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7769754 #
Numero do processo: 13888.910740/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/08/2009 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.910740/2012­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­006.029  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de abril de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 25/08/2009  COMPENSAÇÃO.  PROVA  SUFICIENTE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.   Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado  suficientemente,  mediante  documentos  contábeis  e  fiscais,  a  existência  do  direito creditório pleiteado.        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Rosaldo  Trevisan  (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  convocado),  Carlos  Henrique  de  Seixas  Pantarolli,  Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 40 /2 01 2- 10 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13888.910740/2012­10  Acórdão n.º 3401­006.029  S3­C4T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  Despacho  Decisório  eletrônico  que  não  homologou  a  compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito  indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte.  A decisão de 1ª  instância  julgou o  recurso  improcedente  ao  argumento  de  que  não  havia  prova  exaustiva  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  vindicado,  pois  não  foram  juntados  os  registros  contábeis  da  operação,  imputando  ao  recorrente  o  ônus  da  prova  do  direito requerido.  O Recurso Voluntário  sustentou a possibilidade de juntada de documentos  nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  revisão  do  despacho  eletrônico,  por  força  do  Parecer  Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto  ao  direito  pleiteado.  Foram  anexados  à  peça  recursal  o  ADE  nº  53/06  (CARTEPILLAR  BRASIL LTDA, admissão no RECOF),  laudo  técnico contábil e extrato do  livro Registro de  Saídas.  Considerando  a  documentação  carreada  aos  autos  pela  Recorrente  no  Recurso  Voluntário,  este  Colegiado  converteu  o  feito  em  diligência  para  que  a  unidade  preparadora  da  RFB  se  manifestasse  acerca  da  procedência  e  quantificação  do  direito  creditório,  bem  como  da  disponibilidade  e  da  suficiência  do  crédito  para  a  compensação  pretendida.   O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da  procedência,  disponibilidade  e  suficiência  do  crédito  para  extinguir  o  débito  declarado  no  PER/DCOMP.  A Recorrente ratifica as razões recursais.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 3401­006.017,  de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/2012­05.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401­006.017):  "A controvérsia posta nos autos cingia­se à existência de crédito  de COFINS  decorrente  de  pagamento  a maior  no  valor  de  R$  36.019,17  (competência MAI/2008),  recolhido mediante DARF,  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13888.910740/2012­10  Acórdão n.º 3401­006.029  S3­C4T1  Fl. 4          3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de  R$ 19.860,91 (competência AGO/2012).   O  feito  tramitou  em  1ª  instância  sem  que  a  Recorrente  fizesse  prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária  da  suspensão  do  tributo  por  vender  mercadorias  à  pessoa  jurídica  habilitada  no  RECOF  sem  juntar  os  respectivos  documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações.   Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu  tal  carência  probatório,  de  modo  que  este  Colegiado  resolveu  converter o feito em diligência para que a unidade preparadora  da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência,  disponibilidade e suficiência do direito creditório.  Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal  em sede de diligência:  3.  Em  nossa  análise  verificamos  que  o  crédito  alegado  pelo  contribuinte  na  Dcomp  (R$  36.019,17),  encontra­se  disponível  para  compensação,  em  nossos  sistemas,  após  as  retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período  de  apuração  05/2008.  A  emissão Despacho  Decisório  de  nº  de  Rastreamento  042024158  foi  realizada  em  03/01/2013  e  as  retificações  citadas  foram  realizadas  em  29/01/2013  e  30/01/2013,  respectivamente.  Portanto,  não  havia  saldo  disponível  quando  da  emissão  do  Despacho  Decisório,  o  que  motivou seu indeferimento inicial.  4.  Ademais,  da  análise  do  Livro  de  Registro  de  Entradas  e  Saídas,  do  DACON,  dos  documentos  fiscais  apresentados  pela  recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são  de  venda de  produtos  a  empresa  beneficiária  do RECOF e,  por  consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins  em  suas  aquisições  no  mercado  interno,  dentro  das  condições  previstas  no ADE nº  53,  de  24  de  julho  de  2006  e  da  IN SRF  417/2004  (alterada  pela  IN  SRF  547/2005  e  posteriores),  concluímos  que  a  manifestante  faz  jus  a  compensação  dos  créditos  de R$  36.019,17,  de  Cofins  (cód.  5856),  período  de  apuração  30/05/2008,  demonstrados  na  Dcomp  nº  28653.88994.190912.1.3.04­6142.  Conforme  verificamos  nos  relatórios  do  Sistema  de Apoio Operacional  (fls.  198  a  200),  o  crédito  utilizado  na  Dcomp  tratada  nesse  processo  é  suficiente  para  extinguir  o  débito  declarado  (R$  19.860,91,  Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não  utilizado  nessa  Dcomp  foi  utilizado  em  outra  Dcomp  relacionada,  de  nº  04211.25185.270912.1.3.04­0704,  tratada  no  processo  nº  13888.910730/2012­76,  sendo  que  também  nessa  Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para  extinguir  o  débito  declarado  (R$  30.778,44,  CSLL  (2484),  vencido  em  28/09/2012),  conforme  vemos  no  relatório  de  fls.  200. (grifo nosso)  É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe,  está disponível e é suficiente para se homologar a compensação  pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13888.910740/2012­10  Acórdão n.º 3401­006.029  S3­C4T1  Fl. 5          4 que  deve  ser  acolhido  o  resultado  da  diligência  para  se  reconhecer  o  direito  creditório  e  homologar  a  compensação  declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142.   Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e,  no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  decidiu  por  CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                              Fl. 198DF CARF MF

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7717675 #
Numero do processo: 35373.000881/2006-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/03/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Deve ser reconhecido como vício de natureza formal o erro na qualificação do sujeito passivo, desde que este esteja devidamente identificado e corresponda àquele eleito pelo legislador. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0519.08415.YC2Q. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2 EDITADO EM: 11/03/2013  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz  Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa  (suplente  convocado), Marcelo  Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo,  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  Em 11/03/2005, Massafera Apen Ltda foi intimada da autuação decorrente do  descumprimento  de  obrigação  acessória  por  ter  apresentado  documento  ou  livro  que  não  atendeu  as  formalidades  legais  exigidas,  que  continha  informação  diversa  da  realidade  ou  omitiu  informação  verdadeira  (não  houve  escrituração  em  ordem  cronológica,  não  houve  comprovação de empréstimos tomados, não houve escrituração de despesas e adiantamentos).  A  2ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  2ª  Seção  deste  E.  Conselho,  ao  apreciar  o  recurso  voluntário  interposto  pela  contribuinte,  exarou  o  acórdão  n°  2402­00.445,  que  se  encontra às fls. 235/246 e cuja ementa é a seguinte:  “Assunto: Obrigações Acessórias  Data do fato gerador: 11/03/2005  APRESENTAR DOCUMENTO SEM FORMALIDADES LEGAIS.  Constitui  infração, punível na  forma da Lei,  a apresentação de  documento  ou  livro  que  não  atenda  as  formalidades  legais  exigidas,  que  contenha  informação  diversa  da  realidade  ou  omita informação verdadeira.  LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.  O  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo  caracteriza  vício  substancial, material, uma nulidade absoluta, não permitindo a  contagem  do  prazo  especial  para  decadência  previsto  no  art.  173, II, do CTN.  PROCESSO ANULADO.”  A  anotação  do  resultado  do  julgamento  indica  que  a  Câmara,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  do  contribuinte  para  anular  o  lançamento  anteriormente realizado em razão da caracterização de vício material.  Intimada  do  acórdão  em  08/04/2010  (fls.  239)  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional interpôs recurso especial às fls. 242/247, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido  em razão da divergência jurisprudencial entre este e outras decisões no tocante à natureza do  vício que levou à anulação do processo (acórdãos nº 301­33.686 e 303­30.909).  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  Despacho  nº  2400­ 142/2010, de 31/03/2010 (fls. 251/252).   Intimado do Despacho em 27/08/2010, o contribuinte interpôs contrarrazões  em 28/10/2010 (fls. 260/262).  Fl. 535DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0519.08415.YC2Q. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35373.000881/2006­17  Acórdão n.º 9202­002.567  CSRF­T2  Fl. 6          3 É o Relatório.  Voto             Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator  Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela  Procuradoria da Fazenda Nacional.  Como se verifica dos autos o  recurso foi  interposto objetivando a discussão  da natureza (formal ou material) do erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista a  divergência  entre  o  v.  acórdão  recorrido  e  os  acórdãos  nº  301­33.686  e  303­30.909.  Os  acórdãos paradigma encontram­se assim ementados:  “NULIDADE  –  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  É  nulo,  por  vício  formal,  de  lançamento  constituído  mediante  auto  de  infração  lavrado  em  face  de  sujeito  passivo  diverso daquele elencado pela norma tributária. RECURSO DE  OFÍCIO NEGADO.” (AC 301­33.686  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  NULIDADE  –  VÍCIO FORMAL  –  ILEGITIMIDADE DO  SUJEITO PASSIVO.  Constatado  vício  formal,  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  deve  ser  declarada,  de  ofício,  a  nulidade  do  auto  de  infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN.  RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” (AC  303­30.909)  Verifico, assim, que os paradigmas trazidos aos autos pela Fazenda Nacional  classificam eventual erro na identificação do sujeito passivo como vício formal.   No  acórdão  recorrido  erro  de menor  graduação  –  aposição  de  expressão  “e  outros” após o nome do sujeito passivo – considerou caracterizado vício material.  Ressalto,  ademais,  que  embora  em  ambos  os  casos  o  resultado  seja  a  anulação  do  lançamento  está  presente  o  interesse  processual  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional na medida em que a declaração da nulidade por vício formal é passível de posterior  convalidação.  Entendo,  portanto,  caracterizada  a  divergência  de  interpretação,  razão  pela  qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.  No  mérito  a  discussão  submetida  a  este  Colegiado  é  a  natureza  do  vício  (formal  ou  material)  reconhecido  pelo  v.  acórdão  recorrido  que  resultou  na  anulação  do  lançamento.  Ressalto, por oportuno, que o v. acórdão recorrido, tendo identificado que na  descrição do sujeito passivo apontado na NFLD consta a expressão "e outros", considerou que  o sujeito passivo da obrigação não estava claramente identificado, tendo declarado a nulidade  do lançamento por vício material.  Fl. 536DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0519.08415.YC2Q. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4 Em  que  pese  a  posição  adotada  pela  Câmara  a  quo  entendo  que  a  mera  existência do termo “e outros” no lançamento, no presente caso, não configura vício material.  De  fato,  examinando o  lançamento  é possível  verificar  que  a  autuada  foi  a  empresa  MASSAFERA  APEN  LTDA  –  CNPJ  nº  04.428.146/0001­93  (fls.  01),  tendo  o  lançamento  se  baseado  em  irregularidades  apuradas  na  contabilização  de  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias.  Entendo que não devem ser declaradas nulidades quando não existir prejuízo  à defesa por amoldarem­se os fatos narrados e documentados nos autos às infrações imputadas  ao sujeito passivo.  Tal  conclusão  decorrente  da  moderna  teoria  do  direito  administrativo  segundo  a  qual  os  procedimentos  formais  são  instrumentos  à  consecução  de  determinado  objetivo,  sendo  seu  descumprimento  relevante  para  fins  de  declaração  de  nulidade  apenas  quando tenham causado prejuízo à parte.  Nada obstante, uma vez reconhecida a nulidade do lançamento pelo E. CARF  e  não  sendo  a  nulidade  objeto  do  presente  recurso mas  somente  a  natureza  do  vício  (i.e  se  estamos diante de um vício formal ou material), passo à analise da matéria.  O  vício  reconhecido  pelo  v.  acórdão  recorrido  que  levou  à  anulação  do  lançamento foi a existência da expressão “e outros” na qualificação do sujeito passivo.  A  discussão  posta  é  determinar  se  a  inclusão  da  expressão  “e  outros”  na  qualificação do autuado atinge a “forma” ou o “conteúdo” do lançamento tributário.  A meu ver, devem ser tratados como vícios formais aqueles relacionados aos  requisitos  relativos  à  exteriorização  do  ato  administrativo  de  lançamento,  dentre  os  quais  a  maneira como é apresentado/qualificado o autuado.   No presente  caso,  não  há  qualquer  imputação  de  responsabilidade  solidária  entre  empresas  do mesmo  grupo.  Assim,  a  aposição  da  expressão  “e  outros”  após  nome  da  autuada  resultou  de  erro  formal,  implicando  vício  no  tocante  à  descrição/qualificação  do  autuado e, portanto, de natureza formal.  Ressalte­se  que  não  se  trata  da  ausência  de  indicação  do  sujeito  passivo  já  que o autuado foi devidamente qualificado mediante a aposição de sua razão social, endereço e  inscrição no CNPJ no documento de lançamento. A irregularidade apontada foi a aposição da  expressão “e outros” posteriormente à razão social.  Destarte,  conheço  do  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE provimento para  reconhecer a natureza formal  do vício identificado pela decisão do CARF que levou à anulação do lançamento.    (Assinado digitalmente)  Gustavo Lian Haddad              Fl. 537DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0519.08415.YC2Q. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35373.000881/2006­17  Acórdão n.º 9202­002.567  CSRF­T2  Fl. 7          5                   Fl. 538DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0519.08415.YC2Q. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 14/03/2013 10:52:47. Documento autenticado digitalmente por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 14/03/2013. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 09/04/2013 e GUSTAVO LIAN HADDAD em 04/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/05/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.0519.08415.YC2Q Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5BA325F4A977E0940FDDE3F48C6E781F1942ACE6 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 35373.000881/2006-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 13855.720077/2014-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO PELO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO - DTE. TEMPESTIVIDADE. A regularidade das intimações eletrônicas depende: (i) do expresso consentimento do sujeito passivo quanto à implementação do seu endereço eletrônico (constante do Termo de Opção pelo DTE), e (ii) da informação ao contribuinte acerca do processo em que será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Ausente este último requisito, é de ser considerado tempestivo o recurso apresentado pelo contribuinte dentro de 30 dias contados do seu efetivo primeiro acesso à decisão recorrida, sobretudo no caso em que, mesmo após a adesão ao DTE, a Receita Federal envia a intimação do auto de infração por via postal, eis que em tal hipótese cria-se no contribuinte a expectativa válida de que os atos do processo seriam praticados por esta via e não eletronicamente.
Numero da decisão: 9101-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão em diligência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a conselheira Cristiane Silva Costa não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO

