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Numero do processo: 18471.001569/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondo-se o seu não conhecimento.
INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais.
INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO.
Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito.
Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado.
Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetido ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários.
Numero da decisão: 2402-005.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Petrobras, conhecer do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, determinando o sobrestamento do processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomando-se a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento em conformidade com a Portaria RFB nº 2.284/2010. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondose o seu não conhecimento. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO. Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito. Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado. Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetido ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 69 /2 00 8- 77 Fl. 820DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Petrobras, conhecer do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, determinando o sobrestamento do processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomandose a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento em conformidade com a Portaria RFB nº 2.284/2010. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (554/566) em face de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD Debcad 35.605.9340), referente a contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, e dos segurados, referente às competências 12/1997 a 12/1998. O crédito foi constituído com base no instituto da responsabilidade solidária em razão de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa BJ Services do Brasil Ltda. à Petrobras Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), em cumprimento ao contrato 110.7.755.934, de conformidade com o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 (na redação anterior à Lei nº 9.711/1998). Consta do item 5 do Relatório Fiscal (fls. 32/35) que a Petrobras contratou com a BJ Services do Brasil Ltda. a execução, mediante cessão de mãodeobra, por meio do contrato nº 110.7.755.934, de serviços técnicos especializados de cimentação, restauração, dentre outros, bem como o fornecimento de produtos químicos para aplicação nos serviços especificados no contrato, quando necessário, na Plataforma Continental Brasileira e/ou superfície terrestre do Território Nacional. Por bem retratar todo o histórico processual até a retomada do contencioso administrativo que sucedeu a anulação da Decisão Notificação que havia julgado procedente o lançamento, transcrevese os trechos correspondentes do Relatório do Acórdão nº 1252.512 10ª Turma da DRJ/RJ1: DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 29/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, através do instrumento de fls. 52/58, alegando, em síntese: 3.1. Afirma o contribuinte que ocorreu a decadência do direito de constituição do crédito previdenciário, tendo em vista o transcurso de prazo maior de cinco anos entre os pretensos fatos geradores do tributo e a notificação, sendo pacífico o entendimento do STJ de que a decadência em questão é regida pelo Código Tributário Nacional; 3.2. Tanto na redação atual do art. 31 da Lei 8212/91, quanto na anterior, para caracterização da cessão de mãodeobra é necessária a existência de um serviço contínuo e a colocação do empregado à disposição do contratante; 3.3. No caso vertente, não ocorreram tais pressupostos, tendo o contrato versado somente sobre uma prestação de serviços da empresa contratada para a impugnante, pelo prazo necessário Fl. 822DF CARF MF 4 para consecução do objeto contratado e dentro dos limites do objeto contratado; 3.4. O contrato foi firmado para fins de realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mãodeobra; 3.5. A lei quer abarcar os contratos em que o próprio serviço seja seu objeto e não meio para obtenção de um resultado diverso; 3.6. As hipóteses do art. 219 do Decreto 3048/99 devem ser interpretadas de acordo com o entendimento da Lei; 3.7. Afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez, devendo, antes da cobrança do devedor solidário, existir o lançamento contra o devedor originário; 3.8. Inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.9. Devese proceder o lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.10. Certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.11. A Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.12. Em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutido no valor das notas fiscais ou da fatura encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.13. A atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.14. Observa que o INSS não pode transferir o seu poder fiscalizatório ao particular; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 4 5 3.15. Invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.16. Por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 4. A empresa contratada para execução dos serviços solidária com a contratante, cientificada da lavratura do crédito previdenciário, apresentou em 05/11/2003 impugnação (fls. 62/89), aduzindo as razões a seguir sintetizadas: 4.1. Segundo o entendimento da melhor doutrina e jurisprudência, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o fisco possui, nos termos do art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional , o prazo ininterrupto de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador para constituir os respectivos créditos tributários, concluindo que, à época da fiscalização, já havia decaído o direito do INSS em relação à maior parte da contribuição previdenciária; 4.2. Em decorrência do conceito de lançamento constante do art. 142 do Código Tributário Nacional, a autuação é totalmente nula e descabida, na medida em que deixou de verificar, preliminarmente, a existência de débito junto à impugnante, prestadora do serviço. Frisa que a alegação de existência de débito não foi comprovada pelo órgão previdenciário, ônus que lhe incumbia e que por ele foi invertido; 4.3. O conceito de cessão de mão de obra trazido pela Lei 9.129 afronta o artigo 110 do Código Tributário Nacional; 4.4. O artigo 31 da Lei 8.212/91 elegeu como responsável pelo cumprimento da obrigação tributária pessoa totalmente estranha ao fato gerador da obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos empregados da empresa cedente de mão de obra ou que presta os serviços, vulnerando o art. 128 do Código Tributário Nacional; 4.5. A fim de dar ao instituto da solidariedade a sua real interpretação, a Autarquia Previdenciária deveria ter verificado previamente a existência de débito na prestadora antes de responsabilizar a Petrobrás, e somente depois notificar a ambas as empresas; 4.6. Devedor, na hipótese de cessão de mão de obra, é apenas o prestador de serviços; já o tomador é responsável solidário apenas na eventual hipótese de descumprimento da obrigação; 4.7. A contribuição previdenciária é calculada sobre salários e só pode incidir sobre remunerações pagas a este título, não se podendo estabelecer base de cálculo com base em Ordem de Fl. 824DF CARF MF 6 Serviço, mediante a aplicação de percentual sobre a nota fiscal de serviço; 4.8. Destaca que é inviável a elaboração de folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada tomador, e sua exigência afronta o princípio da moralidade administrativa. Da Diligência Fiscal 5. O auditor fiscal notificante, após análise da documentação apresentada pela prestadora de serviços, esclarece que não restou comprovada a distinção das GRPS ao tomador do serviço ou às Notas Fiscais de Prestação dos Serviços oriundas do contrato nº 110.7.755.934 (fls. 397/398), concluindo que nada há a alterar no débito lavrado. Do Julgamento 6. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0631/2004, de 14/07/2004, fls. 399/408. Devidamente notificada a PETROBRAS em 22/07/2004, (fls. 409) e a BJ SERVICES, em 03/08/2004 (fls. 410). Do Recurso e do Acórdão 7. Cientificadas da decisão, a empresa tomadora de serviços apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 19/08/2004 (fls. 421/427). A empresa prestadora de serviços não apresentou Recurso (fls. 431). Das Contra Razões 8. A Secretaria da Receita Previdenciária SRP apresentou ContraRazões, às fls. 432/434, sendo o processo encaminhado ao CRPS, para julgamento. 9. Os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão 0000500, de 13/05/2005 (fls. 436/440), decidiram por ANULAR a Decisão Notificação – DN, determinando que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivandose certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte da cedente de mãode obra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. Do Pedido de Revisão do Acórdão 10. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 442/446). 11. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 447 e 456), sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 451/454). A prestadora de serviços não se manifestou (fls. 457). Fl. 825DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 5 7 12. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pelos membros da 2ª Câmara de Julgamento, conforme Decisório nº 0000047, de 31/01/2006, sob a alegação de que os pressupostos de admissibilidade não foram atendidos, e que a Recorrente limitouse a discutir o que já havia analisado (fls. 461/463). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 13. Dando cumprimento ao acórdão, os autos foram encaminhados em diligência ao Serviço de Fiscalização para emissão de novo Relatório Fiscal e reabertura do prazo para impugnação. 14. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, o Auditor Fiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento, verificou se também, que não houve adesão ao parcelamento especial da Lei nº 9.964/2000 – REFIS, nem ao parcelamento especial da Lei nº 10.684/2003 – PAES (fls. 496). 15. A empresa tomadora de serviços foi cientificada através da Intimação nº 1402, de 13/12/2010 (fls. 507), dos Acórdãos nº 500/2005 e 47/2006 da 2ª Câmara de Julgamento e do Resultado de Diligência de 10/01/2008. A prestadora de serviços através da Intimação nº 1403/2010 (fls. 505). A DRJ/RJ1 deu parcial provimento às impugnações apresentadas, excluindo do lançamento as competências até 10/1998, em virtude de decadência, não fazendo qualquer reparo no lançamento no que se refere à solidariedade. Confirase a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito à constituição de créditos tributários, relativos aos tributos sujeitos à lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 826DF CARF MF 8 Inconformadas, as solidárias apresentaram recurso voluntário com as alegações que se seguem: BJ Service do Brasil Ltda a) argumenta que a decisão a quo deveria ser anulada pelas seguintes razões: do ausência de prévia fiscalização da empresa prestadora de serviços em cumprimento de diligência determinada em acórdão do CRPS; a autoridade administrativa deixou de atender ao comando legal do Parecer n° 2.376, elaborado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, que buscou normatizar o “procedimento da fiscalização do INSS nos casos de solidariedade passiva nos lançamentos de créditos previdenciários em relação às empresas tomadoras de serviços”, visando evitar a cobrança em duplicidade de tributos; inexistência de prévia análise da regularidade da empresa prestadora de serviços nos pagamentos das contribuições sociais, somente se justifica para as contribuições devidas após o advento da Lei n° 9.711/98, em que a responsabilidade do tomador do serviço passou a ser exclusiva, substituindo a própria figura do contribuinte originário; a jurisprudência pacífica do STJ entendeu que “a partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra”. (REsp 1.131.047, DJe 02/12/2010, sujeito ao regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543C, do CPC); a responsabilidade tributária pela retenção e pagamento da contribuição previdenciária por força do disposto no art. 31, da Lei n° 8.212/91, no período posterior à Lei 9.711/98, é exclusiva e direta do tomador do serviço (empresa contratante), excluída qualquer responsabilidade da prestadora de serviços (no caso, a requerente), nos moldes previstos no art. 128, do CTN; no presente caso, estáse diante de NFLD lavrada para cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social com base no instituto da responsabilidade solidária, referente às