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Numero do processo: 10580.727445/2009-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 45 /2 00 9- 57 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.925971/2009-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3002-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 59 71 /2 00 9- 78 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 92 2 Relatório Em 11.10.2006 o sujeito passivo transmitiu Declaração de Compensação de nº 22732.16641.131006.1.3.049007 (fls 6 a 11), declarando a compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao período de apuração de novembro/2005 com débito da mesma contribuição, relativo a Setembro de 2006. Em 14.07.2009 o contribuinte tomou ciência (fl. 05), por meio de DESPACHO DECISÓRIO (fls 02), da NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento mencionado havia sido "integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em 29.07.2009 foi protocolada MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 12 a 17), cuja síntese dos argumentos foi: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Que o valor das receitas financeiras auferidas no período de apuração em comento foi de R$31.462,89, que submetido a alíquota de 3,0%, resultou em um recolhimento a maior de PIS no valor de R$943,89; c) Que no processamento do referido PER/DECOMP o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras, no valor de R$943,89; d) Que segundo o disposto no art. 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96 e também segundo a jurisprudência do CARF (acórdão 20402819) e do TRF da 4 região (Apelação em MS 2006.71.08.0007709/RS), a compensação com crédito legítimo é uma das formas de extinção do crédito tributário; e) Ao fim, requer a homologação da compensação efetuada. Por meio do Acórdão nº 0633.119, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, sob a alegação de incompetência para apreciação de questões relativas à inconstitucionalidade, não acolher as razões contidas na manifestação de inconformidade, mantendose a não homologação da compensação realizada pelo contribuinte e exigindo o pagamento da COFINS relativa a 09/2006, acrescida de multa, juros e encargos de mora. Cientificado desta decisão em 13.02.2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF em 29.02.2012. Tal recurso foi apreciado e provido em parte pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão de 27.02.2013, com acórdão de nº 3802001.613 assim ementado: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 93 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Em 29.11.2013 foi determinado o encaminhamento dos autos à DRJ/CTA para análise. Em novo julgamento, a 3ª Turma da DRJ/CTA manteve o não acolhimento das razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendose a não homologação da compensação em litígio. Desta vez, as razões da negativa se fundaram na ausência de qualquer prova material apresentada pelo contribuinte, comprometendo a liquidez e certeza do crédito tributário. Invocouse o disposto no art. 74 e seus §§, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº10.637/2002, c/c os arts. 4º e 26, §§1º e 2º da IN SRF nº600/2005, bem como o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº70.235/1972, dentre outros dispositivos. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 94 4 O contribuinte foi cientificado do conteúdo da nova decisão em 28.11.2014 por meio de correspondência com AR. (fls 75) Em 22.12.2014, apresentou novo Recurso Voluntário ao CARF, alegando em sua defesa que: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Se a DRJ entende que as declarações apresentadas oficialmente pela recorrente (DCOMP e DIPJ) não são suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deveria intimar a contribuinte a apresentar a documentação hábil, por meio de diligência, e não simplesmente negar de plano o requerimento formulado na esfera administrativa; c) Houve afronta ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; d) Que não se pode cogitar alegar a inadmissibilidade dos novos documentos ora apensados aos autos, vez que o CARF já tem se manifestado pela possibilidade de juntada de documentos em fase recursal; e) Seja homologada a declaração de compensação em litígio, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98; f) Anexou Planilha de Cálculo da COFINS e páginas do Razão Contábil da conta "Rendas de Aplicações Financeiras". É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. I Do ônus probatório e da preclusão. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 95 5 Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 96 6 No caso em estudo, ao declarar que o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$943,891, o contribuinte reconhece ter emitido declarações contraditórias ao fisco, dando azo à não homologação da compensação durante a etapa de verificação eletrônica. Ocorre, contudo, que até a decisão de primeira instância o contribuinte não apresentou qualquer prova documental que evidencie a efetiva inclusão de receitas financeiras na apuração da COFINS referente ao mês de novembro/2005, comprometendo a análise do direito ao crédito utilizado na compensação e prejudicando o andamento processual. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos juntamente com a impugnação. No presente caso, deveria o contribuinte ter produzido suas provas por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. A desobediência a este comando enseja a preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual. Nessa senda, a divergência entre as declarações apresentadas pelo contribuinte ao fisco (DCTF e DCOMP), combinada com a falta de apresentação de provas documentais da certeza e liquidez do crédito tributário no momento oportuno, dificultou a análise da autoridade fiscal, ofendendo aos princípios da celeridade e da economicidade processual. Não há comprovação do atendimento a qualquer dos requisitos previstos nas alíneas a) a c) do §4º do art. 16 do DEL 70.235/72, que permitiriam justificar a admissão de novas provas documentais neste momento processual. Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Pelo exposto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que caberia ao fisco o impulso para a produção de provas da certeza e liquidez do direito creditório pretendido. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apresentou indícios da efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. 1 Trecho extraído da Manifestação de Inconformidade, fl. 14. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 97 7 Tivesse o contribuinte apresentado alguma prova de liquidez e certeza do direito alegado junto à manifestação de inconformidade, ainda que insuficiente por si só, admitirseia, em homenagem ao princípio da verdade material, a juntada de novas provas no mesmo sentido em fase recursal. Portanto, não se pode conhecer de provas trazidas ao processo somente em fase recursal, sob pena de afronta aos demais princípios e normas que regem o processo administrativo fiscal. II Da Não Comprovação da Certeza e Liquidez do Crédito Pleiteado nos autos do PAF. Tendo em vista que a preclusão do direito de produção de novas provas, em momento posterior à manifestação de inconformidade, ainda é objeto de divergência entre conselheiros, a fim de evitar a interposição de novos recursos, comprometendo ainda mais a celeridade e a eficiência do processo administrativo, este julgador analisou os documentos trazidos pelo contribuinte junto ao Recurso Voluntário. No presente caso, ainda que admitida fosse a apresentação de provas documentais juntamente com o Recurso Voluntário, deixou o contribuinte de anexar documentos que comprovem que as receitas financeiras relativas ao mês de novembro/2005 foram incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período. Vejamos. Foram apresentados, juntamente com o Recurso Voluntário: a) Planilha de Cálculo da COFINS; b) Razão Analítico da Conta "RENDAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS". Destacase que planilhas, declarações ou demonstrativos elaborados ou preenchidos pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo e confirmem a sua exatidão, não possuem força probatória para constituir direito creditório oponível à fazenda pública. Ocorre, contudo, que valor do recolhimento da COFINS, referente ao período de novembro/2005, declarado na Planilha de Cálculo da COFINS (R$11.606,12, fl. 86), diverge daquele informado na DCOMP, relativo ao mesmo período (R$12.550,01, fl. 09), materializando a inexatidão do demonstrativo apresentado e comprometendo sua força probatória. Ademais, não foi apresentado nenhum outro documento que detalhe quais os valores que efetivamente compuseram a base de cálculo da apuração de COFINS relativa ao período em comento. Assim, não ficou provado nos autos que as receitas financeiras relativas ao período de novembro/2005 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período, razão pela qual não foram comprovadas a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 98 8 Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004459/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1103-000.087
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski (sob a sistemática do art. 543-B do CPC).
Aloysio José Percínio da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski (sob a sistemática do art. 543B do CPC). Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 45 9/ 20 10 -9 1 Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.628 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa até aquela fase: “1. Tratase de Auto de Infração de IRPJ, contra a empresa acima identificada, com atribuição de responsabilidade solidária à empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba, CNPJ nº 74.362.732/000168, referente aos 3º e 4º trimestres do ano calendário 2005, bem como de Autos de Infração de contribuições que dependem dos mesmos elementos de prova para comprovação dos ilícitos, quais sejam, CSLL, PIS e COFINS. 1.2. Os lucros foram arbitrados, nos termos do art. 530, III, do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, uma vez que a Autuada, depois de intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. 1.3. Os valores tributados decorrem de omissão de receitas, lastreada em depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos dos artigos 42, da Lei 9.430/96, e 24, §2º, da Lei 9.249/95. 1.4. Os créditos constituídos, no montante de R$ 2.569.082,63 (dois milhões, quinhentos e sessenta e nove mil, oitenta e dois reais e sessenta e três centavos), têm a seguinte composição: 1.5. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal, às fls. 1436/1444, o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002008040086 foi emitido em razão de movimentação financeira incompatível com a receita declarada à RFB, conforme quadro abaixo: Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.629 3 1.6. Relata ainda a Fiscalização que: 1.6.1. em diligência no domicílio tributário do contribuinte, para intimálo do Termo de Início da Ação Fiscal, ele não foi encontrado;1.6.2. o envio da cópia do referido documento aos sócios não teve êxito; 1.6.3. o objeto social, constante do contrato social registrado na JUCESP, é o comércio atacadista de materiais metálicos, hidráulicos e plásticos em geral, com capital inicial de R$ 50.000,00. 1.6.4. como sócios, estão registrados Ana Júlia de Almeida Barros e Sebastião Manoel da Silva Filho. 1.6.5. em 06/10/2008, foi declarada a inaptidão do contribuinte, conforme Ato Declaratório nº 166, de 06//10/2008, com efeitos a partir de 18/06/2008. 1.6.6. em 17/10/2008, foi emitida, contra o Banco Itaú S/A, Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), onde foram solicitados dados e documentos relativos à movimentação financeira da Autuada. 1.6.7. nas respostas do Banco Itaú, observouse que a movimentação bancária foi realizada por meio de uma única conta corrente, aberta, em 28/07/2005, e operada por procuração outorgada pelos sócios a Milton Bergmann, falecido em 2007; 1.6.8. quase que a totalidade dos valores depositados foram realizados pela empresa Novelis do Brasil Ltda, adquirente de sucatas de alumínio; 1.6.9. a Novelis esclareceu que os pagamentos realizados à Autuada tiveram origem na compra de sucata de alumínio da Autuada, tendo esta emitido as faturas nº 000001 a 000016, 000018 a 000053, 000055 a 000071, 000073 a 000088, 000090 a 000102, 000104 a 000111, 000114 a 000124, 000126 a 000167 e 000169 a 000201, 1.6.10. do total de 201 faturas, apenas 9 não foram relacionadas pela Novelis; 1.6.11. mais informações prestadas pelo Banco Itaú revelaram que, de agosto a dezembro de2005, a Autuada emitiu 585 cheques, no valor total de R$ 15.655.499,43. 1.6.12. as cópias do cheques (frente e verso) enviadas pelo Banco Itaú durante a ação fiscal demonstram que a quase totalidade deles tiveram como beneficiários a empresa individual Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba e seu titular Antonio Borges Rainha Sobrinho, conforme quadro abaixo: 1.6.13. esses dados levaram, a priori, à conclusão de que a Autuada (Kosmoplatina) foi constituída apenas com o fim de intermediar o contrato de Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.630 4 fornecimento de sucata de alumínio com a empresa NOVELIS, sendo a real beneficiária a empresa RAINHA. 1.6.14. a RAINHA foi intimada do teor das conclusões a que chegara a Fiscalização e da necessidade de apresentar justificativas, sob pena de representação para fins penais ao Ministério Público, bem como foi alertada de que os créditos poderiam ser constituídos contra a Kosmoplatina, mediante o arbitramento do lucro, atribuindo à RAINHA a responsabilidade tributária. 1.6.15. a Rainha respondeu que não era beneficiária dos pagamentos, que não vendeu para a Kosmoplatina, no período 01/08/2005 a 31/12/2005, e que os cheques poderiam ter sido depositados por terceiros, o que estaria sendo apurado. 1.6.16. em nenhum momento, a empresa RAINHA comprovou que houve relação comercial com a Kosmoplatina, justificando o recebimento dos cheques; 1.6.17. a empresa RAINHA tem como atividade principal o comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicos e recebeu, via KOSMOPLATINA, a maioria dos pagamentos efetuados pela NOVELIS. 1.6.18. coincidentemente, de 191 faturas emitidas pela KOSMOPLATINA para a NOVELIS, em 166 delas, consta informação de que os transportadores da sucata são do município de Piracicaba, no qual está sediada a empresa RAINHA; 1.6.19. a RAINHA recebeu 518 cheques da KOSMOPLATINA, totalizando R$ 14.240.689,57, e não justificou um pagamento sequer; 1.7. Conclui a Fiscalização que restou caracterizada a interposição de pessoa jurídica, uma vez que a empresa KOSMOPLATINA, oficialmente contratada pela NOVELIS para fornecer sucata, não apresenta qualquer indício de ter operado diretamente no cumprimento do contrato, ao passo que os fatos demonstram que a RAINHA foi a real beneficiária dos créditos efetuados pela NOVELIS à KOSMOPLATINA; 1.8. a responsabilidade solidária foi fundamentada no artigo 124, I, do CTN. 1.9. Frisa ainda a Fiscalização que: 1.9.1. o Termo de Constatação e Intimação Fiscal que expõe os fatos até aquela data, 03/11/2010, e intima o contribuinte (Kosmoplatina), e seus sócios, a prestar as devidas justificativas para o não oferecimento à tributação dos valores depositados em sua contacorrente, foi cientificado por meio do Edital nº 037/2010 (não se trata do 318/2010), afixado em 04/11/2011: 1.9.2. em razão de as intimações não terem sido atendidas, a receita total dos créditos bancários não oferecidos à tributação foi tributada com base no lucro arbitrado; 1.9.3. as informações do contribuinte em DIPJ, DCTF e DACON estão zeradas e não constam pagamentos de impostos; 1.9.4. a conduta do contribuinte configura, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme artigos 1º, I, e 2º, I, da Lei 8.137/90, razão pela qual haverá representação fiscal para fins penais, ao Ministério Público. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.631 5 1.10. a Autuada (Kosmoplatina) e seus sócios foram intimados dos Autos de Infração, em 27/12/2010, por meio do Edital nº 318/2010, afixado em 10/12/2010, enquanto que o responsável solidário ANTONIO BORGES SOBRINHO PIRACICABA, CNPJ 74.362.732/000168, foi intimado, em 22/12/2010, conforme AR – Aviso de Recebimento, às fls. 1405 (numeração digital). 2. A Autuada não impugnou o lançamento, todavia, consta, às fls. 1408/1432, a impugnação do responsável solidário. Alega, em síntese, que: 2.1. equivocadamente, pois sem respaldo legal e probatório, os efeitos da autuação foram estendidos à Impugnante, com base no artigo 124, I, do CTN, sob o fundamento de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária; 2.2. o que lastreou tal procedimento foi o fato de a Impugnante ter depositado em contas correntes, de sua titularidade, cheques emitidos pela empresa KOSMOPLATINA, no montante de R$ 6.798.782,85; 2.3. a imputação não procede, seja pela ilicitude do procedimento, seja pela inexistência de responsabilidade solidária; 2.4. preliminarmente, os Autos de Infração padecem de vício insanável, pois, além da forma abusiva e discricionária foram violadas as garantias asseguradas no art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal; 2.5. as informações bancárias foram obtidas de forma ilícita, visto que sem o devido processo legal e determinação/autorização judicial para tanto, conforme expressamente exigido na CF; 2.6. o sigilo das operações financeiras é um desdobramento dos direitos à privacidade, liberdade, imagem e diversos outros assegurados pela CF; 2.7. a regra geral de garantias constitucionais não permite sua violação por simples ato discricionário do fisco, a qual afronta diretamente o princípio da dignidade humana (art. 1º, III, da CF); 2.8. a quebra injustificada do sigilo da empresa Kosmoplatina, estendida à Impugnante, decorreu de ato discricionário da Fiscalização, ou seja, a prova indispensável à aferição da suposta matéria tributável foi obtida por meio ilícito, sendo imprestável a consubstanciada nos Autos de Infração impugnados. 2.9. o interesse público deve prevalecer sobre o privado na maioria das situações jurídicas, entretanto devem estar respaldados e nos limites estabelecidos pelos princípios constitucionais, sob pena de nulidade como ocorreu no caso; 2.10. não há que se alegar respaldo na LC 105/200, uma vez que, recentemente, o STF, ao julgar o RE 389808/PR, encerrou o debate existente, declarando a inconstitucionalidade da referida norma, tendo como fundamento a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem a devida autorização judicial (transcreve ementas de decisões judiciais) 2.11. fica, portanto, transparente a conduta abusiva da autoridade administrativa que lavrou auto de infração, extensivo à Impugnante, com base em documentos adquiridos de forma ilícita em face da CF, mais especificamente Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.632 6 quanto às garantias asseguradas pelo art. 5º, X e XII, devendose cancelar integralmente o Auto de Infração. 2.12. por outro lado, valeuse a autoridade administrativa de métodos indiciários para determinar renda tributável e seus reflexos, ainda que os depósitos bancários por si só não constituam fato gerador de imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, valendose para tanto única e exclusivamente da presunção legal estabelecida no art. 42, da Lei 9.430/96; 2.13. a presunção autorizada pela lei deve estar solidificada em circunstâncias fáticas que concretizem a hipótese de incidência tributária estabelecida em Lei Complementar (art. 146,III, da CF); 2.14. Em se tratando de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a norma requer o auferimento de renda e proventos de qualquer natureza com ocorrência de acréscimo patrimonial de forma evidente, ou seja, mister se faz a exteriorização de nova riqueza; 2.15. a simples movimentação financeira não comprova a existência de acréscimo patrimonial, e, portanto, da ocorrência do fato gerador, cabendo à autoridade fiscal, fazêlo (transcreve ementas de julgados administrativos do Conselho de Contribuintes); 2.16. no caso, a autuação, estendida à Impugnante, foi feita com base em métodos indiciários, sem qualquer comprovação de acréscimo patrimonial, como é imposta pela utilização harmônica do art. 42, da Lei 9.430/96 e o art. 43, do CTN. 2.17. a aplicação do art. 43, do CTN, foi ignorada e não poderia sêlo, uma vez que é a base da lei complementar exigida pela CF para regulamentar fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos tributos nela contidos; 2.18. afora os elementos apresentados, a autuação contradiz os próprios argumentos de fundamentação da autoridade administrativa quando esta afirma, apesar de pautada em presunções, que a empresa Kosmoplatina não caracterizou como a real beneficiária dos depósitos em conta corrente de sua titularidade; 2.19. ora se o Fisco admite que o montante tido como omissão de rendimentos, na realidade representa receita de terceiros, ele, próprio, afasta a presunção, pois reconhece expressamente que inexistiu rendimento por parte do sujeito tributado, o que, por conseguinte, exclui qualquer responsabilização solidária em face da Impugnante. 2.20. além disso, reconhece a Fiscalização que o sujeito passivo não foi beneficiário dos depósitos, sendo de rigor o cancelamento dos autos de infrações. 2.21. por outro lado, o lançamento foi alcançado pela decadência; 2.22. a Fiscalização trabalhou com hipótese de presunção, tanto assim que não impôs multa qualificada de 150%, mantendo apenas a multa de ofício de 75%; o que afasta de plano qualquer ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e, consequentemente, a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN; 2.23. a contagem da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação tem por termo Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.633 7 inicial o fato gerador do tributo, sendo que sua constituição definitiva deve se dar dentro do prazo de cinco anos a contar deste termo (transcreve ementas do Conselho de Contribuintes e DRJ). 2.24. no caso em tela, os fatos geradores se perfizeram em 2005, sendo que a ciência deuse somente em 22/12/2000, portanto, após o transcurso do lapso quinquenal relativos: a) em relação a IRPJ e CSLL até o 3º trimestre e b) quanto ao PIS e COFINS até o período de apuração de novembro, competências até novembro de 2005; 2.25. somada aos argumentos anteriormente despendidos, ainda que fossem válidas as autuações contra a KOSMOPLATINA, elas não podem subsistir em face da Impugnante, ademais no que se refere ao artigo 124, I, do CTN, haja vista não existir nenhuma prova do interesse comum. 2.26. todo trabalho da Fiscalização cingese aos depósitos existentes em contas de titularidade da Impugnante, oriundos de cheques da empresa Autuada (Kosmoplatina), utilizandose ainda de presunções e métodos indiciários, sem qualquer prova do suposto interesse da Impugnante na relação comercial entre a Autuada e a empresa Novelis; 2.27. no exercício de sua atividade de comércio de sucatas e metais, a Impugnante detém relação comercial com inúmeros clientes e fornecedores, mas não realizou nenhuma transação com a Kosmoplatina no período 01/08/2005 a 31/12/2005; 2.28. a Impugnante deve ter recebido os cheques de terceiros, que muitas vezes procedem ao depósito dos títulos diretamente na conta da Impugnante, todos levados à devida tributação; 2.29. o único fato que poderia ser levantado pelo Fisco seria a regularidade dos recolhimentos relativo aos montantes depositados em conta corrente, mas nunca lhe atribuir responsabilidade solidária pela movimentação bancária da Kosmoplatina; 2.30. a autoridade fiscal entendeu válida a operação realizada entre a Kosmoplatina e NOVELIS, ainda mais pelo fato de a Novelis, depois de intimada para prestar esclarecimentos, apresentou pedido de compra formalizado à Kosmoplatina, bem como praticamente 100% das Notas Fiscais que lastrearam a relação comercial. 2.31. ainda que houvesse qualquer assertiva do Fisco quanto á inidoneidade da relação entre a Kosmoplatina e Novelis, caberia ao Fisco comprovar o fato; 2.32. não há nenhum elemento que comprove o interesse da Impugnante naquela relação comercial. 2.33. não há motivo para que a Impugnante seja intermediada por terceiros, pois referida operação acarretaria duplo pagamento de tributos sobre um mesmo fato jurídico. 2.34.afora isso, verificase o tom duvidoso das assertivas, pois baseados apenas em meros indícios e presunções. 2.35. é inconcebível a constituição de crédito tributário extensivo à Impugnante sem nenhum resquício probatório e/ou diligências procedidas para aferição da verdade material; 2.36. a Fiscalização foi inerte neste sentido pois atuou de Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.634 8 forma passiva e superficial; 2.37. de acordo com o artigo 124, I, do CTN, necessário se faz não somente uma relação entre o sujeito passivo e o sujeito responsabilizado, mas cumulativamente, o efetivo interesse jurídico das partes, na situação que originar a obrigação tributária, o que não foi comprovado pela Fiscalização; 2.38. não se pode presumir que os depósitos em conta corrente da Impugnante tenham efetiva referência com o comércio praticado entre a Kosmoplatina e a Novelis, sem nenhum outro elemento probatório; 2.39 ainda que se configurasse a inidoneidade da operação entre a Kosmoplatina e a Novelis, as únicas interessadas e passíveis de serem responsabilizadas seriam as duas e não a Impugnante, que é terceiro alheio ao fato; 2.40. fato que indaga a imparcialidade da autuação é a exclusão da Novelis de qualquer responsabilidade, a qual seria a única interessada jurídica nas operações, pois poderia ter utilizado deste mecanismo para o aumento das despesas contábeis e/ou creditamentos oriundos das aquisições, o que gera ainda mais dúvida quanto aos procedimentos adotados pela Fiscalização; 3. Do exposto, requer sejam cancelados os Autos de Infração e, caso se entenda pela manutenção integral ou parcial da cobrança, seja afastada a indevida responsabilidade solidária imputada à Impugnante”. A 3ª Turma da DRJ/Rio de São Paulo I SP, em sessão de 19/03/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1636.710 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 IRPJ. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova, incumbindo ao autuado elidir de forma cabal a acusação fiscal. Não o fazendo, presumese a omissão conforme determina a legislação. CSLL. PIS. COFINS. RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. O valor da receita omitida é considerado na determinação da base de cálculo das contribuições PIS, COFINS e CSLL. INAPTIDÃO DA PESSOA JURÍDICA. INTERPOSTA PESSOA. DADOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Constatado que o contribuinte, pessoa jurídica, não se encontra em atividade no domicílio tributário que elegeu perante a RFB, assim como os Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.635 9 sócios, em seus respectivos domicílios, cabe à RFB declarar a inaptidão da pessoa jurídica sob ação fiscal. A inaptidão da pessoa jurídica e a presença de indícios de que se trata de interposta pessoa autorizam a RFB a requisitar, junto às instituições financeiras, dados detalhados da movimentação bancária do contribuinte. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Questionamentos dessa natureza não são apreciáveis na esfera administrativa DECADÊNCIA. PRAZO. A ausência de pagamento antecipado sobre o fatos jurídicos de que trata o lançamento ou a existência de dolo fraude ou simulação impõem a aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Respondem solidariamente pelos créditos tributários aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em decorrência da intimação nº. 1831/2012 (fls. 1505) o Sujeito Passivo Solidário, ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, qualificada nos autos em epígrafe, foi cientificado da decisão de primeira instância em 28/08/2012 (AR fls. 1512) e inconformado com a decisão contida no Acórdão nº 1636.710, recorre em 26/09/2012 (fls. 1516 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa e sem acrescentar novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/Rio de São Paulo I SP. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.636 10 VOTO Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar na questão principal dos autos, fazse necessário observar como a fiscalização obteve os dados bancários da Recorrente. Compulsando os autos vejo que às fls. 36 encontramos a requisição de informações sobre movimentação financeira nº. 08.1.90.00 2008009405, abaixo transcrita: Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.637 11 A instituição financeira, diante do Mandado de Procedimento Fiscal n° 8190002008040086 enviou as informações à Receita Federal, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.638 12 Observando as informações apresentadas pela instituição financeira e a imposição tributária, constato que dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo e realçadas na impugnação e no Recurso voluntário, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10/05/2011, a seguir transcrita: “Ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte”. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (....) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.639 13 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 08/04/2013, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento, conforme pode ser visto abaixo: Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.640 14 instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei nº. 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral” (grifos nossos). Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.641 15 Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. “Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543 C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: “Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil.” Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.642 16 b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.643 17 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP”. (grifos nossos). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento no âmbito do CARF, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: “Art. 62 (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 19515.004459/201091 Resolução nº 1103000.087 S1C1T3 Fl. 1.644 18 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP fosse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. Assim, em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de sobrestar o presente processo, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf). (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 1644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721820/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constada a correção do procedimento fiscal, bem como dos atos e termos lavrados, dos quais foi dado ciência ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do processo por cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. Indefere-se o pedido de perícia, quando se constata que os elementos acostados ao processo são suficientes para o julgamento da lide.
LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta
declarada ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e a declarada na DSPJ.
INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula nº 02 do CARF,
na instância administrativa não se discute versões de inconstitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio
qualificada de 150%, nos casos em que resta constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso. MULTA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
INAPLICABILIDADE. A jurisprudência desta casa já está consolidada por meio da Súmula nº 51, cujo entendimento é de que as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária.
CONCORDATA E FALÊNCIA. SÚMULA 565 DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL. MATÉRIA RESERVADA PARA QUANDO DA HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. A Súmula nº 565 do STF, prevendo que a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo
no crédito habilitado em falência, é matéria que somente tem pertinência quando da habilitação do crédito tributário. Nos casos em que a falência for levantada, afastado o concurso universal de credores, as multas administrativas são exigíveis.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constada a correção do procedimento fiscal, bem como dos atos e termos lavrados, dos quais foi dado ciência ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do processo por cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. Indefere-se o pedido de perícia, quando se constata que os elementos acostados ao processo são suficientes para o julgamento da lide. LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta declarada ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e a declarada na DSPJ. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula nº 02 do CARF, na instância administrativa não se discute versões de inconstitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, nos casos em que resta constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso. MULTA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INAPLICABILIDADE. A jurisprudência desta casa já está consolidada por meio da Súmula nº 51, cujo entendimento é de que as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. CONCORDATA E FALÊNCIA. SÚMULA 565 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MATÉRIA RESERVADA PARA QUANDO DA HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. A Súmula nº 565 do STF, prevendo que a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência, é matéria que somente tem pertinência quando da habilitação do crédito tributário. Nos casos em que a falência for levantada, afastado o concurso universal de credores, as multas administrativas são exigíveis. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
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BASTOS DELICATESSEN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constada a correção do procedimento fiscal, bem como dos atos e termos lavrados, dos quais foi dado ciência ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do processo por cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia, quando se constata que os elementos acostados ao processo são suficientes para o julgamento da lide. LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta declarada ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e a declarada na DSPJ. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula nº 02 do CARF, na instância administrativa não se discute versões de inconstitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, nos casos em que resta constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso. MULTA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INAPLICABILIDADE. A jurisprudência desta casa já está consolidada por meio da Súmula nº 51, cujo entendimento é de que as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. CONCORDATA E FALÊNCIA. SÚMULA 565 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MATÉRIA RESERVADA PARA QUANDO Fl. 315DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 2 DA HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. A Súmula nº 565 do STF, prevendo que a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência, é matéria que somente tem pertinência quando da habilitação do crédito tributário. Nos casos em que a falência for levantada, afastado o concurso universal de credores, as multas administrativas são exigíveis. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e no mérito negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório S. BASTOS DELICATESSEN LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente o auto de infração de que trata este processo. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo de Autos de Infração do Simples Federal (fls. 03/78), exigindo crédito tributário no valor consolidado de R$1.203.105,94, conforme demonstrativo à folha 02, referente ao anocalendário de 2006 (AC/2006). Os lançamentos contemplam o valor dos tributos devidos, multa de ofício nos percentuais de 75% e 150% (qualificada) e juros de mora. A autuação foi por diferença de base de cálculo, fundamentada na apuração de receita bruta declarada ao Fisco Estadual, através das DMA (Declaração e Apuração do ICMS), às fls. 92/103, e não declarada ao Fisco Federal, através da DSPJSimples, às fls. 104/121, e insuficiência de recolhimento. Os detalhes do procedimento se encontram no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 79/81, cujo resumo é o seguinte: — A motivação da fiscalização foi a diferença encontrada entre os valores declarados à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz/BA), através de DMA mensais, e valores declarados à Receita Federal do Brasil (RFB), através da DSPJ Simples; — Em 23/09/2009, a contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (TIF) e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), cópia anexa; — A contribuinte compareceu a esta fiscalização em meados de outubro de 2009 e entregou cópia de suas DMA, sem nenhum protocolo, e não mais entrou em contato; — Em 27/10/2009, a contribuinte foi intimada, através do Termo de Intimação nº 1, a entregar todos os livros e documentos requeridos no TIF. Novamente a contribuinte não se manifestou; — Em 11/12/2009, a contribuinte foi reintimada, através do Termo de Reintimação nº 1, a entregar todos os livros e documentos solicitados no TIF. Novamente a contribuinte não se manifestou; — Em 22/01/2010, a contribuinte foi reintimada de novo, através do Termo de Reintimação nº 2, a entregar todos os livros e documentos requeridos no TIF. Em 25/02/2010, afinal, a contribuinte se manifestou dizendo que não possuía Livro Caixa nem escrita contábil, além de declarar que sua receita de vendas é aquela constante em suas DMA; — Utilizouse então, como receita tributável, os valores declarados como receita à Sefaz/Ba nas DMA do AC/2006; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 4 — Assim, os autos de infração tiveram como base as diferenças de receitas apuradas mediante o cotejo entre DMA e DSPJSimples, conforme demonstrado no TVF; — Justificase a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, nos termos do art. 957, II, RIR/99, e art. 44 da Lei 9.430/99, combinados com os art. 71 e 72 da Lei 4.502/64, pela ação da contribuinte tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, especialmente pelo fato de a contribuinte ter declarado ao fisco federal receita menor, em contraponto àquela efetivamente apurada e declarada à Sefaz/Ba; — A declaração à RFB com valores bem inferiores ao realmente auferido demonstra a intenção de impedir ou retardar o acesso da autoridade fazendária às informações que possibilitassem a correta obtenção da base de cálculo devida; — Chama a atenção a diferença de receita omitida no ano de 2006 que chega ao montante de R$ 3.487.803,75; — Diante da evidência de sonegação fiscal, nos termos do art. 957, II, do RIR1999, e art 71 da Lei nº 4.502, de 1964, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penal, indicando os indícios de crime contra a ordem tributária correspondente ao tipo penal da Lei nº 8.137/90, art. 1º, inciso I, processo administrativo nº 10580.721821/201033. A contribuinte foi cientificada da autuação em 12/03/2010 (vide fl. 04) e apresentou impugnação em 31/03/2010 (vide fls. 127/133), alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, os autos de infração seriam passíveis de nulidade, eis que eivado de inúmeros vícios e irregularidades insanáveis, discorridos em seguida. 1.1. Consta no item "Termo de Encerramento" dos AI que a data de encerramento da ação fiscal fora em 25/02/2010, às 09h31min, havendo, porém, a omissão do período fiscalizado. 1.2. A autuação acusa que a fiscalizada teria declarado valores menores ao Fisco Federal, no tocante ao que fora declarado junto ao Fisco Estadual através das DMA, sem observar que a empresa estava enquadrada no SIMPLES, sujeita a tributação com base no percentual por faixa de contribuição, ou qualquer verificação fática das vendas reais. 1.3. Neste contexto, não teria havido qualquer verificação nos documentos da empresa, bem como nos documentos fiscais que se encontram em poder da SEFAZ/BA, haja vista que a presunção do Fisco Federal se deu apenas em números relacionados nas ditas DMA que a própria Autuada desconhece. 1.4. Os AI não demonstram, discriminadamente, mês a mês, a quantia deixada de declarar pela autuada, o que importa na falta de transparência do ato administrativo como comanda a Constituição em seu art. 37 (caput). Haveria, na realidade, um arbitramento injustificado da base de cálculo, sem demonstração do aspecto quantitativo do fato gerador da obrigação tributária, pois não se pode verificar qualquer diferença supostamente devida sem o devido processo legal e sem que haja a verificação real das vendas 1.5. O fato de o serviço contábil deixar de informar devidamente as DMA não é motivo para aplicar a cobrança do imposto, sem verificação junto ao Fisco Estadual se houve ou não algum problema na transmissão das DMA, e se os valores que se encontram em poder do autuante refletem o valor real da receita. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 5 1.6. Levando em conta que existe junto ao Estado da Bahia o dever de sigilo fiscal, como poderia o fiscal Autuante ter acesso a informações das DMA, e se isso ocorreu, como se poderia atestar que as informações são fidedignas? Logo, a presunção do fiscal Autuante não deve prevalecer para se achar valores, sem o devido processo legal, sem que haja uma perícia técnica para verificação e apuração dos valores reais e devidos. 1.7. Ademais, requer a declaração de nulidade do feito, porque o fiscal subscritor dos autos de infração em guerra não comprovou sua condição de Contador inscrito no respectivo conselho de classe, sendo, portanto, incompetente para a função, nos termos do art. 10 do Decreto no 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF). 2. No mérito, os AI seriam improcedentes pelas seguintes razões: 2.1. O fiscal Autuante, ao encerrar o AI, aplicou a cobrança de credito tributário relacionado a IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, sem atentar que deveria se ater apenas ao percentual devido ao Simples. 2.2. Verificase ainda que o Autuante resumiu a sua pseudo fiscalização à verificação dos valores consignados nas supostas DMA que estavam em seu poder, sem verificar os documentos que se encontram em poder da Autuada, ou até mesmo maiores informações do Fisco Estadual para verificar a autenticidade dos valores apurados nas DMA, sem ao menos verificar a existência ou não de erro na transmissão dos dados. 2.3. Registrase ainda que a verificação é tão grosseira, que no TVF o fiscal Autuante relacionou os valores declarados à RFB, os valores apurados pelas DMA, sendo que as diferenças apuradas não condizem com a diferença desses valores, demonstrando apenas a ausência total de PERÍCIA TÉCNICA, o que desde já requer, e uma conclusão distinta da realidade fática, já que não houvera real verificação das informações junto à SEFAZ/BA. 2.4. Seria totalmente improcedente a alegação do Fisco Federal de que não foram fornecidos o Livro Caixa e livros fiscais, principalmente pelo fato de a empresa não ser obrigada a manter estes livros, sendo necessária neste caso a verificação dos documentos fiscais da autuada e a verificação da fidedignidade das informações contidas no Fisco Estadual. 2.5. A incidência de multa de ofício no percentual de 150% sobre o valor da obrigação principal é confiscatória e denota enriquecimento sem causa, por parte da Fazenda Federal. Com o advento da Lei nº 9.298/96 a multa por inadimplemento no Brasil, passou para o máximo de 2%, dado a nova realidade econômica atualmente reinante no país. 2.6. Em síntese, a impugnante requer: A total improcedência da pretensão fiscal, flagrantemente contrária à lei, primeiro por ser procedida por agente incompetente e inabilitado, e, finalmente, por não ter, no mérito, ocorrido às infrações apontadas, merecendo a anulação do lançamento e arquivamento do feito; Independente de julgamento procedente ou improcedente, parcial ou integral, a ilegitimidade das multas do A.I., fixandoas em percentuais equivalentes na supracitada lei pertinente, ou seja, em 2%; Por encontrarse sob regime concordatário, requer, nos termos da Lei de Falência, sejam expurgadas as penas pecuniárias impostas no multimencionado Auto de Infração A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta declarada ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e a declarada na DSPJSimples do período fiscalizado. ESCRITURAÇÃO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica inscrita no Simples, para que fique dispensada da escrita comercial, deve manter o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, e todos os documentos e demais papéis que derem respaldo à escrituração. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. EVIDENTE INTUITO DE SONEGAÇÃO FISCAL. NÃOCONFISCO. Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação ou fraude, previsto na legislação fiscal, caracterizado pela redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos, sendo improcedente a arguição de confisco. MULTA DE OFÍCIO. LEI DE FALÊNCIA. Mantémse a exigência da multa de ofício, uma vez ocorridas as hipóteses legais para sua imposição, ainda que a empresa se encontre em processo de falência. A questão da multa tributária remete à fase de execução judicial. MULTA MORATÓRIA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Inexiste previsão legal para aplicação no campo do direito tributário da multa moratória de 2% prevista no Código de Defesa do Consumidor. NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia, quando se constata que os elementos acostados ao processo são suficientes para o julgamento da lide. INCONSTITUCIONALIDADE. Na instância administrativa não se discute versões de inconstitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, a fiscalização apurou que no anocalendário de 2006 o Contribuinte, optante do Simples Federal, declarou e recolheu os tributos federais, sobre valores menores do que as receitas mensais que realmente auferiu, sistematicamente. O faturamento efetivamente obtido pelo contribuinte foi apurado nas Declarações de Apuração Mensal do ICMS (DMA). Vejamos as diferenças apuradas às fls. 79 e ratificadas pelo contribuinte à fl. 91. Obs. Os valores corretos da diferença são os que constam da fl. 91 e que foram considerados no auto de infração. Na planilha de fl. 71, acima transcrita, há erro de cálculo. Ex. em relação ao mês de janeiro/2006 (235.242,22 – 23.524,22 = 211.718,01 e não R$ 241.207,03) Contudo, o total de R$ 3.487.803,75 coincide com o valor da planilha de fl. 91. Verificase que o contribuinte declarava apenas 10% do valor efetivo de suas vendas, sobre o qual calculava os tributos devidos na sistemática do “Simples”. No termo de verificação fiscal de fls. 75 e seguintes está consignado que o próprio contribuinte confirmou expressamente (fl. 90) que o valor real de seu faturamento foi declarado ao Fisco Estadual e que não possui livro caixa e nem escrituração contábil. Compulsando os autos, confirmase que os tributos devidos foram apurados na sistemática do Simples, ou seja, respeitando a opção do contribuinte e chegandose ao menor valor tributável diante de tamanha omissão (fls. 3 e seguintes), porém aplicando a multa de oficio de 150% em face do evidente intuito de fraude. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 8 Feitas essas considerações, passo a apreciar as alegações recursais. O recorrente repisa a alegação de cerceamento do direito de defesa e que o processo seria nulo desde o auto de infração. Rejeito de plano tal alegação, pois, conforme asseverado na decisão recorrida: “No caso concreto, não há nenhum fator de nulidade processual, pois os autos de infração foram lavrados por servidor competente e de conformidade com a legislação aplicável, com descrição clara e precisa dos fatos e demonstração da forma de apuração da base tributável, como se nota no Termo de Verificação Fiscal (fls. 79/81) e nos demonstrativos que integram os autos de infração (fls. 03/78). A despeito da alegação contrária da impugnante, verificase que os períodos de apuração mensais do Simples estão discriminados nos autos de infração, acima referidos. Sendo, portanto, contraditória a alegação de falta de transparência do ato administrativo e de ofensa ao art. 37 da CF/1988. Também não há cerceamento do direito de defesa, pois está comprovado nos autos que tanto na fase procedimental quanto na impugnatória foi dada à autuada ciência dos atos processuais e assegurado o seu direito de defenderse dos fatos apurados pelo Fisco (vide fls. 84/89 e 79/80). Ressaltese que, salvo nas hipóteses em que é necessário a intimação do contribuinte para comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, nos demais casos a fase litigiosa do procedimento, como define o art. 14 do PAF, iniciase a partir do momento em que o sujeito passivo é intimado para apresentar defesa em face da autuação. Em segundo, o "Termo de Encerramento" é parte integrante dos autos de infração, onde estão discriminados o período fiscalizado (AC/2006) e os demais detalhes da ação fiscal, dos quais a autuada tomou ciência em 02/03/2010, através de procurador devidamente habilitado (fl. 122), em nada prejudicando o seu direito de defesa. Logo, não há motivo para declaração de nulidade a pretexto de omissão do período fiscalizado. Esta informação, repisese, consta no Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 82/83) e nos autos de infração (fls. 03/78). Em terceiro, não procede a alegação de que a Fiscalização teria ignorado que a empresa estava inscrita no Simples, deixando de aplicar o percentual de alíquota por faixa de receita bruta, eis que o “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta” se encontra à fl. 58, discriminando os percentuais do Simples utilizados nos lançamentos em conformidade com a evolução da receita bruta, e faz parte dos autos de infração. Assim, não prevalece a alegação de arbitramento proveniente da imaginação do autuante. Em quarto, o Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta demonstra que os cálculos procedidos pela Fiscalização estão corretos, pois lá se verifica que a receita bruta do AC/2006 atingiu o montante de R$ 3.875.337,52, que subtraída do valor declarado de R$ 387.533,77 confirma a diferença omitida de R$ 3.487.803,75, dando respaldo ao demonstrativo do autuante no TVF (vide fl. 79), não havendo motivo para nulidade. Em quinto, os autos de infração em tela foram lavrados por autoridade competente, isto é, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que não exige necessariamente habilitação profissional de contador. Tal entendimento é reforçado pela Súmula CARF nº 8, publicada no DOU de 22/12/2009, abaixo citada: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 9 Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Em sexto, há previsão legal para o intercâmbio de informações fiscais entre os entes Federados – União, Distrito Federal, estados e municípios, havendo para isso Convênio de Cooperação Técnica firmado entre a União, através da RFB, e o Estado da Bahia, através Sefaz/BA, celebrado em 12/02/1999, fundamentado no art. 199 do CTN, dando legitimidade aos dados de receita extraídos das DMA pelo Fisco Federal. Desse modo, não há nenhuma quebra de sigilo ou ilegalidade conforme alegou a impugnante. Por derradeiro, a própria fiscalizada, respondendo a intimação, afirmou que a empresa não dispunha de contabilidade nem livro caixa e que a receita de vendas é a mesma declarada nas DMA, conforme documentado à fl. 90. Vale lembrar que as declarações apresentadas aos fiscos gozam de presunção de veracidade. Daí que não cabe a alegação de que o Autuante sequer verificou junto à SEFAZ/BA se houvera algum problema na transmissão das DMA e se os valores lá encontrados refletem o valor real da receita. Agora caberia à impugnante trazer elementos que infirmassem a apuração fiscal.” Diante do exposto, rejeito as preliminares. Quanto à reiteração do pedido de perícia, esclareço que caberia ao contribuinte fazer prova de que errou em sua declaração ao Fisco Estadual. Em verdade, a pretensão do contribuinte é protelar o cumprimento da exigência fiscal, por intermédio de diligência ou perícia, o que não pode ser aceito. Os quesitos do recorrente, transcritos à fl. 281, poderiam ser respondido por ele mesmo mediante apresentação de provas e dos documentos que deixaram de ser fornecidos à fiscalização durante a auditoria fiscal. Logo, a perícia é absolutamente desnecessária. No que tange a multa de ofício, a aplicação do percentual de 150% não merece reparos. Isso porque está demonstrado nos autos que houve omissão sistemática em todos os períodos de apuração do AC/2006, o que justificou o lançamento dos tributos integrantes do Simples, com acréscimos de multa qualificada e regulamentar e juros moratórios. Repitase: embora intimada diversas vezes, e tendo oportunidade de fazer na prova na impugnação e recurso, o contribuinte não logrou apresentar nenhum livro fiscal ou contábil previstos pela legislação tributária, nem ao menos o Livro Caixa na forma do §1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996. Tal qual asseverado na decisão recorrida, a multa de lançamento de ofício qualificada, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é aplicada àquelas infrações praticadas com o evidente intuito de fraude ou de sonegação fiscal, dentre elas a prática contumaz de declarar altos valores de receita ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e de pouco ou nada declarar ao Fisco Federal, como se deu neste caso, em todos os períodos de apuração do AC/2006, como dito no Termo de Verificação Fiscal. Esse tipo de ação denota o intuito de sonegação mediante redução da base de cálculo dos tributos devidos, e se enquadra exatamente no que dispõe o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, pois, no período fiscalizado, a autuada declarou receita bruta ao Fisco Estadual em Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 10 valor significativamente maior do que fora declarado ao Fisco Federal em todos os períodos de apuração. Está demonstrado que a redução da base de cálculo foi sistemática em todos os períodos do ano fiscalizado, concomitante com a declaração e recolhimento dos valores a menor junto ao Fisco Federal, demonstrando a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte deste da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer prova em contrário, que afastam a possibilidade de simples erro e levam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. Ora, as omissões situamse em torno de 90% do faturamento e em períodos sucessivos de apuração. Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou Egrégio Conselho de Contribuintes: “MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento.” (Ac. 20309129, sessão de 13/08/2003. No mesmo sentido: Ac. 20214693, Ac. 20214692 etc). “REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS USO DE REDUTOR NO ENTE ACESSÓRIO EXIGÊNCIA PERTINENTE Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. Recurso negado.” (Ac. 10706937 de 28/01/2003. Publicado no DOU em: 24.04.2003). “MULTA QUALIFICADA – CONDUTA CONTINUADA – A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. ACÓRDÃO CSRF/01 05.810 em 14 de abril de 2008). A colaboração com as investigações no curso da ação fiscal não implica a inexistência de dolo por parte da contribuinte, tampouco afasta prática dolosa anterior. In casu, pelo contrário, pois a escrituração da fiscalizada comprova o dolo e a fraude cometidos quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando a contribuinte, tendo o dever legal Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 11 de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omitiu fatos e sonegou imposto e contribuições em torno de 90% das receitas. A autuada podia até o início da ação fiscal retificar suas declarações e pagar os tributos devidos, entretanto, assim não procedeu. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pela contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, indiscutivelmente tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. A título de ilustração, cito manifestação do TRF da 4ª Região consentânea com o entendimento ora exposto: ‘PENAL. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/90. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÕES FALSAS DE IMPOSTO DE RENDA. SUPRESSÃO DE TRIBUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA. DOLO. ... 3. O dolo é genérico e inerente ao tipo penal do art. 1º, inciso I da Lei 8.137/90, que não prevê a modalidade culposa. 4. "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). (Andreas Eisele, em "Crimes Contra a Ordem Tributária", 2ª edição, editora Dialética, fl. 146). 5. Apelação improvida.’ (Apelação Criminal nº 2001.71.08.005548−2/RS, DJU de 29/10/2003) Do voto condutor do referido acórdão extraio o seguinte fragmento, por esclarecedor: ‘Sustentam os apelantes, no entanto, que não houve a intenção de sonegar porque reconheceram a existência de faturamento nos dois primeiros trimestres, que se deu através do pagamento dos respectivos tributos perante o fisco municipal. Tal conduta é irrelevante para a apuração do dolo no caso concreto, pois como já se disse anteriormente o dolo é genérico, tendo o crime se consumado no momento da entrega da declaração "zerada", sabidamente falsa, cujo propósito era a supressão dos tributos federais devidos. Sobre o momento da consumação do crime, mais uma vez os esclarecedores ensinamentos da doutrina de Andreas Eisele, na obra já citada, à fl. 146: "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). Portanto, o crime é classificado na modalidade material (apenas se consumando com a ocorrência do resultado danoso consistente na evasão tributária), e o momento consumativo não é o da realização da conduta antecedente e preparatória (descrita nos incisos do caput), mas o da expiração do prazo para o recolhimento do tributo (ou o de seu pagamento parcial, caso ocorra antes desse momento)."’ Portanto, deve ser mantido o lançamento com a aplicação da multa qualificada sobre os débitos autuados. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 12 No que tange a alegação de confisco, esclareçase que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por último, quanto à pretensão para que a multa, se não afastada em face da alegada concordata da recorrente, fosse reduzida a 2%,(dois por cento), a jurisprudência desta casa já está consolidada por meio da Súmula nº 51, cujo entendimento é de que as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. No que diz respeito à Súmula nº 565 do STF, prevendo que a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência é matéria que somente tem pertinência quando da habilitação do crédito tributário. Nos casos em que a falência for levantada, afastado o concurso universal de credores, as multas administrativas são exigíveis. Quanto aos demais alegações verificase que todas foram enfrentadas no voto condutor do acórdão recorrido, as quais não merecem reparos, pelo que peço vênia para adotar tais fundamentos como razões adicionais de decidir. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10580.721820/201099 Acórdão n.º 140200.852 S1C4T2 Fl. 0 13 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, bem como rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13227.902004/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 20 04 /2 01 1- 82 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.902004/201182 Acórdão n.º 3301004.255 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.140. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.902004/201182 Acórdão n.º 3301004.255 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13227.902004/201182 Acórdão n.º 3301004.255 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902961/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.902961/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.942 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP COMPENSAÇÃO DE VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE Recorrente CONFRETTA CONSTRUTORA FRETTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 29 61 /2 00 9- 34 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10983.902961/200934 Acórdão n.º 1402002.942 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10983.902961/200934 Acórdão n.º 1402002.942 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10983.902961/200934 Acórdão n.º 1402002.942 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10983.902961/200934 Acórdão n.º 1402002.942 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.008925/2005-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido.
