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Numero do processo: 10247.000002/2006-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento.
ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-000.042
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolheu-se os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de
Voto.
Nome do relator: Walber José da Silva
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RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3' CÂMARA / 2' TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolheu-se os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão if 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de Voto. ek,GVQ,CL, itil(~,ÁA-12 , J SEF MARIA COELHO MARQUES Presidente ki 1 Processo n0 10247.00000212006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 315 JVC, WALBER JOSÉ DA SI VA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 07/02/2006 a empresa JARI CELULOSE S/A, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não-cumulativa, previsto no § 1" do art. 6' da Lei ri" 10.833/2003, relativo ao 4' trimestre de 2005. A DRF em Monte Dourado — PA deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito da Cofins só alcança os insumos "diretamente ligados à produção específica de celulose (produto final a ser vendido)" e também porque no crédito pleiteado foi incluído: 1- despesas bens do ativo imobilizado 2- despesas relativas à parte florestal 3- despesas relativas à manutenção de equipamentos 4- despesas relativas ao tratamento de água e a geração de energia elétrica comercializados na vila Monte Dourado; 5- notas fiscais de produtos e serviços pós-produção Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2- Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão n2 01-8.405, de 04/06/2007, ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo. Ciente desta decisão em 05/07/2007, a interessada ingressou, no dia 03/08/2007, com o recurso voluntário de fls. 243/257, no qual alega que: 2 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.°3302.00.042 Fl. 316 1 1- tem direito ao crédito de Cofins sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; il . 2- tem direito ao crédito de Cofins sobre os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; , 3- tem direito ao crédito de Cofins sobre os valores de serviços de 1 manutenção de seu parque fabril; 4- tem direito ao crédito sobre os valores da aquisição das telas utilizadas no processo de produção da pasta de celulose e do respectivo frete; 1 5- tem direito ao crédito da Cofins sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; 1 i 6- sobre o crédito deste processo deve ser aplicada a taxa Selic desde a data n da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 17/10/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 324. Na sessão do dia 02/06/2008 a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuitnes j.ulgou o recurso voluntário, dando-lhe provimento parcial, nos termos do Acórdão n2 201-81.149 (fls. 343/349). Ciente do julgado em 10/09/2008, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (União) apresentou os embargos de declaração de fls. 353/358, alegando a existência de contradições no acórdão. Submetido os embargos de declaração à apreciação deste Conselheiro, foi emitido o Parecer de fls. 362/363, propondo o seguimento dos embargos exclusivamente quanto à contradição afeta às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. O Senhor Presidente da Segunda Seção do CARF acolheu o parecer acima e determinou a inclusão em pauta destes embargos, conforme Despacho de fls. 36,1/368. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator iotc .t., ,, ‘2 \ 3 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 317 Os embargos de declaração são tempestivos e, na forma regimental, foram admitidos pela Presidente da Segunda Seção do CARF. Como relatado, a PGFN (União) apresentou embargos de declaração alegando a existência de contradições no Acórdão n 2 201-81.149. A Senhora Presidente deu seguimento aos embargos quanto à contradição relativa às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. Para facilitar a execução do julgado e a eventual interposição de recurso especial por parte da União e da empresa interessada, refiz integralmente o voto condutor para retificar a contradição apontada pela embargante e para melhor detalhar os custos e despesas com direito ao crédito da Cofins reconhecido no acórdão embargado. A recorrente requereu o ressarcimento de crédito de Cofins do 42 Trimestre de 2005, previsto no § 2 2 do art. 62 da Lei n2 10.833/03, que abaixo transcrevo: Art. 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004). III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 10 Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3', para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2 A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1" poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3 O disposto nos §§ 1° e 2' aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8' e 9' do art. 3'. (grifei). § O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1 2 não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando 2 4\''\ 4 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 318 vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3 2, acima reproduzido, não deixa nenhuma duvida de que os créditos, apurados na forma do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. É o caso das despesas com frete na venda, energia elétrica, depreciação de imóveis, etc., que não são insumos, mas dão direito a crédito passível de ressarcimento. Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação do produto exportado podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no art. 62 da Lei n2 10.8333/03. Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo fabricação ou produção do bem exportado. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou a fabricação do bem exportado, a exemplo da despesa com frete de insumos e armazenagem de mercadorias acabas (inciso IX do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03). No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão, sim, vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria-prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. Portanto os respectivos créditos de Cofins são passíveis de ressarcimento. Claro que os insumos empregados na produção de madeira (defensivos agrícolas, fertilizantes, serviço de corte, etc.), os fretes dos insumos e o ls combustíveis vinculados à produção de madeira dão direito ao crédito da Cofins (arts. 32, II da Lei n2 10.833/03). Estando estes custos de produção de madeira vinculados à receita de exportação de pasta de celulose, os respectivos créditos são passíveis de ressarcimento, como acima se disse. Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril próprio entendo que não há previsão legal para o crédito com estes dispêndios. Obra de construção civil (prédios, estradas, etc) não é insumó. A previsão é para as despesas com depreciação dás edificações e benfeitorias realizadas em prédio próprio ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, conforme dispõe o inciso VII do art. 3 2 e seu § 1 2, inciso III, da Lei n2 10.833/03. Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de Cofins dos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- Serviços Silviculturais; 2- Serviços Florestais Produção; tA 5 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 319 3- Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1- Manutenção de Vias Permanentes; 3.2- Terraplanagem e Manutenção de Estadas; 3.3- Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4- Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 5- Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção) desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6- Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; Quanto aos créditos da Cofins sobre insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado entendo que não há previsão legal para o seu ressarcimento, posto que o produto (energia elétrica e água potável) não foi exportado. A utilização desses créditos segue a regra do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03. Com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento de crédito da Cofins não-cumulativa, ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para o pleito da recorrente. Ao contrário, há vedação expressa (§ 5 2 do art. 51 da IN SRF n2 460/04). No mais, com fulcro no art. 50, § 1', da Lei d- 9.784/1999', adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de acolher os embargos de declaração paru re-ratificar o Acórdão n2 201-81.149, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao reCurso voluntário para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos da Cofins relativo aos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- aquisição de insumos, combustíveis, lubrificantes e serviços (acima especificados) empregados na produção de madeira, esta usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 2- despesas com serviços empregados na produção de madeira, desde que não sejam obras de construção civil e serviços de pesquisa, desenvolvimento, planejamento e controle florestal; brl Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (- • .) § l 2 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. evk 6 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 320 3- despesas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais e agrícolas, desde que não incorporados ao ativo. 4- frete relativo ao transporte de insumos usados na produção de madeira e frete da madeira produzida pela interessada. Sala das Se7Oes, em 08 de julho de 2009 , , (— WALBERÃOSÉ DA SILVA Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme se verifica do relatório e dos termos do voto do eminente relator, trata-se de Embargos de Declaração aprésentado contra o acórdão n 2 201-81.144, proferido em pedido de ressarcimento de crédito de PIS, com base no artigo 5 2 da Lei n2 10.637/02. Para melhor esclarecer os termos do acórdão mencionado, o Ilustre Relator passeou novamente pelos argumentos trazidos a lume quando do julgamento do pedido de ressarcimento de PIS, pautado na sistemática não cumulativa, razão pela qual peço vênia para reproduzir todo meu entendimento acerca da questão. A contribuinte, ora Embargada, por possuir atividade eminentemente exportadora, praticamente não tem seus produtos sujeitos à incidência de PIS/Cofins (saída desonerada). Todavia, mantém o direito ao crédito dos tributos pagos quando da compra de insumos, possibilidade decorrente da característica específica do regime não cumulativo. Tal fato gera a cumulação de créditos de PIS e Cofins na contabilidade da Agravada que, impedida de compensar por ausência de débitos, pode, conforme autoriza'ção legal, solicitar o ressarcimento dos valores em espécie. Nestes termos determina o dispositivo legal: "Art. .52 A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. 4111 n2' 7 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n°3302.00.042 Fl. 321 § 1' Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3" para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. "(Destaquei) Corretíssimo, portanto, o ínclito Julgador Relator, que da seguinte forma resume a questão "não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 32 da Lei n2 10.833/03 (10.637/02) passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. Pois bem. A decisão de primeira instância administrativa se manifestou no sentido de inexistência do direito ao crédito - Acórdão n2 01-8.406/07 — "ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo." (termos 'do relatório) A Delegacia da Receita Federal e a Delegacia de Julgamento nitidamente entenderam o crédito de PIS/Cofins da mesma forma como costumeiramente interpretam os créditos de IPI, aplicando-lhes as mesmas restrições e considerando como idênticas suas características e particularidades. Em virtude deste fato e da constatação de que a Secretaria da Receita Federal tem reiteradamente cometido este equívoco — o que se percebe da análise das respostas à consulta proferida pela entidade — entendo por prudente realizar uma prévia análise acerca das evidentes diferenças entre os sistemas não cumulativos do IPI e PIS/Cofins, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários em cada regime. - É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias — ICMS — e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado — IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras - por aplicarem as normas - e as autoridades administrativas de julgamento - por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré-estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. 8 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 322 A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiu-se, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias n° 10.637/02 — PIS — e n°10.833/03 — Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional n° 42 (EC n° 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ,55' 12. Á lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (.)" Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua "existência", pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPIACMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estar-se-á diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, refere-se à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004: "Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado vá;sus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir á racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto 'receita 'e não 'produto '." Àpj, 9 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 323 O critério "receita", ao contrário do critério "produto", não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, "um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa". Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a - compensação de "imposto sobre imposto", importando-se com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPFICMS. Tenho para mim que o legislador infra-constitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação especifica i ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Além deste critério diferenciador, adoto também, pelo brilhantismo da percepção e fundamento, as razões trazidas a este Colegiado pelo eminente Conselheiro Relator Walber José da Silva. Em seu voto, o relator esclarece que entende diferentes os regimes em virtude de os incisos II e III do parágrafo 3 0, referirem-se, especificamente, à aplicação do direito ao crédito em relação aos "custos e despesas incorridos" pelo contribuinte. "Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado (celulose), apurados na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.637/02, são passíveis de ressarcimento. Nesse passo, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos dos insumos (matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem •e outros) empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todas as despesas 10 (—V\ Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 324 necessárias ao aferimento da receita de exportação, desde que gere crédito na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.637/02, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágrafos 12 e 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN SRF n° 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original." Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pela decisão da DRJ, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Finalizada esta análise preliminar, é preciso avaliar se os instimos pleiteados pela Embargada são desta forma considerados pela legislação do PIS/Coflns. Dos fatos relatados, constato que a Embargada requer créditos sobre: (i) os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; (ii) os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; (iii) os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; (iv) os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica • comercializados para a Vila Monte Dourado; Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/C0F1NS difere daquele utilizado para ICMS/IPI. Nos termos do II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, para fim de se aferir a não cumulatividade destas contribuições, são entendidos como insumos: "Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 2' a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3' do art. 1 desta Lei; b) no § ldo art. 2' desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2' da Lei n' 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediaçã o ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III - (VETADO) ott. 11 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 325 IV — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII - edifkações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica." O primeiro insumo pretendido consiste naqueles empregados na produção da matéria-prima própria (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose. São adubos, terra, produtos, etc. Ao cotejar com os termos legais, entendo que o crédito pleiteado enquadra-se dentre os bens utilizados como insumo na produção da celulose e, conseqüentemente, do produto final exportado (inciso II acima citado). A redação do dispositivo legal é clara, e define como insumos os bens e serviços utilizados na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Tal definição observa que o crédito decorre da aplicação do insumo na produção e fabricação de produtos, ao que concluo que o legislador pretendeu estender o beneficio do crédito tributário a todos os insumos utilizados no processo de produção de mercadorias ou serviços. Neste ponto, a interpretação do conceito de insumo para fim das contribuições ao PIS e Cofins é diametralmente oposta àquela atualmente adotada pela Secretaria da Receita Federal nas hipóteses de não cumulatividade do IPI. É que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado, bem como não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. A questão é que, para a produção daquela mercadoria final, o componente utilizado era indispensável. Esta situação fica evidente ao se refletir acerca dos insumos envolvidos com a prestação de serviços, os quais, da mesma forma que no processo produtivo de mercadorias, geram créditos. Não há meios de se aferir a relação destes insumos — se direta ou indireta — com os serviços prestados, ao que concluo que estes requisitos são legalmente irrelevantes para a significação do conceito de insumo. 12 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 326 Mencionada conclusão merece guarida posto que realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise. O critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi necessário para se alcançar aquela determinada receita financeira naquele específico mês e, na seqüência, verificar se há vinculação à produção, ou seja, Ise o insumo foi utilizado na produção. O doutrinador Marco Aurélio2, analisa este critério de inerência: "Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na não-cumulatividade do PIS/COFINS apóia-se na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação — que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá — em principio — direito à dedução." É exatamente em razão deste critério de inerência à formação da receita e utilização na produção do bem exportado, que entendo que todos os custos e despesas referentes aos insumos necessários à produção da celulose, constituem em créditos para a Embargante. O segundo crédito pleiteado refere-se aos valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata. Também entendo, neste caso, pela aplicação do inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Parece-me claro que, para viabilizar sua atividade, a qual é a fonte de sua receita, a Embargante necessita dos serviços de frete, responsável pelo trânsito dos produtos produzidos. Da mesma forma, por ser inerente ao frete e à atividade, a utilização de combustível, concluo pela possibilidade de crédito. O terceiro insumo pleiteado justifica-se pelos serviços de manutenção do parque fabril da Embargada. —. Não encontra direito esta solicitação da Embargante e foi exatamente este o ponto embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O voto recorrido encontrava-se contraditório em relação à esta possibilidade de crédito. f 2 in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), citado por Eduardo de Carvalho Borges (in "Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias", Tributação no Agronegócio, Quartier Latin) 13 ,,,,, Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.042 Fl. 327 É que o pleito está fundamentado no custo necessário à manutenção do estabelecimento fabril de propriedade da Embargada, enquanto o inciso yll da Lei n° 10.637/02 é claro ao permitir a concessão do crédito apenas se o gasto for realizado com bens de terceiros, "edificaçães e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o ctáo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária." Todavia, importa registrar, para restar ainda mais esclarecido, que o custo despendido com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado, geram direito ao crédito, nos termos do inciso VI do já mencionado artigo 3°. Por último, em Quarto lugar a Embargada pleiteia crédito sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica, os quais são comercializados para a Vila Monte Dourado. Conforme esclarecido, para o desenvolvimento de sua atividade, a Embargada necessita providenciar os requisitos básicos à existência da "cidade" Vila Monte Dourado. Trata-se de questão peculiar à Embargada que, por razões diversas; constituiu seu empreendimento no interior do Estado do Pará, longe dos centros urbanos o suficiente para que não exista acesso dos moradores da Vila à energia elétrica e água potável. Em virtude desta situação especifica da Embargada, para que exista a mão de obra necessária ao exercício de sua atividade, é a própria empresa que proyê as condições básicas para a manutenção do povoado. Logo, apesar de aparentemente não haver qualquer relação entre o objeto social da contribuinte e a venda de água e energia elétrica, particularmente, para o caso em especifico, estas atividades tornaram-se inerentes ao processo de produção da Embargada. Atendida a exigência de inerência do processo produtivo, seria de se entender que a Embargada possui direito aos créditos pleiteados. Todavia esta interpretação não merece guarida. Sim, é fato que a Embargada tem direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo em virtude de sua situação específica, entretanto, não da forma pleiteada. Nos termos requeridos, a Embargada pleiteia o ressarcimento de créditos em razão do artigo 5°, inciso 1, da Lei n° 10.637/02, a saber: "Art. 5' A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior;" Isto é, o crédito decorre da exportação de mercadorias para o exterior. Ocorre que estas mercadorias (energia elétrica e água), não são exportadas, ao contrário, são comercializadas no mercado interno, para os moradores da Vila Monte Dourado. Tal fato inviabiliza a concessão deste insumo. Conforme já registrado pelo Ilustre Relator, tais créditos poderão ser utilizados pela Embargada — desde que válidos, não prescritos — nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, inclusive na escrita contábil, desde que obedecidos os critérios definidos. Ante o exposto, concordo com o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Relator e voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração para RE- L, 14 Processo n° 10247.000002/2006-63 S3-C3T2 Acórdão n." 3302.00.042 Fl. 328 RATIFICAR o Acórdão n2 201-81.144, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito PARCIAL ao ressarcimento de créditos do PIS. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009 FA dit OLA CASSIà é& KERAMIDAS biL 15
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Numero do processo: 10209.000545/2005-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 17/07/2000
ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE FORMALIDADE INDISPENSÁVEL.