competências 12/1997 a 12/1998, ou seja, período anterior à vigência da Lei n° 9.711/1998 (jan/99); a Petrobras somente poderia ser exigida pelo pagamento das contribuições sociais devidas no período, como responsável solidária, na hipótese de eventual descumprimento da obrigação pela empresa BJ Services do Brasil Ltda, o que não restou demonstrado nestes autos; contudo, a NFLD foi lavrada apenas em face da empresa Petrobras, na qualidade de responsável tributária, sem que fosse efetuado qualquer levantamento na contabilidade da recorrente, e sem que a referida NFLD sequer relacionasse a ora recorrente como coresponsável pelo pagamento das contribuições sociais supostamente devidas; sem a certeza de que as contribuições sociais exigidas já não foram recolhidas pela recorrente, como contribuinte originária dos tributos, inviável é a exigência destes tributos da empresa tomadora dos serviços, na qualidade de responsável solidária. Ainda mais considerando que a recorrente acostou aos autos as guias GRPS comprobatórias do Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 6 9 recolhimento da contribuição previdenciária, juntamente com as folhas de pagamento, documentos que comprovam sua regularidade fiscal; a recorrente não está sujeita à regra do art. 31, da Lei n° 8.212/1991, não preparava folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas para cada serviço. Inobstante, recolheu pelo todo, ou seja, considerando a folha integral do estabelecimento em Catu – Bahia (responsável pela prestação dos serviços), e toda sorte de encargos previdenciários no período autuado; a ausência de verificação da contabilidade da recorrente acabou por culminar com a lavratura de NFLD por arbitramento, levando em consideração bases presumidas, já que foram aplicados percentuais sobre o valor da Nota Fiscal para se chegar à suposta base de cálculo das contribuições sociais ora exigidas, em afronta ao art. 142 do CTN; revelase falaciosa a alegação constante do acórdão da DRJ no sentido de que “em nenhum momento ficou comprovado nos autos que houve o pagamento do crédito nem pela impugnante e nem pela empresa prestadora de serviços.” não cabe ao contribuinte, mas exclusivamente ao Fisco a determinação da matéria tributável, sendo rigorosamente nulo o auto que não traduz essa determinação, por incúria e desídia do Fisco. Mais do que isto, que sendo esta sua atividade privativa não pode, à nitidez, delegála ao contribuinte para que este, em defesa limitada, determine qual a matéria tributável e o montante do tributo a ser calculado, que, neste caso, inexiste; a cobrança de tributo algum deve decorrer de presunção, pois, nesse caso, se estará exigindo tributo sem fato gerador. O arbitramento do valor do imposto é prática repugnante, que além de cercear o direito de defesa do contribuinte, visa lançar tributo sem discriminar todos os seus necessários elementos. Cita doutrina e jurisprudência administrativa; b) infere inexistir cessão de mãodeobra, o que dispensaria a retenção das contribuições previdenciárias; Requer que se conheça e dê provimento a seu recurso, reformando a decisão em todos os aspectos abordados na peça recursal, para fins de declarar a insubsistência da NFLD e para que esta não produza quaisquer efeitos sobre a empresa autuada (Petrobras) ou a Recorrente. Petrobras a) alega que o lançamento padece de nulidade pelas seguintes razões: não faz qualquer menção, seja no seu relatório, seja nos seus fundamentos, onde estaria caracterizada a responsabilidade tributária da recorrente; limitase apenas a mencionar o objeto contratual, deixando, contudo, de apontar onde estaria consubstanciada a cessão de mãodeobra necessária para ensejar o lançamento; a Fiscalização, no relatório “Fundamentos Legais do Débito”, se restringiu a apontar diversos dispositivos, deixando de elaborar uma Fl. 828DF CARF MF 10 argumentação lógica e de correlação entre os fatos que, pretensamente, ensejaram a lavratura da NFLD e os fundamentos, legais e normativos, em que se apoiaram; a NFLD estaria em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal (Lei nº 8.212/1991, art. 37, Lei 9.784/1999; art. 2º, parágrafo único, VII e VIII; Decreto nº 70.235/1972, art. 10, I e II), pois apenas apontou a legislação de forma genérica, sem qualquer critério objetivo e vinculado aos fatos e a norma dita infringida, impossibilitando a recorrente de exercer, de forma plena, o seu direito ao contraditório e a ampla defesa; não pode a Administração fundamentar os seus atos com a mera indicação da lei, decreto, norma etc. Essa menção tem de ser clara e apontar qual o artigo, parágrafo, inciso ou alínea que foi infringida, em vista de a motivação ser requisito essencial para a constituição do ato administrativo. Transcreve doutrina; b) houve descumprimento da decisão do CRPS que Anulou a Decisão Notificação e determinou a realização de diligência fiscal suplementar; c) no que se refere às considerações jurídicas e normativas, não foram observados dos ditames da Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/CGARREC nº 6/2002 e do Parecer CJ/MPAS 2.376/2000, em ofensa ao art. 324, do Decreto 3.048/1999, que atribui caráter vinculante a tais atos; d) no caso concreto, como inexiste de cessão de mãodeobra, não há fato gerador que justifique o lançamento; e) com relação à solidariedade: é inegável a existência da previsão de solidariedade passiva na lei, mas essa solidariedade pressupõe a configuração prévia da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários; a previsão legal não conferiu à Autarquia Previdenciária competência para presumir que o contribuinte originário não efetivou os recolhimentos e, diretamente, cobrar do devedor solidário um crédito ainda não configurado em face do devedor originário; fazse mister que a Fiscalização verifique, primeiramente, a existência de débitos previdenciários contra o contribuinte originário, quantifique o seu exato montante para constituílos e, então sim e somente após, cobrar esse crédito do responsável solidário; inexistindo, in casu, a apuração de qualquer débito contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o Fisco cobrar da recorrente; e isto por um motivo muito simples: a existência da obrigação dos devedores originários não se configurou; f) no que se refere à base de cálculo, não tem cabimento incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose alíquotas sobre um percentual das notas fiscais. Ao proceder dessa forma, o Agente Fiscal mudou aspecto crucial da base imponível, restando violado o princípio da legalidade, tendo em conta que a base de cálculo não repercutiu a real movimentação econômica e, tampouco, guarda qualquer relação com a folha de salários da empresa contratada, mas uma mera presunção; Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 7 11 g) exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais, sócios, diretores etc: a Fiscalização incluiu no pólo passivo dessa autuação, na condição de responsáveis tributários, os diretores, sócios e responsáveis legais da recorrente, com base no art. 13, da Lei 8.620/1993, entretanto, é uníssona a jurisprudência no sentido de vedar a responsabilidade, em caráter solidário, dos sócios e administradores da empresa, com exceção nos casos em que há prova de excesso de poder (art. 137 do CTN). Transcreve decisões judiciais; como não se está diante de qualquer das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, e tendo em vista a revogação do art. 13 da Lei 8.620/1993, requer, desde já, a imediata exclusão dos referidos agentes do pólo passivo das duas autuações fiscais; Aponta necessidade de realização de diligência suplementar. Requer, por fim: a) o cancelamento da Notificação Fiscal em epígrafe, tendo em vista a nulidade acima apontada; b) a reapreciação dos documentos acostados aos autos, com a sua detida análise e, se ainda assim permanecer o entendimento de que a documentação não se presta para elidir o lançamento, que se determine a baixa dos autos para a imediata realização das diligências determinadas no Acórdão proferido pela 2ª Câmara do CRPS; c) que se conheça e, ao final, dê provimento ao presente recurso, extinguindo integralmente o lançamento tributário, para todos os fins de direito; d) reitera todos os termos de sua defesa, protestando, ainda, pela juntada de documentação superveniente, caso necessário se faça para demonstrar seu direito, bem como pela produção de todos os meios de prova em Direito admitidos, em especial a técnica pericial, se necessário for. Posteriormente, a Petrobras atravessou petição (fls. 769/772) manifestando desistência do processo administrativo fiscal em razão de sua adesão a parcelamento previsto na Lei nº 12.996/2014. É o relatório. Fl. 830DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator CONHECIMENTO BJ Service do Brasil Ltda Com relação à BJ Service do Brasil Ltda o recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Petrobras No que se refere ao recurso da Petrobras, conforme relatado acima, a empresa atravessou petição (fls. 769/772) manifestando desistência do processo administrativo fiscal (e, por conseguinte do recurso voluntário) em razão de sua adesão a parcelamento previsto na Lei nº 12.996/2014. A esse respeito, dispõem os §§ 1º, 2º e 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (Grifos nossos) [...] Assim, por virtude da informada solicitação de desistência em razão de pedido de parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual não mais subsiste o interesse processual em relação ao julgamento do presente recurso voluntário, impondose, desse modo, o seu não conhecimento. Análise do Recurso da BJ Service do Brasil Ltda Conforme decidido acima, o recurso voluntário interposto pela Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) não foi conhecido em razão de pedido de desistência por virtude de parcelamento dos créditos tributários objeto da NFLD que aqui se analisa. Sobre o Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 8 13 parcelamento, dispõe o art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN tratarse de hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Vejamos: 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] VI – o parcelamento. [...] Por outro lado, o art. 78 do Anexo II do RICARF estabelece que no caso de desistência ou pedido de parcelamento, restará configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, ou seja, na situação da Petrobras, a desistência do recurso em decorrência de parcelamento, importa, inequivocamente, o não conhecimento do apelo. Contudo, o pedido de parcelamento levado a efeito pela Petrobras não importa desistência do recurso voluntário do responsável solidário. Aliás, na existência de responsáveis pelo crédito tributário (como é o caso da BJ Service do Brasil Ltda), o interesse de agir permanece para esses, os quais não realizaram a adesão ao parcelamento, uma vez que somente no final desse parcelamento o crédito tributário restará extinto, permanecendo, até lá, o interesse na discussão tanto em relação ao mérito quanto em relação à responsabilidade solidária. Por certo, a efetiva extinção do crédito tributário somente ocorrerá com a quitação do parcelamento, quando restará configurado o pagamento do tributo, atendendose ao disposto no inciso I do art. 156 do CTN. Não obstante, estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não vejo necessidade de se apreciar neste momento o recurso voluntário do devedor solidário, haja vista que tal proceder não lhe implicará em qualquer tipo de sanção. De outro modo, entendo que, por ora, a melhor solução para o presente caso consiste em sobrestar o processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, procedendose, após esse prazo, seu arquivamento em razão da perda de objeto do referido recurso. Por outro lado, caso o parcelamento venha a ser rescindido os autos deverão ser restituídos ao CARF para o exame da peça recursal do recorrente. Ademais, é exatamente nesse sentido o art. 5º da Portaria RFB nº 2.284/2010. Confirase: Art. 5º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7º. Fl. 832DF CARF MF 14 Conclusão Ante o exposto voto por NÃO CONHECER do recurso da Petrobras, CONHECER do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, sobrestando o processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomandose a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 833DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.000052/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECISÃO JUDICIAL EM FAVOR DA INCORPORADA. EXTENSÃO DOS EFEITOS À INCORPORADORA.
Os efeitos da sentença proferida judicialmente para favorecer a sucedida não se projetam, para a sucessora, às exigências do tributo relativo a fatos geradores posteriores à incorporação, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes".
