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8163866 #
Numero do processo: 10494.001469/2005-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2002 RECURSO DE OFÍCIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Como a r. decisão a quo se baseou no próprio trabalho fiscal realizado em sede de diligência, não cabe ser feita qualquer modificação no provimento que foi ali dado. RECOF. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. EXCESSOS FÍSICOS EM ESTOQUE NÃO DOCUMENTADOS. MERCADORIA ESTRANGEIRA. CABIMENTO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE REGISTRO NO SISCOMEX. ART. 83, I DA LEI N.º 4.502/64. Identificada a existência de excessos físicos de mercadorias de origem estrangeira no estoque da empresa não documentadas, que foram consumidas ou foram entregues a consumo no processo industrial da empresa, a situação se subsume à hipótese de aplicação da multa prevista no inciso I do art.82, da Lei nº4.502/64 TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 28/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 139 DECRETO-LEI 37/1966. O direito de impor penalidade extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da infração. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2001 RECOF. APURAÇÃO DE ESTOQUES E PAGAMENTO DE TRIBUTOS O sistema de controle informatizado do RECOF deverá incluir demonstrativo de apuração mensal das mercadorias importadas e respectivas destinações e, também, da situação tributária das mercadorias nesse regime admitidas. Divergências mensais apuradas entre esse controle e demais registros que contenham informações de estoque de mercadorias e pagamento de impostos são provas de excesso, ou falta de mercadorias e falta de pagamento de tributos do comércio exterior, relativamente ao regime RECOF, haja vista que só podem ser consideradas como abrangidas por esse regime as mercadorias, correta e tempestivamente, registradas como entradas e saídas dele e cujos tributos estejam apurados e/ou pagos, conforme for o caso. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-007.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (i) por unanimidade de votos: (i.1) negar provimento ao Recurso de Ofício (i.2) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para (i.2.1) considerar a planilha D5 apresentada pela empresa (e- fls. 8995 a 9361), com seus correspondentes reflexos no cálculo do crédito tributário passível de exigência na forma da diligência fiscal (e-fl. 9.703); (i.2.2) afastar as penalidades de natureza aduaneira (art. 83, I da Lei n.º 4.502/64 e art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66) em razão da decadência a ser considerada quanto às DIs registradas antes de 28/12/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada) e Rodrigo Mineiro Fernandes (i.2.3) cancelar a exigência da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente do art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66. As Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora) e Cynthia Elena de Campos davam provimento ao Recurso Voluntário em maior extensão para reconhecer a decadência dos tributos e penalidades e cancelar a exigência da multa por falta de registro da Declaração de Importação do art. 83, I da Lei n.º 4.502/64. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne – Relatora (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (suplente convocado) e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada). Ausente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2002 RECURSO DE OFÍCIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Como a r. decisão a quo se baseou no próprio trabalho fiscal realizado em sede de diligência, não cabe ser feita qualquer modificação no provimento que foi ali dado. RECOF. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. EXCESSOS FÍSICOS EM ESTOQUE NÃO DOCUMENTADOS. MERCADORIA ESTRANGEIRA. CABIMENTO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE REGISTRO NO SISCOMEX. ART. 83, I DA LEI N.º 4.502/64. Identificada a existência de excessos físicos de mercadorias de origem estrangeira no estoque da empresa não documentadas, que foram consumidas ou foram entregues a consumo no processo industrial da empresa, a situação se subsume à hipótese de aplicação da multa prevista no inciso I do art.82, da Lei nº4.502/64 TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 28/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 139 DECRETO-LEI 37/1966. O direito de impor penalidade extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da infração. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2001 RECOF. APURAÇÃO DE ESTOQUES E PAGAMENTO DE TRIBUTOS O sistema de controle informatizado do RECOF deverá incluir demonstrativo de apuração mensal das mercadorias importadas e respectivas destinações e, também, da situação tributária das mercadorias nesse regime admitidas. Divergências mensais apuradas entre esse controle e demais registros que contenham informações de estoque de mercadorias e pagamento de impostos são provas de excesso, ou falta de mercadorias e falta de pagamento de tributos do comércio exterior, relativamente ao regime RECOF, haja vista que só podem ser consideradas como abrangidas por esse regime as mercadorias, correta e tempestivamente, registradas como entradas e saídas dele e cujos tributos estejam apurados e/ou pagos, conforme for o caso. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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DILIGÊNCIA FISCAL. Como a r. decisão a quo se baseou no próprio trabalho fiscal realizado em sede de diligência, não cabe ser feita qualquer modificação no provimento que foi ali dado. RECOF. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. Se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. A caracterização da infração impõe a rígida subsunção dos fatos à norma legal aplicável, sem o que resta impossibilitada a aplicação de sanção pecuniária. EXCESSOS FÍSICOS EM ESTOQUE NÃO DOCUMENTADOS. MERCADORIA ESTRANGEIRA. CABIMENTO. PENALIDADE POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE REGISTRO NO SISCOMEX. ART. 83, I DA LEI N.º 4.502/64. Identificada a existência de excessos físicos de mercadorias de origem estrangeira no estoque da empresa não documentadas, que foram consumidas ou foram entregues a consumo no processo industrial da empresa, a situação se subsume à hipótese de aplicação da multa prevista no inciso I do art.82, da Lei nº4.502/64 TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 28/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 139 DECRETO-LEI 37/1966. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 14 69 /2 00 5- 28 Fl. 9786DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 O direito de impor penalidade extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da infração. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2001 RECOF. APURAÇÃO DE ESTOQUES E PAGAMENTO DE TRIBUTOS O sistema de controle informatizado do RECOF deverá incluir demonstrativo de apuração mensal das mercadorias importadas e respectivas destinações e, também, da situação tributária das mercadorias nesse regime admitidas. Divergências mensais apuradas entre esse controle e demais registros que contenham informações de estoque de mercadorias e pagamento de impostos são provas de excesso, ou falta de mercadorias e falta de pagamento de tributos do comércio exterior, relativamente ao regime RECOF, haja vista que só podem ser consideradas como abrangidas por esse regime as mercadorias, correta e tempestivamente, registradas como entradas e saídas dele e cujos tributos estejam apurados e/ou pagos, conforme for o caso. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (i) por unanimidade de votos: (i.1) negar provimento ao Recurso de Ofício (i.2) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para (i.2.1) considerar a planilha D5 apresentada pela empresa (e- fls. 8995 a 9361), com seus correspondentes reflexos no cálculo do crédito tributário passível de exigência na forma da diligência fiscal (e-fl. 9.703); (i.2.2) afastar as penalidades de natureza aduaneira (art. 83, I da Lei n.º 4.502/64 e art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66) em razão da decadência a ser considerada quanto às DIs registradas antes de 28/12/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada) e Rodrigo Mineiro Fernandes (i.2.3) cancelar a exigência da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente do art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66. As Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora) e Cynthia Elena de Campos davam provimento ao Recurso Voluntário em maior extensão para reconhecer a decadência dos tributos e penalidades e cancelar a exigência da multa por falta de registro da Declaração de Importação do art. 83, I da Lei n.º 4.502/64. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 9787DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Maysa de Sá Pittondo Deligne – Relatora (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (suplente convocado) e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada). Ausente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado para a exigência dos tributos e penalidades decorrentes de irregularidades identificadas no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado – RECOF da empresa no período de janeiro/2000 a fevereiro/2002. As irregularidades foram assim sintetizadas no Auto de Infração: a) Falta de Mercadoria I) Ajuste negativo II) Saldo do Inventário inferior ao saldo documental b) Mercadorias Excedentes I) Ajuste Positivo II) Saldo de Inventário superior ao saldo documental III) Consumo de itens não RECOF maior que saldo disponível IV) Data de saída anterior a data de entrada c) Pagamento Intempestivo I) DI da Saida posterior ao mês subseqüente de consumo d) Falta de Pagamento I) Excedente de consumo RECOF em relação à Saida. (e-fls. 148/149) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, com pedido de realização de perícia, autorizada na Delegacia de Julgamento de Florianópolis com a conversão do julgamento do processo em diligência (e-fl. 7.878/7.884). Considerando parte das informações indicadas na perícia realizada (relatório da e- fls. 7.910/7.937), a fiscalização elaborou novo Memorial Descritivo (e-fls. 8.821/8.858), com a retificação do valor autuado após ajustes no cálculo dos tributos e multas. Elaborou, ainda, relatório de diligência fiscal (e-fls. 8.832/8.858), identificando o novo valor autuado na planilha da e-fl. 8.857. As questões que não foram recepcionadas quanto à perícia foram especificadas no relatório da diligência (e-fls. 8.853/8.854). Fl. 9788DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Após a apresentação de aditamento à Impugnação pela empresa autuada, a DRJ entendeu por dar parcial provimento à defesa apresentada por meio do Acórdão n.º 07-11.34, para considerar os valores da planilha elaborada pela fiscalização na diligência fiscal. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2002 RECOF. DECADÊNCIA. A contagem da decadência, na forma do art. 150, § 4, do CTN, ou seja, a partir do registro da DI é própria para os casos em que haja pagamento, ainda que parcial, dos tributos devidos, no momento do registro. O Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado - RECOF permite importar, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas à operação de industrialização, de produtos destinados A. exportação, portanto, o termo inicial da contagem da decadência do crédito tributário é o primeiro dia do exercício seguinte a data do registro da Declaração de Admissão ao RECOF e o final cinco anos após, conforme art. 173, I do CTN. TAXA SELIC. JULGAMENTO DA LEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Aos julgadores administrativos não foi dada a competência para o afastamento da aplicação de normas vigentes pelos motivos de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, salvo nos casos em que ela já tenha sido declarada inconstitucional, em caráter definitivo, pelo Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2002 RECOF. APURAÇÃO DE ESTOQUES E PAGAMENTO DE TRIBUTOS O sistema de controle informatizado do RECOF deverá incluir demonstrativo de apuração mensal das mercadorias importadas e respectivas destinações e, também, da situação tributária das mercadorias nesse regime admitidas. Como há limites de admissão ao regime RECOF o controle deve ser feito de forma discriminatória de outras entradas e saídas de mercadorias estrangeiras, quer adquiridas no mercado interno, quer importadas pela própria beneficiária. Assim, divergências mensais apuradas entre esse controle e demais registros que contenham informações de estoque de mercadorias e pagamento de impostos são provas de excesso, ou falta de mercadorias e falta de pagamento de tributos do comércio exterior, relativamente ao regime RECOF, haja vista que só podem ser consideradas como abrangidas por esse regime as mercadorias, correta e tempestivamente, registradas como entradas e saídas dele e cujos tributos estejam apurados e/ou pagos, conforme for o caso. Lançamento Procedente em Parte (e-fls. 9.465/9.466) Intimada desta decisão em 14/07/2008 (e-fl. 9.522), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 12/08/2008 (e-fls. 9.526/9.624) alegando, em síntese: (i) a necessidade de nova diligência fiscal para sanar equívocos do cálculo dos valores apontados como devidos em razão do equívoco na transposição dos saldos finais do livro registro de inventário e o equívoco na transposição dos saldos de entrada posteriores às saídas; Fl. 9789DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 (ii) a decadência dos impostos lançados e das respectivas penalidades relativamente às DIs registradas entre abril/2000 e novembro/2000; (iii) no mérito, sustenta inconsistências no método adotado pela fiscalização para a apuração dos estoques, que o lançamento se baseou em presunções, a inaplicabilidade das penalidades autuadas e a inaplicabilidade da taxa SELIC. Por entender que o processo não se encontrava suficientemente instruído para julgamento, o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução n.º 3402-001.772, de fevereiro/2019, para que fossem tomadas as seguintes providências pela autoridade fiscal de origem: Diante deste quadro, proponho a conversão do presente processo em diligência à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/72 para que a autoridade fiscal de origem (Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre): (i) se manifeste conclusivamente e de forma fundamentada sobre as alegações do sujeito passivo trazidas em seu Recurso Voluntário quanto aos equívocos na transposição dos saldos finais do livro registro de inventário (item 4.2 do Recurso Voluntário - e-fls. 9.554/9.559) e na transposição dos saldos de entrada posteriores às saídas (item 4.3 do Recurso Voluntário - e-fls. 9.559/9.562) e quanto aos ajustes que teriam sido desconsiderados pela fiscalização, identificados na perícia e comprovados por documentos (item 6.2.2 do Recurso Voluntário - e-fls. 9.579/9.582). Elaborar informação fiscal fundamentando as conclusões alcançadas, indicando se os equívocos apontados efetivamente ocorreram e a razão pela qual os ajustes apontados pela perícia foram desconsiderados, procedendo, se necessário, com os ajustes nos cálculos dos tributos e penalidades devidos; (ii) anexar aos autos eletrônicos as cópias dos arquivos não pagináveis constantes dos CDs que, como informado na diligência fiscal, "foram apensos à contracapa do Volume I" dos autos físicos (e-fl. 8.834). Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (e-fls. 9.667/9.668) Em resposta à diligência, foi elaborada a Informação Fiscal das e-fls. 9699/9708 com as seguintes informações: Primeiro Quesito O primeiro quesito diz respeito a possível erro na transposição de valores nas planilhas demonstrativas dos cálculos. (...) Em relação a este fato cumpre esclarecer que o lançamento original baseou-se num Livro de Registro de Inventário apresentado com erros na configuração de algumas quantidades. Em alguns meses, as quantidades apresentavam-se grafadas no formato norte-americano que utiliza virgulas como separadores de milhares. Dessa forma, por ocasião da impugnação do lançamento, o importador apresentou novo Livro de Registro de Inventário com as devidas correções, o que fez com que, em procedimento de diligência fiscal, se promovesse o recálculo de todos os valores correspondentes às faltas e excessos apurados. Esses erros nas quantidades consideradas como saldos do estoque restringiram-se aos meses de fevereiro, agosto, outubro, novembro e dezembro do ano de 2001. Em procedimento de diligência, esta fiscalização entendeu como perfeitamente aceitável a Fl. 9790DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 adoção do Livro de Registro de Inventário corrigido e refez, a partir dele, os cálculos apresentados na PLANILHA D5. As quantidades distintas daquelas que constavam no Livro de Registro de Inventário originalmente apresentado são aquelas constantes na PLANILHA D1 (fls. 8.161 a 8.163). Nesta planilha constam, para cada item e para cada mês, duas colunas, uma com a quantidade correta e outra com a quantidade que aparecia no relatório original. (...) Evidentemente que ao aceitar o Livro de Registro de Inventário corrigido a quantidade que deveria ser considerada para recálculo das faltas e excessos deveria ser a quantidade correta e não a quantidade original. Verificamos que a PLANILHA D5 (fls. 8248 a 8709) realmente trouxe, na coluna SD FIN, que deveria referir-se ao saldo constante no registro de inventário corrigido, a quantidade incorreta, por algum motivo que não foi possível determinar. Percebe-se, por exemplo na PLANILHA D1 (fls. 8195), que no mês de fevereiro de 2001, o produto “30551” deveria apresentar um saldo final de 45.000 unidades, mas na PLANILHA D5 (fls. 8466) a quantidade que aparece consignada na coluna SD FIN é de 45 unidades. Da mesma forma, para diversos outros produtos constantes na PLANILHA D1, a transposição do saldo final para a PLANILHA D5 foi feita a partir da coluna contendo a quantidade incorreta. Ou seja, a PLANILHA D5 está realmente em desacordo com a conclusão desta fiscalização, constante do Relatório da Diligência, devendo, portanto, ser corrigida quanto a este aspecto. No item 4.3, a recorrente alega que houve equívoco na transposição dos saldos de entradas posteriores às saídas. Nos termos do Memorial Descritivo, esta fiscalização adotou, para apropriar as Entradas Posteriores às Saídas, os próprios demonstrativos elaborados pela Perícia realizada por ocasião da Diligência. As quantidades constantes no relatório produzido por aquela perícia, foram apropriadas na Coluna “ENT POST SAÍDA” da PLANILHA D5. A recorrente alega, no entanto, que na montagem da PLANILHA D5, “houve erro na transposição dos dados de alguns PNs, de modo que os valores indicados pela Perícia como Entradas Posteriores à Saída fossem alocados a um PN imediatamente anterior na orde de PNs da referida planilha.” A recorrente apresentou um anexo contendo os PNs e os período cujos valores e quantidades haviam sido transpostos equivocadamente (fls. 9386 em diante). Analisamos a alegação da recorrente em relação aos valores constantes nos referidos demonstrativos e concluímos que a mesma deve ser considerada. Realmente, por algum motivo não detectado, houve erro na transposição dos valores das células de uma para outra planilha, de forma que as quantidades, para alguns produtos tenham sido apropridas a células correspondentes a produtos distintos. Portanto, é procedente a alegação da recorrente, devendo ser corrigida a alocação destas quantidades nas células corretas. A recorrente refez a PLANILHA D5 (fls. 8995 a 9361) corrigindo os equívocos apontados nos itens 4.2 e 4.3, acima comentados. Conferimos por amostragem a referida planilha e constatamos que os problemas relacionados com a utilização dos saldos corretos do Relatório de Registro de Inventário e as quantidades referentes às Entradas Posteriores às Saídas foram corretamente sanados, de forma que é possível aceitar as modificações propostas pela recorrente em relação à correção dos valores dos lançamentos. Ressalvamos, no entanto, que não procedemos à reconstituição de todas as planilhas nem à conferência das fórmulas de cálculos utilizadas pela recorrente, pois não mais dispomos das planilhas originais de cálculo utilizadas nas fiscalização, nem as planilhas de cálculo utilizadas pela recorrente, de forma que não há como contestar os valores apresentados. Fl. 9791DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 (...) Segundo Quesito No item 6.2.2 a recorrente alega que uma determinada quantidade de ajustes que teriam sido explicados pela perícia foi desconsiderada pela fiscalização. Refere-se aos ajustes denominados genericamente como rework que tratam de itens retrabalhados nas dependências da empresa. Estes itens retrabalhados acabariam gerando ajustes negativos e positivos no estoque, mas que não se referem a faltas nem excessos, uma vez que os ajustes negativos dos insumos referem-se a correspondentes ajustes positivos nos itens resultantes. Alega a recorrente que nem todos os itens identificados pela Perícia foram devidamente analisados pela Fiscalização, restando, portanto itens não expurgados do cálculo do valor proposto nos Autos de Infração. A própria empresa transcreve partes do Memorial Descritivo e do Relatório de Diligência, onde a fiscalização informa que acatou o argumento de que tais ajustes, desde que comprovados, devem ser desconsiderados. Como demonstrativo, a recorrente apresenta às folhas 9576 e 9577 dois quadros contendo itens que não teriam sido considerados pela fiscalização correspondentes a ajustes positivos e negativos ocorridos em dezembro de 2000, janeiro, fevereiro, outubro e novembro de 2001, e em fevereiro de 2002, referentes aos itens 350WY, 3D581, 1F733, 317MJ, 3D581, 4E044, 83EHG, 827JT e 8596P. (...) Como consta explicitado no Memorial Descritivo (fls. 8824) e no Relatório de Diligência (fls. 8852), foram considerados os itens devidamente comprovados pelo importador. Memorial Descritivo (fls. 8824) Folha 8852 – relatório de diligência. Na resposta à intimação constante às folhas 7918 a 8042 foram apresentadas as comprovações dos procedimentos de retrabalho listados pelo Sr. Perito. Fl. 9792DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Nestas comprovações documentais de que trata a resposta acima, no entanto, não constam documentos referentes aos produtos informados pela recorrente. Por esse motivo, tais itens não foram expurgados das quantidades constantes nos demonstrativos de cálculos. Todos os demais itens comprovados pelo importador foram desconsiderados como ajustes de estoque. Em relação ao item “1E733”, que a recorrente alega tratar-se de estorno de uma saída para devolução ao exterior, que teria sido cancelada, apresentando as notas fiscais 68669, de 31 de outubro de 2001, e 6635, de 7 de novembro de 2001, é importante salientar que não existe nenhuma movimentação para este código de produto. Encontramos movimentação apenas para o produto 1F733, que deve ser o código correto para o produto em questão. Ocorre que não há nenhuma comprovação de que os 800 itens que aparecem ajustados positivamente no mês de novembro de 2001 refiram-se a esta nota fiscal de entrada, tampouco aparece esta quantidade registrada como saída no mês de outubro do mesmo ano. Os relatórios gerais de entrada apresentados pelo importador por ocasião da fiscalização dão conta somente de uma entrada deste item no mês novembro e consta descrito como no quadro abaixo: No relatório de consumo referente ao mês de outubro não aparece nenhum registro de saída deste produto nem consta o registro da referida nota fiscal 68669. Para que a quantidade de 800 itens ajustados no mês de novembro pudesse ser apenas uma correção de uma saída cancelada, esta saída deveria ter sido registrada no mês de outubro. Ou seja, também por falta de comprovação de que este ajuste represente de fato um estorno de uma saída que tenha sido registrada, mas que não ocorreu, impediu a fiscalização de expurgá-lo do cômputo geral dos ajustes. Aliás, intimado a informar se havia algum outro estorno de lançamento além daqueles dois que se referiam a informação equivocada da matricula dos funcionários no lugar da quantidade, o importador informou que não havia outros estornos identificados (fls. 7950). Fl. 9793DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Assim, entendemos que as alegações constantes no item 6.2.2 não devem prosperar, pois tais correções nos valores dos ajustes dependem de comprovação que não foram devidamente apresentadas, nem durante a fiscalização, tampouco em sede de impugnação ou de recurso. Cabe informar ainda que, em relação aos itens 4.2., 4.3. e 6.2.2., do Recurso voluntário, nossa análise restringiu-se a questões materiais. Ou seja, analisamos apenas se as alegações de erros na quantificação da matéria tributável estavam corretas ou não, sem fazer qualquer análise quanto à matéria de direito. Terceiro Quesito Como terceiro quesito desta diligência, o nobre conselheiro solicita que sejam reanexados os arquivos que estavam apensados na contracapa do Volume 1 deste processo. Anexamos, portanto, como arquivos não pagináveis o conteúdo dos três CD, cujas cópias permanecem lacradas nesta unidade, sob os códigos TIDELL 031/06, DELL 035/06 E DELL/PERÍCIA 04/06. (e-fls. 9.700/9.707 - grifei) Após a manifestação da empresa quanto a diligência (e-fls. 9.714/9.729), os autos foram remetidos a essa relatora para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. Os Recursos devem ser conhecidos, vez que o Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017 e o Recurso Voluntário foi tempestivamente interposto. I – DO RECURSO DE OFÍCIO Como relatado, a r. decisão recorrida tão somente aplicou as conclusões alcançadas pela fiscalização ao final da diligência fiscal realizada naquela instância de julgamento. Naquela diligência, foram reconhecidos os erros cometidos nas planilhas de cálculo Fl. 9794DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 do crédito tributário devido, considerando os dados apresentados pelo sujeito passivo em sede de fiscalização. Como a r. decisão se baseou no próprio trabalho fiscal, não cabe ser feita qualquer modificação no provimento que foi ali dado, devendo ser negado provimento ao Recurso de Ofício. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO Passamos a análise segregada de cada item da defesa apresentada nos presentes autos. II.1. PRELIMINARMENTE Em sede de preliminar, a empresa traz dois argumentos específicos: 1. a necessidade de nova diligência fiscal para sanar equívocos do cálculo dos valores apontados como devidos em razão do equívoco na transposição dos saldos finais do livro registro de inventário e o equívoco na transposição dos saldos de entrada posteriores às saídas; 2. a decadência dos impostos lançados e das respectivas penalidades relativamente às DIs registradas entre abril/2000 e novembro/2000; II.1.1. DOS EQUÍVOCOS MATERIAIS DO CÁLCULO Para verificar as alegações trazidas pela empresa nesta preliminar, o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução n.º 3402-001.772 para que a fiscalização analisasse os equívocos apontados no Recurso Voluntário. Por ocasião do relatório de diligência, a fiscalização confirmou que efetivamente cometeu um equívoco no translado das informações do Livro de Registro de Inventário na Planilha D5, acatando os cálculos trazidos pela empresa. Como elucidado no relatório da diligência: Em relação a este fato cumpre esclarecer que o lançamento original baseou-se num Livro de Registro de Inventário apresentado com erros na configuração de algumas quantidades. Em alguns meses, as quantidades apresentavam-se grafadas no formato norte-americano que utiliza virgulas como separadores de milhares. Dessa forma, por ocasião da impugnação do lançamento, o importador apresentou novo Livro de Registro de Inventário com as devidas correções, o que fez com que, em procedimento de diligência fiscal, se promovesse o recálculo de todos os valores correspondentes às faltas e excessos apurados. (...) Evidentemente que ao aceitar o Livro de Registro de Inventário corrigido a quantidade que deveria ser considerada para recálculo das faltas e excessos deveria ser a quantidade correta e não a quantidade original. Verificamos que a PLANILHA D5 (fls. 8248 a 8709) realmente trouxe, na coluna SD FIN, que deveria referir-se ao saldo constante no registro de inventário corrigido, a quantidade incorreta, por algum motivo que não foi possível determinar. Percebe-se, por exemplo na PLANILHA D1 (fls. 8195), que no mês de fevereiro de 2001, o produto “30551” deveria apresentar um saldo final de 45.000 unidades, mas na Fl. 9795DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 PLANILHA D5 (fls. 8466) a quantidade que aparece consignada na coluna SD FIN é de 45 unidades. Da mesma forma, para diversos outros produtos constantes na PLANILHA D1, a transposição do saldo final para a PLANILHA D5 foi feita a partir da coluna contendo a quantidade incorreta. Ou seja, a PLANILHA D5 está realmente em desacordo com a conclusão desta fiscalização, constante do Relatório da Diligência, devendo, portanto, ser corrigida quanto a este aspecto. No item 4.3, a recorrente alega que houve equívoco na transposição dos saldos de entradas posteriores às saídas. Nos termos do Memorial Descritivo, esta fiscalização adotou, para apropriar as Entradas Posteriores às Saídas, os próprios demonstrativos elaborados pela Perícia realizada por ocasião da Diligência. As quantidades constantes no relatório produzido por aquela perícia, foram apropriadas na Coluna “ENT POST SAÍDA” da PLANILHA D5. A recorrente alega, no entanto, que na montagem da PLANILHA D5, “houve erro na transposição dos dados de alguns PNs, de modo que os valores indicados pela Perícia como Entradas Posteriores à Saída fossem alocados a um PN imediatamente anterior na orde de PNs da referida planilha.” A recorrente apresentou um anexo contendo os PNs e os período cujos valores e quantidades haviam sido transpostos equivocadamente (fls. 9386 em diante). Analisamos a alegação da recorrente em relação aos valores constantes nos referidos demonstrativos e concluímos que a mesma deve ser considerada. Realmente, por algum motivo não detectado, houve erro na transposição dos valores das células de uma para outra planilha, de forma que as quantidades, para alguns produtos tenham sido apropridas a células correspondentes a produtos distintos. Portanto, é procedente a alegação da recorrente, devendo ser corrigida a alocação destas quantidades nas células corretas. A recorrente refez a PLANILHA D5 (fls. 8995 a 9361) corrigindo os equívocos apontados nos itens 4.2 e 4.3, acima comentados. Conferimos por amostragem a referida planilha e constatamos que os problemas relacionados com a utilização dos saldos corretos do Relatório de Registro de Inventário e as quantidades referentes às Entradas Posteriores às Saídas foram corretamente sanados, de forma que é possível aceitar as modificações propostas pela recorrente em relação à correção dos valores dos lançamentos. Ressalvamos, no entanto, que não procedemos à reconstituição de todas as planilhas nem à conferência das fórmulas de cálculos utilizadas pela recorrente, pois não mais dispomos das planilhas originais de cálculo utilizadas nas fiscalização, nem as planilhas de cálculo utilizadas pela recorrente, de forma que não há como contestar os valores apresentados. (e-fls. 9.700/9.702 - grifei) A referida planilha D5 foi a planilha elaborada em sede de diligência realizada na primeira instância administrativa, na qual a fiscalização compilou todo o trabalho de movimentação dos estoques. Essa planilha serviu de base para outras planilhas fiscais para o cálculo do crédito tributário devido. Nesse sentido, como indicado no relato fiscal acima, antes da prolação da decisão de primeira instância, o sujeito passivo elaborou uma nova Planilha D5 (e- fls. 8995 a 9361) corrigindo as informações admitidas como incorretas pela fiscalização. Assim, como admitido pela fiscalização na diligência fiscal realizada nesta instância de julgamento, cabem ser reconhecidos os equívocos na transposição dos saldos finais do livro registro de inventário (item 4.2 do Recurso Voluntário - e-fls. 9.554/9.559) e na transposição dos saldos de entrada posteriores às saídas (item 4.3 do Recurso Voluntário - e-fls. 9.559/9.562). Confirmada a validade da planilha elaborada pelo sujeito passivo, cabem ser admitidos os cálculos trazidos pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, como identificado pelo próprio fiscal no relatório da diligência (e-fl. 9.703): Fl. 9796DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Nesse sentido, cabe ser dado provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para considerar a planilha D5 apresentada pela empresa (e- fls. 8995 a 9361), com seus correspondentes reflexos no cálculo do crédito tributário passível de exigência na forma da diligência fiscal (e-fl. 9.703). II.1.2. DA DECADÊNCIA Sustenta a Recorrente que as exigência tributárias e de penalidades referentes às DAs e DIs registradas há mais de 5 (cinco) anos da lavratura da autuação estariam fulminadas pela decadência. O presente trabalho fiscal foi realizado dentro dos limites da revisão aduaneira autorizada pelo art. 54 do Decreto-lei n.º 37/1966, que expressa: Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo DL nº 2.472/88) O fundamento da revisão aduaneira foi trazido no relatório fiscal (e-fl. 147), fazendo referência ao art. 570 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002 (RA/2002), então vigente, que disciplina o referido dispositivo legal: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-lei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decreto-lei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. Fl. 9797DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II - do registro de exportação. § 3o Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (sem grifos no original) Assim, o dispositivo legal e sua regulamentação autorizam a realização da revisão aduaneira após o desembaraço aduaneiro, inclusive para a verificação da aplicação de benefício fiscal como ocorrido no presente caso quando da análise do adimplemento de regime aduaneiro especial. Contudo, observa-se que os dispositivos legal e normativo acima transcritos trazem um prazo específico para a realização da atividade administrativa de revisão aduaneira, que deve ser concluída, com a ciência do sujeito do Auto de Infração, no prazo de 5 (cinco) anos contados da data do registo da declaração de importação. Nas palavras do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, em manifestação doutrinária sobre esse tema: Durante o prazo previsto no artigo 54 do Decreto-lei n.º 37/1966, ou seja, no prazo de cinco anos contado do registro da Declaração de Importação, a operação de importação poderá ser revista, mesmo para aquelas Declarações de Importação com erro de classificação fiscal (...) 1 Com isso, além do prazo decadencial para a exigência dos tributos, previstos no Código Tributário Nacional, corre contra a Fazenda Pública um prazo específico para que conclua o procedimento de revisão aduaneira das declarações. Tratam-se, portanto, de prazos autônomos previstos em legislações distintas, mas que acabam por se complementar: se a fiscalização não está mais autorizada a realizar a revisão aduaneira da declaração de importação, vez que transcorrido o prazo legal para tanto, evidente que não poderá proceder com a exigência dos tributos devidos relacionados àquela declaração. Uma vez que a atividade administrativa para a exigência tributária é plenamente vinculada, não é possível conceber que a fiscalização possa proceder com o lançamento de tributos se a lei não mais autoriza a atividade de revisão aduaneira da declaração. E esta revisão somente é considerada como concluída na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Nesse sentido que este CARF tem considerado a data do registro da declaração de importação como o início do prazo decadencial tributário. Com efeito, uma vez que a revisão aduaneira deve ser concluída no prazo de 5 (cinco) anos da transmissão da declaração na forma do art. 54, do Decreto-lei n.º 37/1966, os tributos somente poderão ser exigidos se lançados dentro desse interregno. Nesse sentido, a título de exemplo: (...) Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. REVISÃO ADUANEIRA. LEGITIMIDADE. É legítimo o procedimento de revisão 1 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Revisão aduaneira e segurança jurídica. São Paulo: Intelecto, 2016, p. 182-183 Fl. 9798DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 aduaneira previsto no Regulamento Aduaneiro. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. TRIBUTOS. No procedimento de revisão aduaneira, a decadência do direito do Fisco em lançar os tributos devidos deve obedecer ao disposto no art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966. Decadência parcial reconhecida. (...)(Número do Processo 12466.002004/2009-81 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Nº Acórdão 3201-002.861 - grifei) DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. Reconhecimento da extinção por decadência dos créditos relativos a lançamentos efetuados com base em declarações de importação registradas anteriormente a 30/10/2007, inclusive, (II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação). REVISÃO ADUANEIRA. IMPORTAÇÃO. Artigo 54 do DL 37/1966. É de cinco anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a autoridade proceder á revisão aduaneira das importações. O artigo 54 do DL 37/1966 é lei que autoriza a administração rever as declarações prestadas por contribuinte e os lançamentos pendentes de homologação. (...). (Número do Processo 11829.720034/2012-49 Data da Sessão 25/02/2016 Relator Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Nº Acórdão 3401-003.111) Cumpre mencionar que essa questão está sendo aqui resolvida após uma melhor reflexão por parte desta relatora 2 , vez que não faz sentido autorizar à fiscalização a exigência de tributo quando já encerrado o prazo legal para a realização da atividade de revisão aduaneira. Ou seja, todas as declarações de importação que foram registradas fora do prazo de 5 (cinco) anos da data da intimação do Auto de Infração devem ser dele excluídas, vez que a fiscalização não estava autorizada por lei a realizar a revisão aduaneira. Exclui-se, portanto, as exigências tributárias delas decorrentes e as penalidades. No presente caso, a Recorrente foi notificada do Auto de Infração em 28/12/2005 (e-fl. 8), devendo ser excluídas da autuação todas as declarações de importação que foram registradas antes de 28/12/2000, inclusive, por serem anteriores ao prazo de 5 (cinco) anos. Compreende, portanto, as declarações de importação registradas até 28/12/2000 (de admissão, entre 29/03/2000 e 30/11/2000, e de saída entre 07/04/2000 e 06/12/2000), todas identificadas pela fiscalização na Planilha D8 da diligência fiscal realizada em primeira instância (e-fl. 8.818): 2 Vide, em sentido contrário, acórdão 3402-003.670, de 14/12/2016, da minha relatoria. Fl. 9799DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Nesse sentido, uma vez transcorrido o prazo legal para a revisão aduaneira do art. 54, do Decreto-lei n.º 37/1966, voto no sentido de afastar as exigências tributárias e penalidades relacionadas às DIs registradas antes de 28/12/2000. A maioria do Colegiado acompanhou a conclusão alcançada por esta relatora tão somente quanto às penalidades de natureza aduaneira aplicadas no presente caso (art. 83, I da Lei n.º 4.502/64 e art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66), para reconhecer a decadência especificamente destas parcelas quanto às DIs registradas antes de 28/12/2000, com fulcro no art. 139, do Decreto n.º 37/66. Este dispositivo se refere especificamente ao prazo para as penalidades de natureza aduaneira no sentido que no prazo de 5 (cinco) anos “se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” II.2. DO MÉRITO No mérito, a Recorrente sustenta diferentes questões relacionadas a autuação: 1. Inexiste excessos ou faltas de mercadorias admitidas no regime, conforme confirmado na perícia realizada na primeira instância de julgamento, considerando meses subsequentes (leia-se, fora do mês). Sustenta-se a necessidade de considerar movimentações de meses não imediatamente subsequentes para verificar a conformidade do estoque, método não adotado pela fiscalização. Afirma a necessidade de ser buscada a verdade material e Fl. 9800DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 que “é mais provável que tenha existido um erro no controle dos estoques (descompasso, conforme identificado pela própria fiscalização), não necessariamente do registro das mercadorias constantes no RECOF.” (e-fsls. 9.571/9.572 - grifei) Afirma-se que entre março de 2000 e fevereiro de 2002 inexistia exigência normativa de controle de segregação dos estoques, não podendo a fiscalização presumir que todo o excesso ou falta de estoque seria decorrente de operação de importação irregular. 2. A fiscalização desconsiderou faltas e excessos justificados, com ajustes positivos e negativos feitos no estoque por devoluções realizadas (item PN 1F733) e pela operação de rework realizada pela Recorrente e demonstrada em sede de perícia, que se referem aos itens retrabalhados nas dependências da empresa (itens 350WY, 3D581, 1F733, 317MJ, 3D581, 4E044, 83EHG, 827JT e 8596P). 3. Impossibilidade de mera presunção para exigência de tributos e penalidades. No entender da Recorrente o “método aplicado pela Fiscalização, mediante a utilização de planilhas Excel e diversos bancos de dados, indica, indistintamente, diversos itens a serem explicados. Cabe à Recorrente demonstrar que o suposto excesso ou falta, criada nas planilhas Excel, não são verdadeiros.” (e-fl. 9.591) 4. A impossibilidade de obrigações formais gerarem o perda do benefício de suspensão do II e do IPI. Primeiramente, essencial esclarecer o escopo da fiscalização realizada nos presentes autos para afastar algumas dessas alegações trazidas pela Recorrente. Com efeito, como se depreende do Relatório de Auditoria anexado ao Auto de Infração (e-fls. 95/167), a ação fiscal foi realizada visando verificar todas as condições e requisitos necessários para a regular operação do regime aduaneiro especial do RECOF, do qual a empresa é beneficiária desde outubro/1999. Todo o trabalho fiscal foi realizado considerando as informações prestadas pelo próprio sujeito passivo no curso da ação fiscal, e as informações e documentos por ele apresentados. Como indicado no relatório: Para tanto, realizamos várias diligencias na empresa, mantivemos contato permanente com as pessoas responsáveis pelos controles contábeis . e de aplicação do regime especial, procedemos a diversas intimações, buscando sempre esclarecer, em cada etapa do procedimento, todas as possíveis razões para eventuais incompatibilidades verificadas. No decorrer do procedimento foram lavrados 09 (nove) Termos de Intimação :(fls. 378, 379, 450, 451, 453, 454, 483, 484, 516, 51'7. 544, 545, 563, 564 568 e 569) para a empresa DELL e 01 (um) Termo de Intimação (fls. 550 a 551) para a empresa SOFTCOMEX INFORMÁTICA LTDA. Todas as respostas foram apresentadas tempestivamente, sendo que a maior parte dos documentos, por solicitação desta fiscalização, foram apresentados em meio Magnético, totalizando (doze) CD gravados, cada um com uma cópia adicional, as quais foram devidamente lacradas na presença de representante da empresa (fls. 765 a 767). Além disso, realizamos várias solicitações de informações complementares, via correio eletrônico, as quais foram também prontamente atendidas por parte da empresa (fls. 572 a 600).. Fl. 9801DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Ressalta-se que esta fiscalização não realizou extração de nenhum relatório diretamente do sistema RECOF SYS, via WEB ou por acesso direto. Todos os relatórios originários deste sistema foram extraídos e apresentados pela própria empresa. A partir das informações obtidas dos relatórios apresentados pela empresa, dos registros constantes nos Livros de Inventário e dos dados registrados no SISCOMEX, Importação e exportação, procedemos à reconstituição das movimentações de mercadorias relativas aos períodos analisados, mês a mês, considerando apenas os itens passíveis de serem importados sob o RECOF. (e-fl. 103 - grifei) Especificamente no que concerne ao período autuado nos autos de infração (RECOF 2000/2001 e 2001/2002), a fiscalização identificou não apenas equívocos no controle de estoque cometido pela empresa, como pretende aduzir a Recorrente, mas outras distintas inconformidades pontuadas especificamente no relatório fiscal. 6.1. Do Patrimônio Liquido – PL A IN SRF 35/98, em seu Artigo 3 °, inciso II, estabelecia que a empresa, para ser habilitada no regime RECOF, deveria comprovar que Possuía um patrimônio liquido igual ou superior a R$ 2.000.000,00 no mês imediatamente anterior à data do pedido. Em novembro de 1998, conforme balancete apresentado pela DELL (fls. 3892), para efeito de habilitação do regime, o capital social da empresa havia sido elevado para R$ 2.000.000,00, totalmente integralizado. O Patrimônio Liquido, na ocasião estava contabilizado como sendo de R$ 2.100.428,11, atendendo, portanto a exigência de PL mínimo, prevista na IN 35/98. A própria IN SRF 35/98, em seu artigo 7°, § 3°, estabelecia: "que perderá a validade a habilitação da pessoa jurídica que deixar de cumprir, a qualquer tempo, qualquer dos requisitos e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa". Fica evidente, portanto, a obrigatoriedade da manutenção das condições estabelecidas para habilitação durante o tempo de vigência do regime especial. Nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, no entanto, os Patrimônios Líquidos contabilizados foram, respectivamente de R$:-17.253.958,74, de R$ -9.356.487,99 e de R$ - 9.070.961,42 (fls. 3641 a 3642). O PL da empresa tornou-se positivo, novamente, apenas em 2003, cujo valor de encerramento do exercício ficou em R$ 5.377.658,17, conforme demonstram os balanços patrimoniais apresentados para efeito de declaração de Imposto de Renda. Como se observa, a empresa DELL, durante a vigência do regime, exceto a partir do exercício de 2003, não manteve o seu PL igual ou superior aos R$ 2.006.000,00 como estabelecia a IN SRF 35/1998. (...) Diante disso concluímos, que relativamente aos períodos de 2000, 2001 e 2002, a empresa NÃO CUMPRIU o requisito de manutenção.de PL mínimo exigível durante a vigência do regime. (e-fls. 107-108 - grifei) 6.2. Das Exportações Nos termos do artigo 14, §3°, da IN 35/98, do artigo 14, §3°, da IN 105/2000 e do artigo 22, parágrafo único, inciso I, da IN 80/2001, constitui obrigação do importador apresentar relatório de apuração anual que demonstre o cumprimento dos . compromissos assumidos. O item 8 do Ato Declaratório 83/99 estabelece que a empresa fica obrigada a apresentar, mensalmente, relatório de apuração das mercadorias importadas e destinadas, nos termos da IN SRF 35/98, sem prejuízo da obrigatoriedade Fl. 9802DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 de apresentação do relatório de apuração anual que demonstre o atendimento das condições e o cumprimento dos compromissos para permanência no RECOF. Na diligencia realizada em 12 de- janeiro de 2005 , por ocasião do inicio da presente fiscalização, constatamos que o importador nunca havia apresentado tais relatórios a esta IRF. No entanto, os relatórios anuais estavam confeccionados em poder da empresa, porém sem as assinaturas dos responsáveis. Na ocasião, retivemos cópia dos mesmos (fls. 3654 a 3804) e intimamos o importador, por meio do Termo de Inicio de Ação Fiscal 05/2005 (fls. 378 a 379), a apresentar os relatórios mensais de exportação relativos ao período de março de 2000 a março de 2002, o que foi atendido em 27/01/2005 (fls. 380 a 449). O relatório referente ao período de 2000 (março a março) apresenta uma lista de exportações, cujo primeiro despacho consta como tendo ocorrido no dia 17/10/2000 e o último no dia 07/03/200l. O valor total constante neste relatório é de R$ 20.267.712,37 (fls. 404 a 417). O relatório referente ao período de 2001 (março a março) apresenta uma lista de exportações ocorridas entre 03/05/2001 e 21/02/2002, cujo valor total consta como sendo R$24.889.432,36 (fls. 418 a 427). Em relação a este segundo período, o importador declara que atendeu o limite estabelecido pela IN SRF 8/2001 de US$ 10.000.000,00, sem apresentar, no entanto, qualquer cálculo de conversão dos valores expressos em Reais para a moeda norte-americana. Tanto num quanto no outro relatório apresentado, o período considerado foi de 08 de março de um ano a 07 de março do outro e as datas de referência utilizadas são identificadas como sendo datas de averbação. 