Numero da decisão: 1402-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 58 2 Relatório Walter Marinho & Cia Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Fortaleza/CE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra o Contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração para formalização e cobrança da multa de oficio exigida isoladamente, no valor de R$ 28.004,23, tendo em vista que durante os procedimentos de verificações obrigatórias foram constatadas diferenças entre os valores declarados e os valores devidos, apurados a partir da escrituração do sujeito passivo, conforme quadros demonstrativos em anexo, gerando falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos. Inconformado com a exigência do qual tomou ciência via postal em 04/10/2005 (AR, fl. 32), o contribuinte apresentou impugnação em 03/11/2005 (fls. 18/22), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo sintetizados: o lançamento da multa isolada esbarra na proibição do confisco expressada no art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988. Corroborando esse entendimento cita doutrina de Sampaio Dória, Sacha Calmon Navarro Coelho e Rafael Bielsa; o procedimento fiscal vai muito além de confisco.Tratase de um bis in idem vedado não só na Constituição Federal de 1988 como em todo o ordenamento jurídico pátrio, hostilizando o principio da proporcionalidade, da razoabilidade, do nãoconfisco; com relação ao caráter confiscatório da multa ou penalidade, traz à colação doutrina de Sacha Calmon e Sampaio Dória. Diante do exposto, requer a contribuinte a improcedência da multa aplicada de 75% incidente sobre as diferenças do Imposto de Renda, anulandoa, conforme determinado pelo CTN, que veda tal cobrança, em se tratando de denúncia espontânea. É o relatório” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 08 13.354 (fls. 3439) de 29/05/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA RECOLHIMENTO DO IRPJ POR ESTIMATIVA. A falta de recolhimento do IRPJ por estimativa sujeita o infrator à multa, isolada prevista originalmente no inciso IV, do parágrafo 1º, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 59 3 MULTA DE OFICIO. CARATER NÃO CONFISCATÓRIO. Não se constitui a penalidade de 75% (setenta e cinco por cento) em multa de caráter confiscatório, porquanto aplicada em procedimento de lançamento de oficio, nos termos do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. O percentual da multa isolada imposta no procedimento fiscal será reduzido de 75% para 50%, por força do disposto no artigo 14, da MP no 351, de 2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, em decorrência da aplicação do disposto no artigo 106, II, "c", do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/06/2008 (A.R. de fl. 47), a interessada interpôs recurso voluntário em 22/07/2008 (fls. 4854) onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Verificase, de início, que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2º, referido no inciso IV do § 1º do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei nº 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 daquela Lei, com as alterações da Lei nº 9.065/95, consubstancia hipótese em que a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 61 5 “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Nesse sentido, destaco trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105141498, Processo n° 13629.000292/200304, Acórdão CSRF/0105.838, in verbis: “As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 62 6 da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. (in MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44). Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos. (in Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22). Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada “sobre a totalidade ou diferença de tributo”. Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 63 7 O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 64 8 desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. (in Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277). Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 65 9 para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. No caso presente, em relação ao anocalendário de 1998 a 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao imposto de renda não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir.” Portanto, a multa somente pode ser aplicada após o encerramento do ano calendário, estando rigorosamente de acordo com a lei; ou seja, desde que não se apresente concomitante com a multa proporcional de oficio sobre o tributo devido e que, evidentemente, seja apurado saldo de tributo a pagar no final do período de apuração. Este Colegiado possui entendimento sedimentado nessa linha. Faço referência, além do já citado, ao acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo. MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. No presente caso, o contribuinte apresentou a declaração de IRPJ pelo lucro real para o período (relativa ao anocalendário de 2001) sem saldo de imposto a pagar, após deduções, conforme se depreende da leitura da ficha 12A da DIPJ/2001, reproduzida a seguir. __ IRPJ,IRPJCONS,CONSULTA ( CONSULTA DECLARACOES IRPJ )_________________ 17/01/2012 15:26 CONSULTA DECLARACAO DIPJ/2001 CNPJ: 07.294.523/000137 L.REAL AC 2000 RF 03 DECL. 1069845 DV 64 PAG: 01 / 02 FICHA 12A CALCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL PJ GERAL/CORRETORA APURACAO ANUAL VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A ALIQUOTA DE 15% 40.496,86 02.A ALIQUOTA DE 6% 0,00 03.ADICIONAL 2.997,91 DEDUCOES 04.()OPERACOES DE CARATER CULTURAL E ARTISTICO 0,00 05.()PROGRAMA DE ALIMENTACAO DO TRABALHADOR 1.544,02 06.()DESENVOLV. TECNOLOGICO INDUSTRIAL / AGROPECUARIO 0,00 07.()ATIVIDADE AUDIOVISUAL 0,00 08.()FUNDOS DOS DIREITOS DA CRIANCA E DO ADOLESCENTE 0,00 09.()ISENCAO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS DE TRANSPOPRTE 0,00 10.()ISENCAO E/OU REDUCAO DO IMPOSTO 17.590,06 11.()REDUCAO POR REINVESTIMENTO 0,00 12.()IMP. PAGO NO EXTER.S/LUC.,REND.E GANHOS DE CAP. 0,00 13.()IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 0,00 14.()IMP. DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ORGAO PUBLICO 0,00 15.()IMPOSTO PG INCID.SOBRE GANHOS NO MERC.DE REN.VAR. 0,00 16.()IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 44.607,60 17.()PARCEL.EFETIV.PG DE IR SOBRE BASE CALC. ESTIMADA 0,00 18.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 20.246,91 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR POR SCP 0,00 20.I.R. S/ DIF. ENTRE O CUSTO ORCADO E O CUSTO EFETIVO 0,00 21.I.R. POSTERGADO DE PERIODOS DE APURACAO ANTERIORES 0,00 Observase, inclusive, que as estimativas declaradas (linha 16) são superiores ao saldo de imposto apurado nas linhas 01 a 03. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10380.008925/200548 Acórdão n.º 140200.864 S1C4T2 Fl. 66 10 Assim, tendo sido verificado que o contribuinte não apurou IRPJ a recolher (após as deduções) no final dos períodos de apuração, e que o lançamento ocorreu após o encerramento do período e análise, não há que se falar em exigência da multa de ofício isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Sala das Sessões, em 17 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10640.001930/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
As discussões quanto à (in)constitucionalidade da LC 105/01 não competem a este Conselho, nos ditames da Súmula nº 2 do CARF.
DESENQUADRAMENTO. SIMPLES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Uma vez evidenciado que o montante da omissão de receita, adicionado às informações declaradas pelo contribuinte, extrapolou o limite máximo de receita bruta admitida aos optantes pelo regime do SIMPLES, resta acertada a exclusão.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN.
Sob a égide do princípio da verdade material, qualquer mínimo indício que coloque em risco a espontaneidade do agente deve prevalecer sobre as formalidades que a norma expressamente dispõe. Aqui deve ser primada uma visão voltada para a mens legis (a intenção do legislador com a criação deste instituto) e não a literalidade da lei e sua aplicação inflexível ao caso concreto.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
O instituto previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, é maleável e oscilante, devido ao seu caráter de relatividade (presunção juris tantum), de modo que cabe ao contribuinte ilidi-la, caso disponha de comprovação hábil e idônea para tanto. Em sentido contrário, a ausência de esclarecimentos ou a falta de apresentação de documentação comprobatória, mantém intacta a presunção e valida a assertiva de que os depósitos bancários cuja a origem não for identificada são receitas omitidas.
MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
As alegações de confiscatoriedade da multa qualificada aplicada esbarram na validade das leis instituidoras. Vergastá-las e superá-las significaria desafiar sua juridicidade perante o ordenamento e, essencialmente, sua legitimidade perante as diretrizes da Constituição Federal de 1988, o que não é passível de análise por este órgão administrativo (Súmula nº 2 do CARF).
Numero da decisão: 1201-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa.Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. As discussões quanto à (in)constitucionalidade da LC 105/01 não competem a este Conselho, nos ditames da Súmula nº 2 do CARF. DESENQUADRAMENTO. SIMPLES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez evidenciado que o montante da omissão de receita, adicionado às informações declaradas pelo contribuinte, extrapolou o limite máximo de receita bruta admitida aos optantes pelo regime do SIMPLES, resta acertada a exclusão. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. Sob a égide do princípio da verdade material, qualquer mínimo indício que coloque em risco a espontaneidade do agente deve prevalecer sobre as formalidades que a norma expressamente dispõe. Aqui deve ser primada uma visão voltada para a mens legis (a intenção do legislador com a criação deste instituto) e não a literalidade da lei e sua aplicação inflexível ao caso concreto. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O instituto previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, é maleável e oscilante, devido ao seu caráter de relatividade (presunção juris tantum), de modo que cabe ao contribuinte ilidi-la, caso disponha de comprovação hábil e idônea para tanto. Em sentido contrário, a ausência de esclarecimentos ou a falta de apresentação de documentação comprobatória, mantém intacta a presunção e valida a assertiva de que os depósitos bancários cuja a origem não for identificada são receitas omitidas. MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. As alegações de confiscatoriedade da multa qualificada aplicada esbarram na validade das leis instituidoras. Vergastá-las e superá-las significaria desafiar sua juridicidade perante o ordenamento e, essencialmente, sua legitimidade perante as diretrizes da Constituição Federal de 1988, o que não é passível de análise por este órgão administrativo (Súmula nº 2 do CARF).