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Acórdão nº  9101­004.088  –  1ª Turma   Sessão de  09 de abril de 2019  Matéria  TEMPESTIVIDADE. OPÇÃO PELO DTE.  Recorrente  TAM S/A.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2011  INTIMAÇÃO  POR  MEIO  ELETRÔNICO.  OPÇÃO  PELO  DOMICÍLIO  TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO ­ DTE. TEMPESTIVIDADE.  A  regularidade  das  intimações  eletrônicas  depende:  (i)  do  expresso  consentimento  do  sujeito  passivo  quanto  à  implementação  do  seu  endereço  eletrônico (constante do Termo de Opção pelo DTE), e (ii) da informação ao  contribuinte  acerca do  processo  em que  será  permitida  a  prática  de  atos  de  forma  eletrônica.  Ausente  este  último  requisito,  é  de  ser  considerado  tempestivo  o  recurso  apresentado  pelo  contribuinte  dentro  de  30  dias  contados  do  seu  efetivo  primeiro  acesso  à  decisão  recorrida,  sobretudo  no  caso  em  que,  mesmo  após  a  adesão  ao  DTE,  a  Receita  Federal  envia  a  intimação do auto de infração por via postal, eis que em tal hipótese cria­se  no  contribuinte  a  expectativa  válida  de  que  os  atos  do  processo  seriam  praticados por esta via e não eletronicamente.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  rejeitar  a  preliminar de conversão em diligência, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael  Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado. Acordam, ainda,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos, em dar­lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação  das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros André Mendes  de  Moura,  Viviane  Vidal  Wagner  e  Adriana  Gomes  Rêgo,  que  lhe  negaram  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  Cristiane  Silva  Costa  e  Rafael  Vidal  de  Araújo.  Manifestou  intenção  de  apresentar  declaração  de  voto  a  conselheira  Cristiane  Silva  Costa.  Entretanto,  findo  o  prazo  regimental,  a  conselheira  Cristiane  Silva  Costa  não  apresentou  a  declaração de voto, que deve ser  tida como não formulada, nos  termos do § 7º do art. 63 do  Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 77 /2 01 4- 02 Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.808          2   (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rego ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Livia De Carli Germano ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Demetrius  Nichele  Macei,  Viviane  Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo  (Presidente).    Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo sujeito passivo  (fls. 1.521­1.600) em face do acórdão n. 1302­002.350, de 17 de agosto de 2017, proferido pela  2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 1.385­1.423), por meio do qual o colegiado  decidiu não conhecer do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. O julgado restou  assim ementado e decidido:   Acórdão recorrido: 1302­002.350  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.   Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o  prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos  termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72  INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. ORDEM DE PREFERÊNCIA.  De  acordo  com  o  §  3°  do  artigo  23  do Decreto  n°  70.235/77,  os meios  de  intimação  previstos  no  mencionado  dispositivo  legal  não  estão  sujeitos  a  ordem  de  preferência,  de  sorte  que,  válida  é  a  intimação  da  decisão  de  1a  instância  por  meio  eletrônico,  ainda  que  a  intimação  do  auto  de  infração  tenha sido realizada pela via postal.   O resultado de julgamento foi assim registrado:  Acordam os membros  do  colegiado,  em  primeira  votação,  por  voto  de  qualidade,  não acolher a proposta de diligência. Vencidos os Conselheiros Eduardo Morgado  Rodrigues,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca  e  Julio  Lima  Souza  Martins.  Em  2a  votação,  por  maioria  de  votos,  não  conhecer  do  recurso  voluntário  por  Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.809          3 intempestivo. Vencido  o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. O  conselheiro  Gustavo Guimarães da Fonseca acompanhou o voto da relatora pelas conclusões.  O  Conselheiro  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  declarou­se  impedido  de  participar do julgamento.    Contra essa decisão foram opostos embargos de declaração pela contribuinte,  os quais foram rejeitados pelo despacho de admissibilidade de fls. 1.506­1.511.  Cientificada do despacho de admissibilidade que rejeitou seus embargos em  18  de  dezembro  de  2017  (fls.  1.517,  Termo  de  Abertura  de  Documento),  a  contribuinte  apresentou  recurso  especial  em  28  de  dezembro  do  mesmo  ano  (fls.  1.520),  portanto  tempestivamente.  A  Recorrente  alega  divergência  em  relação  ao  conteúdo  dos  acórdãos  n.  1101­001.077,  de  7  de  abril  de  2014,  e  n.  2301­004.260,  de  3  de  dezembro  de  2014,  cujas  ementas, na parte que interessa à presente lide, são as seguintes:  Acórdão paradigma 1101­001.077, de 7 de abril de 2014  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2006  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  INTIMAÇÃO  FICTA  REALIZADA  NOS  AUTOS. NULIDADE. TEMPESTIVIDADE.   O fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações neste processo em  meio  físico  aliado  à  necessidade  de  o  Fisco  informar  ao  sujeito  passivo  o  processo em que serão realizadas intimações eletrônicas revelam que a súbita  alteração na forma de proceder no que tange às comunicações é geradora de  insegurança    Acórdão paradigma 2301­004.260, de 3 de dezembro de 2014  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008  AIs DEBCADs sob nºs 37.277.3591, 37.277.3605 e 37.277.3613  TEMPESTIVIDADE.  NULIDADE  DA  INTIMAÇÃO  DA  DECISÃO  SINGULAR PELO MEIO ELETRÔNICO,  e; DA OMISSÃO QUANTO À  PRÉVIA  INDICAÇÃO  AO  SUJEITO  PASSIVO  DOS  PROCESSOS  SUBMETIDOS AO REGIME DO PROCESSO DIGITAL (e­processo)  Para ser intimado pelo meio eletrônico é necessário que o contribuinte tenha  autorizado tal comportamento, segundo inteligência do artigo 23, § 4°, I e II e  § 5° do Decreto 70.235/72.  Compulsando  os  autos  não  se  verifica  autorização  expressa  por  parte  do  Recorrente  nenhuma  autorização  de  receber  intimação  por meio  eletrônico.  Aliás, não há nem mesmo oferta de tal endereço, razão pela a data inicial da  intimação  da  decisão  de  piso  o  dia  03  de  junho  de  2013  e  a  data  da  Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.810          4 protocolização  o  dia  29  do  mesmo  mês  e  ano,  o  que  deságua  na  tempestividade.    Em despacho de  admissibilidade de  fls.  1.786­1.792,  o  recurso  especial  foi  admitido, sendo válido destacar o seguinte trecho deste expediente:  Assim  como  ocorreu  no  recorrido,  nos  dois  acórdãos  paradigmas  os  contribuintes  tomaram  ciência  espontânea  da  decisão de 1ª  instância administrativa por meio da abertura de  documentos  no  e­CAC  meses  após  às  respectivas  disponibilizações na caixa postal eletrônica.  Porém o resultado de julgamento foi diverso.  Enquanto  no  recorrido,  declarou­se  a  intempestividade  do  recurso voluntário por rechaçar qualquer influência na mudança  do  tipo  de  comunicação,  bem  assim  interpretou­se  que  o  consentimento previsto no art. 23 do Decreto n° 70.235/1972 c/c  com o art. 1°, parágrafo 3º, da Portaría SRF n° 259/2006 seria  de  forma  genérica,  bastando  a  existência  do  DTE,  e  não  específica para cada processo.  De  outra banda,  os  acórdãos  paradigmas,  em  situações  fáticas  assemelhadas,  concluíram  pela  tempestividade  dos  recursos  voluntários, principalmente porque a interpretação da legislação  acima  referida  requereria  um  consentimento  expresso  do  contribuinte  para  cada  processo  em  específico,  o  que  não  ocorreu.   Apenas  no  primeiro  paradigma,  a  divergência  ainda  foi  corroborada  pelo  fato  de  que  neste  paradigma  a  mudança  de  tipo de comunicação no curso do procedimento (via postal para  eletrônica) demandaria ainda mais  essa  especificidade prevista  em Lei. Porém é apenas um argumento subsidiário, que mesmo  ausente  no  segundo  paradigma,  não  elimina  a  divergência  da  interpretação  de  legislação  também  presente  neste  último  paradigma.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  (fls.  1.794­ 1.802) em que não questiona a admissibilidade do recurso especial mas, no mérito, sustenta a  manutenção do acórdão atacado, basicamente por  seus próprios  fundamentos. Ressalta que a  contribuinte foi  intimada da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância  em 19/11/2014  (quarta­feira),  conforme Ciência Eletrônica por Decurso  de Prazo.  Iniciada  a  contagem  do  prazo  recursal  em  20/11/2014,  pode­se  concluir  que  o  prazo  de  trinta  dias  foi  ultimado em 19/12/2014, sendo portanto intempestivo o recurso apresentado em 20/01/2015.    É o relatório.    Voto             Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.811          5 Conselheira Livia De Carli Germano ­ Relatora    Admissibilidade recursal  O recurso especial do contribuinte é tempestivo e não houve questionamento  pela parte recorrida quanto à sua admissibilidade. Em razão disso, concordo e adoto as razões  do  i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do recurso especial,  nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99.  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF)  é  instância  especial  de  julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse  modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições  previstas  no  art.  67  do Anexo  II  do Regimento  Interno  do CARF  (RICARF),  aprovado pela  Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015:  Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial interposto contra decisão que der à legislação tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  §  1º  Não  será  conhecido  o  recurso  que  não  demonstrar  a  legislação tributária interpretada de forma divergente.  (...)  §  8º  A  divergência  prevista  no  caput  deverá  ser  demonstrada  analiticamente  com  a  indicação  dos  pontos  nos  paradigmas  colacionados  que  divirjam  de  pontos  específicos  no  acórdão  recorrido.  Observo,  por  oportuno,  que  a  divergência  se  estabelece  em  matéria  de  interpretação  das  normas,  de  forma  que  o  alegado  dissenso  jurisprudencial  deve  se  dar  em  relação a questões de direito, tratando os casos da mesma situação fática e da mesma legislação  aplicável.  No caso, a Recorrente sustenta que os acórdãos paradigma e recorrido deram  interpretação  divergente  aos  §§4°  e  5°  do  artigo  23  do  Decreto­Lei  70.235/1972  e  à  regulamentação conferida pelo art. 1°, §3° da então Portaria SRF 259/2006.   Isso  porque,  ao  interpretarem  tal  legislação,  os  acórdãos  paradigma  entenderam que a validade das intimações por meio eletrônico depende de prévia autorização  expressa do contribuinte ou de prévia comunicação expressa por parte da Receita Federal, não  sendo suficiente a simples opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico ­ DTE.  Por sua vez, para o voto condutor do acórdão recorrido, não é necessário que  a intimação eletrônica seja precedida de comunicação expressa informando sobre o processo no  qual  a  intimação  seria praticada de  forma  eletrônica, eis que,  no  seu  entender,  a  autorização  para intimação por meio eletrônico seria consequência direta da assinatura do Termo de Opção  pelo DTE.  Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.812          6 Compreendo que a Recorrente  logrou êxito em comprovar  a ocorrência do  alegado dissenso  jurisprudencial,  pois,  em  situações  fáticas  semelhantes  e  à  luz  das mesmas  normas jurídicas, chegou­se a conclusões distintas.  Diante do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte.  Observo, por fim, que na sessão de julgamento foi ventilada a proposição de  uma  diligência  para  que  a  unidade  de  origem  confirmasse  que  o  contribuinte  não  recebeu  a  prévia comunicação expressa prevista no art. 1°, §3° da então Portaria SRF 259/2006. Com o  devido respeito, entendi pela desnecessidade dessa providência, eis que tal fato é incontroverso  nos autos ­­ o contribuinte sustenta que não recebeu tal comunicação específica e em nenhum  momento  tal  fato  é  posto  em  dúvida,  nem  mesmo  foi  levantado  pela  PFN  em  suas  contrarrazões.    Mérito  Superada  a  questão  do  conhecimento,  a  discussão meritória  diz  respeito  ao  alcance dos §§4° e 5° do artigo 23 do Decreto­Lei 70.235/1972 e à regulamentação conferida  pelo  art.  1°,  §3°,  da  Portaria  SRF  259/2006  ­­  parágrafo  este  incluído  posteriormente,  pela  Portaria RFB 574/2009. Transcrevo essa legislação (grifamos):  Decreto 70.235/1972  Art. 23. Far­se­á a intimação:  (...)  § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  I  ­  o  endereço postal por  ele  fornecido, para  fins  cadastrais,  à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)  II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo  sujeito  passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será  implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e  a  administração  tributária  informar­lhe­á  as  normas  e  condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº  11.196, de 2005)  Portaria SRF 259/2006  Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos  processuais  pelo  sujeito  passivo  ou  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  será  realizado  conforme  o  disposto  nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de  10 de fevereiro de 2009)  (...)  Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.813          7 §  3º  Para  efeito  do  disposto  no  caput,  a  RFB  informará  ao  sujeito  passivo o processo  no  qual  será  permitida  a  prática  de  atos de  forma eletrônica.  (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº  574, de 10 de fevereiro de 2009)    A  Recorrente  alega  que  a  validade  das  intimações  por  meio  eletrônico  depende de prévia autorização expressa do contribuinte ou de prévia comunicação expressa por  parte  da  Receita  Federal,  não  sendo  suficiente  a  mera  opção  pelo  Domicílio  Tributário  Eletrônico ­ DTE.   Sustenta, no caso, que optou pelo DTE em 28 de novembro de 2013, portanto  antes mesmo da lavratura do auto de infração (datado de 8 de janeiro de 2014), e que mesmo  assim recebeu a intimação do auto de infração por via postal em 13 de janeiro de 2014, sendo  que  nunca  anuiu  com  qualquer  intimação  eletrônica  no  bojo  do  presente  processo  administrativo  nem  foi  informada  pela  Receita  Federal  de  que  se  daria  a  prática  de  atos  eletrônicos no presente processo.  Ao seu turno, o acórdão recorrido entendeu que a autorização para intimação  por meio eletrônico é consequência direta da assinatura do Termo de Opção pelo DTE, eis que  em tal documento o sujeito passivo "autoriza a Administração Tributária a enviar mensagens  de comunicações de atos oficiais para Caixa Postal eletrônica disponibilizada no Centro Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte  (e­CAC),  no  endereço  http://www.receita.fazenda.gov.br,  a  qual será considerada domicílio tributário eletrônico", assim como declara estar ciente de que o  prazo para ser considerado intimado é de 15 dias contados da data em que a comunicação for  registrada  na  Caixa  Postal  eletrônica,  e  de  que  deve  observar  as  condições  e  normas  estabelecidas  para  obtenção,  utilização  e  manutenção  do  certificado  digital  válido  que  possibilite o acesso às mensagens registradas na Caixa Postal eletrônica.  Todavia,  compreendo  que,  com  essa  interpretação,  o  acórdão  recorrido  fez  letra morta do § 3º do art. 1o da Portaria SRF 259/2006, bem como não considerou que, nas  circunstâncias  do  caso  concreto,  a  contribuinte  tinha  uma  expectativa  legítima  de  que  não  receberia intimações do presente processo por meio eletrônico.  De  fato,  temos,  de  um  lado,  uma  lei  lacônica  a  respeito  da  necessidade  de  uma expressa informação, processo a processo, sobre a possibilidade de intimações por meio  eletrônico,  e,  de outro,  uma  regulamentação  expressa  editada  pela Receita  Federal  sobre  o  assunto que é literal ao dizer que "a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será  permitida a prática de atos de forma eletrônica" (grifamos).   Ao assim proceder, a Receita Federal permitiu que a contribuinte entendesse  que ela seria informada, em cada processo, no qual seriam realizadas a prática de atos de forma  eletrônica.  Ou  seja,  considerando  as  normas  editadas  sobre  o  assunto,  houve  quem  concluísse ­­ e aqui se encaixa o entendimento desta Relatora ­­ que a validade das intimações  eletrônicas depende: (i) do expresso consentimento do sujeito passivo quanto à implementação  do  seu  endereço  eletrônico  (constante  do  formulário  do  DTE),  e  (ii)  da  informação  ao  contribuinte, realizada pela Receita Federal, acerca do processo em que será permitida a prática  de atos de forma eletrônica ­­ e aqui  já  ressalto que, obviamente, se, a despeito de a Receita  Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.814          8 Federal  não  ter  realizado  tal  informação  prévia,  o  contribuinte  se  comporta  como  se  tivesse  sido informado, considera­se suprida tal exigência, à luz dos princípios da boa fé e da lealdade  processual.   Observo, por oportuno, que não se trata de exigir "intimação da intimação",  como sugeriu o acórdão recorrido. O que se exigiu foi uma única comunicação a ser  feita ao  sujeito  passivo,  referente  àquele  processo  administrativo  específico,  e  não  referente  a  todo  e  qualquer ato a ser praticado no bojo de tal processo.  Pois  bem. Até  aí,  alguns  poderiam  sustentar  que  estamos  diante  de  apenas  uma  das  interpretações  possíveis,  já  que,  de  outra  banda,  ao  fazer  a  opção  pelo  DTE,  o  contribuinte  anui  genericamente  com  o  recebimento  de  intimações  por meio  eletrônico,  bem  como  considerando  que  a  legislação  prevê  que  os  meios  de  intimação  não  estão  sujeitos  a  ordem de preferência (art. 23, caput e § 3o do Decreto 70.235/1972).  Ocorre  que, no  caso  dos  autos,  a  contribuinte  foi,  no mínimo,  induzida  a  concluir  que  a  informação  sobre  a  intimação  por  meio  eletrônico  ocorreria  processo  a  processo. Isso porque, mesmo após ter optado pelo DTE, permaneceu recebendo as intimações  relativas ao presente processo por via postal.  Assim  é  que,  para  o  caso  dos  autos,  aquela  que  seria  apenas  uma  das  interpretações possíveis acabou por ser chancelada pela Receita Federal quando a contribuinte,  a despeito de  ter optado pelo DTE, permaneceu  recebendo as  intimações dos presentes autos  por meio postal.  Não se nega que o §3o do artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que  os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo ­­ quais sejam: pessoal, postal e  eletrônico  ­­  não  estão  sujeitos  a  ordem  de  preferência.  Todavia,  isso  não  significa  que  a  Receita Federal  possa  alternar  entre um e outro  discricionariamente,  pois  tal  comportamento  coloca em xeque princípios como o da segurança jurídica, da lealdade processual e até mesmo  da moralidade administrativa.  De se ressaltar que o §3o do art. 26 da Lei n. 9.784/1999 – diploma legal que  regula os processos administrativos no seio da Administração Pública Federal – prevê que as  intimações devem ser feitas de modo a assegurar a certeza de que o interessado teve ciência do  conteúdo do respectivo ato.  Assim,  mesmo  que  se  admitisse  que  a  adesão  ao  DTE  importa  imediata  anuência  ao  recebimento  de  intimações  por  via  postal  ­­  o  que,  vale  ressaltar,  não  é  o  entendimento  desta Relatora,  conforme  acima  detalhado  ­­  fato  é  que,  no  caso,  se  a  própria  Receita Federal, mesmo após a adesão ao DTE, enviou a intimação do auto de infração por via  postal, ela criou na contribuinte a expectativa válida de que os atos do presente processo seriam  praticados por via postal e não eletronicamente.  O  processo  administrativo  não  é  uma  arena  de  duelo,  mas  um  local  onde  Fisco  e  contribuinte  buscam  a  correta  apuração  do  fato  gerador,  com  respeito  e  cooperação.  Aceitar  que  a  Receita  Federal  possa  trocar  a  forma  de  intimação  do  contribuinte  sem  que  tenha havido qualquer alteração nos  contextos  jurídico ou  fático  subjacentes  ­­ ou  seja,  sem qualquer alteração legal, sem específica comunicação e sem que o contribuinte tenha dado  causa a tal alteração ­­ é corroborar com um ambiente de insegurança processual e deslealdade,  Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.815          9 premiando  o  mais  esperto  no  jogo  com  as  regras,  em  detrimento  de  quem  se  comporta  orientado a seu efetivo cumprimento.  Assim também entende a doutrina especializada:    Irretocáveis,  neste  sentido,  as  observações  feitas  pelo  o  voto  condutor  do  acórdão  1101­001.077,  indicado  como  paradigma  (voto  vencido  no  mérito,  mas  que  foi  vencedor quanto à preliminar de tempestividade naquele caso):  Ora, o fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações  neste  processo  em meio  físico  aliado  à  necessidade de  o Fisco  informar ao sujeito passivo o processo em que serão realizadas  intimações eletrônicas revelam que a súbita alteração na forma  de  proceder  no  que  tange  às  comunicações  é  geradora  de  insegurança.  Essa insegurança não pode estar presente quando se está diante  de  intimação  de  ato  de  órgão  julgador  a  respeito  do  qual  é  latente o interesse de recorrer do contribuinte, mormente diante  da disposição inserta no §3o do art. 26 da Lei n. 9.784 – diploma  legal  que  regula  os  processos  administrativos  no  seio  da  Administração Pública Federal  –,  que  prevê  que  as  intimações  devem  ser  feitas  de  modo  a  assegurar  a  certeza  de  que  o  interessado teve ciência do conteúdo do respectivo ato.  Frise­se que o que tem lugar no vertente processo é apenas um  exemplo  dos  bastantes  casos  em  que  contribuintes  altamente  aparelhados  e  familiarizados  com  procedimentos  fiscais  –  sujeitos  passivos  esses  que  por  sua  vez  são  assessorados  por  respeitáveis bancas de advogados e de profissionais da  ciência  contábil – têm problemas relacionados a intimações eletrônicas,  cenário esse que ratifica as conclusões atinentes à  insegurança  ínsita ao sistema em apreço.  Diante  do  contexto  acima,  portanto,  compreendo  que  deve­se  ter  o  recurso  voluntário como tempestivo, eis que apresentado espontaneamente.  Observo, ademais, que nos  termos do Termo de Abertura de Documento de  fl. 1.209, a Recorrente acessou o teor do acórdão de impugnação na data 12 de janeiro de 2015,  pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte  (Portal  e­CAC),  através  da  opção  Consulta  Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 13855.720077/2014­02  Acórdão n.º 9101­004.088  CSRF­T1  Fl. 1.816          10 Comunicados/Intimações ou Consulta Processos. A apresentação do recurso voluntário se deu  dentro  dos  30  dias  seguintes  a  tal  primeiro  e  efetivo  acesso,  mais  precisamente  em  20  de  janeiro de 2015, fato que referenda a boa fé da contribuinte no caso dos autos.   Assim, compreendo que a decisão recorrida deve ser reformada, admitindo­se  o recurso voluntário da contribuinte, porque tempestivo, com o retorno dos autos à turma a quo  para a análise do mérito, a qual foi prejudicada em razão da decisão pela intempestividade.    Conclusão  Ante  o  exposto,  oriento  meu  voto  por  conhecer  do  recurso  especial  do  contribuinte  para,  no mérito,  dar­lhe  provimento,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  turma  ordinária para análise do mérito.      (assinado digitalmente)  Livia De Carli Germano                            Fl. 1816DF CARF MF

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Numero do processo: 13808.001898/2001-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação.
Numero da decisão: 2002-001.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI

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2002­001.013  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  24 de abril de 2019  Matéria  IRPF  Recorrente  JULIA PAVESI LIAD DAS NEVES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 1998  IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS  A  regra  geral  é  a  oferta  da  totalidade  dos  rendimentos  auferidos  pelo  contribuinte à tributação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Thiago Duca Amoni ­ Relator.  Participaram  das  sessões  virtuais  não  presenciais  os  conselheiros  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  (Presidente),  Virgílio  Cansino  Gil,  Thiago  Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.      Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 18 98 /2 00 1- 89 Fl. 76DF CARF MF     2 Notificação de lançamento  Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e­fls. 07 a 11),  relativa a  imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de  rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício.  Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar  de R$5.816,55, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora.  Impugnação   A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às e­fls. 02 a 15 dos  autos, que conforme decisão da DRJ:    Inconformada,  a  contribuinte  apresenta  em  25/04/2001,  impugnação  ao  lançamento  de  fls.  01  a  05,  alegando,  em  síntese:    ­  que  a  autuação  se  deu  em  face  da  omissão  de  rendimentos  recebidos do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo;    ­ que desses rendimentos, essa Autarquia deveria ter retido na  fonte a parte do Imposto de Renda, mas assim não procedeu por  força  de medida  liminar  concedida  nos  autos  do Mandado  de  Segurança n° 980013070­5, que tramitou na 9” Vara da justiça  Federal;    ­  que  estava  e  ainda  está  amparada  por  ordem  judicial,  cujo  processo  em  que  foi  proferida  ainda  encontra­se  sub  judice,  razão pela qual não cometeu nenhuma infração e não poderia  ter sido autuada;    ­  que a discussão  sobre a  retenção de  imposto na  fonte ainda  não se findou, já que a questão está sub judice;    ­ que não houve a infração apontada na autuação.    Por  fim,  anexa  jurisprudência  sobre  a  incidência  de  mora  quando  o  contribuinte  recorre  ao  judiciário  e  requer  o  acolhimento  de  sua  impugnação para  considerar  indevidas  as  cobranças de multa e juros e para restabelecer sua declaração  originalmente apresentada.    A  impugnação  foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/BSA e, por unanimidade,  em 22/01/2004, no acórdão 12.005, às e­fls. 41 a 43, julgou a impugnação improcedente.  Recurso voluntário  Ainda  inconformada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  às  e­fls.  53 a 69 no qual alega, em síntese, que:  Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13808.001898/2001­89  Acórdão n.º 2002­001.013  S2­C0T2  Fl. 77          3 · impetrara mandado de segurança de nº 98.00l3070­5, que tramitou na  9ª Vara da  Justiça Federal  pleiteando  a  não  retenção  de  Imposto  de  Renda na fonte.  · a  liminar  concedida,  posteriormente,  quando  da  análise  do  mérito,  perdeu deus efeitos;  · seus  rendimentos  não  podem  ser  considerados  como  omitidos,  vez  que estava sob guarida de uma decisão judicial;  · junta  petição,  às  e­fls.  68,  alegando  ser  isenta  de  IRPF,  anexando  atestado médico às e­fls. 69.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Thiago Duca Amoni ­ Relator  Pelo  que  consta  no  processo,  o  recurso  é  tempestivo,  já  que  o  contribuinte  foi  intimado  do  teor  do  acórdão  da  DRJ  em  07/12/2007,  e­fls.  46,  e  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário em 28/12/2007, e­fls. 60, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto,  dele conheço.  Conforme  os  autos,  o  lançamento  tributário  foi  baseado  na  omissão  de  rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. A DRJ manteve a autuação  sob os seguintes fundamentos:    De acordo com o acompanhamento do Mandado de Segurança  n° 9800130705 (fl. 35), em 07/06/1999 foi proferida a sentença  de  mérito  julgando  improcedente  o  pleito  da  interessada.  Interposto  recurso  de  apelação,  foi  recebido  apenas  no  efeito  devolutivo (fl. 36). Assim, conclui­se que a sentença de mérito,  desfavorável  à  interessada,  desde  sua  publicação,  em  16/08/1999, já proferia seus efeitos.    Assim,  está  comprovado  que  a  contribunte  não  estava  amparada  por  medida  judicial  por  ocasião  da  autuação.  E  mais,  que  a  questão  já  foi  definitivamente  julgada  na  esfera  judicial, desfavoravelmente à interessada.    Como assim decidiu a justiça, sao tributáveis na declaração de  ajuste  anual  os  rendimentos  auferidos  pela  contribuinte,  no  valor  de R$ 72.679,22,  recebidos  do  Inst.  Prev. Do  estado  de  São Paulo, no ano­calendário de 1998.    De  acordo  com  os  autos,  o  AI  foi  emitido  em  19/02/2001  e  a  contribuinte  foi  cientificada  do  lançamento  em  26/03/2001,  quando  não  vigia  a  medida  liminar.  Sendo  portanto  devido  o  lançamento da multa de ofício.  Fl. 78DF CARF MF     4 Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  a  própria  contribuinte,  mediante  procurador,  confirma que o mandado de segurança impetrado julgou improcedente os pedidos autorais.  A  nossa  Carta  Magna  de  1988  erigiu  competências  tributárias  aos  três  entes,  rigidamente  postas,  sobretudo  quanto  a  criação  de  impostos.  Conforme  artigo  153  do  texto  constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos  de qualquer natureza:    Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  I ­ importação de produtos estrangeiros;  II ­ exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;  III ­ renda e proventos de qualquer natureza;  IV ­ produtos industrializados;  V ­ operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;  VI ­ propriedade territorial rural;   VII ­ grandes fortunas, nos termos de lei complementar.  (...)    Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e  proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e  da progressividade.   O  princípio  da  generalidade  permitirá  a  efetivação  dos  princípios  da  universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal  do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as pessoas físicas –  a  integralidade desse universo que  esteja no  território nacional,  que  auferir  renda  e proventos de  qualquer natureza  terá obrigação de  efetuar o pagamento do  imposto,  salvo  exceções prevista na  própria lei.  Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da  regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas  as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte.   Por  fim,  o  princípio  da  progressividade  também  será  aplicado  sobre  o  critério  quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal  princípio  implicará  na  incidência  gradativa,  em  percentual  maior  e,  pretensamente  de  modo  progressivo,  à  medida  que  se  dá  o  correspondente  aumento  da  base  de  cálculo  do  imposto  ou  acréscimo  patrimonial,  ou  seja,  quanto  maior  o  acréscimo  patrimonial  maior  será  a  alíquota  do  imposto devido pelo contribuinte.  Logo,  a  regra  geral  é  a  oferta  da  totalidade  dos  rendimentos  auferidos  pelo  contribuinte à tributação.  Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode  conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações.  Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13808.001898/2001­89  Acórdão n.º 2002­001.013  S2­C0T2  Fl. 78          5 É o que se extrai do caput do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN):    Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos  para a  sua concessão, os  tributos a que se aplica e,  sendo caso, o  prazo de sua duração.  Parágrafo único. A  isenção pode ser restrita a determinada região  do  território  da  entidade  tributante,  em  função de  condições  a  ela  peculiares.   Ainda, conforme o inciso II, do artigo 111 do mesmo diploma legal, interpreta­se  literalmente as hipóteses de isenção:     Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:   I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;  III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.    Logo,  configurada  a  omissão  de  rendimentos,  vez  que  a  contribuinte  não  comprovou que os rendimentos recebidos se qualificam como isentos ou não tributáveis, devendo,  à época, ofertá­los a tributação.  Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito negar­lhe provimento    (assinado digitalmente)  Thiago Duca Amoni                              Fl. 80DF CARF MF