6.2.1. Da Divergência Entre as Datas da Primeira Admissão (...) Com base nestas informações apresentadas, em que pese haver uma certa contradição uma vez que o importador informa que a citada data havia sido informada manualmente e a empresa SOFTCOMEX declare que não havia, no sistema, possibilidade de alteração da data de desembaraço, é possível concluir que o sistema da época não apresentava os requisitos de segurança necessários ao controle do regime, pois se no sistema RECOF SYS, os dados originários do SISCOMEX podiam ser alterados, todo o controle informatizado poderia ficar comprometido. Embora não houvesse previsão normativa específica para a existência de uma ferramenta de rastreamento de intervenções manuais, o próprio importador, quando apresentou a documentação sistema no processo 10168.002945/99-57, as suas folhas 270 e 271, para fins de homologação, informava a existência de ferramentas que permitiriam tal acompanhamento, conforme transcrito a seguir (fls. 3975 a 3976): "a DELL manterá habilitado os controles de auditoria tanto no Windows, quanto no Oracle, com a finalidade de indicar possíveis acessos não desejáveis ás bases de dados e que possam configurar tentativas de adulteração dos dados, ficando estas informações disponíveis para qualquer trabalho de fiscalização técnica praticada pela Receita Federal” (...) 6.2.2. Das Exportações Comprovadas Dada a divergência verificada no inicio da contagem do prazo anual para comprovação das exportações, intimamos importador, por meio do Termo de Intimação 025/2005-1 (fls. 516 a 517), em 20/06/2005, a refazer os relatórios de exportação referentes aos períodos RECOF 2000 e 2001 considerando como data de início o dia 03/03/2000, assim como a apresentar os relatórios relativos aos períodos RECOF 2002, 2003 e 2004. Esta solicitação foi atendida em 30/06/2004 e os relatórios foram todos apresentados em meios magnéticos (fls. 518). Os relatórios impressos foram apresentados no dia 22/11/2005 (fls. 601 a 605). Estes relatórios foram, anexados apenas ao processo referente à proposta de aplicação de sanções administrativas. Fl. 9803DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 (...) 6.2.2.2. Do Período RECOF 2000 Para o período RECOF 2000, que se inicia em 03/03/2000 e vai até 02/03/2001, o relatório de exportação apresenta uma lista de REs (Registros de Exportação), vinculados As notas fiscais e as DDE (Declarações para Despacho de Exportação) correspondentes, as datas de emissão das notas fiscais e a data de averbação além dos valoree, unitários e totais, em Reais das mercadorias exportadas. Neste Relatório, o valor total comprovado de exportação foi de R$ 16.437.280,47, inferior, portanto, ao volume mínimo estabelecido na legislação. Observa-se uma diferença gritante entre este valor e o valor total de R$20.267.712,37 que constava no Relatório que havia sido anteriormente apresentado, diferença esta que se deve, fundamentalmente, à adoção do dia 08 de março de 2000, ao invés do dia 03 de março de 2000, como sendo a data de inicio da contagem do prazo anual. Observamos que no período de 04 a 07 de março de 2001 consta como tendo sido exportado mais de mais de R$ 4.000.000,00 (fls. 417). Portanto, aqui se observa a relevância da alteração manual efetuada na data de desembaraço da primeira admissão no regime, pois considerando o dia 08 de março como marco inicial, a meta de exportações teria sido cumprida. No entanto, considerando-se o dia 03 de março, o próprio Relatório refeito e apresentado pela empresa já revela o descumprimento do compromisso assumido. Comparando-se, entretanto, com os registros das exportações no SISCOMEX, pudemos detectar ainda algumas impropriedades no Relatório apresentado pela empresa. Os valores correspondentes aos RE listados não coincidem com os valores destes RE constantes no SISCOMEX. Além disso, as datas que constam como sendo de averbação . e que foram consideradas para efeito de computar o prazo anual de comprovação das exportações são datas que, certamente, foram inseridas manualmente, pois as mesmas apenas eventualmente coincidem com as datas de averbação do SISCOMEX, outras vezes elas coincidem com as datas de embarque, de registro do RE, de desembaraço, ou não coincidem com data alguma do despacho. Observa-se também que o importador utilizou em seu relatório o RE 01/0081947006 (fls. 410), no valor de R$ 22.373,85, que é inexistente no SISCOMEX. Analisando mais detalhadamente, observamos que esta operação, de fato, se refere aa RE 01/0082406001, DDE 20100567096, cujo valor constante SISCOMEX é de R$ 22.382,92 ( s. 636). Quanto às divergências de valores dos RE, percebemos que o importador, na verdade, apropria como valor total de um determinado RE, o valor correspondente a todo o despacho de exportação (DDE), que muitas vezes contempla mais de um RE. Deixamos de analisar se todos os constantes nos DDE especificados referem-se a produtos industrializados com mercadorias emitidas no RECOF, pois mesmo considerando todos eles, o valor ainda assim não ultrapassaria o volume mínimo estabelecido. (...) Assim, reconstituindo o relatório a partir dos dados registrados no SISCOMEX, considerando como referência a data de embarque e como valor, o valor total no local de embarque (VMLE) de cada um dos despachos, e não apenas o valor do RE citado no Relatório apresentado, concluímos que o importador tem condições de comprovar exportações no valor de apenas R$ 4.148.558,60, como se observa no ANEXO, A - Planilha A (fls. .607 a 644), ficando, portanto, evidente que o mesmo NÃO CUMPRIU o compromisso - assumido no ato da sua habilitação no regime. Ressalta-se que o VMLE considerado para efeito de calculo é um valor tomado no local de embarque para o transporte internacional, correspondente, portanto, a um preço FOB (FREE ON BOARD), que corresponde, necessariamente, a um valor superior ao preço EXW (ex works) estabelecido na legislação. Fl. 9804DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 6.2.2.3. Do Período RECOF 2001 - O Relatório de Exportações referente ao período RECOF 2001, apresentado pelo importador, apresenta exportações supostamente realizadas entre 05/03/2001 e 21/02/2002. O valor total que consta neste relatório é de R$ 28.719.864,30. As datas de referência são tratadas como datas de averbação, e que, segundo informação prestada pelo importador, corresponderiam as datas de embarque das mercadorias. Por força do que dispõe o Artigo 4° da IN SRF 80, de 11 de outubro de 2001, o compromisso de exportação, neste período, foi modificado para US$ 10.000.000,00, no entanto, não consta no relatório apresentado nenhuma informação relacionada com a correspondência o valor comprovado na moeda norte-americana. Analisando o Relatório apresentado, comparativamente com os registros constantes no SISCOMEX Exportação, pudemos comprovar que as datas informadas como sendo de averbação, novamente não coincidem, exceto eventualmente, com as datas de averbação, de registro do RE, de registro da DDE, de desembaraço ou de embarque, fazendo com que deixemos de considerá-las para feito desta comprovação. Verificamos também que os valores relativos aos RE indicados no relatório apenas coincidem com os valores dos RE do SISCOMEX quando a DDE contém apenas um RE. Sempre que o despacho esta vinculado a mais de um RE, o valor que aparece indicado corresponde a todos os RE vinculados ou a mais de um RE que consta na DDE. (...) Nesta análise comparativa, observamos também que onze ocorrências de RE indicados no Relatório apresentado não coincidiam com nenhum registro do SISCOMEX. Porém, num exame mais criterioso, constatamos que sete deles encontravam-se grafados incorretamente, sendo que apenas quatro deles foram desconsiderados. Um deles; inclusive, pertence ao período posterior, de 2002 (RE 02/0213749-006). Considerando as DDE e os RE indicados pelo importador, identificamos, portanto, todos o RE vinculados aquela exportação e reconstituímos o relatório a partir dos registros do SISCOMEX, utilizando apenas os registros coincidentes e cujas datas de embarque estejam compreendidas entre 03/03/2001 e 02/03/2062. Incluímos neste controle os despachos correspondentes as DDE 20101310315, 2101456255, 20101456568 e 20101389884, que foram excluídos da comprovação referente ao período anterior. Desta reconstituição resultou que o valor total exportado no período foi de US$ 1.840.972,24, superior, portanto, ao volume mínimo de US$ 10.000.000,00 estabelecido pela IN 80/2001. Consideramos, para este efeito, os valores em dólares norte-americanos informados nos RE como valor no local de embarque pelo próprio importador. A lista completa das exportações consideradas consta no ANEXO A — Planilha B (fls. 645 a 692). 6.2.2.4. Do Período RECOF 2002 Em relação a este período, o importador apresentou dois relatórios em meio magnético, se do um deles referente ao período de março a novembro de 2002 e outro referente ao período de julho de 2002 a março de 2003. Como se nota, o período de julho a novembro de 2002 aparece nos dois relatórios. Novamente observamos que as datas que constam nestes relatórios, embora estejam identificadas como sendo datas de registro do RE, no primeiro, e de averbação, no segundo, coincidem, exceto eventualmente, com as datas, constantes no SISCOMEX, de registro do registro do RE, de registro da DDE, de desembaraço, de embarque ou de averbação. Além disso, estas datas ora estão expressas no formato brasileiro (dd/mm/aaaa), ora, no formato norte-americano (mm/dd/aaaa) (fls. 63 a761). (...) Fl. 9805DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Realizamos, portanto, uma análise comparativa com os registros constantes no SISCOMEX, de onde concluímos que, além das divergências das datas já citadas, anteriormente, os valores apropriados aos RE não coincidem com os valores dos RE registrados no sistema, a exemplo do que já acontecia nos períodos anteriores. Diante disso, examinamos individualmente cada um dos despachos de exportação, cujos RE foram citados nos relatórios e consideramos como passiveis de comprovação todos os RE constantes no despacho que se referiam às mercadorias nas quantidades citadas nos relatórios apresentados. (...) Dessa forma, reconstituímos o Relatório de Exportação do período 2002, a partir dos dados registrados no SISCOMEX Exportação, considerando, como datas de referência, as datas de embarque das mercadorias, computando todos os RE referentes às mercadorias citadas nos relatórios, cujos embarques tenham se dado entre 03/03/2002 e 02/03/2003, e obtivemos, como valor total no local de embarque, US$ 9.788.259,28, conforme demonstra o ANEXO A — Planilha C (fls. 63 a 761). Novamente, portanto, a empresa DELL deixou de cumprir o compromisso firmado por ocasião da sua habilitação no regime. (e-fls. 108/119 - grifei) 6.3. Da Integridade do Controle Informatizado Em que pese não ter sido objeto do presente trabalho a auditoria do sistema informatizado, alguns elementos que revelam problemas de integridade ou, no mínimo, que identificam possíveis fragilidades dos controles precisam. ressaltados, uma vez que os mesmos podem colocar em dúvida as condições operacionais do próprio regime. Já tratamos anteriormente, no subtítulo 6.2.1. "Da Divergência Entre as Datas da Primeira 'Admissão", sobre a modificação manual da data de desembaraço da primeira DA de admissão (00/0193600-4), o que acabou por produzir uma falsa convicção do cumprimento das metas de exportação no primeiro período RECOF (03 de março de 2000 a 02 de março de 2001). A própria intervenção manual em dados importantes como a data de desembaraço das DA, assim como a falta de condições de rastreamento e de controle sobre esta intervenção, manifestada tanto pela empresa DELL corno pela empresa SOFTCOMEX, revelam, sem dúvida, que o sistema informatizado, ao menos no período referenciado, não atendia às condições mínimas para garantir a integridade dos dados registrados. (e-fl. 121 - grifei) 6.4. Dos Saldos em Estoque O Ato Declaratório 83/99 estabelece que a DELL poderá manter em estoque no RECOF no máximo R$ 22.600.000,00. Acerca desta condição, restringimos o exame apenas aos períodos RECOF 2000 e 2001, em relação aos quais examinamos as condições específicas de aplicação do regime, pois uma análise mais criteriosa exigiria que fosse feita uma reconstituição de toda a movimentação das mercadorias mês a mês, haja vista que não há separação física dos estoques em função do regime de importação ou de aquisição. A simples observação dos Livros de Registro de Inventario (fls. 4002 a 4334) já permite concluir que, nos dois períodos citados e, além deles, pelo menos até janeiro de 2003, o saldo do estoque total da empresa apurado ao final de cada mês nunca ultrapassou este valor limite. Ressalta-se que este estoque é composto por mercadorias admitidas no regime RECOF, outras importadas com tributação normal e adquiridas no mercado interno. (e-fl. 122) Assim, observa-se que a fiscalização realizou uma análise detida do regime do RECOF da pessoa jurídica, identificando não apenas a inconformidade dos saldos em estoque, Fl. 9806DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 apontada no item 6.4 do relatório, mas igualmente o descumprimento dos requisitos mínimos para o gozo do regime especial (PL mínimo – item 6.1 – e não comprovação do compromisso de exportação no período – item 6.2 – cuja verificação exigiu uma análise pormenorizada dos dados no SISCOMEX face a ausência de um controle informatizado com dados íntegros – item 6.3). Com isso, ao contrário do que aduz a Recorrente, a fiscalização não está exigindo os tributos com fulcro em simples descumprimento de obrigações formais ou acessórias. O controle das operações realizadas fazem parte do próprio gozo do regime do RECOF, sendo certo que a fiscalização buscou coletar distintos elementos fáticos que demonstram que a empresa não cumpriu os requisitos mínimos para aproveitar desse regime. Para apurar os tributos devidos, a fiscalização considerou as informações prestadas pela própria empresa no curso da ação fiscal, não tendo se baseado em mera presunção como pretende aduzir a Recorrente. As “planilhas em excel” a que a Recorrente faz referência foram elaboradas considerando as informações por vezes descasadas apresentadas pelo sujeito passivo no curso do trabalho fiscal. A própria Recorrente confirma “é mais provável que tenha existido um erro no controle dos estoques (descompasso, conforme identificado pela própria fiscalização)” (e-fls. 9.571) Isso não necessariamente implicaria em erro no registro das mercadorias constantes no RECOF. Contudo, ainda que entre 2000 e 2002 inexistia exigência normativa de controle de segregação dos estoques entre os nacionais e as mercadorias amparadas pelo RECOF, a disciplina normativa exigia um controle informatizado das mercadorias, exatamente para verificar se os estoques ultrapassavam os limites delimitados pelo regime. No período no qual a fiscalização procedeu com o controle do estoque (2000 e 2001), esse controle deveria ser feito mensalmente e de forma individualizada, por estabelecimento importador, conforme identificado no art. 9º do Decreto n.º 2.412/1997, reiterado no art. 14, §3º da Instrução Normativa SRF n.º 35/1998 e no art. 14, §3º da Instrução Normativa SRF nº 105/2000: Decreto n.º 2.412/1997 Art. 9º O sistema de controle informatizado deverá incluir demonstrativo de apuração mensal das mercadorias importadas e respectivas destinações, observado o disposto nos arts. 2º e 5º, que deverá especificar: I - o valor dos tributos incidentes sobre as mercadorias destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto final; II - o valor dos tributos cuja suspensão foi resolvida pelo implemento das condições previstas no § 2º do art. 2º; III - o valor correspondente aos tributos suspensos, relativo às mercadorias que remanescem no regime. (grifei) Instrução Normativa SRF n.º 35/1998 Controle das Mercadorias Art. 14. O controle aduaneiro da entrada, da permanência e da saída de mercadorias no RECOF serão efetuados de forma individualizada, por Fl. 9807DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 estabelecimento importador da empresa habilitada, mediante processo informatizado, com base em software desenvolvido pelo beneficiário, que possibilite a interligação com os sistemas informalizados de controle da Secretaria da Receita § 1o O software e a interface de comunicação referidos neste artigo serão homologados pelas Coordenações-Gerais do Sistema Aduaneiro e de Tecnologia e Sistemas de Informação. § 2o Para fins de homologação do aplicativo e da interface de comunicação, o beneficiário deverá fornecer: a) descrição do funcionamento do sistema operacional; b) lay-out e especificação técnica do programa; c) base para certificação da SRF no sistema de controle. § 3o O sistema de controle informatizado referido neste artigo deverá incluir relatório de apuração mensal das mercadorias importadas e destinadas nos termos desta Instrução Normativa. § 4o O disposto neste artigo: a) não dispensa a empresa de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o atendimento das condições e o cumprimento dos compromissos para permanência no RECOF; b) não exclui as verificações fiscais por parte da unidade da SRF com jurisdição sobre o estabelecimento importador, no curso de programas de auditoria, regulares ou não. (grifei) Instrução Normativa SRF nº 105/2000 3 Art. 14. O controle aduaneiro da entrada, da permanência e da saída de mercadorias no RECOF será efetuado de forma individualizada, por estabelecimento importador da empresa habilitada, mediante processo informatizado, com base em software desenvolvido pelo beneficiário, que possibilite a interligação com os sistemas informatizados de controle da Secretaria da Receita Federal. § 1o O software e a interface de comunicação referidos neste artigo serão homologados pelas Coordenações-Gerais do Sistema Aduaneiro e de Tecnologia e de Sistemas de Informação. § 2o Para fins de homologação do aplicativo e da interface de comunicação, o beneficiário deverá fornecer: a) descrição do funcionamento do sistema operacional; b) lay-out e especificação técnica do programa; c) base para certificação da SRF no sistema de controle. 3 Revogada pela Instrução Normativa SRF nº 80, de 11 de outubro de 2001. Fl. 9808DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 § 3o O sistema de controle informatizado referido neste artigo deverá incluir relatório de apuração mensal das mercadorias importadas e destinadas nos termos desta Instrução Normativa. § 4o O disposto neste artigo: I - não dispensa a empresa de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o atendimento das condições e o cumprimento dos compromissos para permanência no RECOF; II - não exclui as verificações fiscais por parte da unidade da SRF com jurisdição sobre o estabelecimento importador, no curso de programas de auditoria, regulares ou não. § 5o A empresa habilitada deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema de que trata este artigo, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada. (grifei) E no presente caso, a fiscalização verificou que esse controle de mercadorias não era efetivo, razão pela qual foi necessário se voltar para o livro de registro de inventário para verificar os saldos de estoque ao final de cada mês. Essa metodologia foi elucidada pela fiscalização, identificando que todos os bancos de dados por ela utilizados foram fornecidos pela própria Recorrente na ação fiscal. Somente para infirmar a ausência de mera presunção na elaboração das planilhas que instruíram o trabalho fiscal, cumpre identificar as fontes de informações trazidas pela fiscalização no Relatório de Auditoria: Como fontes de informações utilizamos os seguintes bancos de dados e relatórios: SISCOMEX: admissões no RECOF, DI de consumo, DI de nacionalização de Entreposto Aduaneiro, DI de Saída do RECOF, exportações — Planilhas A, B e C do ANEXO A (fls. 607 a 761). RELATÓRIO GERAL DE ENTRADAS (RECOF SYS): aquisições no mercado nacional, ajustes de estoque (fls. 875 a 1402). RELATÓRIO DE CONSUMO (RECOF SYS): consumo de insumos no processo produtivo, consumo de insumos RECOF, baixas de insumos RECOF por destruição baixas de insumos RECOF por ajuste, baixas de insumos RECOF por exportação, datas de entrada dos insumos consumidos e documento de entrada dos insumos consumidos. As primeiras e as últimas folhas deste relatório constam nas folhas 1403 a 1895. LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO: saldos de estoque ao final de cada mês (fls. 4002 4334). Os cruzamentos e as totalizações mensais foram obtidos a partir de consultas e formulações realizadas com a utilização dos aplicativos "Microsoft ACCESS" e "Microsoft EXCEL" (e-fls. 126/127 - grifei) A fiscalização considerou tão somente as mercadorias abrangidas pelo RECOF para verificar a quantidade de estoque, por se tratar de uma exigência do próprio regime. Ou seja, o Fiscal traçou uma metodologia à luz da legislação aplicável ao regime, inexistindo razões fáticas ou jurídicas suscetíveis a modificar a forma adotada. Caso a ação fiscal tenha considerado mercadorias nacionais como mercadorias que foram sujeitas a uma importação irregular via RECOF, caberia à Recorrente fazer uma prova contundente deste fato, o que não ocorreu no presente caso. Pelo contrário, com fulcro na Fl. 9809DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 ausência de uma exigência normativa específica de segregação do estoque, a própria Recorrente reconhece que não possuía a época um controle suscetível de segregar as mercadorias nacionais das mercadorias que foram importadas pelo RECOF. Na diligência realizada em primeira instância, o que foi identificado foi um equívoco no translado de informações em razão das diferenças de grafias utilizadas (ora no sistema brasileiro, ora no sistema norte-americano). Contudo, a fiscalização procedeu com a retificação desses dados em conformidade com as informações apresentadas pela perícia contábil, elaborada em conformidade com a documentação apresentada durante a ação fiscal. O que a fiscalização não considerou foi a tentativa da empresa, reiterada no Recurso Voluntário, de ampliar o período de compensação das Divergências de Saldos Físico- Documentais para dois meses anteriores e dois meses posteriores ao mês de verificação. 1) Não recepcionamos a proposta do Sr. Perito de ampliar o período de compensação das Divergências de Saldos Físico-Documentais para dois meses anteriores e dois meses posteriores ao mês de verificação, por total incompatibilidade com o critério adotado, que prevê a possibilidade de desencontro entre os registros e as efetivas movimentações, o que só é razoável, se considerarmos períodos curtos de no máximo alguns dias. Esta proposta foi também citada na impugnação, no item 4.1.2.3 (fls. 4.897 a 4.898). (e-fl. 8.853) Com efeito, como visto pela transcrição acima do art. 9º do Decreto n.º 2.412/1997 e do art. 14, §3º, das INs SRF n.º 35/1998 e n.