Numero da decisão: 2301-005.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente. em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 28/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÃO JUDICIAL EM FAVOR DA INCORPORADA. EXTENSÃO DOS EFEITOS À INCORPORADORA. Os efeitos da sentença proferida judicialmente para favorecer a sucedida não se projetam, para a sucessora, às exigências do tributo relativo a fatos geradores posteriores à incorporação, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente. em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 00 52 /2 00 9- 61 Fl. 885DF CARF MF 2 EDITADO EM: 28/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Lavraramse contra a contribuinte os seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 37.216.7306, consolidado em 06/07/2009, relativo ao lançamento da contribuição previdenciária destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade decorrentes dos riscos ambientais de trabalho – RAT, não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, nas competências de 02/2008 a 10/2008. AI DEBCAD nº 37.216.7292, consolidado em 06/09/2009 , relativo ao lançamento da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, nas competências 02/2008 a 10/2008. AI DEBCAD nº 37.216.7322, decorrente da não declaração de fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP, nas competências 02/2008 a 10/2008. AI DEBCAD nº 37.216.7314, em razão de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, contribuição do produtor rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da produção rural. O contribuinte interpôs impugnação tempestiva, que teve seu provimento negado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, no dia 26/03/2013, acórdão 1043.054:ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 DECISÃO JUDICIAL EM FAVOR DA INCORPORADA. EXTENSÃO DOS EFEITOS À INCORPORADORA. Os efeitos da sentença proferida judicialmente para favorecer a sucedida não se projetam, para a sucessora, às exigências do tributo relativo a fatos geradores posteriores à incorporação, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 Fl. 886DF CARF MF Processo nº 12269.000052/200961 Acórdão n.º 2301005.052 S2C3T1 Fl. 3 3 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. SENAR. É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 MULTA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por descumprimento de obrigação acessória não se confunde com a multa de mora que acompanha o crédito tributário decorrente de descumprimento de obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão de fls. 782/791, em 23/04/2013, conforme termo de ciência por decurso de prazo, vide fls. 797, e, em 26/04/2013, interpôs Recurso Voluntário petição de fls. 799/825." Em Recurso Voluntário, a contribuinte abordou de forma unitária cada Auto de Infração DEBCAD, assim sigo a mesma dinâmica: DEBCAD n º 37.216.7306 Afirma que a contribuição previdenciária ao fundo de Assistência ao Trabalhador (Novo Funrural) é inconstitucional, e devido a isso não houve seu recolhimento. Traz inclusive a informação que a questão da inconstitucionalidade foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852/MG. DEBCAD nº 37.216.7292 Alega que não recolheu a contribuição previdenciária direcionada ao SENAR por esta ser recolhida juntamente com o FUNRURAL, e que esta também revelase inconstitucional. Segue trecho da afirmação: 60. pretende o legislador introduzir como base imponível da contribuição à seguridade social a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural ao empregador, pessoa física ou jurídica, motivado pelo maior retorno financeiro, em detrimento da contribuição prevista sobre a folha de salários. Fl. 887DF CARF MF 4 61. entretanto, agindo assim o legislador acabou por incorrer na mesma inconstitucionalidade do §2º do art. 25, da Lei nº 8.870/94, como anteriormente exposto. DEBCAD nº 37.216.7322 Sustenta que não recolheu a contribuição previdenciária devida pelo produtor rural, por esta ser também inconstitucional, a afirma não possuir obrigação neste recolhimento: 67. Assim, estando a recorrente desobrigada do recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a comercialização da produção rural, seja pela inconstitucionalidade da contribuição, seja amparada por decisão judicial, por lógico impossível que a recorrente informasse os valores de aquisição de produto rural de pessoa física para a industrialização, sendo inaplicável qualquer tipo de multa em decorrência desta atitude. Não há porque informa algo na GFIP se não há obrigação de recolher. DEBCAD nº 37.216.7314 Esclarece que já sofreu autuação decorrente do não recolhimento de contribuição social na condição de subrogado, conforme narrado no AI DEBCAD nº 37.216.7306. Segue trecho da defesa: 70. Mas como explanado ao longo destas razoes de recurso, a contribuição em questão foi considerada inconstitucional e a época do recolhimento a recorrente estava amparada em decisão judicial, concedida pela Justiça Federal do estado do Pará. Em 10/03/2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.530 (fls. 876 a 880), que converteu o julgamento em diligência, no entanto, como a resolução foi formalizada pelo redator "ad hoc" e não houve registro dos motivos pelos quais o colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência, não constou na Resolução os motivos que levaram à conversão do julgamento em diligência. Em 29/09/2015, foi emitida informação fiscal (fl. 882) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT São Paulo/SP na qual constou a seguinte informação: "tendo em vista a conversão do julgamento em diligência, conforme resolução n. 2301000.530, fls. 876 à 880, do CARF, retorno o processo ao CARF solicitando o detalhamento das ações especificamente requeridas, para a sua correta execução". É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, conforme exposto no Relatório, a Recorrente traz argumentos para discutir a inconstitucionalidade de leis que amparam os lançamentos constantes nos DEBCADs n º 37.216.7306, nº 37.216.7292, nº 37.216.7322 e nº 37.216.7314. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 12269.000052/200961 Acórdão n.º 2301005.052 S2C3T1 Fl. 4 5 Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade. Com relação à ação judicial do Frigorífico Tucumã Ltda., pessoa jurídica que foi incorporada pela Recorrente em janeiro de 2008, vale destacar que a decisão trazida pela Recorrente ainda não pode ser considerada definitiva, não tendo os atributos da coisa julgada. Ainda que tal decisão pudesse conter os atributos da coisa julgada, cumpre salientar que ela foi proferida em nome do Frigorífico Tucumã Ltda. e não alcançaria a Recorrente no tocante aos seus débitos tributários no período posterior à incorporação. No Acórdão de Impugnação, tal assunto foi detalhadamente analisado, sendo importante trazer à tona o ponto lá abordado de que na propositura da ação judicial, ambas as empresas (incorporadora e incorporada) tinham existências distintas, dado que a incorporação ainda não havia se realizado, o que veio a ocorrer em 01/2008, sendo que a sentença judicial que beneficiava a empresa incorporada, com o advento da incorporação, não operará seus normais efeitos em relação à incorporadora, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes", conforme disposição do artigo 472, do Código de Processo Civil vigente à época. Assim, a decisão judicial em favor do Frigorífico Tucumã Ltda. somente irradia efeitos nas relações jurídicas tributárias em que era, ele próprio, sujeito passivo da obrigação tributária quando da ocorrência do fato gerador. Com base no exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 889DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720250/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Numero da decisão: 2202-004.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 50 /2 01 5- 24 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.720250/201524 Acórdão n.º 2202004.154 S2C2T2 Fl. 95 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de fls. 31/35 na qual é cobrado, relativamente ao anocalendário de 2012, exercício 2013, imposto de renda suplementar acrescidos de multa e juros no valor total de R$ 12.181,46. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 33), o lançamento de ofício decorre da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 216.722,90. O Contribuinte apresentou impugnação alegando que é isento de imposto de renda, por ser portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Não existindo documento comprobatório de que os rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, não justificada está a isenção prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, devendo prevalecer o lançamento. A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: Às folhas 09 o contribuinte anexou Relatório Médico emitido pelo Complexo Hospitalar da Universidade Federal da Bahia, no qual o médico declara que o defendente é portador de cardiopatia grave de etiologia isquêmica desde o ano de 1997. Às fls. 10/11, anexou cópias do Diário Oficial do Estado da Bahia, no qual resta comprovado que o contribuinte está aposentado, por tempo de serviço, junto à Polícia Civil da Bahia, desde o ano de 1986, bem como é isento do imposto de renda desde o ano de 1997. Ao consultarmos o sistema DIRF, constatamos que os rendimentos recebidos da fonte pagadora Senado Federal, bem como aqueles recebidos da fonte pagadora APLUB, foram declarados com o código de receita 0561 – Rendimentos do Trabalho Assalariado, não restando comprovado que referidos rendimentos lançados como omissão são provenientes de aposentadoria. Dessa forma, em que pese ter sido comprovado que o contribuinte é portador de moléstia grave, o outro requisito essencial para o gozo da isenção (que os rendimentos em questão sejam de aposentadoria, reforma ou pensão) não foi comprovado. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.720250/201524 Acórdão n.º 2202004.154 S2C2T2 Fl. 96 3 Cientificado dessa decisão em 13/03/2015, por via postal (A.R. de fl. 90), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 17/03/2015 (fls. 52 a 55), no qual alega que é portador de cardiopatia grave desde 2001 e está isento dos seus proventos como Delegado de Polícia aposentado. Afirma, ainda, que os rendimentos recebidos do Senado Federal são relativos a uma pensão por morte de sua esposa e os rendimentos recebidos da APLUB referemse a seguro de vida. Em 19/05/2016, apresentou um requerimento (fls. 58 a 60), no qual repisa os argumentos do recurso voluntário e anexa a Certidão de Óbito de sua esposa e a Certidão de Casamento (fls. 61/62). Na sessão de 16/08/2016, esta Turma de Julgamento proferiu a Resolução nº 2202000.713 (fls. 78/82), determinando que a repartição de origem tomasse as seguintes providências: 1) informar a natureza dos rendimentos recebidos pelo Contribuinte das fontes pagadoras Senado Federal e APLUB, no anocalendário de 2012, podendo intimar as fontes pagadoras e/ou o Contribuinte, conforme entender necessário; 2) dar vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar sobre a diligência. Em resposta ao Termo de Diligência emitido pela autoridade fiscal, o Contribuinte apresentou os documentos de fls. 87/91. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.720250/201524 Acórdão n.º 2202004.154 S2C2T2 Fl. 97 4 hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Conforme exposto na decisão de primeira instância, embora tenha sido comprovado que o contribuinte é portador de moléstia grave, o outro requisito essencial para o gozo da isenção (que os rendimentos sejam de aposentadoria, reforma ou pensão) não fora comprovado até o momento daquela decisão. Não se desconhece que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Analisando os documentos apresentados pelo Contribuinte em atendimento à diligência requisitada por esta Turma (fls. 87/91), é de se concluir que, de fato, os rendimentos recebidos pelo Contribuinte da fonte pagadora Senado Federal, no anocalendário de 2012, são provenientes de pensão por morte. Quanto aos valores recebidos da APLUB (entidade de previdência complementar), verificase que se trata de pensão mensal, legada por óbito de sua esposa. Dessa forma, entendo que restam atendidas as condições para a isenção do imposto de renda pelo Contribuinte em relação aos rendimentos recebidos a título de aposentadoria. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.720250/201524 Acórdão n.º 2202004.154 S2C2T2 Fl. 98 5 Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000133/00-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994
PIS. PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005.
Numero da decisão: 9303-005.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 PIS. PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91 Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91 Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 01 33 /0 0- 28 Fl. 448DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 20216.692, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n 2.449, do Senado Federal. LC Nº 7/70. SEMESTRALIDADE. Ao analisar o disposto no art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês Surram da Segunda Câmara anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP nº 1.212/95, quando, a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que afastou a ocorrência da decadência à restituição e deu provimento ao recurso, reconhecendo que, nos pedidos de restituição/compensação dos valores a título de PIS recolhidos a maior, com fulcro nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF em controle difuso – o termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito é a data da publicação da Resolução nº 49/95, do Senado Federal Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13878.000133/0028 Acórdão n.º 9303005.477 CSRFT3 Fl. 449 3 Requer, assim, a Fazenda Nacional seja admitido o presente recurso para considerar que o direito de pleitear a restituição extinguese em 5 anos, tendo como dies a quo “a data da extinção do crédito tributário, conforme art. 156, inciso I, do CTN. Em Despacho às fls. 290 a 292, foi dado seguimento ao Recurso Especial. Contrarrazões ao recurso interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, que requereu o não provimento do presente recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo a reforma parcial do r. acórdão para, nos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/COSAR 8/97, determinar a aplicação de correção monetária que reflita a real inflação do período, incluindo os expurgos inflacionários e a incidência da Taxa Selic a partir de janeiro de 1996 sobre os créditos cujo direito à restituição foi reconhecido naquele próprio acórdão. Em Despacho às fls. 361 a 362, foi negado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos autos do processo, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 Fl. 450DF CARF MF 4 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13878.000133/0028 Acórdão n.º 9303005.477 CSRFT3 Fl. 450 5 INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 3.10.00 e abrangia recolhimentos efetuados no período de 7/88 a 12/94. Sendo assim, considerando que os pedidos foram apresentados antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 3.10.90. Frisese tal entendimento a Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ” Isto posto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para aplicar a Súmula CARF 91. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 452DF CARF MF 6 Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720239/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2010
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO.
A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa.
Aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2010
CSLL. Lançamento Decorrente. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ).
Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1301-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa. Aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2010 CSLL. Lançamento Decorrente. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 39 /2 01 4- 47 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.049 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0735.878, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, na sessão de 24 de outubro de 2014, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração que exige da interessada supra identificada, o recolhimento da importância de R$ 32.833.226,47 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a fato gerador anual ocorrido em 31/12/2010, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Consta no referido Auto de Infração que o lançamento do IRPJ, apurado sob as regras do Lucro Real – apuração anual, decorre de: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Falta de contabilização de ganho de capital auferido na alienação de participação societária, conforme Termo de Verificação de Infração em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2010 131.428.905,85 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 418 e 426 do RIR/99 Como lançamento decorrente da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foi lavrado também Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da ordem de R$ 11.828.601,53, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.050 3 Como parte integrante dos Autos de Infração, o Termo de Verificação de Infração, do qual extraímos o seguinte, resumidamente (o destaque é do original): 1. INTRODUÇÃO No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 904, 905, 910, 911, 926, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 e em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.2.01.002012016446, executamos o procedimento fiscal na pessoa jurídica ESTEVE IRMAOS S/A, CNPJ 61.377.321/000102, doravante denominado ESTEVE, relativo aos tributos Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), abrangendo o ano calendário de 2010. [...] 2.DESCRIÇÃO DOS FATOS Neste Termo, a ESTEVE foi intimada a apresentar os seguintes documentos, relativos ao período de 2010: 1. Demonstrar a organização societária da empresa, mediante texto e organograma, discriminando a participação em controladas e controladoras, relatando as alterações na organização ao longo do ano de 2010; 2. Demonstrar a composição societária da empresa, mediante texto e organograma, discriminando a participação dos acionistas pessoas físicas e jurídicas, relatando as alterações ocorridas ao longo do ano de 2010; 3. Apresentar as Atas relativas à organização e composição societárias e suas alterações; 4. Apresentar o Estatuto Social; 5. Apresentar, como controladora da empresa Colúmbia, especificada a seguir, todos os documentos relativos à venda do controle societário da Armazéns Gerais Columbia S/A, atual Elog Sudeste S/A, CNPJ 60.526.977/000179, e da EADI Sul Terminal de Cargas Ltda, atual Elog Logística Sul Ltda, CNPJ 01.691.041/000134, para a empresa ELOG S/A, CNPJ 09.027.179/000145; [...] Em nova resposta à intimação, emitida em 18/02/2013, a ESTEVE apresentou os documentos restantes, a saber, o respectivo Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participação Societária, celebrado em 07/05/2010, e mais três Aditivos ao Contrato. Em diligência efetuada na empresa adquirente das ações, a ELOG S/A, CNPJ 09.027.179/000145, foi emitido em 26/02/2014, Termo de Intimação Fiscal solicitando à mesma apresentar os documentos de avaliação (laudos, pareceres, etc.) relativos à aquisição de participação societária supracitada. Toda a documentação apresentada foi analisada, juntamente com a Escrituração Contábil Digital (ECD) da ESTEVE registrada no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), sendo constatado as seguintes características relativas à operação de venda de controle societário da empresa Armazéns Gerais Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.051 4 Columbia S/A, doravante denominada COLUMBIA, para a empresa ELOG S/A, doravante denominada ELOG: • a ESTEVE reduziu o capital social em favor de seus acionistas, doravante denominados ACIONISTAS ESTEVE, no valor da totalidade das ações detidas pela ESTEVE em sua controlada, a COLUMBIA, atual ELOG SUDESTE S/A; • os ACIONISTAS ESTEVE, agora detentores e proprietários majoritários das ações representativas do capital social da COLUMBIA, alienaram tais participações societárias para a empresa ELOG, auferindo e tributando o ganho de capital obtido nesta operação; • desta forma, o ganho de capital foi auferido pelas pessoas físicas (ACIONISTAS ESTEVE), ao invés de ter sido apurado pela pessoa jurídica (ESTEVE),acarretando a diminuição da alíquota dos tributos a pagar sobre a operação, a saber, de até 34% (IRPJ + CSLL) na pessoa jurídica, para 15% (IRPF) na pessoa física; • os atos que permitiram tal operação foram caracterizados como parte de um planejamento tributário abusivo, cujo única finalidade foi a redução dos tributos devidos, não havendo outro motivo negocial ou econômico que justificasse a transação, conforme será demonstrado a seguir. 2.1. CARACTERIZAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO Conforme já relatado no item 2, com as respectivas identificações das empresas envolvidas, a operação se refere à aquisição do controle societário da COLUMBIA e da EADI SUL, pela ELOG, no anocalendário 2010; sendo que a ESTEVE declarou possuir 53,15% das ações da COLUMBIA no anocalendário 2009 (Ficha 52, da DIPJ). Conforme consta nas Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, relativas à COLUMBIA / anocalendário 2009, fornecidas pela adquirente ELOG em sua resposta à intimação, a EADI SUL era controlada pela COLUMBIA. Desta forma, as empresas cujas participações societárias foram alienadas faziam parte de um mesmo grupo, em que a ESTEVE era controladora da COLUMBIA, que por sua vez, era controladora da EADI SUL; demonstrando que, na realidade, as negociações para alienação foram realizadas com a pessoa jurídica controladora do grupo, ou seja, a ESTEVE.[...] De efeito, foi celebrado 07/05/2010, o Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participações Societárias, em que os alienantes, pessoas jurídicas, efetuaram a venda de suas participações societárias no capital da COLUMBIA ao adquirente ELOG, por meio de “diversas pessoas físicas” através da redução de seus capitais sociais e correspondente devolução aos respectivos acionistas/cotistas, conforme dispõe o item 2.1. do Contrato: 2.1. O Negócio tem por objeto as seguintes participações societárias: (i) as ações representativas de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social da COLUMBIA, a serem detidas pelos ACIONISTAS ESTEVE (“Ações Columbia”); e Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.052 5 (ii) as cotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da EADI Sul, que pertencerão aos Cotistas Landmark por força Reorganização Societária EADI Sul (“Cotas EADI”). Desta forma, com o objetivo de trocar os reais alienantes, pessoas jurídicas, para pessoas físicas, houve uma operação planejada de redução de capital da empresa alienante em favor de seus acionistas, explicitadas nos itens 2.4. e 2.5. do mesmo Contrato, conforme se demonstra a seguir: 2.4. De forma a separar os Ativos e os Ativos Excluídos, sem prejuízo de outras providências que sejam necessárias, os Vendedores se obrigam a realizar reorganizações societárias (“Reorganizações Societárias”) também referidas separadamente como “Reorganização Societária Columbia” e “Reorganização Societária EADI Sul”, conforme a Sociedade Alvo a que se liga cada qual dessas organizações, consistentes nos seguintes atos: (...) (iv) uma redução do capital social da América, com pagamento aos sócios cotistas por meio da entrega da totalidade das Ações Columbia detidas pela América; e (v) redução do capital social da Esteve, com pagamento aos acionistas por meio da entrega da totalidade das Ações Columbia detidas pela Esteve. 2.5. As providências para as Reorganizações Societárias deverão, na medida do possível, ser iniciadas imediatamente após esta data, ainda que uma parcela dela só possa ser concluída após a obtenção das Autorizações para Transferência. Caberá aos Vendedores arcar com os custos relativos às Reorganizações Societárias e assumir quaisquer eventuais passivos dela decorrentes, comprometendose a tomar todas as providências necessárias para viabilizar sua conclusão no menor prazo possível. Notase que, embora o item 2.5. supramencionado recomende que as reorganizações societárias devam começar após a data do contrato, de 07/05/2010, a redução de capital da AMERICA ocorreu em 30/04/2010, portanto, apenas 07 dias anteriores à efetivação da alienação, conforme consta no registro JUCESP 439.850.101, relativo à alteração contratual de 30/04/2010, demonstrado a seguir: 1. Em face da constatação que o capital social da sociedade se encontra excessivo em relação ao seu objeto, as sócias resolvem reduzir o capital social de AMERICA PARTICIPAÇÕES LTDA, mediante restituição de parte do capital social para as sócias, na proporção de sua participação no capital. 2. O valor da redução do capital é de R$ 11.390.614,00 (onze milhões, trezentos e noventa mil e seiscentos e quatorze reais), com a conseqüente redução de 11.390.614 (onze milhões, trezentos e noventa mil e seiscentos e quatorze) cotas, mediante a entrega às sócias dos seguintes bens de propriedade da sociedade. a) 28.659.516 ações que a sociedade detém na empresa Armazéns Gerais Columbia S/A, CNPJ 60.526.977/000179, no valor de R$ 11.390.614,00 (onze milhões, trezentos e noventa mil e seiscentos e quatorze reais). Ratificase assim, a redução do capital social da empresa América Participações Ltda, no valor de R$ 11,39 milhões, em 30/04/2010, por ter sido considerado “excessivo em relação ao seu objeto”, sendo o valor da redução Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.053 6 restituído aos sócios representado por ações da COLUMBIA, utilizandose o valor contábil, entendase, a participação societária que se pretendia alienar. A ESTEVE, sendo uma das sócias da AMERICA com 25% de participação no capital social, registrou o valor restituído de R$ 2.847.653,50 (25% x R$ 11.390.614,00) em sua contabilidade, conforme o seguinte lançamento na contas de Ativo / Investimentos: • Lançamento a débito na conta 210001 – Armazéns Gerais Columbia S/A • Lançamento a crédito na conta 210008 – América Participações Ltda Constatase então que, na data da assinatura (07/05/2010) do Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participações Societárias, a ESTEVE já dispunha da totalidade das ações que a mesma detinha na COLUMBIA, ou seja, 54,1697% das ações que já detinha anteriormente, mais 8,1702% (25% x 32,6807%) das ações adquiridas da AMERICA, totalizando 62,3398% das ações da COLUMBIA. Concluise, portanto, que os reais alienantes da participação societária na COLUMBIA foram: • ESTEVE: detentora de 62,3398% das ações da COLUMBIA; • BODNER: detentora indireta de 24,5105% (75% x 32,6807%) das ações da COLUMBIA por meio da AMERICA; • ACIONISTAS ESTEVE: detentores de 13,1522% das ações da COLUMBIA. Após a assinatura do Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participações Societárias, e de acordo com o planejamento tributário pretendido, a ESTEVE reduziu seu capital social em favor dos acionistas pessoas físicas (ACIONISTAS ESTEVE), porém o fez mediante procedimento não usual. Antes de reduzir seu capital social, a ESTEVE aumentou o capital social em R$ 22.9 milhões, conforme o disposto em Ata de Assembléia Geral de 02/06/2010, na qual a diretoria propôs o aumento “mediante a capitalização de parte dos lucros acumulados contabilizados na Companhia até 31/12/2009 ...”. Em 27/10/2010, a ESTEVE, utilizando o mesmo motivo do capital da sociedade ter sido considerado “excessivo em razão das operações sociais”, reduziu seu capital social em favor dos acionistas no valor de R$ 22.520.912,27, justamente o valor das ações que a ESTEVE detinha na COLUMBIA, conforme consta na Ata (AGE) realizada em 27/10/2010 (Registro JUCEES, NIRE 32.300.024.033): Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.054 7 Senhores Acionistas, considerando que o capital social da sociedade encontrase excessivo em razão das operações sociais, propomos que seja operada a redução do capital da sociedade no valor de R$ 22.520.912,27 (vinte e dois milhões, quinhentos e vinte mil, novecentos e doze reais e vinte e sete centavos), com a conseqüente redução das ações, no montante de 8.537.774 (oito milhões, quinhentos e trinta e sete mil e setecentos e setenta e quatro) ações, mediante a entrega aos acionistas da Companhia, na mesma proporção da participação destes no capital da sociedade, de 54.669.270 (cinqüenta e quatro milhões, seiscentos e sessenta e nove mil e duzentos e setenta) ações no valor de R$ 22.520.912,27 (vinte e dois milhões, quinhentos e vinte mil, novecentos e doze reais e vinte e sete centavos) de propriedade da sociedade, que a Companhia detém da sociedade ARMAZENS GERAIS COLUMBIA S/A, com sede na Av. Tamboré, 1440, 2.andar – Bairro Alphaville – Barueri – Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ sob n. 60.526.977/000179. A ESTEVE registrou em sua contabilidade o total das ações detidas na COLUMBIA e sua transferência aos ACIONISTAS ESTEVE, conforme o seguinte lançamento: • Lançamento a débito na conta 511000 – Capital Social (Patrimônio Líquido) • Lançamento a crédito na conta 210001 – Armazéns Gerais Columbia S/A (Ativo / Investimentos) De todo o exposto, se constata que não há fundamento econômico na troca de pessoas jurídicas para pessoas físicas, como alienantes da operação, ou seja, tal ocorrência não torna o negócio mais atraente para a venda, não beneficia as partes envolvidas, ou seja, não há justificativa para o ato praticado que não seja a economia de tributos. As justificativas apontadas para a redução do capital social em favor dos acionistas pessoas físicas, em função do capital social ter sido considerado “excessivo em razão das operações sociais”, não foram convincentes, e sim estranhas à prática usual dos negócios para esta operação, senão vejamos: • No caso da ESTEVE, a participação societária na COLUMBIA sempre esteve como um de seus investimentos desde o anocalendário de 2002, conforme as DIPJ constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil, e somente quando da alienação é que seu investimento se tornou “excessivo”. • É de se estranhar que a ESTEVE aumentou e diminuiu seu capital social em curto espaço de tempo, ou seja, 05 meses antes de reduzir seu capital social em favor dos acionistas, aumentou o capital social em valor aproximado ao da redução, conforme se demonstra a seguir: Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.055 8 [...] • Fica demonstrado que a ESTEVE aumentou o capital social na tentativa de poder justificar sua redução 05 meses depois, em favor de seus acionistas, ou seja, tornou propositadamente o capital “excessivo”, como parte de um planejamento tributário para transferir as ações para as pessoas físicas. • No caso da AMERICA, somente 07 dias antes da concretização da alienação é que o investimento na COLUMBIA também foi considerado “excessivo”. • Por outro lado, o controle acionário que foi adquirido poderia ter sido concretizado através da pessoa jurídica alienante sem qualquer empecilho, o que, aí sim, seria uma prática coerente no negócio. • É evidente que se está diante de planejamento tributário abusivo, em que o único propósito da troca do alienante foi a economia tributária, ou seja, a diminuição da alíquota do imposto de renda a pagar sobre o ganho de capital obtido na operação, a saber, de até 34% (15%+10%+9%) na pessoa jurídica,para 15% na pessoa física. Diante dos fatos narrados acima, a ESTEVE foi considerada como uma das reais alienantes na operação de venda de participação societária, já que detinha majoritariamente as ações da COLUMBIA. Estando a alienante ESTEVE devidamente identificada, cabe a esta a declaração do ganho de capital auferido, bem como o recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação de alienação de participação societária. 