos referidos elementos, ver fls. 26/31. A autuada, malgrado afirme que sempre agiu com boafé, atendendo a todas as solicitações do Fisco, não trouxe aos autos os documentos que o Fisco afirma terem sido sonegados. Também não consta qualquer recibo comprobatório de que a Autoridade Fiscal tenha tido acesso a esses papéis. Não há dúvida de que a conduta da empresa feriu o inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Observese que órgão de primeira instância foi categórico ao se pronunciar sobre a ocorrência da infração, utilizando os seguintes termos: Não obstante a impugnante tenha informado em sua resposta A Fiscalização que tenha apresentado os documentos de suporte, por amostragem, esta informação não corresponde A verdade. A AuditoraFiscal relata que nenhum destes documentos lhes foi apresentado, o que a levou a proceder com nova intimação. A impugnante alega que juntou documentos que comprovariam o atendimento ao Fisco. Todavia, nenhum documento que de suporte aos lançamentos contábeis foi juntado aos autos. Sobre essas palavras a empresa não trouxe qualquer elemento que pudesse colocar em cheque as conclusões da DRJ. Dúvida não há, então, de que efetivamente a infração se configurou. Quanto ao pedido para aplicação do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, não é pertinente para a autuação sob análise, posto que esse dispositivo é específico para infrações relacionadas à obrigação acessória de apresentar a declaração de fatos geradores e outras informações por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009683/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.150,00, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.150,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2006, por meio do qual se exige da contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 16.729,65. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 96 83 /2 00 8- 13 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.009683/200813 Acórdão n.º 2801002.799 S2TE01 Fl. 99 2 O lançamento é decorrente da apuração de deduções indevidas a título de despesas médicas e contribuição à previdência privada e Fapi. Em sua impugnação, a contribuinte junta documentação para comprovar as despesas declaradas. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 50/56, para restabelecer as deduções de previdência privada no valor de R$ 706,56 e de despesas médicas no valor de R$ 912,00. Regularmente cientificada daquele acórdão em 04/07/2011 (fl. 61), a interessada, representada por seus advogados (fl. 73), interpôs recurso voluntário de fls. 63/72.7, em 03/08/2011. Em sua defesa, alega que a apresentação de declarações dos profissionais que prestaram serviço, em anexo, sana todos os vícios que foram apresentados pela autoridade julgadora, razão pela qual requer sejam excluídas todas as glosas referentes a: Dra.. Ludmila Heitor de Paula (R$ 4.000,00); Dr. Alexandre Arantes Machado (R$ 12.000,00); Dra. Deise Dantas Ataíde (R$ 2.000,00); Dr. Hamilton Mendes de Souza (R$ 2.250,00); Dra. Lorena Costa de Almeida (R$ 2.900,00), totalizando R$ 28.834,00 com a consequente redução e/ou exclusão do imposto, multa e demais acréscimos legais. Em relação à Dra. Carolina Ponciano Monteiro (R$ 5.000,00), afirma não foi possível conseguir a declaração, pois a referida profissional reside em outro Estado. Informa, porém que ela própria foi a beneficiária do serviço prestado pela Psicóloga/Psicoterapia, e, ainda, que o endereço em que a psicóloga prestou o serviço é na Avenida Ismerino S. Carvalho, n°. 673 Setor Aeroporto. Com isso, entende estarem sanados todos os vícios apresentados, pelo que requer também o restabelecimento da glosa no valor de R$ 5.000,00. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa de despesas médicas, referentes aos profissionais Ludmila Heitor de Paula (R$ 4.000,00), Alexandre Arantes Machado (R$ 12.000,00), Deise Dantas Ataíde (R$ 2.000,00), Hamilton Mendes de Souza (R$ 2.250,00), Carolina Ponciano Monteiro (R$ 5.000,00) e Lorena Costa de Almeida (R$ 2.900,00), que foi motivada por falta de comprovação decorrente do não atendimento à intimação. A decisão recorrida assim justificou a manutenção das referidas glosas: · Ludmila Heitor de Paula _ sem indicação do beneficiário e sem endereço; · Alexandre Arantes Machado _ sem indicação do beneficiário; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.009683/200813 Acórdão n.º 2801002.799 S2TE01 Fl. 100 3 · Deise Dantas Ataíde _ sem indicação do beneficiário e registro profissional ilegível; · Hamilton Mendes de Souza _ sem indicação do beneficiário e sem endereço; · Carolina Ponciano Monteiro _ sem indicação do beneficiário e sem endereço; · Lorena Costa de Almeida _ sem indicação do beneficiário e sem endereço. A recorrente apresenta, às fls. 79/89, declarações dos prestadores de serviço Ludmila Heitor de Paula, Alexandre Arantes Machado, Deise Dantas Ataíde, Hamilton Mendes de Souza e Lorena Costa de Almeida (R$ 2.900,00), as quais suprem as faltas verificadas pela decisão recorrida, reconhece sua autoria e confirma a prestação dos serviços e o respectivo recebimento. Portanto, devem ser restabelecidas as correspondentes deduções que montam R$ 23.150,00. Quanto às faltas verificada nos recibos emitidos por Carolina Ponciano Monteiro (R$ 5.000,00), não foram anexados documentos que suprissem as faltas verificadas pelo Fisco. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2o , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados. D acordo com o § 2°, incisos III e IV do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Assim, considero que os recibos de fls. 18/22 não atenderam às exigências apontadas pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a glosa das correspondentes despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.150,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.009683/200813 Acórdão n.º 2801002.799 S2TE01 Fl. 101 4 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10880.045445/96-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1994
BENEFÍCIO FISCAL. LEI N° 10.637/2002. PAGAMENTO, POR PARTE DO CONTRIBUINTE, DE GRANDE VALOR. BOA-FÉ. MERO ERRO DE CÁLCULO CARACTERIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. AUTUAÇÃO QUE SOMENTE PODERIA RECAIR SOBRE A PARCELA DO DÉBITO NÃO PAGO, PROPORCIONALMENTE.
Se o contribuinte, para aderir ao benefício previsto na Lei n° 10.637/2012, renuncia aos direitos discutidos e efetua pagamento de grande monta, o mero erro de cálculo desse valor não pode ocasionar a sua exclusão do benefício. A autuação somente pode recair sobre o valor não pago, de forma proporcional.
Numero da decisão: 9101-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1994 BENEFÍCIO FISCAL. LEI N° 10.637/2002. PAGAMENTO, POR PARTE DO CONTRIBUINTE, DE GRANDE VALOR. BOA-FÉ. MERO ERRO DE CÁLCULO CARACTERIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. AUTUAÇÃO QUE SOMENTE PODERIA RECAIR SOBRE A PARCELA DO DÉBITO NÃO PAGO, PROPORCIONALMENTE. Se o contribuinte, para aderir ao benefício previsto na Lei n° 10.637/2012, renuncia aos direitos discutidos e efetua pagamento de grande monta, o mero erro de cálculo desse valor não pode ocasionar a sua exclusão do benefício. A autuação somente pode recair sobre o valor não pago, de forma proporcional.