º 105/2000, “o sistema de controle informatizado (...) deverá incluir relatório de apuração mensal das mercadorias importadas e destinadas” ao RECOF. A disciplina normativa do regime do RECOF, portanto, não autoriza a pretensão indicada no relatório da perícia e reiterada no Recurso Voluntário de considerar dois ou mais meses posteriores para o controle das mercadorias. O controle da importação e destinação das mercadorias no RECOF caberia ser realizado mensalmente. O outro ponto levantado pela perícia não considerado pela fiscalização foi assim sintetizado no relatório da diligência fiscal realizada na primeira instância: 2) Não recepcionamos, da mesma forma, proposta do :Sr. Perito no sentido de efetuar compensações indiscriminadas entre ajustes positivos e negativos registrados em um mesmo mês e, inclusive, em meses anteriores e posteriores. Entendemos que os ajustes representam atos deliberados da empresa de registrar faltas e excessos verificados fisicamente em um determinado momento, constituindo-se, portanto, em atos que declaram uma situação fática. Ressalvados todos os casos perfeitamente identificados passiveis, de serem desconsiderados, por não representarem, de fato, faltas ou excessos, não cabe outro tipo de compensação em relação a estes registros." (e-fls. 8.853/8.854) A alegação da empresa nesse sentido foi reiterada no Recurso Voluntário, alegando que a fiscalização desconsiderou faltas e excessos justificados, com ajustes positivos e negativos feitos no estoque por devoluções realizadas (item PN 1F733) e pela operação de rework realizada pela Recorrente e demonstrada em sede de perícia, que se referem aos itens retrabalhados nas dependências da empresa (itens 350WY, 3D581, 1F733, 317MJ, 3D581, 4E044, 83EHG, 827JT e 8596P). Primeiramente, quanto aos documentos apresentados quanto ao item PN 1F733, a fiscalização teve a oportunidade de novamente enfrentar o conjunto probatório apresentado na diligência solicitada por este Colegiado. Como identificado no relatório de diligência: Fl. 9810DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Em relação ao item “1E733”, que a recorrente alega tratar-se de estorno de uma saída para devolução ao exterior, que teria sido cancelada, apresentando as notas fiscais 68669, de 31 de outubro de 2001, e 6635, de 7 de novembro de 2001, é importante salientar que não existe nenhuma movimentação para este código de produto. Encontramos movimentação apenas para o produto 1F733, que deve ser o código correto para o produto em questão. Ocorre que não há nenhuma comprovação de que os 800 itens que aparecem ajustados positivamente no mês de novembro de 2001 refiram-se a esta nota fiscal de entrada, tampouco aparece esta quantidade registrada como saída no mês de outubro do mesmo ano. Os relatórios gerais de entrada apresentados pelo importador por ocasião da fiscalização dão conta somente de uma entrada deste item no mês novembro e consta descrito como no quadro abaixo: No relatório de consumo referente ao mês de outubro não aparece nenhum registro de saída deste produto nem consta o registro da referida nota fiscal 68669. Para que a quantidade de 800 itens ajustados no mês de novembro pudesse ser apenas uma correção de uma saída cancelada, esta saída deveria ter sido registrada no mês de outubro. Ou seja, também por falta de comprovação de que este ajuste represente de fato um estorno de uma saída que tenha sido registrada, mas que não ocorreu, impediu a fiscalização de expurgá-lo do cômputo geral dos ajustes. Aliás, intimado a informar se havia algum outro estorno de lançamento além daqueles dois que se referiam a informação equivocada da matricula dos funcionários no lugar da quantidade, o importador informou que não havia outros estornos identificados (fls. 7950). (e-fl. 9.706 – grifei) Assim, novamente na diligência, a fiscalização identificou de forma clara a ausência de documentos suficientes para demonstrar a movimentação de seu estoque quanto ao item PN 1F733, não cabendo modificação da autuação quanto a esse item. Da mesma forma, quanto ao rework, a fiscalização igualmente indica que a empresa não teria comprovado documentalmente os procedimentos por ela identificados na perícia por ela elaborada. Com efeito, a Perícia informa quais os documentos considerados necessários para demonstrar o procedimento de retrabalho (e-fls. 7918 a 8042): Com isso, como apontado pela própria perícia solicitada pela Recorrente, seria necessário um formulário específico de ajuste solicitado pelo Controle de Inventário, como um documento interno da empresa, a ser aprovado pela área de finanças. Fl. 9811DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Contudo, considerando os formulários anexados aos quais a perícia faz referência (e-fls. 7951/8065), não é possível identificar os itens 350WY, 3D581, 1F733, 317MJ, 3D581, 4E044, 83EHG, 827JT e 8596P, se referindo a outros itens. Vejamos por exemplo pela reprodução da e-fl. 7952: Na resposta à diligência, a empresa novamente identifica os mesmos itens que teriam sido objeto de rework sem, contudo, anexar aos autos os documentos (formulários internos identificados na perícia) correspondentes à esses itens (e-fl. 9.720): Com efeito, para esses itens foram anexados apenas planilhas elaboradas pela empresa relacionadas às entradas de rework. É o que se depreende, por exemplo, do documento apresentado quanto ao item 350WY (e-fl. 8978): Fl. 9812DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Observa-se pelo documento acima reproduzido que nem mesmo a pessoa jurídica identifica que essas mercadorias seriam objeto de rework, vez que sua entrada foi registrada genericamente como “Outros”. Além disso, não foram apresentados quaisquer dos documentos aos quais a perícia se refere (formulário específico de ajuste solicitado pelo Controle de Inventário, aprovado pela área de finanças). Com isso, inexistem nos autos elementos probatórios suficientes para proceder com qualquer modificação referente a esses itens para os quais a empresa alega que ocorreu o rework. Cumpre salientar que, mesmo com a identificação da deficiência probatória em sede de diligência, a empresa não anexou qualquer documentação adicional distinta, inexistindo razão para uma nova diligência nesse ponto. Desta forma, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto ao mérito da autuação. II.3. DAS PENALIDADES Especificamente quanto às penalidades aplicadas, após reiterar a alegação da impossibilidade de aplicação da penalidade com base em presunções, já enfrentada no tópico anterior, sustenta a Recorrente: Fl. 9813DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 1. A inaplicabilidade da penalidade por falta de licenciamento, vez que o dispositivo no qual a fiscalização se baseou se refere à “Guia de Importação” e não à “Licença de Importação”. Indica que não foi demonstrado quais as mercadorias que eventualmente estariam sujeitas ao licenciamento não automático, sendo que a licença automática não se confunde com a guia de importação. As importações da empresa estariam sujeitas a licença automática, não havendo subsunção do fato a norma da penalidade aplicada; 2. A inabilidade da penalidade por falta de registro no SISCOMEX, por não se tratar de uma conduta tipificada, não tendo sido demonstrada pela fiscalizada a existência de importação irregular ou fraudulenta; 3. A impossibilidade de aplicação simultânea das penalidades por falta de registro da Declaração de Importação e a penalidade por falta de licenciamento da importação. Vejamos cada alegação de forma segregada. II.3.1. DA MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO Nesta alegação, cabe provimento ao Recurso da empresa. Como relatado, foi aplicada no presente caso a multa por "IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE", prevista no art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66 4 e regulamentada pelo art. 633, II, "a" do RA/2002 5 . Conforme indicado no Relatório da Auditoria, a fiscalização entendeu que “todas as importações brasileiras estavam sujeitas a Licenciamento de Importação”, que teria substituído a guia de importação, independente de ser automático ou não. Nos termos da autuação: Como se observa, todas as importações brasileiras estavam sujeitas a Licenciamento de Importação, que seria automático, quando as informações deveriam ser prestadas por ocasião do despacho aduaneiro, na declaração .de importação; e não automático, quando deveria ser providenciado previamente, de onde decorre, obrigatoriamente, o entendimento de que mercadorias que não tenham sido objeto de despacho aduaneiro também não foram objeto de licenciamento. 4 "Art.169 - Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I - importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...)" (grifei) 5 Art. 633. Aplicam-se, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): II - de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e (grifei) Fl. 9814DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Ao longo do presente relatório ficou demonstrada existência nos estoques da empresa de itens não registrados em documentos de entrada. São excedentes materializados em registros de ajustes positivos de inventário, assim como divergências positivas entre os saldos físicos e os saldos documentais, registro de consumo de itens não existentes documentalmente e consumo de itens cuja entrada se deu posteriormente ao consumo. Silo itens, portanto, não submetidos a despacho aduaneiro e, conseqüentemente, importados sem o devido Licenciamento de Importação. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85, em seu artigo 526, inciso II, com base no artigo 169 do Decreto-Lei 37/66, estabelece que importar mercadoria sem Guia de Importação ou documento equivalente constitui infração administrativa ao controle das importações, sujeita a aplicação da multa de 30% do seu correspondente valor aduaneiro. (e-fl. 155 - grifei) Contudo, com fulcro em razões semelhantes àquelas já mantidas por esta Turma quando do julgamento de Recursos de Ofício nos Acórdãos 3402-004.357 de 29/08/2017 de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, 3402-005.460, de 24/07/2018, de minha relatoria e no Acórdão 3402-005.383, de 21/06/2018, igualmente de minha relatoria, a autuação cabe ser cancelada neste ponto. Para melhor elucidar essa questão, me valho das palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan proferida no Acórdão 3401-003.229, de 26/09/2016. Em seu voto, o Conselheiro traça uma clara distinção entre o processo de licenciamento da importação e a necessidade do documento Licença de Importação (LI), elucidando que somente quando esta última for necessária que se pode aplicar a penalidade imposta na presente autuação: Mas temos que esclarecer aqui que não se pode confundir licenciamento de importação com Licença de Importação (LI). Licenciamento é o procedimento por meio do qual se obtém a LI, que é o documento que equivale, a partir de 28/09/1992, à Guia de Importação (GI), conforme esclarece o Decreto n.º 660/1992, em seus artigos 4º, § 1º ("a formulação de exigências, licenças ou autorizações diretamente incidentes sobre operações de comércio exterior deverá ser feita por intermédio do SISCOMEX"); e 6º, § 1º (para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação". E o registro informatizado no SISCOMEX não é o "licenciamento" (processo), mas a "licença" (documento) de importação. O Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n.º 4.543/2002) esclareceu a questão. Veja-se que o texto da multa aplicada, na lei de regência (artigo 169, I, "b" do Decreto-Lei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 6.562/1978) estabelece que a infração é pela importação de mercadoria "sem Guia de Importação ou documento equivalente", e o Regulamento Aduaneiro de 2002 a detalhou (artigo 633, II "a") como "importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". À época dos fatos narrados na autuação [30/10/2000], havia duas modalidades de licenciamento: automático e não automático, conforme o art. 7o da Portaria SECEX no 21/1996. No caso de licenciamento não automático, o número da LI obtida (válida, em regra, a por 60 dias) figuraria na respectiva declaração de importação, vinculado à mercadoria. No caso de licenciamento automático, contudo, sequer se pode falar em LI, que não recebe numeração e não consta na declaração de importação, havendo, em verdade, um licenciamento com dispensa de licença. Fl. 9815DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Isso ficou mais claro quando a SECEX, em 01/12/2003, resolveu estabelecer que seriam três as categorias de licenciamento: automático, não automático e dispensado, no artigo 6º da Portaria SECEX no 17/2003. A nova modalidade denominada de "licenciamento dispensado" equivale à anteriormente existente sob a denominação "licenciamento automático". E as novas modalidades de "licenciamento automático" e "licenciamento não automático" correspondem a desmembramentos da anteriormente compreendida como "licenciamento não automático". Tais observações se prestam a esclarecer que a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Buscando confirmar se havia tratamento administrativo específico para o código NCM 3824.90.89, na data do registro da DI (30/10/2000), efetuei consulta ao sistema "Tratamento Administrativo - Consultas Web", na função "Consulta Histórico", no sítio "Web" do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informando como data inicial "01/10/2000" e como data final "01/01/2001". Ao efetuar a consulta por subitem (3824.90.89) e por posição (3824), obtive a resposta de que não havia tratamento administrativo específico. Ao consultar por capítulo (38), encontrei dois tratamentos administrativos específicos, nenhum deles para a mercadoria em análise. Assim, sendo automático o licenciamento, à época do registro da DI, para o código NCM 3824.90.89, indicado como correto pela fiscalização, e aqui mantido, não há que se falar em falta de Licença de Importação, e, muito menos, em falta de Licença de Importação. Deve, assim, ser afastada a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação)." (grifei) Assim, não se pode confundir o processo de licenciamento com a Licença de Importação sendo que à luz da Portaria SECEX n.º 21/1996 6 , vigente à época da importação, o processo de licenciamento não automático exige a emissão prévia de uma Licença de Importação (LI), não necessária, em regra, para o processo de licenciamento automático (salvo se previstas condições ou procedimentos especiais nesse procedimento 7 ). 6 Revogada pela Portaria SECEX n.º 17 de 01/12/2003. 7 "Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso." (grifei) Fl. 9816DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Atentando-se para a presente autuação fiscal, vislumbra-se que a fiscalização não identificou quaisquer atos normativos do SECEX ou do DECEX que indicariam a necessidade de emissão de Licença de Importação (LI) para as mercadorias importadas pela empresa sujeitas ao RECOF. Ou mesmo identificou uma exigência normativa de todas as mercadorias importadas no RECOF serem sujeitas a licenciamento não automático. Pelo contrário, em todo momento no relatório, a fiscalização identifica que as mercadorias são importadas no RECOF sem prévia análise de qualquer autoridade administrativa, com fulcro apenas nas informações prestadas pelo sujeito beneficiado pelo regime especial: Tanto a admissão das mercadorias no regime, quanto a sua saída para exportação ou para o mercado nacional, se da sem qualquer conferência aduaneira, cabendo a própria empresa a detecção de eventuais divergência. s entre o declarado e o efetivamente importado ou destinado. O único controle físico exercido sobre as mercadorias importadas será efetuado pela empresa no recebimento - das mesmas, cabendo a ela acuar as divergências verificadas: Todas as divergências verificadas na entrada das mercadorias deverão ser objeto de solicitação de retificação da DA correspondente sem prejuízo do pagamento de eventuais penalidades decorrentes e de tributos, conforme o caso. Como se observa, a empresa em condições de habilitar-se no regime RECOF usufrui dois tiros de benefícios. O primeiro, próprio dos regimes aduaneiros especiais, está relacionado com suspensão dos tributos, sob a condição de que a empresa cumpra determinadas condições estabelecidas, quais sejam, por exemplo, a de exportar um determinado volume anual de produtos industrializados, recolher, no prazo, os tributos relativos ao que foi destinado ao mercado nacional e não destinar ao mercado nacional, no mesmo estado, mais do que 20% do que foi importado. O segundo tipo de beneficio caracteriza-se pela concessão de uma linha preferencial em relação aos despachos aduaneiros. Assim, a empresa não se submete a nenhum procedimento de conferência aduaneira, nem na importação, nem na exportação. Mesmo nos casos em que seja necessário realizar retificação da DA, em decorrência de constatação de divergências na entrada das mercadorias, nos termos do parágrafo único do art. 13 da IN 35/1998, a empresa poderia utilizar as mercadorias após transcorrido o prazo de 24 horas da formalização do pedido. A partir da publicação da IN SRF 417/2004, nem mesmo o prazo de 24 horas precisa ser aguardado, e o importador pode utilizar as mercadorias desde que registre corretamente a entrada em seu estoque. (e-fl. 98 - grifei) Assim, resta afastada a premissa na qual se respaldou a fiscalização de que todas as mercadorias importadas estariam sujeitas ao licenciamento, entendida como a necessidade de possuir uma Licença de Importação. Uma vez reconhecida que a Licença de Importação é um documento exigido tão somente para os licenciamentos não automáticos, caberia à fiscalização demonstrar que as importações realizadas no presente caso estariam sujeitas a esse procedimento, o que não foi feito. Com isso, inexiste uma perfeita subsunção do fato à norma, vez que não demonstrado pela fiscalização que as mercadorias importadas pelo RECOF precisam de Licenças de Importação. Acresce-se que a redação do art. 633, II, a do RA/2002 aplica essa penalidade especificamente para o “regime comum de importação”, como aquele destinado à nacionalização de mercadorias importadas a título definitivo, mediante despacho para consumo. Vejamos a redação do dispositivo: Fl. 9817DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Art. 633. Aplicam-se, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): II - de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decreto-lei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e (grifei) Contudo, no presente caso, estamos diante do ingresso no território aduaneiro de bem amparado pelo RECOF, que foi aplicado mediante a utilização de tratamento aduaneiro inerente ao regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. 8 Diante do exposto, cabe ser dado provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para cancelar a exigência da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente do art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66 e regulamentada pelo art. 633, II, "a" do RA/2002. II.2 DA MULTA POR FALTA DE REGISTRO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO NO SISCOMEX Ainda foi aplicada no presente caso a multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria sem registro no SISCOMEX, prevista no art. 83, I da Lei n.º 4.502/64, que expressa: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide Decreto-Lei nº 326, de 1967) I - Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle 8 No mesmo sentido, quanto ao REPETRO: "(...) REPETRO. SANÇÃO ADUANEIRA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA DE 30%. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO. As operações de importação submetidas ao regime especial de admissão temporária, incluído a modalidade REPETRO, não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”, prescritas no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pela Lei n° 6.562/1978. Logo, se o regime especial dispensa a licença de importação, não há que se falar em incidência de multa pela inexistência de LI anterior ao registro da declaração de importação. (...)." (Processo nº 10725.720227/2010-33 Acórdão nº 3402-004.357 Sessão de 29/08/2017. Relator Conselheiro Diego Diniz Ribeiro - grifei) "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade." (Número do Processo 19396.720002/2011-10 Data da Sessão 24/04/2013 Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Nº Acórdão 3302-002.052 - grifei) Fl. 9818DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota-fiscal, conforme o caso; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 400, de 1968) No Relatório de Auditoria, a fiscalização sustenta que as mercadorias que estavam em estoque desamparadas dos respectivos documentos de origem foram consumidas ou entregues para consumo, razão pela qual se enquadraria nesse dispositivo: De tudo o que foi exposto, fica claro que parte das mercadorias utilizadas no processo industrial da empresa é decorrente de entradas não documentadas, ou seja, excessos não identificados na entrada das mercadorias. Excluindo-se todas as situações identificadas como sendo decorrentes destes por desvio manual, transferências de localizações, itens não controlados fisicamente, desencontro entre registros documentais e contagem física de estoque, não pode haver outra explicação para os excedentes reconhecidos pela empresa e para os excedentes detectados a partir desta auditoria. Tais mercadorias encontravam-se no estoque desamparadas dos respectivos documentos de origem e não há dúvida de que as mesmas foram consumidas ou foram entregues a consumo. Aliás, muitos destes excedentes foram deduzidos justamente do Relatório de Consumo que identifica situações em que são consumidas mercadorias cujas baixas são apropriadas a entradas posteriores. (e-fl. 156 - grifei) Contudo, no próprio relatório de auditoria anteriormente citado, a própria fiscalização evidenciou que haveria uma outra explicação para os excedentes reconhecidos pela empresa: não havia uma clara segregação no estoque entre as mercadorias importadas e aquelas adquiridas no mercado interno. Não há qualquer comprovação categórica nos presentes autos por parte da fiscalização de que essas mercadorias deveriam ser necessariamente importadas. Vejamos novamente o teor do relato fiscal quando trata do registro de estoque: 6.4. Dos Saldos em Estoque O Ato Declaratório 83/99 estabelece que a DELL poderá manter em estoque no RECOF no máximo R$ 22.600.000,00. Acerca desta condição, restringimos o exame apenas aos períodos RECOF 2000 e 2001, em relação aos quais examinamos as condições específicas de aplicação do regime, pois uma análise mais criteriosa exigiria que fosse feita uma reconstituição de toda a movimentação das mercadorias mês a mês, haja vista que não há separação física dos estoques em função do regime de importação ou de aquisição. A simples observação dos Livros de Registro de Inventario (fls. 4002 a 4334) já permite concluir que, nos dois períodos citados e, além deles, pelo menos até janeiro de 2003, o saldo do estoque total da empresa apurado ao final de cada mês nunca ultrapassou este valor limite. Ressalta-se que este estoque é composto por mercadorias admitidas no regime RECOF, outras importadas com tributação normal e adquiridas no mercado interno. (e-fl. 122) Ainda que efetivamente seja relevante para o controle de estoque do RECOF e para a verificação da regularidade do regime, cuja validade foi confirmada quando da análise do mérito do Recurso Voluntário, esse trecho do relatório fiscal evidencia que a fiscalização não pode afirmar categoriamente, considerando as próprias informações por ela coletadas, que “não pode haver outra explicação para os excedentes reconhecidos pela empresa e para os excedentes detectados a partir desta auditoria.” (e-fl. 156) A outra explicação foi dada pela própria fiscalização, páginas acima: o estoque da empresa analisado “é composto por mercadorias admitidas no regime RECOF, outras importadas com tributação normal e adquiridas no mercado interno.” (e-fl. 122) Fl. 9819DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Ora, para a aplicação da penalidade sob análise, caberia à fiscalização evidenciar com um conjunto probatório contundente que todas as mercadorias que constavam do estoque da empresa deveriam necessariamente ser importadas e não poderiam ter sido adquiridas no mercado interno. Trata-se de penalidade específica, aplicável tão somente em se tratando de importações realizadas de forma clandestina, fraudulenta e sem amparo em documentação da importação, cujos elementos fáticos não foram evidenciados de forma específica e clara pela fiscalização. Ao contrário do que afirmou a r. decisão de primeira instância, não é possível afirmar no presente caso que o excedente de estoque necessariamente se refere a uma importação irregular, inexistindo na legislação específica do RECOF uma presunção legal nesse sentido. Desta forma, cabe ser afastada a multa por falta de registro da Declaração de Importação, por falta de elementos probatórios suficientes colacionados pela fiscalização para demonstrar a exigência desta penalidade no caso em tela. Uma vez afastada das duas penalidades discutidas pelo sujeito passivo, resta prejudicada a análise do argumento subsidiário da empresa quanto à impossibilidade de aplicação simultânea das penalidades por falta de registro da Declaração de Importação e a penalidade por falta de licenciamento da importação (ponto 3 acima). II.4. DA TAXA SELIC Por fim, sustenta a Recorrente a inaplicabilidade da taxa SELIC, matéria já sumulada neste Conselho pela Súmula CARF n.