3. INFRAÇÕES APURADAS 3.1. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA Conforme já relatado nos itens 2 e 2.1., em função da caracterização do planejamento tributário abusivo, a ESTEVE, empresa objeto desta ação fiscal, foi considerada como uma das reais alienantes na operação de venda de participação societária, sendo nela efetuado o lançamento constante nos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, relativos ao ganho de capital auferido na alienação de participação societária. A base de cálculo para a apuração dos tributos foi o ganho de capital auferido pela ESTEVE, assim determinado: [...] DA IMPUGNAÇÃO (destaque do original) DA AUSÊNCIA DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO em 07/05/2010, os acionistas da Impugnante, detentores de aproximadamente 75% do capital social da Columbia – 13% diretamente e 62% indiretamente via impugnante, firmaram Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participação societária (fls.64 e ss) com ELOG; Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.056 9 destaquese que ficou acordado no Contrato de Compromisso de Compra e Venda que, previamente à operação de alienação, seria efetuada uma reorganização societária; após a realização da reorganização societária, foi concluída a alienação da Columbia à ELOG pelos acionistas da Impugnante, que apuraram o ganho de capital, devidamente oferecido à tributação, conforme as guias de pagamento anexas; que a fiscalização entende que o ganho de capital envolvido na operação deveria ter sido apurado pela Impugnante, pessoa jurídica, e não pelas pessoas físicas acionistas da Impugnante, o que teria acarretado a diminuição da alíquota dos tributos a pagar sobre a operação, de até 34% (IRPJ) e (CSLL) para 15% (pessoa física); mas que tal entendimento não merece prosperar, uma vez que era opção dos acionistas da Impugnante, na qualidade de proprietários de 75% do capital social da Columbia, ainda que parcialmente, i.e., 62%, via Impugnante, concentrar a operação de venda na pessoa física, valendose de prévia redução de capital a valor contábil, consoante expressamente previsto em lei, para tanto; transcreve o art.22 da Lei n. 9.249/95, que permite a operação que desenvolveu, assim, “...não há que se falar em um planejamento tributário abusivo, uma vez que toda a operação se deu expressamente nos termos da legislação correlata...”; diante dos argumentos expostos, não restam dúvidas de que a reorganização societária prévia à conclusão de venda da Columbia à ELOG é usual e normal no contexto de reestruturação societárias e que a restituição de capital aos acionistas, com a entrega de bens pelo seu valor contábil, encontrase, inclusive, amparada em lei; por conseguinte, insustentável o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que teria havido planejamento tributário abusivo e de que o ganho de capital apurado na operação de venda analisada seria da impugnante; DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DO MONTANTE RECOLHIDO PELOS ACIONISTAS DA IMPUGNANTE À TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL neste tópico, destaca que “...ainda que se entenda se tratar de planejamento tributário abusivo, necessário se faz a compensação do crédito tributário exigido com os valores recolhidos pelos acionistas da Impugnante relativos, no mínimo, ao montante de ganho de capital auferido quanto à participação societária recebida em razão de redução de capital. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0735.878, pela 3ª Turma da DRJ/FNS, julgando improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 Alienação de Participação Societária. Sujeição Passiva. Ganho de Capital. Constatado que o real alienante de participação societária não eram os acionistas pessoas físicas, correta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo atribuída a sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica, sendo imputada a esta a apuração do ganho de capital na alienação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.057 10 Data do fato gerador: 31/12/2010 CSLL. Lançamento Decorrente. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa autuada foi intimada em 18/11/2014 através de sua caixa postal eletrônica, não apresentando recurso no prazo regulamentar, cujo fato foi reduzido no Termo de Perempção (fls. 358). Inconformada, ajuizou Ação Declaratória de nº 001156808.2015.4.01.3400, com o objetivo de ver declarada a nulidade da referida intimação eletrônica. Após processamento do feito, foi proferida decisão indeferindo o pedido de antecipação de tutela, o que deu causa à interposição de Agravo de Instrumento ao TRF, distribuído sob o nº 0021098 51.2015.4.01.0000/DF, cuja pretensão foi acolhida, no sentido de devolução do prazo de apresentação do Recurso Voluntário. Colacionase a seguir trecho da parte dispositiva da referida decisão judicial: Em 09 de julho de 2015, o contribuinte foi intimado da decisão do Agravo de Instrumento que determinou a mencionada devolução do prazo, apresentando, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresentam argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. A tempestividade do recurso do contribuinte encontrase condicionada a eventual reversão da decisão judicial proferida que determinou a devolução do prazo recursal. Ao consultar o andamento processual no site do TRF, verifiquei que contra aquela decisão não foi houve recurso, sendo os autos baixados para a vara de origem em Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.058 11 31/08/2015. Da mesma forma, procedi a averiguação do andamento processual na vara de origem, e lá verifiquei que os autos se encontram "conclusos para sentença" desde 17/01/2017. Assim, concluo que o presente recurso é tempestividade e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, deles conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Os argumentos serão apreciados na ordem em que apresentados na peça recursal. Da ausência de planejamento tributário abusivo O ponto central de discussão reside na situação fática a seguir (trecho retirado da própria decisão recorrida): Conforme relatoriado, antes de promover a alienação de sua participação societária que detinha na empresa ARMAZÉNS GERAIS COLUMBIA S/A, A impugnante transferiu as ações que possuia desta empresa para seus acionistas pessoas físicas (ACIONISTAS ESTEVES), por meio de redução de seu capital social. (...) No presente caso, não se vislumbrou a existência de conduta dolosa por parte da Impugnante, tanto é assim que a multa de ofício foi aplicada em seu patamar normal, típico (75%), tendo a autoridade fiscal se referido ao procedimento adotado como um caso de planejamento tributário abusivo. (...) No caso que estamos enfrentado, a Impugnante reduziu seu capital social no valor da totalidade das ações que detinha da empresa Columbia (sua controlada) e, ato contínuo, os acionistas beneficiados (cerca de meia dúzia) foram considerados como os verdadeiros alienantes das ações recebidas para a empresa ELOG, conforme consta no Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participações Societárias. Assim, o lançamento fiscal tem por premissa que a fiscalizada é a real alienante das ações, o que é expresso no trecho a seguir transcrito: Porque a Impugnante não alienou ela mesmo as asções que detinha da empresa Columbia? O que lhe impedia? A resposta está nos valores cobrados no Auto de Infração de IRPJ e CSLL. Que justificativa econômica houve para redução de capital por valor excessivo? Nenhuma. Por outro lado, a recorrente sustenta que a reorganização societária realizada ocorreu dentro dos ditames da lei. Ao recordar os fatos, explica o seguinte: Em 07/05/2010, os acionistas da Recorrente, detentores de aproximadamente 75% do capital da Columbia 13% diretamente e 62 % indiretamente via Recorrente, firmaram Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participação societária (fls. 64 e ss.) com a ELOG. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.059 12 Destacase que restou acordado no Contrato de Compromisso de Compra e Venda que, previamente à operação de alienação, seria efetuada uma reorganização societária. Assim, a reorganização societária havida condição prévia à alienação da Colúmbia envolveu: (i) a redução do capital social da América, com pagamento aos sócios cotistas por meio da entrega da totalidade das açlões da Columbia detidas pela América; e, (ii) a redução do capital social da Recorrente, com pagamento aos acionistas por meio da entrega da totalidade das Ações da Columbia detidas pela Recorrente. Após a realização da reorganização societária, foi concluída a alienação da Columbia à ELOG pelos acionistas da Recorrente, que apuraram o ganho de capital, devidamente oferecido à tributação, conforme guias de pagamento (Documento 05 da Impugnação). Sobre o ponto, a DRJ aduz que as operações realizadas foram efetuadas com apenas um objetivo: de evitar a tributação na pessoa da Impugnante, a acrescenta que o procedimento adotado pela Impugnante não encontra amparo no art. 22 da Lei 9.249/95, pois, em sua ótica, não ocorreu devolução de participação no capital. Em suas palavras: No Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participações Societária, a Impugnante (sim, ela mesmo) é quem decide/negocia pela alienação das ações da COLUMBIA, só, que, antes, ali consta, como relatoriado, que será feita uma reorganização societária (entenda redução de seu capital social) com a transferência das ações desta para seus acionistas pessoas físicas, os quais, diligentemente, acordaram na alienação das mesmas para a ELOG. Agora, vem a Impugnante protestar pela legalidade de seu procedimento, invocando em seu auxílio o disposto no art.22 da Lei n. 9.249/95, anteriormente transcrito. De se repetir o que consta no citado comando normativo: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) Este dispositivo legal não contempla a situação mostrada nos autos. Que devolução de participação no capital ocorreu, para que se vislumbrasse a situação descrita na norma? Vejam a composição acionária da Impugnante: Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.060 13 Após o aumento de capital por incorporação de lucros e mesmo depois da redução do capital, por ser excessivo, a composição acionária permaneceu a mesma, não se alterou, de forma que, se indagar de que devolução de participação no capital estamos aqui tratando. Na verdade, como mostrado, tudo foi feito com apenas um objetivo, o de evitar a tributação, na pessoa jurídica da Impugnante, da alienação da participação societária que detinha na COLÚMBIA. Pois bem. A primeira questão que deve ser verificada diz respeito à legitimidade ou não da redução de capital social e da subseqüente entrega de ativos à acionista por valor contábil. É o que faremos a seguir. Perfilho o entendimento de que a redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa. Aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. Ora, o próprio legislador possibilitou que as pessoas jurídicas, ao entregar bens ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderiam avaliar tais bens pelo valor contábil ou de mercado. Confirase os termos da lei citada: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Desta forma, tratase de possibilidade legal posta à disposição do contribuinte pelo artigo 22 da Lei 9.249, de 1995. A legislação tributária oferece aqui uma expressa e inequívoca opção a ser realizada pelo contribuinte, quando da devolução de bens e direitos a Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.061 14 sócio ou acionista, a título de devolução do capital social: o contribuinte pode decidiu por devolver os ativos a valor de mercado, apurando, então ganho de capital na operação (§1º do art. 22 da Lei nº 9.249/95), ou pode resolver devolver os bens e direitos a valor contábil, não apurando, conseqüentemente, ganho tributável. Não vejo, inclusive, diferença na utilização entre tais opções do contribuinte e as que comumente se permitem, como as opções pela forma de tributação: não havendo vedações, pode a pessoa jurídica optar pelo lucro presumido ou pelo Simples Nacional em detrimento à regra geral do lucro real. Ou, em relação aos optantes pelo lucro real, optar pela apuração trimestral ou anual, e assim por diante. Vejase que, se fossem os acionistas