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Numero do processo: 13888.906861/2012-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 61 /2 01 2- 59 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 109 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins no valor de R$ 28.380,36, relativo ao período de apuração outubro/2007, para a quitação de débitos de IRPJ (fls. 44 a 48). Por meio do despacho decisório à fl. 49, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da Cofins para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 43). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.387 (fls. 55 a 59), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 110 3 Data do fato gerador: 31/10/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 29.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 61, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 62. Em seu recurso voluntário (fls. 63 a 73), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original, demonstrativo de cálculo de PIS/Cofins e algumas notas fiscais de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em setembro e outubro/2007 (fls. 74 a 105). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 111 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 112 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 113 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de Cofins no valor de R$ 204.997,68 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava ser o débito inferior, de apenas R$ 176.617,32, e que poderia utilizar a diferença para compensar débitos de IRPJ. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de Cofins confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 114 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 115 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 116 9 É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.906861/201259 Acórdão n.º 3002000.525 S3C0T2 Fl. 117 10 conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720018/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3401-005.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada, tendo em vista a submissão da matéria ao crivo do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada, tendo em vista a submissão da matéria ao crivo do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 18 /2 00 8- 51 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 762 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório que não homologou Pedido de Ressarcimento transmitidas com o objetivo de restituir e compensar crédito decorrente de valores indevidamente recolhidos a no valor de R$ 292.131,82, referente Cofins, relativo ao 1º trimestre de 2007, em virtude de não acatar apuração de créditos relacionados às seguintes operações: a) Bens utilizados como insumos – aquisição no mercado interno: foi glosada a quantia de R$ 46.006,00, incluída na base de cálculo da linha relativa aos bens utilizados como insumos, sem respaldo na escrita fiscal e sem nota fiscal de aquisição, cuja justificativa apresentada pela contribuinte foi de que se tratava de “exaustão de reflorestamento de Pinus” conforme contrato com a Serraria São Pasqual Ltda. Constatouse, ainda, que a contribuinte não excluiu da base de cálculo dos créditos a totalidade das devoluções dos bens que seriam utilizados como insumo no processo produtivo, mas que foram posteriormente devolvidos, motivo pelo qual foi deduzido o valor de R$ 1.590,00 da base de cálculo dos créditos. Serviços Utilizados como Insumo b.1) aquisição de serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessada, intimada a apresentar a memória do cálculo para os créditos referentes à linha três (Serviço Utilizado com Insumo), informou o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Informa a autoridade fiscal que glosou todos os valores referentes às notas com esse CFOP, “considerando que a requerente não especificou – entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE – quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campo de créditos de PIS/Pasep e Cofins zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a “outras entradas não previstas” nos demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”. b.2) locação de máquinas e equipamentos: a glosa foi efetuada, visto que os contratos de locação apresentados tinham por objeto caminhões e carrocerias. 2. Em 17/07/2012, foi proferida a Resolução CARF nº 3401000.535, de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, cujo relatório, por fidedigno, abaixo se transcreve: Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 15.14.2009, alegando, em síntese, que: Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 763 3 a) Quanto às outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço (CFOP 1.949 e 2.949), a contribuinte agiu corretamente ao lançar no CFOP 1.949 e 2.949 os valores despendidos com serviços de pessoas jurídicas utilizados na extração de madeira, manutenção de máquinas e floresta e fumigação de contêineres. Esclarece que as notas foram lançadas apenas nos livros contábeis, que não podem ser lançadas nos livros fiscais pelo fato de os prestadores de serviço não possuírem inscrição municipal e, assim, embora não estejam na LRE, quais foram devidamente contabilizadas. b) Quanto ao transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352), alega que os vícios formais referentes aos fretes nas aquisições não existem, quando muito caracterizamse como irregularidades. Explica que a empresa contratava fretes de terceiros que faziam o transporte da madeira vinda da floresta até o seu estabelecimento e que o frete era efetuado por pessoas humildes que, às vezes, possuíam apenas um caminhão. Pessoas essas que emitiam uma nota fiscal conjunta, onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em um determinado período. Destaca que a referida falha não prejudicou o Fisco, pois não houve omissão quanto aos valores dos serviços prestados. c) No que tange à ausência de escrituração das notas fiscais, alega que nos casos de importação, o transporte é feito com a Declaração de Importação (DI) e para escriturálas emitese nota fiscal própria da empresa. Na compra de insumos de pessoa física, o transporte é feito com a nota fiscal do produtor rural, e para escriturála, da mesma forma, é necessária a emissão de nota fiscal pela própria empresa. Em 9.7.2010 a 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) A interessada acatou as glosas dos valores referentes aos bens utilizados como insumo – aquisições no mercado interno – devolução de mercadorias e despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; b) Quanto ao transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352), tratandose do valor que integra o custo de aquisição, a possibilidade de apropriação do crédito calculado sobre a despesa com frete deve ser determinada em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados, ou seja, nem toda despesa com frete é capaz de gerar crédito a ser deduzido na apuração não cumulativa da COFINS e do PIS, mas somente o frete pago na aquisição de insumos ou mercadorias também passíveis de creditamento. c) Quanto aos serviços descritos como "manutenção de máquinas", a contribuinte sequer discriminou quais as máquinas e equipamentos para os quais foram prestados os serviços de manutenção. Independentemente deste fato, digase, não há previsão para o aproveitamento de créditos relativos às despesas com serviços de reparos de máquinas, mesmo daquelas que são utilizadas no processo produtivo. Para gerar créditos, os Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 764 4 serviços devem ser tidos como "insumos" na produção, ou seja, são aqueles aplicados ou consumidos na "produção ou fabricação" do produto, conforme especificado na IN SRF no. 404/2004, art. 8°§ 4°, I,"b", ou então devem estar literalmente previsto, nos demais dispositivos, o que não ocorre no caso de serviços de manutenção de máquinas para a empresa em apreço. f) Quanto ao serviço de fumigação, este não faz parte do processo produtivo da requerente, logo não se trata de um insumo e, portanto, não existe direito ao crédito. Em 16.8.2010 a contribuinte foi cientificada da decisão, e em 17.9.2010, apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) O ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não é absoluto da contribuinte, uma vez que esta situação deve ser interpretada sistematicamente como o principio do contraditório e da ampla defesa. Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade julga pertinentes, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruíla, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado; b) Quanto aos “serviços não especificados”, não há como repudiar a ideia de que tais valores contribuem para um resultado ou obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. c) No que tange ao serviço de extração de madeira, tal procedimento não se constitui em etapa anterior ao processo produtivo da empresa, uma vez que o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Nesse sentido, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa; d) Considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente e indispensáveis à obtenção do resultado final, a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção de máquinas e veículos; f) No que tange ao serviço de fumigação, a atividade fim da requerente é prioritariamente a exportação de artefatos de madeira, os quais, caso não sejam fumigados, ficam expostos a pragas que podem acabar com o produto. Não se trata de processo posterior a fabricação, pelo contrário, é parte integrante do processo. Por fim, a contribuinte requer o direito de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep, relativos ao 2º trimestre do ano de 2007, no tocante as despesas realizadas exploração de floresta e manutenção de máquina, frete de aquisição e fumigação de contêineres. 3. A Resolução CARF nº 3401000.535 proferida por composição pretérita deste colegiado Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 765 5 Em suma a contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS referente ao 2º trimestre de 2007. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde alega que é dever da autoridade administrativa requerer diligência nos casos em que os documentos apresentados pela contribuinte não comprovem a existência dos créditos. Alega também que a aquisição de insumos utilizados na manutenção de máquinas, e o serviço de extração de madeiras, bem como o frete na aquisição de insumos e a fumigação são fatos geradores de créditos. Primeiramente, o argumento de que a autoridade administrativa deve requerer diligência quando os documentos apresentados não comprovarem a existência de créditos, não merece lograr êxito, uma vez que este requerimento é uma liberalidade do julgador, devendo ser efetuado quando este entender necessária para sanar dúvidas inerentes aos documentos apresentados, conforme o art. 29 do Decreto nº. 70.235 de 6 de março de 1972, reproduzido abaixo: (...) A principal lide deste processo é a classificação dos itens glosados como insumos, visto que há definição distinta para os insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os utilizados na prestação de serviços, como podemos observar nas Instruções Normativas nº. 358/2003 e nº. 404/2004, as quais alteram a IN nº. 247/2002 (...). No que tange aos gastos com manutenção de máquinas, o argumento da contribuinte deve prevalecer, uma vez que estes insumos não entram em contato com o produto em fabricação, entretanto, existe o desgaste causado por este no maquinário. Quanto ao serviço de extração, este é fato gerador de créditos, uma vez que cumpre os requisitos da regra matriz, mesmo sendo uma etapa préprodutiva, está envolvido diretamente com o produto final, tendo em vista que este insumo fornece a matéria prima que é utilizada no processo, portanto, a extração é um insumo da cadeia produtiva, pois, o material extraído sofre alterações físicas e químicas. O argumento de que as despesas com frete na aquisição de insumos geram créditos de PIS merece melhor análise, tendo em vista que o direito do crédito decorre da utilização do insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. (...) os serviços de locomoção de bens entre departamentos da empresa, que façam com que a madeira vá em direção à utilização que lhe seja própria, são serviços que geram créditos de PIS. Quanto às despesas com o processo de fumigação, podemos afirmar que estas também geram os créditos pleiteados, uma vez que este processo também constitui um insumo. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 766 6 Novamente trabalhando com o conceito de insumo devemos nos recordar que a expressão insumo e despesas de produção incorridos e pagos, claramente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações vigentes de IPI designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens, imprescindíveis à existência, aprimoramento, funcionamento, ou à manutenção do produto. Assim não há duvidas que, por constituir insumos necessários e imprescindíveis ao seu processo de manutenção dos produtos destinados a venda, a recorrente faz jus aos créditos referentes ao processo de fumigação. Frente a todo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que se averigúe o montante referente ao frete dos insumos utilizado no processo produtivo, os valores gastos com a extração da madeira, bem como os valores gastos com a manutenção das maquinas e a fumigação, cientificandose a contribuinte, do resultado para, caso queira manifestarse no prazo de 30 dias. 4. Em 07/11/2013, foi proferido o despacho eletrônico de encaminhamento noticiando ter a contribuinte ingressado com ação pelo rito ordinário: 5. Em 08/11/2013, foi proferido o Memorando 007/2013/DRF/BLU/Saort com o seguinte conteúdo: Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 767 7 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo, mas não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele não tomo conhecimento, como se passa a expor. 7. A contribuinte ajuizou ação ordinária (Processo nº 5003584 76.2013.404.7213), em trâmite na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio Grande do Sul, com identidade de objeto com as questões versadas no presente processo administrativo, como se denota da leitura da petição inicial e decisões trazidas a conhecimento deste colegiado pela unidade, conforme os trechos abaixo transcritos: Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 768 8 8. Ocorre que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial que, no caso em apreço, inexiste, racional que deflui da Súmula CARF nº 01. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por não conhecer o recurso voluntário interposto em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13971.720018/200851 Acórdão n.º 3401005.406 S3C4T1 Fl. 769 9 Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688665/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2001