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Numero do processo: 10410.901865/2013-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.
Numero da decisão: 3201-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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3201­005.313  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO ­ PEDIDO DE RESSARCIMENTO  Recorrente  TRIUNFO AGROINDUSTRIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS  O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não­cumulatividade  do  PIS  Pasep  e  da  COFINS  é  aquele  em  que  o  os  bens  e  serviços  cumulativamente  atenda  aos  requisitos  de  (i)  essencialidade  ou  relevância  com/ao processo produtivo ou prestação de  serviço; e  sua (ii) aferição, por  meio  do  cotejo  entre  os  elementos  (bens  e  serviços)  e  a  atividade  desenvolvida pela empresa.  PROCESSO  PRODUTIVO.  PRODUÇÃO  DE  AÇÚCAR  E  ÁLCOOL.  ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO  Os  custos  incorridos  com  bens  e  serviços  aplicados  no  cultivo  da  cana  de  açúcar  guardam  estreita  relação  de  relevância  e  essencialidade  com  o  processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e  configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do  crédito das contribuições não­cumulativas.  REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE  DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE  CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE.  No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de  bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados  à  venda,  suportado  pelo  comprador,  e  devida  à  pessoa  jurídica,  propicia  a  dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens.  CRÉDITOS  DE  INSUMOS.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO­CUMULATIVAS.  SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS  E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 18 65 /2 01 3- 40 Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.823          2 Os  serviços  e  bens  utilizados  na  manutenção  de  veículos,  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  geram  direito  a  crédito  das  contribuições para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  VEÍCULOS,  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  CRÉDITO  SOBRE  DEPRECIAÇÃO.  UTILIZAÇÃO  EM  ETAPAS  DO  PROCESSO  PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.   A  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  sobre  encargos  de  depreciação  em  relação  a  veículos,  máquinas  e  equipamentos  adquiridos  e  utilizados  em  etapas  pertinentes  e  essenciais  à  produção  e  à  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda,  conforme  disciplinado  pela  Secretaria  da  Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  DESPESAS  COM  ARMAZENAGEM  E  FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.  Concede­se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete  contratado  relacionado  a  operações  de  venda,  desde  que  amparado  em  documentos  fiscal  e  o  ônus  tenha  sido  suportado  pela  pessoa  jurídica  vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial  ao Recurso Voluntário,  apenas para conceder o  crédito das  contribuições  para o PIS/Cofins, revertendo­se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e  3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e  legislação pertinente à matéria:  I  ­  Serviços  utilizados  como  insumos  na  fase  agrícola:  (item  1.1)  Serviços  de  Terceiros­ Equipamentos  Agrícolas:  serviços  de  manutenção  e  solda  em  equipamentos  agrícolas  e  de  irrigação, e  serviços de  "lavagem de  roupas­herbicidas";  (item 1.2) Manutenção e Reparo de  Equipamentos  Agrícolas:  peças  aplicadas  por  terceiros  na  manutenção  de  implementos  agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através  da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados  em veículos próprios, utilizados no transporte de cana);  II ­ Bens utilizados como insumos na  fase  agrícola  (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus  e Câmaras, Material  de  Manutenção,  utilizados  em  veículos  empregados  especificamente  na  movimentação  e  transporte da cana­de­açúcar e nos centros de custos  relacionados à  fase  agrícola,  tais como:  Adutoras,  Pivôs,  Carregadeiras,  Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador,  Aplicação  de  Herbicidas, Produção de Mudas; III ­ Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação  de  açúcar  e  álcool  (itens  "4.1"  e  "4.2")  ­  transporte  de  resíduos  industriais;  serviços  de  dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que  utilizados  na  limpeza  de  instalações  industriais;  e  produtos  químicos  específicos  para  tratamento de águas; IV ­ Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura  ou  transporte  da  cana; e V ­ Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas.  (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ Presidente em Exercício e Relator  Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.824          3 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Giovani  Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Marcos  Roberto  da  Silva  (suplente  convocado  em  substituição  ao  conselheiro  Charles  Mayer  de  Castro  Souza),  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Laercio  Cruz  Uliana  Junior  e  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira  (Presidente  em  Exercício).  Ausente  o  conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.  Relatório  Para bem relatar os fatos, transcreve­se o relatório da decisão proferida pela  autoridade a quo no Acórdão nº 14­64.836:  Trata­se  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  créditos  do  PIS  não  cumulativo  do  1º  Trimestre  de  2012,  no  importe  de  R$  202.904,74,  formalizado  por  meio  do  PER/DCOMP  nº  00496.77505.190413.1.5.08­4601  (fls.  34/41),  ao  qual  a  contribuinte  vinculou  declarações  de  compensação  nas  quais  procurou  extinguir  débitos  próprios,  relativos  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB.  Analisada a pretensão,  foi  emitido o Despacho Decisório nº de  Rastreamento 095447493 (fl. 42), no qual o direito creditório foi  reconhecido  parcialmente,  disso  resultando  declaração  de  compensação  homologada  parcialmente,  declarações  de  compensação  não  homologadas  e  inexistência  de  saldo  a  ser  ressarcido.  Os  fundamentos  da  decisão  estão  no  Relatório  Fiscal  de  fls.  1642/1675,  no  qual  a  autoridade  fiscal  se  manifestou  pelo  deferimento  parcial  do  pedido,  e  expôs  os  motivos  de  seu  entendimento, conforme segue.  Inicia  esclarecendo  que:  a  empresa  dedica­se  à  produção  e  comercialização  de  açúcar  e  álcool  utilizando  como  matéria­ prima  básica  a  cana­de­açúcar  obtida  mediante  produção  própria ou adquirida de terceiros; como a maioria das empresas  deste  ramo,  tem  produção  sazonal,  normalmente  ocorrendo  o  período de safra/produção entre os meses de setembro a março;  a  comercialização  é  feita  tanto  no  mercado  interno  como  no  externo, sendo que o açúcar é predominantemente exportado e o  álcool é majoritariamente comercializado no mercado interno.  Passa  a  tratar  dos  créditos  glosados  informando  inicialmente  que o conceito de insumo, para fins de apuração de créditos da  não cumulatividade do PIS e da Cofins está regido em legislação  própria  e  não  pode  ser  confundido  nem  interpretado  à  luz  da  legislação do IRPJ.  Relata que em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a  contribuinte  apresentou  planilhas  detalhadas  em  que  demonstrava  a memória  de  cálculo  dos  valores  de  crédito  que  informou  no  DACON  e  que  embasaram  seus  Pedidos  de  Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.825          4 Ressarcimento. Informa ainda que estas planilhas apresentavam  os  insumos  “que  foram  utilizados  para  compor  os  créditos  discriminados  por  utilização  em  AGRICULTURA  ou  INDÚSTRIA”.  Diz  ainda  que,  na  AGRICULTURA,  a  contribuinte incluiu também “as despesas (serviços, fretes, peças  de  veículos...)  com  o  transporte  e  movimentação  de  cana­de­ açúcar, tanto a cana adquirida de terceiros como também a cana  produzida  em  suas  diversas  fazendas  até  a  unidade  fabril”.  Ressalta (os destaques são do original):  Ora,  em  relação  aos  gastos  ocorridos  na  Agricultura,  tais  aquisições não poderiam gerar direito aos créditos pleiteados por  tratar­se de ciclos produtivos diferentes: um, a atividade rural de  cultivo da cana­de­açúcar e outro, a produção de álcool e açúcar.  A contribuinte fabrica açúcar e álcool, e além disso, cultiva parte  da cana­de­açúcar que utiliza na própria atividade industrial.  Entende a Receita Federal que a fabricação de açúcar e álcool e a  produção de cana­de­açúcar  são dois processos diferentes e que  não  se  confundem  para  fins  de  apuração  de  PIS  e  Cofins  no  regime  não­cumulativo.  Além  disso,  não  representam  gastos  com insumos utilizados na produção de produtos destinados  à  venda  e  sim  gastos/insumos  utilizados  na  obtenção  de  matérias prima para o próprio consumo.  Note­se que a empresa não vende cana e sim açúcar e álcool e  a  legislação  do  PIS/COFINS  é  clara  quando  restringe  o  direito  ao  crédito  apenas  a  insumos  utilizados  na  produção  ou fabricação de produtos destinados à venda.  Registra  que  este  entendimento  está  expresso  em  diversas  Soluções de Consulta, das quais transcreve trechos, e ainda, que  o mesmo entendimento se aplica a outras atividades do segmento  agroindustrial  como,  por  exemplo,  siderúrgicas  com  produção  própria  de  carvão  vegetal,  indústria  de  papel  com  produção  própria de eucaliptos, e acrescenta:  E não é só. Mesmo na absurda hipótese de creditamento de bens  e  serviços  aplicados  na  área  agrícola,  nem  assim  os  supostos  créditos  seriam  integrais,  uma  vez  que  a  maioria  das  atividades  agrícolas  (entre  as  quais  se  inclui  a  produção  de  cana...), está sujeita a que parte dos seus custos com preparo e  plantio  seja  imobilizada  através  da  EXAUSTÃO  e,  ao  contrário  da  depreciação  e  da  amortização,  não  existe  qualquer  previsão  legal  para  o  creditamento  de  quotas  de  exaustão.  (...)  (destaques no original)  Apresenta, em nota de rodapé, a seguinte observação:  A  empresa  apresentou  uma  planilha  denominada  Serviços  de  Terceiros­Agrícola  na  qual  relacionava  todos  os  serviços  de  manutenção,  frete  de  cana,  solda,  diversos,....efetuados  na  área  agrícola.  Para  fins  de  melhor  visualização,  a  ação  fiscal  "quebrou" esta planilha em várias outras de acordo com o tipo do  serviço  prestado:  Frete  de  Cana,  Serviços  de  Terceiros­ manutenção  e  solda  de  equipamentos  agrícolas,  Serviços  Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.826          5 Diversos e Serviços de Terceiros­manutenção e solda de veículos  e equipamentos de transporte. A mesma "quebra" foi efetuada na  Planilha  Manutenção  e  Reparos,  que  foi  dividida  em  Equipamentos Agrícolas e Transporte. Convém acrescentar que a  "quebra"  não  implicou  alteração  nos  valores  totais,  que,  de  qualquer forma e independentemente da divisão adotada, seriam  glosados, uma vez que referem­se a atividades que não ensejam  creditamento.  Passa  então  a  informar  as  glosas  efetuadas,  relativas  a  aquisições para a área agrícola:  1.1  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  ­  ÁREA  AGRÍCOLA   Do  valor  total  de  Serviços  Utilizados  como  Insumos  foram  glosados os seguintes créditos referentes a agricultura:  •  Serviços  de  Terceiros­Equipamentos  Agrícolas:  serviços  de  manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação;  • Serviços Diversos: outros créditos de serviços na área agrícola,  de  natureza  indireta  e  administrativa,  tais  como  Consultoria  Agrícola, Consultoria  em Meio Ambiente,  Lavagem de Roupa­ Herbicidas e Manutenção de Programas de Computador.  •  Manutenção  e  Reparo  de  Equipamentos  Agrícolas:  peças  aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas  e irrigação.  Os  valores  glosados  estão  demonstrados  abaixo  e  também  nas  Planilhas  “Apuração  dos  Valores  de  Serviços  utilizados  como  Insumos”  e  “Serviços  de  Terceiros  Prestados  na  Agricultura­ Creditamentos Glosados”, Anexo 04.  (...)  1.  2  BENS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  ­  ÁREA  AGRÍCOLA   Conforme exposto anteriormente, em suas planilhas apresentadas  a empresa englobou como “Agricultura” as despesas referentes à  aquisição  de  bens  utilizados  em  automóveis  e  veículos  para  a  movimentação  e  transporte  da  cana  de  açúcar.  Além  disso,  apresentou  todas  as  aquisições  em  uma  única  planilha  (“Bens­ Insumos”), sem separação por tipo ou natureza do bem.  Com  o  objetivo  de  melhor  apresentação  e  visualização  dos  créditos glosados, a ação fiscal separou os bens nas planilhas da  empresa,  utilizando  a  mesma  classificação  existente  na  Contabilidade  (SPED  Contábil­Req.  1dffe5fa­2f93­48db­9308­ 3175c5a3a827,  Anexo  01),  ou  seja,  Óleo  Diesel,  Material  Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção.  A seguir,  a empresa  foi  intimada a  identificar centros de custos  (item  2  do  Termo  de  Intimação  n°  03)  e,  com  base  nas  informações  recebidas  (Respostas Apresentadas  pela Empresa  ­  Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.827          6 Anexo  03)  e  com  base  nas  informações  contábeis  que  identificavam  o  centro  de  custo  para  o  qual  o  material  foi  requisitado,  foram  separados  aqueles  gastos  específicos  da  agricultura  (  bens  utilizados  em  tratores,  colheitadeiras,  equipamentos  de  irrigação,...)  daqueles  mais  específicos  do  transporte  (caminhões,  automóveis,  motos,..).  Em  Agricultura  foram considerados centros de custos tais como, Adutoras, Pivôs,  Carregadeiras, Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador, Aplicação  de  Herbicidas,  Produção  de  Mudas,....  Em  Transportes  foram  classificados os centros de custos Toyota Hillux, Fiat Uno, Ford  Cargo, Caminhão MBB, Moto Honda, Pajero TR4, Reboques,...  Os  valores  contábeis  foram  separados  por  Agricultura  e  Transporte e os percentuais obtidos aplicados sobre as aquisições  constantes nas planilhas da empresa: Óleo Diesel, Lubrificantes,  Pneus e Câmaras e Material de Manutenção.  Os  valores  glosados  estão  relacionados  abaixo  e  também  nas  Planilhas  da  Ação  Fiscal  “Apuração  do  Rateio  entre  Bens  Utilizados  na  Área  Agrícola  e  no  Transporte  de  Cana”  e  “Apuração  dos  Valores  de  Bens  Utilizados  como  Insumos”  (Anexo 05).  1.  3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA  ÁREA AGRÍCOLA   Outros  créditos  também  foram  glosados  na  área  Agrícola,  tais  como  o  Frete  de  Compras,  Transporte  de  Cana,  Transporte  de  Pessoal  e  Aluguéis  de  Veículos,  os  quais  se  encontram  apresentados em tópicos específicos, a seguir.  Discorre  então  sobre  os  fretes  de  compras,  salientando  a  inexistência de previsão legal para a apuração de créditos  sobre  tais despesas. Depois,  justifica as glosas  relativas a  “Frete de Compras na Aquisição de Bens” e, a seguir, as  glosas  relativas  a  “Frete  de  Compras  na  Aquisição  de  Cana­de­Açúcar de Terceiros”.  Na sequência, trata dos créditos glosados no transporte de  cana:  A empresa possui diversas  fazendas onde planta cana­de­açúcar  que é utilizada para consumo próprio em sua unidade fabril. Uma  vez  colhida  esta  cana  é  transportada  de  seus  estabelecimentos  agrícolas  até  a  sua  unidade  fabril.  Neste  processo  de  movimentação da matéria­prima, a empresa tanto utiliza sua frota  própria  de  caminhões  e  reboques  como  também  pode  utilizar  serviços de terceiros.  Nos  dois  casos  trata­se  da  mesma  situação,  que  é  o  comumente chamado “frete interno”, ou seja, o transporte de  matéria­prima, produto em elaboração ou produtos acabados  entre  estabelecimentos  de  uma mesma  empresa.  E  o  crédito  para tal tipo de transporte é totalmente vedado pela legislação e  Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.828          7 por  inúmeras  Soluções  de  Consulta  e  Julgamento.  Confiram­se  algumas:  Cita soluções de consulta, bem como acórdãos de diversas  DRJ, e conclui:  Abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens  Utilizados como Insumos” (Anexo 05) e “Apuração dos Valores  de  Serviços  Utilizados  como  Insumos”,  “Serviços  com  Creditamento  Glosado”  e  “Detalhamento  da  Apuração  das  Glosas  em  Frete  de  Cana:  Própria  e  Adquirida  de  Terceiros”  (Anexo 04) estão demonstrados os valores glosados.  Prossegue (destaques no original):  Em  Bens  Aplicados  em  Equipamentos  e  Veículos  de  Transporte  de  Cana:  Óleo  Diesel,  Lubrificantes,  Pneus  e  Câmaras,  Material  de  Manutenção,  Os  critérios  utilizados  na  segregação  destes  créditos  foram  os  já  expostos  no  item  1.2  –  Bens utilizados como Insumos – Área Agrícola.  (...)  Em Serviços Aplicados  em Equipamentos  e Veículos para  o  Transporte de Cana: Serviços de Terceiros­Caminhões, Motos  e  Automóveis,  Manutenção  e  Reparo  de  Veículos  e  Equipamentos de Transporte e Frete de Cana.  (...)  A seguir, o Auditor­Fiscal discorre sobre os créditos glosados na  indústria. Sustenta (os destaques são do original):  Como  já  exposto  anteriormente,  enseja  o  creditamento  a  utilização de insumos na atividade de “prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda” (lei 10.833/03, art. 3o,  II), que, no caso da empresa, é a  fabricação de açúcar e álcool. No entanto, no processo de análise  dos bens e serviços que a empresa considerou em sua apuração,  foram  identificados diversos grupos de bens  e  serviços que não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  da  legislação  do  PIS/COFINS. São eles:  4.1 SERVIÇOS DE DEDETIZAÇÃO E TRANSPORTE DE  RESÍDUOS   Foram  glosados  dispêndios  com  Dedetização  e  Transporte  de  Resíduos,  abaixo  demonstrados  e  também  nas  Planilhas  “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e  “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 04).  (...)  4.2 DESINCRUSTANTES E PRODUTOS DE LIMPEZA E  TRATAMENTO DE ÁGUAS   Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.829          8 A empresa utiliza diversos produtos químicos na limpeza de suas  instalações, com o objetivo de remover incrustações tais como a  soda  cáustica  (desincrustante  geral)  e  dispersolubizante  (desincrustante para  sistema de geração de vapor). São  também  utilizados  produtos  químicos  específicos  para  tratamento  de  águas,  tais  como  P­70  e  algicidas.  Seguem  abaixo  trechos  de  algumas Soluções de Consulta sobre o assunto:  (...)  Os  valores  glosados  estão  abaixo  demonstrados  e  também  nas  Planilhas  “Apuração  dos  Valores  de  Bens  Utilizados  como  Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05).  (...)  4.3 ­ OUTROS BENS ­ DIVERSOS  Foram  também  glosadas  aquisições  diversas,  tais  como  lâmpadas,  fechaduras  para  porta,  peças  para  ar­condicionado,  ferramentas,  graxa  e  outros.  Em  relação  ao  material  de  construção glosado, convém ressaltar que a  legislação não veda  seu creditamento desde que incorporado ao bem ou instalação,  onde  passa  a  ter  seu  credito  efetuado  indiretamente  através  da  depreciação.  Sobre  a  graxa,  que  representou  a  glosa  mais  significativa,  segue  abaixo  parte  do  Acórdão  DRJ  02­  42.382  sobre o assunto:  Acórdão DRJ N° 02­42.382 de 04 de fevereiro de 2013.  GASTOS COM GRAXA   Assim,  não  procede  a  alegação  de  que  estaria  revisto  o  entendimento  contido  na  Solução  de  Divergência  COSIT  n°  12/2007, com a publicação da Solução de Divergência COSIT nº  15/2008,  uma  vez  que,  conforme  acima  demonstrado,  ambas  tratam  de  questões  específicas  diversas  e,  portanto,  convivem  perfeitamente, sem nenhuma contradição entre si.  Por  conseguinte,  a  justificativa  para  enquadramento  da  graxa  como insumo, para efeito de aproveitamento de crédito ­ por se  constituir produto indispensável à realização de suas atividades ­  cai  por  terra,  uma  vez  que  a  citada  Solução  de  Divergência  COSIT  n°  12/2007  já  abordou  profundamente  essa  questão,  conforme transcrito abaixo:  18.3)  Em  termos  técnicos,  as  graxas  são  diferentes  dos  óleos  lubrificantes, visto que elas são tidas como uma combinação de  um  fluido  com  um  espessante,  resultando  em  um  produto  homogêneo com qualidades  lubrificantes. Segundo a Agência  Nacional  do  Petróleo,  Gás  Natural  e  Biocombustíveis  (ANP),  enquanto lubrificante ou óleo lubrificante é líquido obtido por  destilação do petróleo bruto,  utilizados para  reduzir o  atrito e o  desgaste de engrenagens e peças, desde o delicado mecanismo de  relógio até os pesados mancais de navios e máquinas industriais,  a  graxa  é  lubrificante  fluido  espessado  por  adição  de  outros  agentes,  formando  uma  consistência  de  'gel'  e  tem  a  mesma  Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.830          9 função  do  óleo  lubrificante,  mas  com  consistência  semi­sólida  para  reduzir  a  tendência  do  lubrificante  a  fluir  ou  vazar.  Não  fosse  a  disposição  literal  que  se  encontra  no  art.  3°  Leis  nº  10.637,  de  2002,  e  nº  10.833,  de 2003  (“bens  utilizados  como  insumo  ...  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...”),  as graxas com certeza poderiam ser aqui incluídas. Entretanto,  o  referido  artigo  não  contém  o  termo  graxa  e,  por  isso,  não  se  pode  desonerar  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e a Cofins. Tal ocorre porque:  18.3.1)  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre  a  exclusão  do  crédito  tributário  (art.  111  do  CTN), de forma que o termo graxa deverá estar contemplado na  lei;  18.5)  Os  combustíveis  e  lubrificantes  geram  direito  ao  creditamento  não  porque  sejam  insumos  diretos  de  produção,  mas apenas por disposição legal.  (...)  19.2)  Graxas.  Trata­se,  mesmo  no  contexto  produtivo  da  interessada,  de  insumo  indireto  de  produção.  Embora  seja  uma  mercadoria  com  propriedades  lubrificantes,  difere  dos  lubrificantes,  também  ditos  óleos  lubrificantes  e,  por  isso,  deveriam  constar  literalmente  da  legislação  em  tela.  Como  tal  não  ocorre,  também  aqui  se  constata  que  não  geram  direito  a  crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins;  Os  valores  glosados  estão  abaixo  demonstrados  e  também  nas  Planilhas  “Apuração  dos  Valores  de  Bens  Utilizados  como  Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05).  O  Auditor  Fiscal  abre  então  um  tópico  intitulado  “OUTROS  VALORES  GLOSADOS”,  que  divide  em  vários sub­itens, conforme segue:  5.1 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PESSOAL   A  empresa  contrata  serviços  de  transporte  tanto  para  os  funcionários  de  sua  área  agrícola  como  também  para  funcionários da indústria.  Apesar de ser um gasto de inegável alcance social e ser aceito na  legislação do imposto de renda (evidentemente se não se revestir  de liberalidade...), tal dispêndio não é considerado insumo para a  legislação  do  PIS/COFINS,  pelo  fato  de  não  se  aplicar  diretamente  ao  processo  produtivo.  Pese  ainda  o  fato  da maior  parte deste dispêndio estar relacionada à área agrícola.  Sobre  o  assunto  convém  destacar  as  seguintes  Soluções  de  Divergência:  (...)  Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.831          10 Foram os seguintes os valores glosados,  também demonstrados  nas Planilhas e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de  Serviços  Utilizados  como  Insumos”  e  “Serviços  com  Creditamento Glosado” (Anexo 4):  (...)  5.2 – SERVIÇOS DE ALUGUEL DE VEÍCULOS   A  legislação  permite  o  creditamento  de  Aluguéis  de  Prédios,  Máquinas e Equipamentos, conforme Lei 10.833/03, art. 3º, IV:  (...)  Note­se que neste caso a própria Lei usa o termo “atividades da  empresa”  ao  contrário  de  outras  disposições  em  que  vincula  o  crédito  à  prestação  de  serviços  e  à  produção  ou  fabricação  de  bens ou produtos destinados à venda.  Desta  forma a ação fiscal aceitou todos os valores apresentados  pela empresa em sua Planilha de Serviços/Aluguel de Máquinas  e  Equipamentos.  Inclusive  aqueles  relacionados  à  Agricultura,  uma  vez  que,  repetimos,  para  este  tipo  de  dispêndio  a  Lei  não  restringiu o creditamento à produção ou  fabricação de produtos  destinados à venda.  No  entanto,  e  embora  tivesse  sido  englobado  no  valor  dos  Aluguéis  de  Prédios,  Máquinas  e  Equipamentos  informado  no  DACON,  foram  glosados  os  dispêndios  com  aluguel  de  automóveis  e  aeronaves,  os  quais,  a  própria  empresa  separou  e  discriminou  em  planilhas  próprias  e  separadas  das  planilhas  de  Aluguéis de Máquinas e Equipamentos.   (...)  Foram  os  seguintes  os  valores  glosados,  também demonstrados  nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  de  Vendas”  e  Relatório  Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de  Pessoas Jurídicas, Anexo 06:  (...)  5.3 –DEPRECIAÇÃO   A  legislação  do PIS/COFINS vincula  o  direito  ao  creditamento  de encargos de depreciação à utilização dos bens na prestação de  serviços ou na produção de bens destinados à venda. Confira­se o  art. 3o da lei 10.833/03:  (...)  Desta  forma encargos de depreciação de bens não utilizados na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  não  ensejam  aproveitamento  de  crédito.  É  o  caso  de  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura  ou  transporte da cana, conforme já exposto em itens anteriores.  Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.832          11 Convém ressaltar que, mesmo na absurda hipótese de concessão  de  crédito  para  agricultura  e  transporte  de  cana,  nem  assim  os  valores  apresentados  pela  empresa  poderiam  ser  integralmente  acatados,  uma  vez  que  a  empresa  incluiu  bens  do  tipo  “Nissan  Livina”,  “Mitsubshi  L  200”,  “Pajero  TR  4”  e  outros,  que  nem  com muita  boa  vontade,  poderiam  ser  considerados  integrantes  de um processo produtivo de fabricação de açúcar e álcool.  Mesmo no processo de fabricação do açúcar e do álcool também  foram encontrados bens que, que embora alocados fisicamente na  área  industrial,  não  se  enquadram  no  conceito  de  utilização  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  como  por  exemplo,  bomba centrífuga na casa de hóspedes, quadro de distribuição de  energia do banheiro industrial, roupeiro em aço, águas residuais,  betoneira, ferramentas manuais, splits, ar condicionado, escadas,  e outros.  (...)  O detalhamento dos itens glosados está demonstrado na Planilha  “Apuração  das  Glosas  em  Depreciação”  e  “Apuração  dos  Valores  de  Encargos  de  Depreciação  e  Ajustes  Negativos”,  Anexo 06.  5.4.  DUPLICIDADE  NO  APROVEITAMENTO  DE  CRÉDITOS   A empresa adquire partes e peças para uso normal em máquinas,  equipamentos e  instalações de seu processo produtivo. É o caso  de fusíveis, parafusos, material elétrico, perfis, contatores, tubos,  etc... Tais materiais ensejam direito a crédito e são normalmente  creditados quando de sua aquisição.  No entanto estas mesmas peças  também podem ser  requisitadas  do  Almoxarifado  para  o  Ativo  Imobilizado,  geralmente  em  grandes  reformas  ou  recuperações  na  conta  142010990002  ­  Obras em Andamento.  Ao  se  analisar  os  registros  contábeis  desta  conta  foram  observadas  inúmeras  contabilizações  de  grupos  de  contas  (Material Elétrico e Material de Manutenção) que tem seu crédito  apropriado quando da aquisição.  No  Termo  de  Intimação  n°  04  a  empresa  foi  intimada  a  apresentar  dados  dos  materiais  requisitados  para  essa  conta  e  constatou­se que para os Grupos Material Elétrico e Material de  Manutenção,  a maioria dos materiais  requisitados,  constava nas  Planilhas  de Bens­Insumos  apresentadas  pela  empresa,  ou  seja,  tiveram seu crédito apropriado no momento da aquisição.  O problema é que, quando termina a  recuperação ou reforma, o  valor registrado em Obras em Andamento é creditado e debitado  à conta específica do bem no Ativo Imobilizado. E, a partir do  momento em que a reforma ou instalação é ativada, a mesma  peça  que  teve  seu  crédito  apropriado  quando  de  sua  Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.833          12 aquisição,  passa  a  ser  novamente  creditada,  através  da  depreciação do bem no qual foi empregada.  Em resumo, uma clara  (e  ilegal)  situação de duplicidade na  apropriação de créditos.  Como é muito difícil definir o destino de uma peça de uso geral,  o  procedimento  correto  seria  o  de  apropriar  a  totalidade  do  crédito  na  aquisição,  porém  efetuando  o  estorno  proporcional  quando  de  uma  eventual  e  posterior  destinação  ao  Ativo  Imobilizado. Para tal a empresa poderia ter utilizado a Linha  do DACON de “Ajustes Negativos de Crédito”. No entanto os  valores  que  a  empresa  registrou  nesta  linha  referem­se  apenas a devoluções de compra.  No  Termo  de  Intimação  N°  9  a  empresa  foi  então  intimada  a  apresentar,  em  arquivo  magnético,  os  materiais  requisitados  para  Obras  em  Andamento.  No  arquivo  apresentado  a  ação  fiscal  desconsiderou  da  apuração  aqueles  materiais  que  não  foram  objeto  de  creditamento  na  entrada,  tais  como  tintas,  eletrodos, cimento e outros. Também  foram desconsiderados os  materiais que  já  tinham sido glosados por não se enquadrarem  no conceito de insumos, tais como lâmpadas e tomadas.  Abaixo e nas planilhas “Glosa de Bens Utilizados como Insumos  ­ Duplicidade na Apuração do Crédito ­ Bens com Creditamento  na Aquisição Requisitados para o Ativo Fixo” e “Apuração dos  Créditos  de  Depreciação  dos  Bens  do  Ativo  Imobilizado  e  Ajustes  Negativos”,  Anexo  06,  estão  demonstrados  os  valores  apurados:   (...)  5.  5.  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM  E  FRETE  DE  VENDAS   A maior parte da produção de açúcar da empresa é destinada e  transferida  para  os  armazéns  da  CRPAAAL­Cooperativa  Regional  dos  Produtores  de Açúcar  e Álcool  de Alagoas,  onde  fica  armazenada  aguardando  uma  futura  venda.  Esta  situação  ficou evidenciada através da Diligência efetuada na CRPAAAL,  em que esta foi intimada a apresentar os recebimentos de açúcar  da  Usina  Triunfo  (Anexo  1  ­  Termos  da  Ação  Fiscal).  Na  resposta apresentada (Anexo 3 ­ Cartas e Respostas da Empresa e  Diligências)  ,  vê­se  claramente que  a maior parte do açúcar  foi  destinada  aos  armazéns  da  Cooperativa.  Mesmo  boa  parte  do  açúcar  destinado  à  exportação  também  não  foi  transferida  diretamente  ao  Porto  de  Maceió,  mas  sim  a  um  armazém  da  Cooperativa em Marechal Deodoro, onde ficou armazenada até o  seu transporte ao Porto.  Para  confirmar  esta  situação,  o  Porto  de  Maceió,  através  da  EMPAT­Empresa  Alagoana  de  Terminais  Ltda,  também  foi  diligenciado  no  sentido  de  informar  os  recebimentos  de  açúcar  para exportação da Usina Triunfo.  Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.834          13 Na  resposta  apresentada  (Anexo  3  ­  Cartas  e  Respostas  da  Empresa  e  Diligências),  a  EMPAT  discriminou  todos  os  recebimentos  de  açúcar,  datas,  quantidades  e  transportadora.  Constatou­se que a maior parte do açúcar foi transportado através  da  “Transportadora  Padre  Cícero”  que  nem  sequer  foi  relacionada  dentre  os  Fretes  de  Venda  com  direito  a  crédito  informados na Planilha apresentada pela Usina Triunfo (Anexo 2  ­ Planilhas Apresentadas pela Empresa ­ Serviços).  Ou  seja,  açúcar  transportado dos  armazéns  da Cooperativa  para o Terminal da EMPAT.  Nesta  situação  fica  claro  que  não  existe  nenhuma  vinculação  entre  o  frete  e  a  venda.  Tanto  assim,  que  não  há,  no  Conhecimento de Transporte, nenhuma indicação de quem seja o  cliente da mercadoria. Na realidade trata­se de “frete interno” ou  “frete  logístico”,  ou  ainda  “frete  para  formação  de  estoque”,  o  qual  não  apresenta  qualquer  relação  com  a  efetiva  operação  de  venda. Sobre o assunto já foram emanadas diversas Soluções de  Consulta, cujos trechos de maior interesse abaixo transcrevemos:  (...)  E mesmo para os demais fretes de vendas, ao cotejar a Planilha  de  Fretes  de  Venda  apresentada  pela  empresa  com  as  informações recebidas nas Diligências, constatou­se ainda que:  • A Usina Triunfo  se  creditou  de  fretes  de  transportadoras  que  não foram relacionadas dentre as transportadoras que entregaram  o  açúcar  no  Terminal  da  EMPAT,  como  por  exemplo,  A  J  B  Transportes e Sandoval F de Moraes.  •  E  mesmo  dentre  as  transportadoras  relacionadas,  foram  verificadas  discrepâncias,  como  por  exemplo  o  fato  de  a Usina  Triunfo ter se creditado de fretes da “R de Oliveira Transportes”  desde  início  de  2009  quando,  de  acordo  com  informações  da  EMPAT,  tal empresa só começou a realizar entregas no Porto a  partir  de  Setembro  de  2009.  Também  foram  verificados  alguns  fretes de transportadoras dos quais a Usina Triunfo se apropriou  de  créditos,  não  compatíveis  com  as  informações  de  datas  e  quantidades fornecidas pela EMPAT/CRPAAA.  Foram  os  seguintes  os  valores  glosados,  também demonstrados  nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  de  Vendas”  e  Relatório  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  de  Vendas­  Creditamentos  Glosados, Anexo 06:  (...)  O  Auditor­Fiscal  apresenta  então  um  tópico  intitulado  “APURAÇÃO  DOS  VALORES  DO  CRÉDITO”,  no  qual  esclarece:  Como consequência das glosas efetuadas foram apurados novos  valores  de  crédito,  demonstrados  na  Planilha  “Resumo  da  Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.835          14 Apuração  dos Créditos”  e  “Apuração  dos Valores  dos Créditos  Passíveis de Ressarcimento”, Anexo 06.  (...)  O  valor  correto  apurado  para  o  Pedido  de  Ressarcimento  em  questão totalizou R$ 68.982,82 (sessenta e oito mil novecentos e  oitenta  e  dois  reais  e  oitenta  e  dois  centavos).  As  glosas  de  crédito  totalizaram  R$  133.921,92  (cento  e  trinta  e  três  mil  novecentos  e  vinte  e  um  reais  e  noventa  e  dois  centavos)  correspondente  ao  somatório  dos  valores  indevidamente  solicitados.  Por fim, apresenta uma “Relação de Anexos”.  Cientificada  do  Despacho  Decisório  por  via  postal  em  15/12/2014,  conforme Aviso de Recebimento – AR de  fl. 46,  no  dia  09/01/2015  a  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade de fls. 02/07.  