º 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assim, cabe ser negado provimento ao recurso neste ponto. III – CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) considerar a planilha D5 apresentada pela empresa (e- fls. 8995 a 9361), com seus correspondentes reflexos no cálculo do crédito tributário passível de exigência na forma da diligência fiscal (e-fl. 9.703); (ii) afastar as exigências tributárias relacionadas às DIs registradas antes de 28/12/2000, vez que ultrapassado o prazo para a revisão aduaneira; (iii) cancelar a exigência da multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente do art. 169, I, 'b' do Decreto-lei n.º 37/66 e regulamentada pelo art. 633, II, "a" do RA/2002; (iv) cancelar a exigência da multa por falta de registro da Declaração de Importação do art. 83, I da Lei n.º 4.502/64. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 9820DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Na sessão de julgamento, o Colegiado, por maioria, divergiu parcialmente do voto da ilustre Conselheira Relatora na análise do recurso voluntário do presente processo, especificamente quanto ao entendimento de que o prazo de que dispõe a administração tributária para realizar a revisão aduaneira (5 anos da data do registro da DI) também se aplicaria ao prazo para lançamento de ofício dos tributos sobre o comércio exterior e penalidades tributárias, bem como quanto ao cancelamento da multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria sem registro no SISCOMEX, prevista no art. 83, I da Lei n.º 4.502/64. Então, fui designado a redigir o voto vencedor, razão pela qual apresento abaixo as razões de decidir abaixo. A ilustre relatora afirma em seu voto que deveriam ser excluídas da autuação todas as declarações de importação que foram registradas antes de 28/12/2000, posto que não faz sentido autorizar à fiscalização a exigência de tributo quando já encerrado o prazo legal para a realização da atividade de revisão aduaneira, que se deu em 28/12/2005 com a lavratura do auto de infração. Ou seja, todas as declarações de importação que foram registradas fora do prazo de 5 (cinco) anos da data da intimação do Auto de Infração devem ser dele excluídas, vez que a fiscalização não estava autorizada por lei a realizar a revisão aduaneira. Exclui-se, portanto, as exigências tributárias delas decorrentes e as penalidades. Como se sabe, a revisão aduaneira, prevista no art. 54 do Decreto-lei nº 37/66, é procedimento fiscal realizado após o desembaraço aduaneiro, quando os bens importados já foram entregues ao importador, mediante o qual se apura, dentre outros elementos, a regularidade do pagamento dos tributos incidentes na importação. Não obstante o procedimento fiscal de revisão aduaneira, segundo a previsão legal, deva ser processado dentro do prazo de 5 anos do registro da Declaração de Importação, a extrapolação desse prazo caracteriza mera irregularidade formal, que não acarreta a nulidade do lançamento, quando não seja o caso de decadência do direito de lançar do Fisco. Afinal, o prazo de decadência tributária é regido por lei complementar (art. 146, III, “b” da Constituição Federal), mais especificamente, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, pelo art. 150, §4º do CTN quando houver pagamento antecipado ou, na sua inexistência, pelo art. 173, I do CTN, em conformidade com o posicionamento adotado no REsp 973.733/SC, submetido ao regime do artigo 543-C do CPC/73. Assim, em discordância ao entendimento da ilustre Relatora, nas operações de importações de admissão entre 29/03/2000 e 30/11/2000, e de saída entre 07/04/2000 e 06/12/2000, nas quais não houve recolhimento parcial dos tributos incidentes sobre o comércio exterior, aplica-se ao caso o art. 173, I do CTN, não havendo que se falar em decadência dos tributos e penalidades tributárias aplicadas, referentes às operações desses períodos, pois a ciência do auto de infração se deu em 28/12/2005. Fl. 9821DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 Com relação ao cancelamento da multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria que tenha sido importada de forma irregular ou que tenha entrado no estabelecimento sem registro da importação no SISCOMEX ou desacompanhado de nota fiscal, prevista no art. 83, I da Lei n.º 4.502/64, a Relatora optou pelo cancelamento da multa por entender que não há nos autos qualquer comprovação categórica por parte da Fiscalização de que essas mercadorias deveriam ser necessariamente importadas, vez que inexiste uma clara segregação no estoque entre as mercadorias importadas e aquelas adquiridas no mercado interno. Com a devida vênia, discordo da ilustre Relatora lastreado nas razões a seguir expostas. Conforme se observa nos autos, a recorrente, em resposta à intimação da Fiscalização, informa, especificamente quanto ao excedente físico de mercadoria detectada em seus estoques, que a empresa, visando corrigir o erro, realiza um ajuste positivo e considera todas as mercadorias nessa situação como entradas nacionais por não ser possível vinculá-las a nenhuma DA (declaração de admissão): Atendendo ao Termo de Intimação 037/2005 (fls. 567), o importador informou que, no caso de ajuste negativo, a apropriação é realizada pelo método PEPS, considerando para tanto todas a entradas, o que pode implicar, necessariamente, a geração de uma DI de nacionalização, ao contrário do que havia informado anteriormente de que todas as faltas seriam nacionalizadas. Informou ainda que no caso de ajustes Positivos, os mesmos são sempre considerados como entradas nacionais, por não ser possível vincular estas mercadorias excedentes a nenhuma DA. (negrito nosso) Com essa afirmação, fica evidente a falta de controle da empresa sobre a origem das suas mercadorias em estoque causada por uma limitação operacional do seu sistema de controle de estoques. Devido a essa limitação, a empresa considera todo o excedente detectado como originário do mercado nacional, ou seja, não há nenhuma garantia de que esse excedente de fato se refere às aquisições no mercado nacional, apenas se convencionou dessa forma porque, por certo, seja a forma de trato dessas diferenças mais vantajosa financeiramente para a empresa haja vista que, nesse caso, não há necessidade de nacionalização das mercadorias, que redundaria no pagamento dos tributos com multas tributárias e/ou das penalidades administrativas, Nesse passo, a Fiscalização expõe algumas situações nas quais demonstra a total inconsistência do procedimento adotado pela empresa no trato dos excedentes físicos detectados, dentre os quais a existência nos estoques de vários itens, sem a identificação de qualquer compra no mercado nacional no período e sem saldo anterior, mas que foram realizados ajustes positivos considerando tais itens como de origem nacional, como se constata no seguinte trecho do Relatório de Auditoria: Analisando a movimentação dos estoques podemos perceber que para vários itens, em relação aos quais não houve nenhuma compra no mercado nacional, tampouco havia saldo anterior, foram, no entanto, realizados ajustes positivos. Por exemplo: no mês de março de 2000, foram realizados ajustes de 120 itens do PN 07YXK (fls. 2757), 1 item do PN 421HU (fls. 2760) e 39 itens do PN 979NK (fls. 2765); no mês de maio de 2000 foram ajustados 567 itens de diversos PN; e assim por diante, sem que tivesse havido, para estes itens, compras nacionais ou saldos anteriores. Não teria sentido, nestes casos, considerar estes ajustes como sendo decorrentes de entradas nacionais. Outras situações Fl. 9822DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 ocorreram em que as quantidades de entradas nacionais são muito inferiores as quantidades admitidas no regime de RECOF. Um exemplo disso ocorreu com o part number 01YRJ, que se refere a microprocessador, para o qual não havia saldo inicial, e que durante o primeiro período RECOF (março 2000/março 2001), houve a importação em regime RECOF de 10.800 unidades, e importação com tributação normal de apenas três unidades, como se observa na Planilha III (fls. 2757 a 869). Para este item, neste período, no entanto, foram registrados ajustes positivos de 73 unidades. Ademais, ressalta ainda a Autoridade Fiscal que considerando apenas o período RECOF 2000, é possível observar, em relação aos itens admissíveis no regime, que o quantitativo de compras nacionais, de 172.471 itens, representa menos de 5% do quantitativo de mercadorias admitidas no regime, cujo total computado é de 3.545.0989 itens, sem contar as mercadorias importadas com tributação normal (fls. 2765, 2774, 2.783, 2.792), ou seja, a possibilidade de que um excedente de mercadorias seja decorrente de uma importação é muito maior do que de uma entrada nacional. Instado a esclarecer sobre a identificação de possíveis itens importados constante no excesso físico de seu estoque no seu sistema de controle, o contribuinte, em resposta ao Termo de Intimação 041/2005 (e-fls.570 a 571), declarou que não há elementos que possibilitem comprovar que as mercadorias excedentes não se referem a produtos importados. Diante disso, entendo que a fragilidade dos controles internos de estoque da empresa, ao não conseguir identificar de qual origem veio a mercadoria em excesso, não pode ser utilizada em benefício da própria empresa a fim de considerar indistintamente que todo excedente de mercadoria seja de origem nacional, uma vez que ela teria a obrigação de identificar corretamente a origem de cada mercadoria, se de admissão, importação normal ou nacional, para então adotar em cada caso o tratamento adequado previsto na legislação. Como bem ressaltado pela Auditoria, a empresa, para aderir ao RECOF e usufruir dos benefícios do regime (importar mercadorias com suspensão de tributos, facilitação do despacho aduaneiro com a liberação da mercadorias, retificação de declarações e despacho para consumo e exportações sem qualquer conferência aduaneira), deve se submeter a determinadas condições, dentre as quais possuir capacidade econômica e operacional suficientes, sistema de controle informatizado e o cumprimento requisitos específicos, nos termos da IN SRF nº35/1998, modificada pela IN SRF nº58/1999. Dessa forma, nos termos do que dispõe o art.13 do Decreto 2.412/1997, impõe-se ao beneficiário do regime a responsabilidade, na condição de fiel depositário, de comprovar a qualquer momento a origem de cada mercadoria constante de seus estoques, inclusive daquelas constatadas em excedentes físicos sujeitas a ajustes positivos. Nos termos do art.14 da IN SRF nº35/98, vigente à época da habilitação da empresa ao RECOF, a empresa era obrigada a manter sistema informatizado de controle de todas as mercadorias, de forma individualizada por estabelecimento importador, sujeitas a esse regime, in verbis: Controle das Mercadorias Art. 14. O controle aduaneiro da entrada, da permanência e da saída de mercadorias no RECOF serão efetuados de forma individualizada, por estabelecimento importador da empresa habilitada, mediante processo informatizado, com base em software desenvolvido pelo beneficiário, que possibilite a interligação com os sistemas informalizados de controle da Secretaria da Receita Nesse contexto, uma vez que é incontroverso nos autos que a empresa não cumpriu a sua obrigação de manter um sistema de controle de estoques capaz de comprovar a Fl. 9823DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 3402-007.222 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10494.001469/2005-28 origem e a utilização efetiva de todas as mercadorias admitidas sob o regime do RECOF, os excessos físicos identificados nesse regime de suspensão de tributos devem ser tratados como mercadorias importadas. Além disso, a própria autuada no processo nº10168.002945/99-57 de habilitação ao RECOF já se propunha a nacionalizar indistintamente todas as mercadorias que viessem a ser apropriadas como ajustes de inventário. Dessa forma, uma vez que foi identificada a existência de mercadorias no estoque da empresa não documentadas, ou seja, excessos não identificados na entrada, que foram consumidas, ou foram entregues a consumo, no processo industrial da empresa, a situação se subsume à hipótese de aplicação da multa prevista no inciso I do art.82, da Lei nº4.502/64, devendo, por isso, ser mantida a aplicação desse penalidade. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Fl. 9824DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 15374.952405/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO Produz efeitos a DCTF Retificadora apresentada após Despacho Decisório desde que apresentada Manifestação de Inconformidade tempestiva contra a não homologação da DCOMP. Parecer Normativo COSIT nº 2/2015.
Numero da decisão: 1301-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para superar o óbice da retificação da DCTF, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos e esclarecimentos. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente Lucas Esteves Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS ESTEVES BORGES

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DCTF RETIFICADORA. DESPACHO DECISÓRIO Produz efeitos a DCTF Retificadora apresentada após Despacho Decisório desde que apresentada Manifestação de Inconformidade tempestiva contra a não homologação da DCOMP. Parecer Normativo COSIT nº 2/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para superar o óbice da retificação da DCTF, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos e esclarecimentos. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente Lucas Esteves Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 24 05 /2 00 9- 09 Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.382 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.952405/2009-09 Relatório ITUMBIARA TRANSMISSORA DE ENERGIA S/A recorre a este Conselho Administrativo pleiteando a reforma do acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que NEGOU PROVIMENTO à Manifestação de Inconformidade apresentada. Trata o presente processo de PER/DCOMP não homologada devido ao fato da autoridade fiscal não ter localizado “crédito disponível para compensação dos débitos informados”. Inconformado, o contribuinte apresentou sucinta Manifestação de Inconformidade alegando que: - teria feito pagamento em duplicidade da CSRF – Contribuições Sociais Retidas na Fonte, referente ao período de 2ª Q 01/2006, no valor de R$ 151.536,33; - em razão da duplicidade, apresentou PER/DCOMP para efetivar a compensação; - a DCTF estaria equivocada, tendo retificado após o Despacho Decisório e colacionando cópia da DCTF retificadora. A fim de comprovar suas alegações, o contribuinte colaciona cópia da DCTF original, cópia da DCTF retificada, além de cópia dos Comprovantes de Arrecadação em duplicidade e a respectiva nota fiscal do serviço que gerou a retenção na fonte, requerendo o acolhimento dos seus argumentos para que o Despacho Decisório que não homologou seu pedido seja considerado insubsistente e improcedente. Instada para tanto, a DRJ/RJ1 se manifestou no sentido de manter a decisão recorrida, entendendo que a retificação da DCTF após prolação do Despacho Decisório não deve produzir efeitos. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte alegou, em suma: Em 31/01/2006, a fornecedora Barra de Peixe Montagens e Serviços Ltda., inscrita no CNPJ no. 07.219.170/0002-91, emitiu nota fiscal de nº 000004, referente à prestação de serviços de gerenciamento técnico, administrativo e financeiro tomado pela Recorrente, no valor de R$ 3.258.845,80 (três milhões duzentos e cinquenta e oito mil oitocentos e quarenta e cinco reais e oitenta centavos) (doc. 3). Diante disso, houve retenção na fonte dos seguintes tributos e valores: • IR-Fonte R$ 48.882,69 (quarenta e oito mil oitocentos e oitenta e oito reais e sessenta e nove centavos); • PIS/COFINS R$ 118.947,82 (cento e dezoito mil novecentos e quarenta e sete reais e oitenta e dois centavos) e • CSLL R$ 32.588,46 (trinta e dois mil quinhentos e oitenta e oito reais e quarenta e seis centavos). Como podemos notar, o valor à título de retenção das contribuições sociais totaliza o montante de R$ 151.536,33 (cento e cinquenta e um mil quinhentos e trinta e seis reais e trinta e três centavos). Uma vez apurado e retido os valores das contribuições, o valor foi recolhido, em 15/02/2006, mediante o Documento de Arrecadação de Receitas Federais — DARF, identificável pelo número de pagamento 2353210921-9 (doc. 4). O valor encontra-se contabilizado no Livro Razão, conforme faz prova em anexo (doc. 5). Após o pagamento do valor faturado pelo fornecedor (11/03/2006), a Recorrente realizou nova apuração das contribuições, sob o regime de caixa, recolhendo por duplicidade o mesmo montante, em 31/03/2006, mediante o DARF número de Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.382 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.952405/2009-09 pagamento 2446487391-3 (doc. 6). Esse valor, também, foi contabilizado na mesma data (doc. 5). A data do vencimento encontra-se respaldada na legislação que rege o prazo de vencimento das contribuições sociais retidas na fonte, vez que os valores foram recolhidos ao Tesouro Nacional até o último dia útil da quinzena subsequente àquela em que ocorreu o pagamento à pessoa jurídica prestadora do serviço. (art. 74, Lei n. 11.196/2005) Com o pagamento a maior, decorrente de erro, surgiu o direito a compensar as contribuições retidas na fonte. Dessa forma, foi elaborado o PER/DCOMP n. 17391.47888.240806.1.3.04-8413, e enviada no dia 24/08/2006, consoante documento anexo (doc. 7), dando ensejo ao presente processo administrativo. Reforçando os argumentos anteriormente alegados, reapresenta o conjunto probatório da Manifestação de Inconformidade com o acréscimo do Livro Razão e requer que seja dado provimento ao recurso para que lhe seja reconhecido o direito creditório, homologando a compensação declarada nos termos do PER/DCOMP 17391.47888.240806.1.3.04-8413. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Esteves Borges, Relator. Conheço do recurso voluntário, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. A controvérsia gira em torno da retificação da DCTF ter sido efetivada após o Despacho Decisório e, por esta razão não ter sido levada em consideração para análise do direito creditório pela DRJ/RJ1. Da análise dos autos verifica-se farto conjunto probatório colacionado pelo contribuinte que indica a probabilidade da existência do equivoco quando do pagamento em duplicidade das CSRF – Contribuições Sociais Retidas na Fonte. Colaciona-se dois comprovantes de arrecadação, em valores idênticos, nota fiscal de serviço com tributos a serem retidos condizentes com o valor alegado e livro razão com o pagamento duplicado. A DCTF retificadora corroborada com documentos que comprovem a existência do equívoco, deve ser recepcionada e processada para a apuração do crédito tributário. O parecer COSIT 2/2015 estabelece que “retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação e inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligencia à DRF”. Consta dos autos deste processo manifestação de inconformidade tempestiva contra a não homologação da DCOMP. Este Conselho Administrativo tem assim decidido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/07/2006 Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.382 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.952405/2009-09 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatada a existência do crédito tributário, por meio das DCTF retificadora apresentada após a emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. (Acórdão nº 1301-003.300, 15/08/2018, Rel. Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto) Pelo exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário a fim de superar o óbice quanto a efetividade da DCTF retificadora após Despacho Decisório, devolvendo os autos à unidade de origem para que: - analise a validade e a autenticidade do comprovante de arrecadação de IRRF apresentado nos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, - intime o contribuinte para complementar as provas que entender pertinentes, - verifique a certeza e a liquidez do crédito alegado e - HOMOLOGUE a compensação até o limite do crédito apurado. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Lucas Esteves Borges Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13002.720893/2015-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.830
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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DIAS DA SILVA - ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 72 08 93 /2 01 5- 20 Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.830 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13002.720893/2015-20 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.830 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13002.720893/2015-20 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.830 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13002.720893/2015-20 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10840.723823/2015-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2002-003.101
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 38 23 /2 01 5- 63 Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.101 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.723823/2015-63 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Suscita a nulidade do presente processo uma vez que não foi assegurado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. - Afirma que não foi intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração, como determina o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega a modificação do critério jurídico do lançamento e a impossibilidade de se exigir tributo e multa de forma retroativa. - Defende que, conforme jurisprudência do CARF, as multas por falta de entrega de GFIP à Previdência devem seguir o rito previsto na Lei nº 11.941/09 ainda que os fatos a que se refiram sejam anteriores à vigência da norma. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõe-se observar incialmente que o lançamento foi constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.101 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.723823/2015-63 na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no Auto de Infração, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Cumpre ressaltar que somente a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, não havendo cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando lhe é dada a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos para tentar afastar a tributação contestada. Quanto à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o previsto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Importante salientar que a ausência de intimação prévia não causou prejuízo e não impediu o exercício do direito de defesa do interessado, uma vez que este apresentou Impugnação e Recurso Voluntário demonstrando ter pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o disposto na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da mesma forma, não há que se falar em modificação do critério jurídico adotado no lançamento. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Cabe ressaltar nesse ponto que a multa aplicada no caso em tela é justamente a prevista no art.32-A da Lei nº 8.212/91 e não a indicada em seu art. 35-A como sugere o recorrente. Vale mencionar, por fim, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.101 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.723823/2015-63 vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital

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8152519 #
Numero do processo: 19515.003185/2005-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF) Período de apuração: 30/06/1999 a 25/06/2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Hipótese em que não houve recolhimento antecipado.
