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Numero do processo: 12269.002257/2009-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dá-se no caso de oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como se houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária.
EFEITOS DA EXCLUSÃO.
A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
A exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as circunstâncias legai, caso em que a pessoa jurídica fica sujeita a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dá-se no caso de oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como se houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. A exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as circunstâncias legai, caso em que a pessoa jurídica fica sujeita a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dáse no caso de oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como se houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. A exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as circunstâncias legai, caso em que a pessoa jurídica fica sujeita a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 22 57 /2 00 9- 81 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 149 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/POA/RS nº 33, de 08.06.2009, fl. 91, com efeitos a partir de 01.01.2007, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de ter oferecido embaraço a fiscalização e por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, conforme disposto nos incisos II e VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e nos incisos II e VIII do art. 5° da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Nome Empresarial: TURBO CENTER PORTO ALEGRE COMERCIO E MANUTENÇÃO DE TURBOS LTDA CNPJ: 04.838.870/000195 Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 01072007, conforme disposto no parágrafo 1° do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º A pessoa jurídica poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste ADE, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua Jurisdição, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1030.612, de 30.03.2011, fls. 114126: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 150 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerarse não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do an. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993. PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo O direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade e ilegalidade de leis ou atos, bem como de afronta a princípios constitucionais. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO. FALTA DA ESCRITURAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCARIA. Escriturar O livro caixa, ou O livro diário se esta for a opção da contribuinte, de forma a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária, e Oferecer embaraço à fiscalização, dá ensejo a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional nos termos dos incisos II e VIII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123/2006, cujos efeitos, no presente caso, devem surgir a partir de 01/07/2007. Ficando a partir dessa data, sujeita as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 17.05.2011, fl. 128, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2011, fls. 130138, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que se refere a apresentação de documentos defende que: Ao ser submetida a fiscalização acima referida, lhe foi solicitado uma série de documentos, sendo que todos foram apresentados, entretanto, verificouse que por erro não foi lançado no livro diário as movimentações bancárias. Ocorre que o ato não ocorreu por dolo ou máfé, e sim por erro. Não houve a intenção de omitir informação verdadeira, e muito menos intenção de causar embaraço a fiscalização . Foram apresentados todos outros documentos solicitados que demonstravam sua situação contábil de forma clara, precisa e sem máscaras. Foram apresentados livros fiscais do ICMS, notas fiscais, recibos de salários, rescisão férias, livros do ISSQN, foram entregues ainda, guias do› recolhimento do Simples, DARFSimples e do Simples Nacional DAS. Assim, o fato da recorrente não ter apresentado a movimentação bancária, que não se trata de documento de obrigação principal para fiscalização, mas sim Fl. 150DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 151 4 acessória, mas tendo apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço a fiscalização. A empresa esta dentro do enquadramento legal que a permite participar do SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. O critério utilizado pela fiscalização para excluíla dos dois programas, com base nos artigos supra referidos foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Atinente à aplicação do princípio da proporcionalidade menciona que: O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que, conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. Ou seja, não basta que a lei tenha sido feita conforme os procedimentos previstos, a lei, além de seu conteúdo formal deverá ser também proporcional, adequada, ou seja, a restrição aos direitos fundamentais deve ser adequada ao padrão de justiça social. Vale ressaltar que a ofensa a este princípio acarreta, também, ofensa a outros dois princípios previstos na Constituição Federal em seus artigos 5°, inciso II, 37 e 84, bem como os mesmos anteriores e mais o art. 5° LXIX, quais sejam, o da legalidade e o da finalidade. [...] A sua exclusão provocará a quebra da mesma, e conseqüentemente a demissão de vários funcionários, além, por Óbvio de cessar a sua atividade com recolhimentos de impostos para o fisco. Cumpre ressaltar que em momento algum foi detectado pela documentação apresentada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante do Simples e Simples Nacional. Não restou demonstrado pela autoridade fiscalizadora que a mesma não possui as condições necessárias para permanecer no Simples e Simples Nacional. [...] A abstrata previsão legal de uma multa pecuniária pode observar o princípio da proporcionalidade quando existe razoável contabilidade entre o que se busca com a regra tributária que tenha sido inobservada e a sanção prevista como conseqüência para essa violação. Contudo, a aplicação desta sanção pode afigurarse inválida, por ofensa ao principio da proporcionalidade, se, considerando as características peculiares do individuo infrator, a efetiva imposição daquela sanção acaba resultando, por exemplo, no completo aniquilamento da atividade econômica. [...] E o que se apresenta no presente caso. Deve ser afastada a penalidade imposta a impugnante, devendo ser mantida no SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. No que diz respeito à ilegalidade da retroatividade dos efeitos da exclusão argui que: Quanto aos efeitos da exclusão, no caso em tela, não é possível aplicar a norma que dá efeitos retroativos ã exclusão do regime. Da análise sistemática do art. 15 da Lei n° 9.317/96, verificase que o dispositivo se refere a fatos impeditivos Fl. 151DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 152 5 supervenientes ao ingresso do contribuinte no SIMPLES. A lógica do sistema é que a exclusão ocorrerá a partir da ocorrência do fato novo, ou dentro de um prazo que tem esse fato novo como referência. [...] Assim, há apenas uma hipótese em que a exclusão retroage a data do início das atividades do contribuinte: quando "ultrapassado, no anocalendário de inicio de atividades, o limite de receita bruta multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período (art. 15, III, c/c 13, II, "b"). Isso ocorre porque a inscrição do contribuinte no SIMPLES terá ocorrido antes de completado o primeiro ano de seu funcionamento, sob o pressuposto de que sua receita bruta não ultrapassaria os limites legais. As demais hipóteses correspondem, obviamente, a fatos posteriores. Assim, se uma empresa, já optante pelo SIMPLES, passar a desenvolver atividade com ele incompatível, ficará excluída desde o momento em que ocorrer esse fato. Mas, se a empresa já exercia atividade que a impedisse de optar pelo SIMPLES, a hipótese não seria de exclusão e sim de indeferimento da opção. Se a opção foi admitida, temse ato administrativo revestido da presunção de legitimidade, que só pelos meios próprios poderá ser desconstituída. A exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES (Lei n.° 9.317/96), gera efeitos no mês subseqüente à ocorrência da situação excludente, nas hipóteses dos incisos III a XIX do art. 9.° (art. 15, II). Da análise sistemática do art. 15 da Lei n.° 9.317/96, verificase que o dispositivo se refere a fatos impeditivos supervenientes ao ingresso do contribuinte no SIMPLES. A lógica do sistema ê que a exclusão ocorrerá a partir da ocorrência do fato novo, ou dentro de um prazo que tem esse fato novo como referência. [...] A respeito da prescrição esclarece que: E, ainda, seguindo o entendimento, que somente se admite para argumentar que os créditos tributários lançados no presente auto de infração fossem lícitos, há de ser declarada a prescrição dos créditos relativos as competências anteriores a 03/06/2005, eis que configurada está a prescrição do direito de cobrar do fisco, uma vez que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador A questão acerca do prazo decadencial qüinqüenal para constituição do crédito tributário quanto às contribuições para a seguridade social está pacificada com a edição da Súmula Vinculante número 8 do c.STF: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do decretolei n.° 1.569/1977 c os artigos 45 e 46 da lei n.° 8.212/ 1991, que tratam de prescrição c decadência de crédito tributário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: DIANTE DO ACIMA EXPOSTO, a recorrente requer seja dado provimento ao recurso interposto para julgar procedente a impugnação apresentada, declarando a nulidade do ato declaratório de exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Simples Nacional, declarando o reenquadramento e inclusão da mesma no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Simples Nacional Fl. 152DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 153 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os ato administrativo é nulo. O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 154 7 Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais3. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 155 8 hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 03 05, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: A documentação solicitada abrangeu o período de 01/2004 a 12/2007. A empresa apresentou os Livros Diários do período de 01/2004 a 12/2007. O último Diário Registrado foi o de n° 4, do período de 01/2007 a 12/2007, sendo autenticado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul, em 04/02/2009. No exame da contabilidade foi constatado de que: 4.1 Não havia lançamentos da movimentação bancária da empresa. A empresa intimada a prestar esclarecimentos e apresentar a referida movimentação bancária, conforme TIF 003, justificouse da seguinte maneira: "Ausência de contas bancárias nos diário 2004 a 2007. Os lançamentos contábeis foram registrados, considerando todas as comprovações das despesas da empresa e posteriormente devolvidas controle e responsabilidade pelo arquivamento, entretanto a movimentação bancária não foi registrada no diário. Fato que foi detectado somente por essa fiscalização. " . A empresa não forneceu informações sobre a sua movimentação bancária e nem tão pouco solicitou prorrogação de prazo para atendimento da intimação. Em anexo cópia de Guia da Previdência Social GPS paga que comprova a existência de conta bancária em 2007. A empresa intimada apresentar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis das contas acima relacionadas, conforme TIF 003, lavrado em 22/04/2009 justificouse da seguinte maneira: "Documentos que deram origem aos lançamentos das despesas, conforme planilha 0JTIF003. Os documentos 4 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 156 9 exigidos não foram localizados até o momento". Tal justificativa foi emitida em 30/04/2009 e recebida por essa auditoria em 20/05/2009. Os documentos solicitados se referem à competência de 12/2007. Além desses documentos foram solicitados outros descritos no item 2 do TIF 003 (Considerando que existem descontos nas folhas de pagamentos de vale refeição, assistência médica e vale transporte, apresentar os comprovantes dos valores dispendidos pela empresa com essas rubricas, por competência. Com relação aos vales transportes a empresa deverá apresentar os comprovantes de entrega dos mesmos, aos segurados empregados.). Os documentos solicitados se referem ao período de 07 2007 a 12 2007. Sobre esse item a empresa não se manifestou. Essa documentação já tinha sido solicitada no TIF002 de 04/03/2009. [...] A empresa conforme demonstrado anteriormente praticou atos que caracterizam embaraço a fiscalização e não conhecimento da sua movimentação bancária. Tal fato acarreta a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL conforme artigo 29, inciso II e VIII da Lei Complementar n°123/2006: [...] O momento da exclusão do SIMPLES NACIONAL será 07/2007 e é definido no § 1º do art. 29 da mesma Lei: [...] A empresa não apresentou documentos contábeis e informações da sua movimentação bancária, do período de 07/2007 a 12/2007, conforme relatado anteriormente e, não permitiu a identificação dessa movimentação, uma vez que ficou comprovada a sua não contabilização no Livro Diário de 2007. Portanto a exclusão se dará a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos mencionados no art. 29 inciso II e VIII , ou seja, a partir de julho/2007, conforme § 1º do art. 29. Restou comprovado que a Recorrente ofereceu embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como houve falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 33, de 08.06.2009, fl. 91, com efeitos a partir de 01.01.2007. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. A Recorrente discorda dos efeitos retroativos da exclusão do Simples Nacional ao argumento de que foi alcançado pela prescrição. Sobre a matéria está expressamente previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando:[...] § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 157 10 período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A norma trata o ato da exclusão do Simples Nacional como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RFB. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício mediante Ato Declaratório Executivo DRF/POA/RS nº 33, de 08.06.2009, fl. 91, com efeitos a partir de 01.01.2007. Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Logo, não há que se falar em prescrição e os efeitos do ato de exclusão devem prevalecer, porque decorrem da legislação tributária de regência. No que se refere aos argumentos referentes ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples previsto na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, temse que não se aplicam ao objeto do presente processo que trata especificamente do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Pertinente a alegação de boafé cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é cabível. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 12269.002257/200981 Acórdão n.º 1003000.078 S1C0T3 Fl. 158 11 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720855/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
FRAUDE. CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO SUFICIENTE
Em se tratando de fraude, todo o conjunto fático probatório acostado aos autos é suficiente para o livre convencimento do julgador. Não demonstrado pela contribuinte qualquer prova em contrário, deve ser mantida a autuação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE.