Constatado que a operação de importação não se ajusta ao regramento estabelecido para os acordos da ALADI, inaplicável a redução de alíquota, devendo a mesma se processar pelo regime normal de tributação.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE FORMALIDADE INDISPENSÁVEL. Constatado que a operação de importação não se ajusta ao regramento estabelecido para os acordos da ALADI, inaplicável a redução de alíquota, devendo a mesma se processar pelo regime normal de tributação. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 05 45 /2 00 5- 56 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000545/200556 Acórdão n.º 9303003.110 CSRFT3 Fl. 505 2 Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls. 426/455, admitido pelo Despacho nº 3100092 – 1ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento (fl. 473/475), datado de 12.03.2012, insurge a recorrente contra o Acórdão 310200.206 (fls. 420/422), que deu provimento, por maioria de votos, ao recurso voluntário da contribuinte. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/07/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAIS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIFCO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem corno quando o produto importado comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso Voluntário Provido. Em síntese, pretende a Fazenda Nacional a reforma do acórdão colacionado acima, alegando erro formal no certificado de origem apresentado pela recorrida, por violar o art. 434, parágrafo único, do RA, Decreto 91.030/95, bem como os arts. 4º e 7º da Resolução 78, da ALADI, o que invalidaria o pleito de regime benéfico de tributação do Imposto de Importação. Aduz a recorrente que os argumentos expendidos no acórdão vergastado não merecem prosperar. Isto porque a legislação tributária que dispõe sobre benefícios tributários deve ser interpretada de forma literal. Se o benefício acordado entre os países signatários do acordo de que tratam os autos está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do certificado de origem tornase pressuposto de validade para que o benefício pactuado seja reconhecido pelo país importador. Segue discorrendo que a descrição de produto incluído na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem deve coincidir com o correspondente produto negociado e vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura. Como, no presente caso, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não seria país signatário do ACE 39, por pertencer às Ilhas Cayman, não poderia a recorrida fazer jus ao benefício fiscal pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000545/200556 Acórdão n.º 9303003.110 CSRFT3 Fl. 506 3 Argumenta que, consoante a legislação de regência e de modo alternativo, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de terceiro pais, o importador deveria apresentar à administração aduaneira uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não teria sido feito no presente caso pela recorrida. Entende que, como as condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência não foram de modo integral e estritamente atendidas pela PETROBRAS para fruição do benefício, não há como conceder o tratamento tarifário pretendido. Entende, ainda, que ao interpretar os referidos dispositivos de modo diverso, o acórdão recorrido acabou por contrariar a legislação que rege o caso em apreço. O pleito é de provimento do recurso no mérito, com a restauração da decisão proferida pela instância de piso, de forma a manter o lançamento tributário realizado pela autoridade competente. Contrarrazões às fls. 481/490. Após fazer um apanhado do que trata a controvérsia recursal, a ora recorrida passa a refutar os argumentos da Fazenda Nacional em busca da manutenção do acórdão proferido pela 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, esclarecendo que, diferentemente do que busca comprovar a recorrente, a hipótese vertente nos autos não corresponde a erro de preenchimento do certificado de origem, mas sim da prática regular de triangulação comercial adotada pela recorrida, por meio da qual a PIFCO, empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não subscritor da ALADI, intervém na operação de importação com a finalidade de fazer alavancagem financeira. Aduz que o caput do art. 434 do Decreto 91.030/85 determina que a comprovação da origem do produto será feita por qualquer meio julgado idôneo e que, no presente caso, tal prova foi feita pelo certificado de origem apresentado à autoridade fiscal. Defende que o certificado de origem acostado aos autos atesta que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil, países signatários do acordo internacional em apreço, não tendo aportado em nenhum outro País. Outrossim, que a triangulação comercial é legítima e vem reproduzida na sequência dos documentos fiscais referente à operação, legitimando, portanto, o benefício de redução de alíquota do Imposto de Importação a que faz jus. Requer seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, confirmando o acórdão recorrido que entendeu pela ilegalidade do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000545/200556 Acórdão n.º 9303003.110 CSRFT3 Fl. 507 4 O Recurso preenche condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O litígio centrase em relação à admissibilidade ou não do certificado de origem apresentado pela ora Recorrida, objetivando benefício fiscal previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 39, do qual o Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela são signatários. De acordo com o Auto de Infração (fls. 234/244), a Recorrida promoveu importação com declaração de importação nº 00/06400277, de 13.07.2000 (fls. 245/248) utilizando alíquota reduzida do II com base no Acordo de Complementação Econômica nº 39 entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela tudo lastreado em tratamento tributário favorecido em razão da origem da mercadoria O Certificado de Origem nº ALD 1000831268 (fl. 255) declarando que as mercadorias correspondem à fatura comercial nº 1057600 emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GÁS S/A, situada na Venezuela e que, a fatura comercial que instruiu o despacho de importação foi a de nº PIFSB754/2000 )fl. 20), emitida pela empresa Petrobrás International Finance Company (PFICO), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI. Registra ainda o Auto de Infração que, no conhecimento de embarque (fl. 19), o documento que assegura a propriedade da mercadoria informa ser a PIFCO. Busco luzes no capítulo segundo do Regime Geral de Origem da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da ALADI, e no art. 1º do Acordo 91, do mesmo Comitê, que prelecionam: RESOLUÇÃO 78 “SÉTIMO. Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, os países membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do país exportador. Resolução ALADI /PR 252/99 OITAVO. A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na Fl. 507DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000545/200556 Acórdão n.º 9303003.110 CSRFT3 Fl. 508 5 fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Nos casos em que a mercadoria tenha sido negociada em uma nomenclatura diferente à NALADI/SH se indicará o código e a descrição da nomenclatura registrada no acordo de que se tratar.” NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” ACORDO 91 “A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá conincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.” De fácil constatação o indispensável cumprimento de formalidades exigidas para a obtenção do direito ao incentivo e também que o Certificado de Origem como já dito no Relatório menciona fatura de nº 1079770 expedida pela PDVSA S/A sem constar registro da fatura PIFSB887/00 emitida pela PIFCO e tampouco a existência de um terceiro país exportador. Indiscutível o fato de que a mercadoria sob comento foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil e que a interveniência de terceiro pais participante foi facilitadora de aspectos comerciais, haja vista a justificativa da Recorrida no sentido de serem crescentes as dificuldades na captação de recursos por que passa o pais, além do prazo de pagamento praticado no mercado internacional de petróleo. Até mesmo porque o presente caso traz em seu bojo a peculiaridade de uma diligência (fl. 406/412), que culminou com o reconhecimento de que os documentos relativos a importação, invoice, Certificado de Origem (fl. 255), faturas originária e do interveniente caracterizaram um único transito na importação. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000545/200556 Acórdão n.º 9303003.110 CSRFT3 Fl. 509 6 A Resolução nº 232, do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pelo Decreto nº 2.865/88, que alterou o Acordo 91, deu nova redação ao art. 9º da Resolução 78, acima transcrita. Constato que o Certificado de Origem indica como país exportador a Venezuela. Porém, a fatura apresentada pelo importador para efeitos de instrução da Declaração de Importação teve emissão da Petrobrás International Finance Company – PFICO, sediada nas ilhas Cayman, país não signatário do acordo, como já mencionado. Diante do exposto entendo que a Recorrida não faz jus aos benefícios ficais resultantes do Acordo de Complementação Econômica nº 39, tendo em vista que as formalidades materializadas estão a indicar ter sida a importação originada das Ilhas Cayman, o que me faz dar provimento ao Recurso. Sala das Sessões, 23 de setembro de 2014.. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13701.001436/2007-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO ANO-CALENDÁRIO/EXERCÍCIO EM EXAME.
Havendo erro material no acórdão embargado, outro deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito quanto à identificação do ano-calendário/exercício em exame.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2801-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para sanar o defeito quanto à identificação do ano-calendário/exercício em exame, eis que referente somente ao no ano-calendário de 2004, exercício de 2005, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO ANO CALENDÁRIO/EXERCÍCIO EM EXAME. Havendo erro material no acórdão embargado, outro deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito quanto à identificação do ano calendário/exercício em exame. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para sanar o defeito quanto à identificação do anocalendário/exercício em exame, eis que referente somente ao no anocalendário de 2004, exercício de 2005, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 1. 00 14 36 /2 00 7- 45 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13701.001436/200745 Acórdão n.º 2801003.902 S2TE01 Fl. 69 2 Tratase de embargos inominados, por lapso manifesto, identificado no acórdão n° 280101.123. proferido pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 21 de outubro de 2010, nos seguintes termos: No referido acórdão, o colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora, Dra. Amarylles Reinaldi e Henriques, mantendo a tributação do 1RPF, conforme lançado de ofício, nos anoscalendário de 2002 e 2004 (exercícios, respectivamente, de 2003 e 2005). Ocorre que. nos autos, em que pese haver efetivamente lançamento de ofício do tributo nos dois períodos, somente há recurso contra decisão de primeira instância referente ao lançamento do tributo no anocalendário de 2004 (exercício de 2005). Portanto, no acórdão é julgado um recurso não existente nos autos, referente ao anocalendário de 2002 (exercício de 2003). Esclareçase que, nos autos do presente processo: o auto de infração relativo ao anocalendário de 2002 (exercício de 2003) se encontra às fls. 03 e seguintes; a notificação de lançamento relativa ao anocalendário de 2004 (exercício de 2005) se encontra às fls. 44 e seguintes do processo n° 13701.000246/200891, que foi juntado aos autos do presente processo, por apensação; o recurso voluntário, somente contra a decisão de primeira instância que manteve o lançamento do imposto do ano calendário de 2004, se encontra à fl. 01 do processo n° 13701.000246/200891, que conforme já colocado, foi juntado aos autos do presente processo, por apensação. Repitase, na data do acórdão ora embargado, não havia nos autos recurso voluntário contra a decisão de primeira instância que julgou o lançamento do tributo no anocalendário de 2002. Por oportuno, informo que a Secretaria de Câmara localizou o recurso referente ao anocalendário de 2002 (exercício de 2003), que havia sido equivocadamente juntado aos autos do processo n° 13701.000245/200847, e para fins de saneamento realizou sua juntada aos presentes autos. Pelo exposto, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, que determina que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto sejam retificadas pelo presidente da turma, combinado com os arts. 67 e 76 do Decreto 7.574, de 2011, que determinam que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto sejam corrigidas mediante a prolação de um novo acórdão, apresento os presentes embargos inominados à atual Presidente do Colegiado, Dra. Tânia Mara Paschoalin. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13701.001436/200745 Acórdão n.º 2801003.902 S2TE01 Fl. 70 3 Por fim, peço que os embargos sejam admitidos e a matéria seja devolvida ao colegiado. para retificação do lapso referido, mediante a prolação de novo acórdão. Estando de acordo com o posicionamento esposado pelo Ilustre Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, os embargos inominados foram admitidos para submeter o recurso voluntário a nova apreciação pelo Colegiado. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos atendem às condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. A decisão embargada negou provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora, Dra. Amarylles Reinaldi e Henriques, mantendo a tributação do IRPF, conforme lançado de ofício, nos anoscalendário de 2002 e 2004 (exercícios, respectivamente, de 2003 e 2005). Ocorre que, nos autos, quando da realização do referido julgamento, somente havia recurso contra decisão de primeira instância referente ao lançamento do tributo no ano calendário de 2004 (exercício de 2005). Portanto, o acórdão embargado deve ser alterado para negar provimento ao recurso somente em relação ao anocalendário de 2004, exercício de 2005. Dessa forma, a ementa acórdão deve ser alterada para: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI N° 8.852/94. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Negado. Diante do exposto, voto por acolher os embargos, para sanar o defeito quanto à identificação do anocalendário/exercício em exame, eis que referente somente ao no ano calendário de 2004, exercício de 2005. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13701.001436/200745 Acórdão n.º 2801003.902 S2TE01 Fl. 71 4 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10880.721384/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à autoridade preparadora que junte aos autos toda a documentação relacionada ao presente lançamento, que se encontra juntada aos autos do processo administrativo nº 10880.721386/2006-86.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à autoridade preparadora que junte aos autos toda a documentação relacionada ao presente lançamento, que se encontra juntada aos autos do processo administrativo nº 10880.721386/200686. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Tratase de recurso voluntário (efls. 75/88) interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (efls. 53/65), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 02/08, em virtude da falta de recolhimento do ITR do exercício de 2003 (não comprovação da área de reserve legal e alteração do valor da terra nua). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 21 38 4/ 20 06 -9 7 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.721384/200697 Resolução nº 2101000.181 S2C1T1 Fl. 93 2 O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade da lei. VALOR DA TERRA NUA. SIPT. Deve ser mantido o valor da terra nua adotado para fins de lançamento, com base no Sistema de Preços e Terras, quando não apresentado laudo técnico de avaliação, que atenda satisfatoriamente aos requisitos estabelecidos pela ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor da terra nua do imóvel. APLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. São cabíveis as cobranças da multa de oficio, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Lançamento Procedente” (efl. 53). Inconformado com a referida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 75/88), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Para o correto entendimento da questão posta nos autos é necessária a análise dos documentos que embasaram o lançamento fiscal. Entretanto, de acordo com o “TERMO DE INFORMAÇÃO DE DOCUMENTOS DO PROCEDIMENTO FISCAL” (efl. 9), “o restante da documentação que embasou esse procedimento fiscal encontrase no Processo n° 10880.721386/200686 de Notificação de Lançamento do ITR 2005.” Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para determinar à autoridade preparadora que junte aos autos toda a documentação relacionada ao presente lançamento que se encontra juntada aos autos do processo administrativo nº 10880.721386/200686. É o meu voto. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008624/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito.
EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS.