Numero da decisão: 9303-010.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, uma vez que o período de apuração (PA) 30/06/1999 a 22/12/1999, foi atingido pelos efeitos da decadência, nos termos do artigo 173,1 do CTN. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen (suplente convocado), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Hipótese em que não houve recolhimento antecipado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, uma vez que o período de apuração (PA) 30/06/1999 a 22/12/1999, foi atingido pelos efeitos da decadência, nos termos do artigo 173,1 do CTN. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen (suplente convocado), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 85 /2 00 5- 55 Fl. 599DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-010.160 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.003185/2005-55 Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3803-00.936, de 28/10/2010 (fls. 521/527), proferida pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento do CARF, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Do lançamento Trata-se o presente processo de Auto de Infração (fls. 128/199), para cumprimento da exigência fiscal relativa à Contribuição da CPMF, relativo a fatos geradores ocorridos entre 30/06/1999 a 25/06/2003. O crédito tributário totalizou o valor de R$ 366.060,82, entre o principal, multa de ofício e juros de mora. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 125/128, o contribuinte foi intimado a prestar diversos esclarecimentos relacionados à regularidade dos recolhimentos da CPMF que deixou de ser recolhida à época própria por força de medida judicial posteriormente revogada. Em resposta, juntou cópias do Processo Judicial nº 1999.61.00.026965-4, da apelação da Fazenda Nacional, da homologação do pedido de desistência dos Embargos de Declaração e do Pedido de Parcelamento Especial (PAES) nº 730300184410. A Fiscalização constatou, então, que os débitos informados em DIC-CPMF pelas Instituições Financeiras Bradesco, Banespa, Itaú, Banco Industrial e Comercial, BNL do Brasil S/A e Pine S/A (fls. 95/121) não haviam sido informados na DCTF da empresa e sua exigência foi, então, formalizada no respectivo Auto de Infração. Da Impugnação e Decisão de Primeira Instância O contribuinte foi cientificado da exigência em 29/11/2005 e interpôs a Impugnação de fls. 204/215, na qual alega não haver débito de CPMF no período alvo da autuação. Isto porque os valores apontados como devidos no período de 30/06/1999 a 26/02/2003 teriam sido incluídos no Parcelamento Especial - PAES, de que trata a Lei n° 10.684, de 2003. Reitera haver ingressado com Mandado de Segurança n° 1999.61.00.02695-4 contestando a legalidade da cobrança da CPMF, deixando de recolher o tributo por força da liminar obtida na época. No entanto, a DRJ em Campinas (SP), apreciou a Impugnação e, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 05-21.283, de 25/02/2008, julgou procedente em parte a impugnação, decidindo que somente por meio da Declaração PAES podiam ser incluídos no referido programa os débitos não previamente confessados ou constituídos e que, deve ser retificado o lançamento, uma vez comprovada a existência de pagamentos efetivados antes do início da ação fiscal. Recurso Voluntário Cientificada da decisão de 1ª instância, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 456/484), reiterando os argumentos de sua Impugnação, resume os fatos relacionados com a lide, argui, em sede de preliminar, a decadência do direito do fisco de proceder à constituição de crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos entre junho de 1999 e outubro de 2000, nos termos dos arts. 150, §4º e 173, I do CTN. No mérito, assevera que: (a) cumpriu todas as formalidades necessárias para a inclusão dos débitos no PAES; (b) no PAF nº 13807.008337/2003-82 (cópia juntada aos autos), versa especificamente sobre os valores relativos à CPMF do período junho de 1999 a fevereiro de 2003, e, conforme se verifica do "Extrato de andamento do processo", continua em exame na DERAT/SPO; (c) a DRJ deixou de se manifestar sobre o pedido de informação por parte do Comitê Gestor do Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-010.160 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.003185/2005-55 PAES e também de verificação do PAF 13807.008337/2003-82, onde todos os débitos da CPMF foram informados para pagamento via parcelamento; (d) não há falar em necessidade de apresentação da Declaração PAES tratada no artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 03/2003 para os presentes débitos, pois na data da adesão, em 30/08/2003, a referida Portaria sequer havia sido publicada; (e) a iniciativa de parcelamento do contribuinte configura denúncia espontânea, fato que o protegeria da aplicação da multa de lançamento de ofício de 75%; (f) os cálculos redutores do lançamento, efetuados na decisão recorrida, estão equivocados, porque, conforme DARFs acostados aos autos, os débitos dos períodos de apuração de março a junho de 2003 foram integralmente recolhidos, restando-lhe inclusive saldo credor, e; (g) há inclusão de débitos referentes aos períodos de apuração 07/03/2003 e 11/06/2003 na carta-cobrança expedida após o julgamento pela DRJ. Por fim, transcreve excertos de jurisprudência administrativa, requer o provimento do recurso e o cancelamento do lançamento. Decisão recorrida Em apreciação do Recurso Voluntário, foi exarada a decisão consubstanciada no Acórdão n° 3803-00.936, de 28/10/2010 (3ª Turma Especial), na qual o Colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Nessa decisão, o Colegiado adotou o entendimento que: (i) a Carta de Cobrança não reinstala a relação jurídico-tributária, não comportando reclamação ou recurso perante aos instâncias administrativas de julgamento, por falta de objeto; (ii) inexistindo antecipação dos recolhimentos, providência legalmente atribuída ao contribuinte, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário passa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele já poderia ter sido lançado (aplica-se o art. 173, I do CTN); (iii) cancela-se o lançamento de ofício, na proporção dos pagamentos disponíveis, espontaneamente realizados pelo contribuinte; e (iv) a inclusão de débitos não lançados, nem confessados, depende de prévia apresentação de declaração própria para esse fim, com caráter de confissão de dívida, instituída pela Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3, de 2003. Recurso Especial do Contribuinte Cientificada do Acórdão nº 3803-00.936, de 28/10/2010, o Contribuinte apresentou Recurso Especial de fls. 559/566, que suscita divergência quanto à forma de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, relativamente aos fatos geradores de 06/99 a 12/99. No recurso requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido nessa parte, vez que pode ser verificado que na “decisão proferida manteve a cobrança dos créditos tributários atinentes a CPMF dos fatos geradores dos períodos de apuração 30/06/1999 a 31/12/1999, aplicando-se a regra contida no artigo 173, I do CTN”. Para comprovação da divergência, apresentou, a título de paradigma os Acórdãos nº 9303-01.636 e nº 9303-01.686. Afirma em seu RE que, embora os paradigmas tenham decidido conforme a tese esposada no Acórdão recorrido, ou seja, a aplicação do prazo decadencial do art. 173, inciso I do CTN (sem que haja pagamento antecipado), a interpretação deste prazo no Acórdão recorrido resultou em contagens divergentes das efetuadas nos acórdãos paradigmas. Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-010.160 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.003185/2005-55 Afirma que nos paradigmas, para os fatos geradores cujos vencimentos ocorriam antes de 31 de dezembro do ano, o termo inicial do prazo decadencial era 1º de janeiro do ano imediatamente seguinte ao do fato gerador, enquanto para os fatos geradores cujo vencimentos ocorriam no ano seguinte, o termo inicial era 1º de janeiro do ano seguinte ao do vencimento. Porém, na decisão recorrida, a preliminar de decadência foi rejeitada, inclusive para os fatos geradores (PA) de 30/06/1999 a 31/12/1999. Com estas considerações, entendeu que a divergência estava comprovada. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de julgamento/CARF, então, com base no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de fls. 592/595, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificada do Acórdão n° 3803-00.936, de 28/10/2010, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de sua análise de admissibilidade, a Fazenda Nacional decidiu por NÃO apresentar suas contrarrazões ao Recurso Especial, conforme petição de fl. 597. O processo, então, foi sorteado para este Conselheiro para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do respectivo Despacho do Presidente da 3ª Seção de julgamento/CARF (fls. 592/595), com os quais concordo e cujos fundamentos adoto neste voto. Portanto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Mérito Para análise do mérito, se faz necessária a delimitação do litígio. Encontra-se em discussão a divergência para a seguinte matéria: à forma de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, referentes aos PA 30/06/1999 a 31/12/1999. Verifica-se que no Acordão recorrido restou consignado que: “(...) Assim, em havendo antecipação, total ou parcial, dos recolhimentos, conforme exige o art. 150, § 1º do CTN, o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Caso não haja recolhimento, aplicar-se-á regra do inc. I do art. 173. No caso concreto, verifica-se que o contribuinte, não tomou a providência preconizada no art. 150, § 4º do CTN, deixando de proceder aos recolhimentos espontâneos da contribuição por se julgar ao abrigo de provimento judicial, pelo que, em 29/11/2005 (fl. 158),data da lavratura do Auto de Infração de fls. 123 a 193, não estava decaído o direito de a Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-010.160 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.003185/2005-55 Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1999 e 12.03/2003 (...)”. (Grifei) Como se vê, no Acórdão recorrido a preliminar de decadência foi rejeitada, inclusive para os fatos geradores aqui tratados. Assevera que o Contribuinte não realizou os pagamentos (antecipação) da CPMF relativamente aos PA 30/06/1999 a 12/03/2003, por isso, para a contagem do prazo prescricional aplicar-se-á regra do inc. I do art. 173, I do CTN. E que, mesmo aplicando a regra contida no mencionado artigo, para o período em questão, não teria ocorrido a decadência do direito de a Fazenda lançar. De outro lado, no Recurso Especial o contribuinte assevera que para o período de apuração (PA) de 06/99 a 12/99, mesmo contando o prazo prescricional na forma prevista no art. 173, I, do CTN, estariam atingidos pela decadência. Pois bem. Entendo que no caso, assiste razão à Contribuinte. Explico. Primeiramente vejamos o disposto no inciso I do art. 173, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (Grifei) Frise-se que a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, conforme determina o parágrafo único do art. 149, do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. (Grifei) Então, cabe aqui ressaltar que o Auto de Infração teve a ciência pelo Contribuinte na data de 29/11/2005 (fl.163). Faz-se necessário destacar que à época dos fatos, os prazos de apuração e de pagamentos encontravam-se estabelecidos no art. 10, da Lei nº 9.311, de 1996. Veja-se: Art. 10. O Ministro de Estado da Fazenda disciplinará as formas e os prazos de apuração e de pagamento ou retenção e recolhimento da contribuição instituída por esta Lei, respeitado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. O pagamento ou a retenção e o recolhimento da contribuição serão efetuados no mínimo uma vez por semana. (Grifei) Na Portaria do Ministro da Fazenda (MF) nº 06, de 1997, regulamentou o referido artigo da seguinte forma: Art. 1º A Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF será, pelas instituições e pessoas referidas no art. 5º da Lei nº 9.311, de 1996: I - retida diariamente ou a cada lançamento; II - apurada, considerando os fatos geradores ocorridos no período entre a quinta- feira da semana anterior e a quarta-feira da semana corrente; e Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-010.160 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.003185/2005-55 III - paga até o terceiro dia útil da semana subsequente à de encerramento do período de apuração; (...) Grifei Para melhor demonstração da forma para a contagem dos respectivos prazos (período de apuração e recolhimentos) aplicado ao caso, reproduzo o quadro demonstrativo abaixo, extraído (parte dos períodos) do Auto de Infração (fls. 164/169): (...). Nesse contexto, para contagem dos prazos, conforme disposto no art. 173, I, do CTN, temos que, para os fatos geradores relativos aos lançamentos de CPMF deste processo, referentes aos períodos de apuração (PA) de 30/06/1999 a 22/12/1999, cujos vencimentos ocorreram ainda no ano de 1999 (o último fato gerador ocorreu em 22/12/1999), o termo inicial seria 1º de janeiro de 2000 (primeiro ano seguinte ao que poderia ser lançado) e o termo final seria 31/12/2004, restando pois, decaídos tais períodos, uma vez que o Auto de Infração fora cientificado em 29/11/2005. Ressalto que o período referente ao fato gerador de 29/12/1999, venceria em 01/2000 (conforme disposto no item III, da Portaria MF nº 06, de 1997), portanto, ainda não atingido pela decadência, que começaria a contar prazo para lançar, somente em 2001. Portanto, assiste razão em parte à Recorrente, uma vez que a ocorrência da decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário relativamente ao período de apuração 30/06/1999 a 22/12/1999, vez que, o prazo prescricional contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, iniciou-se em 01/01/2000 e encerrou-se em 31/12/2004 e, consequentemente, o prazo decaiu em 1º de janeiro de 2005. Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-010.160 - CSRF/3ª Turma Processo nº 19515.003185/2005-55 Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte, para, no mérito dar-lhe PARCIAL provimento, devendo ser reformado o acórdão recorrido nessa parte, uma vez que o período de apuração (PA) 30/06/1999 a 22/12/1999, foram atingidos pelos efeitos da DECADÊNCIA, nos termos do artigo 173, I do CTN. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13971.001700/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão e obscuridade no acórdão embargado, prolata-se nova decisão, podendo essa ter efeitos infringentes se em decorrência das correções dos vícios apontados chegar-se à conclusão contrária ao do aresto recorrido. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS RETROATIVOS. LITERALIDADE DA LEI. Por expressa determinação legal, exclui-se de oficio do Simples Federal, com efeitos a partir do mês de ocorrência da infração, posteriormente reiterada, a pessoa jurídica que nos meses de cinco anos-calendário consecutivos, omitiu grande parte de sua receita bruta mensal auferida (base de cálculo do Simples), mediante reclassificação contábil destinada a subtrair à tributação valores dela integrantes, a titulo de descontos obtidos e, à míngua da apresentação de provas, de que parte dessas receitas reclassificadas decorreria de juros recebidos e variações monetárias ativa a pretexto de serem receitas financeiras e, portanto, não tributáveis nesse regime simplificado.
Numero da decisão: 1301-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão e a obscuridade apontadas e, com efeitos infringentes, retificar o decidido no Acórdão nº 1301-003.008 para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente o Conselheiro Lucas Esteves Borges, substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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E INT. LTDA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão e obscuridade no acórdão embargado, prolata-se nova decisão, podendo essa ter efeitos infringentes se em decorrência das correções dos vícios apontados chegar-se à conclusão contrária ao do aresto recorrido. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITAS. EFEITOS RETROATIVOS. LITERALIDADE DA LEI. Por expressa determinação legal, exclui-se de oficio do Simples Federal, com efeitos a partir do mês de ocorrência da infração, posteriormente reiterada, a pessoa jurídica que nos meses de cinco anos-calendário consecutivos, omitiu grande parte de sua receita bruta mensal auferida (base de cálculo do Simples), mediante reclassificação contábil destinada a subtrair à tributação valores dela integrantes, a titulo de descontos obtidos e, à míngua da apresentação de provas, de que parte dessas receitas reclassificadas decorreria de juros recebidos e variações monetárias ativa a pretexto de serem receitas financeiras e, portanto, não tributáveis nesse regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão e a obscuridade apontadas e, com efeitos infringentes, retificar o decidido no Acórdão nº 1301-003.008 para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 17 00 /2 00 4- 18 Fl. 544DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente o Conselheiro Lucas Esteves Borges, substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Relatório Por bem definir o debate travado nos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, transcrevo o seu despacho de admissibilidade: Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1301-003.008, de 15 de maio de 2018, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara decidiu: - por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e - por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os efeitos do ato declaratório de exclusão do Simples Federal, e, conseqüentemente exonerar o crédito tributário objeto do lançamento. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso voluntário. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO. A exclusão do Simples somente surtiria seus efeitos a partir da decisão irrecorrível, administrativamente ou da data em que for dado ciência da exclusão ao contribuinte. A Fazenda Nacional teve ciência da decisão e apresentou embargos (fls. 530 e seguintes), sob o argumento de que a decisão padeceria de omissão e obscuridade, nos seguintes termos (destaques no original): Na visão do colegiado, a “o ato de exclusão do simples, só poderia ser efetuado após o julgamento definitivo na esfera administrativa”. Com isso, concluiu pelo cancelamento do Ato Declaratório Executivo nº 29, de 5 de outubro de 2004, da DRF em Blumenau - SC, que determinou a exclusão da pessoa jurídica do Simples com efeitos a partir de 1º de janeiro de 1999. Tal decisão, data máxima vênia, se mostra eivada do vício da omissão, uma vez que este e. colegiado não se manifestou sobre a aplicação da Súmula CARF nº 77 ao presente caso, enunciado este de aplicação obrigatória pelos membros deste e. Conselho. Com efeito, a omissão está na aplicação da Súmula nº 56 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que prescreve: Súmula CARF nº 77: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1102-00.442, de 26/5/2011 Acórdão nº 1802-00.817, de 23/2/2011 Acórdão nº 1803-00.753, de 16/12/2010 Acórdão nº 105-16.665, de 13/9/2007 Acórdão nº 101- 96.040, de 2/3/2007”. Conforme a referida Súmula, a partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo. O colegiado, por seu turno, acolheu os argumentos do contribuinte no seguinte sentido: “Dessa forma, a Recorrente se defende da exclusão do SIMPLES alegando, em síntese, que é possibilitado ao contribuinte, por garantia constitucional, o direito de se defender da exclusão do Simples. Nesse sentido, o ato administrativo que excluiu-a do SIMPLES é ato intermediário, sendo que é por meio do lançamento do crédito que efetiva a exclusão. Concluindo, que o ato de exclusão do simples, só poderia ser efetuado após o julgamento definitivo na esfera administrativa. Concordo com os argumentos trazidos pela Recorrente, de forma que apenas com a decisão administrativa foi possível determinar se a empresa deveria ou não ser excluída do Simples. Assim, a exclusão do Simples não deveria ter efeitos retroativos, mas tão-somente prospectivos, a partir da decisão administrativa”. Tais pronunciamentos são conflitantes e a Súmula CARF nº 77 versa exatamente sobre a situação posta nos autos, devendo, portanto, prevalecer. Contudo, o colegiado nada disse sobre a aplicação da referida Súmula. Importante salientar que os Conselheiros do CARF são obrigados a observar as suas súmulas, nos termos do artigo 45, VI, do Regimento Interno atual: (...) Ademais, a r. decisão ainda incorreu no vício da obscuridade, pois transcreve texto legal que vai de encontro às conclusões por ele alcançadas. Com efeito, um dos dispositivos legais utilizados pelo colegiado para justificar a sua conclusão pela irretroatividade dos efeitos do ato de exclusão do SIMPLES foi o art. 15 da Lei 9.317/96. O referido art. 15 da Lei 9.317/1996, em sua redação original, na situação em apreço, definia os efeitos do ato de exclusão a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente. Importante destacar que com a alteração procedida pela Lei 9.732/1998, a exclusão passou a surtir efeitos a partir do mês subsequente aquele em que se proceder à exclusão, ou seja: a partir do mês subsequente à ciência do Ato Declaratório. Essa condição perdurou até nova alteração pela MP nº 2158-35 de 24/08/2001, quando voltou a prevalecer a condição transcrita na redação original. Pois bem. Prevalecendo o entendimento original do art. 15, isso implica em dizer que a própria lei previu a possibilidade de aplicação retroativa do ato de exclusão, pois, ocorrendo a situação excludente, o ato de exclusão produzirá seus efeitos a partir do mês subsequente àquela. Assim, mesmo que o ato de exclusão tenha sido emitido em data muito posterior à situação excludente, ele retroagirá para produzir efeitos a partir do mês subsequente ao que a situação excludente aconteceu. Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Nesse panorama, não ficou muito claro se o colegiado está decidindo contrariamente à lei ou se entende que outra interpretação deve ser dada ao texto legal. A nós, data venia, nos parece que o texto legal é bastante claro ao determinar que a exclusão tem efeito no mês seguinte ao da situação excludente, independente de quando tenha sido expedido o ato de exclusão. Este, por óbvio, não é o entendimento do colegiado, sendo necessário que haja maiores esclarecimentos sobre qual a regra jurídica que os doutos julgadores entendem por aplicável aos efeitos do ato de exclusão do SIMPLES. Assim, necessário se faz que este colegiado se manifeste sobre a aplicabilidade da Súmula CARF nº 77 ao caso em exame, bem como esclareça se entende ou não ser aplicável ao caso o art. 15 da Lei 9.317/96 e qual a interpretação deve ser dada ao texto legal. Desta feita, a omissão suscitada necessita ser sanada para que a Fazenda Nacional identifique, com retidão, o fundamento a ser combatido em eventual recurso. Assim, em homenagem ao princípio da ampla defesa e da motivação, vem a União requerer o esclarecimento do apontado vício, a fim de que o Acórdão ora embargado seja trazido aos autos com o escorreito entendimento a que de fato chegou este e. colegiado. Apresentados os argumentos, passo à análise. O processo eletrônico foi encaminhado à Fazenda Nacional em 01 de novembro de 2018, conforme despacho de fls. 529. Nos termos do artigo 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, em se tratando de processo eletrônico, o prazo para a interposição de recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador se der por intimado antes da data prevista no § 3° (30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN). Na hipótese dos autos, como os embargos foram encaminhados ao CARF em 26 de novembro de 2018 (conforme despacho de fls. 534), estes devem ser considerados tempestivos. Aduz a Embargante que a decisão teria incorrido nos vícios de omissão e obscuridade. A alegada omissão decorreria da falta de manifestação do Colegiado acerca da aplicabilidade da Súmula CARF n. 77 à hipótese discutida nos autos. Sobre o tema da exclusão do Simples, assim se manifestou o voto condutor: Dessa forma, a Recorrente se defende da exclusão do SIMPLES alegando, em síntese, que é possibilitado ao contribuinte, por garantia constitucional, o direito de se defender da exclusão do Simples. Nesse sentido, o ato administrativo que excluiu-a do SIMPLES é ato intermediário, sendo que é por meio do lançamento do crédito que efetiva a exclusão. Concluindo, que o ato de exclusão do simples, só poderia ser efetuado após o julgamento definitivo na esfera administrativa. Concordo com os argumentos trazidos pela Recorrente, de forma que apenas com a decisão administrativa foi possível determinar se a empresa deveria ou não ser excluída do Simples. Assim, a exclusão do Simples não deveria ter efeitos retroativos, mas tão-somente prospectivos, a partir da decisão administrativa. Posto isto, voto por cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 29, de 5 de outubro de 2004, da DRF em Blumenau - SC, que determinou a exclusão da pessoa Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 jurídica do Simples com efeitos a partir de 1º de janeiro de 1999, de modo a cancelar o crédito tributário, objeto do lançamento fiscal. A leitura dos excertos acima transcritos, que revelam os fundamentos adotados pelo voto condutor da decisão, evidencia que, realmente, não houve menção à suscitada Súmula 77, que se relaciona à matéria apreciada e decidida pelo Colegiado, razão pela qual parece-me que assiste razão à Embargante, no sentido de que a turma deve se manifestar acerca da possibilidade ou não de sua aplicação ao caso dos autos. No que se refere ao segundo vício alegado, de contradição, aduz a Embargante que o acórdão, apesar de ter utilizado como fundamento para a decisão o artigo 15 da Lei n. 9.317/96, adotou entendimento contrário ao que estabelece o dispositivo, pois, na visão da Embargante, o ato de exclusão, ainda que prolatado em data posterior à situação excludente teria efeitos retroativos e, portanto, deveria alcançar os fatos tributáveis a partir do mês subsequente àquele em que houve a conduta que ensejou a exclusão. Com efeito, parece-me que o voto condutor realmente não foi claro ao estabelecer a correlação entre o dispositivo legal que lhe serviu de fundamento e as conclusões adotadas, razão pela qual é importante a manifestação do Colegiado, a fim de que seja sanada qualquer dúvida acerca da tese em que se fundou o acórdão. Assim, em homenagem à necessidade de clareza e de pleno conhecimento dos fundamentos que nortearam a decisão, penso que também assiste razão à Embargante no que respeita ao argumento de contradição. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado. Na hipótese dos autos, constata-se que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição suscitadas. Conclusão Em síntese e conclusão, por todo o exposto, e com fulcro no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos de declaração interpostos, para que sejam sanadas a omissão e a contradição 1 presentes no acórdão. Tendo em vista que o Conselheiro Relator do acórdão embargado não mais compõe os quadros do CARF, nos termos do § 5º do art. 49 do Anexo II do RICARF, o presente processo deverá ser submetido a novo sorteio entre os membros deste colegiado, o qual será incumbido do relato e indicação do processo para pauta de julgamento. Em seguida, os autos foram submetidos a novo sorteio no âmbito do mesmo colegiado do relator originário, cabendo-me o seu relato. É o relatório. 1 Embora a conclusão do despacho de admissibilidade referencie a existência de omissão e contradição, no corpo do texto resta evidente que a PGFN arguiu a existência de omissão e obscuridade no aresto embargado. Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1301-003.008 a fim de sanar omissão e obscuridade nesse julgado. Pois bem, de antemão, é preciso esclarecer que o contribuinte foi excluído do Simples Federal em razão de suposta prática reiterada de infração à legislação tributária com base no art. 14, V, da Lei nº 9.317/96 2 . A suposta prática reiterada de infração à legislação tributária tratada nos presentes autos também irradia efeitos sobre os autos de infração lavrados após a exclusão do Simples com efeitos retroativos (processo nº 13971.001627/2004-84 em que houve autuação com base em omissão de receitas nos anos-calendário de 1999 a 2003, anexado aos presentes autos). Essas receitas omitidas adviriam do não reconhecimento, como receita bruta, de descontos obtidos, nos seguintes termos: Também não teriam sido registradas receitas referentes a juros recebidos e variações monetárias ativas, essas em valores menos relevantes, mas também em todos os meses dos período de 1999 a 2003. Ressalta-se que os autos de infração em questão foram cancelados pela decisão de primeira instância e, ainda que interposto recurso de ofício, no Acórdão embargado deixou-se de conhecer desse recurso em razão do disposto na Súmula CARF nº 103 3 . No aresto embargado, decidiu-se ainda que a exclusão do Simples Federal levada a efeito pela Fiscalização não deveria ter realizada com efeitos retroativos, podendo surtir efeito, tão somente, após a decisão administrativa definitiva sobre a exclusão desse regime privilegiado, cancelando-se os efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 29/2004 da DRF Blumenau retroativamente a 01/01/1999. 2 Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] V - prática reiterada de infração à legislação tributária; [...] 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 A PGFN, por sua vez, aponta a existência de omissão em razão de o colegiado não ter se pronunciado sobre a aplicação da Súmula CARF nº 77 ao caso concreto, a qual deixaria evidente a possibilidade de lançamento em face da exclusão antes do término da discussão administrativa do Ato Declaratório de exclusão do Simples. Aponta ainda a Fazenda Nacional que o acórdão teria incorrido em obscuridade 4 , pois embora tenha decidido pela possibilidade de efeitos da exclusão somente após a decisão administrativa definitiva mas citar e transcrever dispositivo do art. 15 da Lei nº 9.317/96 (inciso V) que permitiria a exclusão, a partir, inclusive, do mês de ocorência dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo 14 (sendo que seu inc. V trata da ocorrência de prática reiterada de infração à legislação tributária). Feita essa digressão sobre o ocorrido até essa fase processual, passo à análise dos embargos. Pois bem, de fato assiste razão à PGFN. Peço vênia para transcrever o excerto do voto condutor sobre o tema: Quanto a retroatividade da lei, infere-se que o ato da [sic] exclusão do Simples foi motivado pela reiterada prática de infração à lei tributária, o que impede a permanência no sistema Simples. Nesse mister, a Recorrente traz à baila os seguintes artigos da Lei que instituiu o Simples acerca dos efeitos da exclusão do Simples, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) V - a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Dessa forma, a Recorrente se defende da exclusão do SIMPLES alegando, em síntese, que é possibilitado ao contribuinte, por garantia constitucional, o direito de se defender da exclusão do Simples. Nesse sentido, o ato administrativo que excluiu-a do SIMPLES é ato intermediário, sendo que é por meio do lançamento do crédito que efetiva a exclusão. Concluindo, que o ato de exclusão do simples, só poderia ser efetuado após o julgamento definitivo na esfera administrativa. 4 Embora a conclusão do despacho de admissibilidade referencie a existência de omissão e contradição, no corpo do texto resta evidente que a PGFN arguiu a existência de omissão e obscuridade no aresto embargado. Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Concordo com os argumentos trazidos pela Recorrente, de forma que apenas com a decisão administrativa foi possível determinar se a empresa deveria ou não ser excluída do Simples. Assim, a exclusão do Simples não deveria ter efeitos retroativos, mas tão-somente [sic] prospectivos, a partir da decisão administrativa. O primeiro ponto a abordar é a suposta omissão quanto à aplicação da Súmula CARF nº 77 ao caso concreto. Veja-se sua redação: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ora, de fato, o entendimento firmado no Acórdão embargado afronta o teor da Súmula CARF nº 77 ao decidir que o ato declaratório de exclusão do Simples somente poderia ser emitido, e surtir seus efeitos, após a decisão administrativa irreformável, até mesmo porque, no art. 15 da Lei º 9.317/96 não há qualquer hipótese que limite a eficácia de qualquer ato declaratório de exclusão do Simples à decisão administrativa irrevogável sobre a sua correição. Nesse contexto, correta também a arguição da PGFN quanto à ocorrência de obscuridade, pois no próprio corpo do voto condutor do aresto atacado consta menção a dois dispositivos distintos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, quais sejam, incisos II e V, a saber: - o inciso II do art. 15 da Lei nº 9.317/96 determina que os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º (redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001 até o advento da Lei nº 11.196, de 2005 que lhe deu nova redação); - o inciso V determina que a exclusão terá efeito a partir, inclusive, do mês da ocorrência dos fatos mencionados nos incisos II a VII do art. 14, sendo que o inciso V do art. 14 refere-se ao caso de prática reiterada de infração à legislação tributária. Ora, em que contexto o relator citou esses dispositivos, todos com efeitos pretéritos no que diz respeito à exclusão do Simples, inclusive fazendo-se referência, no próprio voto, ao art. 16 do mesmo diploma legal que determina que “A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”, para depois concluir que os efeitos da exclusão somente poderiam surtir efeitos prospectivos a partir da decisão administrativa 5 ? Trata-se, a meu ver, de obscuridade que também necessita ser dirimida. Por consequência, passo a discorrer sobre o tema a fim de expurgar os vícios de omissão e obscuridade. 