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 86 65 /2 00 9- 73 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.688665/200973 Acórdão n.º 3302005.933 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1631.126. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.688665/200973 Acórdão n.º 3302005.933 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.688665/200973 Acórdão n.º 3302005.933 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720041/2017-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência de multa de cessão de nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários, no percentual de 10% (dez por cento) do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei n.º 11.488/2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 17 62 .7 20 04 1/ 20 17 -7 7 Fl. 21510DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.511 2 Segundo a fiscalização, foram realizadas importações por encomenda pela empresa ST IMPORTAÇÕES LTDA, CNPJ: 02.867.220/000142 (ST Importações, importadora ostenciva) sem a identificação, nas Declarações de Importação, do correto encomendante. Nas DIs, foi identificada a empresa DESTRO BRASIL DISTRIBUIÇÃO LTDA. – CNPJ: 13.495.487/000172 (DESTRO BRASIL), tão somente para acobertar a relação existente entre a importadora ostenciva e as empresas B2W COMPANHIA DIGITAL (B2W) e as LOJAS AMERICANAS S.A. (Lojas Americanas), que seriam as reais encomendantes das mercadorias. No entender da fiscalização, as empresas Lojas Americanas e B2W eram as reais adquirentes das mercadorias importadas por meio de importação por encomenda pela ST Importação, sendo que teria partido delas o planejamento de interpor uma terceira empresa (DESTRO BRASIL) como aparente encomendante das mercadorias com a finalidade exclusiva de ocultar sua participação nas operações de importação. Com isso, estaria caracterizado o ilícito de cessão de nome, pela DESTRO BRASIL, na forma do art. 33, da Lei n.º 11.488/2007. A autuação abrange as mercadorias destinadas à empresa B2W (admitida como real encomendante oculto) constantes de Declarações de Importação (DI) registradas pela ST Importações no período de agosto de 2012 a dezembro de 2013, nas quais a Destro Brasil é declarada como encomendante da importação. Tratase de segunda etapa de um trabalho de auditoria, que, além do presente processo de multa de cessão de nome, originou o processo n.º 10074.720243/201712, posto em julgamento nessa sessão, correspondente à aplicação da pena de perdimento à empresa B2W, com as empresas ST Importações e Destro Brasil como responsáveis solidárias. O relatório fiscal do Auto de Infração encontrase acostado às efls. 389/463, sendo que as 7 (sete) razões que respaldam a ação fiscal foram assim sintetizadas pela fiscalização: "1) A importadora direta (ST Importações) é controlada pelas Lojas Americanas e pela B2W, únicas sócias daquela empresa, e 100% dos administradores da ST Importações são comuns ao quadro de dirigentes de Lojas Americanas e B2W ou de empresas controladas por elas. 2) Considerando os anos de 2012 e 2013, 99,71% do total de vendas da ST Importações foi destinado à empresa Destro Brasil, e todas as aquisições se deram a título de importação por encomenda desta. 3) A única fornecedora de mercadorias importadas às empresas LOJAS AMERICANAS e B2W, no período de agosto de 2012 a dezembro de 2013, foi Destro Brasil. Tanto LOJAS AMERICANAS quanto B2W encontramse com sua habilitação para operar no comércio exterior SUSPENSA. 4) Absolutamente todas as mercadorias enviadas por ST Importações à Comercial Destro e à Destro Brasil, entre junho de 2011 e julho de 2012, foram repassadas às LOJAS AMERICANAS ou à B2W1. Entre agosto de 2012 e dezembro de 2013, de um total de R$ 349.557.462,38 de valor aduaneiro de mercadorias importadas por ST Importações, tendo Destro Brasil como encomendante declarada, somente o equivalente a R$ 64.735,20 (valor aduaneiro) não foi repassado às LOJAS AMERICANAS ou à B2W, ou seja, apenas 0,018%2. 1 Ver documentos 7.1, 7.2, 8.1 e 8.2 no índice 2 Ver documentos 8.3 e 8.4 no índice Fl. 21511DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.512 3 5) Entre agosto e dezembro de 2012, das 948 declarações de importação registradas por ST Importações, somente 3 não tiveram a empresa Destro Brasil como encomendante declarada. No ano de 2013, das 1700 declarações de importação registradas por ST Importações, apenas 9 não tiveram a empresa Destro Brasil como encomendante declarada. Logo, no período fiscalizado, somente 0,45% das DI registradas por ST Importações não tiveram Destro Brasil como encomendante declarada. 6) Em pesquisa por amostragem em Declarações de Importação registradas por ST Importações e em NFe de Entrada e de Saída emitidas por ST Importações e Destro Brasil, foram observadas algumas características típicas de operações comerciais onde ocorre a interposição de terceiros. Vejamos: 6.1 Dos prazos: O intervalo de tempo a separar a data do desembaraço da Declaração de Importação da data de emissão da NFe de Entrada das respectivas mercadorias nacionalizadas na ST Importações oscila entre 1 e 10 (dez) dias. O intervalo de tempo médio a separar a data de emissão da NFe de Entrada das mercadorias nacionalizadas na ST Importações da data de emissão da NFe de Saída das mesmas para Destro Brasil é inferior a 3 (três) dias. O intervalo de tempo médio a separar a data de emissão da NFe de Saída das mercadorias nacionalizadas da ST Importações (que representa a data de entrada das mesmas na Destro Brasil) da data de emissão da NFe de Saída dessas mesmas mercadorias da Destro Brasil para B2W ou Lojas Americanas é em torno de 10 (dez) dias. As observações acima indicam uma destinação prévia da mercadoria já antes mesmo de sua entrada na ST Importações Ltda. 6.2 Da composição qualitativa e quantitativa das NFe emitidas: a) Em regra, há a emissão de somente uma NFe de Entrada pela ST Importações para toda a mercadoria desembaraçada por uma única Declaração de Importação. b) Já as NFe de Saída emitidas pela ST Importações para Destro Brasil não espelham as respectivas NFe de Entrada. Para a mercadoria nacionalizada por uma única Declaração de Importação, são emitidas várias NFe de Saídas. Considerase estranha a ação, pois todas as NFe de Saída apresentam o mesmo participante Destro Brasil. c) As NFe de Saída emitidas pela Destro Brasil, indicam novos fracionamentos da mercadoria já previamente fracionada por ST Importações antes de seu repasse, quer seja para B2W, quer seja para Lojas Americanas. d) As múltiplas NFe de Saída emitidas pela Destro Brasil destinamse, via de regra, a filiais distintas de um mesmo participante, quer seja para filiais da B2W ou para filiais da LOJAS AMERICANAS. e) Observase uma perfeita segregação de origem da mercadoria nacionalizada. Toda a mercadoria nacionalizada por uma Declaração de Importação é, ao final do processo, destinada a um único real adquirente. Mesmo com o fracionamento das mercadorias nacionalizadas por uma única Declaração de Importação em várias NF e de Saída distintas, não se observou destinação de parte das mercadorias nacionalizadas em uma mesma Declaração de Importação a reais adquirentes distintos; somente a filiais distintas de um mesmo real adquirente. As observações acima indicam a destinação prévia das mercadorias aos reais adquirentes antes mesmos do registro das Declarações de Importação; pois toda a mercadoria nacionalizada por uma Declaração de Importação é destinada a um único real adquirente. Indicam também o papel desempenhado por Destro Brasil na logística operacional do esquema, funcionando a mesma como um centro de fracionamento e distribuição das mercadorias. As observações das alíneas “d” e “e”, notadamente o restrito rol de clientes (somente 2), bem como a destinação total de uma Declaração de Importação para filiais de Fl. 21512DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.513 4 somente um cliente final indicam não haver em Destro Brasil uma etapa comercial de busca de clientes e venda, mas sim uma prédeterminação do destino final da mercadoria. 6.3 Do perfil das importações: ST Importações opera quase que exclusivamente para o esquema ora em análise. Entre 2012 e 2015, apenas 1,09% das Declarações de Importação registradas pela ST Importações, correspondente a 1,29% dos valores CIF movimentados, não foram destinadas às empresas do Grupo Destro e, posteriormente, às empresas do Grupo LASA. Ademais, a grande variedade de produtos nacionalizados (diversas NCM declaradas) demonstra ser improvável que as adquirentes das mercadorias (Comercial Destro e Destro Brasil) atuasse no mercado internacional num modelo de coleta de produtos e preços para posterior oferta dessas mercadorias à possíveis clientes no mercado interno. Tal diversidade de produtos comercializados coadunase com empresas que atuam no mercado num modelo de aquisição de produtos específicos previamente encomendados por clientes prédeterminados. 6.4 Dos lacres: Informação a corroborar a prévia destinação da mercadoria importada, antes mesmo da saída da mesma de ST Importações, é obtida da observação dos dados de transporte da mercadoria em território nacional constantes das NFe emitidas. Em várias NFe da amostra, verificouse que o número do lacre aposto à mercadorias constantes da NFe de Saída das mercadorias da ST Importações era o mesmo número do lacre aposto às mercadorias constantes das NFe de Saída de Destro Brasil com destino às empresas B2W e LOJAS AMERICANAS. Além de não haver alteração da embalagem utilizada no transporte da mercadoria pela manutenção dos lacres apostos em todas as etapas de transporte – nestas amostras, sequer ocorreu alteração do veículo de transporte utilizado – pois idênticas eram as placas dos veículos em cada uma das etapas do transporte. Logo, resta claro haver o envio direto da mercadoria de ST Importações às diversas filiais de LOJAS AMERICANAS e B2W; observandose a segregação da carga em NFe distintas já a partir de ST Importações, em função da filial que seria a destinatária final da mercadoria. 6.5 – Das Marcas: Análise da propriedade das marcas dos produtos importados pela ST Importações também denota que essas operações comerciais transcorriam sob determinação das empresas Lojas Americanas e B2W. Em consulta ao site do Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI ficou demonstrado que muitos produtos importados pela ST Importações possuem marcas cuja propriedade recai sobre Lojas Americanas ou B2W. Portanto, as empresas Comercial Destro e Destro Brasil não seriam as reais adquirentes dessas mercadorias, já que não poderiam comercializálas livremente em território nacional sem o consentimento dos detentores do direito, havendo aí notória predestinação desses produtos aos pontos de venda das empresas LOJAS AMERICANAS e B2W, os reais adquirentes. 