Após  breve  resumo  do  objeto  da  manifestação  de  inconformidade,  a  contribuinte  passa  a  contestar  as  glosas  efetuadas alegando, inicialmente, que a autoridade fiscal teria se  equivocado na glosa dos créditos. Transcreve o caput e o inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  sustenta:  É  claro  o  dispositivo  em  comento  ao  prever  a  possibilidade  de  utilização pelo contribuinte de créditos calculados sobre os bens  e serviços utilizados como insumos da produção de bens.  No  caso  em  questão,  resta  incontroverso  que  a  Manifestante  exerce atividade agroindustrial, consistente no cultivo da cana de  açúcar e sua transformação em açúcar e álcool.  Assim,  os  gastos  com  a  aquisição  de  bens  e  as  despesas  incorridas no processo produtivo da Manifestante geram o direito  à apropriação do crédito a título de PIS não cumulativo.  Analisando­se  o  despacho  decisório  ora  combatido,  observa­se  que  a  decisão  combatida,  ao  glosar  diversos  créditos  utilizados  pela  Manifestante,  ignorou  as  especificidades  da  atividade  agroindustrial por ela desenvolvida, cindindo, de forma absurda,  as  atividades  agrícolas  e  industriais,  com  o  único  propósito  de  impedir  a  plena  fruição  dos  créditos  que  a  legislação  tributária  assegura ao contribuinte.  Com  efeito,  a  grande  controvérsia  estabelecida  no  Despacho  Decisório  está  em  saber  se  a Manifestante  poderia  apropriar­se  de  créditos  a  título  de  PIS  não  cumulativo  pelas  despesas  relacionadas a insumos pertinentes à etapa de cultivo da cana de  açúcar  que  será  utilizada  como  matéria  prima  no  processo  de  industrialização.  A resposta, por óbvio, só pode ser positiva. Mas não se consegue  chegar à resposta sem a exata compreensão do que seja atividade  Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.836          15 agroindustrial. E foi esse o equívoco em que incorreu o despacho  decisório aqui impugnado.  Passa então a discorrer  sobre “atividade agroindustrial”.  Além de invocar, neste sentido, o art. 22A da Lei nº 8.212,  de 24 de julho de 1991, e o art. 6º da Instrução Normativa  SRF nº 660, de 17 de  julho 2006, salienta que “a própria  Receita Federal, em seus atos normativos, reconhece que a  atividade  desenvolvida  pela Manifestante  se  enquadra  na  categoria  de  ‘agroindustrial’,  não  se  confundindo  com  a  atividade agropecuária nem com a atividade industrial em  sentido estrito”. Prossegue (os destaques são do original):  Resta  demonstrado,  portanto,  que  a  pessoa  jurídica,  como  sucede com a Manifestante, "cuja atividade econômica seja a  industrialização  de  produção  própria  ou  de  produção  própria e adquirida de terceiros" enquadra­se no conceito de  agroindústria.  Essa  premissa  é  fundamental  para  que  se  compreenda  o  direito  creditório  da  Manifestante,  que  foi  absurdamente  glosado  no  despacho decisório aqui impugnado.  A atividade agroindustrial, por imposição da definição dada  pelo  art.  22­A,  caput,  da  Lei  n°  8.212/91,  abrange  a  industrialização  da  produção  própria  ou  de  terceiros.  Portanto, tratando­se de produção própria, as despesas incorridas  na  lavoura,  plantio,  conservação,  aplicação  de  herbicidas,  adubação,  além  de  outras  geram  direito  ao  crédito  da COFINS  não cumulativa, de que trata o art. 3o da Lei n. 10.833/03.  Alega que o entendimento adotado pela fiscalização criaria  uma situação anti­isonômica, pois a aquisição de matéria­ prima, no caso, cana­de­açúcar, de terceiros daria origem  ao  crédito  presumido  da Cofins,  enquanto  a  produção  da  matéria­prima  pela  própria  industrializadora  não  seria  beneficiada com o creditamento. Acrescenta:  Assim,  usinas  de  açúcar  que  predominantemente  adquirissem  canas de açúcar através de  terceiros (fornecedores) gozariam de  uma situação fiscal muito mais favorecida (em razão do crédito  presumido  gerado  nessa  aquisição)  em  relação  às  usinas  que  optassem por  investir na produção própria da matéria­prima  (as  quais  não  teriam  direito  ao  crédito  de  insumos,  segundo  o  despacho decisório ora questionado).  Revela­se, também por esse motivo, inaceitável a glosa efetuada  no despacho decisório ora questionado.  A sub­divisão ilegal (porque colide frontalmente com o disposto  no  art.  22­A,  caput,  da  Lei  n.  8.212/91)  promovida  pelo  despacho decisório entre a fase agrícola e a fase industrial de  uma agroindústria, como se pudessem ser seccionadas para fins  de  apropriação  das  despesas  da  Manifestante,  gerou  a  glosa  equivocada.  Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.837          16 Todas  as despesas que  integram a  fase  agrícola,  envolvendo aí,  mas  não  somente:  o  tratamento  do  solo,  plantio,  manejo  e  colheita representam insumos para o processo fabril do açúcar e  do álcool.  Não  há  como  a  empresa Manifestante  produzir  açúcar  e  álcool  sem  promover  os  tratos  culturais,  plantio  e  demais  trabalhos  sobre  a  lavoura  da  cana­de­açúcar,  que  é  sua  matéria  prima  fundamental.  Essas  etapas  integram  o  seu  processo  produtivo  e  não poderiam ser seccionadas, como equivocadamente o fizera o  despacho decisório em questão, exclusivamente com o propósito  de glosar os créditos  fiscais que a Lei n. 10.833/03, em seu art.  3o, já assegura ao contribuinte.  Depois a contribuinte passa a alegar o direito à apuração  de créditos sobre todas as suas despesas incorridas na área  agrícola, bem como com transporte de pessoal,  transporte  de matéria­prima,  etc,  uma  vez  que  se  trata  de atividades  essenciais ao seu processo produtivo:  O mesmo  sucede  em  relação  aos  custos  com  frete,  serviços  de  transporte  de  pessoal,  serviços  de  dedetização,  transporte  de  resíduos,  serviços  de  manutenção  e  reparo  dos  equipamentos  agrícolas, e todos os demais serviços utilizados como insumos na  área agrícola pela empresa.  De  fato,  seria  inimaginável  que  a  Manifestante  cultivasse  a  matéria­prima fundamental por ela produzida (cana­de­açúcar) e  deixasse de realizar o transporte do que foi colhido para as suas  caldeiras, a fim de iniciar o processamento fabril.  As  diversas  despesas  com  transporte  (aí  incluindo  o  transporte  dos  trabalhadores que precisam ser deslocados entre as diversas  fazendas  onde  se  situam  os  canaviais,  assim  como  o  transporte  do produto colhido do campo para a indústria) são essenciais ao  processo  produtivo  e  integram  a  base  de  cálculo  do  crédito  previsto no art. 3o da Lei n. 10.833/03.  Não  se  pode  supor  que  esses  custos  seriam  supostamente  "indiretos",  isto  é,  não  integrariam  o  processo  produtivo,  pois,  como visto, a premissa equivocada de que se partiu no despacho  decisório para glosa dos créditos informados nas declarações de  compensação  foi  a de que os  custos  incorridos na  fase  agrícola  seriam desprezíveis.  Afirma ainda:  Como se demonstrou, o despacho decisório partiu da premissa de  que  a  Manifestante  exerceria  atividade  industrial,  quando,  na  verdade, exerce atividade agroindustrial!  A  atividade  do  contribuinte  deve  ser  vista  como  um  todo  único  e  indivisível,  segundo  a  própria  definição  extraída  do  art. 22­A, caput, da Lei n. 8.212/91. Note­se que uma simples  interpretação literal do art. 3o, II, da Lei n° 10.833/03, que alude  a  insumos  aplicados  na  “produção  ou  fabricação”  de  bens  e  Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.838          17 serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com  o direito de crédito tanto a “produção” quanto a “fabricação”.  Por fim, a contribuinte conclui:  Diante  das  considerações  acima  aduzidas,  vem  a Manifestante,  respeitosamente, à presença de V. Exa, requerer seja reformado o  despacho  decisório  exarado  nos  autos  do  processo  n.  10410.901.865/2013­40, reconhecendo em favor da Manifestante  a  totalidade  dos  créditos  informados  no  PER  00496.77505.190413.1.5.08­4601  e  nas  DCOMP’s  a  ele  correspondentes.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 14­64.836, sessão de 23/03/2017, julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  do  contribuinte  e  não  reconheceu  o  direito  creditório. A decisão foi assim ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012  NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS.  No  cálculo  da  Cofins  não­cumulativa  somente  podem  ser  descontados  créditos  calculados  sobre  valores  correspondentes  a  insumos,  assim  entendidos  os  bens  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  desde  que  não  estejam incluídos no ativo  imobilizado ou, ainda, sobre os  serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  do  produto.  Bens e  serviços empregados no cultivo de  cana­de­açúcar  não  se  classificam como  insumos  na  fabricação  de álcool  ou  de  açúcar,  por  se  tratarem  de  processos  produtivos  diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito  à  apuração  de  créditos  na  determinação  da  contribuição  devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e  de álcool produzidos.   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os  mesmos argumentos para pleitear o deferimento integral dos valores que constam do pedido de  ressarcimento e homologação de todas as declarações de compensações.  É o relatório.  Voto             Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.839          18 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator  O  Recurso Voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual dele tomo conhecimento.  Considerações Iniciais  No mérito,  consta  dos  autos  que  o  litígio  versa  sobre  o  inconformismo  do  contribuinte  em  face  do  despacho  decisório,  mantido  hígido  na  decisão  a  quo,  que  não  concedeu  o  ressarcimento  da  integralidade  de  saldo  credor  da Contribuição  não­cumulativa,  apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo,  em  razão  de  glosa  de  créditos  com  bens  e  serviços  não  considerados  insumos  e  outros  dispêndios.  A  recorrente  é  uma  agroindustrial  que  se  dedica  às  atividades  de  plantio,  cultivo  e  colheita  de  cana­de­açúcar  com  fins  à  produção  de  álcool  e  açúcar,  este  destinado  principalmente à exportação.  Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não  cumulativa  para  o  PIS/Pasep  e  para  a  Cofins  é  permitida  à  pessoa  jurídica  que  se  dedica  à  atividade  industrial  a  tomada  de  créditos  nas  aquisições  de  bens  e  serviços  considerados  insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas,  a  teor do art. 3º das  Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.  A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a contribuinte limitou­se  apenas à contestação das glosas como um todo, sem apresentar nenhum questionamento quanto  aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal.  De fato, na manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário, a  contribuinte,  no  mérito,  insurge­se  quanto  ao  procedimento  fiscal  que  glosou  os  créditos  apropriados  com  os  dispêndios  relacionados  aos  insumos  da  fase  agrícola,  e  mais;  para  a  recorrente,  todas  as  despesas  incorridas  e  sua  atividade  econômica  geram  crédito  a  serem  descontados das contribuições.  Não se trata de uma contestação genérica.   A  recorrente  pretende  o  reconhecimento  dos  créditos  de  insumos  na  fase  agrícola,  tal  como a fiscalização concedera na atividade de produção de açúcar/álcool  (desde  que obedecidos os requisitos legais). Outrossim, resta claro nos autos que se pretende créditos  com todas as despesas incorridas no âmbito de sua atividade econômica.  Assim,  incumbe  a  este  Colegiado  decidir  acerca  da  possibilidade  da  recorrente apropriar­se dos  créditos nas  aquisições de bens  e  serviços vinculados  à atividade  agrícola ­ plantio, cultivo e colheita ­ da principal matéria­prima (cana­de­açúcar) dos produtos  fabricados e destinados à venda.  De outra banda, deve­se decidir no tocante à extensão dos dispêndios que a  legislação de regência permite a apropriação dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep  e da Cofins.  Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.840          19 Os  dispositivos  dos  incisos  e  parágrafos  do  art.  3º  da  Lei  nºs  10.637/03  (PIS/Pasep) e da Lei 10.833/03 (Cofins) são suficientes para decidir o litígio.  De  ressaltar,  contudo, que  este voto deve­se ater  apenas  aos  elementos  que  constam nos autos com fins à confrontação da descrição do dispêndio,  sua correlação com o  centro  de  custo  relacionado  à  natureza  da  atividade  e  o  motivo  da  glosa  efetuada  pela  autoridade fiscal.  Passemos às matérias em litígio.  Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins  Este  Conselho,  incluindo  esta  Turma,  entende  que  o  conceito  de  insumo  é  mais  elástico  que  o  adotado  pela  fiscalização  e  julgadores  da  DRJ  nas  suas  Instruções  Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado  pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente.  Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios  (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no  processo produtivo ou na prestação de serviço.  Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido  pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317­MG,  no qual se  firmara o entendimento no  tripé de que (i) o bem ou serviço  tenha sido adquirido  para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizá­los  ­ em síntese,  tenha pertinência  ao  processo  produtivo;  (ii)  a  produção  ou  prestação  do  serviço  dependa  daquela  aquisição  ­  a essencialidade  ao processo produtivo;  e  (iii)  não  se  faz  necessário  o  consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto ­ que exprime a  possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.  Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendo­se  a  decisão  intermediária  para  concessão  do  crédito  considerando­se  a  essencialidade  ou  relevância  do  bem  ou  serviço  no  processo  produtivo,  conforme  o  REsp  nº  1.221.170/PR,  julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002  E  404/2004,  DA  SRF,  QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO  DO ART. 543­C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO  CPC/2015).  1.  Para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.841          20 contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.  2. O conceito de insumo deve ser aferido à  luz dos critérios da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte.  3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente  conhecido  e,  nesta  extensão,  parcialmente  provido,  para  determinar o retorno dos autos à  instância de origem, a  fim de  que  se  aprecie,  em  cotejo  com  o  objeto  social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução dos  créditos  [sic]  realtivos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção individual­EPI.  4. Sob o rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003; e  (b) o conceito de  insumo deve ser aferido à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.  Este  novo  entendimento,  que  na  verdade  não  conduz  à  divergência  em  relação  à  decisão  no  REsp  indigitado,  insere  outros  fundamentos  para  a  delimitação  dos  elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo  (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa.  A  seguir  os  excertos  do  voto  vista  proferido  pela Ministra  Regina  Helena  Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que  considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotá­los neste voto:  [...]  Nesse  cenário,  penso  seja  possível  extrair  das  leis  disciplinadoras  dessas  contribuições  o  conceito  de  insumo  segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer,  considerando­se  a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte,  tal como já expressei, no TRF  da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado  de  Segurança  ns.  0012352­52.2010.4.03.6100/SP  e  0005469­ 26.2009.4.03.6100/SP,  respectivamente  em  15.12.2011  e  31.05.2012.  [...]  Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera:  Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.842          21 De  fato,  serão  as  circunstâncias  de  cada  atividade,  de  cada  empreendimento  e,  mais,  até  mesmo  de  cada  produto  a  ser  vendido  que  determinarão  a  dimensão  temporal  dentro  da  qual  reconhecer  os  bens  e  serviços  utilizados  como  respectivos  insumos  [...]  O critério a ser aplicado, portanto, apóia­se na inerência do bem  ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte  (por  decisão  sua  e/ou  por  delineamento  legal)  e  o  grau  de  relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido  integra o  desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção  do produto  final  a  ser vendido, e assume a  importância de algo  necessário à sua existência ou útil para que possua determinada  qualidade,  então  o  bem  estará  sendo  utilizado  como  insumo  daquela  atividade  (de  produção,  fabricação),  pois  desde  o  momento  de  sua  aquisição  já  se  encontra  em  andamento  a  atividade  econômica  que  –  vista  global  e  unitariamente  – desembocará  num  produto  final  a  ser  vendido.  (Conceito  de  insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de  Direito Tributário ­ RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008,  p. 6)  [...]  Demarcadas  tais  premissas,  tem­se  que  o  critério  da  essencialidade  diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento  estrutural  e  inseparável  do  processo  produtivo  ou  da  execução  do  serviço,  ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade, quantidade e/ou suficiência.  Por  sua  vez,  a  relevância,  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço,  integre  o  processo  de  produção,  seja  pelas  singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água  na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado  na  agroindústria),  seja  por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento  de proteção individual ­ EPI), distanciando­se, nessa medida, da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego  da  aquisição  na  produção  ou  na  execução  do  serviço.Desse  modo,  sob  essa  perspectiva,  o  critério  da  relevância revela­se mais abrangente do que o da pertinência.  [...]  Como  visto,  consoante  os  critérios  da  essencialidade  e  relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados  pelo  CARF,  há  que  se  analisar,  casuisticamente,  se  o  que  se  pretende  seja  considerado  insumo  é  essencial ou de  relevância  para  o  processo  produtivo  ou  à  atividade  desenvolvida  pela  empresa.  Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.843          22 Observando­se  essas  premissas,  penso  que  as  despesas  referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção  individual  ­  EPI,  em  princípio,  inserem­se  no  conceito  de  insumo  para  efeito  de  creditamento,  assim  compreendido  num  sistema  de  não­ cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base".  Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles  elementos  na  cadeia  produtiva  impõe  análise  casuística,  porquanto  sensivelmente  dependente  de  instrução  probatória,  providência essa, como sabido, incompatível com a via especial.  Logo, mostra­se necessário o retorno dos autos à origem, a fim  de  que  a  Corte  a  quo,  observadas  as  balizas  dogmáticas  aqui  delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a  possibilidade  de  dedução  dos  créditos  relativos  a  custos  e  despesas  com:água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção individual ­ EPI.  [...]  Firmado  nos  fundamentos  assentados,  quanto  ao  alcance  do  conceito  de  insumo, segundo o regime da não­cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a  acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos  de:  1. essencialidade ou relevância, considerando­se a imprescindibilidade ou a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica desempenhada pelo contribuinte;  2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo  entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela  empresa;  Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos  no  contexto  da  atividade  ­  fabricação,  produção  ou  prestação  de  serviço  ­  de  forma  a  demonstrar  que  o  gasto  incorrido  guarda  relação  de  pertinência  com  o  processo  produtivo/prestação de  serviço, mediante  seu  emprego,  ainda que  indireto,  de  forma que  sua  subtração implique ao menos redução da qualidade.  Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições  nas  despesas  com  bens  e  serviços  na  fase  agrícola  (plantio  e  cultivo),  em  que  se  inicia  o  processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte.  Créditos com insumos na fase agrícola  Na  linha  de  raciocínio  assentada,  depreende­se  que  o  processo  produtivo  considera  todo  o  ciclo  de  produção  e  compõe  o  objeto  de  uma  única  pessoa  jurídica,  sendo  indevido  interpretá­lo  como  etapas  distintas  que  se  completam,  e  o  direito  ao  crédito  é  concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no  bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais.   Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.844          23 As  leis  que  regem  a  não  cumulatividade  atribuem  o  direito  de  crédito  em  relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à  venda,  inexistindo  amparo  legal  para  secção  do  processo  produtivo  da  sociedade  empresária  agroindustrial  em  cultivo  de  matéria­prima  para  consumo  próprio  e  em  industrialização  propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola  da produção.  Os  custos  incorridos  com  bens  e  serviços  aplicados  no  plantio,  cultivo  e  colheita  da  cana­de­açúcar  guardam estreita  relação  de  emprego,  relevância  e  essencialidade  com o processo produtivo do açúcar e do álcool e configuram custo de produção,  razão pela  qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não­cumulativas.  Com  base  nesses  fundamentos  entendo  pela  possibilidade  da  contribuinte  apropriar­se  dos  créditos  de  PIS  e  Cofins  decorrentes  das  despesas  com  bens  e  serviços  utilizados como insumos na etapa agrícola, do plantio à colheita da cana­de­açúcar, aplicados  no  processo  industrial  da  pessoa  jurídica,  e  atendidos  todos  os  demais  requisitos  da  Lei  nº  10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes  à matéria e que não  incorram nas vedações previstas  nos referidos textos.  Análise das glosas na fase agrícola  A fabricação de açúcar e álcool e a produção de cana­de­açúcar são processos  indissociáveis  de  forma  que  os  custos  e  despesas  com  a  cultura  de  cana­de­açúcar  e  seu  transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool enquadram­se no conceito legal de  insumo desta fabricação.  A autoridade fiscal glosou créditos lançados pela contribuinte e relacionados  ao  cultivo  da  cana­de­açúcar  que,  posteriormente,  serviria  à  produção  própria  de  açúcar  e  álcool. Segundo a autoridade fiscal, tais créditos foram apurados indevidamente por não terem  sido, os bens e serviços, diretamente empregados na fabricação do açúcar e do álcool. Nenhum  outro fundamento foi assentado para glosa.   A  posição  adotada  por  este  Colegiado  para  considerar  custos  e  despesas  geradoras  do  direito  creditório  como  aquelas  em  que  o  bem/serviço  participa  do  processo  produtivo (fase agrícola) de forma essencial e necessária implica reconhecer os dispêndios com  aquisições de bens e serviços, com a observação a seguir.  Dessa forma revertem­se as glosas de créditos com custos e/ou despesas nos  itens  a  seguir  relacionados,  atendidos  aos  demais  requisitos  da  legislação  das  Contribuições  não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003,  com  a  observação  adicional  de  que,  em  se  tratando  de  bens/serviços  cujos  dispêndios  são  incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitam­se ao valor da depreciação  (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o  §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002:  Tópico  "1.1  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  ­  ÁREA  AGRÍCOLA"  ­ Serviços de Terceiros­Equipamentos Agrícolas:  serviços de manutenção e  solda em equipamentos agrícolas e de irrigação.  Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.845          24 ­ Serviços de Lavagem de Roupa­Herbicidas.  ­  Manutenção  e  Reparo  de  Equipamentos  Agrícolas:  peças  aplicadas  por  terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação.  Tópico "1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ­ ÁREA AGRÍCOLA"  ­ Aquisição  de  bens  (Óleo Diesel, Material  Lubrificante,  Pneus  e Câmaras,  Material  de  Manutenção)  utilizados  em  veículos  empregados  especificamente  na  movimentação  e  transporte  da  cana­de­açúcar  e  nos  centros  de  custos  relacionados  à  fase  agrícola,  tais  como  Adutoras,  Pivôs,  Carregadeiras,  Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador,  Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas  Fretes na fase agrícola  Na atividade industrial, conquanto não haja expressa previsão legal à tomada  de crédito nas despesas com frete na aquisição de insumos, a interpretação que se dá ao art. 3º,  I e § 1º, I das Leis 10.637/02 e 10.833/03 cumulada com o art. 290 do RIR/1999 possibilita o  entendimento  de  que  é  legítima  a  apropriação  dos  créditos  do  PIS  e  das  Cofins,  calculados  sobre o valor do frete relativo ao serviço de bens a serem utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e na  produção  ou  fabricação  de bens  ou  produtos  destinados  à venda. Os  textos  legais:  Lei 10.833/2003:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...);  (...)  § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput  do art. 2ª desta Lei sobre o valor:  I dos  itens mencionados nos  incisos  I e  II do caput, adquiridos  no mês;  (...)  Art.  290.  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá, obrigatoriamente (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  art. 13, §1º):  I  ­ o custo de aquisição de matérias­primas e quaisquer outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção,  observado o disposto no artigo anterior;  (...)  Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.846          25 De acordo com os referidos preceitos legais, infere­se que a parcela do valor  do  frete,  relativo  ao  transporte  de  bens  a  serem  utilizados  como  insumos  de  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  integra  o  custo  de  aquisição  dos  referidos  bens  e  somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições.  Assim, sendo o bem transportado um insumo com direito a credito, também o  será o gasto com transporte, se suportado pelo adquirente e pago à pessoa jurídica.  Portanto,  revertem­se  as  glosas  do  Tópico  "1.  3  OUTRAS  GLOSAS  DE  CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA" relacionadas:  ­  Fretes  de  compra  (apenas  para  os  valores  comprovados  através  da  apresentação de Conhecimento de Carga)  ­  Transporte  de  cana  (bens  aplicados  em  veículos  próprios,  utilizados  no  transporte de cana)  Análise das glosas na fase industrial (produção de açúcar e álcool)  As  glosas  de  gastos  com  bens  e  serviços  descritos  a  partir  do  item  "4.1"  a  "4.4" do Relatório Fiscal  tiveram  fundamento na  ausência de  enquadramento no  conceito de  insumo.  Como  relatado  linhas  acima,  a  contribuinte  não  questiona  o  conceito  de  insumo  empregado  pelo  Fisco  e  tampouco  asseverou  seu  próprio  entendimento,  apenas  pretende crédito de todos os gastos incorridos em sua atividade empresarial.  Nada  obstante,  a  descrição  de  alguns  dos  dispêndios  permite  concluir  pela  sua essencialidade ou relevância face à atividade industrial desenvolvida.  Dessa forma revertem­se as glosas relativas a:  ­ Transporte de resíduo industriais  ­ Serviço de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva;  ­  Produtos  químicos,  desde  que  utilizados  na  limpeza  de  instalações  industriais;  ­ Produtos químicos específicos para tratamento de águas.  Outros  bens  e  serviços  pretensamente  utilizados  nas  atividades  industriais  carecem de comprovação, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente.  Glosas de Despesas  Os  dispêndios  com  serviços  de  transporte  de  pessoal  carecem  de  previsão  legal para o aproveitamento do crédito.  Quanto aos automóveis e aeronaves alugados não se tem comprovação de uso  como equipamento nas atividades da empresa, mantendo­se a glosa com base no art. 3º da Lei  nº 10.833/03.  Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.847          26 Encargos de depreciação  Os  mesmos  fundamentos  para  a  reversão  das  glosas  de  gastos  com  bens  utilizados  na  etapa  agrícola  são  válidos  para  a  manutenção  do  crédito  com  encargos  de  depreciação  de  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura ou transporte da cana.   Mantém­se  as  glosas  de  créditos  dos  demais  encargos  de  depreciação  de  veículos e bens não utilizados nas etapas produtivas e de fabricação.  Produtos acabados ­ Armazenagem e frete na venda  A fiscalização glosou os créditos com despesas de armazenagem e frete pois  entendeu restar descaracterizada a operação de venda a cliente. Segundo a autoridade fiscal, a  inexistência de informação do cliente­adquirente nos documentos fiscais bem como a entrega  do  açúcar  fabricado  em  locais  que  não  identificam  a  venda/exportação,  no  caso  o  porto  de  embarque, revelam uma mera operação de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete  para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de  venda.  Discordo do entendimento fiscal.  A legislação referente ao PIS/PASEP (Lei nº 10.637/2004) e a COFINS (Lei  nº  10.833/2003)  tratam  da  possibilidade  de  creditamento  do  frete  como  insumo  no  processo  produtivo e na operação de venda  (suas etapas) quando o ônus  for suportado pelo vendedor,  como dispõe:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;  [...]  IX  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação de  venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  A  operação  de  venda  não  se  revela  simplesmente  pela  saída  do  produto  acabado do estabelecimento industrial diretamente ao adquirente ou embarque para exportação.  No caso, a operação de venda comporta uma logística de transporte e armazenagem do açúcar  fabricado, caracterizando­se necessários à atividade final de venda.  Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.848          27 Dessa forma, não se pode admitir que as transferências do produto fabricado  restringem­se  a  uma  mera  opção  de  logística  ou  comercial,  mas  essencial  e  necessários  à  preservação dos produtos até que se complete a atividade final de venda.  Neste  sentido  é  o  entendimento  deste  Colegiado  no  Acórdão  nº  3201­ 004.279,  sessão  de  23/10/2018,  cujo  voto  vencedor  na  matéria  é  de  lavra  do  Conselheiro  Marcelo Giovani Vieira, que transcrevo na parte que interessa a este julgamento:  [...]  No  caso  dos  gastos  logísticos  na  venda,  entendo  que  estão  abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete  na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo  3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos  cuja  semântica  abrange  a  movimentação  das  cargas  na  operação de venda..  Assim,  tais  dispêndios  logísticos  estão  inseridos  no  direito  de  crédito,  respeitados  os  demais  requisitos  da  Lei,  como,  por  exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas  pelo Pis e Cofins.  Outrossim, as discrepâncias entre quantidades e datas nos conhecimentos de  transporte ou documentos do armazenador não desnaturam a operação como de armazenagem e  frete de venda, com direito ao aproveitamento do crédito a teor do inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.  Com essas considerações, concede­se o creditamento dos fretes de produtos  acabados,  em  que  o  ônus  é  suportado  pelo  vendedor  e  pago  à  pessoa  jurídica  beneficiária  domiciliada no País à vista de documento fiscal hábil e idôneo.  Por  fim,  a  ausência  de  refutação  específica  as  todas  os  demais  dispêndios  (insumos ou despesas) glosados, além do não afastamento da acusação fiscal de duplicidade no  aproveitamento de  créditos  (item "5.4") e não apresentação de documentação comprobatória,  mantém­se as glosas efetivadas pela autoridade fiscal.  Conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  para  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo­se  as  glosas  efetuadas,  atendidas  os  demais  requisitos  dos  §§  2º  e  3º  dos  arts.  3º  das  Leis  nºs.  10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria, exclusivamente quanto a:  1. Serviços utilizados como insumos na fase agrícola (itens "1.1" e "1.3")  1.1 Serviços de Terceiros­Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e  solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de lavagem “roupas­herbicidas”;  1.2 Manutenção  e  Reparo  de  Equipamentos Agrícolas:  peças  aplicadas  por  terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação;  1.3  Fretes  de  compras  (apenas  para  os  valores  comprovados  através  da  apresentação de Conhecimento de Carga);  Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10410.901865/2013­40  Acórdão n.º 3201­005.313  S3­C2T1  Fl. 1.849          28 1.4 Transporte  de  cana  (bens  aplicados  em  veículos  próprios,  utilizados  no  transporte de cana)    2. Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2")  2.1  Óleo  Diesel,  Material  Lubrificante,  Pneus  e  Câmaras,  Material  de  Manutenção,  utilizados  em  veículos  empregados  especificamente  na  movimentação  e  transporte da cana­de­açúcar e nos centros de custos  relacionados à  fase  agrícola,  tais como:  Adutoras,  Pivôs,  Carregadeiras,  Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador,  Aplicação  de  Herbicidas, Produção de Mudas.  3.  Bens  e  serviços  utilizados  na  fase  industrial  de  fabricação  de  açúcar  e  álcool (itens "4.1" e "4.2")  3.1 Transporte de resíduos industriais;  3.2  Serviços  de  dedetização,  desde  que  nas  instalações  da  atividade  produtiva;  3.3  Produtos  químicos,  desde  que  utilizados  na  limpeza  de  instalações  industriais; e  3.4 Produtos químicos específicos para tratamento de águas.    4.  Encargos  de  depreciação  de  bens  utilizados  na  fase  agrícola:  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura  ou  transporte  da  cana; e  5. Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas (à vista de  documento fiscal hábil e idôneo).  (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira                              Fl. 1849DF CARF MF