Devidamente caracterizada a fraude, cumpre a quem as praticou a responsabilidade pela infração, nos exatos termo do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 1401-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, tanto da contribuinte quanto do apontado como responsável solidário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 FRAUDE. CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO SUFICIENTE Em se tratando de fraude, todo o conjunto fático probatório acostado aos autos é suficiente para o livre convencimento do julgador. Não demonstrado pela contribuinte qualquer prova em contrário, deve ser mantida a autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE. Devidamente caracterizada a fraude, cumpre a quem as praticou a responsabilidade pela infração, nos exatos termo do art. 135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 08 55 /2 01 4- 06 Fl. 763DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, tanto da contribuinte quanto do apontado como responsável solidário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão da Delegacia: RELATÓRIO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real, de PIS e COFINS, apurados pelo regime nãocumulativo, relativo ao ano calendário de 2010 e IRRF referente a janeiro de 2010 a fevereiro de 2011, no qual se verificou o seguinte: Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 764 3 O Relatório Fiscal de Verificação de Infração (fls 061 a 079) e outros documentos constantes dos autos nos dão conta de que, no decorrer do procedimento fiscal, foram constatados omissão de receitas da atividade, utilização inidônea de custo de bens vendidos e pagamentos sem causa ou efetuados a beneficiário não identificado. Em decorrência de procedimento fiscal instaurado contra a pessoa jurídica Vermont Indústria e Comércio Ltda, foi efetuada diligência junto à contribuinte, por meio de intimação, em 01/08/2014, na qual a mesma foi instada “... a apresentar comprovação do pagamento das notas fiscais de venda de mercadorias que foram emitidas pela VERMONT. Em Fl. 765DF CARF MF 4 resposta de 15/08/2014 (doc.04), a NEWRED apresentou documentação comprobatória dos respectivos pagamentos e a confirmação de que realizou compras junto à VERMONT”. Na seqüência, também por meio de diligências, os sócios da fiscalizada, Srs Ricardo Lúcio Corteletti e Sandra da Penha Corteletti, foram instados a prestar esclarecimentos sobre as operações efetuadas pela contribuinte com as empresas Vermont Indústria e Comércio Ltda e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda, principalmente em razão de operações de triangulação efetuadas por essas empresas. Como resposta, o Sr. Ricardo afirmou que o “... propósito das operações da Newred, da forma como apontada por V.Sa, na verdade teve como objetivo de melhorar o faturamento no mercado nacional, tentando se destacar no ES, para que assim fossem atraídos novos fornecedores. Ainda alegou que toda a compra e venda de produtos foi (sic) devidamente registrada e recolhidos os tributos incidentes”. Juntamente com as diligências, a Fiscalização também efetuou a análise de “... todas as notas fiscais de vendas de mercadoria emitidas pela VERMONT e seus fornecedores (DIAGONAL COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, FÊNIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e MEGA PLUS COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA) e NEWRED DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e verificados elementos fáticos que constituem infração à legislação tributária”. A ação fiscal propriamente dita iniciouse em 11/11/2014 por meio da ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal juntado às folhas 318 a 320. Por meio do referido termo, a fiscalização intimou a empresa a apresentar o LALUR, uma relação de imóveis e uma relação de veículos integrantes do ativo imobilizado. Tal intimação foi atendida pela empresa em 14/11/2014. Foram também lavrados outros termos de intimação, os quais serão oportunamente relatados. Das Operações de Compra/Venda Além dos documentos apresentados pela empresa, a Autoridade Fiscal examinou as notas fiscais eletrônicas “... emitidas pela VERMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, FENIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, MEGA PLUS COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e NEWRED obtidas no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED)...” e constatou a ocorrência de vendas com características inverossímeis, como o exemplo a seguir: Conforme quadro acima, observase que a NEWRED, empresa situada na cidade Vila VelhaES, efetuou a venda de determinado produto (Conhaque Dreher), de acordo com a NFe nº 82712, em 29/12/2010, para a empresa MEGA PLUS, cujo endereço cadastral é de São PauloSP. No mesmo dia (29/12/2010), esta última (MEGA PLUS) realiza, de acordo com a NFe nº 47, a venda do mesmo produto, na mesma quantidade, pelo mesmo preço para a VERMONT, empresa situada em CariacicaES. Na seqüência, a VERMONT, conforme NFe nº 464, vende para a NEWRED o mesmo produto, na mesma quantidade, todavia com preço majorado em 3% (três por cento). Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 765 5 Segundo a Autoridade Fiscal, “... Não é razoável admitir a viabilidade que, no mesmo dia, a logística de venda de todos os partícipes, tenha sido de fato realizada. Vibrando no mesmo diapasão, é desprovido de propósito comercial a NEWRED efetuar a venda de produtos e, no mesmo dia, efetuar a compra dos mesmos produtos, nas mesmas quantidades e por valor mais alto. A situação esdrúxula apresentada no exemplo ocorre de maneira sistemática, algumas com intervalo de apenas 1 (um) dia, em várias compras e vendas efetuadas pelo sujeito passivo e encontramse todas demonstradas no ANEXO I – Vendas e Recompras por Interpostas Empresas...”. A fim de esclarecer o assunto, o sócioadministrador da autuada, Sr. Ricardo Corteletti, foi inquirido sobre o propósito negocial de tais operações, mas não apresentou argumento plausível capaz de elucidar os fatos apresentados. Ressalta a Fiscalização que em algumas das operações sequer o aumento no preço, quando da venda à NEWRED, foi observado (vide quadro à folha 065) e, mesmo “... que afastado o aspecto de improvável exequibilidade logística, carecem de qualquer propósito comercial operações desta natureza”. Assim, entendeu o Auditor Fiscal “... que de fato ocorreu a utilização de interpostas empresas de fachada, para a emissão de notas fiscais com o intuito de simular a venda com vistas a sonegação tributária”, mais precisamente, em relação “... ao acréscimo artificial do custo da mercadoria vendida (CMV) e sua repercussão na apuração do lucro real, bem como na destinação dos valores a título de pagamento das faturas refentes (sic) as compras, inexistentes de fato, junto à VERMONT”. Das compras realizadas por interpostas empresas com preço majorado A Fiscalização também verificou as NFe emitidas pela VERMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e FÊNIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e constatou que a NEWRED contabiliza compras com características claras de inocorrência no mundo fático, por exemplo: Vejase que a empresa FENIX, situada no estado do Rio de Janeiro, emitiu a NFe de nº 47 no dia 20/09/2010 para a VERMONT, localizada em CariacicaES. No mesmo dia (20/09/2010), a empresa VERMONT, na NFe nº 185, vende para a NEWRED o mesmo produto, na mesma quantidade, todavia com preço majorado em três por cento. O exemplo dado não é um caso isolado, conforme demonstra o item 4.2 do Relatório Fiscal (fls 066 a 067). Segundo a Fiscalização, “... não é razoável admitir a viabilidade que, no mesmo dia ou mesmo no dia seguinte, a logística de venda de todos os partícipes, tenha sido de fato realizada. Importante ressaltar que as notas fiscais emitidas pela FENIX e, Fl. 767DF CARF MF 6 principalmente, pela VERMONT, consideradas na presente auditoria fiscal, não apresentam informações quanto ao transportador, como placa, identificação, etc”. Outrossim, restou “... demonstrado que de fato ocorreu a utilização de interposta empresa de fachada (VERMONT), para a emissão de notas fiscais com o intuito de simular a venda com vistas a sonegação tributária”, a qual consistiria no acréscimo artificial do custo da mercadoria vendida. Das vendas realizadas por interpostas empresas Verificando as NFe emitidas pela VERMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, FENIX COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e MEGA PLUS COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA “... constatouse que a NEWRED efetuou operações com aspecto formal de venda mercantil, mas com características claras de simulação”, conforme exemplo abaixo: No quadro acima se observa que a NEWRED, empresa situada no estado do Espírito Santo, efetuou a venda de produto constante da NFe nº 74985, em 19/11/2010, para a MEGA PLUS, localizada em SÃO PAULOSP. Na mesma data (19/11/2010), a empresa MEGA PLUS, de acordo com a NFe nº 4, vende para a COMERCIAL ALEGRIA COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA o mesmo produto, na mesma quantidade, porém com preço majorado em três por cento. Assim, da mesma maneira das situações anteriormente demonstradas, “... não é razoável admitir a viabilidade que, no mesmo dia, a logística de venda de todos os partícipes, tenha sido de fato realizada. Importante ressaltar que as notas fiscais emitidas pela MEGA PLUS para os destinatários finais, consideradas na presente auditoria fiscal, não apresentam informações quanto ao transportador, como placa, identificação, etc”. O exemplo apresentado não é um caso isolado, tal situação “... ocorre de maneira sistemática, nas vendas efetuadas pelo sujeito passivo junto à MEGA PLUS e encontramse todas demonstradas no ANEXO II – Vendas Realizadas por intermédio de Interposta Empresa...” (fls. 186 a 208). Entendeu a Autoridade Fiscal “... que as operações intermediadas pelas empresas de fachada não tem nenhum propósito comercial, pois qual a finalidade de se efetuar uma venda exatamente igual a uma compra (preços, produtos e quantidades) realizada no mesmo dia?”. E, tendo em vista a frequência deste tipo de operação, “... resta demonstrado que de fato ocorreu a utilização de interpostas empresas de ‘fachada’ (MEGA PLUS e FENIX), para a emissão de notas fiscais com o intuito de simular venda com vistas a sonegação tributária...”, qual seja, a omissão de parte do valor da receita de venda de fato auferida, visto que o acréscimo se verificou em empresa interposta. Das Empresas Interpostas Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 766 7 De acordo com a Fiscalização, foram caracterizadas como empresas interpostas as seguintes pessoas jurídicas: Vermont Indústria e Comércio Ltda (CNPJ: 10.937.598/000101); Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios LtdaME (CNPJ: 12.454.308/000196); Fênix Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda (CNPJ: 11.731.722/0001 32) e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda (CNPJ: 10.813.188/000140). Vermont Indústria e Comércio Ltda A Fiscalização constatou que a empresa VERMONT apresentou DIPJ como INATIVA para o anocalendário de 2010, não apresentou DCTF e não apresentou GFIP. Com isso, declara que não operou, não teve tributo a pagar, não teve empregados e nem houve recebimento de prólabore. Entretanto, conforme dados coletados das NFe, a referida empresa faturou cerca de 26 milhões de reais no referido período. Com relação à situação cadastral da pessoa jurídica, na RFB a mesma consta como INAPTA no CNPJ (fl. 412) e na Secretaria de Estado de Fazenda do Estado do Espírito Santo (SEFAZES), apresenta a situação de não habilitada (fl. 404). Ademais, conforme relato jornalístico do jornal A Gazeta de 06/11/2014 (fl. 462), a SEFAZES afirma que a VERMONT foi constituída com objetivo de sonegação de ICMS. Já o quadro societário da empresa, conforme pesquisas da Fiscalização, conta com sócios sem capacidade econômica. O Sr. Ivanildes de Jesus Carvalho, por exemplo, não tem patrimônio (possui apenas as quotas societárias da VERMONT) e nem rendimentos compatíveis (R$ 12.000,00 – fl. 421) com o volume de recursos auferidos pela pessoa jurídica em 2010 (cerca de 26 milhões de reais). Ademais, o mesmo não foi localizado em seu endereço cadastral. Entendeu a Autoridade Fiscal também que há uma incompatibilidade entre imóvel onde a empresa situavase e o volume faturado. Conforme Termo de Constatação Fiscal nº 01/2013 (fls 511 a 512), “... verificouse que o mesmo se tratava de uma pequena loja, com no máximo 100 m², incapaz de servir como recinto operacional da empresa, vis a vis os volumes constantes nas operações faturadas”. Contrariando o depoimento prestado pelo Sr. Ricardo Corteletti, momento em que afirmou que “Os negócios realizados com a VERMONT se dava exclusivamente pelo menor preço, assim como de outros fornecedores”, uma análise das NFe mostrou que “... a NEWRED tem registros de compra de produtos da VERMONT em valores superiores aos praticados pelos fabricantes dos respectivos produtos. Notase que os volumes constantes das notas oriundas da VERMONT eram elevados, e às vezes, maior do que os faturados pelos fabricantes, assim como as notas fiscais tem datas próximas. Desta forma, todos os elementos desconstituem o afirmado pelo responsável legal da empresa em depoimento, bem como demonstram que não há lógica comercial capaz de explicar as supostas compras, pois qual empresa preferiria comprar mais caro de um atravessador/distribuidor visto que o fornecedor primário lhe atendeu em data próxima e com preço mais barato?”. Tal situação está exemplificada no Anexo III (fls. 210 a 213 – denominado como Anexo IV) do Relatório Fiscal. Assim, concluiu a Fiscalização que “Diante de todos os elementos relacionados, somados ao papel que a VERMONT assumiu nas fictícias operações de vendas apresentadas, não resta dúvida de que a VERMONT foi uma empresa utilizada para a prática de atos simulados”. Fl. 769DF CARF MF 8 Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios LtdaME Com relação à pessoa jurídica Mega Plus, a Autoridade Fiscal constatou que a mesma apresentou DIPJ com receita bruta igual a ZERO para o todo o ano de 2010 (fls 436 a 446), não apresentou DCTF e não apresentou GFIP. Declara, assim, “... que não auferiu receita de vendas, não teve tributo a pagar bem como não teve empregados, contribuintes individuais e não houve recebimento de prólabore no referido ano”. No entanto, conforme dados coletados das NFe, a referida empresa faturou cerca de 4,2 milhões de reais. Relativamente à situação cadastral da pessoa jurídica, na SEFAZSP a mesma apresenta situação como não Habilitada (fl. 402). Já o quadro societário da empresa, conforme pesquisas da Fiscalização, conta com sócios sem capacidade econômica. O Sr. Juscelino de Jesus Carvalho, por exemplo, possui patrimônio reduzido (sequer declara as quotas societárias da MEGA PLUS) e nem rendimentos compatíveis (R$ 12.000,00 – fl. 417) com o volume de recursos auferidos pela pessoa jurídica em 2010 (cerca de 4,2 milhões de reais). Ademais, o mesmo não foi localizado em seu endereço cadastral e constatouse a “coincidência” de o mesmo ser irmão do sócio administrador da VERMONT. No que se refere às operações de compra e venda mencionadas anteriormente, após análise das supostas operações da MEGA PLUS, com base nas informações das NFe, constatouse “... que do seu total de compras (cerca de 4,1 milhões), um total de 3,77 milhões, cerca de 92% (noventa e dois por cento), advém da NEWRED. Os outros 8% (oito por cento) advém da empresa DIAGONAL COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, empresa com endereço cadastral no Rio de Janeiro e com indícios de interposição frudulenta (sic), que tem também em seu quadro societário o Sr. Marco Antônio Pinto, CPF 527.219.90730”, o qual, de acordo com os documentos de folhas fl. 405 e 409, também é sócio da MEGA PLUS. De acordo com o ANEXO IV – Compras Mega Plus do relatório fiscal, “Notase que a MEGA PLUS foi utilizada quase que na integralidade para intermediar operações em benefício da NEWRED, seja de compra e recompra, seja de omissão de receita através de interposta pessoa”. Desse modo, concluiu a Autoridade Fiscal que “... não paira dúvida de que o papel que a MEGA PLUS assumia era o de simular operações de compra e venda de mercadorias em benefício da NEWRED”. Fênix Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda No tocante à empresa FENIX a Fiscalização constatou que a mesma apresentou DIPJ com receita bruta igual a ZERO (fls 423 a 435), não apresentou DCTF e não apresentou GFIP. Desse modo, declarou “... que não auferiu receita de vendas, não teve tributo a pagar bem como não teve empregados, contribuintes individuais e não houve recebimento de prólabore no referido ano”. Entretanto, conforme dados coletados das NFe, a referida empresa faturou cerca de 13,7 milhões de reais. No que diz respeito à sua situação cadastral, na SEFAZRJ a empresa apresenta situação de não Habilitada (fl. 400). Quanto ao seu quadro societário, conforme pesquisas da Fiscalização, a empresa conta com sócios sem capacidade econômica. O Sr. Juscelino de Jesus Carvalho, por exemplo, possui patrimônio reduzido (sequer declara as quotas societárias da FÊNIX) e nem rendimentos compatíveis (R$ 12.000,00 – fl. 417) com o volume de recursos auferidos pela Fl. 770DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 767 9 pessoa jurídica em 2010 (cerca de 13,7 milhões de reais). Ademais, o mesmo não foi localizado em seu endereço cadastral e constatouse a “coincidência” de o mesmo ser irmão do sócio administrador da VERMONT. Ressalta a Autoridade fiscal que o outro sócio, o Sr. Marco Antônio Pinto, CPF 527.219.90730, também é sócio da MEGA PLUS e da DIAGONAL (fls 405, 407 e 409). No que concerne às operações de compra e venda relacionadas, com base nas informações das NFe, constatouse “... que TODAS as suas operações tem relação com a NEWRED, seja direta, seja indireta (por intermédio da VERMONT)”. Nesse sentido, o ANEXO V – Operações de Compras e Vendas Fênix, do relatório fiscal, demonstra as operações relacionadas entre FENIX e NEWRED no ano de 2010. Causou estranheza à Fiscalização o fato de, apesar do volume elevado de operações entre as duas empresas, o Sr. Ricardo Corteletti alegar em seu depoimento (fl. 513) de que não se recorda da FENIX e também da MEGA PLUS. Concluiu a Fiscalização “... que a FENIX foi utilizada na integralidade para intermediar operações em benefício da NEWRED, seja de compra e recompra, seja de omissão de receita através de interposta pessoa” e que “... não paira dúvida de que o papel que a FENIX, assim como a MEGA PLUS, assumia era o de simular operações de compra e venda de mercadorias em benefício da NEWRED”. Das Infrações Apuradas Omissão de outras receitas – vendas realizadas por interpostas empresas Conforme relatado anteriormente, a fiscalizada efetuou vendas, através de interpostas empresas, nas quais parte da receita era registrada como se daquelas fossem. Tais fatos foram classificados pela Autoridade Fiscal como receitas omitidas e foram demonstradas de maneira pormenorizada no ANEXO II do relatório fiscal (fls. 186 a 208). Em virtude dessas novas receitas, apuradas nos meses de maio, junho, julho, setembro, novembro e dezembro, além do IRPJ, “... foram realizados lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. O detalhamento dos respectivos lançamentos, bem como a base legal também encontramse apresentados no presente Auto de Infração”. Comprovação inidônea de custos – compras fictícias através de interpostas pessoas Em decorrência das compras efetuadas pela fiscalizada através de interpostas empresas, a Fiscalização constatou que o custo da mercadoria vendida (CMV) foi sobrevalorizado de forma artificial. Segundo a Autoridade Fiscal, na maioria dos casos, “... a NEWRED simulava a venda a empresas de fachada e no mesmo dia ou em espaço temporal reduzido, inexequível para a operação logística registrada nas notas fiscais, comprava os mesmos produtos, nas mesmas quantidades com preço superior ao que vendeu, ou seja, majorava artificialmente seu CMV”. Dessa forma, “... o acréscimo de custo resultante carece de idoneidade pois apresentase flagrantemente suportado por operações simuladas. Cada uma das operações Fl. 771DF CARF MF 10 que importaram acréscimo de CMV encontramse demonstradas de maneira pormenorizada no ANEXO I...” do relatório fiscal. IRRF sobre pagamentos efetuados sem comprovação da sua causa No decorrer da ação fiscal, a contribuinte foi intimada (fls 527 a 531) “... a apresentar cópia hábil e idônea dos pagamentos efetuados em favor da VERMONT...”. Como resposta, a empresa apresentou os documentos de folhas 324 a 399, 458 a 461 e 467a 472. Entretanto, a maioria dos pagamentos referese às operações narradas anteriormente (operações de venda de mercadorias com recompra por valor majorado), “... ou seja, foram operações inexistentes de fato, onde o que ocorreu foi a geração de notas fiscais com vistas a simular operações de compra e venda mercantil. Assim sendo, a causa dos pagamentos informados inexistiu e a saída de valores não encontra justificativa”. Ademais, ocorreu a situação na qual alguns dos pagamentos, sem justificativa real, informados foram efetuados em duplicidade. Estes também entraram na relação de pagamentos sem causa. Desse modo, “Diante da saída de recursos do sujeito passivo sem causa motivada e de real ocorrência no mundo fático, verificase perfeita aderência do constatado e a hipótese constante do art. 674, §1° do Decreto 3000/99 (RIR). Em suma, os fatos apontados acarretaram a violação de dispositivo da legislação tributária. A infração apurada referese à ocultação do fato gerador do imposto de renda tributado exclusivamente na fonte incidente sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, sem comprovação da operação ou da sua causa”. Tais valores foram apurados pela Fiscalização, tendo sido reunidos e “... discriminados na tabela constante do ANEXO VI – Relação dos Pagamentos Sem Causa não apresentaram comprovação da sua causa, e estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%...” (vide folhas 314 a 315). Ressalta a Autoridade Fiscal que “O pagamento é considerado líquido, cabendo o reajustamento da respectiva base de cálculo sobre a qual recairá o imposto. Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância, nos termos da Lei n° 8.981/1995, art. 61, §§ 2º e 3º (RIR/99, art. 674, §§ 2º e 3º)”. Dessa forma, foi apurado o montante de R$ 7.651.009,87, referente a pagamentos efetuados sem causa, valor este que resulta em uma base de cálculo de IRRF de R$11.770.784,42. Da Responsabilidade Tributária do Sócio Gerente De acordo com a Fiscalização, “O sócioadministrador no desempenho da gestão da NEWRED DISTRIBUIDORA EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA realizou condutas que se caracterizam como flagrante infração à lei”. Nesse sentido, conforme descrito no Relatório Fiscal, “... visto que no comportamento do contribuinte se detectou uma inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta (compra e venda mercantil) e a substância do fato gerador efetivamente utilizado (operação inexistente de fato com vistas a reduzir a base tributável), ou seja, deuse a discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. As vendas e compras fictícias, através de operações de emissão Fl. 772DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 768 11 de notas fiscais por interpostas empresas, tiveram o condão de gerar prejuízo à arrecadação tributária”. A conduta constatada enquadrase no tipo penal constante do art. 2º, I, da Lei 8.137/1990, qual seja, “I Fazer declaração falsa, ou omitir declaração sobre as rendas,bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse total ou parcialmente, de pagamento de tributo”. Em consequência disso, foi atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Ricardo Lúcio Corteletti, fundamentada no art. 135, III, do CTN. Da Qualificação da Multa de Ofício A Autoridade Fiscal qualificou a multa de ofício, tendo em vista “... a intenção fraudulenta da NEWRED de se eximir dos tributos devidos. A NEWRED artificialmente majorou seus custo (sic) de aquisição de mercadorias e omitiu receitas que deveriam constar em sua Declaração de imposto de renda (DIPJ) e nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), bem como as Declarações de Débitos e Créditos dos tributos e Contribuições Federais (DCTF)”. Nesse sentido, as operações simuladas relatadas anteriormente (utilização de interpostas empresas de forma sistemática e reiterada ao longo do ano de 2010) “... revelam a deliberada intenção de ocultar o conhecimento por parte do Fisco dos fatos geradores efetivamente ocorridos. Mediante o ardil de simular uma venda dele para ele próprio, sujeito passivo, a NEWRED age com dolo de sonegar o tributo devido”. Importa também ressaltar a sonegação de IRRF relativa às saídas de recursos, sem causa, da sociedade, haja vista que as operações não existiram de fato, o que, em tese, configura a ocorrência do tipo penal elencado no art. 1º, caput da Lei 12.683/2012 (Lei de Lavagem de Dinheiro), qual seja, “Art. 1º. Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade dos bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. Por todo o exposto, a Fiscalização concluiu pela aplicação da multa de ofício qualificada sobre os tributos lançados neste processo, de acordo com o art. 44 da Lei n°9.430/1996, que por sua vez remete aos arts. 71 e 72 da Lei n°4.502/1964, os quais definem sonegação e fraude fiscais. Por fim, a Fiscalização entendeu também que: • “As condutas praticadas pela fiscalizada se enquadram, ainda, em nosso entender, ao disposto nos incisos I, II e IV, do artigo 1º, da Lei n°8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária”. • “Ao tipificar crime contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, de forma inequívoca evidencia que a inserção de elementos inexatos em documento ou livro fiscal a simulação de nota fiscal ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; a elaboração, emissão ou utilização de documento que saiba ou deveria saber falso ou inexato, se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso”. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Fl. 773DF CARF MF 12 Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal evidenciaram situações que, em tese, constituem crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, incisos I, II, IV, da Lei n° 8.137/1990 ensejando a Representação Fiscal para Fins Penais, a qual foi juntada ao processo nº 15586.720190/201422. Ciência e Impugnação Em 16/12/2014, a pessoa jurídica foi cientificada, pessoalmente, do resultado da fiscalização (fls 546 a 547). Da mesma forma, na mesma data, o responsável solidário, Sr. Ricardo Lucio Corteletti (CPF: 024.501.71789), foi pessoalmente cientificado (fls 549 a 551). Posteriormente, em 15/01/2015, a pessoa jurídica, assim como o responsável solidário, apresentaram suas impugnações (fls 595 a 637 e 639 a 645). Impugnação da Pessoa Jurídica A impugnante inicia sua defesa com uma narrativa sobre os fatos para, na seqüência, argumentar que: • “... o Agente Federal baseou sua convicção em premissa absolutamente falsa, impondo à Defendente obrigação além de suas responsabilidades, ou seja, como se fosse sua obrigação a verificação cotidiana da situação fiscal dos seus fornecedores e dos seus clientes...”. • A Fiscalização “Ignorou que o mundo comercial é a procura de comprar por menor preço para efetuar vendas por menor preço no mercado”. • “... o componente preço não é somente o simples valor da mercadoria, mas a carga tributária que carrega esse preço. Assim, um preço sendo maior, mas com transferência de carga tributária menor, passa a ser extremamente interessante, diminuindo a tributação seguinte”. Foram nesse sentido que ocorreram as operações fiscalizadas, pois, a interessada “... foi convencida por sua fornecedora (VERMONT) de que era titular de créditos tributários absolutamente legais perante o Estado do Espírito Santo, em razão de operações realizadas com alíquota interna, relativas a compras de mercadorias dentro do Estado, cujas vendas, para outros Estados, eram realizadas com alíquota reduzida”. A fornecedora possuía créditos de tributos estaduais acumulados e, assim, “... os impostos destacados nas operações, de caráter interno, seriam pagos por compensação em face dos créditos acumulados, resultando, por fim, na diminuição da carga tributária estadual para a Defendente”. No decorrer dessas operações, a impugnante foi “... comunicada pelo fornecedor que os seus procedimentos (escrituração fiscal e contábil) estavam sendo fiscalizados pela Fazenda Estadual, cujo resultado não tem conhecimento, o qual poderá, sem qualquer dúvida, trazer luzes às operações realizadas pela empresa fornecedora...”. Na continuação, a empresa lança outras argumentações conforme os próximos tópicos. Dos Fornecedores Fl. 774DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 769 13 Nesse ponto, a impugnante tece seus argumentos de defesa em relação às inscrições estadual e federal do fornecedor Vermont, de diligências efetuadas e da inaptidão/cassação das inscrições do mesmo. Alega a contribuinte que, na época das operações questionadas pela fiscalização, a empresa Vermont estava inscrita tanto no CNPJ quanto no cadastro de contribuintes do estado do Espírito Santo. Segundo a interessada, para se inscrever no CNPJ não ocorre nenhuma diligência para se comprovar a localização, a capacidade financeira dos sócios etc. Diferentemente do que ocorre com a inscrição estadual. Essa é precedida de “... um sem número de documentos e condições para a inscrição de uma empresa no Cadastro de Contribuintes, inclusive realizando diligência, por meio de Agente do Fisco Estadual, no local onde a atividade será exercida, com a finalidade de verificar a sua adequação à pretensão do requerente da inscrição”. Nesse sentido, a impugnante transcreve os artigos 21, 22, 24, 26, 27, 32, 33, 34, 35, 48 e 49 do Regulamento do ICMS/ES2002 para corroborar com suas alegações. Assim, o cumprimento das exigências para a concessão da inscrição estadual é um fator de confiança “... para as operações comerciais com as empresas inscritas no Estado do Espírito Santo. O Estado exige ainda, que as partes, antes de transacionarem, efetuem consulta no sistema ‘Sintegra’, com objetivo de verificar se a empresa, na época das operações, está habilitada a realizála”. Ressalta que não é função da impugnante verificar a localização do fornecedor, se este escriturava seus documentos fiscais, se tinha capacidade financeira para realizar as operações. Tal função cabe aos órgãos públicos. O que a interessada fez foi seguir “... a exigência legal cabível, ou seja, efetuou consultas ao Cadastro de Contribuintes do Estado do Espírito Santo, Consulta Pública ao Cadastro – Sintegra/ICMS e ao CNPJ, logrando observar, em ambos, que a vendedora estava estabelecida no local onde as notas fiscais eram emitidas e que estava habilitada a efetuar operações...”. Além disso, “Todas as notas fiscais de aquisição foram emitidas eletronicamente, as quais são autorizadas uma a uma, operação a operação, pelo sistema oficial de emissão, que veda, terminantemente, a emissão por empresa que não esteja perfeitamente regular perante ao (sic) Fisco”, ou seja, “... se a empresa não estiver com sua inscrição cadastral regular perante o Fisco o sistema não emite a nota fiscal”. Para a contribuinte, tal condição “... é a prova inconteste dos autos, ou seja, ao tempo das operações a empresa vendedora estava em atividade, emitiu notas fiscais eletrônicas e, por isso, necessariamente se encontrava em situação regular perante o Fisco”. A Autoridade Fiscal, que desqualificou a empresa vendedora informando que a mesma estava na condição de “não habilitada” no âmbito estadual e de “inapta” no âmbito federal, não considerou que tais situações ocorreram muito tempo depois das operações realizadas (a inabilitação no cadastro do ICMS em 05/11/2014 e a inaptidão no CNPJ em 05/2013). Fl. 775DF CARF MF 14 Nesse sentido, o relato da diligência efetuada pelo próprio Auditor Fiscal informa que a empresa procurada não funciona naquele endereço há aproximadamente dois anos. Tal informação, colhida de um vizinho localizado próximo “... ao local onde se encontrava estabelecida a empresa Vermont, confirma, à saciedade, espancando qualquer dúvida em relação ao regular funcionamento da empresa ao tempo das operações, que a empresa vendedora não só existia, no papel, mas de fato, pois exercia atividades no local onde estava estabelecida”. De todo o exposto, a interessada entende que as conclusões que fundamentaram a ação fiscal não podem ser aceitas e, “... como meio de garantir o pleno exercício ao direito de defesa, para complementar a diligência realizada pelo Fisco Federal, a Defendente requer que seja oficiada a Receita Estadual, para que, antes do julgamento e com vistas à Defendente, seja fornecida cópia do processo de inscrição estadual da empresa Vermont, onde se poderá ver o resultado da diligência fiscal no local do estabelecimento e do deferimento da sua inscrição, anexando, inclusive, a análise dos documentos apresentados atendendo a legislação estadual”. Das Operações sem o Trânsito das Mercadorias Ao contrário da Autoridade Fiscal, para a interessada “Não causa nenhuma espécie a realização de operações sem que as mercadorias transitem pelos estabelecimentos envolvidos. Esse procedimento, absolutamente regular, está previsto na legislação da União e de todos os Estados Brasileiros, adequandose, perfeitamente, às grandes distâncias entre os vários centros produtores e de consumo”. Tratase do Convênio SINIEF, s/nº, de 15/12/1970, o qual permite “... a emissão de notas fiscais e, conseqüentemente, realizar operações de compras e vendas, sem que as mercadorias tenham que transitar fisicamente pelos estabelecimentos envolvidos nas operações”. Esclarece a empresa que “A compra e venda de uma mercadoria caracteriza se, primordialmente, por ser uma transferência jurídica de propriedade, e não, como se pretendeu nesses autos, uma saída ou uma entrada física, que sequer, no caso do imposto estadual, é seu fato gerador...”