7) Por fim, este esquema de importação através de empresas interpostas mostrase bastante lucrativo para Lojas Americanas e B2W, pois permite a elas fugir do IPI de saída das mercadorias e da observância ao valor tributável mínimo na apuração da base de cálculo deste imposto. Se Lojas Americanas ou B2W realizassem importações diretas, estariam sujeitas ao destaque do IPI quando da revenda das mercadorias importadas, pois ambas estariam equiparadas a estabelecimento industrial. Caso elas importassem por encomenda direta à ST Importações (equiparada a estabelecimento industrial), esta estaria sujeita, em suas saídas de mercadorias para Lojas Americanas e B2W, ao valor tributável mínimo, nos termos do inciso I, do Fl. 21513DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.514 5 artigo 195 do RIPI, em razão da interdependência entre as empresas (artigo 612 do RIPI). Essa simulação de compra de mercadorias através de empresas interpostas, visa gerar, de forma ilícita, imensa economia de impostos para o grupo econômico (Lojas Americanas, B2W e ST Importações) através da ocultação da verdadeira relação entre a importadora direta e a empresa varejista." (efls. 391/395 grifei) O esquema foi assim sintetizado pela fiscalização (efl. 408) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão 0740.931 da 2ª Turma da DRJ/FNS, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 MULTA POR CESSÃO DE NOME. CABIMENTO AO ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. Cabe a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 à pessoa jurídica que cede seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação. O encomendante declarado, quando comprovado seu conhecimento de quem seria o real beneficiário, responde pela multa de cessão de nome por acobertar o real interessado na declaração de importação ou exportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 21.305) Intimada desta decisão em 27/11/2017 (efl. 21.386), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 18/12/2017 (efls. 21.387/21.466), alegando em síntese: (i) alegações preliminares quanto à nulidade da autuação: Fl. 21514DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.515 6 (i.1) diante dos prazos exíguos estabelecidos pela fiscalização para atendimento às notificações a ela endereçadas na fase de fiscalização, implicando em cerceamento do direito de defesa. (i.2) a incompetência das autoridades autuantes localizadas na Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, vez que o domicílio fiscal da empresa é na Cidade de Jundiaí, em São Paulo; (i.3) a ausência de motivação, sendo que a autuação teria se baseado unicamente em presunções, sem obediência ao princípio da verdade material, desconsiderando elementos fáticos constatados, sem produzir provas necessárias a respaldar a conclusão fiscal e com a indevida desconsideração do negócio jurídico, sendo inaplicável o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Houve a preclusão lógica por ausência de motivação do ato, pois a autoridade fiscal permitiu o desembaraço aduaneiro e depois anulouo sem motivação adequada; (ii) no mérito, a ausência da interposição fraudulenta no presente caso, enfrentando as razões trazidas pela fiscalização, sustentando que: (ii.1) As empresas dos grupos econômicos são entidades empresariais distintas, sendo que a DESTRO BRASIL não se confunde com a empresa COMERCIAL DESTRO. As empresas possuem autonomia estrutural e independência sendo que as mercadorias importadas pela ST Importações são repassadas à DESTRO BRASIL, as quais direcionam as mercadorias aos seus centros de distribuição, onde são armazenadas e revendidas; (ii.2) a capacidade operacional, econômica e financeira da DESTRO BRASIL e o propósito negocial na sua contratação para a revenda das mercadorias à B2W e Lojas Americanas. O não fracionamento das mercadorias revendidas é necessário em razão da necessidade de rapidez na aquisição das mercadorias por parte da B2W. Nem todas as mercadorias importadas pela ST Importações adquiridas pela DESTRO BRASIL foram remetidas para a B2W e as Lojas Americanas, somente o fato ocorreu parcialmente nos anoscalendário de 2011/2012; (ii.3) inexiste a identidade no lacre apontada pela fiscalização, pois houve a efetiva alteração dos mesmos na ocasião do transporte entre a empresa DESTRO BRASIL para as empresas compradoras; (ii.4) a existência de margem real de lucro antes dos impostos, razoável pelo volume vendido nas operações; (ii.5) a ausência de provas, por parte do Fisco, da quebra da cadeia do IPI, sendo que muitos produtos sequer ensejavam o recolhimento do IPI não podendo haver a mencionada quebra da cadeia do imposto. A Fiscalização não comprovou o dano efetivo ao erário com o suposto recolhimento a menor do IPI; (iii) subsidiariamente, a cobrança da multa é confiscatória; e Fl. 21515DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.516 7 (iv) exclusão dos juros de mora sobre a multa, pois esta incide somente sobre tributo. Em abril/2018, a Fazenda Nacional solicitou o julgamento conjunto dos processos que versam sobre a mesma matéria (efls. 21.501/21.502), sendo os processos que estavam no âmbito deste CARF a mim distribuídos para julgamento conjunto, na forma do despacho da efls. 21.505/21.507. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Como desenvolvido no voto apresentado no processo n.º 10074.720243/2017 12, entendo que é necessária a complementação de informações tanto pelas empresas envolvidas na acusação fiscal (ST Importações, B2W e Destro Brasil), como pela fiscalização. O relatório fiscal daquele processo serviu de base para o presente processo de cessão de nome, lavrado especificamente em face da empresa Destro Brasil. A conclusão da resolução foi no seguinte sentido: "Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/723, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJO): (i) intime as Recorrentes para que tragam os esclarecimentos entendidos como pertinentes dentro da sua atuação na operação sob análise nesses autos, anexando aos autos e trazendo os seguintes esclarecimentos: (i.1) cópias por amostragem dos pedidos de compra da importação (Purchase Orders POs) que foram identificados pela fiscalização na autuação, trazendo as informações em torno da transmissão desses pedidos (quem solicita e como são solicitados). As empresas devem informar a razão comercial/negocial pela qual os números dos POs são identificados nas notas fiscais. (i.2) cópias dos contratos de encomenda firmados pela ST Importação com as empresas Comercial Destro Ltda e Destro Brasil Distribuição Ltda e informações em torno dos procedimentos adotados para que a DESTRO procedesse com os pedidos de compra para a ST Importações. Responder, com respaldo em documentação por amostragem a ser anexada aos autos: como são formalizados os pedidos de importação das empresas do Grupo DESTRO para a ST Importações? Esses pedidos possuem algum vínculo com pedidos de compra formulados por outras empresas que tomam serviços das empresas do Grupo DESTRO? (i.3) cópias dos contratos firmados entre as empresas do Grupo DESTRO com as empresas do Grupo LASA vigentes à época dos fatos objeto do processo, com informações em torno dos procedimentos adotados para que as empresas do Grupo LASA procedessem com os pedidos de compra para as empresas do Grupo DESTRO. Responder, com respaldo em documentação por amostragem a ser anexada aos autos: 3 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 21516DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.517 8 quais os procedimentos adotados para a remessa de mercadorias das empresas do Grupo DESTRO para as empresas do Grupo LASA? Como são formulados os pedidos de compra das empresas do Grupo LASA para a DESTRO? Cada filial realiza o pedido ou o pedido para compra das mercadorias é direcionado pela matriz? Um pedido de compra formulado por uma empresa do Grupo LASA para uma empresa do Grupo DESTRO pode originar um pedido de importação do Grupo DESTRO para a ST Importações? (i.4) Em torno das licenças de marca: (i.4.1) especificamente quanto à marca "Fun Kitchen", cuja propriedade da marca foi atribuída à B2W, conforme exemplo trazido pela fiscalização: quais as restrições estabelecidas pela concessão da marca para o produto? Apenas as empresas da B2W podem comercializar produtos dessa marca? (i.4.2) Há produtos importados pela ST Importação e comercializados para a DESTRO com restrição de comercialização por uso da marca destinado a empresa do Grupo LASA? Caso positivo, como a DESTRO segrega em seu estoque os produtos abrangidos pela restrição de comercialização? Todas as mercadorias importadas poderiam ser remetidas para outras empresas? Em outras palavras, a formação de estoque pela DESTRO com as mercadorias importadas pela ST Importações poderia ser comercializada pela DESTRO ou apenas pelas empresas do Grupo LASA? Há exigências/restrições estabelecidas pelo INPI para as mercadorias importadas pela ST Importações? (i.5) Esclarecer, trazendo documentação por amostragem, se nos anos autuados a ST Importações prestava serviço para outras empresas além do Grupo DESTRO, identificando a natureza desses serviços. (ii) elaborar relatório fiscal enfrentando os documentos e informações apresentados pelas empresas em resposta ao item (i) acima com eventuais considerações adicionais consideradas pertinentes quanto ao trabalho fiscal, informando, ainda: (ii.1) o percentual das operações, em relação ao total levantado nessa ação fiscal, que não ocorreram a troca de lacres e de veículos, quantificando quantas seriam as "várias NFe" que não teriam a alteração do número de lacre (efls. 21.410). (ii.2) quanto ao objetivo da simulação e a quebra da cadeia de IPI, responder aos seguintes questionamentos: (ii.2.1) os valores nas remessas da ST para a DESTRO são idênticos aos das Declarações de Importação? E das remessas da DESTRO para a B2W e Lojas Americanas? Os valores das mercadorias denotam a existência de margem de lucro nas operações? Caso positivo, qual o percentual? (ii.2.2) Analisando a incidência do IPI no desembaraço aduaneiro, na saída do estabelecimento importador e na saída do estabelecimento da DESTRO, é possível perceber regularidade dos pagamentos do IPI? Constatando a regularidade dos pagamentos, é correto dizer que não há lesão ao erário?" Entretanto, entendo que a diligência deve ser realizada naquele processo, nos quais participam, inclusive na condição de responsáveis solidárias, todas as empresas envolvidas na acusação fiscal (Destro Brasil, ST Importações e B2W) e não apenas a Destro Brasil como ocorre no presente processo. Com isso, possível que todas as informações relacionadas às importações e às vendas no mercado interno possam ser integralmente coletadas. Diante dessas circunstâncias, entendo pela conversão do presente processo em diligência para que a unidade de origem (Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJO) acoste todos os documentos da diligência realizada no processo n.º 10074.720243/201712 (documentos apresentados, relatório fiscal da diligência e eventuais manifestações posteriores). Fl. 21517DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.518 9 Em seguida, direcionar os processos para julgamento conjunto nesta Turma, para inclusão de ambos na mesma pauta de julgamento. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 21518DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.720085/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Diante de erro material e lapso manifesto cabe a interposição de Embargos de Declaração.
Embargos Acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3301-005.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos declaratórios para cancelar o acórdão embargado e realização de um novo sorteio e julgamento. Vencidos os conselheiros Salvador Cândido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que votaram por julgar o mérito sem a necessidade de novo sorteio.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Diante de erro material e lapso manifesto cabe a interposição de Embargos de Declaração. Embargos Acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos declaratórios para cancelar o acórdão embargado e realização de um novo sorteio e julgamento. Vencidos os conselheiros Salvador Cândido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que votaram por julgar o mérito sem a necessidade de novo sorteio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 85 /2 00 9- 19 Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.200 2 Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 1184 a 1186), de 14 de dezembro de 2016, interpostos pelo Contribuinte em relação ao Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração (fls. 1175 a 1178), de 27 de outubro de 2016, e estes por sua vez (fls. 1169 a 1171), de 3 de junho de 2015, interpostos contra o Acórdão nº 3301002.561 (fls. 1154 a 1158), de 25 de fevereiro de 2015. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Recurso Voluntário mediante o qual a Contribuinte insurgese contra o Acórdão 0121.971, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que não julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada, deixando, assim, de reconhecer o direito de apropriação de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei no 9.363/96. Por bem descrever os fatos, transcrevese, resumidamente, o Relatório elaborado pela DRJ: Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI referentes aos trimestres compreendidos no período de apuração acima citado, combinados com declarações de compensação, no valor total de R$ 8.485.438,82. A empresa obteve decisão judicial transitada em julgado garantindo o direito ao reconhecimento dos créditos do imposto relativos aos produtos adquiridos de produtor rural, com habilitação deferida em 07.04.2008. Foi detectado que o produto exportado pela empresa (cera de carnaúba, classificação fiscal 1521.10.00) é nãotributável (NT), fato que impede a apuração do crédito. Afirma a fiscalização haver cientificado a empresa desse fato e intimado a apresentar a especificação dos produtos para verificação de possível erro de classificação (o EX 01 é tributável), recebendo três laudos referentes a três lotes exportados, um de cada tipo de cera. Assim relata a autoridade fiscal na fl. 542: "77. A classificação 15211000 ex 01 trata de ceras vegetais refinadas, branqueadas ou coloridas artificialmente, enquanto que a classificação sem a EX 01 é aplicada as ceras vegetais sem a especificação de refino, branqueamento ou coloração artificial; 12. Nos laudos apresentados alguns produtos estão classificados como refinados e outros não, portanto a nossa dúvida não encontrou solução nos laudos; 13. Além disso, a produção de produtos refinados exige um cuidado rigoroso, e a empresa não logrou êxito em comprovar a esta auditoria que o seu alegado processo industrial teria condições de assegurar a produção de Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.201 3 produtos refinados. Nem ao menos conseguiu especificar o que seria o produto oriundo de sua planta industrial; 14. Quanto aos aspectos de produtos branqueados e coloridos artificialmente, pelo exame das notas fiscais, pela leitura do processo descritivo bem como pelos insumos utilizados percebemos que não há coloração artificial da cera nem venda de cera branqueada;" 3. Em seguida, a fiscalização tratou do controle de estoques da empresa, relatando que a mesma inicialmente apresentou, em substituição ao livro de controle de estoques, fichas que não obedeciam às disposições legais. Intimada, apresentou outro demonstrativo onde não constavam as importações realizadas. Novamente intimada a esclarecer a questão, a CVC alegou que para fins de DCP tais custos não integrariam as aquisições. Assim analisou a autoridade fiscal: "18. Ora, quantos controles de estoques a empresa possui? Somente para esta auditoria foram apresentados dois. Aliado ao fato de que a empresa já utiliza uma forma alternativa de controle de estoques prevista no art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda Dec.4544/02, através de fichas em substituição ao livro de registro de controle da produção e do estoque. 