Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.911298/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2004
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO.
Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2004 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO. Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10166.911298/2009-92
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175918
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3802-001.274
nome_arquivo_s : Decisao_10166911298200992.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10166911298200992_5175918.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4390980
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041213888659456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 10 1 9 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.911298/200992 Recurso nº 948.832 Voluntário Acórdão nº 3802001.274 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). COMPROVADA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO REMANESCENTE. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL. Uma vez comprovada a certeza e liquidez do crédito do crédito passível de restituição e que o valor do débito é igual ao valor crédito utilizado, homologase integralmente a compensação declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/03/2004 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO. Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 98 /2 00 9- 92 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ – Brasília/DF, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Compensação – Observância das Condições da Lei. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever a seguir o relatório nele encartado: Cuidam os autos de Dcomp – Declaração de Compensação, débito próprio, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10166.911298/200992 Acórdão n.º 3802001.274 S3TE02 Fl. 11 3 Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: O crédito não foi suficiente para quitar o débito informado porque a autoridade fiscal cobrou indevidamente multa de mora; É evidente a improcedência dessa penalidade. A multa a que se refere o art. 61 da Lei 9.430/96 somente se aplica na ocorrência de inadimplemento do tributo por culpa ou dolo do contribuinte e está claro que não houve atraso na quitação do tributo, vez que a contribuinte, de boafé, cumpriu rigorosamente as normas emanadas do Legislativo Federal e SRF, ao tempo em que foram editadas as Lei 10.833/03 e 11.196/05 e as Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; Não há que se falar em atraso de pagamento de tributo em função da compensação realizada, já que o recolhimento indevidamente a maior decorreu de incorreta interpretação dada pela SRF ao comando legal em comento, pois, à época do recolhimento, que sempre ocorreu nos seus respectivos vencimentos, a SRF houvesse interpretado corretamente o disposto na alínea “c” do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003, não restaria crédito da contribuinte a compensar via PER/Dcomp e não teria levado a contribuinte a refazer os cálculos, decorrendo daí novos valores de débitos e créditos, gerando, conseqüentemente, a compensação em questão; Destaquese, por fim, que as normas tributárias de caráter interpretativo não podem retroagir para prejudicar, abrangendo aí a aplicação de multa, nos termos do art.106I do CTN (a lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados); Diante do demonstrado e comprovado, requer seja homologada a compensação em sua integralidade e seja declarada nula a imposição de multa de mora decorrente do suposto recolhimento em atraso. Em 04/05/2012, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 29/05/2012, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, informou que no âmbito do Processo n° 14033.003351/200865, que trata de questão análoga a do presente caso, relacionado com a Contribuição para o PIS/Pasep, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da Recorrente, reconhecendo a inaplicabilidade da multa moratória na compensação de tributos. Também no âmbito dos autos da Ação Anulatória n° 74185720104.01.3400, em curso na 21ª Vara Federal do DF, havia sido proferido sentença afastando a incidência da multa moratória em compensação de débitos/créditos da Cofins, em situação semelhante ao presente recurso. Ambas as decisões foram colacionadas aos autos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No final, requereu provimento do presente Recurso Voluntário e a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse declarada nula a multa moratória exigida e homologada, por completo, a compensação realizada por meio da DComp colacionada aos autos. Em 30/05/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de junho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da leitura do Despacho Decisório colacionado aos autos, extraise que a causa do presente litígio foi a homologação parcial do presente procedimento compensatório, em face do valor do crédito utilizado ter sido inferior ao valor do débito compensado, acrescido da multa de mora, não incluída no computo do valor total do débito informado na DComp em apreço. A Turma de Julgamento de primeira instância manteve o referido Despacho Decisório, sob o argumento de que era devida a cobrança multa mora, porque a compensação fora realizada após o prazo de vencimento do débito e não havia previsão legal para aplicação, ao presente caso, dos efeitos da retroatividade benigna previstos no art. 106, I, do CTN, alegado pela Interessada. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente a alegação de que, em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, I, do CTN, no caso em tela, era indevida a cobrança da multa de mora sobre o valor do débito compensado, com base no argumento de que tinham natureza interpretativa as normas que introduziram modificação nos critérios de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas aos contratos de longo prazo firmados, por preço determinado, anteriormente a 31 de outubro de 2003. De fato, por força dos esclarecimentos explicitados no art. 1091 da Lei 11.196, de novembro de 2005, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006, alterou o critério de apuração das referidas Contribuições incidentes sobre as receitas relativas aos citados contratos, nos casos de reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, para determinar, com 1 "Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § lº do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde lo de novembro de 2003". Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10166.911298/200992 Acórdão n.º 3802001.274 S3TE02 Fl. 12 5 efeito retroativo, que fosse adotado o regime da cumulatividade, ao invés do regime da não cumulatividade, estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 468, de 08 de novembro de 2004. Em atendimento a essa nova orientação, a Recorrente refez os cálculos dos valores das Contribuições devidos e realizou a compensação dos novos débitos apurados com os pagamentos indevidos anteriormente realizados dos débitos apurados com base no regime de apuração anteriormente determinado, ou seja, na presente DComp, a Recorrente declarou a compensação do valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de julho de 2004, calculo segundo os critério do regime cumulativo, com o crédito do pagamento indevido da referida Contribuição do mesmo mês, apurado de acordo com o regime nãocumulativo. Com base no conteúdo do art. 109 da Lei 11.196, de 2005, entendo que ele inequivocamente introduziu no ordenamento jurídico brasilerio norma tributária de natureza interpretativa, portanto, deve ser aplicada em consonância com o disposto no art. 106, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; [...]. No presente caso, o valor do débito compensado pela Recorrente foi apurado segundo o regime de incidência cumulativa, portanto, em conformidade com a nova orientação estabelecida no referido preceito legal e em cumprimento ao que determinava a Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006. Assim, em face dessa peculiaridade, a multa de mora devida em decorrência da compensação extemporânea do referido débito deve ser excluída, sob pena de afronta ao disposto no art. 106, I, do CTN. É oportuno esclarecer que, no caso em tela, não está em discussão a legalidade da cobrança da multa de mora nos casos de compensação de débito após o prazo de vencimento, em que, em situação normal, tanto o atraso no pagamento quanto a compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo, obviamente, configura a mora do sujeito passivo, dando ensejo a aplicação da referida penalidade, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No entanto, a situação objeto da presente lide é distinta, ou seja, aqui se discute a legalidade da cobrança da multa de mora, na hipótese em que o sujeito passivo agiu em consonância com a orientação determinada por norma tributária expedida por autoridade competente da RFB e com efeito retroativo. Veja que, no presente caso, em decorrência do efeito retroativo da novel legislação, um critério diverso de apuração das Contribuições incidentes sobre as referidas receitas foi determinado pela própria Administração Tributária, consequentemente, o cálculo dos novos valores dos débitos atinentes aos períodos anteriores a edição das referidas normas, evidentemente, só poderia ser realizado após a data do vencimento das referidas Contribuições, logo, por impossibilidade material de retroceder no tempo, obviamente, não havia como a Recorrente proceder a quitação dos novos valores no prazo de vencimento originariamente estabelecido. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Assim, resta demonstrada a necessidade de obediência ao mandamento estabelecido no inciso I do art. 106 do CTN, devendo ser excluída qualquer tipo penalidade decorrente da infração à norma interpretada, inclusive, a penalidade de natureza moratório. No mesmo sentido foi o entendimento manifestado pelos nobres Conselheiros integrantes da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 3102001.126, cuja enunciado da ementa segue transcrita: COMPENSAÇÃO. PEDIDO FORA DO PRAZO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS RETROATIVOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Não se considera em mora o pedido de compensação do crédito tributário apresentado fora do prazo, quando decorrente de revisão da metodologia de cálculo dos tributos motivada por nova interpretação da legislação tributária determinada em ato editado pelo Poder Público com efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido (Processo n° 14033.003351/2008 65, Recurso Voluntário nº 902.357. Rel. Ricardo Paulo Rosa, Sessão de 08 de julho de 2001) Por fim, entendo oportuno ainda destacar que, no presente procedimento compensatório, o valor do crédito utilizado foi igual ao valor do débito compensado, ou seja, com a compensação em tela não houve qualquer prejuízo ou benefício à Fazenda Nacional nem tampouco à Interessada. De fato, a compensação em apreço teve o condão de restabelecer o mesmo efeito econômicofinanceiro decorrente do pagamento realizado na data de vencimento do tributo, fazendo com que a compensação não agravasse nem minorasse a situação de qualquer das partes, conferindo neutralidade ao procedimento compensatório. Com base nessas considerações, estou plenamente convencido que, no caso em tela, não cabe a aplicação da multa de mora sobre o valor do débito compensado na presente DComp, em consequência, inexiste o saldo remanescente do respectivo débito a ser compensado, conforme disposto no presente Despacho Decisório. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para homologar a compensação declarada. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000049/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - INCOMPETÊNCIA - SÚMULA Nº 2
O Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF - decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Súmula nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fábia Regina Freitas, Alexandre Gomes, José Antonio Francisco.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - INCOMPETÊNCIA - SÚMULA Nº 2 O Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF - decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16366.000049/2008-19
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177894
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3302-001.837
nome_arquivo_s : Decisao_16366000049200819.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 16366000049200819_5177894.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fábia Regina Freitas, Alexandre Gomes, José Antonio Francisco.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4419040