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LEI N° 10.637/2002. PAGAMENTO, POR PARTE DO CONTRIBUINTE, DE GRANDE VALOR. BOAFÉ. MERO ERRO DE CÁLCULO CARACTERIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO. AUTUAÇÃO QUE SOMENTE PODERIA RECAIR SOBRE A PARCELA DO DÉBITO NÃO PAGO, PROPORCIONALMENTE. Se o contribuinte, para aderir ao benefício previsto na Lei n° 10.637/2012, renuncia aos direitos discutidos e efetua pagamento de grande monta, o mero erro de cálculo desse valor não pode ocasionar a sua exclusão do benefício. A autuação somente pode recair sobre o valor não pago, de forma proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 04 54 45 /9 6- 66 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Conforme o relatório do órgão a quo: “A petição do sujeito passivo que deu início ao processo (fls. 1/3) informa a existência de provimento judicial referente à diferença IPC/BTNf no anocalendário de 1991 e como decorrência, a existência de crédito relativo às antecipações recolhidas (396.958,75 Ufir) e ILULI (926,41 Ufir). Além disso existiria crédito com origem no recolhimento parcial da primeira cota do IRPJ desse anocalendário efetuado mediante dois pagamentos totalizando 1.394.619,50 Ufir. Informou ainda o sujeito passivo que o crédito referente às antecipações e ao recolhimento parcial da primeira cota do IRPJ, totalizando 1.791.578,25 Ufir, foi utilizado para compensar parte do IRPJ referente ao mês de maio de 1994, conforme demonstrativo de fl. 50. Nessa petição, requer a suspensão no sistema de contas corrente da Receita Federal, do débito do IRPJ de maio de 1994 que foi compensado, e dos valores do IRPJ informados na Declaração de Rendimentos referente ao anocalendário de 1991, até o trânsito em julgado da ação judicial que gerou o crédito. Posteriormente, optou pelo usufruto do beneficio estabelecido no art. 13 da Lei n° 10.637/2002, desistiu da ação e efetuou o recolhimento do que seria o débito resultante dessa desistência. Com a desistência, retornase à situação anterior com valores devidos do IRPJ apurado na Declaração de Rendimentos do exercício de 1992 e o saldo desse imposto referente a maio de 1994, pois não haveria mais crédito a ser compensado.” O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 139/143). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação (fls. 149/164), nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 420DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 4 3 Anocalendário: 1991, 1994 Ementa: BENEFÍCIO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES IMPOSTAS. INDEFERIMENTO. Não merece reparos a decisão administrativa que firmou o indeferimento do direito à fruição de beneficio fiscal, uma vez demonstrado o não cumprimento de todos os requisitos exigidos para seu gozo. Solicitação Indeferida O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 171/188). A antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 300/311) deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, para limitar a perda do benefício da Lei n° 10.637/2002 à parcela não quitada. Eis a ementa do julgado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1991, 1994 Ementa: NORMA EXONERATIVA — Interpretações "tudo ou nada" não contempladoras de gradações entre diversas possíveis situações que se diferenciam significativamente entre si sob aspectos que merecem relevância jurídica, afrontam a Razoabilidade, freqüentemente, com agudeza sem par. Assim, deve ser assegurado o gozo dos benefícios estabelecidos pela Lei n° 10.637/02, na proporção dos valores parcialmente pagos. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs, então, o presente recurso especial, com fundamento em violação ao artigo 13 da Lei n° 10.637/2002 e artigo 2° da Portaria SRF/PGFN n° 07/2003 (fls. 316/343). Argumentou que: 14. A contribuinte alegou que "não se encontra em qualquer passagem da r. decisão ou tampouco em documento constante do processo administrativo, qualquer demonstração no sentido de que o referido montante guardasse relação com a discussão judicial'. Não há como se concordar com tal afirmação, pelos motivos a seguir aduzidos: a) no requerimento protocolizado em 19/12/96, a requerente informa, em seu item 5 (fl. 02), ter procedido à "compensação no imposto de renda devido no mês de maio de 1994, com vencimento em 30 de junho de 1994, o valor de 396.958,75 UFIR, correspondente à restituição apurada com os efeitos do Mandado de Segurança". b) à folha 50, aparece "Demonstrativo do IRPJ 'Mês de Maio/94". c) Como efeito da liminar concedida no Mandado de Segurança n° 92.00503284, o valor inicialmente apurado de "IRPJ a Pagar" referente ao AC 1991, no montante de 9.673.263,12 UFIR, passou a somar 396.958,75 UFIR, negativos, valor este Fl. 421DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 5 4 compensado com aquele apurado para o mês de maio/94, com vencimento em junho de 1994 (fls. 02 e 50). d) Esta compensação se deu como reflexo direto da medida judicial, sendo que o débito indevidamente compensado em 94 inserese na previsão "débitos de qualquer natureza" contida no caput do artigo 11 da MP n° 2.15835/2001, que dispõe: e) Portanto, claro está que há relação entre o IRPJ devido e não recolhido (no montante original) referente a maio/94 e o Mandado de Segurança n° 92.00503284, ação judicial da qual desistiu a requerente (fls. 67, 68, 94, 95, 96 e 97), em conformidade com § 1° do art. 13 da Lei n° 10.637/02 e § 30 do art. 30 da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 07103. 15. O contribuinte, ainda em relação a este tema, postula pela ocorrência da homologação tácita da compensação e conseqüente extinção do crédito, uma vez que ela se refere a maio de 1994 e o prazo de decadência consoante determina o § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional é de 05 anos a contar do fato gerador. 16. Neste ponto, considerando que a origem do crédito tributário é o imposto de renda devido no mês de maio de 1994, com vencimento em 30 de junho de 1994 (fl. 02) e que houve entrega de DIRPJ (fl. 147) que como vimos, representa confissão de divida não há que se falar em decadência. O que se poderia cogitar, nesta hipótese, seria a possibilidade de ocorrência do instituto da prescrição (...) 18. Uma vez que o valor utilizado pelo contribuinte para compensar o crédito tributário relativo ao mês de maio de 1994 (imposto de renda) teve origem na concessão de medida liminar no Mandado de Segurança n° 92.00503284, não poderia, a Receita Federal, promover cobrança deste valor enquanto perdurassem os efeitos da referida concessão, que somente cessaram em 23/06/2003 (fls. 96 e 97), após a homologação da desistência da ação judicial em tela. 19. De se notar que o contribuinte não contesta a afirmação de não ter havido o recolhimento do valor devido a titulo de imposto de renda relativo ao mês de maio de 1994, na parte referente ao saldo de IRPJ aferido na DIRPJ 1992/AC 91 como resultado da aplicação da autorização contida na liminar. 20. Portanto, concluise que não ocorreu também a prescrição. 21. Por último, assevera que os cálculos efetuados pelo contribuinte decorreram da interpretação que se deu à norma exonerativa, o que, a seu ver, comportaria—duas interpretações, a saber: a) "a de que, sendo o termo inicial, o mês de fevereiro de 1999, deverseia tomar a cumulação da taxa a partir do mês de março de 1999, do que resultaria o percentual de 69,39%; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 6 5 b) a de que, havendo sido exonerados os juros até o mês de janeiro de 1999, a cumulação da taxa deveria se dar a partir do mês de fevereiro de 1999, do qual resultaria o percentual de 71,77 %". 22. Neste item, cabe ressaltar que a dúvida somente poderia se dar no caso de uma análise equivocada da Lei. Vejamos o que vem disposto no § 2° do seu artigo 13: "Na hipótese de que trata este artigo, serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999, sendo exigido esse encargo, na forma do § 4 2 do art. 17 da Lei n2 9.779, de 19 de janeiro de 1999, acrescido pela Medida Provisória rr2 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a partir do mês: de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos". (grifei) 23. Portanto, como no caso em tela estamos tratando de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999, claro está que os juros de mora são exigidos (devidos) a partir de fevereiro de 1999. 24. Notese que a parte inicial do parágrafo referese ao pagamento, e não ao mês de referência (fato gerador), ao dizer "serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999'. Esse inclusive o sentido do inciso II ao definir que o encargo é exigido a partir do mês seguinte ao da ocorrência do fato gerador. 25. A dúvida levantada pelo contribuinte não se justifica. No entanto, admitindoa apenas para argumentar e imaginando haver interesse do requerente em usufruir do beneficio previsto no artigo 13 da Lei n° 10.637/2002, possuía este dois caminhos a percorrer: formular consulta à SRF (regulada pelo Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, arts. 46 a 53; pela Lei n° 9.430, de 27/12/1996, arts. 48 a 50 e pela IN SRF n° 230/2002) visando dirimila elou recolher pelo valor maior solicitando, posteriormente, restituição no caso da consulta ou do entendimento pacificado se fixar pelo índice menor. Em não o fazendo, optou por assumir os riscos que sua decisão com probabilidade de se mostrar equivocada pudesse lhe trazer. 26. Deste modo, não tendo sido recolhido o montante integral do débito conforme determinado no art. 30 da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 0712003 correta a decisão da Autoridade Administrativa de 1 a instância ao entender que neste item não foi atendida a condição estabelecida pela norma legal em referência. 