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7759827 #
Numero do processo: 11080.917453/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 05/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88 em seu art. 37, caput, e dispõe que ‘’a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência’. Assim a atividade funcional do fiscal autuante, dos membros deste Colegiado, e de todos que atuam na Administração Pública, está subordinada aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso.
Numero da decisão: 2401-006.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. .
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

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2401­006.477  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de maio de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Recorrente  APLUB CAPITALIZAÇÃO S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Data do fato gerador: 05/10/2010  COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  Não  se  reconhece  o  direito  creditório  quando  o  contribuinte  não  logra  comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido  ou a maior.  PRINCÍPIO LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.  O princípio da legalidade aparece expressamente na Constituição Federal/88  em seu art. 37, caput, e dispõe que ‘’a administração pública direta e indireta  de  qualquer  dos  Poderes  da  União,  dos  Estados,  do Distrito  Federal  e  dos  Municípios  obedecerá  aos  princípios  de  legalidade,  impessoalidade,  moralidade, publicidade  e eficiência’. Assim a atividade  funcional do  fiscal  autuante,  dos  membros  deste  Colegiado,  e  de  todos  que  atuam  na  Administração  Pública,  está  subordinada  aos  mandamentos  da  lei,  e  às  exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena  de  praticar  ato  inválido  e  expor­se  à  responsabilidade  disciplinar,  civil  e  criminal, conforme o caso.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 74 53 /2 01 2- 92 Fl. 244DF CARF MF     2 Miriam Denise Xavier – Presidente   (assinado digitalmente)    (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa ­ Relatora    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  (Presidente),  Cleberson  Alex  Friess,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e  Marialva de Castro Calabrich Schlucking.  .  Relatório  Trata­se de Declaração  de Compensação  apresentada  pelo Recorrente,  por  via  eletrônica (fls. 89 a 94) PER/DCOMP nº 04608.88412.290411.1.3.04­ 3383), na qual declara a  compensação  de  pretenso  crédito  de  pagamento  indevido  ou  a maior  de  IRRF  (cód.  receita  0916) relativo ao pagamento efetuado em 05/10/2010, no valor de R$ 30.343,68.  Ato  contínuo  foi  proferido  o  Despacho  Decisório  de  fls.  65,  onde  o  contribuinte  foi  cientificado, em 21/01/2013  (fls. 75), de que “A partir das características do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP”,  tendo  sido  o  pagamento  vinculado  ao  débito,  no  mesmo  valor,  de  IRRF,  declarado em DCTF (período de apuração 30/09/2010).  Diante  desses  fatos,  a  compensação  realizada  não  foi  homologada  e  o  interessado foi intimado a recolher o débito indevidamente compensado.  Após  intimação  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  sustentando a legalidade da compensação realizada.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou  Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 16­59.710­ da 8ª Turma da DRJ/SPO,  às fls. 78/81, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte.  Inconformada,  a  empresa  APLUB  CAPITALIZAÇÃO  S.A  apresentou  Recurso Voluntário às fls. 85/89, alegando em síntese que:  a)  A  decisão  recorrida  não merece  prosperar  pois  a  Recorrente  cumpriu  o  procedimento  indicado na  legislação para  sanar o erro no preenchimento da DCTF, onde foi  feito o pagamento à maior;   b) Que apresentou o DARF de R$ 58.933,24 e recolheu a maior o valor de R$  28.800,00, em DARF apartado , o que foi comprovado na ficha razão conta nº 2036;  Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11080.917453/2012­92  Acórdão n.º 2401­006.477  S2­C4T1  Fl. 3          3 c)  Não  houve  dolo  da  Recorrente,  tampouco  tentativa  de  sonegar  as  informações necessárias, o que ocorreu foi simplesmente a retificação de um erro, passível de  ocorrer, conforme comprovam os documentos anexados. Note­se que o PERD/COMP foi feita  antes da retificação da DCTF;  d)  A  falha  ocorrida  não  foi  de  voluntariedade  da  Empresa,  fato  que  descaracteriza  qualquer  infração  administrativa  (cita  diversos  excertos  doutrinários  a  corroborar essa narrativa). A falta de consciência da suposta ilicitude esvazia qualquer chance  de sancionamento, pois faltaria o elemento subjetivo básico;  e) Assim, requer a reforma da decisão combatida e o provimento do recurso  em tela, julgando procedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 04/05 dos autos.   É o relatório    Voto             Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa­ Relatora    DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    1. DA ADMISSIBILIDADE    A  Recorrente  foi  cientificada  da  r.  decisão  em  debate  no  dia  11/09/2014  conforme  A.R  às  fls.  83,  e  o  presente  Recurso  Voluntário  foi  apresentado,  TEMPESTIVAMENTE,  no  dia  10/10/2014  (fl.  85/89),  razão  pela  qual  CONHEÇO  DO  RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade     2. MÉRITO  A Recorrente  alega  que  a  r.  decisão  combatida  não merece  prosperar  pois  cumpriu o procedimento indicado na legislação para sanar o erro no preenchimento da DCTF,  onde  foi  realizado  o  pagamento  à maior. Que  não  houve dolo  ou  sonegação  de  informações  necessárias,  o  que  ocorreu  foi  simplesmente  a  retificação  de  um  erro,  passível  de  ocorrer,  conforme comprovam os documentos anexados. Que a falha ocorrida não foi de voluntariedade  da  Empresa,  fato  que  descaracteriza  qualquer  infração  administrativa  e  que  a  falta  de  consciência  da  suposta  ilicitude  esvazia  qualquer  chance  de  sancionamento,  pois  faltaria  o  elemento subjetivo básico.  Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos:  Conforme  previsão  legal  constante  no  artigo  147  do  Código  Tributário  Nacional, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise reduzir  ou  excluir  tributo,  só  é  admitida mediante  comprovação  e  antes de notificado o  lançamento,  hipóteses que não ocorreram no caso concreto.  Fl. 246DF CARF MF     4 O § 1º do artigo 147, do CTN assim dispõe:  Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação do erro  em que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.(g.n)  Nessa mesma esteira de entendimento tem­se o artigo 5º, §1º, do Decreto­Lei  nº 2.124/84,  ao  estabelecer que  a DCTF constitui  confissão de dívidas  e  instrumento hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  referido  crédito,  sendo  que  a  sua  retificação,  no  sentido  de  redução de tributo exige que o erro seja efetivamente comprovado, conforme o disposto no § 1º  do artigo 147 do Código Tributário Nacional.  No presente caso, impende ressaltar que o Recorrente alega apenas que parte  do débito de IRRF declarado na DCTF sob o código 0916 era indevido juntando parte do razão  analítico que supostamente estaria a comprovar o indébito, entretanto, não traz qualquer outro  elemento  que  justifique  o  suposto  recolhimento  a  maior  do  que  o  devido,  não  justificando  sequer  a  razão pela qual declarou e confessou o débito de R$ 28.800,00 em DCTF e nem o  motivo de ter sido  indevidamente declarado,  restringindo sua defesa ao campo das alegações  genéricas. Conforme demonstrado na legislação supra, o débito confessado em DCTF só pode  ser reduzido se apresentada justificativa e motivo para tanto.  Em reforço, tem­se ainda os comandos constantes no artigo 166 do CTN,  in  verbis:  Art.  166.  A  restituição  de  tributos  que  comportem,  por  sua  natureza,  transferência  do  respectivo  encargo  financeiro  somente  será  feita  a  quem  prove  haver  assumido  o  referido  encargo,  ou,  no  caso  de  tê­lo  transferido  a  terceiro,  estar  por  este expressamente autorizado a recebê­la.  Assim,  por  se  tratar  de  Imposto  de Renda  Retido  na  Fonte,  pretensamente  retido  e  recolhido  indevidamente  ou  a  maior,  deve  ainda  a  Recorrente,  além  de  atender  os  dispositivos  legais  mencionados  acima,  deve  comprovar  que  também  atende  aos  requisitos  previstos no art. 166 do CTN, para que o direito creditório  lhe  seja  reconhecido. E,  segundo  estabelece  o  aludido  art.  166,  “a  restituição  de  tributos  que  comportem,  por  sua  natureza,  transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido  referido  encargo,  ou,  no  caso  de  tê­lo  transferido  a  terceiro,  estar  por  este  expressamente  autorizado a recebê­la.  Não obstante toda legislação de regência mencionada até o momento, faz­se  necessário ainda a observância das normas infralegais que determinam que, para que o crédito  possa ser utilizado na compensação, deve a interessada (fonte pagadora) tomar as providências  previstas no art. 8º, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012, a saber:  Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção  indevida ou a  maior  de  tributo  administrado  pela  RFB  no  pagamento  ou  crédito  a  pessoa  física  ou  jurídica,  efetuou  o  recolhimento  do  valor  retido  e  devolveu  ao  beneficiário  a  quantia  retida  indevidamente  ou  a maior,  poderá  pleitear  sua  restituição  na  Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11080.917453/2012­92  Acórdão n.º 2401­006.477  S2­C4T1  Fl. 4          5 forma do §1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das  contribuições previdenciárias de que trata o art. 18.  §  1º  A  devolução  a  que  se  refere  o  caput  deverá  ser  acompanhada:  I  ­  do  estorno,  pela  fonte  pagadora  e  pelo  beneficiário  do  pagamento  ou  crédito,  dos  lançamentos  contábeis  relativos  à  retenção indevida ou a maior;  II  ­  da  retificação,  pela  fonte  pagadora,  das  declarações  já  apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa  física  ou  jurídica  que  sofreu  a  retenção,  nos  quais  referida  retenção tenha sido informada;  III ­ da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito,  das  declarações  já  apresentadas  à  RFB  nas  quais  a  referida  retenção  tenha  sido  informada  ou  utilizada  na  dedução  de  tributo.  § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à  quantia  devolvida  na  compensação  de  débitos  relativos  aos  tributos  administrados  pela  RFB  na  forma  do  art.  34.  (grifos  incluídos)  Assim,  com  também não consta nos presentes  autos quaisquer das medidas  constantes na norma acima mencionada,  também por estes motivos,  não  restou demonstrado  que a Recorrente é titular do direito creditório em questão.  É  importante  registrar  que  todo  o  procedimento  legal  para  realizar  a  compensação/restituição é descrito em lei, e nenhum agente público pode decidir em desacordo  com  as  normas  positivadas  para  esse  fim,  em  respeito  ao  princípio  da  legalidade,  basilar  na  gestão da administração pública.  O  princípio  da  legalidade  aparece  expressamente  na  nossa  Constituição  Federal  em  seu  art.  37,  caput,  que  dispõe  que  ‘’a  administração  pública  direta  e  indireta  de  qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá  aos princípios  de  legalidade,  impessoalidade, moralidade, publicidade e  eficiência’. Significa  dizer  que  toda  a  atividade  funcional  do  fiscal  autuante,  dos membros  deste Colegiado,  e  de  todos  que  atuam  na  Administração  Pública,  estão  sujeitos  aos  mandamentos  da  lei,  e  às  exigências do bem comum, deles não devendo se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato  inválido e expor­se à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso.  Assim,  a  não  homologação  nos  presentes  autos,  deriva  de  critérios  legais,  positivados  na  norma,  não  podendo  ser  afastada  ainda  que  a  falha  ocorrida  não  decorra  da  vontade  da Recorrente.  A  falta  de  consciência  da  suposta  ilicitude,  não  possui  o  condão  de  esvaziar o dever de aplicação da norma por parte do Fisco ou deste Colegiado.    3. CONCLUSÃO  Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do  recurso  e, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto.  Fl. 248DF CARF MF     6 É como voto.  (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa.                            Fl. 249DF CARF MF