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041213996662784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.000049/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.837 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2012 Matéria COFINS Recorrente COOPERATIVA CENTRAL DE CAPTAÇÃO LEITE COOPLEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ASPECTOS CONSTITUCIONAIS INCOMPETÊNCIA SÚMULA Nº 2 O Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 00 49 /2 00 8- 19 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fábia Regina Freitas, Alexandre Gomes, José Antonio Francisco. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa (Pedido de Ressarcimento (PER) n° 32758.27566.261206.1.1.110501) referente a créditos apurados no 1º trimestre de 2005 (fls. 02/04). Foram apresentados 27 Dcomp’s (fls. 108/219). Conforme relatado na decisão de primeira instância administrativa, os créditos são “decorrentes de vendas de produtos efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, que teriam remanescido após as deduções de Cofins a recolher apuradas nas demais operações no mercado interno c de eventuais compensações com outros tributos.” Às fls. 98/106 (frente e verso) consta o Termo de Informação Fiscal, às fls. 234/237 o Parecer Saort/DRF/LON nº 411/2010 e às fls. 238/239, o Despacho Decisório, instrumentos por meio dos quais foi reconhecido parte do pedido de ressarcimento, no montante de R$ 36,53. De acordo com o Termo de Informação Fiscal, “o Auditor Fiscal verificou que, relativamente ao 1º trimestre de 2005, foram consideradas pela interessada algumas operações que não geram direito ao ressarcimento/compensação, por não estarem de acordo com a legislação vigente. Conforme consta do referido termo, dentre as receitas provenientes das vendas de produtos da cooperativa, encontramse sujeitas à alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins as seguintes, com as respectivas vigências: 1. Leite fluido pasteurizado ou industrializado, destinado ao consumo humano: para fatos geradores ocorridos a partir de 30/12/2004, nos termos do art. 1°, XI, da Lei n° 10.925/2004: 2. Queijo tipo mussarela: para fatos geradores ocorridos a partir de 01/03/2006, nos termos do art. 1", XI e XII, da Lei 10.925/2004, com redação dada pelo art. 5 1 da Lei n° 11.196/2005; 3. Leite fluido pasteurizado ou industrializado, destinado ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinem ao consumo humano: para fatos geradores ocorridos a partir de 15/06/2007, nos lermos do art. 1°, XI, da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pelo art. 32 da Lei n° 11.488/2007.” Neste sentido, esclarece a fiscalização que no período fiscalizado, das receitas auferidas pela contribuinte, “apenas as provenientes de vendas de ‘leite fluido pasteurizado ou industrializado, destinado ao consumo humano’ apresentavam alíquota zero.” Em virtude deste fato, a fiscalização glosou algumas exclusões realizadas pela contribuinte na DACON do 1º trimestre de 2005. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16366.000049/200819 Acórdão n.º 3302001.837 S3C3T2 Fl. 11 3 Em relação à informação de alíquota zero, a fiscalização glosou a exclusão realizada sob esta rubrica das vendas de “queijo mussarela", considerando indevida a exclusão a este título realizada na linha 13 da ficha de "Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins" da DACON. No que se refere à informação de venda realizada com suspensão, afirma o Auditor Fiscal que encontrase suspensa a incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre a receita de venda de "leite natura" somente quando efetuada por pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, para fatos geradores ocorridos a partir de 04/04/2006, nos termos do art. 9º, inciso II, da Lei 10.925/2004, com redação dada pelo art. 29 da Lei n° 11.051/2004 e IN 660/2006. Ocorre que o período fiscalizado consubstanciase no primeiro trimestre de 2005, ou seja, antes da permissão legal inexistindo, à época dos fatos, a pretendida hipótese de suspensão tendo diso consideradas indevidas as exclusões realizadas na linha 13 da DACON a este título. Após estas considerações a fiscalização definiu “a nova composição da base de cálculo da COFINS” e, conforme esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância em seu relatório: “Após essas verificações, o Auditor Fiscal ressalta que os créditos vinculados às receitas de exportação são passíveis de compensação e ressarcimento da mesma forma que os créditos de receitas de vendas no mercado interno com alíquota zero, suspensão, isenção ou não incidência. Desse modo, conclui que, cm que pese não haver previsão legal específica, devem ser utilizados os mesmos critérios apropriação direta ou rateio proporcional para determinação dos valores passíveis de ressarcimento/compensação nas operações realizadas no mercado interno com alíquota zero, suspensão, isenção ou não incidência. Como o método escolhido pela contribuinte foi o rateio proporcional em períodos posteriores, esse também foi o atribuído pela autoridade fiscal para o rateio dos custos e despesas na análise realizada. Daí que, pelo fato de somente ser passível de ressarcimento ou compensação o crédito apurado em operações de venda efetuadas com alíquota zero, suspensão, isenção ou não incidência, tornase indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total.” destaquei Neste aspecto, o agente administrativo apurou os percentuais, consideradas as operações de venda no mercado interno, das vendas sujeitas à alíquota zero, isento e não tributáveis. Em conseqüência, o relatório do acórdão recorrido esclarece: “Vale destacar, como informa o dito Termo à fl. 105, que as diferenças entre os percentuais não implicaram em modificação no montante dos créditos da empresa, mas apenas em redistribuição de parte do valor dos créditos vinculados às vendas efetuadas como alíquota zero e suspensão para os demais créditos de receitas tributadas no mercado interno, os quais não podem ser ressarcidos ou utilizados em compensação com outros tributos ou contribuições, mas tão somente Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 deduzidos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes nas vendas tributadas no mercado interno. Desta forma, conforme planilha de fl. 106, que consolida os valores pleiteados, após as alterações nos percentuais de rateio temos que o valor do crédito passível de ressarcimento/compensação da Cofins (mercado interno não tributado) perfaz o montante de R$ 36,53. A diferença apurada, que perfaz o montante de R$ 25.757,66, como dito, não foi glosada, mas somente pode ser utilizada para dedução da Cofins a pagar. Considerou a autoridade fiscal que somente o valor tributado à alíquota zero é passível de ressarcimento/compensação com outros tributos. O valor referente à linha de receitas de venda no ‘mercado interno tributado’ não é passível de ressarcimento ou compensação, mas tão somente pode ser utilizado para fins de dedução.” Cientificada, a contribuinte foi intimada das conclusões da fiscalização e, inconformada, apresentou suas razões de inconformidade, assim resumidas pela decisão recorrida: “Discorre, inicialmente, sobre a não cumulatividade das contribuições. Salienta que tal sistemática de apuração das contribuições não é uma mera técnica arrecadatória que pode ser restringida pelo Executivo, "visto que os contribuintes têm direito ao crédito das contribuições exigidas anteriormente, como forma de proteção da neutralidade fiscal". Sustenta que a não cumulatividade do PIS e da Cofins não pode ser "discricionária, antiisonômica ou ofensiva ao sistema de tributação constitucional no país e à proteção dos direitos fundamentais do contribuinte". Argumenta que como os contribuintes "estão protegidos pela não cumulatividade do PIS e da Cofins, não podem sofrer restrições ao direito de créditos das contribuições exigidas nas etapas anteriores. Ao contribuinte é assegurado a não cumulatividade plena, sendo vedada qualquer limitação não discricionária". Afirma, por fim, que os dispositivos do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 "adotaram a sistemática de determinar a incidência sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com possibilidade de desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente a custos, encargos e despesas estabelecidos taxativamente". Sendo assim, alega que esta não cumulatividade não é plena, "visto que existem custos, encargos ou despesas que não podem ser excluídos: tal situação pode gerar uma ofensa ao regime geral da não cumulatividade e do sistema constitucional tributário nacional". Posteriormente, a contribuinte discorre sobre a sistemática de aproveitamento de créditos das contribuições ao PIS/Pasep e da Cofins no caso de vendas com suspensão. Afirma que o aproveitamento dos créditos dessas contribuições é disciplinado pela Lei n° 11.033/2004. que em seu artigo 17 determina que Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16366.000049/200819 Acórdão n.º 3302001.837 S3C3T2 Fl. 12 5 "as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". No caso do setor de leite, alega que esta possibilidade está resguardada nos arts. 8° e 9º da Lei 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei 11.051/2004. Diz que a atividade que exerce atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura encaixase, perfeitamente, nos citados artigos. Nesse contexto, questiona: "qual a razão pela qual houve uma mudança legal sobre a forma de tratamento da suspensão? Essa mudança de tratamento diferenciada dos casos de alíquota zero, não incidência e isenção viola o principio da não cumulatividade e da isonomia. bem como todos os demais princípios correlatos? " Em seu entender, "a vedação ao aproveitamento de créditos da suspensão viola os princípios da não cumulatividade, da isonomia, da capacidade contributiva, da vedação do confisco, da ofensa à neutralidade fiscal e da ofensa à repartição rígida de competências tributárias ". Em seguida, aduz que a "Cooperativa vem acumulando continuamente créditos de PIS/Cofins decorrentes do impedimento de aproveitamento de créditos de fretes, energia elétrica e serviços utilizados na produção de leite ". Assim, pretende que tais créditos "possam ser mantidos, visto que existe uma oneração da atividade do contribuinte que adquire pagando tributos e vende sem o débito de tributos e, portanto, não tem como realizar os ditames da não cumulatividade". Argumenta que o regime da suspensão não tem permitido o aproveitamento de diversos créditos, o que ofenderia o princípio da não cumulatividade. Discorre, também, sobre a inconstitucionalidade da vedação de aproveitamento de créditos das contribuições do PIS e da Cofins no caso de vendas com suspensão. Cita lição de José Eduardo Soares de Melo para quem são "injurídicas as restrições ao crédito, uma vez que a não cumulatividade não pode ser estabelecida parcialmente ". Por fim, explica o conceito de insumos, afirmando que, "no caso concreto, os produtos que não foram considerados como insumos são os materiais informados nas contas 7.0.0.00.09 e 7.1.0.00.09 produtos químicos que são utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite (caminhões,), silos e equipamentos industriais ". Alega que "estes produtos estão enquadrados no conceito de insumo desejado pela norma legal", permitindo, pois, o seu creditamento. Diante do exposto, requer a declaração de procedência da presente manifestação e, além das provas documentais que apresenta, pleiteia, também, a possibilidade de juntada de todas as informações necessárias a fiel comprovação de seu direito.” Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Após analisar as razões trazidas em sua impugnação, a 3ª Turma da DRJ/CTA proferiu o acórdão nº 0630.712, o qual seguiu assim ementado, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DA COFINS. ART. 9° DA LEI N° 10.925 DE 2004. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade da Cofins em relação às vendas efetuadas, nos moldes previsto no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO.. O valor do credito presumido previsto na Lei n" 10.925, de 2004. art. 8° não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da Cofins apurada no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO INTERNO. Quanto à receita auferida com operações no mercado interno, apenas o saldo credor do PIS/Pasep e da Cofins acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições é que pode ser compensado com outros tributos ou ser objeto de pedido de ressarcimento a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” A decisão de primeira instância, em síntese, “realocou” o crédito pleiteado pela Recorrente. No que se refere à suspensão do crédito, a decisão recorrida entende que está fundamentado nas Leis nº 10.925/2004, artigo 9º e na Lei nº 11.051/2004, artigo 29, os quais determinam a necessidade de regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. Todavia esta regulamentação ocorreu apenas no ano de 2006, por intermédio das Instruções Normativas 636/06 e 600/06, logo, no primeiro trimestre de 2005, não havia a possibilidade de suspensão pleiteada pela Recorrente. Ainda, em relação à forma de aproveitamento do crédito, a decisão recorrida conclui que o crédito base somente pode ser utilizado para desconto de PIS e Cofins (artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), sendo impedida a via da compensação com outros tributos ou ressarcimento. Esclarece, ainda, que as Leis nº 11.116/05, artigo 16 e 11.033/04, artigo 17; permitem o ressarcimento/restituição de créditos acumulados em virtude da saída desonerada, mas não menciona esta possibilidade para o crédito base de saída tributada. A reclassificação do produto leite in natura, que no entender da fiscalização apenas passou a ser tributado sob alíquota zero pela alteração trazida pela Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005, ao artigo 1º da Lei nº 10.925/04, não foi discutido pela Recorrente em sua impugnação. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16366.000049/200819 Acórdão n.º 3302001.837 S3C3T2 Fl. 13 7 Ademais, registra a decisão recorrida que não houve glosa de insumos, razão pela qual a impugnação, neste particular, encontrase equivocada. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 362/416), por meio do qual, após dissertar sobre o sistema não cumulativo de PIS e Cofins, resumiu: (i) que a vedação do aproveitamento de créditos da suspensão viola os princípios da nãocumulatividade, da isonomia da capacidade contributiva, da vedação de confisco, da ofensa à neutralidade fiscal e da ofensa à repartição rígida de competências tributárias; (ii) que tem direito à manutenção de créditos de PIS/COFINS de fretes e energia elétrica, serviços e insumos utilizados na produção de leite. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de créditos acumulados de COFINS nos termos do artigo 171 da Lei nº 11.033/04. O pedido foi realizado com base no artigo 162 do artigo 11.116/05, dispositivo legal que permite a restituição na forma de compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. 1 Lei nº 11.033/04: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." 2 Lei 11.116/05: "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Dos termos constantes do processo percebese que não houve redução do crédito, mas realocação. Ocorre que a Recorrente solicitou seus créditos com base no fato de considerar que se tratavam de créditos acumulados em razão da saída desonerada (não tributado, sujeitos alíquota zero, suspensão, não incidência), sendo que estes créditos podem ser requeridos na forma de ressarcimento em espécie. Por sua vez, a fiscalização entendeu que parte dos créditos não se referiam a saída desonerada, mas onerada. E por isso não poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, mas apenas descontados do mesmo tributo. Isso porque parte dos produtos saídos com suspensão não tinham autorização para estar suspensos, sendo que a autorização legal surgiu apenas em 2006, com a publicação da Instrução Normativa nº 636/06, que regulamentou o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 (alterada pela Lei nº 11.051/2004, artigo 29). Ademais, parte dos produtos indicados como saídos a título de alíquota zero também foram desconsiderados, uma vez que a alíquota zero teria sido trazida pela Lei nº 11.196, apenas em 21 de novembro de 2005, enquanto o período em análise referese ao primeiro trimestre de 2005. Ocorre que a Recorrente não se opôs à reclassificação realizada pela fiscalização, da mesma forma que não discutiu a aplicação do procedimento de restituição do crédito. Limitouse, apenas, a discorrer sobre o sistema não cumulativo e o direito ao crédito em caso de saídas desoneradas. Importante ressaltar que a decisão de primeira instância administrativa não glosou o crédito pleiteado, e mais, entendeu que a Lei nº 11.033/04 garante o crédito no caso de saídas desoneradas. Assim, não há contradição entre decisão e recurso. A glosa está fundamentada em questões específicas, na reclassificação do crédito, entendido como vinculado a saídas tributadas. Ou seja, o crédito não está sendo negado em virtude da saída ser suspensa ou sujeita à alíquota zero, o que impede o crédito, in casu, é o fato de a fiscalização ter restringido a quantidade de saídas não tributadas. Em relação à discussão da constitucionalidades das restrições, lembro que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Tal decisão resultou na Súmula no 2, abaixo reproduzida: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRECEDENTES: Súmulas 2 do 1º e 2º CC a acórdãos: 101 94.876, 10321568, 10514586, 10806035, 10246146, 203 09298, 20177691, 20215674, 20178180, 20400115.” Desta forma, o recurso apresentado, na parte em que discute acerca da constitucionalidade de lei, não pode ser conhecido por incompetência do órgão colegiado para apreciação da matéria específica. Ainda, no que se refere aos argumentos acerca do direito à manutenção de créditos de PIS/COFINS de fretes e energia elétrica, serviços e insumos utilizados na produção de leite, nego provimento porque não são objeto do presente processo, sendo que o pedido de ressarcimento da Recorrente restringese ao crédito acumulado em razão das saídas Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16366.000049/200819 Acórdão n.º 3302001.837 S3C3T2 Fl. 14 9 desoneradas. Inclusive, a própria fiscalização faz esta consideração no Termo de Verificação Fiscal, a saber: Termo de Verificação Fiscal – Fls. 125 “Com base no conceito acima definido, dentre os créditos pleiteados pela cooperativa informados em seu DACON, Demonstrativo "Resumo de Insumos" (fl. 82) e explicitados à fl. 83 não foram constatados valores relativos a custos/despesas que não ensejam o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS.” Não há, portanto, a meu sentir, questão a ser dirimida neste particular. Ante o exposto, não conheço o recurso no que se refere às questões constitucionais e nego provimento em relação aos demais argumentos. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001189/2010-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2010
