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Numero do processo: 10711.000424/89-99
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ADUANEIRO. "DRAW13ACK". INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA
1. Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX.
2. Multas dos art. 524 e 526-II do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial.
Provido o Recurso de Divergência. Desprovido o Recurso da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.009
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao Recurso de Divergência e NEGAR provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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ementa_s : ADUANEIRO. "DRAW13ACK". INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA 1. Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX. 2. Multas dos art. 524 e 526-II do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial. Provido o Recurso de Divergência. Desprovido o Recurso da Fazenda Nacional.
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' 24 ' • - •••:- MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n°. : 10711.000424/89-99 Recurso n°. : RP/301-0.381 e RD/301-0.300 Matéria : `DRAWBACK' e MULTAS Recorrente : FAZENDA NACIONAL e ASBERIT LTDA. Recorrida : PRIMERA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : ASBERIT LTDA. e FAZENDA NACIONAL Sessão de : 20 DE OUTUBRO DE 1.998 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 ADUANEIRO. "DRAW13ACK". INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA 1. Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX. 2. Multas dos art. 524 e 526-II do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial. Provido o Recurso de Divergência. Desprovido o Recurso da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL e ASBERT LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao Recurso de Divergência e NEGAR provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , ,--•":„...,-",:,..>"' --,,y,E, PISON ',.-- 'O • •DRIGUES PRESIDENTE , h/ JO : e/j5aNDA COSTA ' 'LATOR FORMALIZADO EM: 1 7 NO v 1998 ._ Processo n°• : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CATRO NETO, UBALDO CAMPELO NETO e ISALBERTO MÃO LIMA (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. rr"-- 2 Processo n0 : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF103-03.009 Recurso d. : RP/301-0.380 e RD/301-0.299 Recorrente : FAZENDA NACIONAL e ASBERIT LTDA. RELATÓRIO Com o Acórdão n. 301-26.966 de 28 de abril de 1.992, a douta Primeira Câmara do 3. Conselho de contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto por ASBERIT LTDA. para o fim de: 1) negar provimento ao recurso quanto ao direito ao "drawback"- Suspensão, exigindo os tributos incidentes na importação dos insumos; 2) ter por descabida a cobrança das multas dos art. 524 e 526, H do Regulamento Aduaneiro. Entendeu a Câmara que o insumo importado (flocos de fibra têxtil de poliamida aromática) sendo diferente daquele licenciado pela CACEX e descrito no Ato Concessório do "drawback" (fibras sintéticas de poliaraida aromática - ARAMIDA - conforme oficio CACEX/DEMAP 5 C-891 16619, de 13.12.89 ), não se referindo a comprovação em causa à mercadoria efetivamente importada, não era possível considerar tal importação como amparada pelo regime especial. Entendeu ainda a Câmara, por maioria de votos serem indevidas as multas dado que se verificou apenas erro de classificação tarifária. Existindo no processo pedido de esclarecimento do acórdão, apresentado pelo contribuinte, retomaram os autos à Câmara para a devida correção, uma vez que enquanto na decisão fora anotado o provimento parcial para exclusão das duas penalidades, o Relator, no final do Voto, anotara o desprovimento integral do recurso voluntário. A contradição foi eliminada coma expedição do Acórdão 301.- 27.962, de 16 de fevereiro de 1.996. Inconformada com a mudança da classificação tarifária da sua mercadoria e com a denegação da dispensa do pagamento dos impostos, a empresa vem a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com recurso de divergência, apresentando com paradigmas os Acórdãos 303- 3 Processo n°. : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 26.820 e 303 - 26.825 da douta Terceira Câmara que, de maneira totalmente diferente, decidira que, conquanto incorreta a classificação dada pelo fisco à mercadoria, não havia, no entanto, como desconsiderar o adimplemento do "drawback" . Com efeito, o insumo foi empregado integralmente no produto exportado, tendo sido obtido o resultado objeto do compromisso da empresa. Pela mesma razão, a Terceira Câmara entendeu descabida a multa do art. 524 do RA, havendo mantido apenas a multa do art. 526 - II - do RA. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou seu Recurso Especial contra a dispensa das multas dos art. 524 e 526, II do RA, sem no entanto desenvolver quaisquer argumentos. Conclui pleiteando a reforma da decisão da Câmara. Posteriormente, retoma ao processo a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para apresentar contra-razões ao Recurso de divergência, mas o faz como se também fosse um recurso de divergência previsto pelo art. 30 do Regimento Interno, com relação às multas dos ar. 524 e 526-II do Regulamento Aduaneiro. Éo Relatório Ir _ 4 Processo d. : 10711/000424/89-99 Acórdão d. : CSRF/03-03.009 VOTO Conselheiro Relator João Holanda Costa. Em julgamento o Recurso de Divergência apresentado pelo contribuinte e o Recurso da Fazenda Nacional. I - Recurso de Divergência. Nesta questão, tem razão o contribuinte dado que a matéria prima importada conquanto identificada como sendo outra tarifariamente, em vista de certas características que levam à reclassificação na TAB, no entanto correspondeu ao que era necessário e tal como importada serviu para a composição do produto exportado, objeto da comprovação do "drawback" junto à CACEX. Cabe, portanto, considerar que o insumo importado entrou no país sob o regime especial, foi normalmente desembaraçado sem qualquer contestação quanto à natureza. A autuação inicial não acusou a importadora de desvio de aplicação do insumo beneficiado nem se pôs em questão de aquele insumo que entrou no país foi aplicado no produto fmal exportado conforme o compromisso assumido. Não está sendo objeto do recurso de divergência a classificação tarifária do insumo. Por outro lado, na espécie, a reclassificação decorre de a mercadoria importada não ser exatamente a que fora declarada na DI e GI nem no Ato Concessório do "drawback". Não vejo como não dar acolhida ao pleito do recorrente, de ser reconhecido o "drawback" já consumado, sabendo-se que o insumo efetivamente importado foi integralmente exportado. Sobreleva notar que a autuação teve início em ato de revisão do despacho após a ocorrência dos fatos narrados no presente processo, isto é, após mesmo a comprovação do cumprimento do "drawback" quando o produto consumido fora exportado, e pelo simples fato de ter vindo sob a forma de "flocos de fibra" e não de "fibras descontinuas etc". Entretanto, a essência do 5 Processo d. : 10711/000424/89-99 Acórdão n°. : CSRF/03-03.009 insumo, em função do produto final a exportar - PAPELÃO- estava ali presente e foi integralmente exportado como era o compromisso. Voto, por conseguinte, para dar provimento ao recurso de divergência. II - Recurso da Fazenda Nacional. Reconhecido o direito à suspensão de tributo em face da regularidade do "drawback", não há como fazer incidir a multa proporcional ao imposto indevido. Quanto à multa administrativa, tenho-a igualmente como descabida, também pelo fato de o "drawback" se ter cumprido. Com efeito, a matéria prima, conquanto sob a aparência e forma de apresentação diferentes do que fora licenciada, verificou-se que correspondeu à que era necessária para a elaboração do produto exportado como bem demonstrado no Parecer do INT. A rigor, não se poderá afirmar que, no caso, o insumo não estivesse acobertado pela GI, tendo havido mais especificamente uma descrição inexata do material. Voto, assim, para acolher o recurso de divergência e para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional Sala das Sessões, em 20 de outubro de 1.998 j JO O OLANDA COSTA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000424/2004-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente MADEM SA INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 24 /2 00 4- 89 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.349, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13016.000424/200489 Acórdão n.º 9303005.345 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720148/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. USO DE INFORMAÇÃO FALSA. MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a falsidade da informação relativa aos créditos informados em DCOMP é incabível a homologação das compensações declaradas. O contribuinte tinha conhecimento de que a informação que usou era falsa, especialmente porque ele próprio já havia usado o crédito anteriormente. Demonstrada a falsidade em DCOMP é cabível a incidência da multa isolada com o percentual de 150% sobre o valor dos débitos indevidamente compensados.
NULIDADE. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fática trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da penalidade veiculada por meio da autuação. O TVF Complementar é instrumento hábil a veicular autuação complementar, desde que garanta ao contribuinte o amplo direito de defesa.
ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTO DA SANÇÃO EFETIVAMENTE APLICADA INALTERADO.
A mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Não verificadas quaisquer dessas hipóteses, permanecendo inalterada a sanção efetivamente aplicada e seu valor, não há irregularidade ou nulidade.
Pode ser consultado no endereço
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI PARA EFEITO DE SANÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A sanção concretamente aplicada consta de lei anterior a conduta ilícita verificada, e não foi revogata. Não há que se falar em aplicação retroativa da norma sancionadora ou de retroatividade benigna.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02).
DECADÊNCIA.
Não prospera a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a efetividade e legalidade de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. Tratando-se de Declaração de Compensação entendo que inverte-se o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito creditório.
AFRONTA AO PRINCÍPIO DO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Compensação não configura instrumento de defesa de direito, mas sim de exercício pleno de prerrogativa legal, que deve respeitar os limites do ordenamento jurídico. E mesmo que se entenda em contrário, os direitos fundamentais encontram limitação, sendo inconcebível que o exercício do direito de petição possa ser empregado para evitar as conseqüências do uso de informações falsas perante o Fisco. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente volta-se a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é conseqüência da inadimplência do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam provimento ao recurso para reconhecer a alegação de decadência. Declarou-se impedido o
Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. USO DE INFORMAÇÃO FALSA. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a falsidade da informação relativa aos créditos informados em DCOMP é incabível a homologação das compensações declaradas. O contribuinte tinha conhecimento de que a informação que usou era falsa, especialmente porque ele próprio já havia usado o crédito anteriormente. Demonstrada a falsidade em DCOMP é cabível a incidência da multa isolada com o percentual de 150% sobre o valor dos débitos indevidamente compensados. NULIDADE. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA Erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fática trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da penalidade veiculada por meio da autuação. O TVF Complementar é instrumento hábil a veicular autuação complementar, desde que garanta ao contribuinte o amplo direito de defesa. ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTO DA SANÇÃO EFETIVAMENTE APLICADA INALTERADO. A mudança de critério jurídico não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito. Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Não verificadas quaisquer dessas hipóteses, permanecendo inalterada a sanção efetivamente aplicada e seu valor, não há irregularidade ou nulidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 48 /2 01 5- 14 Fl. 460DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI PARA EFEITO DE SANÇÃO. INEXISTÊNCIA. A sanção concretamente aplicada consta de lei anterior a conduta ilícita verificada, e não foi revogata. Não há que se falar em aplicação retroativa da norma sancionadora ou de retroatividade benigna. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ALEGAÇÕES DE CONTRARIEDADE DAS NORMAS APLICADAS À LEI MAGNA E SEUS PRINCÍPIOS. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. (Súmula CARF nº 02). DECADÊNCIA. Não prospera a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a efetividade e legalidade de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. Tratandose de Declaração de Compensação entendo que invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito creditório. AFRONTA AO PRINCÍPIO DO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Compensação não configura instrumento de defesa de direito, mas sim de exercício pleno de prerrogativa legal, que deve respeitar os limites do ordenamento jurídico. E mesmo que se entenda em contrário, os direitos fundamentais encontram limitação, sendo inconcebível que o exercício do direito de petição possa ser empregado para evitar as conseqüências do uso de informações falsas perante o Fisco. CUMULAÇÃO DA MULTA DE 20% COM A MULTA ISOLADA DE 150%. VALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inexistência de bis in idem, pois as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas e que afetam bens jurídicos distintos. A multa isolada de 150% expressamente voltase a punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação. A multa de mora é conseqüência da inadimplência do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam Fl. 461DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 425 3 provimento ao recurso para reconhecer a alegação de decadência. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva . . (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePesidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba (RJ), que não deu provimento à Impugnação e manteve o lançamento complementar, por meio do qual a autoridade fiscal aplicou a penalidade de que trata o art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07. Nos termos do TVF, o contribuinte efetuou compensações indevidas mediante apresentação de falsas informações na Declaração de Compensação a que se refere o processo administrativo nº 16327.720034/201566. No TVF (fls. 07 a 15) consta expressamente que as razões de autuação são os fatos registrados no processo mencionado no parágrafo anterior, razão pela qual a presente autuação tramita em apenso ao PAF referido e é dependente de seu resultado. Tendo em vista que o presente Processo Administrativo decorre de TVF conexo ao Processo Administrativo n. 16327.720034/201566, que acabou de ser julgado por esta Turma, entendo ser necessário fazer constar do presente Relatório a transcrição do Relatório do PAF acima referido, que relata os fatos e circunstâncias que justificaram o presente lançamento. Fl. 462DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Transcrição do relatório contido no acórdão para o PAF 16327.720034/201566 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba (RJ), que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório proferido na DEINF em São Paulo, por meio do qual a autoridade responsável negou integralmente as compensações pretendidas pelo contribuinte, relativa ao PER/DCOMP de nº 28547.27033.310111.1.3.04 3286, no qual o valor utilizado foi de R$ 14.056.740,61. 2. O crédito citado foi utilizado no encontro de contas que teria origem em pagamento efetuado em 31/03/2009, com valor maior que o devido de IRPJ, referente ao imposto resultante do ajuste no anocalendário 2008 (código de arrecadação 2390), de acordo com o PER/DCOMP (fl. 02 a 06). Em 11/07/2014, a interessada justificou que na apuração do IR Devido na Declaração de ajuste não foi compensado o saldo do prejuízo fiscal existente em 31 de dezembro de 2008 (fl. 68), conforme o seguinte demonstrativo (fl. 69): 3. Como prova, a empresa interessada juntou cópia da DIPJ retificadora do mesmo ano (fl. 72 a 108), Demonstrativo de lançamento contábil do valor de R$ 14.056.740,61 Processo 16327.720034/201566 e cópia (fl. 110) do livro Razão da conta Imposto de Renda a Compensar – saldo DIPJ – IR (1144128). 4. Como bem relatado na decisão recorrida, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – referente ao anocalendário 2008 (fls. 25, 26 e 32) foi alterada para incluir compensação com prejuízo fiscal que havia sido desconsiderado na apuração original, o que acarretou na diminuição do lucro real e do imposto devido, conforme reproduzido a seguir: Fl. 463DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 426 5 5. A empresa interessada informou que o prejuízo fiscal alegado teria origem nos anoscalendário 1992 a 1995, sendo que parte do saldo constituído nesse intervalo teria sido aproveitado no anocalendário 1996 e o restante somente em 2008. 6. Como se constatou, as bases de dados da Fazenda Nacional registram que o anocalendário de 1996 foi objeto de procedimento fiscal para o IRPJ, o qual resultou em auto de infração, formalizado através do PAF n.° 16327.000812/200100, e, em que pese a autuação citada tratar justamente do prejuízo fiscal informado pela interessada, esta nada esclareceu a respeito do processo em questão. 7. No referido PAF foi constatado que a contribuinte não respeitou o limite de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, a despeito da imposição fixada pelo artigo 15 da lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, para dedução do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, a partir do encerramento do anocalendário de 1995. 8. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal do referido PAF, o contribuinte teria apurado lucro líquido de R$ 118.898.909,85 e compensado Prejuízo Fiscal de exercícios anteriores no montante de R$ 91.240.494,62. O excesso que ultrapassou o limite de trinta por cento, equivalente a os exatos R$ 55.570.821,67, constituiu a base tributável para lançamento de ofício do Imposto de Renda devido. 9. A conclusão a que se chegou a autoridade fiscal, ratificada pela autoridade julgadora, é a de que todo o prejuízo fiscal existente até 1996 foi utilizado para diminuir o lucro líquido ajustado nos anoscalendário 1996, 1997 e 1998, conforme exaustivamente demonstrado pela própria interessada para defender que o valor devido seria tão somente aquele resultante da postergação do tributo. O contribuinte, ao deduzir prejuízo fiscal no ano em análise, utilizou valor já aproveitado nos exercícios citados. 10. O Acórdão ora Recorrido (06054.213 1ª Turma da DRJ/CTA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Fl. 464DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 DECADÊNCIA. Não procede a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a efetividade e legalidade de fatos ocorridos há mais de cinco anos quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. USO DE INFORMAÇÃO FALSA. Demonstrada a falsidade da informação relativa aos créditos informados em DCOMP é incabível a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 11. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 464 480) em face do referido acórdão, no qual reitera os argumentos de defesa, alegando em síntese: a) Após a regular entrega da DIPJ 2009 (Ano Calendário 2008), a Recorrente identificou em seus controles um saldo de prejuízo fiscal não compensado na apuração original e para aproveitar a compensação deste prejuízo fiscal, no dia 29/12/2009, transmitiu uma DIPJ retificadora; b) Em 31/03/2009, com base na DIPJ/2009 original, a Requerente recolheu R$ 139.386.267,25 (principal de R$ 136.841.024,20 e juros Selic de R$ 2.545.243,05) a título de IRPJ no ajuste anual e, após a compensação de prejuízo fiscal na DIPJ/2009 retificadora, a Recorrente apurou o valor de R$ 122.784.283,59 a este título, reconheceuse um pagamento a maior de principal no valor de R$ 14.056.740,61; c) Assim, defende que no dia 29/12/2009, data da transmissão da retificação da DIPJ/2009, nasceu para a Recorrente um direito creditório perante a Receita Federal, proveniente do pagamento realizado a maior a título de IRPJ no ajuste anual do período de 2008; d) O saldo de prejuízo fiscal baseouse nos lançamentos contábeis e demais registros controlados pela Recorrente, os quais espelham exatamente as informações prestadas à Receita Federal por meio das declarações apresentadas; e) Diante da existência do direito creditório, em 31/01/2011, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP n° 28547.27033.310111.1.3.043286, por meio do qual compensou o montante em comento. Ou seja, após a apuração e declaração do direito creditório à Receita Federal em 29/12/2009, a Requerente optou pela sua compensação em 31/01/2011; f) Por entender ser ilegítimo o prejuízo fiscal compensado na DIPJ/2009 retificadora (o qual acabou por originar o pagamento a maior objeto do PER/DCOMP), conforme relatado pela Fiscalização no Despacho Decisório, no ano de 2001, foi lavrado auto de infração de IRPJ contra a Recorrente, nos autos do processo administrativo n° 16327.000812/2001 Fl. 465DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 427 7 00, questionando a compensação integral de prejuízo fiscal no ano de 1996, sem a obediência ao limite de 30%; g) Em decorrência da não homologação e pelo fato de a Fiscalização ter entendido que a compensação envolveu informações fictícias ("declaração falsa"), impôs à Requerente a penalidade agravada no percentual de 150%, previsto no artigo 18, parágrafo 2o, da Lei n° 10.833, de 2003, combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, por meio da lavratura de auto de infração de multa isolada, originário do processo administrativo n° 16327.720148/201514; Decadência h) Alega o Recorrente que agiu de boafé ao realizar a compensação analisada nos presentes autos (o que, inclusive, afasta a aplicação da penalidade agravada imposta nos autos do processo administrativo n° 16327.720148/201514), motivo pelo qual se aplica ao presente caso, o prazo previsto no artigo 150, §4° do CTN, estando o crédito compensado tacitamente homologado; i) Muito embora a compensação do crédito tenha sido realizada pela Recorrenbte somente em 2011, o Fisco não poderia mais questionar, por meio do auto de infração ora combatido, lavrado somente em 05/02/2015, a legalidade e validade do crédito que surgiu em 29/12/2009, eis que já transcorreu o prazo de decadência / preclusão de cinco anos contados do fato "originário" do crédito (retificação da DIPJ); j) Nesse sentido, aduz que o antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou sobre o tema, reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos, ocorridos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, em outras palavras. o procedimento adotado pela Fiscalização no presente caso vai de encontro à jurisprudência consolidada do E. CARF. Isto porque, é notório que, para glosar a compensação em apreço, a Sra. Agente Fiscal precisou, necessariamente, alterar ou desconsiderar o saldo de prejuízo fiscal da Requerente apurado há mais de 05 anos; Inexistência de Informações Falsas Ausência de Dolo k) Alega que do raciocínio da autoridade administrativa, a única motivação para aplicação da multa agravada residiu no fato de que, no entender da Fiscalização, a Recorrente supostamente agiu de forma dolosa (consciente), aproveitandose de informações fictícias com o intento de suprimir indevidamente o recolhimento de tributo por meio do instituto da compensação; l) Devese ressaltar que o fato de a Fiscalização nem sequer ter demonstrado, de maneira pormenorizada, os motivos pelos quais a Recorrente teria, supostamente, agido com intuito doloso ou fraudulento, por Fl. 466DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 si só, já é suficiente para o afastamento de suas alegações no sentido de que houve falsidade da declaração, por ausência de fundamentação; m) A Recorrente não praticou qualquer ato no intento de prejudicar o Fisco, de modo que não há como prevalecer a alegação de que houve uma "falsidade na declaração de compensação apresentada', já que o procedimento de apuração do crédito foi efetivamente contabilizado e declarado às Autoridades Fiscais; n) Diz ainda que distingue os institutos viciantes dos negócios jurídicos do erro e do dolo é que: (i) no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea, (ii) no dolo, o vício é provocado, é praticado intencionalmente por uma das partes. Ainda, para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica, não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem, é necessária, também, a prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; o) No presente caso, nenhuma destas condutas foi praticada tela Recorrente, tendo em vista que: (i) Todas as declarações fiscais (originais e retificadoras), que deram origem ao crédito compensado, foram devidamente apresentadas ao Fisco Federal por meio das competentes obrigações acessórias, nos exatos termos da legislação de regência; e (ii) A Requerente prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização; p) O motivo para que a Fiscalização julgasse que a Recorrente tinha "consciência" da inexistência do saldo de prejuízo fiscal, está fundado no suposto conhecimento das decisões obtidas nos autos do processo administrativo n° 16327.000812/200100; q) Porém a compensação de prejuízos foi realizada com fulcro nos lançamentos contábeis e controles da Recorrente, que refletem todas as informações transmitidas à SRFB. Efetivamente, o saldo de prejuízo fiscal utilizado na declaração retificadora do anobase de 2008 foi extraído dos registros da Recorrente; r) Diz ainda que “embora a Fiscalização tenha alegado, no TVF, o pedido de desarquivamento dos referidos autos e a obtenção de cópia em 29/07/2014 pela Recorrente, deixou de elucidar que a única resposta apresentada no procedimento fiscalizatório, no sentido de que existia um saldo de prejuízo fiscal, foi protocolada em 11/07/2014, isto é, dias antes de a Recorrente ter em mãos a cópia integral do processo administrativo n° 16327.000812/200100 (mencionese, inclusive, que o processo em questão não sofreu qualquer movimentação processual no período de 01/12/2006 a 26/10/2012, que coincide, exatamente, com o período em que se apresentou a declaração retificadora); s) Diz que é importante deixar claro este histórico de datas, pois, da forma descrita no TVF, a Fiscalização pretendeu fazer crer que, após o pedido de desarquivamento e a análise completa dos autos do processo administrativo n° 16327.000812/200100, a Recorrente, de forma ardilosa, afirmou à Sra. Agente Fiscal a existência do saldo, o que não é a realidade; Fl. 467DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 428 9 t) Esclarece, ainda, que após a resposta dada à Fiscalização em 11/07/2014, alegando a existência do prejuízo fiscal, conforme seus controles, a Recorrente não recepcionou novas intimações a respeito deste tema que pudessem servir para esclarecer os fatos. Assim, considerandose que os controles da Recorrente refletem exatamente as informações prestadas às Autoridades Fiscais por meio da transmissão das declarações, requerse, em homenagem ao já citado princípio da verdade material, que essa E. Turma Julgadora determine o confronto desses valores de modo a se afastar, de forma definitiva, as acusações feitas à Recorrente; u) Demonstrada, diante deste cenário, a boafé da Requerente quando da retificação da DIPJ para compensação dos prejuízos fiscais, cujo saldo era evidenciado em seus registros contábeis (que, reiterese, espelham as informações apresentadas com transparência à Receita Federal), evidente a ausência de dolo, bem como a necessidade de cancelamento da multa agravada lançada nos autos do processo administrativo n° 16327.720148/201514, com base no artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430/96, combinado com o artigo 18, caput e § 2°, da Lei n° 10.833/2003; v) Além de todo o exposto, que entende ser suficiente à exoneração da multa agravada, menciona que a conduta praticada pela ora Recorrente não se trata de uma prática reiterada, que justifique a aplicação da penalidade, mas, tão somente, de uma simples retificadora processada de acordo com os seus controles. x) Conclui requerendo que: (i) sejam acolhidas as razões arguidas a fim de se reformar integralmente o despacho decisório para determinar a homologação da compensação pleiteada no PER/DCOMP n° 28547.27033.310111.1.3.04, e; (ii) caso não se entenda que está devidamente demonstrada a ausência de dolo/máfé por parte do Recorrente, requer a conversão em diligência para que seja disponibilizado nos autos o saldo de Prejuízo Fiscal registrado no SAPLI da Receita Federal atinente ao período em que foi realizada a transmissão de DIPJ/2009. Por sua vez, no presente Recurso Voluntário o contribuinte aduz: Nulidade do “Termo de Verificação Complementar” – Reconhecimento de Erro na Identificação do Fundamento Legal da Exigência a) A despeito do descrito no acórdão recorrido no claro intuito de salvar a autuação, não se presta a infirmar a flagrante alteração do critério jurídico do lançamento promovida por meio da complementação do TVF, bem como a nulidade de tal lançamento. Pelo contrário, as razões do acórdão recorrido somente acabam por reforçar a evidente iliquidez e incerteza do lançamento originário, eivado de nulidade; Fl. 468DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 b) De rigor que a indicação de tal dispositivo legal no presente lançamento não representou mero erro de fato da Autoridade