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SÚMULA Nº 2 DO CARF. As discussões quanto à (in)constitucionalidade da LC 105/01 não competem a este Conselho, nos ditames da Súmula nº 2 do CARF. DESENQUADRAMENTO. SIMPLES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez evidenciado que o montante da omissão de receita, adicionado às informações declaradas pelo contribuinte, extrapolou o limite máximo de receita bruta admitida aos optantes pelo regime do SIMPLES, resta acertada a exclusão. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. Sob a égide do princípio da verdade material, qualquer mínimo indício que coloque em risco a espontaneidade do agente deve prevalecer sobre as formalidades que a norma expressamente dispõe. Aqui deve ser primada uma visão voltada para a mens legis (a intenção do legislador com a criação deste instituto) e não a literalidade da lei e sua aplicação inflexível ao caso concreto. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O instituto previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, é maleável e oscilante, devido ao seu caráter de relatividade (presunção juris tantum), de modo que cabe ao contribuinte ilidila, caso disponha de comprovação hábil e idônea para tanto. Em sentido contrário, a ausência de esclarecimentos ou a falta de apresentação de documentação comprobatória, mantém intacta a presunção e valida a assertiva de que os depósitos bancários cuja a origem não for identificada são receitas omitidas. MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 19 30 /2 01 0- 89 Fl. 1311DF CARF MF 2 As alegações de confiscatoriedade da multa qualificada aplicada esbarram na validade das leis instituidoras. Vergastálas e superálas significaria desafiar sua juridicidade perante o ordenamento e, essencialmente, sua legitimidade perante as diretrizes da Constituição Federal de 1988, o que não é passível de análise por este órgão administrativo (Súmula nº 2 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa.Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse de autos de infração de IRPJ no valor total de R$ 16.741,88, PIS/Pasep no valor total de R$ 15.094,82, CSLL no valor total de R$ 26.939,96, COFINS no valor total de R$ 60.508,76, IPI no valor total de R$ 17.266,34 e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no valor total de R$ 126.465,03, em função de receitas operacionais movimentadas em contas bancárias em nomes de terceiros e suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada. Foi emitida Representação Fiscal visando a exclusão da autuada do SIMPLES, tendo sido editado os Atos Declaratórios Executivos DRF/JFA nº 044/2010 e 48/2010, restringindo a empresa da sistemática do Simples Federal e Simples Nacional, respectivamente. Impugnação Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 3 3 Os termos da peça de defesa da fiscalizada foram sintetizados por ocasião do voto proferido pela autoridade julgadora de primeira instância, de modo que peço vênia para aqui reproduzilos em parte: 1) “preliminarmente pleiteamos a nulidade do presente auto de infração”, tendo em vista que “a empresa impugnante, antes de ser intimada, auditou sua escrita contábil e, encontrando algumas diferenças, tratou de fazer uso do que disposto no artigo 138 do CTN, retificando suas declarações de rendimento e efetuando os pagamentos complementares de imediato. Desta forma, o presente auto de infração resta esvaído de nulidades, haja vista que mencionado dispositivo beneficia o contribuinte no sentido de evitar que o mesmo seja sancionado, haja vista que o mesmo, espontaneamente, denunciou erros e omissões encontrados, tratando de regularizar a situação”; 2) “em relação à omissão de receitas decorrentes do empréstimo de sócios, mais uma vez o fisco errou terrivelmente. Isto por que, além de entregarmos as planilhas demonstrativas inclusive com o n° dos lançamentos efetuados no diário relativo aos valores movimentados na referida conta, também tivemos o cuidado de demonstrar a origem dos recursos dos sócios devidamente contabilizados no livro diário. Deste feito, considerando que demonstramos os recibos de empréstimo, bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa, efetivamente lançados no livro diário, nas datas específicas dos respectivos lançamentos, não cabe ao fisco utilizar da hipótese de presunção prevista no RIR, haja vista que esta somente permite ao fisco considerar como receita omitida os valores emprestados pelos sócios cuja origem não possa ser comprovada. Ora, a contabilidade demonstra claramente que os sócios haviam recebido distribuição de lucros e que tinham disponibilidade financeira quando dos respectivos empréstimos. A contabilidade demonstra também que os referidos empréstimos foram pagos em quase sua totalidade, tudo efetivamente lançado de acordo com a legislação pertinente e com os princípios contábeis geralmente aceitos”; 3) “o fisco, ao determinar o referido valor considerado omisso não efetuou os seguintes procedimentos: a – não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e, inclusive , na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente. b – Embora devidamente informado na planilha, não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes. Cumpre salientar que a empresa recebia de seus clientes com cheques, na maioria das vezes, de terceiros. Então, dava baixa nos clientes, conforme escrituração contábil quando do recebimento destes cheques e efetuava o deposito no banco. Quando estes cheques eram devolvidos, ao invés da empresa voltar novamente com o cheque devolvido para o cliente inadimplente, foi criado pela contabilidade uma conta em que todos estes cheques eram lançados, Tais cheques referiamse a clientes que pagaram e tiveram o cheque devolvido por duas vezes. Após o recebimento destes clientes, quando isto acontecia, a empresa dava baixa nos referidos cheques, devolvidos a tais clientes, e depositava os valores recebidos ora em dinheiro, ora em cheque na conta corrente. Desta forma, ao tributar estes valores mais uma vez a fiscalização fere o princípio do "no bis in Fl. 1313DF CARF MF 4 idem". “Isto por que os cheques recebidos, conforme pode ser observado nos lançamentos contábeis decorrem de notas fiscais devidamente lançadas cujo imposto foi previamente pago”; 4) “vários valores depositados nas contas, conforme o próprio fisco pode averiguar, tratamse de receitas decorrentes das outras empresas da família. Desta forma também as receitas das outras empresas deveriam ser excluídas do levantamento fiscal, haja vista que tais receitas já estão sendo tributadas na empresa cedente”; 5) “expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciála ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Tratase de uma ilegalidade que merece ser reparada”; (...) a) A empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que não houve excesso de receita sendo, portanto, descabido o que alegado nos atos declaratórios ora combatidos; b) A Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. (...) f) A impugnante requer que seja desconsiderado o arbitramento do lucro, haja vista que possuía o livro diário devidamente escriturado com todas as informações necessária à apuração do lucro, caso, de fato, houvesse omitido quaisquer valores. Ademais quem escolhe a tributação que melhor lhe cabe é o próprio contribuinte não cabendo ao fisco tal escolha, haja vista que a empresa tinha os documentos necessários para que sua receita fosse apurada. Ademais era impossível ter efetuado o pagamento da primeira quota do imposto como lucro presumido, por exemplo, haja vista que a empresa era optante pelo simples e somente ficou sabendo do valor da suposta receita omitida quando do recebimento pela procuradora do auto de infração ora combatido, tendo completamente ferido seus direitos de ampla defesa e contraditório g) Requer ainda a juntada de documentos e complementos desta petição, vez que, em virtude de motivos de força maior, não teve prazo razoável para juntar os documentos pertinentes que justificassem todo o explanado neste documento h) solicita que seja realizada perícia contábil a fim de verificar que não houve omissão de receitas no que diz respeito à conta das pessoas físicas supracitadas, constatando através da referida perícia que toda a movimentação financeira foi efetivamente, lançada além de averiguar a questão dos depósitos dos cheques devolvidos, notas iscais de exercícios anteriores, bem como todos os outros itens passíveis de fazer com que tal imputação completamente injusta seja desconsiderada. i) Nomeia, desde já, como assistente técnico do perito, a Sra Adriana de Fátima Moreira, bacharel em ciências contábeis, CRCMG 56.680”; Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 4 5 7) “que seja desconsiderada quaisquer majorações de multa vez que não configurada pela fiscalização o intuito de dolo ou fraude praticado pela empresa”; Acórdão nº 0935730 2ª Turma da DRJ/JFA Ressaltouse, inicialmente, que o presente processo trata de auto de infração do anobase de 2005. Portanto, as alegações referentes à exclusão do Simples e ao arbitramento do lucro para os anos de 2006 e 2007, serão analisadas, respectivamente, nos processos nº 10640.000998/201041 e 10640.001929/201054. Preliminar A autoridade julgadora entendeu que se a empresa Fredlar Industrial de Móveis Ltda. está envolvida nas infrações verificadas quando da fiscalização efetuada na pessoa dos Senhores Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, seria indiscutível a aplicação do citado § 1º do artigo 7º do Decreto 70.235/72, por consequência operandose para a impugnante a perda de espontaneidade a partir de 24/03/2008 (data de ciência do início da ação fiscal nas pessoas físicas). Desta feita, constatouse que a declaração retificadora entregue em 03/06/2009 não produziria qualquer efeito, sendo que, os pagamentos porventura efetuados em função dela seriam considerados como pagamentos indevidos. Mérito O primeiro ponto enfrentado concerne à perícia. Constatouse que a empresa a requereu e indicou o perito, no entanto, não apresentou os quesitos desejados. Assim, nos termos do § 1º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, considerouse não formulado o pedido de perícia. Em seguida, constatouse que quando da fiscalização efetuada nas pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, ficara comprovado que parte das receitas movimentadas em suas contas correntes pertenciam na verdade a um grupo de empresas, entre elas a autuada Fredlar Industrial de Móveis Ltda. A autoridade fiscal, então, teria elaborado relação na qual discrimina os depósitos e os créditos efetuados em cada contas corrente, intimando o respectivo titular a comprovar a origem de cada um deles (fls. 465/536 e 609/723). Acrescentouse que, como resposta às intimações, foram apresentadas planilhas nas quais constam a qual empresa pertence o valor depositado/creditado e indica a(s) notas(s) fiscal(ais) do qual ele se origina. Em alguns casos, informa que o valor se refere a empréstimo recebido de outra empresa (fls. 896/937, 966/1012, 1032/1055, 1082/1125 e 1162/1214). Fl. 1315DF CARF MF 6 Ainda observouse que, com base nessas planilhas, as AuditorasFiscais elaboraram um demonstrativo, que denominaram de “ORIGEM DOS CRÉDITOS” (fls. 144/213), no qual, depois das depurações necessárias, relacionam os valores que pertencem a autuada no período em questão. Por fim concluiuse, então, que como esses valores, recebidos pela empresa usando contas bancárias de interpostas pessoas, não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidos à tributação, eles foram corretamente tributados como receitas omitidas pela autuada. Já quanto a alegação referente à suposta desconsideração, pela fiscalização, dos valores dos cheques depositados e devolvidos duas vezes e ainda daquelas movimentações relativas a empréstimos contraídos, entendeuse pela sua improcedência. Analisandose tanto a relação constante das intimações feitas às pessoas físicas quanto o demonstrativo “ORIGEM DOS CRÉDITOS”, verificouse que a autoridade fiscal só relacionou os depósitos de cheques liberados, ou seja, aqueles já compensados pelas instituições financeiras em questão. No que concerne aos valores relativos a empréstimos, o Relatório Fiscal teria esclarecido que “esta quantia foi computada para a empresa que concedeu o empréstimo, que é a titular do recurso” (fl. 123), restando claro, segundo a autoridade julgadora, que os empréstimos recebidos pela autuada não foram computados no total da receita omitida. Ademais, esclareceuse que as receitas que entraram na base de cálculo dos tributos lançados são aquelas recebidas pela empresa por meio de conta corrente de terceiros, que ficaram a margem da contabilidade e da declaração original do SIMPLES apresentada por ela. Ou seja, foram consideradas como receitas omitidas apenas aquelas que a empresa comprovadamente não ofereceu à tributação quando da apuração dos tributos devidos à Fazenda Nacional no ano de 2005. Delineouse que a presunção legal utilizada na determinação da presente exigência fiscal, caracterizada por suprimento de numerário, é do tipo juris tantum (relativa). Caberia, portanto, ao contribuinte apresentar prova da origem e da efetiva entrega, no caso dos suprimentos de caixa. Decidiuse, no entanto, que a mera demonstração da capacidade econômica ou financeira do sócio de arcar com o suprimento seria insuficiente para suprir a necessidade da comprovação da origem e efetiva entrega dos valores, não afastando, pois, a presunção de omissão de receita. Da mesma forma, simples lançamentos contábeis não teriam o condão de fazer prova, visto que o registro na contabilidade ou as fichas de caixa não comprovariam a efetiva entrega e a origem dos suprimentos. Quanto à multa aplicada, entendeuse que ao usar de contas de terceiros para recebimento de grande parte de suas receitas, não contabilizando tais receitas e não as oferecendo à tributação, restaria obvio que a autuada visava reduzir em muito os valores de tributos a pagar. Portanto, ao crédito tributário lançado nos presentes autos de infração, mantevese a penalidade no patamar de 150%. Diante de todo o exposto, a impugnação fora julgada totalmente improcedente. Recurso Voluntário Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 5 7 Em seu recurso voluntário, o recorrente repisa alguns argumentos trazidos em sede de impugnação, mas inova em alguns pontos que serão delineados a seguir. Preliminarmente, suscita a nulidade dos lançamentos em função da quebra de sigilo bancário sem ordem judicial. Arguise que a utilização dos dados e informações se deu de forma ilícita, contaminando todo o procedimento fiscal, que deveria ser inteiramente submetido ao princípio da legalidade. Quanto à questão da denúncia espontânea, além de reiterar a maioria das informações trazidas na peça de defesa apresentada em primeira instância, o recorrente constata que o início do procedimento fiscal em face das pessoas físicas se deu no dia 24/03/2008, sendo encerrada em setembro de 2009, enquanto sua citação se deu em novembro de 2009, em um novo procedimento aberto. Desta forma pugna o recorrente pela inexistência de nexo causal entre as ações fiscais distintas. Elucida, enfim, que quaisquer atos praticados antes de novembro de 2009 devem ser considerados espontâneos, nos termos do art. 138 do CTN. O recorrente ainda afirma que, uma vez demonstrado que tudo está em sua escrita fiscal, através da juntada dos respectivos documentos comprobatórios, seria de responsabilidade do fisco, ao contestar tais alegações e reputar que o contribuinte excedeu os valores permitidos no SIMPLES, respaldar o que entende correto, havendo, assim, a inversão do ônus da prova. Por fim, o recorrente sustenta a confiscatoriedade da multa aplicada. Salienta que o fisco deve observar não apenas a letra fria da lei, mas também deve evitar a aplicação de penalidades que guardem em si o caráter confiscatório, entendido como aquele que não apresenta as características de razoabilidade e justiça, sendo, assim, igualmente atentatório ao princípio da capacidade contributiva. Reafirmamse todos os requerimentos delineados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Quebra de Sigilo Bancário O presente julgador já se posicionou, em outras ocasiões, quanto à legalidade da medida concretizada pela autoridade tributária. Fl. 1317DF CARF MF 8 À época dos fatos geradores indicados nesta autuação vigorava em plenitude a Lei Complementar nº 105/01 e, essencialmente, o seu art. 6º, que assim dispõe: “Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” O exame do quanto disposto no referido artigo de lei já seria suficiente para validar as nuances do lançamento, especificamente no ponto em que a fiscalização intima a agência do Banco do Brasil da cidade de Rodeiro/MG, agência 38288, requisitandolhe os respectivos extratos bancários, as informações quanto a titularidade da conta e o documento de procuração para representação da conta. As investigações e verificações efetuadas pela fiscalização, até então, já demonstravam que as contas bancárias de Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge e Elcimar de Araújo Egydio eram, de fato, utilizadas para movimentar recursos de diferentes empresas. Somente por meio do acesso às movimentações bancárias da recorrente seria possível ratificarse a conclusão acima delineada, comprovando o envolvimento da entidade na operação. Neste contexto, a ação promovida pela fiscalização se mostrou indispensável à atividade da autoridade administrativa competente, especialmente no que lhe cabe a consumação do princípio da capacidade contributiva e o financiamento do erário público, o que certamente valida a aplicação do art. 6º da LC nº 105/01 ao caso concreto. Apesar das assertivas até então expostas, recentemente discutiuse no STF a possibilidade da ordinariamente alegada “quebra de sigilo bancário” e, assim, colocouse em voga a constitucionalidade do referido dispositivo. No entanto, por meio do RE 601.314/SP, submetido à sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, firmouse o entendimento de que a norma não configura quebra de sigilo bancário, mas sim transferência de