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁ-LOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA
A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.965
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2010 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁ-LOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15983.001189/2010-99
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177261
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2803-001.965
nome_arquivo_s : Decisao_15983001189201099.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15983001189201099_5177261.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4414223
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214001905664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.001189/201099 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803001.965 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente ANA ROSA PEREIRA ESCOLA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2010 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 OU APRESENTÁLOS DE FORMA DEFICIENTE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 89 /2 01 0- 99 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001189/201099 Acórdão n.º 2803001.965 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001189/201099 Acórdão n.º 2803001.965 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, em razão da não apresentação da não apresentação de Livro Caixa ou Livro Diário para todo o período auditado. A DecisãoNotificação – fls 47 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte : · A falta decorre de fato causado por terceiro, conforme processo da 2ª Vara Criminal de São Vicente, referente a má condução de serviços de contadoria, devendo assim ser mitigada a responsabilidade da recorrente. · Pugna pelo provimento do recurso, com a anulação do auto lavrado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001189/201099 Acórdão n.º 2803001.965 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra A legislação previdenciária, em especial a lei 8212/91 art. 33 c/c arts. 232 e 233 do decreto 3048/99, determina a obrigatoriedade de apresentação todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, uma vez não apresentados, cabe a lavratura do respectivo auto de infração. Transcrevemos os §§ 2º e 3º do art 33 da lei 8212/91 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.grifamos § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Está caracterizada a regular intimação para a apresentação dos livros contábeis através do Termo acostado às fls 07. Em seu arrazoado, a recorrente não se desvencilha da necessidade de apresentação dos documentos retro, além de não trazer nenhuma prova capaz de afastar os fundamentos da autuação, limitandose a argüir a responsabilidade ao contador então contratado. Eventuais vícios na prestação dos serviços contratados com terceiros não são oponíveis à Fazenda Pública, sendo a empresa responsável pela higidez de sua escrita contábil e por seus meios de controle internos. A infração se caracteriza pela não entrega de quaisquer dos documentos requeridos ou sua apresentação sem as formalidades ou registros obrigatórios, basta um documento entregue em desacordo, ou não entregue, para que se justifique a autuação. Não comprovada a entrega dos livros contábeis, correta a autuação. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15983.001189/201099 Acórdão n.º 2803001.965 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000373/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE
Segundo o inciso V, do artigo 290 do RPS caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.
Numero da decisão: 2301-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE Segundo o inciso V, do artigo 290 do RPS caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16045.000373/2010-84
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5182929
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.215
nome_arquivo_s : Decisao_16045000373201084.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 16045000373201084_5182929.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4463430
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214070063104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000373/201084 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.215 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria Reincidência de infração Multa Recorrente Daruma Telecomunicações e informática S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 MULTA. CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE Segundo o inciso V, do artigo 290 do RPS caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 73 /2 01 0- 84 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.280.5280, o qual exige multa do Contribuinte por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Registra o relatório fiscal fls. 8/9 que “Em ação fiscal na empresa acima identificada constatamos que a mesma realizou transação com a empresa INCENTIVE HOUSE S/A, CNPJ 00.416.126/000141, onde através de NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS adquiriu créditos para serem utilizados em premiação de seus funcionários, diretores e prestadores de serviços autônomos cujos valores, creditados em uma instituição bancária, não transitaram em folhas de pagamentos nos códigos específicos de eventos criados para esse fim. Coube a Incentive House depositar as importâncias a receber em uma instituição financeira cujo valor de premiação a contratante comunicava a contratada para que creditasse o prêmio a cada colaborador beneficiado. Após, o premiado através de cartão eletrônico recebia a premiação extra folha. A autuada deixou de lançar esse fato gerador em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada. As importâncias pagas a titulo de prêmios aos seus colaboradores foram contabilizadas pela notificada na Conta no 2.1.11.11.0001 denominada de "Fornecedores Nacionais", e esses créditos utilizados para premiar empregados, diretores e profissionais autônomos não foram contabilizados em titulação adequada já que se tratava de despesas para custeio da mão de obra. Para a apuração final do resultado operacional constatouse que essas despesas foram concentradas na conta n.º 4.1.12.18 denominada de "P. J. Serviços Terceiros" e distribuídas em sub contas conforme mencionadas abaixo:” Assevera, ainda, o relatório fiscal de Fls. 10/12 que: “3 Constatamos durante a operação fiscal que o contribuinte é reincidente por duas vezes conforme descrição abaixo: 1º PROCEDIMENTO FISCAL n.° 09302500, resultando as autuações: (...) a) AIOA 35.450.0473 de 31/07/2006, Código de Fundamento Legal 38 Deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda As formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Liquidado em 24/04/2007 através de pagamento. (...) 4 Nesse terceiro procedimento fiscal nova ocorrência permitiu a emissão de autos por infração de obrigações acessórias, sendo a empresa reincidente, em duas oportunidades, motivo pelo qual as multas serão aplicadas observandose as circunstancias agravantes da penalidade. 5 Assim em face do agravo da infração o presente auto de imposição de multa será demonstrado para melhor entendimento do valor da pena pecuniária a ser aplicado, sendo que no caso da falta cometida caberá observar ainda a existência de agravante descrito pelo artigo 292, inciso IV, do Decreto n.° 3.048/99, como segue: b) havendo reincidência especifica, o valor básico da multa será multiplicado por 3 (três)”. Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando em síntese que a reincidência da multa é indevida. Pois, uma vez pago o auto de infração anteriormente lavrado com base na infringência ao artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, a apuração da prática de descumprimento dessa regra não configuraria nova infração, a ponto de caracterizar a reincidência. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16045.000373/201084 Acórdão n.º 2301003.215 S2C3T1 Fl. 3 3 Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos expedidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Da análise do Auto de Infração nº 37.279.5280, verificase que se trata de lançamento de multa, lavrada contra o Contribuinte acima indicado, por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições e os totais recolhidos, configurando, assim, infringência ao inciso II, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91. Insurgindose contra a lavratura do auto de infração, o Contribuinte apenas rebate a incidência do critério do fator de elevação 3 da multa, com base na reincidência da infração lhe é foi imputada. De acordo a sua tese de defesa, não houve, in casu, a configuração da reincidência, já que, uma vez pago o auto de infração anteriormente lavrado com base na infringência ao artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, esta primeira infração seria inexistiria, logo não haveria que se falar em segundo ato infracional, para efeitos da incidência da caracterizar a reincidência específica. Tendo isso presente, é importante, desde já, deixar consignado que, por não ter sido contestada a infração imputada ao Contribuinte, com base no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, mas tão somente o fator de agravamento da sua penalidade, tornouse fato incontroverso aplicação da multa. Desta feita, estabelece o artigo 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto nº 3.048/99 que: “Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.” Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 O Parágrafo Único do artigo acima reproduzido, traz de forma clara e objetiva o conceito de reincidência como sendo, basicamente, aquela situação na qual o infrator comete, pela segunda vez, a mesma infração dentro do prazo de cinco anos. Analisando o relatório fiscal 10/12, depreendese que o agravamento da multa ora questionado se deu por conta da constatação de que o Contribuinte foi, em meado de julho de 2006, fiscalizado e autuado por não ter lançado mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. Confira: “3 Constatamos durante a operação fiscal que o contribuinte é reincidente por duas vezes conforme descrição abaixo: 1º PROCEDIMENTO FISCAL n.° 09302500, resultando as autuações: (...)a) AIOA 35.450.0473 de 31/07/2006, Código de Fundamento Legal 38 Deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda As formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Liquidado em 24/04/2007 através de pagamento. (...)”. Analisando objeto das infrações, verifico, de plano, a flagrante identidade fática existente entre a capitulação da multa aplicada tanto no primeiro auto de infração (AIOA nº 35.450.0422) quanto no segundo, em julgamento. Ou seja, em ambos os casos, constatase que se trata de fato da mesma prática infracional, no caso dos autos, a não preparação da folha de pagamento, conforme muito bem observado pela r. decisão de 1ª Instância que, em seu teor, assevera que: “Outrossim, o fato do contribuinte realizar o pagamento de autuações anteriores (Autos de Infração DEBCAD nºs 35.450.0422, de 31/07/06 e 37.037.730337.037.7290, ambas de 17/11/06), não as tendo impugnado, não desfaz a autuação para efeito da caracterização de reincidência em relação à infração futura. O comando da reincidência, tal qual ocorre na esfera penal, não desaparece pelo pagamento da penalidade, mas sim, pelo decurso do prazo prescricional a ela relativo. A vingar entendimento contrário, o sujeito que cometesse o crime de furto e não ofertasse defesa no processo penal, cumprindo a pena aplicada, se viesse a cometer novo furto no prazo de 5 anos não seria considerado reincidente. Seria um absurdo!” Diante do conjunto probatório, não há como negar que houve, no vertente caso, a reincidência da infração objeto da autuação em julgamento, pois, dentro do prazo de cinco anos, deixou, mais uma vez de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. Nesse diapasão, não prevalece alegação do Contribuinte de que o pagamento da multa anteriormente aplicada teria o poder de tornar inexiste a primeira infração, de modo a tornar o Contribuinte como réu primaria. Com efeito, o cumprimento da pena (pagamento da multa) não torna inexistente o ato infracional praticado anteriormente, para efeitos da caracterização da reincidência e, tampouco, exclui a culpabilidade da infração cometida. Aceitar tal premissa, a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 16045.000373/201084 Acórdão n.º 2301003.215 S2C3T1 Fl. 4 5 meu ver, seria o mesmo que tirar todo o poder coercitivo da norma prevista no artigo 290 RPS, que visa, por meio do agravamento da pena, desestimular a prática reiterada de descumprimento das obrigações acessórias. Portanto, considerando que o Contribuinte deixou de trazer aos presentes autos elementos plausíveis que pudessem ensejar o afastamento da infração que lhe imputada, questionando apenas o agravamento da multa, é de se manter, pelo exposto acima, a r. decisão recorrida tal como proferida. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER O RECURSO e NEGAR LHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10814.006091/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3201-001.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : null null