Numero da decisão: 3201-001.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 86 24 /2 00 6- 49 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10580.008624/200649 Acórdão n.º 3201001.824 S3‐C2T1 Fl. 1.102 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Auto de Infração (fls. 04/08) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de junho, agosto, outubro e dezembro de 2003. Ao presente processo encontrase apensado o de nº 10580.008625/200693, que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração fls. 04/08), pertinente aos mesmos períodos de apuração. O autuante descreve, nos autos de infração, que encontrou diferenças entre os valores declarados pela contribuinte e os valores das contribuições calculadas a partir das receitas escrituradas no Livro Registro de Apuração de ICMS (LRAICMS). A autuante apresenta, ainda, demonstrativos, que são partes integrantes dos autos de infração, apresentado a “composição da base de cálculo” (fl. 21), a “apuração de débito” (fl. 36), e a “situação fiscal apurada” (fl. 42). Cientificada da exigência fiscal em 29.09.06, a autuada apresenta Impugnação em 31.10.06 (Cofins fls. 46/51 e PIS fls. 47/52), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: · Nos meses de junho, agosto, outubro e dezembro de 2003 houve recolhimentos feitos a menor; Porém, os demonstrativos elaborados pelo auditor fiscal demonstram a existência de pagamentos a maior nos meses de janeiro a maio, julho, setembro e novembro de 2003; · Deveria o próprio auditor fiscal, assim como lançou os valores recolhidos a menor, de ofício, compensálos com aqueles que foram pagos a maior e, só então, remanescendo saldo a favor da Fazenda Pública, efetuar o lançamento tendente a construir o crédito tributário; · Da correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996, e da Instrução Normativa nº 600, de 2005, decorre que a impugnante tem o direito à compensação dos valores pagos a maior com os pagos a menor; · Razão não assiste a quem pensa que a compensação se faz apenas mediante a entrega de declaração; Primeiro porque a declaração apenas informa ao fisco que a contribuinte procedeu à compensação; Segundo por uma questão de economia processual, pois no caso em tela o lançamento de ofício ocorreu antes da manifestação da contribuinte, não fazendo sentido Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10580.008624/200649 Acórdão n.º 3201001.824 S3‐C2T1 Fl. 1.103 3 em se promover dois processos, um do auto de infração, e outro do pedido de restituição e posterior compensação; · Além desses argumentos, outro milita a favor da compensação nos autos do presente processo; Por uma questão de isonomia, mutatis mutandi, a prescrição veiculada através do art. 34, caput e § 1º, da IN nº 600, de 2005, aplicase ao caso em tela; Considerando que a impugnação do crédito tributário foi parcial, consoante planilhas da impugnante às folhas 66 (Cofins) e 67 (PIS), a DRF/Salvador promoveu a transferência dos valores não impugnados para processos de cobrança, conforme despachos às folhas 74 (Cofins) e 75 (PIS). O contribuinte é intimado da decisão, interpondo recurso voluntário. Julgado o recurso, este foi negado. A recorrente, fato seguinte, interpõe embargos de declaração, alegando omissão. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário, haja vista que, em seu recurso, a embargante reconheceu que havia recolhido tributo a menor, dentre outros aspectos. Em seus embargos, alega omissão, pois não haveria utilizado a decisão referente ao lançamento de imposto de renda, bem como discutindo o mérito da demanda. Sobre a questão de lançamento de IRPJ, além da recorrente não ter trazido aos autos cópia integral daquela decisão, na parte juntada é claramente perceptível a validade do lançamento, quando disposto que “sujeita ao contribuinte ao lançamento de ofício da diferença apurada”. Além disso, o MPF trata especificamente de fiscalização de PIS e COFINS, bem como o lançamento teve suporte em diferença de faturamento em face da apuração de ICMS. O que temos efetivamente neste recurso é a tentativa de rediscutir o mérito, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10580.008624/200649 Acórdão n.º 3201001.824 S3‐C2T1 Fl. 1.104 4 Assim, voto por conhecer e rejeitar os embargos interpostos. Sala das Sessões, 10 de dezembro de 2014 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001354/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2004
CONDUTA ENSEJADORA DE INFLIÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR E SANÇÃO ADMINISTRATIVA. NECESSIDADE DA CONCLUSÃO DO PROCESSO RELATIVO À APLICAÇÃO DA SANÇÃO ADMINISTRATIVA.
As multas previstas no art. 107, IV, "c" e VII,e, do Decreto-Lei nº 37/66, exigidas em auto de infração lavrado após o advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, somente podem ser aplicadas após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa, salvo para prevenir a decadência, nos termos do art. 728, § 4º do RA de 2009.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3403-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao recurso de ofício. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2004 CONDUTA ENSEJADORA DE INFLIÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR E SANÇÃO ADMINISTRATIVA. NECESSIDADE DA CONCLUSÃO DO PROCESSO RELATIVO À APLICAÇÃO DA SANÇÃO ADMINISTRATIVA. As multas previstas no art. 107, IV, "c" e VII,e, do Decreto-Lei nº 37/66, exigidas em auto de infração lavrado após o advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, somente podem ser aplicadas após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa, salvo para prevenir a decadência, nos termos do art. 728, § 4º do RA de 2009. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao recurso de ofício. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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NECESSIDADE DA CONCLUSÃO DO PROCESSO RELATIVO À APLICAÇÃO DA SANÇÃO ADMINISTRATIVA. As multas previstas no art. 107, IV, "c" e VII,“e”, do DecretoLei nº 37/66, exigidas em auto de infração lavrado após o advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, somente podem ser aplicadas após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa, salvo para prevenir a decadência, nos termos do art. 728, § 4º do RA de 2009. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao recurso de ofício. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 13 54 /2 00 9- 18 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de autos de infração lavrados para exigir os tributos devidos na importação em razão do descumprimento do regime aduaneiro especial de drawback suspensão. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 01/189), além da exigência dos tributos devidos na importação, foram lançadas também as seguintes multas: a) Multa de ofício agravada pela não resposta às intimações no valor de 112,5% sobre os tributos não recolhidos. (art. 44, I, §2º da Lei nº 9.430/96); b) Multa pela não apresentação dos arquivos digitais solicitados nas intimações nº 28, 35 e 62 todas de 2009. (art. 12, III, da Lei nº 8.218/91) no valor de 1% da receita bruta declarada; c) Multa por não atendimento a intimação (art. 107, IV, “c” do Decretolei nº 37/66) no valor de R$ 5000,00; d) Multas por não resposta a intimação (art. 107, IV, “b” do Decretolei nº 37/66) no valor de R$ 5.000,00 por mês calendário; e) Multa por descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial (art. 107, VII, “e” do Decretolei nº 37/66) no valor de R$ 1.000,00 por dia, por ato concessório, da data de registro da primeira importação até o encerramento da fiscalização. Por meio do Acórdão 53.132, de 27 de novembro de 2013, a 24ª Turma da DRJSão Paulo 1, julgou a impugnação parcialmente procedente para excluir do lançamento as multas previstas nos arts. 107, IV, "c" e 107, VII, "e", do DecretoLei nº 37/66. Houve interposição de recurso de ofício por parte do presidente da turma de julgamento. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte deixou o prazo para recurso voluntário transcorrer in albis. A exigência mantida pela DRJ foi transferida para outro processo e este processo, com o recurso de ofício, subiu para ser apreciado pelo CARF. É o breve relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal de admissibilidade, uma vez que o cancelamento das multas resultou na exoneração de crédito tributário em magnitude superior a seis vezes o limite de alçada. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10073.001354/200918 Acórdão n.º 3403003.454 S3C4T3 Fl. 3 3 Conforme deflui do voto condutor do acórdão recorrido, a turma de julgamento a quo excluiu as multas lançadas com base no art. 107, IV, "c" e 107, VII, "e", do DecretoLei nº 37/66, porque com o advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, essas multas só poderiam ser lançadas após o encerramento do processo relativo à aplicação de sanção administrativa de advertência ou de suspensão, pelas mesmas condutas, a teor do art. 728, § 4º do RA/2009. Agiu com acerto a 24ª Turma da DRJ São Paulo 1, pois ao exonerar as multas ora lançadas deu cumprimento à interpretação contida no Decreto nº 6.759/2009, que regulamentou o DecretoLei nº 37/66. Realmente, o art. 728, § 4º do RA/2009 estabelece que se as condutas previstas para inflição das multas do art. 728 também estiverem previstas para a aplicação das sanções administrativas previstas no art. 735, as multas do art. 728 somente poderão ser aplicadas após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa. O dispositivo regulamentar ressalva a hipótese de prevenção da decadência, ou seja, se o direito do fisco estiver na iminência de decair, haveria permissão regulamentar para lavrar o auto de infração antes da conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa. Acontece que no caso concreto além de nem existir notícia de que tal processo foi iniciado, o direito de lançar a multa do art. 107, VII, "e", do DL nº 37/66 já estava caduco, pois os fatos geradores da multa ocorreram em maio e julho de 2004 (fl. 11) e o auto de infração só foi notificado ao contribuinte em dezembro de 2009 (fl. 188). Já quanto à multa do art. 107, IV, "c", do DL nº 37/66, não há que se cogitar da iminência da decadência, pois o fato gerador ocorreu em 18/06/2009 (fl. 09) e o auto de infração foi notificado ao contribuinte em dezembro de 2009 (fl. 188). Considerando que as condutas tipificadas no art. 107, IV, "c" e VII, "e", do DecretoLei nº 37/66, estão reproduzidas no art. 728, IV, "c" e VII, "d" do RA/2009 e que essas condutas rendem ensejo à imposição de sanção administrativa, a teor do art. 735, I, "i" e II, "c", do mesmo RA/2009, a conclusão só pode ser no sentido do cancelamento das multas infligidas, pois não há nos autos prova de que houve conclusão do processo para apuração das sanções administrativas de advertência e de suspensão e, tampouco, risco iminente de decadência do direito do fisco quanto à multa do art. 107, IV, "c". Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10865.721195/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2010
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o mesmo é regularmente intimado de todos os termos fiscais, com a concessão de prazo adequado para resposta, apresentação de livros e da documentação contábil e fiscal e para a produção de provas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM COMPROVADA. DEVOLUÇÃO DE MÚTUO.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Sendo o valor alvo da presunção legal um recebimento de mútuo perfeitamente identificado e comprovado por documentação hábil e idônea (contrato, extrato bancário, contabilidade e DIPJ) não há que se falar em omissão de receita por falta de comprovação da origem do depósito bancário, mesmo que aquele contrato não tenha sido registrado em Cartório.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente
Numero da decisão: 1401-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o mesmo é regularmente intimado de todos os termos fiscais, com a concessão de prazo adequado para resposta, apresentação de livros e da documentação contábil e fiscal e para a produção de provas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM COMPROVADA. DEVOLUÇÃO DE MÚTUO. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Sendo o valor alvo da presunção legal um recebimento de mútuo perfeitamente identificado e comprovado por documentação hábil e idônea (contrato, extrato bancário, contabilidade e DIPJ) não há que se falar em omissão de receita por falta de comprovação da origem do depósito bancário, mesmo que aquele contrato não tenha sido registrado em Cartório. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 11 95 /2 01 3- 31 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 408 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 409 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e Recurso de Ofício no Acórdão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de SÃO PAULO ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: 1. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 4, consta que o crédito foi lançado de ofício em decorrência da constatação de omissão de receitas por presunção legal depósito bancário de origem não comprovada, com amparo nos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99. 1.1. Informado no referido anexo (fls. 04) e no Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 26/41), que o lançamento contra o Sujeito Passivo acima identificado, em relação ao fato gerador de 31/03/2010, decorreu da verificação, no procedimento fiscal realizado, de valor creditado em conta de depósito junto a Instituição Financeira, em relação ao qual o Contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessa operação. Tal omissão de receitas resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no presente processo (acompanhados dos anexos com descrição dos fatos e enquadramento legal de cada tributo IRPJ, PIS, CSLL e Cofins; dos respectivos demonstrativos de apuração dos valores devidos e de multa e juros de mora), fls. 03/23, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96 c/c arts. 518 e 528 do RIR/99 e legislação específica de cada tributo, tudo indicado nos autos. 1.2. O crédito tributário em epígrafe perfez o montante de R$ 1.402.868,33 (um milhão, quatrocentos e dois mil, oitocentos e sessenta e oito reais e trinta e três centavos), vide Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo às fls. 02. 2. Destacase do Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 26/41) e demais elementos que compõe o processo intimações, documentos e informações , em especial os Termos de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 126/127; fls. 187/188; fls. 194/195); os esclarecimentos da Fiscalizada (fls. 68; fls. 130/131; fls. 191/193; fls. 196/197) e os elementos por esta apresentados (extratos bancários, contratos de mútuo, planilhas e livros caixa, fls. 87,/125; 132/143 e 202/239): 2.1. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF (fls. 66), o procedimento teve início com a intimação da Fiscalizada para apresentar sua documentação (Termo de Início de Procedimento Fiscal lavrado em 29/06/2012 e recebido pela fiscalizada em 05/07/2012, fls. 64/65 e fls. 67) que, em atendimento (fls. 68), entre outros, apresentou seus extratos bancários, fichas cadastrais e cartões de abertura no Banco BRADESCO (fls. 87/125). 2.2. Analisada a documentação, o Interessado foi intimado a comprovar com documentação hábil e idônea a origem de dois créditos bancários (fls. 126/127), atendeu quanto a um, mas não comprovou quanto ao outro, de 11/02/210, no Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 410 4 valor de R$ 3.5000,00, o qual informou como origem parte de pagamento de contrato de mútuo (novação) com a empresa Corso & Cia. Ltda, fls. 130/131, juntando documentos, vide fls. 132/182. 2.3. O Contribuinte foi intimado a comprovar a efetividade dos empréstimos realizados entre as empresas Mutuante (Fiscalizada) e Mutuária (Corso & Cia Ltda), com a observação de que deveriam totalizar a quantia de R$ 6.500.000,00, tendo sido alertado que a documentação até então apresentada não era suficiente como prova. 2.4. As demais respostas às intimações, acima mencionadas, também não foram suficientes para a comprovação do crédito questionado. 2.5. Ainda, o AuditorFiscal, no Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 26/41) detalha os valores registrados em contas a receber nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregues à RFB desde 2003 até 2010; anota que as duas empresas (Mutuante e Mutuaria) tem o mesmo sócio administrador, Ivander Corso, que assina os contratos de mútuo em nome das duas partes; acrescenta que não foram comprovados os empréstimos e transações indicadas, ainda que exibidos alguns documentos de anos anteriores, pois considerados em descompasso com a integral obrigação disposta no art. 264 do RIR/99. 2.6. Ademais, entendeu que a fiscalizada, optante do lucro presumido, registrou como receita o recebimento de juros no livro caixa de 2010 e que a mutuária, tributada pelo lucro real, procurou legitimar despesas geradas pelos "contratos de mútuo" reduzindo a base de cálculo do Imposto de Renda e Contribuições da pessoa jurídica. 2.6. Destaca que os contratos de mútuo não foram registrados, em contrariedade ao disposto no art. 221 do Código Civil, bem como art. 288 e 135 do mesmo codex, resultando na ineficácia da comprovação da efetividade das transações perante terceiros, no caso a Fazenda Pública. 2.7. Considerada como falta de concretização do mútuo também a falta de pagamento de IOF para os empréstimos, em desconformidade com o art. 7° da Instrução Normativa RFB n° 907/09 e Lei n° 9.779/99. Colaciona jurisprudência administrativa. 2.8. Desta forma, a situação de mútuo foi considera como ficta pela fiscalização. 2.9. Em adição, tecidas considerações sobre a simulação do contrato de mútuo, passando pela conceituação do art. 586 do Código Civil, reforçado que não foi demonstrada a implementação da contraprestação no presente caso; argumentado sobre a não correspondência entre os fatos e o alegado pela Fiscalizada, entendendo caracterizada a omissão de receita sujeita ao lançamento de ofício conforme previsto no art. 849 do RIR/99. Transcreve doutrina sobre simulação e o art. 167 do Código Civil. 2.10. Quanto à aplicação da multa qualificada (150%), considera a ocorrência de fraude com suporte no art. 72 da Lei n° 4.502/64, este mencionado pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96 e doutrina que colaciona, bem como acrescenta o teor do art. 44, I e II da Lei n° 9.430/96 com a redação vigente à época dos Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 411 5 fatos, esclarecendo os critérios e motivos da multa qualificada, nos termos dos arts. 71 a 74 da Lei n° 4.502/64. 