score : 1.0
7777485 #
Numero do processo: 10735.904451/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.097
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­001.097  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de abril de 2019  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  converter  o  julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo  que negava provimento ao recurso voluntário     (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho   Presidente Substituto e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho, Walker  Araújo,  Jose  Renato  Pereira  de  Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Corintho Oliveira Machado.    RELATÓRIO Trata  o  presente  processo  de  apreciação  de  compensação  declarada  no  PER/DCOMP, de crédito de contribuições que teria sido recolhido a maior, com débito(s) da  própria interessada.   A unidade de jurisdição não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme  Despacho Decisório que instrui os autos.  Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a  interessada apresentou a manifestação de inconformidade, na qual alega que:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 04 45 1/ 20 09 -2 3 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.904451/2009­23  Resolução nº  3302­001.097  S3­C3T2  Fl. 3          2 ­ Na base de cálculo do valor originalmente apurado estavam incluídos  os  valores  relativos  às  comissões  das  vendas  diretas  realizadas  pela  Volkswagen do Brasil;  ­ Nas vendas diretas feitas pela Volkswagen do Brasil diretamente ao  comprador,  o Concessionário,  no  caso  a  TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS  S.A.,  recebe  uma  comissão  por  ser  intermediário  na  operação  de  venda;  ­ Trata­se de uma "prestação de serviços", na qual é exigida a emissão  de Nota Fiscal de Serviços. Tal receita é contabilizada como "receita  operacional por venda de serviços". Nesta condição, como a comissão  é  inferior  a  9%  (nove  por  cento),  para  efeito  de  PIS  e  COFINS,  a  tributação se dá pela alíquota zero;  ­  A  fundamentação  legal  é  a  Lei  n°  10.485  de  03.07.2002  (D.O.U.:  04.07.2002);  ­  Constatada  a  diferença  na  determinação  da  base  de  cálculo,  foi  apresentada DACON retificadora. Cabe ressaltar que não foi possível  fazer a retificação da DCTF, porque o programa acusava erro quando  era  informado  um  valor  diferente  de  débito  para  um  pagamento  a  maior.  Face  ao  exposto,  a  Impugnante  apresenta  seu  pedido  para  que  essa  Delegacia  de  Julgamento  reconheça  seu  direito  ao  crédito  e  declare  homologada a compensação declarada.  A  17ª  Turma  da  DRJ  Rio  de  Janeiro  (RJ)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  conforme  acórdão  acostado  aos  autos,  cuja  ementa  é  parcialmente transcrita a seguir:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  ALEGAÇÃO  SEM  PROVAS.  Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de  inconformidade  trazer  ao  julgado  todos  os  dados  e  documentos  que  entende comprovadores dos fatos que alega.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Irresignado  com  a  decisão  da  primeira  instância  administrativa,  o  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  ao  CARF,  no  qual  reproduz  os  argumentos  apresentados  na  manifestação de inconformidade e solicita a possibilidade de juntada de novos documentos no  prazo de 60 dias.  Termina  petição  recursal  requerendo  o  provimento  do  recurso  voluntário  para  fins de que seja  reconhecido o direito creditório e  integralmente homologada a compensação  declarada.  Posteriormente,  dentro  do  prazo  requerido,  apresentou  os  documentos:  que  solicita sejam analisados.   Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.904451/2009­23  Resolução nº  3302­001.097  S3­C3T2  Fl. 4          3 É o breve relatório.  VOTO  Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho ­ Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3302­001.089,  de  24  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10735.903534/2009­03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302­001.089):  "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de  admissibilidade,  de  forma  que  dele  conheço  e  passo  à  análise  do  mérito.  A  instância  a  quo,  utilizou  como  razão  de  decidir  a  falta  de  provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do  acórdão recorrido, verbis:  No caso  em  tela,  o  contribuinte  deveria  apresentar  ao  Fisco  os  comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e  livros  fiscais  e  contábeis  –  relativos  ao  crédito  pleiteado,  sob  pena de seu suposto direito não poder ser exercido por  falta de  requisito fático, que é a liquidez e certeza deste.  Em vez de  comprovar  como apurou o novo valor devido do(a)  Cofins em ago/05, o interessado limitou­se a afirmar que efetuou  pagamento  indevido,  sem demonstrar contabilmente como  teria  sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito.  O  recorrente,  em  sede  de  recurso  voluntário,  também  não  apresentou  um  único  documento  que  comprovasse  seu  direito  creditório,  apenas  solicitou  o  prazo  de  60  dias  para  apresentar  os  documentos.  Dentro  dos  60  dias  solicitados  no  recurso  voluntário,  o  recorrente  apresentou  petição  requisitando  a  análise  dos  seguintes  documentos: termo de abertura e encerramento do livro 00007, folhas  32/134 do balancete analítico do período 09/2005e o comprovante de  recolhimento no valor de R$ 9.278,00.  A questão que surge está  ligada ao direito de apresentação de  documentos  a  qualquer  momento  processual  em  nome  da  verdade  material.  Entendo que depende do  tipo de processo que está em análise.  Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido  de  restituição,  onde  o  sujeito  passivo  não  é  intimado  pela  unidade  preparadora  para  prestar  informações  jurídicas  acerca  do  crédito  requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre  questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem  Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.904451/2009­23  Resolução nº  3302­001.097  S3­C3T2  Fl. 5          4 todo  patrono  é  operador  do  direito  ou  está  familiarizado  com  a  instrução  probatória,  podendo  deixar  de  providenciar  documentos  relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse  motivo,  se  o  sujeito  passivo  não  se manteve  inerte,  buscando  sempre  participar  da  instrução  probatória,  não  vejo  motivos  para  negar  a  apreciação  de  documentos  acostados  aos  autos  no  momento  da  interposição do recurso voluntário.  Acontece que nem na manifestação de  inconformidade, nem no  recurso  voluntário,  o  recorrente  apresentou  documentos  que  comprovassem as questões de direito por ele alagadas que embasariam  seu indébito tributário.   Posteriormente,  conforme  já mencionado,  foram acostados aos  autos documentos que embasariam seu pedido de restituição.  Ocorre  que  os  documentos  acostados,  caso  autênticos,  podem  sugerir  que  o  sujeito  passivo  efetuou  recolhimentos  indevidos.  Não  posso  deixar  de  admitir  que  os  fatos  produzidos  extemporaneamente  geraram  grande  dúvida,  o  que  impossibilita  meu  julgamento  nesta  assentada.   Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender  necessárias,  é  a  literalidade  do  art.  29  do  Decreto nº 70.235/72.   Assim,  entendo  que  as  alegações  e  as  provas  produzidas  pelo  recorrente  nesta  fase  recursal  devem  ser  analisadas  com  mais  profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit  n° 02/2015.  Pelo  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  o  órgão  de  origem  avalie  a  autenticidade  dos  documentos  acostados  após  a  interposição  do  recurso  voluntário,  analise  a  existência do indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro  pedido de restituição ou de compensação.  Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal,  facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre  os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do  Decreto nº 7.574/2011.   Posteriormente  aos  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos ao CARF para prosseguimento do rito processual."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  órgão  de  origem  avalie  a  autenticidade  dos  documentos  acostados  após  a  interposição  do  recurso  voluntário,  analise  a  existência  do  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.904451/2009­23  Resolução nº  3302­001.097  S3­C3T2  Fl. 6          5 indébito  tributário  e,  caso  exista,  se  foi  utilizado  em  outro  pedido  de  restituição  ou  de  compensação.  Após  sanadas  essas  dúvidas,  que  seja  elaborado  relatório  fiscal,  facultando  à  recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do  parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011.   Posteriormente  aos  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para prosseguimento do rito processual.     (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho  Fl. 117DF CARF MF

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Numero do processo: 10855.904132/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Trata-se de PERDCOMP n. 08088.07845.220615.1.3.04-8584, transmitido em 22/06/2015, não homologado, tendo em vista que o DARF descriminado na declaração de compensação foi integralmente utilizado para a quitação de outro débito. O contribuinte é pessoa jurídica de direito público interno e como tal está sujeito à incidência da contribuição para o PASEP, na forma do artigo 2°, III, da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998. No Despacho decisório de fls. 7 consta que: “A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 53.865,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A ciência foi dada ao Município de Itu em 14 de janeiro de 2016 (Carta AR de fls. 10). Na data de 26 de janeiro de 2016, o Município de Itu apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, onde, GENERICAMENTE E RESUMIDAMENTE faz as seguintes alegações: "que a Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, por meio do seu artigo 13 inseriu o § 7° no artigo 2° da Lei n. 9.715 de 25 de novembro de 1998, excluindo da base de cálculo as transferências de convênios correntes e de capital." Em 28 de março de 2018, através do Acórdão n° 10-61.756, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido e não homologando as compensações. O MUNICÍPIO DE ITU foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 10/04/2018 (folhas 115). O MUNICÍPIO DE ITU ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 118 a 125, em 27/04/2018. Foi alegado, resumidamente, que: A classificação gramatical ou literal tem como ponto de partida o alcance e significado dos elementos que compõem seu texto. Seu sentido encontra-se restrito a base da lei. Ademais, a classificação declarativa limita-se a declarar ou especificar o pensamento expresso ou contínuo de forma explicativa da norma jurídica, sem para tanto, estendê-la a casos não previstos ou restringi-la mediante a exclusão de casos inadmissíveis, constatando, o intérprete, tão somente o que as palavras expressam. Dentre referidas classificações, merecem destaque a classificação GRAMATICAL ou LITERAL e DECLARATIVA, já que o texto da lei foi clarividente em afirmar que “excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”: Somado a tudo isso, a doutrina é pacifica no sentido de que a legislação que envolve matéria tributária deve ser interpretada dessa forma. O texto da Lei n° 9.715/98 é direto e autoaplicável: Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] § 7° Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. ” Ora, o termo “transferências” vem descrito no texto da norma de modo genérico (/ato sensu), isto é, descreve as transferências tanto legais constitucionais quanto as voluntárias. Portanto, não cabe ao intérprete restringir o alcance do termo “transferência”. Nesse sentido é que não merece prosperar o parco fundamento dos v. acórdãos de que referidas transferências descrias no §7° estariam restritas tão somente as transferências voluntárias, excetuadas as constitucionais e legais. Se o legislador realmente assim quisesse, constaria expressamente do texto da lei “transferências voluntárias”. Se assim não o fez, sua verdadeira intenção foi excluir, da base de cálculo da contribuição para o PASEP, os valores mensais de todas as transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. O Fisco quer dar interpretação diversa do que realmente foi regulado é, no mínimo, uma enorme insensatez, beirando a má-fé na aplicação da lei. - Do ônus da prova. Não cabe ao contribuinte, ora município-Recorrente, provar o alegado. Cabe ao Fisco provar a suposta dedução indevida. Deve o fisco diligenciar para apurar a verdade, bastando o uso da informática. Cabe ao fisco provar, não ao contribuinte. Não parece razoável um procedimento fiscal onde se possa afastar todas as deduções ou abatimentos, lançar o tributo mesmo sabendo que a dedução é correta, é crime de excesso de exação, em tese. De outro lado, em que pese algum entendimento de forma diversa e, em atendimento ao princípio da Verdade Real, carreia aos autos documentação que permite identificar as deduções pretendidas dos seguintes períodos de apuração: Período de apuração: 01/09/2013 a 30/09/2013 Período de apuração: 01/11/2013 a 30/11/2013 Período de apuração: 01/12/2013 a 30/12/2013 DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e, confiante no elevado senso de Justiça, requer-se, respeitosamente, digne-se V. Exa. seja CONHECIDO o presente recurso e, no mérito, seja dado PROVIMENTO, reformando-se, via de consequência, os v. acórdãos recorridos e determinar o CANCELAMENTO dos débitos fiscais reclamados no presente feito, por ser medida de direito e inteira JUSTIÇA! É o relatório.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD

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O contribuinte é pessoa jurídica de direito público interno e como tal está sujeito à incidência da contribuição para o PASEP, na forma do artigo 2°, III, da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998. No Despacho decisório de fls. 7 consta que: “A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 53.865,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A ciência foi dada ao Município de Itu em 14 de janeiro de 2016 (Carta AR de fls. 10). Na data de 26 de janeiro de 2016, o Município de Itu apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, onde, GENERICAMENTE E RESUMIDAMENTE faz as seguintes alegações: "que a Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, por meio do seu artigo 13 inseriu o § 7° no artigo 2° da Lei n. 9.715 de 25 de novembro de 1998, excluindo da base de cálculo as transferências de convênios correntes e de capital." Em 28 de março de 2018, através do Acórdão n° 10-61.756, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido e não homologando as compensações. O MUNICÍPIO DE ITU foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 10/04/2018 (folhas 115). O MUNICÍPIO DE ITU ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 118 a 125, em 27/04/2018. Foi alegado, resumidamente, que: A classificação gramatical ou literal tem como ponto de partida o alcance e significado dos elementos que compõem seu texto. Seu sentido encontra-se restrito a base da lei. Ademais, a classificação declarativa limita-se a declarar ou especificar o pensamento expresso ou contínuo de forma explicativa da norma jurídica, sem para tanto, estendê-la a casos não previstos ou restringi-la mediante a exclusão de casos inadmissíveis, constatando, o intérprete, tão somente o que as palavras expressam. Dentre referidas classificações, merecem destaque a classificação GRAMATICAL ou LITERAL e DECLARATIVA, já que o texto da lei foi clarividente em afirmar que “excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”: Somado a tudo isso, a doutrina é pacifica no sentido de que a legislação que envolve matéria tributária deve ser interpretada dessa forma. O texto da Lei n° 9.715/98 é direto e autoaplicável: Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] § 7° Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. ” Ora, o termo “transferências” vem descrito no texto da norma de modo genérico (/ato sensu), isto é, descreve as transferências tanto legais constitucionais quanto as voluntárias. Portanto, não cabe ao intérprete restringir o alcance do termo “transferência”. Nesse sentido é que não merece prosperar o parco fundamento dos v. acórdãos de que referidas transferências descrias no §7° estariam restritas tão somente as transferências voluntárias, excetuadas as constitucionais e legais. Se o legislador realmente assim quisesse, constaria expressamente do texto da lei “transferências voluntárias”. Se assim não o fez, sua verdadeira intenção foi excluir, da base de cálculo da contribuição para o PASEP, os valores mensais de todas as transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. O Fisco quer dar interpretação diversa do que realmente foi regulado é, no mínimo, uma enorme insensatez, beirando a má-fé na aplicação da lei. - Do ônus da prova. Não cabe ao contribuinte, ora município-Recorrente, provar o alegado. Cabe ao Fisco provar a suposta dedução indevida. Deve o fisco diligenciar para apurar a verdade, bastando o uso da informática. Cabe ao fisco provar, não ao contribuinte. Não parece razoável um procedimento fiscal onde se possa afastar todas as deduções ou abatimentos, lançar o tributo mesmo sabendo que a dedução é correta, é crime de excesso de exação, em tese. De outro lado, em que pese algum entendimento de forma diversa e, em atendimento ao princípio da Verdade Real, carreia aos autos documentação que permite identificar as deduções pretendidas dos seguintes períodos de apuração: Período de apuração: 01/09/2013 a 30/09/2013 Período de apuração: 01/11/2013 a 30/11/2013 Período de apuração: 01/12/2013 a 30/12/2013 DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e, confiante no elevado senso de Justiça, requer-se, respeitosamente, digne-se V. Exa. seja CONHECIDO o presente recurso e, no mérito, seja dado PROVIMENTO, reformando-se, via de consequência, os v. acórdãos recorridos e determinar o CANCELAMENTO dos débitos fiscais reclamados no presente feito, por ser medida de direito e inteira JUSTIÇA! É o relatório.