27. Concluindo e concordando com o contribuinte ao dizer que "a anistia como verdadeiro favor fiscal, merece receber interpretação restritiva de sorte a que, não preenchidos os requisitos da norma concessiva do favor restaurase o débito primitivo, deveria ter sido JULGADO IMPROCEDENTE "IN Fl. 423DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 7 6 TOTUM" a pretensão da contribuinte e mantida a r. decisão de 1 a instâncias de NÃO CONCEDER o beneficio previsto na Lei n° 10.637/2002, devendose prosseguir na cobrança do saldo remanescente, considerados os valores já pagos. 28. Ao entender diversamente, o v. acórdão ora recorrido acabou por malferir o artigo 13 da Lei n° 10.63712002, além dos artigos 2° e 30 da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 07/2003 e artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 361/370). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente indicou os dispositivos legais que reputa violados. Segundo a recorrente, a decisão combatida afrontou o artigo 13 da Lei n° 10.637/2002 , que dispõe no seguinte sentido: Art. 13. Poderão ser pagos até o último dia útil de janeiro de 2003, em parcela única, os débitos a que se refere o art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, vinculados ou não a qualquer ação judicial, relativos a fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002. § 1o Para os efeitos deste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os tributos a serem pagos e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se fundam as referidas ações. § 2o Na hipótese de que trata este artigo, serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999, sendo exigido esse encargo, na forma do § 4o do art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, acrescido pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a partir do mês: I de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; II seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos. § 3o Na hipótese deste artigo, a multa, de mora ou de ofício, incidente sobre o débito constituído ou não, será reduzida no Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 8 7 percentual fixado no caput do art. 6o da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991. § 4o Para efeito do disposto no caput, se os débitos forem decorrentes de lançamento de ofício e se encontrarem com exigibilidade suspensa por força do inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, o sujeito passivo deverá desistir expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou do recurso interposto. E artigos 2° e 3° da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 07/2003: Art. 2º Os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa da União, vinculados a ação judicial ajuizada até esta data, bem assim os não vinculados a qualquer ação judicial, poderão ser pagos em parcela única, no período 31 de dezembro de 2002 a 31 de janeiro de 2003, da seguinte forma: I com redução no percentual de cinqüenta por cento dos valores devidos a título de multa, de mora ou de lançamento de ofício, como previsto no caput do art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; II com dispensa dos juros de mora devidos até janeiro de 1999, observada a exigência desse encargo a partir do mês: a) de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999; b) seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, nos demais casos. § 1º O disposto no caput aplicase inclusive a débito constante de processo regular de parcelamento, para liquidação do saldo devedor remanescente. § 2º Na hipótese do parágrafo 1º, o valor a pagar a título de multa deverá ser ajustado, de forma a corresponder a cinqüenta por cento do valor originalmente devido, quando já tiver ocorrido redução em percentual distinto, em virtude do parcelamento concedido. Débitos vinculados a ação judicial Art. 3º Nos casos de débitos vinculados a ação judicial, para usufruto do benefício de que trata o art. 2º, o sujeito passivo deverá: I – efetuar, no prazo estabelecido no art. 2º, o pagamento integral do débito; II – protocolizar, até 28 de fevereiro de 2003, requerimento administrativo dirigido ao titular da unidade da SRF ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 9 8 jurisdição sobre seu domicílio fiscal, conforme o caso, que decidirá sobre o pedido, de acordo com o modelo constante do Anexo I, instruído com: a) prova do respectivo pagamento; b) declaração de desistência expressa e irrevogável das ações judiciais relativas aos tributos e às contribuições, cujos débitos serão pagos, e de renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. § 1º Admitirseá desistência parcial, desde que o débito correspondente possa ser distinguido daquele que se vincular à ação remanescente. § 2º A declaração de que trata a alínea "b" do inciso II, de acordo com o modelo constante do Anexo II, deverá ser acompanhada da 2ª via da correspondente petição de desistência, devidamente protocolizada no juízo ou tribunal em que a ação estiver em andamento. § 3º O sujeito passivo deverá entregar à unidade da SRF ou da PGFN, conforme o caso, cópia das decisões homologatórias das referidas desistências, no prazo de trinta dias da data de sua publicação. Entendo, contudo, que não houve a violação à legislação tributária alegada. Com efeito, no presente caso, conforme se depreende dos documentos de fls. 94/96 dos autos, o contribuinte renunciou, expressamente, aos direitos discutidos nos autos do Processo n° 92.00503284. Em 31/01/2003, o contribuinte efetuou o recolhimento de R$ 15.804.991,00. Posteriormente, no entanto, a DINF proferiu decisão, no âmbito do processo administrativo em questão, afastando o contribuinte do benefício previsto na Lei n° 10.637/2002, que o levou a efetuar o pagamento acima, e intimandoo a recolher R$ 4.901.998,64 e R$ 7.492.728,70, valores estes decorrentes do desenquadramento do benefício, sobre os seguintes fundamentos: a) erro no cálculo dos juros de mora; b) não recolhimento do valor de 1.791.578,25 UFIR, importância relativa à compensação realizada pelo contribuinte em 1994, baseada em proferidas nos autos do processo judicial em questão. Pois bem, no que se refere à diferença apurada, não se pode aquiescer com a tese que o equívoco no cálculo dos juros de mora possa ocasionar a exclusão do contribuinte do benefício. Com efeito, não podem ser desconsiderados dois fatores de extrema relevância para o presente caso. Primeiro, que o contribuinte renunciou e desistiu, justamente para aderir ao benefício, de ação judicial em que defendia direito seu. E isto porque, justamente, a lei que prevê o benefício, demandava tal renúncia. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 10 9 Por outro lado, o fato de que, efetivamente, o contribuinte procedeu ao pagamento de um valor considerável (R$ 15.804.991,00) para verse livre da cobrança do crédito tributário. Ora, diante disso, o mero erro no cálculo não pode importar desenquadramento do benefício. Neste sentido, é de se ter que os dispositivos acima transcritos, cuja violação constitui o fundamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, não estabelecem, em momento algum, que o equívoco no cálculo do valor a ser recolhido importaria em afastamento do contribuinte do benefício. Se não existe uma tal previsão, não cabe ao Fisco, que se rege sobretudo pelo princípio da legalidade, desenquadrar o contribuinte do benefício legal. Seria mesmo irrazoável admitirse isso, tendo em vista que o contribuinte, no presente caso concreto, agiu imbuído de boafé, tendo a legítima expectativa de usufruir dos benefícios previstos pela Lei n° 10.637/2002. Ressaltese: uma a realidade em que o contribuinte, a fim de gozar do benefício legal, recolhe uma parte ínfima do débito; outra a situação em que o contribuinte efetua um recolhimento de milhões de reais, de grande parte do débito. Aqui, podese compreender claramente que o não recolhimento integral do débito deuse por um mero equívoco, sem intenção de burlar o fisco. Quando o valor recolhido é tal que não denota a existência de um mero erro de cálculo, aí sim, cabe a exclusão do benefício, pois que, neste caso, a própria razão de ser do benefício legal estaria sendo quebrada. Isto não quer dizer que, em relação aos valores não recolhidos devidamente pelo contribuinte, não possa incidir a autuação. Mas esta deve darse de forma proporcional a estes valores, e não sobre o total, incluindo aquilo que já foi pago. Insta salientar que na sessão ocorrida em 06 de novembro de 2012, a Egrégia 2ª. Turma da CSRF, por unanimidade de votos, julgou caso similar, Acórdão 920202.850, processo 16327.000464/9888, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994 REDUÇÃO DE MULTA E JUROS REGRA DO ARTIGO 17 DA LEI N° 9.779/99 E DO ARTIGO 11 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835/2001 ALCANCE. O artigo 17 da Lei n° 9.779/99, combinado com o artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, autorizou o contribuinte a efetuar, até 30/09/1999, o pagamento do tributo com benefícios de dispensa/redução de multa e juros com relação aos fatos geradores objeto de processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998. No caso, o contribuinte não pagou a totalidade do débito exigido neste feito no prazo estabelecido por tais normas. Conseqüentemente, o saldo não Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 11 10 recolhido no prazo e apenas ele está sujeito à incidência integral dos acréscimos legais. Recurso especial negado. O Eminente relator Gonçalo Bonet, assim se manifestou: De fato, ainda que a Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002 esteja relacionada à Medida Provisória n° 38/2002, que perdeu a eficácia, ela é expressa, nos §§ 1° e 6°, do artigo 4°, ao determinar que, para a hipótese de pagamento integral (e não parcelado), o recolhimento insuficiente implicaria exigibilidade apenas do saldo não pago, sendo que integralidade dos acréscimos legais incidiria unicamente sobre os valores não pagos. Entendo que tal orientação da RFB/PGFN é plenamente aplicável a este feito, pois as situações fáticas do caso em apreço e daquele previsto nos §§ 1° e 6°, do artigo 4°, da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002, são bastante semelhantes, para não dizer idênticas. No caso, cumpre insistir, a autuada pagou mais de 95% do débito dentro do prazo previsto no artigo 11 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, qual seja, 30/09/1999, de modo que não seria razoável que a integralidade dos acréscimos legais incidisse, inclusive, sobre os valores devidamente recolhidos. Apenas os valores pagos após 30/09/1999 estão sujeitos à incidência integral dos acréscimos legais, de modo que, sob minha ótica, a decisão recorrida merece ser confirmada. A referida decisão reforça o meu entendimento aqui esposado. Por outro lado, no que tange à compensação efetuada em 1994, é de se ter que o acórdão recorrido foi proferido no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para limitar a perda do benefício à parcela do débito não quitada. Desta forma, caberia ao contribuinte interpor recurso especial, no que tange à compensação efetuada concernente ao ano de 1994, pois que ele sim sucumbiu na discussão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 201220 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10880.045445/9666 Acórdão n.º 9101001.511 CSRFT1 Fl. 12 11 Susy Gomes Hoffmann Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10680.721001/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, A, LEI Nº 8.212/91.
De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI Nº 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 10 01 /2 01 0- 13 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721001/201013 Acórdão n.º 2401002.750 S2C4T1 Fl. 127 3 Relatório GEORANDAR LEVANTAMENTOS GEOFÍSICOS SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 0232.739/2011, às fls. 73/79, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, em relação às competências 01/2006, 06/2006, 07/2006 e 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/06, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 18/05/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.410,79 (Um mil, quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a empresa deixar de arrecadar a contribuição dos segurados empregados, mais precisamente os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, bem como dos contribuintes individuais, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal – parte dos segurados) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.5987 – Processo n° 10680.721000/201079. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 85/95, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo, com a devida delimitação da matéria em debate, contrapõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que as parcelas pagas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados não podem ser consideradas remunerações e, por conseguinte, indevida a inclusão no salário de contribuição, face aos preceitos inscritos no artigo 7º, inciso XI, da CF, c/c artigo 22 da Lei nº 8.212/91, os quais excluem tais importâncias da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tratandose de uma verdadeira imunidade objetiva. Corroborando o acima exposto, suscita que o legislador, através do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, entendimento, esse, reforçado pela Lei nº 10.101/2000, bem como pela jurisprudência de nossos Tribunais, impondo seja decretada a improcedência do feito. Sustenta que a própria argumentação da fiscalização constante do Relatório Fiscal é contraditória, uma vez admitir que os critérios acima atendem as condições Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 estabelecidas pela Lei n° 10.101/2000, promovendo o lançamento, no entanto, a pretexto da ausência de programas e metas, resultados e prazos pactuados previamente, em total afronta as provas dos autos que demonstram que o programa PLR adotado pela empresa e seus empregados é claro ao fixar as metas e condições. Acrescenta que os valores ora tributados dizem respeito a Acordos firmados entre a empresa e comissão de seus empregados realizados em 08/06/2005, recebido e homologado pela entidade sindical em 24 de agosto de 2005, suprindo a exigência da participação sindical nas tratativas, não se cogitando em contrariedade às disposições legais que regem a matéria. Opõese à pretensão fiscal, aduzindo para tanto que o programa de PLR da recorrente apresenta mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, ao contrário do que restou assentado no Relatório Fiscal, sobretudo por ter havido negociação da forma com que se daria a repartição de seus lucros com os seus funcionários, estando devidamente previsto no Termo de Aceita e Implantação do Programa de PLR, o qual, reitere se, foi devidamente registrado e homologado pela entidade sindical. Explicita que o instrumento de acordo optou pela previsão de apuração de resultados, estando, portanto, perfeitamente observado a exigência legal de negociação entre as partes quanto à divisão dos lucros da empresa, e fixação de critérios e regras claros e objetivos, e de conhecimento prévio dos empregados, não havendo dúvidas de que os lucros foram distribuídos nos termos do acordado. Arremata, inferindo que à época a recorrente tinha somente a PETROBRÁS como cliente, sendo que os BAD’s (Boletim de Avaliação de Desempenho) adotados para apuração da PLR restringemse aqueles efetivamente recebidos. Em defesa de sua pretensão, defende que no caso recorrente fora escolhida a Comissão de Empregados com a interveniência do sindicato da classe, notadamente verificada quando da aposição do despacho homologatório do Programa de PLR, como ficou demonstrado nos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721001/201013 Acórdão n.º 2401002.750 S2C4T1 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva da peça vestibular do feito, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a empresa deixar de arrecadar a contribuição dos segurados empregados, mais precisamente os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, bem como dos contribuintes individuais, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal – parte dos segurados) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.5987 – Processo n° 10680.721000/201079, Nesse contexto, a contribuinte foi autuada com fundamento no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do lançamento como pretende a recorrente. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, insurgindose contra a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados. Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência fiscal consubstanciada no AI n° 37.281.5987 (parte segurados) – Processo n° 10680.721000/201079, onde o Fisco promoveu os lançamentos exigindo as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim caracterizadas (em relação aos empregados) as importâncias pagas a título de PLR em desconformidade com a legislação de regência, fatos geradores não declarados em GFIP’s. Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata acima mencionada. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de arrecadar a totalidade das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas respectivas remunerações, às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais. Ocorre que, incluído nesta mesma pauta de julgamento, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem negar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° n° 10680.721000/201079 (AI n° 37.281.5987), mantendo a tributação sobre os valores pagos aos funcionários da empresa a título de PLR, e sobre as remunerações dos contribuintes individuais, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA – PLR. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. PARTICIPAÇÃO DO Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10680.721001/201013 Acórdão n.º 2401002.750 S2C4T1 Fl. 129 7 REPRESENTANTE DA ENTIDADE SINDICAL NA COMISSÃO COMPETENTE. NECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados – PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica – artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, não obstante a contribuinte ter comprovado a existência de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, deixou de observar/cumprir a necessária participação de representante da entidade sindical da categoria na comissão eleita pelos segurados empregados e empresa para elaborar o programa da PLR. Recurso Voluntário Negado.” Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal incidente sobre as verbas pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados e remunerações dos contribuintes individuais, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, como pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19647.021628/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007
Revisão Aduaneira
Na medida em que a classificação fiscal da mercadoria importada é declarada pelo importador, não se pode equiparar a mudança de critério jurídico com o procedimento de revisão aduaneira que conclua por classificação fiscal diversa, sobretudo quando o despacho aduaneiro foi parametrizado no canal verde, no qual não há qualquer conferência da mercadoria importada. Não há que se confundir revisão aduaneira, prevista no art. 54 do Decreto-Lei nº 37 de 1966, com revisão de ofício, prevista no art. 149 do Código Tributário Nacional.