. Entretanto, a contribuinte alega ter cometido erro “... no momento da emissão das suas notas fiscais e de não ter exigido de seus fornecedores o mesmo procedimento, ou seja, da necessidade de se observar, no corpo do documento fiscal, que a operação não ensejava, naquele momento, a transferência física da mercadoria, mas exclusivamente a troca de sua titularidade. Essa simples observação, situada no campo dos deveres instrumentais, teria possibilitado ao Auditor Federal uma melhor compreensão das operações realizadas”. Voltando ao Convênio SINIEF, a empresa destaca os arts 18, 54 e 56, os quais permitem e regulam a transmissão de propriedade e a emissão de notas fiscais para acobertar operações em que as mercadorias não transitam pelos estabelecimentos envolvidos. De acordo com a impugnante, esses dispositivos são encontrados “... em todos os Regulamentos de ICMS dos Estados Brasileiros, não deixando qualquer dúvida sobre a legalidade das operações efetivadas pela Defendente. A triangulação apontada pelo ilustre Auditor Fiscal é perfeitamente legal, tratandose de operações jurídicas, com incidência de imposto na forma da legislação, sem que, entretanto, na oportunidade, tenham as mercadorias sido objeto de movimentação física”. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 770 15 As referidas operações são comprovadas pelos “... pagamentos efetuados pela Defendente, devidamente documentados e, digase, escriturados e a seu tempo declarados às Receitas Estadual e Federal, por meio de informações eletrônicas próprias. Não houve, em nenhum momento, nem desejo nem intenção de esconder as operações realizadas, as quais, entende a Defendente, estão revestidas da mais pura legalidade”. Ainda sobre os pagamentos, estes perfazem “... as condições necessárias para considerar perfeitamente válidas as operações realizadas pela Defendente, destruindo a tese do ilustrado Agente do Fisco de pagamentos sem causa, uma vez que a causa dos pagamentos foram (sic) operações de aquisição de mercadorias de empresa a seu tempo existente de fato e de direito e com funcionamento regular comprovado”. Fica também “... evidenciado pelos pagamentos, que a Defendente efetivamente recebeu as mercadorias objeto das transações realizadas, as quais foram posteriormente revendidas a vários clientes localizados no Estado ou fora dele”. Ao final, a impugnante entende que restou comprovado(a): • A existência de fato e de direito da empresa vendedora; • A existência das mercadorias objeto da transação, inclusive, o seu recebimento por parte da Defendente; e • O pagamento, via estabelecimento bancário, do preço avençado entre as partes, não se aplicando o entendimento de pagamento sem causa. Dos Incentivos Fiscais Segundo a contribuinte, o estado do Espírito Santo é um dos que mais se destacou na concessão de incentivos fiscais no país. Nesse sentido, “... um dos incentivos concedidos pelo Estado é aquele destinado às empresas atacadistas, cuja carga tributária, nas operações interestaduais, é de 1% (um por cento), apesar do destaque na nota fiscal de venda da mercadoria ser de 12% (doze por cento). É dizer, a empresa vendedora repassa, sem custo, à compradora um crédito de ICMS de 11%”. Tendo em vista a “Guerra Fiscal”, alega a empresa que “Com o propósito de esconder dos demais Estados da Federação os incentivos que são concedidos, o Estado do Espírito Santo incentiva a triangulação entre empresas com incentivos e empresas sem incentivos. A busca de situações mais favoráveis é uma tônica no Estado, com inúmeras consultas respondidas pela Fazenda Estadual nesse sentido, permitindo as triangulações para ganhos tributários em relação aos outros Estados”. As operações realizadas pela impugnante enquadramse nesse contexto, ou seja, “... tiveram por objetivo minimizar a carga tributária interna, através da aquisição de mercadorias de empresa que acumulava crédito de imposto em razão de operações internas tributadas, os quais eram repassadas para a Defendente. Desse modo, apesar do acréscimo de 3% no preço nominal, ainda assim, eram mais vantajosas”. Fl. 777DF CARF MF 16 E é nesse contexto que surgiu a empresa Vermont, na qual a contribuinte acreditou, “... bem como inúmeros outros comerciantes no Estado do Espírito Santo. Em diversas oportunidades a Defendente interrogou o representante comercial da empresa Vermont, tendo obtido dele informação que a situação da empresa era regular, que estava com as declarações e escriturações em dia”. Por fim, a interessada menciona novamente que a empresa Vermont foi alvo da fiscalização estadual e requer que sejam trazidas ao presente processo cópias do referido procedimento fiscal estadual. Da Inexistência de Pagamentos Feitos em Duplicidade Argumenta a contribuinte que, ao contrário do que afirma a Autoridade Fiscal, não ocorreu pagamentos em duplicidade. Os pagamentos em questão “... foram efetuados em razão de devoluções feitas pelo banco cedente, conforme se pode observar na planilha abaixo...”: Assim, não há “... qualquer pagamento em duplicidade, não passando a acusação de incorreção do levantamento fiscal, que não vislumbrou, diante de grande número de documentos, a devolução de pagamento e, por conseqüência, o seu refazimento”. Da Cobrança de IRPJ e seus Reflexos Alega a interessada que “... provou que realizou operações de compras e vendas, efetuando pagamentos e recebimentos através de operações bancárias, conforme retratam os seus registros fiscais e contábeis, submetidos, a tempo e a hora, à fiscalização federal autuante”. Desse modo, “... não houve omissão de receitas ocorrida em empresa interposta, mas receitas que foram, ou caso não, (sic) deveriam ser cobradas da empresa compradora da Defendente, negandose também a existência de acréscimo indevido do CMV, gerando as diferenças dos autos”. Assim, como todos os lançamentos têm a mesma origem, as argumentações da defesa alcançam todas essas questões. Do Acréscimo de 3% Caso, hipoteticamente, “... não se reconheça a validade das operações realizadas pela Defendente, continua incabível a cobrança do IRRF lançado, em razão da incorreção da base de cálculo do lançamento”. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 771 17 Isto porque, como as mercadorias recompradas foram majoradas em 3% e “... mesmo que se considere que a operação foi injustificada, é evidente que o valor do pagamento nesses casos, não foi o valor constante das notas fiscais, mas sim os 3% de acréscimo...”. Assim, de acordo com o raciocínio da impugnante, ao vender uma mercadoria por um determinado preço e depois “... readquirila por um valor acrescido de 3%, é obvio que o valor real pago na recompra foi de apenas 3%. Logo, a base de cálculo do IRRF deverá ser apurada em relação a esse percentual, e não sobre o valor total do pagamento”. Da Multa Confiscatória Alega a impugnante que as operações de “pagamento” não são fatos geradores do imposto de renda, pois, não são acréscimos patrimoniais. Pelo contrário, são decréscimos, os quais não se enquadram na hipótese prevista no art. 43 do CTN. Assim, entende a contribuinte que o instituído pelo art. 674 do RIR/1999 (art. 61 da Lei nº 8.981/1995) “... é uma efetiva penalidade, dissimulada em imposto de renda retido na fonte, objetivando punir o pagamento sem causa. Não sendo essa cobrança tributo, o que não se tem qualquer dúvida, caracterizase, na verdade, como uma penalidade disfarçada de tributo, em afronta às prescrições do art. 3º do CTN, que veda esse tipo de procedimento”. A empresa considera também que a multa de 150% “... do valor dos pagamentos ditos sem causa, acrescidos do próprio imposto, evidencia uma penalidade absolutamente irrazoável, por isso, confiscatória”. Nesse sentido, “... não há dúvida que multas nestes percentuais são consideradas excessivas, resultando numa forma de tributação com efeito de confisco, onerando ilegalmente o patrimônio do contribuinte, no caso, a Defendente, em franca violação ao art. 150, inciso IV da Constituição Federal...”. Outrossim, tal entendimento não recai apenas sobre a tributação mas também sobre a penalização tributária. Isto porque, “... a sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que esteja sujeito, não podendo, por isso, ser utilizada como verdadeiro tributo disfarçado, através da previsão de multas exacerbadas, que expropriam desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio”. Para corroborar a sua visão, a interessada traz ao feito entendimento de doutrinadores e a ADIN 551, a qual decidiu que o art. 150, IV, estendese também às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas a natureza de tributo. Dessa forma, “Cotejadas as considerações doutrinárias e a jurisprudência construída no Excelso Pretório em relação aos presentes autos, verificase que a multa de 150% do valor do suposto IRRF lançado, foge aos padrões de razoabilidade a que se encontra condicionado o Poder Público. O Poder Público, no caso dos autos, agiu abusiva e imoderadamente, desvirtuando a atividade estatal do imprescindível princípio da razoabilidade”. Por fim, a empresa requer a redução da aludida multa a patamares não confiscatórios sob pena de nulidade do próprio lançamento impugnado. Fl. 779DF CARF MF 18 Do Pedido Ao final a impugnante requer a nulidade dos autos de infração por sua mais absoluta ilegalidade. Impugnação Responsável Solidário O responsável solidário, o Sr. Ricardo Lúcio Corteletti (CPF: 024.501.717 89), inicia sua defesa argumentando que a pessoa jurídica de qual é sócio “... possui escrituração fiscal e contábil absolutamente regulares, apresentando, a tempo e a hora, as declarações exigidas pelo Fisco Federal e Estadual, portanto, sem nenhuma pendência documental ou de recolhimento de tributos”. Continua se defendendo da com as alegações de que: • “... o Agente Federal baseou sua convicção em premissa absolutamente falsa, impondo à empresa e ao próprio defendente obrigação além de suas responsabilidades, ou seja, como se fosse sua obrigação a verificação cotidiana da situação fiscal dos seus fornecedores e dos seus clientes...”. • A Fiscalização “Ignorou que o mundo comercial é a procura de comprar por menor preço para efetuar vendas por menor preço no mercado”. • “... o componente preço não é somente o simples valor da mercadoria, mas a carga tributária que carrega esse preço. Assim, um preço sendo maior, mas com transferência de carga tributária menor, passa a ser extremamente interessante, diminuindo a tributação seguinte”. Foram nesse sentido que ocorreram as operações fiscalizadas, pois, a empresa “... foi convencida por sua fornecedora (VERMONT) de que era titular de créditos tributários absolutamente legais perante o Estado do Espírito Santo, em razão de operações realizadas com alíquota interna, relativas a compras de mercadorias dentro do Estado, cujas vendas, para outros Estados, eram realizadas com alíquota reduzida”. A fornecedora possuía créditos de tributos estaduais acumulados e, assim, “... os impostos destacados nas operações, de caráter interno, seriam pagos por compensação em face dos créditos acumulados, resultando, por fim, na diminuição da carga tributária estadual para a empresa”. As operações em questão, lembra o impugnante, “... foram realizadas por meio de notas fiscais eletrônicas, portanto, operações conferidas e devidamente autorizadas, sendo remetente estabelecimento devidamente cadastrado e em atividade, com pagamento realizado em estabelecimento bancário”. Especificamente sobre a responsabilidade solidária, o interessado alega que: • “... não cometeu nenhum ato de excesso de poderes ou de infração à lei, contrato social ou os estatutos da empresa, baseando o seu ato de gestão na melhor prática para a empresa, dentro do estabelecido pela legislação”. • “... os atos de gestão praticados pelo defendente não trouxeram prejuízos à Fazenda Pública Nacional, posto que as operações existiram no mundo da vida, não se caracterizando os pagamentos como sem causa”. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 772 19 O impugnante discorda totalmente da conclusão da Autoridade Fiscal, pois, segundo ele, a mesma não condiz com a realidade, afinal, “... se os negócios não existissem, como afirma que não existiram o Auditor Federal, suprimindoos porque não existem, não há qualquer infração a legislação tributária”. Nesse sentido, faz a seguinte indagação “... se a compra e a venda mercantil são inexistentes, onde está o condão que gerou prejuízo para os Cofres Federais?”. Dessa forma, o interessado conclui que não há que se “... falar em prejuízo aos Cofres Públicos, mesmo hipoteticamente, como não há que se falar em pagamento sem causa, eis que todos os pagamentos foram efetuados a beneficiários identificados e com causa conhecida (o pagamento de operações de aquisição de mercadorias, conforme notas fiscais eletrônicas, emitidas por empresas cadastradas e em plena atividade)”. Do Pedido Ao final o impugnante requer a sua retirada do pólo de responsabilidade em relação aos supostos débitos do presente processo. Da decisão da DRJ Quando do julgamento na instância primeva, a decisão restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 e 2011 SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Há simulação quando a contribuinte efetua operações de venda de determinada mercadorias com posterior recompra dessas mesmas mercadorias, com preço majorado ou não, sem a comprovação efetiva do trânsito das mesmas e que não apresentam nenhum propósito negocial. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS SIMULADOS. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos simulados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e a fraude, como definido em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, Fl. 781DF CARF MF 20 cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, inc. III do CTN, ao sócioadministrador, responsável pela administração e gerência, uma vez comprovado que este cometeu infração à lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 e 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa; o rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 GLOSA DE COMPRAS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Ausente a comprovação da efetividade de operações de compra de mercadorias e carente dos demais elementos comprobatórios da idoneidade das notas fiscais de compras, correta é a glosa correspondente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte De acordo com a decisão, foram apenas decotados da base de cálculo da autuação os valores pagos em duplicidade, pois devidamente comprovado pela contribuinte que o que ocorreu foram devoluções bancárias de alguns pagamentos e não pagamentos em duplicidade. Com relação aos demais fundamentos, as multas e a responsabilidade tributária do sócio, foram todos mantidos. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 773 21 Intimados, empresa e responsável, foram interpostos os recursos voluntários nos seguintes termos: Recurso da Pessoa Jurídica Argumenta a recorrente, em síntese que a fiscalização acusa a recorrente de ter simulado operações de compra e venda para aumentar artificialmente seus custos; que referem esses autos à cobrança de IRPJ, CSLL e reflexos, além de IRRF sobre os pagamentos supostamente inexistentes, considerando que tais operações configuram pagamentos sem causa ou a pessoa desconhecida. Fundamenta que o principal argumento dos autos é de que as empresas seriam de "fachada" mas que não poderia o fisco exigir da contribuinte a obrigação de fiscalizar as empresas com quem mantinha relações comerciais e que tal responsabilidade de fiscalizar seria do próprio fisco. Diz ainda, que seria inaceitável a conclusão da decisão recorrida de que restaria incontroverso o entendimento da ação fiscal em relação às empresas Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios LtdaME (CNPJ 12.454.308/000101), Fênix Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda (CNPJ 11.731.722/000132) e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 10.813.188/000140), ainda que a Impugnação tenha mencionado expressamente a empresa Vermont Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 10.937.598/000101), pois apenas tomou essa empresa como exemplo. Alega ainda que as empresas que, conforme o fisco, eram apenas de "fachada", funcionaram regularmente no período autuado e junta documentação dos fiscos estaduais para comprovar tal fato. Requer, assim, a não responsabilidade da requerente por atos das empresas fornecedoras. Com relação ao custo de mercadoria vendia (CMV), argumenta a contribuinte que deve ser observado que o custo de uma mercadoria deve considerar também a redução da carga tributária do imposto estadual. Isto é, ainda que as aquisições apresentassem preços maiores, a redução da carga tributária compensava esse aumento. Ademais, tendo em vista que as fornecedoras emitiam notas fiscais eletrônicas e se encontravam regularmente inscritas no fisco estadual, concluise que não havia razão para a recorrente duvidar da validade das operações. Com relação à existência de omissão de receitas, argumenta a recorrente que o próprio julgador de primeiro instância esclareceu ser possível esse tipo de operação sem a efetiva remessa de mercadoria. Justificase que o que ocorreu foi um simples erro de não constar nas notas ficais a não transferência física de mercadoria e tãosomente a troca de titularidade. Nesse sentido, requer a reforma da decisão. Ad argumentadum, expõe que não seria compatível a tributação do CMV com a incidência sobre esses mesmos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte por pagamento sem causa, pois se a fiscalização e a decisão recorrida entendem que as operações não existiram, então somente seria possível cobrar o IRPJ decorrente das glosas das operações, incompatível a cobrança cumulada do IRRF por pagamento sem causa. Fl. 783DF CARF MF 22 Expõe, ainda que, caso se entenda sobre a inexistência das operações, deve ser cobrado o IRRF apenas sobre a diferença dos 3% que foram majorados na operação e não sobre o valor integral. Por fim, aduz sobre a confiscatoriedade da multa aplicada sobre 150% do valor da operação. Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Dos Recursos Os recursos interpostos pela Pessoa Jurídica e pela Pessoa Física são tempestivos e deles conheço. Com relação à parte exonerada do crédito tributário na decisão de primeira instância, o valor é inferior a R$2.500.000,00 e portanto não há recurso de ofício. Do Recurso da Pessoa Jurídica Conforme demonstrado no relatório, cuidam os autos de cobrança de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF referentes ao anocalendário 2010, baseados em omissão de receitas, glosas de custo das mercadorias vendidas e pagamentos efetuados sem causa. Com relação ao argumento do contribuinte em seu recurso voluntário de que se as empresas eram de "fachada", não caberia ao contribuinte fiscalizar tais empresas, não resta nenhuma razão ao contribuinte. De fato, como se observa pelo relatório fiscal, o que está demonstrado aqui nos autos e algo muito maior que uma simples compra de mercadorias de empresas inidôneas. O que havia, em verdade, era um grande esquema de fraude de compra e venda de bebidas no Estado do Espírito Santo, onde empresas inexistentes compravam e vendiam mercadoria apenas para fraudar o fisco, seja omitindo receitas, seja para se beneficiarem de créditos tributários em algumas triangulações de compra e venda, sempre inexistes. De fato, a fiscalização considerou como interpostas pessoas as seguintes pessoas jurídicas: Vermont Indústria e Comércio Ltda, Mega Plus Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. Fenix Comércio de Gêneros Alimentícios e Mega Prime Indústria e Comércio Ltda. Quando de sua defesa, a impugnação tãosomente cuidou da Vermont e não das demais, restando, portanto, preclusão essa matéria. Por outro lado, todo conjunto fático probatório dos autos demonstram que o que existia era um esquema fraudulento em que empresas apenas emitiam notas para acobertar a compra e venda de mercadoria sem qualquer lógica e efetivo trânsito de mercadoria. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 774 23 A prova da simulação, por sua própria natureza de vício oculto, é muito difícil de ser produzida. Os simulantes procuram esconder a verdade para fraudar a lei atingindo um fim diverso daquele exteriorizado pelo negócio jurídico. Contudo, a inviabilidade logística de todas as operações e, ainda, a absoluta falta de propósito negocial aponta diretamente para o que foi constatado pela fiscalização, ou seja, as empresas eram apenas de "fachada", as operações não ocorreram e todo o esquema objetivava somente fraude à tributação. Ademais, todas as empresas tem em seus contratos sociais pessoas físicas que não possuíam patrimônio compatível com o tipo de operação realizada, nem com os faturamentos apontados e tampouco foram encontradas. Seria muita coincidência admitir que a recorrente apenas fazia negócios com esse tipo de empresa. Por outro lado, esses mesmos negócios não restaram cabalmente demonstrados pois não ha comprovação da efetiva circulação de mercadoria e tãosomente transferências de numerários e circulação de notas fiscais. A simulação é de difícil comprovação cabendo ao julgador com base em seu conhecimento e com as provas e fatos juntado aos autos, se convencer da efetiva operação ocorrida, não aquela simulada, mas sim, a verdadeira e real intenção dos partícipes. Nesse sentido, por todo o conjunto fático probatório acostado aos autos, não restam dúvidas que as empresas faziam parte de todo o esquema com o único objetivo de burlar a legislação tributária. Custo de Mercadoria Vendida CMV Com relação a esse tópico, e tentando justificar o porquê de as operações terem sido realizadas com valores superiores aos valores de mercado, argumentou a contribuinte em sua peça recursal, que o custo da mercadoria deve considerar também a redução de carga do imposto estadual. Contudo, conforme restou decidido na decisão primeva, o único benefício tributário a que eventualmente faria jus a contribuinte, seria o InvestES. Entretanto, não há nos autos, qualquer comprovação de que a autuada ou seus fornecedores tinham direito a esse benefício. Novamente, o conjunto fático probatório aponta para o que a fiscalização concluiu, ou seja, essas mercadorias não circulavam e o custo delas era superior ao custo das demais mercadorias similares disponíveis no mercado. Nesse sentido, entendo como improcedente a alegação da recorrente e que realmente os custos foram majorados visando apenas ilidir a tributação Da impossibilidade da cobrança de IRPJ sobre as glosas e o IRRF do pagamento sem causa Com relação a esse tópico, tendo em vista que o contribuinte não alegou essa matéria no momento oportuno, qual seja, em sua impugnação, deixo de apreciala pois preclusa, conforme entendimento desse Conselho: Fl. 785DF CARF MF 24 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Processo nº 13855.002732/200971 Acórdão nº 3402003.038 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2016 Se a Recorrente, neste processo não impugnou especificamente esse ponto apresentado neste tópico recursal, não tendo, inclusive, havido apreciação sobre ele pela DRJ, não poderia ter trazido a discussão em sede de Recurso Voluntário, o que fere a segurança jurídica e o duplo grau do processo administrativo. O art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 é claro e direto sobre a preclusão de matéria não expressamente contestada na Impugnação. Não há problema, por exemplo, em se trazer novas provas na fase de Recurso Voluntário, desde que haja uma justificativa razoável para tanto e que a matéria já tenha sido alegada em Impugnação. Por outro lado, trazer matéria completamente nova em sede de Recurso fere o já referido art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Não se pode romper com o próprio rito do processo administrativo fiscal, permitindo que se traga matérias novas, que não são de ordem pública, apenas em segunda instância. Assim, no Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Da cobrança do IRRF apenas sobre os 3% Alega por fim a recorrente que ao vender a mercadoria por um determinado preço e depois readquirala por um valor acrescido de 3%, que seria óbvio que o valor real pago na recompra foi de apenas 3%. Dessa forma, a base de cálculo do IRRF deveria ser apenas esse percentual de 3%, e não o valor total de pagamento. Os pagamentos efetuados referemse a aquisição de mercadorias da própria contribuinte. Mercadorias essas que conforme restou comprovado pela autuação não tiveram sequer trânsito entre as pessoas jurídicas envolvidas e que de acordo com o que já foi analisado, foram objeto de operações sem qualquer propósito negocial, ou seja, simuladas. Por outro lado, não resta dúvidas que a previsão legal alcança todos os pagamentos sem comprovação da operação ou sua causa, cabendo ao sujeito passivo o ônus de comprovar as operações que deram causa aos pagamentos para demonstrar a inocorrência da hipótese de incidência prevista no artigo 61 da Lei n.º 8.981/95. Ademais, quando se simula uma operação está se assumindo o risco de ter todas as consequências oriundos daquele fato contrário a lei. Tendo sido realizado o pagamento sem causa, não deve recair os tributos apenas sobre os 3% majorados da operação simulada, e Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 775 25 sim, sobre o total do valor que representa exatamente o risco assumido pela operação fraudulenta. Da caráter confiscatório da multa de 150% Segundo a empresa a multa de 150% não se coaduna com os princípios constitucionais de razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição de confisco, este expressamente vedado pelo art. 150, IV da CF. Quanto às multas lançadas nos percentuais de 150% do imposto devido, estão previstas no art. art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996 c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei n.º 5.172/1966 (CTN) e art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996. No que se refere ao questionamento sobre a qualificação da penalidade, não se pode deixar de levar em conta que a fiscalização entendeu presente no caso concreto, o evidente intuito de fraude, definido em lei e necessário a qualificação. Este fato concreto, que não configura qualquer presunção, subsumese à hipótese prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996, configurando evidente intuito de fraude. Tal multa constitui penalidade pecuniária, já que não visa arrecadar mais tributo ou contribuição, mas sim desestimular a prática da ilicitude fiscal que visa coibir e, portanto, não está enquadrada na garantia constitucional prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que diz respeito apenas a tributos. E tributos, na definição do próprio texto constitucional, são os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (CF/1988, artigo 145, I, II e III). As multas, portanto, não são tributos, como, aliás, já define o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966, artigo 3º), o qual dispõe, inclusive, que esses não constituam sanção de ato ilícito, distinguindoos das multas, que visam punir uma conduta ilegal. Somente incorre na multa quem infringe a legislação tributária e o contribuinte, ao deixar de cumprir a lei, assumiu o ônus de sua conduta inadequada. Quanto à carga tributária no país, cumpre esclarecer que, na esfera administrativa não é cabível a discussão a respeito da constitucionalidade de leis em vigor, formalmente promulgadas e publicadas. Às Delegacias de Julgamento, como órgãos integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, compete julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, obedecendo aos ditames da lei, sendolhe defeso apreciar arguições de inconstitucionalidade ou inaplicabilidade de textos legais. Como esclarece Luiz Henrique Barros de Arruda em sua obra “Processo Administrativo Fiscal” (Editora Resenha Tributária – 2ª Edição): “a função dos órgãos de jurisdição administrativa consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades “a quo” com as normas legais vigentes”. E conclui que “falecelhes, como falece aos órgãos do poder Executivo criados para desempenhar atribuições equivalentes, competência para pronunciarse a respeito da conformidade de lei, validamente editada segundo o processo Fl. 787DF CARF MF 26 legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declarar lhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário.” Ademais, quanto à alegada inconstitucionalidade das multas exigidas, cumpre ressaltar que a Súmula 02 desse Tribunal, veda expressamente qualquer manifestação sobre esse tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Responsabilidade Tributária Com relação à responsabilidade tributária do sócio, sua responsabilização se deu por força do art. 135, III do CTN onde se prevê que os atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme acima exposto, a justificação para a aplicação da multa agravada também justifica a responsabilização pessoal do sócio, que teve a sua conduta praticada claramente com o intuito de fraudar a legislação tributária. Sendo o Sr. Ricardo Lúcio Corteletti administrador da empresa desde o ano de 2007, fica claro que quem simulou as operações foi o sócioadministrador. Assim, entendo que a sujeição passiva em relação a Ricardo Lúcio Corteletti deve ser mantida, por todos os argumentos expostos acima que dão conta da conduta simulada da recorrente que foi, por óbvio, devidamente representada em todos seus atos pelo responsável. Aliás não há qualquer negação quanto à administração da recorrente, apenas argumentase na peça recursal que a responsabilização deve ser objetiva. Contudo, olvida o recorrente que nada mais óbvio para a caracterização da objetividade da conduta do recorrente do que os próprios atos cometidos pela pessoa jurídica que, obviamente não pratica qualquer ato, sem a pessoa física. Assim, a simulação e a qualificação da multa são suficientes para manter a sua responsabilização, tendo em vista a prática dolosa de infração à lei. Por outro lado, novamente argumenta o recorrente que não poderiam ser as despesas glosadas da base de cálculo do IR e por outro lado cobrado o IRRF sobre esses mesmos pagamentos. Contudo, conforme acima, tal argumentação, não foi exposta na impugnação da contribuinte, tampouco do responsável, tendo restado preclusa a matéria que não pode ser arguida em fase recursal. Tributos Reflexos Com relação aos demais tributos reflexos, o decidido quanto ao IRPJ também se aplica ao PIS, CONFINS e CSLL naquilo em que for cabível. Conclusão Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15586.720855/201406 Acórdão n.º 1401002.507 S1C4T1 Fl. 776 27 Por todo exposto, conduzo meu voto no sentido de julgar improcedente os recursos voluntários interpostos, mantendo in totum a autuação, bem como a responsabilidade pessoal do sócio administrador Sr. Ricardo Lúcio Corteletti. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916632/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