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3302­001.117  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  25 de abril de 2019  Assunto  MUNICÍPIO. PASEP. BASE DE CÁLCULO.  Recorrente  MUNICIPIO DE ITU  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.     (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Jorge Lima Abud ­ Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.  Relatório  Aproveita­se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.  Trata­se  de  PERDCOMP  n.  08088.07845.220615.1.3.04­8584,  transmitido  em  22/06/2015,  não  homologado,  tendo  em  vista  que  o  DARF descriminado na declaração de compensação foi integralmente  utilizado para a quitação de outro débito.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 04 13 2/ 20 15 -0 8 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 3            2 O contribuinte é pessoa jurídica de direito público interno e como tal  está sujeito à incidência da contribuição para o PASEP, na forma do  artigo 2°, III, da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998.  No  Despacho  decisório  de  fls.  7  consta  que:  “A  análise  do  direito  creditório  está  limitada  ao  valor  do  "crédito  original  na  data  de  transmissão"  informado  no  PER/DCOMP,  correspondendo  a  53.865,74.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”.  A ciência foi dada ao Município de Itu em 14 de janeiro de 2016 (Carta  AR de fls. 10).  Na  data  de  26  de  janeiro  de  2016,  o  Município  de  Itu  apresentou,  tempestivamente,  manifestação  de  inconformidade,  onde,  GENERICAMENTE E RESUMIDAMENTE faz as seguintes alegações:  "que a Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, por meio do seu artigo 13  inseriu o § 7° no artigo 2° da Lei n. 9.715 de 25 de novembro de 1998,  excluindo da base de cálculo as transferências de convênios correntes  e de capital."  Em  28  de março  de  2018,  através  do Acórdão  n°  10­61.756,  a  2a Turma  da  Delegacia Regional de  Julgamento  em Porto Alegre/RS  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade,  não  reconhecendo o  direito  creditório  pretendido  e  não  homologando  as  compensações.  O  MUNICÍPIO  DE  ITU  foi  cientificado  do  Acórdão  de  Manifestação  de  Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 10/04/2018 (folhas 115).  O MUNICÍPIO DE  ITU  ingressou  com  Recurso  Voluntário,  de  folhas  118  a  125, em 27/04/2018.  Foi alegado, resumidamente, que:  A classificação gramatical ou  literal  tem como ponto de partida o alcance e  significado dos elementos que compõem seu texto. Seu sentido encontra­se restrito a base da  lei.  Ademais,  a  classificação  declarativa  limita­se  a  declarar  ou  especificar  o  pensamento  expresso  ou  contínuo  de  forma  explicativa  da  norma  jurídica,  sem  para  tanto,  estendê­la  a  casos  não  previstos  ou  restringi­la mediante  a  exclusão  de  casos  inadmissíveis,  constatando, o intérprete, tão somente o que as palavras expressam.  Dentre  referidas  classificações,  merecem  destaque  a  classificação  GRAMATICAL ou LITERAL  e DECLARATIVA,  já  que  o  texto  da  lei  foi  clarividente  em  afirmar  que  “excluem­se  do  disposto  no  inciso  III  do  caput  deste  artigo  os  valores  de  transferências  decorrentes  de  convênio,  contrato  de  repasse  ou  instrumento  congênere  com  objeto definido”:  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 4            3 Somado a tudo isso, a doutrina é pacifica no sentido de que a legislação que  envolve matéria tributária deve ser interpretada dessa forma.  O texto da Lei n° 9.715/98 é direto e autoaplicável:  Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente:  [...]  III  ­  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  público  interno,  com  base  no  valor mensal das  receitas correntes arrecadadas  e das  transferências  correntes e de capital recebidas.  [...]  §  7°  Excluem­se  do  disposto  no  inciso  III  do  caput  deste  artigo  os  valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse  ou instrumento congênere com objeto definido. ”  Ora,  o  termo  “transferências”  vem  descrito  no  texto  da  norma  de  modo  genérico  (/ato sensu),  isto é, descreve as  transferências  tanto  legais constitucionais quanto as  voluntárias. Portanto, não cabe ao intérprete restringir o alcance do termo “transferência”.  Nesse  sentido  é  que  não  merece  prosperar  o  parco  fundamento  dos  v.  acórdãos  de  que  referidas  transferências  descrias  no  §7°  estariam  restritas  tão  somente  as  transferências  voluntárias,  excetuadas  as  constitucionais  e  legais.  Se  o  legislador  realmente  assim quisesse, constaria expressamente do texto da lei “transferências voluntárias”.  Se assim não o fez, sua verdadeira intenção foi excluir, da base de cálculo da  contribuição  para  o  PASEP,  os  valores  mensais  de  todas  as  transferências  decorrentes  de  convênio,  contrato  de  repasse  ou  instrumento  congênere  com  objeto  definido,  das  receitas  correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.   O Fisco quer dar  interpretação diversa do que  realmente  foi  regulado é,  no  mínimo, uma enorme insensatez, beirando a má­fé na aplicação da lei.  ­ Do ônus da prova.  Não cabe ao contribuinte, ora município­Recorrente, provar o alegado. Cabe  ao Fisco provar a suposta dedução indevida.  Deve  o  fisco  diligenciar  para  apurar  a  verdade,  bastando  o  uso  da  informática. Cabe ao fisco provar, não ao contribuinte.  Não parece razoável um procedimento  fiscal onde se possa afastar  todas as  deduções ou abatimentos, lançar o tributo mesmo sabendo que a dedução é correta, é crime de  excesso de exação, em tese.  De  outro  lado,  em  que  pese  algum  entendimento  de  forma  diversa  e,  em  atendimento  ao  princípio  da  Verdade  Real,  carreia  aos  autos  documentação  que  permite  identificar as deduções pretendidas dos seguintes períodos de apuração:  Período de apuração: 01/09/2013 a 30/09/2013  Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 5            4 Período de apuração: 01/11/2013 a 30/11/2013  Período de apuração: 01/12/2013 a 30/12/2013  DA CONCLUSÃO  Diante de todo o exposto e, confiante no elevado senso de Justiça, requer­se,  respeitosamente,  digne­se  V.  Exa.  seja  CONHECIDO  o  presente  recurso  e,  no  mérito,  seja  dado  PROVIMENTO,  reformando­se,  via  de  consequência,  os  v.  acórdãos  recorridos  e  determinar  o  CANCELAMENTO  dos  débitos  fiscais  reclamados  no  presente  feito,  por  ser  medida de direito e inteira JUSTIÇA!  É o relatório.  Voto  Conselheiro Jorge Lima Abud  Da admissibilidade.  Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário  tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte,  considerando  que  a  recorrente  teve  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  em  10/04/2018  (folhas  115),  quando,  então,  iniciou­se.  a  contagem  do  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  apresentação  do  presente  recurso  voluntário  ­  apresentando a recorrente em 27/04/2018 (e­folhas 118).  O Recurso Voluntário é tempestivo.  Da controvérsia.  · O  processamento  do  PERDCOMP  n.  08088.07845.220615.1.3.04­ 8584,  transmitido  em  22/06/2015,  não  homologado,  tendo  em  vista  que  o  DARF  descriminado  na  declaração  de  compensação  foi  integralmente utilizado para a quitação de outro débito.  Passa­se à análise.  A  Recorrente  juntou  na  Manifestação  de  Inconformidade  cópia  da  Lei  n°  9.715/98, recibo de entrega de retificação de DCTF e balancete analítico competência 09/2013.  Os conceitos de  receitas correntes e de capital  estão definidos no art. 11 da  Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, que estatuiu as Normas Gerais de Direito Financeiro  para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União dos Estados, dos Municípios e  do Distrito Federal:  Art.  11  ­ A  receita  classificar­se­á nas seguintes categorias econômicas: Receitas  Correntes  e  Receitas  de  Capital.  (Redação  dada  pelo  Decreto  Lei  n°  1.939,  de  20.5.1982)  § 1°  ­ São Receitas Correntes as  receitas  tributária,  de contribuições, patrimonial,  agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos  Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 6            5 financeiros  recebidos  de  outras  pessoas  de  direito  público  ou  privado,  quando  destinadas  a  atender  despesas  classificáveis  em  Despesas  Correntes.  (Redação  dada pelo Decreto Lei n° 1.939, de 20.5.1982)  §  2°  ­  São  Receitas  de  Capital  as  provenientes  da  realização  de  recursos  financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens  e direitos;  os  recursos  recebidos de outras pessoas de direito público ou privado,  destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o  superávit  do  Orçamento  Corrente.  (Redação  dada  pelo  Decreto  Lei  n°  1.939,  de  20.5.1982)    A legislação que trata do Pasep, assim dispõe:  ­ Lei Complementar n° 8, de 1970:  Art.  1°  ­  É  instituído,  na  forma  prevista  nesta  Lei  Complementar,  o  Programa  de  Formação do Patrimônio do Servidor Público.  Art.  2°  ­  A  União,  os  Estados,  os  Municípios,  o  Distrito  Federal  e  os  Territórios  contribuirão  para  o  Programa, mediante  recolhimento mensal  ao  Banco  do  Brasil  das seguintes parcelas:  [...]  II ­ Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios:  [...].    ­ Lei n° 9.715/98:  Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente:  [...]  III ­ pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das  receitas  correntes  arrecadadas  e  das  transferências  correntes  e  de  capital  recebidas.  [...]  §  7°  Excluem­se  do  disposto  no  inciso  III  do  caput  deste  artigo  os  valores  de  transferências  decorrentes  de  convênio,  contrato  de  repasse  ou  instrumento  congênere com objeto definido. ”  [...]  Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas  quaisquer  receitas  tributárias,  ainda  que  arrecadadas,  no  todo  ou  em  parte,  por  outra  entidade  da  Administração  Pública,  e  deduzidas  as  transferências  efetuadas a outras entidades públicas.  [...]  § 6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o  PIS/PASEP,  devida  sobre  o  valor  das  transferências  de  que  trata  o  inciso  III.  (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.158­35, de 2001)".  (Grifo e negrito nossos)   O Decreto n° 4.524/2002 que regulamentou essa contribuição, assim dispõe:  Art.  67. A União,  os Estados,  o Distrito Federal,  os Municípios  e  suas  autarquias  são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e  transferências correntes e de capital recebidas (Lei n°9.715, de 1998, art. 2°, inciso  III).  Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 7            6 Parágrafo  único.  A  contribuição  é  obrigatória  e  independe  de  ato  de  adesão  ao  Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público.  Art.  68.  A  Secretaria  do  Tesouro  Nacional  efetuará  a  retenção  do  PIS/Pasep  incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as  pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências  para as fundações públicas (Lei n°9.715, de 1998, art. 2°, § 6°, com a redação dada  pela Medida Provisória n° 2.158­35, de 2001, art. 19, e Lei Complementar n° 8, de  1970, art. 2°, parágrafo único).  Parágrafo  único.  Não  incidirá,  em  nenhuma  hipótese,  sobre  as  transferências  de  que trata este artigo, mais de uma contribuição.  (...)  Art.  70.  As pessoas  jurídicas de direito público  interno,  observado o  disposto  nos  arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas  arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei n° 9.715, de  1998, art. 2°, inciso III,§ 3° e art. 7°).  (...).  § 2° Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão  incluídas quaisquer  receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade  da  Administração  Pública,  e  deduzidas  as  transferências  efetuadas  a  outras  entidades de direito público interno."  Conforme  estes  dispositivos  legais,  as  transferências  correntes,  a  título  de  FUNDEB, recebidas pelas Prefeituras Municipais estão sujeitas ao Pasep.   O Fundeb, que sucedeu ao FUNDEF, foi instituído pela Lei n.° 11.494, de 20  de junho de 2007, sendo que se extrai da referida Lei, que se trata de mero fundo de natureza  contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos  Municípios.  Portanto,  o  Fundeb  é  um  registro  de  natureza  contábil  (uma  conta)  constituído  e  mantido  por  um  percentual  da  receita  auferida  pelos  Estados,  pelo  Distrito  Federal  e  pelos  Municípios,  a  ele  destinado.  Segundo  disposição  constitucional,  a  União  complementará  o  Fundeb  sempre  que  o  valor  por  aluno  não  alcançar  o  mínimo  definido  nacionalmente.  Também  por  disposição  legal,  os  recursos  depositados  à  conta  do  Fundeb  serão,  mais  tarde,  distribuídos  no  âmbito  de  cada  Estado  e  Distrito  Federal,  entre  governo  estadual  e  seus municípios,  na  proporção  do  número  de  alunos matriculados  nas  respectivas  redes de educação básica pública presencial.  Nessa  linha  a  manifestação  da  Coordenação­Geral  de  Tributação  da  RFB  (COSIT), através da Solução de Consulta n° 278 de 01/06/2017, que transcrevo em parte:  “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  21.3.  Em  linhas  gerais,  tanto  a  participação  como  a  complementação  dos  recursos  do  FUNDEB  são  transferências  intergovernamentais constitucionais operacionalizadas de modo  indireto,  já  que  é  criado  um  fundo  meramente  contábil  para  distribuir recursos a diversas entidades, devendo seguir a regra  das  transferências  constitucionais  e/ou  legais  já  exposta  nesse  trabalho. Portanto, seus recursos devem ser inseridos na base de  Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 8            7 cálculo  do  ente  recebedor  (o  ente  que  efetivamente  receber  as  receitas do FUNDEB) e o ente  transferidor deve excluir de sua  base  de  cálculo  os  valores  repassados.  Tendo  em  vista  a  complexidade  da  sistemática  de  transferência  dos  diversos  recursos  que  compõem  o  fundo,  apresenta­se  o  tratamento  tributário a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB:  Transferências  da  União  a  outros  entes  federativos  que  compõem  a  participação do FUNDEB  21.3.1.  As transferências efetuadas pela União aos Estados, Distrito  Federal  (DF)  e  Municípios  que  compõem  a  participação  dos  entes  federativos  ao  FUNDEB,  a  exemplo  do  percentual  do  Fundo  de  Participação  dos  Estados  (FPE)  e  do  Fundo  de  Participação  dos  Municípios  (FPM),  devem  ser  inseridas  na  base  de  cálculo  do  ente  recebedor, em razão do inciso III do art. 2°, conjugado com o art. 7°  da Lei n° 9715, de 1998. Também por causa da parte final do referido  art.  7o,  anteriormente  comentado,  o  ente  transferidor  (no  caso,  a  União) deve excluir os valores repassados de sua base de cálculo;  Caso a STN retenha alguma dessas parcelas de participação, em razão  do  §  6o  do  art.  2o  da  Lei  no  9.715,  de  1998,  os  entes  beneficiários,  apesar de obrigatoriamente  incluírem os montantes  recebidos em sua  base  de  cálculo,  deverão  excluir  da  contribuição  devida  tais  valores  retidos.  Destarte,  como  a  União  já  reteve  a  contribuição  sobre  tais  parcelas,  os  valores  retidos  devem  ser  deduzidos  da  contribuição  devida pelo ente recebedor.  Transferências dos Estados e Municípios que compõem a participação  do FUNDEB.  Quanto às parcelas de participação das receitas próprias dos Estados,  DF  e Municípios  transferidas  ao FUNDEB,  os  entes  transferidores  devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo,  em  razão  da  parte  final  do  art.  7o  da  Lei  n°  9.715,  de  1998.  Tais  valores  sofrerão  a  incidência  da  contribuição  quando  os  entes  beneficiados receberem os recursos distribuídos por meio do fundo.  Transferências da União ao FUNDEB ­ parcela de complementação  Quanto  à  parcela  de  complementação,  por  se  tratar  de  transferência  constitucional  e/ou  legal,  quando  for  transferida  para  os  fundos,  a  União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado art. 7o,  deverá excluir os valores entregues da base de cálculo da contribuição.  Tais valores  sofrerão a  incidência da contribuição no ente  recebedor  dos recursos, quando de sua alocação ao fundo. Caso a União venha a  reter  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  incidente  sobre  Receitas  Governamentais quando da transferência aos demais entes, aplica­se o  mesmo raciocínio apresentado no item 21.3.2.  Distribuição dos recursos do FUNDEB  Uma  vez  distribuídos  os  recursos  dos  fundos  aos  Estados  e  Municípios,  aqui  denominados  Receitas  do  FUNDEB,  os  entes  favorecidos deverão  incluir  em sua base de  cálculo a  totalidade dos  Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 9            8 valores  recebidos  (transferências  recebidas),  em  razão  do  inciso  III  do art. 2° da Lei n° 9.715, de 1998. Poderá ser deduzido do valor da  contribuição  devida  o  valor  retido  pela  STN  nas  transferências  realizadas,  em  respeito  ao  §  6° do  art.  2°  da Lei  n°  9.715, de  1998,  para que se evite a dupla tributação de recursos, vedada pelo art. 68,  parágrafo único, do Decreto n° 4.524, de 2002.  21.4.  Reitere­se  mais  uma  vez  que  qualquer  receita  corrente,  transferência corrente e  transferência de capital deve compor a  base  de  cálculo  dos  entes  governamentais,  considerando  as  peculiaridades  já  expostas  quanto  às  transferências  intergovernamentais."  38.  Reforme­se, naquilo em que for contrário a esta Solução  de Consulta, a Solução de Divergência no 02, de 10 de fevereiro  de  2009,  e  a  Solução  de Divergência  no  12,  de  28  de  abril  de  2011.  (Grifo e negrito nossos)   Nesse  diapasão,  traz­se  excerto  do  voto  da  i.  Conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama, no Acórdão CSRF n° 9303.007.9380, de 24/01/2019:  Como já esclarecido nos autos, discute­se a tributação da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  incidente  sobre  as  receitas  de  transferências  efetuadas pela União ao Estado do Rio de Janeiro para  formação do  Fundeb Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica  e  de  Valorização  dos  Profissionais  da  Educação,  destinado  à  distribuição  de  recursos  para  toda  a  educação  básica  nos  estados  e  municípios.  O Fundo não  é mais  do  que  uma  registro  de  natureza  contábil  (uma  conta)  constituído  e  mantido  por  um  percentual  da  receita  auferida  pelos  Estados,  pelo  Distrito  Federal  e  pelos  Municípios,  a  ele  destinado. Segundo disposição constitucional, a União complementará  o  Fundeb  sempre  que  o  valor  por  aluno  não  alcançar  o  mínimo  definido nacionalmente.  Também  por  disposição  legal,  os  recursos  depositados  à  conta  do  Fundeb  serão,  mais  tarde,  distribuídos  no  âmbito  de  cada  Estado  e  Distrito  Federal,  entre  governo  estadual  e  seus  municípios,  na  proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de  educação básica pública presencial.  A  questão  que  se  apresenta  diz  respeito  à  inclusão  ou  não  do  valor  recebido da União pelo Estado do Rio de Janeiro para constituição e  manutenção do Fundo.  A  Lei  n°  9.715,  de  25  de  novembro  de  1998,  especifica  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  devida  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  público interno.  Art.2° A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente:  (...)  Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 10            9 III  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  público  interno,  com  base  no  valor mensal das  receitas correntes arrecadadas  e das  transferências  correntes e de capital recebidas.  (...)  Art.70  Para  os  efeitos  do  inciso  III  do  art.  2°,  nas  receitas  correntes  serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas,  no  todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e  deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.  Nos  termos  da  Lei,  a  contribuição  incide  sobre  o  valor  mensal  das  receitas  correntes  arrecadadas  e  sobre  o  valor  das  transferências  correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas  a outras entidades públicas.  Na  constituição  do  crédito  tributário  neste  controvertido,  a  Fiscalização  Federal  entendeu  que  são  tributadas  as  transferências  feitas  pela  União  ao  Estado  do  Rio  de  Janeiro  e  que  os  valores  depositados  pelo  Estado  no  Fundo  não  constituem  transferências  de  recursos  a  outra  entidade pública  e,  por  conseguinte,  não  podem ser  excluídas da base de cálculo da Contribuição.  De fato, a  leitura das disposições legais supratranscritas não poderia  conduzir  a  outra  conclusão,  pelo  menos  a  priori.  A  transferência  de  recursos ao Fundeb, sejam eles originários de transferências correntes  ou de receitas tributárias do próprio ente federativo, jamais poderá ser  enquadrada  na  hipótese  prevista  no  art.  7°  da  Lei  9.715/98,  pois  o  Fundo, como já se disse, não é uma entidade pública, mas apenas uma  conta de natureza contábil.  Contudo, há uma questão de difícil equalização na apuração da base  imponível quando consideradas as transferências correntes, as receitas  tributárias,  os  depósitos  à  conta  do  Fundo  e  os  valores  que,  na  distribuição  dos  recursos  do  Fundeb,  venham  a  ser  definitivamente  destinados a cada ente federativo.  Como  já  esclarecido  antes,  os  recursos  depositados  no Fundo  serão,  mais  tarde,  obrigatoriamente,  transferidos,  pelo menos  em parte,  aos  Municípios,  dentro  de  cada  Estado  da  Federação  ou  ao  próprio  Estado,  na  proporção  do  número  de  alunos  matriculadas  nas  respectivas  redes  de  educação  básica  pública  presencial.  Ou  seja,  afastada a impensável hipótese de que cada ente federativo receba do  Fundo  o  valor  exato  que  nele  depositou,  induvidosamente,  pelo  menos parte dos  recursos a ele destinados por um determinado ente  federativo serão  transferidos mais  tarde a outras entidades públicas,  ou,  em  caso  contrário,  se  o  valor  depositado  por  determinado  ente  federativo for menor do que o valor recebido do Fundo, haverá uma  transferência  de  recursos  de  outra  entidade  pública  através  do  Fundeb.  Significa dizer que, necessariamente, há necessidade de que se apure  o  saldo positivo ou negativo  com base na diferença entre os  valores  depositados no Fundo pelo ente federativo e dele recebidos.  Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 11            10 Segundo  a  decisão  recorrida,  em  recente  Solução  editada  pela Cosit  Solução de Consulta n° 278 Cosit, de 1° de junho de 2017, a Secretaria  da Receita Federal  teria decidido, nas palavras do  i. Relator do voto  condutor da decisão recorrida, que "os valores repassados ao Fundeb  devem ser excluídos da base de cálculo do Pasep" (efolhas 458).  A  Fazenda  Nacional,  por  seu  turno,  considera  equivocado  o  entendimento  expresso  na  Solução,  entende  que  somente  a  lei  pode  determinar a base de cálculo etc.  No  que  diz  respeito  ao  argumento  da  Recorrente,  necessário  reafirmar,  uma  vez  que  já  o  fiz  em  outras  oportunidades,  que,  concessa  venia,  não  me  parece  razoável  que  se  proponha  decisão  contrária ao entendimento da Secretaria da Receita Federal quando  esse é favorável ao sujeito passivo. De fato, se se considerar que todo  o  crédito  tributário  doravante  constituído,  assim  como  todas  as  decisões  tomadas  pelas  delegacias  da  receita  federal  de  julgamento  deverão obedecer a interpretação veiculada na Solução de Consulta, é  de se perguntar como seria possível eximir­se da revisão de ato ainda  não definitivamente julgado e contrário àquilo que uma das partes do  processo  considera  devido?  Poder­se­ia  o  CARF  no  papel  de  quem  determina a exigência, a despeito da Secretaria considera­la indevida.  Mas,  a  despeito  disso,  segundo  entendo,  parece­me  que  nem  a  Recorrente nem o Colegiado recorrido empregou a melhor exegese da  Solução de Consulta Cosit n°278 de 2017.  A  seguir,  transcrevo  o  item  21.3  da  Solução,  no  qual  a  autoridade  prolatora descreve, em linhas gerais, as particularidades do Fundeb e  especifica,  caso  a  caso,  os  critérios  que  devem  ser  empregados  na  apuração da base de cálculo da exação.  21.3. Em  linhas gerais,  tanto a participação como a complementação  dos  recursos  do  FUNDEB  são  transferências  intergovernamentais  constitucionais operacionalizadas de modo indireto, já que é criado um  fundo  meramente  contábil  para  distribuir  recursos  a  diversas  entidades,  devendo  seguir  a  regra  das  transferências  constitucionais  e/ou  legais  já  exposta  nesse  trabalho.  Portanto,  seus  recursos  devem  ser  inseridos  na  base  de  cálculo  do  ente  recebedor  (o  ente  que  efetivamente  receber  as  receitas  do  FUNDEB)  e  o  ente  transferidor  deve excluir de sua base de cálculo os valores repassados. Tendo em  vista  a  complexidade  da  sistemática  de  transferência  dos  diversos  recursos que compõem o fundo, apresenta­se o tratamento tributário  a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB:  Transferências  da União a  outros  entes  federativos  que  compõem a  participação do FUNDEB  As  transferências  efetuadas  pela  União  aos  Estados  Distrito  Federal  (DF) e Municípios que compõem a participação dos entes  federativos  ao FUNDEB, a exemplo do percentual do Fundo de Participação dos  Estados  (FPE)  e  do  Fundo  de  Participação  dos  Municípios  (FPM),  devem ser inseridas na base de cálculo do ente recebedor, em razão do  inciso III do art. 2°, conjugado com o art. 7° da Lei n° 9715, de 1998.  Também  por  causa  da  parte  final  do  referido  art.  7°,  anteriormente  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 12            11 comentado,  o  ente  transferidor  (no  caso,  a  União)  deve  excluir  os  valores repassados de sua base de cálculo;  Caso a STN retenha alguma dessas parcelas de participação, em razão  do  §  6°  do  art.  2°  da  Lei  n°  9.715,  de  1998,  os  entes  beneficiários,  apesar de obrigatoriamente  incluírem os montantes  recebidos em sua  base  de  cálculo,  deverão  excluir  da  contribuição  devida  tais  valores  retidos.  Destarte, como a União já reteve a contribuição sobre tais parcelas, os  valores  retidos devem ser deduzidos da contribuição devida pelo ente  recebedor.  Transferências  dos  Estados  e  Municípios  que  compõem  a  participação do FUNDEB  Quanto às parcelas de participação das receitas próprias dos Estados,  DF  e  Municípios  transferidas  ao  FUNDEB,  os  entes  transferidores  devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo,  em  razão  da  parte  final  do  art.  7°  da  Lei  n°  9.715,  de  1998.  Tais  valores  sofrerão  a  incidência  da  contribuição  quando  os  entes  beneficiados  receberem  os  recursos  distribuídos  por  meio  do  fundo.  Transferências da União ao FUNDEB parcela de complementação.  21.3.4.  Quanto  à  parcela  de  complementação,  por  se  tratar  de  transferência constitucional e/ou legal, quando for transferida para os  fundos, a União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado  art.  7°.  deverá  excluir  os  valores  entregues  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Tais  valores  sofrerão  a  incidência  da  contribuição  no  ente recebedor dos recursos. quando de sua alocação ao fundo. Caso a  União venha a reter a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre  Receitas  Governamentais  quando  da  transferência  aos  demais  entes.  aplica­se o mesmo raciocínio apresentado no item 21.3.2.  Distribuição dos recursos do FUNDEB 21.3.5. Uma vez distribuídos os  recursos  dos  fundos  aos  Estados  e  Municípios.  aqui  denominados  Receitas  do  FUNDEB.  os  entes  favorecidos  deverão  incluir  em  sua  base  de  cálculo  a  totalidade  dos  valores  recebidos  (transferências  recebidas). em razão do inciso III do art. 2° da Lei n° 9.715. de 1998.  Poderá  ser  deduzido  do  valor  da  contribuição  devida  o  valor  retido  pela STN nas transferências realizadas. em respeito ao § 6° do art. 2°  da  Lei  n°  9.715.  de  1998.  para  que  se  evite  a  dupla  tributação  de  recursos.  vedada pelo art.  68.  parágrafo único. do Decreto n° 4.524.  de­ 2002.  A toda evidência. a conclusão a que chegou o Colegiado recorrido de  que  a  Solução  de Consulta Cosit  n°  278  considerou  que  “os  valores  repassados  ao  Fundeb  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  do  Pasep”  baseou­se  única  e  exclusivamente  nas  considerações  preliminares  do  item  21.3.  na  parte  em  que  explica  que  os  recursos  devem ser inseridos na base de cálculo do ente recebedor (o ente que  efetivamente  receber  as  receitas  do  FUNDEB)  e  o  ente  transferidor  deve  excluir  de  sua  base  de  cálculo  os  valores  repassados. Contudo.  salvo melhor juízo. a instância a quo não levou em consideração o que  seguiu­se  a  esse  comentário.  quando  a  Coordenação  de  Tributação  aduz  que  “tendo  em  vista  a  complexidade  da  sistemática  de  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 13            12 transferência dos diversos recursos que compõem o fundo. apresenta­ se o tratamento tributário a ser dado para cada espécie de receita do  FUNDEB”.  a  partir  do  que  define  como  deve  ser  calculada  a  base  imponível  que.  como  a  seguir  se  verá.  é  apurada  com  base  no  saldo  final  decorrente  da  diferença  entre  o  valor  depositado  e  o  valor  ao  final recebido.  Dada  a  complexidade  da  matéria,  simula­se  a  seguir  uma  situação  hipotética  simplificada,  fazendo­se  remissão  aos  itens  da  Solução  de  Consulta.  (21.3.1)  Transferências  da União  corresp.  à  participação  do Estado:  R$ 600.000,00  Valor depositado ao Fundo pelo Estado: R$ 1.000.000,00  Transferência  da  União  ao  Fundo  (parcela  de  complementação)  R$  100.000,00  Valores do Fundeb destinados ao Estado: R$ 300.000,00  O  valor  correspondente  a  R$  600.000,00,  recebido  a  título  de  transferência  da  União  correspondente  à  parcela  do  Fundo  de  Participação  do  Estado  (FPE),  integra  a  base  de  cálculo  da  Contribuição.  Da  mesma  forma,  os  R$  400.000,00  arrecadados  (diferença entre o valor depositado pelo Estado e o valor recebido da  União:  R$  1.000.000,00  ­  R$  600.000,00)  e  destinados  ao  Fundo  integram  a  base  de  cálculo  e  foram  tributados,  por  tratarem­se  de  receita tributária do Estado.  Para  a  apuração  do  valor  que  foi  destinado  a  outras  entidades  públicas,  e,  por  conseguinte,  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo,  apura­se  a  diferença  entre  a  valor  total  depositado  ao  Fundo  (R$  1.000.000,00 item 21.3.3) e o valor com que o Estado foi contemplado  (R$  300.000,00  item  21.3.5),  com  o  que  se  chega  à  monta  de  R$  700.000,00.  Esse  é  o  valor  que  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  das  contribuições.  A  parcela  de  complementação,  tal  como  reza  o  item  21.3.4  não  é  tributada  no  momento  da  transferência,  porque  é  depositada  diretamente pela União ao Fundo e, por conta disso, não é descontada  da base de cálculo.  É  fato que seria significativamente mais simples se a  incidência  fosse  determinada com base nos  valores que, ao  final,  fossem destinados a  cada ente  federativo;  contudo, não há previsão  legal para  tanto. Nos  termos do art. 2° e 7° da Lei 9.715/98, a Contribuição incide sobre o  valor mensal das  receitas correntes arrecadadas  e das  transferências  correntes e de capital  recebidas, deduzidas, apenas, as  transferências  efetuadas a outras entidades públicas. Não há, portanto, como afastar  a  tributação  que  incide  sobre  a  receita  auferida,  seja  o  ingresso  decorrente de  transferência ou de arrecadação de  tributos,  pois a  lei  não admite essa possibilidade.  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 14            13 Assim, como no caso do Fundeb, o valor que  foi  transferido a outras  entidades  só  pode  ser  apurado  conforme  metodologia  de  cálculo  acima,  a  base  de  cálculo  necessariamente  deverá  levar  em  consideração  o  saldo  positivo  ou  negativo  dos  valores  ao  Fundo  destinados e dele recebidos.  O  relatório  no  qual  está  fundamentado  o  auto  de  infração  ora  controvertido  esclarece  os  critérios  considerados  pela  autoridade  autuante na apuração da base imponível efolha 307.  Desta  forma,  conclui­se  que  as  receitas  tributárias  arrecadadas  ou  recebidas  pelo  Estado  do  Rio  de  Janeiro  que  foram  destinadas  ao  FUNDEB não podem ser excluídas da base de cálculo do PASEP, por  força  do  disposto  no  art.  7°  da  Lei  n°  9.715/98,  que  determina  a  consideração nas  receitas correntes de quaisquer  receitas  tributárias,  ainda  que  arrecadadas  no  todo  ou  em  parte  por  outra  entidade  da  Administração  Pública,  só  autorizando  a  dedução  das  transferências  efetuadas a outras entidades públicas, o que não é o caso.  Na página seguinte, destaca que "foram considerados todos os valores  de PASEP retidos pela União (...)".  A  conclusão  é  a  de  que  o  trabalho  fiscal  considerou  parâmetros  um  tanto discrepantes daqueles definidos pelo Órgão Central por meio da  Solução  de Consulta  n°  278 Cosit/2017.  No mesmo  sentido,  à  luz  de  tudo  o  que  até  aqui  declinou­se,  salta  aos  olhos  que  a  decisão  recorrida precisa ser modificada, uma vez que tenha, deliberadamente,  excluído da base de cálculo da exação todas as receitas auferidas pelo  Estado  destinadas  ao  Fundeb,  sem  confrontar  o  saldo  final  das  operações  que  envolvem  a  transferência  de  recursos  destinados  e  provenientes do Fundo, tal como demonstrado.  Considerando  que  a  autuação  já  levou  em  consideração  os  valores  retidos  pela União,  voto  pelo parcial  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional,  para  determinar  que  sejam  excluídas  ou  incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o saldo  das operações com o Fundeb conforme explicitado no vertente voto. ”  Por fim, sua conclusão magistral:  1.  As  transferências  da  União  aos  Estados  a  título  de  parcela  de  participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de  cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep;  2. Podem­se excluir da base de cálculo as retenções já realizadas pela  Secretaria  do  Tesouro  Nacional,  bem  como  os  valores  transferidos  pelos ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos.  Portanto,  esse  entendimento  se  coaduna  com  o  pleito  esposado  pelo  contribuinte, no que diz respeito à exclusão da base de cálculo as retenções já realizadas pela  Secretaria do Tesouro Nacional, bem como os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e  inclusão dos os valores deles recebidos.  ­ Do ônus da prova.  Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10855.904132/2015­08  Resolução nº  3302­001.117  S3­C3T2  Fl. 15            14 Diante do exposto, RESOLVE­SE baixar os autos em diligência, para que a  autoridade preparadora:  1.  Certifique a procedência dos documentos acostados nos autos junto à  Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário; e  2.  Intime o  conbtribuinte  a  apresentar  a base  de  cálculo  do PASEP do  período, identificando as excluões do PASEP.  Ao  final,  deve  ser  facultado  à  recorrente  o  prazo  de  trinta  dias  para  se  pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº  7.574, de 2011.    Jorge Lima Abud ­ Relator.            Fl. 199DF CARF MF