informações entre bancos e o Fisco, ambos protegidos contra o acesso de terceiros, o que, por si, descartaria qualquer ofensa à intimidade e privacidade do contribuinte. É cediço que este Conselho Administrativo Fiscal (CARF) está atrelado ao entendimento proferido em decisões sob a sistemática de repercussão geral (RICARF, art. 62, §1º, inciso II, “b”). Uma vez definida a constitucionalidade da LC nº 105/01, agora sob a égide também do princípio da legalidade tributária, deve falecer a alegação do recorrente quanto à quebra de sigilo bancário. Ainda que assim não fosse, o pleito do recorrente invoca a inconstitucionalidade da norma e, dado o noticiado julgado recente do STF encerrando a discussão, o CARF não tem competência para se pronunciar em sentido contrário, conforme Súmula nº 2: Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sob qualquer prisma lançado, não há como se acatar a nulidade do trabalho fiscal, em razão da suposta quebra de sigilo bancário, de modo que indefiro o pleito do recorrente neste tópico. Desenquadramento do SIMPLES O ato declaratório de exclusão do SIMPLES gerou indignações por parte do recorrente: (i) a insubsistência de sua motivação, em razão de não ter sido constatado o excesso de receita; (ii) o cerceamento de seu direito de defesa. Quanto ao primeiro ponto destacado (i), cumpre, neste momento descrever as etapas que levaram a tal conclusão: 1 As pessoas de Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge e Elcimar de Araújo Egydio foram selecionadas para fiscalização em virtude da movimentação financeira incompatível e omissão na entrega de declaração de IRPF; 2 – As supracitadas pessoas físicas foram intimadas a prestar esclarecimentos, mas não se manifestaram nos prazos estabelecidos, de modo que a fiscalização solicitou ao Banco do Brasil os extratos bancários de movimentação financeira de suas contascorrente e aplicações financeiras; 3 Com base nos documentos fornecidos, ÁUREA e ELCIMAR foram intimados a comprovar a origem dos valores creditados/debitados em suas contascorrentes no período de 01/01/2005 a 31/12/2007; 4 Diante da ausência das respostas por parte das pessoas físicas, a fiscalização promoveu novas investigações e apurou que as contas bancárias eram utilizadas para movimentar recursos de várias empresas; 5 Após longo período sem esclarecimentos, as pessoas fiscalizadas apresentam as respostas assumindo que, de fato, todos os recursos movimentados em sua conta eram pertencentes a terceiros, razão pela qual não fizeram DIRPF informando tais montantes. Anexam aos respectivos Termos de Resposta: planilha demonstrando a origem dos valores movimentados em sua conta corrente; e Notas Fiscais pertinentes as referidas movimentações; 6 A fiscalização, então, concluiu que os valores depositados/creditados nas respectivas contas são provenientes de cinco empresas de um mesmo grupo, dentre elas, a recorrente (FREDLAR INSDUSTRIAL DE MÓVEIS LTDA – ME) Restou comprovado de forma inequívoca que parte dos valores movimentados nas contas bancárias das pessoas Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge e Elcimar de Araújo Egydio referiamse as receitas decorrentes da atividade do recorrente. Este fato foi confirmado pelas próprias pessoas físicas, através da documentação apresentada, bem como pelo próprio recorrente, ao escriturar em sua Fl. 1319DF CARF MF 10 contabilidade a movimentação financeira das pessoas físicas envolvidas após o início do procedimento fiscal. Por outro lado, constatouse que estes valores não transitaram pela contabilidade da recorrente, tampouco foram submetidos à respectiva tributação, ou seja, patenteouse a omissão de receitas. Ora, se estes montantes não constam da DIRPF das pessoas físicas supracitadas e nem são objeto de tributação na entidade recorrente, é razoável concluir que passariam despercebidos sem o necessário ônus fiscal. Há, neste passo, uma ofensa frontal ao princípio da capacidade contributiva. Uma vez identificado que parte dos montantes reportavase à atividade do recorrente, estão presentes aqui o (1) sujeito apto a sofrer o impacto fiscal e o (2) signo de riqueza, representando, respectivamente, os elementos norteadores dos prismas (1) subjetivo e (2) objetivo do referido preceito. Escapar da tributação, neste albor, significa dano direto ao erário público e, em última instância, o comprometimento das diretrizes basilares perpetradas pela Constituição Federal de 1988. Ficou evidenciado, então, o montante da omissão de receita, o qual, adicionado às informações declaradas pelo contribuinte, extrapolou o limite máximo de receita bruta admitida aos optantes pelo regime do SIMPLES. A motivação deste excesso de receita está aqui explícita e, veja, fora construída, em parte, através das informações e documentos fornecidos pelo próprio recorrente. A origem das movimentações financeiras evidenciadas pela fiscalização, pela recorrente e pelas pessoas físicas aqui já mencionadas, norteia o conceito de receita e torna inequívoca à sua submissão ao ônus fiscal por meio do presente lançamento. Deveria ser de notório saber da parte recorrente, inclusive pela sua ímpar contribuição para a busca da verdade nestes autos, que houveram receitas não tributadas em montantes significativos, as quais, uma vez consideradas, naturalmente ultrapassaram o limite legal imposto pela sistemática do SIMPLES. Reiterese, o conjunto probante que forma tal conclusão fora construído pelo próprio recorrente, as receitas omitidas foram validadas por meio das informações por este fornecidas. A consequente exclusão/desenquadramento, portanto, é medida legal (art. 14, I da Lei nº 9.317/96), cabível e, além, previsível, diante de todo o contexto aqui exposto. A justificativa para tal ato é nítida, de modo que não devem prosperar as alegações do recorrente. Neste passo, também não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do recorrente. A razão pela qual tal empresa fora excluída do SIMPLES está diretamente relacionada à discussão e a decisão deste processo administrativo fiscal. Neste caso, não há como acolher qualquer alegação de ofensa ao princípio da ampla defesa ou do contraditório, visto que foram ofertadas inúmeras chances de manifestação ao recorrente. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 7 11 E, indubitavelmente, este, mesmo após alguma resistência, trouxe aos autos inúmeros documentos e informações acerca das solicitações da fiscalização, o que, de certo, valida a garantia dos direitos constitucionais supracitados na concretude deste caso. O fato é que a defesa do recorrente corroborou justamente para o atingimento desta conclusão, ou seja, os documentos fornecidos levaram a identificação da origem das receitas, as quais se mostraram de vultuosa monta, a ponto de exorbitar o quantum permitido legalmente. Ademais, devese mencionar o entendimento consolidado deste conselho a este respeito: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Em alinho ao disposto, devese delimitar que a discussão acerca do ato declaratório em si e eventuais nulidades percebidas, sob o aspecto formal, não atingem o presente lançamento. A conexão inerente entre a exclusão do SIMPLES e a presente autuação se limita ao prisma material. Qualquer discussão acerca das formalidades que respaldam tal ato declaratório não competem a este processo, de modo que não deve se manifestar o julgador neste sentido. Portanto, as discussões se equivalem quando tratase exatamente da motivação que originou a exclusão, a qual coincide com parte do objeto desta autuação (omissão de receitas). Resta claro que, nesta hipótese, fora garantido o amplo e irrestrito acesso à defesa nestes autos. As eventuais nulidades ou defasagens formais do ato expedido exorbitam o alcance deste processo administrativo, ao qual incumbe única e exclusivamente a verificação da constituição definitiva do crédito tributário concernente ao ano de 2005. O presente processo e o ato declaratório caminham de forma apartada, para todos os efeitos. Mas aqui resta demonstrada a relação direta em nível material. O cerceamento de defesa não remanesce, pois, de um lado (aspecto material), fora demonstrado, neste procedimento fiscal, o respeito aos direitos constitucionais inerentes ao contribuinte, e de outro (aspecto formal), foge da alçada deste processo administrativo a garantia destes mesmo direitos nesta oportunidade. Denúncia Espontânea Neste ponto deve prevalecer a força do princípio da verdade material. Referido preceito prima pela essência sobre a forma, a busca pela verdade guiada por fatos concretos, reais e palpáveis, superando instrumentos, procedimentos e processos limitantes, que restrinjam o atendimento pleno à justiça efetiva. Fl. 1321DF CARF MF 12 O início do procedimento fiscal nas pessoas físicas de ÁUREA e ELCIMAR ocorreu em 24/03/2008. Já a ação fiscal dirigida à ora recorrente teve início em 29/10/2009. O recorrente, por sua vez, procedeu a retificação de sua declaração fiscal do ano de 2005 em 03/06/2009. A figura prevista no art. 138 do CTN sugere que a espontaneidade termina quando se tem início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. A ideologia aqui intrínseca é a de que a assunção do cometimento da infração não tenha qualquer estímulo externo. Concomitantemente ao surgimento do trabalho fiscal presumese a descaracterização da espontaneidade, pois a sua mera existência exerce ou pode vir a exercer forte influência nas decisões do contribuinte a partir de então. Se, hipoteticamente, o contribuinte cometeu uma infração de forma consciente e premeditada, adotará medidas para tentar mascarála, de modo que a fiscalização não tenha conhecimento. O início de uma ação fiscal é, de certa forma, a premissa de uma suspeita, nem que seja mínima, ou de alguma inconsistência, o que remete ao pressuposto da realização de investigações pormenorizadas para o atingimento da verdade. Neste caso, o contribuinte poderia, agindo por receio e prevenção, simplesmente assumir a infração antes que a fiscalização a evidenciasse e aplicasse as respectivas multas. Esse comportamento nada teria de espontâneo. Portanto, o art. 138 do CTN cumpre a função de evitar tais práticas, de tal maneira que o contribuinte seja penalizado em consequência a sua intenção e vontade naturais, livres de qualquer ingerência em sentido contrário. Estabelecidos estes pressupostos, analisemos o caso concreto. Ora, o início do procedimento fiscal referente às pessoas físicas (i) foi o propulsor do procedimento fiscal dirigido ao recorrente (ii). No primeiro (i) evidenciouse que as movimentações bancárias das pessoas físicas, na verdade, correspondiam a valores decorrentes das atividades de diversas empresas, dentre elas o recorrente. O segundo (ii) apenas ratificou as conclusões atingidas anteriormente. Para que as movimentações de uma empresa fossem procedidas por pessoas físicas, logicamente teria que haver uma relação mutualística e de reciprocidade entre as partes envolvidas. Ainda que a primeira ação fiscal não tenha sido dirigida diretamente ao recorrente, a presunção deste vínculo iminente e quase inevitável já é um indício significativo de relativização da espontaneidade neste caso. Aqui insurge a questão da interposição de pessoas. Outro indício veemente levantado pela fiscalização é o fato da escrituração do Livro Diário apresentado ter sido efetuada posteriormente ao início do primeiro procedimento fiscal, ou seja, mais de dois anos após o encerramento do anocalendário objeto desta autuação. Também se verifica nas declarações da pessoa jurídica apresentadas originalmente, que o responsável pelo preenchimento é outro contabilista, o Sr. Luiz Fernando Medina do Vale, enquanto que nas declarações retificadoras apresentadas após o início da ação fiscal, é o próprio sócio, o Sr. Hélio Rufato, o novo responsável pelo preenchimento da declaração. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 8 13 Há aqui um conjunto de elementos que nos permite lançar aquela leve suspeita. Suficiente, no entanto, para invocar a essencialidade do parágrafo único do art. 138 do CTN, desnaturando o contexto de espontaneidade. Portanto, deve ser considerada a data de 24/03/2008 como o marco para perda de espontaneidade do recorrente. A partir deste momento há a possibilidade ou probabilidade de que a vontade do agente sofra influências externas que o façam agir com convicção distorcida, plastificada e preventiva. Sob a égide do princípio da verdade material, qualquer mínimo indício que coloque em risco a espontaneidade do agente deve prevalecer sobre as formalidades que a norma expressamente dispõe. Aqui deve ser primada uma visão voltada para a mens legis (a intenção do legislador com a criação deste instituto) e não a literalidade da lei e sua aplicação inflexível ao caso concreto. Assim, voto por manter o lançamento intacto. Inversão do Ônus da Prova Os argumentos de defesa não se sustentam neste ponto, na medida em que o fisco não tem o que provar e o recorrente já trouxe os elementos de prova que corroboram com a presunção lançada. A verdade está escancarada nos autos. A fiscalização obteve informações relativas às movimentações bancárias do recorrente e identificou numerários significativos sem o respectivo lastro em suas declarações fiscais, ou seja, ilesos da compulsória tributação. Tal cenário, aliado a inicial ausência de qualquer manifestação da parte, autoriza a fiscalização a lançar uma presunção de omissão de receitas. Tal instituto, previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, é maleável e oscilante, devido ao seu caráter de relatividade (presunção juris tantum), de modo que cabe ao contribuinte ilidila, caso disponha de comprovação hábil e idônea para tanto. Em sentido contrário, a ausência de esclarecimentos ou a falta de apresentação de documentação comprobatória, mantém intacta a presunção e valida a assertiva de que os depósitos bancários cuja a origem não for identificada são receitas omitidas. Neste sentido, o ônus da prova é, originalmente, do recorrente, ora contribuinte. De fato, se este tivesse apresentado provas robustas, aptas a suportarem suas alegações de forma contundente, comprovando que a origem dos depósitos não coadunava com o conceito de receita, haveria uma inversão do ônus da prova, transferindo à fiscalização o dever de trazer documentos e informações que desnaturassem o conjunto probante supostamente formado pelo contribuinte. Esta variância do ônus probante, na realidade, é essencial durante todo o processo fiscalizatório, pois promove a instigação da busca pela verdade. Ora, a declaração fiscal do contribuinte, por exemplo, também detém uma presunção relativa de veracidade. Percebida alguma inconsistência caberá ao fisco ilidila, como deveras o fez nesta oportunidade. Neste passo, invertese o ônus da prova e lançase uma nova presunção agora em Fl. 1323DF CARF MF 14 favor do contribuinte. Este processo perdura de forma cíclica e repetitiva, até que se atinja a verdade dos autos. Pelo menos essa é a intenção. Ocorre que o recorrente, quando da apresentação da documentação solicitada, não enfrentou a presunção de omissão de receitas concretizada pelo fisco. Pelo contrário, as informações ali dispostas foram hábeis a validála. Provouse exatamente que a origem dos depósitos bancários coincidia com receitas advindas da atividade do recorrente. Neste caso, o que se viu aqui fora a consumação da presunção e alegações e documentações advindos de dois polos opostos apontando para um mesmo sentido. A verdade aqui está atingida, razão pela qual não há que cogitar qualquer necessidade de comprovação, seja pela fiscalização ou pelo recorrente. A inversão do ônus da prova, neste contexto, tornase inócua e incabível, de modo que não devem ser acolhidos os argumentos do recorrente neste ponto. Multa qualificada O procedimento adotado pelo recorrente, conforme relatado no relatório fiscal, utilizandose de contas correntes abertas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) para movimentar seus recursos e, consequentemente, não oferecêlos à correspondente tributação, caracteriza intenção fraudulenta e dolosa de omitir receitas e diminuir o resultado tributável, de modo que merece aplicação o art. 44, §1º da Lei nº 9430;96. Há a caracterização inequívoca de uma conduta sonegatória, nos termos do art. 71 da Lei nº 4502/64, ou seja, uma ação, ou omissão, do recorrente, tendente a impedir parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, de modo a reduzir o montante do imposto e diferir o seu pagamento. O comportamento adotado pelo recorrente, então, se adapta perfeitamente às hipóteses legalmente definidas. Além, tratamse de leis em plena vigência e eficácia, respaldadas por integral e irretocável constitucionalidade. As alegações de confiscatoriedade da multa aplicada, portanto, esbarram na validade das leis instituidoras. Vergastálas e superálas significaria desafiar sua juridicidade perante o ordenamento e, essencialmente, sua legitimidade perante as diretrizes da Constituição Federal de 1988. É cediço, no entanto, que, conforme já demonstrado neste voto, não compete a este conselho se pronunciar acerca da inconstitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Além disso, cabe também destacar a inteligência da Súmula n. 34: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10640.001930/201089 Acórdão n.º 1201001.994 S1C2T1 Fl. 9 15 Portanto, uma vez definido que a conduta do recorrente norteia a aplicação da multa qualificada e, ato contínuo, que tal penalidade está calcada em bases constitucionais, não há como acatar seu caráter confiscatório, sob pena de desnaturar a legislação notadamente válida. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO, reputando totalmente válidos os lançamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913316/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.010
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 16 /2 01 1- 13 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.298, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913316/201113 Acórdão n.º 3402005.010 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.936419/2011-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11.