Aplica-se a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBNI/TIPI viventes (Lei n° 9.430 de 1996).
As mercadorias classificadas incorretamente na NCM/TEC, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 30.12.2003 (DIs. registradas a partir de 2005), cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.158-35 de 2001, combinada com a Lei n° 10.833 de 2003.
Numero da decisão: 3201-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 14/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Aparelhos de Raios X para usos médicos e cirúrgicos, de diagnóstico, para procedimentos vasculares, ortopédicos, urológicos, gastrointestinais etc, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, classificamse no código 9022.14.19 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pelas Resoluções Camex nºs 42 de 2001 e 41 de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Falta de recolhimento. Desclassificação de Mercadoria. Multas. Constatado o não recolhimento do imposto de importação no registro das Declarações de Importação, em função da classificação incorreta das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 16 28 /2 00 8- 37 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 mercadorias na NCM/TEC, cabe o lançamento do imposto, nos termos do Decreto n° 4.543 de 2002, Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, Lei n° 10.833 de 2003. Aplicase a multa de 75% sobre o II que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cujos fatos geradores do imposto ocorreram de 2005 a 2007, nos termos da Lei 9.430 de 1996, combinada com a MP no 351 de 2007 e a Lei n° 11.488 de 2007. As mercadorias classificadas incorretamente na NCM/TEC, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 30.12.2003 (DIs. registradas a partir de 2005), cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, combinada com a Lei n° 10.833 de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Constatado o recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados incidente sobre mercadorias importadas classificadas incorretamente, e reclassificadas para o código 9022.14.19 da NBM/TIPI, objeto de Adições das Declarações de Importação de 2005 a 2007, cabe o lançamento da diferença desse imposto, nos termos dos Decreto n° 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença do IPI que deixou de ser recolhida, relativamente às mercadorias objeto de Adições das DIs registradas de 2005 a 2007, em razão de sua classificação incorreta na NBM/TIPI, nos termos da Lei n°. 4.502 de 1964, com a redação das Leis nºs 351 e 11.488 de 2007, e da Lei n° 9.430 de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Em razão da diferença de alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865 de 2004 c/c Decreto n° 4.543 de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes (Lei n° 9.430 de 1996). Fl. 937DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 937 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto nº 4.543 de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBNI/TIPI viventes (Lei n° 9.430 de 1996). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Revisão Aduaneira Na medida em que a classificação fiscal da mercadoria importada é declarada pelo importador, não se pode equiparar a mudança de critério jurídico com o procedimento de revisão aduaneira que conclua por classificação fiscal diversa, sobretudo quando o despacho aduaneiro foi parametrizado no canal verde, no qual não há qualquer conferência da mercadoria importada. Não há que se confundir revisão aduaneira, prevista no art. 54 do DecretoLei nº 37 de 1966, com revisão de ofício, prevista no art. 149 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 14/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Fl. 938DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Ausente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (4) lavrados em ato de Revisão Aduaneira para a desclassificação fiscal de aparelhos de Raios X, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, importados pela empresa autuada, através de Declarações de Importações registradas de 2005 a 2007, elencadas as fls. 03 a 05 do Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos (correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP e a Cofins). Os quatro Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes lançamentos: 1° Auto de Infração (fls.02 a 33): para cobrança da diferença do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 85.151,85 (oitenta e cinco mil, cento e cinquenta e um reais e oitenta e cinco centavos), acrescido de: juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 24.198,58 (vinte e quatro mil, cento e noventa e oito reais e cinquenta e oito centavos); multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 63.863,89 (sessenta e três mil, oitocentos e sessenta e três reais e oitenta e nove centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração R$ 173.214,32 (cento e setenta e três mil, duzentos e quatorze reais e trinta e dois centavos). 2º Auto de Infração (fls. 34 a 76): para cobrança do Imposto de Importação (II), no valor original de R$ 1.698.429,90 (hum milhão, seiscentos e noventa e oito mil, quatrocentos e vinte e nove reais e noventa centavos), acrescido de: juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 485.664,86 (quatrocentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e oitenta e seis centavos); multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 1.273.822,43 (hum milhão, duzentos e setenta e três mil, oitocentos e vinte e dois reais e quarenta e três centavos); e multa regulamentar, no valor de R$ 122.174,71 (cento e vinte e dois mil, cento e setenta e quatro reais e setenta e um centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração o valor de R$ 3.580.091,90 (três milhões, quinhentos e oitenta mil, noventa e um reais e noventa centavos). 3º Auto de Infração (fls. 77 a 101): para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ Fl. 939DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 938 5 7.546,82 (sete mil, quinhentos e quarenta e seis reais e oitenta e dois centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 1.586,67 (hum mil, quinhentos e oitenta e seis reais e sessenta e sete centavos); e da multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 5.660,12 (cinco mil, seiscentos e sessenta reais e doze centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto de Infração a sorna de R$ 14.793,61 (quatorze mil, setecentos e noventa e três reais e sessenta e um centavos). 4º Auto de Infração (fls. 102 a 126): para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de R$ 26.390,77 (vinte e seis mil, trezentos e noventa reais e setenta e sete centavos), acrescida de juros de mora, calculados até 28.11.2008, no montante de R$ 6.740,54 (seis mil, setecentos e quarenta reais e cinquenta e quatro centavos); e multa proporcional, passível de redução (multa de oficio), no valor de R$ 19.793,08 (dezenove mil, setecentos e noventa e três reais e oito centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto de Infração a soma de R$ 52.924,39 (cinqüenta e dois mil, novecentos e vinte e quatro reais e trinta e nove centavos). No Relatório Fiscal que integra os Autos de Infração, As fls. 129 a 143, além da descrição dos fatos, e das informações sobre o crédito tributário apurado, foram analisadas as características dos Aparelhos de Raios X importados, denominados de Arcos Cirúrgicos, e a divergência verificada na classificação tarifária dos mesmos, a saber: Descrição dos fatos e crédito tributário: a) o importador, através das Declarações de Importação enumeradas às fls. 38 a 41 do Auto de Infração para a cobrança do II, repetidas nos demais A.I. lavrados (para cobrança das diferenças do IPI, do PIS/PASEP e da Cofins), submeteu