19. Alguns fatos agravam esta situação: embora a empresa tenha afirmado que paralisou as suas atividades industriais em abril de 2006, ao pesquisarmos as exportações da empresa nos deparamos com exportações nos montantes de R$ 440.332, R$ 187.080,00, R$ 52.000,00, R$ 52.230,00 referentes aos anos de 2007 a 2010 respectivamente; 20. Ora temos duas alternativas para esta ocorrência: a pura e simples comercialização, ou seja, compra para exportação, ou a industrialização por encomenda; 21. Na primeira situação o cálculo de credito presumido é impactado pela diminuição da receita de exportação pela exclusão dos produtos adquiridos de terceiros para comercialização e consequente diminuição do crédito presumido calculado; 22. Na segunda situação, industrialização por encomenda, o fluxo dos insumos mereceu atenção especial da legislação, estabelecendo um controle rigoroso e detalhando a forma de emissão dos documentos fiscais com vistas a evitar o desvio destes insumos para outras finalidades e outras empresas; 24. Percebese também, que nenhum dos dois controles de estoques apresentados pela empresa trouxeram informações sobre os produtos acabados; 25. Ainda fizemos constar do segundo termo de constatação que os livros fiscais não apresentam as formalidades legais exigidas. O contribuinte respondeu, resumidamente que: atualmente a autenticação dáse pela transmissão online, tempestiva, das Declarações de Informações Econômicas Fiscais ' DIEF. Apresenta como prova de regularidade extrato de remessa das referidas declarações à SefazCe, obtido no endereco eletrônico da Sefaz Ce. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.202 4 26. A empresa não apresentou nenhum dispositivo legal ou decisão judicial que a dispensasse das formalidades legais em relação aos seus livros fiscais; 27. Portanto mesmo que houvéssemos superado a questão dos produtos não tributáveis não seria possível calcular com segurança o credito presumido pleiteado pela empresa devido à informalidade de seus controles de estoques e escrituração fiscal que não asseguram informações precisas e rastreáveis”. 4. A fiscalização apontou ainda irregularidade referente ao regime de Drawback, constando a empresa como inadimplente relativamente ao ato concessório 20050239341, lembrando que a fruição de benefício fiscal é condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. 5. Na Informação Fiscal de fls. 638/639 e Despacho Decisório de fl. 140, a Unidade atesta uma série de duplicidades em pedidos de ressarcimento feitos, acatando o posicionamento da diligência acima relatada para indeferir o pleito e considerar não homologadas as compensações vinculadas. 6. Cientificada em 31.01.2011 (AR fl. 642) a interessada apresentou, tempestivamente, em 24.02.2011, manifestação de inconformidade (fls. 644/654) na qual, em síntese: a) Esclarece da impossibilidade dos documentos de exportação indicarem qualquer "EX", sendo essa uma notação típica do mercado interno, não podendo os haver divergência nos dados dos demais documentos (notafiscal, fatura, etc); b) Transcreve acórdão administrativo que reconhece o direito ao benefício na exportação de produtos NT; c) Cita decisão judicial no mesmo sentido; d) Quanto ao controle de estoques, argumenta: "70. 0 Sr. Auditor não se deu por satisfeito com o episódio 'EX', exigindo inicialmente a Tabela do IPI aos negócios com exterior, quando se sabe que essa tabela destinase ao mercado interno, sobretudo tendo em vista que os produtos exportados situamse no campo da imunidade quanto ao IPI. Os produtos exportados, controlados no programa Siscomex, guiamse pela NCM/SH, que nada tem a vem com EX. Coisas parecidas, mas impossível exigir a absoluta igualdade. Em suma, quase um ano de trabalho, uma fiscalização iniciada em dezembro de 2009 e somente encerrada em novembro de 2010. A partir dai, lamentável, um evidente clima de má vontade. 11. Exigiu autenticação dos livros fiscais. Isto foi perfeitamente esclarecido, demonstrando que essa autenticação, mediante carimbo de livros, acabou há anos. Os livros são transmitidos via on Une para a SEFAZ, constituindose essa transmissão em superautentição, inclusive com maior segurança de um livro físico, como antigamente, sujeito às traças e destruição do tempo. No processo, por conseguinte, a plena justificação de que os livros fiscais estão Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.203 5 perfeitamente em ordem. E, afinal, a suposta falta, que não houve, não seria motivo para negar o direito ao crédito. 12. Alegou que a movimentação de estoques apresentada para fins do ressarcimento não contemplava a importação de três pequenas partidas de solventes. Justificouse que os produtos exportados simplesmente não compõem a base de cálculo do Crédito Presumido. 13. Finalmente, alega que a empresa teria exportado em 2006 três partidas de produtos depois de encerradas as atividades industriais. Realmente, a empresa encerrou suas atividades de fabricação em 2004 período abrangido pelos créditos habilitados. Nada requereu em 2006, de modo que a exportação em 2006, é matéria estranha a este processo." e) No que diz respeito à inadimplência na operação de drawback, afirma: "Sem qualquer fundamentação para anular o direito ao crédito. Primeiro, porque não compuseram a base de cálculo dos produtos adquiridos; segundo porque algum débito existente foi objeto do REFIS IV, Lei 11.941/2009."; f) Ao final, requer diligência para conferência dos números e dados da empresa e o provimento da manifestação. Em sua decisão a Autoridade a quo negou provimento à Manifestação de Inconformidade, proferindo decisão assim ementada: EMENTA DRJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS "NT". O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.° 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. A Administração Pública está pautada pelo princípio da legalidade, que significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 CONTESTAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4 o do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Acórdão Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.204 6 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, reiterando os argumentos antes expendidos e pugnando pela reforma do Acórdão de Primeiro Grau. A decisão ora embargada, Acórdão 3301002.561, ficou com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2004 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias improrrogáveis, a teor do artigo 33, do Decreto no 70.235/72, combinado com o artigo 78, do Decreto no 7.574/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Tendo em vista a decisão supracitada do CARF, o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração (fls. 1169 a 1171), em 3 de junho de 2015, alegando erro material no referido Acórdão. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de Despacho de Admissibilidade (fls. 1175 a 1178), rejeitou o referido Embargos de Declaração por entender que inexistem as omissões apresentadas. Mais uma vez, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 1184 a 1186), em 14 de dezembro de 2016, em face do Despacho que rejeitou a admissibilidade dos embargos apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte em face ao Acórdão nº 3301002.561 e os embargos apresentados em face ao Despacho de Admissibilidade, que rejeitou os embargos anteriormente apresentados, são tempestivos e atendem os requisitos legais. Assim dispõe Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.205 7 §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Cabe por primeiro a análise dos embargos interpostos em relação ao Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF, de 27 de outubro de 2016, que rejeitou os primeiros embargos apresentados por considerar que não foram caracterizadas as omissões declaradas pelo Contribuinte. O Contribuinte aduz que houve erro material na redação do referido voto, como se verifica no seguinte trecho de seu Embargo (fl. 1184 e 1185): 1. ERRO MATERIAL E CONTRADIÇÃO: a decisão de fls. 1177, em símile: 2. E, continuidade da mesma página, uma série de XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX – abrindose um novo texto, em franca contradição, com argumentos que parece referir outro processo. Deveras, até o despacho acima transcrito, discutiuse o erro material, quando a autoridade preparadora não juntou o envelope e respectivo AR, de modo a comprovar a tempestividade do Recurso. Em suma, os Embargos de Declaração apresentados não referiram outro assunto que não a nãojuntada, pelo Fisco, do envelope e respectivo AR, art. 56 do Decreto 7.574. E, positivo, o acolhimento dessas razões. 3. Pois agora, depois de um XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, um novo erro material de par com uma contradição, quando o despacho sai do tema dos embargos (antes aceitos) e refere: 4. Os embargos antes apresentados não cuidam de omissão, muito menos de argumentos não rebatidos. Tratam, sim, do erro material a ser corrigido, matéria já analisada por V. Exa às três páginas anteriores. 5. Nestas condições, pedese seja corrigido o novo erro material, bem como a contradição entre acolher os embargos e negálos por outro motivo estranho aos autos, remetendo o Recurso Voluntário (manifestamente procedente) ao julgamento. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.206 8 Assiste razão ao Contribuinte, visto que é perceptível no Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração que há uma cisão entre a primeira parte do despacho e a segunda parte do mesmo, separada por “XXX...”. Assim também foi o entendimento do Despacho de Saneamento, de 5 de maio de 2017, que elucida o equívoco cometido desta forma (fl. 1197): Às efls. 1.184/1.186 a contribuinte apresenta petição onde alega erro material no despacho de exame de admissibilidade dos embargos de declaração, de 27/10/2016, constante às efls. 1.175/1.178. Com razão a contribuinte. Verificase naquele despacho que, de fato, finda a análise da admissibilidade dos embargos opostos pelo sujeito passivo, constou, após vários “xxx” demarcados, texto que não diz respeito a este processo, analisando matéria absolutamente diversa. Tratouse de erro decorrente de lapso manifesto, devendo toda a parte que segue aos referidos “xxx”, estes inclusive, ser desconsiderada do texto daquele despacho. Assim, o despacho que trata da admissibilidade dos embargos de declaração termina na parte em que os referidos embargos são ACOLHIDOS, pelos fundamentos até ali expostos, determinandose a distribuição dos autos para julgamento. Feitos os esclarecimentos necessários e sanado o vício apresentado naquele despacho, promovase nova distribuição dos autos, para julgamento dos embargos de declaração opostos pela contribuinte. Portanto, sanado o equívoco ocorrido na segunda parte do Despacho de Admissibilidade de Embargos, enfrentase, por segundo, os embargos do Contribuinte em que aponta que ocorreu erro material referente a data do protocolo do Recurso Voluntário, que foi considerado intempestivo pela Turma julgadora. Assim expressou o Contribuinte em seus embargos (fls. 1169/1170): 1. O acórdão menciona que o recurso da embargante fora protocolado fora de prazo, consoante carimbo aposto à fl. 1.116. Há erro material, a ser aclarado e retificado por estes embargos, é o que se demonstra. De fato, o Recurso foi entregue pela via postal, artigo 56 e seu § 5o, do Decreto no 7.574/2011, verbis: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) §5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. 2. processual, fazse juntada em símile do AR, com data de 28.02.2012 — dentro do prazo! — que, lamentável, o funcionário fiscal não juntou aos autos; em vez juntálo, colocou o carimbo em 02.03.2012, após o decurso dos trinta dias, um erro material, portanto: (...) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.207 9 3. A seguir, o facsimilar do anverso do AR, com a indicação expressa do conteúdo, Proc 10380.720085/200919, este aqui. (...) 