A manifestação de inconformidade tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Numero da decisão: 3002-000.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias prazo para solicitação de restituição e direito à creditamento de PIS/Pasep por força dos Decretos-Lei 2.445/1998 e 2.449/1988 porque não foram alegadas na manifestação de inconformidade e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. A manifestação de inconformidade tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. A manifestação de inconformidade tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias “prazo para solicitação de restituição” e “direito à creditamento de PIS/Pasep por força dos DecretosLei 2.445/1998 e 2.449/1988” porque não foram alegadas na manifestação de inconformidade e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 64 19 /2 01 1- 58 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 1.182,79, relativa a agosto/2003, e transmitida por meio de Per/Dcomp em outubro/2007 (fls. 2 a 6). A Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) emitiu despacho decisório por meio do qual não homologou a compensação declarada por haver identificado que o pagamento efetuado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação (fl. 7). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual requereu, preliminarmente, a nulidade da notificação do despacho decisório e, quanto ao mérito, alegou que o recolhimento a maior decorria da declaração de inconstitucionalidade do STF em relação ao § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 (fls. 13 a 25). Sua manifestação de inconformidade foi instruída com consolidação do contrato social, identificação dos sócios, procuração, identificação dos procuradores, cópia do despacho decisório, cópia do Per/Dcomp (fls. 26 a 34). A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) proferiu o Acórdão nº 0733.987 (fls. 39 a 45), por meio do qual decidiu, em relação à preliminar de nulidade, por sua inexistência, e em relação ao mérito por negar provimento, tendo em vista a retificação da DCTF posterior à transmissão da DCOMP, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO NO DOMICÍLIO FISCAL. DESNECESSIDADE DE RECEBIMENTO PELO REPRESENTANTE LEGAL. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 4 3 É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica que consta no cadastro da Fazenda Nacional. A lei processual não exige que a ciência de recebimento da intimação seja dada por representante legal da contribuinte, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 50 a 63), no qual apresentou as seguintes alegações: 1) reitera o seu direito à restituição após a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998; 2) o prazo para a restituição dos tributos sujeitos à homologação pagos indevidamente é de dez anos, conforme jurisprudência do STJ, não tendo sido afetado pela Lei Complementar nº 118, de 2005; 3) é garantido o direito da requerente ao crédito decorrente de recolhimentos de PIS pelo disposto nos DecretosLei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988; 4) teria ocorrido a homologação tácita da compensação, uma vez que o Despacho Decisório, emitido em 12/12/2011, foi recebido pelo contribuinte em 16/02/2012, após decorridos 5 anos da data de formalização do processo de compensação, que foi em 24/11/2006; e 5) estaria prescrito o direito de cobrança do débito de Cofins que se pretendeu compensar com crédito da própria contribuição, uma vez decorrido o prazo de cinco anos previsto no art. 174 do CTN para a ação de cobrança de crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Previamente ao início da análise das alegações, fazse necessário apontar que o recurso voluntário contém contradições e imprecisões que acredito decorrerem do equívoco de ter sido formulado em referência ao Acórdão DRJ errado. Da página inicial do recurso (fl. 50), extraise que foi feita uma única peça recursal para dois processos parecidos, mas não iguais, este e o processo de nº 10880.936415/201170, também distribuído para esta relatora. Neste único recurso, fazse referência ao Acórdão DRJ nº 0732.498, que pertence ao outro processo, de final 415, mas, no Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 5 4 corpo do texto, transcrevese uma ementa de outro julgado DRJ, desconhecido, e que trata de matérias estranhas a este processo, como restituição e PIS. Disso resulta que os fundamentos do acórdão da DRJ não foram contestados, ao mesmo tempo em que questões inéditas aparecem para apreciação deste Colegiado. Passemos então aos cinco pontos atacados pela recorrente. 1. Direito ao crédito decorrente do alargamento inconstitucional da base de cálculo das contribuições pela Lei nº 9.718/1998 A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins é decisão definitiva do STF, em julgamento afetado pela repercussão geral, o que a torna vinculante para este Colegiado por força de Regimento Interno do CARF e, desde a publicação da Lei nº 11.941, de 2009, vinculante também para a Receita Federal. Quanto a esse ponto, é de se ressaltar que não houve divergência ao longo deste processo, pois essa questão de direito jamais foi trazida pela Administração Fazendária como fundamento para a não homologação do crédito. Em nenhuma instância defendeuse que alguma receita não operacional devesse compor a base de cálculo, em desacordo com a recorrente ou com a decisão do STF. Por certo que todo contribuinte que tenha incluído em sua base de cálculo outras receitas que não apenas as provenientes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços pode requerer restituição. Entretanto, para que venha a ter seu pleito atendido, deve esse contribuinte demonstrar que, de fato, incluiu alguma receita não operacional na sua base de cálculo. Não está a Fazenda autorizada a restituir ou a compensar um crédito pleiteado pelo contribuinte que esteja em contradição com sua própria declaração de débitos perante a Receita Federal e que não esteja amparado por nenhuma documentação que demonstre a ocorrência de erro. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, e sua eventual retificação deve vir acompanhada por suporte probatório, como dispõe o CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) A isso se some, com igual importância, que a compensação somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 6 5 administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) A demonstração da certeza e liquidez, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art.28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) No presente processo, o contribuinte jamais informou qual seria a receita incluída indevidamente em seus cálculos, nem juntou em nenhum momento qualquer documento a título de prova. Desde a sua manifestação de inconformidade, todas as alegações são exclusivamente de ordem jurídica, doutrinária, jurisprudencial como se aí residisse o ponto de discórdia ou como se não existisse uma questão fática a ser esclarecida dentro do seu ônus probatório. O Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, dispõe sobre a impugnação ou a manifestação de inconformidade da seguinte forma (que segue o mesmo rito por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo recorrente a título de razões e provas define Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 7 6 a natureza e a extensão da controvérsia. Entretanto, quando por sua própria vontade o recorrente não exerce o seu direito, chega ao Colegiado uma discussão esvaziada, o que é o caso deste processo, no qual chegamos ao recurso voluntário sem que tenham sido apontados os motivos de fato e sem que tenham sido juntadas quaisquer provas. 2. Prazo de 10 anos para solicitar restituição Matéria estranha ao presente processo, constante do recurso pela confusão já mencionada no início deste voto. Em nenhuma instância alegouse decaído o direito do contribuinte em solicitar sua compensação – lembrando que estes autos não tratam de restituição. Assim, não conheço desta matéria. 3. Direito à creditamento de PIS/Pasep por força dos DecretosLei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 Matéria estranha ao presente processo, constante do recurso pela confusão já mencionada no início deste voto. Estes autos tratam da compensação de crédito de Cofins com débito também de Cofins. A legislação citada neste quesito não guarda relação com a discussão sobre a Lei nº 9.718/1998 que se trava. Assim, não conheço desta matéria. 4. Homologação tácita da compensação Alega o contribuinte que teria sido ultrapassado o prazo de cinco anos para manifestação da Fazenda sobre sua declaração de compensação, caracterizando a sua homologação tácita. Afirma que formalizou o processo de compensação em 24/11/2006 e foi cientificado de decisão denegatória, emitida em 12/12/2011, no dia 16/02/2012. A bem da verdade, deve ser esclarecido que o Per/Dcomp foi transmitido em 07/02/2007 (fl. 2) e o despacho decisório foi entregue ao contribuinte em 18/07/2011 (fls. 8 e 9). No caso em análise, o prazo para homologação é de 5 anos, contados da data da transmissão do Per/Dcomp, em acordo com o estabelecido pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 8 7 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (grifado) Como a transmissão do Per/Dcomp foi efetuada em 07/02/2007, a Derat teria até 07/02/2012 para se manifestar. Tendo o contribuinte tomado ciência do Despacho Decisório em 18/07/2011, claramente não ocorreu a homologação tácita da compensação. 5. Prescrição do direito de cobrar o crédito tributário Alega a recorrente que prescreveu o direito de a Fazenda agir para a cobrança do crédito, uma vez decorridos mais de cinco anos da sua constituição definitiva, prazo esse estabelecido no art. 174 do CTN. E transcreve alguma jurisprudência, sem levar em conta os efeitos da interposição de recurso. Esquecese que as impugnações e recursos em processo administrativo fiscal suspendem a exigibilidade do crédito tributário, conforme definido pelo art. 151 do CTN, in verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Em não se iniciando a contagem do prazo prescricional, não há que se falar em inércia da Administração Tributária. Tal tema é antigo no CARF e já está pacificado por meio da Súmula nº 11, de adoção obrigatória por esta julgadora: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Em síntese, em relação à parte conhecida do recurso voluntário, entendo que a recorrente não demonstrou o direito ao crédito, nem por fatos nem por provas que, ressalte se, inexistentes; que não ocorreu a homologação tácita da declaração de compensação; e que não se aplica a prescrição intercorrente no PAF. Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, em relação à parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.936419/201158 Acórdão n.º 3002000.068 S3C0T2 Fl. 9 8 Fl. 88DF CARF MF
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