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PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 66 32 /2 00 9- 27 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10783.916632/200927 Acórdão n.º 3301004.671 S3C3T1 Fl. 43 2 Tratase de Declaração de Compensação Dcomp, não homologada, ofertada em virtude de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, arrecadado em 15/04/2003, período de apuração de 31/03/2003, código de receita 8109, no valor de R$ 3.256,15, com débito próprio da contribuinte: Em manifestação de inconformidade, a Recorrente junta o DARF no valor de R$ 3.256,15, como prova do recolhimento indevido. A 4ª Turma da DRJ/BSB, no acórdão n° 03067.578, negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10783.916632/200927 Acórdão n.º 3301004.671 S3C3T1 Fl. 44 3 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o pretenso crédito da empresa é inexistente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em seu recurso voluntário, a Recorrente argumenta que: É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A decisão de piso não merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental mínimo comprobatório do direito creditório requerido, o que já afasta a certeza e liquidez do crédito pleiteado em sede de compensação. Apenas o DARF não comprova que o recolhimento foi indevido. Não foram trazidos aos autos a escrituração contábilfiscal da Recorrente e declarações fiscais hábeis à comprovação do recolhimento indevido (art. 26 a 27 do Decreto n° 7.574/2011). Tratase a compensação de pedido de iniciativa do próprio contribuinte, para o qual, necessariamente, deve apresentar as provas correspondentes. Isso porque a compensação tributária somente é possível, se demonstrada a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, conforme a prescrição do art. 170 do CTN: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10783.916632/200927 Acórdão n.º 3301004.671 S3C3T1 Fl. 45 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Nesse sentido a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 264): A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10783.916632/200927 Acórdão n.º 3301004.671 S3C3T1 Fl. 46 5 Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não cabendo a homologação da DCOMP a ele vinculado, devendo ser mantido o despacho decisório proferido pela DRF de origem. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660352/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 52 /2 01 2- 56 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660352/201256 Acórdão n.º 3401004.753 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660352/201256 Acórdão n.º 3401004.753 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660352/201256 Acórdão n.º 3401004.753 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660352/201256 Acórdão n.º 3401004.753 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660352/201256 Acórdão n.º 3401004.753 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660352/201256 Acórdão n.º 3401004.753 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720087/2012-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 00 87 /2 01 2- 85 Fl. 60DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 7.330,23, por falta de comprovação de pagamento, diminuindo o saldo de imposto de renda a restituir para o saldo de R$1.953,33. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte comprovam parcialmente o pagamento de despesas médicas, restando em aberto apenas os pagamentos de agosto e setembro, relativo ao plano de saúde. No que se refere a despesa no valor de R$300,00 (Renee Andree Marcelle Lutz), não foi mais contestada. Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte todos os demais documentos necessários para comprovar sua despesa, inclusive os meses de agosto e setembro , que estavam pendentes. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13749.720087/201285 Acórdão n.º 2001000.529 S2C0T1 Fl. 3 3 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ela relativos a plano de saúde . Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. O endereço deve ser aposto no recibo para que a Receita Federal, caso considere oportuno, possa intimar o profissional de saúde para prestar esclarecimentos. Destaquese que o domicílio fiscal da pessoa física pode diferir de seu endereço profissional. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Fl. 62DF CARF MF 4 A contribuinte se insurge contra parte da glosa das despesas médicas no valor de R$ 7.030,23 e afirma que nas respectivas faturas consta o nome da beneficiária do plano de saúde que é a própria declarante. Para tanto, junta aos autos, faturas emitidas pela Amil nas quais constam como beneficiária do plano de saúde a impugnante (fls. 10/21). Não foram acatados os pagamentos referentes aos meses de agosto e setembro, pois não consta o comprovante de pagamento e, sim, o agendamento do pagamento. Portanto, somente será considerado o valor de R$ 5.851,48. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13749.720087/201285 Acórdão n.º 2001000.529 S2C0T1 Fl. 4 5 Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência das despesas médicas, entendo que deve ser dado provimento ao pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e dar provimento ao Recurso, considerando as despesas dos meses de agosto e setembro, que haviam sido glosados. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas acima mencionadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000391/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003
PROVA EMPRESTADA.
Laudo técnico exarado em outro processo administrativo, pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA...
Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na' Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ADN COSIT n.° 12/1997 NA PROVA EMPRESTADA.'
A descrição da mercadoria não contem elemento essencial à sua identificação de tal forma que inviabiliza a aplicação do ADN COSIT n.° 12/1997, aplicando assim a multa por falta de licenciamento de importação.
Numero da decisão: 3302-005.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial par afastar a multa por falta de licenciamento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003 PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo, pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003 MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA... Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na' Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ADN COSIT n.° 12/1997 NA PROVA EMPRESTADA.' A descrição da mercadoria não contem elemento essencial à sua identificação de tal forma que inviabiliza a aplicação do ADN COSIT n.° 12/1997, aplicando assim a multa por falta de licenciamento de importação.
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Laudo técnico exarado em outro processo administrativo, pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003 MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA... Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na' Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ADN COSIT n.° 12/1997 NA PROVA EMPRESTADA.' A descrição da mercadoria não contem elemento essencial à sua identificação de tal forma que inviabiliza a aplicação do ADN COSIT n.° 12/1997, aplicando assim a multa por falta de licenciamento de importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial par afastar a multa por falta de licenciamento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 03 91 /2 00 7- 59 Fl. 371DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 22/01/2007, formalizando a exigência de multa do controle aduaneiro e multa proporcional ao valor aduaneiro (1%), no valor de R$ 2.119.270,19. O importador submeteu a despacho, sob Atos Concessórios de Drawback Eletrônico n° 20020062869 e 20020062923, mercadoria descrita como "AGLOMERANTE ORGÂNICO PERIDUR, produto utilizado na usina de pelotização uma de suas funções é dar a pelota um baixo teor de sílica" O produto foi classificado na Tarifa Externa Comum no código NCM 3912.31.l9, tendo sido suspensos os Imposto de Importação (II) à alíquota de 15,5% e Imposto sobre Produtos Industrializados(IPI) à alíquota de 5%. Por ocasião da conferência física da mercadoria da declaração de importação 03/02568276, foi retirada amostra do produto em questão, a qual foi enviada ao Laboratório de Análises LABOR, resultando no laudo técnico N° 40046/03, com a conclusão que tal produto tratase de "SAL SÓDICO DE CARBOXIMETILCELULOSE COM TEOR DE PUREZA NÃO SUPERIOR A 75% EM PESO". Através da análise do resultado do laudo n° 40046/03 e da aplicação da Regra Geral para a Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, a fiscalização concluiu que o produto importado deveria ter sido classificado no código NCM 3912.31.29 que é a posição específica para "sais de carboxilmetilcelulose com teor de sais inferior a 75%, em peso". Com base no § 3o do artigo 3° do Decreto 70.235, a fiscalização utilizou o teor do laudo n° 40046/03 para fundamentar a desclassificação fiscal do produto em análise. Dado o erro de classificação tributária, foram apuradas as seguintes infrações: a) Importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente; b) Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 12466.000391/200759 Acórdão n.º 3302005.614 S3C3T2 Fl. 3 3 Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 12/02/2007 (fls. 5), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 13/03/2007, de fls. 132 a 141, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü A arguição de que a inexistência de prejuízo à fiscalização ou supressão de tributo; ü A arguição de que sendo indevida a multa por classificação tarifária errônea, a multa por classificar incorretamente na nomenclatura do MERCOSUL, também, é indevida. Em 05 de setembro de 2008, através do Acórdão n° 0713.883, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis por maioria de votos, considerou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento, mantendose integralmente a multa por erro de classificação fiscal no valor de R$87.084,05 e parcialmente a multa por falta de Licença de Importação referente à DI n.° 03/02568276 no valor de R$347.265,15, perfazendo um total do crédito tributário mantido de R$ 434.349,20. Entendeu a Turma que a fiscalização comprovou que a correta classificação do produto é o código NCM 3912.3129, diferente da adotada pela importadora nas Declarações de Importação relacionadas no Auto de Infração, então é devida a multa por erro de classificação. A Declaração de Importação n° 03/02568276, na qual foi retirada amostra do produto para exame laboratorial, não se enquadra na hipótese prevista no ADN 12/97, sendo, portanto, cabível a exigência da multa do controle aduaneiro. No entanto, para as demais Declarações de Importação que foram objeto de revisão aduaneira não se pode aplicar o mesmo entendimento, na medida em que as mercadorias ali constantes foram perfeitamente identificadas a partir da existência de um laudo que descreveu o produto importado. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 02/10/2008 (folhas 280), via Aviso de Recebimento. Em 31/10/2008, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 283 a 296. O Recorrente alegou os seguintes pontos: ü A arguição de inexistência de prejuízo à fiscalização ou supressão de tributo. Correta descrição do produto apesar de classificação errônea; ü A arguição de que embora a classificação tarifária dada pela fiscalização tenha sido diversa da atribuída pela RECORRENTE, a descrição da mercadoria importada feita por esta última foi precisa o bastante para que se permitisse a sua perfeita identificação por parte do fisco; Fl. 373DF CARF MF 4 ü A arguição de que há que imperar a hipótese excludente de aplicação da multa em análise por força da previsão do Ato Declaratório ADN COSIT n° 12/1997; ü A arguição de que sendo indevida a multa por classificação tarifária errônea, a multa por classificar incorretamente na nomenclatura do MERCOSUL, também, é indevida. Em 11 de dezembro de 2014, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através da Resolução n° 3102000.334, resolveu baixar os autos em diligência, para que a autoridade preparadora informasse se para a NCM definida no Auto de Infração havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM utilizada pelo importador, inclusive, se tratavam de licenciamentos automáticos ou não automáticos. Após responder a Resolução (folhas 348 do processo digital), a autoridade preparadora cientificou o Recorrente que se manifestou às folhas 358 do processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 02 de outubro de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 31 de outubro de 2008. Da controvérsia. A controvérsia reside em atribuir à conduta do importador as seguintes sanções aduaneiras: 1) Importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, tendo por sanção a multa do controle aduaneiro; 2) Mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, tendo por sanção a multa proporcional ao valor aduaneiro (1%). Do Recurso de Ofício. O Recurso de Ofício não será conhecido porque não atinge o limite de alçada vigente à época do julgamento. Do Mérito. Resposta à Resolução n° 3102000.334, de 11 de dezembro de 2014. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 12466.000391/200759 Acórdão n.º 3302005.614 S3C3T2 Fl. 4 5 Tomase como marco inaugural da presente análise a resposta da autoridade preparadora à Resolução n° 3102000.334. Às folhas 350 do processo digital, a autoridade preparadora assim assinala: (...) A análise dos dispositivos acima transcritos nos faz concluir que as NCM que estavam sujeitas a licenciamento não automático eram aquelas constantes na Tabela Tratamento Administrativo do Siscomex e que todas aquelas que não constassem na referida Tabela, por conseqüência, estariam sujeitas ao licenciamento automático. Ademais, é importante observar que, na consulta ao histórico do tratamento administrativo, a data em que determinado tratamento consta como historiado representa a data em que esse tratamento foi retirado da Tabela Tratamento Administrativo vigente, passando a constar apenas na consulta histórico. Observandose as telas anexadas (folhas 342 a 347) concluise que tanto a NCM declarada, 3912.31.19, quanto a NCM correta, 3912.31.29, tiveram seu tratamento administrativo retirado da Tabela Tratamento Administrativo em 20/12/2000, não tendo sido instituído nenhum outro tratamento administrativo para essas NCM até 31/12/2003. Dessa forma, por ocasião do registro das DI objeto da autuação ambas NCM sujeitavam se a licenciamento automático. Entretanto, no caso das DI objeto da autuação a operação de importação, que se deu na modalidade drawback, estava sujeita a licenciamento não automático, conforme item 1 combinado com Anexo I do Comunicado Decex n° 37/97. (Grifo e negrito nossos) Portanto, é cabível a multa do controle aduaneiro. A multa proporcional ao valor aduaneiro (1%) No tocante à multa por erro de classificação, cumpre ressaltar que a multa em comento não contempla atenuante por correta descrição. A norma legal simplesmente prevê a infração, qual seja a de classificar incorretamente na NCM, e para ela aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Desta forma, haja vista que a fiscalização comprovou que a correta classificação do produto é o código da NCM 3912.3129, diferente da adotada pela importadora nas DIs relacionadas no Auto de Infração, é devida a multa por erro de classificação de que trata a Medida Provisória n.° 2.15835/2001, artigo 84. Da ausência de dano ao Erário. Importante esclarecer que ambas as multas exigidas não preveem a ocorrência de dano ao Erário para sua tipificação. Fl. 375DF CARF MF 6 Se no caso em análise houvesse dano ao Erário, a penalidade imposta seria bem mais gravosa. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 376DF CARF MF
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Numero do processo: 10242.000211/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1998 a 30/04/2004
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos.
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL. EX OFFICIO. SÚMULA VINCULANTE STF 8.
Impõe-se, ainda que parcial, o reconhecimento de ofício do advento de decadência com fulcro na Súmula Vinculante STF n. 8.
Destarte, deve ser observado o prazo quinquenal para a constituição de créditos tributários, previsto no CTN, vez que inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto-Lei n. 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes.
PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91.
Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARRECADADAS, MEDIANTE DESCONTO, DO VALOR DO PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE PRODUTORES RURAIS - PESSOAS FÍSICAS. RECOLHIMENTO À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGATORIEDADE.