que integralizassem capital na pessoa jurídica, também poderia, optar por transferir as ações a valor constante em suas declarações de renda ou a valor de mercado. Optando pelo valor de mercado, deveriam oferecer à tributação o ganho de capital correspondente, porém, ressaltese, tratase do opção do contribuinte, o que impede que a fiscalização obrigue realizar uma opção em detrimento de outra. No caso concreto, a autoridade fiscal parece querer impor ao contribuinte a opção mais onerosa. Ora, se o próprio legislador quis deixar ao talante das pessoas jurídicas a escolha de uma entre duas opções, não cabe ao fisco questionar tal escolha, a não ser que vislumbre alguma patologia no caso concreto, tal como uma fraude ou simulação, ou ainda eventual ato abusivo. No caso, acusa a fiscalização do contribuinte ter realizado planejamento tributário abusivo, pois procedeu a uma reorganização societária que precedeu a venda da Columbia à ELOG sem propósito negocial, tendo como único objetivo a redução da carga tributária. Não penso assim. Conforme visto nos autos, a reorganização societária que culminou com a redução do capital social da recorrente ocorreu dentro dos ditames da lei, sendo acordado, inclusive, no Contrato de Compromisso de Compra e Venda que, previamente à operação de alienação, seria efetuada uma reorganização societária, tal como ocorreu. Por conseguinte, após realizada a reorganização societária, foi concluída a alienação da Columbia à ELOG pelos acionistas da Recorrente, que apuraram o respectivo ganho de capital, sujeitandose ao pagamento devido. Tais guias, inclusive, se encontram anexadas aos autos, nas fls. 322 a 327. Entendo razoável a justificativa apresentada pela recorrente acerca da data em que ocorreu a citada reorganização societária, pois, sendo a Columbia titular de contratos de permissão ou concessão, eventual alteração de seu controle societário estava condicionada à a anuência da Receita Federal do Brasil, e só ocorreu após a negociação do Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Participação societária com a ELOG. Assim, como é de se esperar, antes da obtenção das autorizações em questão, não poderia haver a formalização da redução do capital social da Recorrente, com a devolução da participação societária da Columbia a seus acionistas. Ora, conforme visto, entendo como opção dos acionistas da Recorrente, na qualidade de proprietários de 75% do capital social da Columbia, ainda que parcialmente, i.e, 62%, via Recorrente, concentrar a operação de venda na pessoa física, valendose de prévia Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.062 15 redução de capital a valor contábil, consoante previsão contida no art. 22 da Lei nº 9.249/95 anteriormente transcrita: Neste sentido, confirase os seguintes precedentes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995). Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). (...) (Acórdão nº 1402001.477, em sessão de 9 de outubro de 2013) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 15586.720239/201447 Acórdão n.º 1301002.582 S1C3T1 Fl. 1.063 16 Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. (Acórdão nº 1402001.341, em sessão de 5 de março de 2013) Assim, devem ser rejeitadas as considerações pontuadas pela fiscalização e decisão recorrida, concluindose que as operações praticadas são lícitas, reais e resultam do regular cumprimento da legislação em vigor, não havendo, no caso, qualquer abuso de planejamento tributário. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para afastar as exigências reclamadas nos autos de infração aqui tratados. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004681/2003-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-003.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 81 /2 00 3- 64 Fl. 4599DF CARF MF Processo nº 19515.004681/200364 Acórdão n.º 2201003.758 S2C2T1 Fl. 4.600 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Tratase de auto de infração (fls. 482/485) à legislação do Imposto sobre a Renda Pessoa Física —IRPF lavrado em 11/12/2003, que constituiu o crédito tributário no montante de R$ 562.005,25, incluídos o principal, a multa de oficio e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta a` apuração, no período base 1998, de depósitos bancários de origem não comprovada/omissão de rendimentos conforme consta no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e planilhas anexas (fls. 412/479). Cientificado do lançamento em 16/12/2003 (fls. 487), o contribuinte apresentou impugnação de fls. 493/496, em 14/01/2003, alegando, em síntese, o que se segue: sua movimentação financeira bancária não retrataria a realidade de seus ganhos. Alega que, devido a dificuldades financeiras por que passava, juntamente com sua esposa, se viu obrigado a se valer do recurso de depositar cheques de suas próprias contas bancárias, de uma pra outra, bem como cheques de sua esposa, com o fito de ganhar tempo e receber dinheiro para pagar os valores devidos. Especificamente, detalhado por instituição financeira, assim argumenta quanto à conta mantida no Banco Real: "Apesar de nunca ter feito aplicações financeiras, este banco apresenta extrato onde se vê apenas APL FUNDOS (TR), não mencionando depósitos em cheques ou dinheiro, sendo que já solicitei em quatro oportunidades, desde 28 de novembro de 2003, explicações sobre este extrato, bem como cópias de cheques e até o momento não obtive resposta." Quanto à conta no Banco Santander: Alega que o banco ainda lhe cobra por dívida (fls. 516), o que demonstraria que sua conta teria saldo devedor. Quanto à conta no BCN: alega que os documentos de fls. 519/748 comprovariam que "desconto" representa limite de crédito rotativo com garantia de cheques e avalista (sua esposa). Argumenta que tais documentos representariam os valores liberados como empréstimo em sua conta corrente, sendo que, à medida que um cheque era pago, voltava a ter o referido crédito e poderia descontar novos cheques. Quanto à conta no BANRISUL: Apresenta às fls. 751/757 cópia de cheques que complementariam as informações já prestadas ao Fisco. Quanto à conta no BANESPA: Anexa cópia de cheques que teriam sido emitidos por sua esposa, em seu favor, e que também Fl. 4600DF CARF MF Processo nº 19515.004681/200364 Acórdão n.º 2201003.758 S2C2T1 Fl. 4.601 3 complementariam as informações levadas ao Fisco. Por fim, requer a realização de perícia contábil que, no ser entender, constataria a veracidade de suas explicações. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 199/205), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 PEDIDO DE PERÍCIA É prescindível a realização de perícia quando os elementos carreados dos autos são suficientes para a formação de convicção do julgador, principalmente quando a matéria contestada não necessita de opinião de perito para ser decidida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 DEPOSITO.S BANCARIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas comprovando a alegação de que os depósitos eram constituídos de recursos pertencentes a terceiros ou que meramente transitaram pela conta corrente, elide a presunção legal de omissão de rendimentos, regularmente estabelecida com base em depósitos bancários de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS NÃO APRESENTADAS. Quem não prova o que afirma não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda o pedido feito. Cientificado do acórdão da DRJ em 12/11/2007, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/12/2007 (fls. 1.003/1.020), onde alega, em síntese, que: A negativa de perícia por parte da decisão de piso feriu o seu direito à defesa, uma vez que ela é imprescindível para a comprovação dos valores contestados. A ação fiscal fora baseada nos recolhimentos de CPMF, sendo necessária uma apuração mais detalhada dos documentos anexados para a comprovação dos depósitos. Apresentou tabela às fls. 1.012/1019 para comprovar a origem dos valores depositados no banco BCN. Por fim, pediu a extinção do crédito contestado, alternativamente, pugnou pela conversão do julgamento em diligência para que fosse realizada perícia nos documentos acostados. É o relatório. Fl. 4601DF CARF MF Processo nº 19515.004681/200364 Acórdão n.º 2201003.758 S2C2T1 Fl. 4.602 4 Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Em sede preliminar, o recorrente alega a necessidade de ser concedida a perícia para a análise dos documentos colacionados. O art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72 prevê os requisitos necessários para a concessão da perícia, os quais não foram cumpridos pelo recorrente. Além do mais, como será visto a seguir, não existe a necessidade de realização de perícia, haja vista que os documentos colacionados aos autos são de fácil interpretação e suficientes para a formação da convicção do julgador. Sobre a avaliação do julgador em relação à necessidade de perícia, temse o acórdão de nº 241004.508, relatado por Carlos Alexandre Torato: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. (destaquei). Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia, nos termos da fundamentação supramencionada. Do mérito No mérito, o recorrente limitouse ao argumento de que a fiscalização fora feita levando em conta apenas os valores arrecadados a título de CPMF e caso fossem devidamente analisados os documentos juntados, todos os valores restariam comprovados. Colacionou tabela de fls. 1012/1019 que comprovam a origem dos valores depositados no Banco BCN, supostamente tributados pelo fisco. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles Fl. 4602DF CARF MF Processo nº 19515.004681/200364 Acórdão n.º 2201003.758 S2C2T1 Fl. 4.603 5 representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal. Os documentos acostados às fls. 4509/4520 comprovam que toda a prova efetuada foi valorada, inclusive todos os valores presentes na tabela feita pelo recorrente em seu recurso, constam como comprovados e não entraram na base de cálculo do imposto. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumemse como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 4603DF CARF MF Processo nº 19515.004681/200364 Acórdão n.º 2201003.758 S2C2T1 Fl. 4.604 6 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. De acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de simples recibos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida, e no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 4604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.006961/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ADV FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 24 .0 06 96 1/ 20 05 -5 1 Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos pelo Contribuinte e Fazenda Nacional contra decisão de primeiro grau que deu provimento parcial à impugnação apresentada pelo contribuinte. A presente NFLD, lavrada sob o n. 35.764.9940, em desfavor do Contribuinte corrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais e não declarados no documento GFIP. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 143, o lançamento compreende competências entre o período de 06/2000 a 01/2005, e originouse da meta da Secretaria da Receita Previdenciária de combate à inadimplência e devido a seus objetivos de celeridade foi realizada através da verificação de fato gerador especifico, com o objetivo de analisar e regularizar divergências apontadas no batimento GFIP versus GPS, não tendo sido examinados nem as Folhas de Pagamento e nem os documentos da Contabilidade da empresa. Ainda, nos termos do relatório no decorrer desta ação fiscal foram verificadas 3 ações que a empresa move contra o INSS, depositando em juízo os valores contestados, conforme especificado abaixo: a) Processo no.00.978.9600, em 13/05/1987, pleiteando o não pagamento das contribuições previdenciárias referentes aos valores de remuneração que excedem ao teto do Limite Máximo do SaláriodeContribuição; b)Processo no. 97.00609316, em 18/12/97, requerendo a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigue a empresa a recolher contribuição previdenciária sobre o 130 salário; c)Processo no.2000.61.00.0467936, em 21/11/2000, pleiteando o não pagamento das contribuições a terceiros,'destinadas as entidades SESC, SENAC e Sebrae. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/07/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 152 a 163. O processo foi baixado em diligência para que fossem prestados esclarecimentos, pertinentes as alegações do impugnante, fls. 1203 a 1204. Foi emitida informação fiscal, fls. 224. Foi emitido despacho para dar ciência a empresa dos termos das modificações promovidas pela auditoria fiscal, fls. 1247 a 1249. Houve nova apresentação de defesa, fls. 1260. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 4 3 Foi exarada DN às fls. 1.313/1.325, pela 14ª Turma DRJ/SPOI, textualizada no Acórdão nº 1615.613 que determinou a procedência parcial do lançamento, tendo a autoridade julgadora recorrido de ofício, a saber. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de dez anos. Art. 45 da Lei n.° 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE 0 art. 45 da Lei 8.212/91 não foi até hoje declarado inconstitucional, estando em plena vigência, não podendo deixar de ser aplicado pela Administração. CONTRIBUIÇÃO DECLARADA EM GFIP As informações declaradas pela própria empresa relativa aos valores das remunerações dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP são utilizadas como base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, compõem a base de dados para fins de cálculo c concessão dos benefícios previdencidrios, e constituem termo de confissão de divida, na hipótese do não recolhimento Art. 32, § 2° da Lei 8.212/91 e art. 225, § 1° do Decreto 3.048/99. Lançamento Procedente cm Parte A DRJ, ao dar provimento parcial a Impugnação do Contribuinte considerou procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário referente ao lançamento retificado, para o valor total remanescente de R$ 77.337,44, valor consolidado em 08/08/2005. Em seguida os autos foram encaminhados para este Colegiado, que por intermédio da Resolução nº 2401000.265 de 22/11/2012, às Fls. 1.332/1336, baixou os autos em diligência por entender que o julgamento em questão encontravase prejudicado, tendo em vista que após a decisão da DRJ, não houve a ciência do Contribuinte para eventual apresentação de Recurso Voluntário e também para que a autoridade julgadora colacionasse informações das NFLD`s que consubstanciaram o auto em questão. A autoridade fiscal informa às fls. 1.338 que não é possível atender às determinações emanadas deste Colegiado tendo em vista que a NFLD mencionada no Relatório da Resolução referese a outra NFLD de outro contribuinte e de outro período levantado. Continua informando que a solicitação para colacionar informações das NFLD`s que "consubstanciaram o auto em questão", sugere que se trata de AI de obrigação acessória que possui NFLD´S correlatas,o que não é o caso. Assim propõe, com base na legislação que rege a matéria, que o despacho elaborado seja apreciado como Embargos de Declaração, para fins de saneamento dos equívocos apontados na mencionada Resolução. Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 5 4 A Ilustre Conselheira Relatora apresenta Informação em Embargos às fls. 1.341/1.342, sugerindo sua inclusão em pauta e seu conseqüente acolhimento, para retificar os erros materiais do julgado. Assim, às Fls. 1.351 e seguintes foi juntado o AR de intimação do Contribuinte acompanhado dos Acórdãos da Resolução e da Impugnação. No Acórdão de Embargos juntado às fls. 1.351/1.357 o colegiado votou pelo acatamento dos Embargos para reratificar a Resolução 2401000.265, mantendo inalterado o resultado do julgamento que determinou a conversão em diligência , devendo ser cientificado o Contribuinte dos termos da decisão de 1ª Instância. O Recorrente foi cientificado em 07/01/2016, conforme se verifica do AR de fls. 1.373. Assim, inconformado com a decisão proferida pela primeira instância que manteve parcialmente o lançamento, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário às fls. 1375/1392, repetindo as alegações de \impugnação, a saber, 1. Não obstante a Recorrente ter apresentado todos os documentos necessários à demonstração da inexistência das diferenças apontadas a fiscalização entendeu por consolidar a lavratura da presente autuação. .2. A fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apontou os valores lançados na notificação, tendo explicitado no relatório fiscal que ignorou a análise de folhas de pagamento da empresa e outros documentos indispensáveis à verificação contábil das supostas ausências dc recolhimento, o que não pode ser aceito, pois atenta ao preenchimento dos requisitos previstos no art. 142 do CTN. 3. A lei diz que o lançamento é ato vinculado e não poderia a autoridade administrativa praticar ato discricionário ou ainda arbitrário como ocorre na presente NFLD. 4. Se a fiscalização entende devido o crédito por ela lançado deve mencionar de maneira minudente a origem do mesmo para que seja possível o atendimento do principio do contraditório sob pena de nulidade. 5. A fiscalização deveria ter feito urna conta simples obtendo o valor devido A Previdência Social por meio dos resumos das folhas de pagamento, aplicando a aliquota de acordo com o código FPAS (515), ou seja, 26,8%, o que deveria ser igual, aos valores depositados judicialmente mais todos os valores recolhidos ao INSS, mediante a análise física das GPS, utilizando princípios básicos da matemática. 6. Se a fiscalização realmente estivesse disposta a verificar a regularidade dos recolhimentos da impugnante, não haveria outra forma para isso e da forma como os débitos foram apurados não é possível saber corno as referidas diferenças foram encontradas, pois não há critério e lógica para tal identificação. 7. Como se verifica a presente autuação está eivada de nulidade haja vista que Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 6 5 a fiscalização não se utilizou da mínima lógica para lavrála, bem como, por haver ignorados os documentos que, com certeza, trariam a convicção de que as diferenças por ela informadas inexistcm (laudo contábil anexo). 8. Também resta claro que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou os valores lançados na Notificação porque não identifica os trabalhadores, contribuintes individuais citados e os valores dos salários das contribuições de cada urn dos contribuintes individuais, para que a impugnante em sua defesa pudesse discutir o certo ou não da decisão tomada pelo agente fiscal, o que é impraticável, e não se argumente que suposto controle em sistema do INSS supriria a necessidade de discriminação de todos os trabalhadores na autuação, na medida cm que a lavratura da NFLD é ato vinculado e deve trazer todos os elementos do lançamento. 9. Qual a finalidade da previdência, senão garantir aos trabalhadores os benefícios assistenciais e de aposentadoria (art. 194 da CF/88) ? E não havendo a identificação do salário de contribuição individualizado dos trabalhadores, ha de ser declarada nula a NFLD por impedir que tais trabalhadores possam se beneficiar das contribuições ora exigidas; não pode o INSS exigir da suposta empregadora o recolhimento de contribuições previdenciárias sem vinculálas com precisão aos trabalhadores envolvidos para que elas sejam levadas em conta quando da aposentadoria. 10. Há uma relação vinculativa, ainda que indireta, entre o pagamento da contribuição previdenciária pelo empregador e o beneficio experimentado por seus trabalhadores, em uma interpretação inicial do art. 195, I da CF/88. 11. Por todos estes motivos deve ser declarada a total nulidade da NFLD sob pena de violação direta e frontal aos art. 194, V e 195, Ida CF/88, e art. 142 do CTN. 12. 0 débito em discussão se encontra parcialmente extinto pela decadência, pois a doutrina e a jurisprudência são unânimes em declarar a natureza tributária das contribuições sociais e verificase que o prazo decadencial para constituição do débito da Recorrente era de 5 anos consoante o art. 173 do CTN. 13. E possível vislumbrar que a NFLD lavrada pela fiscalização encontrase parcialmente atingida pela decadência, pois, como visto, o débito objeto da NFLD foi constituído definitivamente cm 08/08/2005, e parte dos fatos geradores do débito remontam a período anterior a agosto de 2000. 14. Em nova diligência fiscal o agente fiscal reviu os apontamentos efetuados, e verificou que o valor da autuação deveria ser reduzido de R$ 506.034,69 para R$ 177.885,52, contudo não se manifestou sobre o cerne da questão, qual seja, a existência de depósitos judiciais integrais relativos as divergências apontadas. 15. Como já foi dito na defesa o agente fiscal na diligência cingiu sua análise no confronto entre as GFIP 's e GPS apresentadas pela Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 7 6 empresa, sem se ater as informações e outros documentos apresentados pela Recorrente. 16. 0 equivoco cometido não se deu pelo fato da auditora fiscal haver confrontado os documentos apresentados, mas sim por haver ignorado as guias de depósito judicial apresentados durante a diligência fiscal. 17. 0 Recorrente declarou todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP e a divergência se deu cm razão de constar na GPS valor menor do que foi declarado em GFIP,divergência esta que consta dos valores depositados judicialmente. 18. Portanto não há divergências entre as folhas de pagamento e GFIP 's da Recorrente, e a soma do valor da GI'S ao valor constante das guias de Depósito judicial é igual ao valor declarado em GFIP o que se traduz em inexistência de débito. 19. Como já explicitado na defesa, a fiscalização deveria ter feito uma conta simples obtendo o valor devido à Previdência Social por meio dos resumos das folhas de pagamento, aplicando a alíquota de acordo com o código FPAS (515), ou seja, 26,8%, o que deveria ser igual, aos valores depositados judicialmente mais todos os valores recolhidos ao INSS, mediante a análise física das GPS, utilizando princípios básicos da matemática. 20. Se a fiscalização houvesse realizado a diligência fiscal da mesma maneira (GFIP x GPS), mas houvesse considerado os valores das guias de depósitos judiciais, somando tais a "GPS" chegaria fatalmente, como demonstrou o laudo pericial contábil, à inexistência de débito. 21. Diante destes fatos incontroversos e como as diferenças apontadas pela fiscalização já são objeto dc demanda judicial não resta outra conclusão à Recorrente de que tais valores foram lançados para prevenir a decadência dos referidos fatos geradores, devendo a presente autuação restar sobrestada até julgamento final da demanda, e se vitorioso o Instituto poderia cobrar os valores lançados. 22. Contudo a autuação é desnecessária, pois como os valores estão depositados judicialmente, caso o INSS saia vencedor na discussão, poderá converter os depósitos em renda. 23. Logo, como inexistentes as diferenças apontadas pela fiscalização, a presente notificação deverá ser julgada improcedente. 24. Por todo o exposto, pedese a apreciação c o acolhimento da defesa julgandose insubsistente o débito apurado na fiscalização. Ao final requer seja determinada a notificação sobre data e horário designado para julgamento do Recurso Voluntário, eis que pretende SUSTENTAR ORALMENTE. É o relatório. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso não atende os requisitos de admissibilidade. O Recurso de Ofício foi interposto pelo próprio Órgão julgador de primeiro grau, tendo em vista que aquele Colegiado considerou procedente em parte o lançamento, restando um saldo remanescente de R$ 77.337,44, consolidado em 08/08/2005, resultando em montante inferior ao valor de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, publicada em 10/02/2017, que estabelece o limite de R$ R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para interposição de Recurso de Ofício. Muito embora a referida portaria tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a jurisprudência deste Conselho tem entendido que, em matéria de Recurso de Ofício, a alteração do limite tem aplicação imediata, acarretando, em hipóteses como a presente – em que o valor do crédito exonerado é inferior ao novo limite – a perda de objeto da remessa ex officio. Resta claro, portanto, que o presente Recurso de Ofício perdeu seu objeto em decorrência de legislação superveniente. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. DA TEMPESTIVIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 07/01/2016, conforme AR à fl. 1.373, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 19/01/2016, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. DA DILIGÊNCIA A presente NFLD, lavrada sob o n. 35.764.9940, em desfavor do Contribuinte corrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais e não declarados no documento GFIP. Inicialmente impende salientar que o presente lançamento compreende competências entre o período de 06/2000 a 01/2005, e originouse da meta da Secretaria da Receita Previdenciária de combate à inadimplência e devido a seus objetivos de celeridade foi realizada através da verificação de fato gerador especifico, com o objetivo de analisar e regularizar divergências apontadas no batimento GFIP versus GPS, não tendo sido examinados nem as Folhas de Pagamento e nem os documentos da Contabilidade da empresa Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 36624.006961/200551 Resolução nº 2401000.598 S2C4T1 Fl. 9 8 Também resta claro que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou os valores lançados na Notificação, porque não identifica os trabalhadores e contribuintes individuais citados e os valores dos salários das contribuições de cada um deles, impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa do Contribuinte, tendo em vista que a lavratura da NFLD é ato vinculado e deve trazer todos os elementos do lançamento. Do que se pode depreender, o cerne da presente controvérsia reside na falta de análise dos depósitos judiciais (guias de depósito judicial efetuados nas ações judiciais),. Importante consignar que o lançamento inicial era R$ 506.034,69, depois, após diligências foi retificado para R$ 117.885,52. E, por fim, a r. decisão de piso retificou o lançamento para R$ 77.337,44. O que se observa é que a forma eleita pela Secretaria de Receita Previdenciária para combater a inadimplência e estimular a celeridade, se mostrou extremamente injusta e desigual para o Contribuinte, que há quase duas décadas vem se debatendo perante os Tribunais administrativos para demonstrar seu direito. Assim, objetivando melhor instruir o feito, e assim formar a convicção necessária para o julgamento da matéria posta em debate, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem adote os seguintes procedimentos: 1. Analise os depósitos judiciais efetuados nas ações abaixo, cotejando com os lançamentos realizados nos presentes autos, efetuando as eventuais retificações, caso se verifique o pagamento: a) Processo no.00.978.9600, em 13/05/1987, pleiteando o não pagamento das contribuições previdenciárias referentes aos valores de remuneração que excedem ao teto do Limite Máximo do Salário de Contribuição; b)Processo no. 97.00609316, em 18/12/97, requerendo a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigue a empresa a recolher contribuição previdenciária sobre o 130 salário; c)Processo no.2000.61.00.0467936, em 21/11/2000, pleiteando o não pagamento das contribuições a terceiros,'destinadas as entidades SESC, SENAC e Sebrae. 2. Verifique o atual andamento das três ações, juntando cópia nos presentes autos de eventual sentença já proferida, bem como do trânsito em julgado, dos três processos mencionados no item 1; 3. Cientifique a Recorrente do resultado da diligência, abrindose prazo para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo . É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para não conhecer do Recurso de Ofício, e CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010512/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em nova diligência, para que sejam atendidos pela unidade responsável pela administração do tributo, integralmente, os termos da Resolução 2201.000.243, de 14 de março de 2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em nova diligência, para que sejam atendidos pela unidade responsável pela administração do tributo, integralmente, os termos da Resolução 2201.000.243, de 14 de março de 2017. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, NFLD 37.114.4175, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 10 51 2/ 20 07 -9 1 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 19647.010512/200791 Resolução nº 2201000.271 S2C2T1 Fl. 310 2 A notificação em tela é substitutiva do DEBCAD nº 37.009.8102, declarado nulo por vício formal, em 30/06/2006, formalizado quando o Mandado de Procedimento Fiscal estava expirado. Os valor lançado, no montante originário de R$ 69.304,30, é relativo ao período de apuração de setembro de 1999 a agosto de 2004. Do mesmo procedimento fiscal resultaram o Auto de Infração 37.114.4183 (processo 19647.010520/200738 arquivado) e a NFLD 37.114.4167 (processo 19647.010513/200736, já julgado em 2ª Instância, Acórdão 2302002.556). Ciente do lançamento em 24 de setembro de 2007, conforme fl. 95, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 133/157, na qual limitou seus argumentos à decadência dos débitos lançados até o período de apuração agosto de 2002. Em relação aos débitos posteriores, 09/2002 a 08/2004, os quais classificou como incontroversos, o contribuinte solicitou o seu desmembramento para "pagamento", via compensação com supostos créditos provenientes de retenções sofridas por tomadores de serviço. Na análise da impugnação, fl. 199/205 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE considerou procedente o lançamento, lastreada nas conclusões abaixo resumidas: (...) Ocorre que o lançamento ora em discussão objetivou substituir a NFLD 37.009.8102, que foi tornada nula em virtude de falha formal, havendo, nesse sentido, decisão administrativa, datada de 28/11/2006 (conforme extrato a fl. 97). (...) Em conseqüência, tendo a decisão, que anulou a NFLD anterior, sido exarada em 28/11/2006 e não constando interposição de recurso administrativo à mesma, havendo o presente lançamento se constituído em 24/09/2007, consoante fl. 01 dos autos, não há que se falar quer em decadência ou, muito menos, em prescrição, dado que se observou, in casu, o prazo legal para a feitura do crédito tributário, NÃO havendo, assim, como prosperar a irresignação do impugnante no pertinente A. referida matéria. Ainda que, por hipótese, não considerássemos o acima exposto, terse ia por válido o lançamento, dado que o prazo fixado no art. 45, da Lei n.° 8.212/91 continua vigente e cogente, porque não declarado inconstitucional pelo STF e as decisões judiciais, arroladas pelo impugnante, só têm efeito interpartes, não amparando, assim, os que nelas não figuram, como é o caso do contribuinte em tela. No que concerne ao pedido de compensação entabulado pelo impugnante, cabe esclarecer que todas as GPS, em nome da empresa em tela, constantes dos sistemas informatizados deste órgão (extrato que fazemos juntar a fls. 92/95), inclusive aquelas com o código de pagamento 2631, que é o pertinente à retenção de contribuições sociais em decorrência de prestação de serviços nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, foram consideradas pelo Fisco na ocasião da constituição da presente NFLD, consoante se observa a fls. 23/25 (relatório de documentos apresentados) e fls. 26/35 (relatório de apropriação de documentos apresentados). Grifouse. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 19647.010512/200791 Resolução nº 2201000.271 S2C2T1 Fl. 311 3 Ciente do Acórdão da DRJ em 05 de maio de 2008, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 215/241, em 29 de maio de 2008, no qual reiterou os mesmos argumentos e pedidos expressos na impugnação. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem juntados aos autos documentos capazes de evidenciar a data da lavratura da Notificação anulada, bem assim de sua ciência. Em atendimento à diligência, foram juntados aos autos as telas de fl. 291 e 292, nas quais constam informações registradas no SICOB de que a ciência do lançamento objeto da NFLD 37.009.8102 teria ocorrido em 21/07/2006. Novamente submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o feito foi, mais uma vez, convertido em diligência, para que fosse verificado pedido de parcelamento e, se fosse o caso, complementação da diligência anterior. Entendida cumprida a diligência, os autos retornaram a este Conselho com as informações de fl. 308. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, cumpre destacar que o segunda diligência determinada por este Colegiado, objeto da Resolução de fl. 300 a 304, indicou peças de outro processo administrativo em que havia expressa manifestação do contribuinte pelo parcelamento do débito ora em discussão. Razão pela qual decidiu esta mesma Turma de Julgamento que, caso confirmado o parcelamento, fossem adotadas as medidas necessárias à consolidação e controle do débito. Por outro lado, caso não confirmado, deveria a unidade responsável pela administração do tributo devolver os autos a esta Corte acompanhado das justificativas sobre a impossibilidade do parcelamento e, ainda, com a juntada de cópia do documento em que restou expressa a ciência do lançamento objeto do NFLD 37.009.8102, já que, no atendimento a diligência anterior, em que deveriam ter sido juntados ao processo documentos capazes de evidenciar a data da lavratura da Notificação anulada, bem assim de sua ciência, foram trazidas apenas as telas de fl. 291 e 292, nas quais constam informações registradas no SICOB de que a ciência do lançamento objeto da NFLD 37.009.8102 teria ocorrido em 21/07/2006, sem, contudo, nenhum documento que corroborasse a informação sistêmica (AR, Termos de Ciência, etc). Não obstante o esforço despendido por este Conselheiro, que, para fundamentar a conversão do julgamento em diligência, chegou a efetuar pesquisas em processo diverso, indicando as folhas e coletando imagens em que teria ocorrido a expressa manifestação do contribuinte sobre sua intenção de parcelar a NFLD 37.114.4175, limitouse o Serviço de Controle e Acompanhamento do Crédito Tributário da DRF em Recife/PE a exarar o despacho de folhas 308, que, utilizandose de apenas três linhas, pontuou: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 19647.010512/200791 Resolução nº 2201000.271 S2C2T1 Fl. 312 4 1 Em resposta ao despacho retro, informamos que não há registro de pedido de parcelamento para a NFLD em tela até a presente data. Portanto, claro está que não foram observados e atendidos os termos da diligência formulada, tampouco demonstrado sua desnecessidade ou a improcedência das afirmações nela contidas. Assim, voto por nova conversão do julgamento em diligência para que sejam atendidos pela unidade responsável pela administração do tributo, integralmente, os termos da Resolução 2201.000.243, de 14 de março de 2017 (fl. 300 a 304). Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006626/2009-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interesse recursal - a necessidade e a utilidade do recurso.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interesse recursal - a necessidade e a utilidade do recurso. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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VALOR TRIBUTÁVEL Recorrente MEMPHIS S/A INDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interesse recursal a necessidade e a utilidade do recurso. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 66 26 /2 00 9- 40 Fl. 2296DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3101001.806, de 24/02/2017, proferido pela 1ª Turma da 1ª Câmara do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. REJEIÇÃO. É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, em procedimento que foi realizado sem embaraçar o direito de defesa do autuado, que detém plena legitimidade para responder pela infração apurada. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na saída de produtos tributados pelo IPI para firma interdependente, o valor tributável não pode ser inferior ao preço corrente dos produtos no mercado atacadista do remetente, sendo válida sua apuração com base em notas fiscais de saída de apenas um ou dois estabelecimentos, quando, no procedimento de auditoria, tendo em vista as especificidades dos produtos, não forem encontrados outros atacadistas. A inobservância deste valor tributável mínimo enseja o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgese contra a ilegitimidade passiva da Recorrente e a apuração do valor tributável mínimo nas saídas de produtos para empresas interdependentes. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos CSRF nº 20205658 (primeiro tema) e 3403002.285 e 20402.706 (segundo tema). O exame de admissibilidade encontrase às fls. 2280/2283. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 2285/2294). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 11080.006626/200940 Acórdão n.º 9303005.267 CSRFT3 Fl. 2.297 3 A controvérsia limitase ao segundo tema suscitado no recurso especial (o primeiro não foi admitido pelo presidente da Câmara) – o valor tributável mínimo nas operações realizadas entre empresas interdependentes –, matéria que se encontra disciplinada nos arts 136 e 137 do RIPI/2002, com a seguinte redação: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso II, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso III); III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decretolei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Fl. 2298DF CARF MF 4 Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Constatou a fiscalização que o valor tributável, nas saídas do estabelecimento da Recorrente, era menor que os preços praticados com terceiros pela firma interdependente, a destinatária dos produtos. Entendeu que o valor tributável mínimo seria o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, calculado com base na média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês antecedente ao da saída do estabelecimento remetente ou ao mês imediatamente anterior. No acórdão recorrido, concluiuse não descaracterizar a existência de um “mercado atacadista”, e a consequente aplicação do art. 136, I, do RIPI, o fato de haver um único vendedor, o responsável pela primeira distribuição das mercadorias, ainda que interdependente da remetente. Fundamentouse na Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, vazada nos seguintes termos: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. (g.n.) Já no primeiro acórdão paradigma, o de nº 3403002.285, outra turma do CARF considerou absolutamente equivocada a forma de calcular o valor tributável mínimo realizada pela fiscalização, numa situação em que não havia, importar destacar, mercado atacadista na praça do remetente (as pessoas jurídicas destinatárias dos produtos, interdependentes da remetente, estavam localizadas em outros municípios ou estados; portanto, nada se falou sobre a situação tratada nos autos; ver fl. 674). Confirase: O problema desta autuação não reside na motivação do lançamento, mas sim na metodologia aplicada para a Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 11080.006626/200940 Acórdão n.º 9303005.267 CSRFT3 Fl. 2.298 5 determinação do valor tributável mínimo, uma vez que a própria fiscalização constatou a inexistência de mercado atacadista de filtros de papel na cidade de Guaíba. Tanto isso é verdade, que precisou recorrer ao preço médio do mercado atacadista da cidade de Farroupilha. O contexto revelado pela leitura do termo de encerramento de ação fiscal, sugere que a fiscalização descreveu e constatou que o contribuinte, nas vendas para a MELITTA, não incluiu no valor tributável todos os custos mencionados no art. 196, parágrafo único, II do RIPI/2010. Entretanto, em vez de apurar esses custos no estabelecimento do contribuinte (remetente dos produtos), resolveu a fiscalização apurálos de forma indireta, mediante o critério estabelecido no art. 196, caput, tendo em vista que nas respostas às intimações, ficou esclarecido que tais custos não haviam sido considerados pela Celupa, mas haviam sido considerados pela MELITTA nas suas vendas no atacado. A quantificação do valor tributável mínimo das vendas da CELUPA para a MELITTA intentada pela fiscalização neste processo não tem a menor condição jurídica de prosperar. Isto porque a fiscalização capitulou o lançamento na regra de exceção do art. 196, parágrafo único, II do RIPI/2010 (custo), mas apurou o valor tributável mínimo pela regra geral do preço corrente do mercado atacadista (art. 195, I). Entretanto, em vez de considerar como base para quantificação a praça do remetente dos produtos, tomou como base a praça do destinatário. É inequívoco que com tal procedimento a fiscalização tentou acrescentar ao preço de venda da CELUPA, custos incorridos pela interdependente MELITTA. Ora, tendo constatado a inexistência de mercado atacadista na praça do remetente (Guaíba/RS), deveria a fiscalização ter aplicado a regra de exceção contida no art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, que consiste em apurar o custo de fabricação do produto, os custos financeiros, de venda, de administração e de publicidade, bem como a margem de lucro normal, incorridos pelo estabelecimento remetente (CELUPA). (g.n.) No segundo acórdão paradigma, o de nº 20402.706, o equívoco que levou outra Câmara baixa a negar provimento ao recurso de ofício também foi um erro na aplicação da lei, mas de natureza diversa: a fiscalização, ao determinar o preço médio, considerou as vendas realizadas para o Estado de São Paulo, não o preço no mercado atacadista na praça (cidade, município, domicílio, localidade) do remetente, conforme comprovam os seguintes parágrafos da decisão, onde o tema é abordado: Fl. 2300DF CARF MF 6 Assim, e sem maiores esforços, embora acórdão recorrido e paradigmas versem sobre o valor tributável mínimo, não há, entre eles, similitude fática a ensejar o conhecimento do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979247/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 47 /2 00 9- 92 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979247/200992 Acórdão n.º 1201001.696 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979247/200992 Acórdão n.º 1201001.696 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979247/200992 Acórdão n.º 1201001.696 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979247/200992 Acórdão n.º 1201001.696 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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