5 Nesse parágrafo não resta clara qual seria a decisão administrativa, podendo-se até mesmo inferir-se que se trataria de exclusão a partir da edição do ato declaratório, mas, nos parágrafos anteriores do voto o relator diz concordar com os argumentos do Recorrente no sentido de que a exclusão somente poderia ser realizada após a decisão administrativa irreformável sobre a validade do ato declaratório. Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 A Recorrente foi excluída do regime simplificado em virtude da prática reiterada de infração à legislação tributária, nos termos do art. 14, V, da Lei nº 9.317/96 (Ato Declaratório Executivo nº 29, de 5 de outubro de 2004, fl. 114). O conceito de prática reiterada não chegou a ser fixado legalmente no regime do Simples Federal. Contudo, o foi no regime do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123), o que não se impede que, à míngua de qualquer outro preceito legal, verifique-se a viabilidade de aplicação desse conceito trazido em lei. Veja-se: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: [...] V - tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; [...] XI - houver descumprimento reiterado da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26; XII - omitir de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. [...] § 9º Considera-se prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I - a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II - a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Por sua vez, o art. 84 da Resolução CGSN Nº 140, de 22/05/2018, assim dispõe sobre o tema: § 6º Considera-se prática reiterada, para fins do disposto nas alíneas “d”, “j” e “k” do inciso IV do caput: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 9º) I - a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento, em um ou mais procedimentos fiscais; ou II - a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. [...] Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm#art26 Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 § 8º Na hipótese prevista no inciso I do § 6º deste artigo, quando constatada omissão de receitas ou sua segregação indevida, sem a verificação de outras hipóteses de exclusão, a administração tributária poderá, a seu critério, caracterizar a prática reiterada em procedimentos fiscais distintos. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 28, parágrafo único; art. 29, § 9º) É importante observar que a legislação traz o conceito de prática reiterada sem dolo, qual seja, o previsto no inciso I do § 9º do art. 29 da Lei Complementar nº 123 (a ocorrência, em 2 ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento), e a prática reiterada dolosa, assim entendida “a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo” (inciso II do § 9º do art. 29 da Lei Complementar nº 123). Vê-se ainda que o inciso I do § 6º do art. 84 da Resolução CGSN Nº 140, de 22/05/2018 frisou ainda que, em se tratando das simples infrações, a constatação pode se dar “em um ou mais procedimentos fiscais”. Frisa-se ainda que até mesmo infrações de natureza acessória seriam suficientes para caracterizar a reiteração de infrações reiteradas, ou seja, sem qualquer dolo. Da decisão de primeira instância, extrai-se o excerto a seguir reproduzido que bem delimita as infrações detectadas: A infração detectada foi a falta de inclusão na base de cálculo do Simples (receita bruta mensal auferida) de Receitas Financeiras relativas a Descontos Obtidos (conta nº24716), Juros Recebidos (conta nº 24724) e Variações Monetárias Ativas (conta n2 24759), registradas em contas próprias na Contabilidade da pessoa jurídica, em contraste com as Vendas de Serviços da Matriz (conta nº 24236), única sobre a qual foi calculado o valor devido mensalmente ao Simples. O reiteramento da conduta consistiu na manutenção do mesmo padrão de classificação das Receitas Financeiras, e conseqüente omissão do registro de seus valores na base de cálculo do Simples, durante o período de 12 de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2003. Verifica-se que o modo de operar da contribuinte foi assim descrito na Representação Fiscal. (Exclusão do Simples — MPF 09204.2004.00057-0), as fls. 3/4: Diante do exposto constatamos que: • Os clientes da Blucargo Transporte adiantam os valores para os pagamentos dos transportes aéreos e terrestres. • A Blucargo Transporte repassa o valor liquido para as companhias aéreas, retendo o valor correspondente à sua comissão e aos descontos obtidos. • A Blucargo Transporte declara como receita bruta, somente o valor referente as comissões dos agenciamentos de transporte aéreo. Adicionalmente, do Termo de Verificação de Infração — IRPJ/CSLL, tem-se que (fl. 262): • Os clientes da Blucargo Transporte adiantam os valores para os pagamentos dos transportes aéreos e terrestres. Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 • A Blucargo Transporte repassa o valor liquido para as companhias aéreas, retendo o valor correspondente à sua comissão e aos descontos obtidos. • A Blucargo Transporte declara como receita bruta, somente o valor referente as comissões dos agenciamentos de transporte aim), não adicionando as receitas obtidas com os descontos obtidos , variação monetária e juros a base do SIMPLES. Conforme se depreende dos elementos contábeis e declarações da pessoa jurídica, juntados aos autos infere-se que, ao longo do período objeto do procedimento fiscal, a contribuinte reclassificou a maior parte de suas receitas operacionais de modo a omiti-las da base de calculo do Simples. Nesse mister, a decisão da DRJ pondera que: Ao contratar os serviços de transporte oferecidos pela manifestante, o tomador paga o preço avençado, que engloba os custos (valores pagos pela contribuinte à operadora do transporte aéreo; despesas de eventual coleta das cargas e sua entrega no balcão de cargas do terminal aéreo, e custos administrativos e tributários, p. ex.) e o lucro (representado pela diferença entre o preço e os custos incorridos). Mesmo neste esquema simplificado dos serviços prestados pela manifestante já transparece que sua receita bruta mensal auferida, base de cálculo do Simples, é representada pelo valor do preço recebido dos clientes (equivalente ao produto da venda de serviços). E o que estabelece a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, em seu art. 22, a seguir transcrito: Art. 22 Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: I e II - [..] § 1º [...] § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A distribuição e reclassificação contábil dos valores que compõem a receita bruta mensal auferida, feita pela manifestante, é irrelevante para o cálculo do Simples, já que a este sistema não interessam os custos incorridos, nem sua natureza, mas apenas as receitas, das quais a lei permite que sejam excluídos as "vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos". Assim, a obtenção de descontos junto a seus próprios fornecedores de bens ou serviços (caso do transporte aéreo) apenas melhora o desempenho financeiro resultante das operações da microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte (EPP), sem exercer qualquer influência sobre a formação da base de cálculo do Simples. Pois bem, tal prática reiterada ocorreu ao longo de cinco anos-calendário consecutivos. Confira-se a seguir os valores informados pela Recorrente em suas Declarações Anuais Simplificadas, a título de Receita Bruta e de Descontos Obtidos: Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Da leitura acima, verifica-se que nos anos-calendário 2000, 2001 e 2003 os descontos obtidos superaram o total da receita bruta declarada. Assim, uma vez caracterizada a hipótese da prática reiterada de infração à legislação tributária, nos termos do art. 14, V da Lei nº 9.317/96, esta deve ser obrigatoriamente aplicada. Ademais, ressalta-se que a nomenclatura descontos incondicionais concedidos é imprópria, uma vez que, em realidade, o desconto não é no preço que a Recorrente cobra de seus clientes, mas sim na negociação que essa realiza com os efetivos prestadores de serviço e que reduz seus custos de intermediação de serviços. Adicionalmente, verifica-se em relação juros recebidos a Recorrente alegou que se tratavam de receitas com aplicações financeiras ou das faturas recebidas em atraso e que não foi apontado quais variações monetárias teriam que fazer parte da base de cálculo do Simples. Todavia, verifica-se que tal conta não foi objeto que culminou em sua exclusão desse regime simplificado. Quanto as variações monetárias ativas, estas foram indicadas na Representação e que trata de valores contabilizados na conta nº 24759 (fls. 68/69). No que tange à argumentação da Recorrente de que não se trata de venda de bens e serviços, caberia então trazer a documentação necessária para provar o alegado, o que não ocorreu até o presente momento. Outrossim, há de ressaltar o seguinte excerto da decisão: [...] assim, não se pode, no caso que se analisa, de pratica reiterada de infração à legislação tributária, exigir prévia notificação ou constituição de crédito com base nos mesmos fatos, para que fique configurada a reiteração, já que ficou patente sua conduta omissiva em cinco anos-calendário consecutivos. No que atine à retroatividade da lei, entendo que tal argumento prospera, trata-se, na realidade, da correta aplicação da lei no tempo já vigente em todos os períodos de apuração em debate. Em realidade, o que retroage são os efeitos do ato declaratório de exclusão, e não a lei, aliás, conforme expressamente previsto na Lei nº 9.317/96, a qual pede-se vênia para mais uma vez se reproduzir: Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] V - prática reiterada de infração à legislação tributária; [...] Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) V - a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Conforme se observa, no caso de prática reiterada de infração à legislação tributária (inciso V do art. 14), a exclusão se dará, a partir, inclusive, do mês de sua ocorrência (inciso V do art. 15). Aliás, conforme já abordado, incide no caso a Súmula CARF nº 77, verbis: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Desse modo, confirmo a decisão da DRJ no sentido de ser julgado procedente o Ato Declaratório Executivo nº 29, de 5 de outubro de 2004, da DRF em Blumenau — SC, que determinou a exclusão da pessoa jurídica do Simples com efeitos a partir de 1º de janeiro de 1999. Tendo em vista que os autos de infração lavrados (anos-calendário de 1999 a 2003) foram cancelados pela decisão de primeira instância e o recurso de ofício não foi conhecido, esclarece-se que os efeitos práticos da presente decisão aplicam-se somente a partir do ano-calendário de 2004, haja vista que desde então o contribuinte não poderia mais ser tributado com base no Simples Federal. Por fim, frisa-se que, em face dos vícios de omissão e obscuridade apontados pela PGFN, os presentes embargos possuem efeitos infringentes, uma vez em decorrência das correções desses vícios, chegou-se à conclusão contrária ao do aresto recorrido. Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-004.348 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.001700/2004-18 CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos para suprir a omissão e a obscuridade apontadas e, com efeitos infringentes, retificar o decidido no Acórdão nº 1301-003.008 para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10480.914470/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. Recurso Voluntário conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1301-004.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Vencido o Conselheiro Ricardo Antonio Carvalho Barbosa que votou por lhe negar provimento. Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente Lucas Esteves Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antônio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS ESTEVES BORGES

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. Recurso Voluntário conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Vencido o Conselheiro Ricardo Antonio Carvalho Barbosa que votou por lhe negar provimento. Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente Lucas Esteves Borges - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 44 70 /2 00 9- 05 Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.432 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.914470/2009-05 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antônio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório PERNOD RICARD BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. recorre a este Conselho Administrativo pleiteando a reforma do acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/REC que NEGOU PROVIMENTO à Manifestação de Inconformidade apresentada. Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 30553.36254.220708.1.3.04-9763 através do qual o contribuinte pretendeu utilizar suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao período de apuração findado em 31/12/2005, no valor de R$ 715.795,85, com débito de PIS, IRPJ e COFINS, relativo ao período de apuração de junho/2008. A compensação não foi homologada em razão da autoridade fiscal entender que os pagamentos localizados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos, razão pela qual, não restava crédito informado para a compensação dos débitos. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que possuía crédito passível de compensação no momento da transmissão do PER/DCOMP, uma vez que a sua DIPJ AC 2005, após revisão dos valores, apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 3.735.978,78. Afirma, ainda, que considerando o novo cálculo, o valor recolhido no código 2430 transformou-se em pagamento a maior. Acostou ao petitório, dentre outros, os seguintes documentos contábeis e fiscais: (i) cálculo da provisão para IRPJ do AC 2005; e (ii) DIPJ retificadora AC 2005. Por tais razões, requereu o reconhecimento integral do crédito pretendido e a homologação do PER/DCOMP apresentado. Ao se debruçar sobre a questão, a DRJ/REC decidiu por maioria de votos em julgar improcedente o pleito do contribuinte, sob o entendimento, em síntese, de que o contribuinte apresentou DCTF original na qual declarou IRPJ devido (...) e, até a presente data, não entregou DCTF retificadora. Assinale-se que a declaração retificadora deveria ter sido entregue antes do decisório, pois a disponibilidade do crédito é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Finaliza, o voto vencedor, entendendo que a simples retificação da DIPJ, desacompanhada da retificação da respectiva DCTF e desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência do erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário reforçando os argumentos já trazidos aos autos, suplicando pela observância ao Princípio da Verdade Material e acostando como documentação complementar mapa de apuração do lucro líquido que justificaria a apuração do saldo negativo objeto de retificação da DIPJ. Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.432 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.914470/2009-05 Aduz que o saldo negativo é proveniente de uma revisão efetuada em relação ao lucro da exploração relativo ao benefício fiscal da SUDENE que faz jus. Requerendo, por fim, a anulação do despacho decisório, a homologação da compensação e a extinção do crédito compensado. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Esteves Borges, Relator. Conheço do Recurso Voluntário, porque tempestivo e atendido os demais requisitos para sua admissibilidade. Verifica-se, compulsando os autos, que a controvérsia gira em torno da imprescindibilidade ou não da retificação da DCTF para o reconhecimento de crédito apontado em PER/DCOMP e nela não declarado, em que pese constar da DIPJ retificadora, bem como, da comprovação da existência do suposto erro quando do seu preenchimento. O crédito pleiteado refere-se a pagamento indevido de IRPJ decorrente de suposto erro de preenchimento da DIPJ original, posteriormente retificada. O contribuinte, contudo, não retificou a DCTF em que constava o débito declarado, tendo a turma julgadora de primeira instancia indicado ser esse o primeiro óbice ao reconhecimento do crédito perquirido, uma vez que o crédito pleiteado estaria em sua integralidade alocado ao débito declarado em DCTF. Entretanto, a ausência da retificação da DCTF, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, uma vez que pode vir a levar ao enriquecimento ilícito do Estado. Tratando-se da comprovação do erro de fato no preenchimento da declaração, o entendimento atual é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme Parecer COSIT nº 8/2014. Dessa forma, este colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito, justamente o segundo ponto levantado pela DRJ como razão para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. No presente caso, o contribuinte retificou a DIPJ em razão de ter alterado o critério de apuração do lucro da exploração relativos a unidade instalada na área da SUDENE. O critério anteriormente adotado do §3º, deu lugar ao do §1º, ambos do artigo 549, do RIR/99, por entender o contribuinte que detinha contabilidade detalhada capaz de auferir com precisão os custos/despesas e receitas da unidade beneficiária. Desse modo, tendo em vista o Princípio da Busca da Verdade Material, voto no sentido de afastar o óbice da ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.432 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.914470/2009-05 referentes ao indébito pleiteado e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a análise de mérito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Lucas Esteves Borges Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10166.728340/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 DIRPF. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO. Correto o restabelecimento da DIRPF original por motivo comprovado de erro na elaboração da DIRPF Retificadora.
Numero da decisão: 2301-007.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Sheila Aires Cartaxo Gomes, Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital, que davam provimento. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Fabiana Okchstein Kelbert (suplente convocada) e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pela conselheira Fabiana Okchstein Kelbert
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-04T12:59:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-03-04T12:59:54Z; Last-Modified: 2020-03-04T12:59:54Z; dcterms:modified: 2020-03-04T12:59:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-03-04T12:59:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-04T12:59:54Z; meta:save-date: 2020-03-04T12:59:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-04T12:59:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-03-04T12:59:54Z; created: 2020-03-04T12:59:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2020-03-04T12:59:54Z; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-04T12:59:54Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10166.728340/2013-92 Recurso De Ofício Acórdão nº 2301-007.044 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de fevereiro de 2020 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PAULO SERGIO CUNHA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2011 DIRPF. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO. Correto o restabelecimento da DIRPF original por motivo comprovado de erro na elaboração da DIRPF Retificadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Sheila Aires Cartaxo Gomes, Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital, que davam provimento. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Fabiana Okchstein Kelbert (suplente convocada) e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pela conselheira Fabiana Okchstein Kelbert Relatório Trata-se Recurso de Oficio, cuja remessa se deu por conta da exoneração de crédito tributário que a DRJ-Rio de Janeiro/RJ promoveu ao restabelecer a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Fisica - DIRPF, por reconhecer que houve erro no preenchimento da DIRPF Retificadora, erro que houve de ser corrigido tendo em vista o principio da verdade material Como consequência foi exonerado na totalidade o crédito da Notificação de Lançamento (fls. 22/27 do processo digital) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) do exercício 2011, ano-calendário 2010, em que foi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 83 40 /2 01 3- 92 Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.044 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.728340/2013-92 constatada Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação da Justiça Federal no montante de R$ 19.707.831,19, tendo sido compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 591.232,41, e Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas - Aluguéis de R$ 26.265,60. É o relatório Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O requisito regulamentar para admissibilidade de Recurso de Oficio está principalmente lastreado na exoneração, em favor do contribuinte, da obrigação tributária constituída pelo auto de infração, superior ao limite de alçada fixado para a Delegacia de Julgamento. Na forma do art. 1° da Portaria n°. 63, de 09/02/2017, vigente à data da interposição do Recurso de Oficio, o limite de alçada da DRJ era de R$ 2.500.000,00 (Dois milhões e quinhentos mil reais) Portanto, conheço do recurso de oficio O acórdão recorrido tem a seguinte ementa com relação à questão que resultou na exoneração total do crédito tributário DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovado erro no preenchimento de Declaração do Imposto de Renda Retificadora, com base nas informações e documentos constantes no processo, esse erro deve ser corrigido em observância ao princípio da verdade material, passando a ter validade a declaração original. Abaixo, transcreve-se o voto do acordão recorrido, com relação ao mérito: 11. Relativamente aos rendimentos de aluguéis, o Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 em seu art. 49, assim dispõe: Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (Decreto-lei n° 5844, de 1943, art. 3°, LeiN°4.506, de 1964, art. 21, e Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°: - aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza: (...) § 2° Serão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. (Grifei) 12. Não houve manifestação do Impugnante especificamente em relação à omissão de aluguéis. Mas como ele se refere em toda a impugnação à declaração original, na qual foi informado rendimento de aluguel, não há que se considerar como matéria não impugnada. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.044 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.728340/2013-92 13. Com o advento da Lei n° 7.713/1988, todo rendimento auferido pelas pessoas físicas são tributáveis, mensalmente, a medida que sejam percebidos, conforme os dispositivos a seguir transcritos: Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9°a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2° Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. §3° Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4°A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. 14. Primeiramente deve-se enfatizar que, conforme disposto no art. 114 da Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional - CTN, "fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente a sua ocorrência'", e, no caso do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, o fato gerador está discriminado no art. 43, incisos I e II, do mesmo diploma legal. 15. Pelo dispositivo acima mencionado, o fato eleito pela legislação tributária como necessário e suficiente para o surgimento da obrigação de pagar o imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, isto é, a existência de um acréscimo patrimonial. 16. Desse modo, para que se configure o fato gerador do imposto basta que o patrimônio do contribuinte tenha sido economicamente acrescido, ou por um direito a crédito (disponibilidade jurídica) ou por um elemento material, que pode ser dinheiro ou qualquer coisa nele conversível (disponibilidade econômica). 17. Em se tratando de pessoas físicas, a legislação tributária estabeleceu como regra o regime de caixa, pelo qual a incidência do imposto ocorre somente no momento em que se efetiva a entrega dos recursos ao beneficiário. 18. Por definição expressa do Código Tributário Nacional, o contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade econômica de renda e proventos (art. 45, CTN). Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.044 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.728340/2013-92 19. Nesse sentido, sendo o interessado o beneficiário dos depósitos judiciais, forçoso concluir que no momento do saque ocorreu o fato gerador do imposto de renda, pois houve a efetiva entrega dos recursos, fazendo surgir a obrigação tributária da qual este deve figurar como sujeito passivo na condição de contribuinte e assim será até decisão final. 20. Ao contrário do alegado pelo impugnante não existe qualquer contradição entre "revisão da declaração" com a alegada omissão de declaração. Primeiramente, em nenhum momento foi citado pela autoridade lançadora que o contribuinte não apresentou declaração e sim que na declaração válida (a última transmitida) constante do sistema IRPF não foram informados os rendimentos recebidos de Ação da Justiça Federal nos montantes de R$ 16.103.567,05 recebidos através do Banco do Brasil e R$ 3.604.264,14, recebidos através da Caixa Econômica Federal, conforme consta na DIRF e nem o rendimento de aluguel recebido de Leila Luiza de Sousa Aucelio, no montante de R$ 26.265,00. 21. De fato, conforme alegado pelo Impugnante, em 29/04/2011 foi transmitida a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, onde é informado o montante de R$ 19.304.821,47, recebidos de Pessoa Jurídica e R$ 29.184,00 recebido de pessoa física. (cópia anexada às fls. 30/32). 22. No entanto, em 05/09/2011 foi transmitida uma Declaração Retificadora, na qual não consta nenhum rendimento tributável recebido nem de pessoa jurídica nem de pessoa física. Consta apenas a informação de rendimentos isentos e não tributáveis no montante de R$ 19.334.005,47, relativo a Bolsa de Estudo e Pesquisa (fls. 69). 23. É de se ressaltar que a declaração retificadora apresentada substituiu integralmente a declaração original anteriormente entregue, conforme disposto no inciso I, do art. 54, da Instrução Normativa SRF n° 15 de 06 de fevereiro de 2001, vigente à época. Tal entendimento também foi mantido na Instrução Normativa RFB n° 1500/2014, em seu parágrafo único, do artigo 82, ao dispor que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso 24. Na declaração original, (fls. 30/54) consta o saldo a pagar de R$ 4.730.513,77, onde o contribuinte havia optado pelo pagamento em 8 parcelas. Foram anexadas cópias de dois DARF, um no valor principal de R$ 591.314,22 pago em 19/05/2011 e outro valor de R$ 606.727,92 pago em 31/05/2011 (fls. 55/56). 25. O Impugnante alega que apresentou uma declaração retificadora em maio de 2011, com a inclusão de pequenos valores que recebeu também do Banco do Brasil. O que justificaria a alteração da segunda quota. Porém essa declaração retificadora não aparece no sistema, o que significa que não foi efetivamente transmitida. 26. De fato, consta da declaração original quase o valor total aqui lançado como omissão de rendimentos. E consta, o que aparentemente é o pagamento de duas quotas do valor parcelado. Isso a princípio comprova que o Impugnante pretendia declarar e pagar os valores devidos de imposto. 27. O Impugnante informou que no início de junho de 2011 foi procurado por um grupo de profissionais que lhe propuseram a celebração de um contrato para quitação das seis quotas restantes através do procedimento de compensação com créditos tributários. 28. Apresenta certidão conjunta negativa de Geraldo Majella Taffiier e da Alfa Consultoria Tributária e Empresarial Ltda, emitidas em 16/09/2013. Apresenta o Instrumento Particular de Procuração que outorga a Geraldo Majella Taffner poderes para, "junto a RECEITA FEDERAL DO BRASIL requerer situação fiscal, requerer Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-007.044 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.728340/2013-92 emissão de certidões, quitar, promover compensações, enfim participar de todos os atos necessários ao bom e fiel cumprimento do presente mandato." Junta cópias de cheques (fls. 72/129) que no entanto, não tem o condão de provar que foram pagos com a finalidade de quitar o contrato para compensação com créditos. 29. O Impugnante alega que após gerar um novo código de acesso se deparou com a declaração retificadora sem nenhum valor fiscal e nem bens informados, com o lançamento de R$ 19.334.005,47, a título de bolsa de estudo e pesquisa, a título de rendimentos isentos e não tributáveis. Aduz que tudo indica tratar-se de falsidade ideológica, haja vista que não outorgou poderes ao Sr. Geraldo Majella Taffner para praticar atos ilícitos. 30. O Impugnante aduz que caso não se consiga comprovar a efetiva extinção dos créditos tributários mediante a compensação, admitirá a sua inadimplência. Porém, requer que não seja cobrada a multa imposta e nem a aplicação dos juros aqui lançados. 31. Como já citado, com a transmissão de uma Declaração Retificadora, ela cobre as informações anteriores, passando a valer as informações constantes dessa última. No entanto, no presente caso, o contribuinte alega que desconhece a autoria da declaração constante do sistema da RFB, pois não autorizou ninguém a efetuar tal declaração. 32. Com relação aos dois pagamentos efetuados pelo contribuinte, a Seção de Conta Corrente da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF Brasília (fls. 193) informou que constam os recolhimentos de R$ 606.727,92, efetuado em 31/05/2011, e de R$ 632.351,42, efetuado em 19/05/2011, que se encontram no Sistema Conta Corrente sem utilização. 33. Conforme consta da declaração original (cópia de fls. 30/54), foram declarados os valores dos rendimentos aqui lançados. E não foi por mim localizado pedido de restituição efetuado pelo contribuinte das duas parcelas pagas. O que evidencia a boa-fé do contribuinte. 34. Diante do exposto, entendo que pode-se considerar como tendo ocorrido erro de fato e, em nome do princípio da verdade material, deve ser cancelado o presente lançamento, restabelecendo-se a declaração original. Assim, os dois pagamentos devem ser apropriados. Portanto, restou comprovado nos autos que a transmissão da retificadora foi decorrente de erro e o valor do imposto gerado, incluído em notificação de lançamento, é indevido, devendo ser restabelecida a declaração original com a apropriação dos valores pagos no parcelamento das cotas. Do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-007.044 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.728340/2013-92 Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 11613.000182/2010-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/03/2009, 07/04/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não comprovada violação das disposições contidas no Decreto no 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO ADUANEIRA. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. O agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, é parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração, tendo em vista sua responsabilidade solidária quanto à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/03/2009, 07/04/2009 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF No 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF no 11). JUROS DE MORA. AUTO DE INFRAÇÃO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF no 5). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 06/03/2009, 07/04/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E”, DO DECRETO-LEI No 37/66. A inobservância da obrigação acessória de prestação de informação, no prazo estabelecido, sobre os dados de embarque da carga transportada enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei no 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003.