2.11. Para tanto, identifica a necessidade da presença do dolo, com os dois elementos (cognitivo e volitivo) e articula sobre o cabimento no caso concreto. 2.12. Ainda, informa sobre a formalização da Representação Fiscal para fins Penais, respectivo processo e, também, do processo contendo os Autos de Infração, ora em apreço. 2.13. Em seguida ao Termo de Verificação de Infração Fiscal, juntadas cópias das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2005 a 2011, fls. 42/63. 3. Em 20/05/2013 foram lavrados os seguintes Autos de Infração, cujas cópias entregues pela via postal ("AR" com recebimento registrado em 11/06/2013, fls. 242), assim como os respectivos anexos, a descrição dos fatos e enquadramento legal; o demonstrativos de apuração de tributo e de multa e juros: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lucro Presumido. Valor de crédito apurado: R$ 764.871,00; Auto de Infração, fls. 03 e demonstrativos às fls. 04/08; Contribuição para o PIS/PASEP. Valor de crédito apurado: R$ 63.506,63; Auto de Infração, fls. 19 e demonstrativos às fls. 20/23; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Lucro Presumido. Valor de crédito apurado: R$ 281.383,20; Auto de Infração, fls. 09 e demonstrativos às fls. 10/13; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Valor de crédito apurado: R$ 293.107,50; Auto de Infração, fls. 14 e demonstrativos às fls. 15/18. 3.1. Conforme informado nos anexos denominados "Demonstrativo de Multa e Juros de Mora", acima indicados, o enquadramento legal da multa de ofício aplicada (150%) é o artigo 44, Inciso I, da Lei n° 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. O enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. 4. A Autuada, apresentou, tempestivamente, impugnação à autuação (razões às fls. 246/256 e documentos anexos contratos, DIPJ, razão, planilhas, extratos e cópias de cheques; alteração de contrato social às fls. 257/325). Observase que foi juntada às fls. 326/333 uma cópia idêntica da impugnação, esta em substituição à anterior, por falta de assinatura naquela. 4.1. Inicialmente, a Impugnante narra os fatos segundo sua ótica, afirma que não conseguiu descobrir a motivação dos questionados lançamentos e questiona se a autuação decorreu da falta de comprovação do contrato de mútuo ou da ausência de comprovação do depósito bancário, articulando sobre os motivos da autuação e da multa qualificada e discordando das conclusões do AuditorFiscal. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 412 6 4.2. Argumenta que o conteúdo do Termo de Verificação de Infração Fiscal não permite identificar a causa da autuação, razão determinante da nulidade dos lançamentos. 4.3. Reforça que sem a clara definição da matéria autuada o direito de defesa da Impugnante restou impossibilitado. 4.4. Lado outro, também indica nulidade por desrespeito ao ato jurídico perfeito, com fundamento no art. 6°, § 1° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro e art. 5° da Constituição Federal. 4.5. Discorre no sentido de que o contrato de mútuo da Impugnante com a Cia Corso & Cia Ltda constitui ato jurídico perfeito, alegando que o Auditor Fiscal não aceitou o instrumento de novação e que, nesta defesa, apresenta os elementos de prova do mútuo original. ~ 4.6. Acrescenta que a novação do contrato de mútuo não foi aceita também porque não foi levada para registro em Cartório, o que afirma ser uma tese desarrazoada, pois ao registro foi dado mais força que a prova da escrituração contábil e transferência de recursos mediante depósitos, ou seja, à forma em detrimento da materialidade do negócio jurídico, o que não condiz com o art. 183 do Código Civil que afirma que o negócio jurídico pode ser provado por outros meios. 4.7. Alega que a existência de crédito vinculado ao mútuo, constante na declaração de rendimentos da mutuante, supre a "pretexta falha formal". 4.8. Em seguida, apresenta uma tabela que resume a formação do mútuo, que tem como parâmetro o saldo credor de R$ 6.600.000,00 de 07/11/2006 e anexa os respectivos contratos, com o que entende ter eliminado qualquer indagação sobre o negócio jurídico em questão e afastada a alegação de simulação do mútuo efetivamente contratado. 4.9. Ainda, articula que a presunção legal restou afastada pela prova da origem do depósito bancário. 4.10. Neste sentido, transcreve trecho dos termos de Intimação encordoando a idéia de que o AuditorFiscal reconheceu a apresentação de documentos indicando a origem do recurso, mas pretendeu a comprovação efetiva dos empréstimos, o que é contraditório com a determinação do art. 42 da Lei n° 9.430/96 que exige apenas a prova da origem, que foi feita com a cópia do cheque emitido pela empresa Corso, esvaziando a presunção do referido artigo. 4.11. A discussão sobre a eficácia do contrato de mútuo representa outra matéria, não atrelada à presunção legal. Adita que o depósito de R$ 3.500.000,00 teve origem no cheque emitido pela mutuaria, não podendo ser transfigurado em entrada de recursos de venda da mutante, juízo este que representa nova presunção do Agente Fiscal. 4.12. Por fim, debate a aplicação da multa qualificada por ausência de justa causa. 4.13. Introduz a contenda afirmando que o obstáculo inicial para a aplicação da multa qualificada é a autuação ancorada na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, vez que presunção pressupõe juízo de probabilidade. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 413 7 4.14. Ademais, também restou demonstrada a inexistência da simulação do contrato de mútuo, principalmente pelo contrato, escrituração contábil e movimentações ultimadas via transferência bancária. 4.15. Nestas condições, por qualquer ângulo de análise, a aplicação da multa qualificada não encontra suporte. 4.16. Em seu pedido, requer o recebimento de sua defesa e, por tudo quanto demonstrado, que sejam afastadas as exigências fiscais dos quatro Autos de Infração (IRPJ, CSLL, . e COFINS). É o relatório. 6. A DRJ Manteve EM PARTE os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRATOS PARTICULARES DE MÚTUO. IMPRESTABILIDADE DA PROVA. O instrumento particular, feito e assinado, prova as obrigações convencionais entre as partes signatárias, mas os seus efeitos não se operam, em relação a terceiros, quando não levado a Registro Público. A existência de contrato de mútuo assinado não se presta, por si só, para comprovar a movimentação financeira constatada na conta bancária do sujeito passivo. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o mesmo é regularmente intimado de todos os termos fiscais, com a concessão de prazo Fl. 414DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 414 8 adequado para resposta, apresentação de livros e da documentação contábil e fiscal e para a produção de provas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2010 Ementa: MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A imposição da multa qualificada não se mostra justificada quando não demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do Contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso a DRJ RECORREU DE OFÍCIO da parte cancelada. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando tópicos trazidos anteriormente na impugnação, nos seguintes termos: Ratifica a anulação do feito, alegando cerceamento do direito de defesa e vício na motivação do lançamento. No mérito, alega que provou ainda em fase de Fiscalização, com documentação hábil e idônea, a origem do depósito, em que ficou suficientemente demonstrados o depositante e o motivo do depósito, que foi a devolução de empréstimo (contrato de mútuo) firmado entre a Recorrente e a Corso Cia Ltda.. No caso, apresentou cópia do cheque emitido pela empresa Corso Cia Ltda, no valor de R$ 3.500.000,00, que foi depositado no dia 11/02/10, e esclareceu que esse valor correspondia à devolução de parte do empréstimo que havia concedido à emitente do cheque, conforme a 'cópia da novação do contrato de mútuo, igualmente apresentada. No extrato consta "depósito em dinheiro" porque o cheque sacado também era do Banco Bradesco. O recebimento dessa documentação foi atestado pelo Termo de Intimação de 05/02/2013. A cifra de R$ 795.520,00 foi justificada e aceita pelo contrato particular de arrendamento para exploração agrícola. há incerteza quanto ao efetivo motivo dos questionados lançamentos. A autuação está centrada na acusação da ausência de comprovação do depósito bancário, no valor de R$ 3.500.000,00; entretanto, no item 4, do Termo de Intimação de 05/02/2013, está averbado: "embora a fiscalizada apresente documentos indicando a origem do recurso em sua conta corrente, fazse necessário a comprovação efetiva dos empréstimos com a apresentação anteriormente realizados entre as empresas dos contratos de mútuos Levanta então a dúvida: a autuação decorre da falta de comprovação do contrato de mútuo ou da "ausência de comprovação do depósito bancário"? A segunda alternativa não parece ser, pois o próprio autuante reconheceu que a origem do depósito bancário foi comprovada. E a primeira cai por terra também na medida em que a multa foi desqualificada. Esse fato, por si só, já descaracterizaria a acusação fiscal de não comprovação da origem do por falsidade do contrato de mútuo. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 415 9 Os contratos de mútuo, embora não registrados em cartório, são válidos e existentes. O negócio neles documentado configura, pois, ato jurídico perfeito que foi ilegalmente violado pelo Fisco. Fito que comprova isso foi o afastamento da acusação de simulação: não havendo prova de sua falsidade, é plenamente válido! Os contratos não são os únicos documentos que comprovam a origem do depósito. Tratase, deveras, de um conjunto de provas dentro do qual estão contidos extratos bancários, cheques, livros contábeis, declarações fiscais e. aditivamente, os contratos de mútuo. É o Relatório Fl. 416DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 416 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos (Ofício e Voluntário) preenchem os requisitos de admissibilidade. RECURSO DE OFÍCIO Como se verá mais adiante no enfrentamento do recurso voluntário, o recurso de ofício restará prejudicado. RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminares de nulidade A Recorrente pretende a anulação do feito, alegando cerceamento do direito de defesa e vício na motivação do lançamento. Tais alegações não merecem guarida e, na essência, a sua insurgência é contra o mérito, senão vejamos: A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Fl. 417DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 417 11 No presente processo, o Termo de Verificação de Infração Fiscal, juntamente com os anexos “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal “( fls. 04; 10; 15 e 20) e reforçado pelos Termos de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 187/188 e 194/195) contém com clareza o conjunto de circunstâncias fáticas, as hipóteses de incidência dos tributos lançados (motivo e motivação). Como se verá mais adiante no mérito, a sua insurgência é em relação a questão probatória, onde questiona o porquê dos elementos apresentados por ela como origem do valor questionado não foi aceito pelo fiscal para fazer a prova pretendida pelo Contribuinte. Tal questionamento nada tem a ver com imprecisão no enquadramento da autuação, nem há que se falar em ausência dos elementos essenciais à exata descrição da infração, como alegado. Por conseguinte, as razões de mérito suscitadas em sede preliminar serão enfrentadas como se mérito fossem. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade. MÉRITO A infração de omissão de receitas foi caracterizada pela não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos movimentados em contacorrente, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. 1 – OMISSÃO DE RECEITAS POR ORIGEM NÃO COMPROVADA A Recorrente foi intimada a comprovar através de documentação hábil e idônea a origem desses valores e o fez através contrato de mútuo, como mutuante recebendo valores anteriormente emprestado; a empresa ligada (sócio em comum), nos termos do TVF: Após análise da documentação pela fiscalização, através do Termo de Constatação Intimação Fiscal n° 271/2012/005, datado de 05/02/2013 a fiscalizada foi intimada (AR correios, datado de 13/03/2013) a comprovar com documentação hábil e idônea (art. 849 Regulamento do Imposto de Renda), a origem do depósito na data e valor em sua conta bancária n° 00546666, agência 0223, Banco Bradesco S/A abaixo relacionado: DATA VALOR R$ C HISTÓRICO 11/02/10 3.500.000,00| C DEP DINHEIRO . Em resposta, foi apontado pela fiscalizada a ORIGEM do crédito de R$ 3.500.000,00 (Três mil e quinhentos reais), ocorrido em sua conta corrente 00546666 no banco Bradesco, agência 02232, recebido através de Fl. 418DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 418 12 cheque número 18624, da mesma agência bancária, da Empresa Corso & Cia. Ltda, CNPJ. n° 59.765.651/000115, como sendo parte de pagamento de contrato de mútuo. 6. Juntou ainda: cópia de cheque nominal no mesmo valor emitido pela empresa Corso, cópia de Novação de contrato de mútuo datado de 30/11/2009 entre a fiscalizada (mutuante) e a empresa Corso & Cia. Ltda (mutuária), bem como do livro caixa da empresa ícone folhas 6 com a identificação do lançamento de R$ 3.500.000,00; 7. Conforme dispõe o item 1 da Novação de Contrato de mútuo, a fiscalização observou que a fiscalizada procedeu empréstimo anteriores, inclusive elaborando outros contratos entre ambas. Assim sendo, a fiscalizada foi intimada para comprovar a efetividade dos empréstimos com a apresentação dos contratos de mútuo anteriormente realizados entre as empresas Mutuário (Corso & Cia Ltda) e Mutuante (Fiscalizada), juntamente com a comprovação efetiva da transferência de numerários (empréstimo) coincidentes em datas de valores anteriores a 30/09/2009. Como exemplo: cópia de extratos bancários, cópias de cheques ao mutuário, documento (s) de ordem de crédito (DOC) etc..., que devem totalizar a quantia de R$ 6.500.000,00 emprestada para a empresa Corso & Cia. Ltda. Registrese, que conforme verificouse nas informações das Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregues à Receita federal do Brasil pela fiscalizada, esta mantém registros dos valores em Contas a receber desde o anocalendário de 2003 até 2010: Anoscalendário Valores R$ DIPJ/Contas Contas a receber 2003 650.000,00 2004 3.160.000,00 2005 5.160.000,00 2006 2007 7.000,000,00 2008 7.000.000,00 6.500'000,00 2010 3.000.000,00 Diante da apresentação de toda documentação protocolada pela fiscalizada na Agência da Receita Federal do Brasil em São João da Boa Vista/SP, e encaminhada à Delegacia da Receita Federal em Limeira Sefis, passamos aos seguintes relatos: 9.1. Que nas "Novações de Contratos de Mútuo" (doe 2 e 3) e '"Contratos de Mútuo Mercantil (doc 6, 09 e 10), apresentados pela fiscalizada à fiscalização, o sócio Ivander Corso, CPF. número 199.725.478 68, é sócio proprietário da ícone Comércio e Representações Ltda e da empresa Corso & Cia. Ltda. e é quem assina os contratos como mutuante e mutuária respectivamente, acompanhado pelas assinaturas das testemunhas Izaias José Pinto Filho, CPF número 407.079.97887 (contador das empresas) e José Carlos de Souza; 9.2. Que no documento da fiscalizada datado de 22/03/2013 encaminhado à fiscalização, letra a. embora afirme a origem do contrato de Fl. 419DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 419 13 mútuo apresentado no Termo de Constatação anterior (doc.02) no valor de RS 6.500.000,00 datado de 30/11/2009 tem origem anterior na Novação de Contrato de Mútuo datado de 30/11/2006 (doc. 03) no valor de RS 6.600.000,00", deixou de apresentar documentos que comprovam a efetividade dos empréstimos para a empresa Corso & Cia. Ltda até está última data (Ex: documento de ordem de crédito, cópia de depósito bancário, documento de transferência etc.) e limitouse a apresentar outro documento intitulado de Novação de Contrato de Mútuo (doc 03) datado de 30 de novembro de 2006; 9.3. Que a fiscalizada deixa de atender e comprovar os empréstimos e/ou transações financeiras dos seguintes valores para Corso & Cia. Ltda em datas anteriores a 30/06/2006: Anoscalendário Valores R$ DIPJ/Contas Contas a receber 2003 650.000,00 2004 3.160.000,00 2005 5.160.000,00 2006 * 6.6oo;ooo, (...) QUE A FISCALIZADA (DOC 5), RESTRINGIUSE A APRESENTAR EM DATAS POSTERIORES À 30/06/2006, CÓPIAS DE MAIS 3 CHEQUES DE SUA EMISSÃO PARA A MUTUÁRIA, TOTALIZANDOSE R$ 1.400.000,00, E 3 (TRÊS) DEPOSITADOS EM SUA CONTA, COM CHEQUES DE EMISSÃO DA EMPRESA CORSO & CIA. LTDA NOS VALORES DE R$ 500.000,00 CADA, DATADOS DE 04/06/2008; 01/09/2008 E 15/07/2009, TOTALIZANDOSE R$ 1.500.000,00; DATAS VALORES DÉBITOS VALORES CRÉDITOS 31/10/2007 400.000,00 04/06/2008 500.000,00 01/09/2008 500.000,00 10/10/2008 •: 500.000,00 28/11/2008 500.000,00 15/07/2009 500.000,00 TOTAIS 1.400.000,00 ........... 1.500.000,00 A Fiscalização, subsidiariamente, elencou ainda dois argumentos que corroboram para a inexistência do referido mútuo: 9.9. Que houve ausência de registro em cartório dos contratos de mútuo contraria o disposto do artigo 221 do Código Civil, que servem para garantir, a autenticidade .e e eficácia dos atos e negócios jurídicos. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 420 14 (...) 