Fiscal, tendo em vista que o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 constou, inclusive, no enquadramento legal que suporta o presente auto de infração; c) Importante notar que a Turma Julgadora “a quo” busca infirmar o exposto no parágrafo acima, entretanto, não explica as razões ou expõe os motivos que levariam a Autoridade Lançadora a citar o referido dispositivo não só no enquadramento legal da autuação, mas, também, no decorrer do TVF originário, sem que este representasse, efetivamente, fundamento do lançamento em foco; d) O acórdão recorrido resta claramente equivocado ao afirmar que a alteração promovida na redação do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 apenas “tratava meramente de declarar a inaplicabilidade das disposições desta lei aos casos de fraude” (fls. 33 do acórdão recorrido). e) Ao contrário do que busca fazer crer o acórdão recorrido, em linha com o TVF originário, o enquadramento legal utilizado pela Fiscalização na presente autuação foi, de fato, o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, com redação alterada pelo art. 8º da Lei nº 13.097/15, combinado com o art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/072, tendo como base de cálculo o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; f) Por sua vez, no TVF Complementar a Fiscalização fundamentou a autuação em epígrafe no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 12.249/103 e no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo como base de cálculo o valor do crédito indevidamente compensado; g) Não foi outro o entendimento da Fiscalização ao lavrar o TVF complementar, tendo em vista que expressamente reconheceu que o enquadramento legal dado pelo TVF originário estava incorreto, pois a Recorrente jamais poderia ter sido autuada, com fundamento de alteração normativa (Lei nº 13.043/2015) ocorrida em data posterior a do fato gerador, a qual, como apontado acima no trecho reproduzido do próprio acórdão recorrido, sem dúvida alterou substancialmente o conteúdo do referido § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; h) Caso acolhido o argumento de que o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 não representou fundamento da autuação fiscal, como indica a Turma Julgadora “a quo”, estarseá, por via reflexa, atestando que a motivação do lançamento seria imprestável; i) Devese reconhecer a nulidade do TVF Complementar, já que a própria Fiscalização expressamente reconheceu o erro de direito no enquadramento da penalidade aplicada no auto de infração originário, o que, ainda que não acolhido pela Turma Julgadora, resultou em claro vício de fundamentação do auto de infração; Fl. 469DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 429 11 Nulidade em Razão da Alteração do Critério Jurídico j) Ainda que fosse possível acolher o exposto no acórdão recorrido, no sentido de que a situação em tela constituiria hipótese de autuação complementar como prevista no §3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que se admite a título argumentativo, também devese reconhecer a nulidade do TVF complementar em razão da evidente alteração do critério jurídico; k) De fato, para que se considere legítima a alteração do critério jurídico do lançamento, necessariamente esta deve se referir a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, o que não é o caso dos presentes autos; l) A Fiscalização alterou o critério jurídico com relação à interpretação da base de cálculo da presente autuação, sendo antes o “valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada” e passou a ser “o valor do crédito indevidamente compensado”; m) O enquadramento legal utilizado pela Fiscalização, como exposto no TVF originário, foi o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, com redação alterada pelo art. 8º da Lei nº 13.097/15, combinado com o art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, 18 com redação dada pela Lei nº 11.488/076, tendo como base de cálculo o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; n) Em sentido oposto, o TVF Complementar veio a alterar tal cenário, fundamentando a autuação em epígrafe no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 12.249/10 (omitindose a menção à alteração trazida pelo art. 8º da Lei nº 13.097/15) e no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo como base de cálculo o valor do crédito indevidamente compensado; o) O critério jurídico foi, sim, alterado, uma vez que, a princípio, fundamentouse o lançamento na redação do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 13.097/2015, cuja base de cálculo é o valor do débito objeto da DCOMP e, posteriormente, com o TVF complementar, passouse a fundamentar o lançamento no mesmo dispositivo legal, entretanto, antes da alteração promovida pela Lei nº 13.097/2015, o qual então tinha como base de cálculo o valor do crédito indevidamente compensado; p) Desta forma, ainda que se concordasse com a Turma Julgadora “a quo”, no sentido de que o TVF complementar representaria um novo lançamento, o presente auto de infração não pode subsistir, por representar uma indevida inovação do critério jurídico quanto a fato ocorrido antes da sua introdução. Portanto, deve ser reformado o acórdão recorrido, com o conseqüente cancelamento da autuação fiscal; Fl. 470DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Revogação da Multa Cobrada no Presente Processo Administrativo q) Também não se pode alegar que o novo enquadramento legal mencionado no Termo de Verificação Fiscal Complementar (redação estabelecida pela Lei nº 12.249/2010, redação vigente à época dos fatos), poderia ser utilizado para fundamentar a manutenção da multa ora combatida; r) Isto porque, da leitura do § 17, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei n 12.249/2010, notase que a referida multa era cobrada tendo por base a penalidade prevista no § 15 (na medida em que faz referência expressa àquela); s) Ocorre que no dia 30/01/2015, foi publicada a Medida Provisória nº 668, que alterou significantemente a cobrança das multas tratadas no artigo 74, da Lei nº 9.430/96. Com efeito, a Medida Provisória nº 668/2015, em seu artigo 4º revogou expressamente o parágrafo 15, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996; t) Ou seja, analisandose a redação do § 17, vigente à época do fato gerador – 31/01/2011 – que referenciava o § 15, combinada com a revogação do mesmo § 15, trazida pela Medida Provisória nº 668/2015 (aplicandose, neste cenário, a retroatividade benigna desta nova norma), simplesmente não há que se falar em multa isolada sobre o valor do crédito não homologado! Diante do exposto, nota se que com a revogação do § 15 pela Medida Provisória nº 668/2015 e as alterações trazidas ao § 17 pela Lei nº 13.097/2015, não mais existe, na legislação vigente, qualquer dispositivo que estabeleça a penalidade sobre os créditos não reconhecidos, conforme preconizava a legislação vigente à época do fato gerador objeto do presente processo administrativo; Da Impossibilidade do Lançamento da Multa Ora Combatida – Necessidade de Decisão Final nos Autos do PAF nº 16327.720034/201566 para a Lavratura do Auto de Infração u) Por força do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74, § 18, da Lei nº 9.430/9613, notase que a impossibilidade de lançamento da multa isolada pela não homologação das compensações está expressamente disposta na legislação pertinente, tornando hialino o descabimento da lavratura do auto de infração em apreço. Em conformidade com os diplomas legais supracitados, as reclamações e os recursos administrativos, impedem o lançamento da multa isolada ora combatida. Fl. 471DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 430 13 Indevida Cumulação da Multa de 20% (Multa de Mora Prevista na Carta Cobrança) com a Multa Isolada de 150% (Compensação Não Homologada) v) Em razão do despacho não homologatório do PER/DCOMP supracitado, que é objeto dos processos administrativos n°s. 16327.720034/201566 (despacho decisório) e 16327.720234/201519 (carta cobrança doe. 05), já foi imputada à Impugnante a multa moratória no percentual de 20%. A base de cálculo utilizada pela Fiscalização para a cobrança da multa de mora de 20% é exatamente a mesma daquela utilizada para a exigência da multa isolada de 150% ora impugnada, qual seja, o valor de R$ 16.444.980,84 (valor este que, no entender da Fiscalização, tratase de um crédito insubsistente). Entretanto, de acordo com os princípios que regem o Direito, não poderia haver, sobre uma mesma base de cálculo e em decorrência da mesma situação fática, a cumulação das multas (isolada e moratória ). Da Necessidade de Aplicação do Princípio da Absorção / Consunção x) Diversamente do exposto no acórdão recorrido, se está diante de uma nítida sobreposição de cobranças decorrentes de um mesmo fato jurídico tido como infracional (não homologação de compensações), em que foram aplicadas duas penalidades distintas (multa de mora e multa isolada), de forma que deve ser reconhecida a aplicação do princípio da absorção, sob pena da consagração do indesejado bis in idem, conforme acima exposto. De acordo com o exposto no acórdão recorrido, a aplicação do referido princípio da absorção / consunção, instituto do direito criminal, não seria adequada em matéria tributária. No entanto, vale dizer que o princípio em questão é pacificamente aplicado por este E. Conselho, evitandose a malfadada dupla penalização do contribuinte. Embora os julgados abaixo tratem da cumulação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais e da multa de ofício, o fato é que se pautam justamente neste princípio para o cancelamento da penalidade “secundária”. z) Na remota hipótese de não ser cancelado o presente auto de infração, o que se admite apenas a título argumentativo, devese, ao menos, ser aplicado o princípio da absorção, mantendose tão somente a maior penalidade exigida, cancelando àquela com menor potencial lesivo, nos termos da doutrina citada na própria decisão recorrida. Vedação ao Confisco e Violação ao Direito de Petição aa) Alinhando argumentos sobre a vedação ao confisco, citando doutrina e jurisprudência, que a multa aplicada viola a Constituição por ser excessiva. Afirma que não espera, desta turma de julgamento, a Fl. 472DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 declaração incidental de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, posto que tal função é precípua do Poder Judiciário. O que requer é apenas que sejam aplicados os princípios constitucionais, em sobreposição aos ditames legais impugnados, visto que a aplicação da multa isolada no percentual de 150% está em manifesta afronta ao Texto Constitucional; Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa bb) O artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. cc) Não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3. do Código Tributário Nacional. Da Decadência e da Inexistência de Informações Falsas Ausência de Dolo dd) No que se refere aos demais argumentos de mérito aduzidos pelo Recorrente, ele reitera os argumentos apresentados no Recurso do Processo Administrativo n. 16327.720034/201566, que acabou de ser julgado por esta Turma, cujo Relatório foi transcrito nas páginas 02 a 07 acima, razão pela qual entendo desnecessário repetilos. ee) Conclui requerendo que: (i) sejam acolhidas as razões arguidas a fim de se reformar integralmente a decisão recorrida cancelando o lançamento realizado, e; (ii) caso não se entenda que está devidamente demonstrada a ausência de dolo/máfé por parte do Recorrente, requer a conversão em diligência para que seja disponibilizado nos autos o saldo de Prejuízo Fiscal registrado no SAPLI da Receita Federal atinente ao período em que foi realizada a transmissão de DIPJ/2009. É o essencial ao relatório. Fl. 473DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 431 15 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Antes de adentrar ao mérito do Recurso Voluntário, aprecio o pedido de conversão em diligência feito pelo contribuinte. O contribuinte entende que, para comprovar a ausência de dolo ou má fé, Aliás, seria de rigor a conversão do presente processo administrativo em diligência a fim de que seja disponibilizado nos autos pela Autoridade Fiscal o saldo de Prejuízo Fiscal registrado no Sistema de Apuração do Prejuízo e do Lucro Inflacionário (“SAPLI”) da Receita Federal do Brasil, atinente ao período em que foi realizada a transmissão da DIPJ/2009 retificadora pela Recorrente (movimentações do SAPLI no ano de 2009), para que se demonstre o histórico do aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal. Para tanto, parte da linha argumentativa de que quando da retificação da DIPJ para compensação dos prejuízos fiscais, o saldo era evidenciado em seus registros contábeis (que, reiterese, espelham as informações apresentadas com transparência à Receita Federal), razão pela qual restaria evidenciada a sua boa fé. Entendo não ser necessária a diligência requerida. Isto porque, a meu ver, o fato de o contribuinte ter se valido do saldo de prejuízos fiscais constante dos seus registros fiscais em nada lhe aproveita. Isto porque os registros contábeis são mantidos e alimentados pelo próprio contribuinte. Outrossim, o que se faz necessário verificar no presente lançamento é se o prejuízo fiscal utilizado pelo contribuinte realmente existia (ou se tratava de informação falsa), e se ele tinha ciência e conhecimento disso. E pelo que vejo dos autos, tais conclusões são possíveis sem a necessidade de conversão em diligência. Assim, entendo que todos os elementos necessários para a formação do meu convencimento e para deslinde do feito estão presentes nos autos, razão pela qual indefiro o pedido de diligência. Passo a apreciar as diversas preliminares e argumentos de mérito suscitados pelo Recorrente. i) Nulidade do “Termo de Verificação Complementar” – Reconhecimento de Erro na Identificação do Fundamento Legal da Exigência; ii) Nulidade em Razão da Alteração do Critério Jurídico; iii) Revogação da Multa Cobrada no Presente Processo Administrativo Fl. 474DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Por questões didáticas analisarei as 3 preliminares em conjunto. Inicialmente, cumpre ressalvar que entendo não merecer retoque a decisão Recorrida quanto a esses 3 argumentos aduzidos pelo Recorrente. A decisão foi suficientemente clara e rebateu ponto a ponto as alegações de impugnação, reiteradas em recurso. Não restam dúvidas que o TVF original se fundou no artigo 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/03 cumulado com o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Para mim também não restam dúvidas que o agente fiscalizador cometeu um erro parcial na fundamentação do presente lançamento. Tal erro foi devidamente identificado e suprido pelo TVF Complementar, que se presta a essa finalidade, senão vejamos do que dispõe o art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ora, o referido dispositivo legal é expresso ao permitir a lavratura de TVF Complementar para alteração de fundamentação legal. Em verdade, é possível lavrar TVF Complementar até para agravamento da exigência inicial (o que não foi o caso). Por sua vez, o mesmo dispositivo legal garante a devolução do prazo para impugnação referente à matéria modificada, o que significa dizer que a lei entende claramente que o TVF Complementar tão somente integra e complementa o TVF original, não por outra razão foi essa a denominação utilizada (TVF Complementar). Ademais, a jurisprudência administrativa é firme no sentido de não se reconhecer de nulidade quando não restar comprovado prejuízo do contribuinte, como o cerceamento do seu direito de defesa. O que claramente não ocorreu no caso concreto. O Recorrente claramente compreendeu e se defendeu amplamente do lançamento contra si lavrado. Em verdade, grande parte das suas razões defensivas antes e depois do TVF Complementar se repetem. Ademais, a reabertura do prazo de impugnação assegurou ao contribuinte que exercesse de forma plena o seu direito de defesa. Fl. 475DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 432 17 Outrossim, em 31/01/2011, data da transmissão da declaração questionada (31/01/11), mesmo que inexistisse a previsão contida nos parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a infração objeto da autuação que instrui este processo já se encontrava submetida à norma resultante da combinação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 com o art. 18 da Lei nº 10.833/03, in verbis: MEDIDA PROVISÓRIA No 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. [...] Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. […] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) […] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No caso concreto, não há que se falar em mudança de critério jurídico, já que os fatos apurados no procedimento fiscal permaneceram inalterados, assim como a penalidade a ele aplicável, o cálculo da multa, e à vigência do o art. 18 da Lei nº 10.833/03. A meu ver o contribuinte tenta coincidir os conceitos de critério jurídico e de fundamentação legal, o que a meu ver são distintos. De fato parte da fundamentação legal adotada no TVF Originário estava equivocada, não obstante a fundamentação do art. 18 da Lei nº 10.833/03. O TVF Complementar se presta a correções quanto à fundamentação legal, e não houve qualquer modificação da interpretação legal aplicável aos fatos ou infração imputada ao contribuinte. Fl. 476DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Em suma, os elementos fáticos discutidos, após a lavratura do TVF Complementar, são os mesmos que motivaram a autuação originalmente lavrada, bem como a multa aplicada continua sendo a mesma e também o valor base de cálculo, já que a penalidade aplicada já possuía prévia e específica cominação legal, anterior aos fatos, não sofrendo qualquer alteração em decorrência das modificações introduzidas nos parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Não existem duas alternativas igualmente válidas para interpretar os atos praticados pela autuada, a penalidade aplicável é aquela prevista para os casos de fraude em compensação, conforme o disposto no art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07), assim, não há também como se afirmar validamente a existência de erro de direito, pois apesar do erro quanto à compreensão de parte das normas que mencionou em sua fundamentação, a autuação lavrada, mesmo em sua versão inicial, tratou de aplicar unicamente a penalidade prevista em lei para os casos de fraude. Como bem explicado na decisão Recorrida, Seja em seu original, seja em suas múltiplas alterações, a Lei nº 9.430/96 não fixava uma sanção específica aplicável aos casos de falsidade e, em 2010, apenas passou a declarar expressamente a sua inaplicabilidade à espécie de infração discutida (o mesmo fez a Lei nº 13.097/15, replicando a parte final da redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Tal circunstância se vincula ao fato de que o uso de informações falsas em declaração de compensação, muito antes da Lei nº 12.249/2010, já possuía disciplina própria, de forma alguma afetada seja pelo diploma legal editado em 2010, pela MP 656/2014, pela Lei nº 13097/15, pelo texto da MP 668/2015 ou, ainda, pelas normas veiculadas através de sua lei de conversão. De acordo com os fatos apurados, a autoridade lançadora aplicou tão somente a penalidade cominada no art.18, caput e §2º Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07), qual seja, a multa isolada, equivalente ao percentual de 150% sobre o valor do débito não homologado, tendo como fato gerador a data de entrega do PER/DCOMP. Conforme já esclarecido na decisão Recorrida, o referido parágrafo dezessete do art. 74 da Lei nº 9.430/96 tratava meramente de declarar a inaplicabilidade das disposições desta lei aos casos de fraude, algo que, além de constar expressamente, desde 2010, da redação anterior à DCOMP eivada de falsidade, de forma alguma alterou a sanção anteriormente prevista, na Lei nº 10.833/03, como, aliás, afirma a exposição de motivos Media Provisória n.° 656/14 (anteriormente reproduzida). Em outras palavras, a revogação da sanção aplicada jamais ocorreu e nem se pode falar em retroatividade de lei sancionadora, pois a efetivamente aplicada, qual seja, a que permite a exigência da multa de 150%, já estava em vigor antes do fato ao qual foi aplicada. Assim, face a tudo o quanto exposto, não há que se falar em Nulidade em razão da correção parcial da fundamentação legal do TVF Originário uma vez que o art. 18 do Decreto 70.235 permite a utilização do TVF Complementar para correção de fundamentação legal. Defender diferente equivaleria a negar vigência ao normativo vigente. Da mesma forma não há que se falar em mudança de critério jurídico vez que a interpretação jurídica dos fatos permaneceu inalterada. Ainda, não houve revogação da multa aplicada não presente caso concreto, razão pela qual não há que se falar em retroatividade benéfica. Face o exposto, não acolho as referidas preliminares. Fl. 477DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 433 19 iv) Da Impossibilidade do Lançamento da Multa Ora Combatida – Necessidade de Decisão Final nos Autos do PAF nº 16327.720034/201566 para a Lavratura do Auto de Infração Igualmente não pode subsistir a alegação de impossibilidade do lançamento da multa ora combatida. A conexão do presente lançamento ao PAF 16327.720034/201566 já produz a segurança jurídica necessária no caso da decisão no referido processo ser favorável ao contribuinte. O que não ocorreu face ao julgamento já realizado por essa turma. A lavratura, no caso, é exigência do art. 18, §3º, da Lei 10.833/03 que determina o julgamento simultâneo da manifestação de inconformidade e da impugnação ao Auto de Infração. Mesmo assim, face o julgamento já realizado do Recurso apresentado no PAF 16327.720034/201566, entendo restar prejudicado o argumento. Não acolho a preliminar arguída. v) Vedação ao Confisco Quanto à penalidade aplicada, o artigo 44 da Lei 9.430/1996 determina que o lançamento de ofício seja acompanhado da cobrança de multa de 75%. Sendo tal exação prevista em lei, os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar o percentual aplicadas em face dos princípios da vedação ao confisco e da proporcionalidade demandariam uma análise da sua constitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal, nos termos da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale ressaltar que a não observância de enunciado de súmula do CARF é, inclusive, causa de perda de mandato dos Conselheiros, nos termos do Regimento Interno do CARF (art. 45, VI do Anexo II da Portaria MF 343/2015). vi) Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 478DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Por sua vez, o mesmo dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. Já o art. 142 do CTN, ao definir crédito tributário dispõe que é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, da conjugação dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Pelo exposto, não dou provimento ao pedido de afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. vii) Afronta ao Princípio do Direito de Petição Sobre a alegação de que restou violado o seu direito de petição, afirma que não espera, desta turma de julgamento, a declaração incidental de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, posto que tal função é precípua do Poder Judiciário. O que requer é apenas que sejam aplicados os princípios constitucionais, em sobreposição aos ditames legais impugnados, visto que a aplicação da multa isolada no percentual de 150% está em manifesta afronta ao Texto Constitucional. Entendo que não há como acolher sua tese pois implicaria desobedecer as Súmulas CARF nº 02 vez que não há como acolher a argumentação do contribuinte sem negar vigência à legislação vigente aplicável. A Declaração de Compensação não configura instrumento de defesa de direito, mas sim de exercício pleno de prerrogativa legal, que deve respeitar os limites do ordenamento jurídico. E mesmo que se entenda em contrário, os direitos fundamentais encontram limitação, sendo inconcebível que o exercício do direito de petição possa ser empregado para evitar as conseqüências do uso de informações falsas perante o Fisco. Todas as suas alegações foram enfrentadas e não houve qualquer violação do direito de petição ou de ampla defesa. viii) Decadência Fl. 479DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 434 21 Passo a apreciar a preliminar de mérito suscitada pelo contribuinte, quanto à decadência do direito do fisco de questionar o prejuízo fiscal utilizado para compensação. Tal preliminar já foi analisada quando do julgamento do PAF 16327.720034/201566 julgado anteriormente. Alega o Recorrente que agiu de boafé ao realizar a compensação analisada nos presentes autos estando o crédito compensado tacitamente homologado. Isto porque, muito embora a compensação do crédito tenha sido realizada pela Recorrente somente em 2011, o Fisco não poderia mais questionar, por meio do auto de infração ora combatido, lavrado somente em 05/02/2015, a legalidade e validade do crédito que surgiu em 29/12/2009, eis que já transcorreu o prazo de decadência / preclusão de cinco anos contados do fato "originário" do crédito (retificação da DIPJ). Cumpre ressaltar inicialmente que, em momento algum a autoridade fiscal questionou a invalidade do prejuízo fiscal apurado entre 1992 a 1995, mas sim quejá havia sido completamente utilizado nos anos 90 do século passado. Quanto à decadência pretendida pelo contribuinte, entendo que não lhe assiste razão. Isto porque o Recorrente está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos. No caso em exame, o crédito provém de saldo de prejuízos apurados em períodos anteriores, que foi utilizado em compensação em período atual. O PER/COMP ativo e com demonstrativo de crédito, objeto do presente contencioso, foi transmitido ou entregue ao Fisco em 31/01/11. Para tanto, não há como o Fisco se furtar de analisar a existência e legitimidade do Prejuízo Fiscal utilizado pelo contribuinte. Acrescentese ainda que a legislação atribui como dever da interessada manter e exibir os documentos que apóiam os registros contábeis, ainda que tenha como origem um fato anterior ocorrido em período de apuração fiscal já decaído, haja vista a pessoa jurídica dever conservar os documentos de sua escrituração relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, enquanto não ocorrida a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios, consoante determina o artigo 37 da Lei nº 9.430, de 1996 (base legal do artigo 264, § 3º, do RIR de 1999): Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. (Grifouse) Tratandose de Declaração de Compensação entendo que invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Por conseguinte, dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito Fl. 480DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 informado. Isto porque, não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o prejuízo fiscal demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma que versa sobre PER/COMP não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. Tais argumentos também foram reafirmados na Solução de Consulta Interna nº 16 Cosit/2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. A homologação tácita de declaração de compensação, tal qual a homologação tácita do lançamento, extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período, a menos que, no caso da compensação de débitos próprios vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Todavia, não há previsão legal de homologação tácita de saldos negativos ou pagamentos a maior, devendo a repetição de indébito por meio de declaração de compensação obedecer aos dispositivos legais pertinentes. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Dispositivos Legais: Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 144, 149, 150, 156 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 368 e 369 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Assim, na linha do quanto exposto na referida consulta, a qual compartilho, não há que se falar em homologação tácita e, portanto, em decadência em relação ao prejuízo fiscal utilizado pelo Recorrente, que deve ser comprovado quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Como bem ressaltado na respectiva Consulta COSIT, identificase corrente de entendimento na jurisprudência administrativa, conclusiva no sentido da não submissão dos saldos negativos de IRPJ à homologação tácita, competindo ao sujeito passivo a prova do indébito tributário, e à Administração Tributária, no âmbito da análise das declarações de compensação, as verificações necessárias à determinação da certeza e liquidez do crédito por aquele invocado: Ementa: VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do Fl. 481DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 435 23 tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. (Acórdão DRJ Campinas nº0525.963, de 16/06/2009) Ementa: SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Publicado no D.O.U. nº 226 de 20/11/2008. (Acórdão nº10323.571, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério daFazenda, Sessão de 18/09/2008) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem os órgãos julgadores tomar conhecimento de matéria atinente à suspensão da exigibilidade de débitos por ser matéria de execução, portanto, estranha à lide. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Publicado no D.O.U.nº 226 de 20/11/2008 (Acórdão nº 10323.579, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sessão de 18/09/2008) O procedimento de homologação da compensação é de iniciativa contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Face ao exposto, não há o que se falar em Decadência no caso concreto, já que PER/COMP ativo e com demonstrativo de crédito, objeto do presente contencioso, foi transmitido ou entregue ao Fisco em 31/01/11, portanto, a decisão contrária à Recorrente, Fl. 482DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 exarada em 23/01/2015, ocorreu dentro do prazo de cincos, sendo plenamente observados os comandos contidos na IN/RFB nº 900/08 (§2º do art. 37 e art. 80). Por conseqüência lógica, não há que se falar em decadência do direito de lançar a multa exigida no presente lançamento. ix) Inexistência de Informações Falsas Ausência de Dolo Neste tópico o Recorrente aduz que a única motivação para aplicação da multa agravada residiu no fato de que, no entender da Fiscalização, a Recorrente supostamente agiu de forma dolosa (consciente), aproveitandose de informações fictícias com o intento de suprimir indevidamente o recolhimento de tributo por meio do instituto da compensação. Alega a Recorrente não praticou qualquer ato no intento de prejudicar o Fisco, de modo que não há como prevalecer a alegação de que houve uma "falsidade na declaração de compensação apresentada', já que o procedimento de apuração do crédito foi efetivamente contabilizado e declarado às Autoridades Fiscais; Aduz que o motivo para que a Fiscalização julgasse que a Recorrente tinha "consciência" da inexistência do saldo de prejuízo fiscal, está fundado no suposto conhecimento das decisões obtidas nos autos do processo administrativo n° 16327.000812/200100; Porém, alega que a compensação de prejuízos foi realizada com fulcro nos lançamentos contábeis e controles da Recorrente, que refletem todas as informações transmitidas à SRFB. Efetivamente, o saldo de prejuízo fiscal utilizado na declaração retificadora do anobase de 2008 foi extraído dos registros da Recorrente; Segue tratando de cronogramas de datas em razão de pedido de desarquivamento do processo administrativo n° 16327.000812/200100. Segue ainda alegando boa fé, entre outros argumentos. Entendo que neste tópico a análise tem que ser muito mais restrita do que os debates travados entre o juízo a quo e o Recorrente. Isto porque, alegações atinentes à má fé e a aplicação da multa agravada serão devidamente enfrentadas no Processo Administrativo que exige a multa isolada. O que deve ser avaliado no presente caso é: i) o direito creditório utilizado na PER/DCOMP n° 28547.27033.310111.1.3.043286 existia à época da sua apresentação?; ii) em não existindo, o contribuinte tinha conhecimento da sua ilegitimidade? A meu ver a resposta a essas duas questões são mais do que suficientes para o deslinde do feito. Dos documentos constantes dos autos, a meu ver resta absolutamente comprovado que a Recorrente, vários anos antes da transmissão da retificadora da DIPJ 2009 e do PER/DCOMP objeto deste processo, tinha plena consciência de que o prejuízo fiscal relativo aos anoscalendário de 1992 a 1995 já havia sido completamente utilizado antes do final dos anos 90 do século passado e que, portanto, o pagamento a maior que alega não existiu. Por outro lado, é absolutamente ilógico e irrazoável o Recorrente sugerir que não possuía conhecimento de que o referido prejuízo fiscal já tinha sido utilizado ou, ainda, Fl. 483DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 436 25 fazer digressões a respeito dos pedidos de cópias relativos ao processo administrativo n° 16327.000812/200100. Os argumentos trazidos pela Autoridade Fiscal e a Julgadora, bem como os trechos das decisões relativas ao referido processo ou, ainda, o pedido de cópia formulado, são apenas complementares mas, a meu ver, dispensáveis para a verificação da ocorrência da infração e da ilegitimidade do direito creditório. Mesmo assim, como bem argumentado na decisão Recorrida: 57. Em harmonia com o exposto, cabe consignar que para se acolher as alegações de mero erro, que foram alinhadas na manifestação de inconformidade, seria necessário crer ou aceitar que a interessada tivesse perdido ou extraviado as cópias das DIPJ apresentadas entre 1997 e 1999, os registros contábeis da época, em especial o LALUR, a cópia do PAF 16327.000812/200100 (a ela entregue quando da ciência da autuação), a cópia da impugnação que manejou em resposta, a contrafé do recurso voluntário correspondente, e, ainda, a sua via do Acórdão nº 10321.104, bem como a contrafé ou via de arquivo das múltiplas petições que atravessou, após a decisão do Conselho de Contribuintes, para que o acórdão correspondente fosse implementado conforme seu entendimento (reiterando que a última petição sobre tal tema foi protocolada em junho de 2006). 58. Enfim, admitindose como possível que uma instituição, do porte e da tradição da interessada, fosse desorganizada a ponto de extraviar todos os documentos mencionados no parágrafo anterior, é de se perguntar, diante da hipotética ausência de tais registros, com base em quais informações teria surgido, em seus registros contábeis e fiscais do anocalendário de 2008 e na DIPJ 2009, o prejuízo fiscal no valor R$ 55.572.821,97 (referente ou formado entre 1992 e 1995, período para qual, no cenário descrito, todos os registros e documentos teriam sido extraviados ou destruídos). Assim, inexistindo crédito a compensar, e claramente possuindo o contribuinte pleno conhecimento disso, o Recorrente apresentou declaração falsa na PER/DCOMP objeto do presente processo! O fato de seus lançamentos contábeis e controles veicularem informações compatíveis com a retificadora da DIPJ 2009, apontando a existência de prejuízo fiscal remanescente dos anos de 1992 a 1995, é algo que não lhe serve de socorro, pois tais informações exigem o suporte documental apropriado, e deveriam, ao menos, refletir o que declarou ao Fisco por meio da DIPJ 1997 (mas esta declaração específica nunca foi retificada pelo contribuinte para refletir o que alega como defesa no presente processo). Assim, entendo restar configurada a hipótese legal cominada no art.18, caput e §2º Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07), qual seja, a multa isolada, Fl. 484DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 equivalente ao percentual de 150% sobre o valor do débito não homologado, tendo como fato gerador a data de entrega do PER/DCOMP. x) Indevida Cumulação da Multa de 20% (Multa de Mora Prevista na Carta Cobrança) com a Multa Isolada de 150% (Compensação Não Homologada) xi) Da Necessidade de Aplicação do Princípio da Absorção / Consunção Passo a analisar os últimos dois argumentos conjuntamente. Entendo não caber razão ao Recorrente uma vez que as sanções administrativas em questão, apesar da mesma base de cálculo, tratam de condutas distintas que afetam bens jurídicos diferentes. Não é a aplicação de multas sobre a mesma base que configuram o bis in idem, mas sim a igualdade das condutas puníveis. A multa isolada de 150% tem por objetivo punir e dissuadir a fraude, o uso de informações falsas em declarações de compensação, por sua vez, a multa de mora é consequência da inadimplência do contribuinte, do não recolhimento dos valores devidos no tempo e na forma regular, conforme disposição da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, em que pese discorde da posição do julgador a quo quanto à impossibilidade da aplicação do princípio da absorção/consunção em matéria tributária, entendo que no caso concreto o mesmo não é aplicável. Isto porque como acima exposto, as penalidades decorrem de práticas delitivas distintas. A multa de mora é objetiva e decorre do inadimplemento. Já a multa isolada, de caráter punitivo, decorre da prática fraudulenta descoberta pela autoridade lançadora. Neste sentido dispõe a norma resultante da combinação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 com o art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/03 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07). Assim, não há que se falar em absorção de uma pela outra no presente caso já que uma conduta não depende da outra. Desta forma, diante de tudo o quanto exposto, não dou provimento ao Recurso Voluntário e mantenho a decisão recorrida em seus exatos termos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 485DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.720148/201514 Acórdão n.º 1401002.015 S1C4T1 Fl. 437 27 Fl. 486DF CARF MF Documento de 27 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.1017.09111.C4QC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL RIBEIRO SILVA em 31/08/2017 22:44:00. Documento autenticado digitalmente por DANIEL RIBEIRO SILVA em 31/08/2017. Documento assinado digitalmente por: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES em 25/09/2017 e DANIEL RIBEIRO SILVA em 31/08/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.1017.09111.C4QC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: D49F69B147AA235E06030D0DE1AD430F485AA702752C9881312050168446828D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.720148/2015-14. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11516.722152/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
IRPJ. FATO GERADOR. CRÉDITOS CONTRA A UNIÃO. MOMENTO EM QUE OCORRE A DISPONIBILIDADE. Os créditos contra a União reconhecidos em sentença judicial em embargos à execução constituem receita tributável pelo imposto de renda da pessoa jurídica a partir do trânsito em julgado, sendo a disponibilidade revelada pelo fato de que tais valores podem ser objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação, independentemente da expedição de precatório.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Tendo a notificação de lançamento ou ciência do auto de infração ocorrido mais de 5 anos após o fato gerador, opera-se a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1401-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a alegação de decadência, dando provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ. FATO GERADOR. CRÉDITOS CONTRA A UNIÃO. MOMENTO EM QUE OCORRE A DISPONIBILIDADE. Os créditos contra a União reconhecidos em sentença judicial em embargos à execução constituem receita tributável pelo imposto de renda da pessoa jurídica a partir do trânsito em julgado, sendo a disponibilidade revelada pelo fato de que tais valores podem ser objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação, independentemente da expedição de precatório. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Tendo a notificação de lançamento ou ciência do auto de infração ocorrido mais de 5 anos após o fato gerador, operase a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a alegação de decadência, dando provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 52 /2 01 5- 68 Fl. 1373DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), que manteve o auto de infração lavrado em decorrência supostas de exclusões indevidas da base de cálculo de IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2011 e 2012 e insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS no período de apuração agosto de 2011. Conforme assinalou o I. Auditor Fiscal no TVF: “Por meio de Ação Ordinária proposta contra a União, revestida no processo judicial nº 87.00.009679, protocolada em 13/02/1987, a contribuinte requereu o ressarcimento de créditos oriundos de incentivos fiscais decorrentes das vendas de produtos exportados previstos no DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969. Essas exportações ocorreram no período de abril de 1981 a abril de 1985”. A controvérsia que ensejou a demanda judicial se deu em razão da supressão/redução indevida do benefício previsto no DecretoLei nº 491/1969, por meio das Portarias nºs 78/81, 89/81 e 292/81, do Ministério da Fazenda, as quais foram consideradas inconstitucionais pelo STF. A decisão de mérito proferida na ação ordinária transitou em julgado em 14/10/1994 (fl. 618), tendo reconhecido: (a) o direito de a Refinadora Catarinense ser ressarcida do créditoprêmio de IPI, do período de dezembro/1981 a abril/1985; (b) a incidência de juros moratórios a partir do trânsito em julgado; e (c) a incidência dos expurgos inflacionários. Em 8 de abril de 1996 (fls. 287) a contribuinte então iniciou os procedimentos executórios (memória de cálculo a fl. 290, no valor de 145.354.098,61 UFIR), tendo a sentença que julgou os embargos à execução opostos pela União transitado em julgado em 05/10/2007 (fls. 369). Em 2011 e 2012, a contribuinte efetuou lançamentos contábeis relacionados ao créditoprêmio de IPI isto é, registrou o crédito em 2011 e as respectivas atualizações/receitas financeiras em 2011 e 2012 , tendo procedido à exclusão de tais receitas das bases de cálculo dos tributos, sendo estas as exclusões objeto da presente discussão. O efetivo pagamento (disponibilidade financeira) ocorreu em quatro parcelas, pagas os anos 2011 a 2013. Em 2011 o valor estimado do precatório, livre dos honorários advocatícios, a ser recebido era de R$ 353.425.749,13, todavia a empresa já havia registrado Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.374 3 em sua contabilidade anteriormente a 2011 o valor de R$ 160.949.864,45, tendo complementado tal provisão no ano 2011 com o valor de R$ 192.475.885,68. A primeira parcela do precatório correspondente somente ocorreu em agosto de 2011, oportunidade em que o contribuinte fez o registro dos R$ 192.475.885,68 (a parcela recebida bastante foi inferior a este montante). Além disso, houve atualização do crédito, gerando uma renda de R$ 2.336.047,74 em 2011 e de R$ 18.545.173,20 em 2012. Todos os valores mencionados, créditoprêmio de IPI e atualizações registrados contabilmente nos anos 2011 e 2012 foram reconhecidos pelo contribuinte nas respectivas DIPJs como receitas de exportação direta de mercadorias e produtos. O acórdão da DRJ/REC recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EXCLUSÃO. O créditoprêmio de IPI tem natureza jurídica de subvenção para custeio, sendo, pois, receita operacional passível de tributação. Ausente previsão legal para sua exclusão da base de cálculo. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. JUROS E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Os juros e expurgos inflacionários fixados por decisão judicial como acessórios do crédito reconhecido são receitas operacionais (financeiras) sujeitas à incidência do tributo. Possível a tributação na proporção das parcelas pagas do principal. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. FATO GERADOR. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Por depender de evento futuro e incerto, o fato gerador de crédito em discussão judicial somente se considera ocorrido quando da sua disponibilidade jurídica, assim entendido o momento em que o mesmo tornase líquido e certo, não havendo qualquer contestação de seu montante na esfera judicial. PIS E COFINS LANÇADOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser excluídos da base de cálculo do imposto os valores lançados a título de PIS e Cofins que estiverem com a sua exigibilidade suspensa em função de discussão administrativa. PREJUÍZO FISCAL. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE 30%. Existindo saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores é devida sua compensação de ofício por parte do julgador administrativo até o limite de 30% da base de cálculo após a compensação do prejuízo fiscal do próprio ano calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA E TRIBUTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO DOS JUROS E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE PIS E COFINS LANÇADOS. Por ser lançamento reflexo e em virtude do disposto no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase ao lançamento da CSLL o entendimento proferido no lançamento de IRPJ quanto à natureza jurídica do créditoprêmio de IPI, quanto à sua tributação e a dos juros e expurgos inflacionários nele incidentes, bem assim quanto à impossibilidade de dedução da base de cálculo do PIS e da Cofins lançados. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE 30%. Existindo saldo de base de cálculo negativo de CSLL de períodos anteriores é devida sua compensação de ofício por parte do julgador administrativo até o limite de 30% da base de cálculo após a compensação da base negativa do próprio anocalendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. O créditoprêmio de IPI tem Fl. 1375DF CARF MF 4 natureza jurídica de subvenção para custeio, sendo, pois, receita operacional passível de tributação pelo PIS no regime não cumulativo da Lei nº 10.637, de 2002. FATO GERADOR. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento de PIS o entendimento proferido no lançamento de IRPJ no que concerne ao momento da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito prêmio de IPI tem natureza jurídica de subvenção para custeio, sendo, pois, receita operacional passível de tributação pela Cofins no regime não cumulativo da Lei nº 10.833, de 2003. FATO GERADOR. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento de Cofins o entendimento proferido no lançamento de IRPJ no que concerne ao momento da ocorrência do fato gerador. A contribuinte recebeu mensagem com acesso ao acórdão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico perante a RFB, na data de 01/04/2016 (fl. 1098) e abriu neste mesmo dia (fls. 11001101), tendo apresentado Recurso Voluntário em 2/05/2016 (fl. 1102). Em seu recurso voluntário a Recorrente sustenta, em suma: a) nulidade do acórdão da DRJ/REC por cerceamento de defesa, na medida em que: a.i) a decisão não analisou os argumentos enunciados no item A de sua Impugnação, os quais afastariam a classificação errônea adotada pelo fisco de que o crédito prêmio de IPI teria a natureza jurídica de subvenção para custeio em tal item a contribuinte defende que o créditoprêmio de IPI estava intrinsicamente ligado à receita de exportação, de modo que as regras de tributação aplicável à receita de exportação restaram estendidas ao referido crédito; a.ii) ao considerar a natureza jurídica do créditoprêmio de IPI como subvenção para custeio, a decisão incorreu em manifesto aperfeiçoamento da tese utilizada pelo Fisco no TVF, tendo citado normativa que sequer havia sido aventada pela Autoridade Autuante (por exemplo, Parecer Normativo CST 112/78). b) decadência em relação ao direito de exigir os tributos sobre o ressarcimento do crédito prêmio do IPI, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, haja vista que a sentença que reconheceu tal direito transitara em julgado em 05/10/2007, sendo esta a data da disponibilidade econômica e jurídica de tais valores, em observância do regime de competência. Assim, o fisco teria até o dia 31/12/2012 para efetuar o lançamento de ofício para exigir os supostos tributos incidentes sobre as verbas reconhecidas pela decisão transitada em julgado, no entanto a ciência do auto de infração ocorreu apenas em 10/07/2015. Nesse ponto, registra que postergou o registro de parte das receitas (crédito e atualização) para os anos de 2011 (quando uma parcela do precatório foi financeiramente liquidada) e 2012, com o único intuito de cumprir as normas contábeis a que está sujeita. Explica que a Lei 11.638/2007 trouxe diversas alterações nas normas contábeis em virtude da convergência aos padrões International Financial Reporting Standards – IFRS, sendo que uma delas determinava que uma contingência ativa não deve ser registrada Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.375 5 enquanto não estiver assegurado a obtenção do ganho (expectativa de realização). Mas lembra lembra, ainda, que, à época, para fins tributários estava em vigor o Regime Tributário de Transição RTT, o qual teve como pressuposto a neutralidade fiscal na adoção dos padrões internacionais de contabilidade. Esclarece portanto que o crédito não foi registrado na contabilidade em 2007 porque os princípios contábeis não orientavam a promover tal registro, contudo, em 2011 e 2012, quando restou evidente a expectativa de realização (disponibilidade financeira) efetuou o registro contábil dos valores. Diante disso, defende que com o trânsito em julgado da sentença em 05/10/2007 seu crédito restou líquido, certo e exigível no valor de R$ 450.145.724,81 (conforme certidão anexada à impugnação), tendo os precatórios sido expedidos em junho de 2010. Apenas o pagamento dos precatórios ocorreu posteriormente. Sustenta, ademais, que a Solução de Consulta SRRF/6 RF/DISIT nº 206/2003, mencionada pelo acórdão recorrido, não discrepa do que vem sendo defendido pela Recorrente, que: (a) a legislação do IR adota, para a apropriação de receitas das pessoas jurídicas, o princípio da competência; e (b) as receitas deverão ser escrituradas no períodobase de sua disponibilidade jurídica. Além disso, ressalta que os Pareceres Normativos 11/76 e 121/73 citados pelo acórdão recorrido regulamentam situações jurídicas diversas do caso tratado nos presentes autos. c) no mérito, sustenta que a natureza jurídica do créditoprêmio de IPI é de incentivo à exportação, de modo que as regras de tributação aplicável à receita de exportação restaram estendidas ao referido crédito. Neste sentido, ressalta que o DecretoLei nº 491/69, regulamentado pelo Decreto nº 64.833/69, instituiu o créditoprêmio de IPI como ressarcimento dos tributos pagos internamente, visando o incremento e o desenvolvimento da balança comercial nacional. A legislação estabelecia que as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, bem como as empresas comerciais exportadoras de tais produtos, podiam creditarse do créditoprêmio de IPI em sua escrita fiscal, em razão das exportações efetivamente realizadas. O Parecer Normativo CST nº 71, de 10/02/1972, previa, expressamente, que as receitas decorrentes de incentivos fiscais seriam consideradas receitas de exportação. Traz então trechos do acórdão CARF nº 10194.687, julgado em 15.09.2004, que reconheceu a não tributação dos valores pelo IRPJ e CSLL. Ressalta que o precedente do STJ citado pelo acórdão recorrido (REsp 957.173, não sujeito ao regime do artigo 543C do CPP) não se aplica ao caso, seja porque lá a contribuinte não exportou açúcar no período por meio da autarquia federal Instituto do Açúcar e do Álcool (“IAA”), como é o caso da Recorrente, seja porque tratou de ramo de atividade distinto. Sustenta, ademais, que à época dos fatos geradores do créditoprêmio de IPI (dezembro 1981 a abril de 1985) a legislação de regência da matéria era totalmente diversa daquela que fundamentou a exigência ora combatida. A CSLL sequer existia ao tempo dos fatos geradores do crédito prêmio do IPI, sendo incabível sua incidência. O mesmo se aplicando, ao PIS e à Cofins, cujas legislações atuais guardariam contornos bem distintos. Fl. 1377DF CARF MF 6 Assim, defende que a legislação não pode retroagir para alcançar fatos jurídicos antes mesmo da vigência das respectivas normas. d) ainda no mérito, sustenta, subsidiariamente, que também não haveria incidência de PIS e COFINS em razão da imunidade das receitas de exportação prevista no artigo 149, § 2º, I, da Constituição Federal, ressaltando que tal qualificação foi atribuída pelo Parecer Normativo n° CST 71/72. Cita precedente do TRF4 no sentido de que o créditoprêmio de IPI estaria abrangido em tal contexto (TRF4, Segunda Turma, AC 2007.71.08.0145930, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 09/12/2010). e) sustenta, ademais, que tributação exigida vai de encontro aos preceitos constitucionais, pois a Recorrente não pôde aproveitar na época própria o crédito a que tinha direito em razão de normativas posteriormente declaradas inconstitucionais, celeuma esta concluída apenas em 2007 com o trânsito em julgado da execução de sentença, 20 anos após o ajuizamento da ação ordinária em 13/02/1987. Avoca princípios do não confisco, da segurança jurídica e da isonomia, asseverando que se o créditoprêmio de IPI tivesse sido usufruído nas épocas próprias (1981 a 1985), a Recorrente certamente não teria sido autuada pelos motivos indicados nos Autos de Infração, e anexa aos autos documentos que confirmam o tratamento fiscal vigente à época, qual seja: (a) isenção da tributação pelo IRPJ; (b) a legislação de vigência do PIS (LC nº 7/70) não comportava a tributação de tal crédito; e (c) a CSLL e a COFINS sequer existiam na época do benefício. f) argumenta, subsidiariamente, a não tributação (i) dos valores correspondentes à atualização do crédito prêmio de IPI, excluída da apuração em 2011 e 2012, por se tratar de verba de natureza indenizatória, pela mora da União no adimplemento do crédito. Anexa precedente do TRF4 sobre a não incidência de Imposto de Renda sobre os juros moratórios (TRF4, 1ª Turma, AC nº 505328126.2013.4.04.7000/PR, Desembargadora Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrere, julgado em 15/07/2015); e (ii) da atualização do crédito, por não se tratar de receita, ganho ou acréscimo patrimonial, mas tão somente medida monetária reparadora dos efeitos provocados ao longo do tempo. g) alega, ainda, estar amparada pela coisa julgada, tendo o Poder Judiciário reconhecido o seu “direito de [...] não oferecer o seu lucro, pertinente à exportação de açúcar, à tributação do Imposto de Renda” (Mandados de segurança nºs: 80.00.13173012; 80.00.11255813 e 80.00.13256714, impetrado na Justiça Federal de Florianópolis). h) argumenta que se mostra totalmente descabida a tentativa do acórdão recorrido em enquadrar o créditoprêmio de IPI como sendo uma subvenção, eis que a natureza jurídica de tal crédito ter sido equiparada a própria receita de exportação, conforme determinado no Parecer Normativo CST nº 71 de 10/02/1972, que previa, expressamente, que as receitas decorrentes de incentivos fiscais como sendo receitas de exportações. Sustenta, subsidiariamente, que em se tratando de benefício fiscal, independente do caráter de subvenção governamental, a Jurisprudência considera tal parcela isenta do IRPJ e da CSLL cita acórdão neste sentido (STJ, Primeira Turma, REsp nº1.210.941/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, publicado em 14/11/2014) e não sujeita a PIS e COFINS (TRF 4ª Região, Primeira Turma, APELREEX nº 501841267.2014.404.7205, Desembargadora Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, juntado aos autos em 22/05/2015). i) em caráter subsidiário, alega erro na apuração da base de cálculo utilizada pelo Fisco, que impede a cobrança ora combatida. Isso porque, em 2011 (database do auto e infração), a Recorrente não recebeu a totalidade do crédito em discussão. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.376 7 Em 2011, o total estimado do precatório, livre de honorários advocatícios, a ser recebido era de R$ 353.425.749,13, todavia a empresa já havia registrado em sua contabilidade o valor de R$ 160.949.864,45, tendo complementado tal provisão em R$ 192.475.885,68. Porém, o pagamento efetivo foi parcelado, por força da Emenda Constitucional 62/2009. Assim, em 2011, a Recorrente recebeu apenas uma parcela do precatório, no valor de R$ 69.363.538,20 conforme se observa pelo comprovante de levantamento anexado à Certidão Narratória. O valor recebido não supera o montante registrado contabilmente como contas a receber em anos anteriores no valor de R$ 160 milhões. Logo, na pior das hipóteses, caso seja mantido o entendimento pela tributação do crédito em apreço, os autos de infração necessariamente precisam ser reformados, pois a base de cálculo adotada pela fiscalização não condiz com a realidade do caso e confronta o próprio argumento defendido pela autoridade autuante de que o fato gerador é o pagamento. j) ainda subsidiariamente, sustenta que deveriam ser deduzidos, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados, os valores relativos ao PIS e a COFINS, com base no artigo 41 da Lei 8.981/1995. A União apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, aduzindo, em síntese: ausência de nulidade por suposta falta de manifestação sobre todos os argumentos da impugnação: decisão de primeira instância adotou uma linha argumentativa consistente, trilhando a via argumentativa da configuração dos créditosprêmios como subvenção de custeio. Ao fazêlo, afastou e refutou toda a linha argumentativa alegada pela ora Recorrente, à época, em sua impugnação. inexistência de decadência: os valores em questão não podem ser considerados disponibilizados no anocalendário de 2007 pois a sentença que transitou em julgado em 5/10/2007 não era líquida e dependia de apuração dos valores em liquidação de sentença, tendo perdurado até 2011 a discussão quanto ao montante exato do crédito pleiteado judicialmente. natureza dos valores de créditoprêmio de IPI: tratase de subvenção corrente para custeio, portanto acréscimo patrimonial tributável, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp 957153/PE, publicado em 15/03/2013 e REsp 1349837/SC, publicado em 17/12/2012). Este processo foi incluído em pauta mas inicialmente, por determinação judicial em sede de liminar em mandado de segurança, houve a sua retirada. Nesta ação judicial a contribuinte sustentou tanto o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional em virtude do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, instituído pela Medida Provisória n. 765/2016, quanto a ausência de paridade no caso concreto, já que embora esteja previsto que as Turmas do CARF serão compostas por 4 julgadores representantes da Fazenda Nacional e 4 representantes dos Contribuintes, esta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção possui apenas 2 conselheiros titulares representantes dos contribuintes. Em 17 de março de 2017 o Tribunal Regional Federal da 1a Região deferiu o pedido de suspensão de segurança formulado pela União nos autos do processo 1001006 64.2017.4.01.0000. Fl. 1379DF CARF MF 8 O processo foi então incluído na pauta de julgamentos de abril de 2017. Em 3 de abril de 2017, a Recorrente apresentou petição observando que a composição desta Turma não está completa, estando faltantes 2 Conselheiros representantes dos contribuintes, e requerendo: (i) a convocação de 2 conselheiros suplentes, representantes dos contribuintes, para integrar a Turma na sessão de julgamentos do dia 10/04/2017, às 09:00h; ou (ii) não sendo possível a convocação de suplentes, a retirada do processo da pauta de julgamentos. Tal pedido foi indeferido pelo Presidente desta Turma. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Quanto às alegações de nulidade nele suscitadas, deixo de apreciálas tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que dispõe: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Isso porque, no caso, entendo que restou caracterizada a decadência do direito de o fisco cobrar o crédito tributário ora em discussão. Conforme relatado, a Recorrente ajuizou ação ordinária em 13/02/1987 (fls. 43 e seguintes), com pedido condenatório, tendo a sentença nesta demanda transitado em julgado em 14/10/1994 (fl. 618). Este título executivo judicial em favor da ora Recorrente reconheceu (a) o direito de a Refinadora Catarinense ser ressarcida do créditoprêmio de IPI, do período de dezembro/1981 a abril/1985; (b) a incidência de juros moratórios a partir do trânsito em julgado; e (c) a incidência dos expurgos inflacionários. Em 8 de abril de 1996 (fls. 287288) a contribuinte apresentou memória de cálculo (fl. 290) para o fim de promover a liquidação da sentença, dando início à execução de tal título executivo, no valor de 145.354.098,61 UFIR. A União questionou o valor por meio de embargos à execução, os quais transitaram em julgado em 05/10/2007 (fl. 369). Diante do trânsito em julgado dos embargos à execução, a Justiça Federal determinou a remessa dos autos ao contador para atualização do cálculo apresentado pela empresa em 8 de abril de 1996, considerando a sentença e os acórdãos então proferidos (fl. 370). A seção de contadoria então atualizou os cálculos até junho de 2008, tendo chegado ao valor de R$ 450.145.724,81 (fl. 373). Peculiaridades de tais cálculos foram questionadas por ambas as partes, sendo que a União requereu ainda que do valor do precatório a ser expedido fossem abatidas dívidas tributárias da empresa inscritas em Dívida Ativa. Em 27 de maio de 2010 a Justiça Federal determinou a expedição de precatório, deduzindose do crédito da empresa o valor dos débitos tributários inscritos (fl. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.377 9 607608). O despacho de 617 esclarece que o precatório deve ser expedido pelo valor bruto, comunicandose ao tribunal o valor a ser deduzido. A Requisição de Pagamento foi então expedida em 17 de junho de 2010 (fl. 16181619) no valor total de R$428.710.214,11. O pagamento se deu em quatro parcelas, pagas nos anos 2011 a 2013. Contabilmente, a Recorrente alega que não reconheceu os valores em 2007 data em que, a seu ver, os valores se tornaram líquidos e certos porque, à época, as normas contábeis não lhe orientavam a promover tal registro. Apenas em 2011, em virtude das alterações nas normas contábeis ocorridas no contexto da convergência aos padrões IFRS, e tendo restado evidente a expectativa de realização (disponibilidade financeira), é que efetuou o registro contábil dos valores. O auto de infração de fl. 847 a 877 considera como períodos de apuração os meses de agosto de 2011 e a dezembro de 2012. A questão posta preliminarmente é sobre qual o momento em que devem ser escrituradas e reconhecidas as receitas da pessoa jurídica que apuram seus tributos com base no lucro real. Neste caso é importante examinar a legislação vigente. O Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/99 dispõe: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...) Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (...) Art. 218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real, presumido ou arbitrado, correspondente ao período de apuração. Assim, nos termos da legislação comercial, a pessoa jurídica no regime de lucro real deve reconhecer as suas receitas, pelo regime de competência, no momento em que ocorre o ganho do direito ou valor, independentemente da sua realização em moeda. Nesse sentido ensina Bulhões Pedreira, que explicita o objetivo do regime de competência: Fl. 1381DF CARF MF 10 "é distribuir o fluxo contínuo de renda da pessoa jurídica entre os exercícios sociais segundo critérios que atribuam a cada período a renda que lhe compete, ou cabe, por ser renda cuja disponibilidade foi adquirida (e, consequentemente, acresceu o patrimônio) no período. (...) No regime de competência, o que importa é o momento em que a receita ou o rendimento é ganho, ou acresce o patrimônio, o que pode ocorrer tanto no recebimento da moeda quanto antes ou depois desse recebimento. Em regra, a receita e o rendimento consideramse ganhos em função de fatos que ocorrem antes do recebimento, mas muitas vezes a pessoa jurídica os recebe antecipadamente, isto é, antes de ganhos; nesse caso, são registrados como obrigações e reconhecidos nas contas de resultado somente quando ganhos. (...) devido ao princípio do emparelhamento de receitas e despesas, o lucro é reconhecido no momento em que a receita ou o rendimento de cada operação é considerado como ganho, pois o registro dos custos ou despesas é função das receitas ou rendimentos a que correspondem” (PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: Justec, 1979, v. I, p. 167, grifamos) No caso, a Recorrente teve seu direito reconhecido em 14/10/1994 (fl. 618), quando do trânsito em julgado da sentença proferida nos autos da ação ordinária. De fato, foi nos autos da ação ordinária, de conhecimento, que se discutiu a materialidade do direito e se definiu, ao seu final, que a ora Recorrente tinha direito ao ressarcimento ao créditoprêmio de IPI. Tanto é que tal demanda resultou em um título executivo judicial, que foi posteriormente liquidado e executado. A liquidação deste título executivo ocorreu em 8 de abril de 1996 (fls. 287 288), quando a ora Recorrente apresentou memória de cálculo no valor de 145.354.098,61 UFIR (fl. 290), dando início à execução/cumprimento de sentença. Tanto é assim que, diante do reconhecimento do trânsito em julgado dos embargos à execução propostos pela União, a Justiça Federal nada mais fez do que mandar atualizar tais cálculos para o fim da expedição dos correspondentes precatórios conforme comprova a cópia do despacho a fl. 370 do eprocesso. Assim, o que se seguiram foram debates acerca do montante devido, mas o direito material foi reconhecido judicialmente, e passou a existir, com o trânsito em julgado da sentença condenatória proferida nos autos da ação ordinária. Não se trata de uma receita variável que dependa de evento futuro como pretendeu o TVF, citando precedente deste CARF a respeito do reconhecimento de variação cambial. No caso das receitas de créditoprêmio de IPI, com o trânsito em julgado da sentença na ação ordinária se reconheceu definitivamente que a União tinha uma dívida para com a empresa, ou seja, o direito desta não esteve a depender da verificação de qualquer condição ou evento futuro. Apenas o montante a receber é que permaneceu sendo discutido. É verdade que muito se discute sobre a natureza dos embargos à execução/ impugnação ao cumprimento de sentença, sendo estes ora entendidos como uma espécie de recurso, ora como uma espécie de defesa e ora como uma ação ordinária incidental, havendo, ainda, que, os entenda como instrumento de defesa ou de ação conforme a matéria veiculada. De qualquer forma, parece claro que os embargos não exatamente têm por finalidade o título, mas a execução. Explico. Existem situações em que, mesmo depois de procedentes os embargos, o título continua por exemplo, nos casos de prescrição, de título ilíquido ou não vencido, circunstâncias que, mesmo acolhidos os embargos, o título persiste e pode ser utilizado para outra ação. Assim, mesmo os que entendem os embargos como uma Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.378 11 ação reconhecem que esta tem o objetivo de extinguir, no todo ou em parte, a execução, podendo (como consequência secundária) resultar ou não na desconstituição do título em que esta se funda. Portanto, se a Recorrente teve o seu direito reconhecido em sentença judicial transitada em julgado em 14/10/1994, foi neste momento em que ela adquiriu a disponibilidade econômica e jurídica da renda passível de ser tributada, nos termos do artigo 153 da Constituição Federal e do artigo 43 do CTN. E tanto esse valor era certo que o cumprimento de sentença foi iniciado com os próprios cálculos realizados pela Recorrente. Em caso análogo, este CARF já reconheceu que questões relacionadas à contabilidade pública tais como a necessidade de previsão orçamentária e de empenho para o recebimento de valores da União não impedem a eficácia do título e, portanto, a tributação, quando for o caso, dos respectivos montantes: EMENTA: DIFERIMENTO DE TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE O LUCRO. RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. EXTENSÃO ÀS RECEITAS DECORRENTES DE REPACTUAÇÃO DA DÍVIDA ORIGINAL. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das receitas de juros e atualização monetária, incorridas em razão do atraso da União no pagamento da dívida resultante da cessão dos créditos originais, observa o regime de competência. FATO GERADOR SUJEITO A CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INOCORRÊNCIA. A necessidade de previsão orçamentária e de empenho para o recebimento da dívida pactuada são condições externas ao contrato, e não impedem sua eficácia. A pessoa jurídica prejudicada pode, após o vencimento, propor ação judicial para exigir o pagamento da dívida e a emissão de precatório em seu favor. (...) (acórdão 1101000.892, Relatora Edeli Pereira Bessa, julgado em 8 de maio de 2013, grifamos) Mesmo que se conclua que houve equívoco cometido pela Recorrente ao não reconhecer em sua escrituração o valor expresso na sentença transitada em julgado no respectivo momento, tal fato poderia ter levado a autuação por outro fundamento, o que não é o caso, tendo em vista que o julgador administrativo não pode alterar os motivos da autuação, mas, apenas julgar os fatos e direito que lhe são postos, e, também, que é defeso, tanto ao julgador administrativo quanto à administração tributária, alterar o regime de reconhecimento de receitas e, por conseguinte, do próprio fato gerador da obrigação tributária, sob pena de violar o próprio critério temporal para a apuração do tributo. Assim, o fato de a Recorrente só ter reconhecido contabilmente os respectivos valores em 2011 sem se fazer juízo de valor sobre se o procedimento foi correto ou não não tem o condão de alterar o regime de tributação para o do efetivo recebimento, eis que a contribuinte permaneceu tributada no regime de lucro real, sendolhe aplicável, em qualquer caso, o regime de competência, que é o critério normativo para identificação do aspecto temporal da obrigação tributária. Portanto, sendo o termo a quo para a contagem do prazo decadencial a data do fato gerador, que ocorreu no dia 31/12/1994, o fisco teria até o dia 31/12/1999 para efetuar Fl. 1383DF CARF MF 12 o lançamento de ofício para exigir os tributos incidentes sobre as receitas reconhecidas pela decisão transitada em julgado, nos termos do artigo 150, par. 4o do CTN. No presente caso, a Recorrente somente foi cientificada do auto de infração no dia 10/07/2015, ou seja, depois de transcorridos o prazo legal do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Vale ressaltar que, mesmo que se entenda que os embargos à execução têm natureza de ação de conhecimento que visa a discutir o título em si e não a execução tese que, conforme explicado, não foi a esposada por esta relatora1 a decadência igualmente haveria de ser reconhecida, eis que o trânsito em julgado de tal demanda ocorreu 05/10/2007, portanto também mais de 5 anos antes da ciência do auto de infração em 10/07/2015. Esta parece ser a posição da Solução de Consulta n° 206 de 24 de novembro de 2003, da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, a qual foi citada no próprio TVF embora este tenha lhe dado interpretação diversa, por entender de que os créditos contra a União só têm liquidez e certeza com o efetivo recebimento , in verbis: EMENTA: RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Os valores correspondentes a créditos contra a União, relativos a tributos e contribuições pagos, que tenham sido considerados inconstitucionais ou ilegais por força de sentença judicial, constituem receita tributável pelo imposto de renda da pessoa jurídica. Se o exercício do direito de crédito se fizer mediante ação de execução promovida contra a Fazenda Pública, somente quando findo esse processo ocorre a disponibilidade jurídica ou econômica da renda, visto que a ação de execução está sujeita a contestação por parte da União e o precatório representa um crédito sujeito a termo. No caso em que o exercício do direito de credito se faça pela compensação dos valores, essa disponibilidade ocorre no momento em que surgirem os débitos a serem compensados. Neste ponto, destaco que, colocada a matéria em votação neste Colegiado, esta relatora foi vencedora apenas nas conclusões (pela decadência). A fundamentação adotada por esta Turma foi exatamente a de que a decadência ocorreu em vista do trânsito em julgado ocorrido nos embargos à execução (05/10/2007), pois apenas a partir desse momento o crédito se torna plenamente exigível, ocorrendo assim a disponibilidade da renda, fato gerador do tributo apurado em 31/12/2007. Observouse, ademais, que tal exigibilidade se dá independentemente da expedição do precatório, eis que os créditos de decisões judiciais transitadas em julgado podem imediatamente ser objeto de pedido de restituição nos termos dos arts. 73 e seguintes da Lei 9.430/1996, conforme reconhecido pela Receita Federal nas instruções normativas editadas sobre o tema (art. 37, § 2º da IN SRF 210/2002, art. 50, § 1º da IN RFB 600/2005, art. 70, § 2º da IN RFB 900/2008 lembrando que a partir do art. 81, § 2º, da IN RFB 1300/2012 foi vedado ao contribuinte pedir a restituição, podendo pedir apenas a compensação de tais créditos). Isto posto, voto por acolher a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente, dando provimento ao recurso voluntário. 1 Esta relatora tem dificuldade em entender como um título executivo que é líquido e certo o bastante para dar ensejo a uma ação de execução/cumprimento de sentença não teria tal força para dar ensejo à respectiva tributação dos respectivos valores em caso de contribuinte sujeito ao regime de competência, por isso a posição de que a decadência ocorreu a partir do transito em julgado da sentença na ação ordinária. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 11516.722152/201568 Acórdão n.º 1401001.898 S1C4T1 Fl. 1.379 13 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722314/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/07/2007, 31/08/2007
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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score : 1.0
Numero do processo: 13603.905757/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 57 /2 01 2- 96 Fl. 332DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 23.830,64. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.469, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13603.905757/201296 Acórdão n.º 3401003.920 S3C4T1 Fl. 321 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 334DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13603.905757/201296 Acórdão n.º 3401003.920 S3C4T1 Fl. 322 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 336DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.905757/201296 Acórdão n.º 3401003.920 S3C4T1 Fl. 323 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000850/2006-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 13891.000154/00-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO.