4. Em vista do erro material, materialmente aqui comprovado, pedese que essa egrégia Turma, reforme a decisão de “intempestivo” aplicada ao Recurso, subtendo o à análise e julgamento. Pedese também a urgência possível, posto que se trata de um processo de 2009. No exame de admissibilidade dos embargos o il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas assim expressou (fls. 1176): A decisão foi proferida ao entendimento de que o recurso voluntário era intempestivo, posto ter sido oferecido em 02/03/2012, conforme data de protocolização aposta na peça recursal. Entretanto, conforme comprovam as imagens do AR juntadas pela embargante, o recurso foi remetido por via postal em 28/02/2012, dentro do prazo legal. Caracterizouse, assim, que a decisão incorreu em erro sobre o fato, considerando existente um fato que efetivamente não ocorreu (o oferecimento intempestivo do recurso voluntário), razão pela qual devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos. Com isso posto, voto pela admissibilidade dos embargos de declaração com efeitos infringentes para anular a decisão proferida no Acórdão nº 3301002.561, visto o erro material acerca da tempestividade, e sorteio e redistribuição do processo para novo julgamento pelo CARF. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720941/2013-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 9202-007.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes , Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 09 41 /2 01 3- 32 Fl. 196DF CARF MF 2 Barbosa, Ana Paula Fernandes , Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração de lançamento Suplementar de Imposto Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2009, decorrente de procedimento de malha fiscal em Declaração do ITR, correspondente ao imóvel denominado Fazenda Brasil Verde, com área de 13.647,7 ha (NIRF 8.211.7667), localizado no município de Correntina/BA, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 12.254.658,70, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2009 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 05103/00012/2013 de fls. 03/07, recepcionado em 19.03.2013, às fls. 19, para que fosse apresentado o seguinte documento de prova: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2008, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: • Outras R$ 2.143,00. Por não ter sido apresentado o documento de prova exigido e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2009, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$950,00 (R$0,07/ha) para o arbitrado de R$29.247.021,10 (R$2.143,00/ha), com base em valor constante do SIPT, com consequente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$5.849.214,22, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 04/05 e 07. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 09/02/2017, negouse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2301004.942 (fls. ), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 3 3 voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora”. O Acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os princípios do direito à ampla defesa e ao contraditório são instrumentos próprios do processo administrativo. Tendo o contribuinte efetuado sua defesa de forma plena, não há que se falar em cerceamento do seu direito. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA IMPRESTÁVEL PARA ATIVIDADE RURAL. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de interesse ecológico é necessário a entrega da ADA tempestivamente junto ao IBAMA e a apresentação de ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconheça como de interesse ecológico. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. O arbitramento do VTN, com base no SIPT é válido quando da observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 03/03/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional tomou ciência no mesmo dia, e não interpôs Recurso Especial. O contribuinte foi, então, cientificado do acórdão em 12/07/2017 e interpôs, tempestivamente, em 27/07/2017, o presente Recurso Especial (fls ). Em seu recurso visa, preliminarmente, a anulação do lançamento de ofício e abertura de novo prazo para apuração da realidade fática do imóvel. Se não acolhido tal pedido, visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: reconhecimento do valor da terra nua – VTN em R$ 150,00 por hectare; reconhecimento de erro na fixação da base de cálculo do tributo, por ter sido demonstrado que a área utilizável do imóvel atinge apenas 2.947,90 hectares; correção da alíquota aplicável ao caso para 0,3%; e consequentemente, que seja estipulado o valor do ITR do imóvel em R$ 1.326,55, de acordo com base de cálculo de 2.947,90 hectares, com VTN de R$ 150,00 e alíquota de 0,3%. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 02/10/2017 (fls. ). Fl. 198DF CARF MF 4 Em seu Recurso Especial, a Recorrente alega o seguinte: § que na Notificação de Lançamento foi arbitrado um VTN – valor da terra nua – com base nas informações constantes no Sistema de Preço de Terras – SIPT – da Receita Federal, sendo efetuado o lançamento de ofício com as informações de que se dispõe na RFB, mas que não condiz com a realidade, e encontrase absurdamente inflacionado, uma vez que é de conhecimento público e notório que a área tributada possui valorização muito aquém da indicada pela Receita, e que foi apresentada, como prova, certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Correntina que o valor do hectare do imóvel equivale a R$ 309,00, valor esse que ainda há de ser modificado em virtude de diversos fatores externos. § que foi juntado à impugnação Laudo Técnico de avaliação de imóvel elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. – BDA – vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, assinado por engenheiro agrônomo registrado no CREA sob o nº 9686/D, demonstrando a real situação da terra tributada por um valor de R$ 150,00 por hectare. § que o Laudo Técnico foi elaborado justamente para demonstrar a real aptidão das terras declaradas, que possuem várias entraves que são um óbice à sua inclusão na base de cálculo tributável, e que são vários os fatores que praticamente inutilizam ou inviabilizam qualquer atividade produtiva nas terras em questão, devendo, portanto, ser revista a base de cálculo para apuração do ITR. § que a área correta a ser tributada seriam de exatos 2.688,59 hectares, isso por ser a única parcela de terra aproveitável para atividades rurais, mesmo porque tratase da área próxima ao rio; e que tal particularidade encontra respaldo na própria lei (Decreto nº 4.382/2002, art. 10 verbis), que exclui da base de cálculo áreas improdutivas: § Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1966, art. 10, §1, inciso II): (...) § VI – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1966, art. 10, §1, inciso II, alínea “c”) § que a área que desejase excluir da base de cálculo é comprovadamente inútil à atividade rural, sendo que sua classificação de “capacidade de uso”, em escala que vai de I a VIII, lhe foi tecnicamente atribuída a classificação VIII, não podendo ser pior. § que o Engenheiro Agrônomo responsável pelo laudo técnico é conhecedor da realidade das terras da região e que não foi contratado pela recorrente, e sim é técnico de empresa vinculada à Secretaria de Agricultura do Estado, e que portanto, há total imparcialidade na apresentação das informações, o que atribui maior solidez e veracidade aos dados apresentados. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 4 5 § que, diferentemente do fundamento no acórdão recorrido e rechaçado pelo acórdão paradigma, o laudo técnico possui, sim, todas as características necessárias para fim de demonstração da aptidão das terras declaradas pelo recorrente § que diante das conclusões acima, o recorrente utiliza 100% da área considerada própria para uso, ou seja, dentro do grau de utilização de 21,6% (que corresponde a 2.947,90 hectares da área) ela está sendo integralmente utilizada; o que implica dizer que deve haver aplicação de alíquota em patamares legais, diversa da aplicada na notificação de lançamento, que deveria ser de 0,3%. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 18/10/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 02/11/2017, portanto, tempestivamente. Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional, inicialmente, transcreve o art. 3º, caput e parágrafo 1º, da Lei 8.847/94: “Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas”. Ressalta que o Valor da Terra Nua, entretanto, não pode ser superior ao VTN mínimo, como demonstra o parágrafo segundo do artigo supramencionado, in verbis: “§ 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município”. Alega que a IN nº 16/1995 da SRF estabeleceu o VTNm (VTN mínimo) para cada município brasileiro, e que a Lei 8.847/94, entretanto, prevê a hipótese de fixação do VTN abaixo do VTNm nos seguintes termos: “§ 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte”. Fl. 200DF CARF MF 6 Argumenta que a norma legal prevê que o laudo de avaliação deve estar acompanhado da respectiva anotação de responsabilidade técnica junto ao CREA da região e subordinado às normas prescritas na NBR 14.6533, com a demonstração de forma inequívoca, do valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR, assim como da existência de características particulares desfavoráveis, diferentes das características gerais da região. Afirma que tais quesitos se mostram imprescindíveis para que a fixação do VTNm se dê de forma justa e o mais precisa possível e que não há dúvidas de que o legislador os entende necessários para que a Autoridade Administrativa possa, fundamentada e licitamente, proceder à alteração do VTNm relativo ao imóvel. Diz que não é possível admitir a definição do VTN sendo que o laudo apresentado pelo contribuinte sequer cumpriu as normas técnicas – ABNT (NBR 14.6533), e que o mesmo não apresentou os elementos de prova que pudessem desconstituir licitamente a presunção de veracidade e legitimidade da notificação de lançamento, realizada com base em dados informados pelo próprio contribuinte, e isso porque não se desincumbiu de seu dever de apresentação de laudo de avaliação condizente com as normas técnicas e formais exigidas. Lembra, por fim, que é entendimento sumulado pelo CARF (súmula CARF nº 23), a necessidade de o laudo técnico apresentado cumprir as normas da ABNT, bem como se reportar ao mesmo exercício do fato gerador tributário do ITR: “Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.” Acrescenta que a necessidade de cumprimento de súmulas do CARF por parte dos julgadores está disciplinada no artigo 72, caput, da Portaria MF nº 256/2009, cuja transcrição segue abaixo: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Por fim, requer que seja negado provimento ao recurso para manter decisão a quo e a integridade da autuação. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Recurso Especial do Contribuinte Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 186. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Conhecimento De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese arbitramento do VTN com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR de outros contribuintes. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento passo a apreciar a questão. Aduz a PGFN o não conhecimento do recurso face o não cumprimento dos requisitos de indicação da legislação, senão vejamos suas alegações: · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional, preliminarmente, alega que o Recurso Especial não preencheu o requisito previsto no art. 67, §1º do RICARF, verbis: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016). " · Argumenta que, pela análise do Recurso interposto em 05/09/2017, não se verifica a indicação dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento. Ao contrário do que entendeu a procuradoria, entendo que o contribuinte apontou qual o ponto de discordância entre o acórdão recorrido e o paradigma no que diz respeito a interpretação da legislação, na medida que apresentou acórdão de seu próprio interesse em que o colegiado paradigmático, apreciando a mesma questão, acabou por dar provimento parcial determinando a alteração do valor do VTN. No caso, tanto no recorrido, quanto no paradigma, o campo de fundo é o valor atribuído pela fiscalização ao VTN. Dessa forma, quanto a exigência esboçada no art. 67, §1º. entendo que esta restou cumprida. DO MÉRITO C.1 DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO (ACÓRDÃO PARADIGMA) Fl. 202DF CARF MF 8 12. Conforme dito, em recurso de idêntica matéria, o recorrente foi parcialmente vitorioso, reconhecendose que, de fato, o preço arbitrado pela fiscalização não traduzia o real valor da propriedade, isso dando validade às rovas carreadas nos autos que corrigem adequadamente os valores praticados na região de localização do imóvel. Com isso, surgiu o acórdão paradigma nº 2101002.720 Processo nº 10540.720942/201387, este ementado nos seguintes termos: (...) Do mérito Conforme já apontado, de forma objetiva, a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese no Valor de Terra Nua a ser utilizado para fins de cálculo do ITR devido, tendo em vista que a Lei nº 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal, bem como a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentou o Sistema de Preços de Terras, em seus artigos 1º ao 4º. Com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, é de se aceitar o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, expressis verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)(g.n.) III – dimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 6 9 IV – área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto, porém, que no caso em questão, a partir do disposto na descrição dos fatos e enquadramento legal, foi utilizado, para fins de arbitramento pela autoridade fiscal, o VTN por aptidão agrícola para o município do imóvel rural, não havendo qualquer inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado. Importante salientar, que consta dos autos alegação de existência de laudo técnico apresentado pelo contribuinte, senão vejamos suas alegações: D. Laudo técnico de avaliação 15. Fatores externos sempre são relevantes para determinarse o valor de um bem, seja ele móvel ou imóvel. Assim, por exemplo, se o carro possui avarias ou se alguma de suas funções está desabilitada, por óbvio, o valor econômico daquele bem ^ ) será menor do que de um bem da mesma espécie mas que esteja em prefeitas condições. 