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Numero do processo: 13839.905384/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.520
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­006.520  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2019  Matéria  COFINS  Recorrente  BEBAFRUTA INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015  ATO  ADMINISTRATIVO.  MOTIVAÇÃO  SUCINTA.  INEXISTÊNCIA  DE  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  MOTIVAÇÃO  E  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo  STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do  despacho  decisório  que  negou  a  compensação  realizada  pelo  contribuinte.  Inexistência de cerceamento de defesa  PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E  CERTEZA.  Os  valores  recolhidos  a maior  ou  indevidamente  somente  são  passíveis  de  restituição/compensação  caso  os  indébitos  reúnam  as  características  de  liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte  possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  A  Conselheira  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula  acompanhou o relator pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Cynthia  Elena  de  Campos  e  Thais  De  Laurentiis Galkowicz.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 84 /2 01 5- 32 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905384/2015­32  Acórdão n.º 3402­006.520  S3­C4T2  Fl. 3          2  Relatório  Trata  o  presente  processo  do  PER/DCOMP  transmitido  pelo  contribuinte  acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior.   O  Despacho  Decisório  proferido  pela  unidade  de  origem  concluiu  pela  improcedência  do  crédito  original  informado  no  PER/DCOMP,  sob  o  fundamento  de  que  o  pagamento  relacionado  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.   Cientificado  desta  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo:  ­ Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao  princípio  do  devido  processo  legal.  Afirma  que  a  decisão  originária  se  apresenta  genérica,  lacônica,  beira  as  raias  da  inépcia  e  torna  difícil  a  contra  argumentação  da  recorrente.  Afirma  também  que  haviam  vários  outros  elementos  que  poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente  permitiriam  inferir­se  de modo  diverso,  e  que  esta  decisão  (do  Despacho Decisório) deve ser anulada.   ­  No  mérito,  afirma  possuir  direito  a  crédito  a  ser  utilizado  e  homologado,  pois  pagou  indevidamente  ou  a  maior  as  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS  ao  não  excluir  de  suas  bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O  valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e  da  COFINS  por  não  integrar  conceito  de  "faturamento",  pois  esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil  das  empresas.  A  este  respeito  cita  o  voto  proferido  pelo  Min.  Luiz Gallotti  no Recurso Extraordinário  nº  71.758  no  STF  e  o  Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o  Ministro Marco Auréio.  ­ Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para  o  pagamento  de  impostos  atinentes  ao  caso  vertente  até  o  julgamento  em  definitivo  no  âmbito  administrativo  do  referido  processo.  Requer  também  PROVIMENTO  TOTAL  à  Manifestação  de  Inconformidade,  para  ser  acatada  a  matéria  preliminar  e  anulada  a  decisão,  ou,  que  seja  reformada  a  decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação.  A manifestação de  inconformidade  foi  julgada  improcedente pelo DRJ, nos  termos do Acórdão nº 12­091.525.  Devidamente  intimado,  o  contribuinte  interpôs  o  recurso  voluntário  ora  em  apreço,  oportunidade  em  que  continuou  alegando  que  despacho  decisório  seria  nulo,  porque  carente de motivação, o que, por seu turno,  implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do  recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS  da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905384/2015­32  Acórdão n.º 3402­006.520  S3­C4T2  Fl. 4          3  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­006.481,  de  24  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  13839.905347/2015­24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402­006.481):  "5.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  I. Preliminarmente  (i)  Da  pretensa  ausência  de  motivação  do  despacho  decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte  6.  A  título  de  preliminar  de  mérito,  o  contribuinte  se  apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que  implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria  carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado  despacho  é  claro  ao  expor  o  motivo  da  denegação  aqui  combatida:  o  contribuinte  compensou  o  pretenso  crédito  com  outro débito, sendo este o teor do referido despacho:    7.  Embora  sucinto,  o  despacho  é  claro  em  apontar  o  motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso  crédito  teria  sido  utilizado  para  a  quitação  de  outros  débitos  para  com  a  Receita  Federal  do  Brasil.  Aliás,  precisando  tal  assertiva,  o  citado  despacho  aponta  que  tal  crédito  teria  sido  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905384/2015­32  Acórdão n.º 3402­006.520  S3­C4T2  Fl. 5          4  utilizado para o pagamento de n.  43687704232,  com código n.  2172,  referente  a  processo  administrativo  de  compensação  de  30/04/2015.  Tais  informações  são  suficientes  para  identificar  o  débito  para  o  qual  o  "crédito"  indicado  neste  processo  administrativo foi previamente utilizado.  8.  Apesar  da  objetividade  do  referido  despacho,  tal  ato  atende  a  exigência  da  motivação  de  todo  e  qualquer  ato  administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa  da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O  fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por  carência  de  motivação,  como  aliás  já  decidiu  o  Supremo  Tribunal  Federal  em  sede  de  recurso  julgado  sob  repercussão  geral, in verbis:  1. Questão de ordem. Agravo de  Instrumento. Conversão  em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°).  2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e  ao  inciso  IX  do  art.  93  da  Constituição  Federal.  Inocorrência.  3. O  art.  93,  IX,  da Constituição Federal  exige  que  o  acórdão  ou  decisão  sejam  fundamentados,  ainda  que  sucintamente,  sem  determinar,  contudo,  o  exame  pormenorizado de cada uma das alegações ou provas,  nem que sejam corretos os fundamentos da decisão.  4.  Questão  de  ordem  acolhida  para  reconhecer  a  repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal,  negar  provimento  ao  recurso  e  autorizar  a  adoção  dos  procedimentos relacionados à repercussão geral.  (STF;  AI  791.292  QO­RG,  Relator:  Min.  GILMAR  MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL ­  MÉRITO DJe­149 DIVULG 12­08­2010 PUBLIC 13­08­ 2010) (grifos nosso).  9. É  também neste diapasão o entendimento do Superior  Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa  das ementas exemplarmente colacionadas abaixo:  AGRAVO  INTERNO.  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL.  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973.  AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS  N.  282  E  356  DO  STF.  REEXAME  DE  PROVAS.  INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO  DE  NULIDADE  DA  DECISÃO.  MOTIVAÇÃO  SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.  1. A  ausência  de  prequestionamento  de  dispositivo  legal  tido  por  violado  impede  o  conhecimento  do  recurso  especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF.  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905384/2015­32  Acórdão n.º 3402­006.520  S3­C4T2  Fl. 6          5  2.  Não  cabe,  em  recurso  especial,  reexaminar  matéria  fático­probatória (Súmula n. 7/STJ).  3. A decisão  que  se mostra  fundamentada,  ainda  que  de  forma  sucinta,  não  dá  ensejo  ao  decreto  de  nulidade.  4. Agravo interno a que se nega provimento.  (STJ; AgInt  no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA  ISABEL  GALLOTTI,  4a  T.,  j.  em  22/05/2018,  DJe  01/06/2018) (g.n.).    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Ano­calendário: 2001, 2002  NULIDADE.  ACÓRDÃO  DA  DRJ.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.  Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que  de  forma  sucinta.  A  fundamentação  breve  não  caracteriza ausência de motivação.  IRPF.  COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO  EM CONTA DE  PESSOA  FÍSICA.  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR.  O  depósito  em  conta  bancária  de  pessoa  física,  sócia  de  empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física  como beneficiária da  renda,  sendo devido  IRPF  sobre os  valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são  capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário.  IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM  VIAGEM,  ESTADIA  E  ALIMENTAÇÃO.  CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE  FATO GERADOR.  Despesas  de  locomoção,  hospedagem  e  alimentação  quando  incorridas  pelo  contratante  dos  serviços  em  benefício  do  prestador  do  serviço  para  viabilizar  a  prestação  do  serviço  não  caracterizam  remuneração  indireta.  COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS.  O CARF não é órgão competente para promover de ofício  compensação  do  crédito  tributário  mantido  em  sede  de  processo administrativo em face de eventuais valores que  o  contribuinte  detenha  a  seu  favor  junto  a  autoridade  tributária.  (CARF;  Processo  n.  11080.011496/2006­14;  acórdão  n.  2201­002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.).  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905384/2015­32  Acórdão n.º 3402­006.520  S3­C4T2  Fl. 7          6  10. Ressalte­se, por fim, que nem sede de manifestação de  inconformidade  nem  no  âmbito  do  recurso  voluntário,  o  contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a  motivação  do  ato  administrativo,  limitando­se  a  aduzir,  genericamente,  que  tal  despacho  seria  carente  de  motivação.  Convém  lembrar,  todavia,  que  o  presente  caso  é  um pedido  de  compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o  fato  constitutivo  do  seu  direito,  i.e.,  seu  crédito,  exatamente  como  estipulado no art. 373, inciso I do CPC1.  11.  Nesse  sentido,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em  ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão  recorrido ser mantido em sua íntegra.  II. Mérito  (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da  COFINS e a ausência de prova  12. Quanto  ao mérito,  convém  novamente  repisar  que  o  contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e,  como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de  seu  direito.  Em  outras  palavras,  o  sujeito  passivo  possui  o  encargo  de  comprovar,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o  direito invocado existe.  13. Assim, caberia ao sujeito passivo  trazer aos autos os  elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório,  capazes  de  demonstrar,  de  forma  cabal,  que  a  fiscalização  incorreu  em  erro  ao  não  homologar  a  compensação  pleiteada,  em  conformidade  com  os  arts.  15  e  16  do  Decreto  nº  70.235/19722.  Em  outros  termos,  o  ônus  probatório  nos  processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este  o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de  seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009   VERDADE  MATERIAL.  INVESTIGAÇÃO.  COLABORAÇÃO.  A  verdade  material  é  composta  pelo  dever de investigação da Administração somado ao dever  de  colaboração  por  parte  do  particular,  unidos  na  finalidade  de  propiciar  a  aproximação  da  atividade  formalizadora  com  a  realidade  dos  acontecimentos.                                                              1 "Art. 373.  O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor."  2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será  apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da  exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III­ os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir;"  Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905384/2015­32  Acórdão n.º 3402­006.520  S3­C4T2  Fl. 8          7  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Nos  processos  derivados  de  pedidos  de  compensação/ressarcimento, a comprovação do direito  creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes.  Não  se  presta  a  diligência,  ou  perícia,  a  suprir  deficiência  probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)   (Processo n.º 11516.721501/2014­43. Sessão 23/02/2016.  Relator  Rosaldo  Trevisan.  Acórdão  n.º  3401­003.096  ­  grifos nosso).  14. Atentando­se para o presente caso, não se vislumbra  qualquer  fundamento  fático  ou  jurídico  trazido  pela  recorrente  capaz  de  alterar  a  conclusão  em  torno  do  direito  ao  crédito  alcançada  no  despacho  decisório  e  mantida  pela  decisão  recorrida,  a  qual  limita­se  a  discutir,  em  abstrato,  a  validade  material do suposto crédito por ela vindicado.  Dispositivo  15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                            Fl. 63DF CARF MF

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Numero do processo: 10930.724099/2012-33
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
Numero da decisão: 2003-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente. Francisco Ibiapino Luz - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ

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2003­000.013  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL ­ COMPROVAÇÃO  Recorrente  ADALBERTO FONSATTI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2011  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  DEDUÇÃO.  PENSÃO  ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.  O  pagamento  de  pensão  alimentícia  judicial  é  dedutível  na  apuração  do  imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento,  como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude  do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a  partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº  5.869, de 1973, art. 1.124­A.  Afasta­se  a  glosa  das  despesas  de  pensão  alimentícia  judicial  que  o  contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva  dedutibilidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.   Sheila Aires Cartaxo Gomes ­ Presidente.   Francisco Ibiapino Luz ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo  Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 40 99 /2 01 2- 33 Fl. 121DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte com  o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento.  Notificação de Lançamento  Foi  constituído  crédito  tributário  no  valor  de  R$  2.497,21,  referente  a  Imposto de Renda Pessoa Física ­ IRPF do exercício de 2011, ano­base de 2010, apurado em  Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia  judicial no montante  de R$ 7.500,00, por falta de apresentação da decisão judicial referente aos meses de janeiro a  maio de 2010 (fls. 43/47).  Impugnação    Inconformado,  o  Contribuinte  apresentou  impugnação,  alegando  ter  entregue  a  documentação  judicial,  que  ampara  a  dedução  pretendida,  mas  o  autuante  se  baseou, exclusivamente, no Acordo Judicial, desconsiderando as decisões em ação Cautelar e  no Agravo de Instrumento (fls. 02/08).  Julgamento de Primeira Instância   A 4ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  de  Porto Alegre, por unanimidade,  julgou procedente em parte a pretensão externada por meio  de mencionada contestação, restando afastada a glosa referente ao valor comprovado de R$  5.000,00, correspondente aos pagamentos na quantia de R$ 1.000,00 mensais, realizados de  janeiro a maio do respectivo ano­calendário (fls. 107/109).  Recurso Voluntário  Discordando  da  respeitável  decisão,  o  Sujeito  Passivo  interpôs  Recurso  Voluntário, argumentando que a pensão alimentícia na quantia de R$ 1.500,00, mensais,  já  estava  amparada  por  decisão  judicial,  de  maio  de  2008  a  maio  de  2010,  quando  foi  formalizado o acordo judicial. Nestes termos (fls. 114/118):  1. que não foi observada a decisão  judicial proferida nos Autos 277/2008,  determinando  o  pagamento  da  pensão  na  quantia  de  R$  1.000,00 mensais  de  abril/2008  a  maio/2010;  2  que,  no  Agravo  de  Instrumento  nº  494.924­6­TJPR,  em  30/05/2008,  houve majoração da primeira decisão, onde o valor mensal de mencionada pensão passou a  ser de R$ 1.500,00;  3.  que,  entre  janeiro  e  maio  de  2010,  o  pagamento  da  pensão  estava  amparado pela decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 494.924­6­TJPR;  4. que o valor de R$ 1.000,00 vigorou apenas por um mês.      Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10930.724099/2012­33  Acórdão n.º 2003­000.013  S2­C0T3  Fl. 122          3   Voto             Conselheiro Francisco Ibiapino Luz ­ Relator  Admissibilidade  O  Recurso  é  tempestivo,  pois  a  ciência  da  decisão  recorrida  se  deu  em  08/09/2014 (fls. 113), e a Peça recursal foi recebida em 06/10/2014 (fls. 114), dentro do prazo  legal  para  sua  interposição.  Logo,  já  que  atendidos  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Mérito  Consoante  visto  no  Relatório,  o  recorrente  logrou  êxito  parcial  perante  o  julgamento de primeira instância, nestes termos:  1. por ocasião do lançamento, foi glosada a despesa de R$ R$ 7.500,00;  2. no julgamento da impugnação, a DRJ considerou comprovada a quantia  de R$ 5.000,00;  3.  restou  em  litígio,  apenas,  o  valor  de  R$  2.500,00,  decorrente  da  divergência apurada no período entre janeiro e maio de 2010, pois a decisão de origem acatou  a dedução mensal de R$ 1.000,00, mas o Recorrente alega tê­la sido de R$ 1.500,00.  Como  se  pode  notar,  a  questão  a  ser  decidida  se  limita  à  compreensão  acerca  da  pertinência  ou  não  da  decisão  de  piso,  exclusivamente,  quanto  ao  reajuste  de  aludida pensão alimentícia de R$ 1.000,00 para R$ 1.500,00 nos meses de janeiro a maio de  2010, cujo excerto transcrevo:  De fato, o contribuinte foi sentenciado na Ação de Separação  de  Corpos  nº  277/2008,  cuja  decisão  foi  proferida  em  24/04/2008,  a  pensionar  a  ex­esposa  Lucimara  Tomitan  Fonsatti  no  valor  de  R$1.000,00  além  de  manter  plano  de  saúde e tratamento médico da separada. Portanto, os valores  pagos  de  janeiro  a  maio  de  2010  estão  amparados  pelo  processo  de  separação de  corpos  até  o  valor  de R$1.000,00  por  mês  (fl.17)  cujo  pedido  de  reajuste  foi  negado  (fl.22)  judicialmente, passando a R$1.500,00 a partir do acordo das  folhas 9 e 10 já considerados pela fiscalização (R$10.500,00).  (grifo nosso)  Quanto a isso, entendemos que a razão está com o Contribuinte, haja vista a  decisão  judicial  exaradas  em  Agravo  de  Instrumento,  pelo  Tribunal  de  Justiça  do  Paraná,  datada de 21/05/208 (fls. 22), cuja confirmação se ver no Embargo de Declaração, pelo Juiz  singular de Arapongas/PR, de 27/10/2010 (fls. 23).    Fl. 123DF CARF MF     4 Esclarecendo melhor,  a Agravante  solicita  a majoração de  aludida pensão  alimentícia  para  R$  3.000,00  mensais,  mas  o  TJ/PR  atendeu  referido  pleito  apenas  parcialmente, ao estabelecer o novo patamar de R$ 1.500,00 em maio de 2008, ali  frisando:  "...até o julgamento definitivo do recurso por esta Câmara" (fls. 21/22). De outro modo, em  outubro do mesmo ano,  embora não  se  sabendo o  exato  teor do pedido  ­  já que o processo  corre em segredo de justiça ­ no julgamento do Embargo, o Juiz de Arapongas/PR manifesta  improcedente o pedido de aumento de pensão, sob o argumento de que os alimentos fixados  inicialmente já haviam sido aumentados pelo Tribunal.  Assim entendido, há de se crer que o novo pedido de aumento da pensão, a  que se referiu e negou a Magistrada, supostamente, pretendia avançar além do patamar de R$  1.500,00, já que a inicial, no Agravo, buscava alcançar a quantia de R$ 3.000,00. Logo, não é  razoável  a  decisão  da  DRJ,  reconhecendo  como  negativa  judicial,  manifestação  que  se  apresenta,  claramente,  positivada nos  autos. Afinal de  contas,  não  se  afigura  razoável pedir,  em  outubro  de  2008,  ao  julgador  singular  do  embargo,  direito  que  já  foi  concedido  pelo  Tribunal em maio do mesmo ano.  Conclusão  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  Recurso  interposto,  restabelecendo a dedução requerida.   Francisco Ibiapino Luz ­ Relator                                Fl. 124DF CARF MF

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