9.11. Que é inegável que, no caso em tela, a Fazenda Pública está na posição de terceiro, pois a efetividade ou não da operação, supostamente contratada, tem reflexos diretos na apuração dos tributos. A comprovação da efetividade das transações descritas nos instrumentos particulares afastaria a acusação de omissão de receita. Além disso, tais contratos teriam o escopo de fundamentar os lançamentos contábeis. (...) A falta de concretização do mútuo é corroborada pela ausência de pagamento referente ao IOF (Operações sobre Operações Financeiras), por exemplo nos citados dois empréstimos de R$ 500.000,00 cada dos dias 10/10/2008 e 28/11/2008 (item 9.6 acima), conforme dispõe o artigo 7o da Instrução Normativa RFB n° 907, de 9 de janeiro de 2009 (Lei n° 9779, de 19 de janeiro de 1999), que deveriam ser liquidados caso esses empréstimos realmente tivessem ocorrido; Empréstimos Concedidos e Devolução desses Empréstimos(Recorrente como Mutuaria) Fundamentalmente, o fiscal autuante e a DRJ descaracterizaram os contratos de mútuo em função de questões materiais e, subsidiariamente, reforçando o aspecto material, por questões formais. Em relação ao aspecto material, que a meu ver, é o que prepondera, apesar de o fiscal ter demonstrado inicialmente que o contribuinte não se desincumbiu de provar a origem dos recursos através de contrato de mútuo, pois não demonstrou nesse caso, o que era de mais importante, a efetividade da entrega dos recursos da mutuante (empréstimo) para mutuaria, em sede impugnatória e recursal a Recorrente logra êxito em fazêlo, complementando uma prova que já constava na contabilidade, mas ainda carecia de elementos probantes mais fortes. Nesse importante aspecto, repitase aqui o TVF, ressaltou que a Recorrente deixou de apresentar os documentos que efetivamente atestariam a efetividade dos empréstimos à empresa Corso & Cia Ltda (: documento de ordem de crédito, cópia de depósito bancário, documento de transferência): Que no documento da fiscalizada datado de 22/03/2013 encaminhado à fiscalização, letra a. embora afirme a origem do contrato de mútuo apresentado no Termo de Constatação anterior (doc.02) no valor de RS 6.500.000,00 datado de 30/11/2009 tem origem anterior na Novação de Contrato de Mútuo datado de 30/11/2006 (doc 03) no valor de RS 6.600.000,00", deixou de apresentar documentos que comprovam a efetividade dos empréstimos para a empresa Corso & Cia. Ltda até está última data (Ex: documento de ordem de crédito, cópia de depósito bancário, documento de transferência etc.) e limitouse a apresentar outro documento intitulado de Novação de Contrato de Mútuo (doc 03) datado de 30 de novembro de 2006; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 421 15 9.3. Que a fiscalizada deixa de atender e comprovar os empréstimos e/ou transações financeiras dos seguintes valores para Corso & Cia. Ltda em datas anteriores a 30/06/2006: Anoscalendário Valores R$ DIPJ/Contas Contas a receber 2003 650.000,00 2004 3.160.000,00 2005 5.160.000,00 2006 * 6.6oo;ooo, Cabe salientar que não é um indício isolado trazido pelo fisco que é determinante para desconstituir “a prova” trazida pela Recorrente, digase de passagem. Nesse sentido, o descumprimento do recolhimento do IOF ou a falta do registro dos contratos de mútuo, por si sós, no caso em que ela assume o papel de mutuaria, não invalida o contrato de mútuo, mas em havendo a efetividade dos recurso, esse fato pode contar em favor da Recorrente, como foi o caso. Porém a Recorrente demonstra a origem dos depósitos. O depósito bancário em questão tem como prova de sua origem o cheque emitido pela Corso & Cia Ltda como devolução de empréstimo anteriormente pactuado. A fiscalização, como já se disse, considerou como não provada a devolução do mútuo que havia sido pactuado entre as contratantes, pois a efetividade do empréstimo feito em anos anteriores não foi provado com documentação hábil e idônea. De fato, a versão da Recorrente tem que ser coerente. Só há devolução de empréstimo se tiver havido empréstimo anteriormente. E para haver empréstimo primeiro tem que se provar que a efetividade desse empréstimo feito anteriormente foi comprovada. E isso foi feito em sede impugnatória e olvidado pela DRJ. Nesse ponto, trago à baila a defesa da Recorrente que muito bem identificou esse ponto: “(...) Observase que, com o devido respeito, não foi dada a melhor solução ao litígio. Os contratos de mútuo, embora não registrados em cartório, são válidos e existentes. O negócio neles documentado configura, pois, ato jurídico perfeito que foi ilegalmente violado pelo Fisco. Fito que comprova isso foi o afastamento da acusação de simulação: não havendo prova de sua falsidade, é plenamente válido! (...) O art. 42 da Lei n° 9.430/96, exige a comprovação da origem dos recursos carreados para os depósitos bancários. Essa prova foi feita: a cópia do cheque emitido pela empresa Corso representa a origem do recurso depositado. Com a apresentação dessa prova, fica esvaziada a presunção legal do referido artigo, o que acarreta a improcedência das autuações nela centrada. O depósito bancário em questão, portanto, tem como prova de sua origem o cheque emitido pela Corso & Cia Ltda. Cabe a pergunta: por que então o Fisco não acolheu essa prova? Isso não está evidenciado, pelo menos com a clareza necessária, nos termos fiscais. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 422 16 Sendo assim, para que nada fique sem resposta, é preciso levantar algumas hipóteses. Parece que o ilustre autuante, embora tenha atestado que o questionado depósito bancário teve como origem a compensação do cheque emitido Corso & Cia Ltda, não ficou convencido da neutralidade fiscal dessa operação. Isso porque não admitiu como provada a devolução do mútuo que havia sido pactuado entre as contratantes, que é causa material do valor entregue pela citada empresa. Para tanto, recusou admitir a efetividade desse negócio com base na seguinte objeção: o contrato de mútuo não foi levado a registro no Cartório. Vale dizer: sem esse registro, a eficácia do contrato de mútuo não pode ser homologada. Nesse particular, a r. decisão recorrida prestigiou o trabalho fiscal. Porém de forma contraditória, pois afastou a multa qualificada que tem a insinuação da prática de simulação do referido mútuo. Ora, sabidamente, o registro público dos contratos tem a função exclusiva de atribuição de publicidade aos instrumentos particulares. Essa publicidade tem a finalidade de proteger o ato contra terceiros e garantir que seu não conhecimento não se torne uma escusa em casos de conflito. Não é porque o contrato não se tornou público que o Fisco tem a legitimidade de fingir que ele não existe. Aliás, no trato comercial e empresarial, uma ínfima parte dos instrumentos particulares é levada ao registro público, e nem por isso o Fisco fica legitimado a ignorálos ou desconsiderálos quando bem entender. Mas não é só! Os contratos não são os únicos documentos que comprovam a origem do depósito. Tratase, deveras, de um conjunto de provas dentro do qual estão contidos extratos bancários, cheques, livros contábeis, declarações fiscais e. aditivamente, os contratos de mútuo. No caso concreto, a ausência do registro do aludido contrato não a invalida e nem retira a sua eficácia, pois eles existem, são válidos, eficazes e fazem parte de um conjunto de provas que, como visto, é composto por lançamentos contábeis, declarações fiscais, extratos bancários e cheques. Deveras, no Termo de Intimação de 05/02/2013, no seu item 2, o ilustre Agente Fiscal observou que a intimada "juntou cópia de cheque nominal no mesmo valor emitido pela empresa Corso, cópia de Novação de contrato de mútuo datado de 20/11/2009 entre a fiscalização e a empresa Corso & Cia JLtda, bem como livro caixa folhas 6 com a identificação do lançamento". E mais: a cópia do cheque emitido pela empresa Corso & Cia Ltda representa a prova definitiva da origem do recurso depositado na conta do Banco Bradesco da titularidade da Recorrente. A Recorrente trouxe provas da efetividade desses empréstimos através de contratos de mútuo dos anos anteriores (fls. 257/292, 294/325) acompanhados dos extratos e cheques da Ícone para a Corsos & Cia totalizando o valor de 6.620.000,00 (fls. 294/325): R$ 650.000,00 (2/10/2003), 130.000,00(06/01/2004), 1.600.000,00 (8/03/2004), 300.000,00(25/10/2004), 500.000,00(27/10/2004), 2.000.000,00(29/07/2005), 340.000,00(06/11/2006), 1.100.000,00 (07/11/2006). Além do que tais empréstimos também encontramse registrados em sua contabilidade, (fls. 144/239) contas a Receber e DIPJs (fls. Fls. 57/63, 257), inclusive conforme consignado pelo Fiscal. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721195/201331 Acórdão n.º 1401001.287 S1C4T1 Fl. 423 17 Tirante esse fato (efetividade dos empréstimos) superado, o que se sobressai de todo o contexto da autuação, na verdade é que o fiscal autuante deixouse impressionar também com o fato de os contratos de mútuo não terem sido registrados em cartório, mas com já se disse e é reconhecido pacificamente na jurisprudência administrativa, que isso por si só não invalida o contrato nem muito menos o torna simulado. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário, ficando prejudicado a análise do recurso de ofício. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear cancelamento das exigências lançadas por via reflexa, Por todo o exposto, rejeitos as preliminares de nulidade e, no mérito dou provimento ao recurso voluntário, restando prejudicado a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 424DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10480.908699/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 99 /2 00 9- 01 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908699/200901 Acórdão n.º 3801004.668 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.720528/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu. Por bem relatar, adoto o relatório de fls.11.279 a 11.284, dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto da relatora Andréa Luiza Vasconcelos Mendes, nos seguintes termos: “O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de R$ 39.231.099,87 e R$ 8.857.142,26 a título de, respectivamente, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos em: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007. A essas importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 52 8/ 20 12 -5 7 Fl. 11515DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 32 2 Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL verifica se que as infrações consistem de INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, insuficiência que se deu em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto, e de OMISSÃO DE RECEITA sujeitas à contribuição para o PIS e da Cofins. Do Relatório Fiscal Consta que a ação fiscal teve início para analisar os Pedidos de Ressarcimento – PER de PIS/Pasep e Cofins da Perdigão Agroindustrial S/A, tratados nos processos 16349.000283/200935, 16349.000275/200999, 16349.000284/200980 e 16349.000276/200933. Relata a autoridade fiscal que, em 09 de março de 2009, a Perdigão Agroindustrial S/A foi incorporada pela Perdigão S/A, CNPJ nº 01.838.723/000127, e que o nome empresarial da companhia foi alterado para BRF – Brasil Foods ª. Acrescenta que, em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante arts. 129 e 132 do Código Tributário Nacional. Desta forma, os créditos tributários lançados de ofício nos autos de infração anexos têm, como sujeito passivo da obrigação, a pessoa jurídica da BRF Brasil Foods S/A. Destacar, também, que a BRF Brasil Foods S/A foi intimada de todos os atos de ofício na qualidade de sucessora. Glosas de créditos utilizados por meio de desconto no Dacon Nos autos de infração de que aqui se trata foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, para os segundo e terceiro trimestres de 2007, que restaram inadimplidas em razão da redução dos créditos passíveis de utilização por meio de desconto, redução decorrente das glosas de valores da base de cálculo do crédito apurada pela contribuinte, tratadas nos despacho decisório dos processos 16349.000283/200935, 16349.000275/200999, 16349.000284/200980 e 16349.000276/200933, os quais foram anexados aos autos do presente processo. Em relação ao quarto trimestre a autoridade fiscal informa que a contribuinte não apresentou PER/DCOMP que, desta forma, os créditos de PIS e Cofins disponíveis para desconto nos meses de outubro a dezembro foram revistos de ofício, dentro do procedimento de fiscalização, e que os relatórios com as glosas, elaborados nos mesmos moldes do despacho decisório dos trimestres anteriores, estão anexos ao presente termo (Anexo I, Anexo II). Conforme relatado nos despachos decisórios dos mencionados processos e nos Anexo I e Anexo II, a redução dos créditos a descontar se deu em razão da exclusão, da base de cálculo dos créditos, dos seguintes valores: 1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 das fichas 06A e 16A a. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/Pasep e COFINS; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “03NF Glosadas Alíquota zero” ; b. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem 01NFGlosadas Não Representam Aquisição de Insumos; bens como Refeição e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo; 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 das fichas 06A e 16A a. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março Fl. 11516DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 33 3 de 2004; bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como SERVIÇO CONSTRUCAO CIVIL IMOBILIZADO, pallet de madeira, camiseta, Refeição, Café com leite e Café puro foram excluídos da base de cálculo; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos” ; b. despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, que não geram créditos a teor art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; foram glosados os lançamentos relativos a SERVIÇO FRETE E CARRETO; cada um dos conhecimentos glosados está especificado na listagem “04NF Glosadas – Fretes de Transferência de produtos acabados” ; c. aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “03NF Glosadas Alíquota zero” ; d. notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “02NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)” ; e. notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins, no caso, milho (NCM 1005.90.10) e soja a granel (NCM 1201.00.90) e outros produtos agropecuários, a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “11NF Glosadas – Aquisição PJ – Suspensão obrigatória” ; 3. Serviços Utilizados como Insumos Fichas 06A e 16A Linha 03 –a. as aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; foram glosados os valores das aquisições com descrições do tipo serviço de processamento de resíduos, serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos” ; b. notas fiscais com CFOP que não representam aquisição de serviços (1556), especificadas na listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP) e notas relativas a milho a granel, sem CFOP ou com CFOP 2933, o que não se enquadram no conceito de serviços utilizados como insumos, mas que estão especificadas na listagem 11NF Glosadas – Aquisição PJ – Suspensão obrigatória; 4. Fichas 06A e 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na operação de Venda – foram glosados valores das Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito e pagamentos relativos a SERVICO PORTUARIO e outros, que não se enquadram no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos” ou “02NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”. Também foram glosados os valores informados a título de: 5. Créditos Presumidos – Linha 25 Atividades Agroindustriais A autoridade fiscal informa que a maioria das incorreções apresentadas é relativa à interpretação da legislação com relação à aquisição de insumos beneficiados com crédito presumido, onde a empresa apropriou créditos à alíquota de 60% de da alíquota normal das contribuições para insumos que não se enquadram nas condições da legislação (0,99% para o PIS e 4,56% para a Cofins). Tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, acima transcrito e apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. A aquisição de insumos que não se classifiquem nos citados capítulos e posições recai no inciso II, onde no cálculo do crédito a ser apropriado deve ser adotado 35% das alíquotas normais das contribuições (0,5775% (PIS) e 2,66% (Cofins)), ou no inciso III (demais), onde no cálculo do crédito a ser apropriado deve ser adotado 50% das Fl. 11517DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 34 4 alíquotas normais das contribuições (0,825% e 3,8%). Todos os animais vivos listados nas planilhas abaixo são classificados no capítulo 01 da NCM, milho e sorgo no capítulo 10, soja no capítulo 12 e os demais itens também não atendem às condições para creditamento pela alíquota de adotada pela contribuinte. As notas fiscais estão devidamente individualizadas na listagem 05Credito presumido – detalhe. O valor reconhecido foi informado na linha 26 do Dacon, às alíquotas 0,5775% ou 0,825 (PIS) e 2,66% ou 3,8% (Cofins). 6. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos linha 02 das fichas 06B e 16B foram glosados os valores: a. das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; todos os casos em que foram considerados não enquadrados no conceito de insumo foram listados na listagem “01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos” (ficha 6B, linha 2); b. os valores das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; estão na listagem “02NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”. Omissão de receita Também foram lançados valores da Contribuição para o PIS e da Cofins não declarados em DCTF. A omissão de receitas se deu em razão: a) de a impugnante ter deduzido, indevidamente, da base de cálculo da contribuição devida no período, a título de "descontos incondicionais", valores que não consistem deste tipo de desconto, mas se referem a despesas de propaganda (“Aprop. Angeloni E Cia Ltda 02/2007 Propaganda”) e condicionados ao desempenho das vendas daquele cliente; b) de a impugnante ter excluído, indevidamente, da base de cálculo da contribuição devida no período, as receitas de crédito presumido de ICMS. Do controle dos saldos Tendo em vista os autos de infração e os despachos decisórios relativos ao ano de 2006 e ao 1º trimestre de 2007, os saldos iniciais das fichas 14 e 24 (linha 01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores) são nulos em todos os tipos de crédito. Por conta das glosas realizadas nos despachos decisórios mencionados no início deste termo, bem como as infrações apuradas neste Termo de Verificação Fiscal, resultaram nulos os saldos finais das linhas 11 (CRÉDITO REMANESCENTE), nas fichas 14 e 24 do Dacon, em todos os tipos de crédito. Da Impugnação Glosas de créditos a descontar Preliminar Nulidade do lançamento A recorrente, preliminarmente, alega a nulidade do despacho decisório em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da contribuinte. Nesse sentido alega que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em Fl. 11518DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 35 5 seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo”. Em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega também o cerceamento de defesa, e, em consequência, a violação ao devido processo legal administrativo. Além disso, como uma alegação comum a contra a maioria das glosas, coloca o fato de o auditor não ter discriminado todos os itens glosados em seu relatório e não terlhe sido fornecido, junto ao despacho decisório, as listagens/planilhas dos itens glosados, o que teria cerceado o seu direito à ampla defesa, eivando de nulidade o feito fiscal. Aponta, ainda como outros motivos de nulidade do lançamento de ofício: cerceamento de defesa e violação ao devido processo legal administrativo, isto em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação; não cumprimento do art. 9° do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que as notas fiscais dos itens glosados não foram juntadas aos autos e nem lhe foram entregues junto ao auto de