16. E o que ocorre com o caso em tela. O valor venal do imóvel estipulado pela prefeitura é de R$ 309,00/hectare, contudo, seu valor comercial oscilará de acordo com a topografia, pluviometría e outros fatores. 17. Relacionada a gleba rural em referência, o impugnante com o fito de atribuir solidez aos seus argumentos, j u n t a à presente impugnação, laudo técnico de avaliação de imóvel elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A — BDA vinculada a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma agrária do Estado da Bahia (Doe. 05 anexo), assinado por engenheiro agrônomo registrado no CREA sob o n 9 9686/D, demonstrando a real situação da terra tributada. Toda a integra do laudo está acessível no (Doe. 05 anexo), contudo, imperioso destacar a coclusão do referido laudo, in verbis: "Diante do exposto reportamos que estas terras situadas nestas Fl. 204DF CARF MF 10 que a utilização presta somente para utilização temporária do gado no início da estação chuvosa e no final da seca como refúgio de fundo de pasto com densidade de 0,l(ua) unidade animal por hectares tornando inviável para qualquer investidor. Mesmo assim A, ^atribuímos um valor de mercado de R$ 150,00por hectare." 19 Ora, é notório e tecnicamente comprovado que a área é inviável pára qualquer investidor, o que quer dizer que seu valor comercial está muito abaixo de seu valor venal e, digase de passagem, infinitamente abaixo do valor por hectare arbitrado pela Receita. 20. Ante as evidências de índoles técnica e fática, imperioso que a Administração se atenha ao correto valor da terra, sob pena de ilegal oneração ao contribuinte/impugnante. Contudo, embora tenha sido alegada a existência de laudo, o mesmo foi descaracterizado já pelo julgador de primeira instância, por não atender as normas ABNT NBR 146533, o que impede a utilização do mesmo para efeitos de determinar o valor da VTN. Vejamos, o que estabeleceu o julgador de primeira instância: Do Valor da Terra Nua (VTN) Subavaliação Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua (VTN), entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2008, de R$900,00 (R$0,07/ha), sendo arbitrado o valor de R$29.247.021,10 (R$2.143,00/ha), valor este apurado com base no valor apontado no SIPT, para a aptidão agrícola “outras”, informado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), consoante extrato do SIPT, às fls. 08. Fazse necessário verificar, a princípio, que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare, para o exercício de 2008, até prova documental hábil em contrário, está de fato subavaliado, por ser muito inferior ao VTN por hectare listado por aptidão agrícola da terra de R$2.143,00/ha, como se observa no extrato do SIPT, às fls. 08. Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e art. 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR); sendo observado, nessa oportunidade, o valor apontado no SIPT para a aptidão agrícola “outras”, conforme demonstrado às fls. 05 e 08. Em síntese, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito na intimação inicial, cabia à autoridade fiscal arbitrar o VTN, ao constatar a subavaliação do VTN declarado de R$0,07/ha, efetuando de ofício o lançamento do imposto suplementar apurado, acrescido das cominações legais, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 7 11 De fato, reiterese que à fiscalização cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. Portanto, cabe reiterar que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, uma vez que não há dúvidas de que o VTN declarado pelo contribuinte encontrase, de fato, subavaliado, não podendo passar despercebido que o VTN por hectare declarado para o imóvel de R$0,07/ha corresponde a apenas 0,003% do valor constante, por aptidão agrícola, do SIPT (R$2.143,00/ha), informado pelo INCRA, que foi justamente o valor arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT. Nesta fase, o impugnante apresenta Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural, doc. de fls. 46/51, elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A (BDA) vinculada a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, com um valor de R$150,00/ha. Pois bem, no presente caso, não há como restabelecer o VTN declarado ou acatar o valor apresentado no Laudo, como requer o impugnante, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a totalidade das normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando de forma inequívoca o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do ITR/2008 (1º.01.2008), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um valor abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. De fato, a avaliação constante do Laudo não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.6533, principalmente os itens 7.3. – Vistoria, 7.4 – Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.7 – Tratamento de Dados, 7.7.2.2 A qualidade da amostra e 9 – Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco – item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que o profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Ainda, no que concerne aos requisitos da NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau, “a explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado”, e no item 9.2 3.5, que são obrigatórios, nos graus II e III, “a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem”, o que não ocorreu. Portanto, o laudo é por demais sucinto, podendo ser enquadrado como um Parecer Técnico, mas não como Laudo de Avaliação, Fl. 206DF CARF MF 12 classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação e precisão. Ainda, ocorre que a exemplo do VTN/ha originariamente declarado, o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho, de R$150,00/ha, também, se encontra abaixo do VTN relacionado no SIPT, correspondendo a apenas 7% do valor constante, por aptidão agrícola, do SIPT (R$2.143,00/ha), informado pelo INCRA, de forma que o acatamento da pretensão do contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu. Enfim, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma convincente, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. [...] Ressaltese que para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º.01.2008, art. 1º, caput, e art. 8º, § 2º, da Lei nº 9.393/96), o contribuinte foi intimado a apresentar Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrônomo/florestal), com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Para atingir tal grau de fundamentação e precisão, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01.01.2008, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Salientese que, não obstante constar da impugnação que o Laudo de Avaliação foi assinado por Engenheiro Agrônomo registrado no CREA, não constaria, às fls. 49, o nome do profissional responsável por sua elaboração, com a identificação do número do CREA, e nem sua assinatura, pelo menos de forma visível nos autos digitalizado. Quanto à Certidão da Prefeitura, às fls. 42/43, atestando que o valor venal do imóvel seria de R$309,00/ha e a Certidão de fls. 44/45, que traria o valor pago na aquisição do imóvel e o valor arbitrado pela Prefeitura, à época, que são, respectivamente Ncz$204.713,00 e Ncz$409.425,00, tais documentos são apenas Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 8 13 fontes que devem ser analisadas dentro do contexto e juntamente com Laudo de Avaliação e outros documentos. Quanto a legislação aplicável, com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, é de se aceitar o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, expressis verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)(g.n.) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 208DF CARF MF 14 §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto, porém, que no caso em questão, ao contrário do trazido pelo recorrente, foi devidamente utilizado, para fins de arbitramento pela autoridade fiscal, o VTN do município do imóvel rural, em observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado. às fls. 04 dos autos (efls. 07), foi colacionado a tela do Sistema de Consulta ao SIPT, senão vejamos: Conforme verificase, no extrato, o arbitramento realizado pela fiscalização levou em consideração a aptidão agrícola da terra nua, indicada pelo próprio INCRA e, assim, inexistindo laudo viável para comprovação, correto na forma realizada pela autoridade autuante. Aliás, esse foi o entendimento traçado no acórdão da DRJ, bem como no acórdão recorrido, que entendo amoldase perfeitamente ao caso ora analisado, razão pela qual transcrevo o trecho pertinente, adotando como razões de decidir: Portanto o ITR é um imposto sujeito à apuração e pagamento efetuado previamente pelo contribuinte, sem a intervenção prévia da Administração Pública, sujeitandose à posterior homologação. Todavia, a responsabilidade pela exatidão das informações prestadas ao fisco é do sujeito passivo, de modo que, quando solicitado, deverá comprovar através dos documentos hábeis a veracidade dessas informações. No presente caso, o valor da terra nua declarado foi de R$ 900,00, o que equivaleria a um VTN/ha de R$ 0,07, valor esse não comprovado por nenhum documento juntado aos autos. Ao contrário, os documentos apresentados pelo recorrente demonstram a inveracidade da informação prestada. O laudo técnico apresentado (fls. 47/51) atribui um valor de R$ 150,00/ha, Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 9 15 enquanto a certidão expedida pela Prefeitura de Correntina/BA (fl. 43) avalia o hectare a R$ 309,00. Já o valor informado pelo Incra, constante do SIPT (fl. 8), para o município de Correntina, referente ao exercício de 2008, com aptidão agrícola "outras" é de R$ 2.143,00 (verificase que o VTN/DITR médio foi de R$ 311,32). Apurada a subavaliação do valor da terra nua, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do imposto, arbitrando o VTN com base no SIPT, com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: [...] A decisão de piso rejeita tanto o valor declarado de R$ 0,07/ha, quanto o valor do laudo apresentado de R$ 150,00/ha e da Prefeitura de R$ 309,00/ha, mantendo o arbitramento, sob a seguinte argumentação, verbis: [...] Como muito bem salientado pela DRJ o laudo apresentado não possui as características necessárias para comprovação do valor da terra nua do imóvel em questão, tampouco foi apresentado o ART devidamente registrado no CREA que comprovasse o responsável pela sua elaboração. Correto também o posicionamento da DRJ em relação ao documento expedido pela Prefeitura, uma vez que sozinho, não tem o condão de alterar o valor arbitrado. Sobre a alegação do recorrente de que a área de 10.959,11ha não seria tributável, por ser inservível para a atividade rural, cumpre informar que para tanto é necessário a entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, bem como a comprovação de que a área é declarada como de interesse ecológico pelo órgão competente federal ou estadual a teor do artigo 10, §1º, II, 'c' da Lei nº 9.393/96: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: ... c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Por todo o exposto e tendo em vista que o valor da terra nua VTN médio por hectare de R$ 2.143,00 utilizado para o cálculo do imposto, extraído do SIPT, para o Município de Correntina/BA, leva em consideração à aptidão agrícola (OUTRAS), entendo correto o arbitramento efetuado, mantendo assim o lançamento, uma vez que os documentos trazidos pelo Fl. 210DF CARF MF 16 recorrente não são suficientes para comprovação do real valor da terra nua da propriedade. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recuso do Contribuinte, considerando a validade do arbitramento efetuado utilizandose o SIPT com aptidão agrícola. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001208/2009-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE
Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal
Numero da decisão: 3001-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 08 /2 00 9- 07 Fl. 136DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de COFINS de incidência não cumulativa, relativo ao 2º trimestre do ano calendário de 2006, no valor de R$ 32.621,56, (trinta e dois mil e seiscentos e vinte e um reais e cinquenta e seis centavos. Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/ Pasep nãocumulativo (§ 1° do art. 5 0 da Lei n° 10.637/2002) e da Cofins nãocumulativa (§1° do art.6° da Lei n° 10.833/2003) do 2° trimestre de 2004 ao 4° trimestre de 2006, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 30 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório A autoridade fiscal afirma que a contribuinte forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas ficais utilizadas como insumos, bem como, apresentou, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, memória de cálculo demonstrando os valores preenchidos nos DACON. Alega, também, em seu Despacho Decisório, que ao analisar os dados informados, constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração da COFINS, valores de aluguéis pagos à Pessoa Física, o que é proibido pela legislação tributária. Ademais, que foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada, o que provocou a apuração de créditos a menor. Com isso, o presente despacho decisório houve por bem, reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 28.366,66 e homologar a DCOMP até o limite de crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto aos aluguéis pagos e no que se refere aos créditos de exportação utilizados. Créditos de Aluguel Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11516.001208/200907 Acórdão n.º 3001000.551 S3C0T1 Fl. 137 3 Alega a manifestante que o crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para fins de compensação/ressarcimento referese ao Aditivo n.1, que é o contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica, e não à pessoa física, como alega a autoridade fiscalizadora e por isso, merece o reconhecimento dos créditos de aluguel no montante de R$ 1.620,68. Equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo” A manifestante alega que verificou evidente equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo”, quando à B.C. de Créditos a descontar (R$519.607,02, quando o correto seria R$519.908,92) e Créditos a Descontar (R$39.490,13, quando o correto seria R$39.513,08). DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0729.363 4ª Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se referem os créditos. Fl. 138DF CARF MF 4 O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o processo de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) da Contribuição para a Cofins de incidência não cumulativa, relativo ao 2º. trimestre do anocalendário de 2006, no valor de R$ 32.621,56 (trinta e dois mil e seiscentos e vinte e um reais e cinqüenta e seis centavos). Na análise do pedido formulado pela empresa acima identificada, constatou a autoridade fiscalizadora que foram considerados, para fins de créditos, os valores de aluguéis pagos à pessoa física. Além disso, foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada. Conforme o Despacho Decisório constante dos autos, foi reconhecido parcialmente o crédito no valor de R$ 28.366,66 (vinte e oito mil e trezentos e sessenta e seis reais e sessenta e seis centavos). A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Pede que seja revista a decisão neste particular e argumenta que, nada obstante, no período de apuração referido no PER/DCOMP não houve créditos a título de Cofins, o que exclui a possibilidade de glosa levada a efeito no demonstrativo de fls. 63. Alega ainda que verificou evidente equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo”, quando à B.C. de Créditos a descontar (R$519.607,02, quando o correto seria R$519.908,92) e • Créditos a Descontar (R$39.490,13, quando o correto seria R$39.513,08). Requer, por fim, a revisão total da decisão. Quanto aos créditos de aluguel, entendeu a DRJ/FNS que embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Por isso, manteve as glosas relativas aos valores de aluguel de R$ 1.620,68. Por fim, quanto ao equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo”, a DRJ entendeu caber razão à alegação da manifestante, que, de fato, houve erro de soma no mês de abril/2006: na coluna “Mercado Externo”, o valor da “Base de Cálculo” deixou de considerar o valor de R$ 301,90, relativo a valores creditados a título de “Outras Operações”, o que repercutiu negativamente no valor total de créditos neste mês. Desta forma, a Manifestação de Inconformidade foi provida em parte e o valor reconhecido passou a ser de R$ 28.389,60. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11516.001208/200907 Acórdão n.º 3001000.551 S3C0T1 Fl. 138 5 Recurso Voluntário A recorrente aduz seu argumento principal na impossibilidade de exigência de nota fiscal como prova de pagamento de aluguel à pessoa jurídica. Créditos de Aluguel Em suma, a recorrente alega que a tese adotada pela DRJ de que, a contribuinte, para viabilizar o direito creditório dos aluguéis, deveria ter apresentado as notas fiscais respectivas, não pode prevalecer. Nesse sentido, aduz que a posição adotada lhe impõe a obrigação de comprovar o cumprimento de obrigação acessória por terceiro locador, ou condiciona o direito ao crédito à produção de prova documental inexigível por lei, isto porque, segundo a mesma, o locador é obrigado a fornecer simples recibo discriminado das importâncias pagas pelo locatário e não nota fiscal. Por essas razões, requereu a reforma da decisão recorrida para que sejam reconhecidos os créditos de aluguel na monta de R$ 1.620,68. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que reconheceu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 27.08.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, fls. 129130, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 140DF CARF MF 6 Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 20.09.2012, conforme comprova o carimbo da ARF CRICIÚMA, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, o argumento referente a Créditos de Aluguel DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 04 a 06/2006 (2° trimestre de 2006). O pedido está lastreado em créditos obtidos na aquisição de insumos e prestação de serviços utilizados na fabricação de produtos exportados. O direito creditório foi reconhecido parcialmente pelos órgãos “a quo”, que homologaram a compensação na monta de R$ 28.389,60, pelos argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos de aluguel na monta de R$ 1.620,68. DO MÉRITO Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 01 a 03/2005 (1° trimestre de 2005), que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscreve se a determinar se, conforme a linguagem expressa no voto condutor da decisão examinada, é legal a exigência de nota fiscal emitida pela locatária para comprovar a legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Seguese ao trecho enxertado. Todavia, embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11516.001208/200907 Acórdão n.º 3001000.551 S3C0T1 Fl. 139 7 Percebese que a autoridade de primeira instância reconheceu ter sido a locatária, pessoa jurídica, enquadrandose, portanto na hipótese legal aqui discutida. Neste sentido, encontrase devidamente satisfeita a argumentação trazida em sede de defesa: No tocante à glosa referente ao crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para compensação/ressarcimento, verificase que os aluguéis aproveitados como crédito referemse ao contrato realizado 'corn a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.980.774/000187, conforme aditivo n. 01 ao Contrato de Locação em 17.12.2001 e não à pessoa física, como por equivoco concluiu , a autoridade notificante. Outrossim, resta claramente delineado que a questão aqui tratada referese ao fato de não ter sido apresentadas as notas fiscais para fins de comprovação. Créditos decorrentes de Aluguel Suficiência probatória dos contratos de locação Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte determinação: a locação deve ser de prédios, com o requisito de ser pago unicamente a pessoa jurídica, e, ainda, necessariamente deverão ser empregados na utilização das atividades operacionais da empresa. Quanto ao primeiro requisito, registrase que o contrato de locação acostado em fls. 123 destes autos, o documento denominado ADITIVO NR.. 01 AO CONTRATO DE LOCAÇÃO CELEBRADO EM 17.12.2001 ENTRE SÉRGIO CIZESKI, COMO LOCADOR, E PLASSON DO BRASIL Ltda., COMO LOCATÁRIA. Neste instrumento, agora em fls. 128, deparase com a incorporação do mencionado imóvel, anteriormente dado em locação, conforme visto, ao capital social da empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS Ltda. , consoante o mencionado ato de constituição desta sociedade na JUCESC sob NIRE 42203139679. Com isto, e de acordo com o expresso em seu item 2. o titular do contrato de locação seria a pessoa jurídica GARANTIA. A título de evidenciar a existência do contrato de locação, acosta, também, Aditivo n.º 02, firmado em 31 de março de 2009. Desta vez, para regrar novo prazo de locação. Ainda, importa a menção na qual a peça contém a cláusula primeira, cujo conteúdo demonstra a descrição do objeto de tal instrumento, como sendo "um terreno com área de 3.501,77 m2, com um pavilhão industrial recém construído, me primeira ocupação, com área de 1.377,70m2". Portanto, concluise que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito estão satisfeitos, determinando ser o contrato de locação a Documentação hábil para comprovação da existência do negócio. Desnecessidade de nota fiscal A recorrente, enquanto pratica atividade de locação, não é contribuinte estadual nem municipal, não sendo lícito impor o requisito probatório da juntada de notas fiscais. Fl. 142DF CARF MF 8 Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, apontase decisão desta CARF no sentido de aceitar os contratos de locação como instrumentos aptos a comprovação do negócio, inclusive apontadolhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme, repitase, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal. Acórdão nº 3401004.021 ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas. Fundamento legal Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; DECISÃO Conheço do recurso, para no MÉRITO, dar provimento a tomada de crédito decorrente da operação de locação de imóvel. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004449/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 44 49 /2 00 8- 19 Fl. 101DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio da qual foi constatada Omissão de Rendimentos Excedentes ao Limite de Isenção para Declarantes com 65 anos ou mais. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos e nãotributâveis, provenientes de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para a reserva remunerada, auferidos pelo titular e/ou dependentes, com idade superior a sessenta e cinco anos, que excederam ao limite de isenção, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 30.317,97. A parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União. dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, corresponde à quantia de R$ 1.164,00 (um mil cento e sessenta e quatro reais) mensais. Dessa forma foram acrescidos aos rendimentos tributáveis recebidos do INSS e R$ 13.968,00 aos recebidos da Fundacão Celesc. A isenção por moléstia grave a partir de 21/09/2005 foi concedida. São tributáveis os proventos recebidos de janeiro a setembro de 2005, os quais totalizaram R$ 116.526,62. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que o presente lançamento foi efetuado sem levar em conta “as parcelas dos rendimentos isentos para maiores de 65 anos” e “'04 meses de isenção por moléstia grave. Por fim requereu o cancelamento da notificação de lançamento. A DRJ Florianópolis, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda bem como para maiores de 65 anos. Foi dado provimento parcial à impugnação nos seguintes termos: a) o valor informado pelo Interessado na declaração de ajuste anual de fls 37 a /40 a titulo de rendimentos tributáveis recebidos do Comando da Marinha do Bras11 (R$ 59.827,68) está correto; b) a omissão de rendimentos tributáveis recebidos da CELOS apurada pela fiscalização é totalmente improcedente, visto que o valor informado pelo Interessado na declaração de ajuste anual de fls. 37 a 40 a título de rendimentos tributáveis recebidos desta fonte pagadora (R$ 19.055,76) está correto; c) a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do INSS apurada pela fiscalização é parcialmente procedente, visto que o valor que deveria ter sido declarado a título de rendimentos tributáveis recebidos desta fonte pagadora (INSS) e' de o R$ 16.637,21 ao invés dos R$ 21.293,21 registrados na notificação de lançamento. Cabe ressaltar que a isenção prevista no artigo 39, inciso XXXIV, do Decreto n° 3.000/1999 (maior de 65 anos), não foi aplicada sobre os rendimentos pagos pelo INSS nos meses de 01/2005 a 08/2005, porque já havia sido aplicada, nesses meses (01/2005 a 08/2005), sobre os rendimentos recebidos da CELOS. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11516.004449/200819 Acórdão n.º 2001000.708 S2C0T1 Fl. 3 3 Também devese frisar que a isenção .prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/1988 (doença grave), não foi aplicada sobre os rendimentos informados em DIRF no mês 09/2005 pelo INSS e pelo Comando da Marinha do Brasil, porque a análise conjunta dos documentos de fls. 09 a 13 e 17 a 20 e das informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, permite inferir que estes (rendimentos) se referem a proventos da competência 08/2005, que foram pagos no início de setembro de 2005, ou seja, antes do Interessado tomarse portador de nefropatia grave (21/09/2005 fl. 21). Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixa explícito que concorda com a decisão proferida no acórdão da DRJ, com a única ressalva em relação à não aplicação da isenção por moléstia grave no mÊs de setembro de 2005, sobre os rendimentos do INSS e do Comando da Marinha do Brasil. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Fl. 103DF CARF MF 4 Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. No caso em tela, o interessado afirma em sede de o Recurso Voluntário que concorda com a decisão da DRJ, salvo em relação a parte em que afirma o acórdão que a isenção .prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/1988 (doença grave), não foi aplicada sobre os rendimentos informados em DIRF no mês 09/2005 pelo INSS e pelo Comando da Marinha do Brasil, porque a análise conjunta dos documentos de fls. 09 a 13 e 17 a 20 e das informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, permite inferir que estes (rendimentos) se referem a proventos da competência 08/2005, que foram pagos no início de setembro de 2005, ou seja, antes do Interessado tomarse portador de nefropatia grave (21/09/2005 fl. 21). Pois bem. Verificase ao longo do processo a clareza e a boa fé do contribuinte em provar tudo o quanto alegado, e os equívocos cometidos no lançamento fiscal. Além disso, a decisão da DRJ deixa de dar a isenção ora guerreada pelo contribuinte (mês de setembro de 2009, rendimentos recebidos pelo INSS e Comando da Marinha), por inferência, como muito bem colocado pelo contribuinte. Entendo que o lançamento fiscal não pode ser feito por inferência, e sim de forma clara, fundamentada e comprovada. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11516.004449/200819 Acórdão n.º 2001000.708 S2C0T1 Fl. 4 5 administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação e constante boa fé do contribuinte em comprovar tudo o quanto alegado. entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para considerar também os rendimentos em análise como isentos para fins de imposto de renda (rendimentos informados em DIRF no mês 09/2005 pelo INSS e pelo Comando da Marinha do Brasil). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar também como isentos os rendimentos acima detalhados, a partir de setembro de 2005, por já estarem enquadrados como rendimentos recebidos por portador de moléstia grave, amplamente comprovado. Fl. 105DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720442/2008-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 42 /2 00 8- 07 Fl. 194DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Em sessão plenária de 13/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.666 (fls. 131 a 143), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica para R$ 6.721,05. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.” O processo foi encaminhado à PGFN em 18/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 146) e, em 10/10/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 147 a 158 (Despacho de Encaminhamento de fls. 159). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes questões: a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; e b) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria "b", conforme despacho de 23/03/2016 (fls. 160 a 164), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de 24/03/2016 (fls. 165/166). Em seu apelo, relativamente à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 195 3 com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados nos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reconhecendose a validade da autuação (matéria não conhecida) ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 13/05/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 174), o Contribuinte ofereceu, em 24/05/2016 (carimbo de fls. 176), as Contrarrazões de fls. 176 a 189, contendo os seguintes argumentos: Da ausência de comprovação da divergência: os acórdãos citados pela recorrente não demonstram a divergência arguida, não cumprindo com os requisitos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; isto porque a recorrente citou duas ementas (Acórdãos nºs 240100.018 e 30131.801), mas em momento algum comprovou o referido paradigma acerca do vício de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, objeto do presente recurso; verificase que, no inteiro teor do Acórdão nº 240100.018, a discussão é acerca da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação; ou seja, o referido acórdão paradigma não é análogo ao presente caso, o que afasta, portanto, a divergência jurisprudencial necessária para a interposição do presente recurso, uma vez que no presente caso discutese a apuração do montante devido por aplicação incorreta da legislação, enquanto o suposto paradigma analisa a ausência de fundamentação no Auto de Infração; no Acórdão nº 30131.801, a notificação de lançamento não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo, a imputação da infração e para a respectiva cominação, não havendo qualquer relação com o presente caso; Fl. 196DF CARF MF 4 em que pese o presente recurso tenha sido processado, não foi comprovada pela recorrente qualquer divergência jurisprudencial, uma vez que se trata de vício formal, diverso do vício tratado no presente caso; ademais, ainda que ausente a divergência jurisprudencial, a recorrente não demonstrou analiticamente os pontos nos paradigmas que discordem de pontos específicos no acórdão recorrido, conforme prevê o § 8º, do RICARF; portanto, o presente recurso não deve ser admitido, pois (i) não comprovou a divergência jurisprudencial sobre o erro material ocorrido na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação; (ii) não há indicação dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido; e (iii) não foi juntada cópia do inteiro teor dos acórdãos. Do mérito a própria autoridade tributária reconhece na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, que o vício formal ocorre quando há erro na identificação do sujeito passivo, o qual decorre da análise de fatos ou documentos, mas cuja interpretação legal esteja correta; portanto, enquanto o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito; isto é, no erro de direito há incorreção no cotejo entre a hipótese de incidência prevista na norma tributária com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência; não há ausência de fundamentação ou descumprimento dos requisitos essenciais do lançamento, previstos no artigo 10, do Decreto n° 70.235, de 1972, como afirma a recorrente, para supostamente alcançar uma nulidade por vício formal, pois o que ocorre no caso é a existência de erro de cunho material na apuração do montante devido, acarretando no cancelamento da exigência fiscal por este motivo; novamente, a jurisprudência confirma o posicionamento do acórdão recorrido, pois o erro na interpretação da lei quanto à forma de cálculo do montante exequendo acarreta nulidade por vício material, devendo o acórdão ser mantido nesse sentido. Ao final, o Contribuinte requer o não conhecimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, se assim não se entender, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Nesse passo, o Colegiado recorrido entendeu que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente, feito em desacordo com entendimento externado pelo STJ em julgamento Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 196 5 realizado na sistemática do art. 543C, do CPC, deveria ser cancelado, dandose provimento ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, na parte em que o seu Recurso Especial teve seguimento, pede que seja considerado que o lançamento padeceria de vício formal. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte assevera que os paradigmas tratam de situações diversas daquela analisada no acórdão recorrido, portanto não teria sido demonstrada a divergência. Ademais, alega que não há indicação dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido e que não foi juntada cópia do inteiro teor dos acórdãos. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. Quanto à questão suscitada que obteve seguimento natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 2401 00018 e 30131801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "A 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF considerou que estaria o auto de infração eivado de vício material em função de suposto erro nos critérios de apuração do imposto devido.. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve Fl. 198DF CARF MF 6 antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma, em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 197 7 Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. Recurso de Ofício Negado." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. No recorrido, repitase que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório Fl. 200DF CARF MF 8 "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo também com base neste segundo paradigma, de sorte o Recurso Especial não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 198 9 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.904014/2013-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/09/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.04-7940.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/09/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.047940. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 55/56) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 46/48), proferida em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 01 4/ 20 13 -6 4 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 116 2 sessão de 17 de maio de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1287.663, da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 02/08/2013 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 10943.44626.310111.1.3.047940 (efls. 05/10), transmitido em 31/01/2011, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.047940, na qual o contribuinte compensou o valor relativo a pagamento a maior no valor de R$ 16.736,06 do período de apuração de 30/09/2010, código de receita: 2484, valor total do DARF: R$ 30.557,94, recolhido em 29/10/2010, com débitos próprios. Segundo o despacho decisório (fl. 04) o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada, tendo em vista que o DARF havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte foi cientificado em 12/08/2013 (fl. 41) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) em 10/09/2013, alegando em síntese que informou o valor do débito de CSLL a maior na DCTF e que o equívoco já foi corrigido. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 16.736,06, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do Data de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 117 3 DARF Arrecadação 30/09/2010 2484 R$ 30.557,94 29/10/2010 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 5232762652 R$ 30.557,94 DB: Cód. 2484 PA 30/09/2010 R$ 30.557,94 Valor Total R$ 30.557,94 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013 Principal: R$ 17.059,57 Multa: R$ 3.411,91 Juros: R$ 4.014,11 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A compensação pleiteada foi negada em virtude de o crédito estar vinculado ao débito do período segundo a DCTF apresentada pelo contribuinte. Após o despacho decisório de nãohomologação o contribuinte retificou a DCTF (fl. 11) reduzindo o valor do débito de CSLL para R$ 13.821,88, portanto, tornando disponível para restituição parte do valor do DARF recolhido fls. 44/45. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove o valor correto da CSLL, apenas retificou a DCTF. Por todo o acima exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade interposta, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte se limitou a reiterar os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e justificar a retificação da DCTF. Eis os argumentos de defesa nas palavras do contribuinte: Tratase de uma DCTF de setembro de 2010 que tinha sido entregue com o pagamento de R$ 30.557,94 de CSLL, código 2484, período de apuração 09/2010, sendo que estava todo alocado ao débito, o que é improcedente, pois o valor do débito de fato é R$ Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 118 4 13.821,88, conforme DCTF retificada em 05/09/2013 e conforme DIPJ apresentada no anocalendário 2010, assim o PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR de saldo a crédito a favor do contribuinte é de R$ 16.736,06, conforme PER/DCOMP que foi indeferida. Diante dos fatos aqui citados e por erro de preenchimento da DCTF pelo auxiliar contábil, a qual foi retificado e solucionado o problema, pedese que seja acatada a Per/Dcomp apresentada no período. O crédito de pagamento indevido a maior está aqui comprovado com as DCTF's, DIPJ, PER/DCOMP, BALANCETE contábil de 08/2010, LALUR na qual é comprovado com documentos contábeis fidedignos e que comprovam a veracidade do crédito tributário através da contabilidade como prova material para comprovar o crédito tributário. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 16.736,06. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 119 5 (intimação em 01/06/2017, efls. 49/51, protocolo recursal em 30/06/2017, efls. 52/56 e encaminhamento da unidade preparadora efl. 113), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Diligência Pois bem. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem se, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, por sua vez, retificou a DCTF, reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, crédito. Entretanto, sob o argumento de falta de comprovação do motivo da retificação, a DRJ não acolheu a tese de defesa, desconsiderando a retificação. No recurso voluntário, o contribuinte reforça a justificativa da retificação da DCTF e apresenta documentos (efls. 57/112), os quais dariam substância a retificação, justificandoa, o que daria ensejo a reforma da decisão de primeira instância. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 120 6 Compulsando os autos, verifico que, juntamente com o recurso voluntário, o contribuinte efetivamente colacionou documentação apta a lastrear e justificar a retificação realizada na DCTF. Destarte, tais documentos e os demais elementos probatórios corroboram com a possibilidade de haver direito creditório em favor do contribuinte. De mais a mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem (DRF) para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/09/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.047940. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 120DF CARF MF
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