A empresa está obrigada a recolher as contribuições sociais previstas no art. 25 da Lei n. 8.212/91 incidentes sobre o valor do produto rural adquirido Produtores Rurais - Pessoas Físicas.
NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA.
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.
Caracterizado a formação de grupo econômico de fato, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação às competências até 11/1999, inclusive, e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL. EX OFFICIO. SÚMULA VINCULANTE STF 8. Impõese, ainda que parcial, o reconhecimento de ofício do advento de decadência com fulcro na Súmula Vinculante STF n. 8. Destarte, deve ser observado o prazo quinquenal para a constituição de créditos tributários, previsto no CTN, vez que inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do DecretoLei n. 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 02 11 /2 00 7- 38 Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 102 2 O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao AuditorFiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARRECADADAS, MEDIANTE DESCONTO, DO VALOR DO PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS. RECOLHIMENTO À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGATORIEDADE. A empresa está obrigada a recolher as contribuições sociais previstas no art. 25 da Lei n. 8.212/91 incidentes sobre o valor do produto rural adquirido Produtores Rurais Pessoas Físicas. NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte devese comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico de fato, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação às competências até 11/1999, inclusive, e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 103 3 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 2305/2318 em face da Decisão Notificação (DN) n. 26.401.4/0056/2006 Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 2277/2285), que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.601.3707 consolidado no valor total de R$ 658.636,08 na data de de 22/12/2005 (efls. 03/46) com fulcro nas contribuições sociais arrecadadas, mediante desconto, do valor do produto rural adquirido de Produtores Rurais Pessoas Físicas, verificados em notas fiscais de entrada e notas promissórias rurais relativas ao período de 10/1998 a 04/2004, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 128/140. O Relatório Fiscal (efls. 128/140), bem assim o Relatório de Grupo Econômico RGE (efls. 183/210), caracterizam os procedimentos fiscais realizados; as evidências constatadas no curso da fiscalização e a solidariedade das empresas FRIGORÍFICO BONSUCESSO LTDA., FRIGORÍFICO PORTO LTDA., FRIGORÍFICO VALE DO RIO ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A que constituem grupo econômico pelas obrigações tributárias de natureza previdenciária em apreço. A Recorrente foi regularmente cientificada da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) em 29/12/2005 (efl. 1484), e, irresignado, apresentou, em 10/01/2006, a impugnação de efls. 2247/2259, aduzindo, em síntese: i) Preliminar de nulidade de citação; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Inexistência de solidariedade; iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal; v) Inobservância das regras que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal. Ao fim, requer que seja julgada a insubsistência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46). Os solidários também foram cientificados do lançamento em lide. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 104 4 O crédito tributário de natureza previdenciária abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0056/2006 ((efls. 2277/2285), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: A Recorrente foi cientificada do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0056/2006 (efls. 2277/2285) em 30/05/2006, conforme editais publicados em 16/05/2006; 23/05/2006 e 30/05/2006 (efls. 2300/2302) e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário ao Conselho de Recursos Fiscais da Previdência Social (CRPS) em 16/06/2006 (e fls. 2305/2318), esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da impugnação de efls. 2247/2259. Os solidários também foram notificados do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0056/2006 (efls. 2277/2285). Todavia, o Recurso Voluntário de efls. 2305/2318, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, §1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 2328/2329). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Desta forma, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu à revisão da legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO), concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 2305/2318, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 2425/26. É o relatório. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 105 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Consoante já relatado, o Recurso Voluntário de efls. 2305/2318, a despeito de sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por consequência, negado o seu seguimento, com fundamento no art. 126, §1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada pela Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO (efls. 2328/2329). Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21 29/10/2009 DJe n. 223 27/11/2009 restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo. Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, §1°., da Lei n. 8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, exarada pela autoridade administrativa (Seção do Contencioso Administrativo Delegacia da Receita Previdenciária Porto Velho/RO) efls. 2328/2329, concluindo pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de efls. 2305/2318, conforme despacho de acompanhamento especial de efls. 2425/2426. Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso, deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado normalmente. Isto posto, o Recurso Voluntário (efls. 2305/2318) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Da Preliminar de Decadência (reconhecimento de ofício) Súmula Vinculante STF n. 8. O lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) consolidado no valor total de R$ 658.636,08 na data de de 22/12/2005 foi constituído em 29/12/2005 e referese a descumprimento de obrigação principal compreendendo as competências 10/1998 a 04/2004. Considerandose a ocorrência de lançamentos em face das competências 01/2000 a 12/2000, potencialmente suscetíveis de decadência pela regra do art. 150, §4°., do CTN, é oportuno destacar a inexistência de registro nos autos, inclusive no corpo da NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) e Relatório Fiscal de efls. 128/140, de pagamento antecipado relacionados àquelas competências, na forma prevista na Súmula CARF n. 99. No Discriminativo Analítico de Débito (DAD) da NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) há informação de créditos considerados na coluna "DIVERSOS" vinculados apenas às competências 10/1998 e 11/1998 já alcançadas pela decadência, independentemente da regra pela qual se analise (art. 150, §4°. ou art. 173, I, do CTN) e às Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 106 6 competências 06/2001; 11/2002 e 12/2002, que não se enquadram em nenhuma das regras de decadência, vez que o crédito tributário em lide foi constituído em 29/12/2005. Desta forma, incide, no caso concreto, para fins de verificação de advento de decadência, com fulcro na Súmula Vinculante STF n. 8, a regra geral estabelecida no art. 173, I, do CTN, restando decaídas as competências até 11/1999, inclusive. Isto posto, reconheço, de ofício, a preliminar de decadência. Da Preliminar de Nulidade de Citação De plano, cabe ressaltar que a ciência por via postal é modalidade de intimação prevista no art. 23, II, do Decreto n. 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal , bem assim na IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 vigentes à época dos fatos. Outrossim, inexiste ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido no Decreto n. 70.235/1972. A teor do art. 23, §1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação ficta, por via editalícia, é que se exige ordem de preferência, uma vez que deve resultar improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas). Da análise dos autos, constatase que a ciência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide foi direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215, nomeada e constituída pelo Recorrente mediante o instrumento procuratório público registrado no Tabelionato Figueiredo Ofício Único de Notas Vilhena/RO na data de 14/02/2005 Traslado: Primeiro Livro: 228 Folhas: 031 com validade até 31/12/2005 (efl. 228). No instrumento de procuração pública de efl. 228, o Recorrente outorga amplos e ilimitados poderes à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, a seguir transcritos: Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou, recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento da NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) em desfavor da Recorrente, tais como: Mandados de Procedimento Fiscal Fiscalização e Complementar, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, Relatório de Grupo Econômico, Termo de Cientificação de Constituição de Crédito em Grupo Econômico, Agendamento de Devolução Parcial de Documentos Apreendidos e TEAF (efls. 47/57 e 216/227). Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 107 7 E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS RG 303.598 SSP/RO CPF 621.104.38215 a signatária do Aviso de Recebimento (AR) e fl. 2271 da correspondência cujo conteúdo compreende, entre outros documentos, a NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46), objeto do presente litígio. Destarte, é reprovável e afronta o princípio da boafé objetiva que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente pretenda infirmar os poderes outorgados à procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS, que o representou em todo o curso da ação fiscal que culminou com o lançamento do crédito tributário consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46), buscando desqualificar o domicílio fiscal por ela eleito (diverso daquele onde se situa a sede da Recorrente) para comunicarse com a Fiscalização da RFB, bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 (efl. 228) e o aperfeiçoamento do lançamento em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de efl. 2271. Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à qualificação do recebedor, objeto de questionamento pelo Recorrente, é relevante resgatar o Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. É oportuno salientar que, ainda que se falta ou irregularidade houvesse na intimação (ciência da NFLD DEBCAD n. 35.601.3707), o comparecimento da Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de efls. 2247/2259, é bastante para sanear eventual vício existente na intimação. Por fim, convém destacar que a Recorrente encontrase com situação cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) baixada desde 09/02/2015, por motivo de omissão contumaz, conforme consulta realizada no sítio da RFB (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp). Isto posto, rejeito a preliminar. Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal No que tange ao questionamento em face do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo a fazer na decisão recorrida, vez que o MPF Fiscalização n. 09233178 expedido em 13/04/2005 com validade até 11/08/2005 para verificação do cumprimento das obrigações principais decorrentes de Folha de Pagamento e Contribuição Rural (efl. 216) e o MPF Complementar 01 n. 09233178 expedido em 16/06/2005 com validade até 14/10/2005 para verificação de todos os fatos geradores (efl. 217), encontram abrigo no art. 196 do CTN; no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003; e no Decreto n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observandose ainda que a execução da ação fiscal decorreuse dentro dos estritos limites legais. Isto posto, rejeito a preliminar. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 108 8 Do Mérito Em relação à insurgência contra a caracterização de grupo econômico de fato e a consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, resta sobejamente comprovado nos autos os fundamentos que evidenciam a composição de grupo econômico de fato compreendendo as seguintes pessoas jurídicas: i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.; ii) Frigorífico Porto Ltda.; iii) Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A. A DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0056/2006 nos tópicos 25 a 28 (e fls. 2277/2285) elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (efls. 183/210), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico de fato e à solidariedade entre as respectivas empresas, quanto ao crédito tributário de natureza previdenciária consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46), a seguir resumidas: Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 109 9 Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 110 10 Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 111 11 Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 112 12 O art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, financeiro ou econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 113 13 Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária, irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído. É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizamse por serem criados com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto, na espécie contribuições sociais. Constatase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas pela DecisãoNotificação (DN) n. 26.401.4/0056/2006 (efls. 2277/22855), acima reproduzidas, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (frigoríficos) envolvidas, consolidandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação de riquezas. Noutro giro, há previsão legal de solidariedade quanto às contribuições à Seguridade Social, independentemente da natureza (formal ou de fato) do grupo econômico, bastando tãosomente a sua caracterização, nos termos exatos do art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991, verbis: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] (grifei)" Considerandose o disposto no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91, acima reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide não apenas a regra do inciso I do art. 124 do CTN, mas também do inciso II do retrocitado dispositivo legal. É relevante salientar que na peça recursal de efls. 2305/2318 a Recorrente não enfrenta de forma específica as infrações consignadas na NFLD DEBCAD n. 35.601.370 7 (efls. 03/46), limitandose a alegações genéricas, desprovidas de qualquer lastro probatório que infirme os fundamentos do lançamento em apreço. Nenhum elemento de prova, nem argumentos de fato e/ou de direito, traz a Recorrente com força bastante para ilidir o lançamento abrigado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46). Nessa perspectiva, o lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 35.601.3707 (efls. 03/46) encontrase alinhado à configuração da Lei n. 8.212/91 da época dos fatos, particularmente em seu arts. 20 e 30, IX. Entretanto, tratase, no caso concreto, de auto de infração por descumprimento de obrigação principal, revestindose, portanto, de natureza de penalidade (passível de multa de ofício), o que atrai o art. 106, II, alínea "c", do CTN, considerandose a retroatividade da lei mais benéfica, vez que é a regra. Considerandose que o lançamento em tela foi constituído em momento anterior às alterações à Lei n. 8.212/91, promovidas pela Medida Provisória n. 449/2008, Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 114 14 convertida na Lei n. 11.941/2009, é mister procederse a cotejo entre as penalidades cabíveis em conformidade com a legislação vigente antes e depois do retrocitado diploma legal, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo, por ocasião do pagamento ou do parcelamento, quando for o caso. Melhor detalhando, a Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, acrescentou os artigos 32A e 35A, modificando a sistemática do cálculo das multas decorrentes do descumprimento de obrigações principais e acessórias, anteriormente prevista nos artigos 32 e 35 da Lei n. 8.212/91. Assim, a partir da publicação da MP n. 449/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observada a regra do art. 106, II, alínea "c", do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." A penalidade mais benéfica, no caso concreto, é passível de aplicação ex officio, uma vez presente a possibilidade para o mister, consoante disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 04 de dezembro de 2009, com amparo no art. 106, II, alínea "c", do CTN. Para tanto, a análise da multa mais benéfica procederseá pelo cotejo (efetuado em relação aos processos conexos, geralmente com gênese na mesma ação fiscal) entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal (art. 35 da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009) e de obrigações acessórias (art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), em contrapartida à multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescido pela Lei n. 11.941/2009. Considerandose que os percentuais da multa do art. 35 da Lei n. 8.212/91, assim como do art. 44 da Lei n. 9.430/96, variam em função do prazo do pagamento do crédito tributário/previdenciário, a comparação entre tais modalidades somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, consoante o art. 2°. da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Caso as multas previstas no art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 115 15 O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à dada pela Lei n. 11.941/2009), sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor da multa de ofício previsto no art. 35A daquele diploma legal (acrescido pela Lei n. 11.941/2009), e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na GFIP, a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). A RFB, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações de natureza previdenciária (principais ou acessórias), vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por considerar ser a sistemática mais benéfica ao contribuinte, com lastro na proibição do bis in idem, conforme disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009: "Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010)" Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10242.000211/200738 Acórdão n.º 2402006.312 S2C4T2 Fl. 116 16 Isto posto, entendo que deve prevalecer o encaminhamento consolidado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, no sentido de, se for o caso, procederse ao recálculo da multa mais benéfica à Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 2305/2318), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer de ofício a decadência em relação às competências até 11/1999, inclusive, e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica, se cabível, a ser realizado no momento do pagamento ou parcelamento, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.720247/2012-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes, incluídos ou não em sua declaração.
Numero da decisão: 2001-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar de tempestividade suscitada, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que a rejeitou e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes, incluídos ou não em sua declaração.