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10814.006091/2005-99
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180243
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3201-001.098
nome_arquivo_s : Decisao_10814006091200599.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10814006091200599_5180243.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4433549
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214194843648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 227 1 226 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.006091/200599 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.098 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Recorrente CONTINENTAL BRASIL IND AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 25/10/2000 REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. FRUIÇÃO AO BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 60 91 /2 00 5- 99 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/10238136, em 25/10/2000 (fls. 6/10), no valor de R$ 8.815,38 (Oito mil, oitocentos e quinze reais e trinta e oito centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindo se especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 25/10/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/10238136, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 03/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 8.815,38 (Oito mil, oitocentos e quinze reais e trinta e oito centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 19 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo – (IRFBSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006091/200599 Acórdão n.º 3201001.098 S3C2T1 Fl. 228 3 administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 62). Em 04/10/2007 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 62). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN/SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei inº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 113/117 – Despacho Decisório IRFB/SPO nº 024/2009, de 12 de fevereiro de 2009.. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo – Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 121/123 – Despacho Decisório IRFB/SP nº 064/09, de 15/06/09). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 126/140, constata se que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prevalência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 126/140 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006091/200599 Acórdão n.º 3201001.098 S3C2T1 Fl. 229 5 CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP2 no 1745.835, de 04/11/2010, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/10/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei nº 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a solicitação indeferida de restituição. O direito creditório não reconhecido (Imposto de Importação) é no valor de R$ 8.815,38 . Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Registro que a Continental Brasil Indústria Automotiva LTDA é a atual denominação da Siemens VDO Automotive LTDA. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo pedido de restituição de Imposto de Importação supostamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/10238136, em 25/10/2000. Quando do registro da respectiva DI, deixou de pleitear o benefício fiscal, e recolheu integralmente o Imposto de Importação. Em 03/08/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição O benefício fiscal, ora em comento, é o concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do Imposto de Importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Valhome, para ilustrar, de diversos julgados, da mesma empresa, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn, com idêntico mérito a ser combalido e é como penso, nos termos abaixo: O presente recurso trata de matéria com entendimento consolidado pela Turma em diversos julgados envolvendo o mesmo Recorrente. Destacase, nesse sentido, o Recurso Voluntário (Atual/Original): nº 344.301/144.301, relatado pelo eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 16/10/2000 REGIME AUTOMOTIVO. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITOS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. 1. O direito de desfrutar o benefício previsto na Lei n° 10.182/2001 passa por duas etapas distintas: a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX e a concessão, propriamente dita, do benefício da redução do imposto de importação. 2. Para cada importação realizada deve ser aferido o cumprimento das condições e requisitos necessários à fruição do benefício de redução do imposto de importação, incluindose aí a comprovação da regularidade fiscal e a confirmação da adequação da mercadoria importada à destinação prevista em lei. 3. A legislação que disponha sobre isenção ou redução deve ser interpretada literalmente. 4. As diligências consideradas prescindíveis devem ser Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006091/200599 Acórdão n.º 3201001.098 S3C2T1 Fl. 230 7 indeferidas. Recurso Voluntário Negado.”(Carf. 2ª TE. 3ª S. Processo nº 11128.005815/200588. Rel. Conselheiro Regis Xavier Holanda. Sessão de 01/02/2010) Acompanhase a referida interpretação, uma vez que, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está condicionada à comprovação da regularidade fiscal do interessado: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O reconhecimento da isenção, por outro lado, deve ser efetivado em cada caso concreto pela autoridade aduaneira, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro RA/ 2009 (Decreto nº 6.759/2009), do art. 120 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002) e art. 134 do RA/1985 (Decreto nº 91.030/1985): Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Art. 123. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber,a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. Tais dispositivos alinhamse ao disposto no art. 179 do Código Tributário Nacional e ao art. 195, § 3º, da Constituição Federal, que assim estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Art. 195. [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios” Complementando os argumentos acima, o benefício a que se refere é a Lei 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, arts. 5º e 6º: Art. 5 – Fica reduzido em 40 % (quarenta por cento) o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Parágrafo I – O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: .......................................................... X – autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, inclusive os destinados ao mercado de reposição. ............................................................. Art. 6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX. Parágrafo único – A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (DECEX), contendo: I – comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II – cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III – comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1º do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos inciso I a X do citado § 1º e ao mercado de reposição. O núcleo da questão é à admissibilidade da exigência da CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada importação de mercadorias ao amparo de benefício fiscal, mesmo que a apresentação das CNDs já tenha sido exigido para habilitação ao benefício. Em análise ao texto dos artigos 5º e 6º da Lei n. 10.182/2001, observase que, não se está tratando de isenção de caráter geral, mas sim de isenção condicional do tipo objetivosubjetiva ou chamada mista (vinculada à qualidade do importador e à destinação do bem), tampouco trata de alíquota 0 % ou de extarifário; tratandose de benefício válido para importação de determinadas mercadorias (relacionadas no art. 5º), para determinados tipos de importadores – v. Parágrafo I do art. 5 :– “O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de ... “ Art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 (base da CND), dispõe: Art. 60 – A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte , pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifei) Assim sendo, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006091/200599 Acórdão n.º 3201001.098 S3C2T1 Fl. 231 9 condicionado à comprovação, pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. E, mais, a Solução de Consulta SRF (COSIT) nº 10, de 04 de junho de 2003, a qual baseiase no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n. 07, de 1998, dispõe sobre a dispensa de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais quando do despacho aduaneiro de mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero, se o benefício ou incentivo fiscal envolvido não tiver sido concedido subjetivamente ao importador, conforme: ( ou seja, de caráter geral) “O Coordenador do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, DECLARA: Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à alíquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de benefício ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador.” (grifei) Concluise, portanto, que o Ato Declaratório acima dispensa apresentação de CNDs por ocasião do despacho aduaneiro apenas para benefícios ou incentivos fiscais concedidos em caráter objetivo, e mesmo assim para mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero. Estão excluídos da dispensa casos como o ora discutido, que já vimos tratarse de benefício de caráter OBJETIVO / SUBJETIVO OU MISTO. Há que lembrar também que não estamos tratando de mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero. E, mais, a referida Solução de Consulta não se aplica ao caso, ora discutido, pois referese à Lei 8.032, de 12 de abril de 1990 (item “j” do inciso II parágrafo 2º benefício fiscal de natureza objetiva) , e não à Lei 10.182/2001, que ampara a redução em litígio. Concluindose, pois, que para isenções ou reduções de caráter objetivo / subjetivo, prevalece a necessidade de comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais por ocasião do despacho aduaneiro das mercadorias respectivas. Na lei 10.182/2001 não há expressa declaração no sentido de que a Lei 9.069/95 foi revogada por ela; bem como, não há incompatibilidade entre as duas (elas inclusive se complementam, na medida em que a lei mais nova fala de um benefício fiscal, e a antiga, em seu art. 60, fala dos requisitos para fruição do mesmo), e não se pode dizer que a Lei 10.182/2001 regule inteiramente a matéria de que tratava a Lei 9.069/95. Portanto, embora a Lei 10.182/2001 não mencione a exigência de apresentação de CND’s a cada novo despacho aduaneiro, ela dispõe de um benefício fiscal, e o art. 60 da Lei 9.069/95 menciona os requisitos para “concessão ou reconhecimento de benefício fiscal ...”. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Acrescentando, pois, a concessão ou o reconhecimento do benefício fiscal estaria sujeito à apresentação de CND, nos termos do art. 118 do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002 : “Art. 118. A concessão e o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo ao imposto ficam condicionados à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 60). (...)”(grifei) Quanto à habilitação do requerente junto ao SISCOMEX, via DECEX, nos termos do art. 6º da Lei 10.182/2001, não representou a concessão de nenhum benefício fiscal. A expedição de tal ato somente conferiu à recorrente o direito de pleitear tal benefício, por ocasião do registro de eventuais Declarações de Importação. Como o fato gerador foi de 25/10/2000, logo, encontrase sob período do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91.030, de 05/03/85), sendo clara a legislação ao dispor: Art. 129 – Interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação (Lei 5.172, artigo 111, II). (...) Art. 134 – A isenção ou redução do imposto será efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade fiscal, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão (Lei nº 5.172/66, artigo 179). § 1o O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, podendo ser revogado de ofício. § 2º A isenção ou redução poderá ser requerida na própria Declaração de Importação. (...) Art. 135. Na hipótese de não ser concedido o benefício fiscal pretendido, será exigido o crédito tributário correspondente. Destarte, como conclui a decisão de primeira instância, segundo a qual: a)a habilitação do requerente junto ao SISCOMEX, para fruição dos benefícios previstos na Lei 10.182/2001, somente conferiu à interessada o direito de pleitear a redução dos impostos incidentes sobre as importações futuras; b)o requerimento de isenção deveria ocorrer em cada Declaração de Importação, na qual o interessado desejasse usufruir os benefícios relativos ao regime automotivo; c)a redução do imposto deveria ser concedida, em cada despacho aduaneiro de importação, por decisão expressa da autoridade fiscal, mediante prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos legais e regulamentares, exigidos para sua concessão; d)dentre os requisitos exigidos para concessão da isenção, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10814.006091/200599 Acórdão n.º 3201001.098 S3C2T1 Fl. 232 11 estava a apresentação das Certidões Negativas de Débito (CNDs), conforme art. 60 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995.e) Eventual decisão favorável ao sujeito passivo, emitida no curso do despacho aduaneiro, não poderia gerar direito adquirido para o contribuinte, podendo ser revogada de ofício, em procedimento de revisão aduaneira. f) Portanto, ressalta da análise desse item que o momento da apresentação das CNDs, para casos de benefícios de natureza subjetiva ou mista, ocorre a cada novo despacho aduaneiro beneficiado, independentemente de já terem sido apresentadas as referidas certidões por ocasião da habilitação ao benefício.g) Não se pode configurar a exigência de CND pela autoridade aduaneira a cada desembaraço de DI como “reapresentação de documento já apresentado quando da habilitação ao benefício”, posto que cada Certidão referese a período distinto de vigência, tratando se pois de documentos distintos. Em assim sendo, tendo em vista que a importação de que trata a DI nº 00/10238136, em 25/10/2000, não faz jus aos benefícios previstos na Lei 10.182/2001, art. 5º, uma vez que a recorrente não comprovou a quitação de tributos e contribuições federais (apresentação de CNDs válidas quanto ao prazo de vigência das mesmas) em desacordo com o disposto no art. 60 da Lei 9.069/1995, exigência para gozo do benefício fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012729/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO.
Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTUAÇÃO. ANULAÇÃO.
Constituído o lançamento com base em premissa equivocada, há o desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício material.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI Nº 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI Nº 8.212/91.
A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre Acionistas x Diretores/Administradores, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica Empregador x Empregado.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAT. INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE.
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-alimentação, independentemente de prévia inscrição do contribuinte no PAT - Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exclusão dos valores relativos ao auxílio-alimentação, ao abono único, a participação estatutária da diretoria executiva e ao adicional de contribuição previdenciária das instituições financeiras e, por maioria de votos, aos valores relativos a PLR por vício material, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira e; por unanimidade de votos, para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTUAÇÃO. ANULAÇÃO. Constituído o lançamento com base em premissa equivocada, há o desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício material. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI Nº 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI Nº 8.212/91. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre Acionistas x Diretores/Administradores, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica Empregador x Empregado. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAT. INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-alimentação, independentemente de prévia inscrição do contribuinte no PAT - Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recursos Voluntários Providos em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15504.012729/2009-71
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175976
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2402-002.884
nome_arquivo_s : Decisao_15504012729200971.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 15504012729200971_5175976.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exclusão dos valores relativos ao auxílio-alimentação, ao abono único, a participação estatutária da diretoria executiva e ao adicional de contribuição previdenciária das instituições financeiras e, por maioria de votos, aos valores relativos a PLR por vício material, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira e; por unanimidade de votos, para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4391038
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214307041280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C4T2 Fl. 921 1 920 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.012729/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402002.884 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S/A CREDITO FIN E INVEST Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTUAÇÃO. ANULAÇÃO. Constituído o lançamento com base em premissa equivocada, há o desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício material. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO DOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI Nº 6.404/76. INAPLICAÇÃO DA LEI Nº 8.212/91. A participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei nº 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”, não se sujeitando às regras previstas na Lei nº 8.212/91, que se referem à relação jurídica “Empregador x Empregado”. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação, independentemente de prévia inscrição do contribuinte no PAT Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 27 29 /2 00 9- 71 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para exclusão dos valores relativos ao auxílioalimentação, ao abono único, a participação estatutária da diretoria executiva e ao adicional de contribuição previdenciária das instituições financeiras e, por maioria de votos, aos valores relativos a PLR por vício material, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira e; por unanimidade de votos, para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.012729/200971 Acórdão n.º 2402002.884 S2‐C4T2 Fl. 922 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 15/07/2009 para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/11/2005 a 31/12/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 83/149) requerendo a total improcedência do lançamento. As demais empresas do grupo também apresentaram impugnações (fls. 151/215, 216/285, 286/351, 352/422, 427/492, 493/557, 558/623, 624/700, 701/773 e 774/839), pleiteando a improcedência do lançamento solidário. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte – MG, ao analisar o presente caso (fls. 845/856) julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) estando somente a obrigação principal abrangida pelo instituto da solidariedade, não há previsão legal para imputar responsabilidade aos demais integrantes do grupo econômico pelo descumprimento das obrigações acessórias; (ii) não há necessidade de sobrestamento da presente demanda, até o julgamento das autuações decorrentes do descumprimento de obrigações principais, visto que todos estão tramitando apensados; (iii) por ter deixado de incluir na base de cálculo das contribuições previdenciárias parcelas remuneratórias, é correta a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória; (iv) as informações contidas no REPLEG e no anexo VÍNCULOS são inapropriadas para imputar responsabilidade tributária aos administradores; e (v) a multa mais benéfica é aquela vigente na data da ocorrência das infrações. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 891/901) argumentando que: (i) para fundamentar sua pretensão, o Fisco Federal considerou que a Recorrente deveria ter oferecido à tributação parcelas que, em verdade, não compõem o saláriodecontribuição dos respectivos beneficiados; (ii) devese aguardar as decisões que serão proferidas nos Autos de Infração n° 37.218.8516, 37.218.8524, 37.218.8532 e 37.218.8540; e (iii) deve ser aplicada a multa prevista no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, por ser mais benéfica. As demais empresas solidárias interpuseram recurso voluntário (fls. 902/910) argumentando que: (i) não ficou demonstrado que possuíam interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal; (ii) não ficou demonstrado que ocorreu o abuso da personalidade jurídica; e (iii) as normas de responsabilidade tributária prescindem de lei complementar. É o relatório. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que os presentes recursos são tempestivos e preenchem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Começando pelo recurso apresentado pela autuada, esta alega que o Fisco Federal considerou que ela deveria ter oferecido à tributação parcelas que, em verdade, não compõem o saláriodecontribuição dos respectivos beneficiados e que se deve aguardar as decisões que serão proferidas nos Autos de Infração n° 37.218.8516, 37.218.8524, 37.218.8532 e 37.218.8540. Neste ponto, assiste razão à Recorrente, uma vez que devem ser observadas as decisões preferidas nos Autos de Infração n° 37.218.8516, 37.218.8524, 37.218.8532 e 37.218.8540 quando da apuração final do, eventual, valor que deverá ser recolhido em razão do descumprimento das obrigações acessórias. Contudo, vale considerar que todas essas autuações, que culminaram, respectivamente, na lavratura dos procedimentos administrativos fiscais nºs 15504.012725/200993, 15504.012726/200938, 15504.012727/200982 e 15504.012728/200927, foram distribuídas à este mesmo relator e foram analisadas conjuntamente. Diante dessas considerações, vale destacar que os recursos voluntários interpostos nos procedimentos administrativos fiscais nºs 15504.012725/200993, 15504.012726/200938 e 15504.012727/200982 foram julgados procedentes, para afastar a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de abono único, participação nos lucros e resultados pagos aos empregados, valealimentação, bem como participação dos diretores estatutários. Já em relação ao procedimento administrativo fiscal nº 15504.012728/2009 27, tal autuação foi lavrada unicamente para evitar a decadência dos períodos que estão sendo depositados judicialmente e discutidos no Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0131537, que tramita perante a 7ª Vara Federal de Minas Gerais, tendo este relator dado parcial provimento ao recurso interposto pela Recorrente apenas para afastar a multa moratória, uma vez que os valores, em tese, estão sendo regularmente depositados judicialmente, e aplicar a retroatividade benigna da multa de ofício em relação a eventuais períodos que não estejam completamente de acordo com os depósitos judiciais realizados. Em vista disso, deve ser baixada a penalidade imposta nesse processo que se refere aos valores exigidos a título de abono único, participação nos lucros e resultados paga aos empregados, valealimentação, bem como participação dos diretores estatutários, haja vista que estas rubricas foram excluídas nos lançamentos que versam sobre o descumprimento da obrigação principal. Ainda, a Recorrente pretende que seja aplicada a multa prevista no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, por ser mais benéfica. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.012729/200971 Acórdão n.º 2402002.884 S2‐C4T2 Fl. 923 5 Neste contexto, verificase que, novamente, assiste razão à Recorrente, de forma que as penalidades remanescentes devem ser recalculadas, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Isto porque, a penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911. Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) Ainda, as demais empresas supostamente solidárias apresentaram recurso voluntário alegando que não ficou demonstrado que possuíam interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal e que não ficou demonstrado que ocorreu o abuso da personalidade jurídica. No entanto, em virtude do entendimento exposto acima, temse que essa discussão restou prejudicada, haja vista que não restaram créditos tributários a serem apreciados. 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 927DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos voluntários para DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, para que: (i) seja baixada a penalidade imposta sobre os valores exigidos a título de abono único, participação nos lucros e resultados paga aos empregados, valealimentação, bem como participação dos diretores estatutários, haja vista que estas rubricas foram excluídas nos lançamentos que versam sobre o descumprimento da obrigação principal; (ii) seja verificado se os depósitos estão sendo realizados corretamente nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0131537, que tramita perante a 7ª Vara Federal de Minas Gerais e, em estando, seja excluída a penalidade incidente; (iii) haja o recálculo da multa aplicada remanescente, nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, de modo a exigir esse valor do contribuinte em cada competência, caso mais benéfico. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 928DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002889/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Mar 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho..