infração. Inconstitucionalidade das leis e ilegalidade das IN Segue apontando a inconstitucionalidade das leis que regem o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS e da Cofins. Nesse sentido: ressalta ser impossível, a partir da constitucionalização da não cumulatividade para o PIS e Cofins, pela Emenda Constitucional n. 42/2003, a restrição de créditos pelo legislador infraconstitucional, já que o papel do legislador perante a Constituição é de aplicador; aduz que em sendo a matriz constitucional de tais contribuições a receita, a não cumulatividade e o sistema de abatimento de créditos necessariamente deve restar atrelado também a esta e como a noção de receita no regime não cumulativo é ampla, amplos serão também os reflexos de sua noção na não cumulatividade para o PIS e COFINS para o reconhecimento de créditos; e conclui que o postulado adotado diz respeito à supremacia da Constituição. Em razão disso, há de se entender que resta impossível à legislação infraconstitucional restringir, sobremaneira, tal princípio e, por conseguinte, os créditos de PIS e Cofins. Passa, então, a alegação de ilegalidade das Instruções Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 ao restringir, tendo como fundamento a legislação de IPI, o conceito de insumo estabelecidas pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em síntese, discorre sobre a não cumulatividade no âmbito da tributação das contribuições para demonstrar que, nos termos das leis, o crédito deve ser considerado sobre os insumos em geral, sem as restrições postas pelas mencionadas IN, considerando como tal todos os “dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio ou serviços) visando à obtenção de receita”. Glosas de valores da base de cálculo do crédito Como razão de contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal, a interessada coloca que todas seriam improcedentes por ter a autoridade fiscal se pautado em critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, sendo, todos legítimos, eis que contribuem de forma direta ou indireta visando o exercício da atividade econômica da impugnante a fim de obter receita. São inclusive necessárias e inerentes à atividade. Menciona que exerce atividade econômica submetida a diversos tipos de controles e exigências de órgãos públicos, como, por exemplo, ANVISA, MINISTÉRIO DA Fl. 11519DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 36 6 AGRICULTURA, SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, o que reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo e que não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. Acrescenta que a noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente. Ficha 06A e 16A linha 01 Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda Em relação a esta glosa, a recorrente alega que, a teor do art 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, a regra é que as aquisições de mercadorias para revenda geram créditos, regra excetuada em apenas duas situações, nas quais as aquisições glosadas não se enquadram, quais sejam: a) quando as contribuições forem exigidas da vendedora na condição de substituta tributária e venda de álcool para fins carburante (art. 1º, §3º, incisos III e IV) ; b) para produtores ou importadores de diversas mercadorias constantes do §1º, incisos I a IX do art. 2º. Defende ainda que, além de não haver vedação legal ao crédito, o art. 17 da Lei nº 11.033/04 expressamente prevê a manutenção, a partir de 06/08/2004, de créditos no caso de venda efetuada mediante alíquota zero – no regime monofásico. Fichas 06A e 16A Linha 02 bens utilizados como insumos Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Inicialmente a recorrente alega que a glosa foi realizada de forma “genérica”, pelo que alega cerceamento de defesa e ausência de motivação. Afirma que os itens glosados – cita cimento de 50 Kg, secador de mãos e pallets dão direito a crédito por consistirem de produtos utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo. Em síntese, explica que: o cimento é utilizado na manutenção do parque fabril; o secador de mãos é equipamento que fica na entrada da fábrica e é utilizado na limpeza e higienização das pessoas que entram na fábrica onde se manipula alimentos. Ao tratar dos paletes diz: O pallet e demais produtos glosados e não identificados em relatório são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. [...]Portanto, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA. Acrescenta que, mesmo que não se acolha a interpretação de que se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003, que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria. Pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa Em relação aos serviços de frete, inicialmente, aponta a necessidade de realização de perícia ou diligência a fim de segregar, caso não se acolha todos os créditos, o que seria frete na aquisição de insumos daqueles decorrentes de transferência entre estabelecimentos. Explica que, por entender que todos os fretes descritos dariam direito a crédito não fez qualquer Fl. 11520DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 37 7 segregação. Assevera, então, que a perícia ou diligência seriam fundamentais em cumprimento à legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e verdade material, considerando que a fiscalização, conforme relatório, glosou todos os fretes por amostragem. Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo, como segue: 1. frete com a aquisição de matériaprima para fabricar ração (exemplo grãos) ; 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4.a. há industrialização com emprego de tais matériasprimas; 4.b Durante o processo de industrialização, é totalmente comum que uma unidade envie seu produto final (exemplo, peito de frango) ao outro estabelecimento, o qual é utilizado como insumo na elaboração de um produto industrializado (um empanado, por exemplo) ; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. [...]Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção. Conclui que “o processo produtivo da impugnante não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes”, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero Reclama de nulidade, ou “na pior da hipótese, fundamental perícia e diligência no presente caso concreto” pois não houve a identificação das operações. Aponta a obrigatoriedade da “juntada de todas as notas pelo Fisco e a entrega de cópias, com a notificação, ao contribuinte”. A interessada, primeiro, alega que “diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas” ; cita como “provável” item glosado indevidamente o manjericão. Defende, ser de rigor, manter os créditos de todos os produtos glosados que não constam do mencionado art. 1º. Segundo, que, em se tratando de “aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, provavelmente glosado, entre outros)” que se enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei n. 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, impossível se torna excluir o crédito (mantendose pelo menos o presumido), pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925. Por fim, defende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A recorrente alega nulidade argumentando que a fiscalização não fez menção a um item sequer, mesmo que forma exemplificativa, e não houve “a entrega junto Fl. 11521DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 38 8 com o lançamento da planilha e documentos onde se comprovam tais itens (em especial as notas fiscais glosadas), permitindo o exercício da ampla defesa pela impugnante”. Assevera que, sem embargos disso, não resta dúvida quanto à legitimidade dos créditos, que “tendo em vista os critérios adotados pela impugnante, são caracterizados pela utilidade, inerência e relevância no processo produtivo”. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins Reclama de nulidade do feito fiscal, pois não houve a identificação das operações e nem a prova de que ocorreram com suspensão. Aponta a obrigatoriedade da “juntada de todas as notas pelo Fisco e a entrega de cópias, com a notificação, ao contribuinte”. Quanto ao mérito, a recorrente defende que o crédito integral há de ser mantido uma vez que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma que a Lei nº 10.925/2005 somente é aplicável, nas condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que, podese concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Caso seus argumentos não sejam acatados, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Fichas 06A e 16A Linha 03 serviços utilizados como insumos Ressalta, inicialmente, que o relatório fiscal somente menciona serviço de processamento de resíduos, serviços de vigilância ou de despachante aduaneiro, entre outros, “sendo que não houve entrega com o lançamento da planilha e documentos comprobatórios de outros itens glosados”. Em relação aos itens descritos como serviço de processamento de resíduos, defende o direito ao crédito em razão de os valores glosados se referirem a serviços “totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da impugnante” e que, apesar de não serem consumidos ou transformado em produto final (alimento), são de “fundamental importância e obrigatoriedade na atividade industrial” que desenvolve. Assevera, então, que todos os bens e serviços adquiridos que tenham como finalidade a higiene, limpeza e desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação dos órgãos públicos de controle, devem ser considerados como insumo, em especial, aqueles exemplificativamente citados na glosa (serviço de processamento de resíduos). Quanto aos demais serviços citados, defende a legitimidade do crédito com base na sua relevância à atividade empresarial. Fichas 06B e 16B Linha 02 bens utilizados como insumos A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que a Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Pasep na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Em relação às aquisições de peças e máquinas, acrescenta que são bens que claramente a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade Fl. 11522DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 39 9 produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551, 3556 e 3949, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. No mérito, alega: há previsão legal que permite crédito de PIS e Cofins para a hipótese de aquisição de ativo imobilizado, salvo se usado, o que não é o caso dos autos; em relação aos demais itens glosados (uso e consumo e outros), a noção ampla de insumo ligada à inerência, essencialidade e qualidade permite a tomada de créditos. A recorrente tem como encerrada a questão do direito ao crédito em relação a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos e passa às demais glosas. Fichas 06A e 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Em relação às notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, a recorrente novamente inicia alegando nulidade do feito fiscal em razão de não ter sido justificada a glosa, no sentido de “explicar e dizer quais seriam as hipóteses de notas que não representam aquisição nem operação com direito de crédito..., especialmente, quando não se entregou juntamente com o lançamento eventual planilha e documentos comprobatórios”. Sustenta a legitimidade dos créditos “conforme razões já expostas na defesa” e aduz que como não se tem adequada fundamentação e descrição, há a impossibilidade de aprofundamento a fim de justificar eventuais itens glosados. No mais, alega que, embora não saiba “exatamente o que foi glosado e as razões”, há que reconhecer que o frete na venda e armazenagem “inclui as despesas aduaneiras e portuária em geral”. Como despesas integrantes das despesas com armazenagem cita: energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamento, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação BL, serviços portuários, entre outros. Acrescenta que a despesa portuária, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também pode ser tida como a continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. Fichas 06A e 16A – Créditos Presumidos das atividades agroindustriais Em relação aos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais, a contribuinte afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Omissão de receita Descontos incondicionais A impugnante contesta os valores lançados alegando que houve operação com descrição contábil, emissão de nota fiscal e inclusão na Dacon como descontos incondicionais (ou bonificações). Sendo assim, os Fl. 11523DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 40 10 lançamentos contábeis e obrigações acessórias fazem prova em favor do impugnante, na medida em que o ônus é do Fisco em comprovar cabalmente que determinada operação é tributável por PIS e Cofins, nos moldes do art. 142 do Código Tributário Nacional. Afirma que inexistiu prova e demonstração cabal de que todas as operações tributadas não seriam descontos incondicionais. Simplesmente, elencou todos os códigos de operação lançados como desconto incondicional e tributo por presunção sem previsão legal. Crédito presumido de ICMS A impugnante, em sua defesa, inicialmente, alega a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal não teria indicado, em seu relatório: quais as subvenções cujos valores incluiu na base de cálculo da contribuição, ou seja; “não elencou os créditos presumidos (que Estados) de ICMS que inseriu na receita”. Alega que o fiscal também não trouxe o fundamento e a justificativa para o entendimento de que tais créditos seriam de custeio, quando, em verdade, consistem de “subvenções para investimento” ; alega que “devese partir da premissa de que estamos em 2007 e as alterações da Lei n. 11.638/2007 de forma alguma repercutirão no caso concreto”. No mérito, alega que o crédito presumido de ICMS não pode ser caracterizado como receita, mas mero ingresso, a teor de “entendimento pacífico do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA”. Juros de mora Alega que os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado dos juros de mora calculados à taxa Selic. Contesta a exigência juros de mora (à taxa Selic) sobre a multa de ofício aplicada nos presentes autos de infração, com fundamento no art. 61 da Lei n° 9.430/1996, pois tal dispositivo legal assim não autorizou; nesse aduz que o legislador estabeleceu a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições (que é uma espécie do gênero tributo), não pagos em seu vencimento. Multa de ofício A impugnante alega ser improcedente a multa de ofício lavrada, pelo seu caráter confiscatório. No mais, alega que os fatos foram praticados pela Perdigão Agroindustrial S/A, cuja incorporação se deu em 09/03/2009 pela Perdigão S/A, a qual alterou sua denominação social para BRF em 08/07/2009 e que, por conseguinte, a multa de ofício não pode ser dela exigida, por força dos arts. 132 e 133 do CTN, bem como pelo princípio de direito sancionador de que a pena não pode ultrapassar o seu infrator. Reclama, ainda, que a multa aplicada ofende os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, sendo forçoso seu cancelamento. Diante disto, só para argumentar, esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 61, § 25, da Lei n. 9.430/96, retificando se o auto de infração lavrado. Do Pedido Requer que seja julgada procedente a presente impugnação a fim de reconhecer a nulidade do lançamento, ou, no mérito, sua total improcedência, conforme razões aduzidas. Ao final, pugna pela prova pericial destinada a avaliar, especialmente, se os bens, produtos, serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da Fl. 11524DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 41 11 peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Da diligência O processo foi baixado em diligência para que autoridade administrativa se manifestasse em relação à não inclusão nos cálculos saldos de crédito algumas compensações formalizadas pela empresa sucedida. A DRF informou que houve a devida compensação de valores e que os saldos finais das linhas 11 nas fichas 14 e 24 dos Dacon (CRÉDITO REMANESCENTE) são realmente nulos, em todos os tipos de crédito. Restando, assim, nenhum saldo credor a ser transferido à sucessora BRF Brasil Foods S/A. A BRF Brasil Foods S/A, cientificada da informação fiscal, contra esta não se manifestou. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0732.690 de fls. 11.279 a 11.284 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EVENTO SUCESSÓRIO. RESPONSABILIDADE. Cabível é a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando se verifique que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. Fl. 11525DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 42 12 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo impugnante por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE. Para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição, ao contribuinte cabe comprovar a natureza dos valores desta excluídos, conforme por ele lançados em sua escrituração contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 11526DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 43 13 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de venda de produtos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º na mesma IN. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NA VENDA. VEDAÇÃO DE TOMADA DE CRÉDITO. As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permitem a tomada de créditos pelo adquirente. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. NÃO CUMULATIVIDADE. PEÇAS E PARTES DE MÁQUINAS. ACRÉSCIMO DA VIDA ÚTIL DA MÁQUINA. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO DE BEM DO ATIVO IMOBILIZADO. Se da substituição de partes e peças de máquinas utilizadas diretamente na produção resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição da respectiva máquina, as despesas de aquisição correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, caso em que haverá direito a crédito pelos encargos de depreciação. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTOS INCONDICIONAIS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS A teor da legislação de regência, apenas os descontos incondicionais, assim entendidos aqueles que o contribuinte comprove não dependerem de evento futuro, é que podem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. BASE DE CÁLCULO Por ausência de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito Fl. 11527DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 44 14 presumido do ICMS, concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal, constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de venda de produtos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e III utilizar O produto adquirido com Fl. 11528DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 45 15 suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º na mesma IN. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NA VENDA. VEDAÇÃO DE TOMADA DE CRÉDITO. As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permitem a tomada de créditos pelo adquirente. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. NÃO CUMULATIVIDADE. PEÇAS E PARTES DE MÁQUINAS. ACRÉSCIMO DA VIDA ÚTIL DA MÁQUINA. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO DE BEM DO ATIVO IMOBILIZADO. Se da substituição de partes e peças de máquinas utilizadas diretamente na produção resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição da respectiva máquina, as despesas de aquisição correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, caso em que haverá direito a crédito pelos encargos de depreciação. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTOS INCONDICIONAIS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP A teor da legislação de regência, apenas os descontos incondicionais, assim entendidos aqueles que o contribuinte comprove não dependerem de evento futuro, é que podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Por ausência de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS, concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal, constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, rebatendo a decisão recorrida: É o relatório. Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Segundo consta no relatório fiscal acima relatado: Nos autos de infração de que aqui se trata foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, para os segundo e terceiro trimestres de 2007, que restaram Fl. 11529DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.720528/201257 Resolução nº 3101000.401 S3C1T1 Fl. 46 16 inadimplidas em razão da redução dos créditos passíveis de utilização por meio de desconto, redução decorrente das glosas de valores da base de cálculo do crédito apurada pela contribuinte, tratadas nos despacho decisório dos processos 16349.000283/200935, 16349.000275/200999, 16349.000284/200980 e 16349.000276/200933, os quais foram anexados aos autos do presente processo Assim, diante da questão prejudicial, o presente julgamento do lançamento de ofício derivado da negativa a pleito de ressarcimento, por dependerem da solução que a final venha se dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução dada ao direito creditório controvertido. Também, de fato, nos termos do artigo 265, inciso IV, do Código de Processo Civil (CPC), é preciso suspender por diligência o processo quando a sentença de mérito “depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência do objeto principal de outro processo pendente”. Isto posto, converto o presente julgamento em diligência, com retorno dos autos a sua origem, para aguardar o resultado definitivo dos processos 16349.000283/200935, 16349.000275/200999, 16349.000284/200980 e 16349.000276/200933, anexando aos presentes autos cópia das decisões definitivas dos processos acima referidos. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 11530DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10925.720573/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Mauricio Carvalho Abreu. Por bem relatar, adoto o relatório de fls.542 a 553, dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto da relatora Andréa Luiza Vasconcelos Mendes, nos seguintes termos: “O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de R$ 4.046.429,25 e R$ 878.501,08 a título de, respectivamente, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, apuradas na sucedida, a empresa SADIA S/A, correspondentes a fatos geradores ocorridos em 31/05/2008, 30/06/2008. A essas importâncias foram acrescidos juros de mora e multa de ofício, no percentual de 75% do débito apurado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 20 57 3/ 20 13 -1 6 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 32 2 Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL verificase que a infração consiste de CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Do Relatório Fiscal A autoridade fiscal informa: a Sadia S/A (sucedida pela BRF – Brasil Foods S/A) apresentou dois pedidos de ressarcimento referentes ao 2º Trimestre de 2008, tratamse dos PER/DCOMP nº 30908.83713.021008.1.1.089378, referente aos créditos de PIS e nº 05379.90816.030708.1.1.099481, referente aos créditos de Cofins; os despachos decisórios constantes nos processos administrativos nº 10925.907011/201113, que teve por objeto o PIS e foi nº 10925.907010/201161, que teve por objeto a Cofins, bem como as planilhas com as glosas realizadas, encontramse anexados aos autos; como consequência do resultado da análise dos PER/DCOMP, foram constituídos os créditos tributários para os meses de maio e junho de 2008, em razão de os créditos decorrentes da não cumulatividade descontados à época serem insuficientes para quitar os débitos de PIS e Cofins dos referidos meses. Firma que, em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante artigos 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e que, desta forma, os créditos tributários lançados de ofício nos autos de infração anexos têm, como sujeito passivo da obrigação, a pessoa jurídica da BRF Brasil Foods S/A. Dos valores glosados da base de cálculo do crédito Dos relatórios referentes aos despachos decisórios constantes nos processos administrativos nºs 10925.907011/201113 e 10925.907010/201161 extraise que os pedidos de ressarcimento, cumulados com declarações de compensação, referemse a créditos apurados sob o regime da não cumulatividade com base nos dados do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais), decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, em razão de vendas efetuadas com não incidência das contribuições que remanesceram ao final do 2º trimestre de 2008, após as deduções do valor a recolher da contribuição, concernentes às demais operações. A autoridade fiscal relata que para confirmação dos valores declarados em Dacon como origem dos créditos a descontar: verificou a compatibilidade das operações de aquisições geradoras de crédito com a receita declarada pelos principais fornecedores; e verificou a regularidade e integridade do crédito, por meio de auditorias das memórias de cálculo, análise do correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP) nas respectivas linhas do Dacon e conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, de acordo com técnicas de auditoria e critérios definidos pelo Auditor Fiscal, onde foram considerados o valor das notas fiscais, os fornecedores, a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Informa que foram utilizadas planilhas auxiliares para reproduzir os valores do Dacon, para confirmar os percentuais de rateio, para calcular as novas bases de cálculo em função das glosas, para calcular os valores que foram deferidos e para comparar os valores originários declarados no Dacon com os novos valores (deferidos). Fichas 06A e 16A Bens adquiridos no mercado interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, fichas 06A e 16A – aquisições no mercado interno, foram glosados os valores que seguem: 1. Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 33 3 aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo A autoridade fiscal relata que glosou os valores das notas fiscais de aquisições de mercadorias e serviços que não se enquadram no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, pois consistiriam de “despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial”. Assim relaciona o principais itens glosados: a. Uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados, materiais de uso pessoal: luva, avental, respirador descartável, bota/botina de segurança, protetor auricular, óculos de segurança, sapato de segurança, camisa/camiseta, absorvente higiênico, calça; b. Materiais de limpeza / desinfecção: detergente; c. Produtos para movimentação de cargas / embalagens utilizadas para transporte: pallet ; d. Combustíveis (não exercem ação direta sobre o produto): hexano, óleos, GLP, acetileno, gases em geral; e. Ferramentas e materiais utilizados em máquinas/equipamentos: correia, corrente, lubrificantes, mangueira hidráulica, mangote, graxa, botão, disjuntor, fita isolante, fusível, reator, resistência, retentor, rolamento, selo mecânico, válvula, abraçadeira, arruela, bucha, conector, parafuso, porca sextavada, rebite, argônio, agulha, bucha; f. Bens do ativo imobilizado: animais reprodutores e de lactação (não são consumidos na produção) e ração por eles consumida; g. Outras aquisições cuja utilização no processo produtivo não foi detectada: enzima protease 1.2. aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e aquisições sujeitas à alíquota zero Dos valores informados para a linha 2 do Dacon a autoridade fiscal glosou, com fundamento nos incisos I e II do §2º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, os valores referentes a bens adquiridos de pessoas físicas e, também, bens que estavam, à época da aquisição, sujeitos à alíquota zero da contribuição, conforme constatado por meio da NCM da aquisição ou pela própria descrição do material constante da planilha de memória de cálculo apresentada. Informa que a planilha contendo os itens glosados foi anexada aos autos. Assim relaciona os principais itens glosados: Os principais itens sujeitos à alíquota zero glosados são: vacina vetorial, vitaminas, metionina, pantotenato de cálcio, biotina, ovo fértil, farinha de milho, cebola natural congelada, cebola desidratada, leite em pó, requeijão, mata mosca, champignon, bentonita sódica, terra filtrante, treonina, tomate cubo supergelado, digluconato de clorexidina, queijo prato e ricota. 1.3. aquisições de insumos com suspensão de PIS e Cofins A autoridade fiscal relata que excluiu os valores das aquisições de insumos com venda suspensa de PIS/Cofins, que não geram crédito regular (linha 02), mas somente crédito presumido de atividades agroindustriais. Assim coloca: Com relação aos insumos “boi castrado”, “boi castrado rastreado”, “boi inteiro”, “boi marruco”, “frango corte p/ abate”, “milho em grão”, “novilha”, “novilha rastreada”, “peru 21 dias p/ terminação”, “peru parceria”, “suíno geral p/ abate”, “suíno parceria”, “vaca” e “vaca rastreada”, tratase de insumos com venda suspensa de PIS/COFINS, conforme art. 9º da Lei nº 10.925/2004 e conforme item 2.1.6 deste Despacho. São aquisições sujeitas, portanto, somente a crédito presumido de atividades agroindustriais. Acrescenta que considerase que os fretes relativos às aquisições sujeitas a crédito presumido de atividades agroindustriais também podem gerar crédito, mas somente no mesmo percentual de crédito presumido. E informa que os valores referentes a essas glosas foram adicionados à Linha 27 (ajustes positivos de créditos) das fichas 06A e 16A do Dacon. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 34 4 1.4. Diferença apurada entre memória de cálculo e Dacon Além das glosas supracitadas, foi glosada a diferença de R$ 35.457.857,84 entre o valor declarado na linha 02 das fichas 06A e 16A do Dacon de abril/2008 e o valor comprovado. 2. linha 03 serviços utilizados como insumo Dos montantes informados para linha 03, foram glosados os valores de aquisições que não se enquadram como serviços e, também, serviços que não se enquadram no conceito de insumo. A planilha contendo os itens da Linha 03 glosados se encontra anexa aos autos. 3. linha 04 Despesas de energia elétrica: foram glosados da memória de cálculo os valores que não se referem a energia elétrica consumida nos estabelecimentos, mas, considerando os CFOP lá registrados (2.352), consistem de aquisições de serviços de transporte. 4. linha 06 Despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica: valores referentes a aluguéis pagos a pessoa física; itens cujo campo CNPJ/CPF da planilha não foi informado e referentes; 5. linha 07 Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: valores pagos a pessoas físicas e os valores das notas cujo CFOP e descrição indica que a correspondente operação não se refere a despesa com serviço de armazenagem e fretes; sobre essas glosas o fiscal assim dispõe: De acordo com a classificação no CFOP e com a descrição do serviço constante da memória de cálculo apresentada para justificar os créditos relativos às despesas referidas neste item, diversas notas fiscais não se referem a despesas de armazenagem nem a fretes em operações de venda – como exemplos, aquisição de serviço de comunicação (CFOP 1.303), compra de bem para o ativo imobilizado (CFOP 2.551), compra de material para uso ou consumo (CFOP 1.556), compra para industrialização (CFOP 1.101), locação de veículo, mão de obra geral e serviço de lavação – e, por isso, foram glosadas. 6. linha 09 Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: valores referentes a despesas com depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos após de 1º de maio de 2004; 7. linha 10 Créditos com base no valor de aquisição: foram glosados os valores referentes a: 7.1. diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte (em 48 meses, nos termos do §14 do art 3º da Lei nº 10.833/2003) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998, Anexo II prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias; 7.2. aquisições registradas sem nenhuma descrição que possibilite a identificação da máquina/equipamento. 8. linha 27 Créditos presumidos de atividades agroindustriais: 8.1. relata a autoridade fiscal que da análise das planilhas de memória de cálculo (em mídia digital juntada ao processo físico), concluiu que a empresa possui diversas aquisições cujo enquadramento do percentual de 60% está equivocado. As referidas aquisições têm como enquadramento legal o percentual de 35% ou o percentual de 50% das alíquotas previstas no art. 2º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003. Sendo assim, foi glosada toda a diferença, subtraindo o valor da Linha 26. 8.2. foram glosados os valores das aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores) e inclusão de insumos não destinados à alimentação (lenha, Fl. 697DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 35 5 refile de madeira); e 8.3. valores de compras de bens destinados à comercialização, conforme o CFOP informado pelo contribuinte. Fichas 06B e 16B Bens adquiridos no mercado externo Da base de cálculo dos créditos informados na linha 02 das fichas 06B e 16B – referentes a aquisições de insumos no mercado externo, com fundamento no inciso II do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 que autoriza o creditamento sobre bens e serviços importados utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos no mês , foram glosados os valores: 1. das aquisições bens que estavam, à época da aquisição, sujeitos à alíquota zero da contribuição, o que se constata por meio da NCM da aquisição ou pela própria descrição do material constante da planilha de memória de cálculo. 2. das aquisições bens que não se enquadram no conceito de insumo (exemplos: agulha, anel, bico, bomba, bucha, cabeçote, correia, eixo, engate, esteira, forma, motor, navalha, raspador, resistência, roda, sensor, telha, amortecedor, bobina, borracha, cabo, calha, capa, capacitor, chave, elemento, eletrodo, fechadura, guia, haste, kit freio, luva, mola, motor, parafuso, placa, polia, porca, raspador, resistência, sapata, selo mecânico, transformador, bocal). Da Impugnação Preliminarmente a impugnante suscita a nulidade do lançamento, alegando este foi formalizado com supressão de instâncias e em desconformidade com o rito processual inerente aos pedidos de ressarcimento/compensação. Nesse sentido, alega, em síntese, que as autuações estão por exigir débitos decorrentes de compensações não homologadas sujeitas ao recurso próprio, de manifestação de inconformidade, previsto no art. 74 da Lei n°. 9.430/96 com os efeitos de suspender a exigibilidade de eventual débito apurado, nos termos do art. 151, III, do CTN. Na sequência, passa a contestar as glosas efetuadas nas bases de cálculo dos créditos. No tópico V.1 DA NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS E O CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO, INTERPRETADO À LUZ DA LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA, a recorrente tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo, à luz da interpretação que faz da legislação e da jurisprudência. Na sequência, como razão de contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal, a interessada defende que o direito ao crédito de PIS e Cofins, previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é assegurado não só em relação à aquisição de insumos empregados na produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços, como também em relação às despesas e demais custos incorridos nas atividades a que se dedica o Contribuinte e que são necessários à percepção dos valores objeto de faturamento. Reclama que a Secretaria da Receita Federal do Brasil através das Instruções Normativas n.°s 247/2002 e 404/2004, acabou por dar interpretação demasiadamente restritiva ao conceito de “insumo” para fins de crédito do PIS e da Cofins, não consentânea com a legislação de regência. Aduz que referidas normas complementares pretenderam empregar o conceito de “insumo” utilizado pela legislação do IPI em relação ao PIS e à Cofins para dispor Fl. 698DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 36 6 que somente confere direito a crédito o bem que sofra alterações como desgaste, dano ou perda de propriedade no processo produtivo, o que já foi largamente refutado pela Jurisprudência uníssona do CARF. Conclui, então que, delineado o alcance do conceito de “insumo” para efeitos do direito ao crédito das Contribuições ao PIS e à Cofins como sendo decorrente de qualquer custo ou despesa necessária para a produção do bem ou prestação de serviço, é de ser reconhecido o direito em relação a todas as aquisições de bens e serviços, indevidamente glosadas, uma vez que tem origem em custos e despesas incorridas essenciais e indispensáveis às suas atividades. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente, trazendo as alegações que segue, conforme a ordem e o correspondente tópico da impugnação. DOS CUSTOS COM UNIFORMES, VESTUÁRIOS, EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO, USO PESSOAL, MATERIAIS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E IGIENIZAÇÃO E AQUISIÇÃO DE ENZIMA PROTEASE Nesse tópico, a impugnante alega que das normas e regulamentações expedidas pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, extraise ser dever e obrigação da empresa de fabricação de alimentos manter todo o ambiente limpo e desinfetado, bem como observar a higiene pessoal dos empregados, o que inclui vestimenta específica, conforme demonstrado. Alega que, assim, a vestimenta utilizada pelos empregados não é simplesmente uniforme padrão de qualquer estabelecimento industrial/comercial, mas sim uniforme específico, exigido por norma emanada da autoridade reguladora sendo sua aquisição, bem como a de material de limpeza e desinfecção, inerente à atividade da Impugnante, o que lhe confere o direito de crédito das Contribuições ao PIS e à Cofins incorridos. Pelo exposto, defende o direito de crédito pela aquisição dos seguintes produtos: uniformes, luvas, avental, respirador descartável, botabotina de segurança, protetor auricular, óculos de segurança, sapato de segurança, camisa/camiseta, absorvente higiênico, calça, materiais de limpeza/desinfecção detergente, etc. Defende ainda que é legítimo também o direito ao crédito pela aquisição de enzima protease, insumo utilizado na produção de frangos temperados. Explica que a tal enzima é utilizada na produção de tempero NCM 35079029 Outras Proteases e seus concentrados, e utilizado na fabricação de caldo filtrado para Aroma de Frango NCM 16030000 Extratos e Sucos de Carne. DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS: PALLETS Defende o direito ao crédito em relação aos pallets alegando: De fato, os pallets além de exercerem função primordial para a movimentação de cargas, são fundamentais para impedir o contato do produto com a superfície do chão, o que é imprescindível ao cumprimento das exigências sanitárias dos órgãos reguladores, para a fabricação e comercialização dos produtos. Os pallets são ainda utilizados no processo produtivo, pois nas diversas das suas etapas são necessários para o deslocamento das matérias primas, em condições de higiene, Fl. 699DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 37 7 sendo ainda utilizados para a armazenagem dos produtos acabados, até que sejam transportados para comercialização. E conclui que: Sem dúvida portanto, inegável o direito ao crédito do PIS e da COFINS decorrentes dos custos e despesas incorridas com os materiais necessários para movimentação de cargas pallets. DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS PARA TRANSPORTE Com suporte em jurisprudência do STJ, defende que o crédito “decorrente da aquisição de embalagens para transporte é inequívoco, por constituir custo ou despesa inerente à atividade da Impugnante”. DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS EMPREGADOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO Contesta a glosa das aquisições de combustíveis alegando que tais produtos são utilizados nas “máquinas empregadas no processo de produção, fornos, empilhadeiras, necessários à sua atividade”. Aduz que o direito ao crédito das contribuições em face da aquisição combustíveis em geral já foi reconhecido pelo CARF e explica que: O hexano, por exemplo, é um produto químico fabricado a partir da destilação do petróleo, utilizado como combustível de motores e solvente na extração de óleos graxos e gordura. Assim, a Impugnante, como fabricante de produtos alimentícios, além de utilizar o hexano como combustível em máquinas e equipamentos, utilizao como solvente para extração de óleos graxos e gordura para higienização e limpeza do estabelecimento. Já o óleo de xisto, consiste em combustível especial para combustão de máquinas e equipamentos, sendo utilizado como substituto do gás natural, empregado no processo produtivo. Por seu turno, o GLP (gás liquefeito de petróleo) e os gases em geral são utilizados no processo industrial como combustível para em máquinas, tais como as empilhadeiras, por exemplo. O diesel, também é empregado como fonte de combustão de máquinas, equipamentos e geradores de energia para garantir que a produção seja ininterrupta, ainda que falte energia. DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS A recorrente defende o crédito em relação as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, que seriam utilizados em equipamentos e máquinas destinados à fabricação dos alimentos, essenciais e inerentes ao processo produtivo, “tais como: correia, corrente, lubrificantes, mangueira hidráulica, mangote, graxa, botão, disjuntor, fita isolante, fusível, reator, resistência, retentor, rolamento, selo mecânico, válvula, abraçadeira, arruela, bucha, conector, parafuso, porca sextavada, rebite, argônio e agulha”. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO A impugnante defende que deve ser mantido o direito ao crédito presumido pela aquisição de ovos férteis, por se tratar de produto agropecuário, e cebola in natura, por se tratar de produto da agroindústria. E aduz Fl. 700DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 38 8 que todos os produtos adquiridos à alíquota zero e que estejam elencados no artigo 8º da Lei n.° 10.925/2004, conferem direito ao crédito presumido das Contribuições ao PIS e à Cofins específico ao seguimento da agroindústria. Menciona que consta no artigo 2° da IN/SRF n° 660/2006 a suspensão da exigibilidade das Contribuições ao PIS e à Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda de produtos in natura, leite in natura, produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias e produtos agropecuários utilizados como insumo; que o § 3º do art. 3º da referida instrução normativa, estabelece que no caso dos produtos serem tributados à alíquota zero, o regime de suspensão fica mantido; que os artigos 5º e 7º da instrução, preceituam ser conferido o crédito presumido à pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial que adquira os produtos agropecuários utilizados como insumos, ainda que adquiridos com suspensão. Conclui que, portanto, é de se conferir o direito aos créditos presumidos pela aquisição de insumos da agroindústria, como na hipótese dos autos. Quanto aos demais insumos adquiridos de alíquota zero, defende que a não manutenção do crédito fere o princípio da não cumulatividade. Isto porque, uma vez que a saída é tributada, e se não for assegurada sua manutenção, sobre o produto final incidirá integralmente a contribuição, ferindo o princípio em questão. DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES Defende que os insumos adquiridos sofreram a tributação pelas contribuições em apreço nas etapas anteriores, de forma a que o direito ao crédito se faz absolutamente válido pelo valor integral. Alega ainda que, podese concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Caso seus argumentos não sejam acatados, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Aduz que a própria decisão recorrida reconhece que faria jus ao crédito nos termos do que dispõe o artigo 8º da Lei n.° 10.925/2004, pelo que ao menos o crédito presumido das Contribuições deve ser mantido. DO DIREITO AO CRÉDITO DECORRENTE DAS DESPESAS COM ARMAZENAGEM, FRETE INCIDENTE SOBRE AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS COM SUSPENSÃO E DECORRENTE DE CUSTOS COM FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA A impugnante alega que, nos termos da Legislação de regência, é conferido o direito de crédito do PIS e da Cofins decorrente de despesas com frete do transporte de mercadorias adquiridas e também das mercadorias vendidas. E com suporte em decisão do CARF, também defende o direito ao crédito em relação aos dispêndios com frete de mercadorias entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica. Aduz que não procede o entendimento esposado pelos Despachos Decisórios, segundo o qual seria devido o crédito presumido a que se refere o artigo 8º, da Lei n.° 10.925/2004 sobre as despesas de frete e defende que, assim, há que se aplicar as alíquotas integrais para cálculo do crédito das contribuições sobre o valor das despesas havidas com frete. Além dos fretes, defende o crédito decorrentes das despesas com armazenagem. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 39 9 DO DIREITO AO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Em relação à energia elétrica a impugnante esclarece que os documentos fiscais emitidos por Rio Grande Energia S/A e Centrais Elétricas Matogrossense S/A por equívoco mencionaram os CFOP incorretos, quando o que deveria ter sido indicado é o CFOP 1252/AA correspondente a aquisição de energia elétrica, o que será detalhado por ocasião da perícia mais adiante pleiteada. DO DIREITO AO CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Com suporte em acórdão do CARF, defende que há direito ao crédito das Contribuições decorrente das despesas de aluguel de qualquer bem utilizado nas as atividades da Empresa, independentemente de estar, ou não, vinculado ao setor produtivo. Aduz que, no mesmo sentido, é devido o crédito decorrente de custos com aluguel de instalações (prédios) utilizados para consecução das atividades da empresa. DO DIREITO AOS CRÉDITOS APURADOS COM BASE NOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Defende o direito ao crédito em relação aos encargos de depreciação dos bens constantes do ativo imobilizado independente da data de aquisição dos bens, nos termos do inciso III, do § 1º, do artigo 3º das Leis n.° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003. Nesse sentido, cita o Ato Declaratório Interpretativo n.° 2/2003 e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e, além disso, menciona que: a limitação temporal introduzida pelo artigo 31, e § 1º, da Lei n.° 10.865/2004, foi declarada inconstitucional pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; a arguição de inconstitucionalidade do artigo 31, da Lei n.° 10.865/2004 é objeto de Recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida pelo STF, sendo que a decisão a ser proferida será de observância obrigatória por todas as instâncias judiciais e também pelos tribunais administrativos. DO DIREITO AOS CRÉDITOS APURADOS SOBRE ENCARGOS DE EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS Alega que de acordo com o §14, do artigo 3º da Lei n.° 10.833/2003, o contribuinte poderá, opcionalmente, “calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1°” do mesmo artigo 3º, pelo prazo de 4 (quatro) anos, mediante aplicação a cada mês das alíquotas sobre o valor correspondente a 1/48 avos do valor de aquisição dos bens e salienta que o referido inciso faz expressa menção às edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DA LEI N° 10.925/2004 QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS/COOPERATIVAS COM ALÍQUOTA ZERO E QUANTO AO PERCENTUAL APLICADO CONFORME O INSUMO ADQUIRIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. Inicialmente, a impugnante alega ser inegável o direito ao crédito pela aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperados, ainda que os insumos tenham sido adquiridos com alíquota zero, nos termos do art. 8º da Lei n°. 10.925/2004, conforme, aliás, já reconhecido pelo CARF. Em relação as alíquotas, defende que os percentuais foram corretamente aplicados, pois, ao contrário do que pretendido pela Fiscalização, os percentuais são aplicados Fl. 702DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 40 10 em função do produto adquirido como insumo, e não em função do produto final comercializado. DO DIREITO AOS CRÉDITOS APURADOS SOBRE INSUMOS IMPORTADOS TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO Neste tópico a recorrente remete ao tópico de sua impugnação em que firma os bens adquiridos são insumos, uma vez que são empregados/utilizados ou decorrentes de custos/despesas incorridas na atividade da empresa. Acrescenta que como demonstram os Extratos da Declaração de Importação, houve a incidência de PIS e de Cofins por ocasião do desembaraço aduaneiro dos bens importados e que foram objeto da glosa e que, assim, faz jus ao crédito das Contribuições pagas por ocasião da importação dos insumos, em razão do regime da não cumulatividade. DAS SUPOSTAS DIFERENÇAS DE VALORES CONSTANTES DA DACON COM OS VALORES INFORMADOS EM MEMÓRIA DE CÁLCULO APRESENTADA DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Esclarece a Impugnante que a diferença apurada pela fiscalização deveuse pelo fato de, por um lapso, ter sido apresentada memória de cálculo sem contemplar créditos extemporâneos apurados em decorrência de custos com serviços de monitoramento de containers. Menciona que traz em anexo à presente defesa, planilha de cálculo (CD) contemplando os valores referentes ao crédito apurado em decorrência dos gastos pela contratação de serviço de monitoramento e movimentação dos containers, necessário para suportar a qualidade do produto final, que devem ser transportados em recipiente congelado. Conclui que comprovada a origem da diferença entre o valor dos créditos apurados e informados no Dacon e aqueles informados em memória de cálculo apresentada, deve cancelada a glosa do crédito. DOS ANIMAIS REPRODUTORES E DE LACTAÇÃO Inicialmente a recorrente informa que consta dos Despachos Decisórios, a indicação de haver sido glosado pela Fiscalização o direito ao crédito de PIS sobre os valores relativos à aquisição de bens do ativo imobilizado, como tal tendo sido identificados os animais reprodutores e de lactação, sob a alegação de não serem consumidos na produção, assim como a ração por eles consumidas. E alega que, no entanto, a Fiscalização não esclareceu, como deveria necessariamente fazêlo, sob pena de cerceamento ao direito de defesa, as razões e fundamentos pelos quais glosou os créditos quanto a este item. Por esta razão, a glosa deve ser desconsiderada, à míngua de fundamentos, nula que é de pleno direito. Não obstante, defende o direito ao crédito argumentando que, em cumprimento ao Pronunciamento Técnico CPC n.° 29, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (Deliberação CVM n.° 596/09), as empresas de capital aberto, como é o seu caso, são obrigadas a contabilizar os ativos biológicos para fins de elaboração de suas demonstrações financeiras, neste aspecto enquadrandose os animais vivos segregados nas categorias: aves, suínos e bovinos. E que assim, “contabiliza como bens do ativo os animais com finalidades de procriação (reprodução) de animais para abates (insumos), assim como os destinados à manutenção (lactação) de animais imaturos, os quais são inegavelmente utilizados na produção das mercadorias de comercialização pela Recorrente”. Conclui, então que é inequívoco o direito de crédito pela aquisição de animais reprodutores e de lactação classificados no ativo imobilizado da Companhia, na forma do art. 3º, VI, da Lei n.° 10.833/2003. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 41 11 DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Ao final, pugna pela realização de perícia a fim de que seja apurada a inexistência de quaisquer diferenças, mediante o levantamento: • da natureza, da aplicação, e do montante de todos os insumos adquiridos no processo de industrialização da Impugnante e que foram glosados; • dos custos e demais despesas incorridas e que dão direito ao crédito do PIS e da COFINS, porquanto são todos necessários à atividade da Impugnante, na produção dos bens por ela comercializados. Traz a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e o nome e o endereço do seu perito. Protesta, ainda, pela oportuna juntada de laudo técnico cuja elaboração já foi por ela requerida a órgão técnico, nos termos do artigo 33 do Decreto n.° 70.235/72. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0731.899 de fls. 531 a 542 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas Fl. 704DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 42 12 apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A pessoa jurídica poderá descontar do valor da contribuição devida créditos calculados em relação a despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, desde que estes sejam utilizados nas atividades da empresa e as despesas pagas a pessoa jurídica. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 43 13 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para que a pessoa jurídica opte pela tomada de crédito de depreciação calculada de forma acelerada em relação às edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da COFINS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da COFINS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 44 14 com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A pessoa jurídica poderá descontar do valor da contribuição devida créditos calculados em relação a despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, desde que estes sejam utilizados nas atividades da empresa e as despesas pagas a pessoa jurídica. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para que a pessoa jurídica opte pela tomada de crédito de depreciação calculada de forma acelerada em relação às edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde em resumo alega: É o relatório. Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Segundo o relatório fiscal acima relatado: a Sadia S/A (sucedida pela BRF – Brasil Foods S/A) apresentou dois pedidos de ressarcimento referentes ao 2º Trimestre de 2008, tratamse dos PER/DCOMP nº 30908.83713.021008.1.1.089378, referente aos créditos de PIS e nº 05379.90816.030708.1.1.099481, referente aos créditos de Cofins; os despachos Fl. 707DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.720573/201316 Resolução nº 3101000.400 S3C1T1 Fl. 45 15 decisórios constantes nos processos administrativos nº 10925.907011/201113, que teve por objeto o PIS e foi nº 10925.907010/201161, que teve por objeto a Cofins, bem como as planilhas com as glosas realizadas, encontramse anexados aos autos; como consequência do resultado da análise dos PER/DCOMP, foram constituídos os créditos tributários para os meses de maio e junho de 2008, em razão de os créditos decorrentes da não cumulatividade descontados à época serem insuficientes para quitar os débitos de PIS e Cofins dos referidos meses. Assim, diante da questão prejudicial, o presente julgamento do lançamento de ofício derivado da negativa a pleito de compensação, por dependerem da solução que a final venha se dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução dada ao direito creditório controvertido. Também, de fato, nos termos do artigo 265, inciso IV, do Código de Processo Civil (CPC), é preciso suspender por diligência o processo quando a sentença de mérito “depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência do objeto principal de outro processo pendente”. Isto posto, converto o presente julgamento em diligência, com retorno dos autos a sua origem, para aguardar o resultado definitivo dos processos 10925.907011/201113 e 10925.907010/201161, anexando aos presentes autos cópia das decisões definitivas dos processos acima referidos. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 708DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /12/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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