O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-004.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição, sem efeitos infringentes.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Embargos Acolhidos.
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ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 01 54 /0 0- 39 Fl. 249DF CARF MF 2 Relatório Do despacho de admissibilidade dos embargos, que os admitiu de forma parcial, no caso, em relação à contradição, temse a síntese do porquê da oposição dos aclaratórios, fls. 246 e seguintes: Tratase de Embargos de Declaração, tempestivos, opostos pela Fazenda Nacional, para eliminar contradição e omissão supostamente ocorridas no acórdão nº 20179.874, de 08 de dezembro de 2006, cuja ementa ficou assim consignada, no que interessa a este exame: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. (...) A contradição advém do fato de na ementa constar a extinção do direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente enquanto no voto vencedor do ilustre conselheiro relator ficou assentado que o prazo para se pleitear tal contribuição só se deu com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10 de outubro de 1995, momento em que a contribuinte passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente; (...) (...) Ao meu sentir, há evidente contradição entre a ementa e o voto vencedor, como bem apontou a Fazenda Nacional, porquanto, de fato, a ementa que constou foi a síntese do voto vencido, e não a do vencedor. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, fls. 248, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Da contradição apontada Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13891.000154/0039 Acórdão n.º 3302004.805 S3C3T2 Fl. 3 3 No caso em análise houve contradição entre a ementa e o voto vencedor, que se circunscreveu tão somente em relação à decadência. Do voto vencedor, extraise, fls. 237: Tratase de pedido de restituição/compensação de créditos da contribuinte protocolado 06 de outubro de 2000, cujo pedido decorre do período de apuração compreendido entre de 01/07/1988 a 30/06/1994, com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade dos referidos diplomas legais. Sem maiores prolixidades, entendo que o prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. (...) Todavia, nos casos, como o presente, em que a contribuinte recolheu tributo indevido (art. 165, inciso I, CTN), com base em lei que, em momento ulterior, foi declarada inconstitucional, a contagem se dá de outra forma. Isto porque, no mundo jurídico, os decretosleis que tinham instituído a cobrança indevida, não existem, de modo que não se pode falar em crédito tributário propriamente dito. Como o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, em controle concreto de constitucionalidade, essa decisão só passou a ter eficácia erga omnes com a publicação da Resolução n° 49, do Senado Federal, em 10/10/1995, momento em que a recorrente passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. O pedido da contribuinte foi formalizado em 06 de outubro de 2000, portanto, evidente é o fato de que naquela data a contribuinte fazia jus ao seu direito à restituição. O pedido é tempestivo, ou seja, não foi alcançando pelo instituto da decadência. (...) De fato, há contradição quanto ao termo inicial da contagem do prazo da decadência; a ementa prevê que o prazo inicial é de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, algo que não condiz com o voto vencedor, que, por sua vez, entendeu que o prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Assim, onde se lê: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 251DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. (...) Devese ler: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/06/1994 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO O prazo para pedir a restituição com base na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 10 de outubro de 1995, prazo este expirado em 10 de outubro de 2000. Assim, deve ser retificada a ementa quanto ao prazo inicial da contagem da decadência. 3. Conclusão Diante do exposto, acolhemse, parcialmente, os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado no que concerne à contradição sem efeitos infringentes. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001537/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL
"São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5)
ABONO ÚNICO
De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária".
Numero da decisão: 2202-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.442, de 14/06/2016: a) também excluir do lançamento a competência 01/2005 e os juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral; b) reconhecer que a competência 10/2005 foi objeto de medida judicial com depósito
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
Assinado digitalmente.
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5) ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária".
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CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5) ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.442, de 14/06/2016: a) também excluir do lançamento a competência 01/2005 e os juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral; b) reconhecer que a competência 10/2005 foi objeto de medida judicial com depósito Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 15 37 /2 00 7- 81 Fl. 1983DF CARF MF 2 Assinado digitalmente. Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202003.442, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 14 de junho de 2016, cuja ementa abaixo se transcreve: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF 99 ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária Cientificado da decisão em 19/01/2017, o contribuinte opôs embargos de declaração em 20/01/2017, alegando. o seguinte: (I)ERRO MATERIAL SOBRE A COMPETÊNCIA DE 01/2005 6. Consta do v. Acórdão Embargado que a competência de 01/2005 seria objeto de medida judicial com depósito, o que levou ao não conhecimento do Recurso Voluntário neste ponto. Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 14485.001537/200781 Acórdão n.º 2202004.128 S2C2T2 Fl. 1.984 3 7. Porém, em verdade, tal competência não é objeto de medida judicial, o que pode ser confirmado na planilha de fls. 612 (aposição de número manual) elaborada pelos julgadores de 1ª instância. (...) (II) ERRO MATERIAL SOBRE A COMPETÊNCIA DE 10/2005 (...) 10. Porém, em verdade, a competência de 10/2005 é objeto de medida judicial com depósito, o que pode ser confirmado na planilha de fls. 612, inclusive, motivado a exclusão da correspondente multa moratória a si vinculada, conforme decidido no v. acórdão de piso. (III) OMISSÃO SOBRE O DESCABIMENTO DE JUROS DE MORA SOBRE PRETENSOS DÉBITOS GARANTIDOS POR DEPÓSITO JUDICIAL, NA FORMA DA SÚMULA CARF Nº 5. 12. Em razão do reconhecimento da existência de depósito judiciais vinculados aos débitos lançados neste feito, já pelo v. acórdão de 1ª instância, o que, inclusive, motivou a exclusão da correspondente multa moratória a si vinculada, a ora Embargante pleiteou, em seu Recurso Voluntário, a exclusão, também, dos juros de mora, em linha com o entendimento hoje cristalizado da Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise dos erros materiais e da omissão apontados no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Corretas as alegações do embargante. Como já reconhecido no despacho de admissibilidade: Pois bem, quanto ao item “i”, verificase que assiste razão ao Embargante. Compulsandose a planilha de fl. 612, constatase que a competência 01/2005 não foi objeto de medida judicial. Assim sendo, deve ser sanado o vício, nessa parte. No que tange ao item “ii”, também assiste razão ao Contribuinte. Analisando detidamente a planilha de fl. 612, constatase que a competência 10/2005 foi objeto de medida Fl. 1985DF CARF MF 4 judicial com depósito (R$ 1.857.420,00). Portanto, existe um vício a ser sanado, pois o voto condutor considerou que não existia depósito judicial. Quanto ao item “iii”, resta patente a omissão. Compulsandose o Recurso Voluntário às fls. 666/670, constatase que o Contribuinte se insurge contra a aplicação do juros de mora. Entretanto o voto condutor do acórdão embargado silenciouse sobre a questão. Portanto, devese acolher os Embargos também nessa parte. Em relação a omissão apontada, como bem exposto pelo Embargante, a Súmula CARF nº 5 é clara ao dispor que "Súmula CARF nº5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." Sendo assim, procedente a exclusão dos juros de mora, em relação aos valores que foram objeto de depósito do montante integral. Em relação à competência 01/2005 verificase pela planilha de fls. 1184 (numeração do eprocesso) que esta foi incluída na NFLD nº 37.043.5869 relativa a incidência de contribuições sociais sobre verbas pagas à título de Abono Único. Conforme exposto na decisão embargada, o abono pago pela Recorrente atende às exigências constantes do Parecer PGFN nº 2114/2011, motivo pelo qual, não deve sofrer incidência das contribuições previdenciárias. Ante o exposto, conheço dos embargos, com efeitos infringentes para a) Em relação à competência 01/2005, reconhecer que não está abrangida pela concomitância, uma vez que não foi objeto de medida judicial e que não deve sofrer incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que atende as exigências constantes do Parecer PGFN nº 2114/2011; b) Em relação à competência 10/2005, reconhecer que foi objeto de medida judicial com depósito; c) Excluir a aplicação dos juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral nos termos da Súmula CARF nº 5. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 14485.001537/200781 Acórdão n.º 2202004.128 S2C2T2 Fl. 1.985 5 Fl. 1987DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723357/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PENSÃO POR MORTE COM DOIS BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovado pelo contribuinte que a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal refere-se ao fato de ser beneficiário de somente metade do rendimento informado pela fonte pagadora, deve ser afastada a infração imputada e o crédito tributário ser julgado improcedente.
Numero da decisão: 2401-005.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PENSÃO POR MORTE COM DOIS BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado pelo contribuinte que a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal refere-se ao fato de ser beneficiário de somente metade do rendimento informado pela fonte pagadora, deve ser afastada a infração imputada e o crédito tributário ser julgado improcedente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 59 1 58 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.723357/201546 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.066 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente JORGE LUIZ BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PENSÃO POR MORTE COM DOIS BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado pelo contribuinte que a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal referese ao fato de ser beneficiário de somente metade do rendimento informado pela fonte pagadora, deve ser afastada a infração imputada e o crédito tributário ser julgado improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 33 57 /2 01 5- 46 Fl. 59DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 19985.723357/201546 Acórdão n.º 2401005.066 S2C4T1 Fl. 60 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 53/54) interposto em face do Acórdão nº. 1670.572 (fls. 42/47), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados, informados pela fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, caracteriza omissão de rendimentos. O presente processo tratase de lançamento de ofício (fls. 05/09) originário da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, onde constatouse a omissão no valor de R$ 13.380,41 (treze mil, trezentos e oitenta reais e quarenta e um centavos), cuja fonte pagadora é o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou sua impugnação de fl. 3, a qual foi julgada improcedente e resultou no acórdão acima reproduzido. Cientificado da decisão de piso em 18/02/2016 (fl. 51), apresentou tempestivamente o recurso voluntário de fls. 53/54, onde alega, em síntese: a) não é o único beneficiário dos rendimentos, que se trata de pensão por morte de Dolores Lindamir Giraldelo, da qual é um dos dois dependentes; b) a composição da turma de julgamento na DRJ/SPO lhe foi desfavorável, ante a ausência de dois julgadores e a presença de um presidente substituto; c) o art. 4º do RIR/99 permite a declaração em conjunto ou separado de rendimentos por parte de menores e outros incapazes. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Mérito A controvérsia instaurada é referente à omissão de receitas apurada em face do contribuinte, ora recorrente. Segundo a Notificação de Lançamento (fls. 28/33), o recorrente declarou o rendimento de R$ 40.668,60 da fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (CNPJ nº. 29.979.036/000140), ao passo que a referida fonte declarou em DIRF o valor de R$ 54.049,01. Em razão da diferença acima, foi apontada a omissão no montante de R$ 13.380,41. O recorrente apresenta suas razões, em especial a de que a diferença seria decorrente da divisão entre ele e sua filha, do montante recebido a título de pensão por morte da sua esposa, cujo os dois (recorrente e filha) seriam os beneficiários. Da análise dos documentos apresentados (fls. 11/18) é possível atestar a ausência da omissão de R$ 13.380,41. Ocorre que o valor pago da fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (CNPJ nº. 29.979.036/000140) é referente à pensão por morte de sua ex esposa, cujos beneficiários são o próprio recorrente e sua filha, razão pela qual o Sr. Jorge Luiz Barbosa declara como rendimento próprio somente a metade do montante pago pela mencionada fonte pagadora. Do mesmo modo, conforme informado pela própria decisão recorrida, em consulta ao sistema DIRF há somente uma fonte pagadora para a beneficiária Maísa Giraldelo Barbosa (filha do recorrente). Assim, estando incontroversa a existência de dois beneficiários da pensão paga pelo INSS (doc. fl. 18), de fato o recorrente só faz jus à metade do montante recebido. Isto posto, por ausência de documentos e/ou informações que atestem em contrário, não há como afirmar a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal, razão pela qual o recurso voluntário do contribuinte merece provimento. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 19985.723357/201546 Acórdão n.º 2401005.066 S2C4T1 Fl. 61 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 63DF CARF MF
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