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Sun Mar 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10882.002889/2009-81
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5191020
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-000.180
nome_arquivo_s : Decisao_10882002889200981.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10882002889200981_5191020.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho..
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4518679
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214331158528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 61 1 60 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002889/200981 Recurso nº Resolução nº 2801000.180 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 23 de janeiro de 2013 Assunto IRPF Solicitação de Diligência Recorrente EDUARDO DE FREITAS FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 28 a 31, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, exercício 2007, que lhe exige crédito tributário no montante de RS 2.604,66, sendo R$ 1.285,94 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 964,45 à multa de ofício e R$ 354,27 aos juros de mora (calculados até 30/10/2009). 2. No anexo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" é informado que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 88 9/ 20 09 -8 1 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Resolução nº 2801000.180 S2TE01 Fl. 62 2 2.1 Foi efetuada a glosa do valor de R$ 10.361,04 indevidamente deduzido a título de "Despesas Médicas", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução: 2.1.1 Glosa da parcela que excedeu aos comprovantes apresentados: "Porto Seguro"R$2.919,96; 2.1.2 Glosa por falta de comprovação o contribuinte não apresentou os comprovantes referentes à "UN1MED Paulistana" R$ 7.441,08; 2.2 Foi efetuada a glosa do valor de R$ 570,93 indevidamente deduzido a título de "Contribuição à Previdência Privada e Fapi", por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes. DA IMPUGNAÇÃO 3. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02 através da qual alega, em síntese, que: 3.1 É usuário titular da "UNIMED Paulistana" desde o ano 2000 e tem realizado seus pagamentos regularmente em todos esses anos. Não pode aceitar a alegação de que não pode apresentar os comprovantes de pagamento. Inclusive, todos estão anexos à impugnação. Destaca ainda que o valor constante da Declaração é de R$ 7.496,21 e não R$ 7.441,08 como constou. 3.2 Ao declarar a assistência médica "Porto Seguro Saúde", cometeu erro de digitação. Deveria ter lançado R$ 324,44, ao invés dos R$ 3.244,40 declarados. 3.3 No que se refere à "Devolução Indevida de Previdência Privada e Fapi", segue anexo comprovante do Banco do Brasil da quantia no valor exato do que foi lançado no momento da declaração, sendo que a mesma está dentro das previsões legais e orientações na própria Secretaria da Receita Federal.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 40/42, que restou assim ementado: GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito à sua dedução condicionase à comprovação dos pagamentos declarados. GLOSA DE DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI Não havendo o contribuinte comprovado ter efetuado os pagamentos declarados, é de se manter a glosa. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 13/05/2011 (AR fl. 43), o interessado interpôs o recurso de fl. 45, em 14/06/2011. Em sua defesa, pretende sejam consideradas as despesas médicas referentes a Unimed Paulistana, conforme novos instrumentos comprobatórios em anexo. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Resolução nº 2801000.180 S2TE01 Fl. 63 3 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, a alegação da defesa é de que teria o direito de deduzir a título de despesas médicas, no anocalendário em exame, o valor de R$ 7.496,21 referente ao pagamento que efetuou do plano de saúde Unimed Paulistana. Conforme “Declaração de Pagamento” emitida pela Unimed Paulistana, à fl. 47, ficou demonstrado que o contribuinte pagou o referido montante, no anocalendário de 2006, relativamente a ele próprio com titular e aos seguintes dependentes: Sirlene Aparecida Aarão e Caio Eduardo Aarão Fonseca. Verificase que tais dependentes não constam relacionados na declaração em tela. Quanto à essa matéria, assim orientava a Receita Federal em seu “Manual de Perguntas e Respostas”, quanto ao preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007, anocalendário de 2006: “PLANO DE SAÚDE — DECLARAÇÃO EM SEPARADO 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou filhos. No caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as deduções a que estes teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado, a parcela do plano de saúde correspondente ao outro cônjuge ou aos filhos é considerada indedutível na declaração do titular do plano.” Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, VOTO pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem a fim de que o contribuinte seja intimado a comprovar a relação de dependência de Sirlene Aparecida Aarão e Caio Eduardo Aarão Fonseca, bem como informar se os referidos dependentes apresentaram declaração em separado para o exercício 2007, anocalendário 2006; pleiteando dedução a título de despesas médicas efetuadas junto à Unimed Paulistana. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002889/200981 Resolução nº 2801000.180 S2TE01 Fl. 64 4 Se ficar comprovada a relação de dependência, deverá a fiscalização averiguar a veracidade da informações prestadas pelo contribuinte, esclarecendo se os possíveis dependentes apresentaram declaração em separado para o exercício 2007, anocalendário 2006; pleiteando dedução a título de despesas médicas efetuadas junto à Unimed Paulistana. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904662/2009-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10120.904662/2009-94
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175528
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3801-001.546
nome_arquivo_s : Decisao_10120904662200994.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10120904662200994_5175528.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4380075
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214340595712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.904662/200994 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801001.546 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria COFINS/PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente DATAREY SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 46 62 /2 00 9- 94 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 06658.84368.150306.1.3.043882, transmitida eletronicamente em 15/3/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/7/2004 6912 3.375,75 13/8/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1661072331 3.375,75 DB: cód 6912 – PA 31/7/2004 3.375,75 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 603,74. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 17), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904662/200994 Acórdão n.º 3801001.546 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000014/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE DILIGENCIA FISCAL. RECURSO PROVIDO
O não atendimento de expediente da fiscalização de suposta locatária, sem qualquer outra diligencia pela fiscalização junto a ela, empresa regularmente estabelecida, não legitima a cobrança do imposto sobre receita de aluguel supostamente omitida, quando negada a existência pelo autuado, sob pena de exigir deste, a realização de prova negativa.
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazê-la. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazê-lo com numerário.
Numero da decisão: 2102-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso, para restabelecer a dedução com o tratamento com a fonoaudióloga, no valor total de R$ 1.500,00, e afastar a exigência sobre a omissão de rendimentos no valor de R$ 12.000,00, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE DILIGENCIA FISCAL. RECURSO PROVIDO O não atendimento de expediente da fiscalização de suposta locatária, sem qualquer outra diligencia pela fiscalização junto a ela, empresa regularmente estabelecida, não legitima a cobrança do imposto sobre receita de aluguel supostamente omitida, quando negada a existência pelo autuado, sob pena de exigir deste, a realização de prova negativa. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazê-la. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazê-lo com numerário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13890.000014/2008-53
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179991
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.105
nome_arquivo_s : Decisao_13890000014200853.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 13890000014200853_5179991.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso, para restabelecer a dedução com o tratamento com a fonoaudióloga, no valor total de R$ 1.500,00, e afastar a exigência sobre a omissão de rendimentos no valor de R$ 12.000,00, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4432958
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214523047936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 57 1 56 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13890.000014/200853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.105 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente ANIZ BUCHDID Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE DILIGENCIA FISCAL. RECURSO PROVIDO O não atendimento de expediente da fiscalização de suposta locatária, sem qualquer outra diligencia pela fiscalização junto a ela, empresa regularmente estabelecida, não legitima a cobrança do imposto sobre receita de aluguel supostamente omitida, quando negada a existência pelo autuado, sob pena de exigir deste, a realização de prova negativa. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazêla. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazêlo com numerário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso, para restabelecer a dedução com o tratamento com a fonoaudióloga, no valor total de R$ 1.500,00, e afastar a exigência sobre a omissão de rendimentos no valor de R$ 12.000,00, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 00 14 /2 00 8- 53 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13890.000014/200853 Acórdão n.º 2102002.105 S2C1T2 Fl. 58 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 5a. Turma da DRJ/SP2, de 06 de janeiro de 2011 (fls. 38/45), que por unanimidade de votos negou provimento à impugnação apresentada tempestivamente pela Recorrente, mantendo assim a exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 26/05/2005 (fl. 05), no valor total de R$ 10.072,25, sendo R$ 4.757,35 a título de imposto suplementar, R$ 3.568,01 de multa de ofício e R$ 1.746,89 de juros de mora. Com efeito, o lançamento teve origem na glosa da dedução da base de cálculo do imposto de valores pagos a título de despesas médicas no valor de R$ 5.500,00, por falta de comprovação ou de previsão legal para a sua dedução, sendo R$ 1.500,00 à fonoaudióloga Sra. Carla M R B de Lima e R$ 4.000,00 à psicóloga Sra. Patrícia M R Ragonha (fl. 06), e omissão de receitas no valor de R$ 12.000,00, constantes na DIRF apresentada pela empresa Canello Engenharia de Construções Ltda., CNPJ 52.287.539/000177, que não foi oferecido à tributação pelo autuado quando da apresentação da DIRPF (fl. 09). Notificada do lançamento, a esposa e inventariante do autuado, Sra. Sonia Maria Bastos Buchdid apresentou impugnação, onde requer a notificação da empresa Canello Engenharia de Construções Ltda., para que apresente provas dos pagamentos alegados, uma vez que assegura que não houve qualquer recebimento de valores daquela empresa. Quanto às deduções de despesas, alegou que efetivamente foram pagos, em dinheiro, conforme os dez recibos apresentados, no valor individual de R$ 150,00 (fls. 11/14), à fonoaudióloga Carla Merloto R.B. de Lima no período de março a dezembro de 2.004, assim como à psicóloga Patrícia M. R. Ragonza, por sessões que ocorreram nos meses de setembro a dezembro de 2.004, apresentando quatro recibos nos valores de R$ 1.000,00 (fl. 15). Diante da divergência apresentada entre a DIRF da empresa Canello Engenharia de Construções Ltda. e a DIRPF do autuado, em sessão de 11 de junho de 2.010 a 5a Turma da DRJ/SPO II, por despacho, propôs o encaminhamento do processo à DR/PCA/SECAT para a intimação da suposta locatária, no sentido de esclarecer através da apresentação de documentos, a divergência suscitada. Notificada (fl. 36), a empresa não se manifestou. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13890.000014/200853 Acórdão n.