Numero da decisão: 3001-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE

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NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não comprovada violação das disposições contidas no Decreto n o 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO ADUANEIRA. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. O agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, é parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração, tendo em vista sua responsabilidade solidária quanto à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/03/2009, 07/04/2009 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF N o 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n o 11). JUROS DE MORA. AUTO DE INFRAÇÃO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF n o 5). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 06/03/2009, 07/04/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E”, DO DECRETO-LEI N o 37/66. A inobservância da obrigação acessória de prestação de informação, no prazo estabelecido, sobre os dados de embarque da carga transportada enseja a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 01 82 /2 01 0- 15 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto- lei n o 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo art. 77 da Lei n o 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Trata o presente processo de lançamento para a aplicação de multa de R$ 10.000,00, por não prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n o 37/66. Por economia processual e por relatar a realidade dos fatos de maneira clara e concisa, reproduzo o relatório da decisão de piso: “Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações neste tipo de processo questões preliminares, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Ou seja, são suscitados questionamentos que tragam ao auto de infração a ineficiência do instrumento de lançamento e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações”. Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ (DRJ/Rio de Janeiro) considerou improcedentes as arguições feitas pela então impugnante, por meio do Acórdão n o 12-102.528 - 4ª Turma da DRJ/RJO (doc. fls. 100 a 105) 1 , mantendo integralmente a penalidade aplicada. A confecção da Ementa foi dispensada por aquele colegiado, na forma do art. 1 o , inciso I, da Portaria SRF n o 1364, de 10 de novembro de 2004. Tendo sido cientificada do julgamento em 28/01/2019, por meio da Intimação n o S/N, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador – BA, como se atesta no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (doc. fls. 110), a recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (doc. fls. 135 a 155) em 27/02/2019, como se observa no Termo de Solicitação de Juntada (doc. fls. 111). Em seu Recurso, a agencia de navegação contesta a decisão de primeira instância, alegando, em síntese, que: a) no caso concreto, o processo administrativo perdura há quase 9 (nove) anos, sendo de aproximadamente de 8 (oito) anos o período entre do despacho para apresentação da Impugnação e a decisão de primeira instância, ora contestada, o que impõe o reconhecimento acerca da prescrição intercorrente, uma vez que, no processo administrativo, esta se opera no curso do processo em virtude da inércia do Fisco, enquanto titular do direito ao crédito não pratica os atos essenciais para o deslinde da demanda, ou seja, a fiscalização não possui prazo infinito para decidir impugnações administrativas em face de lançamentos de créditos tributários, de tal forma que, nos casos em que restar demonstrada a desídia e o descaso da Administração, a aplicação da prescrição intercorrente é medida legítima e imperiosa; b) foi editada a Lei nº 11.457, que em seu artigo 24 estipulou como obrigatório um prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que a Administração Pública julgue os processos especificamente tributários e, caso não seja reconhecida a prescrição intercorrente, deve-se, em homenagem ao princípio da causalidade, ao menos ser afastado os juros de mora durante o período que o processo administrativo permaneceu paralisado; c) deve ser abordada a ilegitimidade passiva, por ser matéria de ordem pública, uma vez que, a despeito de sua autuação e da fundamentação apresentada, não é a empresa, ainda que caracterizada a infração apontada, o sujeito passivo da pena aplicada, não havendo amparo legal para que lhe seja aplicada qualquer pena, pois não é transportadora, é agente de navegação; d) transportador é aquele que presta serviços de transporte e que emite o conhecimento de embarque e, portanto, o agente marítimo não é transportador, mas como se viu acima, mero mandatário do transportador marítimo, inexistindo previsão legal de aplicação de qualquer multa em face do agente, já que a obrigação de prestar informações é do 1 Todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 transportador e, assim, deve ser declarado nulo o auto de infração, cessando todos os seus efeitos; e) o auto de infração padece de vício formal, pois a descrição do fato que ensejou a aplicação da multa não foi realizada de forma clara e completa e não foi realizada a devida conexão entre os fatos e a norma legal supostamente violada, pois a autoridade aduaneira incorretamente autuou o agente impondo-lhe pena como se transportador marítimo fosse, atribuindo-lhe expressamente pena cominada à pessoa diferente da prevista pelo tipo legal, e tal descrição não representa a realidade e ofusca a perfeita compreensão dos fatos, ensejando assim que o exercício de seu direito ao contraditório e à ampla defesa dificultado; f) a infração apontada não encontra suporte legal, razão pela qual não poderá subsistir, pois a conduta da requerente não caracteriza o tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa, já que o enquadramento legal feito pela Aduana à infração teve por base o art. 107, IV, alínea “e” do Decreto- Lei n° 37/66, e a empresa não deixou de prestar informações; g) não se pode perder de vista que não se caracterizou ausência de informação, vez que os dados foram prestados “sempre no momento oportuno, posto que eventuais alterações necessárias à regularização do transporte, certamente não eram conhecidas anteriormente”; e h) não houve nenhum prejuízo ao Erário, posto que as informações foram prestadas “para alinhar o sistema da Receita Federal ao transporte realizado” e nota-se, portanto, “que os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade não foram observados”, sendo “clara a desproporcionalidade da multa, em virtude desta apenas estar sendo imputada ao contribuinte em razão dele ter prestado informação a fim de alimentar o sistema Siscomex”. Com estes argumentos, entendendo ter demonstrado a insubsistência e a improcedência da decisão de primeira instância, requer e “espera a Recorrente seja o presente recurso recebido para fins de que lhe seja dado provimento para que o despacho decisório ora guerreado seja anulado em face da preliminar aventada e das razões de mérito expostas, bem como seja afastada a totalidade da multa imposta”. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23-B do Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343, de 9 de junho de 2015 2 . Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Há arguição preliminar de nulidade a qual se analisa a seguir, previamente à análise do mérito. Preliminar de nulidade do Auto de Infração Como visto, cuida o presente processo de litígio instaurado pela discordância da recorrente quanto à lavratura de Auto de Infração aplicando multa de R$ 10.000,00, em decorrência do entendimento, pela fiscalização aduaneira, de ocorrência de prestação extemporânea de informação sobre veículo ou carga nele transportada, tipificado como infração pelo prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n o 37/66. A recorrente inicialmente aponta suposta nulidade do Auto de Infração por ilegitimidade passiva, sustentando que, na qualidade de agência de navegação marítima da empresa transportadora, não responderia por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos pelo transportador marítimo com base no Decreto-lei n o 37/66. Nessa matéria, não está com a razão a recorrente, como se demonstrará a seguir. A recorrente foi autuada por prestar à fiscalização aduaneira, fora do prazo estabelecido pelas normas reguladoras, informações sobre carga transportada. Bem, a legislação aduaneira prescreve que a representação é obrigatória para o transportador estrangeiro e que a empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima (IN RFB n o 800, de 2007, arts. 4 o e 5 o ). De início, se destaca que a redação do dispositivo legal no qual se tipifica a conduta como infração (art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n o 37/1966, com a redação dada pela Lei n o 10.833/2003 3 ) expressamente imputa a aplicação ao agente marítimo. 2 Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) 3 Decreto-lei nº 37/1966, art. 107, inciso IV, alínea “e”, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003 “Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 Ademais, em se tratando de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a agência de navegação concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente responde a empresa pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decreto-lei n o 37/66. “Art. 95. Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; O art. 135, inciso II, do CTN também determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei e, em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do mesmo Decreto-lei n o 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los”. A recorrente traz à sua argumentação a inteligência da Súmula n o 192 do extinto TRF. Não obstante, esta Súmula há muito se encontra superada, em desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decreto-lei n o 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do Decreto-lei n o 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação. Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei n o 10.833/2003, que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. “Art. 32. É responsável pelo imposto: I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) II – o representante, no País, do transportador estrangeiro; (...)” Este é o entendimento constante do REsp n o 1129430/SP, de relatoria do Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX, julgado em 24/11/2010 (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C/Recursos Repetitivos). Segundo o julgado, é somente após a vigência do Decreto-lei n o 2.472/88 que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições, assume a condição de responsável tributário. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar as informações no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos Receita Federal, e responde pelas infrações decorrentes desse dever. e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e (...)” (grifos nossos) Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 É farta a jurisprudência deste E. Conselho nesse sentido, a exemplo do Acórdão n o 9303-008.393 – 3ª Turma Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido em sessão de 21 de março de 2019, com a seguinte ementa (processo n o 10907.000151/2009-54): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2008, 16/12/2008, 23/12/2008, 02/01/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração”. A agência marítima também sustenta a nulidade do Auto de Infração por vício formal e cerceamento do direito de defesa. As nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal são declaradas com vistas a expurgar do mundo jurídico atos que tenham sido executados com vícios formais, ou seja, com ausência de condição ou requisito de forma indispensável à sua validade, ou com preterição do direito de defesa, quando se constata a ocorrência de inequívoco prejuízo à parte no exercício de seu direito de defesa. Assim, se não houver prejuízo às partes pela prática do ato no qual se tenha considerado haver suposta irregularidade ou inobservância da forma, ou ainda o cerceamento do direito de defesa, não há de se falar na sua invalidação. Nulidades no processo administrativo fiscal são tratadas nos arts. 59 e 60 do Decreto n o 70.235/72, segundo os quais somente serão declarados nulos os atos na ocorrência de decisões ou despachos lavrados ou proferidos por pessoa incompetente ou dos quais resulte inequívoco cerceamento do direito de defesa à parte. No caso em comento, não há qualquer vício ou mácula que possa eivar de nulidade o Auto de Infração. O lançamento foi efetuado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de sua competência e atribuição legais e com observância à todas as formalidades prescritas. A autuação decorreu da constatação da ausência da prestação tempestiva das informações estabelecidas pelo art. 22, inciso II, alínea “c”, da Instrução Normativa RFB n o 800, de 2007 4 relativamente a dois Manifestos de Carga, prática legalmente tipificada como infração à legislação aduaneira, a qual se subsume à penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n o 37/66, enquadramentos utilizado pela autoridade aduaneira no Auto de Infração (vide fls. 009). A recorrente tem exercido com plenitude o seu direito de defesa, trazendo argumentos que apontam que compreendeu com clareza a motivação que ensejou a aplicação da penalidade. Improcedente, portanto, a arguição de nulidade. 4 Instrução Normativa RFB n o 800, de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: (...) c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; (...) Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 A recorrente também arguiu a ocorrência da prescrição intercorrente, tendo em conta o transcurso, segundo a empresa, de aproximadamente de oito anos entre o despacho para apresentação da Impugnação e a decisão de primeira instância. Vejamos. No mérito do Recurso Voluntário, a recorrente inova ao apontar a ocorrência de prescrição, pela aplicação do disposto no art. 174 do Código Tributário Nacional, e a ocorrência da prescrição intercorrente, em virtude do transcurso de longo prazo entre o protocolo da Manifestação de Inconformidade e a ciência do Acórdão recorrido. Trata-se de pedido inédito no curso do presente processo, posto que não foi suscitado na Manifestação de Inconformidade, e assim, por conseguinte, também não foi objeto de apreciação da primeira instância de julgamento. É cediço que, pela observância dos arts. 16 e 17 do Decreto Lei no 70.235/1972, bem como do disposto nos arts. 141, 223, 329 e 492 do vigente Código de Processo Civil, não se pode conhecer, em sede recursal, de matéria até então estranha aos autos, por não ter sido suscitada no momento processual adequado. Não se observou na Manifestação de Inconformidade qualquer contestação em relação à ocorrência de prescrição. Não obstante, também é cediço ser pacífico o entendimento de que é dever do colegiado apreciar de ofício as matérias de ordem pública, ainda que não tenham sido contestadas, bem como corrigir os erros materiais que, porventura, agravem incorretamente a exigência fiscal. Por ser a prescrição considerada matéria de ordem pública, passo a análise da questão apresentada. Prescrição não ocorreu. Mais uma vez equivoca-se a recorrente. Saiba a empresa que a prescrição intercorrente já é objeto de Súmula por este Conselho, manifestando o entendimento de que o instituto não é aplicável ao contencioso administrativo. Se pronunciou o CARF nesse sentido, tendo sido exarada a Súmula CARF n o 11, com efeitos vinculantes: Súmula CARF nº 11 “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Cabe ressaltar que a mencionada Súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). No que tange à solicitação de afastamento dos juros de mora durante o período que o processo administrativo permaneceu paralisado, melhor sorte não assiste à recorrente. A Súmula CARF n o 5, também de observância obrigatória, estabelece que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Análise do mérito A questão que chega à apreciação desta c. Turma, no mérito, é a aplicação de penalidade pecuniária estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto n o 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n o 10.833, de 2003, decorrente da obrigação acessória de prestar à informações sobre veículo ou carga transportada. As informações prestadas extemporaneamente relacionam-se à operação do navio "GLOBAL MACEIÓ", em março e abril de 2009, e à carga correspondente a dois manifestos de carga (1509300393190 e Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 1309300591452) e os correspondentes Conhecimentos de Embarque (CE), além de sua associação à escala feita pela embarcação. A prestação das informações fora do prazo estabelecido ensejou o bloqueio das cargas no Sistema. E foi com base nesses fundamentos que foi lavado o combatido Auto de Infração, autuando-se a agência marítima com base no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei n o 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n o 10.833/03 (fls. 002 a 011). Não se contesta que a agência de navegação, em representação ao transportador estrangeiro, tenha prestado extemporaneamente a informação relativamente à carga transportada. A obrigação acessória de o transportador prestar informações sobre os veículos ou cargas na exportação foi disciplinada pela Receita Federal do Brasil por meio das Instruções Normativas SRF n o 28/94 e RFB n o 800/2007. Ressalte-se inicialmente que também é inconteste que a Receita Federal detém competência legal (art. 16 da Lei n o 9.779, de 1998) para dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável, sendo tais obrigações de cumprimento obrigatório pelos contribuintes e intervenientes do comércio exterior. Seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. Também é cediço que a autoridade fiscal tem dever de ofício de promover a autuação, uma vez constatada a ocorrência de irregularidade. Em verdade, também o art. 37 do Decreto-lei n o 37/66, com a redação que lhe foi dada pela Lei n o 10.833/2003, estipula que o transportador deve prestar à Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. À época dos fatos, a Instrução Normativa RFB n o 800/2007 trazia art. 22, já transcrito linhas acima, que imputava ao transportador a obrigação acessória de prestar determinadas informações sobre suas cargas nos prazos nele estabelecidos. O art. 45 da mesma IN alertava que o descumprimento desse prazo ensejava infração sujeita à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto- Lei n o 37, de 1966, e, quando fosse o caso, a prevista no art. 76 da Lei n o 10.833, de 2003, que assim dispunha (verbis): “Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (...)” No caso dos autos, não há qualquer dúvida de que a prestação das informações foi feita após o prazo regularmente estabelecido pela legislação, o que ensejou o bloqueio da carga, subsumindo-se à infração tipificada alínea “e” do inciso IV do art. 107, do Decreto n o 37, de 1966, conforme documentos emitidos pela própria recorrente (fls. 012 e 017): Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 Nesse sentido, está correto o entendimento da decisão de piso. Argumenta-se no voto condutor do Acórdão recorrido que (fls. 103 e ss.): “De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos: (...) O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos respectivos conhecimentos/manifestos eletrônicos (CEs/MEs). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Apenas para efeito de esclarecimento, informa-se que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Daí a necessidade de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente”. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 Também é descabido e não se sustenta o argumento de que não teria havido nenhum prejuízo ao Erário, posto que as informações foram prestadas somente “para alinhar o sistema da Receita Federal ao transporte realizado”. Vejamos. A prestação de informações pelos intervenientes do comércio exterior é fundamental para que a Receita Federal possa determinar o tratamento aduaneiro a ser observado em cada operação de importação ou exportação e pode determinar os critérios de riscos e o nível de controle aduaneiro recomendado, o que tem permitido maior agilidade da atuação da fiscalização aduaneira e maior fluidez ao fluxo de comércio exterior, além de aumentar a segurança fiscal. Por essa razão, torna-se imperiosa a aplicação de sanções a quem deixa de prestar as informações necessárias ou o faz a destempo. Tanto na importação, quanto na exportação, a adoção do adequado tratamento aduaneiro a ser aplicado às cargas, nas operações de maior risco, pode evitar a ocorrência de prejuízo ao Erário. Na importação, por exemplo, pode se evitar a ocultação e desvio de carga para burlar sua regular importação e o recolhimento de tributos incidentes sobre a entrada de mercadorias estrangeiras. Na exportação, a averbação do embarque é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria (art. 46 da IN SRF n o 28/94). Assim, com o desembaraço aduaneiro da DDE, se registra a conclusão da conferência aduaneira e se autoriza o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria, mas é com a averbação do embarque ou da transposição da fronteira que se confirma a saída da mercadoria do País. Ou seja, é a partir da averbação do embarque que se confirma a exportação efetiva da mercadoria e a regular a fruição de todos os benefícios e incentivos fiscais, federais e estaduais, a ela vinculados, usufruídos pelo exportador. Não se trata, portanto, de obrigação acessória sem propósito, como faz crer a recorrente em sua peça recursal. Ora, é dever do interveniente do comércio exterior adimplir a obrigação acessória em conformidade com o estabelecido pela legislação aduaneira, e fazê-lo na forma e no prazo estipulados. É inaceitável que interveniente do comércio exterior preste as informações sobre veículos e cargas com mercadorias importadas ou destinadas ao exterior “apenas com atraso” ou em “momento oportuno”, fora dos prazos estabelecidos. Tal prática prejudica a análise e gestão de risco e pode ensejar burla ao controle aduaneiro, razão pela qual é passível da penalidade pecuniária aplicada. Por fim, quanto à alegação de ausência de razoabilidade e proporcionalidade na aplicação da multa, saiba a recorrente que estes são dirigidos ao legislador e não cabe ao aplicador da lei. Ou seja, violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade não podem administrativamente dar ensejo para se afastar multa legalmente prevista. Da mesma forma, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, pela aplicação da Súmula CARF n o 2, de observância obrigatória por este colegiado. Nesses termos, resta caracterizado que a recorrente, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, deixou de atender a obrigação de prestar as informações relativamente seu veículo ou carga no prazo estabelecido pela Receita Federal, restando devida a autuação pela fiscalização aduaneira. Não se comprovou nos autos que tenha havido prévia informação tempestiva, ainda que posteriormente retificada, da vinculação dos Manifestos de Carga mencionados no Auto de Infração à escala. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-001.142 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11613.000182/2010-15 Me alinho ao entendimento manifestado na Solução de Consulta Interna – COSIT, n o 2, de 4 de fevereiro de 2016, que expressa o entendimento de que a multa de R$ 5.000,00 prevista deve ser aplicada para cada informação estabelecida no art. 22 da IN RFB n o 800/2007 que deixou de ser prestada (verbis – grifos nossos): “10. Assim, depreende-se dos dispositivos citados que a multa deve ser exigida para cada informação que se se tenha deixado de apresentar de na forma e no prazo estabelecido na IN RFB 800, de 2017. Deve-se ponderar que cada informação que se deixa de prestar forma e no prazo torna mais vulnerável o controle aduaneiro”. Conclusões À vista de todo o exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10865.723154/2015-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 31 54 /2 01 5- 41 Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.660 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723154/2015-41 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.660 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723154/2015-41 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.660 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723154/2015-41 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital

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