a despacho Arcos Cirúrgicos, classificandoos na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), então vigentes, no código 9022.14.12, com alíquota zero de II e alíquota de 5% correspondente ao IPI, quando a alíquota do II para o código apontado corno correto pela autoridade lançadora, 9022.14.19, seria de 14%, de acordo com a Resolução Camex n° 42/2001 e Resolução Camex n° 41/2003, nos termos do Demonstrativo de Apuração do II, ás fls. 42 a 53; b) como o II integra a base de cálculo do IPI, a alteração na classificação e a aplicação da alíquota de 14% do II, alterou a base de cálculo do IPI, gerando diferença desse tributo a recolher, tudo conforme Demonstrativo de Apuração desse imposto, ás fls. 07 a 18 dos autos; c) o cálculo do PIS/PASEP e da Cofins também foi alterado, dando origem à diferença dessas contribuições a serem recolhidas, conforme Demonstrativos de Apuração das mesmas, As fls. 91 a 93 e 107 a 114, respectivamente; e Fl. 940DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 d) as multas aplicadas, objeto dos respectivos Autos de Infração constam dos Demonstrativos de fls. 20 a 32 (multa de oficio incidente sobre a diferença do 1PI), 55 a 75 (multa de oficio sobre o II que deixou de ser recolhido e multa regulamentar sobre o valor aduaneiro das mercadorias), 32 a 90 (multa de oficio sobre a diferença do PIS/PASEP) e 115 a 124 (multa de oficio sobre a diferença da Cofins), dos Demonstrativos constando os respectivos enquadramento legais das infrações cometidas. Análise merceológica da mercadoria (as .fls. 133 o 137): No citado Relatório Fiscal, analisa, em seguida, a autoridade lançadora, pormenorizadamente, as características técnicas dos aparelhos importados, lastreando o seu estudo em: e) informações obtidas em catálogo técnico da ANVISA; f) explicações técnicas extraídas do livro "Radiologia e Analise de Imagem", coordenação de João Martins Pisco, Editora Rideel, 2006; trabalho apresentado no "Seminário de Fluoroscopia Imagiologia em tempo Real”, realizado na Universidade do Porto, em Portugal, extraido do site WWW. fc.pt/fcup/news; g) dados colhidos no site www.medcare.go.com.br sobre aparelho médicos da marca Philips; h) Acórdão da 3ª Turma da DRJ de Fortaleza n° 0813233, de 2008, a respeito de "Sistema Iluoroscópio de Raios (estudo que se encontra). Estudo da Classificação Fiscal (às fls. 133 a 137): E, finalmente, demonstra a autoridade lançadora porque o Aparelho de Raios X, denominado de Arco Cirúrgico, não se enquadra no código consignado pelo importador (9022.14.12) nas Adições das DIs examinadas, objeto dos quatro Autos de Infração lavrados, e, sim, no código por ela apontado (9022.14.19), ao amparo: i) das Regras Regais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) n°s 1 e 6; j) da Regra Geral Complementar (RGC1); e l) das Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), então vigentes, publicação subsidiária do Sistema Harmonizado (SH). Fazem parte integrante do presente Auto de Infração, além de todos os Demonstrativos de Apuração dos Impostos e das Contribuições, das multas e dos juros de mora, os seguintes documentos (cópia): Volume I: • Termo de Encerramento dos Autos de Infração, às fls.127/128; • Relatório Fiscal, às fls.129/139; Fl. 941DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 939 7 • Termo de inicio da Ação fiscal, c/AR, às fls.142 a 144; • Termos de Intimação c/AR, às fls.145/149; • Respostas às Intimações, às fls.151/153; • Capitulo 90 da TEC, Notas da Seção XVI e do Capitulo 84, além das normas que aprovaram a TIPI, a NVE, as RGI e as RGC da NCM/TEC, às fls.154 a 160; • Acórdão 0813298, de 2008, da DRJ em Fortaleza, 3ª Turma, à fl. 161; • Extrato do Siscomex de legislação de consulta, às fls. 163 a 174; • Pesquisas técnicas sobre o aparelho, às fls.175 a 200; Volume II: • Pesquisas técnicas sobre o aparelho,às fls.203 a 329; extratos das DIs e demais docs. das importações, às fls.330 a 383; Volumes III e IV: • Extratos das DIs e demais docs. das importações, às fls.386 a 586 (vol. III) e 586 a 770 (vol .IV); • Volume V: Defesa da empresa e documentação a ela anexada, às fls.776 a 834. DA IMPUGNAÇÃO Intimado através do documento de fl. 772 (AR à fl.773), do volume IV, o contribuinte apresentou tempestivamente a sua impugnação, às fls. 776 a 796 do volume V, dela fazendo parte a documentação de fls.796 a 834. As alegações da defendente serão apresentadas resumidamente a seguir, agrupadas pelos temas por ela abordados: 1) HISTÓRICO DO APARELHO: A Philips inventou o primeiro Arco Cirúrgico móvel do mundo em 1958 para visualizar e diagnosticar imagens em movimento (utilizadas na angiografia); em 1982, aprimorado, surgiu o primeiro Arco Cirúrgico com processamento digital de imagem, o BV 25, que tornava possível a Subtração Digital Angiográfica (DAS); em 1996 foi lançada a família BV 300, tubos de raios X com anodos fixos e giratórios, com intensificador de imagem com 12"; e em 2001 surgiu a família BV Libra, Endura e Pulseira, que são constituídos por sistemas de fluoroscopia móvel para os mais diversos níveis de procedimento de angioplastia intervencionista, permitindo perfeita visualização das imagens dinâmicas durante as cirurgias, podendo ser Fl. 942DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 equipados com intensificadores de imagem de 9" ou 12" e utilizados em grande variedade de aplicações. 2) ARCOS CIRÚRGICOS IMPORTADOS MODELOS: Explica a defendente que os Arcos Cirúrgicos importados, ainda que pertencentes à mesma família, têm funções diferentes: são da família BV, móveis, e de três tipos: Libra, Endura e Pulsera; Confessa que o lançamento efetivado nos Autos de Infração está correto relativamente ao modelo Libra, porque a sua função principal não é a de angiografia. Anexa planilha relativa às importações desse modelo, identificando as respectivas DIs e Adições (doc. n° 2), além de cópia dos DARFs dos valores recolhidos em razão da confissão dessa parte do crédito tributário (doc. n° 3). Afirma, todavia, que está incorreto o lançamento, no que diz respeito aos dois outros modelos, Endura e Pulsera, uma vez que se destinam essencialmente a realização de diagnósticos na área de angiografia. E, “embora sejam possíveis procedimentos ortopédicos, a essência da família BV é a de executar diagnósticos de imagens dinâmicas, através de imagens angiográficas". Nos equipamento de Raios X convencionais as imagens são fixas, como fotografias, ao passo que o Arco Cirúrgico possibilita a realização de procedimentos que verificam movimentos internos durante a cirurgia, como é o caso dos angiográficos, e os modelos Endura e Pulsera possuem softwares vasculares, fluoroscopia subtraída e softwares cardíacos, que firmam a função principal para esse procedimento especifico (angiografia). 3) CLASSIFICAÇÃO FISCAL: A divergência, em termos de classificação do aparelho na NCM/TEC, está no Subitem 9022.14.12: Aparelho de Raios X, de diagnóstico, para angiografia (Subitem por ele indicado), e 9022.13.19: Aparelho de Raios X, de diagnóstico, para outros exames. O importador e a autoridade lançadora concordam com o código da NCIM/TEC/NBM/TIPI até o desdobramento em Item, ou seja, até 9022.14.1, portanto, não há qualquer dúvida que se trata de um aparelho de diagnóstico, que é o aparelho abrangido por esse item. Faz diversas afirmações, como: “... se o aparelho for essencialmente utilizado para angiografia a classificação utilizada pela impugnante está correta, com base na Regra Geral 1..."; “... a impugnante entende que os modelos de arco cirúrgico Endura e Pulsera, pela aplicação da Regra Primeira, se enquadram perfeitamente no código 9022.14.12 – para angiografia"; Fl. 943DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 940 9 “... voltamos a enfatizar que nos referimos exclusivamente à função principal dos modelos Endura e Pulsera. Eles têm várias funções no campo da medicina, porém a função principal é o diagnóstico de doenças vasculares, aquelas abrangidas pelo campo da angiografia vale dizer, o exame, por raios X que tenha a capacidade de captar movimentos, como os dos vasos do corpo humano...”