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DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes, incluídos ou não em sua declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar de tempestividade suscitada, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal que a rejeitou e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 72 02 47 /2 01 2- 93 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, dedução de dependente. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Trata o mérito de discussão sobre despesas médicas, plano de saúde, pago pelo contribuinte para esposa, que apresentou declaração em separado zerada. Para o plano de saúde suportado pelo contribuinte, para pessoa dependente, ou que poderia ser dependente na declaração, entendemos da mesma forma que a própria Receita Federal entendia até o ano de 2007. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para pagamento dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; IIIlimitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13986.720247/201293 Acórdão n.º 2001000.609 S2C0T1 Fl. 3 3 IVnão se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Vno caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2ºNa hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. §3ºConsideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. §4ºAs despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. §5ºAs despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, matéria de lei, em desacordo com as disposições da lei. Fl. 64DF CARF MF 4 Conclusão Em razão do exposto, voto por acatar a preliminar de tempestividade e no mérito por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727292/2016-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO INSS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2201-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO INSS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO INSS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 72 92 /2 01 6- 27 Fl. 59DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 42/45, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), de fls. 29/33, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente de proventos de aposentadoria, reforma, pensão, por portador de moléstia grave anocalendário 2011. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 13.936,54 (treze mil, novecentos e trinta e seis reais e cinquenta e quatro centavos), já incluídos os juros e a multa. O sujeito passivo havia declarado imposto a restituir no valor de R$ 46.905,80 (fl. 17). Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 16), referido lançamento decorrera da seguinte infração: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatícios, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 193.652,54 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Fonte Pagadora: 33.000.167/000101 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS (ATIVA). CPF Beneficiário: 124.091.91746 YURI DINIZ LEITE. Valor da infração: R$ 2.586,26. Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATICIO Fonte Pagadora: 08.858.340/000160 ROBERT HALF ASSESSORIA EM RECURSOS HUMANOS LTDA. (BAIXADA). CPF Beneficiário: 124.144.83709 LARISSA DINIZ COLE. Valor da infração: R$ 6.180,00. Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fonte Pagadora: 00.394.502/043897 COMANDO DA MARINHA (ATIVA). Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fl. 4 em 15/09/2016. LYSIA DINIZ, CPF: 795.413.13787, não se conformando com a notificação de lançamento em referência, vem apresentar a presente impugnação nos termos dos artigos 14 a 17 e 23 do Fl. 60DF CARF MF Processo nº 12448.727292/201627 Acórdão n.º 2201004.615 S2C2T1 Fl. 60 3 Decreto 70.235/72 com alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e n° 9.532/97, pelos motivos a seguir expostos: Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fonte Pagadora: 33.000.167/000101 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS (ATIVA). CPF Beneficiário: 124.091.91746 YURI DINIZ LEITE. Valor da infração: R$ 2.586,26. Concordo com essa infração. Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATICIO Fonte Pagadora: 08.858.340/000160 ROBERT HALF ASSESSORIA EM RECURSOS HUMANOS LTDA. (BAIXADA). CPF Beneficiário: 124.144.83709 LARISSA DINIZ COLE. Valor da infração: R$ 6.180,00. Concordo com essa infração. Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fonte Pagadora: 00.394.502/043897 COMANDO DA MARINHA (ATIVA). CPF Beneficiário: 795.413.13787 LYSIA DINIZ. Valor da infração: R$ 184.886,28. Estou questionando o valor de R$ 184.886,28. O valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave. Da Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls.29): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Fl. 61DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 13/03/2017, conforme fl. 37, apresentou o recurso voluntário de fls. 42/45 em 11/04/2017. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância, alegando em apertada síntese: a) Efetiva prova de que os rendimentos pagos pela Marinha do Brasil consistem em pensão militar. Reforma do julgado que se impõe. E junta documentos informando que o Serviço de Inativos e Pensionistas da Marinha do Brasil faz jus à isenção do imposto de renda por moléstia grave. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Da análise das questões postas em sede de Recurso Voluntário, verificase que devese dar provimento ao recurso. Explico. Isenção do imposto de renda por moléstia grave Com o Recurso Voluntário a Recorrente documento atestando que é portadora do vírus HIV desde 1993 e nos termos do disposto no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988: Artigo 6 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget Fl. 62DF CARF MF Processo nº 12448.727292/201627 Acórdão n.º 2201004.615 S2C2T1 Fl. 61 5 (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n°11.052, de 2004) (grifos nossos) É o que se depreende dos documentos de fls. 11 e 12 (atestando que a Recorrente é portadora de HIV desde junho de 1993. Este é o entendimento esposado nas súmulas CARF nºs 43 e 63: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Sendo assim, o Recurso deve ser provido para reconhecer a isenção nos termos do disposto no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento, ao recurso voluntário, cancelando o crédito tributário lançado no auto de infração objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911773/2009-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.297
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecimento parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere ao alegado erro de preenchimento na parte do débito confessado e indicado para ser compensado na DCOMP e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 73 /2 00 9- 05 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 137 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecimento parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere ao alegado erro de preenchimento na parte do débito confessado e indicado para ser compensado na DCOMP e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 68/69) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 57/62), proferida em sessão de 06 de novembro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 1662.966, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 2) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 07/10/2009 (efl. 4), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 30200.95648.300407.1.3.044370, transmitido em 30/04/2007, e não homologou a integralidade da compensação declarada, por não reconhecer em sua integralidade pagamento indevido ou a maior, negando significativamente a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DESPACHO DECISÓRIO. SALDO DISPONÍVEL PARCIAL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a existência de direito creditório parcial para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 138 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Per/Dcomp n.º 30200.95648.300407.1.3.044370 (fls. 54 a 56) e homologou parcialmente compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, restando, quanto ao Darf apresentado, crédito disponível inferior a ser aproveitado no presente Per/Dcomp. O referido Darf, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: n.º do pagamento: 0665270259; período de apuração – 30/04/2004; data de arrecadação – 10/05/2004; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte – Simples); valor total do Darf R$ 13.360,20; valor total original utilizado R$ 13.349,70. O limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, informado no Per/Dcomp é de R$ 13.360,20, conforme Despacho Decisório de 07/10/2009 (fl. 4). A transmissão do Per/Dcomp ocorreu em 30/04/2007. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, protocolada em 23/10/2009 (fls. 2 e 3, com anexos às fls. 5 a 50), com a seguinte alegação: (...) Ao que requer, faz prova dos respectivos pagamentos dos DARFs SIMPLES dos PA 30.04.2004, no valor de R$ 13.360,20 (Treze mil trezentos e sessenta reais e vinte centavos) em data de 10.05.2004 no Banco BESC e 31.05.2004, no valor de R$ 716,10 (Setecentos e dezesseis reais e vinte centavos) em data de 09.06.2004 no Banco BESC, quando o valor devido era de R$ 1.535,10 (Hum mil quinhentos e trinta e cinco reais e dez centavos) procedendo a compensação diretamente do valor de R$ 819,00 (Oitocentos e dezenove reais) pagos a maior no PA 30.04.2004, sendo feitas as Per/Dcomp em 30.04.2007 e 02.05.2007 respectivamente. (...) À fl. 52 consta despacho da Autoridade Preparadora em que encaminha os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a atesta a tempestividade do contraditório apresentado. À fl. 15 consta cópia de tela do sistema Sucop da RFB, com registro de que o DD foi recebido em 20/10/2009. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a integral compensação, existe apenas parcialmente, razão pela qual a homologação da compensação foi parcial. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foram localizados pagamentos utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, de modo a restar pequeno saldo de crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi integralmente quitado, sendo compensado apenas parcialmente. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 139 4 Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/04/2004 6106 R$ 13.360,20 10/05/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 0665270259 R$ 13.360,20 DB: cód 6106 PA 30/04/2004 R$ 12.530,70 DB: cód 6106 PA 31/05/2004 R$ 819,00 Valor Total R$ 13.349,70 Saldo Disponível R$ 10,50 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando o restante da compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: No caso concreto, o Contribuinte declarou débito para a código do Simples Federal (6106) do Período de Apuração abril/2004 (R$ 12.530,70 – fl. 55), e o documento de arrecadação (Darf) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 4). O referido DD aponta como causa da homologação parcial o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, restando, quanto ao Darf apresentado, crédito disponível inferior para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a existência parcial do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. Em suma, os motivos da homologação parcial residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Por oportuno, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação, com registro de que efetuou recolhimentos na rubrica do regime simplificado (6106) em 10/05/2004 (R$ 13.360,20) e 09/06/2004 (R$ 716,10), e acrescenta “quando o valor devido era de R$ 1.535,10 (Hum mil quinhentos e trinta e cinco reais e dez centavos) procedendo a compensação diretamente do valor de R$ 819,00 (Oitocentos e dezenove reais) pagos a maior no PA 30.04.2004, sendo feitas as Per/Dcomp em 30.04.2007 e 02.05.2007 respectivamente.” Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 140 5 De plano, cabe asseverar que a contribuinte entregou uma única Declaração Simplificada para o anocalendário 2004, com informação de Simples a Pagar de R$ 12.530,70 e R$ 1.535,10 para os Períodos de Apuração abril e maio/2004, respectivamente, conforme atesta consulta efetuada no sistema IRPJ da RFB. Conduzida pesquisa no sistema Sief da RFB constatouse que o Darf indicado no DD (n.º 0665270259 – R$ 13.360,20) foi devidamente processado, tendo seu valor alocado aos débitos do Simples Federal referente aos Período de Apuração abril/2004 (R$ 12.530,70) e maio/2004 (R$ 819,00), restando crédito de R$ 10,50 a ser aproveitado no Per/Dcomp que se examina. Assim, encontrase correto o Despacho Decisório, ao consignar que o crédito reivindicado pela contribuinte no Darf, no valor de R$ 13.360,20 (período de apuração – 30/04/2004; data de arrecadação – 10/05/2004; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte – Simples) foi parcialmente utilizado (R$ 13.349,70) para pagamento dos débitos do Simples Federal referente aos Período de Apuração abril/2004 (R$ 12.530,70) e maio/2004 (R$ 819,00), restando crédito de R$ 10,50 a ser aproveitado no Per/Dcomp que se discute. No contraditório apresentado a recorrente alega que efetuou recolhimentos nas rubrica do regime simplificado (6106) em 10/05/2004 (R$ 13.360,20) e 09/06/2004 (R$ 716,10), e acrescenta “quando o valor devido era de R$ 1.535,10 (Hum mil quinhentos e trinta e cinco reais e dez centavos) procedendo a compensação diretamente do valor de R$ 819,00 (Oitocentos e dezenove reais) pagos a maior no PA 30.04.2004, sendo feitas as Per/Dcomp em 30.04.2007 e 02.05.2007 respectivamente.” Efetuada pesquisa no sistema Sief/Fiscel da RFB verificou se que o débito do Simples Federal pertinente ao Período de Apuração maio/2004 (R$ 1.535,10) foi extinto por meio de dois pagamentos, de nºs 0665270259 (R$ 819,00) e 0669407559 (R$ 716,10). Este último, recolhido em 09/06/2004, foi utilizado integralmente no pagamento do débito relacionado ao Período de Apuração maio/2004 (R$ 716,10): (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, afigurase correto o reconhecimento parcial do Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 141 6 direito creditório pleiteado e, consequentemente, a homologação parcial da compensação requerida. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 11/12/2014, quintafeira, efls. 66/67, e protocolo em 22/12/2014, efl. 68), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada na manifestação de inconformidade e discutida no recurso voluntário, qual seja, o suposto erro de preenchimento na parte do débito confessado e indicado para ser compensado na DCOMP ("o valor tomado como débito foi de R$ 12.530,70 referente à 04/2004 quando o correto seria R$ 819,10 referente à 05/2004"). Vejase, o suposto erro no preenchimento do pedido de compensação não foi relatado na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. Por outro lado, não compete a segunda instância administrativa o procedimento de cancelamento ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Eventual erro de fato, relatado apenas neste momento processual, sem análise da instância anterior, e após despacho decisório, sem ter sido indicado na manifestação de inconformidade, deve ser objeto de pedido de revisão de ofício, com base Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 142 7 em erro de fato, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III; Lei 11.457/2007, arts. 24 e 45; Regimento Interno da RFB, arts. 272, III, 275, IX, 290, II, V) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo e, até mesmo, análise a eventual quitação do crédito tributário por quaisquer de suas formas de extinção, inclusive pelo pagamento, se efetiva e eventualmente houve, de forma equivocada, a declaração e confissão em DCOMP de débito já extinto, seja pelo pagamento ou por outra forma. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 143 8 não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Logo, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a integralidade da compensação declarada, por não reconhecer em sua integralidade pagamento indevido ou a maior, negando significativamente a restituição. Para a análise que foi efetivada, realmente, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório e quando a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10983.911773/200905 Acórdão n.º 1002000.297 S1C0T2 Fl. 144 9 DRJ atestou correção naquele ato administrativo o fez dentro do correto controle de legalidade, pelo que não há razões para reformar o decisum de primeira instância. Vejase. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a integral certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, pelo que a homologação foi parcial, haja vista que apenas uma pequena parcela do DARF (Documento de Arrecadação Fiscal), que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior, não havia sido utilizado. A maior parte do DARF não possuía saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do integral crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua utilização, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Na análise da manifestação de inconformidade a DRJ pontua com acerto que o crédito reivindicado pela contribuinte decorre do DARF no valor de R$ 13.360,20 (período de apuração 30/04/2004; data de arrecadação 10/05/2004; código de receita 6106), no entanto o mesmo foi parcialmente utilizado (R$ 13.349,70) (R$ 13.349,70 = R$ 12.530,70 + R$ 819,00) para pagamento do débito do Simples Federal referente ao Período de Apuração de Abril/2004 (R$ 12.530,70) e para pagamento parcial do débito de Maio/2004 (R$ 819,00), restando um crédito tãosomente de R$ 10,50 (R$ 13.360,20 R$ 13.349,70 = R$ R$ 10,50) a ser aproveitado no PER/DCOMP. Além disto, a DRJ consignou, também corretamente, que a Declaração Simplificada do anocalendário 2004, informava débitos de Simples a recolher de R$ 12.530,70 para o Período de Apuração de Abril/2004 e de R$ 1.535,10 para Período de Apuração de Maio/2004 e, também, esclarece que o sistema Sief/Fiscel da RFB aponta que o débito do Período de Apuração de Maio/2004 (R$ 1.535,10) foi extinto por pagamento via DARF's (R$ 1.535,10 = R$ 819,00 + R$ 716,10), com os ns.º 0665270259 (R$ 819,00) e 0669407559 (R$ 716,10). Este último, recolhido em 09/06/2004. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere ao alegado erro de preenchimento na parte do débito confessado e indicado para ser compensado na DCOMP, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 144DF CARF MF
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