º 2102002.105 S2C1T2 Fl. 59 3 Retornando o processo a julgamento, conforme destacado inicialmente, a 5a Turma da DRJ/SP2 manteve integralmente o trabalho fiscal, afirmando que as despesas que redundaram em dedução da base de calculo do imposto, quando questionadas pela fiscalização, devem ser evidenciadas com a apresentação de exames, laudos médicos, dentre outros documentos e comprovantes do efetivo pagamento, citando precedentes do Conselho de Contribuintes neste sentido. Quanto à divergência da DIRF e DIRPF, que redundou na exigência do imposto de renda por omissão de receitas, em função do não atendimento da notificação pela empresa Canello Engenharia de Construções Ltda., o que constitui falta de novos elementos, entendeu pela manutenção do trabalho fiscal. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, destacou o que considera incoerência no entendimento proferido pela decisão recorrida, que manteve a glosa das despesas para as quais foram apresentados os recibos dos pagamentos e a da suposta omissão de receitas, não obstante qualquer documento fosse apresentado pela empresa declarante, o que constitui uma dúbia interpretação da lei. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Inicialmente, sobre a glosa das despesas, entendo que deva ser acolhida parcialmente as alegações da Recorrente, para afastar a pretensão fiscal sobre os pagamentos declarados à fonoaudióloga Carla M.R.B. de Lima, por sessões de terapia fonoaudiológica, no valor de R$ 150,00 por sessão, conforme recibos de fls. 11/14, aceitável que fossem pagos em espécie. Assim, entendo que deva ser restabelecida a dedução do valor de R$ 1.500,00. Quanto às despesas com a psicóloga Patrícia M.R. Ragonha, representadas por quatro recibos no valor de R$ 1.000,00, em todos fazendo referência a 10 sessões de psicoterapia, sem qualquer comprovação do efetivo pagamento, entendo que a dedução não deve ser acolhida, mantendo assim, a glosa decorrente do trabalho fiscal. Com efeito, a aceitação da redução da base de cálculo de tais valores, a título de despesas com psicólogos, está condicionada à comprovação do efetivo pagamento, e não da simples apresentação de recibos, pois até mesmo em consideração aos valores envolvidos, o usual, seria a utilização de cheques ou mesmo de expedientes bancários para a transferência do numerário, o que é de fácil comprovação. O direito à dedução da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas dos valores pagos a título de despesas com profissionais desta área está assegurado pela legislação, mas esta também estabelece como ônus do contribuinte, fazer a prova sempre que instado pela fiscalização, de que tais despesas efetivamente foram por ele suportadas. A Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13890.000014/200853 Acórdão n.º 2102002.105 S2C1T2 Fl. 60 4 simples apresentação de recibos, notadamente em valores tais, não são suficientes para usufruir do benefício. A dedução da base de cálculo do imposto de renda dos valores pagos a profissionais da psicologia encontra previsão legal no inciso II alínea “a” e par. 2o da Lei 9.250/95 , que assim estabelecem: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2° O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifos Nossos). Mas além desta previsão legal, relevante mesmo é que as razões da fiscalização bem como o trabalho que resultou na lavratura do Auto de Infração encontra respaldo na legislação fiscal, que até mesmo coloca para o agente como uma atribuição nas suas funções, a de exigir dos contribuintes a comprovação dos efetivos pagamentos das despesas alegadas, sob pena de glosa, pois envolve a base de cálculo do imposto de renda, sobre a qual não lhe é facultado dispor de forma diferente. Com efeito, o artigo 73, § 1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) e o artigo 46 da IN SRF n° 15/2001 estabelecem: Regulamento do Imposto de Renda RIR199 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (grifamos) Vários são os precedentes deste colegiado a respeito, todos, como não poderia deixar de ser, no sentido do que estabelece a legislação acima transcrita, dos quais destacamos as seguintes ementas: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13890.000014/200853 Acórdão n.º 2102002.105 S2C1T2 Fl. 61 5 IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto _à idoneidade do documento (Ac. 1° CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 01 1.458). IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovados os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legitima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1° CC 10416647/1998). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Se o contribuinte não logra comprovar por outros meios as despesas médicas relacionadas em recibos declarados inidôneos, apresentase correta a glosa de despesas, conforme preceitua o art. 73 do Decreto n° 3.000/99 (Ac.10615484, sessão de 26/4/2006). No tocante à suposta omissão de receitas, o não atendimento pela empresa que declarou pagamentos ao autuado na DIRF não pode convalidar a exigência do imposto, como se fossem apresentados documentos que infirmassem a negativa do Recorrente, externando assim, entendimento contrário ao proferido na decisão recorrida, pois se outros expedientes não foram providenciados pela fiscalização, não pode, sob pena de se exigir prova negativa do autuado, para afastar a pretensão fiscal. A DIRF constante à fl. 24 faz referência a pagamento de Alugueis e Royalties Pagos a Pessoa Física, e o endereço da declarante Canello Engenharia de Construções Ltda., para a qual foi remetida a Intimação de fl. 33, qual seja, Rua 8, n.o 1.026 – Centro – Rio Claro – SP não figura na declaração de bens do autuado, como imóvel de sua propriedade, conforme pode ser constatado às fl. 29, portanto, se de outro estabelecimento, deveria ser objeto de diligencia da fiscalização, o que não ocorreu, portanto, nada podendo ser exigido do Recorrente, devendo assim, ser afastada a pretensão fiscal sobre esta acusação. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte, para manter a glosa sobre as despesas com a psicóloga, no valor total de R$ 4.000,00, e restabelecer a dedução com o tratamento com a fonodióloga, no valor total de R$ 1.500,00, assim como afastar a exigência sobre a não comprovada omissão de receitas no valor de R$ 12.000,00. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13890.000014/200853 Acórdão n.º 2102002.105 S2C1T2 Fl. 62 6 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.908810/2008-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. APURAÇÃO DA LIQUIDEZ. APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA EFETIVA EXPORTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A comprovação das exportações realizadas, mediante apresentação das guias de exportação, carimbadas pela Cacex, acompanhada dos documentos comprobatórios do desembaraço aduaneiro e da quitação dos títulos cambiais, originais ou autenticados, é condição necessária para comprovar a liquidez do crédito-prêmio de IPI utilizado na compensação declarada.
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO ILÍQUIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de comprovação da liquidez do crédito impossibilita a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Dr. Luiz Felipe Schmitt Mussnich, OAB RS nº 44.671, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. APURAÇÃO DA LIQUIDEZ. APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA EFETIVA EXPORTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A comprovação das exportações realizadas, mediante apresentação das guias de exportação, carimbadas pela Cacex, acompanhada dos documentos comprobatórios do desembaraço aduaneiro e da quitação dos títulos cambiais, originais ou autenticados, é condição necessária para comprovar a liquidez do crédito-prêmio de IPI utilizado na compensação declarada. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO ILÍQUIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de comprovação da liquidez do crédito impossibilita a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11080.908810/2008-45
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5176290
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3802-001.384
nome_arquivo_s : Decisao_11080908810200845.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 11080908810200845_5176290.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Dr. Luiz Felipe Schmitt Mussnich, OAB RS nº 44.671, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4395431
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041214550310912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 20 1 19 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.908810/200845 Recurso nº 946.543 Voluntário Acórdão nº 3802001.384 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente CIBER EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. APURAÇÃO DA LIQUIDEZ. APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA EFETIVA EXPORTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A comprovação das exportações realizadas, mediante apresentação das guias de exportação, carimbadas pela Cacex, acompanhada dos documentos comprobatórios do desembaraço aduaneiro e da quitação dos títulos cambiais, originais ou autenticados, é condição necessária para comprovar a liquidez do créditoprêmio de IPI utilizado na compensação declarada. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO ILÍQUIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de comprovação da liquidez do crédito impossibilita a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Dr. Luiz Felipe Schmitt Mussnich, OAB RS nº 44.671, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 88 10 /2 00 8- 45 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, em que, por unanimidade de votos, não acolheram a preliminar de nulidade, e, quanto ao mérito, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o Despacho Decisório Eletrônico contestado, com base nos fundamentos expostos no enunciado da ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a decretação de nulidade do Despacho Decisório, sob o argumento de cerceamento de defesa, quando o Relatório Fiscal que o acompanha contém as informações necessárias e suficientes para justificar as glosas. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Justificase a manutenção da glosa do créditoprêmio do IPI registrado na escrita fiscal se não foi apresentada a documentação original comprobatória das efetivas exportações, e a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não supriu tal deficiência, por estar incompleta, não autenticada e ilegível ou rasurada. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são acrescidos de multa de mora e de juros de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 806DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11080.908810/200845 Acórdão n.º 3802001.384 S3TE02 Fl. 21 3 Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório encartado no referido julgado: Tratase de manifestação de inconformidade diante de Despacho Decisório Eletrônico – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, que reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento de saldo credor do IPI, no 2º trimestre de 2004, pleiteado através do PER/DCOMP nº 15663.17091.270704.1.1.012003, transmitido em 27 de julho de 2004. O montante solicitado corresponde a R$ 356.235,42 e foi reconhecido o crédito de R$ 84.598,48. Os motivos para o deferimento parcial foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. As conclusões do procedimento fiscal levado a efeito para apurar a legitimidade deste e outros pedidos formulados pelo contribuinte estão descritas no Relatório Fiscal, que anexei ao processo, obtido no site da RFB na internet, na qual consta, em síntese, que no período compreendido entre o 2º trimestre de 2004 e o 3º trimestre de 2005 o contribuinte consignou, no livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI – o montante de R$ 2.110.903,59 a título de créditoprêmio, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05/03/1969, tendo por fundamento decisão judicial transitada em julgado, que lhe assegurou o aproveitamento desse benefício, relativo ao período de 01/01/1980 a 01/04/1981. Todavia, não apresentou a documentação original comprobatória de todas as exportações que originaram tal crédito, o que impossibilitou a verificação de sua legitimidade. Além disso, em análise preliminar das planilhas de apuração do crédito, a fiscalização também constatou irregularidades com relação a taxa de câmbio e alíquotas de IPI adotadas pela empresa. Em decorrência, foi integralmente glosado o créditoprêmio escriturado, que no período relativo ao presente processo corresponde a R$ 402.732,56. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório, por falta de fundamentação, tendo em vista que o autor da Informação Fiscal teria feito alegações genéricas para justificar as glosas, não tendo demonstrado quais parcelas correspondem às irregularidades apontadas, nem a fundamentação legal das exclusões. Prossegue afirmando que o Despacho Decisório menciona pelo menos três PER/DCOMPS diferentes, com direitos creditórios e cálculos próprios, mas o Relatório de Fiscalização teria demonstrado o somatório final dos valores não aceitos. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Sustenta também que a referida manifestação seria imprópria, por não conter “qualquer indicação ou menção quanto aos fatos que a motivaram, denotandose flagrante cerceamento de defesa, haja vista não declinar o i. Fiscal, especificamente, de forma minuciosa, os motivos pelos quais glosou o crédito da Requerente.” Assim, considera que teriam sido afrontados o art. 5°, inciso LV, bem como no art. 93, IX da Constituição Federal, que transcreve. Quanto ao mérito, defende, inicialmente, o seu direito ao ressarcimento do créditoprêmio de IPI, discorrendo sobre os fundamentos legais do benefício, bem como sobre a ilegalidade da Portaria MF nº 960, de 1979, que determinou a sua suspensão, concluindo que o seu direito decorre de provimento judicial que não pode ser obstruído pelo Despacho Decisório atacado. Quanto à ausência de comprovação das exportações, alega que a documentação original existe, teria sido juntada ao processo judicial, e que está anexando cópias desta (doc. 05), sendo incabível o argumento da fiscalização, que também não tem fundamento legal. Também considera inadequada citação de ementa de acórdão do TRF4a Região, pois aplicase somente às partes do processo judicial em que proferido, à vista do art. 472 do Código de Processo Civil, além de referirse a liquidação de sentença por artigos, na esfera judicial. Alega que a comprovação das exportações teria sido realizada no bojo do processo judicial como forma de demonstrar a legitimidade de seu pleito. Observa também que o citado acórdão não refere a necessidade de apresentação de documentos originais para comprovação do direito. A seguir insurgese contra a atualização, pela taxa Selic, dos débitos que estão sendo exigidos em decorrência da não homologação das compensações declaradas, alegando sua inconstitucionalidade. Também contesta os percentuais de multa e juros aplicados, dizendo que a carta cobrança não especifica a fundamentação legal para sua exigência, o que caracteriza cerceamento de defesa. Ademais a aplicação de multa de 20% afrontaria a política econômica praticada pelo governo e o princípio da capacidade contributiva previsto na Constituição Federal. Defende, ainda, a possibilidade dos órgãos judicantes da administração pública analisarem a constitucionalidade das leis. Por fim, reitera o pedido de acolhimento da preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, requer a reforma do DDE e a desconsideração das glosas praticadas. Protesta pela juntada posterior de documentos que comprovem seu direito. Em 11/04/2012, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 09/05/2012, apresentou o presente Recurso Voluntário, em que, apenas em relação ao mérito, reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade. Em aditamento, alegou que: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11080.908810/200845 Acórdão n.º 3802001.384 S3TE02 Fl. 22 5 a) a exigência de apresentação das vias originais dos documentos comprobatórios das exportações efetuadas pela Recorrente, como condição para o reconhecimento do direito creditório pleiteado, mostrase incabível, com base no argumento de que as cópias das Guias de Exportação juntadas ao processo judicial tornaramse autênticas, uma vez que a Fazenda Nacional não havia impugnado a autenticidade de tais documentos; b) a não contestação pela Fazenda Nacional do demonstrativo de cálculo apresentado na fase de liquidação judicial, também afastava a alegação de que a documentação apresentada no processo judicial seria insuficiente para quantificar o montante do crédito pleiteado; e c) a não contestação da veracidade dos documentos no âmbito do citado processo judicial impossibilitava a renovação da questão no âmbito deste processo. No final, requereu o apensamento deste processo ao de nº 11080.000687/2007 31, que se encontrava pendente de julgamento neste Conselho e tratava da mesma matéria discutida nos presentes autos, para que fossem analisada conjuntamente toda a documentação trazida em cada um deles. No mérito, requereu que fosse julgado totalmente improcedente o lançamento fiscal constante do presente Despacho Decisório, homologandose integralmente a compensação efetuada. Em 11/05/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de junho de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do pedido de apensamento de processo. Sob o argumento de que tratavam da mesma matéria, a Recorrente requereu o apensamento deste processo ao de nº 11080.000687/200731, para que fossem apreciados em conjunto, de modo a se estabelecer um único julgamento com base nos fundamentos de fato e de direito neles aduzidos. O referido processo trata de Auto de Infração, formalizado para cobrança de crédito tributário resultante da glosa dos valores do créditoprêmio de IPI, indevidamente registrados na escrita fiscal da Recorrente, no 2º decêndio de agosto de 2001 e no 3º decêndio de novembro de 2001, enquanto que os presentes autos tratam da exigência de crédito tributário indevidamente compensado, em decorrência da inexistência do crédito utilizado, por força da glosa dos valores do créditoprêmio de IPI, indevidamente registrados no 2º trimestre de 2004. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Assim, embora o motivo da referida autuação seja a falta de comprovação dos valores do suposto créditoprêmio de IPI objeto da presente controvérsia, entendo inviável o apensamento pleiteado, porque os respectivos processos tratam de matérias distintas (autuação e compensação). Do objeto da presente controvérsia. A presente controvérsia limitase a comprovação, com documentação hábil e idônea, da efetiva realização das exportações que ensejariam o direito ao valor do crédito prêmio utilizado pela Recorrente no presente procedimento compensatório. Em outras palavras, a presente lide cingese a questão atinente à liquidez do direito creditório informado pela Recorrente, posto que o reconhecimento da sua certeza já foi feito no âmbito do processo da Ação Ordinária nº 00.06914616, que tramitou perante a 5ª Vara Federal de Porto Alegre/RS. Segundo o Relatório de Fiscal de fls. 638/641, embora devidamente intimidado, a Recorrente não apresentou os originais das guias de exportação carimbadas pela Cacex e dos documentos comprobatórios do desembaraço aduaneiro e da quitação dos títulos cambiais, a documentação reputada hábil e idônea a comprovar as exportações realizadas no período de 01/01/1980 e 01/04/1981. Em resposta a referida intimação, declarou a Recorrente que os documentos originais havia sido extraviados, possuindo apenas as cópias das Guias de Exportação. Em relação esse ponto, no presente Recurso, alegou a Interessada que a exigência de apresentação das vias originais dos citados documentos mostravase incabível, com base no argumento de que as cópias das Guias de Exportação juntadas ao processo judicial tornaram as autênticas, uma vez que a Fazenda Nacional não havia impugnado a autenticidade de tais documentos no âmbito do processo judicial. Não procede tal alegação, pois, no processo da Ação Ordinária nº 00.0691461 6 a demanda limitouse apenas ao acertamento do direito de a Recorrente creditarse do valor do créditoprêmio, previsto no art. 1º do Decretolei nº 491, de 1996. Confirma o asseverado o teor da Petição Inicial de fls. 118/164 e do dispositivo da Sentença de fls. 182/194. Ora, se a apuração do valor crédito não foi objeto do referido processo de conhecimento, obviamente a análise da idoneidade da documentação comprobatória das exportações não estava em discussão, logo, não poderia a Fazenda Nacional manifestarse sobre a matéria. O momento propício para tal análise, evidentemente, era na fase de liquidação de sentença, o que não ocorreu no caso em tela. Também não procede a alegação de que, no âmbito do processo administrativo nº 11080.009612/9774 (fls. 236/278), a referida documentação não sofrera qualquer contestação por parte da Fisco. De fato, tal contestação não houve, mas por motivo óbvio, o objeto da discussão limitouse ao alcance da decisão judicial, especialmente em relação às questões atinentes aos índices de atualização do crédito e a forma de ressarcimento do valor pleiteado. Assim, como não fez parte da lide a análise da apuração do valor do crédito, não foi objeto de apreciação a suposta documentação colacionada aos referidos autos. Também não procede a alegação da Recorrente de que a não contestação, pela Fazenda Nacional, do demonstrativo de cálculo apresentado na fase de liquidação judicial também afastava a alegação de que a documentação apresentada n o processo judicial era insuficiente para quantificar o montante do crédito pleiteado. Primeiro, porque não há nos autos provas de que a Recorrente tenha apresentado tal demonstrativo. Segundo, porque há Informação da Contadoria Fl. 810DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11080.908810/200845 Acórdão n.º 3802001.384 S3TE02 Fl. 23 7 Judicial nos autos (fl. 220) que declara a impossibilidade de realização da conta de liquidação do feito, uma vez que “os documentos constantes nos autos não possibilitam verificar a importância que fazia jus o autor”. Não corresponde a verdade dos autos, a informação da Recorrente de que “a documentação original fora juntada justamente no processo judicial que ensejou o reconhecimento do crédito” em seu favor, pois, conforme expressamente consignado na referida Petição Inicial (fl. 120) e no relatório integrante da referida Sentença (fl. 182), aos referidos autos foram anexadas apenas Guias de Exportação e por amostragem. No meu entendimento, a comprovação da liquidez do créditoprêmio do IPI deve ser feita com base em elementos probatórios robustos que demonstrem de forma cabal as operações de comércio exterior efetivamente realizadas. A jurisprudência do E. TRF da 1ª Região não discrepa desse entendimento, conforme se extrai do enunciado da ementa a seguir a transcrito: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO DE SENTENÇA: IPI CRÉDITOPRÊMIO (DL 491/69) EMBARGOS DA FAZENDA NACIONAL PROCEDENTES: EXECUÇÃO ANULADA NECESSIDADE DA PRÉVIA LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS: ART. 608 DO CPC DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA EFETIVA EXPORTAÇÃO APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1 O creditamento fundado no incentivo fiscal do antigo Dl 491/69 pressupõe a efetivação da exportação devidamente comprovada, cuja liquidez só se apura à vista de documentos próprios [guia de exportação carimbadas da CACEX (Carteira de Comercio Exterior do Banco do Brasil, delegada do DECEX Departamento de Comercio Exterior), prova do desembaraço aduaneiro e quitação adequada dos títulos cambiais], além da necessária qualificação do produto exportado e sua classificação na NBM (Nomenclatura Brasileira de Mercadorias), o valor do frete e do seguro ("bill of lading"), eventuais exclusões da base de cálculo, data do embarque, documento de conhecimento de embarque com informação sobre o transporte utilizado para a exportação e data de sua saída. Tudo para possibilitar a conferência, pelo órgão fiscalizador, da escrituração contábil da empresa, visando à homologação e/ou à glosa (ônus do contribuinte). 2 Somente com a apresentação de todos os documentos é possível a comprovação de que a empresa praticou, de fato e por completo, os atos de exportação, tornandose beneficiária do incentivo fiscal, nos termos da legislação de regência. O incentivo fiscal à exportação (crédito prêmio do IPI) ganha relevo e efetividade com a concretização da exportação; se, por algum motivo, ela não se consuma (ausência de pagamento, irregularidade na mercadoria, vícios nas notas e registros, problemas na entrega, devolução do produto etc), não há falar em direito ao creditamento, ainda que crédito já houvesse sido lançado, reclamando, nesses casos, o estorno. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 4 Uma vez definido o "an debeatur" (processo de conhecimento), fazse necessária a apuração do "quantum debeatur", dependente de comprovação do fato jurígeno do direito a efetiva exportação do bem. A execução, portanto, deverá ser precedida da indispensável liquidação, no caso por artigos, nos termos do art. 603 c/c art 608 do CPC. 5 Apelação não provida. 6 Autos recebidos em Gabinete para lavratura do acórdão aos 28/07/2004. Peças liberadas em 02/08/2004 para publicação do acórdão. (AC 003724910.1997.4.01.3400 / DF, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL TOURINHO NETO, SÉTIMA TURMA, DJ p.131 de 20/08/2004) – grifos não originais. No presente caso, as cópias das Guias de Exportação e das Notas Fiscais colacionadas autos, desacompanhadas da prova da realização do desembaraço aduaneiro e da liquidação da respectiva operação cambial, são insuficientes para comprovar as supostas operações de exportação realizadas pela Recorrente, que deram ensejo ao valor do crédito prêmio utilizado no presente procedimento compensatório, o que inviabiliza a comprovação do requisito da liquidez do direito creditório utilizado, requisito indispensável para realização da compensação tributária, conforme previsto no art. 170 do CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Com base nessas considerações, mantenho a não homologação das compensações, por insuficiência do valor do crédito. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 812DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