. “As diversas funções secundárias que o arco cirúrgico da família BV possui não o levam para a categoria dos "Outros" porque a Terceira Regra, letra "b" é clara ao afirmar que o que vale é a função principal. As funções secundárias, pelo principio classificatório da "abstração da matéria" desaparecem, prevalecendo apenas a principal. É o que determina a letra "b" da Terceira Regra Geral do Sistema Harmonizado de Codificação de Mercadorias...” “...as funções secundárias passam a ser irrelevantes no campo da classificação tarifária, se possível de ser encontrada a função principal”. (Grifei) Anexa os docs. n° 04 e 05 com testemunhos médicos sobre os aparelhos, além de apresentar Ditame de Classificação do Mercosul n° 45/99, que versa sobre um aparelho de Raios X para angiografia, com intensificador de imagem de 22 a 16 cm, sensor de imagem do tipo CCD etc, que foi classificado no código por ele indicado, Ditame esse que é de obrigatória aplicação em todo o território do Mercosul (item 12 do Anexo da Decisão do Conselho do Mercosul e AD Coana n° 55, de 2000) (fls.784/785 dos autos). 4) MUDANÇA NO CRITÉRIO JURÍDICO: A revisão do lançamento tornase ilegal quando se altera o critério jurídico adotado pelo próprio Fisco no lançamento anterior, o que se deu "....quando o fiscal revisor adota código de classificação fiscal diverso daquele adotado pelo fiscal lançador que desembaraçou a mercadoria", contrariando o artigo 146 do CTN. Transcreve ementa de Recurso Especial, de relatoria do Exmo Sr Ministro Luiz Fux (fls.786 a 788), bem como trecho de artigo de autoria da Dra Zuudi Sakakibara, analisando o citado artigo 146 (fls.788/789) e, finalmente, transcreve ementa de Decisão do TRF 1ª Região (fl.789). Argumenta, ainda, que várias das DIs objeto da revisão foram parametrizadas para o canal vermelho com verificação e aprovação da classificação tarifária da mercadoria por ele indicada. 5) PENALIDADES: O Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 106, exclui a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. "Assim, mesmo na remota hipótese de que o Fisco Fl. 944DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 queira entender que a presente autuação deriva somente de atuação interpretativa da autoridade aduaneira, a peça fiscal não poderia conter a aplicação de penalidade infração quanto aos dispositivos interpretados". Além do mais, a multa de oficio é inaplicável porque a classificação utilizada pelo importador está correta, além do que o novo critério jurídico só foi informado ao sujeito passivo por ocasião do lançamento revisional. Por outro lado, a multa de 1% sobre o valor da mercadoria despachada em cada Adição da DI somente é cabível por classificação equivocada, o que não ocorreu. 6) DILIGENCIA: Pede a conversão do julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico que responda à seguinte questão: "Os aparelhos conhecidos como “arco cirúrgico”, relacionados neste processo, têm como função principal a diagnose médica abrangido pela angiografia?” Conclui dizendo que aguarda o deferimento do pedido de diligência para que o aspecto eminentemente técnico seja dirimido e o julgamento seja feito no sentido da improcedência do lançamento. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 15/04/2011, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1433.411 (fls. 838/864): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Classificação de Mercadorias na NCM/TEC e NBM/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Aparelhos de Raios X para usos médicos e cirúrgicos, de diagnóstico, para procedimentos vasculares, ortopédicos, urológicos, gastrointestinais etc, comercialmente denominados de Arcos Cirúrgicos, classificamse no código 9022.14.19 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pelas Resoluções Camex nºs 42, de 2001, e 41, de 2003. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 941 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Falta de recolhimento. Desclassificação de Mercadoria. Multas Constatado o não recolhimento do imposto de importação no registro das Declarações de Importação, em função da classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cabe o lançamento do imposto, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, Lei n° 10.833, de 2003. Aplicase a multa de 75% sobre o II que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cujos fatos geradores do imposto ocorreram de 2005 a 2007, nos termos da Lei 9.430, de 1996, combinada com a MP no 351, de 2007, e a Lei n° 11.488, de 2007. As mercadorias classificadas incorretamente na NCM/TEC, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 30.12.2003 (DIs. registradas a partir de 2005), cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS 1PI Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Desclassificação de Mercadoria. Multa Constatado o recolhimento a menor do imposto sobre produtos industrializados incidente sobre mercadorias importadas classificadas incorretamente, e reclassificadas para o código 9022.14.19 da NBM/TIPI, objeto de Adições das Declarações de Importação de 2005 a 2007, cabe o lançamento da diferença desse imposto, nos termos dos Decreto n° 4.544, de 2002, (RIPI/2002). Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença do IPI que deixou de ser recolhida, relativamente às mercadorias objeto de Adições das DIs registradas de 2005 a 2007, em razão de sua Fl. 946DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 classificação incorreta na NBMITIPI, nos termos da Lei n°. 4.502, de 1964, com a redação das Leis nºs 351, e 11.488, de 2007, e da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Recolhimento a menor. Multa. Em razão da diferença de alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n° 4.543, de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes (Lei n° 9.430, de 1996). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Insuficiência de recolhimento da Cotins. Multa Em razão da diferença das alíquotas do 11 e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004, c/c Decreto if 4.543, de 2002. Aplicase a multa de oficio de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC e NBNI/TIPI viventes (Lei n° 9.430, de 1996). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2005, 11/03/2005, 28/03/2005, 07/04/2005, 20/04/2005, 26/05/2005, 01/07/2005, 07/07/2005, 08/07/2005, 12/08/2005, 13/09/2005, 19/09/2005, 04/10/2005, 17/11/2005, 26/12/2005, 28/03/2006, 05/04/2006, 15/05/2006, 22/05/2006, 15/08/2006, 06/09/2006, 12/09/2006, 11/10/2006, 03/01/2007, 24/02/2007, 01/03/2007, 25/05/2007, 27/06/2007, 31/07/2007, 08/08/2007, 29/08/2007 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 942 13 Revisão de Oficio Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. Diligencia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre as características do Arco Cirúrgico quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficiente para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal, em 17/08/2011, tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/09/2011 (fls. 880/894), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação . Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972. DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL De um lado, a Recorrente alega que as mercadorias por ela importadas devem ser classificadas no código NCM 9022.14.12, pois a principal aplicação dos arcos cirúrgicos por ela importados (modelos Endura e Pulsera) é a angiografia, embora também tenha outras aplicações; de outro, a fiscalização sustenta que a classificação correta seria no código NCM 9022.14.19 justamente porque a angiografia não é a sua única aplicação, mas apenas uma das suas aplicações. Verificase, portanto, que não há dúvidas de que as mercadorias importadas pela Recorrente são aparelhos que utilizam o diagnóstico de raios X para exames e Fl. 948DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 intervenções cirúrgicas, classificandose, pois, no código NCM 9022.14.1. A discussão está unicamente no enquadramento do subitem. Diante disso, o deslinde da controvérsia ora examinada parece encontrar resposta nas RGI’S 1 e 3 c), e na RGC 1, que assim dispõem: REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...) 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: (...) c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA GERAL COMPLEMENTAR 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. A partir do levantamento realizado pela fiscalização, que inclui o catálogo técnico apresentado pela Recorrente à ANVISA, percebese que os arcos cirúrgicos em questão possuem as seguintes aplicações, além da angiografia: Cirurgia ortopédica (fratura, fixação); Cirurgia abdominal (colangiografia, exames urológicos); Cirurgia torácica; Procedimentos cardiovascular (periferial, abdominal, cerebral, intervencional); Procedimentos neurocirúrgicos (gerenciamento da dor, vertebroplastia);etc. Assim, há de entenderse que os equipamentos em tela não são exclusivamente para diagnósticos angiográficos, e sim para uma gama maior de diagnósticos. Da mesma forma, não são aplicados apenas em procedimentos cirúrgicos vasculares, mas em outros procedimentos cirúrgicos também. Desse modo, pela aplicação da RGI 1 e da RGC 1, temse que o texto da posição mais adequado não é aquele eleito pela Recorrente, e sim o texto da posição NCM 9022.14.19 Outros. E mais, ainda que se pudesse considerar validamente suscetíveis de serem considerados no caso concreto os textos de ambas as posições, códigos NCM 9022.14.12 e 9022.14.19, a aplicação da RGI 3C é clara ao dispor que prevalece a posição situada em último lugar na ordem numérica. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 943 15 Diferentemente do que sustenta a Recorrente, a RGI 3B não é aplicável ao caso concreto, pois não se está diante de produtos misturados, obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes, ou ainda mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Fazse necessário mencionar que uma mercadoria com diferentes funções não é o mesmo que uma mercadoria constituída pela reunião de artigos diferentes... Por outro lado, admitindose que a RGI 3B pudesse ser aplicada a um aparelho de raio x para diagnóstico, a Recorrente não trouxe qualquer evidência técnica no sentido de demonstrar que o diagnóstico angiográfico é a sua função principal. A Recorrente limitase a juntar uma declaração de um profissional renomado na área médica e a pleitear a conversão do julgamento em diligência para que tal alegação seja confirmada em laudo técnico. Sobre a citada declaração médica, confirase o seu teor: Eu, Dr. Alvaro Razuk Filho, CRM 73528, declaro que, no curso anual de Cirurgia Endovascular da Santa Casa de São Paulo, utilizo durante as aulas práticas os equipamentos Philips BV Pulsera 12 pol. Vale destacar, que por se tratar de uma técnica que necessita a visualização de imagens dinâmicas da parte angiográfica, os arcos cirúrgicos BV Pulsera e BV Endura são os mais indicados em razão da sua função de Angiografia. Durante o curso, temas como Angioplastia Periférica, Angioplastia Carótida e Angioplastia Troncos SupraAórticos são abordados e por isso a necessidade de utilizarmos equipamentos que desde a sua idealização.já foram criados para este propósito. A partir da leitura do teor da declaração, percebese que os equipamentos Philips BV Pulsera 12 pol. são recomendáveis para aulas práticas de cirurgia endovascular em razão da sua função de angiografia. Contudo, isso não quer dizer que essa é a sua função principal. Além disso, o fato de os equipamentos terem sido criados para o propósito de visualização de imagens dinâmicas da parte angiográfica, não significa que também não tenham sido idealizados para outras aplicações. Portanto, não se pode considerar a declaração em tela como uma evidência técnica de que a finalidade principal das mercadorias importadas pela recorrente é a diagnose angiográfica. Com base no exposto, devese julgar improcedente o recurso voluntário nesse particular. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Alega a Recorrente que a autoridade preparadora jamais poderia ter lavrado o auto de infração que originou o presente litígio, pois, segundo o art. 146 do Código Tributário Nacional, a mudança de critério jurídico somente se opera a fatos geradores futuros, nunca retroagindo os seus efeitos. Confirase: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios Fl. 950DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, ao ser lavrado auto de infração para exigir diferença de tributos incidentes na importação de mercadorias já desembaraçadas, a fiscalização estaria agindo em desconformidade com o citado dispositivo legal. A matéria não é nova no CARF, havendo diversos julgados no sentido de que a revisão aduaneira não importa em modificação de critério jurídico. Confirase: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. (Acórdão nº 3202000.484, Rel. Cons. IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Sessão de 25/04/2012) ......................................................................................................... ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). (Acórdão nº 3102000.798, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/10/2010) Na medida em que a classificação fiscal da mercadoria importada é declarada pelo importador, não se pode equiparar a mudança de critério jurídico com o procedimento de revisão aduaneira que conclua por classificação fiscal diversa, sobretudo quando o despacho Fl. 951DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021628/200837 Acórdão n.º 3201001.086 S3C2T1 Fl. 944 17 aduaneiro foi parametrizado no canal verde, no qual não há qualquer conferência da mercadoria importada. Também não há de se confundir revisão aduaneira com revisão de ofício. Isso porque a revisão aduaneira faz parte do processo de despacho aduaneiro, estando prevista no art. 54 do DecretoLei nº 37 de 1966, enquanto a revisão de ofício é um procedimento comum a qualquer lançamento tributário, desde que sejam observadas as hipóteses previstas no art. 149 do Código Tributário Nacional. Confirase: DecretoLei nº 37 de 1966 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou Fl. 952DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Com base nesses precedentes e nos conceitos expostos acima, devese negar provimento ao recurso voluntário também nesse particular. PENALIDADES Alega a Recorrente que, por força do art. 106 do Código Tributário Nacional, não seriam aplicáveis as multas, pois a sua aplicação deriva da interpretação de dispositivo legal. Confirase: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) A despeito do que faz crer a Recorrente, o dispositivo legal em questão se aplica apenas quando uma lei nova prevê a retroatividade de seus efeitos. No caso concreto, não há qualquer lei nova que pudesse justificar a invocação do art. 106 do Código Tributário Nacional. Diante disso, também não merece provimento o recurso voluntário nesse particular. CONCLUSÃO Com base em todo o exposto, devese negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o crédito tributário integral. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 953DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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